CONCEITO DE MODERNISMO
Em inícios do século XX, em Portugal, a produção literária e plástica era ainda profundamente
marcada pelo classicismo racionalista e naturalista, em manifestações apáticas e decadentes,
que evidenciavam forte resistência à inovação. Ao monótono e decadente rotativismo político
correspondia uma não menos monótona e decadente produção intelectual. Os interesses
materiais dos burgueses sobrepunham-se aos interesses culturais, condicionando a liberdade
de expressão. A partir de certo momento, grupos de intelectuais portugueses organizaram-se
em círculos de contestação da velha ordem e iniciam-se no recurso a estratégias provocatórias
e na resposta, por vezes desabrida, às formas políticas e culturais conservadoras e
reaccionárias à modernidade. - É o modernismo, enquanto movimento estético e literário de
ruptura com o marasmo intelectual, que irrompe em Portugal em uníssono com a arte e a
literatura mais avançadas da Europa, sem prejuízo, todavia, da originalidade nacional. O
modernismo é um movimento cultural do início do século XX baseando-se na ideia de que o
tradicionalismo vigentes nas artes se tinha tornado obsoleto. No contexto na revolução
industrial dos finais do século XIX urgia impregnar as artes deste sentimento de progresso. Era
necessário aceitar o novo como bom e belo. O modernismo é um movimento estético em que
as diversas artes interagem (literatura, pintura...) o modernismo implica uma nova visão da arte
e da relação entre arte e autor. O modernismo implica uma concepção do Homem para lá dos
seus limites, uma exploração mais ampla das possibilidades e capacidades da alma humana.
De uma forma algo simplista pode dizer-se que este movimento se inicia em Portugal nas
vésperas da Primeira Guerra Mundial estendendo-se até à Segunda Grande Guerra.
Breve definição de Modernismo
O Modernismo encara a literatura como “linguagem que se constitui a partir de um vazio” e não
como expressão directa das vivências do Eu do autor, tal como acontecia no Romantismo. É
também uma característica sua a ligação às artes plásticas atribuída na literatura ao aspecto
gráfico. Estas características podem e devem ligar-se às diferentes reacções dos artistas face
à crise de consciência da época e sintetizando-se da seguinte maneira:
- agressão, polémica, sarcasmo
- celebração das energias individuais (Whitman)
- entrega à vertigem das sensações, celebração da força da máquina
- tendência para a dispersão
- consciência da multiplicidade do Eu
Exercício 1 – define classicismo encontrando exemplos do mesmo na literatura do contexto
português.
Nomes do Modernismo em Portugal e Órgãos de difusão do movimento
Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, José de Almada Negreiros e Santa Rita Pintor (artista
plástico). Em Lisboa, no ano de 1913, estes quatro criadores juntam-se e em 1914 lançam a
revista futurista “Orpheu” (primeiro modernismo). O ano de 1916 traz o suicídio de Mário de Sá
Carneiro. Depois de extinta a Orpheu, outras publicações individuais continuam a divulgar o
modernismo português, entre estas “Centauro”, 1916; “Portugal Futurista”, 1917; “Athena”,
1924-1925 e “Presença”, 1927-1940, esta última sendo o órgão do segundo modernismo
português.
Objectivos da “Orpheu” – A Geração de Orpheu
1
A “Orpheu” tinha como objectivo divulgar o movimento modernista e os seus autores, pretendia
também criar ruído, isto é, escandalizar a burguesia, transtornar e se possível modificar a
mentalidade do povo português. Mas não foi possível...
Os autores da Orpheu confluem passado e futuro e vemos lado a lado discípulos do
Simbolismo, do Decadentismo e introdutores das novas correntes. O Paulismo e o
Interseccionismo de Pessoa ortónimo, breve são substituídos pelo Sensacionismo de Álvaro de
Campos e pelo Futurismo de Álvaro de Campos1
e Mário de Sá Carneiro. Os poetas do
futurismo cantam a vida moderna, substituem o belo pelo novo, isto é, cantam a vida moderna,
os frémitos da nova civilização mecânica visando não a beleza como até então viste de um
ponto de vista clássico mas a força e o dinamismo. A geração de Orpheu irá liquidar certas
formas de sentir e de pensar vindas do passado e tornadas obsoletas, visa o Homem Moderno.
Como temas dominantes do modernismo podemos salientar a Euforia do Novo, tudo o que em
termos civilizacionais é moderno será cantado de forma eufórica, à maneira de Whitman.
Contudo, esta euforia depressa descambará para o tédio e para a dissolução do sujeito (como
se irá notar na poesia de Campos), para a crise aguda do “eu” que, refractado, se perde.
Exercício 2 – Encontra definições concisas de Simbolismo, Decadentismo, Paulismo e
Interseccionismo enquadrando-as no contexto da geração modernista.
FERNANDO PESSOA – BREVE NOTA BIOGRÁFICA E BIBLIOGRÁFICA
Fernando Alberto Nogueira Pessoa nasce em Lisboa a 13 de Junho de 1888 mas passará
grande parte da sua juventude na África do Sul em virtude do segundo casamento da sua mãe
com o Comandante João Miguel Rosa, Cônsul de Portugal em Durban. Neste país recebe uma
educação britânica (daí o seu conhecimento profundo da língua inglesa, na qual escreve vários
textos em prosa e em poesia). Fernando Pessoa cresce de forma solitária tomando
conhecimento de autores tais como Shakespeare, Allan Poe, entre outros. Em 1905 regressa
sozinho a Lisboa deixando para trás a família. Em 1906 matricula-se no Curso Superior de
Letras na Universidade de Lisboa familiarizando-se com vários autores da língua portuguesa.
Embora Pessoa já escrevesse desde a as juventude, é pelo ano de 1912 que se estreia
enquanto ensaísta e crítico literário na revista “Águia”. Foi uma figura discreta, vivendo quase
apenas para a literatura. Trabalhou enquanto tradutor de uma firma comercial em Lisboa
aproveitando o seu conhecimento da língua inglesa. Toda a actividade de Pessoa passava-se
para dentro: desdobrando-se em multidões de heterónimos sendo que os mais conhecidos
para o grande público são Alberto Caeiro, Álvaro Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares
(uma espécie de Fernando Pessoa “ele mesmo” mas em estado de sonolência, segundo as
palavras do próprio). A 25 de Novembro de 1935 é internado no Hospital de São Luís dos
Franceses devido a uma cólica hepática provocada pelo abuso do álcool. Morre a 30 de
Novembro, aos 47 anos. A sua última frase escrita é em inglês “I know not what tomorrow will
bring”.
Breve resenha da obra do poeta
Pessoa ortónimo:
A mensagem
Cancioneiro
O marinheiro (peça de teatro)
Páginas sobre literatura e estática (*)
A procura da verdade oculta (*)
(*) Ensaios
Alberto Caeiro
O guardador de rebanhos
O pastor amoroso
Poemas inconjuntos
Álvaro de Campos
Poesias de Álvaro de Campos
1
O futurismo de Campos vai beber essencialmente a Walt Whitman e a Marinetti.
2
Ricardo Reis
Odes de Ricardo Reis
3

1 modernismo e-a_geração_do_orpheu_breve_nota_biográfica

  • 1.
    CONCEITO DE MODERNISMO Eminícios do século XX, em Portugal, a produção literária e plástica era ainda profundamente marcada pelo classicismo racionalista e naturalista, em manifestações apáticas e decadentes, que evidenciavam forte resistência à inovação. Ao monótono e decadente rotativismo político correspondia uma não menos monótona e decadente produção intelectual. Os interesses materiais dos burgueses sobrepunham-se aos interesses culturais, condicionando a liberdade de expressão. A partir de certo momento, grupos de intelectuais portugueses organizaram-se em círculos de contestação da velha ordem e iniciam-se no recurso a estratégias provocatórias e na resposta, por vezes desabrida, às formas políticas e culturais conservadoras e reaccionárias à modernidade. - É o modernismo, enquanto movimento estético e literário de ruptura com o marasmo intelectual, que irrompe em Portugal em uníssono com a arte e a literatura mais avançadas da Europa, sem prejuízo, todavia, da originalidade nacional. O modernismo é um movimento cultural do início do século XX baseando-se na ideia de que o tradicionalismo vigentes nas artes se tinha tornado obsoleto. No contexto na revolução industrial dos finais do século XIX urgia impregnar as artes deste sentimento de progresso. Era necessário aceitar o novo como bom e belo. O modernismo é um movimento estético em que as diversas artes interagem (literatura, pintura...) o modernismo implica uma nova visão da arte e da relação entre arte e autor. O modernismo implica uma concepção do Homem para lá dos seus limites, uma exploração mais ampla das possibilidades e capacidades da alma humana. De uma forma algo simplista pode dizer-se que este movimento se inicia em Portugal nas vésperas da Primeira Guerra Mundial estendendo-se até à Segunda Grande Guerra. Breve definição de Modernismo O Modernismo encara a literatura como “linguagem que se constitui a partir de um vazio” e não como expressão directa das vivências do Eu do autor, tal como acontecia no Romantismo. É também uma característica sua a ligação às artes plásticas atribuída na literatura ao aspecto gráfico. Estas características podem e devem ligar-se às diferentes reacções dos artistas face à crise de consciência da época e sintetizando-se da seguinte maneira: - agressão, polémica, sarcasmo - celebração das energias individuais (Whitman) - entrega à vertigem das sensações, celebração da força da máquina - tendência para a dispersão - consciência da multiplicidade do Eu Exercício 1 – define classicismo encontrando exemplos do mesmo na literatura do contexto português. Nomes do Modernismo em Portugal e Órgãos de difusão do movimento Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, José de Almada Negreiros e Santa Rita Pintor (artista plástico). Em Lisboa, no ano de 1913, estes quatro criadores juntam-se e em 1914 lançam a revista futurista “Orpheu” (primeiro modernismo). O ano de 1916 traz o suicídio de Mário de Sá Carneiro. Depois de extinta a Orpheu, outras publicações individuais continuam a divulgar o modernismo português, entre estas “Centauro”, 1916; “Portugal Futurista”, 1917; “Athena”, 1924-1925 e “Presença”, 1927-1940, esta última sendo o órgão do segundo modernismo português. Objectivos da “Orpheu” – A Geração de Orpheu 1
  • 2.
    A “Orpheu” tinhacomo objectivo divulgar o movimento modernista e os seus autores, pretendia também criar ruído, isto é, escandalizar a burguesia, transtornar e se possível modificar a mentalidade do povo português. Mas não foi possível... Os autores da Orpheu confluem passado e futuro e vemos lado a lado discípulos do Simbolismo, do Decadentismo e introdutores das novas correntes. O Paulismo e o Interseccionismo de Pessoa ortónimo, breve são substituídos pelo Sensacionismo de Álvaro de Campos e pelo Futurismo de Álvaro de Campos1 e Mário de Sá Carneiro. Os poetas do futurismo cantam a vida moderna, substituem o belo pelo novo, isto é, cantam a vida moderna, os frémitos da nova civilização mecânica visando não a beleza como até então viste de um ponto de vista clássico mas a força e o dinamismo. A geração de Orpheu irá liquidar certas formas de sentir e de pensar vindas do passado e tornadas obsoletas, visa o Homem Moderno. Como temas dominantes do modernismo podemos salientar a Euforia do Novo, tudo o que em termos civilizacionais é moderno será cantado de forma eufórica, à maneira de Whitman. Contudo, esta euforia depressa descambará para o tédio e para a dissolução do sujeito (como se irá notar na poesia de Campos), para a crise aguda do “eu” que, refractado, se perde. Exercício 2 – Encontra definições concisas de Simbolismo, Decadentismo, Paulismo e Interseccionismo enquadrando-as no contexto da geração modernista. FERNANDO PESSOA – BREVE NOTA BIOGRÁFICA E BIBLIOGRÁFICA Fernando Alberto Nogueira Pessoa nasce em Lisboa a 13 de Junho de 1888 mas passará grande parte da sua juventude na África do Sul em virtude do segundo casamento da sua mãe com o Comandante João Miguel Rosa, Cônsul de Portugal em Durban. Neste país recebe uma educação britânica (daí o seu conhecimento profundo da língua inglesa, na qual escreve vários textos em prosa e em poesia). Fernando Pessoa cresce de forma solitária tomando conhecimento de autores tais como Shakespeare, Allan Poe, entre outros. Em 1905 regressa sozinho a Lisboa deixando para trás a família. Em 1906 matricula-se no Curso Superior de Letras na Universidade de Lisboa familiarizando-se com vários autores da língua portuguesa. Embora Pessoa já escrevesse desde a as juventude, é pelo ano de 1912 que se estreia enquanto ensaísta e crítico literário na revista “Águia”. Foi uma figura discreta, vivendo quase apenas para a literatura. Trabalhou enquanto tradutor de uma firma comercial em Lisboa aproveitando o seu conhecimento da língua inglesa. Toda a actividade de Pessoa passava-se para dentro: desdobrando-se em multidões de heterónimos sendo que os mais conhecidos para o grande público são Alberto Caeiro, Álvaro Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares (uma espécie de Fernando Pessoa “ele mesmo” mas em estado de sonolência, segundo as palavras do próprio). A 25 de Novembro de 1935 é internado no Hospital de São Luís dos Franceses devido a uma cólica hepática provocada pelo abuso do álcool. Morre a 30 de Novembro, aos 47 anos. A sua última frase escrita é em inglês “I know not what tomorrow will bring”. Breve resenha da obra do poeta Pessoa ortónimo: A mensagem Cancioneiro O marinheiro (peça de teatro) Páginas sobre literatura e estática (*) A procura da verdade oculta (*) (*) Ensaios Alberto Caeiro O guardador de rebanhos O pastor amoroso Poemas inconjuntos Álvaro de Campos Poesias de Álvaro de Campos 1 O futurismo de Campos vai beber essencialmente a Walt Whitman e a Marinetti. 2
  • 3.
    Ricardo Reis Odes deRicardo Reis 3