A Morte e o Luto
O que é a morte?
Que factores psicológicos estão
relacionados com a morte?
Conceito de Morte
• O modo como as pessoas definem a
morte depende do nível de
desenvolvimento, contexto, cultura, e
tende a mudar de acordo com estes
factores. (Kastenbaum, 1991)
• Na cultura ocidental a morte é entendida
como algo biológico. Em outras culturas é
vista como algo metafísico ou mágico.
Conceito de Morte (2)
• Antes de meados do séc. XX: a morte era
determinada pela falta de respiração,
pulso, e falha em responder a estímulos
como a luz, movimento e dor.
• Actualmente, com o avanço da tecnologia,
é possível manter os sinais vitais
artificialmente por períodos longos.
Nesse caso, estará a pessoa viva ou morta?
Morte cerebral
• Morte cerebral:
– O termo foi definido para determinar que a pessoa
está de facto morta quando o cérebro deixa de
funcionar.
• Morte encefálica ou coma irreversível
– a pessoa é considerada morta quando:
1. Não recebe e não responde aos estímulos
2. Não tem movimentos ou respiração
3. Não tem reflexos
4. EEG sem actividade
5. Ausência de circulação de sangue e para o cérebro
Ad Hoc Committee of the Harvard Medical School (1968)
Critérios de Morte Encefálica
O critério de ME é puramente clínico, mas
dois pontos são básicos e indispensáveis
para a definir:
1. Que a causa da lesão cerebral seja
conhecida, seja ela estrutural ou
metabólica;
2. Que as estruturas vitais do encéfalo,
necessárias para manter a consciência e a
vida vegetativa, estejam irreversivelmente
lesadas.
Tipos de Morte
• Psicológica – quando a mente da pessoa deixa
de funcionar
• Social – quando as outras pessoas agem como
se o sujeito não existisse
• Legal – quando a pessoa é dada como morta por
uma autoridade judicial depois do seu
desaparecimento por um determinado período de
tempo
Os pensamentos de morte
São mais frequentes durante a terceira idade
• Negação – os pensamentos de morte são evitados. A
pessoa recusa-se a pensar na morte ou tem
comportamentos desafiadores perante a morte. P.e.
praticar desportos radicais
• Ansiedade – ocorre quando a pessoa pensa na morte.
Depende muito do género, idade, bem-estar e crenças
religiosas
• Aceitação – quando ultrapassada a ansiedade perante a
morte e os medos a ela associados a aceitação surge
como melhor resposta.
Pensar sobre a morte de forma realista ajuda a reduzir o
medo e a desenvolver uma melhor percepção sobre o
significado da vida.
A Psicologia da Morte
Quando é que a pessoa muda de alguém que está
a viver para alguém que está a morrer?
• O modelo biomédico considera que a pessoa
está a morrer quando é diagnosticada uma
doença terminal ou quando já não há nada a
fazer para salvar a sua vida.
• Do ponto de vista psicossocial, a percepção de
estar a morrer depende da forma como esta
informação é elaborada e aceite pelo paciente,
seus familiares e equipe clínica.
A psicologia da morte (2)
• Quando paciente está a morrer:
– A equipe clínica muda o foco de atenção ao
paciente de tratamento da doença para
cuidados paliativos ou para manter o doente
o mais confortável possível
Trajectos de Morte
• Trajecto prolongado – ocorre quando a pessoa
passa por um período de doença prolongado e,
com frequência, degenerativo.
Habitualmente os paciente já passaram por uma
morte social pelo que são mais facilmente
aceites.
Trajectos de Morte (2)
• Trajecto rápido esperado – a vida da pessoa
está em perigo iminente e a diferença entre a
vida e a morte é uma questão de segundos ou
minutos.
Exemplos: acidente, ataque cardíaco, exposição
a procedimentos médicos de risco, cuidados
intensivos ou recobro de cirurgia, estados críticos
como falência renal.
• Trajecto rápido inesperado – condição em que
a pessoa está numa situação estável e
repentinamente entra em estado crítico de risco
de vida
Estágios de Reacção a Morte
Como se sente o paciente quando está a morrer?
• Os 5 estágios de Kubler-Ross:
1. Negação
2. Raiva
3. Negociação
4. Depressão (antecipação do luto)
5. Aceitação
• Modelo muito criticado por não demonstrar a
passagem de um estágio para outro e não ter
em conta factores como a idade, género,
cultura, status socio-económico, etc.
A Morte e as Relações Sociais
• A morte é também um processo social tendo em
conta as pessoas emocionalmente envolvidas.
• Espera-se que na fase terminal a família e os
amigos ofereçam apoio emocional mas nem
sempre é o caso:
– O stress e a sobrecarga emocional que implicam apoiar
um paciente terminal podem reduzir a interacção social.
– O receio do paciente em causar tristeza e se tornar um
fardo para a família leva-o a evitar o contacto
– O receio por parte da família em demonstrar o seu luto
antecipado e outras emoções dificulta a interacção.
– Os amigos têm dificuldades em saber sobre o que
conversar com o paciente.
A Gestão do Paciente
Terminal
Morrer no Hospital
• Os hospitais têm os meios para prolongar a vida
do paciente o máximo possível e uma equipe
clínica preparada para manter o paciente
terminal confortável.
• Há pouca atenção as necessidades
psicossociais do paciente.
• O ambiente impessoal e institucional do hospital
não favorece o bem-estar mental.
• Nem sempre a equipe clínica está preparada
para lidar com o processo de morte do paciente.
Morrer em Casa
• Muitas pessoas preferem morrer em casa perto
da família devido ao conforto emocional que
este proporcionam.
• Ter um paciente terminal em casa requer
cuidados especiais e recursos que nem sempre
as famílias são capazes de oferecer.
• O fardo emocional envolvido no processo de
cuidar de um paciente terminal pode causar
desgaste familiar
O Luto: Lidar Com a Dor e a
Perda
O Processo de Luto
• O luto é a resposta emocional consequente da
perda de um ente-querido.
• A forma como as pessoas reagem a perda
depende muito de como elas entendem a morte
o que é muito influenciado pela cultura.
• A forma como as pessoas expressam a dor da
perda obedece a padrões específicos de cada
sociedade.
• É importante que as pessoas sejam capazes de
fazer o luto após a perda de modo a retomar a
sua vida.
O Processo de Luto (2)
• É importante ressalvar que durante o
processo de luto podem surgir sintomas
como:
– Sensação de sufoco
– Dificuldades respiratórias
– Dores de estômago
– Sensação de fraqueza
– Insónia

Aula 11 a morte e o luto2

  • 1.
    A Morte eo Luto
  • 2.
    O que éa morte? Que factores psicológicos estão relacionados com a morte?
  • 3.
    Conceito de Morte •O modo como as pessoas definem a morte depende do nível de desenvolvimento, contexto, cultura, e tende a mudar de acordo com estes factores. (Kastenbaum, 1991) • Na cultura ocidental a morte é entendida como algo biológico. Em outras culturas é vista como algo metafísico ou mágico.
  • 4.
    Conceito de Morte(2) • Antes de meados do séc. XX: a morte era determinada pela falta de respiração, pulso, e falha em responder a estímulos como a luz, movimento e dor. • Actualmente, com o avanço da tecnologia, é possível manter os sinais vitais artificialmente por períodos longos. Nesse caso, estará a pessoa viva ou morta?
  • 5.
    Morte cerebral • Mortecerebral: – O termo foi definido para determinar que a pessoa está de facto morta quando o cérebro deixa de funcionar. • Morte encefálica ou coma irreversível – a pessoa é considerada morta quando: 1. Não recebe e não responde aos estímulos 2. Não tem movimentos ou respiração 3. Não tem reflexos 4. EEG sem actividade 5. Ausência de circulação de sangue e para o cérebro Ad Hoc Committee of the Harvard Medical School (1968)
  • 6.
    Critérios de MorteEncefálica O critério de ME é puramente clínico, mas dois pontos são básicos e indispensáveis para a definir: 1. Que a causa da lesão cerebral seja conhecida, seja ela estrutural ou metabólica; 2. Que as estruturas vitais do encéfalo, necessárias para manter a consciência e a vida vegetativa, estejam irreversivelmente lesadas.
  • 7.
    Tipos de Morte •Psicológica – quando a mente da pessoa deixa de funcionar • Social – quando as outras pessoas agem como se o sujeito não existisse • Legal – quando a pessoa é dada como morta por uma autoridade judicial depois do seu desaparecimento por um determinado período de tempo
  • 8.
    Os pensamentos demorte São mais frequentes durante a terceira idade • Negação – os pensamentos de morte são evitados. A pessoa recusa-se a pensar na morte ou tem comportamentos desafiadores perante a morte. P.e. praticar desportos radicais • Ansiedade – ocorre quando a pessoa pensa na morte. Depende muito do género, idade, bem-estar e crenças religiosas • Aceitação – quando ultrapassada a ansiedade perante a morte e os medos a ela associados a aceitação surge como melhor resposta. Pensar sobre a morte de forma realista ajuda a reduzir o medo e a desenvolver uma melhor percepção sobre o significado da vida.
  • 9.
    A Psicologia daMorte Quando é que a pessoa muda de alguém que está a viver para alguém que está a morrer? • O modelo biomédico considera que a pessoa está a morrer quando é diagnosticada uma doença terminal ou quando já não há nada a fazer para salvar a sua vida. • Do ponto de vista psicossocial, a percepção de estar a morrer depende da forma como esta informação é elaborada e aceite pelo paciente, seus familiares e equipe clínica.
  • 10.
    A psicologia damorte (2) • Quando paciente está a morrer: – A equipe clínica muda o foco de atenção ao paciente de tratamento da doença para cuidados paliativos ou para manter o doente o mais confortável possível
  • 11.
    Trajectos de Morte •Trajecto prolongado – ocorre quando a pessoa passa por um período de doença prolongado e, com frequência, degenerativo. Habitualmente os paciente já passaram por uma morte social pelo que são mais facilmente aceites.
  • 12.
    Trajectos de Morte(2) • Trajecto rápido esperado – a vida da pessoa está em perigo iminente e a diferença entre a vida e a morte é uma questão de segundos ou minutos. Exemplos: acidente, ataque cardíaco, exposição a procedimentos médicos de risco, cuidados intensivos ou recobro de cirurgia, estados críticos como falência renal. • Trajecto rápido inesperado – condição em que a pessoa está numa situação estável e repentinamente entra em estado crítico de risco de vida
  • 13.
    Estágios de Reacçãoa Morte Como se sente o paciente quando está a morrer? • Os 5 estágios de Kubler-Ross: 1. Negação 2. Raiva 3. Negociação 4. Depressão (antecipação do luto) 5. Aceitação • Modelo muito criticado por não demonstrar a passagem de um estágio para outro e não ter em conta factores como a idade, género, cultura, status socio-económico, etc.
  • 14.
    A Morte eas Relações Sociais • A morte é também um processo social tendo em conta as pessoas emocionalmente envolvidas. • Espera-se que na fase terminal a família e os amigos ofereçam apoio emocional mas nem sempre é o caso: – O stress e a sobrecarga emocional que implicam apoiar um paciente terminal podem reduzir a interacção social. – O receio do paciente em causar tristeza e se tornar um fardo para a família leva-o a evitar o contacto – O receio por parte da família em demonstrar o seu luto antecipado e outras emoções dificulta a interacção. – Os amigos têm dificuldades em saber sobre o que conversar com o paciente.
  • 15.
    A Gestão doPaciente Terminal
  • 16.
    Morrer no Hospital •Os hospitais têm os meios para prolongar a vida do paciente o máximo possível e uma equipe clínica preparada para manter o paciente terminal confortável. • Há pouca atenção as necessidades psicossociais do paciente. • O ambiente impessoal e institucional do hospital não favorece o bem-estar mental. • Nem sempre a equipe clínica está preparada para lidar com o processo de morte do paciente.
  • 17.
    Morrer em Casa •Muitas pessoas preferem morrer em casa perto da família devido ao conforto emocional que este proporcionam. • Ter um paciente terminal em casa requer cuidados especiais e recursos que nem sempre as famílias são capazes de oferecer. • O fardo emocional envolvido no processo de cuidar de um paciente terminal pode causar desgaste familiar
  • 18.
    O Luto: LidarCom a Dor e a Perda
  • 19.
    O Processo deLuto • O luto é a resposta emocional consequente da perda de um ente-querido. • A forma como as pessoas reagem a perda depende muito de como elas entendem a morte o que é muito influenciado pela cultura. • A forma como as pessoas expressam a dor da perda obedece a padrões específicos de cada sociedade. • É importante que as pessoas sejam capazes de fazer o luto após a perda de modo a retomar a sua vida.
  • 20.
    O Processo deLuto (2) • É importante ressalvar que durante o processo de luto podem surgir sintomas como: – Sensação de sufoco – Dificuldades respiratórias – Dores de estômago – Sensação de fraqueza – Insónia