Hemorragia Digestiva Baixa
Paulo Filho Caldas
DEFINIÇÃO
 SANGRAMENTO ORIGINÁRIO DISTALMENTE AO LIGAMENTO DE TREITZ
Epidemiologia
 HDB ocorre na proporção de 20:100.000 habitantes (1/5 da ocorrência de HDA)
 HDB corresponde a 20% dos casos de hemorragia gastrintestinal
 Mais frequente em idosos
epidemiologia
 Maioria é autolimitada ( 80 a 90%)
 A taxa de mortalidade das HDB maciças é de 10% a 15%
 Reflete idade avançada, comorbidades associadas e dificuldade de manejo
epidemiologia
epidemiologia
 Até 50% dos pacientes cursam com anemia e/ou instabilidade hemodinâmica
 30% hipotensão postural, 10% síncope e até 20% com choque hemorrágico
Epidemiologia/etiologia
Epidemiologia/etiologia
Epidemiologia/etiologia
Epidemiologia/etiologia
Epidemiologia/etiologia
Epidemiologia/etiologia
 Conclusão:
 O sangramento a partir de um divertículo é a principal causa de HDB
significativa em pacientes com mais de 50 anos
Doença Inflamatória Intestinal e HDB
 Grupo de doenças de caráter inflamatório dos intestinos
 2 grupos:
 De causa conhecida - (infecções, diverticulItes, apendicite, enterite por radiação,
medicamentos e toxinas, e vasculites enterais.
 De causa desconhecida:
 Doença de Crohn (DC) e Retocolite Ulcerativa (RC)
Doença Inflamatória Intestinal e HDB
 Mais comum em pacientes mais jovens
 Adultos, adolescentes e menores que 12 anos
 Principal fator risco: história familiar positiva
Doença Inflamatória Intestinal e HDB
 Não são comuns hemorragias de caráter urgente nas DII
 Hemorragias maciças 0-6%
 Ocorrem mais frequentemente na DC
 Tem caráter crônico (não são súbitas)
Doença Inflamatória Intestinal e HDB
 RCU
 Normalmente se apresenta como episódios de diarreia invasiva
(muco, sangue e pus )
 Principal sintoma é diarreia sanguinolenta e dor abdominal
Doença Inflamatória Intestinal e HDB
Doença Inflamatória Intestinal e HDB
 RCU:
 Sangramento retal grave
 10% cirurgias no cólon – RCU sangrante
Doença Inflamatória Intestinal e HDB
 RCU
Doença Inflamatória Intestinal e HDB
 RCU
Doença Inflamatória Intestinal e HDB
 Doença de Crohn:
 Sangramentos ocorrem 1 a 2% dos casos
 Mais raros de acontecer que na RCU
Doença Inflamatória Intestinal e HDB
 DC:
 Erosão e úlcera de grandes vasos intestinais
 Ulcerações e fístulas perianais
Doença Inflamatória Intestinal e HDB
 DC:
Doença Inflamatória Intestinal e HDB
 Lesões perianais
Angiodisplasias e HDB
 2º maior causa de HDB (20-30%)
 Maior em idosos com mais de 65 anos – alguns estudos - 1º lugar
 Pode ser responsável por até 6% dos casos de HDb
Angiodisplasias e HDB
 Normalmente a HDB é de baixa quantidade
 15% podem ter HDB maciça
 10-15% anemia falta de ferro e sangue oculto nas fezes
 O sangramento é autolimitado em 90% dos casos, mas é recorrente
Angiodisplasias e HDB
 O que é?
 Malformação vascular caracterizada pela ectasia de pequenos vasos, com parede
revestida apenas por endotélio e pouco músculo liso
 Os vasos sobressaem na mucosa intestinal:
 Aracneiformes vermelho-vivo ou arborizadas
Angiodisplasias e HDB
Angiodisplasias e HDB
 Maioria é causada por vasos venosos
 Artérias – sangramento maciço
 Pode ser lesão localizada ou múltiplas
 Maioria encontrada no cólon
 Ceco – 45% casos
Angiodisplasias e HDB
 Etiologia
 Fatores de risco (estenose aórtica, doença de Von Willebrand e síndrome urêmica
crônica
 Obstrução venosa crônica
 Episódios de distensão do cólon repetidas vezes aumenta a pressão o
tamanho e a pressão no lúmen  aumenta a pressão da parede  obstrução
do fluxo venoso
 Durante anos leva a dilatação gradual das veias da submucosa
Angiodisplasias e HDB
 Sangramento discreto
 rara causa de sangramento agudo
 Tratamento não é indicado para pacientes assintomáticos
Divertículo de Meckel e HDB
 É a mais frequente anomalia congênita do aparelho digestivo
 2% da população
 2/1 homens e mulheres
 98% dos portadores são assintomático
 Fechamento incompleto do saco vitelino
Divertículo de Meckel e HDB
 Divertículo do Intestino Delgado
 Borda do íleo ( 40-50cm da valva ileocecal)
 contém mucosa, submucosa e muscular própria, sendo que o revestimento
mucoso pode ser semelhante ao do íleo terminal
 50% dos casos é revestido por mucosa gástrica
Divertículo de Meckel e HDB
Divertículo de Meckel e HDB
Divertículo de Meckel e HDB
 HCl da mucosa provoca úlcera péptica do íleo e consequente sangramento em 25-
50% dos casos
 Pode se manifestar também com anemia ferropriva inexplicável ou HDB copiosa
 Início até 10 anos.
Divertículo de Meckel e HDB
 Complicações
 diverticulite do divertículo de Meckel
 Semelhante a apendicite aguda
 Ocorre 10-20% dos casos
 Pode levar a peritonite
Divertículo de Meckel e HDB
 Complicações:
 Obstrução intestinal por intussuscepção ou volvo ileal em volta do divertículo
DOENÇA DIVERTICULAR E HDB
 Causa mais comum de HDB 42-47% dos casos
 prevalência elevada em países industrializados
 5% - indivíduos por volta dos 40 anos
 30% - aos 60 anos
 65% - naqueles com 85 anos ou mais
DOENÇA DIVERTICULAR E HDB
 Menores de 50 anos – predomina nos homes
 Maiores de 50 – predomina nas mulheres
 Maior incidências em pessoas com SII
DOENÇA DIVERTICULAR E HDB
 Normalmente são múltiplos e predominam no sigmoide
 Podem ser encontrados em qualquer região do cólon
 Normalmente medem entre 3mm e 3cm
DOENÇA DIVERTICULAR E HDB
 Dois tipos:
1. Divertículos congênitos:
 Herniações de toda a parede intestinal
1. Herniações adquiridas
 Herniação da mucosa através da muscular
 Muito mais frequente
DOENÇA DIVERTICULAR E HDB
DOENÇA DIVERTICULAR E HDB
DOENÇA DIVERTICULAR E HDB
DOENÇA DIVERTICULAR E HDB
 Etiologia:
 Aumento da pressão intracolônica força a mucosa e submucosa do cólon
provocando sua herniação (penetram os vasos retos).
 Dieta pobre em fibras
• Formação de fezes mais volumosas  efetividade reduzida dos movimentos
colônicos  pressão intraluminal próxima normal
DOENÇA DIVERTICULAR E HDB
 Maioria dos pacientes são assintomáticos
 15% apresentam HDBA
 50 – 70% proveniente do cólon direito
 Normalmente só 1 divertículo sangra
 O sangramento ocorre na maioria das vezes na ausência de inflamação aguda ou
crônica
 70-80% são autolimitada
 5% maciço - idosos
DOENÇA DIVERTICULAR E HDB
DOENÇA DIVERTICULAR E HDB
 Por que sangra?
 Quando se forma, leva uma artéria penetrante com ele
 Artéria fica tracionada na cúpula do divertículo
 Separada do lúmen por uma fina camada mucosa
 Qualquer trauma :
 Fecalito, hipertensão, AINES, resto alimentar, úlcera...
DOENÇA DIVERTICULAR E HDB
DOENÇA DIVERTICULAR E HDB
 50-70% pacientes autolimitada
 30% de risco de novo sangramento
 50% de risco se for 2º episódio
PATOLOGIAS ORIFICIAIS E HDB
 Abscessos e fístulas perianais
 Decorrentes de infecção/inflamação
 Etiologia variada:
 Doenças intestinais: (Crohn, RCU, Tuberculose intestinal, etc)
 Traumas anorretal: corpo estranho, quedas a cavaleiro, agressões e etc
 Complicações pós-operatórias: hemorroidectomia, etc
 Doenças malignas: carcinoma, linfoma e etc
 Agressão criptoglandular: trauma local por passagem fezes endurecidas, diarreia
intensa e uso de papel higiênico
PATOLOGIAS ORIFICIAIS E HDB
 Abscessos e fístulas anais
 Representam a mesma comorbidade
 Abscessos são a forma aguda
 E fístulas são a forma crônica
PATOLOGIAS ORIFICIAIS E HDB
 Raramente vão provocar sangramento
 Em torno de 1% dos casos
 Principal causa de sangramento são as intercorrências cirúrgicas para a resolução
PATOLOGIAS ORIFICIAIS E HDB
 Fissuras anais
 Úlcera linear no canal anal
 A fissura anal aguda normalmente é superficial
 A fissura anal crônica é mais profunda
PATOLOGIAS ORIFICIAIS E HDB
 Etiologia:
 Traumas (fezes endurecidas e volumosas)
 Estiramento excessivo da pele e esfíncteres anais
 Pacientes com outras doenças (hemorroidas)
PATOLOGIAS ORIFICIAIS E HDB
 Processo de agressão cíclica
 Esfíncter anal espasmo, dificultando a cicatrização da fissura
 Espasmo anal  dor evacuar “constipação voluntária”  fezes volumosas e
endurecidas lesão anal
PATOLOGIAS ORIFICIAIS E HDB
 Principal sintoma é a dor
 70% dos casos sangramento após evacuação
 Pequenas quantidades de sangue-vivo
 Pequenas gotas no vaso e papel higiênico
 Sangramento é menor que nas hemorroidas
PATOLOGIAS ORIFICIAIS E HDB
 Hemorroidas
 Importante fonte de sangramento na HDB
 Sangramento de pequena intensidade e intermitente
 Uma das causas mais comuns de HDB em jovens
PATOLOGIAS ORIFICIAIS E HDB
 Sangue em pequena quantidade ao redor das fezes
 hemorroidas externas estão mais associadas ao sangramento
 Sangramentos de grandes volumes não são comuns, mas podem ocorrer
(coagulopatias)
PATOLOGIAS ORIFICIAIS E HDB
PATOLOGIAS ORIFICIAIS E HDB
C.A. DE CÓLON E HDB
 é 3º maior causa de HDB
 95% das vezes é o adenocarcinoma
 Epitélio glandular colônico
 Incidência de 15/100.00 homens e 16/100.000 mulheres
C.A. DE CÓLON E HDB
 Fatores de risco:
 75% na forma esporádica (sem história familiar)
 Dieta
 Pólipos adenomatosos > 1cm
 DII – portadores crônicos
C.A. DE CÓLON E HDB
 Característica de eliminar pequenas quantidades de sangue para a luz intestinal
 Pesquisa de sangue oculto nas fezes
 3 amostras com guaiáco, a cada ano ou:
 Através do método imunoquímico, a cada ano ou:
 Teste de DNA de uma amostra a cada 5 anos
C.A. DE CÓLON E HDB
 Nas fases precoces são assintomáticos
 Os principais sintomas iniciais: sangramento (oculto ou exteriorizado), dor
abdominal, constipação e massa abdominal palpável
 Mais raro abrir com emagrecimento, perfuração intestinal, ascite e metástase
hepática
C.A. DE CÓLON E HDB
 Sangramento (sangue oculto nas fezes) e anemia ferropriva:
 Sangue retal
 Mais comum no C.A de cólon direito
 Tumores mais sangrantes
 Ulceração/erosão da mucosa
 Responsável por 5-20% de HDB maciças
C.A. DE CÓLON E HDB
 Tumores no lado direito do cólon
 Tendem a apresentar sangue oculto nas fezes
 Tumores do lado esquerdo do cólon
 Tendem a apresentar sangue-vivo
C.A. DE CÓLON E HDB
C.A. DE CÓLON E HDB
 Tumor muito invasivo
 Grande atividade
 Angiogênese incompleta  necrose distalulceração sangramento
C.A. DE CÓLON E HDB
C.A ANORRETAL E HDB
 Os tumores de canal anal são raros
 Respondendo por apenas 3% dos tumores
 Aproximadamente 3.000 casos anuais nos Estados Unidos
C.A ANORRETAL E HDB
 Predomínio na população feminina
 Mais incidente entre 50-70 anos
C.A ANORRETAL E HDB
 A maioria dos tumores do canal anal se originam das células que revestem
 Tumores epidérmicos
 Tumores proximais são frequentemente mal diferenciados.
 Podem invadir esfíncteres, vagina, uretra
 Há envolvimento de todos os linfonodos inguinais em 10% dos pacientes
C.A ANORRETAL E HDB
 Sintoma mais comum é o sangramento anal vivo, de cor forte durante a
evacuação acompanhado de dor.
 Sangramento está presente em 50% dos casos
 Normalmente tem bom prognóstico
C.A ANORRETAL E HDB
 Fatores de risco:
 HPV 16 e 18
 Sexo anal
 HIV
 Tabagismo
C.A ANORRETAL E HDB
Outras causas
• Colite pseudomembranosa – após uso de antibióticos
• Colite infecciosa – E. coli, citomegalovírus, Shigella,
Salmonella
• História diarreia e febre
• Após uso de AINE – perda ppt e sangue paa lúmen
intestinal  causa inflamação  ibuprofeno,
naproxeno
• Inflamação reto  supositório (úlcera e estenose
anal)  sangramento
• Pólipos intestinais  evolução para CA (10-15 anos)  pós-polipectomia
• 15% pop.  caráter benigno
• Maioria assintomática
• Sintomas = sangramento e muco nas fezes, dor abdominal
• Colonoscopia diagnóstico e terapêutico
• Lesões de Dieulafoy
• Comum curvatura menor estômago e cárdia
• Defeito submucosa  Vaso arterial visível
• Raramente pode acometer delgado, cólon e reto
• QC: HDB raro  maçica e recorrente quando ocorre
Outras causas
CONDUTA DIAGNÓSTICA NA HDB
 Paciente estável
 Colonoscopia é o método de escolha
 Avaliação e controle
 Localiza o sítio de lesão em 80% dos casos
 Hemorragia ativa, coágulos aderidos e vasos visíveis
 Realiza a hemostasia
CONDUTA DIAGNÓSTICA NA HDB
 Exame deve ser feito após limpeza do cólon
 Por via oral ou sonda nasoenteral
 Ou uso de enema:
 Polietileno glicol (PEG) ou manitol
CONDUTA DIAGNÓSTICA NA HDB
CONDUTA DIAGNÓSTICA NA HDB
 Cintilografia
 Hemácias marcadas Tc99m.
 É mais sensível que a arteriografia - pequenos sangramentos 78%
 Procedimento menos invasivos
 Se algum achado  confirmar e tratar pela colonocospia, arteriografia ou cirurgia
CONDUTA DIAGNÓSTICA NA HDB
 Arteriografia:
 Na vigência de sangramento volumoso – colonoscopia baixa sensibilidade
 Nesses casos – arteriografia 90% sensibilidade
 Permite a embolização do vaso, diminuindo a necessidade cirúrgica
 Detectável a partir de 0,5ml/min
 trombose arterial, reação ao contraste e insuficiência renal aguda
CONDUTA DIAGNÓSTICA NA HDB
 Enteroscopia:
 Se não identificou pela colonoscopia ou EDA
 Intestino delgado
 2 tipos:
 Enteroscópio convencional (push enteroscópio)
 Enteroscópio de duplo balão
 Pode ser introduzido no íleo
 Possibilidade de realizar biópsias e intervenções terapêuticas
 Desvantagem: demora cerca 3 horas e necessita de anestesia geral
CONDUTA DIAGNÓSTICA NA HDB
CONDUTA DIAGNÓSTICA NA HDB
 Cápsula endoscópica
 Exame do intestino delgado nos casos de sangramento obscuro
 Identifica lesões em 50-65% casos
 Demora cerca de 4 horas
 Não é possível identificar com exatidão a localização da lesão
CONDUTA DIAGNÓSTICA NA HDB
TRATAMENTO DA HDB
 Medida iniciais
 Controlar os sinais vitais (reposição soro fisiológico/Ringer)
 2 acessos venosos periféricos
 Perda superior a 1.500 ml – reposição de concentrado de hemácias
TRATAMENTO DA HDB
 Uma vez estável
 Diagnóstico feito junto com a terapêutica
 Terapia colonoscópica
 Lesões sangrantes – aplicações de adrenalina ou eletrocoagulação (gold probe)
 Angiodisplasias sangrantes
TRATAMENTO DA HDB
TRATAMENTO DA HDB
 Terapia angiográfica
 Quando a angiografia consegue identificar o sítio de sangramento:
 Recomenda-se infusão intra-arterial de 0,2 U/min de vasopressina
 Se a perda não diminuir – 0,4 U/min
 90% pacientes vão ter sangramento interrompido temporariamente
 Infusão mantida por mais 24 horas
TRATAMENTO DA HDB
 Lembrar do risco de isquemia mesentérica,
coronária e cerebral
 Hiponatremia e sobrecarga hídrica
TRATAMENTO DA HDB
 Cirurgia de emergência:
 Pacientes com instabilidade hemodinâmica persistente que continuem com
sangramento copioso
 1/3 dos casos não há tempo hábil para a localização do sítio de sangramento
 deve ser realizada a colectomia subtotal com anastomose colorretal
 30-50% de mortalidade
TRATAMENTO DA HDB
 Se identificado sítio de sangramento
 Colectomia segmentar com anastomose primária
 20-30% mortalidade
TRATAMENTO DA HDB
TRATAMENTO DA HDB
Referências:
 1-Goldman L, Ausiello D. Cecil: Tratado de Medicina Interna. 22ªEdição. Rio de
Janeiro:ELSEVIER, 2005.
 2. Martins HS, Scalabrini Neto A, Velasco, I.T. Emergências Clínicas Baseadas em
Evidências. 1ª Edição. Rio de Janeiro: Atheneu, 2006.
 4. Kasper, DL. et al. Harrison Medicina Interna, v.2. 16ª. Edição. Rio de Janeiro: McGraw-
Hill, 2006.
 3. SABISTON JR., D. C., TOWNSEND, M. C. Tratado de Cirurgia. 16.ª ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan,. 2003. 3.
 ZINNER MJ, ASHLEY SW. Maingot's Abdominal Operations, 11th Edition. New
York: MacGrawHill, 2007.

Hemorragia Digestiva Baixa

  • 1.
  • 2.
    DEFINIÇÃO  SANGRAMENTO ORIGINÁRIODISTALMENTE AO LIGAMENTO DE TREITZ
  • 3.
    Epidemiologia  HDB ocorrena proporção de 20:100.000 habitantes (1/5 da ocorrência de HDA)  HDB corresponde a 20% dos casos de hemorragia gastrintestinal  Mais frequente em idosos
  • 4.
    epidemiologia  Maioria éautolimitada ( 80 a 90%)  A taxa de mortalidade das HDB maciças é de 10% a 15%  Reflete idade avançada, comorbidades associadas e dificuldade de manejo
  • 5.
  • 6.
    epidemiologia  Até 50%dos pacientes cursam com anemia e/ou instabilidade hemodinâmica  30% hipotensão postural, 10% síncope e até 20% com choque hemorrágico
  • 7.
  • 8.
  • 9.
  • 10.
  • 11.
  • 12.
    Epidemiologia/etiologia  Conclusão:  Osangramento a partir de um divertículo é a principal causa de HDB significativa em pacientes com mais de 50 anos
  • 13.
    Doença Inflamatória Intestinale HDB  Grupo de doenças de caráter inflamatório dos intestinos  2 grupos:  De causa conhecida - (infecções, diverticulItes, apendicite, enterite por radiação, medicamentos e toxinas, e vasculites enterais.  De causa desconhecida:  Doença de Crohn (DC) e Retocolite Ulcerativa (RC)
  • 14.
    Doença Inflamatória Intestinale HDB  Mais comum em pacientes mais jovens  Adultos, adolescentes e menores que 12 anos  Principal fator risco: história familiar positiva
  • 15.
    Doença Inflamatória Intestinale HDB  Não são comuns hemorragias de caráter urgente nas DII  Hemorragias maciças 0-6%  Ocorrem mais frequentemente na DC  Tem caráter crônico (não são súbitas)
  • 16.
    Doença Inflamatória Intestinale HDB  RCU  Normalmente se apresenta como episódios de diarreia invasiva (muco, sangue e pus )  Principal sintoma é diarreia sanguinolenta e dor abdominal
  • 17.
  • 18.
    Doença Inflamatória Intestinale HDB  RCU:  Sangramento retal grave  10% cirurgias no cólon – RCU sangrante
  • 19.
  • 20.
  • 21.
    Doença Inflamatória Intestinale HDB  Doença de Crohn:  Sangramentos ocorrem 1 a 2% dos casos  Mais raros de acontecer que na RCU
  • 22.
    Doença Inflamatória Intestinale HDB  DC:  Erosão e úlcera de grandes vasos intestinais  Ulcerações e fístulas perianais
  • 23.
  • 24.
    Doença Inflamatória Intestinale HDB  Lesões perianais
  • 25.
    Angiodisplasias e HDB 2º maior causa de HDB (20-30%)  Maior em idosos com mais de 65 anos – alguns estudos - 1º lugar  Pode ser responsável por até 6% dos casos de HDb
  • 26.
    Angiodisplasias e HDB Normalmente a HDB é de baixa quantidade  15% podem ter HDB maciça  10-15% anemia falta de ferro e sangue oculto nas fezes  O sangramento é autolimitado em 90% dos casos, mas é recorrente
  • 27.
    Angiodisplasias e HDB O que é?  Malformação vascular caracterizada pela ectasia de pequenos vasos, com parede revestida apenas por endotélio e pouco músculo liso  Os vasos sobressaem na mucosa intestinal:  Aracneiformes vermelho-vivo ou arborizadas
  • 28.
  • 29.
    Angiodisplasias e HDB Maioria é causada por vasos venosos  Artérias – sangramento maciço  Pode ser lesão localizada ou múltiplas  Maioria encontrada no cólon  Ceco – 45% casos
  • 30.
    Angiodisplasias e HDB Etiologia  Fatores de risco (estenose aórtica, doença de Von Willebrand e síndrome urêmica crônica  Obstrução venosa crônica  Episódios de distensão do cólon repetidas vezes aumenta a pressão o tamanho e a pressão no lúmen  aumenta a pressão da parede  obstrução do fluxo venoso  Durante anos leva a dilatação gradual das veias da submucosa
  • 31.
    Angiodisplasias e HDB Sangramento discreto  rara causa de sangramento agudo  Tratamento não é indicado para pacientes assintomáticos
  • 32.
    Divertículo de Meckele HDB  É a mais frequente anomalia congênita do aparelho digestivo  2% da população  2/1 homens e mulheres  98% dos portadores são assintomático  Fechamento incompleto do saco vitelino
  • 33.
    Divertículo de Meckele HDB  Divertículo do Intestino Delgado  Borda do íleo ( 40-50cm da valva ileocecal)  contém mucosa, submucosa e muscular própria, sendo que o revestimento mucoso pode ser semelhante ao do íleo terminal  50% dos casos é revestido por mucosa gástrica
  • 34.
  • 35.
  • 36.
    Divertículo de Meckele HDB  HCl da mucosa provoca úlcera péptica do íleo e consequente sangramento em 25- 50% dos casos  Pode se manifestar também com anemia ferropriva inexplicável ou HDB copiosa  Início até 10 anos.
  • 37.
    Divertículo de Meckele HDB  Complicações  diverticulite do divertículo de Meckel  Semelhante a apendicite aguda  Ocorre 10-20% dos casos  Pode levar a peritonite
  • 38.
    Divertículo de Meckele HDB  Complicações:  Obstrução intestinal por intussuscepção ou volvo ileal em volta do divertículo
  • 39.
    DOENÇA DIVERTICULAR EHDB  Causa mais comum de HDB 42-47% dos casos  prevalência elevada em países industrializados  5% - indivíduos por volta dos 40 anos  30% - aos 60 anos  65% - naqueles com 85 anos ou mais
  • 40.
    DOENÇA DIVERTICULAR EHDB  Menores de 50 anos – predomina nos homes  Maiores de 50 – predomina nas mulheres  Maior incidências em pessoas com SII
  • 41.
    DOENÇA DIVERTICULAR EHDB  Normalmente são múltiplos e predominam no sigmoide  Podem ser encontrados em qualquer região do cólon  Normalmente medem entre 3mm e 3cm
  • 42.
    DOENÇA DIVERTICULAR EHDB  Dois tipos: 1. Divertículos congênitos:  Herniações de toda a parede intestinal 1. Herniações adquiridas  Herniação da mucosa através da muscular  Muito mais frequente
  • 43.
  • 44.
  • 45.
  • 46.
    DOENÇA DIVERTICULAR EHDB  Etiologia:  Aumento da pressão intracolônica força a mucosa e submucosa do cólon provocando sua herniação (penetram os vasos retos).  Dieta pobre em fibras • Formação de fezes mais volumosas  efetividade reduzida dos movimentos colônicos  pressão intraluminal próxima normal
  • 47.
    DOENÇA DIVERTICULAR EHDB  Maioria dos pacientes são assintomáticos  15% apresentam HDBA  50 – 70% proveniente do cólon direito  Normalmente só 1 divertículo sangra  O sangramento ocorre na maioria das vezes na ausência de inflamação aguda ou crônica  70-80% são autolimitada  5% maciço - idosos
  • 48.
  • 49.
    DOENÇA DIVERTICULAR EHDB  Por que sangra?  Quando se forma, leva uma artéria penetrante com ele  Artéria fica tracionada na cúpula do divertículo  Separada do lúmen por uma fina camada mucosa  Qualquer trauma :  Fecalito, hipertensão, AINES, resto alimentar, úlcera...
  • 50.
  • 51.
    DOENÇA DIVERTICULAR EHDB  50-70% pacientes autolimitada  30% de risco de novo sangramento  50% de risco se for 2º episódio
  • 52.
    PATOLOGIAS ORIFICIAIS EHDB  Abscessos e fístulas perianais  Decorrentes de infecção/inflamação  Etiologia variada:  Doenças intestinais: (Crohn, RCU, Tuberculose intestinal, etc)  Traumas anorretal: corpo estranho, quedas a cavaleiro, agressões e etc  Complicações pós-operatórias: hemorroidectomia, etc  Doenças malignas: carcinoma, linfoma e etc  Agressão criptoglandular: trauma local por passagem fezes endurecidas, diarreia intensa e uso de papel higiênico
  • 53.
    PATOLOGIAS ORIFICIAIS EHDB  Abscessos e fístulas anais  Representam a mesma comorbidade  Abscessos são a forma aguda  E fístulas são a forma crônica
  • 54.
    PATOLOGIAS ORIFICIAIS EHDB  Raramente vão provocar sangramento  Em torno de 1% dos casos  Principal causa de sangramento são as intercorrências cirúrgicas para a resolução
  • 55.
    PATOLOGIAS ORIFICIAIS EHDB  Fissuras anais  Úlcera linear no canal anal  A fissura anal aguda normalmente é superficial  A fissura anal crônica é mais profunda
  • 56.
    PATOLOGIAS ORIFICIAIS EHDB  Etiologia:  Traumas (fezes endurecidas e volumosas)  Estiramento excessivo da pele e esfíncteres anais  Pacientes com outras doenças (hemorroidas)
  • 57.
    PATOLOGIAS ORIFICIAIS EHDB  Processo de agressão cíclica  Esfíncter anal espasmo, dificultando a cicatrização da fissura  Espasmo anal  dor evacuar “constipação voluntária”  fezes volumosas e endurecidas lesão anal
  • 58.
    PATOLOGIAS ORIFICIAIS EHDB  Principal sintoma é a dor  70% dos casos sangramento após evacuação  Pequenas quantidades de sangue-vivo  Pequenas gotas no vaso e papel higiênico  Sangramento é menor que nas hemorroidas
  • 59.
    PATOLOGIAS ORIFICIAIS EHDB  Hemorroidas  Importante fonte de sangramento na HDB  Sangramento de pequena intensidade e intermitente  Uma das causas mais comuns de HDB em jovens
  • 60.
    PATOLOGIAS ORIFICIAIS EHDB  Sangue em pequena quantidade ao redor das fezes  hemorroidas externas estão mais associadas ao sangramento  Sangramentos de grandes volumes não são comuns, mas podem ocorrer (coagulopatias)
  • 61.
  • 62.
  • 63.
    C.A. DE CÓLONE HDB  é 3º maior causa de HDB  95% das vezes é o adenocarcinoma  Epitélio glandular colônico  Incidência de 15/100.00 homens e 16/100.000 mulheres
  • 64.
    C.A. DE CÓLONE HDB  Fatores de risco:  75% na forma esporádica (sem história familiar)  Dieta  Pólipos adenomatosos > 1cm  DII – portadores crônicos
  • 65.
    C.A. DE CÓLONE HDB  Característica de eliminar pequenas quantidades de sangue para a luz intestinal  Pesquisa de sangue oculto nas fezes  3 amostras com guaiáco, a cada ano ou:  Através do método imunoquímico, a cada ano ou:  Teste de DNA de uma amostra a cada 5 anos
  • 66.
    C.A. DE CÓLONE HDB  Nas fases precoces são assintomáticos  Os principais sintomas iniciais: sangramento (oculto ou exteriorizado), dor abdominal, constipação e massa abdominal palpável  Mais raro abrir com emagrecimento, perfuração intestinal, ascite e metástase hepática
  • 67.
    C.A. DE CÓLONE HDB  Sangramento (sangue oculto nas fezes) e anemia ferropriva:  Sangue retal  Mais comum no C.A de cólon direito  Tumores mais sangrantes  Ulceração/erosão da mucosa  Responsável por 5-20% de HDB maciças
  • 68.
    C.A. DE CÓLONE HDB  Tumores no lado direito do cólon  Tendem a apresentar sangue oculto nas fezes  Tumores do lado esquerdo do cólon  Tendem a apresentar sangue-vivo
  • 69.
  • 70.
    C.A. DE CÓLONE HDB  Tumor muito invasivo  Grande atividade  Angiogênese incompleta  necrose distalulceração sangramento
  • 71.
  • 72.
    C.A ANORRETAL EHDB  Os tumores de canal anal são raros  Respondendo por apenas 3% dos tumores  Aproximadamente 3.000 casos anuais nos Estados Unidos
  • 73.
    C.A ANORRETAL EHDB  Predomínio na população feminina  Mais incidente entre 50-70 anos
  • 74.
    C.A ANORRETAL EHDB  A maioria dos tumores do canal anal se originam das células que revestem  Tumores epidérmicos  Tumores proximais são frequentemente mal diferenciados.  Podem invadir esfíncteres, vagina, uretra  Há envolvimento de todos os linfonodos inguinais em 10% dos pacientes
  • 75.
    C.A ANORRETAL EHDB  Sintoma mais comum é o sangramento anal vivo, de cor forte durante a evacuação acompanhado de dor.  Sangramento está presente em 50% dos casos  Normalmente tem bom prognóstico
  • 76.
    C.A ANORRETAL EHDB  Fatores de risco:  HPV 16 e 18  Sexo anal  HIV  Tabagismo
  • 77.
  • 78.
    Outras causas • Colitepseudomembranosa – após uso de antibióticos • Colite infecciosa – E. coli, citomegalovírus, Shigella, Salmonella • História diarreia e febre • Após uso de AINE – perda ppt e sangue paa lúmen intestinal  causa inflamação  ibuprofeno, naproxeno • Inflamação reto  supositório (úlcera e estenose anal)  sangramento
  • 79.
    • Pólipos intestinais evolução para CA (10-15 anos)  pós-polipectomia • 15% pop.  caráter benigno • Maioria assintomática • Sintomas = sangramento e muco nas fezes, dor abdominal • Colonoscopia diagnóstico e terapêutico • Lesões de Dieulafoy • Comum curvatura menor estômago e cárdia • Defeito submucosa  Vaso arterial visível • Raramente pode acometer delgado, cólon e reto • QC: HDB raro  maçica e recorrente quando ocorre Outras causas
  • 80.
    CONDUTA DIAGNÓSTICA NAHDB  Paciente estável  Colonoscopia é o método de escolha  Avaliação e controle  Localiza o sítio de lesão em 80% dos casos  Hemorragia ativa, coágulos aderidos e vasos visíveis  Realiza a hemostasia
  • 81.
    CONDUTA DIAGNÓSTICA NAHDB  Exame deve ser feito após limpeza do cólon  Por via oral ou sonda nasoenteral  Ou uso de enema:  Polietileno glicol (PEG) ou manitol
  • 82.
  • 83.
    CONDUTA DIAGNÓSTICA NAHDB  Cintilografia  Hemácias marcadas Tc99m.  É mais sensível que a arteriografia - pequenos sangramentos 78%  Procedimento menos invasivos  Se algum achado  confirmar e tratar pela colonocospia, arteriografia ou cirurgia
  • 84.
    CONDUTA DIAGNÓSTICA NAHDB  Arteriografia:  Na vigência de sangramento volumoso – colonoscopia baixa sensibilidade  Nesses casos – arteriografia 90% sensibilidade  Permite a embolização do vaso, diminuindo a necessidade cirúrgica  Detectável a partir de 0,5ml/min  trombose arterial, reação ao contraste e insuficiência renal aguda
  • 85.
    CONDUTA DIAGNÓSTICA NAHDB  Enteroscopia:  Se não identificou pela colonoscopia ou EDA  Intestino delgado  2 tipos:  Enteroscópio convencional (push enteroscópio)  Enteroscópio de duplo balão  Pode ser introduzido no íleo  Possibilidade de realizar biópsias e intervenções terapêuticas  Desvantagem: demora cerca 3 horas e necessita de anestesia geral
  • 86.
  • 87.
    CONDUTA DIAGNÓSTICA NAHDB  Cápsula endoscópica  Exame do intestino delgado nos casos de sangramento obscuro  Identifica lesões em 50-65% casos  Demora cerca de 4 horas  Não é possível identificar com exatidão a localização da lesão
  • 88.
  • 89.
    TRATAMENTO DA HDB Medida iniciais  Controlar os sinais vitais (reposição soro fisiológico/Ringer)  2 acessos venosos periféricos  Perda superior a 1.500 ml – reposição de concentrado de hemácias
  • 90.
    TRATAMENTO DA HDB Uma vez estável  Diagnóstico feito junto com a terapêutica  Terapia colonoscópica  Lesões sangrantes – aplicações de adrenalina ou eletrocoagulação (gold probe)  Angiodisplasias sangrantes
  • 91.
  • 92.
    TRATAMENTO DA HDB Terapia angiográfica  Quando a angiografia consegue identificar o sítio de sangramento:  Recomenda-se infusão intra-arterial de 0,2 U/min de vasopressina  Se a perda não diminuir – 0,4 U/min  90% pacientes vão ter sangramento interrompido temporariamente  Infusão mantida por mais 24 horas
  • 93.
    TRATAMENTO DA HDB Lembrar do risco de isquemia mesentérica, coronária e cerebral  Hiponatremia e sobrecarga hídrica
  • 94.
    TRATAMENTO DA HDB Cirurgia de emergência:  Pacientes com instabilidade hemodinâmica persistente que continuem com sangramento copioso  1/3 dos casos não há tempo hábil para a localização do sítio de sangramento  deve ser realizada a colectomia subtotal com anastomose colorretal  30-50% de mortalidade
  • 95.
    TRATAMENTO DA HDB Se identificado sítio de sangramento  Colectomia segmentar com anastomose primária  20-30% mortalidade
  • 96.
  • 97.
  • 98.
    Referências:  1-Goldman L,Ausiello D. Cecil: Tratado de Medicina Interna. 22ªEdição. Rio de Janeiro:ELSEVIER, 2005.  2. Martins HS, Scalabrini Neto A, Velasco, I.T. Emergências Clínicas Baseadas em Evidências. 1ª Edição. Rio de Janeiro: Atheneu, 2006.  4. Kasper, DL. et al. Harrison Medicina Interna, v.2. 16ª. Edição. Rio de Janeiro: McGraw- Hill, 2006.  3. SABISTON JR., D. C., TOWNSEND, M. C. Tratado de Cirurgia. 16.ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,. 2003. 3.  ZINNER MJ, ASHLEY SW. Maingot's Abdominal Operations, 11th Edition. New York: MacGrawHill, 2007.