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Índice
Página
I- Fatores Internos ..........................
I.1- Estruturas .......................... 04
I.2- Processos ........................... 18
I.3- Finanças ........................... 31
I.4- Produção ........................... 48
II- Fatores Externos ...........................
II.1- Globalização ........................... 64
II.2- Mercado ........................... 76
II.3- Moeda ........................... 81
II.4-Tomada de Decisão ........................... 85
III- Ferramentas ...........................
III.1- Sistemas ........................... 90
III.2- Inteligência Artificial ........................... 112
III.3- Interfaces ............................ 125
III.4- Programação ........................... 139
IV- Conexões ...........................
IV.1- Redes ........................... 166
IV.2- Conexões ........................... 182
IV.3- Equipamentos ........................... 193
IV.4- Estratégias ........................... 208
V- Conclusões ........................... 223
VI- Apêndice ........................... 234
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Estruturas
Organização
A questão da organização
Umas das questões interessantes de Bertalanffy em seu livro “ Teoria Geral
dos Sistemas”, é a pergunta: o que é organização? Em oposto a visão
mecanicista de entendê-la apenas como partes intercambiáveis, a abordagem
de sistema tenta compreender organização como resultado de um equilíbrio
entre forças ou componentes que consomem recursos, despendem energia,
produzem trabalho e interagem entre si. Como diz Bertalanffy, a característica
das organizações, quer seja como organismo vivo ou social , são as noções
de totalidade, crescimento, ordem hierárquica, dominação, controle e
competência e interação.
Dois conceitos são importante para a compreensão da noção de organização:
1- administração de recursos e 2- formas ótimas de se organizar. Esses dois
conceitos estão limitados pela capacidade das formas organizacionais, pelo
crescimento das necessidades de recursos vis-à-vis disponibilidades, pela
interação da organização com seus elementos internos e externos, assim
como, pela mútua interação entre diferentes organizações.
Uma análise na evolução do conceito de organização , sob o ponto de vista
da administração, permite distinguir três momentos: 1- a preocupação com a
racionalização de recursos , 2- a preocupação com as formas de se organizar
trabalho, e 3- preocupação com os tipos de controle (gerenciamento). Então,
controle para a administração começa como um problema econômico de
recursos e evolui em direção a uma preocupação social e humana.
Ferramentas, técnicas e tecnologia evoluem para se questionar formas de
organização social, resultados, otimização no uso e distribuição de recursos
e formas de se exercer planejamento, controle, coordenação e comando.
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O século 20 apresentou uma série de idéias de como organizar e gerenciar
negócios. Stuart Crainer, em seu livro “Os Revolucionários da
Administração”, faz um retrospecto das pessoas que mudaram concepções
na área de administração de empresas. Na tabela abaixo, apresentamos uma
rápida compilação de alguns desses revolucionários mencionados por ele.
Relação de idéias que mudaram a administração no século XX
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Autor Idéia Inovadora Bibliografia
Sun Tzu – 500 ac Estratégia e tática competitiva "A Arte da Guerra"
Nicolau Maquiavel (1469.-1527) Poder e liderança "O príncipe"
Henri Fayol (1841-1925) Princípios de administração "Administração Industrial
e Geral"
Frederick Taylor (1856-1917) Administração Científica "Princípios da
Administração Científica"
Max Weber (1864-1920) Modelo burocrático de
organização
"The Theory of Social and
Economic Organization"
Alfred P. Sloan (1875-1966) Organização em divisões "My Years with General
Motors"
Elton Mayo (1860-1949) Motivação e trabalho em
equipe
"The Human Problems of
Industrial Civilization"
Dale Carnegie (1888-1955) A arte de vender,
comunicação e motivação
"Como Fazer Amigos e
Influenciar Pessoas"
Kurt Lewin (1890-1947) Grupos T e teoria do campo "Teoria Dinâmica da
Personalidade"
Konosuke Matsushita (1894-1989) Atendimento ao cliente. A
corporação empreendedora
gigante.
"Não Vivemos Somente
pelo Pão"
Marvin Bower (1904- ) Cultura e valores
corporativos. Trabalho em
equipe e gerenciamento de
projetos. Consultoria
profissional
"The Will to Manage"
"The Will to Lead"
Joseph Juran (1904- ) Gerenciando pela qualidade " Controle de Qualidade"
Douglas McGregor (1906-1964) Teorias motivacionais X e Y "O Lado Humano da
Organização"
Peter Druker (1909- ) Administração aplicada a
todos, desde administração
por objetivos até o
gerenciamento pelo
conhecimento
"A Prática de
Administração de
Empresas ("The Age of
Discontinuity")
Harold Genee (1910-1997) Administração baseada em
fatos e análise
"Managing"
The Synergy Mith"
David Packard(1912-1996) Administração percorrendo
todos os setores,
envolvimento dos
empregados.
The HP Way"
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Thomas Watson Jr.(1917- ) Cultura e valores da
corporação
" A Business and Its
Believes"
Elliot Jaques(1917- ) Intervalo de tempo da
descontinuidade. Democracia
industrial
"A General Theory of
Bureaucracy"
Alfred Chandler (1918- ) Relacionamento entre
estratégia e estrutura.
Empresa multidivisional.
"Strategy & Estructure"
Igor Ansoff (1923- ) Administração estratégica .
Sinergia
"Estratégia Empresarial"
Robert Townsend (1920- ) A falsidade da vida
corporativa.
"Up The Organization"
Chis Argyris (1923- ) Aprendizagem organizacional "Personality &
Organization"
"Organizational Learning"
Abraham Maslow Hierarquia das necessidades "Motivation & Personality"
"Eupsychian
Management"
Akio Morita (1921-1999) Administração Japonesa "Made in Japan"
Ted Levitt (1925- ) Merketing
Globalização
"Innovation in Marketing"
Edgar Schein (1928- ) Cultura da corporação
Âncoras da carreira
"Organizational Culture &
Leadership"
Alvin Toffler (1928- ) Gerenciamento Ad Hoc
Pós-industrialização
"Future Shock"
"The Third Wave"
"Powershift"
Philip Kotler (1931- ) Reconhecimento do
marketing como função
central da empresa
"Marketing Management"
John Naisbitt(1930- ) Reestruturações e avaliação
de tendências.
"Megatendências"
Henry Mitzberg (1939- ) Estratégia como habilidade.
O papel dos gerentes
Formação de dirigentes
"The Nature of Managerial
Work"
James Champy (1942- ) Reengenharia "Reengineering The
Corporation"
Kenichi Ohmae(1943- ) Estratégia e fatores
determinantes do sucesso.
"The Mind of Strategist"
"The Borderless World"
Rosebeth Moss Kanter(1943- ) Empowerment
A empresa pós-
empreendedora
"Change Masters"
"World Class"
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Peter Senge(1947- ) Organização voltada ao
aprendizado
"The Fifth Discipline"
Michael Porter (1947- ) Estratégia, competitividade
Estrutura de cinco forças do
mercado
"Competitive Advantage"
"Competitive Strategy"
"The Competitive Strategy
of Nations"
Sumantra Ghoshal (1948- ) Globalização e estrutura
corporativa
"Managing Across
Borders"
"The Individual
Corporation"
Fons Thompenaars(1952- ) Gerenciamento da
globalização
"Riding the Waves of
Culture"
Gary Hamel(1954- ) Plano estratégico
Capacidades Centrais
"Competing for the
Future"
RecursosOrganizacionais
Organização de recursos
A administração de recursos está na base dos problemas referentes às
organizações e modernamente começam com Adam Smith, que em seu livro
“ A Riqueza das Nações”, lança as bases dos conceitos de custo como fator
competitivo, propondo a organização do trabalho em formas elementares,
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repetitivas e coordenadas. Custo ou preço passam, então, a ser a
preocupação entre diferentes tipos de organizações ou sociedades para se
definir vantagem ou competitividade.
O desenvolvimento de mercados, o crescimento econômico e a evolução da
tecnologia, após a era dos descobrimentos marítimos, lançou a questão da
competitividade e das formas das organizações em direção às linhas de
montagem, transformando em trabalho coordenado e repetitivo as tradições
das corporações de ofício da idade média. De meados do século 19, até início
do século 20, três nomes são importantes na área de administração, no estudo
da otimização de recursos, formas organizacionais e gerenciamento :
Frederick Taylor, Henri Fayol, e Max Weber.
Seguindo os estudos de Taylor, Fayol e Weber, podemos ver que a revolução
industrial começa simplesmente como uma racionalização de recursos e
custos, até atingir as dimensões sociais de como seres humanos podem ser
organizados afim de se obter resultados permanentes de ganhos contínuos e
crescentes.
Aquilo que começou pela linha de montagem, terminou no questionamento
das atividades gerenciais. Aquilo que, no começo, era uma preocupação com
cronometragem de tempos, alinhamento de tarefas e disposição do trabalho,
termina como uma preocupação de estabilidade e ordem social.
A preocupação, no início da revolução industrial, era entender como
ferramentas organizam trabalho para se obter menores custos, evoluindo em
direção ao desenho de formas estáveis de organização, as quais possam a
trazer estabilidade e otimização no gerenciamento de recursos materiais e
humanos.
Nesse sentido, a contribuição de Max Weber tem sido notável e perdura até o
início do século 21, através do conceito de burocracia. No próximo bloco
analisaremos algumas dessa premissas burocráticas de Weber.
As formas mais avançadas de organização no final do século 20 podem ser
expressas pelo conceito de organização em redes, como apresentado por
John Rockart e James Short na compilação de trabalhos “The Corporation of
The 1990s” realizado por Michael Scott Morton.
"Corporações em Redes" analisa o papel da tecnologia da informação como
suporte da informação e elemento que reduz tempo e espaço dentro da
corporação. De acordo com Rockart e Short, ferramentas eletrônicas
potencializam a capacidade humana, reduzem o tempo para realizar tarefas e
através das redes corporativa aceleram o fluxo da informação. A dinâmica da
organização, desse modo, sofre uma reviravolta mudando a forma como é
operada e gerenciada.
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O enfoque do gerenciamento, no final e início do século 21, direciona-se para
a análise dos processos gerenciais e do papel da informação e suas
estruturas de processamento. O problema de otimização de recursos passa,
assim, a ser um problema tecnológico e de tomada de decisão, e não mais
apenas automação e racionalização das linhas de produção. Esse fato reflete
a mudança de caracter do desenvolvimento econômico de industrial para
serviços.
Evoluçãoda Administraçãono Século XX
A burocracia no século 20
Se Frederick Taylor estava preocupado com o gerenciamento científico
através do minucioso inventários dos tempos de cada atividade na
organizaçãodo trabalho, Henry Ford foi o realizador desses conceitos através
da criação das linhas de montagem.
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O sucesso das realizações de Ford permitiu o barateamento dos automóveis,
até que se tornassem produtos de consumo de massa. Por de trás dos
conceitos da cronometragem dos tempos das atividades, sua organizaçãoem
linhas de montagem e a divisão do trabalho, estão as noções de apropriação
de custos de curto e longo prazo.
O sucesso de Ford representou um barateamento dos custos iniciais de
produção através da economia de escala e, consequente, a estabilização dos
preços ao nível dos custos médios de produção.
Fayol apropriou a administração não em tarefas, mas em funções bem
distintas, tais como para: prever e planejar, organizar, comandar, coordenar e
controlar, demonstrando uma preocupação em definir gerenciamento em
funções, nas quais os gerentes pudessem ser treinados. Fayol, com essa
visão, introduziu fatores intangíveis, tais como a noção de gerenciamento, aos
fatores de produção, antes encarados apenas como matéria-prima, recursos
humanos e capital.
Max Weber foi mais longe do que todos ao tentar apropriar, não só as funções
básicas do gerenciamento, mas entendê-los como um corpo independente na
própria organização, capaz de trazer estabilidade, não só na produção mas
também nas relações sociais. Weber profissionaliza o corpo gerencial
definindo tipos de autoridades, os quais, no fundo, eram modelos de como os
recursos tinham sido gerenciados no passado e deveriam sê-lo no futuro da
civilização industrial.
Esses modelos de autoridade eram :
1- O tradicional, baseado na legitimidade do comando através das tradições
históricas. “...O objeto de obediência é a autoridade pessoal de indivíduos que
gozam de virtudes em seu status tradicional...” (Weber, The Theory of Social
and Economic Organization). As figuras de representação dessa autoridade
eram a gerontocracia, o patriarcalismo e o patrimonialismo.
2- O carismático, baseado no poder exercido por indivíduos que se destacam
da maioria e são considerados dotados de qualidades sobrenaturais e sobre-
humanas. Esses tipos de líderes são aqueles que arregimentam seguidores e
discípulos.
3- O burocrático, baseado na legitimidade de uma autoridade legal que exerce
seu poder através de algumas premissas, tais como:
1- toda regra regra (ou lei) é imposta por pressupostos racionais;
2- todo o corpo de leis é um sistema abstrato de regras com objetivos
intencionais;
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3- a pessoa que exerce autoridade ocupa um cargo com funções e limites
bem definidos pelas regras legais;
4- as pessoas obedecem à autoridade do ocupante do cargo em função da
lei que regulamenta deveres e direitos;
5- as pessoas devem obediência não a pessoas que ocupam cargos, mas
à autoridade legal.
A burocracia, nesse sentido de Weber, é um aparato legal despersonalizado
com o objetivo de abordar a organização como um sistema social estável,
independentemente das tradições históricas ou carismáticas. De uma forma
ou de outra, essa noção de “burocracia” veio a calhar com as necessidades
iniciais da revolução industrial e rapidamente incorporou-se às funções de
gerenciamento de Fayol para se tornar um corpo profissionalizado e estável
de administração de recursos.
Durante o século 20, várias questões foram levantadas sobre o
gerenciamento. Algumas, até davam a impressão de serem contra esse
projeto racional-legal burocrático. No entanto, a burocracia tem sido a base
da legitimidade da autoridade, não apenas dentro das organizações, mas
dentro dos estados nacionais, sendo a base da estabilidade social nas
sociedade mais industrializadas.
Alfred Sloan, executivo da
General Motors, ao contrário de Ford, que apenas se preocupou com
padronização e produção em escala, analisou o problema da organização-
burocrática em termos estruturais, definindo uma cultura organizacional
baseado na coordenação entre várias divisões, departamentos e comitês. A
estrutura descentralizada criada por Sloan implicava numa exacerbação do
modelo burocrático, servindo para emperrar a tomada de decisão e
proliferarem-se relatórios.
A partir dos anos de 1930, começam a surgir as preocupações com o fator
humano, analisando-se motivações e trabalhos em equipe. Elton Mayo é um
dos expoentes dessa corrente que tentava correlacionar as necessidades de
custo da produção com criatividade e inovação, ressaltando o fator humano.
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Seguindo essa linha, criatividade e inovação passam a ser correlacionados
com clientes. Assim, a organização deixa de ser encarada como uma unidade
legal-racional, mas um negócio que tem de um lado a produção, de outro os
clientes e no meio um corpo gerencial criativo. Nessa linha, seguem as idéias
de Dale Carnegie com a arte de vender, colocando ênfase especial nos fatores
de comunicação (como influenciar pessoas).
A partir da segunda guerra em diante, a preocupação se volta para o excesso
de organização e burocracia como, não mais base da estabilidade
organizacional, mas como fator de impedimento na tomada de decisão.
Henry Mintzberg critica o desempenho do gerentes com gastos excessivos de
tempo para executarem tarefas burocráticas e muito pouco para, realmente,
cuidarem dosinteresses de negócio da organização.Akio Morita, ainda, critica
a pouca preocupação dos gerentes americanos com seus empregados.
Começamos, então, a assistir o fim do consenso do sistema burocrático, que
na verdade, era baseado nas necessidades de dominação colonial. Essa
dominação colonial, quando passado para o ambiente corporativo, alienava a
criatividade e formava apenas um batalhão de cumpridores de ordens. A visão
da organização, sob um ponto de vista mais abrangente de “negócios”,
necessitava de funcionários autônomos, com capacidade de tomar decisões
próprias .
A partir da década de 1960, começa a tomar corpo o conceito de estratégia. O
conceito de marketing de Ted Levitt, em “Miopia de Marketing”, argumentava
que a preocupação das organizações deveria ser com o cliente e suas
satisfações, enfocando o marketing em vez da produção. Na verdade, ele
ampliava o conceito de negócio estabelecendo uma relação entre clientes,
satisfação, produtos , produção e mercado. A organização não era apenas
uma transformadora de matéria-prima, mas uma geradora, criadora,
investigadora de oportunidades de negócio.
Peter Druker dá um passo adiante e enriquece o debate sobre estratégias,
propondo abordar-se a organização, não como unidades de custos (centros
de custos), mas como unidades de negócios (centros de receitas).
A contribuição de Druker é importante para se entender as mudanças
gerenciais e empresariais ocorridas, não apenas nos EE.UU, mas no mundo
todo. Druker percebeu os limites das propostas de Fayol e Sloan, analisando
os limites da estrutura funcional e como ela pode exercer um papel inibidor
nos negócios, quando se exacerbam as funções de controle, comando e
coordenação.
O pano de fundo na abordagem de Druker é uma revisão da noção de custos,
ou fatores de produção, em prol de uma visão de receitas ou ganhos. O que
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importa, além de se reduzir custos e se definir uma função de produção, é
estimular o cliente a consumir para se aumentar os ganhos. A função de
produção deixa de ter o privilégio nas considerações do planejamento e na
definição de estratégias competitivas, iniciando-se a fase que enfatiza as
funções de consumo ou do consumidor (marketing).
A década de 1980 é a década das organizações japonesas. As corporações
americanas pareciam em declínio e o método japonês de fazer negócio um
grande sucesso. Akio Morita alegava que a razão do sucesso japonês eram as
relações culturais estabelecidas pelas organizações, tanto com os
empregados quanto com os clientes, reforçando a importância da lealdade à
marca, ao nome e à cultura da organização.
Kenichi Ohmae, no livro “In Search of Excellence”, mostrou que a
informalidade na estruturação das organizações japonesas era o fator
diferencial do Japão. Na verdade, poderíamos dizer que o modelo japonês foi
um sério questionamento ao modelo racional-legal de Weber. Sob vários
aspectos , esse “modelo japonês” assemelham-se, em muito, às relações
tradicionais de autoridade, onde predominam o patriarcalismo e a
gerontocracia.
No entanto, a década de 1990 veio mostrar as deficiências do modelo japonês
e quanto o seu ambiente corporativos impedia inovação, criatividade e rapidez
nas mudanças. Desde o final de 1989, o Japão amarga uma dura recessão,
sendo obrigado a restruturar, colocando muitos empregados na rua, com eles
os conceitos de relações culturais tradicionais de autoridade e lealdade.
Michael Porter enriquece o debate sobre administração, estabelecendo uma
relação entre custo e atividades dentro da estrutura organizacional. Porter
define a organização como um conjunto de atividades que, além do custo, tem
um valor estratégico que garante um certo posicionamento da empresa no
mercado.
A tentativa de Porter foi apropriar valores intangíveis do gerenciamento,
oferecendo uma visão da organização e do mercado, como um conjunto de
forças, as quais, de um lado estão orientadas pela liderança em custos e
diferenciação do produto, e de outro, estabelecem um equilíbrio entre o poder
de barganha dos fornecedores, consumidores, novos participantes e
inovações tecnológicas.
A contribuição de Porter está na sua revisão dos conceitos microeconômicos
clássicos da teoria da firma e do consumidor. Ele apropria valores intangíveis
de difícil digestão pela teoria econômica clássica, lançando luz sobre o
comportamento dos consumidores e produtores, o que vai além do simples
leilão de preços.
Thomas Davenport vai além das colocações de Porter, em relação a valores
gerenciais intangíveis e analisa, não apenas atividades, custos e valores
15
estratégico. Ele propõe uma visão “processual” da organização que opera
através de uma rede gerencial de informações para tomada de decisão. Desse
modo, para Devenport a organização é gerenciada por processos orientados
pelo valor estratégico da informação e pela sua capacidade processual,
(manual ou eletrônica).
A vantagem competitiva das empresas, para Davenport, está na agilidade e
rapidez com que procedimentos organizacionais são gerenciados, implicando
tanto velocidade de processamento quanto inovação e abrangência no
desenho dos processos.
O Gerenciamento no Século XXI
As questões do gerenciamento no século 21
O século 20 foi marcado pela formação de uma estrutura organizacional
composta a partir da existência de uma classe gerencial profissionalizada (
modelo burocrático racional-legal). A despeito dos questionamentos sobre
custos e estratégias voltadas para os clientes, pouco mudou no papel da
burocracia como base da administração das organizações. O papel
normatizador da burocracia não tem sido alterado, sendo, ainda, a base legal
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e funcional do profissionalismo, impessoalidade e probidade no
gerenciamento público e privado.
Parece que a grande questão do século 20, sobre formas de se organizar o
trabalho, tem sido a destruição das autoridades personalistas, tradicionalistas
e populistas em favor da impessoalidade legal da autoridade burocrática. Na
verdade, esse fato tem sido a base da ascensão das massas, em termos
educacionais e econômicos, privilegiando-se nas sociedades industriais mais
avançadas a estética da classe média, na verdade, filha da burocracia.
O estado legal-racional burocrático e normatizador do século 20 tem como
seu subproduto mais importante, não a otimização dos recursos industriais,
mas o surgimento de uma nova classe dominante, a classe média.
A burocracia, nesse sentido, é subproduto da produção em massa que elevou
os níveis de educação, consumo e poder de influência e decisão das massas.
Aquilo que foi percebido pelos marxistas com alienação do homem em relação
ao seu trabalho, acabou por se tornar fonte de poder. Portanto, não importa
se alguém seja rico ou pobre, o fato é que algum dia todos, de uma forma ou
outra, pertencerão à classe média, quer seja pelas necessidades de
otimização de recursos, quer seja pelas necessidades de normatização do
estado legal-institucional.
No entanto, admitindo-se como fato a ascensão da classe média como fonte
de poder e classe dominante, resta saber que implicações isso terá nos
métodos de produção e organização do trabalho. Mais especificamente, a
questão é: a burocracia sobreviverá ao século 21 como fonte geradora de
poder da classe média?
As premissas atuais, de uma sociedade de massas (império das massas), são
os elevados e generalizados níveis educacional que já se atingiu nas
sociedades industriais mais avançadas e sua consequência mais óbvia, a
informação. A informação e conhecimento estão na base desse
questionamento a respeito da sobrevida das estruturas burocráticas. Mais
educação e conhecimento, mais demandas, maiores exigências, mais
produção em massas.
A conclusão é que entramos no século 21 com um sistema produtivo e social
cada dia mais complexo, que exige duas coisas aparentemente contraditórias:
melhores controle, (maior produção em massa), e mais direitos (flexibilidade).
Essa aparente contradição esbarra na excessiva necessidade por
normatizações, que como vimos é inibidor de negócios. Se por um lado, a
classe média tem aberto mão de sua liberdade em prol de mais direitos, por
outro, é mais exigente (porque mais educada) quanto a qualidade dos
controles que precisam ser estabelecidos na sociedade em geral.
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A contradição é apenas aparente. As necessidades do século 21, na verdade,
serão por controles mais eficientes e normatizações mais transparentes
(flexibilidade). Esse é o momento quando a tecnologia desaparece de cena e
se desloca para os bastidores, ficando por de trás da infra-estrutura de
serviços. Isso será obtido pela automatização dos processos de
gerenciamento.
A estratégia principal, do que está por vir, será entender bem o conceito de
informação, tanto no seu âmbito produtivo quanto no social e econômico. A
resultante será uma aparente flexibilização (transparência) dos processos
organizacionais em prol de uma organização mais informal do trabalho. A
outra visão dessa flexiblização será o surgimento de uma estratégia de
mediação para gerenciar problemas complexos, alterando-se radicalmente os
conceitos tradicionais sobre o método científico (causa e efeito).
Nesse sentido, a burocracia já está sedendo terreno como elemento
normatizador, equalizador e fruto do profissionalismo corporativista para se
tornar apenas um agente secundário da organização de suporte
administrativo. No entanto, a fonte de poder tanto do estado quanto das
corporações será transparentemente difusa, transitoriamente exercida por
grupos de pressões com hora marcada para ir embora, e todos serão,
igualmente, provenientes da estética da classe média.
Como disse José Ortega y Gasset no seu livro “ A Revolta das Massas” da
década de 1930, respondendo a questão de quem governa o mundo : “...A
civilização européia trouxe a rebelião das massas... A partir do século 16, a
humanidade entrou num vasto processo de unificação, o qual em nossosdias
atingiu seus limites mais amplos. Não existe, agora, nenhuma parte da
humanidade vivendo isolada. Consequentemente, desse século em diante
pode-se dizer que quem governa o mundo, de fato, exerce influência sobre um
todo... Consequentemente, se quiséssemos expressar a lei da opinião pública
como a lei da gravidade histórica, deveríamos levar em consideração que
“...não pode existir regra em oposição a opinião pública..."
As premissas da revolução dos serviços
Assim com passamos pela revolução industrial, onde máquinas e
equipamentos substituem o trabalho repetitivo, agora experienciamos a
automação dos processo gerenciais como base da revolução que está
acontecendo, atualmente, na sociedade de serviços.
Na base da revolução industrial estava uma burguesia dinâmica que criou e
inventou novas máquinas e fórmulas de produção. Na base da revolução dos
serviços estão as massas (a classe média) como geradora de uma elite
dinâmica e um estado normativo legal-institucional. Como exemplo,
apontamos Bill Gates, o garoto da classe média suburbana americana que
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gostava de passar horas "martelando" na garagem de sua casa, acabando por
se tornar líder de um novo setor de serviços com a sua Microsoft.
Se o capital financeiro foi a base da revolução industrial; nos serviços o motor
é o capital intelectual humano, o qual chamamos genericamente de
conhecimento.
A indústria privilegiava o estudo da mecânica das linhas de produção em
massas; a revolução dos serviços privilegia a automação dos processos
gerenciais baseado na informação. Se na industria o preço era o regulador, o
equilíbrio entre produtor e consumidor, nos serviços a informação é a
mediação dos processostecnológicos e de tomada de decisão ente emissores
e receptores.
Processos
Processos Organizacionais
A visão tradicional e a competitiva
A maneira como uma empresa é organizada define o desenho e a
funcionalidade de seus processos.
Como temos apresentado nessa palestra, a visão econômica tradicional de
encarar vantagem comparativa dos fatores de produção como fator chave na
conquista do mercado, está sendo contestada pela visão da vantagem
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competitiva de Michael Porter, que enfoca a importância da análise das
atividades que acrescentam valor à cadeia de produção da organização.
A empresa que opta pela visão tradicional, preferencialmente, desenha seus
processos baseados na otimização do tempo e dos custos agregados para
realizar tarefas, combinando hierarquia verticalizada com:
1- funções que descrevem rigorosamente os postos de trabalho);
2- regulamentos e rígidas regras de negócio, tais como, para as áreas: legal,
financeira, e técnica (licitação, aquisição, manufatura, transportes,
logística);
3- definição rígida de estratégias de negócios, escolhendo links de atuação
na optimização de seus processos, tais como os links do fornecedor,
distribuidor ou da clientela.
Segundo essa visão, o desenho de processos organizacionais tem o objetivo
de refletir o fator competitivo da empresa em termos de fatores de produção.
Digamos, por exemplo, que a liderança que essa organização exerce no
mercado seja no setor automobilístico, porque ela detém uma certa patente
industrial, e existe mão-de-obra abundante na região onde está localizada.
Seus processos objetivarão comando e coordenação hierárquica com
definição rígida de postos de trabalho, definindo regulamentações e normas
para cobrir normas técnicas, assim como, para definir todas as possibilidades
de contingências na produção. Ela estabelecerá estratégias de alianças
rígidas, definindo uma relação bem íntima, quase que de exclusividade, com
fornecedores de autopeças e partes.
O problema dessa empresa, que opta pela abordagem tradicional, é que ela
tentará regular sua produção através de excessiva normatização técnica para
poder prever todos os tipos de contingências na produção, e no final falhará.
Nessa situação, o desenho e redesenho de processos resultará num número
muito grande de regras e normatizações, as quais, se voltarão contra seus
próprios interesses produtivos, emperrando a tomada de decisão.
A empresa que opta pela visão competitiva, definirá seus processos
organizacionais baseados em atividades; quer seja na avaliação dos custos;
quer seja na administração de materiais ou recursos organizacionais.
A visão do desenhoe funcionalidade de seus processos enfocará custo como
uma medida de valor das atividades. Nesse sentido, ela tenderá a
desagregação dessas atividades em tarefas por departamento e unidades
funcionais para medir essas relações vis-à-vis o desenvolvimento do produto.
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O enfoque de seus processos organizacionais será o produto, e tentará
aumentar a acessibilidade e rapidez na entrega, privilegiando o cliente. Seus
processos serão baseados em decisões colegiadas, combinando hierarquia
horizontalizada com:
1- funções que descrevem informalmente postos de trabalho;
2- regulamentos informatizados para regras de negócios, tais como, legais,
financeiros e técnicos (licitação, aquisição, manufatura, transportes,
logística);
3- definição estratégias de negócios em parceria, optando, sempre que
possível, pela terceirização, e seus links de atuação dependerão de
alianças táticas e temporárias com fornecedores e distribuidores.
O objetivo desse tipo de processo competitivo é apropriar custo e tempo das
atividades, como consequência definirá melhor o escopo dos custos através
da estrutura organizacional. Tenderá, ainda, a enfocar seu negócios
estabelecendo relações quase que informais com seus fornecedores ou
distribuidores, os quais podem mudar, e na verdade mudam constantemente.
Usando o exemplo da industria automobilística mencionada acima, essa
empresa será amplamente terceirizada, com linhas de montagem
automatizadas e flexíveis, com normas e regulamentos sendo absorvidas por
programas de computador e processamento de dados.
O problema desse tipo de opção é justamente a fraca relação que a empresa
estabelece com seus fornecedores, distribuidores, e terceirizadores, os quais
podem se tornar poderosos competitdores a qualquer tempo.
O controle que a organização exerce sobre seus processos organizacionais é
fraco, ficando dependente do uso de pressões constantes para manter seus
aliados, parceiros e terceirizados na linha, afim de que não se tornem
competidores, ou adquiram parte da tecnologia de seus processos
organizacionais.
21
Processo como inovação
Thomas Devenport , em seu livro "Process Innovation", apresenta uma nova
abordagem, além das discutidas acima, tradicional e competitiva. Devenport
aborda processos como elementos de reformulação contínua dos negócios
da empresa, e não apenas como métodos ou funções de gerenciamento de
custos.
Segundo essa abordagem, processos organizacionais são orientados para
estratégias mais amplas de atuação no mercado, tais como, custos, custos
das atividades ou qualidade. Eles podem ter, por exemplo, escopos
diferenciado, tais como melhorias incrementais, ou radicais alterações no
modo como a empresa opera seu negócio.
Essa abordagem dos processos organizacionais vai além da análise de
atividades, ou custos, definindo-os como elementos do planejamento
estratégico e inovação. Devenport , discute a identificação desses elementos
estratégicos dos processos dizendo:
“... Existe considerável controvérsia envolvendo o número apropriado de
processos numa dada organização. A dificuldade é proveniente do fato que
processos podem quase sempre serem divididos infinitamente; as atividades
involvendo requisições de clientes, por exemplo, podem ser vistas como
apenas um processo, ou mais de cem...”
“...Os três processos mais importantes identificados por Rockart e Short: 1-
desenvolvendo novos produtos, 2- entregando produtos aos clientes, e 3-
gerenciando relações com os clientes, são eles mesmos altamente
interdependentes...”... Pesquisadores de Harvard, trabalhando problemas de
gerenciamento de pedidos defendem que existem apenas dois processos: 1-
gerenciando a linha de produtos, e 2- gerenciando o ciclo dos pedidos...”
As atividades chaves na identificação de processos para inovação, segundo
Devenport, são:
1- enumerar os processos principais da organização;
2- determinar os limites de influência dos processos;
3- definir a relevância estratégica de cada processo;
4- qualificar os valores culturais e políticos de cada processo;
Processos organizacionais, portanto, têm várias componentes: custos,
atividades e elementos de inovação, ou definição de novas estratégias de
negócio.
22
Mudanças Organizacionais
Mudanças nos processos organizacionais
A natureza dos processos organizacionais, como apresentados, até aqui
nessa palestra, podem ser de três ordens:
1- com enfoque nos custos agregados,
2- com enfoque no valor das atividades,
3- com enfoque estratégico na inovação dos processos de negócios.
23
Uma constante em qualquer tipo de gerenciamento de processos será o fato
de que mais cedo, ou mais tarde, eles precisarão ser mudados.
Alterações nos processos organizacionais são uma constante devido aos
diversos fatores relacionados ao gerenciamento do ciclo do negócio, onde a
missão de qualquer empresa é, ou manter posições, ou ganhar posições,
através de inovações ou mudanças continuadas.
Devenport, em "Process Innovation”, diz: “...a criação de uma forte e
sustentável conexão entre estratégia, e o modo com que um trabalho é
realizado, é um desafio contínuo em organizações complexas...”.
”... desde que processos de negócios definem como o trabalho é realizado,
estamos lidando com o relacionamento entre estratégias e processos.
Processos de inovação são significativos, apenas, se alterarem os negócios,
de tal forma, que sejam consistentem com suas estratégias...”
Davenport prega a necessidade de se ter uma ampla visão dos processos
operacionais para que eles tenham efetivamente um valor estratégico. Essa
visão seria o modo como a empresa encara suas relações com os clientes e
com o mercado, definindo a maneira de atuação de seus negócios, tais como:
alto padrão de qualidade, baixo ciclo de criação de produtos e serviços.
As atividades básicas no desenvolvimento dessa visão dos processos
organizacionais são enumeradas por Davenport:
1- direcionar processos existentes a estratégias de negócio;
2- consultar os clientes para definir objetivos de desempenho das
operações;
3- desenvolver atributos específicos dos novos processos;
4- exemplificar e testar os requisitos de desempenho dos novos processos;
5- definir, claramente, os objetivos de desempenho dos novos processos;
24
Inovação
Processos de inovação
Se a visão da competitividade de Porter aborda o valor das atividades
gerenciais que adicionam valor à cadeia produtiva; Thomas Devenport aborda
competitividade através da análise de processos. Dessa forma, atividades
medem custos, e processos medem níveis de inovação e mudanças .
Como já foi discutido antes, a missão do gerenciamento é administrar o ciclo
dos negócio, afim de garantir sustentabilidade no posicionamento das
25
empresas no mercado, assim com garantir estratégias de estabilidade no
longo prazo. As circunstâncias atuais de mudanças continuadas,
administração de riscos e expectativas, colocam em relevo a importância de
se entender como os processos acarretam inovação, e não apenas alterações
localizadas.
Os processos do gerenciamento
A tarefa do gerenciamento, além de administrar o ciclo do negócio, é de
gerenciar processos. Davenport, observa: “... de todos os processos numa
organização, o gerenciamento de processos é o mais pobremente analisado
e definido...”...a estrutura das atividades do gerenciamento é raramente
documentada, e tais atividades são, frequentemente, não realizadas à serviço
dos clientes...”
A análise dos processos do gerenciamento está no âmago da questão da
inovação e, portanto, da competitividade. Essas atividades são os elementos
básicos de como se estruturam controle, comando e coordenação, e,
portanto, da atual estrutura burocrática das empresas.
Através do desenvolvimento tecnológico, temos visto aqui, como a questão
da competitividade e da inovação tem passado da mecanização e automação
das linhas de montagem; dirigindo-se em relação ao gerenciamento.
Se no passado, aumento de produtividade e melhoria no desenho de
processos focavam os aspectos operacionais; hoje, o enfoque é o
gerenciamento. Se no passado, máquinas e dispositivos eletrônicos alteraram
as relações de trabalho dentro das organizações; hoje, o modelo digital está
alterando as relações de como a empresa é dirigida (ou gerenciada), ou como
decisões são tomadas.
Devenport afirma: “... o gerenciamento de processos envolve planejamento,
monitoração, tomada de decisão, comunicação e definição de diretrizes e
liderança...”. Ele exemplifica alguns tipos de processos gerenciais:
1- formulação de estratégias;
2- planejamento e orçamentação;
3- avaliação de desempenho;
4- alocação de recursos;
5- gerenciamento de recursos humanos;
6- comunicação com os acionista, ou contribuintes;
26
Inovação e Mudanças Organizacionais
Devenport, afirma: “... inovações nos processos de negócio, a despeito de
suas promessas de amplos benefícios competitivos, são raramente
observadosno mundo corporativo. Um número crescente de executivos estão
cientes disso, porém, muito poucos tem tomado atitudes sérias em relação a
implementação de inovações. A razão disso é que processos de inovação nos
negócios requerem o abandono das confortáveis e velhas maneiras de se
fazer negócios...”
As barreiras, atualmente, para se estabelecer mudanças, ou inovações, nos
negócios não são de ordem técnica mas gerencial. Os maiores elementos de
resistência para se alterarem processos vêm dos níveis de tomadores de
decisão , não das áreas técnicas. A razão disso, são os elementos culturais e
sociológicos firmemente incrustados na estrutura burocrática, os quais, em
prol da estabilidade da organização, congelam-se iniciativas e condenam
elementos capazes, competitivos e inovadores ao exílio de salas sem janelas.
O processo de mudanças organizacionais são, por sua própria natureza,
dramáticos, penosos e cheios de incertezas. Porém, as necessidades de se
responder as condições de competitividade do momento exigem mudanças
por parte do gerenciamento, afim de evitar o desaparecimento do negócio que
gerenciam. Essas mudanças estão associadas a:
1- mudanças de atitudes;
2- mudanças de comportamento;
3- redifinição de responsabilidades;
4- avaliação de valores culturais e sociais;
27
O papelda Tecnologia& Novos Processos
O problema do setor de serviços
As transformações pelas quais passam o mundo no momento atual são
aquelas geradas pela tecnologia aplicada às questões de produtividade da
área gerencial, da mesma forma que no passado o foram, também, para as
linhas de montagem.
28
O centro dessa transformações está no fato de que a economia dos países
mais desenvolvidos, até mesmo de países emergentes como no caso do
Brasil, é preponderantemente voltada para serviços.
Diferentemente da área industrial, apropriação de custos na área de serviço
não é uma questão óbvia de atividades e valores, regulação de estoques ou
cronometragem de tempos.
Empresas de serviços trabalham com elementos de difíceis definições, tais
como, informação, conhecimento, sem que se tenha uma idéia clara do que
se está falando, ou, de quanto custa essa informação , ou conhecimento. No
entanto, podemos fazer uma analogia com a área industrial e definir que os
dois maiores problema da industria de serviços, atualmente, são:
1- gerenciar seu inventário de papel ;
2- gerenciar suas requisições de serviços;
O conceito de inventário de papel significa a imobilização de enormes
quantidades de recursos organizacionais para se manter e preservar a
memória dos dados, armazenar documentos em arquivos mortos, assim
como, gerenciar um cem número de regulamentos burocráticos que regram o
uso e utilização dos diferentes tipos de recursos e atividades da organização.
As consequências são:
1- proliferação de regulamentos para se manter a memória dos serviços
prestados;
2- desenho de processos complexos de serviços que tentam conciliar
requisições em papel com requisições eletrônicas.
3- imobilização de espaço e aumento dos custos operacionais.
O papel da informação
O conceito de informação é vago, impreciso e polêmico. A análise do papel da
informação no gerenciamento de processos é uma tarefa difícil porque não
podemos definir claramente seus termos. No entanto, é intuitivo, para todos,
que estamos vivendo na era da informação e que informação tem “impacto”,
“valor” e “custo” , nas palavras de Davenport em “Process Innovation”.
Nas palavras recentes do presidente do banco central americano (FED), Alan
Greespan, a economia americana, hoje, embora exporte 100 vezes mais do
que 100 anos atrás, tem o peso específico do total das suas exportações
próximos daquela época. Ou seja, a base do crescimento das exportações
americanas têm sido um esforço dos processos de gerenciamento, os quais
reduziram consideravelmente o tamanho ou o peso específico dos produtos.
29
Na verdade, então, os americanos exportam conhecimento humano na forma
de tecnologia e conhecimento.
Na área industrial é mais ou menos óbvio o papel da informação e as
vantagens provenientes do uso intensivo de sistemas de informação de
custos, materiais e recursos. As industrias, ao longo do tempo têm feito uso
intensivo de máquinas, equipamentos e tecnologias, ( o que passou a
caracterizar o próprio termo industria), para a mecanização e a automação de
seus processos nas linhas de montagem.
A área de serviços têm tido experiências com racionalização de processos,
desburocratização, diversas metodologias revolucionárias de administração
gerencial, assim como, manipulado as noçõesde conhecimento e informação.
No entanto, essa área tem pouca experiência com o uso de tecnologias nos
seus métodos e processo.
Na raiz do problema atual na área de serviços está a dificuldade de se avaliar
seus custos, já que esse setor não tem linhas de montagens e funções de
produção tão bem equacionados como nas industrias. Serviços têm sido
confundidos, nesse sentido, com a própria estrutura da organização, ou pela
noção de burocracia.
A análise do papel da tecnologia, portanto, deve ter uma visão sociológica e
cultural, além da visão técnica, para se avaliar como o desenho, ou o
redesenho, de novos procedimentos e processos impactam as atividades de
escritório (burocracia) , definindo-se valores e custos.
O desafio no momento é perceber como as atividades de escritório, traduzidos
em processos gerenciais aumentam ou diminuem o inventário de papel na
industria de serviços; aumentam ou diminuem desempenho nos resultados
obtidos. Nada poderia ser mais espinhoso e complicado. Ao definirmos
impacto, valor, custo e desempenho, na área de serviços, estamos falando de
se avaliar seres humanos, e essa tarefa é muito complicada.
Por exemplo, para um empresa de consultoria, qual deveriam ser suas
análises quanto ao impacto dos custos e desempenho para que esse tipo de
industria pudesse avaliar e mostrar resultados, atraindo assim investimentos.
Na mais difícil! Nesse caso, de uma empresa de consultoria, suas matérias-
primas são idéias de funcionários muito bem educados, que as trazem
consigo para dentro da organização, tornando-se, assim, a base do
conhecimento e fator competitivo nesse tipo de negócio.
Devenport, despretensiosamente, propõe uma definição do impacto da
informação no gerenciamento de processos, considerando seu papel como:
1- monitor de desempenho;
2- integrador de tarefas;
30
3- definidor de processo voltados para os clientes;
4- facilitador do planejamento de longo prazo.
Requisições de serviços
Minhas experiências profissionais mostram que reunir a problemática do
setor de serviços em termos de processos de requisições pode ajudar a
entender melhor como a tecnologia impacta serviços, define valores e custos.
Em trabalho de 1993, para o Banco Mundial, considerei o fato de que todo e
qualquer serviço é prestado dentro de uma organização através de
procedimentos de requisições que registram, processam, concedem ou
rejeitam esses pedido e tradicionalmente isso tem sido feito através de
formulários de papel.
Meu ponto de partida foi considerar que:
1- todo e qualquer atividade de uma organização industrial, ou de serviços,
é, na verdade, uma tarefa relacionada a responder às requisições feitas
pelos usuários por produtos ou serviços.
2- toda e qualquer atividade corporativa é uma prestação de serviços.
3- para a organização não existe diferença entre usuários internos e clientes
externos, todos demandam igualmente por serviços e produtos.
4- A corporação é sempre uma unidade prestadora de serviços, ramificada
em várias sub-unidades com diversas funções gerenciais e administrativa
mesmo que seja da área industrial.
5- todo e qualquer serviço tem uma componente gerencial que o concede, ou
não, e uma componente administrativa responsável pelas atividades de
processamento e suporte.
6- Os serviços prestado pela organização tem um ciclo de vida que é refletido
pelos formulários manipulados pelos usuários. Esse ciclo começa com a
requisição e utilização dos formulários e termina com o serviço ou produto
sendo concedido, ou não, pelas unidades corporativas responsáveis.
7- serviços são o resultado de transações de negócio, representado pelas
manipulações de dados e informações contidos nos formulários de
serviços.
8- As transações de negócios são processos que envolvem regras de
negócios, tais como, para regulamentações legais; regulamentações
financeiras; regulamentações técnicas (licitações, aquisições, logística).
31
O papel da tecnologia, nesse sentido descrito acima é minimizar o custo do
inventário de papel decorrente das atividades de gerenciamento e de suporte,
e estão associadas à concessão dos serviços previstos nas regulamentações.
Sob esse ponto de vista, uma organização pode estar orientada para o cliente
(com serviços agilizados e computadorizados através de formulários
eletrônicos), ou orientados por processos burocráticos (formulários de papel
contidos nos arquivos).
Finanças
Incertezae Riscos
As circunstâncias atuais, da globalização e da formação de sociedades mais
abertas, estão requerendo, cada vez mais, avaliações sob condições de riscos
e incertezas. Os valores refletidos no balanço patrimonial têm apenas uma
perspectiva histórica. Se esses valores vão se realizar ou não é uma outra
história. A base dessa discussão é saber quanto vale R$1 hoje, quando
comparado com certas condições futuras.
Essas expectativas sobre o futuro podem coincidir com as expectativas que
se têm no presente, quando, então, os riscos serão minimizados. Caso
contrário, os fatores de risco sobre o que pode, ou vai, acontecer será
incorporado nos cálculos de taxas, previsões e avaliações, alterando nosso
comportamento aquí e agora.
32
Previsões sem Risco
Os vários projetos que envolvem famílias e empresas requerem pagamentos
no presente e recebimentos no futuro, ou vice-versa. Portanto é importante
conhecerem-se as relações que existem entre o valor do dinheiro hoje quando
comparado com o futuro, ou seja, o valor do dinheiro no tempo.
Hipótese das Expectativas
Em relação ao futuro, é justo esperar que as taxas de juros reflitam os valores
do mercado hoje, em relação ao que vai acontecer daquí a 1 ano. Então, a
hipótese das expectativas afirma que a taxa de juros a termo para o segundo
ano será igual à taxa à vista esperada para esse mesmo período,
considerando-se investidores avessos a riscos.
Hipótese de Preferência pela Liquidez
Para que os investidores sejam estimulados a investirem ou aquirirem
obrigações com prazo de dois anos, o mercado fixa a taxa a termo, para o
segundo ano, acima da taxa à vista esperada, considerando-se o investidor
indiferente ao risco.
Ou seja, é preciso que haja uma diferença entre a taxa a prazo e a taxa à vista
para períodos superiores a 1 anos, afim de que se possa haver descontos de
títulos, caso os investidores queiram se desfazer dos papéis antes do tempo.
Se não houvesse tal diferença, só haveriam investimentos de 1 ano, apenas,
considerando-se investidores avessos a riscos. Portanto, o risco está
intimamente ligado a perspectiva de liquidez, hoje. As pessoas só serão
estimuladas a correrem riscos se o diferencial entre hoje e amanhã for
razoável, ou, que se justifique esperar por rendimentos maiores.
Stephen Ross, em "Administração Financeira", analisando as preferências do
mercado americano entre as hipóteses de liquidez e de expectativas, concluí
que a preferência do mercado será mais favorável à liquidez, considerando
dados do mercado de títulos americanos entre 1926 e 1988.
Alternativas de Investimento:
1- Valor Presente Líquido (VPL)
Consiste em calcular os valores de fluxos de caixas futuros, comparando-os
como o valor investido hoje a uma certa taxa de juros. No exemplo a abaixo,
temos um investimento inicial de R$40 que rende retornos de R$20 em 3
períodos a uma taxa de 2%. Então , o VPL desse investimento é de R$57,68,
33
ou seja, quanto cada um desses R$ 20 valeriam somados no iníco do
investimento (hoje). Na verdade, cada um dos R$20 é atualizado em cada
período para refletir um preço de hoje (valor presente).
Cálculo do VPL: 57.86 = { [20/1.02] + [20/(1.02)(1.02)] + [20/(1.02)(1.02)(1.02)] }
2- "Payback"
Consiste em calcular o perído em que o investimento inicial seria recuperado
a uma certa taxa dada. No exemplo abaixo, o investimento de R$40 é
recuperado em 2 perídos com retornos constantes de R$ 20 em cada.
Cálculo do Payback : 40 = 20 + 20
3-Taxa Interna de Retorno (TIR)
Consiste em calcular a taxa que iguala o valor presente dos fluxos de caixa ao
investimento inicial. Podemos ter 3 situaçõe: 1º a TIR é inversamente
proporcional ao Valor Presente; 2º a TIR é diretamente proporcional ao VP e
3º o caso em que a TIR muda de sinal em relação ao VP (Valor Presente).
34
1º Caso: a TIR é inversamente proporcional ao VP
Então: 40 = { [ (X / 1.3) ] + [ X / (1.30)(1.30) ] + [ X / (1.30)(1.30)(1.30) ] }
(Cacula-se, assim, o valor X das prestações que trariam um retorno de 30%)
2º Caso: a TIR é diretamente proporcional ao VP
3º Caso: a TIR muda de sinal em relação ao VP
35
Previsões com Risco
As previsões de fluxo de caixa, sem risco, levam em consideração que as
expectativas ,hoje, sobre as taxas futuras vão efetivamente se realizar. Cada
fluxo de caixa, na verdade, tem uma probabilidade, ou risco, de se realizar.
Previsões com riscos são aquelas que levam em consideração a expectativas
das taxas de juros acordadas realizarem-se ou não, para mais ou para menos.
Essas avaliações são realizadas através da estatística, calculando-se a taxa
média de retorno histórica observada em certo tipo de investimento.
Acresce-se a esse cálculo das taxas médias, os desvios acontecidos, ou, que
poderão acontecer. Portanto, o cálculo com risco é aquele que analisa as
possibilidades de retorno de um investimento se distanciarem de suas médias
históricas, observadas na prática, ou, através da experiência histórica da
empresa com esse tipo de investimento.
Um dos problemas da estatística, que surgem com a questão acima, é como
calcular médias que sejam significativas, para explicar como valores se
distribuem entre aqueles que possuem um certa quantidade de um produto
qualquer. Então, se eu tiver 0 (uni.) e você 10 (uni.), de qualquer coisa, a média
entre nós será 5. Essa medida de valor, (chamado de média), é pouco
significativa, pois, eu não tenho nada e você possui todas as unidades de uma
cesta de certos produtos.
A estatística calculou várias formas de se calcular médias: aritmética,
geométrica, harmônica e ponderada. Na média ponderada, procura-se um
elemento, que associado aos valores observados entre os que possuem certa
quantidade de um produto, possa refletir o fato de que alguns participam com
mais, e outros menos.
Exemplo: eu: 1 (unid.) em10 dias;
Você : 10 (unid.) em 20 dias;
36
Média ponderada: [ (1.10) + (10.20) / 30 ] = 7
Média aritmética: [ (1+10) / 2 ] = 5
Suponhamos, agora, a seguinte tabela estatística, representando um universo
de observações de vários acontecimentos:
Observações
(Xi)
Desvios da média
(Xi-Xm)
Módulo Desvios
da Média
|Xi-Xm|
Quadrado
Desvios Média
(Xi-Xm)2
2 -6 6 36
4 -4 4 16
10 2 2 4
18 10 10 100
6 -2 2 4
S (Somatório) 0 24 160
Média (aritmética): Xm = [(2+4+10+18+6) /5] = (40/5)= 8
Desvio médio: Dm = [Somatório (Xi-Xm) /n] = (24/5) = 4.8
Variança: S2 = [raiz (Xi-Xm)2 /n] = (160/5) = 32
Desvio-Padrão: S = raiz de S2 = raiz de 32 = 5.66
Em adição à questão da média, discutida acima, a estatística definiu um meio
para se calcular quanto cada valor observado se desvia da média geral de
todas as observaçõessomadas (universo). Assim, o desvio-padrão nos dá um
valor de quanto cada observação pode se afastar da média geral do universo
total de observações, (no caso acima um universo total de 5 observações e
uma média de observações iguais a 8). Caso o exemplo acima representasse
a carteira de investimentos de uma empresa, o retorno esperado médio desse
portfólio seria de 8%.
A variança é a medida de dispersão das taxas de retorno do portfólio acima.
Ela é uma média do quadrado dos desvio de cada observação em relação ao
retorno médio histórico do conjunto universo ( a carteira de investimentos em
questão).
O desvio-padrão, na área financeira, é a medida de risco observado em cada
ativo, projeto ou portfólio financeiro de uma empresa. As observações acima
podem ser interpretadas como a taxa de retorno da carteira de aplicações da
Empresa XLT S/A. Dessa forma, quanto maior o desvio-padrão maiores serão
os riscos, ( ou dispersão), em relação a média de retornos do portfólio de
investimentos. Desse modo, o desvio-padrão é uma interpretação estatística
mais fácil para se entender riscos do que o conceito de variança. Em termos
numéricos, ele é a raiz quadrada da variança.
Covariância e correlação
37
Além do cálculo da variança e do desvio-padrão, é, também, interessante
saber-se como um conjunto universo, (carteira de investimentos), comporta-
se em relação à outra. Gostaríamos de saber como as ações de uma empresa
XLT S/A comporta-se em relação as de outra, LLL S/A . Para tanto, devemos
calcular a covariância e a correlação. Elas representam maneiras de se medir
se, verdadeiramente, duas varáveis, (ações da XLT e da LLL), estão
associadas, e como.
Diversificação
Como podemosobservar no exemplo acima, existe risco tanto para o conjunto
do portfólio de investimentos quanto para cada projeto, ou ativo financeiro,
que o compõem. A diferença entre o desvio-padrão de cada investimento, ( ou
projeto), e o desvio-padrão da carteira é chamada de diversificação. Com a
diversificação, os riscos podem ser combinados de maneira que um conjunto
de ativos tenha quase sempre menos risco do que qualquer um de seus
componentes.
Modelos de cáculo do Risco
Existem aqui dois limites; um, em relação aos indivíduos avessos a riscos que
se vêem obrigados a correrem certos riscos devido aos altos retornos do
mercado em relação a títulos sem riscos. O outro, é o risco excessivo que
certos indivíduos estão dispostos a correrem.
Como podemos notar risco é um jogo de equilíbrio entre os participantes do
mercado, as condições do mercado, e a informação necessária para se correr
riscos, ou não. Existem dois modelos de cálculo de risco:
1- CAPM (capital asset pricing model): esse método estabelece uma relação
ao retorno esperado de um investimento através de um parâmetro (beta)
de mercado, desse modo:
Retorno(titulo) = taxa(s/risco) + Beta .[retorno(mercado) –taxa(s/ risco)]
Estatisticamente, Beta é a covariância dos retornos de um título com os
retornos oferecido pelo mercado, dividido pela variância dos retornos
possíveis da carteira que contém esse título.
Exemplo: se a taxa livre de risco for 6%, o prêmio histórico para risco do
mercado seja 7 % e o Beta da empresa XLT S/A for 0.9, o retorno esperado de
seus títulos será: 6% + (0.9 . 7%) = 12.3 %.
Pesquisadores na área financeira mostram que o Beta de um título é sua
melhor medida de risco quando se considera um amplo portfólio. Ele é uma
boa medida de sensibilidade de um ativo em relação a um fator de risco no
mercado. A ação de uma empresa , ou até mesmo um projeto, pode estar
relacionada com a taxa de inflação, nesse caso , variações no Beta mostrarão
38
o quanto a taxa de inflação influencia os negócios da empresa com esse tipo
de ação.
2- Sphen A . Ross ,em seu livro Administração Financeira , explica que uma
alternativa para o método CAPM é o arbritage pricing theory (APT),
desenvolvido mais recentemente. A diferença entre o método CAPM e o
APT, segundo Ross, "...decorrem do tratamento que a APT dá a
interrelação dos retornos sobre títulos.." ..."
A APT supõe que os retornos sobre os títulos sejam gerados por uma série
de fatores de âmbito setorial, ou macroeconômico..." "...Além disso, a APT
encara o risco de uma maneira mais geral do que apenas como covariância,
ou beta, de um título com a carteria de mercado..."
"...A taxa de retorno de qualquer ação negociada no mercado financeiro é
formada por duas partes:
1. o retorno normal, ou esperado. Depende de todas as informações que se
possuí sobre a ação, e utiliza tudo aquilo que se acha que influenciará a
ação no mês seguinte.
2. o retorno incerto, ou inesperado. Esta é a parcela atribuível à informação
que será revelada durante o mês, tais como: dados divulgados pelo
governo, descoberta de um novo produto concorrente, queda repentina
nas taxas de juros, notícias sobre atividades de pesquisa e
desenvolvimento da empresa.
39
Ainda segundo Ross, a parte esperada de qualquer notícia está contida na
informação utilizada pelo mercado para formar a expectativa , Rm, de retorno
da ação. A surpresa é a notícia que influencia o retorno inesperado da ação U.
Um modelo então, para representar a taxa de retorno sobre a ação de uma
empresa é, portanto:
R = Rm + U ..."
Para o caso de riscos sistemáticos esse U será a soma dos diferentes Betas
para os quais as ações ou ativos das empresas estarão possivelmente
relacionados, tais como: F1(taxa de inflação), F2(resultado do produto interno
bruto), F3(balança comercial), etc, resultando :
R = Rm + Beta1F1+ Beta2F2+ Beta3F3
Expectativas
O gerenciamento de empresas está íntimamente vinculado a 2 tipos básico de
fatores: aqueles que são tangíveis, e podem ser medidos, e os intangíveis.
Os valores tangíveis são aqueles representados, principalmente, no balanço
patrimonial como expectativa de realização dos ativos, passivos, receitas e
despesas. Os valores intangíveis são mais difíceis de serem avaliados;
representam a boa administração e o bom nome da empresa no mercado.
O ato de administrar é antes de mais nada uma avaliação constante de
expectativas que podem; ou não se realizarem, influenciando, desse modo, os
processos de tomada de decisão.
Avaliação de Alguns Fatores Tangíveis:
Um negócio pode ser visto como uma estrutura de capital composta de:
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1- Aplicações (Ativo);
2- Capital Próprio (PatrimônioLíquido);
3- Capital de Terceiros (Passivo);
Esses valores são medidos a partir das demonstrações contáveis e do fluxo
de caixa.
A figura abaixo é uma representação esquemática de um balanço .
Balanço Patrimonial
O Balanço patrimonial é uma fotografia dos valores contábeis de uma
empresa em um certo momento no tempo, definindo uma expectativa de
liquidez quanto aos investimentos, o capital próprio e os empréstimos
contraídos.
O Balanço indica um equilíbrio entre origem e aplicação de recursos, definido
pela equação:
41
Ativos = Passivos + Patrimônio
Liquidez Contábil
Liquidez contábil é a rapidez, ou facilidade, com que os ativos podem ser
convertidos em dinheiro. No esquema acima, de um Balanço Patrimonial, as
contas se apresentam em ordem crescente de liquidez de cima para Baixo.
Então, os ativos circulantes são os mais líquidos e os ativos imobilizados os
menos líquidos. Os Passivos seguem a ordem inversa, primeiro os mais
exigíveis. Assim, o Passivo Circulante representa dívidas de curtíssimo prazo,
já o Patrimônio Líquido é a participação dos sócios ou acionistas, não
representando dívidas, mas expectivas de benefìcios aos investidores.
Capital de Terceiros e Capital Próprio
Apartir do balanço patrimonial, as questões do gerenciamento das empresas
são 3:
1- Aonde investir no longo prazo (orçamento de capital);
2- Como levantar recursos (próprios ou de terceiros);
3- Como gerenciar os fluxos de curto prazo (caixa e capital de giro);
Essa estrutura de capital, acima, define, então, acionistas e credores,
determinando um percentual de participação de cada um, e as consequências
quanto ao pagamento de juros e benefícios. Porém, deve-se lembrar que os
ativos, (investimentos, aplicações, equipamentos),
têm valor histórico ou contábil. Esses valores são, na verdade, baseados em
42
custos, (de aquisição), e a tarefa do gerenciamento é criar um valor para a
empresa superior a esse custo de aquisição.
Identificação dos Fluxos de Caixa
A tarefa dos analistas e administradores é identificar os fluxos de caixa a partir
das demostrações financeiras. O valor de um investimento depende de como
os fluxos de caixa se distribuem no tempo.
A preferência é sempre por maior liquidez. Uma moeda recebida, hoje, vale
mais do que se recebida daquí um ano. Portanto, o gerenciamento precisa
levar em conta as perspectivas de risco embutidas em cada investimento do
ativo, e na suas avaliações de valores e liquidez futura.
Obter informação sobre as condições de mercado, dos clientes, fornecedores,
juros futuros, câmbio, administração monetária e déficit fiscal passaram a ser
de vital importância nas avaliações de expectativas das empresas e do
gerenciamento no mercado.
O Valor da Informação
Todo modelo econômico, assim como, suas partes financeira, de produção e
preferências do consumidor estão baseadas no conceito de equilíbrio. Essa
noção de equilíbrio é aquela que traz estabilidade aos índices financeiros
(juros, taxa de descontos), de produção (custos e funções de produção) e do
43
consumidor (nível de renda, taxa de emprego). Então, no equilíbrio dos vários
fatores internos e externos que compõe o modelo econômico encontra-se
uma contrapartida que limita e define quantidades, níveis de consumo e valor,
ou preço.
O equilíbrio econômico, como podemos notar, está permeado pelo conceito
da informação. Embora, a palavra informação seja de definição imprecisa e
polêmica, ela, no entanto, está embutida, intuitivamente, na manipulação de
dados, principlamente nos de ordem econômica. Quanto mais informação por
parte dos produtores, ou dos consumidores, maiores serão as possibilidades
de escolha, e melhor será o processo de tomada de decisão quanto a que
caminho seguir, ou opção a tomar.
O conceito de informação, como estamos analisando nessa palestra, é uma
quantidade de dados que precisam ser analisados através de um
processamento para obter-se um valor que traga vantagem para a tomada de
decisão. Assim, informação e valor estão íntimamente relacionados.
A teoria da informação propõe um modelo de informação como uma troca
entre emissores e receptores, os quais avaliam mensagens enviadas ou
recebidas, através de um processo interativo de retroavaliação , ou feedback,
entre as partes (receptores e emissores).
O modelo acima está incompleto, na medida que não avalia as valorizações
ou desvalorizações nas transações entre emissor e receptor. O modelo de
informação para estar completo precisar capturar as mudanças temporais que
ocorrem com os dados, valorizando-se e desvalorizando-se a informação
emitida, e recebida, através do processo de comunicação. São essa variações,
na verdade, que estabelecem um modelo de mediação entre as partes.
As partes, (emissor e receptor), no processo de comunicação, usam da
informação recebida e transmitida para avaliarem padrões e prepararem suas
respostas de acordo com suas necessidades temporais de dados, os quais,
44
se alteram constantemente no tempo, refletindo riscos, ruídos, interferências
ou imprevistos.
A concepção tradicional é estática e implica num fluxo contínuo de dados
através do tempo, sem avaliar os desejos, preferências, ou, avaliações
temporais nas transações entre emissores e receptores. Nesse sentido, a
comunicação é unilateral e a informação uma quantidade, ou parâmetro fixo,
entre participante que sempre agem de uma forma esperada.
O que está se propondo nessa palestra é que a informação tenha uma
avaliação econômica, resultando em um modelo, assim como os de ordem
econômica, que procure, ou atinja, um equilíbrio. Desse modo, a informação
seria um parâmetro de medida entre as partes que alcança o equilíbrio quando
se estabelece uma competição para sua obtenção.
Essa competição, na verdade, é uma mediação nas transações de
comunicação entre emissores e receptores, avaliando como uma
possibilidade pode se tornar uma ação efetiva, (ou tomada de decisão). Essa
visão propõe informação como possibilidade, não fluxo contínuo; e
comunicação como dependente das relações temporais das transações entre
emissores e receptores.
A informação, como um elemento de mediação entre partes que se
comunicam, define: dados, processamento, riscos, mensagem e condição de
equilíbrio. Quando o equilíbrio é atingido a informação se estabelece como
consequência da comunicação, no entanto, ela não é estática. Esse equilíbrio
informativo se altera, constantemente, através de uma flutuação na
quantidade, ou qualidade, dos dados, definindo informações táticas,
estratégicas e histórica.
45
A informação tática avalia o valor econômico dos dados para a tomada de
decisão no presente, a estratégica para avaliações futuras, e a histórica para
pesquisas e definições de séries passadas.
A informação, vista sob essa perspectiva, traz consequências para a área de
gerenciamento, abrindo caminho para uma nova visão de processamento e
banco de dados.
Independentemente de serem manipulados manualmente, ou
eletronicamente, o processamento de bancos de dados adicionam valor à
cadeia de produção das empresas através de sua capacidade de manipular
informação passada, presente e futura.
Processamento é, portanto, o mecanismo de apropriação contábil da
informação e o banco de dados um ativo financeiro da empresa. O valor que
se atribui à informação é aquele que estabelece uma condição de equilíbrio
entre os fatores internos e externos (emissores e receptores) da organização.
46
Gráficos da representação econômica da informação como mediação na comunicação
O Longo e o Curto Prazo
O tempo no gerenciamento é importante para se identificar como os recursos
da organizaçãoestão sendo utilizados. Distinguem-se dois tempos básicos: o
curto e o longo prazo; entre eles estão as condições de equilíbrio, onde todos
os recursos, tanto os da organização em seu esforço de produzir, quanto os
dos consumidores estão satisfeitos.
Esse esforço de produção é chamado de custo. No curto prazo, a tarefa do
gerenciamento é controlar os custos fixos, a fim de alavancar sobre os custos
de capital (juros). Os custos variáveis são crescentes, nessa fase, decorrentes
das necessidades contínuas de aumento da produção . Nesse curto prazo, até
que as condições de equilíbrio sejam atingidas, o preço cobrado tem que ser
proporcional ao número de consumidores com interesse em adquirir uma
unidade a mais do produto produzido. Nessa etapa, mais insumos são
introduzidos para satisfazer as crescentes necessidades de maior produção.
Esses incrementos na produção cessam, quando a produção de uma unidade
a mais do produto está além da capacidade da produção, e do preço praticado.
Nessas condições, atinge-se o equilíbrio, onde tudo que é produzido será
consumido.
O longo prazo trata dessas condições, quando o equilíbrio de preços no curto
prazo já foi alcançados. Nessas condições, a tarefa do gerenciamento é
controlar os custos variáveis, já que os controle sobre os custos fixos
conduziram às condições de equilíbrio entre produção e consumo.
No longo prazo, o ganho(receita) das empresas está relacionado com a escala
de produção. O preço inicial de curto prazo baixa ao nível dos custos médios
de produção. Variações nos custo dos insumos podem alterar as condições
dos custos médios de longo prazo. Nessa condições o equilíbrio é mantido
através da entrada de novos produtores mais eficientes, novas tecnologias,
ou, o aumento generalizado dos preços, puxando o custo médio para cima.
As condições de equilíbrio têm duas componentes importantes: mudanças
sistemáticas ou aleatórias, nos fatores internos e externos da organização,
que vão desde da flutuação do câmbio até a variação dos preços da matéria-
prima. Essas mudanças estão relacionadas como os fatores de risco de curto
prazo, influenciando como o equilíbrio é atingido no longo prazo, ou como os
47
preços médios vão variar. No curto prazo, os riscos determinam como o
gerenciamento toma decisões para proteger a longo prazo sua estabilidade.
A tomada de decisão do gerenciamento ,atualmente, pode ser considerada
como um conjunto de medidas de curto prazo, com a finalidade de se atingir
uma estabilidade de longo prazo. Então, uma série de estratégias de curto
prazo é que garantirão os projetos de longo prazo. Portanto, é importante
considerar-se os mecanismos de proteção ao risco e incertezas disponíveis
ao gerenciamento.
Mecanismos de proteção ao risco e à incerteza
Os ativos contábeis de uma empresa representam um conjunto de aplicações
tais como: títulos com taxas fixas e variáveis, contratos de compra e venda de
mercadorias, ações e participações em outras empresas e negócios. Ou seja,
as empresas geram ativos comprando "obrigações" definidas em contrato,
umas das outras. As expectativas desses ativos se realizarem, ou não, vão
determinar como as organizações negociam esses papéis, vendendo-os com
desconto se precisarem de dinheiro ,ou, no caso de seus retornos serem
duvidosos.
As bolsas de mercadorias são o lugar onde esses "papéis" são negociados e
onde as previsões, ou expectativas, quanto as suas taxas de retornos são
fixadas. Mais especificamente, no Brasil, é a bolsa de mercadorias e futuros
(BM&F) que realiza essas transações de negócios derivados de outros
negócios (derivativos).
Devemos observar que derivar negócios de outros negóciosé na verdade uma
maneira de alavancar os ativos de uma empresa. Assim , um contrato $R
1000,00 reais com taxa de retorno esperada de 5 ao ano, pode ser negociada
na BM&F a uma taxa de 50% ao ano, devido ao um inesperado sucesso nas
realizações desse contrato. Por exemplo, esse contrato pode se referir a
obrigações de uma empresa que investiu em uma tecnologia, e ela acabou por
descobrir algo revolucionário.
Quase todos os tipos de ativos de uma empresa podem ser negociados na
BM&F. Segundo Noenio Spinola, em seu livro "O futuro do futuro", "... a BM&F
é a maior bolsa de commodities (mercadorias) da América Latina, e ao longo
de sua existência, fundiu-se, ou se incorporou, a outras instituições que
atuavam na mesma área, tais como, a Bolsa de Mercadorias de São Paulo e a
Bolsa Brasileira de Futuros do Rio de janeiro. Ela é uma instituição sem fins
lucrativos..."
As negociações, em mercados futuros, funcionam baseados na procura por
proteção na realização das aplicações feitas (compra de ativos). Assim, um
produtor de café quer garantir os preços atuais da saca com medo de que
48
daqui a 6 meses ele caia. Esse produtor procura vender sua produção futura
através de um contrato que garanta o preço de hoje.
Os negócios não se realizam apenas com mercadorias, mas também, ouro,
taxas de juros (DI), taxas de câmbio, índice de lucratividade das ações da
bolsa (Ibovespa), cupom cambial (taxa de juros menos a variação cambial),
títulos da dívida externa (C-Bond, dívida externa brasileira derivada do acordo
Brady Bonds).
49
Produção
Avaliações do Sistema de Produção
A Visão Tradicional de Sucesso na Industria
A visão tradicional, que determina maior,
ou menor, competitividade dos
participantes nos diversos setores
industriais, está ligada as teorias da
vantagem absoluta e comparativa.
No caso da vantagem absoluta, vende
mais quem tem o melhor preço, ou o
custo mais baixos, tomados no seu
sentido estrito, ou seja, o preço do
produto no mercado, tão somente. Para a
comparativa, são os fatores de produção que importam. Nessa visão
comparativa, a maneira como os custos dos diversos fatores, que influem na
produção, são controlados é o que determina o sucesso da empresa no
mercado.
Função de produção
A função de produção é o método que processa a cadeia de valores da
empresa, desde da matéria-prima até o produto acabado. Ela define
capacidade industrial, custos, gerencia a demanda, os fornecedores e a
distribuição e colocação dos produtos no mercado
50
A Cadeia Produtiva (Tradicional)
A Visão da Vantagem Competitiva
Como disse Michael Porter , em seu livro “A Vantagem Competitiva das
Nações”:
“... Existe um sentimento crescente de que vantagem comparativa, baseada
nos fatores de produção não é suficiente para explicar padrões de comércio...
A Coréia, no final da guerra, não tinha capital, no entanto, foi capaz de atingir
uma substancial capacidade de exportar em setores dependentes do uso
intensivo de capital, tais como: aço, construção naval e automóveis. Os
EE.UU, por outro lado, com mão-de-obra especializada, tecnologia e amplos
recursos de capital tem visto sua participação nesses setores industriais
erodir-se no mercado internacional...”
“... Na medida que as industrias se baseiam cada vez mais no uso intensivo
do conhecimento, o papel do fator custo enfraquece-se mais e mais...”
Ainda segundo Porter, “...Cada vez mais as industrias deixam de se encaixar
nos moldes da teoria da vantagem comparativa. A economia de escala está
difundida por toda a parte, a maioria dos produtos está diferenciado, e as
necessidades dos consumidores varia de país para país...
“...A tecnologia tem oferecido às firmas o poder de contornar os fatores
escassos de produção através de novos produtos e processos tecnológicos.
Isso tem anulado, ou reduzido, a importância de certos fatores de produção,
antes considerados vitais (capital, trabalho, terra)...”
“...Uma automação flexível, que permite manipular lotes pequenos, e
facilmente alterar moldes ou modelos, está reduzindoo custo da mão-de-obra.
O acesso à tecnologia de ponta está se tornando mais importante do que
baixos salários...”
“...O acesso à fatores de produção abundantes é menos importante, hoje, em
vários setores industriais, do que tecnologia e o conhecimento para processá-
los de modo mais efetivo e eficiente. ... A vantagem do baixo custo de recursos
naturais podem ser anuladas do dia para a noite com o advento de novas
tecnologias ...”
“...A vantagem competitiva é criada e sustentada através de processos
altamente localizados. Diferenças nacionais de ordem econômica e cultural,
assim como, suas instituições e história tem uma contribuição fundamental
no sucesso competitivo de cada país (ou empresa)...”
A vantagem competitiva está focada na análise de como os diversos
elementos da cadeia de valor participam do processo produtivo. Desse modo,
51
a vantagem de uma empresa está na identificação das atividades da cadeia
produtiva onde ela tem liderança , tais como:
1- custos (localização em relação ao fornecedores distribuidores);
2- tecnologia (domínio de um processo tecnológico) ;
3- poder de barganha (volume de compra, por exemplo);
4- recursos humanos (pessoal treinado em áreas particulares do
conhecimento);
A visão da vantagem competitiva tenta unir estrutura organizacional com
processos produtivos, reduzindo a distância entre as atividades de escritório
(burocracia) e a cadeia de valores. Desse modo, atividades de escritório
passam a adicionar valor à cadeia produtiva da mesma forma que os insumos
de produção. Assim, o que faz as empresas competirem é uma rede de
relações que se alteram, constantemente, de acordo com as condições de
mercado; Oora, podem ser liderança em custo produtivos; ora, uma nova
tecnologia empregada; ora, as relações de venda, marketing ; ou, ainda,
melhor acessibilidade e rapidez na entrega dos produtos.
A Cadeia de Valor e a Estrutura Organizacional (Competitiva)
As implicações quanto ao uso de sistemas de informação, dentro dessa visão
da produção oferecida pela vantagem competitiva, são claras e poderíamos
enumerá-las da seguinte forma:
1- As atividades de controle e planejamento das operações, tais como: gestão
da demanda, gerenciamento de materiais (MRP) e recursos organizacionais
(ERP) estão relacionadas com as tarefas de escritório (burocráticas), tais
como: procedimentos, cálculos, verificações de controle e estatística, através
52
das atividades descritas na figura acima, como importantes no gerenciamento
da cadeia produtiva, nas áreas de: logística, marketing, vendas, serviços e
operações.
2- As várias unidades da estrutura organizacional, tais como: recursos
humanos, pesquisa e desenvolvimento (P&D), aquisições e suporte integram-
se às atividades de gereciamento da cadeia produtiva através do
processamento de dados, reduzindo níveis hierárquicos de decisão e
processos.
Podemos concluir que as presentes transformações no ambiente gerencial e
organizacional das empresas são frutos de uma evolução tecnológica que tem
passado, da mecanização e automação das linhas de montagem à
informatização da tomada de decisão, ou gerenciamento.
Se no passado o enfoque era analisar a vantagem comparativa dos fatores de
produção das empresas, analisando custos isoladamente; hoje, o importante
é considerar a competitividade das várias tarefas que adicional valor à cadeia
de produção, nas quais, a empresa oferece um desempenho superior a outras
no mercado (como por exemplo, sua localização estratégica, alianças de
distribuição e logística, ou ainda, um suporte informatizado de decisão).
O uso de tecnologias e sistemas de informação no gerenciamento dessas
atividades competitivas das empresas passou a ser um fator crucial para
melhorar, ou reforçar, seu posicionamento no mercado.
Como exemplo do que foi dito acima, a informatização favorece o
redimensionando das atividades de escritório, reduzindo, ou automatizando,
processos e, com isso, minimizando os custos daquilo que poderíamos
chamar de inventário de papel.
53
Custos na Produção
A abordagem tradicional dos custos
A visão tradicional da economia é encarar a empresa como unidades de
processamento de insumos em produtos finais. Os consumidores, de acordo
com suas restrições de renda, compram todos os produtos disponíveis ao
preço P, quando tudo que é produzido é consumido. Preço, segundo essa
visão, é um elemento de equilíbrio entre a produção e o consumo.
A função de produção, portanto, está
intimamente relacionada aos custos.
Como, já discutimos antes, os custos
de curto prazo são aqueles que
remuneram o desejo de mais um
consumidor em adquirir o produto.
Esses são os chamados custos
marginais, e representam o ganho
máximo de uma empresa ao produzir
uma certa quantidade (y) usando uma
certa quantidade de insumos (x)
No curto prazo, no ponto em que a
produção é máxima, temos os custos
marginais como limitante da
capacidade de produzir e consumir.
Custos fixos são aqueles que não
variam com a produção (aluguel do
prédio da fábrica, por exemplo), já os
custos variáveis acompanham os
níveis de produção (materiais usados
na fabricação). Custo Total é a soma
dos fixos e variáveis.
54
Quando se inicia a produção, o custo
total (fixos + variáveis) não é remunerado
pela receita, até que o ponto de equilíbrio
seja atingido, a partir do qual, a receita
com as vendas dos produtos cobre todos
os custos. Esse ponto de equilíbrio
representa uma certa quantidade, ou
volume Ve vendido a um certo preço $e.
No equilíbrio de longo prazo, o preço é determinado pelo custos médios.
Nesse caso , a tarefa do gerenciamento é administrar os custos variáveis para
aumentar os ganhos de escala na produção, ou seja, maior a escala de
produção, em relação ao curto prazo, menores serão os custos e
consequentemente o preço.
As funções de demanda e ofertas inicial são, respectivamente, DD e SS, e as
condições iniciais de equilíbrio determinam E1, como exemplificado acima.
No curto prazo a demanda passa para D’D’, gerando o preço de equilíbrio $C.
No longo prazo, com a entrada de novas firmas no mercado, a oferta aumenta
e o novo preço de equilíbrio será ($L).
A abordagem Competitiva
A visão competitiva de Michael Porter, diferentemente da visão tradicional,
preocupa-se com análise das atividades que realmente contribuem para o
processo produtivo da empresa. Dessa forma, a tendência, tanto na avaliação
de custos, quanto no planejamento das operações e recursos
organizacionais, tem sido de desagregar processos e valores (econômico).
55
O aspecto da cadeia produtiva na avaliação do custo
A figura abaixo mostra a concepção de Porter da estrutura organizacional
decomposta em atividades. Essas atividades são aquelas estratégicas que
geram informações para o processo competitivo. Processo, nessa visão de
Porter, são valores adicionados pelo gerenciamento, e é, em parte, um
aspecto da avaliação dos custos.
Ainda Segunda essa visão competitiva, os custos assumem grande
importância. Porter, em seu livro “Competitive Advantage”, diz: “...Custo é um
dos dois tipos de vantagem competitiva que uma firma pode possuir. Custo é
também de vital importância para se definir estratégias de diferenciação do
produto porque esse diferencial obtido precisa estar ao par dos custos
oferecidos pelos competidores...”
“...A menos que o preço final exceda os custos da diferenciação, não haverá
melhoria no desempenho da empresa no mercado... Muitos gerentes
reconhecem a importância de estratégias tais como, “liderança em custo” ou
“ redução dos custos “. No entanto, o comportamento dos custos é raramente
bem compreendido...”
“... O primeiro passo para a análise de custos é definir-se a cadeia de valor
agregado da firma, atribuindo-se custos operacionais e valores às atividades.
Cada atividade na cadeia de valor agregado envolve ambos: custos de
operacionalização e valores na forma de capital fixo e de trabalho...”
56
“...Para o propósito da análise dos custos, a desagregação da cadeia de
valores agregados da firma em atividades individuais e discretas, deve refletir
3 princípios que são mutuamente excludentes:
1- o tamanho e o grau de crescimento dos custos representados pelas
atividades;
2- o comportamento dos custos das atividades;
3- como o competidor realiza tais atividades...”
O aspecto do valor na apropriação dos custos
Custo tem dois aspectos de valores; um estratégico ou operacional. O aspecto
estratégico do custo refere-se a importância competitiva da atividade que o
compõe. Essa importância competitiva, diz respeito a avaliação de como uma
empresa realiza uma tarefa vis-à-vis seus competidores, ou se a atividade
pode , ou não ser melhorada ou modificada. O aspecto operacional, é a
apropriação dos custos diretos e indiretos .
Custos diretos são mão-de-obra e matéria-prima, por exemplo, que participam
diretamente no processo produtivo. Custos indiretos são, seguro e despesas
administrativas, os quais, não participam diretamento do processo de
confecção do produto.
Independentemente de serem diretos ou indiretos, o valor dos custos pode
ser desagregado por departamentos , ou ainda por atividades que compõe o
processo produtivo (activity based costs). Eliseu Martins, em seu livro
“Contabilidade de Custos”, ao analisar o custeio baseado em atividades
(ABC), propõe duas visões para o processo ABC de apropriação de custos:
1- a visão econômica (vertical) que apropria custos através das atividades
dos departamentos.
2- a visão de processos (horizontal) que apropria custos através das
atividades de cada unidade funcional dos departamentos.
Dessa forma, cada atividade de cada departamento, ou unidade funcional, tem
uma cota de participação no custo final de um produto. Veja o exemplo abaixo,
baseado nos coneitos de Martins.
Atividade
(Por Deptº)
Produto1
(Participação p/ Deptº)
Produto2
Participação p/ Deptº)
Deptº Aquisições 10% 35%
Deptº Despacho 20% 10%
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Deptº Manufaturar 15% 20%
Deptº Fornecedores 15% 15%
Deptº Clientes 40% 20%
Total 100% 100%
Conclusão
Mundanças recentes, na avaliação e percepção de custos, estão no centro
dessa nova avaliação dos processos organizacionais, e como eles se têm
tornados elementos cruciais para o desenho de sistemas de informações
gerenciais.
Atividades de escritório, agora, estão sendo considerados sob o ponto de
vista de sua contribuição à cadeia de valores agregados da empresa. Desse
modo, processo tem valor estratégico e custo econômico. Custo , segundo
essa perspectiva, é a contribuição de diversas atividades realizadas por
departamentos e unidadesorganizacionais ao posicionamento competitivo da
empresa no mercado.
No entanto, devemos salientar a importância da avaliação econômica
tradicional do longo e do curto prazo. Está implícito na abordagem
competitiva o longo prazo, ou os custos médios na formação de preços de
produtos que atingiram certa maturidade no mercado.
Porém, a velocidade com que aparecem novos produtos no mercado, assim
como, novas tecnologias, pode forçar as empresas a constantemente terem
de administrar custos de curto prazo (custos marginais).
Esse custos marginais de curto prazo podem forçar a alteraração da visão que
a empresa tem de seus processos produtivos. Nessa situação, não são bem
as atividades que importam, mas, as condições de equilíbrio econômico.
Assim, se por um lado as atividades representam o lado estável, de longo
prazo, elas não reagem, pela sua própria natureza, com a mesma rapidez do
que a componente econômica de curto prazo dos custos, ou seja o preço de
mercado.
O curto e o longo prazo, as condições de equilíbrio econômico dos preços,
assim como, as condições de riscos e incertezas do mercado, devem ser as
preocupações constantes do gerenciamento atualmente.
Do mesmo modo, sistemas de informações gerenciais devem se preocupar
mais com o valor da informação, e, das transações efetuadas pelos bancos de
dados, do que perceber sistemas como uma coleção de tarefas a serem
58
automatizadas. Portanto, no centro da discussão dessa palestra, entre
processos e informação, está a compreensão do termo informação como
elemento de mediação e equilíbrio econômico.
Estoques
Gerenciamento de Estoques
Como tem sido analisado aqui, a visão
dos processos produtivos têm passado
da perspectiva ecônomica clássica, das
funções de produção de curto e longo
prazo e preço, para a perspectiva
competitiva de custos desagregados em
atividades e valor.
O que está em jogo na distinção entre
essas duas abordagens é o fator tempo,
ou seja, como cada uma encara o curto e
o longo prazo.
A visão tradicional encara a diferença
entre o curto e o longo prazo como fator de estabilização na produção através
da economia de escala. No curto prazo, o limitante dos recursos é o preço
(custo marginal), no longo prazo o limitante é a economia de escala que
proporciona um rebaixamento dos preços e estabilização do consumo, além
de favorecer a previsibilidade no planejamento de recursos .
A visão competitiva assume apenas uma visão, a de longo prazo, já que ao
dividir custos de produção em tarefas e valores, não prevê, ou talvez não seja
gerenciável , a mudança contínua de atividades para se ajustá-las aos custos
marginais ( curto prazo). Desse modo, a visão competitiva prevê, não apenas,
a utilização de recursos em geral, incluído no planejamento organizacional,
mas também, prevê o desenho e utilização de atividades e valores associadas
aos processos produtivos de custo para se atingir a estabiliadde no longo
prazo.
59
As condições, atuais, do mercado, com entradas contínuas de novos
produtos, competidores e tecnologias, nos faz crer que estejamos vivendo,
talvez momentaneamente, um período de permanente curto prazo no
planejamento das empresas, onde o preço, (custo marginal), parece ser o
único parâmetro regulador dos recursos organizacionais atualmente. Isso tem
impactado como as empresas estabelecem política de regulação de estoques.
Embora as descrições da literatura no assunto mostrem que maior
acessibilidade e rapidez na entregas sejam os elementos estratégicos que
definem políticas de, por exemplo, estoque zero, acreditamos que o fato
evasivo por de trás desse conceito seja a necessidade de competir,
permanentemente, num patamar alto de preços, ou custos marginais.
Nessas condições, o planejamento dos recursos materiais tem que favorecer
apenas preço, sacrificando custos fixos. A vítima mais disponível será o fator
de produçãoque, aparentemente, na lista de custos, seja o mais alto. Corte na
mão-de-obra parece ser o mais fácil e que demonstra, aos acionistas,
seriedade na administração.
No entanto, o fator subjacente que mais será prejudicado, seguindo essa
racionalidade será a qualidade nos serviços, ou produtos, prlo menos no
primeiro momento (curto prazo).
O planejamento de estoque deve levar em conta esses aspectos de curto e
longo prazo, preço, competitividade, assim como processos de custos.
Henrique Corrêa, Irineu Gianesi e Mauro Caon, no livro “Planejamento,
Programação e Controle da Produção”, dizem:
“...Nos anos 80, por exemplo, muitas empresas
tiveram problemas estratégicos sérios por
acharem que deveriam, a todo custo, baixar a zero
seus estoques, seduzidas por uma literatura
equivocada das mensagens subliminarmente
passadas pela superioridade incontestável dos
sistemas de gestão japoneses daquela época. Na
verdade, a mensagem era quase esta, mas não
exatamente esta. Hoje, entendemos de forma mais
clara que o que devemos buscar incessantemente
é não ter um grama a mais de estoques do que a
quantidade estritamente necessária
estrategicamente...”
Dois aspectos estratégicos são ainda importantes
de se salientar aqui: a distinção entre produção por encomenda e a produção
contínua. A produção por encomenda demanda estoques menores, ou quase
nulos, pois os pedidos são regulados pela quantidade programada pelos
próprios consumidores. A produção contínua de produtos de prateleiras
60
demandam um percentual de estocagem como elemento regulador da
quantidade ofertada e o preço estável da demanda.
Na produção contínua, a regulamentação dos estoque está associada a
valorização, ou desvalorização dos preços dos produtos estocados, forçando
a criação de inventários. Aqui reside todo o problema de definição de
estratégias de estoques.
Em qualquer processo de estocagem existe um descompasso entre o tempo
que a mercadoria entra efetivamente no estoque e o momento em que ela é
consumida. Portando, em um dado momento, num estoque, existem
mercadorias com diferentes valores que precisam ser, constantemente,
reavaliados para se ter uma ideia do valor imobilizado. Existem 4 métodos
para se avaliar o valor de um estoque:
1- o preço específico: esse critério atribui a cada unidade do estoque o preço,
efetivamente, pago pela mercadoria.
2- PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai, ou FIFO):esse critério atribui às
mercadorias no estoque o valor dos custos, mais recentes, em adquirí-las. A
cada venda, a baixa é feita iniciando-se pelos custos mais antigos (ou
menores).
3- UEPS (último que entra, primeiro que sai, ou LIFO): esse critério atribui às
mercadorias estocadas os custos mais antigos. A baixa é sempre feita pelos
custos das últimas aquisições, proporcionalmente, aos custos de aquisição.
4- Custo Médio: esse critério atribui as mercadorias estocadas o valor médio
dos custos de aquisição, atualizados a cada compra feita.
61
Alavancagem na Produção
O problema da alocação de recursos na produção e nas finanças
A estrutura de capital de uma empresa é genericamente divida entre capital
próprio e capital de terceiros. A decisão de usar um ou outro depende das
taxas de retorno oferecidas pelos juros do mercado.
A decisão de usar capital próprio depende das possibilidades das vendas do
produto alcançarem lucratividade mais alta do que a do mercado de capitais,
caso contrário, o proprietário, ou o acionista, aplicará no mercado financeiro.
A possibilidade de se usar capital de terceiros enfrenta o problema de que a
lucratividade com as vendas sejam maiores do que os juros cobrados pelos
títulos do passivo, caso contrário, a empresa terá prejuízo ao pagar o dinheiro
que tomou emprestado para produzir.
Fluxo de Caixa Mostrando a alocação de Recursos de produção e Financeiro
Em um ou outro caso, descrito acima, a tarefa do gerenciamento é alavancar
sobre os custos da produção e os juros do mercado, ou seja, a lucratividade
62
com as vendas deve superar a combinação dos juros cobrados pelo mercado,
mais os custos da produção. O gerenciamento tem, então, como missão
balancear a quantidade de recursos do passivo (capital próprio mais de
terceiros) que aplica em ativos financeiro, versus a quantidade que aplica na
produção.
A alocação dos recursos de capital é um dilema que envolve essas duas
áreas: a financeira e a de produção. Enquanto que aplicações na área
financeira procuram por taxas de retorno mais altas, para alavancar sobre os
juros cobradospelo capital de terceiros ; a área de produçãoprocura por juros
mais baixos para alavancar sobre os custos (fixos no curto prazo e médios no
longo prazo).
A figura a baixo, demonstra esse dilema, enquanto que taxas de juros altas no
mercado atraem maiores quantidades de recursos financeiros; taxas de juros
mais baixas atraem aplicações na área produtiva. Existe um ponto de
equilíbrio no mercado onde as taxas de juros dão retorno atrativos tanto para
a produção quanto para o capital financeiro.
Disputa entre Capital Financeiro e de Produção
A influência de fatores externos ao gerenciamento
A tarefa de alocação de recursos pelo gerenciamento de uma empresa está,
hoje em dia, intimamente ligada a fatores externos à organização, os quais,
disponibilizam mais, ou menos, capital para os investimentos.
Existem duas fontes de capital no mercado; o governo que emite moeda para
os bancos e para suas próprias necessidades, e o capital externo que procura
por retornos mais altos que nos seus países de origem. O capital externo
maximiza seus retornos através do cupom cambial, ou, através de
63
investimentos diretos que uma vez amadurecidos trarão retornos mais altos
do que em seus países de origem.
O gerenciamento , no entanto, enfrenta a concorrência do próprio governo
que necessita de capital para cobrir seus déficits orçamentários. Essa
necessidade de dinheiro do governo é expressa pelo nível de juros pagos
pelos títulos da dívida pública. Desse modo, quanto maior o déficit público
maior serão as taxaa de juros pagas pelos títulos público, o que fará com que
os detentores de capital (nacionais e estrangeiros) emprestem para o governo,
e não para as empresas, ou consumidores. Assim, a capacidade de exportar
do país ficará comprometida, agravando suas necessidades por mais capital,
acirrando um ciclo vicioso.
O ciclo virtuoso é quandoo déficit público é zero, ou pequeno, quando, então,
o capital disponível para investimentos irá para a produção das empresas. No
entanto, devemos notar que, mesmo sob essas condições, a parcela
disponível para a área financeira será sempre maior , devido sua maior
capacidade de alavancagem.
Isso que dizer que os títulos de empréstimos, mesmo que tenham por razão
de existir a produção de bens, ( não poderia ser diferente), eles podem passar
de mão em mão várias vezes, através de descontos, sob a expectativa de um
bom desempenho futuro de um produto altamente rentável no mercado.
Hoje em dia, portanto, a tarefa do gerenciamento é balancear, não só as
condições internas da organização, decidindo o quanto alocar para a área
financeiros e de produção , mas também, monitorar, atentamente, as
condições externas que definem, taxas de juros (títulos da dívida pública),
balanço de pagamento, câmbio, ou déficit público.
64
A Tabela "Roseta" da Globalização
65
66
Globalização
A Evolução do Conceito de Globalização
Durante o período da idade média, a Europa, e o resto mundo de uma maneira
geral, eram constituídas por sociedades fechadas com dimensões locais,
dominadas por senhoresfeudais, donas de terra que não tinham, ou não viam,
muito interesse no estabelecimento de um regime de trocas comerciais.
Com a fragmentação do império romano e da universalidade da cultura greco-
romana, as relações de trocas impostas por Roma foram pulverizadas. De um
lado, o império Bizantino, de outro, o império árabe, e no meio os feudos
europeus tinham relações comerciais limitadas, mais voltados para questões
de conceituação religiosas.
Na Ásia, a China, a despeito de virtuoso desenvolvimento econômico e social,
não via vantagens no comércio entre os povos, tendo uma visão de si mesma
como o centro de tudo que
pudesse significar civilização.
Com o início do perído das
navegações na Europa através de
Cristóvão Colombo, Fernão de
Magalhães, Américo Vespúzio,
Pedro Alvarez Cabral, e outros,
dá-se início a um período de
intensa mobilização de europeus
através do planeta, para
desespero das populações locais
das Américas, África e Ásia.
Como consequência, houve o surgimento de uma grande oferta de produtos,
antes de posse e produção limitados, tais como, ouro, açucar, especiarias etc,
assim como, o surgimento de novas rotas comerciais, levando à decadência
as tradicionais "rota da seda", e, das linhas de navegação das cidades-
estados italianas como Florença e Veneza. Nesse momento, estavam sendo
lançadas as bases da atual globalização.
Um irremediável afã de conquistas coloniais, para assegurar a posse de
centros de produção de matérias-primas antes escassas ou desconhecidos,
foi acompanhado, simultameamente, pelo início de novos questionamentos
na área científica, principalmente na astronomia, questionando-se dogmas
tradicionais, e, abrindo-se caminho para o que ficou sendo conhecido como a
constituição de uma "nova ciência" por Galileu Galilei, Copérnico, Giordano
Bruno, René Descartes, e outros.
67
Portanto, em paralelo à tradicional sociedade patriarcal e rural foi surgindo
um classe dinâmica de comerciantes e cientistas dispostos a mudar a face do
mundo. Empreendimentos como o da Cia da Índias, tanto pela Inglaterra como
pelos Países Baixos, demostra o surgimento de organizações que vizavam
objetivos globais. Esse perído caracteriza-se pelo início das discussões sobre
o valor da moeda e o valor do comércio internacional, principalmente, através
de David Ricardo, David Hume, John Locke e Adam Smith. Esse era ficou
conhecida como a do mercantilismo.
A partir de meados do século
XVIII, com a revolução industrial
surgi uma nova perspectiva de se
fazer negócios, baseada na
exploração racional de recursos
com o bjetivo de se atingir ganhos
contínuos e crescentes. Além da
noção de lucro lança-se as bases
da noção de eficiência, métodos e
processos científicos aplicados à
produção de exploração de bens.
Surgi, assim, o que ficou
conhecido como capitalismo, que
na opinião de Max Weber é muito mais uma maneira de ganhar dinheiro do
que o uma teoria econômica.
Surge uma nova classe de participantes, além dos produtores agrícolas
(senhores feudais), e dos comerciantes, que começam a participar das
atividades econômicas com força espetacular, serão conhecidos como
burgueses, aqueles que ganham dinheiro com a criação, invenção ou
transformação de produtos.
Desde o século XVII até o final do
século XX, esses 200 anos, vieram
a se caracterizar por extraordinário
progresso comercial, industrial e
científico, além de violenta
transformações econômicas e
sociais. Esse período foi
classificado por Eric Hobasbaw
como: era das revoluções sociais,
era da formação dos impérios
coloniais e a era dos extremos das
ideologias que dominaram o
mundo de 1914 à 1989.
68
O perído atual caracteriza-se por ser de transição, esgotadas as
possibilidades das idéias promovidas pelo iluminismo, tais como, liberdades
individuais, pluralidade ideológica, liberdade ecônomica e democracia
representativa. É difícial a caracterização de uma nova classe como
característica desse novo perído, poderiamos chamá-la simplesmente de
"homem- massa", como definido por José Ortega Y Gasset. Mas, com certeza,
as relações de troca e os objetivos de dominação de centros de produção,
característica do perído colonialista, mudaram.
Essa, agora, é uma era de direitos, legislação e rotas comerciais definidas a
partir de centros de telecomunicações e unificação de mercados regionais
dominados por sociedades de massas, ou centros de consumo. A classe
dominante, então, seria a classe média, e sua característica básica por ser
ausente de valores determinados, mas mutante na velocidade com que opera
mudanças de conceitos, idéias e, principalmente, como agente de promoção
da mobilidade nos fatores de produção, consumo e pessoas. A dominação da
classe média é muito mais como consumidora do que como produtora.
Paradoxicalmente, o poder se desloca daqueles que detêm os centros de
produção para aqueles que consomem, com características similares através
do planeta, tais como, demanda por qualidade, rapidez de entrega,
acessibilidade a produtos novos e diferentes.
Claro, são filhos da industrialização que reduziu custos e aumentou a
produtividade. No entanto, o fato permanece, é a sociedade de massas, no
fundo, que controla os meios de produção atualmente através dos mercados
de ações, (como acionistas), e das fundações de pecúlio e aposentadoria
(como beneficiários).
A globalização surge, portanto, da
necessidade de se satisfazer um grupo
crescente através do mundo, de pessoas
que, individualmente, não são ricas, mas
que coletivamente, impulsionadas por
aspirações de estabilidade e ascensão
social, tornaram-se um grupo poderoso
capaz de ditar regras e normas, assim
como mudá-las com incrível velocidade.
Essa nova classe tornou-se a maioria nos
principais e mais desenvolvidos centros
econômicos do mundo atual.
69
Uma Visão Geralda Situação MundialAtual
Eric Hobasbaw definiu o século XX como a era dos extremos, já o filósofo
Raymond Aron denominou, este, como o "século da guerra total". Existe certa
similaridade desde período atual com o século XVII, um período de incertezas
e conflitos religiosos e teológicos("Guerra Dos Trinta Anos",de 1648 à 1689
;"Revolução Gloriosa", na Inglaterra).
Sem dúvida, os mais recentes cem anos, foram de conflitos ideológicos,
guerras, extraordinário progresso científico, técnico e avançossociais. Nunca
gozamos de melhores condições de vida no planeta, vivemos em melhores
condições de higiene do que a cem anos atrás , nos alimentamos de maneira
mais saudável e morremos mais tarde.
Não seria ousadia dizer que atingimos um certo protótipo de uma sociedade
de massas, onde, a despeito dos desníveis e da má distribuição de renda,
temos ao nosso alcance uma variedade enorme de produtos, serviços e
diversos benefícios sociais, tais como, aposenta- doria, seguridade e
educação. Claro, não é bom falar da qualidade de tais serviços. No entanto, as
bases estão definitivamente lançadas.
Essa sociedade de massas, diferente das
previsões de Karl Max, não é baseada numa
classe operária coesa e orientada para o
controle político dos meios de produção,
mas, pela classe média. A diferença básica
de mentalidade é que a primeira almeja que
seus filhos sigam seus passos, já a segunda
quer uma vida melhor para sua
descendência.
A mobilidade social é, então, o mote principal desse novo império na história
da humanidade. Gerações futuras devem ter melhores condições de vida do
que a de seus antecessores. Esse "homem massa" , nos termos de José
Ortega Y Gasset, definiu regras próprias para essa nova era que começa, e
que poderia ser resumido em um único lema : " sempre mais". Mais,
segurança, mais liberdade, mais ascensão social, mais benefícios...
Nesse sentido, mobilidade social significa comunicação, expansão de
território, porém com características diferentes dos velhos regimes
imperialistas, onde essa mobilidade era garantida pela força da canhoneira,
70
pelo colonialismo das oligarquias. Hoje, essa expansão é resultado do
aumento das oportunidade, principalmente na educação de massa, gerando
mercados consumidores, estabelecendo competicação entre os participantes
e exigindo iguais oportunidades.
Se no caso dos "velhos impérios", os benefícios das expansões eram
repartidos entre as oligarquias e aristocratas. No novo "império da massa";
ou os benefícios estão ao alcance de todos; ou o império não se consolida,
gerando uma crise permanente entre as demandas crescentes das massas e
a capacidade o estado em atendê-las. As velhas oligarquias não são mais
capazes de controlar a situação porque o que se está barganhando não são
particulares produtos de troca, mas oportunidades. Isso está gerando uma
nova sociedade de negociação permanente, de troca e permuta entre os seus
vários integrantes. Ela é heterogênia por natureza porque de "massas".
Parece que as consequências do processo iniciado com as navegações, ( o
aparecimento do mercantilismo, capitalismo, socialismo e sua principal
implicação : " a industrialização", está aparecendo mais claramente agora
nesse final do século XX. O que está por vir terá como característica básica
quatro pontos:
1- negociação, (gerenciamento de conflitos);
2- heterogeneidade, (multiplicidade de grupos e opiniões);
3- perda de valores estabelecidos, (mudanças contínuas);
4- mobilidade, (expansão de fronterias e objetivos);
O fator comunicação está, sem dúvida, no centro dessas mudanças que
estamos debatendo aqui, e é a responsável pela aparente instabilidade do
momento presente. Polos de comercialização e produção estão sendo
definidos pelo mundo : o polo americano, o polo europeu e o polo asiático.
A definição desses polos está sendo marcada pelo tamanho dos mercados,
ou melhor dizendo, da sociedade de massas existente numa certa região
geográfica, e de sua capacidade de se integrar nos mercados mundiais,
criando-se assim, através de sistemas de comunicação, o equivalente
moderno às rotas de navegação dos séculos anteriores.
A consequência principal desse processo de globalização, mais do que
alterando regras sociais, está definindo novas maneiras de relacionamento e
gerenciamento de empresas, negócios, serviços etc. A velha máxima do
imperialismo era reduzir o poder de decisão dos subordinados e impor regras
e regulamentos a serem seguidos por todos, criando um exército de
cumpridores de ordens. As decisões eram tomadas pelas oligarquias. A nova
metáfora do gerenciamento, em qualquer área, é a participação, requerendo
não apenas cumpridores de ordem, mas tomadores de decisões, ou seja,
pessoas com capacidade de decidir.
71
Regras e regulamentos, agora,
estão sendo automatizados,
transformando subordinados em
coparticipantes. Se os objetivos,
antes, eram cumprir ordens, agora
é necessário ir atrás do cliente
qualquer que seja o negócio.
Estamos assistindo ao declínio da
burocracia, causada pelas
crescentes demandas por
mobilidade social, expansão de
mercados (ou polos) e
comunicação na organização do
trabalho.
72
Impacto da Globalizaçãono Brasil
Segundo Luis Carlos Prado, em A Nova Economia Internacional, somos
herdeiros do tradicionalismo, patrimonialismo e dinamismo comercial
português, do qual incorporamos a língua, a religião, adicionando a
contribuição de vários povos e raças, indígena, negra e asiática.
Somos um exemplo das consequências das navegações, da capacidade
empreendedora do antigo império colonial português, assim como, do
mercantilismo, que tem marcado nossa caracterísca econômica até pelo
menos o ínicio da década de 1930. Até, principalmente, essa época o Brasil foi
governado por uma classe de produtores agrícolas, conscientes da
importância de seus produtos no mercado internacional.
É dificil classificar essa classe dominante como, ou de entrincheirados
senhores feudais, ou de ativos comerciantes com papel determinado no
mercado internacional. A verdade é que o Brasil foi constituído por grupos
que avançaram sobre um imenso território, extraíndo proveito das
oportunidades no mercado internacional.
Assim foi o ciclo do açucar no Nordeste, o ciclo
do ouro em Minas Gerais, o ciclo do café em São Paulo. O fato é que as classes
dominantes geradas por cada um desses ciclos desapareceram, não gerando
descendências, ou núcleos feudais, a menos de lugares esparços sem
expressão econômica relevante, marcados mais pela decadência do que pela
pujança. A verdade é que a terra tem passado de mão em mão nesses últimos
500 anos, sem definir grupos homogêneos, permanente ou contínuos.
A característica principal da dinâmica da histórica do Brasil nesse século XX,
foi determinada pelo movimento modernista surgido apartir de 1930, com a
disposição de mudar os destinos do país de uma sociedade agrícola voltada
para um passado colonial, para uma sociedade industrial de massas. Nesse
sentido os últimos 50 anos foram espetaculares com mudançasprofundas em
todas as áreas: ciência, tecnologia, artes, economia etc.
Segundo fontes do IBGE, (Instituto Brasileiro De Geografia e Estatística), em
1950 a população brasileira era de 52 milhões, sendo 36% urbana e 64% rural,
saltando para 160 milhões aproximadamente no final de 1999, com 80%
habitando a área urbana e 20% a rural. No final desse século, o PIB (Produto
Interno Bruto) do país aproxima-se de 1 trilhão de dólares com uma renda per
capita por volta de 6000 dólares.
73
Segundo José Serra, na Revista de Economia Política nº 6 de abril-junho de
1982, a participação da agricultura na renda renda interna em 1950 era de 19%
para agricultura, 33% para a indústria e 48% serviços. Em 1980, segundo essa
mesma fonte, esssa participação era de 13% para a gricultura, 34% para a
indústria, e 54% para servicos. Mostrando, um acentuado processo de
industrialização.
O Brasil de 50 anos atrás não
existe mais, esse, atualmente, é
um outro país, com um perfil
radicalmente diferente. Devemos
salientar, no entanto, que o
esforço tem sido dramático: 5
constituições e ordenamentos
jurídicos diferentes, 8 diferentes
moedas correntes, uma inflação
acumulada jamais vista na
história econômica do mundo.
Em termos de participação no mercado internacional de capitais, no entanto,
o Brasil tem sido privilegiado. Segundo a UNCTAD, em 1990, o Brasil estava
entre os 10 maiores receptores do capital americano de investimento no
exterior com 3,4 %, logo abaixo da França com 4%. Em 1995, ocupavam a 15º
posição entre os país que mais receberam investimentos estangeiros com
aplicações da ordem de 50 bilhões de dólares. De acordo com Luis Prado,
dados mais recentes mostram que essas aplicações chegam a 99 bilhões de
dólares. Ainda segundo a UNCTAD, a participação de empresas estrangeiras
na indústria de transformação é de 32%,gerando 23% dos empregos no setor.
A partir da implementação do plano real, o perfil econômico do país apresenta
substancial mudança com a inflação chegando próxima de zero em 1998, e
apresentando crescimento médio no PIB de 4% entre 1994 e 1997 para uma
inflação média de 10% nesse mesmo período, segundo o Banco Central,
Fundação Getúlio Vargas e IBGE. A partir, então, de meados da década de
1990 em diante, a economia brasileira apresenta acentuada diminuição da
participação do Estado, e aumento vigoroso na captação de investimentos
estrangeiros, saltando a captação desses recursos externos de 5 bilhões em
1990 para 70 bilhões em 1996, ainda segundo o Banco Central.
As conclusões são de que o Brasil saltou nos últimos 50 anos de uma
economia agrária para uma sociedade em rápido processo de
industrialização. Embora a classe média ainda não seja a maioria no país
74
ainda, há sinais claros da constituição de uma sociedade de massas e a
formação de um poderoso mercado mundial de produtos industriais e de
serviços.
Segundo Joelmir Beting, em artigo recente, está havendo uma explosão da
internet nas empresas brasileiras de todos os setores e tamanhos, chegando
a afirmar que consultores americanos consideram o mercado brasileiro da
WEB, como o de maior crescimento potencial depois dos Estados Unidos.
Ainda, segundo Beting, no ano de 1999 espera-se que a venda de produtos e
serviços pela internet alcance US$ 200 milhões, atingindo, talvez, US$4
bilhões em 2003.
75
Uma Nova Economia Internacional?
A questão central na economia internacional é a comparação de preços entre
países. Qual o preço justo de um produto levando-se em contra as diferenças
de câmbio entre as moedas?
Teorias Do Comércio Exterior
VantagensAbsolutas: baseado em Adam Smith e David Hume, essa teoria leva
em conta o nível de produtividade do trabalho em cada país. Segundo essa
visão, um país exporta produtos que consegue produzirmais barato e importa
aqueles que produziria a preços maiores. Essa teoria leva em conta apenas
os custos absolutos de produção entre dois países, ou mercados, ou seja, os
excedentes que cada sociedade consegue produzir além de seu consumo
interno.
Vantagem Comparativa:segundo David Ricardo, a troca de produtos no
mercado externo não é determinada pela capacidade de produzir excedentes,
(vantagem absoluta), mas sim por suas quantidades relativas. Ou seja, é o
custo de produção relativo entre dois produtos de dois diferentes países que
levará a troca de um pelo outro. Então, um país compra no exterior não
produtos mais baratos, mas sim produtos com custos de produção menores
relativos aos que poderiam ser produzidos internamente.
Teorias Recentes: os suecos Eli Heckscher e Bertil Ohlin desenvolveram, no
iníciodo século XX, uma reavaliação da teorias das vantagens absolutas e
comparativas, levando em conta os insumos de produção (capital, trabalho e
terra), a tecnologia empregada e as preferências dos consumidores. Assim,
segundo Eli e Bertin, os países trocam produtos produzidos internamente a
custos mais baixos, devido a abundância de algum de seus fator de produção.
Ou seja, a vantagem de cada sociedade será ou o capital, ou a terra, ou o
trabalho em abundância, considerando-se iguais as preferências dos
consumidorese e a tecnologia empregada.
Vantagem Competitiva: Michael Porter é o lider nesse conceito de vantagem
competitiva, através de estudos realizados sobre produtividade na indústria
americana no início da década de 80, e, posteriormente, através de seminários
realizados em Harvard com lideres de diversos países. A questão central de
Porter é a capacidadedas empresas, (por extensão países), em definirem seus
custos ou oferecerem uma diferenciação nos produtos que vendem de modo
a justificarem uma vantagem para os consumidores. Assim, a vantagem de
cada produto está associada a uma análise de preço e qualidade em
comparação à reação dos vários componentes do mercado, (fornecedores,
competidores, compradores, e produtos substitutivos).
76
Segundo essa visão, cada empresa detém uma posição competitiva em um
seguimento de mercado, sustentando um certo preço e qualidade para seus
produtos, os quais inibirá novos competitidores, ou, a possibilidade de
entrada de novos participante. Um reposicionamento no mercado só será
possível se essa teia de relações for alterada. Porter não leva conta aspectos
micro ou macroeconômicos, portando, não se consitui em uma teoria
econômica, apenas uma estratégia.
Aspectos Macroeconômicos
O ponto central na análise econômica é a tentativa de se modelar o
desempenho econômico de sociedades, países e empresas, baseando-se na
noção de equilíbrio entre fatores internos e externos.
O equilíbrio entre fatores internos e externos conduz os sistemas econômicos
a um balanceamento, ou mediação, entre os seus vários componentes, tais
como: juros, salários, preços, câmbio, determinando uma certa característica
de produção e consumo de bens.
Essa mediação é determinada, segundo as teorias vigentes, de dois modos:
1- a teoria clássica define um comportamento racional dos participantes na
economia de acordo com suas disponibilidades de recursos de produção e
consumo. Esse é o chamado modelo do "leiloeiro". O equilíbrio é atingido
através da livre oferta e disponibilidades dos participantes.
2- a teoria neoclássica ou Keynesiana define que o comportamento dos
participantes, além dos aspectos racionais de decisão, será regida pela noção
de risco e incerteza de liquidez entre as várias opções de alocação de
recursos ou investimentos. Esse é o modelo das apostas nas
bolsa de valores e futuros. O equilíbrio será atingindo de acordo com as
expectativas coletivas quanto a incertezas futuras. Assim, juros, salários,
preços e câmbio estarão em equilibrio de acordo com as expectativas do
mercado quanto a possibilidade de eventos futuros ocorrerem, tais como:
aumento da inflação, equilíbrio das contas do governo, entrada de recursos
externos. Esse é o medelo de "pregões" .
Conclusão: não existe até o momento novas teorias econômicas que
fundamentalmente alterem as relações expostas acima. A assim chamada
globalização é um evento desencadeado pela mudança de uma sociedade
fechada, (onde preços, câmbio, fluxos de capitais estão sob rígido controle),
para uma sociedade aberta, (onde preços, de modo geral, são determinados
de acordo com as expectativas de rísco e liquidez).
Esse fenômeno atingiu aspectos globais porque vem acontecendo
simultaneamente em vários países já faz alguns anos, desde de o fim do
acordo de Bretton Woods, quando o dólar deixou de ser o padrão monetário
77
internacional lastreado em ouro. É a abertura progressiva da economia
americana, apartir de 1971 com a flutuação da taxa do dólar, que se dá partida
a esse fenômeno chamado, agora, de globalização.
Mercado
78
ForçasParticipantes
Michael Porter, em seu Livro "Competitive Advantage", define 5 forças para a
análise da estrutura de segmentos de mercados.
1-Clientes;
2-Fornecedores;
3-Produtos substitutos;
4-Competidores no mercado;
5-Potenciais competidores;
Segundo Porter, é a compreensão dessas 5 forças que determinam a
habilidade das empresas em conquistar retornos médios nos investimentos,
superiores aos custos. O resultado é que cada segmento de mercado, ou
industria, tem estruturas próprias, determinado ações peculiares para cada
força descrita acima, assim;
1-Os fornecedores: pressionam por descontos de acordo com a capacidade
dos competidores, compradores, definindo um nível mínimo para cada
produto de cada segmento de mercado;
2-Os clientes: pressionam por melhores preços, barganhando com produtos
substitutos;
3-Os competitidores: definem certos níveis de custo de produção e tecnologia
empregada para bloquear o acesso de novos participantes.
79
Estratégias
Cada empresa no mercado é o produto de um ciclo de negócios que assume
a seguinte característica, comoprocuramos demonstrar com a figura abaixo.
Cada segmento do ciclo dos negócios define um participante característico,
tais como:
1- Participantes tipo P: eles estão tentando entrar no mercado, ganham
dinheiro, mas ainda não têm um negócio. Por exemplo, vendem roupas em
casa. Seus maiores desafios são transpor o ponto A de inflexão. Suas
limitações são capital, custos, rentabilidade para ter ganhos suficientes para
poder ter uma estrutura de negócio.
2- Participantes tipo A: eles já transpuseram o ponto A, passaram a ter
rentabilidade para ter uma estrutura e crescem vertiginosamente. Suas
características são: desorganização administrativa, gerencial e contábil. A
velocidade de seus ganhos é um impedimento para uma ação de
racionalização. O entusiasmo dos ganhos encobre os defeitos.
Seus desafios são transpor o ponto B, consolidando uma liderança no
mercado, suas posições são furtivas, tão rápido ascenderam, tão rápido
podem desaparecer.
3- Participantes tipo L: são líderes no mercado com posição consolidada e
estrutura de negócio própria, dividem uma fatia do mercado com outros
concorrentes. A característica principal desse tipo de participante é a
excessiva auto-confiança, achando que nada pode removê-los da posição
80
conquistada. Têm excesso de burocracia e controles. Necessitam de recursos
humanos bem treinados, mas barganham com salários. Eventualmente,
tornam-se o lideres de mercado quando, então, seus problemas começam,
sendo ameçados por participantes tipo A, com estruturas mais ágeis, ou
nenhuma estrutura, mas com capacidade de responderem às necessidades
dos clientes com atendimento personalizado.
O desafio desse tipo de participante é evitar o pont B' de inflexão. Seus
problemas de estrutura organizacional estão tão cristalizados que eles
começam a perder posição. Essa é a fase de contratação de consultores e
reestruturações sem fim.
4- Participantes tipo D: são participantes do tipo L que não conseguiram evitar
o pont B' de inflexão. Nessafase a perda de posição no mercado é visível para
todo, inclusive seus empregados. A moral é baixa, e eles estão dispostos a
qualquer experiência para reverter um quadro de decadência. Nesse período,
pagam caro por consultorias, que, não só não resolvem seus problemas,
como são responsabilizadas por seus fracassos.
O desafio desse tipo de participante é evitar o ponto A' de inflexão, do qual
não há retorno, o negócio estrá perdido. Estratégias para evitar tal calamidade
são difíceis, quase sempre o problema é de lideranças antigas, provavelmente
iniciadores do negócio que definiram um estilo de gerenciamento e não vão
mudar. A solução, nesse caso, é ou vender ou transferir o comando para
pessoas mais ágeis.
5- Participantes tipo E: são participantes D que transpuseram o ponto A', do
qual não há retorno. A característica desse tipo de participante é um misto de
fatalismo com conformismo. Sabe que nenhuma estratégia mais é possivel e
está tratando de vender o negócio ao melhor preço possível. Têm baixo poder
de barganha junto a possíveis compradores e acabam vendendo para um
participante tipo A por menos da metade do que realmente vale o negócio.
81
Vantagens Tecnológicas
O papel da tecnologia no mercado é muito discutível. Acredito que a essa
altura seja difícil associar-se uma estrutura organizacional, em particular, com
sucesso nos negócios.
Uma das principais causas para insucesso, ou eventual fracasso, no mundo
dos negócios seja mais uma avaliação equivocada de risco e expectativa
quanto à possivel liquidez dos ativos das empresa.
Essa aposta, na correta expectativa de risco, também é uma das principais
causas de sucesso. No fundo, quem vence são aqueles dispostos a
assumirem riscos, e aqueles que apostam bem quanto ao sucesso de uma
empreitada, não descuidando nunca das eventualidades, cobrindo seus
ativos contra eventuais perdas.
O papel da tecnologia é gerencial, ela define dois pontos principais que
poderíamos chamar de vantagem competitiva.
1- aumenta a acessibilidade dos clientes aos produtos e serviços, reduzindo
a burocracia e exigindo dos gerentes ações em busca dos clientes;
2- reduz o tempo de entrega, ou distribuição, dos produtos, ou serviços,
criando, por assim dizer, uma rede eletrônica de distribuição de pedidos ou
entregas.
82
Mercado Eletrônico
Noênio Spinola, define bem mercado eletrônico: " É o futuro do futuro", em
seu livro ele diz:
"Creio que acordei para o espaço virtual do século XXI quando trabalhava
como correspondente estrangeiro e fui enviado de Moscou para Bagdá,
com a missão de decobrir a primeira Guerra doGolfo. Depois da parte fácil,
acompanhando colunas blindadas na frente de Abadan e fotografando oleo-
dutos incendiados, veio a difícil: transmitir o material recolhido e ganhar
as páginas de um jornal na manhã seguinte."
Um espaço, assim chamado virtual, está sendodefinido como uma nova arena
de competição. Por de trás dessa conceituação esta se definindo não apenas
novas maneiras de se fazer negócio, mas se está alterando as relações
tradicionais da cadeia produtiva (produtor, fornecedor, cliente, mercado).
Na verdade, quem estão mudando são os elos entre os fornecedores,
produtores e clientes, reduzindo distâncias, aumentando acessibilidade e
tempo de entrega. Esse espaço virtual é sub-produto do avanço nas
telecomunicações , as quais vem exercendo o mesmo papel que as ferrovias
tiveram no século passado, e o avião no século XX.
Moeda
83
O Valor da Moeda
Através da história o homem sempre esteve preocupado com o valor de uma
moeda que fosse básica para transações comerciais entre diferentes
sociedades e grupos , servindo de denominador comum aos preços dos
produtos produzidos em diferentes localidades.
No Século XVI : O problema era de substância monetária e, portanto, no
estabelecimento de padrões. O ouro era visto como o valor padrão da moeda.
Modernamente: A moeda tem duas funções:
1- servir como meio de pagamento;
2- servir como meio de troca.
Como consequência, o ouro não tem mais valor como padrão de medida
monetária, ele é uma mercadoria como outra qualquer, hoje em dia. No
entanto, dependemos de índices para medir a valorização e desvalorização da
moeda e compará-la com outras de diferentes sociedades.
Índices: no Brasil temos diferentes índices de medida do valor da moeda, tais
como mostrado na lista abaixo:
1. IGP- Índice Geral de Preços;
2. IGP-M- Índice Geral de Preços do Mercado;
3. IGP-10- Índice Geral de Preços 10;
4. IPC-FIPE- Índoece de Preços ao Consumidor;
5. ICV-Dieese- Índice do Custo de Vida;
6. INPC- Índice Nacional de Preços ao Consumidor;
7. IPCA- Índice de Precos ao Consumidor Amplo;
8. INCC- Índice Nacional do Custo da Construção;
9. CUB- Custo Unitário Básico;
10- TR- Taxa Referencial (média das taxas de juros dos CBDs);
84
O PadrãoOuro
Segundo Otaviano Canuto, em "A Nova Economia Internacional", "...A
eficiência de um sistema monetário internacional não é um fim em si mesmo.
Seu principal objetivo é viabilizar a fluidez das relações econômicas entre
países..."
O ouro através da história tem sido visto como reserva de valor devido a sua
portabilidade, durabilidade e capacidade de ser fundido em diferentes
formatos e tamanhos. Canuto levantou a seguinte cronologia das origens do
ouro como padrão internacional:
1- 1816: The Coinage Act autorizava a cunhagem de moedas em ouro.
2- 1819: Banco da Inglaterra determina que cédulas emitidas pela instituição
fossem resgatáveis em valores correspondentes a barras de ouro.
3- Em 1834 e 1837 : Os EE.UU. definem a relação de troca do dólar em relação
ao ouro e a prata.
4- 1871: A Alemanha substitui o padrão prata pelo padrão ouro.
5- 1879: O ouro é o referencial para emissões monetárias em boa parte da
europa.
6- Em 1848: foi estipulado no Brasil que o governo aceitaria ouro como
pagamento nas repartições públicas.
7- Em 1849: O governono Brasil é autorizadoa cunhar moedas de ouro e prata.
8- Em 1888: O Brasil estabelece e adota o ouro para conversão de sua moeda.
9- De 1906 à 1914: É criado no Brasil a "Caixa de Coversão",com poderes para
emitir moeda lastreada em ouro.
O Sitema padrão ouro termina em 1914 com a primeira guerra mundial.
O sistema, "Padrão Ouro", era um sistema de bandas onde o preço variava de
acordo com a entrada ou saída do metal nas contas nacionais, através das
transações no comércio exterior. Se saísse ouro, sua cotação subiria atraíndo,
dessa forma, o metal de volta, estabelecendo um equilíbrio do câmbio da
moeda nacional com as outras do mercado internacional.
85
O Acordo de Bretton Woods
Com o fim da segunda guerra mundial, tentou-se estabelecer um novo padrão
monetário internacional que viesse a trazer a mesma estabilidade do preços
do antigo sistema "Padrão Ouro".
Em 1944, delegados de 45 países reuniram-se e criaram um sistema que
promovesse a liquidez e financiasse o desenvolvimento econômico
internacional. Criando-se, assim, o Banco Mundial para financiamentos de
longo prazo, e, o FMI para empréstimos que equilibrassem a balança
comercial ou a contabilidade nacional dos países membros.
Devido ao fato, de na época, os EE.UU acumularem um surpreendente
superávit comercial em relação aos outros países, foi estabelecido uma
cotação inicial de conversão do dólar em ouro conversível pelo tesouro
americano. Desse modo, o dólar passou a ser aceito como moeda de
referência nas transações do comércio internacional.
Em agosto de 1971, o governo americano abandona a conversão do dólar em
ouro, deixando a moeda americana flutuar livremente. A seguir, as moedas
européias passam também a flutuar, primeiro através de mecanismos de
banda cambial, depois o sistema "serpente"de bandas cambiais estreitas, até
atingirem o sistema atual de livre conversão.
No Brasil, a experiência é semelhante ao ocorrido depois de 1994, com a
implementação da moeda "Real". Primeiro sua cotação passou a ser
determinada por bandas cambiais até que, em 1999, passou a flutuar
livremente.
86
O Poder de Compra da Moeda
No centro da discussão do valor da moeda está seu poder de representação
do valor de compra de produtos.
As necessidades impostas pela expansão do comércio internacional levaram,
de uma forma ou de outra, à implementação de cotações flutuantes para se
determinar a paridade de preços entre produtos de diferentes sociedades.
Um ponto é claro, são as necessidades de liquidez e as expectativas de riscos
nas transações dos negócio que definem o verdadeiro valor das coisas. Na
verdade, a moeda também se tornou uma " mercadoria" como outra qualquer.
O verdadeiro valor dos produtos é definido pela capacidade de produzi-los ou
consumi-los, e, com a moeda não poderia ser diferente .
Como a moeda é uma mercadoria como outra qualquer, seu valor é definido
por índices que revelam uma expectativa de liquidez e risco. Índices de
inflação, de juros de longo e de curto prazo, variam de acordo com certos
valores de desempenho de quem emite a, o Banco Central, e do governo que
a garante através do equilíbrio de suas contas.
Uma vez que o governo não é produtor, ele só tem 3 modos de adquirir
recursos (moeda):
1-impostos (tributos);
2-dívidas, (emissão de títulos);
3-emissão de moeda (tesouro nacional);
Conclusão: são os controles dos gastos públicos que afetam o verdadeiro
valor de compra das coisas, atualmente, inclusive do dinheiro em circulação.
87
Tomada de Decisão
DecisõesRápidas
Mudanças dramáticas no ambiente econômico têm causado transformações
significativas nos conceitos de gerenciamento e na forma como se tomam
decisões.
Algumas causas podem ser enumeradas, segundo Barbara Mcnurlin e Ralph
Sprague, renomados consultores americanos:
1- Desregulamentações e privatizações aumentam a competitividade;
2- As empresas estão ultrapassando as linhas divisórias de suas áreas típicas
de atuação;
3- Existe uma grande oferta de produtos, o que leva a um aumento do poder
de barganha dos consumidores;
4- A competição estrangeira está aumentando vigorosamente;
5- O ciclo de aparecimento de novos produto está encurtando;
6- Países emergentes inundam os mercados com produtos mais baratos.
88
Métodos & Processos
A conceituação hierárquica clássica de tomada de decisão está sendo
reavaliada.
A estrutura clássica de tomada de decisão tem o seguinte enfoque:
1- focar o problema proposto;
2- avaliar causas e consequências;
3- propor soluções;
4- avaliar resultados;
Na verdade, os problemas nascem de uma interação de um sistema, qualquer,
com seu ambiente externo e interno, em busca de um ponto de equilíbrio
como solução.
O importante, então, é avaliar as interações contínuas entre causas e
consequências dos problemas através de iterações contínuas.
89
Acessibilidade
As mudanças nas áreas de gerenciamento, administração e tecnologia da
informação mostram, claramente, que o ambiente corporativo está se
alterando de dois modos:
1-as estruturas burocráticas estão cedendo lugar a grupos colegiados;
2-a natureza da tomada de decisão está se movendo em direção a decisões
rápidas para aproveitar-se o momento criado por novas oportunidades;
Essas mudanças são , na verdade, um reflexo do progresso tecnológico do
últimos 100 anos. Antes, máquinas à vapor e a tração animal, depois, veículos
automotores e avião, agora, sistemas de telecomunicação estão reduzindo
dramaticamente os custos de se enviar uma menssagem, possibiliando
descentralizações e maior acessibilidade dos clientes aos
produtos.
90
Automação
O processo de tomada de decisão tem sido influenciado pela evolução
tecnológica, definindo 3 períodos, até atingir a atual sociedade da informação:
1-Era da mecanização, (racionalização de recursos);
2-Era da automação, (linhas de montagens);
3-Era da informação, (automação da tomada de decisão);
Portanto, o período da, assim chamada, "tecnologia da informação é quando
sistemas de informática tornaram-se peças importantes na tomada de
decisão.
Primeiramente, a mecanização das linhas de montagem ajudou a racionalizar
a aplicação de recursos. Como efeito secundário, as linhas de montagem
foram automatizadas por robôs, movendo-se o foco da questão da
produtividade em direção a capacidade dos administradores.
Subsequentemente, a era da informação promoveu a automação da tomada
de decisão, visando outras tecnologias correlatas : bancos de dados, redes e
mídia eletrônica.
91
92
Sistemas
Visão de Sistemas
Sistemas de Valores
Desde o início da civilização humana
tem havido uma procura incessante
por significado e valores e para se
explicar a ordem das coisas à nossa
volta. Da antigüidade até nossos dias,
objetos, conceitos e dogmas têm
servido como sinal para representar
ordem, poder, valor e conhecimento
nas trocas e transações comerciais,
industriais e sociais.
Com as navegações há 500 anos
atrás, e o surgimento de novos
mercados e produtos em escala nunca antes vista, passamos de uma era de
significação contábil e patrimonial, onde valores eram criados apenas para
medir ganhos e perdas, para uma época de significado funcional de estruturas
com objetivos específicos de representar valores e ordem a nossa volta,
criando-se, assim, um mundo regido por sistemas de administração
parcimoniosa de valores e significância.
Sistema, nesse sentido, passou a representar ordem que pudesse ser medida
e gerenciada por ações encadeadas e mecanismos de controles , os quais
passaram a representar o papel de capataz severo com o objetivo de exercer
regulamentação e calibragem, sendo esse capataz, em última análise, o
responsável pelas trocas do sistema com o meio e sua aparente estabilidade.
Com a transição da era industrial para a era de serviços, ou da informação, o
enfoque tem mudado, tanto para a noção de sistemas como para a noção de
planejamento e controle. Hoje, o que importa na conceituação de sistemas,
não são apenas estruturas e suas funções, mas, antes de mais nada, a
apropriação de um “núcleo conflitivo básico”, ou seja, aquele onde habitam
elementos conflitantes em aparente oposição, mas que uma análise mais
cuidadosa revela cooperação e mútuos interesses na existência de próprio
sistema.
93
Com base nessa perspectiva, elementos conflitantes não definem tão
somente estruturas e funções, mas uma interação mediadora onde se trocam
e negociam interesses de múltiplos valores e significâncias.
Essa mediação é resultado tanto de uma retroalimentação quanto a
potencialização de possibilidades nas trocas entre os meios internos e
externos de um sistema. Portanto, no núcleo da sociedade comercial e
industrial que está surgindo, como extensão e potencialização dos últimos
500 anos de história dos empreendimentos de negócios, ciências, artes,
filosofias e tecnologia, encontramos uma profunda revisão de valores de
como vemos a ordem das coisas à nossa volta.
A ordem das coisas
Podemos observar através da história
econômica da civilização humana um
grande esforço para apropriar
valores, definindo-se critérios,
normas e estruturas de como as
coisas que nos cercam funcionam.
Primeiro, o valor patrimonialista e
contábil que procurava significado
em certos objetos , tais como o ouro
e a propriedade, desencadearam um
esforço enfocado no entesouramento
e lastreamento de fortunas baseado em quantidades adquiridas desses
objetos, resultando na noção de juros e taxa de acumulação no tempo. Depois,
a introdução da noção de trabalho adicionou valor à matéria-prima, resultando
na noção de custo de insumos de produção.
Essas duas representação de valores, juros e custos, definiram uma época,
um estilo de vida, baseado na valorização do conflito entre moeda e trabalho.
Essa visão clássica de valores resultou em um sistema de equivalências que
possibilitava a troca e o comércio de produtos, pessoas, sociedades e países.
A conseqüência mais imediata dessa visão foi, sem dúvida, o processo de
industrialização, a constituição de mercados e a conceituação de preço como
valor de equilíbrio entre fatores de produção e moeda de troca.
Nessa visão clássica, temos uma conceituação de ordem associada à
hierarquia, e valores associados a formas e estruturas ótima das
organizações. Nesse sentido, sistemas são uma representação mecânica do
mundo à nossa volta, onde o todo pode ser decomposto em partes
elementares, e acima de tudo, pode estar associado a controle, ou, uso
parcimonioso de recursos. No entanto, a ascensão da sociedade de massas e
as necessidades de produção em série, numa escala nunca antes prevista,
94
viriam a alterar, modificar e, até mesmo, mudar substancialmente esse sentido
clássico de ordem das coisas.
Na base da idéia da produção em larga escala estão certas simplificação, as
quais, devido ao aumento da produção e as conseqüentes necessidade de
sofisticação na criação de mecanismos de controle, comprometem,
seriamente, essa noção clássica de ordem de valores.
Se simplificações na produção em série requerem o uso de ferramentas
simples, práticas e crescimentos a taxas constantes; sua potencialização em
escala excessivamente grandes, ou crescimento muito rápido, criam
interações entre as representações das partes que transcendem a capacidade
de controle do próprio sistema como um todo.
Assim, temos ferramentas matemáticas para trabalhar com equações lineares,
ou diferenciais simples, mas a resolução de equações diferenciais de terceira,
ou maiores ordens, são de difíceis resolução e de pouca utilidade prática no
equacionamento das funções de produção. Assim, a era clássica de sistemas
de valores baseada na mecanização, trabalho e valor monetário (custo) das
coisas à nossa volta cede terreno para se configurarem, não só sistemas de
controle mais flexíveis, mas alterar-se a própria visão de sistemas como uma
apropriação contábel e patrimonialistas de valores.
Novos paradigmas
Uma das conseqüências do súbito aumento
dos níveis de produção na sociedades de
massas, quer no sentido de gerar mais
produtos, como no de incrementar benefícios
e estabilidade social, tem sido a complexidade
crescente dos mecanismos de controle, a
ponto de comprometer a própria
gerenciabilidade de seu gerenciamento,
restando como única alternativa sua mudança
de um caráter inflexível, controlador, capataz
competente; para uma outra visão de
sistemas mais flexíveis, adaptáveis, com
controles mais mediadores.
No centro dessa noção de mediação está o fim
da visão mecanicista clássica em prol de uma
conceituação de sistemas como resultante de
partes conflitantes que atuam e cooperam no
seu gerenciamento. Controle, segundo essa
abordagem, é um elemento de mediação exercido por processos gerenciais
de trocas e negociações e não apenas regras e regulamentos.
95
A conseqüência mais imediata dessa mudança de enfoque tem sido um
reavaliação das noções de valor e ordem na conceituação de sistemas. Se
antes, o importante era definir estruturas, categorias, associando-se ordem à
hierarquia, agora esse dois elementos, ordem e hierarquia, passam a ser
distintos, independentes, deixando de estarem necessariamente associados.
Se antes, valor poderia ser igualado a formas organizacionais, agora valor é
apenas um atributo da informação, que por sua vez substitui preço, na
valorização das empresas e nas ações dos produtores, consumidores, e
fornecedores no mercado.
A natureza do planejamento e controle mudaram de enfoque na atual
sociedade de massas, comprometendo a visão que antes tínhamos do papel
das estruturas e funções nas variações e mudanças de estados de um
sistema.
96
A Modelagem da Visão de Sistemas
Introdução
No centro da visão sistêmica estão as noções de organizações, formas,
informação e valores. A captura desses conceitos é importantes na
modelagem de sistema para que ele não seja visto, aqui, apenas como uma
fórmula, um algoritmo, um programa de computador, ou uma solução pronta
na resolução problemas, mas que seja uma ferramenta de análise no
comportamento e equilíbrio dos fenômenos.
Teoria Geral de Sistemas
No século 20, Max Weber teve um papel importante no estudo das estruturas
organizacionais, seu gerenciamento, planejamento e controle, reforçando a
visão de hierarquia e ordem; valor e organização. No entanto, o desenrolar
das experiências de negócio, durante todo esse século, mostra, claramente,
que é possível ter-se um negócio (estrutura) e não ganhar-se dinheiro, por
outro lado, o contrário também é verdadeiro, é possível ganhar-se dinheiro e
não ter-se um negócio. Isso mostra a relatividade do estudo, tão somente, de
estruturas e categorias na avaliação de um sistema gerencial, seguindo essa
visão estruturalista de Weber.
A importância de Weber, no estudo das organizações, teve seu equivalente no
estudo de sistemas em Ludwing Von Bertalanffy, durante o século 20, como
em seu livro “Teoria Geral de Sistemas”. A visão de Bertalanffy de partes
integradas, relacionando-se modelos gerenciais de naturezas diferenciadas,
tais como, o biológico, o mecânico ou o cibernético, tem auxiliado na
constituição do planejamento e controle de formas de organização e
gerenciamento. Nesse sentido, a visão sistêmica tem sido um avanço em
relação às conceituações puramente analíticas do modelo clássico de causa
e efeito nas ciências, os quais vinham, mais ou menos, imutáveis desde os
tempos de Galileu Galilei e Descartes.
A maior contribuição da idéia de sistemas foi o desenvolvimento do conceito
de totalidade, relacionando-se causalidade e finalidade na abordagem
científica. Assim, o objetivo de um sistema não é apenas resolver problemas
usando fórmulas e algoritmos, mas antes, ter uma compreensão ampla de
seus fenômenos associados através do uso de modelos e paradigmas
gerenciais diferenciados, analisando-se interações e trocas entre os meios
internos e externos, incorporando-se adaptabilidade, intencionalidade e
medindo-se valores através do conceito de informação.
Sistemas abertos e fechados
Uma das ferramentas básicas na abordagem de sistemas é a conceituação de
fenômenos como estruturas com funções abertas ou fechadas nas relações
97
de troca entre meios internos e externos, e a medida de seus graus de
organização e desorganização através da noção de entropia.
A diferença fundamental entre sistemas abertos e fechados é que o primeiro
não atinge um estado de equilíbrio, mais sim um estado uniforme de trocas
com o meio, como por exemplo, o metabolismo de um célula. Desse modo,
controle em um sistema aberto é um regulador dinâmico das condições
internas e externas dos sistemas sem com isso atingir-se um “estado de
consumo otimizado” de energia, mas sim um “estado de consumoconstante”.
No caso de organismos vivos, isso permite que células não morram
rapidamente se certas necessidades calóricas e energéticas não forem
alcançadas num certo momento. Na verdade, elas têm uma margem de
negociação no consumo energético por todo um certo período de tempo que
é variável.
No caso de sistemas fechados, como reações químicas, por exemplo, existe
um equilíbrio rígido no consumo de energia que define estados iniciais e
finais, ou seja, quantidades iniciais de certos elementos definem quantidades
finais numa reação química. Assim, se certas condições energéticas iniciais
mudarem, as condições finais dos sistemas fechados as acompanham na
mesma proporção afim de manter-se o equilíbrio constante nas trocas
energéticas dessas reações.
O mesmo não ocorre em sistemas abertos dos seres vivos, por exemplo, nos
quais estados finais iguais podem ser atingidos por diferentes condições
iniciais,( equifinalidade). Outra diferença é que em sistemas fechados existe
uma contínua destruição de ordem. No caso das reações químicas, certas
quantidades de elementos iniciais são consumidose transformado em outros,
em quantidades e proporções diferentes. No caso de seres vivos, ou células,
há uma tendência de se manter um estado uniforme de existência, evitando-
se aumento de entropia, favorecendo-se os estados de ordem e organização
crescentes (entropia negativa).
O objetivo da abordagem de sistemas é compreender fenômenos
diferenciados, regulados por aspectos e ponto de vistas estudados em
diferentes campos das ciências, e avaliar como essas diferenças se parecem,
ou, podem se constituir em princípios gerais reguladores independentemente
da natureza de seus componentes. A essa considerações, Bertalanffy
denominou “Teoria Geral de Sistemas”.
98
Uma concepção básica de sistemas
Informação , entropia, teleologia e mediação
Informação como medida de fluxo
Informação é uma conceituação de valor na modelagem de sistemas que se
origina na teoria da comunicação, a qual tem a tendência de associar fluxo de
informação a fluxo de energia. Assim, informação está associada ao mesmo
sentido do fluxo energético que se escoa em cabos e linhas de transmissão,
ou seja, recebemos informação como um fluxo através de uma linha de
transmissão, por exemplo.
No entanto, é fácil mostrar que nem sempre o fluxo de informação flui no
mesmo sentido de um fluxo da energia, como no caso de portas automática
onde a sombra de uma pessoa corta o feixe de energia luminosa e a porta se
abre. Nesse caso, a “interrupção” (descontinuidade) num feixe luminoso
definiu um fluxo “contínuo” de informação, (número de pessoas entrando
num loja, por exemplo).
Informação como medida de organização
Outra maneira de se medir informação é através da quantidade de
possibilidades contidas numa resposta. No caso de perguntas com várias
alternativas, as decisões possíveis são uma função logarítmica. Se tivermos
o caso em que as respostas são do tipo “sim” ou “não”, ou seja, a função
logarítmica de respostas possíveis é da base 2; teremos tanta informação
quanto “2” elevado a “N” possibilidades. Assim, como nesse caso de
respostas tipo sim ou não, informação é interpretada em quantidades de bits
de um sistema binário, como no caso da organização do fluxo de informação
fornecido pelos computadores. Essa noção de medida da informação avalia
graus de ordem e organização, ou entropia negativa.
Entropia “positiva” é uma medida de desorganização de um sistema
“fechado” ao consumir seus elementos, como no caso de reações químicas
quando há dissipação de energia. Como entropia é definida como o logaritmo
de uma probabilidade, a noção de informação, nesse sentido, flui no sentido
99
inverso, mede níveis de entropia “negativa”, ou, a capacidade de organização
de um sistema. Nessa abordagem, está implícito a associação de valor à
organização, ou seja, o valor da informação é medido através do ganho
energético necessário para se criar ordem ou produzir-se certa quantidade de
elementos numa reação química de um sistema fechado, por exemplo.
Informação como medida de equilíbrio
Outra medida de informação, ainda associada a teoria da comunicação, diz
respeito aos mecanismos de retroalimentação no processo desencadeado
entre emissor, receptor e mensagem. A retroalimentação exerce, nesse caso,
um papel regulador trocando informação entre receptores e emissores no
sentido de se estabelecer um equilíbrio na comunicação através da
mensagem. Assim, a retroalimentação, ou feedback, exerce o papel de
mecanismo de controle (homeostático), usando a informação como noção e
medida de equilíbrio.
Informação como medida de controle
Existem certas medidas de controle, como na situação em que ocorre nos
processos embrionários mais primários associados ao papel evolutivo dos
genes, por exemplo, onde a regulação do processo de formação e
crescimento inicial de um organismo se dá por mecanismos de interação
dinâmica com o meio. Nesse caso, um organismo vivo, como num sistema
aberto, mantém um metabolismo, não em estado de equilíbrio, como já vimos
típico de sistemas fechados, mas através de um estado uniforme de trocas
entre seus meios internos e externos.
Então, numa etapa posterior secundária de formação de órgãos
especializados desse ser embrionário inicial, começam a surgir mecanismos
de retroalimentação. Esse é o caso na etapa de formação dos sistemas
nervosos e neurológicos, os quais requerem sistemas de controles e trocas
mais eficientes do que aqueles resultantes de interações dinâmicas.
Bertalanffy, chama esse processo de mecanização progressiva, partindo-se
de controles de interações dinâmicas primárias, até atingir-se sistemas
secundários especializados que requerem controles mais precisos através da
retroalimentação.
Causalidade, finalidade e teleologia
A discussão clássica do método científico sobre a capacidade de decisão e
automonia dos fenômenos, vistos apenas sob o ponto de vista mecanicista,
cria uma realidade física baseada somente na noção de causa e efeito. No
entanto, a ciência moderna tem aceito e incorporado, cada vez mais
freqüentemente, as noções de totalidade e sistemas de elementos com
interações mútuas, tais como, nos casos das noções de “gestald”, “holismo”
e “visão de organismo”. Então, em adição a noção simplistas de causa e
100
efeito, cresce cada vez mais a percepção do papel das atitudes de busca por
metas e objetivos intencionais nos resultados esperados do comportamento
dos fenômenos.
A própria noção de sistema tem, também, tentado incorporado essa noção
teleológica de fins intencionais, procurando por maneiras de se simular
noções de intencionalidade e adaptabilidade, muito mais próximas das
condições reais do comportamento social humano. Uma dessas estratégias
de se simular intencionalidade ocorre quando, em sistemas abertos, pode-se
atingir os mesmos estados finais característicos, partindo-se de diferentes
estados iniciais (equifinalidade), usando-se para isso interações dinâmicas
como no caso visto do desenvolvimento primário de embriões.
A outra abordagem sistêmica que tenta incorporar condições intencionais é a
retroalimentação, tentando alcançar e manter estados uniformes, (sistemas
abertos), através de controles homeostáticos de regulação, baseado em
encadeamentoscausais circulares e mecanismos que avaliam as informações
desviantes das metas estabelecidas [Bertalanffy, Teoria Geral de Sistemas].
Nesse sentido, sistema não é o resultado de avaliações simples de causa e
efeito, mas de interações, avaliações contínuas das condições dos meios
internos e externos em que o fenômeno se situe, tanto no sentido
determinístico de leis reguladoras quanto no sentido probabilístico de
possibilidades e potencialidades.
Informação como elemento de mediação
Como estamos apresentando aqui, além das relações de causa e feito e
teleologia, existe, também, um papel mediador da informação como resultado
de forças conflitantes no processo de comunicação. No caso, por exemplo,
de espectador e apresentador, como representado pela mídia, as relações da
comunicação estabelecidas pelas mensagens enviadas não são reguladas tão
somente pelo processo de retroalimentação, mas sim através de uma
interação dinâmica entre o emissor e o receptor num disputa por dados ou
informação.
Para o processo de mediação, como aqui apresentado, o modelo de
comunicação, assim como o modelo sistêmico, não se estabelece apenas em
regime aberto ou fechado, ou por condições de equilíbrio ou, ainda, consumo
uniforme de energia. A visão sistêmica de mediação é antes de mais nada um
processo de avaliação de um conflito primordial estabelecido por
necessidades de sobrevivência entre participantes, onde se somam às
condições de causa e efeito às atitudes intencionais.
A avaliação de conflitos, como aqui apresentado, não é uma questão
energética, entrópica positiva (desorganização) ou negativa (organização),
mas uma questão de valorização ou desvalorização através do tempo,
podendo desse modo, ora produzir organização, ora desorganização. O que
101
importa para uma avaliação de mediação é a preservação do valor econômico
de uma situação conflitiva no tempo, ou seja, a estabilidade na disputa entre
elementos formadores de um sistema.
Procura-se, através desse conceito sistêmico de mediação, apropriar um
sentido de totalidade nas ciências, baseado num princípio de estabilidade
dinâmica através de uma visão econômica de seus elementos constituintes,
partindo-se do princípios que além das condições axiomática existente em
todos os ramos das ciências, existe um certo grau de liberdade, ou margem
de atuação ou escolha, implícito em elementos constituintes de qualquer
sistema, quer sejam em condições fechadas ou físicas, quer sejam em
condições metabólicas ou vivas.
As condições de equilíbrio dinâmico no processo de mediação são resultado
não apenas de causa e efeito, como descrito pela ciência clássica, mas
também por ato intencional (teleológico) com o objetivo de se definir certas
condições específicas mais favoráveis aos elementos participantes, ou
conflitivos.
Desse modo, por exemplo, os elementos de uma reação química, tais como
hidrogênio (H) e oxigênio (O), sob certas condições catalítica podem produzir
água (H2O). O reverso também é verdadeiro, a água pode ser decomposta em
seus elementos constituintes.
As condições mais favoráveis para se produzir um elemento, (H2O), ou outro,
(H) e (O), nessa reação química não são determinados apenas pelas condições
entrópicas positivas ou negativas para se atingir as condições de equilíbrio,
partindo-se de certas condições e quantidades iniciais de estado. As
condições determinante desse tipo de equilíbrio, na visão sistêmica de
mediação, são definidos pela economia dos elementos participantes do
sistema, (H2 + O = H2O), através da análise de seus condicionantes internos
(nível atômico) e externos (meio físico), por exemplo.
Assim, já sabemos que mesmo que uma reação, ou condição, ocorra 1 milhão
de vezes, nada garante que essa mesma condição ocorrerá na milionésima
primeira vez. Isso quer dizer que um sistema repousa em condições de
equilíbrio dinâmico estabelecido por seus participantes. No caso acima, a
reação química pode ser vista como o resultado das condições catalíticas do
meio (temperatura, por exemplo), assim como, das condições definidas pelas
partículas subatômica (elétrons, nêutrons) do hidrogênio e do oxigênio
(mecânica quântica).
O equilíbrio dinâmico é, portanto, resultado da potencialização dessas
condições, (catalíticas e subatômicas, por exemplo), as quais permitem que a
reação química ocorra e seus elementos existam, não apenas como resultado
de causa e efeito, mas por ato que podemos considerar intencional das
condições subatômicas, ora privilegiando o elemento água (H2O) para certas
102
condições de temperatura e condições físicas, ora os elementos oxigênio (O)
ou hidrogênio (H) para certa condições probabilísticas no comportamento ,e,
existência de sub-partículas atômicas no seus núcleos.
Esse ato “voluntarioso” não é apenas resultado da probabilidade, mas da
potencialização das complexidades existentes na explosão de possibilidades
ao se combinarem as possibilidades dos níveis físico (temperatura) e
subatômico (comportamento de partículas ( ou ondas?). Ou seja, nunca
estamos certos, ou estaremos, se um fenômeno ocorreu por condições
meramente probalilisticas ou determinísticas.
No caso de sistemas abertos, metabólicos ou vivos, essa percepção
econômica de mediação é mais óbvia, já que os elementos participantes, (no
caso células), estabelecem trocas entre seus meios internos e externos, e não
atingem um estado final de constituição de um organismo a partir de uma
única condição primordial, mas através de diversos caminhos, ou estados
diferenciados.
Equilíbrio, nesse caso, significa condições econômicas favoráveis a um certo
nível de consumo uniforme e estável de energia que pode ser atingido por
diversos meios. Fica claro, desse modo, que um ser vivo, por exemplo, é
resultado de condições de disputa entre células pelo melhor arranjo
econômico, (sob certas condições de temperatura e força gravitacional, por
exemplo), na constituição de diversos órgão, os quais acabarão por compor
o todo final estável do organismo.
Esse arranjo representa as melhores condições de conflito entre as diferentes
células de diferentes tecidos de diferentes órgãos componentes do todo
(organismo). É por isso que um organismo vivo existe apenas como um
equilíbrio dinâmico, sendo sujeito, a todo instante, a um bombardeio de
elementos destrutivos, oxidantes e redutores e, ainda assim, suas defesas,
afim de manter esse equilíbrio (sempre precário), trabalham para manter as
condições de uma mediação com o meio hostil e seus mais diversos órgãos
funcionais. Isso permite uma estratégia interessante, onda a perda de um
tecido, ou de um órgão, por exemplo, nem sempre trás o colapso do sistema.
Existem sempre possibilidades, talvez infinitas, de arranjos e rearranjos em
prol da existência estável do sistema metabólico de um ser vivo.
Morte, ou colapso, nesse caso, significa a exaustão dessas possibilidades de
arranjos na economia dos conflitos existentes num processo metabólico,
desencadeando-se, então, a formações de centenas de outros sub-processos
que estavam embutidos, subentendidos, coligados ou adjacentes.
Informação, sob esse ponto de vista de mediação, é uma medida de valor
econômico que se valoriza e desvaloriza no tempo e é parte do processo de
comunicação, alavancando as condições de retroalimentação (feedeback) nas
trocas estabelecidas pelo emissor, receptor e mensagem. O que muda nessa
103
percepção de informação como mediação é que o importante no processo de
comunicação é investigar o caráter conflitivo que existe entre emissores e
receptores, assim como, examinar o valor implícito e explícito contido na
mensagem e não apenas no seu valor explícito. Informação, desse modo,
serve não apenas para medir valor, mas para definir estratégias e exercer
controle e mediação afim de se preservar e manter um sistema.
As condições referentes ao meio interno e externo do emissor e do receptor
farão parte, implicitamente, da mensagem, sendo partes integrantes da
disputa e troca por dados. Essas condições implícitas na mensagem, como
no caso da comunicação humana, podem se referir a condições psicológicas,
patológicas, ou emocionais, por exemplo, ou ainda, a outras diferentes
condições favoráveis e desfavoráveis a uma das partes.
No entanto, o valor explícito da mensagem pode muito bem escamoteado,
produzindo,intencionalmente, ou não, erro, ruído ou interferência. No caso de
um vírus atacando um organismo, é sabido que muitos se disfarçam em
elementos participante, levando algum tempo até que o organismo os
identifiquem como invasores, ou predadores. Outros ainda, como no caso de
bactérias, convivem harmoniosamente na nossa flora intestinal, chegando a
serem essenciais no processo metabólico humano.
A mediação que se estabelece no processo de comunicação; quer seja em
sistemas abertos, ou fechados, é aquela que compatibiliza e existência dos
elementos participantes, tais como: (H), (O), (H2O), emissor e receptor numa
coexistência, quer seja em condições de equilíbrio, quer seja em condições
de consumo uniforme estável. Essas condições de coexistência podem ser
resultado de condições de equifinalidade, ou não.
Para o processo de mediação, como as condicionantes de estados de um
sistema são de ordem econômica, pode haver apenas uma condição
determinante na passagem de uma situação inicial de estado para outro final,
assim como, podem existir diversas condições de valorização ou
desvalorização, inflação e deflação, determinando as mais diversas condições
para um estado final estável e uniforme. Porém, o processo de mediação, e
por extensão a própria noção de informação, são, ambos, resultantes de
condições de estabilidade, que por sua vez podem ser entrópicas positiva
(desorganizadas) ou entrópicas negativa ( organizadas), mas nunca,
desconexa, sem sentido, ou estariam fora de nosso alcance de nossa
compreensão.
Organização, ou desorganização, nas condições de totalidade (universal) que
fazemos parte, são condições temporárias. O objetivo é perceber a existência
de uma relação mediadora permanente de estabilidade entre ganho e perdas
de energia , assim como, nas condições de comunicação e significância de
valores.
104
A própria existência de um universo, ou de uma realidade, se existem e podem
ser apropriados, é por que eles são resultados dessas mesmas condições de
estabilidade, ou mediação econômica de forças conflitantes. E ainda, só
podemos vê-los e compreendê-los porque, também, nós somos resultados
dessa mesma natureza mediadora. Não podemos ver sistema, conjunto,
totalidade, ou universo, como condições unilaterais da existência ou da
realidade; uma coisa, um objeto com início meio e fim, ou ainda, produto de
uma relação de causa e efeito, mas, tão somente, uma relação mediadora entre
potencialidades, possibilidades e realidades.
Uma Visão Sistêmica de Mediação
105
Desenvolvimento de Sistemas
Novos paradigmas
Novos paradigmas não ocorrem como atitudes conscientes de mudanças,
desenvolvendo-se novos modelos, conceitos ou estratégias. Na industria, na
ciência e nos negócios, novos paradigmas são sempre precedidos por um
período de descrédito e insegurança profissional, (segundo Thomas Khun,em
“The Structure of Scientific Revolution”), indicadores de que os valores
correntes não satisfazem às soluções requeridas nos problemas do dia-a-dia.
No verdade, são nos problemas recorrentes do dia-a-dia, e nas tentativas de
solucioná-los que se criam novos caminhos para o desenvolvimento de
sistemas. A premissa básica no desenvolvimento de sistemas é que soluções
para problemas requerem uma visão sistemática de causas e conseqüências
e constantes avaliações de resultados, obtidos através de modelos e
estratégias coerentes.
Um componente primordial, que tem promovido a revolução de conceitos e
paradigmas no dia-a-dia do homem, tem sido o surgimento contínuo de novas
tecnologias. Uma ferramenta que facilita a escavação do solo, um
equipamento que permite maior velocidade de locomoção, uma teoria
matemática que permite antever o comportamento do mercado, ou ainda, um
conceito que revoluciona a perspectiva antiga de se enfocar novosproblemas.
Nesse início do século 21, o que está acontecendo é o uso intensivo de novas
tecnologias para o estabelecimento de modelos e metodologias para o
desenvolvimento de sistemas de soluções que reduzam custos e barateiem o
acesso da população à aquisição de produtos de bens de consumo
(alimentos, moradia, carros) e serviços (turismo, informação, serviços
públicos). O surgimento dessa sociedade de massa requer maior flexibilidade
na distribuição de produtos, serviços, assim como, na manutenção e criação
de sistemas de informação.
Novos conceitos no desenvolvimento de sistemas
O desenvolvimento de sistemas caminha velozmente para a abordagem que
não só considere causas e conseqüências fixas na avaliação de problemas,
mas que considere as variáveis dos ambientes internos e externos no
contexto dinâmico em que os nossos problemas do dia-a-dia se situam.
Considerações ambientais podem ser amplas demais, ou genéricas demais,
produzindo; ousistemas muito complexos e caros ou simplificações inviáveis
economicamente.
106
Quando se fala em desenvolvimento de sistemas é importante ter-se em mente
as novasmudanças de paradigmas que afligem nossa sociedade, nesse início
de século, a fim de se elegerem fatores internos e externos relevantes à
conjuntura de analise, levando em conta os “novos paradigmas” que afetam
causas e conseqüências na conceituação dos problemas.
Eleger-se fatores internos e externos, na etapa de configuração dos sistemas,
requer a compreensão de como esses fatores se tornarão propriedades
endógenos (intrínsecas) ou exógenos (extrínsecas) à convergência e
estabilidade final desejada no conjunto sistêmico de soluções. Assim, se
certos fatores forem endogenados ao sistema, eles passarão a compor um
estrutura “genética” primária ao conjunto de soluções. Aqueles considerados
exógenos passaram a ter um influência dinâmica e variável na capacidade do
sistema projetado se mover em direção à estabilidade. A eleição desses
fatores como endógenos, ou exógenos, ao sistema de soluções tem um
caráter peculiar a cada sistema e situação, não estão pré-determinados.
Essa decisão, de se elegerem os fatores internos e externos, muda e se altera
em relação aos objetivos de estabilidade que se deseja alcançar com o
sistema de informação. Desse modo, por exemplo, se o custo da mão-de-obra
for considerado endógeno e juros de investimento exógenos a um sistema
gerencial de informação, a estabilidade do sistema será dependente, nas suas
avaliação de desempenho, de um ambiente trabalhista estável e
provavelmente vai requer representação dos trabalhadores no corpo diretor
decisório da empresa. Por outro lado, o fato dos juros de investimento serem
considerados exógenos será refletido nas variações constantes nos cálculos
de rentabilidade e custo de produção.
Em um caso, ou outro, o gerenciamento do sistema de informação resultará
em uma convergência, ou estabilidade, considerando no primeiro caso custo
como secundário e, por exemplo, procurará otimizar retornos. No segundo
caso, o impacto da variação constante dos juros fará com que o sistema
considere custos como primários e procurará sua convergência ou
estabilidade nos cálculos de risco e liquidez nos ativos. Como podemos ver,
uma ou outra decisão na configuração de um sistema gerencial tratará os
dados com peso e importância diferenciados nas mais diversas
configurações transacionais de seus bancos de dados.
107
Como podemos observar na figura abaixo, ao invés da conceituação
hierárquica clássica de problemas, ou seja: 1- enfocar o problema proposto;
2- avaliar causas e conseqüências; 3- propor soluções; 4- avaliar os
resultados; o que se propõe aqui é a visão que os problemas nascem num
ambiente externo genérico (meio), o qual promove alterações com o ambiente
interno, ou problema específico, requerendo-seentão um sistema de soluções
que, constantemente, avalie causas e conseqüências e não apenas proponha
uma fórmula, um modelo ou um algoritmo.
Segundo essa abordagem, o desenvolvimento de sistemas é o resultado de
interação dinâmicas entre fatores dos ambientes interno e externo onde uma
série de problemas de situam num dado instante, exigindo, dessa forma,
contínuas iterações com os usuários afim de se atingir resultados particulares
de acordo com as necessidades temporais de mudanças tecnológicas. A
figura abaixo mostra que o desenvolvimento de sistemas tem um envelope de
soluções ótimas que mudam com o tempo.
108
O importante, portanto, segundo essa visão, é identificar-se quando uma
tecnologia (A) é uma solução para um problema (P), num dado instante (Ti).
Para isso, é importante definir-se quais as mudanças de paradigmas da nossa
época que afetam ou alteram a conceituação de problemas do dia-a-dia, e
quais estratégias e modelos podem se tornar soluções.
Três fatores de mudanças estão sendo propostos para se analisar esse
impacto de mudanças tecnológicas na formação de novos paradigmas no
nosso dia-a-dia:
1- Os novos paradigmas do gerenciamento e organização de negócios e
empresas;
2- Os novos paradigmas do gerenciamento da tecnologia da informação e
sistemas;
3- Os novos paradigmas na interação usuário-computador;
Os novos paradigmas no gerenciamento de empresas
Esses fatores estão sendo discutidos na parte dessa palestra referente à
organização, resumidamente são:
1- mudanças dramáticas no ambiente econômico, favorecendo:
a- desregulamentações e privatizações no mercado;
b- aumento da competição estrangeira;
c- diminuição no ciclo de surgimento de novos produtos;
2- exaustão do modelo organizacional burocrático, favorecendo:
a- modelos gerenciais menos hierarquizados e mais participativos;
b- sistemas de controles flexíveis;
c- menor gerenciamento intermediário;
3- reengenharia de gerenciamento e processos, favorecendo:
a- a visão do cliente em detrimento de regras e regulamentos
(burocracia);
b- favorecimento aos processos de inovação;
c- avaliação do valor da informação;
Os novos paradigmas no gerenciamento da tecnologia da informação
A tecnologia da informação é um conceito abrangente porque inclui não
apenas os computadores, mas uma série de tecnologias onde também
transitam informações. As mudanças de paradigmas que ocorrem nessa área
109
são difíceis de serem conceituadas, pois esse é um ambiente em constantes
mudanças. Existem vários conceitos nesse campo de conhecimento, tais
como: sistemas de apôio à tomada de decisão; automação de escritórios e
interfaces gráficas.
Esses conceitos estão relacionados às recentes inovações tecnológicas que
têm afetado o desenvolvimento das organizações e criado uma perspectiva
empresarial para obtermos “informação”. Novos paradigmas promovidos
pelo uso da tecnologia da informação só podem ser compreendidos pelo
impacto que têm causado, ou seja, pelas conseqüências. Na verdade, as
causas ainda não são claras ou, no mínimo, são controvertidas.
O termo sistemas de informação define novos paradigmas de produtividade
na atual perspectiva de gerenciamento de uma sociedade de informação. Três
períodos podem ser definidos, de acordo com essa idéia de surgimento de
uma sociedade de informação.
Primeiro, a mecanização das linhas de montagem ajudaram a racionalizar a
aplicação de recursos tanto humanos quanto materiais. As linhas de
montagem foram automatizadas por robôs e outros equipamentos eletrônicos
do gênero, movendo-se o foco da questão “maior produtividade” em direção
a capacidade gerencial dos administradores.
Subseqüentemente, a era da tecnologia de informação promoveu a
automação na tomada de decisão, visando a integração de tecnologias
correlatas, tais como: sistemas de bancos de dados, redes locais (LANs) e
mídia eletrônica (T.V., fax, telefone, etc.)
O terceiro, período, da assim chamada tecnologia da informação, é quando
sistemas de informação tornaram-se peça importante na tomada de decisão.
A questão atual não é de como criar sistemas que realizem tarefas repetitivas
mas, ao invés, tornou-se a capacidade de gerar e transmitir dados
interativamente e de modo inteligente. A questão chave nessa etapa de
desenvolvimento industrial é incorporar e desenvolver processos inteligentes
no gerenciamento das empresas.
Os novos paradigmas na interação usuário-computador
Seguindo o histórico do desenvolvimento de sistemas, novos conceitos no
desenho, configuração e implementação de sistemas de informação exigem
atualmente intensa interação com os usuários. As ferramentas gráficas para
a criação de interfaces permitem reconfigurações rápidas dos programas na
tela do monitor, forçando muitas vezes um redesenho do sistema proposto.
Outro aspecto, é como os usuários reagem diante do que está sendo
apresentado no monitor.
110
O modo através do qual as pessoas interagem com os computadores, usando
menus e janelas de diálogo, definem a priori novos requisitos para se medir a
eficiência e produtividade de um sistema computadorizado. Devido à
crescente importância dos usuários como agentes participantes na análise e
desenvolvimento de sistemas, a ergonomia (fatores humanos) passou a ser
elemento vital na configuração de sistemas interativos. Esse fato coloca a
criação de interfaces como o aspecto mais importante no desenho e na
configuração de sistemas nesse momento atual.
Interfaces usuário-computador convertem tarefas em procedimentos
amigáveis, possibilitando aos usuários ganharem controle tanto da máquina
quanto do trabalho a ser realizado, ou seja, algo muito próximo de se dirigir
um automóvel. Portanto, a palavra chave para o desenho de interfaces é
encontrar um padrão comum de comunicação entre o modo pelo qual os
usuários se comunicam com o modo pelo qual as máquinas processam
informação. Esse problema pode ser dividido em duas etapas para avaliações:
1- estudar como os computadores processam informação; 2- considerar como
os humanos reconhecem e processam informação.
111
Evoluçãono Desenvolvimento de Sistemas
Introdução
O desenvolvimento de sistemas de informação vem, desde 1950, quando
então poucas regras existiam para a conceituação e desenho de aplicativos
computadorizados. A partir de 1960, um esforço significativo vem sendo
aplicado para estabelecer regras e ferramentas metodológicas no
desenvolvimento de sistemas.
A partir dos anos 70, esses esforços culminaram na adoção do conceito de
ciclo de vida de negócios ao desenvolvimento de sistemas. O famoso
diagrama “cascata” de Barra Boehm tornou-se o clássico “ciclo de vida do
desenvolvimento de sistemas”.
112
Ferramentas
Basicamente, as ferramentas correspondentes à metodologia do diagrama
cascata são:
1- codificação em linguagem de terceira geração (cobol);
2- uso da programação estruturada;
3- uso de aplicativo batch e on-line no mesmo sistema;
4- uso de um sistema de gerenciamento de banco de dados não relacionais;
5- utilização do ambiente mainframe como plataforma;
6- uso de equipes treinadas em programação e análise;
7- o usuário participa principalmente na fase de requerimentos;
8- uso de um sistema de administração de processos e documentação do
sistema;
A partir dos anos 80, uma nova mudança de paradigmas no desenvolvimento
de sistemas se impõe; aparecem as chamadas linguagens de 4ª geração. O
objetivo tradicional do ciclo de desenvolvimento de programas (software) que
era levantar todos os requerimentos do sistema antes de desenhá-lo, cede
lugar à criação de protótipos interativos.
Novas Ferramentas
As ferramentas dessa nova abordagem são:
1- o uso de sistemas de gerenciamento de banco de dados relacionais;
2- criação automática de diagramas de dados e documentação;
3- o uso de linguagem não procedural, orientada por objetos;
4- o uso de ferramentas para a modelagem e análise de dados;
5- a reutilização de códigos, e a criação de bibliotecas de rotinas pré-
programadas;
6- o uso de salvaguardas para a segurança ao acesso dos dados;
7- o uso de conectores a diferentes tipos e formatos de dados e bancos de
dados;
No final do anos 80 e início do 90, aparecem as ferramentas “CASE”, ou
“computer-aided software engineering”. As ferramentas do tipo “CASE”
podem ser consideradas a grosso modo uma automação dos conceitos da
programação estruturada. Nesse caso, programas de computadores geram
linhas de códigos baseado num esboços de desenho de sistemas, onde
estejam discriminados os processos e a estrutura de dados simultaneamente.
113
As ferramentas básicas dessa etapa são:
1- definição de um depositário central de informação que armazene e
organize todas as informações necessárias para se criar, modificar, ou
desenvolver um programa de computador;
2- ferramentas gráficas são usadas para desenvolver aplicativos diretamente
nas estações de trabalho dos usuários, criando-se interfaces a partir de
funções escolhidas em menus de opções;
3- ferramentas para a programação automática de códigos de programas são
usadas em conjunto com ferramentas gráficas.
114
Inteligência Artificial
O Modelo Digital
Introdução
Na medida que ao longo do século 20, o centro das preocupações no
gerenciamento das empresas foi se deslocando do aspecto organizacional
das linhas de montagem para o aspecto estratégico da tomada de decisão,
podemos perceber uma valorização dos conceitos de “procedimentos”,
“processos” e “ instruções”, como elementos chaves para se entender
métodos e processos na área industrial e de serviços .
Um dos problemas dos procedimentos mecânicos, ou servo-mecânicos, tem
sido a limitação do número de estados de transformações que roldanas,
polias e esteiras impõem ao se criarem processos complexos com um número
muito grande de etapas. Na verdade, no mundo mecânico existe um número
limitado de estados de transformações que podem ser criados, limitando a
quantidade de condições, ou instruções, que podem ser definidas em
processamentos mecânicos complexos.
No entanto, já em 1936, Alan Turing tinha conceitualizado uma máquina, que
através de processos finitos, usando um número ilimitado de segmentos
encadeados de dispositivos com instruções armazenadas, pudesse criar um
processamento de estados e condições infinitos, dependentes apenas da
disponibilidade de segmentos extra de “memória”.
Quando uma máquina é equipada com recursos ilimitados, desses tipos de
dispositivos de armazenagem (“memórias estendidas de instruções de
processos”), cria-se o que se convencionou chamar de “ Máquina de Turing”.
Então, baseado nesse conceito, um conjunto de instruções podem ser
armazenadasde forma numérica, reduzindoproblemas a instruções de código
matemático, produzindo-se uma espécie de máquina universal processadora
de problemas.
Turing chegou a afirmar que, no futuro, esses processos armazenados dentro
de máquinas de processamento seriam indistingüiveis daqueles processados
metabolicamente pelos humanos, chegando mesmo a propor um teste para
identificar-se quando estaríamos falando com uma máquina, ou com um ser
humano, (teste de Turing”).
115
Em 1945, através do “First Draft of a Report on the EDVAC”, John Von
Neumann propôs uma arquitetura para essa máquina de Turing, que passou a
ser o modelo dos computadores digitais atuais. Essa arquitetura de Neumann
para um computador digital era baseado num processamento binário e
discreto da informação, ou seja, por pacotes de instruções em forma
seqüenciada usando apenas “0s” e “1s”. O processamento da informação,
nesse tipo de modelo, é feita através uma unidade de controle central que
recebe dados de uma unidade de entrada (o teclado por exemplo), armazena
esses dados na memória, realiza algumas operações lógicas e matemáticas,
enviando o resultado processado para uma unidade de saída (monitor,
empressora, etc.).
Norbert Wiener, em “Cybernetics”
(1948), introduziu o conceito de
cibernética como a ciência que estuda
máquinas auto reguladoras, baseadas
no conceito de retroalimentação
(feedback), que ele emprestou da teoria
da comunicação, adicionando a noção
de informação como medida de ordem,
organização e controle na capacidade
de processamentos das máquinas, na
verdade, elementos cibernéticos.
Wiener, no entanto, foi mais além do
simples conceito de informação,
definiu um modelo “cibernético de
retroalimentação e informação que transcende o campo tecnológico, criando
assim, um modelo cibernético para máquinas e dispositivos com implicações
nas áreas sociais, biológicas e culturais. Na verdade, Wiener fala de sistemas
baseados em conduta intencional, deslocando o modelo mecânico de
roldanas, polias e esteiras para uma visão “sociológica” de máquinas
inteligentes, capazes de processamento autônomo, e de gerar outros
processos e máquinas através da adaptação e do aprendizado. Estava criado
o mito do autômata.
Processamento
O modelo da máquina de Turing, aliado ao modelo de computação digital de
Neumann e potencializado pela idéia de autômatas auto reguladoras de
Weiner mudaram, severamente, a visão do conceito de processos e
procedimentos. Essas três idéias vieram a revolucionar o conceito de
máquina que vinha desde a revolução industrial, colocando-as como ponto
central na tomadas de decisão e otimização de recursos, nesse início do
século 21. As preocupações do gerenciamento, dessa forma, deslocaram-se
de processos enfocados na cronometragem de tempos para aqueles focados
na interatividade homem-máquina.
116
Dessa forma, processamento está, hoje, relacionado a funções de estruturas
lógicas, comunicação entre computadores, capacidade de armazenagem,
estratégias de armazenagens de dados, tempos de processamento e
capacidade de interação. Sobretudo, a questão central do gerenciamento de
empresas, agora, gravita em torno da questão de como máquinas podem , a
partir de processos finitos, gerar sistemas auto reguladores, procurarem por
objetivos intencionais (teleológicos), tomarem decisões, redefinindo a noção
de inteligência; pedra fundamental no desenho dos modernos processos
gerenciais.
Processamento é, hoje, portanto, não manipulação de regras, regulamentos
ou dados, mas gerenciamento inteligente da informação.
O conceito de informação, por sua vez, também mudou, deixou de ser apenas
um elemento que mede ordem, capacidade ou organização, mas sofisticou-se
a ponto de significar valor. A informação libertou-se do conceito de controle
e passou a ser um sofisticado conceito econômico para apropriar ativos
empresariais, tal como preço um dia o foi, no início da revolução industrial.
Informação, nesse sentido econômico, passou a ter um conjunto de
significados que vão desde a redefinição da noção de conhecimento até a
redefinição do significado de ações estratégicas. Com isso, ela passou a ter
um valor sociológico que representa poder, decisão, riqueza, exercendo o
mesmo papel que um dia a moeda teve, na civilização humana, para
representar elemento de troca nas transações comerciais, e servir como
elemento de reserva de valores.
117
Representaçõesno Modelo Digital
Introdução
Como vimos na seção anterior, máquinas têm
evoluído de limitadas engrenagens
processadoras, baseadas em repetição
monótona de input e output para sofisticados
sistemas de processamento digital, baseados
em representações simbólicas. Na base dessa
mudança está a alteração da visão mecânica e
repetitiva para uma visão processual e
dinâmica de funções com capacidades de
tomar decisões, baseados em símbolos e
condições lógicas. A palavra inteligência,
portanto, está cada vez mais associado a
processos com funções de representar os
problemas do mundo à nossa volta.
O modelo digital, que tem permitido essa
evolução conceitual das máquinas
processadoras de estados limitados para estados ilimitados, está centrado
nos diferentes modos que podemos representar simbolicamente problemas,
condições, ou estruturas, reduzindo-os a funções com capacidade autônoma
118
de processamento e lógica própria. Nesse sentido, representações, no
modelo digital, não pretendem ser apenas uma mímica da mecânica e do
funcionamento do universo, mas almejam representar conhecimento. Então,
como máquinas podem representar conhecimento e inteligência, reduzindo-
os a um valor processual simbólico, é a questão do momento atual.
Representações da inteligência
A questão da inteligência é polêmica e tem natureza, filosófica, conceitual,
moral e social. No entanto, ela é usada a todo momento para representar
tomada de decisão, capacidade mental e processual. Quando nos referimos a
algo ou alguém inteligente é porque estamos querendo enaltecer suas
qualidades e habilidades em ou fazer escolhas, ou, processar dados e
informação com rapidez e destreza.
Discussões sobre inteligência remontam aos problemas filosóficos da
civilização ocidental desde Platão na antiga Grécia. Esse conceito esteve
sempre ligado, de uma forma ou outra, a decisões lógicas ou a apropriação
do conceito de razão. Essa visão teve seu ápice em Descarte com a definição
do método de investigação científica baseado em evidência dos fatos, causa
e efeito e processos lógicos encadeados. Essa visão tradicional de
inteligência é baseado na concepçãode estruturas lógicas, e é a que mais tem
sido mais usada para representar processos e capacitar as máquinas no
sentido de serem auto regulados e capazes de aprendizado .
Estruturas Lógicas
1- proposições: uma das estruturas lógicas mais básicas, está ligada a
construção de sentenças na linguagem natural humana, tais como em:
a- sentenças declarativa: O dia amanheceu;
b- sentenças interrogativas: Faltará água ?;
c- sentenças exclamativas: Feliz aniversário !;
d- sentenças imperativas: Feche a porta ! ;
2- conetivos: as proposições podem ser encadeadas através de conjunções,
ou conetivos, do tipo: não: "~ " (negação); e : " " (conjunção); ou : " "
(disjunção); se..., então : " " (condicional); se..., e somente se :  (bidicional);
3- sentenças abertas ou fechadas: quando as proposições (fechadas), como
mostrado acima, podem ser substituídas por variáveis elas se tornam
sentenças abertas, tal como em:
Se x é filho de y, então z é seu irmão.
119
4- valor lógico das sentenças: as proposições na lógica tradicional partem da
conceituação de que elas podem ser falsa (F) ou verdadeiras (V).
5- Tabela-verdade: um conjunto de proposições com valores lógicos pode ser
representado numa tabela onde todas as alternativas possíveis estão
representadas, como demostrado abaixo:
Considerando a proposição acima :” Se x é filho de y, então z é seu irmão”,
decomposta nas seguintes proposições:
p = x é filho de y;
q = z é irmão de x;
As possíveis situações em que as proposições p e q são verdadeiras, ou
falsas, podem ser tabuladas simbolicamente como:
p q p q
V V V
V F F
F V V
F F V
Essa tabela acima representa todas as possibilidades lógicas entre o
antecedente (x é filho de y) e o conseqüente (z é irmão de x). No entanto, a
“implicação material” não significa “conexão real”. Desse modo, somente no
caso do antecedente p ocorrer e seu conseqüente q não, é que teremos uma
“implicação material” falsa (ou logicamente impossível), nos demais casos,
haverá sempre uma implicação material verdadeira (ou logicamente possível).
A relação de implicância discute apenasas relações possíveis do antecedente
(p) com o conseqüente (q) na ordem seqüencial de implicância proposto. Ela
só não ocorrerá quando o conseqüente falhar (for falso), resultando numa
implicação impossível de ocorrer. Não há resultado possível para uma
conseqüência que não existe. Quando os dois forem falsos a relação de
implicância ocorrerá (será verdadeira), já que logicamente está implícito que
a não ocorrência simultânea de ambos (antecedente e conseqüente) resulta
em uma ordem seqüencial possível. Se um fato não ocorre não é possível
haver conseqüências, o que é logicamente verdadeiro.
Podemos notar que as estruturas lógicas tradicionais não discutem
“significado”, mas coerência na maneira de se propor um problema e de se
obter uma solução possível. Não há uma discussão “estrutural” ou
“conceitual” de valores, mas apenas “processual” na maneira como
sentenças e objetos podem estar relacionados, ou não.
120
Processos Cognitivos
Philip Johnson-Laird em seu livro “ The Computer and The Mind” (O
Computador e a Mente) de 1988, levanta a questão do que processos mentais
processam.
Sistema de símbolos
Símbolos, na visão cognitiva, tem uma representação sistêmica de valores
carregando em seu significado instruções lógica, valores conceituais, ou
ideológicos. Um exemplo, seriam os sinais de trânsito que tanto indicam uma
situação lógica (Proibido Estacionar nesse lugar), como valores mais
imprecisos, ou subjetivos, como (cuidado pavimento escorregadio, ou curva
perigosa).
Johnson-Laird propõe três componentes para a definição de um sistema de
símbolos:
1- o símbolo;
2- o domínio simbolizado;
3- o princípio que relaciona símbolo com seu domínio;
O significado de um sistema de símbolos, de acordo com Laird está associado
a regras, convenções e hábitos , formando uma estrutura implícita e explícita
de significados.
O importante na conceituação de um sistema de símbolos não é seu
significado, mas sua capacidade de ser representado através de um
processamento. Sabemos que a mente humana processa imagem e símbolos,
o que nos propicia o sentido da visão, mas não sabemos como isso é
processado pelo cérebro. Se pudermos definir um sistema simbólico para
imagem, ou visão, ela poderá ser processada por um computador digital.
Representações do conhecimento
121
Conhecimento pode ser encarado
como um subproduto da capacidade
processual tanto do cérebro humano
como de máquinas autômatas.
Inegavelmente, associado ao
conhecimento, está também a noção
de aprendizado e adaptabilidade
como formas de se acumular, ou
potencializar, dados transformados
em valor através da noção
econômica da informação, como
vem sendo apresentado nessa
palestra.
A inteligência artificial ( I.A.) tem criado vários conceitos para representar
conhecimento (knowledge), tornando-se, atualmente, o ramo do
conhecimento que mais se preocupam em criar estruturas que possam ser
resumidas em funções, com o objetivo de tornar o processamento digital
capaz de aprender e se adaptar. Esse esforço é notável, quando nos damos
conta que essa tentativa de se apropriar conhecimento, pode muda,
radicalmente, as relação de causa e efeito nos fenômenos sistêmicos,
transformando o caráter repetitivo e compulsivo das máquinas em intencional
dinâmico e interativo.
O Papel-chave das representações
Patrick Henry Winston, em seu livro “Artificial Intelligence”, (Inteligência
Artificial), de 1984 define representações como a capacidade de se definir
regras teóricas ou práticas na descrição e definição de sistemas, problemas
ou assuntos. Representações do conhecimento em I.A. são estruturas que
possuem funções embutidas de significância, traduzidas por símbolos,
tentando aproximar o lógico do programático. Dessa forma, se bem sucedida,
I.A. poderá produzir uma linguagem de computador que ao mesmo tempo que
define processos gera conhecimento. A linguagem LISP tem sido um de suas
maiores realizações.
Representando o conhecimento
Seguindo, Henry Winston, uma boa representação é:
1- explícita acerca de um conteúdo, ou assunto;
2- define restrições e limites de atuação;
3- define conteúdo de maneira completa e transparente, evitando detalhes;
4- capaz de ser convertida em processamento digital (computação);
122
Algumas das ferramentas para a representação de conhecimento em I.A. são:
1- Redes semânticas: são um conjunto de regras associativas, definindo: 1-
equivalência entre diferentes classes de definições, tais como gato classe
animal; gato classe mamífero; 2-procedimentos que ao mesmo tempo operem
descrições e representações, tais como comandos LISP que ao mesmo tempo
podem definir listas de animais associadas a listas de mamíferos; 3- descrição
associada à linguagem natural humana, português por exemplo, assim a
linguagem de programaçãoseriam uma extensão da linguagem humana capaz
de representar objetos, ações e eventos do mundo real.
2- Restrições: são definições de regras de relacionamento entre um ou mais
objetos através de “predicados”, os quais são entendidos e manipulados na
forma de informações estruturadas. O cálculo relacional, embutido nos
bancos de dados relacionais, capazes,por exemplo, de produzir sentenças do
tipo SELECT nome onde nome = maria, é a idéia da definição de restrições. A
I.A ., na verdade, tem uma idéia mais ampla de restrições, objetivando o
processamento em larga escala de “predicados”, a ponto de gerar uma
linguagem ao mesmo tempo simbólica e programática.
3- Classe: definição de estruturas hierárquicas por categorias de assuntos,
onde os objetos afiliados herdam as propriedades de seus pais. Assim,
teríamos uma estrutura “veículos” definida por categorias de passeio ou de
carga, onde a definição do objeto porta seria herdado tanto por uma, como
por outra categoria, sujeita apenas aos parâmetros característicos de cada
categoria, ou seja, porta - veículo - de passeio, ou porta – veículo – de carga.
4- Frames: é uma coleção de nós de uma rede semântica que descrevem o
estereotipo de um objeto, eventos e ações associadas.
Representações da informação
As representações do conhecimento e
da inteligência, discutidas acima, têm,
essencialmente, uma caráter sintático
e semântico. A representação da
informação, dentro do âmbito do
modelo digital, tem um caráter
programático, organizado de modo a
representar auto regulação nos
processos computacionais.
Informação, dessa forma, será
representada por algoritmos de regras
encadeadas de decisão, responsáveis,
em última análise pela interação usuário-computador.
123
Sistemas especialistas
A idéia de sistemas especialistas é de que computadores (hardware) ou
programas (software) podem assumir um papel interativo na comunicação
humana a ponto de gerar conhecimento e informação, configurando-se em
sistemas de informação de suporte à tomada de decisão, diagnósticos e
resolução de problemas. Sua estrutura básica divide-se em:
1- uma base estruturada de conhecimento no formato de bancos de dados
relacionais;
2- uma máquina de inferência dedutiva de regras de decisão;
3- uma interface (linguagem natural ou gráfica);
Exemplo: No caso abaixo, apresentamos, como exemplo, apenas uma regra
de inferência para um diagnóstico médico. Porém, essas regras podem estar
aninhadas, assim como serem adicionadas ao sistema pelos próprios
usuários. A idéia de sistemas especialistas e de que, ao longo do tempo, eles
vão incorporando o conhecimento dos usuários tornando-se um grande
banco de dados de regras de inferência, assim, quanto mais usados mais
competente eles se tornarão.
Se : a infeção primária é virótica simples
o paciente tem febre benigna
o paciente tem dores pelo corpo
Então: existe evidência de que o paciente está com gripe
Paradigmas
Paradigmas filosóficos e cognitivos
As mudanças de paradigmas, no
momento atual em que vivemos,
referem-se a como as máquinas
estão evoluindo de simples
estruturas mecânicas repetitivas,
para autômatas dinâmicas e auto
reguladoras. No centro dessa
questão está a configuração de
processos inteligentes na tomada de
decisão. Em última análise,
processos automatizados de
decisão procuram, agora, o cérebro
124
humano como comparação e paradigma de como processar, analisar e
produzir informação.
Por uma lado, computadores são máquinas fechadas baseadasem processos
finitos que estão a procura de memória expandida afim de aumentar sua
capacidade de processamento, transformando o sequenciamento de
elementos finitos em infinitas possibilidades. O objetivo é liberar as máquinas
da visão tradicional de polias e engrenagens para um ambiente digital de
processamento eletrônico, baseado em estruturas sintáticas e semânticas.
A máquina do século 21 tenta adquirir uma linguagem que ao mesmo tempo
seja programática e conceitual, seguindo uma lógica de instruções e passos,
afim de representar conhecimento e informação. Estamos passando,
portanto, de uma fase de máquinas estruturais para outra de máquinas
cognitivas.
O ser humano, por outro lado, é um organismo vivo, metabólico que
estabelece uma relação com seu meio através de trocas dinâmicas e auto
reguladoras (feedback), com uma extraordinária capacidade de adaptação e
aprendizado. O modelo mental dos processos cognitivos humanos tem sido
representados por paradigmas mecânicos de representação, tentando reduzir
sua funções a processos finitos. Curiosamente, o inverso das máquinas,
como explicado anteriormente.
Na verdade, a história da civilização ocidental está divida entre duas correntes
desde Platão: o comportamentalismo, que valoriza as condições ambientais e
genéticas na definição de nossos processos mentais; e outra idealista que
valoriza idéias e conceitos, procurando nas abstrações encontrar significado
para nossas reações humanas, podendo estas abstrações serem de cunho,
histórico, cultural, social e intencional-racional.
Mais recentemente, existe, também, uma tendência de se analisar as funções
do cérebro humano, através da ciência da cognição, tentando-se
correlacionar áreas com as dos sentidos da visão, da emoção, da fala, etc.
Desse modo, procura-se entender o cérebro humano através de uma
abordagem sistêmica, procurando-se entender a influência de vários fatores,
ambientais, sociais, e cognitivos simultaneamente, abandonado-se a visão
mecanicista de causa e feito simples.
Paradigma das linguagens
125
Como apresentamos, na seção referente a
inteligência artificial, a linguagem de máquinas
autômatas procura ao mesmo tempo ter uma
estrutura programável e outra conceitual-lógica,
transformando os processos computacionais em
sistemas auto reguladores. A linguagem está no
centro dessa discussão da questão inteligência,
servindo de paradigma para conceituar-se
conhecimento e informação.
Wittgwenstein, em “Tractatus Logico-Philosoficus”
afirma que deve haver algo em comum entre a
estrutura de uma sentença e a estrutura do fato que
a sentença representa. Seguindo essa visão,
representações mentais do mundo são possíveis através da lógica, porém, as
proposições da lógica em si mesmas não representam nenhuma condição de
estado do mundo , ou no mundo.
Segundo Wittgwenstein, a lógica seria necessária, mas não suficiente para
descrever formas da realidade objetiva. No entanto, a lógica revelaria quais
estados seriam possíveis teoricamente. Wittgwenstein compara proposições
lógicas a figuras. Uma figura pode representar a forma de um estado físico,
usando certos tipos de símbolos, da mesma forma que a linguagem, ou seja,
ao dizermos “gato correndo” seria análogo a vermos a foto de um gato
correndo. “O gato correndo” deve existir como realidade física, então, figuras,
assim como, proposições possuiriam alguma relação entre a realidade física
e o seu significado representado.
Mediação
A mudança de uma sociedade industrial,
baseada no modelo mecânico, para outra
de serviços, baseada no modelo digital,
encontra, hoje, um sério gargalo no
desenho e gerenciamento de métodos de
produção, no desenvolvimento de novos
conceitos tecnológicos e científicos,
assim como, na visão filosófica de valores
para as coisas que nos cercam.
Esse gargalo está relacionado com a maneira com que o modelo mecânico,
da era industrial, cria ferramentas e utiliza recursos no gerenciamento de
sistemas. Atingimos o máximo possível na utilização dos conceitos eletro-
mecânico de sistemas baseados em polias, engrenagens, esteiras rolantes,
126
manivela, suspensões hidráulica, cabos de suspensão, ou linhas de
transmissão.
Não só o desenho industrial parece ter atingindo um certo esgotamento, mas
também , o consumo de recursos naturais tais como ferro, carvão, petróleo,
madeira, para não mencionar ecossistemas de florestas, oceanos, vida
selvagem marinha e terrestre. Atingimos o máximo possível na utilização de
maquinarios baseados em estados finitos, sistemas fechados de equilíbrio
energético rígidos e processos repetitivos.
As atuais necessidades, sempre crescentes, na produção de bens e serviços
enfrentam limitações não só na utilização ótima de recursos naturais, mas
também no desenho de máquinas mais eficientes, requerendo uma nova
conceituação do próprio método científico e uma nova visão de ciência. O
atual modelo mecânico está desequilibrado em relação ao consumo
energético e utilização de recursos naturais, quer seja pelos conceitos de
suas ferramentas, quer seja na utilização de seus métodos e processos.
O mundo físico da mecânica clássica de movimentos, da física newtoniana de
arranjos perfeitamente ordenados em sistemas fechados, a química das
reações de quantidades e proporções exatas, a matemática algorítmica e
axiomática, a geometria euclidiana, a filosofia racional, idealista, ou
comportamental, assim como a ciência, tão somente de causa e efeito vão,
assim, atingindo seu ápice e esgotamento de possibilidades.
Ao mesmo tempo que percebemos
esse gargalo, notamos um
movimento em direção a novos
paradigmas, em busca de novas
soluções, que vão aos poucos
rompendo as barreiras definidas
por 500 anos de história do
desenvolvimento científico. Essa
mudança de paradigmas envolve
vários aspectos de como vemos o
mundo à nossa volta, e está
centrada no surgimento de um novo conjunto de valores que, aos pouco, vão
definindo novas condições, parâmetros de medidas e avaliações conceituais,
assim como, um novo desenho e configuração na ordem das coisas.
Quer seja na área social do comportamento humano, que se desloca de
sociedade coloniais oligárquicas e patriarcais-rurais para outra de massas
baseada na classe-média; quer seja na área econômica, favorecendo uma
visão de controles mais flexíveis e intensa troca no comércio internacional;
quer seja pela física quântica, ou a exploração espacial. Na verdade, estamos
numa época de passagem do modelo mecânico para o modelo digital.
127
O modelo digital é a era do autômata, das máquinas inteligentes, onde se tenta
transformar processadores de estados finitos em infinitos, de sistemas
fechados, para abertos e dinâmicos, de roldanas e polias para a observação
do movimento dos elétrons. No centro dessa mudança está uma nova
perspectiva científica que abandona as atitudes unilaterais, sectárias, ou
crenças inabaláveis de que modelos, fórmulas, conceitos ou algorítmicos,
possam ser, por si só, a solução de um problema.
Essa nova perspectiva analisa mais cuidadosamente o conceito de causa e
efeitos, considerando a combinação explosiva de probabilidades, ou
possibilidades, na capacidade dos fenômenos de se auto-programarem, e, os
efeitos decorrentes dessa capacidade de se definir novas condições, ou atos
voluntariosos ou teleológicos, a partir de equilíbrio estáticos de sistemas
fechados.
O desenho das máquinas está, hoje, centrado nas possibilidades da
programação de estados e na análise da inteligência de seus processos,
assim como, nas necessidades de interfaces gráficas cada vez mais
dinâmicas e interativas. Essa poderia ser definida como a nova ciência da
mediação, baseada nas avaliações contínuas de causas e efeitos conflitivos
para se atingir condições estáveis mais favoráveis, em oposição à antiga
ciência de definições, baseada em causas e efeitos determinados, a partir de
modelos, ou fórmula, em busca de um equilíbrio perfeito.
Interfaces
Significado das Interfaces
Introdução
Como estamos apresentando nessa
palestra, as máquinas estão
evoluindo de uma modelo mecânico
para um modelo digital. A estratégia
básica tem sido a tentativa de se
construir estruturas que ao mesmo
tempo representem conhecimento,
informação e valor, abrindo
possibilidades de se construir
máquinas inteligentes capazes de
auto regulação, aprendizagem,
adaptação.
O ponto central nessa estratégia de se construir estruturas inteligentes tem
sido o de se definir níveis, ou estados, de representações para um sistema
128
baseado no conceito da independência entre a conceituação lógica e a física.
O conceito de estruturas, em per si, tem a tendência de serem estáticas,
contrariando o objetivo inicial do modelo digital de alterar a natureza das
máquinas de processadores finitos para processadores infinitos. As
representações têm, portanto, o desafio de representar, ao mesmo tempo, o
estático e o logicamente estruturado,vinculando o dinâmico e o operacional.
Como vimos na seção referente a inteligência artificial, as representações
podem ser classificas em :
1- Representações da inteligência através de:
a- estruturas lógicas de implicância e significado;
b- processos cognitivos de um sistema de símbolos;
2- Representações do conhecimento através de:
a- redes semânticas de regras práticas de significado;
b- restrições lógicas de predicados e proposições;
c- classes hierárquicas de classificação e categorização;
d- frames, ou coleções, de nós semânticos de significado para
descrever objetos;
3- Representações da informação através de:
a- sistemas especialistas de regras lógicas encadeadas;
b- desenho, programação e implementações estruturadas
recorrendo à:
1- estruturação modularizada de códigos de programação
2- estruturação por objetos representação abstração de dados, leis
de transformações e relações numa rede semântica de classes
hierárquicas;
3- gerenciamento de bancos de dados através de uma linguagem não
procedural do tipo SQL;
Potencialização das estratégias de representação
Além do caracter estrutural, descrito acima, as representações tem sido
potencializadas através do desenvolvimento do critério de instanciamento e
recursividade para tratar as funções dos objetos programáticos, e a lógica
fuzzy para tratar dos processos decisórios de inferência lógica, tal como
descrito abaixo:
1- instanciamento: é a capacidade que um objeto programado tem de se
reproduzir ou criar imagens de si mesmo com todas as propriedades e
relações lógicas e semânticas correspondentes, estabelecendo para um isso
uma relação íntima com o sistema operacional através da alocação de
processos em áreas, ou espaços de memória.
129
2- recursividade : é a capacidade que um objeto tem de processar outros
objetos contidos em suas estruturas, ou módulos, os quais, por sua vez,
também processam outros dentro de si mesmos, num processo recursivo de
possibilidades infinitas;
3-lógica fuzzy(difusa): embora seus conceitos não tenham sido apresentados
anteriormente, porque estão além do escopo dessa palestra, de uma maneira
resumida significa a introdução de incerteza e probabilidade nas estruturas
de representação. Desse modo, a lógica fuzzy (difusa) trata as condições
lógicas da tabela verdade como graus de possibilidade para as proposições
serem verdadeiras ou falsas. Assim, uma estrutura de representação trabalha,
tão somente, com “condições de possibilidades” em seu esforço de
estabelecer relações semânticas entre os objetos de suas classificações.
RepresentaçõesGráficas
Introdução
Quando viajamos por uma auto-estrada, digamos a velocidade constante de
80km/h, além de termos que interagir com o automóvel, controlando a direção,
a troca de marchas, as acelerações e desacelerações, ou ainda fazer
manobras trocando de faixas, temos, também, que estarmos atento a
sinalização que indica perigo na pista, a existência de curvas ou lombadas,
condições meteorológicas, assim como, o preço do a ser pago no pedágio.
Esse é um exemplo de como representações gráficas são importantes, não
apenas, na interação homem-máquina, mas também, na representação da
noção de informação nas estruturas criadas por sistemas automatizados.
Essas representações gráficas, não apenas, carregam um conjunto de
significados simbólicos, elas indicam, também, direção, orientação, rumo ou
significado tendo, assim, um papel suplementar importante na conceituação
de valor e informação ao construirmos estruturas que possam vir a transmitir
noções de conhecimento.
Sistemas de representações de símbolos
130
O conceito de sistemas implica na idéia de
elementos formando uma unidade lógica
consistente e coesiva. Como estamos
apresentando nessa palestra, a noção de
sistemas, além de poderem ser abertos ou
fechado, tem, ainda, duas representação
adicionais distintas:
1- uma lógica e conceitual, as quais
representam o sistema em per si,
descrevendo estruturas de conhecimento e
estabelecendo relações semânticas de
significado e,
2- uma outra física e operacional, que tem a
missão de representar controle, descrevendo
como as estruturas lógicas podem ser
implementadas e mudadas.
O objetivo, com isso, é definir um modelo digital capaz de auto estabilização
e auto organização de seus processos, abrindo caminho para se implementar
noções de aprendizado e adaptação, conceitos que vão além da idéia de
máquinas através da simples retroalimentação e equilíbrio estático.
Do mesmo modo, podemos notar que o estudo de lingüística, também parte
de premissas análogas, dividindo suas preocupações entre a estruturação da
linguagem de uma forma programática, usandopara isso da gramática, e outra
epistemológica que se preocupa com a interpretação de textos e significado
do conhecimento.
Modernamente, o estudo dos processos cognitivos na interação homem-
máquina tentam, também, abstrair essas noções da lingüística, tanto no seu
aspecto lógico e estrutural, como no seu aspecto interpretativo de significado.
Esses conceitos estão, a cada dia mais, sendo absorvidos pela inteligência
artificial através de algoritmos heurísticos que representem metaforicamente
problemas e como eles podem ser solucionados.
A representação de símbolos pode seguir três modelos úteis na estruturação
de uma representação gráfica:
1- o modelo mental: o modelo mental, na área da informática, tem como
objetivo reduzir símbolos a números e variáveis que possam ser
processados e manipuladas em temos digitais de uma representação
binária de 0 e 1. Nesse sentido, símbolos têm um valor explícito e significa
como as máquinas interpretam objetivamente uma instrução de código. O
conceito principal nesse modelo é o do processamento de dados;
131
2- o modelo de analogias: o modelo de analogias tenta construir algoritmos
heurísticos que descrevem uma realidade de como símbolos e valores
acontecem na prática e reduzi-los a regras lógicas de induções e
deduções. Analogias em informática, seguindo essa visão, procura por
regras que ou partem de definições particulares para definir-se um todo
sistêmico, ou partem da visão de como um sistema funciona para se
definirem regras particulares. O conceito, nesse modelo, é o de regras de
inferência a partir de uma representação simbólica através de algoritmos
heurísticos.
3- o modelo de metáforas: o modelo de paradigmas, na área da informática,
tenta reproduzir, através de símbolos, um conjunto de significados
complementares às regras de inferências para poder reproduzir objetos,
seus usos e aplicações de modo intuitivo. O conceito desse modelo é o da
criação de interfaces gráficas, as quais aliam regras de inferências a
objetos gráficos, sonoros ou texto dentro de uma estrutura de dados.
4- o modelo semiótico de sinais: o modelo semiótico tenta avaliar como a
representação simbólica de sinais e códigos fazem parte do processo de
comunicação e transmitem informação. Esse idéia de semiótica do
computador é um ramo novo da informática, ainda está no início, não tendo
regras básicas, ou funções determinadas. Genericamente o conceito desse
modelo seria como um conjunto de símbolos codificados através de sinais
gráficos ou sonoros, podem transformar interfaces em instrumentos de
mídia, mergindo o conceito de meio com o de mensagem. A idéia é que no
futuro não existam apenas computadores, mas máquinas inteligentes para
executar as mais diferentes tarefas, não só de transmitir informação e
valor, mas serem em per si a própria informação.
Funções das representações gráficas
Um sistema de interfaces gráficas precisa
ser, antes de mais nada, um sistema
operacional para poder se definir um campo
comum de atividades tanto para os usuários
quanto para os computadores.
Um sistema operacional com interface gráfica
define as regras para a comunicação entre os
programas (software) e os equipamentos
(hardware), permitindo, dessa forma, que
desenvolvedores de sistemas definam
padrões e características, facilmente,
compreensíveis e manipuláveis.
132
O objetivo é estabelecer uma padrão de linguagem codificada que seja, não
só de programação, mas também, de comunicação, definindo-se, assim, uma
arena comum para o planejamento, desenho e operação de eventos tanto
àqueles provocados pelos usuários, quanto os gerenciados pelas máquinas.
O princípios básicos na definição de representações gráficas são:
1- a redução das atividades dos eventos “usuários-computadores” em
termos de interfaces gráficas;
2- a transmissão da informação através de uma forma estruturada de
conhecimento, informação e valores;
As diversas maneiras de se fazerem representações, como mencionadoantes,
estão revolucionando tanto a programação quanto a definição de interfaces
gráficas, através da programação estruturada por objetos e dos critério de
inteligência artificial. Esses dois conceitos estão mudando as definições
simplísticas de máquinas, transformando os computadores em mídias de
comunicação.
A velha perspectiva de input/output
via teclado e monitor está se
transformando em um sofisticado
conjunto de regras e conceitos, os
quais, partindo-se de elementos
embutidos no sistema operacional,
permitem conceituar conhecimento,
informação e valor através de uma
unidade lógica coesa que incluem
redes, cabos, conexões, servidor,
computadores, roteadores,
formando um modelo cliente-
servidor de máquinas interativas.
133
Processamento num Ambiente Gráfico
Algumas propriedades e características de um sistema gráfico
Os conceitos básicos de programação
por objetos, embutindo características
internas em funções que podem ser
instanciadas, ou reproduzidas por
múltiplos usuários, define um padrão de
comunicação entre aplicativos, ou
processos, iniciados entre os usuários e
a máquina. Genericamente, pode-se citar
algumas propriedades de um sistema
gráfico interativos, tais como:
1- módulo de interface para programas aplicativos (API): os aplicativos, num
ambiente gráfico orientado por objetos, seguem um padrão bem definido
de interações como os usuários. Os programadores, seguem esses
procedimentos (APIs) para desenvolver aplicativos, baseando-se num
seqüência de eventos, que começa quando uma janela (Windows) é aberta
, e termina quando o usuário sinaliza para encerrar o programa. Essa
seqüência cria um ciclo de vida para os aplicativos gráficos que interagem,
continuamente, com o sistema operacional, padronizando, não só a
criação, mas também, o comportamento das interfaces. Essa seqüência de
eventos de uma API está baseada em dois critérios:
134
a- no gerenciamento interativo de mensagens pelo sistema operacional
em resposta a uma requisição do usuário;
b- no gerenciamento de procedimentos e regras embutidas no sistema
operacional, orientando o programador;
2- Sistemas de mensagens interativas: basicamente, a estrutura de um
sistema de mensagens interativas é composta por uma função de
identificação de tarefas e pelos parâmetros, ou instruções, a serem
passados pelo usuário ao sistema operacional. O sistema operacional
gerencia mensagens recebidas através de um programa aplicativo de
recepção que responde aos eventos, ou instruções, provocados pelo
usuário, guardando-os num arquivo de pedidos. Esse aplicativo de
recepção lê, então, o que está contido no gerenciador de pedidos,
despachando a mensagem para que o procedimento apropriado seja
iniciado. A seguir, o aplicativo despachador de mensagens inicializa o
procedimento, tornando a mensagem acessível os outros aplicativos que
estiverem rodando naquele momento. O despachador usa, então, uma
função secundária, dentro da função principal do sistema, para criar vários
loops de mensagens, capacitando o sistema operacional a controlar vários
programas, ou processos, simultaneamente. Essa função secundária
examina, constantemente, as mensagem armazenada na fila de pedidos do
sistema, e caso não existam mais mensagens libera os recursos que
estavam sendo usados.
3- Compartilhamento de dados: a partir do surgimento do sistema Microsoft
Windows vários protocolos foram criados para compartilhamento de
dados que se tornaram padrões na industria de informática, ou seja,
qualquer programa de computador desenvolvido, atualmente, tem que
possuí-los, tais como:
a- clipboard: é uma área de memória RAM (random acess memory) que
armazena textos e imagens copiadas por qualquer aplicativo rodando
no sistema;
b- DDE (Dynamic Data Exchange): ele permite que os aplicativos no
formato “Windows” troquem dados entre si;
c- OLE (Object Linking and Embedding): OLE é um protocolo do
“Windows” para compartilhamento de dados, embutindo esses
objetos (pedaços de outros programas) dentro de um único aplicativo.
4- Procedimentos padronizados: através do conceito de classes, da
programação por objeto, o sistema operacional define vários aplicativos
padrões tanto no sentido de realizar tarefas quando para mostrar dados,
135
ou informação, na tela do monitor, tais com as janelas de programas e seus
conteúdos. Existem três tipos dessas classes:
1- Classes globais do sistema: são bibliotecas (conjunto de classes)
criadas quando o sistema é inicializado;
2- Classe globais dos aplicativos: são bibliotecas do tipo DLL (Dynamic
Link Library) criadas globalmente pelos aplicativos para ficarem
disponíveis a todos os programas.
3- Classes globais locais: são “classes” de objetos criados por um
aplicativo para seu uso próprio;
4- Elementos de classes : são classes padronizadas para definir o
comportamento dos objetos, tais como
a- definir o formato do cursor:
b- definir que ícone será mostrado quando o aplicativo for minimizado;
c- definir padrões de menus para o usuário fazer escolhas;
d- definir como as janelas de programas são movidas;
e- definir como os aplicativos usaram os recursos de memória do
sistema;
Processos Cognitivos na interface usuário-computador
Seguindo o histórico da programação estruturada, novos conceitos na
configuração e implementação de sistemas de informação revelam que os
usuários interagem com os computadores, e não apenas operam programas.
A maneira como as pessoas interagem, ou respondem, aos computadores
usando menus, janelas, ou caixas de diálogos, está definindo novos padrões
para se avaliar eficiência e produtividade no desenho e avaliação de
processos automatizados.
Devido a esse crescente papel desempenhado pelos usuários como agentes
ativos e participantes na análise das funções de sistemas, a compreensão de
fatores humanos e ergonômicos passaram ser da maior importância para
melhor equacionar a interação usuário-computador, tornando as interfaces
gráficas o aspecto mais decisivo para se medir sucesso, ou fracasso, na
implementação de sistemas de informações.
136
As interfaces têm a missão de converter tarefas em
modelos amigáveis de interação, capacitando, desse
modo, os usuários controlarem tanto o
funcionamento das máquinas quanto suas rotinas de
trabalho.
A peça chave no desenho de interfaces parece ser o
de se encontrar uma definição comum para processos
cognitivos humanos e cibernéticos, ou seja, definir
como máquinas e humanos reagem diferentemente, e
quais seus pontos em comum.
Como os computadores processam informação
Computadores são máquinas que processam, basicamente, símbolos através
de:
1- um alfabeto composto por um conjunto de símbolos;
2- uma gramática que determina quais variáveis são aceitáveis, ou não, qual
sua sintaxe lógica e, ainda, qual são as relações semânticas de significados
que se podem estabelecer através de suas classes e procedimentos de
representação e classificação;
3- um conjunto de variáveis admissíveis como axioma básico, definindo
padrões de representações, tais como para as noções de inteligência,
conhecimento, informação e de interfaces gráficas;
4- um conjunto de regras que avalie combinações (possibilidade, incertezas,
inferências lógicas, instanciamentos e métodos recursivos);
Como humanos processam informação
O modo pelo qual os humanos processam informação é no mínimo
controvertido, já que essa questão envolve conceitos filosóficos e tradições
culturais. Em linhas gerais, pode-se identificar três diferentes pontos de vista
relativos à essa questão referentes aos processos cognitivos humanos, tais
como:
1- a abordagem filosófica: essa perspectiva coloca os processos de
cognição humana no âmbito da consciência. Isso implica em que a mente
137
é independente de seus pensamentos produzidos, ou seja, de que mente
é igual a cérebro e pensamento è igual a consciência;
2- a abordagem comportamental: essa abordagem percebe a cognição
humana como o resultado das condições ambientais, genéticas e
culturais;
3- a abordagem técnica: essa abordagem está focada nas funções cognitivas
do cérebro humano, provenientes dos neurônios e descargas elétricas em
áreas específicas do cérebro humano;
Pontos comuns entre a cognição humana e a das máquinas
O ponto comum entre o modo pelo qual os humanos e os computadores
reconhecem objetos é a capacidade que ambos possuem de criar, interpretar
e aprender através de representações simbólicas. Portanto, a criação de
interfaces usuários-computadores reside na capacidade que ambos têm de
interpretar sinais, a fim de poderem configurar um sistema composto de
objetos que repliquem o meio ambiente.
As avaliações feitas nos processos de cognição
humana e das máquinas, sugerem que a
configuração de sistemas depende, hoje, da
habilidade que tanto usuários quanto computadores
têm de trocarem sinais à partir de um modelo de
trabalho comum.
Os instrumentos para se estabelecer essa
comunicação são o monitor, o teclado e o mouse, ou
ainda, os alto-falantes e monitores de toque na tela.
O objetivo na criação de interfaces é dar aos
usuários o máximo de controle sobre as máquinas
de acordo com suas habilidades, de modo tal que ele
mantenha a iniciativa das ações, ao mesmo tempo
que existam mecanismos de controle de operações
que evitem que eles cometam erros. Os objetivos básicos na criação de
interfaces são:
1- Dar aos usuários acesso ao sistema;
2- Permitir que os usuários interajam com o computador, estabelecendo uma
comunicação com o objetivo de se obter informação e se realizarem
tarefas.
138
Desenvolvimento de Sistemas num Ambiente Gráfico
Introdução
No modelo tradicional de desenvolvimento de sistemas, como já vimos na
seção dessa palestra referente a sistemas, é baseado no ciclo de vida dos
negócios através da definição de cinco etapas:
1- fase de levantamento de requerimentos do sistema;
2- fase de desenho;
3- fase de codificação;
4- fase de testes;
5- fases de operação e manutenção;
As linguagens usadas nessa abordagem são procedurais e as interfaces são
não gráficas ou baseada apenas em caracteres de texto.
Com o desenvolvimento de linguagens gráficas do tipo Visual Basic, Visual
C++ e Powerbuilder, as fases do modelo cascata tradicional são comprimidas
a uma única, com vários ciclos de refinamento em conjunto com os usuários.
As linguagens típicas dessa abordagem são orientadas por objetos, e se
caracterizam pelo uso intensivo de interfaces gráficas no desenho,
codificação e criação de aplicativos.
Prototipação interativa
139
A criação de protótipos não é um conceito novo, o que muda nessa nova
abordagem de desenvolvimento rápido de sistemas é a consideração de
ciclos contínuos de interação com os usuários. Desse modo, a criação de
sistemas não é o objetivo central, mas a avaliação do grau de interatividade
que os processos a serem automatizados tem com objetivos claros e
determinados. Como mostra a figura abaixo, essa interação ocorre em três
níveis:
1- através da reengenharia de processos;
2- através da criação de uma plataforma tecnológica cliente-servidor;
3- através de uma metodologia de controle e avaliação da qualidade do
produto por ciclos iterativos;
Cada protótipo, produto de uma iteração, avalia, portanto, o quanto o cliente
persegue os objetivos traçados, inicialmente, para a automatização de um
processos, resultando em aplicativos que funcionem e que possam ser
medidos, passo-a-passo em termos de eficiência na obtenção desse
objetivos-iniciais.
O enfoque da prototipação interativa
A definição de ciclos iterativos
No modelo tradicional, cascata, as etapas do desenvolvimento de sistemas,
usualmente, levam meses, e só interagem com o usuário depois de que todas
as suas necessidades já foram levantadas. Está implícito nessa abordagem
altos custos operacionais, tais como:
1- composição de equipes de analistas e programadores;
2- correção de erros de desenho e codificação;
140
3- manutenção e operação inicial do sistema;
Segundo a abordagem da prototipação iterativa, a criação de protótipos
ocorre em intervalos de tempos determinados, por exemplos a cada semana.
A equipe se reduz a duplas de criação especializada em: 1- criadores de
interfaces; 2 - criadores de conexões de redes e bancos de dados.
O tempo para se desenvolver sistemas é menor devido, principalmente, a
ferramentas gráficas, uma vez que os componentes básicos da interface estão
disponíveis em menus, ou listas de opções pré-programadas. Essas
linguagens gráficas de programação e desenvolvimento também permitem
uma interação imediata no levantamento das necessidades dos usuários, pois
podem ser reprogramadas “on-line”, conjuntamente com o usuários cada vez
em que ocorre uma “entrevista”.
Os ciclos de iteratividade
Avaliações na convergência e eficiência do método
O objetivo desse conceito de ciclos iterativos no desenho e configuração de
sistemas é que as diferenças entre um protótipo e outro seja convergente, e
que as mudanças requeridas nos refinamentos e avaliações conjuntas com
os usuários sejam acrescidas umas à outras.
No caso em que a diferença entre protótipos (proto1, prot2 e Prot3, por
exemplo) sejam radicalmente opostos, está ocorrendo uma divergência entre
os objetivos iniciais, e as necessidades do meio interno e externo
considerados no requerimento inicial do sistema. Nesse caso, recomenda-se
uma reavaliação, considerando:
1- o enfoque inicial dos processos do protótipo;
141
2- reavaliação da plataforma tecnológica, considerando os equipamento,
as conexões e as redes;
3- reavaliação das interações com os processos de reengenharia
referentes ao contexto da organização a que pertence;
4- reavaliação do grau de facilidade no uso das interfaces gráficas pelos
usuários, ou seja, o levantamento dos aspectos ergonométricos,
psicológicos e cognitivos.
Programação
A ProgramaçãoEstruturada
Introdução
No processo de evolução das máquinas do
século 20, tem-se tentado criar estruturas
capazes de, ao mesmo tempo, fornecerem
instruções e servirem como interface para o
controle de suas operações. Como temos visto,
nessa palestra, as máquinas estão mudando o
seu caráter de meramente processual,
seqüencial e finito, para outro, que explore
paralelismo e infinitas possibilidades de
arranjos, tanto na constituição de suas formas
quanto na de suas ações.
Nesse aspecto, a visão programática das
operações de controle de maquinários
inteligentes, atualmente, não gira apenas
entorno de uma seqüência de eventos encadeados num fluxogramas, mas
objetiva ganhar uma unidade entorno de uma lógica consistente de ações, de
modo que o resultado de uma programação não seja apenas um conceito na
mente do programador, mas uma abstração estruturada dos processos
automatizados de um computador.
142
Claramente, então, o conceito de processos inteligentes passaram a ter dois
aspectos estruturais: um que representa a constituição do maquinário em
etapas e partes, assim como, um outro que representa sua maneira de operá-
lo. Esses dois aspectos, no caso, passaram a requerer, com a evolução
tecnológica, uma linguagem programática; quer seja para explicar a estrutura
de montagem; quer seja para configurar processos decisórios em máquinas
autoreguláveis.
Linguagem de programação
Como vimos na seção dessa palestra referente à inteligência artificial, as
máquinas estão evoluindo do modelo estrutural mecânico de roldanas e
polias encadeadas, para o modelo digital binário, definido por uma unidade
central de processamento lógico e matemático (CPU) e unidades de entrada e
saída. O objetivo do modelo digital é o de ser capaz de introduzir conceitos de
retroalimentação, aliando-se o caráter programático das máquinas a suas
estruturas e formas, através de uma linguagem que unifique a maneira como
as máquinas se constituem em seus métodos e processos operacionais.
Portanto, em paralelo à evolução de sistemas mecanizados na direção à
automatização, até atingirmos os atuais computadores digitais,
desenvolveram-se linguagens de computadores, partindo-se de simples
instruções de válvulas eletrônicas que se abriam e fechavam para uma
linguagem de programação estruturada.
Nos primeiros momentos, quando surgiram os computadores digitais,
existiam poucas regras, ou estruturas de como programá-los, até que por
volta dos fins dos anos 60 elas começaram a aparecer nos meios acadêmicos
e Terry Baker e Harlam Mills da IBM lançaram os primeiros conceitos de
estruturação no desenvolvimento de sistemas computadorizados, a a partir
do projeto realizado para o New York Times [Martin & Mcclure em “Structured
Techniques”,1988].
Na conferência da NATO sobre engenharia de software em 1969, Dijkstra usou
pela primeira vez a expressão “programação estruturada”, referindo-se a uma
estratégia para gerenciar e administrar as complexidades crescentes no
desenvolvimento de projetos computadorizados, visualizando a programação
de computadores em várias camadas de operações lógicas simples,
constituindo-se numa unidade coesiva e coerente.
Nessa palestra, apresentaremos os conceitos de linguagem de computador,
fazendo uma analogia com a própria linguagem natural humana, ou pelo
menos, àquelas referentes às línguas indo-européias, no nosso caso o
português.
143
O objetivo de uma linguagem de programação, como apresentado aqui, é que
os computadores tenham uma interface de comunicação análoga a dos seres
humanos, que lhes servem de paradigma de como se comunicarem e agirem
no sentido de aprenderem e se adaptarem. A estratégia para se alcançar esses
objetivos tem sido de se tentar repetir as mesmas estruturas lógicas
decisórias do raciocínio humano que lhes deu origem.
O desafio é fazer essa analogia, entre um sistema metabólico aberto com
outro fechado e rigidamente equilibrado em termos de gastos e consumo de
energia. No entanto, a despeito do debate filosófico de como aprendemos ou
construímos a noção de conhecimento, a programação de computadores está
seguindo a estratégia básica de construir conhecimento, embutindo em
estruturas de dados, condições lógicas coesivas, formando-se, desse modo,
uma unidade de conhecimento que carrega na sua constituição dados, valores
e informação, simultaneamente, fazendo-nos lembrar os conceitos de
Wittgwenstein em relação às suas analogias entre lógica e representação,
ação e razão, imagem e objeto.
Nesse sentido, uma estrutura de conhecimento não representa apenas dados
estruturados, mas também relações sintáticas de predicados, de modo que ao
representarem um objeto estão, ao mesmo tempo, definindo seus atributos e
qualidades em relação a suas formas, visão espacial do local onde se situam,
suas relações implícitas e explícitas com outros objetos, formando, assim,
uma rede de relações semânticas para conhecimento, valores e informação.
Uma linguagem de programação tem relações próximas à linguagem natural
humana, definindo formalidades para a ortografia, a pontuação, a morfologia
de palavras, a sintaxe de frases, orações, predicados e colocação, assim
como para a semântica, como descrevemos abaixo:
1- Ortografia e pontuação na linguagem de computadores: para cada dialeto;
“Perl”, “C”, ou linguagem “Java”, tem-se uma maneira própria de se
escrever e pontuar sentenças e variáveis matemáticas, as quais são
compiladas e transformadas de instruções puras de máquina (“formato
assembler”) em um programa executável.
2- Morfologia na linguagem de computadores: a morfologia das linguagens
de computadores definem:
a- variáveis: são análogas a proposições lógica, podem representar palavras,
números, textos ou conjuntos binários, são representado genericamente por
“x”, “y”, ou “z” (ver estruturas lógicas em“Inteligência Artificial”);
b- tipos de dados: dados podem ser representados por variáveis do tipo
“string” (texto), ou números reais, inteiros, ou ainda objetos binários
144
representando, texto, imagem, variáveis matemáticas, em fim, qualquer coisa
representável;
c- estruturas de dados: genericamente os arquivos de dados são divididos em
registros (records) (unidades básicas dos dados), campos (conjuntos de
registros relacionados), tal como definido abaixo:
registro de empregados número 1:
nome: Maria
endereço: Rua estrela nº 12
R.G. : 555555
Geralmente, eles têm o formato de matrizes (arrays), com diversas sub-
configurações, tais como, fila, pilha, lista de árvores ou tabelas;
d- ponteiros ou handlers: são ponteiros que definem um local da memória do
computador para armazenar dados e podem ser manipulados como uma
variável. Por exemplo, para o sistema Microsoft Windows o Handler (ponteiro)
“DC” é uma variável que define onde está uma figura (Bitmap), possibilitando-
se manipula-la na memória, movendo-a, criando-a e recriando-a em diferentes
situações no desenrolar da programação. Na verdade, os ponteiros, como
variáveis podem ser qualquer coisa;
e- operadores lógicos: são análogos àqueles definidos pela lógica, igual (=),
diferente (#), e (and) , ou (or), verdadeiro (V), falso (F), maior (>), menor ( < ) ;
f- formulários ( janelas ou “windows”): sãoas janelas que carregam estruturas
de dados, textos, imagens, etc., na tela do monitor;
3- Sintaxe da linguagem de computadores: a sintaxe na linguagem de
programação tenta unir os diversos conceitos morfológicos, descritos
acima, em sentenças através de:
a- funções: constituem-se em unidades lógicas separadas do fluxo principal
do programa que fazem transformações de certos dadosde entrada em outros
de saída , tais como na expressão y = cons(x);
b- eventos: são condições definidas em conjunto com o sistema operacional
da máquina para definir estados em que um programa pode se encontrar, ou
operar, tais como: eventos do mouse, abrir e fechar tela, abrir e fechar
programa, teclar, etc;
c- fluxos de controle: o fluxo de um programa de computador pode seguir uma
linha seqüencial com instruções passo-a-passo, uma linha de seleção, ou
desvio, quando um passo é acrescido para testar certas condições lógicas, e
ainda uma linha interativa, quando certos segmentos de programas são
repetido várias vezes;
145
d- “loops”: são repetições de segmentos de programas até que certas
condições aconteçam;
e- rótulos (labels): são marcadores na seqüência dos passos da programação
para servirem de alerta de desvios para outros segmentos de programa;
f- subrotinas: são análogas as funções, costuma-se dizer que subrotinas não
passam parâmetros, apenas desviam o fluxo do programa principal para um
outro secundário a fim de efetuar certos cálculos. No entanto, essa diferença
está, pouco a pouco, desaparecendo para existir apenas a noção de função,
principalmente devido aos conceito da programação por objetos;
g- expressões condicionais: são expressões de programação em que
pseudocódigos são representados por condições lógicas do tipo : Se a
“condição X” acontecer, então opere a instrução B, ou ainda, opere a
instrução B até que a “condição X” aconteça;
h- instruções compostas: são estruturas mais complexas de programação
onde várias condições ocorrem dentro de uma expressão condicional, tal
como em:
Se condição A acontece então opere:
Se condição B acontece então opere:
Se condição C acontece então opere:
Instrução 1
Caso contrário opere
Instrução 2
Caso contrário opere
Instrução 3
Caso Contrário opere
Instrução 5
4- Semânticas da linguagem de computadores: a semântica na linguagem de
programação é o resultado dos estudos realizados pela Inteligência
Artificial, como discutidos na seção anterior dessa palestra, são:
a- redes semânticas: conjunto de regras associativas, definindo-se
classes, hierarquias e relacionamentos entre objetos, tais como, gato
classificado como animal mamífero capaz de certas atitudes ,e com certas
propriedades, ou ainda, cachorro, e como ambos estabelecem relações com
o mundo dos animais mamíferos.
b- restrições: são definições nas regras de relacionamento entre membros de
uma mesma, ou diferentes, classes de classificação, tais como aquelas que
definem a diferença entre um cachorro e um gato, ambos animais mamíferos
146
c- classes: são estruturas hierárquicas de classificação e categorização de
objetos e assuntos de modo que propriedades de membros subordinados
herdam as qualidades de seus pais (ou membros superiores);
d- cálculo de predicados: são aquelas relações estudas pela teoria de
conjuntos e da lógica, definindo o conceito de pertencer e conter que pode
existir entre conjuntos, classes e membros, assim como, avaliar as condições
definidas pela tabela-verdade de condições lógicas ( veja a seção inteligência
artificial). É usada como a base da programação lógica;
e- cálculo de proposições: tem a intenção de significar conhecimento na
inteligência artificial e está intimamente relacionado com as linguagens
PROLOG e LISP. As avaliações de condições ou proposições possibilitadas
por essas linguagens podem ser um instrumento poderoso para representar
fatos e regras de inferência, tais como no comando prolog : _REX(cachorro,
mamífero). Nesse exemplo, podemos perceber imediatamente as relações
lógicas de possibilidades (verdadeiro ou falso) e os conceitos de pertencer e
estar contido, que existem entre cachorro e mamífero, assim como, as
implicações como o objeto rotulado de REX. Essas representações são mais
poderosas do que aquelas definidas no cálculo de predicados.
Estratégias de estruturação da gramática cibernética
Como podemos perceber, ao analisar a tendência da programação de
computadores em caminhar na direção de formar uma linguagem, que a
organização e estruturação da análise, desenho e programação de projetos,
nessa área, passaram a ter um objetivo integrado, constituindo-se, assim, uma
espécie de gramática cibernética.
Princípios e objetivos das técnicas de estruturação
A evolução da programação de computadores até se tornar uma linguagem
formalizada por uma gramática cibernética, iniciou-se a partir do
desenvolvimento das técnicas de codificação estruturada, expandindo-se
esse conceito para metodologias de análise e desenho de projetos. As
técnicas de estruturação visam transformar a confecção de um programa de
computador em um modelo simultâneo de dados, conhecimento, informação
e valor com o objetivo de fazer representações semânticas da realidade que
nos cerca.
Os objetivos primários das técnicas de programação, de acordo com Martin &
McClure em “Structures Tecniques” (Programação Estruturada) são:
1- atingir-se uma boa qualidade na previsão do comportamento dos
programas;
2- desenvolver-se programas de fácil manuseio;
147
3- simplificar-se tanto os programs como seus processos de
desenvolvimento;
4- atingir-se uma melhor previsibilidade e controle nos processos de
desenvolvimento de programas;
5- reduzir-se os custos da programação;
6- aumentar-se a velocidade de programação;
Os objetivos secundários são:
1- decompor a complexidade de problemas em unidades simples;
2- atingir um simples e fácil desenhop estrutural de sistemas;
3- exercer um controle sobre a explosão de complexidades na solução de
problemas;
4- desenvolver uma diagramação clara e concisa do funcionamento de
sistemas;
5- melhorar a leitura de diagramas, facilmente associando-os a códigos;
Podemos perceber que esses objetivos tendem a se fundirem com a noção
de estruturas de programação, planejamento e desenho do próprio sistema.
O que se busca com técnicas de estruturação, portanto, não é apenas se
constituir uma linguagem, mas uma gramática de termos e conceitos que
possam definir e resolver os problemas à nossa volta.
Os princípios básicos da programação estruturada, ainda de acordo com
Martin & McClure, formaliza não as boas técnicas de programação mas
também influí no desenvolvimento de vários aspectos dos sistemas.
A filosofia original é abstrair a realidade a nossa volta através de certas
formalidade (espécies de protocolos metodológicos), tornando-se um
exercício permanente na resolução de problemas. Esse idéia de estruturação
está fortemente baseada numa organização hierárquica, do tipo arvore de
soluções quebrando-se a complexidade inicial de um problema em várias
segmentos mais fáceis de serem compreendidos, ou executados.
148
Diagrama Cascata
Princípios da engenharia de programação (software)
Ainda seguindo Marin & macClure, esses princípios são:
1- do encapsulamento: visa capacitar um módulo de programa a ver somente
a informação necessária àquele módulo;
2- da localização: visa agrupar itens que estão logicamente relacionados;
3- da integridade conceitual: visa configurar um desenho e uma arquitetura
conceitual consistente para a boa funcionalidade do sistema;
4- da completa descrição do problema: visar assegurar-se que tudo foi
considerado para a constituição de um sistema;
5- princípio da independência lógica: a análise e o desenho de um sistema
estão concentrados em funções lógicas, as quais são operadas
independentemente da implementação física. O objetivo é que o desenho
e a análise não sejam modificadas por problemas de implementação, caso
sejam , isso representaria um grave erro de conceituação do sistema
considerado.
Propriedades dos programas estruturados
O primeiro objetivo da programação estruturada é produzir alta qualidade a
baixo custo, sendo sua principal característica a forma hierarquizada,
149
definindo-se um conjunto restrito e padronizados de modelos de estruturas
de controle programático, documentação, formas e estilos convencionais de
linguagem, resumindo–se em:
1- estruturas seqüenciais: usadas para controlar a execução de programas
através de comando seqüenciais, do tipo execute comando A, crie variável
X, opere instrução Z;
2- estruturas de seleção: usadas para controlar e testar condições de desvio
do tipo , “Se Condição X acontece, então execute instrução A”.
3- estruturas de interação: usadas para repetir um conjunto de instruções de
código até que certa condição ocorra;
4- estruturas hierárquicas: usadas para estruturar códigos de programas em
unidades conceituais lógicas, tais como as existentes no formato de uma
árvore de classificação;
5- estruturas que definem relacionamento entre os módulos de um programa:
visam a coesão lógica da unidade do programa, e podem ser :
a- técnicas de controle de acoplamento: embora as técnicas de
encapsulamento sejam boas para quebrar a complexidade dos
programas, é preciso garantir que esse módulos sejam independentes,
definindo-se restrições de como eles se relacionam, ou trocam dados
ou interagem entre si;
b- técnicas de coesão programática: são técnicas que visam garantir a
modularidade do programa, subdividindo–se em:
b1. Coesão funcional;
b2. Coesão seqüencial;
b3. Coesão comunicacional;
b4. Coesão procedural;
b5. Coesão temporal;
b6. Coesão lógica;
b7. Coesão coincidente;
Algumas técnicas de diagramação estruturada
A diagramação tem um papel importante na programação estruturada, porque,
na verdade, o objetivo é que estruturas de planejamento desenho e
programação tenham a mesma unidade lógica de representação. A máquina
do futuro, nesse sentido, visualiza, organiza, codifica e processa dados e
informação com o objetivo de aprender e resolver problemas, constituindo-se
em estruturas de conhecimento. Assim, problema e solução seriam aspectos
semelhantes de um mesmo sistema.
150
Exemplos:
1- Diagrama de fluxo de dados;
2- Diagrama da dados entidade-relacionamento;
3- Diagrama funcional;
4- Diagrama Michael Jackson;
5- Diagrama Warnier-Orr;
Programação Estruturada por Objetos
Introdução
Na seção anterior, sobre a programação
hierárquica estruturada, não foi
mencionado o papel dos sistemas
operacionais dos computadores no
desenvolvimento de uma linguagem de
programação que objetive
simultaneamente representação,
funcionalidade e operacionalidade, tanto
para determinar suas ações como para
definir como são estruturalmente
organizadas.
151
Desde o início do aparecimento dos
computadores até os dias de hoje, o conceito de
sistema operacional, e linguagem de
programação e controle estiveram sempre
ligados à interação entre ações realizadas pelas
máquinas e eventos provocados pelos usuários.
Desse modo, a linguagem de programação tem
servido como camadas de módulos
independentes de programas que visam
esconder a complexidades das operações mais
básicas dos computadores, possibilitando aos
usuários a idéia de manipular instrução sem
interferir, ou causar danos, na estrutura de
funcionamento básico das máquinas.
No entanto, existe estreita cooperação na manipulação dos eventos
provocados pelos usuários, através da programação, e o sistema operacional
dos computadores. Então, partindo-se de uma linguagem básica de máquinas
(assembler) várias camadas de instruções de programas são adicionadas
para a manipulação de eventos operacionais através de linguagens de mais
alto nível, tais como “C”, ou “C++”.
O modelo digital dos computadores não se livrou, ainda, totalmente das
estruturas mecânicas de discos e polias, fazendo com que parte de suas
operações sejam realizadas através de circuitos eletrônicos impressos e
“chips”, e outra parte, através de discos rígidos que expandem suas
capacidade de adicionar memórias ou instruções.
Essa estratégia faz com que o sistema operacional dos computadores esteja
sempre trocando informações entre instruções alocadas dinamicamente em
sua memória eletrônica (circuitos impressos) com aquelas armazenas
estaticamente em discos rígidos. O papel da programação tem sido de tornar
essas operações de trocas transparentes para os usuários de modo que um
conjunto de instruções de código de programação tenha uma unidade lógica
coesiva e independente do sistema operacional, ou seja, alterações nos
programas não interferem no modo de operar das máquina.
Na verdade, existem, ainda, muitas possibilidades de interferência dos
usuários, através da programação, de alterar estados do sistema operacional.
No entanto, o objetivo tem sido criar uma gramática de programação que não
apenas minimize essas interferências, definindo protocolos de interação, mas
também possibilite a própria máquina auto programar-se. A estruturação da
linguagem de computadores tem, portanto, o objetivo de controlar eventos
realizados pelas máquina, provocados pelos usuários ou não, e também
associar esses eventos a procedimentos programáveis.
Estratégias de modularização
152
Por de trás da idéia de programação estruturada está a idéia de
modularização, organizando unidades de programas em módulos
independentes e coesos regulados por regras próprias, definindo como eles
se relacionam implícita e explicitamente, ou seja, como esses módulos
passam parâmetros. A maneira como esses parâmetros são trocados definem
uma maior, ou menor, coesão lógica entre os módulos, criando-se, assim, uma
unidade de ação entre máquina e instrução, atitude e propósito, estrutura e
conhecimento, imagem e objeto.
Estratégias de coesão
O grau de coesão de um programa de computador pode ser medido desde seu
nível mais fraco, “coincidente”, até seu nível mais forte ou “funcional”, como
podemos ver abaixo:
1- coesão funcional: cada elemento de uma módulo de programação é,
necessariamente, parte integrante de uma única função que ele
representa, assim por exemplo :
Módulo Pagamento Líquido
Cálculo Bruto;
Cálculo Impostos;
Cálculo Pagamento Líquido;
Fim módulo
2- coesão seqüencial: os elementos de um módulo estão relacionados de
modo que realizem eventos seqüenciais num operação, em que o
resultado final de um, sejam os dados iniciais de um outro,
seqüencialmente:
Módulo Atualização do Estoque
Inserir dados no Estoque;
Preparar dados para inserção no estoque;
Atualizar tabela principal do estoque;
Fim módulo
3- coesão comunicacional: os elementos de um módulo operam todos com
o mesmo conjunto de dados:
Módulo Processa Transação
Ler Transação;
Editar Transação;
Processar Transação;
Fim módulo
4- coesão procedural: os elementos de um módulo são todos parte de um
procedimento com passos seqüenciais:
Módulo de Repetição
153
Faça até que não haja mais pedidos para processar
Ler pedido;
Processar pedido;
Fim dos pedidos
Fim do módulo
5- coesão temporal: os elementos de um módulo estão relacionados a
eventos que ocorreram num certo tempo ,mas não necessariamente em
seqüência:
Inicializar
Zerar Contadores;
Zerar tabelas;
Abrir arquivos;
Fim módulo inicialização
6- coesão lógica: os elementos de um módulo são orientados para
realizarem certas classes de operações:
Módulo Editar
Editar Transação;
Editar Arquivo Principal;
Editar Terminal de Dados de Entrada:
Fim módulo editar
7- coesão coincidente: os elementos de um módulo não são, ou estão,
essencialmente relacionados por uma função, procedimento, estrutura de
dados, ou qualquer outra coisa:
Módulo Z
Ler Transação;
Processar Pedidos;
Ler Arquivo principal;
Zerar Tabelas;
Fim módulo Z
A noção de objetos
Objetos, em programação de computadores, são uma evolução na tentativa
de associar-se ações com estruturas de conhecimento através da
modularização de instruções codificadas pelos computadores. A estratégia
básica, nesse caso, é considerar que computadoresprocessam, basicamente,
estruturas de dados quer sejam como tabelas, matrizes ou códigos de
programas. Dentro dessa visão, o que os computadores manipulam ,
essencialmente, são funções de transformações de dados agrupados em
conjuntos, operando ações lógicas reguladas por eventos provocados pelas
máquinas, ou pelos usuários.
A noção de processamento seqüencial, dessa forma, assume outras
proporções, possibilitando que sua composição de uma forma estruturada
154
acabe por representar uma teia de relações com múltiplas possibilidades de
arranjos. Se a noção inicial era minimizar complexidades, organizando
pequenos módulos de instruções em estruturas hierarquizadas, sua
combinação em formato de objetos possibilita, agora, estabelecer relações
multidimencionais.
Objetos estabelecem relações não apenas na forma modularizada de funções
e estruturas de dados, mas também representam relações semânticas entre
si, com o sistema operacional e os próprios usuários. Eles podem ser
encarados como uma unidade de funções e variáveis, categorizados em
classes com membros que herdam os métodos de seus pais, e os expõem a
qualquer outro objeto de classes ou diferentes membros.
Classes
Classes, em programação por objetos, são especificações, ou estruturas,
genéricas de como dados são manipulados segundo uma função de
utilizadade, ou uso. Por exemplo, a classe controle de temperatura teria a
seguinte estrutura:
Classe Controle de Temperatura {
Dados privados à essa função:
Temperatura corrente;
Temperatura desejada;
Dados públicos à qualquer outra função:
Ligar controle ( )
Instruções para ligar controle;
Passo 1;
Passo 2;
Fim instruções
Fim função ligar controle
Desligar controle ( )
Instruções para desligar controle;
Passo 1;
Passo 2;
Fim instruções
Fim função desligar controle
}
Uma vez criada a função “controle de temperatura”, facilmente pode-se criar,
então, objetos desse tipo, apenas codificando :
“ControleApartamento(controle de temperatura(Ligar controle))” , ou ainda,
“derivar” objetos a partir dessa classe “controle de temperatura”, tal como:
“ControleApartamento(Mostrador Graus Celsius (controle de
temperatura(Ligar controle)))”.
155
A programação por objetos possibilita, ainda, além desse conceito de
herança, o conceito de polimorfismo, o que permitiria , por exemplo, usar a
função “ligar controle ( )” em qualquer outro programa; quer seja para
controle de temperatura; quer seja para um controle genérico de
equipamentos diversos.
Instanciamento e recursão na criação de objetos
Para a programação, objetos podem ser recriados a partir de cópias ou
imagens de si mesmos, necessitando para isso da colaboração do sistema
operacional, que aloca em sua memória (CPU) diferentes processos para
diferentes acessos, ou imagens, de um objeto.
Nesse ponto, podemos notar a colaboração íntima entre processos criados
por códigos de programas e processos gerenciadores de eventos do sistema
operacional. No entanto, ambos foram criados a partir de instruções
programáveis e podem repartir as mesmas propriedades enquanto objetos e
classes.
Programação estruturada por objetos é tanto a criação de estruturas de dados
com relações semânticas próprias, (confeccionadas pelos usuários), quanto
aquelas criadas pelo sistema operacional. No caso do sistema “Microsoft
Windows”, por exemplo, os vários eventos básicos que definem as ações do
sistema operacional estão agrupados em três objetos básicos:
1- o “kernel.dll” que contém métodos (rotinas) que cuidam do
gerenciamento de certas funções básicas da operação tais como a
administração de processos na memória;
2- o “GDI.dll” que cuida do gerenciamento de métodos gráficos que
mostram figuras no monitor, por exemplo e
3- o “USER.dll” que gerencia métodos de entrada, e saída, como as
operações do teclado, de comunicação, e troca de dados numa rede de
computadores. Esses três objetos permitem que seus métodos e
estruturas de dados sejam usados como parte de outros objetos criados
pelos usuários, ou pela própria máquina, tecendo uma rede de relações
interativas com múltiplas possibilidades de arranjos.
Além desse aspecto de “instanciamento“ temos o da “recursão”, o qual
permite que um objeto processe um outro objeto que existe dentro de sua
estrutura, o qual , por sua vez, permite que outros de seus processos internos
sejam usados, assim, recursivamente, até o esgotamento das possibilidades
de alocação de processos na memória. Quando há esse esgotamento, o
sistema operacional tem, ainda, a possibilidade de recorrer à memória
156
expandida, ou armazenada no disco rígido, continuando, dessa foram, esse
processo de instanciamento recursivo infinitamente. Os conceitos de
recursividade foram lançados por Allen Newell J.C. Shaw e Herbet Simon em
1956 no texto “The Logic Theorist”.
A combinação desses dois critérios de “instanciamento” e “recursividade”
são fundamentais para entender-se as possibilidade de se criarem máquinas
autoreguladoras capazes de adaptação e aprendizado.
Estruturas de Bancosde Dados
Introdução
Além das estratégia de estruturação, quer sejam hierárquicas ou por objetos,
de se criarem estruturas de dados que representem conhecimento,
informação e valor através dos conceitos de instanciamento e recursão de
métodos, funções e classes estruturadas temos, também, as estratégias de
gerenciamento de banco de dados.
A abordagem do gerenciamento de bancos de dados
A abordagem dos bancos de dados é centrada na capacidade das estruturas
de dados, em per si, de terem, ou formarem, representações com valor
semântico. Na programação estruturada, essas relações são formadas por
estratégias de modulação (hierárquica), ou objetos capazes não só de
operarem transformações semânticas, mas também recriarem imagens de si
mesmos recursivamente.
157
Por outro lado, as estratégias de bancos de dados é baseada no
gerenciamento de estruturas de registros e campos de uma tabela capazesde
operarem relações semânticas com registros e campos de outras tabelas e
bancos de dados.
O ponto comum entre estratégia de estruturação e gerenciamento de bancos
de dados é a separação da estrutura lógica de seus desenhos, e as
concepções da estrutura física de como operam ,ou são implementados.
Esses critérios tentam conter a complexidade da programação de
computadores reduzindo a possibilidade da codificação de fazer alterações
fundamentais nas estruturas semânticas dos programas, objetos e eventos
básico do sistema, permitindo apenas ações gerenciais de seus processos.
Desse modo, tenta-se definir e separar o que é permanente do que é mutável
e transitório na conceituação de uma estrutura de relações para o modelo
digital.
Histórico dos Bancos de Dados
O conceito de gerenciamento de bancos de dadosnasceu com o projeto Apolo
da Nasa em 1960. Esse projeto, complexo e de envergadura, exigiu a criação
de instrumentos de coordenaçãopara a manipulação de grandes quantidades
de dados. North American Rockwell, a primeira empreiteira do projeto pediu à
IBM que desenvolvesse uma ferramenta que possibilitasse o uso racional e
lógico de grandes quantidades de dados, base para as informações técnicas
vitais ao projeto.
Em 1964, a IBM desenvolveu o “Método Generalizado de Acesso Atualizado
(Generalized Update Access Method), GUAM). Em 1966, a IBM lançou a versão
comercial do GUAM através da chamada linguagem de dados (DL/I).
Por essa mesma época, meados dos anos 60, a General Electric lançou o
sistema chamado “Armazenagem Integrada de Dados (Integrated Data
Storage , I-D-S). Esse sistema foi o pai de toda uma classe de sistemas de
gerenciamento de bancos de dados, chamados genericamente de CODASYL.
O CODASYL, (Conference on Data Systems languages), resolveu criar um
grupo de trabalho (DBTC) para se desenvolver uma norma técnica para o
gerenciamento de bancos de dados. Em 1971, o “Instituto Americano de
Normas Técnicas, (ANSI), adotou as recomendações lançadas naquele ano
pelo comitê DBTG da CODASYL.
Em 1970, o Dr. E.F. Codd publicou um artigo que provocou um profundo
impacto nos estudos de bancos de dados. Ele propôs uma abordagem
radicalmente diferente para o gerenciamento de bancos de dados, em relação
àquelas que vinham sendo usadas até então.
158
Dr. Codd criou o chamado modelo relacional de dados, usando uma
combinação de teoria dos conjunto com cálculo de predicados, do tipo que já
discutimos antes, os quais estabelecem relações de pertencer, conter,
verdadeiro e falso, em proposições lógicas.
Por toda a década de 1970, o conceito de bancos de dados relacionais foi
intensamente estudado e debatido, até que a IBM lançou um protótipo
chamado “Sistema R”. No entanto, apenas a partir do início da década de 80
é que a Oracle lançou a primeira versão comercial de um banco de dados
relacional com o “Oracle 2.0”. nas décadas de 70 e 80, vários produtos
relacionados à administração de bancos de dados foram lançados, tais como,
dicionários de dados, geradores de relatórios, interrogadores (queries), assim
como linguagens não procedurais de 4ª geração para gerar aplicativos de
bancos de dados (ou SQL – Structured Query Language- “Linguagem de
Perguntas Estruturadas”).
Concluindo, o uso organizado de dados, que começou com o projeto Apolo
da Nasa em 1960, propõe que um gerenciador de banco de dados trará
algumas vantagens, tais como:
1- Obter-se o máximo de informação de um conjunto de dados;
2- Compartilhar o uso dos dados com vários usuários simultaneamente;
3- Intermediar conflitos existentes entre múltiplas requisições de dados;
4- Definir normas de utilização;
5- Controlar a existência de dados redundantes;
6- Controlar a consistência do conjunto de dados a ser manipulado;
7- Prover a integridade e segurança dos dados;
8- Aumentar a produtividade na programação e manutenção de sistemas;
9- Prover a independência dos dados, ou seja, os dados podem ser
alterados e manipulados por programas sem que as estruturas dos
bancos se modifiquem.
Características básicas de um sistema de gerenciamento de bancos de
dados
1- Entidades, Atributos e Relacionamentos: esses são os termos mais
fundamentais no gerenciamento de bancos de dados, ou seja:
a- entidade: pode ser uma pessoa, um lugar, ou um objeto;
b- atributos: são propriedades de uma entidade, tais como nome, cor do
cabelo, local diferentes de nascimento, por exemplo;
c- relacionamento: são propriedades que relacionam um conjunto de
entidades;
2- Arquivos, registros e campos: formam o menor conjunto lógico de dados
a serem armazenados em bits, ou sejam:
159
a- Arquivos: um conjunto de ocorrências de um tipo específico de
registros;
b- Registros: um conjunto de campos de um arquivo;
c- Campos: um conjunto de características de uma rede;
3- Bancos de Dados: é uma estrutura que guarda informações sobre várias
entidades, assim como seus relacionamentos. Nem todas as entidades
precisam ser mantidas em um mesmo arquivo físico no disco rígido (har
disk).
Representação da Constituição de um Banco de Dados
4- Gerenciadores de banco de Dados: são programas de computadores
(software), através do qual os usuários interagem com os bancos de
dados.
160
5- Modelos de dados: um gerenciador de bancos de dados é caracterizado
pelo modelo de dados que ele obedece. Um modelo de dados tem duas
componentes: a estrutura e as operações fundamentais, tais como:
a- Estrutura de dados: refere-se ao modelo pelo qual os dados são
organizados.
b- Operações fundamentais dos dados: são instrumentos colocados à
disposição dos usuário para manipular dados.
6- Tipos de modelos de dados:
a- o modelo racional: os dados são percebidos pelos usuários como uma
coleção de tabelas, e essas tabelas estão ligadas entre si por
relacionamentos implícitos existentes entre seus campos.
b- O modelo network: os dados são percebidos pelos usuários como uma
coleção de registros relacionados. Os relacionamentos entre registros
são explícitos, ou por ponteiros.
c- O modelo hierárquico: os dados são percebido pelos usuários como
uma coleção do tipo “árvore hierárquica”.
Funções básicas do gerenciamento de bancos de dados (DBMS)
1- Armazenamento, carregamento e atualização de dados: um gerenciador de
banco de dados deve garantir ao usuário a possibilidade de armazenar,
atualizar e carregar dados de um banco;
2- Um catálogo acessível ao usuário: um DBMS precisa fornecer um catálogo
com a descrição itimizada dos dados armazenados e quais tabelas são
acessíveis ao usuário;
3- Suporte para transações: um DBMS precisa fornecer ferramentas que
garantam que, ou todas as alterações prescritas são realizadas, ou o
sistema volta com o estado original das tabelas;
4- Controle de autorização ao acesso dos dados: um DBMS precisa fornecer
mecanismos que assegurem o acesso ao sistema de apenas usuários
autorizados;
5- Recuperação de dados em situações críticas: um DBMS precisa fornecer
mecanismos que assegurem a recuperação dos dados no caso de
ocorrerem danos, ou panes no sistema;
6- Serviços de concorrência de acesso aos dados: um DBMS precisa fornecer
mecanismos que assegurem que os bancos de dados serão atualizados
corretamente quando múltiplos usuários acessarem o sistema
concorrentemente;
161
7- Suporte para comunicação de dados: um DBMS precisa ser capaz de
integração com pacotes de comunicação de dados;
8- Avaliação da integridade dos dados: Um DBMS precisa fornecer
mecanismos que assegurem alterações tanto nos dados quanto nas
tabelas, seguindo regras pré-estabelecidadas;
9- Independência dos dados: Um DBMS precisa garantir a independência dos
programas em relação à estrutura dos dados;
O Modelo de banco de dados relacionais
Em 1970, Dr. E.F. Codd lançou o artigo “Um Modelo de Relacionamento de
Dados para Banco de Dados Compartilhados”, no qual mostrava as
vantagens de um banco de dados relacionais, tais como:
1- separação das caraterísticas físicas e lógicas de um banco de dados de
maneira intuitiva e natural;
2- Operações complexas com dados devem ser reduzidas a comandos
curtos e fáceis;
3- Possibilidades do usuário criar bancos de dados sem ser um especialista;
Em termos bem simples, o relacionamento entre bancos de dados é a maneira
como “campos” de um “registro” de uma tabela são agrupados por atributos
de assuntos relacionados para representarem uma unidade em relação ao
“conjuntos de assuntos “ expressado por todos os bancos de dados de um
sistema.
Esses atributos são indexados por ponteiros primários e secundários, sendo
que os primários servem como índices de “ordenação” (crescente ou
decrescente, por exemplo) dos registros de uma tabela, e os secundários
servem para apontar para registros de um campo associado a outras tabelas
dentro de um mesmo banco de dados.
Por exemplo, o campo referente ao número de matrícula de um empregado
agrupa os atributos nome, endereço e número do departamento à qual ele
pertence, e será a chave primária para ordenar os registros de empregados
que a empresa possui em ordem crescente de matrícula.
Ao mesmo tempo, o número do departamento à qual pertence esse
empregado será a chave secundária que aponta para o campo “número do
departamento”, agrupado junto com os seus campos de atributos “nome do
departamento” “nome do chefe” e “localização do escritório” situados em
outra tabela, ambos, no entanto, referem-se ao bancode dados que representa
a estrutura funcional da empresa.
Desenho e configuração de um banco de dados relacional
162
O desenho e a configuração de um banco de dados relacional ocorre através
do processo de normalização, da dependência funcional e da definição de
chaves primárias e secundárias nas tabelas que o compõe. Podemos notar
aqui, que o objetivo de um banco de dados relacional é estabelecer uma
estrutura semântica de relacionamento que só surgirá quando o banco de
dados for manipulado ou gerenciado. O objetivo, nesse caso, seria eliminar o
esforço de codificação para produzir-se conhecimento, informação e valor.
Diferentemente das estratégias de estruturação, a definição do
relacionamento semântico está na própria estrutura dos dados, das tabelas e
dos bancos, e não nos processos de transformações que elas possam,
eventualmente, virem a ser submetidas. Aliás, o conceito de bancos de dados
relacionais define, claramente, que suas estruturas são independentes de
possíveis transformações programáticas.
Essas estruturas são definidas nas etapas de planejamento e desenho lógico
do sistema, não mudarão mais, e, não podem ser alterados na etapa de
implementação funcional do sistema de banco de dados. As alterações de um
sistema de banco de dados são aquelas operadas pelo sistema de
gerenciamento através da linguagem SQL de queries (interrogatórios ao
sistema), ou ainda, por uma linguagem programática, tal como “PL1” em
“Oracle”.
Dependência funcional
Como no caso apresentado acima, da “tabela de empregados”, a maneira
como se agrupam seus campos define, automaticamente, uma relação
funcional entre esses campos, e os possíveis atributos que possam formar
em conjunto uma unidade lógica consistente e coesa. Assim, o número da
matrícula do empregado tem como atributo seu nome e endereço, formando
um campo “número” funcionalmente dependente de “nome” e “endereço”,
formando uma unidade lógica única dentro de “empregados da empresa”.
Essa “unidade lógica” não se repetirá em nenhuma outra tabela, ou conjunto
de tabelas, de nenhum outro banco de dados que possa pertencer ao sistema
dessa empresa. No entanto, individualmente, tanto o “número da matrícula”,
como o “nome do empregado” ou seu “endereço” podem, eventualmente,
fazem parte de outros conjuntos lógicos funcionalmente dependentes em
outras tabelas e bancos de dados dos sistemas dessa mesma empresa.
Escolha das chaves primárias
O campo de uma tabela pode ser uma chave primária, se e somente se, seu
atributo for: 1- funcionalmente dependente dos atributos dos outros campos
da tabela, e 2- nenhum outro atributo de outros campos da tabela forem
163
funcionalmente dependentes entre si. Como no caso acima, o número de
matrícula é a chave primária porque estabelece uma dependência funcional
única com nome e endereço. Pode-se notar que “nome” ou “endereço”,
individualmente, não formam uma dependência funcional única entre si.
Esse fato é mais visível no momento de se indexar uma tabela. Nesse caso,
“número de matrícula” são registros únicos, porque cada empregado tem um
diferente. No entanto, nomes e endereços podem se repetir o que dificultaria
uma pesquisa no caso de milhões de registros, por exemplo.
Normalizações
1ª forma normal: a eliminação de grupos repetido de uma tabela é o primeiro
passo na normalização de um banco de dados, ou seja, cada campo tem
apenas um registro. Esse conceito é bem intuitivo, porque é a razão inicial
pela qual organizamos uma tabela a fim de “visualizar” cada registro de baixo
de cada campo.
2ª forma normal: uma tabela está na 2ª normal se nenhum atributo é
parcialmente dependente da chave primária. No caso, por exemplo, da chave
primária, “número de matrícula do funcionário” permitir duplicação de
número, ( o que seria bastante impróprio), essa tabela não estaria na 2ª normal
e provavelmente teria que ser quebrada de acordo com essas variações de
registro de empregado (seria uma condição difícil de ocorrer e bastante
ilógica).
3ª forma normal: uma tabela está na 3ª normal se todos os outros atributos
são candidatos a serem chaves primárias. No exemplo da tabela de
empregados acima, se tivéssemos adicionado o campo “nome do
departamento”, essa tabela não estaria na 3ª normal porque certos números
de matrícula estariam relacionados com os mesmos códigos e nomes de
departamentos. Nesse caso, teríamos que quebrar essa tabela colocando o
campo “nome do departamento” junto com seu “código” em outra tabela,
mantendo-se o “código do departamento” junto ao “número de matrícula”,
“nome do funcionário” e “endereço do funcionário” para que ele funcionasse
como chave secundária na identificação de onde cada empregado trabalha.
164
Gerenciamento de Banco de Dados
Introdução
Antes do aparecimento dos bancos de dados relacionais, os sistemas
predominantes eram os do tipo Network (rede) e o modelo hierárquico, típico
de pacote implementados em sistemas de grande porte chamados
“mainframes”.
O modelo hierárquico representava dados como galhos de uma árvore. A
linguagem DL/I era usada para navegar através esses ramos de árvores,
recuperando, inserindo e apagando os registros. Desde que nem todas as
estruturas de dados podiam ser bem representados nessa concepção de
árvore, vários improvisos eram necessários para sua implementação,
perdendo-se, por vezes, o sentido de unidade lógica na representação de
dados.
O sistema de bancos relacionais, por sua vez, requer para seu gerenciamento
uma sub-linguagem chamada SQL (Structured Query Language) para realizar
165
todas as operações desde implementação até inserção, recuperação,
eliminação e atualização de dados. Em geral, uma linguagem SQL requer:
1- suporte para o processamento de operações em conjuntos, ou grupos de
dados, de uma só vez, em oposto ao processamento de registro-a-registro;
2- capacidade para processar dados, independentemente da implementação
física de sua armazenagem;
3- mecanismos não procedurais, ou seja, uma SQL não deve instruir o
sistema de gerenciamento de como os dados devem ser recuperados e
mostrados aos usuários, deve, apenas, descrever os dados sem qualquer
ambigüidade;
A Padronização ANSI para SQLs
O comitê ANSI para definir normas de SQLs foi formada em 1982 e publicou
os primeiros trabalhos em 1986. O padrão chamado SQL-86 é a base para a
maioria das implementações existentes, hoje, dessa linguagem de bancos de
dados. Essas normas foram emendadas em 1989 e uma ampla revisão foi
realizada em 1992, definindo-se, assim, o padrão SQL-92.
Os comandos SQLs estão basicamente agrupadas em dois tipos, aqueles
referentes à manipulação dos dados (DML) e aqueles referentes a definição
dos dados (DDL).
Os comando de manipulação de dados (DML) permitem que dados sejam
inseridos, atualizados e eliminados, resumindo-se em:
1- INSERT; ex.: Insert into tabela_empregados(matrícula, nome,
código_do_departamento)
Select matrícula, nome, código_do_departamento From carregar_empregados ;
2- UPDATE; ex.: Update (tabela_empregados)
Set código_do_departamento = (select código_do_departamento
From tabela_departamentos
Where
código_do_departamento.tabela_empregados=Código_do_departamento.tabela_departamentos
3- DELETE; ex.: Delete from (tabela_empregados)
Where nome = ´Maria´
Os comandos referentes à DDL permitem, por exemplo:
1- criar tabelas: CREATE TABLE;
2- eliminar tabelas: DROP TABLE;
3- alterar tabelas: ALTER TABLE;
4- criar índice: CREATE INDEX;
166
5- eliminar índice: DROP INDEX;
6- alterar índice: ALTER INDEX;
Sub-queries
Alguns comandospermitem operaçõesespecíficas com as tabelas, tais como:
1- JOINS: comandos que permitem juntar duas tabelas a partir de um campo
em comum;
2- View: comandos que permitem criar tabelas virtuais, as quais existem
como uma combinação de tabelas, ou grupos de dados de uma tabela
apenas;
3- Transactions: comandos que permitem gerenciar a inserção, atualização e
eliminação de dados através de proteções do tipo:
a- voltar a trás: ROLLBACK;
b- executar transação: COMMIT;
Enquanto esses comandos não são acionados (ROLLBACK ou COMMIT) as
modificações não são efetivadas, permitindo mais segurança na manipulação
de um conjunto de dados, ou seja, enquanto todas as operações não forem
realizadas as mudanças não ocorrem na base de dados.
Operacionalização de um banco de dados relacionais
A constituição física de um banco de dados é definido como:
1- uma coleção de dados tratados como uma unidade lógica na forma de
tabelas;
2- o sistema operacional do sistema de banco de dados é composto de:
a- arquivos de registros para refazer operações em andamento
b- arquivos de registros de inicialização do sistema;
c- arquivos de registros das operações de controle;
As operações de um banco de dados tem a finalidade de instanciar as tabelas
acessadas, criando vários processo na memória para gerenciar as
necessidades de cada usuário, definindo para isso vários processos de
controle, tais como:
1- processos de recuperação do sistema para o estado anterior ao dano
ocorrido, liberando os bloqueios dos sistemas aos diversos segmentos de
uma tabela;
167
2- processos que instanciam a recuperação do sistema, liberando
segmentos temporários criados anteriormente pelo sistema;
3- processos que passam os dados que já foram usados (buffer),
descarregando-os no disco;
4- processos que carregam os dados que estão no disco, colocando-os na
tela (buffer) para serem usados;
O princípio geral de um sistema de dados relacionais é que sua concepção
lógica, não está relacionada com sua concepção física, ou implementação.
Por isso, um sistema operacional de controle de operações de um banco de
dados cria um espaço na memória do computador para gerenciar as
transformações dos dados realizadas pelas SQLs, assim como, para
operacionalizar sua armazenagem e recuperação física no disco. Para tanto,
ele cria uma área global na memória do computador, onde coloca os
processos de recuperação, gravação e leitura dos dados e outro para localizar
e buscar os dados armazenadosem blocos de segmentos contínuos no disco.
168
169
Redes
Redes no Ambiente Cliente-Servidor
Introdução
Como já foi dito antes, redes de computadores
nascem da necessidade de se comunicar ou trocar
informações, dentro de uma empresa, ou através da
sociedade em geral. No entanto, uma rede pode ser
difícil de se desenhar, configurar, instalar ou manter.
Em uma situação típica, conectar computadores
significa entender que diferentes segmentos operam
com diferentes topologias, protocolos e sistemas
operacionais. Além do mais, pode-se ter
computadores PCs conectados a placas Ethernet,
token-rings, assim como, máquinas Unix rodando
sob protocolo TCP/IP, ou ainda IBM conectados
usando protocolo SNA.
Cada um desses equipamentos foram feitos para se comunicarem apenas
entre si. Portanto, a primeira tarefa para se gerenciar um ambiente corporativo
cliente-servidor é identificar-se os componentes dos equipamentos
(hardware), programas (software), sistemas operacionais e protocolos, para
depois se decidir por um único tipo, ou interligar-se a diferentes padrões
como forma de maximizar a utilização da capacidade instalada.
Todavia, a questão fundamental na adoção de um modelo cliente-servidor de
conectividade, é, na verdade, uma mudança de paradigmas na forma de se
abordar como os computadores são interligados.
Com o desenvolvimento dos computadores de mesa (desktop), os PCs
passaram a ser a plataforma de trabalho padrão em qualquer organização,
exigindo-se que aplicativos ali desenvolvidos sejam conectadosa outros PCs,
minicomputadores, ou ainda, Mainframes, com o objetivo de se trocarem
dados. Essa abordagem, chamada de uma “visão de baixo para cima”, é em
essência o modelo cliente-servidor.
170
Em oposição a esse modelo cliente-servidor, está a abordagem de “cima para
baixo”, onde aplicativos implementados centralizadamente em
minicomputadores, ou mainframes, são acessados por terminais “burros”.
Para se tomar decisões sobre como, onde e qual abordagem de conexão de
deve adotar é preciso:
1- Avaliar se os meios de transferência de informação existentes são
homogêneos (um único tipo de hardware ou software), ou heterogêneos
(diferentes equipamentos e programas);
2- Avaliar as diferentes formas de topologias existentes (Ethernet, Token-
ring), etc.);
3- Avaliar se a estratégia aplicada na conexão dos computadores segue a
visão “de cima para baixo” ou “ de baixo para cima”.
171
Avaliação de Equipamentosde Redes
Normas e adaptadores
Os elementos físicos mais elementares para a conexão de computadores em
rede são: os adaptadores, cabos e a topologia lógica e física.
Existem três padrões básicos de adaptadores : ethernet, token ring e arenet,
além de alguns outros, no entanto, são não aprovados e não seguem padrões
convencionais. Esses três tipos de adaptadores seguem protocolos
aprovados pelo Instituto de Engenharia Elétrica Americano (IEEE, USA), pela
Associação da Industria Eletrônica (EIA, USA) e o comitê Consultivo
Internacional da Industria Eletrônica para Telefonia e Telegrafia (CCITT,
Internacional).
Algumas empresas, tais como a IBM, também estabelecem seus próprios
protocolos para seus equipamentos. No entanto, o aceitável atualmente são
os equipamentos reconhecidos por entidades públicas nacionais e
internacionais, ou seja, que os equipamentos sigam um modelo “open
system” de conectividade. “Open System significa que os equipamentos
podem se comunicar entre si entendendo diferentes protocolos.
Dentro do IEEE, existe o comitê 802 que avalia uma infinidade de produtos de
rede. Dentro do comitê 802 existem sub-comitês que se identificam por
números decimais para identificar seus trabalhos, tais como o comitê 802.5 e
802.3.
O Adaptador do tipo ARCnet não é uma padrão do IEEE, embora seja aceito
como um padrão na industria eletrônica.
O adaptador Ethernet foi uma das primeiras arquiteturas padronizadas de
rede. Esse sistema de conexão e esquema de sinalização surgiu em 1970, e
ainda é aceito como padrão respeitado. Na verdade, a Ethernet é uma
especificação descrevendo um método de como computadores e dados
partilham cabos e conectores.
De acordo com o IEEE 802.3, as redes do tipo Ethernet usam um transportador
de múltiplos acessos com detecção de colisões (Carrier Sense Multiple Acess
with Colision Detection, CMSA/CD), como um esquema para o controle de
acesso de sinais eletrônicos. Esses sinais, de acordo com o IEE 802.3 devem
ser transportados por uma topologia lógica do tipo “Bus” (linha). Esse padrão
172
deixa espaço para o uso de diversos tipos de cabos, tais como: cabo coaxial
fino e grosso, ou par trançado desprotegido.
O padrão Ethernet
O padrão Ethernet usa “Datagrams (datagramas) para passar mensagens
através da rede. O CMSA/CD assegura que dois “datagramas” nunca serão
enviados ao mesmo tempo, servindo de árbitro para evitar colisões. No
entanto, não existem garantias de que esses datagramas efetivamente
chegarão ao seus destinos livres de erros ou duplicações. Essas operações
devem ser garantidas pelo sistema operacional da rede.
Em 1990, após três anos de deliberação o IEEE transformou o comitê 802.3
em 10Baset. O nome “10Baset”, indica a velocidade de transmissão de sinal
dos dados na rede, ou seja, 10 megabits por segundo sobre cabeamento de
par trançado em uma topologia estrela. A vantagem é que se pode, assim, criar
redes Ethernets usando-se o cabeamento telefônico existente.
O padrão Token-ring
O padrão token-ring é coberto pelas normas IEEE802.5. Esse padrão descreve
um protocolo token-ring (passagem de uma ficha num circuito fechado na
forma de um anel) a ser usado em estações conectadas a uma topologia lógica
do tipo anel e topologia física do tipo estrela.
Em uma rede “token-ring” um fluxo de dados chamados de “token”, ou ficha,
circula como um trem através de várias estações (workstations), sinalizando
“Livre para operação”. Uma estação com uma mensagem a ser transmitida
espera até receber uma dessas ficha “Livre para Operação”. O “trem”, que
transporta essas fichas, ao carregar a mensagem da estação (workstation)
passa, então, a sinalizar “Ocupado” para todas as outras estações da rede,
até que a mensagem chegue ao seu destino. Então, o “trem” retorna à estação
transmissora e passa a sinalizar novamente “Livre” para a próxima estação
que quiser transmitir uma mensagem. Esse modelo faz com que a arquitetura
Token-ring seja mais favorável a cabos de fibra ótica ao invés do tipo
“broadcasting” (difusão), relacionado ao padrão Ethernet.
Placa de Comunicação Interna de um Computador
Cabeamento e Conexão de Rede
173
Cabo por princípio é o que liga as
estações de uma rede entre si, ou a outros
equipamentos de conexão (pontes e
roteadoras). No entanto, a conexão mais
importante é aquela que reside dentro do
computador. O melhor cabeamento deixa
de ser relevante se os dados não podem
se mover rapidamente entre a placa
adaptadora e o PC. Na verdade são os
programas “drivers” (guias) de interface
dos cartões adaptadores, que na maior
parte das vezes são os responsáveis pelo
mau desempenho das estações numa redes de computadores.
Modos de transmitir dados (I/O)
Um PC (computador portátil) e uma placa adaptadora podem trocar dados
através de várias técnicas. Os adaptadores usam quatro estratégias para
moverem dados, tais como:
1- Programação de I/O (entrada e saída): nesse caso, o PC e o adaptador
movem dados lendo e escrevendo no mesmo bloco de espaçode mídia, ou
seja, os adaptadores se comunicam com o processador do PC através de
uma mesma localidade de entrada e saída;
2- Acesso Direto à Memória (DMA): essa técnica é usada para sinalizar entre
o processador do PC e o adaptador;
3- Memória compartilhada: um adaptador de memória compartilhada contém
espaço de memória que o processador do PC pode acessar, diretamente,
em alta velocidade, sem estado de espera (“no wait states”). No entanto,
esses adaptadores podem, e freqüentemente acontece, conflitam com
outros adaptadores já instalados, por exemplo placas de vídeo;
4- Bus Mastering: essa técnica especial, usada, principalmente, em
computadores controladores “micro-channel architecture (MCA), ou
extended industry standard architeture (EISA), é o que possibilita os
adaptadores enviarem e receberem dados da memória do computador sem
interromper os trabalhos do processador central (CPU);
Fatores que influenciam a velocidade de transmissão
174
Existem vários fatores de estrangulamento no desempenho de uma rede. A
velocidade de acesso ao disco rígido, e ao controlador instalado nas estações
servidoras têm as maiores influências. Depois disso, vem a qualidade da placa
adaptadora de rede. Algumas estações clientes podem requerer o movimento
de 3 a 7 megabits por segundo da estação servidora. Essa taxa de
transferência penaliza o acesso aos dados, os “drivers” (programas) de
interface e os próprios adaptadores. Uma maneira fácil de aliviar o tráfego na
rede é, sem dúvida, aumentar o número de adaptadores dentro da estação
servidora.
Ao se instalar adaptadores de rede é importante verificar se:
1- Qual é o “Bus” do adaptador :
a- 8-bits (ISA) – PC;
b- 16 bits (ISA) – AT;
c- Micro-channel Architecture (MCA);
d- Extended Industry Standard Architecture (EISA);
2- Se é possível instalar um adaptador “Bus Mastering” na estação
servidora;
3- Quais outros equipamentos ocupam espaço de memória e IRQ
(interruptores) no PC ;
Cabos e conexões
Ao se adquirir adaptadores, automaticamente, se está definindo um tipo de
topologia lógica para rede , ou seja, “BUS”(formato de linha ou tronco),
“Ethernet Ring”(formato de anel), “Token-Ring”(anel). Três tipos de
cabeamento podem ser usados para conectar computadores em rede:
1- Cabos Coaxiais: consiste de um fio central de cobre (sólido ou espalhado)
coberto por uma capa de borracha recheada de camadas de cobre, ou
alumínio. Um isolamento plástico separa a face interna do meio externo ao
condutor.
2- Par trançado Desencapado;
3- Par trançado Encapado;
4- Cabos de fibra Ótica;
Os equipamentos para a conexão de redes locais (LAN) podem ser:
1- Repetidores: são equipamentos simples que conectam o tráfego em
ambos os sentidos entre dois segmentos de rede;
2- Pontes (bridges): são equipamentos um pouco mais sofisticados do que
os repetidores, pois podem ler o endereço das estações e tomar decisões
quanto ao destino que certos dados, em um segmento de rede, podem
seguir;
175
3- Roteadores (routers): são uma combinação de programas (software) e
equipamentos (hardware) especializados, capazes de discriminarem
diferentes estruturas (“frames”) de dados contidos em pacotes correndo
na rede. Os roteadores decidem que caminho eles devem seguir, conforme
os diferentes protocolos de cada segmento;
4- LAN Gateways: traduzem formatos de dados e inicializam sessões de
comunicação entre programas aplicativos;
176
Avaliação de Programaspara Gerenciamento de Redes
Introdução
Nessa avaliação de processos gerenciais
inteligentes, que estamos apresentando
aqui, redes de computadores nãoformam
apenas um conjunto de nós e links. A
missão mais importante das redes é
adicionar “valor” aos processos de
negócio criando, por assim dizer, as
condições de existência do hiperespaço.
Nesse sentido, redes de computadores
formam um conjunto lógico coeso entre
uma perspectiva analítica, de como
conhecimento é representado através de modelos lógicos, semânticos de
inferências, e a perspectiva funcional, que permite as mais diversas
combinações de estratégias operacionais para equipamentos, tais como
cabos, roteadores, hubs e placas de conexões.
Além de programas e equipamentos, é importante ter-se em mente que,
provavelmente, não existe apenasum tipo de rede dentro de uma organização,
mas várias. É preciso, portanto, compreender a natureza das conexões
requeridas, para que diferentes modelos de redes possam se comunicar, sob
seus aspectos analíticos e funcionais. O objetivo da interconexão, ou
interação entre redes, é criar a ilusão de que só existe uma única rede.
A tendência é organizar esses diversidade de equipamentos em redes
multiplataformas, o que torna a tarefa de administrar redes extremamente
complexas. Para simplificar essas tarefas, a estratégia básica é escolher, e
definir, protocolos e padrões de operação, os quais permitirão a interação
lógica e funcional entre equipamentos diferenciados, seguindo um modelo de
sistemas abertos (Open Systems).
Protocolos e padrões
Lindeberg Barros de Souzaem seu livro “Redesde Computadores-Dados Voz
e Imagem”, de 1999, define protocolo como: “ Podemos definir um protocolo
de comunicação de dados como um conjunto de regras que controla a
comunicação para que ela seja eficiente e sem erros... Um dos objetivos
principais do protocolo é detectar e evitar a perda de dados ao longo da
transmissão, solicitando a retransmissão, caso isto ocorra”.
177
Transmissões
Lindeberg define em seu livro alguns tipos de transmissão e troca de dados
para uma rede genérica de telecomunicação comunicação, que incluem redes
de telefonia fixa, celulares, satélites e microondas, tais como:
1- Por circuito: os dados percorrem sempre o mesmo circuito como em
conexões telefônicas;
2- Por mensagem: os dados são enviados pelos nós da rede, encontrando o
melhor, ou o caminho mais disponível no momento;
3- Por pacote: os dados são quebrados em pacote lógicos numa seqüência
determinada para que possam ser remontados no destino;
4- Por células: os dados são quebrados em pacotes e transmitido através de
grupos específicos, ou células de roteadores, que repassam a mensagem
de um para o outro até a mensagem chegar ao destino;
Comunicação de dados
Protocolos, em termos de redes de computadores, são configurações lógicas
de como equipamentos transmitem dados desde o nível dos equipamentos de
cabeamento e placas, até como pacotes de dados são passados pela rede,
abrindo e fechando sessões de transmissões entre aplicativos, reagrupando
esse diversos pacotes de dados que trafegam desagregadamente no conjunto
original prescrito pelos programas, possibilitando, dessa maneira, que
usuários localizados em diferentes “nós” da rede comuniquem-se uns com os
outros simultaneamente de modo transparente.
Dessa forma, os protocolos podem prover uma comunicação sincronizada
(síncronos) ou dessincronizada (assíncronos) entre os usuários. No caso
sincronizado, os usuários estão alinhados pelo controle de sincronia
(relógios) dos modems, por exemplo para padrões X25, HDLC. No caso
assíncrono, os pacotes de dados são enviados em tempos diferentes. Esse é
o tipo usado entre micro computadores, usando-se uma saída serial
(assíncrona) onde os bits são enviados depois de que um sinais inicial de
sincronia da transmissão é dados pelos modems.
O modelo genérico OSI de protocolo
OSI (Open Systems Interconnection) representa um esforço internacional para
criar padrões de comunicação entre computadores e aplicativos em geral. A
OSI foi fundada com o intuíto de promover o comércio e a cooperação
178
internacional em ciências e tecnologia. O protocolo TCP/IP influenciou
sobremaneira as definições da OSI, que acrescentou, apenas, algumas
caraterísticas extras para melhor a eficiência e a funcionalidade dos
programas em redes.
O modelo OSI define a comunicação de dados entre dois programas de
computadores através de 7 regras de como os pacotes de dados saem de um
terminal, passam pelas placas de redes, são distribuídos pelos cabos e
chegam ao usuário da outra ponta, ou nó, da rede. Essas sete camadas são,
basicamente, começando pelo nível mais alto, referente as transações de
dados entre os aplicativos:
7- Nível da aplicação: esse é o nível em que operam os programas
operacionais da rede;
6- Nível apresentação: esse é o nível que converte os dados para o formato
interno dos computadores;
5- Nivel sessão: esse é o nível que faz o reconhecimento dos aplicativos, tais
como, segurança e “log-in” para se iniciar a comunicação em rede;
4- Nivel transporte: esse é o nível responsável por receber e enviar dados e
comunicar erros. Se uma estação sair da rede, os procedimentos
especificados por esse nível do protocolo procuram por rotas alternativas, ou
guardam os dados para posterior transmissão;
3- Nível identificação da rede: esse nível identifica o caminho físico percorrido
pelos dados na rede, decidindo sobre, o melhor caminho a percorrer,
prioridades e condições do percurso;
2- Nível conexão dos dados: depois de feita a conexão física, esse nível de
gerenciamento controla o envio dos dados em pacotes;
1- Nível físico: esse nível de gerenciamento identifica as conexões elétricas, e
sinaliza para os equipamentos (cabos placas), transmitindo dos dados;
Tipos e topologias de rede
A maneira como as mensagens são passadas através da rede pode ser
analisada de duas maneiras pela topologia lógica ou física da rede.
179
Topologia lógica: sob o ponto de vista lógico, os dados podem ser
transmitidos seqüencialmente, ou por difusão (broadcasting). Os modelos
Ethernet e ARCnet de placas de conexão usam o de difusão, já o modelo
Token-ring usa o método seqüencial, como já apresentamos antes.
Topologia física: existem várias maneiras de se cabear, as quais podem ser
agrupadas genericamente em dois tipos, tais como:
1- Daisy-chain: os cabos devem seguir o menor caminho entre dois pontos
(chamados de “bus”, linha ou tronco);
2- Estrela ou “Hub”: nesse caso, os cabos convergem para um ponto, no
formato de uma estrela;
Exemplo de uma topologia em “Linha”
Exemplo de uma topologia “Estrela”
Gateways (portões de entrada)
Para se passar dados de um segmento de rede para outro é necessário algum
tipo de equipamento que faça essa ligação. Para se operar essa ligação entre
segmentos é preciso duas coisas:
180
1- um equipamento (hardware) que traduza os diferentes sinais elétricos
entre duas conexões;
2- um programa (software) que verifique as estruturas de dados transitando
em meio Ethernet, ou Token-ring, validando e informando seus destinos;
181
Gestão de Redes
Introdução
O ambiente cliente-servidor descrito, nesse
capítulo referentes a redes, não está completo.
Aliado ao levantamento das necessidades de
conectividade, está, também , a definição de um
gerenciador de banco de dados, definindo assim
três características básicas que uma rede de
computadores deve possuir:
1- um meio de transferência de informação
entre formas díspares de comunicação;
2- conectar diferentes tipos de topologias
de redes;
3- servir de espinha dorsal para o
funcionamento de bancos de dados
corporativos;
Os padrões relativos a placas e cabos (IEEE 802), como foi comentado antes,
guardam a transmissões de dados de uma estação para outra, ou de uma rede
local para outra, através dos equipamentos. Os sistemas operacionais de rede
descrevem as funções básicas requeridas das estações servidoras e cliente,
assim como, os protocolos definem como os dados devem ser manipulados
de um ponto a outro.
Além dessas características de hardware e software, um ambiente cliente
servidor necessita, também, de um gerenciador de dados que garanta com
que:
1- Os dados corporativos sejam confiáveis, ou disponíveis, quando
requisitados, evitando-se manipulações e perdas;
2- Os dados corporativos estejam assegurados quanto, ao acesso indevido,
e sejam consistentes com os problemas a que se referem e, também, estejam
organizados de um modo transparente aos usuários;
3- A utilização dos dadoscorporativos devem estar catalogados em modelos
de transação que reproduzam as operações realizadas pelos usuários a
qualquer tempo;
4- Os dadoscorporativos devem ser acessíveis ao maior número de usuários
situados em diferentes localidades( ou pontos de uma rede);
182
Avaliações
Como pudemos perceber, a existência de
padrões e protocolos é o que permite que
estações servidoras e cliente,
adaptadores e cabos , assim como
programas de computadores sejam
configurados para se atingir uma
produtividade ótima nas transações em
rede. Usualmente, os usuários estão
mais preocupados em especificar
desempenho em termos de uma placa
controladora de rede ou, ainda, de um disco rígido ou “CD” mais rápido,
esquecendo-se de que a seleção do software de rede mais apropriado é,
também, uma importante decisão.
Cabos, placas, adaptadores e hubs não fazem em per si uma rede de
computadores. Já foi visto aqui, nas seções anteriores, as normas definidas
pelo IEEE especificam os limites máximos e mínimos das configurações
lógicas e físicas para a boas funcionalidade de uma rede. No entanto, são os
sistemas operacionais que as fazem funcionar, gerenciando recursos,
evitando duplicidade, ou conflitos, de requisições entre os usuários.
De um modo geral, os programas (software) de redes são totalmente
transparentes aos usuários. Na verdade, uma estação servidora não passa de
mais um equipamento (drive) conectado ao disco rígido. É nesse “drive
servidor” que os usuários buscam dados, transmitem informação ou
imprimem relatórios.
Tipos de sistemas operacionais de rede
Existem dois tipos de programas de rede: os que são originários do sistema
MS-DOS e os que têm origens em sistemas Unix.
Programas de rede originários do MS-DOS
A maior parte dessesprogramas de rede são originários da Mircrosoft, através
da família MS-Net, AT&T, DEC e 3COM, incorporando parte dos conceitos do
MS-Net em seus sistemas operacionais. No entanto, esses tipos de programas
de rede estão caindo em desuso.
As características da família de produtos MS-Net de rede são:
1- usam programas que interceptam múltiplas requisições de serviço da rede,
guardando essa requisições em “buffers” dividindo, assim, o tempo do
processador para realizar as tarefas requeridas;
183
2- possibilitam o partilhamento dos recursos de impressão e disco dos PCs
em todas as estações da rede;
3- usam intensamente os recursos da memória RAM dos PCs;
4- têm uma sintaxe de comandos em comum;
5- não tem um padrão de serviço de rede: alguns tem correio eletrônico,
outros apenas spooling de impressão ou chat (bate-papo);
6- são acompanhados de uma interface gráfica e multiprocessamento, tais
como, para: OS/2,Windows NT, Windows Workgroup;
7- Exemplo desse tipo de programas: Lantastic, DCS 10-Net;
Programas originários da família UNIX
São originários de sistemas operacionais para “minicomputadores”
Características da família UNIX
1- têm capacidade de multiprocessamento;
2- respondem a chamadas de serviço do sistema DOS;
3- têm um processamento interno e externo de endereçamento de memória
mais eficiente;
5- exemplos desse tipo de programa: Banian Vines; LAN Mangar, Netware
(Novell);
A diferença básica entre esses dois tipos de sistemas operacionais de rede, é
que o programa servidor do tipo UNIX é mais eficiente na mediação de
múltiplas requisições para um mesmo arquivo, além de melhor
multiprocessamento, o que resulta em serviços mais rápidos.
Uma evolução dos serviços MS-Net, que incorporam as capacidades do
modelo UNIX, é representada pelo OS/2, Windows NT, pois eles vêm com
gerenciadores de multiprocessadores mais eficientes, melhor capacidade de
mediação de requisições e sistemas de segurança, além de terem correio
eletrônico e diversos outros tipos de protocolos (TCP/IP, IPX,Netbios, X.25 e
X400).
184
Conexões
A Noção de Valor no Hiperespaço
185
Introdução
Como estamos apresentado nessa
palestra, as organizações estão
passando da era industrial, baseada em
custo de produção, para a era de
serviços, baseada na vantagem
competitiva de processos automatizados
de gerenciamento de decisões.
A interação das estruturas
organizacionais com a tecnologia está
criando uma nova noção de valor na
ordem das coisa a nossa volta, fazendo
com que o conflito “trabalho versus moeda” esteja sendo substituído pelo
conflito “conhecimento versus informação”. Nesse sentido, do mesmo modo
que no passado a noção de trabalho adicionava valor a produção, hoje a
tecnologia está criando um novo valor adicionado aos produtos e serviços, o
qual podemos chamar genericamente de hiperespaço.
O hiperespaço é o resultado das várias representações estruturais que a
tecnologia está criando, como estamos apresentado nessa palestra, no
sentido de passar de simples sistemas fechados de processamento finito para
um outro aberto capaz de auto regulação, auto organização, adaptação e
aprendizado. Para tanto, os atuais avanços na tecnologia estão mudando o
caráter das máquinas; do modelo de polias, engrenagens e correias de
transmissão para o modelo digital de processamento eletrônico binário de
dados.
Essas mudanças tecnológicas estão sendo avaliadas aqui, a partir das
ferramentas e equipamentos que no modelo digital passam a seguir o
princípio básico da independência entre uma conceituação lógica (analítica),
de como conhecimento pode ser estruturado, e a implementação operacional
(funcional), de como esses processos podem ser gerenciados.
Essas estratégias analíticas e a funcionais se juntam para adicionar valor e
informação à noção de conhecimento, através das várias possibilidades de
combinações entre programas de computador (software) e equipamentos de
rede, telecomunicação, cabeamento e sistemas operacionais.
Resumindo, a tecnologia, atualmente, oferece as seguintes representações
em termos de ferramentas e equipamentos, tais como:
1- representações lógicas e cognitivas dos processos da inteligência
humana;
186
2- representações de conhecimento através de rede semânticas da
inteligência artificial;
3- representações da informação gerada por regras de inferências de
sistemas especialistas, e a programação estruturada por módulos, objetos
e bancos de dados;
4- representações dos equipamentos em termos da configuração analítica
dos processos organizacionais, e da configuração operacional de cabos,
roteadores, hubs, computadores e placas de conexão.
Uma Visão do Hiperespaço
A noção de valor adicionado por essa estruturas tecnológicas de
representação está baseada em dois conceitos decorrentes:
1- o valor embutido nas transações operadas pelos bancos de dados;
2- o valor embutido no fluxo de dados através dos equipamentos;
187
Painel de Informação num Pregão
A noção de valor adicionadopelas transações
A noção de transação adiciona valor aos processos de tomada de decisão
através do tempo de requisição de um serviço pelo usuário, e o tempo de
processamento de operação do sistema.
O tempo de requisição pelo usuário é função das seguintes variáveis:
1- Interfaces: representando a “funcionalidade” do conhecimento
estruturado e desempenho das conexões de redes através de módulos,
objetos de programação , assim como por comandos SQL (Structured
Query Languages);
2- Redes: representando a “acessibilidade” através de nós e “links”;
3- Bancos de Dados: representando o grau de “conectividade” das
estruturas de dados em termos relacionais, ou seja, entre tabelas,
campos e registros;
O tempo de processamento do sistema é função das seguintes variáveis:
1- Processamento Operacional: representando a “alocação dos programas e
dados” (software), em termos de processos, na memória do computador e
a operacionalização das requisições, em termos de “velocidade” e
“desempenho”, das SQLs, ou, qualquer outra forma de acesso aos bancos
de dados;
Transação = f( tempo de requisição, tempo de processamento), ou ainda:
Transação = f(Funcionalidade, Acessibilidade, Conectividade, Velocidade e
Desempenho);
188
2- A noção de valor adicionado pelo fluxo de dados :
A noção de fluxo de dados adiciona valor pela capacidade dos dados em
fluírem mais ou menos rapidamente através da rede, passando conhecimento,
valor e informação através de “nós” e “links” e recuperando custos de
implementação, operação e manutenção dos equipamentos. Resumindo,
fluxo é função:
1- da largura da banda dos equipamentos;
2- dos custos (implementação, operação e manutenção);
Fluxo = f( Banda, Custos);
189
A Noção da Largura de Banda
Significado
Segundo Cary Lu em “Largura de banda”
de 1999: “largura de banda é a
quantidade de informação que trafega de
um local para outro em um determinado
período de tempo”. Como podemos
perceber, essa noção está intimamente
ligada ao conceito de fluxo, porém, num
sentindo mais amplo. Por de trás dessa
idéia está o conceito de valor adicionado
pelo hiperespaço aos serviços e
produtos, ou, como conhecimento
estruturado pelas estratégias de programação podem, efetivamente,
tornarem-se informação e valor.
A tecnologia da informação oferece possibilidades em termos de
representação do conhecimento se for capaz de se tornar um veículo de mídia
com ampla capacidade de difusão, e não apenas como acanhados
equipamentos de programação com operações repetitivas.
Na verdade, a palavra chave no conceito de largura de banda é o de “fluxo de
processos inteligentes”, além de conhecimento, informação e valor. Desse
modo, os equipamentos de TV, rádio, telefone, modem, telefone celular,
computadores portáteis, ou ainda pagers, estão todos num contexto mais
amplo de radiodifusão da informação, não se restringindo a nichos, ou
grupos, mas objetivando o acesso de massas.
Importância
A importância da banda é essa capacidade de definir e representar a noção de
hiperespaço como um novo conceito de acesso de massa à informação e ao
conhecimento, transformando as idéias, meramente, técnicas de
processamento de dados do passado, em serviços e produtos interativos, os
quais, só existem, ou existirão, nesse contexto de rapidez, acessibilidade,
funcionalidade, velocidade e desempenho quanto ao que pode, ou deve, ser
apresentado na tela de um monitor, ou em outros equipamentos específicos,
que ainda nem foram criados, mas que genericamente representam, ou
representarão, objetos gráficos de mídia e comunicação.
190
Todas as sociedades estabelecem códigos para a regulagem do uso e acesso
das bandas de comunicação, tornando esse assunto vital para controlar
transmissões nacionais e internacionais, tanto de utilidade pública quanto
privadas. Nesse sentido, o hiperespaço da Internet está se tornando um
desafio, já que pela primeira vez o acesso à largura de banda de comunicação
não está restrito apenas a grandes empresas. Na Web uma simples página
torna-se um veículo de mídia, usando uma banda de comunicação com um
espectro muito mais amplo do que qualquer outra invenção, jamais, propiciou
antes, em termos de disponibilidades de massa.
Mesmo considerando a rivalidade existente no mercado para se estabelecer
controle sobre o hiperespaço através de redes telefônicas, de canais à cabo
ou ainda grandes companhias de telecomunicação, a verdade é que os
conceitos de conexões de redes de computadores, protocolos, interfaces
gráficas e bancos de dados estão abrindo possibilidades de comunicação
ponto-a-ponto entre usuários, que transcendem os serviços de mídia (TV,
rádio, jornais) hoje existentes.
Aliado a conectividade, propiciada pela largura da banda, está a interatividade
e a participação exercidas na troca de mensagens entre usuários, os quais
não se distinguem tanto pelo seu peso em termos de quantidades, e sim, mais
por suas necessidades próprias, gostos e desejos de se comunicarem,
passando a formarem um mercado com dinâmica própria de decisão,
julgamento, forçando a se reavaliar a própria noção de processos gerenciais,
e de tomada de decisão na área econômica.
191
Internet
Histórico da evolução dos meios de comunicação
Segundo Cary Lu: “ A história da largura de banda sempre foi uma incessante
busca por algo mais, busca esta que continua até hoje. Todos sempre
quiseram transmitir mais informação em menos tempo, e é provável que
nunca fiquem totalmente satisfeitos. Quanto mais informação recebemos,
mais queremos” [do livro “ A Largura de Banda”].
O histórico da evolução dos meios de comunicação é o registro do constante
esforço dos seres humano para reduzir suas tarefas de locomoção e
comunicação; quer seja através da criação de meios de transporte; quer seja
através de meios e sistemas de sinalização. Do início até hoje, a história da
civilização tem sido uma constante evolução do conceito do analógico de
comunicação, criando artefatos para capturar ondas contínuas de
transmissão de sinais, até a idéia atual do modelo digital de processamento
binário.
Desse modo, passamos dos despachos por cavaleiros velozes, tambores e
sinais de fumaça, até atingirmos o telégrafo o telefone, o rádio, a televisão até
chegarmos as atuais redes de computadores digitais. O preço e o custo da
transmissão de mensagens decresceram na ordem inversa dessa evolução
tecnológica, capacitando, hoje, o envio de pacotes de mensagens a preços
nunca antes imaginados. Por esse motivo, a largura do canal de transmissão
da comunicação tem se mostrado tão importante. Assim, rios, mares,
estradas, vias expressas e torres de transmissão encontram sua evolução
máxima nas atuais transmissões via satélites, microondas, aviões
supersônicos e foguetes.
As diferenças entre os modelos analógico e digital
A largura e a capacidade dos meios de transmissão de mensagens estão
associados à noção de capacidade física do espectro de radiodifusão, assim,
temos diversas medidas da capacidade para os diversos meios analógicos de
transmissão, tais como para:
1- radiodifusão: a largura da banda, ou do meio de transmissão, nesse tipo
de serviço tem a finalidade de evitar interferências no envio uni-direcional
de sinais;
192
2- linhas de telefone: o meio de transmissão dos sistemas telefônicos são
pares de fios de cobre saindo de uma central de comutação, unindo
transmissores e receptores;
3- televisão: Os sistemas de televisão usam vários meios de transmissão de
sinais, emitindo-os a partir de centrais geradores, sendo capturados por
torres e aparelhos receptores, ou ainda, enviando-os através de sistemas
de cabos coaxiais telefônicos;
A transmissão analógica, nesse
sentido, resume-se a transmissão de
sinais contínuos a partir de centrais, os
quais são modulados numa certa
freqüência para serem retransmitindo
na forma de ondas de sinais por
retificadores, filtros de linhas, até
atingirem os aparelhos receptores que
os captam e amplificam, recriando a
mensagem enviada. Portanto, os sinais
analógicos dependem, quase sempre,
da qualidade da central geradora, dos
retificadores de linha e acima de tudo
da capacidade dos aparelhos
receptores.
Eles, também, estão associados ao envio de mensagens truncadas que
precisam constantemente serem recriadas, retificadas, ou protegidas, quanto
a distorções, deteriorações e ruídos. O modelo analógico é a própria
caracterização dos conflitos gerados pelas máquinas formadas por
engrenagens e polias que encontram na transmissão eletrônica o aumento de
sua capacidade de processamento, sem no entanto definir um novo modelo
operacional, ou ainda, estruturar , ou definir, a transmissão de dados no
sentido processual do modelo digital.
O modelo digital, por outro lado, além do aspecto físico da transmissão das
mensagens, o formato binário “normaliza” o caráter aleatórias das ondas de
transmissão analógica, carregando um conceito de estrutura de dados
embutido.
Nesse sentido, pacotes de mensagens, no ambiente digital, são dados
definidos por registros e campos de tabelas que podem, ou devem, ser
manipulados para recriarem, não apenas a mensagem enviada em per si, mas
também, uma rede de relações estruturais e decisões lógicas, fazendo com
que o modelo digital, principalmente, aquele reformado por redes de
computadores tenham um aspecto analítico, de como a informação é
estruturalmente e forma conhecimento, assim como, um outro lado funcional,
de como dados são transmitido e operacionalizados.
193
As máquinas que participam desse modelo digital têm sempre um aspecto
inteligente, no sentido de poderem tomarem decisões próprias, alterando,
quando necessário, o curso dos eventos das transmissões para minimizar
erros de mensagens, informação e valor.
O Modelo de comunicação na Internet
A Internet é mais do que a configuração de redes de computadores através de
monitores, placas, cabos, roteadores, bridges e hubs. Na verdade, a Internet
vai, aos poucos, se constituindo numa rede de comunicação com
características próprias de mídia, preocupando–se em desenvolver um
modelo próprio para a difusão de vídeo, áudio, assim como na comunicação
ponto-a-ponto entre seus usuários. O desafio da Internet, atualmente, é
constituir esse modelo de como o hiperespaço adiciona valor aos seus
diversos aspectos de transações.
Modelos de comunicação em uso na Internet
A grosso modo, a Internet desenvolveu os seguintes modelos de
comunicação:
1- o paradigma de loja virtual: esse modelo tem sido usado no aspecto
comercial, permitindo que as transações entre produtores e consumidores
sejam feitas “on-line, exponham, vendendo e comprando produtos e
serviços;
2- o paradigma da informação: esse modelo tem sido usado para divulgar
notícias em tempo real, competindo como a mídia escrita, tais como jornais
e revistas;
3- o paradigma do quadro de aviso: esse modelo tem sido usado, meramente,
para divulgar e fazer marketing de produtos e serviços, simplesmente,
expondo avisos, letreiros ou faixas promocionais;
4- o paradigma da sala de aula: esse modelo tem sido usado para divulgação
e difusão de tópicos de interesses educacionais e científicos, requerendo
interação dos usuários com o intuito de ensino à distância.
5- O paradigma de investigador particular: esse modelo tem sido usado para
servir como mecanismo de busca de informação, permitindo que os
usuários localizem assuntos e tópicos de interesse particular;
6- O paradigma de radiodifusão: esse modelo tem sido usado no mesmo
sentido da rádio difusão para enviar mensagens de vídeo e áudio, criando
programas de acesso à música e multimídia;
7- O paradigma de trocas interativas: esse modelo tem sido usado para
permitir aos usuários trocarem informação interativamente entre grupos
de interesses particulares;
8- O paradigma de mensageiros: esse modelo tem sido usado como veículo
de transmissão de informação no mesmo sentido dos correios;
194
9- O paradigma de bibliotecas virtuais: esse modelo tem sido usado para
recriar o mesmo acesso à bibliotecas públicas, criando catálogos e
enciclopédias para consultas por índices e assuntos;
10-O paradigma de leilão: esse modelo tem sido usado para ofertar-se
livremente produtos e serviços recriando a idéia de leilões, ou ainda, de
pregões, com possibilidades de investimentos “on-line”;
11-O paradigma burocrático: esse modelo refere-se a serviços institucionais
de apoio e informação aos cidadãos , substituindo os serviços
burocráticos institucionalizados no setor público e privado, tais como
pagamento de impostos e acesso a serviços bancários;
Cada mídia tradicional, tal como a televisão, o rádio, os jornais e as revistas,
ou ainda, os meios tradicionais de comunicação, como os telégrafos, os
correios e mensageiros, todos têm um modelo próprio de tarifação, onde é
claro como custos de implementação, operação e manutenção serão
recuperados, definido um preço caraterístico para cada tipo de serviço
prestado.
Na Internet, esse é o desafio, definir um modelo de tarifação , onde fique claro
qual o serviço prestado e como ele pode ser cobrado. De um modo, ou outro
isso ainda não é claro. Por um lado, temos o conceito de provedores de
Internet que cobram por acessos, ou conexões ao sistema. Por outro existe a
resistência dos usuários em serem tarifados por cada página ,ou portal, que
acessem.
Como a informação está fragmentada nos modelos descritos acima, está cada
dia mais difícil conceituar-se tarifação, ou medir como um serviço na Internet
pode ser remunerado. Os modelos de lojas e leilões virtuais têm sido os mais
bem sucedidos já que reproduzem sem muita ambigüidade transações
comerciais.
O desenvolvimento futuro da Internet está, atualmente, dependente da
solução desse gargalo de representação de transações comerciais. Assim ela
haverá de se definir; ou como um modelo de radiodifusão, onde quem
remunera os serviços são os anunciantes; ou como no modelo de mídia onde
se paga pela informação comprada; ou como um modelo de diversão geral,
onde se compra bilhetes de acesso; ou, ainda, como no modelo de serviços
por cabo, onde se paga uma tarifa única e se acessa vários canais;
195
Infovias
A Internet, como podemos perceber, é
representada por um conjunto de
equipamentos de redes que têm na ponta
do usuário as páginas de um portal de
comunicação, apresentando vários tipos
de serviços. Tudo, no entanto, começa
com o computador e o modem, discando
para um provedor de Internet, ou através
de acesso direto de placas de
comunicação em serviços de alta
velocidade.
Dos computadores servidores dos provedores, a informação segue vários
caminhos, roteando-se entre diferentes sistemas de computadores, ou de
telecomunicação. Desse modo, as mensagens podem seguir por redes de
cabos coaxiais ,ou de fibras óticas, das redes telefônicas, ou, ainda, através
de transmissões via microondas, ou via satélite.
Para a evolução do modelo digital, como aqui apresentado, além dos aspectos
de representação do conhecimento, será preciso configurar vias expressa de
comunicação em bandas de espectro largo, para que os usuários possam
compartilhar dados de uso diário, terem acesso à informação, participarem de
treinamentos à distância, eliminarem papéis e procedimentos burocráticos,
participando mais intensamente de decisões comunitárias e de cidadania.
196
Equipamentos
O Ambiente TecnológicoCliente-Servidor
Introdução
A organização de uma plataforma tecnológica
cliente-servidor precisa ser capaz de estabelecer
um equilíbrio entre as necessidades do ambiente
interno das empresas, e o surgimento contínuo de
novas tecnologias, ou novos paradigmas na
organização do trabalho, Três áreas podem ser
mencionadas como base para se criar essa
plataforma organizacional:
1- Redes de computadores: a contínua expansão
de redes públicas e privadas de comunicação; a
existência de diferentes equipamentos (hardware
e software) estão exigindo por parte das empresas
uma política de conectividade.
2- Bancos de dados: o fato de que informações relevantes para a tomada de
decisão precisam ser armazenadas, recuperadas e manipuladas, exigem
meios pelos quais dados possam ser administrados e guardados de modo
seguro, assim como, tornarem-se acessíveis a um número maior de
pessoas em diferentes localidades de trabalho.
3- Estações de trabalho: não apenas os programas de computadores são,
cada vez mais, os responsáveis por tarefas de coordenação e tomada de
decisão, mas também, as estações de trabalho ganham a cada dia
inovações tecnológicas que exigem mais do que serem terminais
passivos. Os custos decrescentes dos equipamentos da tecnologia da
informação, cada vez mais sofisticados, possibilitam a delegação de
tarefas, procedimentos e processamento de dados para estações locais, o
que está exigindo planos de conectividade e estratégias de integração em
rede de diversos tipos diferentes de “hardware” e “software”.
Na verdade, pode-se chamar essa nova plataforma organizacional como o
ambiente cliente-servidor. No centro dessa plataforma está o conceito de
conectividade, não como um elemento que apenas interliga computadores
através de cabos e programas de computadores (software), mas como um
elemento que define normas de uso e estratégias para aumentar a
produtividade, adicionando “valor” aos serviços e produtos.
A palavra conectividade dentro dessa perspectiva de um ambiente cliente
servidor está exigindo:
197
1- A definição de estratégias para o uso de diferentes tipos de computadores
que vão atuar como clientes, ou servidores;
2- A definição de topologias para se conectarem computadores em rede;
3- A definição de estratégias para se interligarem redes de computadores;
4- A definição de cabos e equipamentos conectores de telecomunicação, seus
limites e âmbitos de atuação;
5- A definição de parâmetros e modelos de transmissão de dados em redes
através de protocolos variados;
6- A definição de gerenciadores de bancos de dados para a administração de
dados corporativos essenciais à tomada de decisão;
7- A definição de ferramentas para o desenvolvimento de sistemas que visem
diferentes sistemas operacionais, diferentes formatos de bancos de dados e
a reengenharia de processos organizacionais.
198
Arquitetura no Uso da Tecnologia
Representações dos equipamentos
O conjunto tecnológico que está, hoje em
dia, formando-se dentro das
organizações não promovem apenas a
automação de serviços, mas a definição
de novas estratégias de como prover
serviços. Esse conjunto tecnológico
precisa ser visto dentro um contexto
lógico e coeso, definindo, para tal, um
esquema de análise de suas
componentes analíticas e funcionais. O
objetivo é que não se perceba apenas
equipamentos, mas o conjunto:
equipamento; estratégias; instalações
físicas, e objetivos de negócio, como um
conjunto estruturado, articulado e inteligente.
A perspectiva analítica
O desafio, atualmente, é perceber como as “novas tecnologias” adicionam
valor à cadeia produtiva ou ao produto final. O pano de fundo dessa questão
é a mudança de perspectiva de uma sociedade industrial para uma sociedade
de serviços e informação.
Se na sociedade industrial, trabalho adicionava valor aos produtos como
elemento de produção , pondo-se em conflito com a moeda ( ou capital), na
sociedade de serviços conhecimento, “adiciona” valor aos produtos, pondo-
se em conflito com a informação. Informação e conhecimento, portanto, são
os dois elementos que, modernamente, servem de conflito para essa nova era,
ou como se está convencionando chamar “nova economia.
Como foi dito antes, esse é o desafio como identificar esse novo “conflito”,
avaliando como conhecimento pode adicionar valor ao produto,
transformando informação em um ativo empresarial de investimento para
alavancagem de juros e custos.
O conjunto tecnológico, aqui chamado de tecnologia da informação, pode ser
analisado como capaz de adicionar “valor” de conhecimento (ou seja
informação) em três níveis, através do:
1- enfoque empresarial, avaliando-se como equipamentos criam
oportunidades como ferramentas competitivas de mercado, ou , ainda,
199
como eles interferem logisticamente na cadeia produtiva, redesenhando
processos que assumem o ponto de vista dos cliente;
2- enfoque do cliente, avaliando-se como serviços automatizados, ou
inteligentes, aumentam, ou diminuem sua capacidade de acessar a linha
de produtos e serviços da organização;
3- enfoque tecnológico, avaliando-se como equipamentos de conexão, tais
como, redes de computadores, cabeamento, aplicativos e bancos de
dados formam uma unidade lógica nas transações de serviços;
A perspectiva funcional
Se o enfoque empresarial, e o do cliente, são tratados em conjunto como
novas estratégias, (ver seção estratégias dessa palestra); o enfoque
tecnológico é a infra-estrutura que estabelece uma ligação inteligente entre
equipamentos e objetivos de negócio. Portanto, seguindo essa abordagem,
redes de computadores não são apenas nós e “links” entre equipamentos,
mas formam uma unidade lógica coesa chamada hiperespaço.
Essa “virtualidade”, desse “novo espaço” criado pela conjugação de redes de
equipamentos e redes de representações estruturais inteligentes, é,
exatamente, o que está adicionando um novo conceito de valor agregado aos
serviços e produtos.
Esse conceito de valor agregado “virtual” é o que está sendo introduzido
como uma nova variável econômica nas transações de negócio através de:
1- conexões: a palavra conexão, aqui, assume uma outra perspectiva. Na
verdade, é a capacidade de redes e equipamentos, em conjunto com
programas de computadores, representarem uma unidade lógica e física
coesiva na estruturação do conceito de conhecimento à tomada de
decisões inteligentes. A missão da conexão é criar, por assim dizer, a
virtualidade, ou, o novo valor agregado em que se baseiam as operações
realizadas nesse “hiperespaço”; criado pela conjugação de cabos,
servidores, computadores, roteadores, sistemas operacionais, protocolos
de comunicação, aplicativos e interfaces gráficas.
2- Bancos de dados: o valor agregado pelo hiperespaço, para que tenha esse
sentido econômico, precisa ser avaliado, ou contabilizado, para se poder
medir o quanto ele adiciona, exatamente, a um produto, ou serviço, no
tempo e no espaço. A missão dos bancos de dados, nesse sentido, é o de
gerenciar transações de negócios, avaliando disponibilidade, modos e
tipos de acessos, assim como, métodos e processos. Desse forma, a
estrutura de dados avalia informação e valor do conhecimento embutidos
no desenho e configuração de processos, definindo inovação e vantagem
competitiva.
200
Avaliação das Características da Tecnologia da Informação
Redes corporativas
O desenho conceitual de uma rede de
computadores, não reflete a
complexidade do ambiente cliente-
servidor, onde diferentes setores de uma
organização são conectados através de
diferentes equipamentos com diferentes
sistemas operacionais.
O desenvolvimento de aplicativos que
reflitam o caráter processual do
gerenciamento de empresas, nessas condições, requer a integração de
diferentes plataformas em diferentes localidades através de uma rede
corporativa. Nesse caso, uma rede corporativa não difere apenas em tamanho
de uma rede local (LAN), mas também, requer uma habilidade de integrar
equipamentos, definir padrões, potencializando, assim sua capacidade de se
comunicar com sistemas externos integrados à Internet.
Essa capacidade de integração de diferenciados equipamentos e
comunicação em redes definirá a base do valor agregado aos processos,
sendo , portanto, a peça chave para se medir o valor da informação gerada no
“hiperespaço” da organização
Características dos equipamentos
Para a avaliação de uma rede corporativa existem duas perspectivas: uma
considerando os programas de computador (software), e outra os
equipamentos de rede e conexões (hardware).
Avaliações dos programas (software)
Uma grande corporação, tipicamente, terá na sua infra-estrutura tecnológica
diversos tipos de equipamentos já instalados, tais como “mainframes” IBM,
usando a arquitetura SNA de conexão; DEC VAX computadores de médio
porte, usando arquitetura DECnet; computadores com sistema UNIX
conectados através de protocolos TCP/IP; Macintoshes, comunicando-se
através do dialeto Appletalk; e ainda, computadores PC, usando redes locais
do tipo 3COM, LAN Manager, Banyan Vines.
Essa diversidade de sistemas, eventualmente, estarão conectados através de
placas de rede Ethernet, Token Ring, ou ainda, FDDI. A filosofia de uma rede
corporativa é capacitar computadores PCs, ou estações de trabalho
201
(workstations), acessarem os recursos alocados em diferentes sistemas
operacionais, como mencionados acima de uma maneira transparente aos
usuários.
Em suma, um aplicativo desenhado para uma rede corporativa precisar
oferecer essa mesma transparência oferecida pelos equipamentos,
possibilitando que suas instruções possam ser compreendidas através de
diferentes sistemas operacionais. Portanto, uma programa de computador,
nessa condições, requer considerações, não apenas quanto a sua estrutura
de codificação, mas também, quanto aos protocolos usados em diferentes
sistemas.
Os protocolos mais importante a serem considerados:
1- TCP/IP.(Transmission Control Protocol)/(Internet Protocol): originalmente
desenvolvido pelo departamento de defesa americano , tornando-se o
protocolo mais usado, especialmente em “open sistems” (sistemas
abertos). TCP e IP, na verdade, são dois protocolos diferentes com funções
diferentes, mas que trabalham em conjunto;
2- NetBios. Network Basic Input/Output System. É um protocolo IBM
desenvolvido redes Microsoft;
3- IPX/SPX. Internet Packet Exchange/ Sequenced Packed Exchange. Esse
protocolo foi desenvolvido pela Novell;
4- SNA. System Network Architecture: É um protocolo desenvolvido pela IBM
e tem sido muito usado para se conectarem equipamentos aos
“Mainframes”.
5- DECnet. Digital Equipament Corporation Network: É um conjunto de
protocolos desenvolvidos pela DEC (Digital Equipament Corporation);
O Padrão OSI de Protocolo
O modelo OSI (Open System Inteconnection) separa as atividades de
comunicação entre dois computadores em sete (7) camadas, tais como
demostrado abaixo:
1. Camada Física: transmite o fluxo dos “bits” de dados através do meio
físico das placas de conexão;
2. Camada Conexãodos Dados (Data Link): empacota os “bits” de dados para
transmissão, definindo um esquema próprio de endereçamento;
3. Camada de Rede (Network): endereça e envia os pacotes de “bits”,
passando-os de um nó da rede para outro, fazendo o roteamento entre
diferentes tipos de equipamentos de redes de computadores;
202
4. Camada de transporte: Recebe e envia os “bits” de dados, notificando o
usuário de erros na entrega;
5. Camada Sessão (Session): Estabelece, mantém e encerra a comunicação
entre computadores;
6. Camada Apresentação: Opera a “tradução” dos termos trocados na
comunicação entre diferentes sistemas;
7. Camada Aplicação: Refere-se ao aplicativo que conecta os programas dos
usuários das duas extremidades da conexão;
FDDI. (Fiber Distributed Data Interface): É uma interface de comunicação em
redes de alta velocidade, operando à taxas de 100 megabits por segundo. Um
de seus maiores atributos é servir de espinha dorsal (backbone) de um
sistema de rede para tráfego intenso e transmissão de imagens e multimídia.
Utiliza, principalmente, cabos de fibra ótica como cabo de transmissão.
Aplicativos utilitários: São aplicativos, que usando as APIs (aplication
program interfaces, ver seção interfaces) do sistemas operacionais dos
computadores conecta-se a vários serviços de correio eletrônico para prestar
serviço de mensageiro. Outros aplicativos, ainda, podem ser as SQL
(structured Query Languages, ver seção Programação- gerenciamento de
dados), os quais fazem uso das “RPCs” (remote procedure calls) para fazerem
chamadas remotas a sistemas de bancos de dados.
Em sistemas de múltiplas plataformas esses aplicativos utilitários permitem
recuperar, armazenar e trocar dados independentemente das formalidades
definidas pela camada de rede de diferentes protocolos. Cada aplicativo, na
verdade, possui sua própria API, que são, em verdade, procedimentos de
chamada (procedural calls), os quais permitem aos programas comunicarem-
se com um sistema de banco de dados (DBMS), por exemplo.
Avaliação dos Equipamentos
Uma rede corporativa precisa preencher dois requisitos:
1- definir uma maneira de se transferir “informação” entre diferentes
equipamentos de comunicação;
2- ser capaz de se interconectar a uma grande variedade de topologias de
rede;
Na sua forma mais simples, um sistema de redes são placas de conexão
implementadas dentro dos computadores formando redes locais (LANs), as
quais, através de pontes (bridges), roteadoras (routers) e talvez uma
203
combinação dos dois, permitem que dados circulem em diferentes sistemas,
fornecendo uma unidade lógica e física para o uso de redes de computadores.
Numa instalação típica, diversas redes são inter-conectadas unindo
departamentos, filiais, computadores de clientes e de fornecedores,
requerendo para isso uma variedade muito grande de equipamentos que
precisam ter em comum os seguintes critérios, para uma perfeita integração
lógica e física:
1- precisam garantir a confiabilidade dos serviços;
2- precisam ser eficientes e rápidos;
3- precisam estar habilitados a selecionar o melhor caminho de comunicação
entre duas redes;
4- precisam estar habilitados a definir quem fala com quem;
5- precisam estar habilitados a identificar problemas de comunicação na
rede;
6- precisam ser sensíveis às regras de comunicação de diferentes
protocolos;
7- precisam ser transparentes e fáceis de se utilizar;
Concluindo, uma rede corporativa pode ser vista como uma coleção de
equipamento e programas de computadores capazes de formarem um
conjunto lógico e físico coeso, através de:
1- Pontes (bridges): equipamento que conecta dois segmentos de rede de
diferentes mídias, por exemplo um segmento usando cabo coaxial e outro
fibra ótica;
2- Roteadora (routers): equipamento que conecta duas redes usando
topologias diferentes (ver seção redes);
3- Gateway: equipamento que conecta uma rede local (LAN) a um outro
sistema maior. Eles operam na camada mais elevada do protocolo OSI,
definindo um programa aplicativo capaz de conectar diferentes
arquiteturas de rede;
4- Hubs: equipamento simples de conexão entre dois pontos de uma rede, os
quais podem ser apenas dois computadores PC, por exemplo. Na sua
forma mais sofisticada, podem formar um painel de controle de uma
pequena seção de rede;
Acesso remoto
Existem dois modos de se estabelecer uma conexão remota:
204
1- permitindo que um computador assuma controle de outro através da linha
telefônica, usando um modem;
2- permitindo que nós remotos de uma rede sejam usados como nós de uma
outra rede cliente;
205
Transações e Processosno Ambiente Corporativo
Transações e Processos
Modelos de transação são pouco
estudados, ressaltando-se o trabalho de
Ahmed Elmagarmid em “Database
Transaction Models for Advanced
Application”. Na verdade, o modelo de
transação é a peça chave na estruturação
da representação dos equipamentos,
unido a perspectiva lógica e física de
equipamentos e aplicativos em um
sistema de avaliação integrada de
conhecimento, informação e valor.
Nesse sentido, um modelo de transação não é apenas uma conceituação
lógica que garante a confiabilidade e a segurança de dados num sistema de
gerenciamento de banco de dados (DBMS, ver seção banco de dados). Esse
modelo tem a missão de definir como conhecimento é representado pelas
relações semânticas e de inferência da estrutura de dados; quer sejam eles
pacotes transmitido pela rede, ou valores contidos num banco de dados.
Nesse sentido, transação significa informação e valor.
Por exemplo, num caixa eletrônico, usando uma rede de alta velocidade de
comunicação de dados (ATM), oferece um serviço de saque eletrônico, onde
o usuário realiza uma operação que se completa, ou não, imediatamente ,
dependendo de seu saldo. Em outros tipos de serviços, esse não é o caso,
quando o usuário precisa do consentimento , ou a liberação de outras partes,
seguindo uma cadeia de comando de liberação. Por exemplo, quando um
funcionário requer um serviço corporativo que depende da aprovação de
várias pessoas numa cadeia de comando.
No entanto, em ambos os casos o valor apreciado, ou depreciado é , ou foi, o
tempo que se levou para que uma transação de negócio (saque eletrônico , ou
serviço corporativo) fosse processada e completada. Então, acessibilidade
compõe-se com tempo de entrega, definindo diversos modelos de transações
de como valores podem ser apropriados para se tornarem ativos
empresariais.
Um modelo experimental de transação
Para um serviço genérico, dependente de uma transação através de uma rede
corporativa , realizada usando um aplicativo (API) que acessa um banco de
206
dados via uma SQL, o objetivo é prover um serviço o qual requer as seguintes
formalizações:
1- Anotar o pedido do cliente;
2- Arquivar o pedido num livro de pedidos;
3- Apresentar o documento apropriado de requisição de serviço ao cliente;
4- Rotear o formulário de pedido a quem provê o serviço;
5- Coletar a autorização do provedor;
6- Despachar o formulário de volta ao cliente;
7- Disparar os mecanismos que, efetivamente, entregam o produto , ou o
serviço, ao cliente;
Nesse caso, as operações de transações foram de duas ordens. Aquelas
referentes ao sistema de bancos de dados (DBMS) e aquelas referentes ao
controle de processos da organização. Vejamos abaixo as especificações de
cada um:
Operações de transação do DBMS (banco de dados):
Essa operações referem-se, basicamente, à capacidade dos usuários em
inserir, eliminar e modificar dados num banco de dados corporativo de
múltiplos acessos, gerenciando a requisição do cliente para:
1- identificar-se arquivos, registros e campos;
2- identificar-se o usuário e compartilhar certos grupos de dados, ou
registros;
3- identificar-se o usuário e balancear conflitos entre diferentes usuários;
4- identificar-se padrões e modelos de acesso e operação de banco de dados;
5- identificar-se e controla-se a redundância de dados;
6- identificar-se e manter-se a consistência dos dados;
7- identificar-se e manter-se a integridade dos dados;
8- identificar-se e preservar-se a segurança do dados;
Operações de transação dos processos organizacionais:
Essas operações referem-se à capacidade do sistema em gerenciar vários
processos organizacionais ligados a requisição feita pelo usuário, definindo,
para isso, como equipamentos métodos e processos formariam uma unidade
207
lógica coesa. Para se atingir esses objetivos, é preciso definir-se transação
como um núcleo comum de operações que transmitem informações em meios
diversificados, transparentemente ao usuário.
Vejamos a figura abaixo:
Esquema de um Modelo de Transação
Podemos ver que transações, nesse caso mostrado acima, significa uma
conjugação de equipamentos de redes, aplicativos, unidades operacionais da
organização, assim como, regras de gerenciamento de bancos de dados
(DBMS).
Ciclos de transação numa requisição de serviço
Dois ciclo genéricos podem ser definidos para se definir um modelo de
transação na requisição de um serviço:
1- As funções de transação: são aquelas associadas ao próprio ciclo do
pedido e representa a soma total dos tempos gastos no processamento
das funções de requisição de serviço, tais como:
a- funções e procedimentos para um pedido de serviço;
b- funções e procedimentos para a validação das operações de concessão
do serviço;
208
c- funções e procedimentos para a autorização na concessão do serviço;
d- funções e procedimentos para a requisição de um serviço;
e- funções e procedimentos das interfaces, locais, serviço-cliente;
O tempo total para a requisição de um serviço pode, assim, ser definido como:
TRS = Função( Tfn , Tpn) = tempo gasto para se realizar cada função e
procedimento;
Funções de transação no ciclo de um pedido
2- processos de transação: são aqueles que definem como o sistema reage
ao usuário providenciando, ou não, o serviço pedido. Ele representa a soma
total do tempo gasto pelo sistema na entrega de um serviço
(TDS), ou seja: TDS = Somatório Tpn , onde Tpn = tempo gasto pelo sistema
em cada processo;
209
Processos de transação no ciclo de um pedido
O desempenho geral do sistema tentará minimizar o “Tempo Total de
Processamento” (TTP), que na verdade é função da combinação da (TDS)
soma total dos tempos gastos pelo usuário para realizar os procedimento
padrões de requisição , e , a (TRS) soma total dos tempos gastos pelo
sistemas em processar o pedido.
Matematicamente esse modelo de transação poderia ser expresso através da
programação linear como:
Avaliação de bancos de dados
O modelo cliente-servidor, como está sendo visto aqui, é baseado no princípio
do processamento distribuído, ou seja, o processamento de dados ocorre em
estações servidoras ou clientes alternadamente. Essa abordagem explora o
uso de interfaces gráficas implementadas em computadoresPC , assim como,
sua capacidade em acessar dados remotamente. Portanto, é preciso ter-se em
210
mente os seguintes critérios de avaliação de equipamentos e bancos de
dados:
1- aumento da produtividade no desenvolvimento de aplicativos ou
processos corporativos: os equipamentos de informática estão baixando
de preço, porém, a demanda por novos aplicativos com complexas regras
de negócios está aumentando. É preciso, ao se decidir pelo uso de bancos
de dados num ambiente cliente-servidor, avaliarem-se os seguintes
parâmetros de produtividade:
a- esse banco de dados oferece ferramentas gráficas para o
desenvolvimento rápido de aplicativos ?
b- em que contexto do ambiente organizacional, os equipamentos
aumentam a qualidade dos produtos e serviços ?
c- qual é o planejamento dos custos de manutenção e operação de
sistemas criados para esse ambiente? Existem equipes treinadas em
redes e bancos de dados?
d- como os aplicativos existentes serão aproveitados? Avaliou-se os
programas fonte; os formatos de dados; e as possibilidades de
integração entre aplicativos antigos e novos?
2- Avaliação do impacto do processamento distribuído na rede: é importante
ter-se me mente que o modelo de processamento distribuído aumenta o
tráfego na rede, forçando o redimensionamento de placas, cabos e
estações servidoras e clientes, assim como, uma reavaliação do esquema
de distribuição do próprio processamento de dados;
3- Considerações sobre o desempenho dos aplicativos de bancos de dados
em rede: é importante saber se o banco de dados a ser usado vem com
um sistema “Query” para interrogar tabelas, ou o acesso se fará por
programação. No caso da última alternativa, é preciso definir que modelo
de acesso será empregado; indexado ou seqüencial. A melhor alternativa
é, quase sempre, feita empiricamente, o que soma tempo e recursos;
4- Considerações sobre a capacidade dos bancos de dados de recuperar
dados e promover sua integridade: a integridade dos dados está ligada a
capacidade do sistema em recuperar dados devido a falhas inesperadas.
Assim, o programa deve ter rotinas que prevejam o que fazer m caso de
interrupções abruptas. Dever-se, também, ter-se em mente que em ambiente
cliente-servidor falhas nas estações clientes, ou servidoras, estão
relacionados a cabos, placas e gerenciadores de redes, ou seja, não estão
centralizados. Nesse contexto de ambiente é muito mais difícil identificar-se
falhas e se recuperarem dados.
211
Estratégias
O Conceito de Estratégia
O Novo Estrategista
Desde o início de nossa civilização temos
estado preocupados com o conceito de
estratégia, associando-a à arte da guerra, do
exercício do poder e do estabelecimento de
regras.
Essas preocupações remontam a San Tzu,
em “A Arte da Guerra” de 500 A .C., e, mais
modernamente, com Maquiavel em “O
Príncipe” de 1500 A.D. Arte, guerra, poder e
normas, na verdade, são partes inerentes ao
conjunto de valores que estabelecem a
ordem de como vemos as coisas a nossa
volta, parte integrante daquilo que
entendemos por uma estrutura ordenada e
estética de significados.
Portanto, desde de tempos imemoriais, como
podemos notar, o que se está em jogo em
termos estratégicos é sempre a capacidade de compreendermos os
paradigmas da época em que vivemos, os quais nos levam a conflitos e
guerras, definindo, desse modo, poder , padrões e normas.
A Visão Clássica
No núcleo da análise estratégica está a noção de conflito, ou disputa, por um
conjunto de elementos que entendemos como significativo para definir
estruturas e valores. A moeda esteve por muito tempo no centro dessa
disputa. Do período inicial da nossa civilização até recentemente, o qual como
um todo podemos definir como o período clássico, estivemos numa ferrenha
disputa em busca de valores monetários, primeiro conceituando um valor
absoluto para as coisas, quando, então, a moeda esteve associada, a
estruturas metálicas, principalmente ao ouro.
Com a evolução da tecnologia, e consequentemente dos métodos de
produção, acrescentou-se à noção de valor monetário das coisas, o valor do
trabalho capaz de, como fator de produção, transformar matérias-primas em
produtos diferenciados.
212
Estratégias, nesse período clássico, estão associadas ao gerenciamento
desse conflito, moeda versus estruturas metálicas (ouro), e moeda versus
trabalho, formando um conjunto de valores que significavam, antes de mais
nada, controle e poder. São características dessa época, analisando desde
San Tzu até Maquiavel, a idéia de organização como máquina formada por
polias, engrenagens e correias de transmissão, e estratégias como guerras
competitivas, onde se buscava um equilíbrio estático, tentando se resolver
conflitos através da eliminação de uma das partes concorrentes.
A noção de inteligência, desse período, é de que um mecanismo estratégico
será capaz de resolver problemas, e de que sistemas modelam causa e
conseqüências; quer sobre a natureza; quer sobre problemas de ordem moral
e filosófica; quer sobre diversos aspectos econômicos, gerenciais e
administrativos.
As mudanças, pelas quais estamos passando, nesse momento de profunda
alteração de paradigmas na nossa civilização, é um esforço para se redefinir
como as coisas se reordenam à nossa volta, formando um novo conjunto de
valores.
As principais mudanças, no sentido de valores, em nossa época presente,
estão relacionadas à moeda, a qual se tornou apenas uma mercadoria,
perdendo seu valor significativo absoluto como elemento de reserva de valor
das coisas, e, também, a noção de trabalho como fator de produção que
adicionava valor as coisas. Não que moeda e trabalho desapareceram ,ou irão
desaparecer, mas é inegável que perderam seu peso significativo como
padrão de referência nessa nossa época de produção em massa, de redução
de custos, barateamento e amplo acesso aos produtos.
Essa chamamos aqui de a era moderna das sociedades de massas.
A Visão Moderna
No centro do conflito da sociedade de massas está o deslocamento da noção
de mais valor da moeda versus trabalho para o de conhecimento versus
informação. Informação, dessa maneira passa a ter uma representação
análoga que as moedas, ou preços, tinham antes, mas não como fator de
produção, e sim como elemento de mediação econômica no jogo de equilíbrio
dinâmico entre produtores e consumidores. Conhecimento, seguindo essa
análise, passa a ser o elemento que adiciona um “novo valor” ao conceito de
produtos de modo significativamente diferente.
Por certo a tecnologia esteve sempre por traz dessa evolução histórica de
valores que estamos apresentado aqui, porém, isso nunca ficou tão visível
quanto agora. Nunca levamos muito em conta de como a roda, as
embarcações, os métodos de navegação, a construção de casas formavam
uma parte importante nessesmecanismos de construçãoda ordem das coisas
213
como as vemos. Tivemos sempre a tendência de associarmos inteligência
como elemento marginal à constituição de um sistema de valores. Sistemas
de valores, sempre foram vistos como elementos de manipulação da
realidade, e inteligência como um processo unilateral de avanço, domínio, ou
controle, sobre a natureza, transformando coisas em elementos de uma ordem
rígida e mecânica.
Estratégias, nessa era das massas, significa, antes de mais nada, uma busca
intensa para se apropriar desse conceito polêmico e divergente de
inteligência, e nunca o papel da tecnologia ficou tão patente, como
atualmente, nessa nossa luta por uma nova conceituação de ordem e valores.
Então, se informação tem um valor econômico de mediação, em nossa era
atual, conhecimento é o que, fundamentalmente, lhe adiciona valor. A questão
aqui é definir o que entendemos por conhecimento. Valor é parte do
conhecimento quando deslocamos a noção de inteligência, de um elemento
apenas etéreo e conceitual, para uma prática ,ou exercício, capturável por uma
tecnologia.
Parece que em nosso processo civilizatório, a tecnologia passou a assumir
um papel relevante na definição de valores, associando-a à própria noção de
inteligência. Finalmente, estamos reconhecendo o papel, mais do que
significativo, que a tecnologia tem exercido em nossa evolução na procura
por entender ordem e arranjo da realidade ao nosso redor.
Estratégia como mediação
Protocolos da Inteligência
Se na era clássica organização era uma estrutura mecânica, e estratégia uma
guerra competitiva onde a tecnologia era apenas uma ferramenta; na era das
massas, organização é um sistema processual inteligente, e estratégia é um
elemento de mediação no gerenciamento de conflitos, onde a tecnologia
fundiu-se em protocolos de inteligência.
Em verdade, estamos nos aproximamos mais da natureza, e percebendo que
pertencemos a ela, e não o contrário. Nesse sentido, observamos da própria
natureza que a ordem da realidade está alinhada a uma estabilidade de onde
nada se perde; tudo se transforma. Assim, analisando a natureza, percebemos
que no núcleo dessa idéia nova de estratégias, baseadas em protocolos de
inteligência, está a noção de que perdas, na verdade, podem se constituir em
ganhos; inimigos (predadores e presas) colaboram e compartilham um
mesmo ecossistema, e se um desaparece o outro também.
Estratégias, na era moderna de massas, estão assumindo uma nova
proporção porque estamos percebendo o quanto a noção de conflito pode ser
214
sensível a definição não só da ordem à nossa volta, mas, também, de nossa
sobrevivência.
Missão estratégica
Gerenciamento de conflitos assume, nesse momento, o papel da mais alta
importância, não apenas para se definir estratégias, mas também, para se
entender o princípio básico da idéia de sistemas. Informação, como elemento
de mediação econômica de conflitos e estratégias de sistemas, deslocou-se
da noção de controle, para ser apenas um elemento regulador, sinalizador de
ganhos e perdas e direcionador de rumo a seguir.
Durante muito tempo, associamos estratégias a guerras, mas quase todas as
grandes civilizações humanas faliram não no campo de batalha, mas por
disfunção econômica, assim foi para o Império Romano e, mais recentemente,
para o Império Soviético.
Dessa forma, informação como um ativo econômico baliza sucesso e
insucesso nas avaliações de riscos e incertezas de como administramos
nossa história, a qual em verdade não segue uma meta determinada, mas é
,tão somente, um repetir de ciclos de apogeus e decadências.
Nossoobjetivo é esse, de angariar informação para subirmos, e ao chegarmos
ao um certo apogeu, lá permanecermos pelo maior espaço de tempo possível.
É nesse sentido que administramos e aplicamos estratégias, do modo que
possamos estender e melhorar nossas condições de vida para vivermos um
pouco mais. Embora saibamos que, no final, haveremos, de uma maneira ou
outra, de perder a guerra, não obstante, tentaremos, até o instante derradeiro,
vencer a batalha, negociando com as circunstâncias, e essa é a nossa
principal missão estratégica.
215
Estratégias & Tecnologia
216
O Valor Estratégico daInformação
Introdução
A informação tem o valor estratégico de representar conhecimento, tendo,
portanto, duas componentes uma econômica e outra estrutural.
A componente econômica da informação
A componente econômica da informação
expressa-se na sua capacidade de
representar valor a partir de transações
de negócios, usando a tecnologia da
informação. Essa tecnologia da
informação, como temos visto no
desenrolar dessa palestra, na verdade,
forma um ambiente cliente-servidor, não
envolvendo apenas máquinas, mas uma
visão estratégica de como vantagens
competitivas são geradas e criadas.
A noção de vantagens competitivas, como uma evolução da visão de fatores
de produção, decompõe o negócio e sua organização em processos que
possuem uma componente de custo, e outro de alavancagem na tomada de
decisão. Processos, nesse sentido, tem o objetivo de definir, e refinar, as
pressões exercidas pelos clientes, fornecedores e concorrentes, assim como,
a missão de transformar passivos financeiros em ativos de investimento,
possibilidade em realidade, acrescendovalor na avaliação do desempenho da
organização.
Existem algumas maneiras de se examinar um negócio para se avaliar a
componente econômica da informação, como por exemplo, através do
enfoque empresarial; do enfoque do cliente; e do enfoque da tecnologia.
O enfoque empresarial da informação
O enfoque empresarial avalia a capacidade da informação de medir o poder
de barganha dos clientes, dos fornecedores, assim como, a posição relativa
da empresa no mercado. O desenvolvimento de sistemas de informação, sob
esse ponto de vista, requer a compreensão clara de como as unidades e
departamentos agem integradamente em resposta às relações da organização
do mercado com sua cadeia produtiva.
O primeiro passo para a consolidação da tecnologia e da informação é
entendê-los como ferramenta para consolidação de objetivos de negócio.
217
Esses objetivos estão localizados no “centro de gravidade da organização.
Por exemplo, uma firma que produz remédios tem seu “centro de gravidade”
no departamento de pesquisa e desenvolvimento porque a criação de novos
produtos, nessa área, é fundamental para o constante reforço de sua posição
no mercado. Nesse caso a estrutura da organização deve avaliar sua relações
com esse centro de pesquisa e desenvolvimento (P&D), promovendo
consolidações, simplificações, otimizações tanto de modo direto como
indiretamente.
O Enfoque do cliente
O Enfoque do cliente avalia a capacidade da informação em medir as forças
competitivas de mercado, avaliando as influências internas e externas à
organização através da análise da cadeia produtiva e do centro de gravidade
econômico, assim como, das condições micro e macro econômicas em que
se situa.
As informações econômicas internas à organização avaliam o quanto
sistemas automatizados aumentam, ou diminuem, o grau de acesso dos
cliente à sua de linha de produtos e serviços. Esse enfoque do cliente tem
dois aspectos; um objetivo que mede as funções e configurações dos
sistemas de informação; e outro subjetivo, medido pelo grau de interatividade
proporcionada por interfaces gráficas, ou terminais de acesso.
O Enfoque da tecnologia
O enfoque estratégico da tecnologia avalia a capacidade da informação em
medir como equipamentos representam uma unidade analítica e funcional,
reproduzindo seus processos organizacionais como redes de programas,
servidores, roteadores e protocolos.
Então, dessa forma programas de computador são criados para reforçarem a
posição de uma empresa no mercado, reproduzindo as características de sua
cadeia produtiva em processos automatizados de tomada de decisão, os
quais aumentam a acessibilidade dos clientes à linha de produtos, facilitando
a entrega através de uma rede logística de computadores, e fornecedores em
parcerias estratégicas.
A componente estrutural da informação
218
A componente estrutural da informação é
a organização daquilo que chamamos de
“conhecimento” em protocolos
inteligentes que possam representar uma
visão analítica de como agem os
contendores no mercado,
independentemente dos processos
funcionais, para se implementar,
organizar e arranjar equipamentos e
estratégias.
Protocolos da inteligência
Os protocolos da inteligência representam o esforço de se mudar do modelo
mecanicista de polias e roldanas, para o modelo digital de processamento de
dados. Nesse aspecto, o valor estratégico da informação contida
estruturalmente nos processos automatizados dizem respeito a criação de
máquinas capazes de auto regulação, auto organização e mediação através
da:
1- representação da inteligência humana, replicando estruturas lógicas e
cognitivas através de símbolos que possam ser expressos por algoritmos;
2- representação da inteligência artificial dos autômatas, criando estruturas
semânticas de representações por classes hierárquicas;
3- representação da informação, criando mecanismos de inferências, cálculo
de predicados e proposições de sistemas especialistas;
4- representação da redes de equipamentos, recriando os mecanismos dos
protocolos de comunicação, definindo uma função analítica, e outra física,
para a operação, funcionamento e transmissão de dados;
Processos da inteligência
A implementação desses protocolos se dá através de vários mecanismos, os
quais acabam por se tornarem o cérebro pulsante e cognitivo das máquinas
no gerenciamento de processos inteligentes, tais como:
1- os mecanismos de instanciamento de objetos (ou polimorfismo): é a
capacidade das máquinas em criarem instâncias de processos (ou objetos)
219
dentro de classes semânticas, mas que podem se tornar um novo objeto
em per si;
2- os mecanismos de lógica difusa (fuzzy): é a capacidade das máquinas em
avaliar condições lógicas de incertezas e riscos, recriando não apenas a
noção de possibilidade, mas reforçando a idéia de autonomia ,ou ações
intencionais (teleologia);
3- os mecanismos da lógica recursiva: é a capacidade das máquinas em
processarem dados, ou objetos, recursivamente em busca de
componentes e variáveis, reproduzindo a idéia de aprendizado, memória e
capacidade cognitiva (som e imagem, por exemplo);
4- os mecanismos de representação simbólica: é a capacidade das máquinas
em reproduzirem símbolos, interpretando-os com um valor semiótico de
sinal com significância, expandindo, assim, a noção de representações
lógicas apenas por algoritmos mas, também, por possíveis combinações
de sinais lógicos.
220
Gerenciamento Estratégico da Tecnologia da Informação
A tecnologia da informação como ferramenta no planejamento de negócios
Como mencionamos antes, o ambiente
de negócios está mudando de
paradigmas; de uma visão orientada para
processos burocráticos para outro
voltado para o cliente. O gerenciamento
está focando na sua capacidade de:
a- prover maior acessibilidade a
produtos e serviços;
b- aumentar a capacidade de
resposta das organizações as
requisições dos clientes;
c- diminuir atrasos na entrega de
produtos e serviços;
A tecnologia da informação está produzindo não apenas novas estratégias
gerenciais para as empresas, mas também, está se tornando, ela própria, uma
nova estratégia bem definida de como se conquistar novas oportunidades de
negócios. McNurlin and Sprague, no livro “Information Systems Management
in Practice”, citam o estudo de caso sobre a empresa americana “Mead de
Papel e Celulose” como exemplo de como a tecnologia está influenciando a
maneira como o trabalho é organizado.
“...A empresa “Mead de Papel e Celulose” tem mais de 100 moinhos de
fabricação de papel, além vários escritórios de representação e centros de
distribuição por todo os EE.UU. Desde de 1970, ela atua, também, no mercado
de publicações eletrônicas, oferecendo o sistema NEXIS de informação
noticiosa “on-line”, e o sistema LEXIS de pesquisa em assuntos legais e,
ainda ,outros tipos de serviços de bancos de dados “on-line”. Em 1960, o
departamento de sistemas de informação, da Mead, era quem centralizava e
gerenciava o processamento de dados de toda a companhia. Por volta de
1967, o orçamento desse departamento de informação cresceu tanto que
acabou tendo sua funções repartidas em diversas divisões. Muitas dessas
divisões estabeleceram seus próprios departamentos de informação, porém,
todos continuaram a usar os bancos de dados centralizados da empresa. Em
1980, o gerenciamento da Mead compreendeu que a existência dessa
estrutura centralizada era contra-produtivo às necessidades do rápido
crescimento da industria de informática e da popularização no uso dos
computadores. Então, ela se decidiu tornar uma companhia baseada em
processos organizacionais eletrônicos automatizados, criando para tanto
uma rede corporativa de computadores. O diretor de serviços corporativos de
221
informação, a partir de então, passoua se reportar diretamente a alta gerência.
Essa nova estrutura passou a funcionar em 1984, e a empresa está satisfeita
com essa nova visão corporativa global de seus recursos de informação...”
A Tecnologia da Informação como ferramenta competitiva
“...Os dados macroeconômicos dos EE.UU sugerem que as firmas não têm
empregado a tecnologia da informação para mudanças significativas, tanto
quanto deviam...” Disse Thomas Devenport em seu livro “Process Inovation”
de 1993. Nessa época ele afirmou: as empresas que se preocupam apenas
com o aspecto tecnológico dos equipamentos, e não no de desenvolvimento
de aplicativos e programas de computador no desenho de novos processos
organizacionais são, na verdade, os responsáveis pela baixa participação da
tecnologia da informação no aumento da produtividade geral do país
(EE.UU)...”
Para se atingir os desafios, para os quais a tecnologia da informação foi
projetada, é preciso, antes de mais nada, ressaltar seu caráter de facilitador
nos processos de inovação e de tomada de decisão, analisando como ela
impacta a cadeia produtiva da empresa “adicionando valor”, e como ela
promove diferenciação e redução de custos nos produtos e serviços finais de
uma empresa.
Tecnologia promovendo diferenciação nos Produtos
Diferenciação nos produtos é para os economistas um indicativo de como os
clientes percebem imperfeições quando trocam um produto por outro.
“... Para reduzir a vantagem de diferenciação dos produtos de seus
concorrentes, assim como, reduzir seus próprios custos de transação de
estoque, a Honeywellexecutou uma estratégia audaciosa. Ela redesenhousua
linha de produtosestocados, trocando 18000 itimizações de partes por apenas
300 itens intercambiáveis. Feito isso a Honeywell se desfez de sua rede
própria de depósitos de estoques, trocando-os por um sistema de inventário
distribuído, onde os custos passaram a ser compartilhados com os
distribuidores. A participação da empresa no mercado dobrou e a venda de
seus produtos saltou 50%, enquanto que os custos de transação
declinaram...” (Do Livro “Information Systems Management in Practice”,
McNurlin and Sprague, de 1989).
Tecnologia promovendo liderança em custos
Liderança em custos pode ser representado por movimentos estratégicos
para se atingir objetivos, tais como:
1- aqueles que reduzem, ou evitam, custos para uma empresa, que de outra
maneira, iriam ser incorporados a estrutura de produção, ou serviços;
222
2- aqueles que ajudam tanto os fornecedores quanto os clientes a reduzirem
mutuamente custos , de modo que a empresa acaba por conquistar
posição e tratamento privilegiados de confiança no mercado, aumentando
com isso os custos dos competidores;
Charles Wiseman, em seu livro “Strategy and Computers”, de 1985, menciona
4 maneiras de uma organização aumentar os custos dos competidores:
1- através da especialização com o aumento na divisão do trabalho;
2- através da automação com o aumento na automação de tarefas e
processos;
3- através de poder de barganha com o aumento dos descontos por volume
de produtos vendidos;
4- através da experiência, quando uma empresa passa a ser reconhecida por
sua posição de confiança ganha dos clientes e fornecedores, aumentado
com isso seu poder de descontos acima da concorrência;
O Papel estratégico dos sistemas de informação
McNurlin e Sprague definem as duas maiores características dos sistemas de
informação: como sistemas competitivos e sistemas cooperativos.
Sistemas competitivos: são aqueles em que a empresa ganha fatia de
mercado porque os competidores não possuem um sistema similar;
Sistemas cooperativos: são aqueles em que as empresas trabalham em
cooperação com clientes e fornecedores através de sistemas eletrônicos do
tipo EDI (Eletronic Data Interchange) para trocas comerciais de dados
comuns, tais como, para pagamentos de fatura ,ou fazerem ordens
automáticas de pedidos, compras ou despacho de mercadorias.
223
A Definição de Uma PlataformaTecnológicaCorporativa
Introdução
Stuart E. Madnick, num de seus artigos
da coletânea do livro de Michael Morton,
“The Corporation of the 1990s”, de 1991,
define o conceito de uma plataforma
tecnológica corporativa dizendo: “ A
tecnologia da informação, incorporada
na plataforma corporativa de uma
organização, precisa estabelecer um
equilíbrio entre sua estrutura
organizacional e cultural, e as diversas
estratégias possíveis nos processos gerenciais de recursos humanos,
negócios e tecnologia.
Uma plataforma tecnológica corporativa precisa ser capaz de executar um
balanceamento entre os fatores que influem, tanto no ambiente externo
quanto no ambiente interno de uma empresa. Três pontos são importantes
para se definir uma plataforma desse tipo:
1- habilidade de comunicar, representar e fazer parte de uma unidade lógica
e funcional de uma rede de equipamentos;
2- habilidade de ser parte integrante de um sistema gerencial de banco de
dados, compartilhado dados com o sistema central , assim como com
outros usuários;
3- habilidade de ter uma representação gráfica em termos de interfaces
amigáveis usuário-computador;
No centro da questão de uma plataforma corporativa está a questão da
reestruturação do modelo de escritório, proveniente do século 20, que está
calcado no próprio modelo estrutural burocrático de Max Weber. Hoje em dia,
um escritório é uma combinação da tecnologia da informação com protocolos
inteligentes, os quais têm a missão de transformar esse modelo de escritório
tradicional, em um modelo de escritório inteligente. Esse processo é uma
combinação de tecnologias, pessoas e processos integrados e interativos.
Automação de escritório
Raymond McLeod e Willian Jones no artigo “A Framework for Office
Automation” de 1987, publicado na MIS Quarterly, apresenta uma exaustiva
investigação nesse problema de automação de escritórios, investigando e
224
entrevistando mais de 1400 executivos em diferentes setores industriais, tais
como, nas áreas de seguro, petróleo, energia, bancos e atacadistas. O
resultado é um interessante modelo de como “informação “, no seu sentido
burocrático impacta uma organização, fluindo da tecnologia que a originou
para os níveis hierárquicos de tomada decisão, veja os gráficos abaixo.
As conclusõesmostram, que o meio mais usadopara se transmitir informação
numa organização que segue um modelo burocrático de atividades são: as
chamadas telefônica, as cartas e os memorandos. As fontes primárias dessa
informação corporativa e burocrática, analisando os dados acima, são
representadas por transações internas à organização, principalmente aquelas
225
que acontecem entre gerentes e subordinados, e entre gerentes e outras
unidades de escritórios dentro da mesma organização.
Essa pesquisa mostra o quanto a burocracia tem se tornado um fim em si
mesma, tornado organizações em peças rígidas. A análise, tanto do fluxo
como do meio pelo qual a informação flui, mostra como estruturas
burocráticas estão voltadas para seus próprios interesses, e não aqueles da
organização, dos clientes, ou da sociedade.
Conclusões
Mercado Global
&
226
Como apresentamos nessa palestra, a economia globalizada é o resultado de
uma caminhada histórica rumo a uma sociedade de massas onde predomina
a classe média.
As necessidades de aumentos contínuos da produção para satisfazer as
necessidades sempre crescentes dessa nova classe dominante, que está
exigindo cada vez mais ascensão social e segurança, tem provocado o
colapso de sistemas rígidos de controles econômicos .
O panorama mundial mostra, então, que o movimento de capital e de
investimentos seguirá uma lógica competitiva que contará com a capacidade
de cada país de manter uma combinação ótima de:
1- Juros atrativos (mais elevados);
2- Preços baixos (de seus produtos de exportação);
3- Inovações tecnológicas (que anulem os preços mais baixos de outros
mercados);
4- Balanço de Pagamentos (superavitário);
5- Déficit Fiscal nulo ou sob controle (nível baixo de impréstimos do governo
central);
6- Inflação(como indicador de risco quanto ao valor dos juros e preços, alta
ou baixa).
Vantagem Competitiva no Mercado Global
Os mercados locais (dos países) são criados pelas ações de várias entidades
participantes da economia, tais como:
1- Governo: cujas atividades principais são: cobrar tributos, emitir moeda,
emitir títulos da dívida pública (de curto e longo prazo).
227
2- Famílias: cujas atividades principais são: receber salários, receber juros
de títulos comprados (curto e longo prazo), consumir produtos e poupar
renda, receber ou enviar capital ao/do exterior.
3- Empresas:cujas atividades principais são: comprar ativos (investimentos),
vender ativos (títulos de dívida de longo e curto prazo), acumular lucro ou
prejuízo, distribuir dividendos aos acionistas e proprietários, receber ou
enviar capital ao/do exterior.
4- Movimento das contas externas (Balanço de Pagamento): cujas atividades
principais são: receber ou pagar juros de investimentos ou emprétimos,
vender ou comprar títulos da dívida pública, vender ou comprar títulos de
dívida das empresas, aumentar/diminuir déficit das contas correntes,
aumento/ diminuição das reservas cambiais, receber ou enviar capital
ao/do exterior.
Portanto, Governo, Famílias, Empresas e o Balanço de Pagamento serão
guiados, em suas ações, pelas expectativas de risco e liquidez geradas pelos
juros (de longo e curto prazo interno); pelas taxas de inflação; pelas taxas de
câmbio; pelo déficit fiscal e pelo déficit ou superavit no balanço de pamentos.
Atividades do Governo, Famílias, Empresas e Exterior
23Podemos então selecionar 6 índices que serão importantes no
gerenciamento de negócios na atual conjuntura da globalização:
1- Juros- P1
2- Cambio- P2
228
3- Déficit/Superavit- P3
4- Movimento de Ativos (compra e Venda)- P4
5- Taxas de Riscos Externas- P5
6- Inflação- P6
7- Produtividade (Inovação Tecnológica)- P7
Poderíamos,então, definir um índice geral para cada país (INAC) como:
INAC função de (P1,P2,P3,P4,P5,P6,P7)
Portanto, para a economia globalizada, as decisões de investimentos seríam
uma alocação de recuros (capital) de acordo com os vários índices INAC de
cada país.
INVEST função de (INAC1,INAC2,INAC3,...,)
Modelo de Preferência do Investidor Estrangeiro
Obs.: Nesse modelo de preferência, o investidor aloca recursos de capital de
acordo com o índice de desempenho (INAC) entre 2 pais, quanto maior o
índice menor será a preferência.
Podemos concluir que o equilíbrio econômico desses fatores, em jogo no
cenário da globalização, dar-se-á mais em "função de apostas feitas em
pregões "(bolsas de valores, mercadorias,ativos), do que por "leilões de
229
mercado livre", quer sejam pelas compras de valores monetários (câmbio e
juros), quer sejam pelos preços dos produtos (mercadorias).
Mercado Local
&
230
Como foi dito no bloco "Mercado Global", os países constituem-se em
diversas entidades tais como: Governo, Famílias, Empresas, Balanço de
Pagamentos; formando,assim, o mercado local .
A visão econômica do mercado local constitue-se de um equilíbrio entre:
1- O Consumidor ( e suas estratégias de alocação de recursos, modelos de
preferência, e curvas de indiferença, funções de utilidade);
2- O produtor ( e suas estratégias de produção, custos, lucro, alocação de
recursos, competitividade, preços, marketing e predominância no mercado
monopolista ou de livre concorrência).
O equilíbrio, como mostrado na figura abaixo, é definido no ponto onde a
oferta (SS) encontra a demanda (DD), definindo o preço ótimo (competitivo)
quando tudo que se produz (Q1) será consumido ao preço (P1).
Equilíbrio - Curva de Oferta e Demanda
Atividades Empresariais:
As empresas refletem suas atividades empresariais no balanço patrimonial
(BP), definindo genericamente: Ativos (investimentos) e Passivos (capital
emprestados de 3º e capital próprio). Os ativos, como aqui apresentados,
refletem a capacidades das organizações em alavancar sobre:
231
1- os custos, vendendo o produto mais barato de acordo com os insumos de
produção;
2- os juros, criando rentabilidade lucro/vendas maior que aqueles pagos a
terceiros;
3- a informação, criando dados ( "Ativos Contábeis") que alavanquem sobre
custos e juros conjuntamente.
ATIVOS PASSIVOS
Produção:
Estoque Mercadorias
Estoque Materiais
Finanças:
Caixa
Investimentos
Imobilizado
Informação:
Investimentos
Projetos
Estratégias
Capital de 3º
Curtos Prazo:
Empréstimos
Tributos
Longo Prazo
Empréstimos
Tributos
Capital Próprio
Capital
Lucro/Prejuízo
Representação Diagramática do Balanço Patrimonial
Funções de Negócios
Como definido nessa palestra, as funções de negócios foram divididas em:
1- Produção: são aquelas referentes à constituição das funções de produção
e custos; dos programas de planejamento de vendas e compras de
materiais; dos programas de gerenciamento de estoques; da programação
de pazos a clientes e de fornecedores; dos programs de produtividade e
qualidade total.
2- Finanças: são aqueles referentes à constituição das funções de
gerenciamento de ativos (caixa, investimentos de longo e curto prozo e
riscos) e de gerenciamento contábel (auditoria, demostrações contábeis,
análises de índices).
3- Organização: são aquelas referentes à constituição de processos
gerenciais; organização da produção, do marketing, das finanças, de
estratégias competitivas e da estrutura de tomada de decisões.
4- Informação: são aquelas referentes a administração de bancos de dados,
redes de computadores, plataformas computacionais, interfaces gráficas,
232
organização estrutural dos dados e a definição de um valor para a
informação.
As Relações das Funções Organizacionais
Concluindo, o gerenciamento de empresas, nessa era da globalização, exige
um equilíbrio entre os fatores externos, tais como: juros, câmbio, déficit fiscal,
riscos e inflação; e os fatores internos das organizaçõestais como as funções
de produção, finanças, processos organizacionais e informação, como
mencionados acima.
Nesse sentido, a informação é o elemento de mediação que através da
tecnologia da informação cria valor para os dados organizacionais e os
transforma em “ativos contábeis”, alavancando sobre os custos de produção
e os juros passivos ( sobre o capital próprio ou de 3º).
Informação
A tecnologia da informação é um elemento de mediação no gerenciamento
das empresas porque tem a missão principal de gerar “ Ativos Contábeis” " a
&
233
partir dos diversos elementos ou índices financeiros, de produção e
processos organizacionais.
A informação gerada pela infraestrutura tecnológica tais como, bancos de
dados, redes de computadores, interfaces gráficas têm o propósito básico de
mediar a tomada de decisão, gerando estratégias que não devem ser
encaradas como modelos, mas como guia para a obtenção de resultados
particulares, os quais devem ser continuamente monitorados e alterados.
Nesse sentido, a infraestrtura da tecnologia da informação tem vindo , aos
poucos, substituindo a estrutura burocrática como elemento de mediação no
gerenciamento. Então, as funções básicas do gerenciamento, tais como:
controle, comando, distribuição de tarefas vêm sendo alteradas, minimizando
as descrições das posições de trabalho e maximizando os processose
funções organizacionais.
A burocracia está , portanto, em declínio pondo em relêvo a importância da
economia da informação, ou seja, a definição de um equilíbrio mediador entre
o desempenho organizacional, o desempenho das empresas e a resposta do
consumidor as diversas estratégias competitivas de mercado.
Informação como Mediação na Tomada de Decisão
Como visto na figura acima a informação é uma função dos índices, tais como:
INAC - de desempenho dos mercados locais na economia global;
IORG - de desempenho dos processos organizacionais;
IPROD - de desempenho das funções d eprodução.
INFO função de (INAC,IORG,IPROD).
A tomada de decisão , portanto, é decorrente dos diversos índices de
desempenho e acompahamento gerencial, tais como:
1- Volume de Vendas;(VV)
2- Lucro ou Prejuízo;(LP)
3- Investimentos;(INV)
4- Distribuição de Dividendos;(DD)
5- Ações de Restruturação Organizacional;(ARO)
6- Avaliações do Ciclo do Negócio; (ACN)
7- Reorganização Processos Custos; (RPC)
8- Reorganização Processos Produção; (RPP)
9- Reorganização Processos Financeiros; (RPF)
234
10- Reorganização dos Recursos Humanos; (RRH)
11- Processos de Inovação tecnológica; (PIT)
12- Processos de Produtividade; (PP)
13- Processos de Qualidade Total; (PQT)
14- Processos Planejamento de Materiais; (PPM)
Esses índices não têm o objetivo de serem exaustivos, devem apenas refletir
um conjunto de dados com valor relativo a um conjunto de estratégias
gerenciais a serem avaliadas.
T.DECISÂO função de (PPM,PQT,PP,PIT,RRH,RPF,RPC,ACN,ARO,DD,INV,PL,VV)
Concluíndo, as diversas estratégias de alocação de na organização seguem
uma função de utilidade como expressa nas figuras abaixo. Ou seja, uma certa
quantia de capital, definirá um conjunto preferêncial de processos
organizacionais (IORG) e produtivos (IPROD), ou ainda (INARC). Uma
estratégia organizacional definirá um conjunto preferêncial de fatores, ou
índices, de T.DECISÂO, tais como Volume Vendas e Processos de
Produtividade (VV), (PP). Desse modo, a informação passa a ser percebida
sob a ótica de uma economia da informação e a tecnologia da informação sob
a ótica de uma mediação na gestão dos negócios .
Economia
&
235
Como foi dito nos blocos
anteriores a informação constitui-
se de dados que se valorizam e
desvalorizam no tempo, definindo
3 tipos básicos:
Informação avaliativa: trata de
dados de ações passadas;
Informação tática: trata de dados
para a ação presente;
Informação estratégica: trata de
dados para avaliar ações futuras.
Desse modo, dados armazenadosem bancos de dados, ou arquivos, alternam
de valor conforme momento e circunstância. Eles podem adquirir valor
estratégico se importante para uma previsão; tática caso seja de valor
emergencial no presente, ou ainda, avaliativa caso se tratem de dados com
valor de séries históricas.
O componente mais importante nessa abordagem é , então, a definição de
uma visão de equilíbrio para a informação, quando então passará a ter um
valor econômico. Para o caso específico, aqui tratado, do gerenciamento de
empresas, o equilíbrio econômico da informação será o resultado de uma
estratégia de mediação entre os fatores externos e internos já discutidos nos
blocos anteriores.
Fatores externos: Juros, Câmbio, Balanço, Inflação.
Fatores Internos: Custos Vendas, Lucros,Investimentos, Distribuição de
Dividendos,
Restruturação gerencial, Avaliação do Ciclo do negócio, Processos
Produtividade, Inovação tecnológica, Qualidade Total.
O elemento de mediação é a tecnologia da informação, ou seja:
1- estratégias de desenvolvimento de sistemas;(EDS)
2- Estratégias de desenvolvimento de bancos de dados;(EDBD)
3- Estratégias de desenvolviemento de rede corporativas;(EDRC)
4- Estratégias de desenvolvimento de interfaces gráficas;(EDIG)
5- Estratégias de desenvolvimento de protocolos.(EDP)
O centro dessa abordagem é a definição de uma arquitetura de dados que
represente:
1- um modelo de transação de dados;
236
2- um modelo de organização relacional de dados das empresas;
3- um modelo de apropriação de informações contábeis e não contábeis;
4- um modelo de avaliação de riscos: externos (ações de países), interno
(ações de empresas), estratégicos (ações de ativos contábeis);
5- um modelo de organização de protocolos (físico,data link,path control,
transmission control, data flow control, apresentação e transações de
rede).
TECNO é função de (EDP,EDIG,EDRC,EDBD)
TECNO, nesse sentido, é o elemento de mediação na definição de estratégias
gerenciais, as quais passam a substituir, a apartir do fenômeno da
globalização, os processos burocráticos e por extensão a própria burocracia.
ESTRATÉGIA é função de ( INFO,TECNO,T.DECISÃO)
Concluindo, a tecnologia tem se tornado, no gerenciamento atual de
empresas, o elemento de mediação antes exercido pela. No entanto, devemos
salientar que países, empresas, estratégias são conceituações. Na verdade,
quem compete são pessoas. Desse modo, é bom não se esquecer o que já
vem sido discutido ao longo do século passado (século 20) sobre
gerenciamento de recursos humanos.
Esse debate continua válidos. Pessoas motivadas, treinadas e bem pagas são
aquelas que expressam lealdade às marcas e empresas , e, são os elementos
competitivos mais importantes desse início de século 21.
O declínio da burocracia tem afetado uma de suas funções mais importantes
que é o de estabilidade social. Nesse aspecto, o papel mediador da tecnologia
tem sido falho.
Empresas que na sua procura descuidada por mão-de-obra barata, seguindo
uma política de contratação e dispensa, procurando por lucros fáceis e
informatização a qualquer preço, investe contra o seu próprio futuro
competitivo e aposta na instabilidade social. Sob esse aspecto da estabilidade
social, o desenho da nova organização e da nova estrutura de negócios ainda
está ainda por ser melhor compreendido ou definido.
Apêndice
&
237
A Armadilha das Ideologias
A armadilha das ideologias significa o dilema que nós mesmos nos impomos,
quando transferimos nossas responsabilidades pessoais, como seres
humanos, a bandeiras ideológicas.
A verdade é que nesses últimos 200 anos, toda vez que alguém apareceu com
uma brilhante ideia, o fato é que um outro saiu ferido, ou levou bala. Não
podemos deixar de observar que as ideologias têm afundado como o
humanismo, e, o século 20 é um bom exemplo disso. Experiências
ideológicas, no século passado, criaram campos de concentração,
coletivizações forçadas e genocídios étnicos. Estima-se que mais de 60
milhões de pessoas tenham morrido devido a esses extremos das ideologias.
O problema é que qualquer besteira, ou porcaria, funciona no curto prazo. No
longo prazo, a história não perdoa. Inconsistências, ignorâncias , burrices e
irracionalidades não têm preço, são imperdoáveis, acabam na lata de lixo do
cemitério de suas vítimas.
O pano de fundo da armadilha, que as ideologias nos impõem , é a abdicação
de nossa responsabilidade pessoal em explicarmos nós mesmos em prol de
modelos, ou fórmulas. Assim, deixo de ter responsabilidade sobre minha
própria experiência , atos ou atitudes, abrindo caminho para a justificativa da
tortura, do assassinato e do linchamento, escondendo-me atrás de uma
bandeira, um lema, uma filosofia, uma religião ou justificativa moral qualquer.
Não me pergunto quantos foram mortos e quem são as vítimas, acabo
encontrando justificativa no grupo ideológico a que pertenço, e nós nos
acobertamos e nos absolvemos. As vítimas que se danem !
O resultado prático dessa armadilha tem sido o colapso de todos os credos,
lançando-nos nesse pântano do vazio existencial do vale-tudo, de cinismos e
de hipocrisias. Mas, se estamos impossibilitados de resolver esse dilema da
armadilha ideológica, porque qualquer atitude moral nos levará algum dia ,de
alguma forma, a sacar do revólver, o quê fazer então?
A resposta não é fácil, mas é simples. Mediação! Trocamos a armadilha
ideológica pela responsabilidade de ponderar entre prós e contras, entre a fé
inabalável em modelos ,e, a razão. Mediação é o processo usado nas cortes
de justiça. Devemos observar que o símbolo da justiça não é a espada, como
muitos gostariam que fosse, mas a balança.
Então, se fosse advogado, apontaria para esse símbolo da justiça, nesse
momento, e diria: essa é a consciência humana ! E cabe aos senhores e
senhoras do júri decidir sobre a evidência dos fatos, o peso das provas, e,
assim, tomar uma decisão acima de qualquer dúvida. Porém, devo advertir
238
que não existem garantias de que, o que está sendo apresentado nesse
tribunal, seja a melhor representação da verdade absoluta. Essa corte não
pode assumir responsabilidade por não errar, essa é apenas uma tentativa de
boa-fé em sermos justos. Por isso, esse tribunal divide suas
responsabilidades entre o juiz e o corpo de jurados. A verdade será o
resultado da totalidade das mediações que cada um dos senhores , ou
senhoras ou o juiz exercerão sobre os fatos contra e a favor de cada prato da
balança da justiça. Não existem fórmulas que vos evitem errar. Mas, lembrem-
se, a sorte, a vida e a reputação de um acusado está em vossas mãos.
Se o processo de mediação é o que propomos como opção à armadilha das
ideologias , que significado isso tem para nossas vidas, nesse momento de
crise em que vivemos?
A crise brasileira do momento é extremamente saudável, a despeito do que
alguns possam pensar. É a crise da maturidade, da passagem de uma
sociedade oligárquica , colonial, para uma outra, industrial de classe média.
Ao colocar nos pratos da balança prós e contras do momento atual, vemosque
extremos de violência e injustiças estão sendo balanceadospela estabilização
econômica e pelo avanço da classe média, devido ao fim da inflação. Nosso
conflito primordial é o da maturidade. Nossos problemas são essencialmente
urbanos. Mas, como o processo de industrialização tem sido muito rápido,
nesses últimos 50 anos, os gerentes desse processo estão, ainda, muito
ligados aos vícios de um passadocolonial recente, quando, então, o país tinha
40 milhões de pessoas, sendo que 80 % viviam no campo.
Agora, nesse momento atual de crise, estamos assistindo o surgimento de
uma nova geração de administradores, tanto no setor público quanto no
privado, os quais vão, aos poucos, quebrando esses ciclos de formações de
quadrilhas e cupinchanatos.
Estamos assistindo ao fim da farra das oligarquias !
Ratio et Fides
A civilização ocidental vem, por séculos, lutando entre duas perspectivas para
explicar os seres humanos; o idealismo, que propõe ideias, conceitos e
modelos; e o comportamentalismo, que estuda reflexos condicionados e
influências ambientais.
O idealismo é baseado numa visão criada, ou revelada, da realidade que
estava escondida da nossa percepção de como as coisas funcionam no
mundo. Se essa percepção idealizada funciona ,ou não, depende de se
acreditar em certas premissas de quem a constrói. O comportamentalismo,
por outro lado, analisa tão somente os dados observáveis, baseando-se em
modelos de como nós nos comportamos diante da combinação de influências
do ambiente e capacidadesorgânicas e genéticas. Se elas funcionam , ou não,
dependem de se acreditar tão somente em dados experimentais ou
239
estatísticos, como se pudéssemos nos dissociar de nós mesmo, quando nos
analisamos tal qual um fenômeno. Então, ideologia ou prática é nosso drama
na cultura ocidental contemporânea.
Esse drama da cultura ocidental vem se desenrolando desde os primórdios
da civilização, começandopela nossa perplexidade ao enterrar nossosmortos
e das necessidades de se criarem ferramentas para nossa sobrevivência.
Esse embate, teoria e prática, foi nascendo decorrente de duas perspectivas
que têm nos acompanhado desde o início para explicar a realidade que nos
cerca; a fé, como a capacidade de explorar o mundo onde todas as
possibilidades existem, e a razão como o ato que torna essas possibilidades
realizáveis.
Assim, o mundo medieval pode ser encarado como o da exacerbação da fé,
do misticismo, do sobrenatural que nos escravizava a um eterno mundo de
infinitas possibilidades que nunca se realizavam, ou, que se realizavam em
um ambiente onde éramos vítimas, crianças, não agentes construtores e
adultos responsáveis. O mundo científico do renascimento, após o início dos
descobrimentos marítimos, passou a privilegiar o processo da razão, criando
o método científico da evidência dos fatos, da causa e efeito, numa tentativa
de tomarmos controles sobre nossas vidas , assumind responsabilidade por
nossos atos, de tratarmos a nós mesmos como responsáveis.
O drama atual é que essas duas perspectivas do método científico, idealismo
e comportamentalismo estão em crise, porque estamos perdendo controle
sobre o método para nos tornamos, outra vez, vítimas das circunstâncias, do
ambiente , ou das ideias que nós mesmos nos impomos. Ou seja, procuramos
modelos e fórmulas que nos expliquem. Seguindo essa análise crítica, o
mesmo conflito que remonta ao início do processo civilizatório continua nos
impondo dúvidas entre a validade da razão e da fé. Cabe-nos , nesse
momento, decidirmos se assumimos controle sobre nossas vidas, ou nos
rendemos a ideias ou palavras revestidas de razão, mas, que na verdade
dependem de uma grande dose de fé inabalável.
Diversas perspectivas do método científico, de provas, evidências e causa e
efeito resultaram desses últimos 500 anos de histórias da civilização
ocidental, tais como:
1- o método racionalista, enfocando a razão e premissas encadeadas e
sequenciais de ações lógicas.
2- o método histórico, enfocando a ação progressiva da história rumo a um
objetivo inexorável e triunfalista.
3- o método culturalista, enfocando as características culturais como
determinantes de resultados presentes.
240
Como podemos perceber, nenhum deles foi capaz de nos trazer respostas
duradouras, porque de uma forma ou de outra, falharam em soluções. A
verdade é que mudanças constantes de valores em nossa civilização têm
proposto, constantemente, novos problemas cada vez mais complexos para
serem resolvidos, criando-se, assim, novos paradigmas ou novos métodos e
processos de como problemas antigos podem encontrar novas soluções.
Então, a visão estática do mundo Ptolomaico da era medieval foi erradicado
pelas visões astronômicas de Copérnico devido, principalmente, as
necessidades criadas pelas navegações marítimas e o comércio, abrindo
caminho para uma sucessão de novas perspectivas ou paradigmas nas
ciências , as quais, ecoam até os dias de hoje.
O momento atual em que vivemos, ao exigir mais flexibilidade, está
requerendo do método científico mais parcimônia e mediação, tanto na
proposição de problemas quando na sua resolução. Se, de fato, temos como
característica da mente humana a capacidade de explorar um mundo de
infinitas possibilidades, por outro lado, temos o compromisso de torná-las
factíveis. Nesse sentido, fé e razãonão estão tão distantes como pensávamos,
mas interlaçam-se para criarem a própria consciência humana, num processo
de mediação entre possibilidades e realidades. No entanto, nossa missão é
sem dúvida atuar e realizar sem nos deixarmos levar por armadilhas, dilemas,
becos sem saídas ideológicos ou místicos, que estão bem marcados em
discursos dialéticos que privilegiam a visão de problemas como resultante do
conflito entre opostos, e a realidade como resultado do exercício da negação.
A armadilha do discurso dialético é de nos fazer acreditar que é preciso negar
alguma coisa para que um objeto exista na nossa mente, que somente
reagimos aos conflitos se nos posicionarmos em relação ao outro que
apresenta sua versão dos fatos, que nos afirmamos positivamente ao negar
alguma coisa. Ou seja, caímos nas velhas máximas, de que existo porque
percebo que posso deixar de existir algum dia, lutando continuamente para
estabelecer um ser sólido como rocha, mas tendo com resultado algo volátil
como gasolina.
Talvez não sejamos nem tão sólidos nem tão voláteis, se compreendermos
que o que sustenta problemas e sistemas são justamente os opostos, os quais
, em realidade, não estão em conflito uns com os outros, mas que cooperam
para que hajam problemas e sistemas. Nesse sentido, conflito não assume um
carácter negativo porque, afinal de contas, ele não é resolvível, mas apenas
gerenciável, pois sua resolução corre o risco de aniquilar o próprio sistema
que compõe. Conflitos aparecem e desaparecem como resultado do
surgimento de novos paradigmas, ou conjunto de valores, os quais mudam
constantemente a face de velhos problemas com novas soluções.
A armadilha dialética, os dilemas existenciais e as soluções de problemas
quando vistos pelo ângulo da mediação de opostos, equilibrando-se nos
pratos da balança os prós e os contras, encontram na disputa entre fé e razão
241
sua força de existir. Desse modo, estou a todo momento explorando o mundo
onde todas as infinitas possibilidades existem , com o intuito de,
unilateralmente, escolher uma, que será a tese do problema que eu mesmo
me imponho a resolver, não revelando verdades escondidas, mas fazendo
uma opção, uma escolha por ato de vontade, para que a realidade seja da
maneira que pretendo construir, sujeita as limitações da racionalidade e do
bom senso.
Assim, o processo de mediação, visto desse modo, é um assalto ao mundo
das possibilidades da qual retiro uma por vontade própria, fazendo com que
eu não seja apenas vítima das circunstâncias, ou realidades, mas seu
agente.Construo sistemas que me são mais racionalmente convenientes, vivo
no mundo que quero, e assumo responsabilidades por isso. Visto por essa
perspectiva de mediação, a consciência humana é sempre positiva. Não tenho
outra possibilidade, senão fazer escolhas e optar.
Consciência torna-se, dessa maneira, uma condição inescapavel da minha
existência, condenando- me para sempre a fazer escolhas com razão e fé. Na
verdade, ou faço escolhas de boa-fé, baseado nos fatos, evidências e bom
senso ,ou, atuo de má-fé tentando forjar os acontecimentos, assim com um
ator/atriz no teatro ao representar um personagem, que por mais má-fé que se
use ele/ela sempre saberá que é tudo uma farsa.
Que importância tem esse processo de mediação para o momento em que
vivemos? Ao aproximarem-se as eleições municipais, não podemosacreditar,
tão somente, que os futuros prefeitos, quaisquer que sejam os partidos
vencedores, possam resolver todos os nossos problemas, principalmente os
de ordem econômica.
Vejamos o caso do maior porto do Brasil, o porto de Santos, por onde passa
alguma coisa como 50% do comércio exterior (importações e exportações) do
país. Estima-se que por volta de 40 bilhões de dólares girem pela praça
comercial de Santos, colocando-a no rol das grandes cidades portuárias do
mundo, tais como, Roterdã, Nova York, Singapura, Hong Kong. No entanto,
Santos é um caso único entre esses grandes portos, pois 25% de sua
população está desempregada. Que fenômeno é esse que transforma um dos
maiores portos do mundo em simples pátio de manobra de caminhões , ou
containers?
Com certeza, é a criminalização das atividades de negócio , que tem
transformado esse rico país, em um pobre país, colocando competitividade
,baseado em iguais oportunidades como algo negativo, em prol da "Lei de
Gerson", baseado no vale-tudo e na trapaça. No caso de Santos, por exemplo,
que não é único no Brasil, o porto tem sido visto como um conjunto de
instalações físicas , e não como uma atividade sistêmica de negócios, um
setor industrial. Preocupam-se com o desempenho das instalações do cais,
do píer de atracação, mas se esquecem de todas as atividades acessórias e
242
interligadas, tais como, operações bancárias, de transporte , de logística, de
despacho, de armazenagem ,de manutenções, de transações comerciais e de
turismo.
A simples circulação de US 40 bilhões de dólares na praça santista seria, por
si só, uma razão para termos uma cidade rica, e não uma cidades pobre com
25% de desempregados. O que está errado? Falta de mediação, pois a base
do conflito de negócios, o equilíbrio entre consumidores e produtores está
desarticulado, na medida em que o porto não é visto como um setor industrial,
mas tão somente como uma instalação física. Dessemodo, perdemos de vista
sua participação nas diversas atividades diretas e indiretas, ligadas a
economia nacional e internacional.
Resta a prefeitura cobrar pesados impostos prediais para satisfazer às
necessidades dos cidadãos, dos quais 25% estão desempregados. Resta a
cidade ver circular US 40 bilhões em dinheiro e mercadorias, das quais não
tem acesso ou participação. Enquanto isso, florescem o contrabando, o
tráfico de drogas e o banditismo, colocando o porto de Santos como um dos
mais perigosos do mundo.
16 de maio de 2000,
Ricardo Rodrigues.
Um Outro Período Cambriano...
O Despertar do Autômata a Caminho de Damasco
Gênesis
Hoje, como a milhões de anos no processo de evolução da Terra, nos
confrontamos com questões, tais como, aprendizado, adaptação e
&
243
inteligência. Assim, procuramos incessantemente fundamentar e aprimorar
os conceitos que temos sobre processos e estratégias quer sejam nos
aspectos produtivos, gerenciais ou administrativos.
Como fazemos parte da natureza, e não o contrário, nossa procura é também
a procura da própria natureza,refletindo, desse modo, o processo de evolução
natural do planeta até chegarmos nesse ponto que estamos da nossa
civilização. As intricadas relações, do atual estado do nosso ecossistema, têm
sido forjadas ao longo desses anos, e as dificuldades e solução encontradas
pela natureza devem estar refletidas, de uma forma ou outras, nas mesmas
repostas que procuramos ao olharmos para traz e tentarmos compreender de
onde viemos e para onde vamos.
Após a formação inicial do nosso planeta no sistema solar, e o aparecimento
de algumas formas de vida em termos de protozoários, a formação das
condições que hoje observamos na nossa atmosfera criaram as
possibilidades para o súbito surgimento de uma gama variada de formas de
vida, numa tentativa da natureza em criar os protótipos daquilo que hoje
somos.
Essa súbita explosão de diferentes formas de vidas, um pouco mas
complexas do que seres unicelulares, estão estampadas no formato de
fósseis de onde se pode observar os rudimentos de estruturas ósseas,
formação e especialização de órgãos, proto-estruturas com possíveis pseudo
funções. Esse é chamado, dentro das eras de evolução da Terra, como o
período da “explosão cambriana”.
Ao observarmos a tabela da evolução do nossoplaneta, em termos geológico,
o interessante é notarmos as diversas tentativas da natureza em criar
processos, estruturas e funções, de uma maneira tão simples e inteligente
como para se adaptar a existência da vida às diversas mudanças, recorrentes
nas condições geológicas, alterando formato, tamanho e formas dos seres
que habitaram, e ainda hoje habitam esse planeta.
Desse modo, ao chegarmos até os dias de hoje, e observarmos as mudanças
pelas quais passamos, o interessante é fazermos essa analogia entre as
tentativas da natureza em criar e aprender com as construções de formas e
estruturas de vida, com o nosso próprio esforço em criar ferramentas e
tecnologia, os quais acabaram por se tornarem não apenas engrenagens,
polias e alavancas, mas sofisticados instrumentos com os quais interagimos
na construção do mundo à nossa volta.
Da natureza, podemos observar as transições do mais simples possíveis, com
funções bem óbvias, para formas de vida mais estruturadas e complexas; até
o atingir de níveis dinossáuricos colossais da era Jurássica. Então, de uma
forma ou outra, essas estruturas entraram em colapso e se foram, optando a
natureza por formas mais compactas e ágeis, criando formas mais variadas
de plantas e animais, dividindo as possibilidades mais igualmente entre
244
vegetais, mamíferos e répteis, até que, a partir do período Terciário em diante,
começam a surgir, dentro do ramo dos mamíferos, os hominídeos.
A partir do Holoceno, que é o período no qual estamos vivemos até hoje, surge
o Homo Sapiens. O interessante nesse processo é notar que as formas
diminuem ao ponto de que, ao mesmo tempo que surgem os seres humanos,
vão desaparecendo os mamíferos colossais, tais como, os Mamutes e os
Tigres dentes-de- sabre.
Através dessa visão do surgimento do mamífero inteligente, notamos que o
enfoque da natureza muda sua ênfase de tamanho para agilidade; de
estruturas funcionais para processos funcionais no desenvolvimento dos
seres vivos, privilegiando cada vez mais o inteligente em vez do impulsivo, o
violento pelo adaptativo, a força bruta pela estratégia. Dessa forma, tem sido
construído através desses milhões de anos a história da natureza, e a nossa
própria, em torno da noção de ecossistemas, onde predadores e presas, na
verdade, repartem suas experiências dentro da cadeia ecológica, não numa
guerra de força e tamanhos dinossáuricos, mas através da astúcia, paciência,
persistência e, a cima de tudo, pela tentativa e erro.
Quo Vadis
Seguindo essa abordagem, o Homo Sapiens está evoluindo em direção a se
tornar o Homo Faber, e nesse processo repetimos as mesmas experiências
da natureza. Agora , nós mesmos estamos engajados na criação de
estruturas, formas, processos e funções que vão além de simples máquinas
repetitivas, mas estruturas inteligentes capazes de funções auto-reguladoras
e adaptadoras.
Ao observarmos nosso processo evolutivo, percebemos que estamos
tentando passar, ou replicar, as mesmas características que nos são bem
peculiares de astúcia e inteligência, as quais podem ser resumidas de maneira
bem simples por aquilo que chamamos de razão. Assim, tentamos replicar
através das máquinas as mesmas estratégias do raciocínio humano, usando
a lógica tradicional, a lógica recursiva e difusa (fuzzy), ou ainda, sofisticadas
representações de símbolos e instanciamento de objetos programáveis.
Por outro lado, desde o início da nossa civilização, temos estado sempre
muito impressionados pelo papel das religiões, e temos, inegavelmente,
associado ao nosso caráter civilizatório, além da razão, um outro de fé. Fé,
aqui, não vista como misticismo, ou ainda, razão como uma arma, mas ambos
como uma soma de forças de equilíbrio e mediação na formação da
consciência de como predadores e presas participam do jogo imposto pela
natureza , nesse ponto da evolução desse planeta, colocando-nos, assim, no
topo da cadeia alimentar.
245
Fé, então, seria não mais do que a exploração do mundo onde todas as
possibilidades residem, onde uma explosão combinatória de probabilidades
se juntariam para criar isso que nos é muito peculiar e caraterístico: escolha,
autodeterminação, vontade própria. Não que essas propriedades sejam
exclusivas nossas, de alguma forma podemos vê-las em quase todas as
formas de vida, mas o nosso desafio é esse; como reproduzir máquinas
pensantes que possuam certas características humanas.
Na procura pelo autômata, acabamos por encontrar a nós mesmos no esforço
para entendermos o que somos, de onde viemos e para onde vamos, e nesse
processos criarmos computadores inteligentes, rompemos a barreira do
processo de criação como exclusividade da natureza, mas, para também,
reinventar estruturas, processos e funções, as quais possam, talvez um dia,
participar igualmente do processos natural de evolução, acabando por
fazerem parte do ecossistema desse nosso planeta. No entanto, o processo
não é pacífico, talvez , no meio desse caminho, no qual nos engajamos,
tenhamos ainda de dizer, da mesma forma que já ouvimos antes: Quo Vadis?
(Para onde Vais?).
Nesse esforço para conceituar inteligência artificial, percebemos que as
máquinas estão se afastando do modelo antropocêntrico de consciência,
aproximando-se mais da noção de adaptação e flexibilidade mostrada pela
evolução das espécies. Nós, por outro lado, estamos nos afastamos de
idealismos em prol da construção de um senso mais comum. Em outras
palavras, hoje, quando um carro para no meio da rua não é por falta de
“essência”, mas de gasolina mesmo.
O Novo Raciocínio da Sociedade das Massas
O Problema Econômico
Ao fazermos essa analogia da evolução da naturezae das espécies, com o fim
da era das alavancas, polias e das químicas de proporções exatas, e o início
da era digital, percebemos que, assim como a natureza, nos adaptamos
através de uma rede de relações que se montam, considerando desde os
movimentos tectônicos dos continentes, até as novas formas de organização
social, política e econômica.
246
O papel da tecnologia tem sido esse, de libertar as massas do trabalho
repetitivo, reforçando o papel da inteligência, da informação e do
conhecimento. Seguindo essa estratégia de comparação da evolução das
máquinas com a formação do nosso planeta, notamos que as massas foram
escravizadas, em certa medida, pela noção que privilegiava trabalho como
fator de produção, tão somente.
No entanto, com Henry Ford e sua visão de linha de montagem, essa noção
se desloca do enfoque apenas produtivo do caráter do trabalho, como fator
de produção, para um posição mais ambígua e ambivalente. Essa posição
coloca a mão-de-obra como, ao mesmo tempo, fator de produção e consumo;
trabalho e investimento. Alterando profundamente as relações ”tradicionais”
da visão de mercado como um simples conflito entre produtores e
consumidores. Dessa forma, a mão-de-obra não é mais vítima, mas um pivô
interessante nas considerações sobre processos produtivos e, talvez, da
própria idéia de sistemas econômicos.
Desde Ford, no início do século 20, até agora, início do século 21, a
potencialização dessa noção de produção em massa, e o conseqüente
aparecimento dessas “ambivalências” na questão da mão-de-obra como fator
simultâneo de produção, consumo e investimento, criou uma relação íntima
de reciprocidade entre custo, preço, juros e informação na moderna visão de
uma sociedade de massas.
Mão-de-obra, na atualidade, ora é custo mas compra e paga, ora é consumidor
mas também têm fortes interesses como produtor, e ainda através de seus
grupos de pecúlios, investimentos e aposentadorias são também
investidores, donos de empresas e foco de toda e qualquer estratégia de
negócios na atualidade. A ascensão das massas, ao se tornarem classe
média, romperam aquela visão antiga de vitimização que se tinha da mão-de-
obra, destruindo as tradicionais e coloniais relações de senhores e servos,
para se tornarem a força econômica moderna dominante por todo o planeta.
Assim, os escravos educaram-se, profissionalizaram-se, deixando os
trabalhos repetitivos, movendo-se em direção ao gerenciamento das
empresas, tornando-se fonte criadora e renovadoras da própria noção de
empresa, negócio e mercado. Tornaram-se consumidores exigentes,
investidores hábeis, constituiram fundos de pensão e aposentadoria,
consolidaram benefícios que, para serem pagos, exigem reinvestimentos no
setor produtivos, acelerando, dessa forma, o processos de produção em
massas, criando um circulo virtuoso onde quanto mais pessoas ascendem à
posição de classe média, maior o mercado, maior a produção, e mais
assegurados estarão as vantagens e os benefícios de todos.
A estratégia da sociedade de massas é por excelência um processos que
precisa, para sobreviver, ser inclusivo e estar disponível a todos senão não
se sustenta; em oposição as velhas estratégias coloniais, as quais são
247
basicamente excludente, benefícios de alguns que estão no comando, onde
repartir, na visão oligárquica, é uma ameaça. Enquanto que na visão da
sociedade de massas o poder se reforça pela inclusão de mais um, que é
sempre bem vindo, na visão colonial a exclusão é demonstração de poder e
cristalização de privilégios, tendo como arma a intimidação.
A genialidade de Keynes foi essa, de perceber as conseqüências econômicas
dos métodos produtivos de Ford, reinterpretando a noção de valor econômico
da moeda, transformando-a em apenas alavanca de possibilidades para
transformar passivos em ativos financeiros, deslocandoo conflito oligárquico
e colonial de moeda versus trabalho para a moderna visão conflitiva de
informação versus conhecimento. Por isso é , hoje, tão importante o controle
sobre a inflação, para manter o valor da moeda como lubrificante desse
sistema de produção e investimentos de massa .
Dessa forma, o raciocínio das massas (classe média) não é mais de ser
escrava na relação a emprego e métodos de produção, mas , por mais incrível
que possa parecer, transformou-se em senhora da situação na definição das
relações entre consumidores e produtores, alterando profundamente as
velhas premissas econômicas simplistas de livre mercado baseadoapenas no
leilão cego de preços. Assim, a noção de mercado que se está forjanda é
aquele que define premissas de avaliações de risco, típicas dos pregões de
bolsas de valores e mercadorias.
Assim, as massas produzem e são donas ao mesmo tempo, reforçando a
visão Keynesiana, onde, em verdade, o desafio econômico é se definir
claramente o que entendemos por informação e conhecimento, tornando-se a
moeda apenas um indicador, uma cotação de valor. Em outras palavras,
resumindo tudo isso, poderíamos dizer simplesmente: “Faça o comércio, não
faça a guerra !” è preferível fabricar fogão, geladeira e automóveis do que bala
para canhão. A evolução tecnológica nas telecomunicações e informática está
nos empurrando a todos em movimentos tectônicos, eletrônicos e digitais em
direção a Pangéia inicial de onde viemos, quando, então, na história da
evolução do nosso planeta, todas as atuais massas continentais estavam
unidas.
Dentro desse novo raciocínio da sociedade de massas que se forma por todo
o planeta, nenhuma pessoa sozinha faz história e nada acontece por acaso. O
conflito primordial na evolução desse tipo de sociedade é, principalmente, a
questão de iguais direitos e oportunidades a todos, assim como, a ascensão
da mulher no mercado de trabalho e formação daquilo que chamamos de
renda dupla ( onde o marido e a mulher trabalham), requerendo para isso,
portanto, a discussão sobre méritos e, também, sobre a gravíssima questão
do assédio sexual que as mulheres ainda sofrem no mercado de trabalho
como um todo (de conservadores e liberais igualmente). Precisamos por um
ponto final nesse tipo de coisa para nos livrarmos desse passado colonial que
ainda nos assombra !
248
As regras do jogo
O problema aqui é entender como mudamos do velho conflito para o novo, ao
reconstruirmos essa noção de valor e significância para a ordem das coisas
à nossa volta. Desatamos o nó da armadilha dos conflitos, baseados apenas
na noção de confrontos, em direção a uma outra visão mais ampla onde
opostos travam uma negociação saudável e gerenciável. Estamos, assim,
dando um salto para que possamos ao mesmo tempo que “vemos” o jogo na
sua totalidade, não nos eximimos de dele participar .
Ao mesmo tempo que tentamos ser neutros, somos também “saudavelmente”
tendenciosos, ou seja, sem que tenhamos de sacar do revólver no meio dos
debates. Essa, bem verdade, é uma tentativa dos participantes de entenderem
as multiplicidades das relações que estão jogos, das regras e das estratégias,
não com o intuito de destruir e eliminar, mas negociar, e ganhar vantagem
competitiva, compreendendo a totalidade do sistema democrático que nos
rege, procurando pela verdade de cada um como parte integrante da
competição. Então, cada um a sua forma, fala uma parte da verdade. O
campeão será aquele que perceber, claramente, o valor exato de cada um, e o
de si próprio, no contexto da totalidade da contenda da realidade democrática
de massa.
Vitória de um, então, não é necessariamente a derrota de um outro, é apenas
um aprimoramento nas avaliações de riscos e possibilidades ao se definirem
vantagens competitivas, como mencionadas a cima, as quais são
circunstanciais ao tempo e ao lugar nos quais se definem paradigmas, regras
e estratégias num certo momento, fazendo e desfazendo as noções de
conflitos, interesses e bem comum.
As reviravoltas do “eu”
Se nos foi dado pelo processo de evolução e seleção natural, essa capacidade
de questionarmos a nós mesmos, a questão aqui é entendermos o paradoxo
resultante que faz com que mudemos constantemente; quer seja porque
chegamos a um ponto que consideramos ótimo e queremos aperfeiçoa-lo;
quer seja porque estamos insatisfeitos com o caminho que estamos trilhando
e queremos remodelar tudo. Então, de uma forma ou outra, a análise crítica
de nós mesmos nos traz uma permanente ansiedade por mudanças e
renovações.
Temos, seguindo essa análise, uma grande dificuldade de sermos isentos em
relação a nós mesmos, por isso transferimos nossa capacidade de enfocar
críticas em direção ao outro que nos serve de espelho, ou modelo. Portanto,
esse “eu” que brilha dentro de nós, ao mesmo tempo que nos empurra em
direção a mudanças e adaptações, nos cega e obscurece a razão crítica e a
análise.
249
Paradoxalmente, o fruto dessa nossa vantagem competitiva de tentar “ver” a
totalidade do jogo, que a vida nos impõe, é a causa de nosso permanente
estado de ansiedade, e por mais paradoxal que possa parecer, nos dá vida
fazendo-nos mover e evoluir e , ao mesmo tempo, nos mata e tiraniza pela
angustia e ansiedade. Ficamos, assim, de uma certa forma presos nessa
armadilha do “eu” que procura escapar pela tangente, abrindo os olhos como
que tentando despertar. No entanto, acabamos, por fim, descobrindo que esse
é nosso verdadeiro caráter: dominar a arte de suportar agonia e êxtase.
A conclusão é de que esse privilégio, de nos “vermos” a nós mesmos em
perspectiva, não pode ser usado nem para otimismos exagerados, nem para
niilismos mórbidos. No fundo, somos, em certa medida, neutros em relação a
nós mesmos, e a única certeza é de que estamos aqui e agora. Usamos
estratégias, teses, ou avaliações de possibilidades a cerca do queremos, ou
podemos ser, para animar o problema (ansiedade) da nossa existência.
Dessa forma, não somos sólidos como rocha, mas maleáveis e astutos,
seguindo, aliás, o treinamento quenos impôs a mãe natureza no adestramento
da arte de sermos predadores e presas ao mesmo tempo. Sem que fôssemos,
como seres humanos que somos, os mais fortes ou os maiores, fisicamente,
ou ainda, os mais poderosos ou capazes de proezas, tais como, voar e
desenvolver grandes velocidades, no entanto, esse nosso modo maleável de
ser que oscila entre razão e fé têm nos colocados no topo da cadeia alimentar,
afugentando os Mamutes e os Tigres dentes-de-sabre.
Porém, é bom não nos esquecermos de onde viemos; da natureza! Ela, está
lá paciente, pronta a alterar as regras do jogo; quer seja pelo movimento suave
e milenar das placas tectônicas dos continentes, quer seja movendo-nos
sutilmente, alterando o regime das correntes marítimas e o padrão dosventos,
recriando uma nova realidade. Ela é , na verdade, quem comanda o jogo,
forçando as espécies a se adaptarem às morfologia e configurações
geológicas da história.
Ao nos libertarmos dessa tirania dos paradoxos históricos triunfalistas e
armadilhas existenciais, melancólicos e vazios de verdadeira significância, é
quando se aproxima a explosão de um novo período cambriano...Chega de
saudade! Assim, reafirmaríamos, nessa nova era em que a Internet faz o papel
de um novo telescópio no século 21:” ... e a Terra se move !”
4 de setembro de 2000,
Ricardo Rodrigues.
250
Comércio é Humanismo...
Oh! Praga
Ao se iniciar a reunião do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional
hoje dia 20 de setembro, novamente a antiga cidade de Praga mostrará não
apenas a beleza de seu barroco, jóia da civilização, mas também, mais uma
vez, representará a encruzilhada entre o leste e o oeste; entre o norte e o sul
da Europa e do mundo. A velha cidade imperial do sacro império romano-
germânico, dos Habsburgos e dos soviéticos, finalmente, retorna a quem de
&
251
direito, aos checos. No entanto, o passado de sua civilização está lá, marcado
pelo barroco. Esse conhecido esplendor da capital checa representa a
importância econômica de uma cidade que foi, e ainda, é entroncamento e
coração da Europa.
Esse rococó de linhas retorcidas filigranadas em ouro sobre gesso e
mármore, emoldurando querubins, príncipes e princesas do passado, marcam
uma época e um estilo de vida que já se foi, os quais , no seu significado
econômico mais profundo, refletem a pujança e importância estratégica do
comércio de Praga como rota e entroncamento de produtos e mercadorias.
Desse modo, economia, comércio, arquitetura, literatura e música se juntam
para representarem arte, e acima de tudo, valores estéticos de como
entendemos e valorizamos o mundo a nossa volta pela ótica da mão dos
artistas, artesões e comerciantes. Procuramos mostrar aqui a importância do
comércio como detonador não apenas de progresso material, mas também,
como agente modificador de costumes e tradições, forjando filosofia, ciência
e tecnologia.
No caso checo ecoam, além do barroco, artistas como Devorack, Kafka e
Janecek, no caso brasileiro temos o barroco mineiro. Aqui, também,
encontramos rococó semelhante, nas cidades de Sabará, São João del Rey,
Ouro Preto e como um resumo de tudo isso, Congonhas do Campo. Lá em
Minas, o barroco representa o ciclo do ouro, e da mineração, onde em
verdade, nasceu a classe média brasileira, ainda no período colonial, através
dos ouríveres e mineradores, espalhando-se por toda parte seus reflexos em
átrios e pórticos de igrejas e edifícios públicos, combinando pedra sabão com
essa perfeita representação da soma do perfeito com o imperfeito: as mãos
deformadas pela artrite do mestre Aleijadinho.
De qualquer forma, quer seja em Praga, ou em Minas, a importância do
comércio reflete sempre a pujança econômica que define arte e civilização.
Desde os assírios até os egípcios. Desde a Grécia clássica até a Roma antiga.
Os vestígios dessas grandes civilizações são representadas, em última
análise, pela importância dos restos de suas cidades, regiões, ou estados, que
serviram como rota marítima, e terrestre, na troca de produtos e mercadorias.
Das ruínas de templos, teatros, estatuetas, ou vasos, o passado está lá
contando sua história de grandeza econômica, sagacidade, inteligência,
comércio, ciência e tecnologia. Sob esse ponto de vista, comércio não é nada
mais do que o reflexo de nosso esforço humano pela civilização. Comércio,
assim, é também humanismo.
Velhas Insígnias, Novos Bárbaros
Em contraste com o aristocrático barroco que representou uma época de
insígnias, estandartes e majestades, onde reis, príncipes e duques se
sobressaiam pelo porte de coroas e mantos com desenhos próprios e
252
descendência nobre. Hoje, assistimos à ascensão da sociedade de massas,
não menos pujante, mas que tem como característica principal a falta de
valores particulares e característico de representação, mas sim uma
cacofonia democrática de desenhos, formas e sons e origens.
Essa sociedade, dominada pela homem-massa (a classe média), é, ao mesmo
tempo que nenhuma, a soma de todas as representações possíveis. É nesse
momento que ele, e ela, se tornam reis e rainhas, príncipes e princesas, e
também pessoas comuns, tudo isso ao mesmo, transformando seu lar em seu
castelo, seu automóvel em seu cavalo, seus adereços em sinais voláteis de
riqueza, a qual não tem mais um valor patrimonial de verdadeira significância,
apenas a representação de desejos, realizações, vontade própria e espírito
livre empreendedor.
Se nas épocas imperiais e coloniais, os reis e príncipes se distinguiam por
insígnias próprias e heráldica. Hoje, a sociedade tem como missão produzir
oportunidades em massa. Se antes a qualidade era definida pelo tecido raro
fiado a ouro, hoje, qualidade é um método de produção. Se antes a
hereditariedade definia sorte e destino, hoje, o homem, ou a mulher, massa
abre caminho como talento, capacidade e força de vontade. Se antes os
nobres recebiam sem pedir, hoje somos todos esforçados e estudamos muito
para conseguir qualquer coisa. Assim, se o assistencialismo enobrece quem
dá, humilha quem recebe porque temos todos os mesmos direitos.
O resultado principal dessa ascensão (desse/dessa) (homem/mulher) massa
é uma dessensibilização de valores pela aceitação da universalidade, e da
validade de diferentes culturas, religiões, crenças, tradições, línguas e
costumes. O sentido de cultura, desse modo, muda seu eixo da elitização para
a democratização, dos privilégios nobres e hereditários para a educação de
massa, do local para o global, do provinciano para o universal.
Como resultado dessa democratização temos uma “falsa” crise de valores,
pois não existem mais formas possíveis de se distinguir através de insígnias,
ou bandeiras de qualquer cor, resultando, muitas vezes, numa volta à
valorização do mais simples, do informal, ou do casual. Se Max destampou a
garrafa, foram Ford e Keynes que sacaram o gênio lá de dentro. A garrafa, por
assim dizer, quebrou-se, e não houve mais jeito desse gênio voltar de onde
veio, acabando, assim, por levar de roldão reis, príncipes e aristocráticos
comissários do povo, amalgando todos nessa camada que poderíamos
chamar de era jurássica sangrenta de nossa história recente, representada
por guerras, revoluções gloriosas e golpes de estado; simbolizada por
estátuas heróicas de personagens de espada em punho, dedo em riste,
assentados sobre pedestais com imperdíveis inscrições gloriosas. Assim
todos se foram...
Um ciclo de nossa história humana chega ao seu final. Não se iludam, somos
todos, hoje, parte desses novos bárbaros, subproduto típico da educação,
253
ascensão social e iguais oportunidades. Os senhores de engenho de ontem,
tornaram-se apenas senhores, os engenhos, agora, somos nós todos que
pagamos impostos.
Temas e Discussões
Acompanhando os acontecimentos em Praga, onde o Banco Mundial e o FMI
avaliam as condições econômicas e sociais do mundo é quando, também, nos
perguntamos sobre o significado dos conceitos de economia, justiça social e
dívida externa
A Economia e o Social
A palavra economia, freqüentemente, está associada a idéia de riqueza,
quando na verdade seu significado mais profundo é o uso parcimonioso de
recursos, ou ainda, poupança. Assim, a idéia que economia possa ter um
significado maior do que alguns querem lhe dar, quase sempre associando-a
à noção de economia política, criando essa visão de si mesmos como
moldados pela moeda, quase sempre desconsidera que, na verdade,
economia é um contrato entre o capital e o social. Então se economia é a
administração de recursos escassos, o social é a parte do contrato que
capacita (empowerment) o homem, que negocia as diversas relações que
existem entre ele e seus direitos. Essa era das massas de hoje em dia é , bem
verdade, a era dos direitos, sendo assim o social é a representação, e
reconhecimento, dos diversos segmentos que compõem a sociedade.
A crença de que economia possa ser considerada como um modelo rígido,
uma fórmula de resolução de problemas, um guia de comportamento, fabricou
sistemas burocráticos autoritários durante todo o século 20, incapazes de
gerenciar esse contrato social resultante da ascensão dos mais diversos
segmentos da sociedade de massas. O resultado, em todos os casos, foi a
estagnação, a paralisação do crescimento após se atingir certo nível de
produção, e a distribuição de garantias e benefícios sempre em prejuízo dos
mais jovens.
Gerações Futuras
Esses modelos autoritários beneficiavam sempre gerações presentes,
sacando a descoberto contra gerações futuras. Um bom exemplo é a Espanha
franquista. No entanto, pelas mãos de um rei habilidoso, como Juan Carlos, o
desmonte dessa estrutura burocrática franquista abriu possibilidade para,
hoje, ser a Espanha umas das economia mais progressista da Europa,
mostrando, claramente, que economia não está tão ligada a uma ação política,
mas a esse contrato social gerado pelas oportunidades criadas com a
produção generalizada de bens e serviços.
O Fatiar da Laranja
254
O social, numa reflexão mais profunda, não é apenas um contrato, um
compromisso escrito, mas uma teia de múltiplas relações. Desse modo, não
encaro a dívida social como um bloco inexpugnável contra o qual dou com a
testa como um rinoceronte, mas um inventário, onde se identificam as
necessidades dos diversos setores da população, entendendo economia
através da metáfora da laranja. A tarefa do gerenciamento econômico, tanto
no setor público, como no privado, é essa: de estabelecer as negociações com
cada gomo que tem características e necessidades próprias, possibilitando
uma negociação passo a passo, caso a caso, tecendo um equilíbrio de forças
que reivindicam legítimos direitos com as possibilidades do caixa. Não
resolvo tudo de uma vez, mas defino uma carteira de dívidas a pagar ,
escalonando o fluxo de caixa da coisa pública.
A administração desse caixa da dívida social é tarefa primordial, e
responsabilidade, dos partidos políticos, por isso somos uma democracia,
não um regime ditatorial, centralizador e burocrático. O que está em jogo aqui
é a capacidade, e a capacitação, dos partidos em gerenciar esse caixa de
demandas e dívidas. Na verdade, isso não é representado apenas por um
partido social , mas por um sitemas de democracia social. Então, competência
e iguais oportunidades a todos passam , assim , a ser o mote da moralidade
da coisa pública e privada. Se economia é o gerenciamento de recursos, o
social é o poder de negociação do povo. O equilíbrio entre o social e o
econômico é a conciliação entre justiça e dívida. O devedor deve ter
condições de pagar, e o credor de receber. A noção de mercado que se está
forjando é esse conjunto de forças de barganha e negociação entre
produtores, consumidores, fornecedores, novos produtos e competidores.
A Dívida
O problema do pagamento das dívidas dos países pode ser encarada sob dois
aspectos: para aqueles muito pobres em que a dívida será perdoada, e para
aqueles que, oportunisticamente, dão o calote.
Cobrar dívida de países muito pobres é sacar contra seu futuro, já que sua
capacidade de pagamento foi destruída por guerras e revoluções sangrentas.
Então, o perdão da dívida nada mais é do que abrir possibilidade para que
novas dívidas sejam contraídas, reforçando aquela idéia de Keynes de que,
em algum momento, as dívidas contraídas no curto prazo serão alongas ( ou
trocadas) por outras de longo prazo. Assim , os países mais pobres adquirem
recursos (dívidas) para se montarem infra-estruturas sociais, de educação,
saúde e transportes, por exemplo, e, ainda, trocaram essas dívidas por outras
de mais longo prazo, as quais na verdade alavancarão essas infra-estruturas
montadas inicialmente, gerando produção e consumo.
255
O calote é enganoso. A idéia de que a eliminação de passivos contáveis
(dívidas) aumenta o patrimônio porque se tem a idéia de que se livrou de
encargos, é totalmente errada. A mecânica da dívida é essa: dos bancos para
o passivo contábil das empresas de cada país, dai para o caixa que aplica os
recursos em investimentos, os quais produzem resultados, ou ganhos, que,
eventualmente, irão parar no patrimônio líquido (PL) das organizações, talvez
como reservas.
A simples expectativa de um calote estimula que esses recursos sejam
mandados para fora do país devedor, retornando aos bancos que os haviam
emprestados. No dia do calote, não existe mais nem dívida nem recursos, nem
credores nem devedores. Na verdade, os devedores ficaram mais pobres,
diminuiu-se o patrimônio total, ou ativo total das empresas, e do país.
O calote tem ainda um agravante, além de transferir os recursos que foram
tomados emprestados para fora, impede que sejam tomados novos recursos,
paralisando as necessidade de investimentos sociais e de infra-estrutura de
curto prazo , assim como, os subsequentes alongamentos, necessários na
fase de maturação dos projetos sociais. Um exemplo, hoje, é a Rússia. Alguns
bilhões de dólares entraram no país, não foram pagos, e agora esses país
amarga uma profunda falta de recursos de investimentos e deteriorização da
sua base industrial e social instaladas.
Esse ciclo vicioso do calote é semelhante a questão do ouro extraído pelos
espanhóis de suas colônias americanas. A frota anual de carregamento desse
metal, muito antes de chegar à Espanha já estava comprometido com dívidas
a serem pagas. Esses recursos entravam por uma porta e saíam por outra,
condenando a Espanha a quase 200 anos de atraso. Esse ouro todo foi para
no norte da Europa, servindo de base para sua industrialização. As
conseqüências nefastas desse ciclo perverso só foram, realmente, superados
pela Espanha muito recentemente, desde que se decidiu pelo desmonte da
ditadura franquista.
Primavera em Praga
A conclusão é simples, uma fazenda é a penas terra, um edifício apenas tijolo
e reboco, o que anima esses conceitos é o espírito empreendedor, sem ele
caímos na poeira de sítios abandonados e de casas em ruínas. Assim, vai se
realizando a reunião anual do Banco Mundial e do FMI em Praga, aonde, por
mais incrível que pareça, ainda é primavera em pleno setembro. A verdade é
que agora os tanques estão enferrujados e o exército é de brancaleone.
Ricardo Rodrigues
20 de setembro de 2000
256
Civitas Splendidas
Ao avaliarmos esses últimos 9 meses, desde que em 20 de janeiro último
lançamos essa palestra sobre gerenciamento, administração e novas
maneiras de se fazer negócios, parece que estamos vivendo uma atmosfera
renovada de debate sobre cidadania; nem tudo acabou em pizza, afinal de
contas. O tema, portanto, que agora nos ocupamos, é sobre ética nos
negócios, transparência e avaliações.
Nossa maior vantagem competitiva
Ao se encerrar o 1º turno das eleições municipais, não podemos deixar de
notar o feito formidável desse nosso país que levou 90 milhões de pessoas às
urnas, num território maior do que a Europa Ocidental, com mais de 5500
municípios, sendo capaz de totalizar 98% dessesvotos em menos de 12 horas.
&
257
Essas avaliações, nos fazem reforçar a idéia do papel mediador da tecnologia
da informação, já que essa foi a primeira eleição totalmente informatizada,
onde foram usadas urnas eletrônicas, mostrando, desse modo, que
informática não é uma fórmula, ou um modelo rígido, mas representa uma
perfeita analogia com o próprio conceito de democracia, mediação e avaliação
de prós e contras.
Assim sendo, podemos notar que tecnologia, transparência e lisura vão se
tornando ingredientes básicos do processo democrático, e também das
atividades de negócios. A conclusão mais imediata é de que nossa
estabilidade social passa pela democracia; nossa estabilidade econômica
passa pela democracia. Bem verdade, a democracia é nossa maior vantagem
competitiva.
Numa avaliação mais crítica, percebemos que, ainda, estamos usando essa
vantagem competitiva democrática de maneira pouco eficiente. Está mais do
que na hora de fazermos a democracia contar a nosso favor, reduzindo
especulações sobre nosso futuro, transformando avaliações de risco em
transparência e ética, tornando esses critérios nosso diferencial e trunfo no
comércio exterior.
Por outro lado, países como a China tem administrado sua abertura
econômica, e o próprio processo de globalização, através de um sistema bem
mais rígido, já que há mais de 20 anos vem desenvolvendo um modelo
pendular entre um rígido protecionismo ao mercado interno com um
agressivo modelo comercial liberal, colocando-se como um expoente e
parceiro preferencial de grandes volumes de investimento no mercado
financeiro internacional nessas últimas duas décadas.
O modelo Chinês
Nos parece que o modelo Chinês tem sido representado por um modelo
autoritário protecionista interno, com pouca transparência, aliado a uma
burguesia liberal e agressiva que lhe serve de cabeça de ponte para seus
crescentes avanços comerciais por todo o mundo, desde Taiwan até a
Malásia, passando por Hong Kong e Cingapura, unindo as diversas colônias
chinesas existentes por todo o sudeste asiático; do sul da China até o estreito
de Málaca, unindos todos os chineses através desse conceito de linha de
defesa comercial da pátria mãe. Dessa forma, os chineses estão
administrando demandas sociais através de um sistema fechado e
subrepresentado, tentando sua compatibilização com demandas mais
liberalizantes, tais com aquelas provenientes de HongKong e Taiwan, tecendo
relações que vão aos poucos transformando Changai, novamente, no centro
financeiro da China e do sudeste asiático.
O modelo democrático brasileiro
258
Democracia não é, ainda, um grande problema chinês, mas certamente o será
em breve, e a própria prosperidade decorrente de sua abertura econômica, e
maior participação no mercado internacional, trarão à tona, mais cedo ou mais
tarde, essas contradições de demanda sociais reprimidas ao se
estabelecerem as futuras bases de negociação entre os vários segmentos da
sociedade, que hoje não estão sendo representados, ou ouvidos. Nesse
sentido, investimento na China , hoje, é uma aposta na especulação, não
existe democracia, nem transparência, e tudo pode acontecer quanto a esse
futuro.
Nós aqui, no Brasil, optamos pelo caminho mais difícil, e estamos
estabelecemos primeiro as bases de negociação com os diversos segmentos
da população, num processo democrático e sofisticado de participação e
reconhecimento de dívidas sociais e exclusões. A conclusãoé que temos uma
das estruturas de representação política mais complexas e avançadas dentre
os países emergentes, receptores de capital de investimento, e nossa
vantagem não é a perfeição, mas a tentativa de oferecer oportunidades
transparentes através da ampla informação.
Se na China, o futuro é uma especulação, aqui no Brasil é uma questão de
avaliação da informação disponível. A diferença é que com a especulação não
se sabe o que pode ocorrer, não existem bases, ou informações seguras, para
cálculos de risco. Por outro lado, onde se pode fazer avaliações, porque as
regras do jogo são essas a que todos têm acesso, assim como aqui no Brasil,
pode se fazer avaliações mais seguras sobre o futuro, sabe-se o que se pode
esperar.
No processo de construção dessa nossa vantagem competitiva democrática
brasileira, estamos afastando a especulação e o incerto com a construção da
ética e da transparência, transformando democracia em instrumento seguro
de avaliações sobre o futuro. Nesse ponto em que chegamos, e que é muito
bem representado pelas eleições municipais ainda em curso, estamos
construindo as bases de um conjunto democrático saudável, redefinindo
valores éticos, práticas políticas e valores sociais de bem comum, para que
os dois pratos da balança da mediação política tornem-se o contraditório da
nossa democracia na alternância de poder. Estamos fechando a cizânia da
guerra fria, e nos transformando em interlocutores e negociadores,
construindo, assim, um sistema de democracia social.
Momento de ouro
Essa oportunidade, do momento atual de recuperação econômica, que temos
aqui é de ouro, tudo nos une. Temos opiniões claras e bem diferentes sobre o
que queremos, e concordamos plenamente com o que não queremos. Se por
um lado, a questão pode oscilar entre mais, ou menos, intervenção do estado
na economia, por outro lado concordamos em varrer, de uma vez por todas
da nossa história, práticas nefastas, e por isso damos graças a Deus.
259
Se por esse lado da ética todos nós concordamos plenamente, por outro,
nossa missão aqui, talvez, seja questionar o papel intervencionista do estado,
já que acreditamos seriamente num sistema social baseado numa sociedade
de crédito, onde se ofereçam oportunidades, não moeda; não apenas
produtos mas poder de escolha. Essa estratégia é, a nosso ver, o modo mais
rápido de se reduzir a exclusão social. Afinal o que seria melhor, comprar uma
casa agora e pagá-la em 30 anos, ou juntar o dinheiro para adquiri-la daqui a
30 anos ?
Nossa posição é clara, e concordamos plenamente que ética e negócios
andam juntos, e essa é a base do estabelecimento de uma justiça social. Se
não podemos, nem devemos, minimizar nossas diferenças, concordamos
com a ética do bom uso do bem público contra práticas nefastas, nesse caso
“particular” de São Paulo vocês têm não só nosso apoio mas nosso voto. Por
outro lado, o que vai se formando em termos de um sistema social
democrático no Brasil é a tentativa de se resolver a equação: ética + negócio
+ comércio = desenvolvimento transparente e sustentado.
A missão da democracia
Está, mais do que na hora, de fazermos a democracia trabalhar a nosso favor
para deixarmos de vez de praticar nessa bicicleta ergonométrica. Não
devemos perder mais tempo na nossa guerra contra o subdesenvolvimento.
Se já temos o nosso Roosevelt, o nosso Churchill, agora seja bem vindo o
general De Gaulle.
Por outro lado, não acreditamos mais tanto na massiva ingerência do estado
na nossas vidas porque, ao longo dos últimos 180 anos de independência de
nossa história, temos criado um conceito de estado que sempre pregou o
famoso: “Deixa comigo que eu aperto os parafusos”, criando, em
conseqüência, uma cultura inflacionaria que, por décadas, ficou totalmente
fora de controle, e destruía ambos os valores: o da moeda e o do trabalho.
Nesse sentido, avançamos muito, e, se algumas coisas não funcionaram bem,
ultimamente, pelo menos 2 coisas tiveram bons resultados: a construção da
democracia e a de uma moeda chamada Real.
Portanto, diante do estupendo resultado do atual processo eleitoral na
construção da cidadania, definido competência e eficácia, assim como o papel
mediador exemplar da ciência e da tecnologia, só podemos dizer
“CivitasSplendidas”.
11 de outubro de 2000,
Ricardo Rodrigues.
260
Liberdade de Expressão
Hoje, venho lhe pedir sua ajuda. Tenho sido vítima de uma campanha pérfida
de descrédito e ofensas movidos por certos setores da imprensa,
principalmente por marxistas inconformados com a queda do muro de Berlim
e que, certamente, fugiram de algum parque temático ideológico da Europa
Oriental. Eles visam meu caráter e dignidade pessoal, movendo uma
campanha típica de regimes totalitários do tipo soviético, tudo porque não sou
marxistas. Hoje sou eu amanhã será você.
Já faz algum tempo que venho sido atingido por campanhas desse tipo, desde
quando estudava ainda na George Washington University, em Washington,
quando fui mandado embora do emprego que, ainda, tinha aqui no brasil, na
CBTU, por acreditem, abandono de emprego, quando na verdade, estava sob
licença sem remuneração.
&
261
Depois, ainda, no Rio de Janeiro, na COPPE, UFRJ, fui cruelmente destratado
ao gritos por uma professora marxista estrangeira, que entrou nesse país por
vias duvidosas, já que só se saía de um satélite soviético fugido, e ela não
nunca foi refugiada política.
Recorri ao Ministério Público de São Paulo, baseado em artigo publicado na
imprensa, onde o presidente do CNPq dizia que todo bolsista CNPq era
obrigado a retornar ao país. Pois bem, relatei os problemas que vinha
sofrendo através de uma representação, e nada foi feito.
Passei a enviar cartas (e-mails) a vários jornais e jornalistas pedindo apoio.
Além de apresentar meu trabalho na Internet
(http://user.iron.com.br/~rricardo) . Passei a sofrer ataques velados e até
durante as eleições parte do que estou dizendo nessa palestra, percebi que
passou a ser usado com objetivos políticos eleitorais. Você pode reconhecer
meus artigos em vários outros publicados na impresa. E, principalmente, o
artigo “A armadilha das Ideologias”, que por sinal veio a se tornar uma
previsão trágica dos acontecidos políticos desse país quando o jornalista
Pimenta Neves matou sua namorada com um tiro pelas costas. Curiosamente,
ele trabalhava no Banco Mundial quando lá também estive e, com certeza,
tinha conhecimento do artigo sobre a responsabilidade dos bolsistas do
CNPq, o mesmo artigo que me levou a ingressar com uma representação no
M.P.
O resultado de tudo isso tem sido uma campanha criminosa de descrédito de
minha pessoa, principalmente, entre jornalistas, nunca mencionando meu
trabalho , ou meu nome, diretamente, mas pior ainda, indiretamente com
objetivos maliciosos e obscuros.
Hoje, a despeito de minha capacitação profissional, a qual você pode avaliar
nesse site acima mencionado, passo por dificuldades sérias e por isso venho
pedir sua ajuda no sentido de freiar essa campanha, limpar meu nome e
ajudar-me numa divulgação positiva de meu trabalho, preciso trabalhar e viver
como qualquer outro. Nem se fosse a pior pessoa desse mundo mereceria
tamanho perseguição e vilipêndio.
Tenho certeza que a razão de tudo isso é essa combinação bastante suspeita
para uma sociedade colonial e corrupta como a nossa em que vivemos: ter
um diploma de uma universidade americana e ser de classe média. Isso fere
aristocratas falidos e marxistas e a nós cabe pagar a conta , e mais impostos.
No entanto, tudo isso eu fiz com dinheiro público, afinal, seu dinheiro. Por isso
não só peço sua ajuda, mas também, estou lhe prestando contas de como, e
onde, seu dinheiro foi usado. Meus pontos fortes e fracos podem ser
avaliados e apreciados, aqueles que me destratam só tem palavras venenosas
e malícia. Na verdade, é preciso mais do que isso para se destruir o caráter de
alguém, nem mesmo um linchamento moral pode nada, se nos mantemos fieis
262
àquilo que pensamos, ou acreditamos. O único que pode nos desacreditar
somos nós mesmos.
Na verdade, é isso que querem, que eu mude de opinião dando a impressão
que o que escrevi foi para atingir objetivos políticos, ou ainda, para adulação.
Claro, na medida que não mudo, porque é assim que penso, não podem se
apropriar convenientemente daquilo que digo. Não vão conseguir isso lhes
asseguro. Na verdade, é uma elite colonial desesperada, igonorante,
procurando por legitimidade, que a essa altura já foi totalmente perdida.
Nenhuma campanha pode levar alguém ao descrédito, como disse antes. O
que destrói alguém é ele/ela mudar contentemente de opinião apenas por
oportunismo ideológico, ou um favor qualquer,servindo, assim, de joguete, ou
ping-pong político. Isso é perigo porque é porta aberta para ditaduras. E a nós
da classe média, resta o estelionato eleitoral, onde se vota em um partido e
acaba se levando um outro de lambuja.
Venho aqui, agora, pedir a sua ajuda e julgamento de valor. O que apresento
em minha defesa é essa palestra, é tudo que tenho.
Obrigado
Ricardo Rodrigues
16/11/2000
Borobudur-Ziriguidum Urgente
Borobudur
Durante a recente viagem do presidente Fernando Henrique Cardoso à Ásia
ele passou pela Indonésia, país formado por várias ilhas dentre elas a de Java.
Nessa ilha, fica o famoso monumento budista de Borobudur, redescoberto em
meados do século 19, o qual surpreendeu arqueólogos da época ao se
constatar que já no séculos 9,10 e 11 floresceu uma importante civilização em
Java. Borobudur, como templo budista, é uma colossal construção em
terraços superpostos, sem abrigos, ou salas, por onde, numa escala de
gradação espiritual, preparava-se para atingir o ponto mais alto do
monumento de onde se poderia apreciar uma paisagem indiscritível a mais de
50 metros do solo.
Poucose conhecesobre os construtores desse templo gigantesco, mas pode-
se, de qualquer forma, perceber a importância da civilização que o construiu.
Na época de sua descoberta, não se acreditava que na ilha de Java tivesse
havido cultura capaz de construir algo tão monumental como Borobudur. No
&
263
centro dessa civilização perdida, baseado no plantio e comercialização de
arroz, estão gravados fortes traços e desenhos arquitetônicos de influências
indiana e chinesa, mostrando o quanto comércio, religião e cultura estão
associados à movimentação global de pessoas e mercadorias, criando e
recriando arte, civilização e noções de valores materiais e espirituais.
Percebe-se, assim, o quão antiga é a idéia da própria globalização.
Málaca
Na verdade, as ilhas da Indonésia, desde a antigüidade, têm se situado como
encruzilhada de rotas comerciais, unido árabes, indianos e chineses. Elas
foram, durante muitos anos, fornecedoras de produtos à Europa, colocando o
estreito de Málaca, entre a ilha indonésia de Sumatra e a península da Malásia,
até hoje, como entroncamento de rotas marítimas, derivando daí a importância
de Singapura. Atualmente, Singapuraé um porto independenteno extremo sul
da península da Malásia, desempenhando um papel relevante no presente
estado do comércio mundial como centro de rotas marítimas, unindo o oriente
à costa oeste americana e à Europa, passandopela Austrália, Indonésia, China
e Japão.
Panamá
Até a construção do canal do Panamá, e sua inauguração em 1914, o Atlântico
Sul era rota tanto para as embarcações européias que atingiam a costa leste
dos EE.UU, circunavegando a América do Sul, quando para as embarcações
que vinham do oriente, saindo de Málaca, passando pelo subcontimente
indiano e circunavegando a África em direção à Europa.
Após o canal do Panamá, e a intensificação da industrialização na Europa e
nos EE.UU, o comércio internacional, assim como o fluxo de riquezas no
mundo, concentraram-se, ainda mais, no hemisfério norte, criando-se um
desequilíbrio entre o desenvolvimento do Norte e do Sul do nosso planeta.
Após a Segunda guerra mundial, a ascensãodo Japão à categoria de potência
industrial acabou por beneficiar a Coréia, tornando-se as duas parcerias
comerciais importante dos EE.UU, expandindo e revitalizando parte da antiga
grandeza das rotas marítimas do oriente, agora, seguindo em direção a São
Francisco e aos portos da Europa, via canal do Panamá.
A abertura comercial chinesa de Deng Ziao Ping reformulou esse panorama
de rotas comerciais centradas apenas no circuito leste-oeste do hemisfério
norte, expandindo o desenvolvimento industrial por todo o oriente, revivendo
a antiga grandeza e importância do estreito de Málaca, criando
desenvolvimento no hemisfério sul, abrindo caminho para a Índia e a Austrália
tornarem-se grandes centros industriais no desenrolar do século 21.
264
Atlântico Sul
Nessa análise, como estamos apresentando aqui, podemos perceber as
perdas relativas da América do Sul e do continente Africano, os quais, devido
ao canal do Panamá ficaram reduzidos a fornecedores pontuais de riquezas
específicas , tais como, café, através do porto de Santos, cereais pelo porto
de Buenos Aires, ou ainda, diamantes em Angola.
A falta de rotas marítimas integradoras e globais encaressem nossos
produtos, e reduzem nossos portos a meros terminais, e não centros
comerciais roteados de riquezas. A viagem do presidente Fernando Henrique
ao oriente deve ser vista como precursora dessa nossa nova missão como
país continente do hemisfério sul, exercendo papel semelhante à abertura
chinesa no desenvolvimento da Ásia, deslocando, ainda mais, o fluxo do
comércio internacional, e o desenvolvimento, do sentido leste-oeste no norte,
em direção a um link, ou uma perna, que altere fundamentalmente o equilíbrio
do fluxo de riqueza do mundo atual em direção ao sentido norte-sul através
do Atlântico Sul.
A nossa missão é, então, de criarmos rotas comerciais que conectem as
imensa riquezas do continente brasileiro ao estreito de Málaca, fazendo
conexões com a China, como o sub-contimente indiano e a costa oriental e
ocidental da África. Assim, a cidade do Cabo voltaria a ter sua importância
estratégica da era dos descobrimentos, assim como os portos brasileiros,
fazendo a rota inversa de Vasco da Gama, indo agora, de Calicute a Lisboa.
Essa visão transforma os portos brasileiros em roteadores de riquezas que
vão aos poucos redescobrindo a Europa e a América.
A crise com o Canadá
A presente crise comercial com o Canadá, mostra nossa fragilidade no
comércio internacional e que a resposta é avançar, não retroceder e fechar.
Na verdade, o que precisamos é destravar nossas relações comerciais com o
mundo, abrindo possibilidades onde hoje não vemos nenhuma. Nesse
sentido, a abertura comercial brasileira é uma necessidade afim de nos
capacitar para melhor definirmos estratégias que vão além de acordos
bilaterais, mas também, para aumentarmos nosso poder e controle sobre essa
nova noção estratégica da informação, tratando comércio não apenas como
rotas marítimas, mas também, como rotas eletrônicas, tecnológicas, culturais,
e, acima de tudo, como parte integrante de um processo civilizatório. Essa
experiência estratégica só se aprende fazendo,por tentativa e erro. Condições
competitivas ideais jamais existirão.
Compartilhando uma certa visão de um centro social liberal
265
Ao longo de nossa história como país independente nunca conseguimos criar
um sistema econômico que possibilitasse às pessoas, aos cidadãos
resolverem seus problemas de sobrevivência, e, nesse processo, resolverem
os problemas da sociedade como um todo. No entanto, é interessante notar
que a idéia de um Estado forte sempre esteve presente. Produzimos um
quantidade enorme de modelos de como um estado nacional deveria ser;
desde a monarquia como herdeira do colonialismo português na América,
com sua noção de império e interesse de preservar a herança território da
colônia; até a república com sua noção de perfeição cívica, racionalismo e
governada por uma aristocracia iluminada.
É interessante, também, notar que todos os projetos de Estado que o Brasil já
teve basearam-se sempre em uma autoridade legal sobre um território, mas
careceu sempre de um elemento fundamental para a caracterização da noção
de nação: o povo. Assim, o povo da nação brasileira, ao longo de sua história,
tem sido visto apenas como um elemento amorfo, massa de manobra,
assistência de galeria em dia de parada cívica.
O elemento cidadania sempre esteve ausente porque nunca conseguimos
criar ao longo de nossa história de vários modelos de Estado, um que
estivesse fundamentado em um sistema econômico que possibilitasse o povo
participar da riqueza nacional como seu agente causador, elemento
fundamental na criação, e geração, de riqueza. De uma forma, ou outra,
vivemos sempre de ciclos econômicos onde o povo era não mais do que
apêndice de uma elite capaz de gerar uma atividade econômica. Assim foi para
o açúcar, ouro, café, e o período do industrialismo dos últimos 50 anos.
Assim, cada uma dessas atividades não foram capazes de criarem outras,
multiplicando qualidades qualificações, ou alternativas, entorno daquela elite
que gerenciava o produto da riqueza nacional do momento. No final de cada
ciclo, então, o país entrava em crise, a espera de um novomodelo. O comércio,
ou a classe média, gerada por esses períodos cíclicos de riqueza sucumbiam,
dessa forma, junto com as elites gerenciadoras do produto nacional, por que,
na verdade, nenhum desse ciclos foi capaz de gerar um sistema econômico,
onde o produto principal, açúcar, ouro, café, ou industria criasse múltiplas
relações econômicas, multiplicando e ampliando a riqueza principal do ciclo.
Como apresentamos aqui, a razão dessa falta de estruturação econômica
sistêmica do país ao longo prazo,foi, e ainda é, devidoao fato que procuramos
solução econômicas para a sobrevivência do Estado e não a da sociedade. O
Estado é quem, de uma forma ou de outra, gerava, e ainda gera, os modelos
que determinam como as pessoas devem, ou podem sobreviver, em torno
sempre daquela noção de melhor explorar, ou utilizar a riqueza principal do
ciclo econômico do momento. O estado brasileiro, ao longo de sua história,
tem sido um fim em si mesmo, um modelo perfeito; o povo um assistente
passivo, sob diversos aspectos uma vítima das circunstâncias. Enquanto a
riqueza principal está em ascensão, tudo vai bem, quando declina, não
266
existem alternativas, mas esperar que Deus nos ajude a sobreviver até que
um novo produto seja encontrado.
Enquanto o país era essencialmente rural e de pequena população foi
relativamente fácil administrar esses ciclos econômicos e seus hiatos. O
processo de industrialização, iniciado faz 50 anos, realizou-se baseado nesse
mesmo perfil de administração de ciclos. O modelo era estatal, o produto era
substituição de importados, a elite escolhida a dedo através de generosos
subsídios, o povo, mão de obra barata. A estratégia desse período foi a
inflação galopante que reduzia arbitrariamente preços para privilegiar as
exportações e reduzia salários a muito pouco, ou quase nada. Assim,
podemos dizer que se deu a 1º revolução industrial brasileira, fazendo com
que a população saltasse de 40 milhões em 1940 para 140 milhões em 1980,
atingindo hoje 170 milhões.
O que fica patente nessa análise é que mesmo com o processo de
industrialização o povo ficou a margem de um sistema econômico, privilegiou-
se a formatação de um modelo de como o estado deveria funcionar e se
industrializar, não exatamente de como as pessoas deveriam, ou poderiam
sobreviver. Esse período que vai de 1930 até 1980 é bastante caracterizado
pelo fato de ser inteiramente dominado por regimes autoritários e
paternalistas, e a palavra povo, ou trabalhador, a moeda política corrente
dessa época. Ficou para traz, dessa forma, um período inflacionário jamais
visto na história econômica da humanidade, criando-se a um Estado que
podemos chamar de industrializado, mas com a pior distribuição de renda do
mundo. O estado industrializou-se a sociedade não.
A partir do governo Fernando Henrique inicio-se a hora da verdade. A partir
do plano real, depois de esgotada a capacidade intervencionista do estado, e
sua credibilidade como impressor de papel moeda sem valor, procuramos por
um novo modelo de estado. É exatamente aqui que saltamos do bonde, e
alertamos: “É, e tem sido sempre, esse nosso erro, de procurar por um modelo
para o Estado! Hoje procuramos por um modelo econômico para a sociedade
o qual dê liberdade para as pessoas escolherem seus caminhos, realizarem
suas potencialidades, resolverem, enfim, seus problemas, e, em resolvendo
seus problemas, resolverem os problemas da sociedade como um todo.
O que estamos tentando compartilhar aqui é uma visão de um centro social
liberal, onde seja possível, e desejável, um sistema econômico flexível, não
centrado no Estado, mas no cidadão. Nossa maior conquista desses últimos
6 anos de governo Fernando Henrique Cardoso, desde do advento do Real, foi
o esforço para equilibrar forças econômico, que historicamente sempre
giraram como um roda gigante cambaleante fora de eixo. Tivemos que pô-la
nos eixos, arrumar os tirante e as caçambas, tudo isso sem deixar a roda
parar. Isso tem sido uma tarefa histórica de proporções bíblicas. Hoje,
chegamos a sofisticação de termos um plano de metas inflacionarias,
revelando a priori qual será a desvalorização controlada da moeda, forçando
267
os agentes econômicos a restringirem suas expectativas quanto ao preço dos
produtos, segundo as determinações do Banco Central, sob o risco de
ficarem, por assim dizer com o mico na mão, ou o produto encalhado por falta
de comprador.
Dessa forma retiramos o enfoque do desenvolvimento de cima da moeda
como arma para gerar riqueza inflacionada, mudando a ótica, o poder
econômico, das mãos de um sistema de Estado para as mão do cidadão e da
sociedade. Moeda, assim perdeu seu valor, como instrumento político, para
ser apenas alavancadora de possibilidades.
O sistema social liberal que temos em mente, ao abandonar a moeda como
ação política, volta-se para o crédito como elemento principal de alavancagem
social. Assim, não é o salário que importa, mas o quanto um cidadão pode ter
sua vida alavancada pelo crédito, gerando uma sociedade meritória, onde
cada grau de educação e instrução conquistados, cada diploma, ou
qualificação a mais é recompensada hoje e agora, gerando um sistema
virtuoso onde mais crédito, mais riqueza, mais qualificações, mostrando
assim o valor da educação não como algo estático, mas como fator de
ascensão social imediata. Dentro dessa visão, a chave é manter a inflação
baixa, o déficit fiscal sob controle e a moeda estável , e por assim dizer neutra.
Um sistema de crédito, assim definido, iguala poupança a investimento
porque qualquer coisa pode ser um produto a ser consumido: uma cota de
fundo de pensão, um plano de saúde, um diploma ou ainda um carro. Se dou
preferência, por qualquer razão, ao consumo de produtos financeiros, o limite
dessa estratégia é não consumir nenhum bem durável, o que levaria a queda
dos retornos nos investimentos feitos, forçando-me a um consumo de bens
duráveis afim de que se possa alavancar as empresas onde coloquei minha
poupança na forma de investimento. Consumindo mais produtos dessas
mesmas empresas, acabo criando um ciclo virtuoso e um equilíbrio entre
poupança e investimento os quais acabam por significar, no fundo, a mesma
coisa.
Por outro lado, se as metas inflacionarias regem o valor, por assim dizer,
neutro da moeda, por outro lado o sistema creditício alavanca sobre o
potencial de consumo e desenvolvimento dos cidadão e da sociedade
simultaneamente. Então, em paralelo as metas inflacionarias, um governo
social liberal teria também metas sociais que mediriam, a grosso modo, a
porcentagem da população pertencente a classe média, tomada aqui como um
padrão de distribuição de renda e bem estar social. Por exemplo, se hoje a
classe média brasileira representa algo em torno de 46 a 50 % da população,
a meta seria que esse índice saltasse para 80 % para o final dos próximos 10
anos.
Sem entrar em considerações teóricas ou técnicas, existe, então, um
correlação entre a meta inflacionaria de digamos 4% ao ano com uma meta de
268
crescimento social da classe média de, digamos, 2% a 3%. A taxa de
crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), dessa forma estaria medindo o
quanto a moeda pode, através de uma sociedade creditícia alavancar bem
estar social, fechando dessa forma a aparente disparidade entre o econômico
e o social. Transformando, a sociedade brasileira em um sistema de
oportunidades voltada para o cidadão, não para o Estado. A missão do Estado
seria, dessa forma, o bem público, não o estatal.
A questão aqui é imaginar de onde viriam os recursos para alvancar
crescimento e ao mesmo tempo crédito. Viriam do comércio exterior, das
rotas comercial existentes, e daquelas a serem criadas nesse expresso
econômico que chamamos aqui de Borobudur-Ziriguidum, colocando como
meta do Estado o incentivo, a avaliação, o estudo, as parcerias necessárias
para que isso acontecesse, tal como a China tem feito nesses últimos 20 anos.
Devemos observar que a China, a despeito de ser muito menos democrática
do que nós consegue quase tudo em Washington, capital dos EE.UU. Nós,
nem tanto, e certamente não na mesma quantidade.
Eleições para presidente da Câmara e do Senado
A presente eleição, hora em curso, no Congresso está dando sinais de desvio
na estrutura de sustentação do governo, o qual pela primeira vez na história
desse país foi eleito por dois períodos consecutivos para efetuar reformas.
Temos razões para acreditar, pelo que acompanhamos pelos jornais, que de
novo estamos diante daquela velha máxima autoritária de que um pouco de
inflação é tudo de que precisamos nesse momento. Nada mais errado, nosso
momento é crucial, não só para a estabilização econômica, quanto para
abertura comercial desse país ao mercado externo. Se falharmos de novo,
como em tantos outros planos antes do Real, e serão mais 20 anos de atraso.
Agora, mais do que nunca, é preciso por a cabeça no lugar. É baseado nessa
visão de um centro social liberal, que explicamos acima, que apelamos para
os senhores e senhoras congressistas para que mantenham o PFL ( A frente
liberal) com o controle de uma das casas. Nenhum partido tem dado mais
suporte para a estabilização econômica desse país, principalmente nas horas
mais difíceis por que passamos nos últimos 2 anos. Por isso, nosso apelo
aqui é pelo Partido da Frente Liberal e pela estabilização disso que estamos
chamando aqui de um centro social liberal. Se falharmos, e voltarmos com o
velho modelo inflacionario, intervencionista e estatal, mais uma vez o povo
será colocado na arquibancada como torcida organizada, e não como
cidadãos responsáveis, independentes, dentro da estrutura do Estado. Mais
uma vez, terá vencido o Estado voltado para si mesmo, e não orientado para
o interesse público e da cidadania.
Ricardo Rodrigues
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13/02/2001

Declínio da Burocracia; Ascensão da Informação

  • 2.
    2 Índice Página I- Fatores Internos.......................... I.1- Estruturas .......................... 04 I.2- Processos ........................... 18 I.3- Finanças ........................... 31 I.4- Produção ........................... 48 II- Fatores Externos ........................... II.1- Globalização ........................... 64 II.2- Mercado ........................... 76 II.3- Moeda ........................... 81 II.4-Tomada de Decisão ........................... 85 III- Ferramentas ........................... III.1- Sistemas ........................... 90 III.2- Inteligência Artificial ........................... 112 III.3- Interfaces ............................ 125 III.4- Programação ........................... 139 IV- Conexões ........................... IV.1- Redes ........................... 166 IV.2- Conexões ........................... 182 IV.3- Equipamentos ........................... 193 IV.4- Estratégias ........................... 208 V- Conclusões ........................... 223 VI- Apêndice ........................... 234
  • 3.
  • 4.
    4 Estruturas Organização A questão daorganização Umas das questões interessantes de Bertalanffy em seu livro “ Teoria Geral dos Sistemas”, é a pergunta: o que é organização? Em oposto a visão mecanicista de entendê-la apenas como partes intercambiáveis, a abordagem de sistema tenta compreender organização como resultado de um equilíbrio entre forças ou componentes que consomem recursos, despendem energia, produzem trabalho e interagem entre si. Como diz Bertalanffy, a característica das organizações, quer seja como organismo vivo ou social , são as noções de totalidade, crescimento, ordem hierárquica, dominação, controle e competência e interação. Dois conceitos são importante para a compreensão da noção de organização: 1- administração de recursos e 2- formas ótimas de se organizar. Esses dois conceitos estão limitados pela capacidade das formas organizacionais, pelo crescimento das necessidades de recursos vis-à-vis disponibilidades, pela interação da organização com seus elementos internos e externos, assim como, pela mútua interação entre diferentes organizações. Uma análise na evolução do conceito de organização , sob o ponto de vista da administração, permite distinguir três momentos: 1- a preocupação com a racionalização de recursos , 2- a preocupação com as formas de se organizar trabalho, e 3- preocupação com os tipos de controle (gerenciamento). Então, controle para a administração começa como um problema econômico de recursos e evolui em direção a uma preocupação social e humana. Ferramentas, técnicas e tecnologia evoluem para se questionar formas de organização social, resultados, otimização no uso e distribuição de recursos e formas de se exercer planejamento, controle, coordenação e comando.
  • 5.
    5 O século 20apresentou uma série de idéias de como organizar e gerenciar negócios. Stuart Crainer, em seu livro “Os Revolucionários da Administração”, faz um retrospecto das pessoas que mudaram concepções na área de administração de empresas. Na tabela abaixo, apresentamos uma rápida compilação de alguns desses revolucionários mencionados por ele. Relação de idéias que mudaram a administração no século XX
  • 6.
    6 Autor Idéia InovadoraBibliografia Sun Tzu – 500 ac Estratégia e tática competitiva "A Arte da Guerra" Nicolau Maquiavel (1469.-1527) Poder e liderança "O príncipe" Henri Fayol (1841-1925) Princípios de administração "Administração Industrial e Geral" Frederick Taylor (1856-1917) Administração Científica "Princípios da Administração Científica" Max Weber (1864-1920) Modelo burocrático de organização "The Theory of Social and Economic Organization" Alfred P. Sloan (1875-1966) Organização em divisões "My Years with General Motors" Elton Mayo (1860-1949) Motivação e trabalho em equipe "The Human Problems of Industrial Civilization" Dale Carnegie (1888-1955) A arte de vender, comunicação e motivação "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas" Kurt Lewin (1890-1947) Grupos T e teoria do campo "Teoria Dinâmica da Personalidade" Konosuke Matsushita (1894-1989) Atendimento ao cliente. A corporação empreendedora gigante. "Não Vivemos Somente pelo Pão" Marvin Bower (1904- ) Cultura e valores corporativos. Trabalho em equipe e gerenciamento de projetos. Consultoria profissional "The Will to Manage" "The Will to Lead" Joseph Juran (1904- ) Gerenciando pela qualidade " Controle de Qualidade" Douglas McGregor (1906-1964) Teorias motivacionais X e Y "O Lado Humano da Organização" Peter Druker (1909- ) Administração aplicada a todos, desde administração por objetivos até o gerenciamento pelo conhecimento "A Prática de Administração de Empresas ("The Age of Discontinuity") Harold Genee (1910-1997) Administração baseada em fatos e análise "Managing" The Synergy Mith" David Packard(1912-1996) Administração percorrendo todos os setores, envolvimento dos empregados. The HP Way"
  • 7.
    7 Thomas Watson Jr.(1917-) Cultura e valores da corporação " A Business and Its Believes" Elliot Jaques(1917- ) Intervalo de tempo da descontinuidade. Democracia industrial "A General Theory of Bureaucracy" Alfred Chandler (1918- ) Relacionamento entre estratégia e estrutura. Empresa multidivisional. "Strategy & Estructure" Igor Ansoff (1923- ) Administração estratégica . Sinergia "Estratégia Empresarial" Robert Townsend (1920- ) A falsidade da vida corporativa. "Up The Organization" Chis Argyris (1923- ) Aprendizagem organizacional "Personality & Organization" "Organizational Learning" Abraham Maslow Hierarquia das necessidades "Motivation & Personality" "Eupsychian Management" Akio Morita (1921-1999) Administração Japonesa "Made in Japan" Ted Levitt (1925- ) Merketing Globalização "Innovation in Marketing" Edgar Schein (1928- ) Cultura da corporação Âncoras da carreira "Organizational Culture & Leadership" Alvin Toffler (1928- ) Gerenciamento Ad Hoc Pós-industrialização "Future Shock" "The Third Wave" "Powershift" Philip Kotler (1931- ) Reconhecimento do marketing como função central da empresa "Marketing Management" John Naisbitt(1930- ) Reestruturações e avaliação de tendências. "Megatendências" Henry Mitzberg (1939- ) Estratégia como habilidade. O papel dos gerentes Formação de dirigentes "The Nature of Managerial Work" James Champy (1942- ) Reengenharia "Reengineering The Corporation" Kenichi Ohmae(1943- ) Estratégia e fatores determinantes do sucesso. "The Mind of Strategist" "The Borderless World" Rosebeth Moss Kanter(1943- ) Empowerment A empresa pós- empreendedora "Change Masters" "World Class"
  • 8.
    8 Peter Senge(1947- )Organização voltada ao aprendizado "The Fifth Discipline" Michael Porter (1947- ) Estratégia, competitividade Estrutura de cinco forças do mercado "Competitive Advantage" "Competitive Strategy" "The Competitive Strategy of Nations" Sumantra Ghoshal (1948- ) Globalização e estrutura corporativa "Managing Across Borders" "The Individual Corporation" Fons Thompenaars(1952- ) Gerenciamento da globalização "Riding the Waves of Culture" Gary Hamel(1954- ) Plano estratégico Capacidades Centrais "Competing for the Future" RecursosOrganizacionais Organização de recursos A administração de recursos está na base dos problemas referentes às organizações e modernamente começam com Adam Smith, que em seu livro “ A Riqueza das Nações”, lança as bases dos conceitos de custo como fator competitivo, propondo a organização do trabalho em formas elementares,
  • 9.
    9 repetitivas e coordenadas.Custo ou preço passam, então, a ser a preocupação entre diferentes tipos de organizações ou sociedades para se definir vantagem ou competitividade. O desenvolvimento de mercados, o crescimento econômico e a evolução da tecnologia, após a era dos descobrimentos marítimos, lançou a questão da competitividade e das formas das organizações em direção às linhas de montagem, transformando em trabalho coordenado e repetitivo as tradições das corporações de ofício da idade média. De meados do século 19, até início do século 20, três nomes são importantes na área de administração, no estudo da otimização de recursos, formas organizacionais e gerenciamento : Frederick Taylor, Henri Fayol, e Max Weber. Seguindo os estudos de Taylor, Fayol e Weber, podemos ver que a revolução industrial começa simplesmente como uma racionalização de recursos e custos, até atingir as dimensões sociais de como seres humanos podem ser organizados afim de se obter resultados permanentes de ganhos contínuos e crescentes. Aquilo que começou pela linha de montagem, terminou no questionamento das atividades gerenciais. Aquilo que, no começo, era uma preocupação com cronometragem de tempos, alinhamento de tarefas e disposição do trabalho, termina como uma preocupação de estabilidade e ordem social. A preocupação, no início da revolução industrial, era entender como ferramentas organizam trabalho para se obter menores custos, evoluindo em direção ao desenho de formas estáveis de organização, as quais possam a trazer estabilidade e otimização no gerenciamento de recursos materiais e humanos. Nesse sentido, a contribuição de Max Weber tem sido notável e perdura até o início do século 21, através do conceito de burocracia. No próximo bloco analisaremos algumas dessa premissas burocráticas de Weber. As formas mais avançadas de organização no final do século 20 podem ser expressas pelo conceito de organização em redes, como apresentado por John Rockart e James Short na compilação de trabalhos “The Corporation of The 1990s” realizado por Michael Scott Morton. "Corporações em Redes" analisa o papel da tecnologia da informação como suporte da informação e elemento que reduz tempo e espaço dentro da corporação. De acordo com Rockart e Short, ferramentas eletrônicas potencializam a capacidade humana, reduzem o tempo para realizar tarefas e através das redes corporativa aceleram o fluxo da informação. A dinâmica da organização, desse modo, sofre uma reviravolta mudando a forma como é operada e gerenciada.
  • 10.
    10 O enfoque dogerenciamento, no final e início do século 21, direciona-se para a análise dos processos gerenciais e do papel da informação e suas estruturas de processamento. O problema de otimização de recursos passa, assim, a ser um problema tecnológico e de tomada de decisão, e não mais apenas automação e racionalização das linhas de produção. Esse fato reflete a mudança de caracter do desenvolvimento econômico de industrial para serviços. Evoluçãoda Administraçãono Século XX A burocracia no século 20 Se Frederick Taylor estava preocupado com o gerenciamento científico através do minucioso inventários dos tempos de cada atividade na organizaçãodo trabalho, Henry Ford foi o realizador desses conceitos através da criação das linhas de montagem.
  • 11.
    11 O sucesso dasrealizações de Ford permitiu o barateamento dos automóveis, até que se tornassem produtos de consumo de massa. Por de trás dos conceitos da cronometragem dos tempos das atividades, sua organizaçãoem linhas de montagem e a divisão do trabalho, estão as noções de apropriação de custos de curto e longo prazo. O sucesso de Ford representou um barateamento dos custos iniciais de produção através da economia de escala e, consequente, a estabilização dos preços ao nível dos custos médios de produção. Fayol apropriou a administração não em tarefas, mas em funções bem distintas, tais como para: prever e planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar, demonstrando uma preocupação em definir gerenciamento em funções, nas quais os gerentes pudessem ser treinados. Fayol, com essa visão, introduziu fatores intangíveis, tais como a noção de gerenciamento, aos fatores de produção, antes encarados apenas como matéria-prima, recursos humanos e capital. Max Weber foi mais longe do que todos ao tentar apropriar, não só as funções básicas do gerenciamento, mas entendê-los como um corpo independente na própria organização, capaz de trazer estabilidade, não só na produção mas também nas relações sociais. Weber profissionaliza o corpo gerencial definindo tipos de autoridades, os quais, no fundo, eram modelos de como os recursos tinham sido gerenciados no passado e deveriam sê-lo no futuro da civilização industrial. Esses modelos de autoridade eram : 1- O tradicional, baseado na legitimidade do comando através das tradições históricas. “...O objeto de obediência é a autoridade pessoal de indivíduos que gozam de virtudes em seu status tradicional...” (Weber, The Theory of Social and Economic Organization). As figuras de representação dessa autoridade eram a gerontocracia, o patriarcalismo e o patrimonialismo. 2- O carismático, baseado no poder exercido por indivíduos que se destacam da maioria e são considerados dotados de qualidades sobrenaturais e sobre- humanas. Esses tipos de líderes são aqueles que arregimentam seguidores e discípulos. 3- O burocrático, baseado na legitimidade de uma autoridade legal que exerce seu poder através de algumas premissas, tais como: 1- toda regra regra (ou lei) é imposta por pressupostos racionais; 2- todo o corpo de leis é um sistema abstrato de regras com objetivos intencionais;
  • 12.
    12 3- a pessoaque exerce autoridade ocupa um cargo com funções e limites bem definidos pelas regras legais; 4- as pessoas obedecem à autoridade do ocupante do cargo em função da lei que regulamenta deveres e direitos; 5- as pessoas devem obediência não a pessoas que ocupam cargos, mas à autoridade legal. A burocracia, nesse sentido de Weber, é um aparato legal despersonalizado com o objetivo de abordar a organização como um sistema social estável, independentemente das tradições históricas ou carismáticas. De uma forma ou de outra, essa noção de “burocracia” veio a calhar com as necessidades iniciais da revolução industrial e rapidamente incorporou-se às funções de gerenciamento de Fayol para se tornar um corpo profissionalizado e estável de administração de recursos. Durante o século 20, várias questões foram levantadas sobre o gerenciamento. Algumas, até davam a impressão de serem contra esse projeto racional-legal burocrático. No entanto, a burocracia tem sido a base da legitimidade da autoridade, não apenas dentro das organizações, mas dentro dos estados nacionais, sendo a base da estabilidade social nas sociedade mais industrializadas. Alfred Sloan, executivo da General Motors, ao contrário de Ford, que apenas se preocupou com padronização e produção em escala, analisou o problema da organização- burocrática em termos estruturais, definindo uma cultura organizacional baseado na coordenação entre várias divisões, departamentos e comitês. A estrutura descentralizada criada por Sloan implicava numa exacerbação do modelo burocrático, servindo para emperrar a tomada de decisão e proliferarem-se relatórios. A partir dos anos de 1930, começam a surgir as preocupações com o fator humano, analisando-se motivações e trabalhos em equipe. Elton Mayo é um dos expoentes dessa corrente que tentava correlacionar as necessidades de custo da produção com criatividade e inovação, ressaltando o fator humano.
  • 13.
    13 Seguindo essa linha,criatividade e inovação passam a ser correlacionados com clientes. Assim, a organização deixa de ser encarada como uma unidade legal-racional, mas um negócio que tem de um lado a produção, de outro os clientes e no meio um corpo gerencial criativo. Nessa linha, seguem as idéias de Dale Carnegie com a arte de vender, colocando ênfase especial nos fatores de comunicação (como influenciar pessoas). A partir da segunda guerra em diante, a preocupação se volta para o excesso de organização e burocracia como, não mais base da estabilidade organizacional, mas como fator de impedimento na tomada de decisão. Henry Mintzberg critica o desempenho do gerentes com gastos excessivos de tempo para executarem tarefas burocráticas e muito pouco para, realmente, cuidarem dosinteresses de negócio da organização.Akio Morita, ainda, critica a pouca preocupação dos gerentes americanos com seus empregados. Começamos, então, a assistir o fim do consenso do sistema burocrático, que na verdade, era baseado nas necessidades de dominação colonial. Essa dominação colonial, quando passado para o ambiente corporativo, alienava a criatividade e formava apenas um batalhão de cumpridores de ordens. A visão da organização, sob um ponto de vista mais abrangente de “negócios”, necessitava de funcionários autônomos, com capacidade de tomar decisões próprias . A partir da década de 1960, começa a tomar corpo o conceito de estratégia. O conceito de marketing de Ted Levitt, em “Miopia de Marketing”, argumentava que a preocupação das organizações deveria ser com o cliente e suas satisfações, enfocando o marketing em vez da produção. Na verdade, ele ampliava o conceito de negócio estabelecendo uma relação entre clientes, satisfação, produtos , produção e mercado. A organização não era apenas uma transformadora de matéria-prima, mas uma geradora, criadora, investigadora de oportunidades de negócio. Peter Druker dá um passo adiante e enriquece o debate sobre estratégias, propondo abordar-se a organização, não como unidades de custos (centros de custos), mas como unidades de negócios (centros de receitas). A contribuição de Druker é importante para se entender as mudanças gerenciais e empresariais ocorridas, não apenas nos EE.UU, mas no mundo todo. Druker percebeu os limites das propostas de Fayol e Sloan, analisando os limites da estrutura funcional e como ela pode exercer um papel inibidor nos negócios, quando se exacerbam as funções de controle, comando e coordenação. O pano de fundo na abordagem de Druker é uma revisão da noção de custos, ou fatores de produção, em prol de uma visão de receitas ou ganhos. O que
  • 14.
    14 importa, além dese reduzir custos e se definir uma função de produção, é estimular o cliente a consumir para se aumentar os ganhos. A função de produção deixa de ter o privilégio nas considerações do planejamento e na definição de estratégias competitivas, iniciando-se a fase que enfatiza as funções de consumo ou do consumidor (marketing). A década de 1980 é a década das organizações japonesas. As corporações americanas pareciam em declínio e o método japonês de fazer negócio um grande sucesso. Akio Morita alegava que a razão do sucesso japonês eram as relações culturais estabelecidas pelas organizações, tanto com os empregados quanto com os clientes, reforçando a importância da lealdade à marca, ao nome e à cultura da organização. Kenichi Ohmae, no livro “In Search of Excellence”, mostrou que a informalidade na estruturação das organizações japonesas era o fator diferencial do Japão. Na verdade, poderíamos dizer que o modelo japonês foi um sério questionamento ao modelo racional-legal de Weber. Sob vários aspectos , esse “modelo japonês” assemelham-se, em muito, às relações tradicionais de autoridade, onde predominam o patriarcalismo e a gerontocracia. No entanto, a década de 1990 veio mostrar as deficiências do modelo japonês e quanto o seu ambiente corporativos impedia inovação, criatividade e rapidez nas mudanças. Desde o final de 1989, o Japão amarga uma dura recessão, sendo obrigado a restruturar, colocando muitos empregados na rua, com eles os conceitos de relações culturais tradicionais de autoridade e lealdade. Michael Porter enriquece o debate sobre administração, estabelecendo uma relação entre custo e atividades dentro da estrutura organizacional. Porter define a organização como um conjunto de atividades que, além do custo, tem um valor estratégico que garante um certo posicionamento da empresa no mercado. A tentativa de Porter foi apropriar valores intangíveis do gerenciamento, oferecendo uma visão da organização e do mercado, como um conjunto de forças, as quais, de um lado estão orientadas pela liderança em custos e diferenciação do produto, e de outro, estabelecem um equilíbrio entre o poder de barganha dos fornecedores, consumidores, novos participantes e inovações tecnológicas. A contribuição de Porter está na sua revisão dos conceitos microeconômicos clássicos da teoria da firma e do consumidor. Ele apropria valores intangíveis de difícil digestão pela teoria econômica clássica, lançando luz sobre o comportamento dos consumidores e produtores, o que vai além do simples leilão de preços. Thomas Davenport vai além das colocações de Porter, em relação a valores gerenciais intangíveis e analisa, não apenas atividades, custos e valores
  • 15.
    15 estratégico. Ele propõeuma visão “processual” da organização que opera através de uma rede gerencial de informações para tomada de decisão. Desse modo, para Devenport a organização é gerenciada por processos orientados pelo valor estratégico da informação e pela sua capacidade processual, (manual ou eletrônica). A vantagem competitiva das empresas, para Davenport, está na agilidade e rapidez com que procedimentos organizacionais são gerenciados, implicando tanto velocidade de processamento quanto inovação e abrangência no desenho dos processos. O Gerenciamento no Século XXI As questões do gerenciamento no século 21 O século 20 foi marcado pela formação de uma estrutura organizacional composta a partir da existência de uma classe gerencial profissionalizada ( modelo burocrático racional-legal). A despeito dos questionamentos sobre custos e estratégias voltadas para os clientes, pouco mudou no papel da burocracia como base da administração das organizações. O papel normatizador da burocracia não tem sido alterado, sendo, ainda, a base legal
  • 16.
    16 e funcional doprofissionalismo, impessoalidade e probidade no gerenciamento público e privado. Parece que a grande questão do século 20, sobre formas de se organizar o trabalho, tem sido a destruição das autoridades personalistas, tradicionalistas e populistas em favor da impessoalidade legal da autoridade burocrática. Na verdade, esse fato tem sido a base da ascensão das massas, em termos educacionais e econômicos, privilegiando-se nas sociedades industriais mais avançadas a estética da classe média, na verdade, filha da burocracia. O estado legal-racional burocrático e normatizador do século 20 tem como seu subproduto mais importante, não a otimização dos recursos industriais, mas o surgimento de uma nova classe dominante, a classe média. A burocracia, nesse sentido, é subproduto da produção em massa que elevou os níveis de educação, consumo e poder de influência e decisão das massas. Aquilo que foi percebido pelos marxistas com alienação do homem em relação ao seu trabalho, acabou por se tornar fonte de poder. Portanto, não importa se alguém seja rico ou pobre, o fato é que algum dia todos, de uma forma ou outra, pertencerão à classe média, quer seja pelas necessidades de otimização de recursos, quer seja pelas necessidades de normatização do estado legal-institucional. No entanto, admitindo-se como fato a ascensão da classe média como fonte de poder e classe dominante, resta saber que implicações isso terá nos métodos de produção e organização do trabalho. Mais especificamente, a questão é: a burocracia sobreviverá ao século 21 como fonte geradora de poder da classe média? As premissas atuais, de uma sociedade de massas (império das massas), são os elevados e generalizados níveis educacional que já se atingiu nas sociedades industriais mais avançadas e sua consequência mais óbvia, a informação. A informação e conhecimento estão na base desse questionamento a respeito da sobrevida das estruturas burocráticas. Mais educação e conhecimento, mais demandas, maiores exigências, mais produção em massas. A conclusão é que entramos no século 21 com um sistema produtivo e social cada dia mais complexo, que exige duas coisas aparentemente contraditórias: melhores controle, (maior produção em massa), e mais direitos (flexibilidade). Essa aparente contradição esbarra na excessiva necessidade por normatizações, que como vimos é inibidor de negócios. Se por um lado, a classe média tem aberto mão de sua liberdade em prol de mais direitos, por outro, é mais exigente (porque mais educada) quanto a qualidade dos controles que precisam ser estabelecidos na sociedade em geral.
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    17 A contradição éapenas aparente. As necessidades do século 21, na verdade, serão por controles mais eficientes e normatizações mais transparentes (flexibilidade). Esse é o momento quando a tecnologia desaparece de cena e se desloca para os bastidores, ficando por de trás da infra-estrutura de serviços. Isso será obtido pela automatização dos processos de gerenciamento. A estratégia principal, do que está por vir, será entender bem o conceito de informação, tanto no seu âmbito produtivo quanto no social e econômico. A resultante será uma aparente flexibilização (transparência) dos processos organizacionais em prol de uma organização mais informal do trabalho. A outra visão dessa flexiblização será o surgimento de uma estratégia de mediação para gerenciar problemas complexos, alterando-se radicalmente os conceitos tradicionais sobre o método científico (causa e efeito). Nesse sentido, a burocracia já está sedendo terreno como elemento normatizador, equalizador e fruto do profissionalismo corporativista para se tornar apenas um agente secundário da organização de suporte administrativo. No entanto, a fonte de poder tanto do estado quanto das corporações será transparentemente difusa, transitoriamente exercida por grupos de pressões com hora marcada para ir embora, e todos serão, igualmente, provenientes da estética da classe média. Como disse José Ortega y Gasset no seu livro “ A Revolta das Massas” da década de 1930, respondendo a questão de quem governa o mundo : “...A civilização européia trouxe a rebelião das massas... A partir do século 16, a humanidade entrou num vasto processo de unificação, o qual em nossosdias atingiu seus limites mais amplos. Não existe, agora, nenhuma parte da humanidade vivendo isolada. Consequentemente, desse século em diante pode-se dizer que quem governa o mundo, de fato, exerce influência sobre um todo... Consequentemente, se quiséssemos expressar a lei da opinião pública como a lei da gravidade histórica, deveríamos levar em consideração que “...não pode existir regra em oposição a opinião pública..." As premissas da revolução dos serviços Assim com passamos pela revolução industrial, onde máquinas e equipamentos substituem o trabalho repetitivo, agora experienciamos a automação dos processo gerenciais como base da revolução que está acontecendo, atualmente, na sociedade de serviços. Na base da revolução industrial estava uma burguesia dinâmica que criou e inventou novas máquinas e fórmulas de produção. Na base da revolução dos serviços estão as massas (a classe média) como geradora de uma elite dinâmica e um estado normativo legal-institucional. Como exemplo, apontamos Bill Gates, o garoto da classe média suburbana americana que
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    18 gostava de passarhoras "martelando" na garagem de sua casa, acabando por se tornar líder de um novo setor de serviços com a sua Microsoft. Se o capital financeiro foi a base da revolução industrial; nos serviços o motor é o capital intelectual humano, o qual chamamos genericamente de conhecimento. A indústria privilegiava o estudo da mecânica das linhas de produção em massas; a revolução dos serviços privilegia a automação dos processos gerenciais baseado na informação. Se na industria o preço era o regulador, o equilíbrio entre produtor e consumidor, nos serviços a informação é a mediação dos processostecnológicos e de tomada de decisão ente emissores e receptores. Processos Processos Organizacionais A visão tradicional e a competitiva A maneira como uma empresa é organizada define o desenho e a funcionalidade de seus processos. Como temos apresentado nessa palestra, a visão econômica tradicional de encarar vantagem comparativa dos fatores de produção como fator chave na conquista do mercado, está sendo contestada pela visão da vantagem
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    19 competitiva de MichaelPorter, que enfoca a importância da análise das atividades que acrescentam valor à cadeia de produção da organização. A empresa que opta pela visão tradicional, preferencialmente, desenha seus processos baseados na otimização do tempo e dos custos agregados para realizar tarefas, combinando hierarquia verticalizada com: 1- funções que descrevem rigorosamente os postos de trabalho); 2- regulamentos e rígidas regras de negócio, tais como, para as áreas: legal, financeira, e técnica (licitação, aquisição, manufatura, transportes, logística); 3- definição rígida de estratégias de negócios, escolhendo links de atuação na optimização de seus processos, tais como os links do fornecedor, distribuidor ou da clientela. Segundo essa visão, o desenho de processos organizacionais tem o objetivo de refletir o fator competitivo da empresa em termos de fatores de produção. Digamos, por exemplo, que a liderança que essa organização exerce no mercado seja no setor automobilístico, porque ela detém uma certa patente industrial, e existe mão-de-obra abundante na região onde está localizada. Seus processos objetivarão comando e coordenação hierárquica com definição rígida de postos de trabalho, definindo regulamentações e normas para cobrir normas técnicas, assim como, para definir todas as possibilidades de contingências na produção. Ela estabelecerá estratégias de alianças rígidas, definindo uma relação bem íntima, quase que de exclusividade, com fornecedores de autopeças e partes. O problema dessa empresa, que opta pela abordagem tradicional, é que ela tentará regular sua produção através de excessiva normatização técnica para poder prever todos os tipos de contingências na produção, e no final falhará. Nessa situação, o desenho e redesenho de processos resultará num número muito grande de regras e normatizações, as quais, se voltarão contra seus próprios interesses produtivos, emperrando a tomada de decisão. A empresa que opta pela visão competitiva, definirá seus processos organizacionais baseados em atividades; quer seja na avaliação dos custos; quer seja na administração de materiais ou recursos organizacionais. A visão do desenhoe funcionalidade de seus processos enfocará custo como uma medida de valor das atividades. Nesse sentido, ela tenderá a desagregação dessas atividades em tarefas por departamento e unidades funcionais para medir essas relações vis-à-vis o desenvolvimento do produto.
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    20 O enfoque deseus processos organizacionais será o produto, e tentará aumentar a acessibilidade e rapidez na entrega, privilegiando o cliente. Seus processos serão baseados em decisões colegiadas, combinando hierarquia horizontalizada com: 1- funções que descrevem informalmente postos de trabalho; 2- regulamentos informatizados para regras de negócios, tais como, legais, financeiros e técnicos (licitação, aquisição, manufatura, transportes, logística); 3- definição estratégias de negócios em parceria, optando, sempre que possível, pela terceirização, e seus links de atuação dependerão de alianças táticas e temporárias com fornecedores e distribuidores. O objetivo desse tipo de processo competitivo é apropriar custo e tempo das atividades, como consequência definirá melhor o escopo dos custos através da estrutura organizacional. Tenderá, ainda, a enfocar seu negócios estabelecendo relações quase que informais com seus fornecedores ou distribuidores, os quais podem mudar, e na verdade mudam constantemente. Usando o exemplo da industria automobilística mencionada acima, essa empresa será amplamente terceirizada, com linhas de montagem automatizadas e flexíveis, com normas e regulamentos sendo absorvidas por programas de computador e processamento de dados. O problema desse tipo de opção é justamente a fraca relação que a empresa estabelece com seus fornecedores, distribuidores, e terceirizadores, os quais podem se tornar poderosos competitdores a qualquer tempo. O controle que a organização exerce sobre seus processos organizacionais é fraco, ficando dependente do uso de pressões constantes para manter seus aliados, parceiros e terceirizados na linha, afim de que não se tornem competidores, ou adquiram parte da tecnologia de seus processos organizacionais.
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    21 Processo como inovação ThomasDevenport , em seu livro "Process Innovation", apresenta uma nova abordagem, além das discutidas acima, tradicional e competitiva. Devenport aborda processos como elementos de reformulação contínua dos negócios da empresa, e não apenas como métodos ou funções de gerenciamento de custos. Segundo essa abordagem, processos organizacionais são orientados para estratégias mais amplas de atuação no mercado, tais como, custos, custos das atividades ou qualidade. Eles podem ter, por exemplo, escopos diferenciado, tais como melhorias incrementais, ou radicais alterações no modo como a empresa opera seu negócio. Essa abordagem dos processos organizacionais vai além da análise de atividades, ou custos, definindo-os como elementos do planejamento estratégico e inovação. Devenport , discute a identificação desses elementos estratégicos dos processos dizendo: “... Existe considerável controvérsia envolvendo o número apropriado de processos numa dada organização. A dificuldade é proveniente do fato que processos podem quase sempre serem divididos infinitamente; as atividades involvendo requisições de clientes, por exemplo, podem ser vistas como apenas um processo, ou mais de cem...” “...Os três processos mais importantes identificados por Rockart e Short: 1- desenvolvendo novos produtos, 2- entregando produtos aos clientes, e 3- gerenciando relações com os clientes, são eles mesmos altamente interdependentes...”... Pesquisadores de Harvard, trabalhando problemas de gerenciamento de pedidos defendem que existem apenas dois processos: 1- gerenciando a linha de produtos, e 2- gerenciando o ciclo dos pedidos...” As atividades chaves na identificação de processos para inovação, segundo Devenport, são: 1- enumerar os processos principais da organização; 2- determinar os limites de influência dos processos; 3- definir a relevância estratégica de cada processo; 4- qualificar os valores culturais e políticos de cada processo; Processos organizacionais, portanto, têm várias componentes: custos, atividades e elementos de inovação, ou definição de novas estratégias de negócio.
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    22 Mudanças Organizacionais Mudanças nosprocessos organizacionais A natureza dos processos organizacionais, como apresentados, até aqui nessa palestra, podem ser de três ordens: 1- com enfoque nos custos agregados, 2- com enfoque no valor das atividades, 3- com enfoque estratégico na inovação dos processos de negócios.
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    23 Uma constante emqualquer tipo de gerenciamento de processos será o fato de que mais cedo, ou mais tarde, eles precisarão ser mudados. Alterações nos processos organizacionais são uma constante devido aos diversos fatores relacionados ao gerenciamento do ciclo do negócio, onde a missão de qualquer empresa é, ou manter posições, ou ganhar posições, através de inovações ou mudanças continuadas. Devenport, em "Process Innovation”, diz: “...a criação de uma forte e sustentável conexão entre estratégia, e o modo com que um trabalho é realizado, é um desafio contínuo em organizações complexas...”. ”... desde que processos de negócios definem como o trabalho é realizado, estamos lidando com o relacionamento entre estratégias e processos. Processos de inovação são significativos, apenas, se alterarem os negócios, de tal forma, que sejam consistentem com suas estratégias...” Davenport prega a necessidade de se ter uma ampla visão dos processos operacionais para que eles tenham efetivamente um valor estratégico. Essa visão seria o modo como a empresa encara suas relações com os clientes e com o mercado, definindo a maneira de atuação de seus negócios, tais como: alto padrão de qualidade, baixo ciclo de criação de produtos e serviços. As atividades básicas no desenvolvimento dessa visão dos processos organizacionais são enumeradas por Davenport: 1- direcionar processos existentes a estratégias de negócio; 2- consultar os clientes para definir objetivos de desempenho das operações; 3- desenvolver atributos específicos dos novos processos; 4- exemplificar e testar os requisitos de desempenho dos novos processos; 5- definir, claramente, os objetivos de desempenho dos novos processos;
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    24 Inovação Processos de inovação Sea visão da competitividade de Porter aborda o valor das atividades gerenciais que adicionam valor à cadeia produtiva; Thomas Devenport aborda competitividade através da análise de processos. Dessa forma, atividades medem custos, e processos medem níveis de inovação e mudanças . Como já foi discutido antes, a missão do gerenciamento é administrar o ciclo dos negócio, afim de garantir sustentabilidade no posicionamento das
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    25 empresas no mercado,assim com garantir estratégias de estabilidade no longo prazo. As circunstâncias atuais de mudanças continuadas, administração de riscos e expectativas, colocam em relevo a importância de se entender como os processos acarretam inovação, e não apenas alterações localizadas. Os processos do gerenciamento A tarefa do gerenciamento, além de administrar o ciclo do negócio, é de gerenciar processos. Davenport, observa: “... de todos os processos numa organização, o gerenciamento de processos é o mais pobremente analisado e definido...”...a estrutura das atividades do gerenciamento é raramente documentada, e tais atividades são, frequentemente, não realizadas à serviço dos clientes...” A análise dos processos do gerenciamento está no âmago da questão da inovação e, portanto, da competitividade. Essas atividades são os elementos básicos de como se estruturam controle, comando e coordenação, e, portanto, da atual estrutura burocrática das empresas. Através do desenvolvimento tecnológico, temos visto aqui, como a questão da competitividade e da inovação tem passado da mecanização e automação das linhas de montagem; dirigindo-se em relação ao gerenciamento. Se no passado, aumento de produtividade e melhoria no desenho de processos focavam os aspectos operacionais; hoje, o enfoque é o gerenciamento. Se no passado, máquinas e dispositivos eletrônicos alteraram as relações de trabalho dentro das organizações; hoje, o modelo digital está alterando as relações de como a empresa é dirigida (ou gerenciada), ou como decisões são tomadas. Devenport afirma: “... o gerenciamento de processos envolve planejamento, monitoração, tomada de decisão, comunicação e definição de diretrizes e liderança...”. Ele exemplifica alguns tipos de processos gerenciais: 1- formulação de estratégias; 2- planejamento e orçamentação; 3- avaliação de desempenho; 4- alocação de recursos; 5- gerenciamento de recursos humanos; 6- comunicação com os acionista, ou contribuintes;
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    26 Inovação e MudançasOrganizacionais Devenport, afirma: “... inovações nos processos de negócio, a despeito de suas promessas de amplos benefícios competitivos, são raramente observadosno mundo corporativo. Um número crescente de executivos estão cientes disso, porém, muito poucos tem tomado atitudes sérias em relação a implementação de inovações. A razão disso é que processos de inovação nos negócios requerem o abandono das confortáveis e velhas maneiras de se fazer negócios...” As barreiras, atualmente, para se estabelecer mudanças, ou inovações, nos negócios não são de ordem técnica mas gerencial. Os maiores elementos de resistência para se alterarem processos vêm dos níveis de tomadores de decisão , não das áreas técnicas. A razão disso, são os elementos culturais e sociológicos firmemente incrustados na estrutura burocrática, os quais, em prol da estabilidade da organização, congelam-se iniciativas e condenam elementos capazes, competitivos e inovadores ao exílio de salas sem janelas. O processo de mudanças organizacionais são, por sua própria natureza, dramáticos, penosos e cheios de incertezas. Porém, as necessidades de se responder as condições de competitividade do momento exigem mudanças por parte do gerenciamento, afim de evitar o desaparecimento do negócio que gerenciam. Essas mudanças estão associadas a: 1- mudanças de atitudes; 2- mudanças de comportamento; 3- redifinição de responsabilidades; 4- avaliação de valores culturais e sociais;
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    27 O papelda Tecnologia&Novos Processos O problema do setor de serviços As transformações pelas quais passam o mundo no momento atual são aquelas geradas pela tecnologia aplicada às questões de produtividade da área gerencial, da mesma forma que no passado o foram, também, para as linhas de montagem.
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    28 O centro dessatransformações está no fato de que a economia dos países mais desenvolvidos, até mesmo de países emergentes como no caso do Brasil, é preponderantemente voltada para serviços. Diferentemente da área industrial, apropriação de custos na área de serviço não é uma questão óbvia de atividades e valores, regulação de estoques ou cronometragem de tempos. Empresas de serviços trabalham com elementos de difíceis definições, tais como, informação, conhecimento, sem que se tenha uma idéia clara do que se está falando, ou, de quanto custa essa informação , ou conhecimento. No entanto, podemos fazer uma analogia com a área industrial e definir que os dois maiores problema da industria de serviços, atualmente, são: 1- gerenciar seu inventário de papel ; 2- gerenciar suas requisições de serviços; O conceito de inventário de papel significa a imobilização de enormes quantidades de recursos organizacionais para se manter e preservar a memória dos dados, armazenar documentos em arquivos mortos, assim como, gerenciar um cem número de regulamentos burocráticos que regram o uso e utilização dos diferentes tipos de recursos e atividades da organização. As consequências são: 1- proliferação de regulamentos para se manter a memória dos serviços prestados; 2- desenho de processos complexos de serviços que tentam conciliar requisições em papel com requisições eletrônicas. 3- imobilização de espaço e aumento dos custos operacionais. O papel da informação O conceito de informação é vago, impreciso e polêmico. A análise do papel da informação no gerenciamento de processos é uma tarefa difícil porque não podemos definir claramente seus termos. No entanto, é intuitivo, para todos, que estamos vivendo na era da informação e que informação tem “impacto”, “valor” e “custo” , nas palavras de Davenport em “Process Innovation”. Nas palavras recentes do presidente do banco central americano (FED), Alan Greespan, a economia americana, hoje, embora exporte 100 vezes mais do que 100 anos atrás, tem o peso específico do total das suas exportações próximos daquela época. Ou seja, a base do crescimento das exportações americanas têm sido um esforço dos processos de gerenciamento, os quais reduziram consideravelmente o tamanho ou o peso específico dos produtos.
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    29 Na verdade, então,os americanos exportam conhecimento humano na forma de tecnologia e conhecimento. Na área industrial é mais ou menos óbvio o papel da informação e as vantagens provenientes do uso intensivo de sistemas de informação de custos, materiais e recursos. As industrias, ao longo do tempo têm feito uso intensivo de máquinas, equipamentos e tecnologias, ( o que passou a caracterizar o próprio termo industria), para a mecanização e a automação de seus processos nas linhas de montagem. A área de serviços têm tido experiências com racionalização de processos, desburocratização, diversas metodologias revolucionárias de administração gerencial, assim como, manipulado as noçõesde conhecimento e informação. No entanto, essa área tem pouca experiência com o uso de tecnologias nos seus métodos e processo. Na raiz do problema atual na área de serviços está a dificuldade de se avaliar seus custos, já que esse setor não tem linhas de montagens e funções de produção tão bem equacionados como nas industrias. Serviços têm sido confundidos, nesse sentido, com a própria estrutura da organização, ou pela noção de burocracia. A análise do papel da tecnologia, portanto, deve ter uma visão sociológica e cultural, além da visão técnica, para se avaliar como o desenho, ou o redesenho, de novos procedimentos e processos impactam as atividades de escritório (burocracia) , definindo-se valores e custos. O desafio no momento é perceber como as atividades de escritório, traduzidos em processos gerenciais aumentam ou diminuem o inventário de papel na industria de serviços; aumentam ou diminuem desempenho nos resultados obtidos. Nada poderia ser mais espinhoso e complicado. Ao definirmos impacto, valor, custo e desempenho, na área de serviços, estamos falando de se avaliar seres humanos, e essa tarefa é muito complicada. Por exemplo, para um empresa de consultoria, qual deveriam ser suas análises quanto ao impacto dos custos e desempenho para que esse tipo de industria pudesse avaliar e mostrar resultados, atraindo assim investimentos. Na mais difícil! Nesse caso, de uma empresa de consultoria, suas matérias- primas são idéias de funcionários muito bem educados, que as trazem consigo para dentro da organização, tornando-se, assim, a base do conhecimento e fator competitivo nesse tipo de negócio. Devenport, despretensiosamente, propõe uma definição do impacto da informação no gerenciamento de processos, considerando seu papel como: 1- monitor de desempenho; 2- integrador de tarefas;
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    30 3- definidor deprocesso voltados para os clientes; 4- facilitador do planejamento de longo prazo. Requisições de serviços Minhas experiências profissionais mostram que reunir a problemática do setor de serviços em termos de processos de requisições pode ajudar a entender melhor como a tecnologia impacta serviços, define valores e custos. Em trabalho de 1993, para o Banco Mundial, considerei o fato de que todo e qualquer serviço é prestado dentro de uma organização através de procedimentos de requisições que registram, processam, concedem ou rejeitam esses pedido e tradicionalmente isso tem sido feito através de formulários de papel. Meu ponto de partida foi considerar que: 1- todo e qualquer atividade de uma organização industrial, ou de serviços, é, na verdade, uma tarefa relacionada a responder às requisições feitas pelos usuários por produtos ou serviços. 2- toda e qualquer atividade corporativa é uma prestação de serviços. 3- para a organização não existe diferença entre usuários internos e clientes externos, todos demandam igualmente por serviços e produtos. 4- A corporação é sempre uma unidade prestadora de serviços, ramificada em várias sub-unidades com diversas funções gerenciais e administrativa mesmo que seja da área industrial. 5- todo e qualquer serviço tem uma componente gerencial que o concede, ou não, e uma componente administrativa responsável pelas atividades de processamento e suporte. 6- Os serviços prestado pela organização tem um ciclo de vida que é refletido pelos formulários manipulados pelos usuários. Esse ciclo começa com a requisição e utilização dos formulários e termina com o serviço ou produto sendo concedido, ou não, pelas unidades corporativas responsáveis. 7- serviços são o resultado de transações de negócio, representado pelas manipulações de dados e informações contidos nos formulários de serviços. 8- As transações de negócios são processos que envolvem regras de negócios, tais como, para regulamentações legais; regulamentações financeiras; regulamentações técnicas (licitações, aquisições, logística).
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    31 O papel datecnologia, nesse sentido descrito acima é minimizar o custo do inventário de papel decorrente das atividades de gerenciamento e de suporte, e estão associadas à concessão dos serviços previstos nas regulamentações. Sob esse ponto de vista, uma organização pode estar orientada para o cliente (com serviços agilizados e computadorizados através de formulários eletrônicos), ou orientados por processos burocráticos (formulários de papel contidos nos arquivos). Finanças Incertezae Riscos As circunstâncias atuais, da globalização e da formação de sociedades mais abertas, estão requerendo, cada vez mais, avaliações sob condições de riscos e incertezas. Os valores refletidos no balanço patrimonial têm apenas uma perspectiva histórica. Se esses valores vão se realizar ou não é uma outra história. A base dessa discussão é saber quanto vale R$1 hoje, quando comparado com certas condições futuras. Essas expectativas sobre o futuro podem coincidir com as expectativas que se têm no presente, quando, então, os riscos serão minimizados. Caso contrário, os fatores de risco sobre o que pode, ou vai, acontecer será incorporado nos cálculos de taxas, previsões e avaliações, alterando nosso comportamento aquí e agora.
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    32 Previsões sem Risco Osvários projetos que envolvem famílias e empresas requerem pagamentos no presente e recebimentos no futuro, ou vice-versa. Portanto é importante conhecerem-se as relações que existem entre o valor do dinheiro hoje quando comparado com o futuro, ou seja, o valor do dinheiro no tempo. Hipótese das Expectativas Em relação ao futuro, é justo esperar que as taxas de juros reflitam os valores do mercado hoje, em relação ao que vai acontecer daquí a 1 ano. Então, a hipótese das expectativas afirma que a taxa de juros a termo para o segundo ano será igual à taxa à vista esperada para esse mesmo período, considerando-se investidores avessos a riscos. Hipótese de Preferência pela Liquidez Para que os investidores sejam estimulados a investirem ou aquirirem obrigações com prazo de dois anos, o mercado fixa a taxa a termo, para o segundo ano, acima da taxa à vista esperada, considerando-se o investidor indiferente ao risco. Ou seja, é preciso que haja uma diferença entre a taxa a prazo e a taxa à vista para períodos superiores a 1 anos, afim de que se possa haver descontos de títulos, caso os investidores queiram se desfazer dos papéis antes do tempo. Se não houvesse tal diferença, só haveriam investimentos de 1 ano, apenas, considerando-se investidores avessos a riscos. Portanto, o risco está intimamente ligado a perspectiva de liquidez, hoje. As pessoas só serão estimuladas a correrem riscos se o diferencial entre hoje e amanhã for razoável, ou, que se justifique esperar por rendimentos maiores. Stephen Ross, em "Administração Financeira", analisando as preferências do mercado americano entre as hipóteses de liquidez e de expectativas, concluí que a preferência do mercado será mais favorável à liquidez, considerando dados do mercado de títulos americanos entre 1926 e 1988. Alternativas de Investimento: 1- Valor Presente Líquido (VPL) Consiste em calcular os valores de fluxos de caixas futuros, comparando-os como o valor investido hoje a uma certa taxa de juros. No exemplo a abaixo, temos um investimento inicial de R$40 que rende retornos de R$20 em 3 períodos a uma taxa de 2%. Então , o VPL desse investimento é de R$57,68,
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    33 ou seja, quantocada um desses R$ 20 valeriam somados no iníco do investimento (hoje). Na verdade, cada um dos R$20 é atualizado em cada período para refletir um preço de hoje (valor presente). Cálculo do VPL: 57.86 = { [20/1.02] + [20/(1.02)(1.02)] + [20/(1.02)(1.02)(1.02)] } 2- "Payback" Consiste em calcular o perído em que o investimento inicial seria recuperado a uma certa taxa dada. No exemplo abaixo, o investimento de R$40 é recuperado em 2 perídos com retornos constantes de R$ 20 em cada. Cálculo do Payback : 40 = 20 + 20 3-Taxa Interna de Retorno (TIR) Consiste em calcular a taxa que iguala o valor presente dos fluxos de caixa ao investimento inicial. Podemos ter 3 situaçõe: 1º a TIR é inversamente proporcional ao Valor Presente; 2º a TIR é diretamente proporcional ao VP e 3º o caso em que a TIR muda de sinal em relação ao VP (Valor Presente).
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    34 1º Caso: aTIR é inversamente proporcional ao VP Então: 40 = { [ (X / 1.3) ] + [ X / (1.30)(1.30) ] + [ X / (1.30)(1.30)(1.30) ] } (Cacula-se, assim, o valor X das prestações que trariam um retorno de 30%) 2º Caso: a TIR é diretamente proporcional ao VP 3º Caso: a TIR muda de sinal em relação ao VP
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    35 Previsões com Risco Asprevisões de fluxo de caixa, sem risco, levam em consideração que as expectativas ,hoje, sobre as taxas futuras vão efetivamente se realizar. Cada fluxo de caixa, na verdade, tem uma probabilidade, ou risco, de se realizar. Previsões com riscos são aquelas que levam em consideração a expectativas das taxas de juros acordadas realizarem-se ou não, para mais ou para menos. Essas avaliações são realizadas através da estatística, calculando-se a taxa média de retorno histórica observada em certo tipo de investimento. Acresce-se a esse cálculo das taxas médias, os desvios acontecidos, ou, que poderão acontecer. Portanto, o cálculo com risco é aquele que analisa as possibilidades de retorno de um investimento se distanciarem de suas médias históricas, observadas na prática, ou, através da experiência histórica da empresa com esse tipo de investimento. Um dos problemas da estatística, que surgem com a questão acima, é como calcular médias que sejam significativas, para explicar como valores se distribuem entre aqueles que possuem um certa quantidade de um produto qualquer. Então, se eu tiver 0 (uni.) e você 10 (uni.), de qualquer coisa, a média entre nós será 5. Essa medida de valor, (chamado de média), é pouco significativa, pois, eu não tenho nada e você possui todas as unidades de uma cesta de certos produtos. A estatística calculou várias formas de se calcular médias: aritmética, geométrica, harmônica e ponderada. Na média ponderada, procura-se um elemento, que associado aos valores observados entre os que possuem certa quantidade de um produto, possa refletir o fato de que alguns participam com mais, e outros menos. Exemplo: eu: 1 (unid.) em10 dias; Você : 10 (unid.) em 20 dias;
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    36 Média ponderada: [(1.10) + (10.20) / 30 ] = 7 Média aritmética: [ (1+10) / 2 ] = 5 Suponhamos, agora, a seguinte tabela estatística, representando um universo de observações de vários acontecimentos: Observações (Xi) Desvios da média (Xi-Xm) Módulo Desvios da Média |Xi-Xm| Quadrado Desvios Média (Xi-Xm)2 2 -6 6 36 4 -4 4 16 10 2 2 4 18 10 10 100 6 -2 2 4 S (Somatório) 0 24 160 Média (aritmética): Xm = [(2+4+10+18+6) /5] = (40/5)= 8 Desvio médio: Dm = [Somatório (Xi-Xm) /n] = (24/5) = 4.8 Variança: S2 = [raiz (Xi-Xm)2 /n] = (160/5) = 32 Desvio-Padrão: S = raiz de S2 = raiz de 32 = 5.66 Em adição à questão da média, discutida acima, a estatística definiu um meio para se calcular quanto cada valor observado se desvia da média geral de todas as observaçõessomadas (universo). Assim, o desvio-padrão nos dá um valor de quanto cada observação pode se afastar da média geral do universo total de observações, (no caso acima um universo total de 5 observações e uma média de observações iguais a 8). Caso o exemplo acima representasse a carteira de investimentos de uma empresa, o retorno esperado médio desse portfólio seria de 8%. A variança é a medida de dispersão das taxas de retorno do portfólio acima. Ela é uma média do quadrado dos desvio de cada observação em relação ao retorno médio histórico do conjunto universo ( a carteira de investimentos em questão). O desvio-padrão, na área financeira, é a medida de risco observado em cada ativo, projeto ou portfólio financeiro de uma empresa. As observações acima podem ser interpretadas como a taxa de retorno da carteira de aplicações da Empresa XLT S/A. Dessa forma, quanto maior o desvio-padrão maiores serão os riscos, ( ou dispersão), em relação a média de retornos do portfólio de investimentos. Desse modo, o desvio-padrão é uma interpretação estatística mais fácil para se entender riscos do que o conceito de variança. Em termos numéricos, ele é a raiz quadrada da variança. Covariância e correlação
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    37 Além do cálculoda variança e do desvio-padrão, é, também, interessante saber-se como um conjunto universo, (carteira de investimentos), comporta- se em relação à outra. Gostaríamos de saber como as ações de uma empresa XLT S/A comporta-se em relação as de outra, LLL S/A . Para tanto, devemos calcular a covariância e a correlação. Elas representam maneiras de se medir se, verdadeiramente, duas varáveis, (ações da XLT e da LLL), estão associadas, e como. Diversificação Como podemosobservar no exemplo acima, existe risco tanto para o conjunto do portfólio de investimentos quanto para cada projeto, ou ativo financeiro, que o compõem. A diferença entre o desvio-padrão de cada investimento, ( ou projeto), e o desvio-padrão da carteira é chamada de diversificação. Com a diversificação, os riscos podem ser combinados de maneira que um conjunto de ativos tenha quase sempre menos risco do que qualquer um de seus componentes. Modelos de cáculo do Risco Existem aqui dois limites; um, em relação aos indivíduos avessos a riscos que se vêem obrigados a correrem certos riscos devido aos altos retornos do mercado em relação a títulos sem riscos. O outro, é o risco excessivo que certos indivíduos estão dispostos a correrem. Como podemos notar risco é um jogo de equilíbrio entre os participantes do mercado, as condições do mercado, e a informação necessária para se correr riscos, ou não. Existem dois modelos de cálculo de risco: 1- CAPM (capital asset pricing model): esse método estabelece uma relação ao retorno esperado de um investimento através de um parâmetro (beta) de mercado, desse modo: Retorno(titulo) = taxa(s/risco) + Beta .[retorno(mercado) –taxa(s/ risco)] Estatisticamente, Beta é a covariância dos retornos de um título com os retornos oferecido pelo mercado, dividido pela variância dos retornos possíveis da carteira que contém esse título. Exemplo: se a taxa livre de risco for 6%, o prêmio histórico para risco do mercado seja 7 % e o Beta da empresa XLT S/A for 0.9, o retorno esperado de seus títulos será: 6% + (0.9 . 7%) = 12.3 %. Pesquisadores na área financeira mostram que o Beta de um título é sua melhor medida de risco quando se considera um amplo portfólio. Ele é uma boa medida de sensibilidade de um ativo em relação a um fator de risco no mercado. A ação de uma empresa , ou até mesmo um projeto, pode estar relacionada com a taxa de inflação, nesse caso , variações no Beta mostrarão
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    38 o quanto ataxa de inflação influencia os negócios da empresa com esse tipo de ação. 2- Sphen A . Ross ,em seu livro Administração Financeira , explica que uma alternativa para o método CAPM é o arbritage pricing theory (APT), desenvolvido mais recentemente. A diferença entre o método CAPM e o APT, segundo Ross, "...decorrem do tratamento que a APT dá a interrelação dos retornos sobre títulos.." ..." A APT supõe que os retornos sobre os títulos sejam gerados por uma série de fatores de âmbito setorial, ou macroeconômico..." "...Além disso, a APT encara o risco de uma maneira mais geral do que apenas como covariância, ou beta, de um título com a carteria de mercado..." "...A taxa de retorno de qualquer ação negociada no mercado financeiro é formada por duas partes: 1. o retorno normal, ou esperado. Depende de todas as informações que se possuí sobre a ação, e utiliza tudo aquilo que se acha que influenciará a ação no mês seguinte. 2. o retorno incerto, ou inesperado. Esta é a parcela atribuível à informação que será revelada durante o mês, tais como: dados divulgados pelo governo, descoberta de um novo produto concorrente, queda repentina nas taxas de juros, notícias sobre atividades de pesquisa e desenvolvimento da empresa.
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    39 Ainda segundo Ross,a parte esperada de qualquer notícia está contida na informação utilizada pelo mercado para formar a expectativa , Rm, de retorno da ação. A surpresa é a notícia que influencia o retorno inesperado da ação U. Um modelo então, para representar a taxa de retorno sobre a ação de uma empresa é, portanto: R = Rm + U ..." Para o caso de riscos sistemáticos esse U será a soma dos diferentes Betas para os quais as ações ou ativos das empresas estarão possivelmente relacionados, tais como: F1(taxa de inflação), F2(resultado do produto interno bruto), F3(balança comercial), etc, resultando : R = Rm + Beta1F1+ Beta2F2+ Beta3F3 Expectativas O gerenciamento de empresas está íntimamente vinculado a 2 tipos básico de fatores: aqueles que são tangíveis, e podem ser medidos, e os intangíveis. Os valores tangíveis são aqueles representados, principalmente, no balanço patrimonial como expectativa de realização dos ativos, passivos, receitas e despesas. Os valores intangíveis são mais difíceis de serem avaliados; representam a boa administração e o bom nome da empresa no mercado. O ato de administrar é antes de mais nada uma avaliação constante de expectativas que podem; ou não se realizarem, influenciando, desse modo, os processos de tomada de decisão. Avaliação de Alguns Fatores Tangíveis: Um negócio pode ser visto como uma estrutura de capital composta de:
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    40 1- Aplicações (Ativo); 2-Capital Próprio (PatrimônioLíquido); 3- Capital de Terceiros (Passivo); Esses valores são medidos a partir das demonstrações contáveis e do fluxo de caixa. A figura abaixo é uma representação esquemática de um balanço . Balanço Patrimonial O Balanço patrimonial é uma fotografia dos valores contábeis de uma empresa em um certo momento no tempo, definindo uma expectativa de liquidez quanto aos investimentos, o capital próprio e os empréstimos contraídos. O Balanço indica um equilíbrio entre origem e aplicação de recursos, definido pela equação:
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    41 Ativos = Passivos+ Patrimônio Liquidez Contábil Liquidez contábil é a rapidez, ou facilidade, com que os ativos podem ser convertidos em dinheiro. No esquema acima, de um Balanço Patrimonial, as contas se apresentam em ordem crescente de liquidez de cima para Baixo. Então, os ativos circulantes são os mais líquidos e os ativos imobilizados os menos líquidos. Os Passivos seguem a ordem inversa, primeiro os mais exigíveis. Assim, o Passivo Circulante representa dívidas de curtíssimo prazo, já o Patrimônio Líquido é a participação dos sócios ou acionistas, não representando dívidas, mas expectivas de benefìcios aos investidores. Capital de Terceiros e Capital Próprio Apartir do balanço patrimonial, as questões do gerenciamento das empresas são 3: 1- Aonde investir no longo prazo (orçamento de capital); 2- Como levantar recursos (próprios ou de terceiros); 3- Como gerenciar os fluxos de curto prazo (caixa e capital de giro); Essa estrutura de capital, acima, define, então, acionistas e credores, determinando um percentual de participação de cada um, e as consequências quanto ao pagamento de juros e benefícios. Porém, deve-se lembrar que os ativos, (investimentos, aplicações, equipamentos), têm valor histórico ou contábil. Esses valores são, na verdade, baseados em
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    42 custos, (de aquisição),e a tarefa do gerenciamento é criar um valor para a empresa superior a esse custo de aquisição. Identificação dos Fluxos de Caixa A tarefa dos analistas e administradores é identificar os fluxos de caixa a partir das demostrações financeiras. O valor de um investimento depende de como os fluxos de caixa se distribuem no tempo. A preferência é sempre por maior liquidez. Uma moeda recebida, hoje, vale mais do que se recebida daquí um ano. Portanto, o gerenciamento precisa levar em conta as perspectivas de risco embutidas em cada investimento do ativo, e na suas avaliações de valores e liquidez futura. Obter informação sobre as condições de mercado, dos clientes, fornecedores, juros futuros, câmbio, administração monetária e déficit fiscal passaram a ser de vital importância nas avaliações de expectativas das empresas e do gerenciamento no mercado. O Valor da Informação Todo modelo econômico, assim como, suas partes financeira, de produção e preferências do consumidor estão baseadas no conceito de equilíbrio. Essa noção de equilíbrio é aquela que traz estabilidade aos índices financeiros (juros, taxa de descontos), de produção (custos e funções de produção) e do
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    43 consumidor (nível derenda, taxa de emprego). Então, no equilíbrio dos vários fatores internos e externos que compõe o modelo econômico encontra-se uma contrapartida que limita e define quantidades, níveis de consumo e valor, ou preço. O equilíbrio econômico, como podemos notar, está permeado pelo conceito da informação. Embora, a palavra informação seja de definição imprecisa e polêmica, ela, no entanto, está embutida, intuitivamente, na manipulação de dados, principlamente nos de ordem econômica. Quanto mais informação por parte dos produtores, ou dos consumidores, maiores serão as possibilidades de escolha, e melhor será o processo de tomada de decisão quanto a que caminho seguir, ou opção a tomar. O conceito de informação, como estamos analisando nessa palestra, é uma quantidade de dados que precisam ser analisados através de um processamento para obter-se um valor que traga vantagem para a tomada de decisão. Assim, informação e valor estão íntimamente relacionados. A teoria da informação propõe um modelo de informação como uma troca entre emissores e receptores, os quais avaliam mensagens enviadas ou recebidas, através de um processo interativo de retroavaliação , ou feedback, entre as partes (receptores e emissores). O modelo acima está incompleto, na medida que não avalia as valorizações ou desvalorizações nas transações entre emissor e receptor. O modelo de informação para estar completo precisar capturar as mudanças temporais que ocorrem com os dados, valorizando-se e desvalorizando-se a informação emitida, e recebida, através do processo de comunicação. São essa variações, na verdade, que estabelecem um modelo de mediação entre as partes. As partes, (emissor e receptor), no processo de comunicação, usam da informação recebida e transmitida para avaliarem padrões e prepararem suas respostas de acordo com suas necessidades temporais de dados, os quais,
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    44 se alteram constantementeno tempo, refletindo riscos, ruídos, interferências ou imprevistos. A concepção tradicional é estática e implica num fluxo contínuo de dados através do tempo, sem avaliar os desejos, preferências, ou, avaliações temporais nas transações entre emissores e receptores. Nesse sentido, a comunicação é unilateral e a informação uma quantidade, ou parâmetro fixo, entre participante que sempre agem de uma forma esperada. O que está se propondo nessa palestra é que a informação tenha uma avaliação econômica, resultando em um modelo, assim como os de ordem econômica, que procure, ou atinja, um equilíbrio. Desse modo, a informação seria um parâmetro de medida entre as partes que alcança o equilíbrio quando se estabelece uma competição para sua obtenção. Essa competição, na verdade, é uma mediação nas transações de comunicação entre emissores e receptores, avaliando como uma possibilidade pode se tornar uma ação efetiva, (ou tomada de decisão). Essa visão propõe informação como possibilidade, não fluxo contínuo; e comunicação como dependente das relações temporais das transações entre emissores e receptores. A informação, como um elemento de mediação entre partes que se comunicam, define: dados, processamento, riscos, mensagem e condição de equilíbrio. Quando o equilíbrio é atingido a informação se estabelece como consequência da comunicação, no entanto, ela não é estática. Esse equilíbrio informativo se altera, constantemente, através de uma flutuação na quantidade, ou qualidade, dos dados, definindo informações táticas, estratégicas e histórica.
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    45 A informação táticaavalia o valor econômico dos dados para a tomada de decisão no presente, a estratégica para avaliações futuras, e a histórica para pesquisas e definições de séries passadas. A informação, vista sob essa perspectiva, traz consequências para a área de gerenciamento, abrindo caminho para uma nova visão de processamento e banco de dados. Independentemente de serem manipulados manualmente, ou eletronicamente, o processamento de bancos de dados adicionam valor à cadeia de produção das empresas através de sua capacidade de manipular informação passada, presente e futura. Processamento é, portanto, o mecanismo de apropriação contábil da informação e o banco de dados um ativo financeiro da empresa. O valor que se atribui à informação é aquele que estabelece uma condição de equilíbrio entre os fatores internos e externos (emissores e receptores) da organização.
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    46 Gráficos da representaçãoeconômica da informação como mediação na comunicação O Longo e o Curto Prazo O tempo no gerenciamento é importante para se identificar como os recursos da organizaçãoestão sendo utilizados. Distinguem-se dois tempos básicos: o curto e o longo prazo; entre eles estão as condições de equilíbrio, onde todos os recursos, tanto os da organização em seu esforço de produzir, quanto os dos consumidores estão satisfeitos. Esse esforço de produção é chamado de custo. No curto prazo, a tarefa do gerenciamento é controlar os custos fixos, a fim de alavancar sobre os custos de capital (juros). Os custos variáveis são crescentes, nessa fase, decorrentes das necessidades contínuas de aumento da produção . Nesse curto prazo, até que as condições de equilíbrio sejam atingidas, o preço cobrado tem que ser proporcional ao número de consumidores com interesse em adquirir uma unidade a mais do produto produzido. Nessa etapa, mais insumos são introduzidos para satisfazer as crescentes necessidades de maior produção. Esses incrementos na produção cessam, quando a produção de uma unidade a mais do produto está além da capacidade da produção, e do preço praticado. Nessas condições, atinge-se o equilíbrio, onde tudo que é produzido será consumido. O longo prazo trata dessas condições, quando o equilíbrio de preços no curto prazo já foi alcançados. Nessas condições, a tarefa do gerenciamento é controlar os custos variáveis, já que os controle sobre os custos fixos conduziram às condições de equilíbrio entre produção e consumo. No longo prazo, o ganho(receita) das empresas está relacionado com a escala de produção. O preço inicial de curto prazo baixa ao nível dos custos médios de produção. Variações nos custo dos insumos podem alterar as condições dos custos médios de longo prazo. Nessa condições o equilíbrio é mantido através da entrada de novos produtores mais eficientes, novas tecnologias, ou, o aumento generalizado dos preços, puxando o custo médio para cima. As condições de equilíbrio têm duas componentes importantes: mudanças sistemáticas ou aleatórias, nos fatores internos e externos da organização, que vão desde da flutuação do câmbio até a variação dos preços da matéria- prima. Essas mudanças estão relacionadas como os fatores de risco de curto prazo, influenciando como o equilíbrio é atingido no longo prazo, ou como os
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    47 preços médios vãovariar. No curto prazo, os riscos determinam como o gerenciamento toma decisões para proteger a longo prazo sua estabilidade. A tomada de decisão do gerenciamento ,atualmente, pode ser considerada como um conjunto de medidas de curto prazo, com a finalidade de se atingir uma estabilidade de longo prazo. Então, uma série de estratégias de curto prazo é que garantirão os projetos de longo prazo. Portanto, é importante considerar-se os mecanismos de proteção ao risco e incertezas disponíveis ao gerenciamento. Mecanismos de proteção ao risco e à incerteza Os ativos contábeis de uma empresa representam um conjunto de aplicações tais como: títulos com taxas fixas e variáveis, contratos de compra e venda de mercadorias, ações e participações em outras empresas e negócios. Ou seja, as empresas geram ativos comprando "obrigações" definidas em contrato, umas das outras. As expectativas desses ativos se realizarem, ou não, vão determinar como as organizações negociam esses papéis, vendendo-os com desconto se precisarem de dinheiro ,ou, no caso de seus retornos serem duvidosos. As bolsas de mercadorias são o lugar onde esses "papéis" são negociados e onde as previsões, ou expectativas, quanto as suas taxas de retornos são fixadas. Mais especificamente, no Brasil, é a bolsa de mercadorias e futuros (BM&F) que realiza essas transações de negócios derivados de outros negócios (derivativos). Devemos observar que derivar negócios de outros negóciosé na verdade uma maneira de alavancar os ativos de uma empresa. Assim , um contrato $R 1000,00 reais com taxa de retorno esperada de 5 ao ano, pode ser negociada na BM&F a uma taxa de 50% ao ano, devido ao um inesperado sucesso nas realizações desse contrato. Por exemplo, esse contrato pode se referir a obrigações de uma empresa que investiu em uma tecnologia, e ela acabou por descobrir algo revolucionário. Quase todos os tipos de ativos de uma empresa podem ser negociados na BM&F. Segundo Noenio Spinola, em seu livro "O futuro do futuro", "... a BM&F é a maior bolsa de commodities (mercadorias) da América Latina, e ao longo de sua existência, fundiu-se, ou se incorporou, a outras instituições que atuavam na mesma área, tais como, a Bolsa de Mercadorias de São Paulo e a Bolsa Brasileira de Futuros do Rio de janeiro. Ela é uma instituição sem fins lucrativos..." As negociações, em mercados futuros, funcionam baseados na procura por proteção na realização das aplicações feitas (compra de ativos). Assim, um produtor de café quer garantir os preços atuais da saca com medo de que
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    48 daqui a 6meses ele caia. Esse produtor procura vender sua produção futura através de um contrato que garanta o preço de hoje. Os negócios não se realizam apenas com mercadorias, mas também, ouro, taxas de juros (DI), taxas de câmbio, índice de lucratividade das ações da bolsa (Ibovespa), cupom cambial (taxa de juros menos a variação cambial), títulos da dívida externa (C-Bond, dívida externa brasileira derivada do acordo Brady Bonds).
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    49 Produção Avaliações do Sistemade Produção A Visão Tradicional de Sucesso na Industria A visão tradicional, que determina maior, ou menor, competitividade dos participantes nos diversos setores industriais, está ligada as teorias da vantagem absoluta e comparativa. No caso da vantagem absoluta, vende mais quem tem o melhor preço, ou o custo mais baixos, tomados no seu sentido estrito, ou seja, o preço do produto no mercado, tão somente. Para a comparativa, são os fatores de produção que importam. Nessa visão comparativa, a maneira como os custos dos diversos fatores, que influem na produção, são controlados é o que determina o sucesso da empresa no mercado. Função de produção A função de produção é o método que processa a cadeia de valores da empresa, desde da matéria-prima até o produto acabado. Ela define capacidade industrial, custos, gerencia a demanda, os fornecedores e a distribuição e colocação dos produtos no mercado
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    50 A Cadeia Produtiva(Tradicional) A Visão da Vantagem Competitiva Como disse Michael Porter , em seu livro “A Vantagem Competitiva das Nações”: “... Existe um sentimento crescente de que vantagem comparativa, baseada nos fatores de produção não é suficiente para explicar padrões de comércio... A Coréia, no final da guerra, não tinha capital, no entanto, foi capaz de atingir uma substancial capacidade de exportar em setores dependentes do uso intensivo de capital, tais como: aço, construção naval e automóveis. Os EE.UU, por outro lado, com mão-de-obra especializada, tecnologia e amplos recursos de capital tem visto sua participação nesses setores industriais erodir-se no mercado internacional...” “... Na medida que as industrias se baseiam cada vez mais no uso intensivo do conhecimento, o papel do fator custo enfraquece-se mais e mais...” Ainda segundo Porter, “...Cada vez mais as industrias deixam de se encaixar nos moldes da teoria da vantagem comparativa. A economia de escala está difundida por toda a parte, a maioria dos produtos está diferenciado, e as necessidades dos consumidores varia de país para país... “...A tecnologia tem oferecido às firmas o poder de contornar os fatores escassos de produção através de novos produtos e processos tecnológicos. Isso tem anulado, ou reduzido, a importância de certos fatores de produção, antes considerados vitais (capital, trabalho, terra)...” “...Uma automação flexível, que permite manipular lotes pequenos, e facilmente alterar moldes ou modelos, está reduzindoo custo da mão-de-obra. O acesso à tecnologia de ponta está se tornando mais importante do que baixos salários...” “...O acesso à fatores de produção abundantes é menos importante, hoje, em vários setores industriais, do que tecnologia e o conhecimento para processá- los de modo mais efetivo e eficiente. ... A vantagem do baixo custo de recursos naturais podem ser anuladas do dia para a noite com o advento de novas tecnologias ...” “...A vantagem competitiva é criada e sustentada através de processos altamente localizados. Diferenças nacionais de ordem econômica e cultural, assim como, suas instituições e história tem uma contribuição fundamental no sucesso competitivo de cada país (ou empresa)...” A vantagem competitiva está focada na análise de como os diversos elementos da cadeia de valor participam do processo produtivo. Desse modo,
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    51 a vantagem deuma empresa está na identificação das atividades da cadeia produtiva onde ela tem liderança , tais como: 1- custos (localização em relação ao fornecedores distribuidores); 2- tecnologia (domínio de um processo tecnológico) ; 3- poder de barganha (volume de compra, por exemplo); 4- recursos humanos (pessoal treinado em áreas particulares do conhecimento); A visão da vantagem competitiva tenta unir estrutura organizacional com processos produtivos, reduzindo a distância entre as atividades de escritório (burocracia) e a cadeia de valores. Desse modo, atividades de escritório passam a adicionar valor à cadeia produtiva da mesma forma que os insumos de produção. Assim, o que faz as empresas competirem é uma rede de relações que se alteram, constantemente, de acordo com as condições de mercado; Oora, podem ser liderança em custo produtivos; ora, uma nova tecnologia empregada; ora, as relações de venda, marketing ; ou, ainda, melhor acessibilidade e rapidez na entrega dos produtos. A Cadeia de Valor e a Estrutura Organizacional (Competitiva) As implicações quanto ao uso de sistemas de informação, dentro dessa visão da produção oferecida pela vantagem competitiva, são claras e poderíamos enumerá-las da seguinte forma: 1- As atividades de controle e planejamento das operações, tais como: gestão da demanda, gerenciamento de materiais (MRP) e recursos organizacionais (ERP) estão relacionadas com as tarefas de escritório (burocráticas), tais como: procedimentos, cálculos, verificações de controle e estatística, através
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    52 das atividades descritasna figura acima, como importantes no gerenciamento da cadeia produtiva, nas áreas de: logística, marketing, vendas, serviços e operações. 2- As várias unidades da estrutura organizacional, tais como: recursos humanos, pesquisa e desenvolvimento (P&D), aquisições e suporte integram- se às atividades de gereciamento da cadeia produtiva através do processamento de dados, reduzindo níveis hierárquicos de decisão e processos. Podemos concluir que as presentes transformações no ambiente gerencial e organizacional das empresas são frutos de uma evolução tecnológica que tem passado, da mecanização e automação das linhas de montagem à informatização da tomada de decisão, ou gerenciamento. Se no passado o enfoque era analisar a vantagem comparativa dos fatores de produção das empresas, analisando custos isoladamente; hoje, o importante é considerar a competitividade das várias tarefas que adicional valor à cadeia de produção, nas quais, a empresa oferece um desempenho superior a outras no mercado (como por exemplo, sua localização estratégica, alianças de distribuição e logística, ou ainda, um suporte informatizado de decisão). O uso de tecnologias e sistemas de informação no gerenciamento dessas atividades competitivas das empresas passou a ser um fator crucial para melhorar, ou reforçar, seu posicionamento no mercado. Como exemplo do que foi dito acima, a informatização favorece o redimensionando das atividades de escritório, reduzindo, ou automatizando, processos e, com isso, minimizando os custos daquilo que poderíamos chamar de inventário de papel.
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    53 Custos na Produção Aabordagem tradicional dos custos A visão tradicional da economia é encarar a empresa como unidades de processamento de insumos em produtos finais. Os consumidores, de acordo com suas restrições de renda, compram todos os produtos disponíveis ao preço P, quando tudo que é produzido é consumido. Preço, segundo essa visão, é um elemento de equilíbrio entre a produção e o consumo. A função de produção, portanto, está intimamente relacionada aos custos. Como, já discutimos antes, os custos de curto prazo são aqueles que remuneram o desejo de mais um consumidor em adquirir o produto. Esses são os chamados custos marginais, e representam o ganho máximo de uma empresa ao produzir uma certa quantidade (y) usando uma certa quantidade de insumos (x) No curto prazo, no ponto em que a produção é máxima, temos os custos marginais como limitante da capacidade de produzir e consumir. Custos fixos são aqueles que não variam com a produção (aluguel do prédio da fábrica, por exemplo), já os custos variáveis acompanham os níveis de produção (materiais usados na fabricação). Custo Total é a soma dos fixos e variáveis.
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    54 Quando se iniciaa produção, o custo total (fixos + variáveis) não é remunerado pela receita, até que o ponto de equilíbrio seja atingido, a partir do qual, a receita com as vendas dos produtos cobre todos os custos. Esse ponto de equilíbrio representa uma certa quantidade, ou volume Ve vendido a um certo preço $e. No equilíbrio de longo prazo, o preço é determinado pelo custos médios. Nesse caso , a tarefa do gerenciamento é administrar os custos variáveis para aumentar os ganhos de escala na produção, ou seja, maior a escala de produção, em relação ao curto prazo, menores serão os custos e consequentemente o preço. As funções de demanda e ofertas inicial são, respectivamente, DD e SS, e as condições iniciais de equilíbrio determinam E1, como exemplificado acima. No curto prazo a demanda passa para D’D’, gerando o preço de equilíbrio $C. No longo prazo, com a entrada de novas firmas no mercado, a oferta aumenta e o novo preço de equilíbrio será ($L). A abordagem Competitiva A visão competitiva de Michael Porter, diferentemente da visão tradicional, preocupa-se com análise das atividades que realmente contribuem para o processo produtivo da empresa. Dessa forma, a tendência, tanto na avaliação de custos, quanto no planejamento das operações e recursos organizacionais, tem sido de desagregar processos e valores (econômico).
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    55 O aspecto dacadeia produtiva na avaliação do custo A figura abaixo mostra a concepção de Porter da estrutura organizacional decomposta em atividades. Essas atividades são aquelas estratégicas que geram informações para o processo competitivo. Processo, nessa visão de Porter, são valores adicionados pelo gerenciamento, e é, em parte, um aspecto da avaliação dos custos. Ainda Segunda essa visão competitiva, os custos assumem grande importância. Porter, em seu livro “Competitive Advantage”, diz: “...Custo é um dos dois tipos de vantagem competitiva que uma firma pode possuir. Custo é também de vital importância para se definir estratégias de diferenciação do produto porque esse diferencial obtido precisa estar ao par dos custos oferecidos pelos competidores...” “...A menos que o preço final exceda os custos da diferenciação, não haverá melhoria no desempenho da empresa no mercado... Muitos gerentes reconhecem a importância de estratégias tais como, “liderança em custo” ou “ redução dos custos “. No entanto, o comportamento dos custos é raramente bem compreendido...” “... O primeiro passo para a análise de custos é definir-se a cadeia de valor agregado da firma, atribuindo-se custos operacionais e valores às atividades. Cada atividade na cadeia de valor agregado envolve ambos: custos de operacionalização e valores na forma de capital fixo e de trabalho...”
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    56 “...Para o propósitoda análise dos custos, a desagregação da cadeia de valores agregados da firma em atividades individuais e discretas, deve refletir 3 princípios que são mutuamente excludentes: 1- o tamanho e o grau de crescimento dos custos representados pelas atividades; 2- o comportamento dos custos das atividades; 3- como o competidor realiza tais atividades...” O aspecto do valor na apropriação dos custos Custo tem dois aspectos de valores; um estratégico ou operacional. O aspecto estratégico do custo refere-se a importância competitiva da atividade que o compõe. Essa importância competitiva, diz respeito a avaliação de como uma empresa realiza uma tarefa vis-à-vis seus competidores, ou se a atividade pode , ou não ser melhorada ou modificada. O aspecto operacional, é a apropriação dos custos diretos e indiretos . Custos diretos são mão-de-obra e matéria-prima, por exemplo, que participam diretamente no processo produtivo. Custos indiretos são, seguro e despesas administrativas, os quais, não participam diretamento do processo de confecção do produto. Independentemente de serem diretos ou indiretos, o valor dos custos pode ser desagregado por departamentos , ou ainda por atividades que compõe o processo produtivo (activity based costs). Eliseu Martins, em seu livro “Contabilidade de Custos”, ao analisar o custeio baseado em atividades (ABC), propõe duas visões para o processo ABC de apropriação de custos: 1- a visão econômica (vertical) que apropria custos através das atividades dos departamentos. 2- a visão de processos (horizontal) que apropria custos através das atividades de cada unidade funcional dos departamentos. Dessa forma, cada atividade de cada departamento, ou unidade funcional, tem uma cota de participação no custo final de um produto. Veja o exemplo abaixo, baseado nos coneitos de Martins. Atividade (Por Deptº) Produto1 (Participação p/ Deptº) Produto2 Participação p/ Deptº) Deptº Aquisições 10% 35% Deptº Despacho 20% 10%
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    57 Deptº Manufaturar 15%20% Deptº Fornecedores 15% 15% Deptº Clientes 40% 20% Total 100% 100% Conclusão Mundanças recentes, na avaliação e percepção de custos, estão no centro dessa nova avaliação dos processos organizacionais, e como eles se têm tornados elementos cruciais para o desenho de sistemas de informações gerenciais. Atividades de escritório, agora, estão sendo considerados sob o ponto de vista de sua contribuição à cadeia de valores agregados da empresa. Desse modo, processo tem valor estratégico e custo econômico. Custo , segundo essa perspectiva, é a contribuição de diversas atividades realizadas por departamentos e unidadesorganizacionais ao posicionamento competitivo da empresa no mercado. No entanto, devemos salientar a importância da avaliação econômica tradicional do longo e do curto prazo. Está implícito na abordagem competitiva o longo prazo, ou os custos médios na formação de preços de produtos que atingiram certa maturidade no mercado. Porém, a velocidade com que aparecem novos produtos no mercado, assim como, novas tecnologias, pode forçar as empresas a constantemente terem de administrar custos de curto prazo (custos marginais). Esse custos marginais de curto prazo podem forçar a alteraração da visão que a empresa tem de seus processos produtivos. Nessa situação, não são bem as atividades que importam, mas, as condições de equilíbrio econômico. Assim, se por um lado as atividades representam o lado estável, de longo prazo, elas não reagem, pela sua própria natureza, com a mesma rapidez do que a componente econômica de curto prazo dos custos, ou seja o preço de mercado. O curto e o longo prazo, as condições de equilíbrio econômico dos preços, assim como, as condições de riscos e incertezas do mercado, devem ser as preocupações constantes do gerenciamento atualmente. Do mesmo modo, sistemas de informações gerenciais devem se preocupar mais com o valor da informação, e, das transações efetuadas pelos bancos de dados, do que perceber sistemas como uma coleção de tarefas a serem
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    58 automatizadas. Portanto, nocentro da discussão dessa palestra, entre processos e informação, está a compreensão do termo informação como elemento de mediação e equilíbrio econômico. Estoques Gerenciamento de Estoques Como tem sido analisado aqui, a visão dos processos produtivos têm passado da perspectiva ecônomica clássica, das funções de produção de curto e longo prazo e preço, para a perspectiva competitiva de custos desagregados em atividades e valor. O que está em jogo na distinção entre essas duas abordagens é o fator tempo, ou seja, como cada uma encara o curto e o longo prazo. A visão tradicional encara a diferença entre o curto e o longo prazo como fator de estabilização na produção através da economia de escala. No curto prazo, o limitante dos recursos é o preço (custo marginal), no longo prazo o limitante é a economia de escala que proporciona um rebaixamento dos preços e estabilização do consumo, além de favorecer a previsibilidade no planejamento de recursos . A visão competitiva assume apenas uma visão, a de longo prazo, já que ao dividir custos de produção em tarefas e valores, não prevê, ou talvez não seja gerenciável , a mudança contínua de atividades para se ajustá-las aos custos marginais ( curto prazo). Desse modo, a visão competitiva prevê, não apenas, a utilização de recursos em geral, incluído no planejamento organizacional, mas também, prevê o desenho e utilização de atividades e valores associadas aos processos produtivos de custo para se atingir a estabiliadde no longo prazo.
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    59 As condições, atuais,do mercado, com entradas contínuas de novos produtos, competidores e tecnologias, nos faz crer que estejamos vivendo, talvez momentaneamente, um período de permanente curto prazo no planejamento das empresas, onde o preço, (custo marginal), parece ser o único parâmetro regulador dos recursos organizacionais atualmente. Isso tem impactado como as empresas estabelecem política de regulação de estoques. Embora as descrições da literatura no assunto mostrem que maior acessibilidade e rapidez na entregas sejam os elementos estratégicos que definem políticas de, por exemplo, estoque zero, acreditamos que o fato evasivo por de trás desse conceito seja a necessidade de competir, permanentemente, num patamar alto de preços, ou custos marginais. Nessas condições, o planejamento dos recursos materiais tem que favorecer apenas preço, sacrificando custos fixos. A vítima mais disponível será o fator de produçãoque, aparentemente, na lista de custos, seja o mais alto. Corte na mão-de-obra parece ser o mais fácil e que demonstra, aos acionistas, seriedade na administração. No entanto, o fator subjacente que mais será prejudicado, seguindo essa racionalidade será a qualidade nos serviços, ou produtos, prlo menos no primeiro momento (curto prazo). O planejamento de estoque deve levar em conta esses aspectos de curto e longo prazo, preço, competitividade, assim como processos de custos. Henrique Corrêa, Irineu Gianesi e Mauro Caon, no livro “Planejamento, Programação e Controle da Produção”, dizem: “...Nos anos 80, por exemplo, muitas empresas tiveram problemas estratégicos sérios por acharem que deveriam, a todo custo, baixar a zero seus estoques, seduzidas por uma literatura equivocada das mensagens subliminarmente passadas pela superioridade incontestável dos sistemas de gestão japoneses daquela época. Na verdade, a mensagem era quase esta, mas não exatamente esta. Hoje, entendemos de forma mais clara que o que devemos buscar incessantemente é não ter um grama a mais de estoques do que a quantidade estritamente necessária estrategicamente...” Dois aspectos estratégicos são ainda importantes de se salientar aqui: a distinção entre produção por encomenda e a produção contínua. A produção por encomenda demanda estoques menores, ou quase nulos, pois os pedidos são regulados pela quantidade programada pelos próprios consumidores. A produção contínua de produtos de prateleiras
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    60 demandam um percentualde estocagem como elemento regulador da quantidade ofertada e o preço estável da demanda. Na produção contínua, a regulamentação dos estoque está associada a valorização, ou desvalorização dos preços dos produtos estocados, forçando a criação de inventários. Aqui reside todo o problema de definição de estratégias de estoques. Em qualquer processo de estocagem existe um descompasso entre o tempo que a mercadoria entra efetivamente no estoque e o momento em que ela é consumida. Portando, em um dado momento, num estoque, existem mercadorias com diferentes valores que precisam ser, constantemente, reavaliados para se ter uma ideia do valor imobilizado. Existem 4 métodos para se avaliar o valor de um estoque: 1- o preço específico: esse critério atribui a cada unidade do estoque o preço, efetivamente, pago pela mercadoria. 2- PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai, ou FIFO):esse critério atribui às mercadorias no estoque o valor dos custos, mais recentes, em adquirí-las. A cada venda, a baixa é feita iniciando-se pelos custos mais antigos (ou menores). 3- UEPS (último que entra, primeiro que sai, ou LIFO): esse critério atribui às mercadorias estocadas os custos mais antigos. A baixa é sempre feita pelos custos das últimas aquisições, proporcionalmente, aos custos de aquisição. 4- Custo Médio: esse critério atribui as mercadorias estocadas o valor médio dos custos de aquisição, atualizados a cada compra feita.
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    61 Alavancagem na Produção Oproblema da alocação de recursos na produção e nas finanças A estrutura de capital de uma empresa é genericamente divida entre capital próprio e capital de terceiros. A decisão de usar um ou outro depende das taxas de retorno oferecidas pelos juros do mercado. A decisão de usar capital próprio depende das possibilidades das vendas do produto alcançarem lucratividade mais alta do que a do mercado de capitais, caso contrário, o proprietário, ou o acionista, aplicará no mercado financeiro. A possibilidade de se usar capital de terceiros enfrenta o problema de que a lucratividade com as vendas sejam maiores do que os juros cobrados pelos títulos do passivo, caso contrário, a empresa terá prejuízo ao pagar o dinheiro que tomou emprestado para produzir. Fluxo de Caixa Mostrando a alocação de Recursos de produção e Financeiro Em um ou outro caso, descrito acima, a tarefa do gerenciamento é alavancar sobre os custos da produção e os juros do mercado, ou seja, a lucratividade
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    62 com as vendasdeve superar a combinação dos juros cobrados pelo mercado, mais os custos da produção. O gerenciamento tem, então, como missão balancear a quantidade de recursos do passivo (capital próprio mais de terceiros) que aplica em ativos financeiro, versus a quantidade que aplica na produção. A alocação dos recursos de capital é um dilema que envolve essas duas áreas: a financeira e a de produção. Enquanto que aplicações na área financeira procuram por taxas de retorno mais altas, para alavancar sobre os juros cobradospelo capital de terceiros ; a área de produçãoprocura por juros mais baixos para alavancar sobre os custos (fixos no curto prazo e médios no longo prazo). A figura a baixo, demonstra esse dilema, enquanto que taxas de juros altas no mercado atraem maiores quantidades de recursos financeiros; taxas de juros mais baixas atraem aplicações na área produtiva. Existe um ponto de equilíbrio no mercado onde as taxas de juros dão retorno atrativos tanto para a produção quanto para o capital financeiro. Disputa entre Capital Financeiro e de Produção A influência de fatores externos ao gerenciamento A tarefa de alocação de recursos pelo gerenciamento de uma empresa está, hoje em dia, intimamente ligada a fatores externos à organização, os quais, disponibilizam mais, ou menos, capital para os investimentos. Existem duas fontes de capital no mercado; o governo que emite moeda para os bancos e para suas próprias necessidades, e o capital externo que procura por retornos mais altos que nos seus países de origem. O capital externo maximiza seus retornos através do cupom cambial, ou, através de
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    63 investimentos diretos queuma vez amadurecidos trarão retornos mais altos do que em seus países de origem. O gerenciamento , no entanto, enfrenta a concorrência do próprio governo que necessita de capital para cobrir seus déficits orçamentários. Essa necessidade de dinheiro do governo é expressa pelo nível de juros pagos pelos títulos da dívida pública. Desse modo, quanto maior o déficit público maior serão as taxaa de juros pagas pelos títulos público, o que fará com que os detentores de capital (nacionais e estrangeiros) emprestem para o governo, e não para as empresas, ou consumidores. Assim, a capacidade de exportar do país ficará comprometida, agravando suas necessidades por mais capital, acirrando um ciclo vicioso. O ciclo virtuoso é quandoo déficit público é zero, ou pequeno, quando, então, o capital disponível para investimentos irá para a produção das empresas. No entanto, devemos notar que, mesmo sob essas condições, a parcela disponível para a área financeira será sempre maior , devido sua maior capacidade de alavancagem. Isso que dizer que os títulos de empréstimos, mesmo que tenham por razão de existir a produção de bens, ( não poderia ser diferente), eles podem passar de mão em mão várias vezes, através de descontos, sob a expectativa de um bom desempenho futuro de um produto altamente rentável no mercado. Hoje em dia, portanto, a tarefa do gerenciamento é balancear, não só as condições internas da organização, decidindo o quanto alocar para a área financeiros e de produção , mas também, monitorar, atentamente, as condições externas que definem, taxas de juros (títulos da dívida pública), balanço de pagamento, câmbio, ou déficit público.
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    64 A Tabela "Roseta"da Globalização
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    66 Globalização A Evolução doConceito de Globalização Durante o período da idade média, a Europa, e o resto mundo de uma maneira geral, eram constituídas por sociedades fechadas com dimensões locais, dominadas por senhoresfeudais, donas de terra que não tinham, ou não viam, muito interesse no estabelecimento de um regime de trocas comerciais. Com a fragmentação do império romano e da universalidade da cultura greco- romana, as relações de trocas impostas por Roma foram pulverizadas. De um lado, o império Bizantino, de outro, o império árabe, e no meio os feudos europeus tinham relações comerciais limitadas, mais voltados para questões de conceituação religiosas. Na Ásia, a China, a despeito de virtuoso desenvolvimento econômico e social, não via vantagens no comércio entre os povos, tendo uma visão de si mesma como o centro de tudo que pudesse significar civilização. Com o início do perído das navegações na Europa através de Cristóvão Colombo, Fernão de Magalhães, Américo Vespúzio, Pedro Alvarez Cabral, e outros, dá-se início a um período de intensa mobilização de europeus através do planeta, para desespero das populações locais das Américas, África e Ásia. Como consequência, houve o surgimento de uma grande oferta de produtos, antes de posse e produção limitados, tais como, ouro, açucar, especiarias etc, assim como, o surgimento de novas rotas comerciais, levando à decadência as tradicionais "rota da seda", e, das linhas de navegação das cidades- estados italianas como Florença e Veneza. Nesse momento, estavam sendo lançadas as bases da atual globalização. Um irremediável afã de conquistas coloniais, para assegurar a posse de centros de produção de matérias-primas antes escassas ou desconhecidos, foi acompanhado, simultameamente, pelo início de novos questionamentos na área científica, principalmente na astronomia, questionando-se dogmas tradicionais, e, abrindo-se caminho para o que ficou sendo conhecido como a constituição de uma "nova ciência" por Galileu Galilei, Copérnico, Giordano Bruno, René Descartes, e outros.
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    67 Portanto, em paraleloà tradicional sociedade patriarcal e rural foi surgindo um classe dinâmica de comerciantes e cientistas dispostos a mudar a face do mundo. Empreendimentos como o da Cia da Índias, tanto pela Inglaterra como pelos Países Baixos, demostra o surgimento de organizações que vizavam objetivos globais. Esse perído caracteriza-se pelo início das discussões sobre o valor da moeda e o valor do comércio internacional, principalmente, através de David Ricardo, David Hume, John Locke e Adam Smith. Esse era ficou conhecida como a do mercantilismo. A partir de meados do século XVIII, com a revolução industrial surgi uma nova perspectiva de se fazer negócios, baseada na exploração racional de recursos com o bjetivo de se atingir ganhos contínuos e crescentes. Além da noção de lucro lança-se as bases da noção de eficiência, métodos e processos científicos aplicados à produção de exploração de bens. Surgi, assim, o que ficou conhecido como capitalismo, que na opinião de Max Weber é muito mais uma maneira de ganhar dinheiro do que o uma teoria econômica. Surge uma nova classe de participantes, além dos produtores agrícolas (senhores feudais), e dos comerciantes, que começam a participar das atividades econômicas com força espetacular, serão conhecidos como burgueses, aqueles que ganham dinheiro com a criação, invenção ou transformação de produtos. Desde o século XVII até o final do século XX, esses 200 anos, vieram a se caracterizar por extraordinário progresso comercial, industrial e científico, além de violenta transformações econômicas e sociais. Esse período foi classificado por Eric Hobasbaw como: era das revoluções sociais, era da formação dos impérios coloniais e a era dos extremos das ideologias que dominaram o mundo de 1914 à 1989.
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    68 O perído atualcaracteriza-se por ser de transição, esgotadas as possibilidades das idéias promovidas pelo iluminismo, tais como, liberdades individuais, pluralidade ideológica, liberdade ecônomica e democracia representativa. É difícial a caracterização de uma nova classe como característica desse novo perído, poderiamos chamá-la simplesmente de "homem- massa", como definido por José Ortega Y Gasset. Mas, com certeza, as relações de troca e os objetivos de dominação de centros de produção, característica do perído colonialista, mudaram. Essa, agora, é uma era de direitos, legislação e rotas comerciais definidas a partir de centros de telecomunicações e unificação de mercados regionais dominados por sociedades de massas, ou centros de consumo. A classe dominante, então, seria a classe média, e sua característica básica por ser ausente de valores determinados, mas mutante na velocidade com que opera mudanças de conceitos, idéias e, principalmente, como agente de promoção da mobilidade nos fatores de produção, consumo e pessoas. A dominação da classe média é muito mais como consumidora do que como produtora. Paradoxicalmente, o poder se desloca daqueles que detêm os centros de produção para aqueles que consomem, com características similares através do planeta, tais como, demanda por qualidade, rapidez de entrega, acessibilidade a produtos novos e diferentes. Claro, são filhos da industrialização que reduziu custos e aumentou a produtividade. No entanto, o fato permanece, é a sociedade de massas, no fundo, que controla os meios de produção atualmente através dos mercados de ações, (como acionistas), e das fundações de pecúlio e aposentadoria (como beneficiários). A globalização surge, portanto, da necessidade de se satisfazer um grupo crescente através do mundo, de pessoas que, individualmente, não são ricas, mas que coletivamente, impulsionadas por aspirações de estabilidade e ascensão social, tornaram-se um grupo poderoso capaz de ditar regras e normas, assim como mudá-las com incrível velocidade. Essa nova classe tornou-se a maioria nos principais e mais desenvolvidos centros econômicos do mundo atual.
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    69 Uma Visão GeraldaSituação MundialAtual Eric Hobasbaw definiu o século XX como a era dos extremos, já o filósofo Raymond Aron denominou, este, como o "século da guerra total". Existe certa similaridade desde período atual com o século XVII, um período de incertezas e conflitos religiosos e teológicos("Guerra Dos Trinta Anos",de 1648 à 1689 ;"Revolução Gloriosa", na Inglaterra). Sem dúvida, os mais recentes cem anos, foram de conflitos ideológicos, guerras, extraordinário progresso científico, técnico e avançossociais. Nunca gozamos de melhores condições de vida no planeta, vivemos em melhores condições de higiene do que a cem anos atrás , nos alimentamos de maneira mais saudável e morremos mais tarde. Não seria ousadia dizer que atingimos um certo protótipo de uma sociedade de massas, onde, a despeito dos desníveis e da má distribuição de renda, temos ao nosso alcance uma variedade enorme de produtos, serviços e diversos benefícios sociais, tais como, aposenta- doria, seguridade e educação. Claro, não é bom falar da qualidade de tais serviços. No entanto, as bases estão definitivamente lançadas. Essa sociedade de massas, diferente das previsões de Karl Max, não é baseada numa classe operária coesa e orientada para o controle político dos meios de produção, mas, pela classe média. A diferença básica de mentalidade é que a primeira almeja que seus filhos sigam seus passos, já a segunda quer uma vida melhor para sua descendência. A mobilidade social é, então, o mote principal desse novo império na história da humanidade. Gerações futuras devem ter melhores condições de vida do que a de seus antecessores. Esse "homem massa" , nos termos de José Ortega Y Gasset, definiu regras próprias para essa nova era que começa, e que poderia ser resumido em um único lema : " sempre mais". Mais, segurança, mais liberdade, mais ascensão social, mais benefícios... Nesse sentido, mobilidade social significa comunicação, expansão de território, porém com características diferentes dos velhos regimes imperialistas, onde essa mobilidade era garantida pela força da canhoneira,
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    70 pelo colonialismo dasoligarquias. Hoje, essa expansão é resultado do aumento das oportunidade, principalmente na educação de massa, gerando mercados consumidores, estabelecendo competicação entre os participantes e exigindo iguais oportunidades. Se no caso dos "velhos impérios", os benefícios das expansões eram repartidos entre as oligarquias e aristocratas. No novo "império da massa"; ou os benefícios estão ao alcance de todos; ou o império não se consolida, gerando uma crise permanente entre as demandas crescentes das massas e a capacidade o estado em atendê-las. As velhas oligarquias não são mais capazes de controlar a situação porque o que se está barganhando não são particulares produtos de troca, mas oportunidades. Isso está gerando uma nova sociedade de negociação permanente, de troca e permuta entre os seus vários integrantes. Ela é heterogênia por natureza porque de "massas". Parece que as consequências do processo iniciado com as navegações, ( o aparecimento do mercantilismo, capitalismo, socialismo e sua principal implicação : " a industrialização", está aparecendo mais claramente agora nesse final do século XX. O que está por vir terá como característica básica quatro pontos: 1- negociação, (gerenciamento de conflitos); 2- heterogeneidade, (multiplicidade de grupos e opiniões); 3- perda de valores estabelecidos, (mudanças contínuas); 4- mobilidade, (expansão de fronterias e objetivos); O fator comunicação está, sem dúvida, no centro dessas mudanças que estamos debatendo aqui, e é a responsável pela aparente instabilidade do momento presente. Polos de comercialização e produção estão sendo definidos pelo mundo : o polo americano, o polo europeu e o polo asiático. A definição desses polos está sendo marcada pelo tamanho dos mercados, ou melhor dizendo, da sociedade de massas existente numa certa região geográfica, e de sua capacidade de se integrar nos mercados mundiais, criando-se assim, através de sistemas de comunicação, o equivalente moderno às rotas de navegação dos séculos anteriores. A consequência principal desse processo de globalização, mais do que alterando regras sociais, está definindo novas maneiras de relacionamento e gerenciamento de empresas, negócios, serviços etc. A velha máxima do imperialismo era reduzir o poder de decisão dos subordinados e impor regras e regulamentos a serem seguidos por todos, criando um exército de cumpridores de ordens. As decisões eram tomadas pelas oligarquias. A nova metáfora do gerenciamento, em qualquer área, é a participação, requerendo não apenas cumpridores de ordem, mas tomadores de decisões, ou seja, pessoas com capacidade de decidir.
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    71 Regras e regulamentos,agora, estão sendo automatizados, transformando subordinados em coparticipantes. Se os objetivos, antes, eram cumprir ordens, agora é necessário ir atrás do cliente qualquer que seja o negócio. Estamos assistindo ao declínio da burocracia, causada pelas crescentes demandas por mobilidade social, expansão de mercados (ou polos) e comunicação na organização do trabalho.
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    72 Impacto da GlobalizaçãonoBrasil Segundo Luis Carlos Prado, em A Nova Economia Internacional, somos herdeiros do tradicionalismo, patrimonialismo e dinamismo comercial português, do qual incorporamos a língua, a religião, adicionando a contribuição de vários povos e raças, indígena, negra e asiática. Somos um exemplo das consequências das navegações, da capacidade empreendedora do antigo império colonial português, assim como, do mercantilismo, que tem marcado nossa caracterísca econômica até pelo menos o ínicio da década de 1930. Até, principalmente, essa época o Brasil foi governado por uma classe de produtores agrícolas, conscientes da importância de seus produtos no mercado internacional. É dificil classificar essa classe dominante como, ou de entrincheirados senhores feudais, ou de ativos comerciantes com papel determinado no mercado internacional. A verdade é que o Brasil foi constituído por grupos que avançaram sobre um imenso território, extraíndo proveito das oportunidades no mercado internacional. Assim foi o ciclo do açucar no Nordeste, o ciclo do ouro em Minas Gerais, o ciclo do café em São Paulo. O fato é que as classes dominantes geradas por cada um desses ciclos desapareceram, não gerando descendências, ou núcleos feudais, a menos de lugares esparços sem expressão econômica relevante, marcados mais pela decadência do que pela pujança. A verdade é que a terra tem passado de mão em mão nesses últimos 500 anos, sem definir grupos homogêneos, permanente ou contínuos. A característica principal da dinâmica da histórica do Brasil nesse século XX, foi determinada pelo movimento modernista surgido apartir de 1930, com a disposição de mudar os destinos do país de uma sociedade agrícola voltada para um passado colonial, para uma sociedade industrial de massas. Nesse sentido os últimos 50 anos foram espetaculares com mudançasprofundas em todas as áreas: ciência, tecnologia, artes, economia etc. Segundo fontes do IBGE, (Instituto Brasileiro De Geografia e Estatística), em 1950 a população brasileira era de 52 milhões, sendo 36% urbana e 64% rural, saltando para 160 milhões aproximadamente no final de 1999, com 80% habitando a área urbana e 20% a rural. No final desse século, o PIB (Produto Interno Bruto) do país aproxima-se de 1 trilhão de dólares com uma renda per capita por volta de 6000 dólares.
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    73 Segundo José Serra,na Revista de Economia Política nº 6 de abril-junho de 1982, a participação da agricultura na renda renda interna em 1950 era de 19% para agricultura, 33% para a indústria e 48% serviços. Em 1980, segundo essa mesma fonte, esssa participação era de 13% para a gricultura, 34% para a indústria, e 54% para servicos. Mostrando, um acentuado processo de industrialização. O Brasil de 50 anos atrás não existe mais, esse, atualmente, é um outro país, com um perfil radicalmente diferente. Devemos salientar, no entanto, que o esforço tem sido dramático: 5 constituições e ordenamentos jurídicos diferentes, 8 diferentes moedas correntes, uma inflação acumulada jamais vista na história econômica do mundo. Em termos de participação no mercado internacional de capitais, no entanto, o Brasil tem sido privilegiado. Segundo a UNCTAD, em 1990, o Brasil estava entre os 10 maiores receptores do capital americano de investimento no exterior com 3,4 %, logo abaixo da França com 4%. Em 1995, ocupavam a 15º posição entre os país que mais receberam investimentos estangeiros com aplicações da ordem de 50 bilhões de dólares. De acordo com Luis Prado, dados mais recentes mostram que essas aplicações chegam a 99 bilhões de dólares. Ainda segundo a UNCTAD, a participação de empresas estrangeiras na indústria de transformação é de 32%,gerando 23% dos empregos no setor. A partir da implementação do plano real, o perfil econômico do país apresenta substancial mudança com a inflação chegando próxima de zero em 1998, e apresentando crescimento médio no PIB de 4% entre 1994 e 1997 para uma inflação média de 10% nesse mesmo período, segundo o Banco Central, Fundação Getúlio Vargas e IBGE. A partir, então, de meados da década de 1990 em diante, a economia brasileira apresenta acentuada diminuição da participação do Estado, e aumento vigoroso na captação de investimentos estrangeiros, saltando a captação desses recursos externos de 5 bilhões em 1990 para 70 bilhões em 1996, ainda segundo o Banco Central. As conclusões são de que o Brasil saltou nos últimos 50 anos de uma economia agrária para uma sociedade em rápido processo de industrialização. Embora a classe média ainda não seja a maioria no país
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    74 ainda, há sinaisclaros da constituição de uma sociedade de massas e a formação de um poderoso mercado mundial de produtos industriais e de serviços. Segundo Joelmir Beting, em artigo recente, está havendo uma explosão da internet nas empresas brasileiras de todos os setores e tamanhos, chegando a afirmar que consultores americanos consideram o mercado brasileiro da WEB, como o de maior crescimento potencial depois dos Estados Unidos. Ainda, segundo Beting, no ano de 1999 espera-se que a venda de produtos e serviços pela internet alcance US$ 200 milhões, atingindo, talvez, US$4 bilhões em 2003.
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    75 Uma Nova EconomiaInternacional? A questão central na economia internacional é a comparação de preços entre países. Qual o preço justo de um produto levando-se em contra as diferenças de câmbio entre as moedas? Teorias Do Comércio Exterior VantagensAbsolutas: baseado em Adam Smith e David Hume, essa teoria leva em conta o nível de produtividade do trabalho em cada país. Segundo essa visão, um país exporta produtos que consegue produzirmais barato e importa aqueles que produziria a preços maiores. Essa teoria leva em conta apenas os custos absolutos de produção entre dois países, ou mercados, ou seja, os excedentes que cada sociedade consegue produzir além de seu consumo interno. Vantagem Comparativa:segundo David Ricardo, a troca de produtos no mercado externo não é determinada pela capacidade de produzir excedentes, (vantagem absoluta), mas sim por suas quantidades relativas. Ou seja, é o custo de produção relativo entre dois produtos de dois diferentes países que levará a troca de um pelo outro. Então, um país compra no exterior não produtos mais baratos, mas sim produtos com custos de produção menores relativos aos que poderiam ser produzidos internamente. Teorias Recentes: os suecos Eli Heckscher e Bertil Ohlin desenvolveram, no iníciodo século XX, uma reavaliação da teorias das vantagens absolutas e comparativas, levando em conta os insumos de produção (capital, trabalho e terra), a tecnologia empregada e as preferências dos consumidores. Assim, segundo Eli e Bertin, os países trocam produtos produzidos internamente a custos mais baixos, devido a abundância de algum de seus fator de produção. Ou seja, a vantagem de cada sociedade será ou o capital, ou a terra, ou o trabalho em abundância, considerando-se iguais as preferências dos consumidorese e a tecnologia empregada. Vantagem Competitiva: Michael Porter é o lider nesse conceito de vantagem competitiva, através de estudos realizados sobre produtividade na indústria americana no início da década de 80, e, posteriormente, através de seminários realizados em Harvard com lideres de diversos países. A questão central de Porter é a capacidadedas empresas, (por extensão países), em definirem seus custos ou oferecerem uma diferenciação nos produtos que vendem de modo a justificarem uma vantagem para os consumidores. Assim, a vantagem de cada produto está associada a uma análise de preço e qualidade em comparação à reação dos vários componentes do mercado, (fornecedores, competidores, compradores, e produtos substitutivos).
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    76 Segundo essa visão,cada empresa detém uma posição competitiva em um seguimento de mercado, sustentando um certo preço e qualidade para seus produtos, os quais inibirá novos competitidores, ou, a possibilidade de entrada de novos participante. Um reposicionamento no mercado só será possível se essa teia de relações for alterada. Porter não leva conta aspectos micro ou macroeconômicos, portando, não se consitui em uma teoria econômica, apenas uma estratégia. Aspectos Macroeconômicos O ponto central na análise econômica é a tentativa de se modelar o desempenho econômico de sociedades, países e empresas, baseando-se na noção de equilíbrio entre fatores internos e externos. O equilíbrio entre fatores internos e externos conduz os sistemas econômicos a um balanceamento, ou mediação, entre os seus vários componentes, tais como: juros, salários, preços, câmbio, determinando uma certa característica de produção e consumo de bens. Essa mediação é determinada, segundo as teorias vigentes, de dois modos: 1- a teoria clássica define um comportamento racional dos participantes na economia de acordo com suas disponibilidades de recursos de produção e consumo. Esse é o chamado modelo do "leiloeiro". O equilíbrio é atingido através da livre oferta e disponibilidades dos participantes. 2- a teoria neoclássica ou Keynesiana define que o comportamento dos participantes, além dos aspectos racionais de decisão, será regida pela noção de risco e incerteza de liquidez entre as várias opções de alocação de recursos ou investimentos. Esse é o modelo das apostas nas bolsa de valores e futuros. O equilíbrio será atingindo de acordo com as expectativas coletivas quanto a incertezas futuras. Assim, juros, salários, preços e câmbio estarão em equilibrio de acordo com as expectativas do mercado quanto a possibilidade de eventos futuros ocorrerem, tais como: aumento da inflação, equilíbrio das contas do governo, entrada de recursos externos. Esse é o medelo de "pregões" . Conclusão: não existe até o momento novas teorias econômicas que fundamentalmente alterem as relações expostas acima. A assim chamada globalização é um evento desencadeado pela mudança de uma sociedade fechada, (onde preços, câmbio, fluxos de capitais estão sob rígido controle), para uma sociedade aberta, (onde preços, de modo geral, são determinados de acordo com as expectativas de rísco e liquidez). Esse fenômeno atingiu aspectos globais porque vem acontecendo simultaneamente em vários países já faz alguns anos, desde de o fim do acordo de Bretton Woods, quando o dólar deixou de ser o padrão monetário
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    77 internacional lastreado emouro. É a abertura progressiva da economia americana, apartir de 1971 com a flutuação da taxa do dólar, que se dá partida a esse fenômeno chamado, agora, de globalização. Mercado
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    78 ForçasParticipantes Michael Porter, emseu Livro "Competitive Advantage", define 5 forças para a análise da estrutura de segmentos de mercados. 1-Clientes; 2-Fornecedores; 3-Produtos substitutos; 4-Competidores no mercado; 5-Potenciais competidores; Segundo Porter, é a compreensão dessas 5 forças que determinam a habilidade das empresas em conquistar retornos médios nos investimentos, superiores aos custos. O resultado é que cada segmento de mercado, ou industria, tem estruturas próprias, determinado ações peculiares para cada força descrita acima, assim; 1-Os fornecedores: pressionam por descontos de acordo com a capacidade dos competidores, compradores, definindo um nível mínimo para cada produto de cada segmento de mercado; 2-Os clientes: pressionam por melhores preços, barganhando com produtos substitutos; 3-Os competitidores: definem certos níveis de custo de produção e tecnologia empregada para bloquear o acesso de novos participantes.
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    79 Estratégias Cada empresa nomercado é o produto de um ciclo de negócios que assume a seguinte característica, comoprocuramos demonstrar com a figura abaixo. Cada segmento do ciclo dos negócios define um participante característico, tais como: 1- Participantes tipo P: eles estão tentando entrar no mercado, ganham dinheiro, mas ainda não têm um negócio. Por exemplo, vendem roupas em casa. Seus maiores desafios são transpor o ponto A de inflexão. Suas limitações são capital, custos, rentabilidade para ter ganhos suficientes para poder ter uma estrutura de negócio. 2- Participantes tipo A: eles já transpuseram o ponto A, passaram a ter rentabilidade para ter uma estrutura e crescem vertiginosamente. Suas características são: desorganização administrativa, gerencial e contábil. A velocidade de seus ganhos é um impedimento para uma ação de racionalização. O entusiasmo dos ganhos encobre os defeitos. Seus desafios são transpor o ponto B, consolidando uma liderança no mercado, suas posições são furtivas, tão rápido ascenderam, tão rápido podem desaparecer. 3- Participantes tipo L: são líderes no mercado com posição consolidada e estrutura de negócio própria, dividem uma fatia do mercado com outros concorrentes. A característica principal desse tipo de participante é a excessiva auto-confiança, achando que nada pode removê-los da posição
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    80 conquistada. Têm excessode burocracia e controles. Necessitam de recursos humanos bem treinados, mas barganham com salários. Eventualmente, tornam-se o lideres de mercado quando, então, seus problemas começam, sendo ameçados por participantes tipo A, com estruturas mais ágeis, ou nenhuma estrutura, mas com capacidade de responderem às necessidades dos clientes com atendimento personalizado. O desafio desse tipo de participante é evitar o pont B' de inflexão. Seus problemas de estrutura organizacional estão tão cristalizados que eles começam a perder posição. Essa é a fase de contratação de consultores e reestruturações sem fim. 4- Participantes tipo D: são participantes do tipo L que não conseguiram evitar o pont B' de inflexão. Nessafase a perda de posição no mercado é visível para todo, inclusive seus empregados. A moral é baixa, e eles estão dispostos a qualquer experiência para reverter um quadro de decadência. Nesse período, pagam caro por consultorias, que, não só não resolvem seus problemas, como são responsabilizadas por seus fracassos. O desafio desse tipo de participante é evitar o ponto A' de inflexão, do qual não há retorno, o negócio estrá perdido. Estratégias para evitar tal calamidade são difíceis, quase sempre o problema é de lideranças antigas, provavelmente iniciadores do negócio que definiram um estilo de gerenciamento e não vão mudar. A solução, nesse caso, é ou vender ou transferir o comando para pessoas mais ágeis. 5- Participantes tipo E: são participantes D que transpuseram o ponto A', do qual não há retorno. A característica desse tipo de participante é um misto de fatalismo com conformismo. Sabe que nenhuma estratégia mais é possivel e está tratando de vender o negócio ao melhor preço possível. Têm baixo poder de barganha junto a possíveis compradores e acabam vendendo para um participante tipo A por menos da metade do que realmente vale o negócio.
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    81 Vantagens Tecnológicas O papelda tecnologia no mercado é muito discutível. Acredito que a essa altura seja difícil associar-se uma estrutura organizacional, em particular, com sucesso nos negócios. Uma das principais causas para insucesso, ou eventual fracasso, no mundo dos negócios seja mais uma avaliação equivocada de risco e expectativa quanto à possivel liquidez dos ativos das empresa. Essa aposta, na correta expectativa de risco, também é uma das principais causas de sucesso. No fundo, quem vence são aqueles dispostos a assumirem riscos, e aqueles que apostam bem quanto ao sucesso de uma empreitada, não descuidando nunca das eventualidades, cobrindo seus ativos contra eventuais perdas. O papel da tecnologia é gerencial, ela define dois pontos principais que poderíamos chamar de vantagem competitiva. 1- aumenta a acessibilidade dos clientes aos produtos e serviços, reduzindo a burocracia e exigindo dos gerentes ações em busca dos clientes; 2- reduz o tempo de entrega, ou distribuição, dos produtos, ou serviços, criando, por assim dizer, uma rede eletrônica de distribuição de pedidos ou entregas.
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    82 Mercado Eletrônico Noênio Spinola,define bem mercado eletrônico: " É o futuro do futuro", em seu livro ele diz: "Creio que acordei para o espaço virtual do século XXI quando trabalhava como correspondente estrangeiro e fui enviado de Moscou para Bagdá, com a missão de decobrir a primeira Guerra doGolfo. Depois da parte fácil, acompanhando colunas blindadas na frente de Abadan e fotografando oleo- dutos incendiados, veio a difícil: transmitir o material recolhido e ganhar as páginas de um jornal na manhã seguinte." Um espaço, assim chamado virtual, está sendodefinido como uma nova arena de competição. Por de trás dessa conceituação esta se definindo não apenas novas maneiras de se fazer negócio, mas se está alterando as relações tradicionais da cadeia produtiva (produtor, fornecedor, cliente, mercado). Na verdade, quem estão mudando são os elos entre os fornecedores, produtores e clientes, reduzindo distâncias, aumentando acessibilidade e tempo de entrega. Esse espaço virtual é sub-produto do avanço nas telecomunicações , as quais vem exercendo o mesmo papel que as ferrovias tiveram no século passado, e o avião no século XX. Moeda
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    83 O Valor daMoeda Através da história o homem sempre esteve preocupado com o valor de uma moeda que fosse básica para transações comerciais entre diferentes sociedades e grupos , servindo de denominador comum aos preços dos produtos produzidos em diferentes localidades. No Século XVI : O problema era de substância monetária e, portanto, no estabelecimento de padrões. O ouro era visto como o valor padrão da moeda. Modernamente: A moeda tem duas funções: 1- servir como meio de pagamento; 2- servir como meio de troca. Como consequência, o ouro não tem mais valor como padrão de medida monetária, ele é uma mercadoria como outra qualquer, hoje em dia. No entanto, dependemos de índices para medir a valorização e desvalorização da moeda e compará-la com outras de diferentes sociedades. Índices: no Brasil temos diferentes índices de medida do valor da moeda, tais como mostrado na lista abaixo: 1. IGP- Índice Geral de Preços; 2. IGP-M- Índice Geral de Preços do Mercado; 3. IGP-10- Índice Geral de Preços 10; 4. IPC-FIPE- Índoece de Preços ao Consumidor; 5. ICV-Dieese- Índice do Custo de Vida; 6. INPC- Índice Nacional de Preços ao Consumidor; 7. IPCA- Índice de Precos ao Consumidor Amplo; 8. INCC- Índice Nacional do Custo da Construção; 9. CUB- Custo Unitário Básico; 10- TR- Taxa Referencial (média das taxas de juros dos CBDs);
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    84 O PadrãoOuro Segundo OtavianoCanuto, em "A Nova Economia Internacional", "...A eficiência de um sistema monetário internacional não é um fim em si mesmo. Seu principal objetivo é viabilizar a fluidez das relações econômicas entre países..." O ouro através da história tem sido visto como reserva de valor devido a sua portabilidade, durabilidade e capacidade de ser fundido em diferentes formatos e tamanhos. Canuto levantou a seguinte cronologia das origens do ouro como padrão internacional: 1- 1816: The Coinage Act autorizava a cunhagem de moedas em ouro. 2- 1819: Banco da Inglaterra determina que cédulas emitidas pela instituição fossem resgatáveis em valores correspondentes a barras de ouro. 3- Em 1834 e 1837 : Os EE.UU. definem a relação de troca do dólar em relação ao ouro e a prata. 4- 1871: A Alemanha substitui o padrão prata pelo padrão ouro. 5- 1879: O ouro é o referencial para emissões monetárias em boa parte da europa. 6- Em 1848: foi estipulado no Brasil que o governo aceitaria ouro como pagamento nas repartições públicas. 7- Em 1849: O governono Brasil é autorizadoa cunhar moedas de ouro e prata. 8- Em 1888: O Brasil estabelece e adota o ouro para conversão de sua moeda. 9- De 1906 à 1914: É criado no Brasil a "Caixa de Coversão",com poderes para emitir moeda lastreada em ouro. O Sitema padrão ouro termina em 1914 com a primeira guerra mundial. O sistema, "Padrão Ouro", era um sistema de bandas onde o preço variava de acordo com a entrada ou saída do metal nas contas nacionais, através das transações no comércio exterior. Se saísse ouro, sua cotação subiria atraíndo, dessa forma, o metal de volta, estabelecendo um equilíbrio do câmbio da moeda nacional com as outras do mercado internacional.
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    85 O Acordo deBretton Woods Com o fim da segunda guerra mundial, tentou-se estabelecer um novo padrão monetário internacional que viesse a trazer a mesma estabilidade do preços do antigo sistema "Padrão Ouro". Em 1944, delegados de 45 países reuniram-se e criaram um sistema que promovesse a liquidez e financiasse o desenvolvimento econômico internacional. Criando-se, assim, o Banco Mundial para financiamentos de longo prazo, e, o FMI para empréstimos que equilibrassem a balança comercial ou a contabilidade nacional dos países membros. Devido ao fato, de na época, os EE.UU acumularem um surpreendente superávit comercial em relação aos outros países, foi estabelecido uma cotação inicial de conversão do dólar em ouro conversível pelo tesouro americano. Desse modo, o dólar passou a ser aceito como moeda de referência nas transações do comércio internacional. Em agosto de 1971, o governo americano abandona a conversão do dólar em ouro, deixando a moeda americana flutuar livremente. A seguir, as moedas européias passam também a flutuar, primeiro através de mecanismos de banda cambial, depois o sistema "serpente"de bandas cambiais estreitas, até atingirem o sistema atual de livre conversão. No Brasil, a experiência é semelhante ao ocorrido depois de 1994, com a implementação da moeda "Real". Primeiro sua cotação passou a ser determinada por bandas cambiais até que, em 1999, passou a flutuar livremente.
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    86 O Poder deCompra da Moeda No centro da discussão do valor da moeda está seu poder de representação do valor de compra de produtos. As necessidades impostas pela expansão do comércio internacional levaram, de uma forma ou de outra, à implementação de cotações flutuantes para se determinar a paridade de preços entre produtos de diferentes sociedades. Um ponto é claro, são as necessidades de liquidez e as expectativas de riscos nas transações dos negócio que definem o verdadeiro valor das coisas. Na verdade, a moeda também se tornou uma " mercadoria" como outra qualquer. O verdadeiro valor dos produtos é definido pela capacidade de produzi-los ou consumi-los, e, com a moeda não poderia ser diferente . Como a moeda é uma mercadoria como outra qualquer, seu valor é definido por índices que revelam uma expectativa de liquidez e risco. Índices de inflação, de juros de longo e de curto prazo, variam de acordo com certos valores de desempenho de quem emite a, o Banco Central, e do governo que a garante através do equilíbrio de suas contas. Uma vez que o governo não é produtor, ele só tem 3 modos de adquirir recursos (moeda): 1-impostos (tributos); 2-dívidas, (emissão de títulos); 3-emissão de moeda (tesouro nacional); Conclusão: são os controles dos gastos públicos que afetam o verdadeiro valor de compra das coisas, atualmente, inclusive do dinheiro em circulação.
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    87 Tomada de Decisão DecisõesRápidas Mudançasdramáticas no ambiente econômico têm causado transformações significativas nos conceitos de gerenciamento e na forma como se tomam decisões. Algumas causas podem ser enumeradas, segundo Barbara Mcnurlin e Ralph Sprague, renomados consultores americanos: 1- Desregulamentações e privatizações aumentam a competitividade; 2- As empresas estão ultrapassando as linhas divisórias de suas áreas típicas de atuação; 3- Existe uma grande oferta de produtos, o que leva a um aumento do poder de barganha dos consumidores; 4- A competição estrangeira está aumentando vigorosamente; 5- O ciclo de aparecimento de novos produto está encurtando; 6- Países emergentes inundam os mercados com produtos mais baratos.
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    88 Métodos & Processos Aconceituação hierárquica clássica de tomada de decisão está sendo reavaliada. A estrutura clássica de tomada de decisão tem o seguinte enfoque: 1- focar o problema proposto; 2- avaliar causas e consequências; 3- propor soluções; 4- avaliar resultados; Na verdade, os problemas nascem de uma interação de um sistema, qualquer, com seu ambiente externo e interno, em busca de um ponto de equilíbrio como solução. O importante, então, é avaliar as interações contínuas entre causas e consequências dos problemas através de iterações contínuas.
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    89 Acessibilidade As mudanças nasáreas de gerenciamento, administração e tecnologia da informação mostram, claramente, que o ambiente corporativo está se alterando de dois modos: 1-as estruturas burocráticas estão cedendo lugar a grupos colegiados; 2-a natureza da tomada de decisão está se movendo em direção a decisões rápidas para aproveitar-se o momento criado por novas oportunidades; Essas mudanças são , na verdade, um reflexo do progresso tecnológico do últimos 100 anos. Antes, máquinas à vapor e a tração animal, depois, veículos automotores e avião, agora, sistemas de telecomunicação estão reduzindo dramaticamente os custos de se enviar uma menssagem, possibiliando descentralizações e maior acessibilidade dos clientes aos produtos.
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    90 Automação O processo detomada de decisão tem sido influenciado pela evolução tecnológica, definindo 3 períodos, até atingir a atual sociedade da informação: 1-Era da mecanização, (racionalização de recursos); 2-Era da automação, (linhas de montagens); 3-Era da informação, (automação da tomada de decisão); Portanto, o período da, assim chamada, "tecnologia da informação é quando sistemas de informática tornaram-se peças importantes na tomada de decisão. Primeiramente, a mecanização das linhas de montagem ajudou a racionalizar a aplicação de recursos. Como efeito secundário, as linhas de montagem foram automatizadas por robôs, movendo-se o foco da questão da produtividade em direção a capacidade dos administradores. Subsequentemente, a era da informação promoveu a automação da tomada de decisão, visando outras tecnologias correlatas : bancos de dados, redes e mídia eletrônica.
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    92 Sistemas Visão de Sistemas Sistemasde Valores Desde o início da civilização humana tem havido uma procura incessante por significado e valores e para se explicar a ordem das coisas à nossa volta. Da antigüidade até nossos dias, objetos, conceitos e dogmas têm servido como sinal para representar ordem, poder, valor e conhecimento nas trocas e transações comerciais, industriais e sociais. Com as navegações há 500 anos atrás, e o surgimento de novos mercados e produtos em escala nunca antes vista, passamos de uma era de significação contábil e patrimonial, onde valores eram criados apenas para medir ganhos e perdas, para uma época de significado funcional de estruturas com objetivos específicos de representar valores e ordem a nossa volta, criando-se, assim, um mundo regido por sistemas de administração parcimoniosa de valores e significância. Sistema, nesse sentido, passou a representar ordem que pudesse ser medida e gerenciada por ações encadeadas e mecanismos de controles , os quais passaram a representar o papel de capataz severo com o objetivo de exercer regulamentação e calibragem, sendo esse capataz, em última análise, o responsável pelas trocas do sistema com o meio e sua aparente estabilidade. Com a transição da era industrial para a era de serviços, ou da informação, o enfoque tem mudado, tanto para a noção de sistemas como para a noção de planejamento e controle. Hoje, o que importa na conceituação de sistemas, não são apenas estruturas e suas funções, mas, antes de mais nada, a apropriação de um “núcleo conflitivo básico”, ou seja, aquele onde habitam elementos conflitantes em aparente oposição, mas que uma análise mais cuidadosa revela cooperação e mútuos interesses na existência de próprio sistema.
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    93 Com base nessaperspectiva, elementos conflitantes não definem tão somente estruturas e funções, mas uma interação mediadora onde se trocam e negociam interesses de múltiplos valores e significâncias. Essa mediação é resultado tanto de uma retroalimentação quanto a potencialização de possibilidades nas trocas entre os meios internos e externos de um sistema. Portanto, no núcleo da sociedade comercial e industrial que está surgindo, como extensão e potencialização dos últimos 500 anos de história dos empreendimentos de negócios, ciências, artes, filosofias e tecnologia, encontramos uma profunda revisão de valores de como vemos a ordem das coisas à nossa volta. A ordem das coisas Podemos observar através da história econômica da civilização humana um grande esforço para apropriar valores, definindo-se critérios, normas e estruturas de como as coisas que nos cercam funcionam. Primeiro, o valor patrimonialista e contábil que procurava significado em certos objetos , tais como o ouro e a propriedade, desencadearam um esforço enfocado no entesouramento e lastreamento de fortunas baseado em quantidades adquiridas desses objetos, resultando na noção de juros e taxa de acumulação no tempo. Depois, a introdução da noção de trabalho adicionou valor à matéria-prima, resultando na noção de custo de insumos de produção. Essas duas representação de valores, juros e custos, definiram uma época, um estilo de vida, baseado na valorização do conflito entre moeda e trabalho. Essa visão clássica de valores resultou em um sistema de equivalências que possibilitava a troca e o comércio de produtos, pessoas, sociedades e países. A conseqüência mais imediata dessa visão foi, sem dúvida, o processo de industrialização, a constituição de mercados e a conceituação de preço como valor de equilíbrio entre fatores de produção e moeda de troca. Nessa visão clássica, temos uma conceituação de ordem associada à hierarquia, e valores associados a formas e estruturas ótima das organizações. Nesse sentido, sistemas são uma representação mecânica do mundo à nossa volta, onde o todo pode ser decomposto em partes elementares, e acima de tudo, pode estar associado a controle, ou, uso parcimonioso de recursos. No entanto, a ascensão da sociedade de massas e as necessidades de produção em série, numa escala nunca antes prevista,
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    94 viriam a alterar,modificar e, até mesmo, mudar substancialmente esse sentido clássico de ordem das coisas. Na base da idéia da produção em larga escala estão certas simplificação, as quais, devido ao aumento da produção e as conseqüentes necessidade de sofisticação na criação de mecanismos de controle, comprometem, seriamente, essa noção clássica de ordem de valores. Se simplificações na produção em série requerem o uso de ferramentas simples, práticas e crescimentos a taxas constantes; sua potencialização em escala excessivamente grandes, ou crescimento muito rápido, criam interações entre as representações das partes que transcendem a capacidade de controle do próprio sistema como um todo. Assim, temos ferramentas matemáticas para trabalhar com equações lineares, ou diferenciais simples, mas a resolução de equações diferenciais de terceira, ou maiores ordens, são de difíceis resolução e de pouca utilidade prática no equacionamento das funções de produção. Assim, a era clássica de sistemas de valores baseada na mecanização, trabalho e valor monetário (custo) das coisas à nossa volta cede terreno para se configurarem, não só sistemas de controle mais flexíveis, mas alterar-se a própria visão de sistemas como uma apropriação contábel e patrimonialistas de valores. Novos paradigmas Uma das conseqüências do súbito aumento dos níveis de produção na sociedades de massas, quer no sentido de gerar mais produtos, como no de incrementar benefícios e estabilidade social, tem sido a complexidade crescente dos mecanismos de controle, a ponto de comprometer a própria gerenciabilidade de seu gerenciamento, restando como única alternativa sua mudança de um caráter inflexível, controlador, capataz competente; para uma outra visão de sistemas mais flexíveis, adaptáveis, com controles mais mediadores. No centro dessa noção de mediação está o fim da visão mecanicista clássica em prol de uma conceituação de sistemas como resultante de partes conflitantes que atuam e cooperam no seu gerenciamento. Controle, segundo essa abordagem, é um elemento de mediação exercido por processos gerenciais de trocas e negociações e não apenas regras e regulamentos.
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    95 A conseqüência maisimediata dessa mudança de enfoque tem sido um reavaliação das noções de valor e ordem na conceituação de sistemas. Se antes, o importante era definir estruturas, categorias, associando-se ordem à hierarquia, agora esse dois elementos, ordem e hierarquia, passam a ser distintos, independentes, deixando de estarem necessariamente associados. Se antes, valor poderia ser igualado a formas organizacionais, agora valor é apenas um atributo da informação, que por sua vez substitui preço, na valorização das empresas e nas ações dos produtores, consumidores, e fornecedores no mercado. A natureza do planejamento e controle mudaram de enfoque na atual sociedade de massas, comprometendo a visão que antes tínhamos do papel das estruturas e funções nas variações e mudanças de estados de um sistema.
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    96 A Modelagem daVisão de Sistemas Introdução No centro da visão sistêmica estão as noções de organizações, formas, informação e valores. A captura desses conceitos é importantes na modelagem de sistema para que ele não seja visto, aqui, apenas como uma fórmula, um algoritmo, um programa de computador, ou uma solução pronta na resolução problemas, mas que seja uma ferramenta de análise no comportamento e equilíbrio dos fenômenos. Teoria Geral de Sistemas No século 20, Max Weber teve um papel importante no estudo das estruturas organizacionais, seu gerenciamento, planejamento e controle, reforçando a visão de hierarquia e ordem; valor e organização. No entanto, o desenrolar das experiências de negócio, durante todo esse século, mostra, claramente, que é possível ter-se um negócio (estrutura) e não ganhar-se dinheiro, por outro lado, o contrário também é verdadeiro, é possível ganhar-se dinheiro e não ter-se um negócio. Isso mostra a relatividade do estudo, tão somente, de estruturas e categorias na avaliação de um sistema gerencial, seguindo essa visão estruturalista de Weber. A importância de Weber, no estudo das organizações, teve seu equivalente no estudo de sistemas em Ludwing Von Bertalanffy, durante o século 20, como em seu livro “Teoria Geral de Sistemas”. A visão de Bertalanffy de partes integradas, relacionando-se modelos gerenciais de naturezas diferenciadas, tais como, o biológico, o mecânico ou o cibernético, tem auxiliado na constituição do planejamento e controle de formas de organização e gerenciamento. Nesse sentido, a visão sistêmica tem sido um avanço em relação às conceituações puramente analíticas do modelo clássico de causa e efeito nas ciências, os quais vinham, mais ou menos, imutáveis desde os tempos de Galileu Galilei e Descartes. A maior contribuição da idéia de sistemas foi o desenvolvimento do conceito de totalidade, relacionando-se causalidade e finalidade na abordagem científica. Assim, o objetivo de um sistema não é apenas resolver problemas usando fórmulas e algoritmos, mas antes, ter uma compreensão ampla de seus fenômenos associados através do uso de modelos e paradigmas gerenciais diferenciados, analisando-se interações e trocas entre os meios internos e externos, incorporando-se adaptabilidade, intencionalidade e medindo-se valores através do conceito de informação. Sistemas abertos e fechados Uma das ferramentas básicas na abordagem de sistemas é a conceituação de fenômenos como estruturas com funções abertas ou fechadas nas relações
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    97 de troca entremeios internos e externos, e a medida de seus graus de organização e desorganização através da noção de entropia. A diferença fundamental entre sistemas abertos e fechados é que o primeiro não atinge um estado de equilíbrio, mais sim um estado uniforme de trocas com o meio, como por exemplo, o metabolismo de um célula. Desse modo, controle em um sistema aberto é um regulador dinâmico das condições internas e externas dos sistemas sem com isso atingir-se um “estado de consumo otimizado” de energia, mas sim um “estado de consumoconstante”. No caso de organismos vivos, isso permite que células não morram rapidamente se certas necessidades calóricas e energéticas não forem alcançadas num certo momento. Na verdade, elas têm uma margem de negociação no consumo energético por todo um certo período de tempo que é variável. No caso de sistemas fechados, como reações químicas, por exemplo, existe um equilíbrio rígido no consumo de energia que define estados iniciais e finais, ou seja, quantidades iniciais de certos elementos definem quantidades finais numa reação química. Assim, se certas condições energéticas iniciais mudarem, as condições finais dos sistemas fechados as acompanham na mesma proporção afim de manter-se o equilíbrio constante nas trocas energéticas dessas reações. O mesmo não ocorre em sistemas abertos dos seres vivos, por exemplo, nos quais estados finais iguais podem ser atingidos por diferentes condições iniciais,( equifinalidade). Outra diferença é que em sistemas fechados existe uma contínua destruição de ordem. No caso das reações químicas, certas quantidades de elementos iniciais são consumidose transformado em outros, em quantidades e proporções diferentes. No caso de seres vivos, ou células, há uma tendência de se manter um estado uniforme de existência, evitando- se aumento de entropia, favorecendo-se os estados de ordem e organização crescentes (entropia negativa). O objetivo da abordagem de sistemas é compreender fenômenos diferenciados, regulados por aspectos e ponto de vistas estudados em diferentes campos das ciências, e avaliar como essas diferenças se parecem, ou, podem se constituir em princípios gerais reguladores independentemente da natureza de seus componentes. A essa considerações, Bertalanffy denominou “Teoria Geral de Sistemas”.
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    98 Uma concepção básicade sistemas Informação , entropia, teleologia e mediação Informação como medida de fluxo Informação é uma conceituação de valor na modelagem de sistemas que se origina na teoria da comunicação, a qual tem a tendência de associar fluxo de informação a fluxo de energia. Assim, informação está associada ao mesmo sentido do fluxo energético que se escoa em cabos e linhas de transmissão, ou seja, recebemos informação como um fluxo através de uma linha de transmissão, por exemplo. No entanto, é fácil mostrar que nem sempre o fluxo de informação flui no mesmo sentido de um fluxo da energia, como no caso de portas automática onde a sombra de uma pessoa corta o feixe de energia luminosa e a porta se abre. Nesse caso, a “interrupção” (descontinuidade) num feixe luminoso definiu um fluxo “contínuo” de informação, (número de pessoas entrando num loja, por exemplo). Informação como medida de organização Outra maneira de se medir informação é através da quantidade de possibilidades contidas numa resposta. No caso de perguntas com várias alternativas, as decisões possíveis são uma função logarítmica. Se tivermos o caso em que as respostas são do tipo “sim” ou “não”, ou seja, a função logarítmica de respostas possíveis é da base 2; teremos tanta informação quanto “2” elevado a “N” possibilidades. Assim, como nesse caso de respostas tipo sim ou não, informação é interpretada em quantidades de bits de um sistema binário, como no caso da organização do fluxo de informação fornecido pelos computadores. Essa noção de medida da informação avalia graus de ordem e organização, ou entropia negativa. Entropia “positiva” é uma medida de desorganização de um sistema “fechado” ao consumir seus elementos, como no caso de reações químicas quando há dissipação de energia. Como entropia é definida como o logaritmo de uma probabilidade, a noção de informação, nesse sentido, flui no sentido
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    99 inverso, mede níveisde entropia “negativa”, ou, a capacidade de organização de um sistema. Nessa abordagem, está implícito a associação de valor à organização, ou seja, o valor da informação é medido através do ganho energético necessário para se criar ordem ou produzir-se certa quantidade de elementos numa reação química de um sistema fechado, por exemplo. Informação como medida de equilíbrio Outra medida de informação, ainda associada a teoria da comunicação, diz respeito aos mecanismos de retroalimentação no processo desencadeado entre emissor, receptor e mensagem. A retroalimentação exerce, nesse caso, um papel regulador trocando informação entre receptores e emissores no sentido de se estabelecer um equilíbrio na comunicação através da mensagem. Assim, a retroalimentação, ou feedback, exerce o papel de mecanismo de controle (homeostático), usando a informação como noção e medida de equilíbrio. Informação como medida de controle Existem certas medidas de controle, como na situação em que ocorre nos processos embrionários mais primários associados ao papel evolutivo dos genes, por exemplo, onde a regulação do processo de formação e crescimento inicial de um organismo se dá por mecanismos de interação dinâmica com o meio. Nesse caso, um organismo vivo, como num sistema aberto, mantém um metabolismo, não em estado de equilíbrio, como já vimos típico de sistemas fechados, mas através de um estado uniforme de trocas entre seus meios internos e externos. Então, numa etapa posterior secundária de formação de órgãos especializados desse ser embrionário inicial, começam a surgir mecanismos de retroalimentação. Esse é o caso na etapa de formação dos sistemas nervosos e neurológicos, os quais requerem sistemas de controles e trocas mais eficientes do que aqueles resultantes de interações dinâmicas. Bertalanffy, chama esse processo de mecanização progressiva, partindo-se de controles de interações dinâmicas primárias, até atingir-se sistemas secundários especializados que requerem controles mais precisos através da retroalimentação. Causalidade, finalidade e teleologia A discussão clássica do método científico sobre a capacidade de decisão e automonia dos fenômenos, vistos apenas sob o ponto de vista mecanicista, cria uma realidade física baseada somente na noção de causa e efeito. No entanto, a ciência moderna tem aceito e incorporado, cada vez mais freqüentemente, as noções de totalidade e sistemas de elementos com interações mútuas, tais como, nos casos das noções de “gestald”, “holismo” e “visão de organismo”. Então, em adição a noção simplistas de causa e
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    100 efeito, cresce cadavez mais a percepção do papel das atitudes de busca por metas e objetivos intencionais nos resultados esperados do comportamento dos fenômenos. A própria noção de sistema tem, também, tentado incorporado essa noção teleológica de fins intencionais, procurando por maneiras de se simular noções de intencionalidade e adaptabilidade, muito mais próximas das condições reais do comportamento social humano. Uma dessas estratégias de se simular intencionalidade ocorre quando, em sistemas abertos, pode-se atingir os mesmos estados finais característicos, partindo-se de diferentes estados iniciais (equifinalidade), usando-se para isso interações dinâmicas como no caso visto do desenvolvimento primário de embriões. A outra abordagem sistêmica que tenta incorporar condições intencionais é a retroalimentação, tentando alcançar e manter estados uniformes, (sistemas abertos), através de controles homeostáticos de regulação, baseado em encadeamentoscausais circulares e mecanismos que avaliam as informações desviantes das metas estabelecidas [Bertalanffy, Teoria Geral de Sistemas]. Nesse sentido, sistema não é o resultado de avaliações simples de causa e efeito, mas de interações, avaliações contínuas das condições dos meios internos e externos em que o fenômeno se situe, tanto no sentido determinístico de leis reguladoras quanto no sentido probabilístico de possibilidades e potencialidades. Informação como elemento de mediação Como estamos apresentando aqui, além das relações de causa e feito e teleologia, existe, também, um papel mediador da informação como resultado de forças conflitantes no processo de comunicação. No caso, por exemplo, de espectador e apresentador, como representado pela mídia, as relações da comunicação estabelecidas pelas mensagens enviadas não são reguladas tão somente pelo processo de retroalimentação, mas sim através de uma interação dinâmica entre o emissor e o receptor num disputa por dados ou informação. Para o processo de mediação, como aqui apresentado, o modelo de comunicação, assim como o modelo sistêmico, não se estabelece apenas em regime aberto ou fechado, ou por condições de equilíbrio ou, ainda, consumo uniforme de energia. A visão sistêmica de mediação é antes de mais nada um processo de avaliação de um conflito primordial estabelecido por necessidades de sobrevivência entre participantes, onde se somam às condições de causa e efeito às atitudes intencionais. A avaliação de conflitos, como aqui apresentado, não é uma questão energética, entrópica positiva (desorganização) ou negativa (organização), mas uma questão de valorização ou desvalorização através do tempo, podendo desse modo, ora produzir organização, ora desorganização. O que
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    101 importa para umaavaliação de mediação é a preservação do valor econômico de uma situação conflitiva no tempo, ou seja, a estabilidade na disputa entre elementos formadores de um sistema. Procura-se, através desse conceito sistêmico de mediação, apropriar um sentido de totalidade nas ciências, baseado num princípio de estabilidade dinâmica através de uma visão econômica de seus elementos constituintes, partindo-se do princípios que além das condições axiomática existente em todos os ramos das ciências, existe um certo grau de liberdade, ou margem de atuação ou escolha, implícito em elementos constituintes de qualquer sistema, quer sejam em condições fechadas ou físicas, quer sejam em condições metabólicas ou vivas. As condições de equilíbrio dinâmico no processo de mediação são resultado não apenas de causa e efeito, como descrito pela ciência clássica, mas também por ato intencional (teleológico) com o objetivo de se definir certas condições específicas mais favoráveis aos elementos participantes, ou conflitivos. Desse modo, por exemplo, os elementos de uma reação química, tais como hidrogênio (H) e oxigênio (O), sob certas condições catalítica podem produzir água (H2O). O reverso também é verdadeiro, a água pode ser decomposta em seus elementos constituintes. As condições mais favoráveis para se produzir um elemento, (H2O), ou outro, (H) e (O), nessa reação química não são determinados apenas pelas condições entrópicas positivas ou negativas para se atingir as condições de equilíbrio, partindo-se de certas condições e quantidades iniciais de estado. As condições determinante desse tipo de equilíbrio, na visão sistêmica de mediação, são definidos pela economia dos elementos participantes do sistema, (H2 + O = H2O), através da análise de seus condicionantes internos (nível atômico) e externos (meio físico), por exemplo. Assim, já sabemos que mesmo que uma reação, ou condição, ocorra 1 milhão de vezes, nada garante que essa mesma condição ocorrerá na milionésima primeira vez. Isso quer dizer que um sistema repousa em condições de equilíbrio dinâmico estabelecido por seus participantes. No caso acima, a reação química pode ser vista como o resultado das condições catalíticas do meio (temperatura, por exemplo), assim como, das condições definidas pelas partículas subatômica (elétrons, nêutrons) do hidrogênio e do oxigênio (mecânica quântica). O equilíbrio dinâmico é, portanto, resultado da potencialização dessas condições, (catalíticas e subatômicas, por exemplo), as quais permitem que a reação química ocorra e seus elementos existam, não apenas como resultado de causa e efeito, mas por ato que podemos considerar intencional das condições subatômicas, ora privilegiando o elemento água (H2O) para certas
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    102 condições de temperaturae condições físicas, ora os elementos oxigênio (O) ou hidrogênio (H) para certa condições probabilísticas no comportamento ,e, existência de sub-partículas atômicas no seus núcleos. Esse ato “voluntarioso” não é apenas resultado da probabilidade, mas da potencialização das complexidades existentes na explosão de possibilidades ao se combinarem as possibilidades dos níveis físico (temperatura) e subatômico (comportamento de partículas ( ou ondas?). Ou seja, nunca estamos certos, ou estaremos, se um fenômeno ocorreu por condições meramente probalilisticas ou determinísticas. No caso de sistemas abertos, metabólicos ou vivos, essa percepção econômica de mediação é mais óbvia, já que os elementos participantes, (no caso células), estabelecem trocas entre seus meios internos e externos, e não atingem um estado final de constituição de um organismo a partir de uma única condição primordial, mas através de diversos caminhos, ou estados diferenciados. Equilíbrio, nesse caso, significa condições econômicas favoráveis a um certo nível de consumo uniforme e estável de energia que pode ser atingido por diversos meios. Fica claro, desse modo, que um ser vivo, por exemplo, é resultado de condições de disputa entre células pelo melhor arranjo econômico, (sob certas condições de temperatura e força gravitacional, por exemplo), na constituição de diversos órgão, os quais acabarão por compor o todo final estável do organismo. Esse arranjo representa as melhores condições de conflito entre as diferentes células de diferentes tecidos de diferentes órgãos componentes do todo (organismo). É por isso que um organismo vivo existe apenas como um equilíbrio dinâmico, sendo sujeito, a todo instante, a um bombardeio de elementos destrutivos, oxidantes e redutores e, ainda assim, suas defesas, afim de manter esse equilíbrio (sempre precário), trabalham para manter as condições de uma mediação com o meio hostil e seus mais diversos órgãos funcionais. Isso permite uma estratégia interessante, onda a perda de um tecido, ou de um órgão, por exemplo, nem sempre trás o colapso do sistema. Existem sempre possibilidades, talvez infinitas, de arranjos e rearranjos em prol da existência estável do sistema metabólico de um ser vivo. Morte, ou colapso, nesse caso, significa a exaustão dessas possibilidades de arranjos na economia dos conflitos existentes num processo metabólico, desencadeando-se, então, a formações de centenas de outros sub-processos que estavam embutidos, subentendidos, coligados ou adjacentes. Informação, sob esse ponto de vista de mediação, é uma medida de valor econômico que se valoriza e desvaloriza no tempo e é parte do processo de comunicação, alavancando as condições de retroalimentação (feedeback) nas trocas estabelecidas pelo emissor, receptor e mensagem. O que muda nessa
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    103 percepção de informaçãocomo mediação é que o importante no processo de comunicação é investigar o caráter conflitivo que existe entre emissores e receptores, assim como, examinar o valor implícito e explícito contido na mensagem e não apenas no seu valor explícito. Informação, desse modo, serve não apenas para medir valor, mas para definir estratégias e exercer controle e mediação afim de se preservar e manter um sistema. As condições referentes ao meio interno e externo do emissor e do receptor farão parte, implicitamente, da mensagem, sendo partes integrantes da disputa e troca por dados. Essas condições implícitas na mensagem, como no caso da comunicação humana, podem se referir a condições psicológicas, patológicas, ou emocionais, por exemplo, ou ainda, a outras diferentes condições favoráveis e desfavoráveis a uma das partes. No entanto, o valor explícito da mensagem pode muito bem escamoteado, produzindo,intencionalmente, ou não, erro, ruído ou interferência. No caso de um vírus atacando um organismo, é sabido que muitos se disfarçam em elementos participante, levando algum tempo até que o organismo os identifiquem como invasores, ou predadores. Outros ainda, como no caso de bactérias, convivem harmoniosamente na nossa flora intestinal, chegando a serem essenciais no processo metabólico humano. A mediação que se estabelece no processo de comunicação; quer seja em sistemas abertos, ou fechados, é aquela que compatibiliza e existência dos elementos participantes, tais como: (H), (O), (H2O), emissor e receptor numa coexistência, quer seja em condições de equilíbrio, quer seja em condições de consumo uniforme estável. Essas condições de coexistência podem ser resultado de condições de equifinalidade, ou não. Para o processo de mediação, como as condicionantes de estados de um sistema são de ordem econômica, pode haver apenas uma condição determinante na passagem de uma situação inicial de estado para outro final, assim como, podem existir diversas condições de valorização ou desvalorização, inflação e deflação, determinando as mais diversas condições para um estado final estável e uniforme. Porém, o processo de mediação, e por extensão a própria noção de informação, são, ambos, resultantes de condições de estabilidade, que por sua vez podem ser entrópicas positiva (desorganizadas) ou entrópicas negativa ( organizadas), mas nunca, desconexa, sem sentido, ou estariam fora de nosso alcance de nossa compreensão. Organização, ou desorganização, nas condições de totalidade (universal) que fazemos parte, são condições temporárias. O objetivo é perceber a existência de uma relação mediadora permanente de estabilidade entre ganho e perdas de energia , assim como, nas condições de comunicação e significância de valores.
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    104 A própria existênciade um universo, ou de uma realidade, se existem e podem ser apropriados, é por que eles são resultados dessas mesmas condições de estabilidade, ou mediação econômica de forças conflitantes. E ainda, só podemos vê-los e compreendê-los porque, também, nós somos resultados dessa mesma natureza mediadora. Não podemos ver sistema, conjunto, totalidade, ou universo, como condições unilaterais da existência ou da realidade; uma coisa, um objeto com início meio e fim, ou ainda, produto de uma relação de causa e efeito, mas, tão somente, uma relação mediadora entre potencialidades, possibilidades e realidades. Uma Visão Sistêmica de Mediação
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    105 Desenvolvimento de Sistemas Novosparadigmas Novos paradigmas não ocorrem como atitudes conscientes de mudanças, desenvolvendo-se novos modelos, conceitos ou estratégias. Na industria, na ciência e nos negócios, novos paradigmas são sempre precedidos por um período de descrédito e insegurança profissional, (segundo Thomas Khun,em “The Structure of Scientific Revolution”), indicadores de que os valores correntes não satisfazem às soluções requeridas nos problemas do dia-a-dia. No verdade, são nos problemas recorrentes do dia-a-dia, e nas tentativas de solucioná-los que se criam novos caminhos para o desenvolvimento de sistemas. A premissa básica no desenvolvimento de sistemas é que soluções para problemas requerem uma visão sistemática de causas e conseqüências e constantes avaliações de resultados, obtidos através de modelos e estratégias coerentes. Um componente primordial, que tem promovido a revolução de conceitos e paradigmas no dia-a-dia do homem, tem sido o surgimento contínuo de novas tecnologias. Uma ferramenta que facilita a escavação do solo, um equipamento que permite maior velocidade de locomoção, uma teoria matemática que permite antever o comportamento do mercado, ou ainda, um conceito que revoluciona a perspectiva antiga de se enfocar novosproblemas. Nesse início do século 21, o que está acontecendo é o uso intensivo de novas tecnologias para o estabelecimento de modelos e metodologias para o desenvolvimento de sistemas de soluções que reduzam custos e barateiem o acesso da população à aquisição de produtos de bens de consumo (alimentos, moradia, carros) e serviços (turismo, informação, serviços públicos). O surgimento dessa sociedade de massa requer maior flexibilidade na distribuição de produtos, serviços, assim como, na manutenção e criação de sistemas de informação. Novos conceitos no desenvolvimento de sistemas O desenvolvimento de sistemas caminha velozmente para a abordagem que não só considere causas e conseqüências fixas na avaliação de problemas, mas que considere as variáveis dos ambientes internos e externos no contexto dinâmico em que os nossos problemas do dia-a-dia se situam. Considerações ambientais podem ser amplas demais, ou genéricas demais, produzindo; ousistemas muito complexos e caros ou simplificações inviáveis economicamente.
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    106 Quando se falaem desenvolvimento de sistemas é importante ter-se em mente as novasmudanças de paradigmas que afligem nossa sociedade, nesse início de século, a fim de se elegerem fatores internos e externos relevantes à conjuntura de analise, levando em conta os “novos paradigmas” que afetam causas e conseqüências na conceituação dos problemas. Eleger-se fatores internos e externos, na etapa de configuração dos sistemas, requer a compreensão de como esses fatores se tornarão propriedades endógenos (intrínsecas) ou exógenos (extrínsecas) à convergência e estabilidade final desejada no conjunto sistêmico de soluções. Assim, se certos fatores forem endogenados ao sistema, eles passarão a compor um estrutura “genética” primária ao conjunto de soluções. Aqueles considerados exógenos passaram a ter um influência dinâmica e variável na capacidade do sistema projetado se mover em direção à estabilidade. A eleição desses fatores como endógenos, ou exógenos, ao sistema de soluções tem um caráter peculiar a cada sistema e situação, não estão pré-determinados. Essa decisão, de se elegerem os fatores internos e externos, muda e se altera em relação aos objetivos de estabilidade que se deseja alcançar com o sistema de informação. Desse modo, por exemplo, se o custo da mão-de-obra for considerado endógeno e juros de investimento exógenos a um sistema gerencial de informação, a estabilidade do sistema será dependente, nas suas avaliação de desempenho, de um ambiente trabalhista estável e provavelmente vai requer representação dos trabalhadores no corpo diretor decisório da empresa. Por outro lado, o fato dos juros de investimento serem considerados exógenos será refletido nas variações constantes nos cálculos de rentabilidade e custo de produção. Em um caso, ou outro, o gerenciamento do sistema de informação resultará em uma convergência, ou estabilidade, considerando no primeiro caso custo como secundário e, por exemplo, procurará otimizar retornos. No segundo caso, o impacto da variação constante dos juros fará com que o sistema considere custos como primários e procurará sua convergência ou estabilidade nos cálculos de risco e liquidez nos ativos. Como podemos ver, uma ou outra decisão na configuração de um sistema gerencial tratará os dados com peso e importância diferenciados nas mais diversas configurações transacionais de seus bancos de dados.
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    107 Como podemos observarna figura abaixo, ao invés da conceituação hierárquica clássica de problemas, ou seja: 1- enfocar o problema proposto; 2- avaliar causas e conseqüências; 3- propor soluções; 4- avaliar os resultados; o que se propõe aqui é a visão que os problemas nascem num ambiente externo genérico (meio), o qual promove alterações com o ambiente interno, ou problema específico, requerendo-seentão um sistema de soluções que, constantemente, avalie causas e conseqüências e não apenas proponha uma fórmula, um modelo ou um algoritmo. Segundo essa abordagem, o desenvolvimento de sistemas é o resultado de interação dinâmicas entre fatores dos ambientes interno e externo onde uma série de problemas de situam num dado instante, exigindo, dessa forma, contínuas iterações com os usuários afim de se atingir resultados particulares de acordo com as necessidades temporais de mudanças tecnológicas. A figura abaixo mostra que o desenvolvimento de sistemas tem um envelope de soluções ótimas que mudam com o tempo.
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    108 O importante, portanto,segundo essa visão, é identificar-se quando uma tecnologia (A) é uma solução para um problema (P), num dado instante (Ti). Para isso, é importante definir-se quais as mudanças de paradigmas da nossa época que afetam ou alteram a conceituação de problemas do dia-a-dia, e quais estratégias e modelos podem se tornar soluções. Três fatores de mudanças estão sendo propostos para se analisar esse impacto de mudanças tecnológicas na formação de novos paradigmas no nosso dia-a-dia: 1- Os novos paradigmas do gerenciamento e organização de negócios e empresas; 2- Os novos paradigmas do gerenciamento da tecnologia da informação e sistemas; 3- Os novos paradigmas na interação usuário-computador; Os novos paradigmas no gerenciamento de empresas Esses fatores estão sendo discutidos na parte dessa palestra referente à organização, resumidamente são: 1- mudanças dramáticas no ambiente econômico, favorecendo: a- desregulamentações e privatizações no mercado; b- aumento da competição estrangeira; c- diminuição no ciclo de surgimento de novos produtos; 2- exaustão do modelo organizacional burocrático, favorecendo: a- modelos gerenciais menos hierarquizados e mais participativos; b- sistemas de controles flexíveis; c- menor gerenciamento intermediário; 3- reengenharia de gerenciamento e processos, favorecendo: a- a visão do cliente em detrimento de regras e regulamentos (burocracia); b- favorecimento aos processos de inovação; c- avaliação do valor da informação; Os novos paradigmas no gerenciamento da tecnologia da informação A tecnologia da informação é um conceito abrangente porque inclui não apenas os computadores, mas uma série de tecnologias onde também transitam informações. As mudanças de paradigmas que ocorrem nessa área
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    109 são difíceis deserem conceituadas, pois esse é um ambiente em constantes mudanças. Existem vários conceitos nesse campo de conhecimento, tais como: sistemas de apôio à tomada de decisão; automação de escritórios e interfaces gráficas. Esses conceitos estão relacionados às recentes inovações tecnológicas que têm afetado o desenvolvimento das organizações e criado uma perspectiva empresarial para obtermos “informação”. Novos paradigmas promovidos pelo uso da tecnologia da informação só podem ser compreendidos pelo impacto que têm causado, ou seja, pelas conseqüências. Na verdade, as causas ainda não são claras ou, no mínimo, são controvertidas. O termo sistemas de informação define novos paradigmas de produtividade na atual perspectiva de gerenciamento de uma sociedade de informação. Três períodos podem ser definidos, de acordo com essa idéia de surgimento de uma sociedade de informação. Primeiro, a mecanização das linhas de montagem ajudaram a racionalizar a aplicação de recursos tanto humanos quanto materiais. As linhas de montagem foram automatizadas por robôs e outros equipamentos eletrônicos do gênero, movendo-se o foco da questão “maior produtividade” em direção a capacidade gerencial dos administradores. Subseqüentemente, a era da tecnologia de informação promoveu a automação na tomada de decisão, visando a integração de tecnologias correlatas, tais como: sistemas de bancos de dados, redes locais (LANs) e mídia eletrônica (T.V., fax, telefone, etc.) O terceiro, período, da assim chamada tecnologia da informação, é quando sistemas de informação tornaram-se peça importante na tomada de decisão. A questão atual não é de como criar sistemas que realizem tarefas repetitivas mas, ao invés, tornou-se a capacidade de gerar e transmitir dados interativamente e de modo inteligente. A questão chave nessa etapa de desenvolvimento industrial é incorporar e desenvolver processos inteligentes no gerenciamento das empresas. Os novos paradigmas na interação usuário-computador Seguindo o histórico do desenvolvimento de sistemas, novos conceitos no desenho, configuração e implementação de sistemas de informação exigem atualmente intensa interação com os usuários. As ferramentas gráficas para a criação de interfaces permitem reconfigurações rápidas dos programas na tela do monitor, forçando muitas vezes um redesenho do sistema proposto. Outro aspecto, é como os usuários reagem diante do que está sendo apresentado no monitor.
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    110 O modo atravésdo qual as pessoas interagem com os computadores, usando menus e janelas de diálogo, definem a priori novos requisitos para se medir a eficiência e produtividade de um sistema computadorizado. Devido à crescente importância dos usuários como agentes participantes na análise e desenvolvimento de sistemas, a ergonomia (fatores humanos) passou a ser elemento vital na configuração de sistemas interativos. Esse fato coloca a criação de interfaces como o aspecto mais importante no desenho e na configuração de sistemas nesse momento atual. Interfaces usuário-computador convertem tarefas em procedimentos amigáveis, possibilitando aos usuários ganharem controle tanto da máquina quanto do trabalho a ser realizado, ou seja, algo muito próximo de se dirigir um automóvel. Portanto, a palavra chave para o desenho de interfaces é encontrar um padrão comum de comunicação entre o modo pelo qual os usuários se comunicam com o modo pelo qual as máquinas processam informação. Esse problema pode ser dividido em duas etapas para avaliações: 1- estudar como os computadores processam informação; 2- considerar como os humanos reconhecem e processam informação.
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    111 Evoluçãono Desenvolvimento deSistemas Introdução O desenvolvimento de sistemas de informação vem, desde 1950, quando então poucas regras existiam para a conceituação e desenho de aplicativos computadorizados. A partir de 1960, um esforço significativo vem sendo aplicado para estabelecer regras e ferramentas metodológicas no desenvolvimento de sistemas. A partir dos anos 70, esses esforços culminaram na adoção do conceito de ciclo de vida de negócios ao desenvolvimento de sistemas. O famoso diagrama “cascata” de Barra Boehm tornou-se o clássico “ciclo de vida do desenvolvimento de sistemas”.
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    112 Ferramentas Basicamente, as ferramentascorrespondentes à metodologia do diagrama cascata são: 1- codificação em linguagem de terceira geração (cobol); 2- uso da programação estruturada; 3- uso de aplicativo batch e on-line no mesmo sistema; 4- uso de um sistema de gerenciamento de banco de dados não relacionais; 5- utilização do ambiente mainframe como plataforma; 6- uso de equipes treinadas em programação e análise; 7- o usuário participa principalmente na fase de requerimentos; 8- uso de um sistema de administração de processos e documentação do sistema; A partir dos anos 80, uma nova mudança de paradigmas no desenvolvimento de sistemas se impõe; aparecem as chamadas linguagens de 4ª geração. O objetivo tradicional do ciclo de desenvolvimento de programas (software) que era levantar todos os requerimentos do sistema antes de desenhá-lo, cede lugar à criação de protótipos interativos. Novas Ferramentas As ferramentas dessa nova abordagem são: 1- o uso de sistemas de gerenciamento de banco de dados relacionais; 2- criação automática de diagramas de dados e documentação; 3- o uso de linguagem não procedural, orientada por objetos; 4- o uso de ferramentas para a modelagem e análise de dados; 5- a reutilização de códigos, e a criação de bibliotecas de rotinas pré- programadas; 6- o uso de salvaguardas para a segurança ao acesso dos dados; 7- o uso de conectores a diferentes tipos e formatos de dados e bancos de dados; No final do anos 80 e início do 90, aparecem as ferramentas “CASE”, ou “computer-aided software engineering”. As ferramentas do tipo “CASE” podem ser consideradas a grosso modo uma automação dos conceitos da programação estruturada. Nesse caso, programas de computadores geram linhas de códigos baseado num esboços de desenho de sistemas, onde estejam discriminados os processos e a estrutura de dados simultaneamente.
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    113 As ferramentas básicasdessa etapa são: 1- definição de um depositário central de informação que armazene e organize todas as informações necessárias para se criar, modificar, ou desenvolver um programa de computador; 2- ferramentas gráficas são usadas para desenvolver aplicativos diretamente nas estações de trabalho dos usuários, criando-se interfaces a partir de funções escolhidas em menus de opções; 3- ferramentas para a programação automática de códigos de programas são usadas em conjunto com ferramentas gráficas.
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    114 Inteligência Artificial O ModeloDigital Introdução Na medida que ao longo do século 20, o centro das preocupações no gerenciamento das empresas foi se deslocando do aspecto organizacional das linhas de montagem para o aspecto estratégico da tomada de decisão, podemos perceber uma valorização dos conceitos de “procedimentos”, “processos” e “ instruções”, como elementos chaves para se entender métodos e processos na área industrial e de serviços . Um dos problemas dos procedimentos mecânicos, ou servo-mecânicos, tem sido a limitação do número de estados de transformações que roldanas, polias e esteiras impõem ao se criarem processos complexos com um número muito grande de etapas. Na verdade, no mundo mecânico existe um número limitado de estados de transformações que podem ser criados, limitando a quantidade de condições, ou instruções, que podem ser definidas em processamentos mecânicos complexos. No entanto, já em 1936, Alan Turing tinha conceitualizado uma máquina, que através de processos finitos, usando um número ilimitado de segmentos encadeados de dispositivos com instruções armazenadas, pudesse criar um processamento de estados e condições infinitos, dependentes apenas da disponibilidade de segmentos extra de “memória”. Quando uma máquina é equipada com recursos ilimitados, desses tipos de dispositivos de armazenagem (“memórias estendidas de instruções de processos”), cria-se o que se convencionou chamar de “ Máquina de Turing”. Então, baseado nesse conceito, um conjunto de instruções podem ser armazenadasde forma numérica, reduzindoproblemas a instruções de código matemático, produzindo-se uma espécie de máquina universal processadora de problemas. Turing chegou a afirmar que, no futuro, esses processos armazenados dentro de máquinas de processamento seriam indistingüiveis daqueles processados metabolicamente pelos humanos, chegando mesmo a propor um teste para identificar-se quando estaríamos falando com uma máquina, ou com um ser humano, (teste de Turing”).
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    115 Em 1945, atravésdo “First Draft of a Report on the EDVAC”, John Von Neumann propôs uma arquitetura para essa máquina de Turing, que passou a ser o modelo dos computadores digitais atuais. Essa arquitetura de Neumann para um computador digital era baseado num processamento binário e discreto da informação, ou seja, por pacotes de instruções em forma seqüenciada usando apenas “0s” e “1s”. O processamento da informação, nesse tipo de modelo, é feita através uma unidade de controle central que recebe dados de uma unidade de entrada (o teclado por exemplo), armazena esses dados na memória, realiza algumas operações lógicas e matemáticas, enviando o resultado processado para uma unidade de saída (monitor, empressora, etc.). Norbert Wiener, em “Cybernetics” (1948), introduziu o conceito de cibernética como a ciência que estuda máquinas auto reguladoras, baseadas no conceito de retroalimentação (feedback), que ele emprestou da teoria da comunicação, adicionando a noção de informação como medida de ordem, organização e controle na capacidade de processamentos das máquinas, na verdade, elementos cibernéticos. Wiener, no entanto, foi mais além do simples conceito de informação, definiu um modelo “cibernético de retroalimentação e informação que transcende o campo tecnológico, criando assim, um modelo cibernético para máquinas e dispositivos com implicações nas áreas sociais, biológicas e culturais. Na verdade, Wiener fala de sistemas baseados em conduta intencional, deslocando o modelo mecânico de roldanas, polias e esteiras para uma visão “sociológica” de máquinas inteligentes, capazes de processamento autônomo, e de gerar outros processos e máquinas através da adaptação e do aprendizado. Estava criado o mito do autômata. Processamento O modelo da máquina de Turing, aliado ao modelo de computação digital de Neumann e potencializado pela idéia de autômatas auto reguladoras de Weiner mudaram, severamente, a visão do conceito de processos e procedimentos. Essas três idéias vieram a revolucionar o conceito de máquina que vinha desde a revolução industrial, colocando-as como ponto central na tomadas de decisão e otimização de recursos, nesse início do século 21. As preocupações do gerenciamento, dessa forma, deslocaram-se de processos enfocados na cronometragem de tempos para aqueles focados na interatividade homem-máquina.
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    116 Dessa forma, processamentoestá, hoje, relacionado a funções de estruturas lógicas, comunicação entre computadores, capacidade de armazenagem, estratégias de armazenagens de dados, tempos de processamento e capacidade de interação. Sobretudo, a questão central do gerenciamento de empresas, agora, gravita em torno da questão de como máquinas podem , a partir de processos finitos, gerar sistemas auto reguladores, procurarem por objetivos intencionais (teleológicos), tomarem decisões, redefinindo a noção de inteligência; pedra fundamental no desenho dos modernos processos gerenciais. Processamento é, hoje, portanto, não manipulação de regras, regulamentos ou dados, mas gerenciamento inteligente da informação. O conceito de informação, por sua vez, também mudou, deixou de ser apenas um elemento que mede ordem, capacidade ou organização, mas sofisticou-se a ponto de significar valor. A informação libertou-se do conceito de controle e passou a ser um sofisticado conceito econômico para apropriar ativos empresariais, tal como preço um dia o foi, no início da revolução industrial. Informação, nesse sentido econômico, passou a ter um conjunto de significados que vão desde a redefinição da noção de conhecimento até a redefinição do significado de ações estratégicas. Com isso, ela passou a ter um valor sociológico que representa poder, decisão, riqueza, exercendo o mesmo papel que um dia a moeda teve, na civilização humana, para representar elemento de troca nas transações comerciais, e servir como elemento de reserva de valores.
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    117 Representaçõesno Modelo Digital Introdução Comovimos na seção anterior, máquinas têm evoluído de limitadas engrenagens processadoras, baseadas em repetição monótona de input e output para sofisticados sistemas de processamento digital, baseados em representações simbólicas. Na base dessa mudança está a alteração da visão mecânica e repetitiva para uma visão processual e dinâmica de funções com capacidades de tomar decisões, baseados em símbolos e condições lógicas. A palavra inteligência, portanto, está cada vez mais associado a processos com funções de representar os problemas do mundo à nossa volta. O modelo digital, que tem permitido essa evolução conceitual das máquinas processadoras de estados limitados para estados ilimitados, está centrado nos diferentes modos que podemos representar simbolicamente problemas, condições, ou estruturas, reduzindo-os a funções com capacidade autônoma
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    118 de processamento elógica própria. Nesse sentido, representações, no modelo digital, não pretendem ser apenas uma mímica da mecânica e do funcionamento do universo, mas almejam representar conhecimento. Então, como máquinas podem representar conhecimento e inteligência, reduzindo- os a um valor processual simbólico, é a questão do momento atual. Representações da inteligência A questão da inteligência é polêmica e tem natureza, filosófica, conceitual, moral e social. No entanto, ela é usada a todo momento para representar tomada de decisão, capacidade mental e processual. Quando nos referimos a algo ou alguém inteligente é porque estamos querendo enaltecer suas qualidades e habilidades em ou fazer escolhas, ou, processar dados e informação com rapidez e destreza. Discussões sobre inteligência remontam aos problemas filosóficos da civilização ocidental desde Platão na antiga Grécia. Esse conceito esteve sempre ligado, de uma forma ou outra, a decisões lógicas ou a apropriação do conceito de razão. Essa visão teve seu ápice em Descarte com a definição do método de investigação científica baseado em evidência dos fatos, causa e efeito e processos lógicos encadeados. Essa visão tradicional de inteligência é baseado na concepçãode estruturas lógicas, e é a que mais tem sido mais usada para representar processos e capacitar as máquinas no sentido de serem auto regulados e capazes de aprendizado . Estruturas Lógicas 1- proposições: uma das estruturas lógicas mais básicas, está ligada a construção de sentenças na linguagem natural humana, tais como em: a- sentenças declarativa: O dia amanheceu; b- sentenças interrogativas: Faltará água ?; c- sentenças exclamativas: Feliz aniversário !; d- sentenças imperativas: Feche a porta ! ; 2- conetivos: as proposições podem ser encadeadas através de conjunções, ou conetivos, do tipo: não: "~ " (negação); e : " " (conjunção); ou : " " (disjunção); se..., então : " " (condicional); se..., e somente se :  (bidicional); 3- sentenças abertas ou fechadas: quando as proposições (fechadas), como mostrado acima, podem ser substituídas por variáveis elas se tornam sentenças abertas, tal como em: Se x é filho de y, então z é seu irmão.
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    119 4- valor lógicodas sentenças: as proposições na lógica tradicional partem da conceituação de que elas podem ser falsa (F) ou verdadeiras (V). 5- Tabela-verdade: um conjunto de proposições com valores lógicos pode ser representado numa tabela onde todas as alternativas possíveis estão representadas, como demostrado abaixo: Considerando a proposição acima :” Se x é filho de y, então z é seu irmão”, decomposta nas seguintes proposições: p = x é filho de y; q = z é irmão de x; As possíveis situações em que as proposições p e q são verdadeiras, ou falsas, podem ser tabuladas simbolicamente como: p q p q V V V V F F F V V F F V Essa tabela acima representa todas as possibilidades lógicas entre o antecedente (x é filho de y) e o conseqüente (z é irmão de x). No entanto, a “implicação material” não significa “conexão real”. Desse modo, somente no caso do antecedente p ocorrer e seu conseqüente q não, é que teremos uma “implicação material” falsa (ou logicamente impossível), nos demais casos, haverá sempre uma implicação material verdadeira (ou logicamente possível). A relação de implicância discute apenasas relações possíveis do antecedente (p) com o conseqüente (q) na ordem seqüencial de implicância proposto. Ela só não ocorrerá quando o conseqüente falhar (for falso), resultando numa implicação impossível de ocorrer. Não há resultado possível para uma conseqüência que não existe. Quando os dois forem falsos a relação de implicância ocorrerá (será verdadeira), já que logicamente está implícito que a não ocorrência simultânea de ambos (antecedente e conseqüente) resulta em uma ordem seqüencial possível. Se um fato não ocorre não é possível haver conseqüências, o que é logicamente verdadeiro. Podemos notar que as estruturas lógicas tradicionais não discutem “significado”, mas coerência na maneira de se propor um problema e de se obter uma solução possível. Não há uma discussão “estrutural” ou “conceitual” de valores, mas apenas “processual” na maneira como sentenças e objetos podem estar relacionados, ou não.
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    120 Processos Cognitivos Philip Johnson-Lairdem seu livro “ The Computer and The Mind” (O Computador e a Mente) de 1988, levanta a questão do que processos mentais processam. Sistema de símbolos Símbolos, na visão cognitiva, tem uma representação sistêmica de valores carregando em seu significado instruções lógica, valores conceituais, ou ideológicos. Um exemplo, seriam os sinais de trânsito que tanto indicam uma situação lógica (Proibido Estacionar nesse lugar), como valores mais imprecisos, ou subjetivos, como (cuidado pavimento escorregadio, ou curva perigosa). Johnson-Laird propõe três componentes para a definição de um sistema de símbolos: 1- o símbolo; 2- o domínio simbolizado; 3- o princípio que relaciona símbolo com seu domínio; O significado de um sistema de símbolos, de acordo com Laird está associado a regras, convenções e hábitos , formando uma estrutura implícita e explícita de significados. O importante na conceituação de um sistema de símbolos não é seu significado, mas sua capacidade de ser representado através de um processamento. Sabemos que a mente humana processa imagem e símbolos, o que nos propicia o sentido da visão, mas não sabemos como isso é processado pelo cérebro. Se pudermos definir um sistema simbólico para imagem, ou visão, ela poderá ser processada por um computador digital. Representações do conhecimento
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    121 Conhecimento pode serencarado como um subproduto da capacidade processual tanto do cérebro humano como de máquinas autômatas. Inegavelmente, associado ao conhecimento, está também a noção de aprendizado e adaptabilidade como formas de se acumular, ou potencializar, dados transformados em valor através da noção econômica da informação, como vem sendo apresentado nessa palestra. A inteligência artificial ( I.A.) tem criado vários conceitos para representar conhecimento (knowledge), tornando-se, atualmente, o ramo do conhecimento que mais se preocupam em criar estruturas que possam ser resumidas em funções, com o objetivo de tornar o processamento digital capaz de aprender e se adaptar. Esse esforço é notável, quando nos damos conta que essa tentativa de se apropriar conhecimento, pode muda, radicalmente, as relação de causa e efeito nos fenômenos sistêmicos, transformando o caráter repetitivo e compulsivo das máquinas em intencional dinâmico e interativo. O Papel-chave das representações Patrick Henry Winston, em seu livro “Artificial Intelligence”, (Inteligência Artificial), de 1984 define representações como a capacidade de se definir regras teóricas ou práticas na descrição e definição de sistemas, problemas ou assuntos. Representações do conhecimento em I.A. são estruturas que possuem funções embutidas de significância, traduzidas por símbolos, tentando aproximar o lógico do programático. Dessa forma, se bem sucedida, I.A. poderá produzir uma linguagem de computador que ao mesmo tempo que define processos gera conhecimento. A linguagem LISP tem sido um de suas maiores realizações. Representando o conhecimento Seguindo, Henry Winston, uma boa representação é: 1- explícita acerca de um conteúdo, ou assunto; 2- define restrições e limites de atuação; 3- define conteúdo de maneira completa e transparente, evitando detalhes; 4- capaz de ser convertida em processamento digital (computação);
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    122 Algumas das ferramentaspara a representação de conhecimento em I.A. são: 1- Redes semânticas: são um conjunto de regras associativas, definindo: 1- equivalência entre diferentes classes de definições, tais como gato classe animal; gato classe mamífero; 2-procedimentos que ao mesmo tempo operem descrições e representações, tais como comandos LISP que ao mesmo tempo podem definir listas de animais associadas a listas de mamíferos; 3- descrição associada à linguagem natural humana, português por exemplo, assim a linguagem de programaçãoseriam uma extensão da linguagem humana capaz de representar objetos, ações e eventos do mundo real. 2- Restrições: são definições de regras de relacionamento entre um ou mais objetos através de “predicados”, os quais são entendidos e manipulados na forma de informações estruturadas. O cálculo relacional, embutido nos bancos de dados relacionais, capazes,por exemplo, de produzir sentenças do tipo SELECT nome onde nome = maria, é a idéia da definição de restrições. A I.A ., na verdade, tem uma idéia mais ampla de restrições, objetivando o processamento em larga escala de “predicados”, a ponto de gerar uma linguagem ao mesmo tempo simbólica e programática. 3- Classe: definição de estruturas hierárquicas por categorias de assuntos, onde os objetos afiliados herdam as propriedades de seus pais. Assim, teríamos uma estrutura “veículos” definida por categorias de passeio ou de carga, onde a definição do objeto porta seria herdado tanto por uma, como por outra categoria, sujeita apenas aos parâmetros característicos de cada categoria, ou seja, porta - veículo - de passeio, ou porta – veículo – de carga. 4- Frames: é uma coleção de nós de uma rede semântica que descrevem o estereotipo de um objeto, eventos e ações associadas. Representações da informação As representações do conhecimento e da inteligência, discutidas acima, têm, essencialmente, uma caráter sintático e semântico. A representação da informação, dentro do âmbito do modelo digital, tem um caráter programático, organizado de modo a representar auto regulação nos processos computacionais. Informação, dessa forma, será representada por algoritmos de regras encadeadas de decisão, responsáveis, em última análise pela interação usuário-computador.
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    123 Sistemas especialistas A idéiade sistemas especialistas é de que computadores (hardware) ou programas (software) podem assumir um papel interativo na comunicação humana a ponto de gerar conhecimento e informação, configurando-se em sistemas de informação de suporte à tomada de decisão, diagnósticos e resolução de problemas. Sua estrutura básica divide-se em: 1- uma base estruturada de conhecimento no formato de bancos de dados relacionais; 2- uma máquina de inferência dedutiva de regras de decisão; 3- uma interface (linguagem natural ou gráfica); Exemplo: No caso abaixo, apresentamos, como exemplo, apenas uma regra de inferência para um diagnóstico médico. Porém, essas regras podem estar aninhadas, assim como serem adicionadas ao sistema pelos próprios usuários. A idéia de sistemas especialistas e de que, ao longo do tempo, eles vão incorporando o conhecimento dos usuários tornando-se um grande banco de dados de regras de inferência, assim, quanto mais usados mais competente eles se tornarão. Se : a infeção primária é virótica simples o paciente tem febre benigna o paciente tem dores pelo corpo Então: existe evidência de que o paciente está com gripe Paradigmas Paradigmas filosóficos e cognitivos As mudanças de paradigmas, no momento atual em que vivemos, referem-se a como as máquinas estão evoluindo de simples estruturas mecânicas repetitivas, para autômatas dinâmicas e auto reguladoras. No centro dessa questão está a configuração de processos inteligentes na tomada de decisão. Em última análise, processos automatizados de decisão procuram, agora, o cérebro
  • 124.
    124 humano como comparaçãoe paradigma de como processar, analisar e produzir informação. Por uma lado, computadores são máquinas fechadas baseadasem processos finitos que estão a procura de memória expandida afim de aumentar sua capacidade de processamento, transformando o sequenciamento de elementos finitos em infinitas possibilidades. O objetivo é liberar as máquinas da visão tradicional de polias e engrenagens para um ambiente digital de processamento eletrônico, baseado em estruturas sintáticas e semânticas. A máquina do século 21 tenta adquirir uma linguagem que ao mesmo tempo seja programática e conceitual, seguindo uma lógica de instruções e passos, afim de representar conhecimento e informação. Estamos passando, portanto, de uma fase de máquinas estruturais para outra de máquinas cognitivas. O ser humano, por outro lado, é um organismo vivo, metabólico que estabelece uma relação com seu meio através de trocas dinâmicas e auto reguladoras (feedback), com uma extraordinária capacidade de adaptação e aprendizado. O modelo mental dos processos cognitivos humanos tem sido representados por paradigmas mecânicos de representação, tentando reduzir sua funções a processos finitos. Curiosamente, o inverso das máquinas, como explicado anteriormente. Na verdade, a história da civilização ocidental está divida entre duas correntes desde Platão: o comportamentalismo, que valoriza as condições ambientais e genéticas na definição de nossos processos mentais; e outra idealista que valoriza idéias e conceitos, procurando nas abstrações encontrar significado para nossas reações humanas, podendo estas abstrações serem de cunho, histórico, cultural, social e intencional-racional. Mais recentemente, existe, também, uma tendência de se analisar as funções do cérebro humano, através da ciência da cognição, tentando-se correlacionar áreas com as dos sentidos da visão, da emoção, da fala, etc. Desse modo, procura-se entender o cérebro humano através de uma abordagem sistêmica, procurando-se entender a influência de vários fatores, ambientais, sociais, e cognitivos simultaneamente, abandonado-se a visão mecanicista de causa e feito simples. Paradigma das linguagens
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    125 Como apresentamos, naseção referente a inteligência artificial, a linguagem de máquinas autômatas procura ao mesmo tempo ter uma estrutura programável e outra conceitual-lógica, transformando os processos computacionais em sistemas auto reguladores. A linguagem está no centro dessa discussão da questão inteligência, servindo de paradigma para conceituar-se conhecimento e informação. Wittgwenstein, em “Tractatus Logico-Philosoficus” afirma que deve haver algo em comum entre a estrutura de uma sentença e a estrutura do fato que a sentença representa. Seguindo essa visão, representações mentais do mundo são possíveis através da lógica, porém, as proposições da lógica em si mesmas não representam nenhuma condição de estado do mundo , ou no mundo. Segundo Wittgwenstein, a lógica seria necessária, mas não suficiente para descrever formas da realidade objetiva. No entanto, a lógica revelaria quais estados seriam possíveis teoricamente. Wittgwenstein compara proposições lógicas a figuras. Uma figura pode representar a forma de um estado físico, usando certos tipos de símbolos, da mesma forma que a linguagem, ou seja, ao dizermos “gato correndo” seria análogo a vermos a foto de um gato correndo. “O gato correndo” deve existir como realidade física, então, figuras, assim como, proposições possuiriam alguma relação entre a realidade física e o seu significado representado. Mediação A mudança de uma sociedade industrial, baseada no modelo mecânico, para outra de serviços, baseada no modelo digital, encontra, hoje, um sério gargalo no desenho e gerenciamento de métodos de produção, no desenvolvimento de novos conceitos tecnológicos e científicos, assim como, na visão filosófica de valores para as coisas que nos cercam. Esse gargalo está relacionado com a maneira com que o modelo mecânico, da era industrial, cria ferramentas e utiliza recursos no gerenciamento de sistemas. Atingimos o máximo possível na utilização dos conceitos eletro- mecânico de sistemas baseados em polias, engrenagens, esteiras rolantes,
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    126 manivela, suspensões hidráulica,cabos de suspensão, ou linhas de transmissão. Não só o desenho industrial parece ter atingindo um certo esgotamento, mas também , o consumo de recursos naturais tais como ferro, carvão, petróleo, madeira, para não mencionar ecossistemas de florestas, oceanos, vida selvagem marinha e terrestre. Atingimos o máximo possível na utilização de maquinarios baseados em estados finitos, sistemas fechados de equilíbrio energético rígidos e processos repetitivos. As atuais necessidades, sempre crescentes, na produção de bens e serviços enfrentam limitações não só na utilização ótima de recursos naturais, mas também no desenho de máquinas mais eficientes, requerendo uma nova conceituação do próprio método científico e uma nova visão de ciência. O atual modelo mecânico está desequilibrado em relação ao consumo energético e utilização de recursos naturais, quer seja pelos conceitos de suas ferramentas, quer seja na utilização de seus métodos e processos. O mundo físico da mecânica clássica de movimentos, da física newtoniana de arranjos perfeitamente ordenados em sistemas fechados, a química das reações de quantidades e proporções exatas, a matemática algorítmica e axiomática, a geometria euclidiana, a filosofia racional, idealista, ou comportamental, assim como a ciência, tão somente de causa e efeito vão, assim, atingindo seu ápice e esgotamento de possibilidades. Ao mesmo tempo que percebemos esse gargalo, notamos um movimento em direção a novos paradigmas, em busca de novas soluções, que vão aos poucos rompendo as barreiras definidas por 500 anos de história do desenvolvimento científico. Essa mudança de paradigmas envolve vários aspectos de como vemos o mundo à nossa volta, e está centrada no surgimento de um novo conjunto de valores que, aos pouco, vão definindo novas condições, parâmetros de medidas e avaliações conceituais, assim como, um novo desenho e configuração na ordem das coisas. Quer seja na área social do comportamento humano, que se desloca de sociedade coloniais oligárquicas e patriarcais-rurais para outra de massas baseada na classe-média; quer seja na área econômica, favorecendo uma visão de controles mais flexíveis e intensa troca no comércio internacional; quer seja pela física quântica, ou a exploração espacial. Na verdade, estamos numa época de passagem do modelo mecânico para o modelo digital.
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    127 O modelo digitalé a era do autômata, das máquinas inteligentes, onde se tenta transformar processadores de estados finitos em infinitos, de sistemas fechados, para abertos e dinâmicos, de roldanas e polias para a observação do movimento dos elétrons. No centro dessa mudança está uma nova perspectiva científica que abandona as atitudes unilaterais, sectárias, ou crenças inabaláveis de que modelos, fórmulas, conceitos ou algorítmicos, possam ser, por si só, a solução de um problema. Essa nova perspectiva analisa mais cuidadosamente o conceito de causa e efeitos, considerando a combinação explosiva de probabilidades, ou possibilidades, na capacidade dos fenômenos de se auto-programarem, e, os efeitos decorrentes dessa capacidade de se definir novas condições, ou atos voluntariosos ou teleológicos, a partir de equilíbrio estáticos de sistemas fechados. O desenho das máquinas está, hoje, centrado nas possibilidades da programação de estados e na análise da inteligência de seus processos, assim como, nas necessidades de interfaces gráficas cada vez mais dinâmicas e interativas. Essa poderia ser definida como a nova ciência da mediação, baseada nas avaliações contínuas de causas e efeitos conflitivos para se atingir condições estáveis mais favoráveis, em oposição à antiga ciência de definições, baseada em causas e efeitos determinados, a partir de modelos, ou fórmula, em busca de um equilíbrio perfeito. Interfaces Significado das Interfaces Introdução Como estamos apresentando nessa palestra, as máquinas estão evoluindo de uma modelo mecânico para um modelo digital. A estratégia básica tem sido a tentativa de se construir estruturas que ao mesmo tempo representem conhecimento, informação e valor, abrindo possibilidades de se construir máquinas inteligentes capazes de auto regulação, aprendizagem, adaptação. O ponto central nessa estratégia de se construir estruturas inteligentes tem sido o de se definir níveis, ou estados, de representações para um sistema
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    128 baseado no conceitoda independência entre a conceituação lógica e a física. O conceito de estruturas, em per si, tem a tendência de serem estáticas, contrariando o objetivo inicial do modelo digital de alterar a natureza das máquinas de processadores finitos para processadores infinitos. As representações têm, portanto, o desafio de representar, ao mesmo tempo, o estático e o logicamente estruturado,vinculando o dinâmico e o operacional. Como vimos na seção referente a inteligência artificial, as representações podem ser classificas em : 1- Representações da inteligência através de: a- estruturas lógicas de implicância e significado; b- processos cognitivos de um sistema de símbolos; 2- Representações do conhecimento através de: a- redes semânticas de regras práticas de significado; b- restrições lógicas de predicados e proposições; c- classes hierárquicas de classificação e categorização; d- frames, ou coleções, de nós semânticos de significado para descrever objetos; 3- Representações da informação através de: a- sistemas especialistas de regras lógicas encadeadas; b- desenho, programação e implementações estruturadas recorrendo à: 1- estruturação modularizada de códigos de programação 2- estruturação por objetos representação abstração de dados, leis de transformações e relações numa rede semântica de classes hierárquicas; 3- gerenciamento de bancos de dados através de uma linguagem não procedural do tipo SQL; Potencialização das estratégias de representação Além do caracter estrutural, descrito acima, as representações tem sido potencializadas através do desenvolvimento do critério de instanciamento e recursividade para tratar as funções dos objetos programáticos, e a lógica fuzzy para tratar dos processos decisórios de inferência lógica, tal como descrito abaixo: 1- instanciamento: é a capacidade que um objeto programado tem de se reproduzir ou criar imagens de si mesmo com todas as propriedades e relações lógicas e semânticas correspondentes, estabelecendo para um isso uma relação íntima com o sistema operacional através da alocação de processos em áreas, ou espaços de memória.
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    129 2- recursividade :é a capacidade que um objeto tem de processar outros objetos contidos em suas estruturas, ou módulos, os quais, por sua vez, também processam outros dentro de si mesmos, num processo recursivo de possibilidades infinitas; 3-lógica fuzzy(difusa): embora seus conceitos não tenham sido apresentados anteriormente, porque estão além do escopo dessa palestra, de uma maneira resumida significa a introdução de incerteza e probabilidade nas estruturas de representação. Desse modo, a lógica fuzzy (difusa) trata as condições lógicas da tabela verdade como graus de possibilidade para as proposições serem verdadeiras ou falsas. Assim, uma estrutura de representação trabalha, tão somente, com “condições de possibilidades” em seu esforço de estabelecer relações semânticas entre os objetos de suas classificações. RepresentaçõesGráficas Introdução Quando viajamos por uma auto-estrada, digamos a velocidade constante de 80km/h, além de termos que interagir com o automóvel, controlando a direção, a troca de marchas, as acelerações e desacelerações, ou ainda fazer manobras trocando de faixas, temos, também, que estarmos atento a sinalização que indica perigo na pista, a existência de curvas ou lombadas, condições meteorológicas, assim como, o preço do a ser pago no pedágio. Esse é um exemplo de como representações gráficas são importantes, não apenas, na interação homem-máquina, mas também, na representação da noção de informação nas estruturas criadas por sistemas automatizados. Essas representações gráficas, não apenas, carregam um conjunto de significados simbólicos, elas indicam, também, direção, orientação, rumo ou significado tendo, assim, um papel suplementar importante na conceituação de valor e informação ao construirmos estruturas que possam vir a transmitir noções de conhecimento. Sistemas de representações de símbolos
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    130 O conceito desistemas implica na idéia de elementos formando uma unidade lógica consistente e coesiva. Como estamos apresentando nessa palestra, a noção de sistemas, além de poderem ser abertos ou fechado, tem, ainda, duas representação adicionais distintas: 1- uma lógica e conceitual, as quais representam o sistema em per si, descrevendo estruturas de conhecimento e estabelecendo relações semânticas de significado e, 2- uma outra física e operacional, que tem a missão de representar controle, descrevendo como as estruturas lógicas podem ser implementadas e mudadas. O objetivo, com isso, é definir um modelo digital capaz de auto estabilização e auto organização de seus processos, abrindo caminho para se implementar noções de aprendizado e adaptação, conceitos que vão além da idéia de máquinas através da simples retroalimentação e equilíbrio estático. Do mesmo modo, podemos notar que o estudo de lingüística, também parte de premissas análogas, dividindo suas preocupações entre a estruturação da linguagem de uma forma programática, usandopara isso da gramática, e outra epistemológica que se preocupa com a interpretação de textos e significado do conhecimento. Modernamente, o estudo dos processos cognitivos na interação homem- máquina tentam, também, abstrair essas noções da lingüística, tanto no seu aspecto lógico e estrutural, como no seu aspecto interpretativo de significado. Esses conceitos estão, a cada dia mais, sendo absorvidos pela inteligência artificial através de algoritmos heurísticos que representem metaforicamente problemas e como eles podem ser solucionados. A representação de símbolos pode seguir três modelos úteis na estruturação de uma representação gráfica: 1- o modelo mental: o modelo mental, na área da informática, tem como objetivo reduzir símbolos a números e variáveis que possam ser processados e manipuladas em temos digitais de uma representação binária de 0 e 1. Nesse sentido, símbolos têm um valor explícito e significa como as máquinas interpretam objetivamente uma instrução de código. O conceito principal nesse modelo é o do processamento de dados;
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    131 2- o modelode analogias: o modelo de analogias tenta construir algoritmos heurísticos que descrevem uma realidade de como símbolos e valores acontecem na prática e reduzi-los a regras lógicas de induções e deduções. Analogias em informática, seguindo essa visão, procura por regras que ou partem de definições particulares para definir-se um todo sistêmico, ou partem da visão de como um sistema funciona para se definirem regras particulares. O conceito, nesse modelo, é o de regras de inferência a partir de uma representação simbólica através de algoritmos heurísticos. 3- o modelo de metáforas: o modelo de paradigmas, na área da informática, tenta reproduzir, através de símbolos, um conjunto de significados complementares às regras de inferências para poder reproduzir objetos, seus usos e aplicações de modo intuitivo. O conceito desse modelo é o da criação de interfaces gráficas, as quais aliam regras de inferências a objetos gráficos, sonoros ou texto dentro de uma estrutura de dados. 4- o modelo semiótico de sinais: o modelo semiótico tenta avaliar como a representação simbólica de sinais e códigos fazem parte do processo de comunicação e transmitem informação. Esse idéia de semiótica do computador é um ramo novo da informática, ainda está no início, não tendo regras básicas, ou funções determinadas. Genericamente o conceito desse modelo seria como um conjunto de símbolos codificados através de sinais gráficos ou sonoros, podem transformar interfaces em instrumentos de mídia, mergindo o conceito de meio com o de mensagem. A idéia é que no futuro não existam apenas computadores, mas máquinas inteligentes para executar as mais diferentes tarefas, não só de transmitir informação e valor, mas serem em per si a própria informação. Funções das representações gráficas Um sistema de interfaces gráficas precisa ser, antes de mais nada, um sistema operacional para poder se definir um campo comum de atividades tanto para os usuários quanto para os computadores. Um sistema operacional com interface gráfica define as regras para a comunicação entre os programas (software) e os equipamentos (hardware), permitindo, dessa forma, que desenvolvedores de sistemas definam padrões e características, facilmente, compreensíveis e manipuláveis.
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    132 O objetivo éestabelecer uma padrão de linguagem codificada que seja, não só de programação, mas também, de comunicação, definindo-se, assim, uma arena comum para o planejamento, desenho e operação de eventos tanto àqueles provocados pelos usuários, quanto os gerenciados pelas máquinas. O princípios básicos na definição de representações gráficas são: 1- a redução das atividades dos eventos “usuários-computadores” em termos de interfaces gráficas; 2- a transmissão da informação através de uma forma estruturada de conhecimento, informação e valores; As diversas maneiras de se fazerem representações, como mencionadoantes, estão revolucionando tanto a programação quanto a definição de interfaces gráficas, através da programação estruturada por objetos e dos critério de inteligência artificial. Esses dois conceitos estão mudando as definições simplísticas de máquinas, transformando os computadores em mídias de comunicação. A velha perspectiva de input/output via teclado e monitor está se transformando em um sofisticado conjunto de regras e conceitos, os quais, partindo-se de elementos embutidos no sistema operacional, permitem conceituar conhecimento, informação e valor através de uma unidade lógica coesa que incluem redes, cabos, conexões, servidor, computadores, roteadores, formando um modelo cliente- servidor de máquinas interativas.
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    133 Processamento num AmbienteGráfico Algumas propriedades e características de um sistema gráfico Os conceitos básicos de programação por objetos, embutindo características internas em funções que podem ser instanciadas, ou reproduzidas por múltiplos usuários, define um padrão de comunicação entre aplicativos, ou processos, iniciados entre os usuários e a máquina. Genericamente, pode-se citar algumas propriedades de um sistema gráfico interativos, tais como: 1- módulo de interface para programas aplicativos (API): os aplicativos, num ambiente gráfico orientado por objetos, seguem um padrão bem definido de interações como os usuários. Os programadores, seguem esses procedimentos (APIs) para desenvolver aplicativos, baseando-se num seqüência de eventos, que começa quando uma janela (Windows) é aberta , e termina quando o usuário sinaliza para encerrar o programa. Essa seqüência cria um ciclo de vida para os aplicativos gráficos que interagem, continuamente, com o sistema operacional, padronizando, não só a criação, mas também, o comportamento das interfaces. Essa seqüência de eventos de uma API está baseada em dois critérios:
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    134 a- no gerenciamentointerativo de mensagens pelo sistema operacional em resposta a uma requisição do usuário; b- no gerenciamento de procedimentos e regras embutidas no sistema operacional, orientando o programador; 2- Sistemas de mensagens interativas: basicamente, a estrutura de um sistema de mensagens interativas é composta por uma função de identificação de tarefas e pelos parâmetros, ou instruções, a serem passados pelo usuário ao sistema operacional. O sistema operacional gerencia mensagens recebidas através de um programa aplicativo de recepção que responde aos eventos, ou instruções, provocados pelo usuário, guardando-os num arquivo de pedidos. Esse aplicativo de recepção lê, então, o que está contido no gerenciador de pedidos, despachando a mensagem para que o procedimento apropriado seja iniciado. A seguir, o aplicativo despachador de mensagens inicializa o procedimento, tornando a mensagem acessível os outros aplicativos que estiverem rodando naquele momento. O despachador usa, então, uma função secundária, dentro da função principal do sistema, para criar vários loops de mensagens, capacitando o sistema operacional a controlar vários programas, ou processos, simultaneamente. Essa função secundária examina, constantemente, as mensagem armazenada na fila de pedidos do sistema, e caso não existam mais mensagens libera os recursos que estavam sendo usados. 3- Compartilhamento de dados: a partir do surgimento do sistema Microsoft Windows vários protocolos foram criados para compartilhamento de dados que se tornaram padrões na industria de informática, ou seja, qualquer programa de computador desenvolvido, atualmente, tem que possuí-los, tais como: a- clipboard: é uma área de memória RAM (random acess memory) que armazena textos e imagens copiadas por qualquer aplicativo rodando no sistema; b- DDE (Dynamic Data Exchange): ele permite que os aplicativos no formato “Windows” troquem dados entre si; c- OLE (Object Linking and Embedding): OLE é um protocolo do “Windows” para compartilhamento de dados, embutindo esses objetos (pedaços de outros programas) dentro de um único aplicativo. 4- Procedimentos padronizados: através do conceito de classes, da programação por objeto, o sistema operacional define vários aplicativos padrões tanto no sentido de realizar tarefas quando para mostrar dados,
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    135 ou informação, natela do monitor, tais com as janelas de programas e seus conteúdos. Existem três tipos dessas classes: 1- Classes globais do sistema: são bibliotecas (conjunto de classes) criadas quando o sistema é inicializado; 2- Classe globais dos aplicativos: são bibliotecas do tipo DLL (Dynamic Link Library) criadas globalmente pelos aplicativos para ficarem disponíveis a todos os programas. 3- Classes globais locais: são “classes” de objetos criados por um aplicativo para seu uso próprio; 4- Elementos de classes : são classes padronizadas para definir o comportamento dos objetos, tais como a- definir o formato do cursor: b- definir que ícone será mostrado quando o aplicativo for minimizado; c- definir padrões de menus para o usuário fazer escolhas; d- definir como as janelas de programas são movidas; e- definir como os aplicativos usaram os recursos de memória do sistema; Processos Cognitivos na interface usuário-computador Seguindo o histórico da programação estruturada, novos conceitos na configuração e implementação de sistemas de informação revelam que os usuários interagem com os computadores, e não apenas operam programas. A maneira como as pessoas interagem, ou respondem, aos computadores usando menus, janelas, ou caixas de diálogos, está definindo novos padrões para se avaliar eficiência e produtividade no desenho e avaliação de processos automatizados. Devido a esse crescente papel desempenhado pelos usuários como agentes ativos e participantes na análise das funções de sistemas, a compreensão de fatores humanos e ergonômicos passaram ser da maior importância para melhor equacionar a interação usuário-computador, tornando as interfaces gráficas o aspecto mais decisivo para se medir sucesso, ou fracasso, na implementação de sistemas de informações.
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    136 As interfaces têma missão de converter tarefas em modelos amigáveis de interação, capacitando, desse modo, os usuários controlarem tanto o funcionamento das máquinas quanto suas rotinas de trabalho. A peça chave no desenho de interfaces parece ser o de se encontrar uma definição comum para processos cognitivos humanos e cibernéticos, ou seja, definir como máquinas e humanos reagem diferentemente, e quais seus pontos em comum. Como os computadores processam informação Computadores são máquinas que processam, basicamente, símbolos através de: 1- um alfabeto composto por um conjunto de símbolos; 2- uma gramática que determina quais variáveis são aceitáveis, ou não, qual sua sintaxe lógica e, ainda, qual são as relações semânticas de significados que se podem estabelecer através de suas classes e procedimentos de representação e classificação; 3- um conjunto de variáveis admissíveis como axioma básico, definindo padrões de representações, tais como para as noções de inteligência, conhecimento, informação e de interfaces gráficas; 4- um conjunto de regras que avalie combinações (possibilidade, incertezas, inferências lógicas, instanciamentos e métodos recursivos); Como humanos processam informação O modo pelo qual os humanos processam informação é no mínimo controvertido, já que essa questão envolve conceitos filosóficos e tradições culturais. Em linhas gerais, pode-se identificar três diferentes pontos de vista relativos à essa questão referentes aos processos cognitivos humanos, tais como: 1- a abordagem filosófica: essa perspectiva coloca os processos de cognição humana no âmbito da consciência. Isso implica em que a mente
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    137 é independente deseus pensamentos produzidos, ou seja, de que mente é igual a cérebro e pensamento è igual a consciência; 2- a abordagem comportamental: essa abordagem percebe a cognição humana como o resultado das condições ambientais, genéticas e culturais; 3- a abordagem técnica: essa abordagem está focada nas funções cognitivas do cérebro humano, provenientes dos neurônios e descargas elétricas em áreas específicas do cérebro humano; Pontos comuns entre a cognição humana e a das máquinas O ponto comum entre o modo pelo qual os humanos e os computadores reconhecem objetos é a capacidade que ambos possuem de criar, interpretar e aprender através de representações simbólicas. Portanto, a criação de interfaces usuários-computadores reside na capacidade que ambos têm de interpretar sinais, a fim de poderem configurar um sistema composto de objetos que repliquem o meio ambiente. As avaliações feitas nos processos de cognição humana e das máquinas, sugerem que a configuração de sistemas depende, hoje, da habilidade que tanto usuários quanto computadores têm de trocarem sinais à partir de um modelo de trabalho comum. Os instrumentos para se estabelecer essa comunicação são o monitor, o teclado e o mouse, ou ainda, os alto-falantes e monitores de toque na tela. O objetivo na criação de interfaces é dar aos usuários o máximo de controle sobre as máquinas de acordo com suas habilidades, de modo tal que ele mantenha a iniciativa das ações, ao mesmo tempo que existam mecanismos de controle de operações que evitem que eles cometam erros. Os objetivos básicos na criação de interfaces são: 1- Dar aos usuários acesso ao sistema; 2- Permitir que os usuários interajam com o computador, estabelecendo uma comunicação com o objetivo de se obter informação e se realizarem tarefas.
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    138 Desenvolvimento de Sistemasnum Ambiente Gráfico Introdução No modelo tradicional de desenvolvimento de sistemas, como já vimos na seção dessa palestra referente a sistemas, é baseado no ciclo de vida dos negócios através da definição de cinco etapas: 1- fase de levantamento de requerimentos do sistema; 2- fase de desenho; 3- fase de codificação; 4- fase de testes; 5- fases de operação e manutenção; As linguagens usadas nessa abordagem são procedurais e as interfaces são não gráficas ou baseada apenas em caracteres de texto. Com o desenvolvimento de linguagens gráficas do tipo Visual Basic, Visual C++ e Powerbuilder, as fases do modelo cascata tradicional são comprimidas a uma única, com vários ciclos de refinamento em conjunto com os usuários. As linguagens típicas dessa abordagem são orientadas por objetos, e se caracterizam pelo uso intensivo de interfaces gráficas no desenho, codificação e criação de aplicativos. Prototipação interativa
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    139 A criação deprotótipos não é um conceito novo, o que muda nessa nova abordagem de desenvolvimento rápido de sistemas é a consideração de ciclos contínuos de interação com os usuários. Desse modo, a criação de sistemas não é o objetivo central, mas a avaliação do grau de interatividade que os processos a serem automatizados tem com objetivos claros e determinados. Como mostra a figura abaixo, essa interação ocorre em três níveis: 1- através da reengenharia de processos; 2- através da criação de uma plataforma tecnológica cliente-servidor; 3- através de uma metodologia de controle e avaliação da qualidade do produto por ciclos iterativos; Cada protótipo, produto de uma iteração, avalia, portanto, o quanto o cliente persegue os objetivos traçados, inicialmente, para a automatização de um processos, resultando em aplicativos que funcionem e que possam ser medidos, passo-a-passo em termos de eficiência na obtenção desse objetivos-iniciais. O enfoque da prototipação interativa A definição de ciclos iterativos No modelo tradicional, cascata, as etapas do desenvolvimento de sistemas, usualmente, levam meses, e só interagem com o usuário depois de que todas as suas necessidades já foram levantadas. Está implícito nessa abordagem altos custos operacionais, tais como: 1- composição de equipes de analistas e programadores; 2- correção de erros de desenho e codificação;
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    140 3- manutenção eoperação inicial do sistema; Segundo a abordagem da prototipação iterativa, a criação de protótipos ocorre em intervalos de tempos determinados, por exemplos a cada semana. A equipe se reduz a duplas de criação especializada em: 1- criadores de interfaces; 2 - criadores de conexões de redes e bancos de dados. O tempo para se desenvolver sistemas é menor devido, principalmente, a ferramentas gráficas, uma vez que os componentes básicos da interface estão disponíveis em menus, ou listas de opções pré-programadas. Essas linguagens gráficas de programação e desenvolvimento também permitem uma interação imediata no levantamento das necessidades dos usuários, pois podem ser reprogramadas “on-line”, conjuntamente com o usuários cada vez em que ocorre uma “entrevista”. Os ciclos de iteratividade Avaliações na convergência e eficiência do método O objetivo desse conceito de ciclos iterativos no desenho e configuração de sistemas é que as diferenças entre um protótipo e outro seja convergente, e que as mudanças requeridas nos refinamentos e avaliações conjuntas com os usuários sejam acrescidas umas à outras. No caso em que a diferença entre protótipos (proto1, prot2 e Prot3, por exemplo) sejam radicalmente opostos, está ocorrendo uma divergência entre os objetivos iniciais, e as necessidades do meio interno e externo considerados no requerimento inicial do sistema. Nesse caso, recomenda-se uma reavaliação, considerando: 1- o enfoque inicial dos processos do protótipo;
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    141 2- reavaliação daplataforma tecnológica, considerando os equipamento, as conexões e as redes; 3- reavaliação das interações com os processos de reengenharia referentes ao contexto da organização a que pertence; 4- reavaliação do grau de facilidade no uso das interfaces gráficas pelos usuários, ou seja, o levantamento dos aspectos ergonométricos, psicológicos e cognitivos. Programação A ProgramaçãoEstruturada Introdução No processo de evolução das máquinas do século 20, tem-se tentado criar estruturas capazes de, ao mesmo tempo, fornecerem instruções e servirem como interface para o controle de suas operações. Como temos visto, nessa palestra, as máquinas estão mudando o seu caráter de meramente processual, seqüencial e finito, para outro, que explore paralelismo e infinitas possibilidades de arranjos, tanto na constituição de suas formas quanto na de suas ações. Nesse aspecto, a visão programática das operações de controle de maquinários inteligentes, atualmente, não gira apenas entorno de uma seqüência de eventos encadeados num fluxogramas, mas objetiva ganhar uma unidade entorno de uma lógica consistente de ações, de modo que o resultado de uma programação não seja apenas um conceito na mente do programador, mas uma abstração estruturada dos processos automatizados de um computador.
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    142 Claramente, então, oconceito de processos inteligentes passaram a ter dois aspectos estruturais: um que representa a constituição do maquinário em etapas e partes, assim como, um outro que representa sua maneira de operá- lo. Esses dois aspectos, no caso, passaram a requerer, com a evolução tecnológica, uma linguagem programática; quer seja para explicar a estrutura de montagem; quer seja para configurar processos decisórios em máquinas autoreguláveis. Linguagem de programação Como vimos na seção dessa palestra referente à inteligência artificial, as máquinas estão evoluindo do modelo estrutural mecânico de roldanas e polias encadeadas, para o modelo digital binário, definido por uma unidade central de processamento lógico e matemático (CPU) e unidades de entrada e saída. O objetivo do modelo digital é o de ser capaz de introduzir conceitos de retroalimentação, aliando-se o caráter programático das máquinas a suas estruturas e formas, através de uma linguagem que unifique a maneira como as máquinas se constituem em seus métodos e processos operacionais. Portanto, em paralelo à evolução de sistemas mecanizados na direção à automatização, até atingirmos os atuais computadores digitais, desenvolveram-se linguagens de computadores, partindo-se de simples instruções de válvulas eletrônicas que se abriam e fechavam para uma linguagem de programação estruturada. Nos primeiros momentos, quando surgiram os computadores digitais, existiam poucas regras, ou estruturas de como programá-los, até que por volta dos fins dos anos 60 elas começaram a aparecer nos meios acadêmicos e Terry Baker e Harlam Mills da IBM lançaram os primeiros conceitos de estruturação no desenvolvimento de sistemas computadorizados, a a partir do projeto realizado para o New York Times [Martin & Mcclure em “Structured Techniques”,1988]. Na conferência da NATO sobre engenharia de software em 1969, Dijkstra usou pela primeira vez a expressão “programação estruturada”, referindo-se a uma estratégia para gerenciar e administrar as complexidades crescentes no desenvolvimento de projetos computadorizados, visualizando a programação de computadores em várias camadas de operações lógicas simples, constituindo-se numa unidade coesiva e coerente. Nessa palestra, apresentaremos os conceitos de linguagem de computador, fazendo uma analogia com a própria linguagem natural humana, ou pelo menos, àquelas referentes às línguas indo-européias, no nosso caso o português.
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    143 O objetivo deuma linguagem de programação, como apresentado aqui, é que os computadores tenham uma interface de comunicação análoga a dos seres humanos, que lhes servem de paradigma de como se comunicarem e agirem no sentido de aprenderem e se adaptarem. A estratégia para se alcançar esses objetivos tem sido de se tentar repetir as mesmas estruturas lógicas decisórias do raciocínio humano que lhes deu origem. O desafio é fazer essa analogia, entre um sistema metabólico aberto com outro fechado e rigidamente equilibrado em termos de gastos e consumo de energia. No entanto, a despeito do debate filosófico de como aprendemos ou construímos a noção de conhecimento, a programação de computadores está seguindo a estratégia básica de construir conhecimento, embutindo em estruturas de dados, condições lógicas coesivas, formando-se, desse modo, uma unidade de conhecimento que carrega na sua constituição dados, valores e informação, simultaneamente, fazendo-nos lembrar os conceitos de Wittgwenstein em relação às suas analogias entre lógica e representação, ação e razão, imagem e objeto. Nesse sentido, uma estrutura de conhecimento não representa apenas dados estruturados, mas também relações sintáticas de predicados, de modo que ao representarem um objeto estão, ao mesmo tempo, definindo seus atributos e qualidades em relação a suas formas, visão espacial do local onde se situam, suas relações implícitas e explícitas com outros objetos, formando, assim, uma rede de relações semânticas para conhecimento, valores e informação. Uma linguagem de programação tem relações próximas à linguagem natural humana, definindo formalidades para a ortografia, a pontuação, a morfologia de palavras, a sintaxe de frases, orações, predicados e colocação, assim como para a semântica, como descrevemos abaixo: 1- Ortografia e pontuação na linguagem de computadores: para cada dialeto; “Perl”, “C”, ou linguagem “Java”, tem-se uma maneira própria de se escrever e pontuar sentenças e variáveis matemáticas, as quais são compiladas e transformadas de instruções puras de máquina (“formato assembler”) em um programa executável. 2- Morfologia na linguagem de computadores: a morfologia das linguagens de computadores definem: a- variáveis: são análogas a proposições lógica, podem representar palavras, números, textos ou conjuntos binários, são representado genericamente por “x”, “y”, ou “z” (ver estruturas lógicas em“Inteligência Artificial”); b- tipos de dados: dados podem ser representados por variáveis do tipo “string” (texto), ou números reais, inteiros, ou ainda objetos binários
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    144 representando, texto, imagem,variáveis matemáticas, em fim, qualquer coisa representável; c- estruturas de dados: genericamente os arquivos de dados são divididos em registros (records) (unidades básicas dos dados), campos (conjuntos de registros relacionados), tal como definido abaixo: registro de empregados número 1: nome: Maria endereço: Rua estrela nº 12 R.G. : 555555 Geralmente, eles têm o formato de matrizes (arrays), com diversas sub- configurações, tais como, fila, pilha, lista de árvores ou tabelas; d- ponteiros ou handlers: são ponteiros que definem um local da memória do computador para armazenar dados e podem ser manipulados como uma variável. Por exemplo, para o sistema Microsoft Windows o Handler (ponteiro) “DC” é uma variável que define onde está uma figura (Bitmap), possibilitando- se manipula-la na memória, movendo-a, criando-a e recriando-a em diferentes situações no desenrolar da programação. Na verdade, os ponteiros, como variáveis podem ser qualquer coisa; e- operadores lógicos: são análogos àqueles definidos pela lógica, igual (=), diferente (#), e (and) , ou (or), verdadeiro (V), falso (F), maior (>), menor ( < ) ; f- formulários ( janelas ou “windows”): sãoas janelas que carregam estruturas de dados, textos, imagens, etc., na tela do monitor; 3- Sintaxe da linguagem de computadores: a sintaxe na linguagem de programação tenta unir os diversos conceitos morfológicos, descritos acima, em sentenças através de: a- funções: constituem-se em unidades lógicas separadas do fluxo principal do programa que fazem transformações de certos dadosde entrada em outros de saída , tais como na expressão y = cons(x); b- eventos: são condições definidas em conjunto com o sistema operacional da máquina para definir estados em que um programa pode se encontrar, ou operar, tais como: eventos do mouse, abrir e fechar tela, abrir e fechar programa, teclar, etc; c- fluxos de controle: o fluxo de um programa de computador pode seguir uma linha seqüencial com instruções passo-a-passo, uma linha de seleção, ou desvio, quando um passo é acrescido para testar certas condições lógicas, e ainda uma linha interativa, quando certos segmentos de programas são repetido várias vezes;
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    145 d- “loops”: sãorepetições de segmentos de programas até que certas condições aconteçam; e- rótulos (labels): são marcadores na seqüência dos passos da programação para servirem de alerta de desvios para outros segmentos de programa; f- subrotinas: são análogas as funções, costuma-se dizer que subrotinas não passam parâmetros, apenas desviam o fluxo do programa principal para um outro secundário a fim de efetuar certos cálculos. No entanto, essa diferença está, pouco a pouco, desaparecendo para existir apenas a noção de função, principalmente devido aos conceito da programação por objetos; g- expressões condicionais: são expressões de programação em que pseudocódigos são representados por condições lógicas do tipo : Se a “condição X” acontecer, então opere a instrução B, ou ainda, opere a instrução B até que a “condição X” aconteça; h- instruções compostas: são estruturas mais complexas de programação onde várias condições ocorrem dentro de uma expressão condicional, tal como em: Se condição A acontece então opere: Se condição B acontece então opere: Se condição C acontece então opere: Instrução 1 Caso contrário opere Instrução 2 Caso contrário opere Instrução 3 Caso Contrário opere Instrução 5 4- Semânticas da linguagem de computadores: a semântica na linguagem de programação é o resultado dos estudos realizados pela Inteligência Artificial, como discutidos na seção anterior dessa palestra, são: a- redes semânticas: conjunto de regras associativas, definindo-se classes, hierarquias e relacionamentos entre objetos, tais como, gato classificado como animal mamífero capaz de certas atitudes ,e com certas propriedades, ou ainda, cachorro, e como ambos estabelecem relações com o mundo dos animais mamíferos. b- restrições: são definições nas regras de relacionamento entre membros de uma mesma, ou diferentes, classes de classificação, tais como aquelas que definem a diferença entre um cachorro e um gato, ambos animais mamíferos
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    146 c- classes: sãoestruturas hierárquicas de classificação e categorização de objetos e assuntos de modo que propriedades de membros subordinados herdam as qualidades de seus pais (ou membros superiores); d- cálculo de predicados: são aquelas relações estudas pela teoria de conjuntos e da lógica, definindo o conceito de pertencer e conter que pode existir entre conjuntos, classes e membros, assim como, avaliar as condições definidas pela tabela-verdade de condições lógicas ( veja a seção inteligência artificial). É usada como a base da programação lógica; e- cálculo de proposições: tem a intenção de significar conhecimento na inteligência artificial e está intimamente relacionado com as linguagens PROLOG e LISP. As avaliações de condições ou proposições possibilitadas por essas linguagens podem ser um instrumento poderoso para representar fatos e regras de inferência, tais como no comando prolog : _REX(cachorro, mamífero). Nesse exemplo, podemos perceber imediatamente as relações lógicas de possibilidades (verdadeiro ou falso) e os conceitos de pertencer e estar contido, que existem entre cachorro e mamífero, assim como, as implicações como o objeto rotulado de REX. Essas representações são mais poderosas do que aquelas definidas no cálculo de predicados. Estratégias de estruturação da gramática cibernética Como podemos perceber, ao analisar a tendência da programação de computadores em caminhar na direção de formar uma linguagem, que a organização e estruturação da análise, desenho e programação de projetos, nessa área, passaram a ter um objetivo integrado, constituindo-se, assim, uma espécie de gramática cibernética. Princípios e objetivos das técnicas de estruturação A evolução da programação de computadores até se tornar uma linguagem formalizada por uma gramática cibernética, iniciou-se a partir do desenvolvimento das técnicas de codificação estruturada, expandindo-se esse conceito para metodologias de análise e desenho de projetos. As técnicas de estruturação visam transformar a confecção de um programa de computador em um modelo simultâneo de dados, conhecimento, informação e valor com o objetivo de fazer representações semânticas da realidade que nos cerca. Os objetivos primários das técnicas de programação, de acordo com Martin & McClure em “Structures Tecniques” (Programação Estruturada) são: 1- atingir-se uma boa qualidade na previsão do comportamento dos programas; 2- desenvolver-se programas de fácil manuseio;
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    147 3- simplificar-se tantoos programs como seus processos de desenvolvimento; 4- atingir-se uma melhor previsibilidade e controle nos processos de desenvolvimento de programas; 5- reduzir-se os custos da programação; 6- aumentar-se a velocidade de programação; Os objetivos secundários são: 1- decompor a complexidade de problemas em unidades simples; 2- atingir um simples e fácil desenhop estrutural de sistemas; 3- exercer um controle sobre a explosão de complexidades na solução de problemas; 4- desenvolver uma diagramação clara e concisa do funcionamento de sistemas; 5- melhorar a leitura de diagramas, facilmente associando-os a códigos; Podemos perceber que esses objetivos tendem a se fundirem com a noção de estruturas de programação, planejamento e desenho do próprio sistema. O que se busca com técnicas de estruturação, portanto, não é apenas se constituir uma linguagem, mas uma gramática de termos e conceitos que possam definir e resolver os problemas à nossa volta. Os princípios básicos da programação estruturada, ainda de acordo com Martin & McClure, formaliza não as boas técnicas de programação mas também influí no desenvolvimento de vários aspectos dos sistemas. A filosofia original é abstrair a realidade a nossa volta através de certas formalidade (espécies de protocolos metodológicos), tornando-se um exercício permanente na resolução de problemas. Esse idéia de estruturação está fortemente baseada numa organização hierárquica, do tipo arvore de soluções quebrando-se a complexidade inicial de um problema em várias segmentos mais fáceis de serem compreendidos, ou executados.
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    148 Diagrama Cascata Princípios daengenharia de programação (software) Ainda seguindo Marin & macClure, esses princípios são: 1- do encapsulamento: visa capacitar um módulo de programa a ver somente a informação necessária àquele módulo; 2- da localização: visa agrupar itens que estão logicamente relacionados; 3- da integridade conceitual: visa configurar um desenho e uma arquitetura conceitual consistente para a boa funcionalidade do sistema; 4- da completa descrição do problema: visar assegurar-se que tudo foi considerado para a constituição de um sistema; 5- princípio da independência lógica: a análise e o desenho de um sistema estão concentrados em funções lógicas, as quais são operadas independentemente da implementação física. O objetivo é que o desenho e a análise não sejam modificadas por problemas de implementação, caso sejam , isso representaria um grave erro de conceituação do sistema considerado. Propriedades dos programas estruturados O primeiro objetivo da programação estruturada é produzir alta qualidade a baixo custo, sendo sua principal característica a forma hierarquizada,
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    149 definindo-se um conjuntorestrito e padronizados de modelos de estruturas de controle programático, documentação, formas e estilos convencionais de linguagem, resumindo–se em: 1- estruturas seqüenciais: usadas para controlar a execução de programas através de comando seqüenciais, do tipo execute comando A, crie variável X, opere instrução Z; 2- estruturas de seleção: usadas para controlar e testar condições de desvio do tipo , “Se Condição X acontece, então execute instrução A”. 3- estruturas de interação: usadas para repetir um conjunto de instruções de código até que certa condição ocorra; 4- estruturas hierárquicas: usadas para estruturar códigos de programas em unidades conceituais lógicas, tais como as existentes no formato de uma árvore de classificação; 5- estruturas que definem relacionamento entre os módulos de um programa: visam a coesão lógica da unidade do programa, e podem ser : a- técnicas de controle de acoplamento: embora as técnicas de encapsulamento sejam boas para quebrar a complexidade dos programas, é preciso garantir que esse módulos sejam independentes, definindo-se restrições de como eles se relacionam, ou trocam dados ou interagem entre si; b- técnicas de coesão programática: são técnicas que visam garantir a modularidade do programa, subdividindo–se em: b1. Coesão funcional; b2. Coesão seqüencial; b3. Coesão comunicacional; b4. Coesão procedural; b5. Coesão temporal; b6. Coesão lógica; b7. Coesão coincidente; Algumas técnicas de diagramação estruturada A diagramação tem um papel importante na programação estruturada, porque, na verdade, o objetivo é que estruturas de planejamento desenho e programação tenham a mesma unidade lógica de representação. A máquina do futuro, nesse sentido, visualiza, organiza, codifica e processa dados e informação com o objetivo de aprender e resolver problemas, constituindo-se em estruturas de conhecimento. Assim, problema e solução seriam aspectos semelhantes de um mesmo sistema.
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    150 Exemplos: 1- Diagrama defluxo de dados; 2- Diagrama da dados entidade-relacionamento; 3- Diagrama funcional; 4- Diagrama Michael Jackson; 5- Diagrama Warnier-Orr; Programação Estruturada por Objetos Introdução Na seção anterior, sobre a programação hierárquica estruturada, não foi mencionado o papel dos sistemas operacionais dos computadores no desenvolvimento de uma linguagem de programação que objetive simultaneamente representação, funcionalidade e operacionalidade, tanto para determinar suas ações como para definir como são estruturalmente organizadas.
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    151 Desde o iníciodo aparecimento dos computadores até os dias de hoje, o conceito de sistema operacional, e linguagem de programação e controle estiveram sempre ligados à interação entre ações realizadas pelas máquinas e eventos provocados pelos usuários. Desse modo, a linguagem de programação tem servido como camadas de módulos independentes de programas que visam esconder a complexidades das operações mais básicas dos computadores, possibilitando aos usuários a idéia de manipular instrução sem interferir, ou causar danos, na estrutura de funcionamento básico das máquinas. No entanto, existe estreita cooperação na manipulação dos eventos provocados pelos usuários, através da programação, e o sistema operacional dos computadores. Então, partindo-se de uma linguagem básica de máquinas (assembler) várias camadas de instruções de programas são adicionadas para a manipulação de eventos operacionais através de linguagens de mais alto nível, tais como “C”, ou “C++”. O modelo digital dos computadores não se livrou, ainda, totalmente das estruturas mecânicas de discos e polias, fazendo com que parte de suas operações sejam realizadas através de circuitos eletrônicos impressos e “chips”, e outra parte, através de discos rígidos que expandem suas capacidade de adicionar memórias ou instruções. Essa estratégia faz com que o sistema operacional dos computadores esteja sempre trocando informações entre instruções alocadas dinamicamente em sua memória eletrônica (circuitos impressos) com aquelas armazenas estaticamente em discos rígidos. O papel da programação tem sido de tornar essas operações de trocas transparentes para os usuários de modo que um conjunto de instruções de código de programação tenha uma unidade lógica coesiva e independente do sistema operacional, ou seja, alterações nos programas não interferem no modo de operar das máquina. Na verdade, existem, ainda, muitas possibilidades de interferência dos usuários, através da programação, de alterar estados do sistema operacional. No entanto, o objetivo tem sido criar uma gramática de programação que não apenas minimize essas interferências, definindo protocolos de interação, mas também possibilite a própria máquina auto programar-se. A estruturação da linguagem de computadores tem, portanto, o objetivo de controlar eventos realizados pelas máquina, provocados pelos usuários ou não, e também associar esses eventos a procedimentos programáveis. Estratégias de modularização
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    152 Por de trásda idéia de programação estruturada está a idéia de modularização, organizando unidades de programas em módulos independentes e coesos regulados por regras próprias, definindo como eles se relacionam implícita e explicitamente, ou seja, como esses módulos passam parâmetros. A maneira como esses parâmetros são trocados definem uma maior, ou menor, coesão lógica entre os módulos, criando-se, assim, uma unidade de ação entre máquina e instrução, atitude e propósito, estrutura e conhecimento, imagem e objeto. Estratégias de coesão O grau de coesão de um programa de computador pode ser medido desde seu nível mais fraco, “coincidente”, até seu nível mais forte ou “funcional”, como podemos ver abaixo: 1- coesão funcional: cada elemento de uma módulo de programação é, necessariamente, parte integrante de uma única função que ele representa, assim por exemplo : Módulo Pagamento Líquido Cálculo Bruto; Cálculo Impostos; Cálculo Pagamento Líquido; Fim módulo 2- coesão seqüencial: os elementos de um módulo estão relacionados de modo que realizem eventos seqüenciais num operação, em que o resultado final de um, sejam os dados iniciais de um outro, seqüencialmente: Módulo Atualização do Estoque Inserir dados no Estoque; Preparar dados para inserção no estoque; Atualizar tabela principal do estoque; Fim módulo 3- coesão comunicacional: os elementos de um módulo operam todos com o mesmo conjunto de dados: Módulo Processa Transação Ler Transação; Editar Transação; Processar Transação; Fim módulo 4- coesão procedural: os elementos de um módulo são todos parte de um procedimento com passos seqüenciais: Módulo de Repetição
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    153 Faça até quenão haja mais pedidos para processar Ler pedido; Processar pedido; Fim dos pedidos Fim do módulo 5- coesão temporal: os elementos de um módulo estão relacionados a eventos que ocorreram num certo tempo ,mas não necessariamente em seqüência: Inicializar Zerar Contadores; Zerar tabelas; Abrir arquivos; Fim módulo inicialização 6- coesão lógica: os elementos de um módulo são orientados para realizarem certas classes de operações: Módulo Editar Editar Transação; Editar Arquivo Principal; Editar Terminal de Dados de Entrada: Fim módulo editar 7- coesão coincidente: os elementos de um módulo não são, ou estão, essencialmente relacionados por uma função, procedimento, estrutura de dados, ou qualquer outra coisa: Módulo Z Ler Transação; Processar Pedidos; Ler Arquivo principal; Zerar Tabelas; Fim módulo Z A noção de objetos Objetos, em programação de computadores, são uma evolução na tentativa de associar-se ações com estruturas de conhecimento através da modularização de instruções codificadas pelos computadores. A estratégia básica, nesse caso, é considerar que computadoresprocessam, basicamente, estruturas de dados quer sejam como tabelas, matrizes ou códigos de programas. Dentro dessa visão, o que os computadores manipulam , essencialmente, são funções de transformações de dados agrupados em conjuntos, operando ações lógicas reguladas por eventos provocados pelas máquinas, ou pelos usuários. A noção de processamento seqüencial, dessa forma, assume outras proporções, possibilitando que sua composição de uma forma estruturada
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    154 acabe por representaruma teia de relações com múltiplas possibilidades de arranjos. Se a noção inicial era minimizar complexidades, organizando pequenos módulos de instruções em estruturas hierarquizadas, sua combinação em formato de objetos possibilita, agora, estabelecer relações multidimencionais. Objetos estabelecem relações não apenas na forma modularizada de funções e estruturas de dados, mas também representam relações semânticas entre si, com o sistema operacional e os próprios usuários. Eles podem ser encarados como uma unidade de funções e variáveis, categorizados em classes com membros que herdam os métodos de seus pais, e os expõem a qualquer outro objeto de classes ou diferentes membros. Classes Classes, em programação por objetos, são especificações, ou estruturas, genéricas de como dados são manipulados segundo uma função de utilizadade, ou uso. Por exemplo, a classe controle de temperatura teria a seguinte estrutura: Classe Controle de Temperatura { Dados privados à essa função: Temperatura corrente; Temperatura desejada; Dados públicos à qualquer outra função: Ligar controle ( ) Instruções para ligar controle; Passo 1; Passo 2; Fim instruções Fim função ligar controle Desligar controle ( ) Instruções para desligar controle; Passo 1; Passo 2; Fim instruções Fim função desligar controle } Uma vez criada a função “controle de temperatura”, facilmente pode-se criar, então, objetos desse tipo, apenas codificando : “ControleApartamento(controle de temperatura(Ligar controle))” , ou ainda, “derivar” objetos a partir dessa classe “controle de temperatura”, tal como: “ControleApartamento(Mostrador Graus Celsius (controle de temperatura(Ligar controle)))”.
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    155 A programação porobjetos possibilita, ainda, além desse conceito de herança, o conceito de polimorfismo, o que permitiria , por exemplo, usar a função “ligar controle ( )” em qualquer outro programa; quer seja para controle de temperatura; quer seja para um controle genérico de equipamentos diversos. Instanciamento e recursão na criação de objetos Para a programação, objetos podem ser recriados a partir de cópias ou imagens de si mesmos, necessitando para isso da colaboração do sistema operacional, que aloca em sua memória (CPU) diferentes processos para diferentes acessos, ou imagens, de um objeto. Nesse ponto, podemos notar a colaboração íntima entre processos criados por códigos de programas e processos gerenciadores de eventos do sistema operacional. No entanto, ambos foram criados a partir de instruções programáveis e podem repartir as mesmas propriedades enquanto objetos e classes. Programação estruturada por objetos é tanto a criação de estruturas de dados com relações semânticas próprias, (confeccionadas pelos usuários), quanto aquelas criadas pelo sistema operacional. No caso do sistema “Microsoft Windows”, por exemplo, os vários eventos básicos que definem as ações do sistema operacional estão agrupados em três objetos básicos: 1- o “kernel.dll” que contém métodos (rotinas) que cuidam do gerenciamento de certas funções básicas da operação tais como a administração de processos na memória; 2- o “GDI.dll” que cuida do gerenciamento de métodos gráficos que mostram figuras no monitor, por exemplo e 3- o “USER.dll” que gerencia métodos de entrada, e saída, como as operações do teclado, de comunicação, e troca de dados numa rede de computadores. Esses três objetos permitem que seus métodos e estruturas de dados sejam usados como parte de outros objetos criados pelos usuários, ou pela própria máquina, tecendo uma rede de relações interativas com múltiplas possibilidades de arranjos. Além desse aspecto de “instanciamento“ temos o da “recursão”, o qual permite que um objeto processe um outro objeto que existe dentro de sua estrutura, o qual , por sua vez, permite que outros de seus processos internos sejam usados, assim, recursivamente, até o esgotamento das possibilidades de alocação de processos na memória. Quando há esse esgotamento, o sistema operacional tem, ainda, a possibilidade de recorrer à memória
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    156 expandida, ou armazenadano disco rígido, continuando, dessa foram, esse processo de instanciamento recursivo infinitamente. Os conceitos de recursividade foram lançados por Allen Newell J.C. Shaw e Herbet Simon em 1956 no texto “The Logic Theorist”. A combinação desses dois critérios de “instanciamento” e “recursividade” são fundamentais para entender-se as possibilidade de se criarem máquinas autoreguladoras capazes de adaptação e aprendizado. Estruturas de Bancosde Dados Introdução Além das estratégia de estruturação, quer sejam hierárquicas ou por objetos, de se criarem estruturas de dados que representem conhecimento, informação e valor através dos conceitos de instanciamento e recursão de métodos, funções e classes estruturadas temos, também, as estratégias de gerenciamento de banco de dados. A abordagem do gerenciamento de bancos de dados A abordagem dos bancos de dados é centrada na capacidade das estruturas de dados, em per si, de terem, ou formarem, representações com valor semântico. Na programação estruturada, essas relações são formadas por estratégias de modulação (hierárquica), ou objetos capazes não só de operarem transformações semânticas, mas também recriarem imagens de si mesmos recursivamente.
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    157 Por outro lado,as estratégias de bancos de dados é baseada no gerenciamento de estruturas de registros e campos de uma tabela capazesde operarem relações semânticas com registros e campos de outras tabelas e bancos de dados. O ponto comum entre estratégia de estruturação e gerenciamento de bancos de dados é a separação da estrutura lógica de seus desenhos, e as concepções da estrutura física de como operam ,ou são implementados. Esses critérios tentam conter a complexidade da programação de computadores reduzindo a possibilidade da codificação de fazer alterações fundamentais nas estruturas semânticas dos programas, objetos e eventos básico do sistema, permitindo apenas ações gerenciais de seus processos. Desse modo, tenta-se definir e separar o que é permanente do que é mutável e transitório na conceituação de uma estrutura de relações para o modelo digital. Histórico dos Bancos de Dados O conceito de gerenciamento de bancos de dadosnasceu com o projeto Apolo da Nasa em 1960. Esse projeto, complexo e de envergadura, exigiu a criação de instrumentos de coordenaçãopara a manipulação de grandes quantidades de dados. North American Rockwell, a primeira empreiteira do projeto pediu à IBM que desenvolvesse uma ferramenta que possibilitasse o uso racional e lógico de grandes quantidades de dados, base para as informações técnicas vitais ao projeto. Em 1964, a IBM desenvolveu o “Método Generalizado de Acesso Atualizado (Generalized Update Access Method), GUAM). Em 1966, a IBM lançou a versão comercial do GUAM através da chamada linguagem de dados (DL/I). Por essa mesma época, meados dos anos 60, a General Electric lançou o sistema chamado “Armazenagem Integrada de Dados (Integrated Data Storage , I-D-S). Esse sistema foi o pai de toda uma classe de sistemas de gerenciamento de bancos de dados, chamados genericamente de CODASYL. O CODASYL, (Conference on Data Systems languages), resolveu criar um grupo de trabalho (DBTC) para se desenvolver uma norma técnica para o gerenciamento de bancos de dados. Em 1971, o “Instituto Americano de Normas Técnicas, (ANSI), adotou as recomendações lançadas naquele ano pelo comitê DBTG da CODASYL. Em 1970, o Dr. E.F. Codd publicou um artigo que provocou um profundo impacto nos estudos de bancos de dados. Ele propôs uma abordagem radicalmente diferente para o gerenciamento de bancos de dados, em relação àquelas que vinham sendo usadas até então.
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    158 Dr. Codd criouo chamado modelo relacional de dados, usando uma combinação de teoria dos conjunto com cálculo de predicados, do tipo que já discutimos antes, os quais estabelecem relações de pertencer, conter, verdadeiro e falso, em proposições lógicas. Por toda a década de 1970, o conceito de bancos de dados relacionais foi intensamente estudado e debatido, até que a IBM lançou um protótipo chamado “Sistema R”. No entanto, apenas a partir do início da década de 80 é que a Oracle lançou a primeira versão comercial de um banco de dados relacional com o “Oracle 2.0”. nas décadas de 70 e 80, vários produtos relacionados à administração de bancos de dados foram lançados, tais como, dicionários de dados, geradores de relatórios, interrogadores (queries), assim como linguagens não procedurais de 4ª geração para gerar aplicativos de bancos de dados (ou SQL – Structured Query Language- “Linguagem de Perguntas Estruturadas”). Concluindo, o uso organizado de dados, que começou com o projeto Apolo da Nasa em 1960, propõe que um gerenciador de banco de dados trará algumas vantagens, tais como: 1- Obter-se o máximo de informação de um conjunto de dados; 2- Compartilhar o uso dos dados com vários usuários simultaneamente; 3- Intermediar conflitos existentes entre múltiplas requisições de dados; 4- Definir normas de utilização; 5- Controlar a existência de dados redundantes; 6- Controlar a consistência do conjunto de dados a ser manipulado; 7- Prover a integridade e segurança dos dados; 8- Aumentar a produtividade na programação e manutenção de sistemas; 9- Prover a independência dos dados, ou seja, os dados podem ser alterados e manipulados por programas sem que as estruturas dos bancos se modifiquem. Características básicas de um sistema de gerenciamento de bancos de dados 1- Entidades, Atributos e Relacionamentos: esses são os termos mais fundamentais no gerenciamento de bancos de dados, ou seja: a- entidade: pode ser uma pessoa, um lugar, ou um objeto; b- atributos: são propriedades de uma entidade, tais como nome, cor do cabelo, local diferentes de nascimento, por exemplo; c- relacionamento: são propriedades que relacionam um conjunto de entidades; 2- Arquivos, registros e campos: formam o menor conjunto lógico de dados a serem armazenados em bits, ou sejam:
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    159 a- Arquivos: umconjunto de ocorrências de um tipo específico de registros; b- Registros: um conjunto de campos de um arquivo; c- Campos: um conjunto de características de uma rede; 3- Bancos de Dados: é uma estrutura que guarda informações sobre várias entidades, assim como seus relacionamentos. Nem todas as entidades precisam ser mantidas em um mesmo arquivo físico no disco rígido (har disk). Representação da Constituição de um Banco de Dados 4- Gerenciadores de banco de Dados: são programas de computadores (software), através do qual os usuários interagem com os bancos de dados.
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    160 5- Modelos dedados: um gerenciador de bancos de dados é caracterizado pelo modelo de dados que ele obedece. Um modelo de dados tem duas componentes: a estrutura e as operações fundamentais, tais como: a- Estrutura de dados: refere-se ao modelo pelo qual os dados são organizados. b- Operações fundamentais dos dados: são instrumentos colocados à disposição dos usuário para manipular dados. 6- Tipos de modelos de dados: a- o modelo racional: os dados são percebidos pelos usuários como uma coleção de tabelas, e essas tabelas estão ligadas entre si por relacionamentos implícitos existentes entre seus campos. b- O modelo network: os dados são percebidos pelos usuários como uma coleção de registros relacionados. Os relacionamentos entre registros são explícitos, ou por ponteiros. c- O modelo hierárquico: os dados são percebido pelos usuários como uma coleção do tipo “árvore hierárquica”. Funções básicas do gerenciamento de bancos de dados (DBMS) 1- Armazenamento, carregamento e atualização de dados: um gerenciador de banco de dados deve garantir ao usuário a possibilidade de armazenar, atualizar e carregar dados de um banco; 2- Um catálogo acessível ao usuário: um DBMS precisa fornecer um catálogo com a descrição itimizada dos dados armazenados e quais tabelas são acessíveis ao usuário; 3- Suporte para transações: um DBMS precisa fornecer ferramentas que garantam que, ou todas as alterações prescritas são realizadas, ou o sistema volta com o estado original das tabelas; 4- Controle de autorização ao acesso dos dados: um DBMS precisa fornecer mecanismos que assegurem o acesso ao sistema de apenas usuários autorizados; 5- Recuperação de dados em situações críticas: um DBMS precisa fornecer mecanismos que assegurem a recuperação dos dados no caso de ocorrerem danos, ou panes no sistema; 6- Serviços de concorrência de acesso aos dados: um DBMS precisa fornecer mecanismos que assegurem que os bancos de dados serão atualizados corretamente quando múltiplos usuários acessarem o sistema concorrentemente;
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    161 7- Suporte paracomunicação de dados: um DBMS precisa ser capaz de integração com pacotes de comunicação de dados; 8- Avaliação da integridade dos dados: Um DBMS precisa fornecer mecanismos que assegurem alterações tanto nos dados quanto nas tabelas, seguindo regras pré-estabelecidadas; 9- Independência dos dados: Um DBMS precisa garantir a independência dos programas em relação à estrutura dos dados; O Modelo de banco de dados relacionais Em 1970, Dr. E.F. Codd lançou o artigo “Um Modelo de Relacionamento de Dados para Banco de Dados Compartilhados”, no qual mostrava as vantagens de um banco de dados relacionais, tais como: 1- separação das caraterísticas físicas e lógicas de um banco de dados de maneira intuitiva e natural; 2- Operações complexas com dados devem ser reduzidas a comandos curtos e fáceis; 3- Possibilidades do usuário criar bancos de dados sem ser um especialista; Em termos bem simples, o relacionamento entre bancos de dados é a maneira como “campos” de um “registro” de uma tabela são agrupados por atributos de assuntos relacionados para representarem uma unidade em relação ao “conjuntos de assuntos “ expressado por todos os bancos de dados de um sistema. Esses atributos são indexados por ponteiros primários e secundários, sendo que os primários servem como índices de “ordenação” (crescente ou decrescente, por exemplo) dos registros de uma tabela, e os secundários servem para apontar para registros de um campo associado a outras tabelas dentro de um mesmo banco de dados. Por exemplo, o campo referente ao número de matrícula de um empregado agrupa os atributos nome, endereço e número do departamento à qual ele pertence, e será a chave primária para ordenar os registros de empregados que a empresa possui em ordem crescente de matrícula. Ao mesmo tempo, o número do departamento à qual pertence esse empregado será a chave secundária que aponta para o campo “número do departamento”, agrupado junto com os seus campos de atributos “nome do departamento” “nome do chefe” e “localização do escritório” situados em outra tabela, ambos, no entanto, referem-se ao bancode dados que representa a estrutura funcional da empresa. Desenho e configuração de um banco de dados relacional
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    162 O desenho ea configuração de um banco de dados relacional ocorre através do processo de normalização, da dependência funcional e da definição de chaves primárias e secundárias nas tabelas que o compõe. Podemos notar aqui, que o objetivo de um banco de dados relacional é estabelecer uma estrutura semântica de relacionamento que só surgirá quando o banco de dados for manipulado ou gerenciado. O objetivo, nesse caso, seria eliminar o esforço de codificação para produzir-se conhecimento, informação e valor. Diferentemente das estratégias de estruturação, a definição do relacionamento semântico está na própria estrutura dos dados, das tabelas e dos bancos, e não nos processos de transformações que elas possam, eventualmente, virem a ser submetidas. Aliás, o conceito de bancos de dados relacionais define, claramente, que suas estruturas são independentes de possíveis transformações programáticas. Essas estruturas são definidas nas etapas de planejamento e desenho lógico do sistema, não mudarão mais, e, não podem ser alterados na etapa de implementação funcional do sistema de banco de dados. As alterações de um sistema de banco de dados são aquelas operadas pelo sistema de gerenciamento através da linguagem SQL de queries (interrogatórios ao sistema), ou ainda, por uma linguagem programática, tal como “PL1” em “Oracle”. Dependência funcional Como no caso apresentado acima, da “tabela de empregados”, a maneira como se agrupam seus campos define, automaticamente, uma relação funcional entre esses campos, e os possíveis atributos que possam formar em conjunto uma unidade lógica consistente e coesa. Assim, o número da matrícula do empregado tem como atributo seu nome e endereço, formando um campo “número” funcionalmente dependente de “nome” e “endereço”, formando uma unidade lógica única dentro de “empregados da empresa”. Essa “unidade lógica” não se repetirá em nenhuma outra tabela, ou conjunto de tabelas, de nenhum outro banco de dados que possa pertencer ao sistema dessa empresa. No entanto, individualmente, tanto o “número da matrícula”, como o “nome do empregado” ou seu “endereço” podem, eventualmente, fazem parte de outros conjuntos lógicos funcionalmente dependentes em outras tabelas e bancos de dados dos sistemas dessa mesma empresa. Escolha das chaves primárias O campo de uma tabela pode ser uma chave primária, se e somente se, seu atributo for: 1- funcionalmente dependente dos atributos dos outros campos da tabela, e 2- nenhum outro atributo de outros campos da tabela forem
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    163 funcionalmente dependentes entresi. Como no caso acima, o número de matrícula é a chave primária porque estabelece uma dependência funcional única com nome e endereço. Pode-se notar que “nome” ou “endereço”, individualmente, não formam uma dependência funcional única entre si. Esse fato é mais visível no momento de se indexar uma tabela. Nesse caso, “número de matrícula” são registros únicos, porque cada empregado tem um diferente. No entanto, nomes e endereços podem se repetir o que dificultaria uma pesquisa no caso de milhões de registros, por exemplo. Normalizações 1ª forma normal: a eliminação de grupos repetido de uma tabela é o primeiro passo na normalização de um banco de dados, ou seja, cada campo tem apenas um registro. Esse conceito é bem intuitivo, porque é a razão inicial pela qual organizamos uma tabela a fim de “visualizar” cada registro de baixo de cada campo. 2ª forma normal: uma tabela está na 2ª normal se nenhum atributo é parcialmente dependente da chave primária. No caso, por exemplo, da chave primária, “número de matrícula do funcionário” permitir duplicação de número, ( o que seria bastante impróprio), essa tabela não estaria na 2ª normal e provavelmente teria que ser quebrada de acordo com essas variações de registro de empregado (seria uma condição difícil de ocorrer e bastante ilógica). 3ª forma normal: uma tabela está na 3ª normal se todos os outros atributos são candidatos a serem chaves primárias. No exemplo da tabela de empregados acima, se tivéssemos adicionado o campo “nome do departamento”, essa tabela não estaria na 3ª normal porque certos números de matrícula estariam relacionados com os mesmos códigos e nomes de departamentos. Nesse caso, teríamos que quebrar essa tabela colocando o campo “nome do departamento” junto com seu “código” em outra tabela, mantendo-se o “código do departamento” junto ao “número de matrícula”, “nome do funcionário” e “endereço do funcionário” para que ele funcionasse como chave secundária na identificação de onde cada empregado trabalha.
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    164 Gerenciamento de Bancode Dados Introdução Antes do aparecimento dos bancos de dados relacionais, os sistemas predominantes eram os do tipo Network (rede) e o modelo hierárquico, típico de pacote implementados em sistemas de grande porte chamados “mainframes”. O modelo hierárquico representava dados como galhos de uma árvore. A linguagem DL/I era usada para navegar através esses ramos de árvores, recuperando, inserindo e apagando os registros. Desde que nem todas as estruturas de dados podiam ser bem representados nessa concepção de árvore, vários improvisos eram necessários para sua implementação, perdendo-se, por vezes, o sentido de unidade lógica na representação de dados. O sistema de bancos relacionais, por sua vez, requer para seu gerenciamento uma sub-linguagem chamada SQL (Structured Query Language) para realizar
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    165 todas as operaçõesdesde implementação até inserção, recuperação, eliminação e atualização de dados. Em geral, uma linguagem SQL requer: 1- suporte para o processamento de operações em conjuntos, ou grupos de dados, de uma só vez, em oposto ao processamento de registro-a-registro; 2- capacidade para processar dados, independentemente da implementação física de sua armazenagem; 3- mecanismos não procedurais, ou seja, uma SQL não deve instruir o sistema de gerenciamento de como os dados devem ser recuperados e mostrados aos usuários, deve, apenas, descrever os dados sem qualquer ambigüidade; A Padronização ANSI para SQLs O comitê ANSI para definir normas de SQLs foi formada em 1982 e publicou os primeiros trabalhos em 1986. O padrão chamado SQL-86 é a base para a maioria das implementações existentes, hoje, dessa linguagem de bancos de dados. Essas normas foram emendadas em 1989 e uma ampla revisão foi realizada em 1992, definindo-se, assim, o padrão SQL-92. Os comandos SQLs estão basicamente agrupadas em dois tipos, aqueles referentes à manipulação dos dados (DML) e aqueles referentes a definição dos dados (DDL). Os comando de manipulação de dados (DML) permitem que dados sejam inseridos, atualizados e eliminados, resumindo-se em: 1- INSERT; ex.: Insert into tabela_empregados(matrícula, nome, código_do_departamento) Select matrícula, nome, código_do_departamento From carregar_empregados ; 2- UPDATE; ex.: Update (tabela_empregados) Set código_do_departamento = (select código_do_departamento From tabela_departamentos Where código_do_departamento.tabela_empregados=Código_do_departamento.tabela_departamentos 3- DELETE; ex.: Delete from (tabela_empregados) Where nome = ´Maria´ Os comandos referentes à DDL permitem, por exemplo: 1- criar tabelas: CREATE TABLE; 2- eliminar tabelas: DROP TABLE; 3- alterar tabelas: ALTER TABLE; 4- criar índice: CREATE INDEX;
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    166 5- eliminar índice:DROP INDEX; 6- alterar índice: ALTER INDEX; Sub-queries Alguns comandospermitem operaçõesespecíficas com as tabelas, tais como: 1- JOINS: comandos que permitem juntar duas tabelas a partir de um campo em comum; 2- View: comandos que permitem criar tabelas virtuais, as quais existem como uma combinação de tabelas, ou grupos de dados de uma tabela apenas; 3- Transactions: comandos que permitem gerenciar a inserção, atualização e eliminação de dados através de proteções do tipo: a- voltar a trás: ROLLBACK; b- executar transação: COMMIT; Enquanto esses comandos não são acionados (ROLLBACK ou COMMIT) as modificações não são efetivadas, permitindo mais segurança na manipulação de um conjunto de dados, ou seja, enquanto todas as operações não forem realizadas as mudanças não ocorrem na base de dados. Operacionalização de um banco de dados relacionais A constituição física de um banco de dados é definido como: 1- uma coleção de dados tratados como uma unidade lógica na forma de tabelas; 2- o sistema operacional do sistema de banco de dados é composto de: a- arquivos de registros para refazer operações em andamento b- arquivos de registros de inicialização do sistema; c- arquivos de registros das operações de controle; As operações de um banco de dados tem a finalidade de instanciar as tabelas acessadas, criando vários processo na memória para gerenciar as necessidades de cada usuário, definindo para isso vários processos de controle, tais como: 1- processos de recuperação do sistema para o estado anterior ao dano ocorrido, liberando os bloqueios dos sistemas aos diversos segmentos de uma tabela;
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    167 2- processos queinstanciam a recuperação do sistema, liberando segmentos temporários criados anteriormente pelo sistema; 3- processos que passam os dados que já foram usados (buffer), descarregando-os no disco; 4- processos que carregam os dados que estão no disco, colocando-os na tela (buffer) para serem usados; O princípio geral de um sistema de dados relacionais é que sua concepção lógica, não está relacionada com sua concepção física, ou implementação. Por isso, um sistema operacional de controle de operações de um banco de dados cria um espaço na memória do computador para gerenciar as transformações dos dados realizadas pelas SQLs, assim como, para operacionalizar sua armazenagem e recuperação física no disco. Para tanto, ele cria uma área global na memória do computador, onde coloca os processos de recuperação, gravação e leitura dos dados e outro para localizar e buscar os dados armazenadosem blocos de segmentos contínuos no disco.
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    169 Redes Redes no AmbienteCliente-Servidor Introdução Como já foi dito antes, redes de computadores nascem da necessidade de se comunicar ou trocar informações, dentro de uma empresa, ou através da sociedade em geral. No entanto, uma rede pode ser difícil de se desenhar, configurar, instalar ou manter. Em uma situação típica, conectar computadores significa entender que diferentes segmentos operam com diferentes topologias, protocolos e sistemas operacionais. Além do mais, pode-se ter computadores PCs conectados a placas Ethernet, token-rings, assim como, máquinas Unix rodando sob protocolo TCP/IP, ou ainda IBM conectados usando protocolo SNA. Cada um desses equipamentos foram feitos para se comunicarem apenas entre si. Portanto, a primeira tarefa para se gerenciar um ambiente corporativo cliente-servidor é identificar-se os componentes dos equipamentos (hardware), programas (software), sistemas operacionais e protocolos, para depois se decidir por um único tipo, ou interligar-se a diferentes padrões como forma de maximizar a utilização da capacidade instalada. Todavia, a questão fundamental na adoção de um modelo cliente-servidor de conectividade, é, na verdade, uma mudança de paradigmas na forma de se abordar como os computadores são interligados. Com o desenvolvimento dos computadores de mesa (desktop), os PCs passaram a ser a plataforma de trabalho padrão em qualquer organização, exigindo-se que aplicativos ali desenvolvidos sejam conectadosa outros PCs, minicomputadores, ou ainda, Mainframes, com o objetivo de se trocarem dados. Essa abordagem, chamada de uma “visão de baixo para cima”, é em essência o modelo cliente-servidor.
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    170 Em oposição aesse modelo cliente-servidor, está a abordagem de “cima para baixo”, onde aplicativos implementados centralizadamente em minicomputadores, ou mainframes, são acessados por terminais “burros”. Para se tomar decisões sobre como, onde e qual abordagem de conexão de deve adotar é preciso: 1- Avaliar se os meios de transferência de informação existentes são homogêneos (um único tipo de hardware ou software), ou heterogêneos (diferentes equipamentos e programas); 2- Avaliar as diferentes formas de topologias existentes (Ethernet, Token- ring), etc.); 3- Avaliar se a estratégia aplicada na conexão dos computadores segue a visão “de cima para baixo” ou “ de baixo para cima”.
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    171 Avaliação de EquipamentosdeRedes Normas e adaptadores Os elementos físicos mais elementares para a conexão de computadores em rede são: os adaptadores, cabos e a topologia lógica e física. Existem três padrões básicos de adaptadores : ethernet, token ring e arenet, além de alguns outros, no entanto, são não aprovados e não seguem padrões convencionais. Esses três tipos de adaptadores seguem protocolos aprovados pelo Instituto de Engenharia Elétrica Americano (IEEE, USA), pela Associação da Industria Eletrônica (EIA, USA) e o comitê Consultivo Internacional da Industria Eletrônica para Telefonia e Telegrafia (CCITT, Internacional). Algumas empresas, tais como a IBM, também estabelecem seus próprios protocolos para seus equipamentos. No entanto, o aceitável atualmente são os equipamentos reconhecidos por entidades públicas nacionais e internacionais, ou seja, que os equipamentos sigam um modelo “open system” de conectividade. “Open System significa que os equipamentos podem se comunicar entre si entendendo diferentes protocolos. Dentro do IEEE, existe o comitê 802 que avalia uma infinidade de produtos de rede. Dentro do comitê 802 existem sub-comitês que se identificam por números decimais para identificar seus trabalhos, tais como o comitê 802.5 e 802.3. O Adaptador do tipo ARCnet não é uma padrão do IEEE, embora seja aceito como um padrão na industria eletrônica. O adaptador Ethernet foi uma das primeiras arquiteturas padronizadas de rede. Esse sistema de conexão e esquema de sinalização surgiu em 1970, e ainda é aceito como padrão respeitado. Na verdade, a Ethernet é uma especificação descrevendo um método de como computadores e dados partilham cabos e conectores. De acordo com o IEEE 802.3, as redes do tipo Ethernet usam um transportador de múltiplos acessos com detecção de colisões (Carrier Sense Multiple Acess with Colision Detection, CMSA/CD), como um esquema para o controle de acesso de sinais eletrônicos. Esses sinais, de acordo com o IEE 802.3 devem ser transportados por uma topologia lógica do tipo “Bus” (linha). Esse padrão
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    172 deixa espaço parao uso de diversos tipos de cabos, tais como: cabo coaxial fino e grosso, ou par trançado desprotegido. O padrão Ethernet O padrão Ethernet usa “Datagrams (datagramas) para passar mensagens através da rede. O CMSA/CD assegura que dois “datagramas” nunca serão enviados ao mesmo tempo, servindo de árbitro para evitar colisões. No entanto, não existem garantias de que esses datagramas efetivamente chegarão ao seus destinos livres de erros ou duplicações. Essas operações devem ser garantidas pelo sistema operacional da rede. Em 1990, após três anos de deliberação o IEEE transformou o comitê 802.3 em 10Baset. O nome “10Baset”, indica a velocidade de transmissão de sinal dos dados na rede, ou seja, 10 megabits por segundo sobre cabeamento de par trançado em uma topologia estrela. A vantagem é que se pode, assim, criar redes Ethernets usando-se o cabeamento telefônico existente. O padrão Token-ring O padrão token-ring é coberto pelas normas IEEE802.5. Esse padrão descreve um protocolo token-ring (passagem de uma ficha num circuito fechado na forma de um anel) a ser usado em estações conectadas a uma topologia lógica do tipo anel e topologia física do tipo estrela. Em uma rede “token-ring” um fluxo de dados chamados de “token”, ou ficha, circula como um trem através de várias estações (workstations), sinalizando “Livre para operação”. Uma estação com uma mensagem a ser transmitida espera até receber uma dessas ficha “Livre para Operação”. O “trem”, que transporta essas fichas, ao carregar a mensagem da estação (workstation) passa, então, a sinalizar “Ocupado” para todas as outras estações da rede, até que a mensagem chegue ao seu destino. Então, o “trem” retorna à estação transmissora e passa a sinalizar novamente “Livre” para a próxima estação que quiser transmitir uma mensagem. Esse modelo faz com que a arquitetura Token-ring seja mais favorável a cabos de fibra ótica ao invés do tipo “broadcasting” (difusão), relacionado ao padrão Ethernet. Placa de Comunicação Interna de um Computador Cabeamento e Conexão de Rede
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    173 Cabo por princípioé o que liga as estações de uma rede entre si, ou a outros equipamentos de conexão (pontes e roteadoras). No entanto, a conexão mais importante é aquela que reside dentro do computador. O melhor cabeamento deixa de ser relevante se os dados não podem se mover rapidamente entre a placa adaptadora e o PC. Na verdade são os programas “drivers” (guias) de interface dos cartões adaptadores, que na maior parte das vezes são os responsáveis pelo mau desempenho das estações numa redes de computadores. Modos de transmitir dados (I/O) Um PC (computador portátil) e uma placa adaptadora podem trocar dados através de várias técnicas. Os adaptadores usam quatro estratégias para moverem dados, tais como: 1- Programação de I/O (entrada e saída): nesse caso, o PC e o adaptador movem dados lendo e escrevendo no mesmo bloco de espaçode mídia, ou seja, os adaptadores se comunicam com o processador do PC através de uma mesma localidade de entrada e saída; 2- Acesso Direto à Memória (DMA): essa técnica é usada para sinalizar entre o processador do PC e o adaptador; 3- Memória compartilhada: um adaptador de memória compartilhada contém espaço de memória que o processador do PC pode acessar, diretamente, em alta velocidade, sem estado de espera (“no wait states”). No entanto, esses adaptadores podem, e freqüentemente acontece, conflitam com outros adaptadores já instalados, por exemplo placas de vídeo; 4- Bus Mastering: essa técnica especial, usada, principalmente, em computadores controladores “micro-channel architecture (MCA), ou extended industry standard architeture (EISA), é o que possibilita os adaptadores enviarem e receberem dados da memória do computador sem interromper os trabalhos do processador central (CPU); Fatores que influenciam a velocidade de transmissão
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    174 Existem vários fatoresde estrangulamento no desempenho de uma rede. A velocidade de acesso ao disco rígido, e ao controlador instalado nas estações servidoras têm as maiores influências. Depois disso, vem a qualidade da placa adaptadora de rede. Algumas estações clientes podem requerer o movimento de 3 a 7 megabits por segundo da estação servidora. Essa taxa de transferência penaliza o acesso aos dados, os “drivers” (programas) de interface e os próprios adaptadores. Uma maneira fácil de aliviar o tráfego na rede é, sem dúvida, aumentar o número de adaptadores dentro da estação servidora. Ao se instalar adaptadores de rede é importante verificar se: 1- Qual é o “Bus” do adaptador : a- 8-bits (ISA) – PC; b- 16 bits (ISA) – AT; c- Micro-channel Architecture (MCA); d- Extended Industry Standard Architecture (EISA); 2- Se é possível instalar um adaptador “Bus Mastering” na estação servidora; 3- Quais outros equipamentos ocupam espaço de memória e IRQ (interruptores) no PC ; Cabos e conexões Ao se adquirir adaptadores, automaticamente, se está definindo um tipo de topologia lógica para rede , ou seja, “BUS”(formato de linha ou tronco), “Ethernet Ring”(formato de anel), “Token-Ring”(anel). Três tipos de cabeamento podem ser usados para conectar computadores em rede: 1- Cabos Coaxiais: consiste de um fio central de cobre (sólido ou espalhado) coberto por uma capa de borracha recheada de camadas de cobre, ou alumínio. Um isolamento plástico separa a face interna do meio externo ao condutor. 2- Par trançado Desencapado; 3- Par trançado Encapado; 4- Cabos de fibra Ótica; Os equipamentos para a conexão de redes locais (LAN) podem ser: 1- Repetidores: são equipamentos simples que conectam o tráfego em ambos os sentidos entre dois segmentos de rede; 2- Pontes (bridges): são equipamentos um pouco mais sofisticados do que os repetidores, pois podem ler o endereço das estações e tomar decisões quanto ao destino que certos dados, em um segmento de rede, podem seguir;
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    175 3- Roteadores (routers):são uma combinação de programas (software) e equipamentos (hardware) especializados, capazes de discriminarem diferentes estruturas (“frames”) de dados contidos em pacotes correndo na rede. Os roteadores decidem que caminho eles devem seguir, conforme os diferentes protocolos de cada segmento; 4- LAN Gateways: traduzem formatos de dados e inicializam sessões de comunicação entre programas aplicativos;
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    176 Avaliação de ProgramasparaGerenciamento de Redes Introdução Nessa avaliação de processos gerenciais inteligentes, que estamos apresentando aqui, redes de computadores nãoformam apenas um conjunto de nós e links. A missão mais importante das redes é adicionar “valor” aos processos de negócio criando, por assim dizer, as condições de existência do hiperespaço. Nesse sentido, redes de computadores formam um conjunto lógico coeso entre uma perspectiva analítica, de como conhecimento é representado através de modelos lógicos, semânticos de inferências, e a perspectiva funcional, que permite as mais diversas combinações de estratégias operacionais para equipamentos, tais como cabos, roteadores, hubs e placas de conexões. Além de programas e equipamentos, é importante ter-se em mente que, provavelmente, não existe apenasum tipo de rede dentro de uma organização, mas várias. É preciso, portanto, compreender a natureza das conexões requeridas, para que diferentes modelos de redes possam se comunicar, sob seus aspectos analíticos e funcionais. O objetivo da interconexão, ou interação entre redes, é criar a ilusão de que só existe uma única rede. A tendência é organizar esses diversidade de equipamentos em redes multiplataformas, o que torna a tarefa de administrar redes extremamente complexas. Para simplificar essas tarefas, a estratégia básica é escolher, e definir, protocolos e padrões de operação, os quais permitirão a interação lógica e funcional entre equipamentos diferenciados, seguindo um modelo de sistemas abertos (Open Systems). Protocolos e padrões Lindeberg Barros de Souzaem seu livro “Redesde Computadores-Dados Voz e Imagem”, de 1999, define protocolo como: “ Podemos definir um protocolo de comunicação de dados como um conjunto de regras que controla a comunicação para que ela seja eficiente e sem erros... Um dos objetivos principais do protocolo é detectar e evitar a perda de dados ao longo da transmissão, solicitando a retransmissão, caso isto ocorra”.
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    177 Transmissões Lindeberg define emseu livro alguns tipos de transmissão e troca de dados para uma rede genérica de telecomunicação comunicação, que incluem redes de telefonia fixa, celulares, satélites e microondas, tais como: 1- Por circuito: os dados percorrem sempre o mesmo circuito como em conexões telefônicas; 2- Por mensagem: os dados são enviados pelos nós da rede, encontrando o melhor, ou o caminho mais disponível no momento; 3- Por pacote: os dados são quebrados em pacote lógicos numa seqüência determinada para que possam ser remontados no destino; 4- Por células: os dados são quebrados em pacotes e transmitido através de grupos específicos, ou células de roteadores, que repassam a mensagem de um para o outro até a mensagem chegar ao destino; Comunicação de dados Protocolos, em termos de redes de computadores, são configurações lógicas de como equipamentos transmitem dados desde o nível dos equipamentos de cabeamento e placas, até como pacotes de dados são passados pela rede, abrindo e fechando sessões de transmissões entre aplicativos, reagrupando esse diversos pacotes de dados que trafegam desagregadamente no conjunto original prescrito pelos programas, possibilitando, dessa maneira, que usuários localizados em diferentes “nós” da rede comuniquem-se uns com os outros simultaneamente de modo transparente. Dessa forma, os protocolos podem prover uma comunicação sincronizada (síncronos) ou dessincronizada (assíncronos) entre os usuários. No caso sincronizado, os usuários estão alinhados pelo controle de sincronia (relógios) dos modems, por exemplo para padrões X25, HDLC. No caso assíncrono, os pacotes de dados são enviados em tempos diferentes. Esse é o tipo usado entre micro computadores, usando-se uma saída serial (assíncrona) onde os bits são enviados depois de que um sinais inicial de sincronia da transmissão é dados pelos modems. O modelo genérico OSI de protocolo OSI (Open Systems Interconnection) representa um esforço internacional para criar padrões de comunicação entre computadores e aplicativos em geral. A OSI foi fundada com o intuíto de promover o comércio e a cooperação
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    178 internacional em ciênciase tecnologia. O protocolo TCP/IP influenciou sobremaneira as definições da OSI, que acrescentou, apenas, algumas caraterísticas extras para melhor a eficiência e a funcionalidade dos programas em redes. O modelo OSI define a comunicação de dados entre dois programas de computadores através de 7 regras de como os pacotes de dados saem de um terminal, passam pelas placas de redes, são distribuídos pelos cabos e chegam ao usuário da outra ponta, ou nó, da rede. Essas sete camadas são, basicamente, começando pelo nível mais alto, referente as transações de dados entre os aplicativos: 7- Nível da aplicação: esse é o nível em que operam os programas operacionais da rede; 6- Nível apresentação: esse é o nível que converte os dados para o formato interno dos computadores; 5- Nivel sessão: esse é o nível que faz o reconhecimento dos aplicativos, tais como, segurança e “log-in” para se iniciar a comunicação em rede; 4- Nivel transporte: esse é o nível responsável por receber e enviar dados e comunicar erros. Se uma estação sair da rede, os procedimentos especificados por esse nível do protocolo procuram por rotas alternativas, ou guardam os dados para posterior transmissão; 3- Nível identificação da rede: esse nível identifica o caminho físico percorrido pelos dados na rede, decidindo sobre, o melhor caminho a percorrer, prioridades e condições do percurso; 2- Nível conexão dos dados: depois de feita a conexão física, esse nível de gerenciamento controla o envio dos dados em pacotes; 1- Nível físico: esse nível de gerenciamento identifica as conexões elétricas, e sinaliza para os equipamentos (cabos placas), transmitindo dos dados; Tipos e topologias de rede A maneira como as mensagens são passadas através da rede pode ser analisada de duas maneiras pela topologia lógica ou física da rede.
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    179 Topologia lógica: sobo ponto de vista lógico, os dados podem ser transmitidos seqüencialmente, ou por difusão (broadcasting). Os modelos Ethernet e ARCnet de placas de conexão usam o de difusão, já o modelo Token-ring usa o método seqüencial, como já apresentamos antes. Topologia física: existem várias maneiras de se cabear, as quais podem ser agrupadas genericamente em dois tipos, tais como: 1- Daisy-chain: os cabos devem seguir o menor caminho entre dois pontos (chamados de “bus”, linha ou tronco); 2- Estrela ou “Hub”: nesse caso, os cabos convergem para um ponto, no formato de uma estrela; Exemplo de uma topologia em “Linha” Exemplo de uma topologia “Estrela” Gateways (portões de entrada) Para se passar dados de um segmento de rede para outro é necessário algum tipo de equipamento que faça essa ligação. Para se operar essa ligação entre segmentos é preciso duas coisas:
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    180 1- um equipamento(hardware) que traduza os diferentes sinais elétricos entre duas conexões; 2- um programa (software) que verifique as estruturas de dados transitando em meio Ethernet, ou Token-ring, validando e informando seus destinos;
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    181 Gestão de Redes Introdução Oambiente cliente-servidor descrito, nesse capítulo referentes a redes, não está completo. Aliado ao levantamento das necessidades de conectividade, está, também , a definição de um gerenciador de banco de dados, definindo assim três características básicas que uma rede de computadores deve possuir: 1- um meio de transferência de informação entre formas díspares de comunicação; 2- conectar diferentes tipos de topologias de redes; 3- servir de espinha dorsal para o funcionamento de bancos de dados corporativos; Os padrões relativos a placas e cabos (IEEE 802), como foi comentado antes, guardam a transmissões de dados de uma estação para outra, ou de uma rede local para outra, através dos equipamentos. Os sistemas operacionais de rede descrevem as funções básicas requeridas das estações servidoras e cliente, assim como, os protocolos definem como os dados devem ser manipulados de um ponto a outro. Além dessas características de hardware e software, um ambiente cliente servidor necessita, também, de um gerenciador de dados que garanta com que: 1- Os dados corporativos sejam confiáveis, ou disponíveis, quando requisitados, evitando-se manipulações e perdas; 2- Os dados corporativos estejam assegurados quanto, ao acesso indevido, e sejam consistentes com os problemas a que se referem e, também, estejam organizados de um modo transparente aos usuários; 3- A utilização dos dadoscorporativos devem estar catalogados em modelos de transação que reproduzam as operações realizadas pelos usuários a qualquer tempo; 4- Os dadoscorporativos devem ser acessíveis ao maior número de usuários situados em diferentes localidades( ou pontos de uma rede);
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    182 Avaliações Como pudemos perceber,a existência de padrões e protocolos é o que permite que estações servidoras e cliente, adaptadores e cabos , assim como programas de computadores sejam configurados para se atingir uma produtividade ótima nas transações em rede. Usualmente, os usuários estão mais preocupados em especificar desempenho em termos de uma placa controladora de rede ou, ainda, de um disco rígido ou “CD” mais rápido, esquecendo-se de que a seleção do software de rede mais apropriado é, também, uma importante decisão. Cabos, placas, adaptadores e hubs não fazem em per si uma rede de computadores. Já foi visto aqui, nas seções anteriores, as normas definidas pelo IEEE especificam os limites máximos e mínimos das configurações lógicas e físicas para a boas funcionalidade de uma rede. No entanto, são os sistemas operacionais que as fazem funcionar, gerenciando recursos, evitando duplicidade, ou conflitos, de requisições entre os usuários. De um modo geral, os programas (software) de redes são totalmente transparentes aos usuários. Na verdade, uma estação servidora não passa de mais um equipamento (drive) conectado ao disco rígido. É nesse “drive servidor” que os usuários buscam dados, transmitem informação ou imprimem relatórios. Tipos de sistemas operacionais de rede Existem dois tipos de programas de rede: os que são originários do sistema MS-DOS e os que têm origens em sistemas Unix. Programas de rede originários do MS-DOS A maior parte dessesprogramas de rede são originários da Mircrosoft, através da família MS-Net, AT&T, DEC e 3COM, incorporando parte dos conceitos do MS-Net em seus sistemas operacionais. No entanto, esses tipos de programas de rede estão caindo em desuso. As características da família de produtos MS-Net de rede são: 1- usam programas que interceptam múltiplas requisições de serviço da rede, guardando essa requisições em “buffers” dividindo, assim, o tempo do processador para realizar as tarefas requeridas;
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    183 2- possibilitam opartilhamento dos recursos de impressão e disco dos PCs em todas as estações da rede; 3- usam intensamente os recursos da memória RAM dos PCs; 4- têm uma sintaxe de comandos em comum; 5- não tem um padrão de serviço de rede: alguns tem correio eletrônico, outros apenas spooling de impressão ou chat (bate-papo); 6- são acompanhados de uma interface gráfica e multiprocessamento, tais como, para: OS/2,Windows NT, Windows Workgroup; 7- Exemplo desse tipo de programas: Lantastic, DCS 10-Net; Programas originários da família UNIX São originários de sistemas operacionais para “minicomputadores” Características da família UNIX 1- têm capacidade de multiprocessamento; 2- respondem a chamadas de serviço do sistema DOS; 3- têm um processamento interno e externo de endereçamento de memória mais eficiente; 5- exemplos desse tipo de programa: Banian Vines; LAN Mangar, Netware (Novell); A diferença básica entre esses dois tipos de sistemas operacionais de rede, é que o programa servidor do tipo UNIX é mais eficiente na mediação de múltiplas requisições para um mesmo arquivo, além de melhor multiprocessamento, o que resulta em serviços mais rápidos. Uma evolução dos serviços MS-Net, que incorporam as capacidades do modelo UNIX, é representada pelo OS/2, Windows NT, pois eles vêm com gerenciadores de multiprocessadores mais eficientes, melhor capacidade de mediação de requisições e sistemas de segurança, além de terem correio eletrônico e diversos outros tipos de protocolos (TCP/IP, IPX,Netbios, X.25 e X400).
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    184 Conexões A Noção deValor no Hiperespaço
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    185 Introdução Como estamos apresentadonessa palestra, as organizações estão passando da era industrial, baseada em custo de produção, para a era de serviços, baseada na vantagem competitiva de processos automatizados de gerenciamento de decisões. A interação das estruturas organizacionais com a tecnologia está criando uma nova noção de valor na ordem das coisa a nossa volta, fazendo com que o conflito “trabalho versus moeda” esteja sendo substituído pelo conflito “conhecimento versus informação”. Nesse sentido, do mesmo modo que no passado a noção de trabalho adicionava valor a produção, hoje a tecnologia está criando um novo valor adicionado aos produtos e serviços, o qual podemos chamar genericamente de hiperespaço. O hiperespaço é o resultado das várias representações estruturais que a tecnologia está criando, como estamos apresentado nessa palestra, no sentido de passar de simples sistemas fechados de processamento finito para um outro aberto capaz de auto regulação, auto organização, adaptação e aprendizado. Para tanto, os atuais avanços na tecnologia estão mudando o caráter das máquinas; do modelo de polias, engrenagens e correias de transmissão para o modelo digital de processamento eletrônico binário de dados. Essas mudanças tecnológicas estão sendo avaliadas aqui, a partir das ferramentas e equipamentos que no modelo digital passam a seguir o princípio básico da independência entre uma conceituação lógica (analítica), de como conhecimento pode ser estruturado, e a implementação operacional (funcional), de como esses processos podem ser gerenciados. Essas estratégias analíticas e a funcionais se juntam para adicionar valor e informação à noção de conhecimento, através das várias possibilidades de combinações entre programas de computador (software) e equipamentos de rede, telecomunicação, cabeamento e sistemas operacionais. Resumindo, a tecnologia, atualmente, oferece as seguintes representações em termos de ferramentas e equipamentos, tais como: 1- representações lógicas e cognitivas dos processos da inteligência humana;
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    186 2- representações deconhecimento através de rede semânticas da inteligência artificial; 3- representações da informação gerada por regras de inferências de sistemas especialistas, e a programação estruturada por módulos, objetos e bancos de dados; 4- representações dos equipamentos em termos da configuração analítica dos processos organizacionais, e da configuração operacional de cabos, roteadores, hubs, computadores e placas de conexão. Uma Visão do Hiperespaço A noção de valor adicionado por essa estruturas tecnológicas de representação está baseada em dois conceitos decorrentes: 1- o valor embutido nas transações operadas pelos bancos de dados; 2- o valor embutido no fluxo de dados através dos equipamentos;
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    187 Painel de Informaçãonum Pregão A noção de valor adicionadopelas transações A noção de transação adiciona valor aos processos de tomada de decisão através do tempo de requisição de um serviço pelo usuário, e o tempo de processamento de operação do sistema. O tempo de requisição pelo usuário é função das seguintes variáveis: 1- Interfaces: representando a “funcionalidade” do conhecimento estruturado e desempenho das conexões de redes através de módulos, objetos de programação , assim como por comandos SQL (Structured Query Languages); 2- Redes: representando a “acessibilidade” através de nós e “links”; 3- Bancos de Dados: representando o grau de “conectividade” das estruturas de dados em termos relacionais, ou seja, entre tabelas, campos e registros; O tempo de processamento do sistema é função das seguintes variáveis: 1- Processamento Operacional: representando a “alocação dos programas e dados” (software), em termos de processos, na memória do computador e a operacionalização das requisições, em termos de “velocidade” e “desempenho”, das SQLs, ou, qualquer outra forma de acesso aos bancos de dados; Transação = f( tempo de requisição, tempo de processamento), ou ainda: Transação = f(Funcionalidade, Acessibilidade, Conectividade, Velocidade e Desempenho);
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    188 2- A noçãode valor adicionado pelo fluxo de dados : A noção de fluxo de dados adiciona valor pela capacidade dos dados em fluírem mais ou menos rapidamente através da rede, passando conhecimento, valor e informação através de “nós” e “links” e recuperando custos de implementação, operação e manutenção dos equipamentos. Resumindo, fluxo é função: 1- da largura da banda dos equipamentos; 2- dos custos (implementação, operação e manutenção); Fluxo = f( Banda, Custos);
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    189 A Noção daLargura de Banda Significado Segundo Cary Lu em “Largura de banda” de 1999: “largura de banda é a quantidade de informação que trafega de um local para outro em um determinado período de tempo”. Como podemos perceber, essa noção está intimamente ligada ao conceito de fluxo, porém, num sentindo mais amplo. Por de trás dessa idéia está o conceito de valor adicionado pelo hiperespaço aos serviços e produtos, ou, como conhecimento estruturado pelas estratégias de programação podem, efetivamente, tornarem-se informação e valor. A tecnologia da informação oferece possibilidades em termos de representação do conhecimento se for capaz de se tornar um veículo de mídia com ampla capacidade de difusão, e não apenas como acanhados equipamentos de programação com operações repetitivas. Na verdade, a palavra chave no conceito de largura de banda é o de “fluxo de processos inteligentes”, além de conhecimento, informação e valor. Desse modo, os equipamentos de TV, rádio, telefone, modem, telefone celular, computadores portáteis, ou ainda pagers, estão todos num contexto mais amplo de radiodifusão da informação, não se restringindo a nichos, ou grupos, mas objetivando o acesso de massas. Importância A importância da banda é essa capacidade de definir e representar a noção de hiperespaço como um novo conceito de acesso de massa à informação e ao conhecimento, transformando as idéias, meramente, técnicas de processamento de dados do passado, em serviços e produtos interativos, os quais, só existem, ou existirão, nesse contexto de rapidez, acessibilidade, funcionalidade, velocidade e desempenho quanto ao que pode, ou deve, ser apresentado na tela de um monitor, ou em outros equipamentos específicos, que ainda nem foram criados, mas que genericamente representam, ou representarão, objetos gráficos de mídia e comunicação.
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    190 Todas as sociedadesestabelecem códigos para a regulagem do uso e acesso das bandas de comunicação, tornando esse assunto vital para controlar transmissões nacionais e internacionais, tanto de utilidade pública quanto privadas. Nesse sentido, o hiperespaço da Internet está se tornando um desafio, já que pela primeira vez o acesso à largura de banda de comunicação não está restrito apenas a grandes empresas. Na Web uma simples página torna-se um veículo de mídia, usando uma banda de comunicação com um espectro muito mais amplo do que qualquer outra invenção, jamais, propiciou antes, em termos de disponibilidades de massa. Mesmo considerando a rivalidade existente no mercado para se estabelecer controle sobre o hiperespaço através de redes telefônicas, de canais à cabo ou ainda grandes companhias de telecomunicação, a verdade é que os conceitos de conexões de redes de computadores, protocolos, interfaces gráficas e bancos de dados estão abrindo possibilidades de comunicação ponto-a-ponto entre usuários, que transcendem os serviços de mídia (TV, rádio, jornais) hoje existentes. Aliado a conectividade, propiciada pela largura da banda, está a interatividade e a participação exercidas na troca de mensagens entre usuários, os quais não se distinguem tanto pelo seu peso em termos de quantidades, e sim, mais por suas necessidades próprias, gostos e desejos de se comunicarem, passando a formarem um mercado com dinâmica própria de decisão, julgamento, forçando a se reavaliar a própria noção de processos gerenciais, e de tomada de decisão na área econômica.
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    191 Internet Histórico da evoluçãodos meios de comunicação Segundo Cary Lu: “ A história da largura de banda sempre foi uma incessante busca por algo mais, busca esta que continua até hoje. Todos sempre quiseram transmitir mais informação em menos tempo, e é provável que nunca fiquem totalmente satisfeitos. Quanto mais informação recebemos, mais queremos” [do livro “ A Largura de Banda”]. O histórico da evolução dos meios de comunicação é o registro do constante esforço dos seres humano para reduzir suas tarefas de locomoção e comunicação; quer seja através da criação de meios de transporte; quer seja através de meios e sistemas de sinalização. Do início até hoje, a história da civilização tem sido uma constante evolução do conceito do analógico de comunicação, criando artefatos para capturar ondas contínuas de transmissão de sinais, até a idéia atual do modelo digital de processamento binário. Desse modo, passamos dos despachos por cavaleiros velozes, tambores e sinais de fumaça, até atingirmos o telégrafo o telefone, o rádio, a televisão até chegarmos as atuais redes de computadores digitais. O preço e o custo da transmissão de mensagens decresceram na ordem inversa dessa evolução tecnológica, capacitando, hoje, o envio de pacotes de mensagens a preços nunca antes imaginados. Por esse motivo, a largura do canal de transmissão da comunicação tem se mostrado tão importante. Assim, rios, mares, estradas, vias expressas e torres de transmissão encontram sua evolução máxima nas atuais transmissões via satélites, microondas, aviões supersônicos e foguetes. As diferenças entre os modelos analógico e digital A largura e a capacidade dos meios de transmissão de mensagens estão associados à noção de capacidade física do espectro de radiodifusão, assim, temos diversas medidas da capacidade para os diversos meios analógicos de transmissão, tais como para: 1- radiodifusão: a largura da banda, ou do meio de transmissão, nesse tipo de serviço tem a finalidade de evitar interferências no envio uni-direcional de sinais;
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    192 2- linhas detelefone: o meio de transmissão dos sistemas telefônicos são pares de fios de cobre saindo de uma central de comutação, unindo transmissores e receptores; 3- televisão: Os sistemas de televisão usam vários meios de transmissão de sinais, emitindo-os a partir de centrais geradores, sendo capturados por torres e aparelhos receptores, ou ainda, enviando-os através de sistemas de cabos coaxiais telefônicos; A transmissão analógica, nesse sentido, resume-se a transmissão de sinais contínuos a partir de centrais, os quais são modulados numa certa freqüência para serem retransmitindo na forma de ondas de sinais por retificadores, filtros de linhas, até atingirem os aparelhos receptores que os captam e amplificam, recriando a mensagem enviada. Portanto, os sinais analógicos dependem, quase sempre, da qualidade da central geradora, dos retificadores de linha e acima de tudo da capacidade dos aparelhos receptores. Eles, também, estão associados ao envio de mensagens truncadas que precisam constantemente serem recriadas, retificadas, ou protegidas, quanto a distorções, deteriorações e ruídos. O modelo analógico é a própria caracterização dos conflitos gerados pelas máquinas formadas por engrenagens e polias que encontram na transmissão eletrônica o aumento de sua capacidade de processamento, sem no entanto definir um novo modelo operacional, ou ainda, estruturar , ou definir, a transmissão de dados no sentido processual do modelo digital. O modelo digital, por outro lado, além do aspecto físico da transmissão das mensagens, o formato binário “normaliza” o caráter aleatórias das ondas de transmissão analógica, carregando um conceito de estrutura de dados embutido. Nesse sentido, pacotes de mensagens, no ambiente digital, são dados definidos por registros e campos de tabelas que podem, ou devem, ser manipulados para recriarem, não apenas a mensagem enviada em per si, mas também, uma rede de relações estruturais e decisões lógicas, fazendo com que o modelo digital, principalmente, aquele reformado por redes de computadores tenham um aspecto analítico, de como a informação é estruturalmente e forma conhecimento, assim como, um outro lado funcional, de como dados são transmitido e operacionalizados.
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    193 As máquinas queparticipam desse modelo digital têm sempre um aspecto inteligente, no sentido de poderem tomarem decisões próprias, alterando, quando necessário, o curso dos eventos das transmissões para minimizar erros de mensagens, informação e valor. O Modelo de comunicação na Internet A Internet é mais do que a configuração de redes de computadores através de monitores, placas, cabos, roteadores, bridges e hubs. Na verdade, a Internet vai, aos poucos, se constituindo numa rede de comunicação com características próprias de mídia, preocupando–se em desenvolver um modelo próprio para a difusão de vídeo, áudio, assim como na comunicação ponto-a-ponto entre seus usuários. O desafio da Internet, atualmente, é constituir esse modelo de como o hiperespaço adiciona valor aos seus diversos aspectos de transações. Modelos de comunicação em uso na Internet A grosso modo, a Internet desenvolveu os seguintes modelos de comunicação: 1- o paradigma de loja virtual: esse modelo tem sido usado no aspecto comercial, permitindo que as transações entre produtores e consumidores sejam feitas “on-line, exponham, vendendo e comprando produtos e serviços; 2- o paradigma da informação: esse modelo tem sido usado para divulgar notícias em tempo real, competindo como a mídia escrita, tais como jornais e revistas; 3- o paradigma do quadro de aviso: esse modelo tem sido usado, meramente, para divulgar e fazer marketing de produtos e serviços, simplesmente, expondo avisos, letreiros ou faixas promocionais; 4- o paradigma da sala de aula: esse modelo tem sido usado para divulgação e difusão de tópicos de interesses educacionais e científicos, requerendo interação dos usuários com o intuito de ensino à distância. 5- O paradigma de investigador particular: esse modelo tem sido usado para servir como mecanismo de busca de informação, permitindo que os usuários localizem assuntos e tópicos de interesse particular; 6- O paradigma de radiodifusão: esse modelo tem sido usado no mesmo sentido da rádio difusão para enviar mensagens de vídeo e áudio, criando programas de acesso à música e multimídia; 7- O paradigma de trocas interativas: esse modelo tem sido usado para permitir aos usuários trocarem informação interativamente entre grupos de interesses particulares; 8- O paradigma de mensageiros: esse modelo tem sido usado como veículo de transmissão de informação no mesmo sentido dos correios;
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    194 9- O paradigmade bibliotecas virtuais: esse modelo tem sido usado para recriar o mesmo acesso à bibliotecas públicas, criando catálogos e enciclopédias para consultas por índices e assuntos; 10-O paradigma de leilão: esse modelo tem sido usado para ofertar-se livremente produtos e serviços recriando a idéia de leilões, ou ainda, de pregões, com possibilidades de investimentos “on-line”; 11-O paradigma burocrático: esse modelo refere-se a serviços institucionais de apoio e informação aos cidadãos , substituindo os serviços burocráticos institucionalizados no setor público e privado, tais como pagamento de impostos e acesso a serviços bancários; Cada mídia tradicional, tal como a televisão, o rádio, os jornais e as revistas, ou ainda, os meios tradicionais de comunicação, como os telégrafos, os correios e mensageiros, todos têm um modelo próprio de tarifação, onde é claro como custos de implementação, operação e manutenção serão recuperados, definido um preço caraterístico para cada tipo de serviço prestado. Na Internet, esse é o desafio, definir um modelo de tarifação , onde fique claro qual o serviço prestado e como ele pode ser cobrado. De um modo, ou outro isso ainda não é claro. Por um lado, temos o conceito de provedores de Internet que cobram por acessos, ou conexões ao sistema. Por outro existe a resistência dos usuários em serem tarifados por cada página ,ou portal, que acessem. Como a informação está fragmentada nos modelos descritos acima, está cada dia mais difícil conceituar-se tarifação, ou medir como um serviço na Internet pode ser remunerado. Os modelos de lojas e leilões virtuais têm sido os mais bem sucedidos já que reproduzem sem muita ambigüidade transações comerciais. O desenvolvimento futuro da Internet está, atualmente, dependente da solução desse gargalo de representação de transações comerciais. Assim ela haverá de se definir; ou como um modelo de radiodifusão, onde quem remunera os serviços são os anunciantes; ou como no modelo de mídia onde se paga pela informação comprada; ou como um modelo de diversão geral, onde se compra bilhetes de acesso; ou, ainda, como no modelo de serviços por cabo, onde se paga uma tarifa única e se acessa vários canais;
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    195 Infovias A Internet, comopodemos perceber, é representada por um conjunto de equipamentos de redes que têm na ponta do usuário as páginas de um portal de comunicação, apresentando vários tipos de serviços. Tudo, no entanto, começa com o computador e o modem, discando para um provedor de Internet, ou através de acesso direto de placas de comunicação em serviços de alta velocidade. Dos computadores servidores dos provedores, a informação segue vários caminhos, roteando-se entre diferentes sistemas de computadores, ou de telecomunicação. Desse modo, as mensagens podem seguir por redes de cabos coaxiais ,ou de fibras óticas, das redes telefônicas, ou, ainda, através de transmissões via microondas, ou via satélite. Para a evolução do modelo digital, como aqui apresentado, além dos aspectos de representação do conhecimento, será preciso configurar vias expressa de comunicação em bandas de espectro largo, para que os usuários possam compartilhar dados de uso diário, terem acesso à informação, participarem de treinamentos à distância, eliminarem papéis e procedimentos burocráticos, participando mais intensamente de decisões comunitárias e de cidadania.
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    196 Equipamentos O Ambiente TecnológicoCliente-Servidor Introdução Aorganização de uma plataforma tecnológica cliente-servidor precisa ser capaz de estabelecer um equilíbrio entre as necessidades do ambiente interno das empresas, e o surgimento contínuo de novas tecnologias, ou novos paradigmas na organização do trabalho, Três áreas podem ser mencionadas como base para se criar essa plataforma organizacional: 1- Redes de computadores: a contínua expansão de redes públicas e privadas de comunicação; a existência de diferentes equipamentos (hardware e software) estão exigindo por parte das empresas uma política de conectividade. 2- Bancos de dados: o fato de que informações relevantes para a tomada de decisão precisam ser armazenadas, recuperadas e manipuladas, exigem meios pelos quais dados possam ser administrados e guardados de modo seguro, assim como, tornarem-se acessíveis a um número maior de pessoas em diferentes localidades de trabalho. 3- Estações de trabalho: não apenas os programas de computadores são, cada vez mais, os responsáveis por tarefas de coordenação e tomada de decisão, mas também, as estações de trabalho ganham a cada dia inovações tecnológicas que exigem mais do que serem terminais passivos. Os custos decrescentes dos equipamentos da tecnologia da informação, cada vez mais sofisticados, possibilitam a delegação de tarefas, procedimentos e processamento de dados para estações locais, o que está exigindo planos de conectividade e estratégias de integração em rede de diversos tipos diferentes de “hardware” e “software”. Na verdade, pode-se chamar essa nova plataforma organizacional como o ambiente cliente-servidor. No centro dessa plataforma está o conceito de conectividade, não como um elemento que apenas interliga computadores através de cabos e programas de computadores (software), mas como um elemento que define normas de uso e estratégias para aumentar a produtividade, adicionando “valor” aos serviços e produtos. A palavra conectividade dentro dessa perspectiva de um ambiente cliente servidor está exigindo:
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    197 1- A definiçãode estratégias para o uso de diferentes tipos de computadores que vão atuar como clientes, ou servidores; 2- A definição de topologias para se conectarem computadores em rede; 3- A definição de estratégias para se interligarem redes de computadores; 4- A definição de cabos e equipamentos conectores de telecomunicação, seus limites e âmbitos de atuação; 5- A definição de parâmetros e modelos de transmissão de dados em redes através de protocolos variados; 6- A definição de gerenciadores de bancos de dados para a administração de dados corporativos essenciais à tomada de decisão; 7- A definição de ferramentas para o desenvolvimento de sistemas que visem diferentes sistemas operacionais, diferentes formatos de bancos de dados e a reengenharia de processos organizacionais.
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    198 Arquitetura no Usoda Tecnologia Representações dos equipamentos O conjunto tecnológico que está, hoje em dia, formando-se dentro das organizações não promovem apenas a automação de serviços, mas a definição de novas estratégias de como prover serviços. Esse conjunto tecnológico precisa ser visto dentro um contexto lógico e coeso, definindo, para tal, um esquema de análise de suas componentes analíticas e funcionais. O objetivo é que não se perceba apenas equipamentos, mas o conjunto: equipamento; estratégias; instalações físicas, e objetivos de negócio, como um conjunto estruturado, articulado e inteligente. A perspectiva analítica O desafio, atualmente, é perceber como as “novas tecnologias” adicionam valor à cadeia produtiva ou ao produto final. O pano de fundo dessa questão é a mudança de perspectiva de uma sociedade industrial para uma sociedade de serviços e informação. Se na sociedade industrial, trabalho adicionava valor aos produtos como elemento de produção , pondo-se em conflito com a moeda ( ou capital), na sociedade de serviços conhecimento, “adiciona” valor aos produtos, pondo- se em conflito com a informação. Informação e conhecimento, portanto, são os dois elementos que, modernamente, servem de conflito para essa nova era, ou como se está convencionando chamar “nova economia. Como foi dito antes, esse é o desafio como identificar esse novo “conflito”, avaliando como conhecimento pode adicionar valor ao produto, transformando informação em um ativo empresarial de investimento para alavancagem de juros e custos. O conjunto tecnológico, aqui chamado de tecnologia da informação, pode ser analisado como capaz de adicionar “valor” de conhecimento (ou seja informação) em três níveis, através do: 1- enfoque empresarial, avaliando-se como equipamentos criam oportunidades como ferramentas competitivas de mercado, ou , ainda,
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    199 como eles interferemlogisticamente na cadeia produtiva, redesenhando processos que assumem o ponto de vista dos cliente; 2- enfoque do cliente, avaliando-se como serviços automatizados, ou inteligentes, aumentam, ou diminuem sua capacidade de acessar a linha de produtos e serviços da organização; 3- enfoque tecnológico, avaliando-se como equipamentos de conexão, tais como, redes de computadores, cabeamento, aplicativos e bancos de dados formam uma unidade lógica nas transações de serviços; A perspectiva funcional Se o enfoque empresarial, e o do cliente, são tratados em conjunto como novas estratégias, (ver seção estratégias dessa palestra); o enfoque tecnológico é a infra-estrutura que estabelece uma ligação inteligente entre equipamentos e objetivos de negócio. Portanto, seguindo essa abordagem, redes de computadores não são apenas nós e “links” entre equipamentos, mas formam uma unidade lógica coesa chamada hiperespaço. Essa “virtualidade”, desse “novo espaço” criado pela conjugação de redes de equipamentos e redes de representações estruturais inteligentes, é, exatamente, o que está adicionando um novo conceito de valor agregado aos serviços e produtos. Esse conceito de valor agregado “virtual” é o que está sendo introduzido como uma nova variável econômica nas transações de negócio através de: 1- conexões: a palavra conexão, aqui, assume uma outra perspectiva. Na verdade, é a capacidade de redes e equipamentos, em conjunto com programas de computadores, representarem uma unidade lógica e física coesiva na estruturação do conceito de conhecimento à tomada de decisões inteligentes. A missão da conexão é criar, por assim dizer, a virtualidade, ou, o novo valor agregado em que se baseiam as operações realizadas nesse “hiperespaço”; criado pela conjugação de cabos, servidores, computadores, roteadores, sistemas operacionais, protocolos de comunicação, aplicativos e interfaces gráficas. 2- Bancos de dados: o valor agregado pelo hiperespaço, para que tenha esse sentido econômico, precisa ser avaliado, ou contabilizado, para se poder medir o quanto ele adiciona, exatamente, a um produto, ou serviço, no tempo e no espaço. A missão dos bancos de dados, nesse sentido, é o de gerenciar transações de negócios, avaliando disponibilidade, modos e tipos de acessos, assim como, métodos e processos. Desse forma, a estrutura de dados avalia informação e valor do conhecimento embutidos no desenho e configuração de processos, definindo inovação e vantagem competitiva.
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    200 Avaliação das Característicasda Tecnologia da Informação Redes corporativas O desenho conceitual de uma rede de computadores, não reflete a complexidade do ambiente cliente- servidor, onde diferentes setores de uma organização são conectados através de diferentes equipamentos com diferentes sistemas operacionais. O desenvolvimento de aplicativos que reflitam o caráter processual do gerenciamento de empresas, nessas condições, requer a integração de diferentes plataformas em diferentes localidades através de uma rede corporativa. Nesse caso, uma rede corporativa não difere apenas em tamanho de uma rede local (LAN), mas também, requer uma habilidade de integrar equipamentos, definir padrões, potencializando, assim sua capacidade de se comunicar com sistemas externos integrados à Internet. Essa capacidade de integração de diferenciados equipamentos e comunicação em redes definirá a base do valor agregado aos processos, sendo , portanto, a peça chave para se medir o valor da informação gerada no “hiperespaço” da organização Características dos equipamentos Para a avaliação de uma rede corporativa existem duas perspectivas: uma considerando os programas de computador (software), e outra os equipamentos de rede e conexões (hardware). Avaliações dos programas (software) Uma grande corporação, tipicamente, terá na sua infra-estrutura tecnológica diversos tipos de equipamentos já instalados, tais como “mainframes” IBM, usando a arquitetura SNA de conexão; DEC VAX computadores de médio porte, usando arquitetura DECnet; computadores com sistema UNIX conectados através de protocolos TCP/IP; Macintoshes, comunicando-se através do dialeto Appletalk; e ainda, computadores PC, usando redes locais do tipo 3COM, LAN Manager, Banyan Vines. Essa diversidade de sistemas, eventualmente, estarão conectados através de placas de rede Ethernet, Token Ring, ou ainda, FDDI. A filosofia de uma rede corporativa é capacitar computadores PCs, ou estações de trabalho
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    201 (workstations), acessarem osrecursos alocados em diferentes sistemas operacionais, como mencionados acima de uma maneira transparente aos usuários. Em suma, um aplicativo desenhado para uma rede corporativa precisar oferecer essa mesma transparência oferecida pelos equipamentos, possibilitando que suas instruções possam ser compreendidas através de diferentes sistemas operacionais. Portanto, uma programa de computador, nessa condições, requer considerações, não apenas quanto a sua estrutura de codificação, mas também, quanto aos protocolos usados em diferentes sistemas. Os protocolos mais importante a serem considerados: 1- TCP/IP.(Transmission Control Protocol)/(Internet Protocol): originalmente desenvolvido pelo departamento de defesa americano , tornando-se o protocolo mais usado, especialmente em “open sistems” (sistemas abertos). TCP e IP, na verdade, são dois protocolos diferentes com funções diferentes, mas que trabalham em conjunto; 2- NetBios. Network Basic Input/Output System. É um protocolo IBM desenvolvido redes Microsoft; 3- IPX/SPX. Internet Packet Exchange/ Sequenced Packed Exchange. Esse protocolo foi desenvolvido pela Novell; 4- SNA. System Network Architecture: É um protocolo desenvolvido pela IBM e tem sido muito usado para se conectarem equipamentos aos “Mainframes”. 5- DECnet. Digital Equipament Corporation Network: É um conjunto de protocolos desenvolvidos pela DEC (Digital Equipament Corporation); O Padrão OSI de Protocolo O modelo OSI (Open System Inteconnection) separa as atividades de comunicação entre dois computadores em sete (7) camadas, tais como demostrado abaixo: 1. Camada Física: transmite o fluxo dos “bits” de dados através do meio físico das placas de conexão; 2. Camada Conexãodos Dados (Data Link): empacota os “bits” de dados para transmissão, definindo um esquema próprio de endereçamento; 3. Camada de Rede (Network): endereça e envia os pacotes de “bits”, passando-os de um nó da rede para outro, fazendo o roteamento entre diferentes tipos de equipamentos de redes de computadores;
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    202 4. Camada detransporte: Recebe e envia os “bits” de dados, notificando o usuário de erros na entrega; 5. Camada Sessão (Session): Estabelece, mantém e encerra a comunicação entre computadores; 6. Camada Apresentação: Opera a “tradução” dos termos trocados na comunicação entre diferentes sistemas; 7. Camada Aplicação: Refere-se ao aplicativo que conecta os programas dos usuários das duas extremidades da conexão; FDDI. (Fiber Distributed Data Interface): É uma interface de comunicação em redes de alta velocidade, operando à taxas de 100 megabits por segundo. Um de seus maiores atributos é servir de espinha dorsal (backbone) de um sistema de rede para tráfego intenso e transmissão de imagens e multimídia. Utiliza, principalmente, cabos de fibra ótica como cabo de transmissão. Aplicativos utilitários: São aplicativos, que usando as APIs (aplication program interfaces, ver seção interfaces) do sistemas operacionais dos computadores conecta-se a vários serviços de correio eletrônico para prestar serviço de mensageiro. Outros aplicativos, ainda, podem ser as SQL (structured Query Languages, ver seção Programação- gerenciamento de dados), os quais fazem uso das “RPCs” (remote procedure calls) para fazerem chamadas remotas a sistemas de bancos de dados. Em sistemas de múltiplas plataformas esses aplicativos utilitários permitem recuperar, armazenar e trocar dados independentemente das formalidades definidas pela camada de rede de diferentes protocolos. Cada aplicativo, na verdade, possui sua própria API, que são, em verdade, procedimentos de chamada (procedural calls), os quais permitem aos programas comunicarem- se com um sistema de banco de dados (DBMS), por exemplo. Avaliação dos Equipamentos Uma rede corporativa precisa preencher dois requisitos: 1- definir uma maneira de se transferir “informação” entre diferentes equipamentos de comunicação; 2- ser capaz de se interconectar a uma grande variedade de topologias de rede; Na sua forma mais simples, um sistema de redes são placas de conexão implementadas dentro dos computadores formando redes locais (LANs), as quais, através de pontes (bridges), roteadoras (routers) e talvez uma
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    203 combinação dos dois,permitem que dados circulem em diferentes sistemas, fornecendo uma unidade lógica e física para o uso de redes de computadores. Numa instalação típica, diversas redes são inter-conectadas unindo departamentos, filiais, computadores de clientes e de fornecedores, requerendo para isso uma variedade muito grande de equipamentos que precisam ter em comum os seguintes critérios, para uma perfeita integração lógica e física: 1- precisam garantir a confiabilidade dos serviços; 2- precisam ser eficientes e rápidos; 3- precisam estar habilitados a selecionar o melhor caminho de comunicação entre duas redes; 4- precisam estar habilitados a definir quem fala com quem; 5- precisam estar habilitados a identificar problemas de comunicação na rede; 6- precisam ser sensíveis às regras de comunicação de diferentes protocolos; 7- precisam ser transparentes e fáceis de se utilizar; Concluindo, uma rede corporativa pode ser vista como uma coleção de equipamento e programas de computadores capazes de formarem um conjunto lógico e físico coeso, através de: 1- Pontes (bridges): equipamento que conecta dois segmentos de rede de diferentes mídias, por exemplo um segmento usando cabo coaxial e outro fibra ótica; 2- Roteadora (routers): equipamento que conecta duas redes usando topologias diferentes (ver seção redes); 3- Gateway: equipamento que conecta uma rede local (LAN) a um outro sistema maior. Eles operam na camada mais elevada do protocolo OSI, definindo um programa aplicativo capaz de conectar diferentes arquiteturas de rede; 4- Hubs: equipamento simples de conexão entre dois pontos de uma rede, os quais podem ser apenas dois computadores PC, por exemplo. Na sua forma mais sofisticada, podem formar um painel de controle de uma pequena seção de rede; Acesso remoto Existem dois modos de se estabelecer uma conexão remota:
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    204 1- permitindo queum computador assuma controle de outro através da linha telefônica, usando um modem; 2- permitindo que nós remotos de uma rede sejam usados como nós de uma outra rede cliente;
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    205 Transações e ProcessosnoAmbiente Corporativo Transações e Processos Modelos de transação são pouco estudados, ressaltando-se o trabalho de Ahmed Elmagarmid em “Database Transaction Models for Advanced Application”. Na verdade, o modelo de transação é a peça chave na estruturação da representação dos equipamentos, unido a perspectiva lógica e física de equipamentos e aplicativos em um sistema de avaliação integrada de conhecimento, informação e valor. Nesse sentido, um modelo de transação não é apenas uma conceituação lógica que garante a confiabilidade e a segurança de dados num sistema de gerenciamento de banco de dados (DBMS, ver seção banco de dados). Esse modelo tem a missão de definir como conhecimento é representado pelas relações semânticas e de inferência da estrutura de dados; quer sejam eles pacotes transmitido pela rede, ou valores contidos num banco de dados. Nesse sentido, transação significa informação e valor. Por exemplo, num caixa eletrônico, usando uma rede de alta velocidade de comunicação de dados (ATM), oferece um serviço de saque eletrônico, onde o usuário realiza uma operação que se completa, ou não, imediatamente , dependendo de seu saldo. Em outros tipos de serviços, esse não é o caso, quando o usuário precisa do consentimento , ou a liberação de outras partes, seguindo uma cadeia de comando de liberação. Por exemplo, quando um funcionário requer um serviço corporativo que depende da aprovação de várias pessoas numa cadeia de comando. No entanto, em ambos os casos o valor apreciado, ou depreciado é , ou foi, o tempo que se levou para que uma transação de negócio (saque eletrônico , ou serviço corporativo) fosse processada e completada. Então, acessibilidade compõe-se com tempo de entrega, definindo diversos modelos de transações de como valores podem ser apropriados para se tornarem ativos empresariais. Um modelo experimental de transação Para um serviço genérico, dependente de uma transação através de uma rede corporativa , realizada usando um aplicativo (API) que acessa um banco de
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    206 dados via umaSQL, o objetivo é prover um serviço o qual requer as seguintes formalizações: 1- Anotar o pedido do cliente; 2- Arquivar o pedido num livro de pedidos; 3- Apresentar o documento apropriado de requisição de serviço ao cliente; 4- Rotear o formulário de pedido a quem provê o serviço; 5- Coletar a autorização do provedor; 6- Despachar o formulário de volta ao cliente; 7- Disparar os mecanismos que, efetivamente, entregam o produto , ou o serviço, ao cliente; Nesse caso, as operações de transações foram de duas ordens. Aquelas referentes ao sistema de bancos de dados (DBMS) e aquelas referentes ao controle de processos da organização. Vejamos abaixo as especificações de cada um: Operações de transação do DBMS (banco de dados): Essa operações referem-se, basicamente, à capacidade dos usuários em inserir, eliminar e modificar dados num banco de dados corporativo de múltiplos acessos, gerenciando a requisição do cliente para: 1- identificar-se arquivos, registros e campos; 2- identificar-se o usuário e compartilhar certos grupos de dados, ou registros; 3- identificar-se o usuário e balancear conflitos entre diferentes usuários; 4- identificar-se padrões e modelos de acesso e operação de banco de dados; 5- identificar-se e controla-se a redundância de dados; 6- identificar-se e manter-se a consistência dos dados; 7- identificar-se e manter-se a integridade dos dados; 8- identificar-se e preservar-se a segurança do dados; Operações de transação dos processos organizacionais: Essas operações referem-se à capacidade do sistema em gerenciar vários processos organizacionais ligados a requisição feita pelo usuário, definindo, para isso, como equipamentos métodos e processos formariam uma unidade
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    207 lógica coesa. Parase atingir esses objetivos, é preciso definir-se transação como um núcleo comum de operações que transmitem informações em meios diversificados, transparentemente ao usuário. Vejamos a figura abaixo: Esquema de um Modelo de Transação Podemos ver que transações, nesse caso mostrado acima, significa uma conjugação de equipamentos de redes, aplicativos, unidades operacionais da organização, assim como, regras de gerenciamento de bancos de dados (DBMS). Ciclos de transação numa requisição de serviço Dois ciclo genéricos podem ser definidos para se definir um modelo de transação na requisição de um serviço: 1- As funções de transação: são aquelas associadas ao próprio ciclo do pedido e representa a soma total dos tempos gastos no processamento das funções de requisição de serviço, tais como: a- funções e procedimentos para um pedido de serviço; b- funções e procedimentos para a validação das operações de concessão do serviço;
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    208 c- funções eprocedimentos para a autorização na concessão do serviço; d- funções e procedimentos para a requisição de um serviço; e- funções e procedimentos das interfaces, locais, serviço-cliente; O tempo total para a requisição de um serviço pode, assim, ser definido como: TRS = Função( Tfn , Tpn) = tempo gasto para se realizar cada função e procedimento; Funções de transação no ciclo de um pedido 2- processos de transação: são aqueles que definem como o sistema reage ao usuário providenciando, ou não, o serviço pedido. Ele representa a soma total do tempo gasto pelo sistema na entrega de um serviço (TDS), ou seja: TDS = Somatório Tpn , onde Tpn = tempo gasto pelo sistema em cada processo;
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    209 Processos de transaçãono ciclo de um pedido O desempenho geral do sistema tentará minimizar o “Tempo Total de Processamento” (TTP), que na verdade é função da combinação da (TDS) soma total dos tempos gastos pelo usuário para realizar os procedimento padrões de requisição , e , a (TRS) soma total dos tempos gastos pelo sistemas em processar o pedido. Matematicamente esse modelo de transação poderia ser expresso através da programação linear como: Avaliação de bancos de dados O modelo cliente-servidor, como está sendo visto aqui, é baseado no princípio do processamento distribuído, ou seja, o processamento de dados ocorre em estações servidoras ou clientes alternadamente. Essa abordagem explora o uso de interfaces gráficas implementadas em computadoresPC , assim como, sua capacidade em acessar dados remotamente. Portanto, é preciso ter-se em
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    210 mente os seguintescritérios de avaliação de equipamentos e bancos de dados: 1- aumento da produtividade no desenvolvimento de aplicativos ou processos corporativos: os equipamentos de informática estão baixando de preço, porém, a demanda por novos aplicativos com complexas regras de negócios está aumentando. É preciso, ao se decidir pelo uso de bancos de dados num ambiente cliente-servidor, avaliarem-se os seguintes parâmetros de produtividade: a- esse banco de dados oferece ferramentas gráficas para o desenvolvimento rápido de aplicativos ? b- em que contexto do ambiente organizacional, os equipamentos aumentam a qualidade dos produtos e serviços ? c- qual é o planejamento dos custos de manutenção e operação de sistemas criados para esse ambiente? Existem equipes treinadas em redes e bancos de dados? d- como os aplicativos existentes serão aproveitados? Avaliou-se os programas fonte; os formatos de dados; e as possibilidades de integração entre aplicativos antigos e novos? 2- Avaliação do impacto do processamento distribuído na rede: é importante ter-se me mente que o modelo de processamento distribuído aumenta o tráfego na rede, forçando o redimensionamento de placas, cabos e estações servidoras e clientes, assim como, uma reavaliação do esquema de distribuição do próprio processamento de dados; 3- Considerações sobre o desempenho dos aplicativos de bancos de dados em rede: é importante saber se o banco de dados a ser usado vem com um sistema “Query” para interrogar tabelas, ou o acesso se fará por programação. No caso da última alternativa, é preciso definir que modelo de acesso será empregado; indexado ou seqüencial. A melhor alternativa é, quase sempre, feita empiricamente, o que soma tempo e recursos; 4- Considerações sobre a capacidade dos bancos de dados de recuperar dados e promover sua integridade: a integridade dos dados está ligada a capacidade do sistema em recuperar dados devido a falhas inesperadas. Assim, o programa deve ter rotinas que prevejam o que fazer m caso de interrupções abruptas. Dever-se, também, ter-se em mente que em ambiente cliente-servidor falhas nas estações clientes, ou servidoras, estão relacionados a cabos, placas e gerenciadores de redes, ou seja, não estão centralizados. Nesse contexto de ambiente é muito mais difícil identificar-se falhas e se recuperarem dados.
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    211 Estratégias O Conceito deEstratégia O Novo Estrategista Desde o início de nossa civilização temos estado preocupados com o conceito de estratégia, associando-a à arte da guerra, do exercício do poder e do estabelecimento de regras. Essas preocupações remontam a San Tzu, em “A Arte da Guerra” de 500 A .C., e, mais modernamente, com Maquiavel em “O Príncipe” de 1500 A.D. Arte, guerra, poder e normas, na verdade, são partes inerentes ao conjunto de valores que estabelecem a ordem de como vemos as coisas a nossa volta, parte integrante daquilo que entendemos por uma estrutura ordenada e estética de significados. Portanto, desde de tempos imemoriais, como podemos notar, o que se está em jogo em termos estratégicos é sempre a capacidade de compreendermos os paradigmas da época em que vivemos, os quais nos levam a conflitos e guerras, definindo, desse modo, poder , padrões e normas. A Visão Clássica No núcleo da análise estratégica está a noção de conflito, ou disputa, por um conjunto de elementos que entendemos como significativo para definir estruturas e valores. A moeda esteve por muito tempo no centro dessa disputa. Do período inicial da nossa civilização até recentemente, o qual como um todo podemos definir como o período clássico, estivemos numa ferrenha disputa em busca de valores monetários, primeiro conceituando um valor absoluto para as coisas, quando, então, a moeda esteve associada, a estruturas metálicas, principalmente ao ouro. Com a evolução da tecnologia, e consequentemente dos métodos de produção, acrescentou-se à noção de valor monetário das coisas, o valor do trabalho capaz de, como fator de produção, transformar matérias-primas em produtos diferenciados.
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    212 Estratégias, nesse períodoclássico, estão associadas ao gerenciamento desse conflito, moeda versus estruturas metálicas (ouro), e moeda versus trabalho, formando um conjunto de valores que significavam, antes de mais nada, controle e poder. São características dessa época, analisando desde San Tzu até Maquiavel, a idéia de organização como máquina formada por polias, engrenagens e correias de transmissão, e estratégias como guerras competitivas, onde se buscava um equilíbrio estático, tentando se resolver conflitos através da eliminação de uma das partes concorrentes. A noção de inteligência, desse período, é de que um mecanismo estratégico será capaz de resolver problemas, e de que sistemas modelam causa e conseqüências; quer sobre a natureza; quer sobre problemas de ordem moral e filosófica; quer sobre diversos aspectos econômicos, gerenciais e administrativos. As mudanças, pelas quais estamos passando, nesse momento de profunda alteração de paradigmas na nossa civilização, é um esforço para se redefinir como as coisas se reordenam à nossa volta, formando um novo conjunto de valores. As principais mudanças, no sentido de valores, em nossa época presente, estão relacionadas à moeda, a qual se tornou apenas uma mercadoria, perdendo seu valor significativo absoluto como elemento de reserva de valor das coisas, e, também, a noção de trabalho como fator de produção que adicionava valor as coisas. Não que moeda e trabalho desapareceram ,ou irão desaparecer, mas é inegável que perderam seu peso significativo como padrão de referência nessa nossa época de produção em massa, de redução de custos, barateamento e amplo acesso aos produtos. Essa chamamos aqui de a era moderna das sociedades de massas. A Visão Moderna No centro do conflito da sociedade de massas está o deslocamento da noção de mais valor da moeda versus trabalho para o de conhecimento versus informação. Informação, dessa maneira passa a ter uma representação análoga que as moedas, ou preços, tinham antes, mas não como fator de produção, e sim como elemento de mediação econômica no jogo de equilíbrio dinâmico entre produtores e consumidores. Conhecimento, seguindo essa análise, passa a ser o elemento que adiciona um “novo valor” ao conceito de produtos de modo significativamente diferente. Por certo a tecnologia esteve sempre por traz dessa evolução histórica de valores que estamos apresentado aqui, porém, isso nunca ficou tão visível quanto agora. Nunca levamos muito em conta de como a roda, as embarcações, os métodos de navegação, a construção de casas formavam uma parte importante nessesmecanismos de construçãoda ordem das coisas
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    213 como as vemos.Tivemos sempre a tendência de associarmos inteligência como elemento marginal à constituição de um sistema de valores. Sistemas de valores, sempre foram vistos como elementos de manipulação da realidade, e inteligência como um processo unilateral de avanço, domínio, ou controle, sobre a natureza, transformando coisas em elementos de uma ordem rígida e mecânica. Estratégias, nessa era das massas, significa, antes de mais nada, uma busca intensa para se apropriar desse conceito polêmico e divergente de inteligência, e nunca o papel da tecnologia ficou tão patente, como atualmente, nessa nossa luta por uma nova conceituação de ordem e valores. Então, se informação tem um valor econômico de mediação, em nossa era atual, conhecimento é o que, fundamentalmente, lhe adiciona valor. A questão aqui é definir o que entendemos por conhecimento. Valor é parte do conhecimento quando deslocamos a noção de inteligência, de um elemento apenas etéreo e conceitual, para uma prática ,ou exercício, capturável por uma tecnologia. Parece que em nosso processo civilizatório, a tecnologia passou a assumir um papel relevante na definição de valores, associando-a à própria noção de inteligência. Finalmente, estamos reconhecendo o papel, mais do que significativo, que a tecnologia tem exercido em nossa evolução na procura por entender ordem e arranjo da realidade ao nosso redor. Estratégia como mediação Protocolos da Inteligência Se na era clássica organização era uma estrutura mecânica, e estratégia uma guerra competitiva onde a tecnologia era apenas uma ferramenta; na era das massas, organização é um sistema processual inteligente, e estratégia é um elemento de mediação no gerenciamento de conflitos, onde a tecnologia fundiu-se em protocolos de inteligência. Em verdade, estamos nos aproximamos mais da natureza, e percebendo que pertencemos a ela, e não o contrário. Nesse sentido, observamos da própria natureza que a ordem da realidade está alinhada a uma estabilidade de onde nada se perde; tudo se transforma. Assim, analisando a natureza, percebemos que no núcleo dessa idéia nova de estratégias, baseadas em protocolos de inteligência, está a noção de que perdas, na verdade, podem se constituir em ganhos; inimigos (predadores e presas) colaboram e compartilham um mesmo ecossistema, e se um desaparece o outro também. Estratégias, na era moderna de massas, estão assumindo uma nova proporção porque estamos percebendo o quanto a noção de conflito pode ser
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    214 sensível a definiçãonão só da ordem à nossa volta, mas, também, de nossa sobrevivência. Missão estratégica Gerenciamento de conflitos assume, nesse momento, o papel da mais alta importância, não apenas para se definir estratégias, mas também, para se entender o princípio básico da idéia de sistemas. Informação, como elemento de mediação econômica de conflitos e estratégias de sistemas, deslocou-se da noção de controle, para ser apenas um elemento regulador, sinalizador de ganhos e perdas e direcionador de rumo a seguir. Durante muito tempo, associamos estratégias a guerras, mas quase todas as grandes civilizações humanas faliram não no campo de batalha, mas por disfunção econômica, assim foi para o Império Romano e, mais recentemente, para o Império Soviético. Dessa forma, informação como um ativo econômico baliza sucesso e insucesso nas avaliações de riscos e incertezas de como administramos nossa história, a qual em verdade não segue uma meta determinada, mas é ,tão somente, um repetir de ciclos de apogeus e decadências. Nossoobjetivo é esse, de angariar informação para subirmos, e ao chegarmos ao um certo apogeu, lá permanecermos pelo maior espaço de tempo possível. É nesse sentido que administramos e aplicamos estratégias, do modo que possamos estender e melhorar nossas condições de vida para vivermos um pouco mais. Embora saibamos que, no final, haveremos, de uma maneira ou outra, de perder a guerra, não obstante, tentaremos, até o instante derradeiro, vencer a batalha, negociando com as circunstâncias, e essa é a nossa principal missão estratégica.
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    216 O Valor EstratégicodaInformação Introdução A informação tem o valor estratégico de representar conhecimento, tendo, portanto, duas componentes uma econômica e outra estrutural. A componente econômica da informação A componente econômica da informação expressa-se na sua capacidade de representar valor a partir de transações de negócios, usando a tecnologia da informação. Essa tecnologia da informação, como temos visto no desenrolar dessa palestra, na verdade, forma um ambiente cliente-servidor, não envolvendo apenas máquinas, mas uma visão estratégica de como vantagens competitivas são geradas e criadas. A noção de vantagens competitivas, como uma evolução da visão de fatores de produção, decompõe o negócio e sua organização em processos que possuem uma componente de custo, e outro de alavancagem na tomada de decisão. Processos, nesse sentido, tem o objetivo de definir, e refinar, as pressões exercidas pelos clientes, fornecedores e concorrentes, assim como, a missão de transformar passivos financeiros em ativos de investimento, possibilidade em realidade, acrescendovalor na avaliação do desempenho da organização. Existem algumas maneiras de se examinar um negócio para se avaliar a componente econômica da informação, como por exemplo, através do enfoque empresarial; do enfoque do cliente; e do enfoque da tecnologia. O enfoque empresarial da informação O enfoque empresarial avalia a capacidade da informação de medir o poder de barganha dos clientes, dos fornecedores, assim como, a posição relativa da empresa no mercado. O desenvolvimento de sistemas de informação, sob esse ponto de vista, requer a compreensão clara de como as unidades e departamentos agem integradamente em resposta às relações da organização do mercado com sua cadeia produtiva. O primeiro passo para a consolidação da tecnologia e da informação é entendê-los como ferramenta para consolidação de objetivos de negócio.
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    217 Esses objetivos estãolocalizados no “centro de gravidade da organização. Por exemplo, uma firma que produz remédios tem seu “centro de gravidade” no departamento de pesquisa e desenvolvimento porque a criação de novos produtos, nessa área, é fundamental para o constante reforço de sua posição no mercado. Nesse caso a estrutura da organização deve avaliar sua relações com esse centro de pesquisa e desenvolvimento (P&D), promovendo consolidações, simplificações, otimizações tanto de modo direto como indiretamente. O Enfoque do cliente O Enfoque do cliente avalia a capacidade da informação em medir as forças competitivas de mercado, avaliando as influências internas e externas à organização através da análise da cadeia produtiva e do centro de gravidade econômico, assim como, das condições micro e macro econômicas em que se situa. As informações econômicas internas à organização avaliam o quanto sistemas automatizados aumentam, ou diminuem, o grau de acesso dos cliente à sua de linha de produtos e serviços. Esse enfoque do cliente tem dois aspectos; um objetivo que mede as funções e configurações dos sistemas de informação; e outro subjetivo, medido pelo grau de interatividade proporcionada por interfaces gráficas, ou terminais de acesso. O Enfoque da tecnologia O enfoque estratégico da tecnologia avalia a capacidade da informação em medir como equipamentos representam uma unidade analítica e funcional, reproduzindo seus processos organizacionais como redes de programas, servidores, roteadores e protocolos. Então, dessa forma programas de computador são criados para reforçarem a posição de uma empresa no mercado, reproduzindo as características de sua cadeia produtiva em processos automatizados de tomada de decisão, os quais aumentam a acessibilidade dos clientes à linha de produtos, facilitando a entrega através de uma rede logística de computadores, e fornecedores em parcerias estratégicas. A componente estrutural da informação
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    218 A componente estruturalda informação é a organização daquilo que chamamos de “conhecimento” em protocolos inteligentes que possam representar uma visão analítica de como agem os contendores no mercado, independentemente dos processos funcionais, para se implementar, organizar e arranjar equipamentos e estratégias. Protocolos da inteligência Os protocolos da inteligência representam o esforço de se mudar do modelo mecanicista de polias e roldanas, para o modelo digital de processamento de dados. Nesse aspecto, o valor estratégico da informação contida estruturalmente nos processos automatizados dizem respeito a criação de máquinas capazes de auto regulação, auto organização e mediação através da: 1- representação da inteligência humana, replicando estruturas lógicas e cognitivas através de símbolos que possam ser expressos por algoritmos; 2- representação da inteligência artificial dos autômatas, criando estruturas semânticas de representações por classes hierárquicas; 3- representação da informação, criando mecanismos de inferências, cálculo de predicados e proposições de sistemas especialistas; 4- representação da redes de equipamentos, recriando os mecanismos dos protocolos de comunicação, definindo uma função analítica, e outra física, para a operação, funcionamento e transmissão de dados; Processos da inteligência A implementação desses protocolos se dá através de vários mecanismos, os quais acabam por se tornarem o cérebro pulsante e cognitivo das máquinas no gerenciamento de processos inteligentes, tais como: 1- os mecanismos de instanciamento de objetos (ou polimorfismo): é a capacidade das máquinas em criarem instâncias de processos (ou objetos)
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    219 dentro de classessemânticas, mas que podem se tornar um novo objeto em per si; 2- os mecanismos de lógica difusa (fuzzy): é a capacidade das máquinas em avaliar condições lógicas de incertezas e riscos, recriando não apenas a noção de possibilidade, mas reforçando a idéia de autonomia ,ou ações intencionais (teleologia); 3- os mecanismos da lógica recursiva: é a capacidade das máquinas em processarem dados, ou objetos, recursivamente em busca de componentes e variáveis, reproduzindo a idéia de aprendizado, memória e capacidade cognitiva (som e imagem, por exemplo); 4- os mecanismos de representação simbólica: é a capacidade das máquinas em reproduzirem símbolos, interpretando-os com um valor semiótico de sinal com significância, expandindo, assim, a noção de representações lógicas apenas por algoritmos mas, também, por possíveis combinações de sinais lógicos.
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    220 Gerenciamento Estratégico daTecnologia da Informação A tecnologia da informação como ferramenta no planejamento de negócios Como mencionamos antes, o ambiente de negócios está mudando de paradigmas; de uma visão orientada para processos burocráticos para outro voltado para o cliente. O gerenciamento está focando na sua capacidade de: a- prover maior acessibilidade a produtos e serviços; b- aumentar a capacidade de resposta das organizações as requisições dos clientes; c- diminuir atrasos na entrega de produtos e serviços; A tecnologia da informação está produzindo não apenas novas estratégias gerenciais para as empresas, mas também, está se tornando, ela própria, uma nova estratégia bem definida de como se conquistar novas oportunidades de negócios. McNurlin and Sprague, no livro “Information Systems Management in Practice”, citam o estudo de caso sobre a empresa americana “Mead de Papel e Celulose” como exemplo de como a tecnologia está influenciando a maneira como o trabalho é organizado. “...A empresa “Mead de Papel e Celulose” tem mais de 100 moinhos de fabricação de papel, além vários escritórios de representação e centros de distribuição por todo os EE.UU. Desde de 1970, ela atua, também, no mercado de publicações eletrônicas, oferecendo o sistema NEXIS de informação noticiosa “on-line”, e o sistema LEXIS de pesquisa em assuntos legais e, ainda ,outros tipos de serviços de bancos de dados “on-line”. Em 1960, o departamento de sistemas de informação, da Mead, era quem centralizava e gerenciava o processamento de dados de toda a companhia. Por volta de 1967, o orçamento desse departamento de informação cresceu tanto que acabou tendo sua funções repartidas em diversas divisões. Muitas dessas divisões estabeleceram seus próprios departamentos de informação, porém, todos continuaram a usar os bancos de dados centralizados da empresa. Em 1980, o gerenciamento da Mead compreendeu que a existência dessa estrutura centralizada era contra-produtivo às necessidades do rápido crescimento da industria de informática e da popularização no uso dos computadores. Então, ela se decidiu tornar uma companhia baseada em processos organizacionais eletrônicos automatizados, criando para tanto uma rede corporativa de computadores. O diretor de serviços corporativos de
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    221 informação, a partirde então, passoua se reportar diretamente a alta gerência. Essa nova estrutura passou a funcionar em 1984, e a empresa está satisfeita com essa nova visão corporativa global de seus recursos de informação...” A Tecnologia da Informação como ferramenta competitiva “...Os dados macroeconômicos dos EE.UU sugerem que as firmas não têm empregado a tecnologia da informação para mudanças significativas, tanto quanto deviam...” Disse Thomas Devenport em seu livro “Process Inovation” de 1993. Nessa época ele afirmou: as empresas que se preocupam apenas com o aspecto tecnológico dos equipamentos, e não no de desenvolvimento de aplicativos e programas de computador no desenho de novos processos organizacionais são, na verdade, os responsáveis pela baixa participação da tecnologia da informação no aumento da produtividade geral do país (EE.UU)...” Para se atingir os desafios, para os quais a tecnologia da informação foi projetada, é preciso, antes de mais nada, ressaltar seu caráter de facilitador nos processos de inovação e de tomada de decisão, analisando como ela impacta a cadeia produtiva da empresa “adicionando valor”, e como ela promove diferenciação e redução de custos nos produtos e serviços finais de uma empresa. Tecnologia promovendo diferenciação nos Produtos Diferenciação nos produtos é para os economistas um indicativo de como os clientes percebem imperfeições quando trocam um produto por outro. “... Para reduzir a vantagem de diferenciação dos produtos de seus concorrentes, assim como, reduzir seus próprios custos de transação de estoque, a Honeywellexecutou uma estratégia audaciosa. Ela redesenhousua linha de produtosestocados, trocando 18000 itimizações de partes por apenas 300 itens intercambiáveis. Feito isso a Honeywell se desfez de sua rede própria de depósitos de estoques, trocando-os por um sistema de inventário distribuído, onde os custos passaram a ser compartilhados com os distribuidores. A participação da empresa no mercado dobrou e a venda de seus produtos saltou 50%, enquanto que os custos de transação declinaram...” (Do Livro “Information Systems Management in Practice”, McNurlin and Sprague, de 1989). Tecnologia promovendo liderança em custos Liderança em custos pode ser representado por movimentos estratégicos para se atingir objetivos, tais como: 1- aqueles que reduzem, ou evitam, custos para uma empresa, que de outra maneira, iriam ser incorporados a estrutura de produção, ou serviços;
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    222 2- aqueles queajudam tanto os fornecedores quanto os clientes a reduzirem mutuamente custos , de modo que a empresa acaba por conquistar posição e tratamento privilegiados de confiança no mercado, aumentando com isso os custos dos competidores; Charles Wiseman, em seu livro “Strategy and Computers”, de 1985, menciona 4 maneiras de uma organização aumentar os custos dos competidores: 1- através da especialização com o aumento na divisão do trabalho; 2- através da automação com o aumento na automação de tarefas e processos; 3- através de poder de barganha com o aumento dos descontos por volume de produtos vendidos; 4- através da experiência, quando uma empresa passa a ser reconhecida por sua posição de confiança ganha dos clientes e fornecedores, aumentado com isso seu poder de descontos acima da concorrência; O Papel estratégico dos sistemas de informação McNurlin e Sprague definem as duas maiores características dos sistemas de informação: como sistemas competitivos e sistemas cooperativos. Sistemas competitivos: são aqueles em que a empresa ganha fatia de mercado porque os competidores não possuem um sistema similar; Sistemas cooperativos: são aqueles em que as empresas trabalham em cooperação com clientes e fornecedores através de sistemas eletrônicos do tipo EDI (Eletronic Data Interchange) para trocas comerciais de dados comuns, tais como, para pagamentos de fatura ,ou fazerem ordens automáticas de pedidos, compras ou despacho de mercadorias.
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    223 A Definição deUma PlataformaTecnológicaCorporativa Introdução Stuart E. Madnick, num de seus artigos da coletânea do livro de Michael Morton, “The Corporation of the 1990s”, de 1991, define o conceito de uma plataforma tecnológica corporativa dizendo: “ A tecnologia da informação, incorporada na plataforma corporativa de uma organização, precisa estabelecer um equilíbrio entre sua estrutura organizacional e cultural, e as diversas estratégias possíveis nos processos gerenciais de recursos humanos, negócios e tecnologia. Uma plataforma tecnológica corporativa precisa ser capaz de executar um balanceamento entre os fatores que influem, tanto no ambiente externo quanto no ambiente interno de uma empresa. Três pontos são importantes para se definir uma plataforma desse tipo: 1- habilidade de comunicar, representar e fazer parte de uma unidade lógica e funcional de uma rede de equipamentos; 2- habilidade de ser parte integrante de um sistema gerencial de banco de dados, compartilhado dados com o sistema central , assim como com outros usuários; 3- habilidade de ter uma representação gráfica em termos de interfaces amigáveis usuário-computador; No centro da questão de uma plataforma corporativa está a questão da reestruturação do modelo de escritório, proveniente do século 20, que está calcado no próprio modelo estrutural burocrático de Max Weber. Hoje em dia, um escritório é uma combinação da tecnologia da informação com protocolos inteligentes, os quais têm a missão de transformar esse modelo de escritório tradicional, em um modelo de escritório inteligente. Esse processo é uma combinação de tecnologias, pessoas e processos integrados e interativos. Automação de escritório Raymond McLeod e Willian Jones no artigo “A Framework for Office Automation” de 1987, publicado na MIS Quarterly, apresenta uma exaustiva investigação nesse problema de automação de escritórios, investigando e
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    224 entrevistando mais de1400 executivos em diferentes setores industriais, tais como, nas áreas de seguro, petróleo, energia, bancos e atacadistas. O resultado é um interessante modelo de como “informação “, no seu sentido burocrático impacta uma organização, fluindo da tecnologia que a originou para os níveis hierárquicos de tomada decisão, veja os gráficos abaixo. As conclusõesmostram, que o meio mais usadopara se transmitir informação numa organização que segue um modelo burocrático de atividades são: as chamadas telefônica, as cartas e os memorandos. As fontes primárias dessa informação corporativa e burocrática, analisando os dados acima, são representadas por transações internas à organização, principalmente aquelas
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    225 que acontecem entregerentes e subordinados, e entre gerentes e outras unidades de escritórios dentro da mesma organização. Essa pesquisa mostra o quanto a burocracia tem se tornado um fim em si mesma, tornado organizações em peças rígidas. A análise, tanto do fluxo como do meio pelo qual a informação flui, mostra como estruturas burocráticas estão voltadas para seus próprios interesses, e não aqueles da organização, dos clientes, ou da sociedade. Conclusões Mercado Global &
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    226 Como apresentamos nessapalestra, a economia globalizada é o resultado de uma caminhada histórica rumo a uma sociedade de massas onde predomina a classe média. As necessidades de aumentos contínuos da produção para satisfazer as necessidades sempre crescentes dessa nova classe dominante, que está exigindo cada vez mais ascensão social e segurança, tem provocado o colapso de sistemas rígidos de controles econômicos . O panorama mundial mostra, então, que o movimento de capital e de investimentos seguirá uma lógica competitiva que contará com a capacidade de cada país de manter uma combinação ótima de: 1- Juros atrativos (mais elevados); 2- Preços baixos (de seus produtos de exportação); 3- Inovações tecnológicas (que anulem os preços mais baixos de outros mercados); 4- Balanço de Pagamentos (superavitário); 5- Déficit Fiscal nulo ou sob controle (nível baixo de impréstimos do governo central); 6- Inflação(como indicador de risco quanto ao valor dos juros e preços, alta ou baixa). Vantagem Competitiva no Mercado Global Os mercados locais (dos países) são criados pelas ações de várias entidades participantes da economia, tais como: 1- Governo: cujas atividades principais são: cobrar tributos, emitir moeda, emitir títulos da dívida pública (de curto e longo prazo).
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    227 2- Famílias: cujasatividades principais são: receber salários, receber juros de títulos comprados (curto e longo prazo), consumir produtos e poupar renda, receber ou enviar capital ao/do exterior. 3- Empresas:cujas atividades principais são: comprar ativos (investimentos), vender ativos (títulos de dívida de longo e curto prazo), acumular lucro ou prejuízo, distribuir dividendos aos acionistas e proprietários, receber ou enviar capital ao/do exterior. 4- Movimento das contas externas (Balanço de Pagamento): cujas atividades principais são: receber ou pagar juros de investimentos ou emprétimos, vender ou comprar títulos da dívida pública, vender ou comprar títulos de dívida das empresas, aumentar/diminuir déficit das contas correntes, aumento/ diminuição das reservas cambiais, receber ou enviar capital ao/do exterior. Portanto, Governo, Famílias, Empresas e o Balanço de Pagamento serão guiados, em suas ações, pelas expectativas de risco e liquidez geradas pelos juros (de longo e curto prazo interno); pelas taxas de inflação; pelas taxas de câmbio; pelo déficit fiscal e pelo déficit ou superavit no balanço de pamentos. Atividades do Governo, Famílias, Empresas e Exterior 23Podemos então selecionar 6 índices que serão importantes no gerenciamento de negócios na atual conjuntura da globalização: 1- Juros- P1 2- Cambio- P2
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    228 3- Déficit/Superavit- P3 4-Movimento de Ativos (compra e Venda)- P4 5- Taxas de Riscos Externas- P5 6- Inflação- P6 7- Produtividade (Inovação Tecnológica)- P7 Poderíamos,então, definir um índice geral para cada país (INAC) como: INAC função de (P1,P2,P3,P4,P5,P6,P7) Portanto, para a economia globalizada, as decisões de investimentos seríam uma alocação de recuros (capital) de acordo com os vários índices INAC de cada país. INVEST função de (INAC1,INAC2,INAC3,...,) Modelo de Preferência do Investidor Estrangeiro Obs.: Nesse modelo de preferência, o investidor aloca recursos de capital de acordo com o índice de desempenho (INAC) entre 2 pais, quanto maior o índice menor será a preferência. Podemos concluir que o equilíbrio econômico desses fatores, em jogo no cenário da globalização, dar-se-á mais em "função de apostas feitas em pregões "(bolsas de valores, mercadorias,ativos), do que por "leilões de
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    229 mercado livre", quersejam pelas compras de valores monetários (câmbio e juros), quer sejam pelos preços dos produtos (mercadorias). Mercado Local &
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    230 Como foi ditono bloco "Mercado Global", os países constituem-se em diversas entidades tais como: Governo, Famílias, Empresas, Balanço de Pagamentos; formando,assim, o mercado local . A visão econômica do mercado local constitue-se de um equilíbrio entre: 1- O Consumidor ( e suas estratégias de alocação de recursos, modelos de preferência, e curvas de indiferença, funções de utilidade); 2- O produtor ( e suas estratégias de produção, custos, lucro, alocação de recursos, competitividade, preços, marketing e predominância no mercado monopolista ou de livre concorrência). O equilíbrio, como mostrado na figura abaixo, é definido no ponto onde a oferta (SS) encontra a demanda (DD), definindo o preço ótimo (competitivo) quando tudo que se produz (Q1) será consumido ao preço (P1). Equilíbrio - Curva de Oferta e Demanda Atividades Empresariais: As empresas refletem suas atividades empresariais no balanço patrimonial (BP), definindo genericamente: Ativos (investimentos) e Passivos (capital emprestados de 3º e capital próprio). Os ativos, como aqui apresentados, refletem a capacidades das organizações em alavancar sobre:
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    231 1- os custos,vendendo o produto mais barato de acordo com os insumos de produção; 2- os juros, criando rentabilidade lucro/vendas maior que aqueles pagos a terceiros; 3- a informação, criando dados ( "Ativos Contábeis") que alavanquem sobre custos e juros conjuntamente. ATIVOS PASSIVOS Produção: Estoque Mercadorias Estoque Materiais Finanças: Caixa Investimentos Imobilizado Informação: Investimentos Projetos Estratégias Capital de 3º Curtos Prazo: Empréstimos Tributos Longo Prazo Empréstimos Tributos Capital Próprio Capital Lucro/Prejuízo Representação Diagramática do Balanço Patrimonial Funções de Negócios Como definido nessa palestra, as funções de negócios foram divididas em: 1- Produção: são aquelas referentes à constituição das funções de produção e custos; dos programas de planejamento de vendas e compras de materiais; dos programas de gerenciamento de estoques; da programação de pazos a clientes e de fornecedores; dos programs de produtividade e qualidade total. 2- Finanças: são aqueles referentes à constituição das funções de gerenciamento de ativos (caixa, investimentos de longo e curto prozo e riscos) e de gerenciamento contábel (auditoria, demostrações contábeis, análises de índices). 3- Organização: são aquelas referentes à constituição de processos gerenciais; organização da produção, do marketing, das finanças, de estratégias competitivas e da estrutura de tomada de decisões. 4- Informação: são aquelas referentes a administração de bancos de dados, redes de computadores, plataformas computacionais, interfaces gráficas,
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    232 organização estrutural dosdados e a definição de um valor para a informação. As Relações das Funções Organizacionais Concluindo, o gerenciamento de empresas, nessa era da globalização, exige um equilíbrio entre os fatores externos, tais como: juros, câmbio, déficit fiscal, riscos e inflação; e os fatores internos das organizaçõestais como as funções de produção, finanças, processos organizacionais e informação, como mencionados acima. Nesse sentido, a informação é o elemento de mediação que através da tecnologia da informação cria valor para os dados organizacionais e os transforma em “ativos contábeis”, alavancando sobre os custos de produção e os juros passivos ( sobre o capital próprio ou de 3º). Informação A tecnologia da informação é um elemento de mediação no gerenciamento das empresas porque tem a missão principal de gerar “ Ativos Contábeis” " a &
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    233 partir dos diversoselementos ou índices financeiros, de produção e processos organizacionais. A informação gerada pela infraestrutura tecnológica tais como, bancos de dados, redes de computadores, interfaces gráficas têm o propósito básico de mediar a tomada de decisão, gerando estratégias que não devem ser encaradas como modelos, mas como guia para a obtenção de resultados particulares, os quais devem ser continuamente monitorados e alterados. Nesse sentido, a infraestrtura da tecnologia da informação tem vindo , aos poucos, substituindo a estrutura burocrática como elemento de mediação no gerenciamento. Então, as funções básicas do gerenciamento, tais como: controle, comando, distribuição de tarefas vêm sendo alteradas, minimizando as descrições das posições de trabalho e maximizando os processose funções organizacionais. A burocracia está , portanto, em declínio pondo em relêvo a importância da economia da informação, ou seja, a definição de um equilíbrio mediador entre o desempenho organizacional, o desempenho das empresas e a resposta do consumidor as diversas estratégias competitivas de mercado. Informação como Mediação na Tomada de Decisão Como visto na figura acima a informação é uma função dos índices, tais como: INAC - de desempenho dos mercados locais na economia global; IORG - de desempenho dos processos organizacionais; IPROD - de desempenho das funções d eprodução. INFO função de (INAC,IORG,IPROD). A tomada de decisão , portanto, é decorrente dos diversos índices de desempenho e acompahamento gerencial, tais como: 1- Volume de Vendas;(VV) 2- Lucro ou Prejuízo;(LP) 3- Investimentos;(INV) 4- Distribuição de Dividendos;(DD) 5- Ações de Restruturação Organizacional;(ARO) 6- Avaliações do Ciclo do Negócio; (ACN) 7- Reorganização Processos Custos; (RPC) 8- Reorganização Processos Produção; (RPP) 9- Reorganização Processos Financeiros; (RPF)
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    234 10- Reorganização dosRecursos Humanos; (RRH) 11- Processos de Inovação tecnológica; (PIT) 12- Processos de Produtividade; (PP) 13- Processos de Qualidade Total; (PQT) 14- Processos Planejamento de Materiais; (PPM) Esses índices não têm o objetivo de serem exaustivos, devem apenas refletir um conjunto de dados com valor relativo a um conjunto de estratégias gerenciais a serem avaliadas. T.DECISÂO função de (PPM,PQT,PP,PIT,RRH,RPF,RPC,ACN,ARO,DD,INV,PL,VV) Concluíndo, as diversas estratégias de alocação de na organização seguem uma função de utilidade como expressa nas figuras abaixo. Ou seja, uma certa quantia de capital, definirá um conjunto preferêncial de processos organizacionais (IORG) e produtivos (IPROD), ou ainda (INARC). Uma estratégia organizacional definirá um conjunto preferêncial de fatores, ou índices, de T.DECISÂO, tais como Volume Vendas e Processos de Produtividade (VV), (PP). Desse modo, a informação passa a ser percebida sob a ótica de uma economia da informação e a tecnologia da informação sob a ótica de uma mediação na gestão dos negócios . Economia &
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    235 Como foi ditonos blocos anteriores a informação constitui- se de dados que se valorizam e desvalorizam no tempo, definindo 3 tipos básicos: Informação avaliativa: trata de dados de ações passadas; Informação tática: trata de dados para a ação presente; Informação estratégica: trata de dados para avaliar ações futuras. Desse modo, dados armazenadosem bancos de dados, ou arquivos, alternam de valor conforme momento e circunstância. Eles podem adquirir valor estratégico se importante para uma previsão; tática caso seja de valor emergencial no presente, ou ainda, avaliativa caso se tratem de dados com valor de séries históricas. O componente mais importante nessa abordagem é , então, a definição de uma visão de equilíbrio para a informação, quando então passará a ter um valor econômico. Para o caso específico, aqui tratado, do gerenciamento de empresas, o equilíbrio econômico da informação será o resultado de uma estratégia de mediação entre os fatores externos e internos já discutidos nos blocos anteriores. Fatores externos: Juros, Câmbio, Balanço, Inflação. Fatores Internos: Custos Vendas, Lucros,Investimentos, Distribuição de Dividendos, Restruturação gerencial, Avaliação do Ciclo do negócio, Processos Produtividade, Inovação tecnológica, Qualidade Total. O elemento de mediação é a tecnologia da informação, ou seja: 1- estratégias de desenvolvimento de sistemas;(EDS) 2- Estratégias de desenvolvimento de bancos de dados;(EDBD) 3- Estratégias de desenvolviemento de rede corporativas;(EDRC) 4- Estratégias de desenvolvimento de interfaces gráficas;(EDIG) 5- Estratégias de desenvolvimento de protocolos.(EDP) O centro dessa abordagem é a definição de uma arquitetura de dados que represente: 1- um modelo de transação de dados;
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    236 2- um modelode organização relacional de dados das empresas; 3- um modelo de apropriação de informações contábeis e não contábeis; 4- um modelo de avaliação de riscos: externos (ações de países), interno (ações de empresas), estratégicos (ações de ativos contábeis); 5- um modelo de organização de protocolos (físico,data link,path control, transmission control, data flow control, apresentação e transações de rede). TECNO é função de (EDP,EDIG,EDRC,EDBD) TECNO, nesse sentido, é o elemento de mediação na definição de estratégias gerenciais, as quais passam a substituir, a apartir do fenômeno da globalização, os processos burocráticos e por extensão a própria burocracia. ESTRATÉGIA é função de ( INFO,TECNO,T.DECISÃO) Concluindo, a tecnologia tem se tornado, no gerenciamento atual de empresas, o elemento de mediação antes exercido pela. No entanto, devemos salientar que países, empresas, estratégias são conceituações. Na verdade, quem compete são pessoas. Desse modo, é bom não se esquecer o que já vem sido discutido ao longo do século passado (século 20) sobre gerenciamento de recursos humanos. Esse debate continua válidos. Pessoas motivadas, treinadas e bem pagas são aquelas que expressam lealdade às marcas e empresas , e, são os elementos competitivos mais importantes desse início de século 21. O declínio da burocracia tem afetado uma de suas funções mais importantes que é o de estabilidade social. Nesse aspecto, o papel mediador da tecnologia tem sido falho. Empresas que na sua procura descuidada por mão-de-obra barata, seguindo uma política de contratação e dispensa, procurando por lucros fáceis e informatização a qualquer preço, investe contra o seu próprio futuro competitivo e aposta na instabilidade social. Sob esse aspecto da estabilidade social, o desenho da nova organização e da nova estrutura de negócios ainda está ainda por ser melhor compreendido ou definido. Apêndice &
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    237 A Armadilha dasIdeologias A armadilha das ideologias significa o dilema que nós mesmos nos impomos, quando transferimos nossas responsabilidades pessoais, como seres humanos, a bandeiras ideológicas. A verdade é que nesses últimos 200 anos, toda vez que alguém apareceu com uma brilhante ideia, o fato é que um outro saiu ferido, ou levou bala. Não podemos deixar de observar que as ideologias têm afundado como o humanismo, e, o século 20 é um bom exemplo disso. Experiências ideológicas, no século passado, criaram campos de concentração, coletivizações forçadas e genocídios étnicos. Estima-se que mais de 60 milhões de pessoas tenham morrido devido a esses extremos das ideologias. O problema é que qualquer besteira, ou porcaria, funciona no curto prazo. No longo prazo, a história não perdoa. Inconsistências, ignorâncias , burrices e irracionalidades não têm preço, são imperdoáveis, acabam na lata de lixo do cemitério de suas vítimas. O pano de fundo da armadilha, que as ideologias nos impõem , é a abdicação de nossa responsabilidade pessoal em explicarmos nós mesmos em prol de modelos, ou fórmulas. Assim, deixo de ter responsabilidade sobre minha própria experiência , atos ou atitudes, abrindo caminho para a justificativa da tortura, do assassinato e do linchamento, escondendo-me atrás de uma bandeira, um lema, uma filosofia, uma religião ou justificativa moral qualquer. Não me pergunto quantos foram mortos e quem são as vítimas, acabo encontrando justificativa no grupo ideológico a que pertenço, e nós nos acobertamos e nos absolvemos. As vítimas que se danem ! O resultado prático dessa armadilha tem sido o colapso de todos os credos, lançando-nos nesse pântano do vazio existencial do vale-tudo, de cinismos e de hipocrisias. Mas, se estamos impossibilitados de resolver esse dilema da armadilha ideológica, porque qualquer atitude moral nos levará algum dia ,de alguma forma, a sacar do revólver, o quê fazer então? A resposta não é fácil, mas é simples. Mediação! Trocamos a armadilha ideológica pela responsabilidade de ponderar entre prós e contras, entre a fé inabalável em modelos ,e, a razão. Mediação é o processo usado nas cortes de justiça. Devemos observar que o símbolo da justiça não é a espada, como muitos gostariam que fosse, mas a balança. Então, se fosse advogado, apontaria para esse símbolo da justiça, nesse momento, e diria: essa é a consciência humana ! E cabe aos senhores e senhoras do júri decidir sobre a evidência dos fatos, o peso das provas, e, assim, tomar uma decisão acima de qualquer dúvida. Porém, devo advertir
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    238 que não existemgarantias de que, o que está sendo apresentado nesse tribunal, seja a melhor representação da verdade absoluta. Essa corte não pode assumir responsabilidade por não errar, essa é apenas uma tentativa de boa-fé em sermos justos. Por isso, esse tribunal divide suas responsabilidades entre o juiz e o corpo de jurados. A verdade será o resultado da totalidade das mediações que cada um dos senhores , ou senhoras ou o juiz exercerão sobre os fatos contra e a favor de cada prato da balança da justiça. Não existem fórmulas que vos evitem errar. Mas, lembrem- se, a sorte, a vida e a reputação de um acusado está em vossas mãos. Se o processo de mediação é o que propomos como opção à armadilha das ideologias , que significado isso tem para nossas vidas, nesse momento de crise em que vivemos? A crise brasileira do momento é extremamente saudável, a despeito do que alguns possam pensar. É a crise da maturidade, da passagem de uma sociedade oligárquica , colonial, para uma outra, industrial de classe média. Ao colocar nos pratos da balança prós e contras do momento atual, vemosque extremos de violência e injustiças estão sendo balanceadospela estabilização econômica e pelo avanço da classe média, devido ao fim da inflação. Nosso conflito primordial é o da maturidade. Nossos problemas são essencialmente urbanos. Mas, como o processo de industrialização tem sido muito rápido, nesses últimos 50 anos, os gerentes desse processo estão, ainda, muito ligados aos vícios de um passadocolonial recente, quando, então, o país tinha 40 milhões de pessoas, sendo que 80 % viviam no campo. Agora, nesse momento atual de crise, estamos assistindo o surgimento de uma nova geração de administradores, tanto no setor público quanto no privado, os quais vão, aos poucos, quebrando esses ciclos de formações de quadrilhas e cupinchanatos. Estamos assistindo ao fim da farra das oligarquias ! Ratio et Fides A civilização ocidental vem, por séculos, lutando entre duas perspectivas para explicar os seres humanos; o idealismo, que propõe ideias, conceitos e modelos; e o comportamentalismo, que estuda reflexos condicionados e influências ambientais. O idealismo é baseado numa visão criada, ou revelada, da realidade que estava escondida da nossa percepção de como as coisas funcionam no mundo. Se essa percepção idealizada funciona ,ou não, depende de se acreditar em certas premissas de quem a constrói. O comportamentalismo, por outro lado, analisa tão somente os dados observáveis, baseando-se em modelos de como nós nos comportamos diante da combinação de influências do ambiente e capacidadesorgânicas e genéticas. Se elas funcionam , ou não, dependem de se acreditar tão somente em dados experimentais ou
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    239 estatísticos, como sepudéssemos nos dissociar de nós mesmo, quando nos analisamos tal qual um fenômeno. Então, ideologia ou prática é nosso drama na cultura ocidental contemporânea. Esse drama da cultura ocidental vem se desenrolando desde os primórdios da civilização, começandopela nossa perplexidade ao enterrar nossosmortos e das necessidades de se criarem ferramentas para nossa sobrevivência. Esse embate, teoria e prática, foi nascendo decorrente de duas perspectivas que têm nos acompanhado desde o início para explicar a realidade que nos cerca; a fé, como a capacidade de explorar o mundo onde todas as possibilidades existem, e a razão como o ato que torna essas possibilidades realizáveis. Assim, o mundo medieval pode ser encarado como o da exacerbação da fé, do misticismo, do sobrenatural que nos escravizava a um eterno mundo de infinitas possibilidades que nunca se realizavam, ou, que se realizavam em um ambiente onde éramos vítimas, crianças, não agentes construtores e adultos responsáveis. O mundo científico do renascimento, após o início dos descobrimentos marítimos, passou a privilegiar o processo da razão, criando o método científico da evidência dos fatos, da causa e efeito, numa tentativa de tomarmos controles sobre nossas vidas , assumind responsabilidade por nossos atos, de tratarmos a nós mesmos como responsáveis. O drama atual é que essas duas perspectivas do método científico, idealismo e comportamentalismo estão em crise, porque estamos perdendo controle sobre o método para nos tornamos, outra vez, vítimas das circunstâncias, do ambiente , ou das ideias que nós mesmos nos impomos. Ou seja, procuramos modelos e fórmulas que nos expliquem. Seguindo essa análise crítica, o mesmo conflito que remonta ao início do processo civilizatório continua nos impondo dúvidas entre a validade da razão e da fé. Cabe-nos , nesse momento, decidirmos se assumimos controle sobre nossas vidas, ou nos rendemos a ideias ou palavras revestidas de razão, mas, que na verdade dependem de uma grande dose de fé inabalável. Diversas perspectivas do método científico, de provas, evidências e causa e efeito resultaram desses últimos 500 anos de histórias da civilização ocidental, tais como: 1- o método racionalista, enfocando a razão e premissas encadeadas e sequenciais de ações lógicas. 2- o método histórico, enfocando a ação progressiva da história rumo a um objetivo inexorável e triunfalista. 3- o método culturalista, enfocando as características culturais como determinantes de resultados presentes.
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    240 Como podemos perceber,nenhum deles foi capaz de nos trazer respostas duradouras, porque de uma forma ou de outra, falharam em soluções. A verdade é que mudanças constantes de valores em nossa civilização têm proposto, constantemente, novos problemas cada vez mais complexos para serem resolvidos, criando-se, assim, novos paradigmas ou novos métodos e processos de como problemas antigos podem encontrar novas soluções. Então, a visão estática do mundo Ptolomaico da era medieval foi erradicado pelas visões astronômicas de Copérnico devido, principalmente, as necessidades criadas pelas navegações marítimas e o comércio, abrindo caminho para uma sucessão de novas perspectivas ou paradigmas nas ciências , as quais, ecoam até os dias de hoje. O momento atual em que vivemos, ao exigir mais flexibilidade, está requerendo do método científico mais parcimônia e mediação, tanto na proposição de problemas quando na sua resolução. Se, de fato, temos como característica da mente humana a capacidade de explorar um mundo de infinitas possibilidades, por outro lado, temos o compromisso de torná-las factíveis. Nesse sentido, fé e razãonão estão tão distantes como pensávamos, mas interlaçam-se para criarem a própria consciência humana, num processo de mediação entre possibilidades e realidades. No entanto, nossa missão é sem dúvida atuar e realizar sem nos deixarmos levar por armadilhas, dilemas, becos sem saídas ideológicos ou místicos, que estão bem marcados em discursos dialéticos que privilegiam a visão de problemas como resultante do conflito entre opostos, e a realidade como resultado do exercício da negação. A armadilha do discurso dialético é de nos fazer acreditar que é preciso negar alguma coisa para que um objeto exista na nossa mente, que somente reagimos aos conflitos se nos posicionarmos em relação ao outro que apresenta sua versão dos fatos, que nos afirmamos positivamente ao negar alguma coisa. Ou seja, caímos nas velhas máximas, de que existo porque percebo que posso deixar de existir algum dia, lutando continuamente para estabelecer um ser sólido como rocha, mas tendo com resultado algo volátil como gasolina. Talvez não sejamos nem tão sólidos nem tão voláteis, se compreendermos que o que sustenta problemas e sistemas são justamente os opostos, os quais , em realidade, não estão em conflito uns com os outros, mas que cooperam para que hajam problemas e sistemas. Nesse sentido, conflito não assume um carácter negativo porque, afinal de contas, ele não é resolvível, mas apenas gerenciável, pois sua resolução corre o risco de aniquilar o próprio sistema que compõe. Conflitos aparecem e desaparecem como resultado do surgimento de novos paradigmas, ou conjunto de valores, os quais mudam constantemente a face de velhos problemas com novas soluções. A armadilha dialética, os dilemas existenciais e as soluções de problemas quando vistos pelo ângulo da mediação de opostos, equilibrando-se nos pratos da balança os prós e os contras, encontram na disputa entre fé e razão
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    241 sua força deexistir. Desse modo, estou a todo momento explorando o mundo onde todas as infinitas possibilidades existem , com o intuito de, unilateralmente, escolher uma, que será a tese do problema que eu mesmo me imponho a resolver, não revelando verdades escondidas, mas fazendo uma opção, uma escolha por ato de vontade, para que a realidade seja da maneira que pretendo construir, sujeita as limitações da racionalidade e do bom senso. Assim, o processo de mediação, visto desse modo, é um assalto ao mundo das possibilidades da qual retiro uma por vontade própria, fazendo com que eu não seja apenas vítima das circunstâncias, ou realidades, mas seu agente.Construo sistemas que me são mais racionalmente convenientes, vivo no mundo que quero, e assumo responsabilidades por isso. Visto por essa perspectiva de mediação, a consciência humana é sempre positiva. Não tenho outra possibilidade, senão fazer escolhas e optar. Consciência torna-se, dessa maneira, uma condição inescapavel da minha existência, condenando- me para sempre a fazer escolhas com razão e fé. Na verdade, ou faço escolhas de boa-fé, baseado nos fatos, evidências e bom senso ,ou, atuo de má-fé tentando forjar os acontecimentos, assim com um ator/atriz no teatro ao representar um personagem, que por mais má-fé que se use ele/ela sempre saberá que é tudo uma farsa. Que importância tem esse processo de mediação para o momento em que vivemos? Ao aproximarem-se as eleições municipais, não podemosacreditar, tão somente, que os futuros prefeitos, quaisquer que sejam os partidos vencedores, possam resolver todos os nossos problemas, principalmente os de ordem econômica. Vejamos o caso do maior porto do Brasil, o porto de Santos, por onde passa alguma coisa como 50% do comércio exterior (importações e exportações) do país. Estima-se que por volta de 40 bilhões de dólares girem pela praça comercial de Santos, colocando-a no rol das grandes cidades portuárias do mundo, tais como, Roterdã, Nova York, Singapura, Hong Kong. No entanto, Santos é um caso único entre esses grandes portos, pois 25% de sua população está desempregada. Que fenômeno é esse que transforma um dos maiores portos do mundo em simples pátio de manobra de caminhões , ou containers? Com certeza, é a criminalização das atividades de negócio , que tem transformado esse rico país, em um pobre país, colocando competitividade ,baseado em iguais oportunidades como algo negativo, em prol da "Lei de Gerson", baseado no vale-tudo e na trapaça. No caso de Santos, por exemplo, que não é único no Brasil, o porto tem sido visto como um conjunto de instalações físicas , e não como uma atividade sistêmica de negócios, um setor industrial. Preocupam-se com o desempenho das instalações do cais, do píer de atracação, mas se esquecem de todas as atividades acessórias e
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    242 interligadas, tais como,operações bancárias, de transporte , de logística, de despacho, de armazenagem ,de manutenções, de transações comerciais e de turismo. A simples circulação de US 40 bilhões de dólares na praça santista seria, por si só, uma razão para termos uma cidade rica, e não uma cidades pobre com 25% de desempregados. O que está errado? Falta de mediação, pois a base do conflito de negócios, o equilíbrio entre consumidores e produtores está desarticulado, na medida em que o porto não é visto como um setor industrial, mas tão somente como uma instalação física. Dessemodo, perdemos de vista sua participação nas diversas atividades diretas e indiretas, ligadas a economia nacional e internacional. Resta a prefeitura cobrar pesados impostos prediais para satisfazer às necessidades dos cidadãos, dos quais 25% estão desempregados. Resta a cidade ver circular US 40 bilhões em dinheiro e mercadorias, das quais não tem acesso ou participação. Enquanto isso, florescem o contrabando, o tráfico de drogas e o banditismo, colocando o porto de Santos como um dos mais perigosos do mundo. 16 de maio de 2000, Ricardo Rodrigues. Um Outro Período Cambriano... O Despertar do Autômata a Caminho de Damasco Gênesis Hoje, como a milhões de anos no processo de evolução da Terra, nos confrontamos com questões, tais como, aprendizado, adaptação e &
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    243 inteligência. Assim, procuramosincessantemente fundamentar e aprimorar os conceitos que temos sobre processos e estratégias quer sejam nos aspectos produtivos, gerenciais ou administrativos. Como fazemos parte da natureza, e não o contrário, nossa procura é também a procura da própria natureza,refletindo, desse modo, o processo de evolução natural do planeta até chegarmos nesse ponto que estamos da nossa civilização. As intricadas relações, do atual estado do nosso ecossistema, têm sido forjadas ao longo desses anos, e as dificuldades e solução encontradas pela natureza devem estar refletidas, de uma forma ou outras, nas mesmas repostas que procuramos ao olharmos para traz e tentarmos compreender de onde viemos e para onde vamos. Após a formação inicial do nosso planeta no sistema solar, e o aparecimento de algumas formas de vida em termos de protozoários, a formação das condições que hoje observamos na nossa atmosfera criaram as possibilidades para o súbito surgimento de uma gama variada de formas de vida, numa tentativa da natureza em criar os protótipos daquilo que hoje somos. Essa súbita explosão de diferentes formas de vidas, um pouco mas complexas do que seres unicelulares, estão estampadas no formato de fósseis de onde se pode observar os rudimentos de estruturas ósseas, formação e especialização de órgãos, proto-estruturas com possíveis pseudo funções. Esse é chamado, dentro das eras de evolução da Terra, como o período da “explosão cambriana”. Ao observarmos a tabela da evolução do nossoplaneta, em termos geológico, o interessante é notarmos as diversas tentativas da natureza em criar processos, estruturas e funções, de uma maneira tão simples e inteligente como para se adaptar a existência da vida às diversas mudanças, recorrentes nas condições geológicas, alterando formato, tamanho e formas dos seres que habitaram, e ainda hoje habitam esse planeta. Desse modo, ao chegarmos até os dias de hoje, e observarmos as mudanças pelas quais passamos, o interessante é fazermos essa analogia entre as tentativas da natureza em criar e aprender com as construções de formas e estruturas de vida, com o nosso próprio esforço em criar ferramentas e tecnologia, os quais acabaram por se tornarem não apenas engrenagens, polias e alavancas, mas sofisticados instrumentos com os quais interagimos na construção do mundo à nossa volta. Da natureza, podemos observar as transições do mais simples possíveis, com funções bem óbvias, para formas de vida mais estruturadas e complexas; até o atingir de níveis dinossáuricos colossais da era Jurássica. Então, de uma forma ou outra, essas estruturas entraram em colapso e se foram, optando a natureza por formas mais compactas e ágeis, criando formas mais variadas de plantas e animais, dividindo as possibilidades mais igualmente entre
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    244 vegetais, mamíferos erépteis, até que, a partir do período Terciário em diante, começam a surgir, dentro do ramo dos mamíferos, os hominídeos. A partir do Holoceno, que é o período no qual estamos vivemos até hoje, surge o Homo Sapiens. O interessante nesse processo é notar que as formas diminuem ao ponto de que, ao mesmo tempo que surgem os seres humanos, vão desaparecendo os mamíferos colossais, tais como, os Mamutes e os Tigres dentes-de- sabre. Através dessa visão do surgimento do mamífero inteligente, notamos que o enfoque da natureza muda sua ênfase de tamanho para agilidade; de estruturas funcionais para processos funcionais no desenvolvimento dos seres vivos, privilegiando cada vez mais o inteligente em vez do impulsivo, o violento pelo adaptativo, a força bruta pela estratégia. Dessa forma, tem sido construído através desses milhões de anos a história da natureza, e a nossa própria, em torno da noção de ecossistemas, onde predadores e presas, na verdade, repartem suas experiências dentro da cadeia ecológica, não numa guerra de força e tamanhos dinossáuricos, mas através da astúcia, paciência, persistência e, a cima de tudo, pela tentativa e erro. Quo Vadis Seguindo essa abordagem, o Homo Sapiens está evoluindo em direção a se tornar o Homo Faber, e nesse processo repetimos as mesmas experiências da natureza. Agora , nós mesmos estamos engajados na criação de estruturas, formas, processos e funções que vão além de simples máquinas repetitivas, mas estruturas inteligentes capazes de funções auto-reguladoras e adaptadoras. Ao observarmos nosso processo evolutivo, percebemos que estamos tentando passar, ou replicar, as mesmas características que nos são bem peculiares de astúcia e inteligência, as quais podem ser resumidas de maneira bem simples por aquilo que chamamos de razão. Assim, tentamos replicar através das máquinas as mesmas estratégias do raciocínio humano, usando a lógica tradicional, a lógica recursiva e difusa (fuzzy), ou ainda, sofisticadas representações de símbolos e instanciamento de objetos programáveis. Por outro lado, desde o início da nossa civilização, temos estado sempre muito impressionados pelo papel das religiões, e temos, inegavelmente, associado ao nosso caráter civilizatório, além da razão, um outro de fé. Fé, aqui, não vista como misticismo, ou ainda, razão como uma arma, mas ambos como uma soma de forças de equilíbrio e mediação na formação da consciência de como predadores e presas participam do jogo imposto pela natureza , nesse ponto da evolução desse planeta, colocando-nos, assim, no topo da cadeia alimentar.
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    245 Fé, então, serianão mais do que a exploração do mundo onde todas as possibilidades residem, onde uma explosão combinatória de probabilidades se juntariam para criar isso que nos é muito peculiar e caraterístico: escolha, autodeterminação, vontade própria. Não que essas propriedades sejam exclusivas nossas, de alguma forma podemos vê-las em quase todas as formas de vida, mas o nosso desafio é esse; como reproduzir máquinas pensantes que possuam certas características humanas. Na procura pelo autômata, acabamos por encontrar a nós mesmos no esforço para entendermos o que somos, de onde viemos e para onde vamos, e nesse processos criarmos computadores inteligentes, rompemos a barreira do processo de criação como exclusividade da natureza, mas, para também, reinventar estruturas, processos e funções, as quais possam, talvez um dia, participar igualmente do processos natural de evolução, acabando por fazerem parte do ecossistema desse nosso planeta. No entanto, o processo não é pacífico, talvez , no meio desse caminho, no qual nos engajamos, tenhamos ainda de dizer, da mesma forma que já ouvimos antes: Quo Vadis? (Para onde Vais?). Nesse esforço para conceituar inteligência artificial, percebemos que as máquinas estão se afastando do modelo antropocêntrico de consciência, aproximando-se mais da noção de adaptação e flexibilidade mostrada pela evolução das espécies. Nós, por outro lado, estamos nos afastamos de idealismos em prol da construção de um senso mais comum. Em outras palavras, hoje, quando um carro para no meio da rua não é por falta de “essência”, mas de gasolina mesmo. O Novo Raciocínio da Sociedade das Massas O Problema Econômico Ao fazermos essa analogia da evolução da naturezae das espécies, com o fim da era das alavancas, polias e das químicas de proporções exatas, e o início da era digital, percebemos que, assim como a natureza, nos adaptamos através de uma rede de relações que se montam, considerando desde os movimentos tectônicos dos continentes, até as novas formas de organização social, política e econômica.
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    246 O papel datecnologia tem sido esse, de libertar as massas do trabalho repetitivo, reforçando o papel da inteligência, da informação e do conhecimento. Seguindo essa estratégia de comparação da evolução das máquinas com a formação do nosso planeta, notamos que as massas foram escravizadas, em certa medida, pela noção que privilegiava trabalho como fator de produção, tão somente. No entanto, com Henry Ford e sua visão de linha de montagem, essa noção se desloca do enfoque apenas produtivo do caráter do trabalho, como fator de produção, para um posição mais ambígua e ambivalente. Essa posição coloca a mão-de-obra como, ao mesmo tempo, fator de produção e consumo; trabalho e investimento. Alterando profundamente as relações ”tradicionais” da visão de mercado como um simples conflito entre produtores e consumidores. Dessa forma, a mão-de-obra não é mais vítima, mas um pivô interessante nas considerações sobre processos produtivos e, talvez, da própria idéia de sistemas econômicos. Desde Ford, no início do século 20, até agora, início do século 21, a potencialização dessa noção de produção em massa, e o conseqüente aparecimento dessas “ambivalências” na questão da mão-de-obra como fator simultâneo de produção, consumo e investimento, criou uma relação íntima de reciprocidade entre custo, preço, juros e informação na moderna visão de uma sociedade de massas. Mão-de-obra, na atualidade, ora é custo mas compra e paga, ora é consumidor mas também têm fortes interesses como produtor, e ainda através de seus grupos de pecúlios, investimentos e aposentadorias são também investidores, donos de empresas e foco de toda e qualquer estratégia de negócios na atualidade. A ascensão das massas, ao se tornarem classe média, romperam aquela visão antiga de vitimização que se tinha da mão-de- obra, destruindo as tradicionais e coloniais relações de senhores e servos, para se tornarem a força econômica moderna dominante por todo o planeta. Assim, os escravos educaram-se, profissionalizaram-se, deixando os trabalhos repetitivos, movendo-se em direção ao gerenciamento das empresas, tornando-se fonte criadora e renovadoras da própria noção de empresa, negócio e mercado. Tornaram-se consumidores exigentes, investidores hábeis, constituiram fundos de pensão e aposentadoria, consolidaram benefícios que, para serem pagos, exigem reinvestimentos no setor produtivos, acelerando, dessa forma, o processos de produção em massas, criando um circulo virtuoso onde quanto mais pessoas ascendem à posição de classe média, maior o mercado, maior a produção, e mais assegurados estarão as vantagens e os benefícios de todos. A estratégia da sociedade de massas é por excelência um processos que precisa, para sobreviver, ser inclusivo e estar disponível a todos senão não se sustenta; em oposição as velhas estratégias coloniais, as quais são
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    247 basicamente excludente, benefíciosde alguns que estão no comando, onde repartir, na visão oligárquica, é uma ameaça. Enquanto que na visão da sociedade de massas o poder se reforça pela inclusão de mais um, que é sempre bem vindo, na visão colonial a exclusão é demonstração de poder e cristalização de privilégios, tendo como arma a intimidação. A genialidade de Keynes foi essa, de perceber as conseqüências econômicas dos métodos produtivos de Ford, reinterpretando a noção de valor econômico da moeda, transformando-a em apenas alavanca de possibilidades para transformar passivos em ativos financeiros, deslocandoo conflito oligárquico e colonial de moeda versus trabalho para a moderna visão conflitiva de informação versus conhecimento. Por isso é , hoje, tão importante o controle sobre a inflação, para manter o valor da moeda como lubrificante desse sistema de produção e investimentos de massa . Dessa forma, o raciocínio das massas (classe média) não é mais de ser escrava na relação a emprego e métodos de produção, mas , por mais incrível que possa parecer, transformou-se em senhora da situação na definição das relações entre consumidores e produtores, alterando profundamente as velhas premissas econômicas simplistas de livre mercado baseadoapenas no leilão cego de preços. Assim, a noção de mercado que se está forjanda é aquele que define premissas de avaliações de risco, típicas dos pregões de bolsas de valores e mercadorias. Assim, as massas produzem e são donas ao mesmo tempo, reforçando a visão Keynesiana, onde, em verdade, o desafio econômico é se definir claramente o que entendemos por informação e conhecimento, tornando-se a moeda apenas um indicador, uma cotação de valor. Em outras palavras, resumindo tudo isso, poderíamos dizer simplesmente: “Faça o comércio, não faça a guerra !” è preferível fabricar fogão, geladeira e automóveis do que bala para canhão. A evolução tecnológica nas telecomunicações e informática está nos empurrando a todos em movimentos tectônicos, eletrônicos e digitais em direção a Pangéia inicial de onde viemos, quando, então, na história da evolução do nosso planeta, todas as atuais massas continentais estavam unidas. Dentro desse novo raciocínio da sociedade de massas que se forma por todo o planeta, nenhuma pessoa sozinha faz história e nada acontece por acaso. O conflito primordial na evolução desse tipo de sociedade é, principalmente, a questão de iguais direitos e oportunidades a todos, assim como, a ascensão da mulher no mercado de trabalho e formação daquilo que chamamos de renda dupla ( onde o marido e a mulher trabalham), requerendo para isso, portanto, a discussão sobre méritos e, também, sobre a gravíssima questão do assédio sexual que as mulheres ainda sofrem no mercado de trabalho como um todo (de conservadores e liberais igualmente). Precisamos por um ponto final nesse tipo de coisa para nos livrarmos desse passado colonial que ainda nos assombra !
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    248 As regras dojogo O problema aqui é entender como mudamos do velho conflito para o novo, ao reconstruirmos essa noção de valor e significância para a ordem das coisas à nossa volta. Desatamos o nó da armadilha dos conflitos, baseados apenas na noção de confrontos, em direção a uma outra visão mais ampla onde opostos travam uma negociação saudável e gerenciável. Estamos, assim, dando um salto para que possamos ao mesmo tempo que “vemos” o jogo na sua totalidade, não nos eximimos de dele participar . Ao mesmo tempo que tentamos ser neutros, somos também “saudavelmente” tendenciosos, ou seja, sem que tenhamos de sacar do revólver no meio dos debates. Essa, bem verdade, é uma tentativa dos participantes de entenderem as multiplicidades das relações que estão jogos, das regras e das estratégias, não com o intuito de destruir e eliminar, mas negociar, e ganhar vantagem competitiva, compreendendo a totalidade do sistema democrático que nos rege, procurando pela verdade de cada um como parte integrante da competição. Então, cada um a sua forma, fala uma parte da verdade. O campeão será aquele que perceber, claramente, o valor exato de cada um, e o de si próprio, no contexto da totalidade da contenda da realidade democrática de massa. Vitória de um, então, não é necessariamente a derrota de um outro, é apenas um aprimoramento nas avaliações de riscos e possibilidades ao se definirem vantagens competitivas, como mencionadas a cima, as quais são circunstanciais ao tempo e ao lugar nos quais se definem paradigmas, regras e estratégias num certo momento, fazendo e desfazendo as noções de conflitos, interesses e bem comum. As reviravoltas do “eu” Se nos foi dado pelo processo de evolução e seleção natural, essa capacidade de questionarmos a nós mesmos, a questão aqui é entendermos o paradoxo resultante que faz com que mudemos constantemente; quer seja porque chegamos a um ponto que consideramos ótimo e queremos aperfeiçoa-lo; quer seja porque estamos insatisfeitos com o caminho que estamos trilhando e queremos remodelar tudo. Então, de uma forma ou outra, a análise crítica de nós mesmos nos traz uma permanente ansiedade por mudanças e renovações. Temos, seguindo essa análise, uma grande dificuldade de sermos isentos em relação a nós mesmos, por isso transferimos nossa capacidade de enfocar críticas em direção ao outro que nos serve de espelho, ou modelo. Portanto, esse “eu” que brilha dentro de nós, ao mesmo tempo que nos empurra em direção a mudanças e adaptações, nos cega e obscurece a razão crítica e a análise.
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    249 Paradoxalmente, o frutodessa nossa vantagem competitiva de tentar “ver” a totalidade do jogo, que a vida nos impõe, é a causa de nosso permanente estado de ansiedade, e por mais paradoxal que possa parecer, nos dá vida fazendo-nos mover e evoluir e , ao mesmo tempo, nos mata e tiraniza pela angustia e ansiedade. Ficamos, assim, de uma certa forma presos nessa armadilha do “eu” que procura escapar pela tangente, abrindo os olhos como que tentando despertar. No entanto, acabamos, por fim, descobrindo que esse é nosso verdadeiro caráter: dominar a arte de suportar agonia e êxtase. A conclusão é de que esse privilégio, de nos “vermos” a nós mesmos em perspectiva, não pode ser usado nem para otimismos exagerados, nem para niilismos mórbidos. No fundo, somos, em certa medida, neutros em relação a nós mesmos, e a única certeza é de que estamos aqui e agora. Usamos estratégias, teses, ou avaliações de possibilidades a cerca do queremos, ou podemos ser, para animar o problema (ansiedade) da nossa existência. Dessa forma, não somos sólidos como rocha, mas maleáveis e astutos, seguindo, aliás, o treinamento quenos impôs a mãe natureza no adestramento da arte de sermos predadores e presas ao mesmo tempo. Sem que fôssemos, como seres humanos que somos, os mais fortes ou os maiores, fisicamente, ou ainda, os mais poderosos ou capazes de proezas, tais como, voar e desenvolver grandes velocidades, no entanto, esse nosso modo maleável de ser que oscila entre razão e fé têm nos colocados no topo da cadeia alimentar, afugentando os Mamutes e os Tigres dentes-de-sabre. Porém, é bom não nos esquecermos de onde viemos; da natureza! Ela, está lá paciente, pronta a alterar as regras do jogo; quer seja pelo movimento suave e milenar das placas tectônicas dos continentes, quer seja movendo-nos sutilmente, alterando o regime das correntes marítimas e o padrão dosventos, recriando uma nova realidade. Ela é , na verdade, quem comanda o jogo, forçando as espécies a se adaptarem às morfologia e configurações geológicas da história. Ao nos libertarmos dessa tirania dos paradoxos históricos triunfalistas e armadilhas existenciais, melancólicos e vazios de verdadeira significância, é quando se aproxima a explosão de um novo período cambriano...Chega de saudade! Assim, reafirmaríamos, nessa nova era em que a Internet faz o papel de um novo telescópio no século 21:” ... e a Terra se move !” 4 de setembro de 2000, Ricardo Rodrigues.
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    250 Comércio é Humanismo... Oh!Praga Ao se iniciar a reunião do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional hoje dia 20 de setembro, novamente a antiga cidade de Praga mostrará não apenas a beleza de seu barroco, jóia da civilização, mas também, mais uma vez, representará a encruzilhada entre o leste e o oeste; entre o norte e o sul da Europa e do mundo. A velha cidade imperial do sacro império romano- germânico, dos Habsburgos e dos soviéticos, finalmente, retorna a quem de &
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    251 direito, aos checos.No entanto, o passado de sua civilização está lá, marcado pelo barroco. Esse conhecido esplendor da capital checa representa a importância econômica de uma cidade que foi, e ainda, é entroncamento e coração da Europa. Esse rococó de linhas retorcidas filigranadas em ouro sobre gesso e mármore, emoldurando querubins, príncipes e princesas do passado, marcam uma época e um estilo de vida que já se foi, os quais , no seu significado econômico mais profundo, refletem a pujança e importância estratégica do comércio de Praga como rota e entroncamento de produtos e mercadorias. Desse modo, economia, comércio, arquitetura, literatura e música se juntam para representarem arte, e acima de tudo, valores estéticos de como entendemos e valorizamos o mundo a nossa volta pela ótica da mão dos artistas, artesões e comerciantes. Procuramos mostrar aqui a importância do comércio como detonador não apenas de progresso material, mas também, como agente modificador de costumes e tradições, forjando filosofia, ciência e tecnologia. No caso checo ecoam, além do barroco, artistas como Devorack, Kafka e Janecek, no caso brasileiro temos o barroco mineiro. Aqui, também, encontramos rococó semelhante, nas cidades de Sabará, São João del Rey, Ouro Preto e como um resumo de tudo isso, Congonhas do Campo. Lá em Minas, o barroco representa o ciclo do ouro, e da mineração, onde em verdade, nasceu a classe média brasileira, ainda no período colonial, através dos ouríveres e mineradores, espalhando-se por toda parte seus reflexos em átrios e pórticos de igrejas e edifícios públicos, combinando pedra sabão com essa perfeita representação da soma do perfeito com o imperfeito: as mãos deformadas pela artrite do mestre Aleijadinho. De qualquer forma, quer seja em Praga, ou em Minas, a importância do comércio reflete sempre a pujança econômica que define arte e civilização. Desde os assírios até os egípcios. Desde a Grécia clássica até a Roma antiga. Os vestígios dessas grandes civilizações são representadas, em última análise, pela importância dos restos de suas cidades, regiões, ou estados, que serviram como rota marítima, e terrestre, na troca de produtos e mercadorias. Das ruínas de templos, teatros, estatuetas, ou vasos, o passado está lá contando sua história de grandeza econômica, sagacidade, inteligência, comércio, ciência e tecnologia. Sob esse ponto de vista, comércio não é nada mais do que o reflexo de nosso esforço humano pela civilização. Comércio, assim, é também humanismo. Velhas Insígnias, Novos Bárbaros Em contraste com o aristocrático barroco que representou uma época de insígnias, estandartes e majestades, onde reis, príncipes e duques se sobressaiam pelo porte de coroas e mantos com desenhos próprios e
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    252 descendência nobre. Hoje,assistimos à ascensão da sociedade de massas, não menos pujante, mas que tem como característica principal a falta de valores particulares e característico de representação, mas sim uma cacofonia democrática de desenhos, formas e sons e origens. Essa sociedade, dominada pela homem-massa (a classe média), é, ao mesmo tempo que nenhuma, a soma de todas as representações possíveis. É nesse momento que ele, e ela, se tornam reis e rainhas, príncipes e princesas, e também pessoas comuns, tudo isso ao mesmo, transformando seu lar em seu castelo, seu automóvel em seu cavalo, seus adereços em sinais voláteis de riqueza, a qual não tem mais um valor patrimonial de verdadeira significância, apenas a representação de desejos, realizações, vontade própria e espírito livre empreendedor. Se nas épocas imperiais e coloniais, os reis e príncipes se distinguiam por insígnias próprias e heráldica. Hoje, a sociedade tem como missão produzir oportunidades em massa. Se antes a qualidade era definida pelo tecido raro fiado a ouro, hoje, qualidade é um método de produção. Se antes a hereditariedade definia sorte e destino, hoje, o homem, ou a mulher, massa abre caminho como talento, capacidade e força de vontade. Se antes os nobres recebiam sem pedir, hoje somos todos esforçados e estudamos muito para conseguir qualquer coisa. Assim, se o assistencialismo enobrece quem dá, humilha quem recebe porque temos todos os mesmos direitos. O resultado principal dessa ascensão (desse/dessa) (homem/mulher) massa é uma dessensibilização de valores pela aceitação da universalidade, e da validade de diferentes culturas, religiões, crenças, tradições, línguas e costumes. O sentido de cultura, desse modo, muda seu eixo da elitização para a democratização, dos privilégios nobres e hereditários para a educação de massa, do local para o global, do provinciano para o universal. Como resultado dessa democratização temos uma “falsa” crise de valores, pois não existem mais formas possíveis de se distinguir através de insígnias, ou bandeiras de qualquer cor, resultando, muitas vezes, numa volta à valorização do mais simples, do informal, ou do casual. Se Max destampou a garrafa, foram Ford e Keynes que sacaram o gênio lá de dentro. A garrafa, por assim dizer, quebrou-se, e não houve mais jeito desse gênio voltar de onde veio, acabando, assim, por levar de roldão reis, príncipes e aristocráticos comissários do povo, amalgando todos nessa camada que poderíamos chamar de era jurássica sangrenta de nossa história recente, representada por guerras, revoluções gloriosas e golpes de estado; simbolizada por estátuas heróicas de personagens de espada em punho, dedo em riste, assentados sobre pedestais com imperdíveis inscrições gloriosas. Assim todos se foram... Um ciclo de nossa história humana chega ao seu final. Não se iludam, somos todos, hoje, parte desses novos bárbaros, subproduto típico da educação,
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    253 ascensão social eiguais oportunidades. Os senhores de engenho de ontem, tornaram-se apenas senhores, os engenhos, agora, somos nós todos que pagamos impostos. Temas e Discussões Acompanhando os acontecimentos em Praga, onde o Banco Mundial e o FMI avaliam as condições econômicas e sociais do mundo é quando, também, nos perguntamos sobre o significado dos conceitos de economia, justiça social e dívida externa A Economia e o Social A palavra economia, freqüentemente, está associada a idéia de riqueza, quando na verdade seu significado mais profundo é o uso parcimonioso de recursos, ou ainda, poupança. Assim, a idéia que economia possa ter um significado maior do que alguns querem lhe dar, quase sempre associando-a à noção de economia política, criando essa visão de si mesmos como moldados pela moeda, quase sempre desconsidera que, na verdade, economia é um contrato entre o capital e o social. Então se economia é a administração de recursos escassos, o social é a parte do contrato que capacita (empowerment) o homem, que negocia as diversas relações que existem entre ele e seus direitos. Essa era das massas de hoje em dia é , bem verdade, a era dos direitos, sendo assim o social é a representação, e reconhecimento, dos diversos segmentos que compõem a sociedade. A crença de que economia possa ser considerada como um modelo rígido, uma fórmula de resolução de problemas, um guia de comportamento, fabricou sistemas burocráticos autoritários durante todo o século 20, incapazes de gerenciar esse contrato social resultante da ascensão dos mais diversos segmentos da sociedade de massas. O resultado, em todos os casos, foi a estagnação, a paralisação do crescimento após se atingir certo nível de produção, e a distribuição de garantias e benefícios sempre em prejuízo dos mais jovens. Gerações Futuras Esses modelos autoritários beneficiavam sempre gerações presentes, sacando a descoberto contra gerações futuras. Um bom exemplo é a Espanha franquista. No entanto, pelas mãos de um rei habilidoso, como Juan Carlos, o desmonte dessa estrutura burocrática franquista abriu possibilidade para, hoje, ser a Espanha umas das economia mais progressista da Europa, mostrando, claramente, que economia não está tão ligada a uma ação política, mas a esse contrato social gerado pelas oportunidades criadas com a produção generalizada de bens e serviços. O Fatiar da Laranja
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    254 O social, numareflexão mais profunda, não é apenas um contrato, um compromisso escrito, mas uma teia de múltiplas relações. Desse modo, não encaro a dívida social como um bloco inexpugnável contra o qual dou com a testa como um rinoceronte, mas um inventário, onde se identificam as necessidades dos diversos setores da população, entendendo economia através da metáfora da laranja. A tarefa do gerenciamento econômico, tanto no setor público, como no privado, é essa: de estabelecer as negociações com cada gomo que tem características e necessidades próprias, possibilitando uma negociação passo a passo, caso a caso, tecendo um equilíbrio de forças que reivindicam legítimos direitos com as possibilidades do caixa. Não resolvo tudo de uma vez, mas defino uma carteira de dívidas a pagar , escalonando o fluxo de caixa da coisa pública. A administração desse caixa da dívida social é tarefa primordial, e responsabilidade, dos partidos políticos, por isso somos uma democracia, não um regime ditatorial, centralizador e burocrático. O que está em jogo aqui é a capacidade, e a capacitação, dos partidos em gerenciar esse caixa de demandas e dívidas. Na verdade, isso não é representado apenas por um partido social , mas por um sitemas de democracia social. Então, competência e iguais oportunidades a todos passam , assim , a ser o mote da moralidade da coisa pública e privada. Se economia é o gerenciamento de recursos, o social é o poder de negociação do povo. O equilíbrio entre o social e o econômico é a conciliação entre justiça e dívida. O devedor deve ter condições de pagar, e o credor de receber. A noção de mercado que se está forjando é esse conjunto de forças de barganha e negociação entre produtores, consumidores, fornecedores, novos produtos e competidores. A Dívida O problema do pagamento das dívidas dos países pode ser encarada sob dois aspectos: para aqueles muito pobres em que a dívida será perdoada, e para aqueles que, oportunisticamente, dão o calote. Cobrar dívida de países muito pobres é sacar contra seu futuro, já que sua capacidade de pagamento foi destruída por guerras e revoluções sangrentas. Então, o perdão da dívida nada mais é do que abrir possibilidade para que novas dívidas sejam contraídas, reforçando aquela idéia de Keynes de que, em algum momento, as dívidas contraídas no curto prazo serão alongas ( ou trocadas) por outras de longo prazo. Assim , os países mais pobres adquirem recursos (dívidas) para se montarem infra-estruturas sociais, de educação, saúde e transportes, por exemplo, e, ainda, trocaram essas dívidas por outras de mais longo prazo, as quais na verdade alavancarão essas infra-estruturas montadas inicialmente, gerando produção e consumo.
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    255 O calote éenganoso. A idéia de que a eliminação de passivos contáveis (dívidas) aumenta o patrimônio porque se tem a idéia de que se livrou de encargos, é totalmente errada. A mecânica da dívida é essa: dos bancos para o passivo contábil das empresas de cada país, dai para o caixa que aplica os recursos em investimentos, os quais produzem resultados, ou ganhos, que, eventualmente, irão parar no patrimônio líquido (PL) das organizações, talvez como reservas. A simples expectativa de um calote estimula que esses recursos sejam mandados para fora do país devedor, retornando aos bancos que os haviam emprestados. No dia do calote, não existe mais nem dívida nem recursos, nem credores nem devedores. Na verdade, os devedores ficaram mais pobres, diminuiu-se o patrimônio total, ou ativo total das empresas, e do país. O calote tem ainda um agravante, além de transferir os recursos que foram tomados emprestados para fora, impede que sejam tomados novos recursos, paralisando as necessidade de investimentos sociais e de infra-estrutura de curto prazo , assim como, os subsequentes alongamentos, necessários na fase de maturação dos projetos sociais. Um exemplo, hoje, é a Rússia. Alguns bilhões de dólares entraram no país, não foram pagos, e agora esses país amarga uma profunda falta de recursos de investimentos e deteriorização da sua base industrial e social instaladas. Esse ciclo vicioso do calote é semelhante a questão do ouro extraído pelos espanhóis de suas colônias americanas. A frota anual de carregamento desse metal, muito antes de chegar à Espanha já estava comprometido com dívidas a serem pagas. Esses recursos entravam por uma porta e saíam por outra, condenando a Espanha a quase 200 anos de atraso. Esse ouro todo foi para no norte da Europa, servindo de base para sua industrialização. As conseqüências nefastas desse ciclo perverso só foram, realmente, superados pela Espanha muito recentemente, desde que se decidiu pelo desmonte da ditadura franquista. Primavera em Praga A conclusão é simples, uma fazenda é a penas terra, um edifício apenas tijolo e reboco, o que anima esses conceitos é o espírito empreendedor, sem ele caímos na poeira de sítios abandonados e de casas em ruínas. Assim, vai se realizando a reunião anual do Banco Mundial e do FMI em Praga, aonde, por mais incrível que pareça, ainda é primavera em pleno setembro. A verdade é que agora os tanques estão enferrujados e o exército é de brancaleone. Ricardo Rodrigues 20 de setembro de 2000
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    256 Civitas Splendidas Ao avaliarmosesses últimos 9 meses, desde que em 20 de janeiro último lançamos essa palestra sobre gerenciamento, administração e novas maneiras de se fazer negócios, parece que estamos vivendo uma atmosfera renovada de debate sobre cidadania; nem tudo acabou em pizza, afinal de contas. O tema, portanto, que agora nos ocupamos, é sobre ética nos negócios, transparência e avaliações. Nossa maior vantagem competitiva Ao se encerrar o 1º turno das eleições municipais, não podemos deixar de notar o feito formidável desse nosso país que levou 90 milhões de pessoas às urnas, num território maior do que a Europa Ocidental, com mais de 5500 municípios, sendo capaz de totalizar 98% dessesvotos em menos de 12 horas. &
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    257 Essas avaliações, nosfazem reforçar a idéia do papel mediador da tecnologia da informação, já que essa foi a primeira eleição totalmente informatizada, onde foram usadas urnas eletrônicas, mostrando, desse modo, que informática não é uma fórmula, ou um modelo rígido, mas representa uma perfeita analogia com o próprio conceito de democracia, mediação e avaliação de prós e contras. Assim sendo, podemos notar que tecnologia, transparência e lisura vão se tornando ingredientes básicos do processo democrático, e também das atividades de negócios. A conclusão mais imediata é de que nossa estabilidade social passa pela democracia; nossa estabilidade econômica passa pela democracia. Bem verdade, a democracia é nossa maior vantagem competitiva. Numa avaliação mais crítica, percebemos que, ainda, estamos usando essa vantagem competitiva democrática de maneira pouco eficiente. Está mais do que na hora de fazermos a democracia contar a nosso favor, reduzindo especulações sobre nosso futuro, transformando avaliações de risco em transparência e ética, tornando esses critérios nosso diferencial e trunfo no comércio exterior. Por outro lado, países como a China tem administrado sua abertura econômica, e o próprio processo de globalização, através de um sistema bem mais rígido, já que há mais de 20 anos vem desenvolvendo um modelo pendular entre um rígido protecionismo ao mercado interno com um agressivo modelo comercial liberal, colocando-se como um expoente e parceiro preferencial de grandes volumes de investimento no mercado financeiro internacional nessas últimas duas décadas. O modelo Chinês Nos parece que o modelo Chinês tem sido representado por um modelo autoritário protecionista interno, com pouca transparência, aliado a uma burguesia liberal e agressiva que lhe serve de cabeça de ponte para seus crescentes avanços comerciais por todo o mundo, desde Taiwan até a Malásia, passando por Hong Kong e Cingapura, unindo as diversas colônias chinesas existentes por todo o sudeste asiático; do sul da China até o estreito de Málaca, unindos todos os chineses através desse conceito de linha de defesa comercial da pátria mãe. Dessa forma, os chineses estão administrando demandas sociais através de um sistema fechado e subrepresentado, tentando sua compatibilização com demandas mais liberalizantes, tais com aquelas provenientes de HongKong e Taiwan, tecendo relações que vão aos poucos transformando Changai, novamente, no centro financeiro da China e do sudeste asiático. O modelo democrático brasileiro
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    258 Democracia não é,ainda, um grande problema chinês, mas certamente o será em breve, e a própria prosperidade decorrente de sua abertura econômica, e maior participação no mercado internacional, trarão à tona, mais cedo ou mais tarde, essas contradições de demanda sociais reprimidas ao se estabelecerem as futuras bases de negociação entre os vários segmentos da sociedade, que hoje não estão sendo representados, ou ouvidos. Nesse sentido, investimento na China , hoje, é uma aposta na especulação, não existe democracia, nem transparência, e tudo pode acontecer quanto a esse futuro. Nós aqui, no Brasil, optamos pelo caminho mais difícil, e estamos estabelecemos primeiro as bases de negociação com os diversos segmentos da população, num processo democrático e sofisticado de participação e reconhecimento de dívidas sociais e exclusões. A conclusãoé que temos uma das estruturas de representação política mais complexas e avançadas dentre os países emergentes, receptores de capital de investimento, e nossa vantagem não é a perfeição, mas a tentativa de oferecer oportunidades transparentes através da ampla informação. Se na China, o futuro é uma especulação, aqui no Brasil é uma questão de avaliação da informação disponível. A diferença é que com a especulação não se sabe o que pode ocorrer, não existem bases, ou informações seguras, para cálculos de risco. Por outro lado, onde se pode fazer avaliações, porque as regras do jogo são essas a que todos têm acesso, assim como aqui no Brasil, pode se fazer avaliações mais seguras sobre o futuro, sabe-se o que se pode esperar. No processo de construção dessa nossa vantagem competitiva democrática brasileira, estamos afastando a especulação e o incerto com a construção da ética e da transparência, transformando democracia em instrumento seguro de avaliações sobre o futuro. Nesse ponto em que chegamos, e que é muito bem representado pelas eleições municipais ainda em curso, estamos construindo as bases de um conjunto democrático saudável, redefinindo valores éticos, práticas políticas e valores sociais de bem comum, para que os dois pratos da balança da mediação política tornem-se o contraditório da nossa democracia na alternância de poder. Estamos fechando a cizânia da guerra fria, e nos transformando em interlocutores e negociadores, construindo, assim, um sistema de democracia social. Momento de ouro Essa oportunidade, do momento atual de recuperação econômica, que temos aqui é de ouro, tudo nos une. Temos opiniões claras e bem diferentes sobre o que queremos, e concordamos plenamente com o que não queremos. Se por um lado, a questão pode oscilar entre mais, ou menos, intervenção do estado na economia, por outro lado concordamos em varrer, de uma vez por todas da nossa história, práticas nefastas, e por isso damos graças a Deus.
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    259 Se por esselado da ética todos nós concordamos plenamente, por outro, nossa missão aqui, talvez, seja questionar o papel intervencionista do estado, já que acreditamos seriamente num sistema social baseado numa sociedade de crédito, onde se ofereçam oportunidades, não moeda; não apenas produtos mas poder de escolha. Essa estratégia é, a nosso ver, o modo mais rápido de se reduzir a exclusão social. Afinal o que seria melhor, comprar uma casa agora e pagá-la em 30 anos, ou juntar o dinheiro para adquiri-la daqui a 30 anos ? Nossa posição é clara, e concordamos plenamente que ética e negócios andam juntos, e essa é a base do estabelecimento de uma justiça social. Se não podemos, nem devemos, minimizar nossas diferenças, concordamos com a ética do bom uso do bem público contra práticas nefastas, nesse caso “particular” de São Paulo vocês têm não só nosso apoio mas nosso voto. Por outro lado, o que vai se formando em termos de um sistema social democrático no Brasil é a tentativa de se resolver a equação: ética + negócio + comércio = desenvolvimento transparente e sustentado. A missão da democracia Está, mais do que na hora, de fazermos a democracia trabalhar a nosso favor para deixarmos de vez de praticar nessa bicicleta ergonométrica. Não devemos perder mais tempo na nossa guerra contra o subdesenvolvimento. Se já temos o nosso Roosevelt, o nosso Churchill, agora seja bem vindo o general De Gaulle. Por outro lado, não acreditamos mais tanto na massiva ingerência do estado na nossas vidas porque, ao longo dos últimos 180 anos de independência de nossa história, temos criado um conceito de estado que sempre pregou o famoso: “Deixa comigo que eu aperto os parafusos”, criando, em conseqüência, uma cultura inflacionaria que, por décadas, ficou totalmente fora de controle, e destruía ambos os valores: o da moeda e o do trabalho. Nesse sentido, avançamos muito, e, se algumas coisas não funcionaram bem, ultimamente, pelo menos 2 coisas tiveram bons resultados: a construção da democracia e a de uma moeda chamada Real. Portanto, diante do estupendo resultado do atual processo eleitoral na construção da cidadania, definido competência e eficácia, assim como o papel mediador exemplar da ciência e da tecnologia, só podemos dizer “CivitasSplendidas”. 11 de outubro de 2000, Ricardo Rodrigues.
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    260 Liberdade de Expressão Hoje,venho lhe pedir sua ajuda. Tenho sido vítima de uma campanha pérfida de descrédito e ofensas movidos por certos setores da imprensa, principalmente por marxistas inconformados com a queda do muro de Berlim e que, certamente, fugiram de algum parque temático ideológico da Europa Oriental. Eles visam meu caráter e dignidade pessoal, movendo uma campanha típica de regimes totalitários do tipo soviético, tudo porque não sou marxistas. Hoje sou eu amanhã será você. Já faz algum tempo que venho sido atingido por campanhas desse tipo, desde quando estudava ainda na George Washington University, em Washington, quando fui mandado embora do emprego que, ainda, tinha aqui no brasil, na CBTU, por acreditem, abandono de emprego, quando na verdade, estava sob licença sem remuneração. &
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    261 Depois, ainda, noRio de Janeiro, na COPPE, UFRJ, fui cruelmente destratado ao gritos por uma professora marxista estrangeira, que entrou nesse país por vias duvidosas, já que só se saía de um satélite soviético fugido, e ela não nunca foi refugiada política. Recorri ao Ministério Público de São Paulo, baseado em artigo publicado na imprensa, onde o presidente do CNPq dizia que todo bolsista CNPq era obrigado a retornar ao país. Pois bem, relatei os problemas que vinha sofrendo através de uma representação, e nada foi feito. Passei a enviar cartas (e-mails) a vários jornais e jornalistas pedindo apoio. Além de apresentar meu trabalho na Internet (http://user.iron.com.br/~rricardo) . Passei a sofrer ataques velados e até durante as eleições parte do que estou dizendo nessa palestra, percebi que passou a ser usado com objetivos políticos eleitorais. Você pode reconhecer meus artigos em vários outros publicados na impresa. E, principalmente, o artigo “A armadilha das Ideologias”, que por sinal veio a se tornar uma previsão trágica dos acontecidos políticos desse país quando o jornalista Pimenta Neves matou sua namorada com um tiro pelas costas. Curiosamente, ele trabalhava no Banco Mundial quando lá também estive e, com certeza, tinha conhecimento do artigo sobre a responsabilidade dos bolsistas do CNPq, o mesmo artigo que me levou a ingressar com uma representação no M.P. O resultado de tudo isso tem sido uma campanha criminosa de descrédito de minha pessoa, principalmente, entre jornalistas, nunca mencionando meu trabalho , ou meu nome, diretamente, mas pior ainda, indiretamente com objetivos maliciosos e obscuros. Hoje, a despeito de minha capacitação profissional, a qual você pode avaliar nesse site acima mencionado, passo por dificuldades sérias e por isso venho pedir sua ajuda no sentido de freiar essa campanha, limpar meu nome e ajudar-me numa divulgação positiva de meu trabalho, preciso trabalhar e viver como qualquer outro. Nem se fosse a pior pessoa desse mundo mereceria tamanho perseguição e vilipêndio. Tenho certeza que a razão de tudo isso é essa combinação bastante suspeita para uma sociedade colonial e corrupta como a nossa em que vivemos: ter um diploma de uma universidade americana e ser de classe média. Isso fere aristocratas falidos e marxistas e a nós cabe pagar a conta , e mais impostos. No entanto, tudo isso eu fiz com dinheiro público, afinal, seu dinheiro. Por isso não só peço sua ajuda, mas também, estou lhe prestando contas de como, e onde, seu dinheiro foi usado. Meus pontos fortes e fracos podem ser avaliados e apreciados, aqueles que me destratam só tem palavras venenosas e malícia. Na verdade, é preciso mais do que isso para se destruir o caráter de alguém, nem mesmo um linchamento moral pode nada, se nos mantemos fieis
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    262 àquilo que pensamos,ou acreditamos. O único que pode nos desacreditar somos nós mesmos. Na verdade, é isso que querem, que eu mude de opinião dando a impressão que o que escrevi foi para atingir objetivos políticos, ou ainda, para adulação. Claro, na medida que não mudo, porque é assim que penso, não podem se apropriar convenientemente daquilo que digo. Não vão conseguir isso lhes asseguro. Na verdade, é uma elite colonial desesperada, igonorante, procurando por legitimidade, que a essa altura já foi totalmente perdida. Nenhuma campanha pode levar alguém ao descrédito, como disse antes. O que destrói alguém é ele/ela mudar contentemente de opinião apenas por oportunismo ideológico, ou um favor qualquer,servindo, assim, de joguete, ou ping-pong político. Isso é perigo porque é porta aberta para ditaduras. E a nós da classe média, resta o estelionato eleitoral, onde se vota em um partido e acaba se levando um outro de lambuja. Venho aqui, agora, pedir a sua ajuda e julgamento de valor. O que apresento em minha defesa é essa palestra, é tudo que tenho. Obrigado Ricardo Rodrigues 16/11/2000 Borobudur-Ziriguidum Urgente Borobudur Durante a recente viagem do presidente Fernando Henrique Cardoso à Ásia ele passou pela Indonésia, país formado por várias ilhas dentre elas a de Java. Nessa ilha, fica o famoso monumento budista de Borobudur, redescoberto em meados do século 19, o qual surpreendeu arqueólogos da época ao se constatar que já no séculos 9,10 e 11 floresceu uma importante civilização em Java. Borobudur, como templo budista, é uma colossal construção em terraços superpostos, sem abrigos, ou salas, por onde, numa escala de gradação espiritual, preparava-se para atingir o ponto mais alto do monumento de onde se poderia apreciar uma paisagem indiscritível a mais de 50 metros do solo. Poucose conhecesobre os construtores desse templo gigantesco, mas pode- se, de qualquer forma, perceber a importância da civilização que o construiu. Na época de sua descoberta, não se acreditava que na ilha de Java tivesse havido cultura capaz de construir algo tão monumental como Borobudur. No &
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    263 centro dessa civilizaçãoperdida, baseado no plantio e comercialização de arroz, estão gravados fortes traços e desenhos arquitetônicos de influências indiana e chinesa, mostrando o quanto comércio, religião e cultura estão associados à movimentação global de pessoas e mercadorias, criando e recriando arte, civilização e noções de valores materiais e espirituais. Percebe-se, assim, o quão antiga é a idéia da própria globalização. Málaca Na verdade, as ilhas da Indonésia, desde a antigüidade, têm se situado como encruzilhada de rotas comerciais, unido árabes, indianos e chineses. Elas foram, durante muitos anos, fornecedoras de produtos à Europa, colocando o estreito de Málaca, entre a ilha indonésia de Sumatra e a península da Malásia, até hoje, como entroncamento de rotas marítimas, derivando daí a importância de Singapura. Atualmente, Singapuraé um porto independenteno extremo sul da península da Malásia, desempenhando um papel relevante no presente estado do comércio mundial como centro de rotas marítimas, unindo o oriente à costa oeste americana e à Europa, passandopela Austrália, Indonésia, China e Japão. Panamá Até a construção do canal do Panamá, e sua inauguração em 1914, o Atlântico Sul era rota tanto para as embarcações européias que atingiam a costa leste dos EE.UU, circunavegando a América do Sul, quando para as embarcações que vinham do oriente, saindo de Málaca, passando pelo subcontimente indiano e circunavegando a África em direção à Europa. Após o canal do Panamá, e a intensificação da industrialização na Europa e nos EE.UU, o comércio internacional, assim como o fluxo de riquezas no mundo, concentraram-se, ainda mais, no hemisfério norte, criando-se um desequilíbrio entre o desenvolvimento do Norte e do Sul do nosso planeta. Após a Segunda guerra mundial, a ascensãodo Japão à categoria de potência industrial acabou por beneficiar a Coréia, tornando-se as duas parcerias comerciais importante dos EE.UU, expandindo e revitalizando parte da antiga grandeza das rotas marítimas do oriente, agora, seguindo em direção a São Francisco e aos portos da Europa, via canal do Panamá. A abertura comercial chinesa de Deng Ziao Ping reformulou esse panorama de rotas comerciais centradas apenas no circuito leste-oeste do hemisfério norte, expandindo o desenvolvimento industrial por todo o oriente, revivendo a antiga grandeza e importância do estreito de Málaca, criando desenvolvimento no hemisfério sul, abrindo caminho para a Índia e a Austrália tornarem-se grandes centros industriais no desenrolar do século 21.
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    264 Atlântico Sul Nessa análise,como estamos apresentando aqui, podemos perceber as perdas relativas da América do Sul e do continente Africano, os quais, devido ao canal do Panamá ficaram reduzidos a fornecedores pontuais de riquezas específicas , tais como, café, através do porto de Santos, cereais pelo porto de Buenos Aires, ou ainda, diamantes em Angola. A falta de rotas marítimas integradoras e globais encaressem nossos produtos, e reduzem nossos portos a meros terminais, e não centros comerciais roteados de riquezas. A viagem do presidente Fernando Henrique ao oriente deve ser vista como precursora dessa nossa nova missão como país continente do hemisfério sul, exercendo papel semelhante à abertura chinesa no desenvolvimento da Ásia, deslocando, ainda mais, o fluxo do comércio internacional, e o desenvolvimento, do sentido leste-oeste no norte, em direção a um link, ou uma perna, que altere fundamentalmente o equilíbrio do fluxo de riqueza do mundo atual em direção ao sentido norte-sul através do Atlântico Sul. A nossa missão é, então, de criarmos rotas comerciais que conectem as imensa riquezas do continente brasileiro ao estreito de Málaca, fazendo conexões com a China, como o sub-contimente indiano e a costa oriental e ocidental da África. Assim, a cidade do Cabo voltaria a ter sua importância estratégica da era dos descobrimentos, assim como os portos brasileiros, fazendo a rota inversa de Vasco da Gama, indo agora, de Calicute a Lisboa. Essa visão transforma os portos brasileiros em roteadores de riquezas que vão aos poucos redescobrindo a Europa e a América. A crise com o Canadá A presente crise comercial com o Canadá, mostra nossa fragilidade no comércio internacional e que a resposta é avançar, não retroceder e fechar. Na verdade, o que precisamos é destravar nossas relações comerciais com o mundo, abrindo possibilidades onde hoje não vemos nenhuma. Nesse sentido, a abertura comercial brasileira é uma necessidade afim de nos capacitar para melhor definirmos estratégias que vão além de acordos bilaterais, mas também, para aumentarmos nosso poder e controle sobre essa nova noção estratégica da informação, tratando comércio não apenas como rotas marítimas, mas também, como rotas eletrônicas, tecnológicas, culturais, e, acima de tudo, como parte integrante de um processo civilizatório. Essa experiência estratégica só se aprende fazendo,por tentativa e erro. Condições competitivas ideais jamais existirão. Compartilhando uma certa visão de um centro social liberal
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    265 Ao longo denossa história como país independente nunca conseguimos criar um sistema econômico que possibilitasse às pessoas, aos cidadãos resolverem seus problemas de sobrevivência, e, nesse processo, resolverem os problemas da sociedade como um todo. No entanto, é interessante notar que a idéia de um Estado forte sempre esteve presente. Produzimos um quantidade enorme de modelos de como um estado nacional deveria ser; desde a monarquia como herdeira do colonialismo português na América, com sua noção de império e interesse de preservar a herança território da colônia; até a república com sua noção de perfeição cívica, racionalismo e governada por uma aristocracia iluminada. É interessante, também, notar que todos os projetos de Estado que o Brasil já teve basearam-se sempre em uma autoridade legal sobre um território, mas careceu sempre de um elemento fundamental para a caracterização da noção de nação: o povo. Assim, o povo da nação brasileira, ao longo de sua história, tem sido visto apenas como um elemento amorfo, massa de manobra, assistência de galeria em dia de parada cívica. O elemento cidadania sempre esteve ausente porque nunca conseguimos criar ao longo de nossa história de vários modelos de Estado, um que estivesse fundamentado em um sistema econômico que possibilitasse o povo participar da riqueza nacional como seu agente causador, elemento fundamental na criação, e geração, de riqueza. De uma forma, ou outra, vivemos sempre de ciclos econômicos onde o povo era não mais do que apêndice de uma elite capaz de gerar uma atividade econômica. Assim foi para o açúcar, ouro, café, e o período do industrialismo dos últimos 50 anos. Assim, cada uma dessas atividades não foram capazes de criarem outras, multiplicando qualidades qualificações, ou alternativas, entorno daquela elite que gerenciava o produto da riqueza nacional do momento. No final de cada ciclo, então, o país entrava em crise, a espera de um novomodelo. O comércio, ou a classe média, gerada por esses períodos cíclicos de riqueza sucumbiam, dessa forma, junto com as elites gerenciadoras do produto nacional, por que, na verdade, nenhum desse ciclos foi capaz de gerar um sistema econômico, onde o produto principal, açúcar, ouro, café, ou industria criasse múltiplas relações econômicas, multiplicando e ampliando a riqueza principal do ciclo. Como apresentamos aqui, a razão dessa falta de estruturação econômica sistêmica do país ao longo prazo,foi, e ainda é, devidoao fato que procuramos solução econômicas para a sobrevivência do Estado e não a da sociedade. O Estado é quem, de uma forma ou de outra, gerava, e ainda gera, os modelos que determinam como as pessoas devem, ou podem sobreviver, em torno sempre daquela noção de melhor explorar, ou utilizar a riqueza principal do ciclo econômico do momento. O estado brasileiro, ao longo de sua história, tem sido um fim em si mesmo, um modelo perfeito; o povo um assistente passivo, sob diversos aspectos uma vítima das circunstâncias. Enquanto a riqueza principal está em ascensão, tudo vai bem, quando declina, não
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    266 existem alternativas, masesperar que Deus nos ajude a sobreviver até que um novo produto seja encontrado. Enquanto o país era essencialmente rural e de pequena população foi relativamente fácil administrar esses ciclos econômicos e seus hiatos. O processo de industrialização, iniciado faz 50 anos, realizou-se baseado nesse mesmo perfil de administração de ciclos. O modelo era estatal, o produto era substituição de importados, a elite escolhida a dedo através de generosos subsídios, o povo, mão de obra barata. A estratégia desse período foi a inflação galopante que reduzia arbitrariamente preços para privilegiar as exportações e reduzia salários a muito pouco, ou quase nada. Assim, podemos dizer que se deu a 1º revolução industrial brasileira, fazendo com que a população saltasse de 40 milhões em 1940 para 140 milhões em 1980, atingindo hoje 170 milhões. O que fica patente nessa análise é que mesmo com o processo de industrialização o povo ficou a margem de um sistema econômico, privilegiou- se a formatação de um modelo de como o estado deveria funcionar e se industrializar, não exatamente de como as pessoas deveriam, ou poderiam sobreviver. Esse período que vai de 1930 até 1980 é bastante caracterizado pelo fato de ser inteiramente dominado por regimes autoritários e paternalistas, e a palavra povo, ou trabalhador, a moeda política corrente dessa época. Ficou para traz, dessa forma, um período inflacionário jamais visto na história econômica da humanidade, criando-se a um Estado que podemos chamar de industrializado, mas com a pior distribuição de renda do mundo. O estado industrializou-se a sociedade não. A partir do governo Fernando Henrique inicio-se a hora da verdade. A partir do plano real, depois de esgotada a capacidade intervencionista do estado, e sua credibilidade como impressor de papel moeda sem valor, procuramos por um novo modelo de estado. É exatamente aqui que saltamos do bonde, e alertamos: “É, e tem sido sempre, esse nosso erro, de procurar por um modelo para o Estado! Hoje procuramos por um modelo econômico para a sociedade o qual dê liberdade para as pessoas escolherem seus caminhos, realizarem suas potencialidades, resolverem, enfim, seus problemas, e, em resolvendo seus problemas, resolverem os problemas da sociedade como um todo. O que estamos tentando compartilhar aqui é uma visão de um centro social liberal, onde seja possível, e desejável, um sistema econômico flexível, não centrado no Estado, mas no cidadão. Nossa maior conquista desses últimos 6 anos de governo Fernando Henrique Cardoso, desde do advento do Real, foi o esforço para equilibrar forças econômico, que historicamente sempre giraram como um roda gigante cambaleante fora de eixo. Tivemos que pô-la nos eixos, arrumar os tirante e as caçambas, tudo isso sem deixar a roda parar. Isso tem sido uma tarefa histórica de proporções bíblicas. Hoje, chegamos a sofisticação de termos um plano de metas inflacionarias, revelando a priori qual será a desvalorização controlada da moeda, forçando
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    267 os agentes econômicosa restringirem suas expectativas quanto ao preço dos produtos, segundo as determinações do Banco Central, sob o risco de ficarem, por assim dizer com o mico na mão, ou o produto encalhado por falta de comprador. Dessa forma retiramos o enfoque do desenvolvimento de cima da moeda como arma para gerar riqueza inflacionada, mudando a ótica, o poder econômico, das mãos de um sistema de Estado para as mão do cidadão e da sociedade. Moeda, assim perdeu seu valor, como instrumento político, para ser apenas alavancadora de possibilidades. O sistema social liberal que temos em mente, ao abandonar a moeda como ação política, volta-se para o crédito como elemento principal de alavancagem social. Assim, não é o salário que importa, mas o quanto um cidadão pode ter sua vida alavancada pelo crédito, gerando uma sociedade meritória, onde cada grau de educação e instrução conquistados, cada diploma, ou qualificação a mais é recompensada hoje e agora, gerando um sistema virtuoso onde mais crédito, mais riqueza, mais qualificações, mostrando assim o valor da educação não como algo estático, mas como fator de ascensão social imediata. Dentro dessa visão, a chave é manter a inflação baixa, o déficit fiscal sob controle e a moeda estável , e por assim dizer neutra. Um sistema de crédito, assim definido, iguala poupança a investimento porque qualquer coisa pode ser um produto a ser consumido: uma cota de fundo de pensão, um plano de saúde, um diploma ou ainda um carro. Se dou preferência, por qualquer razão, ao consumo de produtos financeiros, o limite dessa estratégia é não consumir nenhum bem durável, o que levaria a queda dos retornos nos investimentos feitos, forçando-me a um consumo de bens duráveis afim de que se possa alavancar as empresas onde coloquei minha poupança na forma de investimento. Consumindo mais produtos dessas mesmas empresas, acabo criando um ciclo virtuoso e um equilíbrio entre poupança e investimento os quais acabam por significar, no fundo, a mesma coisa. Por outro lado, se as metas inflacionarias regem o valor, por assim dizer, neutro da moeda, por outro lado o sistema creditício alavanca sobre o potencial de consumo e desenvolvimento dos cidadão e da sociedade simultaneamente. Então, em paralelo as metas inflacionarias, um governo social liberal teria também metas sociais que mediriam, a grosso modo, a porcentagem da população pertencente a classe média, tomada aqui como um padrão de distribuição de renda e bem estar social. Por exemplo, se hoje a classe média brasileira representa algo em torno de 46 a 50 % da população, a meta seria que esse índice saltasse para 80 % para o final dos próximos 10 anos. Sem entrar em considerações teóricas ou técnicas, existe, então, um correlação entre a meta inflacionaria de digamos 4% ao ano com uma meta de
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    268 crescimento social daclasse média de, digamos, 2% a 3%. A taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), dessa forma estaria medindo o quanto a moeda pode, através de uma sociedade creditícia alavancar bem estar social, fechando dessa forma a aparente disparidade entre o econômico e o social. Transformando, a sociedade brasileira em um sistema de oportunidades voltada para o cidadão, não para o Estado. A missão do Estado seria, dessa forma, o bem público, não o estatal. A questão aqui é imaginar de onde viriam os recursos para alvancar crescimento e ao mesmo tempo crédito. Viriam do comércio exterior, das rotas comercial existentes, e daquelas a serem criadas nesse expresso econômico que chamamos aqui de Borobudur-Ziriguidum, colocando como meta do Estado o incentivo, a avaliação, o estudo, as parcerias necessárias para que isso acontecesse, tal como a China tem feito nesses últimos 20 anos. Devemos observar que a China, a despeito de ser muito menos democrática do que nós consegue quase tudo em Washington, capital dos EE.UU. Nós, nem tanto, e certamente não na mesma quantidade. Eleições para presidente da Câmara e do Senado A presente eleição, hora em curso, no Congresso está dando sinais de desvio na estrutura de sustentação do governo, o qual pela primeira vez na história desse país foi eleito por dois períodos consecutivos para efetuar reformas. Temos razões para acreditar, pelo que acompanhamos pelos jornais, que de novo estamos diante daquela velha máxima autoritária de que um pouco de inflação é tudo de que precisamos nesse momento. Nada mais errado, nosso momento é crucial, não só para a estabilização econômica, quanto para abertura comercial desse país ao mercado externo. Se falharmos de novo, como em tantos outros planos antes do Real, e serão mais 20 anos de atraso. Agora, mais do que nunca, é preciso por a cabeça no lugar. É baseado nessa visão de um centro social liberal, que explicamos acima, que apelamos para os senhores e senhoras congressistas para que mantenham o PFL ( A frente liberal) com o controle de uma das casas. Nenhum partido tem dado mais suporte para a estabilização econômica desse país, principalmente nas horas mais difíceis por que passamos nos últimos 2 anos. Por isso, nosso apelo aqui é pelo Partido da Frente Liberal e pela estabilização disso que estamos chamando aqui de um centro social liberal. Se falharmos, e voltarmos com o velho modelo inflacionario, intervencionista e estatal, mais uma vez o povo será colocado na arquibancada como torcida organizada, e não como cidadãos responsáveis, independentes, dentro da estrutura do Estado. Mais uma vez, terá vencido o Estado voltado para si mesmo, e não orientado para o interesse público e da cidadania. Ricardo Rodrigues
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