Comunicação (d)e Interesse (do) Público
Simone Alves de Carvalho
PPGCOM-USP
Doutoranda – CAPES
carvalho.simone@gmail.com
Comunicação de interesse público
O Pensador
Rodin
c. 1880
Formas da comunicação pública
• Obrigação de
comunicar
• Difusão da
informação
• Acesso à
informação
(ZÉMOR, 2012)
• Relação dos serviços públicos com seus
usuários
• Recepção
• Escuta
• Diálogo
• Comunicação da relação
• Promoção dos serviços oferecidos ao público
• Publicidade
• Campanhas de informação de interesse geral
• Comunicação cívica
• Grandes causas sociais
• Valorização das instituições públicas
• Comunicação da política institucional
• Identidade, imagem e legitimidade
Proposta geral de comunicação pública
• Comunicação corporativa – identidade,
credibilidade, legitimidade
• Comunicação organizacional – coerência,
cisão compartilhada e trabalho colaborativo
• Comunicação informativa – relatos,
mensagens, conteúdos, meios
• Comunicação mobilizadora – interação,
impacto, mediações
(JARAMILLO LÓPEZ, 2012)
Conceitos de comunicação pública
• Comunicação organizacional
• Comunicação científica
• Comunicação do Estado ou governamental
• Comunicação política
• Comunicação da sociedade civil organizada
(BRANDÃO, 2012, p. 1-9)
Constituição da República Federativa
do Brasil (1988) – Artigo 3º
Constituem objetivos fundamentais da República
Federativa do Brasil:
I – Construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II – Garantir o desenvolvimento nacional;
III- Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir
as desigualdades sociais e regionais;
IV – Promover o bem de todos, sem preconceitos
de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras
formas de discriminação.
Código de Ética do Jornalista
I - Do direito à informação
Art. 1° - O acesso à informação pública é um
direito inerente à condição de vida em
sociedade, que não pode ser impedido por
nenhum tipo de interesse.
Ethos (modo de ser)
em construção
Democracia – princípios
• Secularidade
• Autofundação
• Incerteza
• Ético
• Complexidade
• Público
(TORO, 2005, p. 25-29)
Democracia – princípios
• Secularidade
• Autofundação
• Incerteza
• Ético
• Complexidade
• Público
(TORO, 2005, p. 25-29)
• “Toda ordem social é
construída. A ordem
social não é natural, por
isso são possíveis as
transformações na
sociedade”
• Cidadãos: criadores
dessa ordem
Democracia – princípios
• Secularidade
• Autofundação
• Incerteza
• Ético
• Complexidade
• Público
(TORO, 2005, p. 25-29)
• “Leis e normas são
construídas ou
transformadas pelas
mesmas pessoas que as
vão viver, cumprir e
proteger”
• Acordo mútuo, coletivo
– participação de todos
os cidadãos
Calvin
Bill Waterson
s/d
Democracia – princípios
• Secularidade
• Autofundação
• Incerteza
• Ético
• Complexidade
• Público
(TORO, 2005, p. 25-29)
• “Não existe um modelo
ideal de democracia
que possamos copiar ou
imitar”
• “Construir sua própria
ordem democrática a
partir de sua história,
seu conhecimento, suas
tradições e sua
memória”
Imagem do Facebook
Democracia – princípios
• Secularidade
• Autofundação
• Incerteza
• Ético
• Complexidade
• Público
(TORO, 2005, p. 25-29)
• “Viabilizar os direitos
humanos, cuidar da
vida e protegê-la”
• Dignidade humana
Imagens da internet
Democracia – princípios
• Secularidade
• Autofundação
• Incerteza
• Ético
• Complexidade
• Público
(TORO, 2005, p. 25-29)
• “O conflito, a
diversidade e a
diferença são
elementos constitutivos
da convivência
democrática.”
• Deliberação: livre
expressão, sustentação
e defesa de interesses
Os Operários
Tarsila do Amaral
1933
Democracia – princípios
• Secularidade
• Autofundação
• Incerteza
• Ético
• Complexidade
• Público
(TORO, 2005, p. 25-29)
• “O público é aquilo que
convém a todos”
• Mais amplo que o
estatal
No caminho com Maiakóvski
"[...]
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
[...]“
Eduardo Alves da Costa
Intertexto
"Primeiro levaram os negros, Mas não me
importei com isso.
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis, Mas não me
importei com isso
Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados, Mas
como tenho meu emprego
Também não me importei.
Agora estão me levando, Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém,
Ninguém se importa comigo."
Bertold Brecht (1898-1956)
Democracia
Mafalda
Quino
s/d
Simon Bolívar (1815)
Problemas das sociedades desmembradas do
império espanhol
1. Duvidosa viabilidade de sociedades sem cidadãos
2. Círculo vicioso de manter a ordem por meio do
paternalismo político
3. Precariedade do consenso e ilegitimidade das elites
4. Conservadorismo inevitável de uma sociedade civil
sem bases populares
(TORO, 2005, p. 68)
Estado
• Definição dos bens públicos
• Oferta dos bens públicos
Bem público
• Aquele que não pode ser
apropriado individualmente
• Direitos do cidadão:
educação, saúde,
infraestrutura, saneamento,
segurança, assistência
social, informação
Sociedade civil
• Conjunto de organizações e instituições cívicas
voluntárias que constituem os alicerces de
uma sociedade em funcionamento, em
oposição com estruturas que são ajudadas
pelo Estado
Cidadania
“O movimento de redemocratização da América
Latina nos trouxe a ilusão de que a cidadania e o
sentido do público – nascido da sociedade civil e
não do Estado – seriam uma consequência
natural da renovação de nossas instituições e da
restauração dos instrumentos democráticos”
(Nisia Werneck – apresentação de Toro, 2005, p.
15)
Cidadania
• Ordem social não é natural – é uma invenção
compreendida e aceita – pode ser mudada
“A liberdade não é possível a não ser na ordem.
Mas a única ordem que produz liberdade é aquela
que é construída em cooperação com outros, para
tornar possível a dignidade humana a todos. Essa
construção coletiva ocorre mediante a atuação
direta ou de representantes confiáveis.” (TORO,
2005, p. 20)
Interesse público
“Interesse público não existe em si, ou por si
mesmo, mas trata-se de um emaranhado de
interesses, de confrontos discursivos, ancorados
nos processos sociais em curso.”
(FARIA, 2012, p. 175)
• Papel dual da imprensa:
• Produção de bem social (informação
• Produção de mercadoria (notícia)
Interesse público
“Acontece de a noção de ‘interesse público’ ser,
às vezes, usada ou vista como um mecanismo
ideológico projetado para ocultar ambições
reguladoras não justificadas por parte dos
governos”
(McQUAIL, 2012, p. 18)
Interesse público
• Intenção
• Pressão social
• Mídia alternativa
• Comunicação popular
• Plural
(BUENO, 2012)
Estado e comunicação
• Comunicação de governo
• Instrumento de construção de imagem
• Canal de repasse de informação oficial
Opinião pública
• Discussão coletiva
• Tema de relevância pública
• Fetiche da estatística
• Não confundir com pesquisa de opinião 
representam o momento
(NOVELLI, 2012)
Liberdade de informação, imprensa e
opinião
• Constituição
• Código de ética
(STUDART, 2012)
• Lei de Acesso à Informação (2011)
• Marco Civil da Internet (2014)
Eduardo Baptista
Ex-técnico do Palmeiras
Coletiva de imprensa após jogo
Juca Kfoury
Jornalista
Comunicação
• Existe uma demanda e um
caminho possíveis para a
comunicação como política
pública? (MELLO, 2007, p.
20)
O que a comunicação promove?
• Cidadania
• Participação
• Democracia
• Universalização das pautas
• Demandas sociais
(MELLO, 2007, p. 21)
Comunicação
• Fundamento da cultura
democrática
• Relacionada aos projetos
sociais
• Interlocução social
• Historicidade e linguagem
• Mediação tecnológica deve
ser apropriada pelos setores
populares
• Auto-afirmação
• Saber social
• Formas e sistemas estáveis
de produção cultural
• Interação entre subculturas
• Mútuo reconhecimento das
diferenças
• Construção da sociedade
• Informação técnica,
científica e sistematizada é
essencial para o
desenvolvimento
(TORO, 2005, p. 84-89)
Comunicação
Comunicação governamental
“Instrumento para construção
de imagem e canal de repasse
de informação oficial” (MELLO,
2007, p. 21)
Comunicação pública
• Além do governamental
“Debate e sistematização do
fluxo informativo a partir da
ação do governo local, sob a
perspectiva das demandas
sociais” (MELLO, 2007, p. 24)
Comunicação como política pública
“Bem a se construir coletivamente,
representando um fator com repercussão sobre
o grau de participação popular e,
consequentemente, um potencializador do
amadurecimento da cidadania e da democracia”
(MELLO, 2007, p. 25)
Mídia de massa
• Espaço de socialização
• Capaz de criar condições estáveis para a
produção de sentidos, significados e modos de
ver o mundo
• Tem impacto na sociedade e na consciência
social
(TORO, 2005, p. 94-5)
• Fluxo de informação unidirecional (DUARTE,
2012, p. 66)
Redes sociais virtuais
O Facebook disse que a pesquisa apoia a conclusão de um
estudo de 2012 e acrescenta melhores números sobre como
as histórias compartilhadas atravessam as linhas políticas e
ideológicas.
A pesquisa, observou o Facebook, mostra que, em média, 23%
dos amigos das pessoas reivindicam uma ideologia política
contrária, e que entre o conteúdo de notícias compartilhadas
29,5% atravessam linhas ideológicas.
Redes sociais virtuais
Redes sociais virtuais
Redes sociais virtuais
Mobilização social
• Ato de liberdade
• Ato de paixão
• Ato público e de participação para propósito
comum
(TORO, 2005, p. 91)
Estruturando uma mobilização social
1. Formular um horizonte imaginário, atrativo e
desejável
2. Definir adequadamente o campo de atuação
3. Coletivizar a ação
(TORO, 2005, p. 92-3)
Zenshin: palavra japonesa que
denota avanço gradual e
desenvolvimento contínuo a partir
do zero (TORO, 2005, p. 64)
O que é público?
• Convém a todos
• Satisfação das necessidades comuns e
indispensáveis
• Justiça, segurança, infraestrutura, educação,
saúde, moradia, informação
(TORO, 2005, p. 30)
http://www.pedefigueira.com.br/blog,deusval,385
Quem constrói o público?
• Intelectuais: entender, explicar e interpretar os problemas da
sociedade
• Comunicadores: criar condições pra ver as diferentes realidades
• Políticos: convergir diferentes interesses
• Artistas: reflexo da sociedade
• Administradores públicos: manejo do bem público – aplicação das
leis
• Líderes de ONGs, sindicatos, cooperativas etc: facilitar transações
• Empresários: produção racional de bens e serviços
• Líderes sociais e comunitários: organizações e bens coletivos
• Líderes religiosos: autoridade na intimidade transcendental
(TORO, 2005, p. 33-34)
Onde se constrói o público?
• Espaços de deliberação, acordo e debate:
assembleias públicas, debates nos MCM
• Espaços de decisão: sindicatos, ONU, OEA
• Sistemas educativos: centros de pesquisa e
desenvolvimento
• Indústrias culturais: distribuição de bens
simbólicos
(TORO, 2005, p. 34-35)
Liderança
• Capacidade de uma pessoa ou grupo de
oferecer soluções éticas e viáveis para
problemas coletivos
• Construir o público, o que convém a todos
• Esperança, grandeza e ética em contraposição
à ilusão, miséria e corrpção
(TOTO, 2005, p. 63)
A empresa privada e o público
• Ética: pagamento de impostos, fornecedores e
salários
• Responsabilidade social: meio ambiente,
comunidades no entorno
• Produtos e serviços: qualidade e durabilidade
• Preços e distribuição: adequados aos públicos
• Externalidades positivas: informação científica e
técnica, desenvolvimento de tecnologias
(TORO, 2005, p. 35-6)
Terceiro setor
• Enfrentar os grandes problemas nacionais
• Artimanha do capital financeiro para abrandar
suas responsabilidades
• Comunicação com governo, empresas,
organizações e sociedade
(PERUZZO, 2012)
Terceiro setor
• Construção do projeto de nação
• Formação e fortalecimento do comportamento
de cidadania e da cultura democrática
• Reinstitucionalização do âmbito público a fim de
aumentar a igualdade e fortalecer a
governabilidade
• Condições para a democracia cultural; para que
todos os diferentes sentidos e símbolos da
diversidade social possam competir em igualdade
de condições
(TORO, 2005, p. 56-60)
Justiça
• Princípio da liberdade igual: a sociedade deve assegurar a
máxima liberdade para cada pessoa compatível com uma
liberdade igual para todos os outros
• Princípio da diferença: a sociedade deve promover a
distribuição igual da riqueza, exceto se a existência de
desigualdades econômicas e sociais gerar o maior benefício
para os menos favorecidos
• Princípio da oportunidade justa: as desigualdades
econômicas e sociais devem estar ligadas a postos e posições
acessíveis a todos em condições de justa igualdade de
oportunidades
(RAWLS, 2008)
Justiça social
• Quantidade e disponibilidade dos bens
públicos aos quais o cidadão tenha acesso
• Dignidade
(TORO, 2005, p. 41)
Parcerias público-privadas
• Contrato de prestação de obras ou serviços
não inferior a R$ 20 milhões, com duração
mínima de 5 e no máximo 35 anos, firmado
entre empresa privada e o governo federal,
estadual ou municipal
• Difere da lei de concessão comum pela forma
de remuneração do parceiro privado
Elites como classes dirigentes
• Elites: líderes políticos, sociais, econômicos ou
militares que governam uma sociedade (Mills,
apud Toro, 2005, p. 60)
• Líderes de opinião, artistas, esportistas e
religiosos (TORO, 2005, p. 61)
• “Criar e transformar os modos de pensar, sentir e
agir. Podem estabelecer ou modificar formas de
transação política, econômica e social” (TORO,
2005, p. 61)
• Influência intelectual e moral
Tarefas da elite como classe dirigente
• Colocar o Estado e a política a serviço da nação
• Colocar a cidadania a serviço dos interesses
nacionais, da maioria da população trabalhadora
e dos mais fracos
• Situar a economia a serviço dos seres humanos
• Impulsionar o crescimento econômico com
igualdade e sem pobreza interna
(TORO, 2005, p. 61)
“Comunicação de interesse público é
toda ação que tem como objetivo
primordial levar uma informação à
população que traga resultados
concretos para se viver e entender
melhor o mundo [...] os beneficiários
diretos e primordiais da ação sempre
serão a sociedade e o cidadão”
(COSTA, 2006, p. 20)
Ouvidoria
http://www.revistaorganicom.org.br/sistema/index.php/organicom/article/view/508/424
Fosfoetanolamina
http://portalintercom.org.br/anais/nacional2016/resumos/R11-0128-1.pdf
Problemas do Brasil
• Politico: déficit de legitimidade
• Econômico: baixo crescimento
• Social: baixa escolaridade, alta violência
• Ecológico: sustentabilidade
• Internacional: economia exportadora
• Territorial: fiscalização
• Fiscal: evasão de divisas
Laerte
c. 2016
Laerte
2017
Laerte
11/05/2017
Facebook
Laerte
2015
André Dahmer
03/05/2017
Facebook
Leonardo Sakamoto
Facebook
11/05/2017
Referências
Caça-palavras: http://www.atividadeseducativas.com.br/cacapalavras/fs.wordfinder.php
BRANDÃO, Elizabeth. Conceito de comunicação pública. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública: Estado,
mercado, sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012.
BUENO, Wilson. Comunicação, iniciativa privada e interesse público. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública:
Estado, mercado, sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012.
COSTA, João. A comunicação de interesse público. In COSTA, João (org.). Comunicação de interesse público: ideias que
movem pessoas e fazem um mundo melhor. São Paulo: Jaboticaba, 2006.
DUARTE, Jorge. Instrumentos de comunicação pública. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública: Estado,
mercado, sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012.
FARIA, Armando. Imprensa e interesse público. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública: Estado, mercado,
sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012.
JARAMILLO LÓPEZ, Jua. Proposta geral de comunicação pública. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública: Estado,
mercado, sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012.
McQUAIL, Denis. Atuação da mídia: comunicação de massa e interesse público. Porto Alegre: Penso, 2012.
MELLO, Ricardo. Comunicação de interesse público: a escuta popular na comunicação pública: abrindo caminho para
uma nova política. 2 ed. Recife: Bagaço, 2017.
NOVELLI, Ana. Comunicação e opinião pública. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública: Estado, mercado,
sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012.
PERUZZO, Cicilia. Comunicação e terceiro setor. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública: Estado, mercado,
sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012.
RAWLS, John. Uma teoria da justiça. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
STUDART, Adriana. Cidadania ativa e liberdade de informação. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública: Estado,
mercado, sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012.
TORO, Jose. A construção do público: cidadania, democracia e participação. Rio de Janeiro: Senac Rio, 2005.
ZÉMOR, Pierre. As formas de comunicação pública. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública: Estado, mercado,
sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012.
http://www3.eca.usp.br/sites/defa
ult/files/form/ata/pos/quarto..pdf
http://www3.eca.usp.br/sites/defau
lt/files/form/biblioteca/acervo/texto
s/002792126.pdf

Comunicação (d)e interesse (do) público

  • 1.
    Comunicação (d)e Interesse(do) Público Simone Alves de Carvalho PPGCOM-USP Doutoranda – CAPES carvalho.simone@gmail.com
  • 4.
    Comunicação de interessepúblico O Pensador Rodin c. 1880
  • 5.
    Formas da comunicaçãopública • Obrigação de comunicar • Difusão da informação • Acesso à informação (ZÉMOR, 2012) • Relação dos serviços públicos com seus usuários • Recepção • Escuta • Diálogo • Comunicação da relação • Promoção dos serviços oferecidos ao público • Publicidade • Campanhas de informação de interesse geral • Comunicação cívica • Grandes causas sociais • Valorização das instituições públicas • Comunicação da política institucional • Identidade, imagem e legitimidade
  • 6.
    Proposta geral decomunicação pública • Comunicação corporativa – identidade, credibilidade, legitimidade • Comunicação organizacional – coerência, cisão compartilhada e trabalho colaborativo • Comunicação informativa – relatos, mensagens, conteúdos, meios • Comunicação mobilizadora – interação, impacto, mediações (JARAMILLO LÓPEZ, 2012)
  • 7.
    Conceitos de comunicaçãopública • Comunicação organizacional • Comunicação científica • Comunicação do Estado ou governamental • Comunicação política • Comunicação da sociedade civil organizada (BRANDÃO, 2012, p. 1-9)
  • 10.
    Constituição da RepúblicaFederativa do Brasil (1988) – Artigo 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I – Construir uma sociedade livre, justa e solidária; II – Garantir o desenvolvimento nacional; III- Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV – Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
  • 11.
    Código de Éticado Jornalista I - Do direito à informação Art. 1° - O acesso à informação pública é um direito inerente à condição de vida em sociedade, que não pode ser impedido por nenhum tipo de interesse.
  • 13.
    Ethos (modo deser) em construção
  • 14.
    Democracia – princípios •Secularidade • Autofundação • Incerteza • Ético • Complexidade • Público (TORO, 2005, p. 25-29)
  • 15.
    Democracia – princípios •Secularidade • Autofundação • Incerteza • Ético • Complexidade • Público (TORO, 2005, p. 25-29) • “Toda ordem social é construída. A ordem social não é natural, por isso são possíveis as transformações na sociedade” • Cidadãos: criadores dessa ordem
  • 17.
    Democracia – princípios •Secularidade • Autofundação • Incerteza • Ético • Complexidade • Público (TORO, 2005, p. 25-29) • “Leis e normas são construídas ou transformadas pelas mesmas pessoas que as vão viver, cumprir e proteger” • Acordo mútuo, coletivo – participação de todos os cidadãos
  • 18.
  • 19.
    Democracia – princípios •Secularidade • Autofundação • Incerteza • Ético • Complexidade • Público (TORO, 2005, p. 25-29) • “Não existe um modelo ideal de democracia que possamos copiar ou imitar” • “Construir sua própria ordem democrática a partir de sua história, seu conhecimento, suas tradições e sua memória”
  • 20.
  • 21.
    Democracia – princípios •Secularidade • Autofundação • Incerteza • Ético • Complexidade • Público (TORO, 2005, p. 25-29) • “Viabilizar os direitos humanos, cuidar da vida e protegê-la” • Dignidade humana
  • 22.
  • 23.
    Democracia – princípios •Secularidade • Autofundação • Incerteza • Ético • Complexidade • Público (TORO, 2005, p. 25-29) • “O conflito, a diversidade e a diferença são elementos constitutivos da convivência democrática.” • Deliberação: livre expressão, sustentação e defesa de interesses
  • 24.
  • 25.
    Democracia – princípios •Secularidade • Autofundação • Incerteza • Ético • Complexidade • Público (TORO, 2005, p. 25-29) • “O público é aquilo que convém a todos” • Mais amplo que o estatal
  • 26.
    No caminho comMaiakóvski "[...] Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada. [...]“ Eduardo Alves da Costa Intertexto "Primeiro levaram os negros, Mas não me importei com isso. Eu não era negro. Em seguida levaram alguns operários, Mas não me importei com isso Eu também não era operário. Depois prenderam os miseráveis, Mas não me importei com isso Porque eu não sou miserável. Depois agarraram uns desempregados, Mas como tenho meu emprego Também não me importei. Agora estão me levando, Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém, Ninguém se importa comigo." Bertold Brecht (1898-1956)
  • 27.
  • 28.
    Simon Bolívar (1815) Problemasdas sociedades desmembradas do império espanhol 1. Duvidosa viabilidade de sociedades sem cidadãos 2. Círculo vicioso de manter a ordem por meio do paternalismo político 3. Precariedade do consenso e ilegitimidade das elites 4. Conservadorismo inevitável de uma sociedade civil sem bases populares (TORO, 2005, p. 68)
  • 29.
    Estado • Definição dosbens públicos • Oferta dos bens públicos Bem público • Aquele que não pode ser apropriado individualmente • Direitos do cidadão: educação, saúde, infraestrutura, saneamento, segurança, assistência social, informação
  • 30.
    Sociedade civil • Conjuntode organizações e instituições cívicas voluntárias que constituem os alicerces de uma sociedade em funcionamento, em oposição com estruturas que são ajudadas pelo Estado
  • 31.
    Cidadania “O movimento deredemocratização da América Latina nos trouxe a ilusão de que a cidadania e o sentido do público – nascido da sociedade civil e não do Estado – seriam uma consequência natural da renovação de nossas instituições e da restauração dos instrumentos democráticos” (Nisia Werneck – apresentação de Toro, 2005, p. 15)
  • 32.
    Cidadania • Ordem socialnão é natural – é uma invenção compreendida e aceita – pode ser mudada “A liberdade não é possível a não ser na ordem. Mas a única ordem que produz liberdade é aquela que é construída em cooperação com outros, para tornar possível a dignidade humana a todos. Essa construção coletiva ocorre mediante a atuação direta ou de representantes confiáveis.” (TORO, 2005, p. 20)
  • 33.
    Interesse público “Interesse públiconão existe em si, ou por si mesmo, mas trata-se de um emaranhado de interesses, de confrontos discursivos, ancorados nos processos sociais em curso.” (FARIA, 2012, p. 175) • Papel dual da imprensa: • Produção de bem social (informação • Produção de mercadoria (notícia)
  • 34.
    Interesse público “Acontece dea noção de ‘interesse público’ ser, às vezes, usada ou vista como um mecanismo ideológico projetado para ocultar ambições reguladoras não justificadas por parte dos governos” (McQUAIL, 2012, p. 18)
  • 35.
    Interesse público • Intenção •Pressão social • Mídia alternativa • Comunicação popular • Plural (BUENO, 2012)
  • 36.
    Estado e comunicação •Comunicação de governo • Instrumento de construção de imagem • Canal de repasse de informação oficial
  • 37.
    Opinião pública • Discussãocoletiva • Tema de relevância pública • Fetiche da estatística • Não confundir com pesquisa de opinião  representam o momento (NOVELLI, 2012)
  • 38.
    Liberdade de informação,imprensa e opinião • Constituição • Código de ética (STUDART, 2012) • Lei de Acesso à Informação (2011) • Marco Civil da Internet (2014)
  • 39.
    Eduardo Baptista Ex-técnico doPalmeiras Coletiva de imprensa após jogo Juca Kfoury Jornalista
  • 40.
    Comunicação • Existe umademanda e um caminho possíveis para a comunicação como política pública? (MELLO, 2007, p. 20) O que a comunicação promove? • Cidadania • Participação • Democracia • Universalização das pautas • Demandas sociais (MELLO, 2007, p. 21)
  • 41.
    Comunicação • Fundamento dacultura democrática • Relacionada aos projetos sociais • Interlocução social • Historicidade e linguagem • Mediação tecnológica deve ser apropriada pelos setores populares • Auto-afirmação • Saber social • Formas e sistemas estáveis de produção cultural • Interação entre subculturas • Mútuo reconhecimento das diferenças • Construção da sociedade • Informação técnica, científica e sistematizada é essencial para o desenvolvimento (TORO, 2005, p. 84-89)
  • 42.
    Comunicação Comunicação governamental “Instrumento paraconstrução de imagem e canal de repasse de informação oficial” (MELLO, 2007, p. 21) Comunicação pública • Além do governamental “Debate e sistematização do fluxo informativo a partir da ação do governo local, sob a perspectiva das demandas sociais” (MELLO, 2007, p. 24)
  • 43.
    Comunicação como políticapública “Bem a se construir coletivamente, representando um fator com repercussão sobre o grau de participação popular e, consequentemente, um potencializador do amadurecimento da cidadania e da democracia” (MELLO, 2007, p. 25)
  • 44.
    Mídia de massa •Espaço de socialização • Capaz de criar condições estáveis para a produção de sentidos, significados e modos de ver o mundo • Tem impacto na sociedade e na consciência social (TORO, 2005, p. 94-5) • Fluxo de informação unidirecional (DUARTE, 2012, p. 66)
  • 46.
    Redes sociais virtuais OFacebook disse que a pesquisa apoia a conclusão de um estudo de 2012 e acrescenta melhores números sobre como as histórias compartilhadas atravessam as linhas políticas e ideológicas. A pesquisa, observou o Facebook, mostra que, em média, 23% dos amigos das pessoas reivindicam uma ideologia política contrária, e que entre o conteúdo de notícias compartilhadas 29,5% atravessam linhas ideológicas.
  • 47.
  • 48.
  • 49.
  • 52.
    Mobilização social • Atode liberdade • Ato de paixão • Ato público e de participação para propósito comum (TORO, 2005, p. 91)
  • 53.
    Estruturando uma mobilizaçãosocial 1. Formular um horizonte imaginário, atrativo e desejável 2. Definir adequadamente o campo de atuação 3. Coletivizar a ação (TORO, 2005, p. 92-3) Zenshin: palavra japonesa que denota avanço gradual e desenvolvimento contínuo a partir do zero (TORO, 2005, p. 64)
  • 54.
    O que épúblico? • Convém a todos • Satisfação das necessidades comuns e indispensáveis • Justiça, segurança, infraestrutura, educação, saúde, moradia, informação (TORO, 2005, p. 30)
  • 55.
  • 56.
    Quem constrói opúblico? • Intelectuais: entender, explicar e interpretar os problemas da sociedade • Comunicadores: criar condições pra ver as diferentes realidades • Políticos: convergir diferentes interesses • Artistas: reflexo da sociedade • Administradores públicos: manejo do bem público – aplicação das leis • Líderes de ONGs, sindicatos, cooperativas etc: facilitar transações • Empresários: produção racional de bens e serviços • Líderes sociais e comunitários: organizações e bens coletivos • Líderes religiosos: autoridade na intimidade transcendental (TORO, 2005, p. 33-34)
  • 57.
    Onde se constróio público? • Espaços de deliberação, acordo e debate: assembleias públicas, debates nos MCM • Espaços de decisão: sindicatos, ONU, OEA • Sistemas educativos: centros de pesquisa e desenvolvimento • Indústrias culturais: distribuição de bens simbólicos (TORO, 2005, p. 34-35)
  • 58.
    Liderança • Capacidade deuma pessoa ou grupo de oferecer soluções éticas e viáveis para problemas coletivos • Construir o público, o que convém a todos • Esperança, grandeza e ética em contraposição à ilusão, miséria e corrpção (TOTO, 2005, p. 63)
  • 59.
    A empresa privadae o público • Ética: pagamento de impostos, fornecedores e salários • Responsabilidade social: meio ambiente, comunidades no entorno • Produtos e serviços: qualidade e durabilidade • Preços e distribuição: adequados aos públicos • Externalidades positivas: informação científica e técnica, desenvolvimento de tecnologias (TORO, 2005, p. 35-6)
  • 60.
    Terceiro setor • Enfrentaros grandes problemas nacionais • Artimanha do capital financeiro para abrandar suas responsabilidades • Comunicação com governo, empresas, organizações e sociedade (PERUZZO, 2012)
  • 61.
    Terceiro setor • Construçãodo projeto de nação • Formação e fortalecimento do comportamento de cidadania e da cultura democrática • Reinstitucionalização do âmbito público a fim de aumentar a igualdade e fortalecer a governabilidade • Condições para a democracia cultural; para que todos os diferentes sentidos e símbolos da diversidade social possam competir em igualdade de condições (TORO, 2005, p. 56-60)
  • 62.
    Justiça • Princípio daliberdade igual: a sociedade deve assegurar a máxima liberdade para cada pessoa compatível com uma liberdade igual para todos os outros • Princípio da diferença: a sociedade deve promover a distribuição igual da riqueza, exceto se a existência de desigualdades econômicas e sociais gerar o maior benefício para os menos favorecidos • Princípio da oportunidade justa: as desigualdades econômicas e sociais devem estar ligadas a postos e posições acessíveis a todos em condições de justa igualdade de oportunidades (RAWLS, 2008)
  • 63.
    Justiça social • Quantidadee disponibilidade dos bens públicos aos quais o cidadão tenha acesso • Dignidade (TORO, 2005, p. 41)
  • 64.
    Parcerias público-privadas • Contratode prestação de obras ou serviços não inferior a R$ 20 milhões, com duração mínima de 5 e no máximo 35 anos, firmado entre empresa privada e o governo federal, estadual ou municipal • Difere da lei de concessão comum pela forma de remuneração do parceiro privado
  • 65.
    Elites como classesdirigentes • Elites: líderes políticos, sociais, econômicos ou militares que governam uma sociedade (Mills, apud Toro, 2005, p. 60) • Líderes de opinião, artistas, esportistas e religiosos (TORO, 2005, p. 61) • “Criar e transformar os modos de pensar, sentir e agir. Podem estabelecer ou modificar formas de transação política, econômica e social” (TORO, 2005, p. 61) • Influência intelectual e moral
  • 66.
    Tarefas da elitecomo classe dirigente • Colocar o Estado e a política a serviço da nação • Colocar a cidadania a serviço dos interesses nacionais, da maioria da população trabalhadora e dos mais fracos • Situar a economia a serviço dos seres humanos • Impulsionar o crescimento econômico com igualdade e sem pobreza interna (TORO, 2005, p. 61)
  • 67.
    “Comunicação de interessepúblico é toda ação que tem como objetivo primordial levar uma informação à população que traga resultados concretos para se viver e entender melhor o mundo [...] os beneficiários diretos e primordiais da ação sempre serão a sociedade e o cidadão” (COSTA, 2006, p. 20)
  • 69.
  • 73.
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    Problemas do Brasil •Politico: déficit de legitimidade • Econômico: baixo crescimento • Social: baixa escolaridade, alta violência • Ecológico: sustentabilidade • Internacional: economia exportadora • Territorial: fiscalização • Fiscal: evasão de divisas
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    Referências Caça-palavras: http://www.atividadeseducativas.com.br/cacapalavras/fs.wordfinder.php BRANDÃO, Elizabeth.Conceito de comunicação pública. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública: Estado, mercado, sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012. BUENO, Wilson. Comunicação, iniciativa privada e interesse público. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública: Estado, mercado, sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012. COSTA, João. A comunicação de interesse público. In COSTA, João (org.). Comunicação de interesse público: ideias que movem pessoas e fazem um mundo melhor. São Paulo: Jaboticaba, 2006. DUARTE, Jorge. Instrumentos de comunicação pública. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública: Estado, mercado, sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012. FARIA, Armando. Imprensa e interesse público. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública: Estado, mercado, sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012. JARAMILLO LÓPEZ, Jua. Proposta geral de comunicação pública. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública: Estado, mercado, sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012. McQUAIL, Denis. Atuação da mídia: comunicação de massa e interesse público. Porto Alegre: Penso, 2012. MELLO, Ricardo. Comunicação de interesse público: a escuta popular na comunicação pública: abrindo caminho para uma nova política. 2 ed. Recife: Bagaço, 2017. NOVELLI, Ana. Comunicação e opinião pública. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública: Estado, mercado, sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012. PERUZZO, Cicilia. Comunicação e terceiro setor. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública: Estado, mercado, sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012. RAWLS, John. Uma teoria da justiça. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2008. STUDART, Adriana. Cidadania ativa e liberdade de informação. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública: Estado, mercado, sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012. TORO, Jose. A construção do público: cidadania, democracia e participação. Rio de Janeiro: Senac Rio, 2005. ZÉMOR, Pierre. As formas de comunicação pública. In DUARTE, Jorge (org.). Comunicação pública: Estado, mercado, sociedade e interesse público. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2012.
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