Indução e confirmação
a mãe de todos os problemas veremos agora um problema muito importante e difícil o problema de entender como observações podem  confirmar  uma teoria científica que conexão deve haver entre uma observação e uma teoria que torna aquela  evidência  desta?
a mãe de todos os problemas digamos, a minha teoria é de que todos os cisnes são brancos como a observação de um cisne branco  confirma  essa teoria? isso parece trivial?
a mãe de todos os problemas parece, mas, de certa forma, esse foi  o  problema da filosofia da ciência nos últimos 100 anos esse problema era central aos projetos dos positivistas e empiristas lógicos e foi fonte de constante frustração para eles e ainda que se possa ficar tentado a imaginar, ele não desaparece se abandonamos o empirismo lógico
a mãe de todos os problemas de um modo ou de outro, esse problema surge para quase todos o objetivo dos empiristas lógicos era desenvolver uma teoria  lógica  de evidência e confirmação ficou claro que essa abordagem estava condenada
a mãe de todos os problemas antes de olhar para o século XX no que diz respeito a essa questão, devemos recuar mais a confirmação de teorias está fortemente relacionada com outra questão clássica na filosofia o problema da indução
a mãe de todos os problemas por que temos de esperar que padrões observados passados se repitam no futuro? qual a justificativa para usar observações pretéritas como base para generalizações sobre coisas que ainda não observamos?
a mãe de todos os problemas as discussões mais famosas sobre a indução foram escritas pelo empirista escocês do século XVIII David Hume
a mãe de todos os problemas Hume se perguntou: por que devemos acreditar que o futuro lembrará o passado? não há nenhuma contradição em supor que o futuro seja totalmente diferente do passado
a mãe de todos os problemas é possível que o mundo mude radicalmente em algum momento, tornando as experiências passadas inúteis como sabemos que isso não vai acontecer?
a mãe de todos os problemas poderíamos dizer a Hume que, quando, no passado, confiamos em nossas experiências anteriores, as coisas funcionaram para nós mas Hume rebateria: sim, funcionaram, mas isso aconteceu no  passado !!!
“ ” os humanos são legais
 
a mãe de todos os problemas assim, nosso problema é se qualquer coisa sobre o passado nos dá boas informações sobre o que vai acontecer amanhã Hume concluiu que não temos nenhuma razão para esperar que o futuro lembre o passado ele aceitava que usávamos induções para sobreviver no mundo
a mãe de todos os problemas e ele não estava sugerindo que deixássemos de fazê-lo mas ele dizia que isso não tinha base racional esse ceticismo indutivo de Hume assombrou o empirismo desde então
indução e dedução os empiristas lógicos tentaram mostrar como evidências observacionais poderiam prover suporte para uma teoria científica a idéia de ‘suporte’ é importante aqui não havia nenhuma tentativa de mostrar que as teorias científicas poderiam ser ‘provadas’
indução e dedução o erro é sempre possível, mas evidências podem suportar uma teoria em relação à outra voltando para o exemplo clássico: se observarmos vários cisnes brancos, e nenhum de outra cor, que razão temos para acreditar que todos os cisnes são brancos? as evidências suportam o enunciado
indução e dedução mas obviamente na ciência nem todos os casos são simples assim o suporte observacional para a teoria de Copérnico de que a Terra gira em torno do Sol, ou a teoria de evolução do Darwin, parece ser bem diferente Darwin não observou um conjunto de casos individuais de evolução e depois generalizou
indução e dedução os empiristas lógicos queriam uma teoria de evidência, ou ‘teoria de confirmação’, que cobrisse todos os casos eles não estavam tentando desenvolver uma receita para confirmar teorias
indução e dedução o objetivo era determinar a relação entre os enunciados de uma teoria científica e os enunciados descrevendo observações, os quais provêm suporte à teoria
indução e dedução neste ponto, podemos nos perguntar: qual a utilidade de uma teoria tão distante do comportamento científico corrente? qual a importância se uma análise lógica desse tipo existe ou não?
indução e dedução em defesa deles, poderíamos argumentar que, embora o comportamento científico não esteja sendo diretamente descrito pela teoria da confirmação, os procedimentos científicos podem ser baseados em assunções descritas por essa teoria
indução e dedução talvez muitos cientistas façam coisas que não podem ser justificadas se a confirmação não existir
indução e dedução mas, afinal, qual a diferença entre dedução e indução? a lógica dedutiva é o tipo de lógica bem compreendido e entendido é uma teoria de padrões de argumento que transmitem verdade com certeza
indução e dedução esses argumentos têm a característica de que,  se  as premissas do argumento são verdadeiras, então a conclusão também é um argumento desse tipo é  dedutivamente válido
indução e dedução premissas Os homens são mortais. Sócrates é um homem. conclusão Sócrates é mortal.
indução e dedução um argumento dedutivamente válido pode ter falsas premissas nesse caso, a conclusão pode ser falsa o que você tira de um argumento dedutivo depende do que você coloca
indução e dedução os empiristas lógicos adoravam a lógica dedutiva, mas elas perceberam que ela não poderia servir como uma análise completa de argumento e evidência na ciência teorias científicas têm de ser logicamente consistentes, mas isso não é tudo
indução e dedução muitas inferências na ciência não são válidas dedutivamente e não dão garantias ainda assim, elas podem ser  boas  inferências podem prover suporte para suas conclusões
indução e dedução para os empiristas lógicos, havia uma razão por que tanta inferência na ciência não é dedutiva como empiristas, elas acreditavam que toda nossa evidência vinha de observações observações são sempre de ocorrências e objetos particulares
indução e dedução mas eles acreditavam que o grande objetivo da ciência era descobrir e estabelecer  generalizações a ideia-chave era que a ciência visava a formular e testar generalizações esses generalizações deveriam ser aplicáveis a infinitos casos quantas observações devemos fazer nesse caso?
indução e dedução o problema é que nenhum número finito de observações pode estabelecer conclusivamente uma generalização desse tipo assim essas generalizações são sempre não-dedutivas X 1  é Y, X 2  é Y, X 3  é Y, X 4  é Y... X n  é Y logo, todos os Xs são Y
indução e dedução Dicionário Houaiss indução  (substantivo feminino) raciocínio que parte de dados particulares (fatos, experiências, enunciados empíricos) e, por meio de uma seqüência de operações cognitivas, chega a leis ou conceitos mais gerais, indo dos efeitos à causa, das conseqüências ao princípio, da experiência à teoria
indução e dedução uma forma de inferência bastante ligada à indução é a  projeção em uma projeção, inferimos a partir de um número de casos observados uma previsão sobre o  próximo  caso se vimos um certo número de cisnes brancos e inferimos que o próximo também deva ser branco
indução e dedução há outros tipos de inferência não-dedutiva em ciência, o que é algo ‘anedótico’? tem o sentido de "um caso isolado, não publicado" ou, se publicado, "sem experimentação científica", "sem verificação experimental"
indução e dedução alguns exemplos: "The clinical evidence in support of these claims is anecdotal... " "Treatment methodology is chosen based on anecdotal experience... " "Liver abnormalities seem a very rare association in Turner's syndrome, only reported in a few anecdotal cases"
indução e dedução durante os anos 1980, Luis e Walter Alvarez encontraram a presença de níveis muito altos de elementos químicos raros, como irídio, nas camadas da crosta terrestre com 65 milhões de idade com base nisso, eles afirmaram que um grande meteoro havia se chocado com a Terra, causando a extinção dos dinossauros
indução e dedução esses elementos químicos são encontrados em níveis muito maiores em meteoros do que na crosta terrestre essa observação foi uma forte evidência à teoria dos Alvarez
indução e dedução esse argumento não é uma indução, pois não estamos generalizando, nem uma projeção, pois não estamos tentando prever o próximo caso
indução e dedução estamos propondo uma explicação para os dados inferência explanatória exercício: 20 min para lerem, discutirem e responderem as perguntas
indução e dedução comportamento de queixadas ele acompanhou um bando de queixadas, anotando tudo o que elas faziam percebeu que, em todos os 32 encontros que presenciou das queixadas com grandes felinos, aquelas começavam a bater os dentes assim que sentiam a presença destes
indução e dedução concluiu que um comportamento típico das queixadas era bater seus dentes assim que sentiam a presença de um potencial predador que tipo de inferência ele fez? indução generalização sobre o comportamento das queixadas
indução e dedução Dr. Fripp fora contratado por um fazendeiro goiano, que tinha em sua fazenda tanto áreas de pasto quanto de lavoura o fazendeiro ia plantar uma gramínea africana no pasto para ser usada como forrageira pelo gado
indução e dedução ele estava preocupado com a possibilidade dessa forrageira se tornar uma planta invasora na sua lavoura, trazendo prejuízos à sua colheita
indução e dedução Dr. Fripp analisou vários casos de gramíneas africanas usadas como forrageiras e viu que, de cada cinco gramíneas africanas usadas em pasto, quatro haviam se tornado invasoras
indução e dedução a probalidade da gramínea se tornar invasora na lavoura era alta sendo assim, ele recomendou ao fazendeiro que não usasse gramíneas africanas, mas sim nativas, em seu pasto  que tipo de inferência ele fez? projeção a ideia era prever o próximo caso
indução e dedução sincronia de floração da guabiroba, um arbusto de cerrado, após o fogo " há plantas que florescem após queimadas e o fogo auxilia a sincronia de floração, fazendo com os indivíduos produzam flores ao mesmo tempo "
indução e dedução 100 indivíduos de guabiroba em uma área recém-queimada e outros 100 em uma área não queimada depois de quinze dias, ele contou o número de indivíduos florescendo em cada área e observou que havia 88 indivíduos florescendo na primeira área e sete na segunda
indução e dedução concluiu que sua ideia inicial estava correta  que tipo de inferência ele fez? dedução expectativas se verdadeiras, garantiam a conclusão
indução e dedução P 1 : plantas florescem após o fogo P 2 : o fogo é um mecanismo de sincronia de floração C: o número de plantas florescendo concomitantemente é maior em áreas recém-queimadas do que em áreas não queimadas
indução e dedução quatro fábricas próximas de um rio contaminação do rio qual das quatro fábricas tinha sido a responsável? ele analisou a água e encontrou muito amianto nela
indução e dedução ele concluiu que a responsável tinha sido a fábrica de telhas, que usava amianto em seu processo que tipo de inferência ele fez? inferência explanatória estava procurando explicar aquele caso
indução e dedução vários tipos de inferências não-dedutivas para os empiristas e positivistas lógicos, contudo, a indução era o tipo de inferência não-dedutiva mais fundamental
indução e dedução assim, eles tentaram formular uma lógica indutiva que se parecesse ao máximo com a dedutiva essa foi a abordagem de Carl Hempel
indução e dedução ou tentaram aplicar uma teoria matemática da probabilidade essa foi a abordagem de Rudolf Carnap
indução e dedução Carnap desenvolveu modelos muito sofisticados de confirmação usando a teoria da probabilidade mas os problemas teimavam em aparecer mais e mais assunções se tornavam necessárias para que os resultados saíssem certos até que a ideia se desgastou
indução e dedução ainda que a abordagem de Carnap não tenha funcionado, a ideia de usar a teoria da probabilidade para entender a confirmação mantém-se popular e se desenvolveu de muitas formas certamente isso parece uma boa abordagem
indução e dedução é natural imaginar que a observação do nível de irídio na crota terrestre tornou a idéia dos Alvarez  mais provável  do que antes bayesianismo
corvos os empiristas lógicas se esforçaram para analisar a confirmação de generalizações por observações de seus casos neste momento, de acordo com a tradição, trocaremos de aves como a observação repetida de corvos negros pode confirmar a generalização de que todos os corvos são negros?
corvos se observarmos um grande número de corvos negros e nenhum não-negro, aumentaremos a probabilidade de que esse enunciado seja verdadeiro? à medida que vemos um corvo negro, há um a menos que possa derrubar a teoria
corvos assim, a probabilidade dele ser verdadeiro deveria aumentar lentamente
corvos porém, isso não ajuda muito os empiristas lógicos estavam preocupados com generalizações que cobrissem um número infinito de casos assim, à medida que vemos um corvo preto, não aumentamos a probabilidade do enunciado estar certo
corvos além disso, mesmo que estivéssemos interessados em generalizações que cobrissem um número finito de casos, esse tipo de suporte é muito fraco isso é claro pelo fato de que isso não nos ajuda no caso da projeção não há nenhuma informação sobre o que esperar na  próxima  vez em que virmos um corvo
corvos olhemos para isso de outra forma Hempel sugeriu que, em termos de lógica, todas as observações de corvos negros confirmam a generalização de que todos os corvos são negros em termos gerais, qualquer observação de um  F  que é  G  suporta a generalização de que  " todos os Fs são Gs "
corvos ele via isso como um fato básico da lógica de suporte isso parece ser um razoável ponto de partida e eis um outro ponto óbvio: qualquer evidência que confirme uma hipótese H também confirma qualquer hipótese que seja logicamente equivalente a H o que é equivalência lógica?
corvos quando duas sentenças dizem a mesma coisa com palavras diferentes mais precisamente, se H é logicamente equivalente a H*, então é impossível H ser verdadeiro e H* ser falso, ou vice-versa qual o equivalente lógico de  "todos os corvos são negros"?
não-negras negras corvos
corvos H: todos os corvos são negros H*: todas as coisas não-negras não são corvos por quê?
não-negras negras H: Todos os corvos são negros H*: Todas as coisas não-negras não são corvos ✓ ✓ corvos
não-negras negras H: Todos os corvos são negros H*: Todas as coisas não-negras não são corvos ✗ ✗ corvos
H*: Todas as coisas não-negras não são corvos
 
corvos mas dada a equivalência lógica dos dois enunciados, a confirmação de um também confirma o outro então, a observação de um sapato branco confirma o enunciado de que todos os corvos são negros dessa forma, é possível fazer ornitologia em um loja de sapatos?
corvos esse simples problema é de difícil solução uma possível reação é aceitar a conclusão essa foi a resposta de Hempel
corvos Hempel argumentou que, falando logicamente, um enunciado do tipo  " todos os Fs são Gs " não é um enunciado apenas sobre F, mas sobre todo o universo de acordo com essa resposta, a observação de um sapato branco também confirma que todos os corvos são verdes, que todas as onças são azuis e assim por diante
corvos Hempel estava confortável com essa situação, mas a maioria não outras ideias foram propostas talvez a observação de um sapato branco ou de um corvo negro confirmem ou não o enunciado de que todos os corvos são negros
corvos suponham que saibamos que ou (1) todos os corvos são negros e corvos são extremamente raros ou (2) a maioria dos corvos é negra, alguns são brancos e corvos são comuns então uma observação casual de um corvo negro suportará (2) – que diz que nem todos os corvos são negros!
corvos se todos os corvos fossem negros e (1) estivesse certo, não deveríamos estar os observando, pois seriam muito raros
corvos observar um sapato branco, similarmente, poderia ou não confirmar um dado enunciado, dependendo do que mais soubéssemos essa resposta foi sugerida por I.J. Good
corvos a ideia de Good é bastante razoável apresenta uma conexão com o holismo do teste a relevância de uma observação a um enunciado não é simplesmente uma questão do seu conteúdo, mas depende de outras assunções uma outra ideia sobre os corvos vai um pouco além
corvos se um corvo negro ou um sapato branco confirma que todos os corvos são negros depende da  ordem  com que aprendemos as duas propriedades do objeto
corvos suponham que alguém chegue para vocês e pergunte: tenho um corvo atrás de mim; querem ver sua cor? o que vocês respondem, sim ou não?
corvos deveriam dizer sim, porque se a pessoa mostrar um corvo branco, a teoria é refutada se a pessoa disser: tenho um objeto negro atrás de mim; querem ver se é um corvo? o que vocês respondem, sim ou não? não, porque não importa se é um corvo ou não
corvos vocês acham que todos os corvos são negros, mas não que todos os objetos negros são corvos nesse caso, se ele lhes mostrar um corvo negro, a informação será irrelevante; se ele lhe mostrar um não-corvo negro também será irrelevante
corvos assim, talvez o enunciado  "todos os corvos são negros" seja confirmado por um corvo negro apenas quando a observação tiver o potencial de refutar, apenas quando a observação fizer parte de um teste verdadeiro agora sabemos o que fazer com o sapato branco se alguém disser para vocês:
corvos tenho um objeto branco atrás de mim; querem ver o que é? o que devem dizer? sim, porque se ele mostrar um corvo, sua teoria é refutada; se ele mostrar um sapato, sua teoria continua em pé
corvos e se o cara disser: tenho um sapato atrás de mim; querem ver sua cor? não queremos ver, não nos interessa
corvos então talvez algumas observações de sapatos brancos confirmem que  "todos os corvos são negros", enquanto que outras não
exercício: 20 min
corvos qual ou quais?
corvos esse experimento é famoso dentro da Psicologia e foi proposto por Wason e Johnson-Laird em 1972 ele foi usado para mostrar que muitas pessoas, incluindo aquelas com alto nível de instrução, cometem erros lógicos sob certas circunstâncias a maioria das pessoas responde  "cartão A"  ou  "cartões A e C"
corvos a resposta correta é  "A e D“ esse problema tem a mesma estrutura do dos corvos por alguma razão, é difícil para as pessoas perceberem a importância do cartão D... ... e acharem erroneamente que o cartão C é importante
corvos o cartão D é análogo à situação em que alguém diz que tem um objeto branco atrás de si o cartão C é análogo à situação em que alguém diz que tem um objeto negro atrás de si o cartão D é um teste verdadeiro do enunciado
corvos o cartão C é inútil, ainda que possa se encaixar no que diz o enunciado nem todas as observações que se encaixam no enunciado são úteis como teste porque não tem o potencial de refutá-lo
 
a nova charada da indução agora um problema, ainda mais famoso, proposto por Nelson Goodman em 1955 esse argumento parece estranho, e é fácil de ser interpretado erroneamente, mas as questões que ele levanta são muito profundas Goodman estava tentando mostrar que não poderia haver uma teoria formal da comunicação
a nova charada da indução o que é uma teoria formal da comunicação? o jeito mais fácil de explicar é olhando para argumentos dedutivos
a nova charada da indução premissas Os homens são mortais. Sócrates é um homem. conclusão Sócrates é mortal.
a nova charada da indução nesse caso, se as premissas são verdadeiras, a conclusão é verdadeira mas o fato do argumento ser bom não tem a ver com qualquer coisa em particular relacionada a Sócrates ou a mortalidade dos homens qualquer argumento com a mesma forma será igualmente bom
a nova charada da indução premissas F s são  G s. a  é  F . conclusão a  é  G .
a nova charada da indução qualquer argumento com essa forma é dedutivamente válido, não importa o que nos substituamos por  F ,  G  e  a assim, a validade dedutiva de um argumento depende somente de sua forma de argumentação, não de seu conteúdo
a nova charada da indução isso era algo que os empiristas lógicos queriam incorporar à sua teoria da indução e confirmação o que Goodman disse?
a nova charada da indução (a linha dupla indica que não se assume que o argumento é dedutivamente válido) Todas as muitas esmeraldas observadas, em diversas circunstâncias, antes de 2011, foram verdes Todas as esmeraldas são verdes
a nova charada da indução isso é um bom argumento indutivo? parece ser ele não nos dá garantia, induções nunca dão e se preferissem dizer  "provavelmente, todas as esmeraldas são verdes", isso não faria diferença para o resto da discussão
a nova charada da indução agora considerem esse argumento: Todas as muitas esmeraldas observadas, em diversas circunstâncias, antes de 2011, foram verduis Todas as esmeraldas são verduis
a nova charada da indução esse argumento usa uma nova palavra,  " verdul " definimos  " verdul "  dessa forma: um objeto é  " verdul " se e somente se ele foi observado antes de 2011 e é verde,  ou  se ele não foi observado primeiro antes de 2011 e é azul há muitos objetos verduis no mundo
a nova charada da indução a grama ali fora é verdul o céu, observado por alguém que nasceu em 2012, será verdul um objeto NÃO precisa mudar de cor para ser verdul – isso é uma interpretação errônea comum qualquer coisa verde que tenha sido observada antes de 2011 é verdul
a nova charada da indução sendo assim, todas as esmeraldas vistas até agora são verduis mas esse último argumento não parece um bom argumento indutivo ela nos leva a acreditar que as esmeraldas observadas a partir de 2011 serão azuis
a nova charada da indução esse argumento também parece entrar em contradição com o argumento anterior, que parecia um bom argumento indutivo mas notem que ambos têm a mesma forma
a nova charada da indução Todas os muitos  E s observados, em diversas circunstâncias, antes de 2011, foram  G s Todos os  E s são  G s
a nova charada da indução o que Goodman dizia era que dois argumentos indutivos poderiam ter a mesma forma, mas um poderia bom e outro ruim mas o que torna um argumento indutivo bom e outro ruim? não pode ser a  forma
a nova charada da indução logo, não pode haver uma teoria puramente  formal  de indução e confirmação notem que a palavra  " verdul "  funciona perfeitamente em argumentos dedutivos
a nova charada da indução premissas As esmeraldas são verduis. Essa pedra é uma esmeralda. conclusão Essa pedra é verdul.
a nova charada da indução no caso da indução, poderíamos dizer que o problema é com a palavra  " verdul " assim, uma boa teoria da indução deveria incluir restrições a palavras
a nova charada da indução tudo bem com " verde ", mas não com   " verdul " essa tem sido a resposta mais comum ao problema mas como definir essa restrição? suponham que digamos que o problema com a palavra é sua referência ao tempo
a nova charada da indução Goodman diria que se um termo é ou não definido dessa forma depende da língua que usamos como ponto de partida para ver isso, definamos a nova palavra " azerde ":
a nova charada da indução um objeto é  " azerde " se e somente se ele foi observado antes de 2011 e é azul,  ou  se ele não foi observado primeiro antes de 2011 e é verde podemos usar as palavras portuguesas "verde" e "azul" para definir "verdul" e "azerde" e, nesse caso, temos de usar uma referência ao tempo
a nova charada da indução agora, suponham que falemos uma língua que é como o português, mas em que  "verdul" e "azerde" são termos familiares e "verde" e "azul" não
exercício: 20 min verde? azul?
2011 verdul azerde
”  “ 2011 verdul azerde um objeto é  " verde " se e somente se ele foi observado antes de 2011 e é verdul,  ou  se ele não foi observado primeiro antes de 2011 e é azerde
”  “ 2011 verdul azerde um objeto é  " azul " se e somente se ele foi observado antes de 2011 e é azerde,  ou  se ele não foi observado primeiro antes de 2011 e é verdul
a nova charada da indução nesse caso, para definir "verde" e "azul", precisaríamos de referências ao tempo dessa forma, o que Goodman disse foi que se um termo contém ou não "referência ao tempo" é uma questão relativa à língua
a nova charada da indução termos que parecem corretos em uma língua podem não o ser em outra assim, se quisermos considerar  "verdul" ruim por sua referência ao tempo, então uma indução será boa ou ruim conforme a língua que usamos como ponto de partida
a nova charada da indução para Goodman, uma boa indução deve usar termos familiares alguns filósofos não gostaram dessa conclusão, pois fazia com que a validade de um argumento indutivo dependesse da língua que usássemos portanto, eles procuraram se focar nas propriedades das palavras
a nova charada da indução eles alegaram que ser verde era algo natural no mundo e ser verdul não para eles, uma boa indução deveria usar termos que julgássemos representar tipos naturais o que também traz problemas o que seriam tipos naturais?
a nova charada da indução essa questão já era controversa desde os tempos de Platão embora a questão levantada por Goodman seja abstrata, ela tem ligações interessantes com o que é feito na ciência
a nova charada da indução exercício: 10 minutos para pensar e responder à pergunta
a nova charada da indução
a nova charada da indução a tendência é que tracemos uma linha reta entre esses pontos
a nova charada da indução
a nova charada da indução porém há um número infinitos de funções matemáticas que se ajustam aos três pontos tão bem ou melhor, com valores esperados de  y  para  x =4 bem diferentes
a nova charada da indução
a nova charada da indução como sabemos que função usar?
a nova charada da indução ajustar uma função estranha aos pontos parece como se estivéssemos preferindo a indução  " verdul "  em vez da  " verde "  ao observar esmeraldas
a nova charada da indução ajustar uma função estranha aos pontos parece como se estivéssemos preferindo a indução  " verdul "  em vez da  " verde "  ao observar esmeraldas
a nova charada da indução porém, será que é tão claro assim que a indução verde é mais simples? Goodman diria que a simplicidade depende da língua que usamos como ponto de partida além disso, ainda que a preferência pela simplicidade seja comum na ciência, não é fácil justificá-la por que o mundo deveria ser simples?
a nova charada da indução já vimos a tentativa de Goodman de resolver o problema usando a idéia do  " tipo natural ", um conjunto reunido por similaridades reais em oposição a convenções muito argumentos dentro da ciência se preocupam com esse tipo de problema – em conseguir as categorias corretas para prever e extrapolar
a nova charada da indução esse problema é particularmente agudo em ciências como psicologia, economia e ecologia, que lidam com redes complexas de similaridades e diferenças em casos a partir dos quais tentam extrapolar todas as economias com inflação alta se encaixam em uma categoria natural que possam ser usadas para previsões?
a nova charada da indução as espécies pioneiras e climácicas existem como categorias naturais ou estamos incluindo espécies muito diferentes dentro de cada classe? esses problemas são simples, mas de difícil solução
…  parecia que os problemas mais inocentes sobre indução e confirmação nos deixavam ‘atordoados e confusos’…

Indução e confirmação

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    a mãe detodos os problemas veremos agora um problema muito importante e difícil o problema de entender como observações podem confirmar uma teoria científica que conexão deve haver entre uma observação e uma teoria que torna aquela evidência desta?
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    a mãe detodos os problemas digamos, a minha teoria é de que todos os cisnes são brancos como a observação de um cisne branco confirma essa teoria? isso parece trivial?
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    a mãe detodos os problemas parece, mas, de certa forma, esse foi o problema da filosofia da ciência nos últimos 100 anos esse problema era central aos projetos dos positivistas e empiristas lógicos e foi fonte de constante frustração para eles e ainda que se possa ficar tentado a imaginar, ele não desaparece se abandonamos o empirismo lógico
  • 5.
    a mãe detodos os problemas de um modo ou de outro, esse problema surge para quase todos o objetivo dos empiristas lógicos era desenvolver uma teoria lógica de evidência e confirmação ficou claro que essa abordagem estava condenada
  • 6.
    a mãe detodos os problemas antes de olhar para o século XX no que diz respeito a essa questão, devemos recuar mais a confirmação de teorias está fortemente relacionada com outra questão clássica na filosofia o problema da indução
  • 7.
    a mãe detodos os problemas por que temos de esperar que padrões observados passados se repitam no futuro? qual a justificativa para usar observações pretéritas como base para generalizações sobre coisas que ainda não observamos?
  • 8.
    a mãe detodos os problemas as discussões mais famosas sobre a indução foram escritas pelo empirista escocês do século XVIII David Hume
  • 9.
    a mãe detodos os problemas Hume se perguntou: por que devemos acreditar que o futuro lembrará o passado? não há nenhuma contradição em supor que o futuro seja totalmente diferente do passado
  • 10.
    a mãe detodos os problemas é possível que o mundo mude radicalmente em algum momento, tornando as experiências passadas inúteis como sabemos que isso não vai acontecer?
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    a mãe detodos os problemas poderíamos dizer a Hume que, quando, no passado, confiamos em nossas experiências anteriores, as coisas funcionaram para nós mas Hume rebateria: sim, funcionaram, mas isso aconteceu no passado !!!
  • 12.
    “ ” oshumanos são legais
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  • 14.
    a mãe detodos os problemas assim, nosso problema é se qualquer coisa sobre o passado nos dá boas informações sobre o que vai acontecer amanhã Hume concluiu que não temos nenhuma razão para esperar que o futuro lembre o passado ele aceitava que usávamos induções para sobreviver no mundo
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    a mãe detodos os problemas e ele não estava sugerindo que deixássemos de fazê-lo mas ele dizia que isso não tinha base racional esse ceticismo indutivo de Hume assombrou o empirismo desde então
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    indução e deduçãoos empiristas lógicos tentaram mostrar como evidências observacionais poderiam prover suporte para uma teoria científica a idéia de ‘suporte’ é importante aqui não havia nenhuma tentativa de mostrar que as teorias científicas poderiam ser ‘provadas’
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    indução e deduçãoo erro é sempre possível, mas evidências podem suportar uma teoria em relação à outra voltando para o exemplo clássico: se observarmos vários cisnes brancos, e nenhum de outra cor, que razão temos para acreditar que todos os cisnes são brancos? as evidências suportam o enunciado
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    indução e deduçãomas obviamente na ciência nem todos os casos são simples assim o suporte observacional para a teoria de Copérnico de que a Terra gira em torno do Sol, ou a teoria de evolução do Darwin, parece ser bem diferente Darwin não observou um conjunto de casos individuais de evolução e depois generalizou
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    indução e deduçãoos empiristas lógicos queriam uma teoria de evidência, ou ‘teoria de confirmação’, que cobrisse todos os casos eles não estavam tentando desenvolver uma receita para confirmar teorias
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    indução e deduçãoo objetivo era determinar a relação entre os enunciados de uma teoria científica e os enunciados descrevendo observações, os quais provêm suporte à teoria
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    indução e deduçãoneste ponto, podemos nos perguntar: qual a utilidade de uma teoria tão distante do comportamento científico corrente? qual a importância se uma análise lógica desse tipo existe ou não?
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    indução e deduçãoem defesa deles, poderíamos argumentar que, embora o comportamento científico não esteja sendo diretamente descrito pela teoria da confirmação, os procedimentos científicos podem ser baseados em assunções descritas por essa teoria
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    indução e deduçãotalvez muitos cientistas façam coisas que não podem ser justificadas se a confirmação não existir
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    indução e deduçãomas, afinal, qual a diferença entre dedução e indução? a lógica dedutiva é o tipo de lógica bem compreendido e entendido é uma teoria de padrões de argumento que transmitem verdade com certeza
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    indução e deduçãoesses argumentos têm a característica de que, se as premissas do argumento são verdadeiras, então a conclusão também é um argumento desse tipo é dedutivamente válido
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    indução e deduçãopremissas Os homens são mortais. Sócrates é um homem. conclusão Sócrates é mortal.
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    indução e deduçãoum argumento dedutivamente válido pode ter falsas premissas nesse caso, a conclusão pode ser falsa o que você tira de um argumento dedutivo depende do que você coloca
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    indução e deduçãoos empiristas lógicos adoravam a lógica dedutiva, mas elas perceberam que ela não poderia servir como uma análise completa de argumento e evidência na ciência teorias científicas têm de ser logicamente consistentes, mas isso não é tudo
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    indução e deduçãomuitas inferências na ciência não são válidas dedutivamente e não dão garantias ainda assim, elas podem ser boas inferências podem prover suporte para suas conclusões
  • 30.
    indução e deduçãopara os empiristas lógicos, havia uma razão por que tanta inferência na ciência não é dedutiva como empiristas, elas acreditavam que toda nossa evidência vinha de observações observações são sempre de ocorrências e objetos particulares
  • 31.
    indução e deduçãomas eles acreditavam que o grande objetivo da ciência era descobrir e estabelecer generalizações a ideia-chave era que a ciência visava a formular e testar generalizações esses generalizações deveriam ser aplicáveis a infinitos casos quantas observações devemos fazer nesse caso?
  • 32.
    indução e deduçãoo problema é que nenhum número finito de observações pode estabelecer conclusivamente uma generalização desse tipo assim essas generalizações são sempre não-dedutivas X 1 é Y, X 2 é Y, X 3 é Y, X 4 é Y... X n é Y logo, todos os Xs são Y
  • 33.
    indução e deduçãoDicionário Houaiss indução (substantivo feminino) raciocínio que parte de dados particulares (fatos, experiências, enunciados empíricos) e, por meio de uma seqüência de operações cognitivas, chega a leis ou conceitos mais gerais, indo dos efeitos à causa, das conseqüências ao princípio, da experiência à teoria
  • 34.
    indução e deduçãouma forma de inferência bastante ligada à indução é a projeção em uma projeção, inferimos a partir de um número de casos observados uma previsão sobre o próximo caso se vimos um certo número de cisnes brancos e inferimos que o próximo também deva ser branco
  • 35.
    indução e deduçãohá outros tipos de inferência não-dedutiva em ciência, o que é algo ‘anedótico’? tem o sentido de "um caso isolado, não publicado" ou, se publicado, "sem experimentação científica", "sem verificação experimental"
  • 36.
    indução e deduçãoalguns exemplos: "The clinical evidence in support of these claims is anecdotal... " "Treatment methodology is chosen based on anecdotal experience... " "Liver abnormalities seem a very rare association in Turner's syndrome, only reported in a few anecdotal cases"
  • 37.
    indução e deduçãodurante os anos 1980, Luis e Walter Alvarez encontraram a presença de níveis muito altos de elementos químicos raros, como irídio, nas camadas da crosta terrestre com 65 milhões de idade com base nisso, eles afirmaram que um grande meteoro havia se chocado com a Terra, causando a extinção dos dinossauros
  • 38.
    indução e deduçãoesses elementos químicos são encontrados em níveis muito maiores em meteoros do que na crosta terrestre essa observação foi uma forte evidência à teoria dos Alvarez
  • 39.
    indução e deduçãoesse argumento não é uma indução, pois não estamos generalizando, nem uma projeção, pois não estamos tentando prever o próximo caso
  • 40.
    indução e deduçãoestamos propondo uma explicação para os dados inferência explanatória exercício: 20 min para lerem, discutirem e responderem as perguntas
  • 41.
    indução e deduçãocomportamento de queixadas ele acompanhou um bando de queixadas, anotando tudo o que elas faziam percebeu que, em todos os 32 encontros que presenciou das queixadas com grandes felinos, aquelas começavam a bater os dentes assim que sentiam a presença destes
  • 42.
    indução e deduçãoconcluiu que um comportamento típico das queixadas era bater seus dentes assim que sentiam a presença de um potencial predador que tipo de inferência ele fez? indução generalização sobre o comportamento das queixadas
  • 43.
    indução e deduçãoDr. Fripp fora contratado por um fazendeiro goiano, que tinha em sua fazenda tanto áreas de pasto quanto de lavoura o fazendeiro ia plantar uma gramínea africana no pasto para ser usada como forrageira pelo gado
  • 44.
    indução e deduçãoele estava preocupado com a possibilidade dessa forrageira se tornar uma planta invasora na sua lavoura, trazendo prejuízos à sua colheita
  • 45.
    indução e deduçãoDr. Fripp analisou vários casos de gramíneas africanas usadas como forrageiras e viu que, de cada cinco gramíneas africanas usadas em pasto, quatro haviam se tornado invasoras
  • 46.
    indução e deduçãoa probalidade da gramínea se tornar invasora na lavoura era alta sendo assim, ele recomendou ao fazendeiro que não usasse gramíneas africanas, mas sim nativas, em seu pasto que tipo de inferência ele fez? projeção a ideia era prever o próximo caso
  • 47.
    indução e deduçãosincronia de floração da guabiroba, um arbusto de cerrado, após o fogo " há plantas que florescem após queimadas e o fogo auxilia a sincronia de floração, fazendo com os indivíduos produzam flores ao mesmo tempo "
  • 48.
    indução e dedução100 indivíduos de guabiroba em uma área recém-queimada e outros 100 em uma área não queimada depois de quinze dias, ele contou o número de indivíduos florescendo em cada área e observou que havia 88 indivíduos florescendo na primeira área e sete na segunda
  • 49.
    indução e deduçãoconcluiu que sua ideia inicial estava correta que tipo de inferência ele fez? dedução expectativas se verdadeiras, garantiam a conclusão
  • 50.
    indução e deduçãoP 1 : plantas florescem após o fogo P 2 : o fogo é um mecanismo de sincronia de floração C: o número de plantas florescendo concomitantemente é maior em áreas recém-queimadas do que em áreas não queimadas
  • 51.
    indução e deduçãoquatro fábricas próximas de um rio contaminação do rio qual das quatro fábricas tinha sido a responsável? ele analisou a água e encontrou muito amianto nela
  • 52.
    indução e deduçãoele concluiu que a responsável tinha sido a fábrica de telhas, que usava amianto em seu processo que tipo de inferência ele fez? inferência explanatória estava procurando explicar aquele caso
  • 53.
    indução e deduçãovários tipos de inferências não-dedutivas para os empiristas e positivistas lógicos, contudo, a indução era o tipo de inferência não-dedutiva mais fundamental
  • 54.
    indução e deduçãoassim, eles tentaram formular uma lógica indutiva que se parecesse ao máximo com a dedutiva essa foi a abordagem de Carl Hempel
  • 55.
    indução e deduçãoou tentaram aplicar uma teoria matemática da probabilidade essa foi a abordagem de Rudolf Carnap
  • 56.
    indução e deduçãoCarnap desenvolveu modelos muito sofisticados de confirmação usando a teoria da probabilidade mas os problemas teimavam em aparecer mais e mais assunções se tornavam necessárias para que os resultados saíssem certos até que a ideia se desgastou
  • 57.
    indução e deduçãoainda que a abordagem de Carnap não tenha funcionado, a ideia de usar a teoria da probabilidade para entender a confirmação mantém-se popular e se desenvolveu de muitas formas certamente isso parece uma boa abordagem
  • 58.
    indução e deduçãoé natural imaginar que a observação do nível de irídio na crota terrestre tornou a idéia dos Alvarez mais provável do que antes bayesianismo
  • 59.
    corvos os empiristaslógicas se esforçaram para analisar a confirmação de generalizações por observações de seus casos neste momento, de acordo com a tradição, trocaremos de aves como a observação repetida de corvos negros pode confirmar a generalização de que todos os corvos são negros?
  • 60.
    corvos se observarmosum grande número de corvos negros e nenhum não-negro, aumentaremos a probabilidade de que esse enunciado seja verdadeiro? à medida que vemos um corvo negro, há um a menos que possa derrubar a teoria
  • 61.
    corvos assim, aprobabilidade dele ser verdadeiro deveria aumentar lentamente
  • 62.
    corvos porém, issonão ajuda muito os empiristas lógicos estavam preocupados com generalizações que cobrissem um número infinito de casos assim, à medida que vemos um corvo preto, não aumentamos a probabilidade do enunciado estar certo
  • 63.
    corvos além disso,mesmo que estivéssemos interessados em generalizações que cobrissem um número finito de casos, esse tipo de suporte é muito fraco isso é claro pelo fato de que isso não nos ajuda no caso da projeção não há nenhuma informação sobre o que esperar na próxima vez em que virmos um corvo
  • 64.
    corvos olhemos paraisso de outra forma Hempel sugeriu que, em termos de lógica, todas as observações de corvos negros confirmam a generalização de que todos os corvos são negros em termos gerais, qualquer observação de um F que é G suporta a generalização de que " todos os Fs são Gs "
  • 65.
    corvos ele viaisso como um fato básico da lógica de suporte isso parece ser um razoável ponto de partida e eis um outro ponto óbvio: qualquer evidência que confirme uma hipótese H também confirma qualquer hipótese que seja logicamente equivalente a H o que é equivalência lógica?
  • 66.
    corvos quando duassentenças dizem a mesma coisa com palavras diferentes mais precisamente, se H é logicamente equivalente a H*, então é impossível H ser verdadeiro e H* ser falso, ou vice-versa qual o equivalente lógico de "todos os corvos são negros"?
  • 67.
  • 68.
    corvos H: todosos corvos são negros H*: todas as coisas não-negras não são corvos por quê?
  • 69.
    não-negras negras H:Todos os corvos são negros H*: Todas as coisas não-negras não são corvos ✓ ✓ corvos
  • 70.
    não-negras negras H:Todos os corvos são negros H*: Todas as coisas não-negras não são corvos ✗ ✗ corvos
  • 71.
    H*: Todas ascoisas não-negras não são corvos
  • 72.
  • 73.
    corvos mas dadaa equivalência lógica dos dois enunciados, a confirmação de um também confirma o outro então, a observação de um sapato branco confirma o enunciado de que todos os corvos são negros dessa forma, é possível fazer ornitologia em um loja de sapatos?
  • 74.
    corvos esse simplesproblema é de difícil solução uma possível reação é aceitar a conclusão essa foi a resposta de Hempel
  • 75.
    corvos Hempel argumentouque, falando logicamente, um enunciado do tipo " todos os Fs são Gs " não é um enunciado apenas sobre F, mas sobre todo o universo de acordo com essa resposta, a observação de um sapato branco também confirma que todos os corvos são verdes, que todas as onças são azuis e assim por diante
  • 76.
    corvos Hempel estavaconfortável com essa situação, mas a maioria não outras ideias foram propostas talvez a observação de um sapato branco ou de um corvo negro confirmem ou não o enunciado de que todos os corvos são negros
  • 77.
    corvos suponham quesaibamos que ou (1) todos os corvos são negros e corvos são extremamente raros ou (2) a maioria dos corvos é negra, alguns são brancos e corvos são comuns então uma observação casual de um corvo negro suportará (2) – que diz que nem todos os corvos são negros!
  • 78.
    corvos se todosos corvos fossem negros e (1) estivesse certo, não deveríamos estar os observando, pois seriam muito raros
  • 79.
    corvos observar umsapato branco, similarmente, poderia ou não confirmar um dado enunciado, dependendo do que mais soubéssemos essa resposta foi sugerida por I.J. Good
  • 80.
    corvos a ideiade Good é bastante razoável apresenta uma conexão com o holismo do teste a relevância de uma observação a um enunciado não é simplesmente uma questão do seu conteúdo, mas depende de outras assunções uma outra ideia sobre os corvos vai um pouco além
  • 81.
    corvos se umcorvo negro ou um sapato branco confirma que todos os corvos são negros depende da ordem com que aprendemos as duas propriedades do objeto
  • 82.
    corvos suponham quealguém chegue para vocês e pergunte: tenho um corvo atrás de mim; querem ver sua cor? o que vocês respondem, sim ou não?
  • 83.
    corvos deveriam dizersim, porque se a pessoa mostrar um corvo branco, a teoria é refutada se a pessoa disser: tenho um objeto negro atrás de mim; querem ver se é um corvo? o que vocês respondem, sim ou não? não, porque não importa se é um corvo ou não
  • 84.
    corvos vocês achamque todos os corvos são negros, mas não que todos os objetos negros são corvos nesse caso, se ele lhes mostrar um corvo negro, a informação será irrelevante; se ele lhe mostrar um não-corvo negro também será irrelevante
  • 85.
    corvos assim, talvezo enunciado "todos os corvos são negros" seja confirmado por um corvo negro apenas quando a observação tiver o potencial de refutar, apenas quando a observação fizer parte de um teste verdadeiro agora sabemos o que fazer com o sapato branco se alguém disser para vocês:
  • 86.
    corvos tenho umobjeto branco atrás de mim; querem ver o que é? o que devem dizer? sim, porque se ele mostrar um corvo, sua teoria é refutada; se ele mostrar um sapato, sua teoria continua em pé
  • 87.
    corvos e seo cara disser: tenho um sapato atrás de mim; querem ver sua cor? não queremos ver, não nos interessa
  • 88.
    corvos então talvezalgumas observações de sapatos brancos confirmem que "todos os corvos são negros", enquanto que outras não
  • 89.
  • 90.
  • 91.
    corvos esse experimentoé famoso dentro da Psicologia e foi proposto por Wason e Johnson-Laird em 1972 ele foi usado para mostrar que muitas pessoas, incluindo aquelas com alto nível de instrução, cometem erros lógicos sob certas circunstâncias a maioria das pessoas responde "cartão A" ou "cartões A e C"
  • 92.
    corvos a respostacorreta é "A e D“ esse problema tem a mesma estrutura do dos corvos por alguma razão, é difícil para as pessoas perceberem a importância do cartão D... ... e acharem erroneamente que o cartão C é importante
  • 93.
    corvos o cartãoD é análogo à situação em que alguém diz que tem um objeto branco atrás de si o cartão C é análogo à situação em que alguém diz que tem um objeto negro atrás de si o cartão D é um teste verdadeiro do enunciado
  • 94.
    corvos o cartãoC é inútil, ainda que possa se encaixar no que diz o enunciado nem todas as observações que se encaixam no enunciado são úteis como teste porque não tem o potencial de refutá-lo
  • 95.
  • 96.
    a nova charadada indução agora um problema, ainda mais famoso, proposto por Nelson Goodman em 1955 esse argumento parece estranho, e é fácil de ser interpretado erroneamente, mas as questões que ele levanta são muito profundas Goodman estava tentando mostrar que não poderia haver uma teoria formal da comunicação
  • 97.
    a nova charadada indução o que é uma teoria formal da comunicação? o jeito mais fácil de explicar é olhando para argumentos dedutivos
  • 98.
    a nova charadada indução premissas Os homens são mortais. Sócrates é um homem. conclusão Sócrates é mortal.
  • 99.
    a nova charadada indução nesse caso, se as premissas são verdadeiras, a conclusão é verdadeira mas o fato do argumento ser bom não tem a ver com qualquer coisa em particular relacionada a Sócrates ou a mortalidade dos homens qualquer argumento com a mesma forma será igualmente bom
  • 100.
    a nova charadada indução premissas F s são G s. a é F . conclusão a é G .
  • 101.
    a nova charadada indução qualquer argumento com essa forma é dedutivamente válido, não importa o que nos substituamos por F , G e a assim, a validade dedutiva de um argumento depende somente de sua forma de argumentação, não de seu conteúdo
  • 102.
    a nova charadada indução isso era algo que os empiristas lógicos queriam incorporar à sua teoria da indução e confirmação o que Goodman disse?
  • 103.
    a nova charadada indução (a linha dupla indica que não se assume que o argumento é dedutivamente válido) Todas as muitas esmeraldas observadas, em diversas circunstâncias, antes de 2011, foram verdes Todas as esmeraldas são verdes
  • 104.
    a nova charadada indução isso é um bom argumento indutivo? parece ser ele não nos dá garantia, induções nunca dão e se preferissem dizer "provavelmente, todas as esmeraldas são verdes", isso não faria diferença para o resto da discussão
  • 105.
    a nova charadada indução agora considerem esse argumento: Todas as muitas esmeraldas observadas, em diversas circunstâncias, antes de 2011, foram verduis Todas as esmeraldas são verduis
  • 106.
    a nova charadada indução esse argumento usa uma nova palavra, " verdul " definimos " verdul " dessa forma: um objeto é " verdul " se e somente se ele foi observado antes de 2011 e é verde, ou se ele não foi observado primeiro antes de 2011 e é azul há muitos objetos verduis no mundo
  • 107.
    a nova charadada indução a grama ali fora é verdul o céu, observado por alguém que nasceu em 2012, será verdul um objeto NÃO precisa mudar de cor para ser verdul – isso é uma interpretação errônea comum qualquer coisa verde que tenha sido observada antes de 2011 é verdul
  • 108.
    a nova charadada indução sendo assim, todas as esmeraldas vistas até agora são verduis mas esse último argumento não parece um bom argumento indutivo ela nos leva a acreditar que as esmeraldas observadas a partir de 2011 serão azuis
  • 109.
    a nova charadada indução esse argumento também parece entrar em contradição com o argumento anterior, que parecia um bom argumento indutivo mas notem que ambos têm a mesma forma
  • 110.
    a nova charadada indução Todas os muitos E s observados, em diversas circunstâncias, antes de 2011, foram G s Todos os E s são G s
  • 111.
    a nova charadada indução o que Goodman dizia era que dois argumentos indutivos poderiam ter a mesma forma, mas um poderia bom e outro ruim mas o que torna um argumento indutivo bom e outro ruim? não pode ser a forma
  • 112.
    a nova charadada indução logo, não pode haver uma teoria puramente formal de indução e confirmação notem que a palavra " verdul " funciona perfeitamente em argumentos dedutivos
  • 113.
    a nova charadada indução premissas As esmeraldas são verduis. Essa pedra é uma esmeralda. conclusão Essa pedra é verdul.
  • 114.
    a nova charadada indução no caso da indução, poderíamos dizer que o problema é com a palavra " verdul " assim, uma boa teoria da indução deveria incluir restrições a palavras
  • 115.
    a nova charadada indução tudo bem com " verde ", mas não com " verdul " essa tem sido a resposta mais comum ao problema mas como definir essa restrição? suponham que digamos que o problema com a palavra é sua referência ao tempo
  • 116.
    a nova charadada indução Goodman diria que se um termo é ou não definido dessa forma depende da língua que usamos como ponto de partida para ver isso, definamos a nova palavra " azerde ":
  • 117.
    a nova charadada indução um objeto é " azerde " se e somente se ele foi observado antes de 2011 e é azul, ou se ele não foi observado primeiro antes de 2011 e é verde podemos usar as palavras portuguesas "verde" e "azul" para definir "verdul" e "azerde" e, nesse caso, temos de usar uma referência ao tempo
  • 118.
    a nova charadada indução agora, suponham que falemos uma língua que é como o português, mas em que "verdul" e "azerde" são termos familiares e "verde" e "azul" não
  • 119.
    exercício: 20 minverde? azul?
  • 120.
  • 121.
    ” “2011 verdul azerde um objeto é " verde " se e somente se ele foi observado antes de 2011 e é verdul, ou se ele não foi observado primeiro antes de 2011 e é azerde
  • 122.
    ” “2011 verdul azerde um objeto é " azul " se e somente se ele foi observado antes de 2011 e é azerde, ou se ele não foi observado primeiro antes de 2011 e é verdul
  • 123.
    a nova charadada indução nesse caso, para definir "verde" e "azul", precisaríamos de referências ao tempo dessa forma, o que Goodman disse foi que se um termo contém ou não "referência ao tempo" é uma questão relativa à língua
  • 124.
    a nova charadada indução termos que parecem corretos em uma língua podem não o ser em outra assim, se quisermos considerar "verdul" ruim por sua referência ao tempo, então uma indução será boa ou ruim conforme a língua que usamos como ponto de partida
  • 125.
    a nova charadada indução para Goodman, uma boa indução deve usar termos familiares alguns filósofos não gostaram dessa conclusão, pois fazia com que a validade de um argumento indutivo dependesse da língua que usássemos portanto, eles procuraram se focar nas propriedades das palavras
  • 126.
    a nova charadada indução eles alegaram que ser verde era algo natural no mundo e ser verdul não para eles, uma boa indução deveria usar termos que julgássemos representar tipos naturais o que também traz problemas o que seriam tipos naturais?
  • 127.
    a nova charadada indução essa questão já era controversa desde os tempos de Platão embora a questão levantada por Goodman seja abstrata, ela tem ligações interessantes com o que é feito na ciência
  • 128.
    a nova charadada indução exercício: 10 minutos para pensar e responder à pergunta
  • 129.
    a nova charadada indução
  • 130.
    a nova charadada indução a tendência é que tracemos uma linha reta entre esses pontos
  • 131.
    a nova charadada indução
  • 132.
    a nova charadada indução porém há um número infinitos de funções matemáticas que se ajustam aos três pontos tão bem ou melhor, com valores esperados de y para x =4 bem diferentes
  • 133.
    a nova charadada indução
  • 134.
    a nova charadada indução como sabemos que função usar?
  • 135.
    a nova charadada indução ajustar uma função estranha aos pontos parece como se estivéssemos preferindo a indução " verdul " em vez da " verde " ao observar esmeraldas
  • 136.
    a nova charadada indução ajustar uma função estranha aos pontos parece como se estivéssemos preferindo a indução " verdul " em vez da " verde " ao observar esmeraldas
  • 137.
    a nova charadada indução porém, será que é tão claro assim que a indução verde é mais simples? Goodman diria que a simplicidade depende da língua que usamos como ponto de partida além disso, ainda que a preferência pela simplicidade seja comum na ciência, não é fácil justificá-la por que o mundo deveria ser simples?
  • 138.
    a nova charadada indução já vimos a tentativa de Goodman de resolver o problema usando a idéia do " tipo natural ", um conjunto reunido por similaridades reais em oposição a convenções muito argumentos dentro da ciência se preocupam com esse tipo de problema – em conseguir as categorias corretas para prever e extrapolar
  • 139.
    a nova charadada indução esse problema é particularmente agudo em ciências como psicologia, economia e ecologia, que lidam com redes complexas de similaridades e diferenças em casos a partir dos quais tentam extrapolar todas as economias com inflação alta se encaixam em uma categoria natural que possam ser usadas para previsões?
  • 140.
    a nova charadada indução as espécies pioneiras e climácicas existem como categorias naturais ou estamos incluindo espécies muito diferentes dentro de cada classe? esses problemas são simples, mas de difícil solução
  • 141.
    … pareciaque os problemas mais inocentes sobre indução e confirmação nos deixavam ‘atordoados e confusos’…

Notas do Editor

  • #72 concentremo-nos em H*
  • #73 a observação de um sapato branco confirma esse enunciado? sim o sapato não é preto e não é um corvo