TRATAMENTO CIRÚRGICO DA 
SÍNDROME METABÓLICA 
Dr. Everton Cazzo 
Médico Assistente – FCM/UNICAMP 
Cirurgião do Ap. Digestivo – Hospital Vera Cruz
Síndrome Metabólica 
 Conjunto de fatores interconectados que elevam o risco 
de DM-2 e doença cardiovascular 
 Obesidade abdominal 
 Intolerância à Glicose ou DM 
 Hipertensão Arterial Sistêmica 
 Dislipidemia 
NCEP (2001) 
Alberti (2009)
Diagnóstico 
• Adult Treatment Panel III – National Cholesterol Education 
Program 
• 3 de 5 fatores: 
▫ Obesidade central: Circ. abd. > 102 cm (homens) ou 88 cm 
(mulheres) 
▫ Triglicerídeos ≥ 150 mg/dL 
▫ HDL ≤ 50 (mulheres) ou ≤ 40 mg/dL (homens) 
▫ PA ≥ 130/85 mmHg ou HAS diagnosticada 
▫ Glicemia de jejum ≥ 110 mg/dL ou DM-2 diagnosticado 
NCEP (2001)
Epidemiologia 
• Afeta 34,5% da população adulta norte-americana 
(2005) 
• 3,2 milhões de mortes anualmente no mundo 
• Custos anuais diretos no mundo em torno de 
286 bilhões de dólares (2006) 
NCEP (2001) 
IDF (2006)
Epidemiologia 
Prevalência da SM no Brasil por estudo 
Estudo N Prevalência (%) 
Salaroli (2008) 1.172 29,8 
Marquezine (2008) 
1.507 M = 25,35 
F = 25,49 
Total: 25,53 
Barbosa (2007) 
1.437 M = 13,6 
F = 22,9 
Total: 19,0 
Salaroli (2008) 
Marquezine (2008) 
Barbosa (2007)
Fisiopatologia 
• Resistência Insulínica → Hiperinsulinemia 
• Hiperglicemia 
• Gordura ectópica → adiposopatia (ácidos graxos livres, 
resistência leptínica, déficit de adiponectina) 
• Lipotoxicidade (ácidos graxos livres) 
• Estado pró-trombótico 
• Estado pró-inflamatório 
Alberti (2009) 
Gade (2010) 
Muller (2012)
Tratamento 
• Mudanças de estilo de vida (dieta, atividade 
física) e tratamento medicamentoso combinado 
dos elementos da síndrome 
• Tratamento clínico de HAS e DM: adesão menor 
que 20% após um ano 
• Tratamento cirúrgico? 
WHO (2004) 
Alberti (2009)
História 
• Friedmann (1955): reversão de DM após gastrectomias 
(mecanismo ignorado) 
• Pories (1995): reversão do DM após bypass gástrico (85%) e 
derivação biliopancreática (90%) 
• Metanálise (Buchwald, 2004): controle significativo do DM 
em todas as modalidades cirúrgicas avaliadas 
Pories (1995) 
Garg (2010) 
Buchwald (2004)
Fisiopatologia 
• Melhora na homeostase glicêmica ocorre antes 
que haja perda de peso apreciável 
• Alteração estrutural pós-operatória 
• Exclusão duodenal (foregut hypothesis)? 
• Intestino distal (hindgut hypothesis)?? 
Pareja (2006) 
Garg (2010)
Fisiopatologia 
• Trato gastrointestinal: o mais extenso órgão 
endócrino do organismo humano 
• Metabolismo glicêmico: eixo êntero-insular 
(incretinas) 
• Saciedade (peptídeos gastrointestinais 
orexígenos e hiporexígenos) 
Garg (2010) 
Schauer (2012)
Incretinas 
• Incretinas: peptídeos produzidos no trato gastrointestinal que 
exerçam efeito direto sobre a homeostase glicêmica 
▫ GIP (íleo distal): polipeptídeo insulinotrópico gastrointestinal 
▫ GLP-1 (íleo distal e cólon): peptídeo semelhante ao glucagon 
Hormônios Gastrointestinais 
Zhang (2010) 
Michalakis (2012) 
Pareja (2006) 
Zhang (2010) 
Schauer (2012) 
 Grelina (fundo gástrico) – orexígeno 
 PYY: peptídeo YY (íleo distal) – anorexígeno
Cirurgias Bariátricas com Efeitos 
sobre Metabolismo Glicêmico 
 Bypass Gástrico em Y de Roux 
 Derivações Biliopancreáticas: 
 Gastrectomia Parcial e Bypass Gastroileal Distal 
(Cirurgia de Scopinaro) 
 Gastrectomia Vertical e Bypass Duodenoileal 
Distal (Duodenal Switch) 
Pareja 2006 
Buchwald 2009
Cirurgias Bariátricas com Efeitos 
sobre Metabolismo Glicêmico 
• Scopinaro • Duodenal 
Switch 
Garg (2010) 
Dillermans (2010) 
 Bypass gástrico 
em Y de Roux
Fisiopatologia 
 Mecanismos sacietógeno-incretínicos: 
 Aumento da saciedade (↓ grelina – exclusão do fundo 
gástrico e ↑ PYY) 
 Melhora na sensibilidade periférica à insulina e na 
função das células β pancreáticas (↑ GLP-1 e GIP – 
exclusão duodenal ou passagem de nutrientes pelo 
intestino distal) 
 Redução da absorção de lípides, com menor teor no sangue 
portal e consequentemente menor deposição no fígado 
 Perda de peso – manutenção de longo prazo 
Pareja (2006) 
Le Roux (2006)
Fisiopatologia 
 Adipocinas: ↑ produção de adiponectina (melhora na 
sensibilidade insulínica e redução da atividade 
inflamatória) e ↑ sensibilidade à leptina (saciedade) 
 Circulação êntero-hepática de sais biliares: ↑ FGF19 
(melhora na sensibilidade insulínica) 
 Microbiota normal: ↑ Gammaproteobacteria 
(Escherichia) and Verrucomicrobia (Akkermansia) – 
redução na produção de LPS 
Shaap (2012) 
Shresta (2013) 
Tilg (2014)
Reversão do Diabetes Mellitus 
Cirurgia Reversão DM-2 (após 2 e 5 anos) 
Bypass gastrojejunal 84% → 80,3% 
Derivação Biliopancreática 98% → 95,1% 
Schauer (2003) 
Buchwald (2004) 
Buchwald (2009) 
DM-2 Grave após Bypass 
Usuários de insulina 62% 
> 10 anos DM 54%
Reversão da Síndrome 
Metabólica após Bypass Gástrico 
Estudo N Seguimento (meses) Reversão 
Batsis et al. 143 40,8 68% 
Lee et al. 315 12 95,6% 
Morínigo et al. 36 12 80% 
Nugent et al. 286 10 74,5% 
Cazzo et al. 96 34,15 88,54% 
Batsis (2008) 
Lee (2008) 
Morínigo (2007) 
Nugent (2008) 
Cazzo (2013)
Considerações Finais 
• SM: prevalência crescente e fisiopatologia complexa 
• Tratamento clínico: baixa adesão 
• Cirurgias bariátricas: impacto relevante por mecanismos 
diversos (sacietógeno-incretínicos) e não completamente 
esclarecidos 
• Melhores resultados com Derivações Biliopancreáticas
Obrigado!

Aula vera cruz 2014

  • 1.
    TRATAMENTO CIRÚRGICO DA SÍNDROME METABÓLICA Dr. Everton Cazzo Médico Assistente – FCM/UNICAMP Cirurgião do Ap. Digestivo – Hospital Vera Cruz
  • 2.
    Síndrome Metabólica Conjunto de fatores interconectados que elevam o risco de DM-2 e doença cardiovascular  Obesidade abdominal  Intolerância à Glicose ou DM  Hipertensão Arterial Sistêmica  Dislipidemia NCEP (2001) Alberti (2009)
  • 3.
    Diagnóstico • AdultTreatment Panel III – National Cholesterol Education Program • 3 de 5 fatores: ▫ Obesidade central: Circ. abd. > 102 cm (homens) ou 88 cm (mulheres) ▫ Triglicerídeos ≥ 150 mg/dL ▫ HDL ≤ 50 (mulheres) ou ≤ 40 mg/dL (homens) ▫ PA ≥ 130/85 mmHg ou HAS diagnosticada ▫ Glicemia de jejum ≥ 110 mg/dL ou DM-2 diagnosticado NCEP (2001)
  • 4.
    Epidemiologia • Afeta34,5% da população adulta norte-americana (2005) • 3,2 milhões de mortes anualmente no mundo • Custos anuais diretos no mundo em torno de 286 bilhões de dólares (2006) NCEP (2001) IDF (2006)
  • 5.
    Epidemiologia Prevalência daSM no Brasil por estudo Estudo N Prevalência (%) Salaroli (2008) 1.172 29,8 Marquezine (2008) 1.507 M = 25,35 F = 25,49 Total: 25,53 Barbosa (2007) 1.437 M = 13,6 F = 22,9 Total: 19,0 Salaroli (2008) Marquezine (2008) Barbosa (2007)
  • 6.
    Fisiopatologia • ResistênciaInsulínica → Hiperinsulinemia • Hiperglicemia • Gordura ectópica → adiposopatia (ácidos graxos livres, resistência leptínica, déficit de adiponectina) • Lipotoxicidade (ácidos graxos livres) • Estado pró-trombótico • Estado pró-inflamatório Alberti (2009) Gade (2010) Muller (2012)
  • 7.
    Tratamento • Mudançasde estilo de vida (dieta, atividade física) e tratamento medicamentoso combinado dos elementos da síndrome • Tratamento clínico de HAS e DM: adesão menor que 20% após um ano • Tratamento cirúrgico? WHO (2004) Alberti (2009)
  • 8.
    História • Friedmann(1955): reversão de DM após gastrectomias (mecanismo ignorado) • Pories (1995): reversão do DM após bypass gástrico (85%) e derivação biliopancreática (90%) • Metanálise (Buchwald, 2004): controle significativo do DM em todas as modalidades cirúrgicas avaliadas Pories (1995) Garg (2010) Buchwald (2004)
  • 9.
    Fisiopatologia • Melhorana homeostase glicêmica ocorre antes que haja perda de peso apreciável • Alteração estrutural pós-operatória • Exclusão duodenal (foregut hypothesis)? • Intestino distal (hindgut hypothesis)?? Pareja (2006) Garg (2010)
  • 10.
    Fisiopatologia • Tratogastrointestinal: o mais extenso órgão endócrino do organismo humano • Metabolismo glicêmico: eixo êntero-insular (incretinas) • Saciedade (peptídeos gastrointestinais orexígenos e hiporexígenos) Garg (2010) Schauer (2012)
  • 11.
    Incretinas • Incretinas:peptídeos produzidos no trato gastrointestinal que exerçam efeito direto sobre a homeostase glicêmica ▫ GIP (íleo distal): polipeptídeo insulinotrópico gastrointestinal ▫ GLP-1 (íleo distal e cólon): peptídeo semelhante ao glucagon Hormônios Gastrointestinais Zhang (2010) Michalakis (2012) Pareja (2006) Zhang (2010) Schauer (2012)  Grelina (fundo gástrico) – orexígeno  PYY: peptídeo YY (íleo distal) – anorexígeno
  • 12.
    Cirurgias Bariátricas comEfeitos sobre Metabolismo Glicêmico  Bypass Gástrico em Y de Roux  Derivações Biliopancreáticas:  Gastrectomia Parcial e Bypass Gastroileal Distal (Cirurgia de Scopinaro)  Gastrectomia Vertical e Bypass Duodenoileal Distal (Duodenal Switch) Pareja 2006 Buchwald 2009
  • 13.
    Cirurgias Bariátricas comEfeitos sobre Metabolismo Glicêmico • Scopinaro • Duodenal Switch Garg (2010) Dillermans (2010)  Bypass gástrico em Y de Roux
  • 14.
    Fisiopatologia  Mecanismossacietógeno-incretínicos:  Aumento da saciedade (↓ grelina – exclusão do fundo gástrico e ↑ PYY)  Melhora na sensibilidade periférica à insulina e na função das células β pancreáticas (↑ GLP-1 e GIP – exclusão duodenal ou passagem de nutrientes pelo intestino distal)  Redução da absorção de lípides, com menor teor no sangue portal e consequentemente menor deposição no fígado  Perda de peso – manutenção de longo prazo Pareja (2006) Le Roux (2006)
  • 15.
    Fisiopatologia  Adipocinas:↑ produção de adiponectina (melhora na sensibilidade insulínica e redução da atividade inflamatória) e ↑ sensibilidade à leptina (saciedade)  Circulação êntero-hepática de sais biliares: ↑ FGF19 (melhora na sensibilidade insulínica)  Microbiota normal: ↑ Gammaproteobacteria (Escherichia) and Verrucomicrobia (Akkermansia) – redução na produção de LPS Shaap (2012) Shresta (2013) Tilg (2014)
  • 16.
    Reversão do DiabetesMellitus Cirurgia Reversão DM-2 (após 2 e 5 anos) Bypass gastrojejunal 84% → 80,3% Derivação Biliopancreática 98% → 95,1% Schauer (2003) Buchwald (2004) Buchwald (2009) DM-2 Grave após Bypass Usuários de insulina 62% > 10 anos DM 54%
  • 17.
    Reversão da Síndrome Metabólica após Bypass Gástrico Estudo N Seguimento (meses) Reversão Batsis et al. 143 40,8 68% Lee et al. 315 12 95,6% Morínigo et al. 36 12 80% Nugent et al. 286 10 74,5% Cazzo et al. 96 34,15 88,54% Batsis (2008) Lee (2008) Morínigo (2007) Nugent (2008) Cazzo (2013)
  • 18.
    Considerações Finais •SM: prevalência crescente e fisiopatologia complexa • Tratamento clínico: baixa adesão • Cirurgias bariátricas: impacto relevante por mecanismos diversos (sacietógeno-incretínicos) e não completamente esclarecidos • Melhores resultados com Derivações Biliopancreáticas
  • 19.