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Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
O Projeto Diretrizes, iniciativa conjunta da Associação Médica Brasileira e Conselho Federal
de Medicina, tem por objetivo conciliar informações da área médica a fim de padronizar
condutas que auxiliem o raciocínio e a tomada de decisão do médico. As informações contidas
neste projeto devem ser submetidas à avaliação e à crítica do médico, responsável pela conduta
a ser seguida, frente à realidade e ao estado clínico de cada paciente.
Autoria: Sociedade Brasileira de
Ortopedia e Traumatologia
Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica
Federação Brasileira das Associações
de Ginecologia e Obstetrícia
Sociedade Brasileira de Neurocirurgia
Colégio Brasileiro de Radiologia
Elaboração Final: 30 de outubro de 2007
Participantes: Façanha Filho FAM, Defino H, Gonzaga MC,
Zylbersztejn S, Meves R, Canto FT,
Rotta FT, Marrone CD, Frochtengarten ML,
Oppermann MLR, Veiga JCE, Skaf AY
Hérnia de Disco Lombar
no Adulto Jovem
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
2 Hérnia de Disco Lombar no Adulto Jovem
DESCRIÇÃO DO MÉTODO DE COLETA DE EVIDÊNCIA:
Revisão bibliográfica de artigos científicos nas bases de dados MEDLINE e
Cochrane. A busca de evidência partiu de cenários clínicos reais, e utilizou
os descritores MeSH: “Adult”, “Low Back Pain”, “Sciatica”, “Intervertebral
Disk Displacement”, “Surgical Procedures, Operative”, “Diskectomy”, “Outcome
Assessment” e “Pain Measurement”. Os artigos foram selecionados após
avaliação crítica da força de evidência científica.
GRAU DE RECOMENDAÇÃO E FORÇA DE EVIDÊNCIA:
A: Estudos experimentais ou observacionais de melhor consistência.
B: Estudos experimentais ou observacionais de menor consistência.
C: Relatos de casos (estudos não controlados).
D: Opinião desprovida de avaliação crítica, baseada em consensos,
estudos fisiológicos ou modelos animais.
OBJETIVO:
Orientar o diagnóstico, a indicação cirúrgica e a escolha do tipo de procedi-
mento cirúrgico para o paciente jovem portador de hérnia de disco lombar,
em único nível, sem estenose lombar por doença articular degenerativa.
CONFLITO DE INTERESSE:
Nenhum conflito de interesse declarado.
3Hérnia de Disco Lombar no Adulto Jovem
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
INTRODUÇÃO
A lombalgia é queixa freqüente no consultório. Estudos
epidemiológicos mostram que 80% das pessoas apresentarão esta
queixa em algum momento da vida. A grande maioria dos pacien-
tes, entretanto, evolui para a resolução dos sintomas em virtude da
melhora do processo inflamatório na região miofascial lombar. Cerca
de 2% destes indivíduos complicam com ciatalgia, em razão de trans-
torno degenerativo do disco intervertebral. Caracteristicamente, este
processo ocorre no homem ou na mulher - sem diferenças entre
sexos - em torno de 35 anos de idade. A base anatomopatológica da
degeneração do disco intervertebral envolve a diminuição da por-
centagem de água, proteoglicanos, e da resistência do ânulo fibroso
e do núcleo pulposo. O rompimento do ânulo fibroso leva à forma-
ção da hérnia lombar, que pode ser contida, não contida, extrusa
subligamentar ou transligamentar e seqüestrada. O processo infla-
matório e o fragmento do disco intervertebral adjacente à raiz ner-
vosa lombar resultam em lombociatalgia, que piora ao sentar ou
após tosse, distribuída pelo dermátomo correspondente à raiz
nervosa, sinal de Laseguè positivo - ou após a elevação da perna
estendida - e, em alguns casos, com paresia ou plegia do músculo
correspondente à raiz nervosa do nível neurológico comprometido.
A despeito de uma série de doenças entrarem no diagnóstico
diferencial da lombociatalgia, vale notar que a hérnia lombar deve
ser sempre considerada na investigação diagnóstica nestes doentes.
O USO DO DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
RADIOGRAFIA SIMPLES
Mostra alterações estruturais e deformidades da coluna vertebral.
Geralmente não recomendada no início dos sintomas de radiculopatia
compressiva principalmente na ausência de sinais de alerta de possam
sugerir doenças inflamatórias ou neoplasias. São utilizadas a inci-
dência ântero-posterior e perfil. Incidência oblíqua raramente é
indicada, por aumentar a exposição à radiação ionizante e o custo.
RESSONÂNCIA MAGNÉTICA
Apresenta sensibilidade de 91,7% para o diagnóstico da hér-
nia discal1
(B). É considerado o estudo de escolha para avaliar a
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
4 Hérnia de Disco Lombar no Adulto Jovem
hérnia discal lombar e a compressão radicular,
devido a sua acurácia, por não ser método
invasivo, e não apresentar radiação ionizante.
No entanto, a alta prevalência de achados anor-
mais em indivíduos assintomáticos reserva o seu
uso para situações selecionadas, como síndrome
da cauda eqüina, radiculopatia com déficit neu-
rológico, radiculopatia com quadro atípico ou
acompanhada de sinais de alerta para neoplasia
ou infecção, radiculopatia compressiva já com
indicação de terapia não conservadora para fa-
zer o planejamento do procedimento2
(C). Além
deste fato, deve-se considerar que, nos quadros
clássicos de radiculopatia, o resultado do exame
pode não modificar o resultado do tratamento
conservador3
(A).
Há situações em que o exame está bem indi-
cado, como no quadro clínico que não é clássico
de radiculopatia por compressão, ou ainda, nos
casos de déficit neurológico progressivo, ou
síndrome da cauda eqüina, em que o tratamento
cirúrgico é iminente. Em pacientes que têm in-
dicação cirúrgica, o exame ajuda a definir se a
estenose de canal é central ou foraminal, os níveis
de acometimento e a extensão da lesão. Assim,
na ausência de sinais de alerta, os pacientes com
quadro clássico de radiculopatia compressiva não
costumam ter o prognóstico ou tratamento
alterados pela realização do exame.
TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA
A tomografia computadorizada apresenta
demonstração superior da anatomia óssea da
coluna vertebral em relação aos demais méto-
dos de imagem. Apresenta boa resolução para
identificar as hérnias discais lombares, porém a
sensibilidade para o diagnóstico da hérnia discal
é inferior à da ressonância magnética4
(B). O
método tem a desvantagem de utilizar radiação
ionizante, particularmente na modalidade que
utiliza multidetectores. Também apresenta
número significativo de achados positivos em
indivíduos assintomáticos5
(C). Embora o exame
seja melhor indicado na avaliação de fraturas,
pode ser útil em pacientes com hérnia de disco
lombar que não podem ser submetidos à resso-
nância magnética.
ELETRONEUROMIOGRAFIA
A eletroneuromiografia é o único exame dis-
ponível para avaliar diretamente a integridade
fisiológica das raízes nervosas. Sua sensibilida-
de é comparável à da tomografia compu-
tadorizada6
(B) e da ressonância magnética7
(C).
No entanto, estima-se que sua especificidade
seja maior. A eletroneuromiografia combinada
aos métodos de imagem é útil para identificar
qual a raiz envolvida em paciente com anorma-
lidades em múltiplos níveis vertebrais, e se as
anormalidades encontradas são funcionalmen-
te relevantes. Além destas situações, o exame
auxilia no diagnóstico diferencial com lesões de
plexo ou nervo periférico.
QUANDO DEVEMOS OPERAR?
Resultado funcional a médio e longo prazo
comparando o tratamento cirúrgico com o con-
servador mostra a síndrome da cauda eqüina,
um evento raro, como a única indicação abso-
luta para o tratamento cirúrgico da hérnia de
disco da coluna lombar8
(A). Outras indicações
relativas de discectomia lombar são dor ciática
intratável por medidas conservadoras por
período de seis a 12 semanas, parestesia no
dermátomo correspondente ao nível da hérnia
de disco lombar, alterações motoras relaciona-
5Hérnia de Disco Lombar no Adulto Jovem
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
das à raiz nervosa que está sendo comprimida
pela hérnia de disco lombar, lombociatalgia
resistente ao tratamento conservador por um
período superior a 12 semanas9
(A).
Não existe diferença na avaliação a longo
prazo, com pelo menos dois anos de seguimen-
to, com relação ao tempo ideal para a cirurgia
da hérnia de disco na coluna lombar10
(B).
Estudo que avaliou 528 pacientes, que foram
operados em intervalo de tempo que variou de
seis semanas a seis meses, não mostra diferença
com relação à qualidade de vida ou à limitação
funcional. Os pacientes que possuem indicação
relativa para a discectomia e que são operados
apresentam recuperação mais rápida em rela-
ção ao tratamento conservador. Essa superio-
ridade não se mantém nas avaliações a longo
prazo, de pelo menos dois anos de seguimento.
A grande maioria dos pacientes com hérnia
de disco da coluna lombar apresenta indicações
relativas para qualquer forma de tratamento
cirúrgico11
(A). A qualidade de vida ou a limita-
ção funcional do paciente tratado de forma con-
servadora ou com discectomia convencional,
independente do tempo em que a cirurgia foi
realizada, mostra recuperação mais rápida com
a cirurgia, mas os resultados finais com dois
anos de evolução são semelhantes.
Levando-se em consideração a história
natural das hérnias de disco da coluna lombar
tratadas conservadoramente, as extrusas e as
seqüestradas apresentam maior chance de re-
modelação, quando comparadas às protrusões
discais, em avaliação por ressonância magnéti-
ca, após dois anos de seguimento12
(B). Admi-
te-se que a reação inflamatória ao redor da
hérnia de disco extrusa e seqüestrada é maior,
ocorrendo freqüentemente a reabsorção do
material discal que está no interior do canal
vertebral.
QUAL A MELHOR TÉCNICA CIRÚRGICA
ABERTA?
No tratamento cirúrgico da hérnia lombar,
o resultado funcional a médio e longo prazo
comparando a discectomia clássica, a micro-
discectomia e a discectomia endoscópica mini-
mamente invasiva mostra que não existe dife-
rença entre a microdiscectomia e a discectomia
clássica posterior em relação à queixa de ciatal-
gia. Observa-se diferença quanto ao sangra-
mento, tempo de hospitalização e lombalgia pós-
operatória em favor da microdiscectomia, que
podem não ter relevância clínica para o pacien-
te a médio e a longo prazo13
(B). A técnica
minimamente invasiva percutânea endoscópica
e a microdiscectomia levam a resultados simila-
res do ponto de vista funcional e da qualidade
de vida do paciente14
(A). A técnica percutânea,
contudo, envolve treinamento especial e tempo
de aprendizado maior do cirurgião.
Os pacientes operados mediante micro-
discectomia endoscópica necessitaram menor
quantidade de analgésicos no período pós-
operatório15
(B). A comparação dos pacientes
operados pelas técnicas microcirúrgica e
endoscópica mostra resultado estatisticamente
significante em relação ao retorno ao trabalho
no período de um ano. Pacientes operados pela
técnica endoscópica retornaram mais cedo ao
trabalho e mostraram incisões de pele menores.
Após dois anos de cirurgia, observa-se que, na
discectomia percutânea endoscópica, os sinto-
mas de ciatalgia desaparecem em 80% dos pa-
cientes e de lombalgia em 47%. Nos pacientes
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
6 Hérnia de Disco Lombar no Adulto Jovem
submetidos a microdiscectomia, os sintomas de
ciática desapareceram em 65% e de lombalgia
em 25%. Em relação ao retorno ao trabalho,
na microdiscectomia 72% retornaram à ocupa-
ção prévia, contra 95% dos pacientes submeti-
dos à discectomia percutânea endoscópica16
(A).
Nos portadores de lombalgia e dor típica
radicular, a análise comparativa entre a
microdiscectomia e a cirurgia tradicional de
discectomia posterior clássica não mostra dife-
rença quanto ao uso de analgésicos e presença
de dor nas pernas no período pós-operatório. A
incisão cirúrgica menor não modifica o tempo
de internação e a morbidade pós-operatória17
(A).
Em síntese, as técnicas de discectomia clás-
sica, microcirúrgica e endoscópica são satisfatórias
para pacientes com indicação cirúrgica de hérnia
de disco lombar, contida, protusa, em um único
nível, sem sinais de doença articular degenerativa.
Não há diferença quanto ao resultado funcional
entre as diferentes técnicas. Apesar das técnicas
minimamente invasivas mostrarem menor
sangramento, morbidade e tempo de internação,
questiona-se a relevância clínica desta diferença.
7Hérnia de Disco Lombar no Adulto Jovem
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
REFERÊNCIAS
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Hout WB, Brand R, Eekhof JA, Tans JT,
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9. Weinstein JN, Tosteson TD, Lurie JD,
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for lumbar disk herniation: the Spine
Patient Outcomes Research Trial
(SPORT): a randomized trial. JAMA
2006;296:2441-50.
10. Weinstein JN, Lurie JD, Tosteson TD,
Skinner JS, Hanscom B, Tosteson AN, et
al. Surgical vs nonoperative treatment for
lumbar disk herniation: the Spine Patient
Outcomes Research Trial (SPORT)
observational cohort. JAMA 2006;296:
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11. Osterman H, Seitsalo S, Karppinen J,
Malmivaara A. Effectiveness of
microdiscectomy for lumbar disc
herniation: a randomized controlled trial
with 2 years of follow-up. Spine
2006;31:2409-14.
12. Jensen TS, Albert HB, Soerensen JS,
Manniche C, Leboeuf-Y de C. Natural
course of disc morphology in patients with
sciatica: an MRI study using a standardized
qualitative classification system. Spine
2006;31:1605-13.
Projeto Diretrizes
Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina
8 Hérnia de Disco Lombar no Adulto Jovem
13. Katayama Y, Matsuyama Y, Yoshihara H,
Sakai Y, Nakamura H, Nakashima S,
et al. Comparison of surgical outcomes
between macro discectomy and micro
discectomy for lumbar disc herniation:
a prospective randomized study with
surgery performed by the same spine
surgeon. J Spinal Disord Tech 2006;
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14. Hermantin FU, Peters T, Quartararo L,
Kambin P. A prospective, randomized study
comparing the results of open discectomy
with those of video-assisted arthroscopic
microdiscectomy. J Bone Joint Surg Am
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15. Schizas C, Tsiridis E, Saksena J.
Microendoscopic discectomy compared with
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treatment of uncontained or large contained
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16. Mayer HM, Brock M. Percutaneous
endoscopicdiscectomy:surgicaltechniqueand
preliminary results compared to microsurgical
discectomy. J Neurosurg 1993;78:216-25.
17. Henriksen L, Schmidt K, Eskesen V, Jantzen
E. A controlled study of microsurgical versus
standard lumbar discectomy. Br J Neurosurg
1996;10:289-93.

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Hérnia de disco lombar diretrizes

  • 1. 1 Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina O Projeto Diretrizes, iniciativa conjunta da Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina, tem por objetivo conciliar informações da área médica a fim de padronizar condutas que auxiliem o raciocínio e a tomada de decisão do médico. As informações contidas neste projeto devem ser submetidas à avaliação e à crítica do médico, responsável pela conduta a ser seguida, frente à realidade e ao estado clínico de cada paciente. Autoria: Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Colégio Brasileiro de Radiologia Elaboração Final: 30 de outubro de 2007 Participantes: Façanha Filho FAM, Defino H, Gonzaga MC, Zylbersztejn S, Meves R, Canto FT, Rotta FT, Marrone CD, Frochtengarten ML, Oppermann MLR, Veiga JCE, Skaf AY Hérnia de Disco Lombar no Adulto Jovem
  • 2. Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina 2 Hérnia de Disco Lombar no Adulto Jovem DESCRIÇÃO DO MÉTODO DE COLETA DE EVIDÊNCIA: Revisão bibliográfica de artigos científicos nas bases de dados MEDLINE e Cochrane. A busca de evidência partiu de cenários clínicos reais, e utilizou os descritores MeSH: “Adult”, “Low Back Pain”, “Sciatica”, “Intervertebral Disk Displacement”, “Surgical Procedures, Operative”, “Diskectomy”, “Outcome Assessment” e “Pain Measurement”. Os artigos foram selecionados após avaliação crítica da força de evidência científica. GRAU DE RECOMENDAÇÃO E FORÇA DE EVIDÊNCIA: A: Estudos experimentais ou observacionais de melhor consistência. B: Estudos experimentais ou observacionais de menor consistência. C: Relatos de casos (estudos não controlados). D: Opinião desprovida de avaliação crítica, baseada em consensos, estudos fisiológicos ou modelos animais. OBJETIVO: Orientar o diagnóstico, a indicação cirúrgica e a escolha do tipo de procedi- mento cirúrgico para o paciente jovem portador de hérnia de disco lombar, em único nível, sem estenose lombar por doença articular degenerativa. CONFLITO DE INTERESSE: Nenhum conflito de interesse declarado.
  • 3. 3Hérnia de Disco Lombar no Adulto Jovem Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina INTRODUÇÃO A lombalgia é queixa freqüente no consultório. Estudos epidemiológicos mostram que 80% das pessoas apresentarão esta queixa em algum momento da vida. A grande maioria dos pacien- tes, entretanto, evolui para a resolução dos sintomas em virtude da melhora do processo inflamatório na região miofascial lombar. Cerca de 2% destes indivíduos complicam com ciatalgia, em razão de trans- torno degenerativo do disco intervertebral. Caracteristicamente, este processo ocorre no homem ou na mulher - sem diferenças entre sexos - em torno de 35 anos de idade. A base anatomopatológica da degeneração do disco intervertebral envolve a diminuição da por- centagem de água, proteoglicanos, e da resistência do ânulo fibroso e do núcleo pulposo. O rompimento do ânulo fibroso leva à forma- ção da hérnia lombar, que pode ser contida, não contida, extrusa subligamentar ou transligamentar e seqüestrada. O processo infla- matório e o fragmento do disco intervertebral adjacente à raiz ner- vosa lombar resultam em lombociatalgia, que piora ao sentar ou após tosse, distribuída pelo dermátomo correspondente à raiz nervosa, sinal de Laseguè positivo - ou após a elevação da perna estendida - e, em alguns casos, com paresia ou plegia do músculo correspondente à raiz nervosa do nível neurológico comprometido. A despeito de uma série de doenças entrarem no diagnóstico diferencial da lombociatalgia, vale notar que a hérnia lombar deve ser sempre considerada na investigação diagnóstica nestes doentes. O USO DO DIAGNÓSTICO POR IMAGEM RADIOGRAFIA SIMPLES Mostra alterações estruturais e deformidades da coluna vertebral. Geralmente não recomendada no início dos sintomas de radiculopatia compressiva principalmente na ausência de sinais de alerta de possam sugerir doenças inflamatórias ou neoplasias. São utilizadas a inci- dência ântero-posterior e perfil. Incidência oblíqua raramente é indicada, por aumentar a exposição à radiação ionizante e o custo. RESSONÂNCIA MAGNÉTICA Apresenta sensibilidade de 91,7% para o diagnóstico da hér- nia discal1 (B). É considerado o estudo de escolha para avaliar a
  • 4. Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina 4 Hérnia de Disco Lombar no Adulto Jovem hérnia discal lombar e a compressão radicular, devido a sua acurácia, por não ser método invasivo, e não apresentar radiação ionizante. No entanto, a alta prevalência de achados anor- mais em indivíduos assintomáticos reserva o seu uso para situações selecionadas, como síndrome da cauda eqüina, radiculopatia com déficit neu- rológico, radiculopatia com quadro atípico ou acompanhada de sinais de alerta para neoplasia ou infecção, radiculopatia compressiva já com indicação de terapia não conservadora para fa- zer o planejamento do procedimento2 (C). Além deste fato, deve-se considerar que, nos quadros clássicos de radiculopatia, o resultado do exame pode não modificar o resultado do tratamento conservador3 (A). Há situações em que o exame está bem indi- cado, como no quadro clínico que não é clássico de radiculopatia por compressão, ou ainda, nos casos de déficit neurológico progressivo, ou síndrome da cauda eqüina, em que o tratamento cirúrgico é iminente. Em pacientes que têm in- dicação cirúrgica, o exame ajuda a definir se a estenose de canal é central ou foraminal, os níveis de acometimento e a extensão da lesão. Assim, na ausência de sinais de alerta, os pacientes com quadro clássico de radiculopatia compressiva não costumam ter o prognóstico ou tratamento alterados pela realização do exame. TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA A tomografia computadorizada apresenta demonstração superior da anatomia óssea da coluna vertebral em relação aos demais méto- dos de imagem. Apresenta boa resolução para identificar as hérnias discais lombares, porém a sensibilidade para o diagnóstico da hérnia discal é inferior à da ressonância magnética4 (B). O método tem a desvantagem de utilizar radiação ionizante, particularmente na modalidade que utiliza multidetectores. Também apresenta número significativo de achados positivos em indivíduos assintomáticos5 (C). Embora o exame seja melhor indicado na avaliação de fraturas, pode ser útil em pacientes com hérnia de disco lombar que não podem ser submetidos à resso- nância magnética. ELETRONEUROMIOGRAFIA A eletroneuromiografia é o único exame dis- ponível para avaliar diretamente a integridade fisiológica das raízes nervosas. Sua sensibilida- de é comparável à da tomografia compu- tadorizada6 (B) e da ressonância magnética7 (C). No entanto, estima-se que sua especificidade seja maior. A eletroneuromiografia combinada aos métodos de imagem é útil para identificar qual a raiz envolvida em paciente com anorma- lidades em múltiplos níveis vertebrais, e se as anormalidades encontradas são funcionalmen- te relevantes. Além destas situações, o exame auxilia no diagnóstico diferencial com lesões de plexo ou nervo periférico. QUANDO DEVEMOS OPERAR? Resultado funcional a médio e longo prazo comparando o tratamento cirúrgico com o con- servador mostra a síndrome da cauda eqüina, um evento raro, como a única indicação abso- luta para o tratamento cirúrgico da hérnia de disco da coluna lombar8 (A). Outras indicações relativas de discectomia lombar são dor ciática intratável por medidas conservadoras por período de seis a 12 semanas, parestesia no dermátomo correspondente ao nível da hérnia de disco lombar, alterações motoras relaciona-
  • 5. 5Hérnia de Disco Lombar no Adulto Jovem Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina das à raiz nervosa que está sendo comprimida pela hérnia de disco lombar, lombociatalgia resistente ao tratamento conservador por um período superior a 12 semanas9 (A). Não existe diferença na avaliação a longo prazo, com pelo menos dois anos de seguimen- to, com relação ao tempo ideal para a cirurgia da hérnia de disco na coluna lombar10 (B). Estudo que avaliou 528 pacientes, que foram operados em intervalo de tempo que variou de seis semanas a seis meses, não mostra diferença com relação à qualidade de vida ou à limitação funcional. Os pacientes que possuem indicação relativa para a discectomia e que são operados apresentam recuperação mais rápida em rela- ção ao tratamento conservador. Essa superio- ridade não se mantém nas avaliações a longo prazo, de pelo menos dois anos de seguimento. A grande maioria dos pacientes com hérnia de disco da coluna lombar apresenta indicações relativas para qualquer forma de tratamento cirúrgico11 (A). A qualidade de vida ou a limita- ção funcional do paciente tratado de forma con- servadora ou com discectomia convencional, independente do tempo em que a cirurgia foi realizada, mostra recuperação mais rápida com a cirurgia, mas os resultados finais com dois anos de evolução são semelhantes. Levando-se em consideração a história natural das hérnias de disco da coluna lombar tratadas conservadoramente, as extrusas e as seqüestradas apresentam maior chance de re- modelação, quando comparadas às protrusões discais, em avaliação por ressonância magnéti- ca, após dois anos de seguimento12 (B). Admi- te-se que a reação inflamatória ao redor da hérnia de disco extrusa e seqüestrada é maior, ocorrendo freqüentemente a reabsorção do material discal que está no interior do canal vertebral. QUAL A MELHOR TÉCNICA CIRÚRGICA ABERTA? No tratamento cirúrgico da hérnia lombar, o resultado funcional a médio e longo prazo comparando a discectomia clássica, a micro- discectomia e a discectomia endoscópica mini- mamente invasiva mostra que não existe dife- rença entre a microdiscectomia e a discectomia clássica posterior em relação à queixa de ciatal- gia. Observa-se diferença quanto ao sangra- mento, tempo de hospitalização e lombalgia pós- operatória em favor da microdiscectomia, que podem não ter relevância clínica para o pacien- te a médio e a longo prazo13 (B). A técnica minimamente invasiva percutânea endoscópica e a microdiscectomia levam a resultados simila- res do ponto de vista funcional e da qualidade de vida do paciente14 (A). A técnica percutânea, contudo, envolve treinamento especial e tempo de aprendizado maior do cirurgião. Os pacientes operados mediante micro- discectomia endoscópica necessitaram menor quantidade de analgésicos no período pós- operatório15 (B). A comparação dos pacientes operados pelas técnicas microcirúrgica e endoscópica mostra resultado estatisticamente significante em relação ao retorno ao trabalho no período de um ano. Pacientes operados pela técnica endoscópica retornaram mais cedo ao trabalho e mostraram incisões de pele menores. Após dois anos de cirurgia, observa-se que, na discectomia percutânea endoscópica, os sinto- mas de ciatalgia desaparecem em 80% dos pa- cientes e de lombalgia em 47%. Nos pacientes
  • 6. Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina 6 Hérnia de Disco Lombar no Adulto Jovem submetidos a microdiscectomia, os sintomas de ciática desapareceram em 65% e de lombalgia em 25%. Em relação ao retorno ao trabalho, na microdiscectomia 72% retornaram à ocupa- ção prévia, contra 95% dos pacientes submeti- dos à discectomia percutânea endoscópica16 (A). Nos portadores de lombalgia e dor típica radicular, a análise comparativa entre a microdiscectomia e a cirurgia tradicional de discectomia posterior clássica não mostra dife- rença quanto ao uso de analgésicos e presença de dor nas pernas no período pós-operatório. A incisão cirúrgica menor não modifica o tempo de internação e a morbidade pós-operatória17 (A). Em síntese, as técnicas de discectomia clás- sica, microcirúrgica e endoscópica são satisfatórias para pacientes com indicação cirúrgica de hérnia de disco lombar, contida, protusa, em um único nível, sem sinais de doença articular degenerativa. Não há diferença quanto ao resultado funcional entre as diferentes técnicas. Apesar das técnicas minimamente invasivas mostrarem menor sangramento, morbidade e tempo de internação, questiona-se a relevância clínica desta diferença.
  • 7. 7Hérnia de Disco Lombar no Adulto Jovem Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina REFERÊNCIAS 1. Pfirrmann CW, Dora C, Schmid MR, Zanetti M, Hodler J, Boos N. MR image- based grading of lumbar nerve root compromise due to disk herniation: reliability study with surgical correlation. Radiology 2004;230:583-8. 2. Borenstein DG, O’Mara JW Jr, Boden SD, Lauerman WC, Jacobson A, Platenberg C, et al. The value of magnetic resonance imaging of the lumbar spine to predict low- back pain in asymptomatic subjects: a seven-year follow-up study. J Bone Joint Surg Am 2001;83-A:1306-11. 3. Modic MT, Obuchowski NA, Ross JS, Brant-Zawadzki MN, Grooff PN, Mazanec DJ, et al. Acute low back pain and radiculopathy: MR imaging findings and their prognostic role and effect on outcome. Radiology 2005;237:597-604. 4. Forristall RM, Marsh HO, Pay NT. Magnetic resonance imaging and contrast CT of the lumbar spine: comparison of diagnostic methods and correlation with surgical findings. Spine 1988;13:1049-54. 5. Wiesel SW, Tsourmas N, Feffer HL, Citrin CM, Patronas N. A study of computer- assisted tomography. I. The incidence of positive CAT scans in an asymptomatic group of patients. Spine 1984;9:549-51. 6. Khatri BO, Baruah J, McQuillen MP. Correlation of electromyography with computed tomography in evaluation of lower back pain. Arch Neurol 1984;41:594-7. 7. Nardin RA, Patel MR, Gudas TF, Rutkove SB, Raynor EM. Electromyography and magnetic resonance imaging in the evaluation of radiculopathy. Muscle Nerve 1999;22:151-5. 8. Peul WC, van Houwelingen HC, van den Hout WB, Brand R, Eekhof JA, Tans JT, et al. Surgery versus prolonged conservative treatment for sciatica. N Engl J Med 2007;356:2245-56. 9. Weinstein JN, Tosteson TD, Lurie JD, Tosteson AN, Hanscom B, Skinner JS, et al. Surgical vs nonoperative treatment for lumbar disk herniation: the Spine Patient Outcomes Research Trial (SPORT): a randomized trial. JAMA 2006;296:2441-50. 10. Weinstein JN, Lurie JD, Tosteson TD, Skinner JS, Hanscom B, Tosteson AN, et al. Surgical vs nonoperative treatment for lumbar disk herniation: the Spine Patient Outcomes Research Trial (SPORT) observational cohort. JAMA 2006;296: 2451-9. 11. Osterman H, Seitsalo S, Karppinen J, Malmivaara A. Effectiveness of microdiscectomy for lumbar disc herniation: a randomized controlled trial with 2 years of follow-up. Spine 2006;31:2409-14. 12. Jensen TS, Albert HB, Soerensen JS, Manniche C, Leboeuf-Y de C. Natural course of disc morphology in patients with sciatica: an MRI study using a standardized qualitative classification system. Spine 2006;31:1605-13.
  • 8. Projeto Diretrizes Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina 8 Hérnia de Disco Lombar no Adulto Jovem 13. Katayama Y, Matsuyama Y, Yoshihara H, Sakai Y, Nakamura H, Nakashima S, et al. Comparison of surgical outcomes between macro discectomy and micro discectomy for lumbar disc herniation: a prospective randomized study with surgery performed by the same spine surgeon. J Spinal Disord Tech 2006; 19:344-7. 14. Hermantin FU, Peters T, Quartararo L, Kambin P. A prospective, randomized study comparing the results of open discectomy with those of video-assisted arthroscopic microdiscectomy. J Bone Joint Surg Am 1999;81:958-65. 15. Schizas C, Tsiridis E, Saksena J. Microendoscopic discectomy compared with standard microsurgical discectomy for treatment of uncontained or large contained disc herniations. Neurosurgery 2005;57(4 Suppl):357-60. 16. Mayer HM, Brock M. Percutaneous endoscopicdiscectomy:surgicaltechniqueand preliminary results compared to microsurgical discectomy. J Neurosurg 1993;78:216-25. 17. Henriksen L, Schmidt K, Eskesen V, Jantzen E. A controlled study of microsurgical versus standard lumbar discectomy. Br J Neurosurg 1996;10:289-93.