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Entrevista: "Avaliação promove aprendizagem dos alunos", diz especialista

A professora da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade
de Brasília, pedagoga Benigna Maria de Freitas Villas Boas, diz que a avaliação promove a aprendizagem
do aluno e deve ser praticada de forma interativa pela comunidade escolar. Mestre em educação pela
Universidade de Houston, nos Estados Unidos, doutora em educação pela Universidade Estadual de
Campinas e pós-doutora em educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Londres ela realiza
pesquisas em avaliação da aprendizagem. Leia abaixo a entrevista exclusiva dada ao Jornal do Professor.

JP - O que é avaliação escolar?

BMF - É o processo pelo qual se analisa o trabalho pedagógico desenvolvido por toda a escola, a atuação
de todos os que estão nele envolvidos e as aprendizagens de alunos e educadores. Ao referir-me a
educadores estou aí incluindo os professores, porque todos interagem com os alunos na escola. Todos
praticam a avaliação, que acontece de várias formas na escola. É muito conhecida a avaliação feita por
meio de provas, exercícios e atividades quase sempre escritas, como produção de textos, relatórios,
pesquisas, resolução de questões matemáticas, questionários etc. Quando a avaliação é realizada dessa
forma, todos ficam sabendo que ela está acontecendo: alunos, professores e pais. Esse tipo de avaliação
costuma receber nota, conceito ou menção. É o que chamamos de avaliação formal.

Entretanto, há outro tipo de avaliação muito freqüente: é aquela que se dá pela interação de alunos com
professores, com os demais educadores que atuam na escola e até mesmo com os próprios alunos, em
todos os momentos e espaços do trabalho escolar. É chamada de avaliação informal. Ela é importante
porque dá chances ao professor de conhecer mais amplamente cada aluno: suas necessidades, seus
interesses, suas capacidades. Quando um aluno mostra ao professor como está realizando uma tarefa ou
lhe pede ajuda, a interação que ocorre nesse momento é uma prática avaliativa, isto é, o professor tem a
oportunidade de acompanhar e conhecer o que ele já aprendeu e o que ainda não aprendeu. Quando
circula pela sala de aula observando os alunos trabalharem, o professor também está analisando, isto é,
avaliando o trabalho de cada um. São momentos valiosos para a avaliação.

A diferença entre a avaliação informal e a formal é que a informal nem sempre é prevista e,
conseqüentemente, os avaliados, no caso os alunos, não sabem que estão sendo avaliados. Por isso deve
ser conduzida com ética. Precisamos nos lembrar sempre de que o aluno se expõe muito ao professor, ao
manifestar suas capacidades e fragilidades e seus sentimentos. Cabe à avaliação ajudar o aluno a se
desenvolver, a avançar, não devendo expô-lo a situações embaraçosas ou ridículas.

JP - Qual a importância da avaliação escolar?

BMF - A avaliação existe para que se conheça o que o aluno aprendeu, o que ele ainda não aprendeu para
que se providenciem os meios para que ele aprenda o necessário para a continuidade dos estudos. Cada
aluno tem o direito de aprender e de continuar seus estudos. A avaliação é vista, então, como uma grande
aliada do aluno e do professor. Não se avalia para atribuir nota, conceito ou menção. Avalia-se para
promover as aprendizagens do aluno. Enquanto o trabalho se desenvolve, a avaliação também é feita.
Aprendizagem e avaliação andam de mãos dadas, a avaliação sempre ajudando a aprendizagem.

Avalia-se, também, para saber como foi desenvolvido o trabalho pedagógico de toda a escola e o da sala
de aula. Avaliam-se as atividades organizadas pela escola, como conselhos de classe, reuniões com pais,
reuniões com professores, atividades esportivas, feiras, exposições, jornal escolar, festas e outras.

Avalia-se a atuação dos professores e dos demais educadores que trabalham na escola. Todos são
avaliados e todos avaliam. Cria-se, assim, a cultura avaliativa da escola, baseada na parceria, no respeito
mútuo, na responsabilidade, na seriedade e no rigor.

Essa avaliação que promove as aprendizagens do aluno e do professor e o desenvolvimento da escola é
denominada de formativa, em oposição à avaliação tradicional, que visa à aprovação e reprovação, à
atribuição de notas e se vale quase exclusivamente da prova.
JP - Quais as metodologias que estão sendo utilizadas atualmente para fazer a avaliação da
aprendizagem? Quais as mais inovadoras?

BMF - A utilização de procedimentos como a avaliação por colegas, a auto-avaliação e portfólio não
exclui a presença da prova no processo avaliativo. Ela é até bem-vinda, quando associada a esses
procedimentos, bem planejada e os seus resultados bem aproveitados. Mas, é preciso repensá-la para que
ela perca as características que desabonam seu uso. Seus malefícios têm sido largamente comentados.
Porém, não é o caso de ela ser abolida. Afinal de contas, temos de nos submeter a ela em vários processos
seletivos ao longo da vida profissional. A maneira de usá-la é que precisa ser reconsiderada. Precisamos
pensar: qual a sua importância no processo avaliativo? Por que usá-la? Com que objetivos? Quando usá-
la? Como articular seus resultados aos de outros procedimentos? O que tem acontecido de errado com ela
é o fato de ser o único procedimento de avaliação e de, geralmente, assumir função classificatória.

A avaliação por colegas (da mesma disciplina ou da mesma turma, por estarem desenvolvendo as mesmas
atividades) é um componente importante do processo avaliativo e pode ser o primeiro passo para a auto-
avaliação. Sabendo que suas atividades serão apreciadas por colegas, eles as prepararão com mais
cuidado e, possivelmente, com mais prazer. As tarefas diversas podem ser avaliadas em duplas de alunos
e, posteriormente, em grupos de três ou quatro, sempre tendo o acompanhamento do professor. Essa ajuda
mútua tem a vantagem de ser conduzida por meio da linguagem que os alunos naturalmente usam. Além
disso, os alunos costumam aceitar mais facilmente os comentários de colegas do que os de seus
professores.

A auto-avaliação é um componente importante da avaliação formativa. Refere-se ao processo pelo qual o
próprio aluno analisa continuamente as atividades desenvolvidas e em desenvolvimento, registra suas
percepções e sentimentos e identifica futuras ações, para que haja avanço na aprendizagem. Essa análise
leva em conta: o que ele já aprendeu, o que ainda não aprendeu, os aspectos facilitadores e os
dificultadores do seu trabalho, tomando como referência os objetivos da aprendizagem e os critérios de
avaliação. Dessa análise realizada por ele novos objetivos podem emergir. A auto-avaliação não visa à
atribuição de notas ou menções pelo aluno; tem o sentido emancipatório de possibilitar-lhe refletir
continuamente sobre o processo da sua aprendizagem e desenvolver a capacidade de registrar suas
percepções. O seu grande mérito é ajudar o aluno a perceber o próximo passo do seu processo de
aprendizagem. Cabe ao professor incentivar a prática da auto-avaliação pelos alunos, continuamente, e
não apenas nos momentos por ele estabelecidos, e usar as informações fornecidas para reorganizar o
trabalho pedagógico, sem penalizá-los.

JP - O que o professor deve levar em consideração no processo de avaliação?

BMF - A avaliação serve para encorajar e não para desencorajar o aluno. Por isso, rótulos e apelidos que
o desvalorizem ou humilhem não são aceitáveis. Gestos e olhares encorajadores por parte do professor ou
professora são bem-vindos. Afinal de contas, a interação do professor com os alunos é constante e muito
natural. Uma piscadinha de olho de forma acolhedora e amiga, indicando que o aluno está no caminho
adequado, lhe dá ânimo. Cabe ao professor considerar que avaliação é aprendizagem: enquanto se avalia
se aprende e enquanto se aprende se avalia. Essa é a cultura avaliativa que deve presidir o trabalho
escolar.

JP - Uma avaliação mal conduzida pode trazer prejuízos? Quais?

BMF - A avaliação descomprometida com as aprendizagens tende a ser desencorajadora, podendo
desmotivar o aluno, afastá-lo da escola e até levá-lo ao fracasso. Os resultados da avaliação podem
decidir a trajetória escolar dos alunos: permanecer na mesma escola ou transferir-se para outra que lhe
faça menores exigências. Não somente notas podem causar desconforto. Cabe refletir sobre o papel da
avaliação informal, que dá grande flexibilidade de julgamento ao professor. Um dos exemplos disso é o
costumeiro “arredondamento de notas”, que consiste em o professor aumentá-las ou diminuí-las segundo
critérios por ele definidos e nem sempre explicitados. Além disso, esses critérios costumam ser diferentes
para cada aluno. Uma avaliação mal conduzida pode trazer prejuízos para o aluno, a escola, a família e a
sociedade.




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Entrevista

  • 1. Entrevista: "Avaliação promove aprendizagem dos alunos", diz especialista A professora da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade de Brasília, pedagoga Benigna Maria de Freitas Villas Boas, diz que a avaliação promove a aprendizagem do aluno e deve ser praticada de forma interativa pela comunidade escolar. Mestre em educação pela Universidade de Houston, nos Estados Unidos, doutora em educação pela Universidade Estadual de Campinas e pós-doutora em educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Londres ela realiza pesquisas em avaliação da aprendizagem. Leia abaixo a entrevista exclusiva dada ao Jornal do Professor. JP - O que é avaliação escolar? BMF - É o processo pelo qual se analisa o trabalho pedagógico desenvolvido por toda a escola, a atuação de todos os que estão nele envolvidos e as aprendizagens de alunos e educadores. Ao referir-me a educadores estou aí incluindo os professores, porque todos interagem com os alunos na escola. Todos praticam a avaliação, que acontece de várias formas na escola. É muito conhecida a avaliação feita por meio de provas, exercícios e atividades quase sempre escritas, como produção de textos, relatórios, pesquisas, resolução de questões matemáticas, questionários etc. Quando a avaliação é realizada dessa forma, todos ficam sabendo que ela está acontecendo: alunos, professores e pais. Esse tipo de avaliação costuma receber nota, conceito ou menção. É o que chamamos de avaliação formal. Entretanto, há outro tipo de avaliação muito freqüente: é aquela que se dá pela interação de alunos com professores, com os demais educadores que atuam na escola e até mesmo com os próprios alunos, em todos os momentos e espaços do trabalho escolar. É chamada de avaliação informal. Ela é importante porque dá chances ao professor de conhecer mais amplamente cada aluno: suas necessidades, seus interesses, suas capacidades. Quando um aluno mostra ao professor como está realizando uma tarefa ou lhe pede ajuda, a interação que ocorre nesse momento é uma prática avaliativa, isto é, o professor tem a oportunidade de acompanhar e conhecer o que ele já aprendeu e o que ainda não aprendeu. Quando circula pela sala de aula observando os alunos trabalharem, o professor também está analisando, isto é, avaliando o trabalho de cada um. São momentos valiosos para a avaliação. A diferença entre a avaliação informal e a formal é que a informal nem sempre é prevista e, conseqüentemente, os avaliados, no caso os alunos, não sabem que estão sendo avaliados. Por isso deve ser conduzida com ética. Precisamos nos lembrar sempre de que o aluno se expõe muito ao professor, ao manifestar suas capacidades e fragilidades e seus sentimentos. Cabe à avaliação ajudar o aluno a se desenvolver, a avançar, não devendo expô-lo a situações embaraçosas ou ridículas. JP - Qual a importância da avaliação escolar? BMF - A avaliação existe para que se conheça o que o aluno aprendeu, o que ele ainda não aprendeu para que se providenciem os meios para que ele aprenda o necessário para a continuidade dos estudos. Cada aluno tem o direito de aprender e de continuar seus estudos. A avaliação é vista, então, como uma grande aliada do aluno e do professor. Não se avalia para atribuir nota, conceito ou menção. Avalia-se para promover as aprendizagens do aluno. Enquanto o trabalho se desenvolve, a avaliação também é feita. Aprendizagem e avaliação andam de mãos dadas, a avaliação sempre ajudando a aprendizagem. Avalia-se, também, para saber como foi desenvolvido o trabalho pedagógico de toda a escola e o da sala de aula. Avaliam-se as atividades organizadas pela escola, como conselhos de classe, reuniões com pais, reuniões com professores, atividades esportivas, feiras, exposições, jornal escolar, festas e outras. Avalia-se a atuação dos professores e dos demais educadores que trabalham na escola. Todos são avaliados e todos avaliam. Cria-se, assim, a cultura avaliativa da escola, baseada na parceria, no respeito mútuo, na responsabilidade, na seriedade e no rigor. Essa avaliação que promove as aprendizagens do aluno e do professor e o desenvolvimento da escola é denominada de formativa, em oposição à avaliação tradicional, que visa à aprovação e reprovação, à atribuição de notas e se vale quase exclusivamente da prova.
  • 2. JP - Quais as metodologias que estão sendo utilizadas atualmente para fazer a avaliação da aprendizagem? Quais as mais inovadoras? BMF - A utilização de procedimentos como a avaliação por colegas, a auto-avaliação e portfólio não exclui a presença da prova no processo avaliativo. Ela é até bem-vinda, quando associada a esses procedimentos, bem planejada e os seus resultados bem aproveitados. Mas, é preciso repensá-la para que ela perca as características que desabonam seu uso. Seus malefícios têm sido largamente comentados. Porém, não é o caso de ela ser abolida. Afinal de contas, temos de nos submeter a ela em vários processos seletivos ao longo da vida profissional. A maneira de usá-la é que precisa ser reconsiderada. Precisamos pensar: qual a sua importância no processo avaliativo? Por que usá-la? Com que objetivos? Quando usá- la? Como articular seus resultados aos de outros procedimentos? O que tem acontecido de errado com ela é o fato de ser o único procedimento de avaliação e de, geralmente, assumir função classificatória. A avaliação por colegas (da mesma disciplina ou da mesma turma, por estarem desenvolvendo as mesmas atividades) é um componente importante do processo avaliativo e pode ser o primeiro passo para a auto- avaliação. Sabendo que suas atividades serão apreciadas por colegas, eles as prepararão com mais cuidado e, possivelmente, com mais prazer. As tarefas diversas podem ser avaliadas em duplas de alunos e, posteriormente, em grupos de três ou quatro, sempre tendo o acompanhamento do professor. Essa ajuda mútua tem a vantagem de ser conduzida por meio da linguagem que os alunos naturalmente usam. Além disso, os alunos costumam aceitar mais facilmente os comentários de colegas do que os de seus professores. A auto-avaliação é um componente importante da avaliação formativa. Refere-se ao processo pelo qual o próprio aluno analisa continuamente as atividades desenvolvidas e em desenvolvimento, registra suas percepções e sentimentos e identifica futuras ações, para que haja avanço na aprendizagem. Essa análise leva em conta: o que ele já aprendeu, o que ainda não aprendeu, os aspectos facilitadores e os dificultadores do seu trabalho, tomando como referência os objetivos da aprendizagem e os critérios de avaliação. Dessa análise realizada por ele novos objetivos podem emergir. A auto-avaliação não visa à atribuição de notas ou menções pelo aluno; tem o sentido emancipatório de possibilitar-lhe refletir continuamente sobre o processo da sua aprendizagem e desenvolver a capacidade de registrar suas percepções. O seu grande mérito é ajudar o aluno a perceber o próximo passo do seu processo de aprendizagem. Cabe ao professor incentivar a prática da auto-avaliação pelos alunos, continuamente, e não apenas nos momentos por ele estabelecidos, e usar as informações fornecidas para reorganizar o trabalho pedagógico, sem penalizá-los. JP - O que o professor deve levar em consideração no processo de avaliação? BMF - A avaliação serve para encorajar e não para desencorajar o aluno. Por isso, rótulos e apelidos que o desvalorizem ou humilhem não são aceitáveis. Gestos e olhares encorajadores por parte do professor ou professora são bem-vindos. Afinal de contas, a interação do professor com os alunos é constante e muito natural. Uma piscadinha de olho de forma acolhedora e amiga, indicando que o aluno está no caminho adequado, lhe dá ânimo. Cabe ao professor considerar que avaliação é aprendizagem: enquanto se avalia se aprende e enquanto se aprende se avalia. Essa é a cultura avaliativa que deve presidir o trabalho escolar. JP - Uma avaliação mal conduzida pode trazer prejuízos? Quais? BMF - A avaliação descomprometida com as aprendizagens tende a ser desencorajadora, podendo desmotivar o aluno, afastá-lo da escola e até levá-lo ao fracasso. Os resultados da avaliação podem decidir a trajetória escolar dos alunos: permanecer na mesma escola ou transferir-se para outra que lhe faça menores exigências. Não somente notas podem causar desconforto. Cabe refletir sobre o papel da avaliação informal, que dá grande flexibilidade de julgamento ao professor. Um dos exemplos disso é o costumeiro “arredondamento de notas”, que consiste em o professor aumentá-las ou diminuí-las segundo critérios por ele definidos e nem sempre explicitados. Além disso, esses critérios costumam ser diferentes para cada aluno. Uma avaliação mal conduzida pode trazer prejuízos para o aluno, a escola, a família e a sociedade. http://portaldoprofessor.mec.gov.br/index.html