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Projeto “ELPMe”

O Projeto “ELPMe” nasce de uma necessidade de ajuda (Help me) intrínseca dos nossos
professores do 1º ciclo.
Os resultados nas provas de aferição de 2010/2011, sobretudo a Matemática, com a
assunção das lacunas dos próprios docentes nos novos programas daquela disciplina,
associados aos resultados internos no final do 1º período de 2011/2012 e, ainda, à grande
vontade de abertura da “Caixa negra”, que é a sala de aula, ditaram esta decisão pedagógica
de encetar uma verdadeira mudança de paradigma.
A necessidade objetiva de criar Planos de Recuperação eficazes que combatessem o
diagnóstico traçado, em conjugação com a falta de recursos humanos e a preocupação de
dar sustentabilidade a este processo de mudança, conduziram à verdadeira revolução
organizacional e pedagógica que é o ELPMe. Esta ideia fora proposta pelos próprios
docentes e, numa fase inicial, apenas implementada num Centro Escolar, como piloto.
E o que é o ELPMe?
Partindo da estruturação das componentes do currículo, ao abrigo do Decreto-Lei nº 6/2001
[agora Decreto-Lei nº 139/2012, de 5 de julho], o projeto “ganha forma” nas quatro áreas
disciplinares de frequência obrigatória: E – Estudo do Meio; LP – Língua Portuguesa; M –
Matemática; e – Expressões.


Assim, cumprindo escrupulosamente o total das horas previstas, o plano curricular “rompe”
decididamente com uma estrutura de monodocência, passando, cada turma a integrar 3
docentes, distribuídos por Língua Portuguesa, Matemática e Estudo do Meio, cabendo a este
último a lecionação das Expressões, de acordo com o exigido na lei. No sentido de manter a
coesão do grupo, mantém-se a figura do professor titular, responsável pela turma, agindo como
um verdadeiro diretor de turma, existente nos restantes ciclos de ensino.
Como se organiza o ELPMe?
Atualmente, no âmbito do Despacho Normativo nº 13-A/2012, de 5 de julho, também o 1º
ciclo está organizado em tempos de 45 minutos, permitindo uma maior flexibilidade de
horário, sendo congruente com as atividades de enriquecimento curricular, ao mesmo tempo
que compatibiliza uma melhor gestão do currículo. Dentro do possível, as disciplinas de
Português e Matemática são lecionadas, maioritariamente, no turno da manhã. Os docentes
articulam entre si para que o Estudo do Meio não marque nenhuma rutura com as
aprendizagens prévias, garantindo uma verdadeira articulação entre os conteúdos lecionados
nas três disciplinas. As Expressões promovem o aprofundamento dessa estrutura
organizacional, com atividades de solidificação de conhecimentos, designadamente as do
Plano Nacional de Leitura.
Perdas e ganhos – o desatar de nós
Esta mudança trouxe, desde logo, o rompimento de uma tradição de monodocência, com
todos os riscos que tal acarreta. Assumindo-se esses riscos, e atentos às suas eventuais
consequências, surge à cabeça a perda de afetividade que a pluridocência poderia trazer. Este
fator, tido como eventual perda nesta mudança, não só se mostrou infundado, como até as
crianças e pais relataram ter criado laços mais fortes com os três docentes, não perdendo a
ligação à figura do professor titular [como se demonstra pelos testemunhos aqui publicados].
Por outro lado, e numa perspetiva mais didático-pedagógica, parecia ser evidente que a
coesão, continuidade e coerência dos conteúdos seria algo a perder-se. Não obstante assumir-
se que nem sempre tudo corre sob linhas direitas, também aqui o ELPMe marca pontos.
Efetivamente, a articulação dos docentes, baseada numa profunda motivação de todos nas
áreas de ensino em que são mais “fortes”, está a desencadear um verdadeiro processo de
mudança na articulação vertical e horizontal. Mais atentos ao trabalho de cada um e de todos,
os docentes são agora corresponsáveis pelos mesmos alunos e, por conseguinte, pelas suas
aprendizagens. Ganha-se em partilha de boas práticas, em metodologias eficazes e na
constante aprendizagem.
A sala de aula não é mais uma “Caixa negra”!


Também a articulação vertical, através de projetos que a promovem, sai, deste modo, fortemente
potenciada. Os docentes de cada uma das áreas encontram um grande apoio e cumplicidade nos
outros ciclos de ensino, havendo uma real verticalização dos conteúdos, norteados quer pelas
metas de aprendizagem, quer pelos domínios de avaliação externa, sempre presentes na
construção dos instrumentos de avaliação formativa.
Não se resolveram, ainda, todos os problemas associados a longos anos de monodocência, nem se
ignoram os pontos fortes que esta tem, por um lado, e as ameaças que a pluridocência acarreta,
por outro. Longe, por isso, da presunção de servirmos de modelo, estamos crentes [embora
prudentes] que este projeto pode constituir uma alavanca para uma não tão longínqua viragem no
paradigma da lecionação no nosso 1º ciclo, alicerçado em resultados escolares que
consubstanciem esta linha de orientação pedagógica, com uma metodologia fortemente
sustentável no futuro!

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  • 1. Projeto “ELPMe” O Projeto “ELPMe” nasce de uma necessidade de ajuda (Help me) intrínseca dos nossos professores do 1º ciclo. Os resultados nas provas de aferição de 2010/2011, sobretudo a Matemática, com a assunção das lacunas dos próprios docentes nos novos programas daquela disciplina, associados aos resultados internos no final do 1º período de 2011/2012 e, ainda, à grande vontade de abertura da “Caixa negra”, que é a sala de aula, ditaram esta decisão pedagógica de encetar uma verdadeira mudança de paradigma. A necessidade objetiva de criar Planos de Recuperação eficazes que combatessem o diagnóstico traçado, em conjugação com a falta de recursos humanos e a preocupação de dar sustentabilidade a este processo de mudança, conduziram à verdadeira revolução organizacional e pedagógica que é o ELPMe. Esta ideia fora proposta pelos próprios docentes e, numa fase inicial, apenas implementada num Centro Escolar, como piloto.
  • 2. E o que é o ELPMe? Partindo da estruturação das componentes do currículo, ao abrigo do Decreto-Lei nº 6/2001 [agora Decreto-Lei nº 139/2012, de 5 de julho], o projeto “ganha forma” nas quatro áreas disciplinares de frequência obrigatória: E – Estudo do Meio; LP – Língua Portuguesa; M – Matemática; e – Expressões. Assim, cumprindo escrupulosamente o total das horas previstas, o plano curricular “rompe” decididamente com uma estrutura de monodocência, passando, cada turma a integrar 3 docentes, distribuídos por Língua Portuguesa, Matemática e Estudo do Meio, cabendo a este último a lecionação das Expressões, de acordo com o exigido na lei. No sentido de manter a coesão do grupo, mantém-se a figura do professor titular, responsável pela turma, agindo como um verdadeiro diretor de turma, existente nos restantes ciclos de ensino.
  • 3. Como se organiza o ELPMe? Atualmente, no âmbito do Despacho Normativo nº 13-A/2012, de 5 de julho, também o 1º ciclo está organizado em tempos de 45 minutos, permitindo uma maior flexibilidade de horário, sendo congruente com as atividades de enriquecimento curricular, ao mesmo tempo que compatibiliza uma melhor gestão do currículo. Dentro do possível, as disciplinas de Português e Matemática são lecionadas, maioritariamente, no turno da manhã. Os docentes articulam entre si para que o Estudo do Meio não marque nenhuma rutura com as aprendizagens prévias, garantindo uma verdadeira articulação entre os conteúdos lecionados nas três disciplinas. As Expressões promovem o aprofundamento dessa estrutura organizacional, com atividades de solidificação de conhecimentos, designadamente as do Plano Nacional de Leitura.
  • 4. Perdas e ganhos – o desatar de nós Esta mudança trouxe, desde logo, o rompimento de uma tradição de monodocência, com todos os riscos que tal acarreta. Assumindo-se esses riscos, e atentos às suas eventuais consequências, surge à cabeça a perda de afetividade que a pluridocência poderia trazer. Este fator, tido como eventual perda nesta mudança, não só se mostrou infundado, como até as crianças e pais relataram ter criado laços mais fortes com os três docentes, não perdendo a ligação à figura do professor titular [como se demonstra pelos testemunhos aqui publicados]. Por outro lado, e numa perspetiva mais didático-pedagógica, parecia ser evidente que a coesão, continuidade e coerência dos conteúdos seria algo a perder-se. Não obstante assumir- se que nem sempre tudo corre sob linhas direitas, também aqui o ELPMe marca pontos. Efetivamente, a articulação dos docentes, baseada numa profunda motivação de todos nas áreas de ensino em que são mais “fortes”, está a desencadear um verdadeiro processo de mudança na articulação vertical e horizontal. Mais atentos ao trabalho de cada um e de todos, os docentes são agora corresponsáveis pelos mesmos alunos e, por conseguinte, pelas suas aprendizagens. Ganha-se em partilha de boas práticas, em metodologias eficazes e na constante aprendizagem.
  • 5. A sala de aula não é mais uma “Caixa negra”! Também a articulação vertical, através de projetos que a promovem, sai, deste modo, fortemente potenciada. Os docentes de cada uma das áreas encontram um grande apoio e cumplicidade nos outros ciclos de ensino, havendo uma real verticalização dos conteúdos, norteados quer pelas metas de aprendizagem, quer pelos domínios de avaliação externa, sempre presentes na construção dos instrumentos de avaliação formativa. Não se resolveram, ainda, todos os problemas associados a longos anos de monodocência, nem se ignoram os pontos fortes que esta tem, por um lado, e as ameaças que a pluridocência acarreta, por outro. Longe, por isso, da presunção de servirmos de modelo, estamos crentes [embora prudentes] que este projeto pode constituir uma alavanca para uma não tão longínqua viragem no paradigma da lecionação no nosso 1º ciclo, alicerçado em resultados escolares que consubstanciem esta linha de orientação pedagógica, com uma metodologia fortemente sustentável no futuro!