«Sinto-me triste... mas 
porquê?... Gostava de mudar 
algo, mas não sei exactamente 
o quê... Gosto do que faço, 
mas por que será que me 
falta energia?...». Tal como a 
resposta que tantas vezes se 
ouve à pergunta ‘Como estás?’: 
Mais ou menos. Então, o que 
poderia ser diferente para que 
a resposta fosse ‘Excelente!’? 
A importância de viver a vida como um todo A roda da vida 
viver uma vida feliz 
38  ZEN ENERGY  Dezembro 2014 
rência, que este diagnóstico seja preciso e 
rigoroso, para que o tratamento prescrito 
seja o mais eficaz e eficiente. Assim é 
na medicina e assim deve ser na vida. 
Antes de agir, importa saber onde agir. Se 
sabemos que algo não está bem, temos a 
oportunidade de mudar e fazer diferente. 
A palavra-chave, aqui, é ‘diagnóstico’. 
Para tal, podemos trabalhar uma ferramenta 
muito simples e de grande impacto visual, 
chamada Roda da Vida. 
Trabalhar a Roda da Vida 
Para trabalhar a Roda da Vida, começa-se 
por identificar entre 5 a 10 áreas impor-tantes 
na vida. Não menos que 5, pois 
existem, certamente, pelo menos 5 campos 
que corresponderão a áreas base da nossa 
vida. Por exemplo: a saúde, as finanças, 
o romance, a carreira e a vida social. Não 
mais que 10 campos, sob pena de se criar 
demasiada dispersão. 
Identificadas as áreas-chave da vida de 
cada um, o segundo passo será desenhar 
uma roda e dividi-la no número de campos 
identificados. Depois, para cada um, analisar 
o nível de satisfação actual, comparando 
com o que a pessoa considera ser ‘100% 
de satisfação’. Esta análise e avaliação são 
pessoais, pois o que é considerado uma 
situação ideal para uma pessoa poderá não 
ser para outra. Perante um mesmo cenário, 
São questões que se colocam 
e para as quais a resposta terá 
que ser precedida de um dia-gnóstico. 
Por vezes, percebemos 
que ‘algo não está bem’ ou que ‘algo pode 
ser melhorado’, embora nem sempre se 
saiba, de imediato, o quê em concreto. 
Portanto, antes de qualquer planeamento 
em direcção ao estado futuro desejado é 
necessário conhecer e perceber o estado 
actual, o ponto de partida, qual o desper-dício 
associado, o que está menos bem e 
se pretende mudar. Da mesma forma que, 
quando se está doente e se vai ao médico, 
antes de qualquer prescrição é necessário 
que se identifique a maleita. E, de prefe-
Dezembro 2014  ZEN ENERGY  39 
uma situação poderá ser satisfatória para 
uma pessoa e ser completamente insatisfa-tória 
para outra. Esta avaliação vai sendo 
colocada na roda, nos respectivos cam-pos, 
preechendo o ‘queijo’, no sentido 
do centro para a periferia, na área que 
corresponde ao nível de satisfação. Por 
exemplo, uma satisfação de 50% com a 
saúde, corresponde a metade do ‘queijo’ 
preenchido. Uma satisfação de 85% já 
corresponderá a mais área preenchida, 
para mais próximo do limite da roda. 
O processo repete-se para cada uma das 
áreas-chave. No final, deve olhar-se para o 
gráfico que resulta e analisar se a informa-ção 
visual que o mesmo nos dá reflecte os 
desequilíbrios sentidos na nossa vida, se 
as áreas com menos preenchimento são, 
de facto, aquelas com que nos sentimos 
menos satisfeitos e que poderão contribuir 
para a insatisfação geral e descaracterizada 
que, por vezes, se sente e não se sabe ao 
certo de onde vem, porque tudo parece 
estar, aparentemente, bem. 
A vida, tal como uma roda, precisa de 
certas condições para rodar. Uma roda 
com desníveis não rola com fluidez, anda 
aos solavancos. Os desequilíbrios identifi-cados 
na Roda da Vida poderão, também 
eles, ser responsáveis pelos solavancos e 
desequilíbrios sentidos na nossa vida, que 
nos causam sentimentos de insatisfação 
e angústia para os quais, por vezes, não 
identificamos a origem. 
Resultado do exercício 
O resultado deste exercício é precisamente o 
diagnóstico do estado actual: identificar, na 
nossa vida, quais as áreas que consideramos 
importantes e qual o nível de satisfação 
actual em cada uma delas. Este será o 
primeiro passo para o planeamento para 
a mudança em direcção ao estado futuro 
desejado. E, agora, por onde começar esta 
mudança? 
Existem várias possibilidades. A consi-derada 
mais ecológica em coaching, é 
a identificação da área de alavancagem. 
A área de alavancagem é a área que, com 
menor esforço e menor investimento, ao 
conseguir melhorar, terá mais impactos 
positivos nos níveis de satisfação com as 
outras áreas. Identificada esta área e optando 
por agir sobre ela, o plano de acções será 
feito no sentido de alavancar esta área. 
Poderão ser colocadas questões que nos 
Atinja a felicidade e o bem-estar 
A Roda da Vida é uma ferramenta muito simples na sua aplicação, mas 
que pode trazer impactos profundos na vida de uma pessoa, pela análise 
que possibilita. Este é o primeiro passo para o plano de acções, pelo que 
também permite que as acções que se planeiam sejam consentâneas com 
o estado futuro desejado. Esta ferramenta, muito utilizada em coaching, pode 
ter diversas variantes, seguindo sempre a sua estrutura de Roda. Podemos 
desenhar a Roda dos Valores, a Roda da Equipa, a Roda da Saúde… Cada 
Roda, pode ser desdobrada, mediante os seus campos, em outras Rodas 
com campos mais específicos. 
Sabendo onde estamos, e sabendo para onde queremos ir, é mais fácil 
escolher qual o caminho. 
Escolher um caminho sem saber de onde se parte e para onde se quer ir é 
desperdício de recursos e, portanto, não agrega valor à nossa vida. 
Ver a vida como um todo é fundamental para o nosso bem-estar e 
felicidade! 
ajudem nesta reflexão: 
• Como gostava que fosse? – Identificação e 
clarificação do estado futuro desejado; 
• O que posso fazer para mudar? – Descobrir 
que acções podem ser tomadas; 
• Que tarefas/acções, em concreto? – Con-cretizar 
essas acções em tarefas especí-ficas; 
• Quando vou começar? – Definir uma data 
para o primeiro passo (e seguintes); 
Outra possibilidade, é identificar, livre-mente, 
olhando para as várias áreas, e 
escolhendo trabalhar sobre aquela que se 
entende ser a mais importante, ainda que 
possa não ser a mais carenciada. 
Claro que esta opção pode acarretar cus-tos 
de manter os desequilíbrios sentidos 
devido às discrepâncias entre os níveis de 
satisfação com as várias áreas. Z 
Christiane Tscharf 
Executive &Lean Coach, 
research@cltservices.net 
www.cltservices.net

A Roda da Vida - Lean Coaching

  • 1.
    «Sinto-me triste... mas porquê?... Gostava de mudar algo, mas não sei exactamente o quê... Gosto do que faço, mas por que será que me falta energia?...». Tal como a resposta que tantas vezes se ouve à pergunta ‘Como estás?’: Mais ou menos. Então, o que poderia ser diferente para que a resposta fosse ‘Excelente!’? A importância de viver a vida como um todo A roda da vida viver uma vida feliz 38  ZEN ENERGY  Dezembro 2014 rência, que este diagnóstico seja preciso e rigoroso, para que o tratamento prescrito seja o mais eficaz e eficiente. Assim é na medicina e assim deve ser na vida. Antes de agir, importa saber onde agir. Se sabemos que algo não está bem, temos a oportunidade de mudar e fazer diferente. A palavra-chave, aqui, é ‘diagnóstico’. Para tal, podemos trabalhar uma ferramenta muito simples e de grande impacto visual, chamada Roda da Vida. Trabalhar a Roda da Vida Para trabalhar a Roda da Vida, começa-se por identificar entre 5 a 10 áreas impor-tantes na vida. Não menos que 5, pois existem, certamente, pelo menos 5 campos que corresponderão a áreas base da nossa vida. Por exemplo: a saúde, as finanças, o romance, a carreira e a vida social. Não mais que 10 campos, sob pena de se criar demasiada dispersão. Identificadas as áreas-chave da vida de cada um, o segundo passo será desenhar uma roda e dividi-la no número de campos identificados. Depois, para cada um, analisar o nível de satisfação actual, comparando com o que a pessoa considera ser ‘100% de satisfação’. Esta análise e avaliação são pessoais, pois o que é considerado uma situação ideal para uma pessoa poderá não ser para outra. Perante um mesmo cenário, São questões que se colocam e para as quais a resposta terá que ser precedida de um dia-gnóstico. Por vezes, percebemos que ‘algo não está bem’ ou que ‘algo pode ser melhorado’, embora nem sempre se saiba, de imediato, o quê em concreto. Portanto, antes de qualquer planeamento em direcção ao estado futuro desejado é necessário conhecer e perceber o estado actual, o ponto de partida, qual o desper-dício associado, o que está menos bem e se pretende mudar. Da mesma forma que, quando se está doente e se vai ao médico, antes de qualquer prescrição é necessário que se identifique a maleita. E, de prefe-
  • 2.
    Dezembro 2014 ZEN ENERGY  39 uma situação poderá ser satisfatória para uma pessoa e ser completamente insatisfa-tória para outra. Esta avaliação vai sendo colocada na roda, nos respectivos cam-pos, preechendo o ‘queijo’, no sentido do centro para a periferia, na área que corresponde ao nível de satisfação. Por exemplo, uma satisfação de 50% com a saúde, corresponde a metade do ‘queijo’ preenchido. Uma satisfação de 85% já corresponderá a mais área preenchida, para mais próximo do limite da roda. O processo repete-se para cada uma das áreas-chave. No final, deve olhar-se para o gráfico que resulta e analisar se a informa-ção visual que o mesmo nos dá reflecte os desequilíbrios sentidos na nossa vida, se as áreas com menos preenchimento são, de facto, aquelas com que nos sentimos menos satisfeitos e que poderão contribuir para a insatisfação geral e descaracterizada que, por vezes, se sente e não se sabe ao certo de onde vem, porque tudo parece estar, aparentemente, bem. A vida, tal como uma roda, precisa de certas condições para rodar. Uma roda com desníveis não rola com fluidez, anda aos solavancos. Os desequilíbrios identifi-cados na Roda da Vida poderão, também eles, ser responsáveis pelos solavancos e desequilíbrios sentidos na nossa vida, que nos causam sentimentos de insatisfação e angústia para os quais, por vezes, não identificamos a origem. Resultado do exercício O resultado deste exercício é precisamente o diagnóstico do estado actual: identificar, na nossa vida, quais as áreas que consideramos importantes e qual o nível de satisfação actual em cada uma delas. Este será o primeiro passo para o planeamento para a mudança em direcção ao estado futuro desejado. E, agora, por onde começar esta mudança? Existem várias possibilidades. A consi-derada mais ecológica em coaching, é a identificação da área de alavancagem. A área de alavancagem é a área que, com menor esforço e menor investimento, ao conseguir melhorar, terá mais impactos positivos nos níveis de satisfação com as outras áreas. Identificada esta área e optando por agir sobre ela, o plano de acções será feito no sentido de alavancar esta área. Poderão ser colocadas questões que nos Atinja a felicidade e o bem-estar A Roda da Vida é uma ferramenta muito simples na sua aplicação, mas que pode trazer impactos profundos na vida de uma pessoa, pela análise que possibilita. Este é o primeiro passo para o plano de acções, pelo que também permite que as acções que se planeiam sejam consentâneas com o estado futuro desejado. Esta ferramenta, muito utilizada em coaching, pode ter diversas variantes, seguindo sempre a sua estrutura de Roda. Podemos desenhar a Roda dos Valores, a Roda da Equipa, a Roda da Saúde… Cada Roda, pode ser desdobrada, mediante os seus campos, em outras Rodas com campos mais específicos. Sabendo onde estamos, e sabendo para onde queremos ir, é mais fácil escolher qual o caminho. Escolher um caminho sem saber de onde se parte e para onde se quer ir é desperdício de recursos e, portanto, não agrega valor à nossa vida. Ver a vida como um todo é fundamental para o nosso bem-estar e felicidade! ajudem nesta reflexão: • Como gostava que fosse? – Identificação e clarificação do estado futuro desejado; • O que posso fazer para mudar? – Descobrir que acções podem ser tomadas; • Que tarefas/acções, em concreto? – Con-cretizar essas acções em tarefas especí-ficas; • Quando vou começar? – Definir uma data para o primeiro passo (e seguintes); Outra possibilidade, é identificar, livre-mente, olhando para as várias áreas, e escolhendo trabalhar sobre aquela que se entende ser a mais importante, ainda que possa não ser a mais carenciada. Claro que esta opção pode acarretar cus-tos de manter os desequilíbrios sentidos devido às discrepâncias entre os níveis de satisfação com as várias áreas. Z Christiane Tscharf Executive &Lean Coach, research@cltservices.net www.cltservices.net