Profª. Ms. Daniele Onodera
Obra inaugural do
Naturalismo universal foi
Germinal de Émile Zola
Pontos importantes do Naturalismo:
Patologia Social
Desprezo análise de
de fatos históricos casos individuais
Pontos importantes do Naturalismo:
Caráter reformista
Documentar, analisar a sociedade através
do científico propondo soluções
Características centrais:
QUANTO À FORMA:
Linguagem simples
• Clareza e equilíbrio formal
• Preocupação com as
minúcias
• Palavras regionais
•Descrição e narrativas
lentas
• Impessoalidade
QUANTO AO CONTEÚDO:
• Determinismo
•Objetivismo científico
• Despreocupação com a
moral
• Ser humano descrito
sob a ótica do
animalesco e do sensual
• Patologia social
O Naturalismo foi cultivado no Brasil
por:
 Aluísio Azevedo
 Júlio Ribeiro
 Adolfo Caminha
 Domingos Olímpio
 Inglês de Sousa
 Manuel de Oliveira Paiva
A narrativa naturalista é marcada pela
vigorosa análise social a partir de
grupos humanos marginalizados
valorizando-se o coletivo.
No Brasil, a prosa naturalista foi muito
influenciada por Eça de Queirós,
basicamente com as obra O crime do
Padre Amaro e O primo Basílio.
Obra inaugural no Brasil (1881):
Conta história de Raimundo, um jovem
mulato, rejeitado pela família branca do pai,
que se apaixona por Ana Rosa sua prima
branca. Ela engravida e ele acaba sendo
assassinado por Dias pretendente da moça.
O Cortiço,
Aluísio Azevedo
Natureza/Instinto/Violência
Natureza/Instinto/Violência
•João Romão (proprietário do Cortiço)
•Bertoleza (escrava fugida)
•Rita Baiana (mulata) que se amiga com Jerônimo (português
que trabalha na pedreira de João Romão)
•Piedade (mulher traída de Jerônimo)
•Firmo (malandro – luta com Jerônimo por ciúmes e acaba
sendo morto pelo português)
•Lavadeiras
Esse conjunto resolve seus
conflitos ao nível do instinto e da
natureza impondo a violência
como solução para os impasses.
ANTROPOFÁGICO
Entre dois elementos em conflito (A e B)
a única solução é a eliminação de um
deles.
Exemplos:
a) Relação Bruno/Leocádia: quando Bruno
descobre que Leocádia encontra-se com
Henriquinho, a solução que encontra é a
destruição de sua casa e a expulsão da
mulher sob ameaça de morte.
b) Relação Jerônimo/Firmo: a rivalidade
por causa da mulata Rita configura-se por
uma briga de porrete versus navalha, e
num outro ponto da narrativa pelo
assassinato de Firmo.
c) Relação Romão/Bertoleza: ao se ver
traída por Romão, Bertoleza cometa
violência contra si mesma e rasga a
barriga derramando vísceras no chão da
cozinha.
d) Relação Rita/Piedade: reduplicando o
conflito Firmo/Jerônimo,
brasileiro/português, branco/mulato
xingando-se as personagens com os mais
diferentes nomes de animais, reafirmando
o primitivismo de seu conjunto.
Regras definidas culturalmente
Relação de troca
Regras definidas culturalmente
Miranda
Estela (mulher que o trai com Henrique)
Botelho (velho parasita – AGREGADO – que mora na
casa dos Miranda e ajuda João Romão a se casar com
Zulmira – filha da família rica)
Soluciona os conflitos
efetivando trocas de objetos e
dons.
O romance se esforça por cumprir os
preceitos naturalistas ressaltando sempre
o aspecto físico/objetivo das relações.
a) Relação Estela/Miranda: Apontada
desde o princípio da narrativa como uma
associação de interesses onde a mulher
entrava com o capital e o homem com a
sua gerência, destaca-se a função do
dote, na formação dessa sociedade
econômico-sentimental.
CONFLITO ENTRE OS
CORTIÇOS
Ainda na comparação do primitivismo
desses dois conjuntos importa ressaltar
as características tribais.
Estamos entre um torneio medieval e uma
festa tribal. Se agrupam totemicamente,
tomando como símbolos animais que
sintetizam as características de ambos:
Carapicus (peixe) --- Cabeça de Gato (gato)
Carapicus -------------- Cabeça de Gato
(vermelha) (amarela)
ROMANCE SOCIAL
Todas as existências se entrelaçam e
repercutem umas nas outras. O cortiço é
o núcleo gerador de tudo e foi feito à
imagem de seu proprietário, cresce, se
desenvolve e se transforma com João
Romão.
CRÍTICA AO CAPITALISMO
SELVAGEM
O tema é a ambição e a exploração do
homem pelo próprio homem.
De um lado João Romão, que aspira à
riqueza, e Miranda, já rico, que aspira à
nobreza. Do outro, “a gentalha”,
caracterizada como um conjunto de
animais, movidos pelo instinto e pela
fome.
A redução das criaturas ao nível
animal (zoomorfização) é
característica do Naturalismo e revela
a influência das teorias da Biologia
do século XIX (darwinismo e
lamarquismo) e o Determinismo
(raça, meio, momento).
A FORÇA DO SEXO
O sexo é, em O Cortiço, a força mais
degradante que a ambição e a cobiça.
A supervalorização do sexo, típica do determinismo
biológico e do naturalismo, conduz Aluísio a
focalizar diversas formas de “patologia” sexual:
“acanalhamento” das relações matrimoniais,
adultério, prostituição, lesbianismo etc.
A SITUAÇÃO DA MULHER
As mulheres são reduzidas a três condições:
• de objeto, usadas e aviltadas pelo homem:
Bertoleza e Piedade;
• de objeto e sujeito, simultaneamente:
Rita Baiana;
• de sujeito, são as que independem do
homem prostituindo-se: Leonie e
Pombinha.

O cortiço - Naturalismo

  • 1.
  • 2.
    Obra inaugural do Naturalismouniversal foi Germinal de Émile Zola
  • 3.
    Pontos importantes doNaturalismo: Patologia Social Desprezo análise de de fatos históricos casos individuais
  • 4.
    Pontos importantes doNaturalismo: Caráter reformista Documentar, analisar a sociedade através do científico propondo soluções
  • 5.
    Características centrais: QUANTO ÀFORMA: Linguagem simples • Clareza e equilíbrio formal • Preocupação com as minúcias • Palavras regionais •Descrição e narrativas lentas • Impessoalidade QUANTO AO CONTEÚDO: • Determinismo •Objetivismo científico • Despreocupação com a moral • Ser humano descrito sob a ótica do animalesco e do sensual • Patologia social
  • 6.
    O Naturalismo foicultivado no Brasil por:  Aluísio Azevedo  Júlio Ribeiro  Adolfo Caminha  Domingos Olímpio  Inglês de Sousa  Manuel de Oliveira Paiva
  • 7.
    A narrativa naturalistaé marcada pela vigorosa análise social a partir de grupos humanos marginalizados valorizando-se o coletivo.
  • 8.
    No Brasil, aprosa naturalista foi muito influenciada por Eça de Queirós, basicamente com as obra O crime do Padre Amaro e O primo Basílio.
  • 9.
    Obra inaugural noBrasil (1881): Conta história de Raimundo, um jovem mulato, rejeitado pela família branca do pai, que se apaixona por Ana Rosa sua prima branca. Ela engravida e ele acaba sendo assassinado por Dias pretendente da moça.
  • 10.
  • 11.
  • 12.
    Natureza/Instinto/Violência •João Romão (proprietáriodo Cortiço) •Bertoleza (escrava fugida) •Rita Baiana (mulata) que se amiga com Jerônimo (português que trabalha na pedreira de João Romão) •Piedade (mulher traída de Jerônimo) •Firmo (malandro – luta com Jerônimo por ciúmes e acaba sendo morto pelo português) •Lavadeiras
  • 13.
    Esse conjunto resolveseus conflitos ao nível do instinto e da natureza impondo a violência como solução para os impasses. ANTROPOFÁGICO Entre dois elementos em conflito (A e B) a única solução é a eliminação de um deles. Exemplos:
  • 14.
    a) Relação Bruno/Leocádia:quando Bruno descobre que Leocádia encontra-se com Henriquinho, a solução que encontra é a destruição de sua casa e a expulsão da mulher sob ameaça de morte.
  • 15.
    b) Relação Jerônimo/Firmo:a rivalidade por causa da mulata Rita configura-se por uma briga de porrete versus navalha, e num outro ponto da narrativa pelo assassinato de Firmo.
  • 16.
    c) Relação Romão/Bertoleza:ao se ver traída por Romão, Bertoleza cometa violência contra si mesma e rasga a barriga derramando vísceras no chão da cozinha.
  • 17.
    d) Relação Rita/Piedade:reduplicando o conflito Firmo/Jerônimo, brasileiro/português, branco/mulato xingando-se as personagens com os mais diferentes nomes de animais, reafirmando o primitivismo de seu conjunto.
  • 18.
  • 19.
    Regras definidas culturalmente Miranda Estela(mulher que o trai com Henrique) Botelho (velho parasita – AGREGADO – que mora na casa dos Miranda e ajuda João Romão a se casar com Zulmira – filha da família rica)
  • 20.
    Soluciona os conflitos efetivandotrocas de objetos e dons. O romance se esforça por cumprir os preceitos naturalistas ressaltando sempre o aspecto físico/objetivo das relações.
  • 21.
    a) Relação Estela/Miranda:Apontada desde o princípio da narrativa como uma associação de interesses onde a mulher entrava com o capital e o homem com a sua gerência, destaca-se a função do dote, na formação dessa sociedade econômico-sentimental.
  • 22.
    CONFLITO ENTRE OS CORTIÇOS Aindana comparação do primitivismo desses dois conjuntos importa ressaltar as características tribais. Estamos entre um torneio medieval e uma festa tribal. Se agrupam totemicamente, tomando como símbolos animais que sintetizam as características de ambos:
  • 23.
    Carapicus (peixe) ---Cabeça de Gato (gato) Carapicus -------------- Cabeça de Gato (vermelha) (amarela)
  • 24.
    ROMANCE SOCIAL Todas asexistências se entrelaçam e repercutem umas nas outras. O cortiço é o núcleo gerador de tudo e foi feito à imagem de seu proprietário, cresce, se desenvolve e se transforma com João Romão.
  • 25.
    CRÍTICA AO CAPITALISMO SELVAGEM Otema é a ambição e a exploração do homem pelo próprio homem. De um lado João Romão, que aspira à riqueza, e Miranda, já rico, que aspira à nobreza. Do outro, “a gentalha”, caracterizada como um conjunto de animais, movidos pelo instinto e pela fome.
  • 26.
    A redução dascriaturas ao nível animal (zoomorfização) é característica do Naturalismo e revela a influência das teorias da Biologia do século XIX (darwinismo e lamarquismo) e o Determinismo (raça, meio, momento).
  • 27.
    A FORÇA DOSEXO O sexo é, em O Cortiço, a força mais degradante que a ambição e a cobiça. A supervalorização do sexo, típica do determinismo biológico e do naturalismo, conduz Aluísio a focalizar diversas formas de “patologia” sexual: “acanalhamento” das relações matrimoniais, adultério, prostituição, lesbianismo etc.
  • 28.
    A SITUAÇÃO DAMULHER As mulheres são reduzidas a três condições: • de objeto, usadas e aviltadas pelo homem: Bertoleza e Piedade; • de objeto e sujeito, simultaneamente: Rita Baiana; • de sujeito, são as que independem do homem prostituindo-se: Leonie e Pombinha.