Texto de apoio:
Caminhando, Jesus e os seus discípulos, chegaram a um povoado onde certa
mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Maria, sua irmã, ficou sentada
aos pés do Senhor, ouvindo a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com
muito serviço. E, aproximando-se dele, perguntou: "Senhor, não te importas
que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me
ajude!“ Respondeu o Senhor: "Marta! Marta! Você está preocupada e
inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu
a boa parte, e esta não lhe será tirada". (Lucas, 10:38 a 42)
Em meio à rejeição dos religiosos judeus, Jesus sempre encontrava um oásis
de refrigério na casa dos irmãos, Lázaro, Marta e Maria, que ficava em
Betânia, vilarejo distante a cerca de uma hora de Jerusalém, e cercado por
imensos campos de cevada e de pequenos bosques de oliveiras e figueiras,
que sombreavam a estrada para Jericó, contrastando com a aspereza da
Judéia, pelo verdor de que se revestia. Esse povoado ficava no sopé do Monte
das Oliveiras, cenário de algumas passagens evangélicas. Ali era o único
lugar onde Jesus podia gozar de algumas horas de sossego, de intimidade
familiar, era como se estivesse em casa. E Marta, a irmã mais velha de
Lázaro, era a primeira a recebê-Lo. Numa dessas visitas, aconteceu o célebre
episódio em que o Mestre enfatiza a escolha da melhor parte.
No acontecimento, Marta convidou o Mestre para jantar e pernoitar. Como
era de se esperar, tanto Marta quanto Maria, a irmã mais nova, deveriam
cuidar dos hóspedes, fazendo tudo aquilo que era serviço próprio da mulher.
Porém, tudo aconteceu de modo diferente, pois, enquanto Marta se
preocupava com as coisas materiais, limpar as panelas, preparar o repasto,
arrumar a casa, pois, desejava oferecer o melhor. Mas, via o tempo passar
depressa, a noite chegando, e nada da ajuda de sua irmã. Maria, sentada no
chão, junto aos pés de Jesus, e indiferente aos serviços da casa, se deliciava
com as coisas espirituais oferecidas pelo Rabi. Provavelmente, desejando
absorver avidamente de tudo o que saía daqueles lábios, O ouvia
atentamente, embevecida com Sua palavra suave e envolvente.
Marta, entretanto, andava pra lá e pra cá. Ela estava atarefada, inquieta, por
estar trabalhando sozinha, e por perder o ensino do Meigo Rabi da Galileia (O
sentido da obrigação de dona-de-casa foi mais forte que o desejo de
aprender). Aproveitando-se de uma aproximação junto ao Mestre, Marta
decidiu reclamar com Ele sobre a despreocupação da irmã, e pede-Lhe que
diga à Maria que vá ajudá-la nas tarefas. Jesus, ciente de que sua passagem
pela Terra seria curta, e, servindo-se do momento para deixar uma lição
imorredoura, e, exercitando o dom de converter as situações mais delicadas e
difíceis, Jesus fitou compassivo a sua hospedeira e respondeu, serenamente:
“Marta, Marta! Estás ansiosa e preocupada com muitas coisas; entretanto,
poucas são necessárias, ou melhor, uma só, e Maria escolheu a melhor parte,
a qual não lhe será tirada”
A resposta do Cristo é clara; Ele censura o procedimento de Marta, porque
Ele, Jesus, estava ali, era tempo de deixar-se presentear pela sua palavra; essa
era a questão principal naquele momento. O Mestre não estava preocupado
com a boa hospedagem, com o cardápio ou outros detalhes que faziam parte
da boa hospitalidade. Nisso foi que Maria acertou; foi nisso que Marta errou.
Marta não conseguiu distinguir entre quando é o momento de servir um chá e
quando é o momento de aquietar-se na presença de Jesus. O Mestre Galileu
apenas manifestou-se a respeito do procedimento das duas irmãs, e isso
mesmo provocado pela própria Marta. Ambas eram afáveis; entretanto, havia
entre uma e outra um cunho particular que as distinguia, e Jesus, muito
judiciosamente, soube apreciá-lo
Marta era sensata, laboriosa; agia sempre com método e cálculo, de maneira
que, em todos os seus atos, podia-se descobrir o predomínio de uma razão
amadurecida. Maria possuía um espírito apaixonado, descuidada, talvez, das
coisas práticas, entusiasta pela espiritualidade; era uma idealista que se
deixava levar pelo coração. Nesta passagem do Evangelho podemos perceber
uma mensagem muito atual, que nos leva a avaliar, dentro do contexto do
nosso dia a dia, qual a percepção que temos do tempo que nos é destinado, e
como o estamos utilizando. Jesus nos visita a cada dia da nossa vida como fez
a Marta e Maria, no entanto, o que nós precisamos discernir é qual o tempo de
sentar-se aos seus pés para escutá-lo, e o tempo que precisamos nos levantar
para servi-lo.
Na visita de Jesus à casa de Marta e Maria, cada uma delas teve uma atitude
diferente diante da Sua presença. As duas estiveram em função da visita do
Mestre, no entanto, uma usou todo o tempo que tinha para permanecer perto
Dele, ouvindo e aprendendo suas lições. A outra, preocupada com o Seu bem-
estar, se atarefou em servi-Lo melhor e, para isso, usou todo o tempo de que
dispunha. Com certeza, para nós, como disse o Meigo Rabi, a melhor parte é
aquela em que nós ficamos perto de Jesus, em adoração e escuta, porque, esse
também é o tempo em que aprendemos a servi-Lo melhor. É o tempo em que
nos ocupamos fazendo a nossa oração pessoal, quando nos abastecemos, para
enfrentar os desafios do serviço.
Nessa passagem, não se trata ficar do lado de Maria ou ficar do lado de
Marta; não é esse o ponto. Também não significa que tudo que Marta faz está
errado, ou que tudo que Maria faz está certo. Na verdade, o grande desafio
dessa passagem é ter o coração de Maria e as mãos operosas de Marta. Esse é
o maior desafio do Evangelho. Ter um coração capaz de ouvir as orientações
de Jesus, mas, ao mesmo tempo, ter mãos operosas que consigam concretizar
no mundo aquilo que o Cristo espera que o mundo seja, e que, até hoje, não
conseguimos. A grande verdade é que Maria precisava aprender com Marta e
Marta, muito mais, precisava aprender com Maria. O certo é que Jesus nos
acolhe do jeito que somos e como estamos, e nós precisamos das duas ações:
Estar aos pés de Jesus para escutá-lo, como, também, ficar à Sua disposição
para servi-lo. A oração nos leva à ação. Há que se ter uma fé coerente que nos
leve a ser Maria, mas, também, a ser como Marta, e assumir nossos encargos.
Para um estudioso da doutrina, o relato de Lucas não deve ser visto apenas
como uma situação relativa apenas às duas irmãs. Existem dentro de nós
porções de Marta e de Maria. O ativismo, a preocupação com as coisas
materiais, nosso zelo com as responsabilidades no lar, no trabalho e na vida
física, refletem o nosso lado Marta, ligado à vida ativa e à correria das coisas
humanas. Já o nosso lado contemplativo, ligado aos íntimos momentos em
que nos desnudamos e nos entregamos à espiritualização, à oração, na busca
do contato com os bons espíritos, é o nosso lado Maria.
Numa primeira vista, poder-se-ia dizer que é mais importante ser Maria do
que Marta, mas, ledo engano, ambas as personalidades nos são essenciais.
Assim, como a maior parte da Humanidade, Marta contempla sua existência
numa visão de horizontalidade, fixada nos interesses materiais. Ciosa, honesta
e laboriosa, preocupa-se em como cuidar da casa, providenciar suprimentos,
preparar refeições, trabalhar, e outras coisas do gênero. Isso não é
condenável, faz parte das atribuições do ser humano, enquanto ser gregário.
Embora isso nos dê uma sensação de realização, nos damos conta de que nos
falta algo. Esse estado Maria reflete aquele que busca, que procura Jesus.
Maria já se encontra numa visão vertical, de espírito que aspira a comunhão
com a Divindade, que busca o aprendizado superior junto ao Mestre.
O estado Maria reflete aqueles que escolheram a melhor parte, que ninguém
lhes vai tirar. Simbolizam os que já encontraram Jesus.
Essa passagem evangélica é uma clara lição sobre a necessidade do equilíbrio
que precisamos buscar diante da vida material e da vida espiritual. Destarte
não condene o trabalho, a sentença do Mestre nos deve ser muito clara, e deve
soar em nossos ouvidos: “Marta, Marta! Você se preocupa e anda agitada com
muitas coisas; porém, uma só é necessária”. Como é sabido, Jesus não
condenava o trabalho, apenas aconselhava Marta a pensar nas coisas
espirituais, que são eternas, e colocar as prioridades em seu lugar certo. Tudo
tem seu tempo certo.
Jesus nos adverte para que reflitamos: quantas vezes somos Marta, ligados ao
materialismo do mundo moderno, na busca da riqueza, da acumulação de
posses? Há muitas Martas pela vida, preocupadas com seus negócios, com
sua profissão, com sua casa, com seus bens materiais, sem tempo para cuidar
do espírito. É importante que tenhamos nossa profissão, nosso emprego,
nosso sustento, nossa casa, nossos bens materiais, mas quando isso tudo
começa a ocupar demasiado espaço em nossa vida, começamos a marcar
passo na jornada evolutiva e perdemos preciosas oportunidades de
aprendizados e renovação. Mesmo nas lides espíritas, onde jamais isso
deveria acontecer, tendo em vista a clareza e a profundidade da mensagem
codificada por Allan Kardec, muitos perdem tempo em busca do que lhes será
tirado, perdendo tempo em não buscar valores que lhes enriqueceriam para
sempre a existência.
Marta era um exemplo de mulher impecável, aos olhos do mundo; enquanto
que Maria, sua irmã, não faria jus à mesma apreciação, em virtude do
acentuado cunho de idealismo que a dominava. Ainda neste particular, como
em outros muitos, o juízo do Mestre contrasta com o dos homens. Assim é
que o vemos dizer abertamente: Maria escolheu a boa parte, que lhe não será
tirada. Para o mundo, a boa parte é o utilitarismo, enquanto que para Jesus é o
idealismo. Marta atendia às coisas da Terra, embora não descurasse as do
Céu; Maria identificava-se com estas a ponto de olvidar aquelas. Marta era
um perfeito tipo de mulher. Sua irmã ia além; transpunha, ainda que
inconscientemente, os limites que separam o humano do divino, o terreno do
celestial.
Os homens do século vivem aflitos e afadigados com mil preocupações, que
os enervam, quando, em verdade, como assevera o Mestre, poucas coisas são
necessárias. As inúmeras necessidades que fazem o flagelo da maioria dos
homens são fictícias, puros caprichos criados pelas paixões desenfreadas,
pelos vícios e taras mórbidas, que se adquirem por imitação e se alimentam
por egoísmo. A necessidade real é, rigorosamente, uma só: envolver,
caminhar na senda da perfeição, que é o senso da vida. “Buscai em primeiro
lugar o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por
acréscimo”. Em tal importa a boa parte. Felizes os que a escolheram, pois não
lhes será tirada, isto é, poderão transportá-la além do túmulo.
É um sonho? É uma ilusão? Que importa? Há sonhos que se transformam em
realidades, e há realidades que se transformam em sonhos. Os bens e os
prazeres mundanos são realidades do momento, que se tornarão em pesadelos
no futuro. A revelação do Céu, essa água viva que Maria sorvia embevecida
aos pés do Senhor, será quimera e loucura para as gentes, mas que se há de
tornar em realidade no próximo porvir que nos espera. Poucas coisas,
realmente, são necessárias, se nos contentarmos com o essencial. Dentre elas,
uma é fundamental, capaz de dar significado às nossas vidas, sustentando-nos
o equilíbrio e a paz, com pleno aproveitamento das horas. Está representada
pelos valores espirituais, adquiridos com o cultivo das virtudes cristãs, como
a caridade, o amor, a compaixão, o perdão, a tolerância.
Importante ressaltar que a edificação de nosso Espírito não só abençoará
nosso futuro, como também dará estabilidade ao nosso presente. Buscando a
melhor parte, seremos capazes de conviver com as pessoas, no âmbito
doméstico, social e profissional. Buscando a melhor parte, saberemos resolver
problemas, enfrentar dificuldades, superar obstáculos e atravessar os períodos
difíceis, sem irritações, sem inquietude, capazes de fazer sempre o melhor.
Menos para Marta. Mais para Maria!
Em O Sermão da Montanha Jesus enfatiza esse tema, recomendando-nos que
não nos preocupemos demasiadamente com a nossa vida.
Que busquemos em primeiro lugar o Reino de Deus, a se exprimir no esforço
do Bem e da Verdade, e tudo o mais nos será dado por acréscimo.
Poucas coisas, realmente, são necessárias, se nos contentarmos com o
essencial. Dentre elas, uma é fundamental, capaz de dar significado às nossas
vidas, sustentando-nos o equilíbrio e a paz, com pleno aproveitamento das
horas. Está representada pelos valores espirituais, adquiridos com o cultivo
das virtudes cristãs, como a caridade, o amor, a compaixão, o perdão, a
tolerância.
Este estudo é uma lição curta em seus termos, mas profunda em seus
significados. Trata-se da conquista do Espírito que, à medida de sua evolução,
aprende a selecionar o essencial do supérfluo.
Muita Paz!
Meu Blog: http://espiritual-espiritual.blogspot.com.br
Com estudos comentados de O Livro dos Espíritos e de O Evangelho
Segundo o Espiritismo.

A lição da escolha certa

  • 2.
    Texto de apoio: Caminhando,Jesus e os seus discípulos, chegaram a um povoado onde certa mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Maria, sua irmã, ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com muito serviço. E, aproximando-se dele, perguntou: "Senhor, não te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me ajude!“ Respondeu o Senhor: "Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada". (Lucas, 10:38 a 42)
  • 3.
    Em meio àrejeição dos religiosos judeus, Jesus sempre encontrava um oásis de refrigério na casa dos irmãos, Lázaro, Marta e Maria, que ficava em Betânia, vilarejo distante a cerca de uma hora de Jerusalém, e cercado por imensos campos de cevada e de pequenos bosques de oliveiras e figueiras, que sombreavam a estrada para Jericó, contrastando com a aspereza da Judéia, pelo verdor de que se revestia. Esse povoado ficava no sopé do Monte das Oliveiras, cenário de algumas passagens evangélicas. Ali era o único lugar onde Jesus podia gozar de algumas horas de sossego, de intimidade familiar, era como se estivesse em casa. E Marta, a irmã mais velha de Lázaro, era a primeira a recebê-Lo. Numa dessas visitas, aconteceu o célebre episódio em que o Mestre enfatiza a escolha da melhor parte.
  • 4.
    No acontecimento, Martaconvidou o Mestre para jantar e pernoitar. Como era de se esperar, tanto Marta quanto Maria, a irmã mais nova, deveriam cuidar dos hóspedes, fazendo tudo aquilo que era serviço próprio da mulher. Porém, tudo aconteceu de modo diferente, pois, enquanto Marta se preocupava com as coisas materiais, limpar as panelas, preparar o repasto, arrumar a casa, pois, desejava oferecer o melhor. Mas, via o tempo passar depressa, a noite chegando, e nada da ajuda de sua irmã. Maria, sentada no chão, junto aos pés de Jesus, e indiferente aos serviços da casa, se deliciava com as coisas espirituais oferecidas pelo Rabi. Provavelmente, desejando absorver avidamente de tudo o que saía daqueles lábios, O ouvia atentamente, embevecida com Sua palavra suave e envolvente.
  • 5.
    Marta, entretanto, andavapra lá e pra cá. Ela estava atarefada, inquieta, por estar trabalhando sozinha, e por perder o ensino do Meigo Rabi da Galileia (O sentido da obrigação de dona-de-casa foi mais forte que o desejo de aprender). Aproveitando-se de uma aproximação junto ao Mestre, Marta decidiu reclamar com Ele sobre a despreocupação da irmã, e pede-Lhe que diga à Maria que vá ajudá-la nas tarefas. Jesus, ciente de que sua passagem pela Terra seria curta, e, servindo-se do momento para deixar uma lição imorredoura, e, exercitando o dom de converter as situações mais delicadas e difíceis, Jesus fitou compassivo a sua hospedeira e respondeu, serenamente: “Marta, Marta! Estás ansiosa e preocupada com muitas coisas; entretanto, poucas são necessárias, ou melhor, uma só, e Maria escolheu a melhor parte, a qual não lhe será tirada”
  • 6.
    A resposta doCristo é clara; Ele censura o procedimento de Marta, porque Ele, Jesus, estava ali, era tempo de deixar-se presentear pela sua palavra; essa era a questão principal naquele momento. O Mestre não estava preocupado com a boa hospedagem, com o cardápio ou outros detalhes que faziam parte da boa hospitalidade. Nisso foi que Maria acertou; foi nisso que Marta errou. Marta não conseguiu distinguir entre quando é o momento de servir um chá e quando é o momento de aquietar-se na presença de Jesus. O Mestre Galileu apenas manifestou-se a respeito do procedimento das duas irmãs, e isso mesmo provocado pela própria Marta. Ambas eram afáveis; entretanto, havia entre uma e outra um cunho particular que as distinguia, e Jesus, muito judiciosamente, soube apreciá-lo
  • 7.
    Marta era sensata,laboriosa; agia sempre com método e cálculo, de maneira que, em todos os seus atos, podia-se descobrir o predomínio de uma razão amadurecida. Maria possuía um espírito apaixonado, descuidada, talvez, das coisas práticas, entusiasta pela espiritualidade; era uma idealista que se deixava levar pelo coração. Nesta passagem do Evangelho podemos perceber uma mensagem muito atual, que nos leva a avaliar, dentro do contexto do nosso dia a dia, qual a percepção que temos do tempo que nos é destinado, e como o estamos utilizando. Jesus nos visita a cada dia da nossa vida como fez a Marta e Maria, no entanto, o que nós precisamos discernir é qual o tempo de sentar-se aos seus pés para escutá-lo, e o tempo que precisamos nos levantar para servi-lo.
  • 8.
    Na visita deJesus à casa de Marta e Maria, cada uma delas teve uma atitude diferente diante da Sua presença. As duas estiveram em função da visita do Mestre, no entanto, uma usou todo o tempo que tinha para permanecer perto Dele, ouvindo e aprendendo suas lições. A outra, preocupada com o Seu bem- estar, se atarefou em servi-Lo melhor e, para isso, usou todo o tempo de que dispunha. Com certeza, para nós, como disse o Meigo Rabi, a melhor parte é aquela em que nós ficamos perto de Jesus, em adoração e escuta, porque, esse também é o tempo em que aprendemos a servi-Lo melhor. É o tempo em que nos ocupamos fazendo a nossa oração pessoal, quando nos abastecemos, para enfrentar os desafios do serviço.
  • 9.
    Nessa passagem, nãose trata ficar do lado de Maria ou ficar do lado de Marta; não é esse o ponto. Também não significa que tudo que Marta faz está errado, ou que tudo que Maria faz está certo. Na verdade, o grande desafio dessa passagem é ter o coração de Maria e as mãos operosas de Marta. Esse é o maior desafio do Evangelho. Ter um coração capaz de ouvir as orientações de Jesus, mas, ao mesmo tempo, ter mãos operosas que consigam concretizar no mundo aquilo que o Cristo espera que o mundo seja, e que, até hoje, não conseguimos. A grande verdade é que Maria precisava aprender com Marta e Marta, muito mais, precisava aprender com Maria. O certo é que Jesus nos acolhe do jeito que somos e como estamos, e nós precisamos das duas ações:
  • 10.
    Estar aos pésde Jesus para escutá-lo, como, também, ficar à Sua disposição para servi-lo. A oração nos leva à ação. Há que se ter uma fé coerente que nos leve a ser Maria, mas, também, a ser como Marta, e assumir nossos encargos. Para um estudioso da doutrina, o relato de Lucas não deve ser visto apenas como uma situação relativa apenas às duas irmãs. Existem dentro de nós porções de Marta e de Maria. O ativismo, a preocupação com as coisas materiais, nosso zelo com as responsabilidades no lar, no trabalho e na vida física, refletem o nosso lado Marta, ligado à vida ativa e à correria das coisas humanas. Já o nosso lado contemplativo, ligado aos íntimos momentos em que nos desnudamos e nos entregamos à espiritualização, à oração, na busca do contato com os bons espíritos, é o nosso lado Maria.
  • 11.
    Numa primeira vista,poder-se-ia dizer que é mais importante ser Maria do que Marta, mas, ledo engano, ambas as personalidades nos são essenciais. Assim, como a maior parte da Humanidade, Marta contempla sua existência numa visão de horizontalidade, fixada nos interesses materiais. Ciosa, honesta e laboriosa, preocupa-se em como cuidar da casa, providenciar suprimentos, preparar refeições, trabalhar, e outras coisas do gênero. Isso não é condenável, faz parte das atribuições do ser humano, enquanto ser gregário. Embora isso nos dê uma sensação de realização, nos damos conta de que nos falta algo. Esse estado Maria reflete aquele que busca, que procura Jesus. Maria já se encontra numa visão vertical, de espírito que aspira a comunhão com a Divindade, que busca o aprendizado superior junto ao Mestre.
  • 12.
    O estado Mariareflete aqueles que escolheram a melhor parte, que ninguém lhes vai tirar. Simbolizam os que já encontraram Jesus. Essa passagem evangélica é uma clara lição sobre a necessidade do equilíbrio que precisamos buscar diante da vida material e da vida espiritual. Destarte não condene o trabalho, a sentença do Mestre nos deve ser muito clara, e deve soar em nossos ouvidos: “Marta, Marta! Você se preocupa e anda agitada com muitas coisas; porém, uma só é necessária”. Como é sabido, Jesus não condenava o trabalho, apenas aconselhava Marta a pensar nas coisas espirituais, que são eternas, e colocar as prioridades em seu lugar certo. Tudo tem seu tempo certo.
  • 13.
    Jesus nos advertepara que reflitamos: quantas vezes somos Marta, ligados ao materialismo do mundo moderno, na busca da riqueza, da acumulação de posses? Há muitas Martas pela vida, preocupadas com seus negócios, com sua profissão, com sua casa, com seus bens materiais, sem tempo para cuidar do espírito. É importante que tenhamos nossa profissão, nosso emprego, nosso sustento, nossa casa, nossos bens materiais, mas quando isso tudo começa a ocupar demasiado espaço em nossa vida, começamos a marcar passo na jornada evolutiva e perdemos preciosas oportunidades de aprendizados e renovação. Mesmo nas lides espíritas, onde jamais isso deveria acontecer, tendo em vista a clareza e a profundidade da mensagem codificada por Allan Kardec, muitos perdem tempo em busca do que lhes será tirado, perdendo tempo em não buscar valores que lhes enriqueceriam para sempre a existência.
  • 14.
    Marta era umexemplo de mulher impecável, aos olhos do mundo; enquanto que Maria, sua irmã, não faria jus à mesma apreciação, em virtude do acentuado cunho de idealismo que a dominava. Ainda neste particular, como em outros muitos, o juízo do Mestre contrasta com o dos homens. Assim é que o vemos dizer abertamente: Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada. Para o mundo, a boa parte é o utilitarismo, enquanto que para Jesus é o idealismo. Marta atendia às coisas da Terra, embora não descurasse as do Céu; Maria identificava-se com estas a ponto de olvidar aquelas. Marta era um perfeito tipo de mulher. Sua irmã ia além; transpunha, ainda que inconscientemente, os limites que separam o humano do divino, o terreno do celestial.
  • 15.
    Os homens doséculo vivem aflitos e afadigados com mil preocupações, que os enervam, quando, em verdade, como assevera o Mestre, poucas coisas são necessárias. As inúmeras necessidades que fazem o flagelo da maioria dos homens são fictícias, puros caprichos criados pelas paixões desenfreadas, pelos vícios e taras mórbidas, que se adquirem por imitação e se alimentam por egoísmo. A necessidade real é, rigorosamente, uma só: envolver, caminhar na senda da perfeição, que é o senso da vida. “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo”. Em tal importa a boa parte. Felizes os que a escolheram, pois não lhes será tirada, isto é, poderão transportá-la além do túmulo.
  • 16.
    É um sonho?É uma ilusão? Que importa? Há sonhos que se transformam em realidades, e há realidades que se transformam em sonhos. Os bens e os prazeres mundanos são realidades do momento, que se tornarão em pesadelos no futuro. A revelação do Céu, essa água viva que Maria sorvia embevecida aos pés do Senhor, será quimera e loucura para as gentes, mas que se há de tornar em realidade no próximo porvir que nos espera. Poucas coisas, realmente, são necessárias, se nos contentarmos com o essencial. Dentre elas, uma é fundamental, capaz de dar significado às nossas vidas, sustentando-nos o equilíbrio e a paz, com pleno aproveitamento das horas. Está representada pelos valores espirituais, adquiridos com o cultivo das virtudes cristãs, como a caridade, o amor, a compaixão, o perdão, a tolerância.
  • 17.
    Importante ressaltar quea edificação de nosso Espírito não só abençoará nosso futuro, como também dará estabilidade ao nosso presente. Buscando a melhor parte, seremos capazes de conviver com as pessoas, no âmbito doméstico, social e profissional. Buscando a melhor parte, saberemos resolver problemas, enfrentar dificuldades, superar obstáculos e atravessar os períodos difíceis, sem irritações, sem inquietude, capazes de fazer sempre o melhor. Menos para Marta. Mais para Maria! Em O Sermão da Montanha Jesus enfatiza esse tema, recomendando-nos que não nos preocupemos demasiadamente com a nossa vida. Que busquemos em primeiro lugar o Reino de Deus, a se exprimir no esforço do Bem e da Verdade, e tudo o mais nos será dado por acréscimo.
  • 18.
    Poucas coisas, realmente,são necessárias, se nos contentarmos com o essencial. Dentre elas, uma é fundamental, capaz de dar significado às nossas vidas, sustentando-nos o equilíbrio e a paz, com pleno aproveitamento das horas. Está representada pelos valores espirituais, adquiridos com o cultivo das virtudes cristãs, como a caridade, o amor, a compaixão, o perdão, a tolerância. Este estudo é uma lição curta em seus termos, mas profunda em seus significados. Trata-se da conquista do Espírito que, à medida de sua evolução, aprende a selecionar o essencial do supérfluo.
  • 19.
    Muita Paz! Meu Blog:http://espiritual-espiritual.blogspot.com.br Com estudos comentados de O Livro dos Espíritos e de O Evangelho Segundo o Espiritismo.