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HISTÓRIA DA PSICOLOGIA
Profa. Elizabeth Dias
 O interesse pela psicologia remonta aos primeiros espíritos
questionadores. Sempre tivemos fascínio pelo nosso próprio
comportamento, e especulações acerca da natureza e conduta
humanas são o tópico de muitas obras filosóficas e teológicas. Já
no século V a.C., Platão, Aristóteles e outros sábios gregos se
viam às voltas com muitos dos mesmos problemas que hoje
ocupam os psicólogos: a memória, a aprendizagem, a motivação,
a percepção, a atividade onírica e o comportamento anormal. As
mesmas espécies de interrogações feitas atualmente sobre a
natureza humana também o eram séculos atrás, o que demonstra
uma continuidade vital entre o passado e o presente em termos
de seu objeto de estudo.
No século XIX, os filósofos estudavam a
natureza humana, a intuição e a generalização
baseadas em sua limitada experiência.
Os pesquisadores passaram a se observação e
na experimentação cuidadosamente controladas
para estudar a mente humana que a psicologia
começou a alcançar identidade que a distinguia
de suas raízes filosóficas.
A nova disciplina da psicologia precisava desenvolver
maneiras mais precisas e objetivos de tratar o seu objeto
de estudo. Boa parte da história da psicologia, depois de
sua separação da filosofia, é a história do contínuo
aprimoramento de instrumental, técnicas e métodos,
estudo voltados para alcançar uma precisão e uma
objetividade maiores tanto no âmbito das perguntas como
no das respostas.
O primeiro indício de um campo distinto de pesquisa
conhecido como psicologia festou-se no último quarto do
século XIX, quando o método científico foi adotado con
recurso para tentar resolver os problemas da psicologia.
No decorrer desse período, várias indicações formais de
que essa disciplina começava a florescer. Em dezembro
de 1879, em Leipzig, Alemanha, Wilhelm Wundt
implantou o primeiro laboratório de psicologia do mundo.
Em 1881, fundou a revista Philosophísche Studien
(Estudos Filosóficos), considerada a primeira revista de
psicologia dedicada primordialmente a relatos
experimentais
Em 1887, O. Stanley Hall fundou o Ainerican Journal of
Psychology, a primeira revista psicológica publicada nos
Estados Unidos. E, em 1888, a Universidade da
Pensilvânia nomeou James McKeen Cattell, um
americano que estudara com Wundt, professor de
psicologia, a primeira docência em psicologia do mundo.
Até então, os psicólogos trabalhavam em departamentos
de filosofia. A posição de Cattell fez com que a psicologia
fosse reconhecida nos círculos acadêmicos como
disciplina independente.
 Entre 1880 e 1895, ocorreram dramáticas e profundas mudanças na psicologia america na.
Durante esse período, foram fundados vinte e seis laboratórios e três revistas de psicologia.
A Associação Psicológica Americana (APA), a primeira organização científica e profissional
de psicólogos, foi fundada em 1892. A Associação comemorou seu centenário em 1992,
com um número especial da revista Ainerican Psychologist dedicado à história da psicologia.
O psicólogo brininico William McDougall definiu a psicologia, em 1908, como a “ciên cia do
comportamento”, ao que parece pela primeira vez. Dessa forma, por volta do começo do
século XX, a psicologia americana conseguia a sua independência em relação à filosofia,
desenvolvia laboratórios nos quais aplicar os métodos científicos, formava sua própria
associa ção científica e definia-se formalmente como ciência — a ciência do comportamento
Uma vez estabelecida, a nova disciplina se expandiu com
rapidez, em especial nos Estados Unidos, que assumiu e
mantém uma posição de destaque no mundo psicológico.
Atualmente, mais da metade dos psicólogos do mundo
trabalha nos Estados Unidos, e um grande número de
profissionais de outros países teve ao menos uma parte do
seu treinamento em instituições americanas. A maioria das
publicações psicológicas do mundo vem dos Esta dos
Unidos. A Associação Psicológica Americana, fundada com
vinte e seis membros, já incluía mil e cem psicólogos em
1930. Em 1991, o número de associados passava de cem
mil
A psicologia se expandiu não apenas em termos de
seus clínicos, pesquisadores, acadêmicos e de sua
literatura publicada, mas também em termos do seu
impacto na nossa vida cotidiana.
A psicologia não se desenvolveu no vácuo, sujeita
apenas a influências interiores. Ela é parte da cultura
mais ampla em que funciona, estando portanto exposta a
influências externas.
As forças sociais, econômicas e políticas que
caracterizam diferentes épocas e lugares (ver Altman,
1987; Furumoto, 1989).
 Nos primeiros anos do século XX, a natureza da psicologia americana e o tipo
de trabalho que muitos psicólogos faziam sofreram uma drástica mudança,
basicamente como resultado de oportunidades econômicas. O foco da
psicologia americana passou da pesquisa pura do laboratório
 Devido ao influxo de imigrantes para os Estados Unidos perto da virada do
século, e à sua alta taxa de natalidade, a educação pública tornara-se uma
indústria em crescimento. Entre 1890 e 1918, as matriculas em escolas
públicas tiveram um aumento de 700%, sendo construídas em todo o país
novas escolas públicas à proporção de uma por dia.
 Muitos psicólogos aproveitaram essa situação e buscaram maneiras de aplicar
o seu conhecimento e os seus métodos de pesquisa à educação. do
experimentalismo do laboratório acadêmico para a aplicação da psicologia à
aprendizagem, ao ensino e a outras questões práticas de sala de aula.
 Zeitgeist: ambiente intelectual e cultural ou espírito do período
Muitos psicólogos aproveitaram essa situação e
buscaram maneiras de aplicar o seu conhecimento e os
seus métodos de pesquisa à educação. Esse foi o
começo de uma rápida mudança de ênfase na psicologia
americana — do experimentalismo do laboratório
acadêmico para a aplicação da psicologia à
aprendizagem, ao ensino e a outras questões práticas de
sala de aula.
 As guerras foram outra força contextual que ajudou a moldar a psicologia. A
Primeira e a Segunda Guerras Mundiais aceleraram o desenvolvimento da
psicologia aplicada e estenderam a sua influência a setores como a seleção
de pessoal, os testes e a engenharia psicológica. Esse trabalho demonstrou
à comunidade psicológica, bem como ao público mais amplo, quão útil
podia ser a psicologia na resolução de problemas da vida cotidiana.
 A Segunda Guerra Mundial também modificou a face e o destino da
psicologia na Europa — particularmente na Alemanha, onde nasceu a
psicologia experimental, e na Áustria, berço da psicanálise.
 Depois de testemunhar a carnificina da Primeira Guerra, Sigmund Freud foi
levado a propor a agressão como uma força motivadora tão importante para
a vida humana quanto o sexo.
 Erich Fromm atribuiu seu interesse pelo estudo do comportamento irracional
e anormal ao fato de ter observado o fanatismo que tomou conta da sua
Alemanha natal durante a Primeira Guerra.
 Um terceiro fator contextual são a discriminação e o preconceito,
que por muitos anos determinaram quem podia tornar-se psicólogo
e onde cada profissional poderia trabalhar. poucas universidades
admitiam homens e mulheres negros.
 Os judeus também foram vítimas de discriminação, especialmente
na primeira metade da história da psicologia.
 Um extenso preconceito contra as mulheres tem se manifestado
ao longo de quase toda a história da psicologia. Sandra Scarr,
psicóloga do desenvolvimento professora da Universidade da
Virgínia, relembra sua entrevista de admissão à Universidade,
ouviu de Gordon Allport, um eminente psicólogo social, que
“odiamos aceitar mulheres aqui. Setenta e cinco por cento de
vocês se casam, têm filhos nunca acabam o curso, e o resto, de
qualquer maneira, nunca consegue nada mesmo” (Scarr 1987, p.
26).
Concepções da História Científica Personalista e Naturalista
 A teoria personalista da história científica concentra-se nas
realizações e contribuições monumentais de certos indivíduos.
Nos termos dessa concepção, o progresso e a mudança são
diretamente atribuíveis à vontade e à força de pessoas ímpares
que mapearam e modificaram o curso da história. Um Napoleão,
um Hitler ou um Darwin foram, assim diz essa teoria, forças
motrizes e plasmadoras de grandes eventos. A teoria personalista
afirma implicitamente que eventos particulares não teriam ocorrido
sem a participação dessas figuras singulares. Ela diz, na verdade,
que a pessoa faz a época.
A teoria naturalista sugere, por exemplo, que se Darwin
tivesse morrido na juventude, ainda assim uma teoria da
evolução teria sido formulada na metade do século XIX.
Alguma outra pessoa a teria proposto, porque o Zeitgeist
estava pedindo uma nova maneira de considerar a origem
da espécie humana.
AS ESCOLAS DE PENSAMENTO
 Nova psicologia foi profundamente influenciada por Wilhelm
Wundt, que tinha ideias definidas sobre a forma que essa nova
ciência — sua nova ciência — deveria tomar. Ele determinou o
objeto de estudo, o método de pesquisa, os tópicos a serem
estudados e os objetivos da nova ciência. Ele foi, é claro, afetado
pelo espírito de sua época e pelo pensamento então vigente na
filosofia e na fisiologia. Não obstante, foi Wundt, em seu papel de
agente de uma época, que reuniu as várias linhas de
pensamento. Mediante a força de sua personalidade e de sua
intensa atividade de escrita e pesquisa, ele moldou a nova
psicologia. Por ser um influente promotor do inevitável, a
psicologia foi por algum tempo feita à sua imagem.
O termo escola de pensamento refere-se a um grupo de
psicólogos que se associam ideológica e, às vezes,
geograficamente ao líder de um movimento.
O surgimento de escolas de pensamento diferentes, e por
vezes simultâneas, e o seu declínio e substituição por
outras são características mais marcantes da história da
psicologia.
 As primeiras escolas de pensamento no campo da psicologia
foram movimentos de protesto, até revolucionários, contra a
posição sistemática prevalecente. Cada escola ofereceu novas
definições, conceitos e estratégias de pesquisa para corrigir as
fraquezas percebidas. Quando uma nova escola de pensamento
atraía a atenção da comunidade científica, produzia-se a rejeição
do ponto de vista antes festejado. Esses conflitos intelectuais entre
posições antigas e novas, incompatíveis entre si, eram travados
com ardorosa tenacidade por ambos os lados. Muitas vezes, os
líderes de uma escola anterior não se convertem por inteiro à nova
escola de pensamento.
1. Por que os psicólogos alegam que a psicologia é uma das
disciplinas mais antigas e ao mesmo tempo mais modernas?
Explique porque a psicologia moderna é um produto tanto do
pensamento do XIX como do século XX.
2. Como as forças contextuais influenciaram o desenvolvimento da
psicologia moderna?
3. Descubra os obstáculos enfrentados por mulheres, judeus e
negros em busca de uma carreira na psicologia, principalmente
na metade do século XX.
4. Descreva as diferenças entre as visões personalista e naturalista
da história científica. Explique em qual dessas abordagens são
fundamentados os casos de descoberta simultânea.

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  • 2.  O interesse pela psicologia remonta aos primeiros espíritos questionadores. Sempre tivemos fascínio pelo nosso próprio comportamento, e especulações acerca da natureza e conduta humanas são o tópico de muitas obras filosóficas e teológicas. Já no século V a.C., Platão, Aristóteles e outros sábios gregos se viam às voltas com muitos dos mesmos problemas que hoje ocupam os psicólogos: a memória, a aprendizagem, a motivação, a percepção, a atividade onírica e o comportamento anormal. As mesmas espécies de interrogações feitas atualmente sobre a natureza humana também o eram séculos atrás, o que demonstra uma continuidade vital entre o passado e o presente em termos de seu objeto de estudo.
  • 3. No século XIX, os filósofos estudavam a natureza humana, a intuição e a generalização baseadas em sua limitada experiência. Os pesquisadores passaram a se observação e na experimentação cuidadosamente controladas para estudar a mente humana que a psicologia começou a alcançar identidade que a distinguia de suas raízes filosóficas.
  • 4. A nova disciplina da psicologia precisava desenvolver maneiras mais precisas e objetivos de tratar o seu objeto de estudo. Boa parte da história da psicologia, depois de sua separação da filosofia, é a história do contínuo aprimoramento de instrumental, técnicas e métodos, estudo voltados para alcançar uma precisão e uma objetividade maiores tanto no âmbito das perguntas como no das respostas.
  • 5. O primeiro indício de um campo distinto de pesquisa conhecido como psicologia festou-se no último quarto do século XIX, quando o método científico foi adotado con recurso para tentar resolver os problemas da psicologia. No decorrer desse período, várias indicações formais de que essa disciplina começava a florescer. Em dezembro de 1879, em Leipzig, Alemanha, Wilhelm Wundt implantou o primeiro laboratório de psicologia do mundo. Em 1881, fundou a revista Philosophísche Studien (Estudos Filosóficos), considerada a primeira revista de psicologia dedicada primordialmente a relatos experimentais
  • 6. Em 1887, O. Stanley Hall fundou o Ainerican Journal of Psychology, a primeira revista psicológica publicada nos Estados Unidos. E, em 1888, a Universidade da Pensilvânia nomeou James McKeen Cattell, um americano que estudara com Wundt, professor de psicologia, a primeira docência em psicologia do mundo. Até então, os psicólogos trabalhavam em departamentos de filosofia. A posição de Cattell fez com que a psicologia fosse reconhecida nos círculos acadêmicos como disciplina independente.
  • 7.  Entre 1880 e 1895, ocorreram dramáticas e profundas mudanças na psicologia america na. Durante esse período, foram fundados vinte e seis laboratórios e três revistas de psicologia. A Associação Psicológica Americana (APA), a primeira organização científica e profissional de psicólogos, foi fundada em 1892. A Associação comemorou seu centenário em 1992, com um número especial da revista Ainerican Psychologist dedicado à história da psicologia. O psicólogo brininico William McDougall definiu a psicologia, em 1908, como a “ciên cia do comportamento”, ao que parece pela primeira vez. Dessa forma, por volta do começo do século XX, a psicologia americana conseguia a sua independência em relação à filosofia, desenvolvia laboratórios nos quais aplicar os métodos científicos, formava sua própria associa ção científica e definia-se formalmente como ciência — a ciência do comportamento
  • 8. Uma vez estabelecida, a nova disciplina se expandiu com rapidez, em especial nos Estados Unidos, que assumiu e mantém uma posição de destaque no mundo psicológico. Atualmente, mais da metade dos psicólogos do mundo trabalha nos Estados Unidos, e um grande número de profissionais de outros países teve ao menos uma parte do seu treinamento em instituições americanas. A maioria das publicações psicológicas do mundo vem dos Esta dos Unidos. A Associação Psicológica Americana, fundada com vinte e seis membros, já incluía mil e cem psicólogos em 1930. Em 1991, o número de associados passava de cem mil
  • 9. A psicologia se expandiu não apenas em termos de seus clínicos, pesquisadores, acadêmicos e de sua literatura publicada, mas também em termos do seu impacto na nossa vida cotidiana.
  • 10. A psicologia não se desenvolveu no vácuo, sujeita apenas a influências interiores. Ela é parte da cultura mais ampla em que funciona, estando portanto exposta a influências externas. As forças sociais, econômicas e políticas que caracterizam diferentes épocas e lugares (ver Altman, 1987; Furumoto, 1989).
  • 11.  Nos primeiros anos do século XX, a natureza da psicologia americana e o tipo de trabalho que muitos psicólogos faziam sofreram uma drástica mudança, basicamente como resultado de oportunidades econômicas. O foco da psicologia americana passou da pesquisa pura do laboratório  Devido ao influxo de imigrantes para os Estados Unidos perto da virada do século, e à sua alta taxa de natalidade, a educação pública tornara-se uma indústria em crescimento. Entre 1890 e 1918, as matriculas em escolas públicas tiveram um aumento de 700%, sendo construídas em todo o país novas escolas públicas à proporção de uma por dia.  Muitos psicólogos aproveitaram essa situação e buscaram maneiras de aplicar o seu conhecimento e os seus métodos de pesquisa à educação. do experimentalismo do laboratório acadêmico para a aplicação da psicologia à aprendizagem, ao ensino e a outras questões práticas de sala de aula.  Zeitgeist: ambiente intelectual e cultural ou espírito do período
  • 12. Muitos psicólogos aproveitaram essa situação e buscaram maneiras de aplicar o seu conhecimento e os seus métodos de pesquisa à educação. Esse foi o começo de uma rápida mudança de ênfase na psicologia americana — do experimentalismo do laboratório acadêmico para a aplicação da psicologia à aprendizagem, ao ensino e a outras questões práticas de sala de aula.
  • 13.  As guerras foram outra força contextual que ajudou a moldar a psicologia. A Primeira e a Segunda Guerras Mundiais aceleraram o desenvolvimento da psicologia aplicada e estenderam a sua influência a setores como a seleção de pessoal, os testes e a engenharia psicológica. Esse trabalho demonstrou à comunidade psicológica, bem como ao público mais amplo, quão útil podia ser a psicologia na resolução de problemas da vida cotidiana.  A Segunda Guerra Mundial também modificou a face e o destino da psicologia na Europa — particularmente na Alemanha, onde nasceu a psicologia experimental, e na Áustria, berço da psicanálise.  Depois de testemunhar a carnificina da Primeira Guerra, Sigmund Freud foi levado a propor a agressão como uma força motivadora tão importante para a vida humana quanto o sexo.  Erich Fromm atribuiu seu interesse pelo estudo do comportamento irracional e anormal ao fato de ter observado o fanatismo que tomou conta da sua Alemanha natal durante a Primeira Guerra.
  • 14.  Um terceiro fator contextual são a discriminação e o preconceito, que por muitos anos determinaram quem podia tornar-se psicólogo e onde cada profissional poderia trabalhar. poucas universidades admitiam homens e mulheres negros.  Os judeus também foram vítimas de discriminação, especialmente na primeira metade da história da psicologia.  Um extenso preconceito contra as mulheres tem se manifestado ao longo de quase toda a história da psicologia. Sandra Scarr, psicóloga do desenvolvimento professora da Universidade da Virgínia, relembra sua entrevista de admissão à Universidade, ouviu de Gordon Allport, um eminente psicólogo social, que “odiamos aceitar mulheres aqui. Setenta e cinco por cento de vocês se casam, têm filhos nunca acabam o curso, e o resto, de qualquer maneira, nunca consegue nada mesmo” (Scarr 1987, p. 26).
  • 15. Concepções da História Científica Personalista e Naturalista  A teoria personalista da história científica concentra-se nas realizações e contribuições monumentais de certos indivíduos. Nos termos dessa concepção, o progresso e a mudança são diretamente atribuíveis à vontade e à força de pessoas ímpares que mapearam e modificaram o curso da história. Um Napoleão, um Hitler ou um Darwin foram, assim diz essa teoria, forças motrizes e plasmadoras de grandes eventos. A teoria personalista afirma implicitamente que eventos particulares não teriam ocorrido sem a participação dessas figuras singulares. Ela diz, na verdade, que a pessoa faz a época.
  • 16. A teoria naturalista sugere, por exemplo, que se Darwin tivesse morrido na juventude, ainda assim uma teoria da evolução teria sido formulada na metade do século XIX. Alguma outra pessoa a teria proposto, porque o Zeitgeist estava pedindo uma nova maneira de considerar a origem da espécie humana.
  • 17. AS ESCOLAS DE PENSAMENTO  Nova psicologia foi profundamente influenciada por Wilhelm Wundt, que tinha ideias definidas sobre a forma que essa nova ciência — sua nova ciência — deveria tomar. Ele determinou o objeto de estudo, o método de pesquisa, os tópicos a serem estudados e os objetivos da nova ciência. Ele foi, é claro, afetado pelo espírito de sua época e pelo pensamento então vigente na filosofia e na fisiologia. Não obstante, foi Wundt, em seu papel de agente de uma época, que reuniu as várias linhas de pensamento. Mediante a força de sua personalidade e de sua intensa atividade de escrita e pesquisa, ele moldou a nova psicologia. Por ser um influente promotor do inevitável, a psicologia foi por algum tempo feita à sua imagem.
  • 18. O termo escola de pensamento refere-se a um grupo de psicólogos que se associam ideológica e, às vezes, geograficamente ao líder de um movimento. O surgimento de escolas de pensamento diferentes, e por vezes simultâneas, e o seu declínio e substituição por outras são características mais marcantes da história da psicologia.
  • 19.  As primeiras escolas de pensamento no campo da psicologia foram movimentos de protesto, até revolucionários, contra a posição sistemática prevalecente. Cada escola ofereceu novas definições, conceitos e estratégias de pesquisa para corrigir as fraquezas percebidas. Quando uma nova escola de pensamento atraía a atenção da comunidade científica, produzia-se a rejeição do ponto de vista antes festejado. Esses conflitos intelectuais entre posições antigas e novas, incompatíveis entre si, eram travados com ardorosa tenacidade por ambos os lados. Muitas vezes, os líderes de uma escola anterior não se convertem por inteiro à nova escola de pensamento.
  • 20. 1. Por que os psicólogos alegam que a psicologia é uma das disciplinas mais antigas e ao mesmo tempo mais modernas? Explique porque a psicologia moderna é um produto tanto do pensamento do XIX como do século XX. 2. Como as forças contextuais influenciaram o desenvolvimento da psicologia moderna? 3. Descubra os obstáculos enfrentados por mulheres, judeus e negros em busca de uma carreira na psicologia, principalmente na metade do século XX. 4. Descreva as diferenças entre as visões personalista e naturalista da história científica. Explique em qual dessas abordagens são fundamentados os casos de descoberta simultânea.