Relações entre família e equipe de saúde Luiza de Andrade Braga Farias Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica Núcleo de Psicossomática e Psicologia Hospitalar Disciplina: Família em Psicossomática e Psicologia Hospitalar Profa. Dra. Mathilde Neder
Família X Equipe de Saúde Como a equipe de saúde interage com a família nos vários momentos do tratamento? Como a família compreende também essa relação?
Família e equipe de saúde Clientela dupla: Os pacientes são consumidores diretos e imediatos do hospital, mas a família do paciente está também envolvida e influencia a visão deste de si mesmo e do que é esperado (Bell e Zucker, 1968) O ambiente dentro da instituição hospitalar está carregado de significados históricos, sociais e culturais que penetram nos espaços de inter-relação das pessoas que ali trabalham O internamento de um indivíduo dá à família e à equipe um membro em comum e inicia um relacionamento entre eles
Família e equipe de saúde Geralmente o relacionamento entre equipe e família é caracterizado como distanciamento, insatisfação, e mútua incompreensão (Bell e Zucker, 1968) As famílias tendem a perceber o hospital como uma organização difícil de lidar que frustra delas os direitos, pedidos e necessidades.  A equipe, às vezes, vê o familiar como alguém que atrapalha seu trabalho, sendo comum ouvir piadas sobre determinado paciente e sua família.
Família e equipe de saúde Por que isso acontece? Família e equipe de saúde pertencem a contextos diferentes O convívio entre eles é forçado pelo evento de uma doença Cada um desses grupos tem um conjunto de expectativas para si mesmo ou idealizações Algumas vezes a equipe espera que a família respeite suas decisões, não fazendo muitas solicitações de informações. Quando alguma decisão é tomada ela deve ser aceita sem questionamento A família quer ser tratada como um grupo com seus próprios privilégios e direitos
Família e equipe de saúde Pode haver reclamação mútua ou desistência mútua entre os grupos Contato direto da equipe com a dor, o sofrimento e com os limites do seu trabalho; sem dar importância aos seus aspectos subjetivos
Vínculo e acolhimento O acolhimento possibilita regular o acesso por meio da oferta de ações e serviços mais adequados, contribuindo para a satisfação do usuário. O vínculo entre profissional/família estimula a autonomia e a cidadania, promovendo sua participação durante a prestação de serviço. O acolhimento busca garantir acesso aos usuários com o objetivo de escutar os pacientes e familiares, resolver os problemas mais simples e/ou referenciá-los se necessário.  A acolhida consiste na abertura dos serviços para a demanda e a responsabilização por todos os problemas de saúde de uma região.  Prevê plasticidade, que é a capacidade de um serviço adaptar técnicas e combinar atividades de modo a melhor respondê-los, adequando-os a recursos escassos e aspectos sociais, culturais e econômicos, presentes na vida diária.  Ao sentir-se acolhida, a população procura, além dos seus limites geográficos, serviços receptivos e resolutivos. SCHIMITH, Maria Denise; LIMA, Maria Alice Dias da Silva. Receptiveness and links to clients in a Family Health Program team.  Cad. Saúde Pública , Rio de Janeiro,  v. 20,  n. 6, 2004
Vínculo e acolhimento O acolhimento na saúde deve construir uma nova ética, da diversidade e da tolerância aos diferentes, da inclusão social com escuta clínica solidária, comprometendo-se com a construção da cidadania O acolhimento deve resultar das relações no processo de atendimento. Nesse encontro entre profissionais e usuário, dá-se uma negociação visando a identificação de suas necessidades, uma busca de produção de vínculo, com o objetivo de lhe estimular a autonomia quanto à sua saúde O vínculo com os usuários do serviço de saúde amplia a eficácia das ações de saúde e favorece a participação do usuário durante a prestação do serviço Esse espaço deve ser utilizado para a construção de sujeitos autônomos, tanto profissionais quanto pacientes e familiares, pois não há construção de vínculo sem que o usuário seja reconhecido na condição de sujeito, que fala, julga e deseja SCHIMITH, Maria Denise; LIMA, Maria Alice Dias da Silva. Receptiveness and links to clients in a Family Health Program team.  Cad. Saúde Pública , Rio de Janeiro,  v. 20,  n. 6, 2004
Vínculo e acolhimento A relação humanizada da assistência, que promove a acolhida, dá-se sob dois enfoques: o do usuário e o do trabalhador Em 1994, o Ministério da Saúde propôs o Programa Saúde da Família (PSF) como uma estratégia para a reorientação do modelo assistencial, a partir da organização da atenção básica, apostando no "estabelecimento de vínculos e a criação de laços de compromisso e de co-responsabilidade entre profissionais de saúde e a população" 9 (p. 7 ) Identificou-se uma relação entre a produção de vínculo e o atendimento clínico com continuidade, a fim de que suas ações tenham mais impacto na saúde da população, produzindo cuidados resolutivos. SCHIMITH, Maria Denise; LIMA, Maria Alice Dias da Silva. Receptiveness and links to clients in a Family Health Program team.   Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro,  v. 20,  n. 6, 2004
Psicólogo e família Grupo de sala de espera, recepção e saída Grupo de apoio aos familiares Atendimento com uso de técnicas breves individuais Acompanhamento psicológico pré e pós-cirúrgico Entrevista psicológica de familiares Orientações e/ou esclarecimentos de situações dentro do hospital Visitas domiciliares Simon, Ryad. A identificação do psicólogo hospitalar junto à equipe, familiares e pacientes. In: Revista de Psicologia Hospitalar. São Paulo, v. 4, n.2, 1994.
Psicólogo e equipe Elaboração de cartilhas de informações sobre determinada patologia Grupo de reflexão sobre atividades médicas Interconsulta Reunião de estudo de caso com a equipe multiprofissional   Simon, Ryad. A identificação do psicólogo hospitalar junto à equipe, familiares e pacientes. In: Revista de Psicologia Hospitalar. São Paulo, v. 4, n. 2, 1994.
O papel do psicólogo na relação família e equipe de saúde Esclarecer, orientar ou mesmo ajudar a família a falar sobre algum problema com a equipe Pode servir de intermediário da família que possui poucos recursos verbais Sugerir alternativas para facilitar o diálogo entre família e equipe de saúde Auxiliar na superação de problemas, esclarecendo os aspectos subjacentes da relação membro da equipe com a família  Simon, Ryad. A identificação do psicólogo hospitalar junto à equipe, familiares e pacientes. In: Revista de Psicologia Hospitalar.  São Paulo, v.4, n.2, 1994.
Bibliografia BELL, N.W.; ZUCKER, R. A. The International Journal of Social Psychiatry. Training in Transcultural Psychiatry.  Family – Hospital Relationships in a state setting:  A structural-functional analysis of the hospitalization process. P.73-80. 1968  CAMPOS, G.W.S.  Considerações sobre a arte e a ciência da mudança:  revolução das coisas e reforma das pessoas. O caso da saúde. In: Cecilio LCO, organizador. Inventando a mudança na saúde. 2ª Ed. São Paulo: Editora Hucitec; 1997. p. 29-87  DALLALANA, T. M. ; MACEDO, R. M. S. de .  Na saúde e na doença : a família e suas relações com a instituição hospitalar. Família e Comunidade, São Paulo, v. 3, n. 1, p. 73-105, 2006  MERHY, E.E.  Em busca da qualidade dos serviços de saúde:  os serviços de porta aberta para a saúde e o modelo tecno-assistencial em defesa da vida (ou como aproveitar os ruídos do cotidiano dos serviços de saúde e colegiadamente organizar o processo de trabalho na busca da qualidade das ações de saúde.) In: Cecilio LCO, organizador. Inventando a mudança na saúde. 2ª Ed. São Paulo: Editora Hucitec; 1997. p. 117-60
Bibliografia RAMOS, D.D., LIMA, M.A.D.S.  Acesso e acolhimento aos usuários em uma unidade de saúde de Porto Alegre . Rio Grande do Sul, Brasil. Cad Saúde Pública 2003; 19:27-34.  SCHIMITH, M. D.; LIMA, M. A. D. S. Receptiveness and links to clients in a Family Health Program team.  Cad. Saúde Pública , Rio de Janeiro,  v. 20,  n. 6, 2004 .  Disponível em:<http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2004000600005&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 20  Oct  2008. doi: 10.1590/S0102-311X2004000600005  Secretaria de Assistência à Saúde, Ministério da Saúde.  Saúde da Família: uma estratégia para a reorientação do modelo assistencial . Brasília: Secretaria de Assistência à Saúde, Ministério da Saúde; 1997 SIMON, R.  A identificação do psicólogo hospitalar junto à equipe, familiares e pacientes . In: Revista de Psicologia Hospitalar. São Paulo, v.4, n.2, 1994.

FamíLia E Equipe De SaúDe

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    Relações entre famíliae equipe de saúde Luiza de Andrade Braga Farias Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica Núcleo de Psicossomática e Psicologia Hospitalar Disciplina: Família em Psicossomática e Psicologia Hospitalar Profa. Dra. Mathilde Neder
  • 2.
    Família X Equipede Saúde Como a equipe de saúde interage com a família nos vários momentos do tratamento? Como a família compreende também essa relação?
  • 3.
    Família e equipede saúde Clientela dupla: Os pacientes são consumidores diretos e imediatos do hospital, mas a família do paciente está também envolvida e influencia a visão deste de si mesmo e do que é esperado (Bell e Zucker, 1968) O ambiente dentro da instituição hospitalar está carregado de significados históricos, sociais e culturais que penetram nos espaços de inter-relação das pessoas que ali trabalham O internamento de um indivíduo dá à família e à equipe um membro em comum e inicia um relacionamento entre eles
  • 4.
    Família e equipede saúde Geralmente o relacionamento entre equipe e família é caracterizado como distanciamento, insatisfação, e mútua incompreensão (Bell e Zucker, 1968) As famílias tendem a perceber o hospital como uma organização difícil de lidar que frustra delas os direitos, pedidos e necessidades. A equipe, às vezes, vê o familiar como alguém que atrapalha seu trabalho, sendo comum ouvir piadas sobre determinado paciente e sua família.
  • 5.
    Família e equipede saúde Por que isso acontece? Família e equipe de saúde pertencem a contextos diferentes O convívio entre eles é forçado pelo evento de uma doença Cada um desses grupos tem um conjunto de expectativas para si mesmo ou idealizações Algumas vezes a equipe espera que a família respeite suas decisões, não fazendo muitas solicitações de informações. Quando alguma decisão é tomada ela deve ser aceita sem questionamento A família quer ser tratada como um grupo com seus próprios privilégios e direitos
  • 6.
    Família e equipede saúde Pode haver reclamação mútua ou desistência mútua entre os grupos Contato direto da equipe com a dor, o sofrimento e com os limites do seu trabalho; sem dar importância aos seus aspectos subjetivos
  • 7.
    Vínculo e acolhimentoO acolhimento possibilita regular o acesso por meio da oferta de ações e serviços mais adequados, contribuindo para a satisfação do usuário. O vínculo entre profissional/família estimula a autonomia e a cidadania, promovendo sua participação durante a prestação de serviço. O acolhimento busca garantir acesso aos usuários com o objetivo de escutar os pacientes e familiares, resolver os problemas mais simples e/ou referenciá-los se necessário. A acolhida consiste na abertura dos serviços para a demanda e a responsabilização por todos os problemas de saúde de uma região. Prevê plasticidade, que é a capacidade de um serviço adaptar técnicas e combinar atividades de modo a melhor respondê-los, adequando-os a recursos escassos e aspectos sociais, culturais e econômicos, presentes na vida diária. Ao sentir-se acolhida, a população procura, além dos seus limites geográficos, serviços receptivos e resolutivos. SCHIMITH, Maria Denise; LIMA, Maria Alice Dias da Silva. Receptiveness and links to clients in a Family Health Program team. Cad. Saúde Pública , Rio de Janeiro,  v. 20,  n. 6, 2004
  • 8.
    Vínculo e acolhimentoO acolhimento na saúde deve construir uma nova ética, da diversidade e da tolerância aos diferentes, da inclusão social com escuta clínica solidária, comprometendo-se com a construção da cidadania O acolhimento deve resultar das relações no processo de atendimento. Nesse encontro entre profissionais e usuário, dá-se uma negociação visando a identificação de suas necessidades, uma busca de produção de vínculo, com o objetivo de lhe estimular a autonomia quanto à sua saúde O vínculo com os usuários do serviço de saúde amplia a eficácia das ações de saúde e favorece a participação do usuário durante a prestação do serviço Esse espaço deve ser utilizado para a construção de sujeitos autônomos, tanto profissionais quanto pacientes e familiares, pois não há construção de vínculo sem que o usuário seja reconhecido na condição de sujeito, que fala, julga e deseja SCHIMITH, Maria Denise; LIMA, Maria Alice Dias da Silva. Receptiveness and links to clients in a Family Health Program team. Cad. Saúde Pública , Rio de Janeiro,  v. 20,  n. 6, 2004
  • 9.
    Vínculo e acolhimentoA relação humanizada da assistência, que promove a acolhida, dá-se sob dois enfoques: o do usuário e o do trabalhador Em 1994, o Ministério da Saúde propôs o Programa Saúde da Família (PSF) como uma estratégia para a reorientação do modelo assistencial, a partir da organização da atenção básica, apostando no &quot;estabelecimento de vínculos e a criação de laços de compromisso e de co-responsabilidade entre profissionais de saúde e a população&quot; 9 (p. 7 ) Identificou-se uma relação entre a produção de vínculo e o atendimento clínico com continuidade, a fim de que suas ações tenham mais impacto na saúde da população, produzindo cuidados resolutivos. SCHIMITH, Maria Denise; LIMA, Maria Alice Dias da Silva. Receptiveness and links to clients in a Family Health Program team. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro,  v. 20,  n. 6, 2004
  • 10.
    Psicólogo e famíliaGrupo de sala de espera, recepção e saída Grupo de apoio aos familiares Atendimento com uso de técnicas breves individuais Acompanhamento psicológico pré e pós-cirúrgico Entrevista psicológica de familiares Orientações e/ou esclarecimentos de situações dentro do hospital Visitas domiciliares Simon, Ryad. A identificação do psicólogo hospitalar junto à equipe, familiares e pacientes. In: Revista de Psicologia Hospitalar. São Paulo, v. 4, n.2, 1994.
  • 11.
    Psicólogo e equipeElaboração de cartilhas de informações sobre determinada patologia Grupo de reflexão sobre atividades médicas Interconsulta Reunião de estudo de caso com a equipe multiprofissional Simon, Ryad. A identificação do psicólogo hospitalar junto à equipe, familiares e pacientes. In: Revista de Psicologia Hospitalar. São Paulo, v. 4, n. 2, 1994.
  • 12.
    O papel dopsicólogo na relação família e equipe de saúde Esclarecer, orientar ou mesmo ajudar a família a falar sobre algum problema com a equipe Pode servir de intermediário da família que possui poucos recursos verbais Sugerir alternativas para facilitar o diálogo entre família e equipe de saúde Auxiliar na superação de problemas, esclarecendo os aspectos subjacentes da relação membro da equipe com a família Simon, Ryad. A identificação do psicólogo hospitalar junto à equipe, familiares e pacientes. In: Revista de Psicologia Hospitalar. São Paulo, v.4, n.2, 1994.
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    Bibliografia BELL, N.W.;ZUCKER, R. A. The International Journal of Social Psychiatry. Training in Transcultural Psychiatry. Family – Hospital Relationships in a state setting: A structural-functional analysis of the hospitalization process. P.73-80. 1968 CAMPOS, G.W.S. Considerações sobre a arte e a ciência da mudança: revolução das coisas e reforma das pessoas. O caso da saúde. In: Cecilio LCO, organizador. Inventando a mudança na saúde. 2ª Ed. São Paulo: Editora Hucitec; 1997. p. 29-87 DALLALANA, T. M. ; MACEDO, R. M. S. de . Na saúde e na doença : a família e suas relações com a instituição hospitalar. Família e Comunidade, São Paulo, v. 3, n. 1, p. 73-105, 2006 MERHY, E.E. Em busca da qualidade dos serviços de saúde: os serviços de porta aberta para a saúde e o modelo tecno-assistencial em defesa da vida (ou como aproveitar os ruídos do cotidiano dos serviços de saúde e colegiadamente organizar o processo de trabalho na busca da qualidade das ações de saúde.) In: Cecilio LCO, organizador. Inventando a mudança na saúde. 2ª Ed. São Paulo: Editora Hucitec; 1997. p. 117-60
  • 14.
    Bibliografia RAMOS, D.D.,LIMA, M.A.D.S. Acesso e acolhimento aos usuários em uma unidade de saúde de Porto Alegre . Rio Grande do Sul, Brasil. Cad Saúde Pública 2003; 19:27-34. SCHIMITH, M. D.; LIMA, M. A. D. S. Receptiveness and links to clients in a Family Health Program team. Cad. Saúde Pública , Rio de Janeiro,  v. 20,  n. 6, 2004 .  Disponível em:<http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2004000600005&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 20  Oct  2008. doi: 10.1590/S0102-311X2004000600005 Secretaria de Assistência à Saúde, Ministério da Saúde. Saúde da Família: uma estratégia para a reorientação do modelo assistencial . Brasília: Secretaria de Assistência à Saúde, Ministério da Saúde; 1997 SIMON, R. A identificação do psicólogo hospitalar junto à equipe, familiares e pacientes . In: Revista de Psicologia Hospitalar. São Paulo, v.4, n.2, 1994.