Centro Espírita Léon Denis
                Curso: Espiritismo e Genética
                    Patrono: Paul Gibier
                         Ano: 2006




                                    Volume 2

      - Reencarnação e suas Leis
 - Fatores de Desequilíbrio: Doenças
              e sua Cura
         - Engenharia Genética
“O Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente; a Ciência sem o Espiritismo se acha na
impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria. Ao Espiritismo, sem a
Ciência, faltariam apoio e comprovação”.
                                                                                  Allan Kardec



                                          ÍNDICE
Espiritismo e Genética




                          Assunto                Pág.
I - Escolha das Provas                            03
II - Reencarnação Dirigida e Compulsória          05
III - Esquecimento do Passado                     07
IV - Reencarnação e Suas Leis                     12
V - Planejamento Familiar                         14
VI - Aborto, Visão Científica                     17
VII - Aborto e a Lei de Causa e Efeito            23
VIII - As Doenças                                 27
IX - Transtornos Psicossomáticos                  32
X - Síndromes Hereditárias                        36
XI - Doenças Sexualmente Transmissíveis           46
XII - Reencarnação e Sexo                         53
XIII - Engenharia Genética                        60
XIV - Os Transgênicos                             62
XV - Geneterapia                                  64
XVI - Clonagem                                    66
XVII - O Projeto Genoma                           75
XVIII - Sexagem                                   84
XIX - O Homem do Futuro                           88
XX - A Bioética                                   91




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Espiritismo e Genética


                            I. A ESCOLHA DAS PROVAS

   •   Por que sofrem uns mais do que outros?
   •   Por que uns nascem na miséria e outros na opulência?
   •   Por que uns são bonitos e outros feios?
   •   Por que alguns não são bem sucedidos em nada, enquanto para outros tudo parece sorrir?

        Em “O Evangelho Seg. o Espiritismo”, vemos algumas explicações para esses fatos. O
homem é, em um grande número de casos, o construtor dos próprios infortúnios. Entretanto, sempre
haverá oportunidade de uma nova vida, em que o homem poderá aproveitar as experiências do
passado e tomar boas resoluções para o futuro.
        Lembramo-nos da afirmativa: “todo efeito tem uma causa”. Então, as misérias que nos
atingem são efeitos, que, naturalmente, devem ter uma causa. E, como Deus é justo, esses efeitos
devem ser justos: Deus não pune o bem que se fez. Se somos punidos, é porque fizemos o mal.
        Na mesma obra de Kardec, no capítulo sobre as causas das aflições, vemos que elas podem ser
atuais ou anteriores à presente existência. A punição dos erros nem sempre se faz na existência atual.
Se não sofrer hoje as conseqüências dos males que cometeu, sofrerá numa próxima existência (causas
anteriores). Para cada falta cometida, durante a encarnação, o Espírito, antes de pagar pelo seu erro,
terá que se arrepender; depois, então, expiar e reparar (sigla AER).
        Pela reencarnação, temos oportunidade de reviver situações e traumas com as pessoas com
quem temos afinidade, ou não, com a intenção de trabalharmos não só o conflito dos relacionamentos
regidos pela lei de causa e efeito, mas o autoburilamento, que só ocorrerá mediante o
autoconhecimento.
        Quando estes efeitos afloram, surge a necessidade da reparação. Só reparando um erro, seja
ele qual for, é que vamos tranqüilizar a nossa consciência. Para adquirirmos uma consciência plena de
amor, precisamos das muitas existências sucessivas, onde trabalharemos a semente do amor de Deus
em nós.
        As tribulações da vida podem ser impostas a Espíritos endurecidos e que perderam
provisoriamente o direito de usar o livre-arbítrio, ou são muito ignorantes para fazerem uma escolha
com conhecimento de causa. Podem, porém, essas tribulações serem escolhidas livremente por
Espíritos arrependidos e que desejam reparar o mal que fizeram e se exercitarem em proceder melhor.
        Assim, as tribulações podem ser, ao mesmo tempo, expiações que castigam pelos erros do
passado e provas que preparam para o futuro. Nem sempre significa que um indivíduo em grandes
sofrimentos está sendo punido por faltas cometidas. Muitas vezes, os sofrimentos são simples provas
escolhidas pelo próprio Espírito para concluir sua depuração e apressar seu adiantamento. Assim
sendo, as expiações sempre servem de prova, mas a prova nem sempre é expiação.
        O sofrimento que não desperta lamentações pode ser uma expiação, mas isso é um indício que
tal expiação foi escolhida voluntariamente e não imposta, o que é um sinal de progresso. Escolhida a
prova, naqueles Espíritos em que há essa possibilidade, os “Construtores da Vida” organizam, com o
máximo cuidado e competência, o plano reencarnatório de cada ser humano.
        Tal plano baseia-se fundamentalmente em duas condições:

       Merecimento individual;
       Passivo a resgatar perante as leis morais.

       Definido e aprovado o plano nas esferas espirituais elevadas, retorna o ser à carne, no mais
adequado ambiente social.
       Em “Missionários da Luz”, capítulos 12 e 13, que nos falam sobre a preparação de
experiências reencarnatórias, André Luiz refere-se a Espíritos ainda em débito, mas com valores de
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Espiritismo e Genética




boa vontade, perseverança e sinceridade, que lhes outorgam o direito de influir sobre a escolha das
provas.
        Há, nesses capítulos, interessantes descrições do departamento de planejamento das
reencarnações: entidades conduzindo rolos, semelhantes a pergaminhos, contendo mapas de formas
orgânicas, elaborados por orientadores especializados em conhecimentos biológicos da existência
terrena e de acordo com as necessidades provacionais do reencarnante. Há, também, a descrição de
modelos de corpos masculinos e femininos, com todos os detalhes anatômicos de órgãos, músculos,
glândulas, órgãos sexuais etc.
        Os modelos do próximo corpo físico são então desenhados e as escolhas, por exemplo, de
traços físicos de defeitos saem no gráfico. Aí também são planejados o tempo de vida e as provas de
ordem moral. Em geral, Espíritos que conseguiram méritos no seu aperfeiçoamento solicitam
providências em favor de existência sadia, preocupando-se com a resistência, equilíbrio, durabilidade
e fortaleza do instrumento que lhes deve servir, mas pedem medidas a lhes atenuarem o magnetismo
pessoal, em caráter provisório, evitando-lhes apresentação física muito primorosa, ocultando assim a
beleza de suas almas para garantir a eficiência de suas tarefas.
        Vimos também, nesses capítulos, o pedido para que os traços fisionômicos e do corpo fossem
alterados, para que a beleza não fosse uma característica predominante, o que poderia atrapalhar a
prova a que o Espírito se propõe.
        E a Genética? Como ela se relaciona com o planejamento da reencarnação?
        São descritos por André Luiz, na obra acima referida, capítulo 13, os mapas cromossômicos,
onde a geografia dos genes é examinada pelos orientadores da reencarnação. A modelagem fetal e o
desenvolvimento do embrião obedecem às leis físicas naturais, aos automatismos estabelecidos pela
evolução de cada espécie, mas em todos esses fenômenos, a cooperação espiritual coexiste com as
leis, de acordo com os planos de evolução ou resgate do Espírito reencarnante.
        Segundo Léon Denis, em “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, o nosso futuro está em
nossas mãos. Toda missão superior é o resultado de um passado imenso de lutas; é o remate de
trabalhos longos e pacientes. Cada faculdade brilhante, cada virtude sólida, reclamou existências
múltiplas de trabalhos obscuros, de combates violentos entre o Espírito e a carne, a paixão e o dever.
É o amadurecimento através dos séculos.
        Em cada regresso ao espaço, procede-se ao balanço dos lucros e perdas. O ser examina-se e
julga-se. A Vida do Espaço é para o Espírito que evoluiu o período de exame, de recolhimentos,
aplicando-se ao interrogatório da consciência; ao inventário rigoroso da beleza ou da fealdade da
alma. É, enfim, na vida do Espaço que o ser prepara as futuras tarefas.
        Aí, então, se lhe for permitido, serão feitas as escolhas das diversas provas pelas quais o
Espírito passará.


                                               Bibliografia:

1. GENÉTICA E ESPIRITISMO, de Eurípedes Kühl, Edição FEB, 1997, Cap. Genética e
   Reencarnação, páginas 118 a 123.
2. O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Allan Kardec, Edição FEB, 8-1993, Cap. V -
   Bem-Aventurados os Aflitos, páginas.
3. MISSIONÁRIOS DA LUZ, de F.C.Xavier-André Luiz, Edição FEB, 8-1998, Cap. 12 e 13,
   páginas 143 a 216.
4. O PROBLEMA O SER, DO DESTINO E DA DOR, de Léon Denis, Edição FEB, 1-1995.



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Espiritismo e Genética




           II. REENCARNAÇÃO DIRIGIDA E COMPULSÓRIA
       O que é “compulsória”? – “Compulsória” quer dizer: forçada, obrigatória.

       O que é “dirigida”? - “Dirigida” significa: orientada, administrada.

        Como nos mostram as várias obras da literatura espírita, a reencarnação, assim como o
processo de desencarnação, não obedece a uma regra geral. “Cada caso é um caso...” Tudo está na
dependência das condições do Espírito. De que forma viveu e de que forma morreu? O que aprendeu.
Como era ele em apego e desapego, etc...
        Pode a reencarnação ser planejada pelo próprio Espírito, até com detalhes no corpo físico,
como também as provas podem ser escolhidas pelo reencarnante. Naturalmente, sempre haverá a
orientação dos mentores espirituais encarregados desse trabalho.
        Em outros casos, o Espírito não tem condições de escolha nem de planejamento e sua
reencarnação será compulsória, sem escolhas.
        No mundo espiritual, em cada hospital, em cada colônia, há um departamento que cuida dos
detalhes em favor dos Espíritos candidatos ao retorno à carne, nos casos de reencarne natural. Há,
nesses departamentos, modelo de corpos físicos, de acordo com a missão de cada um, e também aí é
planejado a família terrena. Nenhum Espírito reencarna em família com a qual não tenha vínculos de
amor ou resgate. A lei natural é que nunca recebemos um estranho em nossa família.
        No processo de reencarne natural, tudo é previamente programado e tudo obedece a detalhes
importantes, como, por exemplo, a linha mestra das tarefas e da missão que o Espírito reencarnante
deve cumprir em sua jornada terrena. O Espírito toma conhecimento de suas responsabilidades,
conhece de antemão as provas a que será submetido e as pessoas do meio com as quais irá se
relacionar. Sabe também que sempre contará cm a ajuda do “anjo guardião” que o irá inspirar nas
decisões nos momentos difíceis e de incerteza.
        Existem os processos que não obedecem a esta ordem natural das coisas: são as reencarnações
compulsórias, aplicadas aos Espíritos reencarnantes, muitos deles dotados de alto grau de inteligência
e, alguns, conhecedores do Evangelho e das Leis, mas devotados ao mal. Após análise criteriosa da
Espiritualidade Superior, perdem temporariamente a condição do livre-arbítrio e passam por
experiências reencarnatórias de grande aprendizado para eles.
        Normalmente são portadores de idiotia, de doenças congênitas que os deixam em condições
entrevadas durante toda a existência. Será inesquecível o aprendizado para esse Espírito eterno,
dotado de inteligência, mas portador de um equipamento defeituoso. A suspensão temporária do
livre-arbítrio provém da misericórdia divina, que ampara esses Espíritos de quedas e derrotas
espetaculares.
        Existem ainda as reencarnações complementares: são Espíritos que não completaram o
período que lhes foi destinado viver, abreviaram a existência ou por não terem cuidado da saúde
física pelo abuso de substâncias tóxicas, provocando o desencarne. Reencarnam para completar o
período em débito.
        Vemos, na obra mediúnica de Carlos Baccelli, pelo Espírito Inácio Ferreira, a citação de
Espíritos desencarnados comensais de criaturas encarnadas que vampirizavam... Não haviam se
habilitado a viver fora do corpo. O tempo em que demoravam no Mundo Espiritual era apenas o
suficiente para uma nova existência física, a que retornavam de maneira automática.
        No mesmo livro, lemos: “Muitos destes irmãos reencarnam sem que se reconheçam... Vivem
na órbita psíquica daqueles com os quais se afinizam e de repente... caem nas malhas da

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reencarnação. (...) Não temos como acolher esta gente toda na vida espiritual e nem programar
reencarnação para todos. Para a grande maioria dos Espíritos, o que funciona é a Lei”.

        Em ”Memórias de Um Suicida”, de Yvonne A. Pereira, lemos, no capítulo VIII - Novos
Rumos, a descrição de várias circunstâncias reencarnatórias, inclusive as de Espíritos internados no
manicômio e que, incapazes de raciocinar, seguiam para a reencarnação impelidos pela necessidade
imperiosa de uma melhoria e algum progresso.
        Diz-nos Yvonne Pereira que os técnicos do Departamento de Reencarnação daquela colônia e
seus colaboradores, todos criteriosamente inspirados na Justiça e na Misericórdia das Leis Soberanas
do Onipotente Criador, supriam a incapacidade de discernimento desses Espíritos para escolherem o
futuro, estabelecendo em conselho o que melhor lhes convinha, com o beneplácito do Mestre Jesus.
        Entretanto, outros Espíritos, com o desenvolvimento moral e mental necessário, assistiam a
aulas, na colônia citada (Maria de Nazaré), para aquisição de esclarecimentos sobre a reencarnação.
        A constituição física do Espírito reencarnante depende das necessidades do seu aprendizado.
Sabemos que todas as experiências da vida ficam registradas do perispírito. Se, por exemplo, abusou
do fumo, terá marcado, em sua forma perispiritual, nas vias respiratórias e nos pulmões, a dificuldade
própria desse vício. Essas manchas ou defeitos do perispírito só desaparecerão quando transferidas
para o corpo físico, que funciona como mata-borrão do perispírito.
        Na reencarnação natural em que o Espírito tem condições, ele mesmo escolhe quais as
manchas perispirituais que passarão para o corpo. Esse processo acontecerá até que a “túnica nupcial”
fique branca (perispírito sem manchas).
Como vimos, o corpo físico é o instrumento que o Espírito usará para se livrar das manchas do
perispírito e aí contamos com a Genética.
        Os genes representariam uma fita magnética com possibilidades de registro das experiências
de toda ordem que a espécie humana desenvolve em seus campos de trabalhos e lutas.
        Em “Missionário da Luz”, André Luiz cita os mapas cromossômicos, no departamento de
reencarnação.
        E sempre haverá um espermatozóide adequado para fertilizar o óvulo com o material genético
apropriado às necessidades do Espírito reencarnante.
        Do que foi exposto, fica evidente a justiça da Reencarnação e a concordância entre as Leis de
Deus e a Ciência da Hereditariedade.
        Sugerimos aqui a leitura do capítulo referente a esse assunto em o “O Livro dos Espíritos”,
nas perguntas citadas na bibliografia.



                                            Bibliografia:

1. MISSIONÁRIOS DA LUZ, de F.C.Xavier-André Luiz, Edição FEB, 8-1993, páginas 205 e 206;
2. MEMÓRIAS DE UM SUICIDA, de Yvonne do Amaral Pereira, Edição FEB, páginas 258, 259,
   350 e 351;
3. CREPÚSCULO DE OUTUNO, de Antonio Demarchi/ Irmão Virgílio, Lúmen Edit. Ltda., 1a.
   Edição, páginas 135 a 143;
4. O LIVRO DS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Questões 171, 196 e 337;
5. DO OUTRO LADO DO ESPELHO, de Carlos A. Baccelli, Edit. Didier, 1a edição.
6. DINÂMICA PSI, de Jorge Andréa, Sociedade Espírita F. V. Lorenz, 3ª edição, 1999, página 107.




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                         III. O ESQUECIMENTO DO PASSADO

                                Do livro “O QUE É O ESPIRITISMO”:

      Cap. V - Não consigo explicar a mim mesmo como pode o homem aproveitar da experiência
adquirida em suas anteriores existências, quando não se lembra delas, pois que, desde que lhe falta
essa reminiscência, cada existência é para ele qual se fora à primeira; deste modo, está sempre a
recomeçar.
      Suponhamos que cada dia, ao despertar, perdemos a memória de tudo quanto fizemos no dia
anterior; quando chegássemos aos setenta anos, não estaríamos mais adiantados do que aos dez; ao
passo que recordando as nossas faltas, inaptidões e punições que disso nos provieram, esforçar-nos-
emos por evitá-las.
      Para me servir da comparação que fizestes do homem, na Terra, com o aluno de um colégio, eu
não compreendo como este poderia aproveitar as lições da quarta classe, não se lembrando do que
aprendeu na anterior.
      Essas soluções de continuidade na vida do Espírito interrompem todas as relações e fazem dele,
de alguma sorte, uma entidade nova; do que podemos concluir que os nossos pensamentos morrem
com cada uma das nossas existências, para renascer em outra, sem consciência do que fomos; é uma
espécie de aniquilamento.
      A.K. - De pergunta em pergunta, levar-me-eis a fazer um curso completo de Espiritismo; todas
as objeções que apresentais são naturais em quem ainda nada conhece, mas que, mediante estudo
sério, pode encontrar-lhes respostas muito mais explícitas do que as que posso dar em sumária
explicação que, por certo, deve sempre ir provocando novas questões.
      Tudo se encadeia no Espiritismo, e, quando se toma o conjunto, vê-se que seus princípios
emanam uns dos outros, servindo-se mutuamente de apoio; e, então, o que parecia uma anomalia,
contrária à justiça e à sabedoria de Deus, se torna natural e vem confirmar essa justiça e essa
sabedoria. Tal é o problema do esquecimento do passado, que se prende a outras questões de não
menor importância e, por isso, não farei aqui senão tocar levemente o assunto.
      Se cada uma de suas existências um véu esconde o passado do Espírito, com isso nada perde ele
das suas aquisições, apenas esquece o modo por que as conquistou.
      Servindo-me ainda da comparação supra com o aluno, direi que pouco importa saber onde,
como, com que professores ele estudou as matérias de uma classe, uma vez que saiba, quando passa
para a classe seguinte. Se os castigos o tornaram laborioso e dócil, que lhe importa saber quando foi
castigado por preguiçoso e insubordinado?
      É assim que, reencarnando, o homem traz por intuição e como idéias inatas, o que adquiriu em
ciência e moralidade. Digo em moralidade porque, se no curso de uma existência ele se melhorou, se
soube tirar proveito das lições da experiência, se tornará melhor quando voltar; seu Espírito,
amadurecido na escola do sofrimento e do trabalho, terá mais firmeza; longe de ter de recomeçar
tudo, ele possui um fundo que vai sempre crescendo e sobre o qual se apóia para fazer maiores
conquistas.
      A segunda parte de vossa objeção, relativa ao aniquilamento do pensamento, não tem base mais
segura, porque esse olvido só se dá durante a vida corporal; uma vez terminada ela, o Espírito recobra
a lembrança do seu passado; então poderá julgar do caminho que seguiu e do que lhe resta ainda
fazer; de modo que não há essa solução de continuidade em sua vida espiritual, que é a vida normal
do Espírito. Esse esquecimento temporário é um benefício da Providência; a experiência só se

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Espiritismo e Genética

adquire, muitas vezes, por provas rudes e terríveis expiações, cuja recordação seria muito penosa e
viria aumentar as angústias e tribulações da vida presente.
       Se os sofrimentos da vida parecem longos, que seria se a eles se juntasse à lembrança do
passado?
       Vós, por exemplo, meu amigo, sois hoje um homem de bem, mas talvez devais isso aos rudes
castigos que recebestes pelos malefícios que hoje vos repugnariam à consciência; ser-vos-ia
agradável a lembrança de ter sido outrora enforcado por vossa maldade? Não vos perseguiria a
vergonha de saber que o mundo não ignorava o mal que tínheis feito? Que vos importa o que fizestes
e o que sofrestes para expiar, quando hoje sois um homem estimável? Aos olhos do mundo, sois um
homem novo, e aos olhos de Deus um Espírito reabilitado. Livre da reminiscência de um passado
importuno, viveis com mais liberdade; é para vós um novo ponto de partida; vossas dívidas anteriores
estão pagas, cumprindo-vos ter cuidado de não contrair outras.
       Quantos homens desejariam assim poder, durante a vida, lançar um véu sobre os seus primeiros
anos! Quantos, ao chegar ao termo de sua carreira, não têm dito: “Se eu tivesse de recomeçar, não
faria mais o que fiz!”.
       Pois bem, o que eles não podem fazer nesta mesma vida, fá-lo-ão em outra; em uma nova
existência, seu Espírito trará, em estado de intuição, as boas resoluções que tiver tomado. É assim que
se efetua gradualmente o progresso da humanidade.
Suponhamos ainda - o que é um caso muito comum - que, em vossas relações, em vossa família
mesmo se encontre um indivíduo que vos deu outrora muitos motivos de queixa, que talvez vos
arruinou, ou desonrou em outra existência, e que, Espírito arrependido, veio encarnar-se em vosso
meio, ligar-se a vós pelos laços de família, a fim de reparar suas faltas para convosco, por seu
devotamento e afeição; não vos acharíeis mutuamente na mais embaraçosa posição, se ambos vos
lembrásseis de vossas passadas inimizades? Em vez de se extinguirem, os ódios se eternizariam.
        Disso resulta que a reminiscência do passado perturbaria as relações sociais e seria um tropeço
ao progresso. Quereis uma prova?
        Supondo que um indivíduo condenado às galés tome a firme resolução de tornar-se um
homem de bem, que acontece quando ele termina o cumprimento da pena? A sociedade o repele, e
essa repulsa o lança de novo aos braços do vício. Se, porém, todos desconhecessem os seus
antecedentes, ele seria bem acolhido; e, se ele mesmo os esquecesse, poderia ser honesto e andar de
cabeça erguida, em vez de ser obrigado a curvá-la sob o peso da vergonha do que não pode olvidar.
Isto está em perfeita concordância com a doutrina dos Espíritos, a respeito dos mundos superiores ao
nosso planeta, nos quais, só reinando o bem, a lembrança do passado nada tem de penosa; eis por que
seus habitantes se recordam da sua existência precedente, como nós nos recordamos hoje do que
ontem fizemos.
        Quanto à lembrança do que fizeram em mundos inferiores, ela produz neles a impressão de
um mau sonho. (Páginas 114 a 117).

                       Do “LIVRO DOS ESPÍRITOS”, Parte 2a, Cap VII:

       392. Por que perde o Espírito encarnado a lembrança do seu passado?

        “Não pode o homem, nem deve, saber tudo. Deus assim o quer em sua sabedoria. Sem o véu
que lhe oculta certas coisas, ficaria ofuscado, como quem, sem transição, saísse do escuro para o
claro. Esquecido de seu passado ele é mais senhor de si”.

       393. Como pode o homem ser responsável por atos e resgatar faltas de que se não lembra?
Como pode aproveitar da experiência de vidas de que se esqueceu? Concebe-se que as tribulações da
existência lhe servissem de lição, se se recordasse do que as tenha podido ocasionar. Desde que,
porém, disso não se recorda, cada existência é, para ele, como se fosse a primeira e eis que então está
sempre a recomeçar. Como conciliar isto com a justiça de Deus?
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Espiritismo e Genética



        “Em cada nova existência, o homem dispõe de mais inteligência e melhor pode distinguir o
bem do mal. Onde o seu mérito, se se lembrasse de todo o passado? Quando o Espírito volta à vida
anterior (a vida espírita), diante dos olhos se lhe estende toda a sua vida pretérita. Vê as faltas que
cometeu e que deram causa ao seu sofrer, assim como de que modo as teria evitado. Reconhece justa
a situação em que se acha e busca então uma existência capaz de reparar a que vem de transcorrer”.
        “Escolhe provas análogas às de que não soube aproveitar, ou as lutas que considere
apropriadas ao seu adiantamento e pede a Espíritos que lhe são superiores que o ajudem na nova
empresa que sobre si toma, ciente de que o Espírito, que lhe for dado por guia nessa outra existência,
esforçará pelo levar a reparar suas faltas, dando-lhe uma espécie de intuição das em que incorreu.
Tendes essa intuição no pensamento, no desejo criminoso que freqüentemente vos assalta e a que
instintivamente resistis, atribuindo, as mais das vezes, essa resistência aos princípios que recebestes
de vossos pais, quando é a voz da consciência que vos fala. Essa voz, que é a lembrança do passado,
vos adverte para não recairdes nas faltas de que já vos fizestes culpados. Em a nova existência, se
sofre com coragem aquelas provas, e resiste, o Espírito se eleva e ascende na hierarquia dos Espíritos,
ao voltar para o meio deles”.
        Não temos, é certo, durante a vida corpórea, lembrança exata do que fomos e do que fizemos
em anteriores existências; mas temos de tudo isso a intuição, sendo as nossas tendências instintivas
uma reminiscência do passado. E a nossa consciência, que é o desejo que experimentamos de não
reincidir nas faltas já cometidas, nos concita à resistência àqueles pendores.

       394. (...) No esquecimento das existências anteriormente transcorridas, sobretudo quando
foram amarguradas, não há qualquer coisa de providencial e que revela a sabedoria divina? Nos
mundos superiores, quando o recordá-las já não constitui pesadelo, é que as vidas desgraçadas se
apresentam à memória. Nos mundos inferiores, a lembrança de todas as que se tenham sofrido não
agravaria as infelicidades presentes? Concluamos, pois, daí que tudo o que Deus fez é perfeito e que
não nos toca criticar-lhe as obras, nem lhe ensinar como deveria ter regulado o Universo.

        Gravíssimos inconvenientes teria nos lembrarmos das nossas individualidades anteriores. Em
certos casos, humilhar-nos-ia sobremaneira. Em outros nos exaltaria o orgulho, peando-nos, em
conseqüência, o livre-arbítrio. Para nos melhorarmos, dá-nos Deus exatamente o que nos é necessário
e basta: a voz da consciência e os pendores instintivos. Priva-nos do que nos prejudicaria.
        Acrescentemos que, se nos recordássemos dos nossos precedentes atos pessoais, igualmente
nos recordaríamos dos outros homens, do que resultariam talvez os mais desastrosos efeitos para as
relações sociais. Nem sempre podendo honrar-nos do nosso passado, melhor é que sobre ele um véu
seja lançado. Isto concorda perfeitamente com a doutrina dos Espíritos acerca dos mundos superiores
a Terra. Nesses mundos, onde só reina o bem, a reminiscência do passado nada tem de dolorosa. Tal a
razão por que neles as criaturas se lembram da sua anterior existência, como nos lembramos do que
fizemos na véspera. Quanto à estada em mundos inferiores, não passa, então, como já dissemos, de
mau sonho.

       395. Podemos ter algumas revelações a respeito de nossas vidas anteriores?

        “Nem sempre. Contudo, muitos sabem o que foram e o que faziam. Se se lhes permitisse dizê-
lo abertamente, extraordinárias revelações fariam sobre o passado”.

        396. Algumas pessoas julgam ter vaga recordação de um passado desconhecido, que se lhes
apresenta como a imagem fugitiva de um sonho, que em vão se tenta reter. Não há nisso simples
ilusão?


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Espiritismo e Genética

        “Algumas vezes, é uma impressão real; mas também, freqüentemente, não passa de mera
ilusão, contra a qual precisa o homem pôr-se em guarda, porquanto pode ser efeito de superexcitada
imaginação”.

      397. Nas existências corpóreas de natureza mais elevada do que a nossa, é mais clara a
lembrança das anteriores?

“Sim, à medida que o corpo se torna menos material, com mais exatidão o homem se lembra do seu
passado. Esta lembrança, os que habitam os mundos de ordem superior a têm mais nítida”.

       398. Sendo os pendores instintivos uma reminiscência do seu passado, dar-se-á que, pelo
estudo desses pendores, seja possível ao homem conhecer as faltas que cometeu?

       “Até certo ponto, assim é. Preciso se torna, porém, levar em conta a melhora que se possa ter
operado no Espírito e as resoluções que ele haja tomado na erraticidade. Pode suceder que a
existência atual seja muito melhor que a precedente”.

       a) Poderá também ser pior, isto é, poderá o Espírito cometer, numa existência, faltas que não
       praticou na precedente?

        “Depende do seu adiantamento. Se não souber triunfar das provas, possivelmente será
arrastado a novas faltas, conseqüentes, então, da posição que escolheu. Mas, em geral, estas faltas
denotam mais um estacionamento que uma retrogradação, porquanto o Espírito é suscetível de se
adiantar ou de parar, nunca, porém, de retroceder”.

       399. Sendo as vicissitudes da vida corporal expiação das faltas do passado e, ao mesmo
tempo, provas com vistas ao futuro, seguir-se-á que da natureza de tais vicissitudes se possa deduzir
de que gênero foi à existência anterior?

        “Muito amiúde é isso possível, por que cada um é punido naquilo por onde pecou. Entretanto,
não há que tirar daí uma regra absoluta. As tendências instintivas constituem indício mais seguro,
visto que as provas por que passa o Espírito o são, tanto pelo que respeita ao passado, quanto pelo que
toca ao futuro”.
        Chegado ao termo que a Providência lhe assinou à vida na erraticidade, o próprio Espírito
escolhe as provas a que deseja submeter-se para apressar o seu adiantamento, isto é, escolhe meios de
adiantar-se e tais provas estão sempre em relação com as faltas que lhe cumpre expiar. Se delas
triunfa, eleva-se; se sucumbe, tem que recomeçar
        O Espírito goza sempre do livre-arbítrio. Em virtude dessa liberdade é que escolhe, quando
desencarnado, as provas da vida corporal e que, quando encarnado, decide fazer ou não uma coisa e
procede à escolha entre o bem e o mal. Negar ao homem o livre-arbítrio fora reduzi-lo à condição de
máquina.
        Mergulhado na vida corpórea, perde o Espírito, momentaneamente, a lembrança de suas
existências anteriores, como se um véu as cobrisse. Todavia, conserva algumas vezes vaga
consciência dessas vidas, que, mesmo em certas circunstâncias, lhe podem ser reveladas. Esta
revelação, porém, só os Espíritos superiores espontaneamente lha fazem, com um fim útil, nunca para
a vã curiosidade.
        As existências futuras, essas em nenhum caso podem ser reveladas, pela razão de que
dependem do modo por que o Espírito se sairá da existência atual e da escolha que ulteriormente faça.
        O Esquecimento das faltas praticadas não constitui obstáculo à melhoria do Espírito,
porquanto, se é certo que este não se lembra delas com precisão, não menos certo é que a
circunstância de as ter conhecido na erraticidade e de haver desejado repará-las o guia por intuição e
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Espiritismo e Genética

lhe dá a idéia de resistir ao mal, idéia que é a voz da consciência, tendo a secundá-la os Espíritos
superiores que o assistem, se atende às boas inspirações que lhe dão.
        O homem não conhece os atos que praticou em suas existências pretéritas, mas pode sempre
saber qual o gênero das faltas de que se tornou culpado e qual o cunho predominante do seu caráter.
Bastará então julgar do que foi, não pelo que é, sim, pelas suas tendências.
        As vicissitudes da vida corpórea constituem expiação das faltas do passado e,
simultaneamente, provas com relação ao futuro. Depuram-nos e elevam-nos, se as suportamos
resignados e sem murmurar.
        A natureza dessas vicissitudes e das provas que sofremos também nos podem esclarecer
acerca do que fomos e do que fizemos, do mesmo modo que neste mundo julgamos dos atos de um
culpado pelo castigo que lhe inflige a lei. Assim, o orgulhoso será castigado no seu orgulho, mediante
a humilhação de uma existência subalterna; o mau-rico, o avarento, pela miséria; o que foi cruel para
com os outros, pelas crueldades que sofrerá; o tirano, pela escravidão; o mau filho, pela ingratidão de
seus filhos; o preguiçoso, por um trabalho forçado etc. (Páginas 214 a 220).



                      Do “EVANGELHO SEG. O ESPIRITISMO”, Cap. V:

        Item 11 - Em vão se objeta que o esquecimento constitui obstáculo a que se possa aproveitar
da experiência de vidas anteriores. Havendo Deus entendido de lançar um véu sobre o passado, é que
há nisso vantagem. Com efeito, a lembrança traria gravíssimos inconvenientes. Poderia, em certos
casos, humilhar-nos singularmente, ou, então, exaltar-nos o orgulho e, assim, entravar o nosso livre-
arbítrio. Em todas as circunstâncias, acarretaria inevitável perturbação nas relações sociais.
        Freqüentemente, o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo
relações com as mesmas pessoas, a fim reparar o mal que lhes haja feito. Se reconhecesse nelas as a
quem odiara, quiçá o ódio se lhe despertaria outra vez no futuro. De todo modo, ele se sentiria
humilhado em presença daquelas a quem houvesse ofendido. Para nos melhorarmos, outorgou-nos
Deus, precisamente, o de que necessitamos e nos basta: a voz da consciência e as tendências
instintivas. Priva-nos do que nos seria prejudicial.
        Ao nascer, traz o homem consigo o que adquiriu; nasce qual se fez; em cada existência, tem
um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi antes: se se vê punido, é que praticou o
mal. Suas atuais tendências más indicam o que lhe resta a corrigir em si próprio e é nisso que deve
concentrar-se toda a sua atenção, porquanto, daquilo de que se haja corrigido completamente,
nenhum traço mais conservará. As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, advertindo-o
do que é bem e do que é mal e dando-lhe forças para resistir às tentações.
        Aliás, o esquecimento ocorre apenas durante a vida corpórea. Volvendo à vida espiritual,
readquire o Espírito a lembrança do passado; nada mais há, portanto, do que uma interrupção
temporária, semelhante à que se dá na vida terrestre durante o sono, a qual não obsta a que, no dia
seguinte, nos recordemos do que tenhamos feito na véspera e nos dias precedentes.
        E não é somente após a morte que o Espírito recobra a lembrança do passado. Pode dizer-se
que jamais a perde, pois que, como a experiência o demonstra, mesmo encarnado, adormecido o
corpo, ocasião em que goza de certa liberdade, o Espírito tem consciência de seus atos anteriores;
sabe por que sofre e que sofre com justiça. A lembrança unicamente se apaga no curso da vida
exterior, da vida de relação. Mas, na falta de uma recordação exata, que lhe poderia ser penosa e
prejudicá-lo nas suas relações sociais, forças novas haure ele nesses instantes de emancipação da
alma, se os sabe aproveitar. (Páginas 104 e 105).
        Em que momento ocorre o esquecimento? - Mais uma vez o estudo do perispírito vai nos
ajudar a entender essa questão: Entre a ligação inicial do Espírito ao corpo no momento da concepção
e o nascimento, o Espírito vai se integrando no corpo físico durante toda a vida intrauterina e, quanto
mais se integra, menor capacidade vai tendo de agir como Espírito desencarnado: sua mente vai se
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Espiritismo e Genética



obscurecendo, a possibilidade de se afastar do corpo vai diminuindo. Vive uma espécie de
perturbação, de aprisionamento, até que seu relacionamento com o plano espiritual se reduz a zero –
esquecendo o passado.



                                          Bibliografia:

1.   O QUE É ESPIRITISMO, de Allan Kardec, Edição FEB, 6-1997;
2.   O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Edição FEB, 2-1994;
3.   O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Allan Kardec, Edição FEB, 8-1993;
4.   PERISPÍRITO E CORPO MENTAL, de Durval Ciamponi, Edições FEESP, 8-2000.




                                                                                                12
Espiritismo e Genética




                          IV. REENCARNAÇÃO E SUAS LEIS

        O termo “reencarnação” significa voltar à carne, tornar a nascer.
        Basicamente, a reencarnação admite sempre o aspecto evolutivo e presume retornos à vida
física em uma espiral crescente de aquisição de valores e experiências para o Espírito.
        A Doutrina Reencarnacionista não admite o retrocesso do Espírito. Os renascimentos devem
ocorrer dentro de uma mesma espécie, acompanhando a evolução da mesma. A própria presença do
Espírito na carne e seus retornos sucessivos, arquivando experiências, seria o fator impulsionador da
evolução das espécies.
        Nesse texto acima, de Di Bernardi, já percebemos a Justiça que há nas Leis da Reencarnação,
sempre com vistas ao progresso do Espírito.
        Em “O Livro dos Espíritos”, parte II, cap. IV, lemos, segundo a revelação dos Espíritos, que o
dogma da reencarnação se funda na Justiça de Deus: “Todos os Espíritos tendem para a perfeição e
Deus lhes faculta os meios de alcançá-la, proporcionando-lhes as provações da vida corporal. Sua
Justiça, porém, lhes concede realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir
numa primeira prova”.
        Ainda, segundo Kardec, nesse capítulo, Deus não condena para sempre os que erram, o que
nos mostra a sua bondade e justiça.
        O homem que tem consciência de sua inferioridade haure consoladora esperança na doutrina
de reencarnação...
Quem é que, ao cabo de sua carreira, não deplora haver tão tarde ganho uma experiência de que não
mais pode tirar proveito? Entretanto, essa experiência tardia não fica perdida: o Espírito a utilizará em
nova existência.
        Vejamos, agora, o mesmo assunto, sob a visão de Leon Denis, em “O Problema do Ser...”,
onde ele compara a lei dos renascimentos em toda a Natureza: “No suceder das estações do ano, nas
transformações das plantas e dos animais, tudo murcha para reflorir. Também o homem está ao
alcance desta lei: Tudo o que tem vivido, reviverá em outras formas, para evoluir e aperfeiçoar-se. A
Natureza não nos dá a morte senão para dar-nos a vida... Depois de cada vida terrestre, a alma ceifa e
recolhe, em seu corpo fluídico, as experiências e os frutos da existência decorrida. Assim, o ser
psíquico, em todas as fases de sua ascensão, encontra-se tal qual a si mesmo se fez. Somos herdeiros
de nós mesmos”.
        Os sofrimentos de toda espécie, físicos ou morais, que afligem a humanidade, formam duas
categorias: aqueles que o homem pode evitar e os que independem da sua vontade.
        Entre os primeiros se incluem os flagelos naturais.
        O homem, apreciando as coisas do ponto de vista de sua personalidade, dos interesses
factícios e convencionais que criou para si mesmo, não compreende os fenômenos da Natureza.
        Por isso se lhe afigura mau e injusto o que consideraria justo e admirável se lhe conhecesse a
causa.
        Pesquisando a razão de ser e a utilidade de cada coisa, verificará que tudo traz o sinal da
sabedoria infinita e se dobrará a essa sabedoria.
        Quanto maior o conhecimento adquirido pelo homem, menos desastrosos se tornam os
flagelos. Com uma organização sábia e previdente, conseguirá neutralizar-lhe as conseqüências.
        Assim, com referência até aos flagelos que têm certa utilidade para a ordem geral da Natureza
e para o futuro, mas que no presente causam danos, facultou Deus ao homem os meios de lhe
paralisar os efeitos.
        Temos como exemplo de reações do homem a flagelos naturais: saneamento de regiões
insalubres, imunização contra os miasmas pestíferos, fertilização de terras áridas e preservação contra

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Espiritismo e Genética



inundações, construção de habitações resistentes aos ventos e aos terremotos, desenvolvimento das
ciências que têm melhorado as condições de vida no planeta e aumentado o seu próprio bem-estar.
        “Tendo o homem que progredir, os males a que se acha exposto são um estimulante para o
exercício da sua inteligência, de suas faculdades físicas e morais, incitando-o a procurar os meios de
evitá-los. Se ele nada tivesse a temer, não seria induzido a procurar o melhor; o espírito se lhe
entorpeceria na inatividade; nada inventaria nem descobriria. A dor é o aguilhão que o impele para
frente, na senda do progresso”.
        “Porém os males mais numerosos são os que o homem cria pelos seus vícios que provêm do
seu orgulho, egoísmo, ambição, de seus excessos em tudo. Aí a causa das guerras e das suas
conseqüências, das dissensões, das injustiças da opressão do fraco pelo forte; da maior parte das
enfermidades. (...) Deus promulgou leis plenas de sabedoria, visando unicamente ao bem. (...) Se o
homem agisse rigorosamente de acordo com as leis divinas, que estão gravadas na sua consciência,
não há dúvida de que se pouparia dos mais agudos males, físicos ou morais”.
        “Entretanto, Deus, por sua bondade infinita, pôs o remédio ao lado do mal. Um momento
chega que o excesso do mal moral se torna intolerável e impõe ao homem a necessidade de mudar de
vida, procurando no bem o remédio sempre por efeito do seu livre-arbítrio. Como exemplo de
inobservância da lei, causando sofrimentos físicos, temos a Lei da Conservação: Deus pôs limite à
satisfação das necessidades; quem o ultrapassa, fá-lo voluntariamente; as doenças e a morte que daí
podem resultar são conseqüência da sua imprevidência”. (GÊNESE, de Allan Kardec, Cap. III, itens
5, 6 e 7).
        “Cumpre que haja o sofrimento físico e a angústia moral, para que o Espírito seja depurado;
limpe-se das partículas grosseiras. (...) Assim, a alma sobe de esfera em esfera, de círculos em
círculos, unida aos seres que tem amado; vai continuando as suas peregrinações, em procura das
perfeições divinas. Chegada às regiões superiores, está livre da lei dos renascimentos; a reencarnação
deixa de ser para ela obrigação para ficar somente ato de sua vontade, o cumprimento de uma missão,
obra de sacrifício”. (O Problema do Ser, do Destino e da Dor, de Léon Denis, Cap. XVIII, páginas
288/289).
        Eis aí um pouco dessa maravilhosa Lei de Justiça que governa os mundos e que Deus
inscreveu no âmago das coisas e na consciência humana.



                                            Bibliografia:

1. O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Edição FEB, 2-1994, Parte Segunda, Capítulo IV;
2. O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Allan Kardec, Edição FEB, Cap.V, nos 4, 5 e
   6;
3. A GÊNESE, de Allan Kardec, Edição FEB, 10-1992, Cap. III;
4. O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR, de Léon Denis, Edição FEB, Cap. XVIII;
5. REENCARNAÇÃO E EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES, de Ricardo di Bernardi, Liv. Edit.
   Universalista Ltda., 2a edição, 1947.




                                                                                                   14
Espiritismo e Genética




                           V. PLANEJAMENTO FAMILIAR

                          O planejamento familiar, na visão da Igreja.

       No Brasil, coerente com o alerta do Vaticano, Dom Lucas Moreira Neves, cardeal-arcebispo
de Salvador/BA e primaz do Brasil, considerou (no jornal “O Estado de São Paulo”, de 12-1-94) a
ousada clonagem humana realizada por Hall e Stillman um desafio à comunidade científica mundial e
às Igrejas Cristãs.Considera ele que, eventualmente benéfica à saúde humana, a intervenção da
ciência não prescinde de um componente ético, o que pode torná-la inconveniente e até inaceitável.
        Dentre estas intervenções, a moral cristã rejeita os métodos artificiais para o planejamento
familiar. A mesma moral, que aceita as técnicas de cura ou de melhoria de qualidade de vida, chama a
atenção contra as intervenções sobre as fontes da vida e, sobretudo, qualquer manipulação neste
terreno, o mais próximo da ação do Criador.
       “O dom da vida só a Deus pertence”, consigna.

                                     Métodos contraceptivos

   A posição católica sobre o item anterior é coerente com as seguintes manifestações, anteriores e
posteriores à experiência da clonagem humana:

   •   A Encíclica (carta solene, dogmática ou doutrinária, na qual o Papa se dirige aos bispos de
       todo o mundo e aos fiéis) Veritatis Splendor, o “Esplendor da Verdade”, de Ago/93. Nessa
       Encíclica, a Igreja condena a contracepção pelo uso de preservativos masculinos e a pílula
       anticoncepcional.

   •   A Congregação pela Doutrina da Fé (órgão do Vaticano, responsável pela fidelidade aos
       dogmas cristãos), desde 1987, condena qualquer tentativa ou hipótese que exclua o
       relacionamento sexual com o nascimento do ser humano.

   •   O Conselho Permanente da Conferência dos Bispos da França, em comunicação de Jan/94,
       condenou os atos que “suplantam a união do matrimônio”para a reprodução. Pelo
       comunicado, o método da fertilidade só será aceitável quando não suplante a união conjugal.
       Moralmente condena, por outro lado, o uso de óvulos ou espermatozóides de terceiros.
       (GENÉTICA E ESPIRITISMO, de Eurípedes Kühl).

                               Anticoncepcionais e Reencarnação:

        O controle da natalidade vem sendo executado desde os primórdios dos tempos. A civilização
humana sempre encontrou raízes ou ervas com as quais feiticeiros ou médicos procuraram interferir
no processo da concepção ou mesmo da gestação em curso.
        Mesmo aqueles casais avessos aos processos artificiais freqüentemente optam por “métodos
naturais”, evitando relacionamento sexual nos dias férteis, objetivando o mesmo resultado: a
limitação da natalidade. Teoricamente, em todos os casais haveria uma possibilidade de número
maior de filhos, caso não houvesse alguma forma de controle ou planejamento familiar. Esta
constatação nos leva a crer que há, na quase totalidade dos casais, alguma interferência por livre
iniciativa, sobre a natalidade de seus filhos.
                                                                                                 15
Espiritismo e Genética


        Em face do exposto, o bom senso leva a nos posicionar realisticamente, sem, no entanto,
perdermos a visão idealística. Nós, seres humanos, já conquistamos o direito da liberdade de decidir,
evidentemente com a responsabilidade assumida pelo livre arbítrio. O homo sapiens já possui a
possibilidade de escolher a rota de seu progresso, acelerando ou reduzindo a velocidade de seu
desenvolvimento espiritual. Somos os artífices da escultura de nosso próprio destino.
        Nas informações que são colhidas, psicográfica ou psicofonicamente, os Espíritos nos expõem
da planificação básica de nossa vida aqui na Terra, projeto desenvolvido antes de reencarnarmos. Se é
verdade que os detalhes serão aqui por nós construídos, o plano geral foi anteriormente elaborado no
mundo espiritual, freqüentemente com nossa aquiescência. Desta planificação básica, consta o
número de filhos.
        Se um determinado casal deveria receber quatro filhos na sua romagem reencarnatória e não o
fez, pelo uso das pílulas anticoncepcionais, ou outro método bloqueador da concepção, ficará com a
carga de responsabilidade a ser cumprida. Não se permitiu a complementação da tarefa a que se
propôs antes de renascer. A grande questão que surge é com relação às conseqüências advindas da
decisão de limitar a natalidade dos filhos. Sabemos que há uma transferência do compromisso
estabelecido, para outra encarnação.
        Sucede, muitas vezes, que esta decisão de postergar compromissos determina a necessidade de
um replanejamento espiritual, com relação àqueles designados à reencarnação num determinado lar.
Podem os mesmos obter “novos passaportes”, surgindo como netos, filhos adotivos ou outras vias de
acesso elaboradas pela Espiritualidade Maior. Ocorrerá, nestes casos, a necessidade de um
preenchimento da lacuna de trabalho que se criou ao se impedir a chegada de mais um filho.
        O trabalho construtivo, consciente ou inconscientemente desenvolvido, para a substituição do
compromisso previamente assumido, poderá compensar pelo menos parcialmente a dívida adiada.
Qualquer débito cármico poderá ser sanado ou apagado por potenciais positivos, às vezes bem
diversos dos setores daqueles que originaram as reações. No entanto, o labor amoroso na área mais
específica da maternidade e infância carente, é naturalmente mais indicado para a harmonização das
energias tornadas deficientes nesta área.
        Se o ideal é que cumpríssemos o plano de vida preestabelecido, é também quase geral o fato
de que, neste planeta, a maioria não logra êxito na execução total de suas tarefas. Resta-nos a
necessidade de consultar honestamente a consciência, pois, pela intuição ou sintonia com nosso eu
interno, encontraremos as respostas a dúvidas (ou dívidas) particulares neste mister.
        É constatação evidente o fato de, normalmente, não nos recordarmos dos planos previamente
traçados, mas é verdadeiro também que freqüentemente fazemos “ouvido de mercador” aos avisos
que nosso inconsciente nos transmite. Não esperemos respostas prontas ou transferência de decisão
para quem quer que seja; afinal estamos ou não lutando para fugir das mensagens dogmáticas, do
“isto é permitido”, isto não é. Cada casal deverá valorizar o mergulho no seu inconsciente, sentir,
meditar e, das águas profundas do seu espírito, trazer à superfície a sua resposta... (GESTAÇÃO,
SUBLIME INTERCÂMBIO, de Ricardo Di Bernardi).

                                    A Laqueadura de Trompas

       Ao nos referirmos a esta temática, consideraremos as digressões aqui feitas extensivas à
situação correspondente no organismo masculino. A vasectomia, processo que no homem visa a
interromper o fluxo de espermatozóides em direção ao exterior, também segue a mesma linha de
raciocínio a ser exposto.
       Há, sem dúvida, indicações médicas muito definidas e claras no que tange à ligadura de
trompa: situações onde o risco de uma nova gestação é bastante elevado, podendo determinar o óbito
da mulher. Ressalvam-se aqui os casos onde uma pseudo-situação é criada, consciente ou
inconscientemente, tanto pelo profissional como pela mulher, que na realidade procuram uma razão
que justifique a decisão prévia.

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Espiritismo e Genética


        O percentual mais expressivo das laqueaduras de trompas é, sem dúvida, por motivo de
planejamento familiar. Observa-se uma crescente permissividade nas indicações cada vez mais
precoces e com menor número de filhos. Não nos referimos especificamente a um país ou região, mas
ao contexto planetário, onde a situação é preocupante.
        As lesões ou mutilações aceitas por nós, ou ainda, consentidas e estimuladas pelo cônjuge, hão
de trazer repercussões a médio e longo prazo. O corpo espiritual registra as alterações e
automaticamente surgirão conseqüências, neste ou outras encarnações, ligadas à esfera atingida.
Fragilidades orgânicas, predisposições a patologias e dificuldades na área da fertilidade poderão ser
algumas situações a ser observadas naquelas que no passado optaram por esta intervenção.
        Importante, também, é que cada caso seja de per si analisado, pesando-se os inúmeros fatores
envolvidos. Não há como se colocar em um mesmo grupo situações diametralmente opostas do ponto
de vista sócio-econômico, cultural ou ético.
        A ligadura de trompas, efetuada preventivamente em uma mulher que sistematicamente aborta
ao engravidar e afirma irá abortar sempre que engravide, não poderá ter o mesmo nível de
conseqüência cármica de outra que simplesmente diz ao médico não desejar ter filhos pelo prazer de
conviver exclusiva e egoisticamente com seu companheiro. As circunstâncias de miserabilidade,
patologias mentais e outras, de naturezas diversas, em mães de prole numerosa, reduzem o efeito
desarmonizador da ligadura de trompas.
        Não pretendendo legitimar ou estimular as intervenções cirúrgicas nesta área, cumpre-nos, no
entanto, o dever de salientar que o livre-arbítrio sempre será respeitado como direito do ser humano.
No tocante aos graus de débito cármico, é importante ter-se em mente que a mínima ou grave
conseqüência estará relacionada à intencionalidade que move todos os envolvidos no processo.
(GESTAÇÃO, SUBLIME INTERCÂMBIO, de Ricardo Di Bernardi, pág. 203/204).

                                    O Apoio da Saúde Pública

         No Estado do Rio de Janeiro, a rede de saúde pública (SUS) já oferece assistência gratuita
para a ligadura das trompas, conforme reportagem publicada no Jornal “Extra” de 6 de junho de
1998. A partir dessa data, com a entrada em vigor da Lei número 9263, já podem ser feitas ligaduras
de trompas em mulheres com mais de 25 anos de idade e com no mínimo dois filhos. Os critérios
para a operação são determinados pelo Ministério da Saúde. Os hospitais, no entanto, antes da
cirurgia, devem informar sobre outros métodos anticoncepcionais e oferecê-los de graça. A
esterilização deve ser a última opção e não ser o principal método contraceptivo, diz Janine Shirmer,
da área da Mulher no Ministério da Saúde.
         Existe estatística sobre o assunto: 52% das mulheres que fazem cesariana ligam as trompas.
Agora é proibido fazer a laqueadura no parto, devendo ser respeitado o prazo mínimo de 60 dias.
         Com essa lei, a ligadura torna-se acessível aos mais pobres. Porém, a operação só é indicada
para mulheres que não podem utilizar outro método contraceptivo ou que correm risco de vida numa
próxima gravidez, esclarece o ginecologista e professor de obstetrícia da UFF, Dr. Jacob Arkasder.


                                            Bibliografia:

1. GENÉTICA E ESPIRITISMO, de Eurípedes Kühl, Edição FEB, 6-1997, páginas 77 e 78;
2. GESTAÇÃO, SUBLIME INTERCÂMBIO, de Ricardo di Bernardi, Liv. Edit. Univ. Ltda., 7-
   1997, páginas 199 a 201 e 203 a 204.




                                                                                                   17
Espiritismo e Genética


                                          MANIFESTO

       Manifesto elaborado pelo Dr PAULO CURI, sob a inspiração de seus amigos espirituais e
fruto de sua decepção com relação à crise de má orientação sexual por que passa o nosso país e a
Humanidade.
       A conjuntura sócio-econômica atual é patrocinadora desta mídia que abertamente bombardeia
nossas crianças com apelos eróticos e demonstrações explícitas de sexo. É um contra-senso, e um
flagrante desequilíbrio mental e espiritual, proibir, procrastinar, adiar, olvidar ou esconder as
informações relativas à educação sexual aos nossos jovens adolescentes e às nossas crianças em
qualquer idade.
       Se a pretensão é não despertar precocemente sexualidades, estamos trocando conhecimentos
com bases cristãs e com responsabilidade, que o lar pode oferecer, por “cultura de lixo” encontrável
em qualquer esquina da vida, atitude ignóbil sob qualquer ponto de vista.
       Vivemos sob a égide de antigos usos e costumes e convivemos com uma fase social
revolucionária, fase de mudanças. Entretanto, nosso orgulho, nossa ignorância e nosso egoísmo não
nos deixam enxergar que estes fatores são preponderantes no aumento exagerado dos casos de
DST/AIDS, gravidez indesejada e, acima de tudo, abortos criminosos, que levam, na maioria dos
casos, ao desencarne prematuro Espíritos que muito contribuiriam no desenvolvimento da
Humanidade.
       Responderemos por nossa omissão!




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Espiritismo e Genética



                       VI. O ABORTO, VISÃO CIENTÍFICA

                                            OBJETIVOS

   1. Transmitir conhecimentos básicos sobre abortamento, suas características, forma de
      diagnóstico, condutas terapêuticas e prognóstico.

   2. Tecer comentários sobre o ponto de vista legal e suas implicações sociais. Ainda, relacionar
      os malefícios advindos ao corpo físico e ao corpo espiritual.

   3. Fornecer subsídios para a compreensão do tema sob a ótica da Codificação da Doutrina
      Espírita, segundo Allan Kardec.


                                         VISÃO TÉCNICA

       1. INTRODUÇÃO

        O termo “aborto” origina-se da palavra latina “aboriri”, que significa “expulsar o feto sem que
ele tenha condições de vitalidade”.
        De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), considera-se abortamento a
expulsão ou extração de feto ou embrião que pese menos de 500g (idade gestacional aproximada de
20 a 22 semanas), ou de qualquer outro produto da gestação, de qualquer peso e especificamente
designado, independentemente da idade gestacional, tenha ou não sinal de vida e seja ou não
espontânea ou induzida.

       2. HISTÓRICO

   •   China - relata ocorrências 3.000 anos a.C.
   •   Egito - 1.550 anos a.C., o Código Hamurabi já previa punições a quem praticasse aborto;
   •   Platão - recomendava a mulheres que engravidassem após 40 anos de idade;
   •   Hipócrates - recomendava exercícios violentos a quem desejasse praticar aborto;
   •   Aristóteles - recomendava aborto como controle da natalidade;
   •   Sócrates - recomendava às parteiras facilitarem o aborto às mulheres que desejassem realizá-
       lo;
   •   Roma - era comum, mas variava o grau de recriminação de acordo com a época; era também
       usado como método anticoncepcional;
   •   Europa - a partir do século XIX, o aborto induzido assumiu proporções preocupantes e vários
       países adotaram leis restritivas;
   •   E.U.A. - o aborto foi legalizado em 1973;
   •   Brasil - o aborto só é permitido quando há ameaça à vida da mulher e em gravidez resultante
       de violência sexual.

       Em 1982, 39% da população mundial vivia em países com legislação liberal acerca do aborto;
25% vivia em países com legislação que autorizava o aborto por razões médico-sociais; 8% vivia em
países onde o aborto era autorizado por motivos amplos; e apenas 28% da população do mundo vivia
em países onde o aborto era totalmente ilegal ou permitido somente para salvar a vida da mãe.

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Espiritismo e Genética

       3. NIDAÇÃO

       Em torno de 6 a 7 dias, após a fertilização, inicia-se o processo de implantação do embrião.
Neste momento ocorre a adesão do trofoblasto ao epitélio uterino e sua penetração na decídua
materna e nas artérias espiraladas. As células maternas e fetais ficam lado a lado, dentro da decídua,
sem, porém, ocorrer efeitos deletérios para ambas as partes. Na decídua, durante o primeiro trimestre
da gestação, e no endométrio de mulheres não grávidas, durante a fase secretora tardia, predomina
uma população de linfócitos granulares grandes (LGL). Eles têm importante papel no controle da
implantação e na transformação da vasculatura uterina pelo trofoblasto.




       4. DIAGNÓSTICO

       História clínica; sinais subjetivos; sinal cardinal (sangramento vaginal - uma entre quatro
gestantes apresentam sangramento no início da gestação e, destas, metade abortam); toque vaginal;
BHCG e ultra-sonografia.
       Em caso de ameaça de abortamento, clinicamente, temos: colo uterino impérvio, ausência de
atividade contrátil e dolorosa. Destas, 30 a 40% abortam.

       5. CLASSIFICAÇÃO

       a) De acordo com a casualidade:

        Espontâneo - interrupção natural da gravidez, antes de 20 semanas de gestação e não há
nenhum precipitante do quadro. Pode ser fato isolado ou habitual. Estima-se que 40% dos embriões
humanos não conseguem completar a nidação; 15% de todas as gestações terminam espontaneamente
entre a 4a. e a 20a semana.

       Induzido - é aquele em que ocorre ação deliberada para interromper a gestação e pode ser
terapêutico, eletivo, criminoso ou ilegal.

       b) De acordo com a idade gestacional:

       Precoce - antes da 12a semana.(3/4 dos abortos clinicamente)
       Tardio - entre a 12a. e a 20a semana.
       c) De acordo com estado clínico:

       Evitável e inevitável; completo, incompleto e retido; séptico e asséptico.


        6. ETIOLOGIA


      a) Genética - atinge 3 a 5% dos casais. É a causa mais freqüente dos abortos precoces. Atinge
50% dos abortos espontâneos. O mais comum é translocação balanceada dos genes.

       b) Anatômica - (1) congênita. Exemplo: septo uterino, útero hipoplásico etc; (2) adquirida
(sinéquias, incompetência istmo-cervical, leiomiomas, endometriose etc).

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Espiritismo e Genética

       c) Hormonais - uma das mais freqüentes (insuficiência lútea, hipotireoidismo, diabete
“melittus”, desordem androgênica, desordem prolactina, elevação luteotrófica (LH), próprio de
ovários policísticos).

       d) Infecção materna - doença infecciosa sistêmica, como pneumonia, peritonite, febre tifóide,
pielonefrite aguda, rubéola, varíola, malária, toxoplasmose, hepatite e outras. É freqüente nas
adolescentes grávidas.

       e) Alterações metabólicas - hiperhomocisteina (deficiência de várias fases do metabolismo)

       f) Alterações vasculares e hematológicas - fator V de Leiden.

       g) Imunológicas - o feto, pelos seus antígenos de origem paterna, representa algo “estranho”
ao organismo materno e suscita uma resposta imune. Fatores supressores da resposta imunitária:
prostaglandina E2, fator de crescimento tumoral, progesterona e outros são desencadeados.

        h) Externos - Tabaco (riscos 2 vezes maior), álcool, irradiação (5 rads ou mais), toxinas
ambientais, gases anestésicos, arsênico, chumbo, benzeno, óxido de etileno etc. Também incidem
fatores como: exercícios físicos, viagens, trabalho exaustivo, traumatismo físico, emoções, coito etc.

       i) Idade materna - (1) avançada (alterações citológicas sofridas pelos folículos ovarianos
primários; (2) adolescente (estima-se que, entre 25 a 30% das mulheres que dão à luz no Brasil, têm
menos de 19 anos de idade)). É consenso que quanto menor a idade da gestante maior é o índice de
hipertensão, de eclampsia, de prematuridade, de baixo peso do recém-nascido e abortamento, desde
que não haja acompanhamento eficiente em serviço de pré-natal adequado. É observado um grande
número de cesáreas por desproporção céfalo-pélvica.

       j) Gemelidade - o abortamento e o parto prematuro são mais freqüentes na prenhez múltipla.

        k) Gravidez ectópica - é a nidação e desenvolvimento do ovo em qualquer ponto fora da
cavidade do corpo uterino. Dependendo da natureza do serviço que apresentam seus dados, sua
freqüência é de 1/40 a 1/400. Risco global: 0,3%. Recidiva contralateral: 10 a 15% de toda gestação.
20% ocorre em nulíparas. É de 7 a 8 vezes maior em mulheres que fizeram tratamento por problemas
de esterilidade e tem grande incidência em mulheres que usam o DIU como método anticoncepcional.
Podem ser classificadas em tubárias, ovarianas, abdominais e cervicais.

       Etiologia: Anormalidade das trompas; Anomalias ovulares intrínsecas; Focos de
endometriose (endossalpinge - ovário - peritônio); Doença inflamatória pélvica; Divertículos
tubários; Trompas hipoplásicas; Pólipos tubários; Tumores; Cirurgias pélvicas etc.

       Evolução clínica: É raro a trompa suportar gestação a termo e mais raro ainda manter o feto
vivo. Regra geral é resolução espontânea assintomática. Abortamento tubário, ruptura tubária ou
implantação secundária, são outras formas clínicas que ocorrem geralmente entre a metade do 2o. e o
término do 3o. mês.

       l) Mola ou Mola Hidatiforme - anomalia ovular em que parte ou a totalidade das vilosidades
assumem o aspecto de vesículas e em que, na maioria das vezes, o concepto está ausente ou se
encontra reduzido a restos desintegrados.

      Coriomas benignos ou mola: há gradual desaparecimento dos elementos celulares e
degeneração das fibras colágenas, que se fragmentam e tendem a se esmaecer.
                                                                                                   21
Espiritismo e Genética


      Corioadenoma: também designado “chorioadenoma destruens” - mola invasora - em que
uma ou mais vilosidades coincidentes com ou seguidas de degeneração molar, invadem o miométrio.

       Coriocarcinoma - constituído por trofoblasto essencialmente maligno.

Por coriocarcinoma devemos entender as ectopias trofoblásticas não-vilosas.

       6. TRATAMENTO

  Evitáveis - tratamento médico adequado; a seguir, pré-natal adequado.

  Inevitáveis - tratamento cirúrgico de acordo com a etiologia.


       7. PROGNÓSTICO

       É reservado e depende do diagnóstico.


                                    VISÃO DOUTRINÁRIA

       Allan Kardec inseriu no “Livro dos Espíritos” algumas perguntas, ao Plano Espiritual, que nos
fazem apelar para um raciocínio assaz versátil para podermos entender até onde o Codificador queria
que chegássemos.
       Vejamos:

       •      L.E., 344 - Em que momento a alma se une ao corpo?

       Resposta: - “A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento”...

       Comentários: A retirada de um feto, em qualquer época da gestação, caracteriza um aborto.

       •      L.E. 356 - Entre os natimortos alguns haverá que não tenham sido destinados à
encarnação de Espírito?

       Resposta: - “Alguns há, efetivamente, a cujos corpos nunca nenhum Espírito esteve destinado.
Nada tinha que se efetuar para eles. Tais crianças então só vêm por seus pais”.

       •      L.E.356-a - Pode chegar a termo de nascimento um ser dessa natureza?

       Resposta: - “Algumas vezes; mas não vive”.

        Comentários: A idéia fixa da candidata à mãe, em engravidar, produz uma auto-obsessão,
criando um molde mental que fornece a forma energética para as células se desenvolverem intra-útero
e, de acordo com André Luiz, em “Ação e Reação”, o planejamento reencarnatório ocorre para uma
minoria. O processo realmente obedece às leis biológicas e à lei da afinidade. Ainda, nas vezes em
que não chegou a termo, ocorreu evidentemente um aborto natural.


   •   L.E. 358 - Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação?
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Espiritismo e Genética



      Resposta: - “Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja,
cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede
uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando”.

   •   L.E. 359 - Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela,
       haverá crime em sacrificar-se à primeira para salvar a segunda?

       Resposta: “Preferível é se sacrificar o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe”.

        Comentários: Ainda não tivemos a chance de nos depararmos com um caso destes. Entretanto,
nestas circunstâncias, o Plano Superior nos orienta a uma análise bem judiciosa e, pela prece, colocar-
nos acessíveis às orientações de nossos guias espirituais.


                                     INTERAÇÕES MENTAIS

        O ser humano é dotado de imenso potencial energético. Mobilizando esta força psicocinética,
a gestante pode interferir nas ligações intrínsecas entre o espírito reencarnante e seu embrião. Se esta
interferência for de amor, a gravidez se desenrolará a contento. Se, porém, for de rejeição, há sério
risco de ocorrer aborto, aparentemente classificado de espontâneo.
        Há de se considerar, também, a ação nefasta que determinados pais exercem sobre o concepto,
seja ela direta com referência à mãe, seja indireta, criando embaraços psíquicos, através do sono, ao
espírito reencarnante.
       Numa similitude ao nosso temor à morte, determinados Espíritos temem deixar uma situação
que lhes parece estável, no mundo espiritual, para usufruir novamente, na matéria, de oportunidades
de crescimento, embora aprisionando ou anestesiando suas conquistas do passado. Neste momento
retraem-se, aflora um medo do desconhecido ou medo de nascer e fracassar. Buscam, então, a solução
no aborto espontâneo, mobilizando suas forças mentais.


                                  A TRAJETÓRIA DO ESPÍRITO

        O Espírito imortal, em sua trajetória rumo ao progresso, utiliza o corpo material para
purificação, progresso moral e intelectual, asas indispensáveis no vôo ao infinito do conhecimento.
       O exercício do aprendizado requer a reencarnação, neste ou em outros mundos, dos milhares
criados pelo nosso Pai.
      As moléculas perispirituais, a fim de se ajustarem àquela primeira molécula física,
condensam-se previamente.
        No terço médio do tubo falopiano, surge à nave que transportará este ser imortal durante anos
e anos, patrocinando-lhe meios de expiar suas mazelas, adquiridas nos milhares de vezes que por aqui
passou. Também é a oportunidade de provar a aptidão de vivenciar novas conquistas em outras searas
celestiais.
      No instante em que é penetrado o gameta feminino pelo masculino (fecundação), o espírito
também se conjuga a esta microscópica célula, arcabouço do futuro corpo material.
       De uma única célula, subdividindo-se incessantemente, surge um amontoado de matéria sem
forma definitiva. Gradativamente, entretanto, fixará o perfil humano.

                                                                                                       23
Espiritismo e Genética


        O embrião, de movimentos curtos, suaves e batidas cardíacas débeis, evolui incessantemente
para, próximo ao nascimento, apresentar movimentos mais largos, mais vigorosos. Estará, desde
então, revestido de células, órgãos e aparelhos amadurecidos, propícios para pleno funcionamento no
ambiente externo.
       Um trabalho digno do mais requintado artista e, no entanto, fenômeno repetitivo há milhões
de anos.
      As células, durante a existência, cambiam-se em diferentes intervalos de tempo. Entretanto,
mantêm constante a arquitetura primitiva gravada no perispírito.
       Não é justo que tudo se acabe, prematuramente, na ponta de um instrumento cruel, manejado
por um profissional assassino, frio e inconseqüente!



                                          Bibliografia:


1. APONTAMENTOS, do Doutor Paulo Cury, da AME-Rio e do CELD;
2. O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Edição FEB;
3. VIDA E SEXO, de F.C.Xavier-Emmanuel, Edição FEB;
4. GESTAÇÃO, SUBLIME INTERCÂMBIO, de Ricardo di Bernardi, 5a. edição;
5. SEXO E DESTINO, de F.C.Xavier e Waldo Vieira-André Luiz, Edição FEB;
6. AÇÃO E REAÇÃO, de F.C.Xavier-André Luiz, Edição FEB;
7. OBSTERÍCIA, de F.C.Grelle, 2a. edição;
8. BSTETRÍCIA, de Jorge Resende, 2a. edição;
9. PRENHEZ ECTÓPICA, da Enciclopédia Méd. Brás., por Luiz Fernando C.O.Braga;
10. ABORTAMENTO, GO Dez.1999, por Diógenes Basegio e col;
11. ABORTAMENTO RECORRENTE, GO Set.1998, por Sulani S. de Souza e col..




                                                                                                24
Espiritismo e Genética



               VII. O ABORTO E A LEI DE CAUSA E EFEITO


       Constitui crime a provocação do aborto em qualquer período da gestação?

       “Há crime sempre que transgredis a Lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá
crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma
de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando”. (LE 358).

                              A programação de uma nova existência
:
        Criamos projetos, aventamos sugestões, articulamos providências e externamos votos
respeitáveis, englobando-nos com eles em salutares compromissos que, se observados, redundarão
em bênçãos substanciais para todo o grupo de corações a que se nos vincula a existência. (VIDA E
SEXO).
        “(...) Serei igualzinho a você, mamãe, em beleza e porte físico. Meus olhinhos serão idênticos,
meus lábios suaves e cabelos macios se igualarão aos seus, porque tudo está determinado no gene
hereditário”...
        “Sabe mamãe, foi muito difícil este nosso encontro; se não fosse a presença de Deus nas mãos
de nossos irmãos espirituais elevados, não haveria possibilidade de aproximarmo-nos e de eu nascer
de seu ventre...”. (PIEDADE).
        Exemplo: a reencarnação de Segismundo.
        “Entre ambas a classes (os superiores e os inferiores), porém, contamos com milhões de
Espíritos, medianos na evolução, portadores de créditos apreciáveis e dívidas numerosas, cuja
reencarnação exige cautela de preparo e esmero de previsão”.
        “Institutos de escultura anatômica funcionam, por isso, no Plano Espiritual, brunindo formas
diversas, de modo a orientar os mapas ou prefigurações do serviço que aos reencarnantes competirá
mais tarde atender”.
        “Corpos, membros, órgãos, fibras e células são aí esboçados e estudados, antes que se definam
os primórdios da re-materialização terrestre, porque, nesses casos, em que a alma oscila entre méritos
e deméritos, a reencarnação permanece sob os auspícios de autoridades e servidores da Justiça
Espiritual que administra recursos a cada aprendiz da sublimação, de acordo com as obras edificantes
que lhes constem o currículo da existência”.
        “Por isso, os candidatos à reencarnação, sem superioridade suficiente de modo a supervisioná-
la com o seu próprio critério e distantes da inferioridade primitivista que deles faria escravos
absolutos da herança física, são admitidos a instituições-hospitalares em que, magnetizadores
desencarnados, bastante competentes pela nobreza íntima, se incumbem de aplicar-lhes fluidos
balsamizantes que os adormecem, por períodos variáveis, de conformidade com a evolução moral que
enunciem, a fim de que os princípios psicossomáticos se adaptem a justo restringimento, em bases de
sonoterapia”.
         “Desse modo, regressam ao berço humano nas condições precisas, recolhidos a novo corpo,
qual operário detentor de virtudes e defeitos a quem se concede novo uniforme de trabalho e nova
oportunidade de realização”.
         “Paternidade e maternidade, raça e pátria, lar e sistema consangüíneo são conjugados com
previdente sabedoria para que não faltem ao reencarnante todas as possibilidades necessárias ao êxito
no empreendimento que se inicia. (...) Às vezes, deve sofrer mutilações e enfermidades benéficas,
inibições e dificuldades orgânicas de caráter inevitável, porque, de aprendizado a aprendizado e de
tarefa a tarefa, quanto o aluno de estágio a estágio para as grandes metas educativas, é que se
levantará, vitorioso, para a ascensão Imortalidade Celeste”. (EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS).
                                                                                                    25
Espiritismo e Genética


       “O Espírito quando está em processo de reencarnação, em muitos casos, mantém a sua
consciência e guarda em sua memória espiritual os momentos marcantes pelos quais passa”.
        “Esse é um aspecto fundamental para o encarnado compreender bem o significado da
formação da vida e dos atos de amor que os pais devem transmitir aos filhos durante os meses
gestacionais”. (MINHA VIDA EM GESTAÇÃO, Apresentação).

                          Abortamento criminoso e suas conseqüências

a) PARA O ABORTADO:

   • decepção, frustração, tristeza;
   • rancor e vingança;
   • dor pela mutilação;
   • obsessão.

b) PARA A GESTANTE:

   •   a maior responsável por esta falta;
   •   mesmo que subjugada, a palavra final é dela;
   •   existem muitos caminhos, mesmo que pedregosos e existem muitas alternativas e apoios,
       mesmo que só dos amigos desencarnados;
   •   desajustes das energias psicossomáticas com mais penetrante desequilíbrio do centro
       genésico, implementando nos tecidos da própria alma a sementeira de males que frutescerão
       mais tarde;
   •   remorso e culpa ==> víbora magnética;
   •   vibração de angústia, revolta e vingança dos Espíritos abortados, culminando em processo
       obsessivo;
   •   conseqüências imediatas no corpo físico: rupturas, infecção, hemorragias e até o desencarne.

       Desequilíbrio do centro genésico:

   •   toxemias gravídicas;
   •   alterações na produção de muco pelas células ciliadas das trompas não conduzindo o óvulo;
   •   deficiência hormonal do ovário;
   •   gravidez ectópica;
   •   heterotopia;
   •   hemorragias;
   •   placenta prévia;
   •   descolamento prematuro da placenta;
   •   hipocinesia uterina, germicultura e infecção puerperais;
   •   salpingite tuberculosa;
   •   anexites, abscessos;
   •   dismenorréias;
   •   tumores.

       Desequilíbrio do centro cardíaco:

   •   síndromes circulatórias na gravidez;
   •   insuficiência cardíaca;
                                                                                                   26
Espiritismo e Genética


   •   gviciação do centro cardíaco em conseqüência de aborto calculado, seguido de disritmia das
       forças psicossomáticas que regulam o eixo elétrico do coração.

       Desequilíbrio no centro cerebral:

   •   modificação de personalidade;
   •   esquizofrenia;
   •   depressão;
   •   efeito de culpa e remorso ou ação obsessiva.

c) PARA O PAI:

   •   moléstias testiculares, logo na encarnação seguinte;
   •   distúrbios hormonais;
   •   distúrbios mentais, secundários à obsessão.

d) PARA OS AUTORES ESPIRITUAIS:

(Familiares, amigos, torcedores).
       Conseqüências semelhantes às citadas anteriormente.

e) PARA OS PROFISSIONAIS DA SAÚDE:

(Enfermagem, ginecologistas e obstetras delinqüentes).
       Conseqüências semelhantes. (NOSSO LAR, Cap. 31 - Vampirismo).

                        CAUSAS - CULPA - PUNIÇÃO – REPARAÇÃO

       Alguns exemplos: (Do livro PIEDADE - “Os abortados”):
       a vergonha, cap. 73;
       o desertor, cap. 53.

A CULPA

       Do livro PSICOLOGIA E ESPIRITUALIDADE, página 141:
   •   sanção interna por algo feito em desacordo com princípios pré-estabelecidos;
   •   atitude, idéia ou sentimento em desacordo com as Leis de Deus;
   •   como o indivíduo se posiciona face às influências da cultura e do meio social (relatividade);
   •   impressão da responsabilidade que se assume diante de uma ocorrência passada, sem ter, no
       entanto, a coragem de resolvê-la.

PUNIÇÃO

   •   Libertar-se da culpa é colocar-se diante das conseqüências dos atos com a disposição de
       resolvê-los corajosamente;
   •   Não basta o arrependimento (primeiro) nem a realização de outro ato compensativo
       (segundo), pois o trabalho de reparação requer retornar-se às causas geradoras do que foi
       feito.


                                                                                                 27
Espiritismo e Genética


A REPARAÇÃO

     •   O processo de reparação não é punitivo ou compensatório, mas sempre educativo;
     •   O trabalho de reparação dos equívocos cometidos, conscientemente ou não, pode ser feito sem
         que o Espírito venha a sofrer.

         Para tanto, deve:
     •   formular detalhadamente o equívoco cometido;
     •   enumerar todas as razões pessoais, sejam condenáveis ou não, que levaram ao ato;
     •   enumerar outras maneiras que poderiam ter sido utilizadas para a realização daquele ato;
     •   identificar atitudes, pensamentos e sentimentos que gostaria de evitar fazer de novo;
     •   verificar em que leis espirituais tropeçou;
     •   estabelecer um plano exeqüível em que você agora aja, de acordo com cada lei que contrariou
         por atuação indevida ou desconhecimento;
     •   submeter suas conclusões a outra pessoa.

A CULPA pode levar a um processo facilitador da obsessão:


     Culpa ==> autopunição ==> autoperdão ==> autodesculpa ==> confissão a nós mesmos, a
alguém e a Deus.
     Ainda segundo André Luiz: “- Sabemos que é possível renovar o destino todos os dias. Quem
ontem abandonou os próprios filhos, pode hoje se afeiçoar aos filhos alheios, necessitados de carinho
e abnegação”.
     O próprio Evangelho do Senhor, na palavra do Apóstolo Pedro, adverte-nos quanto à
necessidade de cultivarmos ardente caridade uns para com os outros, porque a caridade cobre a
multidão de nossos males.

                                            Bibliografia:

1.   O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Edição FEB, 2-1994, Q. 358;
2.   PSICOLOGIA EESPIRITUALIDADE, de Adenauer Novaes, página 141 (A Culpa);
3.   MINHAVIDA EM GESTAÇÃO, (Apresentação);
4.   NOSSO LAR, de F.C.Xavier-André Luiz, Edição FEB, Cap. 31;
5.   EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS, de F.C.Xavier-André Luiz, Edição FEB, 2a. parte;
6.   PIEDADE (Os Abortados);
7.   VIDA E SEXO, de F.C.Xavier-Emmanuel, Edição FEB, cap.17.




                                                                                                  28
Espiritismo e Genética


                                     VIII. AS DOENÇAS


       Questões para serem meditadas:


   •   O que é doença?
   •   O que é cura?
   •   A doença está no corpo físico? - Às vezes? - Sempre?
   •   E a cura, é espiritual? - Sempre? - Às vezes?
   •   Se a cura é espiritual:
   •   O Espírito é que é curado?
   •   A cura é feita por Espíritos?
   •   Que espíritos?
   •   O próprio encarnado?
   •   Os desencarnados? (diretamente ou através de médiuns)?
   •   A doença pode estar no Espírito?
   •   O que é Medicina Espiritual?
   •   O que é passe?
   •   O que é necessário para viver com saúde?
   •   Como poderíamos viver com saúde?

                       Doenças: Definições, Causas e Caminhos para a Cura.

      “Doença, do ponto de vista espiritual, é o resultado do desequilíbrio do Espírito que não
mantém o corpo espiritual equilibrado, tornando o corpo físico vulnerável”. (Ignácio Bittencourt).
      “A doença é o resultado do desequilíbrio energético do corpo em razão da fragilidade
emocional do espírito que o aciona”. (Joanna de Ângelis).
      Foi perguntado ao Dr. Hermann: Podemos atribuir doenças comuns, que temos hoje em dia,
muito mais a desequilíbrios do que a falha orgânica propriamente dita?

        Resposta: “Mas claro que sim! O homem está zeloso com a sua aparência, mas desmazelado
com a sua harmonia, quer orgânica quer psicológica. Ele está zeloso, faz ginástica, mas se esquece do
controle alimentar, dos abusos alimentares”. (Dr. Hermann, em Apostila do E. E. Med. Esp.).
        “A cura significa o reequilíbrio do Espírito, refletido no corpo espiritual e no corpo físico”.
        “A Medicina Espiritual é a atividade exercida pelos Espíritos que, utilizando recursos
fluídicos, magnéticos e espirituais, promove a cura dos indivíduos, embora comumente se inclua
nesta categoria a ação curadora por medicamentos ou por recursos cirúrgicos”.
       “Os homens precisam entender que a ação magnética, o fenômeno da cura, o potencial
energético que se desprende das mãos do médium, atinge ao corpo, mas não é para substituir, pura e
simplesmente, a medicação terrena e, sim, para colocar o corpo em condições de equilíbrio e até
receber a medicação terrena”.
        Quem deve ser curado primeiro: o corpo ou o espírito? Ora, “se o corpo reflete o que há no
espírito, quem precisa ser curado primeiro é o espírito!”.
        “A Medicina Espiritual há de ser associada à medicina humana, encarnada, em função de que
uma vai cuidar do corpo e a outra do espírito”. (Ignácio Bittencourt).
        No tratamento com passes, a eficácia depende da qualidade dos fluidos ministrados.
        Segundo Joanna de Ângelis, para vivermos com saúde, devemos: exercitar: o auto-amor, o
autoperdão, o estímulo para a vida e a doação! (PLENITUDE).
                                                                                                        29
Espiritismo e Genética

        Segundo o “Evangelho Segundo o Espiritismo”, as causas das aflições podem ser atuais ou
anteriores à presente encarnação. Por exemplo: Podemos conseguir uma gastrite com o mau uso do
regime alimentar, estando aí caracterizado uma causa atual do sofrimento.
        Poderia aí haver uma repercussão no Espírito?
        Vários estudos sobre a Esquizofrenia nos mostram tratar-se de doença cármica, portanto
ligada a causas anteriores do sofrimento. Haverá aí conseqüências para o corpo físico?
        Como causas atuais, citaremos ainda a somatização de problemas emocionais causados por:
insegurança, medo, mágoa, ódio, rancor e ciúme. São problemas do Espírito, gerando graves
problemas orgânicos.
        Vemos aí, então, que desequilíbrios do Espírito podem desarmonizar o fluxo de energia,
causando doenças físicas e mentais.
        Segundo Joanna de Ângelis, “A doença é o resultado do desequilíbrio energético, favorecendo
o surgimento de doença”.
        Para compreendermos as causas anteriores dos sofrimentos, relembraremos o ser integral que
somos: corpo, espírito, perispírito.
        Lembremo-nos, ainda, da sigla AER (arrependimento, expiação, reparação) como fases
seqüenciais que vivenciamos para cada falta cometida. Quando nos arrependemos, marcamos
energeticamente nosso perispírito. Daí, então, sofrimentos como: paralisias, limitações orgânicas e
mentais, patologias congênitas sem possibilidades de reequilíbrio; certos tipos de loucura, de
cânceres, enfermidades degenerativas etc. São recursos expiatórios para o infrator.
       Segundo André Luiz, “Somos herdeiros de nós mesmos” e segundo Ignácio Bitencourt, “Se o
corpo reflete o que há no Espírito, o Espírito precisa ser curado primeiro”.
        “Se os médicos são mal-sucedidos, tratando da maior parte das moléstias, é que tratam do
corpo, sem tratarem da alma. Ora, não se achando o todo em bom estado, impossível é que uma parte
dele passe bem”. (E.S.E., de Allan Kardec, Introd., item XIX).
        “Os sofrimentos devidos a causas anteriores à existência presente, como os que se originam de
culpas atuais, são muitas vezes a conseqüência de falta cometida, isto é, o homem, pela ação de uma
rigorosa justiça distributiva, sofre o que fez sofrer aos outros”. (E.S.E., de Allan Kardec, Cap. V, item
7).

       O que é a cura?

        É toda uma movimentação química que ocorre nas células, condicionando-nos à retomada da
ligação com a vida na plenitude de nossa capacidade de ação.
        Curar-se é alcançar maiores níveis de capacidade de amar a nós mesmos, ao próximo e à Vida.
        Curar-se é, em essência, um fenômeno espiritual pelo fato de ter sua gênese no Espírito. A
cura é, pois, espiritual. Corpo sadio é sinônimo de espírito saudável, que se ama.
        Peter Garet, em um artigo, fala do “poder de cura do perdão”. A capacidade de perdoar alivia
a mente e o coração.
        Pesquisas mostraram a relação entre a lembrança de uma ferida antiga e o aumento de pressão
sangüínea, dos batimentos cardíacos e da tensão muscular. Pessoas que já perdoaram alguém afirmam
estar mais saudáveis do que quem não perdoou, conclui a pesquisa.
        “(...) A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. O
poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada. Mas, depende também
da energia da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provocará e tanto
maior força de penetração dará ao fluido. Depende ainda das intenções daqueles que desejam realizar
a cura, seja homem ou espírito”. (A GÊNESE, Cap XIV).
        “Os órgãos físicos são constituídos de moléculas físicas, os órgãos do corpo espiritual são
constituídas de moléculas mais sutis. As moléculas materiais são aglomerações das moléculas
primitivas. Equilibram-se energeticamente as moléculas mais sutis, teremos como conseqüência um
equilíbrio de funções nas moléculas materiais, ou seja, no órgão do corpo físico”.
                                                                                                      30
Espiritismo e Genética

       Na aplicação de passes no órgão afetado: Se o médium não tiver conhecimento do corpo
humano, o fluido vai ser depositado sobre o órgão lesado e será absorvido por um processo natural e
mecânico, conforme a sua necessidade. Se o médium tiver este conhecimento, ele vai direcionar o
fluido, injetando-o no órgão lesado, acelerando o processo de absorção. Quanto maior o
conhecimento do médium, melhor o resultado.
       Na aplicação de passes nos centros de força: O fluido atinge o perispírito e é distribuído para
os órgãos. O órgão afetado absorve o fluido por um processo natural e mecânico, conforme a sua
necessidade. O mecanismo de absorção do fluido segue o mesmo princípio de transferência de
energia: o ponto de menor energia absorve do ponto que tem mais. Quanto ao aspecto de seleção, o
órgão lesado vai absorver a energia que lhe está faltando a complementar.

                                            Os Centros de Força

         No livro “Entre a Terra e o Céu”, André Luiz, nos passa os ensinamentos do Ministro
Clarêncio, que nos esclarecem que “o nosso corpo de matéria rarefeita está intimamente regido por
sete centros de força, que se conjugam nas ramificações dos plexos e que, vibrando em sintonia uns
com os outros, ao influxo do poder diretriz da mente, estabelecem, para nosso uso, um veículo de
células elétricas, que podemos definir como sendo um campo eletromagnético, no qual o pensamento
vibra em circuito fechado. Nossa posição mental determina o peso específico do nosso envoltório
espiritual e, conseqüente ‘habitat”que lhe compete. Mero problema de padrão vibratório. Cada qual
de nós respira em determinado tipo de onda.
         (...) Sublimamos ou desequilibramos o delicado agente de nossas manifestações, conforme o
tipo de pensamento que nos flui da vida íntima. Quanto mais nos avizinhamos da esfera animal,
maior é a condensação obscurescente de nossa organização e, quanto mais nos elevamos, ao preço de
esforço próprio, no rumo das gloriosas construções do espírito, maior é a sutileza de nosso envoltório.
(...) Tal seja a viciação do pensamento, tal será a desarmonia do centro de força, que reage em nosso
corpo a essa ou àquela classe de influxos mentais.

       Analisando a fisiologia do perispírito, classifiquemos os seus centros de força. Temos:

       O centro coronário - expressão máxima do veículo que nos serve, de alto padrão de
radiações, de vez que nele se assenta à ligação com a mente, fulgurante sede da consciência. Dele
emanam as energias de sustentação do sistema nervoso e suas subdivisões, sendo responsável pela
alimentação das células do pensamento e o provedor de todos os recursos eletromagnéticos
indispensáveis à estabilidade orgânica.

   •   O centro cerebral - que ordena as percepções de variada espécie, que na vestimenta carnal
       constituem a visão, a audição, o tato e a vasta rede de processos da inteligência que dizem
       respeito à Palavra, à Cultura, à Arte, ao Saber. É neste centro que possuímos o comando do
       núcleo endócrino, referente aos poderes psíquicos.

   •   O centro laríngeo - que preside aos fenômenos vocais.

   •   O centro cardíaco - que sustenta os serviços da emoção e do equilíbrio geral.

   •   O centro esplênico - que, no corpo denso, está sediado no baço, regulando a distribuição e a
       circulação adequada dos recursos vitais em todos os caminhos do veículo de que nos
       servimos.

   •   O centro gástrico - que se responsabiliza pela penetração de alimentos e fluido em nossa
       organização.
                                                                                             31
Espiritismo e Genética


   •   O centro genésico - em que se localiza o santuário do sexo, como templo modelador de
       formas e estímulos.

       Não podemos olvidar, porém, que o nosso veículo sutil, tanto quanto o corpo de carne, é
criação mental no caminho evolutivo. (...) Tudo é trabalho da mente no espaço e no tempo, a valer-se
de milhares de formas, a fim de purificar-se e santificar-se para a Glória Divina.
       Quando a nossa mente, por atos contrários à Lei Divina, prejudica a harmonia de qualquer um
desses fulcros de força de nossa alma, naturalmente se escraviza aos efeitos da ação desequilibrante,
obrigando-se ao trabalho de reajuste. (ENTRE A TERRA E O CÉU, de André Luiz, páginas 126 e
129).

                                  O Poder do Pensamento e da Fé

       Ainda André Luiz, ouvindo o Assistente AULUS, nos ensina:

        Em fotografia precisamos da chapa impressionável para deter a imagem, tanto quanto em
eletricidade carecemos do fio sensível para a transmissão da luz. No terreno das vantagens espirituais,
é imprescindível que o candidato apresente uma certa “tensão favorável”. Essa tensão decorre da fé.
(...) Sem recolhimento e respeito na receptividade, não conseguimos fixar os recursos imponderáveis
que funcionam em nosso favor, porque o escárneo e a dureza de coração podem ser comparados a
espessas camadas de gelo sobre o templo da alma.
        O passe é uma transfusão de energias, alterando o campo celular. (...) Tudo é espírito no
santuário da Natureza. Renovemos o pensamento e tudo se modificará conosco. Na assistência
magnética, os recursos espirituais se entrosam entre a emissão e a recepção, ajudando a criatura
necessitada para que ela ajude a si mesma. A mente reanimada reergue as vidas microscópicas que a
servem, no templo do corpo, edificando valiosas reconstruções. O passe, como reconhecemos, é
importante contribuição para quem saiba recebê-lo, com o respeito e a confiança que o valorizam.
(NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE, de André Luiz, páginas 168 a 170).

                                   Genética x Campo Espiritual

       Pesquisas do cientista Dean Hamer, do Instituto do Câncer dos Estados Unidos, relacionam
dados observados em 33 pares de gêmeos unissexuais com os respectivos códigos. A pesquisa do Dr.
Hamer tem o mérito de acrescentar à Genética possibilidade de percorrer caminhos na área do
psiquismo - impulsos, desejos e emoções. É a Genética se aproximando do campo espiritual.
(Eurípedes Kühl).

                                        O Futuro do Planeta Terra

       Prevenindo-se as doenças ===> mais fácil será tratá-las

       Menos doenças ===> menos dor

       Menos dor ===> mais evolução espiritual

       Mais evolução espiritual ===> mais amor entre os homens
       Mais amor entre os homens ===> mais próximos de Deus!




                                                                                                    32
Espiritismo e Genética


                                        Bibliografia:

      1.   O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Allan Kardec, Edição FEB,
08/1993;
      2.   A GÊNESE, de Allan Kardec, Edição FEB, 10/1992;
      3.   GENÉTICA E ESPIRITISMO, de Eurípedes Kühl, Edição FEB, 06/1997;
      4.   ENTRE A TERRA E O CÉU, de F.C.Xavier/André Luiz, Edição FEB, 05/1997;
      5.   NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE, de F.C.Xavier/André Luiz, Edição FEB;
      6.   PLENITUDE, de Divaldo P. Franco/ Joanna de Angelis, Edição LEAL, 1999;
      7.   APOSTILAS DE MED.ESPIRITUAL, orientação de Ignácio Bittencourt;
      8.   APOSTILAS DE MED.ESPIRITUAL, orientação do Dr. Hermann.




                                                                                    33
Espiritismo e Genética



                   IX. TRANSTORNOS PSICOSSOMÁTICOS


       Comecemos este estudo com o seguinte questionamento:

   •   As doenças são do corpo ou da alma?

   •   As suas características estão no corpo ou na alma?

        Vemos, em “O Livro dos Espíritos”, parte II, capítulo VII, que a matéria é apenas o invólucro
do Espírito. Unindo-se ao corpo, o Espírito conserva os atributos de natureza espiritual; que o
exercício das faculdades do Espírito depende dos órgãos que lhes servem de instrumento.
        Voltando então à Genética, vemos que, no corpo físico, o Espírito encontrará o material
genético de que necessita para cumprir a sua programação.
        Ainda segundo “O Livro dos Espíritos”: Encarnado, traz o Espírito certas pré-disposições. O
princípio das faculdades está no Espírito e não nos órgãos. O desenvolvimento do órgão será o efeito
e não a causa.
        Nos casos em estudo – autismo, esquizofrenia, idiotia e loucura – suas almas são, não raro,
mais inteligentes do que supomos. São Espíritos sujeitos a uma punição. Sofrem por habitarem
corpos cujos órgãos desmantelados os impedem de se manifestarem plenamente.
        A alma tem o corpo de que precisa para sua missão na vida terrena. Pela vontade, o Espírito
pode fazer mais, vencendo a natural resistência desse aparelho, como também pode fazer menos.
        As enfermidades mentais são efeitos e não causas: “Tanto as distonias mentais quanto as
doenças orgânicas expressam os resultados de ações desequilibradas do Espírito, cuja conduta
negativa prejudica primeiramente o próprio autor, abrindo zonas mórbidas em seu psiquismo,
refletindo-se no seu perispírito e registrando-se no corpo físico em reencarnações posteriores.”
(TRANSTORNOS MENTAIS, de Suely Caldas Schubert, Minas Editora, 4ª edição, abril/2003).

                                          Idiotia e Loucura

       Quem são os loucos e os idiotas?

       Por que se apresentam assim em determinadas reencarnações?

      Em “Memórias de Um Suicida”, Dona Yvonne Pereira se refere a loucos no manicômio da
Colônia Maria de Nazaré e nos explica:

        “O manicômio recolhe individualidades cujo estado mental deprimido pelas repercussões
originadas pelo suicídio lhes impossibilita a faculdade do raciocínio”. (Página 246, cap. III, parte II).
        “Não podem raciocinar como seria de desejar em um Espírito desencarnado... “ (página 255).
        “Aqui se encontram, em grande penúria moral, muitas entidades que foram homens ilustres na
Terra, mas se esqueceram de que nem sempre a prática de abominações, de imoralidade e de atitudes
egoísticas ficarão impunes... “ (Página 256).
        “Aqui se encontram os orgulhosos e sensuais que se embriagaram pelos prazeres carnais, à
dissolução dos costumes, prejudicando a saúde do corpo, chegando ao túmulo antes da época
prevista... “ (Página 256).

       “Suicidaram-se fria e indignamente, obcecados pelos vícios...” (Página 256).
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Espiritismo e Genética


        “São verdadeiros débeis mentais, idiotas no plano espiritual, amesquinhados moral, mental e
espiritualmente... “ (Página 256).
        “Reencarnarão dentro em breve. Levarão para o futuro corpo que moldarão com a
configuração maculada com que presentemente se encontram.” (Página 260).
        “Tais como se encontram aqui (no manicômio) renascerão como cancerosos e paralíticos,
débeis mentais e idiotas, nervosos, convulsos...” (Página 259).

                                            Esquizofrenia

        É uma doença crônica que atinge aproximadamente 60 milhões de pessoas do planeta (1% da
população mundial), cujas causas não são completamente conhecidas. Sabe-se que há uma
predisposição genética.
        Num artigo, publicado na revista “Nature Genetics”, vemos que pesquisadores americanos
conseguiram as primeiras provas conclusivas de que a esquizofrenia está relacionada a defeitos
genéticos. Foi encontrada uma região específica no genoma humano relacionado com tal doença. Os
pesquisadores acreditam que um defeito no cromossomo 13 aumenta o risco de se manifestar à
doença.
        Entre gêmeos univitelinos, se um for esquizofrênico, o outro tem 50% de chances a ser
também.
        A explicação, para essa incidência, do ponto de vista doutrinário, seria: afinidade, necessidade
de, por expiação ou provas, virem juntos e iguais.
        Outra certeza que se tem é que os portadores da doença possuem um desequilíbrio bioquímico
no cérebro, provocado, entre outras razões, por excesso de dopamina, substância que desencadeia
processos alucinatórios quando produzida em grande quantidade, mas ainda não se descobriu (a
medicina não descobriu!) se o desequilíbrio neuroquímico é causa ou conseqüência da doença.
        Segundo Jung, “A investigação da esquizofrenia constitui uma das tarefas mais importantes da
psiquiatria futura. O problema encerra dois aspectos:um fisiológico e um psicológico...”
        Segundo o Compêndio de Psiquiatria: “A esquizofrenia é considerada como a mais
devastadora das doenças mentais, porque seu início ocorre cedo na vida do paciente e seus sintomas
podem ser destrutivos para ele, para sua família e amigos.”
Aproximadamente 50% de todos os pacientes tentam o suicídio. O que leva a isto é a sensação de
vazio absoluto, depressão, o desejo de escapar à tortura mental e por ouvir vozes que ordenam que o
paciente se mate.
        Vemos em “Evolução em Dois Mundos”, de André Luiz F.C.Xavier, que (...) “A mente
transmite ao carro físico a que se ajusta, durante a encarnação, todos os seus estados felizes ou
infelizes, equilibrando ou conturbando o ciclo de causa e efeito...”
        Até o final do século XIX, a doença era conhecida como demência precoce, porque se
manifesta, na maioria das vezes, no fim da adolescência (entre 15 e 15 anos nos homens e 25 e 35 nas
mulheres).
        O primeiro a usar o termo “esquizofrenia” foi o psiquiatra suíço Eugen Bleuler em 1911. A
palavra vem do grego “skizo” (separação) e “phrenos” (espírito).
        Sugerimos aqui a leitura do livro “Uma Mente Brilhante” (Editora Record) ou o filme com o
mesmo nome, para nos esclarecer melhor sobre o que se passa com um esquizofrênico.
        Para entendermos o aspecto doutrinário da questão, vejamos: no livro “Loucura e Obsessão”,
pelo Espírito Manuel Philomeno de Miranda, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, cuja leitura
recomendamos, entre outros casos, um de esquizofrenia e um de autismo, que são analisados do
ponto de vista orgânico e do ponto de vista espiritual. No capítulo 4 desse livro, intitulado “o drama
de Carlos”, é apresentado o caso de um jovem portador de esquizofrenia catatônica, considerada
incurável.

                                                                                                     35
Espiritismo e Genética

        Segundo descrição da genitora, o rapaz fora criança boa, mas sempre triste, com síndromes de
isolamento na puberdade, isolando-se dos amigos e tornando-se silencioso e diminuindo o rendimento
escolar. Todo o quadro agravou-se com a morte do pai, chegando a deplorável situação.
        Levado a buscar socorro espiritual, em uma casa onde se fazia esse atendimento, onde houve a
colaboração do Dr. Bezerra de Menezes, que, auscultando-lhe os registros psíquicos, mergulhando
nos arquivos perispirituais, confirmou o diagnóstico psiquiátrico. Remontou, então, à última
encarnação de Carlos, quando a arbitrariedade e o despudor levaram-no ao desregramento e ao abuso
da transitória autoridade de que desfrutava, perturbando a paz de muitas pessoas e abusando do sexo.
        Reencarnado, manteve a consciência de culpa, autopunindo-se mediante perturbação na área
da afetividade e outros conflitos durante a adolescência. Adicionando-se a autoreparação que a
consciência endividada lhe impunha, alguns adversários espirituais se lhe vincularam como
cobradores impenitentes.
        Como temos dito, a dor e o sofrimento resultam dos acidentes comportamentais, quando o
homem exorbita do livre-arbítrio e faz-se verdugo de si mesmo. Neste aspecto, aqui descrito, o
primeiro tratamento é a desobsessão.
        Haveria, no caso de Carlos, algum fator orgânico que respondesse pelo seu quadro
esquizofrênico, além dos espirituais? Sem dúvida. A esquizofrenia é enfermidade muito complexa
nos estudos de saúde mental, embora suas raízes profundas se encontrem no Espírito delinqüente.
        A esquizofrenia se encontra no paciente, de forma latente, pois lhe é imposta desde antes da
concepção fetal.
        O Espírito culpado é o responsável pela alienação de que padece o corpo, sendo as suas causas
atuais conseqüências diretas ou não do passado. “Somos herdeiros de nós mesmos”.
        As características essenciais desta doença são: alucinações auditivas, alucinações visuais,
idéias delirantes súbitas, posturas bizarras, afeto embotado, perda dos limites do ego, mania de
perseguição, desagregação do pensamento, dificuldade de atenção, de memória, agitação, falta de
controle dos impulsos.
        Segundo Jung, na esquizofrenia ocorre uma dissociação grave, uma cisão da personalidade.
        Conforme Jorge Andréa, “na esquizofrenia, a sintomatologia mais comum consiste na redução
do relacionamento interpessoal, com alucinações auditivas. Esses delírios são considerados
originários nos próprios campos psíquicos do paciente, podendo existir também a possibilidade de
autêntica fenomenologia mediúnica, associada por entidades desequilibradas em intercâmbio
obsessivo”.

                                              Autismo

        Vejamos o que nos diz o mesmo autor espiritual quanto ao autismo, no capítulo 7, Fenômeno
Auto-Obsessivo: “Olhar parado, demonstrando a demência adiantada, os músculos em rigidez, a face
pálida, a absoluta ausência do lugar onde se encontra - eis as características de um autismo já
avançado”.
        “Trata-se de um processo de auto-obsessão, por abandono consciente da vida e dos interesses
objetivos”.
        “Quando o indivíduo mantém intensa vida mental em ações criminosas, que oculta com
habilidade, a duplicidade de comportamento faz-lhe cruel transtorno, que ele carpe silenciosamente.
Em determinada oportunidade, esses erros irrompem como estados depressivos graves ou como
complexos de culpa”.
        Reconduzidos à reencarnação, tais Espíritos refugiam-se na negação do que fizeram,
imprimindo no corpo os limites do movimento, produzindo a prisão na qual se encastelam. A
autopunição gera o quadro de resgate para o infrator da lei.
        Muitos Espíritos buscam na alienação mental, através do autismo, fugir às suas vítimas e
apagar lembranças que os acicatam, produzindo um mundo interior agitado ante uma exteriorização
apática, quase sem vida.
                                                                                                  36
Espiritismo e Genética


       “O perispírito imprime, automaticamente, nas delicadas engrenagens do cérebro e do sistema
nervoso, o de que necessita para progredir: asas para a liberdade ou presídio para a reeducação”.

        Complementamos com a obra de H.C. de Miranda algumas informações sobre o autismo:
        Autismo – desordem do desenvolvimento do funcionamento cerebral, acometendo dois a cinco
indivíduos em cada dez mil.
        O quadro clínico é marcado por um comportamento grave na interação social e da linguagem,
verbal e não verbal, tendo início antes dos três anos de idade. O autismo é uma estranha síndrome do
comportamento que compõe um aflitivo quadro de isolamento e alienação.
        O autista nos faz imaginar uma pirâmide solitária, inabordável, fechada sobre si mesma,
cercada de mistério. Em torno dela concentra-se inquieta multidão de pessoas interessadas na busca
de acesso ao seu interior. Querem entrar para ver se conseguem convencer a pessoa que mora lá
dentro a aceitar o modo em que vivemos “aqui fora”.
        Autista é aquele que vive em si mesmo, ou seja, isolado, sozinho, desligado do “nosso
mundo”. Não funciona no autista o conceito do “eu”, ou seja, a consciência de si mesmo.
        Segundo alguns estudos de Psicologia, a atitude assumida pelo autista seria atribuída a uma
rejeição à sua própria encarnação. A pessoa que ali está, naquele corpo físico, recusa-se a executar
qualquer programação que a leve a rotinas da vida material.
        Tal síndrome pode ser conseqüência, em alguns casos, de doenças genéticas, ou
malformações, ou de infecções no período intra-uterino.
        Sejam quais forem os mecanismos materiais envolvidos na gênese do autismo,
indubitavelmente, sua causa inicial está nas experiências pregressas e nas necessidades cármicas do
Espírito reencarnante.


                                           Bibliografia:

1. O LIVIRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Edição FEB, 02/1994;
2. A LOUCURA SOB NOVO PRISMA, de Adolfo Bezerra de Menezes, Edição FEB;
3. LOUCURA E OBSESSÃO, de Divaldo P. Franco/Manuel P.de Miranda, Edição FEB;
4. AUTISMO, UMA LEITURA ESPIRITUAL, de Hermínio C.de Miranda, Publicadora La Châtre,
   1a. edição;
5. EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS, de André Luiz/F.C.Xavier, Cap. VIII;
6. TRANSTORNOS MENTAIS (Uma Leitura Espírita), de Suely Caldas Schubert, Minas Editora;
7. PSICOGÊNESE DAS DOENÇAS MENTAIS, de Care G. Jung, Editora Vozes.
8.




                                                                                                 37
Espiritismo e Genética



                        X. SÍNDROMES HEREDITÁRIAS
       Definição: Síndrome: conjunto de sinais e sintomas provocados por um mesmo mecanismo.




                                      O Cariótipo Normal


       Normalmente, os cromossomos se apresentam aos pares, numerados de 1 a 22, mais o par
sexual (XX ou XY).
       Cada par tem seu tamanho e sua forma característica. As anomalias do cariótipo se
caracterizam por alterações do número de cromossomos nos pares (ver os esquemas respectivos).
       O cariótipo (carion = núcleo) representa o genoma (total de genes) do indivíduo. Na espécie
humana, o número de cromossomos do cariótipo é de 46. As alterações ou aberrações cromossômicas
produzirão modificações importantes nas características do indivíduo portador dessas alterações.


                                   Aberrações Cromossômicas

        Para serem reconhecidos ao microscópio, com as técnicas normais de coloração, as aberrações
cromossômicas devem ser anomalias numéricas ou anomalias estruturais evidentes. Qualquer
alteração estrutural envolvendo menos de 1/10 do braço de um cromossomo será detectável mesmo
sob condições ideais de preparação e microscopia.
        Os pacientes com aberrações cromossômicas normalmente têm fenótipos característicos,
muito semelhantes ao de outros pacientes com a mesma anomalia. As anomalias fenotípicas têm sua
base na perturbação do desenvolvimento, resultante do desequilíbrio de material genético.
                                                                                                38
Espiritismo e Genética

        Abriu-se uma nova era na Genética Médica, em 1959, com a demonstração por Lejeune e
Turpin de que as crianças com mongolismo, ou síndrome de Down, têm 47 cromossomos em cada
célula do corpo, ao invés de 46 normais.
        As anomalias citogenéticas são muito mais freqüentes e variadas nas clínicas médicas do que
se pensava antes. As aberrações cromossômicas são causa significante de defeitos congênitos e
abortos, ocorrendo aproximadamente 0,7% dos que nascem com vida e um terço dos abortos
espontâneos de primeiro trimestre.
        As translocações, nas quais todo o material genético está presente, mas em disposição
anormal, não estão necessariamente associadas com fenótipos anormais.
        Trissomia (presença de três representantes de um determinado cromossomo, ao invés de um
par normal) é o termo geral usado para descrever o tipo comum de aberração cromossômica
encontrada na síndrome de Down.
        A trissomia tem sido demonstrada em um grande número de espécies de plantas. Semelhante
problema ocorre no homem, onde existe um fenótipo anormal característico para cada trissomia
autossômica e um fenótipo um pouco menos distinto para a trissomia de cromossomos sexuais.
        Embora em quaisquer dos membros de uma mesma espécie, a maioria dos genes em um
determinado cromossomo seja provavelmente idêntica, cada um de nós porta uma quantidade de
genes variáveis, que são genes para poliformismos comuns ou mutações raras.
        Portanto, a semelhança fenotípica geral dos indivíduos com uma aberração cromossômica
específica, tal como a síndrome de Down, é modificada por diferenças individuais relacionadas ao
genótipo.


                                     Síndromes Hereditárias


       As principais anomalias humanas são:
   a) SÍNDROME DE DOWN OU MONGOLISMO: Cariótipo 47,21 + (trissomia do cromossomo
      21);
   b) SÍNDROME DE PATAU: Cariótipo 47,13 + (trissomia do cromossomo 13);
   c) SÍNDROME DE EDWARDS: Cariótipo 47,18 + (trissomia do cromossomo 18);
   d) SÍNDROME DO CHORO DE GATO: Deleção do cromossomo 5 (modificação estrutural);
   e) SÍNDROME DE TURNER: Cariótipo 45,XO (monossomia do sexual X); fenótipo feminino,
      sem cromatina sexual;
   f) SÍNDROME DE KLINEFELTER: Cariótipo 47,XXY (trissomia sexual); fenótipo masculino;
      uma cromatina sexual;
   g) SÍNDROME DO POLI-X: 47,XXX ou 48,XXXX (trissomia ou tetrassomia do X); fenótipo
      feminino; duas ou três cromatinas sexuais;
   h) SÍNDROME DO DUPLO Y: Cariótipo 47,XYY (trissomia sexual); fenótipo masculino, sem
      cromatina sexual.




                                                                                                39
Espiritismo e Genética

       a. Síndrome de Down (Trissomia do 21 ou Mongolismo)




       Síndrome de Down é a mais comum e a melhor conhecida das anomalias cromossômicas. A
condição foi primeiro descrita por Langdon Down em 1866, mas a sua causa permaneceu um
profundo mistério por quase um século.
       Existem duas características marcantes na distribuição da síndrome de Down na população:
idade materna avançada e uma distribuição peculiar em gêmeos e famílias (concordância em todos os
gêmeos monozigóticos, mas discordância quase completa em gêmeos dizigóticos e outros parentes).
       Foi sugerido por Waardenburg, em 1932, que uma anomalia cromossômica poderia explicar
estas observações, mas a anomalia cromossômica não foi demonstrada até 1959, quando Lejeune e
Turpin mostraram que uma criança mongolóide tinha 47 cromossomos, sendo o cromossomo extra
um pequeno acrocêntrico, agora convencionalmente tido como o 21.
       O antigo nome “mongolismo” refere-se às características de aspecto oriental produzidas pelas
pregas epicânticas, as quais dão aos olhos uma aparência oblíqua. Atualmente é mais conhecida por
Síndrome de Down e Trissomia do 21.
       Seus principais sinais característicos são: hipotonia, retardo mental (Q.I. na faixa de 25-50);
braquicefalia com ocipúcio achatado; pregas epicânticas, íris pontilhada; nariz: ponte baixa; língua:
                                                                                                   40
Espiritismo e Genética

usualmente saliente, sulcada, sem a fissura central; mãos curtas e largas, com uma única linha palmar
(linha simiesca) e clinodactilia (encurvamento) do quinto dedo; pés: um largo espaço entre o primeiro
e o segundo dedo, um sulco se estendendo para trás ao longo da superfície plantar; Anomalia cardíaca
em cerca de 35%; ângulos acetabular e ilíaco diminuídos; estatura abaixo da média.
        Freqüentemente, o diagnóstico não apresenta nenhuma dificuldade particular, mas a
cariotipagem é normalmente indicada para determinar se a criança tem um cariótipo típico de
trissomia do 21 (95% dos casos), é um mosaico (1% dos casos) ou tem uma translocação (4% dos
casos).

       b.     Trissomia D (Trissomia do 13) – Síndrome de Patau

        A trissomia para um cromossomo do grupo D é menos comum que a trissomia do 18, talvez
porque as anomalias associadas com trissomia para este cromossomo sejam mais severas. Um
paciente típico apresenta defeitos no sistema nervoso central e, embora variáveis, eles são severos e
estão associados a retardo mental.
        As anomalias externas mais óbvias incluem lábio leporino e palato fendido, polidactilia e
anomalias características dos padrões dérmicos. Também estão presentes anomalias cardíacas,
viscerais e da genitália.




                                                                                                  41
Espiritismo e Genética

       c.     Trissomia do 18 (Síndrome E)




        A trissomia do 18 é uma síndrome de malformações congênitas múltiplas, associadas com a
trissomia de um cromossomo do grupo E, o nº 18.
        A síndrome foi primeiramente descrita por Edwards e colaboradores, em 1960. É mais severo
que a síndrome de Down e a maioria das crianças afetadas morre por volta dos seis anos de idade.
        Alguns dos estigmas característicos da trissomia do 18, além da anomalia cromossômica, são:
Retardo mental; não desenvolvimento; excesso de mulheres (78%); orelhas: implantação baixa e
                                                                                                42
Espiritismo e Genética

malformadas; mãos: fechadas, com o segundo dedo superpondo o terceiro e o quinto superpondo o
quarto, uma única linha palmar (linha simiesca), arcos em seis ou mais dedos; pés tortos; coração:
tipo característico de malformação.


        d. Síndrome do Choro do Gato




       É chamado de Síndrome do cri du chat (choro do gato), por causa da semelhança do choro da
criança com um miado de gato. As crianças afetadas têm retardo mental, são microcefálicas, têm um
aspecto facial característico com hipertelorismo marcante e têm padrões dérmicos característicos.
       Essa síndrome pode ocorrer na prole de um portador de translocação que formou um gameta
não balanceado com uma deficiência. Na mesma família, podem ser encontrados pacientes com a
correspondente duplicação.
       Pode ser uma monossomia parcial do cromossomo 5 (5p-) ou do nº 4 (4p-), sendo este último
mais raro do que o anterior. Esta produz um fenótipo anormal diferente e muito mais severo, com
baixo peso de nascimento, desenvolvimento anormal, coloboma da íris, aspecto facial anormal e
muitos outros defeitos. As crianças do segundo caso não têm o miado de gato da síndrome do cri du
chat.




                                                                                               43
Espiritismo e Genética


        e. Síndrome de Turner (Disgenesia Ovariana)

       A síndrome de Turner é uma anomalia caracterizada por uma monossomia (falta de um
cromossomo) do cromossomo X. É o único caso de monossomia no qual a pessoa afetada sobrevive.
Sua ocorrência está em torno de uma criança em 5000 nascimentos, devendo-se acrescentar que
muitos fetos com essa anomalia não chegam ao final da gravidez.
       A Síndrome de Turner é resultante de uma não-disjunção, e o estudo com marcadores de um
antígeno chamado XG, ligado ao sexo, mostra que, em 75% dos casos, o erro ocorre na gametogênese
paterna.
        A pessoa afetada é uma mulher com cariótipo 45,XO, não apresentando, portanto, a cromatina
sexual. Tem baixa estatura, infantilismo sexual e, com freqüência, uma série de outros defeitos, entra
os quais: tórax largo em barril, pescoço alado (com pregas cutâneas bilaterais), malformação das
orelhas etc.




       f.      Síndrome de Klinefelter

       As pessoas afetadas pela Síndrome de Klinefelter são indivíduos de fenótipo masculino com
hipodesenvolvimento do pênis e dos testículos, desenvolvimento de glândulas mamárias
(ginecomastia) e distribuição de gordura e pêlos idêntica à da mulher.
       Apresentam cromatina sexual, devido ao cariótipo 47,XXY, que é resultado de uma não-
disjunção. O estudo com antígeno XG mostra que 2/3 dos casos são decorrentes de não-disjunção na
meiose materna.
       Nesses casos, demonstrou-se que a idade avançada da mãe está correlacionada com a
ocorrência da anomalia.

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Espiritismo e Genética




      g.     Síndrome do Poli-X

       Há casos de mulheres que apresentam número aumentado de cromossomos X, podendo
aparecer cariótipos 47,XXX, 48,XXXX, 49,XXXXX. As mulheres 47,XXX são aparentemente
normais, havendo alguns casos de retardo mental e distúrbio menstrual. Essas mulheres (XXX)
apresentam duas cromatinas sexuais.
       As mulheres com quatro X ou mais já possuem com maior freqüência anomalias, que se
agravam à medida que o número de X aumenta, aumentando também o número de cromatinas
sexuais. Esta síndrome tem uma freqüência de um em 2000 nascimentos.




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Espiritismo e Genética

       h.     Síndrome do Duplo Y

  São casos de homens com cariótipo 47,XYY. A freqüência dessa anomalia é de duas ocorrências
em cada mil nascimentos. Verificou-se, porém, que, entre criminosos, essa freqüência chega a 3%. Os
homens afetados não apresentam anormalidades específicas, a não ser estatura acima da média da
população.




       Nota: Cromatina sexual ou corpúsculo de Barr, corpúsculo presente junto à
cariomembrana, bem corável, e só presente nas mulheres. Importante para o diagnóstico do
sexo genético num pseudo-hermafrodita.
       O número de corpúsculo de Barr = nº de cromossomo X - 1. Nas fêmeas normais = a 2X -
1 = 1.

                          Texto Doutrinário: O Bebê Atípico e a Cruz.

        Esse pequeno ser, mirrado e disforme, carregado ao colo em situação de dependência, é,
contudo, a mola central de profundas modificações no grupo familiar. Modificações horizontais e
verticais. Exatamente como as cruzes levadas ao Gólgota: a cruz do bom ladrão, a do mau ladrão e a
do Mestre Jesus.
        No primeiro momento de vida física, começa a modificação. Acabou de nascer e frustrou
todas as expectativas. Porque os seres humanos esperam situações, coisas e formas padronizadas,
estereotipadas, repetitivas, e sempre subsiste, da parte dos expectadores, a espera da suprema
superioridade quando se trata de coisas suas.
        Então o bebê atípico é um choque tanto mais tremendo quanto maior o orgulho existente à sua
volta. Hora por hora, ele, o bebê subgente, propulsiona a roda das transições e carrega para o
movimento, sozinho, todo o seu ambiente.
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Espiritismo e Genética


        Conhecemos muitas famílias que se desajustaram por causa dele, ou melhor, por causa da
própria imaturidade da família, sendo “ele” apenas o desencadeador ou o pretexto.
        Pintemos o quadro: o pai, ante a necessidade legal e moral de transmitir seu nome e seus bens
a esse herdeiro, de mostrá-lo como produto seu, desespera-se. Alguns se entregam à bebida. Outros
escondem o filho ou se escondem. Outros abandonam o lar. Alguns chegam a matá-lo, como os
jornais literalmente dão testemunho. A mãe, ferida em seu amor próprio, se artificializa, atingindo a
superproteção ou a neurastenia.
        Algumas provocam, por meios indiretos, reações orgânicas em si mesmas, que desmoronarão
a saúde, infernarão a convivência social e encurtarão o tempo de vida. Outras permanecem em estado
de tensão, sempre em atitude defensiva, achando que a vida (ou Deus) as agrediu brutalmente.
Perguntam a si mesmas: - Mas por que justamente comigo?! Outras fogem da realidade, através da
inércia nos dias e dos comprimidos soníferos para as noites.
        É a cruz jogada no chão. Os dois braços vergados sob o peso das angústias e sob a compressão
dos pés que pisoteiam o madeiro desprezível. O eixo vertical fica deitado no solo, não sobe. O braço
superposto na horizontal se quebra, porque é menor e não tem, por si mesmo, a força de equilíbrio
necessária. Então, o vento das alvoradas e o frio dos anoiteceres enterram aos poucos a cruz.
        O pequenino ser, de cinqüenta centímetros de comprimento, aquele que trouxe a cruz para vê-
la de pé, só conseguiu o inverso: esmagou a experiência dos adultos - pais, avós, irmãos - e todos se
curvaram para o solo, se apequenaram e fecharam o próprio potencial interior. Por falta de alimento
afetivo, é provável que o bebê volte à pátria espiritual precocemente e, então, todos suspirarão
aliviados sem entenderem o significado do acontecido.
        Mas há outro tipo de cruz que o mesmo tipo de bebê pode oferecer a outro tipo de gente:
Conhecemos, também, muitos e muitos casos assim. São os que têm a maturidade suficiente para
saber sempre que, aquilo que acontece no mundo a qualquer um, pode também acontecer a eles
mesmos. Sentem a solenidade, a seriedade e a grandeza da vida. Sabem, conscientemente ou não,
quais os fins das existências na Terra. Confiam na Sabedoria das situações. Encaram cada dificuldade
como um desafio e cada problema como um motivo de crescimento, porque acham que no esforço da
solução está o cerne da vitória.
        Sabemos de famílias que se ajustaram em níveis de profundidade afetiva, social e moral,
exatamente com a presença do bebê atípico. Substituiu a futilidade, a leviandade, a superficialidade,
pela reflexão, pela decisão, pelo compromisso que dignifica.
        Pintemos o quadro: o pai encontra um objetivo definido e uma motivação a mais para firmar
sua posição no núcleo familiar. Aceita o desafio e sente que cresceu para receber tal crédito de
confiança. A mulher abre seu coração e refloresce para um amor mais amplo. Pensa nos outros.
Valoriza sua função e abre as portas de sua casa com mais prontidão. Ambos, pai e mãe, se
agradecem, mesmo tacitamente, porque juntos tudo será fácil. Os irmãos aprendem, desde pequenos,
a se ajudarem e treinam suas possibilidades para tarefas mais amplas nos contextos sociais.
        A cruz chegou trazida pelo bebê e foi conduzida lentamente, pelo caminho estreito, até o
Gólgota. Nesse caminho, houve, às vezes, desfalecimentos, mas, então, foram procurados os Cirineus
e, procurando, eles foram achados. Então, de repente, a cruz se levanta e seus braços estão nas
direções certas: progresso na horizontalidade do convívio social, em nível de fraternidade e expansão
do sentido de família. Progresso na direção vertical, em busca do encontro com Deus.
Estas duas situações, ambas reais, têm como ponto propulsor, como núcleo central, a presença do
bebê disforme, insignificante como pessoa, subgente e atípico.
        Ressaltamos que, no mundo inteiro, as pessoas que colocaram a cruz de pé são as que estão
impulsionando a ciência, a técnica e o amor em favor dos milhares de atípicos da Terra.
        A maioria dos hospitais especializados, das fundações científicas, dos institutos organizados,
dos grupos de pesquisa e dos centros de reabilitação é formada ou foram iniciados por gente que tem
envolvimento direto e afetivo com esse tipo de bebês. São como que respostas à mensagem dos
pequeninos.

                                                                                                   47
Espiritismo e Genética

       As associações internacionais em favor do progresso científico dos excepcionais emergiram
da pressão do amor dos que levantaram suas cruzes. Então pensamos que e conclusão de tudo isso é a
seguinte: embora marginalizados, sem posições definidas nos grupos sociais complexos, rejeitados e
incapacitados para as participações plenas, eles, os bebês atípicos, estão também exercendo influência
nos grupos em que nascem e, pela força inevitável dos entrelaçamentos grupais, em toda a família
humana”. (AS AVES FERIDAS NA TERRA VOAM).


                                 Expectativa, Frustração, Revolta

       “Quando a mulher engravida, há no lar ansiosa expectativa. Todos torcem para que, acima de
tudo, nasça uma criança saudável, física e mentalmente. Se ocorrer um problema congênito,
sobrevém a frustração e o sofrimento, marcados, não raro, por incontida revolta”.
       Pudessem as personagens desses dramas entender que nada ocorre por acaso e que as
crianças com problemas são Espíritos em reajuste, como um doente submetido a tratamento, e não se
perturbariam tanto, reconhecendo no filho deficiente uma abençoada tarefa que Deus lhes confiou”.


                                            Bibliografia:

1.   MEDICINA E SAÚDE (Revista), Abril S/A, volume V;
2.   HUMAN GENETICS, de Reginald Ruggles Gates, The MacMillan Company, 1948;
3.   GENÉTICA MÉDICA, de Thompson/Thompson, Cap. VI;
4.   AS AVES FERIDAS NA TERRA VOAM, de Nancy Puhlmann, Cap. 10;
5.   ENCONTROS E DESENCONTROS, Richard Simonetti, um filho muito especial.




                                                                                                   48
Espiritismo e Genética


            XI. DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS


                                              Introdução

         As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) são adquiridas através do contato sexual.
Existem mais de 25 delas, de acordo com a OMS.
         A faixa etária de maior índice de infecção situa-se entre os 20 e 30 anos de idade. Há relato
literário de pessoas que se infectaram com até quatro dessas doenças simultaneamente, onde a sífilis
aparece mais freqüentemente.
         De acordo com o estado de saúde de cada um, há a possibilidade de não adquirir a DST ao se
relacionar constantemente com um doente e, por outro lado, há dados científicos de infeccionados
com apenas uma relação sexual.
         O portador da DST não representa perigo em sua residência; entretanto, logo que tomar
conhecimento ou desconfiar que está doente, deve interromper atos sexuais, procurar assistência
médica e nunca se automedicar.
         A DST é perfeitamente evitável, desde que se pratique sexo seguro e não se pratique
promiscuidades sexuais. Na dúvida, use sempre a camisinha e lembre-se constantemente que a força
sexual é construtiva. Não faça esta energia construir sua derrocada moral.

                                        Classificação das DST

       Levando-se em consideração a forma como ela é transmitida, podemos classificá-la em:

        •     Essencialmente transmitida pelo ato sexual: sífilis, gonorréia, cancro mole,
linfogranuloma venéreo;
        •     Freqüentemente transmitida pelo ato sexual: uretrites não gonocócicas, herpes genital,
papiloma vírus humano HPV - condilomas, trichomoníase, AIDS;
        •     Eventualmente transmitida pelo ato sexual: escabiose, pediculose, hepatite A ou B,
shiguelose, amebíase e outros;
        •     Outras maneiras de se pegar DST: sangue, roupas íntimas e lençóis;
        •     Condições que facilitam a contaminação: gravidez, diabete, doenças malignas, uso de
anticoncepcionais artificiais (exceto camisinha), uso de antibióticos, relação anal e oral.

       1.      Sífilis

        É causada pelo treponema pallidum - família do espiroquetas (espiral). Penetra na pele,
mucosa, cai na corrente sangüínea e linfática. Embora não freqüente, pode ser transmitida numa
transfusão de sangue, pela placenta (após o quarto mês de gestação) ou acidentalmente aos
profissionais de saúde (luvas, materiais cirúrgicos).
        Pode ser estagiada em: recente (primária e secundária), latente, tardia e congênita.

         •      Recente/primária - Desde o contágio até às roséolas (60 dias após). O cancro típico
da sífilis primária é solitário, duro e indolor, com base lisa e aparece entre o décimo e o 60o. dia, nas
regiões bálamoprepucial e grandes lábios. Há ocorrência de adenite satélite (íngua). O diagnóstico da
sífilis primária é conclusivo quando se evidencia a presença do treponema pallidum

       •      Recente/secundária - Do aparecimento das roséolas à ausência de sintomas (até 1
ano). Os pacientes podem apresentar lesões cutâneas altamente variáveis, bilateralmente simétricas
(geralmente maculares, papulares ou papuloescamosas), lesões em mucosas, linfoadenopatia, febre,
                                                                                                      49
Espiritismo e Genética

alopecia ou comprometimento orgânico local (irite, hepatite ou meningite). A identificação do T.
pallidum em material obtido de lesões ou linfonodos, nestes pacientes, comprova a infecção sifilítica.

       •       Latente - Apresenta-se sem sintomas e pode perdurar por muitos anos. Geralmente a
contaminação se deu por sangue ou pela placenta. Na ausência de achados clínicos e dados
anamnéticos, pacientes com provas sorológicas e pesquisa de T. pallidum positivas são considerados
portadores de sífilis latente.

        •       Tardia - Caracteriza-se por lesões graves e nem sempre reversíveis. Oriunda de sífilis
não tratada, principalmente as originárias de contaminação por sangue ou placenta. As lesões
principais se localizam: sistema nervoso central, causando dores fortes, perda de equilíbrio, surdez,
cegueira, fraqueza muscular e outras; no cérebro, causando demência, paralisia geral etc; na pele,
causando gomas sifilíticas/granuloma com necrose interna; no sistema osteoarticular, com nódulos
articulares, artrites e gomas ósseas; sistema cardiovascular, causando aneurisma da artéria aorta,
estenose coronariana, gomas cardíacas.

        •       Congênita ou conata - Pode resultar de abortamento, natimorto ou o feto chegar ao
termo com as seguintes patologias: pele enrugada (de velho), paroníquia (unhas com sulco e pouco
resistentes, dolorosas), rinite hemorrágica, nariz em sela (septo nasal destruído), esplenomegalia
(baço aumentado), hepatomegalia (fígado aumentado), orquite, hidrocele, osteocondrite, hidrocefalia,
ceratite, surdez, retardo mental, dentes de Hutchington etc.




       2.      Gonorréia

        Causada pela neisseria gonorrhoeae, apresenta sinais de corrimento esverdeado, dor e
queimação ao urinar e, nas mulheres, pode ser assintomática. Além da transmissão sexual, pode
ocorrer pelo sangue contaminado (seringas compartilhadas, transfusões, ferimentos, tatuagens, beijo,
tratamento odontológico) e, nas crianças, através do adulto infectado ou objetos recém contaminados,
como toalhas e tampa de vasos. Não ultrapassa a barreira placentária, entretanto, o recém-nascido
pode se contaminar pelo canal do parto e desenvolver a “conjuntivite gonocócica”. É causa freqüente
de infertilidade masculina e feminina.

       Os sintomas aparecem de 2 a 5 até 15 dias após o coito vaginal:

        •        no homem: prurido na uretra, ardência e dor ao urinar, secreção (purulenta, amarela e
com mau odor), polaciúria (vontade de urinar) e disuria;
        •        na mulher: prurido (coceira), ardência, corrimento (purulento, esverdeado e com odor
forte), polaciúria etc;
        •        sintomas por coito: a) anal: dor ao evacuar, prurido, ardência, pus nas fezes, tenesmo
etc; b) oral: faringite, amidalite.

       Pode haver a doença sem sintomas, ocorrendo em 5% dos casos em homens e 40% em
mulheres. Quando a gonorréia não é tratada, além da exacerbação dos sintomas já citados, podem
ocorrer as seguintes patologias:

      •     no homem: prostatite (levando à impotência), orquite (levando à infertilidade);
      •     na mulher: endometrite (dispareunia), salpingite evoluindo para piossalpinge até
abdome agudo;
                                                                                                      50
Espiritismo e Genética

      •      em ambos os sexos: ocorrências mais raras, como endocardite gonocócica, artrite
gonocócica, meningite gonocócica, hepatite e outras.

      O diagnóstico é realizado através da história clínica, sintomatologia e exames
complementares, como a bacterioscopia e a cultura.

       3.     Cancro mole

        Causado pelo hemophilus ducreyi. Os sintomas aparecem de 2 a 5 dias após o contágio: são
feridas pequenas em vagina ou pênis, seguidas de ínguas nas virilhas, adenite satélite, dolorosas, que
progridem para um bubão. Podem ocorrer secreções. Aparecem pústulas e úlceras arredondadas,
irregulares, com fundo purulento e bastante dolorosas. Causa desconforto na relação e pode deixar
cicatrizes nos genitais e nas virilhas.

       4.     Linfogranuloma venéreo

       É causado pela clamydia trachomatis. No Brasil, sua incidência é baixa, ocorrendo
preferencialmente no grupo etário de 15 a 30 anos. O período de incubação varia de 1 a 3 semanas.
Sinonímia: mula, nicolas-favres, linfogranulomatose e 4a. moléstia.
       Manifesta-se com lesão inicial de tipo pustuloso, freqüentemente desapercebida. Em seguida,
surge adenopatia inguinal, conhecida como bubão, unilateral, que pode passar à fase supurativa. Nas
mulheres, pode faltar a adenite inguinal, mas é freqüente o acometimento dos gânglios pararetais.
       Pode haver manifestações sistêmicas, tais como mal-estar, febre, anorexia, dor pélvica etc.
Pode ocorrer a complicação: estenose retal, elefantíase nos órgãos genitais, ainda fistulização do
bubão em vários orifícios, com saída do pus semelhante a um regador.

       5.     Uretrites não gonocócicas

        Uretrites em franco aumento de incidência. As ONGs se transmitem por sexo vaginal, oral e
anal e também por autocontaminação e manuseio de peças íntimas.

       Contabilizadas, citamos:

      •        Bactérias intestinais: escherichia coli, proteus e enterobacter;
      •        Outras bactérias: staphylococcus aureus, staphylococcus epidermidis, neisseria
meningitidis, clamydia trachomatis, gardenerella vaginalis;
      •        Fungos ou bolor: cândida albicans, torulopsis glabrata;
      •        Protozoários: trichomonas vaginalis;
      •        Vírus: herpes genital, condilomas (HPV);
      •        Não infecciosas: Agentes químicos e manipulação da uretra.

       Aqui a sintomatologia aparece de 10 a 21 dias após o contato.


       6.     Herpes genital

        Das mais difundidas atualmente e que, infelizmente, se encontra em grande expansão. Pode
ser herpes simples, tipo I - labial, e herpes simples, tipo 2 - genital.
        Contágio: sexual - vaginal, anal, oral. Contato direto - mãos e saliva. Fatores predisponentes:
stress com quebra imunológica. Emocionais: dificuldades financeiras, sexuais, profissionais, nos
estudos etc, cansaço físico e mental. Traumatismo da região genital. Exposição prolongada ao sol.
                                                                                                    51
Espiritismo e Genética

Doenças debilitantes de um modo geral (gripes, infecções, anemias). Etilismo. Medicamentos
imunodepressores.
       Os sintomas aparecem em mais ou menos 6 dias: coceira e vermelhidão nos locais afetados,
como pênis, vulva, vagina etc. Pápulas, bolhas, feridas (aftas herpéticas) e grande ferida. Em torno de
15 dias depois, desaparecem, quando então os vírus se escondem nos gânglios nervosos.
       Diagnóstico: pelo quadro clínico, citologia, cultura e sorologia.
       Se comprometer raízes nervosas da região sacra, pode ser confundido com herpes zoster.

       7.      Papiloma vírus humano (HPV) - Condilomas

        Causado pela papova vírus humanus (HPV). Sinonímia: Crista de galo, verruga venérea e
couve-flor. A principal via de contaminação pelo HPV é através de contato sexual, com penetração de
fragmentos de tecido infectado em soluções de continuidade, podendo ocorrer também auto-
inoculação.
        Sintomas: A infecção pelo papilomavirus costuma ser assintomática na maior parte dos
pacientes. Quando ocorrem sintomas clínicos, além das lesões verrugosas, estes costumam ser:
prurido e/ou dor vulvar espontânea ou às relações sexuais. No homem, atinge o sulco bálamo-
prepucional e glande; na mulher, o intróito vaginal, vestíbulo e colo de útero.
        O terceiro e mais comum tipo de lesão é o condiloma plano ou infecção subclínica por HPV,
em que há espessamento variado do epitélio, mas sem a arquitetura papilar observada nas outras
lesões.
        O diagnóstico é feito pela presença da verruga, citologia, vulvoscopia, histopatologia,
microscopia eletrônica, imunoquímica, hidridização e, no homem, a peniscopia.

       Denota sempre falta de higiene. Pode complicar a gravidez. Produz como complicações:
corrimentos e evolução para oncogênese.

       8.      Granuloma inguinal

        Também conhecido como donovanose, é causado pelo calymmatobacterium granulomatis. De
transmissão prevalentemente sexual, com período de incubação de 8 a 30 dias, é bastante raro nos
climas temperados; mais freqüente nas regiões tropicais.
        Sua maior incidência é no sexo masculino, preferencialmente em homossexuais e indivíduos
de baixas condições sócio-econômicas.
        Na maioria dos casos, a lesão inicial se localiza em prepúcio, sulco bálamoprepucial, vulva,
vagina. Geralmente indolor, inicia-se por pápulas que coalescem e ulceram. Pode avolumar-se, dando
origem às formas “nodular” e “elefantiásicas”. Pode provocar estenose e evoluir para câncer.
        O diagnóstico se faz pela história do paciente, aspectos clínicos da lesão, exames laboratoriais
diretos - detenção do C.granulomatis.

       9.      Trichomoníase

        Causado pelo Trichomonas vaginalis. Atinge cerca de 20% das infecções vaginais. Além do
sexo, a transmissão pode acontecer por uso promíscuo de roupas íntimas.
        No início, pode haver aumento da secreção vaginal, coceira na vulva, ardor e queimação para
urinar. Os sintomas podem evoluir para um corrimento amarelado malcheiroso, coceira intensa e dor
abdominal durante a relação, inflamação dos ovários. Homens: em geral assintomáticos; pode ocorrer
lesão testicular e esterilidade.




                                                                                                     52
Espiritismo e Genética

       10.    Candidíase

       Candidíase ou monilíase é uma afecção vaginal causada pela cândida albicans, que se
manifesta por prurido intenso, secreção branca, semelhante a leite coalhado ou queijo fresco, de
forma espessa ou puntiforme. Apresenta-se freqüentemente na grávida, diabética, criança, mulheres
que fazem tratamento com estrógenos exógenos e antibiótico recente.

       11.    AIDS

        SIDA/AIDS - esta sigla representa as iniciais da síndrome da imunodeficiência adquirida. Ela
pode provocar graves doenças e ainda não tem cura. Ela diminui a capacidade de defesa do nosso
organismo contra outras doenças.
        É causada por um vírus chamado HIV, que pode passar de uma pessoa para a outra. Esse vírus
pode ser contraído durante o desenvolvimento fetal ou ao longo da vida, nas relações sexuais com um
parceiro contaminado ou, ainda, através de contaminação sangüínea. A doença não se transmite
através dos genes; portanto, não tem caráter hereditário e, sim, adquirido. A ação deste vírus sobre as
células de defesa, que fazem parte do corpo humano, provoca uma falha na vigilância do organismo,
causadora das infecções oportunistas.
        Sabemos que uma pessoa está contaminada somente através de um exame. A maior parte das
pessoas soropositivas (pessoas que têm o vírus da AIDS) não têm aparência de doente e, muitas
vezes, nem sabem que têm o vírus. Uma pessoa pode ter o vírus da AIDS muitos anos antes de ter
qualquer doença.
        Não existem grupos de risco: o vírus não escolhe quem vai contaminar. Há milhões de
mulheres, homens e crianças, de diferentes classes sociais ou credos, contaminados com o HIV.

        A melhor maneira de se evitar a AIDS é manter um parceiro único para as relações sexuais.
Entretanto, na dúvida, usar camisinha durante o ato.
        Apesar do consenso existente mundialmente, ainda há setores sociais que se posicionam
contra o uso do preservativo, argumentando, entre outras coisas, que o mesmo não seria uma barreira
eficaz contra o HIV. Entretanto, diversos estudos confirmam a eficiência desse método na prevenção
da AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis.
        Em um estudo, recentemente realizado, ficou demonstrado que o uso correto e sistemático de
preservativos, em todas as relações sexuais, apresenta uma efetividade estimada de 90 a 95% de
segurança.
        A impermeabilidade é um dos fatores que mais preocupam as pessoas. Em um estudo feito,
ampliou-se o látex do preservativo, utilizando-se de microscópio eletrônico, esticando-o em 2 mil
vezes, não foi encontrado nenhum poro.
        Em outro estudo, feito em 1992, concluiu-se que, mesmo nos piores casos, os preservativos
oferecem 10 mil vezes mais proteção contra o vírus da AIDS do que a sua não utilização.
        O HIV é um retrovírus. Ele transmite seu código genético através de uma molécula tipo RNA.
Normalmente, essas moléculas não são capazes de se inserir no código genético das células humanas,
pois este código se encontra em moléculas do tipo AND.
        Para que possa haver uma inserção, faz-se necessária a transformação do código viral de RNA
para DNA, que é feita através de uma enzima chamada Transcriptase Reversa (TR), característica
desse tipo de vírus. Existem outros retrovírus, como o HTLV I/II, cujas infecções são pouco
conhecidas e não são vírus da AIDS.




                                                                                                    53
Espiritismo e Genética




       A incidência da doença está assim distribuída (dados 1999/UNAIS):

       •      América do Norte - 900 mil
       •      América Latina - l,3 milhão
       •      Caribe - 360 mil
       •      Europa Ocidental - 520 mil
       •      África subsariana - 24,5 milhões
       •      África do Norte e Oriente Médio - 220 mil
       •      Leste da Europa e Ásia Central - 420 mil
       •      Sul e Sudeste Asiático - 5,6 milhões Leste Asiático e Pacífico - 530 mil
       •      Austrália e Nova Zelândia - l5 mil... num total de 34,365 milhões de pessoas.

        Nos últimos dois anos, foi registrado um aumento de 12,30% ao ano. No ano passado, a cada
mês, 313,750 pessoas se infectaram, ou seja, l0,450 por dia, no mundo. Mas está melhorando, pois
este índice já foi de 16.000.
        No Brasil, há aproximadamente 160 mil pessoas infectadas. A proporção atual entre homens e
mulheres aqui é de 3:1, tendendo cada vez mais a se igualar. Em 1985, essa razão era de 28 homens
para 1 mulher. Considerando-se que 85% das mulheres infectadas estão em idade reprodutiva, pode-
se perceber o enorme risco da transmissão perinatal de HIV.
        A transmissão da mãe para o concepto pode ocorrer em três momentos: durante a gravidez,
através da placenta; no parto, por contato com secreções ou sangue da mãe; e no puerpério, através do
leite materno.
        O vírus, em si, não é teratogênico e não prejudica o crescimento ou desenvolvimento fetais.
Entretanto, redução na média de peso, maiores taxas de prematuridade e ruptura de membranas são
observados.
        O melhor tratamento da AIDS é a prevenção.

       Existem hoje alguns medicamentos fazendo parte dos seguintes grupos: antivirais
nucleosídeos (o AZT, p.ex.); inibidores da protease; inibidores da transcriptase reversa não-
nucleosídeos; inibidores da fusão do HIV na parede da célula CD 4 positiva; associação do anticâncer
hidroxiurea com antivirais nucleosídeos, e outros.
       Em se tratando de pacientes imunocomprometidos, é relevante o papel das infecções por
germes oportunistas.

       Seguem-se os principais:

       •      Bactérias - Mycobacterium tuberculosis, mycobacterium avium, micobactérias atípicas
e outras: S. pneumoniae, H. influenza, S.aureus, Rhodoccocus equi e bacilos gram negativos
entéricos;
       •      Fungos - Cryptoccus neoformans, Pneumocystis carinii, Candida spp, Histoplasma
capsulastum;
       •      Protozoários intestinais - Cryptosporidium parvum, Isospora belli e Cyclospora
cayetanensis e outros microsporidium;
       •      Outros parasitas teciduais e intestinais - Strongyloides stercoralis, Giardia lamblia e
Toxoplasma gondii.




                                                                                                  54
Espiritismo e Genética




                                         Visão Doutrinária

        A predisposição orgânica às diferentes doenças tem, pela medicina terrestre, entre outras,
explicações genéticas. O espírita sabe que o perispírito, possuidor de núcleos desencadeadores das
patologias crônicas e facilitador das contaminações e infecções, é a residência, incontestável, das
doenças que eclodem no corpo material.
        De Jorge Andréa: “Os núcleos em potencialização, encontrados no inconsciente pretérito,
energeticamente negativos, desarticulam as sinergias do corpo espiritual, criando predisposições
mórbidas para variadas doenças. (...) As imprudências no campo sexual, o ócio, as carências
higiênicas, as promiscuidades facilitam o ataque dos microorganismos. (...) Em conseqüência, as
doenças eclodirão, nesta ou nas demais reencarnações, como dívidas cármicas...”.
        De Marlene Rossi Severino: “A energia sexual está vinculada à lei de ação e reação e, como
tal, o seu emprego obedece às mesmas regras: tudo quanto atirarmos em relação a outrem,
matematicamente, voltará para nós”.
        Em “Vida e Sexo”, de Emmanuel, lemos: “Toda vez que uma pessoa convida ou aceita um
convite para a comunhão sexual em bases de afinidades e confiança, estabelece-se entre ambas um
círculo de forças pelo qual a dupla se alimenta, psiquicamente, de energias espirituais em regime de
reciprocidade”.
        Portanto, o sexo moralizado exige:

       1.     Não proibições, mas educação;

       2.     Não abstinências, mas fidelidade;

       3.     Não normas de conduta, mas respeito a si mesmo e ao parceiro;

       4.     Não disciplina rígida, mas controle cristão;

       5.     Não impulso escravizado às regras, mas responsabilidade de ambos.

       Finalmente, de Joanna de Ângelis: “Enfrenta as fraquezas. Conscientiza-te dos teus pontos
vulneráveis e constatarás quão fácil te será vencer as tentações e superar as más inclinações que te
atormentam”.


                                            Bibliografia:


1.   O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Edição FEB, 02/1994;
2.   SEXO E DESTINO, de F.C.Xavier/André Luiz, Edição FEB;
3.   EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS, de F.C.Xavier/André Luiz, Edição FEB;
4.   VIDA E SEXO, de F.C.Xavier/Emmanuel, Edição FEB;
5.   GINECOLOGIA PRACTICA, do Prof. Dr. W. Pschyrembel;
6.   DOENÇAS INFECCIOSAS EM GINECOLOGIA, de Giles R.G. Monif;
7.   ENCICLOPEDIA GINECOLOGIA, do Prof. Jorge Resende/Paulo Belfort;
8.   DIAGNÓSTICO E TERAPIA EM GINECOLOGIA, de S. Piato;
9.   HPV – INF. GEN, de Claudio Jacynto.
                                                                                                 55
Espiritismo e Genética




                          XII. REENCARNAÇÃO E SEXO


                                          O Sexo do Bebê

        São conhecidos de literatura os casos de monarcas que baniram suas companheiras por não
lhe terem dado um filho varão. Motivos outros à parte, se esta era realmente a razão, hoje os mínimos
conhecimentos de Biologia e Genética nos demonstram que a mulher sempre produzirá um óvulo
feminino. Ao homem, é que caberá fornecer o espermatozóide que determinará o sexo do bebê.
        As células de nosso corpo apresentam, todas elas, 23 pares de cromossomos. Destes, um dos
pares é que determina o sexo. Se possuirmos o par XX, seremos mulher. Se possuirmos o par XY,
seremos homem. As únicas células do corpo que não possuem 23 pares de cromossomos, totalizando
46, mas apenas a metade deles (23), ou seja, um de cada par, são o espermatozóide e o óvulo. Esta
formação é feita especialmente para cada metade encontrar o seu par correspondente na concepção. O
fenômeno de redução acontece durante a meiose, que ocorre nos ovários e nos testículos.
        Como a mulher se apresenta com XX em todas as células, no óvulo só poderá ter X, que é o
representante do par chamado cromossomo sexual.
        Da mesma forma, de maneira análoga, se o homem se apresenta em todas as células de seu
corpo com 23 pares de cromossomos, sendo no par sexual XY, ele poderá formar espermatozóides
contendo o cromossomo X (feminino) ou o cromossomo Y (masculino).
        A união de um espermatozóide X com o óvulo, que sempre é X, dará um ovo feminino ou seja
uma futura menina.
        A união de espermatozóide Y com o óvulo, dará, um ovo XY, portanto desenvolverá um
corpo masculino.
        No corpo físico, teremos, então:

       a. o sexo genético ou cromossômico - determinado no ato da fecundação pelo encontro do
óvulo com o espermatozóide;

        b. o sexo gonádico – a presença do XX determinará, no indivíduo, gônadas (órgãos sexuais ou
genitália) femininas; a presença de XY, gônadas masculinas – sexo fenotípico - é dado pela
aparência – masculina ou feminina.

        c. ação dos hormônios - os hormônios são fabricados pelas glândulas de secreção interna e
lançados no sangue.
        A Hipófise influencia no mecanismo das outras glândulas.
        A glândula Pineal, situada na zona mediana do encéfalo, por intermédio de seu hormônio, a
melatonina, influencia toda a cadeia glandular.
        Pineal (melatonina) Hipófise (hormônios gonadotróficos)          Gônadas.
        Apesar de, em sua essência íntima, o espírito não ter sexo, as vivências pregressas determinam
uma nítida polarização energética do espírito reencarnante, com características masculinas ou
femininas.
        Podemos dizer que o espírito humano possui nas forças psicossexuais, um dos pilares da sua
própria evolução intelectual e ética, por ser a conseqüência de aquisições multimilenares e
continuamente renovadas pelas novas experiências no ciclo das reencarnações. Enquanto o espírito
não se apresentar integralmente desenvolvido e equilibrado na sua totalidade sexual, exteriorizará
sempre, no processo palingenésico, a polaridade sexual que está a exigir experiência e vivências na
zona física.
                                                                                                    56
Espiritismo e Genética

        Os espíritos superiores possuem o potencial dessas energias sexuais de forma integral. Nos
menos evoluídos, como no nosso planeta, as forças estarão pendentes na polarização masculina e
feminina, com variação maior ou menor, conforme as características individuais dos mesmos.
        Convém também que façamos referência aqui que os espíritos, pelas suas características
perispirituais, são vistos pelos médiuns videntes com aspecto de sua última encarnação humana e,
com isto, também demonstram a sua polaridade sexual.
        Tanto os espíritos masculinos como os femininos expressam-se e imprimem, em suas
vibrações energéticas, a tendência sexual que lhes é natural e decorrente de suas inclinações mentais.
Estas características, quando não modificadas ou bloqueadas por uma razão superior com finalidade
educativa, irão expressar na organização física um sexo masculino ou feminino.
        Desde antes da fecundação, o espírito reencarnante ligado ao óvulo expressa a sua polaridade
sexual por uma vibração típica. Em função desta característica, de suas energias, passará a atrair e
conduzir com equilíbrio e precisão o espermatozóide mais credenciado à formação do sexo do futuro
ser, quer seja masculino (espermatozóide Y) quer feminino (espermatozóide X).


      O Espírito reencarnante usa como instrumento, para suas tarefas com vistas ao
progresso, o corpo físico.

       O sexo como manifestação da sexualidade e, como todas as nossas características do
corpo físico, está na dependência das necessidades do Espírito (expiação, prova, missão através
da reencarnação escolhida ou compulsória).

       De acordo com Jorge Andréa, o espírito ou a energética do inconsciente carrega as
potencialidades dos dois sexos, e no corpo mostra a sua polarização masculina ou feminina.
       Concluindo, com Jorge Andréa, em Forças Sexuais da Alma: “O Espírito é o responsável pela
onda morfogenética a que pertence. A definição sexual é conseqüência das necessidades do Espírito
para se construir. Evolução espiritual implica na utilização equilibrada do sexo. Sexo bem dirigido
leva à monogamia ou à castidade construtiva. Sexo mal dirigido leva à poligamia ou castidade sem
aplicação das energias construtivas”.

                                          Intersexualismo

        Considerando a diversidade de conceituação existente na leitura psicológica, médica,
filosófica e outras, cumpre inicialmente nos posicionarmos sobre o significado que estamos
atribuindo a cada uma das denominações a serem estudadas.
        Chamaremos de intersexualismo os casos individuais que, desde nascimento, apresentam a
genitália ambígua, ou seja, aquela que suscita pesquisa médica, por vezes minuciosa, para definição
do sexo. São os casos clínicos de recém-natos em que apenas o exame externo ou ectoscópico, não
permite, em geral, determinar se aquela pequena criatura é do sexo masculino ou feminino. Nestes
casos, recorre-se a métodos laboratoriais, radiográficos ou cirúrgicos para esclarecimento e
encaminhamento correto do problema. São designados estes casos de intersexualismo, também, de
pseudo-hermafroditismo, pois hermafroditismo seria a existência completa dos órgãos reprodutores
dos dois sexos num mesmo indivíduo.
        O intersexualismo ocorre, sem dúvida, por fatores genéticos e embriológicos que, por sua vez,
são conseqüência da influência energética do estado desarmônico do Espírito. A profunda
desarmonia, existente nos núcleos psicossexuais do inconsciente, irradiam ondas magnéticas para a
periferia, influenciando sobre as moléculas de DNA.(genes) que, pelas suas características
energéticas de alta especialização, passarão a responder com as anomalias físicas conseqüentes.
        Nos bebês intersexuais, após a análise médica do caso, envolvendo cariograma com
corpúsculo de Baar (que identifica o sexo feminino quando presente em mais de 5% das células), a
                                                                                                   57
Espiritismo e Genética

cirurgia é indicada, tornando-se de grande importância o amparo psicológico e espiritual da criança
na seqüência do acompanhamento do caso.

                                         Transsexualismo

        Conceituando transsexualismo, adotaremos o critério do Dr. Jorge Andréa. São agrupados
nesta denominação, aqueles indivíduos que não têm qualquer ambigüidade anatômica na sua
genitália. Fenotipicamente (aparência biológica) são normais e suas características físicas são todas
relacionadas a um só sexo. Não há desvio biológico de qualquer natureza: os órgãos genitais são
absolutamente normais como toda a fisiologia hormonal.
        No transexual, dentro da exterior normalidade, haveria alterações psicológicas, ou seja, as
atitudes emocionais do indivíduo correspondem ao sexo oposto. Seriam, por exemplo, homens com
órgãos sexuais anatomicamente normais, com fisiologia também sem anormalidades, porém de
psiquismo correspondente a um Espírito feminino.

        Da mesma forma, para o lado feminino, estaríamos diante de uma mulher anatomo-
fisiologicamente sem qualquer anormalidade, porém possuindo um arcabouço psicológico refletindo
atitudes e atividades tipicamente masculinas.
        Muitos transexuais jamais se permitem atitudes de desequilíbrio em relação à sua morfologia.
Muitos deles se tornam artistas, das letras, da música, ou da pintura, canalizando seu potencial
energético para estas atividades. Muitos desenvolverão funções sexuais corretas em relação à sua
fisiologia, sem excessos, próprios do sexo em que se encontram, embora as tendências psicológicas
sejam de polarização oposta. Muitas vezes incompreendidos ou mal interpretados, são tidos como
homossexuais.
        Observando na história, encontraremos muitos casos de transsexualismo adaptados e
equilibrados à sua condição física.
        Vejamos o caso do famoso Chopin, que se consorciou com a romancista George Sand.
Chopin, embora homem biologicamente, possuía uma alma tipicamente feminina, refletindo-se na
grande sensibilidade da arte. Sua sensibilidade crescia cada vez mais, em termos de espírito, à medida
que se enfraquecia pela doença. George Sand, que expressava em seu corpo feminino sua condição de
mulher, tinha toda psicologia masculina. Desde seu pseudônimo, George, até pelas atitudes e
resoluções fortes que tomava. Diz-se que, quando uma goteira se fazia no telhado, Chopin se
inspirava em compor, enquanto sua esposa George Sand, pensava como consertar o vazamento no
teto...
        Há Espíritos que reencarnam em sexo oposto à sua natureza íntima, não havendo prejuízos
para sua vida sexual ou social.
        Se existe harmonia interior, esta harmonia se transmite para a periferia. Espíritos podem
reencarnar em ambos os sexos, sem haver qualquer distúrbio psicológico ou comportamental.
Voltamos a frisar que a conceituação de transsexualidade que estamos adotando nada tem a ver com a
orientação homossexual. Passaria o Espírito, em constante evolução, por uma série periódica de
encarnações num determinado sexo e posteriormente em outro, como que obedecendo a uma lei de
harmonia dos contrastes ou equilíbrio de polarização.

                                        Homossexualidade
       Observações iniciais:

       Até o início dos anos 70, a grande maioria dos psiquiatras estava ainda convencida de que a
homossexualidade era uma doença mental. Alguns acreditavam que ela poderia ter causas físicas,
como é o caso de inúmeras doenças mentais. Mas a maioria acreditava que sua origem estava,
geralmente, num desvio da sua orientação sexual, provocada por uma perturbação do
desenvolvimento psicossexual. Os psicanalistas sempre admitiam que homossexualidade estava
                                                                                                   58
Espiritismo e Genética

ligada a uma carência no processo de identificação durante a infância. Em outras palavras, o adulto
homossexual teria sido uma criança que não conseguiu encontrar sua anatomia e definir sua
identidade sexual em relação aos pais.
        Pelas pesquisas genéticas, atualmente os geneticistas já conseguiram identificar o lócus no
cromossomo para essa característica (GAY-1). O trabalho agora é rastrear o gene gay (Xq28). Há
outras tantas pesquisas sendo feitas nesse campo.
        Foi a partir dessas descobertas, que se mudou o conceito de homossexualidade, não mais
sendo considerada como uma patologia mental, mas como uma orientação sexual. Assim:

       1973 – A Associação Americana de Psiquiatria deixa de catalogar a homossexualidade como
doença e removeu-a do Manual de Diagnóstico e Estatística de Desordens Psiquiátricas;

       1975 – A Associação Americana de Psicologia declara que a homossexualidade não é uma
patologia;

        1º de maio de 1993 – A OMS retirou a homossexualidade de sua lista de doenças mentais. O
Código Internacional de Doenças (CID 10), considera que “a orientação sexual por si só não pode ser
vista como um transtorno sexual”.

       Não é uma opção nem uma doença, é uma característica.

       Visão Doutrinária da Homossexualidade:

       Para a Doutrina Espírita, as causas tem origem em vidas passadas. Para a psicologia pode ser:

       1.      Predisposição genética;
       2.      Alterações hormonais;
       3.      Traumas infantis e mau relacionamento familiar (forte fixação na mãe, ausência da
       figura paterna, inibição do desenvolvimento masculino pelos pais);
       4.      Fatores sociais negativos (grupo-iniciação sexual).

        O sexo é mental.
        André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos, nos diz:
        “Além da trama de recursos sanatórios, a alma guarda a sua individualidade sexual intrínseca,
a definir-se na feminilidade ou masculinidade, conforme os característicos acentuadamente passivos
ou claramente ativos que lhe sejam próprios”.
        A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no veículo físico, mas sim na entidade
espiritual... O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer
impositivos da forma em que se exprime “.” (...) o sexo reside na mente, a expressar-se no corpo
espiritual e conseqüentemente no corpo físico...”“.
        A mente estará enriquecida de experiências masculinas e femininas. A sua individualidade
será determinada pelo número maior de reencarnações, em virtude das experiências repetidas nos
séculos (características passivas ou ativas).
        No livro “Ação e Reação”, André Luiz nos diz: “o sexo é a soma das qualidades passivas ou
positivas do campo mental do ser”.




                                                                                                  59
Espiritismo e Genética

       Situações em que surge a homossexualidade:

       Jorge Andréa, no livro “Forças Sexuais da Alma”, para fins didáticos, nos mostra as seguintes
situações:

       1.     Espíritos com a mente acentuadamente feminina reencarnam, em processo de
        expiação, em corpo masculino:
       - O corpo masculino vai criar muitas dificuldades para a manifestação dos impulsos e
       tendências da mente feminina;
       - A inversão não é da mente, é do corpo físico passageiro.

       Emmanuel, no livro “Vida e Sexo”, nos diz: “a individualidade em trânsito da experiência
       feminina para a masculina, ou vice-versa, ao envergar o corpo físico, demonstrará fatalmente
       os traços da feminilidade em que terá estagiado por muitos séculos”.

       2.     Espíritos com mente marcadamente masculina, em processo de expiação, reencarnam
        em corpo feminino:
       - Ocorre quando o homem tiraniza a mulher (abusos) e virá para aprender a respeitá-la, como
       mãe, filha, companheira, irmã, diante de Deus;
       - Ou para adquirir experiência.

       3.      Espíritos cultos e sensíveis com a mente acentuadamente feminina ou marcadamente
        masculina, reencarnam em corpo diferente de sua estrutura psicológica, para execução de
        tarefas no campo do desenvolvimento intelectual, moral e espiritual da humanidade.

        André Luiz nos diz: “os grandes corações e os belos caracteres que, em muitas circunstâncias,
reencarnam em corpo que não lhes corresponde aos mais íntimos sentimentos, posição solicitada por
eles próprios, com o objetivo de operarem com mais segurança e valor, não só o aprimoramento
moral de si mesmo, como também a execução de tarefas especializadas, através de estágios perigosos
de solidão, em favor do campo social terrestre que lhes vale.
        De renúncia construtiva para acelerar o passo no entendimento da vida e do progresso
espiritual”.
        Nesse caso, os Espíritos não tem comportamentos inconvenientes, porque já possuem
elevação moral e espiritual que disciplina emoções e desejos.
        O que querem é garantia de cumprir bem a missão na experiência humana.
        Essa inversão temporária não choca, não perturba e nem arrasa sua personalidade.
        A homossexualidade, nos dois primeiros casos, é expiação (dificuldades morais e vícios). No
terceiro caso, é o cumprimento de tarefas específicas, como nos diz André Luiz, no livro Evolução
em Dois Mundos: “pelo instinto sexual, as criaturas transitam, de caminho a caminho, nos domínios
da experimentação multifária, adquirindo as qualidades de que necessitam; com ele, vestem-se da
forma física, em condições anômalas, atendendo a sentenças regeneradoras na lei de causa e efeito, ou
cumprindo instruções especiais com fim de trabalho justo”.
        Já que a maioria de nós não tem ainda grandes conquistas no campo sexual, é recomendável
que os indivíduos que nasceram invertidos sexualmente, optem pela castidade, devido ao grande risco
de incorrerem na promiscuidade. Podemos compreender e ajudá-los melhor se aprendermos um
pouco sobre a evolução do impulso sexual. Numa faixa evolutiva, temos:




                                                                                                  60
Espiritismo e Genética

       1.     O estuprador (comportamento patológico, pois, prejudica o outro e a si mesmo);
       2.     O sedutor (comportamento infantil; o sexo é instintivo, egoísta, podendo ser
        promíscuo);
       3.     O infiel (comportamento infantil);
       4.     O fiel (comportamento adulto; sexo é sentimento, partilha);
       5.     O sublimado (comportamento sábio; há transcendência do sexo para a doação,
        desapego, renúncia, sacrifício).

        Percebemos que não podemos exigir de uma pessoa aquilo que ela ainda não possui,e,
conseqüentemente, não consegue dar. Portanto, para evitar que ela caia na promiscuidade, é preferível
que encontre um(a) companheiro(a) e tenham ambos um comportamento de fidelidade.
        No “Evangelho Gnóstico de Tomé”, Hermínio C. de Miranda comenta: “seja como for, o ideal
da castidade ou mesmo da abstinência, consolidou-se no Gnosticismo e parece ter coincidido com o
pensamento de Paulo que o admite como alternativa menos indesejável para aquele que não consegue
dominar o impulso animal. É o que ele ensina, ao conceder que “é melhor casar do que abrasar”.
        No livro “Laços de Família”, Divaldo Pereira Franco diz que “o homossexualismo é uma
experiência evolutiva no processo de desenvolvimento dos valores éticos do ser”.
        “O Espiritismo de forma alguma é contra a estrutura homossexual do indivíduo, não anuindo,
porém, com a pederastia, a entrega do homossexual aos hábitos e práticas perturbadoras, o que é
muito diferente”.
        “A pessoa pode ter uma sensibilidade masculina num corpo feminino, porém não é necessário
que tenha uma vida promíscua só porque existe esse choque entre sua psicologia e sua anatomia”.
        No livro “Família e Espiritismo”, no item Implicações Espirituais do Sexo, Osvaldo Magro
Filho nos diz: “não é o fato de um Espírito reencarnar num corpo de homem e depois num corpo de
mulher (e vice-versa) que implica que este terá comportamento homossexual, mas sim, o valor que o
Espírito dá ao sexo, sob a ótica masculina ou feminina. Isto o levará, em outra existência, às
reminiscências passadas e às tendências homossexuais”.
        “Esta prova é transitória e o poderá reajustar, sem, contudo, cair na prática sexual
desordenada”.
        Em “Loucura e Obsessão”, Manuel Philomeno de Miranda (cap. 5 e 6) analisa um caso a esse
respeito e traça orientação muito oportunas para aqueles que transitam nessa etapa.
        “Assim, o melhor agente profilático para esses desequilíbrios é evitar a promiscuidade, tão em
voga na atualidade”.
        O que fazer?
        Se encontramos dificuldade em aceitar, tolerar e conviver, pensemos o que faríamos se
estivéssemos no lugar deles.
        No livro “Sexo e Destino”, André Luiz diz:
        “(...) Inúmeros espíritos reencarnam em condições inversivas, seja no domínio de lides
expiatórias ou em obediência a tarefas específicas, que exigem duras disciplinas por parte daqueles
que as solicitam ou que as aceitam. Homens e mulheres podem nascer homossexuais ou intersexos,
como são suscetíveis de retomar o veículo físico na condição de mutilados ou inibidos em certos
campos de manifestação, aditando que a alma reencarna, nessa ou naquela circunstância, para
melhorar-se, aperfeiçoar-se e nunca com a destinação do mal, o que nos constrange a reconhecer que
os débitos, sejam quais sejam, em quaisquer posições, correm por nossa conta. (...) As personalidades
humanas, tachadas por anormais, são consideradas tão carentes de proteção quanto às outras que
desfrutam a existência garantida pelas regalias da normalidade. Segundo a opinião dos homens,
observando-se que as faltas cometidas pelas pessoas de psiquismo considerado anormal são
examinadas no mesmo critério, aplicado às culpas das pessoas tidas por normais, notando-se ainda
que, em muitos casos, os desatinos das pessoas supostas normais são consideravelmente agravados,
por menos justificáveis perante acomodações e primazias que usufruem no clima estável da maioria”.
        O que nos espera?
                                                                                                   61
Espiritismo e Genética

        Ainda no livro “Sexo e Destino”, André Luiz comenta:
        “(...) No mundo porvindouro, os irmãos reencarnados, tanto em condições normais quanto os
julgados anormais, serão tratados em pé de igualdade, no mesmo nível de dignidade humana,
reparando-se as injustiças assacadas, há séculos, contra aqueles que renascem sofrendo
particularidades anômalas, porquanto a perseguição e a crueldade com que são batidos pela sociedade
humana lhes impedem ou dificultam a execução dos encargos que trazem à existência física”.


                                         Sexo transviado

       Conduta Espírita ante o sexo transviado:

        Ouvirás referências descaridosas em torno do sexo transviado; no entanto, guardarás
invariável respeito para com os acusados, sejam eles quais forem.
        Muito fácil traçar caminhos no mapa. Sempre difícil trilhá-los debaixo da tempestade, às
vezes sangrando as mãos para sanar dificuldades imprevistas.
        É preciso saber penetrar fundo nas necessidades do espírito, para enxergá-las com segurança.
        Aplica a bondade e a compreensão toda vez que alguém se levante contra alguém, porque, em
matéria de sexo, com raras exceções, todos trazemos heranças dolorosas de existências passadas,
dívidas a resgatar e problemas a resolver.
        Muitos daqueles que apontam, desdenhosamente, os irmãos caídos em desequilíbrio emotivo,
imaginando-se hoje anichados na virtude, são apenas devedores em moratória, que enfrentarão,
amanhã, aflitivas tentações e provações, quando soar o momento de reencontrarem os seus credores
de outras eras.
        Não condenarás.
        Enunciando tais conceitos, não aceitamos os desvarios afetivos como sendo ocorrências
naturais. Propomo-nos defini-los por doenças da alma, junto das quais a piedade é trazida para
silenciar apreciações rigoristas.
        Nas quedas de sentimento, há que considerar não somente a fraqueza, necessitada de
compaixão, mas também, e muito comumente, o processo obsessivo que reclama socorro ao invés de
censura. Não podemos medir a nossa capacidade de resistência, no lugar do companheiro em crise e,
por isso, é aconselhável caminhar com a misericórdia em quaisquer situações, para que a misericórdia
não nos abandone quando a vida nos chame ao testemunho de segurança moral.
        Se alguém caiu em desvalimento ou desceu à loucura, em assunto do coração, misericórdia
para ele! Em todas as questões do sexo transviado, usa a misericórdia por base de qualquer
recuperação. E, quando a severidade nos intime a gritar menosprezo, acalentar maledicência, estender
escárnio ou receitar punições, recordemos Jesus. Aquele de nós que jamais tenha errado, em nome do
amor, seja em pensamento ou palavra, atitude ou ação, atire a primeira pedra. (ENCONTRO
MARCADO, de Emmanuel/F.C.Xavier).




                                           Bibliografia:

   1. O ESPIRITISMO E OS PROBLEMAS HUMANOS, Deolindo Amorim e Hermínio C. de
      Miranda;
   2. ENCONTRO MARCADO, F.C.Xavier/Emmanuel, Edição FEB;
   3. EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS, André Luiz, Edição FEB;
   4. FORÇAS SEXUAIS DA ALMA, Jorge Andréa, Edição FEB;
   5. SEXO E DESTINO, de André Luiz/F.C.Xavier, Edição FEB;
                                                                                                 62
Espiritismo e Genética




6. SEXO, AMOR E EDUCAÇÃO, Celso Martins;
7. AMOR, CASAMENTO E FAMÍLIA, Jaci Regis;
8. DIVALDO FRANCO EM UBERABA, Carlos A. Baccelli;
9. SEXO, SUBLIME TESOURO, Eurípedes Kühl;
10. O EVANGELHO GNÓSTICO DE TOMÉ; Hermínio C. de Miranda;
11. LOUCURA E OBSESSÃO, Manoel P. de Miranda, Edição FEB;
12. FAMÍLIA E ESPIRITISMO, Autores diversos;
13. LAÇOS DE FAMÍLIA, Divaldo Pereira Franco;
14. CRIAÇÃO EM SEPARADO, Chandler Burr;
15. FENOMENOLOGIA DA HOMOSSEXUALIDADE MASCULINA, Nestor Eduardo Teson;
16. SEXUALIDADE: OPÇÃO OU DETERMINISMO, Cláudio Meneghello Martins;
17. TRANSEXUALISMO E IDENTIDADE SEXUAL, Paulo Roberto Ceccarelli.




                                                                     63
Espiritismo e Genética




                        XIII. A ENGENHARIA GENÉTICA


       Assim como na Informática, a cada hora, em algum lugar do mundo, alguém sedimenta mais
um tijolo na sua grandiosa construção científica.
       As possibilidades da Engenharia Genética são inimagináveis. Vejamos algumas:

        Genoma humano e de outras espécies
        Reprodução assistida
        Gestação pós-menopausa
        Fecundação in vitro
        Clonagem de animais
        Clonagem de seres humanos
        Geneterapia fetal
        Nascimento de bebê cuja mãe já morreu há mais de um ano
        Cura de paciente com medula de irmão que ainda nem foi gerado
        Escolha de sexo, pelos pais, para os futuros filhos
        Animais com olhos nas patas
        Animal com orelha humana (rato)
        Mudança de sexo em animais
        Plantações indenes a pragas
        Alimentos (grãos) aditivados com proteínas de outras espécies
        Alimentos transgênicos
        Descoberta de proteína que impede a formação de gordura (contra obesidade)
        Droga bloqueadora de gen que provoca a inflamação e morte de células cerebrais (esperança
para os que sofrem da doença de Parkinson ou de Alzheimer)
        Pistas sobre a origem da inteligência humana
        Descoberta de gen associado ao infarto
        Implante de células-tronco (células não especializadas capazes de originar qualquer tipo de
tecido) na reparação de danos causados no cérebro
        Uso de pele de rã no tratamento de queimados
        Pesquisas (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP) sobre vacinas de DNA para
tuberculose
        Cientista “enganaria” o HIV – pesquisas feitas com camundongos
        Descoberta de gen relacionado à esquizofrenia
        Feijão resistente a vírus
        Bezerros de proveta
        Cana transgênica, imune a pragas e doenças
        Genes podem orientar o vôo das abelhas – estudos publicados na revista científica “Nature”
        Mosquito transgênico usado contra a malária
        Pesquisadores da Embrapa preparam mudanças no código genético de galinhas para que
tenham mais carne no peito, sejam mais resistentes a doenças e produzam ovos mais duros
        Bactéria do cólera (doença que atacou 4620 pessoas no Brasil em 1999) tem seu DNA
mapeado (4 milhões de pares de bases A,C,T,G). Os cientistas encontraram 3.885 genes divididos em
2 cromossomos.
        A inteligência é mapeada
        Planta transgênica faz proteína anticoagulante de sanguessuga.
                                                                                                   64
Espiritismo e Genética




       Células-tronco são isoladas do cérebro de cadáveres
       Salmão gigante, 37 vezes maior do que o normal
       Tomates duráveis.

                                        Visão Doutrinária

        Na Genética, a questão crucial não é o que pode ser feito e sim o que deve ser feito, com
responsabilidade, bom senso e ética.
        Se a Engenharia Genética acena com transformações psíquicas instantâneas, não há como
excluir desse panorama a interação dos Mensageiros Celestiais, concedendo à Terra tal avanço
científico.
        Baseados no Evangelho, acreditamos que só serão beneficiados pelos programas
geneterápicos aqueles que tiverem merecimento.
        Os avanços da Genética trazem indicativos de que tal progresso científico constitui um
verdadeiro despertamento para as coisas do Espírito.
        Ao Espiritismo e aos espíritas cabe a tarefa de indicar o Evangelho de Jesus Cristo que nos
iluminará as decisões.
        Se Deus é o princípio das leis do mundo material e do mundo moral, elas não podem se
contradizer. E onde está escrita a Lei de Deus? – Na consciência! (Q. 621 do L.E.).
        A Engenharia Genética é vista com naturalidade pelo Espiritismo, como se pode ver na
resposta do Espírito Emmanuel, no caso da fecundação assistida: “Tais espíritos vêm à luz mediante
preparação espiritual? – Sim, (...) obedecem aos Planos Superiores”.
        Com relação ao risco que a Engenharia nos aponta sobre a superpopulação, vejamos a
Pergunta 687 de “O Livro dos Espíritos”: (...) Chegará tempo em que a população seja excessiva na
Terra? – “Não. Deus a isso provê e mantém sempre o equilíbrio”.
        Em “A Gênese”, cap. I, item 55, lemos o seguinte: “Caminhando de par com o progresso, o
Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro
acerca de um ponto qualquer, ele (o Espiritismo) se modificaria nesse ponto”.
        Concluindo a visão doutrinária, pensamos que o Espiritismo deve aceitar as “revelações” da
Engenharia Genética, desde que tenham por objetivo a melhoria da saúde humana, quando dirigidas
essencialmente para o bem da humanidade.
        O homem, a bordo da razão, com a lógica à esquerda e a fé em Deus à direita, ficará impedido
de considerar a Engenharia Genética e a geneterapia como um louco e irresponsável devaneio de
cientistas ou pesquisadores.

                                            Conclusões

       Os avanços da Ciência chegarão à Terra, como estão chegando, na proporção direta do
merecimento planetário (embora, inicialmente, o homem faça mau uso).
       Nada acontece fora da Onisciência Divina.
       A evolução segue o planejamento Divino.
       Prepostos do Mestre Jesus zelam pelo Planeta Terra. Sob a direção de Jesus, o Barco Terreno
está em muito boas mãos.
       Com fé na justiça, na proteção, na bondade e no amor do Criador por suas criaturas, não há
lugar para temores!




                                                                                                 65
Espiritismo e Genética



                              XIV. OS TRANSGÊNICOS

                                           Transgênicos

        O que são? - São alimentos geneticamente modificados por meio da introdução de genes de
espécies diferentes. Estes alimentos apresentam características distintas das originais, nem sempre
capazes de serem percebidas pelos consumidores.

                                        Como são obtidos?

        São alimentos criados em laboratório por meio da engenharia genética, que utiliza técnicas do
DNA recombinante ou introdução direta de material genético de outra espécie. Esta produção em
laboratório pode durar até dois anos. A espécie modificada finalmente serve para o plantio.

                                     Por que são produzidos?

       Porque os alimentos modificados podem apresentar características a princípio benéficas:

       Maior resistência a herbicidas;
       Maior resistência a pragas;
       Obtenção de alimentos mais nutritivos;
       Produção de plantas-vacina.

       Os riscos dos transgênicos podem ser:
       1.     Para a saúde humana:
            • Alergias;
            • Aumento da resistência a antibióticos;
            • Possibilidade do surgimento de novos vírus.

       2.      Para o ambiente: - Empobrecimento da biodiversidade.

       •      Segundo o biólogo Patrick Bateson, Vice-Presidente da Royal Society, em
comunicado, feito através da Academia de Ciências do Reino Unido, não há nenhum indício de que
alimentos geneticamente modificados sejam prejudiciais;
       •      Entre Abril de 2001 a Janeiro de 2002, pesquisadores da Universidade de Ilenois
entregaram 386 porcos transgênicos para um fornecedor que revendeu a carne suína, sem prejuízo
algum aos consumidores;
       •      Pesquisadores introduziram o gen de uma bactéria nos grãos de milho e conseguiram
uma variedade que resiste aos insetos mais comuns;

        •      Depois de criar uma soja à prova de pragas, os laboratórios buscam cereais com mais
proteínas e gosto de carne;
        •      A empresa Monsanto está trabalhando em um algodão que já nasce colorido, pronto
para os fabricantes de tecidos;
        •      Camarão transgênico para a mesa de alérgico: A ciência promete dar aos alérgicos a
alegria de comer camarão. Pesquisadores da Universidade de Tulane, nos EUA, desenvolvem um
camarão transgênico sem o gen da tropomiosina, proteína responsável por boa parte dos casos dessa
alergia;
                                                                                               66
Espiritismo e Genética


       •      Tratamento promete reduzir riscos para alérgico a nozes e amendoim à base de
injeções de um anticorpo geneticamente modificado que retarde a reação alérgica;
       •      Consórcio de bananas: Cientistas de 11 países vão unir esforços para decodificar os
genes da banana. A partir dessa força-tarefa, da qual fazem parte pesquisadores brasileiros, espera-se
chegar à receita genética que permitirá, no futuro, produzir frutos resistentes a pragas e, portanto,
menos sujeitos aos banhos de agrotóxicos. (Notícia de “Isto É”, de julho/2001).




                                   Cronologia dos Transgênicos


DATA                                           EVENTO
 1719    Primeiro registro de planta híbrida
 1799    Primeiro registro de cereal híbrido
 1866    Mendel publica seu trabalho sobre cruzamento de ervilhas
 1876    Cruzamento entre espécies e entre gêneros
 1900    E.U.A. cultivam milho híbrido
 1970    Nasce a Engenharia Genética com a recombinação de trechos de DNA de uma bactéria
         depois de haver sido incluído um gen de sapo
 1983    Desenvolvida a primeira planta geneticamente modificada: uma linhagem do tabaco
         resistente a antibióticos
 1989    Nos E.U.A, 5000 pessoas ficam doentes, 37 morrem e 1500 ficam inválidas após o
         consumo de alimento transgênico produzido pela empresa japonesa Showa Denko
 1990    Nos E.U.A, 5000 pessoas ficam doentes, 37 morrem e 1500 ficam inválidas após o
         consumo de alimento transgênico produzido pela empresa japonesa Showa Denko
 1994    Primeiro alimento transgênico nos supermercados nos E.U.A.: um tomate que demora
         em amadurecer. (Dura até 40 dias fora da geladeira)
 1997    Desenvolvido o milho híbrido mais rico em vitamina A, zinco e ferro
 1998    O Brasil aprova plantio experimental de transgênico em 48 áreas de São Paulo, Minas
         Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul
 1999    Canola transgênica produz de 55 a 68% mais gorduras benéficas
 1999    U S P e Unicamp desenvolvem milho com gen humano
 2000    Produção de canola enriquecida com betacaroteno, precursor da vitamina A
         Pesquisadores desenvolvem arroz com betacaroteno
         EMBRAPA produz feijão resistente ao vírus do mosaico dourado
 2005    Começo da Bio-Segurança – rótulos nos alimentos transgênicos




                                                                                                   67
Espiritismo e Genética

                                  XV. GENETERAPIA

                          Geneterapia ou Terapia Genética – O que é?




       É um tratamento para “curar” o gen defeituoso, substituindo-o por um gen sadio, ou seja, uma
cópia corrigida. Por exemplo: se uma pessoa não produz uma proteína importante, ela pode receber o
gen que contém informações necessárias para que suas células a fabriquem. O gen também pode levar
informações para a produção de substâncias tóxicas contra células indesejáveis, como as de um
tumor.
       As doenças causadas por apenas um gen seriam mais facilmente tratadas – a fibrose cística,
por exemplo. Mas, a maioria das doenças genéticas decorre de falhas em vários genes, como é o caso
do câncer.
        Embora estejam sendo feitos testes de terapia genética, ainda não há previsão para que uma
delas funcione.
      No Rio de Janeiro, pesquisadores do INCA começam tratamento contra uma forma mortal de
anemia e leucemia.
        Vejamos, a seguir, algumas pesquisas em andamento sobre a geneterapia:
        Terapia contra doenças do sangue – Pesquisadores do INCA esperam tratar a anemia de
Fanconi com a ajuda de um vírus conseguido em laboratório. Esse vírus servirá para levar uma cópia
do gen associado à doença para células do paciente.
        Terapia genética no combate a tumores através de um vírus modificado geneticamente. As
pesquisas e seus resultados foram publicados na revista “Nature Medicine” e se referem à eficácia do
tratamento de tumores na cabeça e no pescoço.
        Geneterapia para retardar a doença de Alzheimer. Esta doença deriva do acúmulo de uma
certa proteína (a beta amilóide) e de células nervosas mortas no cérebro que provocam a deterioração
                                                                                                  68
Espiritismo e Genética




dos neurônios, levando à perda de memória e dificuldades no aprendizado. Descrita pela primeira vez
em 1906 pelo médico Alois Alzheimer, somente em abril de 2001 foi feito o primeiro implante de
células modificadas em paciente com a doença.
        Criada nova arma contra o mal de Parkinson – notícia de Ciência e Vida, em 21.01.2001:
Brasileira descobre segunda proteína associada à doença e estuda meios de neutralizar sua ação. (O
mal de Parkinson é uma disfunção cerebral caracterizada por tremores, dificuldades de movimentos e
coordenação. A causa é uma lesão nos neurônios ligados à substância cerebral que controla os
movimentos musculares).
        Geneterapia para o coração doente – Técnica utiliza um gen para revascularizar as áreas não
irrigadas do músculo cardíaco devido à obstrução de artérias. A Genética chegou à Cardiologia. Um
gen conhecido como fator de crescimento de vasos (VEG-F) é capaz de fazer surgir pequenos vasos
no músculo cardíaco, melhorando a irrigação sangüínea de áreas que não estão recebendo sangue
suficiente, devido à obstrução das artérias coronárias. (O gen VEG-F, nos seres humanos, é inativo.
Com técnicas especializadas, ele é extraído de amostras de sangue e reativado. Depois é inserido
numa solução que é introduzida no coração, através de um cateter ou injetada diretamente no músculo
cardíaco com uma seringa. Em poucos dias, o gen leva à formação de pequenos vasos, ligando áreas
irrigadas a regiões que não estão recebendo sangue regularmente).
        Diagnóstico precoce de fibrose cística e distrofia muscular.
        Inserção de genes – Nos EUA, 92 pacientes estão sendo testados com a introdução de genes
normais no organismo para substituir as funções dos genes defeituosos.
        Rim policístico – doença hereditária que produz cistos nos rins e em outros órgãos,
prejudicando seu funcionamento. Pesquisadores norte-americanos identificaram a composição
completa do gen que causa essa doença.




                                                                                                69
Espiritismo e Genética




                                   O mau uso da Geneterapia

       Riscos do uso da geneterapia:

        Discriminação – O acesso às informações genéticas pode resultar em tratamento diferenciado
para portadores de genes defeituosos ou por parte de companhias de seguro, plano de saúde e
empregadores.
        Aumento da população – Tratamentos mais eficazes para as doenças levarão ao aumento da
expectativa de vida, dando origem à superpopulação mundial, com grande número de idosos.
        Manipulação genética de embriões, levando à busca pela “pureza de raças”.
       Conclusão: Com relação a essas observações, preferimos ficar com Eurípedes Kühl (Genética
e Espiritismo): “Prevendo doenças, mais fácil tratá-las. Menos doenças, menos dor. Menos dor, mais
evolução espiritual. Mais evolução espiritual, mais amor entre os homens. E mais amor, mais
próximos de Deus”.
                                                                                                70
Espiritismo e Genética




                             Geneterapia contra o Envelhecimento

        Experiências com ratos mostraram que, em laboratório, esses animais viveram 10 vezes mais,
depois de modificações feitas em alguns genes (Revista Isto É de 22-11-2000).
        Cientistas britânicos descobriram um gen ligado a uma doença de pele hereditária que pode
levar ao tratamento do envelhecimento.
        Pouco se sabe sobre o envelhecimento do ser humano. Quando houver maiores descobertas,
tornar-se-á possível a respectiva geneterapia.
        Um gen, batizado de thrombos-pondin, é um dos responsáveis pelo infarto, uma das principais
causas de morte. O mesmo gen estaria ligado à formação de coágulos nos vasos sangüíneos,
aumentando o risco de entupimento das artérias (segundo o cardiologista Eric Tropol).
        Outra pesquisa (Julian Halcox, do Instituto Pulmão e Sangue, dos EUA) mostra a relação de
um gen com a boa saúde do coração. Esse gen chama-se enos (894T) e está envolvido no controle de
óxido nítrico no sangue, substância que ajuda a dilatar as artérias, facilitando o fluxo do sangue.




                                                                                                71
Espiritismo e Genética




                                   XVI. A CLONAGEM

        Clonagem é a técnica em cultura de tecidos pela qual todas as células obtidas provêm de uma
só delas, podendo todas se reproduzirem sob a forma de células idênticas: clones (“clone”, do grego =
broto).
        Tais organismos são produzidos por um único indivíduo, através de multiplicação vegetativa
ou assexuada. Um exemplo de clone é uma colônia de bactérias, pois uma única bactéria, dividindo-
se, produz milhões de descendentes.


       Quando fincamos um ramo de alguma planta no jardim para fazer nova muda, estamos
fazendo clonagem. Clonar é fazer cópias. O caso dos gêmeos monozigóticos, é considerado um
fenômeno de clonagem natural. Daí se conclui que: se a natureza faz uso da clonagem, trata-se de um
fenômeno natural. Se é natural, é de ordem divina.
        Esta técnica é do domínio científico há muitos anos (desde 1952), sendo utilizada apenas em
animais – sapos, ratos de laboratório, coelhos, ovelhas e vacas – e plantas de interesse econômico.
Isso até outubro de 1993...




                                   A Reprodução de seres vivos

       A reprodução de seres vivos pode ser assexuada e sexuada.

       Assexuada (plantas e animais inferiores): É multiplicação simples das células com a
manutenção da quantidade de cromossomos daquela espécie, que se reproduzem sucessivamente: 1
==> 2 ==> 4 ==> 8 ==> l6 etc... até formarem um novo ser.
       Sexuada: No caso de seres humanos e maioria dos animais e vegetais superiores, trata-se da
união de um espermatozóide com um óvulo, resultando daí um ovo. Especificamente nos humanos, é
um gameta masculino, com 23 cromossomos, com um gameta feminino, também com 23
cromossomos, do que resulta uma célula-ovo com 46 cromossomos.


                                    Como ocorre a clonagem?

       “Engana-se o óvulo”; retira-se do óvulo o núcleo (n) e coloca-se aí um núcleo de uma célula
“2n”. Assim, transformou-se o núcleo de uma célula “n” normal em um embrião (2n).




                                                                                                  72
Espiritismo e Genética




                                     E o que é um embrião?

       É um óvulo que recebeu o núcleo de uma célula a ser “xerocada”. Implantada no útero, ela se
multiplica e vai dar origem ao feto.

       Pesquisadores do Instituto Roslin e da empresa PPL, ambos escoceses, desenvolveram, em
1997, um clone de uma ovelha adulta, a partir da cultura de células extraídas de glândula mamária do
animal, como se vê no esquema a seguir:




                                                                                                 73
Espiritismo e Genética




       Hoje, para se ter filhos, é preciso que, por processos naturais (união sexual) ou laboratoriais
(reprodução assistida), o gameta feminino (óvulo) seja fecundado pelo gameta masculino
(espermatozóide) e que o produto formado (embrião) se desenvolva dentro de útero materno até
completar o seu desenvolvimento. Daí nasce uma criança que possui características genéticas do pai e
da mãe.
       O que se espera, em alguns anos, é que possa haver o nascimento de uma criança, usando-se o
processo de clonagem, a partir de células da mulher ou do homem, sem ter havido a união sexual. Isto
será possível retirando-se uma só célula do corpo (da mulher ou do homem) e em laboratório, com
técnicas especializadas, essa célula se torne uma célula indiferenciada ou embrionária.
       Esta será colocada no útero de uma mulher e se desenvolverá como numa gravidez normal. Se
a célula era de uma mulher, teremos uma menina igual à mãe. Se era de um homem, teremos um
menino igual ao pai (o dono da célula doada).




                                    Quais as vantagens da clonagem?

       São várias: por exemplo, na indústria farmacêutica, na produção de globulina anti-hemofílica.
Neste caso, o gen de globulina é isolado e implantado em um animal (que se transforma num
                                                                                                   74
Espiritismo e Genética

        transgênico). Pela clonagem, a partir de uma célula desse animal transgênico, obtêm-se vários
iguais, com produção da globulina em grande quantidade.
        Na cura da leucemia: De uma célula, do paciente, tira-se o núcleo para implantá-lo num óvulo.
Este vira embrião, que poderá ser implantado na medula do paciente. A cura viria com células sadias,
geradas por um clone da medula que tomam o lugar das doentes.
        Rim produzido a partir de células tronco de rato vira tecido.
        Pesquisa sueca sugere que as células-tronco encontradas no cérebro de camundongos podem
se converter em células musculares do coração ou de outros tecidos.
        Descobertas mostram a existência de células-tronco no cordão umbilical, na medula dos ossos
longos e, mais recentemente, elas foram encontradas em cérebros de cadáveres.


                                 Aparelho Reprodutor Feminino

Nos ovários são amadurecidos os óvulos que são captados pelas franjas das trompas. A fecundação
ocorre no terço médio da trompa. O ovo aí formado se divide e a implantação no útero já é de um
embrião.




                                                                                                  75
Espiritismo e Genética




                                    Fecundação ou fertilização:

       É a fusão do óvulo com o espermatozóide para a formação do ovo ou zigoto. Os gametas são
haplóides (n) e o ovo é diplóide (2n).




         Desenvolvimento do ovo até indivíduo: ovo             embrião (várias células iguais)
diferenciação celular     tecidos    órgãos sistemas      organismo.
         As células não diferenciadas (embrião) são as chamadas células-tronco. Elas são totipotentes,
isto é, poderão se diferenciar em qualquer tecido.




                                                                                                   76
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                         77
Espiritismo e Genética

                             Visão Doutrinária: O Progresso Humano

        “Quase todo progresso humano decorre da descoberta de como age a Natureza em suas várias
manifestações, sendo a Vida, em particular, a mais sábia, sublime e profunda de todas elas”.
        “Por isso, ocorre-nos afirmar que o homem progride na razão direta em que observa e conhece
as leis da Natureza, desenvolvendo e aperfeiçoando o meio de aplicá-las, a benefício próprio ou de
outrem”.
        “O Universo é regulado por leis divinas de inimaginável sabedoria, imutáveis, algumas poucas
das quais o homem consegue precariamente imitar. Os notáveis pesquisadores, a maioria deles
cientistas, têm um conceito de Deus muito mais intenso do que não poucos crentes. É que, a cada
pesquisa, a cada passo de progresso, essas pessoas se deslumbram diante da harmonia e equilíbrio que
observam nos processos da vida”.
        “Os espíritas acompanham também esse progresso, cada vez mais amando e admirando a obra
de Deus, pois, como asseverou Kardec, em “A Gênese”, Cap. IV, pág. 44: “Caminhando de par com
o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem
estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se
revelar, ele a aceitará”.
        “Aliás, devemos destacar que ninguém mais do que o próprio Kardec, ele mesmo um cientista
nato, pesquisador emérito das coisas do Espírito, consignou ainda em “A Gênese”, Cap. III, pág. 71:
“Tendo o homem que progredir, os males a que se acha exposto são um estimulante para o exercício
da sua inteligência, de todas as suas faculdades físicas e morais, incitando-o a procurar os meios de
evitá-los”.

                                             Conclusão

        Quando um experimento científico tem bom êxito nos laboratórios dos cientistas terrenos é
porque foi aprovado pela Espiritualidade Superior. Se os dirigentes espirituais avaliam que ainda não
temos suficiente evolução para fazer bom uso de um conhecimento, os experimentos terrestres não
têm sucesso. (clonagem, inseminação artificial, transgênicos etc).
       “Isto posto, pensamos que o Espiritismo deve aceitar a revelações da engenharia genética,
conquanto incipientes, desde que tenham por objetivo a melhoria da saúde humana. Há que se admitir
e louvar seu caráter pesquisador e sincero, quando dirigido essencialmente para o bem da
humanidade”. (GENÉTICA E ESPIRITISMO, de Eurípedes Kühl).
       Vamos fazer uma reflexão com o Apóstolo Paulo, em sua 1a Epístola aos Corínteos (10:23):
“Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam”. E,
segundo Jesus, em Matheus 16:26: “Que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder sua
alma?”.

                           A Atração do Espírito para a Reencarnação

       Na clonagem, a molécula de DNA atrai o Espírito à reencarnação.
       Segundo o médico Dr. Sergio Felipe de Oliveira, da USP, diretor do Curso de Pós-Graduação
de Psicobiofísica, membro da AME/SP, Clone é um conjunto de células de mesma carga genética.
       Na verdade, os clones já existem de forma natural. Por exemplo: os gêmeos univitelinos são
uma clonagem da natureza. Neste caso, uma célula-ovo vai dar origem a dois seres, geneticamente
idênticos, mas com impressões digitais diferentes. São idênticos do ponto de vista genotípico, porque
têm a mesma carga genética, mas não são iguais quanto à fenotipia.
       Essa diferença vai ainda ser mais acentuada pelo fato de que dois Espíritos vão estar ocupando
cada um dos conjuntos de células que vai dar origem a um novo ser.
       Na clonagem, é importante ressaltar que há semelhança de corpos, mas os seres não são
idênticos, uma vez que receberão influências estereoespaciais diferentes. E experiências diferentes é o
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Espiritismo e Genética

mesmo que seres diferentes. O clone pode ser entendido, assim, enquanto genética, mas não enquanto
ser.
        Se se fizer um estudo comportamental na ovelha Dolly e na ovelha fornecedora da célula
mamária que a originou, vamos ver que são seres diferentes. Elas vão ter semelhanças
comportamentais? Vão, porque existem determinados tipos, padrões de comportamento que são
genéticos.
        Por exemplo: o papagaio imita o som; já nasce com esse tipo de comportamento, mas vamos
ter o papagaio mais arisco e o mais afetuoso, o que aprende mais fácil e o que tem mais dificuldade.
Existem, assim, nuances diferentes dentro da mesma espécie.
        No caso da ovelha Dolly, elas vão ter semelhanças mais do que se tem entre duas ovelhas, mas
não mais do que se tem nos gêmeos univitelinos.
        Quanto menos células, mais dificuldade de se achar diferenças, mas no caso de ovelhas e
macacos, já fica mais fácil: as diferenças são mais perceptíveis, porque são seres mais complexos e
mais completos. Já são trilhões de células, de modo que as diferenças se acentuam.
        Quais são as condições criadas artificialmente, em laboratório, que permitem ao Espírito ou ao
princípio inteligente reencarnar, como no caso da ovelha Dolly?
        Os cientistas utilizaram uma célula mamária de uma ovelha e fizeram essa célula regredir à
forma blástica. Nessa condição, a célula tem características muito próximas da fase embrionária e
assume a sua capacidade de totipotência, isto significa que tem grande capacidade de reprodução, de
se multiplicar e, também, de diferenciação em muitos tipos celulares.
        Qualquer espécie de tratamento que se faça, químico ou por indução de outras células ou
núcleos, para levá-la à forma blástica, já se está repetindo a instância embrionária e propiciando as
condições para a reencarnação. No caso da Dolly, a técnica empregada utilizou duas células, mas
creio que vai ser possível realizá-la com uma só, dependendo do ponto de regressão a que se chegue.
        O que vai atrair o Espírito ou princípio inteligente, do ponto de vista físico, é a molécula de
DNA (Ácido desoxirribonucléico). Por isso, usa-se o núcleo da célula e o material genético. Na forma
blástica, o DNA vai ter um determinado padrão de abertura de suas alças de tal sorte que permite o
funcionamento das áreas genéticas da ontogênese.
        Que áreas genéticas são estas?
        Vamos dar um exemplo delas: os homeoboxes, genes responsáveis pela formação do
esqueleto axial do embrião. São eles que vão permitir a clivagem das células, encaminhando algumas
delas para a direita, outras para a esquerda, para cima, para baixo, porque é a direção que essas
células tomam no embrião que vai determinar o conjunto de órgãos que vão formar.
        Desse modo, os genes da ontogênese só funcionam enquanto o corpo está sendo formado.
Depois disso, eles se fecham, não mais exercendo essa função, e outros vão se abrir. O gene é
regulado por um relógio que vai dizer a que horas cada alça vai estar funcionando. Por esta razão,
quando se consegue reduzir para a forma blástica, abrem-se as alças da ontogênese e daí pode sair um
embrião.
        Qual é o mecanismo mais íntimo dessa atração Espírito-DNA no processo reencarnatório?
        O gene tem uma estrutura única, muito interessante. Nele há um campo de forças que une os
átomos entre si: são as forças eletromagnéticas. Como decorrência disso, as forças de Vandervaus, as
iônicas, as covalentes, as pontes hidrogeniônicas, são todas padrões de força para unir um átomo a
outro para que seja possível construir a molécula de DNA. Mas o comando dessas forças vem do
interior do átomo, da estrutura intra-atômica.
        Na estrutura de vácuo de cada átomo, onde obviamente não existe matéria, encontramos o
perispírito. Este tipo de estrutura é detectado na forma do que os físicos chamam de energia flutuante
quântica do vácuo. É o perispírito que está ali. Então, numa estrutura interna, o perispírito vai estar
agindo sobre o DNA, induzindo-o a se abrir ou a se fechar, conforme as ordens do comando vindas
do Espírito.
        Para a agregação de matéria, há a atuação de uma força gravitacional. Então, tem-se uma
atração de massas para o corpo que vai sendo formado por células que vão se aglomerando. No
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Espiritismo e Genética


processo de proliferação celular, dentro do útero, vai ocorrer um processo de materialização. Há uma
agregação de matéria, como na origem do universo, onde está presente também a força gravitacional.
São campos de grávitons que estão ligados à estrutura de gravidade do planeta. É por esta razão que o
perispírito possui as características próprias da esfera do planeta no qual está sediado. Se vai para
outro mundo, muda o perispírito, porque o campo de grávitons é outro. A interação dessas forças
intramoleculares vai permitir a indução do processo de proliferação celular.
       Do ponto de vista físico-químico, o DNA não difere de qualquer molécula do organismo, mas
no aspecto estrutural, diferencia-se por funcionar como uma lente atratora-redutora. Assim, a
molécula do DNA atrai as energias perispirituais não mensuráveis e materializa-as, permitindo a
transdução dessa matéria quintessenciada para a matéria biológica. No caso do laboratório, para fazer
um campo atrator para o Espírito reencarnar, é preciso uma molécula com a formação lenticular como
a do DNA, sob as condições da fase embrionária ou de totipotência.
        Quer dizer que o conjunto dessas forças leva à materialização do corpo, ao renascimento? -
Sim. Há uma malha eletromagnética extra-atômica, ligada por uma espécie de túnel com a malha de
forças intra-atômicas, representada pela força nuclear fraca, a qual, por sua vez, tem ligação com a
energia flutuante quântica do vácuo. Nesse vácuo atômico, tem-se todo um campo de grávitons, que
vai fazer com que haja a agregação de matéria.
        Na verdade, esse campo de grávitons é que vai dar a característica lenticular para a molécula,
permitindo o processo de materialização. Se observar bem, o útero materno é uma sala de
materialização. É aí, nessa câmara escura, que se dá a transdução de matéria “invisível” para matéria
tangível, biológica.
        A abertura dos genes da ontogênese dá à célula altíssima capacidade de multiplicação, com
grande velocidade. No câncer, isso ocorre de forma anômala, porque as células perdem o comando
equilibrado.




                                                                                                   80
Espiritismo e Genética




                            XVII. O PROJETO GENOMA


       Foi publicada, no dia 12 de fevereiro de 2001, em dois artigos, sendo um na Revista Britânica
“Nature”e outro na “Science”, Norte-Americana, a seqüência do genoma humano.
        Decepção e reformulação – esses os sentimentos do primeiro impacto.
        Descobriu-se que ratos e homens têm o mesmo número de genes e destes somente mais ou
menos 300 fazem a diferença! Pensava-se antes que cada gen produzia uma proteína-chave ou que
seria responsável por uma doença. Na verdade, o gen pode dar origem a inúmeras proteínas, ou seja,
há muitas formas alternativas de editar a informação.
        Conclusão: há “escolhas” dentro da célula e nada se sabe acerca do que determina que certos
pedaços de DNA sejam transcritos (escolhidos) na hora de produzir uma proteína. O grande paradoxo
é que o processo de regulação é realizado por proteínas da célula, que, por sua vez, reagem aos
estímulos do ambiente interno (do próprio organismo) e externo. O incrível é que as proteínas
determinam aquilo que deveria determiná-las (os genes).
        Tais descobertas estão de acordo com o que nos diz Emmanuel em “A Caminho da Luz”: “As
proteínas foram os primeiros habitantes da Terra”, isto é, desde tempos imemoriais temos a atuação
das proteínas sobre a molécula de DNA.
        Outro dado importante é que André Luiz informa que o citoplasma é o campo primacial de
informação do perispírito: é a mente comandando o ambiente interno e, inclusive, os genes.
        Os cientistas vão chegar à conclusão dos sábios instrutores: o meio interno é extremamente
importante, porque é a mente (Espírito) que dá a última palavra.
        Como compreender o genoma?




                                                                                                 81
Espiritismo e Genética




       O corpo humano é formado por trilhões de células.
       No núcleo de cada célula estão os cromossomos, pequenas estruturas constituídas pelos genes
(DNA = ácido desoxirribonucleico). Em cada célula existe, enovelada, uma cópia do DNA, molécula
em forma de dupla hélice, descoberta por James Watson em 1953, e que contém todas as informações
para o organismo.
       O DNA é um filamento duplo de cerca de 2 metros de comprimento, ligado por componentes
químicos, chamados nucleotídeos ou bases. Desses 2 metros, somente 2 centímetros são de genes
exclusivamente humanos.
       As bases são sempre quatro: Adenina (A), Timina (T), Citosina (C) e Guanina (G). Se de um
lado do DNA está a letra A, do outro lado obrigatoriamente estará a letra T. Da mesma forma, C só se
liga com G. A ordem em que os 3,2 bilhões de pares de bases aparecem no DNA é o que vai
distinguir um ser humano do outro.




                                          O que é Gen?


                                                                                                 82
Espiritismo e Genética




       Gen – milhares de seqüências destas letras (A, T, G, C) constituem um gene. Estimava-se que
a quantidade de genes variasse de 30 mil a 120 mil. Apesar de tão numerosos, apenas 3% do DNA
humano expressam genes: isto é chamado “genoma funcional”. Os 97% restantes não têm função
conhecida (lixo evolutivo). Apenas 1,5% do genoma humano separa o homem de um chimpanzé.
Entre os humanos, as diferenças entre um homem baixo e magro e uma mulher alta e gorda residem
em 0,1% do genoma.
       Os genes instruem as células a sintetizar proteínas. Estas são as operárias do corpo, atuando na
produção de tecidos, na digestão de alimentos e na defesa do organismo.
       Descobrir a proteína relacionada a cada gen codificado será a longa tarefa do século 21
(Proteoma).
       O Projeto Genoma Humano (HGP) foi lançado oficialmente em 1990, com o objetivo de
mapear e seqüenciar o DNA humano até o ano de 2005. Este projeto envolve cientistas da Alemanha,
França, China e Japão.
       Em 1998, foi fundada a empresa “Celera Genomics”, pelo biólogo Craig Venter, que passou a
concorrer com o projeto público.
                                                                                                     83
Espiritismo e Genética




        Os genomas de outras espécies também estão sendo decodificados. Pelo menos 18 organismos
tiveram seu DNA seqüenciado, entre eles o da bactéria Xylella fastidiosa, decifrado por cientistas
brasileiros.

                                 Os dados numéricos do genoma

       Vejamos agora algumas atualizações de dados, segundo o que foi publicado nas Revistas
“Nature” e “Science”, em 12-02-2001, e que antecipou o que fora previsto para 2005 – o Projeto
Genoma:

   •   O Homem tem um terço dos genes que se imaginava;
   •   A primeira análise do genoma humano mostra que o ser humano só possui 30 mil genes e não
       100 mil, como inicialmente se pensou;
   •   O homem é muito mais próximo de outros animais;
   •   O ser humano possui apenas cerca do dobro do número de genes de moscas e vermes:
   •   moscas – 13 mil genes
   •   vermes – 19 mil genes
   •   plantas – 25 mil genes
   •   camundongos - 29,7 mil genes
   •   homem – 30 mil genes.

        A Genética veio reforçar a teoria de Charles Darwin sobre a evolução das espécies. As
semelhanças entre organismos tão distantes na linha evolutiva põem em cheque a própria identidade
humana. Se o tamanho do genoma não é documento – a ameba (ser unicelular) tem número 200 vezes
maior de genes que o ser humano - o que levou, então, o homem a chegar ao topo da evolução?
        Talvez a resposta venha com o próximo passo das pesquisas: o Projeto Proteoma, que vai
identificar as proteínas produzidas pelo homem e como elas se relacionam para regular as funções
vitais do organismo.
        Comparação entre as espécies (em mil genes):

    O Homem herdou pelo menos 223 genes de bactérias, entre eles o que codifica a enzima
monoamine oxidase, relacionada com a depressão.
       E, para encerrar, vamos meditar sobre o que nos diz André Luiz, pelas palavras de Calderaro,
no Mundo Maior: “A medicina inventará mil modos de auxiliar o corpo atingido em seu equilíbrio
interno. Por essa tarefa edificante, ela nos merecerá sempre sincera admiração e fervente amor.
Entretanto, compete a nós outros praticar a medicina da alma que ampare o espírito enleado nas
sombras”...




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Espiritismo e Genética




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Espiritismo e Genética




        Apenas 3% do DNA respondem pela produção de proteínas. Acreditava-se que os 97%
restantes, o chamado DNA-lixo, não tinha função. Descobriu-se agora que esse DNA-lixo controla a
atuação dos genes.
        Não há base genética para o conceito de raça: negros, brancos, índios e asiáticos partilham
99,99% dos genes. A cultura e o meio influenciam muito mais do que as letrinhas químicas (A, T, C,
G) que integram o código genético.
        Apenas 0,01% dos 3,2 milhões de pares de bases (A, T, C e G) separa Maria e João. Mesmo
que ela seja loira de olhos azuis e ele de olhos puxados e cabelo bem preto.




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Espiritismo e Genética

                                         Evolução Histórica


  ÉPOCA                                               EVENTO
384 a 322 a.   Aristóteles: O ser era portador de caracteres dos pais
     C.
 Séc. XVII     William Harvey e Anton Leenwenhoch – descobrimento das células reprodutoras, a
               partir do poder de aumento de certos vidros    lentes de aumento
 Séc. XIX      Jean Baptiste Lamarck – teoria da evolução
   1859        Charles Robert Darwin – “A Origem das Espécies” - teoria da evolução dos seres
   1866        Gregor Mendel – Origem dos estudos da Genética em ervilhas
   1915        Thomas Morgan – estudo dos genes da Drosófila (mosca da banana)
   1948        Linus Pauling – Forma espiralada do DNA
   1953        James Watson, Francis Crick e M. Wilkins – descrição da estrutura da molécula de
               DNA
   1956        Jotlin Tijo e Albert Levan – demonstração de que o número de cromossomos
               humanos é de 46, isto é, 23 pares
   1973        Stanley Conhen e Herbert Boyer – Alteração artificial do DNA
   1977        Fred Sanger, Walter Gilbert e Allan Maxan – descoberta de método de
               seqüenciamento de DNA
   1982        Descoberta do primeiro medicamento por manipulação genética – produção da
               insulina humana através de bactérias
   1983        Kary Mullis descobriu a técnica para obtenção de cópias de um fragmento de DNA
   1984        Alec Jeffreys – introdução na pesquisa de paternidade, identificação de criminosos
               pela análise de resíduos de sêmen ou fios de cabelo
   1986        Descoberta da vacina contra a hepatite humana – primeiro imunizante geneticamente
               manipulado
   1989        Criação do Centro Nacional para Pesquisa do Genoma Humano nos EUA
   1990        Início oficial do Projeto Genoma Humano internacional, com a participação de
               pesquisadores europeus e americanos
   1991        Localizado no cromossomo 17 um gen relacionado a câncer de mama e ovários
   1993        Daniel Conhean e colaboradores – construção de um mapa genético dos 23 pares de
               cromossomos humanos
   1995        Seqüenciamento genético da bactéria Haemophilus influenzae (primeiro a ser
               descoberto)
   1997        Ian Wilmut – Primeiro clone de um mamífero adulto, a ovelha Dolly. A seguir a
               ovelha Polly
   1998        Início do seqüenciamento do genoma da bactéria Xylella fastidiosa – o Brasil no
               clube das pesquisas genéticas
   1998        Craig Venter – fundação da empresa “Celera Genomics”, projeto privado para
               decodificação do genoma humano
   1999        Seqüenciamento completo de um cromossomo, o par 22, pelo Projeto Genoma. –
               Início, no Brasil, do Projeto Genoma do Câncer
  Janeiro/     Primeiro rascunho do genoma humano – mais de 90% - pela “Celera Genomics”
   2000
 Fevereiro/    Seqüenciamento da Xylella, por cientistas brasileiros
   2000
Março/ 2000    Genoma da Drosóphila melanogaster
Abril/ 2000    Conclusão de 99% do Genoma Humano pela empresa de Venter
Junho/ 2000    Conclusão do seqüenciamento do cromossomo 21 (Celera e Projeto Genoma)
                                                                                              87
Espiritismo e Genética

    Janeiro/    O Projeto Genoma do Câncer – identificação de 1 milhão de fragmentos de genes
     2001       humanos vinculados a doenças



                                 Algumas reflexões sobre o assunto


        Vamos agora propor algumas questões para nossas reflexões:

•        O progresso da Ciência e da Tecnologia, passo a passo, desde a descoberta da possibilidade do
     poder de aumento de certos vidros ao microscópio eletrônico e, hoje, no século 21, com a
     descoberta do genoma humano;
•        O que nos diz o Livro dos Espíritos, Questão 779 e seguintes, sobre o progresso: o progresso
     moral decorre do progresso intelectual;
•        Segundo Leon Denis (O Problema do Ser, do Destino e da Dor, Cap. XXIII): “Assim,
     vagarosamente, se opera o destino da Humanidade, tão nova ainda, tão ignorante de si mesma,
     mas cujos desejos se dirigem, pouco a pouco, para a compreensão de sua tarefa e de seu fim, ao
     mesmo tempo em que se alarga esse campo de exploração”...;
•        Que as descobertas sobre os mecanismos do genoma, a engenharia genética e a geneterapia
     estão nos conduzindo para esse caminho (superação das doenças)...;
•        Pesquisas e progresso: Quase todo progresso humano decorre da descoberta de como age a
     natureza, em suas várias manifestações, sendo a vida, em particular a mais sábia, sublime e
     profunda de todas...

       A perspectiva da mudança de nosso planeta, que é de provas e expiações, para planeta de
regeneração, em que os sofrimentos serão cada vez menos físicos.

                                       Alvos para a Medicina

       A medicina será uma das maiores beneficiadas com a decodificação do genoma (conjunto de
genes de um ser vivo) humano. Dos cerca de 30 mil ou 40 mil genes que o homem possui, 1.778
estão relacionados com doenças. Embora os avanços da Genética sejam recentes, a indústria
farmacêutica já aprendeu que, quanto mais se sabe sobre o DNA humano, mais eficazes serão os
remédios desenvolvidos.
       Hoje, os laboratórios fabricam medicamentos com base em 483 alvos biológicos. Os alvos são
genes ou possíveis genes que atuam sobre o remédio, interferindo no seu mecanismo. A maior ou
menor eficácia dos medicamentos depende deles. Um exemplo prático é o que acontece com pessoas
que sofrem de trombose. Esses pacientes precisam tomar anticoagulantes para desmanchar os
coágulos. A maior ou menor dose do medicamento é prescrita com base no ritmo do metabolismo do
paciente.

       “Testes genéticos nos permitem avaliar o ritmo metabólico e dar a orientação mais adequada
ao paciente”, explicou o geneticista Rodrigo Moura, da UFRJ. Quanto maior o metabolismo, maior a
dose. Os inibidores de MAO, drogas que combatem a depressão, também atuam em alvo específico, o
gene responsável pela síntese da monoamine oxidase, a enzima que gera a depressão. O gene foi
herdado de bactérias, um dos 233 que o homem pegou emprestado desses seres primitivos. Espera-se
que análises posteriores do genoma humano resultem na identificação de novos alvos.
       Três cromossomos são os mais promissores para fundamentar as pesquisas. O de número 1
tem genes associados à doença de Alzheimer. O de número 6, com 718 genes, está ligado ao
desenvolvimento da diabetes, além da esquizofrenia. Já o cromossomo X, que em dose dupla
                                                                                               88
Espiritismo e Genética

caracteriza o sexo feminino, tem 200 genes associados a doenças, incluindo males que só afetam
homens, como o câncer de testículo.

                                                Glossário

   •   Transgênicos: também chamados de organismos geneticamente modificados (OGM), são
       seres vivos que tiveram sua composição genética alterada em laboratório.

   •   Engenharia Genética: processo mediante o qual o gene de um ser vivo é inserido em outro
       organismo, além de outros procedimentos visando à construção de novas formas.

   •   Meio Ambiente: para se manifestar, o gene precisa interagir com outros genes e com o meio
       ambiente. Por isso, a transferência de genes entre organismos pode resultar em manifestações
       imprevisíveis. Ainda não existem estudos conclusivos sobre o impacto dos produtos
       transgênicos sobre a saúde humana e sobre o meio ambiente.

   •   Soja Roundup Ready: Fabricada pela multinacional Monsanto, a soja recebeu um gene que
       lhe confere resistência ao herbicida fabricado pela própria empresa. Para assegurar e
       resistência, entretanto, a dose de herbicida liberada na plantação tem que ser maior do que a
       usual.

   •   Milho BT: Recebeu dois genes. Um leva à produção de toxinas que matam insetos; o outro
       confere resistência a antibióticos. Pessoas que consumam o milho podem se tornar resistentes
       aos antibióticos...

   •   Ontogênese: Série de transformações sofridas pelo ser vivo desde a fecundação até o ser
       adulto.

   •   Forma blástica ou forma embrionária.


                             Reflexões Segundo a Doutrina Espírita

        Toda descoberta, aparentemente feita pelo homem, na verdade, é inspirada pelos Construtores
Espirituais, que visam ao progresso, não só individual, mas de toda a Humanidade.
        Assim, a Espiritualidade que governa o Planeta permite aos Homens de Ciência certas
descobertas, quando percebem que estes estão no momento evolutivo de fazer bom uso desses
conhecimentos.

       Na verdade, “a Espiritualidade inspira e acompanha os progressos da Ciência e os
pesquisadores não conseguem realizar o que não tem apoio nos laboratórios do Infinito”.




                                           Bibliografia:

1. GENÉTICA E ESPIRITISMO, de Eurípedes Kühl, 2a.Ed. FEB, pág. 102, 103, 109 e 148;
2. Jornal “O GLOBO”, de 25-02-1997;
                                                                                                 89
Espiritismo e Genética


3.  Revista “SUPER INTERESSANTE”, Março 1998, pág. 35 e 37;
4.   Revista “VEJA”, de Março 1997, pág. 94;
5.  BIOLOGIA - Curso Básico de Biologia – Amabis;
6.  O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Q. 692, 692a, 136a, 136b, 336, 344 e 356b;
7.  A GÊNESE, de Allan Kardec, Cap. I, item 55;
9.  FOLHA ESPÍRITA, Abril 1997, de São Paulo, SP - ENTREVISTA de Sérgio Felipe de Oliveira,
    médico, da AME/SP e USP;
10. JORNAL DO BRASIL, página Ciência, de 22.12.2000;
11. JORNAL DO BRASIL, de 20.05.2000;
12. FOLHA CIÊNCIA, SP – de 21.08.2000 e de agosto de 2000;
13. FOLHA DE SÃO PAULO, de 04.08.2000;
14. NO MUNDO MAIOR – André Luiz/F.C.Xavier.




                                                                                        90
Espiritismo e Genética



                                     XVIII. SEXAGEM


                                              Conceitos


   •   Sexagem      determinação do sexo em embriões.

   •   Incubadeiras artificiais    local preparado artificialmente, em laboratório, para propiciar o
       desenvolvimento fetal.

   •   Barrigas de aluguel          mulheres oferecem o seu corpo (útero) para permitir o
       desenvolvimento fetal, nos casos em que a mãe não pode fazê-lo.

   •   Bebê de proveta     fecundação in vitro para posteriormente ser, o ovo, implantado no útero
       da própria mãe ou em mães de aluguel.



                                  Questionamentos preliminares


1. A sexagem artificial é contrária às Leis de Deus?

2. É correto uma mulher alugar o seu útero?

3. São meritórios os métodos artificiais para gerar um filho?

4. Quais as prováveis causas de dificuldade ou impossibilidade de gerar filhos (feminino e
   masculino)?

5. Correlacionar o auxílio artificial à reencarnação e os métodos anticoncepcionais.

                                      Conceitos doutrinários

       Para a discussão destes temas polêmicos, podemos nos basear nos seguintes textos
doutrinários:

       LE 692 – Será contrário à Lei da Natureza o aperfeiçoamento das raças animais e vegetais
pela Ciência? Seria mais conforme a essa lei deixar que as coisas seguissem seu curso normal?

       “Tudo se deve fazer para chegar à perfeição e o próprio homem é um instrumento de que Deus
se serve para atingir seus fins. Sendo a perfeição a meta para que tende a Natureza, favorecer essa
perfeição é corresponder às vistas de Deus”.

       LE 692-a – Mas, geralmente, os esforços que o homem emprega para conseguir a melhoria
das raças nascem de um sentimento pessoal e não objetivam senão o acréscimo de seus gozos. Isto
não lhe diminui o mérito?

                                                                                                 91
Espiritismo e Genética

        “Que importa seja nulo o seu merecimento, desde que o progresso se realize? Cabe-lhe tornar
meritório, pela intenção, o seu trabalho. Demais, mediante esse trabalho, ele exercita e desenvolve a
inteligência e sob esse aspecto é que maior proveito tira”.

        LE 693 – São contrários à Lei da Natureza as leis e os costumes humanos que têm por fim ou
por efeito criar obstáculos à reprodução?

          “Tudo o que embaraça a Natureza em sua marcha é contrário à Lei Geral”.

        LE 693-a – Comentário dos Espíritos: “... Deus concedeu ao homem, sobre todos os seres
vivos, um poder de que ele deve usar, sem abusar. Pode, pois, regular a reprodução, de acordo com as
necessidades. Não deve opor-se-lhe sem necessidade. A ação inteligente do homem é um contrapeso
que Deus dispôs para restabelecer o equilíbrio entre as forças da Natureza...”.

          LE 459 – Influem os Espíritos em nossos pensamentos e atos?

       “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos
dirigem”.

       LE 460 – “... No conjunto deles (pensamentos), estão sempre de mistura os vossos com os
nossos...”.

          LE 462 – É sempre de dentro de si mesmo que os homens inteligentes e de gênio tiram suas
idéias?

       “Algumas vezes, elas lhes vêm do seu próprio espírito, porém, de outras muitas, lhes são
sugeridas por Espíritos que os julgam capazes de compreendê-las e dignos de vulgarizá-las. Quando
tais homens não as acham em si mesmos, apelam para a inspiração. Fazem, assim, sem o suspeitarem,
uma verdadeira evocação”.

          LE 780 – O progresso moral acompanha sempre o progresso intelectual?

          “Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente”.

          LE 797 – Como poderá o homem ser levado a reformar suas leis?

      “Isso ocorre naturalmente, pela força mesma das coisas e da influência das pessoas que o
guiam na senda do progresso. Muitas já ele reformou e muitas outras reformará. Espera!”.

       LE 802 – Visto que o Espiritismo tem que marcar um progresso da humanidade, por que não
apressam os Espíritos essa progresso, por meio de manifestações tão generalizadas e patentes, que a
convicção penetre até nos mais incrédulos?

       “Desejaríeis milagres; mas Deus os espalha a mancheias diante dos vossos passos e, no
entanto, ainda há homens que o negam. Conseguiu, porventura, o próprio Cristo convencer os seus
contemporâneos, mediante os prodígios que operou?
       Não conheceis presentemente alguns que negam os fatos mais patentes, ocorridos às suas
vistas? Não há os que dizem que não acreditam, mesmo que vissem? Não. Não é por meio de
prodígios que Deus quer encaminhar os homens. Em sua bondade, Ele lhes deixa o mérito de se
convencerem pela razão”.

                                                                                                  92
Espiritismo e Genética

        Vemos, ainda, a resposta de F.C.Xavier, sob a direção de Emmanuel e outros Espíritos, num
Programa de TV, à pergunta “Como a Doutrina Espírita vê a situação de bebês de proveta? – A
Espiritualidade inspira e acompanha os progressos da Ciência e os pesquisadores não conseguem
realizar o que não tem apoio nos laboratórios do Infinito”.

                                             Sexagem

       A escolha do sexo do futuro filho é hoje uma possibilidade da Genética, ofertada aos pais.
Cumpre-lhes, não obstante, respeitar os desígnios divinos, considerando que, desde o primeiro
homem na face da Terra, tal decisão é divina.
       Contudo, Deus pode delegar ao homem esse poder, desde que se processe em clima de
profunda reflexão e prece, para que a intuição flua do Plano Maior.
       No Brasil, a legislação não permite a sexagem artificial, exceto para prevenir doenças
genéticas relacionadas ao sexo.


                                 Métodos de sexagem conhecidos

1. Natural – O cromossomo Y é mais rápido e menos resistente que o X. Se houver relação sexual
   mais distante do dia da ovulação, a chance de ter uma menina é maior (só vale na teoria).

2. Microsoft – Consiste em separar os espermatozóides que levam o cromossomo X (sexo feminino)
   dos que possuem o cromossomo Y (masculino). Eles são marcados com corante fluorescente, que
   revela sua carga genética no microscópio. O médico escolhe o sexo e faz a fertilização in vitro. O
   método é eficaz com o sexo feminino (92%), porque a máquina tem sensibilidade maior para
   espermatozóides X. Custo médio: US$ 7.000.

3. Biópsia – A seleção de embriões tem eficácia em 100%. Consiste em retirar uma ou duas células
   do embrião e marcar o par do cromossomo sexual (XX ou XY). Há grande risco de aborto: por
   falha técnica, inviabilizando o embrião; ou pelo fato de a biópsia reduzir a capacidade do embrião
   de se fixar no endométrio.

4. Centrifugação – Os espermatozóides são colocados em meio de cultura e, depois, centrifugados e
   filtrados. Os X são mais pesados, ficando em baixo e os Y, mais leves, em cima. Eficácia: cerca
   de 85%. Custo: cerca de R$ 7.000,00.

Observações:

   •   Não esquecer que a decisão é sempre do Plano Espiritual em direção ao plano material.

   •   Outra questão: o que move o casal na escolha do sexo?

                                        Barrigas de aluguel

       Fundamental, às chamadas “mães de aluguel”, é considerar que entre mãe e filho, na gestação,
há simbiose fluídica, interligando os dois espíritos envolvidos no processo.
       Que as mulheres dispostas a essa atividade reflitam bem nesses ensinamentos, entendendo que
a maternidade, dentro de uma união de amor ou de fraternidade, é sublime, enquanto que o aluguel do
útero não passa de um contrato comercial, de início equivocado, pois não há “lei do inquilinato” na
Natureza.

                                                                                                  93
Espiritismo e Genética


     •   Pela lei, a verdadeira mãe é a genética.

     •   Para se evitar futuros problemas, deve haver um contrato legal entre ambas as partes.

                                            Bebê de Proveta

       A fertilização é feita in vitro. O seu êxito indica o cumprimento do resgate e que prosperou o
ensinamento de valorização da maternidade.




                                         Incubadeiras artificiais

       Suprimiriam a interpenetração fluídica entre a gestante e o feto, estando presentes tão somente
os dispositivos físicos.


                                              Bibliografia:

1.   O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB, questões citadas;
2.   Genética e Espiritismo, de Eurípedes Kühl, Ed. FEB;
3.   Jornal “O Globo”, Jornal da Família, de 15.08.99;
4.   Revista Espírita – Allan Kardec, nº 35, Editora Paulo de Tarso, Goiânia/GO.




                                                                                                   94
Espiritismo e Genética

                            XIX. O HOMEM DO FUTURO


       Há quanto tempo o homem caminha para Deus?

       E quando falamos em futuro, que futuro é esse?

       É daqui a quanto tempo?

        E então nos lembramos do que ouvimos de um filósofo: “O tempo não passa. Nós é que
passamos pelo tempo”.
        Se voltarmos no tempo, falamos em milhões de anos para o homem primitivo mudar sua
postura física na atual. Além da postura física, ocorreram alterações orgânicas, principalmente no
cérebro e na capacidade craniana.
        Em “A Caminho da Luz”, de Emmanuel, vemos que a busca da perfeição não começou aí, a
partir do homem primitivo, e, sim, bem antes, com os primórdios dos seres vivos. E aí já remontamos
a bilhões de anos.
        É importante que nos lembremos do homem como ser integral, completo, de corpo, espírito e
perispírito. Então, não podemos separar o estudo da evolução biológica do estudo da evolução do
princípio inteligente.
        Estudos científicos nos mostram rudimentos de inteligência até em bactérias! E o estudo do
genoma nos mostra a semelhança entre diversos grupos de animais, reforçando a idéia evolucionista.
Então, fazendo uma comparação do tempo que gastamos desde a mônada, citada por André Luiz, em
“Evolução em Dois Mundos”, até o homem atual, poderemos ter uma pálida idéia do tempo que
gastaremos para sermos o homem espiritualizado.
        Num desenho de ficção, vimos o corpo físico do homem do futuro, cada vez mais alto, mais
magro e com a cabeça muito grande. A Ciência nos prepara o campo para a ausência de doenças
físicas, ao longo deste milênio, o terceiro, o da Regeneração. Mas, e nós, como Espíritos, como
estaremos?
        É em Léon Denis, no livro “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, que encontramos
respostas a essa pergunta: “A evolução material, a destruição dos organismos é temporária. As
realidades imperecíveis estão no Espírito. Todos esses invólucros (corpos físicos) não são mais que
vestuários que vêm ajustar-se à sua forma fluídica (perispírito) permanente... para representar os
diversos atos do drama da evolução, no vasto palco do Universo”.
        “Emergir, grau a grau, do abismo da vida para tornar-se Espírito (evolução do princípio
inteligente desde a mônada ao homem), libertar-se das sugestões do egoísmo, da preguiça, do
desânimo, resgatar-se pouco a pouco das suas fraquezas, arrastando todo o meio humano para um
estado superior – eis o papel atribuído a cada alma. Para isso, tem a alma à sua disposição a série de
existências na escala dos mundos. Somos feitos de sombra e luz. Somos a carne com todas as suas
fraquezas e o Espírito com suas riquezas latentes”.
        Temos em nós os instintos animais e a crisálida do anjo, o ser radioso e puro, que podemos vir
a ser pela impulsão moral, pelas aspirações do coração. Quanto tempo para conseguirmos esse
patamar? Depende, como acabamos de ler, de nós, exclusivamente de nós!
        Então, por um raciocínio lógico, quanto ao Futuro do Planeta e ao nosso próprio,
concordamos com o que temos em “Genética e Espiritismo”, de Eurípedes Kühl: “Prevenindo-se
doenças, mais fácil será tratá-las. Menos doenças, menos dor. Menos dor, mais evolução espiritual.
Mais evolução espiritual, mais amor entre os homens e os demais seres vivos. Mais amor, mais
próximos de Deus!”.

                              Texto Doutrinário: Sinais dos Tempos

                                                                                                   95
Espiritismo e Genética

        São chegados os tempos, dizem-nos de todas as partes, marcados por Deus, em que grandes
acontecimentos se vão dar para a regeneração da Humanidade. (...) Tais palavras não anunciam a
perturbação das Leis da Natureza, mas o cumprimento dessas leis.
        Tudo na criação é harmonia; tudo revela uma previdência que não se desmente, nem nas
menores, nem nas maiores coisas. Temos, pois, que afastar, desde logo, toda idéia de capricho, por
inconciliável com a sabedoria divina. Em segundo lugar, se a nossa época está designada para a
realização de certas coisas, é que estas têm uma razão de ser na marcha do conjunto.
        Isto posto, diremos que o nosso globo, como tudo o que existe, está submetido à lei do
progresso. Ele progride fisicamente, pela transformação dos elementos que o compõem e,
moralmente, pela depuração dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam. Ambos esses
progressos se realizam paralelamente, porquanto o melhoramento da habitação guarda relação com o
do habitante. Fisicamente, o globo terráqueo há experimentado transformações que a Ciência tem
comprovado e que o tornaram sucessivamente habitável por seres cada vez mais aperfeiçoados.
        Moralmente, a Humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e
do abrandamento dos costumes. Ao mesmo tempo em que o melhoramento do globo se opera sob a
ação das forças materiais, os homens para isso concorrem pelos esforços de sua inteligência. Saneiam
as regiões insalubres, tornam mais fáceis as comunicações e mais produtiva a terra.
        De duas maneiras se executa esse duplo progresso: uma, lenta, gradual e insensível; a outra,
caracterizada por mudanças bruscas, a cada uma das quais corresponde um movimento ascensional
mais rápido, que assinala, mediante impressões bem acentuadas, os períodos progressivos da
Humanidade.
        Esses movimentos, subordinados, quanto às particularidades, ao livre-arbítrio dos homens,
são, de certo modo, fatais em seu conjunto, porque estão sujeitos a leis, como os que se verificam na
germinação, no crescimento e na maturidade das plantas. Por isso é que o movimento progressivo se
efetua, às vezes, de modo parcial, isto é, limitado a uma raça ou a uma nação; de outras vezes, de
modo geral.
        O progresso da humanidade se cumpre, pois, em virtude de uma lei. Ora, como todas as leis da
Natureza são obra eterna da sabedoria e da presciência divinas, tudo o que é efeito dessas leis resulta
da vontade de Deus, não de uma vontade acidental e caprichosa, mas de uma vontade imutável.
        Quando, por conseguinte, a Humanidade está madura para subir um degrau, pode dizer-se que
são chegados os tempos marcados por Deus, como se pode dizer também que, em tal estação, eles
chegam para a maturação dos frutos e sua colheita.
        A Humanidade tem realizado, até o presente, incontestáveis progressos. Os homens, com a sua
inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências,
das artes e do bem-estar material. Resta-lhes ainda um imenso progresso a realizar: o de fazerem que
entre si reinem a caridade, a fraternidade, a solidariedade, que lhes assegurem o bem-estar moral.
        Não poderiam consegui-lo nem com as suas crenças, nem com as suas instituições antiquadas,
restos de outra idade, boas para certa época, suficientes para um estado transitório, mas que, havendo
dado tudo o que comportavam, seriam hoje um entrave. Já não é somente de desenvolver a
inteligência o de que os homens necessitam, mas de elevar o sentimento e, para isso, faz-se preciso
destruir tudo o que superexcite neles o egoísmo e o orgulho.
        Tal o período em que doravante vão entrar e que marcará uma das fases principais da vida da
Humanidade. Essa fase, que neste momento se elabora, é o complemento indispensável do estado
precedente, como a idade viril o é da juventude. Ela podia, pois, ser prevista e predita de antemão e é
por isso que se diz que são chegados os tempos determinados por Deus.
        Mas, uma mudança tão radical como a que se está elaborando não pode realizar-se sem
comoções, Há, inevitavelmente, luta de idéias. Desse conflito forçosamente se originarão passageiras
perturbações, até que o terreno se acha aplanado e restabelecido o equilíbrio. É, pois, da luta das
idéias que surgirão os graves acontecimentos preditos e não de cataclismos ou catástrofes puramente
materiais. Os cataclismos gerais foram conseqüência do estado de formação da Terra. Hoje, não são
mais as entranhas do planeta que se agitam: são as da Humanidade.
                                                                                                    96
Espiritismo e Genética


         A fraternidade será a pedra angular da nova ordem social; mas, não há fraternidade real,
sólida, efetiva, senão assente em base inabalável e essa base é a fé, não a fé em tais ou tais dogmas
particulares, que mudam com os tempos e os povos e que mutuamente se apedrejam, porquanto,
anatematizando-se uns aos outros, alimentam o antagonismo, mas a fé nos princípios fundamentais
que toda a gente pode aceitar e aceitará: Deus, a alma, o futuro, o progresso individual indefinido, a
perpetuidade das relações entre os seres.
        Quando todos os homens estiverem convencidos de que Deus é o mesmo para todos; de que
esse Deus, soberanamente justo e bom, nada de injusto pode querer; Que não dele, porém dos homens
vem o mal, todos se considerarão filhos do mesmo Pai e se estenderão as mãos uns aos outros. Essa a
fé que o Espiritismo faculta e que doravante será o eixo em torno do qual girará o gênero humano,
quaisquer que sejam os cultos e as crenças particulares.
        O progresso intelectual realizado até ao presente, nas mais largas proporções, constitui um
grande passo e marca uma primeira fase do avanço geral da Humanidade; impotente, porém, ele é
para regenerá-la. Enquanto o orgulho e o egoísmo o dominarem, o homem se servirá da sua
inteligência e dos seus conhecimentos para satisfazer às suas paixões e aos seus interesses pessoais,
razão por que os aplica em aperfeiçoar os meios de prejudicar os seus semelhantes e de os destruir.
        Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra, refreando as
paixões más; somente esse progresso pode fazer que entre os homens reinem a concórdia, a paz, a
fraternidade. Será ele que deitará por terra as barreiras que separam os povos, que fará caiam os
preconceitos de casta e se calem os antagonismos de seitas, ensinando os homens a se considerarem
irmãos que têm por dever auxiliarem-se mutuamente e não destinados a viver à custa uns dos outros.
        Será ainda o progresso moral que, secundado então pelo da inteligência, confundirá os
homens numa mesma crença fundada nas verdades eternas, não sujeitas a controvérsias e, em
conseqüência, aceitáveis por todos. A unidade de crença será o laço mais forte, o fundamento mais
sólido da fraternidade universal, obstada, desde todos os tempos pelos antagonismos religiosos que
dividem os povos e as famílias, que fazem sejam uns, os dissidentes, vistos, pelos outros, como
inimigos a serem evitados, combatidos, exterminados, em vez de irmãos a serem amados.


                                            Bibliografia:

1. O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR, de Léon Denis, Edição FEB, 18a edição,
   Cap. IX - Evolução e Finalidade das Almas.
2. ESPIRITISMO E GENÉTICA, de Eurípedes Kühl, Edição FEB, 1a edição, Cap. O Futuro do
   Planeta Terra.
3. A GÊNESE, de Allan Kardec, Edição FEB, 35a edição, 10/1992, Cap. XVIII itens 1-2-5-7-17-18-
   19.




                                                                                                   97
Espiritismo e Genética



                                    XX. A BIOÉTICA


                                     O Progresso Científico

        Quando o casal Curie e outros pioneiros dos estudos da radiatividade iniciaram as suas
pesquisas, certamente, não faziam idéia de que esses seus estudos pudessem ser, um dia, utilizados
para a promoção do morticínio em massa. Nem mesmo cogitavam pudesse ser posta em risco a
segurança do planeta.
        A bomba atômica, a de hidrogênio e similares foram uma utilização indevida do
conhecimento por mentes egoístas e de duvidosa moral. Hiroshima e Nagasaki são atitudes tão
desprezíveis quanto toda a manobra bélica sanguinária de Adolf Hitler.
        Os Espíritos Reveladores nos ensinaram que Deus nos dotou de inteligência para que a
usemos para o nosso progresso, nos aproximando de Sua infinita perfeição!
        O homem, em sua escalada evolutiva integral, vai desvendando as leis naturais: físicas e
espirituais. O conhecimento é indispensável para o progresso anímico e não é, de per si, nem bom
nem mau. A sua aplicação, pelo homem, é que determinará o modo de repercussão sobre o meio em
que se faz, tornando-o, por isso, benéfico ou maléfico.
        A partir de 1953, com a descoberta da molécula de DNA, por Watson e Crick, iniciou-se um
vertiginoso crescimento nas trilhas do saber biológico, culminando com o desenvolvimento da
Biotecnologia.


                                     A Engenharia Genética

      A Engenharia Genética veio tornar realidade um sem-número de condutas que ainda estão
impregnadas, na concepção popular, pelo aroma da ficção, tal a rapidez com que foram implantando
como possibilidades técnicas:

   •   Reprodução assistida com todas as suas possibilidades;
   •   Preservação de sêmen para uso futuro, inclusive após a desencarnação do doador;
   •   Clonagem, já se encaminhando para a sua viabilização;
   •   Transplantes de órgãos;
   •   Determinação do sexo do bebê;
   •   Diagnóstico e tratamento de patologias no intercurso da vida intra-uterina;
   •   Manutenção prolongada da vida através de aparelhagem de apoio, etc.

                                         O Problema Moral

       A Ciência já está dotada do poder de interferir junto à Natureza na consecução de suas leis,
mudando-lhe certos aspectos e influenciando decididamente nos resultados finais. Alguns chegam a
pensar mesmo que é como se o homem viesse a substituir Deus em sua obra criadora.

       Mas, ao lado dessas descobertas, foram-se acumulando inquietações de ordem moral e ética:

       Até aonde se poderia caminhar nessas manipulações das leis naturais?
       Quais seriam os seus limites?
       Quais as suas repercussões mais profundas?
                                                                                                98
Espiritismo e Genética

       Quem estaria suficientemente dotado da vera capacidade para se investir do poder
decisório?
       A que nível se deve dar a participação do paciente na tomada de condutas relacionadas à
sua própria vida?

       Foi exatamente em decorrência dessas dúvidas e inquietações que surgiu um novo campo de
estudo: a Bioética, que objetiva a orientar os profissionais e a sociedade como um todo quanto aos
rumos, aplicações e limites relacionados à problemática aventada.


                               Definições: Moral – Ética – Bioética

        “Moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na
observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então
cumpre a lei de Deus” (LE, Q. 629).
        Moral pode também ser definida como: “Conjunto de regras de conduta consideradas como
válidas de modo absoluto para qualquer tempo”. (Dic. Fil. Esp. de Palhano Júnior).
        “Moral Espírita é a mesma do Cristo, explicada sem laivos de imperfeição humana: “Façais
aos outros o que quereis que vos façam. É a regra universal de conduta para as menores e as maiores
ações. A moral espírita é a verdadeira moral cristã”. (Idem).
        Outra definição de Moral: “É parte da Filosofia que trata dos costumes e dos deveres do
homem”. (Dic. Esc. Língua Portuguesa do MEC).
        “Ética é parte da Filosofia que estuda os deveres do homem para com Deus e a sociedade”.
(Idem).
        A palavra “Bioética” foi criada pelo oncologista Van Rensselaer Potter, nos Estados Unidos,
em 1971, quando do lançamento de seu livro “Bioética: Ponte para o Futuro”.
        Etimologicamente, o vocábulo “bioética” significa a “ética da vida”. Isto, porém, não nos deve
levar a pensar implique em pura e simples censura moral à técnica ou se destine a cercear os passos
da pesquisa científica nessa área, senão a buscar a sua aplicação favorável à Humanidade, traduzida
pelos resultados positivos no que tange ao bem-estar do homem.
        Para tanto, a Bioética congrega e arrebanha o pensamento de todas as disciplinas correlatas,
bem como o das próprias individualidades. Desta forma, podem e devem dar a sua contribuição a essa
área: médicos, biólogos, outros profissionais de saúde, sociólogos, filósofos, teólogos e a sociedade
em geral.
        A Bioética é assim o estudo multidisciplinar e interdisciplinar dos problemas criados pelo
progresso técnico e científico, sua repercussão na sociedade e o seu sistema de valores. Ou ainda: o
conjunto de posturas éticas relacionadas à pesquisa e ao conhecimento biomédico, das relações dos
profissionais desta área com as decisões que impliquem algum poder em modificar as condições de
vida e a naturalidade dos processos biológicos, biomédicos e bioecológicos, visando à proteção e
valorização da vida.
        Portanto: a Bioética busca o consenso e, por isso mesmo, apóia-se na razão e no bom senso.


                                            Classificação

       Giovanni Berlinguer, renomado bioeticista italiano, distingue dois campos de ação para a
Bioética:

1. Bioética cotidiana – é a que trata dos problemas crônicos, mas ainda sem solução, tais como: a
   fome, a discriminação social ou sexual, a violência, a eutanásia, o aborto etc.

                                                                                                   99
Espiritismo e Genética

2. Bioética de fronteira – a que resulta direta e imediatamente do progresso tecnológico, origem de
   discussões sobre as posturas éticas a adotar na sua aplicação prática. Neste caso, citamos como
   exemplo: a reprodução assistida, a clonagem humana, a manipulação dos genes etc.


                                   Princípios Básicos da Bioética

1. Beneficência – originada do latim bonum facere, ou seja, fazer o bem. É preciso pôr-se a serviço
   da Humanidade, fomentando as relações fraternas e buscando a solidariedade. O conhecimento, a
   despeito de haver sido descortinado por um grupo particular ou alguém, não lhe pertence, mas a
   todos os que aqui na Terra habitamos, vivemos e compartilhamos experiências.

2. Autonomia – toda a sociedade deve tomar conhecimento das implicações e participar das
   decisões sobre as mais diversificadas condutas a serem adotadas na aplicação das descobertas e na
   solução dos problemas que a afligem endemicamente.

3. Justiça – Há que se estabelecer uma distribuição igualitária aos benefícios básicos em termos de
   saúde e oportunidades nos mais diversos campos que se abrem com o progresso da Ciência e o
   desenvolvimento da Tecnologia, assim como também na solução dos múltiplos impasses sociais,
   isto é, torná-los acessíveis à toda a população. Importa ainda ressaltar a direção dos nossos passos
   no sentido da preservação da vida, dignificando o viver humano e compreendendo a vida como
   um bem inalienável e de inestimável valor para todos nós. A isto se pode designar como a
   sacralidade da vida.

       Como se vê, existem grandes desafios no que concerne à atuação da Bioética, mas é da sua
própria estrutura a abertura para a participação de todos os setores interessados na preservação da
postura ética modernizada, levando sempre em consideração o bem-estar de todos.
       Muitas são as dificuldades para o estabelecimento de uma posição consensual, pois é natural
que os cientistas, os filósofos, os teólogos e religiosos de um modo geral tenham freqüentemente
pensamentos contraditórios. Isto, no entanto, não invalida se busque a unidade de pensamentos,
preservando a dignidade da vida e, na dúvida, ponderando os pensamentos mais extremistas que
possam caracterizar a esse ou àquele grupo.

                                         Visão Doutrinária

        A determinação de quando se inicia e termina a vida, infelizmente, ainda causa certa polêmica
e discussão.
        A Doutrina Espírita, com a sua meridiana racionalidade e o seu desiderato de unir ciência e
religião, bem como em decorrência da sua pesquisa da alma humana, decerto que poderá atuar
favoravelmente na elucidação dos problemas bioéticos em discussão, servindo, inclusive, de elo
intermediário entre as posições teológicas tradicionais e científicas mais dogmáticas, contribuindo
para o crescimento da Bioética, até porque há como que uma semelhança de intenções: pensar a vida,
respeitá-la e preservá-la, aplicando o conhecimento científico para o engrandecimento do ser (do
Espírito).
        O Ensinamento Espírita expressa pontos em perfeita correlação com os já citados princípios
básicos da Bioética, pois é bastante atentarmos: beneficência/caridade, autonomia/livre-arbítrio e
justiça, baseada na Lei de Ação e Reação.
        O Espiritismo poderá - com a pesquisa que realiza e que suscita a outros segmentos
científicos, como a Parapsicologia, por exemplo, e com a aplicação de uma postura lúcida, racional,
onde se emprega invariavelmente o bom senso - contribuir com as informações acerca do Espírito e
da vida espiritual, sem fanatismo ou intolerância.
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Espiritismo e Genética




        O nosso “Evangelho Segundo o Espiritismo”, nos dá orientação de como agir, aplicável,
também no caso em estudo:
        “Para julgarmos de qualquer coisa, precisamos ver-lhe as conseqüências. Assim, para bem
apreciarmos o que, em realidade, é ditoso ou inditoso para o homem, precisamos transportar-nos para
além desta vida, porque é lá que as conseqüências se fazem sentir. Ora, tudo o que se chama
infelicidade, segundo as acanhadas vistas humanas, cessa com a vida corporal e encontra a sua
compensação na vida futura”. (ESE, cap. V, no. 25).
        O alcance da engenharia genética é visto com naturalidade pelo Espiritismo.
        No caso da fecundação assistida, por exemplo, respondendo à pergunta se tais Espíritos vêm à
luz mediante preparação espiritual, Emmanuel esclarece; “(...) Sim, quando a Ciência na Terra,
iluminada pela bênção da fé na imortalidade, puder intervir no auxílio, realmente digno, junto ao
trabalho da Genética no campo humano, sem nenhuma disposição para extravagâncias e abusos
através de experimentações absolutamente desaconselháveis”.
        Se a própria reencarnação através da fecundação assistida obedece aos planos do Mais Alto,
como duvidar que os demais progressos da engenharia genética também estão chegando ao planeta
Terra sob supervisão do Bem?


                                              Bibliografia:

1. Artigo “Bioética, uma Contribuição Espírita” - Revista Int. de Espiritismo, no 8, de Setembro de
   2001;
2. GENÉTICA E ESPIRITISMO, de Eurípedes Kühl, Edição FEB. 2a edição, pág. 55/57;
3. O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, item citado;
4. O EVANGELHO SEG. O ESPIRITISMO, de Allan Kardec, cap. V, item 25;
5. DICIONÁRIO DE FILOSOFIA ESÍRITA, de L. Palhano Júnior;
6. DICIONÁRIO ESCOLAR DA LÍNGUA PORTUGUESA, do MEC.




                                                                                                101

Espiritismo e genetica 2

  • 1.
    Centro Espírita LéonDenis Curso: Espiritismo e Genética Patrono: Paul Gibier Ano: 2006 Volume 2 - Reencarnação e suas Leis - Fatores de Desequilíbrio: Doenças e sua Cura - Engenharia Genética “O Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente; a Ciência sem o Espiritismo se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria. Ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e comprovação”. Allan Kardec ÍNDICE
  • 2.
    Espiritismo e Genética Assunto Pág. I - Escolha das Provas 03 II - Reencarnação Dirigida e Compulsória 05 III - Esquecimento do Passado 07 IV - Reencarnação e Suas Leis 12 V - Planejamento Familiar 14 VI - Aborto, Visão Científica 17 VII - Aborto e a Lei de Causa e Efeito 23 VIII - As Doenças 27 IX - Transtornos Psicossomáticos 32 X - Síndromes Hereditárias 36 XI - Doenças Sexualmente Transmissíveis 46 XII - Reencarnação e Sexo 53 XIII - Engenharia Genética 60 XIV - Os Transgênicos 62 XV - Geneterapia 64 XVI - Clonagem 66 XVII - O Projeto Genoma 75 XVIII - Sexagem 84 XIX - O Homem do Futuro 88 XX - A Bioética 91 2
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    Espiritismo e Genética I. A ESCOLHA DAS PROVAS • Por que sofrem uns mais do que outros? • Por que uns nascem na miséria e outros na opulência? • Por que uns são bonitos e outros feios? • Por que alguns não são bem sucedidos em nada, enquanto para outros tudo parece sorrir? Em “O Evangelho Seg. o Espiritismo”, vemos algumas explicações para esses fatos. O homem é, em um grande número de casos, o construtor dos próprios infortúnios. Entretanto, sempre haverá oportunidade de uma nova vida, em que o homem poderá aproveitar as experiências do passado e tomar boas resoluções para o futuro. Lembramo-nos da afirmativa: “todo efeito tem uma causa”. Então, as misérias que nos atingem são efeitos, que, naturalmente, devem ter uma causa. E, como Deus é justo, esses efeitos devem ser justos: Deus não pune o bem que se fez. Se somos punidos, é porque fizemos o mal. Na mesma obra de Kardec, no capítulo sobre as causas das aflições, vemos que elas podem ser atuais ou anteriores à presente existência. A punição dos erros nem sempre se faz na existência atual. Se não sofrer hoje as conseqüências dos males que cometeu, sofrerá numa próxima existência (causas anteriores). Para cada falta cometida, durante a encarnação, o Espírito, antes de pagar pelo seu erro, terá que se arrepender; depois, então, expiar e reparar (sigla AER). Pela reencarnação, temos oportunidade de reviver situações e traumas com as pessoas com quem temos afinidade, ou não, com a intenção de trabalharmos não só o conflito dos relacionamentos regidos pela lei de causa e efeito, mas o autoburilamento, que só ocorrerá mediante o autoconhecimento. Quando estes efeitos afloram, surge a necessidade da reparação. Só reparando um erro, seja ele qual for, é que vamos tranqüilizar a nossa consciência. Para adquirirmos uma consciência plena de amor, precisamos das muitas existências sucessivas, onde trabalharemos a semente do amor de Deus em nós. As tribulações da vida podem ser impostas a Espíritos endurecidos e que perderam provisoriamente o direito de usar o livre-arbítrio, ou são muito ignorantes para fazerem uma escolha com conhecimento de causa. Podem, porém, essas tribulações serem escolhidas livremente por Espíritos arrependidos e que desejam reparar o mal que fizeram e se exercitarem em proceder melhor. Assim, as tribulações podem ser, ao mesmo tempo, expiações que castigam pelos erros do passado e provas que preparam para o futuro. Nem sempre significa que um indivíduo em grandes sofrimentos está sendo punido por faltas cometidas. Muitas vezes, os sofrimentos são simples provas escolhidas pelo próprio Espírito para concluir sua depuração e apressar seu adiantamento. Assim sendo, as expiações sempre servem de prova, mas a prova nem sempre é expiação. O sofrimento que não desperta lamentações pode ser uma expiação, mas isso é um indício que tal expiação foi escolhida voluntariamente e não imposta, o que é um sinal de progresso. Escolhida a prova, naqueles Espíritos em que há essa possibilidade, os “Construtores da Vida” organizam, com o máximo cuidado e competência, o plano reencarnatório de cada ser humano. Tal plano baseia-se fundamentalmente em duas condições: Merecimento individual; Passivo a resgatar perante as leis morais. Definido e aprovado o plano nas esferas espirituais elevadas, retorna o ser à carne, no mais adequado ambiente social. Em “Missionários da Luz”, capítulos 12 e 13, que nos falam sobre a preparação de experiências reencarnatórias, André Luiz refere-se a Espíritos ainda em débito, mas com valores de 3
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    Espiritismo e Genética boavontade, perseverança e sinceridade, que lhes outorgam o direito de influir sobre a escolha das provas. Há, nesses capítulos, interessantes descrições do departamento de planejamento das reencarnações: entidades conduzindo rolos, semelhantes a pergaminhos, contendo mapas de formas orgânicas, elaborados por orientadores especializados em conhecimentos biológicos da existência terrena e de acordo com as necessidades provacionais do reencarnante. Há, também, a descrição de modelos de corpos masculinos e femininos, com todos os detalhes anatômicos de órgãos, músculos, glândulas, órgãos sexuais etc. Os modelos do próximo corpo físico são então desenhados e as escolhas, por exemplo, de traços físicos de defeitos saem no gráfico. Aí também são planejados o tempo de vida e as provas de ordem moral. Em geral, Espíritos que conseguiram méritos no seu aperfeiçoamento solicitam providências em favor de existência sadia, preocupando-se com a resistência, equilíbrio, durabilidade e fortaleza do instrumento que lhes deve servir, mas pedem medidas a lhes atenuarem o magnetismo pessoal, em caráter provisório, evitando-lhes apresentação física muito primorosa, ocultando assim a beleza de suas almas para garantir a eficiência de suas tarefas. Vimos também, nesses capítulos, o pedido para que os traços fisionômicos e do corpo fossem alterados, para que a beleza não fosse uma característica predominante, o que poderia atrapalhar a prova a que o Espírito se propõe. E a Genética? Como ela se relaciona com o planejamento da reencarnação? São descritos por André Luiz, na obra acima referida, capítulo 13, os mapas cromossômicos, onde a geografia dos genes é examinada pelos orientadores da reencarnação. A modelagem fetal e o desenvolvimento do embrião obedecem às leis físicas naturais, aos automatismos estabelecidos pela evolução de cada espécie, mas em todos esses fenômenos, a cooperação espiritual coexiste com as leis, de acordo com os planos de evolução ou resgate do Espírito reencarnante. Segundo Léon Denis, em “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, o nosso futuro está em nossas mãos. Toda missão superior é o resultado de um passado imenso de lutas; é o remate de trabalhos longos e pacientes. Cada faculdade brilhante, cada virtude sólida, reclamou existências múltiplas de trabalhos obscuros, de combates violentos entre o Espírito e a carne, a paixão e o dever. É o amadurecimento através dos séculos. Em cada regresso ao espaço, procede-se ao balanço dos lucros e perdas. O ser examina-se e julga-se. A Vida do Espaço é para o Espírito que evoluiu o período de exame, de recolhimentos, aplicando-se ao interrogatório da consciência; ao inventário rigoroso da beleza ou da fealdade da alma. É, enfim, na vida do Espaço que o ser prepara as futuras tarefas. Aí, então, se lhe for permitido, serão feitas as escolhas das diversas provas pelas quais o Espírito passará. Bibliografia: 1. GENÉTICA E ESPIRITISMO, de Eurípedes Kühl, Edição FEB, 1997, Cap. Genética e Reencarnação, páginas 118 a 123. 2. O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Allan Kardec, Edição FEB, 8-1993, Cap. V - Bem-Aventurados os Aflitos, páginas. 3. MISSIONÁRIOS DA LUZ, de F.C.Xavier-André Luiz, Edição FEB, 8-1998, Cap. 12 e 13, páginas 143 a 216. 4. O PROBLEMA O SER, DO DESTINO E DA DOR, de Léon Denis, Edição FEB, 1-1995. 4
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    Espiritismo e Genética II. REENCARNAÇÃO DIRIGIDA E COMPULSÓRIA O que é “compulsória”? – “Compulsória” quer dizer: forçada, obrigatória. O que é “dirigida”? - “Dirigida” significa: orientada, administrada. Como nos mostram as várias obras da literatura espírita, a reencarnação, assim como o processo de desencarnação, não obedece a uma regra geral. “Cada caso é um caso...” Tudo está na dependência das condições do Espírito. De que forma viveu e de que forma morreu? O que aprendeu. Como era ele em apego e desapego, etc... Pode a reencarnação ser planejada pelo próprio Espírito, até com detalhes no corpo físico, como também as provas podem ser escolhidas pelo reencarnante. Naturalmente, sempre haverá a orientação dos mentores espirituais encarregados desse trabalho. Em outros casos, o Espírito não tem condições de escolha nem de planejamento e sua reencarnação será compulsória, sem escolhas. No mundo espiritual, em cada hospital, em cada colônia, há um departamento que cuida dos detalhes em favor dos Espíritos candidatos ao retorno à carne, nos casos de reencarne natural. Há, nesses departamentos, modelo de corpos físicos, de acordo com a missão de cada um, e também aí é planejado a família terrena. Nenhum Espírito reencarna em família com a qual não tenha vínculos de amor ou resgate. A lei natural é que nunca recebemos um estranho em nossa família. No processo de reencarne natural, tudo é previamente programado e tudo obedece a detalhes importantes, como, por exemplo, a linha mestra das tarefas e da missão que o Espírito reencarnante deve cumprir em sua jornada terrena. O Espírito toma conhecimento de suas responsabilidades, conhece de antemão as provas a que será submetido e as pessoas do meio com as quais irá se relacionar. Sabe também que sempre contará cm a ajuda do “anjo guardião” que o irá inspirar nas decisões nos momentos difíceis e de incerteza. Existem os processos que não obedecem a esta ordem natural das coisas: são as reencarnações compulsórias, aplicadas aos Espíritos reencarnantes, muitos deles dotados de alto grau de inteligência e, alguns, conhecedores do Evangelho e das Leis, mas devotados ao mal. Após análise criteriosa da Espiritualidade Superior, perdem temporariamente a condição do livre-arbítrio e passam por experiências reencarnatórias de grande aprendizado para eles. Normalmente são portadores de idiotia, de doenças congênitas que os deixam em condições entrevadas durante toda a existência. Será inesquecível o aprendizado para esse Espírito eterno, dotado de inteligência, mas portador de um equipamento defeituoso. A suspensão temporária do livre-arbítrio provém da misericórdia divina, que ampara esses Espíritos de quedas e derrotas espetaculares. Existem ainda as reencarnações complementares: são Espíritos que não completaram o período que lhes foi destinado viver, abreviaram a existência ou por não terem cuidado da saúde física pelo abuso de substâncias tóxicas, provocando o desencarne. Reencarnam para completar o período em débito. Vemos, na obra mediúnica de Carlos Baccelli, pelo Espírito Inácio Ferreira, a citação de Espíritos desencarnados comensais de criaturas encarnadas que vampirizavam... Não haviam se habilitado a viver fora do corpo. O tempo em que demoravam no Mundo Espiritual era apenas o suficiente para uma nova existência física, a que retornavam de maneira automática. No mesmo livro, lemos: “Muitos destes irmãos reencarnam sem que se reconheçam... Vivem na órbita psíquica daqueles com os quais se afinizam e de repente... caem nas malhas da 5
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    Espiritismo e Genética reencarnação.(...) Não temos como acolher esta gente toda na vida espiritual e nem programar reencarnação para todos. Para a grande maioria dos Espíritos, o que funciona é a Lei”. Em ”Memórias de Um Suicida”, de Yvonne A. Pereira, lemos, no capítulo VIII - Novos Rumos, a descrição de várias circunstâncias reencarnatórias, inclusive as de Espíritos internados no manicômio e que, incapazes de raciocinar, seguiam para a reencarnação impelidos pela necessidade imperiosa de uma melhoria e algum progresso. Diz-nos Yvonne Pereira que os técnicos do Departamento de Reencarnação daquela colônia e seus colaboradores, todos criteriosamente inspirados na Justiça e na Misericórdia das Leis Soberanas do Onipotente Criador, supriam a incapacidade de discernimento desses Espíritos para escolherem o futuro, estabelecendo em conselho o que melhor lhes convinha, com o beneplácito do Mestre Jesus. Entretanto, outros Espíritos, com o desenvolvimento moral e mental necessário, assistiam a aulas, na colônia citada (Maria de Nazaré), para aquisição de esclarecimentos sobre a reencarnação. A constituição física do Espírito reencarnante depende das necessidades do seu aprendizado. Sabemos que todas as experiências da vida ficam registradas do perispírito. Se, por exemplo, abusou do fumo, terá marcado, em sua forma perispiritual, nas vias respiratórias e nos pulmões, a dificuldade própria desse vício. Essas manchas ou defeitos do perispírito só desaparecerão quando transferidas para o corpo físico, que funciona como mata-borrão do perispírito. Na reencarnação natural em que o Espírito tem condições, ele mesmo escolhe quais as manchas perispirituais que passarão para o corpo. Esse processo acontecerá até que a “túnica nupcial” fique branca (perispírito sem manchas). Como vimos, o corpo físico é o instrumento que o Espírito usará para se livrar das manchas do perispírito e aí contamos com a Genética. Os genes representariam uma fita magnética com possibilidades de registro das experiências de toda ordem que a espécie humana desenvolve em seus campos de trabalhos e lutas. Em “Missionário da Luz”, André Luiz cita os mapas cromossômicos, no departamento de reencarnação. E sempre haverá um espermatozóide adequado para fertilizar o óvulo com o material genético apropriado às necessidades do Espírito reencarnante. Do que foi exposto, fica evidente a justiça da Reencarnação e a concordância entre as Leis de Deus e a Ciência da Hereditariedade. Sugerimos aqui a leitura do capítulo referente a esse assunto em o “O Livro dos Espíritos”, nas perguntas citadas na bibliografia. Bibliografia: 1. MISSIONÁRIOS DA LUZ, de F.C.Xavier-André Luiz, Edição FEB, 8-1993, páginas 205 e 206; 2. MEMÓRIAS DE UM SUICIDA, de Yvonne do Amaral Pereira, Edição FEB, páginas 258, 259, 350 e 351; 3. CREPÚSCULO DE OUTUNO, de Antonio Demarchi/ Irmão Virgílio, Lúmen Edit. Ltda., 1a. Edição, páginas 135 a 143; 4. O LIVRO DS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Questões 171, 196 e 337; 5. DO OUTRO LADO DO ESPELHO, de Carlos A. Baccelli, Edit. Didier, 1a edição. 6. DINÂMICA PSI, de Jorge Andréa, Sociedade Espírita F. V. Lorenz, 3ª edição, 1999, página 107. 6
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    Espiritismo e Genética III. O ESQUECIMENTO DO PASSADO Do livro “O QUE É O ESPIRITISMO”: Cap. V - Não consigo explicar a mim mesmo como pode o homem aproveitar da experiência adquirida em suas anteriores existências, quando não se lembra delas, pois que, desde que lhe falta essa reminiscência, cada existência é para ele qual se fora à primeira; deste modo, está sempre a recomeçar. Suponhamos que cada dia, ao despertar, perdemos a memória de tudo quanto fizemos no dia anterior; quando chegássemos aos setenta anos, não estaríamos mais adiantados do que aos dez; ao passo que recordando as nossas faltas, inaptidões e punições que disso nos provieram, esforçar-nos- emos por evitá-las. Para me servir da comparação que fizestes do homem, na Terra, com o aluno de um colégio, eu não compreendo como este poderia aproveitar as lições da quarta classe, não se lembrando do que aprendeu na anterior. Essas soluções de continuidade na vida do Espírito interrompem todas as relações e fazem dele, de alguma sorte, uma entidade nova; do que podemos concluir que os nossos pensamentos morrem com cada uma das nossas existências, para renascer em outra, sem consciência do que fomos; é uma espécie de aniquilamento. A.K. - De pergunta em pergunta, levar-me-eis a fazer um curso completo de Espiritismo; todas as objeções que apresentais são naturais em quem ainda nada conhece, mas que, mediante estudo sério, pode encontrar-lhes respostas muito mais explícitas do que as que posso dar em sumária explicação que, por certo, deve sempre ir provocando novas questões. Tudo se encadeia no Espiritismo, e, quando se toma o conjunto, vê-se que seus princípios emanam uns dos outros, servindo-se mutuamente de apoio; e, então, o que parecia uma anomalia, contrária à justiça e à sabedoria de Deus, se torna natural e vem confirmar essa justiça e essa sabedoria. Tal é o problema do esquecimento do passado, que se prende a outras questões de não menor importância e, por isso, não farei aqui senão tocar levemente o assunto. Se cada uma de suas existências um véu esconde o passado do Espírito, com isso nada perde ele das suas aquisições, apenas esquece o modo por que as conquistou. Servindo-me ainda da comparação supra com o aluno, direi que pouco importa saber onde, como, com que professores ele estudou as matérias de uma classe, uma vez que saiba, quando passa para a classe seguinte. Se os castigos o tornaram laborioso e dócil, que lhe importa saber quando foi castigado por preguiçoso e insubordinado? É assim que, reencarnando, o homem traz por intuição e como idéias inatas, o que adquiriu em ciência e moralidade. Digo em moralidade porque, se no curso de uma existência ele se melhorou, se soube tirar proveito das lições da experiência, se tornará melhor quando voltar; seu Espírito, amadurecido na escola do sofrimento e do trabalho, terá mais firmeza; longe de ter de recomeçar tudo, ele possui um fundo que vai sempre crescendo e sobre o qual se apóia para fazer maiores conquistas. A segunda parte de vossa objeção, relativa ao aniquilamento do pensamento, não tem base mais segura, porque esse olvido só se dá durante a vida corporal; uma vez terminada ela, o Espírito recobra a lembrança do seu passado; então poderá julgar do caminho que seguiu e do que lhe resta ainda fazer; de modo que não há essa solução de continuidade em sua vida espiritual, que é a vida normal do Espírito. Esse esquecimento temporário é um benefício da Providência; a experiência só se 7
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    Espiritismo e Genética adquire,muitas vezes, por provas rudes e terríveis expiações, cuja recordação seria muito penosa e viria aumentar as angústias e tribulações da vida presente. Se os sofrimentos da vida parecem longos, que seria se a eles se juntasse à lembrança do passado? Vós, por exemplo, meu amigo, sois hoje um homem de bem, mas talvez devais isso aos rudes castigos que recebestes pelos malefícios que hoje vos repugnariam à consciência; ser-vos-ia agradável a lembrança de ter sido outrora enforcado por vossa maldade? Não vos perseguiria a vergonha de saber que o mundo não ignorava o mal que tínheis feito? Que vos importa o que fizestes e o que sofrestes para expiar, quando hoje sois um homem estimável? Aos olhos do mundo, sois um homem novo, e aos olhos de Deus um Espírito reabilitado. Livre da reminiscência de um passado importuno, viveis com mais liberdade; é para vós um novo ponto de partida; vossas dívidas anteriores estão pagas, cumprindo-vos ter cuidado de não contrair outras. Quantos homens desejariam assim poder, durante a vida, lançar um véu sobre os seus primeiros anos! Quantos, ao chegar ao termo de sua carreira, não têm dito: “Se eu tivesse de recomeçar, não faria mais o que fiz!”. Pois bem, o que eles não podem fazer nesta mesma vida, fá-lo-ão em outra; em uma nova existência, seu Espírito trará, em estado de intuição, as boas resoluções que tiver tomado. É assim que se efetua gradualmente o progresso da humanidade. Suponhamos ainda - o que é um caso muito comum - que, em vossas relações, em vossa família mesmo se encontre um indivíduo que vos deu outrora muitos motivos de queixa, que talvez vos arruinou, ou desonrou em outra existência, e que, Espírito arrependido, veio encarnar-se em vosso meio, ligar-se a vós pelos laços de família, a fim de reparar suas faltas para convosco, por seu devotamento e afeição; não vos acharíeis mutuamente na mais embaraçosa posição, se ambos vos lembrásseis de vossas passadas inimizades? Em vez de se extinguirem, os ódios se eternizariam. Disso resulta que a reminiscência do passado perturbaria as relações sociais e seria um tropeço ao progresso. Quereis uma prova? Supondo que um indivíduo condenado às galés tome a firme resolução de tornar-se um homem de bem, que acontece quando ele termina o cumprimento da pena? A sociedade o repele, e essa repulsa o lança de novo aos braços do vício. Se, porém, todos desconhecessem os seus antecedentes, ele seria bem acolhido; e, se ele mesmo os esquecesse, poderia ser honesto e andar de cabeça erguida, em vez de ser obrigado a curvá-la sob o peso da vergonha do que não pode olvidar. Isto está em perfeita concordância com a doutrina dos Espíritos, a respeito dos mundos superiores ao nosso planeta, nos quais, só reinando o bem, a lembrança do passado nada tem de penosa; eis por que seus habitantes se recordam da sua existência precedente, como nós nos recordamos hoje do que ontem fizemos. Quanto à lembrança do que fizeram em mundos inferiores, ela produz neles a impressão de um mau sonho. (Páginas 114 a 117). Do “LIVRO DOS ESPÍRITOS”, Parte 2a, Cap VII: 392. Por que perde o Espírito encarnado a lembrança do seu passado? “Não pode o homem, nem deve, saber tudo. Deus assim o quer em sua sabedoria. Sem o véu que lhe oculta certas coisas, ficaria ofuscado, como quem, sem transição, saísse do escuro para o claro. Esquecido de seu passado ele é mais senhor de si”. 393. Como pode o homem ser responsável por atos e resgatar faltas de que se não lembra? Como pode aproveitar da experiência de vidas de que se esqueceu? Concebe-se que as tribulações da existência lhe servissem de lição, se se recordasse do que as tenha podido ocasionar. Desde que, porém, disso não se recorda, cada existência é, para ele, como se fosse a primeira e eis que então está sempre a recomeçar. Como conciliar isto com a justiça de Deus? 8
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    Espiritismo e Genética “Em cada nova existência, o homem dispõe de mais inteligência e melhor pode distinguir o bem do mal. Onde o seu mérito, se se lembrasse de todo o passado? Quando o Espírito volta à vida anterior (a vida espírita), diante dos olhos se lhe estende toda a sua vida pretérita. Vê as faltas que cometeu e que deram causa ao seu sofrer, assim como de que modo as teria evitado. Reconhece justa a situação em que se acha e busca então uma existência capaz de reparar a que vem de transcorrer”. “Escolhe provas análogas às de que não soube aproveitar, ou as lutas que considere apropriadas ao seu adiantamento e pede a Espíritos que lhe são superiores que o ajudem na nova empresa que sobre si toma, ciente de que o Espírito, que lhe for dado por guia nessa outra existência, esforçará pelo levar a reparar suas faltas, dando-lhe uma espécie de intuição das em que incorreu. Tendes essa intuição no pensamento, no desejo criminoso que freqüentemente vos assalta e a que instintivamente resistis, atribuindo, as mais das vezes, essa resistência aos princípios que recebestes de vossos pais, quando é a voz da consciência que vos fala. Essa voz, que é a lembrança do passado, vos adverte para não recairdes nas faltas de que já vos fizestes culpados. Em a nova existência, se sofre com coragem aquelas provas, e resiste, o Espírito se eleva e ascende na hierarquia dos Espíritos, ao voltar para o meio deles”. Não temos, é certo, durante a vida corpórea, lembrança exata do que fomos e do que fizemos em anteriores existências; mas temos de tudo isso a intuição, sendo as nossas tendências instintivas uma reminiscência do passado. E a nossa consciência, que é o desejo que experimentamos de não reincidir nas faltas já cometidas, nos concita à resistência àqueles pendores. 394. (...) No esquecimento das existências anteriormente transcorridas, sobretudo quando foram amarguradas, não há qualquer coisa de providencial e que revela a sabedoria divina? Nos mundos superiores, quando o recordá-las já não constitui pesadelo, é que as vidas desgraçadas se apresentam à memória. Nos mundos inferiores, a lembrança de todas as que se tenham sofrido não agravaria as infelicidades presentes? Concluamos, pois, daí que tudo o que Deus fez é perfeito e que não nos toca criticar-lhe as obras, nem lhe ensinar como deveria ter regulado o Universo. Gravíssimos inconvenientes teria nos lembrarmos das nossas individualidades anteriores. Em certos casos, humilhar-nos-ia sobremaneira. Em outros nos exaltaria o orgulho, peando-nos, em conseqüência, o livre-arbítrio. Para nos melhorarmos, dá-nos Deus exatamente o que nos é necessário e basta: a voz da consciência e os pendores instintivos. Priva-nos do que nos prejudicaria. Acrescentemos que, se nos recordássemos dos nossos precedentes atos pessoais, igualmente nos recordaríamos dos outros homens, do que resultariam talvez os mais desastrosos efeitos para as relações sociais. Nem sempre podendo honrar-nos do nosso passado, melhor é que sobre ele um véu seja lançado. Isto concorda perfeitamente com a doutrina dos Espíritos acerca dos mundos superiores a Terra. Nesses mundos, onde só reina o bem, a reminiscência do passado nada tem de dolorosa. Tal a razão por que neles as criaturas se lembram da sua anterior existência, como nos lembramos do que fizemos na véspera. Quanto à estada em mundos inferiores, não passa, então, como já dissemos, de mau sonho. 395. Podemos ter algumas revelações a respeito de nossas vidas anteriores? “Nem sempre. Contudo, muitos sabem o que foram e o que faziam. Se se lhes permitisse dizê- lo abertamente, extraordinárias revelações fariam sobre o passado”. 396. Algumas pessoas julgam ter vaga recordação de um passado desconhecido, que se lhes apresenta como a imagem fugitiva de um sonho, que em vão se tenta reter. Não há nisso simples ilusão? 9
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    Espiritismo e Genética “Algumas vezes, é uma impressão real; mas também, freqüentemente, não passa de mera ilusão, contra a qual precisa o homem pôr-se em guarda, porquanto pode ser efeito de superexcitada imaginação”. 397. Nas existências corpóreas de natureza mais elevada do que a nossa, é mais clara a lembrança das anteriores? “Sim, à medida que o corpo se torna menos material, com mais exatidão o homem se lembra do seu passado. Esta lembrança, os que habitam os mundos de ordem superior a têm mais nítida”. 398. Sendo os pendores instintivos uma reminiscência do seu passado, dar-se-á que, pelo estudo desses pendores, seja possível ao homem conhecer as faltas que cometeu? “Até certo ponto, assim é. Preciso se torna, porém, levar em conta a melhora que se possa ter operado no Espírito e as resoluções que ele haja tomado na erraticidade. Pode suceder que a existência atual seja muito melhor que a precedente”. a) Poderá também ser pior, isto é, poderá o Espírito cometer, numa existência, faltas que não praticou na precedente? “Depende do seu adiantamento. Se não souber triunfar das provas, possivelmente será arrastado a novas faltas, conseqüentes, então, da posição que escolheu. Mas, em geral, estas faltas denotam mais um estacionamento que uma retrogradação, porquanto o Espírito é suscetível de se adiantar ou de parar, nunca, porém, de retroceder”. 399. Sendo as vicissitudes da vida corporal expiação das faltas do passado e, ao mesmo tempo, provas com vistas ao futuro, seguir-se-á que da natureza de tais vicissitudes se possa deduzir de que gênero foi à existência anterior? “Muito amiúde é isso possível, por que cada um é punido naquilo por onde pecou. Entretanto, não há que tirar daí uma regra absoluta. As tendências instintivas constituem indício mais seguro, visto que as provas por que passa o Espírito o são, tanto pelo que respeita ao passado, quanto pelo que toca ao futuro”. Chegado ao termo que a Providência lhe assinou à vida na erraticidade, o próprio Espírito escolhe as provas a que deseja submeter-se para apressar o seu adiantamento, isto é, escolhe meios de adiantar-se e tais provas estão sempre em relação com as faltas que lhe cumpre expiar. Se delas triunfa, eleva-se; se sucumbe, tem que recomeçar O Espírito goza sempre do livre-arbítrio. Em virtude dessa liberdade é que escolhe, quando desencarnado, as provas da vida corporal e que, quando encarnado, decide fazer ou não uma coisa e procede à escolha entre o bem e o mal. Negar ao homem o livre-arbítrio fora reduzi-lo à condição de máquina. Mergulhado na vida corpórea, perde o Espírito, momentaneamente, a lembrança de suas existências anteriores, como se um véu as cobrisse. Todavia, conserva algumas vezes vaga consciência dessas vidas, que, mesmo em certas circunstâncias, lhe podem ser reveladas. Esta revelação, porém, só os Espíritos superiores espontaneamente lha fazem, com um fim útil, nunca para a vã curiosidade. As existências futuras, essas em nenhum caso podem ser reveladas, pela razão de que dependem do modo por que o Espírito se sairá da existência atual e da escolha que ulteriormente faça. O Esquecimento das faltas praticadas não constitui obstáculo à melhoria do Espírito, porquanto, se é certo que este não se lembra delas com precisão, não menos certo é que a circunstância de as ter conhecido na erraticidade e de haver desejado repará-las o guia por intuição e 10
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    Espiritismo e Genética lhedá a idéia de resistir ao mal, idéia que é a voz da consciência, tendo a secundá-la os Espíritos superiores que o assistem, se atende às boas inspirações que lhe dão. O homem não conhece os atos que praticou em suas existências pretéritas, mas pode sempre saber qual o gênero das faltas de que se tornou culpado e qual o cunho predominante do seu caráter. Bastará então julgar do que foi, não pelo que é, sim, pelas suas tendências. As vicissitudes da vida corpórea constituem expiação das faltas do passado e, simultaneamente, provas com relação ao futuro. Depuram-nos e elevam-nos, se as suportamos resignados e sem murmurar. A natureza dessas vicissitudes e das provas que sofremos também nos podem esclarecer acerca do que fomos e do que fizemos, do mesmo modo que neste mundo julgamos dos atos de um culpado pelo castigo que lhe inflige a lei. Assim, o orgulhoso será castigado no seu orgulho, mediante a humilhação de uma existência subalterna; o mau-rico, o avarento, pela miséria; o que foi cruel para com os outros, pelas crueldades que sofrerá; o tirano, pela escravidão; o mau filho, pela ingratidão de seus filhos; o preguiçoso, por um trabalho forçado etc. (Páginas 214 a 220). Do “EVANGELHO SEG. O ESPIRITISMO”, Cap. V: Item 11 - Em vão se objeta que o esquecimento constitui obstáculo a que se possa aproveitar da experiência de vidas anteriores. Havendo Deus entendido de lançar um véu sobre o passado, é que há nisso vantagem. Com efeito, a lembrança traria gravíssimos inconvenientes. Poderia, em certos casos, humilhar-nos singularmente, ou, então, exaltar-nos o orgulho e, assim, entravar o nosso livre- arbítrio. Em todas as circunstâncias, acarretaria inevitável perturbação nas relações sociais. Freqüentemente, o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, a fim reparar o mal que lhes haja feito. Se reconhecesse nelas as a quem odiara, quiçá o ódio se lhe despertaria outra vez no futuro. De todo modo, ele se sentiria humilhado em presença daquelas a quem houvesse ofendido. Para nos melhorarmos, outorgou-nos Deus, precisamente, o de que necessitamos e nos basta: a voz da consciência e as tendências instintivas. Priva-nos do que nos seria prejudicial. Ao nascer, traz o homem consigo o que adquiriu; nasce qual se fez; em cada existência, tem um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi antes: se se vê punido, é que praticou o mal. Suas atuais tendências más indicam o que lhe resta a corrigir em si próprio e é nisso que deve concentrar-se toda a sua atenção, porquanto, daquilo de que se haja corrigido completamente, nenhum traço mais conservará. As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, advertindo-o do que é bem e do que é mal e dando-lhe forças para resistir às tentações. Aliás, o esquecimento ocorre apenas durante a vida corpórea. Volvendo à vida espiritual, readquire o Espírito a lembrança do passado; nada mais há, portanto, do que uma interrupção temporária, semelhante à que se dá na vida terrestre durante o sono, a qual não obsta a que, no dia seguinte, nos recordemos do que tenhamos feito na véspera e nos dias precedentes. E não é somente após a morte que o Espírito recobra a lembrança do passado. Pode dizer-se que jamais a perde, pois que, como a experiência o demonstra, mesmo encarnado, adormecido o corpo, ocasião em que goza de certa liberdade, o Espírito tem consciência de seus atos anteriores; sabe por que sofre e que sofre com justiça. A lembrança unicamente se apaga no curso da vida exterior, da vida de relação. Mas, na falta de uma recordação exata, que lhe poderia ser penosa e prejudicá-lo nas suas relações sociais, forças novas haure ele nesses instantes de emancipação da alma, se os sabe aproveitar. (Páginas 104 e 105). Em que momento ocorre o esquecimento? - Mais uma vez o estudo do perispírito vai nos ajudar a entender essa questão: Entre a ligação inicial do Espírito ao corpo no momento da concepção e o nascimento, o Espírito vai se integrando no corpo físico durante toda a vida intrauterina e, quanto mais se integra, menor capacidade vai tendo de agir como Espírito desencarnado: sua mente vai se 11
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    Espiritismo e Genética obscurecendo,a possibilidade de se afastar do corpo vai diminuindo. Vive uma espécie de perturbação, de aprisionamento, até que seu relacionamento com o plano espiritual se reduz a zero – esquecendo o passado. Bibliografia: 1. O QUE É ESPIRITISMO, de Allan Kardec, Edição FEB, 6-1997; 2. O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Edição FEB, 2-1994; 3. O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Allan Kardec, Edição FEB, 8-1993; 4. PERISPÍRITO E CORPO MENTAL, de Durval Ciamponi, Edições FEESP, 8-2000. 12
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    Espiritismo e Genética IV. REENCARNAÇÃO E SUAS LEIS O termo “reencarnação” significa voltar à carne, tornar a nascer. Basicamente, a reencarnação admite sempre o aspecto evolutivo e presume retornos à vida física em uma espiral crescente de aquisição de valores e experiências para o Espírito. A Doutrina Reencarnacionista não admite o retrocesso do Espírito. Os renascimentos devem ocorrer dentro de uma mesma espécie, acompanhando a evolução da mesma. A própria presença do Espírito na carne e seus retornos sucessivos, arquivando experiências, seria o fator impulsionador da evolução das espécies. Nesse texto acima, de Di Bernardi, já percebemos a Justiça que há nas Leis da Reencarnação, sempre com vistas ao progresso do Espírito. Em “O Livro dos Espíritos”, parte II, cap. IV, lemos, segundo a revelação dos Espíritos, que o dogma da reencarnação se funda na Justiça de Deus: “Todos os Espíritos tendem para a perfeição e Deus lhes faculta os meios de alcançá-la, proporcionando-lhes as provações da vida corporal. Sua Justiça, porém, lhes concede realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova”. Ainda, segundo Kardec, nesse capítulo, Deus não condena para sempre os que erram, o que nos mostra a sua bondade e justiça. O homem que tem consciência de sua inferioridade haure consoladora esperança na doutrina de reencarnação... Quem é que, ao cabo de sua carreira, não deplora haver tão tarde ganho uma experiência de que não mais pode tirar proveito? Entretanto, essa experiência tardia não fica perdida: o Espírito a utilizará em nova existência. Vejamos, agora, o mesmo assunto, sob a visão de Leon Denis, em “O Problema do Ser...”, onde ele compara a lei dos renascimentos em toda a Natureza: “No suceder das estações do ano, nas transformações das plantas e dos animais, tudo murcha para reflorir. Também o homem está ao alcance desta lei: Tudo o que tem vivido, reviverá em outras formas, para evoluir e aperfeiçoar-se. A Natureza não nos dá a morte senão para dar-nos a vida... Depois de cada vida terrestre, a alma ceifa e recolhe, em seu corpo fluídico, as experiências e os frutos da existência decorrida. Assim, o ser psíquico, em todas as fases de sua ascensão, encontra-se tal qual a si mesmo se fez. Somos herdeiros de nós mesmos”. Os sofrimentos de toda espécie, físicos ou morais, que afligem a humanidade, formam duas categorias: aqueles que o homem pode evitar e os que independem da sua vontade. Entre os primeiros se incluem os flagelos naturais. O homem, apreciando as coisas do ponto de vista de sua personalidade, dos interesses factícios e convencionais que criou para si mesmo, não compreende os fenômenos da Natureza. Por isso se lhe afigura mau e injusto o que consideraria justo e admirável se lhe conhecesse a causa. Pesquisando a razão de ser e a utilidade de cada coisa, verificará que tudo traz o sinal da sabedoria infinita e se dobrará a essa sabedoria. Quanto maior o conhecimento adquirido pelo homem, menos desastrosos se tornam os flagelos. Com uma organização sábia e previdente, conseguirá neutralizar-lhe as conseqüências. Assim, com referência até aos flagelos que têm certa utilidade para a ordem geral da Natureza e para o futuro, mas que no presente causam danos, facultou Deus ao homem os meios de lhe paralisar os efeitos. Temos como exemplo de reações do homem a flagelos naturais: saneamento de regiões insalubres, imunização contra os miasmas pestíferos, fertilização de terras áridas e preservação contra 13
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    Espiritismo e Genética inundações,construção de habitações resistentes aos ventos e aos terremotos, desenvolvimento das ciências que têm melhorado as condições de vida no planeta e aumentado o seu próprio bem-estar. “Tendo o homem que progredir, os males a que se acha exposto são um estimulante para o exercício da sua inteligência, de suas faculdades físicas e morais, incitando-o a procurar os meios de evitá-los. Se ele nada tivesse a temer, não seria induzido a procurar o melhor; o espírito se lhe entorpeceria na inatividade; nada inventaria nem descobriria. A dor é o aguilhão que o impele para frente, na senda do progresso”. “Porém os males mais numerosos são os que o homem cria pelos seus vícios que provêm do seu orgulho, egoísmo, ambição, de seus excessos em tudo. Aí a causa das guerras e das suas conseqüências, das dissensões, das injustiças da opressão do fraco pelo forte; da maior parte das enfermidades. (...) Deus promulgou leis plenas de sabedoria, visando unicamente ao bem. (...) Se o homem agisse rigorosamente de acordo com as leis divinas, que estão gravadas na sua consciência, não há dúvida de que se pouparia dos mais agudos males, físicos ou morais”. “Entretanto, Deus, por sua bondade infinita, pôs o remédio ao lado do mal. Um momento chega que o excesso do mal moral se torna intolerável e impõe ao homem a necessidade de mudar de vida, procurando no bem o remédio sempre por efeito do seu livre-arbítrio. Como exemplo de inobservância da lei, causando sofrimentos físicos, temos a Lei da Conservação: Deus pôs limite à satisfação das necessidades; quem o ultrapassa, fá-lo voluntariamente; as doenças e a morte que daí podem resultar são conseqüência da sua imprevidência”. (GÊNESE, de Allan Kardec, Cap. III, itens 5, 6 e 7). “Cumpre que haja o sofrimento físico e a angústia moral, para que o Espírito seja depurado; limpe-se das partículas grosseiras. (...) Assim, a alma sobe de esfera em esfera, de círculos em círculos, unida aos seres que tem amado; vai continuando as suas peregrinações, em procura das perfeições divinas. Chegada às regiões superiores, está livre da lei dos renascimentos; a reencarnação deixa de ser para ela obrigação para ficar somente ato de sua vontade, o cumprimento de uma missão, obra de sacrifício”. (O Problema do Ser, do Destino e da Dor, de Léon Denis, Cap. XVIII, páginas 288/289). Eis aí um pouco dessa maravilhosa Lei de Justiça que governa os mundos e que Deus inscreveu no âmago das coisas e na consciência humana. Bibliografia: 1. O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Edição FEB, 2-1994, Parte Segunda, Capítulo IV; 2. O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Allan Kardec, Edição FEB, Cap.V, nos 4, 5 e 6; 3. A GÊNESE, de Allan Kardec, Edição FEB, 10-1992, Cap. III; 4. O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR, de Léon Denis, Edição FEB, Cap. XVIII; 5. REENCARNAÇÃO E EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES, de Ricardo di Bernardi, Liv. Edit. Universalista Ltda., 2a edição, 1947. 14
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    Espiritismo e Genética V. PLANEJAMENTO FAMILIAR O planejamento familiar, na visão da Igreja. No Brasil, coerente com o alerta do Vaticano, Dom Lucas Moreira Neves, cardeal-arcebispo de Salvador/BA e primaz do Brasil, considerou (no jornal “O Estado de São Paulo”, de 12-1-94) a ousada clonagem humana realizada por Hall e Stillman um desafio à comunidade científica mundial e às Igrejas Cristãs.Considera ele que, eventualmente benéfica à saúde humana, a intervenção da ciência não prescinde de um componente ético, o que pode torná-la inconveniente e até inaceitável. Dentre estas intervenções, a moral cristã rejeita os métodos artificiais para o planejamento familiar. A mesma moral, que aceita as técnicas de cura ou de melhoria de qualidade de vida, chama a atenção contra as intervenções sobre as fontes da vida e, sobretudo, qualquer manipulação neste terreno, o mais próximo da ação do Criador. “O dom da vida só a Deus pertence”, consigna. Métodos contraceptivos A posição católica sobre o item anterior é coerente com as seguintes manifestações, anteriores e posteriores à experiência da clonagem humana: • A Encíclica (carta solene, dogmática ou doutrinária, na qual o Papa se dirige aos bispos de todo o mundo e aos fiéis) Veritatis Splendor, o “Esplendor da Verdade”, de Ago/93. Nessa Encíclica, a Igreja condena a contracepção pelo uso de preservativos masculinos e a pílula anticoncepcional. • A Congregação pela Doutrina da Fé (órgão do Vaticano, responsável pela fidelidade aos dogmas cristãos), desde 1987, condena qualquer tentativa ou hipótese que exclua o relacionamento sexual com o nascimento do ser humano. • O Conselho Permanente da Conferência dos Bispos da França, em comunicação de Jan/94, condenou os atos que “suplantam a união do matrimônio”para a reprodução. Pelo comunicado, o método da fertilidade só será aceitável quando não suplante a união conjugal. Moralmente condena, por outro lado, o uso de óvulos ou espermatozóides de terceiros. (GENÉTICA E ESPIRITISMO, de Eurípedes Kühl). Anticoncepcionais e Reencarnação: O controle da natalidade vem sendo executado desde os primórdios dos tempos. A civilização humana sempre encontrou raízes ou ervas com as quais feiticeiros ou médicos procuraram interferir no processo da concepção ou mesmo da gestação em curso. Mesmo aqueles casais avessos aos processos artificiais freqüentemente optam por “métodos naturais”, evitando relacionamento sexual nos dias férteis, objetivando o mesmo resultado: a limitação da natalidade. Teoricamente, em todos os casais haveria uma possibilidade de número maior de filhos, caso não houvesse alguma forma de controle ou planejamento familiar. Esta constatação nos leva a crer que há, na quase totalidade dos casais, alguma interferência por livre iniciativa, sobre a natalidade de seus filhos. 15
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    Espiritismo e Genética Em face do exposto, o bom senso leva a nos posicionar realisticamente, sem, no entanto, perdermos a visão idealística. Nós, seres humanos, já conquistamos o direito da liberdade de decidir, evidentemente com a responsabilidade assumida pelo livre arbítrio. O homo sapiens já possui a possibilidade de escolher a rota de seu progresso, acelerando ou reduzindo a velocidade de seu desenvolvimento espiritual. Somos os artífices da escultura de nosso próprio destino. Nas informações que são colhidas, psicográfica ou psicofonicamente, os Espíritos nos expõem da planificação básica de nossa vida aqui na Terra, projeto desenvolvido antes de reencarnarmos. Se é verdade que os detalhes serão aqui por nós construídos, o plano geral foi anteriormente elaborado no mundo espiritual, freqüentemente com nossa aquiescência. Desta planificação básica, consta o número de filhos. Se um determinado casal deveria receber quatro filhos na sua romagem reencarnatória e não o fez, pelo uso das pílulas anticoncepcionais, ou outro método bloqueador da concepção, ficará com a carga de responsabilidade a ser cumprida. Não se permitiu a complementação da tarefa a que se propôs antes de renascer. A grande questão que surge é com relação às conseqüências advindas da decisão de limitar a natalidade dos filhos. Sabemos que há uma transferência do compromisso estabelecido, para outra encarnação. Sucede, muitas vezes, que esta decisão de postergar compromissos determina a necessidade de um replanejamento espiritual, com relação àqueles designados à reencarnação num determinado lar. Podem os mesmos obter “novos passaportes”, surgindo como netos, filhos adotivos ou outras vias de acesso elaboradas pela Espiritualidade Maior. Ocorrerá, nestes casos, a necessidade de um preenchimento da lacuna de trabalho que se criou ao se impedir a chegada de mais um filho. O trabalho construtivo, consciente ou inconscientemente desenvolvido, para a substituição do compromisso previamente assumido, poderá compensar pelo menos parcialmente a dívida adiada. Qualquer débito cármico poderá ser sanado ou apagado por potenciais positivos, às vezes bem diversos dos setores daqueles que originaram as reações. No entanto, o labor amoroso na área mais específica da maternidade e infância carente, é naturalmente mais indicado para a harmonização das energias tornadas deficientes nesta área. Se o ideal é que cumpríssemos o plano de vida preestabelecido, é também quase geral o fato de que, neste planeta, a maioria não logra êxito na execução total de suas tarefas. Resta-nos a necessidade de consultar honestamente a consciência, pois, pela intuição ou sintonia com nosso eu interno, encontraremos as respostas a dúvidas (ou dívidas) particulares neste mister. É constatação evidente o fato de, normalmente, não nos recordarmos dos planos previamente traçados, mas é verdadeiro também que freqüentemente fazemos “ouvido de mercador” aos avisos que nosso inconsciente nos transmite. Não esperemos respostas prontas ou transferência de decisão para quem quer que seja; afinal estamos ou não lutando para fugir das mensagens dogmáticas, do “isto é permitido”, isto não é. Cada casal deverá valorizar o mergulho no seu inconsciente, sentir, meditar e, das águas profundas do seu espírito, trazer à superfície a sua resposta... (GESTAÇÃO, SUBLIME INTERCÂMBIO, de Ricardo Di Bernardi). A Laqueadura de Trompas Ao nos referirmos a esta temática, consideraremos as digressões aqui feitas extensivas à situação correspondente no organismo masculino. A vasectomia, processo que no homem visa a interromper o fluxo de espermatozóides em direção ao exterior, também segue a mesma linha de raciocínio a ser exposto. Há, sem dúvida, indicações médicas muito definidas e claras no que tange à ligadura de trompa: situações onde o risco de uma nova gestação é bastante elevado, podendo determinar o óbito da mulher. Ressalvam-se aqui os casos onde uma pseudo-situação é criada, consciente ou inconscientemente, tanto pelo profissional como pela mulher, que na realidade procuram uma razão que justifique a decisão prévia. 16
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    Espiritismo e Genética O percentual mais expressivo das laqueaduras de trompas é, sem dúvida, por motivo de planejamento familiar. Observa-se uma crescente permissividade nas indicações cada vez mais precoces e com menor número de filhos. Não nos referimos especificamente a um país ou região, mas ao contexto planetário, onde a situação é preocupante. As lesões ou mutilações aceitas por nós, ou ainda, consentidas e estimuladas pelo cônjuge, hão de trazer repercussões a médio e longo prazo. O corpo espiritual registra as alterações e automaticamente surgirão conseqüências, neste ou outras encarnações, ligadas à esfera atingida. Fragilidades orgânicas, predisposições a patologias e dificuldades na área da fertilidade poderão ser algumas situações a ser observadas naquelas que no passado optaram por esta intervenção. Importante, também, é que cada caso seja de per si analisado, pesando-se os inúmeros fatores envolvidos. Não há como se colocar em um mesmo grupo situações diametralmente opostas do ponto de vista sócio-econômico, cultural ou ético. A ligadura de trompas, efetuada preventivamente em uma mulher que sistematicamente aborta ao engravidar e afirma irá abortar sempre que engravide, não poderá ter o mesmo nível de conseqüência cármica de outra que simplesmente diz ao médico não desejar ter filhos pelo prazer de conviver exclusiva e egoisticamente com seu companheiro. As circunstâncias de miserabilidade, patologias mentais e outras, de naturezas diversas, em mães de prole numerosa, reduzem o efeito desarmonizador da ligadura de trompas. Não pretendendo legitimar ou estimular as intervenções cirúrgicas nesta área, cumpre-nos, no entanto, o dever de salientar que o livre-arbítrio sempre será respeitado como direito do ser humano. No tocante aos graus de débito cármico, é importante ter-se em mente que a mínima ou grave conseqüência estará relacionada à intencionalidade que move todos os envolvidos no processo. (GESTAÇÃO, SUBLIME INTERCÂMBIO, de Ricardo Di Bernardi, pág. 203/204). O Apoio da Saúde Pública No Estado do Rio de Janeiro, a rede de saúde pública (SUS) já oferece assistência gratuita para a ligadura das trompas, conforme reportagem publicada no Jornal “Extra” de 6 de junho de 1998. A partir dessa data, com a entrada em vigor da Lei número 9263, já podem ser feitas ligaduras de trompas em mulheres com mais de 25 anos de idade e com no mínimo dois filhos. Os critérios para a operação são determinados pelo Ministério da Saúde. Os hospitais, no entanto, antes da cirurgia, devem informar sobre outros métodos anticoncepcionais e oferecê-los de graça. A esterilização deve ser a última opção e não ser o principal método contraceptivo, diz Janine Shirmer, da área da Mulher no Ministério da Saúde. Existe estatística sobre o assunto: 52% das mulheres que fazem cesariana ligam as trompas. Agora é proibido fazer a laqueadura no parto, devendo ser respeitado o prazo mínimo de 60 dias. Com essa lei, a ligadura torna-se acessível aos mais pobres. Porém, a operação só é indicada para mulheres que não podem utilizar outro método contraceptivo ou que correm risco de vida numa próxima gravidez, esclarece o ginecologista e professor de obstetrícia da UFF, Dr. Jacob Arkasder. Bibliografia: 1. GENÉTICA E ESPIRITISMO, de Eurípedes Kühl, Edição FEB, 6-1997, páginas 77 e 78; 2. GESTAÇÃO, SUBLIME INTERCÂMBIO, de Ricardo di Bernardi, Liv. Edit. Univ. Ltda., 7- 1997, páginas 199 a 201 e 203 a 204. 17
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    Espiritismo e Genética MANIFESTO Manifesto elaborado pelo Dr PAULO CURI, sob a inspiração de seus amigos espirituais e fruto de sua decepção com relação à crise de má orientação sexual por que passa o nosso país e a Humanidade. A conjuntura sócio-econômica atual é patrocinadora desta mídia que abertamente bombardeia nossas crianças com apelos eróticos e demonstrações explícitas de sexo. É um contra-senso, e um flagrante desequilíbrio mental e espiritual, proibir, procrastinar, adiar, olvidar ou esconder as informações relativas à educação sexual aos nossos jovens adolescentes e às nossas crianças em qualquer idade. Se a pretensão é não despertar precocemente sexualidades, estamos trocando conhecimentos com bases cristãs e com responsabilidade, que o lar pode oferecer, por “cultura de lixo” encontrável em qualquer esquina da vida, atitude ignóbil sob qualquer ponto de vista. Vivemos sob a égide de antigos usos e costumes e convivemos com uma fase social revolucionária, fase de mudanças. Entretanto, nosso orgulho, nossa ignorância e nosso egoísmo não nos deixam enxergar que estes fatores são preponderantes no aumento exagerado dos casos de DST/AIDS, gravidez indesejada e, acima de tudo, abortos criminosos, que levam, na maioria dos casos, ao desencarne prematuro Espíritos que muito contribuiriam no desenvolvimento da Humanidade. Responderemos por nossa omissão! 18
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    Espiritismo e Genética VI. O ABORTO, VISÃO CIENTÍFICA OBJETIVOS 1. Transmitir conhecimentos básicos sobre abortamento, suas características, forma de diagnóstico, condutas terapêuticas e prognóstico. 2. Tecer comentários sobre o ponto de vista legal e suas implicações sociais. Ainda, relacionar os malefícios advindos ao corpo físico e ao corpo espiritual. 3. Fornecer subsídios para a compreensão do tema sob a ótica da Codificação da Doutrina Espírita, segundo Allan Kardec. VISÃO TÉCNICA 1. INTRODUÇÃO O termo “aborto” origina-se da palavra latina “aboriri”, que significa “expulsar o feto sem que ele tenha condições de vitalidade”. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), considera-se abortamento a expulsão ou extração de feto ou embrião que pese menos de 500g (idade gestacional aproximada de 20 a 22 semanas), ou de qualquer outro produto da gestação, de qualquer peso e especificamente designado, independentemente da idade gestacional, tenha ou não sinal de vida e seja ou não espontânea ou induzida. 2. HISTÓRICO • China - relata ocorrências 3.000 anos a.C. • Egito - 1.550 anos a.C., o Código Hamurabi já previa punições a quem praticasse aborto; • Platão - recomendava a mulheres que engravidassem após 40 anos de idade; • Hipócrates - recomendava exercícios violentos a quem desejasse praticar aborto; • Aristóteles - recomendava aborto como controle da natalidade; • Sócrates - recomendava às parteiras facilitarem o aborto às mulheres que desejassem realizá- lo; • Roma - era comum, mas variava o grau de recriminação de acordo com a época; era também usado como método anticoncepcional; • Europa - a partir do século XIX, o aborto induzido assumiu proporções preocupantes e vários países adotaram leis restritivas; • E.U.A. - o aborto foi legalizado em 1973; • Brasil - o aborto só é permitido quando há ameaça à vida da mulher e em gravidez resultante de violência sexual. Em 1982, 39% da população mundial vivia em países com legislação liberal acerca do aborto; 25% vivia em países com legislação que autorizava o aborto por razões médico-sociais; 8% vivia em países onde o aborto era autorizado por motivos amplos; e apenas 28% da população do mundo vivia em países onde o aborto era totalmente ilegal ou permitido somente para salvar a vida da mãe. 19
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    Espiritismo e Genética 3. NIDAÇÃO Em torno de 6 a 7 dias, após a fertilização, inicia-se o processo de implantação do embrião. Neste momento ocorre a adesão do trofoblasto ao epitélio uterino e sua penetração na decídua materna e nas artérias espiraladas. As células maternas e fetais ficam lado a lado, dentro da decídua, sem, porém, ocorrer efeitos deletérios para ambas as partes. Na decídua, durante o primeiro trimestre da gestação, e no endométrio de mulheres não grávidas, durante a fase secretora tardia, predomina uma população de linfócitos granulares grandes (LGL). Eles têm importante papel no controle da implantação e na transformação da vasculatura uterina pelo trofoblasto. 4. DIAGNÓSTICO História clínica; sinais subjetivos; sinal cardinal (sangramento vaginal - uma entre quatro gestantes apresentam sangramento no início da gestação e, destas, metade abortam); toque vaginal; BHCG e ultra-sonografia. Em caso de ameaça de abortamento, clinicamente, temos: colo uterino impérvio, ausência de atividade contrátil e dolorosa. Destas, 30 a 40% abortam. 5. CLASSIFICAÇÃO a) De acordo com a casualidade: Espontâneo - interrupção natural da gravidez, antes de 20 semanas de gestação e não há nenhum precipitante do quadro. Pode ser fato isolado ou habitual. Estima-se que 40% dos embriões humanos não conseguem completar a nidação; 15% de todas as gestações terminam espontaneamente entre a 4a. e a 20a semana. Induzido - é aquele em que ocorre ação deliberada para interromper a gestação e pode ser terapêutico, eletivo, criminoso ou ilegal. b) De acordo com a idade gestacional: Precoce - antes da 12a semana.(3/4 dos abortos clinicamente) Tardio - entre a 12a. e a 20a semana. c) De acordo com estado clínico: Evitável e inevitável; completo, incompleto e retido; séptico e asséptico. 6. ETIOLOGIA a) Genética - atinge 3 a 5% dos casais. É a causa mais freqüente dos abortos precoces. Atinge 50% dos abortos espontâneos. O mais comum é translocação balanceada dos genes. b) Anatômica - (1) congênita. Exemplo: septo uterino, útero hipoplásico etc; (2) adquirida (sinéquias, incompetência istmo-cervical, leiomiomas, endometriose etc). 20
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    Espiritismo e Genética c) Hormonais - uma das mais freqüentes (insuficiência lútea, hipotireoidismo, diabete “melittus”, desordem androgênica, desordem prolactina, elevação luteotrófica (LH), próprio de ovários policísticos). d) Infecção materna - doença infecciosa sistêmica, como pneumonia, peritonite, febre tifóide, pielonefrite aguda, rubéola, varíola, malária, toxoplasmose, hepatite e outras. É freqüente nas adolescentes grávidas. e) Alterações metabólicas - hiperhomocisteina (deficiência de várias fases do metabolismo) f) Alterações vasculares e hematológicas - fator V de Leiden. g) Imunológicas - o feto, pelos seus antígenos de origem paterna, representa algo “estranho” ao organismo materno e suscita uma resposta imune. Fatores supressores da resposta imunitária: prostaglandina E2, fator de crescimento tumoral, progesterona e outros são desencadeados. h) Externos - Tabaco (riscos 2 vezes maior), álcool, irradiação (5 rads ou mais), toxinas ambientais, gases anestésicos, arsênico, chumbo, benzeno, óxido de etileno etc. Também incidem fatores como: exercícios físicos, viagens, trabalho exaustivo, traumatismo físico, emoções, coito etc. i) Idade materna - (1) avançada (alterações citológicas sofridas pelos folículos ovarianos primários; (2) adolescente (estima-se que, entre 25 a 30% das mulheres que dão à luz no Brasil, têm menos de 19 anos de idade)). É consenso que quanto menor a idade da gestante maior é o índice de hipertensão, de eclampsia, de prematuridade, de baixo peso do recém-nascido e abortamento, desde que não haja acompanhamento eficiente em serviço de pré-natal adequado. É observado um grande número de cesáreas por desproporção céfalo-pélvica. j) Gemelidade - o abortamento e o parto prematuro são mais freqüentes na prenhez múltipla. k) Gravidez ectópica - é a nidação e desenvolvimento do ovo em qualquer ponto fora da cavidade do corpo uterino. Dependendo da natureza do serviço que apresentam seus dados, sua freqüência é de 1/40 a 1/400. Risco global: 0,3%. Recidiva contralateral: 10 a 15% de toda gestação. 20% ocorre em nulíparas. É de 7 a 8 vezes maior em mulheres que fizeram tratamento por problemas de esterilidade e tem grande incidência em mulheres que usam o DIU como método anticoncepcional. Podem ser classificadas em tubárias, ovarianas, abdominais e cervicais. Etiologia: Anormalidade das trompas; Anomalias ovulares intrínsecas; Focos de endometriose (endossalpinge - ovário - peritônio); Doença inflamatória pélvica; Divertículos tubários; Trompas hipoplásicas; Pólipos tubários; Tumores; Cirurgias pélvicas etc. Evolução clínica: É raro a trompa suportar gestação a termo e mais raro ainda manter o feto vivo. Regra geral é resolução espontânea assintomática. Abortamento tubário, ruptura tubária ou implantação secundária, são outras formas clínicas que ocorrem geralmente entre a metade do 2o. e o término do 3o. mês. l) Mola ou Mola Hidatiforme - anomalia ovular em que parte ou a totalidade das vilosidades assumem o aspecto de vesículas e em que, na maioria das vezes, o concepto está ausente ou se encontra reduzido a restos desintegrados. Coriomas benignos ou mola: há gradual desaparecimento dos elementos celulares e degeneração das fibras colágenas, que se fragmentam e tendem a se esmaecer. 21
  • 22.
    Espiritismo e Genética Corioadenoma: também designado “chorioadenoma destruens” - mola invasora - em que uma ou mais vilosidades coincidentes com ou seguidas de degeneração molar, invadem o miométrio. Coriocarcinoma - constituído por trofoblasto essencialmente maligno. Por coriocarcinoma devemos entender as ectopias trofoblásticas não-vilosas. 6. TRATAMENTO Evitáveis - tratamento médico adequado; a seguir, pré-natal adequado. Inevitáveis - tratamento cirúrgico de acordo com a etiologia. 7. PROGNÓSTICO É reservado e depende do diagnóstico. VISÃO DOUTRINÁRIA Allan Kardec inseriu no “Livro dos Espíritos” algumas perguntas, ao Plano Espiritual, que nos fazem apelar para um raciocínio assaz versátil para podermos entender até onde o Codificador queria que chegássemos. Vejamos: • L.E., 344 - Em que momento a alma se une ao corpo? Resposta: - “A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento”... Comentários: A retirada de um feto, em qualquer época da gestação, caracteriza um aborto. • L.E. 356 - Entre os natimortos alguns haverá que não tenham sido destinados à encarnação de Espírito? Resposta: - “Alguns há, efetivamente, a cujos corpos nunca nenhum Espírito esteve destinado. Nada tinha que se efetuar para eles. Tais crianças então só vêm por seus pais”. • L.E.356-a - Pode chegar a termo de nascimento um ser dessa natureza? Resposta: - “Algumas vezes; mas não vive”. Comentários: A idéia fixa da candidata à mãe, em engravidar, produz uma auto-obsessão, criando um molde mental que fornece a forma energética para as células se desenvolverem intra-útero e, de acordo com André Luiz, em “Ação e Reação”, o planejamento reencarnatório ocorre para uma minoria. O processo realmente obedece às leis biológicas e à lei da afinidade. Ainda, nas vezes em que não chegou a termo, ocorreu evidentemente um aborto natural. • L.E. 358 - Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação? 22
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    Espiritismo e Genética Resposta: - “Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando”. • L.E. 359 - Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela, haverá crime em sacrificar-se à primeira para salvar a segunda? Resposta: “Preferível é se sacrificar o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe”. Comentários: Ainda não tivemos a chance de nos depararmos com um caso destes. Entretanto, nestas circunstâncias, o Plano Superior nos orienta a uma análise bem judiciosa e, pela prece, colocar- nos acessíveis às orientações de nossos guias espirituais. INTERAÇÕES MENTAIS O ser humano é dotado de imenso potencial energético. Mobilizando esta força psicocinética, a gestante pode interferir nas ligações intrínsecas entre o espírito reencarnante e seu embrião. Se esta interferência for de amor, a gravidez se desenrolará a contento. Se, porém, for de rejeição, há sério risco de ocorrer aborto, aparentemente classificado de espontâneo. Há de se considerar, também, a ação nefasta que determinados pais exercem sobre o concepto, seja ela direta com referência à mãe, seja indireta, criando embaraços psíquicos, através do sono, ao espírito reencarnante. Numa similitude ao nosso temor à morte, determinados Espíritos temem deixar uma situação que lhes parece estável, no mundo espiritual, para usufruir novamente, na matéria, de oportunidades de crescimento, embora aprisionando ou anestesiando suas conquistas do passado. Neste momento retraem-se, aflora um medo do desconhecido ou medo de nascer e fracassar. Buscam, então, a solução no aborto espontâneo, mobilizando suas forças mentais. A TRAJETÓRIA DO ESPÍRITO O Espírito imortal, em sua trajetória rumo ao progresso, utiliza o corpo material para purificação, progresso moral e intelectual, asas indispensáveis no vôo ao infinito do conhecimento. O exercício do aprendizado requer a reencarnação, neste ou em outros mundos, dos milhares criados pelo nosso Pai. As moléculas perispirituais, a fim de se ajustarem àquela primeira molécula física, condensam-se previamente. No terço médio do tubo falopiano, surge à nave que transportará este ser imortal durante anos e anos, patrocinando-lhe meios de expiar suas mazelas, adquiridas nos milhares de vezes que por aqui passou. Também é a oportunidade de provar a aptidão de vivenciar novas conquistas em outras searas celestiais. No instante em que é penetrado o gameta feminino pelo masculino (fecundação), o espírito também se conjuga a esta microscópica célula, arcabouço do futuro corpo material. De uma única célula, subdividindo-se incessantemente, surge um amontoado de matéria sem forma definitiva. Gradativamente, entretanto, fixará o perfil humano. 23
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    Espiritismo e Genética O embrião, de movimentos curtos, suaves e batidas cardíacas débeis, evolui incessantemente para, próximo ao nascimento, apresentar movimentos mais largos, mais vigorosos. Estará, desde então, revestido de células, órgãos e aparelhos amadurecidos, propícios para pleno funcionamento no ambiente externo. Um trabalho digno do mais requintado artista e, no entanto, fenômeno repetitivo há milhões de anos. As células, durante a existência, cambiam-se em diferentes intervalos de tempo. Entretanto, mantêm constante a arquitetura primitiva gravada no perispírito. Não é justo que tudo se acabe, prematuramente, na ponta de um instrumento cruel, manejado por um profissional assassino, frio e inconseqüente! Bibliografia: 1. APONTAMENTOS, do Doutor Paulo Cury, da AME-Rio e do CELD; 2. O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Edição FEB; 3. VIDA E SEXO, de F.C.Xavier-Emmanuel, Edição FEB; 4. GESTAÇÃO, SUBLIME INTERCÂMBIO, de Ricardo di Bernardi, 5a. edição; 5. SEXO E DESTINO, de F.C.Xavier e Waldo Vieira-André Luiz, Edição FEB; 6. AÇÃO E REAÇÃO, de F.C.Xavier-André Luiz, Edição FEB; 7. OBSTERÍCIA, de F.C.Grelle, 2a. edição; 8. BSTETRÍCIA, de Jorge Resende, 2a. edição; 9. PRENHEZ ECTÓPICA, da Enciclopédia Méd. Brás., por Luiz Fernando C.O.Braga; 10. ABORTAMENTO, GO Dez.1999, por Diógenes Basegio e col; 11. ABORTAMENTO RECORRENTE, GO Set.1998, por Sulani S. de Souza e col.. 24
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    Espiritismo e Genética VII. O ABORTO E A LEI DE CAUSA E EFEITO Constitui crime a provocação do aborto em qualquer período da gestação? “Há crime sempre que transgredis a Lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando”. (LE 358). A programação de uma nova existência : Criamos projetos, aventamos sugestões, articulamos providências e externamos votos respeitáveis, englobando-nos com eles em salutares compromissos que, se observados, redundarão em bênçãos substanciais para todo o grupo de corações a que se nos vincula a existência. (VIDA E SEXO). “(...) Serei igualzinho a você, mamãe, em beleza e porte físico. Meus olhinhos serão idênticos, meus lábios suaves e cabelos macios se igualarão aos seus, porque tudo está determinado no gene hereditário”... “Sabe mamãe, foi muito difícil este nosso encontro; se não fosse a presença de Deus nas mãos de nossos irmãos espirituais elevados, não haveria possibilidade de aproximarmo-nos e de eu nascer de seu ventre...”. (PIEDADE). Exemplo: a reencarnação de Segismundo. “Entre ambas a classes (os superiores e os inferiores), porém, contamos com milhões de Espíritos, medianos na evolução, portadores de créditos apreciáveis e dívidas numerosas, cuja reencarnação exige cautela de preparo e esmero de previsão”. “Institutos de escultura anatômica funcionam, por isso, no Plano Espiritual, brunindo formas diversas, de modo a orientar os mapas ou prefigurações do serviço que aos reencarnantes competirá mais tarde atender”. “Corpos, membros, órgãos, fibras e células são aí esboçados e estudados, antes que se definam os primórdios da re-materialização terrestre, porque, nesses casos, em que a alma oscila entre méritos e deméritos, a reencarnação permanece sob os auspícios de autoridades e servidores da Justiça Espiritual que administra recursos a cada aprendiz da sublimação, de acordo com as obras edificantes que lhes constem o currículo da existência”. “Por isso, os candidatos à reencarnação, sem superioridade suficiente de modo a supervisioná- la com o seu próprio critério e distantes da inferioridade primitivista que deles faria escravos absolutos da herança física, são admitidos a instituições-hospitalares em que, magnetizadores desencarnados, bastante competentes pela nobreza íntima, se incumbem de aplicar-lhes fluidos balsamizantes que os adormecem, por períodos variáveis, de conformidade com a evolução moral que enunciem, a fim de que os princípios psicossomáticos se adaptem a justo restringimento, em bases de sonoterapia”. “Desse modo, regressam ao berço humano nas condições precisas, recolhidos a novo corpo, qual operário detentor de virtudes e defeitos a quem se concede novo uniforme de trabalho e nova oportunidade de realização”. “Paternidade e maternidade, raça e pátria, lar e sistema consangüíneo são conjugados com previdente sabedoria para que não faltem ao reencarnante todas as possibilidades necessárias ao êxito no empreendimento que se inicia. (...) Às vezes, deve sofrer mutilações e enfermidades benéficas, inibições e dificuldades orgânicas de caráter inevitável, porque, de aprendizado a aprendizado e de tarefa a tarefa, quanto o aluno de estágio a estágio para as grandes metas educativas, é que se levantará, vitorioso, para a ascensão Imortalidade Celeste”. (EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS). 25
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    Espiritismo e Genética “O Espírito quando está em processo de reencarnação, em muitos casos, mantém a sua consciência e guarda em sua memória espiritual os momentos marcantes pelos quais passa”. “Esse é um aspecto fundamental para o encarnado compreender bem o significado da formação da vida e dos atos de amor que os pais devem transmitir aos filhos durante os meses gestacionais”. (MINHA VIDA EM GESTAÇÃO, Apresentação). Abortamento criminoso e suas conseqüências a) PARA O ABORTADO: • decepção, frustração, tristeza; • rancor e vingança; • dor pela mutilação; • obsessão. b) PARA A GESTANTE: • a maior responsável por esta falta; • mesmo que subjugada, a palavra final é dela; • existem muitos caminhos, mesmo que pedregosos e existem muitas alternativas e apoios, mesmo que só dos amigos desencarnados; • desajustes das energias psicossomáticas com mais penetrante desequilíbrio do centro genésico, implementando nos tecidos da própria alma a sementeira de males que frutescerão mais tarde; • remorso e culpa ==> víbora magnética; • vibração de angústia, revolta e vingança dos Espíritos abortados, culminando em processo obsessivo; • conseqüências imediatas no corpo físico: rupturas, infecção, hemorragias e até o desencarne. Desequilíbrio do centro genésico: • toxemias gravídicas; • alterações na produção de muco pelas células ciliadas das trompas não conduzindo o óvulo; • deficiência hormonal do ovário; • gravidez ectópica; • heterotopia; • hemorragias; • placenta prévia; • descolamento prematuro da placenta; • hipocinesia uterina, germicultura e infecção puerperais; • salpingite tuberculosa; • anexites, abscessos; • dismenorréias; • tumores. Desequilíbrio do centro cardíaco: • síndromes circulatórias na gravidez; • insuficiência cardíaca; 26
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    Espiritismo e Genética • gviciação do centro cardíaco em conseqüência de aborto calculado, seguido de disritmia das forças psicossomáticas que regulam o eixo elétrico do coração. Desequilíbrio no centro cerebral: • modificação de personalidade; • esquizofrenia; • depressão; • efeito de culpa e remorso ou ação obsessiva. c) PARA O PAI: • moléstias testiculares, logo na encarnação seguinte; • distúrbios hormonais; • distúrbios mentais, secundários à obsessão. d) PARA OS AUTORES ESPIRITUAIS: (Familiares, amigos, torcedores). Conseqüências semelhantes às citadas anteriormente. e) PARA OS PROFISSIONAIS DA SAÚDE: (Enfermagem, ginecologistas e obstetras delinqüentes). Conseqüências semelhantes. (NOSSO LAR, Cap. 31 - Vampirismo). CAUSAS - CULPA - PUNIÇÃO – REPARAÇÃO Alguns exemplos: (Do livro PIEDADE - “Os abortados”): a vergonha, cap. 73; o desertor, cap. 53. A CULPA Do livro PSICOLOGIA E ESPIRITUALIDADE, página 141: • sanção interna por algo feito em desacordo com princípios pré-estabelecidos; • atitude, idéia ou sentimento em desacordo com as Leis de Deus; • como o indivíduo se posiciona face às influências da cultura e do meio social (relatividade); • impressão da responsabilidade que se assume diante de uma ocorrência passada, sem ter, no entanto, a coragem de resolvê-la. PUNIÇÃO • Libertar-se da culpa é colocar-se diante das conseqüências dos atos com a disposição de resolvê-los corajosamente; • Não basta o arrependimento (primeiro) nem a realização de outro ato compensativo (segundo), pois o trabalho de reparação requer retornar-se às causas geradoras do que foi feito. 27
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    Espiritismo e Genética AREPARAÇÃO • O processo de reparação não é punitivo ou compensatório, mas sempre educativo; • O trabalho de reparação dos equívocos cometidos, conscientemente ou não, pode ser feito sem que o Espírito venha a sofrer. Para tanto, deve: • formular detalhadamente o equívoco cometido; • enumerar todas as razões pessoais, sejam condenáveis ou não, que levaram ao ato; • enumerar outras maneiras que poderiam ter sido utilizadas para a realização daquele ato; • identificar atitudes, pensamentos e sentimentos que gostaria de evitar fazer de novo; • verificar em que leis espirituais tropeçou; • estabelecer um plano exeqüível em que você agora aja, de acordo com cada lei que contrariou por atuação indevida ou desconhecimento; • submeter suas conclusões a outra pessoa. A CULPA pode levar a um processo facilitador da obsessão: Culpa ==> autopunição ==> autoperdão ==> autodesculpa ==> confissão a nós mesmos, a alguém e a Deus. Ainda segundo André Luiz: “- Sabemos que é possível renovar o destino todos os dias. Quem ontem abandonou os próprios filhos, pode hoje se afeiçoar aos filhos alheios, necessitados de carinho e abnegação”. O próprio Evangelho do Senhor, na palavra do Apóstolo Pedro, adverte-nos quanto à necessidade de cultivarmos ardente caridade uns para com os outros, porque a caridade cobre a multidão de nossos males. Bibliografia: 1. O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Edição FEB, 2-1994, Q. 358; 2. PSICOLOGIA EESPIRITUALIDADE, de Adenauer Novaes, página 141 (A Culpa); 3. MINHAVIDA EM GESTAÇÃO, (Apresentação); 4. NOSSO LAR, de F.C.Xavier-André Luiz, Edição FEB, Cap. 31; 5. EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS, de F.C.Xavier-André Luiz, Edição FEB, 2a. parte; 6. PIEDADE (Os Abortados); 7. VIDA E SEXO, de F.C.Xavier-Emmanuel, Edição FEB, cap.17. 28
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    Espiritismo e Genética VIII. AS DOENÇAS Questões para serem meditadas: • O que é doença? • O que é cura? • A doença está no corpo físico? - Às vezes? - Sempre? • E a cura, é espiritual? - Sempre? - Às vezes? • Se a cura é espiritual: • O Espírito é que é curado? • A cura é feita por Espíritos? • Que espíritos? • O próprio encarnado? • Os desencarnados? (diretamente ou através de médiuns)? • A doença pode estar no Espírito? • O que é Medicina Espiritual? • O que é passe? • O que é necessário para viver com saúde? • Como poderíamos viver com saúde? Doenças: Definições, Causas e Caminhos para a Cura. “Doença, do ponto de vista espiritual, é o resultado do desequilíbrio do Espírito que não mantém o corpo espiritual equilibrado, tornando o corpo físico vulnerável”. (Ignácio Bittencourt). “A doença é o resultado do desequilíbrio energético do corpo em razão da fragilidade emocional do espírito que o aciona”. (Joanna de Ângelis). Foi perguntado ao Dr. Hermann: Podemos atribuir doenças comuns, que temos hoje em dia, muito mais a desequilíbrios do que a falha orgânica propriamente dita? Resposta: “Mas claro que sim! O homem está zeloso com a sua aparência, mas desmazelado com a sua harmonia, quer orgânica quer psicológica. Ele está zeloso, faz ginástica, mas se esquece do controle alimentar, dos abusos alimentares”. (Dr. Hermann, em Apostila do E. E. Med. Esp.). “A cura significa o reequilíbrio do Espírito, refletido no corpo espiritual e no corpo físico”. “A Medicina Espiritual é a atividade exercida pelos Espíritos que, utilizando recursos fluídicos, magnéticos e espirituais, promove a cura dos indivíduos, embora comumente se inclua nesta categoria a ação curadora por medicamentos ou por recursos cirúrgicos”. “Os homens precisam entender que a ação magnética, o fenômeno da cura, o potencial energético que se desprende das mãos do médium, atinge ao corpo, mas não é para substituir, pura e simplesmente, a medicação terrena e, sim, para colocar o corpo em condições de equilíbrio e até receber a medicação terrena”. Quem deve ser curado primeiro: o corpo ou o espírito? Ora, “se o corpo reflete o que há no espírito, quem precisa ser curado primeiro é o espírito!”. “A Medicina Espiritual há de ser associada à medicina humana, encarnada, em função de que uma vai cuidar do corpo e a outra do espírito”. (Ignácio Bittencourt). No tratamento com passes, a eficácia depende da qualidade dos fluidos ministrados. Segundo Joanna de Ângelis, para vivermos com saúde, devemos: exercitar: o auto-amor, o autoperdão, o estímulo para a vida e a doação! (PLENITUDE). 29
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    Espiritismo e Genética Segundo o “Evangelho Segundo o Espiritismo”, as causas das aflições podem ser atuais ou anteriores à presente encarnação. Por exemplo: Podemos conseguir uma gastrite com o mau uso do regime alimentar, estando aí caracterizado uma causa atual do sofrimento. Poderia aí haver uma repercussão no Espírito? Vários estudos sobre a Esquizofrenia nos mostram tratar-se de doença cármica, portanto ligada a causas anteriores do sofrimento. Haverá aí conseqüências para o corpo físico? Como causas atuais, citaremos ainda a somatização de problemas emocionais causados por: insegurança, medo, mágoa, ódio, rancor e ciúme. São problemas do Espírito, gerando graves problemas orgânicos. Vemos aí, então, que desequilíbrios do Espírito podem desarmonizar o fluxo de energia, causando doenças físicas e mentais. Segundo Joanna de Ângelis, “A doença é o resultado do desequilíbrio energético, favorecendo o surgimento de doença”. Para compreendermos as causas anteriores dos sofrimentos, relembraremos o ser integral que somos: corpo, espírito, perispírito. Lembremo-nos, ainda, da sigla AER (arrependimento, expiação, reparação) como fases seqüenciais que vivenciamos para cada falta cometida. Quando nos arrependemos, marcamos energeticamente nosso perispírito. Daí, então, sofrimentos como: paralisias, limitações orgânicas e mentais, patologias congênitas sem possibilidades de reequilíbrio; certos tipos de loucura, de cânceres, enfermidades degenerativas etc. São recursos expiatórios para o infrator. Segundo André Luiz, “Somos herdeiros de nós mesmos” e segundo Ignácio Bitencourt, “Se o corpo reflete o que há no Espírito, o Espírito precisa ser curado primeiro”. “Se os médicos são mal-sucedidos, tratando da maior parte das moléstias, é que tratam do corpo, sem tratarem da alma. Ora, não se achando o todo em bom estado, impossível é que uma parte dele passe bem”. (E.S.E., de Allan Kardec, Introd., item XIX). “Os sofrimentos devidos a causas anteriores à existência presente, como os que se originam de culpas atuais, são muitas vezes a conseqüência de falta cometida, isto é, o homem, pela ação de uma rigorosa justiça distributiva, sofre o que fez sofrer aos outros”. (E.S.E., de Allan Kardec, Cap. V, item 7). O que é a cura? É toda uma movimentação química que ocorre nas células, condicionando-nos à retomada da ligação com a vida na plenitude de nossa capacidade de ação. Curar-se é alcançar maiores níveis de capacidade de amar a nós mesmos, ao próximo e à Vida. Curar-se é, em essência, um fenômeno espiritual pelo fato de ter sua gênese no Espírito. A cura é, pois, espiritual. Corpo sadio é sinônimo de espírito saudável, que se ama. Peter Garet, em um artigo, fala do “poder de cura do perdão”. A capacidade de perdoar alivia a mente e o coração. Pesquisas mostraram a relação entre a lembrança de uma ferida antiga e o aumento de pressão sangüínea, dos batimentos cardíacos e da tensão muscular. Pessoas que já perdoaram alguém afirmam estar mais saudáveis do que quem não perdoou, conclui a pesquisa. “(...) A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. O poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada. Mas, depende também da energia da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido. Depende ainda das intenções daqueles que desejam realizar a cura, seja homem ou espírito”. (A GÊNESE, Cap XIV). “Os órgãos físicos são constituídos de moléculas físicas, os órgãos do corpo espiritual são constituídas de moléculas mais sutis. As moléculas materiais são aglomerações das moléculas primitivas. Equilibram-se energeticamente as moléculas mais sutis, teremos como conseqüência um equilíbrio de funções nas moléculas materiais, ou seja, no órgão do corpo físico”. 30
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    Espiritismo e Genética Na aplicação de passes no órgão afetado: Se o médium não tiver conhecimento do corpo humano, o fluido vai ser depositado sobre o órgão lesado e será absorvido por um processo natural e mecânico, conforme a sua necessidade. Se o médium tiver este conhecimento, ele vai direcionar o fluido, injetando-o no órgão lesado, acelerando o processo de absorção. Quanto maior o conhecimento do médium, melhor o resultado. Na aplicação de passes nos centros de força: O fluido atinge o perispírito e é distribuído para os órgãos. O órgão afetado absorve o fluido por um processo natural e mecânico, conforme a sua necessidade. O mecanismo de absorção do fluido segue o mesmo princípio de transferência de energia: o ponto de menor energia absorve do ponto que tem mais. Quanto ao aspecto de seleção, o órgão lesado vai absorver a energia que lhe está faltando a complementar. Os Centros de Força No livro “Entre a Terra e o Céu”, André Luiz, nos passa os ensinamentos do Ministro Clarêncio, que nos esclarecem que “o nosso corpo de matéria rarefeita está intimamente regido por sete centros de força, que se conjugam nas ramificações dos plexos e que, vibrando em sintonia uns com os outros, ao influxo do poder diretriz da mente, estabelecem, para nosso uso, um veículo de células elétricas, que podemos definir como sendo um campo eletromagnético, no qual o pensamento vibra em circuito fechado. Nossa posição mental determina o peso específico do nosso envoltório espiritual e, conseqüente ‘habitat”que lhe compete. Mero problema de padrão vibratório. Cada qual de nós respira em determinado tipo de onda. (...) Sublimamos ou desequilibramos o delicado agente de nossas manifestações, conforme o tipo de pensamento que nos flui da vida íntima. Quanto mais nos avizinhamos da esfera animal, maior é a condensação obscurescente de nossa organização e, quanto mais nos elevamos, ao preço de esforço próprio, no rumo das gloriosas construções do espírito, maior é a sutileza de nosso envoltório. (...) Tal seja a viciação do pensamento, tal será a desarmonia do centro de força, que reage em nosso corpo a essa ou àquela classe de influxos mentais. Analisando a fisiologia do perispírito, classifiquemos os seus centros de força. Temos: O centro coronário - expressão máxima do veículo que nos serve, de alto padrão de radiações, de vez que nele se assenta à ligação com a mente, fulgurante sede da consciência. Dele emanam as energias de sustentação do sistema nervoso e suas subdivisões, sendo responsável pela alimentação das células do pensamento e o provedor de todos os recursos eletromagnéticos indispensáveis à estabilidade orgânica. • O centro cerebral - que ordena as percepções de variada espécie, que na vestimenta carnal constituem a visão, a audição, o tato e a vasta rede de processos da inteligência que dizem respeito à Palavra, à Cultura, à Arte, ao Saber. É neste centro que possuímos o comando do núcleo endócrino, referente aos poderes psíquicos. • O centro laríngeo - que preside aos fenômenos vocais. • O centro cardíaco - que sustenta os serviços da emoção e do equilíbrio geral. • O centro esplênico - que, no corpo denso, está sediado no baço, regulando a distribuição e a circulação adequada dos recursos vitais em todos os caminhos do veículo de que nos servimos. • O centro gástrico - que se responsabiliza pela penetração de alimentos e fluido em nossa organização. 31
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    Espiritismo e Genética • O centro genésico - em que se localiza o santuário do sexo, como templo modelador de formas e estímulos. Não podemos olvidar, porém, que o nosso veículo sutil, tanto quanto o corpo de carne, é criação mental no caminho evolutivo. (...) Tudo é trabalho da mente no espaço e no tempo, a valer-se de milhares de formas, a fim de purificar-se e santificar-se para a Glória Divina. Quando a nossa mente, por atos contrários à Lei Divina, prejudica a harmonia de qualquer um desses fulcros de força de nossa alma, naturalmente se escraviza aos efeitos da ação desequilibrante, obrigando-se ao trabalho de reajuste. (ENTRE A TERRA E O CÉU, de André Luiz, páginas 126 e 129). O Poder do Pensamento e da Fé Ainda André Luiz, ouvindo o Assistente AULUS, nos ensina: Em fotografia precisamos da chapa impressionável para deter a imagem, tanto quanto em eletricidade carecemos do fio sensível para a transmissão da luz. No terreno das vantagens espirituais, é imprescindível que o candidato apresente uma certa “tensão favorável”. Essa tensão decorre da fé. (...) Sem recolhimento e respeito na receptividade, não conseguimos fixar os recursos imponderáveis que funcionam em nosso favor, porque o escárneo e a dureza de coração podem ser comparados a espessas camadas de gelo sobre o templo da alma. O passe é uma transfusão de energias, alterando o campo celular. (...) Tudo é espírito no santuário da Natureza. Renovemos o pensamento e tudo se modificará conosco. Na assistência magnética, os recursos espirituais se entrosam entre a emissão e a recepção, ajudando a criatura necessitada para que ela ajude a si mesma. A mente reanimada reergue as vidas microscópicas que a servem, no templo do corpo, edificando valiosas reconstruções. O passe, como reconhecemos, é importante contribuição para quem saiba recebê-lo, com o respeito e a confiança que o valorizam. (NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE, de André Luiz, páginas 168 a 170). Genética x Campo Espiritual Pesquisas do cientista Dean Hamer, do Instituto do Câncer dos Estados Unidos, relacionam dados observados em 33 pares de gêmeos unissexuais com os respectivos códigos. A pesquisa do Dr. Hamer tem o mérito de acrescentar à Genética possibilidade de percorrer caminhos na área do psiquismo - impulsos, desejos e emoções. É a Genética se aproximando do campo espiritual. (Eurípedes Kühl). O Futuro do Planeta Terra Prevenindo-se as doenças ===> mais fácil será tratá-las Menos doenças ===> menos dor Menos dor ===> mais evolução espiritual Mais evolução espiritual ===> mais amor entre os homens Mais amor entre os homens ===> mais próximos de Deus! 32
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    Espiritismo e Genética Bibliografia: 1. O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Allan Kardec, Edição FEB, 08/1993; 2. A GÊNESE, de Allan Kardec, Edição FEB, 10/1992; 3. GENÉTICA E ESPIRITISMO, de Eurípedes Kühl, Edição FEB, 06/1997; 4. ENTRE A TERRA E O CÉU, de F.C.Xavier/André Luiz, Edição FEB, 05/1997; 5. NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE, de F.C.Xavier/André Luiz, Edição FEB; 6. PLENITUDE, de Divaldo P. Franco/ Joanna de Angelis, Edição LEAL, 1999; 7. APOSTILAS DE MED.ESPIRITUAL, orientação de Ignácio Bittencourt; 8. APOSTILAS DE MED.ESPIRITUAL, orientação do Dr. Hermann. 33
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    Espiritismo e Genética IX. TRANSTORNOS PSICOSSOMÁTICOS Comecemos este estudo com o seguinte questionamento: • As doenças são do corpo ou da alma? • As suas características estão no corpo ou na alma? Vemos, em “O Livro dos Espíritos”, parte II, capítulo VII, que a matéria é apenas o invólucro do Espírito. Unindo-se ao corpo, o Espírito conserva os atributos de natureza espiritual; que o exercício das faculdades do Espírito depende dos órgãos que lhes servem de instrumento. Voltando então à Genética, vemos que, no corpo físico, o Espírito encontrará o material genético de que necessita para cumprir a sua programação. Ainda segundo “O Livro dos Espíritos”: Encarnado, traz o Espírito certas pré-disposições. O princípio das faculdades está no Espírito e não nos órgãos. O desenvolvimento do órgão será o efeito e não a causa. Nos casos em estudo – autismo, esquizofrenia, idiotia e loucura – suas almas são, não raro, mais inteligentes do que supomos. São Espíritos sujeitos a uma punição. Sofrem por habitarem corpos cujos órgãos desmantelados os impedem de se manifestarem plenamente. A alma tem o corpo de que precisa para sua missão na vida terrena. Pela vontade, o Espírito pode fazer mais, vencendo a natural resistência desse aparelho, como também pode fazer menos. As enfermidades mentais são efeitos e não causas: “Tanto as distonias mentais quanto as doenças orgânicas expressam os resultados de ações desequilibradas do Espírito, cuja conduta negativa prejudica primeiramente o próprio autor, abrindo zonas mórbidas em seu psiquismo, refletindo-se no seu perispírito e registrando-se no corpo físico em reencarnações posteriores.” (TRANSTORNOS MENTAIS, de Suely Caldas Schubert, Minas Editora, 4ª edição, abril/2003). Idiotia e Loucura Quem são os loucos e os idiotas? Por que se apresentam assim em determinadas reencarnações? Em “Memórias de Um Suicida”, Dona Yvonne Pereira se refere a loucos no manicômio da Colônia Maria de Nazaré e nos explica: “O manicômio recolhe individualidades cujo estado mental deprimido pelas repercussões originadas pelo suicídio lhes impossibilita a faculdade do raciocínio”. (Página 246, cap. III, parte II). “Não podem raciocinar como seria de desejar em um Espírito desencarnado... “ (página 255). “Aqui se encontram, em grande penúria moral, muitas entidades que foram homens ilustres na Terra, mas se esqueceram de que nem sempre a prática de abominações, de imoralidade e de atitudes egoísticas ficarão impunes... “ (Página 256). “Aqui se encontram os orgulhosos e sensuais que se embriagaram pelos prazeres carnais, à dissolução dos costumes, prejudicando a saúde do corpo, chegando ao túmulo antes da época prevista... “ (Página 256). “Suicidaram-se fria e indignamente, obcecados pelos vícios...” (Página 256). 34
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    Espiritismo e Genética “São verdadeiros débeis mentais, idiotas no plano espiritual, amesquinhados moral, mental e espiritualmente... “ (Página 256). “Reencarnarão dentro em breve. Levarão para o futuro corpo que moldarão com a configuração maculada com que presentemente se encontram.” (Página 260). “Tais como se encontram aqui (no manicômio) renascerão como cancerosos e paralíticos, débeis mentais e idiotas, nervosos, convulsos...” (Página 259). Esquizofrenia É uma doença crônica que atinge aproximadamente 60 milhões de pessoas do planeta (1% da população mundial), cujas causas não são completamente conhecidas. Sabe-se que há uma predisposição genética. Num artigo, publicado na revista “Nature Genetics”, vemos que pesquisadores americanos conseguiram as primeiras provas conclusivas de que a esquizofrenia está relacionada a defeitos genéticos. Foi encontrada uma região específica no genoma humano relacionado com tal doença. Os pesquisadores acreditam que um defeito no cromossomo 13 aumenta o risco de se manifestar à doença. Entre gêmeos univitelinos, se um for esquizofrênico, o outro tem 50% de chances a ser também. A explicação, para essa incidência, do ponto de vista doutrinário, seria: afinidade, necessidade de, por expiação ou provas, virem juntos e iguais. Outra certeza que se tem é que os portadores da doença possuem um desequilíbrio bioquímico no cérebro, provocado, entre outras razões, por excesso de dopamina, substância que desencadeia processos alucinatórios quando produzida em grande quantidade, mas ainda não se descobriu (a medicina não descobriu!) se o desequilíbrio neuroquímico é causa ou conseqüência da doença. Segundo Jung, “A investigação da esquizofrenia constitui uma das tarefas mais importantes da psiquiatria futura. O problema encerra dois aspectos:um fisiológico e um psicológico...” Segundo o Compêndio de Psiquiatria: “A esquizofrenia é considerada como a mais devastadora das doenças mentais, porque seu início ocorre cedo na vida do paciente e seus sintomas podem ser destrutivos para ele, para sua família e amigos.” Aproximadamente 50% de todos os pacientes tentam o suicídio. O que leva a isto é a sensação de vazio absoluto, depressão, o desejo de escapar à tortura mental e por ouvir vozes que ordenam que o paciente se mate. Vemos em “Evolução em Dois Mundos”, de André Luiz F.C.Xavier, que (...) “A mente transmite ao carro físico a que se ajusta, durante a encarnação, todos os seus estados felizes ou infelizes, equilibrando ou conturbando o ciclo de causa e efeito...” Até o final do século XIX, a doença era conhecida como demência precoce, porque se manifesta, na maioria das vezes, no fim da adolescência (entre 15 e 15 anos nos homens e 25 e 35 nas mulheres). O primeiro a usar o termo “esquizofrenia” foi o psiquiatra suíço Eugen Bleuler em 1911. A palavra vem do grego “skizo” (separação) e “phrenos” (espírito). Sugerimos aqui a leitura do livro “Uma Mente Brilhante” (Editora Record) ou o filme com o mesmo nome, para nos esclarecer melhor sobre o que se passa com um esquizofrênico. Para entendermos o aspecto doutrinário da questão, vejamos: no livro “Loucura e Obsessão”, pelo Espírito Manuel Philomeno de Miranda, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, cuja leitura recomendamos, entre outros casos, um de esquizofrenia e um de autismo, que são analisados do ponto de vista orgânico e do ponto de vista espiritual. No capítulo 4 desse livro, intitulado “o drama de Carlos”, é apresentado o caso de um jovem portador de esquizofrenia catatônica, considerada incurável. 35
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    Espiritismo e Genética Segundo descrição da genitora, o rapaz fora criança boa, mas sempre triste, com síndromes de isolamento na puberdade, isolando-se dos amigos e tornando-se silencioso e diminuindo o rendimento escolar. Todo o quadro agravou-se com a morte do pai, chegando a deplorável situação. Levado a buscar socorro espiritual, em uma casa onde se fazia esse atendimento, onde houve a colaboração do Dr. Bezerra de Menezes, que, auscultando-lhe os registros psíquicos, mergulhando nos arquivos perispirituais, confirmou o diagnóstico psiquiátrico. Remontou, então, à última encarnação de Carlos, quando a arbitrariedade e o despudor levaram-no ao desregramento e ao abuso da transitória autoridade de que desfrutava, perturbando a paz de muitas pessoas e abusando do sexo. Reencarnado, manteve a consciência de culpa, autopunindo-se mediante perturbação na área da afetividade e outros conflitos durante a adolescência. Adicionando-se a autoreparação que a consciência endividada lhe impunha, alguns adversários espirituais se lhe vincularam como cobradores impenitentes. Como temos dito, a dor e o sofrimento resultam dos acidentes comportamentais, quando o homem exorbita do livre-arbítrio e faz-se verdugo de si mesmo. Neste aspecto, aqui descrito, o primeiro tratamento é a desobsessão. Haveria, no caso de Carlos, algum fator orgânico que respondesse pelo seu quadro esquizofrênico, além dos espirituais? Sem dúvida. A esquizofrenia é enfermidade muito complexa nos estudos de saúde mental, embora suas raízes profundas se encontrem no Espírito delinqüente. A esquizofrenia se encontra no paciente, de forma latente, pois lhe é imposta desde antes da concepção fetal. O Espírito culpado é o responsável pela alienação de que padece o corpo, sendo as suas causas atuais conseqüências diretas ou não do passado. “Somos herdeiros de nós mesmos”. As características essenciais desta doença são: alucinações auditivas, alucinações visuais, idéias delirantes súbitas, posturas bizarras, afeto embotado, perda dos limites do ego, mania de perseguição, desagregação do pensamento, dificuldade de atenção, de memória, agitação, falta de controle dos impulsos. Segundo Jung, na esquizofrenia ocorre uma dissociação grave, uma cisão da personalidade. Conforme Jorge Andréa, “na esquizofrenia, a sintomatologia mais comum consiste na redução do relacionamento interpessoal, com alucinações auditivas. Esses delírios são considerados originários nos próprios campos psíquicos do paciente, podendo existir também a possibilidade de autêntica fenomenologia mediúnica, associada por entidades desequilibradas em intercâmbio obsessivo”. Autismo Vejamos o que nos diz o mesmo autor espiritual quanto ao autismo, no capítulo 7, Fenômeno Auto-Obsessivo: “Olhar parado, demonstrando a demência adiantada, os músculos em rigidez, a face pálida, a absoluta ausência do lugar onde se encontra - eis as características de um autismo já avançado”. “Trata-se de um processo de auto-obsessão, por abandono consciente da vida e dos interesses objetivos”. “Quando o indivíduo mantém intensa vida mental em ações criminosas, que oculta com habilidade, a duplicidade de comportamento faz-lhe cruel transtorno, que ele carpe silenciosamente. Em determinada oportunidade, esses erros irrompem como estados depressivos graves ou como complexos de culpa”. Reconduzidos à reencarnação, tais Espíritos refugiam-se na negação do que fizeram, imprimindo no corpo os limites do movimento, produzindo a prisão na qual se encastelam. A autopunição gera o quadro de resgate para o infrator da lei. Muitos Espíritos buscam na alienação mental, através do autismo, fugir às suas vítimas e apagar lembranças que os acicatam, produzindo um mundo interior agitado ante uma exteriorização apática, quase sem vida. 36
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    Espiritismo e Genética “O perispírito imprime, automaticamente, nas delicadas engrenagens do cérebro e do sistema nervoso, o de que necessita para progredir: asas para a liberdade ou presídio para a reeducação”. Complementamos com a obra de H.C. de Miranda algumas informações sobre o autismo: Autismo – desordem do desenvolvimento do funcionamento cerebral, acometendo dois a cinco indivíduos em cada dez mil. O quadro clínico é marcado por um comportamento grave na interação social e da linguagem, verbal e não verbal, tendo início antes dos três anos de idade. O autismo é uma estranha síndrome do comportamento que compõe um aflitivo quadro de isolamento e alienação. O autista nos faz imaginar uma pirâmide solitária, inabordável, fechada sobre si mesma, cercada de mistério. Em torno dela concentra-se inquieta multidão de pessoas interessadas na busca de acesso ao seu interior. Querem entrar para ver se conseguem convencer a pessoa que mora lá dentro a aceitar o modo em que vivemos “aqui fora”. Autista é aquele que vive em si mesmo, ou seja, isolado, sozinho, desligado do “nosso mundo”. Não funciona no autista o conceito do “eu”, ou seja, a consciência de si mesmo. Segundo alguns estudos de Psicologia, a atitude assumida pelo autista seria atribuída a uma rejeição à sua própria encarnação. A pessoa que ali está, naquele corpo físico, recusa-se a executar qualquer programação que a leve a rotinas da vida material. Tal síndrome pode ser conseqüência, em alguns casos, de doenças genéticas, ou malformações, ou de infecções no período intra-uterino. Sejam quais forem os mecanismos materiais envolvidos na gênese do autismo, indubitavelmente, sua causa inicial está nas experiências pregressas e nas necessidades cármicas do Espírito reencarnante. Bibliografia: 1. O LIVIRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Edição FEB, 02/1994; 2. A LOUCURA SOB NOVO PRISMA, de Adolfo Bezerra de Menezes, Edição FEB; 3. LOUCURA E OBSESSÃO, de Divaldo P. Franco/Manuel P.de Miranda, Edição FEB; 4. AUTISMO, UMA LEITURA ESPIRITUAL, de Hermínio C.de Miranda, Publicadora La Châtre, 1a. edição; 5. EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS, de André Luiz/F.C.Xavier, Cap. VIII; 6. TRANSTORNOS MENTAIS (Uma Leitura Espírita), de Suely Caldas Schubert, Minas Editora; 7. PSICOGÊNESE DAS DOENÇAS MENTAIS, de Care G. Jung, Editora Vozes. 8. 37
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    Espiritismo e Genética X. SÍNDROMES HEREDITÁRIAS Definição: Síndrome: conjunto de sinais e sintomas provocados por um mesmo mecanismo. O Cariótipo Normal Normalmente, os cromossomos se apresentam aos pares, numerados de 1 a 22, mais o par sexual (XX ou XY). Cada par tem seu tamanho e sua forma característica. As anomalias do cariótipo se caracterizam por alterações do número de cromossomos nos pares (ver os esquemas respectivos). O cariótipo (carion = núcleo) representa o genoma (total de genes) do indivíduo. Na espécie humana, o número de cromossomos do cariótipo é de 46. As alterações ou aberrações cromossômicas produzirão modificações importantes nas características do indivíduo portador dessas alterações. Aberrações Cromossômicas Para serem reconhecidos ao microscópio, com as técnicas normais de coloração, as aberrações cromossômicas devem ser anomalias numéricas ou anomalias estruturais evidentes. Qualquer alteração estrutural envolvendo menos de 1/10 do braço de um cromossomo será detectável mesmo sob condições ideais de preparação e microscopia. Os pacientes com aberrações cromossômicas normalmente têm fenótipos característicos, muito semelhantes ao de outros pacientes com a mesma anomalia. As anomalias fenotípicas têm sua base na perturbação do desenvolvimento, resultante do desequilíbrio de material genético. 38
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    Espiritismo e Genética Abriu-se uma nova era na Genética Médica, em 1959, com a demonstração por Lejeune e Turpin de que as crianças com mongolismo, ou síndrome de Down, têm 47 cromossomos em cada célula do corpo, ao invés de 46 normais. As anomalias citogenéticas são muito mais freqüentes e variadas nas clínicas médicas do que se pensava antes. As aberrações cromossômicas são causa significante de defeitos congênitos e abortos, ocorrendo aproximadamente 0,7% dos que nascem com vida e um terço dos abortos espontâneos de primeiro trimestre. As translocações, nas quais todo o material genético está presente, mas em disposição anormal, não estão necessariamente associadas com fenótipos anormais. Trissomia (presença de três representantes de um determinado cromossomo, ao invés de um par normal) é o termo geral usado para descrever o tipo comum de aberração cromossômica encontrada na síndrome de Down. A trissomia tem sido demonstrada em um grande número de espécies de plantas. Semelhante problema ocorre no homem, onde existe um fenótipo anormal característico para cada trissomia autossômica e um fenótipo um pouco menos distinto para a trissomia de cromossomos sexuais. Embora em quaisquer dos membros de uma mesma espécie, a maioria dos genes em um determinado cromossomo seja provavelmente idêntica, cada um de nós porta uma quantidade de genes variáveis, que são genes para poliformismos comuns ou mutações raras. Portanto, a semelhança fenotípica geral dos indivíduos com uma aberração cromossômica específica, tal como a síndrome de Down, é modificada por diferenças individuais relacionadas ao genótipo. Síndromes Hereditárias As principais anomalias humanas são: a) SÍNDROME DE DOWN OU MONGOLISMO: Cariótipo 47,21 + (trissomia do cromossomo 21); b) SÍNDROME DE PATAU: Cariótipo 47,13 + (trissomia do cromossomo 13); c) SÍNDROME DE EDWARDS: Cariótipo 47,18 + (trissomia do cromossomo 18); d) SÍNDROME DO CHORO DE GATO: Deleção do cromossomo 5 (modificação estrutural); e) SÍNDROME DE TURNER: Cariótipo 45,XO (monossomia do sexual X); fenótipo feminino, sem cromatina sexual; f) SÍNDROME DE KLINEFELTER: Cariótipo 47,XXY (trissomia sexual); fenótipo masculino; uma cromatina sexual; g) SÍNDROME DO POLI-X: 47,XXX ou 48,XXXX (trissomia ou tetrassomia do X); fenótipo feminino; duas ou três cromatinas sexuais; h) SÍNDROME DO DUPLO Y: Cariótipo 47,XYY (trissomia sexual); fenótipo masculino, sem cromatina sexual. 39
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    Espiritismo e Genética a. Síndrome de Down (Trissomia do 21 ou Mongolismo) Síndrome de Down é a mais comum e a melhor conhecida das anomalias cromossômicas. A condição foi primeiro descrita por Langdon Down em 1866, mas a sua causa permaneceu um profundo mistério por quase um século. Existem duas características marcantes na distribuição da síndrome de Down na população: idade materna avançada e uma distribuição peculiar em gêmeos e famílias (concordância em todos os gêmeos monozigóticos, mas discordância quase completa em gêmeos dizigóticos e outros parentes). Foi sugerido por Waardenburg, em 1932, que uma anomalia cromossômica poderia explicar estas observações, mas a anomalia cromossômica não foi demonstrada até 1959, quando Lejeune e Turpin mostraram que uma criança mongolóide tinha 47 cromossomos, sendo o cromossomo extra um pequeno acrocêntrico, agora convencionalmente tido como o 21. O antigo nome “mongolismo” refere-se às características de aspecto oriental produzidas pelas pregas epicânticas, as quais dão aos olhos uma aparência oblíqua. Atualmente é mais conhecida por Síndrome de Down e Trissomia do 21. Seus principais sinais característicos são: hipotonia, retardo mental (Q.I. na faixa de 25-50); braquicefalia com ocipúcio achatado; pregas epicânticas, íris pontilhada; nariz: ponte baixa; língua: 40
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    Espiritismo e Genética usualmentesaliente, sulcada, sem a fissura central; mãos curtas e largas, com uma única linha palmar (linha simiesca) e clinodactilia (encurvamento) do quinto dedo; pés: um largo espaço entre o primeiro e o segundo dedo, um sulco se estendendo para trás ao longo da superfície plantar; Anomalia cardíaca em cerca de 35%; ângulos acetabular e ilíaco diminuídos; estatura abaixo da média. Freqüentemente, o diagnóstico não apresenta nenhuma dificuldade particular, mas a cariotipagem é normalmente indicada para determinar se a criança tem um cariótipo típico de trissomia do 21 (95% dos casos), é um mosaico (1% dos casos) ou tem uma translocação (4% dos casos). b. Trissomia D (Trissomia do 13) – Síndrome de Patau A trissomia para um cromossomo do grupo D é menos comum que a trissomia do 18, talvez porque as anomalias associadas com trissomia para este cromossomo sejam mais severas. Um paciente típico apresenta defeitos no sistema nervoso central e, embora variáveis, eles são severos e estão associados a retardo mental. As anomalias externas mais óbvias incluem lábio leporino e palato fendido, polidactilia e anomalias características dos padrões dérmicos. Também estão presentes anomalias cardíacas, viscerais e da genitália. 41
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    Espiritismo e Genética c. Trissomia do 18 (Síndrome E) A trissomia do 18 é uma síndrome de malformações congênitas múltiplas, associadas com a trissomia de um cromossomo do grupo E, o nº 18. A síndrome foi primeiramente descrita por Edwards e colaboradores, em 1960. É mais severo que a síndrome de Down e a maioria das crianças afetadas morre por volta dos seis anos de idade. Alguns dos estigmas característicos da trissomia do 18, além da anomalia cromossômica, são: Retardo mental; não desenvolvimento; excesso de mulheres (78%); orelhas: implantação baixa e 42
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    Espiritismo e Genética malformadas;mãos: fechadas, com o segundo dedo superpondo o terceiro e o quinto superpondo o quarto, uma única linha palmar (linha simiesca), arcos em seis ou mais dedos; pés tortos; coração: tipo característico de malformação. d. Síndrome do Choro do Gato É chamado de Síndrome do cri du chat (choro do gato), por causa da semelhança do choro da criança com um miado de gato. As crianças afetadas têm retardo mental, são microcefálicas, têm um aspecto facial característico com hipertelorismo marcante e têm padrões dérmicos característicos. Essa síndrome pode ocorrer na prole de um portador de translocação que formou um gameta não balanceado com uma deficiência. Na mesma família, podem ser encontrados pacientes com a correspondente duplicação. Pode ser uma monossomia parcial do cromossomo 5 (5p-) ou do nº 4 (4p-), sendo este último mais raro do que o anterior. Esta produz um fenótipo anormal diferente e muito mais severo, com baixo peso de nascimento, desenvolvimento anormal, coloboma da íris, aspecto facial anormal e muitos outros defeitos. As crianças do segundo caso não têm o miado de gato da síndrome do cri du chat. 43
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    Espiritismo e Genética e. Síndrome de Turner (Disgenesia Ovariana) A síndrome de Turner é uma anomalia caracterizada por uma monossomia (falta de um cromossomo) do cromossomo X. É o único caso de monossomia no qual a pessoa afetada sobrevive. Sua ocorrência está em torno de uma criança em 5000 nascimentos, devendo-se acrescentar que muitos fetos com essa anomalia não chegam ao final da gravidez. A Síndrome de Turner é resultante de uma não-disjunção, e o estudo com marcadores de um antígeno chamado XG, ligado ao sexo, mostra que, em 75% dos casos, o erro ocorre na gametogênese paterna. A pessoa afetada é uma mulher com cariótipo 45,XO, não apresentando, portanto, a cromatina sexual. Tem baixa estatura, infantilismo sexual e, com freqüência, uma série de outros defeitos, entra os quais: tórax largo em barril, pescoço alado (com pregas cutâneas bilaterais), malformação das orelhas etc. f. Síndrome de Klinefelter As pessoas afetadas pela Síndrome de Klinefelter são indivíduos de fenótipo masculino com hipodesenvolvimento do pênis e dos testículos, desenvolvimento de glândulas mamárias (ginecomastia) e distribuição de gordura e pêlos idêntica à da mulher. Apresentam cromatina sexual, devido ao cariótipo 47,XXY, que é resultado de uma não- disjunção. O estudo com antígeno XG mostra que 2/3 dos casos são decorrentes de não-disjunção na meiose materna. Nesses casos, demonstrou-se que a idade avançada da mãe está correlacionada com a ocorrência da anomalia. 44
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    Espiritismo e Genética g. Síndrome do Poli-X Há casos de mulheres que apresentam número aumentado de cromossomos X, podendo aparecer cariótipos 47,XXX, 48,XXXX, 49,XXXXX. As mulheres 47,XXX são aparentemente normais, havendo alguns casos de retardo mental e distúrbio menstrual. Essas mulheres (XXX) apresentam duas cromatinas sexuais. As mulheres com quatro X ou mais já possuem com maior freqüência anomalias, que se agravam à medida que o número de X aumenta, aumentando também o número de cromatinas sexuais. Esta síndrome tem uma freqüência de um em 2000 nascimentos. 45
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    Espiritismo e Genética h. Síndrome do Duplo Y São casos de homens com cariótipo 47,XYY. A freqüência dessa anomalia é de duas ocorrências em cada mil nascimentos. Verificou-se, porém, que, entre criminosos, essa freqüência chega a 3%. Os homens afetados não apresentam anormalidades específicas, a não ser estatura acima da média da população. Nota: Cromatina sexual ou corpúsculo de Barr, corpúsculo presente junto à cariomembrana, bem corável, e só presente nas mulheres. Importante para o diagnóstico do sexo genético num pseudo-hermafrodita. O número de corpúsculo de Barr = nº de cromossomo X - 1. Nas fêmeas normais = a 2X - 1 = 1. Texto Doutrinário: O Bebê Atípico e a Cruz. Esse pequeno ser, mirrado e disforme, carregado ao colo em situação de dependência, é, contudo, a mola central de profundas modificações no grupo familiar. Modificações horizontais e verticais. Exatamente como as cruzes levadas ao Gólgota: a cruz do bom ladrão, a do mau ladrão e a do Mestre Jesus. No primeiro momento de vida física, começa a modificação. Acabou de nascer e frustrou todas as expectativas. Porque os seres humanos esperam situações, coisas e formas padronizadas, estereotipadas, repetitivas, e sempre subsiste, da parte dos expectadores, a espera da suprema superioridade quando se trata de coisas suas. Então o bebê atípico é um choque tanto mais tremendo quanto maior o orgulho existente à sua volta. Hora por hora, ele, o bebê subgente, propulsiona a roda das transições e carrega para o movimento, sozinho, todo o seu ambiente. 46
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    Espiritismo e Genética Conhecemos muitas famílias que se desajustaram por causa dele, ou melhor, por causa da própria imaturidade da família, sendo “ele” apenas o desencadeador ou o pretexto. Pintemos o quadro: o pai, ante a necessidade legal e moral de transmitir seu nome e seus bens a esse herdeiro, de mostrá-lo como produto seu, desespera-se. Alguns se entregam à bebida. Outros escondem o filho ou se escondem. Outros abandonam o lar. Alguns chegam a matá-lo, como os jornais literalmente dão testemunho. A mãe, ferida em seu amor próprio, se artificializa, atingindo a superproteção ou a neurastenia. Algumas provocam, por meios indiretos, reações orgânicas em si mesmas, que desmoronarão a saúde, infernarão a convivência social e encurtarão o tempo de vida. Outras permanecem em estado de tensão, sempre em atitude defensiva, achando que a vida (ou Deus) as agrediu brutalmente. Perguntam a si mesmas: - Mas por que justamente comigo?! Outras fogem da realidade, através da inércia nos dias e dos comprimidos soníferos para as noites. É a cruz jogada no chão. Os dois braços vergados sob o peso das angústias e sob a compressão dos pés que pisoteiam o madeiro desprezível. O eixo vertical fica deitado no solo, não sobe. O braço superposto na horizontal se quebra, porque é menor e não tem, por si mesmo, a força de equilíbrio necessária. Então, o vento das alvoradas e o frio dos anoiteceres enterram aos poucos a cruz. O pequenino ser, de cinqüenta centímetros de comprimento, aquele que trouxe a cruz para vê- la de pé, só conseguiu o inverso: esmagou a experiência dos adultos - pais, avós, irmãos - e todos se curvaram para o solo, se apequenaram e fecharam o próprio potencial interior. Por falta de alimento afetivo, é provável que o bebê volte à pátria espiritual precocemente e, então, todos suspirarão aliviados sem entenderem o significado do acontecido. Mas há outro tipo de cruz que o mesmo tipo de bebê pode oferecer a outro tipo de gente: Conhecemos, também, muitos e muitos casos assim. São os que têm a maturidade suficiente para saber sempre que, aquilo que acontece no mundo a qualquer um, pode também acontecer a eles mesmos. Sentem a solenidade, a seriedade e a grandeza da vida. Sabem, conscientemente ou não, quais os fins das existências na Terra. Confiam na Sabedoria das situações. Encaram cada dificuldade como um desafio e cada problema como um motivo de crescimento, porque acham que no esforço da solução está o cerne da vitória. Sabemos de famílias que se ajustaram em níveis de profundidade afetiva, social e moral, exatamente com a presença do bebê atípico. Substituiu a futilidade, a leviandade, a superficialidade, pela reflexão, pela decisão, pelo compromisso que dignifica. Pintemos o quadro: o pai encontra um objetivo definido e uma motivação a mais para firmar sua posição no núcleo familiar. Aceita o desafio e sente que cresceu para receber tal crédito de confiança. A mulher abre seu coração e refloresce para um amor mais amplo. Pensa nos outros. Valoriza sua função e abre as portas de sua casa com mais prontidão. Ambos, pai e mãe, se agradecem, mesmo tacitamente, porque juntos tudo será fácil. Os irmãos aprendem, desde pequenos, a se ajudarem e treinam suas possibilidades para tarefas mais amplas nos contextos sociais. A cruz chegou trazida pelo bebê e foi conduzida lentamente, pelo caminho estreito, até o Gólgota. Nesse caminho, houve, às vezes, desfalecimentos, mas, então, foram procurados os Cirineus e, procurando, eles foram achados. Então, de repente, a cruz se levanta e seus braços estão nas direções certas: progresso na horizontalidade do convívio social, em nível de fraternidade e expansão do sentido de família. Progresso na direção vertical, em busca do encontro com Deus. Estas duas situações, ambas reais, têm como ponto propulsor, como núcleo central, a presença do bebê disforme, insignificante como pessoa, subgente e atípico. Ressaltamos que, no mundo inteiro, as pessoas que colocaram a cruz de pé são as que estão impulsionando a ciência, a técnica e o amor em favor dos milhares de atípicos da Terra. A maioria dos hospitais especializados, das fundações científicas, dos institutos organizados, dos grupos de pesquisa e dos centros de reabilitação é formada ou foram iniciados por gente que tem envolvimento direto e afetivo com esse tipo de bebês. São como que respostas à mensagem dos pequeninos. 47
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    Espiritismo e Genética As associações internacionais em favor do progresso científico dos excepcionais emergiram da pressão do amor dos que levantaram suas cruzes. Então pensamos que e conclusão de tudo isso é a seguinte: embora marginalizados, sem posições definidas nos grupos sociais complexos, rejeitados e incapacitados para as participações plenas, eles, os bebês atípicos, estão também exercendo influência nos grupos em que nascem e, pela força inevitável dos entrelaçamentos grupais, em toda a família humana”. (AS AVES FERIDAS NA TERRA VOAM). Expectativa, Frustração, Revolta “Quando a mulher engravida, há no lar ansiosa expectativa. Todos torcem para que, acima de tudo, nasça uma criança saudável, física e mentalmente. Se ocorrer um problema congênito, sobrevém a frustração e o sofrimento, marcados, não raro, por incontida revolta”. Pudessem as personagens desses dramas entender que nada ocorre por acaso e que as crianças com problemas são Espíritos em reajuste, como um doente submetido a tratamento, e não se perturbariam tanto, reconhecendo no filho deficiente uma abençoada tarefa que Deus lhes confiou”. Bibliografia: 1. MEDICINA E SAÚDE (Revista), Abril S/A, volume V; 2. HUMAN GENETICS, de Reginald Ruggles Gates, The MacMillan Company, 1948; 3. GENÉTICA MÉDICA, de Thompson/Thompson, Cap. VI; 4. AS AVES FERIDAS NA TERRA VOAM, de Nancy Puhlmann, Cap. 10; 5. ENCONTROS E DESENCONTROS, Richard Simonetti, um filho muito especial. 48
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    Espiritismo e Genética XI. DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS Introdução As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) são adquiridas através do contato sexual. Existem mais de 25 delas, de acordo com a OMS. A faixa etária de maior índice de infecção situa-se entre os 20 e 30 anos de idade. Há relato literário de pessoas que se infectaram com até quatro dessas doenças simultaneamente, onde a sífilis aparece mais freqüentemente. De acordo com o estado de saúde de cada um, há a possibilidade de não adquirir a DST ao se relacionar constantemente com um doente e, por outro lado, há dados científicos de infeccionados com apenas uma relação sexual. O portador da DST não representa perigo em sua residência; entretanto, logo que tomar conhecimento ou desconfiar que está doente, deve interromper atos sexuais, procurar assistência médica e nunca se automedicar. A DST é perfeitamente evitável, desde que se pratique sexo seguro e não se pratique promiscuidades sexuais. Na dúvida, use sempre a camisinha e lembre-se constantemente que a força sexual é construtiva. Não faça esta energia construir sua derrocada moral. Classificação das DST Levando-se em consideração a forma como ela é transmitida, podemos classificá-la em: • Essencialmente transmitida pelo ato sexual: sífilis, gonorréia, cancro mole, linfogranuloma venéreo; • Freqüentemente transmitida pelo ato sexual: uretrites não gonocócicas, herpes genital, papiloma vírus humano HPV - condilomas, trichomoníase, AIDS; • Eventualmente transmitida pelo ato sexual: escabiose, pediculose, hepatite A ou B, shiguelose, amebíase e outros; • Outras maneiras de se pegar DST: sangue, roupas íntimas e lençóis; • Condições que facilitam a contaminação: gravidez, diabete, doenças malignas, uso de anticoncepcionais artificiais (exceto camisinha), uso de antibióticos, relação anal e oral. 1. Sífilis É causada pelo treponema pallidum - família do espiroquetas (espiral). Penetra na pele, mucosa, cai na corrente sangüínea e linfática. Embora não freqüente, pode ser transmitida numa transfusão de sangue, pela placenta (após o quarto mês de gestação) ou acidentalmente aos profissionais de saúde (luvas, materiais cirúrgicos). Pode ser estagiada em: recente (primária e secundária), latente, tardia e congênita. • Recente/primária - Desde o contágio até às roséolas (60 dias após). O cancro típico da sífilis primária é solitário, duro e indolor, com base lisa e aparece entre o décimo e o 60o. dia, nas regiões bálamoprepucial e grandes lábios. Há ocorrência de adenite satélite (íngua). O diagnóstico da sífilis primária é conclusivo quando se evidencia a presença do treponema pallidum • Recente/secundária - Do aparecimento das roséolas à ausência de sintomas (até 1 ano). Os pacientes podem apresentar lesões cutâneas altamente variáveis, bilateralmente simétricas (geralmente maculares, papulares ou papuloescamosas), lesões em mucosas, linfoadenopatia, febre, 49
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    Espiritismo e Genética alopeciaou comprometimento orgânico local (irite, hepatite ou meningite). A identificação do T. pallidum em material obtido de lesões ou linfonodos, nestes pacientes, comprova a infecção sifilítica. • Latente - Apresenta-se sem sintomas e pode perdurar por muitos anos. Geralmente a contaminação se deu por sangue ou pela placenta. Na ausência de achados clínicos e dados anamnéticos, pacientes com provas sorológicas e pesquisa de T. pallidum positivas são considerados portadores de sífilis latente. • Tardia - Caracteriza-se por lesões graves e nem sempre reversíveis. Oriunda de sífilis não tratada, principalmente as originárias de contaminação por sangue ou placenta. As lesões principais se localizam: sistema nervoso central, causando dores fortes, perda de equilíbrio, surdez, cegueira, fraqueza muscular e outras; no cérebro, causando demência, paralisia geral etc; na pele, causando gomas sifilíticas/granuloma com necrose interna; no sistema osteoarticular, com nódulos articulares, artrites e gomas ósseas; sistema cardiovascular, causando aneurisma da artéria aorta, estenose coronariana, gomas cardíacas. • Congênita ou conata - Pode resultar de abortamento, natimorto ou o feto chegar ao termo com as seguintes patologias: pele enrugada (de velho), paroníquia (unhas com sulco e pouco resistentes, dolorosas), rinite hemorrágica, nariz em sela (septo nasal destruído), esplenomegalia (baço aumentado), hepatomegalia (fígado aumentado), orquite, hidrocele, osteocondrite, hidrocefalia, ceratite, surdez, retardo mental, dentes de Hutchington etc. 2. Gonorréia Causada pela neisseria gonorrhoeae, apresenta sinais de corrimento esverdeado, dor e queimação ao urinar e, nas mulheres, pode ser assintomática. Além da transmissão sexual, pode ocorrer pelo sangue contaminado (seringas compartilhadas, transfusões, ferimentos, tatuagens, beijo, tratamento odontológico) e, nas crianças, através do adulto infectado ou objetos recém contaminados, como toalhas e tampa de vasos. Não ultrapassa a barreira placentária, entretanto, o recém-nascido pode se contaminar pelo canal do parto e desenvolver a “conjuntivite gonocócica”. É causa freqüente de infertilidade masculina e feminina. Os sintomas aparecem de 2 a 5 até 15 dias após o coito vaginal: • no homem: prurido na uretra, ardência e dor ao urinar, secreção (purulenta, amarela e com mau odor), polaciúria (vontade de urinar) e disuria; • na mulher: prurido (coceira), ardência, corrimento (purulento, esverdeado e com odor forte), polaciúria etc; • sintomas por coito: a) anal: dor ao evacuar, prurido, ardência, pus nas fezes, tenesmo etc; b) oral: faringite, amidalite. Pode haver a doença sem sintomas, ocorrendo em 5% dos casos em homens e 40% em mulheres. Quando a gonorréia não é tratada, além da exacerbação dos sintomas já citados, podem ocorrer as seguintes patologias: • no homem: prostatite (levando à impotência), orquite (levando à infertilidade); • na mulher: endometrite (dispareunia), salpingite evoluindo para piossalpinge até abdome agudo; 50
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    Espiritismo e Genética • em ambos os sexos: ocorrências mais raras, como endocardite gonocócica, artrite gonocócica, meningite gonocócica, hepatite e outras. O diagnóstico é realizado através da história clínica, sintomatologia e exames complementares, como a bacterioscopia e a cultura. 3. Cancro mole Causado pelo hemophilus ducreyi. Os sintomas aparecem de 2 a 5 dias após o contágio: são feridas pequenas em vagina ou pênis, seguidas de ínguas nas virilhas, adenite satélite, dolorosas, que progridem para um bubão. Podem ocorrer secreções. Aparecem pústulas e úlceras arredondadas, irregulares, com fundo purulento e bastante dolorosas. Causa desconforto na relação e pode deixar cicatrizes nos genitais e nas virilhas. 4. Linfogranuloma venéreo É causado pela clamydia trachomatis. No Brasil, sua incidência é baixa, ocorrendo preferencialmente no grupo etário de 15 a 30 anos. O período de incubação varia de 1 a 3 semanas. Sinonímia: mula, nicolas-favres, linfogranulomatose e 4a. moléstia. Manifesta-se com lesão inicial de tipo pustuloso, freqüentemente desapercebida. Em seguida, surge adenopatia inguinal, conhecida como bubão, unilateral, que pode passar à fase supurativa. Nas mulheres, pode faltar a adenite inguinal, mas é freqüente o acometimento dos gânglios pararetais. Pode haver manifestações sistêmicas, tais como mal-estar, febre, anorexia, dor pélvica etc. Pode ocorrer a complicação: estenose retal, elefantíase nos órgãos genitais, ainda fistulização do bubão em vários orifícios, com saída do pus semelhante a um regador. 5. Uretrites não gonocócicas Uretrites em franco aumento de incidência. As ONGs se transmitem por sexo vaginal, oral e anal e também por autocontaminação e manuseio de peças íntimas. Contabilizadas, citamos: • Bactérias intestinais: escherichia coli, proteus e enterobacter; • Outras bactérias: staphylococcus aureus, staphylococcus epidermidis, neisseria meningitidis, clamydia trachomatis, gardenerella vaginalis; • Fungos ou bolor: cândida albicans, torulopsis glabrata; • Protozoários: trichomonas vaginalis; • Vírus: herpes genital, condilomas (HPV); • Não infecciosas: Agentes químicos e manipulação da uretra. Aqui a sintomatologia aparece de 10 a 21 dias após o contato. 6. Herpes genital Das mais difundidas atualmente e que, infelizmente, se encontra em grande expansão. Pode ser herpes simples, tipo I - labial, e herpes simples, tipo 2 - genital. Contágio: sexual - vaginal, anal, oral. Contato direto - mãos e saliva. Fatores predisponentes: stress com quebra imunológica. Emocionais: dificuldades financeiras, sexuais, profissionais, nos estudos etc, cansaço físico e mental. Traumatismo da região genital. Exposição prolongada ao sol. 51
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    Espiritismo e Genética Doençasdebilitantes de um modo geral (gripes, infecções, anemias). Etilismo. Medicamentos imunodepressores. Os sintomas aparecem em mais ou menos 6 dias: coceira e vermelhidão nos locais afetados, como pênis, vulva, vagina etc. Pápulas, bolhas, feridas (aftas herpéticas) e grande ferida. Em torno de 15 dias depois, desaparecem, quando então os vírus se escondem nos gânglios nervosos. Diagnóstico: pelo quadro clínico, citologia, cultura e sorologia. Se comprometer raízes nervosas da região sacra, pode ser confundido com herpes zoster. 7. Papiloma vírus humano (HPV) - Condilomas Causado pela papova vírus humanus (HPV). Sinonímia: Crista de galo, verruga venérea e couve-flor. A principal via de contaminação pelo HPV é através de contato sexual, com penetração de fragmentos de tecido infectado em soluções de continuidade, podendo ocorrer também auto- inoculação. Sintomas: A infecção pelo papilomavirus costuma ser assintomática na maior parte dos pacientes. Quando ocorrem sintomas clínicos, além das lesões verrugosas, estes costumam ser: prurido e/ou dor vulvar espontânea ou às relações sexuais. No homem, atinge o sulco bálamo- prepucional e glande; na mulher, o intróito vaginal, vestíbulo e colo de útero. O terceiro e mais comum tipo de lesão é o condiloma plano ou infecção subclínica por HPV, em que há espessamento variado do epitélio, mas sem a arquitetura papilar observada nas outras lesões. O diagnóstico é feito pela presença da verruga, citologia, vulvoscopia, histopatologia, microscopia eletrônica, imunoquímica, hidridização e, no homem, a peniscopia. Denota sempre falta de higiene. Pode complicar a gravidez. Produz como complicações: corrimentos e evolução para oncogênese. 8. Granuloma inguinal Também conhecido como donovanose, é causado pelo calymmatobacterium granulomatis. De transmissão prevalentemente sexual, com período de incubação de 8 a 30 dias, é bastante raro nos climas temperados; mais freqüente nas regiões tropicais. Sua maior incidência é no sexo masculino, preferencialmente em homossexuais e indivíduos de baixas condições sócio-econômicas. Na maioria dos casos, a lesão inicial se localiza em prepúcio, sulco bálamoprepucial, vulva, vagina. Geralmente indolor, inicia-se por pápulas que coalescem e ulceram. Pode avolumar-se, dando origem às formas “nodular” e “elefantiásicas”. Pode provocar estenose e evoluir para câncer. O diagnóstico se faz pela história do paciente, aspectos clínicos da lesão, exames laboratoriais diretos - detenção do C.granulomatis. 9. Trichomoníase Causado pelo Trichomonas vaginalis. Atinge cerca de 20% das infecções vaginais. Além do sexo, a transmissão pode acontecer por uso promíscuo de roupas íntimas. No início, pode haver aumento da secreção vaginal, coceira na vulva, ardor e queimação para urinar. Os sintomas podem evoluir para um corrimento amarelado malcheiroso, coceira intensa e dor abdominal durante a relação, inflamação dos ovários. Homens: em geral assintomáticos; pode ocorrer lesão testicular e esterilidade. 52
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    Espiritismo e Genética 10. Candidíase Candidíase ou monilíase é uma afecção vaginal causada pela cândida albicans, que se manifesta por prurido intenso, secreção branca, semelhante a leite coalhado ou queijo fresco, de forma espessa ou puntiforme. Apresenta-se freqüentemente na grávida, diabética, criança, mulheres que fazem tratamento com estrógenos exógenos e antibiótico recente. 11. AIDS SIDA/AIDS - esta sigla representa as iniciais da síndrome da imunodeficiência adquirida. Ela pode provocar graves doenças e ainda não tem cura. Ela diminui a capacidade de defesa do nosso organismo contra outras doenças. É causada por um vírus chamado HIV, que pode passar de uma pessoa para a outra. Esse vírus pode ser contraído durante o desenvolvimento fetal ou ao longo da vida, nas relações sexuais com um parceiro contaminado ou, ainda, através de contaminação sangüínea. A doença não se transmite através dos genes; portanto, não tem caráter hereditário e, sim, adquirido. A ação deste vírus sobre as células de defesa, que fazem parte do corpo humano, provoca uma falha na vigilância do organismo, causadora das infecções oportunistas. Sabemos que uma pessoa está contaminada somente através de um exame. A maior parte das pessoas soropositivas (pessoas que têm o vírus da AIDS) não têm aparência de doente e, muitas vezes, nem sabem que têm o vírus. Uma pessoa pode ter o vírus da AIDS muitos anos antes de ter qualquer doença. Não existem grupos de risco: o vírus não escolhe quem vai contaminar. Há milhões de mulheres, homens e crianças, de diferentes classes sociais ou credos, contaminados com o HIV. A melhor maneira de se evitar a AIDS é manter um parceiro único para as relações sexuais. Entretanto, na dúvida, usar camisinha durante o ato. Apesar do consenso existente mundialmente, ainda há setores sociais que se posicionam contra o uso do preservativo, argumentando, entre outras coisas, que o mesmo não seria uma barreira eficaz contra o HIV. Entretanto, diversos estudos confirmam a eficiência desse método na prevenção da AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis. Em um estudo, recentemente realizado, ficou demonstrado que o uso correto e sistemático de preservativos, em todas as relações sexuais, apresenta uma efetividade estimada de 90 a 95% de segurança. A impermeabilidade é um dos fatores que mais preocupam as pessoas. Em um estudo feito, ampliou-se o látex do preservativo, utilizando-se de microscópio eletrônico, esticando-o em 2 mil vezes, não foi encontrado nenhum poro. Em outro estudo, feito em 1992, concluiu-se que, mesmo nos piores casos, os preservativos oferecem 10 mil vezes mais proteção contra o vírus da AIDS do que a sua não utilização. O HIV é um retrovírus. Ele transmite seu código genético através de uma molécula tipo RNA. Normalmente, essas moléculas não são capazes de se inserir no código genético das células humanas, pois este código se encontra em moléculas do tipo AND. Para que possa haver uma inserção, faz-se necessária a transformação do código viral de RNA para DNA, que é feita através de uma enzima chamada Transcriptase Reversa (TR), característica desse tipo de vírus. Existem outros retrovírus, como o HTLV I/II, cujas infecções são pouco conhecidas e não são vírus da AIDS. 53
  • 54.
    Espiritismo e Genética A incidência da doença está assim distribuída (dados 1999/UNAIS): • América do Norte - 900 mil • América Latina - l,3 milhão • Caribe - 360 mil • Europa Ocidental - 520 mil • África subsariana - 24,5 milhões • África do Norte e Oriente Médio - 220 mil • Leste da Europa e Ásia Central - 420 mil • Sul e Sudeste Asiático - 5,6 milhões Leste Asiático e Pacífico - 530 mil • Austrália e Nova Zelândia - l5 mil... num total de 34,365 milhões de pessoas. Nos últimos dois anos, foi registrado um aumento de 12,30% ao ano. No ano passado, a cada mês, 313,750 pessoas se infectaram, ou seja, l0,450 por dia, no mundo. Mas está melhorando, pois este índice já foi de 16.000. No Brasil, há aproximadamente 160 mil pessoas infectadas. A proporção atual entre homens e mulheres aqui é de 3:1, tendendo cada vez mais a se igualar. Em 1985, essa razão era de 28 homens para 1 mulher. Considerando-se que 85% das mulheres infectadas estão em idade reprodutiva, pode- se perceber o enorme risco da transmissão perinatal de HIV. A transmissão da mãe para o concepto pode ocorrer em três momentos: durante a gravidez, através da placenta; no parto, por contato com secreções ou sangue da mãe; e no puerpério, através do leite materno. O vírus, em si, não é teratogênico e não prejudica o crescimento ou desenvolvimento fetais. Entretanto, redução na média de peso, maiores taxas de prematuridade e ruptura de membranas são observados. O melhor tratamento da AIDS é a prevenção. Existem hoje alguns medicamentos fazendo parte dos seguintes grupos: antivirais nucleosídeos (o AZT, p.ex.); inibidores da protease; inibidores da transcriptase reversa não- nucleosídeos; inibidores da fusão do HIV na parede da célula CD 4 positiva; associação do anticâncer hidroxiurea com antivirais nucleosídeos, e outros. Em se tratando de pacientes imunocomprometidos, é relevante o papel das infecções por germes oportunistas. Seguem-se os principais: • Bactérias - Mycobacterium tuberculosis, mycobacterium avium, micobactérias atípicas e outras: S. pneumoniae, H. influenza, S.aureus, Rhodoccocus equi e bacilos gram negativos entéricos; • Fungos - Cryptoccus neoformans, Pneumocystis carinii, Candida spp, Histoplasma capsulastum; • Protozoários intestinais - Cryptosporidium parvum, Isospora belli e Cyclospora cayetanensis e outros microsporidium; • Outros parasitas teciduais e intestinais - Strongyloides stercoralis, Giardia lamblia e Toxoplasma gondii. 54
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    Espiritismo e Genética Visão Doutrinária A predisposição orgânica às diferentes doenças tem, pela medicina terrestre, entre outras, explicações genéticas. O espírita sabe que o perispírito, possuidor de núcleos desencadeadores das patologias crônicas e facilitador das contaminações e infecções, é a residência, incontestável, das doenças que eclodem no corpo material. De Jorge Andréa: “Os núcleos em potencialização, encontrados no inconsciente pretérito, energeticamente negativos, desarticulam as sinergias do corpo espiritual, criando predisposições mórbidas para variadas doenças. (...) As imprudências no campo sexual, o ócio, as carências higiênicas, as promiscuidades facilitam o ataque dos microorganismos. (...) Em conseqüência, as doenças eclodirão, nesta ou nas demais reencarnações, como dívidas cármicas...”. De Marlene Rossi Severino: “A energia sexual está vinculada à lei de ação e reação e, como tal, o seu emprego obedece às mesmas regras: tudo quanto atirarmos em relação a outrem, matematicamente, voltará para nós”. Em “Vida e Sexo”, de Emmanuel, lemos: “Toda vez que uma pessoa convida ou aceita um convite para a comunhão sexual em bases de afinidades e confiança, estabelece-se entre ambas um círculo de forças pelo qual a dupla se alimenta, psiquicamente, de energias espirituais em regime de reciprocidade”. Portanto, o sexo moralizado exige: 1. Não proibições, mas educação; 2. Não abstinências, mas fidelidade; 3. Não normas de conduta, mas respeito a si mesmo e ao parceiro; 4. Não disciplina rígida, mas controle cristão; 5. Não impulso escravizado às regras, mas responsabilidade de ambos. Finalmente, de Joanna de Ângelis: “Enfrenta as fraquezas. Conscientiza-te dos teus pontos vulneráveis e constatarás quão fácil te será vencer as tentações e superar as más inclinações que te atormentam”. Bibliografia: 1. O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Edição FEB, 02/1994; 2. SEXO E DESTINO, de F.C.Xavier/André Luiz, Edição FEB; 3. EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS, de F.C.Xavier/André Luiz, Edição FEB; 4. VIDA E SEXO, de F.C.Xavier/Emmanuel, Edição FEB; 5. GINECOLOGIA PRACTICA, do Prof. Dr. W. Pschyrembel; 6. DOENÇAS INFECCIOSAS EM GINECOLOGIA, de Giles R.G. Monif; 7. ENCICLOPEDIA GINECOLOGIA, do Prof. Jorge Resende/Paulo Belfort; 8. DIAGNÓSTICO E TERAPIA EM GINECOLOGIA, de S. Piato; 9. HPV – INF. GEN, de Claudio Jacynto. 55
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    Espiritismo e Genética XII. REENCARNAÇÃO E SEXO O Sexo do Bebê São conhecidos de literatura os casos de monarcas que baniram suas companheiras por não lhe terem dado um filho varão. Motivos outros à parte, se esta era realmente a razão, hoje os mínimos conhecimentos de Biologia e Genética nos demonstram que a mulher sempre produzirá um óvulo feminino. Ao homem, é que caberá fornecer o espermatozóide que determinará o sexo do bebê. As células de nosso corpo apresentam, todas elas, 23 pares de cromossomos. Destes, um dos pares é que determina o sexo. Se possuirmos o par XX, seremos mulher. Se possuirmos o par XY, seremos homem. As únicas células do corpo que não possuem 23 pares de cromossomos, totalizando 46, mas apenas a metade deles (23), ou seja, um de cada par, são o espermatozóide e o óvulo. Esta formação é feita especialmente para cada metade encontrar o seu par correspondente na concepção. O fenômeno de redução acontece durante a meiose, que ocorre nos ovários e nos testículos. Como a mulher se apresenta com XX em todas as células, no óvulo só poderá ter X, que é o representante do par chamado cromossomo sexual. Da mesma forma, de maneira análoga, se o homem se apresenta em todas as células de seu corpo com 23 pares de cromossomos, sendo no par sexual XY, ele poderá formar espermatozóides contendo o cromossomo X (feminino) ou o cromossomo Y (masculino). A união de um espermatozóide X com o óvulo, que sempre é X, dará um ovo feminino ou seja uma futura menina. A união de espermatozóide Y com o óvulo, dará, um ovo XY, portanto desenvolverá um corpo masculino. No corpo físico, teremos, então: a. o sexo genético ou cromossômico - determinado no ato da fecundação pelo encontro do óvulo com o espermatozóide; b. o sexo gonádico – a presença do XX determinará, no indivíduo, gônadas (órgãos sexuais ou genitália) femininas; a presença de XY, gônadas masculinas – sexo fenotípico - é dado pela aparência – masculina ou feminina. c. ação dos hormônios - os hormônios são fabricados pelas glândulas de secreção interna e lançados no sangue. A Hipófise influencia no mecanismo das outras glândulas. A glândula Pineal, situada na zona mediana do encéfalo, por intermédio de seu hormônio, a melatonina, influencia toda a cadeia glandular. Pineal (melatonina) Hipófise (hormônios gonadotróficos) Gônadas. Apesar de, em sua essência íntima, o espírito não ter sexo, as vivências pregressas determinam uma nítida polarização energética do espírito reencarnante, com características masculinas ou femininas. Podemos dizer que o espírito humano possui nas forças psicossexuais, um dos pilares da sua própria evolução intelectual e ética, por ser a conseqüência de aquisições multimilenares e continuamente renovadas pelas novas experiências no ciclo das reencarnações. Enquanto o espírito não se apresentar integralmente desenvolvido e equilibrado na sua totalidade sexual, exteriorizará sempre, no processo palingenésico, a polaridade sexual que está a exigir experiência e vivências na zona física. 56
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    Espiritismo e Genética Os espíritos superiores possuem o potencial dessas energias sexuais de forma integral. Nos menos evoluídos, como no nosso planeta, as forças estarão pendentes na polarização masculina e feminina, com variação maior ou menor, conforme as características individuais dos mesmos. Convém também que façamos referência aqui que os espíritos, pelas suas características perispirituais, são vistos pelos médiuns videntes com aspecto de sua última encarnação humana e, com isto, também demonstram a sua polaridade sexual. Tanto os espíritos masculinos como os femininos expressam-se e imprimem, em suas vibrações energéticas, a tendência sexual que lhes é natural e decorrente de suas inclinações mentais. Estas características, quando não modificadas ou bloqueadas por uma razão superior com finalidade educativa, irão expressar na organização física um sexo masculino ou feminino. Desde antes da fecundação, o espírito reencarnante ligado ao óvulo expressa a sua polaridade sexual por uma vibração típica. Em função desta característica, de suas energias, passará a atrair e conduzir com equilíbrio e precisão o espermatozóide mais credenciado à formação do sexo do futuro ser, quer seja masculino (espermatozóide Y) quer feminino (espermatozóide X). O Espírito reencarnante usa como instrumento, para suas tarefas com vistas ao progresso, o corpo físico. O sexo como manifestação da sexualidade e, como todas as nossas características do corpo físico, está na dependência das necessidades do Espírito (expiação, prova, missão através da reencarnação escolhida ou compulsória). De acordo com Jorge Andréa, o espírito ou a energética do inconsciente carrega as potencialidades dos dois sexos, e no corpo mostra a sua polarização masculina ou feminina. Concluindo, com Jorge Andréa, em Forças Sexuais da Alma: “O Espírito é o responsável pela onda morfogenética a que pertence. A definição sexual é conseqüência das necessidades do Espírito para se construir. Evolução espiritual implica na utilização equilibrada do sexo. Sexo bem dirigido leva à monogamia ou à castidade construtiva. Sexo mal dirigido leva à poligamia ou castidade sem aplicação das energias construtivas”. Intersexualismo Considerando a diversidade de conceituação existente na leitura psicológica, médica, filosófica e outras, cumpre inicialmente nos posicionarmos sobre o significado que estamos atribuindo a cada uma das denominações a serem estudadas. Chamaremos de intersexualismo os casos individuais que, desde nascimento, apresentam a genitália ambígua, ou seja, aquela que suscita pesquisa médica, por vezes minuciosa, para definição do sexo. São os casos clínicos de recém-natos em que apenas o exame externo ou ectoscópico, não permite, em geral, determinar se aquela pequena criatura é do sexo masculino ou feminino. Nestes casos, recorre-se a métodos laboratoriais, radiográficos ou cirúrgicos para esclarecimento e encaminhamento correto do problema. São designados estes casos de intersexualismo, também, de pseudo-hermafroditismo, pois hermafroditismo seria a existência completa dos órgãos reprodutores dos dois sexos num mesmo indivíduo. O intersexualismo ocorre, sem dúvida, por fatores genéticos e embriológicos que, por sua vez, são conseqüência da influência energética do estado desarmônico do Espírito. A profunda desarmonia, existente nos núcleos psicossexuais do inconsciente, irradiam ondas magnéticas para a periferia, influenciando sobre as moléculas de DNA.(genes) que, pelas suas características energéticas de alta especialização, passarão a responder com as anomalias físicas conseqüentes. Nos bebês intersexuais, após a análise médica do caso, envolvendo cariograma com corpúsculo de Baar (que identifica o sexo feminino quando presente em mais de 5% das células), a 57
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    Espiritismo e Genética cirurgiaé indicada, tornando-se de grande importância o amparo psicológico e espiritual da criança na seqüência do acompanhamento do caso. Transsexualismo Conceituando transsexualismo, adotaremos o critério do Dr. Jorge Andréa. São agrupados nesta denominação, aqueles indivíduos que não têm qualquer ambigüidade anatômica na sua genitália. Fenotipicamente (aparência biológica) são normais e suas características físicas são todas relacionadas a um só sexo. Não há desvio biológico de qualquer natureza: os órgãos genitais são absolutamente normais como toda a fisiologia hormonal. No transexual, dentro da exterior normalidade, haveria alterações psicológicas, ou seja, as atitudes emocionais do indivíduo correspondem ao sexo oposto. Seriam, por exemplo, homens com órgãos sexuais anatomicamente normais, com fisiologia também sem anormalidades, porém de psiquismo correspondente a um Espírito feminino. Da mesma forma, para o lado feminino, estaríamos diante de uma mulher anatomo- fisiologicamente sem qualquer anormalidade, porém possuindo um arcabouço psicológico refletindo atitudes e atividades tipicamente masculinas. Muitos transexuais jamais se permitem atitudes de desequilíbrio em relação à sua morfologia. Muitos deles se tornam artistas, das letras, da música, ou da pintura, canalizando seu potencial energético para estas atividades. Muitos desenvolverão funções sexuais corretas em relação à sua fisiologia, sem excessos, próprios do sexo em que se encontram, embora as tendências psicológicas sejam de polarização oposta. Muitas vezes incompreendidos ou mal interpretados, são tidos como homossexuais. Observando na história, encontraremos muitos casos de transsexualismo adaptados e equilibrados à sua condição física. Vejamos o caso do famoso Chopin, que se consorciou com a romancista George Sand. Chopin, embora homem biologicamente, possuía uma alma tipicamente feminina, refletindo-se na grande sensibilidade da arte. Sua sensibilidade crescia cada vez mais, em termos de espírito, à medida que se enfraquecia pela doença. George Sand, que expressava em seu corpo feminino sua condição de mulher, tinha toda psicologia masculina. Desde seu pseudônimo, George, até pelas atitudes e resoluções fortes que tomava. Diz-se que, quando uma goteira se fazia no telhado, Chopin se inspirava em compor, enquanto sua esposa George Sand, pensava como consertar o vazamento no teto... Há Espíritos que reencarnam em sexo oposto à sua natureza íntima, não havendo prejuízos para sua vida sexual ou social. Se existe harmonia interior, esta harmonia se transmite para a periferia. Espíritos podem reencarnar em ambos os sexos, sem haver qualquer distúrbio psicológico ou comportamental. Voltamos a frisar que a conceituação de transsexualidade que estamos adotando nada tem a ver com a orientação homossexual. Passaria o Espírito, em constante evolução, por uma série periódica de encarnações num determinado sexo e posteriormente em outro, como que obedecendo a uma lei de harmonia dos contrastes ou equilíbrio de polarização. Homossexualidade Observações iniciais: Até o início dos anos 70, a grande maioria dos psiquiatras estava ainda convencida de que a homossexualidade era uma doença mental. Alguns acreditavam que ela poderia ter causas físicas, como é o caso de inúmeras doenças mentais. Mas a maioria acreditava que sua origem estava, geralmente, num desvio da sua orientação sexual, provocada por uma perturbação do desenvolvimento psicossexual. Os psicanalistas sempre admitiam que homossexualidade estava 58
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    Espiritismo e Genética ligadaa uma carência no processo de identificação durante a infância. Em outras palavras, o adulto homossexual teria sido uma criança que não conseguiu encontrar sua anatomia e definir sua identidade sexual em relação aos pais. Pelas pesquisas genéticas, atualmente os geneticistas já conseguiram identificar o lócus no cromossomo para essa característica (GAY-1). O trabalho agora é rastrear o gene gay (Xq28). Há outras tantas pesquisas sendo feitas nesse campo. Foi a partir dessas descobertas, que se mudou o conceito de homossexualidade, não mais sendo considerada como uma patologia mental, mas como uma orientação sexual. Assim: 1973 – A Associação Americana de Psiquiatria deixa de catalogar a homossexualidade como doença e removeu-a do Manual de Diagnóstico e Estatística de Desordens Psiquiátricas; 1975 – A Associação Americana de Psicologia declara que a homossexualidade não é uma patologia; 1º de maio de 1993 – A OMS retirou a homossexualidade de sua lista de doenças mentais. O Código Internacional de Doenças (CID 10), considera que “a orientação sexual por si só não pode ser vista como um transtorno sexual”. Não é uma opção nem uma doença, é uma característica. Visão Doutrinária da Homossexualidade: Para a Doutrina Espírita, as causas tem origem em vidas passadas. Para a psicologia pode ser: 1. Predisposição genética; 2. Alterações hormonais; 3. Traumas infantis e mau relacionamento familiar (forte fixação na mãe, ausência da figura paterna, inibição do desenvolvimento masculino pelos pais); 4. Fatores sociais negativos (grupo-iniciação sexual). O sexo é mental. André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos, nos diz: “Além da trama de recursos sanatórios, a alma guarda a sua individualidade sexual intrínseca, a definir-se na feminilidade ou masculinidade, conforme os característicos acentuadamente passivos ou claramente ativos que lhe sejam próprios”. A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no veículo físico, mas sim na entidade espiritual... O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se exprime “.” (...) o sexo reside na mente, a expressar-se no corpo espiritual e conseqüentemente no corpo físico...”“. A mente estará enriquecida de experiências masculinas e femininas. A sua individualidade será determinada pelo número maior de reencarnações, em virtude das experiências repetidas nos séculos (características passivas ou ativas). No livro “Ação e Reação”, André Luiz nos diz: “o sexo é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser”. 59
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    Espiritismo e Genética Situações em que surge a homossexualidade: Jorge Andréa, no livro “Forças Sexuais da Alma”, para fins didáticos, nos mostra as seguintes situações: 1. Espíritos com a mente acentuadamente feminina reencarnam, em processo de expiação, em corpo masculino: - O corpo masculino vai criar muitas dificuldades para a manifestação dos impulsos e tendências da mente feminina; - A inversão não é da mente, é do corpo físico passageiro. Emmanuel, no livro “Vida e Sexo”, nos diz: “a individualidade em trânsito da experiência feminina para a masculina, ou vice-versa, ao envergar o corpo físico, demonstrará fatalmente os traços da feminilidade em que terá estagiado por muitos séculos”. 2. Espíritos com mente marcadamente masculina, em processo de expiação, reencarnam em corpo feminino: - Ocorre quando o homem tiraniza a mulher (abusos) e virá para aprender a respeitá-la, como mãe, filha, companheira, irmã, diante de Deus; - Ou para adquirir experiência. 3. Espíritos cultos e sensíveis com a mente acentuadamente feminina ou marcadamente masculina, reencarnam em corpo diferente de sua estrutura psicológica, para execução de tarefas no campo do desenvolvimento intelectual, moral e espiritual da humanidade. André Luiz nos diz: “os grandes corações e os belos caracteres que, em muitas circunstâncias, reencarnam em corpo que não lhes corresponde aos mais íntimos sentimentos, posição solicitada por eles próprios, com o objetivo de operarem com mais segurança e valor, não só o aprimoramento moral de si mesmo, como também a execução de tarefas especializadas, através de estágios perigosos de solidão, em favor do campo social terrestre que lhes vale. De renúncia construtiva para acelerar o passo no entendimento da vida e do progresso espiritual”. Nesse caso, os Espíritos não tem comportamentos inconvenientes, porque já possuem elevação moral e espiritual que disciplina emoções e desejos. O que querem é garantia de cumprir bem a missão na experiência humana. Essa inversão temporária não choca, não perturba e nem arrasa sua personalidade. A homossexualidade, nos dois primeiros casos, é expiação (dificuldades morais e vícios). No terceiro caso, é o cumprimento de tarefas específicas, como nos diz André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos: “pelo instinto sexual, as criaturas transitam, de caminho a caminho, nos domínios da experimentação multifária, adquirindo as qualidades de que necessitam; com ele, vestem-se da forma física, em condições anômalas, atendendo a sentenças regeneradoras na lei de causa e efeito, ou cumprindo instruções especiais com fim de trabalho justo”. Já que a maioria de nós não tem ainda grandes conquistas no campo sexual, é recomendável que os indivíduos que nasceram invertidos sexualmente, optem pela castidade, devido ao grande risco de incorrerem na promiscuidade. Podemos compreender e ajudá-los melhor se aprendermos um pouco sobre a evolução do impulso sexual. Numa faixa evolutiva, temos: 60
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    Espiritismo e Genética 1. O estuprador (comportamento patológico, pois, prejudica o outro e a si mesmo); 2. O sedutor (comportamento infantil; o sexo é instintivo, egoísta, podendo ser promíscuo); 3. O infiel (comportamento infantil); 4. O fiel (comportamento adulto; sexo é sentimento, partilha); 5. O sublimado (comportamento sábio; há transcendência do sexo para a doação, desapego, renúncia, sacrifício). Percebemos que não podemos exigir de uma pessoa aquilo que ela ainda não possui,e, conseqüentemente, não consegue dar. Portanto, para evitar que ela caia na promiscuidade, é preferível que encontre um(a) companheiro(a) e tenham ambos um comportamento de fidelidade. No “Evangelho Gnóstico de Tomé”, Hermínio C. de Miranda comenta: “seja como for, o ideal da castidade ou mesmo da abstinência, consolidou-se no Gnosticismo e parece ter coincidido com o pensamento de Paulo que o admite como alternativa menos indesejável para aquele que não consegue dominar o impulso animal. É o que ele ensina, ao conceder que “é melhor casar do que abrasar”. No livro “Laços de Família”, Divaldo Pereira Franco diz que “o homossexualismo é uma experiência evolutiva no processo de desenvolvimento dos valores éticos do ser”. “O Espiritismo de forma alguma é contra a estrutura homossexual do indivíduo, não anuindo, porém, com a pederastia, a entrega do homossexual aos hábitos e práticas perturbadoras, o que é muito diferente”. “A pessoa pode ter uma sensibilidade masculina num corpo feminino, porém não é necessário que tenha uma vida promíscua só porque existe esse choque entre sua psicologia e sua anatomia”. No livro “Família e Espiritismo”, no item Implicações Espirituais do Sexo, Osvaldo Magro Filho nos diz: “não é o fato de um Espírito reencarnar num corpo de homem e depois num corpo de mulher (e vice-versa) que implica que este terá comportamento homossexual, mas sim, o valor que o Espírito dá ao sexo, sob a ótica masculina ou feminina. Isto o levará, em outra existência, às reminiscências passadas e às tendências homossexuais”. “Esta prova é transitória e o poderá reajustar, sem, contudo, cair na prática sexual desordenada”. Em “Loucura e Obsessão”, Manuel Philomeno de Miranda (cap. 5 e 6) analisa um caso a esse respeito e traça orientação muito oportunas para aqueles que transitam nessa etapa. “Assim, o melhor agente profilático para esses desequilíbrios é evitar a promiscuidade, tão em voga na atualidade”. O que fazer? Se encontramos dificuldade em aceitar, tolerar e conviver, pensemos o que faríamos se estivéssemos no lugar deles. No livro “Sexo e Destino”, André Luiz diz: “(...) Inúmeros espíritos reencarnam em condições inversivas, seja no domínio de lides expiatórias ou em obediência a tarefas específicas, que exigem duras disciplinas por parte daqueles que as solicitam ou que as aceitam. Homens e mulheres podem nascer homossexuais ou intersexos, como são suscetíveis de retomar o veículo físico na condição de mutilados ou inibidos em certos campos de manifestação, aditando que a alma reencarna, nessa ou naquela circunstância, para melhorar-se, aperfeiçoar-se e nunca com a destinação do mal, o que nos constrange a reconhecer que os débitos, sejam quais sejam, em quaisquer posições, correm por nossa conta. (...) As personalidades humanas, tachadas por anormais, são consideradas tão carentes de proteção quanto às outras que desfrutam a existência garantida pelas regalias da normalidade. Segundo a opinião dos homens, observando-se que as faltas cometidas pelas pessoas de psiquismo considerado anormal são examinadas no mesmo critério, aplicado às culpas das pessoas tidas por normais, notando-se ainda que, em muitos casos, os desatinos das pessoas supostas normais são consideravelmente agravados, por menos justificáveis perante acomodações e primazias que usufruem no clima estável da maioria”. O que nos espera? 61
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    Espiritismo e Genética Ainda no livro “Sexo e Destino”, André Luiz comenta: “(...) No mundo porvindouro, os irmãos reencarnados, tanto em condições normais quanto os julgados anormais, serão tratados em pé de igualdade, no mesmo nível de dignidade humana, reparando-se as injustiças assacadas, há séculos, contra aqueles que renascem sofrendo particularidades anômalas, porquanto a perseguição e a crueldade com que são batidos pela sociedade humana lhes impedem ou dificultam a execução dos encargos que trazem à existência física”. Sexo transviado Conduta Espírita ante o sexo transviado: Ouvirás referências descaridosas em torno do sexo transviado; no entanto, guardarás invariável respeito para com os acusados, sejam eles quais forem. Muito fácil traçar caminhos no mapa. Sempre difícil trilhá-los debaixo da tempestade, às vezes sangrando as mãos para sanar dificuldades imprevistas. É preciso saber penetrar fundo nas necessidades do espírito, para enxergá-las com segurança. Aplica a bondade e a compreensão toda vez que alguém se levante contra alguém, porque, em matéria de sexo, com raras exceções, todos trazemos heranças dolorosas de existências passadas, dívidas a resgatar e problemas a resolver. Muitos daqueles que apontam, desdenhosamente, os irmãos caídos em desequilíbrio emotivo, imaginando-se hoje anichados na virtude, são apenas devedores em moratória, que enfrentarão, amanhã, aflitivas tentações e provações, quando soar o momento de reencontrarem os seus credores de outras eras. Não condenarás. Enunciando tais conceitos, não aceitamos os desvarios afetivos como sendo ocorrências naturais. Propomo-nos defini-los por doenças da alma, junto das quais a piedade é trazida para silenciar apreciações rigoristas. Nas quedas de sentimento, há que considerar não somente a fraqueza, necessitada de compaixão, mas também, e muito comumente, o processo obsessivo que reclama socorro ao invés de censura. Não podemos medir a nossa capacidade de resistência, no lugar do companheiro em crise e, por isso, é aconselhável caminhar com a misericórdia em quaisquer situações, para que a misericórdia não nos abandone quando a vida nos chame ao testemunho de segurança moral. Se alguém caiu em desvalimento ou desceu à loucura, em assunto do coração, misericórdia para ele! Em todas as questões do sexo transviado, usa a misericórdia por base de qualquer recuperação. E, quando a severidade nos intime a gritar menosprezo, acalentar maledicência, estender escárnio ou receitar punições, recordemos Jesus. Aquele de nós que jamais tenha errado, em nome do amor, seja em pensamento ou palavra, atitude ou ação, atire a primeira pedra. (ENCONTRO MARCADO, de Emmanuel/F.C.Xavier). Bibliografia: 1. O ESPIRITISMO E OS PROBLEMAS HUMANOS, Deolindo Amorim e Hermínio C. de Miranda; 2. ENCONTRO MARCADO, F.C.Xavier/Emmanuel, Edição FEB; 3. EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS, André Luiz, Edição FEB; 4. FORÇAS SEXUAIS DA ALMA, Jorge Andréa, Edição FEB; 5. SEXO E DESTINO, de André Luiz/F.C.Xavier, Edição FEB; 62
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    Espiritismo e Genética 6.SEXO, AMOR E EDUCAÇÃO, Celso Martins; 7. AMOR, CASAMENTO E FAMÍLIA, Jaci Regis; 8. DIVALDO FRANCO EM UBERABA, Carlos A. Baccelli; 9. SEXO, SUBLIME TESOURO, Eurípedes Kühl; 10. O EVANGELHO GNÓSTICO DE TOMÉ; Hermínio C. de Miranda; 11. LOUCURA E OBSESSÃO, Manoel P. de Miranda, Edição FEB; 12. FAMÍLIA E ESPIRITISMO, Autores diversos; 13. LAÇOS DE FAMÍLIA, Divaldo Pereira Franco; 14. CRIAÇÃO EM SEPARADO, Chandler Burr; 15. FENOMENOLOGIA DA HOMOSSEXUALIDADE MASCULINA, Nestor Eduardo Teson; 16. SEXUALIDADE: OPÇÃO OU DETERMINISMO, Cláudio Meneghello Martins; 17. TRANSEXUALISMO E IDENTIDADE SEXUAL, Paulo Roberto Ceccarelli. 63
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    Espiritismo e Genética XIII. A ENGENHARIA GENÉTICA Assim como na Informática, a cada hora, em algum lugar do mundo, alguém sedimenta mais um tijolo na sua grandiosa construção científica. As possibilidades da Engenharia Genética são inimagináveis. Vejamos algumas: Genoma humano e de outras espécies Reprodução assistida Gestação pós-menopausa Fecundação in vitro Clonagem de animais Clonagem de seres humanos Geneterapia fetal Nascimento de bebê cuja mãe já morreu há mais de um ano Cura de paciente com medula de irmão que ainda nem foi gerado Escolha de sexo, pelos pais, para os futuros filhos Animais com olhos nas patas Animal com orelha humana (rato) Mudança de sexo em animais Plantações indenes a pragas Alimentos (grãos) aditivados com proteínas de outras espécies Alimentos transgênicos Descoberta de proteína que impede a formação de gordura (contra obesidade) Droga bloqueadora de gen que provoca a inflamação e morte de células cerebrais (esperança para os que sofrem da doença de Parkinson ou de Alzheimer) Pistas sobre a origem da inteligência humana Descoberta de gen associado ao infarto Implante de células-tronco (células não especializadas capazes de originar qualquer tipo de tecido) na reparação de danos causados no cérebro Uso de pele de rã no tratamento de queimados Pesquisas (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP) sobre vacinas de DNA para tuberculose Cientista “enganaria” o HIV – pesquisas feitas com camundongos Descoberta de gen relacionado à esquizofrenia Feijão resistente a vírus Bezerros de proveta Cana transgênica, imune a pragas e doenças Genes podem orientar o vôo das abelhas – estudos publicados na revista científica “Nature” Mosquito transgênico usado contra a malária Pesquisadores da Embrapa preparam mudanças no código genético de galinhas para que tenham mais carne no peito, sejam mais resistentes a doenças e produzam ovos mais duros Bactéria do cólera (doença que atacou 4620 pessoas no Brasil em 1999) tem seu DNA mapeado (4 milhões de pares de bases A,C,T,G). Os cientistas encontraram 3.885 genes divididos em 2 cromossomos. A inteligência é mapeada Planta transgênica faz proteína anticoagulante de sanguessuga. 64
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    Espiritismo e Genética Células-tronco são isoladas do cérebro de cadáveres Salmão gigante, 37 vezes maior do que o normal Tomates duráveis. Visão Doutrinária Na Genética, a questão crucial não é o que pode ser feito e sim o que deve ser feito, com responsabilidade, bom senso e ética. Se a Engenharia Genética acena com transformações psíquicas instantâneas, não há como excluir desse panorama a interação dos Mensageiros Celestiais, concedendo à Terra tal avanço científico. Baseados no Evangelho, acreditamos que só serão beneficiados pelos programas geneterápicos aqueles que tiverem merecimento. Os avanços da Genética trazem indicativos de que tal progresso científico constitui um verdadeiro despertamento para as coisas do Espírito. Ao Espiritismo e aos espíritas cabe a tarefa de indicar o Evangelho de Jesus Cristo que nos iluminará as decisões. Se Deus é o princípio das leis do mundo material e do mundo moral, elas não podem se contradizer. E onde está escrita a Lei de Deus? – Na consciência! (Q. 621 do L.E.). A Engenharia Genética é vista com naturalidade pelo Espiritismo, como se pode ver na resposta do Espírito Emmanuel, no caso da fecundação assistida: “Tais espíritos vêm à luz mediante preparação espiritual? – Sim, (...) obedecem aos Planos Superiores”. Com relação ao risco que a Engenharia nos aponta sobre a superpopulação, vejamos a Pergunta 687 de “O Livro dos Espíritos”: (...) Chegará tempo em que a população seja excessiva na Terra? – “Não. Deus a isso provê e mantém sempre o equilíbrio”. Em “A Gênese”, cap. I, item 55, lemos o seguinte: “Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele (o Espiritismo) se modificaria nesse ponto”. Concluindo a visão doutrinária, pensamos que o Espiritismo deve aceitar as “revelações” da Engenharia Genética, desde que tenham por objetivo a melhoria da saúde humana, quando dirigidas essencialmente para o bem da humanidade. O homem, a bordo da razão, com a lógica à esquerda e a fé em Deus à direita, ficará impedido de considerar a Engenharia Genética e a geneterapia como um louco e irresponsável devaneio de cientistas ou pesquisadores. Conclusões Os avanços da Ciência chegarão à Terra, como estão chegando, na proporção direta do merecimento planetário (embora, inicialmente, o homem faça mau uso). Nada acontece fora da Onisciência Divina. A evolução segue o planejamento Divino. Prepostos do Mestre Jesus zelam pelo Planeta Terra. Sob a direção de Jesus, o Barco Terreno está em muito boas mãos. Com fé na justiça, na proteção, na bondade e no amor do Criador por suas criaturas, não há lugar para temores! 65
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    Espiritismo e Genética XIV. OS TRANSGÊNICOS Transgênicos O que são? - São alimentos geneticamente modificados por meio da introdução de genes de espécies diferentes. Estes alimentos apresentam características distintas das originais, nem sempre capazes de serem percebidas pelos consumidores. Como são obtidos? São alimentos criados em laboratório por meio da engenharia genética, que utiliza técnicas do DNA recombinante ou introdução direta de material genético de outra espécie. Esta produção em laboratório pode durar até dois anos. A espécie modificada finalmente serve para o plantio. Por que são produzidos? Porque os alimentos modificados podem apresentar características a princípio benéficas: Maior resistência a herbicidas; Maior resistência a pragas; Obtenção de alimentos mais nutritivos; Produção de plantas-vacina. Os riscos dos transgênicos podem ser: 1. Para a saúde humana: • Alergias; • Aumento da resistência a antibióticos; • Possibilidade do surgimento de novos vírus. 2. Para o ambiente: - Empobrecimento da biodiversidade. • Segundo o biólogo Patrick Bateson, Vice-Presidente da Royal Society, em comunicado, feito através da Academia de Ciências do Reino Unido, não há nenhum indício de que alimentos geneticamente modificados sejam prejudiciais; • Entre Abril de 2001 a Janeiro de 2002, pesquisadores da Universidade de Ilenois entregaram 386 porcos transgênicos para um fornecedor que revendeu a carne suína, sem prejuízo algum aos consumidores; • Pesquisadores introduziram o gen de uma bactéria nos grãos de milho e conseguiram uma variedade que resiste aos insetos mais comuns; • Depois de criar uma soja à prova de pragas, os laboratórios buscam cereais com mais proteínas e gosto de carne; • A empresa Monsanto está trabalhando em um algodão que já nasce colorido, pronto para os fabricantes de tecidos; • Camarão transgênico para a mesa de alérgico: A ciência promete dar aos alérgicos a alegria de comer camarão. Pesquisadores da Universidade de Tulane, nos EUA, desenvolvem um camarão transgênico sem o gen da tropomiosina, proteína responsável por boa parte dos casos dessa alergia; 66
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    Espiritismo e Genética • Tratamento promete reduzir riscos para alérgico a nozes e amendoim à base de injeções de um anticorpo geneticamente modificado que retarde a reação alérgica; • Consórcio de bananas: Cientistas de 11 países vão unir esforços para decodificar os genes da banana. A partir dessa força-tarefa, da qual fazem parte pesquisadores brasileiros, espera-se chegar à receita genética que permitirá, no futuro, produzir frutos resistentes a pragas e, portanto, menos sujeitos aos banhos de agrotóxicos. (Notícia de “Isto É”, de julho/2001). Cronologia dos Transgênicos DATA EVENTO 1719 Primeiro registro de planta híbrida 1799 Primeiro registro de cereal híbrido 1866 Mendel publica seu trabalho sobre cruzamento de ervilhas 1876 Cruzamento entre espécies e entre gêneros 1900 E.U.A. cultivam milho híbrido 1970 Nasce a Engenharia Genética com a recombinação de trechos de DNA de uma bactéria depois de haver sido incluído um gen de sapo 1983 Desenvolvida a primeira planta geneticamente modificada: uma linhagem do tabaco resistente a antibióticos 1989 Nos E.U.A, 5000 pessoas ficam doentes, 37 morrem e 1500 ficam inválidas após o consumo de alimento transgênico produzido pela empresa japonesa Showa Denko 1990 Nos E.U.A, 5000 pessoas ficam doentes, 37 morrem e 1500 ficam inválidas após o consumo de alimento transgênico produzido pela empresa japonesa Showa Denko 1994 Primeiro alimento transgênico nos supermercados nos E.U.A.: um tomate que demora em amadurecer. (Dura até 40 dias fora da geladeira) 1997 Desenvolvido o milho híbrido mais rico em vitamina A, zinco e ferro 1998 O Brasil aprova plantio experimental de transgênico em 48 áreas de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul 1999 Canola transgênica produz de 55 a 68% mais gorduras benéficas 1999 U S P e Unicamp desenvolvem milho com gen humano 2000 Produção de canola enriquecida com betacaroteno, precursor da vitamina A Pesquisadores desenvolvem arroz com betacaroteno EMBRAPA produz feijão resistente ao vírus do mosaico dourado 2005 Começo da Bio-Segurança – rótulos nos alimentos transgênicos 67
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    Espiritismo e Genética XV. GENETERAPIA Geneterapia ou Terapia Genética – O que é? É um tratamento para “curar” o gen defeituoso, substituindo-o por um gen sadio, ou seja, uma cópia corrigida. Por exemplo: se uma pessoa não produz uma proteína importante, ela pode receber o gen que contém informações necessárias para que suas células a fabriquem. O gen também pode levar informações para a produção de substâncias tóxicas contra células indesejáveis, como as de um tumor. As doenças causadas por apenas um gen seriam mais facilmente tratadas – a fibrose cística, por exemplo. Mas, a maioria das doenças genéticas decorre de falhas em vários genes, como é o caso do câncer. Embora estejam sendo feitos testes de terapia genética, ainda não há previsão para que uma delas funcione. No Rio de Janeiro, pesquisadores do INCA começam tratamento contra uma forma mortal de anemia e leucemia. Vejamos, a seguir, algumas pesquisas em andamento sobre a geneterapia: Terapia contra doenças do sangue – Pesquisadores do INCA esperam tratar a anemia de Fanconi com a ajuda de um vírus conseguido em laboratório. Esse vírus servirá para levar uma cópia do gen associado à doença para células do paciente. Terapia genética no combate a tumores através de um vírus modificado geneticamente. As pesquisas e seus resultados foram publicados na revista “Nature Medicine” e se referem à eficácia do tratamento de tumores na cabeça e no pescoço. Geneterapia para retardar a doença de Alzheimer. Esta doença deriva do acúmulo de uma certa proteína (a beta amilóide) e de células nervosas mortas no cérebro que provocam a deterioração 68
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    Espiritismo e Genética dosneurônios, levando à perda de memória e dificuldades no aprendizado. Descrita pela primeira vez em 1906 pelo médico Alois Alzheimer, somente em abril de 2001 foi feito o primeiro implante de células modificadas em paciente com a doença. Criada nova arma contra o mal de Parkinson – notícia de Ciência e Vida, em 21.01.2001: Brasileira descobre segunda proteína associada à doença e estuda meios de neutralizar sua ação. (O mal de Parkinson é uma disfunção cerebral caracterizada por tremores, dificuldades de movimentos e coordenação. A causa é uma lesão nos neurônios ligados à substância cerebral que controla os movimentos musculares). Geneterapia para o coração doente – Técnica utiliza um gen para revascularizar as áreas não irrigadas do músculo cardíaco devido à obstrução de artérias. A Genética chegou à Cardiologia. Um gen conhecido como fator de crescimento de vasos (VEG-F) é capaz de fazer surgir pequenos vasos no músculo cardíaco, melhorando a irrigação sangüínea de áreas que não estão recebendo sangue suficiente, devido à obstrução das artérias coronárias. (O gen VEG-F, nos seres humanos, é inativo. Com técnicas especializadas, ele é extraído de amostras de sangue e reativado. Depois é inserido numa solução que é introduzida no coração, através de um cateter ou injetada diretamente no músculo cardíaco com uma seringa. Em poucos dias, o gen leva à formação de pequenos vasos, ligando áreas irrigadas a regiões que não estão recebendo sangue regularmente). Diagnóstico precoce de fibrose cística e distrofia muscular. Inserção de genes – Nos EUA, 92 pacientes estão sendo testados com a introdução de genes normais no organismo para substituir as funções dos genes defeituosos. Rim policístico – doença hereditária que produz cistos nos rins e em outros órgãos, prejudicando seu funcionamento. Pesquisadores norte-americanos identificaram a composição completa do gen que causa essa doença. 69
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    Espiritismo e Genética O mau uso da Geneterapia Riscos do uso da geneterapia: Discriminação – O acesso às informações genéticas pode resultar em tratamento diferenciado para portadores de genes defeituosos ou por parte de companhias de seguro, plano de saúde e empregadores. Aumento da população – Tratamentos mais eficazes para as doenças levarão ao aumento da expectativa de vida, dando origem à superpopulação mundial, com grande número de idosos. Manipulação genética de embriões, levando à busca pela “pureza de raças”. Conclusão: Com relação a essas observações, preferimos ficar com Eurípedes Kühl (Genética e Espiritismo): “Prevendo doenças, mais fácil tratá-las. Menos doenças, menos dor. Menos dor, mais evolução espiritual. Mais evolução espiritual, mais amor entre os homens. E mais amor, mais próximos de Deus”. 70
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    Espiritismo e Genética Geneterapia contra o Envelhecimento Experiências com ratos mostraram que, em laboratório, esses animais viveram 10 vezes mais, depois de modificações feitas em alguns genes (Revista Isto É de 22-11-2000). Cientistas britânicos descobriram um gen ligado a uma doença de pele hereditária que pode levar ao tratamento do envelhecimento. Pouco se sabe sobre o envelhecimento do ser humano. Quando houver maiores descobertas, tornar-se-á possível a respectiva geneterapia. Um gen, batizado de thrombos-pondin, é um dos responsáveis pelo infarto, uma das principais causas de morte. O mesmo gen estaria ligado à formação de coágulos nos vasos sangüíneos, aumentando o risco de entupimento das artérias (segundo o cardiologista Eric Tropol). Outra pesquisa (Julian Halcox, do Instituto Pulmão e Sangue, dos EUA) mostra a relação de um gen com a boa saúde do coração. Esse gen chama-se enos (894T) e está envolvido no controle de óxido nítrico no sangue, substância que ajuda a dilatar as artérias, facilitando o fluxo do sangue. 71
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    Espiritismo e Genética XVI. A CLONAGEM Clonagem é a técnica em cultura de tecidos pela qual todas as células obtidas provêm de uma só delas, podendo todas se reproduzirem sob a forma de células idênticas: clones (“clone”, do grego = broto). Tais organismos são produzidos por um único indivíduo, através de multiplicação vegetativa ou assexuada. Um exemplo de clone é uma colônia de bactérias, pois uma única bactéria, dividindo- se, produz milhões de descendentes. Quando fincamos um ramo de alguma planta no jardim para fazer nova muda, estamos fazendo clonagem. Clonar é fazer cópias. O caso dos gêmeos monozigóticos, é considerado um fenômeno de clonagem natural. Daí se conclui que: se a natureza faz uso da clonagem, trata-se de um fenômeno natural. Se é natural, é de ordem divina. Esta técnica é do domínio científico há muitos anos (desde 1952), sendo utilizada apenas em animais – sapos, ratos de laboratório, coelhos, ovelhas e vacas – e plantas de interesse econômico. Isso até outubro de 1993... A Reprodução de seres vivos A reprodução de seres vivos pode ser assexuada e sexuada. Assexuada (plantas e animais inferiores): É multiplicação simples das células com a manutenção da quantidade de cromossomos daquela espécie, que se reproduzem sucessivamente: 1 ==> 2 ==> 4 ==> 8 ==> l6 etc... até formarem um novo ser. Sexuada: No caso de seres humanos e maioria dos animais e vegetais superiores, trata-se da união de um espermatozóide com um óvulo, resultando daí um ovo. Especificamente nos humanos, é um gameta masculino, com 23 cromossomos, com um gameta feminino, também com 23 cromossomos, do que resulta uma célula-ovo com 46 cromossomos. Como ocorre a clonagem? “Engana-se o óvulo”; retira-se do óvulo o núcleo (n) e coloca-se aí um núcleo de uma célula “2n”. Assim, transformou-se o núcleo de uma célula “n” normal em um embrião (2n). 72
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    Espiritismo e Genética E o que é um embrião? É um óvulo que recebeu o núcleo de uma célula a ser “xerocada”. Implantada no útero, ela se multiplica e vai dar origem ao feto. Pesquisadores do Instituto Roslin e da empresa PPL, ambos escoceses, desenvolveram, em 1997, um clone de uma ovelha adulta, a partir da cultura de células extraídas de glândula mamária do animal, como se vê no esquema a seguir: 73
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    Espiritismo e Genética Hoje, para se ter filhos, é preciso que, por processos naturais (união sexual) ou laboratoriais (reprodução assistida), o gameta feminino (óvulo) seja fecundado pelo gameta masculino (espermatozóide) e que o produto formado (embrião) se desenvolva dentro de útero materno até completar o seu desenvolvimento. Daí nasce uma criança que possui características genéticas do pai e da mãe. O que se espera, em alguns anos, é que possa haver o nascimento de uma criança, usando-se o processo de clonagem, a partir de células da mulher ou do homem, sem ter havido a união sexual. Isto será possível retirando-se uma só célula do corpo (da mulher ou do homem) e em laboratório, com técnicas especializadas, essa célula se torne uma célula indiferenciada ou embrionária. Esta será colocada no útero de uma mulher e se desenvolverá como numa gravidez normal. Se a célula era de uma mulher, teremos uma menina igual à mãe. Se era de um homem, teremos um menino igual ao pai (o dono da célula doada). Quais as vantagens da clonagem? São várias: por exemplo, na indústria farmacêutica, na produção de globulina anti-hemofílica. Neste caso, o gen de globulina é isolado e implantado em um animal (que se transforma num 74
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    Espiritismo e Genética transgênico). Pela clonagem, a partir de uma célula desse animal transgênico, obtêm-se vários iguais, com produção da globulina em grande quantidade. Na cura da leucemia: De uma célula, do paciente, tira-se o núcleo para implantá-lo num óvulo. Este vira embrião, que poderá ser implantado na medula do paciente. A cura viria com células sadias, geradas por um clone da medula que tomam o lugar das doentes. Rim produzido a partir de células tronco de rato vira tecido. Pesquisa sueca sugere que as células-tronco encontradas no cérebro de camundongos podem se converter em células musculares do coração ou de outros tecidos. Descobertas mostram a existência de células-tronco no cordão umbilical, na medula dos ossos longos e, mais recentemente, elas foram encontradas em cérebros de cadáveres. Aparelho Reprodutor Feminino Nos ovários são amadurecidos os óvulos que são captados pelas franjas das trompas. A fecundação ocorre no terço médio da trompa. O ovo aí formado se divide e a implantação no útero já é de um embrião. 75
  • 76.
    Espiritismo e Genética Fecundação ou fertilização: É a fusão do óvulo com o espermatozóide para a formação do ovo ou zigoto. Os gametas são haplóides (n) e o ovo é diplóide (2n). Desenvolvimento do ovo até indivíduo: ovo embrião (várias células iguais) diferenciação celular tecidos órgãos sistemas organismo. As células não diferenciadas (embrião) são as chamadas células-tronco. Elas são totipotentes, isto é, poderão se diferenciar em qualquer tecido. 76
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    Espiritismo e Genética Visão Doutrinária: O Progresso Humano “Quase todo progresso humano decorre da descoberta de como age a Natureza em suas várias manifestações, sendo a Vida, em particular, a mais sábia, sublime e profunda de todas elas”. “Por isso, ocorre-nos afirmar que o homem progride na razão direta em que observa e conhece as leis da Natureza, desenvolvendo e aperfeiçoando o meio de aplicá-las, a benefício próprio ou de outrem”. “O Universo é regulado por leis divinas de inimaginável sabedoria, imutáveis, algumas poucas das quais o homem consegue precariamente imitar. Os notáveis pesquisadores, a maioria deles cientistas, têm um conceito de Deus muito mais intenso do que não poucos crentes. É que, a cada pesquisa, a cada passo de progresso, essas pessoas se deslumbram diante da harmonia e equilíbrio que observam nos processos da vida”. “Os espíritas acompanham também esse progresso, cada vez mais amando e admirando a obra de Deus, pois, como asseverou Kardec, em “A Gênese”, Cap. IV, pág. 44: “Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará”. “Aliás, devemos destacar que ninguém mais do que o próprio Kardec, ele mesmo um cientista nato, pesquisador emérito das coisas do Espírito, consignou ainda em “A Gênese”, Cap. III, pág. 71: “Tendo o homem que progredir, os males a que se acha exposto são um estimulante para o exercício da sua inteligência, de todas as suas faculdades físicas e morais, incitando-o a procurar os meios de evitá-los”. Conclusão Quando um experimento científico tem bom êxito nos laboratórios dos cientistas terrenos é porque foi aprovado pela Espiritualidade Superior. Se os dirigentes espirituais avaliam que ainda não temos suficiente evolução para fazer bom uso de um conhecimento, os experimentos terrestres não têm sucesso. (clonagem, inseminação artificial, transgênicos etc). “Isto posto, pensamos que o Espiritismo deve aceitar a revelações da engenharia genética, conquanto incipientes, desde que tenham por objetivo a melhoria da saúde humana. Há que se admitir e louvar seu caráter pesquisador e sincero, quando dirigido essencialmente para o bem da humanidade”. (GENÉTICA E ESPIRITISMO, de Eurípedes Kühl). Vamos fazer uma reflexão com o Apóstolo Paulo, em sua 1a Epístola aos Corínteos (10:23): “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam”. E, segundo Jesus, em Matheus 16:26: “Que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder sua alma?”. A Atração do Espírito para a Reencarnação Na clonagem, a molécula de DNA atrai o Espírito à reencarnação. Segundo o médico Dr. Sergio Felipe de Oliveira, da USP, diretor do Curso de Pós-Graduação de Psicobiofísica, membro da AME/SP, Clone é um conjunto de células de mesma carga genética. Na verdade, os clones já existem de forma natural. Por exemplo: os gêmeos univitelinos são uma clonagem da natureza. Neste caso, uma célula-ovo vai dar origem a dois seres, geneticamente idênticos, mas com impressões digitais diferentes. São idênticos do ponto de vista genotípico, porque têm a mesma carga genética, mas não são iguais quanto à fenotipia. Essa diferença vai ainda ser mais acentuada pelo fato de que dois Espíritos vão estar ocupando cada um dos conjuntos de células que vai dar origem a um novo ser. Na clonagem, é importante ressaltar que há semelhança de corpos, mas os seres não são idênticos, uma vez que receberão influências estereoespaciais diferentes. E experiências diferentes é o 78
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    Espiritismo e Genética mesmoque seres diferentes. O clone pode ser entendido, assim, enquanto genética, mas não enquanto ser. Se se fizer um estudo comportamental na ovelha Dolly e na ovelha fornecedora da célula mamária que a originou, vamos ver que são seres diferentes. Elas vão ter semelhanças comportamentais? Vão, porque existem determinados tipos, padrões de comportamento que são genéticos. Por exemplo: o papagaio imita o som; já nasce com esse tipo de comportamento, mas vamos ter o papagaio mais arisco e o mais afetuoso, o que aprende mais fácil e o que tem mais dificuldade. Existem, assim, nuances diferentes dentro da mesma espécie. No caso da ovelha Dolly, elas vão ter semelhanças mais do que se tem entre duas ovelhas, mas não mais do que se tem nos gêmeos univitelinos. Quanto menos células, mais dificuldade de se achar diferenças, mas no caso de ovelhas e macacos, já fica mais fácil: as diferenças são mais perceptíveis, porque são seres mais complexos e mais completos. Já são trilhões de células, de modo que as diferenças se acentuam. Quais são as condições criadas artificialmente, em laboratório, que permitem ao Espírito ou ao princípio inteligente reencarnar, como no caso da ovelha Dolly? Os cientistas utilizaram uma célula mamária de uma ovelha e fizeram essa célula regredir à forma blástica. Nessa condição, a célula tem características muito próximas da fase embrionária e assume a sua capacidade de totipotência, isto significa que tem grande capacidade de reprodução, de se multiplicar e, também, de diferenciação em muitos tipos celulares. Qualquer espécie de tratamento que se faça, químico ou por indução de outras células ou núcleos, para levá-la à forma blástica, já se está repetindo a instância embrionária e propiciando as condições para a reencarnação. No caso da Dolly, a técnica empregada utilizou duas células, mas creio que vai ser possível realizá-la com uma só, dependendo do ponto de regressão a que se chegue. O que vai atrair o Espírito ou princípio inteligente, do ponto de vista físico, é a molécula de DNA (Ácido desoxirribonucléico). Por isso, usa-se o núcleo da célula e o material genético. Na forma blástica, o DNA vai ter um determinado padrão de abertura de suas alças de tal sorte que permite o funcionamento das áreas genéticas da ontogênese. Que áreas genéticas são estas? Vamos dar um exemplo delas: os homeoboxes, genes responsáveis pela formação do esqueleto axial do embrião. São eles que vão permitir a clivagem das células, encaminhando algumas delas para a direita, outras para a esquerda, para cima, para baixo, porque é a direção que essas células tomam no embrião que vai determinar o conjunto de órgãos que vão formar. Desse modo, os genes da ontogênese só funcionam enquanto o corpo está sendo formado. Depois disso, eles se fecham, não mais exercendo essa função, e outros vão se abrir. O gene é regulado por um relógio que vai dizer a que horas cada alça vai estar funcionando. Por esta razão, quando se consegue reduzir para a forma blástica, abrem-se as alças da ontogênese e daí pode sair um embrião. Qual é o mecanismo mais íntimo dessa atração Espírito-DNA no processo reencarnatório? O gene tem uma estrutura única, muito interessante. Nele há um campo de forças que une os átomos entre si: são as forças eletromagnéticas. Como decorrência disso, as forças de Vandervaus, as iônicas, as covalentes, as pontes hidrogeniônicas, são todas padrões de força para unir um átomo a outro para que seja possível construir a molécula de DNA. Mas o comando dessas forças vem do interior do átomo, da estrutura intra-atômica. Na estrutura de vácuo de cada átomo, onde obviamente não existe matéria, encontramos o perispírito. Este tipo de estrutura é detectado na forma do que os físicos chamam de energia flutuante quântica do vácuo. É o perispírito que está ali. Então, numa estrutura interna, o perispírito vai estar agindo sobre o DNA, induzindo-o a se abrir ou a se fechar, conforme as ordens do comando vindas do Espírito. Para a agregação de matéria, há a atuação de uma força gravitacional. Então, tem-se uma atração de massas para o corpo que vai sendo formado por células que vão se aglomerando. No 79
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    Espiritismo e Genética processode proliferação celular, dentro do útero, vai ocorrer um processo de materialização. Há uma agregação de matéria, como na origem do universo, onde está presente também a força gravitacional. São campos de grávitons que estão ligados à estrutura de gravidade do planeta. É por esta razão que o perispírito possui as características próprias da esfera do planeta no qual está sediado. Se vai para outro mundo, muda o perispírito, porque o campo de grávitons é outro. A interação dessas forças intramoleculares vai permitir a indução do processo de proliferação celular. Do ponto de vista físico-químico, o DNA não difere de qualquer molécula do organismo, mas no aspecto estrutural, diferencia-se por funcionar como uma lente atratora-redutora. Assim, a molécula do DNA atrai as energias perispirituais não mensuráveis e materializa-as, permitindo a transdução dessa matéria quintessenciada para a matéria biológica. No caso do laboratório, para fazer um campo atrator para o Espírito reencarnar, é preciso uma molécula com a formação lenticular como a do DNA, sob as condições da fase embrionária ou de totipotência. Quer dizer que o conjunto dessas forças leva à materialização do corpo, ao renascimento? - Sim. Há uma malha eletromagnética extra-atômica, ligada por uma espécie de túnel com a malha de forças intra-atômicas, representada pela força nuclear fraca, a qual, por sua vez, tem ligação com a energia flutuante quântica do vácuo. Nesse vácuo atômico, tem-se todo um campo de grávitons, que vai fazer com que haja a agregação de matéria. Na verdade, esse campo de grávitons é que vai dar a característica lenticular para a molécula, permitindo o processo de materialização. Se observar bem, o útero materno é uma sala de materialização. É aí, nessa câmara escura, que se dá a transdução de matéria “invisível” para matéria tangível, biológica. A abertura dos genes da ontogênese dá à célula altíssima capacidade de multiplicação, com grande velocidade. No câncer, isso ocorre de forma anômala, porque as células perdem o comando equilibrado. 80
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    Espiritismo e Genética XVII. O PROJETO GENOMA Foi publicada, no dia 12 de fevereiro de 2001, em dois artigos, sendo um na Revista Britânica “Nature”e outro na “Science”, Norte-Americana, a seqüência do genoma humano. Decepção e reformulação – esses os sentimentos do primeiro impacto. Descobriu-se que ratos e homens têm o mesmo número de genes e destes somente mais ou menos 300 fazem a diferença! Pensava-se antes que cada gen produzia uma proteína-chave ou que seria responsável por uma doença. Na verdade, o gen pode dar origem a inúmeras proteínas, ou seja, há muitas formas alternativas de editar a informação. Conclusão: há “escolhas” dentro da célula e nada se sabe acerca do que determina que certos pedaços de DNA sejam transcritos (escolhidos) na hora de produzir uma proteína. O grande paradoxo é que o processo de regulação é realizado por proteínas da célula, que, por sua vez, reagem aos estímulos do ambiente interno (do próprio organismo) e externo. O incrível é que as proteínas determinam aquilo que deveria determiná-las (os genes). Tais descobertas estão de acordo com o que nos diz Emmanuel em “A Caminho da Luz”: “As proteínas foram os primeiros habitantes da Terra”, isto é, desde tempos imemoriais temos a atuação das proteínas sobre a molécula de DNA. Outro dado importante é que André Luiz informa que o citoplasma é o campo primacial de informação do perispírito: é a mente comandando o ambiente interno e, inclusive, os genes. Os cientistas vão chegar à conclusão dos sábios instrutores: o meio interno é extremamente importante, porque é a mente (Espírito) que dá a última palavra. Como compreender o genoma? 81
  • 82.
    Espiritismo e Genética O corpo humano é formado por trilhões de células. No núcleo de cada célula estão os cromossomos, pequenas estruturas constituídas pelos genes (DNA = ácido desoxirribonucleico). Em cada célula existe, enovelada, uma cópia do DNA, molécula em forma de dupla hélice, descoberta por James Watson em 1953, e que contém todas as informações para o organismo. O DNA é um filamento duplo de cerca de 2 metros de comprimento, ligado por componentes químicos, chamados nucleotídeos ou bases. Desses 2 metros, somente 2 centímetros são de genes exclusivamente humanos. As bases são sempre quatro: Adenina (A), Timina (T), Citosina (C) e Guanina (G). Se de um lado do DNA está a letra A, do outro lado obrigatoriamente estará a letra T. Da mesma forma, C só se liga com G. A ordem em que os 3,2 bilhões de pares de bases aparecem no DNA é o que vai distinguir um ser humano do outro. O que é Gen? 82
  • 83.
    Espiritismo e Genética Gen – milhares de seqüências destas letras (A, T, G, C) constituem um gene. Estimava-se que a quantidade de genes variasse de 30 mil a 120 mil. Apesar de tão numerosos, apenas 3% do DNA humano expressam genes: isto é chamado “genoma funcional”. Os 97% restantes não têm função conhecida (lixo evolutivo). Apenas 1,5% do genoma humano separa o homem de um chimpanzé. Entre os humanos, as diferenças entre um homem baixo e magro e uma mulher alta e gorda residem em 0,1% do genoma. Os genes instruem as células a sintetizar proteínas. Estas são as operárias do corpo, atuando na produção de tecidos, na digestão de alimentos e na defesa do organismo. Descobrir a proteína relacionada a cada gen codificado será a longa tarefa do século 21 (Proteoma). O Projeto Genoma Humano (HGP) foi lançado oficialmente em 1990, com o objetivo de mapear e seqüenciar o DNA humano até o ano de 2005. Este projeto envolve cientistas da Alemanha, França, China e Japão. Em 1998, foi fundada a empresa “Celera Genomics”, pelo biólogo Craig Venter, que passou a concorrer com o projeto público. 83
  • 84.
    Espiritismo e Genética Os genomas de outras espécies também estão sendo decodificados. Pelo menos 18 organismos tiveram seu DNA seqüenciado, entre eles o da bactéria Xylella fastidiosa, decifrado por cientistas brasileiros. Os dados numéricos do genoma Vejamos agora algumas atualizações de dados, segundo o que foi publicado nas Revistas “Nature” e “Science”, em 12-02-2001, e que antecipou o que fora previsto para 2005 – o Projeto Genoma: • O Homem tem um terço dos genes que se imaginava; • A primeira análise do genoma humano mostra que o ser humano só possui 30 mil genes e não 100 mil, como inicialmente se pensou; • O homem é muito mais próximo de outros animais; • O ser humano possui apenas cerca do dobro do número de genes de moscas e vermes: • moscas – 13 mil genes • vermes – 19 mil genes • plantas – 25 mil genes • camundongos - 29,7 mil genes • homem – 30 mil genes. A Genética veio reforçar a teoria de Charles Darwin sobre a evolução das espécies. As semelhanças entre organismos tão distantes na linha evolutiva põem em cheque a própria identidade humana. Se o tamanho do genoma não é documento – a ameba (ser unicelular) tem número 200 vezes maior de genes que o ser humano - o que levou, então, o homem a chegar ao topo da evolução? Talvez a resposta venha com o próximo passo das pesquisas: o Projeto Proteoma, que vai identificar as proteínas produzidas pelo homem e como elas se relacionam para regular as funções vitais do organismo. Comparação entre as espécies (em mil genes): O Homem herdou pelo menos 223 genes de bactérias, entre eles o que codifica a enzima monoamine oxidase, relacionada com a depressão. E, para encerrar, vamos meditar sobre o que nos diz André Luiz, pelas palavras de Calderaro, no Mundo Maior: “A medicina inventará mil modos de auxiliar o corpo atingido em seu equilíbrio interno. Por essa tarefa edificante, ela nos merecerá sempre sincera admiração e fervente amor. Entretanto, compete a nós outros praticar a medicina da alma que ampare o espírito enleado nas sombras”... 84
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    Espiritismo e Genética Apenas 3% do DNA respondem pela produção de proteínas. Acreditava-se que os 97% restantes, o chamado DNA-lixo, não tinha função. Descobriu-se agora que esse DNA-lixo controla a atuação dos genes. Não há base genética para o conceito de raça: negros, brancos, índios e asiáticos partilham 99,99% dos genes. A cultura e o meio influenciam muito mais do que as letrinhas químicas (A, T, C, G) que integram o código genético. Apenas 0,01% dos 3,2 milhões de pares de bases (A, T, C e G) separa Maria e João. Mesmo que ela seja loira de olhos azuis e ele de olhos puxados e cabelo bem preto. 86
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    Espiritismo e Genética Evolução Histórica ÉPOCA EVENTO 384 a 322 a. Aristóteles: O ser era portador de caracteres dos pais C. Séc. XVII William Harvey e Anton Leenwenhoch – descobrimento das células reprodutoras, a partir do poder de aumento de certos vidros lentes de aumento Séc. XIX Jean Baptiste Lamarck – teoria da evolução 1859 Charles Robert Darwin – “A Origem das Espécies” - teoria da evolução dos seres 1866 Gregor Mendel – Origem dos estudos da Genética em ervilhas 1915 Thomas Morgan – estudo dos genes da Drosófila (mosca da banana) 1948 Linus Pauling – Forma espiralada do DNA 1953 James Watson, Francis Crick e M. Wilkins – descrição da estrutura da molécula de DNA 1956 Jotlin Tijo e Albert Levan – demonstração de que o número de cromossomos humanos é de 46, isto é, 23 pares 1973 Stanley Conhen e Herbert Boyer – Alteração artificial do DNA 1977 Fred Sanger, Walter Gilbert e Allan Maxan – descoberta de método de seqüenciamento de DNA 1982 Descoberta do primeiro medicamento por manipulação genética – produção da insulina humana através de bactérias 1983 Kary Mullis descobriu a técnica para obtenção de cópias de um fragmento de DNA 1984 Alec Jeffreys – introdução na pesquisa de paternidade, identificação de criminosos pela análise de resíduos de sêmen ou fios de cabelo 1986 Descoberta da vacina contra a hepatite humana – primeiro imunizante geneticamente manipulado 1989 Criação do Centro Nacional para Pesquisa do Genoma Humano nos EUA 1990 Início oficial do Projeto Genoma Humano internacional, com a participação de pesquisadores europeus e americanos 1991 Localizado no cromossomo 17 um gen relacionado a câncer de mama e ovários 1993 Daniel Conhean e colaboradores – construção de um mapa genético dos 23 pares de cromossomos humanos 1995 Seqüenciamento genético da bactéria Haemophilus influenzae (primeiro a ser descoberto) 1997 Ian Wilmut – Primeiro clone de um mamífero adulto, a ovelha Dolly. A seguir a ovelha Polly 1998 Início do seqüenciamento do genoma da bactéria Xylella fastidiosa – o Brasil no clube das pesquisas genéticas 1998 Craig Venter – fundação da empresa “Celera Genomics”, projeto privado para decodificação do genoma humano 1999 Seqüenciamento completo de um cromossomo, o par 22, pelo Projeto Genoma. – Início, no Brasil, do Projeto Genoma do Câncer Janeiro/ Primeiro rascunho do genoma humano – mais de 90% - pela “Celera Genomics” 2000 Fevereiro/ Seqüenciamento da Xylella, por cientistas brasileiros 2000 Março/ 2000 Genoma da Drosóphila melanogaster Abril/ 2000 Conclusão de 99% do Genoma Humano pela empresa de Venter Junho/ 2000 Conclusão do seqüenciamento do cromossomo 21 (Celera e Projeto Genoma) 87
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    Espiritismo e Genética Janeiro/ O Projeto Genoma do Câncer – identificação de 1 milhão de fragmentos de genes 2001 humanos vinculados a doenças Algumas reflexões sobre o assunto Vamos agora propor algumas questões para nossas reflexões: • O progresso da Ciência e da Tecnologia, passo a passo, desde a descoberta da possibilidade do poder de aumento de certos vidros ao microscópio eletrônico e, hoje, no século 21, com a descoberta do genoma humano; • O que nos diz o Livro dos Espíritos, Questão 779 e seguintes, sobre o progresso: o progresso moral decorre do progresso intelectual; • Segundo Leon Denis (O Problema do Ser, do Destino e da Dor, Cap. XXIII): “Assim, vagarosamente, se opera o destino da Humanidade, tão nova ainda, tão ignorante de si mesma, mas cujos desejos se dirigem, pouco a pouco, para a compreensão de sua tarefa e de seu fim, ao mesmo tempo em que se alarga esse campo de exploração”...; • Que as descobertas sobre os mecanismos do genoma, a engenharia genética e a geneterapia estão nos conduzindo para esse caminho (superação das doenças)...; • Pesquisas e progresso: Quase todo progresso humano decorre da descoberta de como age a natureza, em suas várias manifestações, sendo a vida, em particular a mais sábia, sublime e profunda de todas... A perspectiva da mudança de nosso planeta, que é de provas e expiações, para planeta de regeneração, em que os sofrimentos serão cada vez menos físicos. Alvos para a Medicina A medicina será uma das maiores beneficiadas com a decodificação do genoma (conjunto de genes de um ser vivo) humano. Dos cerca de 30 mil ou 40 mil genes que o homem possui, 1.778 estão relacionados com doenças. Embora os avanços da Genética sejam recentes, a indústria farmacêutica já aprendeu que, quanto mais se sabe sobre o DNA humano, mais eficazes serão os remédios desenvolvidos. Hoje, os laboratórios fabricam medicamentos com base em 483 alvos biológicos. Os alvos são genes ou possíveis genes que atuam sobre o remédio, interferindo no seu mecanismo. A maior ou menor eficácia dos medicamentos depende deles. Um exemplo prático é o que acontece com pessoas que sofrem de trombose. Esses pacientes precisam tomar anticoagulantes para desmanchar os coágulos. A maior ou menor dose do medicamento é prescrita com base no ritmo do metabolismo do paciente. “Testes genéticos nos permitem avaliar o ritmo metabólico e dar a orientação mais adequada ao paciente”, explicou o geneticista Rodrigo Moura, da UFRJ. Quanto maior o metabolismo, maior a dose. Os inibidores de MAO, drogas que combatem a depressão, também atuam em alvo específico, o gene responsável pela síntese da monoamine oxidase, a enzima que gera a depressão. O gene foi herdado de bactérias, um dos 233 que o homem pegou emprestado desses seres primitivos. Espera-se que análises posteriores do genoma humano resultem na identificação de novos alvos. Três cromossomos são os mais promissores para fundamentar as pesquisas. O de número 1 tem genes associados à doença de Alzheimer. O de número 6, com 718 genes, está ligado ao desenvolvimento da diabetes, além da esquizofrenia. Já o cromossomo X, que em dose dupla 88
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    Espiritismo e Genética caracterizao sexo feminino, tem 200 genes associados a doenças, incluindo males que só afetam homens, como o câncer de testículo. Glossário • Transgênicos: também chamados de organismos geneticamente modificados (OGM), são seres vivos que tiveram sua composição genética alterada em laboratório. • Engenharia Genética: processo mediante o qual o gene de um ser vivo é inserido em outro organismo, além de outros procedimentos visando à construção de novas formas. • Meio Ambiente: para se manifestar, o gene precisa interagir com outros genes e com o meio ambiente. Por isso, a transferência de genes entre organismos pode resultar em manifestações imprevisíveis. Ainda não existem estudos conclusivos sobre o impacto dos produtos transgênicos sobre a saúde humana e sobre o meio ambiente. • Soja Roundup Ready: Fabricada pela multinacional Monsanto, a soja recebeu um gene que lhe confere resistência ao herbicida fabricado pela própria empresa. Para assegurar e resistência, entretanto, a dose de herbicida liberada na plantação tem que ser maior do que a usual. • Milho BT: Recebeu dois genes. Um leva à produção de toxinas que matam insetos; o outro confere resistência a antibióticos. Pessoas que consumam o milho podem se tornar resistentes aos antibióticos... • Ontogênese: Série de transformações sofridas pelo ser vivo desde a fecundação até o ser adulto. • Forma blástica ou forma embrionária. Reflexões Segundo a Doutrina Espírita Toda descoberta, aparentemente feita pelo homem, na verdade, é inspirada pelos Construtores Espirituais, que visam ao progresso, não só individual, mas de toda a Humanidade. Assim, a Espiritualidade que governa o Planeta permite aos Homens de Ciência certas descobertas, quando percebem que estes estão no momento evolutivo de fazer bom uso desses conhecimentos. Na verdade, “a Espiritualidade inspira e acompanha os progressos da Ciência e os pesquisadores não conseguem realizar o que não tem apoio nos laboratórios do Infinito”. Bibliografia: 1. GENÉTICA E ESPIRITISMO, de Eurípedes Kühl, 2a.Ed. FEB, pág. 102, 103, 109 e 148; 2. Jornal “O GLOBO”, de 25-02-1997; 89
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    Espiritismo e Genética 3. Revista “SUPER INTERESSANTE”, Março 1998, pág. 35 e 37; 4. Revista “VEJA”, de Março 1997, pág. 94; 5. BIOLOGIA - Curso Básico de Biologia – Amabis; 6. O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Q. 692, 692a, 136a, 136b, 336, 344 e 356b; 7. A GÊNESE, de Allan Kardec, Cap. I, item 55; 9. FOLHA ESPÍRITA, Abril 1997, de São Paulo, SP - ENTREVISTA de Sérgio Felipe de Oliveira, médico, da AME/SP e USP; 10. JORNAL DO BRASIL, página Ciência, de 22.12.2000; 11. JORNAL DO BRASIL, de 20.05.2000; 12. FOLHA CIÊNCIA, SP – de 21.08.2000 e de agosto de 2000; 13. FOLHA DE SÃO PAULO, de 04.08.2000; 14. NO MUNDO MAIOR – André Luiz/F.C.Xavier. 90
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    Espiritismo e Genética XVIII. SEXAGEM Conceitos • Sexagem determinação do sexo em embriões. • Incubadeiras artificiais local preparado artificialmente, em laboratório, para propiciar o desenvolvimento fetal. • Barrigas de aluguel mulheres oferecem o seu corpo (útero) para permitir o desenvolvimento fetal, nos casos em que a mãe não pode fazê-lo. • Bebê de proveta fecundação in vitro para posteriormente ser, o ovo, implantado no útero da própria mãe ou em mães de aluguel. Questionamentos preliminares 1. A sexagem artificial é contrária às Leis de Deus? 2. É correto uma mulher alugar o seu útero? 3. São meritórios os métodos artificiais para gerar um filho? 4. Quais as prováveis causas de dificuldade ou impossibilidade de gerar filhos (feminino e masculino)? 5. Correlacionar o auxílio artificial à reencarnação e os métodos anticoncepcionais. Conceitos doutrinários Para a discussão destes temas polêmicos, podemos nos basear nos seguintes textos doutrinários: LE 692 – Será contrário à Lei da Natureza o aperfeiçoamento das raças animais e vegetais pela Ciência? Seria mais conforme a essa lei deixar que as coisas seguissem seu curso normal? “Tudo se deve fazer para chegar à perfeição e o próprio homem é um instrumento de que Deus se serve para atingir seus fins. Sendo a perfeição a meta para que tende a Natureza, favorecer essa perfeição é corresponder às vistas de Deus”. LE 692-a – Mas, geralmente, os esforços que o homem emprega para conseguir a melhoria das raças nascem de um sentimento pessoal e não objetivam senão o acréscimo de seus gozos. Isto não lhe diminui o mérito? 91
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    Espiritismo e Genética “Que importa seja nulo o seu merecimento, desde que o progresso se realize? Cabe-lhe tornar meritório, pela intenção, o seu trabalho. Demais, mediante esse trabalho, ele exercita e desenvolve a inteligência e sob esse aspecto é que maior proveito tira”. LE 693 – São contrários à Lei da Natureza as leis e os costumes humanos que têm por fim ou por efeito criar obstáculos à reprodução? “Tudo o que embaraça a Natureza em sua marcha é contrário à Lei Geral”. LE 693-a – Comentário dos Espíritos: “... Deus concedeu ao homem, sobre todos os seres vivos, um poder de que ele deve usar, sem abusar. Pode, pois, regular a reprodução, de acordo com as necessidades. Não deve opor-se-lhe sem necessidade. A ação inteligente do homem é um contrapeso que Deus dispôs para restabelecer o equilíbrio entre as forças da Natureza...”. LE 459 – Influem os Espíritos em nossos pensamentos e atos? “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos dirigem”. LE 460 – “... No conjunto deles (pensamentos), estão sempre de mistura os vossos com os nossos...”. LE 462 – É sempre de dentro de si mesmo que os homens inteligentes e de gênio tiram suas idéias? “Algumas vezes, elas lhes vêm do seu próprio espírito, porém, de outras muitas, lhes são sugeridas por Espíritos que os julgam capazes de compreendê-las e dignos de vulgarizá-las. Quando tais homens não as acham em si mesmos, apelam para a inspiração. Fazem, assim, sem o suspeitarem, uma verdadeira evocação”. LE 780 – O progresso moral acompanha sempre o progresso intelectual? “Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente”. LE 797 – Como poderá o homem ser levado a reformar suas leis? “Isso ocorre naturalmente, pela força mesma das coisas e da influência das pessoas que o guiam na senda do progresso. Muitas já ele reformou e muitas outras reformará. Espera!”. LE 802 – Visto que o Espiritismo tem que marcar um progresso da humanidade, por que não apressam os Espíritos essa progresso, por meio de manifestações tão generalizadas e patentes, que a convicção penetre até nos mais incrédulos? “Desejaríeis milagres; mas Deus os espalha a mancheias diante dos vossos passos e, no entanto, ainda há homens que o negam. Conseguiu, porventura, o próprio Cristo convencer os seus contemporâneos, mediante os prodígios que operou? Não conheceis presentemente alguns que negam os fatos mais patentes, ocorridos às suas vistas? Não há os que dizem que não acreditam, mesmo que vissem? Não. Não é por meio de prodígios que Deus quer encaminhar os homens. Em sua bondade, Ele lhes deixa o mérito de se convencerem pela razão”. 92
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    Espiritismo e Genética Vemos, ainda, a resposta de F.C.Xavier, sob a direção de Emmanuel e outros Espíritos, num Programa de TV, à pergunta “Como a Doutrina Espírita vê a situação de bebês de proveta? – A Espiritualidade inspira e acompanha os progressos da Ciência e os pesquisadores não conseguem realizar o que não tem apoio nos laboratórios do Infinito”. Sexagem A escolha do sexo do futuro filho é hoje uma possibilidade da Genética, ofertada aos pais. Cumpre-lhes, não obstante, respeitar os desígnios divinos, considerando que, desde o primeiro homem na face da Terra, tal decisão é divina. Contudo, Deus pode delegar ao homem esse poder, desde que se processe em clima de profunda reflexão e prece, para que a intuição flua do Plano Maior. No Brasil, a legislação não permite a sexagem artificial, exceto para prevenir doenças genéticas relacionadas ao sexo. Métodos de sexagem conhecidos 1. Natural – O cromossomo Y é mais rápido e menos resistente que o X. Se houver relação sexual mais distante do dia da ovulação, a chance de ter uma menina é maior (só vale na teoria). 2. Microsoft – Consiste em separar os espermatozóides que levam o cromossomo X (sexo feminino) dos que possuem o cromossomo Y (masculino). Eles são marcados com corante fluorescente, que revela sua carga genética no microscópio. O médico escolhe o sexo e faz a fertilização in vitro. O método é eficaz com o sexo feminino (92%), porque a máquina tem sensibilidade maior para espermatozóides X. Custo médio: US$ 7.000. 3. Biópsia – A seleção de embriões tem eficácia em 100%. Consiste em retirar uma ou duas células do embrião e marcar o par do cromossomo sexual (XX ou XY). Há grande risco de aborto: por falha técnica, inviabilizando o embrião; ou pelo fato de a biópsia reduzir a capacidade do embrião de se fixar no endométrio. 4. Centrifugação – Os espermatozóides são colocados em meio de cultura e, depois, centrifugados e filtrados. Os X são mais pesados, ficando em baixo e os Y, mais leves, em cima. Eficácia: cerca de 85%. Custo: cerca de R$ 7.000,00. Observações: • Não esquecer que a decisão é sempre do Plano Espiritual em direção ao plano material. • Outra questão: o que move o casal na escolha do sexo? Barrigas de aluguel Fundamental, às chamadas “mães de aluguel”, é considerar que entre mãe e filho, na gestação, há simbiose fluídica, interligando os dois espíritos envolvidos no processo. Que as mulheres dispostas a essa atividade reflitam bem nesses ensinamentos, entendendo que a maternidade, dentro de uma união de amor ou de fraternidade, é sublime, enquanto que o aluguel do útero não passa de um contrato comercial, de início equivocado, pois não há “lei do inquilinato” na Natureza. 93
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    Espiritismo e Genética • Pela lei, a verdadeira mãe é a genética. • Para se evitar futuros problemas, deve haver um contrato legal entre ambas as partes. Bebê de Proveta A fertilização é feita in vitro. O seu êxito indica o cumprimento do resgate e que prosperou o ensinamento de valorização da maternidade. Incubadeiras artificiais Suprimiriam a interpenetração fluídica entre a gestante e o feto, estando presentes tão somente os dispositivos físicos. Bibliografia: 1. O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB, questões citadas; 2. Genética e Espiritismo, de Eurípedes Kühl, Ed. FEB; 3. Jornal “O Globo”, Jornal da Família, de 15.08.99; 4. Revista Espírita – Allan Kardec, nº 35, Editora Paulo de Tarso, Goiânia/GO. 94
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    Espiritismo e Genética XIX. O HOMEM DO FUTURO Há quanto tempo o homem caminha para Deus? E quando falamos em futuro, que futuro é esse? É daqui a quanto tempo? E então nos lembramos do que ouvimos de um filósofo: “O tempo não passa. Nós é que passamos pelo tempo”. Se voltarmos no tempo, falamos em milhões de anos para o homem primitivo mudar sua postura física na atual. Além da postura física, ocorreram alterações orgânicas, principalmente no cérebro e na capacidade craniana. Em “A Caminho da Luz”, de Emmanuel, vemos que a busca da perfeição não começou aí, a partir do homem primitivo, e, sim, bem antes, com os primórdios dos seres vivos. E aí já remontamos a bilhões de anos. É importante que nos lembremos do homem como ser integral, completo, de corpo, espírito e perispírito. Então, não podemos separar o estudo da evolução biológica do estudo da evolução do princípio inteligente. Estudos científicos nos mostram rudimentos de inteligência até em bactérias! E o estudo do genoma nos mostra a semelhança entre diversos grupos de animais, reforçando a idéia evolucionista. Então, fazendo uma comparação do tempo que gastamos desde a mônada, citada por André Luiz, em “Evolução em Dois Mundos”, até o homem atual, poderemos ter uma pálida idéia do tempo que gastaremos para sermos o homem espiritualizado. Num desenho de ficção, vimos o corpo físico do homem do futuro, cada vez mais alto, mais magro e com a cabeça muito grande. A Ciência nos prepara o campo para a ausência de doenças físicas, ao longo deste milênio, o terceiro, o da Regeneração. Mas, e nós, como Espíritos, como estaremos? É em Léon Denis, no livro “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, que encontramos respostas a essa pergunta: “A evolução material, a destruição dos organismos é temporária. As realidades imperecíveis estão no Espírito. Todos esses invólucros (corpos físicos) não são mais que vestuários que vêm ajustar-se à sua forma fluídica (perispírito) permanente... para representar os diversos atos do drama da evolução, no vasto palco do Universo”. “Emergir, grau a grau, do abismo da vida para tornar-se Espírito (evolução do princípio inteligente desde a mônada ao homem), libertar-se das sugestões do egoísmo, da preguiça, do desânimo, resgatar-se pouco a pouco das suas fraquezas, arrastando todo o meio humano para um estado superior – eis o papel atribuído a cada alma. Para isso, tem a alma à sua disposição a série de existências na escala dos mundos. Somos feitos de sombra e luz. Somos a carne com todas as suas fraquezas e o Espírito com suas riquezas latentes”. Temos em nós os instintos animais e a crisálida do anjo, o ser radioso e puro, que podemos vir a ser pela impulsão moral, pelas aspirações do coração. Quanto tempo para conseguirmos esse patamar? Depende, como acabamos de ler, de nós, exclusivamente de nós! Então, por um raciocínio lógico, quanto ao Futuro do Planeta e ao nosso próprio, concordamos com o que temos em “Genética e Espiritismo”, de Eurípedes Kühl: “Prevenindo-se doenças, mais fácil será tratá-las. Menos doenças, menos dor. Menos dor, mais evolução espiritual. Mais evolução espiritual, mais amor entre os homens e os demais seres vivos. Mais amor, mais próximos de Deus!”. Texto Doutrinário: Sinais dos Tempos 95
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    Espiritismo e Genética São chegados os tempos, dizem-nos de todas as partes, marcados por Deus, em que grandes acontecimentos se vão dar para a regeneração da Humanidade. (...) Tais palavras não anunciam a perturbação das Leis da Natureza, mas o cumprimento dessas leis. Tudo na criação é harmonia; tudo revela uma previdência que não se desmente, nem nas menores, nem nas maiores coisas. Temos, pois, que afastar, desde logo, toda idéia de capricho, por inconciliável com a sabedoria divina. Em segundo lugar, se a nossa época está designada para a realização de certas coisas, é que estas têm uma razão de ser na marcha do conjunto. Isto posto, diremos que o nosso globo, como tudo o que existe, está submetido à lei do progresso. Ele progride fisicamente, pela transformação dos elementos que o compõem e, moralmente, pela depuração dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam. Ambos esses progressos se realizam paralelamente, porquanto o melhoramento da habitação guarda relação com o do habitante. Fisicamente, o globo terráqueo há experimentado transformações que a Ciência tem comprovado e que o tornaram sucessivamente habitável por seres cada vez mais aperfeiçoados. Moralmente, a Humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes. Ao mesmo tempo em que o melhoramento do globo se opera sob a ação das forças materiais, os homens para isso concorrem pelos esforços de sua inteligência. Saneiam as regiões insalubres, tornam mais fáceis as comunicações e mais produtiva a terra. De duas maneiras se executa esse duplo progresso: uma, lenta, gradual e insensível; a outra, caracterizada por mudanças bruscas, a cada uma das quais corresponde um movimento ascensional mais rápido, que assinala, mediante impressões bem acentuadas, os períodos progressivos da Humanidade. Esses movimentos, subordinados, quanto às particularidades, ao livre-arbítrio dos homens, são, de certo modo, fatais em seu conjunto, porque estão sujeitos a leis, como os que se verificam na germinação, no crescimento e na maturidade das plantas. Por isso é que o movimento progressivo se efetua, às vezes, de modo parcial, isto é, limitado a uma raça ou a uma nação; de outras vezes, de modo geral. O progresso da humanidade se cumpre, pois, em virtude de uma lei. Ora, como todas as leis da Natureza são obra eterna da sabedoria e da presciência divinas, tudo o que é efeito dessas leis resulta da vontade de Deus, não de uma vontade acidental e caprichosa, mas de uma vontade imutável. Quando, por conseguinte, a Humanidade está madura para subir um degrau, pode dizer-se que são chegados os tempos marcados por Deus, como se pode dizer também que, em tal estação, eles chegam para a maturação dos frutos e sua colheita. A Humanidade tem realizado, até o presente, incontestáveis progressos. Os homens, com a sua inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar material. Resta-lhes ainda um imenso progresso a realizar: o de fazerem que entre si reinem a caridade, a fraternidade, a solidariedade, que lhes assegurem o bem-estar moral. Não poderiam consegui-lo nem com as suas crenças, nem com as suas instituições antiquadas, restos de outra idade, boas para certa época, suficientes para um estado transitório, mas que, havendo dado tudo o que comportavam, seriam hoje um entrave. Já não é somente de desenvolver a inteligência o de que os homens necessitam, mas de elevar o sentimento e, para isso, faz-se preciso destruir tudo o que superexcite neles o egoísmo e o orgulho. Tal o período em que doravante vão entrar e que marcará uma das fases principais da vida da Humanidade. Essa fase, que neste momento se elabora, é o complemento indispensável do estado precedente, como a idade viril o é da juventude. Ela podia, pois, ser prevista e predita de antemão e é por isso que se diz que são chegados os tempos determinados por Deus. Mas, uma mudança tão radical como a que se está elaborando não pode realizar-se sem comoções, Há, inevitavelmente, luta de idéias. Desse conflito forçosamente se originarão passageiras perturbações, até que o terreno se acha aplanado e restabelecido o equilíbrio. É, pois, da luta das idéias que surgirão os graves acontecimentos preditos e não de cataclismos ou catástrofes puramente materiais. Os cataclismos gerais foram conseqüência do estado de formação da Terra. Hoje, não são mais as entranhas do planeta que se agitam: são as da Humanidade. 96
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    Espiritismo e Genética A fraternidade será a pedra angular da nova ordem social; mas, não há fraternidade real, sólida, efetiva, senão assente em base inabalável e essa base é a fé, não a fé em tais ou tais dogmas particulares, que mudam com os tempos e os povos e que mutuamente se apedrejam, porquanto, anatematizando-se uns aos outros, alimentam o antagonismo, mas a fé nos princípios fundamentais que toda a gente pode aceitar e aceitará: Deus, a alma, o futuro, o progresso individual indefinido, a perpetuidade das relações entre os seres. Quando todos os homens estiverem convencidos de que Deus é o mesmo para todos; de que esse Deus, soberanamente justo e bom, nada de injusto pode querer; Que não dele, porém dos homens vem o mal, todos se considerarão filhos do mesmo Pai e se estenderão as mãos uns aos outros. Essa a fé que o Espiritismo faculta e que doravante será o eixo em torno do qual girará o gênero humano, quaisquer que sejam os cultos e as crenças particulares. O progresso intelectual realizado até ao presente, nas mais largas proporções, constitui um grande passo e marca uma primeira fase do avanço geral da Humanidade; impotente, porém, ele é para regenerá-la. Enquanto o orgulho e o egoísmo o dominarem, o homem se servirá da sua inteligência e dos seus conhecimentos para satisfazer às suas paixões e aos seus interesses pessoais, razão por que os aplica em aperfeiçoar os meios de prejudicar os seus semelhantes e de os destruir. Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra, refreando as paixões más; somente esse progresso pode fazer que entre os homens reinem a concórdia, a paz, a fraternidade. Será ele que deitará por terra as barreiras que separam os povos, que fará caiam os preconceitos de casta e se calem os antagonismos de seitas, ensinando os homens a se considerarem irmãos que têm por dever auxiliarem-se mutuamente e não destinados a viver à custa uns dos outros. Será ainda o progresso moral que, secundado então pelo da inteligência, confundirá os homens numa mesma crença fundada nas verdades eternas, não sujeitas a controvérsias e, em conseqüência, aceitáveis por todos. A unidade de crença será o laço mais forte, o fundamento mais sólido da fraternidade universal, obstada, desde todos os tempos pelos antagonismos religiosos que dividem os povos e as famílias, que fazem sejam uns, os dissidentes, vistos, pelos outros, como inimigos a serem evitados, combatidos, exterminados, em vez de irmãos a serem amados. Bibliografia: 1. O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR, de Léon Denis, Edição FEB, 18a edição, Cap. IX - Evolução e Finalidade das Almas. 2. ESPIRITISMO E GENÉTICA, de Eurípedes Kühl, Edição FEB, 1a edição, Cap. O Futuro do Planeta Terra. 3. A GÊNESE, de Allan Kardec, Edição FEB, 35a edição, 10/1992, Cap. XVIII itens 1-2-5-7-17-18- 19. 97
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    Espiritismo e Genética XX. A BIOÉTICA O Progresso Científico Quando o casal Curie e outros pioneiros dos estudos da radiatividade iniciaram as suas pesquisas, certamente, não faziam idéia de que esses seus estudos pudessem ser, um dia, utilizados para a promoção do morticínio em massa. Nem mesmo cogitavam pudesse ser posta em risco a segurança do planeta. A bomba atômica, a de hidrogênio e similares foram uma utilização indevida do conhecimento por mentes egoístas e de duvidosa moral. Hiroshima e Nagasaki são atitudes tão desprezíveis quanto toda a manobra bélica sanguinária de Adolf Hitler. Os Espíritos Reveladores nos ensinaram que Deus nos dotou de inteligência para que a usemos para o nosso progresso, nos aproximando de Sua infinita perfeição! O homem, em sua escalada evolutiva integral, vai desvendando as leis naturais: físicas e espirituais. O conhecimento é indispensável para o progresso anímico e não é, de per si, nem bom nem mau. A sua aplicação, pelo homem, é que determinará o modo de repercussão sobre o meio em que se faz, tornando-o, por isso, benéfico ou maléfico. A partir de 1953, com a descoberta da molécula de DNA, por Watson e Crick, iniciou-se um vertiginoso crescimento nas trilhas do saber biológico, culminando com o desenvolvimento da Biotecnologia. A Engenharia Genética A Engenharia Genética veio tornar realidade um sem-número de condutas que ainda estão impregnadas, na concepção popular, pelo aroma da ficção, tal a rapidez com que foram implantando como possibilidades técnicas: • Reprodução assistida com todas as suas possibilidades; • Preservação de sêmen para uso futuro, inclusive após a desencarnação do doador; • Clonagem, já se encaminhando para a sua viabilização; • Transplantes de órgãos; • Determinação do sexo do bebê; • Diagnóstico e tratamento de patologias no intercurso da vida intra-uterina; • Manutenção prolongada da vida através de aparelhagem de apoio, etc. O Problema Moral A Ciência já está dotada do poder de interferir junto à Natureza na consecução de suas leis, mudando-lhe certos aspectos e influenciando decididamente nos resultados finais. Alguns chegam a pensar mesmo que é como se o homem viesse a substituir Deus em sua obra criadora. Mas, ao lado dessas descobertas, foram-se acumulando inquietações de ordem moral e ética: Até aonde se poderia caminhar nessas manipulações das leis naturais? Quais seriam os seus limites? Quais as suas repercussões mais profundas? 98
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    Espiritismo e Genética Quem estaria suficientemente dotado da vera capacidade para se investir do poder decisório? A que nível se deve dar a participação do paciente na tomada de condutas relacionadas à sua própria vida? Foi exatamente em decorrência dessas dúvidas e inquietações que surgiu um novo campo de estudo: a Bioética, que objetiva a orientar os profissionais e a sociedade como um todo quanto aos rumos, aplicações e limites relacionados à problemática aventada. Definições: Moral – Ética – Bioética “Moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus” (LE, Q. 629). Moral pode também ser definida como: “Conjunto de regras de conduta consideradas como válidas de modo absoluto para qualquer tempo”. (Dic. Fil. Esp. de Palhano Júnior). “Moral Espírita é a mesma do Cristo, explicada sem laivos de imperfeição humana: “Façais aos outros o que quereis que vos façam. É a regra universal de conduta para as menores e as maiores ações. A moral espírita é a verdadeira moral cristã”. (Idem). Outra definição de Moral: “É parte da Filosofia que trata dos costumes e dos deveres do homem”. (Dic. Esc. Língua Portuguesa do MEC). “Ética é parte da Filosofia que estuda os deveres do homem para com Deus e a sociedade”. (Idem). A palavra “Bioética” foi criada pelo oncologista Van Rensselaer Potter, nos Estados Unidos, em 1971, quando do lançamento de seu livro “Bioética: Ponte para o Futuro”. Etimologicamente, o vocábulo “bioética” significa a “ética da vida”. Isto, porém, não nos deve levar a pensar implique em pura e simples censura moral à técnica ou se destine a cercear os passos da pesquisa científica nessa área, senão a buscar a sua aplicação favorável à Humanidade, traduzida pelos resultados positivos no que tange ao bem-estar do homem. Para tanto, a Bioética congrega e arrebanha o pensamento de todas as disciplinas correlatas, bem como o das próprias individualidades. Desta forma, podem e devem dar a sua contribuição a essa área: médicos, biólogos, outros profissionais de saúde, sociólogos, filósofos, teólogos e a sociedade em geral. A Bioética é assim o estudo multidisciplinar e interdisciplinar dos problemas criados pelo progresso técnico e científico, sua repercussão na sociedade e o seu sistema de valores. Ou ainda: o conjunto de posturas éticas relacionadas à pesquisa e ao conhecimento biomédico, das relações dos profissionais desta área com as decisões que impliquem algum poder em modificar as condições de vida e a naturalidade dos processos biológicos, biomédicos e bioecológicos, visando à proteção e valorização da vida. Portanto: a Bioética busca o consenso e, por isso mesmo, apóia-se na razão e no bom senso. Classificação Giovanni Berlinguer, renomado bioeticista italiano, distingue dois campos de ação para a Bioética: 1. Bioética cotidiana – é a que trata dos problemas crônicos, mas ainda sem solução, tais como: a fome, a discriminação social ou sexual, a violência, a eutanásia, o aborto etc. 99
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    Espiritismo e Genética 2.Bioética de fronteira – a que resulta direta e imediatamente do progresso tecnológico, origem de discussões sobre as posturas éticas a adotar na sua aplicação prática. Neste caso, citamos como exemplo: a reprodução assistida, a clonagem humana, a manipulação dos genes etc. Princípios Básicos da Bioética 1. Beneficência – originada do latim bonum facere, ou seja, fazer o bem. É preciso pôr-se a serviço da Humanidade, fomentando as relações fraternas e buscando a solidariedade. O conhecimento, a despeito de haver sido descortinado por um grupo particular ou alguém, não lhe pertence, mas a todos os que aqui na Terra habitamos, vivemos e compartilhamos experiências. 2. Autonomia – toda a sociedade deve tomar conhecimento das implicações e participar das decisões sobre as mais diversificadas condutas a serem adotadas na aplicação das descobertas e na solução dos problemas que a afligem endemicamente. 3. Justiça – Há que se estabelecer uma distribuição igualitária aos benefícios básicos em termos de saúde e oportunidades nos mais diversos campos que se abrem com o progresso da Ciência e o desenvolvimento da Tecnologia, assim como também na solução dos múltiplos impasses sociais, isto é, torná-los acessíveis à toda a população. Importa ainda ressaltar a direção dos nossos passos no sentido da preservação da vida, dignificando o viver humano e compreendendo a vida como um bem inalienável e de inestimável valor para todos nós. A isto se pode designar como a sacralidade da vida. Como se vê, existem grandes desafios no que concerne à atuação da Bioética, mas é da sua própria estrutura a abertura para a participação de todos os setores interessados na preservação da postura ética modernizada, levando sempre em consideração o bem-estar de todos. Muitas são as dificuldades para o estabelecimento de uma posição consensual, pois é natural que os cientistas, os filósofos, os teólogos e religiosos de um modo geral tenham freqüentemente pensamentos contraditórios. Isto, no entanto, não invalida se busque a unidade de pensamentos, preservando a dignidade da vida e, na dúvida, ponderando os pensamentos mais extremistas que possam caracterizar a esse ou àquele grupo. Visão Doutrinária A determinação de quando se inicia e termina a vida, infelizmente, ainda causa certa polêmica e discussão. A Doutrina Espírita, com a sua meridiana racionalidade e o seu desiderato de unir ciência e religião, bem como em decorrência da sua pesquisa da alma humana, decerto que poderá atuar favoravelmente na elucidação dos problemas bioéticos em discussão, servindo, inclusive, de elo intermediário entre as posições teológicas tradicionais e científicas mais dogmáticas, contribuindo para o crescimento da Bioética, até porque há como que uma semelhança de intenções: pensar a vida, respeitá-la e preservá-la, aplicando o conhecimento científico para o engrandecimento do ser (do Espírito). O Ensinamento Espírita expressa pontos em perfeita correlação com os já citados princípios básicos da Bioética, pois é bastante atentarmos: beneficência/caridade, autonomia/livre-arbítrio e justiça, baseada na Lei de Ação e Reação. O Espiritismo poderá - com a pesquisa que realiza e que suscita a outros segmentos científicos, como a Parapsicologia, por exemplo, e com a aplicação de uma postura lúcida, racional, onde se emprega invariavelmente o bom senso - contribuir com as informações acerca do Espírito e da vida espiritual, sem fanatismo ou intolerância. 100
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    Espiritismo e Genética O nosso “Evangelho Segundo o Espiritismo”, nos dá orientação de como agir, aplicável, também no caso em estudo: “Para julgarmos de qualquer coisa, precisamos ver-lhe as conseqüências. Assim, para bem apreciarmos o que, em realidade, é ditoso ou inditoso para o homem, precisamos transportar-nos para além desta vida, porque é lá que as conseqüências se fazem sentir. Ora, tudo o que se chama infelicidade, segundo as acanhadas vistas humanas, cessa com a vida corporal e encontra a sua compensação na vida futura”. (ESE, cap. V, no. 25). O alcance da engenharia genética é visto com naturalidade pelo Espiritismo. No caso da fecundação assistida, por exemplo, respondendo à pergunta se tais Espíritos vêm à luz mediante preparação espiritual, Emmanuel esclarece; “(...) Sim, quando a Ciência na Terra, iluminada pela bênção da fé na imortalidade, puder intervir no auxílio, realmente digno, junto ao trabalho da Genética no campo humano, sem nenhuma disposição para extravagâncias e abusos através de experimentações absolutamente desaconselháveis”. Se a própria reencarnação através da fecundação assistida obedece aos planos do Mais Alto, como duvidar que os demais progressos da engenharia genética também estão chegando ao planeta Terra sob supervisão do Bem? Bibliografia: 1. Artigo “Bioética, uma Contribuição Espírita” - Revista Int. de Espiritismo, no 8, de Setembro de 2001; 2. GENÉTICA E ESPIRITISMO, de Eurípedes Kühl, Edição FEB. 2a edição, pág. 55/57; 3. O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, item citado; 4. O EVANGELHO SEG. O ESPIRITISMO, de Allan Kardec, cap. V, item 25; 5. DICIONÁRIO DE FILOSOFIA ESÍRITA, de L. Palhano Júnior; 6. DICIONÁRIO ESCOLAR DA LÍNGUA PORTUGUESA, do MEC. 101