Mercantilismo e colonização
Detalhe do mapa
publicado no
Atlas de
Sebastião Lopes
em cerca de
1565. Nesse
mapa, foi
representada a
exploração de
pau-brasil.
Mercantilismo: política econômica do
Estado Moderno
• O termo mercantilismo é utilizado por alguns economistas
e historiadores para designar um conjunto de práticas
econômicas que vigoraram em países da Europa ocidental
entre os séculos XV e XVIII. Essas práticas variavam de país
para país, mas tinham o objetivo comum de fortalecer o
Estado, em aliança com setores comerciais.
• Segundo historiadores, o termo mercantilismo teria sido
empregado pela primeira vez pelo economista escocês
Adam Smith (1723-1790) para se referir, de maneira
depreciativa, às políticas econômicas intervencionistas dos
governos de sua época e propor, em seu lugar, políticas
liberais.
Práticas mercantilistas
• METALISMO: No início da Idade Moderna, a riqueza de um
Estado também foi medida pela quantidade de metais preciosos
(ouro e prata) que ele possuía dentro de suas fronteiras. Assim,
aumentar a quantidade de metais preciosos tornou-se um dos
objetivos fundamentais dos governos mercantilistas. Esse
pensamento econômico foi chamado de metalismo.
• BALANÇA COMERCIAL FAVORÁVEL: A fim de acumular riquezas,
o Estado procurava, entre outras coisas, manter uma balança
comercial favorável, isto é, o valor das exportações do país devia
superar as importações (gerando superávit). Para isso, o Estado
adotava uma série de medidas protecionistas, como incentivar a
produção interna de artigos manufaturados que pudessem
concorrer vantajosamente nos mercados internacionais.
• PROTECIONISMO: Além disso, o Estado dificultava a entrada de
alguns produtos estrangeiros, para resguardar seu mercado
interno e o de suas colônias. O protecionismo seria por meio da
política alfandegária (aumento ou redução dos tributos sobre
importação e exportação).
Colonialismo: A dominação das
metrópoles sobre as colônias
• A adoção das práticas mercantilistas por diversos Estados
europeus gerou choque de interesses entre eles. A
concorrência econômica se acirrou com disputas de
mercados.
• Nesse cenário, Estados como Portugal e Espanha
(chamados metrópoles) passaram a exercer um domínio
peculiar sobre suas colônias de modo que pudessem obter
vantagens comerciais, se possível exclusivas.
• Segundo a interpretação do historiador Fernando Novais,
foi no contexto do colonialismo mercantilista que se
desenvolveu, como peça fundamental, um sistema de
exploração colonial.
Características gerais
• No colonialismo mercantilista, o relacionamento entre
metrópole e colônia obedecia a certas linhas gerais.
• A economia da colônia era organizada em função da
metrópole, de tal maneira que a colônia deveria
atender ou complementar a produção da metrópole.
• Além disso, a metrópole impunha o "direito exclusivo"
de fazer comércio com a região colonizada,
comprando os produtos dela pelo preço mais baixo e
vendendo-lhe mercadorias pelo valor mais alto.
• Nesse contexto histórico, diversas nações européias
formaram verdadeiros impérios coloniais, entre os
quais se destacaram Portugal e Espanha.
Impérios Coloniais europeus (séc. XVII)
Primeiras expedições
Reconhecimento das terras e das gentes
• Com a descoberta do novo caminho para as índias, o comércio de
especiarias passou a ser uma das fontes de riqueza de Portugal. A
cidade de Lisboa, capital desse lucrativo comércio, destacava-se
pela agitada vida econômica.
• Nessa época em que as atenções de setores da sociedade
portuguesa estavam voltadas para o comércio oriental, ocorreu a
chegada às terras que mais tarde formariam o Brasil.
• Nas primeiras expedições às novas terras, os enviados da Coroa
encontraram grande quantidade de pau-brasil no litoral. Mas não
descobriram as desejadas jazidas de ouro. Com isso, o governo
português percebeu que não seria possível obter lucros fáceis e
imediatos na região, pois o lucro gerado pela exploração da madeira
seria menor do que o então vantajoso comércio de produtos
africanos e asiáticos.
• Por esse motivo, durante 30 anos (1500 - 1530), o governo
português limitou-se a enviar para o Brasil algumas expedições
marítimas destinadas principalmente ao reconhecimento da terra
e à preservação de sua posse. O efetivo processo de colonização só
ocorreu posteriormente.
• Expedição comandada
por Gaspar de Lemos
(1501) – explorou grande
parte do litoral brasileiro
e deu nome aos principais
acidentes geográficos
então encontrados (ilhas,
cabos, rios, baías).
As principais expedições marítimas portuguesas enviadas nesse
período, chamado por historiadores de "pré-colonizador", foram:
• Expedição comandada por Gonçalo Coelho (1503) – organizada
por conta de um contrato assinado entre o rei de Portugal e um
grupo de comerciantes interessados na exploração do pau-brasil,
dentre os quais se destacava Fernão de Noronha.
• Expedições comandadas por Cristóvão Jacques (1516 e 1520) -
foram organizadas para deter o contrabando de pau-brasil feito
por outros comerciantes europeus. Não foram bem-sucedidas
pela extensão do litoral.
Extração do pau-brasil
• A primeira riqueza explorada pelos europeus em terras
brasileiras foi o pau-brasil (Caesalpinia echinata) árvore
assim denominada devido à cor de brasa do interior de seu
tronco. Os indígenas a chamavam ibirapitanga ou arabutã,
que significa “madeira ou pau vermelho".
• Ao ser informado sobre a existência de pau-brasil nestas
terras, o rei de Portugal declarou que a exploração dessa
árvore era monopólio da Coroa, ou seja, ninguém poderia
retirá-la das matas brasileiras sem permissão do governo
português e sem pagamento do tributo correspondente.
Essa declaração, no entanto, não foi respeitada por
ingleses, espanhóis e, principalmente, franceses.
• A primeira concessão da Coroa para a exploração do pau-brasil foi
dada ao comerciante português Fernão de Noronha, em 1503. Seus
navios foram os primeiros a chegar à ilha que mais tarde recebeu
seu nome.
• As pessoas que tinham
como ocupação o comércio
do pau-brasil eram
chamadas brasileiros —
termo que, com o tempo,
perdeu o sentido original e
passou a ser utilizado para
designar os colonos
nascidos no Brasil. Observe
que o sufixo -eiro é
utilizado para designar
ofício ou ocupação, como
ocorre em engenheiro,
marceneiro, livreiro.
Trabalho Indígena
• A extração de pau-brasil nesse período dependia da mão de obra
dos indígenas — eles derrubavam as árvores, cortavam-nas em
toras e carregavam-nas até os locais de armazenamento (feitorias),
de onde eram levadas para os navios. Esse trabalho era conseguido
de forma amigável, por meio do escambo. Em troca de uma série de
objetos (como pedaços de tecido,
anzóis, espelhos e, às vezes, facas e canivetes), os indígenas eram
aliciados a derrubar as árvores com os machados fornecidos pelos
europeus.
Por seu caráter predatório, a
extração de pau-brasil
demandava que os
exploradores se deslocassem
pelas matas litorâneas à
medida que a madeira ia se
esgotando. Por isso, essa
atividade não deu origem a
núcleos significativos de
povoamento. Foram
construídas feitorias apenas
em pontos da costa onde a
madeira era mais abundante
Colonização
A decisão de ocupar a terra
• De acordo com o Tratado de Tordesilhas, Portugal e Espanha eram
os únicos donos das terras da América. Mas franceses, holandeses e
ingleses não respeitavam esse tratado e disputavam a posse de
territórios americanos com portugueses e espanhóis.
• Essa disputa intensificou-se principalmente a partir da notícia de
que os espanhóis haviam descoberto ouro e prata em áreas que
hoje correspondem ao México e ao Peru.
• Nesse contexto, o governo português receava perder as terras
americanas. As expedições que tinha enviado até então não
conseguiam deter a atuação clandestina de outros europeus,
especialmente dos franceses, que haviam estabelecido alianças
com os indígenas tupinambás para a extração do pau-brasil. Para
acabar com esse contrabando e evitar as invasões, a Coroa
portuguesa decidiu colonizar efetivamente o Brasil.
Tratado de Tordesilhas
• Além disso, a colonização da América começou a ser vista pelos
portugueses como uma alternativa para buscar novos lucros
comerciais, uma vez que o comércio de Portugal com o Oriente
havia entrado em declínio.
A expedição de Martim Afonso de Souza
• Cinco navios e uma tripulação de cerca de 400 pessoas. Assim era
composta a expedição comandada por Martim Afonso de Souza,
que partiu de Lisboa em dezembro de 1530
Segundo alguns estudiosos, essa expedição tinha, entre seus
objetivos:
• iniciar a ocupação da terra e sua exploração econômica por
colonos portugueses;
• combater corsários estrangeiros;
• procurar metais preciosos;
• fazer melhor reconhecimento geográfico do litoral.
Em 22 de janeiro de 1532, buscando estabelecer núcleos de
povoamento, Martim Afonso fundou a primeira vila do
Brasil: São Vicente. Fundou também alguns povoados, como
Santo André da Borda do Campo.
Cultivo da cana-de-açúcar
• Para colonizar o Brasil, os portugueses decidiram implantar a
produção açucareira em certos trechos do litoral, uma vez que o
açúcar era um produto que tinha grande procura na Europa. Por
meio da cultura da cana, seria possível promover a ocupação
sistemática da colônia.
• Ao implantar a empresa açucareira na colônia, Portugal deixava a
atividade meramente extrativista predatória (a exploração de pau-
brasil) e iniciava a montagem de uma organização produtiva dentro
das diretrizes do sistema colonial. A produção de açúcar para o
mercado europeu marcaria a história colonial do Brasil.
• No Brasil, o primeiro estabelecimento de produção de açúcar
(engenho) foi instalado na região de
São Vicente.
Monopólio comercial português
• No início do século XVI, época da instalação dos primeiros engenhos
e núcleos de povoamento, o comércio do açúcar era relativamente
livre. A Coroa concedia terras a portugueses que tivessem recursos
para a instalação de engenhos.
• Entre 1560 e 1570, a economia açucareira apresentou crescimento
expressivo.Percebendo a expansão do negócio do açúcar, o governo
de Portugal decidiu estabelecer normas mais rígidas para a
concessão de terras. Em 1571, decretou que o comércio colonial
com o Brasil deveria ser feito exclusivamente por navios
portugueses. O governo pretendia implantar o monopólio comercial
(que era chamado, na época, de exclusivo metropolitano) nas
transações do açúcar.
• Com o monopólio, os produtos coloniais eram comprados pelos
preços mais baixos do mercado, enquanto os artigos metropolitanos
eram vendidos para os colonos do Brasil pelos preços mais altos.
Escravização dos indígenas
"Índios soldados da província de Curitiba escoltando prisioneiros nativos", tela de Jean-
Baptiste Debret
• O relacionamento entre os colonos portugueses e os vários povos
indígenas foi se tornando conflituoso à medida que os nativos
resistiam ao processo de colonização. Os colonos, no entanto, para
satisfazer suas necessidades, usaram violência contra os indígenas e
passaram a escravizá-los.
Escravização dos indígenas
• A escravização indígena estabeleceu-se a partir da década de 1530,
principalmente quando os colonos portugueses necessitaram de
mão de obra para a produção açucareira. Os portugueses e alguns
aliados nativos guerreavam contra os "indígenas inimigos", e os
prisioneiros eram distribuídos ou vendidos como escravos.
Escravização dos indígenas
• No século XVII, a escravização indígena continuou ligada à expansão
açucareira pelo litoral, mas se estendeu também para as áreas dos
atuais estados de São Paulo, Maranhão, Pará, entre outros. Nessas
regiões, os nativos trabalhavam em atividades como o cultivo de
milho, feijão, arroz e mandioca e a extração das chamadas "drogas
do sertão" (guaraná, cravo, castanha, baunilha, plantas aromáticas e
medicinais).
• Além disso, o escravo indígena foi utilizado para o transporte de
mercadorias. De São Paulo a Santos, por exemplo, o carregador
nativo descia a Serra do Mar transportando nos ombros cargas de
aproximadamente 30 quilos.
Escravização dos indígenas
“Guerras justas"
“Guerras Justas”
• Apesar de o governo português ter defendido, em
princípio, a liberdade indígena, os colonos recorreram
por diversas vezes à "guerra justa" para conseguir
escravos entre os povos nativos. Assim se chamava a
guerra contra os indígenas autorizada pelo governo
português ou seus representantes.
• As "guerras justas" podiam ocorrer quando os
indígenas não se convertiam à fé cristã - imposta pelos
colonizadores ou impediam a divulgação dessa religião;
quebravam acordos ou agiam com hostilidade em
relação aos portugueses.
“Guerras Justas”
“Guerras Justas”
• No entanto, os colonos burlavam as normas oficiais sobre a "guerra
justa", alegando, por exemplo, que eram atacados ou ameaçados
pelos indígenas. Sucessivas guerras contra povos indígenas
marcaram a conquista das regiões litorâneas pelos europeus no
século XVI. Foi o caso, por exemplo, das guerras contra os indígenas
caetés, tupinambás, carijos, tupiniquins, guaranis, tabajaras e
potiguares.
Complemento: Devastação ambiental
• A devastação do meio ambiente começou cedo no território do país
onde vivemos. Teve início
com a extração de pau-brasil, logo nos primeiros anos de
colonização. Como resultado da intensa
extração, em poucas décadas o pau-brasil começou a escassear. O
mesmo destino tiveram muitas
árvores frutíferas, derrubadas sem preocupação com o replantio.
Para a historiadora Laima Mesgravis,
• [...] o maravilhoso patrimônio da natureza, onde os índios viviam
em harmonia com seu
espaço e que tanto deslumbrou os primeiros observadores,
incentivou, até certo ponto, a
crença da abundância fácil, sem trabalho, infindável.
MESGRAVIS, Laima. O Brasil nos primeiros séculos. São Paulo: Contexto, 1989.p. 62. Distribuição da mata Atlântica (1500-2008)
Complemento: Devastação ambiental
• Atualmente, temos consciência de que, apesar de imensos, os
recursos florestais brasileiros não são inesgotáveis. Calcula-se que,
em 1500, a mata Atlântica ocupava uma faixa de 1 milhão de
quilômetros quadrados. Atualmente, restam apenas 8% dessa área,
espalhados em matas que, em
boa parte, se localizam em propriedades particulares
• Estima-se que somente no século XVI tenham sido derrubados
aproximadamente 2 milhões de árvores, devastando cerca de 6 mil
quilômetros quadrados da mata Atlântica.
Depois (da extração do pau -brasil] vieram cinco séculos de
queimada. A cana, o pasto, o café, tudo foi plantado nas cinzas da
Mata Atlântica. Dela saiu a lenha para os fornos dos engenhos de
açúcar, locomotivas, termelétricas e siderúrgicas.
Complemento: Devastação ambiental
Complemento: Devastação ambiental
Referência
Cotrim, Gilberto. História Global 2 / Gilberto
Cotrim. -- 3. ed. – São Paulo: Saraiva, 2016.

Mercantilismo e colonização

  • 1.
    Mercantilismo e colonização Detalhedo mapa publicado no Atlas de Sebastião Lopes em cerca de 1565. Nesse mapa, foi representada a exploração de pau-brasil.
  • 2.
    Mercantilismo: política econômicado Estado Moderno • O termo mercantilismo é utilizado por alguns economistas e historiadores para designar um conjunto de práticas econômicas que vigoraram em países da Europa ocidental entre os séculos XV e XVIII. Essas práticas variavam de país para país, mas tinham o objetivo comum de fortalecer o Estado, em aliança com setores comerciais. • Segundo historiadores, o termo mercantilismo teria sido empregado pela primeira vez pelo economista escocês Adam Smith (1723-1790) para se referir, de maneira depreciativa, às políticas econômicas intervencionistas dos governos de sua época e propor, em seu lugar, políticas liberais.
  • 3.
    Práticas mercantilistas • METALISMO:No início da Idade Moderna, a riqueza de um Estado também foi medida pela quantidade de metais preciosos (ouro e prata) que ele possuía dentro de suas fronteiras. Assim, aumentar a quantidade de metais preciosos tornou-se um dos objetivos fundamentais dos governos mercantilistas. Esse pensamento econômico foi chamado de metalismo. • BALANÇA COMERCIAL FAVORÁVEL: A fim de acumular riquezas, o Estado procurava, entre outras coisas, manter uma balança comercial favorável, isto é, o valor das exportações do país devia superar as importações (gerando superávit). Para isso, o Estado adotava uma série de medidas protecionistas, como incentivar a produção interna de artigos manufaturados que pudessem concorrer vantajosamente nos mercados internacionais. • PROTECIONISMO: Além disso, o Estado dificultava a entrada de alguns produtos estrangeiros, para resguardar seu mercado interno e o de suas colônias. O protecionismo seria por meio da política alfandegária (aumento ou redução dos tributos sobre importação e exportação).
  • 4.
    Colonialismo: A dominaçãodas metrópoles sobre as colônias • A adoção das práticas mercantilistas por diversos Estados europeus gerou choque de interesses entre eles. A concorrência econômica se acirrou com disputas de mercados. • Nesse cenário, Estados como Portugal e Espanha (chamados metrópoles) passaram a exercer um domínio peculiar sobre suas colônias de modo que pudessem obter vantagens comerciais, se possível exclusivas. • Segundo a interpretação do historiador Fernando Novais, foi no contexto do colonialismo mercantilista que se desenvolveu, como peça fundamental, um sistema de exploração colonial.
  • 5.
    Características gerais • Nocolonialismo mercantilista, o relacionamento entre metrópole e colônia obedecia a certas linhas gerais. • A economia da colônia era organizada em função da metrópole, de tal maneira que a colônia deveria atender ou complementar a produção da metrópole. • Além disso, a metrópole impunha o "direito exclusivo" de fazer comércio com a região colonizada, comprando os produtos dela pelo preço mais baixo e vendendo-lhe mercadorias pelo valor mais alto. • Nesse contexto histórico, diversas nações européias formaram verdadeiros impérios coloniais, entre os quais se destacaram Portugal e Espanha.
  • 6.
  • 7.
    Primeiras expedições Reconhecimento dasterras e das gentes • Com a descoberta do novo caminho para as índias, o comércio de especiarias passou a ser uma das fontes de riqueza de Portugal. A cidade de Lisboa, capital desse lucrativo comércio, destacava-se pela agitada vida econômica. • Nessa época em que as atenções de setores da sociedade portuguesa estavam voltadas para o comércio oriental, ocorreu a chegada às terras que mais tarde formariam o Brasil. • Nas primeiras expedições às novas terras, os enviados da Coroa encontraram grande quantidade de pau-brasil no litoral. Mas não descobriram as desejadas jazidas de ouro. Com isso, o governo português percebeu que não seria possível obter lucros fáceis e imediatos na região, pois o lucro gerado pela exploração da madeira seria menor do que o então vantajoso comércio de produtos africanos e asiáticos.
  • 8.
    • Por essemotivo, durante 30 anos (1500 - 1530), o governo português limitou-se a enviar para o Brasil algumas expedições marítimas destinadas principalmente ao reconhecimento da terra e à preservação de sua posse. O efetivo processo de colonização só ocorreu posteriormente. • Expedição comandada por Gaspar de Lemos (1501) – explorou grande parte do litoral brasileiro e deu nome aos principais acidentes geográficos então encontrados (ilhas, cabos, rios, baías). As principais expedições marítimas portuguesas enviadas nesse período, chamado por historiadores de "pré-colonizador", foram:
  • 9.
    • Expedição comandadapor Gonçalo Coelho (1503) – organizada por conta de um contrato assinado entre o rei de Portugal e um grupo de comerciantes interessados na exploração do pau-brasil, dentre os quais se destacava Fernão de Noronha. • Expedições comandadas por Cristóvão Jacques (1516 e 1520) - foram organizadas para deter o contrabando de pau-brasil feito por outros comerciantes europeus. Não foram bem-sucedidas pela extensão do litoral.
  • 10.
    Extração do pau-brasil •A primeira riqueza explorada pelos europeus em terras brasileiras foi o pau-brasil (Caesalpinia echinata) árvore assim denominada devido à cor de brasa do interior de seu tronco. Os indígenas a chamavam ibirapitanga ou arabutã, que significa “madeira ou pau vermelho". • Ao ser informado sobre a existência de pau-brasil nestas terras, o rei de Portugal declarou que a exploração dessa árvore era monopólio da Coroa, ou seja, ninguém poderia retirá-la das matas brasileiras sem permissão do governo português e sem pagamento do tributo correspondente. Essa declaração, no entanto, não foi respeitada por ingleses, espanhóis e, principalmente, franceses.
  • 12.
    • A primeiraconcessão da Coroa para a exploração do pau-brasil foi dada ao comerciante português Fernão de Noronha, em 1503. Seus navios foram os primeiros a chegar à ilha que mais tarde recebeu seu nome. • As pessoas que tinham como ocupação o comércio do pau-brasil eram chamadas brasileiros — termo que, com o tempo, perdeu o sentido original e passou a ser utilizado para designar os colonos nascidos no Brasil. Observe que o sufixo -eiro é utilizado para designar ofício ou ocupação, como ocorre em engenheiro, marceneiro, livreiro.
  • 13.
  • 14.
    • A extraçãode pau-brasil nesse período dependia da mão de obra dos indígenas — eles derrubavam as árvores, cortavam-nas em toras e carregavam-nas até os locais de armazenamento (feitorias), de onde eram levadas para os navios. Esse trabalho era conseguido de forma amigável, por meio do escambo. Em troca de uma série de objetos (como pedaços de tecido, anzóis, espelhos e, às vezes, facas e canivetes), os indígenas eram aliciados a derrubar as árvores com os machados fornecidos pelos europeus.
  • 15.
    Por seu caráterpredatório, a extração de pau-brasil demandava que os exploradores se deslocassem pelas matas litorâneas à medida que a madeira ia se esgotando. Por isso, essa atividade não deu origem a núcleos significativos de povoamento. Foram construídas feitorias apenas em pontos da costa onde a madeira era mais abundante
  • 16.
    Colonização A decisão deocupar a terra • De acordo com o Tratado de Tordesilhas, Portugal e Espanha eram os únicos donos das terras da América. Mas franceses, holandeses e ingleses não respeitavam esse tratado e disputavam a posse de territórios americanos com portugueses e espanhóis. • Essa disputa intensificou-se principalmente a partir da notícia de que os espanhóis haviam descoberto ouro e prata em áreas que hoje correspondem ao México e ao Peru. • Nesse contexto, o governo português receava perder as terras americanas. As expedições que tinha enviado até então não conseguiam deter a atuação clandestina de outros europeus, especialmente dos franceses, que haviam estabelecido alianças com os indígenas tupinambás para a extração do pau-brasil. Para acabar com esse contrabando e evitar as invasões, a Coroa portuguesa decidiu colonizar efetivamente o Brasil.
  • 17.
  • 18.
    • Além disso,a colonização da América começou a ser vista pelos portugueses como uma alternativa para buscar novos lucros comerciais, uma vez que o comércio de Portugal com o Oriente havia entrado em declínio.
  • 19.
    A expedição deMartim Afonso de Souza • Cinco navios e uma tripulação de cerca de 400 pessoas. Assim era composta a expedição comandada por Martim Afonso de Souza, que partiu de Lisboa em dezembro de 1530
  • 20.
    Segundo alguns estudiosos,essa expedição tinha, entre seus objetivos: • iniciar a ocupação da terra e sua exploração econômica por colonos portugueses; • combater corsários estrangeiros; • procurar metais preciosos; • fazer melhor reconhecimento geográfico do litoral. Em 22 de janeiro de 1532, buscando estabelecer núcleos de povoamento, Martim Afonso fundou a primeira vila do Brasil: São Vicente. Fundou também alguns povoados, como Santo André da Borda do Campo.
  • 21.
  • 22.
    • Para colonizaro Brasil, os portugueses decidiram implantar a produção açucareira em certos trechos do litoral, uma vez que o açúcar era um produto que tinha grande procura na Europa. Por meio da cultura da cana, seria possível promover a ocupação sistemática da colônia. • Ao implantar a empresa açucareira na colônia, Portugal deixava a atividade meramente extrativista predatória (a exploração de pau- brasil) e iniciava a montagem de uma organização produtiva dentro das diretrizes do sistema colonial. A produção de açúcar para o mercado europeu marcaria a história colonial do Brasil. • No Brasil, o primeiro estabelecimento de produção de açúcar (engenho) foi instalado na região de São Vicente.
  • 24.
    Monopólio comercial português •No início do século XVI, época da instalação dos primeiros engenhos e núcleos de povoamento, o comércio do açúcar era relativamente livre. A Coroa concedia terras a portugueses que tivessem recursos para a instalação de engenhos. • Entre 1560 e 1570, a economia açucareira apresentou crescimento expressivo.Percebendo a expansão do negócio do açúcar, o governo de Portugal decidiu estabelecer normas mais rígidas para a concessão de terras. Em 1571, decretou que o comércio colonial com o Brasil deveria ser feito exclusivamente por navios portugueses. O governo pretendia implantar o monopólio comercial (que era chamado, na época, de exclusivo metropolitano) nas transações do açúcar. • Com o monopólio, os produtos coloniais eram comprados pelos preços mais baixos do mercado, enquanto os artigos metropolitanos eram vendidos para os colonos do Brasil pelos preços mais altos.
  • 25.
    Escravização dos indígenas "Índiossoldados da província de Curitiba escoltando prisioneiros nativos", tela de Jean- Baptiste Debret
  • 26.
    • O relacionamentoentre os colonos portugueses e os vários povos indígenas foi se tornando conflituoso à medida que os nativos resistiam ao processo de colonização. Os colonos, no entanto, para satisfazer suas necessidades, usaram violência contra os indígenas e passaram a escravizá-los. Escravização dos indígenas
  • 27.
    • A escravizaçãoindígena estabeleceu-se a partir da década de 1530, principalmente quando os colonos portugueses necessitaram de mão de obra para a produção açucareira. Os portugueses e alguns aliados nativos guerreavam contra os "indígenas inimigos", e os prisioneiros eram distribuídos ou vendidos como escravos. Escravização dos indígenas
  • 28.
    • No séculoXVII, a escravização indígena continuou ligada à expansão açucareira pelo litoral, mas se estendeu também para as áreas dos atuais estados de São Paulo, Maranhão, Pará, entre outros. Nessas regiões, os nativos trabalhavam em atividades como o cultivo de milho, feijão, arroz e mandioca e a extração das chamadas "drogas do sertão" (guaraná, cravo, castanha, baunilha, plantas aromáticas e medicinais). • Além disso, o escravo indígena foi utilizado para o transporte de mercadorias. De São Paulo a Santos, por exemplo, o carregador nativo descia a Serra do Mar transportando nos ombros cargas de aproximadamente 30 quilos. Escravização dos indígenas
  • 29.
  • 30.
    “Guerras Justas” • Apesarde o governo português ter defendido, em princípio, a liberdade indígena, os colonos recorreram por diversas vezes à "guerra justa" para conseguir escravos entre os povos nativos. Assim se chamava a guerra contra os indígenas autorizada pelo governo português ou seus representantes. • As "guerras justas" podiam ocorrer quando os indígenas não se convertiam à fé cristã - imposta pelos colonizadores ou impediam a divulgação dessa religião; quebravam acordos ou agiam com hostilidade em relação aos portugueses.
  • 31.
  • 32.
    “Guerras Justas” • Noentanto, os colonos burlavam as normas oficiais sobre a "guerra justa", alegando, por exemplo, que eram atacados ou ameaçados pelos indígenas. Sucessivas guerras contra povos indígenas marcaram a conquista das regiões litorâneas pelos europeus no século XVI. Foi o caso, por exemplo, das guerras contra os indígenas caetés, tupinambás, carijos, tupiniquins, guaranis, tabajaras e potiguares.
  • 33.
    Complemento: Devastação ambiental •A devastação do meio ambiente começou cedo no território do país onde vivemos. Teve início com a extração de pau-brasil, logo nos primeiros anos de colonização. Como resultado da intensa extração, em poucas décadas o pau-brasil começou a escassear. O mesmo destino tiveram muitas árvores frutíferas, derrubadas sem preocupação com o replantio. Para a historiadora Laima Mesgravis, • [...] o maravilhoso patrimônio da natureza, onde os índios viviam em harmonia com seu espaço e que tanto deslumbrou os primeiros observadores, incentivou, até certo ponto, a crença da abundância fácil, sem trabalho, infindável. MESGRAVIS, Laima. O Brasil nos primeiros séculos. São Paulo: Contexto, 1989.p. 62. Distribuição da mata Atlântica (1500-2008)
  • 34.
    Complemento: Devastação ambiental •Atualmente, temos consciência de que, apesar de imensos, os recursos florestais brasileiros não são inesgotáveis. Calcula-se que, em 1500, a mata Atlântica ocupava uma faixa de 1 milhão de quilômetros quadrados. Atualmente, restam apenas 8% dessa área, espalhados em matas que, em boa parte, se localizam em propriedades particulares • Estima-se que somente no século XVI tenham sido derrubados aproximadamente 2 milhões de árvores, devastando cerca de 6 mil quilômetros quadrados da mata Atlântica. Depois (da extração do pau -brasil] vieram cinco séculos de queimada. A cana, o pasto, o café, tudo foi plantado nas cinzas da Mata Atlântica. Dela saiu a lenha para os fornos dos engenhos de açúcar, locomotivas, termelétricas e siderúrgicas.
  • 35.
  • 36.
  • 37.
    Referência Cotrim, Gilberto. HistóriaGlobal 2 / Gilberto Cotrim. -- 3. ed. – São Paulo: Saraiva, 2016.