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BRINCAR E CONTAR HISTÓRIAS, RESGATES NECESSÁRIOS
Jane Marí Paim
Centro Universitário Anhanguera de Campo Grande Unidade I
jane.paim@anhanguera.com
EDUCAÇÃO DA INFÂNCIA: BRINCAR E CRIAR NOS ESPAÇOS
INSTITUCIONAIS
Comunicação Oral
“ Que cordeiros iremos preparar para tantos lobos …” MEIRELES, 1979, p.104
RESUMO: As crianças brasileiras brincam menos de duas horas por dia ao ar livre - fora de
casa, mesmo tempo disponível para o banho de sol de um preso. A constatação chocante foi
resultado de uma pesquisa realizada pela OMO, chamada Valor do Brincar.O trabalho
dirigido por Edelman Berland, da agência independente de pesquisa de marketing, ouviu doze
mil pais de crianças de 05 a 12 anos,de dez nações - EUA, Brasil, Reino Unido, Turquia,
Portugal, África do Sul, Vietnã, China, Indonésia e Índia-, de fevereiro a março de 2016, para
conhecer o que os pais pensam sobre a brincadeira ao ar livre e como é o dia dos seus filhos.
Os dados dessa pesquisa chocam porque são recentes. Mas há outros que vêm se mantendo ao
longo do tempo e já não causam estranheza, mas são tão importantes de serem discutidos
quanto o do brincar, por exemplo, a leitura de livros infantis e a formação de leitores.
Resgates... Há muitas questõesque a tecnologia não supera e que deveria estar entre as
escolhas da família de hoje: além do brincar, a leitura de textos infantis e a ciência de que a
responsabilidade na formação dos filhos é da família!
Palavras-chave: Brincar. Leitura. Formação dos filhos.
As crianças brasileiras brincam menos de duas horas por dia ao ar livre - fora de
casa, mesmo tempo disponível para o banho de sol de um preso. A constatação chocante foi
resultado de uma pesquisa realizada pela OMO, chamada Valor do Brincar.
(http://www.dirtisgood.com/br/truth-about-
dirt.html?gclid=CKL_lYSZlswCFYpZhgodWNMAnQ;ALEGRETTI, 2016).
Otrabalho dirigido por Edelman Berland, da agência independente de pesquisa de
marketing,ouviu doze mil pais de crianças de 05 a 12 anos,de dez nações - EUA, Brasil,
Reino Unido, Turquia, Portugal, África do Sul, Vietnã, China, Indonésia e Índia-, de fevereiro
a março de 2016, para conhecer o que os pais pensam sobre a brincadeira ao ar livre e como é
o dia dos seus filhos.
Outros dados relevantes foram levantados no estudopublicado amplamente nos sites
da marca e nas páginas amarelas da Revista Veja ( ALEGRETTI, 2016 )
A primeira conclusão é de que56% das crianças brincam ao ar livre uma hora ou
menos; uma em cada 5 crianças passa 30 minutos ou menos ao ar livre; e uma em cada 10
nunca brinca ao ar livre. E ainda pior, as crianças passam 50% a mais do seu tempo em frente
às telas dos eletrônicos do que ao ar livre.
O segundo ponto refere-se aos pais: dois terços admitem que seus filhos brincam
menos ao ar livre do que sua própria geração; 56% concordam que é preciso reequilibrar a
rotina das crianças para fazer com que as brincadeiras que trazem benefícios para o
crescimento possam acontecer; e 93% deles acreditamque brincar menos a ar livre afeta o
aprendizado dos filhos.(Valor do Brincar, 2016).
Os dados dessa pesquisa chocam porque são recentes. Mas há outros que vêm se
mantendo ao longo do tempo e já não causam estranheza, mas são tão importantes de
seremdiscutidos quanto o do brincar, por exemplo, a leitura de livros infantis e a formação de
leitores.
Conforme pesquisa Ibope/Pró-Livro (2012) divulgada pela revista Companysul, no
site http://eraumavezuem.blogspot.com.br/
[...] 77 milhões de pessoas não leem livros regularmente, ou seja,
92% da população brasileira não tem o hábito da leitura. Dos 8% que leem, a
maior parte são mulheres e o livro preferido dos adultos segue sendo a Bíblia
Sagrada. No Brasil a cada ano são lidos 4,7 livros por pessoa, enquanto na
França a média passa de 10.
Esses dados são consequência de vários fatores, entre eles, o fato de que o adulto de
hoje – avesso à leitura – não desenvolveu o hábito da leitura na infância.
Há que se rever, neste ponto – a família – antigamente, tínhamos uma realidade
muito diferente: famílias numerosas – não havia controle da natalidade-, pais com inúmeras
atividades para dar conta da manutenção dos seus, muitos analfabetos, sem acesso a
informações passavam à escola a responsabilidade da educação dos filhos.
Hoje,os casais fazem uma opção: ter ou não, filhos. E se optam por tê-los, são em
número reduzido. Têm acesso à informação e conhecem muito do que é importante para a
formação dos filhos. Mas os problemas são outros: persiste a falta de tempo; à necessidade de
segurança, limita-se às atividades e aos espaços; o computador, televisão e celular ocupam o
tempo que sobra depois do inglês, da ginástica, da música; prima-se pela ocupação por
qualquer meio – quando a escola decreta feriado prolongado é uma tortura porque os pais não
sabem o que fazer com os filhos em casa. E neste contexto, a paciência é curta; brincar é um
verbo que não existe; e ler está em desuso.
Resgates... Há muitas coisas que a tecnologia não supera e que deveria estar entre as
escolhas desta nova família: além do brincar, a leitura de textos infantis (SOUSA E GOMES,
1994; GONZÁLEZ ALVAREZ, 2000; apud BALÇA, 2008).
O psicólogo James Hillmann afirma que a pessoa que leu histórias ou para quem
leram histórias na infância “está em melhores condições e tem um prognóstico melhor do que
aquela à qual é preciso apresentar histórias [...]”Chegar cedo na vida já é uma perspectiva de
vida (Manguel, 1997, p. 23, apud PAIM, 2000).
Fanny Abramovich, autora do livro Literatura Infantil, escreve que seu primeiro
contato com o mundo mágico das histórias aconteceu quando ainda era muito pequena,
ouvindo a mãe contar algo bonito todas as noites. Depois, a volúpia de poder ler sozinha, de
mergulhar no mundo mágico das letras pretas que remetiam a tantas histórias fantásticas
(1997, p. 11).
Ler, para mim, sempre significou abrir todas as comportas para entender o
mundo através dos olhos dos autores e da vivência das personagens... Ler foi
sempre maravilha, gostosura, necessidade primeira e básica, prazer
insubstituível... E continua, lindamente, sendo exatamente isso! (1997, p. 14)
O primeiro contato da criança com o texto se dá através da oralidade. O pai, a mãe,
os avós, contando ou lendo histórias. Mesmo em contextos onde o livro não é familiar com
pessoas que não dominam a leitura escrita, contar histórias aproxima, estreita laços de afeto.
Além disso, possibilita a descoberta de um mundo imaginário: a resposta para tantas questões,
a identificação com personagens, emoções diversas, outros lugares e pessoas.
Ouvir histórias é de extrema importância para a formação da criança e do leitor.
“Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho
absolutamente infinito de descoberta e compreensão do mundo.” (ABRAMOVICH, 1997, p.
16).
Remonta ao início da civilização o ato de contar histórias. Nele se perpetua a
literatura oral, registrando os fatos e atos dos povos. Contar e ouvir satisfaz a sede de
conhecimento e instrução que é característica do ser humano.
O gosto de contar histórias é idêntico ao de escrever”, diz Cecília Meireles (1975, p.
42). O gosto de ouvir é como o gosto de ler. Segundo ela, as bibliotecas antes de prenderem
as vozes nos livros, foram vivas e humanas.
Mesmo com o advento da imprensa, a prática do contar histórias permanece na
literatura tradicional: na cantiga de ninar, nas parlendas, nas falas dos jogos.
Antigamente (e felizmente em algumas famílias ainda acontece) a família se
aconchega para contar e ouvir histórias. Esse traço de afeto era vital para a formação da
criança e também do leitor. O livro vem suprir o convívio e as histórias cantadas - em função
dos tempos modernos, em muitos lares abolidas (MAGALHÃES E ALÇADA, 1988).
Hoje, não se presenteia uma criança com livros. Um brinquedo é mais eficaz. O
primeiro, toma tempo, exige proximidade. O segundo, é o tempo da escolha e do entregar.
Rápido. Eficiente. Aliás, dar um livro a uma criança hoje, numa família que não tem
relacionamento estreito com livros é pedir briga. Aliado a isso, com um brinquedo a criança
brinca sozinha.
O hábito de leitura se forma antes mesmo do saber ler - ouvindo histórias se treina a
relação com o mundo. Conhece, questiona, avalia, critica, emociona-se, penaliza-se,
identifica- se com personagens, lugares e situações.
É precondição para a criação do hábito da leitura, a prática regular.E os modelos do
meio - família, escola, amigos, são incorporados com mais facilidade. O hábito concretiza- se
se fundado no prazer, interesse, necessidade, beneficio que o leitor tiver com os livros. Nessa
ordem!
Paralelamente ao contar histórias, os pais devem proporcionar desde cedo, o contato
da criança com os livros, contemplando gravuras e nominando-as. Assim, junto com a
linguagem, a criança desenvolve a afeição pelo livro. Mostrando também as palavras
associadas à gravura, a criança já está desenvolvendo um “vocabulário ocular”. Mesmo
depois de alfabetizada, os pais continuam sendo de grande importância no processo de
formação do leitor, interessando-se pelas leituras feitas e emocionando-se com elas. Os pais
devem ter claro que o seu modelo - exemplo - é decisivo. Se gostarem de ler, com certeza,
seus filhos serão leitores. É a prática. É o cotidiano lento do ver, ouvir, conviver com a prática
de leitura que vai formando leitores.
Martha Medeiros, cronista gaúcha conhecida no país inteiro pelos seus escritos –
principalmente a partir de Lilian Cabral que transformou sua obra O Divã, em peça de teatro,
filme e série, em cartaz por mais de dez anos -deu entrevista no programa Mais Você, no dia
25 de abril, ratificando o binômio leitura e família. “Eu gostava muito de ler. Esse foi o
grande diferencial: a leitura e a minha família. Muito cinema. Muita música. Eu tinha um
ambiente familiar muito propício para o desenvolvimento da sensibilidade”. (MEDEIROS,
1016).
E se aprende pelo exemplo! O que somos, a forma como agimos, os valores que
desenvolvemos, o trejeito, o virar dos cabelos, o andar, tudo vem das nossas raízes. Nada
surge do nada. Quando revisitamos a nossa história, com olhos mais atentos, verificamos que
há uma razão lógica para tudo. O que vivenciamos, o que aprendemos, as pessoas com quem
convivemos, aparecem nas nossas atitudes, na nossa fala e na nossa vida.
Na verdade, os pais são um modelo com um papel decisivo, uma vez que se
eles forem leitores regulares, certamente conseguirão fomentar nos filhos a
curiosidade pela leitura e o desejo de lerem. De facto, a interiorização da
ideia de que a leitura é uma actividade quotidiana e o crescimento da criança
numa família que valoriza o livro, são aspectos que concorrem para que a
criança possa ter uma maior tendência e uma maior motivação para a leitura
(GOMES, 1996; SANTOS, 2000; apud BALÇA, 2008).
Lya Lut antes de aprender a ler, ouvia histórias. Considerava esse o melhor dos
brinquedos. Era o jogo que queria jogar quando capaz, inventando gente e brincando com
palavras “essas conchas demúsica que me assustavam ou divertiam, rolando de um lado para
outro em meu pensamento”. A sua literatura recebeu influência dos contos de fadas com seus
condenados, suas bruxas, o sofrimento como preço de qualquer alegria, e do Velho
Testamento para crianças, com tremendos desenhos de bico de pena “ um Deus de olhos
satânicos assentado em nuvens de trovão” ( LUFT, 1996, p.132-133; GONZÁLEZ
ALVAREZ (2000), apud BALÇA, 2008; PAIM, 2000 )
A criança já nasce leitora da vida, na descoberta de tudo o que a rodeia. Já percebe as
gentes, o cenário, as cores, as luzes. E vai se construindo na medida das suas descobertas. As
cantigas de ninar, as narrativas dos contos de fadas, das histórias de família, tudo vai
contribuindo na sua formação. Ela é poesia, imaginação, expectativa, ansiedade. Entra na
escola com o coração aos pulos, nesse mundo todo novo que a envolve. Vai perdendo com o
passar do tempo, a poesia, a imaginação... no meio das letras e das obrigações. E o coração se
acalma entre a cadeira e a classe, conforma-se, ajeita-se. No final, ainda resta o recreio para o
riso, a parceria, a troca.
Cabe à família a mudança deste cenário. Oportuna assim, a fala magistral de
Guimarães Rosa:
O senhor... Mire veja: o mais importante e bonito do mundo, é isto:
que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas
que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o
que a vida me ensinou. Isso me alegra, montão. (Rosa, 1965, p. 20-21)
Grande parte da responsabilidade na formação da criança transferiu-se ao longo da
história, da família para a escola. Esse dado fornecido pela pesquisa, volta os nossos olhos
novamente para a família, como meio formador da criança, por conhecê-la muito mais do que
os professores; por ter sob seu égide necessariamente um tempo muito grande com seus
filhos e esse tempo precisa ser revisto, precisa ser de qualidade sob pena de comprometer a
vida dos seus. A criança que não tevea experiência de ler histórias, de brincar no parque, de
curtir e partilhar momentos divertidos e interessantes com a família e amigos, com certeza
será um adulto comprometido e mais, vai fazer igualzinho com seus filhos.
Nesse contexto, corroboramos as ideias de Berland:
É com brincadeiras que as crianças aprendem a sociabilizar-se, conhecem as
regras da cooperação e da competição, recebem estímulos à imaginação.
Essas capacidades são ainda mais importantes quando viramos adultos. São
características das quais nossas economias dependem hoje em dia.
(ALEGRETTI, 2016)
Ter liberdade para brincar, explorar o mundo e se sujar não é só divertido, mas algo essencial
para o futuro das crianças, diz o site do Valor do Brincar (2016). E a certeza de que estaremos
enquanto família, propiciando plenas condições aos nossosfilhos de estarem no mundo em condições
de viver com dignidade – nem lobos nem cordeiros- pessoas!
REFERÊNCIAS:
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo : Scipione,
1997.
ALEGRETTI, Fernanda, “A criatividade nasce da diversidade”. InRevista Veja: São Paulo
edição 2474, ano 49, nº. 16, p. 15-19, de 20.04.2016
BALÇA, Angela. O papel da familia na formação do leitor. 2008. Disponível em
http://www.portaldacrianca.com.pt/artigosa.php?id=48; acesso em 23.04.2016
IBOPE PROLIVRO Disponível em http://eraumavezuem.blogspot.com.br/; acesso em
23.04.2016
GOMES, José António. Da Nascente à Voz – Contributos para uma Pedagogia da
Leitura. 1ª ed. Lisboa: Caminho, 1996
GÓMEZ DEL MANZANO, Mercedes. A criança e a leitura. Como fazer da criança um
leitor. Porto: Porto Ed, 1988
GONZÁLEZ ALVAREZ, Cristóbal. Estrategias y procedimientos para fomentar
lalecturaenlafamilia y enlaescuela. Lenguaje y textos. 15. Universidade da Coruña, 71-80,
2000
LUFT, Lya. O rio do meio. São Paulo : Mandarim, 1996
MAGALHÃES, Ana Maria & ALÇADA, Isabel. Ler ou não ler eis a questão. Lisboa:
Caminho, 1988
MANGUEL, Alberto. Uma história de leitura. Trad. Pedro Maia Soares. São Paulo: Compa-
nhia das Letras, 1997
MARQUES, Ramiro. Ensinar a ler, aprender a ler. 5ª ed. Lisboa: Texto, 1993
MEDEIROS, Martha. Entrevista concedida no programa Ana Maria Bragaem 20.04.2016;
Disponível em httpgloboplay.globo.com. Acesso em 20.04.2016
MEIRELES, Cecília. Problemas da literatura infantil. São Paulo: Sumus, 1979.
PAIM, Jane Marí. Da sedução do professor pela literatura à sedução do aluno. Ijuí, RS:
150 p. Dissertação (Mestrado em Educação nas Ciências) - Programa de Pós-Graduação em
Educação - PPGE, Universidade de Ijuí, RS 2000.
ROSA, Guimaraes. Grande Sertão Veredas. 4 ed. Rio de Janeiro. Olympo, 1965.
SANTOS, Elvira Moreira. Hábitos de leitura em crianças e adolescentes. Um estudo em
escolas secundárias. Coimbra: Quarteto, 2000.
SOUSA, Maria Elisa & GOMES, José António. Ler é preciso? A escola e a leitura. São
Paulo: Centro de Formação dos Professores de Pombal, Secção Portuguesa do IBBY, 1994.
Valor do BrincarDisponível em (http://www.dirtisgood.com/br/truth-about-
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  • 1. BRINCAR E CONTAR HISTÓRIAS, RESGATES NECESSÁRIOS Jane Marí Paim Centro Universitário Anhanguera de Campo Grande Unidade I jane.paim@anhanguera.com EDUCAÇÃO DA INFÂNCIA: BRINCAR E CRIAR NOS ESPAÇOS INSTITUCIONAIS Comunicação Oral “ Que cordeiros iremos preparar para tantos lobos …” MEIRELES, 1979, p.104 RESUMO: As crianças brasileiras brincam menos de duas horas por dia ao ar livre - fora de casa, mesmo tempo disponível para o banho de sol de um preso. A constatação chocante foi resultado de uma pesquisa realizada pela OMO, chamada Valor do Brincar.O trabalho dirigido por Edelman Berland, da agência independente de pesquisa de marketing, ouviu doze mil pais de crianças de 05 a 12 anos,de dez nações - EUA, Brasil, Reino Unido, Turquia, Portugal, África do Sul, Vietnã, China, Indonésia e Índia-, de fevereiro a março de 2016, para conhecer o que os pais pensam sobre a brincadeira ao ar livre e como é o dia dos seus filhos. Os dados dessa pesquisa chocam porque são recentes. Mas há outros que vêm se mantendo ao longo do tempo e já não causam estranheza, mas são tão importantes de serem discutidos quanto o do brincar, por exemplo, a leitura de livros infantis e a formação de leitores. Resgates... Há muitas questõesque a tecnologia não supera e que deveria estar entre as escolhas da família de hoje: além do brincar, a leitura de textos infantis e a ciência de que a responsabilidade na formação dos filhos é da família! Palavras-chave: Brincar. Leitura. Formação dos filhos. As crianças brasileiras brincam menos de duas horas por dia ao ar livre - fora de casa, mesmo tempo disponível para o banho de sol de um preso. A constatação chocante foi resultado de uma pesquisa realizada pela OMO, chamada Valor do Brincar. (http://www.dirtisgood.com/br/truth-about- dirt.html?gclid=CKL_lYSZlswCFYpZhgodWNMAnQ;ALEGRETTI, 2016). Otrabalho dirigido por Edelman Berland, da agência independente de pesquisa de marketing,ouviu doze mil pais de crianças de 05 a 12 anos,de dez nações - EUA, Brasil, Reino Unido, Turquia, Portugal, África do Sul, Vietnã, China, Indonésia e Índia-, de fevereiro
  • 2. a março de 2016, para conhecer o que os pais pensam sobre a brincadeira ao ar livre e como é o dia dos seus filhos. Outros dados relevantes foram levantados no estudopublicado amplamente nos sites da marca e nas páginas amarelas da Revista Veja ( ALEGRETTI, 2016 ) A primeira conclusão é de que56% das crianças brincam ao ar livre uma hora ou menos; uma em cada 5 crianças passa 30 minutos ou menos ao ar livre; e uma em cada 10 nunca brinca ao ar livre. E ainda pior, as crianças passam 50% a mais do seu tempo em frente às telas dos eletrônicos do que ao ar livre. O segundo ponto refere-se aos pais: dois terços admitem que seus filhos brincam menos ao ar livre do que sua própria geração; 56% concordam que é preciso reequilibrar a rotina das crianças para fazer com que as brincadeiras que trazem benefícios para o crescimento possam acontecer; e 93% deles acreditamque brincar menos a ar livre afeta o aprendizado dos filhos.(Valor do Brincar, 2016). Os dados dessa pesquisa chocam porque são recentes. Mas há outros que vêm se mantendo ao longo do tempo e já não causam estranheza, mas são tão importantes de seremdiscutidos quanto o do brincar, por exemplo, a leitura de livros infantis e a formação de leitores. Conforme pesquisa Ibope/Pró-Livro (2012) divulgada pela revista Companysul, no site http://eraumavezuem.blogspot.com.br/ [...] 77 milhões de pessoas não leem livros regularmente, ou seja, 92% da população brasileira não tem o hábito da leitura. Dos 8% que leem, a maior parte são mulheres e o livro preferido dos adultos segue sendo a Bíblia Sagrada. No Brasil a cada ano são lidos 4,7 livros por pessoa, enquanto na França a média passa de 10. Esses dados são consequência de vários fatores, entre eles, o fato de que o adulto de hoje – avesso à leitura – não desenvolveu o hábito da leitura na infância. Há que se rever, neste ponto – a família – antigamente, tínhamos uma realidade muito diferente: famílias numerosas – não havia controle da natalidade-, pais com inúmeras atividades para dar conta da manutenção dos seus, muitos analfabetos, sem acesso a informações passavam à escola a responsabilidade da educação dos filhos.
  • 3. Hoje,os casais fazem uma opção: ter ou não, filhos. E se optam por tê-los, são em número reduzido. Têm acesso à informação e conhecem muito do que é importante para a formação dos filhos. Mas os problemas são outros: persiste a falta de tempo; à necessidade de segurança, limita-se às atividades e aos espaços; o computador, televisão e celular ocupam o tempo que sobra depois do inglês, da ginástica, da música; prima-se pela ocupação por qualquer meio – quando a escola decreta feriado prolongado é uma tortura porque os pais não sabem o que fazer com os filhos em casa. E neste contexto, a paciência é curta; brincar é um verbo que não existe; e ler está em desuso. Resgates... Há muitas coisas que a tecnologia não supera e que deveria estar entre as escolhas desta nova família: além do brincar, a leitura de textos infantis (SOUSA E GOMES, 1994; GONZÁLEZ ALVAREZ, 2000; apud BALÇA, 2008). O psicólogo James Hillmann afirma que a pessoa que leu histórias ou para quem leram histórias na infância “está em melhores condições e tem um prognóstico melhor do que aquela à qual é preciso apresentar histórias [...]”Chegar cedo na vida já é uma perspectiva de vida (Manguel, 1997, p. 23, apud PAIM, 2000). Fanny Abramovich, autora do livro Literatura Infantil, escreve que seu primeiro contato com o mundo mágico das histórias aconteceu quando ainda era muito pequena, ouvindo a mãe contar algo bonito todas as noites. Depois, a volúpia de poder ler sozinha, de mergulhar no mundo mágico das letras pretas que remetiam a tantas histórias fantásticas (1997, p. 11). Ler, para mim, sempre significou abrir todas as comportas para entender o mundo através dos olhos dos autores e da vivência das personagens... Ler foi sempre maravilha, gostosura, necessidade primeira e básica, prazer insubstituível... E continua, lindamente, sendo exatamente isso! (1997, p. 14) O primeiro contato da criança com o texto se dá através da oralidade. O pai, a mãe, os avós, contando ou lendo histórias. Mesmo em contextos onde o livro não é familiar com pessoas que não dominam a leitura escrita, contar histórias aproxima, estreita laços de afeto. Além disso, possibilita a descoberta de um mundo imaginário: a resposta para tantas questões, a identificação com personagens, emoções diversas, outros lugares e pessoas.
  • 4. Ouvir histórias é de extrema importância para a formação da criança e do leitor. “Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e compreensão do mundo.” (ABRAMOVICH, 1997, p. 16). Remonta ao início da civilização o ato de contar histórias. Nele se perpetua a literatura oral, registrando os fatos e atos dos povos. Contar e ouvir satisfaz a sede de conhecimento e instrução que é característica do ser humano. O gosto de contar histórias é idêntico ao de escrever”, diz Cecília Meireles (1975, p. 42). O gosto de ouvir é como o gosto de ler. Segundo ela, as bibliotecas antes de prenderem as vozes nos livros, foram vivas e humanas. Mesmo com o advento da imprensa, a prática do contar histórias permanece na literatura tradicional: na cantiga de ninar, nas parlendas, nas falas dos jogos. Antigamente (e felizmente em algumas famílias ainda acontece) a família se aconchega para contar e ouvir histórias. Esse traço de afeto era vital para a formação da criança e também do leitor. O livro vem suprir o convívio e as histórias cantadas - em função dos tempos modernos, em muitos lares abolidas (MAGALHÃES E ALÇADA, 1988). Hoje, não se presenteia uma criança com livros. Um brinquedo é mais eficaz. O primeiro, toma tempo, exige proximidade. O segundo, é o tempo da escolha e do entregar. Rápido. Eficiente. Aliás, dar um livro a uma criança hoje, numa família que não tem relacionamento estreito com livros é pedir briga. Aliado a isso, com um brinquedo a criança brinca sozinha. O hábito de leitura se forma antes mesmo do saber ler - ouvindo histórias se treina a relação com o mundo. Conhece, questiona, avalia, critica, emociona-se, penaliza-se, identifica- se com personagens, lugares e situações. É precondição para a criação do hábito da leitura, a prática regular.E os modelos do meio - família, escola, amigos, são incorporados com mais facilidade. O hábito concretiza- se se fundado no prazer, interesse, necessidade, beneficio que o leitor tiver com os livros. Nessa ordem!
  • 5. Paralelamente ao contar histórias, os pais devem proporcionar desde cedo, o contato da criança com os livros, contemplando gravuras e nominando-as. Assim, junto com a linguagem, a criança desenvolve a afeição pelo livro. Mostrando também as palavras associadas à gravura, a criança já está desenvolvendo um “vocabulário ocular”. Mesmo depois de alfabetizada, os pais continuam sendo de grande importância no processo de formação do leitor, interessando-se pelas leituras feitas e emocionando-se com elas. Os pais devem ter claro que o seu modelo - exemplo - é decisivo. Se gostarem de ler, com certeza, seus filhos serão leitores. É a prática. É o cotidiano lento do ver, ouvir, conviver com a prática de leitura que vai formando leitores. Martha Medeiros, cronista gaúcha conhecida no país inteiro pelos seus escritos – principalmente a partir de Lilian Cabral que transformou sua obra O Divã, em peça de teatro, filme e série, em cartaz por mais de dez anos -deu entrevista no programa Mais Você, no dia 25 de abril, ratificando o binômio leitura e família. “Eu gostava muito de ler. Esse foi o grande diferencial: a leitura e a minha família. Muito cinema. Muita música. Eu tinha um ambiente familiar muito propício para o desenvolvimento da sensibilidade”. (MEDEIROS, 1016). E se aprende pelo exemplo! O que somos, a forma como agimos, os valores que desenvolvemos, o trejeito, o virar dos cabelos, o andar, tudo vem das nossas raízes. Nada surge do nada. Quando revisitamos a nossa história, com olhos mais atentos, verificamos que há uma razão lógica para tudo. O que vivenciamos, o que aprendemos, as pessoas com quem convivemos, aparecem nas nossas atitudes, na nossa fala e na nossa vida. Na verdade, os pais são um modelo com um papel decisivo, uma vez que se eles forem leitores regulares, certamente conseguirão fomentar nos filhos a curiosidade pela leitura e o desejo de lerem. De facto, a interiorização da ideia de que a leitura é uma actividade quotidiana e o crescimento da criança numa família que valoriza o livro, são aspectos que concorrem para que a criança possa ter uma maior tendência e uma maior motivação para a leitura (GOMES, 1996; SANTOS, 2000; apud BALÇA, 2008). Lya Lut antes de aprender a ler, ouvia histórias. Considerava esse o melhor dos brinquedos. Era o jogo que queria jogar quando capaz, inventando gente e brincando com palavras “essas conchas demúsica que me assustavam ou divertiam, rolando de um lado para outro em meu pensamento”. A sua literatura recebeu influência dos contos de fadas com seus
  • 6. condenados, suas bruxas, o sofrimento como preço de qualquer alegria, e do Velho Testamento para crianças, com tremendos desenhos de bico de pena “ um Deus de olhos satânicos assentado em nuvens de trovão” ( LUFT, 1996, p.132-133; GONZÁLEZ ALVAREZ (2000), apud BALÇA, 2008; PAIM, 2000 ) A criança já nasce leitora da vida, na descoberta de tudo o que a rodeia. Já percebe as gentes, o cenário, as cores, as luzes. E vai se construindo na medida das suas descobertas. As cantigas de ninar, as narrativas dos contos de fadas, das histórias de família, tudo vai contribuindo na sua formação. Ela é poesia, imaginação, expectativa, ansiedade. Entra na escola com o coração aos pulos, nesse mundo todo novo que a envolve. Vai perdendo com o passar do tempo, a poesia, a imaginação... no meio das letras e das obrigações. E o coração se acalma entre a cadeira e a classe, conforma-se, ajeita-se. No final, ainda resta o recreio para o riso, a parceria, a troca. Cabe à família a mudança deste cenário. Oportuna assim, a fala magistral de Guimarães Rosa: O senhor... Mire veja: o mais importante e bonito do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso me alegra, montão. (Rosa, 1965, p. 20-21) Grande parte da responsabilidade na formação da criança transferiu-se ao longo da história, da família para a escola. Esse dado fornecido pela pesquisa, volta os nossos olhos novamente para a família, como meio formador da criança, por conhecê-la muito mais do que os professores; por ter sob seu égide necessariamente um tempo muito grande com seus filhos e esse tempo precisa ser revisto, precisa ser de qualidade sob pena de comprometer a vida dos seus. A criança que não tevea experiência de ler histórias, de brincar no parque, de curtir e partilhar momentos divertidos e interessantes com a família e amigos, com certeza será um adulto comprometido e mais, vai fazer igualzinho com seus filhos. Nesse contexto, corroboramos as ideias de Berland: É com brincadeiras que as crianças aprendem a sociabilizar-se, conhecem as regras da cooperação e da competição, recebem estímulos à imaginação. Essas capacidades são ainda mais importantes quando viramos adultos. São características das quais nossas economias dependem hoje em dia. (ALEGRETTI, 2016)
  • 7. Ter liberdade para brincar, explorar o mundo e se sujar não é só divertido, mas algo essencial para o futuro das crianças, diz o site do Valor do Brincar (2016). E a certeza de que estaremos enquanto família, propiciando plenas condições aos nossosfilhos de estarem no mundo em condições de viver com dignidade – nem lobos nem cordeiros- pessoas! REFERÊNCIAS: ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo : Scipione, 1997. ALEGRETTI, Fernanda, “A criatividade nasce da diversidade”. InRevista Veja: São Paulo edição 2474, ano 49, nº. 16, p. 15-19, de 20.04.2016 BALÇA, Angela. O papel da familia na formação do leitor. 2008. Disponível em http://www.portaldacrianca.com.pt/artigosa.php?id=48; acesso em 23.04.2016 IBOPE PROLIVRO Disponível em http://eraumavezuem.blogspot.com.br/; acesso em 23.04.2016 GOMES, José António. Da Nascente à Voz – Contributos para uma Pedagogia da Leitura. 1ª ed. Lisboa: Caminho, 1996 GÓMEZ DEL MANZANO, Mercedes. A criança e a leitura. Como fazer da criança um leitor. Porto: Porto Ed, 1988 GONZÁLEZ ALVAREZ, Cristóbal. Estrategias y procedimientos para fomentar lalecturaenlafamilia y enlaescuela. Lenguaje y textos. 15. Universidade da Coruña, 71-80, 2000 LUFT, Lya. O rio do meio. São Paulo : Mandarim, 1996 MAGALHÃES, Ana Maria & ALÇADA, Isabel. Ler ou não ler eis a questão. Lisboa: Caminho, 1988 MANGUEL, Alberto. Uma história de leitura. Trad. Pedro Maia Soares. São Paulo: Compa- nhia das Letras, 1997 MARQUES, Ramiro. Ensinar a ler, aprender a ler. 5ª ed. Lisboa: Texto, 1993 MEDEIROS, Martha. Entrevista concedida no programa Ana Maria Bragaem 20.04.2016; Disponível em httpgloboplay.globo.com. Acesso em 20.04.2016 MEIRELES, Cecília. Problemas da literatura infantil. São Paulo: Sumus, 1979.
  • 8. PAIM, Jane Marí. Da sedução do professor pela literatura à sedução do aluno. Ijuí, RS: 150 p. Dissertação (Mestrado em Educação nas Ciências) - Programa de Pós-Graduação em Educação - PPGE, Universidade de Ijuí, RS 2000. ROSA, Guimaraes. Grande Sertão Veredas. 4 ed. Rio de Janeiro. Olympo, 1965. SANTOS, Elvira Moreira. Hábitos de leitura em crianças e adolescentes. Um estudo em escolas secundárias. Coimbra: Quarteto, 2000. SOUSA, Maria Elisa & GOMES, José António. Ler é preciso? A escola e a leitura. São Paulo: Centro de Formação dos Professores de Pombal, Secção Portuguesa do IBBY, 1994. Valor do BrincarDisponível em (http://www.dirtisgood.com/br/truth-about- dirt.html?gclid=CKL_lYSZlswCFYpZhgodWNMAnQ ); acesso em 23.04.2016