Os atos de fala dividem-se em
locutórios (o próprio facto de se falar),
ilocutórios (o tipo de ação que se
pretende realizar: uma ordem, uma
promessa, uma constatação, uma
ameaça, etc.) e perlocutórios (o efeito
produzido no interlocutor).
Nos atos ilocutórios diretos, a intenção
comunicativa fica explícita no que é
dito; nos atos ilocutórios indiretos, a
intenção comunicativa tem de ser
captada pelo interlocutor.
Por exemplo, em «Leiam o texto tal»
há um ato ilocutório direto; mas, se, no
contexto de uma aula, o professor
disser «É na p. 321», temos um ato
ilocutório indireto, cuja intenção
comunicativa (‘ordem para se começar a
ler’) tem de ser inferida pelos
interlocutores.
O entendimento de um ato de fala
está dependente do contexto
comunicativo. O que possibilita que a
frase «É na p. 321» seja percebida como
ordem para ler é o facto de se estar
numa aula de Português.
Os atos ilocutórios podem ser
agrupados consoante a força ilocutória
(o objetivo ilocutório) que apresentam
O conteúdo proposicional pode não
ser determinante no objetivo ilocutório.
Há que contar também com o tipo de
frase (interrogativo, imperativo,
declarativo, exclamativo) e com o
contexto: «Estou constipadíssima», num
contexto em que há uma porta aberta,
pode ser um ato ilocutório indireto que
corresponda a um objetivo ilocutório
diretivo (com a locutora a pretender que
alguém feche a porta).
1. Fala com o diretor de turma. diretivo
2. Gostei que fizesses cocó no penico.
expressivo
3. Sei que Gedeão era Rómulo de
Carvalho, professor de Física. assertivo
4. Ficam isentos do pagamento os
menores de setenta e três anos.
declarativo
5. A hipótese mais provável é que
tenha perdido o comboio. assertivo
6. Duvido que te interesse. assertivo
7. Chegarei às onze e sessenta e dois.
compromissivo
8. Detesto que me estejam sempre a
pressionar. expressivo
9. Vou pensar no que me propõe.
compromissivo
10. É inadmissível que te impeçam de
ires ao jogo. expressivo
Julgava que eras meu amigo...
direto assertivo
indireto expressivo
«julgar» + imperfeito do indicativo
Por favor, promete que passas para
açúcar mascavado.
direto
diretivo
imperativo (+ «por favor»)
Eu mudo para açúcar mascavado.
direto (indireto?)
compromissivo
presente do indicativo
Gostava de ouvir o mar.
direto expressivo
indireto diretivo
imperfeito do indicativo
Zé Carlos, descansa.
direto diretivo
indireto expressivo
imperativo
Sr. Aurélio, quando puder, era dois quilos
de maçã reineta.
(in)direto
diretivo
imperfeito do indicativo + «quando
puder»
E não se deve discriminar as pessoas só
porque têm gonorreia.
direto diretivo
indireto assertivo
presente de «dever» + infinitivo
Pronto. Está bem.
direto
compromissivo
advérbio e presente do indicativo
Arranca. Depressa. Já.
direto
diretivo
imperativo e advérbios
Há aqui indivíduos que devem estar
cheios de pressa.
direto
assertivo
«dever» no presente
A sensação que me dá é que está verde
há muito tempo
direto
assertivo
«dá-me a sensação» + presente do
indicativo
Não podia ir um pouco mais rápido?
indireto
diretivo
imperfeito de «poder» + infinitivo
Morreu.
direto assertivo
indireto expressivo
perfeito do indicativo
Escreve uma resposta a 1.1 (p. 149).
Procura aproveitar a perspetiva crítica
acerca do papel da comunicação social
com que nos temos deparado em textos
recentes.
Embora indiretamente, o cartoon
critica a agenda informativa da
comunicação social, que valoriza des-
proporcionadamente o que parece ser
do interesse imediato de audiências e
leitores, em detrimento do tratamento
de temas importantes mas menos
apelativos.
Na situação caricatural em causa,
os jovens não identificam uma figura
cultural cimeira, Camões, distraídos
como estão pelas peripécias menores
da seleção portuguesa.
Põe no discurso indireto todas as falas
do cartoon:
O rapaz ruivo perguntou...
O miúdo mulato e com um três na
camisola...
O catraio mais à direita...
O rapaz ruivo perguntou a Camões
se era português. E disse-lhe que,
nesse caso, devia conhecer [o] Pauleta.
O miúdo mulato e com um três na
camisola perguntou se aquilo ali era a
lista dos convocados.
O catraio mais à direita perguntou a
Camões se conhecia [o] Figo. E con-
cluiu que ele afinal não conhecia
ninguém.
O rapaz ruivo perguntou a Camões
se era português. E disse-lhe que,
nesse caso, devia conhecer [o] Pauleta.
O miúdo mulato e com um três na
camisola perguntou se aquilo ali era a
lista dos convocados.
O catraio mais à direita perguntou a
Camões se conhecia [o] Figo. E con-
cluiu que ele afinal não conhecia
ninguém.
TPC
Estuda exercícios sobre ‘Atos
ilocutórios’ no Caderno de Atividades,
pp. 60-62.
(Ainda aceitarei, mas só até à próxima
aula, a carta pedida em recente tepecê.)
Apresentação para décimo ano de 2014 5, aula 61-62
Apresentação para décimo ano de 2014 5, aula 61-62

Apresentação para décimo ano de 2014 5, aula 61-62

  • 2.
    Os atos defala dividem-se em locutórios (o próprio facto de se falar), ilocutórios (o tipo de ação que se pretende realizar: uma ordem, uma promessa, uma constatação, uma ameaça, etc.) e perlocutórios (o efeito produzido no interlocutor).
  • 3.
    Nos atos ilocutóriosdiretos, a intenção comunicativa fica explícita no que é dito; nos atos ilocutórios indiretos, a intenção comunicativa tem de ser captada pelo interlocutor.
  • 4.
    Por exemplo, em«Leiam o texto tal» há um ato ilocutório direto; mas, se, no contexto de uma aula, o professor disser «É na p. 321», temos um ato ilocutório indireto, cuja intenção comunicativa (‘ordem para se começar a ler’) tem de ser inferida pelos interlocutores.
  • 5.
    O entendimento deum ato de fala está dependente do contexto comunicativo. O que possibilita que a frase «É na p. 321» seja percebida como ordem para ler é o facto de se estar numa aula de Português.
  • 6.
    Os atos ilocutóriospodem ser agrupados consoante a força ilocutória (o objetivo ilocutório) que apresentam
  • 7.
    O conteúdo proposicionalpode não ser determinante no objetivo ilocutório. Há que contar também com o tipo de frase (interrogativo, imperativo, declarativo, exclamativo) e com o contexto: «Estou constipadíssima», num contexto em que há uma porta aberta, pode ser um ato ilocutório indireto que corresponda a um objetivo ilocutório diretivo (com a locutora a pretender que alguém feche a porta).
  • 9.
    1. Fala como diretor de turma. diretivo 2. Gostei que fizesses cocó no penico. expressivo
  • 10.
    3. Sei queGedeão era Rómulo de Carvalho, professor de Física. assertivo 4. Ficam isentos do pagamento os menores de setenta e três anos. declarativo
  • 11.
    5. A hipótesemais provável é que tenha perdido o comboio. assertivo 6. Duvido que te interesse. assertivo 7. Chegarei às onze e sessenta e dois. compromissivo
  • 12.
    8. Detesto queme estejam sempre a pressionar. expressivo 9. Vou pensar no que me propõe. compromissivo 10. É inadmissível que te impeçam de ires ao jogo. expressivo
  • 14.
    Julgava que erasmeu amigo... direto assertivo indireto expressivo «julgar» + imperfeito do indicativo
  • 15.
    Por favor, prometeque passas para açúcar mascavado. direto diretivo imperativo (+ «por favor»)
  • 16.
    Eu mudo paraaçúcar mascavado. direto (indireto?) compromissivo presente do indicativo
  • 17.
    Gostava de ouviro mar. direto expressivo indireto diretivo imperfeito do indicativo
  • 18.
    Zé Carlos, descansa. diretodiretivo indireto expressivo imperativo
  • 19.
    Sr. Aurélio, quandopuder, era dois quilos de maçã reineta. (in)direto diretivo imperfeito do indicativo + «quando puder»
  • 20.
    E não sedeve discriminar as pessoas só porque têm gonorreia. direto diretivo indireto assertivo presente de «dever» + infinitivo
  • 21.
  • 22.
  • 23.
    Há aqui indivíduosque devem estar cheios de pressa. direto assertivo «dever» no presente
  • 24.
    A sensação queme dá é que está verde há muito tempo direto assertivo «dá-me a sensação» + presente do indicativo
  • 25.
    Não podia irum pouco mais rápido? indireto diretivo imperfeito de «poder» + infinitivo
  • 26.
  • 28.
    Escreve uma respostaa 1.1 (p. 149). Procura aproveitar a perspetiva crítica acerca do papel da comunicação social com que nos temos deparado em textos recentes.
  • 30.
    Embora indiretamente, ocartoon critica a agenda informativa da comunicação social, que valoriza des- proporcionadamente o que parece ser do interesse imediato de audiências e leitores, em detrimento do tratamento de temas importantes mas menos apelativos. Na situação caricatural em causa, os jovens não identificam uma figura cultural cimeira, Camões, distraídos como estão pelas peripécias menores da seleção portuguesa.
  • 31.
    Põe no discursoindireto todas as falas do cartoon: O rapaz ruivo perguntou... O miúdo mulato e com um três na camisola... O catraio mais à direita...
  • 32.
    O rapaz ruivoperguntou a Camões se era português. E disse-lhe que, nesse caso, devia conhecer [o] Pauleta.
  • 33.
    O miúdo mulatoe com um três na camisola perguntou se aquilo ali era a lista dos convocados.
  • 34.
    O catraio maisà direita perguntou a Camões se conhecia [o] Figo. E con- cluiu que ele afinal não conhecia ninguém.
  • 35.
    O rapaz ruivoperguntou a Camões se era português. E disse-lhe que, nesse caso, devia conhecer [o] Pauleta. O miúdo mulato e com um três na camisola perguntou se aquilo ali era a lista dos convocados. O catraio mais à direita perguntou a Camões se conhecia [o] Figo. E con- cluiu que ele afinal não conhecia ninguém.
  • 37.
    TPC Estuda exercícios sobre‘Atos ilocutórios’ no Caderno de Atividades, pp. 60-62. (Ainda aceitarei, mas só até à próxima aula, a carta pedida em recente tepecê.)