UNIVERSIDADE SAGRADO CORAÇÃO
ENDRIGO CAMPOS
DESVENDANDO A REDAÇÃO PUBLICITÁRIA
EM SEU CARÁTER POÉTICO
BAURU
2012
ENDRIGO CAMPOS
DESVENDANDO A REDAÇÃO PUBLICITÁRIA
EM SEU CARÁTER POÉTICO
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao
Centro de Ciências Exatas e Sociais Aplicadas
como parte dos requisitos para a obtenção do
título de bacharel em Publicidade e Propaganda,
sob orientação do Prof. Esp. Vitor Pachioni
Brumatti.
BAURU
2012
ENDRIGO CAMPOS
DESVENDANDO A REDAÇÃO PUBLICITÁRIA
EM SEU CARÁTER POÉTICO
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Ciências Exatas e Sociais
Aplicadas da Universidade Sagrado Coração como parte dos requisitos para a obtenção do
título de bacharel em Publicidade e Propaganda, sob orientação do Prof. Esp. Vitor Pachioni
Brumatti.
Banca examinadora:
_________________________________
Prof. Esp. Vitor Pachioni Brumatti
Universidade Sagrado Coração
_________________________________
Prof. MSc. Julio Cesar Fernandes
Universidade Sagrado Coração
_________________________________
Profª. Drª. Léa Silvia Braga de Castro Sá
Universidade Sagrado Coração
Bauru...
Com singela e amorosa dedicação aos meus
pais e, especialmente, à minha mãe, exemplo
de força de vontade e inteligência.
AGRADECIMENTOS
Por se fazer presente de maneira silenciosa, mas profundamente sensível, agradeço a Deus.
Pela companhia e ajuda sempre constantes, agradeço a Fernando Henrique Lamonato.
Pelos direcionamentos pontuais e copiosamente generosos, agradeço ao Professor Vitor
Pachioni Brumatti.
Pelos inúmeros ensinamentos e admirável dedicação, agradeço a todos os professores com os
quais tive a oportunidade de conviver nesses anos incríveis.
Palavras...
RESUMO
A relação entre poesia e redação publicitária está fortemente enraizada na história da
publicidade brasileira. No entanto, em uma realidade impulsionada pelo imediatismo de
venda, assim como pela falta de criatividade, multiplicam-se textos (verbais) que destacam
apelos comerciais e argumentos lógicos pouco inovadores, os quais colocam de lado essa
relação, que em muito pode contribuir para com a divulgação diferenciada de marcas,
produtos e serviços. Resgatando suas bases, vantagens e posicionando-as no contexto atual, o
presente trabalho relacionou os principais fatores, técnicas e recursos que podem ajudar a
construir e a potencializar a redação publicitária em seu caráter poético.
Palavras-chave: Poesia. Caráter Poético. Redação Publicitária. Texto Publicitário Poético.
ABSTRACT
The relationship between poetry and advertising redaction is strongly rooted in the
history of brazilian advertising. However, in a reality driven by the immediacy of sale, as well
as the lack of creativity, multiply texts (verbals) that highlight trade appeals and logical
arguments little innovative, which set aside this relationship, that in a lot can contribute for
with the differentiated disclosure of marks, products and services. Rescuing their bases,
advantages and positioning them in the current context, the present work related the main
factors, techniques and resources that can help build and potentiate the advertising redaction
in its poetic character.
Keywords: Poetry. Poetic Character. Advertising Redaction. Poetic Advertising Text.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 – Anúncio segundo o Esquema Aristotélico..............................................................19
Figura 2 – Anúncio com rede semântica. .................................................................................22
Figura 3 – Anúncio segundo o modelo dionisíaco. ..................................................................24
Figura 4 – Anúncio segundo o modelo apolíneo......................................................................26
Figura 5 – Anúncio segundo o modelo dionisíaco. ..................................................................27
Figura 6 – Estrutura básica de uma agência. ............................................................................28
Figura 7 – Anúncio de 1876, primeira fase da publicidade no Brasil. .....................................31
Figura 8 – Anúncio de 1917, segunda fase da publicidade no Brasil.......................................32
Figura 9 – Anúncio dos anos 70, Concretismo e polissemia....................................................34
Figura 10 – Poema e sonoridade. .............................................................................................37
Figura 11 – Poema e métrica....................................................................................................38
Figura 12 – Poema e verso. ......................................................................................................39
Figura 13 – Anúncio segundo o modelo apolíneo....................................................................51
Figura 14 – Apelo emocional na redação publicitária..............................................................53
Figura 15 – Apelo emocional na redação publicitária..............................................................54
Figura 16 – Rima na redação publicitária.................................................................................55
Figura 17 – Ritmo e recurso mnemônico na redação publicitária............................................56
Figura 18 – Ritmo na redação publicitária. ..............................................................................57
Figura 19 – Caráter lúdico na redação publicitária...................................................................58
Figura 20 – Função poético-estética na redação publicitária. ..................................................59
Figura 21 – Função emotiva na redação publicitária................................................................60
Figura 22 – Figuras de linguagem na redação publicitária.......................................................61
Figura 23 – Texto Daniel Lopes...............................................................................................73
Figura 24 – Texto Marcelo Gonçalves. ....................................................................................74
Figura 25 – Texto Cintia Cavalcanti. .......................................................................................75
Figura 26 – Texto Leandro Mello.............................................................................................76
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................10
1.1 CARACTERIZAÇÃO DA SITUAÇÃO PROBLEMA.....................................................10
1.2 OBJETIVOS.......................................................................................................................11
1.2.1 Objetivo Geral .................................................................................................................11
1.2.2 Objetivos Específicos ......................................................................................................11
1.3 JUSTIFICATIVA...............................................................................................................11
1.4 DELIMITAÇÃO DO FOCO DE INTERESSE .................................................................12
1.5 METODOLOGIA...............................................................................................................12
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA......................................................................................14
2.1 APRESENTANDO E ESTABELECENDO A REDAÇÃO PUBLICITÁRIA .................14
2.1.1 Linguagem e Discurso Publicitário .................................................................................14
2.1.2 Estrutura, Técnicas, Funções e Modelos do Texto Publicitário ......................................17
2.1.2.1 Esquema Aristotélico....................................................................................................17
2.1.2.2 Técnicas Comumente Usadas.......................................................................................19
2.1.2.3 Funções da Linguagem.................................................................................................23
2.1.2.4 Modelo Apolíneo e Modelo Dionisíaco .......................................................................25
2.1.3 Criação e Redação Publicitária Dentro da Agência.........................................................28
2.1.4 O Desenvolvimento da Redação Publicitária no Brasil...................................................30
2.2 POESIA, POEMA E O CARÁTER POÉTICO .................................................................35
2.2.1 A Poesia...........................................................................................................................35
2.2.2 O Poema ..........................................................................................................................36
2.2.3 O Caráter Poético.............................................................................................................40
2.3 O CARÁTER POÉTICO NO TEXTO PUBLICITÁRIO..................................................42
2.3.1 Vantagens da Linguagem Poética na Redação Publicitária.............................................43
2.3.2 Desvantagens da Linguagem Poética na Redação Publicitária .......................................45
2.3.3 Quando e Para Quem Empregar o Caráter Poético no Texto Publicitário ......................47
2.3.4 A Redação Publicitária em Seu Caráter Poético .............................................................49
2.3.4.1 Técnicas que Revelam e Constroem o Caráter Poético................................................52
3 ENTREVISTAS COM PROFISSIONAIS DE BAURU ..................................................63
3.1 REALIZAÇÃO DAS ENTREVISTAS..............................................................................63
3.2 APRESENTAÇÃO DOS ENTREVISTADOS..................................................................64
3.3 POETIZANDO A REDAÇÃO PUBLICITÁRIA COM PROFISSIONAIS DE BAURU 65
3.3.1 Fórmulas Prontas x Redação Poética/Emocional ............................................................65
3.3.2 Fontes de Inspiração........................................................................................................67
3.3.3 A Redação Publicitária de Caráter Poético em Bauru.....................................................68
3.3.4 A Contribuição da Redação Poética na Divulgação de Marcas, Produtos ou.................70
3.3.5 O Contexto Mais Adequado Para a Redação de Caráter Poético....................................71
3.3.6 Materiais Produzidos com a Presença do Caráter Poético ..............................................73
4 CONCLUSÃO......................................................................................................................77
REFERÊNCIAS .....................................................................................................................80
APÊNDICE A – ENTREVISTAS GRAVADAS .................................................................85
APÊNDICE B – ENTREVISTA VIA E-MAIL ...................................................................86
10
1 INTRODUÇÃO
O que dizer quando já se disse quase tudo? E mais, como dizer quando quase todas as
formas até então conhecidas já foram exploradas à exaustão? Para aquela comunicação usual,
praticada no dia a dia, essas questões podem ser sem importância diante da instantaneidade
natural e fluida que molda as relações humanas, mas para a comunicação que serve aos
interesses da publicidade essas interrogativas são viscerais, uma vez que estão intimamente
ligadas à essência da novidade e do atraente, indispensáveis para que uma campanha, anúncio
ou qualquer outro tipo de divulgação seja notado e, mais do que isso, bem-sucedido entre
tantos outros materiais e ações que hoje brigam por roubar a cena.
Mesmo contanto com imagens, sons e tantos outros elementos que podem ser
utilizados para compor uma peça, a redação publicitária enfrenta grandes desafios para se
tornar mais atrativa. Não que seja necessário dizer algo inédito, mas o fundamental é que seu
artigo e a forma como ele é apresentado sejam tradados de uma maneira diferenciada, que fuja
de vícios como o “compre já”, o “imperdível” e o “garanta já o seu”, além de tantos outros
apelos desgastados, enfraquecidos pelo seu uso no tempo e por sua própria insuficiência
persuasiva. Há de se considerar, porém, que na propaganda de varejo, por exemplo, textos
como esses ainda são bastante utilizados em virtude de sua agilidade aplicativa. No entanto, a
atenção a ser dada aqui não é para esse tipo de redação publicitária e sim àquela na qual as
possibilidades são inúmeras, mas que mesmo diante delas corre o risco de se prender ao
tradicional como solução menos morosa e criativamente ousada.
Para evadir ao óbvio e enriquecer a redação publicitária, a proposta deste trabalho é a
inclinação da mesma para o caráter poético, não necessariamente aquele consagrado pela
poesia clássica, mas, principalmente, aquele cujas competências essenciais permitem
emocionar, tocar a sensibilidade, proporcionar prazer estético e multiplicar os significados de
um texto a partir da contemplação e interação do consumidor.
1.1 CARACTERIZAÇÃO DA SITUAÇÃO PROBLEMA
O mundo está abarrotado de anúncios e apelos publicitários que se multiplicam cada
vez mais rapidamente. No entanto, se por um lado há o excesso de materiais divulgando toda
sorte de marcas, produtos e serviços, por outro há uma monotonia comunicativa generalizada,
enraizada na falta de criatividade e até mesmo de competências para a elaboração de peças
mais envolventes. Seguindo o ritmo alucinado de produção, a redação publicitária deixa
11
evidente esses problemas ao se revelar apoiada em construções óbvias (clichês), com apelos
defasados e, por conseguinte, incapazes de impactar o consumidor. Para livrá-la do lugar
comum e da deficiência persuasiva é necessário buscar um tempo para novas inspirações e
possibilidades em suas formas de abordagem. Nesse sentido, o direcionamento da redação
publicitária para o caráter poético tem muito a contribuir, principalmente ao que diz respeito à
sua capacidade de despertar emoções, suscitar novos significados e envolver o consumidor
pelo prazer estético que proporciona. Mas como evidenciar esse caráter dentro do texto?
Como construí-lo e quais caminhos seguir para isso?
1.2 OBJETIVOS
1.2.1 Objetivo Geral
Levantar os principais fatores que influenciam e constroem uma redação publicitária
que foge do lugar-comum a partir de sua inclinação para o caráter poético.
1.2.2 Objetivos Específicos
 Entender como foi a evolução da redação publicitária no Brasil com ênfase na
utilização de artifícios poéticos para a construção dos apelos e mensagens verbais;
 Identificar os principais movimentos literários que contribuíram para o uso da poesia
no texto publicitário;
 Relacionar as principais técnicas e estratégias para a criação de uma poética eficiente
na redação publicitária;
 Identificar que tipo de campanha, peça ou ação é conveniente à inspiração poética e
que tipo de público está preparado para ela;
 Verificar como profissionais da cidade de Bauru – São Paulo trabalham com o caráter
poético na redação de campanhas e peças, colhendo alguns cases próprios pertinentes.
1.3 JUSTIFICATIVA
No dia a dia de uma agência de publicidade o ritmo acelerado de produção exige dos
profissionais soluções cada vez mais rápidas na elaboração de campanhas e peças para seus
clientes. No entanto há um preço a ser pago por isso. Aplicadas à redação, essas soluções
resultam em construções pouco criativas, nas quais os clichês e o uso de argumentos racionais
12
se sobressaem, respondendo por materiais pouco atrativos e com baixos níveis de persuasão e
envolvimento. Para mudar essa situação, mesmo diante do ritmo de produção alucinado, é
necessário ampliar os horizontes, buscando novas fontes de inspiração. Uma das que mais
pode contribuir para a construção de uma redação publicitária emocionante, cativante e
original é a poesia, considerada não necessariamente em seu sentido clássico, mas em sua
capacidade genérica de sensibilizar e propiciar prazer estético.
1.4 DELIMITAÇÃO DO FOCO DE INTERESSE
Neste trabalho o foco de interesse são os fatores, recursos e técnicas que ajudam a
construir a poeticidade no texto publicitário, mesmo reconhecendo que existem outros estilos
e técnicas literárias importantes e que podem fazer parte da construção do mesmo.
Em relação às entrevistas, determinou-se como foco os profissionais atuantes no
Centro-oeste Paulista, inicialmente pela proximidade geográfica do pesquisador e
posteriormente pelo interesse em se aprofundar na criação publicitária produzida na região.
1.5 METODOLOGIA
Para a construção do presente material foi necessário o desenvolvimento de duas
etapas. Assim, inicialmente foi aplicada uma pesquisa bibliográfica, qualitativa e exploratória,
em dados secundários a respeito dos temas relevantes à obra e seu conteúdo teórico. A esse
tipo de metodologia adotada Duarte e Barros (2006, p. 54) definem como
[...] um conjunto de procedimentos para identificar, selecionar, localizar e obter
documentos de interesse para a realização de trabalhos acadêmicos e de pesquisa,
bem como técnicas de leitura e transcrição de dados que permitem recuperá-los
quando necessário. Lakatos e Marconi (1995) dizem tratar-se do levantamento de
toda bibliografia já publicada, visando “[...] colocar o pesquisador em contato direto
com tudo aquilo que foi escrito sobre determinado assunto” (p. 14).
Paralelamente à consulta bibliográfica (a partir de determinado momento), foram
realizadas entrevistas com perguntas semiestruturadas direcionadas a profissionais que atuam
com redação publicitária na cidade de Bauru – São Paulo, etapa também configurada como
pesquisa qualitativa e exploratória, porém, com dados primários.
Os mesmos autores, Duarte e Barros (2006 p. 64), consideram a entrevista
extremamente útil para estudos que “tratam de conceitos, percepções ou visões para ampliar
13
conceitos sobre a situação analisada”, o que vai totalmente ao encontro do objetivo buscado
neste trabalho.
Já sobre o perfil “semiaberto”, Triviños (1990, p. 146) o define como:
Modelo de entrevista que tem origem em uma matriz, um roteiro de questões-guias
que dão cobertura ao interesse de pesquisa. Ela “parte de certos questionamentos
básicos, apoiados em teorias e hipóteses que interessam à pesquisa, e que, em
seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão
surgindo à medida que se recebem as respostas do informante”.
As entrevistas foram realizadas com quatro profissionais, sendo três delas aplicadas
presencialmente e uma viabilizada por correio eletrônico.
14
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 APRESENTANDO E ESTABELECENDO A REDAÇÃO PUBLICITÁRIA
Antes de adentrar no cerne dos fatores, oportunidades e estratégias que podem
influenciar e construir o caráter poético na redação publicitária, é necessário compreender
essa arte e ofício em seus aspectos mais gerais, apresentando um ponto de referência consiste
e coerente, capaz de estabelecer o cenário no qual ela está inserida e a partir do qual pode
evoluir para as mais diversas possibilidades. Dessa forma, o grande tema de interesse deste
trabalho poderá ser entendido adequadamente, ou seja, em seu contexto, e, por conseguinte, se
tornará mais proveitoso e produtivo.
Para que essa proposta inicial seja cumprida, serão abordadas nos quatro primeiros
momentos questões vinculadas essencialmente à linguagem e seu comportamento no discurso
publicitário da pós-modernidade; à estrutura e técnicas mais comuns utilizadas nos textos do
gênero; ao lugar da redação publicitária em uma agência; e ao histórico desse tipo de
produção redacional no Brasil.
2.1.1 Linguagem e Discurso Publicitário
Assim como qualquer outro, o discurso publicitário precisa ser notado, percebido para
que sua função básica de comunicar algo possa ser cumprida. Esse é justamente o seu
primeiro desafio, chamar a atenção, no caso do consumidor, para que a comunicação seja
estabelecida. Mas, tratando da divulgação de produtos, serviços e marcas, o cumprimento
apenas dessa missão não lhe é satisfatório. Além de captar, seu (segundo) objetivo é prender a
atenção do destinatário ao conteúdo integral da mensagem, ao passo em que já entra em cena
a sua terceira tarefa: convencê-lo (o consumidor) a aderir à proposta ou solução que está
anunciando.
Sendo articulado para vencer cada um desses desafios básicos, o discurso publicitário
vai ganhando forma e assumindo comportamentos que, se não lhe são exclusivos,
considerados em conjunto, bem o caracterizam. Primeiro, para chamar a atenção no intuito de
estabelecer o processo comunicativo, o discurso publicitário precisa ser apresentado de forma
atrativa e esteticamente agradável, assumindo um comportamento criativo. Em uma realidade
inundada por estímulos sensoriais e apelos de marketing procedentes de todos os lados, é
fundamental viabilizá-lo por meio de peças e campanhas diferenciadas, que contenham uma
estética e uma linguagem únicas, contrastantes e provocantes em relação às demais. Por
15
vezes, o discurso pode partir de situações inusitadas ou que causam algum tipo de “choque”
na percepção do público. Por outro lado, também pode ser associado a estereótipos, que
servem para agilizar a identificação do consumidor para com a comunicação. De qualquer
maneira, é importante que a inclusão de estereótipos seja feita, ainda sim, com criatividade,
para que o discurso não se torne banal, clichê e desinteressante.
Na opinião de Sandmann (2001, p. 12-13):
Tendo conseguido que o comunicatário se ocupe com determinado texto, convencê-
lo ou levá-lo em conseqüência à ação possivelmente são tarefas ou desafios
menores. Prender a atenção do leitor ou ouvinte parece ser a porfia maior. Por isso a
criatividade incansável do propagandista ou publicitário na busca incessante de
meios estilísticos que façam com que o leitor ou ouvinte preste atenção ao seu texto,
chocando-o até se for necessário [...].
No segundo momento, referente à missão de prender a atenção do destinatário a todo o
conteúdo da mensagem, o discurso publicitário põe ainda mais em evidência a importância da
linguagem. Esse elemento deve promover o fácil entendimento daquilo que está sendo
comunicado, pois, caso contrário, pode dispersar o interesse. Diante da capacidade do
consumidor contemporâneo de discriminar rapidamente os apelos que lhe chega – habilidade
desenvolvida em virtude do excesso de informações e propagandas –, a linguagem
publicitária teve de se adaptar não só para tornar seu discurso mais facilmente compreendido,
mas também para torná-lo mais envolvente e circunstancial. Dessa forma, ela passou a
assumir características como a sintetização, a informalidade, a atualização e a objetividade
(MÜLLER, et al., 1997).
Referindo-se mais especificamente ao texto – a redação que é responsável por
viabilizar o discurso e é o grande interesse deste trabalho –, Carrascoza e Hoff (2009)
acrescentam três principais fatores que com frequência fazem parte da criação do mesmo e,
consequentemente, somam-se às características da linguagem publicitária da “pós-
modernidade”. São eles: a repetição, a não-linearidade da narrativa e a intertextualidade.
Embora a repetição possa ser entendida como uma estratégia utilizada para enfatizar e
assegurar o significado da mensagem, no trabalho dos autores ela é considerada na
circunstância das diversas vezes em que um anúncio é veiculado, o que, conquanto seja
necessário, apresenta o perigo da redundância e da saturação que podem causar o desinteresse
do público e antipatia do mesmo para com o anunciante e à própria mensagem.
Com relação a não linearidade da narrativa publicitária, Carrascoza e Hoff (2009, p. 3)
a ilustram e defendem a partir do exemplo dos comerciais para TV, nos quais “o cotidiano
16
contemporâneo, as ilustrações do modus vivendi social, o exemplo de um way of life global ou
local idealizado – por si só já fragmentos” são comprimidos em efêmeros filmes de trinta
segundos ou, quando muito, de um minuto.
O ritmo da montagem é acelerado, combinando cortes e fusões, além de efeitos de
transição (como o slow e o fast), atraindo a atenção do espectador pela velocidade
com que as imagens são sobrepostas. Em suma, um comercial, como microhistória,
já é um slice, e a maneira como é narrado privilegia a não-linearidade, a fratura
discursiva, com seu vaivém de takes, cenas e seqüências.
Já entrando no campo da intertextualidade, os autores argumentam que esse elemento
pode ser mais ou menos explicitado no texto publicitário, mas que, de qualquer forma ele
engloba substratos que fazem parte do universo cultural e histórico-social de quem o criou e
de suas experiências de leitura. Assim, o texto sempre conterá uma soma de referências a
outros textos, ainda que isso aconteça de forma inconsciente. Contudo, vale destacar que a
intertextualidade não se trata de mera cópia, mas sim de uma atitude criativa em que o modelo
de base (paradigma ou arquétipo literário) é reelaborado, ou melhor, reinventado.
A intertextualidade não designa uma soma confusa e misteriosa de influências, mas
o trabalho de modificação e assimilação de vários textos, operado por um texto
centralizador – o texto último – que detém o comando do sentido. Não existe, pois,
acrescentemos novamente, a pura repetição: o texto último será cada vez mais rico à
medida que o escritor/redator estiver consciente do objeto sobre o qual trabalha.
(CARRASCOZA; HOFF, 2009, p. 4-5).
Mesmo defronte a todas essas características e comportamentos assumidos pela
linguagem do discurso publicitário, vale considerar que para Martins (1997, p. 33), porém,
não há na verdade uma língua particular da publicidade,
[...] e sim determinadas habilidades e técnicas lingüísticas em uso nos anúncios e
nos textos da propaganda rotulados de “linguagem publicitária”.
Trata-se de um registro ou variação da língua, que como modalidade técnica tem
certo grau de formalidade e de adequação à mensagem a ser expressa.
Esta adequação segue a norma lingüística falada, para que o destinatário a
compreenda melhor, e também obedece às características do produto oferecido e à
função persuasiva própria da publicidade.
Partindo para a terceira de suas missões fundamentais, a de convencer o destinatário a
adotar uma postura ou comportamento favorável em relação àquilo que está sendo anunciado,
o discurso publicitário passa ser articulado com base em técnicas e artifícios que visam a
persuasão. E nesse sentido, a retórica tem especial utilidade.
17
Como explica Carrascoza (2007), Aristóteles em sua clássica e consagrada obra Arte
Retórica afirma que há três gêneros retóricos: o judiciário, que trata da acusação ou defesa e
incide sobre fatos passados; o demonstrativo ou epidítico, utilizado para louvar ou censurar
algo, levando em conta seu presente estado; e o deliberativo, no qual se aconselha ou
desaconselha o receptor tendo em vista uma ação futura.
Levando em conta tais classificações e características, o discurso publicitário se torna,
então, deliberativo, uma vez que aconselha ou induz o público a julgar favoravelmente um
produto, serviço ou marca, a fim de que esse posicionamento possa resultar em uma ação
posterior de compra.
Resumindo, o discurso publicitário desempenha então funções deliberativas e
persuasivas, sendo construído na pós-modernidade por meio de uma linguagem simplificada,
objetiva e sintética, que se apoia sob bases estéticas e também sob a norma linguística falada.
Já de modo prático, em peças e campanhas a linguagem desenvolvida pela redação é
associada a fatores como a repetição, a não linearidade da narrativa e a intertextualidade.
2.1.2 Estrutura, Técnicas, Funções e Modelos do Texto Publicitário
Embora possa parecer que são muitos aspectos a serem verificados de modo integrado,
a estrutura, as técnicas, funções e modelos do texto publicitário formam um todo pertinente a
ser analisado do ponto de vista dos caminhos aqui entendidos como os mais comuns
utilizados para a construção do mesmo.
Em seu livro A Evolução do Texto Publicitário, Carrascoza (2007) reúne os elementos
em questão de forma muito clara a prática, ajudando a entender bem como a redação
publicitária é, ou pode ser, em geral, articulada do ponto de vista técnico. Não se tratam de
regras absolutas, mas sim de ferramentas que, como dito anteriormente, são as mais
comumente utilizadas, o que também não significa que tais ferramentas e técnicas tenham de
ser usadas sempre conjuntamente, até mesmo porque na redação publicitária não existem
fórmulas perfeitas ou imutáveis.
2.1.2.1 Esquema Aristotélico
Do ponto de vista estrutural, o Esquema Aristotélico é um caminho consagrado na
produção do texto publicitário. Proposto por Aristóteles, o esquema possui quatro etapas
básicas que, segundo o filósofo, são essenciais para que um discurso se torne coerente.
18
Embora estivessem relacionadas aos discursos orais da Grécia Antiga, essas etapas foram
adotas para melhor organizar e potencializar a argumentação persuasiva na publicidade
contemporânea.
1ª. Exórdio: É a parte inicial do discurso, na qual o assunto ou o tema central do anúncio
deve ser apresentado. O título tem aí um importante papel, devendo deixar claro sobre
o que será tratado no conteúdo a seguir;
2ª. Narração: É onde os fatos devem ser apresentados, ilustrando e comprovando o
assunto sem prolixidade e rebuscamento;
3ª. Provas: Devem atestar o que foi dito de forma demonstrativa, dando credibilidade ao
discurso. As provas têm caráter deliberativo, podendo, por exemplo, partir de fatos
passados para aconselhar;
4ª. Peroração: É o epílogo cuja função é fazer com que o destinatário conclua o discurso
tendo bem claro qual foi a ideia ou mensagem que o anunciante quis passar. Conforme
Carrascoza (2007), a peroração é composta de quatro fases (não necessariamente
integradas), sendo elas: 1ª. Predispor o destinatário em favor do anunciante; 2ª.
Amplificar ou atenuar o que foi dito; 3ª. Excitar as paixões; 4ª. Recapitular o
conteúdo.
A fotografia da figura 1, a seguir, traz um outdoor do banco Itaú cujo texto foi
utilizado por Figueiredo (2005) para exemplificar o uso do Esquema Quadrifásico
Aristotélico. Seguindo sua análise, o exórdio nesse caso é desempenhado pela palavra
“Engarrafados”, em destaque na peça. Já a narração coloca a seguinte circunstância: “O Itaú
foi feito para você que vive numa cidade como esta, onde as pessoas conseguem ler um
outdoor com 84 palavras, enquanto estão paradas no trânsito”. Essa parte do texto se propõe a
envolver o leitor, configurando uma situação análoga àquela em que ele se encontra no
momento em que faz a leitura. Após a preparação, ainda na narração “Quem perde um tempão
no trânsito, precisa ganhar tempo no banco”, são dispostas as provas: “Por isso, o Itaú tem
mais de 17 mil caixas eletrônicos, Itaú Bankfone, Itaú Bankline e mais de 2 mil agências em
todo o Brasil”. Por fim, a peroração conclui a mensagem alegando que “Com o Itaú, seu carro
pode ficar paradão, mas sua vida anda que é uma beleza. Itaú. Feito para você”.
19
Figura 1 – Anúncio segundo o Esquema Aristotélico.
Fonte: Lima (2010).
2.1.2.2 Técnicas Comumente Usadas
Além da estrutura aristotélica, é possível apontar algumas técnicas que costumam ser
bastante utilizadas na redação publicitária. De modo geral, elas visam tornar a comunicação
mais fluida e fazer com que a mensagem seja fácil de ser entendida e assimilada.
Entre essas técnicas, Carrascoza (2007) relaciona:
 Unidade: É usada para tornar o texto publicitário coerente e objetivo a partir do
tratamento de um só assunto. Essa postura que os americanos chamam de unique
selling proposition, não está relacionada, porém, à redundância, mas sim com a
articulação do texto em torno de um tema central muito bem definido;
 Estrutura circular: Tem a função de amarrar todo o conteúdo em uma só ideia, que é
apresentada no exórdio e retomada e reforçada na peroração. É uma construção em
circuito fechado que evita outras leituras e questionamentos, visando assim conclusões
definidas;
 Escolha lexical: É a seleção cuidadosa e estratégica de termos e palavras a serem
empregados positivamente no texto, levando em conta seus sentidos dentro de um
20
determinado sistema de valores. Assim, em anúncio voltado ao público corporativo,
por exemplo, seria mais adequado dizer que certa solução necessita de um
investimento x do que dizer que ela tem o custo x;
 Criação de inimigos: É utilizada pela redação publicitária para deixar claro ao
consumidor que ele tem problemas a serem resolvidos e que o produto que está sendo
anunciado é a solução ideal para acabar com eles. A tipificação ou personificação de
um inimigo ajuda no processo de identificação do público para com a marca e o
anúncio e ainda torna o discurso persuasivamente mais forte;
 Apelo à autoridade: Visa tornar a mensagem mais verdadeira, ou dar essa impressão,
a partir da inclusão de testemunhos de pessoas com prestígio em determinada área
relacionada ao produto ou serviço anunciado. O apelo à autoridade funciona como
uma ratificação de credibilidade em relação aquilo que está sendo dito;
 Afirmação e repetição: Fortalecem a mensagem visando torná-la vívida na mente do
consumidor. A afirmação elimina posicionamentos incertos para que ele siga com
confiança os conselhos que estão sendo dados, enquanto a repetição tem por objetivo
minar opiniões contrárias por meio da reiteração;
 Estereótipos: São fórmulas consagradas, proposições já aceitas como “verdade” pelo
público. Úteis para evitar questionamentos e acelerar o processo de identificação com
a mensagem, os estereótipos podem ser empregados tanto nos códigos visuais, quanto
no código linguístico, onde costumam tomar a forma de frases clichês como a união
faz a força, devagar se vai longe e pense duas vezes antes de agir;
 Figuras de linguagem: Utilizadas para ampliar a expressividade de uma mensagem,
tornam o texto mais humano, subjetivo e interessante, contribuindo para uma melhor
compreensão do mesmo. Como divide Carrascoza (op., cit., 2006), há três tipos de
figuras de linguagem: 1. De sintaxe, como a elipse, o pleonasmo, a anáfora e a
onomatopeia; 2. De palavra ou tropos, como a metáfora, a metonímia, a sinestesia e a
antonomásia; 3. De pensamento, como a antítese, a hipérbole, o eufemismo e a ironia.
21
 Rede semântica: Outra técnica importante e que merece destaque é a rede semântica.
Por meio de sua utilização o texto do anúncio é construído com base em uma série de
palavras que têm a ver com a ideia central, a qual pode estar baseada em algum
atributo do produto ou conceito desenvolvido, entre outros motivos. A essa ideia
principal dá-se o nome de “paradigma”.
Na conceituação de Rodrigues (2010) a rede semântica seria um “mapa mental de
associações linguísticas em significação ou sequência e consequência”. Já como
considera Carrascoza (2007, p. 51-52):
Não é exagero dizer que parte significativa do texto publicitário contemporâneo no
Brasil, de perfil apolíneo, é construída por meio de relações associativas, sobretudo
aquelas por analogia dos significados – o seu algo mais. Em torno da palavra
espetáculo, por exemplo, tema de um anúncio, orbitam outras que fazem parte de
seu universo semântico (palco, cena, platéia, ato, show etc.). A transposição dessas
palavras do plano mental para o plano do discurso resulta num método construtivo a
que se costuma chamar em literatura de ‘palavra-puxa-palavra’. Evidentemente, um
texto todo elaborado com palavras análogas ao significado de um paradigma – a
palavra geradora, “sol central” ou “raiz mental” [...] –, objetiva torná-lo atraente e
mais facilmente memorizável para o leitor. Essa técnica de elaboração é para o texto
o mesmo que a aliteração ou a rima são para uma frase. Portanto, constitui um
recurso retórico construtivo, que, na publicidade brasileira contemporânea, vai se
somar a outros fios de Vênus já vistos na busca por persuadir efetivamente o
destinatário, levando-o a ter uma percepção positiva do produto/serviço ou marca.
No exemplo a seguir (figura 2) é possível verificar melhor a aplicação da rede
semântica:
22
Figura 2 – Anúncio com rede semântica.
Fonte: ZF Comunicação (2012).
Paradigma: Transformações. Campo associativo/ rede semântica: transforma,
mudar, mudanças, diferente. A utilização dessas palavras ajudou a tornar a mensagem
mais coerente e enfática de acordo com a proposta do anúncio, evitando uma
23
abordagem em que poderia ser necessário o uso de termos técnicos em uma linguagem
menos criativa.
2.1.2.3 Funções da Linguagem
De acordo com o linguísta Jakobson (2005), há um perfil da mensagem para cada
aspecto da comunicação. Em suas análises, já aceitas e assimiladas pelos estudiosos, ele
identificou que no ato da comunicação estão envolvidos seis elementos: o emissor, a
mensagem, o receptor, o canal, o código e o contexto. Partindo desses elementos, o autor
propôs que há também seis funções da linguagem, sendo elas:
1. Referencial: Nela o referente é o objeto ou a situação de que a mensagem trata. Por
este motivo, a ênfase é dada ao conteúdo, às informações;
2. Emotiva: Nessa função o emissor se faz ser notado na mensagem a partir da
expressão de seus sentimentos, emoções e opiniões. Sendo assim, o texto é construído
em primeira pessoa;
3. Conativa ou imperativa: Aqui a mensagem é centrada no receptor, a quem ela visa
influenciar, seduzir, aconselhar e persuadir;
4. Fática: Tem foco no canal da comunicação, que passa a dar suporte à mensagem.
Assim, a função objetiva testar esse canal, verificando se ele está operando direito, se
o contato com o interlocutor está vivo;
5. Metalinguística: Faz referência ao próprio código utilizando a linguagem para falar
dela mesma, como um texto que comenta outro texto;
6. Estética ou poética: Coloca em evidência a forma da mensagem, preocupando-se em
como ela será apresentada. Aqui são comuns os jogos de ideias e de imagem, o ritmo,
as combinações de palavras, entre outros artifícios. Revelando recursos imaginativos
criados pelo emissor, essa função se torna afetiva, conotativa e metafórica.
24
Em um texto essas funções não aparecem isoladamente. O que geralmente ocorre é a
superposição de várias delas, ainda que uma se sobressaia. Como o discurso publicitário é em
essência deliberativo, se torna compreensível que em sua redação a função conativa seja a
mais utilizada, mantendo como o foco o interlocutor, que é o alvo do aconselhamento. A
função referencial também é bastante empregada, uma vez que, em muitos casos, é
fundamental falar sobre as características de um determinado produto ou serviço.
No anúncio da figura 3 é possível observar a combinação dessas duas funções:
Figura 3 – Anúncio segundo o modelo dionisíaco.
Fonte: Download... (2011).
25
O título em forma de pergunta, “A tecnologia anda enrolando você?”, já deixa bem
claro o apelo conativo, que é constatado a seguir no aconselhamento “Conte com a qualidade
e a garantida dos serviços da Download”. Já o restante do texto é destinado a informações
sobre os serviços da empresa anunciante, exibindo inclusive em tópicos as soluções
oferecidas, o que deixa evidente a presença da função referencial.
2.1.2.4 Modelo Apolíneo e Modelo Dionisíaco
Ainda que existam estruturas, técnicas e funções que a redação publicitária costuma
seguir, é importante ressaltar que não há regras definidas que a prendam. No entanto, seja
qual o for o caminho trilhado, a redação publicitária irá evidenciar determinadas
características que poderão ser enquadradas em dois modelos: o apolíneo e o dionisíaco.
Enquanto o primeiro está ligado a um viés mais racional, o segundo tem suas bases na emoção
e no humor.
Por sua qualidade básica o Modelo Apolíneo de texto acaba conduzindo a redação
publicitária a construções mais formalizadas e menos abertas. Assim, o Esquema Aristotélico
costuma ser bastante utilizado para estruturar a mensagem de caráter racional. Outra
característica comum do modelo é o “esfriamento” dessa mensagem, que visa torná-la mais
sintética (poucas informações) e menos complexa (linguagem simplificada), favorecendo o
raciocínio rápido para a compreensão de seu conteúdo (CARRASCOZA, 2004).
O anúncio da figura 4 traz um exemplo de redação publicitária apolínea, na qual se
pode perceber a presença do Esquema Aristotélico e a linguagem simples empregada no texto.
Nele são apresentadas informações objetivas e provas que visam atestar a qualidade da nova
linha de produtos. Para fortalecer a argumentação e tornar a leitura mais atrativa, provas
complementares foram destacadas em companhia a cinco imagens respectivamente
correspondentes:
26
Figura 4 – Anúncio segundo o modelo apolíneo.
Fonte: Nova... (2012).
De acordo com Carrascoza (2004, p.57), “se dentre os gêneros de discurso definidos
por Aristóteles o deliberativo rege o modelo apolíneo [...], o discurso demonstrativo ou
epidíctico é o que comanda a variante dionisíaca do texto publicitário”. Como afirma o autor,
27
no discurso deliberativo a intenção do aconselhamento é mais explícita, enquanto no discurso
epidítico essa intenção é mais sutil, não formalizada e intersubjetiva. Nesse gênero os
procedimentos da arte literária são utilizados para condicionar a comunhão entre o orador e o
auditório. Sendo assim, o modelo dionisíaco de texto é construído pela redação publicitária
quando, para influenciar o público, passa a contar histórias, assumindo narrativas semelhantes
a fábulas, crônicas ou contos.
Enquanto a função referencial (direcionada aos atributos do produto ou serviço) e a
função conativa (voltada para o destinatário no intuito de lhe aconselhar ou ordenar) são
dominantes no modelo de texto racional, nos anúncios dionisíacos as mais presentes são a
função emotiva e a função poética (CARRASCOZA, 2004). A figura 5 traz um exemplo
dessa aplicação.
Figura 5 – Anúncio segundo o modelo dionisíaco.
Fonte: Havaianas... (2009).
Neste anúncio não há uma vertente racional, provas ou conclusão definida, pelo
contrário, há uma pergunta ao final. Nele é possível notar como o texto foi empregando
visando causar primeiramente um efeito estético. Misturando-se aos desenhos do tecido em
um jogo de imagem, ele não privilegia a leitura imediata, mas sim a sua forma de
28
apresentação em um comportamento que deixa claro o emprego da função poética. A função
emotiva também marca presença evidente, pois o narrador, em primeira pessoa (do plural),
expressa os sentimentos que o levaram a adotar as estampas: “Viajamos o mundo todo em
busca de inspiração”.
Diante do que foi colocado anteriormente cabe a pergunta: mas é só quando conta
histórias que o texto publicitário assume um perfil dionisíaco? Neste trabalho entende-se que
não, uma vez que, antes de tudo, esse modelo privilegia a liberdade de criação em detrimento
da obviedade e dos padrões lógico-racionais.
[...] “A publicidade libertou-se da racionalidade argumentativa, pela qual se
obrigava a declinar a composição dos produtos, segundo uma lógica utilitária, e
mergulhou num imaginário puro, livre da verossimilhança, aberto à criatividade sem
entraves, longe do culto da objetividade das coisas”. (LIPOVETSKY, 2000 apud
CARRASCOZA; HOFF, 2009, p. 3).
2.1.3 Criação e Redação Publicitária Dentro da Agência
Todas essas técnicas e artifícios tratados até agora ganham forma e aplicabilidade
prática, principalmente, a partir do trabalho realizado dentro da agência de publicidade. Nela,
diversos departamentos atuam de maneira integrada para a criação e viabilização de
campanhas e peças encomendadas pelos mais diversos tipos de clientes (empresas).
Embora não seja uma regra, até mesmo em vista dos portes e especialidades
diferentes, a estrutura básica de uma agência é composta pelas seguintes áreas (ZAMPAR
apud BELTRÃO, 2010) mostradas na figura 6:
Figura 6 – Estrutura básica de uma agência.
Fonte: Beltrão (2010).
 Atendimento: Como o próprio nome já indica, esse é o setor responsável por atender
o cliente e compreender suas necessidades. Tendo-as em mãos por meio de um
briefing, é ele que conduz as informações às outras áreas da agência para que, então,
elas possam criar e desenvolver as soluções pertinentes;
29
 Planejamento: A partir do briefing, analisa as necessidades do cliente e define
(estrategicamente) o que deverá ser feito, estipulando objetivos, metas e prazos de
aplicação. Acompanhar o andamento do projeto também é uma de suas funções;
 Mídia: Cabe aos profissionais dessa área montar os mapas de mídia, conforme o que
foi planejado, e negociar com os veículos de comunicação como acontecerá a
veiculação das peças;
 Criação: É aqui que se encontra a redação publicitária. Geralmente ela é desenvolvida
em parceria com a direção de arte, que também é alocada nesse setor. Uma função
cuida do verbal e outra do visual, mas ambas são responsáveis por construir
criativamente as peças a partir das necessidades identificadas no briefing e a partir do
que foi definido pelo Planejamento. Sobre o trabalho de criação Martins (1997, 77-78)
considera:
Para que as atitudes dos destinatários possam, na verdade, ser atingidas, e
modificadas, quanto à aceitação do produto, haverá necessidade de se elaborar
mensagens criativas com linguagem e símbolos capazes de valorizarem o objeto de
consumo oferecido [...]. Esta atividade é exercida para atender aos desejos dos
clientes [...], quando é necessário fazer conhecer ou divulgar alguma informação em
campanha encomendada [...]. Como não há respostas prontas para todos os
problemas, elas deverão ser procuradas, criadas, ou mesmo provocado o seu
aparecimento.
Para conseguir este desempenho, a propaganda deve ser técnica e arte ao mesmo
tempo [...]. O processo de criação não pode ser improvisado, nem ser empírico, mas
deverá constituir-se etapa de um planejamento [...].
Para que as soluções criativas sejam encontradas é comum as agências realizarem os
chamados brainstorm, que são reuniões nas quais os membros da equipe propõem e
apresentam livremente suas ideias colaborativas para projeto.
As inspirações para o redator publicitário podem vir de qualquer lado, assim como
podem ser buscadas nas mais diversas fontes. No entanto, ele precisa ter conhecimento para
saber discriminar o que pode ou não pode, de fato, ser utilizado em seu trabalho. Esse
conhecimento tem de ser o mais abrangente possível para que o seu poder de criação seja tão
versátil quanto os desafio que lhe chegam. Assim, é necessário que ele domine tecnicamente a
língua portuguesa, que seja atualizado sobre as notícias do mundo, que entenda como
funciona os veículos de comunicação, que conheça em profundidade os procedimentos da
30
Publicidade e Propaganda, enfim, que tenha um repertório técnico e cultural vasto e que,
claro, saiba conciliar tudo isso com sensibilidade, bom gosto e pensamento estratégico.
2.1.4 O Desenvolvimento da Redação Publicitária no Brasil
Todas as (principais) características e comportamentos da redação publicitária vistos
até agora só foram possíveis de serem elencados devido ao seu desenvolvimento como uma
arte e técnica refinada e consolidada por meio de sua prática no tempo.
A divisão da publicidade brasileira em três fases, feita por Martins (1997), traz uma
organização cronológica bastante pertinente, que, com o apoio de outros materiais, ajuda a
compreender melhor como a redação publicitária foi se desenvolvendo de acordo com as
necessidades e possibilidades de cada época.
1ª. Fase – “Os reclames”: É marcada pelos classificados em jornais e em gazetas. Em
1808, com o advento do jornalismo no Brasil, o que era feito na Europa com relação à
propaganda imprensa logo foi assimilado e posto em prática pelos periódicos
nacionais da época. Os espaços reservados aos “anúncios” eram os chamados
reclames, nos quais as divulgações mais recorrentes eram sobre o comércio varejista,
hotéis e produtos farmacêuticos. A redação empregada nesses classificados utilizava
uma linguagem simples, sem artifícios de persuasão e limitada apenas às qualidades
dos produtos ou serviços, sendo bastante adjetivada, como mostra a figura 7. “Na
maioria dos casos, os anúncios consistiam em texto puro, mas datam já dessa época as
primeiras ilustrações” (MARCONDES, 2001, p.15).
31
Figura 7 – Anúncio de 1876, primeira fase da publicidade no Brasil.
Fonte: Spegel (2008).
2ª. Fase – “Os intelectuais”: A linguagem publicitária começou a mudar com o
lançamento das primeiras revistas, nas quais o estilo Art nouveau marcou forte
presença, assim como a participação de alguns poetas (“os intelectuais”), como
Casemiro de Abreu e Olavo Bilac, que introduziram o verso na publicidade, tal como
a sátira política e a visão bem-humorada dos fatos (SILVA; LOPES, 2007). Além
disso, apesar do ainda incipiente uso da persuasão no texto, alguns anúncios já fugiam
à regra, trazendo, por exemplo, apelos eróticos, como mostra a figura 8:
32
Figura 8 – Anúncio de 1917, segunda fase da publicidade no Brasil.
Fonte: Mendonça (2007).
Na década de 20 a publicidade evoluiu, sendo marcada pela chagada de grandes
marcas ao país e pela influência norte-americana. Nesse período, os produtos
femininos começaram a ganhar mercado e seus anúncios buscavam tocar a vaidade da
mulher. Finalmente, a criatividade e a persuasão passaram a ser mais utilizadas. De
acordo com Aldo Xavier (RAMOS, 1985 apud SILVA; LOPES, 2007, p. 161), a
linguagem mais criativa não havia tido larga aplicação antes porque:
[...] a publicidade se antecipou à demanda do mercado, pois somente em 1932, após
a Revolução Constitucionalista, a indústria teria sido implantada no Brasil. Ele
destaca também o movimento modernista como chave para a valorização dos
símbolos nacionais, inclusive da indústria que começava a prosperar, criando terreno
fértil para a atividade.
Tendo como marco inicial no Brasil a Semana de Arte Moderna de 1922, o
movimento modernista influenciou não só o campo artístico, mas também a
publicidade nacional. Como trazem Freitas e Carvalho (2009):
33
[...] se o Modernismo foi um movimento que influenciou toda a cultura do país, é
óbvio que influenciou a publicidade, pois essa bebe da cultura para construir suas
mensagens. É sabido também que esse movimento modernista: artístico, cultural e
filosófico, teve grande expressão no campo da literatura.
Pela carência de profissionais qualificados, a publicidade brasileira foi buscar nos
escritores e poetas a produção necessária para que os anúncios da época apresentassem
apelos mais atrativos. Poetas como Oswald de Andrade e Carlos Drummond de
Andrade foram responsáveis por empregar no texto publicitário características
literárias próprias do Modernismo, como o uso de expressões coloquiais, fala do dia a
dia, regionalismos, valorização das origens brasileiras e palavra-puxa-palavra, que
permanecem em uso até hoje.
Como foi dito, nas primeiras décadas da publicidade brasileira tiveram destaque o
jornal e a revista. Mas, nos anos 30 o nascimento do rádio no Brasil inaugurou a era
dos jingles e sposts. É nesta época também que surgem as mais importantes agências
no país. Já no final da década de 40, ganham força os slogans e as rimas. A partir de
1950 a chegada da televisão e seu desenvolvimento promoveram a evolução da
linguagem publicitária. A década de 60, por sua vez, foi revolucionária, integrando
fortemente redação publicitária e arte. Com relação à linguagem, houve a mudança de
ênfase dos apelos racionais para os apelos emocionais. Ao longo desses anos novas
associações surgiram e a publicidade se profissionalizou ainda mais.
3ª. Fase – “Os profissionais”: A década de 70 foi marcada pela censura, pelos avanços
tecnológicos, pelo aumento de investimentos na área e maior comprometimento dos
profissionais com a atividade (SILVA; LOPES, 2007, p. 166). Esses profissionais não
eram necessariamente publicitários, mas também autodidatas e os próprios poetas, que
não conseguiam sobreviver de seu ofício primeiro na época.
É a partir de 1970 que desponta fortemente outro influenciador da linguagem
publicitária: a poesia concreta.
A visualidade é a marca registrada desse movimento [o Concretismo], as palavras
passam a ser consideradas elementos gráficos, os “brancos” da página passam a ter
mais atenção dos poetas, a lógica diádica da palavra de Saussure é abalada pela
poesia concreta, o Estruturalismo como forma de análise de um texto poética não dá
conta dos processos em que se faz poesia concreta. E tudo isso vai ser absorvido
pela publicidade, criando um salto de qualidade na feitura dos anúncios.
Esse fato foi tomar forma no Brasil na década de 1970, usando como recurso aquilo
que Picchio (1997) já falou: os jogos polissêmicos, que são trabalhados na poesia
34
concreta no momento em que o significante é desmontado na forma e passa a
constituir novos significados na obra, até mesmo visuais. Foi esse trabalho no nível
do significante que permitiu um desdobramento desse processo no plano do
significado. (FREITAS; CARVALHO, 2009).
No anúncio abaixo da figura 9 encontra-se um caso que ilustra o que foi falado por
Picchio (1997 apud FREITAS; CARVALHO, 2009). A polissemia está na palavra
“sacada”, que pode significar tanto uma grande ideia quanto a ação de retirar muito
dinheiro do banco.
Figura 9 – Anúncio dos anos 70, Concretismo e polissemia.
Fonte: A Grande... (c2012).
Como afirma (MARTINS, 1997, p. 29), a publicidade, a partir de então, se torna cada
vez mais técnica, “pois a fantasia e a imaginação só funcionam baseadas no
conhecimento das tecnologias que predominam no mundo da imagem, do som, do
marketing e da produção”. A linguagem publicitária se aperfeiçoa passando a
apresentar mais apuro na redação por meio da utilização de recursos semióticos
capazes de provocarem mais reflexão por parte do público pelo jogo de palavras, a
polissemia, a paronímia, as figuras e os neologismos.
35
Como foi visto, a redação publicitária, que em um primeiro momento (1ª. fase) era
trabalhada praticamente apenas em texto, só evoluiu criativamente quando escritores e poetas
passaram a empregar seu talento na feitura de anúncios (2ª. fase), os quais realmente
começaram a configurar uma mudança na linguagem publicitária quando esses “artistas das
palavras” assumiram esse tipo de produção como mais uma forma de ganhar a vida (3ª. fase).
Como se não bastasse a contribuição de poetas como Olavo Bilac, os movimentos
modernista e concretista tornaram a ligação entre redação publicitária e literatura ainda mais
forte, constituindo as bases para o tipo de texto empregado hoje na publicidade brasileira.
Nesse texto o modelo dionisíaco e o caráter poético se destacam como formas (usuais e
livremente criativas) para o afastamento de construções e apelos racionais, fechados e clichês.
Por tudo o que já foi apresentado não é difícil compreender que a utilização do caráter
poético na redação publicitária se configura dentro do Modelo Dionisíaco, que,
diferentemente do Apolíneo, possibilita a exploração de uma estrutura sem limites e o
emprego das funções emotiva e poética ao texto. Mas do que se trata esse caráter e como é
entendida sua relação com a poesia e o poema? É sobre isso que será tratado na próxima etapa
deste trabalho.
2.2 POESIA, POEMA E O CARÁTER POÉTICO
O poético só está presente na poesia em forma de poema? O que o caracteriza e quais
são suas propriedades que podem ser aproveitadas no texto publicitário? Essas questões são
fundamentais para um melhor entendimento das possibilidades de uso da motivação poética
pela redação publicitária. Mas, antes de abordá-las de forma direta, é interessante que se tenha
compreensão dos conceitos básicos que envolvem a poesia, o poema e o caráter poético.
2.2.1 A Poesia
O primeiro esclarecimento que é preciso fazer acerca da poesia é que
ela não é uma arte exclusiva do poema. Como afirma Cândido (1996), a poesia não
se confunde necessariamente com o verso, tampouco com o verso metrificado. O
autor lembra que existe, por exemplo, a poesia em prosa e a poesia em verso livre, e que com
o advento das correntes pós-simbolistas, inclusive, ela passou a não se conter apenas aos
chamados gêneros poéticos, expandindo-se de modo autêntico também para a prosa de ficção.
36
Ferreira (1993 apud JESUS, 2009) identifica a poesia como o caráter do que
emociona, toca a sensibilidade. A definição, porém, se torna mais palpável ao indicar que sua
propriedade é sugerir emoções por meio de uma linguagem. Assim, o que se conclui é que a
poesia nada mais é do que uma linguagem especial que viabiliza ou concretiza a expressão da
emoção e da sensibilidade, a qual pode acontecer por meio de um poema ou de outros
formatos.
[...] o discurso poético não representa as coisas como são, mas na definição de
Aristóteles, as “enfeita”, “embeleza”, “disfarça”. É aí que entramos na questão da
linguagem usada pela poesia. A poesia não descreve seus objetos como “são”. Pelo
contrário, encontra-lhes novos significados, transformando-os. Disse Rosa Beloto
(op.cit): “a poesia faz do discurso ser incomum, não usual, mas sim criativo,
artesanal”. (FERNANDA et al., 2010, p. 23).
Até o início do século XX, no entanto, para “ser poesia” uma obra tinha de se
enquadrar nas rígidas normas de metrificação do poema clássico, no qual uma das regras
definia que a contagem silábica não podia ultrapassar o número doze. Mas, isso mudou graças
à influência do Modernismo, movimento cultural nascido na Europa, que defendia a ruptura
com o Classicismo. A partir de então surgiram os versos livres, os quais poderão ser
entendidos no contexto do próximo tópico deste trabalho.
2.2.2 O Poema
Enquanto a poesia é caracteriza como uma linguagem especial por meio da qual o
caráter poético é expresso, o poema é a obra em verso, na qual, consagradamente, a poesia se
concretiza com plenitude. Pelo seu trabalho diferenciado, e porque não dizer sofisticado, com
a palavra, a poesia valoriza uma série de práticas e construções conceituais e textuais que
resultam em um aspecto estético viabilizado pelo poema de forma (considerada) ideal.
Como fundamentos básicos para a formação do poema, Cândido (1996) destaca as
seguintes modalidades estéticas:
 Sonoridade: Antes de qualquer aspecto significativo mais profundo do poema, a
sonoridade é um dos níveis que constitui sua realidade total. Esse “substrato fônico” pode
estar presente de modo muito regular e perceptível, definindo uma melodia própria na
ordenação dos sons. De outro modo, também pode se fazer presente de maneira discreta,
assim como, geralmente, é apresentado na prosa. No poema o significado é construído em
37
grande parte por meio dos elementos sonoros e, dentre eles, o principal é rima, ilustrada a
seguir no texto da figura 10:
Figura 10 – Poema e sonoridade.
Fonte: Amaral (2010).
 Ritmo: Fenômeno dominante em relação aos elementos sonoros, é o responsável por
combinar (de alguma forma) as sonoridades, não dos fonemas, mas das
combinações de fonemas representadas pelas sílabas e os pés (conjunto de sílabas).
Embora a ideia de ritmo seja frequentemente complexa e vaga, ela pode ser
relacionada à cadência regular definida por um compasso, assim como à disposição
das linhas de uma paisagem. No primeiro caso o ritmo seria, então, uma
alternância de sons, enquanto que no segundo ele seria uma manifestação da
simetria ou da unidade criada pela combinação de formas. “Em ambos os casos,
seria a expressão de uma regularidade que fere e agrada os nossos sentidos”
(CÂNDIDO, 1996, p. 42-43). Assim, de modo geral, ritmo está intimamente
ligado à ideia de alternância, como som e silêncio, graves e agudos, tônicas e
átonas, longas e breves;
38
 Metro: De modo simplificado, é a divisão do verso em segmentos, não ao que
diz respeito à relação entre as sílabas, mas aos segmentos rítmicos, que
permitem variar a modulação e adaptá-la às necessidades expressivas. Ou seja, o que
tem importância não é a alternância entre sílabas, mas sim a alternância de
tonicidade dentro de grupos silábicos que compõem unidades rítmicas.
Como resume Cândido (1996, p. 51), “ao número de sílabas poéticas de um
verso chama-se METRO; ao número de segmentos rítmicos, chama-se
RITMO”, lembrando que as sílabas de um poema são contadas de forma auditiva,
não de forma gramatical. As regras para essa contagem, como traz Santos (2010), são:
1. As sílabas poéticas que estão após a última sílaba tônica do verso não são
consideradas; 2. Ditongos têm valor de uma só sílaba poética; 3. Duas ou mais vogais,
átonas ou mesmo tônicas, podem fundir-se entre uma palavra e outra, formando uma
só sílaba poética. No exemplo abaixo da figura 11 é possível compreender melhor:
Figura 11 – Poema e métrica.
Fonte: Santos (2010).
 Verso: A partir da experiência do leitor ou do auditor, compreende-se que o verso é
composto não de fonemas, nem de sílabas ou de segmentos rítmicos, mas de
palavras, que são as unidades significativas que divididas em partes,
desarticuladas ou emendadas, permitem analisar os fenômenos do metro e do
ritmo. Enquanto o ritmo cria a unidade sonora do verso, as palavras criam a sua
unidade conceitual. Juntas, as unidades sonora e conceitual formam a
integridade do verso, que, por sua vez, é a unidade do poema. Santos (2010)
39
ressalta que no verso tradicional a quantidade de sílabas é fixa, variando entre um
número de um a doze. Porém, no verso moderno, a métrica é livre, ou seja, cada verso
pode conter quantas sílabas o poeta achar melhor. Sendo assim, o ritmo também ganha
uma característica livre. A diferença pode ser visualizada no exemplo da figura 12:
Figura 12 – Poema e verso.
Fonte: Santos (2010).
[...] a liberdade rítmica criou uma nova música do verso, mais seca, beneficiada
por todo o movimento de desmelodização e de aderência do ritmo à ideia
como correlação central, e não mais do ritmo ao metro. O metro se tornou
mais livre, a seu modo, aproveitando as experiências do verso livre. (Cândido,
1996, p. 63).
Complementando as características do poema com Franco (2008 apud JESUS, 2009),
esse é um tipo de obra que se destaca já pelo modo como é disposto na página. Sua
organização em versos é o principal traço diferenciador com relação à prosa. Enquanto essa é
escrita de modo fluido, em linhas contínuas, cada verso possui um ritmo específico e ocupa
apenas uma linha. O conjunto de versos constitui uma estrofe, dentro da qual a rima pode (ou
não) aparecer.
Existem vários tipos de poemas que, de modo geral, se diferenciam pelo tamanho e a
referência a partir da qual os temas são trabalhados. Os principais tipos são:
 Poema lírico: O próprio autor é a base da obra, pois o foco de interesse é a expressão
de sua reação pessoal frente às experiências que vê, ouve, sente ou pensa. O poema
lírico geralmente é curto e carregado de musicalidade, tanto que o ritmo e rima, por
40
vezes, o tornam semelhante à canção. Alguns teóricos incluem nessa modalidade o
poema satírico. Outros tipos são: a balada, a canção, a elegia, o hino, a ode e o
soneto;
 Poema narrativo: Geralmente é mais extenso que outros poemas, pois seu interesse é
contar histórias. Nele o poeta fala sobre os ambientes, as personagens e os
acontecimentos, atribuindo-lhes uma significação. Entre suas principais variações
estão as epopeias, as baladas e as fábulas, que comumente são tomadas como
trabalhos em prosa, mas que, na verdade, muitas delas foram escritas originariamente
como poemas narrativos;
 Poema dramático: Assim como o tipo anterior, também conta uma história e é
relativamente longo. A diferença é que aqui essa história é desenvolvida a partir das
falas das personagens. As peças de teatro escritas em verso são um exemplo de poesia
dramática.
Após tudo o que já foi apresentado, vale à pena recorrer à Lyra (1986 apud JESUS,
2009) para verificar, agora com melhor compreensão, a diferença entre poema e poesia:
Se o poema é um objeto empírico e se a poesia é uma substância imaterial, é que o
primeiro tem uma existência concreta e a segunda não. Ou seja: o poema, depois de
criado, existe por si, em si mesmo, ao alcance de qualquer leitor, mas a poesia só
existe em outro ser: primariamente, naqueles onde ela se encrava e se manifesta de
modo originário, oferecendo-se à percepção objetiva de qualquer indivíduo;
secundariamente, no espírito do indivíduo que a capta desses seres e tenta (ou não)
objetivá-la num poema; terciariamente, no próprio poema resultante desse trabalho
objetivador do indivíduo-poeta. (JESUS, 2009).
Postas tais considerações, o próximo passo é esclarecer o que se entende por caráter
poético.
2.2.3 O Caráter Poético
Tradicionalmente poesia e poema são conceitos e práticas que se fundem e, por isso,
costumam gerar certa confusão. Mas, o que é importante esclarecer é que a expressão do
poético, ou seja, do caráter capaz de emocionar, tocar a sensibilidade e suscitar novos
significados, é traduzida por meio da poesia conforme sua linguagem especial, na qual têm
41
destaque fatores como o tratamento apurado da palavra, o ritmo e a rima. Porém, para um
texto conter o caráter poético ele não precisa, necessariamente, ser poesia em forma de
poema, o que significa a não obrigação da valorização absoluta da forma, muitas vezes até em
detrimento do conteúdo.
Embora mantenha certo ritmo e o cuidado diferenciado com o “verbo”, há a poesia em
prosa, diferente do verso e que não tem o comprometimento exclusivo com a rima – assim
como o próprio poema, principalmente moderno, também não tem –. De acordo com Feil
(2010), frente a atual era tecnológica “não há como assumir uma postura tradicional diante da
poesia, esperando dela apenas uma distribuição regular em versos, em que fundo e forma,
métrica e a rima estariam presentes como regra”.
Como considera Lyra (2000 apud FERNANDA et al., 2010), há dois grupos
conceituais que entendem a poesia de modo distinto: em uma visão ela seria uma forma
de filosofia, em que o poema é apenas uma de suas consequências, ou melhor, neste caso,
uma consequência do pensamento poético; em outra visão, o poema é concebido como poesia,
como o responsável por formar a linguagem poética. Já na definição acadêmica, a poesia
abrange toda a composição poética, sendo o poema uma de suas manifestações e não sua
totalidade. Tal concepção abre espaço para que se veja poesia em tudo, como quer Alexandre
Faria (2009 apud FERNANDA et al., 2010), seja no cinema, na canção, no
romance ou num namoro, por exemplo.
Ainda de acordo com Fernanda et al. (2010), o site Portal do Brasil
Escola trouxe em um artigo sobre a Função Poética da Linguagem os principais
elementos que compõem o caráter poético (que é anterior ao poema), sendo eles: a
subjetividade, a emotividade e a metáfora. Agregando tais elementos e mais o cuidado
sofisticado com a palavra, um texto estaria pronto, então, para ser identificado como poesia,
independentemente de ser disposto ou não em verso.
Deixando de lado a filosofia por trás do olhar poético, Rosa Beloto (2003 apud
FERNANDA et al., 2010) o toma enquanto manifestação de linguagem para os dias
atuais, em uma definição que permite perceber a relação com a visão clássica pelo elencar de
elementos como a conotação, assim como também permite identificar diferenças para com a
mesma ao falar de imagens e licença poética:
Poesia é LITERARIEDADE, ou seja, tudo aquilo que faz do discurso ser
incomum, não usual, mas sim criativo artesanal. Por exemplo: o discurso repleto
de CONOTAÇÕES (figuras de linguagem, principalmente a metáfora), de
sonoridade especial (figuras de efeito sonoro), de polivalências, de ambiguidades,
de rompimentos com as normas de uso dos signos e com as normas gramaticais
42
(signos inventados, neologismos, vícios de linguagem, etc.). (BELOTO, 2003 apud
FERNANDA et al., 2010, p. 22).
O que é importante esclarecer, porém, é que a poesia não é propriamente o caráter
poético. Enquanto linguagem diferenciada que preza pela sensibilidade e por uma estética
aprimorada, ela é a responsável por viabilizar esse caráter, mas não por determinar a sua
existência. Ele pode ser identificado em qualquer coisa ou acontecimento, dependendo apenas
de uma visão sensível para ser captado. É para ser trabalhado, ou seja, transformado em texto,
que entra em cena a poesia, articulando suas propriedades para traduzir a subjetividade, a
emotividade e a metáfora pelas quais o caráter poético se revela.
Com tudo isso explanado, agora é possível partir para a terceira etapa deste trabalho, a
qual verifica única e objetivamente como a redação publicitária apresenta, ou pode vir a
apresentar, tal caráter em seus textos.
2.3 O CARÁTER POÉTICO NO TEXTO PUBLICITÁRIO
Como foi elucidado, o caráter poético é um fenômeno tocante à sensibilidade que para
existir necessita, antes de tudo, de um olhar atento, motivado a despertá-lo a partir de uma
leitura diferenciada das mais diversas manifestações da vida. Nesse sentido, o primeiro passo
para a sua utilização na redação publicitária depende, sobretudo, da forma como um tema é
concebido e do tipo de tratamento que lhe é dedicado. Ou seja, ao profissional cabe um
posicionamento ativo na captação dos fatores subjetivos e emocionais que podem ser
adotados na criação e desenvolvimento dos textos para uma marca, campanha, peça, produto
ou serviço. Assim, no esforço de traduzir e inspirar sua motivação “poética”, a redação
publicitária floresce o seu próprio caráter poético, o que realiza pelo emprego de vários e ricos
artifícios que acabam por criar uma linguagem própria: uma poesia especial da publicidade.
Montagner (2007) e Castino (2010) concordam que esse discurso (poético) é capaz de
transmitir, graças à sua polissemia, enorme volume informacional, permitindo a leitura de
novos sentidos e afastando a mensagem publicitária da banalidade.
O discurso prosaico, previsível, atende principalmente a necessidades de
comunicação. Assim também o texto publicitário banal atende a necessidades de
uso: [...] [mas] a publicidade propõe seduzir e para isso apropria-se estrategicamente
de soluções encontradas pela literatura [...]. Esse texto publicitário especial [...]
também é consumido, mas não descartável, ao apresentar-se como objeto oferecido a
leituras: é de tal modo produzido que é possível revê-lo proveitosamente repetidas
vezes, da mesma maneira que se pode reler várias vezes um poema, sem perda do
prazer estético, sem esgotamento de sentidos novos. (CASTINO, 2010, p. 1-2).
43
Carvalho (1996 apud MONTAGNER, 2007) lembra que, muitas vezes, visando mudar
a atitude do consumidor a publicidade se apoia em mensagens de venda bastante autoritárias,
marcadas por verbos imperativos que o ordenam ou o convidam a um tipo de ação. No
entanto, nesse modelo o leitor não encontra brechas para a interação, uma vez que o que se
espera dele é apenas uma resposta favorável com relação ao produto ou serviço. Além de ter
essa deficiência, esse tipo de apelo por seu uso frequente ao longo da história já está
banalizado, sendo de fácil identificação por parte do consumidor como forma de atingi-lo, o
que o deixa previamente “armado” e, geralmente, avesso a tal comunicação. É aí que entra a
importância do uso de apelos emocionais na propaganda, pois como defende Gracioso (2002
apud MONTAGNER, 2007, p. 8):
[...] as pessoas não costumam argumentar com a propaganda [...]. Em nível
consciente, pelo menos, as pessoas não aprovam nem desaprovam – simplesmente
ignoram tudo o que não corresponda a sua experiência anterior. É justamente por
isso, para romper a barreira erguida pelo consciente, que é tão importante o uso dos
apelos emocionais básicos como arma de sugestão na propaganda. Os apelos
emocionais, quando bem dirigidos, vão até o subconsciente e provocam reações e
decisões que o indivíduo só mais tarde tentará racionalizar, num esforço para
justificar-se perante si próprio.
Dessa forma, a poesia desponta como uma importante ferramenta alternativa na
construção de textos capazes emocionar, gerar envolvimento e proporcionar novas
interpretações. Montagner (2007, p. 9) afirma que é nesse momento que o discurso
publicitário ganha a oportunidade de ser apreciado como um “acontecimento” além da
mensagem de vendas e se torna um discurso lúdico, que transcende ao uso do autoritarismo
tradicional e previsível. Como tal, ele se estabelece de um modo mais aberto à participação do
receptor, adindo à linguagem publicitária as possibilidades que deliberam a poesia: “o caráter
inovador e polissêmico; a capacidade de reinvenção permanente e as marcas da
experimentação”.
2.3.1 Vantagens da Linguagem Poética na Redação Publicitária
Diante do que foi discutido, como poderiam ser elencadas as vantagens do uso da
linguagem poética na redação publicitária? Contribuindo para o esclarecimento do conteúdo
relevante a essa pergunta, Fernanda et al. (2010) relacionou alguns desses benefícios
considerando:
44
 Caráter lúdico: A polissemia da poesia, isto é, suas várias possibilidades de
significações, é resultado da brincadeira com as palavras e os sentidos, o que no texto
publicitário é capaz de proporcionar uma mensagem rica, envolvente e acima do
discurso banal, portanto, muito mais interessante;
 Interatividade: Surge como consequência da própria polissemia da poesia, sendo
fundamental à linguagem publicitária contemporânea, tendo em vista que a revolução
da internet tirou o público da passividade receptiva, transformando-o em um
consumidor bastante ativo, que pesquisa, compara, que tem acesso à informação, que
reclama e valoriza a personalização em tudo o que lhe é dirigido (HORTA, 2010 apud
FERNANDA et al., 2010);
 Renovação da mensagem: Assim como um poema, a redação publicitária de caráter
poético pode ser lida várias vezes, pois ela propicia a geração de novos significados
em diferentes momentos que, dessa forma, não esgotam a mensagem facilmente. Bigal
(1999 apud FERNANDA et al., 2010) defende que essa renovação do texto poético é
fruto de uma “atividade mental de leitura formada por novos signos que reciclam o
repertório de elementos do público-alvo em questão”, o que também deve-se à
polissemia contida na poesia;
 Apelo emocional: A redação publicitária de caráter poético, apresentando-se de modo
dissimulado, consegue se aproximar mais do consumidor, ao contrário daquele texto
baseado em argumentos racionais, fechados e imperativos para o qual ele já está
preparado. O uso da linguagem poética na publicidade permite um maior
envolvimento agindo de forma subconsciente, disfarçando suas intenções e falando de
sentimentos com delicadeza, com polissemia, com metáforas e com o lúdico;
 Memorização: Diante das inúmeras opções de produtos e serviços presentes no
mercado, assim como dos excessivos anúncios, torna-se de grande importância que a
redação publicitária seja articulada para facilitar a memorização do consumidor a
respeito da mensagem, marca ou oferta em divulgação. Sendo orientada nesse sentido,
a linguagem poética tem muito a contribuir, uma vez que um de seus artifícios é o
recurso mnemônico, que está intimamente ligado à repetição. Nas palavras de
45
Breitenwieser (2004 apud FERNANDA et al., 2010, p. 36): “Recorrências ou
repetições provocam mais do que memorização, pois resultam em adensamento de
sentido”, ou seja, a repetição auxilia também no aprendizado, o qual é essencial para
que a mensagem e o produto ou serviço sejam melhor assimilados pelo consumidor e,
assim, se mantenham por mais tempo vivos em sua memória. Vale destacar que o
ritmo presente na repetição contribui para torná-la mais eficiente na memorização e
aprendizagem da mensagem, contribuindo também para a formação de significados.
A poesia ajuda à aprendizagem do consumidor em todas as suas vantagens
comunicacionais enumeradas anteriormente e especificamente nesta última, por
configurar a memória do consumidor, seja contra o esquecimento da mensagem, seja
como retenção da mesma, seja como processo cognitivo, seja como processo de
estímulo. (FERNANDA et al., 2010, p. 37).
 Caráter inovador: Como já foi dito, a utilização da linguagem poética pela redação
publicitária faz com que a mensagem construída não se goste, mas, pelo contrário, se
renove em si mesma graças ao aproveitamento de recursos da poesia como a
polissemia e o aspecto lúdico, que afastam a obviedade do texto. Como afirma Paixão
(1991 apud FERNANDA et al., 2010, p. 37), “[...] a poesia se caracteriza
essencialmente pelo uso criativo e inovador que se faz das palavras [...]”, o que diante
de uma realidade impregnada por anúncios de toda sorte, como também já foi
observado, é imprescindível à publicidade atual na construção de sua mensagens e
apelos verbais.
Mas se o caráter poético agrega essas (e outras) vantagens à redação publicitária, por
outro lado, ele também apresenta algumas implicações desafiadoras, as quais Fernanda et al.
(2010) chamou de “desvantagens”.
2.3.2 Desvantagens da Linguagem Poética na Redação Publicitária
Ao se trabalhar com o caráter poético na redação publicitária é preciso estar atento a
fatores que podem causar efeitos indesejados na mensagem e na leitura do consumidor, como
os apresentados a seguir. Tendo-os em vista, é sempre necessário buscar adequações que
visem fazer com que os recursos poéticos enriqueçam o discurso publicitário e não que o
deturpem ou o tornem desinteressante.
46
 Perda do objetivo da publicidade: Um poema pode ser lido e interpretado da
maneira que o leitor bem entender, afinal, é a própria linguagem poética que permite e
valoriza essa criação de vários e novos sentidos. No entanto, diferentemente do
poema, o texto publicitário tem de ser claro, objetivo e de fácil entendimento, devendo
atender ao requisito básico de fazer com o que o consumidor tenha, sobretudo, uma
atitude positiva diante da marca ou do produto ou serviço anunciado. Ou seja, a
presença do caráter poético na redação publicitária não pode abrir espaço a divagações
e à perda da verdadeira motivação da publicidade. Sim, passa a existir um paradoxo,
pois a poesia tão subjetiva, interativa e repleta de sentidos tem ser aí condicionada.
Outro efeito indesejado que a redação publicitária poética pode causar, prejudicando
também o objetivo real da publicidade, é o que Castino (2010, p. 1) observa: “o prazer
estético provocado pelo texto pode deixar em segundo plano a mensagem de venda”.
Como ressalta Fernanda et al. (2010, p. 39), “a adequação quando não colocada em
prática, pode provocar confusão interpretativa e aí se perde todo o objetivo da
mensagem, da propaganda”.
Ajudando a desfazer qualquer possível confusão, Montagner (2010, p. 10) explica que
A composição poético-estética publicitária é a peça publicitária com acentuado
caráter de poeticidade, ou seja, é o “discurso mais dinâmico e menos linear, em que
a palavra é usada segundo sua própria configuração enquanto mensagem” [...].
Sob essa denominação, Bigal abarca tanto a faceta utilitária da propaganda como o
caráter estético da poesia, fundidos numa linguagem híbrida e única. Assim, a
personalidade utilitária e funcional continua existindo, porém não mais como um
fim em si mesmo.
 Aversão à poesia: O tratamento mais elaborado das palavras, a sensibilidade, a rima e
a emotividade podem, muitas vezes, remeter o leitor à poesia clássica, em grande parte
evitada pelas pessoas por sua difícil compressão. Assim, o texto publicitário de caráter
poético tem que ser, mais uma vez, adequado para conquistar a atenção do consumidor
de maneira rápida, devendo por isso ser descomplicado, atual e muito envolvente.
Mas, além disso, por mais que as pessoas não percebam, a poesia faz parte de sua
vida, estando presente em diversas manifestações culturais, como a música, os livros
sagrados, como a Bíblia e muitos de seus salmos e o teatro, assim como no modo de
comunicação e expressão próprio da subjetividade humana. Isso quer dizer que o
caráter poético na redação publicitária é sim uma solução viável, desde que seja
orientado no contexto do cenário contemporâneo e de forma sempre instigante.
47
Considerando as implicações do uso do caráter poético na redação publicitária, suas
vantagens e desvantagens, se torna imprescindível que o profissional redator tenha uma
posição crítica e analítica quanto à sua aplicação. Ele deve estar consciente quanto à maneira
mais adequada e propícia de conduzir o texto sob as bases emocionais, polissêmicas e de
elevado impacto estético, levando em conta o momento em que se estabelecerá a
comunicação, ou seja, qual a etapa e o objetivo da divulgação de determinada marca, produto
ou serviço, assim como o público-alvo a quem ela será direcionada. Em publicidade não há
espaço para meras inspirações e experimentações. Seu objetivo é produzir anúncios e outras
ações eficientes, capazes de entregar resultados satisfatórios ao anunciante, proposição que
torna a discussão a seguir de extrema relevância no contexto do assunto central abordado
neste trabalho.
2.3.3 Quando e Para Quem Empregar o Caráter Poético no Texto Publicitário
A investida em uma redação de caráter poético tem sido defendida como uma solução
criativa eficaz no combate ao discurso banal, lógico e previsível muitas vezes empregado nos
textos publicitários. Entre outras vantagens, sua utilização é capaz de prender a atenção do
consumidor, envolvendo-o de modo subconsciente, proporcionando-lhe prazer estético e
fazendo com que ele participe da mensagem a partir de uma leitura que proporciona novos
significados. Porém, é preciso destacar que a redação publicitária poética não se trata de uma
verdade absoluta, de um caminho único para se atingir aos objetivos pretendidos ou de uma
saída que serve para todos os casos. Os próprios momentos/etapas da divulgação de uma
marca, produto ou serviço configuram necessidades que pedem aplicações diferentes.
Partindo dessa situação inevitável, Fernanda et. al. (2010) lembra que ao se trabalhar
na comunicação de produtos em lançamento, por exemplo, o mais indicado (e comum) é
adotar uma linguagem mais técnica e denotativa, a fim de que o público possa conhecer a
novidade de maneira objetiva e prática. É então, quando a qualidade desse produto se torna
reconhecida, que passa a ser viável investir na comunicação com uma linguagem mais
emocional e que lhe agrega novos valores. No entanto, como observa a autora, no caso de
artigos de bens de luxo, por exemplo, esse tipo de linguagem já é empregado desde o início,
pois a existência e uso tais produtos só são justificados nesse sentido.
De qualquer forma, a configuração do público a quem será direcionada a comunicação
deverá ser sempre levada em conta. A linguagem empregada precisará necessariamente estar
adequada ao seu perfil, a fim de garantir a empatia e a identificação com a mensagem. No
48
caso do texto publicitário de caráter poético, é primordial considerar que algumas construções
podem ser difíceis de entender ou até mesmo sem sentido para um público com baixo nível de
escolaridade, que, em geral, conta com um repertório escasso para acionar as novas
interpretações propostas sutil e indiretamente por esse tipo de conteúdo.
Como explica Bigal (1999 apud MONTAGNER, 2007), na composição poético-
estética publicitária – chamada por ela de CPEP – a função conativa não deixa,
necessariamente, de existir, no entanto, ela perde um pouco de seu viés autoritário,
caracterizado pelo uso do modo imperativo. Na CPEP ela divide espaço com a função poética,
que traz a possibilidade do sujeito-receptor participar conscientemente da construção de
sentidos na mensagem. Isso significa que são apresentados novos signos, os quais ficam à
espera de decodificação, não como um “anúncio utilitário”, mas como um “objeto de fruição”.
Como esclarece Castino (2003 apud MONTAGNER, 2007, p. 11):
Na CPEP, composição poético-estética publicitária, o poético atualiza-se e constrói
um outro contexto, em que se acrescenta outra intencionalidade, que ultrapassa o
utilitário [...]. Ao texto publicitário agrega-se uma nova característica: a capacidade
de oferecer-se à exploração da competência discursiva de leitura, como objeto de
fruição.
Tanto para Bigal como para Castino (1999; 2003 apud MONTAGNER, 2007), a
presença da função poética na publicidade atua como um “agente reeducador” da percepção
do público frente àquilo que lhe é apresentado (verbal e visual), pois ela força o deslocamento
do olhar de pontos comumente fixados para novas leituras e associações. Por sua natureza de
permanente reinvenção e polissemia, a poesia permite a exploração de um espaço aberto no
repertório do consumidor, o qual, por sua vez, deve estar preparado para contemplar novos
horizontes além daqueles convencionalmente cristalizados.
[...] na composição poético-estética publicitária, a estrutura se propõe como uma
pré-seleção que exige a percepção da recepção para a elaboração do interpretante,
tornando o sujeito/receptor um leitor de estruturas sintáticas, de arranjos materiais
cuja decodificação leva ao sentido. (BIGAl, 1999, p. 50).
Na explicação de Montagner (2007, p. 11), isso significa que a CPEP utiliza uma
“estrutura que traz elementos para que o sujeito-receptor elabore o interpretante, o sentido da
mensagem além daquele explicitamente exposto”. É por isso que, levando em conta tais
características, o publicitário que pretende explorar uma redação poética tem de estar certo de
que o seu público-alvo conta com as competências necessárias para a decodificação e
49
interpretação da mensagem transmitida, pois, caso contrário, ela pode não encontrar os ecos
necessários para a formação de seu sentido e impacto eficiente.
Tendo compreendido essas e outras questões acerca da poesia e, mais especificamente,
da CPEP, se torna possível a partir de então identificar os recursos e técnicas que ajudam a
compor a redação publicitária em seu caráter poético.
2.3.4 A Redação Publicitária em Seu Caráter Poético
Divulgar produtos e serviços em uma realidade globalizada, cercada por anunciantes e
suas inúmeras opções, torna-se uma tarefa cada vez mais desafiadora ao profissional
publicitário. Os apelos de venda já estão saturados e o próprio consumidor mantém uma
postura extremamente exigente. Nunca a publicidade teve de exercer tanto aquilo que lhe é
próprio: a criatividade. Direcionar ao público uma comunicação renovada e atualizada se
tornou fundamental para impactá-lo e envolvê-lo.
A possibilidade de interação também reclamou seu espaço. Hoje as pessoas querem
poder participar dos processos comunicativos e não mais permanecerem no papel de meras
receptoras de mensagens frias, fechadas e imperativas. Por isso, passou a ser necessário
ampliar os horizontes e explorar novas maneiras de se comunicar e um jeito diferenciado de
estreitar os laços com o consumidor. Ele quer ser surpreendido, ele quer participar e mais, ele
quer se emocionar, se sentido, de fato, um ser humano.
Diante desse cenário “mutante”, a redação publicitária também deve ela própria sofrer
mutações para se adequar. É claro que cada tipo de divulgação, de anunciante e de
produto/serviço pede por soluções particulares na busca constante por surpreender o público.
Como já foi colocado, não há regras e nem fórmulas para isso, cabe à publicidade, inclusive,
quebrar paradigmas e proporcionar novas experiências. Mas, de modo geral e sempre que
possível, resguardando os públicos e os momentos mais adequados, a associação da redação
publicitária à poesia tem muito a contribuir para a apresentação de algo novo, dito de forma
diferente e cativante, seja porque ela possui um “instinto” inovador, polissêmico e
esteticamente agradável, seja por sua capacidade de emocionar e de despertar novos sentidos.
A redação publicitária de caráter poético está englobada dentro do que Bigal (1999)
denominou como composição poético-estética publicitária, que nada mais é do que a peça
com acentuada poeticidade, na qual é trabalhado um “discurso mais dinâmico e menos linear,
em que a palavra é usada segundo sua própria configuração enquanto mensagem” (BIGAL,
1999, p. 16).
50
Para além das regras consagradas que definem e delimitam a poesia clássica, a
poeticidade aproveitada pela publicidade, em especial a articulada na redação, é aquela que,
sobretudo, visa tocar a sensibilidade e a emoção, não se prendendo a padrões métricos,
rítmicos ou de gênero (lírico, narrativo, dramático, entre outros). Evidentemente, as
características básicas da poesia ajudam a construir e a potencializar a redação publicitária em
seu caráter poético, mas elas não se impõem como um conjunto único necessário para a
criação desse tipo de material. Ora é possível acionar, por exemplo, a rima, ora enfatizar a
polissemia, ora adotar recursos mnemônicos, ora utilizar todos esses elementos juntos e ora
combinados em grupos distintos. Porém, o requisito básico a ser empregado no texto é a
emoção, ou melhor, a capacidade de emocionar o consumidor, tocando sua senilidade,
mexendo com seus sentimentos e fugindo da pura apresentação das qualidades da marca, do
produto ou do serviço anunciado.
Essa motivação mais “aberta”, que foge de um desenvolvimento linear (ao contrário
do que pretende o Esquema Quadrifásico Aristotélico) e que promove um diálogo maior com
o receptor da mensagem, enquadra o tipo de redação estudada aqui nos caminhos do Modelo
Dionisíaco de texto publicitário que, diferentemente do Modelo Apolíneo (racional), valoriza,
principalmente, a emoção e o humor especialmente empregados em narrativas. No caso do
exemplo da figura 13 é apresentada uma história que de modo bastante sensível visa comover
o leitor positivamente com relação à imagem do anunciante.
51
Figura 13 – Anúncio segundo o modelo apolíneo.
Fonte: A História... (2012).
Sobre a validade dessa vertente epidítica Carrascoza (2004, p. 60) articula:
52
[...] Lipovetsky sentencia, com precisão, que a publicidade atual “quer menos
convencer do que fazer sorrir, surpreender, divertir” e, sabendo que essas ações são
almejadas pelo espírito dionisíaco, é fundamental ressaltarmos que esse fazer sorrir,
surpreender e divertir está a serviço do esforço por se conquistar a adesão ao que é
anunciado, de se tentar convencer o público por meio também da emoção e do
humor [...] nas palavras do próprio Lipovetsky: “ao invés da coerção minuciosa, a
comunicação; no lugar da rigidez regulamentar, a sedução; no lugar do adestramento
mecânico, o divertimento lúdico”.
[...] É nessa maneira indireta que está a força de sua carga suasória. Como tão bem
apontou o escritor Jorge Luis Borges, “qualquer coisa sugerida é bem mais eficaz do
que qualquer coisa apregoada”.
Tendo estabelecido a redação publicitária em seu caráter poético, ponderado acerca de
suas implicações e compreendido sua contribuição para a comunicação/divulgação de marcas,
produtos ou serviços, serão relacionadas a seguir as principais técnicas e aplicações que
utilizadas de modo individual ou agrupado ajudam a construir e a potencializar a poeticidade
no texto publicitário.
2.3.4.1 Técnicas que Revelam e Constroem o Caráter Poético
A partir do estudo desenvolvido até aqui e baseado no mesmo, se torna possível, neste
momento, identificar os artifícios que ajudam a desenvolver a poeticidade no texto
publicitário. Embora estejam relacionadas de maneira individualizada, essas técnicas podem
ser combinadas entre si, ou mesmo trabalhadas isoladamente. No entanto, é fundamental
destacar que todas elas estão (devem estar) subordinadas à essência do caráter poético, ou
seja, à emoção e à sensibilidade articuladas em uma composição (verbal e não verbal)
harmônica e envolvente.
As técnicas e aplicações expostas a seguir não tem um fim nelas mesmas. Sua função é
potencializar a poeticidade pretendida dentro, ou para além, de um texto publicitário.
Para exemplo e análise, foram selecionadas peças que põem em evidência o recurso
que cada uma melhor representa, o que não significa que elas também não possuam os outros
artifícios apresentados.
 Apelo emocional: É a base para a redação publicitária em seu caráter poético. Ao
invés de usar uma linguagem objetiva para falar das qualidades e vantagens de um
produto, por exemplo, o apelo emocional disfarça as intenções da comunicação,
colocando em primeiro plano situações que têm a ver com o público-alvo, seus
sonhos, desejos e opiniões, tudo por meio de uma linguagem “floreada” e inspiradora.
53
Nos exemplos abaixo (figura 14 e figura 15) a redação, ao invés de destacar o produto,
coloca em evidência o amor das pessoas: no primeiro caso ilustrando o mote “gestos
que colocam o amor em movimento” e no segundo, a premissa de que “o amor não é
perfeito”.
Figura 14 – Apelo emocional na redação publicitária.
Fonte: Miranda (2010).
54
Figura 15 – Apelo emocional na redação publicitária.
Fonte: Sanntana (2012).
O caminho escolhido para a construção de ambos os textos foi diretamente
influenciado e beneficiado pelo próprio conceito do da linha Amós e,
consequentemente, dos produtos anunciados. Na primeira peça registra-se o fragmento
de uma história relata pela personagem “Marcelo”, supostamente retrado na foto
abraçando “Gabi”. O texto emociona não só porque traz um pouco da vida de outras
pessoas, gerando envolvimento e identificação, mas também o faz pelo emprego das
palavras, pela pontuação e a maneira como se relaciona com a pergunta “Qual é o
gesto que coloca o seu amor em movimento?”. Já na segunda peça, tem-se uma
afirmação (destaque) que valoriza as diferenças e que alivia as possíveis complicações
ou cobranças de um relacionamento ao concluir que o adequado para um casal é
justamente que o amor não seja perfeito. Com isso, pretende-se dizer que o produto é
ideal para a “festa particular com dois convidados”, uma vez que a proposta do mesmo
é “Celebre o amor de verdade, o seu amor”;
 Rima: Contribui para tornar a redação publicitária diferenciada e de fácil leitura,
auxiliando também na memorização da mensagem. Por ser comum no poema e não
publicidade, ela faz com que o receptor tenha um posicionamento mais aberto para o
conteúdo que será desenvolvido, por meio do qual ele já espera se emocionar.
55
No exemplo da figura 16 a rima ajudou a tornar o texto mais pueril, como a felicidade
simples de uma criança ao se deliciar com os sabores das frutas, retrada no caso como
uma resposta ao título “O que faz você feliz?”.
Figura 16 – Rima na redação publicitária.
Fonte: Prado (c2009).
A motivação por trás da peça se revela na pergunta “Frutas fresquinhas sem sair de
casa?”, mas ao invés de destacar claramente que o anunciante realiza a entrega de
frutas, proporcionando toda comodidade aos seus clientes, o texto faz uma associação
bastante sutil e indireta entre essa facilidade oferecida pelo Pão de Açúcar com os
prazeres e os sabores simples da vida. Ou seja, o que está implícito é que receber as
encomendas em casa é mais uma dessas coisas (que deveriam ser) simples que o grupo
varejista entrega ao seu consumidor;
 Ritmo e recurso mnemônico: Como foi visto, esses artifícios empregados
conjuntamente tornam o texto fluido e penetrante, proporcionando uma leitura e uma
audição agradáveis, que contribuem para a memorização do conteúdo. Graças
especialmente ao recurso mnemônico o aprendizado do mesmo também é facilitado.
56
Com o exemplo da figura 17 é possível compreender melhor como tais técnicas podem
ser aplicadas:
Para um preso, menos 7 dias
Para um doente, mais 7 dias
Para os felizes, 7 motivos
Para os tristes, 7 remédios
Para os ricos, 7 jantares
Para os pobres, 7 fomes
Para a esperança, 7 novas manhãs
Para a insônia, 7 longas noites
Para os sozinhos, 7 chances
Para os ausentes, 7 culpas
Para um cachorro, 49 dias
Para uma mosca, 7 gerações
Para os empresários, 25% do mês
Para os economistas, 0,019 do ano
Para o pessimista, 7 riscos
Para o otimista, 7 oportunidades
Para a terra, 7 voltas
Para o pescador, 7 partidas
Para cumprir o prazo, pouco
Para criar o mundo, o suficiente
Para uma gripe, a cura
Para uma rosa, a morte
Para a história, nada
Para Época, tudo
Figura 17 – Ritmo e recurso mnemônico na redação publicitária.
Fonte: Nunes (c2001).
As frases nesse texto, que foi utilizado na campanha de lançamento da revista Época,
possuem uma cadência que torna mais evidente o recurso mnemônico baseado no
número sete, o qual corresponde à quantidade de dias da semana. Sendo o título uma
publicação semanal e estando o mesmo em caráter de lançamento, a redação optou por
“ensinar” ao público sobre a periodicidade da revista (o texto termina com “Época.
Toda semana”) e sobre a variedade de assuntos que ela abrangeria, o que fica evidente
em “Para Época, tudo”.
As situações colocadas e os contrastes entre as mesmas tornaram a comunicação
impactante e emocionante;
 Sonoridade: Trazida em grande parte pelo ritmo, a sonoridade desperta a
sensibilidade, “abrindo os olhos e ouvidos” para a contemplação estética apresentada
por um texto. Ela pode ser facilmente verificada na leitura oral, por meio da qual é
possível obter uma melhor impressão da combinação das palavras e de seus sons,
como permite observar a redação empregada na peça da figura 18:
57
Figura 18 – Ritmo na redação publicitária.
Fonte: Gomes (2011).
A sequência de palavras vista aqui possibilita uma leitura fácil, ágil e bastante sonora.
Essas palavras são substantivos singelos que foram ligados à figura materna, a qual
surge repleta de delicadeza, detalhamento e, ao mesmo tempo, de força e coragem.
Mesmo “mata” e “terra” estão incluídas nesse contexto, tendo em vista a alusão à
Gaia, a “Mãe Terra”;
 Caráter lúdico: A utilização desse recurso permite fazer com que o texto publicitário
fique mais descontraído e que novas associações de palavras e ideias potencializem
sua qualidade criativa, tornando-o, dessa forma, mais atrativo. O caráter lúdico, como
já foi ressaltado anteriormente, trata-se de uma brincadeira com as palavras que cria a
polissemia essencial à linguagem poética. Aqui cabem os trocadilhos, a rede semântica
e, evidentemente, as figuras de linguagem.
O texto a seguir da figura 19 é um exemplo do que está sendo abordado:
58
A idéia é a rotina do papel
O céu é a rotina do edifício
O início é a rotina do final
A escolha é a rotina do gosto
A rotina do espelho, é o oposto.
A rotina do jornal é o fato
A celebridade é a rotina do boato
A rotina da mão é o toque
A rotina da garganta, é o rock.
O coração é a rotina da batida
A rotina do equilíbrio é a medida
O vento é a rotina do assobio
A rotina da pele, é o arrepio.
A rotina do perfume é a lembrança
O pé é a rotina da dança
Julieta é a rotina do queijo
A rotina da boca, é o desejo.
A rotina do caminho é a direção
A rotina do destino é a certeza
Toda rotina, tem a sua beleza
Descubra a sua.
Figura 19 – Caráter lúdico na redação publicitária.
Fonte: Função... (2008).
As brincadeiras com as palavras, seus significados e as ideias suscitadas nesse caso
foram orquestradas pelo paradigma “rotina”, o qual foi justificado e concluído ao final
do texto com a assinatura “Natura Tododia” (não mostrada na figura). De modo geral,
os substantivos colocados lado a lado não possuem uma ligação direta entre os seus
significados, o que deixou a construção do sentido, desempenhada pela ideia da
“rotina” e pelo verbo “é”, mais instigante e interessante.
A polissemia pode ser observada não só no contexto geral da peça, mas também em
alguns versos específicos como “A rotina da boca, é o desejo”. Que desejo? O de
comer? O de beijar? Cada leitor irá interpretar como quiser... O importante é que a
redação empregada conseguiu promover essa interação;
 Função Poético-estética da Linguagem: Essa técnica não tem como objetivo
primordial favorecer uma leitura rápida ou facilitada de um texto. A partir de seu uso
as palavras e letras ganham formas diferenciadas para gerar, por elas mesmas, um
efeito estético que, de modo geral, seria indesejável nos textos tradicionais,
argumentativos e racionais do Modelo Apolíneo. No entanto, para que essa função
59
gere resultados eficientes, seu texto tem que ser, preferencialmente, curto. E é
justamente isso o que ilustra a redação da figura 20:
Figura 20 – Função poético-estética na redação publicitária.
Fonte: Coluna do Nenê (2012).
A fonte fluida e manuscrita visou entregar uma aparência humanizada ao texto, que
fala, ao mesmo tempo, da chegada de um bebê no seio familiar, das novidades ou
“mudanças” lançadas pela marca anunciada e da capacidade dessa em atender às novas
necessidades da vida de um casal (ao que compete ao mobiliário da casa). Além disso,
o texto principal alude ainda ao ano três do evento realizado pelo patrocinador.
O contexto dessa peça já é por si só polissêmico e a redação veio potencializar isso,
utilizando de sensibilidade e presença de espírito;
 Função Emotiva da Linguagem: O uso da primeira pessoa favorece a possibilidade
de desenvolver uma narrativa envolvente, na qual o enunciador destaca seus
sentimentos, visões e opiniões. Assim, a função emotiva abre espaço para o despertar
de emoções e para que o público-alvo se identifique rapidamente com a história ou
mensagem apresentada. A figura 21:
60
Figura 21 – Função emotiva na redação publicitária.
Fonte: Gloss... (2012).
As dúvidas, a determinação, as várias facetas de uma mesma personalidade e o desejo
de liberdade comuns à juventude, especialmente ao público feminino, foram retratadas
nesse anúncio para mostrar que a revista em questão tem um conteúdo contrastante,
completo e ideal para quem “se encontrou” nesse texto, que escrito em primeira
pessoa, já procurou induzir essa identificação;
 Figuras de Linguagem: Assim como são essenciais à poesia, as figuras de linguagem
também são indispensáveis ao discurso publicitário, ainda mais para a redação
publicitária de caráter poético. Para Sandmann (2001, p. 85), elas emprestam “a
mensagem maior vivacidade, vigor e criatividade, dependendo esta última qualidade
naturalmente da maior ou menor originalidade [...]”.
De acordo com a análise do autor, as figuras que aparecem com mais frequência na
publicidade são a metáfora, a metonímia e a personificação. No texto a seguir da
figura 22 a utilização da metáfora se destaca:
61
Figura 22 – Figuras de linguagem na redação publicitária.
Fonte: Barbosa (2010).
62
Nesse texto a palavra “linha” tem duplo sentido: ela significa tanto um caminho ou
direcionamento que a vida segue em seu decurso, quanto o próprio material utilizado
para bordar. Desse modo, “linha” constitui uma metáfora, pois tem como base a
“relação de similaridade entre o sentido próprio e o sentido figurado” (CABRAL,
c2012). Outra figura de linguagem presente é a antítese presente na frase “Uma
história tão grande que cabe numa linha”.
Além dessas figuras, o texto conta também com a função poético-estética da
linguagem, a qual pode ser observada no movimento ondulado das linhas. Esse
movimento faz alusão aos “altos e baixos” da vida que, assim como uma tela bordada
à mão, é construída vagarosamente “fio a fio”.
A peça traz ainda intertextualidades com a cultura, a arte e ao modo de sobrevivência
do povo retratado, o que amplia ainda mais a poeticidade ricamente apresentada.
Como observação, a expressão “à fora” deveria ser, na verdade, “afora”.
63
3 ENTREVISTAS COM PROFISSIONAIS DE BAURU
A escolha de uma ou mais técnicas redacionais para a elaboração de um texto
publicitário, assim como das inspirações mais pertinentes para a construção dos apelos
criativos no mesmo, está relacionada não apenas à sua adequação ao objetivo de uma
campanha ou anúncio específico, mas também às competências técnicas, conhecimentos
gerais, sensibilidade e ao próprio estilo do profissional que será responsável por criar o
conteúdo verbal da mensagem.
Levando em conta essa proposição e tendo como tema deste trabalho a “redação
publicitária em seu caráter poético”, foram realizadas entrevistas com profissionais da cidade
de Bauru, São Paulo, a fim de conhecer a opinião dos mesmos a respeito dessa redação
poética e também para verificar como eles trabalham com essa vertente em sua atuação.
3.1 REALIZAÇÃO DAS ENTREVISTAS
Para a realização das entrevistas de uma maneira viável foi delimitada como área de
interesse a cidade Bauru, município localizado no interior do estado de São Paulo que conta
com uma população estimada de 346.650 habitantes (SEADE, 2011).
Aplicadas em sua totalidade a quatro profissionais, as entrevistas não foram
estruturadas de forma rígida. Embora a dinâmica definida não tenha se baseado em perguntas
e respostas “prontas”, as abordagens foram desenvolvidas para permitir identificar os
seguintes pontos: 1. Como se dá o embate “Fórmulas prontas x Redação poética/emocional”
na experiência de cada entrevistado; 2. Quais são as fontes de inspiração dos profissionais; 3.
Sua opinião sobre a utilização da redação publicitária de caráter poético em Bauru; 4. A
validade/contribuição desse tipo de texto na comunição de uma marca, produto ou serviço; 5.
O contexto mais adequado para empregá-lo. Além disso, foi solicitado aos participantes
materiais produzidos por eles mesmos, nos quais é possível perceber a presença do caráter
poético.
As entrevistas foram agendadas previamente com cada profissional via e-mail e
telefone. O registro de três delas foi feito por meio da gravação de áudio com um gravador
digital de posse da Universidade Sagrado Coração – prática que foi anunciada pelo
entrevistador e permitida pelos entrevistados. Já uma das entrevistas foi viabilizada por meio
do envio das perguntas pelo próprio correio eletrônico. Para essa ocasião foram elaboradas
64
sete questões, além de ter sido feita uma solicitação de apresentação prévia do respondente e
de ter sido aberto um espaço para ele acrescentar outras observações.
A primeira gravação, realizada com Daniel Lopes, aconteceu no Laboratório de Rádio
da universidade na noite do dia 08/05/2012, enquanto as outras duas, com Marcelo Gonçalves
e Cintia Cavalcanti, aconteceram no local de trabalho de cada um deles na tarde dos dias
15/05/2012 e 17/05/2012, respectivamente. Em média, as gravações (editadas) apresentaram
duração de 30 minutos. A entrevista desenvolvida por e-mail com Leandro Mello, por sua
vez, foi recebida na noite do dia 01/06/2012.
Os áudios das gravações estão disponíveis no Apêndice A e o questionário respondido
via e-mail, no Apêndice B. As autorizações de uso dos materiais produzidos e indicados pelos
participantes da pesquisa foram preenchidas pelos mesmos e estão em posse do autor deste
trabalho.
3.2 APRESENTAÇÃO DOS ENTREVISTADOS
Em cada entrevista foi solicitado aos profissionais uma apresentação resumida de sua
formação profissional, a fim de que seu trabalho e suas opiniões pudessem ser legitimados
frente ao tema deste trabalho.
As informações correspondentes se encontram organizadas a seguir:
 Daniel Lopes: Formado em 2002 em Publicidade e Propaganda pela Universidade
Paulista – UNIP de Bauru. Começou a trabalhar como diretor de criação e passou
pelas agências RX Comunicação, Fluence e MR Tempo. Até a data da entrevista,
afirmou atuar como autônomo e atender a três agências distintas: a Pão Criação de
Bauru; a Revelare de Bauru; e a DPI de Jaú/SP;
 Marcelo Gonçalves: Formado em 1994 em Desenho Industrial – Programação
Visual pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” de Bauru e
mestre em Comunicação pela mesma instituição a partir de 2007. Atuou na Dezigzag
Design, empresa que abriu juntamente a quatro amigos, e, posteriormente, na Thomas
Associados, onde foi diretor de criação por aproximadamente quatro anos. Após essa
experiência fundou, em Bauru, a Aero Comunicação, sua agência atual à data da
entrevista, onde assume a função de diretor de arte;
65
 Cintia Cavalcanti: Formada em 1995 em Desenho Industrial pela Universidade
Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” de Bauru e Master in Business
Administration – MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas – FGV. Foi
designer e diretora de criação da Tilibra entre 1991 e 2000, fundando a OD
Comunicação em Bauru depois desse período;
 Leandro Mello: Formado em 2009 em Publicidade e Propaganda pela Universidade
Paulista – UNIP de Bauru. Até a data da entrevista, revelou atuar como redator e
diretor de criação na agência MR Tempo da cidade de Bauru.
3.3 POETIZANDO A REDAÇÃO PUBLICITÁRIA COM PROFISSIONAIS DE BAURU
Em encontros descontraídos (com exceção da entrevista feita por e-mail) buscou-se
conhecer a opinião e o trabalho dos profissionais da cidade de Bauru com relação à redação
publicitária em seu caráter poético, tendo como foco a verificação de cinco questões
fundamentais, as quais se encontram explanadas a seguir de acordo com as respostas
(transcritas em caráter não literal) de cada entrevistado.
Após o último tema foram dispostos os materiais produzidos pelos profissionais ou por
suas equipes (nos casos de Marcelo Gonçalves e Cintia Cavalcanti).
3.3.1 Fórmulas Prontas x Redação Poética/Emocional
Conjeturando que o dia a dia de uma agência de publicidade ou de comunicação
costuma ser bem agitado e exigente por soluções rápidas, buscou-se saber junto aos
entrevistados como é essa situação, que por uma questão de praticidade tende a induzir a
produção de textos previsíveis (as “fórmulas prontas”) em detrimento de construções mais
sensíveis e poéticas, as quais podem exigir um tempo maior na lapidação do conceito
adequado, no tratamento das palavras e até mesmo na busca por inspiração.
 Daniel Lopes: Além de atestar que o cotidiano de uma agência é sim bem agitado,
Daniel Lopes relatou que a escolha por um “caminho mais convencional” na redação
não se deve apenas ao ritmo acelerado de trabalho, mas algumas vezes também aos
próprios clientes que preferem apelos comerciais ao invés de motivações poéticas, ou
66
até mesmo ao objetivo de apresentar para o público algo mais simples que permita
uma compreensão facilitada.
Há ainda na opinião do entrevistado a questão das oportunidades momentâneas, como
uma oferta que exige um resultado mais ágil e que, consequentemente, tende a
influenciar a elaboração da redação com base em “receitas prontas”;
 Marcelo Gonçalves: Na entrevista o profissional deixou claro que o perfil de sua
agência é voltado para o desenvolvimento de ideias e materiais diferenciados, com
forte aspecto criativo. Mas, como empecilho à redação de caráter poético ou mesmo
aos conceitos de modo geral que possuem esse viés, ele destacou a falta de
compreensão de alguns clientes diante daquilo que lhes é apresentado. Em sua opinião
“clientes mais maduros” e que prezam por qualidade tendem a aceitar melhor ideias
mais subjetivas, ou seja, aquelas que não destacam seus produtos ou serviços de modo
objetivo nas peças produzidas;
 Cintia Cavalcanti: Em sua visão o desenvolvimento da redação deve estar
intimamente ligado ao posicionamento de determinado produto no mercado e do
comportamento de quem irá consumi-lo. Para ela, mesmo que o cliente não entenda
uma proposta de comunicação voltada ao caráter poético, alguma contribuição sempre
é dada. Como considera, é preciso buscar um equilíbrio entre a redação poética e a
linguagem comumente empregada na divulgação de produtos e serviços relacionados
ao varejo, cujos apelos e linguagem são mais objetivos;
 Leandro Mello: Como constatou, muitas vezes os profissionais não dispõem de
tempo hábil para desenvolver todos os passos do processo criativo. Mas, falando
diretamente sobre o uso da redação publicitária poética, o entrevistado destacou que
“não adianta forçar a barra com falsos sentimentalismos”, pois “nosso coração parece
que vem com uma defesa natural contra ataques emotivos forçados”;
Como pôde ser observado, embora alguns entrevistados tenham confirmado a
dificuldade em desenvolver textos mais sensíveis e poéticos em seu dia a dia de trabalho, a
maior parte deles falou sobre o embate Fórmulas Prontas x Redação Poética/Emocional de
um modo mais abrangente, ressaltando, principalmente, o papel dos clientes na análise ou
mesmo na definição do que preferem ter em seus anúncios. Para essa parcela dos profissionais
67
abordados, a falta de sensibilidade de alguns clientes e sua falta de compreensão sobre a
contribuição que a redação publicitária poética é capaz de agregar à sua marca acaba sendo
um dos grandes empecilhos para a utilização da mesma.
3.3.2 Fontes de Inspiração
Visando conhecer melhor o início do processo de criação dos profissionais abordados,
foi perguntado a cada um deles de onde surgem suas inspirações para a produção dos textos.
 Daniel Lopes: Para o redator a vida e suas manifestações de modo geral servem como
fontes inspiradoras. Tudo o que percebe vira repertório, o qual também se torna um
ponto de referência. Para complementá-lo diante de suas atividades costuma realizar
pesquisas adicionais na internet, em anuários e em outros materiais interessantes. Em
sua opinião leituras variadas ajudam a criar um “olho clínico” na tarefa de discriminar
o que serve e o que não serve para o seu trabalho.
No entanto, Daniel Lopes revelou que na hora de produzir um texto, primeiramente,
ele pensa mais no lado visual. Como conta, nessa etapa imagina cenas, fotos e
pesquisa imagens. Em seguida costuma desenvolver um conceito, o qual utiliza para
elaborar um título. Só então começa a desenvolver o texto de acordo com o que for
necessário;
 Marcelo Gonçalves: Muitas das inspirações do entrevistado e de sua equipe vêm de
conversas descontraídas. Para forçar o surgimento de novas ideias ele destacou a
importância de recorrer a alguns “rituais”, como ir à padaria, local onde costuma ter
essas conversas com outros integrantes da agência. Além disso, ele citou que há os
“momentos de fruição” (como assistir filme, jogar bola e tomar banho), os quais
também auxiliam a despertar inspirações;
Em sua experiência, a criação, às vezes, é feita em conjunto e outras vezes
isoladamente. Geralmente trabalha primeiro um conceito que pode vir refletido de
forma mais enfática em uma imagem ou em texto;
 Cintia Cavalcanti: Em sua opinião é muito importante contar com uma equipe rica
em talentos, desenvolver reuniões de brainstorm e, principalmente, compreender o
68
“DNA de cada cliente”. De acordo com ela, é essencial observar o universo ao redor
da marca para determinar o caminho que a redação deve seguir;
 Leandro Mello: Para ele, a inspiração é uma soma de fatores, que abrangem desde
repertório pessoal até o estado emocional do redator em determinado dia. Leandro
Mello revelou que tem certa preferência por apelos cômicos, mas, sempre que
possível, tenta utilizar também o teor poético no texto. “Livros, filmes, músicas,
viagens, imagens, são itens que acrescentam e influenciam nessa questão e com
certeza facilitam no momento de criar”.
Analisando as informações reveladas pelos participantes é possível notar que os
profissionais que trabalham diretamente com redação (Daniel Lopes e Leandro Mello) citaram
o repertório pessoal como uma fonte de inspiração comum. Já aqueles que lideram equipes
(Marcelo Gonçalves e Cintia Cavalcanti), coincidentemente, destacaram processos de
brainstorm (seja em reuniões ou em “conversas descontraídas”) como um meio utilizado para
dar luz a novas ideias.
Além dessas, outras fontes de inspiração apontadas para a elaboração de textos
(verbais) foram as próprias manifestações da vida, o universo particular de cada cliente,
pesquisas adicionais, leituras diversas e momentos de fruição, como assistir a filmes, ouvir
músicas, ver imagens variadas e viajar.
3.3.3 A Redação Publicitária de Caráter Poético em Bauru
No intuito de averiguar se os entrevistados estão mesmo atentos à redação publicitária
de caráter poético, foi perguntado qual a visão deles a respeito desse tipo de produção dentro
do cenário bauruense.
 Daniel Lopes: Em sua opinião, no interior é mais comum os próprios clientes
preferirem apelos mais previsíveis e racionais, focados em uma vertente comercial.
Seja por esse motivo, pela falta de tempo de produzir um texto com mais conteúdo ou
ainda pela simples falta de necessidade do mesmo, Daniel Lopes considera que há no
mercado trabalhos medíocres, mas que isso é, de certa forma, natural. Contudo,
ressaltou ele na entrevista, que há excelentes profissionais em Bauru, com alguns dos
69
quais inclusive já trabalhou, e que em termos de “material humano” a cidade não fica
devendo para outros lugares;
 Marcelo Gonçalves: Sobre a questão em pauta o profissional ressaltou a dificuldade
de alguns clientes em compreender e aceitar ideias e conceitos cuja missão é tocar a
sensibilidade das pessoas, ao invés de destacar objetivamente as características do
produto ou serviço a ser anunciado. No entanto, Marcelo Gonçalves revelou que
quando um cliente observa que um concorrente acertou com esse tipo de apelo
emocional, começando a obter retorno financeiro, aí sim ele costuma dar “carta banca”
para a agência e suas propostas de comunicação com viés mais poético;
 Cintia Cavalcanti: Para ela a redação publicitária poética deveria ser muito mais
utilizada. Em sua análise particular, há certo padrão no mercado e certa “preguiça de
pesquisa” (CAVALCANTI, 2012) que induzem a um conformismo na hora de
produzir uma peça, na qual o texto é trabalhado de modo “duro”, não promovendo o
diálogo com a imagem escolhida e, tampouco, completando a comunicação;
 Leandro Mello: Na visão do redator, “grande parte dos clientes tem dificuldade em
valorizar o profissional de criação” (MELLO, 2012), o que faz com que, muitas vezes,
ele acabe trabalhando com as ideias do contratante e não com aquelas que havia
preparado. O resultado disso, para Leandro Mello, são campanhas “sem apelos fortes
ou diferenciados” (MELLO, 2012).
Embora essa seja uma realidade generalizada, em sua opinião, ela é mais evidente nos
mercados das cidades do interior.
Ressaltando o que já havia apontado, a maior parte dos entrevistados evidenciou a
problemática dos clientes que têm dificuldade em aceitar uma redação publicitária que foge
da tradicional linguagem comercial. Na opinião de Leandro Mello, a necessidade de, muitas
vezes, ter que ceder às preferências dos clientes acaba resultando em campanhas banais, o
que é mais comum acontecer em regiões interioranas.
Para Cintia Cavalcanti existe nesse mercado certa acomodação com relação às
produções, além da necessidade de a redação publicitária em seu caráter poético ser
muito mais utilizada. No entanto, conforme Marcelo Gonçalves, quando um cliente
consegue enxergar que um concorrente tem obtido sucesso com uma comunicação mais
70
poética, então ele passa abrir espaço para que a mesma seja empregada em seu projeto. Já
para Daniel Lopes, apesar dos problemas identificados, a cidade de Bauru não apresenta
desvantagem ao que diz respeito à qualidade de seus profissionais frente aos profissionais
de outros lugares.
Diante das respostas, pode-se concluir que há sim uma carência da redação poética
nas campanhas do contexto publicitário bauruense, o que, no entanto, é devido em grade parte
aos empecilhos colocados pelos próprios anunciantes.
3.3.4 A Contribuição da Redação Poética na Divulgação de Marcas, Produtos ou
Serviços
Aprofundando a averiguação sobre a opinião dos profissionais entrevistados a respeito
do tema do trabalho, buscou-se identificar o que cada um deles pensa sobre a validade e a
contribuição da redação poética na divulgação de marcas, produtos ou serviços.
 Daniel Lopes: Embora ponderando que algumas demandas requerem um material
mais comercial, Daniel Lopes respondeu que acha sim bastante válida a utilização da
redação poética. Complementando, afirmou que esse tipo de texto é muito mais
benéfico para a construção da imagem de uma marca do que aqueles apelos
comumente vistos nos anúncios ligados ao varejo. Para o entrevistado o uso dessa
redação de caráter poético é, na verdade, ideal para materiais institucionais;
 Marcelo Gonçalves: Em sua concepção o fator emocional é a chave para uma
comunicação eficiente. Segundo ele, quando esse fator está presente as pessoas
passam a se interessar mais por uma peça publicitária, interesse que, aliás, surge de
modo espontâneo e sincero e que por isso configura uma verdadeira relação
comunicativa.
Para o entrevistado, a construção da marca na mente do público é favorecida quando a
comunicação apresenta algo inovador, como, por exemplo, uma rima inusitada
presente no texto. Quando o cliente começa a entender a contribuição dos apelos
diferenciados e subjetivos em sua divulgação, então, ele passa a investir apenas nesse
tipo de abordagem. Como afirma Marcelo Gonçalves, é por isso que os “grandes
clientes” compram propaganda das melhores agências, as quais fazem justamente esse
tipo de comunicação, e o fazem não porque gostam mais, mas porque funciona;
71
 Cintia Cavalcanti: Falando sobre um case desenvolvido para a empresa de lingeries
Provence, em qual o público-alvo foi o feminino, Cintia Cavalcanti destacou o poder
que a redação teve em “acarinhar” a mulher em sua vaidade e feminilidade. De acordo
com ela, hoje a mulher tem uma série de desafios para enfrentar e, levando isso em
conta, o catálogo elaborado para exibir uma das linhas de produtos do cliente veio para
fazer com que esse público se sentisse compreendido pela marca.
Para a entrevistada, a redação publicitária em seu caráter poético transforma um apelo
de compra ou de varejo em apelo de conquista, de liberdade, de bem-estar e sedução,
tirando o consumidor do mundo real e fazendo-o sonhar. Em sua opinião, esse tipo de
redação é mágico e valoriza a autoestima, dispondo de todos os elementos necessários
para combater a dureza da vida;
 Leandro Mello: Para ele, sempre que o processo comunicativo envolver pessoas
haverá espaço para o caráter poético. Ou seja, de acordo com o entrevistado, tal caráter
nunca deixará de existir.
De modo geral, os participantes se posicionaram de maneira bastante favorável ante ao
uso da redação em seu caráter poético. Para eles, esse tipo de produção é o mais indicado para
se trabalhar a construção da imagem de marcas e materiais institucionais.
Como afirmou Marcelo Gonçalves, o fator emocional faz com que as pessoas passem
a se interessar de modo espontâneo pela peça ou campanha publicitária que o contém.
Cintia Cavalcanti, por sua vez, falou do poder que a redação poética tem de fazer com que o
consumidor (especialmente a mulher) se sinta “acarinhado” e compreendido pela marca. Para
ela também, esse tipo de composição consegue transformar um apelo de compra em um
apelo mágico, de conquista e sedução.
3.3.5 O Contexto Mais Adequado Para a Redação de Caráter Poético
Buscando conhecer melhor como os profissionais trabalham com a redação
publicitária poética, foi perguntado a eles sobre quais os contextos que, na opinião de cada
um, propiciam a produção desse tipo de material.
72
 Daniel Lopes: Os textos “mais emocionais” produzidos pelo redator são aqueles
orientados a homenagens, datas comemorativas e divulgações relacionadas a
oportunidades beneficentes. Em sua opinião, anúncios de natureza comercial
raramente abrem espaço para a redação poética;
 Marcelo Gonçalves: Para ele cada desafio de comunicação exige uma abordagem, um
tipo diferente de approach, um jeito único de começar a “conversa”. Em sua visão,
existem alguns produtos que permitem mais facilmente explorar e associar apelos
emocionais, enquanto outros são mais abertos ao humor e outros que necessitam de
abordagens mais objetivas, para os quais tanto o enfoque emocional quanto o cômico
são prejudiciais.
Como observou o entrevistado, há produtos que não podem ser associados a apelos
óbvios, porque são justamente seus atributos não óbvios que constituem o “seu
charme” (GONÇALVES, 2012). Além disso, para ele a criação de nomes é uma ótima
oportunidade para o emprego do caráter poético, a partir do qual as pessoas poderão
acionar outras imagens e outros conceitos;
 Cintia Cavalcanti: O caminho a ser seguido na redação deve surgir a partir de uma
análise do universo da marca, de seu conceito, do comportamento do consumidor e
daquilo que ele precisa ouvir. Em sua concepção é necessário seguir esse e outros
processos de marketing que permitam identificar como o público quer ser impactado
por meio do olhar da marca.
Fazendo referência ao catálogo desenvolvido para a Provence, Cintia Cavalcanti disse
que o texto tem de empolgar a consumidora naquela oportunidade de ser feliz;
 Leandro Mello: Segundo o entrevistado, “mulher é mais coração enquanto homem
usa mais a razão” (MELLO, 2012). Assim, para ele, a comunicação direcionada às
mulheres é mais propícia ao uso da redação publicitária poética. Além disso,
campanhas para datas comemorativas como Dia das Mães, também são “um prato
cheio para esse tipo de abordagem”.
Homenagens, datas comemorativas, oportunidades beneficentes, produtos
específicos e de natureza já diferenciada, criação de nomes e comunicação direcionada
73
ao público feminino foram citadas de maneira objetiva como algumas das ocasiões mais
propícias para o uso da redação publicitária poética.
3.3.6 Materiais Produzidos com a Presença do Caráter Poético
Para conhecer de modo prático o trabalho dos profissionais com a redação publicitária
em seu caráter poético, foi solicitado a cada um deles o envio de peças que contivessem textos
com a vertente voltada ao lado emocional, que toca e sensibilidade e permite associar novos
sentidos.
 Daniel Lopes: A produção enviada (figura 23) diz respeito a um material de
endomarketing desenvolvido para o Grupo Mathesis. Trata-se de um convite para uma
confraternização de final de ano encaminhado aos funcionários e membros da diretoria
da empresa.
Visando apresentar algo que fosse sinônimo de superação, mas sem apelar para
sentimentalismos, foi utilizada como ilustração a personagem de característica cômica
Joseph Klimber.
Figura 23 – Texto Daniel Lopes.
Fonte: Material enviado pelo entrevistado.
74
 Marcelo Gonçalves: Dentre os materiais emitidos pelo entrevistado foi selecionada a
peça a seguir (figura 24), na qual o texto adotado explora o caráter lúdico ao brincar
com palavras cujos significados estão associados ora a experiências gustativas e ora a
sensações táteis. A presença da rima também pode ser identificada:
Figura 24 – Texto Marcelo Gonçalves.
Fonte: Material enviado pelo entrevistado.
 Cintia Cavalcanti: Como exemplo do trabalho com a redação poética a entrevistada
indicou o texto de apresentação de um dos catálogos feitos para a marca de lingerie
Provence (figura 25). Estruturado como um poema, ele destaca versos livres e
brancos, além de outros recursos como figuras de linguagem e o caráter lúdico
presente na cacofonia “Essa fadinha/ Essa fadinha” propositalmente provocada.
75
Figura 25 – Texto Cintia Cavalcanti.
Fonte: Material enviado pela entrevistada.
 Leandro Mello: A peça indicada (figura 26) pelo entrevistado traz uma homenagem
relacionada ao Dia das Mães, desenvolvida para a loja de acessórios e semijoias Jade.
Com uma linguagem simples, o texto não trata dos acessórios comercializados pela
anunciante, mas destaca características positivas das mulheres homenageadas.
76
Figura 26 – Texto Leandro Mello.
Fonte: Material enviado pelo entrevistado.
77
4 CONCLUSÃO
Inspiração, criatividade e técnica, esses são elementos não apenas indispensáveis à
publicidade, como também comuns à sua natureza. No entanto, em um cenário globalizado,
fortemente marcado pela tecnologia e seus impactos que obrigam o mercado a se renovar
constantemente, a publicidade e seus profissionais têm de lidar todos os dias com novos
desafios, no intuito de criar apelos e materiais atualizados, tanto mais interessantes à medida
que se objetiva diferenciar e destacar a divulgação acerca de uma marca, produto ou serviço.
Tendo em vista fatores como esses, não é mais possível que a redação publicitária
continue sendo concebida e desenvolvida apenas com base em argumentos lógicos e em
mensagens previsíveis, focadas nas características ou nos benefícios (supostamente)
proporcionados pelo objeto anunciado. De modo diferente, o texto publicitário deve ser
elaborado para, cada vez mais, envolver o consumidor, fazendo-o se sentir participante da
comunicação e (não mais) apenas como um mero receptor passivo da mensagem, ao qual só
lhe cabe o papel de obedecer ao convite ou “ordem” de compra.
Embora os profissionais publicitários já tenham compreendido essa necessidade, nem
sempre é fácil para os mesmos escapar às “fórmulas prontas” e apresentar peças inovadoras,
especialmente ao que diz respeito ao conteúdo verbal. Mas, como foi estudado neste trabalho,
a inclinação da redação para o caráter poético tem muito a contribuir nesse sentido, ainda
mais quando se busca impactar o público-alvo pelo lado emocional.
O uso de uma linguagem baseada na poesia permite fazer com que o texto publicitário
e os apelos apresentados toquem a sensibilidade do leitor/consumidor e desperte nele
emoções, indo, portanto, muito além de uma abordagem fria e racional, típica do Modelo
Apolíneo.
Desse modo, a redação publicitária se torna muito mais cativante, pois passa a tratar de
subjetividades que são próprias da vida humana. Além disso, ela também passa a atender a
necessidade de inovação, pois irá valorizar sempre a construção de novas associações e o
trabalho diferenciado com a palavra, a partir do qual poderão ser acionados recursos como o
ritmo, a rima e a sonoridade. Somado a isso, ela ainda irá emprestar da poesia propriedades
como a polissemia, o caráter lúdico e a interatividade, que farão com que sua mensagem seja
constantemente renovada.
Como foi estudado, a ligação entre redação publicitária e poesia no Brasil não é nova.
Profundamente enraizada na história da publicidade nacional, ela remonta ao trabalho dos
primeiros poetas a quem foram incumbidos a elaboração de textos publicitários que fugissem
78
um pouco da banal apresentação de informações objetivas acerca dos itens anunciados. Para
além disso, eles foram convocados também devido à carência de profissionais especializados
no país.
Os movimentos modernista e concretista reforçaram ainda mais o elo entre o
universo da literatura e o da publicidade, impregnando a redação publicitária com
características próprias das poesias produzidas por seus poetas, como as expressões coloquiais
e os jogos polissêmicos.
Perpassando em mais detalhes esse histórico, estabelecendo suas bases e
compreendendo a poesia em seus efeitos e recursos essenciais, foi possível relacionar os
fatores mais evidentes que podem ajudar a construir a redação publicitária em seu caráter
poético. Figuras de linguagem, função emotiva, função poético-estética, sonoridade,
caráter lúdico, ritmo e recurso mnemônico, rima, e, sobretudo, apelo emocional, foram
identificados não como regras a serem seguidas, mas sim como artifícios importantes para
permitir ao texto publicitário a apresentação de uma linguagem diferenciada, capaz de
potencializar a sensibilidade, o envolvimento para com a mensagem e o prazer estético
produzido pela mesma.
Embora se tenha defendido a redação publicitária de caráter poético como uma
alternativa eficiente para a elaboração de uma comunicação mais envolvente e atualizada,
compreendeu-se pelo conteúdo teórico e pelas entrevistas realizadas, que há alguns contextos
no qual ela se encaixa melhor, apresentando efeitos mais proveitosos. Assim, chegou-se a
conclusão que seu uso é indicado, principalmente, quando o público-alvo for o feminino
(mais especificamente com um nível de escolaridade médio ou superior) e quando a
produção textual estiver vinculada a campanhas ou anúncios ligados a marcas e a produtos
de luxo, assim com a materiais de cunho institucional, a oportunidades relacionadas a
datas especiais e a construção da imagem de marcas.
Já a respeito da utilização desse tipo de redação por profissionais da cidade de Bauru –
São Paulo, verificou-se que há um entendimento satisfatório sobre a mesma, embora
muitas das peças apresentadas ainda contem com traços característicos da linguagem
comercial com argumentos previsíveis e racionais, o que, entretanto, é devido, em grande
parte, à resistência ou à falta de compreensão de alguns clientes que acabam não
aprovando textos com apelos “dissimulados” (emocionais), os quais não evidenciam
objetivamente seus produtos ou serviços.
Evidentemente, o assunto central abordado nesta obra não foi esgotado, mas, graças a
ela, foi possível reunir uma série de fatores, técnicas e recursos que de modo muito prático
79
(foi isso que foi buscado) ajudarão redatores publicitários e estudantes de publicidade a
explorar potencialidades incríveis do caráter poético anexado a suas produções, as quais,
dessa forma, deixarão de ser simples materiais utilitários para se tornarem textos prazerosos
que falam ao lado mais humano de todo consumidor.
80
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81
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2012.
85
APÊNDICE A – ENTREVISTAS GRAVADAS
86
APÊNDICE B – ENTREVISTA VIA E-MAIL
 Apresentação 1: Você profissional – Formação acadêmica (instituição, curso e ano)/
Especialização (instituição, curso e ano)/ Como chegou a trabalhar com redação.
Resp.: Superior em Publicidade e Propaganda pela UNIP, formação em 2009. O
primeiro contato com redação foi quando assumi a monitoria de redação publicitária
na agência experimental da faculdade.
 Apresentação 2: O profissional hoje – Sua atuação na agência e dia a dia/ Alguns
clientes que atente ou já atendeu/ Como é o trabalho com a equipe.
Resp.: Hoje, além do cargo de redator, sou um dos dois diretores de criação da
agência. Especificamente na área de redação, sou responsável pelo desenvolvimento
de textos publicitários e revisão de todos os materiais. Em Bauru trabalhei com
clientes como: Bauru Basket, Prefeitura Municipal de Bauru, Gera Arte, Yupii
Brinquedos, Chica Brasil, Provence Lingerie, Jade Semijoias, Jaguacy Brasil,
Bambina Pizzaria, Domus Educandi, entre outros. Nos casos das agências
bauruenses, onde a maioria só conta com um redator, o profissional acaba por
trabalhar praticamente com toda a equipe de arte. Essa situação exige um bom
relacionamento com toda a equipe de criação além de uma flexibilidade criativa para
executar trabalhos para os mais diversos perfis de clientes.
Perguntas:
1. Como busca diferenciar seu trabalho levando em conta o ritmo agitado do dia a dia?
Resp.: É um grande desafio visto que muitas vezes não dispomos de tempo hábil para
realizar todos os passos do processo criativo. Ter um bom repertório é um ótimo aliado e
estar em constante busca para aumenta-lo é uma necessidade. Livros, filmes, músicas,
viagens, imagens, são itens que acrescentam e influenciam nessa questão e com certeza
facilitam no momento de criar.
2. Muitas vezes, é mais fácil usar as "fórmulas prontas" na redação. Mas, há espaço
para essa redação de caráter poético/emocional? Como ele é buscado?
Resp.: Em alguns trabalhos esse tipo de abordagem traz um resultado mais efetivo. Mexer
com o coração das pessoas é sempre um caminho que possibilita bons resultados, mas quem
disse que essa é uma tarefa fácil? Nosso coração parece que vem com uma defesa natural
contra ataques emotivos forçados, então não adianta querer forçar a barra com falsos
sentimentalismos. Pra atingir pessoas você precisa, primeiramente, entender de pessoas, só
assim conseguirá mexer com lembranças, causar sensações, e só dessa forma, preparar o
caminho para que a mensagem faça a parte dela.
3. De onde vem sua inspiração? Você tem esse olhar mais poético e, sempre que
possível, o utiliza?
Resp.: A inspiração é uma soma de fatores, desde repertório pessoal até seu estado emocional
naquele dia. Por isso, às vezes, parece que não rendemos. Particularmente, tenho uma
preferência por apelos cômicos, mas sempre que possível, tento usar o teor poético.
4. Qual sua opinião sobre a validade do texto de caráter poético na publicidade e em seu
trabalho?
Resp.: Sempre que existir pessoas envolvidas haverá espaço para o caráter poético. Em
outras palavras, ele nunca deixará de existir. Tendo espaço, farei uso em toda campanha que
87
acreditar em sua eficácia.
5. Qual sua opinião sobre a utilização dessa redação mais diferenciada, sensível, em
Bauru? Os clientes entendem essa inspiração ou preferem mesmo o convencional? Os
outros profissionais e agências trabalham bem essa questão?
Resp.: Grande parte dos clientes tem dificuldade em valorizar o profissional de criação. Isso
faz com o que, muitas vezes, trabalhamos as suas ideias, não aquelas que desenvolvemos, por
melhor que sejam. Isso faz com que grande parte das campanhas saia sem apelos fortes ou
diferenciados, caindo no tradicionalismo tão combatido. Essa é uma realidade geral, mas
muito mais evidente nos mercados de cidades do interior. Sempre que o cliente entende que a
comunicação deve atingir primeiramente os clientes a que seus produtos são destinados,
antes deles mesmo, existe a possibilidade de uma maior liberdade criativa.
6. Quando acha que é mais indicado o uso da redação publicitária poética (e sua
emoção): Para que tipo de cliente? Para que tipo de ação? Para que campanha e qual
tipo de público? Para qual momento da comunicação?
Resp.: Aquela questão de que mulher é mais coração enquanto homem usa mais a razão,
responde bem essa pergunta. Normalmente quando a comunicação é direcionada às
mulheres, dão margem para a utilização da redação poética. Campanhas para datas
comemorativas como Dia das Mães, por exemplo, são um prato cheio para esse tipo de
abordagem.
7. Textos seus que contenham o caráter poético: Preciso que me envie algo que
contenha essa motivação "poética". Pode ser só o texto ou a peça (anúncio) inteira.
Resp.: Em meu portfólio online (http://portfolioleandromello.blogspot.com.br/) tem uma
peça justamente para o Dia das Mães que segue essa abordagem. Trata-se de um cliente que
comercializa semijoias, voltadas, quase que exclusivamente, ao público feminino. O anúncio
exalta as qualidades inerentes das mães e busca, através da emoção, homenageá-las e
obviamente gerar vendas.
8. Alguma observação, algo que gostaria de dizer?
Resp.: Gostaria de agradecer a oportunidade de falar um pouco sobre meu trabalho e minha
forma de enxergar os pontos abordados.

Monografia desvendando a redação publicitária

  • 1.
    UNIVERSIDADE SAGRADO CORAÇÃO ENDRIGOCAMPOS DESVENDANDO A REDAÇÃO PUBLICITÁRIA EM SEU CARÁTER POÉTICO BAURU 2012
  • 2.
    ENDRIGO CAMPOS DESVENDANDO AREDAÇÃO PUBLICITÁRIA EM SEU CARÁTER POÉTICO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Ciências Exatas e Sociais Aplicadas como parte dos requisitos para a obtenção do título de bacharel em Publicidade e Propaganda, sob orientação do Prof. Esp. Vitor Pachioni Brumatti. BAURU 2012
  • 3.
    ENDRIGO CAMPOS DESVENDANDO AREDAÇÃO PUBLICITÁRIA EM SEU CARÁTER POÉTICO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Ciências Exatas e Sociais Aplicadas da Universidade Sagrado Coração como parte dos requisitos para a obtenção do título de bacharel em Publicidade e Propaganda, sob orientação do Prof. Esp. Vitor Pachioni Brumatti. Banca examinadora: _________________________________ Prof. Esp. Vitor Pachioni Brumatti Universidade Sagrado Coração _________________________________ Prof. MSc. Julio Cesar Fernandes Universidade Sagrado Coração _________________________________ Profª. Drª. Léa Silvia Braga de Castro Sá Universidade Sagrado Coração Bauru...
  • 4.
    Com singela eamorosa dedicação aos meus pais e, especialmente, à minha mãe, exemplo de força de vontade e inteligência.
  • 5.
    AGRADECIMENTOS Por se fazerpresente de maneira silenciosa, mas profundamente sensível, agradeço a Deus. Pela companhia e ajuda sempre constantes, agradeço a Fernando Henrique Lamonato. Pelos direcionamentos pontuais e copiosamente generosos, agradeço ao Professor Vitor Pachioni Brumatti. Pelos inúmeros ensinamentos e admirável dedicação, agradeço a todos os professores com os quais tive a oportunidade de conviver nesses anos incríveis.
  • 6.
  • 7.
    RESUMO A relação entrepoesia e redação publicitária está fortemente enraizada na história da publicidade brasileira. No entanto, em uma realidade impulsionada pelo imediatismo de venda, assim como pela falta de criatividade, multiplicam-se textos (verbais) que destacam apelos comerciais e argumentos lógicos pouco inovadores, os quais colocam de lado essa relação, que em muito pode contribuir para com a divulgação diferenciada de marcas, produtos e serviços. Resgatando suas bases, vantagens e posicionando-as no contexto atual, o presente trabalho relacionou os principais fatores, técnicas e recursos que podem ajudar a construir e a potencializar a redação publicitária em seu caráter poético. Palavras-chave: Poesia. Caráter Poético. Redação Publicitária. Texto Publicitário Poético.
  • 8.
    ABSTRACT The relationship betweenpoetry and advertising redaction is strongly rooted in the history of brazilian advertising. However, in a reality driven by the immediacy of sale, as well as the lack of creativity, multiply texts (verbals) that highlight trade appeals and logical arguments little innovative, which set aside this relationship, that in a lot can contribute for with the differentiated disclosure of marks, products and services. Rescuing their bases, advantages and positioning them in the current context, the present work related the main factors, techniques and resources that can help build and potentiate the advertising redaction in its poetic character. Keywords: Poetry. Poetic Character. Advertising Redaction. Poetic Advertising Text.
  • 9.
    LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura1 – Anúncio segundo o Esquema Aristotélico..............................................................19 Figura 2 – Anúncio com rede semântica. .................................................................................22 Figura 3 – Anúncio segundo o modelo dionisíaco. ..................................................................24 Figura 4 – Anúncio segundo o modelo apolíneo......................................................................26 Figura 5 – Anúncio segundo o modelo dionisíaco. ..................................................................27 Figura 6 – Estrutura básica de uma agência. ............................................................................28 Figura 7 – Anúncio de 1876, primeira fase da publicidade no Brasil. .....................................31 Figura 8 – Anúncio de 1917, segunda fase da publicidade no Brasil.......................................32 Figura 9 – Anúncio dos anos 70, Concretismo e polissemia....................................................34 Figura 10 – Poema e sonoridade. .............................................................................................37 Figura 11 – Poema e métrica....................................................................................................38 Figura 12 – Poema e verso. ......................................................................................................39 Figura 13 – Anúncio segundo o modelo apolíneo....................................................................51 Figura 14 – Apelo emocional na redação publicitária..............................................................53 Figura 15 – Apelo emocional na redação publicitária..............................................................54 Figura 16 – Rima na redação publicitária.................................................................................55 Figura 17 – Ritmo e recurso mnemônico na redação publicitária............................................56 Figura 18 – Ritmo na redação publicitária. ..............................................................................57 Figura 19 – Caráter lúdico na redação publicitária...................................................................58 Figura 20 – Função poético-estética na redação publicitária. ..................................................59 Figura 21 – Função emotiva na redação publicitária................................................................60 Figura 22 – Figuras de linguagem na redação publicitária.......................................................61 Figura 23 – Texto Daniel Lopes...............................................................................................73 Figura 24 – Texto Marcelo Gonçalves. ....................................................................................74 Figura 25 – Texto Cintia Cavalcanti. .......................................................................................75 Figura 26 – Texto Leandro Mello.............................................................................................76
  • 10.
    SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................10 1.1CARACTERIZAÇÃO DA SITUAÇÃO PROBLEMA.....................................................10 1.2 OBJETIVOS.......................................................................................................................11 1.2.1 Objetivo Geral .................................................................................................................11 1.2.2 Objetivos Específicos ......................................................................................................11 1.3 JUSTIFICATIVA...............................................................................................................11 1.4 DELIMITAÇÃO DO FOCO DE INTERESSE .................................................................12 1.5 METODOLOGIA...............................................................................................................12 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA......................................................................................14 2.1 APRESENTANDO E ESTABELECENDO A REDAÇÃO PUBLICITÁRIA .................14 2.1.1 Linguagem e Discurso Publicitário .................................................................................14 2.1.2 Estrutura, Técnicas, Funções e Modelos do Texto Publicitário ......................................17 2.1.2.1 Esquema Aristotélico....................................................................................................17 2.1.2.2 Técnicas Comumente Usadas.......................................................................................19 2.1.2.3 Funções da Linguagem.................................................................................................23 2.1.2.4 Modelo Apolíneo e Modelo Dionisíaco .......................................................................25 2.1.3 Criação e Redação Publicitária Dentro da Agência.........................................................28 2.1.4 O Desenvolvimento da Redação Publicitária no Brasil...................................................30 2.2 POESIA, POEMA E O CARÁTER POÉTICO .................................................................35 2.2.1 A Poesia...........................................................................................................................35 2.2.2 O Poema ..........................................................................................................................36 2.2.3 O Caráter Poético.............................................................................................................40 2.3 O CARÁTER POÉTICO NO TEXTO PUBLICITÁRIO..................................................42 2.3.1 Vantagens da Linguagem Poética na Redação Publicitária.............................................43 2.3.2 Desvantagens da Linguagem Poética na Redação Publicitária .......................................45 2.3.3 Quando e Para Quem Empregar o Caráter Poético no Texto Publicitário ......................47 2.3.4 A Redação Publicitária em Seu Caráter Poético .............................................................49 2.3.4.1 Técnicas que Revelam e Constroem o Caráter Poético................................................52 3 ENTREVISTAS COM PROFISSIONAIS DE BAURU ..................................................63 3.1 REALIZAÇÃO DAS ENTREVISTAS..............................................................................63 3.2 APRESENTAÇÃO DOS ENTREVISTADOS..................................................................64 3.3 POETIZANDO A REDAÇÃO PUBLICITÁRIA COM PROFISSIONAIS DE BAURU 65 3.3.1 Fórmulas Prontas x Redação Poética/Emocional ............................................................65 3.3.2 Fontes de Inspiração........................................................................................................67 3.3.3 A Redação Publicitária de Caráter Poético em Bauru.....................................................68 3.3.4 A Contribuição da Redação Poética na Divulgação de Marcas, Produtos ou.................70 3.3.5 O Contexto Mais Adequado Para a Redação de Caráter Poético....................................71 3.3.6 Materiais Produzidos com a Presença do Caráter Poético ..............................................73 4 CONCLUSÃO......................................................................................................................77 REFERÊNCIAS .....................................................................................................................80 APÊNDICE A – ENTREVISTAS GRAVADAS .................................................................85 APÊNDICE B – ENTREVISTA VIA E-MAIL ...................................................................86
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    10 1 INTRODUÇÃO O quedizer quando já se disse quase tudo? E mais, como dizer quando quase todas as formas até então conhecidas já foram exploradas à exaustão? Para aquela comunicação usual, praticada no dia a dia, essas questões podem ser sem importância diante da instantaneidade natural e fluida que molda as relações humanas, mas para a comunicação que serve aos interesses da publicidade essas interrogativas são viscerais, uma vez que estão intimamente ligadas à essência da novidade e do atraente, indispensáveis para que uma campanha, anúncio ou qualquer outro tipo de divulgação seja notado e, mais do que isso, bem-sucedido entre tantos outros materiais e ações que hoje brigam por roubar a cena. Mesmo contanto com imagens, sons e tantos outros elementos que podem ser utilizados para compor uma peça, a redação publicitária enfrenta grandes desafios para se tornar mais atrativa. Não que seja necessário dizer algo inédito, mas o fundamental é que seu artigo e a forma como ele é apresentado sejam tradados de uma maneira diferenciada, que fuja de vícios como o “compre já”, o “imperdível” e o “garanta já o seu”, além de tantos outros apelos desgastados, enfraquecidos pelo seu uso no tempo e por sua própria insuficiência persuasiva. Há de se considerar, porém, que na propaganda de varejo, por exemplo, textos como esses ainda são bastante utilizados em virtude de sua agilidade aplicativa. No entanto, a atenção a ser dada aqui não é para esse tipo de redação publicitária e sim àquela na qual as possibilidades são inúmeras, mas que mesmo diante delas corre o risco de se prender ao tradicional como solução menos morosa e criativamente ousada. Para evadir ao óbvio e enriquecer a redação publicitária, a proposta deste trabalho é a inclinação da mesma para o caráter poético, não necessariamente aquele consagrado pela poesia clássica, mas, principalmente, aquele cujas competências essenciais permitem emocionar, tocar a sensibilidade, proporcionar prazer estético e multiplicar os significados de um texto a partir da contemplação e interação do consumidor. 1.1 CARACTERIZAÇÃO DA SITUAÇÃO PROBLEMA O mundo está abarrotado de anúncios e apelos publicitários que se multiplicam cada vez mais rapidamente. No entanto, se por um lado há o excesso de materiais divulgando toda sorte de marcas, produtos e serviços, por outro há uma monotonia comunicativa generalizada, enraizada na falta de criatividade e até mesmo de competências para a elaboração de peças mais envolventes. Seguindo o ritmo alucinado de produção, a redação publicitária deixa
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    11 evidente esses problemasao se revelar apoiada em construções óbvias (clichês), com apelos defasados e, por conseguinte, incapazes de impactar o consumidor. Para livrá-la do lugar comum e da deficiência persuasiva é necessário buscar um tempo para novas inspirações e possibilidades em suas formas de abordagem. Nesse sentido, o direcionamento da redação publicitária para o caráter poético tem muito a contribuir, principalmente ao que diz respeito à sua capacidade de despertar emoções, suscitar novos significados e envolver o consumidor pelo prazer estético que proporciona. Mas como evidenciar esse caráter dentro do texto? Como construí-lo e quais caminhos seguir para isso? 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo Geral Levantar os principais fatores que influenciam e constroem uma redação publicitária que foge do lugar-comum a partir de sua inclinação para o caráter poético. 1.2.2 Objetivos Específicos  Entender como foi a evolução da redação publicitária no Brasil com ênfase na utilização de artifícios poéticos para a construção dos apelos e mensagens verbais;  Identificar os principais movimentos literários que contribuíram para o uso da poesia no texto publicitário;  Relacionar as principais técnicas e estratégias para a criação de uma poética eficiente na redação publicitária;  Identificar que tipo de campanha, peça ou ação é conveniente à inspiração poética e que tipo de público está preparado para ela;  Verificar como profissionais da cidade de Bauru – São Paulo trabalham com o caráter poético na redação de campanhas e peças, colhendo alguns cases próprios pertinentes. 1.3 JUSTIFICATIVA No dia a dia de uma agência de publicidade o ritmo acelerado de produção exige dos profissionais soluções cada vez mais rápidas na elaboração de campanhas e peças para seus clientes. No entanto há um preço a ser pago por isso. Aplicadas à redação, essas soluções resultam em construções pouco criativas, nas quais os clichês e o uso de argumentos racionais
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    12 se sobressaem, respondendopor materiais pouco atrativos e com baixos níveis de persuasão e envolvimento. Para mudar essa situação, mesmo diante do ritmo de produção alucinado, é necessário ampliar os horizontes, buscando novas fontes de inspiração. Uma das que mais pode contribuir para a construção de uma redação publicitária emocionante, cativante e original é a poesia, considerada não necessariamente em seu sentido clássico, mas em sua capacidade genérica de sensibilizar e propiciar prazer estético. 1.4 DELIMITAÇÃO DO FOCO DE INTERESSE Neste trabalho o foco de interesse são os fatores, recursos e técnicas que ajudam a construir a poeticidade no texto publicitário, mesmo reconhecendo que existem outros estilos e técnicas literárias importantes e que podem fazer parte da construção do mesmo. Em relação às entrevistas, determinou-se como foco os profissionais atuantes no Centro-oeste Paulista, inicialmente pela proximidade geográfica do pesquisador e posteriormente pelo interesse em se aprofundar na criação publicitária produzida na região. 1.5 METODOLOGIA Para a construção do presente material foi necessário o desenvolvimento de duas etapas. Assim, inicialmente foi aplicada uma pesquisa bibliográfica, qualitativa e exploratória, em dados secundários a respeito dos temas relevantes à obra e seu conteúdo teórico. A esse tipo de metodologia adotada Duarte e Barros (2006, p. 54) definem como [...] um conjunto de procedimentos para identificar, selecionar, localizar e obter documentos de interesse para a realização de trabalhos acadêmicos e de pesquisa, bem como técnicas de leitura e transcrição de dados que permitem recuperá-los quando necessário. Lakatos e Marconi (1995) dizem tratar-se do levantamento de toda bibliografia já publicada, visando “[...] colocar o pesquisador em contato direto com tudo aquilo que foi escrito sobre determinado assunto” (p. 14). Paralelamente à consulta bibliográfica (a partir de determinado momento), foram realizadas entrevistas com perguntas semiestruturadas direcionadas a profissionais que atuam com redação publicitária na cidade de Bauru – São Paulo, etapa também configurada como pesquisa qualitativa e exploratória, porém, com dados primários. Os mesmos autores, Duarte e Barros (2006 p. 64), consideram a entrevista extremamente útil para estudos que “tratam de conceitos, percepções ou visões para ampliar
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    13 conceitos sobre asituação analisada”, o que vai totalmente ao encontro do objetivo buscado neste trabalho. Já sobre o perfil “semiaberto”, Triviños (1990, p. 146) o define como: Modelo de entrevista que tem origem em uma matriz, um roteiro de questões-guias que dão cobertura ao interesse de pesquisa. Ela “parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante”. As entrevistas foram realizadas com quatro profissionais, sendo três delas aplicadas presencialmente e uma viabilizada por correio eletrônico.
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    14 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1APRESENTANDO E ESTABELECENDO A REDAÇÃO PUBLICITÁRIA Antes de adentrar no cerne dos fatores, oportunidades e estratégias que podem influenciar e construir o caráter poético na redação publicitária, é necessário compreender essa arte e ofício em seus aspectos mais gerais, apresentando um ponto de referência consiste e coerente, capaz de estabelecer o cenário no qual ela está inserida e a partir do qual pode evoluir para as mais diversas possibilidades. Dessa forma, o grande tema de interesse deste trabalho poderá ser entendido adequadamente, ou seja, em seu contexto, e, por conseguinte, se tornará mais proveitoso e produtivo. Para que essa proposta inicial seja cumprida, serão abordadas nos quatro primeiros momentos questões vinculadas essencialmente à linguagem e seu comportamento no discurso publicitário da pós-modernidade; à estrutura e técnicas mais comuns utilizadas nos textos do gênero; ao lugar da redação publicitária em uma agência; e ao histórico desse tipo de produção redacional no Brasil. 2.1.1 Linguagem e Discurso Publicitário Assim como qualquer outro, o discurso publicitário precisa ser notado, percebido para que sua função básica de comunicar algo possa ser cumprida. Esse é justamente o seu primeiro desafio, chamar a atenção, no caso do consumidor, para que a comunicação seja estabelecida. Mas, tratando da divulgação de produtos, serviços e marcas, o cumprimento apenas dessa missão não lhe é satisfatório. Além de captar, seu (segundo) objetivo é prender a atenção do destinatário ao conteúdo integral da mensagem, ao passo em que já entra em cena a sua terceira tarefa: convencê-lo (o consumidor) a aderir à proposta ou solução que está anunciando. Sendo articulado para vencer cada um desses desafios básicos, o discurso publicitário vai ganhando forma e assumindo comportamentos que, se não lhe são exclusivos, considerados em conjunto, bem o caracterizam. Primeiro, para chamar a atenção no intuito de estabelecer o processo comunicativo, o discurso publicitário precisa ser apresentado de forma atrativa e esteticamente agradável, assumindo um comportamento criativo. Em uma realidade inundada por estímulos sensoriais e apelos de marketing procedentes de todos os lados, é fundamental viabilizá-lo por meio de peças e campanhas diferenciadas, que contenham uma estética e uma linguagem únicas, contrastantes e provocantes em relação às demais. Por
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    15 vezes, o discursopode partir de situações inusitadas ou que causam algum tipo de “choque” na percepção do público. Por outro lado, também pode ser associado a estereótipos, que servem para agilizar a identificação do consumidor para com a comunicação. De qualquer maneira, é importante que a inclusão de estereótipos seja feita, ainda sim, com criatividade, para que o discurso não se torne banal, clichê e desinteressante. Na opinião de Sandmann (2001, p. 12-13): Tendo conseguido que o comunicatário se ocupe com determinado texto, convencê- lo ou levá-lo em conseqüência à ação possivelmente são tarefas ou desafios menores. Prender a atenção do leitor ou ouvinte parece ser a porfia maior. Por isso a criatividade incansável do propagandista ou publicitário na busca incessante de meios estilísticos que façam com que o leitor ou ouvinte preste atenção ao seu texto, chocando-o até se for necessário [...]. No segundo momento, referente à missão de prender a atenção do destinatário a todo o conteúdo da mensagem, o discurso publicitário põe ainda mais em evidência a importância da linguagem. Esse elemento deve promover o fácil entendimento daquilo que está sendo comunicado, pois, caso contrário, pode dispersar o interesse. Diante da capacidade do consumidor contemporâneo de discriminar rapidamente os apelos que lhe chega – habilidade desenvolvida em virtude do excesso de informações e propagandas –, a linguagem publicitária teve de se adaptar não só para tornar seu discurso mais facilmente compreendido, mas também para torná-lo mais envolvente e circunstancial. Dessa forma, ela passou a assumir características como a sintetização, a informalidade, a atualização e a objetividade (MÜLLER, et al., 1997). Referindo-se mais especificamente ao texto – a redação que é responsável por viabilizar o discurso e é o grande interesse deste trabalho –, Carrascoza e Hoff (2009) acrescentam três principais fatores que com frequência fazem parte da criação do mesmo e, consequentemente, somam-se às características da linguagem publicitária da “pós- modernidade”. São eles: a repetição, a não-linearidade da narrativa e a intertextualidade. Embora a repetição possa ser entendida como uma estratégia utilizada para enfatizar e assegurar o significado da mensagem, no trabalho dos autores ela é considerada na circunstância das diversas vezes em que um anúncio é veiculado, o que, conquanto seja necessário, apresenta o perigo da redundância e da saturação que podem causar o desinteresse do público e antipatia do mesmo para com o anunciante e à própria mensagem. Com relação a não linearidade da narrativa publicitária, Carrascoza e Hoff (2009, p. 3) a ilustram e defendem a partir do exemplo dos comerciais para TV, nos quais “o cotidiano
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    16 contemporâneo, as ilustraçõesdo modus vivendi social, o exemplo de um way of life global ou local idealizado – por si só já fragmentos” são comprimidos em efêmeros filmes de trinta segundos ou, quando muito, de um minuto. O ritmo da montagem é acelerado, combinando cortes e fusões, além de efeitos de transição (como o slow e o fast), atraindo a atenção do espectador pela velocidade com que as imagens são sobrepostas. Em suma, um comercial, como microhistória, já é um slice, e a maneira como é narrado privilegia a não-linearidade, a fratura discursiva, com seu vaivém de takes, cenas e seqüências. Já entrando no campo da intertextualidade, os autores argumentam que esse elemento pode ser mais ou menos explicitado no texto publicitário, mas que, de qualquer forma ele engloba substratos que fazem parte do universo cultural e histórico-social de quem o criou e de suas experiências de leitura. Assim, o texto sempre conterá uma soma de referências a outros textos, ainda que isso aconteça de forma inconsciente. Contudo, vale destacar que a intertextualidade não se trata de mera cópia, mas sim de uma atitude criativa em que o modelo de base (paradigma ou arquétipo literário) é reelaborado, ou melhor, reinventado. A intertextualidade não designa uma soma confusa e misteriosa de influências, mas o trabalho de modificação e assimilação de vários textos, operado por um texto centralizador – o texto último – que detém o comando do sentido. Não existe, pois, acrescentemos novamente, a pura repetição: o texto último será cada vez mais rico à medida que o escritor/redator estiver consciente do objeto sobre o qual trabalha. (CARRASCOZA; HOFF, 2009, p. 4-5). Mesmo defronte a todas essas características e comportamentos assumidos pela linguagem do discurso publicitário, vale considerar que para Martins (1997, p. 33), porém, não há na verdade uma língua particular da publicidade, [...] e sim determinadas habilidades e técnicas lingüísticas em uso nos anúncios e nos textos da propaganda rotulados de “linguagem publicitária”. Trata-se de um registro ou variação da língua, que como modalidade técnica tem certo grau de formalidade e de adequação à mensagem a ser expressa. Esta adequação segue a norma lingüística falada, para que o destinatário a compreenda melhor, e também obedece às características do produto oferecido e à função persuasiva própria da publicidade. Partindo para a terceira de suas missões fundamentais, a de convencer o destinatário a adotar uma postura ou comportamento favorável em relação àquilo que está sendo anunciado, o discurso publicitário passa ser articulado com base em técnicas e artifícios que visam a persuasão. E nesse sentido, a retórica tem especial utilidade.
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    17 Como explica Carrascoza(2007), Aristóteles em sua clássica e consagrada obra Arte Retórica afirma que há três gêneros retóricos: o judiciário, que trata da acusação ou defesa e incide sobre fatos passados; o demonstrativo ou epidítico, utilizado para louvar ou censurar algo, levando em conta seu presente estado; e o deliberativo, no qual se aconselha ou desaconselha o receptor tendo em vista uma ação futura. Levando em conta tais classificações e características, o discurso publicitário se torna, então, deliberativo, uma vez que aconselha ou induz o público a julgar favoravelmente um produto, serviço ou marca, a fim de que esse posicionamento possa resultar em uma ação posterior de compra. Resumindo, o discurso publicitário desempenha então funções deliberativas e persuasivas, sendo construído na pós-modernidade por meio de uma linguagem simplificada, objetiva e sintética, que se apoia sob bases estéticas e também sob a norma linguística falada. Já de modo prático, em peças e campanhas a linguagem desenvolvida pela redação é associada a fatores como a repetição, a não linearidade da narrativa e a intertextualidade. 2.1.2 Estrutura, Técnicas, Funções e Modelos do Texto Publicitário Embora possa parecer que são muitos aspectos a serem verificados de modo integrado, a estrutura, as técnicas, funções e modelos do texto publicitário formam um todo pertinente a ser analisado do ponto de vista dos caminhos aqui entendidos como os mais comuns utilizados para a construção do mesmo. Em seu livro A Evolução do Texto Publicitário, Carrascoza (2007) reúne os elementos em questão de forma muito clara a prática, ajudando a entender bem como a redação publicitária é, ou pode ser, em geral, articulada do ponto de vista técnico. Não se tratam de regras absolutas, mas sim de ferramentas que, como dito anteriormente, são as mais comumente utilizadas, o que também não significa que tais ferramentas e técnicas tenham de ser usadas sempre conjuntamente, até mesmo porque na redação publicitária não existem fórmulas perfeitas ou imutáveis. 2.1.2.1 Esquema Aristotélico Do ponto de vista estrutural, o Esquema Aristotélico é um caminho consagrado na produção do texto publicitário. Proposto por Aristóteles, o esquema possui quatro etapas básicas que, segundo o filósofo, são essenciais para que um discurso se torne coerente.
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    18 Embora estivessem relacionadasaos discursos orais da Grécia Antiga, essas etapas foram adotas para melhor organizar e potencializar a argumentação persuasiva na publicidade contemporânea. 1ª. Exórdio: É a parte inicial do discurso, na qual o assunto ou o tema central do anúncio deve ser apresentado. O título tem aí um importante papel, devendo deixar claro sobre o que será tratado no conteúdo a seguir; 2ª. Narração: É onde os fatos devem ser apresentados, ilustrando e comprovando o assunto sem prolixidade e rebuscamento; 3ª. Provas: Devem atestar o que foi dito de forma demonstrativa, dando credibilidade ao discurso. As provas têm caráter deliberativo, podendo, por exemplo, partir de fatos passados para aconselhar; 4ª. Peroração: É o epílogo cuja função é fazer com que o destinatário conclua o discurso tendo bem claro qual foi a ideia ou mensagem que o anunciante quis passar. Conforme Carrascoza (2007), a peroração é composta de quatro fases (não necessariamente integradas), sendo elas: 1ª. Predispor o destinatário em favor do anunciante; 2ª. Amplificar ou atenuar o que foi dito; 3ª. Excitar as paixões; 4ª. Recapitular o conteúdo. A fotografia da figura 1, a seguir, traz um outdoor do banco Itaú cujo texto foi utilizado por Figueiredo (2005) para exemplificar o uso do Esquema Quadrifásico Aristotélico. Seguindo sua análise, o exórdio nesse caso é desempenhado pela palavra “Engarrafados”, em destaque na peça. Já a narração coloca a seguinte circunstância: “O Itaú foi feito para você que vive numa cidade como esta, onde as pessoas conseguem ler um outdoor com 84 palavras, enquanto estão paradas no trânsito”. Essa parte do texto se propõe a envolver o leitor, configurando uma situação análoga àquela em que ele se encontra no momento em que faz a leitura. Após a preparação, ainda na narração “Quem perde um tempão no trânsito, precisa ganhar tempo no banco”, são dispostas as provas: “Por isso, o Itaú tem mais de 17 mil caixas eletrônicos, Itaú Bankfone, Itaú Bankline e mais de 2 mil agências em todo o Brasil”. Por fim, a peroração conclui a mensagem alegando que “Com o Itaú, seu carro pode ficar paradão, mas sua vida anda que é uma beleza. Itaú. Feito para você”.
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    19 Figura 1 –Anúncio segundo o Esquema Aristotélico. Fonte: Lima (2010). 2.1.2.2 Técnicas Comumente Usadas Além da estrutura aristotélica, é possível apontar algumas técnicas que costumam ser bastante utilizadas na redação publicitária. De modo geral, elas visam tornar a comunicação mais fluida e fazer com que a mensagem seja fácil de ser entendida e assimilada. Entre essas técnicas, Carrascoza (2007) relaciona:  Unidade: É usada para tornar o texto publicitário coerente e objetivo a partir do tratamento de um só assunto. Essa postura que os americanos chamam de unique selling proposition, não está relacionada, porém, à redundância, mas sim com a articulação do texto em torno de um tema central muito bem definido;  Estrutura circular: Tem a função de amarrar todo o conteúdo em uma só ideia, que é apresentada no exórdio e retomada e reforçada na peroração. É uma construção em circuito fechado que evita outras leituras e questionamentos, visando assim conclusões definidas;  Escolha lexical: É a seleção cuidadosa e estratégica de termos e palavras a serem empregados positivamente no texto, levando em conta seus sentidos dentro de um
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    20 determinado sistema devalores. Assim, em anúncio voltado ao público corporativo, por exemplo, seria mais adequado dizer que certa solução necessita de um investimento x do que dizer que ela tem o custo x;  Criação de inimigos: É utilizada pela redação publicitária para deixar claro ao consumidor que ele tem problemas a serem resolvidos e que o produto que está sendo anunciado é a solução ideal para acabar com eles. A tipificação ou personificação de um inimigo ajuda no processo de identificação do público para com a marca e o anúncio e ainda torna o discurso persuasivamente mais forte;  Apelo à autoridade: Visa tornar a mensagem mais verdadeira, ou dar essa impressão, a partir da inclusão de testemunhos de pessoas com prestígio em determinada área relacionada ao produto ou serviço anunciado. O apelo à autoridade funciona como uma ratificação de credibilidade em relação aquilo que está sendo dito;  Afirmação e repetição: Fortalecem a mensagem visando torná-la vívida na mente do consumidor. A afirmação elimina posicionamentos incertos para que ele siga com confiança os conselhos que estão sendo dados, enquanto a repetição tem por objetivo minar opiniões contrárias por meio da reiteração;  Estereótipos: São fórmulas consagradas, proposições já aceitas como “verdade” pelo público. Úteis para evitar questionamentos e acelerar o processo de identificação com a mensagem, os estereótipos podem ser empregados tanto nos códigos visuais, quanto no código linguístico, onde costumam tomar a forma de frases clichês como a união faz a força, devagar se vai longe e pense duas vezes antes de agir;  Figuras de linguagem: Utilizadas para ampliar a expressividade de uma mensagem, tornam o texto mais humano, subjetivo e interessante, contribuindo para uma melhor compreensão do mesmo. Como divide Carrascoza (op., cit., 2006), há três tipos de figuras de linguagem: 1. De sintaxe, como a elipse, o pleonasmo, a anáfora e a onomatopeia; 2. De palavra ou tropos, como a metáfora, a metonímia, a sinestesia e a antonomásia; 3. De pensamento, como a antítese, a hipérbole, o eufemismo e a ironia.
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    21  Rede semântica:Outra técnica importante e que merece destaque é a rede semântica. Por meio de sua utilização o texto do anúncio é construído com base em uma série de palavras que têm a ver com a ideia central, a qual pode estar baseada em algum atributo do produto ou conceito desenvolvido, entre outros motivos. A essa ideia principal dá-se o nome de “paradigma”. Na conceituação de Rodrigues (2010) a rede semântica seria um “mapa mental de associações linguísticas em significação ou sequência e consequência”. Já como considera Carrascoza (2007, p. 51-52): Não é exagero dizer que parte significativa do texto publicitário contemporâneo no Brasil, de perfil apolíneo, é construída por meio de relações associativas, sobretudo aquelas por analogia dos significados – o seu algo mais. Em torno da palavra espetáculo, por exemplo, tema de um anúncio, orbitam outras que fazem parte de seu universo semântico (palco, cena, platéia, ato, show etc.). A transposição dessas palavras do plano mental para o plano do discurso resulta num método construtivo a que se costuma chamar em literatura de ‘palavra-puxa-palavra’. Evidentemente, um texto todo elaborado com palavras análogas ao significado de um paradigma – a palavra geradora, “sol central” ou “raiz mental” [...] –, objetiva torná-lo atraente e mais facilmente memorizável para o leitor. Essa técnica de elaboração é para o texto o mesmo que a aliteração ou a rima são para uma frase. Portanto, constitui um recurso retórico construtivo, que, na publicidade brasileira contemporânea, vai se somar a outros fios de Vênus já vistos na busca por persuadir efetivamente o destinatário, levando-o a ter uma percepção positiva do produto/serviço ou marca. No exemplo a seguir (figura 2) é possível verificar melhor a aplicação da rede semântica:
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    22 Figura 2 –Anúncio com rede semântica. Fonte: ZF Comunicação (2012). Paradigma: Transformações. Campo associativo/ rede semântica: transforma, mudar, mudanças, diferente. A utilização dessas palavras ajudou a tornar a mensagem mais coerente e enfática de acordo com a proposta do anúncio, evitando uma
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    23 abordagem em quepoderia ser necessário o uso de termos técnicos em uma linguagem menos criativa. 2.1.2.3 Funções da Linguagem De acordo com o linguísta Jakobson (2005), há um perfil da mensagem para cada aspecto da comunicação. Em suas análises, já aceitas e assimiladas pelos estudiosos, ele identificou que no ato da comunicação estão envolvidos seis elementos: o emissor, a mensagem, o receptor, o canal, o código e o contexto. Partindo desses elementos, o autor propôs que há também seis funções da linguagem, sendo elas: 1. Referencial: Nela o referente é o objeto ou a situação de que a mensagem trata. Por este motivo, a ênfase é dada ao conteúdo, às informações; 2. Emotiva: Nessa função o emissor se faz ser notado na mensagem a partir da expressão de seus sentimentos, emoções e opiniões. Sendo assim, o texto é construído em primeira pessoa; 3. Conativa ou imperativa: Aqui a mensagem é centrada no receptor, a quem ela visa influenciar, seduzir, aconselhar e persuadir; 4. Fática: Tem foco no canal da comunicação, que passa a dar suporte à mensagem. Assim, a função objetiva testar esse canal, verificando se ele está operando direito, se o contato com o interlocutor está vivo; 5. Metalinguística: Faz referência ao próprio código utilizando a linguagem para falar dela mesma, como um texto que comenta outro texto; 6. Estética ou poética: Coloca em evidência a forma da mensagem, preocupando-se em como ela será apresentada. Aqui são comuns os jogos de ideias e de imagem, o ritmo, as combinações de palavras, entre outros artifícios. Revelando recursos imaginativos criados pelo emissor, essa função se torna afetiva, conotativa e metafórica.
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    24 Em um textoessas funções não aparecem isoladamente. O que geralmente ocorre é a superposição de várias delas, ainda que uma se sobressaia. Como o discurso publicitário é em essência deliberativo, se torna compreensível que em sua redação a função conativa seja a mais utilizada, mantendo como o foco o interlocutor, que é o alvo do aconselhamento. A função referencial também é bastante empregada, uma vez que, em muitos casos, é fundamental falar sobre as características de um determinado produto ou serviço. No anúncio da figura 3 é possível observar a combinação dessas duas funções: Figura 3 – Anúncio segundo o modelo dionisíaco. Fonte: Download... (2011).
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    25 O título emforma de pergunta, “A tecnologia anda enrolando você?”, já deixa bem claro o apelo conativo, que é constatado a seguir no aconselhamento “Conte com a qualidade e a garantida dos serviços da Download”. Já o restante do texto é destinado a informações sobre os serviços da empresa anunciante, exibindo inclusive em tópicos as soluções oferecidas, o que deixa evidente a presença da função referencial. 2.1.2.4 Modelo Apolíneo e Modelo Dionisíaco Ainda que existam estruturas, técnicas e funções que a redação publicitária costuma seguir, é importante ressaltar que não há regras definidas que a prendam. No entanto, seja qual o for o caminho trilhado, a redação publicitária irá evidenciar determinadas características que poderão ser enquadradas em dois modelos: o apolíneo e o dionisíaco. Enquanto o primeiro está ligado a um viés mais racional, o segundo tem suas bases na emoção e no humor. Por sua qualidade básica o Modelo Apolíneo de texto acaba conduzindo a redação publicitária a construções mais formalizadas e menos abertas. Assim, o Esquema Aristotélico costuma ser bastante utilizado para estruturar a mensagem de caráter racional. Outra característica comum do modelo é o “esfriamento” dessa mensagem, que visa torná-la mais sintética (poucas informações) e menos complexa (linguagem simplificada), favorecendo o raciocínio rápido para a compreensão de seu conteúdo (CARRASCOZA, 2004). O anúncio da figura 4 traz um exemplo de redação publicitária apolínea, na qual se pode perceber a presença do Esquema Aristotélico e a linguagem simples empregada no texto. Nele são apresentadas informações objetivas e provas que visam atestar a qualidade da nova linha de produtos. Para fortalecer a argumentação e tornar a leitura mais atrativa, provas complementares foram destacadas em companhia a cinco imagens respectivamente correspondentes:
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    26 Figura 4 –Anúncio segundo o modelo apolíneo. Fonte: Nova... (2012). De acordo com Carrascoza (2004, p.57), “se dentre os gêneros de discurso definidos por Aristóteles o deliberativo rege o modelo apolíneo [...], o discurso demonstrativo ou epidíctico é o que comanda a variante dionisíaca do texto publicitário”. Como afirma o autor,
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    27 no discurso deliberativoa intenção do aconselhamento é mais explícita, enquanto no discurso epidítico essa intenção é mais sutil, não formalizada e intersubjetiva. Nesse gênero os procedimentos da arte literária são utilizados para condicionar a comunhão entre o orador e o auditório. Sendo assim, o modelo dionisíaco de texto é construído pela redação publicitária quando, para influenciar o público, passa a contar histórias, assumindo narrativas semelhantes a fábulas, crônicas ou contos. Enquanto a função referencial (direcionada aos atributos do produto ou serviço) e a função conativa (voltada para o destinatário no intuito de lhe aconselhar ou ordenar) são dominantes no modelo de texto racional, nos anúncios dionisíacos as mais presentes são a função emotiva e a função poética (CARRASCOZA, 2004). A figura 5 traz um exemplo dessa aplicação. Figura 5 – Anúncio segundo o modelo dionisíaco. Fonte: Havaianas... (2009). Neste anúncio não há uma vertente racional, provas ou conclusão definida, pelo contrário, há uma pergunta ao final. Nele é possível notar como o texto foi empregando visando causar primeiramente um efeito estético. Misturando-se aos desenhos do tecido em um jogo de imagem, ele não privilegia a leitura imediata, mas sim a sua forma de
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    28 apresentação em umcomportamento que deixa claro o emprego da função poética. A função emotiva também marca presença evidente, pois o narrador, em primeira pessoa (do plural), expressa os sentimentos que o levaram a adotar as estampas: “Viajamos o mundo todo em busca de inspiração”. Diante do que foi colocado anteriormente cabe a pergunta: mas é só quando conta histórias que o texto publicitário assume um perfil dionisíaco? Neste trabalho entende-se que não, uma vez que, antes de tudo, esse modelo privilegia a liberdade de criação em detrimento da obviedade e dos padrões lógico-racionais. [...] “A publicidade libertou-se da racionalidade argumentativa, pela qual se obrigava a declinar a composição dos produtos, segundo uma lógica utilitária, e mergulhou num imaginário puro, livre da verossimilhança, aberto à criatividade sem entraves, longe do culto da objetividade das coisas”. (LIPOVETSKY, 2000 apud CARRASCOZA; HOFF, 2009, p. 3). 2.1.3 Criação e Redação Publicitária Dentro da Agência Todas essas técnicas e artifícios tratados até agora ganham forma e aplicabilidade prática, principalmente, a partir do trabalho realizado dentro da agência de publicidade. Nela, diversos departamentos atuam de maneira integrada para a criação e viabilização de campanhas e peças encomendadas pelos mais diversos tipos de clientes (empresas). Embora não seja uma regra, até mesmo em vista dos portes e especialidades diferentes, a estrutura básica de uma agência é composta pelas seguintes áreas (ZAMPAR apud BELTRÃO, 2010) mostradas na figura 6: Figura 6 – Estrutura básica de uma agência. Fonte: Beltrão (2010).  Atendimento: Como o próprio nome já indica, esse é o setor responsável por atender o cliente e compreender suas necessidades. Tendo-as em mãos por meio de um briefing, é ele que conduz as informações às outras áreas da agência para que, então, elas possam criar e desenvolver as soluções pertinentes;
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    29  Planejamento: Apartir do briefing, analisa as necessidades do cliente e define (estrategicamente) o que deverá ser feito, estipulando objetivos, metas e prazos de aplicação. Acompanhar o andamento do projeto também é uma de suas funções;  Mídia: Cabe aos profissionais dessa área montar os mapas de mídia, conforme o que foi planejado, e negociar com os veículos de comunicação como acontecerá a veiculação das peças;  Criação: É aqui que se encontra a redação publicitária. Geralmente ela é desenvolvida em parceria com a direção de arte, que também é alocada nesse setor. Uma função cuida do verbal e outra do visual, mas ambas são responsáveis por construir criativamente as peças a partir das necessidades identificadas no briefing e a partir do que foi definido pelo Planejamento. Sobre o trabalho de criação Martins (1997, 77-78) considera: Para que as atitudes dos destinatários possam, na verdade, ser atingidas, e modificadas, quanto à aceitação do produto, haverá necessidade de se elaborar mensagens criativas com linguagem e símbolos capazes de valorizarem o objeto de consumo oferecido [...]. Esta atividade é exercida para atender aos desejos dos clientes [...], quando é necessário fazer conhecer ou divulgar alguma informação em campanha encomendada [...]. Como não há respostas prontas para todos os problemas, elas deverão ser procuradas, criadas, ou mesmo provocado o seu aparecimento. Para conseguir este desempenho, a propaganda deve ser técnica e arte ao mesmo tempo [...]. O processo de criação não pode ser improvisado, nem ser empírico, mas deverá constituir-se etapa de um planejamento [...]. Para que as soluções criativas sejam encontradas é comum as agências realizarem os chamados brainstorm, que são reuniões nas quais os membros da equipe propõem e apresentam livremente suas ideias colaborativas para projeto. As inspirações para o redator publicitário podem vir de qualquer lado, assim como podem ser buscadas nas mais diversas fontes. No entanto, ele precisa ter conhecimento para saber discriminar o que pode ou não pode, de fato, ser utilizado em seu trabalho. Esse conhecimento tem de ser o mais abrangente possível para que o seu poder de criação seja tão versátil quanto os desafio que lhe chegam. Assim, é necessário que ele domine tecnicamente a língua portuguesa, que seja atualizado sobre as notícias do mundo, que entenda como funciona os veículos de comunicação, que conheça em profundidade os procedimentos da
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    30 Publicidade e Propaganda,enfim, que tenha um repertório técnico e cultural vasto e que, claro, saiba conciliar tudo isso com sensibilidade, bom gosto e pensamento estratégico. 2.1.4 O Desenvolvimento da Redação Publicitária no Brasil Todas as (principais) características e comportamentos da redação publicitária vistos até agora só foram possíveis de serem elencados devido ao seu desenvolvimento como uma arte e técnica refinada e consolidada por meio de sua prática no tempo. A divisão da publicidade brasileira em três fases, feita por Martins (1997), traz uma organização cronológica bastante pertinente, que, com o apoio de outros materiais, ajuda a compreender melhor como a redação publicitária foi se desenvolvendo de acordo com as necessidades e possibilidades de cada época. 1ª. Fase – “Os reclames”: É marcada pelos classificados em jornais e em gazetas. Em 1808, com o advento do jornalismo no Brasil, o que era feito na Europa com relação à propaganda imprensa logo foi assimilado e posto em prática pelos periódicos nacionais da época. Os espaços reservados aos “anúncios” eram os chamados reclames, nos quais as divulgações mais recorrentes eram sobre o comércio varejista, hotéis e produtos farmacêuticos. A redação empregada nesses classificados utilizava uma linguagem simples, sem artifícios de persuasão e limitada apenas às qualidades dos produtos ou serviços, sendo bastante adjetivada, como mostra a figura 7. “Na maioria dos casos, os anúncios consistiam em texto puro, mas datam já dessa época as primeiras ilustrações” (MARCONDES, 2001, p.15).
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    31 Figura 7 –Anúncio de 1876, primeira fase da publicidade no Brasil. Fonte: Spegel (2008). 2ª. Fase – “Os intelectuais”: A linguagem publicitária começou a mudar com o lançamento das primeiras revistas, nas quais o estilo Art nouveau marcou forte presença, assim como a participação de alguns poetas (“os intelectuais”), como Casemiro de Abreu e Olavo Bilac, que introduziram o verso na publicidade, tal como a sátira política e a visão bem-humorada dos fatos (SILVA; LOPES, 2007). Além disso, apesar do ainda incipiente uso da persuasão no texto, alguns anúncios já fugiam à regra, trazendo, por exemplo, apelos eróticos, como mostra a figura 8:
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    32 Figura 8 –Anúncio de 1917, segunda fase da publicidade no Brasil. Fonte: Mendonça (2007). Na década de 20 a publicidade evoluiu, sendo marcada pela chagada de grandes marcas ao país e pela influência norte-americana. Nesse período, os produtos femininos começaram a ganhar mercado e seus anúncios buscavam tocar a vaidade da mulher. Finalmente, a criatividade e a persuasão passaram a ser mais utilizadas. De acordo com Aldo Xavier (RAMOS, 1985 apud SILVA; LOPES, 2007, p. 161), a linguagem mais criativa não havia tido larga aplicação antes porque: [...] a publicidade se antecipou à demanda do mercado, pois somente em 1932, após a Revolução Constitucionalista, a indústria teria sido implantada no Brasil. Ele destaca também o movimento modernista como chave para a valorização dos símbolos nacionais, inclusive da indústria que começava a prosperar, criando terreno fértil para a atividade. Tendo como marco inicial no Brasil a Semana de Arte Moderna de 1922, o movimento modernista influenciou não só o campo artístico, mas também a publicidade nacional. Como trazem Freitas e Carvalho (2009):
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    33 [...] se oModernismo foi um movimento que influenciou toda a cultura do país, é óbvio que influenciou a publicidade, pois essa bebe da cultura para construir suas mensagens. É sabido também que esse movimento modernista: artístico, cultural e filosófico, teve grande expressão no campo da literatura. Pela carência de profissionais qualificados, a publicidade brasileira foi buscar nos escritores e poetas a produção necessária para que os anúncios da época apresentassem apelos mais atrativos. Poetas como Oswald de Andrade e Carlos Drummond de Andrade foram responsáveis por empregar no texto publicitário características literárias próprias do Modernismo, como o uso de expressões coloquiais, fala do dia a dia, regionalismos, valorização das origens brasileiras e palavra-puxa-palavra, que permanecem em uso até hoje. Como foi dito, nas primeiras décadas da publicidade brasileira tiveram destaque o jornal e a revista. Mas, nos anos 30 o nascimento do rádio no Brasil inaugurou a era dos jingles e sposts. É nesta época também que surgem as mais importantes agências no país. Já no final da década de 40, ganham força os slogans e as rimas. A partir de 1950 a chegada da televisão e seu desenvolvimento promoveram a evolução da linguagem publicitária. A década de 60, por sua vez, foi revolucionária, integrando fortemente redação publicitária e arte. Com relação à linguagem, houve a mudança de ênfase dos apelos racionais para os apelos emocionais. Ao longo desses anos novas associações surgiram e a publicidade se profissionalizou ainda mais. 3ª. Fase – “Os profissionais”: A década de 70 foi marcada pela censura, pelos avanços tecnológicos, pelo aumento de investimentos na área e maior comprometimento dos profissionais com a atividade (SILVA; LOPES, 2007, p. 166). Esses profissionais não eram necessariamente publicitários, mas também autodidatas e os próprios poetas, que não conseguiam sobreviver de seu ofício primeiro na época. É a partir de 1970 que desponta fortemente outro influenciador da linguagem publicitária: a poesia concreta. A visualidade é a marca registrada desse movimento [o Concretismo], as palavras passam a ser consideradas elementos gráficos, os “brancos” da página passam a ter mais atenção dos poetas, a lógica diádica da palavra de Saussure é abalada pela poesia concreta, o Estruturalismo como forma de análise de um texto poética não dá conta dos processos em que se faz poesia concreta. E tudo isso vai ser absorvido pela publicidade, criando um salto de qualidade na feitura dos anúncios. Esse fato foi tomar forma no Brasil na década de 1970, usando como recurso aquilo que Picchio (1997) já falou: os jogos polissêmicos, que são trabalhados na poesia
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    34 concreta no momentoem que o significante é desmontado na forma e passa a constituir novos significados na obra, até mesmo visuais. Foi esse trabalho no nível do significante que permitiu um desdobramento desse processo no plano do significado. (FREITAS; CARVALHO, 2009). No anúncio abaixo da figura 9 encontra-se um caso que ilustra o que foi falado por Picchio (1997 apud FREITAS; CARVALHO, 2009). A polissemia está na palavra “sacada”, que pode significar tanto uma grande ideia quanto a ação de retirar muito dinheiro do banco. Figura 9 – Anúncio dos anos 70, Concretismo e polissemia. Fonte: A Grande... (c2012). Como afirma (MARTINS, 1997, p. 29), a publicidade, a partir de então, se torna cada vez mais técnica, “pois a fantasia e a imaginação só funcionam baseadas no conhecimento das tecnologias que predominam no mundo da imagem, do som, do marketing e da produção”. A linguagem publicitária se aperfeiçoa passando a apresentar mais apuro na redação por meio da utilização de recursos semióticos capazes de provocarem mais reflexão por parte do público pelo jogo de palavras, a polissemia, a paronímia, as figuras e os neologismos.
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    35 Como foi visto,a redação publicitária, que em um primeiro momento (1ª. fase) era trabalhada praticamente apenas em texto, só evoluiu criativamente quando escritores e poetas passaram a empregar seu talento na feitura de anúncios (2ª. fase), os quais realmente começaram a configurar uma mudança na linguagem publicitária quando esses “artistas das palavras” assumiram esse tipo de produção como mais uma forma de ganhar a vida (3ª. fase). Como se não bastasse a contribuição de poetas como Olavo Bilac, os movimentos modernista e concretista tornaram a ligação entre redação publicitária e literatura ainda mais forte, constituindo as bases para o tipo de texto empregado hoje na publicidade brasileira. Nesse texto o modelo dionisíaco e o caráter poético se destacam como formas (usuais e livremente criativas) para o afastamento de construções e apelos racionais, fechados e clichês. Por tudo o que já foi apresentado não é difícil compreender que a utilização do caráter poético na redação publicitária se configura dentro do Modelo Dionisíaco, que, diferentemente do Apolíneo, possibilita a exploração de uma estrutura sem limites e o emprego das funções emotiva e poética ao texto. Mas do que se trata esse caráter e como é entendida sua relação com a poesia e o poema? É sobre isso que será tratado na próxima etapa deste trabalho. 2.2 POESIA, POEMA E O CARÁTER POÉTICO O poético só está presente na poesia em forma de poema? O que o caracteriza e quais são suas propriedades que podem ser aproveitadas no texto publicitário? Essas questões são fundamentais para um melhor entendimento das possibilidades de uso da motivação poética pela redação publicitária. Mas, antes de abordá-las de forma direta, é interessante que se tenha compreensão dos conceitos básicos que envolvem a poesia, o poema e o caráter poético. 2.2.1 A Poesia O primeiro esclarecimento que é preciso fazer acerca da poesia é que ela não é uma arte exclusiva do poema. Como afirma Cândido (1996), a poesia não se confunde necessariamente com o verso, tampouco com o verso metrificado. O autor lembra que existe, por exemplo, a poesia em prosa e a poesia em verso livre, e que com o advento das correntes pós-simbolistas, inclusive, ela passou a não se conter apenas aos chamados gêneros poéticos, expandindo-se de modo autêntico também para a prosa de ficção.
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    36 Ferreira (1993 apudJESUS, 2009) identifica a poesia como o caráter do que emociona, toca a sensibilidade. A definição, porém, se torna mais palpável ao indicar que sua propriedade é sugerir emoções por meio de uma linguagem. Assim, o que se conclui é que a poesia nada mais é do que uma linguagem especial que viabiliza ou concretiza a expressão da emoção e da sensibilidade, a qual pode acontecer por meio de um poema ou de outros formatos. [...] o discurso poético não representa as coisas como são, mas na definição de Aristóteles, as “enfeita”, “embeleza”, “disfarça”. É aí que entramos na questão da linguagem usada pela poesia. A poesia não descreve seus objetos como “são”. Pelo contrário, encontra-lhes novos significados, transformando-os. Disse Rosa Beloto (op.cit): “a poesia faz do discurso ser incomum, não usual, mas sim criativo, artesanal”. (FERNANDA et al., 2010, p. 23). Até o início do século XX, no entanto, para “ser poesia” uma obra tinha de se enquadrar nas rígidas normas de metrificação do poema clássico, no qual uma das regras definia que a contagem silábica não podia ultrapassar o número doze. Mas, isso mudou graças à influência do Modernismo, movimento cultural nascido na Europa, que defendia a ruptura com o Classicismo. A partir de então surgiram os versos livres, os quais poderão ser entendidos no contexto do próximo tópico deste trabalho. 2.2.2 O Poema Enquanto a poesia é caracteriza como uma linguagem especial por meio da qual o caráter poético é expresso, o poema é a obra em verso, na qual, consagradamente, a poesia se concretiza com plenitude. Pelo seu trabalho diferenciado, e porque não dizer sofisticado, com a palavra, a poesia valoriza uma série de práticas e construções conceituais e textuais que resultam em um aspecto estético viabilizado pelo poema de forma (considerada) ideal. Como fundamentos básicos para a formação do poema, Cândido (1996) destaca as seguintes modalidades estéticas:  Sonoridade: Antes de qualquer aspecto significativo mais profundo do poema, a sonoridade é um dos níveis que constitui sua realidade total. Esse “substrato fônico” pode estar presente de modo muito regular e perceptível, definindo uma melodia própria na ordenação dos sons. De outro modo, também pode se fazer presente de maneira discreta, assim como, geralmente, é apresentado na prosa. No poema o significado é construído em
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    37 grande parte pormeio dos elementos sonoros e, dentre eles, o principal é rima, ilustrada a seguir no texto da figura 10: Figura 10 – Poema e sonoridade. Fonte: Amaral (2010).  Ritmo: Fenômeno dominante em relação aos elementos sonoros, é o responsável por combinar (de alguma forma) as sonoridades, não dos fonemas, mas das combinações de fonemas representadas pelas sílabas e os pés (conjunto de sílabas). Embora a ideia de ritmo seja frequentemente complexa e vaga, ela pode ser relacionada à cadência regular definida por um compasso, assim como à disposição das linhas de uma paisagem. No primeiro caso o ritmo seria, então, uma alternância de sons, enquanto que no segundo ele seria uma manifestação da simetria ou da unidade criada pela combinação de formas. “Em ambos os casos, seria a expressão de uma regularidade que fere e agrada os nossos sentidos” (CÂNDIDO, 1996, p. 42-43). Assim, de modo geral, ritmo está intimamente ligado à ideia de alternância, como som e silêncio, graves e agudos, tônicas e átonas, longas e breves;
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    38  Metro: Demodo simplificado, é a divisão do verso em segmentos, não ao que diz respeito à relação entre as sílabas, mas aos segmentos rítmicos, que permitem variar a modulação e adaptá-la às necessidades expressivas. Ou seja, o que tem importância não é a alternância entre sílabas, mas sim a alternância de tonicidade dentro de grupos silábicos que compõem unidades rítmicas. Como resume Cândido (1996, p. 51), “ao número de sílabas poéticas de um verso chama-se METRO; ao número de segmentos rítmicos, chama-se RITMO”, lembrando que as sílabas de um poema são contadas de forma auditiva, não de forma gramatical. As regras para essa contagem, como traz Santos (2010), são: 1. As sílabas poéticas que estão após a última sílaba tônica do verso não são consideradas; 2. Ditongos têm valor de uma só sílaba poética; 3. Duas ou mais vogais, átonas ou mesmo tônicas, podem fundir-se entre uma palavra e outra, formando uma só sílaba poética. No exemplo abaixo da figura 11 é possível compreender melhor: Figura 11 – Poema e métrica. Fonte: Santos (2010).  Verso: A partir da experiência do leitor ou do auditor, compreende-se que o verso é composto não de fonemas, nem de sílabas ou de segmentos rítmicos, mas de palavras, que são as unidades significativas que divididas em partes, desarticuladas ou emendadas, permitem analisar os fenômenos do metro e do ritmo. Enquanto o ritmo cria a unidade sonora do verso, as palavras criam a sua unidade conceitual. Juntas, as unidades sonora e conceitual formam a integridade do verso, que, por sua vez, é a unidade do poema. Santos (2010)
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    39 ressalta que noverso tradicional a quantidade de sílabas é fixa, variando entre um número de um a doze. Porém, no verso moderno, a métrica é livre, ou seja, cada verso pode conter quantas sílabas o poeta achar melhor. Sendo assim, o ritmo também ganha uma característica livre. A diferença pode ser visualizada no exemplo da figura 12: Figura 12 – Poema e verso. Fonte: Santos (2010). [...] a liberdade rítmica criou uma nova música do verso, mais seca, beneficiada por todo o movimento de desmelodização e de aderência do ritmo à ideia como correlação central, e não mais do ritmo ao metro. O metro se tornou mais livre, a seu modo, aproveitando as experiências do verso livre. (Cândido, 1996, p. 63). Complementando as características do poema com Franco (2008 apud JESUS, 2009), esse é um tipo de obra que se destaca já pelo modo como é disposto na página. Sua organização em versos é o principal traço diferenciador com relação à prosa. Enquanto essa é escrita de modo fluido, em linhas contínuas, cada verso possui um ritmo específico e ocupa apenas uma linha. O conjunto de versos constitui uma estrofe, dentro da qual a rima pode (ou não) aparecer. Existem vários tipos de poemas que, de modo geral, se diferenciam pelo tamanho e a referência a partir da qual os temas são trabalhados. Os principais tipos são:  Poema lírico: O próprio autor é a base da obra, pois o foco de interesse é a expressão de sua reação pessoal frente às experiências que vê, ouve, sente ou pensa. O poema lírico geralmente é curto e carregado de musicalidade, tanto que o ritmo e rima, por
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    40 vezes, o tornamsemelhante à canção. Alguns teóricos incluem nessa modalidade o poema satírico. Outros tipos são: a balada, a canção, a elegia, o hino, a ode e o soneto;  Poema narrativo: Geralmente é mais extenso que outros poemas, pois seu interesse é contar histórias. Nele o poeta fala sobre os ambientes, as personagens e os acontecimentos, atribuindo-lhes uma significação. Entre suas principais variações estão as epopeias, as baladas e as fábulas, que comumente são tomadas como trabalhos em prosa, mas que, na verdade, muitas delas foram escritas originariamente como poemas narrativos;  Poema dramático: Assim como o tipo anterior, também conta uma história e é relativamente longo. A diferença é que aqui essa história é desenvolvida a partir das falas das personagens. As peças de teatro escritas em verso são um exemplo de poesia dramática. Após tudo o que já foi apresentado, vale à pena recorrer à Lyra (1986 apud JESUS, 2009) para verificar, agora com melhor compreensão, a diferença entre poema e poesia: Se o poema é um objeto empírico e se a poesia é uma substância imaterial, é que o primeiro tem uma existência concreta e a segunda não. Ou seja: o poema, depois de criado, existe por si, em si mesmo, ao alcance de qualquer leitor, mas a poesia só existe em outro ser: primariamente, naqueles onde ela se encrava e se manifesta de modo originário, oferecendo-se à percepção objetiva de qualquer indivíduo; secundariamente, no espírito do indivíduo que a capta desses seres e tenta (ou não) objetivá-la num poema; terciariamente, no próprio poema resultante desse trabalho objetivador do indivíduo-poeta. (JESUS, 2009). Postas tais considerações, o próximo passo é esclarecer o que se entende por caráter poético. 2.2.3 O Caráter Poético Tradicionalmente poesia e poema são conceitos e práticas que se fundem e, por isso, costumam gerar certa confusão. Mas, o que é importante esclarecer é que a expressão do poético, ou seja, do caráter capaz de emocionar, tocar a sensibilidade e suscitar novos significados, é traduzida por meio da poesia conforme sua linguagem especial, na qual têm
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    41 destaque fatores comoo tratamento apurado da palavra, o ritmo e a rima. Porém, para um texto conter o caráter poético ele não precisa, necessariamente, ser poesia em forma de poema, o que significa a não obrigação da valorização absoluta da forma, muitas vezes até em detrimento do conteúdo. Embora mantenha certo ritmo e o cuidado diferenciado com o “verbo”, há a poesia em prosa, diferente do verso e que não tem o comprometimento exclusivo com a rima – assim como o próprio poema, principalmente moderno, também não tem –. De acordo com Feil (2010), frente a atual era tecnológica “não há como assumir uma postura tradicional diante da poesia, esperando dela apenas uma distribuição regular em versos, em que fundo e forma, métrica e a rima estariam presentes como regra”. Como considera Lyra (2000 apud FERNANDA et al., 2010), há dois grupos conceituais que entendem a poesia de modo distinto: em uma visão ela seria uma forma de filosofia, em que o poema é apenas uma de suas consequências, ou melhor, neste caso, uma consequência do pensamento poético; em outra visão, o poema é concebido como poesia, como o responsável por formar a linguagem poética. Já na definição acadêmica, a poesia abrange toda a composição poética, sendo o poema uma de suas manifestações e não sua totalidade. Tal concepção abre espaço para que se veja poesia em tudo, como quer Alexandre Faria (2009 apud FERNANDA et al., 2010), seja no cinema, na canção, no romance ou num namoro, por exemplo. Ainda de acordo com Fernanda et al. (2010), o site Portal do Brasil Escola trouxe em um artigo sobre a Função Poética da Linguagem os principais elementos que compõem o caráter poético (que é anterior ao poema), sendo eles: a subjetividade, a emotividade e a metáfora. Agregando tais elementos e mais o cuidado sofisticado com a palavra, um texto estaria pronto, então, para ser identificado como poesia, independentemente de ser disposto ou não em verso. Deixando de lado a filosofia por trás do olhar poético, Rosa Beloto (2003 apud FERNANDA et al., 2010) o toma enquanto manifestação de linguagem para os dias atuais, em uma definição que permite perceber a relação com a visão clássica pelo elencar de elementos como a conotação, assim como também permite identificar diferenças para com a mesma ao falar de imagens e licença poética: Poesia é LITERARIEDADE, ou seja, tudo aquilo que faz do discurso ser incomum, não usual, mas sim criativo artesanal. Por exemplo: o discurso repleto de CONOTAÇÕES (figuras de linguagem, principalmente a metáfora), de sonoridade especial (figuras de efeito sonoro), de polivalências, de ambiguidades, de rompimentos com as normas de uso dos signos e com as normas gramaticais
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    42 (signos inventados, neologismos,vícios de linguagem, etc.). (BELOTO, 2003 apud FERNANDA et al., 2010, p. 22). O que é importante esclarecer, porém, é que a poesia não é propriamente o caráter poético. Enquanto linguagem diferenciada que preza pela sensibilidade e por uma estética aprimorada, ela é a responsável por viabilizar esse caráter, mas não por determinar a sua existência. Ele pode ser identificado em qualquer coisa ou acontecimento, dependendo apenas de uma visão sensível para ser captado. É para ser trabalhado, ou seja, transformado em texto, que entra em cena a poesia, articulando suas propriedades para traduzir a subjetividade, a emotividade e a metáfora pelas quais o caráter poético se revela. Com tudo isso explanado, agora é possível partir para a terceira etapa deste trabalho, a qual verifica única e objetivamente como a redação publicitária apresenta, ou pode vir a apresentar, tal caráter em seus textos. 2.3 O CARÁTER POÉTICO NO TEXTO PUBLICITÁRIO Como foi elucidado, o caráter poético é um fenômeno tocante à sensibilidade que para existir necessita, antes de tudo, de um olhar atento, motivado a despertá-lo a partir de uma leitura diferenciada das mais diversas manifestações da vida. Nesse sentido, o primeiro passo para a sua utilização na redação publicitária depende, sobretudo, da forma como um tema é concebido e do tipo de tratamento que lhe é dedicado. Ou seja, ao profissional cabe um posicionamento ativo na captação dos fatores subjetivos e emocionais que podem ser adotados na criação e desenvolvimento dos textos para uma marca, campanha, peça, produto ou serviço. Assim, no esforço de traduzir e inspirar sua motivação “poética”, a redação publicitária floresce o seu próprio caráter poético, o que realiza pelo emprego de vários e ricos artifícios que acabam por criar uma linguagem própria: uma poesia especial da publicidade. Montagner (2007) e Castino (2010) concordam que esse discurso (poético) é capaz de transmitir, graças à sua polissemia, enorme volume informacional, permitindo a leitura de novos sentidos e afastando a mensagem publicitária da banalidade. O discurso prosaico, previsível, atende principalmente a necessidades de comunicação. Assim também o texto publicitário banal atende a necessidades de uso: [...] [mas] a publicidade propõe seduzir e para isso apropria-se estrategicamente de soluções encontradas pela literatura [...]. Esse texto publicitário especial [...] também é consumido, mas não descartável, ao apresentar-se como objeto oferecido a leituras: é de tal modo produzido que é possível revê-lo proveitosamente repetidas vezes, da mesma maneira que se pode reler várias vezes um poema, sem perda do prazer estético, sem esgotamento de sentidos novos. (CASTINO, 2010, p. 1-2).
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    43 Carvalho (1996 apudMONTAGNER, 2007) lembra que, muitas vezes, visando mudar a atitude do consumidor a publicidade se apoia em mensagens de venda bastante autoritárias, marcadas por verbos imperativos que o ordenam ou o convidam a um tipo de ação. No entanto, nesse modelo o leitor não encontra brechas para a interação, uma vez que o que se espera dele é apenas uma resposta favorável com relação ao produto ou serviço. Além de ter essa deficiência, esse tipo de apelo por seu uso frequente ao longo da história já está banalizado, sendo de fácil identificação por parte do consumidor como forma de atingi-lo, o que o deixa previamente “armado” e, geralmente, avesso a tal comunicação. É aí que entra a importância do uso de apelos emocionais na propaganda, pois como defende Gracioso (2002 apud MONTAGNER, 2007, p. 8): [...] as pessoas não costumam argumentar com a propaganda [...]. Em nível consciente, pelo menos, as pessoas não aprovam nem desaprovam – simplesmente ignoram tudo o que não corresponda a sua experiência anterior. É justamente por isso, para romper a barreira erguida pelo consciente, que é tão importante o uso dos apelos emocionais básicos como arma de sugestão na propaganda. Os apelos emocionais, quando bem dirigidos, vão até o subconsciente e provocam reações e decisões que o indivíduo só mais tarde tentará racionalizar, num esforço para justificar-se perante si próprio. Dessa forma, a poesia desponta como uma importante ferramenta alternativa na construção de textos capazes emocionar, gerar envolvimento e proporcionar novas interpretações. Montagner (2007, p. 9) afirma que é nesse momento que o discurso publicitário ganha a oportunidade de ser apreciado como um “acontecimento” além da mensagem de vendas e se torna um discurso lúdico, que transcende ao uso do autoritarismo tradicional e previsível. Como tal, ele se estabelece de um modo mais aberto à participação do receptor, adindo à linguagem publicitária as possibilidades que deliberam a poesia: “o caráter inovador e polissêmico; a capacidade de reinvenção permanente e as marcas da experimentação”. 2.3.1 Vantagens da Linguagem Poética na Redação Publicitária Diante do que foi discutido, como poderiam ser elencadas as vantagens do uso da linguagem poética na redação publicitária? Contribuindo para o esclarecimento do conteúdo relevante a essa pergunta, Fernanda et al. (2010) relacionou alguns desses benefícios considerando:
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    44  Caráter lúdico:A polissemia da poesia, isto é, suas várias possibilidades de significações, é resultado da brincadeira com as palavras e os sentidos, o que no texto publicitário é capaz de proporcionar uma mensagem rica, envolvente e acima do discurso banal, portanto, muito mais interessante;  Interatividade: Surge como consequência da própria polissemia da poesia, sendo fundamental à linguagem publicitária contemporânea, tendo em vista que a revolução da internet tirou o público da passividade receptiva, transformando-o em um consumidor bastante ativo, que pesquisa, compara, que tem acesso à informação, que reclama e valoriza a personalização em tudo o que lhe é dirigido (HORTA, 2010 apud FERNANDA et al., 2010);  Renovação da mensagem: Assim como um poema, a redação publicitária de caráter poético pode ser lida várias vezes, pois ela propicia a geração de novos significados em diferentes momentos que, dessa forma, não esgotam a mensagem facilmente. Bigal (1999 apud FERNANDA et al., 2010) defende que essa renovação do texto poético é fruto de uma “atividade mental de leitura formada por novos signos que reciclam o repertório de elementos do público-alvo em questão”, o que também deve-se à polissemia contida na poesia;  Apelo emocional: A redação publicitária de caráter poético, apresentando-se de modo dissimulado, consegue se aproximar mais do consumidor, ao contrário daquele texto baseado em argumentos racionais, fechados e imperativos para o qual ele já está preparado. O uso da linguagem poética na publicidade permite um maior envolvimento agindo de forma subconsciente, disfarçando suas intenções e falando de sentimentos com delicadeza, com polissemia, com metáforas e com o lúdico;  Memorização: Diante das inúmeras opções de produtos e serviços presentes no mercado, assim como dos excessivos anúncios, torna-se de grande importância que a redação publicitária seja articulada para facilitar a memorização do consumidor a respeito da mensagem, marca ou oferta em divulgação. Sendo orientada nesse sentido, a linguagem poética tem muito a contribuir, uma vez que um de seus artifícios é o recurso mnemônico, que está intimamente ligado à repetição. Nas palavras de
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    45 Breitenwieser (2004 apudFERNANDA et al., 2010, p. 36): “Recorrências ou repetições provocam mais do que memorização, pois resultam em adensamento de sentido”, ou seja, a repetição auxilia também no aprendizado, o qual é essencial para que a mensagem e o produto ou serviço sejam melhor assimilados pelo consumidor e, assim, se mantenham por mais tempo vivos em sua memória. Vale destacar que o ritmo presente na repetição contribui para torná-la mais eficiente na memorização e aprendizagem da mensagem, contribuindo também para a formação de significados. A poesia ajuda à aprendizagem do consumidor em todas as suas vantagens comunicacionais enumeradas anteriormente e especificamente nesta última, por configurar a memória do consumidor, seja contra o esquecimento da mensagem, seja como retenção da mesma, seja como processo cognitivo, seja como processo de estímulo. (FERNANDA et al., 2010, p. 37).  Caráter inovador: Como já foi dito, a utilização da linguagem poética pela redação publicitária faz com que a mensagem construída não se goste, mas, pelo contrário, se renove em si mesma graças ao aproveitamento de recursos da poesia como a polissemia e o aspecto lúdico, que afastam a obviedade do texto. Como afirma Paixão (1991 apud FERNANDA et al., 2010, p. 37), “[...] a poesia se caracteriza essencialmente pelo uso criativo e inovador que se faz das palavras [...]”, o que diante de uma realidade impregnada por anúncios de toda sorte, como também já foi observado, é imprescindível à publicidade atual na construção de sua mensagens e apelos verbais. Mas se o caráter poético agrega essas (e outras) vantagens à redação publicitária, por outro lado, ele também apresenta algumas implicações desafiadoras, as quais Fernanda et al. (2010) chamou de “desvantagens”. 2.3.2 Desvantagens da Linguagem Poética na Redação Publicitária Ao se trabalhar com o caráter poético na redação publicitária é preciso estar atento a fatores que podem causar efeitos indesejados na mensagem e na leitura do consumidor, como os apresentados a seguir. Tendo-os em vista, é sempre necessário buscar adequações que visem fazer com que os recursos poéticos enriqueçam o discurso publicitário e não que o deturpem ou o tornem desinteressante.
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    46  Perda doobjetivo da publicidade: Um poema pode ser lido e interpretado da maneira que o leitor bem entender, afinal, é a própria linguagem poética que permite e valoriza essa criação de vários e novos sentidos. No entanto, diferentemente do poema, o texto publicitário tem de ser claro, objetivo e de fácil entendimento, devendo atender ao requisito básico de fazer com o que o consumidor tenha, sobretudo, uma atitude positiva diante da marca ou do produto ou serviço anunciado. Ou seja, a presença do caráter poético na redação publicitária não pode abrir espaço a divagações e à perda da verdadeira motivação da publicidade. Sim, passa a existir um paradoxo, pois a poesia tão subjetiva, interativa e repleta de sentidos tem ser aí condicionada. Outro efeito indesejado que a redação publicitária poética pode causar, prejudicando também o objetivo real da publicidade, é o que Castino (2010, p. 1) observa: “o prazer estético provocado pelo texto pode deixar em segundo plano a mensagem de venda”. Como ressalta Fernanda et al. (2010, p. 39), “a adequação quando não colocada em prática, pode provocar confusão interpretativa e aí se perde todo o objetivo da mensagem, da propaganda”. Ajudando a desfazer qualquer possível confusão, Montagner (2010, p. 10) explica que A composição poético-estética publicitária é a peça publicitária com acentuado caráter de poeticidade, ou seja, é o “discurso mais dinâmico e menos linear, em que a palavra é usada segundo sua própria configuração enquanto mensagem” [...]. Sob essa denominação, Bigal abarca tanto a faceta utilitária da propaganda como o caráter estético da poesia, fundidos numa linguagem híbrida e única. Assim, a personalidade utilitária e funcional continua existindo, porém não mais como um fim em si mesmo.  Aversão à poesia: O tratamento mais elaborado das palavras, a sensibilidade, a rima e a emotividade podem, muitas vezes, remeter o leitor à poesia clássica, em grande parte evitada pelas pessoas por sua difícil compressão. Assim, o texto publicitário de caráter poético tem que ser, mais uma vez, adequado para conquistar a atenção do consumidor de maneira rápida, devendo por isso ser descomplicado, atual e muito envolvente. Mas, além disso, por mais que as pessoas não percebam, a poesia faz parte de sua vida, estando presente em diversas manifestações culturais, como a música, os livros sagrados, como a Bíblia e muitos de seus salmos e o teatro, assim como no modo de comunicação e expressão próprio da subjetividade humana. Isso quer dizer que o caráter poético na redação publicitária é sim uma solução viável, desde que seja orientado no contexto do cenário contemporâneo e de forma sempre instigante.
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    47 Considerando as implicaçõesdo uso do caráter poético na redação publicitária, suas vantagens e desvantagens, se torna imprescindível que o profissional redator tenha uma posição crítica e analítica quanto à sua aplicação. Ele deve estar consciente quanto à maneira mais adequada e propícia de conduzir o texto sob as bases emocionais, polissêmicas e de elevado impacto estético, levando em conta o momento em que se estabelecerá a comunicação, ou seja, qual a etapa e o objetivo da divulgação de determinada marca, produto ou serviço, assim como o público-alvo a quem ela será direcionada. Em publicidade não há espaço para meras inspirações e experimentações. Seu objetivo é produzir anúncios e outras ações eficientes, capazes de entregar resultados satisfatórios ao anunciante, proposição que torna a discussão a seguir de extrema relevância no contexto do assunto central abordado neste trabalho. 2.3.3 Quando e Para Quem Empregar o Caráter Poético no Texto Publicitário A investida em uma redação de caráter poético tem sido defendida como uma solução criativa eficaz no combate ao discurso banal, lógico e previsível muitas vezes empregado nos textos publicitários. Entre outras vantagens, sua utilização é capaz de prender a atenção do consumidor, envolvendo-o de modo subconsciente, proporcionando-lhe prazer estético e fazendo com que ele participe da mensagem a partir de uma leitura que proporciona novos significados. Porém, é preciso destacar que a redação publicitária poética não se trata de uma verdade absoluta, de um caminho único para se atingir aos objetivos pretendidos ou de uma saída que serve para todos os casos. Os próprios momentos/etapas da divulgação de uma marca, produto ou serviço configuram necessidades que pedem aplicações diferentes. Partindo dessa situação inevitável, Fernanda et. al. (2010) lembra que ao se trabalhar na comunicação de produtos em lançamento, por exemplo, o mais indicado (e comum) é adotar uma linguagem mais técnica e denotativa, a fim de que o público possa conhecer a novidade de maneira objetiva e prática. É então, quando a qualidade desse produto se torna reconhecida, que passa a ser viável investir na comunicação com uma linguagem mais emocional e que lhe agrega novos valores. No entanto, como observa a autora, no caso de artigos de bens de luxo, por exemplo, esse tipo de linguagem já é empregado desde o início, pois a existência e uso tais produtos só são justificados nesse sentido. De qualquer forma, a configuração do público a quem será direcionada a comunicação deverá ser sempre levada em conta. A linguagem empregada precisará necessariamente estar adequada ao seu perfil, a fim de garantir a empatia e a identificação com a mensagem. No
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    48 caso do textopublicitário de caráter poético, é primordial considerar que algumas construções podem ser difíceis de entender ou até mesmo sem sentido para um público com baixo nível de escolaridade, que, em geral, conta com um repertório escasso para acionar as novas interpretações propostas sutil e indiretamente por esse tipo de conteúdo. Como explica Bigal (1999 apud MONTAGNER, 2007), na composição poético- estética publicitária – chamada por ela de CPEP – a função conativa não deixa, necessariamente, de existir, no entanto, ela perde um pouco de seu viés autoritário, caracterizado pelo uso do modo imperativo. Na CPEP ela divide espaço com a função poética, que traz a possibilidade do sujeito-receptor participar conscientemente da construção de sentidos na mensagem. Isso significa que são apresentados novos signos, os quais ficam à espera de decodificação, não como um “anúncio utilitário”, mas como um “objeto de fruição”. Como esclarece Castino (2003 apud MONTAGNER, 2007, p. 11): Na CPEP, composição poético-estética publicitária, o poético atualiza-se e constrói um outro contexto, em que se acrescenta outra intencionalidade, que ultrapassa o utilitário [...]. Ao texto publicitário agrega-se uma nova característica: a capacidade de oferecer-se à exploração da competência discursiva de leitura, como objeto de fruição. Tanto para Bigal como para Castino (1999; 2003 apud MONTAGNER, 2007), a presença da função poética na publicidade atua como um “agente reeducador” da percepção do público frente àquilo que lhe é apresentado (verbal e visual), pois ela força o deslocamento do olhar de pontos comumente fixados para novas leituras e associações. Por sua natureza de permanente reinvenção e polissemia, a poesia permite a exploração de um espaço aberto no repertório do consumidor, o qual, por sua vez, deve estar preparado para contemplar novos horizontes além daqueles convencionalmente cristalizados. [...] na composição poético-estética publicitária, a estrutura se propõe como uma pré-seleção que exige a percepção da recepção para a elaboração do interpretante, tornando o sujeito/receptor um leitor de estruturas sintáticas, de arranjos materiais cuja decodificação leva ao sentido. (BIGAl, 1999, p. 50). Na explicação de Montagner (2007, p. 11), isso significa que a CPEP utiliza uma “estrutura que traz elementos para que o sujeito-receptor elabore o interpretante, o sentido da mensagem além daquele explicitamente exposto”. É por isso que, levando em conta tais características, o publicitário que pretende explorar uma redação poética tem de estar certo de que o seu público-alvo conta com as competências necessárias para a decodificação e
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    49 interpretação da mensagemtransmitida, pois, caso contrário, ela pode não encontrar os ecos necessários para a formação de seu sentido e impacto eficiente. Tendo compreendido essas e outras questões acerca da poesia e, mais especificamente, da CPEP, se torna possível a partir de então identificar os recursos e técnicas que ajudam a compor a redação publicitária em seu caráter poético. 2.3.4 A Redação Publicitária em Seu Caráter Poético Divulgar produtos e serviços em uma realidade globalizada, cercada por anunciantes e suas inúmeras opções, torna-se uma tarefa cada vez mais desafiadora ao profissional publicitário. Os apelos de venda já estão saturados e o próprio consumidor mantém uma postura extremamente exigente. Nunca a publicidade teve de exercer tanto aquilo que lhe é próprio: a criatividade. Direcionar ao público uma comunicação renovada e atualizada se tornou fundamental para impactá-lo e envolvê-lo. A possibilidade de interação também reclamou seu espaço. Hoje as pessoas querem poder participar dos processos comunicativos e não mais permanecerem no papel de meras receptoras de mensagens frias, fechadas e imperativas. Por isso, passou a ser necessário ampliar os horizontes e explorar novas maneiras de se comunicar e um jeito diferenciado de estreitar os laços com o consumidor. Ele quer ser surpreendido, ele quer participar e mais, ele quer se emocionar, se sentido, de fato, um ser humano. Diante desse cenário “mutante”, a redação publicitária também deve ela própria sofrer mutações para se adequar. É claro que cada tipo de divulgação, de anunciante e de produto/serviço pede por soluções particulares na busca constante por surpreender o público. Como já foi colocado, não há regras e nem fórmulas para isso, cabe à publicidade, inclusive, quebrar paradigmas e proporcionar novas experiências. Mas, de modo geral e sempre que possível, resguardando os públicos e os momentos mais adequados, a associação da redação publicitária à poesia tem muito a contribuir para a apresentação de algo novo, dito de forma diferente e cativante, seja porque ela possui um “instinto” inovador, polissêmico e esteticamente agradável, seja por sua capacidade de emocionar e de despertar novos sentidos. A redação publicitária de caráter poético está englobada dentro do que Bigal (1999) denominou como composição poético-estética publicitária, que nada mais é do que a peça com acentuada poeticidade, na qual é trabalhado um “discurso mais dinâmico e menos linear, em que a palavra é usada segundo sua própria configuração enquanto mensagem” (BIGAL, 1999, p. 16).
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    50 Para além dasregras consagradas que definem e delimitam a poesia clássica, a poeticidade aproveitada pela publicidade, em especial a articulada na redação, é aquela que, sobretudo, visa tocar a sensibilidade e a emoção, não se prendendo a padrões métricos, rítmicos ou de gênero (lírico, narrativo, dramático, entre outros). Evidentemente, as características básicas da poesia ajudam a construir e a potencializar a redação publicitária em seu caráter poético, mas elas não se impõem como um conjunto único necessário para a criação desse tipo de material. Ora é possível acionar, por exemplo, a rima, ora enfatizar a polissemia, ora adotar recursos mnemônicos, ora utilizar todos esses elementos juntos e ora combinados em grupos distintos. Porém, o requisito básico a ser empregado no texto é a emoção, ou melhor, a capacidade de emocionar o consumidor, tocando sua senilidade, mexendo com seus sentimentos e fugindo da pura apresentação das qualidades da marca, do produto ou do serviço anunciado. Essa motivação mais “aberta”, que foge de um desenvolvimento linear (ao contrário do que pretende o Esquema Quadrifásico Aristotélico) e que promove um diálogo maior com o receptor da mensagem, enquadra o tipo de redação estudada aqui nos caminhos do Modelo Dionisíaco de texto publicitário que, diferentemente do Modelo Apolíneo (racional), valoriza, principalmente, a emoção e o humor especialmente empregados em narrativas. No caso do exemplo da figura 13 é apresentada uma história que de modo bastante sensível visa comover o leitor positivamente com relação à imagem do anunciante.
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    51 Figura 13 –Anúncio segundo o modelo apolíneo. Fonte: A História... (2012). Sobre a validade dessa vertente epidítica Carrascoza (2004, p. 60) articula:
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    52 [...] Lipovetsky sentencia,com precisão, que a publicidade atual “quer menos convencer do que fazer sorrir, surpreender, divertir” e, sabendo que essas ações são almejadas pelo espírito dionisíaco, é fundamental ressaltarmos que esse fazer sorrir, surpreender e divertir está a serviço do esforço por se conquistar a adesão ao que é anunciado, de se tentar convencer o público por meio também da emoção e do humor [...] nas palavras do próprio Lipovetsky: “ao invés da coerção minuciosa, a comunicação; no lugar da rigidez regulamentar, a sedução; no lugar do adestramento mecânico, o divertimento lúdico”. [...] É nessa maneira indireta que está a força de sua carga suasória. Como tão bem apontou o escritor Jorge Luis Borges, “qualquer coisa sugerida é bem mais eficaz do que qualquer coisa apregoada”. Tendo estabelecido a redação publicitária em seu caráter poético, ponderado acerca de suas implicações e compreendido sua contribuição para a comunicação/divulgação de marcas, produtos ou serviços, serão relacionadas a seguir as principais técnicas e aplicações que utilizadas de modo individual ou agrupado ajudam a construir e a potencializar a poeticidade no texto publicitário. 2.3.4.1 Técnicas que Revelam e Constroem o Caráter Poético A partir do estudo desenvolvido até aqui e baseado no mesmo, se torna possível, neste momento, identificar os artifícios que ajudam a desenvolver a poeticidade no texto publicitário. Embora estejam relacionadas de maneira individualizada, essas técnicas podem ser combinadas entre si, ou mesmo trabalhadas isoladamente. No entanto, é fundamental destacar que todas elas estão (devem estar) subordinadas à essência do caráter poético, ou seja, à emoção e à sensibilidade articuladas em uma composição (verbal e não verbal) harmônica e envolvente. As técnicas e aplicações expostas a seguir não tem um fim nelas mesmas. Sua função é potencializar a poeticidade pretendida dentro, ou para além, de um texto publicitário. Para exemplo e análise, foram selecionadas peças que põem em evidência o recurso que cada uma melhor representa, o que não significa que elas também não possuam os outros artifícios apresentados.  Apelo emocional: É a base para a redação publicitária em seu caráter poético. Ao invés de usar uma linguagem objetiva para falar das qualidades e vantagens de um produto, por exemplo, o apelo emocional disfarça as intenções da comunicação, colocando em primeiro plano situações que têm a ver com o público-alvo, seus sonhos, desejos e opiniões, tudo por meio de uma linguagem “floreada” e inspiradora.
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    53 Nos exemplos abaixo(figura 14 e figura 15) a redação, ao invés de destacar o produto, coloca em evidência o amor das pessoas: no primeiro caso ilustrando o mote “gestos que colocam o amor em movimento” e no segundo, a premissa de que “o amor não é perfeito”. Figura 14 – Apelo emocional na redação publicitária. Fonte: Miranda (2010).
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    54 Figura 15 –Apelo emocional na redação publicitária. Fonte: Sanntana (2012). O caminho escolhido para a construção de ambos os textos foi diretamente influenciado e beneficiado pelo próprio conceito do da linha Amós e, consequentemente, dos produtos anunciados. Na primeira peça registra-se o fragmento de uma história relata pela personagem “Marcelo”, supostamente retrado na foto abraçando “Gabi”. O texto emociona não só porque traz um pouco da vida de outras pessoas, gerando envolvimento e identificação, mas também o faz pelo emprego das palavras, pela pontuação e a maneira como se relaciona com a pergunta “Qual é o gesto que coloca o seu amor em movimento?”. Já na segunda peça, tem-se uma afirmação (destaque) que valoriza as diferenças e que alivia as possíveis complicações ou cobranças de um relacionamento ao concluir que o adequado para um casal é justamente que o amor não seja perfeito. Com isso, pretende-se dizer que o produto é ideal para a “festa particular com dois convidados”, uma vez que a proposta do mesmo é “Celebre o amor de verdade, o seu amor”;  Rima: Contribui para tornar a redação publicitária diferenciada e de fácil leitura, auxiliando também na memorização da mensagem. Por ser comum no poema e não publicidade, ela faz com que o receptor tenha um posicionamento mais aberto para o conteúdo que será desenvolvido, por meio do qual ele já espera se emocionar.
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    55 No exemplo dafigura 16 a rima ajudou a tornar o texto mais pueril, como a felicidade simples de uma criança ao se deliciar com os sabores das frutas, retrada no caso como uma resposta ao título “O que faz você feliz?”. Figura 16 – Rima na redação publicitária. Fonte: Prado (c2009). A motivação por trás da peça se revela na pergunta “Frutas fresquinhas sem sair de casa?”, mas ao invés de destacar claramente que o anunciante realiza a entrega de frutas, proporcionando toda comodidade aos seus clientes, o texto faz uma associação bastante sutil e indireta entre essa facilidade oferecida pelo Pão de Açúcar com os prazeres e os sabores simples da vida. Ou seja, o que está implícito é que receber as encomendas em casa é mais uma dessas coisas (que deveriam ser) simples que o grupo varejista entrega ao seu consumidor;  Ritmo e recurso mnemônico: Como foi visto, esses artifícios empregados conjuntamente tornam o texto fluido e penetrante, proporcionando uma leitura e uma audição agradáveis, que contribuem para a memorização do conteúdo. Graças especialmente ao recurso mnemônico o aprendizado do mesmo também é facilitado.
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    56 Com o exemploda figura 17 é possível compreender melhor como tais técnicas podem ser aplicadas: Para um preso, menos 7 dias Para um doente, mais 7 dias Para os felizes, 7 motivos Para os tristes, 7 remédios Para os ricos, 7 jantares Para os pobres, 7 fomes Para a esperança, 7 novas manhãs Para a insônia, 7 longas noites Para os sozinhos, 7 chances Para os ausentes, 7 culpas Para um cachorro, 49 dias Para uma mosca, 7 gerações Para os empresários, 25% do mês Para os economistas, 0,019 do ano Para o pessimista, 7 riscos Para o otimista, 7 oportunidades Para a terra, 7 voltas Para o pescador, 7 partidas Para cumprir o prazo, pouco Para criar o mundo, o suficiente Para uma gripe, a cura Para uma rosa, a morte Para a história, nada Para Época, tudo Figura 17 – Ritmo e recurso mnemônico na redação publicitária. Fonte: Nunes (c2001). As frases nesse texto, que foi utilizado na campanha de lançamento da revista Época, possuem uma cadência que torna mais evidente o recurso mnemônico baseado no número sete, o qual corresponde à quantidade de dias da semana. Sendo o título uma publicação semanal e estando o mesmo em caráter de lançamento, a redação optou por “ensinar” ao público sobre a periodicidade da revista (o texto termina com “Época. Toda semana”) e sobre a variedade de assuntos que ela abrangeria, o que fica evidente em “Para Época, tudo”. As situações colocadas e os contrastes entre as mesmas tornaram a comunicação impactante e emocionante;  Sonoridade: Trazida em grande parte pelo ritmo, a sonoridade desperta a sensibilidade, “abrindo os olhos e ouvidos” para a contemplação estética apresentada por um texto. Ela pode ser facilmente verificada na leitura oral, por meio da qual é possível obter uma melhor impressão da combinação das palavras e de seus sons, como permite observar a redação empregada na peça da figura 18:
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    57 Figura 18 –Ritmo na redação publicitária. Fonte: Gomes (2011). A sequência de palavras vista aqui possibilita uma leitura fácil, ágil e bastante sonora. Essas palavras são substantivos singelos que foram ligados à figura materna, a qual surge repleta de delicadeza, detalhamento e, ao mesmo tempo, de força e coragem. Mesmo “mata” e “terra” estão incluídas nesse contexto, tendo em vista a alusão à Gaia, a “Mãe Terra”;  Caráter lúdico: A utilização desse recurso permite fazer com que o texto publicitário fique mais descontraído e que novas associações de palavras e ideias potencializem sua qualidade criativa, tornando-o, dessa forma, mais atrativo. O caráter lúdico, como já foi ressaltado anteriormente, trata-se de uma brincadeira com as palavras que cria a polissemia essencial à linguagem poética. Aqui cabem os trocadilhos, a rede semântica e, evidentemente, as figuras de linguagem. O texto a seguir da figura 19 é um exemplo do que está sendo abordado:
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    58 A idéia éa rotina do papel O céu é a rotina do edifício O início é a rotina do final A escolha é a rotina do gosto A rotina do espelho, é o oposto. A rotina do jornal é o fato A celebridade é a rotina do boato A rotina da mão é o toque A rotina da garganta, é o rock. O coração é a rotina da batida A rotina do equilíbrio é a medida O vento é a rotina do assobio A rotina da pele, é o arrepio. A rotina do perfume é a lembrança O pé é a rotina da dança Julieta é a rotina do queijo A rotina da boca, é o desejo. A rotina do caminho é a direção A rotina do destino é a certeza Toda rotina, tem a sua beleza Descubra a sua. Figura 19 – Caráter lúdico na redação publicitária. Fonte: Função... (2008). As brincadeiras com as palavras, seus significados e as ideias suscitadas nesse caso foram orquestradas pelo paradigma “rotina”, o qual foi justificado e concluído ao final do texto com a assinatura “Natura Tododia” (não mostrada na figura). De modo geral, os substantivos colocados lado a lado não possuem uma ligação direta entre os seus significados, o que deixou a construção do sentido, desempenhada pela ideia da “rotina” e pelo verbo “é”, mais instigante e interessante. A polissemia pode ser observada não só no contexto geral da peça, mas também em alguns versos específicos como “A rotina da boca, é o desejo”. Que desejo? O de comer? O de beijar? Cada leitor irá interpretar como quiser... O importante é que a redação empregada conseguiu promover essa interação;  Função Poético-estética da Linguagem: Essa técnica não tem como objetivo primordial favorecer uma leitura rápida ou facilitada de um texto. A partir de seu uso as palavras e letras ganham formas diferenciadas para gerar, por elas mesmas, um efeito estético que, de modo geral, seria indesejável nos textos tradicionais, argumentativos e racionais do Modelo Apolíneo. No entanto, para que essa função
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    59 gere resultados eficientes,seu texto tem que ser, preferencialmente, curto. E é justamente isso o que ilustra a redação da figura 20: Figura 20 – Função poético-estética na redação publicitária. Fonte: Coluna do Nenê (2012). A fonte fluida e manuscrita visou entregar uma aparência humanizada ao texto, que fala, ao mesmo tempo, da chegada de um bebê no seio familiar, das novidades ou “mudanças” lançadas pela marca anunciada e da capacidade dessa em atender às novas necessidades da vida de um casal (ao que compete ao mobiliário da casa). Além disso, o texto principal alude ainda ao ano três do evento realizado pelo patrocinador. O contexto dessa peça já é por si só polissêmico e a redação veio potencializar isso, utilizando de sensibilidade e presença de espírito;  Função Emotiva da Linguagem: O uso da primeira pessoa favorece a possibilidade de desenvolver uma narrativa envolvente, na qual o enunciador destaca seus sentimentos, visões e opiniões. Assim, a função emotiva abre espaço para o despertar de emoções e para que o público-alvo se identifique rapidamente com a história ou mensagem apresentada. A figura 21:
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    60 Figura 21 –Função emotiva na redação publicitária. Fonte: Gloss... (2012). As dúvidas, a determinação, as várias facetas de uma mesma personalidade e o desejo de liberdade comuns à juventude, especialmente ao público feminino, foram retratadas nesse anúncio para mostrar que a revista em questão tem um conteúdo contrastante, completo e ideal para quem “se encontrou” nesse texto, que escrito em primeira pessoa, já procurou induzir essa identificação;  Figuras de Linguagem: Assim como são essenciais à poesia, as figuras de linguagem também são indispensáveis ao discurso publicitário, ainda mais para a redação publicitária de caráter poético. Para Sandmann (2001, p. 85), elas emprestam “a mensagem maior vivacidade, vigor e criatividade, dependendo esta última qualidade naturalmente da maior ou menor originalidade [...]”. De acordo com a análise do autor, as figuras que aparecem com mais frequência na publicidade são a metáfora, a metonímia e a personificação. No texto a seguir da figura 22 a utilização da metáfora se destaca:
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    61 Figura 22 –Figuras de linguagem na redação publicitária. Fonte: Barbosa (2010).
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    62 Nesse texto apalavra “linha” tem duplo sentido: ela significa tanto um caminho ou direcionamento que a vida segue em seu decurso, quanto o próprio material utilizado para bordar. Desse modo, “linha” constitui uma metáfora, pois tem como base a “relação de similaridade entre o sentido próprio e o sentido figurado” (CABRAL, c2012). Outra figura de linguagem presente é a antítese presente na frase “Uma história tão grande que cabe numa linha”. Além dessas figuras, o texto conta também com a função poético-estética da linguagem, a qual pode ser observada no movimento ondulado das linhas. Esse movimento faz alusão aos “altos e baixos” da vida que, assim como uma tela bordada à mão, é construída vagarosamente “fio a fio”. A peça traz ainda intertextualidades com a cultura, a arte e ao modo de sobrevivência do povo retratado, o que amplia ainda mais a poeticidade ricamente apresentada. Como observação, a expressão “à fora” deveria ser, na verdade, “afora”.
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    63 3 ENTREVISTAS COMPROFISSIONAIS DE BAURU A escolha de uma ou mais técnicas redacionais para a elaboração de um texto publicitário, assim como das inspirações mais pertinentes para a construção dos apelos criativos no mesmo, está relacionada não apenas à sua adequação ao objetivo de uma campanha ou anúncio específico, mas também às competências técnicas, conhecimentos gerais, sensibilidade e ao próprio estilo do profissional que será responsável por criar o conteúdo verbal da mensagem. Levando em conta essa proposição e tendo como tema deste trabalho a “redação publicitária em seu caráter poético”, foram realizadas entrevistas com profissionais da cidade de Bauru, São Paulo, a fim de conhecer a opinião dos mesmos a respeito dessa redação poética e também para verificar como eles trabalham com essa vertente em sua atuação. 3.1 REALIZAÇÃO DAS ENTREVISTAS Para a realização das entrevistas de uma maneira viável foi delimitada como área de interesse a cidade Bauru, município localizado no interior do estado de São Paulo que conta com uma população estimada de 346.650 habitantes (SEADE, 2011). Aplicadas em sua totalidade a quatro profissionais, as entrevistas não foram estruturadas de forma rígida. Embora a dinâmica definida não tenha se baseado em perguntas e respostas “prontas”, as abordagens foram desenvolvidas para permitir identificar os seguintes pontos: 1. Como se dá o embate “Fórmulas prontas x Redação poética/emocional” na experiência de cada entrevistado; 2. Quais são as fontes de inspiração dos profissionais; 3. Sua opinião sobre a utilização da redação publicitária de caráter poético em Bauru; 4. A validade/contribuição desse tipo de texto na comunição de uma marca, produto ou serviço; 5. O contexto mais adequado para empregá-lo. Além disso, foi solicitado aos participantes materiais produzidos por eles mesmos, nos quais é possível perceber a presença do caráter poético. As entrevistas foram agendadas previamente com cada profissional via e-mail e telefone. O registro de três delas foi feito por meio da gravação de áudio com um gravador digital de posse da Universidade Sagrado Coração – prática que foi anunciada pelo entrevistador e permitida pelos entrevistados. Já uma das entrevistas foi viabilizada por meio do envio das perguntas pelo próprio correio eletrônico. Para essa ocasião foram elaboradas
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    64 sete questões, alémde ter sido feita uma solicitação de apresentação prévia do respondente e de ter sido aberto um espaço para ele acrescentar outras observações. A primeira gravação, realizada com Daniel Lopes, aconteceu no Laboratório de Rádio da universidade na noite do dia 08/05/2012, enquanto as outras duas, com Marcelo Gonçalves e Cintia Cavalcanti, aconteceram no local de trabalho de cada um deles na tarde dos dias 15/05/2012 e 17/05/2012, respectivamente. Em média, as gravações (editadas) apresentaram duração de 30 minutos. A entrevista desenvolvida por e-mail com Leandro Mello, por sua vez, foi recebida na noite do dia 01/06/2012. Os áudios das gravações estão disponíveis no Apêndice A e o questionário respondido via e-mail, no Apêndice B. As autorizações de uso dos materiais produzidos e indicados pelos participantes da pesquisa foram preenchidas pelos mesmos e estão em posse do autor deste trabalho. 3.2 APRESENTAÇÃO DOS ENTREVISTADOS Em cada entrevista foi solicitado aos profissionais uma apresentação resumida de sua formação profissional, a fim de que seu trabalho e suas opiniões pudessem ser legitimados frente ao tema deste trabalho. As informações correspondentes se encontram organizadas a seguir:  Daniel Lopes: Formado em 2002 em Publicidade e Propaganda pela Universidade Paulista – UNIP de Bauru. Começou a trabalhar como diretor de criação e passou pelas agências RX Comunicação, Fluence e MR Tempo. Até a data da entrevista, afirmou atuar como autônomo e atender a três agências distintas: a Pão Criação de Bauru; a Revelare de Bauru; e a DPI de Jaú/SP;  Marcelo Gonçalves: Formado em 1994 em Desenho Industrial – Programação Visual pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” de Bauru e mestre em Comunicação pela mesma instituição a partir de 2007. Atuou na Dezigzag Design, empresa que abriu juntamente a quatro amigos, e, posteriormente, na Thomas Associados, onde foi diretor de criação por aproximadamente quatro anos. Após essa experiência fundou, em Bauru, a Aero Comunicação, sua agência atual à data da entrevista, onde assume a função de diretor de arte;
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    65  Cintia Cavalcanti:Formada em 1995 em Desenho Industrial pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” de Bauru e Master in Business Administration – MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas – FGV. Foi designer e diretora de criação da Tilibra entre 1991 e 2000, fundando a OD Comunicação em Bauru depois desse período;  Leandro Mello: Formado em 2009 em Publicidade e Propaganda pela Universidade Paulista – UNIP de Bauru. Até a data da entrevista, revelou atuar como redator e diretor de criação na agência MR Tempo da cidade de Bauru. 3.3 POETIZANDO A REDAÇÃO PUBLICITÁRIA COM PROFISSIONAIS DE BAURU Em encontros descontraídos (com exceção da entrevista feita por e-mail) buscou-se conhecer a opinião e o trabalho dos profissionais da cidade de Bauru com relação à redação publicitária em seu caráter poético, tendo como foco a verificação de cinco questões fundamentais, as quais se encontram explanadas a seguir de acordo com as respostas (transcritas em caráter não literal) de cada entrevistado. Após o último tema foram dispostos os materiais produzidos pelos profissionais ou por suas equipes (nos casos de Marcelo Gonçalves e Cintia Cavalcanti). 3.3.1 Fórmulas Prontas x Redação Poética/Emocional Conjeturando que o dia a dia de uma agência de publicidade ou de comunicação costuma ser bem agitado e exigente por soluções rápidas, buscou-se saber junto aos entrevistados como é essa situação, que por uma questão de praticidade tende a induzir a produção de textos previsíveis (as “fórmulas prontas”) em detrimento de construções mais sensíveis e poéticas, as quais podem exigir um tempo maior na lapidação do conceito adequado, no tratamento das palavras e até mesmo na busca por inspiração.  Daniel Lopes: Além de atestar que o cotidiano de uma agência é sim bem agitado, Daniel Lopes relatou que a escolha por um “caminho mais convencional” na redação não se deve apenas ao ritmo acelerado de trabalho, mas algumas vezes também aos próprios clientes que preferem apelos comerciais ao invés de motivações poéticas, ou
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    66 até mesmo aoobjetivo de apresentar para o público algo mais simples que permita uma compreensão facilitada. Há ainda na opinião do entrevistado a questão das oportunidades momentâneas, como uma oferta que exige um resultado mais ágil e que, consequentemente, tende a influenciar a elaboração da redação com base em “receitas prontas”;  Marcelo Gonçalves: Na entrevista o profissional deixou claro que o perfil de sua agência é voltado para o desenvolvimento de ideias e materiais diferenciados, com forte aspecto criativo. Mas, como empecilho à redação de caráter poético ou mesmo aos conceitos de modo geral que possuem esse viés, ele destacou a falta de compreensão de alguns clientes diante daquilo que lhes é apresentado. Em sua opinião “clientes mais maduros” e que prezam por qualidade tendem a aceitar melhor ideias mais subjetivas, ou seja, aquelas que não destacam seus produtos ou serviços de modo objetivo nas peças produzidas;  Cintia Cavalcanti: Em sua visão o desenvolvimento da redação deve estar intimamente ligado ao posicionamento de determinado produto no mercado e do comportamento de quem irá consumi-lo. Para ela, mesmo que o cliente não entenda uma proposta de comunicação voltada ao caráter poético, alguma contribuição sempre é dada. Como considera, é preciso buscar um equilíbrio entre a redação poética e a linguagem comumente empregada na divulgação de produtos e serviços relacionados ao varejo, cujos apelos e linguagem são mais objetivos;  Leandro Mello: Como constatou, muitas vezes os profissionais não dispõem de tempo hábil para desenvolver todos os passos do processo criativo. Mas, falando diretamente sobre o uso da redação publicitária poética, o entrevistado destacou que “não adianta forçar a barra com falsos sentimentalismos”, pois “nosso coração parece que vem com uma defesa natural contra ataques emotivos forçados”; Como pôde ser observado, embora alguns entrevistados tenham confirmado a dificuldade em desenvolver textos mais sensíveis e poéticos em seu dia a dia de trabalho, a maior parte deles falou sobre o embate Fórmulas Prontas x Redação Poética/Emocional de um modo mais abrangente, ressaltando, principalmente, o papel dos clientes na análise ou mesmo na definição do que preferem ter em seus anúncios. Para essa parcela dos profissionais
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    67 abordados, a faltade sensibilidade de alguns clientes e sua falta de compreensão sobre a contribuição que a redação publicitária poética é capaz de agregar à sua marca acaba sendo um dos grandes empecilhos para a utilização da mesma. 3.3.2 Fontes de Inspiração Visando conhecer melhor o início do processo de criação dos profissionais abordados, foi perguntado a cada um deles de onde surgem suas inspirações para a produção dos textos.  Daniel Lopes: Para o redator a vida e suas manifestações de modo geral servem como fontes inspiradoras. Tudo o que percebe vira repertório, o qual também se torna um ponto de referência. Para complementá-lo diante de suas atividades costuma realizar pesquisas adicionais na internet, em anuários e em outros materiais interessantes. Em sua opinião leituras variadas ajudam a criar um “olho clínico” na tarefa de discriminar o que serve e o que não serve para o seu trabalho. No entanto, Daniel Lopes revelou que na hora de produzir um texto, primeiramente, ele pensa mais no lado visual. Como conta, nessa etapa imagina cenas, fotos e pesquisa imagens. Em seguida costuma desenvolver um conceito, o qual utiliza para elaborar um título. Só então começa a desenvolver o texto de acordo com o que for necessário;  Marcelo Gonçalves: Muitas das inspirações do entrevistado e de sua equipe vêm de conversas descontraídas. Para forçar o surgimento de novas ideias ele destacou a importância de recorrer a alguns “rituais”, como ir à padaria, local onde costuma ter essas conversas com outros integrantes da agência. Além disso, ele citou que há os “momentos de fruição” (como assistir filme, jogar bola e tomar banho), os quais também auxiliam a despertar inspirações; Em sua experiência, a criação, às vezes, é feita em conjunto e outras vezes isoladamente. Geralmente trabalha primeiro um conceito que pode vir refletido de forma mais enfática em uma imagem ou em texto;  Cintia Cavalcanti: Em sua opinião é muito importante contar com uma equipe rica em talentos, desenvolver reuniões de brainstorm e, principalmente, compreender o
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    68 “DNA de cadacliente”. De acordo com ela, é essencial observar o universo ao redor da marca para determinar o caminho que a redação deve seguir;  Leandro Mello: Para ele, a inspiração é uma soma de fatores, que abrangem desde repertório pessoal até o estado emocional do redator em determinado dia. Leandro Mello revelou que tem certa preferência por apelos cômicos, mas, sempre que possível, tenta utilizar também o teor poético no texto. “Livros, filmes, músicas, viagens, imagens, são itens que acrescentam e influenciam nessa questão e com certeza facilitam no momento de criar”. Analisando as informações reveladas pelos participantes é possível notar que os profissionais que trabalham diretamente com redação (Daniel Lopes e Leandro Mello) citaram o repertório pessoal como uma fonte de inspiração comum. Já aqueles que lideram equipes (Marcelo Gonçalves e Cintia Cavalcanti), coincidentemente, destacaram processos de brainstorm (seja em reuniões ou em “conversas descontraídas”) como um meio utilizado para dar luz a novas ideias. Além dessas, outras fontes de inspiração apontadas para a elaboração de textos (verbais) foram as próprias manifestações da vida, o universo particular de cada cliente, pesquisas adicionais, leituras diversas e momentos de fruição, como assistir a filmes, ouvir músicas, ver imagens variadas e viajar. 3.3.3 A Redação Publicitária de Caráter Poético em Bauru No intuito de averiguar se os entrevistados estão mesmo atentos à redação publicitária de caráter poético, foi perguntado qual a visão deles a respeito desse tipo de produção dentro do cenário bauruense.  Daniel Lopes: Em sua opinião, no interior é mais comum os próprios clientes preferirem apelos mais previsíveis e racionais, focados em uma vertente comercial. Seja por esse motivo, pela falta de tempo de produzir um texto com mais conteúdo ou ainda pela simples falta de necessidade do mesmo, Daniel Lopes considera que há no mercado trabalhos medíocres, mas que isso é, de certa forma, natural. Contudo, ressaltou ele na entrevista, que há excelentes profissionais em Bauru, com alguns dos
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    69 quais inclusive játrabalhou, e que em termos de “material humano” a cidade não fica devendo para outros lugares;  Marcelo Gonçalves: Sobre a questão em pauta o profissional ressaltou a dificuldade de alguns clientes em compreender e aceitar ideias e conceitos cuja missão é tocar a sensibilidade das pessoas, ao invés de destacar objetivamente as características do produto ou serviço a ser anunciado. No entanto, Marcelo Gonçalves revelou que quando um cliente observa que um concorrente acertou com esse tipo de apelo emocional, começando a obter retorno financeiro, aí sim ele costuma dar “carta banca” para a agência e suas propostas de comunicação com viés mais poético;  Cintia Cavalcanti: Para ela a redação publicitária poética deveria ser muito mais utilizada. Em sua análise particular, há certo padrão no mercado e certa “preguiça de pesquisa” (CAVALCANTI, 2012) que induzem a um conformismo na hora de produzir uma peça, na qual o texto é trabalhado de modo “duro”, não promovendo o diálogo com a imagem escolhida e, tampouco, completando a comunicação;  Leandro Mello: Na visão do redator, “grande parte dos clientes tem dificuldade em valorizar o profissional de criação” (MELLO, 2012), o que faz com que, muitas vezes, ele acabe trabalhando com as ideias do contratante e não com aquelas que havia preparado. O resultado disso, para Leandro Mello, são campanhas “sem apelos fortes ou diferenciados” (MELLO, 2012). Embora essa seja uma realidade generalizada, em sua opinião, ela é mais evidente nos mercados das cidades do interior. Ressaltando o que já havia apontado, a maior parte dos entrevistados evidenciou a problemática dos clientes que têm dificuldade em aceitar uma redação publicitária que foge da tradicional linguagem comercial. Na opinião de Leandro Mello, a necessidade de, muitas vezes, ter que ceder às preferências dos clientes acaba resultando em campanhas banais, o que é mais comum acontecer em regiões interioranas. Para Cintia Cavalcanti existe nesse mercado certa acomodação com relação às produções, além da necessidade de a redação publicitária em seu caráter poético ser muito mais utilizada. No entanto, conforme Marcelo Gonçalves, quando um cliente consegue enxergar que um concorrente tem obtido sucesso com uma comunicação mais
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    70 poética, então elepassa abrir espaço para que a mesma seja empregada em seu projeto. Já para Daniel Lopes, apesar dos problemas identificados, a cidade de Bauru não apresenta desvantagem ao que diz respeito à qualidade de seus profissionais frente aos profissionais de outros lugares. Diante das respostas, pode-se concluir que há sim uma carência da redação poética nas campanhas do contexto publicitário bauruense, o que, no entanto, é devido em grade parte aos empecilhos colocados pelos próprios anunciantes. 3.3.4 A Contribuição da Redação Poética na Divulgação de Marcas, Produtos ou Serviços Aprofundando a averiguação sobre a opinião dos profissionais entrevistados a respeito do tema do trabalho, buscou-se identificar o que cada um deles pensa sobre a validade e a contribuição da redação poética na divulgação de marcas, produtos ou serviços.  Daniel Lopes: Embora ponderando que algumas demandas requerem um material mais comercial, Daniel Lopes respondeu que acha sim bastante válida a utilização da redação poética. Complementando, afirmou que esse tipo de texto é muito mais benéfico para a construção da imagem de uma marca do que aqueles apelos comumente vistos nos anúncios ligados ao varejo. Para o entrevistado o uso dessa redação de caráter poético é, na verdade, ideal para materiais institucionais;  Marcelo Gonçalves: Em sua concepção o fator emocional é a chave para uma comunicação eficiente. Segundo ele, quando esse fator está presente as pessoas passam a se interessar mais por uma peça publicitária, interesse que, aliás, surge de modo espontâneo e sincero e que por isso configura uma verdadeira relação comunicativa. Para o entrevistado, a construção da marca na mente do público é favorecida quando a comunicação apresenta algo inovador, como, por exemplo, uma rima inusitada presente no texto. Quando o cliente começa a entender a contribuição dos apelos diferenciados e subjetivos em sua divulgação, então, ele passa a investir apenas nesse tipo de abordagem. Como afirma Marcelo Gonçalves, é por isso que os “grandes clientes” compram propaganda das melhores agências, as quais fazem justamente esse tipo de comunicação, e o fazem não porque gostam mais, mas porque funciona;
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    71  Cintia Cavalcanti:Falando sobre um case desenvolvido para a empresa de lingeries Provence, em qual o público-alvo foi o feminino, Cintia Cavalcanti destacou o poder que a redação teve em “acarinhar” a mulher em sua vaidade e feminilidade. De acordo com ela, hoje a mulher tem uma série de desafios para enfrentar e, levando isso em conta, o catálogo elaborado para exibir uma das linhas de produtos do cliente veio para fazer com que esse público se sentisse compreendido pela marca. Para a entrevistada, a redação publicitária em seu caráter poético transforma um apelo de compra ou de varejo em apelo de conquista, de liberdade, de bem-estar e sedução, tirando o consumidor do mundo real e fazendo-o sonhar. Em sua opinião, esse tipo de redação é mágico e valoriza a autoestima, dispondo de todos os elementos necessários para combater a dureza da vida;  Leandro Mello: Para ele, sempre que o processo comunicativo envolver pessoas haverá espaço para o caráter poético. Ou seja, de acordo com o entrevistado, tal caráter nunca deixará de existir. De modo geral, os participantes se posicionaram de maneira bastante favorável ante ao uso da redação em seu caráter poético. Para eles, esse tipo de produção é o mais indicado para se trabalhar a construção da imagem de marcas e materiais institucionais. Como afirmou Marcelo Gonçalves, o fator emocional faz com que as pessoas passem a se interessar de modo espontâneo pela peça ou campanha publicitária que o contém. Cintia Cavalcanti, por sua vez, falou do poder que a redação poética tem de fazer com que o consumidor (especialmente a mulher) se sinta “acarinhado” e compreendido pela marca. Para ela também, esse tipo de composição consegue transformar um apelo de compra em um apelo mágico, de conquista e sedução. 3.3.5 O Contexto Mais Adequado Para a Redação de Caráter Poético Buscando conhecer melhor como os profissionais trabalham com a redação publicitária poética, foi perguntado a eles sobre quais os contextos que, na opinião de cada um, propiciam a produção desse tipo de material.
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    72  Daniel Lopes:Os textos “mais emocionais” produzidos pelo redator são aqueles orientados a homenagens, datas comemorativas e divulgações relacionadas a oportunidades beneficentes. Em sua opinião, anúncios de natureza comercial raramente abrem espaço para a redação poética;  Marcelo Gonçalves: Para ele cada desafio de comunicação exige uma abordagem, um tipo diferente de approach, um jeito único de começar a “conversa”. Em sua visão, existem alguns produtos que permitem mais facilmente explorar e associar apelos emocionais, enquanto outros são mais abertos ao humor e outros que necessitam de abordagens mais objetivas, para os quais tanto o enfoque emocional quanto o cômico são prejudiciais. Como observou o entrevistado, há produtos que não podem ser associados a apelos óbvios, porque são justamente seus atributos não óbvios que constituem o “seu charme” (GONÇALVES, 2012). Além disso, para ele a criação de nomes é uma ótima oportunidade para o emprego do caráter poético, a partir do qual as pessoas poderão acionar outras imagens e outros conceitos;  Cintia Cavalcanti: O caminho a ser seguido na redação deve surgir a partir de uma análise do universo da marca, de seu conceito, do comportamento do consumidor e daquilo que ele precisa ouvir. Em sua concepção é necessário seguir esse e outros processos de marketing que permitam identificar como o público quer ser impactado por meio do olhar da marca. Fazendo referência ao catálogo desenvolvido para a Provence, Cintia Cavalcanti disse que o texto tem de empolgar a consumidora naquela oportunidade de ser feliz;  Leandro Mello: Segundo o entrevistado, “mulher é mais coração enquanto homem usa mais a razão” (MELLO, 2012). Assim, para ele, a comunicação direcionada às mulheres é mais propícia ao uso da redação publicitária poética. Além disso, campanhas para datas comemorativas como Dia das Mães, também são “um prato cheio para esse tipo de abordagem”. Homenagens, datas comemorativas, oportunidades beneficentes, produtos específicos e de natureza já diferenciada, criação de nomes e comunicação direcionada
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    73 ao público femininoforam citadas de maneira objetiva como algumas das ocasiões mais propícias para o uso da redação publicitária poética. 3.3.6 Materiais Produzidos com a Presença do Caráter Poético Para conhecer de modo prático o trabalho dos profissionais com a redação publicitária em seu caráter poético, foi solicitado a cada um deles o envio de peças que contivessem textos com a vertente voltada ao lado emocional, que toca e sensibilidade e permite associar novos sentidos.  Daniel Lopes: A produção enviada (figura 23) diz respeito a um material de endomarketing desenvolvido para o Grupo Mathesis. Trata-se de um convite para uma confraternização de final de ano encaminhado aos funcionários e membros da diretoria da empresa. Visando apresentar algo que fosse sinônimo de superação, mas sem apelar para sentimentalismos, foi utilizada como ilustração a personagem de característica cômica Joseph Klimber. Figura 23 – Texto Daniel Lopes. Fonte: Material enviado pelo entrevistado.
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    74  Marcelo Gonçalves:Dentre os materiais emitidos pelo entrevistado foi selecionada a peça a seguir (figura 24), na qual o texto adotado explora o caráter lúdico ao brincar com palavras cujos significados estão associados ora a experiências gustativas e ora a sensações táteis. A presença da rima também pode ser identificada: Figura 24 – Texto Marcelo Gonçalves. Fonte: Material enviado pelo entrevistado.  Cintia Cavalcanti: Como exemplo do trabalho com a redação poética a entrevistada indicou o texto de apresentação de um dos catálogos feitos para a marca de lingerie Provence (figura 25). Estruturado como um poema, ele destaca versos livres e brancos, além de outros recursos como figuras de linguagem e o caráter lúdico presente na cacofonia “Essa fadinha/ Essa fadinha” propositalmente provocada.
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    75 Figura 25 –Texto Cintia Cavalcanti. Fonte: Material enviado pela entrevistada.  Leandro Mello: A peça indicada (figura 26) pelo entrevistado traz uma homenagem relacionada ao Dia das Mães, desenvolvida para a loja de acessórios e semijoias Jade. Com uma linguagem simples, o texto não trata dos acessórios comercializados pela anunciante, mas destaca características positivas das mulheres homenageadas.
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    76 Figura 26 –Texto Leandro Mello. Fonte: Material enviado pelo entrevistado.
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    77 4 CONCLUSÃO Inspiração, criatividadee técnica, esses são elementos não apenas indispensáveis à publicidade, como também comuns à sua natureza. No entanto, em um cenário globalizado, fortemente marcado pela tecnologia e seus impactos que obrigam o mercado a se renovar constantemente, a publicidade e seus profissionais têm de lidar todos os dias com novos desafios, no intuito de criar apelos e materiais atualizados, tanto mais interessantes à medida que se objetiva diferenciar e destacar a divulgação acerca de uma marca, produto ou serviço. Tendo em vista fatores como esses, não é mais possível que a redação publicitária continue sendo concebida e desenvolvida apenas com base em argumentos lógicos e em mensagens previsíveis, focadas nas características ou nos benefícios (supostamente) proporcionados pelo objeto anunciado. De modo diferente, o texto publicitário deve ser elaborado para, cada vez mais, envolver o consumidor, fazendo-o se sentir participante da comunicação e (não mais) apenas como um mero receptor passivo da mensagem, ao qual só lhe cabe o papel de obedecer ao convite ou “ordem” de compra. Embora os profissionais publicitários já tenham compreendido essa necessidade, nem sempre é fácil para os mesmos escapar às “fórmulas prontas” e apresentar peças inovadoras, especialmente ao que diz respeito ao conteúdo verbal. Mas, como foi estudado neste trabalho, a inclinação da redação para o caráter poético tem muito a contribuir nesse sentido, ainda mais quando se busca impactar o público-alvo pelo lado emocional. O uso de uma linguagem baseada na poesia permite fazer com que o texto publicitário e os apelos apresentados toquem a sensibilidade do leitor/consumidor e desperte nele emoções, indo, portanto, muito além de uma abordagem fria e racional, típica do Modelo Apolíneo. Desse modo, a redação publicitária se torna muito mais cativante, pois passa a tratar de subjetividades que são próprias da vida humana. Além disso, ela também passa a atender a necessidade de inovação, pois irá valorizar sempre a construção de novas associações e o trabalho diferenciado com a palavra, a partir do qual poderão ser acionados recursos como o ritmo, a rima e a sonoridade. Somado a isso, ela ainda irá emprestar da poesia propriedades como a polissemia, o caráter lúdico e a interatividade, que farão com que sua mensagem seja constantemente renovada. Como foi estudado, a ligação entre redação publicitária e poesia no Brasil não é nova. Profundamente enraizada na história da publicidade nacional, ela remonta ao trabalho dos primeiros poetas a quem foram incumbidos a elaboração de textos publicitários que fugissem
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    78 um pouco dabanal apresentação de informações objetivas acerca dos itens anunciados. Para além disso, eles foram convocados também devido à carência de profissionais especializados no país. Os movimentos modernista e concretista reforçaram ainda mais o elo entre o universo da literatura e o da publicidade, impregnando a redação publicitária com características próprias das poesias produzidas por seus poetas, como as expressões coloquiais e os jogos polissêmicos. Perpassando em mais detalhes esse histórico, estabelecendo suas bases e compreendendo a poesia em seus efeitos e recursos essenciais, foi possível relacionar os fatores mais evidentes que podem ajudar a construir a redação publicitária em seu caráter poético. Figuras de linguagem, função emotiva, função poético-estética, sonoridade, caráter lúdico, ritmo e recurso mnemônico, rima, e, sobretudo, apelo emocional, foram identificados não como regras a serem seguidas, mas sim como artifícios importantes para permitir ao texto publicitário a apresentação de uma linguagem diferenciada, capaz de potencializar a sensibilidade, o envolvimento para com a mensagem e o prazer estético produzido pela mesma. Embora se tenha defendido a redação publicitária de caráter poético como uma alternativa eficiente para a elaboração de uma comunicação mais envolvente e atualizada, compreendeu-se pelo conteúdo teórico e pelas entrevistas realizadas, que há alguns contextos no qual ela se encaixa melhor, apresentando efeitos mais proveitosos. Assim, chegou-se a conclusão que seu uso é indicado, principalmente, quando o público-alvo for o feminino (mais especificamente com um nível de escolaridade médio ou superior) e quando a produção textual estiver vinculada a campanhas ou anúncios ligados a marcas e a produtos de luxo, assim com a materiais de cunho institucional, a oportunidades relacionadas a datas especiais e a construção da imagem de marcas. Já a respeito da utilização desse tipo de redação por profissionais da cidade de Bauru – São Paulo, verificou-se que há um entendimento satisfatório sobre a mesma, embora muitas das peças apresentadas ainda contem com traços característicos da linguagem comercial com argumentos previsíveis e racionais, o que, entretanto, é devido, em grande parte, à resistência ou à falta de compreensão de alguns clientes que acabam não aprovando textos com apelos “dissimulados” (emocionais), os quais não evidenciam objetivamente seus produtos ou serviços. Evidentemente, o assunto central abordado nesta obra não foi esgotado, mas, graças a ela, foi possível reunir uma série de fatores, técnicas e recursos que de modo muito prático
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    79 (foi isso quefoi buscado) ajudarão redatores publicitários e estudantes de publicidade a explorar potencialidades incríveis do caráter poético anexado a suas produções, as quais, dessa forma, deixarão de ser simples materiais utilitários para se tornarem textos prazerosos que falam ao lado mais humano de todo consumidor.
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    80 REFERÊNCIAS A GRANDE sacada.Caixa Real automático. CCSP, c2012. Disponível em: <http://ccsp.com.br/anuario_pecas/integra/7/resultado-busca>. Acesso em: 8 abr. 2012. A HISTÓRIA de um casamento no hospital. Veja, São Paulo, ano 45, n. 12, p. 38-39, mar. 2012. AMARAL, Wendell de Freitas. A sonoridade como recurso da poesia simbolista. Portal do Professor, 2010. Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=21272>. Acesso em: 14 abr. 2012. BARBOSA, Ricardo. Linhas. Rafiado, 2010. Disponível em: <http://www.rafiado.com/2010/04/linhas/>. Acesso em: 2 jun. 2012. BELTRÃO, David Lineu. A estrutura de uma agência de propaganda. Publistorm.com!, 2010. Disponível em: <www.publistorm.com/a-estrutura-de-uma-agencia-de-propaganda/>. Acesso em: 24 mar. 2012. BIGAL, Solange. O que é criação publicitária: ou (o estético na publicidade). São Paulo: Nobel, 1999. CABRAL, Marina. Figuras de linguagem. Brasil Escola, c2012. Disponível em: <http://www.zfcomunicacao.com.br/blog/?p=685>. Acesso em: 19 maio 2012. CÂNDIDO, Antônio. O estudo analítico do poema. 3. ed. São Paulo: Humanitas Publicações/FFLCH/USP, 1996. CARRASCOZA, João Anzanello. A evolução do texto publicitário. 8. ed. São Paulo: Futura, 2007. CARRASCOZA, João Anzanello. Razão e sensibilidade no texto publicitário. São Paulo: Futura, 2004. CARRASCOZA, João Anzanello; HOFF, Tania. Publicidade e pós-modernidade. In: COLÓQUIO BINACIONAL BRASIL-MÉXICO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 2., 2009, São Paulo. Anais eletrônicos... São Paulo: ESPM, 2009. Disponível em: <http://www.espm.br/ConhecaAESPM/Mestrado/Documents/COLOQUIO%20BXM/S5/tania %20e%20carrascoza.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2012.
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    85 APÊNDICE A –ENTREVISTAS GRAVADAS
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    86 APÊNDICE B –ENTREVISTA VIA E-MAIL  Apresentação 1: Você profissional – Formação acadêmica (instituição, curso e ano)/ Especialização (instituição, curso e ano)/ Como chegou a trabalhar com redação. Resp.: Superior em Publicidade e Propaganda pela UNIP, formação em 2009. O primeiro contato com redação foi quando assumi a monitoria de redação publicitária na agência experimental da faculdade.  Apresentação 2: O profissional hoje – Sua atuação na agência e dia a dia/ Alguns clientes que atente ou já atendeu/ Como é o trabalho com a equipe. Resp.: Hoje, além do cargo de redator, sou um dos dois diretores de criação da agência. Especificamente na área de redação, sou responsável pelo desenvolvimento de textos publicitários e revisão de todos os materiais. Em Bauru trabalhei com clientes como: Bauru Basket, Prefeitura Municipal de Bauru, Gera Arte, Yupii Brinquedos, Chica Brasil, Provence Lingerie, Jade Semijoias, Jaguacy Brasil, Bambina Pizzaria, Domus Educandi, entre outros. Nos casos das agências bauruenses, onde a maioria só conta com um redator, o profissional acaba por trabalhar praticamente com toda a equipe de arte. Essa situação exige um bom relacionamento com toda a equipe de criação além de uma flexibilidade criativa para executar trabalhos para os mais diversos perfis de clientes. Perguntas: 1. Como busca diferenciar seu trabalho levando em conta o ritmo agitado do dia a dia? Resp.: É um grande desafio visto que muitas vezes não dispomos de tempo hábil para realizar todos os passos do processo criativo. Ter um bom repertório é um ótimo aliado e estar em constante busca para aumenta-lo é uma necessidade. Livros, filmes, músicas, viagens, imagens, são itens que acrescentam e influenciam nessa questão e com certeza facilitam no momento de criar. 2. Muitas vezes, é mais fácil usar as "fórmulas prontas" na redação. Mas, há espaço para essa redação de caráter poético/emocional? Como ele é buscado? Resp.: Em alguns trabalhos esse tipo de abordagem traz um resultado mais efetivo. Mexer com o coração das pessoas é sempre um caminho que possibilita bons resultados, mas quem disse que essa é uma tarefa fácil? Nosso coração parece que vem com uma defesa natural contra ataques emotivos forçados, então não adianta querer forçar a barra com falsos sentimentalismos. Pra atingir pessoas você precisa, primeiramente, entender de pessoas, só assim conseguirá mexer com lembranças, causar sensações, e só dessa forma, preparar o caminho para que a mensagem faça a parte dela. 3. De onde vem sua inspiração? Você tem esse olhar mais poético e, sempre que possível, o utiliza? Resp.: A inspiração é uma soma de fatores, desde repertório pessoal até seu estado emocional naquele dia. Por isso, às vezes, parece que não rendemos. Particularmente, tenho uma preferência por apelos cômicos, mas sempre que possível, tento usar o teor poético. 4. Qual sua opinião sobre a validade do texto de caráter poético na publicidade e em seu trabalho? Resp.: Sempre que existir pessoas envolvidas haverá espaço para o caráter poético. Em outras palavras, ele nunca deixará de existir. Tendo espaço, farei uso em toda campanha que
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    87 acreditar em suaeficácia. 5. Qual sua opinião sobre a utilização dessa redação mais diferenciada, sensível, em Bauru? Os clientes entendem essa inspiração ou preferem mesmo o convencional? Os outros profissionais e agências trabalham bem essa questão? Resp.: Grande parte dos clientes tem dificuldade em valorizar o profissional de criação. Isso faz com o que, muitas vezes, trabalhamos as suas ideias, não aquelas que desenvolvemos, por melhor que sejam. Isso faz com que grande parte das campanhas saia sem apelos fortes ou diferenciados, caindo no tradicionalismo tão combatido. Essa é uma realidade geral, mas muito mais evidente nos mercados de cidades do interior. Sempre que o cliente entende que a comunicação deve atingir primeiramente os clientes a que seus produtos são destinados, antes deles mesmo, existe a possibilidade de uma maior liberdade criativa. 6. Quando acha que é mais indicado o uso da redação publicitária poética (e sua emoção): Para que tipo de cliente? Para que tipo de ação? Para que campanha e qual tipo de público? Para qual momento da comunicação? Resp.: Aquela questão de que mulher é mais coração enquanto homem usa mais a razão, responde bem essa pergunta. Normalmente quando a comunicação é direcionada às mulheres, dão margem para a utilização da redação poética. Campanhas para datas comemorativas como Dia das Mães, por exemplo, são um prato cheio para esse tipo de abordagem. 7. Textos seus que contenham o caráter poético: Preciso que me envie algo que contenha essa motivação "poética". Pode ser só o texto ou a peça (anúncio) inteira. Resp.: Em meu portfólio online (http://portfolioleandromello.blogspot.com.br/) tem uma peça justamente para o Dia das Mães que segue essa abordagem. Trata-se de um cliente que comercializa semijoias, voltadas, quase que exclusivamente, ao público feminino. O anúncio exalta as qualidades inerentes das mães e busca, através da emoção, homenageá-las e obviamente gerar vendas. 8. Alguma observação, algo que gostaria de dizer? Resp.: Gostaria de agradecer a oportunidade de falar um pouco sobre meu trabalho e minha forma de enxergar os pontos abordados.