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NA CADÊNCIA DA VIDA – VISLUMBRANDO EM CADA RITMO
PRÓPRIO, A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA SOB A LUZ DA ATIVIDADE
FANFARRA, PARA CRIANÇAS QUE INTEGRAM O PROJETO LUDICIDADE
autoras: aline garcia mota - omep/br/ms; alinemota2009@hotmail.com 1
ana cláudia ferreira de Santana- omep/br/ms; anac.santana@outlook.com
gepenaf 2
suélen de almeida- omep/br/ms; suelen_almeidaa@hotmail.com 3
viviany gonçalves lino borges - omep/br/ms; vivytim@hotmail.com
gepenaf/ms4
EIXO: CULTURA, ARTE E TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO DA INFÂNCIA.
COMUNICAÇÃO ORAL
Resumo
Este estudo tem como objetivo expor a importância da sociedade acreditar que é
possível levar a arte, em especial a música, como instrumento para possibilitar a
transformação de contextos regidos pela violência, pelas drogas, onde crianças e
adolescentes advindos de uma realidade difícil, tem horizontes limitados, e,
promoverem outras dimensões para o futuro desses pequenos. Este artigo conta com
uma breve explanação acerca do sentimento da infância, corroborando com Philippe
Ariès (2006), simultaneamente ao surgir desse, a atividade musical no Brasil, do século
XVIII ao XXI, tendo como embasamento a obra de Andréia Martinez e Patrícia
Pederiva (2014); as contribuições da atividade musical para a infância; a grande
importância de um projeto social da Organização Mundial para Educação Pré-escolar,
em Campo Grande no MS, para crianças de um bairro carente da capital; a fala dessas
crianças sobre a música em suas vidas; a narrativa do professor da fanfarra, sobre sua
história; as considerações finais acerca desse estudo. Foi a partir do encantamento das
plateias que tornou-se necessário o emergir dessa investigação. Tantos aplausos e
olhares admirados por toda dedicação e êxito de todas aquelas crianças, que não
importava o tamanho, tornaram-se grandiosas em cada apresentação. Acreditar em um
futuro melhor, é investir no presente, no presente que são as crianças.
Palavras-chave: Educação; Infância; Futuro; Olhares; Aplausos
1 Professora do Instituto de Educação Infantil Professora Marisa Serrano IEMS/OMEP
2 Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas emNarrativas Formativas; Professora do Instituto de
Educação Infantil Professora Marisa Serrano IEMS/OMEP
3 Professora do Instituto de Educação Infantil Professora Marisa Serrano IEMS/OMEP
4Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Narrativas Formativas; Professora do Instituto de
Educação Infantil Professora Marisa Serrano IEMS/OMEP
Introdução
Philippe Ariès (1984), pesquisador francês, traz em seu livro História Social da
Criança e da Família, a concepção de infância ao longo dos séculos, com base na cultura
e educação. A descoberta da infância, segundo o autor (2006) teve início no século XIII,
evoluindo nos séculos XV e XVI, no entanto o seu maior desenvolvimento ocorreu de
forma numerosa e significativa no final do século XVI e durante o século XVII. No
século XVII começa a surgir o “sentimento da infância”, próximo ao que conhecemos
hoje,
A criança adquiriu uma nova posição na família e na sociedade.
Educadores e moralistas começaram a demonstrar preocupação com o
desenvolvimento infantil, colocando a criança em uma condição
diferente do adulto. Defendiam que a criança merecia atenção,
cuidado e educação, e que isso deveria ocorrer em meio à participação
do convívio direto com os adultos, mas num lugar específico para este
fim, ou seja, a escola (MARTINEZ; PEDERIVA, 2014, p. 87).
No século XX, esse sentimento passou a influenciar a educação e assim, a
sociedade passara a aderir uma nova postura frente ao desenvolvimento da criança.
Concomitantemente ao surgimento da consciência da infância no século XVIII, na
Europa, no Brasil, estava acontecendo a educação das crianças indígenas por meio da
educação dos Jesuítas. Havia nesse contexto, o interesse em catequizá-las e
consequentemente atingir seus pais – tendo em vista a perda de território da Igreja
Católica, por meio da Reforma Protestante -, assim como colonizar, frente aos interesses
da Coroa Portuguesa.
A atividade musical nesse período, se dava com esses objetivos, muitas vezes os
jesuítas utilizavam os mesmos ritmos e instrumentos empregados pelas crianças
indígenas, e, transpunham para o português com uma letra que atendia a seus interesses,
tornando assim, familiar e de fácil assimilação, por meio das canções “conhecidas” os
ensinamentos da catequese.
Em 1822, após a independência do Brasil, a formação musical que a Escola
Normal oferecia, estava baseada na função de disciplinar, transmitir valores e organizar
o espaço escolar, para atender os interesses do Estado em formação, segundo Martinez e
Pederiva (2014). Ainda segundo as autoras, no início da República, em 1889, a estrutura
curricular da música, baseava-se em descobrir “talentos” e posteriormente formar
futuros músicos.
A partir de 1920, a Escola Nova ganhou espaço e, teve a música como forma de
promover a socialização, harmonia, patriotismo e a formação moral e cívica. O canto
orfeônico foi um instrumento bastante utilizado nesse contexto, favorecendo os
interesses do Estado.
O Movimento da Criatividade, ocorrido entre 1950 e 1960, teve como principal
característica o laissez-faire, ou seja, deixar-fazer, a atividade musical ficou delegada a
improvisação. Segundo as autoras anteriormente mencionadas, no Regime Militar, em
1964, a música passou a ser subordinada à Educação Artística, visando festividades e
atividades recreativas.
Atualmente, segundo Martinez e Pederiva (2014), estamos em um período de
transição, em um movimento de retorno da música à Educação Básica, com amparo na
Legislação.
Música no percurso da vida
Sempre ouvimos dizer que a música faz parte de qualquer indivíduo já a partir da
vida intrauterina, segundo Verônica Brunis, em seu artigo Música e Cidadania: O papel
da música para o desenvolvimento intelectual, emocional e moral do indivíduo, antes de
nascer, o bebê se entretêm com os sons:
O ouvido tem um desenvolvimento precoce, e, com os olhos ainda
fechados, o feto escuta tudo com muita atenção dentro do útero. É
uma verdadeira “orquestra” de sons que se apresenta dentro do ventre
materno: entre batidas do coração e ruídos intestinais, existe uma
variedade de ritmos. Como ele se encontra dentro do líquido, as
freqüências agudas prevalecem na sua percepção, sendo a transmissão
da voz materna através dos ossos da mãe. Estudos feitos na França
ODENT 1986 mostram que um trabalho musical da mãe pode
influenciar significativamente o bom andamento da gravidez e,
principalmente, o parto (BRUNIS, s/d, p. 04).
Sons que tornar-se-ão cada vez mais diversificados e que, salvo casos de surdez,
não mais deixarão o indivíduo. A escola passa a ter um papel fundamental nesse
processo,
A música propicia abertura dos canais sensoriais, facilitando a
expressão de emoções. As atividades musicais na escola não têm
como objetivo necessariamente a formação de músicos profissionais,
mas sim de oportunizar o contato da criança com o universo da
música, o que a auxilia tanto no seu desenvolvimento como na sua
aprendizagem (REIS; REZENDE, 2012, p. 07).
A escola, tem a possibilidade de trabalhar vários gêneros musicais e, como a
música é arte, promover um ambiente mais agradável por meio dessa, fazendo com que
o órgão escolar seja também uma atmosfera prazerosa, pode também aguçar habilidades
e permitir que por meio dessa, crianças se interessem profissionalmente por esta arte,
A música possui papel fundamental no desenvolvimento infantil. A
criança que cresce com música ao seu redor (conhecendo diversos
estilos, participando de brincadeiras cantadas e sendo estimulada em
atividades na escola) tem ganhos em diversas áreas de sua formação, o
que comprova que a música pode ser considerada como um agente
facilitador no processo educacional. As crianças que se interessam em
ir além, investindo na capacitação e na formação musical, têm
oportunidade de se inserir em um universo diferenciado, descobrindo
novas possibilidades quanto à sua criatividade, suas formas de
expressão e capacidade de improvisação (REIS; REZENDE, 2012, p.
10).
Antes que alguém se pergunte, mas o que é música? Ponso (2011) responde que:
Procuro pensar o conceito de música do modo mais aberto e amplo
possível, de maneira que a produção dos alunos possa ser considerada
música. Para isso, são dois os aspectos que me parecem indispensáveis
a fim de que se defina música. São eles o som e a intenção. Imagino
que qualquer som possa ser utilizado, se a intenção do aluno for criar
uma composição musical. Na apreciação musical, tudo o que ouvimos
como música, é o resultado da produção de um compositor que teve a
intenção de fazer aquilo que se ouve, música (PONSO, 2011, p. 23).
Essa definição permite pensar que todo som com intencionalidade é música,
portanto, qualquer criança pode sentir-se um “fazedor”.
Atividade musical na infância – século XXI
Muitas vezes, o intuito da música na educação básica, em pleno século XXI, se
baseia ainda nos objetivos de 1822, de organizar os espaço, a rotina, poucas vezes, as
escolas tratam a música com coerência. Percebemos que a sociedade entendendo essa
distorção, permite e instiga iniciativas de projetos sociais que visem uma outra proposta
para a atividade musical.
A Organização Mundial para Educação Pré-Escolar, OMEP, é uma entidade
filantrópica, que foi criada em 1948 e que se ocupa de todos os aspectos relacionados ao
cuidado e à educação de crianças de 0 a 4 anos. A cidade de Campo Grande/MS conta
com o Instituto Educacional Professora Marisa Serrano (IEMS/OMEP), com a missão
de promover a educação, a defesa dos direitos da criança e o aprimoramento dos
recursos humanos envolvidos na Educação Infantil e o Projeto Ludicidade que atende
crianças entre 04 e 14 anos, residentes no bairro Tiradentes, com atividades diversas que
permitem à criança e adolescente o contato com a arte no contra turno da escola. Nas
atividades do Projeto Ludicidade, está inclusa a Fanfarra, atualmente com treze
crianças, essas cantam e tocam um, dois, três instrumentos.
A fanfarra tem apresentado uma grande visibilidade dentre escolas e outros
projetos devido a excelência de suas apresentações em eventos da OMEP e extra
instituto.
O que falam os integrantes...
Algumas perguntas fizeram-se necessárias para nortear as revelações.
Perguntas como o que é música para você, o que mudou na sua vida com seu
ingresso na fanfarra, qual ou quais instrumentos toca, pretendem continuar de alguma
forma, se dedicando à música após o encerramento das atividades no Projeto
Ludicidade?
Música pra mim é você tocar e cantar!
Eu não sabia de nada sobre música, agora eu sei tocar instrumentos,
toco três: Meia-lua, Prato e Bloco (R. 10 anos)
Música pra mim é dançar,ficar relaxado!
Mudou na minha vida, que eu achava fácil tocar instrumento, e daí,
quando eu fui tocar, eu acheibem difícil, eu toco um instrumento, que
é Prato! (K. 11 anos)
A música pra mim é fazer sons e ...eu achava que era muito difícil e
depois eu vi que era beem difícil. Toco Prato. (P. 12 anos)
Pra mim, música é a arte de combinar sons! Pra mim ajudou na
coordenação,toco Lira e Violão (N. 11 anos)
Música é sentimento! Passeia ter mais vontade de aprender coisas
novas. Toco Bumbo e Violão. (R. 12 anos)
Música pra mim é sentimento. Me ajudou na coordenação. Toco
Violão, Lira e Vibrafone. (A. 12 anos)
Sobre continuarem com a música após findarem o Projeto, tivemos as seguintes
respostas:
Eu tenho duas aulas, uma é de instrumento de sopro, saxofone, essas
coisas, que eu faço lá na minha igreja e tem aqui que é da percussão
(R. 10 anos)
Não! Quando eu for mais velha eu vou querer viajar com o circo
(K.11 anos)
Não! (P. 12 anos)
Eu pretendo! Depois que terminar a minha faculdade, eu posso fazer a
faculdade de música (N.11 anos)
Posso dar aula, quem sabe? (R. 12 anos)
Eu vou fazer faculdade de música e minha vó quer, saindo aqui da
Omep, me colocar em outro curso de música, então eu vou seguir!
(A.12 anos)
Todas essas crianças residem no Bairro Tiradentes e arredores, um local bastante
conhecido pela violência e incidência de drogas, essas por estarem neste contexto, ficam
sujeitas à vulnerabilidade social, projetos sociais como o aqui apresentado, possibilitam
novas expectativas e mudança de realidade para essa infância.
Outro aspecto interessante, foi a escolha do professor, não buscaram um maestro,
ou alguém de renome no meio musical. Passamos a palavra para o professor, para que
possa contar sua história:
Com a palavra o professor...
Entendemos que as narrativas são elementos essenciais para compreendermos a
importância desse projeto social que tem apresentado tanto êxito, ao detectarmos que o
professor da fanfarra sentia-se à vontade para falar sobre sua história e sobre o Projeto,
por meio de suas memórias, abarcamos suas narrativas formativas e de vida, pois no
momento em que o narrador fala de si, ele reflete sobre sua existência dando mais
sentido a sua trajetória,
Uno de los principios fundadores de las narrativas como práctica de
formación es su dimensión autopoiética. La persona al narrar su
propia historia, busca dar sentido a sus experiencias y en esse trayecto,
construye otra representación de sí: se reinventa (PASSEGGI, s/d, p.
06)
Contar sobre sua vida, foi visivelmente expor de forma orgulhosa seus primeiro
passos, seus primeiros acordes, sem receios, mas com grandeza em contar sua história,
O narrador figura entre os mestres e os sábios. Ele sabe dar conselhos:
não para alguns casos, como provérbio, mas para muitos casos, como
o sábio. Pois pode recorrer ao acervo de toda uma vida (uma vida que
não inclui apenas a própria experiência, mas em grande parte a
experiência alheia. O narrador assimila à sua substância mais íntima
aquilo que sabe por ouvir dizer). Seu dom é poder contar sua vida; sua
dignidade é contá-la inteira. O narrador é o homem que poderia deixar
a luz tênue de sua narração consumir completamente a mecha de sua
vida (BENJAMIN, 1985, p. 221).
Tudo o que o professor nos contara, tornou-se de grande relevância, tanto com
relação ao seu empenho em tornar a música sua vida, como possibilitar que crianças e
adolescentes também percebessem nessa arte, um sentido maior para seus sonhos, pois
o fato de superarem o desafio em tocar um instrumento, incorporou o sentimento de
superação, abrindo as portas para outros sonhos:
Minha relação com a música começou desde pequeno. Eu nasci no
meio da música, meu pai, meu tio. Eu com 16 para 17 anos; meu tio e
meu pai trabalhavam com banda, meu avô era seresteiro, ele tocava
em baile e sempre teve violão em casa, meu tio se interessou, ele
começou primeiro, depois veio meu pai e, eles montaram banda, isso
lá em Aquidauana. De lá eles vieram pra cá pra trabalhar onde é o
Instituto Mirim agora. Sempre acompanhei meu pai e gostei! Comecei
a estudar, até então eu não mexia com música, só estava no meio, com
15 anos eu comecei a me interessar, comecei a tocar violão, aprendi
sozinho! Eu queria aprender e não tinha quem me ensinasse, arrumei
um violão emprestado de um amigo, com um mês eu estava tocando.
Daí me interessei por percussão, porque eu sempre gostei de música
bem percussiva, dava um jeito de arrumar e aprendi, tudo sozinho.
Com 17 anos apareceu a minha primeira oportunidade de emprego
com música, nunca trabalhei com outra coisa, na verdade trabalhei
numa gráfica, mas pouco tempo. Eu comecei a trabalhar na Orquestra,
foi onde eu aprendi teoria musical, mesclava um tempo trabalhando e
outro fazendo aula de teoria, mas nunca fiz aula prática de nada. Eu
continuei com a percussão até os 18, dos 17 aos 18 fiz muitas
apresentações com a Orquestra, gravei um DVD de chorinho. Esse
DVD está disponível no Youtube, a gente faz até hoje o projeto, mas
tudo relacionado a percussão. Nunca tinha tocado “batera”, aos 18
anos me interessei e fui aprender, comprei uma e comecei a estudar.
Na metade dos 18 eu entrei na primeira dupla sertaneja, comecei a
tocar e não parei mais. Sempre estudando, me aperfeiçoando e agora
eu toco batera além de trabalhar com crianças. Comecei a dar aula,
não tinha nem 18 anos, na primeira escola, tive que esperar para me
contratarem, trabalhei um tempo sem registro. Ano passado eu estava
em três escolas (Uigor N.)
Quantos instrumentos toca e idade:
Bateria, Violão , cavaco , banjo e percussão geral! 20 anos (Uigor N.)
Sobre o início da sua carreira de instrutor de fanfarra:
Foi assim: eu trabalhava na Orquestra, daí o Eduardo Martinelli (eu
toquei na Orquestra Sinfônica, na Orquestra da Fundação Barbosa
Rodrigues, na Fila Harmônica do Pantanal e fui emprestado para
outras) ai ele chegou e falou assim “gente vai rolar um projeto da
Prefeitura pra ensinar a molecada a tocar percussão”, mas ele não
tinha falado que era banda e perguntou: “quem se interessa?” eu me
interessei e mais uns seis se interessaram, ai ele falou o que fazia,
como fazia, o processo seletivo. Fomos à SEMED o dia que tínhamos
que ir. Só dois passaram, ai a gente foi lá achando que era percussão,
mas era banda, e eu mesmo não tinha trabalhado com criança ainda.
Pensei, mas falei, não vou desistir não! Ai assim, fui indo. Na
Orquestra funciona assim, de manhã funciona a banda e à tarde a
Orquestra, então fui de manhã lá, perguntei pro maestro, pedi dicas
pra ele, pra ver como funcionava, pesquisei bastante no Youtube,
perguntei pro meu pai mesmo, me ajudou bastante no começo (Uigor
N.).
E referente ao seu ingresso na Omep :
Num dia de manhã me ligaram, era a Mayara me ligando: “- Oi é o
Uigor?
- Oi é sim.
- Entao o Mateus (parceiro da orquestra sinfônica) indicou seu nome
aqui, num projeto da fanfarra.”
Ela explicou sobre o projeto e me perguntou se eu tinha alguém pra
indicar ou se eu me interessava. Eu disse que tinha interesse e ela
falou “vamos fazer assim, você vem aqui amanhã para nós
conversarmos”. Ai eu falei que já trabalhava com crianças na fanfarra
no bairro Nova Campo Grande, expliquei como funcionava. Ela
(Mayara) pediu um currículo pra mim, eu deixei o currículo, passou
uma semana eu já comecei a trabalhar aqui.
Meu primeiro Desfile, olha eu entrei em julho e desfilei em agosto, eu
tinha que montar uma banda e desfilar, eu montei a banda e desfilei!
Não 100% de aluno, mas amigos, parentes. Sempre faço o meu
melhor. E foi assim. (Uigor N.)
Indagado sobre a quanto tempo está no Projeto:
Aqui? Dois anos e um mês
Hoje estou só aqui! Não estava conciliando e eu comecei a mexer
mais com música ainda (bandas sertanejas), pra você ter uma ideia, eu
começo a tocar na quinta, vou parar no domingo, quase não durmo,
troco o dia pela noite (...)(Uigor N.)
Sobre sua rotina, perguntamos se ele é feliz, obtivemos a seguinte resposta:
Muito! É muito bom você ter um reconhecimento. Quanto eu entrei
aqui pra tocar, muita gente me criticava, dizia que não ia dar conta.
Hoje, os que não acreditavam, estão me chamando pra trabalhar junto.
Já recebi várias propostas pra sair pra fora para tocar, pra outros
estados (Uigor N.).
Sobre a quantidade de crianças, tivemos:
Ano passado, quando eu entrei tinham seis, seis ou oito, no máximo!
E eu fui batalhando o ano inteiro e íamos para as apresentações...ano
passado eu consegui juntar vinte e dois, que foi a melhor apresentação
que a gente fez, foi lá no teatro, no Rubens Gil. Foi a melhor fase,
estava todo mundo interessado, ai depois passa um tempo, começam a
sair, muitos desistem. Mas hoje estou com quarenta e quatro. E estão
porque elas querem! (Uigor N.).
Sobre as diferenças em como chegaram e como estão:
Eles chegaram “crú” né, entendiam música por outra coisa, hoje se eu
pegar A. e N. e der uma música pra eles agora, no final da tarde eles
estão tocando. Antes eu passava duas semanas,três semanas tocando a
mesma música (Uigor N.).
Sobre o comportamento, a relação com os amigos, com familiares:
Sobre a família, quase não falam. Comigo mudou muito, até porque eu
tenho uma relação de amizade na verdade, as vezes eu sou até mais
brincalhão que eles e assim deu certo, eu sempre trabalhei assim,
nunca fui rígido com eles, as vezes um ou outro que extrapola, mas eu
não brigo, eu falo, eu peço, se tem como eles pararem... (Uigor N.).
Sobre o contato com a família, se eles o abordam, se dizem algo sobre as crianças:
A família não! Ou bem pouco, mas sempre tem um ou outro que
contam o que acontece em casa, muitos são bem calados, mas eu
sempre tentei conversar com eles (Uigor N.).
Ainda notamos um distanciamento da família com algumas atividades
relacionadas à ludicidade, como se estivessem desmembradas do processo educacional,
como se fossem secundárias no crescimento dos seus, porém, as famílias que se
interessam, que estão sempre presentes nas apresentações, almejam dar continuidade a
atividade musical, quando as crianças vierem a deixar o Projeto, pois acreditam em seu
potencial e instigam o aprendizado e as habilidades, permitindo o êxito crescente.
Considerações finais
O sentimento de infância tardou séculos para emergir, a passos lentos a figura de
um ser pequeno com os músculos de um adulto, passou a ser representada por um anjo e
posteriormente como uma criança de fato. O desapego pelos pequenos era naturalmente
visto, devido à grande mortalidade infantil, apenas no século XVII as famílias passaram
a se preocupar com a saúde das crianças, vacinando-as contra varíola e passando a ter
maiores cuidados com sua higiene, provocando assim, uma redução da mortalidade.
Posteriormente veio a inquietação quanto a educação e vagarosamente com a
atividade musical. Ainda assim, sempre que a mesma estava em contexto, era para
atender a interesses, que não dos educandos, mas da Igreja, do Estado. A alguns anos,
notamos a divulgação de iniciativas por parte de projetos sociais que tentam promover a
arte, em especial a música, como meio de oportunizar crianças e jovens, crescimento e
interesse por uma vida movida pelo triunfo.
Foi possível notarmos por meio dessa breve explanação - acerca da infância, das
contribuições que a atividade musical suscita, e o sucesso de um projeto social que
acredita na arte como meio para levar esperança e novos horizontes à crianças carentes -
, que basta uma iniciativa para que a realidade de muitos seja transformada.
Uma instituição séria, um professor comprometido e talentoso, crianças ávidas por
novas experiências, esse é o segredo para tantos aplausos. O fato de termos conseguido
apenas seis crianças para exporem sobre sua experiência se deu pelo fato de as
narrativas terem sido colhidas no final do ano e após as últimas apresentações do grupo.
A constatação de que quatro das seis pretendem continuar com a música após findarem
o projeto, nos traz a satisfação do êxito da fanfarra, pois vislumbram a música como
passaporte para uma vida melhor, mais cheia de ritmo, de sons, de reconhecimento,
aplausos. Não de forma pretenciosa, mas como sonho de prestígio naquilo em que
querem se dedicar.
A escuta dessas crianças de seu na forma de trios, onde elas eram liberadas pelo
professor ao término das aulas e direcionados à uma sala à parte, onde era exposto o
porquê desse momento, a importância de suas participações, tendo em vista que a partir
da fala delas é que se estruturaria o futuro artigo. Aos poucos elas foram se soltando,
embora ainda preocupadas, por estarem sendo ouvidas, o que as causaram uma certa
estranheza. Ocorreram no final de 2015.
Com o professor, o mesmo destinou seu horário de almoço para que pudéssemos
conversar e posteriormente, expor sua vida profissional. Mostrou-se inteiramente
disposto em nos ajudar, em todo o decorrer do processo de estudo. A escuta se deu entre
término de 2015 e início de 2016.
A concepção de música, presente na fala das crianças, está relacionada a arte, à
sentimentos, o que nos impulsiona a concluir que ao tocar, elas adentram outro mundo,
um mundo onde tudo conseguem, onde há reconhecimento e escuta, onde podem
mostrar seu potencial e ousarem, ousarem a adentrar novos horizontes.
Como se com uma simples oportunidade lhes concedida, tivessem o poder em
transformar muitos traços de sua vida, em outras palavras: Numa folha qualquer eles
podem desenhar um sol amarelo/E com cinco ou seis retas é fácil fazer um
castelo/Correm o lápis em torno da mão e lhes dão uma luva/E se fazem chover, com
dois riscos tem um guarda-chuva/Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do
papel/Num instante podem imaginar uma linda gaivota a voar no céu. Vai voando,
contornando a imensa curva norte-sul/ Vão com ela viajando Havaí, Pequim ou
Istambul/ Pintam um barco a vela branco navegando/ É tanto céu e mar num beijo azul.
Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená/ Tudo em volta colorindo,
com suas luzes a piscar/ Basta imaginar e ele estará partindo, sereno e lindo/ E se eles
quiserem ele vai pousar!
A possibilidade de transgredirem seu contexto e embarcarem da melodia,
sustentarem sonhos mediante ou não à calmaria, o impulso de sentirem-se ousados e
detentores de suas vidas e anseios, tudo isso, por meio apenas de uma iniciativa, de uma
oportunidade, de alguém que acredita na força dessas crianças.
Um sol amarelo, um castelo, uma luva, um guarda-chuva, uma gaivota voando,
um barco a vela, um avião, e muitas outras inspirações podem surgir de uma simples
nota, de uma simples apresentação, de simples aplausos. E o mais importante, não
descolorirá!
Nos acordes do violão, no som da Meia-lua, do Prato, Bloco, da Lira, do Bumbo,
do Vibrafone, da Percussão, também estará presente o entusiasmo, a êxtase, a esperança
de uma existência musicalmente linda e aplaudida de pé. O compasso da vida!
Porque a vida é bonita e sempre será, por meio das respostas das crianças, será
ainda mais, pois elas não tem vergonha de serem felizes, de cantar, e, acreditarem que
somos nós que fazemos a vida, por isso, eu fico com a pureza/Da resposta das crianças/
É a vida,
é bonita/ E é bonita. Viver/ E não ter a vergonha/ De ser feliz/ Cantar e cantar e cantar/
A beleza de ser/ Um eterno aprendiz. Ah meu Deus! Eu sei, eu sei/ Que a vida devia ser/
Bem melhor e será/ Mas isso não impede/ Que eu repita/ É bonita, é bonita/ E é bonita.
Gonzaguinha, Toquinho, traduzem muito bem a criança em sua essência, uma
criança que sonha, que vê a vida com olhos esperançosos, que buscam na vida, alegrias
e anseios que não traduzem ganância ou outros sentimentos presentes nos adultos que
instigam atitudes maliciosas. A criança é pura e suas respostas também!
REFERÊNCIAS
ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família; tradução de Dora Flaksman. –
2.ed.- Rio de Janeiro: LTC, 2006.
BENJAMIN. W. O Narrador. In. BENJAMIN. W. Magia e Técnica, Arte e Política:
ensaios sobre literatura e história da cultura. Obras escolhidas, vol. 1. São Paulo:
Brasiliense, 1985.
BRUNIS, Verônika. Música e Cidadania: O papel da música para o desenvolvimento
intelectual, emocional e moral do indivíduo. Disponível no site:
>http://www.ufjf.br/virtu/files/2010/04/artigo-2a24.pdf<. Acesso em 05 de janeiro de
2016, às 14 horas.
MARTINEZ, Andréia Pereira de Araújo; PEDERIVA, Patrícia Lima Martins. “Eu fico
com a pureza da resposta das crianças”: a atividade musical na infância. .1ed. –
Curitiba. PR: CRV, 2014.
PASSEGGI. María da Conceição. Narrativa Experiência y Reflexividad Autobiográfica:
Por una Epistemología del Sur em Educación. Simpósio Internacional de Narrativas en
Educación: Historias de vida, infancias y memoria. Tradutor e intérprete professor
Ricardo Castano Gaviria. S/d.
PONSO, Caroline Cao. Música na Escola: concepções de música das crianças no
contexto escolar. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
Programa de Pós-graduação em Educação, Porto Alegre, BR-RS, 2011. Disponível
em:>https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/36378/000816995.pdf?sequenc
e=1< Acesso em 05 de janeiro de 2016 às 15 horas.
REIS, Andreia Rezende Garcia; REZENDE, Ulisses Belleigoli. A música e o
desenvolvimento infantil: o papel da escola e do educador. Revista Eletrônica da
Faculdade Metodista Granbery http://re.granbery.edu.br - ISSN 1981 0377. Curso de
Pedagogia– N. 12, JAN/JUN 2012
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Aline ana suelen_viviany

  • 1. NA CADÊNCIA DA VIDA – VISLUMBRANDO EM CADA RITMO PRÓPRIO, A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA SOB A LUZ DA ATIVIDADE FANFARRA, PARA CRIANÇAS QUE INTEGRAM O PROJETO LUDICIDADE autoras: aline garcia mota - omep/br/ms; alinemota2009@hotmail.com 1 ana cláudia ferreira de Santana- omep/br/ms; anac.santana@outlook.com gepenaf 2 suélen de almeida- omep/br/ms; suelen_almeidaa@hotmail.com 3 viviany gonçalves lino borges - omep/br/ms; vivytim@hotmail.com gepenaf/ms4 EIXO: CULTURA, ARTE E TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO DA INFÂNCIA. COMUNICAÇÃO ORAL Resumo Este estudo tem como objetivo expor a importância da sociedade acreditar que é possível levar a arte, em especial a música, como instrumento para possibilitar a transformação de contextos regidos pela violência, pelas drogas, onde crianças e adolescentes advindos de uma realidade difícil, tem horizontes limitados, e, promoverem outras dimensões para o futuro desses pequenos. Este artigo conta com uma breve explanação acerca do sentimento da infância, corroborando com Philippe Ariès (2006), simultaneamente ao surgir desse, a atividade musical no Brasil, do século XVIII ao XXI, tendo como embasamento a obra de Andréia Martinez e Patrícia Pederiva (2014); as contribuições da atividade musical para a infância; a grande importância de um projeto social da Organização Mundial para Educação Pré-escolar, em Campo Grande no MS, para crianças de um bairro carente da capital; a fala dessas crianças sobre a música em suas vidas; a narrativa do professor da fanfarra, sobre sua história; as considerações finais acerca desse estudo. Foi a partir do encantamento das plateias que tornou-se necessário o emergir dessa investigação. Tantos aplausos e olhares admirados por toda dedicação e êxito de todas aquelas crianças, que não importava o tamanho, tornaram-se grandiosas em cada apresentação. Acreditar em um futuro melhor, é investir no presente, no presente que são as crianças. Palavras-chave: Educação; Infância; Futuro; Olhares; Aplausos 1 Professora do Instituto de Educação Infantil Professora Marisa Serrano IEMS/OMEP 2 Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas emNarrativas Formativas; Professora do Instituto de Educação Infantil Professora Marisa Serrano IEMS/OMEP 3 Professora do Instituto de Educação Infantil Professora Marisa Serrano IEMS/OMEP 4Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Narrativas Formativas; Professora do Instituto de Educação Infantil Professora Marisa Serrano IEMS/OMEP
  • 2. Introdução Philippe Ariès (1984), pesquisador francês, traz em seu livro História Social da Criança e da Família, a concepção de infância ao longo dos séculos, com base na cultura e educação. A descoberta da infância, segundo o autor (2006) teve início no século XIII, evoluindo nos séculos XV e XVI, no entanto o seu maior desenvolvimento ocorreu de forma numerosa e significativa no final do século XVI e durante o século XVII. No século XVII começa a surgir o “sentimento da infância”, próximo ao que conhecemos hoje, A criança adquiriu uma nova posição na família e na sociedade. Educadores e moralistas começaram a demonstrar preocupação com o desenvolvimento infantil, colocando a criança em uma condição diferente do adulto. Defendiam que a criança merecia atenção, cuidado e educação, e que isso deveria ocorrer em meio à participação do convívio direto com os adultos, mas num lugar específico para este fim, ou seja, a escola (MARTINEZ; PEDERIVA, 2014, p. 87). No século XX, esse sentimento passou a influenciar a educação e assim, a sociedade passara a aderir uma nova postura frente ao desenvolvimento da criança. Concomitantemente ao surgimento da consciência da infância no século XVIII, na Europa, no Brasil, estava acontecendo a educação das crianças indígenas por meio da educação dos Jesuítas. Havia nesse contexto, o interesse em catequizá-las e consequentemente atingir seus pais – tendo em vista a perda de território da Igreja Católica, por meio da Reforma Protestante -, assim como colonizar, frente aos interesses da Coroa Portuguesa. A atividade musical nesse período, se dava com esses objetivos, muitas vezes os jesuítas utilizavam os mesmos ritmos e instrumentos empregados pelas crianças indígenas, e, transpunham para o português com uma letra que atendia a seus interesses, tornando assim, familiar e de fácil assimilação, por meio das canções “conhecidas” os ensinamentos da catequese. Em 1822, após a independência do Brasil, a formação musical que a Escola Normal oferecia, estava baseada na função de disciplinar, transmitir valores e organizar o espaço escolar, para atender os interesses do Estado em formação, segundo Martinez e Pederiva (2014). Ainda segundo as autoras, no início da República, em 1889, a estrutura
  • 3. curricular da música, baseava-se em descobrir “talentos” e posteriormente formar futuros músicos. A partir de 1920, a Escola Nova ganhou espaço e, teve a música como forma de promover a socialização, harmonia, patriotismo e a formação moral e cívica. O canto orfeônico foi um instrumento bastante utilizado nesse contexto, favorecendo os interesses do Estado. O Movimento da Criatividade, ocorrido entre 1950 e 1960, teve como principal característica o laissez-faire, ou seja, deixar-fazer, a atividade musical ficou delegada a improvisação. Segundo as autoras anteriormente mencionadas, no Regime Militar, em 1964, a música passou a ser subordinada à Educação Artística, visando festividades e atividades recreativas. Atualmente, segundo Martinez e Pederiva (2014), estamos em um período de transição, em um movimento de retorno da música à Educação Básica, com amparo na Legislação. Música no percurso da vida Sempre ouvimos dizer que a música faz parte de qualquer indivíduo já a partir da vida intrauterina, segundo Verônica Brunis, em seu artigo Música e Cidadania: O papel da música para o desenvolvimento intelectual, emocional e moral do indivíduo, antes de nascer, o bebê se entretêm com os sons: O ouvido tem um desenvolvimento precoce, e, com os olhos ainda fechados, o feto escuta tudo com muita atenção dentro do útero. É uma verdadeira “orquestra” de sons que se apresenta dentro do ventre materno: entre batidas do coração e ruídos intestinais, existe uma variedade de ritmos. Como ele se encontra dentro do líquido, as freqüências agudas prevalecem na sua percepção, sendo a transmissão da voz materna através dos ossos da mãe. Estudos feitos na França ODENT 1986 mostram que um trabalho musical da mãe pode influenciar significativamente o bom andamento da gravidez e, principalmente, o parto (BRUNIS, s/d, p. 04). Sons que tornar-se-ão cada vez mais diversificados e que, salvo casos de surdez, não mais deixarão o indivíduo. A escola passa a ter um papel fundamental nesse processo, A música propicia abertura dos canais sensoriais, facilitando a expressão de emoções. As atividades musicais na escola não têm
  • 4. como objetivo necessariamente a formação de músicos profissionais, mas sim de oportunizar o contato da criança com o universo da música, o que a auxilia tanto no seu desenvolvimento como na sua aprendizagem (REIS; REZENDE, 2012, p. 07). A escola, tem a possibilidade de trabalhar vários gêneros musicais e, como a música é arte, promover um ambiente mais agradável por meio dessa, fazendo com que o órgão escolar seja também uma atmosfera prazerosa, pode também aguçar habilidades e permitir que por meio dessa, crianças se interessem profissionalmente por esta arte, A música possui papel fundamental no desenvolvimento infantil. A criança que cresce com música ao seu redor (conhecendo diversos estilos, participando de brincadeiras cantadas e sendo estimulada em atividades na escola) tem ganhos em diversas áreas de sua formação, o que comprova que a música pode ser considerada como um agente facilitador no processo educacional. As crianças que se interessam em ir além, investindo na capacitação e na formação musical, têm oportunidade de se inserir em um universo diferenciado, descobrindo novas possibilidades quanto à sua criatividade, suas formas de expressão e capacidade de improvisação (REIS; REZENDE, 2012, p. 10). Antes que alguém se pergunte, mas o que é música? Ponso (2011) responde que: Procuro pensar o conceito de música do modo mais aberto e amplo possível, de maneira que a produção dos alunos possa ser considerada música. Para isso, são dois os aspectos que me parecem indispensáveis a fim de que se defina música. São eles o som e a intenção. Imagino que qualquer som possa ser utilizado, se a intenção do aluno for criar uma composição musical. Na apreciação musical, tudo o que ouvimos como música, é o resultado da produção de um compositor que teve a intenção de fazer aquilo que se ouve, música (PONSO, 2011, p. 23). Essa definição permite pensar que todo som com intencionalidade é música, portanto, qualquer criança pode sentir-se um “fazedor”. Atividade musical na infância – século XXI Muitas vezes, o intuito da música na educação básica, em pleno século XXI, se baseia ainda nos objetivos de 1822, de organizar os espaço, a rotina, poucas vezes, as escolas tratam a música com coerência. Percebemos que a sociedade entendendo essa distorção, permite e instiga iniciativas de projetos sociais que visem uma outra proposta para a atividade musical.
  • 5. A Organização Mundial para Educação Pré-Escolar, OMEP, é uma entidade filantrópica, que foi criada em 1948 e que se ocupa de todos os aspectos relacionados ao cuidado e à educação de crianças de 0 a 4 anos. A cidade de Campo Grande/MS conta com o Instituto Educacional Professora Marisa Serrano (IEMS/OMEP), com a missão de promover a educação, a defesa dos direitos da criança e o aprimoramento dos recursos humanos envolvidos na Educação Infantil e o Projeto Ludicidade que atende crianças entre 04 e 14 anos, residentes no bairro Tiradentes, com atividades diversas que permitem à criança e adolescente o contato com a arte no contra turno da escola. Nas atividades do Projeto Ludicidade, está inclusa a Fanfarra, atualmente com treze crianças, essas cantam e tocam um, dois, três instrumentos. A fanfarra tem apresentado uma grande visibilidade dentre escolas e outros projetos devido a excelência de suas apresentações em eventos da OMEP e extra instituto. O que falam os integrantes... Algumas perguntas fizeram-se necessárias para nortear as revelações. Perguntas como o que é música para você, o que mudou na sua vida com seu ingresso na fanfarra, qual ou quais instrumentos toca, pretendem continuar de alguma forma, se dedicando à música após o encerramento das atividades no Projeto Ludicidade? Música pra mim é você tocar e cantar! Eu não sabia de nada sobre música, agora eu sei tocar instrumentos, toco três: Meia-lua, Prato e Bloco (R. 10 anos) Música pra mim é dançar,ficar relaxado! Mudou na minha vida, que eu achava fácil tocar instrumento, e daí, quando eu fui tocar, eu acheibem difícil, eu toco um instrumento, que é Prato! (K. 11 anos) A música pra mim é fazer sons e ...eu achava que era muito difícil e depois eu vi que era beem difícil. Toco Prato. (P. 12 anos) Pra mim, música é a arte de combinar sons! Pra mim ajudou na coordenação,toco Lira e Violão (N. 11 anos) Música é sentimento! Passeia ter mais vontade de aprender coisas novas. Toco Bumbo e Violão. (R. 12 anos)
  • 6. Música pra mim é sentimento. Me ajudou na coordenação. Toco Violão, Lira e Vibrafone. (A. 12 anos) Sobre continuarem com a música após findarem o Projeto, tivemos as seguintes respostas: Eu tenho duas aulas, uma é de instrumento de sopro, saxofone, essas coisas, que eu faço lá na minha igreja e tem aqui que é da percussão (R. 10 anos) Não! Quando eu for mais velha eu vou querer viajar com o circo (K.11 anos) Não! (P. 12 anos) Eu pretendo! Depois que terminar a minha faculdade, eu posso fazer a faculdade de música (N.11 anos) Posso dar aula, quem sabe? (R. 12 anos) Eu vou fazer faculdade de música e minha vó quer, saindo aqui da Omep, me colocar em outro curso de música, então eu vou seguir! (A.12 anos) Todas essas crianças residem no Bairro Tiradentes e arredores, um local bastante conhecido pela violência e incidência de drogas, essas por estarem neste contexto, ficam sujeitas à vulnerabilidade social, projetos sociais como o aqui apresentado, possibilitam novas expectativas e mudança de realidade para essa infância. Outro aspecto interessante, foi a escolha do professor, não buscaram um maestro, ou alguém de renome no meio musical. Passamos a palavra para o professor, para que possa contar sua história: Com a palavra o professor... Entendemos que as narrativas são elementos essenciais para compreendermos a importância desse projeto social que tem apresentado tanto êxito, ao detectarmos que o professor da fanfarra sentia-se à vontade para falar sobre sua história e sobre o Projeto, por meio de suas memórias, abarcamos suas narrativas formativas e de vida, pois no momento em que o narrador fala de si, ele reflete sobre sua existência dando mais sentido a sua trajetória, Uno de los principios fundadores de las narrativas como práctica de formación es su dimensión autopoiética. La persona al narrar su propia historia, busca dar sentido a sus experiencias y en esse trayecto, construye otra representación de sí: se reinventa (PASSEGGI, s/d, p. 06)
  • 7. Contar sobre sua vida, foi visivelmente expor de forma orgulhosa seus primeiro passos, seus primeiros acordes, sem receios, mas com grandeza em contar sua história, O narrador figura entre os mestres e os sábios. Ele sabe dar conselhos: não para alguns casos, como provérbio, mas para muitos casos, como o sábio. Pois pode recorrer ao acervo de toda uma vida (uma vida que não inclui apenas a própria experiência, mas em grande parte a experiência alheia. O narrador assimila à sua substância mais íntima aquilo que sabe por ouvir dizer). Seu dom é poder contar sua vida; sua dignidade é contá-la inteira. O narrador é o homem que poderia deixar a luz tênue de sua narração consumir completamente a mecha de sua vida (BENJAMIN, 1985, p. 221). Tudo o que o professor nos contara, tornou-se de grande relevância, tanto com relação ao seu empenho em tornar a música sua vida, como possibilitar que crianças e adolescentes também percebessem nessa arte, um sentido maior para seus sonhos, pois o fato de superarem o desafio em tocar um instrumento, incorporou o sentimento de superação, abrindo as portas para outros sonhos: Minha relação com a música começou desde pequeno. Eu nasci no meio da música, meu pai, meu tio. Eu com 16 para 17 anos; meu tio e meu pai trabalhavam com banda, meu avô era seresteiro, ele tocava em baile e sempre teve violão em casa, meu tio se interessou, ele começou primeiro, depois veio meu pai e, eles montaram banda, isso lá em Aquidauana. De lá eles vieram pra cá pra trabalhar onde é o Instituto Mirim agora. Sempre acompanhei meu pai e gostei! Comecei a estudar, até então eu não mexia com música, só estava no meio, com 15 anos eu comecei a me interessar, comecei a tocar violão, aprendi sozinho! Eu queria aprender e não tinha quem me ensinasse, arrumei um violão emprestado de um amigo, com um mês eu estava tocando. Daí me interessei por percussão, porque eu sempre gostei de música bem percussiva, dava um jeito de arrumar e aprendi, tudo sozinho. Com 17 anos apareceu a minha primeira oportunidade de emprego com música, nunca trabalhei com outra coisa, na verdade trabalhei numa gráfica, mas pouco tempo. Eu comecei a trabalhar na Orquestra, foi onde eu aprendi teoria musical, mesclava um tempo trabalhando e outro fazendo aula de teoria, mas nunca fiz aula prática de nada. Eu continuei com a percussão até os 18, dos 17 aos 18 fiz muitas apresentações com a Orquestra, gravei um DVD de chorinho. Esse DVD está disponível no Youtube, a gente faz até hoje o projeto, mas tudo relacionado a percussão. Nunca tinha tocado “batera”, aos 18 anos me interessei e fui aprender, comprei uma e comecei a estudar. Na metade dos 18 eu entrei na primeira dupla sertaneja, comecei a tocar e não parei mais. Sempre estudando, me aperfeiçoando e agora eu toco batera além de trabalhar com crianças. Comecei a dar aula, não tinha nem 18 anos, na primeira escola, tive que esperar para me contratarem, trabalhei um tempo sem registro. Ano passado eu estava em três escolas (Uigor N.)
  • 8. Quantos instrumentos toca e idade: Bateria, Violão , cavaco , banjo e percussão geral! 20 anos (Uigor N.) Sobre o início da sua carreira de instrutor de fanfarra: Foi assim: eu trabalhava na Orquestra, daí o Eduardo Martinelli (eu toquei na Orquestra Sinfônica, na Orquestra da Fundação Barbosa Rodrigues, na Fila Harmônica do Pantanal e fui emprestado para outras) ai ele chegou e falou assim “gente vai rolar um projeto da Prefeitura pra ensinar a molecada a tocar percussão”, mas ele não tinha falado que era banda e perguntou: “quem se interessa?” eu me interessei e mais uns seis se interessaram, ai ele falou o que fazia, como fazia, o processo seletivo. Fomos à SEMED o dia que tínhamos que ir. Só dois passaram, ai a gente foi lá achando que era percussão, mas era banda, e eu mesmo não tinha trabalhado com criança ainda. Pensei, mas falei, não vou desistir não! Ai assim, fui indo. Na Orquestra funciona assim, de manhã funciona a banda e à tarde a Orquestra, então fui de manhã lá, perguntei pro maestro, pedi dicas pra ele, pra ver como funcionava, pesquisei bastante no Youtube, perguntei pro meu pai mesmo, me ajudou bastante no começo (Uigor N.). E referente ao seu ingresso na Omep : Num dia de manhã me ligaram, era a Mayara me ligando: “- Oi é o Uigor? - Oi é sim. - Entao o Mateus (parceiro da orquestra sinfônica) indicou seu nome aqui, num projeto da fanfarra.” Ela explicou sobre o projeto e me perguntou se eu tinha alguém pra indicar ou se eu me interessava. Eu disse que tinha interesse e ela falou “vamos fazer assim, você vem aqui amanhã para nós conversarmos”. Ai eu falei que já trabalhava com crianças na fanfarra no bairro Nova Campo Grande, expliquei como funcionava. Ela (Mayara) pediu um currículo pra mim, eu deixei o currículo, passou uma semana eu já comecei a trabalhar aqui. Meu primeiro Desfile, olha eu entrei em julho e desfilei em agosto, eu tinha que montar uma banda e desfilar, eu montei a banda e desfilei! Não 100% de aluno, mas amigos, parentes. Sempre faço o meu melhor. E foi assim. (Uigor N.) Indagado sobre a quanto tempo está no Projeto: Aqui? Dois anos e um mês Hoje estou só aqui! Não estava conciliando e eu comecei a mexer mais com música ainda (bandas sertanejas), pra você ter uma ideia, eu começo a tocar na quinta, vou parar no domingo, quase não durmo, troco o dia pela noite (...)(Uigor N.)
  • 9. Sobre sua rotina, perguntamos se ele é feliz, obtivemos a seguinte resposta: Muito! É muito bom você ter um reconhecimento. Quanto eu entrei aqui pra tocar, muita gente me criticava, dizia que não ia dar conta. Hoje, os que não acreditavam, estão me chamando pra trabalhar junto. Já recebi várias propostas pra sair pra fora para tocar, pra outros estados (Uigor N.). Sobre a quantidade de crianças, tivemos: Ano passado, quando eu entrei tinham seis, seis ou oito, no máximo! E eu fui batalhando o ano inteiro e íamos para as apresentações...ano passado eu consegui juntar vinte e dois, que foi a melhor apresentação que a gente fez, foi lá no teatro, no Rubens Gil. Foi a melhor fase, estava todo mundo interessado, ai depois passa um tempo, começam a sair, muitos desistem. Mas hoje estou com quarenta e quatro. E estão porque elas querem! (Uigor N.). Sobre as diferenças em como chegaram e como estão: Eles chegaram “crú” né, entendiam música por outra coisa, hoje se eu pegar A. e N. e der uma música pra eles agora, no final da tarde eles estão tocando. Antes eu passava duas semanas,três semanas tocando a mesma música (Uigor N.). Sobre o comportamento, a relação com os amigos, com familiares: Sobre a família, quase não falam. Comigo mudou muito, até porque eu tenho uma relação de amizade na verdade, as vezes eu sou até mais brincalhão que eles e assim deu certo, eu sempre trabalhei assim, nunca fui rígido com eles, as vezes um ou outro que extrapola, mas eu não brigo, eu falo, eu peço, se tem como eles pararem... (Uigor N.). Sobre o contato com a família, se eles o abordam, se dizem algo sobre as crianças: A família não! Ou bem pouco, mas sempre tem um ou outro que contam o que acontece em casa, muitos são bem calados, mas eu sempre tentei conversar com eles (Uigor N.). Ainda notamos um distanciamento da família com algumas atividades relacionadas à ludicidade, como se estivessem desmembradas do processo educacional, como se fossem secundárias no crescimento dos seus, porém, as famílias que se interessam, que estão sempre presentes nas apresentações, almejam dar continuidade a
  • 10. atividade musical, quando as crianças vierem a deixar o Projeto, pois acreditam em seu potencial e instigam o aprendizado e as habilidades, permitindo o êxito crescente. Considerações finais O sentimento de infância tardou séculos para emergir, a passos lentos a figura de um ser pequeno com os músculos de um adulto, passou a ser representada por um anjo e posteriormente como uma criança de fato. O desapego pelos pequenos era naturalmente visto, devido à grande mortalidade infantil, apenas no século XVII as famílias passaram a se preocupar com a saúde das crianças, vacinando-as contra varíola e passando a ter maiores cuidados com sua higiene, provocando assim, uma redução da mortalidade. Posteriormente veio a inquietação quanto a educação e vagarosamente com a atividade musical. Ainda assim, sempre que a mesma estava em contexto, era para atender a interesses, que não dos educandos, mas da Igreja, do Estado. A alguns anos, notamos a divulgação de iniciativas por parte de projetos sociais que tentam promover a arte, em especial a música, como meio de oportunizar crianças e jovens, crescimento e interesse por uma vida movida pelo triunfo. Foi possível notarmos por meio dessa breve explanação - acerca da infância, das contribuições que a atividade musical suscita, e o sucesso de um projeto social que acredita na arte como meio para levar esperança e novos horizontes à crianças carentes - , que basta uma iniciativa para que a realidade de muitos seja transformada. Uma instituição séria, um professor comprometido e talentoso, crianças ávidas por novas experiências, esse é o segredo para tantos aplausos. O fato de termos conseguido apenas seis crianças para exporem sobre sua experiência se deu pelo fato de as narrativas terem sido colhidas no final do ano e após as últimas apresentações do grupo. A constatação de que quatro das seis pretendem continuar com a música após findarem o projeto, nos traz a satisfação do êxito da fanfarra, pois vislumbram a música como passaporte para uma vida melhor, mais cheia de ritmo, de sons, de reconhecimento, aplausos. Não de forma pretenciosa, mas como sonho de prestígio naquilo em que querem se dedicar. A escuta dessas crianças de seu na forma de trios, onde elas eram liberadas pelo professor ao término das aulas e direcionados à uma sala à parte, onde era exposto o porquê desse momento, a importância de suas participações, tendo em vista que a partir da fala delas é que se estruturaria o futuro artigo. Aos poucos elas foram se soltando,
  • 11. embora ainda preocupadas, por estarem sendo ouvidas, o que as causaram uma certa estranheza. Ocorreram no final de 2015. Com o professor, o mesmo destinou seu horário de almoço para que pudéssemos conversar e posteriormente, expor sua vida profissional. Mostrou-se inteiramente disposto em nos ajudar, em todo o decorrer do processo de estudo. A escuta se deu entre término de 2015 e início de 2016. A concepção de música, presente na fala das crianças, está relacionada a arte, à sentimentos, o que nos impulsiona a concluir que ao tocar, elas adentram outro mundo, um mundo onde tudo conseguem, onde há reconhecimento e escuta, onde podem mostrar seu potencial e ousarem, ousarem a adentrar novos horizontes. Como se com uma simples oportunidade lhes concedida, tivessem o poder em transformar muitos traços de sua vida, em outras palavras: Numa folha qualquer eles podem desenhar um sol amarelo/E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo/Correm o lápis em torno da mão e lhes dão uma luva/E se fazem chover, com dois riscos tem um guarda-chuva/Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel/Num instante podem imaginar uma linda gaivota a voar no céu. Vai voando, contornando a imensa curva norte-sul/ Vão com ela viajando Havaí, Pequim ou Istambul/ Pintam um barco a vela branco navegando/ É tanto céu e mar num beijo azul. Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená/ Tudo em volta colorindo, com suas luzes a piscar/ Basta imaginar e ele estará partindo, sereno e lindo/ E se eles quiserem ele vai pousar! A possibilidade de transgredirem seu contexto e embarcarem da melodia, sustentarem sonhos mediante ou não à calmaria, o impulso de sentirem-se ousados e detentores de suas vidas e anseios, tudo isso, por meio apenas de uma iniciativa, de uma oportunidade, de alguém que acredita na força dessas crianças. Um sol amarelo, um castelo, uma luva, um guarda-chuva, uma gaivota voando, um barco a vela, um avião, e muitas outras inspirações podem surgir de uma simples nota, de uma simples apresentação, de simples aplausos. E o mais importante, não descolorirá! Nos acordes do violão, no som da Meia-lua, do Prato, Bloco, da Lira, do Bumbo, do Vibrafone, da Percussão, também estará presente o entusiasmo, a êxtase, a esperança de uma existência musicalmente linda e aplaudida de pé. O compasso da vida! Porque a vida é bonita e sempre será, por meio das respostas das crianças, será ainda mais, pois elas não tem vergonha de serem felizes, de cantar, e, acreditarem que
  • 12. somos nós que fazemos a vida, por isso, eu fico com a pureza/Da resposta das crianças/ É a vida, é bonita/ E é bonita. Viver/ E não ter a vergonha/ De ser feliz/ Cantar e cantar e cantar/ A beleza de ser/ Um eterno aprendiz. Ah meu Deus! Eu sei, eu sei/ Que a vida devia ser/ Bem melhor e será/ Mas isso não impede/ Que eu repita/ É bonita, é bonita/ E é bonita. Gonzaguinha, Toquinho, traduzem muito bem a criança em sua essência, uma criança que sonha, que vê a vida com olhos esperançosos, que buscam na vida, alegrias e anseios que não traduzem ganância ou outros sentimentos presentes nos adultos que instigam atitudes maliciosas. A criança é pura e suas respostas também! REFERÊNCIAS ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família; tradução de Dora Flaksman. – 2.ed.- Rio de Janeiro: LTC, 2006. BENJAMIN. W. O Narrador. In. BENJAMIN. W. Magia e Técnica, Arte e Política: ensaios sobre literatura e história da cultura. Obras escolhidas, vol. 1. São Paulo: Brasiliense, 1985. BRUNIS, Verônika. Música e Cidadania: O papel da música para o desenvolvimento intelectual, emocional e moral do indivíduo. Disponível no site: >http://www.ufjf.br/virtu/files/2010/04/artigo-2a24.pdf<. Acesso em 05 de janeiro de 2016, às 14 horas. MARTINEZ, Andréia Pereira de Araújo; PEDERIVA, Patrícia Lima Martins. “Eu fico com a pureza da resposta das crianças”: a atividade musical na infância. .1ed. – Curitiba. PR: CRV, 2014. PASSEGGI. María da Conceição. Narrativa Experiência y Reflexividad Autobiográfica: Por una Epistemología del Sur em Educación. Simpósio Internacional de Narrativas en Educación: Historias de vida, infancias y memoria. Tradutor e intérprete professor Ricardo Castano Gaviria. S/d. PONSO, Caroline Cao. Música na Escola: concepções de música das crianças no contexto escolar. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Programa de Pós-graduação em Educação, Porto Alegre, BR-RS, 2011. Disponível em:>https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/36378/000816995.pdf?sequenc e=1< Acesso em 05 de janeiro de 2016 às 15 horas. REIS, Andreia Rezende Garcia; REZENDE, Ulisses Belleigoli. A música e o desenvolvimento infantil: o papel da escola e do educador. Revista Eletrônica da Faculdade Metodista Granbery http://re.granbery.edu.br - ISSN 1981 0377. Curso de Pedagogia– N. 12, JAN/JUN 2012