Defesa de Dissertação UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA Programa de Pós-Graduação em Ciências Jurídicas Mestrado em Direitos Humanos BANCA EXAMINADORA: Profª. Drª. Cleonice Pereira dos Santos Camino  Profª. Drª. Rosa Maria Godoy Silveira  Profª. Drª. Aída Maria Monteiro Silva  Prof. Dr. Júlio Rique Neto
Educação para a Cidadania dos Policiais Militares  em Pernambuco Autor:Ricardo Aureliano de Barros Correia Orientadora: Profª Drª Cleonice Camino Co-Orientadora: Profª   Drª Rosa Godoy
Sumário Apresentação do tema; Justificativa; Objetivos; Procedimentos teórico-metodológicos; Resultados; Conclusões.
O estudo investiga os efeitos de dois métodos de ensino utilizados na formação/capacitação em direitos humanos no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças - CFAP, da Polícia Militar do Estado de Pernambuco - Brasil, na perspectiva   da educação para a cidadania dos policiais militares.  Apresentação do tema
Um dos métodos de ensino refere-se à Pedagogia de Projetos, na linha construtivista defendida por Hernández (1998);  Fernando Hernández Doutor em Psicologia e professor de História da Educação Artística e Psicologia da Arte na Universidade de Barcelona. Tem 52 anos e há 20 se dedica a lutar pela inserção dos projetos de trabalho na escola O que ele diz A organização do currículo deve ser feita por projetos de trabalho, com atuação conjunta de alunos e professores. As diferentes fases e atividades que compõem um projeto ajudam os estudantes a desenvolver a consciência sobre o próprio processo de aprendizagem
O outro refere-se à  Pedagogia Tradicional, baseada na exposição oral. Aluno Passsivo Memorização de textos Educação Bancária (Paulo Freire)
A hipótese de trabalho é a de que métodos ativos de aprendizagem possibilitam maior avanço nas concepções de ética, direitos humanos e cidadania que métodos passivos. A intervenção ocorreu durante os meses de junho a dezembro do ano 2006.
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Justificativa do Tema Relevância Acadêmica Parece que os cientistas da educação ainda não perceberam a importância de pesquisar o ensino militar, fato bastante estranho, uma vez que a história do Brasil há muitos decênios, mantém-se atrelada à conduta dos funcionários fardados, haja vista os vários momentos em que os militares saíram dos quartéis para se envolverem em problemas de ordem política... (LUDWIG, 1998. p.7) A motivação pessoal do pesquisador
TIPO DE PESQUISA: Quase-experimental Auxiliada pelas Ciências do Direito, Educação e Psicologia FUNDAMENTOS TEÓRICOS: Democracia  -  Dewey   Educação  – construtivismo , aprendizagem significativa - AUSUBEL Educação Moral  – Piaget, Kohlberg, Biaggio, Camino, Rique Cidadania   – “direito a ter direitos” ARENDT, CARVALHO Pedagogia de Projetos  - HERNÁNDEZ Procedimentos teórico-metodológicos
AMOSTRA 100 policiais alunos do CFS 2006 INSTRUMENTOS DE PESQUISA: DIT2 – Rest (1974) adaptado (CAMINO e LUNA,1989) Questionário Complementar - análise de conteúdo – Bardin (2004) Procedimentos teórico-metodológicos
DIT – Rest e a tipologia Kohlbergiana orientação por princípios éticos universais  Estágio 6 orientação do tipo contratual-legalista, da utilidade e dos direitos do individuo Estágio 5 orientação para manter a autoridade e a ordem social  Estágio 4 orientação do tipo “bom menino”  Estágio 3 orientação ingenuamente egoísta  Estágio 2 o indivíduo julga mediante orientação pela obediência e punição  Estágio 1
Resultados Os grupos componentes da amostra são semelhantes em todos os estágios do pré-teste, isto é, não houve diferença significativa entre os grupos Ativo e Passivo, antes da intervenção, significando, portanto que a amostra escolhida para a presente pesquisa é fidedigna para comparação de resultados quando submetidas ao experimento.
Os resultados obtidos entre o pré-teste e o pós-teste não comprovam totalmente as hipóteses levantadas na presente pesquisa, ou seja, que no Grupo Ativo os resultados do pós-teste nos estágios pós-convencionais, ou sejam, 5A, 5B e estágio 6, refletidos conjuntamente no escore P, fossem significativamente maiores em relação aos resultados do Grupo da Pedagogia Passiva. Resultados
O pressuposto kohlbergiano de mudança através de uma seqüência hierarquizada dos estágios, movendo-se apenas um estágio acima do seu, não foi confirmado na presente pesquisa. Muitos participantes passaram do estágio 4, aferido no pré-teste para o estágio 2, na situação de pós-teste. Difere, portanto, dos resultados de outras pesquisas de Rest (1976) nos EUA, e os de Camino e Luna (1989), no Brasil. Resultados
Quanto aos dados obtidos através do Questionário Complementar revelam indícios de insatisfação   ligadas à percepção sobre formas de tratamento, quer internamente na Polícia Militar, significando problemas de relacionamento entre superiores e subordinados, no relacionamento com a sociedade, num distanciamento e misto de preconceitos sentidos pelos participantes.   Resultados
Os resultados confirmam os estudos históricos de Beattie (2001), Carvalho (2002), Cavalcanti (1997), Neder (1981), referenciados no capítulo primeiro demonstrando que ainda nos dias de hoje os militares vivem uma cidadania diferenciada, apesar de muitos participantes não terem consciência sobre isto. Resultados
Os depoimentos dos policiais revelam ainda sentimentos de medo, receio, timidez sobre a aceitação da sociedade e sobre como lidar com o público, quando não se tratasse de uma abordagem rotineira em que o policial enxerga o cidadão como um suspeito a ser revistado. Os dados indicam que o policial no seu cotidiano não interage com a maioria da população nas ruas e citam sentimentos de desconfiança mútua. Resultados
Pode-se afirmar que tais aspectos indicam, ainda, uma resistência a modelos de polícia comunitária a que se referem Skolnick e Barley (2002), bem como, a necessidade de maiores investimentos em educação voltada para direitos humanos nos organismos policias, com períodos de maior duração, para que possam viabilizar modificações numa cultura organizacional ainda persistente. Resultados
Conclusões Ao concluir a pesquisa, é possível olhar para trás, enxergar todo o percurso e ver que não existia caminho pronto e acabado, este se fez ao caminhar. Não havia sustentação para esforço individualizado e desconexo de um projeto político pedagógico da escola de formação policial, que continua fechada a inovações e que é eficiente em reproduzir uma cultura organizacional fortemente influenciada por padrões de legalismos, de rigidez hierárquica, de isolamento da sociedade.  O ponto de chegada nada mais é que o novo ponto de partida, e o esforço desprendido, nada mais é que combustível para o novo empreendimento.
Os processos educacionais de formação policial são desconexos e, muito se precisa fazer em termos de coordenação pedagógica, para que os docentes e administradores das escolas policiais reconheçam que, nenhum esforço individualizado produzirá os efeitos democráticos pretendidos, enquanto forem sufocados por uma cultura organizacional, muito mais forte e solidificada na hierarquia verticalizada, que impede a necessária autonomia do aluno policial para sua aprendizagem, se é que se quer realmente, a mudança para uma polícia comunitária. A pretendida polícia comunitária, somente poderia atingir seus objetivos numa formação fundada na cooperação social e em valores democráticos, onde houvesse uma integração de todos os cidadãos como uma comunidade auto-organizada. (DEWEY,1969). Conclusões
Minha história como policial militar foi sempre, rua, guarnição, ronda ostensiva, operações etc. Era um verdadeiro “cão de caça”. E todo esse tempo eu ainda enxergava a sociedade como inimiga, mal agradecida e preconceituosa, tanto que quando eu vestia a farda, pouco cumprimentava alguém, por medo de não obter retorno. Confesso que quando me dirigia ao local de trabalho sentia uma grande angustia, achava que ia ser discriminado ou ignorado. Tive um choque ao iniciar esse trabalho, as pessoas deram total atenção, elogiaram nossa atitude, brincavam, sorriam e até mesmo, de verdade, uma senhora deu-me seu próprio filho para que eu segurasse em meus braços enquanto ela lia e guardava o folheto. Sei que esse trabalho despertou em mim algo que eu ainda não conhecia, que minha imagem deveria passar segurança para estas pessoas e que não importa se os outros não queiram mudar, eu quero e vou me esforçar para ser melhor, um verdadeiro policial militar. (Sujeito 29).
Qual método de ensino conseguiria aproximação com a realidade tão eficaz quanto o da experimentação em situações reais de aprendizagem?
Ter acompanhado e vivenciado esse processo é gratificante, e nos coloca na insistência de que, somente no contato direto com o outro, o ser humano se completa.
Muito Obrigado!

Dissertação do Mestrado

  • 1.
    Defesa de DissertaçãoUNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA Programa de Pós-Graduação em Ciências Jurídicas Mestrado em Direitos Humanos BANCA EXAMINADORA: Profª. Drª. Cleonice Pereira dos Santos Camino Profª. Drª. Rosa Maria Godoy Silveira Profª. Drª. Aída Maria Monteiro Silva Prof. Dr. Júlio Rique Neto
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    Educação para aCidadania dos Policiais Militares em Pernambuco Autor:Ricardo Aureliano de Barros Correia Orientadora: Profª Drª Cleonice Camino Co-Orientadora: Profª Drª Rosa Godoy
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    Sumário Apresentação dotema; Justificativa; Objetivos; Procedimentos teórico-metodológicos; Resultados; Conclusões.
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    O estudo investigaos efeitos de dois métodos de ensino utilizados na formação/capacitação em direitos humanos no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças - CFAP, da Polícia Militar do Estado de Pernambuco - Brasil, na perspectiva da educação para a cidadania dos policiais militares. Apresentação do tema
  • 5.
    Um dos métodosde ensino refere-se à Pedagogia de Projetos, na linha construtivista defendida por Hernández (1998); Fernando Hernández Doutor em Psicologia e professor de História da Educação Artística e Psicologia da Arte na Universidade de Barcelona. Tem 52 anos e há 20 se dedica a lutar pela inserção dos projetos de trabalho na escola O que ele diz A organização do currículo deve ser feita por projetos de trabalho, com atuação conjunta de alunos e professores. As diferentes fases e atividades que compõem um projeto ajudam os estudantes a desenvolver a consciência sobre o próprio processo de aprendizagem
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    O outro refere-seà Pedagogia Tradicional, baseada na exposição oral. Aluno Passsivo Memorização de textos Educação Bancária (Paulo Freire)
  • 7.
    A hipótese detrabalho é a de que métodos ativos de aprendizagem possibilitam maior avanço nas concepções de ética, direitos humanos e cidadania que métodos passivos. A intervenção ocorreu durante os meses de junho a dezembro do ano 2006.
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  • 9.
    Justificativa do TemaRelevância Acadêmica Parece que os cientistas da educação ainda não perceberam a importância de pesquisar o ensino militar, fato bastante estranho, uma vez que a história do Brasil há muitos decênios, mantém-se atrelada à conduta dos funcionários fardados, haja vista os vários momentos em que os militares saíram dos quartéis para se envolverem em problemas de ordem política... (LUDWIG, 1998. p.7) A motivação pessoal do pesquisador
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    TIPO DE PESQUISA:Quase-experimental Auxiliada pelas Ciências do Direito, Educação e Psicologia FUNDAMENTOS TEÓRICOS: Democracia - Dewey Educação – construtivismo , aprendizagem significativa - AUSUBEL Educação Moral – Piaget, Kohlberg, Biaggio, Camino, Rique Cidadania – “direito a ter direitos” ARENDT, CARVALHO Pedagogia de Projetos - HERNÁNDEZ Procedimentos teórico-metodológicos
  • 11.
    AMOSTRA 100 policiaisalunos do CFS 2006 INSTRUMENTOS DE PESQUISA: DIT2 – Rest (1974) adaptado (CAMINO e LUNA,1989) Questionário Complementar - análise de conteúdo – Bardin (2004) Procedimentos teórico-metodológicos
  • 12.
    DIT – Reste a tipologia Kohlbergiana orientação por princípios éticos universais Estágio 6 orientação do tipo contratual-legalista, da utilidade e dos direitos do individuo Estágio 5 orientação para manter a autoridade e a ordem social Estágio 4 orientação do tipo “bom menino” Estágio 3 orientação ingenuamente egoísta Estágio 2 o indivíduo julga mediante orientação pela obediência e punição Estágio 1
  • 13.
    Resultados Os gruposcomponentes da amostra são semelhantes em todos os estágios do pré-teste, isto é, não houve diferença significativa entre os grupos Ativo e Passivo, antes da intervenção, significando, portanto que a amostra escolhida para a presente pesquisa é fidedigna para comparação de resultados quando submetidas ao experimento.
  • 14.
    Os resultados obtidosentre o pré-teste e o pós-teste não comprovam totalmente as hipóteses levantadas na presente pesquisa, ou seja, que no Grupo Ativo os resultados do pós-teste nos estágios pós-convencionais, ou sejam, 5A, 5B e estágio 6, refletidos conjuntamente no escore P, fossem significativamente maiores em relação aos resultados do Grupo da Pedagogia Passiva. Resultados
  • 15.
    O pressuposto kohlbergianode mudança através de uma seqüência hierarquizada dos estágios, movendo-se apenas um estágio acima do seu, não foi confirmado na presente pesquisa. Muitos participantes passaram do estágio 4, aferido no pré-teste para o estágio 2, na situação de pós-teste. Difere, portanto, dos resultados de outras pesquisas de Rest (1976) nos EUA, e os de Camino e Luna (1989), no Brasil. Resultados
  • 16.
    Quanto aos dadosobtidos através do Questionário Complementar revelam indícios de insatisfação ligadas à percepção sobre formas de tratamento, quer internamente na Polícia Militar, significando problemas de relacionamento entre superiores e subordinados, no relacionamento com a sociedade, num distanciamento e misto de preconceitos sentidos pelos participantes. Resultados
  • 17.
    Os resultados confirmamos estudos históricos de Beattie (2001), Carvalho (2002), Cavalcanti (1997), Neder (1981), referenciados no capítulo primeiro demonstrando que ainda nos dias de hoje os militares vivem uma cidadania diferenciada, apesar de muitos participantes não terem consciência sobre isto. Resultados
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    Os depoimentos dospoliciais revelam ainda sentimentos de medo, receio, timidez sobre a aceitação da sociedade e sobre como lidar com o público, quando não se tratasse de uma abordagem rotineira em que o policial enxerga o cidadão como um suspeito a ser revistado. Os dados indicam que o policial no seu cotidiano não interage com a maioria da população nas ruas e citam sentimentos de desconfiança mútua. Resultados
  • 19.
    Pode-se afirmar quetais aspectos indicam, ainda, uma resistência a modelos de polícia comunitária a que se referem Skolnick e Barley (2002), bem como, a necessidade de maiores investimentos em educação voltada para direitos humanos nos organismos policias, com períodos de maior duração, para que possam viabilizar modificações numa cultura organizacional ainda persistente. Resultados
  • 20.
    Conclusões Ao concluira pesquisa, é possível olhar para trás, enxergar todo o percurso e ver que não existia caminho pronto e acabado, este se fez ao caminhar. Não havia sustentação para esforço individualizado e desconexo de um projeto político pedagógico da escola de formação policial, que continua fechada a inovações e que é eficiente em reproduzir uma cultura organizacional fortemente influenciada por padrões de legalismos, de rigidez hierárquica, de isolamento da sociedade. O ponto de chegada nada mais é que o novo ponto de partida, e o esforço desprendido, nada mais é que combustível para o novo empreendimento.
  • 21.
    Os processos educacionaisde formação policial são desconexos e, muito se precisa fazer em termos de coordenação pedagógica, para que os docentes e administradores das escolas policiais reconheçam que, nenhum esforço individualizado produzirá os efeitos democráticos pretendidos, enquanto forem sufocados por uma cultura organizacional, muito mais forte e solidificada na hierarquia verticalizada, que impede a necessária autonomia do aluno policial para sua aprendizagem, se é que se quer realmente, a mudança para uma polícia comunitária. A pretendida polícia comunitária, somente poderia atingir seus objetivos numa formação fundada na cooperação social e em valores democráticos, onde houvesse uma integração de todos os cidadãos como uma comunidade auto-organizada. (DEWEY,1969). Conclusões
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    Minha história comopolicial militar foi sempre, rua, guarnição, ronda ostensiva, operações etc. Era um verdadeiro “cão de caça”. E todo esse tempo eu ainda enxergava a sociedade como inimiga, mal agradecida e preconceituosa, tanto que quando eu vestia a farda, pouco cumprimentava alguém, por medo de não obter retorno. Confesso que quando me dirigia ao local de trabalho sentia uma grande angustia, achava que ia ser discriminado ou ignorado. Tive um choque ao iniciar esse trabalho, as pessoas deram total atenção, elogiaram nossa atitude, brincavam, sorriam e até mesmo, de verdade, uma senhora deu-me seu próprio filho para que eu segurasse em meus braços enquanto ela lia e guardava o folheto. Sei que esse trabalho despertou em mim algo que eu ainda não conhecia, que minha imagem deveria passar segurança para estas pessoas e que não importa se os outros não queiram mudar, eu quero e vou me esforçar para ser melhor, um verdadeiro policial militar. (Sujeito 29).
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    Qual método deensino conseguiria aproximação com a realidade tão eficaz quanto o da experimentação em situações reais de aprendizagem?
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    Ter acompanhado evivenciado esse processo é gratificante, e nos coloca na insistência de que, somente no contato direto com o outro, o ser humano se completa.
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