Criação ideológica e
dialogismo
Carlos Alberto Faraco
FLÁVIO GOMES DA SILVA LISBOA
Carlos Alberto Faraco é...
um linguista brasileiro, professor de língua
portuguesa da Universidade Federal do
Paraná, da qual foi reitor no período 1990-
1994. Nasceu em Curitiba, em 1950.
Carlos Alberto Faraco é...
● Doutor em Linguística pela Universidade
de Salford, Inglaterra. Tese: A sentença
imperativa em português: uma análise
semântica e histórica.
Faraco organizou a...
IV Conferência Internacional sobre Bakhtin
no Colégio Estadual do Paraná entre 21 a
25 de julho de 2003, com os professores
Tezza*, Castro e Merkle.
Cristóvão Tezza
Gilberto de Castro
Luiz Ernesto Merkle
* Tezza deixou de lecionar em 2009
Um pouco de filologia...
● Ideologia: termo cunhado em 1801
pelo francês Destutt de Tracy
(idéologie), com o sentido de ciência
das ideias.
● Dialogismo: o que Mikhail Bakhtin
define como processo de interação
entre textos que ocorre na polifonia;
tanto na escrita como na leitura, o
texto não é visto isoladamente,
mas sim correlacionado com outros
discursos similares e/ou próximos.
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
Pavel Medvedev
(Паи́вел Медвеи́дев)
1891-1938
1920 1930Teoria de base marxista da criação ideológica
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
● Discussão crítica dos estudos linguísticos
de sua época;
● Tese de que os enunciados do cotidiano
e os enunciados artísticos tem um chão
comum;
● Discussão crítica da psicanálise e da
psicologia de seu tempo.
1929
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Pavel Medvedev
(Паи́вел Медвеи́дев)
1891-1938
● Estudo da literatura com crítica das
ideias dos formalistas;
● Estudo de base materialista sócio-
histórica do universo da criação
ideológica.
1928
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Tracy Napoleão Marx John B. Thompson
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Бахтии́н
Universo dos produtos do “espírito” humano, aquilo que
algumas vezes é chamado por outros autores de cultura
imaterial ou produção espiritual.
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Pavel Medvedev
(Паи́вел Медвеи́дев)
1891-1938
O estudo da
literatura é um
ramo do
estudo das
ideologias
1928
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Бахтии́н
SEMPRE IDEOLÓGICO
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
Ideologia é o
universo da
produção
imaterial humana
1929
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
Tudo o que é
ideológico possui
significado; e
portanto um
signo
1929
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
Tudo o que é
ideológico possui
valor semiótico
1929
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Pavel Medvedev
(Паи́вел Медвеи́дев)
1891-1938
1928
Considera inadequadas
todas as abordagens
positivistas e idealistas
da criação ideológica
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Pavel Medvedev
(Паи́вел Медвеи́дев)
1891-1938
1928
Positivistas: se perdem
num empirismo atomista
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Pavel Medvedev
(Паи́вел Медвеи́дев)
1891-1938
1928
Idealistas: entendem
toda a criação ideológica
como produto de uma
consciência individual
isolada
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Pavel Medvedev
(Паи́вел Медвеи́дев)
1891-1938
1928
A criação ideológica é
sempre social e
histórica, não podendo,
por isso, ser reduzida
nem à sua superfície
empírica, nem fechada e
autocontida no mundo
de uma consciência
individual ou no reino
das “puras ideias”
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Pavel Medvedev
(Паи́вел Медвеи́дев)
1891-1938
1928
Todos os produtos da
criação ideológica são
objetos dotados de
materialidade, isto é,
são parte concreta e
totalmente objetiva da
realidade prática dos
seres humanos
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Pavel Medvedev
(Паи́вел Медвеи́дев)
1891-1938
1928
Os signos são
intrinsecamente sociais.
E todas as relações
humanas só ocorrem
semioticamente
mediadas.
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
O dado puro não
pode ser realmente
experienciado
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Qualquer palavra
encontra o objeto a que
ele se refere já recoberto
de qualificações
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
PALAVRA
OBJETO
Uma teoria materialista da
chamada criação ideológica
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
INTENÇÃO DA
PALAVRA
OBJETO
A doutrina da refração
A doutrina da refração
SIGNO
INCIDENTE
SIGNO
REFRATADO
INTERPRETAÇÃO
EXPERIỄNCIAS
A doutrina da refração
Бахтии́н
Não é possível
significar sem
refratar
A doutrina da refração
A plurivocidade (o
caráter multissêmico)
é a condição de
funcionamento dos
signos nas
sociedades humanas
A doutrina da refração
A dinâmica da história, em
sua diversidade e
complexidade, faz cada
grupo humano, em cada
época, recobrir o mundo
com diferentes axiologias,
porque são diferentes e
múltiplas as experiências
que nela se dão
A doutrina da refração
Pavel Medvedev
(Паи́вел Медвеи́дев)
1891-1938
A plurivalência social
dos signos é o que os
torna vivos e móveis
A doutrina da refração
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
FRONTEIRA FRONTEIRA
FRONTEIRA
DOMÍNIO
CULTURAL
A doutrina da refração
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
FRONTEIRA FRONTEIRA
FRONTEIRA
CRIAÇÃO
IDEOLÓGICA
A doutrina da refração
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
Não há uma palavra que
seja a primeira ou a
última e não há limites
para o contexto dialógico
Nada está morto de
maneira absoluta: todo
sentido terá seu festivo
retorno
Voloshinov e Bakhtin sobre o
mesmo tema
Pavel Medvedev
(Паи́вел Медвеи́дев)
1891-1938
UNIVERSO DA CRIAÇÃO IDEOLÓGICA
CARÁTER
MATERIAL HISTÓRICO SOCIOSSEMIÓTICO
Voloshinov e Bakhtin sobre o
mesmo tema
Os signos são espaços de
encontro e confronto de
diferentes índices sociais de valor
Voloshinov e Bakhtin sobre o
mesmo tema
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
ENUNCIAÇÃO DE UM SIGNO
ENUNCIAÇÃO DE ÍNDICES SOCIAIS DE VALOR
Бахтии́н
Voloshinov e Bakhtin sobre o
mesmo tema
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
Uma nova significação
emana de uma velha e
por meio dela, mas isso
acontece de tal modo
que a nova significação
pode entrar em
contradição com a
velha e reestruturá-la
Voloshinov e Bakhtin sobre o
mesmo tema
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
O simples fato de eu ter
começado a falar sobre ele
[objeto] já significa que
assumi certa atitude em
relação a ele – não uma
atitude indiferente, mas
uma atitude efetiva e
interessada
Voloshinov e Bakhtin sobre o
mesmo tema
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
REFRAÇÃO
Atmosfera multidiscursiva
que recobre cada objeto
da realidade
Emaranhado de milhares
de fios dialógicos tecidos
pela consciência
socioideológica em torno
de cada objeto
Voloshinov e Bakhtin sobre o
mesmo tema
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
VOZES SOCIAIS
(LÍNGUAS SOCIAIS)
Voloshinov e Bakhtin sobre o
mesmo tema
Até o fim da década de 1920 a
ciência da linguagem verbal já
vinha trabalhando com a
perspectiva da heterogeneidade
em pelo menos duas direções: a
da estratificação temporal e a
da estratificação espacial
Voloshinov e Bakhtin sobre o
mesmo tema
Aquilo que chamamos de língua não é
só um conjunto difuso de variedades
geográficas, temporais e linguísticas
Aquilo que chamamos
de língua é também e
principalmente um
conjunto indefinido de
vozes sociais
Heteroglossia dialogizada
conjunto indefinido de vozes sociais
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
O verdadeiro ambiente de
um enunciado é o
plurilinguismo dialogizado
(são as fronteiras) em que
as vozes sociais se
entrecruzam
continuamente de maneira
multiforme, processo em
que se vão também
formando novas vozes
sociais
Heteroglossia dialogizada
Бахтии́н
Metáfora do Diálogo
o universo da
cultura é
intrinsecamente
responsivo, ele se
move como se fosse
um grande diálogo
o universo da
cultura é
intrinsecamente
responsivo, ele se
move como se fosse
um grande diálogo
Heteroglossia dialogizada
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
Cada enunciado é uma resposta
Todo dizer é, assim, parte
integrante de uma discussão
cultural (axiológica) em
grande escala
Heteroglossia dialogizada
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
Todo dizer é
orientado para a
resposta
Todo dizer é
internamente
dialogizado
Todo dizer não
pode deixar de
se orientar para
o “já dito”
Diálogo: essa palavra mil vezes
“mal-dita”
Déjà vu
Diálogo: essa palavra mil vezes
“mal-dita”
A palavra diálogo designa,
comumente, determinada
forma composicional em
narrativas escritas
Diálogo: essa palavra mil vezes
“mal-dita”
Бахтии́н DIÁLOGO
F0
F1
F4 F5
F2 F3
Diálogo: essa palavra mil vezes
“mal-dita”
Бахтии́н
DIÁLOGO
Eventos da grande
interação sociocultural
de qualquer grupo
humano
Diálogo: essa palavra mil vezes
“mal-dita”
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
totalidade das atividades
socioideológicas centradas
na vida cotidiana
totalidade das práticas
socioideológicas
culturalmente mais
elaboradas
Ideologia do cotidiano
Sistemas ideológicos constituídos
Diálogo: essa palavra mil vezes
“mal-dita”
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
Ideologia do cotidiano
Sistemas ideológicos constituídos
Diálogo: essa palavra mil vezes
“mal-dita”
Ideologia do cotidiano
Sistemas ideológicos constituídos
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
Gêneros do Discurso
Relações dialógicas
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
CRIAÇÃO
IDEOLÓGICA
Relações dialógicas
Relações dialógicas
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
SENTIDO
ENUNCIADO
ENUNCIADO
RELAÇÃO
DIALÓGICA
Relações dialógicas
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
RELAÇÃO DIALÓGICA
DISCURSO
PALAVRAS EM UM DICIONÁRIO MORFEMAS
PALAVRAS DE UMA SENTENÇA
ENUNCIADO
DISCURSO
ENUNCIADO
Relações dialógicas
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
ÍNDICE
SOCIAL
DE
VALOR
ÍNDICE
SOCIAL
DE
VALOR
RELAÇÃO
DIALÓGICA
Relações dialógicas
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
são possíveis
Em relação a qualquer parte
significante de um enunciado,
mesmo em relação a uma só
palavra
Entre estilos de língua,
dialetos sociais, e assim por
diante
Em relação a seu próprio
enunciado como um todo
Relações dialógicas
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
AMPLITUDE
DAS
RELAÇÕES
DIALÓGICAS
confiança na
palavra do
outro recepção
reverencial,
aprendizado
concordância
busca pelo sentido
profundo e sua
natureza
obrigatória
significado que
se sobrepõe a
outro
voz que se
sobrepõe
a outra
combinação de
muitas vozes
que amplia a
compreensão
fortalecimento
por meio da
fusão
afastamento para
além dos limites
do compreendido
Diálogo é consenso?
DIÁLOGO
SOLUÇÃO
DE
CONFLITOS
ENTENDIMENTO
GERAÇÃO
DE
CONSENSO
Diálogo é consenso?
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
Um tenso combate
dialógico ocorre
nas fronteiras
Diálogo é consenso?
Qualquer enunciado
concreto, de um modo
ou outro ou em um
grau ou outro, faz uma
declaração de acordo
ou desacordo com
alguma coisa
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
Diálogo é consenso?
O diálogo, no sentido amplo do termo,
deve ser entendido como um vasto
espaço de luta entre as vozes sociais
Heteroglossia dialogizada e luta
de classes
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
VÍNCULO
Heteroglossia dialogizada e luta
de classes
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
O signo se torna a arena onde
se desenvolve a luta de classes
Heteroglossia dialogizada e luta
de classes
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
Heteroglossia dialogizada e luta
de classes
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
Não teorizei sobre issoComo seria
discursivamente
uma sociedade
sem classes?
Heteroglossia dialogizada e luta
de classes
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
Heteroglossia dialogizada e luta
de classes
Бахтии́н
Como aderir a uma
verdade e, ao
mesmo tempo,
aceitá-la como
também refratada?
VERDADE
Resumindo o tema da dialogia
Бахтии́н
1925/1926 1928/1929
VIRADA LINGUÍSTICA
DIÁLOGOGRANDE METÁFORA
LINGUAGEM CRIAÇÃO IDEOLÓGICA
Resumindo o tema da dialogia
METAFÍSICA
DA
INTERAÇÃO
UM OUTREM
Resumindo o tema da dialogia
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
Enunciar é tomar
uma posição
social avaliativa
A compreensão é
um processo ativo
em que se opõe ‘à
palavra do locutor
uma contrapalavra’
A utopia bakhtiniana
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
30 ANOS
6 ANOS
Stálin
A utopia bakhtiniana
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
SENSO DE FÉ
Atitude integral
em relação a um
valor superior e
supremo
A utopia bakhtiniana
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
VALOR
SUPERIOR E
SUPREMO
Heteroglossia e
sua dialogização
infinda
A utopia bakhtiniana
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
Viver significa tomar
parte no diálogo: fazer
perguntas, dar respostas,
dar atenção, responder,
estar de acordo e assim
por diante
A utopia bakhtiniana
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
UNIVERSIDADE DE MOSCOU
Kruschev
1961
Dostoiévski
A utopia bakhtiniana
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
Ser significa se
comunicar, significa ser
para um outro e, pelo
outro, ser para si mesmo
Polifonia e carnaval
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
Polifonia designa
o projeto estético
realizado por
Dostoiévski
Dostoiévski criou
um gênero
romanesco novo
Polifonia e carnaval
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
A palavra do herói (…)
possui extraordinária
independência na
estrutura da obra; é como
se soasse ao lado da
palavra do autor
Polifonia e carnaval
Pelos critérios de
Bakhtin, só mesmo
Dostoiévski foi um
romancista polifônico
No fundo, a polifonia,
além de ilustrativa da
filosofia do ato de Bakhtin,
pode ser vista também
como a metáfora que
recobre a sua utopia e
que ele viu materializada
no projeto artístico de
Dostoiévski
Polifonia e carnaval
Bakhtin (…) se pôs a sonhar também com a
possibilidade de um mundo polifônico, de um
mundo radicalmente democrático, pluralista, de
vozes equipolentes, em que, dizendo de modo
simples, nenhum ser humano é reificado
Polifonia e carnaval
Bakhtin viu no carnaval (…) uma
poderosa força vivificante e
transformadora da vida cultural, dotada
de uma vitalidade indestrutível
Segundo Bakhtin, “as leis,
proibições e restrições que
determinam a estrutura e a ordem
da vida ordinária, não
carnavalesca, são suspensas
durante o carnaval”
Nesse sentido, a festa em si é
importante apenas na medida em
que, ao viver o carnaval, podemos
visualizar a possibilidade de
outro mundo, de negar o atual e
afirmar o possível
A filosofia do riso
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
1946 1952
Stálin
A filosofia do riso
Para Bakhtin, o romance é o
gênero literário pluriestilístico,
plurilíngue e plurivocal por
excelência
Ele argumenta que suas
raízes estão no riso e
no plurilinguismo
A filosofia do riso
Seu argumento é que a humanidade vai
construindo historicamente, por meio do
riso e da percepção do plurilinguismo, uma
consciência descentrada (...), chamada
por ele figurativamente de consciência
galileana
Galileu
A filosofia do riso
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
O romance é a expressão de uma
percepção galileana da língua,
uma percepção que nega o
absolutismo da língua única e
unitária
O sujeito dialógico
O sujeito dialógico
O sujeito dialógico
O sujeito dialógico
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
A consciência toma forma e
existência nos signos criados
por um grupo social no processo
de sua interação social
O sujeito dialógico
Nossos enunciados emergem –
como respostas ativas que são
no diálogo social – da multidão
das vozes interiorizadas. Eles
são, assim, heterogêneos
O sujeito dialógico
A consciência é
social de ponta a
ponta
Бахтии́н
CONSCIÊNCIA
SOCIAL
SOCIAL
SOCIAL
SOCIAL
SOCIAL
O sujeito dialógico
Бахтии́н
O sujeito dialógico
Бахтии́н
DIÁLOGO
O sujeito dialógico
Ser autor
O tema do autor e da autoria
está presente, em maior ou
menor grau, em quase todos os
escritos conhecidos de Bakhtin
Ser autor
O autor criador
materializa certa
relação axiológica com o
herói e seu mundo
Coração de Tinta, 2008
Ser autor
O autor criador é,
assim, quem dá
forma ao conteúdo
CONTEÚDO
Ser autor
A posição autoral
é, no fundo, uma
máscara autoral
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
Ser autor
O discurso do autor criador não
é a voz direta do escritor (do autor
pessoa), mas um ato de
apropriação refratada de uma
voz social qualquer
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
VOZ SOCIAL QUALQUER
DISCURSO DO AUTOR CRIADOR
Ser autor
Mesmo que o escritor coloque
suas ideias na boca do herói, não
são mais suas ideias porque
estão precisamente na boca do
herói e se conformam ao seu todo
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
Ser autor
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
PRINCÍPIO ESTETICAMENTE CRIATIVO NA
RELAÇÃO AUTOR/HERÓI
(PRINCÍPIO DA EXTERIORIDADE)
É preciso estar fora, é preciso olhar de fora
Ser autor
Graciliano Ramos Luís da Silva
A autobiografia e a
autocontemplação
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
Quando me olho no espelho, em
meus olhos olham olhos alheios,
quando me olho no espelho, não
vejo o mundo com meus próprios
olhos e desde o meu interior, vejo a
mim mesmo com os olhos do mundo
A autobiografia e a
autocontemplação
Mikhail Bakhtin
(Михаии́л Бахтии́н)
1895-1975
Когда я смотрю в зеркало,
посмотри в мои глаза посторонних
глаз, когда я смотрю в зеркало, я
вижу мир со своими собственными
глазами и с моей внутренней
стороны, я вижу себя глазами мира
A autobiografia e a
autocontemplação
Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
1861-1898
Violões que choram (1897)
O tema do autor no Círculo de
Bakhtin
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
Apenas Voloshinov se
ocupa do tema do autor
O tema do autor no Círculo de
Bakhtin
Valentin Voloshinov
(Валентии́н Волои́шинов)
1895-1936
autor
receptor
heroi
Todo
estético
FIM

Criação ideológica e dialogismo

  • 1.
    Criação ideológica e dialogismo CarlosAlberto Faraco FLÁVIO GOMES DA SILVA LISBOA
  • 2.
    Carlos Alberto Faracoé... um linguista brasileiro, professor de língua portuguesa da Universidade Federal do Paraná, da qual foi reitor no período 1990- 1994. Nasceu em Curitiba, em 1950.
  • 3.
    Carlos Alberto Faracoé... ● Doutor em Linguística pela Universidade de Salford, Inglaterra. Tese: A sentença imperativa em português: uma análise semântica e histórica.
  • 4.
    Faraco organizou a... IVConferência Internacional sobre Bakhtin no Colégio Estadual do Paraná entre 21 a 25 de julho de 2003, com os professores Tezza*, Castro e Merkle. Cristóvão Tezza Gilberto de Castro Luiz Ernesto Merkle * Tezza deixou de lecionar em 2009
  • 5.
    Um pouco defilologia... ● Ideologia: termo cunhado em 1801 pelo francês Destutt de Tracy (idéologie), com o sentido de ciência das ideias. ● Dialogismo: o que Mikhail Bakhtin define como processo de interação entre textos que ocorre na polifonia; tanto na escrita como na leitura, o texto não é visto isoladamente, mas sim correlacionado com outros discursos similares e/ou próximos.
  • 6.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936 Pavel Medvedev (Паи́вел Медвеи́дев) 1891-1938 1920 1930Teoria de base marxista da criação ideológica
  • 7.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936 ● Discussão crítica dos estudos linguísticos de sua época; ● Tese de que os enunciados do cotidiano e os enunciados artísticos tem um chão comum; ● Discussão crítica da psicanálise e da psicologia de seu tempo. 1929
  • 8.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Pavel Medvedev (Паи́вел Медвеи́дев) 1891-1938 ● Estudo da literatura com crítica das ideias dos formalistas; ● Estudo de base materialista sócio- histórica do universo da criação ideológica. 1928
  • 9.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Tracy Napoleão Marx John B. Thompson
  • 10.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Бахтии́н Universo dos produtos do “espírito” humano, aquilo que algumas vezes é chamado por outros autores de cultura imaterial ou produção espiritual.
  • 11.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Pavel Medvedev (Паи́вел Медвеи́дев) 1891-1938 O estudo da literatura é um ramo do estudo das ideologias 1928
  • 12.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Бахтии́н SEMPRE IDEOLÓGICO
  • 13.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936 Ideologia é o universo da produção imaterial humana 1929
  • 14.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936 Tudo o que é ideológico possui significado; e portanto um signo 1929
  • 15.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936 Tudo o que é ideológico possui valor semiótico 1929
  • 16.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Pavel Medvedev (Паи́вел Медвеи́дев) 1891-1938 1928 Considera inadequadas todas as abordagens positivistas e idealistas da criação ideológica
  • 17.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Pavel Medvedev (Паи́вел Медвеи́дев) 1891-1938 1928 Positivistas: se perdem num empirismo atomista
  • 18.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Pavel Medvedev (Паи́вел Медвеи́дев) 1891-1938 1928 Idealistas: entendem toda a criação ideológica como produto de uma consciência individual isolada
  • 19.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Pavel Medvedev (Паи́вел Медвеи́дев) 1891-1938 1928 A criação ideológica é sempre social e histórica, não podendo, por isso, ser reduzida nem à sua superfície empírica, nem fechada e autocontida no mundo de uma consciência individual ou no reino das “puras ideias”
  • 20.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Pavel Medvedev (Паи́вел Медвеи́дев) 1891-1938 1928 Todos os produtos da criação ideológica são objetos dotados de materialidade, isto é, são parte concreta e totalmente objetiva da realidade prática dos seres humanos
  • 21.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Pavel Medvedev (Паи́вел Медвеи́дев) 1891-1938 1928 Os signos são intrinsecamente sociais. E todas as relações humanas só ocorrem semioticamente mediadas.
  • 22.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica O dado puro não pode ser realmente experienciado Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975
  • 23.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Qualquer palavra encontra o objeto a que ele se refere já recoberto de qualificações Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 PALAVRA OBJETO
  • 24.
    Uma teoria materialistada chamada criação ideológica Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 INTENÇÃO DA PALAVRA OBJETO
  • 25.
    A doutrina darefração
  • 26.
    A doutrina darefração SIGNO INCIDENTE SIGNO REFRATADO INTERPRETAÇÃO EXPERIỄNCIAS
  • 27.
    A doutrina darefração Бахтии́н Não é possível significar sem refratar
  • 28.
    A doutrina darefração A plurivocidade (o caráter multissêmico) é a condição de funcionamento dos signos nas sociedades humanas
  • 29.
    A doutrina darefração A dinâmica da história, em sua diversidade e complexidade, faz cada grupo humano, em cada época, recobrir o mundo com diferentes axiologias, porque são diferentes e múltiplas as experiências que nela se dão
  • 30.
    A doutrina darefração Pavel Medvedev (Паи́вел Медвеи́дев) 1891-1938 A plurivalência social dos signos é o que os torna vivos e móveis
  • 31.
    A doutrina darefração Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 FRONTEIRA FRONTEIRA FRONTEIRA DOMÍNIO CULTURAL
  • 32.
    A doutrina darefração Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 FRONTEIRA FRONTEIRA FRONTEIRA CRIAÇÃO IDEOLÓGICA
  • 33.
    A doutrina darefração Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 Não há uma palavra que seja a primeira ou a última e não há limites para o contexto dialógico Nada está morto de maneira absoluta: todo sentido terá seu festivo retorno
  • 34.
    Voloshinov e Bakhtinsobre o mesmo tema Pavel Medvedev (Паи́вел Медвеи́дев) 1891-1938 UNIVERSO DA CRIAÇÃO IDEOLÓGICA CARÁTER MATERIAL HISTÓRICO SOCIOSSEMIÓTICO
  • 35.
    Voloshinov e Bakhtinsobre o mesmo tema Os signos são espaços de encontro e confronto de diferentes índices sociais de valor
  • 36.
    Voloshinov e Bakhtinsobre o mesmo tema Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936 ENUNCIAÇÃO DE UM SIGNO ENUNCIAÇÃO DE ÍNDICES SOCIAIS DE VALOR Бахтии́н
  • 37.
    Voloshinov e Bakhtinsobre o mesmo tema Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936 Uma nova significação emana de uma velha e por meio dela, mas isso acontece de tal modo que a nova significação pode entrar em contradição com a velha e reestruturá-la
  • 38.
    Voloshinov e Bakhtinsobre o mesmo tema Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 O simples fato de eu ter começado a falar sobre ele [objeto] já significa que assumi certa atitude em relação a ele – não uma atitude indiferente, mas uma atitude efetiva e interessada
  • 39.
    Voloshinov e Bakhtinsobre o mesmo tema Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 REFRAÇÃO Atmosfera multidiscursiva que recobre cada objeto da realidade Emaranhado de milhares de fios dialógicos tecidos pela consciência socioideológica em torno de cada objeto
  • 40.
    Voloshinov e Bakhtinsobre o mesmo tema Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 VOZES SOCIAIS (LÍNGUAS SOCIAIS)
  • 41.
    Voloshinov e Bakhtinsobre o mesmo tema Até o fim da década de 1920 a ciência da linguagem verbal já vinha trabalhando com a perspectiva da heterogeneidade em pelo menos duas direções: a da estratificação temporal e a da estratificação espacial
  • 42.
    Voloshinov e Bakhtinsobre o mesmo tema Aquilo que chamamos de língua não é só um conjunto difuso de variedades geográficas, temporais e linguísticas Aquilo que chamamos de língua é também e principalmente um conjunto indefinido de vozes sociais
  • 43.
    Heteroglossia dialogizada conjunto indefinidode vozes sociais Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 O verdadeiro ambiente de um enunciado é o plurilinguismo dialogizado (são as fronteiras) em que as vozes sociais se entrecruzam continuamente de maneira multiforme, processo em que se vão também formando novas vozes sociais
  • 44.
    Heteroglossia dialogizada Бахтии́н Metáfora doDiálogo o universo da cultura é intrinsecamente responsivo, ele se move como se fosse um grande diálogo o universo da cultura é intrinsecamente responsivo, ele se move como se fosse um grande diálogo
  • 45.
    Heteroglossia dialogizada Valentin Voloshinov (Валентии́нВолои́шинов) 1895-1936 Cada enunciado é uma resposta Todo dizer é, assim, parte integrante de uma discussão cultural (axiológica) em grande escala
  • 46.
    Heteroglossia dialogizada Mikhail Bakhtin (Михаии́лБахтии́н) 1895-1975 Todo dizer é orientado para a resposta Todo dizer é internamente dialogizado Todo dizer não pode deixar de se orientar para o “já dito”
  • 47.
    Diálogo: essa palavramil vezes “mal-dita” Déjà vu
  • 48.
    Diálogo: essa palavramil vezes “mal-dita” A palavra diálogo designa, comumente, determinada forma composicional em narrativas escritas
  • 49.
    Diálogo: essa palavramil vezes “mal-dita” Бахтии́н DIÁLOGO F0 F1 F4 F5 F2 F3
  • 50.
    Diálogo: essa palavramil vezes “mal-dita” Бахтии́н DIÁLOGO Eventos da grande interação sociocultural de qualquer grupo humano
  • 51.
    Diálogo: essa palavramil vezes “mal-dita” Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936 totalidade das atividades socioideológicas centradas na vida cotidiana totalidade das práticas socioideológicas culturalmente mais elaboradas Ideologia do cotidiano Sistemas ideológicos constituídos
  • 52.
    Diálogo: essa palavramil vezes “mal-dita” Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936 Ideologia do cotidiano Sistemas ideológicos constituídos
  • 53.
    Diálogo: essa palavramil vezes “mal-dita” Ideologia do cotidiano Sistemas ideológicos constituídos Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 Gêneros do Discurso
  • 54.
    Relações dialógicas Valentin Voloshinov (Валентии́нВолои́шинов) 1895-1936 CRIAÇÃO IDEOLÓGICA
  • 55.
  • 56.
    Relações dialógicas Mikhail Bakhtin (Михаии́лБахтии́н) 1895-1975 SENTIDO ENUNCIADO ENUNCIADO RELAÇÃO DIALÓGICA
  • 57.
    Relações dialógicas Mikhail Bakhtin (Михаии́лБахтии́н) 1895-1975 RELAÇÃO DIALÓGICA DISCURSO PALAVRAS EM UM DICIONÁRIO MORFEMAS PALAVRAS DE UMA SENTENÇA ENUNCIADO DISCURSO ENUNCIADO
  • 58.
    Relações dialógicas Mikhail Bakhtin (Михаии́лБахтии́н) 1895-1975 ÍNDICE SOCIAL DE VALOR ÍNDICE SOCIAL DE VALOR RELAÇÃO DIALÓGICA
  • 59.
    Relações dialógicas Mikhail Bakhtin (Михаии́лБахтии́н) 1895-1975 são possíveis Em relação a qualquer parte significante de um enunciado, mesmo em relação a uma só palavra Entre estilos de língua, dialetos sociais, e assim por diante Em relação a seu próprio enunciado como um todo
  • 60.
    Relações dialógicas Mikhail Bakhtin (Михаии́лБахтии́н) 1895-1975 AMPLITUDE DAS RELAÇÕES DIALÓGICAS confiança na palavra do outro recepção reverencial, aprendizado concordância busca pelo sentido profundo e sua natureza obrigatória significado que se sobrepõe a outro voz que se sobrepõe a outra combinação de muitas vozes que amplia a compreensão fortalecimento por meio da fusão afastamento para além dos limites do compreendido
  • 61.
  • 62.
    Diálogo é consenso? MikhailBakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 Um tenso combate dialógico ocorre nas fronteiras
  • 63.
    Diálogo é consenso? Qualquerenunciado concreto, de um modo ou outro ou em um grau ou outro, faz uma declaração de acordo ou desacordo com alguma coisa Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936
  • 64.
    Diálogo é consenso? Odiálogo, no sentido amplo do termo, deve ser entendido como um vasto espaço de luta entre as vozes sociais
  • 65.
    Heteroglossia dialogizada eluta de classes Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936 VÍNCULO
  • 66.
    Heteroglossia dialogizada eluta de classes Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936 O signo se torna a arena onde se desenvolve a luta de classes
  • 67.
    Heteroglossia dialogizada eluta de classes Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936
  • 68.
    Heteroglossia dialogizada eluta de classes Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936 Não teorizei sobre issoComo seria discursivamente uma sociedade sem classes?
  • 69.
    Heteroglossia dialogizada eluta de classes Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936
  • 70.
    Heteroglossia dialogizada eluta de classes Бахтии́н Como aderir a uma verdade e, ao mesmo tempo, aceitá-la como também refratada? VERDADE
  • 71.
    Resumindo o temada dialogia Бахтии́н 1925/1926 1928/1929 VIRADA LINGUÍSTICA DIÁLOGOGRANDE METÁFORA LINGUAGEM CRIAÇÃO IDEOLÓGICA
  • 72.
    Resumindo o temada dialogia METAFÍSICA DA INTERAÇÃO UM OUTREM
  • 73.
    Resumindo o temada dialogia Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936 Enunciar é tomar uma posição social avaliativa A compreensão é um processo ativo em que se opõe ‘à palavra do locutor uma contrapalavra’
  • 74.
    A utopia bakhtiniana MikhailBakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 30 ANOS 6 ANOS Stálin
  • 75.
    A utopia bakhtiniana MikhailBakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 SENSO DE FÉ Atitude integral em relação a um valor superior e supremo
  • 76.
    A utopia bakhtiniana MikhailBakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 VALOR SUPERIOR E SUPREMO Heteroglossia e sua dialogização infinda
  • 77.
    A utopia bakhtiniana MikhailBakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 Viver significa tomar parte no diálogo: fazer perguntas, dar respostas, dar atenção, responder, estar de acordo e assim por diante
  • 78.
    A utopia bakhtiniana MikhailBakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 UNIVERSIDADE DE MOSCOU Kruschev 1961 Dostoiévski
  • 79.
    A utopia bakhtiniana MikhailBakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 Ser significa se comunicar, significa ser para um outro e, pelo outro, ser para si mesmo
  • 80.
    Polifonia e carnaval MikhailBakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 Polifonia designa o projeto estético realizado por Dostoiévski Dostoiévski criou um gênero romanesco novo
  • 81.
    Polifonia e carnaval MikhailBakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 A palavra do herói (…) possui extraordinária independência na estrutura da obra; é como se soasse ao lado da palavra do autor
  • 82.
    Polifonia e carnaval Peloscritérios de Bakhtin, só mesmo Dostoiévski foi um romancista polifônico No fundo, a polifonia, além de ilustrativa da filosofia do ato de Bakhtin, pode ser vista também como a metáfora que recobre a sua utopia e que ele viu materializada no projeto artístico de Dostoiévski
  • 83.
    Polifonia e carnaval Bakhtin(…) se pôs a sonhar também com a possibilidade de um mundo polifônico, de um mundo radicalmente democrático, pluralista, de vozes equipolentes, em que, dizendo de modo simples, nenhum ser humano é reificado
  • 84.
    Polifonia e carnaval Bakhtinviu no carnaval (…) uma poderosa força vivificante e transformadora da vida cultural, dotada de uma vitalidade indestrutível Segundo Bakhtin, “as leis, proibições e restrições que determinam a estrutura e a ordem da vida ordinária, não carnavalesca, são suspensas durante o carnaval” Nesse sentido, a festa em si é importante apenas na medida em que, ao viver o carnaval, podemos visualizar a possibilidade de outro mundo, de negar o atual e afirmar o possível
  • 85.
    A filosofia doriso Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 1946 1952 Stálin
  • 86.
    A filosofia doriso Para Bakhtin, o romance é o gênero literário pluriestilístico, plurilíngue e plurivocal por excelência Ele argumenta que suas raízes estão no riso e no plurilinguismo
  • 87.
    A filosofia doriso Seu argumento é que a humanidade vai construindo historicamente, por meio do riso e da percepção do plurilinguismo, uma consciência descentrada (...), chamada por ele figurativamente de consciência galileana Galileu
  • 88.
    A filosofia doriso Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 O romance é a expressão de uma percepção galileana da língua, uma percepção que nega o absolutismo da língua única e unitária
  • 89.
  • 90.
  • 91.
  • 92.
    O sujeito dialógico ValentinVoloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936 A consciência toma forma e existência nos signos criados por um grupo social no processo de sua interação social
  • 93.
    O sujeito dialógico Nossosenunciados emergem – como respostas ativas que são no diálogo social – da multidão das vozes interiorizadas. Eles são, assim, heterogêneos
  • 94.
    O sujeito dialógico Aconsciência é social de ponta a ponta Бахтии́н CONSCIÊNCIA SOCIAL SOCIAL SOCIAL SOCIAL SOCIAL
  • 95.
  • 96.
  • 97.
  • 98.
    Ser autor O temado autor e da autoria está presente, em maior ou menor grau, em quase todos os escritos conhecidos de Bakhtin
  • 99.
    Ser autor O autorcriador materializa certa relação axiológica com o herói e seu mundo Coração de Tinta, 2008
  • 100.
    Ser autor O autorcriador é, assim, quem dá forma ao conteúdo CONTEÚDO
  • 101.
    Ser autor A posiçãoautoral é, no fundo, uma máscara autoral Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975
  • 102.
    Ser autor O discursodo autor criador não é a voz direta do escritor (do autor pessoa), mas um ato de apropriação refratada de uma voz social qualquer Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 VOZ SOCIAL QUALQUER DISCURSO DO AUTOR CRIADOR
  • 103.
    Ser autor Mesmo queo escritor coloque suas ideias na boca do herói, não são mais suas ideias porque estão precisamente na boca do herói e se conformam ao seu todo Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975
  • 104.
    Ser autor Mikhail Bakhtin (Михаии́лБахтии́н) 1895-1975 PRINCÍPIO ESTETICAMENTE CRIATIVO NA RELAÇÃO AUTOR/HERÓI (PRINCÍPIO DA EXTERIORIDADE) É preciso estar fora, é preciso olhar de fora
  • 105.
  • 106.
    A autobiografia ea autocontemplação Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 Quando me olho no espelho, em meus olhos olham olhos alheios, quando me olho no espelho, não vejo o mundo com meus próprios olhos e desde o meu interior, vejo a mim mesmo com os olhos do mundo
  • 107.
    A autobiografia ea autocontemplação Mikhail Bakhtin (Михаии́л Бахтии́н) 1895-1975 Когда я смотрю в зеркало, посмотри в мои глаза посторонних глаз, когда я смотрю в зеркало, я вижу мир со своими собственными глазами и с моей внутренней стороны, я вижу себя глазами мира
  • 108.
    A autobiografia ea autocontemplação Vozes veladas, veludosas vozes, Volúpias dos violões, vozes veladas, Vagam nos velhos vórtices velozes Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas. 1861-1898 Violões que choram (1897)
  • 109.
    O tema doautor no Círculo de Bakhtin Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936 Apenas Voloshinov se ocupa do tema do autor
  • 110.
    O tema doautor no Círculo de Bakhtin Valentin Voloshinov (Валентии́н Волои́шинов) 1895-1936 autor receptor heroi Todo estético
  • 111.