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Ciências Humanas e suas 
Tecnologias - História 
Ensino Médio, 2ª Série 
A ÁFRICA ATLÂNTICA
HISTÓRIA, Segundo Ano 
A África Atlântica 
PPoorr qquuee eessttuuddaarr aa ÁÁffrriiccaa?? 
Além de identificar e reconhecer as 
influências das culturas africanas 
(sobretudo da chamada África 
Atlântica) sobre a formação do 
Brasil, é necessário olhar outros 
povos, histórias e tradições, indo 
além do habitual costume que 
privilegia o estudo do mundo 
eurocêntrico (que tem a cultura de 
origem europeia como base ou 
referência). Imagem: ESEOHE CECILIA EJODAME / Creative 
Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported
HISTÓRIA, Segundo Ano 
A África Atlântica 
OO ““BBeerrççoo”” ddaa hhuummaanniiddaaddee 
O continente é reconhecidamente associado ao surgimento do 
homem, pois em terras africanas foram identificadas várias e 
antigas espécies que fizeram parte da evolução humana. 
MMiiggrraaççõõeess 
Desde os tempos mais remotos, as populações africanas 
passaram por processos migratórios ou pela formação de 
grupos isolados pouco numerosos, favorecendo a formação de 
vários grupos étnicos e de uma grande diversidade de 
estruturas sociais, tribos, comunidades e variadas formas de 
organização política – que, embora utilizemos termos ocidentais 
como “impérios” ou “reinos”, funcionavam de formas próprias e 
diferenciadas.
HISTÓRIA, Segundo Ano 
A África Atlântica 
Diversidade natural 
que influenciou o 
desenvolvimento 
humano. 
Desertos 
Estepes 
Savanas 
Florestas 
Vegetação mediterrânea 
Oásis 
Imagem: SEE-PE, redesenhado a partir de imagem de Autor Desconhecido.
HISTÓRIA, Segundo Ano 
A África Atlântica 
CCiivviilliizzaaççõõeess mmaarrccaanntteess 
 O Antigo Egito é, certamente, a mais 
conhecida e grandiosa civilização africana, 
tendo sido cenário de importantes 
acontecimentos e tendo construído uma 
formidável cultura. 
 Durante mais de 2 mil anos, os egípcios 
dominaram extensas regiões e 
promoveram obras fantásticas para 
honrar seus vários deuses e para produzir 
através do aproveitamento do Rio Nilo. 
Imagem: Jeff Dahl / GNU Free Documentation License
HISTÓRIA, Segundo Ano 
A África Atlântica 
CCiivviilliizzaaççõõeess mmaarrccaanntteess 
 Abaixo da região egípcia, onde hoje está o Sudão, 
civilizações deixaram suas marcas: 
 O Reino de Kush chegou 
a ser conhecido como a 
civilização dos “faraós 
negros”, tendo como 
capital a cidade de 
Meroé. Os kushitas 
também construíram 
pirâmides e tiveram 
relações tensas com os 
poderosos egípcios. O 
reino só foi extinto no 
século IV da Era Cristã. 
Imagem: Ruinas de Meroé / B N Chagny / Creative 
Commons Attribution-Share Alike 1.0 Generic
HISTÓRIA, Segundo Ano 
A África Atlântica 
CCiivviilliizzaaççõõeess mmaarrccaanntteess 
 Na região da atual 
Etiópia, desenvolveu-se 
o antigo reino 
Axum, que teve 
importantes relações 
comerciais com 
Israel e a 
Mesopotâmia. Axum 
foi também a porta 
de entrada para o 
Cristianismo na 
África. 
Imagem: Parque das estelas de Axum / Pzbinden7 / 
GNU Free Documentation License
HISTÓRIA, Segundo Ano 
A África Atlântica 
CCiivviilliizzaaççõõeess mmaarrccaanntteess 
 Os reinos núbios surgiram após os 
conflitos entre Kush e Axum, através da 
sobrevivência dos povos kushit as que 
se reuniram com os nobas, os blêmios e 
os nobatas. No século VI dC, os núbios 
estavam reunidos através dos reinos da 
Nobácia, de Macúria e de Aloa. Os três 
reinos possuíam grande força militar, 
desenvolveram intensas atividades de 
agricultura, mineração e comércio (que 
incluía negociação de escravos). O 
cristianismo também foi difundidos 
nestes reinos, mas o avanço islâmico 
acabou modificando definitivamente a 
situação. Os reinos existiram até o 
século XVI. 
Imagem: Faraós Núbios / Wufei07 / public domain
HISTÓRIA, Segundo Ano 
A África Atlântica 
CCiivviilliizzaaççõõeess mmaarrccaanntteess 
 Na África do Norte (Mediterrânea) formou-se o importante e 
poderoso império Cartaginês, que teve a cidade de Cartago 
(na atual Tunísia) como centro. Os cartagineses 
desenvolveram intenso comércio pelo Mediterrâneo e 
rivalizaram com gregos e romanos. Durante as Guerras 
Púnicas (264-146 aC), contra Roma, os cartagineses chegaram 
a invadir a Europa, mas acabaram sendo derrotados. 
Imagem: Ruínas de Cártago / Autor desconhecido / Public Domain
HISTÓRIA, Segundo Ano 
A África Atlântica 
VVáárriiooss ppoovvooss ee vváárriiaass eettnniiaass 
A diversidade cultural dos povos africanos era tamanha que os 
especialistas estimam que tenham existido mais de 1.200 línguas 
diferentes, muitas delas sem qualquer relação ou influência entre 
elas. As principais famílias linguísticas são: 
 Afro-Asiáticas (norte e leste): berbere, egípcio antigo, semítico, 
cushita e chádico; 
 Niger-Cordofaniana: Cordofaniano e Níger-Congo (ashanti, 
suaíli, banto, xosa, zulu, iorubá, ibo, etc.); 
 Nilo-Saariana (norte do Nilo, no Saara e no Sudão): Songai, 
saariano, mabã, furiã, comã e nilótico; 
 Coissã (sul): Hadza, sandane e coissã.
HISTÓRIA, Segundo Ano 
A África Atlântica 
Geralmente os membros das 
comunidades eram 
poliglotas, pois dominavam e 
utilizavam várias línguas, a 
exemplo daquelas que eram 
faladas por seus familiares e 
por línguas dos grupos e 
comunidades vizinhas. 
Línguas Afro-Asiáticas 
Línguas Niger-Cordofanianas 
Línguas Nilo-Saarianas 
Línguas Coissã 
Imagem: SEE-PE, redesenhado a partir de imagem de Autor Desconhecido.
HISTÓRIA, Segundo Ano 
A África Atlântica 
A África teve e ainda tem 
inúmeros grupos étnicos 
característicos. Confira alguns: 
Sudaneses 
Bantos 
Bosquinianos 
Pigmeus 
Hotentotes 
Nilóticos 
A área em destaque é 
reconhecida como 
África Negra 
Imagem: SEE-PE, redesenhado a partir de imagem de Autor Desconhecido.
HISTÓRIA, Segundo Ano 
A África Atlântica 
CCoommoo eessttuuddaarr aa ÁÁffrriiccaa?? 
Há pelo menos quatro formas de abordar o espaço africano 
conforme fatores ambientais, sociais e culturais: 
1. África do Norte, África Ocidental, África Oriental, África do Sul 
e África Central; (*) 
2. África do Norte, África Subsaariana e África do Sul; 
3. África Branca (norte) e África Negra (sul); 
4. África Mediterrânea, África Oriental e ÁÁffrriiccaa AAttllâânnttiiccaa. 
(*) É a divisão mais utilizada e presente na cartografia estudada 
didaticamente, apresentando as sub-regiões africanas. Também é 
oficialmente empregada pela ONU (Organização das Nações Unidas), 
obedecendo a atual divisão política do continente.
Oceano 
Atlântico 
África do Norte 
África Ocidental 
África Central 
África Oriental 
África do Sul 
Imagem: SEE-PE, redesenhado a partir de imagem de Autor Desconhecido.
HISTÓRIA, Segundo Ano 
A África Atlântica 
AA ÁÁffrriiccaa AAttllâânnttiiccaa 
Esta região ocidental 
do continente, 
banhada pelo Oceano 
Atlântico e que teve 
fortes influências 
sobre a formação 
colonial das 
Américas, foi a 
origem dos escravos 
que partiram para o 
Novo Mundo. 
Oceano 
Atlântico 
Imagem: SEE-PE, redesenhado a partir de imagem de Autor Desconhecido.
HISTÓRIA, Segundo Ano 
A África Atlântica 
AA ÁÁffrriiccaa AAttllâânnttiiccaa 
Oceano 
Atlântico 
Para os estudiosos da 
História da África, a 
região é formada pelos 
seguintes países atuais: 
Mauritânia, Senegal, 
Gâmbia, Guiné Bissau, 
Guiné, Serra Leoa, 
Libéria, Costa do 
Marfim, Gana, Togo, 
Benin, Nigéria, 
Camarões, Guiné 
Equatorial, São Tomé e 
Príncipe, Gabão, Congo, 
República Democrática 
do Congo e Angola. 
Imagem: SEE-PE, redesenhado a partir de imagem de Autor Desconhecido.
AA ÁÁffrriiccaa AAttllâânnttiiccaa 
A região sediou um dos mais importantes reinos históricos da 
África, o poderoso Império de Gana, que desenvolveu intensa 
atividade mineradora e comercial que negociava vários produtos e 
também impulsionou o tráfico de escravos. Situado numa 
movimentada rota entre as regiões atlânticas e subsaarianas, o 
império manteve contatos com vários povos, o que facilitou os 
negócios envolvendo escravos. Gana manteve sob seu controle 
vários reinos na região e entrou em decadência após o domínio de 
invasores islâmicos, no século XIII.
AA ÁÁffrriiccaa AAttllâânnttiiccaa 
O reino de Mali estava nas proximidades da África Atlântica, por 
isso era bastante ligado à região. Mali adotou o islamismo e 
também deveu seu desenvolvimento ao comércio, além de intensa 
vida urbana, o que ocorria em grandes cidades como Tombuctu. 
Imagem: EhavEliyahu / Public Domain
AA ÁÁffrriiccaa AAttllâânnttiiccaa 
A situação geográfica da África Atlântica favoreceu bastante as 
atividades comerciais, pois são abundantes os rios e os canais 
naturais navegáveis, facilitando o fluxo de pessoas e mercadorias 
de várias partes. 
Imagem:Jialiang Gao www.peace-on-earth.org / GNU Free Documentation License
EEssccrraavviiddããoo 
A escravidão é uma característica marcante na vida da África 
Atlântica, sendo o tráfico humano uma atividade que teve muita 
importância na região. O escravismo era uma prática muito 
comum na África e remonta os tempos das civilizações mais 
antigas do continente. 
Imagem: Autor desconhecido / United States Public Domain
Imagem: Autor desconhecido / United States Public Domain 
Cenas da escravidão interna na África Atlântica.
EEssccrraavviiddããoo 
Imagem: Autor desconhecido / Public Domain 
Cenas da escravidão interna na África Atlântica.
EEssccrraavviiddããoo 
Mulheres e crianças 
escravas. 
Imagem: Autor desconhecido / United States Public Domain
EEssccrraavviiddããoo 
Com a expansão marítima europeia, a partir do século XV, os 
contatos entre a Europa e a África tornaram-se intensos e, com 
eles, a escravidão ganhou mais mercados através do tráfico 
atlântico, que passou a ter o Novo Mundo como destino. 
Os portugueses estabeleceram privilegiadas condições de 
negociação, estabelecendo grande volume de atividades e 
possibilitando o aumento das influências externas sobre a África 
Atlântica. 
Tráfico atlântico: 
 Fluxo externo para as Américas; 
 Preferência por escravos homens, por crianças e 
adolescentes.
EEssccrraavviiddããoo 
As intensas intromissões externas contribuíram para 
desestabilizar os reinos africanos, cada vez mais dependentes das 
potências europeias. 
O tráfico atlântico acentuou também os problemas internos na 
África, pois aumentou as tensões entre os povos e sociedades 
numa luta entre aqueles que buscavam escravos e aqueles que 
buscavam resistir à submissão.
EEssccrraavviiddããoo 
 Cerca de 90% dos escravos transferidos para as Américas 
partiram da África Atlântica; 
 No caso do fornecimento de escravos para o Brasil, os 
interesses pelo controle do comércio escravista gerou atritos 
entre lideranças e grupos africanos, comerciantes portugueses 
e também brasileiros; 
Imagem: Castelo de São Jorge da Mina, em Gana – Grande porto 
escravista português / Dave Ley / GNU Free Documentation License
EEssccrraavviiddããoo 
Esquemas e representações de navios 
negreiros que faziam as rotas entre a 
África Atlântica e as Américas. 
Imagem: Autor desconhecido / United States Public Domain
EEssccrraavviiddããoo 
 O fluxo escravista a partir da África Atlântica acabou também 
disseminando, através do êxodo escravo, vários elementos da 
cultura nativa africana para as Américas, então significativa 
parte da base sociocultural das sociedades formadas nas 
Américas receberam influências diretas dos povos da África 
Atlântica; 
 As populações escravas passaram a constituir a população 
americana, agindo no processo de produção colonial, mas a 
devida integração à sociedade ainda não foi concluída mesmo 
após o fim do trabalho escravo; 
 A continuidade do tráfico escravo foi trágica para vários reinos, 
aldeias e povoados africanos, que passaram a ser atacados 
para obtenção de pessoas que seriam submetidas ao 
escravismo no Mundo Atlântico.
AAttiivviiddaaddee 
 Texto 1 
“Se definirmos o escravo como alguém que é propriedade de 
outro – que pode ser pessoa, grupo social, instituição ou cargo 
político –, e cuja propriedade é reconhecida por leis e 
costumes, temos que concluir que a ‘prisão social’ do cativo 
doméstico constituía uma forma de escravidão. Essa definição 
de escravo vale tanto para a escravidão ‘de linhagem’ como 
para a utilização comercial em larga escala de escravos, esta 
também encontrada na África em lugares e períodos 
específicos”. 
João José Reis, “Notas sobre a escravidão na África pré-colonial”
AAttiivviiddaaddee 
 Texto 2 
“Dado fundamental do sistema escravista, a dessocialização, 
processo em que o indivíduo é capturado e apartado de sua 
comunidade nativa, se completa com a despersonalização, na 
qual o cativo é convertido em mercadoria na sequencia da 
reificação, da coisificação, levada a efeito na sociedade 
escravista”. 
Luiz Felipe Alencastro, “O trato dos viventes: formação do Brasil 
no Atlântico Sul” 
VVaammooss ddeebbaatteerr!! 
Como podemos identificar as definições de escravidão nos 
textos lidos? É possível comparar as formas de escravidão 
existentes na antiguidade e aquela que existia na África?
AAttiivviiddaaddee 
Por que podemos falar na existência de “várias Áfricas”? 
Costumamos empregar nossos conceitos sobre as instituições 
sociais para entender a sociedade africana, mas o 
funcionamento dos “reinos”, “impérios” e o “Estado” na África 
não ocorre exatamente como indicam nossos conceitos. 
Discuta como ocorrem estas variações.
AAttiivviiddaaddee 
Acompanhe o vídeo que está neste link e então registre suas 
impressões a respeito da influência religiosa sobre a 
escravidão atlântica. 
VVííddeeooss 
Conheça mais sobre a história africana e sobre a África 
Atlântica através dos seguintes vídeos na internet: 
África Ocidental: Togo e Benin 
África: Uma História rejeitada
Slide Autoria / Licença Link da Fonte Data do 
Acesso 
2 ESEOHE CECILIA EJODAME / Creative 
Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported 
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Africa_ 
sight.png 
20/04/2012 
5 Jeff Dahl / GNU Free Documentation License http://en.wikipedia.org/wiki/File:Pharaoh.svg 20/04/2012 
6 Ruinas de Meroé / B N Chagny / Creative 
Commons Attribution-Share Alike 1.0 Generic 
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Sudan_ 
Meroe_Pyramids_2001.JPG 
20/04/2012 
7 Parque das estelas de Axum / Pzbinden7 / GNU 
Free Documentation License 
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Stela_a 
ksum.jpg 
20/04/2012 
8 Faraós Núbios / Wufei07 / public domain http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Nubian 
Pharoahs.jpg 
20/04/2012 
9 Ruínas de Cártago / Autor desconhecido / Public 
Domain 
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ruines 
_de_Carthage.jpg 
20/04/2012 
18 EhavEliyahu / Public Domain http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Berber 
_Trade_with_Timbuktu_1300s.jpg 
20/04/2012 
19 Jialiang Gao www.peace-on-earth.org / GNU 
Free Documentation License 
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Niger_ 
River_Center_Island.jpg 
20/04/2012 
20 Autor desconhecido / United States Public 
Domain 
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Slaveb 
eating.jpg 
20/04/2012 
21 Autor desconhecido / United States Public 
Domain 
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in_Ethiopia_-_19th_century.jpg 
20/04/2012 
22 Autor desconhecido / Public Domain http://commons.wikimedia.org/wiki/File:ST-slaves. 
jpg?uselang=en 
20/04/2012 
Tabela de Imagens
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Acesso 
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Domain 
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_Artwork_01.jpg 
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26 Castelo de São Jorge da Mina, em Gana – Grande 
porto escravista português / Dave Ley / GNU 
Free Documentation License 
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_slave_castle.jpg 
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ade2.jpg 
20/04/2012 
11, 
12, 
14, 
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  • 1. Ciências Humanas e suas Tecnologias - História Ensino Médio, 2ª Série A ÁFRICA ATLÂNTICA
  • 2. HISTÓRIA, Segundo Ano A África Atlântica PPoorr qquuee eessttuuddaarr aa ÁÁffrriiccaa?? Além de identificar e reconhecer as influências das culturas africanas (sobretudo da chamada África Atlântica) sobre a formação do Brasil, é necessário olhar outros povos, histórias e tradições, indo além do habitual costume que privilegia o estudo do mundo eurocêntrico (que tem a cultura de origem europeia como base ou referência). Imagem: ESEOHE CECILIA EJODAME / Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported
  • 3. HISTÓRIA, Segundo Ano A África Atlântica OO ““BBeerrççoo”” ddaa hhuummaanniiddaaddee O continente é reconhecidamente associado ao surgimento do homem, pois em terras africanas foram identificadas várias e antigas espécies que fizeram parte da evolução humana. MMiiggrraaççõõeess Desde os tempos mais remotos, as populações africanas passaram por processos migratórios ou pela formação de grupos isolados pouco numerosos, favorecendo a formação de vários grupos étnicos e de uma grande diversidade de estruturas sociais, tribos, comunidades e variadas formas de organização política – que, embora utilizemos termos ocidentais como “impérios” ou “reinos”, funcionavam de formas próprias e diferenciadas.
  • 4. HISTÓRIA, Segundo Ano A África Atlântica Diversidade natural que influenciou o desenvolvimento humano. Desertos Estepes Savanas Florestas Vegetação mediterrânea Oásis Imagem: SEE-PE, redesenhado a partir de imagem de Autor Desconhecido.
  • 5. HISTÓRIA, Segundo Ano A África Atlântica CCiivviilliizzaaççõõeess mmaarrccaanntteess  O Antigo Egito é, certamente, a mais conhecida e grandiosa civilização africana, tendo sido cenário de importantes acontecimentos e tendo construído uma formidável cultura.  Durante mais de 2 mil anos, os egípcios dominaram extensas regiões e promoveram obras fantásticas para honrar seus vários deuses e para produzir através do aproveitamento do Rio Nilo. Imagem: Jeff Dahl / GNU Free Documentation License
  • 6. HISTÓRIA, Segundo Ano A África Atlântica CCiivviilliizzaaççõõeess mmaarrccaanntteess  Abaixo da região egípcia, onde hoje está o Sudão, civilizações deixaram suas marcas:  O Reino de Kush chegou a ser conhecido como a civilização dos “faraós negros”, tendo como capital a cidade de Meroé. Os kushitas também construíram pirâmides e tiveram relações tensas com os poderosos egípcios. O reino só foi extinto no século IV da Era Cristã. Imagem: Ruinas de Meroé / B N Chagny / Creative Commons Attribution-Share Alike 1.0 Generic
  • 7. HISTÓRIA, Segundo Ano A África Atlântica CCiivviilliizzaaççõõeess mmaarrccaanntteess  Na região da atual Etiópia, desenvolveu-se o antigo reino Axum, que teve importantes relações comerciais com Israel e a Mesopotâmia. Axum foi também a porta de entrada para o Cristianismo na África. Imagem: Parque das estelas de Axum / Pzbinden7 / GNU Free Documentation License
  • 8. HISTÓRIA, Segundo Ano A África Atlântica CCiivviilliizzaaççõõeess mmaarrccaanntteess  Os reinos núbios surgiram após os conflitos entre Kush e Axum, através da sobrevivência dos povos kushit as que se reuniram com os nobas, os blêmios e os nobatas. No século VI dC, os núbios estavam reunidos através dos reinos da Nobácia, de Macúria e de Aloa. Os três reinos possuíam grande força militar, desenvolveram intensas atividades de agricultura, mineração e comércio (que incluía negociação de escravos). O cristianismo também foi difundidos nestes reinos, mas o avanço islâmico acabou modificando definitivamente a situação. Os reinos existiram até o século XVI. Imagem: Faraós Núbios / Wufei07 / public domain
  • 9. HISTÓRIA, Segundo Ano A África Atlântica CCiivviilliizzaaççõõeess mmaarrccaanntteess  Na África do Norte (Mediterrânea) formou-se o importante e poderoso império Cartaginês, que teve a cidade de Cartago (na atual Tunísia) como centro. Os cartagineses desenvolveram intenso comércio pelo Mediterrâneo e rivalizaram com gregos e romanos. Durante as Guerras Púnicas (264-146 aC), contra Roma, os cartagineses chegaram a invadir a Europa, mas acabaram sendo derrotados. Imagem: Ruínas de Cártago / Autor desconhecido / Public Domain
  • 10. HISTÓRIA, Segundo Ano A África Atlântica VVáárriiooss ppoovvooss ee vváárriiaass eettnniiaass A diversidade cultural dos povos africanos era tamanha que os especialistas estimam que tenham existido mais de 1.200 línguas diferentes, muitas delas sem qualquer relação ou influência entre elas. As principais famílias linguísticas são:  Afro-Asiáticas (norte e leste): berbere, egípcio antigo, semítico, cushita e chádico;  Niger-Cordofaniana: Cordofaniano e Níger-Congo (ashanti, suaíli, banto, xosa, zulu, iorubá, ibo, etc.);  Nilo-Saariana (norte do Nilo, no Saara e no Sudão): Songai, saariano, mabã, furiã, comã e nilótico;  Coissã (sul): Hadza, sandane e coissã.
  • 11. HISTÓRIA, Segundo Ano A África Atlântica Geralmente os membros das comunidades eram poliglotas, pois dominavam e utilizavam várias línguas, a exemplo daquelas que eram faladas por seus familiares e por línguas dos grupos e comunidades vizinhas. Línguas Afro-Asiáticas Línguas Niger-Cordofanianas Línguas Nilo-Saarianas Línguas Coissã Imagem: SEE-PE, redesenhado a partir de imagem de Autor Desconhecido.
  • 12. HISTÓRIA, Segundo Ano A África Atlântica A África teve e ainda tem inúmeros grupos étnicos característicos. Confira alguns: Sudaneses Bantos Bosquinianos Pigmeus Hotentotes Nilóticos A área em destaque é reconhecida como África Negra Imagem: SEE-PE, redesenhado a partir de imagem de Autor Desconhecido.
  • 13. HISTÓRIA, Segundo Ano A África Atlântica CCoommoo eessttuuddaarr aa ÁÁffrriiccaa?? Há pelo menos quatro formas de abordar o espaço africano conforme fatores ambientais, sociais e culturais: 1. África do Norte, África Ocidental, África Oriental, África do Sul e África Central; (*) 2. África do Norte, África Subsaariana e África do Sul; 3. África Branca (norte) e África Negra (sul); 4. África Mediterrânea, África Oriental e ÁÁffrriiccaa AAttllâânnttiiccaa. (*) É a divisão mais utilizada e presente na cartografia estudada didaticamente, apresentando as sub-regiões africanas. Também é oficialmente empregada pela ONU (Organização das Nações Unidas), obedecendo a atual divisão política do continente.
  • 14. Oceano Atlântico África do Norte África Ocidental África Central África Oriental África do Sul Imagem: SEE-PE, redesenhado a partir de imagem de Autor Desconhecido.
  • 15. HISTÓRIA, Segundo Ano A África Atlântica AA ÁÁffrriiccaa AAttllâânnttiiccaa Esta região ocidental do continente, banhada pelo Oceano Atlântico e que teve fortes influências sobre a formação colonial das Américas, foi a origem dos escravos que partiram para o Novo Mundo. Oceano Atlântico Imagem: SEE-PE, redesenhado a partir de imagem de Autor Desconhecido.
  • 16. HISTÓRIA, Segundo Ano A África Atlântica AA ÁÁffrriiccaa AAttllâânnttiiccaa Oceano Atlântico Para os estudiosos da História da África, a região é formada pelos seguintes países atuais: Mauritânia, Senegal, Gâmbia, Guiné Bissau, Guiné, Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, Gana, Togo, Benin, Nigéria, Camarões, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe, Gabão, Congo, República Democrática do Congo e Angola. Imagem: SEE-PE, redesenhado a partir de imagem de Autor Desconhecido.
  • 17. AA ÁÁffrriiccaa AAttllâânnttiiccaa A região sediou um dos mais importantes reinos históricos da África, o poderoso Império de Gana, que desenvolveu intensa atividade mineradora e comercial que negociava vários produtos e também impulsionou o tráfico de escravos. Situado numa movimentada rota entre as regiões atlânticas e subsaarianas, o império manteve contatos com vários povos, o que facilitou os negócios envolvendo escravos. Gana manteve sob seu controle vários reinos na região e entrou em decadência após o domínio de invasores islâmicos, no século XIII.
  • 18. AA ÁÁffrriiccaa AAttllâânnttiiccaa O reino de Mali estava nas proximidades da África Atlântica, por isso era bastante ligado à região. Mali adotou o islamismo e também deveu seu desenvolvimento ao comércio, além de intensa vida urbana, o que ocorria em grandes cidades como Tombuctu. Imagem: EhavEliyahu / Public Domain
  • 19. AA ÁÁffrriiccaa AAttllâânnttiiccaa A situação geográfica da África Atlântica favoreceu bastante as atividades comerciais, pois são abundantes os rios e os canais naturais navegáveis, facilitando o fluxo de pessoas e mercadorias de várias partes. Imagem:Jialiang Gao www.peace-on-earth.org / GNU Free Documentation License
  • 20. EEssccrraavviiddããoo A escravidão é uma característica marcante na vida da África Atlântica, sendo o tráfico humano uma atividade que teve muita importância na região. O escravismo era uma prática muito comum na África e remonta os tempos das civilizações mais antigas do continente. Imagem: Autor desconhecido / United States Public Domain
  • 21. Imagem: Autor desconhecido / United States Public Domain Cenas da escravidão interna na África Atlântica.
  • 22. EEssccrraavviiddããoo Imagem: Autor desconhecido / Public Domain Cenas da escravidão interna na África Atlântica.
  • 23. EEssccrraavviiddããoo Mulheres e crianças escravas. Imagem: Autor desconhecido / United States Public Domain
  • 24. EEssccrraavviiddããoo Com a expansão marítima europeia, a partir do século XV, os contatos entre a Europa e a África tornaram-se intensos e, com eles, a escravidão ganhou mais mercados através do tráfico atlântico, que passou a ter o Novo Mundo como destino. Os portugueses estabeleceram privilegiadas condições de negociação, estabelecendo grande volume de atividades e possibilitando o aumento das influências externas sobre a África Atlântica. Tráfico atlântico:  Fluxo externo para as Américas;  Preferência por escravos homens, por crianças e adolescentes.
  • 25. EEssccrraavviiddããoo As intensas intromissões externas contribuíram para desestabilizar os reinos africanos, cada vez mais dependentes das potências europeias. O tráfico atlântico acentuou também os problemas internos na África, pois aumentou as tensões entre os povos e sociedades numa luta entre aqueles que buscavam escravos e aqueles que buscavam resistir à submissão.
  • 26. EEssccrraavviiddããoo  Cerca de 90% dos escravos transferidos para as Américas partiram da África Atlântica;  No caso do fornecimento de escravos para o Brasil, os interesses pelo controle do comércio escravista gerou atritos entre lideranças e grupos africanos, comerciantes portugueses e também brasileiros; Imagem: Castelo de São Jorge da Mina, em Gana – Grande porto escravista português / Dave Ley / GNU Free Documentation License
  • 27. EEssccrraavviiddããoo Esquemas e representações de navios negreiros que faziam as rotas entre a África Atlântica e as Américas. Imagem: Autor desconhecido / United States Public Domain
  • 28. EEssccrraavviiddããoo  O fluxo escravista a partir da África Atlântica acabou também disseminando, através do êxodo escravo, vários elementos da cultura nativa africana para as Américas, então significativa parte da base sociocultural das sociedades formadas nas Américas receberam influências diretas dos povos da África Atlântica;  As populações escravas passaram a constituir a população americana, agindo no processo de produção colonial, mas a devida integração à sociedade ainda não foi concluída mesmo após o fim do trabalho escravo;  A continuidade do tráfico escravo foi trágica para vários reinos, aldeias e povoados africanos, que passaram a ser atacados para obtenção de pessoas que seriam submetidas ao escravismo no Mundo Atlântico.
  • 29. AAttiivviiddaaddee  Texto 1 “Se definirmos o escravo como alguém que é propriedade de outro – que pode ser pessoa, grupo social, instituição ou cargo político –, e cuja propriedade é reconhecida por leis e costumes, temos que concluir que a ‘prisão social’ do cativo doméstico constituía uma forma de escravidão. Essa definição de escravo vale tanto para a escravidão ‘de linhagem’ como para a utilização comercial em larga escala de escravos, esta também encontrada na África em lugares e períodos específicos”. João José Reis, “Notas sobre a escravidão na África pré-colonial”
  • 30. AAttiivviiddaaddee  Texto 2 “Dado fundamental do sistema escravista, a dessocialização, processo em que o indivíduo é capturado e apartado de sua comunidade nativa, se completa com a despersonalização, na qual o cativo é convertido em mercadoria na sequencia da reificação, da coisificação, levada a efeito na sociedade escravista”. Luiz Felipe Alencastro, “O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul” VVaammooss ddeebbaatteerr!! Como podemos identificar as definições de escravidão nos textos lidos? É possível comparar as formas de escravidão existentes na antiguidade e aquela que existia na África?
  • 31. AAttiivviiddaaddee Por que podemos falar na existência de “várias Áfricas”? Costumamos empregar nossos conceitos sobre as instituições sociais para entender a sociedade africana, mas o funcionamento dos “reinos”, “impérios” e o “Estado” na África não ocorre exatamente como indicam nossos conceitos. Discuta como ocorrem estas variações.
  • 32. AAttiivviiddaaddee Acompanhe o vídeo que está neste link e então registre suas impressões a respeito da influência religiosa sobre a escravidão atlântica. VVííddeeooss Conheça mais sobre a história africana e sobre a África Atlântica através dos seguintes vídeos na internet: África Ocidental: Togo e Benin África: Uma História rejeitada
  • 33. Slide Autoria / Licença Link da Fonte Data do Acesso 2 ESEOHE CECILIA EJODAME / Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Africa_ sight.png 20/04/2012 5 Jeff Dahl / GNU Free Documentation License http://en.wikipedia.org/wiki/File:Pharaoh.svg 20/04/2012 6 Ruinas de Meroé / B N Chagny / Creative Commons Attribution-Share Alike 1.0 Generic http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Sudan_ Meroe_Pyramids_2001.JPG 20/04/2012 7 Parque das estelas de Axum / Pzbinden7 / GNU Free Documentation License http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Stela_a ksum.jpg 20/04/2012 8 Faraós Núbios / Wufei07 / public domain http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Nubian Pharoahs.jpg 20/04/2012 9 Ruínas de Cártago / Autor desconhecido / Public Domain http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ruines _de_Carthage.jpg 20/04/2012 18 EhavEliyahu / Public Domain http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Berber _Trade_with_Timbuktu_1300s.jpg 20/04/2012 19 Jialiang Gao www.peace-on-earth.org / GNU Free Documentation License http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Niger_ River_Center_Island.jpg 20/04/2012 20 Autor desconhecido / United States Public Domain http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Slaveb eating.jpg 20/04/2012 21 Autor desconhecido / United States Public Domain http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Slaves_ in_Ethiopia_-_19th_century.jpg 20/04/2012 22 Autor desconhecido / Public Domain http://commons.wikimedia.org/wiki/File:ST-slaves. jpg?uselang=en 20/04/2012 Tabela de Imagens
  • 34. Tabela de Imagens Slide Autoria / Licença Link da Fonte Data do Acesso 23 Autor desconhecido / United States Public Domain http://commons.wikimedia.org/wiki/File:1890sc _Artwork_01.jpg 20/04/2012 26 Castelo de São Jorge da Mina, em Gana – Grande porto escravista português / Dave Ley / GNU Free Documentation License http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Elmina _slave_castle.jpg 20/04/2012 27 Autor desconhecido / United States Public Domain http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Slavetr ade2.jpg 20/04/2012 11, 12, 14, e15 SEE-PE, redesenhado a partir de imagem de Autor Desconhecido. Acervo SEE-PE. 26/04/2012