GASTRONOMIA
00dezembro de 2009
riginário das Américas Central e do Sul,o feijão já
chegou a ser artigo caro na Europa. Isso foi logo depois da descoberta do Novo Mundo por Cristóvão Co-
lombo. Imagine que o papa Clemente II teve a ideia de colocar feijões coloridos na cesta de casamento de
sua sobrinha, Catarina de Médicis, com o futuro rei francês Henrique II, como se fossem pedras preciosas.
Planta herbácea, cuja casca e grãos são comestíveis, nas Américas o feijão sempre participou da
cultura alimentar indígena. No Brasil, os povos nativos consumiam este legume seco, sem o caldo. Mas,
com a chegada dos portugueses, houve uma mudança substancial na forma de se comer feijão. Senho-
ras portuguesas perceberam que, quando cozido, o alimento soltava um caldo que podia ser uma solu-
ção muito inteligente para umedecer a comida, até então muito seca.
O
Acima, detalhes de pratos
dos restaurantes paulistanos
Capim Santo (à esquerda) e
Na Cozinha, preparados com
diferentes variedades de feijão
Gosto de Brasil
Unanimidade nacional, o popular feijão empresta
sua versatilidade e seu sabor à alta gastronomia
Texto ALEXANDRE STAUT Fotos LUNA GARCIA
Foto:iStockphoto
00dezembro de 2009
GASTRONOMIA
00 dezembro de 2009
Com o tempo, as cozinheiras passaram a enriquecer o caldo com in-
gredientes como cebola, coentro e salsa, além de gordura – de porco, princi-
palmente.A nova receita para o feijão atendia bem às exigências do paladar
europeu, que demandava algo substancioso e com molho. Era esse caldo
que deixava suculento um prato de farinha de mandioca com carne-seca,
por exemplo, tão comum nas refeições. Estava, então, criada a forma de co-
mer feijão que conhecemos hoje em dia. Dieta básica do brasileiro desde os
tempos do Brasil Colônia, o feijão passou a ser, juntamente com o arroz, nos-
so prato de resistência de norte a sul. De acordo com a Embrapa (Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária), o consumo per capita do alimento no
país chega a 20 quilos por ano.
Destaque na alta gastronomia
Carioquinha, preto, de corda, jalo, rosado, branco, rajado, fradinho ou
bolinha. O feijão sempre foi muito popular nos“PFs”– os pratos feitos – dos
botequins e nos lares nacionais, mas agora está sendo descoberto por chefs
de grandes restaurantes, que passaram a cultuá-lo e a criar receitas para lá
de insólitas com a leguminosa.“Este alimento é a cara do Brasil;nada é mais
brasileiro do que um bom feijão bem temperadinho. Porém, com o sucesso
das culinárias italiana e francesa nas metrópoles nos anos 1980 e 1990,o fei-
jão foi praticamente esquecido pelos restaurantes,”diz Cesar Santos, chef do
Oficina do Sabor, em Olinda.
“O que percebo que é os restaurantes estão mais ousados na hora de
usar o feijão,fazem até risoto com o ingrediente”,completa Santos,que tem
em seu restaurante diversos pratos com o legume. Um deles é o Baião de
Dois Mergulhado no Litoral Pernambucano, feito com frutos do mar imer-
sos em uma mistura de feijão com arroz e temperado com leite de coco. O
chef ainda ressalta que o feijão é um alimento versátil, que vai bem com
carnes,frutos do mar,arroz,macarrão e até escargot.“É um alimento que faz
sucesso em todas as classes sociais do Brasil e que é amado pelas crianças.
Imagine que sirvo para os pequenos um prato de feijão puxado na mantei-
ga de garrafa com batata frita que é um sucesso”, diz ele.
No alto, prato do restaurante
Oficina do Sabor, de Olinda,
feito com frutos do mar e
feijão verde. Acima, criação
de Morena Leite: costela de
tambaqui na brasa com feijão
de corda. À esquerda, salão
do restaurante Capim Santo
Abaixo, salada de feijão
azuki com salmão, receita
do chef Carlos Ribeiro, e
feijão verde, muito usado
na culinária nordestina
Foto:Divulgação
INGREDIENTES:
• 500 g de feijão fradinho • 250 g de arroz preto
• 350 g de sururu • 150 g de camarão seco
• 3 tomates picados, sem pele e sem sementes
• 1 cebola picada • 4 dentes de alho picados
• 30 g de pimentões verde, vermelho e amarelo
cortados em cubinhos • 20 g de coentro
• 10 colheres (sopa) de azeite de oliva ou azeite doce
• 2 colheres (sopa) de azeite de dendê
• 3 copos (tipo americano) de leite de coco
• 3 copos (tipo americano) de caldo de peixe ou
de legumes • 1 pimenta dedo-de-moça picada
• Suco de 2 limões • Sal a gosto
MODO DE PREPARO:
O feijão fradinho deve ficar de molho de um dia para outro.
Cozinhe o feijão em uma panela de pressão por 20 minutos. Em
seguida, cozinhe o arroz preto, também por 20 minutos. Deixe
esfriar e reserve. Em uma panela (de barro, de preferência), colo-
que o azeite,parte da pimenta dedo-de-moça,a cebola,os cama-
rões secos, o alho e os tomates. Refogue por cinco minutos. Em
seguida, acrescente o sururu, o sal, uma parte do suco de limão
e o dendê. Refogue por oito minutos. Acrescente o restante da
pimenta,ospimentõesemisturebem.Coloque,namesma quan-
tidade,o leite de coco e o caldo de legumes ou de peixe. Misture
bem e deixe levantar fervura. Em seguida, abaixe o fogo e deixe
o caldo reduzir um pouco. Para finalizar, salpique o coentro.
Receita do chef Carlos Ribeiro, do restaurante Na Cozinha
Moqueca de Feijão
GASTRONOMIA
Já Morena Leite, do restaurante Capim Santo, de São Paulo, observa que
o uso do feijão entre seus colegas começou há dez anos, quando teve início o
processo de valorização da gastronomia, do cinema, da moda e de outros
aspectos culturais de nosso país.“No Brasil, é difícil falar em purismos, e o fei-
jão é um alimento que acabou sendo reinterpretado das mais diversas formas
por chefs em todo o país. Hoje é preparado de diversas maneiras,com os mais
variados acompanhamentos”, diz ela, que, além de servir em seu restaurante
a tradicional feijoada aos sábados, criou receitas como feijão de corda com
costela de tambaqui e vinagrete, e feijão preto com camarão defumado.
O chef Carlos Ribeiro, do restaurante Na Cozinha, também localizado
na capital paulista, é outro entusiasta do feijão. Criado em João Pessoa, ele
conta que sua paixão pelo ingrediente vem da infância.“Ia à praia com meu
pai tomar caldinho de feijão todos os dias. Mesmo debaixo de um sol escal-
dante, lá estávamos nós com nosso caldinho”, relembra o chef , que chega a
fazer festivais de feijão, servindo-o de diversas formas em uma mesma re-
feição. “Além dos festivais, o cardápio costuma ter sempre acarajé e abará,
pratos típicos da culinária baiana feitos com feijão fradinho moído; baião
de dois [preparado com feijão de corda], que é um primor da gastronomia
nacional;além de salada com feijão branco e de picadinho,oferecido com os
dois tipos de feijão mais apreciados pelo povo brasileiro: o carioquinha e o
preto”, afirma Ribeiro.
Sobre o sucesso do ingrediente em restaurantes sofisticados,ele diz que
o feijão passou a ter papel de destaque nos cardápios quando os chefs perce-
beram que o alimento é muito forte na culinária nacional e que merecia ser
celebrado à altura.“O feijão é uma tradução perfeita do que é o Brasil e uma
forma de valorizar nossa cultura alimentar ancestral”, conclui.
Serviço:
Capim Santo: Alameda Ministro Rocha Azevedo, 471, Jardim Paulistano.
São Paulo/SP. Tel. 11 3068-8486 • Na Cozinha: Rua Haddock Lobo, 955,
Cerqueira Cesar. São Paulo/SP. Tel. 11 3063-5377 • Oficina do Sabor: Rua
do Amparo, 335, Cidade Alta. Olinda/PE. Tel. 81 3429-3331
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Gastronomia

  • 1.
    GASTRONOMIA 00dezembro de 2009 rigináriodas Américas Central e do Sul,o feijão já chegou a ser artigo caro na Europa. Isso foi logo depois da descoberta do Novo Mundo por Cristóvão Co- lombo. Imagine que o papa Clemente II teve a ideia de colocar feijões coloridos na cesta de casamento de sua sobrinha, Catarina de Médicis, com o futuro rei francês Henrique II, como se fossem pedras preciosas. Planta herbácea, cuja casca e grãos são comestíveis, nas Américas o feijão sempre participou da cultura alimentar indígena. No Brasil, os povos nativos consumiam este legume seco, sem o caldo. Mas, com a chegada dos portugueses, houve uma mudança substancial na forma de se comer feijão. Senho- ras portuguesas perceberam que, quando cozido, o alimento soltava um caldo que podia ser uma solu- ção muito inteligente para umedecer a comida, até então muito seca. O Acima, detalhes de pratos dos restaurantes paulistanos Capim Santo (à esquerda) e Na Cozinha, preparados com diferentes variedades de feijão Gosto de Brasil Unanimidade nacional, o popular feijão empresta sua versatilidade e seu sabor à alta gastronomia Texto ALEXANDRE STAUT Fotos LUNA GARCIA Foto:iStockphoto
  • 2.
    00dezembro de 2009 GASTRONOMIA 00dezembro de 2009 Com o tempo, as cozinheiras passaram a enriquecer o caldo com in- gredientes como cebola, coentro e salsa, além de gordura – de porco, princi- palmente.A nova receita para o feijão atendia bem às exigências do paladar europeu, que demandava algo substancioso e com molho. Era esse caldo que deixava suculento um prato de farinha de mandioca com carne-seca, por exemplo, tão comum nas refeições. Estava, então, criada a forma de co- mer feijão que conhecemos hoje em dia. Dieta básica do brasileiro desde os tempos do Brasil Colônia, o feijão passou a ser, juntamente com o arroz, nos- so prato de resistência de norte a sul. De acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), o consumo per capita do alimento no país chega a 20 quilos por ano. Destaque na alta gastronomia Carioquinha, preto, de corda, jalo, rosado, branco, rajado, fradinho ou bolinha. O feijão sempre foi muito popular nos“PFs”– os pratos feitos – dos botequins e nos lares nacionais, mas agora está sendo descoberto por chefs de grandes restaurantes, que passaram a cultuá-lo e a criar receitas para lá de insólitas com a leguminosa.“Este alimento é a cara do Brasil;nada é mais brasileiro do que um bom feijão bem temperadinho. Porém, com o sucesso das culinárias italiana e francesa nas metrópoles nos anos 1980 e 1990,o fei- jão foi praticamente esquecido pelos restaurantes,”diz Cesar Santos, chef do Oficina do Sabor, em Olinda. “O que percebo que é os restaurantes estão mais ousados na hora de usar o feijão,fazem até risoto com o ingrediente”,completa Santos,que tem em seu restaurante diversos pratos com o legume. Um deles é o Baião de Dois Mergulhado no Litoral Pernambucano, feito com frutos do mar imer- sos em uma mistura de feijão com arroz e temperado com leite de coco. O chef ainda ressalta que o feijão é um alimento versátil, que vai bem com carnes,frutos do mar,arroz,macarrão e até escargot.“É um alimento que faz sucesso em todas as classes sociais do Brasil e que é amado pelas crianças. Imagine que sirvo para os pequenos um prato de feijão puxado na mantei- ga de garrafa com batata frita que é um sucesso”, diz ele. No alto, prato do restaurante Oficina do Sabor, de Olinda, feito com frutos do mar e feijão verde. Acima, criação de Morena Leite: costela de tambaqui na brasa com feijão de corda. À esquerda, salão do restaurante Capim Santo Abaixo, salada de feijão azuki com salmão, receita do chef Carlos Ribeiro, e feijão verde, muito usado na culinária nordestina Foto:Divulgação
  • 3.
    INGREDIENTES: • 500 gde feijão fradinho • 250 g de arroz preto • 350 g de sururu • 150 g de camarão seco • 3 tomates picados, sem pele e sem sementes • 1 cebola picada • 4 dentes de alho picados • 30 g de pimentões verde, vermelho e amarelo cortados em cubinhos • 20 g de coentro • 10 colheres (sopa) de azeite de oliva ou azeite doce • 2 colheres (sopa) de azeite de dendê • 3 copos (tipo americano) de leite de coco • 3 copos (tipo americano) de caldo de peixe ou de legumes • 1 pimenta dedo-de-moça picada • Suco de 2 limões • Sal a gosto MODO DE PREPARO: O feijão fradinho deve ficar de molho de um dia para outro. Cozinhe o feijão em uma panela de pressão por 20 minutos. Em seguida, cozinhe o arroz preto, também por 20 minutos. Deixe esfriar e reserve. Em uma panela (de barro, de preferência), colo- que o azeite,parte da pimenta dedo-de-moça,a cebola,os cama- rões secos, o alho e os tomates. Refogue por cinco minutos. Em seguida, acrescente o sururu, o sal, uma parte do suco de limão e o dendê. Refogue por oito minutos. Acrescente o restante da pimenta,ospimentõesemisturebem.Coloque,namesma quan- tidade,o leite de coco e o caldo de legumes ou de peixe. Misture bem e deixe levantar fervura. Em seguida, abaixe o fogo e deixe o caldo reduzir um pouco. Para finalizar, salpique o coentro. Receita do chef Carlos Ribeiro, do restaurante Na Cozinha Moqueca de Feijão GASTRONOMIA Já Morena Leite, do restaurante Capim Santo, de São Paulo, observa que o uso do feijão entre seus colegas começou há dez anos, quando teve início o processo de valorização da gastronomia, do cinema, da moda e de outros aspectos culturais de nosso país.“No Brasil, é difícil falar em purismos, e o fei- jão é um alimento que acabou sendo reinterpretado das mais diversas formas por chefs em todo o país. Hoje é preparado de diversas maneiras,com os mais variados acompanhamentos”, diz ela, que, além de servir em seu restaurante a tradicional feijoada aos sábados, criou receitas como feijão de corda com costela de tambaqui e vinagrete, e feijão preto com camarão defumado. O chef Carlos Ribeiro, do restaurante Na Cozinha, também localizado na capital paulista, é outro entusiasta do feijão. Criado em João Pessoa, ele conta que sua paixão pelo ingrediente vem da infância.“Ia à praia com meu pai tomar caldinho de feijão todos os dias. Mesmo debaixo de um sol escal- dante, lá estávamos nós com nosso caldinho”, relembra o chef , que chega a fazer festivais de feijão, servindo-o de diversas formas em uma mesma re- feição. “Além dos festivais, o cardápio costuma ter sempre acarajé e abará, pratos típicos da culinária baiana feitos com feijão fradinho moído; baião de dois [preparado com feijão de corda], que é um primor da gastronomia nacional;além de salada com feijão branco e de picadinho,oferecido com os dois tipos de feijão mais apreciados pelo povo brasileiro: o carioquinha e o preto”, afirma Ribeiro. Sobre o sucesso do ingrediente em restaurantes sofisticados,ele diz que o feijão passou a ter papel de destaque nos cardápios quando os chefs perce- beram que o alimento é muito forte na culinária nacional e que merecia ser celebrado à altura.“O feijão é uma tradução perfeita do que é o Brasil e uma forma de valorizar nossa cultura alimentar ancestral”, conclui. Serviço: Capim Santo: Alameda Ministro Rocha Azevedo, 471, Jardim Paulistano. São Paulo/SP. Tel. 11 3068-8486 • Na Cozinha: Rua Haddock Lobo, 955, Cerqueira Cesar. São Paulo/SP. Tel. 11 3063-5377 • Oficina do Sabor: Rua do Amparo, 335, Cidade Alta. Olinda/PE. Tel. 81 3429-3331 solution semjuros noscartões decrédito10x Pagamento à vista ou em até 10x sem juros nos cartões de crédito American Express, Visa, Mastercard e Diners Club International emitidos no Brasil, exceto cartões Corporate. Não estão inclusas taxas (5% ou 10%, dependendo da agência de retirada e/ou de devolução do carro), coberturas de risco e extras. Consulte as condições da promoção nas agências Localiza. Os descontos e as promoções não são cumulativos. Foto ilustrativa. Reservas24h 08009792000 www.localiza.com solution + 0,46 por km rodado Diáriasapartir de R$ 39,90 Reservemais diversãopara suasférias. Alugueumcarro daLocaliza.