Polifonia. In:  Educação na cibercultura :  hipertextualidade, leitura, escrita e aprendizagem. Andrea Cecília Ramal
Bibliografia Andréa Ramal, mestre e doutora em Educação pela PUC-Rio, onde estudou as maneiras de pensar e de aprender na cibercultura. Atuou como  designer instrucional , assessorando pedagogicamente a criação de CD-ROM educativos e empresariais e é vinculada à USC (Universidade do Sagrado Coração) em Bauru, lecionando Informática e Educação no Curso de Mestrado em Educação.
Cibercultura Alerta:  manutenção ou intensificação das atuais  exclusão e dominação , caso não haja uma política de  democratização do acesso  às ferramentas tecnológicas.
Cibercultura Polissemia  como variação das interpretações, em função do contexto. Tendência crítica frente às TIC : o fim do sujeito, a extinção da cultura, a morte da comunicação. Denúncia  dos exageros, no combate às  visões messiânicas  da tecnologia e à redução dos problemas contemporâneos a aspecto meramente tecnológicos.
Cibercultura Tendência crítica frente às TIC: Frederic Jameson Jean-François Lyotard Paul Virilio Baudrillard Lucien Sfez
Cibercultura Frederic Jameson Mais do que um movimento cultural de expressividade própria, o  pós-modernismo  seria uma conseqüência inevitável do capitalismo e do consumismo exacerbados, assim como da tecnologização que os acompanhou. Vivemos na era da  paródia vazia , na qual nada pode ser criado, porque tudo já foi feito.
Cibercultura Jean-François Lyotard Linha crítica vinculada aos  males do  capitalismo . O jogo do mercado mundial agrava as desigualdades. Longe de fazer ruir as fronteiras de forma positiva, tira proveito delas para especulação.
Cibercultura Paul Virilio A  cibercultura  traz consigo o fenômeno da “ perda da orientação ”, complementado pelos efeitos nocivos da liberação da sociedade e da desregulação dos mercados financeiros. Com essa perda, também perdemos a capacidade de olhar para o outro, de perceber a  alteridade . Globalização  como nova forma de  tirania .
Cibercultura Baudrillard A extinção da cultura pela mídia  – trocamos o “drama da alienação” pelo “êxtase da comunicação”. “ Paz perceptiva ” – baseada no silêncio, na passividade e na despolitização das massas.  O tempo para o silêncio  – ele é banido das telas e da comunicação. A sociedade comunicacional é uma utopia.
Cibercultura Lucien Sfez Há uma  violência simbólica  nas tecnologias.  Quatro pilares da  realidade ilusória : Rede  – nova maneira de conceituar velhas práticas, sem desestabilizar a concepção tradicional de mundo. Paradoxo  – a perda de identidade do “eu”. Simulação  – surge como intenção de fazermo-nos passar pelo que não somos, usando a aparência.  Interatividade  – esse estilo de comunicação como um diálogo com um ser inteligente.
Cibercultura Cibercultura Tendência crítico-conciliatória: Umberto Eco Entusiasmo crítico e moderado: Pierre-Lévy
Cibercultura Umberto Eco Devemos operar no mundo que temos. A vida deve ser pensada não adaptando o homem a essas condições, mas a partir delas. Vê com parcimônia os excessos, como, por exemplo, os informacionais.
Cibercultura Pierre-Lévy Nova ecologia cognitiva : estudo da subjetividade resultante da interação entre pessoas, instituições e objetos. TIC como nova tecnologia intelectual . Analogamente à escrita e à imprensa, as TICs trazem consigo um novo modo de pensar o mundo, de conceber as relações com o conhecimento, de aprender.
Cibercultura Convergências entre tais teóricos: Negação da velha máxima sobre a pretensa neutralidade dos objetos.
Festa de ressurreição Considerações sobre a cibercultura, no diálogo com Mikhail Bakhtin (1895-1975, Oriol – próxima a Moscou) e Lévy. Bakhtin: Compartilhava com o  marxismo , um interesse no mundo social e histórico, nas suas relações com a formação da consciência e na linguagem como campo e material ideológico. Opunha-se ao dogmatismo marxista. Veja mais.
Bakhtin Preocupação com as questões  socioideológicas  da linguagem. Compreensão como um processo ativo, dialógico e criativo. Compreender é continuar a criação do interlocutor. Crítica a duas grandes correntes lingüísticas: objetivismo abstrato  (Saussure) - linguagem  como sistema abstrato de formas. subjetivismo idealista  (Humboldt) -  linguagem como enunciação monológica  isolada, como ato de criação individual. Dimensão ideológica, social e dialógica da linguagem.
Língua Outros enunciados Realidade Falante Contexto  ideológico Consciência individual
Dialogismo bakhtiniano  - a unidade do mundo é polifônica e polissêmica. Entoação : Entre o verbal e o não verbal; Garante a emotividade e a  expressividade; Palavra - contexto extra-verbal. A  interação verbal  fornece significado à palavra, organizando e formando a atividade mental. A  língua , como fato social, pressupõe um direcionamento para o  outro .
Língua Fluxo da comunicação verbal Contexto dos falantes ENUNCIADO Em eterna modificação
Palavra Transformações  histórico-culturais Em permanente fluidez Interação verbal Consciência Ideologia
Grau de consciência  da atividade mental Grau de orientação social Diálogo vida Linguagem
Festa de ressurreição Algumas das idéias de Bakhtin parecem anunciar concepções que somente com o hipertexto se tornarão plenamente compreensíveis: a noção de que  não há um único autor , mas vários, de que  um texto não é singular , mas compartilhado. Lévy – o  papel fundamental das técnicas  de comunicação na evolução da cultura e nos campos da filosofia, da antropologia e da educação.
O perigoso zumbido desordenado do discurso Bakhtin – opunha-se ao idealismo subjetivista e ao objetivismo abstrato. Percebe a  consciência individual  como um  fato socioideológico . O  contexto  que circunda o sujeito, assim como as forças que nele interagem são partes constitutivas da  natureza humana , a qual é  historicamente determinada .
O perigoso zumbido desordenado do discurso Os  signos  são construídos em função do  contexto histórico . Palavra como signo mediador por excelência. A  compreensão  manifesta-se como material  semiótico . A relação do  homem  com o  mundo  é mediada pela  linguagem . Sujeito e objeto  do conhecimento se interatuam. Relação dialética entre o  homem  e a  cultura .
O perigoso zumbido desordenado do discurso O  sujeito  constitui-se na  linguagem  e no processo de  interação social . O conhecimento se dá por meio da linguagem e da interação social.  A constituição do  sujeito  passa pelo  dialogismo  e pela  polifonia . Sujeito coletivo,em Lévy / ênfase no “nós”, em Bakhtin. Lévy – ênfase na relação entre a subjetividade humana e as coisas (relação recíproca entre sujeitos e objetos).
O perigoso zumbido desordenado do discurso Bakhtin e Lévy – contrários ao idealismo: Para Bakhtin, a  consciência  é constituída pela  linguagem , pelas  ideologias  do plano social em constante interação e negocição de sentidos e forças. Para Lévy, isso também ocorre, mas tais forças de  intersubjetividade  e  alteridade  envolvem as  pessoas  e os  objetos técnicos  que se conformam como nossas  tecnologias intelectuais .
O perigoso zumbido desordenado do discurso Intersubjetividade em Bakhtin: Em contraposição à visão estruturalista de Saussure, o teórico propõe a metáfora da  cadeia . Associando linguagem e subjetividade, propõe uma descrição  plástica e dinâmica  para o fenômeno da  linguagem : ao passar de um a outro elo de natureza semiótica, o sujeito vai se movendo numa  cadeia de criatividade e de compreensão ideológica . Esse percurso é a relação intersubjetiva.
O perigoso zumbido desordenado do discurso Lévy: Semelhanças na concepção sobre a linguagem. Comunicação como jogo : a cada enunciado o contexto é colocado em ação, mas é também questionado e a  significação  da mensagem é determinada pelo conjunto de  dados construídos pelos interlocutores , numa dinâmica de partilha, negociação e permanente (re)construção coletiva.
O perigoso zumbido desordenado do discurso Polissemia: Pessoas diferentes, em contextos diferentes, podem, em função disso, atribuir  sentidos diversos  a uma mesma mensagem. Pluralidade das significações x unicidade da palavra reforçada pelo objetivismo abstrato criticado por Bakhtin. O texto pode ser comum, mas o  hipertexto mental  construído a partir dele vincula-se à  subjetividade . Lévy e Bakhtin reforçam o conflito, numa situação comunicativa.
O perigoso zumbido desordenado do discurso Hipertexto, em Lévy / Subjetividade em rede na cibercultura: Metamorfose : significações construídas na intersubjetividade, em constante negociação. Multiplicidade : na comunicação fractal, o sujeito é um nó da rede e reproduz em si o seu diagrama. Exterioridade : os sujeitos estão em permanentes conexõe com outros interlocutores e outras redes. Mobilidade dos centros : a comunicação se move para um pólo e constrói novos rizomas em torno de si mesma. Cadeia polifônica : reunião de mentes e sujeitos interconectados.
Novas autorias Em Bakhtin, o repensar da autoria : a estrutura inicial da enunciação passa a ser influenciada pelo meio ideológico, pelo contexto e pelo universo do ouvinte. A mensagem de um emissor assume novas formas, à medida que circula no espaço socioideológico das outras consciências. Consciência  constituída no  discurso , na relação  dialógica  com outros sujeitos.
Novas autorias Em Lévy,  hipertexto como metáfora da articulação obra/textos/leitor/autor. Confirma as hipóteses bakhtinianas de que o sentido de uma mensagem não é produzido unicamente pelo autor. A palavra convida o ouvinte a produzir novos textos, na rede, em permanente reconstrução.
Novas autorias Na  cibercultura , uma outra relação com a produção textual e com o discurso intersubjetivo.  Um ambiente semiótico próximo do conceito bakhtiniano de que a  palavra  é um signo  interindividual .
Feitos de leve transitoriedade Dialogismo bakhtiniano  -  caráter dinâmico da comunicação verbal.  Novo tratamento à palavra alheia, à palavra cultural e politicamente desvalorizada - a  palavra  é  polifônica  e  polissêmica . As premissas de  Bakhtin  passam pelo confronto do campo das  relações sociais . Os  aspectos ideológicos do signo  excluem qualquer possibilidade de visão singular.
Dinamismo  dialógico Descentramento Alteridades Heteroglossia Heterogeneidade Multivalências Polifonia
Feitos de leve transitoriedade Lévy  -  cibercultura e a relativização com a preocupação com as verdades absolutas, inclusos os fechamentos semânticos dos textos. Memória  – oralidade primária. (círculo) Escrita impressa  – ênfase na objetividade absoluta. (feudos autorais) Escrita digital  – retorno à humanidade viva. (rede) Há que se  relativizar  – em um mundo excludente como o nosso, quem é esta humanidade?
Problematizando De que forma explorar a polifonia, nos AVA?  Em que medida os AVA que vocês conhecem têm trabalhado sob enfoque dialógico? A visão sócio-histórica da Bakhtin leva-nos a pensar a linguagem sob a ótica do dialogismo, da polifonia e da polissemia. Qual a importância desse pensamento para a sua formação profissional?
Fontes  BAKHTIN, M. (VOLOCHINOV). (1929).  Marxismo e filosofia da linguagem .  8ª ed. Trad. M. Lahud e Y. F. Vieira. São Paulo: Hucitec, 1997a. ______.  Estética da criação verbal . 2ª ed., Trad. M. E. G. Pereira. São Paulo: Martins Fontes, 1997b. ______. O problema do conteúdo, do material e da forma na criação literária. In:  Questões de literatura e de estética :  a teoria do romance. 4ª ed. Trad. A. F. Bernadini et al. São Paulo: Hucitec / UNESP, 1998. p. 13 - 70.   LÉVY, P.  As tecnologias da inteligência:  o futuro do pensamento na era da informática .  4ª ed .  Trad. C. I. da Costa. Rio de Janeiro: Editora 34, 1997. ______.  A inteligência coletiva:  por uma antropologia do ciberespaço .  Trad. L. P. Rouanet.   São Paulo: Edições Loyola, 1998. ______.  Ideografia dinâmica:  rumo a uma imaginação artificial? Trad. M. Marcionilo e S. Krieger. São Paulo: Edições Loyola, 1998. RAMAL, Andrea Cecília.  Educação na cibercultura : hipertextualidade, leitura, escrita e aprendizagem. Porto Alegre: Armed, 2002.  (texto-base das lâminas de apresentação)

Educação na cibercultura

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    Polifonia. In: Educação na cibercultura : hipertextualidade, leitura, escrita e aprendizagem. Andrea Cecília Ramal
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    Bibliografia Andréa Ramal,mestre e doutora em Educação pela PUC-Rio, onde estudou as maneiras de pensar e de aprender na cibercultura. Atuou como designer instrucional , assessorando pedagogicamente a criação de CD-ROM educativos e empresariais e é vinculada à USC (Universidade do Sagrado Coração) em Bauru, lecionando Informática e Educação no Curso de Mestrado em Educação.
  • 3.
    Cibercultura Alerta: manutenção ou intensificação das atuais exclusão e dominação , caso não haja uma política de democratização do acesso às ferramentas tecnológicas.
  • 4.
    Cibercultura Polissemia como variação das interpretações, em função do contexto. Tendência crítica frente às TIC : o fim do sujeito, a extinção da cultura, a morte da comunicação. Denúncia dos exageros, no combate às visões messiânicas da tecnologia e à redução dos problemas contemporâneos a aspecto meramente tecnológicos.
  • 5.
    Cibercultura Tendência críticafrente às TIC: Frederic Jameson Jean-François Lyotard Paul Virilio Baudrillard Lucien Sfez
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    Cibercultura Frederic JamesonMais do que um movimento cultural de expressividade própria, o pós-modernismo seria uma conseqüência inevitável do capitalismo e do consumismo exacerbados, assim como da tecnologização que os acompanhou. Vivemos na era da paródia vazia , na qual nada pode ser criado, porque tudo já foi feito.
  • 7.
    Cibercultura Jean-François LyotardLinha crítica vinculada aos males do capitalismo . O jogo do mercado mundial agrava as desigualdades. Longe de fazer ruir as fronteiras de forma positiva, tira proveito delas para especulação.
  • 8.
    Cibercultura Paul VirilioA cibercultura traz consigo o fenômeno da “ perda da orientação ”, complementado pelos efeitos nocivos da liberação da sociedade e da desregulação dos mercados financeiros. Com essa perda, também perdemos a capacidade de olhar para o outro, de perceber a alteridade . Globalização como nova forma de tirania .
  • 9.
    Cibercultura Baudrillard Aextinção da cultura pela mídia – trocamos o “drama da alienação” pelo “êxtase da comunicação”. “ Paz perceptiva ” – baseada no silêncio, na passividade e na despolitização das massas. O tempo para o silêncio – ele é banido das telas e da comunicação. A sociedade comunicacional é uma utopia.
  • 10.
    Cibercultura Lucien SfezHá uma violência simbólica nas tecnologias. Quatro pilares da realidade ilusória : Rede – nova maneira de conceituar velhas práticas, sem desestabilizar a concepção tradicional de mundo. Paradoxo – a perda de identidade do “eu”. Simulação – surge como intenção de fazermo-nos passar pelo que não somos, usando a aparência. Interatividade – esse estilo de comunicação como um diálogo com um ser inteligente.
  • 11.
    Cibercultura Cibercultura Tendênciacrítico-conciliatória: Umberto Eco Entusiasmo crítico e moderado: Pierre-Lévy
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    Cibercultura Umberto EcoDevemos operar no mundo que temos. A vida deve ser pensada não adaptando o homem a essas condições, mas a partir delas. Vê com parcimônia os excessos, como, por exemplo, os informacionais.
  • 13.
    Cibercultura Pierre-Lévy Novaecologia cognitiva : estudo da subjetividade resultante da interação entre pessoas, instituições e objetos. TIC como nova tecnologia intelectual . Analogamente à escrita e à imprensa, as TICs trazem consigo um novo modo de pensar o mundo, de conceber as relações com o conhecimento, de aprender.
  • 14.
    Cibercultura Convergências entretais teóricos: Negação da velha máxima sobre a pretensa neutralidade dos objetos.
  • 15.
    Festa de ressurreiçãoConsiderações sobre a cibercultura, no diálogo com Mikhail Bakhtin (1895-1975, Oriol – próxima a Moscou) e Lévy. Bakhtin: Compartilhava com o marxismo , um interesse no mundo social e histórico, nas suas relações com a formação da consciência e na linguagem como campo e material ideológico. Opunha-se ao dogmatismo marxista. Veja mais.
  • 16.
    Bakhtin Preocupação comas questões socioideológicas da linguagem. Compreensão como um processo ativo, dialógico e criativo. Compreender é continuar a criação do interlocutor. Crítica a duas grandes correntes lingüísticas: objetivismo abstrato (Saussure) - linguagem como sistema abstrato de formas. subjetivismo idealista (Humboldt) - linguagem como enunciação monológica isolada, como ato de criação individual. Dimensão ideológica, social e dialógica da linguagem.
  • 17.
    Língua Outros enunciadosRealidade Falante Contexto ideológico Consciência individual
  • 18.
    Dialogismo bakhtiniano - a unidade do mundo é polifônica e polissêmica. Entoação : Entre o verbal e o não verbal; Garante a emotividade e a expressividade; Palavra - contexto extra-verbal. A interação verbal fornece significado à palavra, organizando e formando a atividade mental. A língua , como fato social, pressupõe um direcionamento para o outro .
  • 19.
    Língua Fluxo dacomunicação verbal Contexto dos falantes ENUNCIADO Em eterna modificação
  • 20.
    Palavra Transformações histórico-culturais Em permanente fluidez Interação verbal Consciência Ideologia
  • 21.
    Grau de consciência da atividade mental Grau de orientação social Diálogo vida Linguagem
  • 22.
    Festa de ressurreiçãoAlgumas das idéias de Bakhtin parecem anunciar concepções que somente com o hipertexto se tornarão plenamente compreensíveis: a noção de que não há um único autor , mas vários, de que um texto não é singular , mas compartilhado. Lévy – o papel fundamental das técnicas de comunicação na evolução da cultura e nos campos da filosofia, da antropologia e da educação.
  • 23.
    O perigoso zumbidodesordenado do discurso Bakhtin – opunha-se ao idealismo subjetivista e ao objetivismo abstrato. Percebe a consciência individual como um fato socioideológico . O contexto que circunda o sujeito, assim como as forças que nele interagem são partes constitutivas da natureza humana , a qual é historicamente determinada .
  • 24.
    O perigoso zumbidodesordenado do discurso Os signos são construídos em função do contexto histórico . Palavra como signo mediador por excelência. A compreensão manifesta-se como material semiótico . A relação do homem com o mundo é mediada pela linguagem . Sujeito e objeto do conhecimento se interatuam. Relação dialética entre o homem e a cultura .
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    O perigoso zumbidodesordenado do discurso O sujeito constitui-se na linguagem e no processo de interação social . O conhecimento se dá por meio da linguagem e da interação social. A constituição do sujeito passa pelo dialogismo e pela polifonia . Sujeito coletivo,em Lévy / ênfase no “nós”, em Bakhtin. Lévy – ênfase na relação entre a subjetividade humana e as coisas (relação recíproca entre sujeitos e objetos).
  • 26.
    O perigoso zumbidodesordenado do discurso Bakhtin e Lévy – contrários ao idealismo: Para Bakhtin, a consciência é constituída pela linguagem , pelas ideologias do plano social em constante interação e negocição de sentidos e forças. Para Lévy, isso também ocorre, mas tais forças de intersubjetividade e alteridade envolvem as pessoas e os objetos técnicos que se conformam como nossas tecnologias intelectuais .
  • 27.
    O perigoso zumbidodesordenado do discurso Intersubjetividade em Bakhtin: Em contraposição à visão estruturalista de Saussure, o teórico propõe a metáfora da cadeia . Associando linguagem e subjetividade, propõe uma descrição plástica e dinâmica para o fenômeno da linguagem : ao passar de um a outro elo de natureza semiótica, o sujeito vai se movendo numa cadeia de criatividade e de compreensão ideológica . Esse percurso é a relação intersubjetiva.
  • 28.
    O perigoso zumbidodesordenado do discurso Lévy: Semelhanças na concepção sobre a linguagem. Comunicação como jogo : a cada enunciado o contexto é colocado em ação, mas é também questionado e a significação da mensagem é determinada pelo conjunto de dados construídos pelos interlocutores , numa dinâmica de partilha, negociação e permanente (re)construção coletiva.
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    O perigoso zumbidodesordenado do discurso Polissemia: Pessoas diferentes, em contextos diferentes, podem, em função disso, atribuir sentidos diversos a uma mesma mensagem. Pluralidade das significações x unicidade da palavra reforçada pelo objetivismo abstrato criticado por Bakhtin. O texto pode ser comum, mas o hipertexto mental construído a partir dele vincula-se à subjetividade . Lévy e Bakhtin reforçam o conflito, numa situação comunicativa.
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    O perigoso zumbidodesordenado do discurso Hipertexto, em Lévy / Subjetividade em rede na cibercultura: Metamorfose : significações construídas na intersubjetividade, em constante negociação. Multiplicidade : na comunicação fractal, o sujeito é um nó da rede e reproduz em si o seu diagrama. Exterioridade : os sujeitos estão em permanentes conexõe com outros interlocutores e outras redes. Mobilidade dos centros : a comunicação se move para um pólo e constrói novos rizomas em torno de si mesma. Cadeia polifônica : reunião de mentes e sujeitos interconectados.
  • 31.
    Novas autorias EmBakhtin, o repensar da autoria : a estrutura inicial da enunciação passa a ser influenciada pelo meio ideológico, pelo contexto e pelo universo do ouvinte. A mensagem de um emissor assume novas formas, à medida que circula no espaço socioideológico das outras consciências. Consciência constituída no discurso , na relação dialógica com outros sujeitos.
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    Novas autorias EmLévy, hipertexto como metáfora da articulação obra/textos/leitor/autor. Confirma as hipóteses bakhtinianas de que o sentido de uma mensagem não é produzido unicamente pelo autor. A palavra convida o ouvinte a produzir novos textos, na rede, em permanente reconstrução.
  • 33.
    Novas autorias Na cibercultura , uma outra relação com a produção textual e com o discurso intersubjetivo. Um ambiente semiótico próximo do conceito bakhtiniano de que a palavra é um signo interindividual .
  • 34.
    Feitos de levetransitoriedade Dialogismo bakhtiniano - caráter dinâmico da comunicação verbal. Novo tratamento à palavra alheia, à palavra cultural e politicamente desvalorizada - a palavra é polifônica e polissêmica . As premissas de Bakhtin passam pelo confronto do campo das relações sociais . Os aspectos ideológicos do signo excluem qualquer possibilidade de visão singular.
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    Dinamismo dialógicoDescentramento Alteridades Heteroglossia Heterogeneidade Multivalências Polifonia
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    Feitos de levetransitoriedade Lévy - cibercultura e a relativização com a preocupação com as verdades absolutas, inclusos os fechamentos semânticos dos textos. Memória – oralidade primária. (círculo) Escrita impressa – ênfase na objetividade absoluta. (feudos autorais) Escrita digital – retorno à humanidade viva. (rede) Há que se relativizar – em um mundo excludente como o nosso, quem é esta humanidade?
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    Problematizando De queforma explorar a polifonia, nos AVA? Em que medida os AVA que vocês conhecem têm trabalhado sob enfoque dialógico? A visão sócio-histórica da Bakhtin leva-nos a pensar a linguagem sob a ótica do dialogismo, da polifonia e da polissemia. Qual a importância desse pensamento para a sua formação profissional?
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    Fontes BAKHTIN,M. (VOLOCHINOV). (1929). Marxismo e filosofia da linguagem . 8ª ed. Trad. M. Lahud e Y. F. Vieira. São Paulo: Hucitec, 1997a. ______. Estética da criação verbal . 2ª ed., Trad. M. E. G. Pereira. São Paulo: Martins Fontes, 1997b. ______. O problema do conteúdo, do material e da forma na criação literária. In: Questões de literatura e de estética : a teoria do romance. 4ª ed. Trad. A. F. Bernadini et al. São Paulo: Hucitec / UNESP, 1998. p. 13 - 70. LÉVY, P. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática . 4ª ed . Trad. C. I. da Costa. Rio de Janeiro: Editora 34, 1997. ______. A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço . Trad. L. P. Rouanet. São Paulo: Edições Loyola, 1998. ______. Ideografia dinâmica: rumo a uma imaginação artificial? Trad. M. Marcionilo e S. Krieger. São Paulo: Edições Loyola, 1998. RAMAL, Andrea Cecília. Educação na cibercultura : hipertextualidade, leitura, escrita e aprendizagem. Porto Alegre: Armed, 2002. (texto-base das lâminas de apresentação)