Fundada em 21 de janeiro de 1883
Fundador: Augusto Elias da Silva
Revista de Espiritismo Cristão
Ano 124 / Abril, 2006 / No
2.125
ISSN 1413-1749
Propriedade e orientação da
FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA
Diretor: NESTOR JOÃO MASOTTI
Diretor-Substituto e Editor: ALTIVO FERREIRA
Redatores: AFFONSO BORGES GALLEGO SOARES, ANTONIO
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Projeto gráfico da revista: JULIO MOREIRA
Capa: LUIS HU RIVAS
Editorial
Compromisso com o Consolador
Presença de Chico Xavier
Doutrina Espírita – Emmanuel
Entrevista: Rúbia da Costa Guimarães
50 anos de dedicação ao livro espírita
Esflorando o Evangelho
Educa – Emmanuel
A FEB e o Esperanto
Comovente depoimento, da Hungria, sobre
Memórias de um Suicida – Affonso Soares
Páginas da Revue Spirite
A Escola Espírita Americana – Allan Kardec
Seara Espírita
O desenvolvimento progressivo – Juvanir Borges de Souza
O Dia D – Richard Simonetti
O poder da fé para resistir ao estresse –
Aylton Paiva
Homenagem aos 50 anos de Rúbia na FEB
Allan Kardec, discípulo fiel de Jesus –
Adilton Pugliese
Prática Espírita
Mandamento aos Dirigentes Espíritas –
Waldehir Bezerra de Almeida
Retorno à Pátria Espiritual –
Altivo Carissimi Pamphiro
Espiritismo: as causas de sua rápida propagação
– Washington Luiz Fernandes
Fato histórico sobre divulgação da Doutrina –
Oceano Vieira de Melo
O Exorcismo na visão espírita – Carlos Abranches
Em dia com o Espiritismo – Intuição –
Marta Antunes Moura
Comemorações do Sesquicentenário do Espiritismo
Desafios na Casa Espírita – Mário H. de Luna
Retificando...
A hora é avançada – P.-G. Leymarie
A FEB na Bienal do Livro de São Paulo
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SumárioExpediente
PARA O BRASIL
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4 Reformador • Abril 2006112222
Editorial
nalisando o texto do Evangelho de João, onde Jesus promete outro
Consolador para a Humanidade (cap. 14, vv. 15 a 17 e 26), Allan Kardec
fez os seguintes comentários em O Evangelho segundo o Espiritismo (cap.
VI, item 4):
“Jesus promete outro Consolador: o Espírito de Verdade, que o mundo ainda
não conhece, por não estar maduro para o compreender, consolador que o Pai
enviará para ensinar todas as coisas e para relembrar o que o Cristo há dito. Se, por-
tanto, o Espírito de Verdade tinha de vir mais tarde ensinar todas as coisas, é que o
Cristo não dissera tudo; se ele vem relembrar o que o Cristo disse, é que o que este
disse foi esquecido ou mal compreendido.”
“O Espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside ao
seu advento o Espírito de Verdade. Ele chama os homens à observância da lei; ensi-
na todas as coisas fazendo compreender o que Jesus só disse por parábolas.”
“O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras, nem
alegorias; levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem,
finalmente, trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que
sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores.”
“Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhe-
cimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por
que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela
fé e pela esperança.”
As observações de Allan Kardec evidenciam o compromisso do Espiritismo para
com a Humanidade, na condição de Consolador Prometido, no sentido de “ensinar
todas as coisas e recordar tudo o que Jesus nos disse”. Tornam evidente, também, o
compromisso que os espíritas têm para com o Espiritismo, de trabalhar intensa-
mente com o objetivo de colocá-lo ao alcance e a serviço de todos os homens, pro-
movendo e realizando o seu estudo, a sua divulgação e a sua prática, que estarão
sempre calcados na plena vivência da caridade cristã.
A
Compromisso
com o Consolador
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5Abril 2006 • Reformador 112233
odos os povos, em todas as
épocas, têm recebido o ba-
fejo da bondade e da assis-
tência da Divina Providência.
Quando dizemos, com Kardec,
que o Espiritismo é de todos os
tempos, queremos significar que
apenas a Doutrina Espírita codifi-
cada é recente, com cerca de um
século e meio, pois, na realidade, o
intercâmbio entre o mundo espiri-
tual e o mundo dos encarnados ja-
mais deixou de existir.
Sendo o homem essencialmente
um ser espiritual, é lógico que sua
parte mais importante nunca se
tenha desligado da fonte de onde
promana. E como partícula da
Criação Divina, a alma humana,
nunca deixou de se voltar, de algu-
ma forma, mesmo quando encar-
nada, para o Grande Foco criador.
Esse fato pode ser constatado
não só nos períodos históricos.
Mesmo na pré-história, pode-
mos afirmar, baseados nos pesqui-
sadores, que a idéia de Deus, ou se-
ja o sentimento religioso, nasceu
com o primitivo homem.
De tal sorte a idéia religiosa está
arraigada no ser humano que po-
demos dizer que já era religioso o
homem primitivo das cavernas.
A idéia religiosa não se desliga do
homem em sua marcha ascensional.
Note-se que, quando falamos de
idéia religiosa, nem sempre nos re-
ferimos à verdadeira religião –
àquela que expressa fielmente a ver-
dade e a realidade – eis que o ho-
mem, levado por sua ignorância, às
vezes pelas intuições inferiores,nem
sempre abraçou o melhor, o verda-
deiro; pelo contrário, muitas vezes
se transviou nos desvãos da igno-
rância, da superstição e do erro.
Entretanto, nem por isso aban-
donou a indagação da natureza de
seu próprio ser e do seu destino.
Não há criatura, por mais atrasada
que seja, que não se tenha interes-
sado pelos problemas de sua pro-
cedência e de sua destinação. É a
eterna indagação: Quem sou? Don-
de venho? Para onde vou? Formu-
lada bilhões de vezes, por formas
diferentes, de conformidade com o
entendimento de cada criatura, no
entanto é, na essência, sempre a
mesma inquirição.
Daí não acreditarmos naqueles
materialistas puros, nos epicuris-
tas, nos niilistas de todos os tem-
pos e muito especialmente nos da
nossa época.
Não que neguemos que em
muitos deles exista sinceridade, ao
expressarem suas crenças, descren-
ças ou pseudoverdades.
Mas porque todo homem,seja ele
espiritualista ou não, guarda no in-
O desenvolvimento
progressivo
T
JUVANIR BORGES DE SOUZA
reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 5
terior do ser, no íntimo de sua sub-
consciência, aquela idéia, aquela pe-
quena chama que o religa ao Cria-
dor.Assim, por mais que se transvie,
por mais que negue o Grande Pai,
essa chama íntima jamais se apaga e,
mais cedo ou mais tarde, no desen-
rolar da própria vida do Espírito,
após uma, duas ou muitas experiên-
cias reencarnatórias, a criatura se
volta para a realidade.
Não nos preocupemos, pois, em
demasia com o grande problema,
do niilismo, do materialismo mul-
tifário de nossos tempos. Ele é o
produto natural de um mundo in-
ferior que há de se transformar,
porque sabemos que a bondade in-
finita de Deus permite que haja li-
berdade dos seres, dentro do livre-
-arbítrio com que os dotou, até
mesmo para negar o próprio Pai.
Mas, dia virá em que todas essas
criaturas verificarão seu grande er-
ro, seu grande crime contra o
Criador, e se arrependerão e reini-
ciarão a ingente tarefa de refazi-
mento íntimo.
Essa pequena digressão mostra-
-nos o grande papel da Verdade
sob a forma espírita no combate ao
grande erro que é o materialismo.
Notemos que a Codificação Es-
pírita apareceu no mesmo século e
no mesmo cenário em que se for-
mularam e se propagaram várias
doutrinas materialistas. Não pode-
mos a isso chamar de coincidên-
cia, ou acaso, pois sabemos que tal
não existe.
Temos aprendido, com a Dou-
trina Espírita, que a Mensagem do
Cristo de Deus contém ensinos de
múltiplas naturezas.
Alguns serviram de imediato
àquelas criaturas simples de cora-
ção, que o ouviram falar de histó-
rias baseadas na própria vida diá-
ria a que estavam acostumadas.
Ouviram e guardaram as palavras,
procurando seguir as lições que
elas encerram.
Outros ensinos, entretanto, fica-
ram velados sob as parábolas e se
destinavam aos que as pudessem
apreender no futuro, que os séculos
trariam no seu fluir incessante.
Graças à Revelação Espírita, po-
demos hoje compreender muitas
das palavras de sabedoria do Rabi,
porque os Espíritos do Senhor des-
cerraram o véu que cobria o senti-
do mais profundo da mensagem
de Amor deixada aos homens.
Por que assim aconteceu? Por
que não usou Jesus o ensino direto
e despido do véu da letra?
Muitos de nossos irmãos, ainda
hoje, não compreendem a necessi-
dade do ensino progressivo. De
posse de muitas facetas da Verdade,
graças à Revelação Progressiva, es-
quecem-se de que outros irmãos,
vivendo nesta mesma época, não
conseguem apreender essa mesma
Revelação, apesar de já ter sido dei-
xada pelo Cristo há vinte séculos.
Lembremo-nos, de outro lado,
que Jesus, em sua passagem mis-
sionária, usou de linguagem diver-
sa, conforme se dirigia ao povo, in-
discriminadamente, ou ao seu Co-
légio Apostólico em especial.
É fato sabido que, mesmo entre
os discípulos, espíritos já qualifica-
dos para coadjuvar-lhe a missão,
havia dificuldade em apreender-lhe
os ensinos. Os Evangelhos testemu-
nham abundantemente as muitas
indagações dos discípulos a respei-
to das lições que o Mestre lhes ia
ministrando.
Não há dúvida de que os Evan-
gelhos, repositórios dessas lições e
exemplos, que serviram de base à
difusão do Cristianismo e à sua
implantação em grande parte de
nosso mundo, têm sido entendi-
dos principalmente em seu sentido
literal, sem a preocupação de apro-
fundar-lhes os aspectos ocultos e o
sentido transcendental.
Até o advento da Revelação dos
Espíritos e diante das próprias ne-
cessidades da humanidade cristã,
tornou-se aceitável e suficiente,pro-
visoriamente,a interpretação literal,
tendo em vista, o grau evolutivo das
gerações, até que as condições de
progresso espiritual dos homens re-
clamassem novas perspectivas.
O Espiritismo, considerado a
terceira etapa da Revelação Divina,
com suas raízes mais profundas
firmadas no Cristianismo, não
deixa de se apresentar como dou-
trina essencialmente evolutiva. Diz-
-se, com muita procedência, que o
Espiritismo não termina com Kar-
dec, antes, começa com ele.
A Codificação é a base sólida,
firme, incontestável.
Mas, assim como o Cristo não
disse tudo, nem convinha que o fi-
zesse, também o Consolador, por
Ele prometido e que aí está, assen-
tou os fundamentos, as grandes li-
nhas mestras do majestoso edifício
das Verdades Novas; os detalhes
viriam depois do mestre lionês.
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Continuam chegando. Virão ainda
no futuro, próximo ou remoto.
Cristianismo, em espírito e ver-
dade, e Espiritismo, têm como ca-
racterística comum, dentre as inú-
meras afinidades que os aproxi-
mam, o caráter evolucionista, em
seu sentido de desenvolvimento
gradual e progressivo.
Mesmo nós, espíritas, ainda
não nos apercebemos de todos os
ensinos de Jesus, eis que algumas
de suas palavras permanecem sob
um véu proposital. A verdade não
se acha totalmente desenvolvida,
em certas passagens evangélicas.
Alguns acontecimentos futuros
permanecem envoltos em dúvi-
das, até que a Espiritualidade, a
serviço do Governador do Plane-
ta, diante de novas conquistas da
Humanidade no terreno da Fé e
do Amor, julgue poder descerrar
completamente a cortina, para
que jorre toda a luz.
Como disse o Batista, o precur-
sor, precisamos “endireitar nossos
caminhos” isto é, os homens de
boa vontade precisam regenerar as
estradas do mundo.
Para que alguém sinta a influên-
cia retificadora do Cristo necessita
corrigir a própria estrada que tem
percorrido, modificando, no senti-
do do bem, os impulsos oriundos de
hábitos de um passado delituoso,
desfazendo assim as sombras que o
rodeiam.
Precisamos todos afeiçoar a
exortação do Batista às nossas pró-
prias necessidades.
A evolução da Terra, no sentido
do adiantamento científico, é um
fato inegável constatado por todos.
Entretanto, para haver progres-
so verdadeiro é necessário acres-
centar-se ao progresso científico,
diversificado no campo das ciên-
cias físicas, da Medicina, da Tecno-
logia, da Astronomia, e das ciên-
cias aplicadas em geral, o aperfei-
çoamento moral do homem – aí
está o grande passo.
A Geologia já comprovou as
inúmeras transformações físicas
da Terra, desde os tempos primiti-
vos de sua formação até os nossos
dias. Antes do aparecimento do ho-
mem, sua crosta passou por trans-
formações profundas, até que os
elementos permitissem o apareci-
mento da vida orgânica.
O homem foi o último ser da
escala animal a vir habitar a crosta
terrestre.
Antes dele, em milhões e mi-
lhões de anos, inúmeras espécies
animais e vegetais apareceram na
face do Orbe e desapareceram pos-
teriormente.
A evolução física do globo, por-
tanto, é outro fato comprovado,
que continua a processar-se inces-
santemente.
Os Espíritos do Senhor já nos
revelaram que nossa Terra se trans-
formará em Mundo Regenerado.
Mas quando?
Não podemos precisar o dia exa-
to, nem o ano, nem o século, mas é
certo que esse tempo se aproxima.
Para quem tem olhos de ver, os
Evangelhos, entendidos em espíri-
to e verdade, aí estão a avisar os
homens sobre os acontecimentos
de ordem física e de ordem moral
que hão de suceder, em cumpri-
mento à Lei do Progresso.
No tocante à ordem física, a Na-
tureza continuará a processar con-
tinuamente a transformação da Ter-
ra, até que atinja a condição de glo-
bo imerso em fluidos mais puros.
Acompanhando o aperfeiçoa-
mento físico do Globo, as raças
humanas serão renovadas, pela en-
carnação de Espíritos mais bem
preparados. Parte dessa nova po-
pulação da Terra Renovada será
constituída pelos que já aceitaram
os caminhos indicados pelo Cris-
to, Espíritos que aqui habitam e
que aspiram ao Bem. Outra parte
será constituída pelos Espíritos
oriundos de outros mundos, cujo
adiantamento tenha chegado ao
mesmo nível do dos novos habi-
tantes da Terra.
Os rebeldes, os que persistem
nas ilusões da materialidade, os
negativistas encarniçados no mal, a
estes só resta o afastamento para
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Os Espíritos
do Senhor já
nos revelaram
que nossa
Terra se
transformará
em Mundo
Regenerado
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outro planeta, cujas condições se
coadunem com suas próprias con-
dições morais.
Será a hora da separação do joio
do trigo, quando o Senhor, que se
reserva a colheita, lançará o joio
ao fogo do sofrimento e das tarefas
mais penosas, tal como se deu há
milênios com os Espíritos que aqui
aportaram, oriundos do sistema de
Capela, perdendo seu Paraíso.
É a lei irresistível do progresso
que determinará a posição de cada
um, de conformidade com as pró-
prias obras.
O sinal do Filho do Homem, se-
gundo as palavras de Jesus, que há
de aparecer no céu, é o advento do
reino do Amor. É a Terra Regene-
rada, onde, em lugar do predomí-
nio da materialidade, haverá o im-
pério do Espírito, com a esperança
sempre presente, a alegria diante
das graças concedidas pelo Cria-
dor, quando o joio, que hoje se
constitui em avassaladora maioria,
já não mais poderá perturbar as
aspirações de fraternidade e de
compreensão, pois não mais cres-
cerá junto ao trigo.
Na prestação de contas, a Justi-
ça do Senhor será eqüitativa; cada
um receberá de acordo com o pró-
prio mérito, tendo em vista a boa
vontade de cada qual.
O progresso da matéria se dará
paralelamente com o do Espírito,
através das reencarnações.
“Quando estas coisas começa-
rem a suceder – disse Jesus – er-
guei a cabeça e olhai para o alto,
pois que se aproxima a vossa re-
denção.” (Lucas, 21:28.)
Redenção, no pensamento do
Mestre Jesus, tem o significado de
regeneração.
O advento do reinado do amor
e da fraternidade já está sendo pre-
parado por Espíritos enviados pelo
Senhor à Terra.
O apressamento desse reino
depende, em grande parte, de nós
mesmos, dos esforços dos que
têm boa vontade para endireitar
os caminhos.
“Passarão o céu e a Terra, mas
não passarão minhas palavras.”
(Mateus, 24:35.)
Suas palavras não passarão sem
cumprimento integral, porque elas
são os ensinos que se constituem
no caminho e na verdade.
Sabemos que é desconhecida a
hora predita para a depuração da
Terra e da Humanidade.
Por isso mesmo, os que crêem,
os que esperam, precisam estar
alertas – a vigilância é não só ne-
cessária para todos os atos de
nossa vida, como também ao exa-
me de todos os acontecimentos
previstos.
E os Evangelhos enfatizam a
necessidade dessa vigilância.
8 Reformador • Abril 2006112266
reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 8
9Abril 2006 • Reformador 112277
ia D, termo usado nos cír-
culos militares, marca o
início de determinada ope-
ração bélica.
O mais famoso ocorreu em 6 de
junho de 1944, na maior operação
militar aeronaval da História. Cen-
to e cinqüenta e cinco mil homens,
dos exércitos dos Estados Unidos,
Grã-Bretanha e Canadá, lança-
ram-se nas praias da Normandia,
região da França atlântica, dando
início à libertação européia do do-
mínio nazista.
Começava o colapso do III Reich,
o império que, segundo a propa-
ganda de Adolf Hitler, deveria
dominar o Mundo por mil anos.
Aquelas operações culminariam
com o fim da Segunda Guerra
Mundial, cujo início ocorrera cin-
co anos antes, com a invasão da
Polônia pelas forças nazistas.
Após onze meses, a Alemanha
rendia-se. O mesmo aconteceria
com seu aliado, o Japão, quatro
meses depois.
Terminava, assim, em agosto de
1945, a pior de todas as guerras,
com o espantoso saldo de cin-
qüenta milhões de mortos, apro-
ximadamente.
A Segunda Guerra Mundial foi
relativamente curta, se confronta-
da com outras que se estenderam
por décadas.
A pior de todas tem milhares de
anos.
Eclodiu desde o aparecimento
do Homem, envolvendo o embate
entre duas concepções, definidas
pelo Dicionário Houaiss:
Espiritualismo
Doutrina que remonta às
origens gregas da filosofia, e que
consiste na afirmação da exis-
tência ou realidade substancial
do Espírito, e de sua autonomia,
diferença e preponderância em
relação ao corpo material.
Tradução: Somos Espíritos imor-
tais. Vivíamos antes do berço. Con-
tinuaremos a viver depois do tú-
mulo.
Materialismo
Doutrina que identifica, na
matéria e em seu movimento, a
realidade fundamental do uni-
verso, com a capacidade de ex-
plicação para todos os fenôme-
nos naturais, sociais e mentais.
Tradução: Somos um agregado
celular que, por razões insondá-
veis, adquiriu a capacidade de pen-
sar, efemeramente, até que se esgo-
te sua vitalidade, retornando ao
pó, segundo a expressão bíblica.
O materialismo, infelizmente,
tem dominado o mundo, não como
idéia, já que a vasta maioria dos ho-
mens admite a existência e sobre-
vivência da Alma, conforme ensi-
nam as religiões, mas como vivên-
cia, como maneira de ser.
Raros comportam-se de acordo
com a noção de que continuare-
mos a viver após a morte física e de
que nos pedirão contas, no Além,
do que estamos aprontando na
Terra.
Isso porque a sobrevivência tem
sido uma questão de fé, defendida
O Dia D
D
RICHARD SIMONETTI
reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 9
pelas religiões, com base em espe-
culações que recendem a fantasia.
Nesse milenar conflito há um
Dia D.
Ocorreu há cento e quarenta e
nove anos, no dia 18 de abril de
1857, com o lançamento de O Li-
vro dos Espíritos, de Allan Kardec.
Incursões ocorreram antes dis-
so, envolvendo agentes infiltrados
no território inimigo, Espíritos que
se manifestavam com o concurso
de indivíduos dotados de grande
sensibilidade, os médiuns.
Com o Espiritismo tivemos
autêntica invasão, que tende a
ampliar-se e multiplicar-se,
na medida em que os ini-
ciantes aprendam como se
processa o fenômeno me-
diúnico, que permite o
intercâmbio com o Além.
Temos no Espiritismo
o mais importante esforço
de guerra na luta contra o
materialismo, cujo sucesso é
de importância vital para que
a Terra deixe de ser um planeta
de Provas e Expiações e seja pro-
movida a Mundo de Regeneração,
como está em O Evangelho segun-
do o Espiritismo.
Há que se considerar as postu-
ras dos combatentes espíritas, con-
forme a definição de Kardec, em O
Livro dos Médiuns:
Espíritas sem o saberem
(...)Sem jamais terem ouvido
tratar da Doutrina Espírita,
possuem o sentimento inato
dos grandes princípios que dela
decorrem e esse sentimento se
reflete em algumas passagens
de seus escritos e de seus dis-
cursos, a ponto de suporem,
os que os ouvem, que eles são
completamente iniciados.(...)
(Primeira Parte, cap. III, item
27.)
Ainda que não engajados, con-
tribuem para o esforço de guerra.
Espíritas experimentadores
Os que crêem pura e simples-
mente nas manifestações. Para
eles o Espiritismo é apenas
uma ciência de observação,
uma série de fatos mais ou me-
nos curiosos. (Idem, ibidem.
item 28, 1o
subitem.)
Meros simpatizantes, não se
dispõem a pegar nas armas.
Espíritas imperfeitos
Os que no Espiritismo vêem
mais do que fatos; compreen-
dem-lhe a parte filosófica; ad-
miram a moral daí decorrente,
mas não a praticam. Insigni-
ficante ou nula é a influência
que lhes exerce nos caracte-
res. Em nada alteram seus há-
bitos e não se privariam de um
só gozo que fosse. O avarento
continua a sê-lo, o orgulhoso
se conserva cheio de si, o inve-
joso e o cioso sempre hostis.
Consideram a caridade cris-
tã apenas uma bela máxima.
(...) (Idem, ibidem. 2o
subi-
tem.)
Posturaespiritualista;com-
portamento materialista.
Espíritas exaltados
A espécie humana
seria perfeita, se sempre
tomasse o lado bom das
coisas. Em tudo, o exagero é
prejudicial. Em Espiritismo,
infunde confiança demasiado
cega e freqüentemente pueril,
no tocante ao mundo invisí-
vel, e leva a aceitar-se, com
extrema facilidade e sem veri-
ficação, aquilo cujo absurdo,
ou impossibilidade a reflexão
e o exame demonstrariam. O
entusiasmo, porém, não refle-
te, deslumbra. Esta espécie de
adeptos é mais nociva do que
útil à causa do Espiritismo.
São os menos aptos para con-
vencer a quem quer que seja,
porque todos, com razão, des-
confiam dos julgamentos de-
10 Reformador • Abril 2006112288
reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 10
les. Graças à sua boa-fé, são
iludidos, assim por Espíritos
mistificadores, como por ho-
mens que procuram explorar-
-lhes a credulidade. (Idem, ibi-
dem, 4o
subitem.)
Soldados despreparados, abrem
flancos nas fileiras espíritas.
Espíritas cristãos
Os que não se contentam
com admirar a moral espírita,
que a praticam e lhe aceitam
todas as conseqüências. Con-
vencidos de que a existência
terrena é uma prova passagei-
ra, tratam de aproveitar os seus
breves instantes para avançar
pela senda do progresso, única
que os pode elevar na hierar-
quia do mundo dos Espíritos,
esforçando-se por fazer o bem
e coibir seus maus pendores.
(...) (Idem, ibidem, 3o
subi-
tem.)
Disciplinados e firmes em seus
ideais, esses soldados estão empe-
nhados no bom combate, a que se
referia o apóstolo Paulo, o esforço
do Bem aliado ao empenho de
renovação.
Notável a expressão espírita cris-
tão, que situa na vanguarda da
espiritualização da Humanidade
os espíritas que se ligam aos valo-
res do Evangelho.
Se aspiramos a essa gloriosa rea-
lização, é bom ter sempre presente
uma observação do Espírito La-
cordaire, no capítulo V, item 18, de
O Evangelho segundo o Espiritismo:
O militar que não é mandado
para as linhas de fogo fica descon-
tente, porque o repouso no campo
nenhuma ascensão de posto lhe fa-
culta. Sede, pois, como o militar e
não desejeis um repouso em que o
vosso corpo se enervaria e se entor-
peceria a vossa alma. Alegrai-vos,
quando Deus vos enviar para a luta.
Não consiste esta no fogo da batalha,
mas nos amargores da vida, onde, às
vezes, de mais coragem se há mister
do que num combate sangrento,
porquanto não é raro que aquele que
se mantém firme em presença do
inimigo fraqueje nas tenazes de uma
pena moral. Nenhuma recompensa
obtém o homem por essa espécie de
coragem; mas, Deus lhe reserva pal-
mas de vitória e uma situação glo-
riosa. Quando vos advenha uma
causa de sofrimento ou de contrarie-
dade, sobreponde-vos a ela, e, quan-
do houverdes conseguido dominar os
ímpetos da impaciência, da cólera,
ou do desespero, dizei, de vós para
convosco, cheio de justa satisfação:
“Fui o mais forte”. (...)
Esses, leitor amigo, os heróis
que contribuirão decisivamente pa-
ra a vitória dos exércitos espiritua-
listas, habilitando-se à suprema
comenda: soldados do Cristo!
11Abril 2006 • Reformador 112299
reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 11
oda crença é respeitável.
No entanto, se buscaste a Doutrina Espírita,
não lhe negues fidelidade.
Toda religião é sublime.
No entanto, só a Doutrina Espírita consegue expli-
car-te os fenômenos mediúnicos em que toda religião
se baseia.
Toda religião é santa nas intenções.
No entanto, só a Doutrina Espírita pode guiar-te na
solução dos problemas do destino e da dor.
Toda religião auxilia.
No entanto, só a Doutrina Espírita é capaz de exo-
nerar-te do pavor ilusório do inferno, que apenas sub-
siste na consciência culpada.
Toda religião é conforto na morte.
No entanto, só a Doutrina Espírita é suscetível de
descerrar a continuidade da vida, além do sepulcro.
Toda religião apregoa o bem como preço do paraí-
so aos seus profitentes.
No entanto, só a Doutrina Espírita estabelece a
caridade incondicional como simples dever.
Toda religião exorciza os Espíritos infelizes.
No entanto, só a Doutrina Espírita se dispõe a
abraçá-los, como a doentes, neles reconhecendo as
próprias criaturas humanas desencarnadas, em ou-
tras faixas de evolução.
Toda religião educa sempre.
No entanto, só a Doutrina Espírita é aquela em que
se permite o livre exame, com o sentimento livre de
compressões dogmáticas, para que a fé contemple a
razão, face a face.
Toda religião fala de penas e recompensas.
No entanto, só a Doutrina Espírita elucida que to-
dos colheremos conforme a plantação que tenhamos
lançado à vida, sem qualquer privilégio na Justiça
Divina.
Toda religião erguida em princípios nobres, mes-
mo as que vigem nos outros continentes, embora nos
pareçam estranhas, guardam a essência cristã.
No entanto, só a Doutrina Espírita nos oferece
a chave precisa para a verdadeira interpretação do
Evangelho.
Porque a Doutrina Espírita é em si a liberalidade e
o entendimento, há quem julgue seja ela obrigada a
misturar-se com todas as aventuras marginais e com
todos os exotismos, sob pena de fugir aos impositivos
da fraternidade que veicula.
Dignifica, assim, a Doutrina que te consola e liber-
ta, vigiando-lhe a pureza e a simplicidade, para que
não colabores, sem perceber, nos vícios da ignorância
e nos crimes do pensamento.
“Espírita” deve ser o teu caráter, ainda mesmo te
sintas em reajuste, depois da queda.
“Espírita”deve ser a tua conduta, ainda mesmo que
estejas em duras experiências.
“Espírita” deve ser o nome de teu nome, ainda
mesmo respires em aflitivos combates contigo mes-
mo.
“Espírita” deve ser o claro adjetivo de tua institui-
ção, ainda mesmo que, por isso, te faltem as passagei-
ras subvenções e honrarias terrestres.
Doutrina Espírita quer dizer Doutrina do Cristo.
E a Doutrina do Cristo é a doutrina do aperfeiçoa-
mento moral em todos os mundos.
Guarda-a, pois, na existência, como sendo a tua
responsabilidade mais alta, porque dia virá em que
serás naturalmente convidado a prestar-lhe contas.
Fonte: XAVIER, Francisco Cândido. Religião dos Espíritos. 17. ed.
Rio de Janeiro: FEB, 2005, p. 227 a 229.
Doutrina Espírita
12 Reformador • Abril 2006113300
T
Presença de Chico Xavier
Pelo Espírito Emmanuel
reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 12
Evangelista Mateus relata
que um homem veio ao
encontro de Jesus e, lan-
çando-se a seus pés, pediu que Ele
tivesse piedade de seu filho que era
lunático e sofria muito. Ele adian-
ta que já o apresentara a seus discí-
pulos e que estes não haviam con-
seguido curá-lo. O Mestre Jesus
comenta a falta de credulidade
e imediatamente cura o menino e
adverte os discípulos de que eles
não o haviam curado por falta de
fé e afirma-lhes: “Se tivésseis a fé
do tamanho de um grão de mos-
tarda, diríeis a esta montanha:
transporta-te daí para ali e ela se
transportaria e nada vos seria im-
possível”. (Mateus, 17:14 a 20.)
Allan Kardec tece o seguinte
comentário em O Evangelho se-
gundo o Espiritismo, cap. XIX, so-
bre essa passagem evangélica no
item 2: “No sentido próprio, é cer-
to que a confiança nas suas pró-
prias forças torna o homem capaz
de executar coisas materiais, que
não consegue fazer quem duvida
de si”. E mais adiante, elucida no
item 3: “(...)entende-se como fé a
confiança que se tem na realização
de uma coisa, a certeza de atingir
determinado fim. Ela dá uma es-
pécie de lucidez que permite se
veja, em pensamento, a meta que
se quer alcançar e os meios de che-
gar lá, de sorte que aquele que a
possui caminha, por assim dizer,
com absoluta segurança. (...)
A fé sincera e verdadeira é sem-
pre calma; faculta a paciência que
sabe esperar, porque, tendo seu
ponto de apoio na inteligência e na
compreensão das coisas, tem a cer-
teza de chegar ao objetivo visado.
(...)”
Nos dias atuais, estamos preci-
sando de fé para vencer o estresse
que o modo de viver da civilização
nos impõe, pois para resistir ao
estresse e administrar a pressão é
O poder da fé
para resistir
“Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?
– Sim, e, freqüentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah!
quão poucos, dentre vós fazem esforços!”
(O Livro dos Espíritos, questão no
909.)
“Pois em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta
montanha: Transporta-te daí para ali e ela se transportaria, e nada vos seria impossível.”
– Jesus. (Mateus, 17:20.)
“A fé sincera e verdadeira é sempre calma; faculta a paciência que sabe esperar, porque, tendo seu ponto
de apoio na inteligência e na compreensão das coisas, tem a certeza de chegar ao objetivo visado.”
(O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 3, 2o
parágrafo.)
ao estresse
AYLTON PAIVA
O
13Abril 2006 • Reformador 113311
reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 13
necessário manter um equilíbrio
na vida.
As pessoas que acreditam ter o
controle de seu destino lidam me-
lhor com as pressões do que aque-
las que acham que tudo está ao sa-
bor do acaso.
Para isso é importante ter al-
guns parâmetros:
1. Vivamos o presente:
Vivamos o “aqui e agora”, com
responsabilidade e equilíbrio, con-
centrando-nos naquilo que está
acontecendo no presente,e aumen-
taremos nossa capacidade de resis-
tir ao estresse, pois não estaremos
fixados em coisas do passado ou
imaginando futuros problemas,
ainda que inexistentes.
Procuremos sentir a realidade
da situação ou do problema e a
possível solução para ele.
Para ter o “clima mental” ade-
quado,procuremos meditar.A me-
ditação pode estabelecer um esta-
do mental de calma interior.
2. Tenhamos objetivos cla-
ros de vida:
Quando temos um roteiro claro
para a direção de nossa vida, fica-
mos mais fortes ao sentir peque-
nas pressões como foco de estres-
se.
Se estabelecemos prioridades e
firmeza ou fé em nossas convic-
ções, clareando um quadro geral
dos objetivos maiores de nossas vi-
das, não nos irritaremos com as
pequenas coisas.
Pensemos no que é realmente
importante para nós, levando em
consideração a visão filosófica ou
espiritual da vida, no sentido da
sua eternidade.
Assim, se desejamos a auto-reali-
zação, o equilíbrio e o bem-estar,
uma boa vida familiar, o trabalho,
seja qual for, como forma de valori-
zação pessoal, não nos estressare-
mos, por exemplo, com problemas
no trânsito, ocorrências de peque-
nos desentendimentos no lar, no
trabalho ou até mesmo no lazer.
3. Sejamos solidários:
Ser solidário é ser participativo. É
olhar não só para nós e para nossas
necessidades (reais ou imaginárias),
mas, também, olhar para o outro.
Enxergarmos na estrada de nossa
vida o próximo, como o samarita-
no,a que Jesus se referiu, caído com
as forças combalidas, assaltado por
problemas, muitas vezes, maiores
que os nossos. Ao nos aproximar-
mos dele e o agasalharmos na hos-
pedaria do nosso amor solidário e
fraterno, nossas tensões e mágoas
desaparecerão ou, pelo menos, di-
minuirão.
4.Tenhamos momentos de
divertimento:
Ter fé na vida é também ter mo-
mentos de diversão, de descontra-
ção, de lazer.
Para aliviar o estresse, saibamos
desfrutar os momentos com a famí-
lia. Nestes instantes procuremos ti-
rar de nossas mentes todas as
preocupações do lar ou do trabalho.
Procuremos sentir as pessoas
que compõem a nossa família, o
que cada uma nos oferece de bom,
saibamos sorrir com elas e que
elas riam conosco.
Tenhamos alegria com nossos
animais domésticos, com as nossas
folhagens, com as nossas flores.
Tenhamos momentos de humor
sadio e energizante.
Procuremos rir, rir faz bem pa-
ra a alma e para o corpo físico.
A calma na luta contra o estres-
se é sempre um sinal de força e de
confiança; o desespero ou a vio-
lência denotam a fraqueza e a dú-
vida de si mesmo.
Ouçamos, pois, o Mestre Jesus:
“Se tivésseis a fé do tamanho de
um grão de mostarda, diríeis a esta
montanha: transporta-te daí para
ali e ela se transportaria, e nada
vos seria impossível”. E digamos
para a “montanha do nosso estres-
se”: transporta-te daí (do nosso
mundo mental) para ali (planície
de nossas emoções controladas e
produtivas) e nada nos imporá o
estresse.
14 Reformador • Abril 2006113322
reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 14
Reformador: Quando a senhora co-
meçou a trabalhar na FEB?
Rúbia: Comecei a trabalhar na FEB
ainda adolescente, no dia 5 de
março de 1956, e iniciei pela área
de expedição do Departamento
Editorial, empacotando livros que
eram remetidos pelo correio. Na-
quela época estavam sendo lança-
dos vários livros de Francisco C.
Xavier e a FEB encaminhava as
novas obras – as“novidades”– para
um imenso cadastro. Depois passei
para o setor de Almoxarifado e, em
seguida, para os setores de Corres-
pondência, Direitos Autorais, Ven-
das, e fui secretária dos presidentes
Francisco Thiesen e Juvanir Borges
de Souza. Acompanhei algumas
reformas e ampliações do Departa-
mento Editorial. Em 1972, quando
comecei a trabalhar no Setor de
Vendas, entendi que deveria ler to-
dos os livros editados pela FEB.
Não poderia atuar em vendas sem
conhecer os livros. Recorri a vários
diretores da FEB para me ajudarem
no entendimen-
to de muitas
obras.
Reformador: A senhora já era espí-
rita?
Rúbia: Nasci num lar católico.
Mesmo trabalhando há bastante
tempo na FEB, só vim a me inte-
ressar pela Doutrina Espírita com
o incentivo da médium Yvonne do
Amaral Pereira. Naquela época,
como a querida médium encon-
trava-se em dificuldades para res-
ponder sua correspondência, a
pedido do dr. Thiesen, passei
a ir à residência dela, no bairro
da Piedade, e a datilografar suas
cartas. Um belo dia, dona Yvonne
perguntou-me como eu voltaria, e
respondi-lhe que seria de ôni-
bus. Ela me ofertou o li-
vro Nas Voragens do Pe-
cado, sugerindo-me que
aproveitasse para ini-
ciar a leitura no traje-
to. Em seguida, li to-
das as obras mediúnicas
de dona Yvonne, apenas
Memórias de um Suicida
não consegui chegar ao
final.
50 anos de dedicação
ao livro espírita
Rúbia da Costa Guimarães, funcionária da Federação Espírita Brasileira até nossos dias,
completou 50 anos de trabalho com o livro espírita. Formada em secretariado, obteve
grande experiência em sua atividade de divulgação e venda do livro espírita. Em entrevis-
ta, relata episódios vividos no Departamento Editorial da FEB
RÚBIA DA COSTA GUIMARÃESEntrevista
15Abril 2006 • Reformador 113333
reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:57 Page 15
Reformador: A senhora teria algum
relato interessante sobre Yvonne Pe-
reira?
Rúbia: DonaYvonne telefonou-me
no dia de sua desencarnação, por
volta das 10 horas, e ligou também
para dona Yola, esposa do dr. Ju-
vanir. Dizia ao telefone que iria
para o hospital, mas estava só se
despedindo porque não voltaria:
“Vamos nos encontrar do outro
lado. Dr. Bezerra já me avisou que
estaria me esperando”. No mesmo
dia, por volta das 22 horas, ela de-
sencarnou.
Reformador: A senhora conheceu
Chico Xavier?
Rúbia: Ainda jovem conheci Chi-
co Xavier, pois ele e Waldo Vieira
vinham com freqüência ao De-
partamento Editorial. Chico gos-
tava de andar pelas suas depen-
dências. Naquelas ocasiões, ouvi
muitas conversas dele, inclusive,
transmitindo orientações de An-
dré Luiz e Emmanuel sobre os
livros. Chico se hospedava no lar
de dr. Wantuil e demonstrava um
carinho especial pelo sr. Zêus
Wantuil. Em 1972, por solici-
tação do dr. Thiesen, fiquei na
retaguarda de Chico Xavier, du-
rante sua visita à FEB para as co-
memorações dos 40 anos de lan-
çamento do Parnaso de Além-Tú-
mulo. Durante muitos anos, re-
cebi livros autografados que me
eram enviados pelo próprio Chi-
co Xavier. E no dia do meu casa-
mento recebi uma carta deste fa-
moso médium e também um
cartão de Divaldo Franco, os quais
guardo com muito carinho.
Reformador: E seus contatos com
os presidentes da FEB?
Rúbia: Acompanhei o trabalho de
vários presidentes: Wantuil de
Freitas, responsável pela constru-
ção do Departamento Editorial,
porém,trabalhei mais diretamente
com Francisco Thiesen, Juvanir
Borges de Souza e agora Nestor
João Masotti. Dr. Armando Assis,
por razões profissionais, vinha
menos ao Departamento Edito-
rial. Cada presidente teve suas ca-
racterísticas e, dentro das condi-
ções de suas épocas, contribuíram
com a área do livro.
Reformador: O que a senhora co-
menta sobre a ampliação da difu-
são do livro espírita?
Rúbia: O principal objetivo da
FEB é a divulgação do livro, seja
através de venda ou de doação,des-
de que a mensagem chegue a quem
dela necessita. Então me ocorreu
que a maioria dos centros espíritas
tinha poucas condições de vender
livros. Comecei a visitá-los e a su-
gerir que deveriam vender livros,
mesmo de uma forma inicial-
mente simples. Certo dia, conver-
sando com o dr. Thiesen, verifica-
mos que não havia distribuição de
livros espíritas no Brasil. Concluí-
mos que algo deveria ser feito para
aumentar as vendas. Assim, surgiu
a idéia de criar o mecanismo de
distribuição de livros espíritas no
País. Dr. Thiesen burilou muito a
idéia e considerou que o grande
objetivo seria ampliar a divulga-
ção do Espiritismo. Isso aconteceu
em 1973, e o primeiro distribuidor
de livros credenciado pela FEB foi
o IDE (Instituto de Difusão Espí-
rita), de Araras (SP). Um fato
marcante na vida do Departa-
mento Editorial foi a dissemina-
ção das distribuidoras, e algumas
delas não eram espíritas. Várias
distribuidoras de São Paulo foram
responsáveis por um significativo
aumento nas vendas de livros. O
curioso é que na época em que o
Brasil tinha inflação alta, e como
as distribuidoras estavam interes-
sadas em manter estoques e apro-
veitar preços, foi um período de
alta vendagem de livros. Depois,
com a estabilidade financeira, mui-
tas distribuidoras de livros encer-
raram suas atividades. Ultima-
mente, a qualidade das impres-
sões deu um toque especial à lite-
ratura excelente editada pela FEB.
Reformador: Quais outras provi-
dências contribuíram para o au-
mento de vendas de livros?
Rúbia: Um fato marcante foi a
edição “popular” das obras de
Kardec, que provocou vendas de
livros em grandes quantidades.
Na mesma época surgiu o proje-
to “Clube do Livro Espírita”. Ri-
chard Simonetti esteve conversan-
do com o dr. Thiesen e deu início
à nova proposta conhecida como
“o ovo de Colombo”. Cresceu a
quantidade de “clubes do livro
espírita” em todo o País e surgi-
ram as “feiras do livro espírita”
que também movimentaram mui-
to e propiciaram mais trabalho
para nós. As promoções mensais
de livros, com desconto maior,
também ampliaram muito a ven-
dagem de livros. Considero a di-
16 Reformador • Abril 2006113344
reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:57 Page 16
vulgação através do marketing um
passo importante.
Reformador: E sobre a presença do
livro espírita em ambientes externos?
Rúbia: A participação da FEB
nas Bienais Internacionais do Li-
vro tem sido bem interessante.
Aprendi muito desde as primei-
ras, que eram pequenas. A inte-
gração e a união dos estandes es-
píritas durante a Bienal, com a
criação da Rua dos Espíritas, tam-
bém contribuiu bastante para a
divulgação de um modo geral.
Outra coisa boa foi a colocação
de livros espíritas em livrarias lei-
gas. Foi difícil e, de início, houve
resistência. De uns três anos para
cá é que se ampliou a colocação
de livros espíritas nessas livra-
rias. Um dos fatores que ajudou
muito, e isto ocorreu num final de
ano, foi a experiência de oferecer a
coleção de obras de Kardec dentro
de caixas bem preparadas, seguin-
do-se a entrada dos kits que em-
belezaram as obras.
Reformador: Como a senhora vê a
presença de livros da FEB no Exte-
rior?
Rúbia: Sobre a participação dos
livros da FEB no Exterior, acho
fantástico, pois, pessoas de todas
as nacionalidades necessitam das
mensagens do Consolador Prome-
tido. O trabalho em si é um passo
gigantesco. As obras editadas pela
FEB têm valor capaz de suprir to-
das as necessidades espirituais da
Humanidade.
Reformador: O que a senhora
teria a dizer sobre o Sesquicentená-
rio do Espiritismo?
Rúbia: Quando recebi as primei-
ras informações sobre os prepara-
tivos para o Sesquicentenário do
Espiritismo, levei um susto por-
que me lembrei de que no Cen-
tenário eu já trabalhava na FEB!
Recordo-me da edição especial de
Reformador e dos comentários dos
espíritas em geral. Será uma honra
participar dessa nova comemora-
ção da publicação de O Livro dos
Espíritos. Agradeço muito a opor-
tunidade de conhecer a Doutrina
Espírita, e de ter contribuído um
pouco com a FEB em sua difusão,
e desejo que cada vez mais pessoas
passem a ser auxiliadas através do
livro espírita.
Almoço de confraternização
realizado em 6 de março, no
Departamento Editorial e Grá-
fico da FEB. Da esquerda para a
direita: Altivo Ferreira, Nestor
João Masotti, Rúbia (mostran-
do a placa que lhe foi entregue
como reconhecimento do tra-
balho realizado), Amaury Alves
da Silva, Ilcio Bianchi e José Sa-
lomão Mizrahy.
Homenagem aos 50 anos de
Rúbia na FEB
reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:57 Page 17
18 Reformador • Abril 2006113366
s espiritistas estudiosos
devem sempre refletir so-
bre os profundos laços que
uniam a Jesus, através dos sécu-
los, a individualidade espiritual do
Codificador da Doutrina Espírita,
Allan Kardec.
Sendo o Espiritismo a concreti-
zação da promessa feita diretamen-
te pelo Cristo,exarada pelo evange-
lista João1
era imprescindível que o
líder desse movimento de reno-
vação, que teria início na segunda
metade do século XIX, possuísse
fortes vínculos com o Mestre Ga-
lileu, com a sua messianidade, com
o seu projeto de implantação do
Reino de Deus na Terra.
A preparação e capacitação do
fiel discípulo exigiram vários
séculos.
Reencarnações especiais, ani-
mando personalidades vigorosas e
promotoras de mudanças sociais,
certamente foram consolidadas no
perpassar dos tempos, podendo
ser referenciada aquela que ani-
mou como mártir e reformador
tcheco, consoante informação do
Espírito Vianna de Carvalho, atra-
vés da abençoada mediunidade de
Divaldo Franco:
“A Divina Providência faz que
mergulhe nas sombras da Terra o
eminente Espírito de Jan Hus
[1369-1415], que se dera em sacri-
fício, no século XV, em favor da
libertação do Evangelho de Jesus.
Reencarnando-se, em Lyon, a 3 de
outubro de 1804, recebeu o nome
de Hippolyte Léon Denizard Rivail,
que trouxe a indeclinável tarefa de
modificar as estruturas do conhe-
cimento e abrir espaços para a res-
tauração do pensamento do Cristo,
conforme Ele e os seus discípulos o
haviam vivido, dezenove séculos
antes, na Palestina.”2
Muito antes, o futuro missioná-
rio da revelação espírita também
estivera exercitando o sacerdócio
druida, nas Gálias antigas, como re-
velara o Espírito Zéfiro, com quem
mantivera sólida amizade, “que os
séculos fortaleceriam ainda mais”.3
Desta forma, ao perceber nos
fenômenos das mesas girantes, em
Paris, pelos idos de 1855,“o surgi-
mento de uma nova lei”, o pedago-
go francês Denizard Rivail inicia-
ria fascinante jornada em sua vida,
impulsionado pelos antigos ideais
de renovação e, a exemplo de Cris-
tóvão Colombo (1451-1506), des-
vendaria um novo mundo: o Mun-
do dos Espíritos.
Seus contatos preliminares com
diversas personalidades espirituais
são momentos em que revela pers-
picácia e lucidez; domínio das
emoções; controle perfeito duran-
te os formosos diálogos mantidos
na intimidade de sua residência e
das famílias Baudin e Roustan, e
mais tarde nos salões de trabalho,
de estudo e intercâmbio mediúni-
co da Sociedade Parisiense de Es-
tudos Espíritas (SPEE), fundada
por ele em 1o
de abril de 1858.
O Codificador, sentindo-se am-
parado pelo Espírito de Verdade,
seu guia e protetor, que se lhe reve-
lara em reunião de 25 de março de
1856, em casa de senhor Baudin,
operando como médium uma de
suas filhas, percebe, a partir desse
encontro, que a missão que lhe
Allan Kardec,
discípulo fiel
de Jesus
O
ADILTON PUGLIESE
reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:57 Page 18
fora reservada estava sustentada
por vigorosos pilares. À medida
que recebe os ensinos dos Espíri-
tos, de aspectos científico, filosófi-
co e ético, deve ter observado e re-
fletido que estava amparado por
especiais colunas dos códigos mo-
rais do Peregrino da Galiléia.
Deixando-se, então, emocionar
e estimular pela sutileza, profundi-
dade e sentimento de amorosidade
dos Espíritos que se movimenta-
vam ao seu redor, dedica-se à tare-
fa com fervor e espírito de renún-
cia, consolidando, em 18 de abril
de 1857, a sua primeira fase, com o
lançamento, em Paris, de O Livro
dos Espíritos, obra básica da Dou-
trina Espírita. Em seguida, anima-
do pela percepção que passa a ter
em torno do edifício que estava
construindo, estabelece, em O Livro
dos Médiuns, publicado em 15 de
janeiro de 1861, os princípios fun-
damentais para as relações media-
nímicas com os habitantes do
Mundo Invisível.
Incansável, enquanto edita e
publica a Revista Espírita, com o
primeiro exemplar divulgado em 1o
de janeiro de 1858, preocupa-se
com a administração da SPEE na
qualidade de seu presidente, cuida
da vasta correspondência e dedi-
ca-se, sob especial emoção,
a escrever aquela que seria
a terceira obra do pen-
tateuco kardequiano:
O Evangelho segundo
o Espiritismo, inti-
tulado, preliminar-
mente, Imitação do
Evangelho segundo
o Espiritismo, ex-
posto com essa denominação nas
livrarias de Paris, na primeira edi-
ção de 29 de abril de 1864.
Em 9 de agosto de 1863, após
guardar segredo dessa nova obra
que estava escrevendo, resolve ou-
vir os Espíritos, deles obtendo
aprovação e aconselhamento:“Esse
livro de doutrina terá considerável
influência, pois que explanas ques-
tões capitais, e não só o mundo re-
ligioso encontrará nele as máximas
que lhe são necessárias, como tam-
bém a vida prática das nações hau-
rirá dele instruções excelentes (...)”
– dizem-lhe as Entidades Amigas
através do médium Sr. d’A...4
Comunicam-lhe, ainda, que se
aproximava a hora de “apresentar
o Espiritismo qual ele é, mostran-
do a todos onde se encontra a ver-
dadeira doutrina ensinada pelo
Cristo”; e que “o Espiritismo é a
única tradição verdadeiramente
cristã”e a única“instituição verda-
deiramente divina e humana”.
Imaginamos o impacto dessa
revelação, desse desafio, em torno
da missão de um livro,representan-
do um novíssimo noticiário evangé-
lico que contemplava diretrizes
morais. Sabendo, de antemão, das
dificuldades que o Codificador en-
frentaria e que os “espíritas seriam
repelidos” com o anátema de here-
sia, os Orientadores Espirituais pre-
sentes na memorável reunião afir-
mam-lhe, comovidos: “Ao te esco-
lherem, os Espíritos conheciam a
solidez das tuas convicções e sa-
biam que a tua fé, qual muro de
aço, resistiria a todos os ataques”.5
Podemos deduzir que Allan Kar-
dec, de forma brilhante e inspirada,
após estabelecer os princípios bási-
cos da filosofia e da ciência espíri-
tas,considerou que todo o corpo de
doutrina que estava elaborando, to-
das as suas formulações em torno
da Existência de Deus; das Vidas
Sucessivas e seu mecanismo – a Lei
de Causa e Efeito; da Imortalidade
da Alma; das revelações pioneiras
sobre a Pluralidade dos Mundos
Habitados; das leis que regem a
Natureza, propriedades e funções
do perispírito, necessitaria de uma
viga mestra que desse sustentação à
compreensão das finalidades desses
Jan Hus
reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:57 Page 19
postulados, em benefício da felici-
dade e da evolução do ser humano.
Assim, ele foi buscar nas máxi-
mas de Jesus, no seu código moral,
os fundamentos comportamentais
para os adeptos e estudiosos da no-
vel doutrina, máximas essas atuali-
zadas, interpretadas e enriquecidas
com as Instruções dos Espíritos inse-
ridas nos diversos capítulos.
De suas nobres mãos saiu então
o livro-luz – O Evangelho segundo o
Espiritismo – que contém “a expli-
cação das máximas morais do Cris-
to, em concordância com o Espiri-
tismo e suas aplicações às diversas
circunstâncias da vida”.6
Paira essa
obra de essência divina, portanto,
entre as outras que formam o con-
junto da substância doutrinária
espírita, iluminando-as.
Em 8 de agosto de 1865, lança o
livro O Céu e o Inferno e, em 6 de
janeiro de 1868, publica A Gênese,
última obra do Pentateuco.
Somente um ser em plena sin-
tonia com Jesus, desde remotas
eras, poderia ter interpretado tão
bem os seus pensamentos, como o
fez Allan Kardec, exemplo de dis-
cípulo fiel e abnegado.
Referências Bibliográficas:
1
João, cap. XIV, versículos 15 a 17.
2
FRANCO, Divaldo P. Reflexões Espíritas,
pelo Espírito Vianna de Carvalho. 1. ed.
LEAL, 1991, p. 12.
4
KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 38. ed.
Rio de Janeiro: FEB, 2005, Segunda Parte,
“Imitação do Evangelho”, p. 339.
5
Idem, ibidem, p. 340.
6
Idem. O Evangelho segundo o Espiritis-
mo. 3. ed. especial. Rio de Janeiro: FEB,
2005, p. 3.
20 Reformador • Abril 2006113388
Prática Espírita
Toda a prática espírita é gra-
tuita, como orienta o princí-
pio moral do Evangelho:
“Dai de graça o que de graça
recebestes”.
A prática espírita é realizada
com simplicidade, sem ne-
nhum culto exterior, dentro
do princípio cristão de que
Deus deve ser adorado em
espírito e verdade.
O Espiritismo não tem sa-
cerdotes e não adota e nem
usa em suas reuniões e em
suas práticas: altares, ima-
gens, andores, velas, procis-
sões, sacramentos, conces-
sões de indulgência, para-
mentos, bebidas alcoólicas
ou alucinógenas, incenso,
fumo, talismãs, amuletos,
horóscopos, cartomancia, pi-
râmides, cristais ou quais-
quer outros objetos, rituais
ou formas de culto exterior.
O Espiritismo não impõe os
seus princípios. Convida os
interessados em conhecê-lo
a submeterem os seus ensi-
nos ao crivo da razão, antes
de aceitá-los.
A mediunidade, que permi-
te a comunicação dos Espí-
ritos com os homens, é uma
faculdade que muitas pes-
soas trazem consigo ao nas-
cer, independentemente da
religião ou da diretriz dou-
trinária de vida que ado-
tem.
Prática mediúnica espírita só
é aquela que é exercida com
base nos princípios da Dou-
trina Espírita e dentro da
moral cristã.
O Espiritismo respeita todas
as religiões e doutrinas, va-
loriza todos os esforços para
a prática do bem e trabalha
pela confraternização e pela
paz entre todos os povos e
entre todos os homens, in-
dependentemente de sua ra-
ça, cor, nacionalidade, cren-
ça, nível cultural ou social.
Reconhece,ainda,que“o ver-
dadeiro homem de bem é o
que cumpre a lei de justiça,
de amor e de caridade, na
sua maior pureza”.
Fonte: Folheto “Conheça o Espiritismo,
uma Nova Era para a Humanidade”,
editado pela FEB – Campanha de Di-
vulgação do Espiritismo, aprovada pelo
Conselho Federativo Nacional da FEB na
Reunião de 1996.
reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:57 Page 20
21Abril 2006 • Reformador 113399
Esflorando o Evangelho
Pelo Espírito Emmanuel
“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e
que o Espírito de Deus habita em vós?”
– PAULO. (I CORÍNTIOS, 3:16.)
Educa
a semente minúscula reside o germe do tronco benfeitor.
No coração da terra, há melodias da fonte.
No bloco de pedra, há obras-primas de estatuária.
Entretanto, o pomar reclama esforço ativo.
A corrente cristalina pede aquedutos para transportar-se incontaminada.
A jóia de escultura pede milagres do buril.
Também o espírito traz consigo o gene da Divindade.
Deus está em nós, quanto estamos em Deus.
Mas, para que a luz divina se destaque da treva humana, é necessário que os pro-
cessos educativos da vida nos trabalhem no empedrado caminho dos milênios.
Somente o coração enobrecido no grande entendimento pode vazar o heroísmo
santificante.
Apenas o cérebro cultivado pode produzir iluminadas formas de pensamento.
Só a grandeza espiritual consegue gerar a palavra equilibrada, o verbo sublime e a
voz balsamizante.
Interpretemos a dor e o trabalho por artistas celestes de nosso acrisolamento.
Educa e transformarás a irracionalidade em inteligência, a inteligência em huma-
nidade e a humanidade em angelitude.
Educa e edificarás o paraíso na Terra.
Se sabemos que o Senhor habita em nós, aperfeiçoemos a nossa vida, a fim de
manifestá-lo.
Fonte: XAVIER, Francisco Cândido. Fonte Viva. 1. ed. especial. Rio de Janeiro: FEB, 2005, cap. 30,
p. 77 e 78.
N
reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:57 Page 21
22 Reformador • Abril 2006114400
s últimos momentos de in-
timidade de Jesus com seus
apóstolos foram durante a
ceia de Páscoa. (Mateus, 26:2, 17 a
19; Marcos, 14:12 a 17; Lucas, 22:7
a 15.) O Nazareno sabia que se
aproximava o epílogo de sua mis-
são na Terra.Colocava-se,humilde-
mente, na condição do Cordeiro de
Deus, que seria sacrificado, na es-
perança de que seu sacrifício ser-
visse de exemplo à Humanidade
na busca de sua redenção. Progra-
mou viver aquela festa tão signifi-
cativa para seu povo somente ao
lado dos seus fiéis seguidores. (Lc.,
22:15.) “A Páscoa era uma festa
muito alegre.(...) Esse era também
um período de intensa meditação,
quando cada crente podia sentir o
elo místico que o ligava ao povo,
e que ele também iria libertar-se –
livre de uma maneira que impor-
ta – com a alma liberta do domí-
nio do pecado. Não foi de maneira
alguma por acaso que o Cristo,
usando o pão e o vinho do rito tra-
dicional, desse na última ceia pas-
cal a seus discípulos o sinal de uma
libertação suprema com as pala-
vras: ‘Este é o meu corpo... este é o
meu sangue’”.1
Jesus solicitou a Pedro e a João
que entrassem na cidade de Jeru-
salém e providenciassem a Ceia
Pascal na casa de um amigo, dizen-
do-lhes: “E ele vos mostrará, no
andar superior uma grande sala
provida de almofadas (...)”. (Lc.,
22: 8 a 13.) Ambiente espaçoso,
acolhedor. Raras vezes os apósto-
los tinham desfrutado de tanto lu-
xo e, ao que parece, o ambiente os
influenciou, revelando-se neles a
vaidade, acreditando-se partidá-
rios de alguém que tomaria o po-
der temporal do mundo. Houve
até uma discussão para decidir
quem seria o maior entre eles. (Lc.,
22:24.) Deve ter sido extremamen-
te doloroso para o Meigo Nazare-
no assistir àquela contenda infantil
entre os seus apóstolos. Demons-
tração cabal de que não compreen-
diam muito bem a natureza do seu
reino, suspeitando que ele seria
implantado já naqueles tempos...
O Mestre conhecia suas fraque-
zas, mas acreditava que poderia
contar com eles. Outros debanda-
ram (João, 6:66.), mas os doze per-
severaram até aquele momento.
Contaria com eles. No futuro da-
riam o testemunho do seu amor
por Ele e pela causa. Necessário,
portanto, passar-lhes as últimas
lições.“(...) levanta-se da mesa, de-
põe o manto e, tomando uma toa-
lha, cinge-se com ela. Depois colo-
ca água na bacia e começa a lavar
os pés dos discípulos (...)”. Ao che-
gar a vez de Pedro, este diz peremp-
toriamente: “Jamais me lavarás os
pés”. Mas o Senhor redargüiu, di-
zendo-lhe: “Se eu não te lavar, não
terás parte comigo”. (Jo., 13:4 a 8.)
O pescador humilde consentiu.
Terminada aquela tarefa humil-
de, própria dos escravos, Jesus
olha-os ternamente, demonstran-
do conhecer o coração de cada um.
Sabia-os sinceros quando se pron-
tificaram a segui-lo, mas também
reconhecia suas dificuldades para
entenderem que o Reino de Deus
deveria ser implantado no coração
de cada um e não nas terras de Cé-
sar. Pacientemente lembrou a to-
dos: “Se, portanto, eu, o Mestre e o
Senhor, vos lavei os pés, também
deveis lavar-vos os pés uns aos
outros”. (Jo., 13:14.)
O Senhor já lhes ensinara a Re-
gra Áurea: “Ama o teu próximo
como a ti mesmo”. (Mt., 22:37 a
39.) Mas aquela lição foi dada
quando Jesus estava à frente de
uma multidão constituída de sa-
duceus, fariseus, publicanos, ju-
Mandamento aos
Dirigentes EspíritasWALDEHIR BEZERRA DE ALMEIDA
O
reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:04 Page 22
deus, gregos, persas e muitas ou-
tras nacionalidades. O ensinamen-
to fora ministrado a um grupo he-
terogêneo, para todos os povos.
Mas, ali o novo mandamento seria
oferecido na intimidade, em espe-
cial para seus amigos que seriam,
depois da sua crucificação, os res-
ponsáveis pela vivência e divulga-
ção do seu Evangelho. Primeiro
sensibilizou-os com o “lava-pés” e,
em seguida, falou-lhes aos cora-
ções pedindo que cada um procu-
rasse ser o menor entre eles para
que, pelo cultivo da humildade, se
tornasse o maior. Foi, então, que
lhes disse: “Um novo mandamento
vos dou: Que vos ameis uns aos
outros; como eu vos amei a vós,que
também vós uns aos outros vos
ameis”. (Jo., 13:34.)
Daquela feita, Jesus não dava
como parâmetro do amor ao pró-
ximo o que cada um pudesse ter a
si próprio. O padrão era o amor
que Ele lhes oferecera durante to-
do o tempo em que estiveram jun-
tos. Por isso era “um mandamento
novo”. Merecia uma reflexão mais
profunda. Emmanuel ensina que a
Regra Áurea “institui um dever,
em cuja execução não é razoável
que o homem cogite da compreen-
são alheia. O aprendiz amará o pró-
ximo como a si mesmo”, e que o
novo mandamento “‘que vos ameis
uns aos outros como eu vos amei’
assegura o regime da verdadeira
solidariedade entre os discípulos,
garante a confiança fraternal e a
certeza do entendimento recípro-
co”. E acrescenta: “Esse é o novo
mandamento que estabeleceu a in-
timidade legítima entre os que se
entregaram ao Cristo, significando
que, em seus ambientes de trabalho,
há quem se sacrifique e quem com-
preenda o sacrifício, quem ame e se
sinta amado, quem faz o bem e quem
saiba agradecer”.2
(Grifo nosso.)
E de que modo Jesus amou os
seus apóstolos? A resposta encon-
tramos no seu gesto incondicional,
aceitando a cada um como era ou
como podia ser naquela contin-
gência. Devotou um carinho todo
especial a Pedro, embora sabendo
que negaria conhecê-lo antes do
amanhecer; amou Judas Escario-
tes que, extremamente equivocado
com a sua missão, o entregaria às
autoridades do mundo, na espe-
rança de uma revolta armada; de-
dicou seu afeto ao evangelista Ma-
teus e acreditou na sua intenção de
reforma, mesmo sendo um publi-
cano odiado pelos conterrâneos
em razão dos seus desmandos na
cobrança de impostos destinados
ao Império Romano; respeitou To-
mé, que duvidara da sua ressur-
reição e aparição aos apóstolos;
amou intensamente o jovem João,
apesar da sua inexperiência, che-
gando a confiar-lhe, quando in
23Abril 2006 • Reformador 114411
“A ceia na casa de Levi”. Veronese, Galeria da Academia, Veneza
reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:04 Page 23
extremis, Maria aos seus cuidados.
Jesus amou seus discípulos com
tanta fraternidade que os fez seus
amigos. (Jo., 15:14.) Amou-os,
“não obstante”suas fraquezas, seus
defeitos. Não os amou “porque”
fossem perfeitos.
Não há como discordar da in-
terpretação do Mentor de Chico
Xavier. Aqueles que se reúnem em
nome do Cristo para estudar, vi-
venciar e divulgar a Doutrina Es-
pírita à frente da Casa Espírita,
sentem necessidade de se fortale-
cer moral e espiritualmente na re-
ciprocidade do amor fraterno. O
mandamento era “novo” porque
era dirigido especialmente aos res-
ponsáveis diretos pela implanta-
ção do Reino de Deus no coração
dos homens. Eis por que será sem-
pre oportuno e confortador, quan-
do os dirigentes de uma casa espí-
rita se reunirem, recordar o Rabi
da Galiléia com seus apóstolos na
Última Ceia. Com certeza Ele se
fará presente por intermédio de seus
Mensageiros, relembrando o novo
mandamento.
Jesus amou a todos os seus após-
tolos indistintamente, nada obstan-
te as dificuldades e os dramas que
portavam na alma, assim como nós
que compomos uma casa espírita.
Fomos convocados, tal como os
apóstolos, e, por isso, devemos nos
amar, exercitando a fraternidade,
que se constitui de compreensão,
tolerância e indulgência. Que na
intimidade da faina cristã cultive-
mos a reciprocidade do amor cris-
tão entre nós, para nos tornarmos
dignos e verdadeiros companhei-
ros dos Espíritos do Bem.
O que seria de nós, frente à con-
vocação para a escalada espiritual,
na direção de uma das suas Casas,
sem a tolerância, a compreensão e
a amizade do Cristo, se ainda não
temos as condições ideais para ser-
vir na sua Seara?
Referências Bibliográficas:
1
ROPS, Henri Daniel. A vida diária nos
tempos de Jesus. Tradução Neyd Siquei-
ra. 1. ed. São Paulo: Sociedade Religiosa
Edição Vida Nova, 1983, p. 230.
2
XAVIER, Francisco Cândido. Caminho,
Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel.
26. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006, cap. 179,
p. 373 e 374.
24 Reformador • Abril 2006114422
Altivo Carissimi Pamphiro
desencarnou, aos 67 anos, no dia
17 de fevereiro de 2006, no Rio
de Janeiro.
Era fundador e presidente do
Centro Espírita Léon Denis
(CELD), em Bento Ribeiro, e da
Obra Social Antonio de Aquino
(OSAA), na Mallet. Contador do
IRB (Instituto de Resseguros do
Brasil), aposentou-se nesse cargo.
Sua iniciação na Doutrina Es-
pírita ocorreu aos 16 anos, por
intermédio de amigos, sendo por
um deles convidado a participar
do Culto do Evangelho no Lar,
que fazia em sua casa, onde após
o estudo do Evangelho à luz da
Doutrina Espírita havia o traba-
lho de passes em pessoas que lá
compareciam à procura de alívio
para suas dores.
Fundou, com um desses ami-
gos, o Lar de Teresa e o Centro
Espírita Léon Denis, instituições
que primam pelo estudo, pelo
desenvolvimento mediúnico e
pelo trabalho no bem, através de
obras sociais.
Desde então, divulgou a Dou-
trina Espírita, que abraçou, e o
fez por mais de 40 anos. Foi um
espírita dedicado na divulgação
e prática da Doutrina codificada
por Allan Kardec, divulgada e
exemplificada por Léon Denis e
outros.
Em seu retorno à Pátria Espi-
ritual, deixou uma obra sólida
em benefício do próximo, apli-
cando, dessa forma, os ensina-
mentos de Jesus.
Altivo Carissimi Pamphiro
Retorno à Pátria Espiritual
reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:04 Page 24
25Abril 2006 • Reformador 114433
ão é difícil constatar-se o
rápido crescimento da
Doutrina Espírita em todos
os recantos do Planeta, ocorrido
em pouquíssimo tempo. Em doze
anos o Espiritismo estava presente
em mais de trinta países de quatro
continentes: na Europa (18 países),
nas Américas (8 países), na África
(5 países) e na Ásia (6 países).*
Foram quase trezentas localidades,
cujos nomes comentamos em arti-
go publicado na Revue Spirite,
edição em espanhol, 3o
trimestre
de 2004 (número 4), com discri-
minação das mesmas num link do
site do Conselho Espírita Interna-
cional (www.spiritist.org/larevis-
taespirita); comentamos também a
respeito em artigo no jornal Mun-
do Espírita, Curitiba (PR), dezem-
bro/2004, no
1.445, reconhecendo a
incomparável dimensão que o Es-
piritismo adquiriu no Brasil.
No início desta rápida propa-
gação, Allan Kardec (1804-1869)
reconheceu na Revista Espírita
de setembro/1858, este fenôme-
no de crescimento doutrinário e
merecem reflexão as causas deter-
minantes que levaram a esta rápida
expansão, coisa nunca vista na His-
tória.
Devemos lembrar que o Espi-
ritismo no Brasil teve a vantagem
de não sofrer a estagnação e o“en-
colhimento” ideológico ocorridos
em muitos países (Europa, África
e América), causados principal-
mente pela Primeira e Segunda
Guerras Mundiais e pelos vários
regimes totalitários que se implan-
taram em vários países.
Outro ponto que merece des-
taque foi a fundação do Conse-
lho Espírita Internacional (28/11/
/1992), em Madrid (Espanha), que
já promoveu Congressos Espíritas
Mundiais no Brasil (1995),em Por-
tugal (1998), na Guatemala (2001),
além da memorável comemoração
do Bicentenário de Allan Kardec
(1804-2004), ocorrida no 4o
Con-
gresso Espírita Mundial, em Paris,
em outubro de 2004, que teve a
participação de 1.763 congressis-
tas de 33 países.
Se fizermos uma busca dos sites
disponíveis sobre doutrinas e reli-
giões na Web, os sites espíritas apa-
recem entre os mais numerosos
dentre todos. Isto demonstra que
os espíritas estão efetivamente se
movimentando no contexto so-
cial. Por isso é importante refletir-
mos sobre as causas que levaram a
esta rápida difusão. Apesar de os
motivos serem bem conhecidos e
difundidos no Movimento Espí-
rita, é importante neles refletir-
mos para melhor assimilá-los.
As causas do sucesso da
difusão espírita
Se bem pensarmos na realidade
da Doutrina Espírita e aproveitar-
mos diversas reflexões feitas por
Espiritismo:
as causas de sua
rápida propagação
WASHINGTON LUIZ FERNANDES
N
*N. da R.: Na Revista Espírita de janeiro de
1869, Kardec faz uma estimativa de 4 mi-
lhões de espíritas nos EUA, 600 mil na
França, 1 milhão na Europa e 6 a 7 mi-
lhões no mundo inteiro.
reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:04 Page 25
Allan Kardec a respeito, podemos
encontrar as causas que explicam
sua rápida propagação:
1.Os Espíritos são os verdadeiros
autores dos ensinamentos do Espi-
ritismo. Este é um dos principais
motivos e a razão para justificar
sua rápida expansão. Se é certo
que criaturas humanas poderiam
ser destruídas ou fracassar na mis-
são de divulgar um ideal, assim
como ter seus livros queimados,
não menos verdade é que os Espí-
ritos não podem ser destruídos. As
lições que os Espíritos podem ofe-
recer às criaturas ocorrerão sem-
pre, estando assegurada a perma-
nência de sua divulgação, uma vez
que seu mecanismo faz parte das
Leis da Natureza. A nova revela-
ção pode chegar às criaturas de
um pólo a outro da Terra, e os Es-
píritos podem manifestar-se em
qualquer tempo e lugar;
2. Diversas e diferentes são as
pessoas (médiuns) que podem re-
ceber as informações dos Espíri-
tos. Ninguém pode no mundo ali-
mentar a pretensão de deter a ver-
dade absoluta e por isso os Espí-
ritos a revelam para diferentes in-
divíduos e em toda a parte. Se esta
revelação ocorresse só a uma pes-
soa, ou só em algum lugar, só a
um povo, só a uma raça, esta pes-
soa ou este grupo de indivíduos
poderiam estar ludibriados ou po-
deriam enganar-se. Mas isto não
ocorre quando milhões de cria-
turas vêem e ouvem a mesma
coisa, em diferentes lugares, rece-
bendo os mesmos ensinamentos;
3. Os Espíritos, através de dife-
rentes pessoas (médiuns), revelam
as mesmas lições e dão as mesmas
orientações acerca dos mesmos
assuntos. Com isso, o ensino tem
caráter universal, não sendo pri-
vilégio de ninguém em especial,
assumindo portanto feição de ver-
dade. Este princípio ficou conhe-
cido como a Universalidade do
Ensino e é um assunto que o Co-
dificador desenvolveu na “Intro-
dução”, item II, de O Evangelho se-
gundo o Espiritismo, e na Revista
Espírita, (maio/1864), no “Discur-
so de abertura do sétimo ano so-
cial”;
4. O Espiritismo fala à razão,
pois leva a fé raciocinada, que po-
de enfrentar a razão face a face em
todas as épocas da Humanidade;
tem fundamentos científicos que
demonstram todos os seus postu-
lados, não adotando nenhum tipo
de dogma (postulado que não se
demonstra) em sua Doutrina;
5. O Espiritismo fala ao coração
porque, além de esclarecer, racio-
nalmente, traz também consola-
ção, demonstrando efetivamente
que a morte não faz cessar a vida;
6. O Espiritismo acompanha a
Ciência; onde esta demonstrasse
que ele está em erro, ele o aban-
donaria para acompanhar a Ciên-
cia;
7. O Espiritismo demonstra e
explica o que outras crenças e reli-
giões apenas defendem como hi-
pótese; muitos admitem a vida
eterna, a Doutrina Espírita a com-
prova.
Enfim, estes são, sem dúvida
alguns dos principais motivos que
justificam a rápida e permanente
difusão do Espiritismo no mundo,
uma Doutrina habilitada a trazer
uma fé raciocinada ao homem
contemporâneo, fazendo nossas as
palavras de Allan Kardec:“(...) Para
todo homem que estuda esse mo-
vimento, torna-se evidente que o
Espiritismo marcará uma das fases
da Humanidade (...)”. (Revista Espí-
rita,junho/1862,p.255,Ed.FEB.)
26 Reformador • Abril 2006114444
reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:04 Page 26
27Abril 2006 • Reformador 114455
m acontecimento marcan-
te na divulgação da Dou-
trina Espírita ocorreu no fi-
nal do ano passado, mais preci-
samente no dia 2 de dezembro,
quando foi disponibilizado para o
público leigo assistir em casa, atra-
vés da TVA Digital, canal por assi-
natura do Grupo Abril, o filme O
Espiritismo – de Kardec aos Dias de
Hoje, produzido pela Federação
Espírita Brasileira.
“Por que este fato é importante
para o Espiritismo?”, perguntariam
provavelmente alguns confrades.
Porque é a primeira vez que um fil-
me espírita, produzido por uma en-
tidade espírita, neste caso a FEB, é
exibido como “um filme espírita”,
embora saibamos que isso aconte-
ceria, mais cedo ou mais tarde, pois
está escrito nas obras de Kardec que
o Espiritismo usaria a arte para sua
divulgação.Quando oferecemos aos
executivos da TVA Digital os direi-
tos de exibição de O Espiritismo –
de Kardec aos Dias de Hoje, para sua
grade de programação no Pay-Per-
-View (pague para ver), fizemos
questão de dizer que se tratava de
“um filme espírita” produzido sob
encomenda da Federação Espírita
Brasileira,e que,quando do seu lan-
çamento em DVD, para as come-
morações do Bicentenário de Nas-
cimento de Allan Kardec (1804-
-2004), o filme se tornara um gran-
de sucesso de vendas junto ao pú-
blico, principalmente, o não espírita.
O Espiritismo – de Kardec aos
Dias de Hoje foi programado, e para
surpresa dos executivos da TVA Di-
gital, não para nós, se tornou um
grande sucesso de público no Pay-
-Per-View.
Logo no primeiro mês de exi-
bição, ficou na oitava colocação,
superando muitas produções re-
centes dos cinemas americano e
inglês.
Nos anos 40 e 50, os cine-
mas americano e inglês pro-
duziram alguns filmes com
cenas que poderíamos clas-
sificar apenas como espiri-
tualistas, pois mostravam
situações que envolviam
personagens “do outro lado”, al-
guns até com certa seriedade, mas
sempre sob o ponto de vista pura-
mente de entretenimento, sem a
abordagem adequada que requer
o assunto.
Na década de 90, vimos produ-
ções made in Hollywood mais sé-
rias, como Ghost, do Outro Lado da
Vida; O Sexto Sentido; Os Outros; e
Amor Além da Vida. Elas mostra-
ram, “involuntariamente”, cenas e
situações que nós identificamos
como espíritas, embora tenham si-
do realizadas sem orientação da
Doutrina. Por que espíritas? Por-
que tomamos conhecimento dessas
situações na Codificação, escrita
entre 1857 e 1868, pelo nosso mes-
tre Allan Kardec, e, no século XX,
nas obras psicografadas por Fran-
cisco Cândido Xavier e Yvonne do
Amaral Pereira.
Fato histórico sobre
divulgação da Doutrina
OCEANO VIEIRA DE MELO
U
Capa do DVD
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A FEB e o Esperanto
Comovente depoimento, da
Hungria, sobre
Memórias de um Suicida
texto que abaixo transcrevemos, em tradu-
ção do esperanto, remete-nos a etapas as-
saz significativas e edificantes da verdadei-
ra saga vivida pelo sagrado texto mediúnico ditado
à médium Yvonne A. Pereira, até que chegasse à sua
versão em língua húngara e en-
sejasse o belíssimo fruto objeto
desta notícia.
Pelo início da década de 90,
instigados por valoroso grupo
de esperantistas-espíritas do Lar
Fabiano de Cristo, entregamo-
-nos à árdua empresa de verter
para o esperanto o Memórias de
um Suicida.
A edição veio a lume em
1998, graças ao esforço hercú-
leo, quase sobre-humano, dos
valorosos idealistas da Socieda-
de Editora Espírita F. V. Lorenz,
à frente o incansável Délio Pe-
reira de Souza.
No início do presente século,
Tibor Szabadi, esperantista-es-
pírita da Hungria, verteu a
obra para sua língua nacional,
com base na tradução em espe-
ranto, cabendo ao idealismo sacrificial de outro
grupo de abnegados e devotados companheiros de
Brasília, sob o comando de Aymoré Vaz Pinto, a
tarefa de editar o volume Egy ongyilkos emlékei
(Memórias de um Suicida), em húngaro, e assim
fecundar o pensamento e o sentimento de nossos
irmãos magiares com o conteúdo de uma das mais
profundas obras mediúnicas que a Terra tem co-
nhecido.
Agora, recebemos de Tibor
Szabadi o depoimento objeto
deste artigo, cujo teor damos a
seguir ao leitor:
“Caros Amigos!
Gostaria de comunicar-lhes
um depoimento que recebi,
em língua húngara, a respeito
da obra Memórias de um Sui-
cida. Quem o faz é uma douto-
ra em Filosofia, professora
universitária, interessada no
estudo do Espiritismo.
Eis o texto, por mim vertido
ao esperanto:
Estimado Szabadi Tibor!
Encontrei, na Biblioteca Cen-
tral de Budapest “Szabó Ervin”,
o livro “Memórias de um Sui-
cida”. Entreguei-me à leitura
com grande curiosidade, pois a
verdade é que até hoje eu absolutamente não com-
preendia as implicações espirituais do suicídio.
Sou formada em Língua Húngara e História, sendo
também doutora em Filosofia.
AFFONSO SOARES
O
Capa do livro Memórias de um
Suicida em húngaro
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Desde o início de meus
estudos universitários,
muito me interesso so-
bre a origem e a teoria
das religiões, e em mi-
nha tese de doutorado
também abordei esse
tema.
Afastei-me das
igrejas “oficiais”, pe-
lo dogmatismo ne-
las reinante. So-
mente nos anos
90, graças ao sur-
gimento, na Hun-
gria, de teorias e
obras vazadas em
novo estilo, readquiri a crença em doutrinas reli-
giosas.
Meu maior interesse é pelo Cristianismo e pelos
ensinos do Cristo, pois sou de confissão católica roma-
na e vejo que as lições de Jesus têm sofrido mui-
tas deformações.
Saiba que o livro que o senhor traduziu abalou-
-me o íntimo pela visão verdadeira que oferece não
somente do real caráter de erro do suicídio, mas tam-
bém do vivo ensino do Cristo.
Compreendi, do ponto de vista espiritual, o grau
da falta que o suicida comete contra Deus, bem
como a maneira pela qual ele deverá responder por
seu ato.
O livro expõe essa responsabilidade não com base
na amedrontação criada pela Igreja, mas com apro-
fundamento, respeito a Deus, assim proporcionando
base sólida para a verdadeira crença.
Tocou-me profundamente a realidade do mundo
espiritual, vendo Maria e seus auxiliares a se devota-
rem ao tratamento desses Espíritos desviados.
Desde quando terminei a leitura da obra, também
passei a orar por essas almas.
Gostaria de testemunhar minha gratidão pelo
grande empreendimento que significa essa tradução,
pois foi graças a ela que pude tomar conhecimento de
obra tão importante como é “Memórias de um
Suicida”.
Meu agradecimento também se estende a todos os
que, contribuindo para a edição do livro, o ajudaram
em seu trabalho.
Agradeço a todos os senhores pelo fato de haver
conhecido essa obra tão valiosa.
D-ra Minya Klara.”
Continuemos, portanto, queridos companheiros
do tríplice ideal EEE (Evangelho – Espiritismo –
Esperanto) nos abençoados serviços com que a
misericórdia do Cristo nos honra e favorece, certos
de que seus belos frutos dão notícia da excelência da
árvore que os produz.
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Capa do livro Memórias de
um Suicida em esperanto
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m curso de apenas quatro
meses reforçou o exército
dos católicos contra as
forças do mal na Terra.
Intitulado“Exorcismo e a oração
da libertação”,ele foi oferecido,pelo
segundo ano consecutivo, pela Uni-
versidade Pontifícia Regina Apos-
tolorum, de Roma.
Entre outubro de 2005 e janei-
ro de 2006, cerca de 120 matricu-
lados de todo o mundo ouviram
palestras sobre os aspectos pasto-
rais, espirituais, teológicos, litúr-
gicos, médicos, jurídicos e crimi-
nais do satanismo e da possessão
demoníaca.
Segundo a opinião dos coor-
denadores do curso, “não há dú-
vida de que hoje o diabo está se
intrometendo mais na vida do
homem”. A maioria dos alunos é
de padres interessados em saber
como lidar com o demônio no
caso de topar com ele algum dia.
Um dos alunos disse que deci-
diu fazer o curso após viver a “ex-
periência perturbadora” de ouvir
a confissão de uma jovem da sua
paróquia. “Sua voz mudou, seu
rosto se transformou e ela come-
çou a falar em uma língua que
não conhecia”, afirmou.
Um dos professores do curso é
bastante conhecido na área do
exorcismo. O Pe. Gabriele Nanni
relacionou quatro sinais definiti-
vos de que se trata de uma posses-
são demoníaca, e não de proble-
mas psicológicos: “Quando al-
guém fala ou entende línguas que
normalmente não conhece; quan-
do sua força física é despropor-
cional ao tamanho do seu
corpo ou à idade; quando
se torna repentinamente
conhecedor de práticas
ocultas; quando tem
uma aversão física a
coisas sagradas, como
a hóstia ou as orações”.
O desafio para os futu-
ros “exorcistas” da Europa
é grande.
Estima-se que só na
Itália, há até 5.000
membros de sei-
tas satânicas. E
jovens de 17 a 25
anos seriam até
três quartos desse
total.
O exorcismo foi assunto de vá-
rias reflexões e artigos por parte
de Allan Kardec em diversos tre-
chos da Codificação e da Revista
Espírita. O Codificador deixou cla-
ro que seria necessário compreen-
der a questão sob a nova roupa-
gem conceitual da visão espírita.
No novo contexto, Kardec es-
clarece que o espírito das trevas,
CARLOS ABRANCHES
O Exorcismo
na visão espírita
U
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adversário de Deus na Terra, na
verdade é um inimigo de si mes-
mo, trabalhando contra a pró-
pria paz.
Acrescenta também que no
trato com as entidades ainda vin-
culadas ao mal, de pouco adian-
tam fórmulas e rituais externos,
mas sim a autoridade moral do
interlocutor, porque o Espírito
tem a possibilidade de perceber a
sinceridade de propósitos do es-
clarecedor e pode aferir sua ho-
nestidade pela qualidade das vi-
brações e pela elevação de sua
congruência, no sentido de só
propor aquilo que tem possibili-
dade de sentir com grandeza e
humildade.
Nesse sentido, a técnica do
diálogo com os elementos das
sombras constitui uma das valio-
sas contribuições do Espiritismo
para a melhora das relações entre
as realidades material e espiritual.
Conversa franca, aberta, centrada
na honestidade de propósitos e
no desejo de melhoria de todos
os envolvidos – vítimas, algozes e
interlocutores chamados ao ser-
viço no bem.
No lugar do ritual externo,
uma atitude interna de respeito e
afeto sincero pelo comunicante.
O que ele precisa é de amor, co-
mo conclui com sabedoria Her-
mínio Miranda na obra Diálogo
com as Sombras.
A ação comunitária dos espíri-
tas no que diz respeito às reu-
niões de desobsessão é, a meu ver,
de grandiosa força revolucioná-
ria, por disseminar por milhares
de sessões mediúnicas o convite
amorável do Mestre, de servir in-
cansavelmente para colaborar com
a iluminação da Humanidade, a
partir da transformação de um co-
ração ferido e disposto a tudo por
fazer o mal e vingar-se.
No lugar do “príncipe das tre-
vas”, colocamos a figura do irmão
enfermo que, tanto quanto nós, é
necessitado de amparo e amor su-
blimes.
O diferencial do espírita é este:
ao contrário de expulsar o cha-
mado demônio da presença dos
seres que ele deseja possuir, de-
volvendo-o aos ambientes infer-
nais, oferece-lhe o oposto, em for-
ma de um suave chamado a que
venha fazer parte do rebanho do
Senhor, já que ele também é filho
de Deus e herdeiro dos tesouros
do Pai...
Por aí trabalhamos, a fim de
mostrar à Humanidade que todos
podemos herdar a terra dos man-
sos de coração...
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um recente levantamento
feito pelo respeitado IIMD
(International Institute for
Management Development), com
sede na Suíça, obtivemos a infor-
mação de que 80% dos 1.312 exe-
cutivos entrevistados, em nove
países, avaliam que a intuição se
tornou importante para a formu-
lação de estratégias e planejamen-
tos empresariais. A maioria dos
respondentes (53%) diz que recor-
re à intuição e ao raciocínio lógi-
co em igual proporção no seu dia-
-a-dia.“O que eles estão dizendo é
que administrar é mais do que
contar, pesar e medir.”1
A palavra intuição apresenta
três significados: a) conhecimento
imediato de alguma coisa, obtido
por meio do entendimento sensí-
vel e/ou do intelectual; b) conheci-
mento antecipado, caracterizado
por um “pré-sentimento” ou por
uma “pré-ciência” de algo que po-
derá acontecer; c) conhecimento
da essência das coisas, isto é, capa-
cidade de enxergar além das apa-
rências.2
O conhecimento imedia-
to é reconhecido como um proble-
ma de ordem epistemológica que
investiga ser possível alguém ter o
conhecimento das coisas sem o
uso exclusivo da inteligência. Co-
mo conhecimento antecipado, a
intuição está vinculada à percep-
ção extra-sensorial. O terceiro sig-
nificado – que trata da apreensão
da essência das coisas – é questão
metafísica quando se indaga ser
possível alguém enxergar aparên-
cias e a realidade das coisas.
O conceito espírita de intuição
abrange esses e outros significados:
a) resulta da manifestação da fa-
culdade anímica; b) decorre da
faculdade mediúnica; c) faz rela-
ção com as provações da vida, de-
finidas no planejamento reencar-
natório; d) reflete aprendizado de-
senvolvido em épocas passa-
das ou no plano espiritual.
Os fenômenos de eman-
cipação da alma ou aními-
cos (de anima, alma) são
produzidos pelo próprio
Espírito encarnado nos mo-
mentos de desprendimen-
to (desdobramento) do
corpo físico. Nesta
situação, o Espí-
rito desdobrado
tem consciência
das ocorrências
desenvolvidas tanto no plano físico
quanto no espiritual, podendo par-
ticipar ativamente delas.3
Retor-
nando ao corpo físico, a pessoa re-
corda-se intuitivamente dos acon-
tecimentos vividos. “De ordinário
[esclarecem os Espíritos Superio-
res], ao despertardes, guardais a in-
tuição desse fato, do qual se origi-
nam certas idéias que vos vêm es-
pontaneamente, sem que possais
explicar como vos acudiram (...)”4
Os fenômenos mediúnicos (de
médium, meio) decorrem da ação
Em dia com o Espiritismo
MARTA ANTUNES MOURA
Intuição
N
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dos Espíritos sobre um instru-
mento humano, o médium. A in-
tuição manifestada por via me-
diúnica é muito sutil. Surgem, na
mente, idéias sobre um assunto
ou acontecimento, cuja origem, a
rigor, é desconhecida pelo media-
neiro. Kardec explica que “o mé-
dium intuitivo age como o faria
um intérprete. Este, de fato, para
transmitir o pensamento, precisa
compreendê-lo, apropriar-se dele,
de certo modo, para traduzi-lo
fielmente e, no entanto, esse pen-
samento não é seu, apenas lhe
atravessa o cérebro. Tal precisa-
mente o papel do médium intuiti-
vo”.5
É por este motivo que na
mediunidade intuitiva “(...) tor-
na-se freqüentemente difícil dis-
tinguir o pensamento do médium
do que lhe é sugerido, o que leva
muitos médiuns deste gênero a du-
vidar da sua faculdade”. 6
A intuição pode ocorrer como
lembranças de provas, definidas
no planejamento re-
encarnatório. São
provações seme-
lhantes às que o
Espírito não sou-
be aproveitar, re-
sultando lutas ne-
cessárias à sua melhoria espiritual.
O reencarnante, então, “pede a Es-
píritos que lhe são superiores que o
ajudem na nova empresa que sobre
si toma, ciente de que o Espírito,
que lhe for dado por guia nessa
outra existência, se esforçará pelo
levar a reparar suas faltas, dando-
-lhe uma espécie de intuição das em
que incorreu. (...) Essa voz [ensina
um Espírito Superior],que é a lem-
brança do passado, vos adverte
para não recairdes nas faltas de que
já vos fizestes culpados”. 7
A intuição é, também, uma
lembrança de aprendizado desen-
volvido pelo Espírito, em vidas
passadas e nos intervalos das reen-
carnações. Surge como idéias ina-
tas e como tendências instintivas.
“(...) os conhecimentos adquiridos
em cada existência [e no plano es-
piritual] não mais se perdem. Li-
berto da matéria, o Espírito sem-
pre os tem presentes. Durante a
encarnação, esquece-os em parte,
momentaneamente; porém, a in-
tuição que deles conserva lhe
auxilia o progresso. Se não fosse
assim, teria que recomeçar cons-
tantemente.” 8
A evolução histórica do signifi-
cado da intuição revela-nos a
existência de uma constante
preocupação, manifestada
em diferentes épocas e áreas
do saber humano, sobre o
pensamento intuitivo. Os
filósofos da Antigüidade,
platônicos e neoplatônicos,
defendem a tese de que a
intuição é um conhecimen-
to ou dom superior, um ti-
po de privilégio divino.
A filosofia medieval considera
o conhecimento intuitivo como
uma forma particular e privilegia-
da da consciência humana. Entre-
tanto, o filósofo inglês Francis Ba-
con (1561-1626) acrescenta que
somente a intuição associada à
experiência deve ser aceita como
um privilégio da inteligência hu-
mana. Descartes (1596-1650), por
outro lado, explica que é impor-
tante saber distinguir “intuição” –
apreensão sensível e vulgar expe-
rimentada pelo intelecto – de
“intuição evidente” (evidens in-
tuitus) que nos conduz ao conhe-
cimento verdadeiro. O filósofo
alemão Friedrich Hegel (1770-
-1831), por sua vez, identifica a
intuição com o pensamento ou
com a capacidade de pensar: “o
puro intuir é o mesmo que o puro
pensar”, afirma.
Os filósofos contemporâneos,
sobretudo os matemáticos e os
lógicos, relacionam intuição à ca-
pacidade inventiva da Ciência. O
biólogo e filósofo francês Claude
Bernard (1813-1878) dizia: “a in-
tuição gera a idéia ou a hipótese
experimental, ou seja, interpreta
antecipadamente os fenômenos
da natureza”. O francês Henri
Poincaré (1854-1912), notável ma-
temático e filósofo, repetia, com
referência à matemática, o que
Bernard dizia sobre as ciências
experimentais:“demonstra-se com
a lógica, mas só se inventa com a
intuição. (...) A faculdade que nos
ensina a ver é a intuição. Sem ela
o geômetra seria como um escri-
tor bom de gramática, mas vazio
de idéias”.9
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As idéias intuitivas fazem rela-
ção com a criatividade, nos dias
atuais. A intuição é vista como
faculdade congênita, presente
em alguns indivíduos, mas passí-
vel de ser desenvolvida pelo exer-
cício. Para os estudiosos, a mente
das pessoas intuitivas desenvol-
veu a capacidade de lidar com fi-
guras ou configurações. Neste
sentido, a intuição é uma forma
peculiar do pensamento que
emite imagens mentais denomi-
nadas não-lógicas.10
Para a Ciên-
cia, existem várias maneiras de
pensar. O pensamento lógico-ra-
cional, por exemplo, nos é mais
familiar, facilitando as nossas
interferências no cotidiano, na
realidade objetiva. O valor da
intuição estaria na habilidade de
a mente produzir e interpretar
imagens não-lógicas e, ao mesmo
tempo, coexistir harmonicamen-
te com as emissões do pensa-
mento racional-lógico.11
Este é o
ponto exato que reflete o interes-
se dos estudiosos pela intuição e
pelos intuitivos. Empresários e
tecnólogos, psicólogos e educa-
dores da atualidade incentivam
ou desenvolvem estudos, pesqui-
sas e análises, confiantes em que
os insights ou a súbita percepção,
próprios dos intuitivos, represen-
tam um jeito novo de fazer algo, e
podem ser a solução para proble-
mas e desafios complexos, exis-
tentes na civilização hodierna.11
O Espírito André Luiz nos for-
nece uma boa explicação sobre o
mecanismo básico da intuição:
“A aura é, portanto, a nossa plata-
forma onipresente em toda comu-
nicação com as rotas alheias, ante-
câmara do Espírito, em todas as
nossas atividades de intercâmbio
com a vida que nos rodeia (...).
Isso porque exteriorizamos,
de maneira invariável, o reflexo de
nós mesmos, nos contatos de pen-
samento a pensamento, sem ne-
cessidade das palavras para as
simpatias ou repulsões funda-
mentais. (...)
Pelas ondas de pensamento a se
enovelarem umas sobre as outras,
segundo a combinação de fre-
qüência e trajeto, natureza e obje-
tivo, encontram-se as mentes se-
melhantes entre si (...).
A intuição foi, por esse motivo,
o sistema inicial de intercâmbio,
facilitando a comunhão das criatu-
ras, mesmo a distância, para trans-
fundi-las no trabalho sutil de tele-
mentação, nesse ou naquele domí-
nio do sentimento e da idéia, por
intermédio dos remoinhos men-
suráveis de força mental, assim
como, na atualidade, o remoinho
eletrônico infunde em aparelhos
especiais a voz ou a figura de pes-
soas ausentes, em comunicação
recíproca na radiotelefonia e na
televisão.” 12
Emmanuel esclarece que “to-
dos os homens participam dos
poderes da intuição, no divino ta-
bernáculo da consciência, e todos
podem desenvolver suas possibili-
dades nesse sentido. (...)
A faculdade intuitiva é insti-
tuição universal. Através de seus
recursos, recebe o homem terres-
tre as vibrações da vida mais alta,
em contribuições religiosas, filo-
sóficas, artísticas e científicas,
ampliando conquistas sentimen-
tais e culturais, colaboração essa
que se verifica sempre, não pela
vontade da criatura, mas pela con-
cessão de Deus.” 13
Referências Bibliográficas:
1
BLECHER, Nelson. In: Essência da Intui-
ção. São Paulo: Editora Martin Claret, 1997,
p. 76.
2
Enciclopédia Mirador Internacional. São
Paulo: Melhoramentos, 1995, vol. 12,
p. 6.181.
3
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 76.
ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005, cap. XIX,
item 223, 1o
a 5o
subitens, p. 278 e 279.
4
______. O Livro dos Espíritos. 86. ed.
Rio de Janeiro: FEB, 2005, q. 415, p. 257.
5
______. O Livro dos Médiuns. Rio de Ja-
neiro: FEB, 2005, cap. XV, item 180, p. 231.
6
______. Obras Póstumas. 38. ed. Rio de
Janeiro: FEB, 2005. Primeira Parte, “Dos
médiuns”, item 50, p. 71.
7
______. O Livro dos Espíritos. 86. ed.
Rio de Janeiro: FEB, 2005, q. 393, p. 243.
8
Idem, ibidem, q. 218-a, p. 164.
9
ABBRAGNANO, Nicola. Dicionário de Fi-
losofia. São Paulo: Martins Fontes, 2000,
p. 581 a 583.
10
FISHER, Milton. In: Essência da Intui-
ção. São Paulo: Editora Martin Claret,
1997, p. 59 a 62.
11
EPSTEIN, Gerald. In: Essência da Intui-
ção. São Paulo: Editora Martin Claret,
1997, p. 30.
12
XAVIER, Francisco C. e VIEIRA, Waldo.
Evolução em dois Mundos, pelo Espírito
André Luiz. 23. ed. Rio de Janeiro: FEB,
2005, cap. 17, p. 164 a 166.
13
XAVIER, Francisco Cândido. Caminho,
Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel.
1. ed. especial, Rio de Janeiro: FEB, 2004,
cap. 156, p. 327 a 328.
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O Conselho Federativo Nacional
da FEB, em sua Reunião Ordinária
de 11 a 13 de novembro de 2005,
constituiu Comissão para as come-
morações do Sesquicentenário da
Doutrina Espírita, considerando
que no dia 18 de abril de 2007 se
comemoram 150 anos do lança-
mento de O Livro dos Espíritos, por
Allan Kardec. Com esse objetivo, o
CFN também aprovou que a FEB
promova e coordene a realização
do 2o
Congresso Espírita Brasileiro,
que ocorrerá em Brasília.
Essa Comissão do CFN ficou
integrada pelos seguintes repre-
sentantes: Região Norte – Jorge
Alberto Elarrat do Canto e Sandra
Farias de Moraes; Região Nordes-
te – Creuza Santos Lage e Sônia
Maria Arruda Fonseca; Região
Centro – Maria Túlia Bertoni e
Saulo Gouveia Carvalho; Região
Sul – Jason de Camargo e José
Antonio Luiz Balieiro; Entidades
Especializadas de Âmbito Nacio-
nal – Gezsler Carlos West e Jorge
Pedreira de Cerqueira; Federação
Espírita do Distrito Federal – Cé-
sar de Jesus Moutinho; FEB –
Altivo Ferreira e Antonio Cesar
Perri de Carvalho.
Com o lema Espiritismo: 150
Anos de Luz e Paz, estão sendo
planejadas várias ações:
Plano de Trabalho para o Mo-
vimento Espírita Brasileiro: a ser
elaborado sob a coordenação do
Conselho Federativo Nacional da
FEB. Os estudos para esse “Pla-
no de Trabalho” serão iniciados
nas quatro Reuniões das Comis-
sões Regionais do CFN, entre
abril e junho deste ano, concluin-
do-se na Reunião Extraordinária
do CFN, que antecederá a abertu-
ra do 2o
Congresso Espírita Brasi-
leiro.
2o
Congresso Espírita Brasilei-
ro: programado para Brasília, de
12 a 15 de abril de 2007, será pro-
movido pela Federação Espírita
Brasileira e terá como tema cen-
tral O Livro dos Espíritos na Edi-
ficação de um Mundo Melhor. An-
tecedendo a abertura do 2o
Con-
gresso serão realizadas em Brasília
Reuniões conjuntas das quatro
Comissões Regionais do CFN e a
Reunião Extraordinária do CFN.
Atividades junto ao Movimen-
to Espírita: estímulo a ações das
Entidades Federativas Estaduais e
Associações Especializadas junto
às suas áreas de abrangência, e
montagem de um cronograma
das programações alusivas ao Ses-
quicentenário do Espiritismo, du-
rante o ano de 2007, mas com
destaque à promoção de eventos
em todas as Instituições Espíritas,
em torno da data de 18 de Abril de
2007. O encerramento das come-
morações do Sesquicentenário
ocorrerá na Reunião Ordinária do
CFN, em novembro de 2007.
Ações para a difusão espírita:
serão criadas peças promocio-
nais sobre o Sesquicentenário do
Espiritismo e sobre as Obras Bá-
sicas da Codificação, estimulan-
do-se as edições especiais de li-
vros, jornais e revistas, sobre a
efeméride.
Edição de Selo Postal Come-
morativo: a FEB proporá aos
Correios a emissão de selo postal
e a preparação de carimbo, come-
morativos do Sesquicentenário
do Espiritismo, com previsão pa-
ra lançamento, em Brasília, no
dia 18 de abril de 2007, e com
lançamento simultâneo em todas
as capitais dos Estados, nas sedes
das respectivas Entidades Federa-
tivas.
Comemorações do
do Espiritismo
Sesquicentenário
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36 Reformador • Abril 2006115544
Páginas da Revue Spirite
lgumas pessoas perguntam por que a Doutri-
na Espírita não é a mesma no antigo e no no-
vo continentes e em que consiste a diferença.
É o que tentaremos explicar.
Como se sabe, as manifestações ocorreram em to-
dos os tempos, tanto na Europa quanto na América,
e hoje, que nos damos conta da coisa, lembramos
uma porção de fatos que tinham passado desperce-
bidos, muitos dos quais consignados em escritos
autênticos. Mas esses fatos eram isolados; nestes últi-
mos tempos eles se produziram nos Estados Unidos
numa escala bastante ampla para despertar a atenção
geral dos dois lados do Atlântico. A extrema liberda-
de existente nesse país favoreceu a eclosão das idéias
novas, e é por isto que os Espíritos o escolheram para
primeiro teatro de seus ensinos.
Ora, acontece muitas vezes que uma idéia surge
num país e se desenvolve em outro, como se vê nas
ciências e na indústria. Sob esse aspecto, o gênio
americano deu suas provas e nada tem a invejar à
Europa; mas, se excede em tudo o que concerne ao
comércio e às artes mecânicas, não se pode recusar à
Europa o das ciências morais e filosóficas. Em conse-
qüência dessa diferença no caráter normal dos po-
vos, o Espiritismo experimental ocupava seu espaço
na América, enquanto a teoria e a filosofia encontra-
vam na Europa elementos mais propícios ao seu
desenvolvimento. Assim, foi lá que nasceu, conquis-
tando, em poucos anos, o primeiro lugar. Ali os fatos
inicialmente despertaram a curiosidade; porém,
uma vez constatados e satisfeita a curiosidade, logo
se cansaram das experiências materiais sem resulta-
dos positivos. Já o mesmo não ocorreu desde que se
desdobraram as conseqüências morais desses mes-
mos fatos para o futuro da Humanidade. A partir daí
o Espiritismo tomou posição entre as ciências filosó-
ficas; marchou a passos de gigante, a despeito dos
obstáculos que lhe foram suscitados, porque satisfa-
zia às aspirações das massas, porque prontamente
compreenderam que vinha preen-
cher um imenso vazio
nas crenças e resolver o
que até então parecia
insolúvel.
A América foi, pois,
o berço do Espiritis-
mo, mas foi na Euro-
pa que ele cresceu e fez
suas humanidades. Isto
é motivo para a Amé-
rica ficar enciuma-
da? Não, porque
noutros pontos
ela levou van-
tagem. Não
A Escola Espírita
A
James Hervey Hyslop foi um dos pioneiros do
Espiritismo experimental nos Estados Unidos.
Americana
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foi na Europa que as máquinas a vapor surgiram? e
não foi na América que encontraram a sua aplicação
prática? A cada um o seu papel, conforme suas apti-
dões, e a cada povo o seu, segundo seu gênio parti-
cular.
O que particularmente distingue a escola espírita
dita americana da escola européia é a predominân-
cia, na primeira, da parte fenomênica, à qual se ligam
mais especialmente, e na segunda, a parte filosófica.
A filosofia espírita da Europa espalhou-se pronta-
mente, porque ofereceu, desde o princípio, um
conjunto completo, mostrando o objetivo e
ampliando o horizonte das idéias; incon-
testavelmente, é a que hoje prevalece
no mundo inteiro. Até hoje os Es-
tados Unidos pouco se afastaram de
suas idéias primitivas; significará
isto que, isolados, ficarão na reta-
guarda do movimento geral? Seria
injuriar a inteligência desse povo.
Aliás, os Espíritos lá estão para o
impelir na via comum, ensinando
ali o que ensinam alhures; triunfa-
rão pouco a pouco das resistências
que poderiam nascer do amor-pró-
prio nacional. Se os americanos re-
pelissem a teoria européia, porque
vem da Europa, aceitá-la-ão quando
surgir em seu meio, pela própria
voz dos Espíritos; cederão ao ascen-
dente, não da opinião de alguns
homens, mas ao controle universal
do ensino dos Espíritos, esse poderoso critério, como
o demonstramos em nosso artigo sobre a autoridade
da doutrina espírita; é apenas uma questão de tempo,
principalmente quando houverem desaparecido as
questões pessoais.
De todos os princípios da doutrina, o que encon-
trou mais oposição na América – e por América
deve entender-se exclusivamente os Estados Unidos
– foi o da reencarnação. Pode mesmo dizer-se que é
a única divergência capital, prendendo-se as outras
mais à forma do que ao fundo, e isto porque ali os
Espíritos não a ensinaram. Expliquemos as razões
disto. Os Espíritos procedem em toda parte com sa-
bedoria e prudência; para se fazerem aceitar, evitam
chocar muito bruscamente as idéias preconcebidas.
(...) Nos Estados Unidos o dogma da reencarnação
teria vindo chocar-se contra os preconceitos de cor,
tão profundamente arraigados naquele país; o es-
sencial era fazer aceitar o princípio fundamental da
comunicação do mundo visível com o mundo invi-
sível; as questões de detalhe viriam a seu tempo.
Ora, não é duvidoso que esse obstáculo acabe por
desaparecer, e que um dos resultados da
guerra civil atual seja o gradativo en-
fraquecimento de preconceitos, ver-
dadeira anomalia numa nação tão
liberal.
Se, de maneira geral, a idéia da
reencarnação ainda não é aceita
nos Estados Unidos, ela o é indi-
vidualmente por alguns, se não
como princípio absoluto, ao me-
nos com certas restrições, o que já
é alguma coisa. Quanto aos Espí-
ritos, sem dúvida julgando que o
momento é propício, começam a
ensinar com cautela em certos lu-
gares e sem rodeios em outros.
Uma vez levantada, a questão per-
correrá longa distância. Aliás, te-
mos sob os olhos comunicações já
antigas, obtidas naquele país, nas
quais, sem estar formalmente ex-
pressa, a pluralidade das existências é a conseqüên-
cia forçada dos princípios emitidos; aí se vê brotar a
idéia. Assim, não é duvidoso que, em pouco tempo,
o que hoje ainda se chama escola americana fundir-
-se-á na grande unidade que se estabelece por toda
parte.
ALLAN KARDEC
Fonte: Revue Spirite (Revista Espírita) – maio de 1864, 2. ed.
FEB. Transcrição parcial, p. 200 a 202.
37Abril 2006 • Reformador 115555
Leonore E. Piper, famosa
médium americana. Portadora
de vários dons mediúnicos,
prestou-se a estudos científicos
de 1885 a 1915
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Desafios na
Casa Espírita
uito freqüentemente quei-
xam-se os companheiros
que militam na Casa Espí-
rita acerca dos distúrbios que se
operam nas engrenagens admi-
nistrativas da Instituição, impondo
a deserção de vários tarefeiros e a
abertura de áreas de guerra intes-
tina, em que a maledicência e a re-
volta surda, o azedume e o melin-
dre surgem por colheita infeliz,fru-
to da sementeira invigilante dos
trabalhadores envolvidos.
Aqui, aparece a discussão esté-
ril, levando os trabalhadores a rui-
dosos atritos pessoais, desenca-
deando o malogro de idéias louvá-
veis, e ao abortamento de projetos
de crescimento da própria Casa.
Mais adiante, observa-se a frieza de
corações no trato uns para com os
outros, estabelecendo nevoento e
propício campo para as disputas de
arena e os duelos espirituais nas
faixas dos sentimentos inferiores,
prenunciando a ruína de tudo
quanto já foi construído pelos
obreiros da primeira hora.
Mais acolá, a inveja ganha espa-
ço entre os servidores da colméia
espírita, onde passa a haver dispu-
ta pelo mel das vantagens imedia-
tas e dos aplausos do mundo, ante
a ânsia de se estar nos postos de
comando, abandonando-se a sim-
plicidade e a humildade que deve-
riam viger por bandeiras de vivên-
cia cristã na seara que se escolheu
para militar.
E assim vários focos infecciosos
vão minando a Instituição Espírita,
sempre sob a aparência de simples
divergências de pensamentos, a
ocultar uma ameaça muito maior,
qual seja a evidência perturbadora
da inferioridade humana, buscan-
do espaço para as alucinações do
Ego e para a tirania do espírito.
Nesse meio termo, surgem os
que alertam que a Casa Espírita está
sob assalto da obsessão coletiva, ne-
cessitando de uma maior vigilância
dos tarefeiros encarnados, a fim de
se minimizar o assédio das sombras
sob açodamento das paixões hu-
manas. Recomenda-se a prece e a
vigilância por antídoto a semelhan-
te flagelo de natureza espiritual.
Certamente que têm razão os
que assim se pronunciam, alertan-
do aos demais para que não caiam
mais profundamente nas malhas
sutis da influência fascinatória exer-
cida pelos Espíritos desencarnados
sobre o psiquismo humano em
tresvario.O próprio Codificador do
Espiritismo, Allan Kardec, já nos
tinha alertado que a influência ob-
sessiva sempre se dá quando o indi-
víduo se coloca predisponente para
que semelhante sintonia se estabe-
leça no campo pessoal, ameaçando
soçobrar a tranquilidade e a paz vi-
gente na seara espiritista.*
Todas as vezes que a obsessão se
insinua, imperioso é reconhecer
que os obsedados vulgares dão re-
pasto a semelhante enfermidade da
alma. A invigilância aos próprios
sentimentos, a ausência de autocrí-
tica, o despeito em relação aos de-
mais companheiros de militância,a
disputa por espaços de poder e de
influência pessoal abrem campo
para que a obsessão, seja individual
ou coletiva, se instale na intimida-
de da Instituição qual erva daninha
em solo fértil, sendo esta praga ras-
teira disseminada pelos próprios
semeadores da Casa Espírita,ante o
fascínio de poder e comando que
muitos trazem de existências tran-
satas fracassadas.
Necessário que, em vez de uma
olhada simplista para a janela do
invisível, ante a investigação me-
diúnica, que será simplesmente
confirmar o que já se sabe e se sus-
peita, fundamental se faz que os
*Nota do autor espiritual: O Livro dos Mé-
diuns, capítulo 23,“Da obsessão”, Ed. FEB.
M
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reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:05 Page 38
causadores do distúrbio
abram os portais da alma
e se voltem para dentro
de si mesmos, reavalian-
do suas condutas ante a
doutrina lida e estudada,
mas ainda evidentemente
não vivida.
É o Espiritismo o mais
sublime roteiro de refor-
ma íntima e renovação
moral que se conhece nos
caminhos terrestres, nos
convidando a abandonar
os velhos mantos da vai-
dade milenar e do egoísmo pri-
mitivista, sendo ele poderoso anti-
biótico a agir nos tecidos infeccio-
nados da alma,ensejando que faça-
mos ainda hoje a nossa autocura
através da renúncia a propósitos
hegemônicos e autoritários, bus-
cando uma postura madura e res-
ponsável diante das tarefas abraça-
das livremente e dos demais irmãos
de jornada, a fim de que não nos
façamos instrumentos da pertur-
bação, a introduzir no seio da Casa
Espírita os pegajosos tentáculos do
escândalo e da viciação, a matar as
florações segadas por mãos abnega-
das e dedicadas, escândalo este pe-
lo qual responderemos mais tarde.
Que cada trabalhador se cons-
cientize de que é importante sem
ser imprescindível.
Que é útil, mas nunca indis-
pensável.
Que mais vale ajudar do que
desajudar.
Que toda crítica ao que já existe
deve vir acompanhada das possí-
veis alternativas ou soluções de
como deveria ser, e que nosso ver-
bo, ao analisar fatos e pessoas, de-
ve estar marcado pelo selo da man-
suetude e da tolerância, ante a ine-
quívoca constatação de que não
sendo perfeitos, não podemos exi-
gir dos demais a perfeição que eles
igualmente estão a buscar.
Dessa forma, cada um vai per-
cebendo sua real posição na Casa
Espírita que elegeu para trabalhar,
evitando interferências desastro-
sas nas lides alheias, e assim ope-
rando individualmente para o êxi-
to da atividade coletiva, que deve
sempre refletir o espírito do Cris-
to, que nos convida permanente-
mente ao combate sem tréguas às
nossas paixões, nos estimulando a
evoluir com a ferramenta da Dou-
trina Espírita e a conviver harmo-
niosamente no meio dos desafios
por que passa periodicamente a
Casa Espírita, bem como o Movi-
mento Espírita, já que estamos
cientes de que não somos melho-
res nem piores do que os demais
que comungam conosco a seara a
que nos entregamos voluntaria-
mente: somos simplesmente pes-
soas diferentes umas das outras,
em graus de entendimento pró-
prio, em incessante marcha para
dias melhores, depois de supe-
radas, as refregas da Terra, que nos
impõe a convivência em grupo pa-
ra que nos exercitemos na arte de
aceitar o companheiro que mar-
cha conosco, aprendendo igual-
mente a ser feliz.
Mário H. de Luna
(Página psicografada pelo médium
Marcel Mariano, em 11/11/2005, em
Brasília (DF), durante a Reunião do
CFN/FEB.)
39Abril 2006 • Reformador 115577
No artigo “Reuniões me-
diúnicas no lar”, na legenda
da página 28 de Reformador
de março de 2006, o nome
correto da instituição é As-
sociação Espírita Beneficen-
te “Anjo da Guarda”.
Retificando...
reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:06 Page 39
Digníssimos Irmãos.
asgada a cortina, a luz es-
plende em todo o fulgor da
sua liberdade e da sua gló-
ria. Assim também o Espírito, li-
bertado, pela morte material, dos
grilhões constringentes e velado-
res da carne, vibra na plenitude de
seus ideais e dos seus sentimentos,
na força plena de sua capacidade
de ser e de fazer. Seria, portanto,
paradoxal e incompreensível que
nós, os modestos, mas sinceros
operários do primeiro século do
Espiritismo, só por desenfaixados
dos fluidos densos da vestidura
carnal, nos distanciássemos, indi-
ferentes, do campo de lutas terres-
tres, onde a idéia sublime, que nos
iluminou os mais altos sonhos,
trava as suas batalhas decisivas, pa-
ra firmar-se e expandir-se na seara
dos corações. Bem ao revés disso,
plantamo-nos, vigilantes e indor-
midos, na primeira linha dos com-
bates, ao lado daqueles que, como
é o vosso caso, dão o melhor de si
mesmos pela grande causa do
Consolador, que é a mensagem da
redenção e da paz para toda a Hu-
manidade. Por inidentificados não
estamos inativos, nem omissos.
Surgem, porém, horas como esta,
no relógio do destino, em que o
impositivo do dever maior nos le-
va a nos dirigirmos ostensivamen-
te a vós outros. Eis por que hoje te-
nho a glória amena e doce de es-
crever-vos, não para dizer-vos algo
de minha própria pobreza, mas pa-
ra transmitir-vos, com a permissão
do Anjo Tutelar desta Pátria e desta
Casa, a palavra de encorajamento e
de incentivo do Espírito Estelar do
Codificador, a fim de que abraceis
decididamente a tarefa que vos ca-
be, de levar a luz do Espiritismo
ao mundo inteiro. O Brasil é real-
mente, por decreto divino, o país
escolhido para ser o Grande Evan-
gelizador do Planeta e esta Subli-
me Oficina é a feliz depositária des-
te legado crístico. Não temais, pois,
dificuldades, nem vos atraseis no
cumprimento de vossos excelsos
deveres, porque a hora já é avança-
da e não há mais tempo a perder, a
fim de que tantos quantos for pos-
sível recebam a palavra do Cristo
Redivivo, antes que a noite apo-
calíptica desça sobre os vales da
Crosta planetária.
Aproveito para deixar-vos meu
amplexo muito emocionado e mui-
to agradecido, pelas flores aromais
de vossas lembranças e das home-
nagens fraternais que me tendes
prestado, pelo meu pouco mereci-
mento.
Crede que sou, com Marina e
todos os companheiros das pri-
meiras horas, o irmão fiel, o amigo
sincero e o companheiro serviçal
de todos os dias, sempre ao inteiro
dispor de vossos corações.
P.-G. Leymarie
Fonte: SANT’ANNA, Hernani T.
Correio Entre Dois Mundos. 2. ed. Rio
de Janeiro: FEB, 2002, p. 115 e 116.
A hora é
avançada
R
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reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:06 Page 40
41Abril 2006 • Reformador 115599
A participação das editoras es-
píritas na 19a
Bienal Internacional
do Livro de São Paulo 2006 foi a
mais expressiva da última década.
Com um estande de 490 metros
quadrados, exatamente na entrada
do Pavilhão de Exposições Anhem-
bi, a Federação Espírita Brasileira
(FEB) e a Associação de Editoras,
Distribuidoras e Divulgadoras do
Livro Espírita (Adeler) receberam
milhares de visitantes que busca-
vam informações sobre a Doutri-
na, a literatura e o Movimento Es-
pírita.
O presidente da Câmara Brasilei-
ra do Livro (CBL), Oswaldo Sicilia-
no, visitou o estande da FEB no dia
11 de março, pela manhã. Ele elo-
giou o trabalho das editoras espíri-
tas e destacou a qualidade editorial
e gráfica dos livros editados pela Fe-
deração. Siciliano foi recebido pelo
presidente Nestor João Masotti, que
o presenteou com o livro O Es-
piritismo na sua Expressão mais
Simples, de Allan Kardec. O livro,
um dos lançamentos da FEB na Bie-
nal de São Paulo, foi traduzido por
Evandro Noleto Bezerra.
Uma área especial do estande
foi construída especialmente para
atender ao público infantil. Além
de brincadeiras com balões e pin-
tura de rosto, o espaço atraiu cen-
tenas de crianças ao encenar um
teatro de fantoches baseado nos li-
vros O tatu cavaleiro e O papagaio
que falava latim, obras de Eloy
Facco (Tieloy) editadas pela FEB.
Com adaptação e direção de Car-
los Moreira, a peça foi produzida
pela empresa Entrelinhas Comu-
nicação e Eventos.
Além de distribuir milhares de
produtos de divulgação do livro, a
FEB montou um centro de infor-
mações sobre as instituições espí-
ritas do Brasil e do Exterior. Os vi-
sitantes levaram para casa folhetos
explicativos sobre obras sociais e
tarefas doutrinárias, além de jor-
nais, revistas, cartazes e material
referente às Campanhas Família,
Vida e Paz.
A FEB na
Bienal do Livro
de São Paulo
Foto do Estande da Federação Espírita Brasileira
Nestor Masotti e Oswaldo Siciliano
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42 Reformador • Abril 2006116600
FEB/DF: Monitores e Evangelizadores
Nos dias 18 e 19 de fevereiro ocorreu o Encontro de
Monitores da Mediunidade e de Evangelizadores do
Departamento de Infância e Juventude, nas depen-
dências da FEB, tendo participado cerca de 120 evan-
gelizadores e 30 monitores do Curso de Mediunidade.
Nos dias 25 e 26 de fevereiro foi realizadao um curso
para os monitores e colaboradores do ESDE, que con-
tou com 40 participantes. O Encontro e o curso ti-
veram caráter preparatório para as atividades de 2006,
cujas aulas regulares começaram em 4 de março, com
uma palestra pelo vice-presidente Altivo Ferreira.
M. G. do Sul: Capacitação
A reunião de capacitação de dirigentes das Casas
Espíritas ocorrida nos dias 18 e 19 de fevereiro, em
Campo Grande, sob o patrocínio da Federação Espírita
de Mato Grosso do Sul, reuniu um número aproxima-
do de 50 pessoas.Participaram os presidentes das Casas
Espíritas da URE Campo Grande – à qual estão vin-
culadas 31 Casas Espíritas de Campo Grande e 7 de
outras localidades –, e os coordenadores das demais
UREs. Foram desenvolvidos pelos expositores João
Pinto Rabelo e Edmilson Luiz Nogueira, ambos da
FEB, os temas: Visão espiritual do Curso de Capacitação
Administrativa de Dirigentes de Casas Espíritas e Asso-
ciação de Casas Espíritas com OSCIPs e ONGs.
Macapá (AP): Casa Chico Xavier
Uma nova Unidade de Promoção Integral, que utiliza
o modelo desenvolvido pelo Lar Fabiano de Cristo, foi
inaugurada em Macapá, a qual recebeu o nome de
Casa Chico Xavier e será administrada pela Federação
Espírita do Amapá, em parceria com o Lar Fabiano de
Cristo. A Unidade está localizada na Rua Odilardo
Silva, 1.131 – CEP 68908-100 – Macapá (AP). Telefo-
ne: (96) 3251-3633.
M. Grosso: Encontro da Família
Famílias espíritas se reuniram entre os dias 25 e 28 de
fevereiro, na Federação Espírita do Estado de Mato
Grosso (FEEMT), a fim de debater o tema A família
numa visão sistêmica. O VI Encontro da Família Es-
pírita contou com a presença de Alberto Almeida, de
Belém (PA). O evento – que ocorre de dois em dois
anos, durante o carnaval – permitiu a troca de expe-
riências e reflexão para mais de 600 pessoas.
Casa Espíritas centenárias
O Centro Espírita “Luz e Caridade”, de Limeira (SP),
fundado em 18 de março de 1906, está comemorando
100 anos de atividade ininterrupta. A programação,
durante o mês do aniversário, consistiu em três pales-
tras, por Orson Peter Carrara, Marcos Alberto
Ferreira e Marlene Nobre (nos sábados 3, 11 e 18), e
na conferência de encerramento, no dia 27, por Dival-
do Pereira Franco.
O Grupo Espírita Paz, de Conselheiro Lafaiete
(MG), fundado em 31 de março de 1906, está come-
morando seu Centenário com um programa de semi-
nários e eventos culturais, de temática espírita, que se
estende de janeiro a dezembro de 2006, além da par-
ticipação, em outubro, na Semana Espírita da Aliança
Municipal Espírita de Conselheiro Lafaiete.
Maranhão: 26a
CONESMA
Promovida pela Federação Espírita do Maranhão,
ocorreu, de 25 a 28 de fevereiro passado, a 26a
Con-
fraternização Espírita do Maranhão (CONESMA).
Com a participação dos palestrantes Ana Guimarães
(RJ), Geraldo Guimarães (RJ) e André Siqueira (DF),
no Auditório da Faculdade Atenas Maranhense, a
Confraternização contou com seminários, palestras,
debates e momentos de arte. Foram expostos e debati-
dos os seguintes temas: 2000 anos com Jesus; A
Pedagogia de Jesus na formação do Homem Integral;
Jesus e a terapia do amor; As várias faces do Cris-
tianismo e seu renascimento através da Doutrina Espí-
rita; Reencarnação, o elo perdido do Cristianismo; A
visão espírita e o modelo de perfeição de Jesus; e Na pre-
sença do Cristo – Aspectos humanos, psicológicos e es-
pirituais.
Seara Espírita
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Reformador 04 abril_2006
Reformador 04 abril_2006

Reformador 04 abril_2006

  • 3.
    Fundada em 21de janeiro de 1883 Fundador: Augusto Elias da Silva Revista de Espiritismo Cristão Ano 124 / Abril, 2006 / No 2.125 ISSN 1413-1749 Propriedade e orientação da FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA Diretor: NESTOR JOÃO MASOTTI Diretor-Substituto e Editor: ALTIVO FERREIRA Redatores: AFFONSO BORGES GALLEGO SOARES, ANTONIO CESAR PERRI DE CARVALHO, EVANDRO NOLETO BEZERRA e LAURO DE OLIVEIRA SÃO THIAGO Secretária: SÔNIA REGINA FERREIRA ZAGHETTO Gerente: AMAURY ALVES DA SILVA Gerente de Produção: GILBERTO ANDRADE Equipe de Diagramação: SARAÍ AYRES TORRES, AGADYR TORRES E CLAUDIO CARVALHO Equipe de Revisão: MÔNICA DOS SANTOS E WAGNA CARVALHO REFORMADOR: Registro de publicação n o 121.P.209/73 (DCDP do Departamento de Polí- cia Federal do Ministério da Justiça), CNPJ 33.644.857/0002-84 • I. E. 81.600.503 Direção e Redação: Av. L-2 Norte • Q. 603 • Conj. F (SGAN) 70830-030 • Brasília (DF) Tel.: (61) 2101-6150 FAX: (61) 3322-0523 Departamento Editorial e Gráfico: Rua Souza Valente, 17 • 20941-040 Rio de Janeiro (RJ) • Brasil Tel.: (21) 2187-8282 • FAX: (21) 2187-8298 E-mail: redacao.reformador@febrasil.org.br Home page: http://www.febnet.org.br E-mail: feb@febrasil.org.br e webmaster@febnet.org.br Projeto gráfico da revista: JULIO MOREIRA Capa: LUIS HU RIVAS Editorial Compromisso com o Consolador Presença de Chico Xavier Doutrina Espírita – Emmanuel Entrevista: Rúbia da Costa Guimarães 50 anos de dedicação ao livro espírita Esflorando o Evangelho Educa – Emmanuel A FEB e o Esperanto Comovente depoimento, da Hungria, sobre Memórias de um Suicida – Affonso Soares Páginas da Revue Spirite A Escola Espírita Americana – Allan Kardec Seara Espírita O desenvolvimento progressivo – Juvanir Borges de Souza O Dia D – Richard Simonetti O poder da fé para resistir ao estresse – Aylton Paiva Homenagem aos 50 anos de Rúbia na FEB Allan Kardec, discípulo fiel de Jesus – Adilton Pugliese Prática Espírita Mandamento aos Dirigentes Espíritas – Waldehir Bezerra de Almeida Retorno à Pátria Espiritual – Altivo Carissimi Pamphiro Espiritismo: as causas de sua rápida propagação – Washington Luiz Fernandes Fato histórico sobre divulgação da Doutrina – Oceano Vieira de Melo O Exorcismo na visão espírita – Carlos Abranches Em dia com o Espiritismo – Intuição – Marta Antunes Moura Comemorações do Sesquicentenário do Espiritismo Desafios na Casa Espírita – Mário H. de Luna Retificando... A hora é avançada – P.-G. Leymarie A FEB na Bienal do Livro de São Paulo 5 9 13 17 18 20 22 24 25 27 30 32 35 38 39 40 41 4 12 15 21 28 36 42 SumárioExpediente PARA O BRASIL Assinatura anual RR$$ 3399,,0000 Número avulso RR$$ 55,,0000 PARA O EXTERIOR Assinatura anual UUSS$$ 3355,,0000 AAssssiinnaattuurraa ddee RReeffoorrmmaaddoorr:: Tel.: (21) 2187-8264 • 2187-8274 EE--mmaaiill:: assinaturas.reformador@febrasil.org.br reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 3
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    4 Reformador •Abril 2006112222 Editorial nalisando o texto do Evangelho de João, onde Jesus promete outro Consolador para a Humanidade (cap. 14, vv. 15 a 17 e 26), Allan Kardec fez os seguintes comentários em O Evangelho segundo o Espiritismo (cap. VI, item 4): “Jesus promete outro Consolador: o Espírito de Verdade, que o mundo ainda não conhece, por não estar maduro para o compreender, consolador que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para relembrar o que o Cristo há dito. Se, por- tanto, o Espírito de Verdade tinha de vir mais tarde ensinar todas as coisas, é que o Cristo não dissera tudo; se ele vem relembrar o que o Cristo disse, é que o que este disse foi esquecido ou mal compreendido.” “O Espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade. Ele chama os homens à observância da lei; ensi- na todas as coisas fazendo compreender o que Jesus só disse por parábolas.” “O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras, nem alegorias; levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem, finalmente, trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores.” “Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhe- cimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.” As observações de Allan Kardec evidenciam o compromisso do Espiritismo para com a Humanidade, na condição de Consolador Prometido, no sentido de “ensinar todas as coisas e recordar tudo o que Jesus nos disse”. Tornam evidente, também, o compromisso que os espíritas têm para com o Espiritismo, de trabalhar intensa- mente com o objetivo de colocá-lo ao alcance e a serviço de todos os homens, pro- movendo e realizando o seu estudo, a sua divulgação e a sua prática, que estarão sempre calcados na plena vivência da caridade cristã. A Compromisso com o Consolador reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 4
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    5Abril 2006 •Reformador 112233 odos os povos, em todas as épocas, têm recebido o ba- fejo da bondade e da assis- tência da Divina Providência. Quando dizemos, com Kardec, que o Espiritismo é de todos os tempos, queremos significar que apenas a Doutrina Espírita codifi- cada é recente, com cerca de um século e meio, pois, na realidade, o intercâmbio entre o mundo espiri- tual e o mundo dos encarnados ja- mais deixou de existir. Sendo o homem essencialmente um ser espiritual, é lógico que sua parte mais importante nunca se tenha desligado da fonte de onde promana. E como partícula da Criação Divina, a alma humana, nunca deixou de se voltar, de algu- ma forma, mesmo quando encar- nada, para o Grande Foco criador. Esse fato pode ser constatado não só nos períodos históricos. Mesmo na pré-história, pode- mos afirmar, baseados nos pesqui- sadores, que a idéia de Deus, ou se- ja o sentimento religioso, nasceu com o primitivo homem. De tal sorte a idéia religiosa está arraigada no ser humano que po- demos dizer que já era religioso o homem primitivo das cavernas. A idéia religiosa não se desliga do homem em sua marcha ascensional. Note-se que, quando falamos de idéia religiosa, nem sempre nos re- ferimos à verdadeira religião – àquela que expressa fielmente a ver- dade e a realidade – eis que o ho- mem, levado por sua ignorância, às vezes pelas intuições inferiores,nem sempre abraçou o melhor, o verda- deiro; pelo contrário, muitas vezes se transviou nos desvãos da igno- rância, da superstição e do erro. Entretanto, nem por isso aban- donou a indagação da natureza de seu próprio ser e do seu destino. Não há criatura, por mais atrasada que seja, que não se tenha interes- sado pelos problemas de sua pro- cedência e de sua destinação. É a eterna indagação: Quem sou? Don- de venho? Para onde vou? Formu- lada bilhões de vezes, por formas diferentes, de conformidade com o entendimento de cada criatura, no entanto é, na essência, sempre a mesma inquirição. Daí não acreditarmos naqueles materialistas puros, nos epicuris- tas, nos niilistas de todos os tem- pos e muito especialmente nos da nossa época. Não que neguemos que em muitos deles exista sinceridade, ao expressarem suas crenças, descren- ças ou pseudoverdades. Mas porque todo homem,seja ele espiritualista ou não, guarda no in- O desenvolvimento progressivo T JUVANIR BORGES DE SOUZA reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 5
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    terior do ser,no íntimo de sua sub- consciência, aquela idéia, aquela pe- quena chama que o religa ao Cria- dor.Assim, por mais que se transvie, por mais que negue o Grande Pai, essa chama íntima jamais se apaga e, mais cedo ou mais tarde, no desen- rolar da própria vida do Espírito, após uma, duas ou muitas experiên- cias reencarnatórias, a criatura se volta para a realidade. Não nos preocupemos, pois, em demasia com o grande problema, do niilismo, do materialismo mul- tifário de nossos tempos. Ele é o produto natural de um mundo in- ferior que há de se transformar, porque sabemos que a bondade in- finita de Deus permite que haja li- berdade dos seres, dentro do livre- -arbítrio com que os dotou, até mesmo para negar o próprio Pai. Mas, dia virá em que todas essas criaturas verificarão seu grande er- ro, seu grande crime contra o Criador, e se arrependerão e reini- ciarão a ingente tarefa de refazi- mento íntimo. Essa pequena digressão mostra- -nos o grande papel da Verdade sob a forma espírita no combate ao grande erro que é o materialismo. Notemos que a Codificação Es- pírita apareceu no mesmo século e no mesmo cenário em que se for- mularam e se propagaram várias doutrinas materialistas. Não pode- mos a isso chamar de coincidên- cia, ou acaso, pois sabemos que tal não existe. Temos aprendido, com a Dou- trina Espírita, que a Mensagem do Cristo de Deus contém ensinos de múltiplas naturezas. Alguns serviram de imediato àquelas criaturas simples de cora- ção, que o ouviram falar de histó- rias baseadas na própria vida diá- ria a que estavam acostumadas. Ouviram e guardaram as palavras, procurando seguir as lições que elas encerram. Outros ensinos, entretanto, fica- ram velados sob as parábolas e se destinavam aos que as pudessem apreender no futuro, que os séculos trariam no seu fluir incessante. Graças à Revelação Espírita, po- demos hoje compreender muitas das palavras de sabedoria do Rabi, porque os Espíritos do Senhor des- cerraram o véu que cobria o senti- do mais profundo da mensagem de Amor deixada aos homens. Por que assim aconteceu? Por que não usou Jesus o ensino direto e despido do véu da letra? Muitos de nossos irmãos, ainda hoje, não compreendem a necessi- dade do ensino progressivo. De posse de muitas facetas da Verdade, graças à Revelação Progressiva, es- quecem-se de que outros irmãos, vivendo nesta mesma época, não conseguem apreender essa mesma Revelação, apesar de já ter sido dei- xada pelo Cristo há vinte séculos. Lembremo-nos, de outro lado, que Jesus, em sua passagem mis- sionária, usou de linguagem diver- sa, conforme se dirigia ao povo, in- discriminadamente, ou ao seu Co- légio Apostólico em especial. É fato sabido que, mesmo entre os discípulos, espíritos já qualifica- dos para coadjuvar-lhe a missão, havia dificuldade em apreender-lhe os ensinos. Os Evangelhos testemu- nham abundantemente as muitas indagações dos discípulos a respei- to das lições que o Mestre lhes ia ministrando. Não há dúvida de que os Evan- gelhos, repositórios dessas lições e exemplos, que serviram de base à difusão do Cristianismo e à sua implantação em grande parte de nosso mundo, têm sido entendi- dos principalmente em seu sentido literal, sem a preocupação de apro- fundar-lhes os aspectos ocultos e o sentido transcendental. Até o advento da Revelação dos Espíritos e diante das próprias ne- cessidades da humanidade cristã, tornou-se aceitável e suficiente,pro- visoriamente,a interpretação literal, tendo em vista, o grau evolutivo das gerações, até que as condições de progresso espiritual dos homens re- clamassem novas perspectivas. O Espiritismo, considerado a terceira etapa da Revelação Divina, com suas raízes mais profundas firmadas no Cristianismo, não deixa de se apresentar como dou- trina essencialmente evolutiva. Diz- -se, com muita procedência, que o Espiritismo não termina com Kar- dec, antes, começa com ele. A Codificação é a base sólida, firme, incontestável. Mas, assim como o Cristo não disse tudo, nem convinha que o fi- zesse, também o Consolador, por Ele prometido e que aí está, assen- tou os fundamentos, as grandes li- nhas mestras do majestoso edifício das Verdades Novas; os detalhes viriam depois do mestre lionês. 6 Reformador • Abril 2006112244 reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 6
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    Continuam chegando. Virãoainda no futuro, próximo ou remoto. Cristianismo, em espírito e ver- dade, e Espiritismo, têm como ca- racterística comum, dentre as inú- meras afinidades que os aproxi- mam, o caráter evolucionista, em seu sentido de desenvolvimento gradual e progressivo. Mesmo nós, espíritas, ainda não nos apercebemos de todos os ensinos de Jesus, eis que algumas de suas palavras permanecem sob um véu proposital. A verdade não se acha totalmente desenvolvida, em certas passagens evangélicas. Alguns acontecimentos futuros permanecem envoltos em dúvi- das, até que a Espiritualidade, a serviço do Governador do Plane- ta, diante de novas conquistas da Humanidade no terreno da Fé e do Amor, julgue poder descerrar completamente a cortina, para que jorre toda a luz. Como disse o Batista, o precur- sor, precisamos “endireitar nossos caminhos” isto é, os homens de boa vontade precisam regenerar as estradas do mundo. Para que alguém sinta a influên- cia retificadora do Cristo necessita corrigir a própria estrada que tem percorrido, modificando, no senti- do do bem, os impulsos oriundos de hábitos de um passado delituoso, desfazendo assim as sombras que o rodeiam. Precisamos todos afeiçoar a exortação do Batista às nossas pró- prias necessidades. A evolução da Terra, no sentido do adiantamento científico, é um fato inegável constatado por todos. Entretanto, para haver progres- so verdadeiro é necessário acres- centar-se ao progresso científico, diversificado no campo das ciên- cias físicas, da Medicina, da Tecno- logia, da Astronomia, e das ciên- cias aplicadas em geral, o aperfei- çoamento moral do homem – aí está o grande passo. A Geologia já comprovou as inúmeras transformações físicas da Terra, desde os tempos primiti- vos de sua formação até os nossos dias. Antes do aparecimento do ho- mem, sua crosta passou por trans- formações profundas, até que os elementos permitissem o apareci- mento da vida orgânica. O homem foi o último ser da escala animal a vir habitar a crosta terrestre. Antes dele, em milhões e mi- lhões de anos, inúmeras espécies animais e vegetais apareceram na face do Orbe e desapareceram pos- teriormente. A evolução física do globo, por- tanto, é outro fato comprovado, que continua a processar-se inces- santemente. Os Espíritos do Senhor já nos revelaram que nossa Terra se trans- formará em Mundo Regenerado. Mas quando? Não podemos precisar o dia exa- to, nem o ano, nem o século, mas é certo que esse tempo se aproxima. Para quem tem olhos de ver, os Evangelhos, entendidos em espíri- to e verdade, aí estão a avisar os homens sobre os acontecimentos de ordem física e de ordem moral que hão de suceder, em cumpri- mento à Lei do Progresso. No tocante à ordem física, a Na- tureza continuará a processar con- tinuamente a transformação da Ter- ra, até que atinja a condição de glo- bo imerso em fluidos mais puros. Acompanhando o aperfeiçoa- mento físico do Globo, as raças humanas serão renovadas, pela en- carnação de Espíritos mais bem preparados. Parte dessa nova po- pulação da Terra Renovada será constituída pelos que já aceitaram os caminhos indicados pelo Cris- to, Espíritos que aqui habitam e que aspiram ao Bem. Outra parte será constituída pelos Espíritos oriundos de outros mundos, cujo adiantamento tenha chegado ao mesmo nível do dos novos habi- tantes da Terra. Os rebeldes, os que persistem nas ilusões da materialidade, os negativistas encarniçados no mal, a estes só resta o afastamento para 7Abril 2006 • Reformador 112255 Os Espíritos do Senhor já nos revelaram que nossa Terra se transformará em Mundo Regenerado reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 7
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    outro planeta, cujascondições se coadunem com suas próprias con- dições morais. Será a hora da separação do joio do trigo, quando o Senhor, que se reserva a colheita, lançará o joio ao fogo do sofrimento e das tarefas mais penosas, tal como se deu há milênios com os Espíritos que aqui aportaram, oriundos do sistema de Capela, perdendo seu Paraíso. É a lei irresistível do progresso que determinará a posição de cada um, de conformidade com as pró- prias obras. O sinal do Filho do Homem, se- gundo as palavras de Jesus, que há de aparecer no céu, é o advento do reino do Amor. É a Terra Regene- rada, onde, em lugar do predomí- nio da materialidade, haverá o im- pério do Espírito, com a esperança sempre presente, a alegria diante das graças concedidas pelo Cria- dor, quando o joio, que hoje se constitui em avassaladora maioria, já não mais poderá perturbar as aspirações de fraternidade e de compreensão, pois não mais cres- cerá junto ao trigo. Na prestação de contas, a Justi- ça do Senhor será eqüitativa; cada um receberá de acordo com o pró- prio mérito, tendo em vista a boa vontade de cada qual. O progresso da matéria se dará paralelamente com o do Espírito, através das reencarnações. “Quando estas coisas começa- rem a suceder – disse Jesus – er- guei a cabeça e olhai para o alto, pois que se aproxima a vossa re- denção.” (Lucas, 21:28.) Redenção, no pensamento do Mestre Jesus, tem o significado de regeneração. O advento do reinado do amor e da fraternidade já está sendo pre- parado por Espíritos enviados pelo Senhor à Terra. O apressamento desse reino depende, em grande parte, de nós mesmos, dos esforços dos que têm boa vontade para endireitar os caminhos. “Passarão o céu e a Terra, mas não passarão minhas palavras.” (Mateus, 24:35.) Suas palavras não passarão sem cumprimento integral, porque elas são os ensinos que se constituem no caminho e na verdade. Sabemos que é desconhecida a hora predita para a depuração da Terra e da Humanidade. Por isso mesmo, os que crêem, os que esperam, precisam estar alertas – a vigilância é não só ne- cessária para todos os atos de nossa vida, como também ao exa- me de todos os acontecimentos previstos. E os Evangelhos enfatizam a necessidade dessa vigilância. 8 Reformador • Abril 2006112266 reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 8
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    9Abril 2006 •Reformador 112277 ia D, termo usado nos cír- culos militares, marca o início de determinada ope- ração bélica. O mais famoso ocorreu em 6 de junho de 1944, na maior operação militar aeronaval da História. Cen- to e cinqüenta e cinco mil homens, dos exércitos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Canadá, lança- ram-se nas praias da Normandia, região da França atlântica, dando início à libertação européia do do- mínio nazista. Começava o colapso do III Reich, o império que, segundo a propa- ganda de Adolf Hitler, deveria dominar o Mundo por mil anos. Aquelas operações culminariam com o fim da Segunda Guerra Mundial, cujo início ocorrera cin- co anos antes, com a invasão da Polônia pelas forças nazistas. Após onze meses, a Alemanha rendia-se. O mesmo aconteceria com seu aliado, o Japão, quatro meses depois. Terminava, assim, em agosto de 1945, a pior de todas as guerras, com o espantoso saldo de cin- qüenta milhões de mortos, apro- ximadamente. A Segunda Guerra Mundial foi relativamente curta, se confronta- da com outras que se estenderam por décadas. A pior de todas tem milhares de anos. Eclodiu desde o aparecimento do Homem, envolvendo o embate entre duas concepções, definidas pelo Dicionário Houaiss: Espiritualismo Doutrina que remonta às origens gregas da filosofia, e que consiste na afirmação da exis- tência ou realidade substancial do Espírito, e de sua autonomia, diferença e preponderância em relação ao corpo material. Tradução: Somos Espíritos imor- tais. Vivíamos antes do berço. Con- tinuaremos a viver depois do tú- mulo. Materialismo Doutrina que identifica, na matéria e em seu movimento, a realidade fundamental do uni- verso, com a capacidade de ex- plicação para todos os fenôme- nos naturais, sociais e mentais. Tradução: Somos um agregado celular que, por razões insondá- veis, adquiriu a capacidade de pen- sar, efemeramente, até que se esgo- te sua vitalidade, retornando ao pó, segundo a expressão bíblica. O materialismo, infelizmente, tem dominado o mundo, não como idéia, já que a vasta maioria dos ho- mens admite a existência e sobre- vivência da Alma, conforme ensi- nam as religiões, mas como vivên- cia, como maneira de ser. Raros comportam-se de acordo com a noção de que continuare- mos a viver após a morte física e de que nos pedirão contas, no Além, do que estamos aprontando na Terra. Isso porque a sobrevivência tem sido uma questão de fé, defendida O Dia D D RICHARD SIMONETTI reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 9
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    pelas religiões, combase em espe- culações que recendem a fantasia. Nesse milenar conflito há um Dia D. Ocorreu há cento e quarenta e nove anos, no dia 18 de abril de 1857, com o lançamento de O Li- vro dos Espíritos, de Allan Kardec. Incursões ocorreram antes dis- so, envolvendo agentes infiltrados no território inimigo, Espíritos que se manifestavam com o concurso de indivíduos dotados de grande sensibilidade, os médiuns. Com o Espiritismo tivemos autêntica invasão, que tende a ampliar-se e multiplicar-se, na medida em que os ini- ciantes aprendam como se processa o fenômeno me- diúnico, que permite o intercâmbio com o Além. Temos no Espiritismo o mais importante esforço de guerra na luta contra o materialismo, cujo sucesso é de importância vital para que a Terra deixe de ser um planeta de Provas e Expiações e seja pro- movida a Mundo de Regeneração, como está em O Evangelho segun- do o Espiritismo. Há que se considerar as postu- ras dos combatentes espíritas, con- forme a definição de Kardec, em O Livro dos Médiuns: Espíritas sem o saberem (...)Sem jamais terem ouvido tratar da Doutrina Espírita, possuem o sentimento inato dos grandes princípios que dela decorrem e esse sentimento se reflete em algumas passagens de seus escritos e de seus dis- cursos, a ponto de suporem, os que os ouvem, que eles são completamente iniciados.(...) (Primeira Parte, cap. III, item 27.) Ainda que não engajados, con- tribuem para o esforço de guerra. Espíritas experimentadores Os que crêem pura e simples- mente nas manifestações. Para eles o Espiritismo é apenas uma ciência de observação, uma série de fatos mais ou me- nos curiosos. (Idem, ibidem. item 28, 1o subitem.) Meros simpatizantes, não se dispõem a pegar nas armas. Espíritas imperfeitos Os que no Espiritismo vêem mais do que fatos; compreen- dem-lhe a parte filosófica; ad- miram a moral daí decorrente, mas não a praticam. Insigni- ficante ou nula é a influência que lhes exerce nos caracte- res. Em nada alteram seus há- bitos e não se privariam de um só gozo que fosse. O avarento continua a sê-lo, o orgulhoso se conserva cheio de si, o inve- joso e o cioso sempre hostis. Consideram a caridade cris- tã apenas uma bela máxima. (...) (Idem, ibidem. 2o subi- tem.) Posturaespiritualista;com- portamento materialista. Espíritas exaltados A espécie humana seria perfeita, se sempre tomasse o lado bom das coisas. Em tudo, o exagero é prejudicial. Em Espiritismo, infunde confiança demasiado cega e freqüentemente pueril, no tocante ao mundo invisí- vel, e leva a aceitar-se, com extrema facilidade e sem veri- ficação, aquilo cujo absurdo, ou impossibilidade a reflexão e o exame demonstrariam. O entusiasmo, porém, não refle- te, deslumbra. Esta espécie de adeptos é mais nociva do que útil à causa do Espiritismo. São os menos aptos para con- vencer a quem quer que seja, porque todos, com razão, des- confiam dos julgamentos de- 10 Reformador • Abril 2006112288 reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 10
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    les. Graças àsua boa-fé, são iludidos, assim por Espíritos mistificadores, como por ho- mens que procuram explorar- -lhes a credulidade. (Idem, ibi- dem, 4o subitem.) Soldados despreparados, abrem flancos nas fileiras espíritas. Espíritas cristãos Os que não se contentam com admirar a moral espírita, que a praticam e lhe aceitam todas as conseqüências. Con- vencidos de que a existência terrena é uma prova passagei- ra, tratam de aproveitar os seus breves instantes para avançar pela senda do progresso, única que os pode elevar na hierar- quia do mundo dos Espíritos, esforçando-se por fazer o bem e coibir seus maus pendores. (...) (Idem, ibidem, 3o subi- tem.) Disciplinados e firmes em seus ideais, esses soldados estão empe- nhados no bom combate, a que se referia o apóstolo Paulo, o esforço do Bem aliado ao empenho de renovação. Notável a expressão espírita cris- tão, que situa na vanguarda da espiritualização da Humanidade os espíritas que se ligam aos valo- res do Evangelho. Se aspiramos a essa gloriosa rea- lização, é bom ter sempre presente uma observação do Espírito La- cordaire, no capítulo V, item 18, de O Evangelho segundo o Espiritismo: O militar que não é mandado para as linhas de fogo fica descon- tente, porque o repouso no campo nenhuma ascensão de posto lhe fa- culta. Sede, pois, como o militar e não desejeis um repouso em que o vosso corpo se enervaria e se entor- peceria a vossa alma. Alegrai-vos, quando Deus vos enviar para a luta. Não consiste esta no fogo da batalha, mas nos amargores da vida, onde, às vezes, de mais coragem se há mister do que num combate sangrento, porquanto não é raro que aquele que se mantém firme em presença do inimigo fraqueje nas tenazes de uma pena moral. Nenhuma recompensa obtém o homem por essa espécie de coragem; mas, Deus lhe reserva pal- mas de vitória e uma situação glo- riosa. Quando vos advenha uma causa de sofrimento ou de contrarie- dade, sobreponde-vos a ela, e, quan- do houverdes conseguido dominar os ímpetos da impaciência, da cólera, ou do desespero, dizei, de vós para convosco, cheio de justa satisfação: “Fui o mais forte”. (...) Esses, leitor amigo, os heróis que contribuirão decisivamente pa- ra a vitória dos exércitos espiritua- listas, habilitando-se à suprema comenda: soldados do Cristo! 11Abril 2006 • Reformador 112299 reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 11
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    oda crença érespeitável. No entanto, se buscaste a Doutrina Espírita, não lhe negues fidelidade. Toda religião é sublime. No entanto, só a Doutrina Espírita consegue expli- car-te os fenômenos mediúnicos em que toda religião se baseia. Toda religião é santa nas intenções. No entanto, só a Doutrina Espírita pode guiar-te na solução dos problemas do destino e da dor. Toda religião auxilia. No entanto, só a Doutrina Espírita é capaz de exo- nerar-te do pavor ilusório do inferno, que apenas sub- siste na consciência culpada. Toda religião é conforto na morte. No entanto, só a Doutrina Espírita é suscetível de descerrar a continuidade da vida, além do sepulcro. Toda religião apregoa o bem como preço do paraí- so aos seus profitentes. No entanto, só a Doutrina Espírita estabelece a caridade incondicional como simples dever. Toda religião exorciza os Espíritos infelizes. No entanto, só a Doutrina Espírita se dispõe a abraçá-los, como a doentes, neles reconhecendo as próprias criaturas humanas desencarnadas, em ou- tras faixas de evolução. Toda religião educa sempre. No entanto, só a Doutrina Espírita é aquela em que se permite o livre exame, com o sentimento livre de compressões dogmáticas, para que a fé contemple a razão, face a face. Toda religião fala de penas e recompensas. No entanto, só a Doutrina Espírita elucida que to- dos colheremos conforme a plantação que tenhamos lançado à vida, sem qualquer privilégio na Justiça Divina. Toda religião erguida em princípios nobres, mes- mo as que vigem nos outros continentes, embora nos pareçam estranhas, guardam a essência cristã. No entanto, só a Doutrina Espírita nos oferece a chave precisa para a verdadeira interpretação do Evangelho. Porque a Doutrina Espírita é em si a liberalidade e o entendimento, há quem julgue seja ela obrigada a misturar-se com todas as aventuras marginais e com todos os exotismos, sob pena de fugir aos impositivos da fraternidade que veicula. Dignifica, assim, a Doutrina que te consola e liber- ta, vigiando-lhe a pureza e a simplicidade, para que não colabores, sem perceber, nos vícios da ignorância e nos crimes do pensamento. “Espírita” deve ser o teu caráter, ainda mesmo te sintas em reajuste, depois da queda. “Espírita”deve ser a tua conduta, ainda mesmo que estejas em duras experiências. “Espírita” deve ser o nome de teu nome, ainda mesmo respires em aflitivos combates contigo mes- mo. “Espírita” deve ser o claro adjetivo de tua institui- ção, ainda mesmo que, por isso, te faltem as passagei- ras subvenções e honrarias terrestres. Doutrina Espírita quer dizer Doutrina do Cristo. E a Doutrina do Cristo é a doutrina do aperfeiçoa- mento moral em todos os mundos. Guarda-a, pois, na existência, como sendo a tua responsabilidade mais alta, porque dia virá em que serás naturalmente convidado a prestar-lhe contas. Fonte: XAVIER, Francisco Cândido. Religião dos Espíritos. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005, p. 227 a 229. Doutrina Espírita 12 Reformador • Abril 2006113300 T Presença de Chico Xavier Pelo Espírito Emmanuel reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 12
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    Evangelista Mateus relata queum homem veio ao encontro de Jesus e, lan- çando-se a seus pés, pediu que Ele tivesse piedade de seu filho que era lunático e sofria muito. Ele adian- ta que já o apresentara a seus discí- pulos e que estes não haviam con- seguido curá-lo. O Mestre Jesus comenta a falta de credulidade e imediatamente cura o menino e adverte os discípulos de que eles não o haviam curado por falta de fé e afirma-lhes: “Se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mos- tarda, diríeis a esta montanha: transporta-te daí para ali e ela se transportaria e nada vos seria im- possível”. (Mateus, 17:14 a 20.) Allan Kardec tece o seguinte comentário em O Evangelho se- gundo o Espiritismo, cap. XIX, so- bre essa passagem evangélica no item 2: “No sentido próprio, é cer- to que a confiança nas suas pró- prias forças torna o homem capaz de executar coisas materiais, que não consegue fazer quem duvida de si”. E mais adiante, elucida no item 3: “(...)entende-se como fé a confiança que se tem na realização de uma coisa, a certeza de atingir determinado fim. Ela dá uma es- pécie de lucidez que permite se veja, em pensamento, a meta que se quer alcançar e os meios de che- gar lá, de sorte que aquele que a possui caminha, por assim dizer, com absoluta segurança. (...) A fé sincera e verdadeira é sem- pre calma; faculta a paciência que sabe esperar, porque, tendo seu ponto de apoio na inteligência e na compreensão das coisas, tem a cer- teza de chegar ao objetivo visado. (...)” Nos dias atuais, estamos preci- sando de fé para vencer o estresse que o modo de viver da civilização nos impõe, pois para resistir ao estresse e administrar a pressão é O poder da fé para resistir “Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações? – Sim, e, freqüentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! quão poucos, dentre vós fazem esforços!” (O Livro dos Espíritos, questão no 909.) “Pois em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali e ela se transportaria, e nada vos seria impossível.” – Jesus. (Mateus, 17:20.) “A fé sincera e verdadeira é sempre calma; faculta a paciência que sabe esperar, porque, tendo seu ponto de apoio na inteligência e na compreensão das coisas, tem a certeza de chegar ao objetivo visado.” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 3, 2o parágrafo.) ao estresse AYLTON PAIVA O 13Abril 2006 • Reformador 113311 reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 13
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    necessário manter umequilíbrio na vida. As pessoas que acreditam ter o controle de seu destino lidam me- lhor com as pressões do que aque- las que acham que tudo está ao sa- bor do acaso. Para isso é importante ter al- guns parâmetros: 1. Vivamos o presente: Vivamos o “aqui e agora”, com responsabilidade e equilíbrio, con- centrando-nos naquilo que está acontecendo no presente,e aumen- taremos nossa capacidade de resis- tir ao estresse, pois não estaremos fixados em coisas do passado ou imaginando futuros problemas, ainda que inexistentes. Procuremos sentir a realidade da situação ou do problema e a possível solução para ele. Para ter o “clima mental” ade- quado,procuremos meditar.A me- ditação pode estabelecer um esta- do mental de calma interior. 2. Tenhamos objetivos cla- ros de vida: Quando temos um roteiro claro para a direção de nossa vida, fica- mos mais fortes ao sentir peque- nas pressões como foco de estres- se. Se estabelecemos prioridades e firmeza ou fé em nossas convic- ções, clareando um quadro geral dos objetivos maiores de nossas vi- das, não nos irritaremos com as pequenas coisas. Pensemos no que é realmente importante para nós, levando em consideração a visão filosófica ou espiritual da vida, no sentido da sua eternidade. Assim, se desejamos a auto-reali- zação, o equilíbrio e o bem-estar, uma boa vida familiar, o trabalho, seja qual for, como forma de valori- zação pessoal, não nos estressare- mos, por exemplo, com problemas no trânsito, ocorrências de peque- nos desentendimentos no lar, no trabalho ou até mesmo no lazer. 3. Sejamos solidários: Ser solidário é ser participativo. É olhar não só para nós e para nossas necessidades (reais ou imaginárias), mas, também, olhar para o outro. Enxergarmos na estrada de nossa vida o próximo, como o samarita- no,a que Jesus se referiu, caído com as forças combalidas, assaltado por problemas, muitas vezes, maiores que os nossos. Ao nos aproximar- mos dele e o agasalharmos na hos- pedaria do nosso amor solidário e fraterno, nossas tensões e mágoas desaparecerão ou, pelo menos, di- minuirão. 4.Tenhamos momentos de divertimento: Ter fé na vida é também ter mo- mentos de diversão, de descontra- ção, de lazer. Para aliviar o estresse, saibamos desfrutar os momentos com a famí- lia. Nestes instantes procuremos ti- rar de nossas mentes todas as preocupações do lar ou do trabalho. Procuremos sentir as pessoas que compõem a nossa família, o que cada uma nos oferece de bom, saibamos sorrir com elas e que elas riam conosco. Tenhamos alegria com nossos animais domésticos, com as nossas folhagens, com as nossas flores. Tenhamos momentos de humor sadio e energizante. Procuremos rir, rir faz bem pa- ra a alma e para o corpo físico. A calma na luta contra o estres- se é sempre um sinal de força e de confiança; o desespero ou a vio- lência denotam a fraqueza e a dú- vida de si mesmo. Ouçamos, pois, o Mestre Jesus: “Se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: transporta-te daí para ali e ela se transportaria, e nada vos seria impossível”. E digamos para a “montanha do nosso estres- se”: transporta-te daí (do nosso mundo mental) para ali (planície de nossas emoções controladas e produtivas) e nada nos imporá o estresse. 14 Reformador • Abril 2006113322 reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:56 Page 14
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    Reformador: Quando asenhora co- meçou a trabalhar na FEB? Rúbia: Comecei a trabalhar na FEB ainda adolescente, no dia 5 de março de 1956, e iniciei pela área de expedição do Departamento Editorial, empacotando livros que eram remetidos pelo correio. Na- quela época estavam sendo lança- dos vários livros de Francisco C. Xavier e a FEB encaminhava as novas obras – as“novidades”– para um imenso cadastro. Depois passei para o setor de Almoxarifado e, em seguida, para os setores de Corres- pondência, Direitos Autorais, Ven- das, e fui secretária dos presidentes Francisco Thiesen e Juvanir Borges de Souza. Acompanhei algumas reformas e ampliações do Departa- mento Editorial. Em 1972, quando comecei a trabalhar no Setor de Vendas, entendi que deveria ler to- dos os livros editados pela FEB. Não poderia atuar em vendas sem conhecer os livros. Recorri a vários diretores da FEB para me ajudarem no entendimen- to de muitas obras. Reformador: A senhora já era espí- rita? Rúbia: Nasci num lar católico. Mesmo trabalhando há bastante tempo na FEB, só vim a me inte- ressar pela Doutrina Espírita com o incentivo da médium Yvonne do Amaral Pereira. Naquela época, como a querida médium encon- trava-se em dificuldades para res- ponder sua correspondência, a pedido do dr. Thiesen, passei a ir à residência dela, no bairro da Piedade, e a datilografar suas cartas. Um belo dia, dona Yvonne perguntou-me como eu voltaria, e respondi-lhe que seria de ôni- bus. Ela me ofertou o li- vro Nas Voragens do Pe- cado, sugerindo-me que aproveitasse para ini- ciar a leitura no traje- to. Em seguida, li to- das as obras mediúnicas de dona Yvonne, apenas Memórias de um Suicida não consegui chegar ao final. 50 anos de dedicação ao livro espírita Rúbia da Costa Guimarães, funcionária da Federação Espírita Brasileira até nossos dias, completou 50 anos de trabalho com o livro espírita. Formada em secretariado, obteve grande experiência em sua atividade de divulgação e venda do livro espírita. Em entrevis- ta, relata episódios vividos no Departamento Editorial da FEB RÚBIA DA COSTA GUIMARÃESEntrevista 15Abril 2006 • Reformador 113333 reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:57 Page 15
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    Reformador: A senhorateria algum relato interessante sobre Yvonne Pe- reira? Rúbia: DonaYvonne telefonou-me no dia de sua desencarnação, por volta das 10 horas, e ligou também para dona Yola, esposa do dr. Ju- vanir. Dizia ao telefone que iria para o hospital, mas estava só se despedindo porque não voltaria: “Vamos nos encontrar do outro lado. Dr. Bezerra já me avisou que estaria me esperando”. No mesmo dia, por volta das 22 horas, ela de- sencarnou. Reformador: A senhora conheceu Chico Xavier? Rúbia: Ainda jovem conheci Chi- co Xavier, pois ele e Waldo Vieira vinham com freqüência ao De- partamento Editorial. Chico gos- tava de andar pelas suas depen- dências. Naquelas ocasiões, ouvi muitas conversas dele, inclusive, transmitindo orientações de An- dré Luiz e Emmanuel sobre os livros. Chico se hospedava no lar de dr. Wantuil e demonstrava um carinho especial pelo sr. Zêus Wantuil. Em 1972, por solici- tação do dr. Thiesen, fiquei na retaguarda de Chico Xavier, du- rante sua visita à FEB para as co- memorações dos 40 anos de lan- çamento do Parnaso de Além-Tú- mulo. Durante muitos anos, re- cebi livros autografados que me eram enviados pelo próprio Chi- co Xavier. E no dia do meu casa- mento recebi uma carta deste fa- moso médium e também um cartão de Divaldo Franco, os quais guardo com muito carinho. Reformador: E seus contatos com os presidentes da FEB? Rúbia: Acompanhei o trabalho de vários presidentes: Wantuil de Freitas, responsável pela constru- ção do Departamento Editorial, porém,trabalhei mais diretamente com Francisco Thiesen, Juvanir Borges de Souza e agora Nestor João Masotti. Dr. Armando Assis, por razões profissionais, vinha menos ao Departamento Edito- rial. Cada presidente teve suas ca- racterísticas e, dentro das condi- ções de suas épocas, contribuíram com a área do livro. Reformador: O que a senhora co- menta sobre a ampliação da difu- são do livro espírita? Rúbia: O principal objetivo da FEB é a divulgação do livro, seja através de venda ou de doação,des- de que a mensagem chegue a quem dela necessita. Então me ocorreu que a maioria dos centros espíritas tinha poucas condições de vender livros. Comecei a visitá-los e a su- gerir que deveriam vender livros, mesmo de uma forma inicial- mente simples. Certo dia, conver- sando com o dr. Thiesen, verifica- mos que não havia distribuição de livros espíritas no Brasil. Concluí- mos que algo deveria ser feito para aumentar as vendas. Assim, surgiu a idéia de criar o mecanismo de distribuição de livros espíritas no País. Dr. Thiesen burilou muito a idéia e considerou que o grande objetivo seria ampliar a divulga- ção do Espiritismo. Isso aconteceu em 1973, e o primeiro distribuidor de livros credenciado pela FEB foi o IDE (Instituto de Difusão Espí- rita), de Araras (SP). Um fato marcante na vida do Departa- mento Editorial foi a dissemina- ção das distribuidoras, e algumas delas não eram espíritas. Várias distribuidoras de São Paulo foram responsáveis por um significativo aumento nas vendas de livros. O curioso é que na época em que o Brasil tinha inflação alta, e como as distribuidoras estavam interes- sadas em manter estoques e apro- veitar preços, foi um período de alta vendagem de livros. Depois, com a estabilidade financeira, mui- tas distribuidoras de livros encer- raram suas atividades. Ultima- mente, a qualidade das impres- sões deu um toque especial à lite- ratura excelente editada pela FEB. Reformador: Quais outras provi- dências contribuíram para o au- mento de vendas de livros? Rúbia: Um fato marcante foi a edição “popular” das obras de Kardec, que provocou vendas de livros em grandes quantidades. Na mesma época surgiu o proje- to “Clube do Livro Espírita”. Ri- chard Simonetti esteve conversan- do com o dr. Thiesen e deu início à nova proposta conhecida como “o ovo de Colombo”. Cresceu a quantidade de “clubes do livro espírita” em todo o País e surgi- ram as “feiras do livro espírita” que também movimentaram mui- to e propiciaram mais trabalho para nós. As promoções mensais de livros, com desconto maior, também ampliaram muito a ven- dagem de livros. Considero a di- 16 Reformador • Abril 2006113344 reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:57 Page 16
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    vulgação através domarketing um passo importante. Reformador: E sobre a presença do livro espírita em ambientes externos? Rúbia: A participação da FEB nas Bienais Internacionais do Li- vro tem sido bem interessante. Aprendi muito desde as primei- ras, que eram pequenas. A inte- gração e a união dos estandes es- píritas durante a Bienal, com a criação da Rua dos Espíritas, tam- bém contribuiu bastante para a divulgação de um modo geral. Outra coisa boa foi a colocação de livros espíritas em livrarias lei- gas. Foi difícil e, de início, houve resistência. De uns três anos para cá é que se ampliou a colocação de livros espíritas nessas livra- rias. Um dos fatores que ajudou muito, e isto ocorreu num final de ano, foi a experiência de oferecer a coleção de obras de Kardec dentro de caixas bem preparadas, seguin- do-se a entrada dos kits que em- belezaram as obras. Reformador: Como a senhora vê a presença de livros da FEB no Exte- rior? Rúbia: Sobre a participação dos livros da FEB no Exterior, acho fantástico, pois, pessoas de todas as nacionalidades necessitam das mensagens do Consolador Prome- tido. O trabalho em si é um passo gigantesco. As obras editadas pela FEB têm valor capaz de suprir to- das as necessidades espirituais da Humanidade. Reformador: O que a senhora teria a dizer sobre o Sesquicentená- rio do Espiritismo? Rúbia: Quando recebi as primei- ras informações sobre os prepara- tivos para o Sesquicentenário do Espiritismo, levei um susto por- que me lembrei de que no Cen- tenário eu já trabalhava na FEB! Recordo-me da edição especial de Reformador e dos comentários dos espíritas em geral. Será uma honra participar dessa nova comemora- ção da publicação de O Livro dos Espíritos. Agradeço muito a opor- tunidade de conhecer a Doutrina Espírita, e de ter contribuído um pouco com a FEB em sua difusão, e desejo que cada vez mais pessoas passem a ser auxiliadas através do livro espírita. Almoço de confraternização realizado em 6 de março, no Departamento Editorial e Grá- fico da FEB. Da esquerda para a direita: Altivo Ferreira, Nestor João Masotti, Rúbia (mostran- do a placa que lhe foi entregue como reconhecimento do tra- balho realizado), Amaury Alves da Silva, Ilcio Bianchi e José Sa- lomão Mizrahy. Homenagem aos 50 anos de Rúbia na FEB reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:57 Page 17
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    18 Reformador •Abril 2006113366 s espiritistas estudiosos devem sempre refletir so- bre os profundos laços que uniam a Jesus, através dos sécu- los, a individualidade espiritual do Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec. Sendo o Espiritismo a concreti- zação da promessa feita diretamen- te pelo Cristo,exarada pelo evange- lista João1 era imprescindível que o líder desse movimento de reno- vação, que teria início na segunda metade do século XIX, possuísse fortes vínculos com o Mestre Ga- lileu, com a sua messianidade, com o seu projeto de implantação do Reino de Deus na Terra. A preparação e capacitação do fiel discípulo exigiram vários séculos. Reencarnações especiais, ani- mando personalidades vigorosas e promotoras de mudanças sociais, certamente foram consolidadas no perpassar dos tempos, podendo ser referenciada aquela que ani- mou como mártir e reformador tcheco, consoante informação do Espírito Vianna de Carvalho, atra- vés da abençoada mediunidade de Divaldo Franco: “A Divina Providência faz que mergulhe nas sombras da Terra o eminente Espírito de Jan Hus [1369-1415], que se dera em sacri- fício, no século XV, em favor da libertação do Evangelho de Jesus. Reencarnando-se, em Lyon, a 3 de outubro de 1804, recebeu o nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail, que trouxe a indeclinável tarefa de modificar as estruturas do conhe- cimento e abrir espaços para a res- tauração do pensamento do Cristo, conforme Ele e os seus discípulos o haviam vivido, dezenove séculos antes, na Palestina.”2 Muito antes, o futuro missioná- rio da revelação espírita também estivera exercitando o sacerdócio druida, nas Gálias antigas, como re- velara o Espírito Zéfiro, com quem mantivera sólida amizade, “que os séculos fortaleceriam ainda mais”.3 Desta forma, ao perceber nos fenômenos das mesas girantes, em Paris, pelos idos de 1855,“o surgi- mento de uma nova lei”, o pedago- go francês Denizard Rivail inicia- ria fascinante jornada em sua vida, impulsionado pelos antigos ideais de renovação e, a exemplo de Cris- tóvão Colombo (1451-1506), des- vendaria um novo mundo: o Mun- do dos Espíritos. Seus contatos preliminares com diversas personalidades espirituais são momentos em que revela pers- picácia e lucidez; domínio das emoções; controle perfeito duran- te os formosos diálogos mantidos na intimidade de sua residência e das famílias Baudin e Roustan, e mais tarde nos salões de trabalho, de estudo e intercâmbio mediúni- co da Sociedade Parisiense de Es- tudos Espíritas (SPEE), fundada por ele em 1o de abril de 1858. O Codificador, sentindo-se am- parado pelo Espírito de Verdade, seu guia e protetor, que se lhe reve- lara em reunião de 25 de março de 1856, em casa de senhor Baudin, operando como médium uma de suas filhas, percebe, a partir desse encontro, que a missão que lhe Allan Kardec, discípulo fiel de Jesus O ADILTON PUGLIESE reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:57 Page 18
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    fora reservada estavasustentada por vigorosos pilares. À medida que recebe os ensinos dos Espíri- tos, de aspectos científico, filosófi- co e ético, deve ter observado e re- fletido que estava amparado por especiais colunas dos códigos mo- rais do Peregrino da Galiléia. Deixando-se, então, emocionar e estimular pela sutileza, profundi- dade e sentimento de amorosidade dos Espíritos que se movimenta- vam ao seu redor, dedica-se à tare- fa com fervor e espírito de renún- cia, consolidando, em 18 de abril de 1857, a sua primeira fase, com o lançamento, em Paris, de O Livro dos Espíritos, obra básica da Dou- trina Espírita. Em seguida, anima- do pela percepção que passa a ter em torno do edifício que estava construindo, estabelece, em O Livro dos Médiuns, publicado em 15 de janeiro de 1861, os princípios fun- damentais para as relações media- nímicas com os habitantes do Mundo Invisível. Incansável, enquanto edita e publica a Revista Espírita, com o primeiro exemplar divulgado em 1o de janeiro de 1858, preocupa-se com a administração da SPEE na qualidade de seu presidente, cuida da vasta correspondência e dedi- ca-se, sob especial emoção, a escrever aquela que seria a terceira obra do pen- tateuco kardequiano: O Evangelho segundo o Espiritismo, inti- tulado, preliminar- mente, Imitação do Evangelho segundo o Espiritismo, ex- posto com essa denominação nas livrarias de Paris, na primeira edi- ção de 29 de abril de 1864. Em 9 de agosto de 1863, após guardar segredo dessa nova obra que estava escrevendo, resolve ou- vir os Espíritos, deles obtendo aprovação e aconselhamento:“Esse livro de doutrina terá considerável influência, pois que explanas ques- tões capitais, e não só o mundo re- ligioso encontrará nele as máximas que lhe são necessárias, como tam- bém a vida prática das nações hau- rirá dele instruções excelentes (...)” – dizem-lhe as Entidades Amigas através do médium Sr. d’A...4 Comunicam-lhe, ainda, que se aproximava a hora de “apresentar o Espiritismo qual ele é, mostran- do a todos onde se encontra a ver- dadeira doutrina ensinada pelo Cristo”; e que “o Espiritismo é a única tradição verdadeiramente cristã”e a única“instituição verda- deiramente divina e humana”. Imaginamos o impacto dessa revelação, desse desafio, em torno da missão de um livro,representan- do um novíssimo noticiário evangé- lico que contemplava diretrizes morais. Sabendo, de antemão, das dificuldades que o Codificador en- frentaria e que os “espíritas seriam repelidos” com o anátema de here- sia, os Orientadores Espirituais pre- sentes na memorável reunião afir- mam-lhe, comovidos: “Ao te esco- lherem, os Espíritos conheciam a solidez das tuas convicções e sa- biam que a tua fé, qual muro de aço, resistiria a todos os ataques”.5 Podemos deduzir que Allan Kar- dec, de forma brilhante e inspirada, após estabelecer os princípios bási- cos da filosofia e da ciência espíri- tas,considerou que todo o corpo de doutrina que estava elaborando, to- das as suas formulações em torno da Existência de Deus; das Vidas Sucessivas e seu mecanismo – a Lei de Causa e Efeito; da Imortalidade da Alma; das revelações pioneiras sobre a Pluralidade dos Mundos Habitados; das leis que regem a Natureza, propriedades e funções do perispírito, necessitaria de uma viga mestra que desse sustentação à compreensão das finalidades desses Jan Hus reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:57 Page 19
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    postulados, em benefícioda felici- dade e da evolução do ser humano. Assim, ele foi buscar nas máxi- mas de Jesus, no seu código moral, os fundamentos comportamentais para os adeptos e estudiosos da no- vel doutrina, máximas essas atuali- zadas, interpretadas e enriquecidas com as Instruções dos Espíritos inse- ridas nos diversos capítulos. De suas nobres mãos saiu então o livro-luz – O Evangelho segundo o Espiritismo – que contém “a expli- cação das máximas morais do Cris- to, em concordância com o Espiri- tismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida”.6 Paira essa obra de essência divina, portanto, entre as outras que formam o con- junto da substância doutrinária espírita, iluminando-as. Em 8 de agosto de 1865, lança o livro O Céu e o Inferno e, em 6 de janeiro de 1868, publica A Gênese, última obra do Pentateuco. Somente um ser em plena sin- tonia com Jesus, desde remotas eras, poderia ter interpretado tão bem os seus pensamentos, como o fez Allan Kardec, exemplo de dis- cípulo fiel e abnegado. Referências Bibliográficas: 1 João, cap. XIV, versículos 15 a 17. 2 FRANCO, Divaldo P. Reflexões Espíritas, pelo Espírito Vianna de Carvalho. 1. ed. LEAL, 1991, p. 12. 4 KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 38. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005, Segunda Parte, “Imitação do Evangelho”, p. 339. 5 Idem, ibidem, p. 340. 6 Idem. O Evangelho segundo o Espiritis- mo. 3. ed. especial. Rio de Janeiro: FEB, 2005, p. 3. 20 Reformador • Abril 2006113388 Prática Espírita Toda a prática espírita é gra- tuita, como orienta o princí- pio moral do Evangelho: “Dai de graça o que de graça recebestes”. A prática espírita é realizada com simplicidade, sem ne- nhum culto exterior, dentro do princípio cristão de que Deus deve ser adorado em espírito e verdade. O Espiritismo não tem sa- cerdotes e não adota e nem usa em suas reuniões e em suas práticas: altares, ima- gens, andores, velas, procis- sões, sacramentos, conces- sões de indulgência, para- mentos, bebidas alcoólicas ou alucinógenas, incenso, fumo, talismãs, amuletos, horóscopos, cartomancia, pi- râmides, cristais ou quais- quer outros objetos, rituais ou formas de culto exterior. O Espiritismo não impõe os seus princípios. Convida os interessados em conhecê-lo a submeterem os seus ensi- nos ao crivo da razão, antes de aceitá-los. A mediunidade, que permi- te a comunicação dos Espí- ritos com os homens, é uma faculdade que muitas pes- soas trazem consigo ao nas- cer, independentemente da religião ou da diretriz dou- trinária de vida que ado- tem. Prática mediúnica espírita só é aquela que é exercida com base nos princípios da Dou- trina Espírita e dentro da moral cristã. O Espiritismo respeita todas as religiões e doutrinas, va- loriza todos os esforços para a prática do bem e trabalha pela confraternização e pela paz entre todos os povos e entre todos os homens, in- dependentemente de sua ra- ça, cor, nacionalidade, cren- ça, nível cultural ou social. Reconhece,ainda,que“o ver- dadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza”. Fonte: Folheto “Conheça o Espiritismo, uma Nova Era para a Humanidade”, editado pela FEB – Campanha de Di- vulgação do Espiritismo, aprovada pelo Conselho Federativo Nacional da FEB na Reunião de 1996. reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:57 Page 20
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    21Abril 2006 •Reformador 113399 Esflorando o Evangelho Pelo Espírito Emmanuel “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” – PAULO. (I CORÍNTIOS, 3:16.) Educa a semente minúscula reside o germe do tronco benfeitor. No coração da terra, há melodias da fonte. No bloco de pedra, há obras-primas de estatuária. Entretanto, o pomar reclama esforço ativo. A corrente cristalina pede aquedutos para transportar-se incontaminada. A jóia de escultura pede milagres do buril. Também o espírito traz consigo o gene da Divindade. Deus está em nós, quanto estamos em Deus. Mas, para que a luz divina se destaque da treva humana, é necessário que os pro- cessos educativos da vida nos trabalhem no empedrado caminho dos milênios. Somente o coração enobrecido no grande entendimento pode vazar o heroísmo santificante. Apenas o cérebro cultivado pode produzir iluminadas formas de pensamento. Só a grandeza espiritual consegue gerar a palavra equilibrada, o verbo sublime e a voz balsamizante. Interpretemos a dor e o trabalho por artistas celestes de nosso acrisolamento. Educa e transformarás a irracionalidade em inteligência, a inteligência em huma- nidade e a humanidade em angelitude. Educa e edificarás o paraíso na Terra. Se sabemos que o Senhor habita em nós, aperfeiçoemos a nossa vida, a fim de manifestá-lo. Fonte: XAVIER, Francisco Cândido. Fonte Viva. 1. ed. especial. Rio de Janeiro: FEB, 2005, cap. 30, p. 77 e 78. N reformador abril 2006 - A.qxp 12/4/2006 14:57 Page 21
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    22 Reformador •Abril 2006114400 s últimos momentos de in- timidade de Jesus com seus apóstolos foram durante a ceia de Páscoa. (Mateus, 26:2, 17 a 19; Marcos, 14:12 a 17; Lucas, 22:7 a 15.) O Nazareno sabia que se aproximava o epílogo de sua mis- são na Terra.Colocava-se,humilde- mente, na condição do Cordeiro de Deus, que seria sacrificado, na es- perança de que seu sacrifício ser- visse de exemplo à Humanidade na busca de sua redenção. Progra- mou viver aquela festa tão signifi- cativa para seu povo somente ao lado dos seus fiéis seguidores. (Lc., 22:15.) “A Páscoa era uma festa muito alegre.(...) Esse era também um período de intensa meditação, quando cada crente podia sentir o elo místico que o ligava ao povo, e que ele também iria libertar-se – livre de uma maneira que impor- ta – com a alma liberta do domí- nio do pecado. Não foi de maneira alguma por acaso que o Cristo, usando o pão e o vinho do rito tra- dicional, desse na última ceia pas- cal a seus discípulos o sinal de uma libertação suprema com as pala- vras: ‘Este é o meu corpo... este é o meu sangue’”.1 Jesus solicitou a Pedro e a João que entrassem na cidade de Jeru- salém e providenciassem a Ceia Pascal na casa de um amigo, dizen- do-lhes: “E ele vos mostrará, no andar superior uma grande sala provida de almofadas (...)”. (Lc., 22: 8 a 13.) Ambiente espaçoso, acolhedor. Raras vezes os apósto- los tinham desfrutado de tanto lu- xo e, ao que parece, o ambiente os influenciou, revelando-se neles a vaidade, acreditando-se partidá- rios de alguém que tomaria o po- der temporal do mundo. Houve até uma discussão para decidir quem seria o maior entre eles. (Lc., 22:24.) Deve ter sido extremamen- te doloroso para o Meigo Nazare- no assistir àquela contenda infantil entre os seus apóstolos. Demons- tração cabal de que não compreen- diam muito bem a natureza do seu reino, suspeitando que ele seria implantado já naqueles tempos... O Mestre conhecia suas fraque- zas, mas acreditava que poderia contar com eles. Outros debanda- ram (João, 6:66.), mas os doze per- severaram até aquele momento. Contaria com eles. No futuro da- riam o testemunho do seu amor por Ele e pela causa. Necessário, portanto, passar-lhes as últimas lições.“(...) levanta-se da mesa, de- põe o manto e, tomando uma toa- lha, cinge-se com ela. Depois colo- ca água na bacia e começa a lavar os pés dos discípulos (...)”. Ao che- gar a vez de Pedro, este diz peremp- toriamente: “Jamais me lavarás os pés”. Mas o Senhor redargüiu, di- zendo-lhe: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo”. (Jo., 13:4 a 8.) O pescador humilde consentiu. Terminada aquela tarefa humil- de, própria dos escravos, Jesus olha-os ternamente, demonstran- do conhecer o coração de cada um. Sabia-os sinceros quando se pron- tificaram a segui-lo, mas também reconhecia suas dificuldades para entenderem que o Reino de Deus deveria ser implantado no coração de cada um e não nas terras de Cé- sar. Pacientemente lembrou a to- dos: “Se, portanto, eu, o Mestre e o Senhor, vos lavei os pés, também deveis lavar-vos os pés uns aos outros”. (Jo., 13:14.) O Senhor já lhes ensinara a Re- gra Áurea: “Ama o teu próximo como a ti mesmo”. (Mt., 22:37 a 39.) Mas aquela lição foi dada quando Jesus estava à frente de uma multidão constituída de sa- duceus, fariseus, publicanos, ju- Mandamento aos Dirigentes EspíritasWALDEHIR BEZERRA DE ALMEIDA O reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:04 Page 22
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    deus, gregos, persase muitas ou- tras nacionalidades. O ensinamen- to fora ministrado a um grupo he- terogêneo, para todos os povos. Mas, ali o novo mandamento seria oferecido na intimidade, em espe- cial para seus amigos que seriam, depois da sua crucificação, os res- ponsáveis pela vivência e divulga- ção do seu Evangelho. Primeiro sensibilizou-os com o “lava-pés” e, em seguida, falou-lhes aos cora- ções pedindo que cada um procu- rasse ser o menor entre eles para que, pelo cultivo da humildade, se tornasse o maior. Foi, então, que lhes disse: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós,que também vós uns aos outros vos ameis”. (Jo., 13:34.) Daquela feita, Jesus não dava como parâmetro do amor ao pró- ximo o que cada um pudesse ter a si próprio. O padrão era o amor que Ele lhes oferecera durante to- do o tempo em que estiveram jun- tos. Por isso era “um mandamento novo”. Merecia uma reflexão mais profunda. Emmanuel ensina que a Regra Áurea “institui um dever, em cuja execução não é razoável que o homem cogite da compreen- são alheia. O aprendiz amará o pró- ximo como a si mesmo”, e que o novo mandamento “‘que vos ameis uns aos outros como eu vos amei’ assegura o regime da verdadeira solidariedade entre os discípulos, garante a confiança fraternal e a certeza do entendimento recípro- co”. E acrescenta: “Esse é o novo mandamento que estabeleceu a in- timidade legítima entre os que se entregaram ao Cristo, significando que, em seus ambientes de trabalho, há quem se sacrifique e quem com- preenda o sacrifício, quem ame e se sinta amado, quem faz o bem e quem saiba agradecer”.2 (Grifo nosso.) E de que modo Jesus amou os seus apóstolos? A resposta encon- tramos no seu gesto incondicional, aceitando a cada um como era ou como podia ser naquela contin- gência. Devotou um carinho todo especial a Pedro, embora sabendo que negaria conhecê-lo antes do amanhecer; amou Judas Escario- tes que, extremamente equivocado com a sua missão, o entregaria às autoridades do mundo, na espe- rança de uma revolta armada; de- dicou seu afeto ao evangelista Ma- teus e acreditou na sua intenção de reforma, mesmo sendo um publi- cano odiado pelos conterrâneos em razão dos seus desmandos na cobrança de impostos destinados ao Império Romano; respeitou To- mé, que duvidara da sua ressur- reição e aparição aos apóstolos; amou intensamente o jovem João, apesar da sua inexperiência, che- gando a confiar-lhe, quando in 23Abril 2006 • Reformador 114411 “A ceia na casa de Levi”. Veronese, Galeria da Academia, Veneza reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:04 Page 23
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    extremis, Maria aosseus cuidados. Jesus amou seus discípulos com tanta fraternidade que os fez seus amigos. (Jo., 15:14.) Amou-os, “não obstante”suas fraquezas, seus defeitos. Não os amou “porque” fossem perfeitos. Não há como discordar da in- terpretação do Mentor de Chico Xavier. Aqueles que se reúnem em nome do Cristo para estudar, vi- venciar e divulgar a Doutrina Es- pírita à frente da Casa Espírita, sentem necessidade de se fortale- cer moral e espiritualmente na re- ciprocidade do amor fraterno. O mandamento era “novo” porque era dirigido especialmente aos res- ponsáveis diretos pela implanta- ção do Reino de Deus no coração dos homens. Eis por que será sem- pre oportuno e confortador, quan- do os dirigentes de uma casa espí- rita se reunirem, recordar o Rabi da Galiléia com seus apóstolos na Última Ceia. Com certeza Ele se fará presente por intermédio de seus Mensageiros, relembrando o novo mandamento. Jesus amou a todos os seus após- tolos indistintamente, nada obstan- te as dificuldades e os dramas que portavam na alma, assim como nós que compomos uma casa espírita. Fomos convocados, tal como os apóstolos, e, por isso, devemos nos amar, exercitando a fraternidade, que se constitui de compreensão, tolerância e indulgência. Que na intimidade da faina cristã cultive- mos a reciprocidade do amor cris- tão entre nós, para nos tornarmos dignos e verdadeiros companhei- ros dos Espíritos do Bem. O que seria de nós, frente à con- vocação para a escalada espiritual, na direção de uma das suas Casas, sem a tolerância, a compreensão e a amizade do Cristo, se ainda não temos as condições ideais para ser- vir na sua Seara? Referências Bibliográficas: 1 ROPS, Henri Daniel. A vida diária nos tempos de Jesus. Tradução Neyd Siquei- ra. 1. ed. São Paulo: Sociedade Religiosa Edição Vida Nova, 1983, p. 230. 2 XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel. 26. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006, cap. 179, p. 373 e 374. 24 Reformador • Abril 2006114422 Altivo Carissimi Pamphiro desencarnou, aos 67 anos, no dia 17 de fevereiro de 2006, no Rio de Janeiro. Era fundador e presidente do Centro Espírita Léon Denis (CELD), em Bento Ribeiro, e da Obra Social Antonio de Aquino (OSAA), na Mallet. Contador do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil), aposentou-se nesse cargo. Sua iniciação na Doutrina Es- pírita ocorreu aos 16 anos, por intermédio de amigos, sendo por um deles convidado a participar do Culto do Evangelho no Lar, que fazia em sua casa, onde após o estudo do Evangelho à luz da Doutrina Espírita havia o traba- lho de passes em pessoas que lá compareciam à procura de alívio para suas dores. Fundou, com um desses ami- gos, o Lar de Teresa e o Centro Espírita Léon Denis, instituições que primam pelo estudo, pelo desenvolvimento mediúnico e pelo trabalho no bem, através de obras sociais. Desde então, divulgou a Dou- trina Espírita, que abraçou, e o fez por mais de 40 anos. Foi um espírita dedicado na divulgação e prática da Doutrina codificada por Allan Kardec, divulgada e exemplificada por Léon Denis e outros. Em seu retorno à Pátria Espi- ritual, deixou uma obra sólida em benefício do próximo, apli- cando, dessa forma, os ensina- mentos de Jesus. Altivo Carissimi Pamphiro Retorno à Pátria Espiritual reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:04 Page 24
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    25Abril 2006 •Reformador 114433 ão é difícil constatar-se o rápido crescimento da Doutrina Espírita em todos os recantos do Planeta, ocorrido em pouquíssimo tempo. Em doze anos o Espiritismo estava presente em mais de trinta países de quatro continentes: na Europa (18 países), nas Américas (8 países), na África (5 países) e na Ásia (6 países).* Foram quase trezentas localidades, cujos nomes comentamos em arti- go publicado na Revue Spirite, edição em espanhol, 3o trimestre de 2004 (número 4), com discri- minação das mesmas num link do site do Conselho Espírita Interna- cional (www.spiritist.org/larevis- taespirita); comentamos também a respeito em artigo no jornal Mun- do Espírita, Curitiba (PR), dezem- bro/2004, no 1.445, reconhecendo a incomparável dimensão que o Es- piritismo adquiriu no Brasil. No início desta rápida propa- gação, Allan Kardec (1804-1869) reconheceu na Revista Espírita de setembro/1858, este fenôme- no de crescimento doutrinário e merecem reflexão as causas deter- minantes que levaram a esta rápida expansão, coisa nunca vista na His- tória. Devemos lembrar que o Espi- ritismo no Brasil teve a vantagem de não sofrer a estagnação e o“en- colhimento” ideológico ocorridos em muitos países (Europa, África e América), causados principal- mente pela Primeira e Segunda Guerras Mundiais e pelos vários regimes totalitários que se implan- taram em vários países. Outro ponto que merece des- taque foi a fundação do Conse- lho Espírita Internacional (28/11/ /1992), em Madrid (Espanha), que já promoveu Congressos Espíritas Mundiais no Brasil (1995),em Por- tugal (1998), na Guatemala (2001), além da memorável comemoração do Bicentenário de Allan Kardec (1804-2004), ocorrida no 4o Con- gresso Espírita Mundial, em Paris, em outubro de 2004, que teve a participação de 1.763 congressis- tas de 33 países. Se fizermos uma busca dos sites disponíveis sobre doutrinas e reli- giões na Web, os sites espíritas apa- recem entre os mais numerosos dentre todos. Isto demonstra que os espíritas estão efetivamente se movimentando no contexto so- cial. Por isso é importante refletir- mos sobre as causas que levaram a esta rápida difusão. Apesar de os motivos serem bem conhecidos e difundidos no Movimento Espí- rita, é importante neles refletir- mos para melhor assimilá-los. As causas do sucesso da difusão espírita Se bem pensarmos na realidade da Doutrina Espírita e aproveitar- mos diversas reflexões feitas por Espiritismo: as causas de sua rápida propagação WASHINGTON LUIZ FERNANDES N *N. da R.: Na Revista Espírita de janeiro de 1869, Kardec faz uma estimativa de 4 mi- lhões de espíritas nos EUA, 600 mil na França, 1 milhão na Europa e 6 a 7 mi- lhões no mundo inteiro. reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:04 Page 25
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    Allan Kardec arespeito, podemos encontrar as causas que explicam sua rápida propagação: 1.Os Espíritos são os verdadeiros autores dos ensinamentos do Espi- ritismo. Este é um dos principais motivos e a razão para justificar sua rápida expansão. Se é certo que criaturas humanas poderiam ser destruídas ou fracassar na mis- são de divulgar um ideal, assim como ter seus livros queimados, não menos verdade é que os Espí- ritos não podem ser destruídos. As lições que os Espíritos podem ofe- recer às criaturas ocorrerão sem- pre, estando assegurada a perma- nência de sua divulgação, uma vez que seu mecanismo faz parte das Leis da Natureza. A nova revela- ção pode chegar às criaturas de um pólo a outro da Terra, e os Es- píritos podem manifestar-se em qualquer tempo e lugar; 2. Diversas e diferentes são as pessoas (médiuns) que podem re- ceber as informações dos Espíri- tos. Ninguém pode no mundo ali- mentar a pretensão de deter a ver- dade absoluta e por isso os Espí- ritos a revelam para diferentes in- divíduos e em toda a parte. Se esta revelação ocorresse só a uma pes- soa, ou só em algum lugar, só a um povo, só a uma raça, esta pes- soa ou este grupo de indivíduos poderiam estar ludibriados ou po- deriam enganar-se. Mas isto não ocorre quando milhões de cria- turas vêem e ouvem a mesma coisa, em diferentes lugares, rece- bendo os mesmos ensinamentos; 3. Os Espíritos, através de dife- rentes pessoas (médiuns), revelam as mesmas lições e dão as mesmas orientações acerca dos mesmos assuntos. Com isso, o ensino tem caráter universal, não sendo pri- vilégio de ninguém em especial, assumindo portanto feição de ver- dade. Este princípio ficou conhe- cido como a Universalidade do Ensino e é um assunto que o Co- dificador desenvolveu na “Intro- dução”, item II, de O Evangelho se- gundo o Espiritismo, e na Revista Espírita, (maio/1864), no “Discur- so de abertura do sétimo ano so- cial”; 4. O Espiritismo fala à razão, pois leva a fé raciocinada, que po- de enfrentar a razão face a face em todas as épocas da Humanidade; tem fundamentos científicos que demonstram todos os seus postu- lados, não adotando nenhum tipo de dogma (postulado que não se demonstra) em sua Doutrina; 5. O Espiritismo fala ao coração porque, além de esclarecer, racio- nalmente, traz também consola- ção, demonstrando efetivamente que a morte não faz cessar a vida; 6. O Espiritismo acompanha a Ciência; onde esta demonstrasse que ele está em erro, ele o aban- donaria para acompanhar a Ciên- cia; 7. O Espiritismo demonstra e explica o que outras crenças e reli- giões apenas defendem como hi- pótese; muitos admitem a vida eterna, a Doutrina Espírita a com- prova. Enfim, estes são, sem dúvida alguns dos principais motivos que justificam a rápida e permanente difusão do Espiritismo no mundo, uma Doutrina habilitada a trazer uma fé raciocinada ao homem contemporâneo, fazendo nossas as palavras de Allan Kardec:“(...) Para todo homem que estuda esse mo- vimento, torna-se evidente que o Espiritismo marcará uma das fases da Humanidade (...)”. (Revista Espí- rita,junho/1862,p.255,Ed.FEB.) 26 Reformador • Abril 2006114444 reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:04 Page 26
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    27Abril 2006 •Reformador 114455 m acontecimento marcan- te na divulgação da Dou- trina Espírita ocorreu no fi- nal do ano passado, mais preci- samente no dia 2 de dezembro, quando foi disponibilizado para o público leigo assistir em casa, atra- vés da TVA Digital, canal por assi- natura do Grupo Abril, o filme O Espiritismo – de Kardec aos Dias de Hoje, produzido pela Federação Espírita Brasileira. “Por que este fato é importante para o Espiritismo?”, perguntariam provavelmente alguns confrades. Porque é a primeira vez que um fil- me espírita, produzido por uma en- tidade espírita, neste caso a FEB, é exibido como “um filme espírita”, embora saibamos que isso aconte- ceria, mais cedo ou mais tarde, pois está escrito nas obras de Kardec que o Espiritismo usaria a arte para sua divulgação.Quando oferecemos aos executivos da TVA Digital os direi- tos de exibição de O Espiritismo – de Kardec aos Dias de Hoje, para sua grade de programação no Pay-Per- -View (pague para ver), fizemos questão de dizer que se tratava de “um filme espírita” produzido sob encomenda da Federação Espírita Brasileira,e que,quando do seu lan- çamento em DVD, para as come- morações do Bicentenário de Nas- cimento de Allan Kardec (1804- -2004), o filme se tornara um gran- de sucesso de vendas junto ao pú- blico, principalmente, o não espírita. O Espiritismo – de Kardec aos Dias de Hoje foi programado, e para surpresa dos executivos da TVA Di- gital, não para nós, se tornou um grande sucesso de público no Pay- -Per-View. Logo no primeiro mês de exi- bição, ficou na oitava colocação, superando muitas produções re- centes dos cinemas americano e inglês. Nos anos 40 e 50, os cine- mas americano e inglês pro- duziram alguns filmes com cenas que poderíamos clas- sificar apenas como espiri- tualistas, pois mostravam situações que envolviam personagens “do outro lado”, al- guns até com certa seriedade, mas sempre sob o ponto de vista pura- mente de entretenimento, sem a abordagem adequada que requer o assunto. Na década de 90, vimos produ- ções made in Hollywood mais sé- rias, como Ghost, do Outro Lado da Vida; O Sexto Sentido; Os Outros; e Amor Além da Vida. Elas mostra- ram, “involuntariamente”, cenas e situações que nós identificamos como espíritas, embora tenham si- do realizadas sem orientação da Doutrina. Por que espíritas? Por- que tomamos conhecimento dessas situações na Codificação, escrita entre 1857 e 1868, pelo nosso mes- tre Allan Kardec, e, no século XX, nas obras psicografadas por Fran- cisco Cândido Xavier e Yvonne do Amaral Pereira. Fato histórico sobre divulgação da Doutrina OCEANO VIEIRA DE MELO U Capa do DVD reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:04 Page 27
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    28 Reformador •Abril 2006114466 A FEB e o Esperanto Comovente depoimento, da Hungria, sobre Memórias de um Suicida texto que abaixo transcrevemos, em tradu- ção do esperanto, remete-nos a etapas as- saz significativas e edificantes da verdadei- ra saga vivida pelo sagrado texto mediúnico ditado à médium Yvonne A. Pereira, até que chegasse à sua versão em língua húngara e en- sejasse o belíssimo fruto objeto desta notícia. Pelo início da década de 90, instigados por valoroso grupo de esperantistas-espíritas do Lar Fabiano de Cristo, entregamo- -nos à árdua empresa de verter para o esperanto o Memórias de um Suicida. A edição veio a lume em 1998, graças ao esforço hercú- leo, quase sobre-humano, dos valorosos idealistas da Socieda- de Editora Espírita F. V. Lorenz, à frente o incansável Délio Pe- reira de Souza. No início do presente século, Tibor Szabadi, esperantista-es- pírita da Hungria, verteu a obra para sua língua nacional, com base na tradução em espe- ranto, cabendo ao idealismo sacrificial de outro grupo de abnegados e devotados companheiros de Brasília, sob o comando de Aymoré Vaz Pinto, a tarefa de editar o volume Egy ongyilkos emlékei (Memórias de um Suicida), em húngaro, e assim fecundar o pensamento e o sentimento de nossos irmãos magiares com o conteúdo de uma das mais profundas obras mediúnicas que a Terra tem co- nhecido. Agora, recebemos de Tibor Szabadi o depoimento objeto deste artigo, cujo teor damos a seguir ao leitor: “Caros Amigos! Gostaria de comunicar-lhes um depoimento que recebi, em língua húngara, a respeito da obra Memórias de um Sui- cida. Quem o faz é uma douto- ra em Filosofia, professora universitária, interessada no estudo do Espiritismo. Eis o texto, por mim vertido ao esperanto: Estimado Szabadi Tibor! Encontrei, na Biblioteca Cen- tral de Budapest “Szabó Ervin”, o livro “Memórias de um Sui- cida”. Entreguei-me à leitura com grande curiosidade, pois a verdade é que até hoje eu absolutamente não com- preendia as implicações espirituais do suicídio. Sou formada em Língua Húngara e História, sendo também doutora em Filosofia. AFFONSO SOARES O Capa do livro Memórias de um Suicida em húngaro reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:05 Page 28
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    Desde o iníciode meus estudos universitários, muito me interesso so- bre a origem e a teoria das religiões, e em mi- nha tese de doutorado também abordei esse tema. Afastei-me das igrejas “oficiais”, pe- lo dogmatismo ne- las reinante. So- mente nos anos 90, graças ao sur- gimento, na Hun- gria, de teorias e obras vazadas em novo estilo, readquiri a crença em doutrinas reli- giosas. Meu maior interesse é pelo Cristianismo e pelos ensinos do Cristo, pois sou de confissão católica roma- na e vejo que as lições de Jesus têm sofrido mui- tas deformações. Saiba que o livro que o senhor traduziu abalou- -me o íntimo pela visão verdadeira que oferece não somente do real caráter de erro do suicídio, mas tam- bém do vivo ensino do Cristo. Compreendi, do ponto de vista espiritual, o grau da falta que o suicida comete contra Deus, bem como a maneira pela qual ele deverá responder por seu ato. O livro expõe essa responsabilidade não com base na amedrontação criada pela Igreja, mas com apro- fundamento, respeito a Deus, assim proporcionando base sólida para a verdadeira crença. Tocou-me profundamente a realidade do mundo espiritual, vendo Maria e seus auxiliares a se devota- rem ao tratamento desses Espíritos desviados. Desde quando terminei a leitura da obra, também passei a orar por essas almas. Gostaria de testemunhar minha gratidão pelo grande empreendimento que significa essa tradução, pois foi graças a ela que pude tomar conhecimento de obra tão importante como é “Memórias de um Suicida”. Meu agradecimento também se estende a todos os que, contribuindo para a edição do livro, o ajudaram em seu trabalho. Agradeço a todos os senhores pelo fato de haver conhecido essa obra tão valiosa. D-ra Minya Klara.” Continuemos, portanto, queridos companheiros do tríplice ideal EEE (Evangelho – Espiritismo – Esperanto) nos abençoados serviços com que a misericórdia do Cristo nos honra e favorece, certos de que seus belos frutos dão notícia da excelência da árvore que os produz. 29Abril 2006 • Reformador 114477 Capa do livro Memórias de um Suicida em esperanto reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:05 Page 29
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    m curso deapenas quatro meses reforçou o exército dos católicos contra as forças do mal na Terra. Intitulado“Exorcismo e a oração da libertação”,ele foi oferecido,pelo segundo ano consecutivo, pela Uni- versidade Pontifícia Regina Apos- tolorum, de Roma. Entre outubro de 2005 e janei- ro de 2006, cerca de 120 matricu- lados de todo o mundo ouviram palestras sobre os aspectos pasto- rais, espirituais, teológicos, litúr- gicos, médicos, jurídicos e crimi- nais do satanismo e da possessão demoníaca. Segundo a opinião dos coor- denadores do curso, “não há dú- vida de que hoje o diabo está se intrometendo mais na vida do homem”. A maioria dos alunos é de padres interessados em saber como lidar com o demônio no caso de topar com ele algum dia. Um dos alunos disse que deci- diu fazer o curso após viver a “ex- periência perturbadora” de ouvir a confissão de uma jovem da sua paróquia. “Sua voz mudou, seu rosto se transformou e ela come- çou a falar em uma língua que não conhecia”, afirmou. Um dos professores do curso é bastante conhecido na área do exorcismo. O Pe. Gabriele Nanni relacionou quatro sinais definiti- vos de que se trata de uma posses- são demoníaca, e não de proble- mas psicológicos: “Quando al- guém fala ou entende línguas que normalmente não conhece; quan- do sua força física é despropor- cional ao tamanho do seu corpo ou à idade; quando se torna repentinamente conhecedor de práticas ocultas; quando tem uma aversão física a coisas sagradas, como a hóstia ou as orações”. O desafio para os futu- ros “exorcistas” da Europa é grande. Estima-se que só na Itália, há até 5.000 membros de sei- tas satânicas. E jovens de 17 a 25 anos seriam até três quartos desse total. O exorcismo foi assunto de vá- rias reflexões e artigos por parte de Allan Kardec em diversos tre- chos da Codificação e da Revista Espírita. O Codificador deixou cla- ro que seria necessário compreen- der a questão sob a nova roupa- gem conceitual da visão espírita. No novo contexto, Kardec es- clarece que o espírito das trevas, CARLOS ABRANCHES O Exorcismo na visão espírita U 30 Reformador • Abril 2006114488 reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:05 Page 30
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    31 adversário de Deusna Terra, na verdade é um inimigo de si mes- mo, trabalhando contra a pró- pria paz. Acrescenta também que no trato com as entidades ainda vin- culadas ao mal, de pouco adian- tam fórmulas e rituais externos, mas sim a autoridade moral do interlocutor, porque o Espírito tem a possibilidade de perceber a sinceridade de propósitos do es- clarecedor e pode aferir sua ho- nestidade pela qualidade das vi- brações e pela elevação de sua congruência, no sentido de só propor aquilo que tem possibili- dade de sentir com grandeza e humildade. Nesse sentido, a técnica do diálogo com os elementos das sombras constitui uma das valio- sas contribuições do Espiritismo para a melhora das relações entre as realidades material e espiritual. Conversa franca, aberta, centrada na honestidade de propósitos e no desejo de melhoria de todos os envolvidos – vítimas, algozes e interlocutores chamados ao ser- viço no bem. No lugar do ritual externo, uma atitude interna de respeito e afeto sincero pelo comunicante. O que ele precisa é de amor, co- mo conclui com sabedoria Her- mínio Miranda na obra Diálogo com as Sombras. A ação comunitária dos espíri- tas no que diz respeito às reu- niões de desobsessão é, a meu ver, de grandiosa força revolucioná- ria, por disseminar por milhares de sessões mediúnicas o convite amorável do Mestre, de servir in- cansavelmente para colaborar com a iluminação da Humanidade, a partir da transformação de um co- ração ferido e disposto a tudo por fazer o mal e vingar-se. No lugar do “príncipe das tre- vas”, colocamos a figura do irmão enfermo que, tanto quanto nós, é necessitado de amparo e amor su- blimes. O diferencial do espírita é este: ao contrário de expulsar o cha- mado demônio da presença dos seres que ele deseja possuir, de- volvendo-o aos ambientes infer- nais, oferece-lhe o oposto, em for- ma de um suave chamado a que venha fazer parte do rebanho do Senhor, já que ele também é filho de Deus e herdeiro dos tesouros do Pai... Por aí trabalhamos, a fim de mostrar à Humanidade que todos podemos herdar a terra dos man- sos de coração... reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:05 Page 31
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    32 Reformador •Abril 2006115500 um recente levantamento feito pelo respeitado IIMD (International Institute for Management Development), com sede na Suíça, obtivemos a infor- mação de que 80% dos 1.312 exe- cutivos entrevistados, em nove países, avaliam que a intuição se tornou importante para a formu- lação de estratégias e planejamen- tos empresariais. A maioria dos respondentes (53%) diz que recor- re à intuição e ao raciocínio lógi- co em igual proporção no seu dia- -a-dia.“O que eles estão dizendo é que administrar é mais do que contar, pesar e medir.”1 A palavra intuição apresenta três significados: a) conhecimento imediato de alguma coisa, obtido por meio do entendimento sensí- vel e/ou do intelectual; b) conheci- mento antecipado, caracterizado por um “pré-sentimento” ou por uma “pré-ciência” de algo que po- derá acontecer; c) conhecimento da essência das coisas, isto é, capa- cidade de enxergar além das apa- rências.2 O conhecimento imedia- to é reconhecido como um proble- ma de ordem epistemológica que investiga ser possível alguém ter o conhecimento das coisas sem o uso exclusivo da inteligência. Co- mo conhecimento antecipado, a intuição está vinculada à percep- ção extra-sensorial. O terceiro sig- nificado – que trata da apreensão da essência das coisas – é questão metafísica quando se indaga ser possível alguém enxergar aparên- cias e a realidade das coisas. O conceito espírita de intuição abrange esses e outros significados: a) resulta da manifestação da fa- culdade anímica; b) decorre da faculdade mediúnica; c) faz rela- ção com as provações da vida, de- finidas no planejamento reencar- natório; d) reflete aprendizado de- senvolvido em épocas passa- das ou no plano espiritual. Os fenômenos de eman- cipação da alma ou aními- cos (de anima, alma) são produzidos pelo próprio Espírito encarnado nos mo- mentos de desprendimen- to (desdobramento) do corpo físico. Nesta situação, o Espí- rito desdobrado tem consciência das ocorrências desenvolvidas tanto no plano físico quanto no espiritual, podendo par- ticipar ativamente delas.3 Retor- nando ao corpo físico, a pessoa re- corda-se intuitivamente dos acon- tecimentos vividos. “De ordinário [esclarecem os Espíritos Superio- res], ao despertardes, guardais a in- tuição desse fato, do qual se origi- nam certas idéias que vos vêm es- pontaneamente, sem que possais explicar como vos acudiram (...)”4 Os fenômenos mediúnicos (de médium, meio) decorrem da ação Em dia com o Espiritismo MARTA ANTUNES MOURA Intuição N reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:05 Page 32
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    dos Espíritos sobreum instru- mento humano, o médium. A in- tuição manifestada por via me- diúnica é muito sutil. Surgem, na mente, idéias sobre um assunto ou acontecimento, cuja origem, a rigor, é desconhecida pelo media- neiro. Kardec explica que “o mé- dium intuitivo age como o faria um intérprete. Este, de fato, para transmitir o pensamento, precisa compreendê-lo, apropriar-se dele, de certo modo, para traduzi-lo fielmente e, no entanto, esse pen- samento não é seu, apenas lhe atravessa o cérebro. Tal precisa- mente o papel do médium intuiti- vo”.5 É por este motivo que na mediunidade intuitiva “(...) tor- na-se freqüentemente difícil dis- tinguir o pensamento do médium do que lhe é sugerido, o que leva muitos médiuns deste gênero a du- vidar da sua faculdade”. 6 A intuição pode ocorrer como lembranças de provas, definidas no planejamento re- encarnatório. São provações seme- lhantes às que o Espírito não sou- be aproveitar, re- sultando lutas ne- cessárias à sua melhoria espiritual. O reencarnante, então, “pede a Es- píritos que lhe são superiores que o ajudem na nova empresa que sobre si toma, ciente de que o Espírito, que lhe for dado por guia nessa outra existência, se esforçará pelo levar a reparar suas faltas, dando- -lhe uma espécie de intuição das em que incorreu. (...) Essa voz [ensina um Espírito Superior],que é a lem- brança do passado, vos adverte para não recairdes nas faltas de que já vos fizestes culpados”. 7 A intuição é, também, uma lembrança de aprendizado desen- volvido pelo Espírito, em vidas passadas e nos intervalos das reen- carnações. Surge como idéias ina- tas e como tendências instintivas. “(...) os conhecimentos adquiridos em cada existência [e no plano es- piritual] não mais se perdem. Li- berto da matéria, o Espírito sem- pre os tem presentes. Durante a encarnação, esquece-os em parte, momentaneamente; porém, a in- tuição que deles conserva lhe auxilia o progresso. Se não fosse assim, teria que recomeçar cons- tantemente.” 8 A evolução histórica do signifi- cado da intuição revela-nos a existência de uma constante preocupação, manifestada em diferentes épocas e áreas do saber humano, sobre o pensamento intuitivo. Os filósofos da Antigüidade, platônicos e neoplatônicos, defendem a tese de que a intuição é um conhecimen- to ou dom superior, um ti- po de privilégio divino. A filosofia medieval considera o conhecimento intuitivo como uma forma particular e privilegia- da da consciência humana. Entre- tanto, o filósofo inglês Francis Ba- con (1561-1626) acrescenta que somente a intuição associada à experiência deve ser aceita como um privilégio da inteligência hu- mana. Descartes (1596-1650), por outro lado, explica que é impor- tante saber distinguir “intuição” – apreensão sensível e vulgar expe- rimentada pelo intelecto – de “intuição evidente” (evidens in- tuitus) que nos conduz ao conhe- cimento verdadeiro. O filósofo alemão Friedrich Hegel (1770- -1831), por sua vez, identifica a intuição com o pensamento ou com a capacidade de pensar: “o puro intuir é o mesmo que o puro pensar”, afirma. Os filósofos contemporâneos, sobretudo os matemáticos e os lógicos, relacionam intuição à ca- pacidade inventiva da Ciência. O biólogo e filósofo francês Claude Bernard (1813-1878) dizia: “a in- tuição gera a idéia ou a hipótese experimental, ou seja, interpreta antecipadamente os fenômenos da natureza”. O francês Henri Poincaré (1854-1912), notável ma- temático e filósofo, repetia, com referência à matemática, o que Bernard dizia sobre as ciências experimentais:“demonstra-se com a lógica, mas só se inventa com a intuição. (...) A faculdade que nos ensina a ver é a intuição. Sem ela o geômetra seria como um escri- tor bom de gramática, mas vazio de idéias”.9 33Abril 2006 • Reformador 115511 reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:05 Page 33
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    As idéias intuitivasfazem rela- ção com a criatividade, nos dias atuais. A intuição é vista como faculdade congênita, presente em alguns indivíduos, mas passí- vel de ser desenvolvida pelo exer- cício. Para os estudiosos, a mente das pessoas intuitivas desenvol- veu a capacidade de lidar com fi- guras ou configurações. Neste sentido, a intuição é uma forma peculiar do pensamento que emite imagens mentais denomi- nadas não-lógicas.10 Para a Ciên- cia, existem várias maneiras de pensar. O pensamento lógico-ra- cional, por exemplo, nos é mais familiar, facilitando as nossas interferências no cotidiano, na realidade objetiva. O valor da intuição estaria na habilidade de a mente produzir e interpretar imagens não-lógicas e, ao mesmo tempo, coexistir harmonicamen- te com as emissões do pensa- mento racional-lógico.11 Este é o ponto exato que reflete o interes- se dos estudiosos pela intuição e pelos intuitivos. Empresários e tecnólogos, psicólogos e educa- dores da atualidade incentivam ou desenvolvem estudos, pesqui- sas e análises, confiantes em que os insights ou a súbita percepção, próprios dos intuitivos, represen- tam um jeito novo de fazer algo, e podem ser a solução para proble- mas e desafios complexos, exis- tentes na civilização hodierna.11 O Espírito André Luiz nos for- nece uma boa explicação sobre o mecanismo básico da intuição: “A aura é, portanto, a nossa plata- forma onipresente em toda comu- nicação com as rotas alheias, ante- câmara do Espírito, em todas as nossas atividades de intercâmbio com a vida que nos rodeia (...). Isso porque exteriorizamos, de maneira invariável, o reflexo de nós mesmos, nos contatos de pen- samento a pensamento, sem ne- cessidade das palavras para as simpatias ou repulsões funda- mentais. (...) Pelas ondas de pensamento a se enovelarem umas sobre as outras, segundo a combinação de fre- qüência e trajeto, natureza e obje- tivo, encontram-se as mentes se- melhantes entre si (...). A intuição foi, por esse motivo, o sistema inicial de intercâmbio, facilitando a comunhão das criatu- ras, mesmo a distância, para trans- fundi-las no trabalho sutil de tele- mentação, nesse ou naquele domí- nio do sentimento e da idéia, por intermédio dos remoinhos men- suráveis de força mental, assim como, na atualidade, o remoinho eletrônico infunde em aparelhos especiais a voz ou a figura de pes- soas ausentes, em comunicação recíproca na radiotelefonia e na televisão.” 12 Emmanuel esclarece que “to- dos os homens participam dos poderes da intuição, no divino ta- bernáculo da consciência, e todos podem desenvolver suas possibili- dades nesse sentido. (...) A faculdade intuitiva é insti- tuição universal. Através de seus recursos, recebe o homem terres- tre as vibrações da vida mais alta, em contribuições religiosas, filo- sóficas, artísticas e científicas, ampliando conquistas sentimen- tais e culturais, colaboração essa que se verifica sempre, não pela vontade da criatura, mas pela con- cessão de Deus.” 13 Referências Bibliográficas: 1 BLECHER, Nelson. In: Essência da Intui- ção. São Paulo: Editora Martin Claret, 1997, p. 76. 2 Enciclopédia Mirador Internacional. São Paulo: Melhoramentos, 1995, vol. 12, p. 6.181. 3 KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 76. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005, cap. XIX, item 223, 1o a 5o subitens, p. 278 e 279. 4 ______. O Livro dos Espíritos. 86. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005, q. 415, p. 257. 5 ______. O Livro dos Médiuns. Rio de Ja- neiro: FEB, 2005, cap. XV, item 180, p. 231. 6 ______. Obras Póstumas. 38. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Primeira Parte, “Dos médiuns”, item 50, p. 71. 7 ______. O Livro dos Espíritos. 86. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005, q. 393, p. 243. 8 Idem, ibidem, q. 218-a, p. 164. 9 ABBRAGNANO, Nicola. Dicionário de Fi- losofia. São Paulo: Martins Fontes, 2000, p. 581 a 583. 10 FISHER, Milton. In: Essência da Intui- ção. São Paulo: Editora Martin Claret, 1997, p. 59 a 62. 11 EPSTEIN, Gerald. In: Essência da Intui- ção. São Paulo: Editora Martin Claret, 1997, p. 30. 12 XAVIER, Francisco C. e VIEIRA, Waldo. Evolução em dois Mundos, pelo Espírito André Luiz. 23. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005, cap. 17, p. 164 a 166. 13 XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel. 1. ed. especial, Rio de Janeiro: FEB, 2004, cap. 156, p. 327 a 328. 34 Reformador • Abril 2006115522 reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:05 Page 34
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    35Abril 2006 •Reformador 115533 O Conselho Federativo Nacional da FEB, em sua Reunião Ordinária de 11 a 13 de novembro de 2005, constituiu Comissão para as come- morações do Sesquicentenário da Doutrina Espírita, considerando que no dia 18 de abril de 2007 se comemoram 150 anos do lança- mento de O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec. Com esse objetivo, o CFN também aprovou que a FEB promova e coordene a realização do 2o Congresso Espírita Brasileiro, que ocorrerá em Brasília. Essa Comissão do CFN ficou integrada pelos seguintes repre- sentantes: Região Norte – Jorge Alberto Elarrat do Canto e Sandra Farias de Moraes; Região Nordes- te – Creuza Santos Lage e Sônia Maria Arruda Fonseca; Região Centro – Maria Túlia Bertoni e Saulo Gouveia Carvalho; Região Sul – Jason de Camargo e José Antonio Luiz Balieiro; Entidades Especializadas de Âmbito Nacio- nal – Gezsler Carlos West e Jorge Pedreira de Cerqueira; Federação Espírita do Distrito Federal – Cé- sar de Jesus Moutinho; FEB – Altivo Ferreira e Antonio Cesar Perri de Carvalho. Com o lema Espiritismo: 150 Anos de Luz e Paz, estão sendo planejadas várias ações: Plano de Trabalho para o Mo- vimento Espírita Brasileiro: a ser elaborado sob a coordenação do Conselho Federativo Nacional da FEB. Os estudos para esse “Pla- no de Trabalho” serão iniciados nas quatro Reuniões das Comis- sões Regionais do CFN, entre abril e junho deste ano, concluin- do-se na Reunião Extraordinária do CFN, que antecederá a abertu- ra do 2o Congresso Espírita Brasi- leiro. 2o Congresso Espírita Brasilei- ro: programado para Brasília, de 12 a 15 de abril de 2007, será pro- movido pela Federação Espírita Brasileira e terá como tema cen- tral O Livro dos Espíritos na Edi- ficação de um Mundo Melhor. An- tecedendo a abertura do 2o Con- gresso serão realizadas em Brasília Reuniões conjuntas das quatro Comissões Regionais do CFN e a Reunião Extraordinária do CFN. Atividades junto ao Movimen- to Espírita: estímulo a ações das Entidades Federativas Estaduais e Associações Especializadas junto às suas áreas de abrangência, e montagem de um cronograma das programações alusivas ao Ses- quicentenário do Espiritismo, du- rante o ano de 2007, mas com destaque à promoção de eventos em todas as Instituições Espíritas, em torno da data de 18 de Abril de 2007. O encerramento das come- morações do Sesquicentenário ocorrerá na Reunião Ordinária do CFN, em novembro de 2007. Ações para a difusão espírita: serão criadas peças promocio- nais sobre o Sesquicentenário do Espiritismo e sobre as Obras Bá- sicas da Codificação, estimulan- do-se as edições especiais de li- vros, jornais e revistas, sobre a efeméride. Edição de Selo Postal Come- morativo: a FEB proporá aos Correios a emissão de selo postal e a preparação de carimbo, come- morativos do Sesquicentenário do Espiritismo, com previsão pa- ra lançamento, em Brasília, no dia 18 de abril de 2007, e com lançamento simultâneo em todas as capitais dos Estados, nas sedes das respectivas Entidades Federa- tivas. Comemorações do do Espiritismo Sesquicentenário reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:05 Page 35
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    36 Reformador •Abril 2006115544 Páginas da Revue Spirite lgumas pessoas perguntam por que a Doutri- na Espírita não é a mesma no antigo e no no- vo continentes e em que consiste a diferença. É o que tentaremos explicar. Como se sabe, as manifestações ocorreram em to- dos os tempos, tanto na Europa quanto na América, e hoje, que nos damos conta da coisa, lembramos uma porção de fatos que tinham passado desperce- bidos, muitos dos quais consignados em escritos autênticos. Mas esses fatos eram isolados; nestes últi- mos tempos eles se produziram nos Estados Unidos numa escala bastante ampla para despertar a atenção geral dos dois lados do Atlântico. A extrema liberda- de existente nesse país favoreceu a eclosão das idéias novas, e é por isto que os Espíritos o escolheram para primeiro teatro de seus ensinos. Ora, acontece muitas vezes que uma idéia surge num país e se desenvolve em outro, como se vê nas ciências e na indústria. Sob esse aspecto, o gênio americano deu suas provas e nada tem a invejar à Europa; mas, se excede em tudo o que concerne ao comércio e às artes mecânicas, não se pode recusar à Europa o das ciências morais e filosóficas. Em conse- qüência dessa diferença no caráter normal dos po- vos, o Espiritismo experimental ocupava seu espaço na América, enquanto a teoria e a filosofia encontra- vam na Europa elementos mais propícios ao seu desenvolvimento. Assim, foi lá que nasceu, conquis- tando, em poucos anos, o primeiro lugar. Ali os fatos inicialmente despertaram a curiosidade; porém, uma vez constatados e satisfeita a curiosidade, logo se cansaram das experiências materiais sem resulta- dos positivos. Já o mesmo não ocorreu desde que se desdobraram as conseqüências morais desses mes- mos fatos para o futuro da Humanidade. A partir daí o Espiritismo tomou posição entre as ciências filosó- ficas; marchou a passos de gigante, a despeito dos obstáculos que lhe foram suscitados, porque satisfa- zia às aspirações das massas, porque prontamente compreenderam que vinha preen- cher um imenso vazio nas crenças e resolver o que até então parecia insolúvel. A América foi, pois, o berço do Espiritis- mo, mas foi na Euro- pa que ele cresceu e fez suas humanidades. Isto é motivo para a Amé- rica ficar enciuma- da? Não, porque noutros pontos ela levou van- tagem. Não A Escola Espírita A James Hervey Hyslop foi um dos pioneiros do Espiritismo experimental nos Estados Unidos. Americana reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:05 Page 36
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    foi na Europaque as máquinas a vapor surgiram? e não foi na América que encontraram a sua aplicação prática? A cada um o seu papel, conforme suas apti- dões, e a cada povo o seu, segundo seu gênio parti- cular. O que particularmente distingue a escola espírita dita americana da escola européia é a predominân- cia, na primeira, da parte fenomênica, à qual se ligam mais especialmente, e na segunda, a parte filosófica. A filosofia espírita da Europa espalhou-se pronta- mente, porque ofereceu, desde o princípio, um conjunto completo, mostrando o objetivo e ampliando o horizonte das idéias; incon- testavelmente, é a que hoje prevalece no mundo inteiro. Até hoje os Es- tados Unidos pouco se afastaram de suas idéias primitivas; significará isto que, isolados, ficarão na reta- guarda do movimento geral? Seria injuriar a inteligência desse povo. Aliás, os Espíritos lá estão para o impelir na via comum, ensinando ali o que ensinam alhures; triunfa- rão pouco a pouco das resistências que poderiam nascer do amor-pró- prio nacional. Se os americanos re- pelissem a teoria européia, porque vem da Europa, aceitá-la-ão quando surgir em seu meio, pela própria voz dos Espíritos; cederão ao ascen- dente, não da opinião de alguns homens, mas ao controle universal do ensino dos Espíritos, esse poderoso critério, como o demonstramos em nosso artigo sobre a autoridade da doutrina espírita; é apenas uma questão de tempo, principalmente quando houverem desaparecido as questões pessoais. De todos os princípios da doutrina, o que encon- trou mais oposição na América – e por América deve entender-se exclusivamente os Estados Unidos – foi o da reencarnação. Pode mesmo dizer-se que é a única divergência capital, prendendo-se as outras mais à forma do que ao fundo, e isto porque ali os Espíritos não a ensinaram. Expliquemos as razões disto. Os Espíritos procedem em toda parte com sa- bedoria e prudência; para se fazerem aceitar, evitam chocar muito bruscamente as idéias preconcebidas. (...) Nos Estados Unidos o dogma da reencarnação teria vindo chocar-se contra os preconceitos de cor, tão profundamente arraigados naquele país; o es- sencial era fazer aceitar o princípio fundamental da comunicação do mundo visível com o mundo invi- sível; as questões de detalhe viriam a seu tempo. Ora, não é duvidoso que esse obstáculo acabe por desaparecer, e que um dos resultados da guerra civil atual seja o gradativo en- fraquecimento de preconceitos, ver- dadeira anomalia numa nação tão liberal. Se, de maneira geral, a idéia da reencarnação ainda não é aceita nos Estados Unidos, ela o é indi- vidualmente por alguns, se não como princípio absoluto, ao me- nos com certas restrições, o que já é alguma coisa. Quanto aos Espí- ritos, sem dúvida julgando que o momento é propício, começam a ensinar com cautela em certos lu- gares e sem rodeios em outros. Uma vez levantada, a questão per- correrá longa distância. Aliás, te- mos sob os olhos comunicações já antigas, obtidas naquele país, nas quais, sem estar formalmente ex- pressa, a pluralidade das existências é a conseqüên- cia forçada dos princípios emitidos; aí se vê brotar a idéia. Assim, não é duvidoso que, em pouco tempo, o que hoje ainda se chama escola americana fundir- -se-á na grande unidade que se estabelece por toda parte. ALLAN KARDEC Fonte: Revue Spirite (Revista Espírita) – maio de 1864, 2. ed. FEB. Transcrição parcial, p. 200 a 202. 37Abril 2006 • Reformador 115555 Leonore E. Piper, famosa médium americana. Portadora de vários dons mediúnicos, prestou-se a estudos científicos de 1885 a 1915 reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:05 Page 37
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    Desafios na Casa Espírita uitofreqüentemente quei- xam-se os companheiros que militam na Casa Espí- rita acerca dos distúrbios que se operam nas engrenagens admi- nistrativas da Instituição, impondo a deserção de vários tarefeiros e a abertura de áreas de guerra intes- tina, em que a maledicência e a re- volta surda, o azedume e o melin- dre surgem por colheita infeliz,fru- to da sementeira invigilante dos trabalhadores envolvidos. Aqui, aparece a discussão esté- ril, levando os trabalhadores a rui- dosos atritos pessoais, desenca- deando o malogro de idéias louvá- veis, e ao abortamento de projetos de crescimento da própria Casa. Mais adiante, observa-se a frieza de corações no trato uns para com os outros, estabelecendo nevoento e propício campo para as disputas de arena e os duelos espirituais nas faixas dos sentimentos inferiores, prenunciando a ruína de tudo quanto já foi construído pelos obreiros da primeira hora. Mais acolá, a inveja ganha espa- ço entre os servidores da colméia espírita, onde passa a haver dispu- ta pelo mel das vantagens imedia- tas e dos aplausos do mundo, ante a ânsia de se estar nos postos de comando, abandonando-se a sim- plicidade e a humildade que deve- riam viger por bandeiras de vivên- cia cristã na seara que se escolheu para militar. E assim vários focos infecciosos vão minando a Instituição Espírita, sempre sob a aparência de simples divergências de pensamentos, a ocultar uma ameaça muito maior, qual seja a evidência perturbadora da inferioridade humana, buscan- do espaço para as alucinações do Ego e para a tirania do espírito. Nesse meio termo, surgem os que alertam que a Casa Espírita está sob assalto da obsessão coletiva, ne- cessitando de uma maior vigilância dos tarefeiros encarnados, a fim de se minimizar o assédio das sombras sob açodamento das paixões hu- manas. Recomenda-se a prece e a vigilância por antídoto a semelhan- te flagelo de natureza espiritual. Certamente que têm razão os que assim se pronunciam, alertan- do aos demais para que não caiam mais profundamente nas malhas sutis da influência fascinatória exer- cida pelos Espíritos desencarnados sobre o psiquismo humano em tresvario.O próprio Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, já nos tinha alertado que a influência ob- sessiva sempre se dá quando o indi- víduo se coloca predisponente para que semelhante sintonia se estabe- leça no campo pessoal, ameaçando soçobrar a tranquilidade e a paz vi- gente na seara espiritista.* Todas as vezes que a obsessão se insinua, imperioso é reconhecer que os obsedados vulgares dão re- pasto a semelhante enfermidade da alma. A invigilância aos próprios sentimentos, a ausência de autocrí- tica, o despeito em relação aos de- mais companheiros de militância,a disputa por espaços de poder e de influência pessoal abrem campo para que a obsessão, seja individual ou coletiva, se instale na intimida- de da Instituição qual erva daninha em solo fértil, sendo esta praga ras- teira disseminada pelos próprios semeadores da Casa Espírita,ante o fascínio de poder e comando que muitos trazem de existências tran- satas fracassadas. Necessário que, em vez de uma olhada simplista para a janela do invisível, ante a investigação me- diúnica, que será simplesmente confirmar o que já se sabe e se sus- peita, fundamental se faz que os *Nota do autor espiritual: O Livro dos Mé- diuns, capítulo 23,“Da obsessão”, Ed. FEB. M 38 Reformador • Abril 2006115566 reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:05 Page 38
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    causadores do distúrbio abramos portais da alma e se voltem para dentro de si mesmos, reavalian- do suas condutas ante a doutrina lida e estudada, mas ainda evidentemente não vivida. É o Espiritismo o mais sublime roteiro de refor- ma íntima e renovação moral que se conhece nos caminhos terrestres, nos convidando a abandonar os velhos mantos da vai- dade milenar e do egoísmo pri- mitivista, sendo ele poderoso anti- biótico a agir nos tecidos infeccio- nados da alma,ensejando que faça- mos ainda hoje a nossa autocura através da renúncia a propósitos hegemônicos e autoritários, bus- cando uma postura madura e res- ponsável diante das tarefas abraça- das livremente e dos demais irmãos de jornada, a fim de que não nos façamos instrumentos da pertur- bação, a introduzir no seio da Casa Espírita os pegajosos tentáculos do escândalo e da viciação, a matar as florações segadas por mãos abnega- das e dedicadas, escândalo este pe- lo qual responderemos mais tarde. Que cada trabalhador se cons- cientize de que é importante sem ser imprescindível. Que é útil, mas nunca indis- pensável. Que mais vale ajudar do que desajudar. Que toda crítica ao que já existe deve vir acompanhada das possí- veis alternativas ou soluções de como deveria ser, e que nosso ver- bo, ao analisar fatos e pessoas, de- ve estar marcado pelo selo da man- suetude e da tolerância, ante a ine- quívoca constatação de que não sendo perfeitos, não podemos exi- gir dos demais a perfeição que eles igualmente estão a buscar. Dessa forma, cada um vai per- cebendo sua real posição na Casa Espírita que elegeu para trabalhar, evitando interferências desastro- sas nas lides alheias, e assim ope- rando individualmente para o êxi- to da atividade coletiva, que deve sempre refletir o espírito do Cris- to, que nos convida permanente- mente ao combate sem tréguas às nossas paixões, nos estimulando a evoluir com a ferramenta da Dou- trina Espírita e a conviver harmo- niosamente no meio dos desafios por que passa periodicamente a Casa Espírita, bem como o Movi- mento Espírita, já que estamos cientes de que não somos melho- res nem piores do que os demais que comungam conosco a seara a que nos entregamos voluntaria- mente: somos simplesmente pes- soas diferentes umas das outras, em graus de entendimento pró- prio, em incessante marcha para dias melhores, depois de supe- radas, as refregas da Terra, que nos impõe a convivência em grupo pa- ra que nos exercitemos na arte de aceitar o companheiro que mar- cha conosco, aprendendo igual- mente a ser feliz. Mário H. de Luna (Página psicografada pelo médium Marcel Mariano, em 11/11/2005, em Brasília (DF), durante a Reunião do CFN/FEB.) 39Abril 2006 • Reformador 115577 No artigo “Reuniões me- diúnicas no lar”, na legenda da página 28 de Reformador de março de 2006, o nome correto da instituição é As- sociação Espírita Beneficen- te “Anjo da Guarda”. Retificando... reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:06 Page 39
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    Digníssimos Irmãos. asgada acortina, a luz es- plende em todo o fulgor da sua liberdade e da sua gló- ria. Assim também o Espírito, li- bertado, pela morte material, dos grilhões constringentes e velado- res da carne, vibra na plenitude de seus ideais e dos seus sentimentos, na força plena de sua capacidade de ser e de fazer. Seria, portanto, paradoxal e incompreensível que nós, os modestos, mas sinceros operários do primeiro século do Espiritismo, só por desenfaixados dos fluidos densos da vestidura carnal, nos distanciássemos, indi- ferentes, do campo de lutas terres- tres, onde a idéia sublime, que nos iluminou os mais altos sonhos, trava as suas batalhas decisivas, pa- ra firmar-se e expandir-se na seara dos corações. Bem ao revés disso, plantamo-nos, vigilantes e indor- midos, na primeira linha dos com- bates, ao lado daqueles que, como é o vosso caso, dão o melhor de si mesmos pela grande causa do Consolador, que é a mensagem da redenção e da paz para toda a Hu- manidade. Por inidentificados não estamos inativos, nem omissos. Surgem, porém, horas como esta, no relógio do destino, em que o impositivo do dever maior nos le- va a nos dirigirmos ostensivamen- te a vós outros. Eis por que hoje te- nho a glória amena e doce de es- crever-vos, não para dizer-vos algo de minha própria pobreza, mas pa- ra transmitir-vos, com a permissão do Anjo Tutelar desta Pátria e desta Casa, a palavra de encorajamento e de incentivo do Espírito Estelar do Codificador, a fim de que abraceis decididamente a tarefa que vos ca- be, de levar a luz do Espiritismo ao mundo inteiro. O Brasil é real- mente, por decreto divino, o país escolhido para ser o Grande Evan- gelizador do Planeta e esta Subli- me Oficina é a feliz depositária des- te legado crístico. Não temais, pois, dificuldades, nem vos atraseis no cumprimento de vossos excelsos deveres, porque a hora já é avança- da e não há mais tempo a perder, a fim de que tantos quantos for pos- sível recebam a palavra do Cristo Redivivo, antes que a noite apo- calíptica desça sobre os vales da Crosta planetária. Aproveito para deixar-vos meu amplexo muito emocionado e mui- to agradecido, pelas flores aromais de vossas lembranças e das home- nagens fraternais que me tendes prestado, pelo meu pouco mereci- mento. Crede que sou, com Marina e todos os companheiros das pri- meiras horas, o irmão fiel, o amigo sincero e o companheiro serviçal de todos os dias, sempre ao inteiro dispor de vossos corações. P.-G. Leymarie Fonte: SANT’ANNA, Hernani T. Correio Entre Dois Mundos. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002, p. 115 e 116. A hora é avançada R 40 Reformador • Abril 2006115588 reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:06 Page 40
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    41Abril 2006 •Reformador 115599 A participação das editoras es- píritas na 19a Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2006 foi a mais expressiva da última década. Com um estande de 490 metros quadrados, exatamente na entrada do Pavilhão de Exposições Anhem- bi, a Federação Espírita Brasileira (FEB) e a Associação de Editoras, Distribuidoras e Divulgadoras do Livro Espírita (Adeler) receberam milhares de visitantes que busca- vam informações sobre a Doutri- na, a literatura e o Movimento Es- pírita. O presidente da Câmara Brasilei- ra do Livro (CBL), Oswaldo Sicilia- no, visitou o estande da FEB no dia 11 de março, pela manhã. Ele elo- giou o trabalho das editoras espíri- tas e destacou a qualidade editorial e gráfica dos livros editados pela Fe- deração. Siciliano foi recebido pelo presidente Nestor João Masotti, que o presenteou com o livro O Es- piritismo na sua Expressão mais Simples, de Allan Kardec. O livro, um dos lançamentos da FEB na Bie- nal de São Paulo, foi traduzido por Evandro Noleto Bezerra. Uma área especial do estande foi construída especialmente para atender ao público infantil. Além de brincadeiras com balões e pin- tura de rosto, o espaço atraiu cen- tenas de crianças ao encenar um teatro de fantoches baseado nos li- vros O tatu cavaleiro e O papagaio que falava latim, obras de Eloy Facco (Tieloy) editadas pela FEB. Com adaptação e direção de Car- los Moreira, a peça foi produzida pela empresa Entrelinhas Comu- nicação e Eventos. Além de distribuir milhares de produtos de divulgação do livro, a FEB montou um centro de infor- mações sobre as instituições espí- ritas do Brasil e do Exterior. Os vi- sitantes levaram para casa folhetos explicativos sobre obras sociais e tarefas doutrinárias, além de jor- nais, revistas, cartazes e material referente às Campanhas Família, Vida e Paz. A FEB na Bienal do Livro de São Paulo Foto do Estande da Federação Espírita Brasileira Nestor Masotti e Oswaldo Siciliano reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:06 Page 41
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    42 Reformador •Abril 2006116600 FEB/DF: Monitores e Evangelizadores Nos dias 18 e 19 de fevereiro ocorreu o Encontro de Monitores da Mediunidade e de Evangelizadores do Departamento de Infância e Juventude, nas depen- dências da FEB, tendo participado cerca de 120 evan- gelizadores e 30 monitores do Curso de Mediunidade. Nos dias 25 e 26 de fevereiro foi realizadao um curso para os monitores e colaboradores do ESDE, que con- tou com 40 participantes. O Encontro e o curso ti- veram caráter preparatório para as atividades de 2006, cujas aulas regulares começaram em 4 de março, com uma palestra pelo vice-presidente Altivo Ferreira. M. G. do Sul: Capacitação A reunião de capacitação de dirigentes das Casas Espíritas ocorrida nos dias 18 e 19 de fevereiro, em Campo Grande, sob o patrocínio da Federação Espírita de Mato Grosso do Sul, reuniu um número aproxima- do de 50 pessoas.Participaram os presidentes das Casas Espíritas da URE Campo Grande – à qual estão vin- culadas 31 Casas Espíritas de Campo Grande e 7 de outras localidades –, e os coordenadores das demais UREs. Foram desenvolvidos pelos expositores João Pinto Rabelo e Edmilson Luiz Nogueira, ambos da FEB, os temas: Visão espiritual do Curso de Capacitação Administrativa de Dirigentes de Casas Espíritas e Asso- ciação de Casas Espíritas com OSCIPs e ONGs. Macapá (AP): Casa Chico Xavier Uma nova Unidade de Promoção Integral, que utiliza o modelo desenvolvido pelo Lar Fabiano de Cristo, foi inaugurada em Macapá, a qual recebeu o nome de Casa Chico Xavier e será administrada pela Federação Espírita do Amapá, em parceria com o Lar Fabiano de Cristo. A Unidade está localizada na Rua Odilardo Silva, 1.131 – CEP 68908-100 – Macapá (AP). Telefo- ne: (96) 3251-3633. M. Grosso: Encontro da Família Famílias espíritas se reuniram entre os dias 25 e 28 de fevereiro, na Federação Espírita do Estado de Mato Grosso (FEEMT), a fim de debater o tema A família numa visão sistêmica. O VI Encontro da Família Es- pírita contou com a presença de Alberto Almeida, de Belém (PA). O evento – que ocorre de dois em dois anos, durante o carnaval – permitiu a troca de expe- riências e reflexão para mais de 600 pessoas. Casa Espíritas centenárias O Centro Espírita “Luz e Caridade”, de Limeira (SP), fundado em 18 de março de 1906, está comemorando 100 anos de atividade ininterrupta. A programação, durante o mês do aniversário, consistiu em três pales- tras, por Orson Peter Carrara, Marcos Alberto Ferreira e Marlene Nobre (nos sábados 3, 11 e 18), e na conferência de encerramento, no dia 27, por Dival- do Pereira Franco. O Grupo Espírita Paz, de Conselheiro Lafaiete (MG), fundado em 31 de março de 1906, está come- morando seu Centenário com um programa de semi- nários e eventos culturais, de temática espírita, que se estende de janeiro a dezembro de 2006, além da par- ticipação, em outubro, na Semana Espírita da Aliança Municipal Espírita de Conselheiro Lafaiete. Maranhão: 26a CONESMA Promovida pela Federação Espírita do Maranhão, ocorreu, de 25 a 28 de fevereiro passado, a 26a Con- fraternização Espírita do Maranhão (CONESMA). Com a participação dos palestrantes Ana Guimarães (RJ), Geraldo Guimarães (RJ) e André Siqueira (DF), no Auditório da Faculdade Atenas Maranhense, a Confraternização contou com seminários, palestras, debates e momentos de arte. Foram expostos e debati- dos os seguintes temas: 2000 anos com Jesus; A Pedagogia de Jesus na formação do Homem Integral; Jesus e a terapia do amor; As várias faces do Cris- tianismo e seu renascimento através da Doutrina Espí- rita; Reencarnação, o elo perdido do Cristianismo; A visão espírita e o modelo de perfeição de Jesus; e Na pre- sença do Cristo – Aspectos humanos, psicológicos e es- pirituais. Seara Espírita reformador abril 2006 - B.qxp 12/4/2006 15:06 Page 42