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A visão da afro-descendência como problema, dominante na
sociedade brasileira no final do século XIX, não deixou de se fazer
presente nas artes visuais, em obras que continuaram a construir um
lugar secundário, marginal, para os negros. O quadro emblemático a
esse respeito é Redenção de Cã, de Modesto Brocos, de 1895.
O pintor com certeza se preocupou com a tradução visual de formas,
proporções, cores, brilhos e texturas dos elementos figurados, de
modo a retratar fidedignamente as condições efetivas de vida nos
extratos mais baixos da população. Entretanto, para além de seu
evidente realismo, a obra é alegórica. Sem descrever a imagem, o
título é a chave de leitura da idéia que o pintor defende. Faz
referência a Cã, o filho mais jovem de Noé e pai do servo Canaã, que
seria a origem dos camitas e dos demais povos da raça negra, todos
destinados à servidão, segundo visões largamente difundidas à
época. Se o título alude à possibilidade de salvação dos negros, a
imagem indica exatamente o caminho para a redenção dos afro-
descendentes no Brasil.
Na tela, uma negra idosa, com as mãos abertas e o olhar direcionado
ao alto, parece demandar ou agradecer a Deus pela cena que tem
diante de si. O que ela pede ou agradece a Deus? A imagem se faz
legível de vários modos. O primeiro e mais forte sinal é justo a
atitude da senhora negra, de gratidão ou súplica religiosa pela
continuidade da purificação racial em processo no seio de sua família,
devido ao nascimento de uma criança de pele clara a partir do
cruzamento de sua filha mulata com o genro branco. Gesto que é
reforçado por elementos menos explícitos. Sentado no batente da
porta, no chão, próximo de pedras e da terra, da Natureza, o homem
parece ter se rebaixado ao se misturar com os negros, vinculando-se
a uma mulata, a qual, em sentido inverso, teria escapado do suposto
destino da raça negra, subido na hierarquia social, e, assim, aparece
sentada em um banco, mais próxima dos padrões culturais da
civilização européia. A composição da pintura auxilia decididamente
na deflagração de seu sentido: nas laterais, estão dispostos
simetricamente pólos étnicos em conjunção na sociedade brasileira –
a mulher negra (África) e o homem branco (Ocidente) –; entre esses
pólos, tanto o resultado desse processo social – os mulatos, a
miscigenação – quanto a solução para o problema – o
branqueamento racial. No exato centro do quadro, na mão da
criança, uma laranja redonda e luminosa é configurada como signo de
perfeição em meio ao ambiente rústico, degradado, com suas
paredes carcomidas e coisas gastas; na mão do membro mais novo
da família, a fruta guarda as sementes de descendentes mais e mais
alvos, simboliza a pureza desejada para as gerações futuras.
A cena é, portanto, uma alegoria do desejo de purificação racial por
meio do progressivo branqueamento da população e, assim, de
liberação dos estigmas vinculados às condições sociais dos negros. É
importante observar que, ao figurar os anseios da elite brasileira na
atitude da senhora negra, fazendo-a simbolizar simultaneamente
África e Brasil, o pintor identificou o país e a elite ao segmento social
que pretendiam tornar invisível. Contudo, mais do que essa
ambigüidade, é preciso ressaltar o dirigismo da imagem, que
pretendia incutir nos afro-descendentes a vergonha e o abandono de
suas origens.
Como disse Rafael Cardoso, a tela é “uma ilustração didática de uma
aspiração comum à sociedade brasileira da época – a terrível
ideologia do branqueamento da população, imperativo que ainda
vigora em alguns recônditos da mentalidade nacional.” Pintura que
continua a ter herdeiras: imagens propagadas em mídias variadas
que, em nome do ideal dominante, seguem incentivando sujeitos os
mais diversos a recusarem suas peles, cabelos, corpos, etnias,
culturas.

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A visão da afro

  • 1. A visão da afro-descendência como problema, dominante na sociedade brasileira no final do século XIX, não deixou de se fazer presente nas artes visuais, em obras que continuaram a construir um lugar secundário, marginal, para os negros. O quadro emblemático a esse respeito é Redenção de Cã, de Modesto Brocos, de 1895. O pintor com certeza se preocupou com a tradução visual de formas, proporções, cores, brilhos e texturas dos elementos figurados, de modo a retratar fidedignamente as condições efetivas de vida nos extratos mais baixos da população. Entretanto, para além de seu evidente realismo, a obra é alegórica. Sem descrever a imagem, o título é a chave de leitura da idéia que o pintor defende. Faz referência a Cã, o filho mais jovem de Noé e pai do servo Canaã, que seria a origem dos camitas e dos demais povos da raça negra, todos destinados à servidão, segundo visões largamente difundidas à época. Se o título alude à possibilidade de salvação dos negros, a imagem indica exatamente o caminho para a redenção dos afro- descendentes no Brasil. Na tela, uma negra idosa, com as mãos abertas e o olhar direcionado ao alto, parece demandar ou agradecer a Deus pela cena que tem diante de si. O que ela pede ou agradece a Deus? A imagem se faz legível de vários modos. O primeiro e mais forte sinal é justo a atitude da senhora negra, de gratidão ou súplica religiosa pela continuidade da purificação racial em processo no seio de sua família, devido ao nascimento de uma criança de pele clara a partir do cruzamento de sua filha mulata com o genro branco. Gesto que é reforçado por elementos menos explícitos. Sentado no batente da porta, no chão, próximo de pedras e da terra, da Natureza, o homem parece ter se rebaixado ao se misturar com os negros, vinculando-se a uma mulata, a qual, em sentido inverso, teria escapado do suposto destino da raça negra, subido na hierarquia social, e, assim, aparece sentada em um banco, mais próxima dos padrões culturais da civilização européia. A composição da pintura auxilia decididamente na deflagração de seu sentido: nas laterais, estão dispostos simetricamente pólos étnicos em conjunção na sociedade brasileira – a mulher negra (África) e o homem branco (Ocidente) –; entre esses pólos, tanto o resultado desse processo social – os mulatos, a miscigenação – quanto a solução para o problema – o branqueamento racial. No exato centro do quadro, na mão da criança, uma laranja redonda e luminosa é configurada como signo de perfeição em meio ao ambiente rústico, degradado, com suas paredes carcomidas e coisas gastas; na mão do membro mais novo da família, a fruta guarda as sementes de descendentes mais e mais alvos, simboliza a pureza desejada para as gerações futuras. A cena é, portanto, uma alegoria do desejo de purificação racial por meio do progressivo branqueamento da população e, assim, de liberação dos estigmas vinculados às condições sociais dos negros. É importante observar que, ao figurar os anseios da elite brasileira na
  • 2. atitude da senhora negra, fazendo-a simbolizar simultaneamente África e Brasil, o pintor identificou o país e a elite ao segmento social que pretendiam tornar invisível. Contudo, mais do que essa ambigüidade, é preciso ressaltar o dirigismo da imagem, que pretendia incutir nos afro-descendentes a vergonha e o abandono de suas origens. Como disse Rafael Cardoso, a tela é “uma ilustração didática de uma aspiração comum à sociedade brasileira da época – a terrível ideologia do branqueamento da população, imperativo que ainda vigora em alguns recônditos da mentalidade nacional.” Pintura que continua a ter herdeiras: imagens propagadas em mídias variadas que, em nome do ideal dominante, seguem incentivando sujeitos os mais diversos a recusarem suas peles, cabelos, corpos, etnias, culturas.