ESCALA : é um problema?  Escala e os fenômenos ambientais Escala de análise  Escala de representação Dra. Sueli Angelo Furlan
PORQUÊ  DISCUTIR ESCALA?
O que é escala?  Como recurso matemático fundamental da cartografia  a escala  é  uma fração  que indica a relação entre as medidas do real e aquelas da representação (redução) gráfica ?  Mas a conceituação de escala como relação métrica é insatisfatória! Porquê?
Vejamos alguns pontos:  A escala vai além das métricas matemáticas de proporção. Ela pode expressar diferentes modos de percepção e de concepção do real. A escala é uma estratégia de aproximação do real. Inclui a inseparabilidade entre tamanho e fenômeno. A escala é um problema dimensional e não uma simples redução de objetos proporcionais. A escala é antes de tudo refém dos processos dos fenômenos.  Como se comporta o fenômeno que vocês estão estudando? Como ele se expressa espacialmente?
DESMATAMENTO DA MATA ATLÂNTICA O QUE SIGNIFICA  ESPACIALMENTE  DIZER QUE RESTAM 7% de Floresta Pluvial Tropical Atlântica  para o Brasil ou Estado de São Paulo?  … ou
… .Cidade de São Paulo ou o bairro do Campo Belo?
Mais algumas questões:  Na relação entre o fenômeno e tamanho não se transferem leis de tamanho sem problemas. Isto é válido para qualquer disciplina  “ O empirismo geográfico satisfez-se, durante muito tempo, com a objetividade geométrica associando a escala geográfica à cartografica, integrando analiticamente, com base nesta associação, problemas interdependentes como níveis de realidade e a noção de escala matemática”.  Elias, Iná C.  Confusão:  escala de fração com a escala de extensão do fenômeno.  Toma-se o mapa pelo território.
O que quer dizer Escala Grande e Escala Pequena? Climas na Escala Koppen
O que quer dizer Escala Grande e Escala Pequena?
Referir-se ao  local  como  grande escala  e   ao   mundo   como  pequena escala  é utilizar a fração como base descritiva e analítica, quando ela é apenas um instrumental.  Não é o fenômeno!
Escala é um termo polissêmico Significa tanto a fração de divisão de uma superfície representada, como também indicador do tamanho do espaço considerado.  Ou seja uma classificação das  ordens de grandeza , uma  proporcionalidade intrinseca ao fenomeno  e não a métrica matemática apenas.  Ainda mais… a escala deve dar sentido ao recorte espacial objetivado.
QUAIS EXEMPLOS DE RECORTES ESPACIAIS VOCES CONHECEM?
Ex.: A BACIA HIDROGRAFIA  COMO EXTENSÃO ESPACIAL PORQUE TRABALHAR COM ESTA UNIDADE ESPACIAL? QUAL ESCALA DE FENÔMENOS ELA ABRANGE?  QUANDO NÃO TRABALHAR COM ESTA UNIDADE ESPACIAL? ACEITAÇÃO UNIVERSAL SISTEMA NATURAL BEM DELIMITADO INTERAÇÕES FÍSICAS INTEGRADAS É UMA UNIDADE ESPACIAL DE FÁCIL RECONHECIMENTO E CARACTERIZAÇÃO
BACIA HIDROGRAFIA  NO BRASIL A BACIA HIDROGRAFICA COMO ÁREA DE TRABALHO PARA AVALIAÇÃO AMBIENTAL ESTÁ ASSUMIDA EM ESTUDOS ACADÊMICOS, PLANEJAMENTO OFICIAIS E TAMBÉM NA LEGISLAÇÃO.  RESOLUÇAO CONAMA 001/86 DIZ... Art. 5o. Item III  ... Definir os limites da área geográfica a ser direta ou indiretamente afetada pelos impactos, denominada área de influencia do projeto, considerando, em todos os casos,  a bacia hidrográfica  na qual se localiza.”
BACIA HIDROGRAFIA  RECOMENDAÇÃO DA FAO... FAO - Foods and Agriculture Organization  ... Planejamento adequado  de bacias hidrográficas  é fundamental para a conservação de regiões tropicais.
BACIA HIDROGRAFIA – FENÔMENO ESPACIAL  CONSIDERAÇÕES: O Tamanho da bacia Hidrográfica influencia os resultados de uma análise ambiental (bacias menores facilitam o planejamento) Pode-se subdividir a bacia em unidades menores É um plano espacial muito utilizado na Cartografia Ambiental  Esse recorte espacial muitas vezes inexiste quando se consideram as variáveis sociais, econômicas, políticas e culturais.
BACIA HIDROGRAFIA  COMO UNIDADE DE TRABALHO QUANDO NÃO TRABALHAR COM ESTA UNIDADE? COMPLEXIDADE AUMENTA ESPAÇOS URBANOS AUMENTO DAS RELAÇÕES INTRÍNSECAS ELUCIDAR AS DIFERENÇAS DE COMPLEXIDADE ENTRE UMA BACIA HIDROGRÁFICA NATURAL E UMA BACIA QUE FOI URBANIZADA  – Qual é a escala?
Yves Lacoste, 1976  Discute… … diferenças de tamanho da superfície implicam em diferenças qualitativas e quantitativas dos fenômenos.  Conceitos auxiliares importantes para definir escala :  Ordem de grandeza  –  dimensão do fenômeno. Nivel da análise  –  significa o recorte sob investigação. Espaço de concepção  –  recorte no qual se define o problema (município,  bacia hidrográfica, um domínio de vegetação, um mosaico de paisagem,  entre outros).
Portanto a escala não é apenas uma medida da superfície proporcional!  A escala é a medida que confere visibilidade ao fenômeno.  Ela não define o nível de análise, nem pode ser confundida com ele, estas são noções independentes  conceitual e empiricamente.
Micro-escala Meso-escala Mega-escala Exemplos de Fenômenos Fonte: Santos, R. F., 2004 Escala Espacial 10 m 10.000 m 100 km 10.000.000 km Placas Tectônicas Fenômenos Geomorfológicos Desenvolvimento dos solos Flutuações climáticas Atividades humanas Transformações urbanas Agricultura Epidemias 10  1000 1 milhão 1 bilhão Escala Temporal (anos) Micro-escala Meso-escala Mega-escala Exemplos de Respostas Escala Espacial 10 m 10.000 m 100 km 10.000.000 km Evolução do Bioma Mudança do ecossistema Extinção / Fluxo de espécies Recuperação da cobertura vegetal Ocupação de espaços abertos 10 1000 1 milhão 1 bilhão Escala Temporal (anos)
A escala é a escolha de uma forma de dividir o espaço, definindo uma realidade percebida /concebida.  É uma forma de dar-lhe  uma figuração , uma  representação , um ponto de vista que modifica a percepção da natureza deste espaço e, finalmente, um conjunto de representações coerentes e lógicas que  substituem o espaço observado .  São modelos espaciais.  Enfrentar o dilema de VER e LER dos mapas.
VER OU LER* * Titulo de Jacques Bertin “ Um novo olhar sobre a cartografia Corrida da precisão: cobertura topográfica do mundo em escalas mais detalhadas (1:5.000.000, 1:500.000, 1:5.000...); Imagem e fotografias tornam-se essenciais para cartografia; O homem acrescenta as referências naturais uma infinidade de fenômenos (florestas – legislação – níveis de desenvolvimento, etc); Horizontalidades e verticalidades dos fenômenos (cronologias); Direções dos estudos cartográficos:
PROBLEMA COMO AUMENTAR O NÚMERO DE CARACTERES SOBRE UM MESMO PONTO OU ÁREA SEM CRIAR UM PROBLEMA PSICOLÓGICO : COMO LER?   HÁ LIMITES PARA AS PROPRIEDADES  DA PERCEPÇÃO VISUAL –  Isto interfere na escolha da escala de representação.
Cada carácter é uma imagem Como sobrepor caractéres?  Como reduzir o problema da sobreposição?  Como produzir cartas politemáticas?  Jacques Bertin... Buscar soluções para este problema é um dos objetivos da semiologia gráfica
H 1 2 TEMA H TEMA L TEMA K TEMA M TEMA J J L K M J M H K L TERRITÓRIO 1 Km 10 Km 100 Km 1000 Km 3 Pluralidade de mapas para um mesmo território
CARTOGRAFIA TEMÁTICA E AMBIENTAL Transcrição das relações que existem entre os objetos (cidades, culturas de arroz, florestas, estradas, trabalhadores, casas, fábricas,capitais, informações, etc.) por relações visuais de mesma natureza. Deve permitir ao leitor uma reflexão sobre o assunto.
A REPRESENTAÇÃO GRÁFICA A tarefa esencial da Representação Gráfica, portanto, é a de transcrever as tres relações fundamentais - de diversidade (=), de ordem (O), de proporcionalidade (Q) - entre objetos, por relações visuais de mesma natureza.  Assim, a diversidade será transcrita por uma diversidade visual; a ordem por uma ordem visual e a proporcionalidade por uma proporcionalidade visual (Bertin, 1973; Martinelli, 1990, 1991)
A REPRESENTAÇÃO GRÁFICA RELAÇÕES ENTRE OBJETOS CONCEITOS TRANSCRIÇÃO GRÁFICA O Q DIVERSIDADE ORDEM PROPORCIONALIDADE O Q
VARIÁVEIS VISUAIS Percepção Seletiva  - = -  (cor, tamanho, valor, granulação, forma) Percepção ordenada  - O -  (valor, tamanho, cores na ordem natural do espectro visível) Percepção Quantitativa  - Q -  (somente e tão somente o tamanho PROPRIEDADES PERCEPTIVAS
Enfim…. A escolha da  escala correta é difícil , principalmente devido a carência  de trabalhos que discutam as bases teóricas para esta escolha.  Se a forma de interpretação for o mapeamento, o desafio é determinar a escala que ditará quanto a extrapolação poderá ser feita sem perder a representação da heterogeneidade dos sistemas, considerando a semiologia gráfica.
Escalas usuais Rela ção entre o nível, representação gráfica e tipos de escalas Fonte: Cendrero, 1989 (modificado) 1 PLANEJAMENTO NÍVEL DE ESCALA REPRESENTAÇÃO DA ESCALA TIPO DE ESCALA Econômico e Ecológico Macro ˃ 1:500.000 Reconhecimento Zoneamentos Meso 1:250.000 – 1:25.000 Semi-detalhada Planos Diretores Micro ˂ 1:10.000 detalhada
Escalas usuais Rela ção entre o nível, representação gráfica e tipos de escalas Fonte: FAO, 1982 (modificado) 2 NÍVEL DE ESCALA REPRESENTAÇÃO DA ESCALA TIPO DE ESCALA Macro ˃ 1:1.000.000  ou menor 1:100.000 até 1.000.000 exploratória reconhecimento Meso 1: 25.000  até 1:100.000 Semi-detalhada Micro Maior que  1:25.000 detalhada
Rela ções de comum ocorrência no Brasil entre abrangênica territorial e escalas adotadas em planejamento Fonte: FAO, 1982 3 TERRITÓRIO PLANEJADO ESCALA ADOTADA Área da  bacia hidrografica 1:5.000 a 1:1.000.000 Territorio nacional 1:500.000 a 1:5.000.000 Área de influencia regional 1:250.000 a 1:1.000.000 Área de influencia indireta ou area afetada indiretamente por impactos 1:50.000 a 1:100.000 Área de influencia direta ou diretamente afetada por impactos 1:5.000 a 1:50.000 Área de ação estratégica 1:10.000 a 1:500.000 Limites municipais 1:50.000 a 1:100.000 Centros urbanos subordinados a area de ação  1:500.000 Raios de ação 1:2.000 a 1:100.000 Corredores 1:2.000 a 1:25.000 Area de reassentamentos humanos 1:2.000 a 1:25.000
Escalas usuais Exemplos de compartimentos do espaço, escalas apropriadas e tipos de dados Fonte: Ellenberg e Mueller-Dumbois, 1974 (modificado) 4 COMPARTIMENTO AMPLITUDE DE ESCALA TIPOS  DE DADOS Região 1:1.000.000  a  1:3.000.000 Domínio climático e bioma Distrito 1: 500.000  até 1:1.000.000 Relevo, geologia, geomorfologia e associações de formações vegetacionais Sistema 1:100.000  a  1:500.000 Modelo de unidade geomorfológica, solo e vegetação Tipo 1:10.000  a  1:50.000 Homogeneidade geológica e de associação solo/vegetação
Espaços e tipos de informação 5 Fonte: Bailey, 1978 (modificado) COMPARTIMENTOS NÍVEL DE ANÁLISE DOMÍNIO Área sub-continental, de climas relacionados DIVISÃO Região climática, de acordo com a classificação Koeppen PROVÍNCIA Região com vegetação definida pelo mesmo tipo de solo ou solos zonais SEÇÃO Áreas cobertas por tipos vegetacinais que representam climaces climáticos potenciais DISTRITO Parte de uma seção com forma de relevo caracteristica ASSOCIAÇÃO DE TIPOS Agrupamento de tipos com padrão recorrente de relevo, litologia, solos e estádios sucessionais da vegetação TIPO Grupo de fases vizinhas com series ou familias similares de solos, cobertos por comunidades vegetais similares de acordo com os tipos de habitats FASE  Grupo de sitios vizinhos pertencentes à mesma série edáfica e com tipos de hábitats intimamente relacionados SÍTIO Um único tipo de solo e um unico tipo de habitat.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CASTRO, Iná E. O Problema da Escala. In Castro, Iná E. , Gomes, Paulo C.C. e Corrêa, Roberto L. Geografia: Conceitos e Temas. Rio de Janeiro: Bertrand, 117-140 LACOSTE, Yves. A geografia serve antes de tudo para fazer a Guerra. São Paulo.  SANTOS, Rosely F. Planejamento Ambiental: teoria e prática. São Paulo: Oficina de Textos, 2004

Aula 02 area e escala 2011 em doc

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    ESCALA : éum problema? Escala e os fenômenos ambientais Escala de análise Escala de representação Dra. Sueli Angelo Furlan
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    O que éescala? Como recurso matemático fundamental da cartografia a escala é uma fração que indica a relação entre as medidas do real e aquelas da representação (redução) gráfica ? Mas a conceituação de escala como relação métrica é insatisfatória! Porquê?
  • 4.
    Vejamos alguns pontos: A escala vai além das métricas matemáticas de proporção. Ela pode expressar diferentes modos de percepção e de concepção do real. A escala é uma estratégia de aproximação do real. Inclui a inseparabilidade entre tamanho e fenômeno. A escala é um problema dimensional e não uma simples redução de objetos proporcionais. A escala é antes de tudo refém dos processos dos fenômenos. Como se comporta o fenômeno que vocês estão estudando? Como ele se expressa espacialmente?
  • 5.
    DESMATAMENTO DA MATAATLÂNTICA O QUE SIGNIFICA ESPACIALMENTE DIZER QUE RESTAM 7% de Floresta Pluvial Tropical Atlântica para o Brasil ou Estado de São Paulo? … ou
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    … .Cidade deSão Paulo ou o bairro do Campo Belo?
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    Mais algumas questões: Na relação entre o fenômeno e tamanho não se transferem leis de tamanho sem problemas. Isto é válido para qualquer disciplina “ O empirismo geográfico satisfez-se, durante muito tempo, com a objetividade geométrica associando a escala geográfica à cartografica, integrando analiticamente, com base nesta associação, problemas interdependentes como níveis de realidade e a noção de escala matemática”. Elias, Iná C. Confusão: escala de fração com a escala de extensão do fenômeno. Toma-se o mapa pelo território.
  • 8.
    O que querdizer Escala Grande e Escala Pequena? Climas na Escala Koppen
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    O que querdizer Escala Grande e Escala Pequena?
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    Referir-se ao local como grande escala e ao mundo como pequena escala é utilizar a fração como base descritiva e analítica, quando ela é apenas um instrumental. Não é o fenômeno!
  • 11.
    Escala é umtermo polissêmico Significa tanto a fração de divisão de uma superfície representada, como também indicador do tamanho do espaço considerado. Ou seja uma classificação das ordens de grandeza , uma proporcionalidade intrinseca ao fenomeno e não a métrica matemática apenas. Ainda mais… a escala deve dar sentido ao recorte espacial objetivado.
  • 12.
    QUAIS EXEMPLOS DERECORTES ESPACIAIS VOCES CONHECEM?
  • 13.
    Ex.: A BACIAHIDROGRAFIA COMO EXTENSÃO ESPACIAL PORQUE TRABALHAR COM ESTA UNIDADE ESPACIAL? QUAL ESCALA DE FENÔMENOS ELA ABRANGE? QUANDO NÃO TRABALHAR COM ESTA UNIDADE ESPACIAL? ACEITAÇÃO UNIVERSAL SISTEMA NATURAL BEM DELIMITADO INTERAÇÕES FÍSICAS INTEGRADAS É UMA UNIDADE ESPACIAL DE FÁCIL RECONHECIMENTO E CARACTERIZAÇÃO
  • 14.
    BACIA HIDROGRAFIA NO BRASIL A BACIA HIDROGRAFICA COMO ÁREA DE TRABALHO PARA AVALIAÇÃO AMBIENTAL ESTÁ ASSUMIDA EM ESTUDOS ACADÊMICOS, PLANEJAMENTO OFICIAIS E TAMBÉM NA LEGISLAÇÃO. RESOLUÇAO CONAMA 001/86 DIZ... Art. 5o. Item III ... Definir os limites da área geográfica a ser direta ou indiretamente afetada pelos impactos, denominada área de influencia do projeto, considerando, em todos os casos, a bacia hidrográfica na qual se localiza.”
  • 15.
    BACIA HIDROGRAFIA RECOMENDAÇÃO DA FAO... FAO - Foods and Agriculture Organization ... Planejamento adequado de bacias hidrográficas é fundamental para a conservação de regiões tropicais.
  • 16.
    BACIA HIDROGRAFIA –FENÔMENO ESPACIAL CONSIDERAÇÕES: O Tamanho da bacia Hidrográfica influencia os resultados de uma análise ambiental (bacias menores facilitam o planejamento) Pode-se subdividir a bacia em unidades menores É um plano espacial muito utilizado na Cartografia Ambiental Esse recorte espacial muitas vezes inexiste quando se consideram as variáveis sociais, econômicas, políticas e culturais.
  • 17.
    BACIA HIDROGRAFIA COMO UNIDADE DE TRABALHO QUANDO NÃO TRABALHAR COM ESTA UNIDADE? COMPLEXIDADE AUMENTA ESPAÇOS URBANOS AUMENTO DAS RELAÇÕES INTRÍNSECAS ELUCIDAR AS DIFERENÇAS DE COMPLEXIDADE ENTRE UMA BACIA HIDROGRÁFICA NATURAL E UMA BACIA QUE FOI URBANIZADA – Qual é a escala?
  • 18.
    Yves Lacoste, 1976 Discute… … diferenças de tamanho da superfície implicam em diferenças qualitativas e quantitativas dos fenômenos. Conceitos auxiliares importantes para definir escala : Ordem de grandeza – dimensão do fenômeno. Nivel da análise – significa o recorte sob investigação. Espaço de concepção – recorte no qual se define o problema (município, bacia hidrográfica, um domínio de vegetação, um mosaico de paisagem, entre outros).
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    Portanto a escalanão é apenas uma medida da superfície proporcional! A escala é a medida que confere visibilidade ao fenômeno. Ela não define o nível de análise, nem pode ser confundida com ele, estas são noções independentes conceitual e empiricamente.
  • 20.
    Micro-escala Meso-escala Mega-escalaExemplos de Fenômenos Fonte: Santos, R. F., 2004 Escala Espacial 10 m 10.000 m 100 km 10.000.000 km Placas Tectônicas Fenômenos Geomorfológicos Desenvolvimento dos solos Flutuações climáticas Atividades humanas Transformações urbanas Agricultura Epidemias 10 1000 1 milhão 1 bilhão Escala Temporal (anos) Micro-escala Meso-escala Mega-escala Exemplos de Respostas Escala Espacial 10 m 10.000 m 100 km 10.000.000 km Evolução do Bioma Mudança do ecossistema Extinção / Fluxo de espécies Recuperação da cobertura vegetal Ocupação de espaços abertos 10 1000 1 milhão 1 bilhão Escala Temporal (anos)
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    A escala éa escolha de uma forma de dividir o espaço, definindo uma realidade percebida /concebida. É uma forma de dar-lhe uma figuração , uma representação , um ponto de vista que modifica a percepção da natureza deste espaço e, finalmente, um conjunto de representações coerentes e lógicas que substituem o espaço observado . São modelos espaciais. Enfrentar o dilema de VER e LER dos mapas.
  • 22.
    VER OU LER** Titulo de Jacques Bertin “ Um novo olhar sobre a cartografia Corrida da precisão: cobertura topográfica do mundo em escalas mais detalhadas (1:5.000.000, 1:500.000, 1:5.000...); Imagem e fotografias tornam-se essenciais para cartografia; O homem acrescenta as referências naturais uma infinidade de fenômenos (florestas – legislação – níveis de desenvolvimento, etc); Horizontalidades e verticalidades dos fenômenos (cronologias); Direções dos estudos cartográficos:
  • 23.
    PROBLEMA COMO AUMENTARO NÚMERO DE CARACTERES SOBRE UM MESMO PONTO OU ÁREA SEM CRIAR UM PROBLEMA PSICOLÓGICO : COMO LER? HÁ LIMITES PARA AS PROPRIEDADES DA PERCEPÇÃO VISUAL – Isto interfere na escolha da escala de representação.
  • 24.
    Cada carácter éuma imagem Como sobrepor caractéres? Como reduzir o problema da sobreposição? Como produzir cartas politemáticas? Jacques Bertin... Buscar soluções para este problema é um dos objetivos da semiologia gráfica
  • 25.
    H 1 2TEMA H TEMA L TEMA K TEMA M TEMA J J L K M J M H K L TERRITÓRIO 1 Km 10 Km 100 Km 1000 Km 3 Pluralidade de mapas para um mesmo território
  • 26.
    CARTOGRAFIA TEMÁTICA EAMBIENTAL Transcrição das relações que existem entre os objetos (cidades, culturas de arroz, florestas, estradas, trabalhadores, casas, fábricas,capitais, informações, etc.) por relações visuais de mesma natureza. Deve permitir ao leitor uma reflexão sobre o assunto.
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    A REPRESENTAÇÃO GRÁFICAA tarefa esencial da Representação Gráfica, portanto, é a de transcrever as tres relações fundamentais - de diversidade (=), de ordem (O), de proporcionalidade (Q) - entre objetos, por relações visuais de mesma natureza. Assim, a diversidade será transcrita por uma diversidade visual; a ordem por uma ordem visual e a proporcionalidade por uma proporcionalidade visual (Bertin, 1973; Martinelli, 1990, 1991)
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    A REPRESENTAÇÃO GRÁFICARELAÇÕES ENTRE OBJETOS CONCEITOS TRANSCRIÇÃO GRÁFICA O Q DIVERSIDADE ORDEM PROPORCIONALIDADE O Q
  • 29.
    VARIÁVEIS VISUAIS PercepçãoSeletiva - = - (cor, tamanho, valor, granulação, forma) Percepção ordenada - O - (valor, tamanho, cores na ordem natural do espectro visível) Percepção Quantitativa - Q - (somente e tão somente o tamanho PROPRIEDADES PERCEPTIVAS
  • 30.
    Enfim…. A escolhada escala correta é difícil , principalmente devido a carência de trabalhos que discutam as bases teóricas para esta escolha. Se a forma de interpretação for o mapeamento, o desafio é determinar a escala que ditará quanto a extrapolação poderá ser feita sem perder a representação da heterogeneidade dos sistemas, considerando a semiologia gráfica.
  • 31.
    Escalas usuais Relação entre o nível, representação gráfica e tipos de escalas Fonte: Cendrero, 1989 (modificado) 1 PLANEJAMENTO NÍVEL DE ESCALA REPRESENTAÇÃO DA ESCALA TIPO DE ESCALA Econômico e Ecológico Macro ˃ 1:500.000 Reconhecimento Zoneamentos Meso 1:250.000 – 1:25.000 Semi-detalhada Planos Diretores Micro ˂ 1:10.000 detalhada
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    Escalas usuais Relação entre o nível, representação gráfica e tipos de escalas Fonte: FAO, 1982 (modificado) 2 NÍVEL DE ESCALA REPRESENTAÇÃO DA ESCALA TIPO DE ESCALA Macro ˃ 1:1.000.000 ou menor 1:100.000 até 1.000.000 exploratória reconhecimento Meso 1: 25.000 até 1:100.000 Semi-detalhada Micro Maior que 1:25.000 detalhada
  • 33.
    Rela ções decomum ocorrência no Brasil entre abrangênica territorial e escalas adotadas em planejamento Fonte: FAO, 1982 3 TERRITÓRIO PLANEJADO ESCALA ADOTADA Área da bacia hidrografica 1:5.000 a 1:1.000.000 Territorio nacional 1:500.000 a 1:5.000.000 Área de influencia regional 1:250.000 a 1:1.000.000 Área de influencia indireta ou area afetada indiretamente por impactos 1:50.000 a 1:100.000 Área de influencia direta ou diretamente afetada por impactos 1:5.000 a 1:50.000 Área de ação estratégica 1:10.000 a 1:500.000 Limites municipais 1:50.000 a 1:100.000 Centros urbanos subordinados a area de ação 1:500.000 Raios de ação 1:2.000 a 1:100.000 Corredores 1:2.000 a 1:25.000 Area de reassentamentos humanos 1:2.000 a 1:25.000
  • 34.
    Escalas usuais Exemplosde compartimentos do espaço, escalas apropriadas e tipos de dados Fonte: Ellenberg e Mueller-Dumbois, 1974 (modificado) 4 COMPARTIMENTO AMPLITUDE DE ESCALA TIPOS DE DADOS Região 1:1.000.000 a 1:3.000.000 Domínio climático e bioma Distrito 1: 500.000 até 1:1.000.000 Relevo, geologia, geomorfologia e associações de formações vegetacionais Sistema 1:100.000 a 1:500.000 Modelo de unidade geomorfológica, solo e vegetação Tipo 1:10.000 a 1:50.000 Homogeneidade geológica e de associação solo/vegetação
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    Espaços e tiposde informação 5 Fonte: Bailey, 1978 (modificado) COMPARTIMENTOS NÍVEL DE ANÁLISE DOMÍNIO Área sub-continental, de climas relacionados DIVISÃO Região climática, de acordo com a classificação Koeppen PROVÍNCIA Região com vegetação definida pelo mesmo tipo de solo ou solos zonais SEÇÃO Áreas cobertas por tipos vegetacinais que representam climaces climáticos potenciais DISTRITO Parte de uma seção com forma de relevo caracteristica ASSOCIAÇÃO DE TIPOS Agrupamento de tipos com padrão recorrente de relevo, litologia, solos e estádios sucessionais da vegetação TIPO Grupo de fases vizinhas com series ou familias similares de solos, cobertos por comunidades vegetais similares de acordo com os tipos de habitats FASE Grupo de sitios vizinhos pertencentes à mesma série edáfica e com tipos de hábitats intimamente relacionados SÍTIO Um único tipo de solo e um unico tipo de habitat.
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    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CASTRO,Iná E. O Problema da Escala. In Castro, Iná E. , Gomes, Paulo C.C. e Corrêa, Roberto L. Geografia: Conceitos e Temas. Rio de Janeiro: Bertrand, 117-140 LACOSTE, Yves. A geografia serve antes de tudo para fazer a Guerra. São Paulo. SANTOS, Rosely F. Planejamento Ambiental: teoria e prática. São Paulo: Oficina de Textos, 2004