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12 termos que você precisa conhecer para ajudar a combater o racismo
Admitir que existe racismo no Brasil ainda é um tabu para uma grande parcela da sociedade. As
pessoas desconhecem conceitos e não se atentam para o problema, reproduzindo, enquanto
instituições ou individualmente, ações discriminatórias.
Apesar do desconhecimento, os números não mentem e trazem à tona que precisamos tomar
medidas em prol da igualdade racial no Brasil.
Segundo o FAQ (Perguntas Frequentes) sobre racismo:
1. a chance de um negro ser analfabeto é 5 vezes maior que a de um branco;
2. 63,7% dos desempregados no Brasil são pretos ou pardos;
3. mais de 50% dos negros não têm acesso à internet;
4. os negros representam 61,6% da população carcerária brasileira;
5. uma em cada quatro pessoas com ensino superior no Brasil é negra;
6. pretos e pardos recebem, em média, R$1531 – quase a metade do rendimento médio dos
brancos, que é de R$2757;
7. quase 40% dos negros que vivem em áreas urbanas não possuem esgoto encanado;
8. a cada 23 minutos uma pessoa negra é assassinada no Brasil.
Uma das principais ferramentas contra a discriminação racial é a informação. Pessoas não-negras
bem informadas podem se tornar grandes aliadas no combate ao racismo. Além disso, empresas
mais conscientes melhoram sua tomada de decisão, seja de contratação ou de desenvolvimento
de talentos.
Pensando nisso, criamos este glossário com alguns dos principais termos para equidade étnico-
racial. Confira!
Etnia e Raça
Os próximos termos serão explicados a partir do artigo “Uma abordagem conceitual das noções
de raça, racismo, identidade e etnia”, do Prof. Dr. Kabengele Munanga (USP):
Etnia: “é um conceito sócio-cultural, histórico e psicológico.” Ou seja, um conjunto de pessoas
que compartilham do idioma, estão no mesmo espaço geográfico ou possuem a mesma fé ou
cultura ou cosmovisão formam etnias. Menos marcada pelas características físicas e mais pelo
conjunto de costumes.
Raça: já o conceito de raça é morfo-biológico, e ao longo dos séculos formou o conjunto
populacional dito raça “branca”, “negra” e “amarela”. Diz respeito ao conjunto de hábitos, crenças
e comportamentos compartilhados por meio de pessoas que também possuem características
físicas semelhantes, geralmente expressadas pela cor.
Discurso de ódio
O que é discurso de ódio: costuma ser definido como manifestações que atacam e incitam ódio
contra determinados grupos sociais baseadas em raça, etnia, gênero, orientação sexual, religiosa
ou origem nacional.
Claro que a liberdade de expressão é um direito humano fundamental garantido pela Constituição
Brasileira, mas isso não significa que qualquer pessoa possa falar qualquer coisa por aí. A
liberdade de expressão termina se ela coloca em risco a liberdade de outra pessoa, e esse é o
caso do discurso de ódio.
Segundo dados da ONG SaferNet Brasil, dedicada à defesa dos direitos humanos na Internet, o
Brasil cultiva o discurso de ódio principalmente nas redes sociais, como Twitter, Facebook e
Instagram.
Ao analisar os gráficos com as denúncias de discurso de ódio recebidas pela SaferNet, vemos
que o racismo corresponde a 28% do volume total e tem crescido bastante nos últimos anos.
Desde 2011, as denúncias ligadas à discurso de ódio de cunho racial possuem o segundo maior
volume, perdendo somente para a incitação a crimes contra a vida.
Disponível em: http://saferlab.org.br/o-que-e-discurso-de-odio/index.html
Ao mesmo tempo, um estudo recente realizado pelo pesquisador brasileiro e PHD em Sociologia
Luiz Valério Trindade na Universidade de Southampton (Inglaterra) mostra que as mulheres
negras são o principal alvo de comentários depreciativos nas redes sociais. Ele analisou mais de
109 páginas de Facebook e 16 mil perfis de usuários. O levantamento também incluiu 224 artigos
jornalísticos que abordam dezenas de casos de racismo nas redes sociais brasileiras entre 2012 e
2016. Luiz Valério constatou que 65% dos usuários que disseminam intolerância racial são
homens na faixa de 20 e 25 anos. Já 81% das vítimas de discurso depreciativo nas redes
sociais são mulheres negras entre 20 e 35 anos.
Racismo
O que é racismo: está previsto na Lei n. 7.716/1989 e diz respeito à uma conduta discriminatória
dirigida a determinado grupo ou coletividade. A lei de racismo enquadra uma série de situações
como: recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, impedir o acesso às entradas
sociais em edifícios, discriminar nas relações de emprego, entre outros.
Conceitualmente, o racismo é mais amplo do que a injúria racial (está prevista no Código Penal
e consiste em ofender a honra de alguém valendo-se de elementos referentes à raça, cor, etnia,
religião ou origem), pois ele visa atingir uma coletividade indeterminada de indivíduos,
discriminando toda a integralidade de uma etnia e uma raça.
As pessoas e as instituições no Brasil devem reconhecer a existência do racismo para assim
avançarmos enquanto uma nação que desmistifica o mito da democracia racial (a crença de
que nós, por sermos um país diverso e miscigenado, não somos um país racista e conseguimos
transcender os conflitos raciais). Os EUA e a África do Sul deram importantes passos para isso no
passado, ao acabar com a segregação e com o Apartheid, além de criar as ações afirmativas.
Mas isso não quer dizer que o racismo acabou, ele apenas deixou de ser explícito e tornou-se
implícito. Basta fazer o chamado “teste do pescoço” e olhar ao redor para ver que, apesar de
negros constituírem a maioria da população — 54% dos brasileiros se autodeclara preto ou pardo
—, sua presença é minoria nos espaços de poder, como universidades, espaços culturais,
restaurantes e até mesmo o seu local de trabalho.
Racismo Institucional
O que é racismo institucional: é basicamente o tratamento diferenciado entre raças no interior
de organizações, empresas, grupos, associações e instituições congêneres – segundo este
artigo do Geledés.
Ivair Augusto Alves dos Santos, no livro Direitos Humanos e as Práticas de Racismo diz:
“Há racismo institucional quando um órgão, entidade, organização ou estrutura social cria um fato
social hierárquico – estigma visível, espaços sociais reservados –, mas não reconhece as
implicações raciais do processo.”
Segundo o Instituto Ethos, há três tipos de discriminação racial sofrida pelos negros no mercado
de trabalho:
1. Discriminação ocupacional: é o questionamento da capacidade do negro de executar
tarefas mais complexas. Mesmo que esteja capacitado como os demais, o negro é vetado
ou restringido de tarefas mais complexas.
2. Discriminação salarial: ocorre pela desvalorização do trabalho exercido pelo aspecto
étnico-racial, de forma a atribuir, por exemplo, remunerações inferiores a negros.
3. Discriminação pela imagem: é a busca pela criação de um padrão de ideal estético de
funcionários e prestadores de serviços. Assim, traços fenotípicos de diferentes etnias e
raças são excluídos ou repreendidos em ambientes profissionais.
Racismo Estrutural
O que é racismo estrutural: o conceito que fala sobre o racismo como se estrutura na
sociedade. A nossa estrutura é, essencialmente, racista. Aqui no Brasil, o racismo é a regra e não
a exceção. O racismo está presente nas nossas relações políticas, econômicas, jurídicas e até
familiares. E, em todas elas, pessoas brancas ocupam um espaço de poder, de tomada de
decisão e de superioridade em relação aos negros e indígenas.
Na prática, o racismo estrutural significa que o racismo está presente no nosso cotidiano e muitas
vezes de maneiras quase imperceptíveis, como, por exemplo:
 quando não encontramos pessoas negras em cargos de liderança;
 quando vemos que negros (mesmo quando ocupam os mesmos cargos) ganham 30% a
menos que os brancos ou;
 ao vermos uma mídia quase 100% branca em um país de maioria negra, ou;
 no preconceito em relação às religiões de matriz africana, ou;
 quando automaticamente um homem negro se torna sinônimo de perigo e acaba sendo
vítima de violência, como aconteceu com o George Floyd.
Então, podemos entender que o racismo se dá tanto por comportamentos individuais racistas,
quanto por processos institucionais (dentro das nossas instituições) que não impedem que ele
aconteça, retroalimentando essa nossa estrutura social desigual e discriminatória.
No seu livro “Racismo estrutural”, o advogado, filósofo e professor Silvio Almeida argumenta que
o conceito de racismo estrutural é mais completo do que o olhar institucional, apesar de muitas
pessoas ainda falarem de racismo institucional. O argumento dele parte do pressuposto que que o
racismo não é algo essencialmente criado pela instituição, mas é por ela reproduzido. Ou seja, a
instituição que não atua ativamente para reduzir a desigualdade racial está naturalizando e
reproduzindo as práticas racistas da sociedade.
Segundo o “Guia de Orientação das Nações unidas no Brasil para denúncias de discriminação
étnico-racial”, os processos de discriminação étnica e racial (ainda sofrida por indígenas e negros
no Brasil) são efeitos de uma estrutura social que se fundamenta em uma ideologia racista e
sexista. O racismo acaba alimentando essa estrutura de desigualdades, expressando-se no dia a
dia das relações interpessoais, dificultando o acesso da população negra e indígena a bens e
serviços públicos, mercado de trabalho e ensino superior. Impede, também, que ela goze
plenamente de seus direitos civis, sociais e econômicos.
O vídeo do Canal Preto (idealizado pelo Ministério Público, Maria Sylvia, presidente do portal
Geledés e e Helena Teodoro, voluntária Instituto de Filosofia e Ciência Sociais – IFCs) explica
que o racismo estrutural tem origens históricas e sociais. Mesmo após a abolição, um conjunto de
medidas tomadas pelo Estado brasileiro acabam por manter a mão de obra negra marginalizada.
E, claro, esse conjunto de desigualdades no âmbito político, econômico e cultural se perpetuam
até os dias de hoje.
Racismo Ambiental
O que é racismo ambiental: injustiças sociais e ambientais que atingem grupos étnicos mais
vulneráveis e outras comunidades, discriminadas por sua ‘raça’, origem ou cor.
“Racismo ambiental” é um termo cunhado em 1981 pelo Dr. Benjamin Franklin Chavis Jr, líder
negro pelos direitos civis, a partir de suas investigações e pesquisas entre a relação de resíduos
tóxicos e a população negra norte-americana. Nesse artigo da Geledés você pode se aprofundar
no assunto.
Estamos ouvindo falar bastante de racismo ambiental ultimamente, com a pandemia do
coronavírus. O artigo “Racismo Ambiental e os impactos do Coronavírus na população negra”
aborda esse tema no contexto atual que estamos vivendo. Ao observarmos os números, vemos
que o risco de morte por COVID-19 é 62% maior entre negros no estado de São Paulo. No
Espírito Santo, 42,8% de negros contra 19% de brancos. Mas, o que isso quer dizer? Que o vírus
é racista?
Não, mas esse é um exemplo perfeito de como essa não é uma realidade que diz respeito só à
situação socioeconômica das pessoas, mas de um contexto histórico a uma “herança racial”, que
limitou os espaços ocupados pelas pessoas negras desde à época da escravidão, reverberando
até hoje. Inclusive, especialistas apontam que precariedade do acesso ao saneamento básico,
insegurança alimentar e dificuldades de assistência médica aumentam o risco de exposição ao
vírus e morte de pessoas negras.
Colorismo
O que é colorismo: Também conhecido como pigmentocracia, é o termo que foi denominado
para a discriminação por tonalidade da pele, ou seja, quanto mais pigmentada a pele da pessoas,
maior a exclusão e discriminação. Isso quer dizer que, ainda que uma pessoa seja reconhecida
como negra ou afrodescendente, a tonalidade de sua pele será decisiva para o tratamento que a
sociedade dará a ela.
Um exemplo de colorismo foi abordado na minissérie Self Made, da Netflix, que é uma excelente
forma de conscientizar e educar. Ela foi inspirada na vida da Madame CJ Walker, a primeira
mulher negra a ficar milionária por conta própria nos EUA.
Antes de se tornar dona de uma marca poderosa de beleza — que atravessaria gerações e que
tem o seu rosto estampado nos produtos —, ela foi discriminada e desacreditada por não ser
reconhecida como bela, por ter a pele pigmentada e a textura crespa do cabelo.
Viés inconsciente
O que é viés inconsciente: Segundo o professor Antônio Pereira, neurocientista do Rio Grande
do Norte integrante do Projeto Implícito — uma organização colaborativa sem fins lucrativos que
estuda o tema — vieses inconscientes são mecanismos do cérebro humano explicados pela
neurociência como resultantes da formação e organização cerebral, baseadas tanto em nossas
experiências e ambientes de vida quanto em uma herança ancestral e primitiva.
De acordo com neurocientistas, essa formação é inevitável. Entretanto, ao associar um juízo de
valor a esses vieses, muitas vezes são gerados preconceitos e discriminações. E, obviamente,
isso traz uma série de consequências para a nossa vida em sociedade, inclusive no ambiente
empresarial.
Um estudo da Universidade Chicago Booth, para testar os vieses, escreveu em currículos
idênticos, nomes que tradicionalmente as pessoas associam às pessoas brancas, de origem
europeia (como Brendan, Greg, Emily) e nomes que eram tradicionalmente associados à
comunidade afro americana (como Tamika, Aisha, Tyrone).
Em seguida, eles perceberam que precisavam cerca de 15 currículos para que os candidatos
supostamente negros recebessem uma ligação para agendar entrevista, enquanto os outros
candidatos com nomes vistos como europeus só precisavam mandar 10 currículos. Ou seja, foi
necessário mandar 50% mais currículos para que esse grupo osse considerado para a posição.
Um vídeo sobre esse assunto foi criado há alguns anos atrás, mostrando como nosso viés está
diretamente relacionado ao conceito de racismo estrutural e institucional.
Ou seja, o viés não acontece apenas em um nível individual (nas pessoas), mas também nas
decisões, processos e produtos que elas desenham. Um dos grandes pesquisadores dos vieses
racistas no Brasil, principalmente na tecnologia, é o Tarcízio Silva, professor e pesquisador com
diversas publicações, incluindo a organização de livros como o “Comunidades, Algoritmos e
Ativismos Digitais: olhares afrodiaspóricos (2018)”.
Ele criou uma Linha do Tempo do Racismo Algorítmico, que mostra como as plataformas digitais,
mídias sociais, aplicativos e inteligência artificial reproduzem (e intensificam) o racismo e os
vieses inconscientes nas sociedades.
Representatividade
O que é representatividade: Os nossos vieses inconscientes e o próprio racismo estrutural
fazem com que tenhamos uma baixa representatividade da população negra nos espaços de
poder, de liderança, de comunicação (propaganda, mídia), dentre outros. Com isso torna-se
importante falar sobre representatividade, que é, segundo Jordão Farias neste artigo, o “ato de
sentir-se representado, por alguém ou movimento mais influente, geralmente nas grandes mídias.
Representatividade é, também, a qualidade de nos sentirmos representados por um grupo,
indivíduo ou expressão humana, em nossas características, sejam elas físicas, comportamentais
ou socioculturais. É por meio desta qualidade que nos sentimos parte de um grupo, pertencentes
a ele, compartilhando experiências, impressões, sentimentos e pensamentos com seus
membros”.
É o que explica o estudo TODXS – Uma análise de representatividade na publicidade brasileira,
realizado pela agência publicitária Heads em parceria com a ONU Mulheres, que revela que 65%
das mulheres brasileiras não se sentem representados pela publicidade. Os dados revelam como
a publicidade brasileira é racista quando perpetua, nos modelos e personagens, um modelo físico
e um biotipo ligados quase sempre às características fenotípicas de pessoas brancas:
Disponível em: https://pt.slideshare.net/mediaeducation/todxs-uma-anlise-da-
representatividade-na-publicidade-brasileira
No vídeo “Tour pelo meu rosto”, Gabi Oliveira, do Papo DePretas, mostra como e quando se deu
conta de que sua beleza era diferente da mostrada pela mídia.
Apropriação cultural
O que é apropriação cultural: Além de não estarem devidamente representados, muitas vezes a
comunidade negra acaba sendo vítima de um processo de apropriação cultural, que é o ato de se
apropriar de elementos de uma outra cultura da qual não pertence, desconsiderando os
significados e tradições que o permeiam. Isto pode partir de um indivíduo ou da indústria.
É quando uma cultura (ou grupo) dominante utiliza símbolos, artefatos ou defende valores de uma
cultura minorizada e usa esses elementos esvaziando de significado. E pior: sem dar o crédito
apropriado ou abrir portas para as pessoas dessa cultura. Isso gera um apagamento de quem
nunca se viu representado e vê sua cultura ganhando proporções maiores, mas com outro
protagonista.
Dororidade
Se você procurar essa palavra nos dicionários, não irá encontrar. O próprio Google sugere a
correção para sororidade e os editores de texto sugerem que existe o erro ortográfico.
Os termos possuem correlação mas são bem diferentes. No livro Dororidade, a autora Vilma
Piedade aborda um feminismo com sororidade – irmandade entre as mulheres – que entende e
acolhe a luta da mulher negra que além de sofrer machismo, também sofre a dor do racismo.
O que é dodoridade: enquanto sororidade é a relação de irmandade entre mulheres, dodoridade
é a cumplicidade entre mulheres negras, que compartilham dores específicas da experiência
vivida e da luta que as une através da cor.
O conceito de dororidade é importante porque inclui a perspectiva de classe e interseccionalidade
associados ao “ser mulher”. Ou seja, ele mostra que a sororidade também precisa se relacionar
com a dor que mulheres trans sentem com a transfobia, que mulheres quilombolas, nordestinas e
ribeirinhas sentem com a xenofobia, etc.
Essa questão da interseccionalidade e a diferença nas lutas compartilhadas especificamente por
mulheres negras se baseia na realidade brasileira, está pautada em dados (apesar de ainda não
serem muitas as pesquisas que cruzam diferentes perspectivas, como raça e gênero):
De acordo com a pesquisa “Estatísticas de gênero”, do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), o percentual de mulheres brancas com ensino superior completo é 2,3 vezes
maior do que o de mulheres negras. E apenas 10,4% das mulheres negras têm ensino superior
completo. De acordo com o “Dossiê Mulheres Negras: retrato das condições de vida das mulheres
negras no Brasil”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), elas estão
sobrerrepresentadas no trabalho doméstico – são 57,6% dos trabalhadores nesta posição –, têm
a menor presença em posições com mais seguridade social, como o emprego com carteira
assinada, e são as que mais sofrem durante as crises econômicas.
A pesquisa “Mulheres e trabalho: breve análise do período 2005-2015”, feito pelo Ipea (Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada) mostrou que, enquanto as negras tiveram salário médio de R$
1.027,50, os brancos ganharam mensalmente R$ 2.509,70. Outro levantamento, este publicado
em 2018 pelo Instituto Locomotiva, aponta que a renda média de mulheres negras com ensino
superior é de R$ 2.918, enquanto homens brancos com o mesmo nível de graduação recebem R$
6.702.
Branquitude
O que os brancos de um país racista podem fazer pela igualdade além de não serem racistas? O
primeiro passo é reconhecer os seus privilégios como pessoa branca.
Diferentemente dos negros, que precisam lidar com questões raciais desde pequenos, os brancos
não costumam enxergar sua própria raça – ou etnia. A branquitude é naturalizada, percebida
como padrão, como algo universal. Para os brancos, quem tem raça são os outros. Mas, afinal, o
que é branquitude?
O que é branquitude: a UOL fez uma reportagem, “Gente Branca”, que aborda essas questões e
explica o termo. O livro “Branquitude: Estudos sobre a Identidade Branca no Brasil” escrito por
Tânia M. P. Müller e Lourenço Cardoso explica que “a branquitude significa pertença étnico-racial
atribuída ao branco. Podemos entendê-la como o lugar mais elevado da hierarquia racial, um
poder de classificar os outros como não brancos, que, dessa forma, significa ser menos do que
ele. O ser-branco se expressa na corporeidade, a brancura. E vai além do fenótipo. Ser branco
consiste em ser proprietário de privilégios raciais simbólicos e materiais.”
Isso quer dizer que, mesmo que a pessoa branca não seja racista, ela acessa as vantagens da
branquitude. Mas também que, por não ser uma “escolha” individual, ela pode lutar contra isso.
Combater o racismo é um trabalho de todos, todas e todes. Vamos juntos quebrar esse
padrão? Comece compartilhando esse texto e educando-se, constantemente.
Olhe para dentro: como ser um aliado na luta antirracista
Se você é uma pessoa branca ou não-negra, uma das maneiras mais poderosas de colaborar para o fim da
injustiça racial e apoiar as pessoas negras, é através da educação de nós mesmos. É olhando para dentro. É
preciso trabalhar ativamente para ser um aliado, principalmente nesse momento de pandemia.
Racismo e COVID-19
Cartilha Covid-19: Salvar Vidas e Garantir Direitos da População Negra | Elaborada pela Coordenação
Nacional de Entidades Negras (CONEN), com o objetivo de chamar a atenção para quem são os principais
afetados no Brasil pelo Coronavírus e suas consequências econômicas.
Estudo Mulheres Negras: Saúde Financeira e expectativas diante da Covid-19 | Realizado pelo ID_BR
– Instituto Identidades do Brasil, em parceria com Empodera, Empregueafro e Faculdade Zumbi dos
Palmares.
Mapa Corona nas Periferias | Lançado pelo Instituto Marielle Franco, em parceria com o portal Favela em
Pauta. A proposta é dar visibilidade às iniciativas de combate à Covid-19 nas favelas e periferias do Brasil.
O impacto do racismo estrutural nas mortes por covid-19 | Reportagem do Nexo Jornal com dados dos
EUA e do Brasil que apontam que pessoas negras estão morrendo em proporção maior do que brancos.
Você sabe o que é racismo ambiental? | Vídeo elaborado pelo Canal Preto.
Racismo Estrutural e Privilégio Sistêmico | Livros e materiais
A cor do trabalho | Material elaborado pelo UOL Tab, 2019.
A cor púrpura | Livro de Alice Walker, este conto épico abrange 40 anos na vida de Celie, uma mulher
afro-americana que mora no Sul e que sobreviveu abuso e intolerância de seu pai. Depois que seu pai a casa
com o degradante Sr. Albert Johnson, as coisas vão de mal a pior. Celie procura encontrar companhia em
qualquer lugar que pode. Perseverante, ela mantém o sonho de um dia reencontrar sua irmã na África.
A liberdade é uma luta constante | Livro de Angela Davis que reúne uma ampla seleção de seus artigos,
discursos e entrevistas recentes realizados em diferentes países entre 2013 e 2015, organizados pelo militante
dos direitos humanos Frank Barat.
Americanah | Livro de Chimamanda Adichie, que parte de uma história de amor para debater questões
prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero.
Coleção Retratos do Brasil Negro | Coleção de livros coordenada pela Vera Lúcia Benedito, com o
objetivo de abordar a vida e a obra de figuras fundamentais da cultura, da política e da militância negra.
Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: Olhares Afrodiaspóricos | Livro de Tarcízio Silva, onde
o pesquisador busca combater uma lacuna na academia brasileira: reflexões sobre a relação entre raça,
racismo, negritude e branquitude com as tecnologias digitais como algoritmos, mídias sociais e comunidades
online.
FAQ: Racismo | Material produzido pelo Think Olga, 2016.
Memórias da plantação | Livro de Grada Kilomba, uma compilação de episódios cotidianos de racismo,
escritos sob a forma de pequenas histórias psicanalíticas. Das políticas de espaço e exclusão às políticas do
corpo e do cabelo, passando pelos insultos raciais, Grada Kilomba desmonta, de modo incisivo, a
normalidade do racismo, expondo a violência e o trauma de se ser colocada/o como Outra/o.
Mulheres, raça e classe | Livro de Angela Davis, que fala sobre a escravidão e de seus efeitos, a forma pela
qual a mulher negra foi desumanizada, e a impossibilidade de se pensar um projeto de nação que
desconsidere a centralidade da questão racial, já que as sociedades escravocratas foram fundadas no racismo.
Na minha Pele | Livro de Lázaro Ramos, onde o ator divide com o leitor suas reflexões sobre temas como
ações afirmativas, gênero, família, empoderamento, afetividade e discriminação.
O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado | Livro de Abdias Nascimento,
apresentado no Segundo Festival de Artes e Culturas Negras, em Lagos, na Nigéria, em 1977, demonstrando
que a condição dos negros no Brasil não era realmente como aquela nos EUA ou na África, era pior –
vítimas que são de um racismo insidioso, de uma política que conduz a um genocídio, para usar o termo do
autor, que, ausente das leis e dos discursos políticos, se revela cotidianamente.
Olhares negros – raça e representação | Livro de Bell Hooks, uma coletânea de ensaios críticos reunidos
onde a autora interroga narrativas e discute a respeito de formas alternativas de observar a negritude, a
subjetividade das pessoas negras e a branquitude.
O olho mais azul | Livro de Toni Morrison, considerado um dos livros mais impactantes da autora e seu
primeiro romance. Conta a história de Pecola Breedlove, uma menina negra que sonha com uma beleza
diferente da sua. Poderosa reflexão sobre raça, classe social e gênero, O olho mais azul é um livro atemporal
e necessário.
Olhos d’água | Livro de Conceição Evaristo, onde a consagrada autora ajusta o foco de seu interesse na
população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem.
O perigo de uma história única | Livro de Chimamanda Adichie, uma versão da primeira fala feita por
Chimamanda no programa TED Talk, em 2009. Dez anos depois, o vídeo é um dos mais acessados da
plataforma, com cerca de 18 milhões de visualizações.
O sol é para todos | Livro de Harper Lee, sobre racismo e injustiça e um dos maiores clássicos da literatura
mundial. Conta a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher
branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista.
Quarto de despejo – diário de uma favelada | Livro de Carolina de Jesus, que foi o diário da catadora de
papel da autora Carolina Maria de Jesus e relata o cotidiano triste e cruel da vida na favela. A linguagem
simples, mas contundente, comove o leitor pelo realismo e pelo olhar sensível na hora de contar o que viu,
viveu e sentiu nos anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com três filhos.
Quem tem medo do feminismo negro? | Livro de Djamila Ribeiro, que reúne um longo ensaio
autobiográfico inédito e uma seleção de artigos publicados pela autora no blog da revista Carta Capital ,
entre 2014 e 2017. No texto de abertura, a filósofa e militante recupera memórias de seus anos de infância e
adolescência para discutir o que chama de “silenciamento”, processo de apagamento da personalidade por
que passou e que é um dos muitos resultados perniciosos da discriminação.
Racismo Institucional: uma abordagem conceitual | Material elaborado pela ONU Mulheres e Geledés,
2016.
Racismo: Segregação à brasileira | Material elaborado pelo UOL Tab, 2018.
Racismo, sexismo e desigualdade racial | Livro de Sueli Carneiro que reúne os melhores textos desse
período a ativista e feminista negra Sueli Carneiro produziu entre 2001 e 2010, publicados na imprensa
brasileira. Neles, a autora nos convida a refletir criticamente a sociedade brasileira, explicitando de forma
contundente como o racismo e o sexismo têm estruturado as relações sociais, políticas e de gênero.
Um defeito de cor | Livro de Ana Maria Gonçalves, um clássico de uma fascinante história de uma africana
idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao
longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão.
Antirracismo e como ser um aliado | Livros e materiais
As 5 maiores urgências da população negra e o que você pode fazer diferente em 2020 | Material
elaborado pelo Google, 2010.
Como ser antirracista | Livro de Ibram X. Kendi, em que ele entrelaça uma estimulante combinação de
ética, história, leis e ciência com sua própria história do despertar para o antirracismo.
Gente branca: O que os brancos de um país racista podem fazer pela igualdade além de não serem
racistas? | Material elaborado pelo UOL Tab, 2018.
Lugar de fala | Livro de Djamila Ribeiro, com o objetivo de desmistificar o conceito de lugar de fala,
contextualizando o indivíduo tido como universal numa sociedade cis-heteropatriarcal eurocentrada, para
que seja possível identificarmos as diversas vivências específicas e, assim, diferenciar os discursos de acordo
com a posição social de onde se fala.
Manifesto “Seja Antirracista” | Lançado pelo Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), com o objetivo de
acelerar a promoção da igualdade racial no Brasil.
Pequeno manual antirracista | Livro de Djamila Ribeiro, filósofa e ativista, trata de temas como atualidade
do racismo, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos. Em dez capítulos curtos e
contundentes, a autora apresenta caminhos de reflexão para aqueles que queiram aprofundar sua percepção
sobre discriminações racistas estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação do estado das
coisas.
Práticas antirracistas que podem ser adotadas pela branquitude | Lista feita pelo Mundo Negro com
práticas antirracistas que podem ser adotadas por pessoas brancas.
Racismo linguístico: os subterrâneos da linguagem e do racismo| Livro de Gabriel Nascimento, que
aborda um tema quase totalmente ausente da linguística brasileira e se posiciona de forma lúcida e engajada
nos debates de intelectuais negros, muitas vezes esquecidos, mostrando suas contribuições para uma visão
mais inclusiva da linguagem dentro da sociedade brasileira.
Tecendo redes antirracistas: Áfricas, Brasis, Portugal | Livro organizado por Anderson Ribeiro Oliva,
Marjorie Corrêa Marona e outros, traz uma série de textos que buscam produzir reflexões sobre o racismo
experimentado em países de língua portuguesa nos continentes africano, sul-americano e europeu.
Vídeos e podcasts
Afetos | Podcast criado pelas comunicadoras Gabi Oliveira e Karina Vieira, que fala sobre os principais
temas que afetam a população negra.
Afropai | Podcast sobre paternidade negra, realizado por Leandro Ferreira.
Afropausa | Podcast que tem o objetivo de discutir a representação da raça negra na publicidade, criado por
nove profissionais negros da Wunderman Thompson.
Angu de Grilo | Podcast apresentado pelas jornalistas Flávia Oliveira e sua filha, Isabela Reis, sobre os mais
diversos temas, sempre com recorte racial e dando centralidade aos temas que envolvem a população negra.
Black Money Cast | Podcast produzido pelo Movimento Black Money sobre afroempreendedorismo,
tecnologia, finanças e real diversidade.
Consciência negra (parte 1) | Episódio do podcast Mamilos, elaborado pelo B9.
Consciência negra (parte 2) | Episódio do podcast Mamilos, elaborado pelo B9.
Depois das 19 | Discute enegrecidamente as notícias do momento.
Desigualdade racial no Brasil | Vídeo elaborado pela Revista Superinteressante.
Entenda o que é colorismo e como funciona | Série Conversas Gostosinhas. Vídeo elaborado pela Ana
Paula Xongani.
Entenda o que é racismo estrutural | Vídeo elaborado pelo Canal Preto.
Eu não sou racista | Podcast elaborado pelo B9, 2018.
Lado Black | Podcast apresentado por Luiza Braga, Rafael Chino, Pedro Macie e John Razen que discute as
notícias atuais e política, a partir de uma visão enegrecida.
Ninguém nasce racista | Vídeo elaborado pela Globo (Criança Esperança).
O que é racismo estrutural? | Vídeo elaborado pelo Quebrando o Tabu.
O racismo no Brasil é um problema de todos | Vídeo do Mini Saia (Saia Justa – GNT).
Papo preto | Podcast do Alma Preta, com a proposta de abordar temas como autoestima, bem estar e o dia a
dia da população negra sempre a partir do diálogo com ao menos um convidado especial.
Racismo Institucional | Vídeo elaborado pelo Governo do Paraná.
REP – A Dona do Pedaço: Nina Silva conta como fundou o Movimento Black Money | Vídeo elaborado
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Todo mundo sabe que o racismo existe no Brasil, mas ninguém se acha racista | Entrevista da BBC com
Djamila Ribeiro
Vídeos PretaLab | Série de vídeos produzida pelo PretaLab, Iniciativa para inspirar meninas e mulheres
negras e indígenas no universo das tecnologias e inovação.
Você sabe o que é racismo? | Vídeo elaborado pelo Quebrando o Tabu e o GNT.
Você sabe o que é racismo estrutural? | Série Conversas Gostosinhas. Vídeo elaborado pela Ana Paula
Xongani.
Vozes da UNILAB | Série do podcast dedicada a pensar nos impactos da Covid-19 em um horizonte pan-
africanista.
Filmes e documentários
12 Anos de Escravidão | Filme baseado na autobiografia de Solomon Northup, que conta a trajetória de um
negro nascido livre que é levado de Nova York e vendido como escravo.
A 13º Emenda | Documentário em que estudiosos, ativistas e políticos analisam a correlação entre a
criminalização da população negra dos EUA e o boom do sistema prisional do país.
Atlanta | Série em que dois primos, o rapper Paper Boi e seu empresário Earn, tentam alcançar a fama juntos
na cena musical de Atlanta, Georgia. A primeira temporada de “Atlanta” ganhou dois Globos de Ouro, dois
Emmys, um Peabody e outros inúmeros prêmios.
Branco sai, preto fica | Filme, onde, marcados pela violência policial anos atrás, dois moradores de uma
comunidade distópica se juntam a um visitante do futuro para tramar a derrubada do sistema.
Cara Gente Branca | Série em que alunos negros de uma conceituada universidade norte-americana
enfrentam desrespeito e a política evasiva da escola, que está longe de ser “pós-racial”.
Filhas do Vento | Filme de redenção entre quatro mulheres negras, que em um dia especial de suas vidas
vão desenterrar e revolver suas histórias para restabelecer o amor maternal e fraternal, sem barreiras de raça
e credo, existente entre irmãs e filhas de qualquer parte do mundo.
Histórias Cruzadas | Filme baseado no best-seller número 1 do New York Times escrito por Kathryn
Stockett, uma história inspiradora sobre extraordinárias mulheres muito diferentes da região Sul dos Estados
Unidos durante os anos 1960, que formaram uma amizade incomum a partir do projeto secreto de um livro
que desafia as regras da sociedade e as coloca em risco.
Infiltrado na Klan | Filme de Spike Lee, que conta incrível história real de um herói americano que,
decidido a fazer a diferença, monta uma perigosa missão: infiltrar-se na Ku Klux Klan, revelando as ações
do grupo.
Kbela | Filme da diretora Yasmin Thayná, com olhar sensível sobre a experiência do racismo vivido
cotidianamente por mulheres negras. A descoberta de uma força ancestral que emerge de seus cabelos
crespos transcendendo o embranquecimento. Um exercício subjetivo de autorepresentação e
empoderamento.
Menino 23: infâncias perdidas no Brasil | O filme acompanha, a partir da descoberta de tijolos marcados
com suásticas nazistas em uma fazenda no interior de São Paulo, a investigação do historiador Sidney
Aguilar e a descoberta de um fato assustador: durante os anos 1930, 50 meninos negros e mulatos foram
levados de um orfanato no Rio de Janeiro para a fazenda onde os tijolos foram encontrados.
O dia de Jerusa | Nesse curta, Jerusa, moradora de um sobrado envelhecido pelo tempo, recebe Silvia, uma
pesquisadora de opinião que circula pelo bairro convencendo pessoas à responderem questionários para uma
pesquisa de sabão em pó. No momento em que conhece Silvia, Jerusa a proporciona uma tarde inusitada
repleta de memórias, convidando-a à compartilhar momentos de felicidade com uma “desconhecida”.
Olhos azuis, Jane Elliot | Documentário frio sobre um tema fervente: os workshops sobre racismo
desenvolvidos pela norte-americana Jane Elliott. O filme acompanha, especificamente, um desses
workshops, realizado em Kansas City com 30 pessoas, entre professores, policiais e assistentes sociais.
Durante duas horas e meia esses indivíduos são submetidos a um estranho experimento: os que têm olhos
azuis são separados dos restantes e bombardeados por um tratamento discriminatório e ofensivo semelhante
ao que os negros e outras etnias oprimidas sofrem cotidianamente nos EUA.
Olhos que condenam | Série que conta a história real de cinco adolescentes do Harlem que vivem um
pesadelo depois de serem injustamente acusados de um ataque brutal no Central Park.
Os Panteras Negras: Vanguarda da Revolução | Documentário sobre o Partido dos Panteras Negras, que
traz diversas vozes que viveram essa história: polícia, informantes do FBI, jornalistas, simpatizantes,
detratores, os que permaneceram fiéis ao partido e aqueles que o deixaram.
Preciosa | Filme que retrata a vida de adolescente negra de 16 anos que sofre uma série de privações durante
sua juventude, mas encontra um meio de fugir de sua existência traumática, se refugiando em sua
imaginação.
Strong Island | Neste documentário indicado ao Oscar sobre o assassinato do irmão do cineasta Yance Ford,
as forças do vínculo familiar, do sofrimento e da injustiça racial convergem.
Time: The Kalief Browder Story | Esta série documental acompanha o trágico caso de Kalief Browder, um
adolescente de Nova York que passou três anos na prisão sem nunca ter sido condenado.
Você faz a diferença | Este documentário expõe a discussão sobre racismo e preconceito na sociedade
brasileira. Ele apresenta os pontos de vista de alunos e professores, que acreditam na importância de falar
abertamente sobre as diferenças.
Organizações, coletivos e iniciativas para acompanhar
Afrohub | O AfroHub é um programa de aceleração de empreendimentos negros com foco na decodificação
dos códigos da internet para o uso das redes sociais de forma estratégica para o crescimento dos seus
negócios. É idealizado em parceria com o Afrobusiness e Diáspora.Black, com o apoio do Facebook.
AfroPython | Coletivo que tem o objetivo de empoderar pessoas negras dentro da área da tecnologia.
Campanha Alvos do Genocídio | da Coalizão Negra por Direitos, que reúne mais de 100 entidades do
movimento negro de todo o Brasil na promoção de ações conjuntas de incidência política para o
enfrentamento do racismo e do genocídio que recai sobre a população negra.
Canal Preto | Canal no Youtube que aborda temáticas de questões raciais e trabalho.
CEERT | Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades
Computação sem Caô | O Computação sem Caô é um projeto que busca ampliar e democratizar o
entendimento da ciência da computação no Brasil.
Desabafo Social | Laboratório de tecnologias sociais aplicadas à geração de renda, comunicação e educação.
Educafro | A Educafro tem a missão de promover a inclusão da população negra (em especial) e pobre (em
geral), nas universidades públicas e particulares com bolsa de estudos, através do serviço de seus
voluntários/as nos núcleos de pré-vestibular comunitários e setores da sua Sede Nacional, em forma de
mutirão.
Feira Preta | A maior feira de empreendedorismo negro da América Latina.
IDBR | O Instituto Identidades do Brasil (ID_BR) é uma organização sem fins lucrativos, pioneira no Brasil
e 100% comprometida com a aceleração da promoção da igualdade racial. A partir da Campanha Sim à
Igualdade Racial desenvolvemos ações em diferentes formatos para conscientizar e engajar organizações e a
sociedade. Buscamos reduzir a desigualdade racial no mercado de trabalho, como indica o objeto 10 da
agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
Indique uma preta | Rede de apoio, empregabilidade e desenvolvimento profissional para mulheres negras.
Movimento Black Money | Hub de inovação para inserção e autonomia da comunidade negra na era digital
junto a transformação do ecossistema empreendedor negro,com foco em comunicação, educação e geração
de negócios pretos. Tendo como diferencial o fomento do letramento identitário e do mindset de inovação ao
ecossistema afroempreendedor, estimulamos o espírito inovador de empreendedores e jovens negros para a
criação de diferenciais competitivos no mercado.
ONG Criola
/strong> | Organização da sociedade civil com mais de 25 anos de trajetória na defesa e promoção dos
direitos das mulheres negras. Fundada em 1992, a organização atua na construção de uma sociedade onde os
valores de justiça, equidade, solidariedade são fundamentais. Durante quase três décadas, a Criola reafirma
que a ação transformadora das mulheres negras é essencial para o bem viver de toda a sociedade brasileira.
PretaLab | Iniciativa para a democratização das tecnologias, através da inclusão de mulheres negras na área.
Desde 2017, a PretaLab criou um levantamento que mostra ser urgente o debate sobre representatividade no
universo da inovação. O estudotraz entrevistas, vídeos e dados que apontam que falar de raça e gênero na
tecnologia é necessário para a criação de uma sociedade socialmente mais justa. Em 2019, a iniciativa lançou
um hub de perfis de mulheres negras e a Quem Coda o Brasil, pesquisa sobre diversidade nas equipes de
tecnologia do país.
Tecnogueto | Projeto que prepara pessoas para atuação imediata no mercado de trabalho de tecnologia,
fornecendo mentoria de carreira, indicação de vagas em empresas e oportunidades de participações em
projetos reais.
Uneafro | Rede de articulação e formação de jovens e adultos moradores de regiões periféricas do Brasil que
se organiza em torno de núcleos: de cursinhos pré-vestibulinhos, pré-vestibulares, pré-concursos, formação
para o mercado de trabalho, cursos de formação política, de gênero, antirracista, diversidade sexual, combate
às drogas e aperfeiçoamento jurídico.
UX pra minas pretas | UX design, empoderamento, compartilhamento e articulação em rede, por e para
mulheres negras.
Compromissos, redes e movimentos que você (e/ou sua empresa) pode aderir
Seja Antirracista
Coalizão Empresarial para Equidade Racial e de Gênero
Diversidade SA
Portais de notícias
Agência Mural
Alma Preta
Canal Preto
CUFA
Favela em pauta
Mídia Ninja
Mundo Negro
Notícia Preta
Portal Geledés
Voz das Comunidades
Ativistas, intelectuais e influenciadores para seguir nas redes sociais
AD Junior
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Ana Paula Xongani
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Nathália Braga
Nina Silva
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Sil Bahia
Silvio Almeida
Spartakus Santiago
Sueli Carneiro
Tainá de Paula
Taynara Cabral
Winnie Bueno
Yuri Marçal
*Documento adaptado para o Brasil, baseado no documento: Allyship In Action: How to Support Black
Colleagues Right Now, produzido e disponibilizado pela Paradigm.
**O lugar de pessoas negras é em todos os lugares. Neste material, selecionamos livros, materiais
audiovisuais e nomes de pessoas que dedicam a vida para falar sobre as questões étnicos-raciais em
diversas áreas, mas é preciso ter em mente que homens e mulheres negros/as precisam ocupar todos os
espaços. É necessário que haja colaboração de todos para que isso aconteça.
Racismo: uma estrutura de dominação social
que precisa ser desconstruída e superada
Não é de hoje que a questão racial vem sendo discutida no Brasil. Entretanto, ela tomou uma nova dimensão
na pandemia, onde os entraves da Covid-19 foram acentuados em um determinado grupo, em sua maioria,
composto por pobres e negros. A advogada especializada em Direito Civil, Maria Eduarda Santos, e a
antropóloga indígena, Lidiane Adjú Kariú, explicam como o racismo se manifesta e como é possível
combatê-lo.
O que é racismo?
Para explicar o racismo, a antropóloga Adjú Kariú costuma “utilizar a conceituação de Silvio Almeida. De
acordo com esse autor, ‘o racismo é uma forma sistemática de discriminação, que tem a raça como
fundamento, e se manifesta por meio de práticas conscientes ou inconscientes, culminando em desvantagens
ou privilégios, a depender do grupo racial’. Isso porque o racismo tem uma dupla ação, ao mesmo tempo em
que restringe ou nega direitos para pessoas racializadas, ele concede vantagens às pessoas não racializadas”.
Nesse sentido, o racismo é um conjunto de práticas de determinada raça/etnia que, ao estar em uma posição
de favorecimento social, acaba deixando outra raça em desfavorecimento.
A origem do racismo
Segundo Adjú Kariú, “o racismo tem origem na invasão, colonização, bem como na escravização dos povos
nativos das Américas e dos povos negros”. Para exemplificar, a antropóloga parafraseia uma ideia muito
presente nos estudos coloniais: “o colonizador europeu nominou e significou o ‘outro’ utilizando a categoria
de raça. Assim, ele justificou sua superioridade e dominou os povos habitantes desse novo mundo”. Em
resumo, o colonizador se elegeu como um ser dotado de humanidade e, ao mesmo tempo, destituiu o ‘outro’
de sua humanidade.
Sendo uma construção histórico-social legitimada pelas estruturas de poder, entre elas, governo e religião, e
embasada em uma ideia de superioridade. O racismo é impiedoso, violento e se manifesta de diferentes
tipos. Entenda a seguir.
Tipos de racismo
No livro “Racismo Estrutural”, o pesquisador Silvio de Almeida traz três conceituações para os principais
tipos de racismo presentes na sociedade:
 Racismo Individual: de acordo com a concepção de Almeida, o racismo individualista é “uma espécie de
“patologia” ou anormalidade. Ele é praticado por um indivíduo ou um grupo isolado. “Uma ‘irracionalidade’ a
ser combatida no campo jurídico por meio da aplicação de sanções civis – indenizações, por exemplo – ou
penais”.
 Racismo Institucional: “os conflitos raciais também são parte das instituições. Assim, a desigualdade racial é
uma característica da sociedade não apenas por causa da ação isolada de grupos ou de indivíduos racistas, mas
fundamentalmente porque as instituições são hegemonizadas por determinados grupos raciais que utilizam
mecanismos institucionais para impor seus interesses políticos e econômicos”. O conceito ofertado por
Almeida dá uma visão ampla sobre como o racismo institucional opera na sociedade.
 Racismo Estrutural: “o racismo é uma decorrência da própria estrutura social, ou seja, do mundo ‘normal’
com que se constituem as relações políticas, econômicas, jurídicas e até familiares.
Com base na conceituação de Silvio Almeida, é possível perceber que o racismo está presente em diferentes
esferas da sociedade. Além disso, ele opera em camadas, algumas mais visíveis e outras invisíveis, porém,
todas elas com efeitos devastadores.
Racismo é crime: entenda a lei
O crime de racismo é a discriminação social contra uma raça, cor, etnia e religião, fundamentada em uma
ideia de superioridade. Segunda a advogada, ele é “disciplinado pela Lei n° 7.716/1989, que o define como
um crime inafiançável e imprescritível”. Em outras palavras, não há uma data de validade, a denúncia pode
ser realizada anos após o ato criminoso e ele deverá ser julgado.
“Além disso, a Constituição Federal Brasileira de 1988, no art. 3°, inciso XLI, traz que: ‘constituem
objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: promover o bem de todos, sem preconceito de
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação’ afirmando a proibição”, informou
Maria Eduarda Santos.
Para o crime de racismo, há duas penas: reclusão de um a três anos com multa; e reclusão de dois a cinco
anos com multa. É importante denunciar, compartilhar a informação e deixar cada vez mais claro que os
tempos estão mudando. Não há espaço para o racismo!
Existe racismo reverso?
O ‘racismo reverso’ é um termo usado para designar supostos casos de preconceito contra brancos. Porém,
muitos ativistas e estudiosos do movimento negro apontam que essa é uma forma de deslegitimar ou se
apoderar do lugar das vítimas. Além disso, é uma forma de desvirtuar o foco do efetivo enfrentamento as
desigualdades sociais presentes no mundo.
Como aponta a antropóloga indígena, “o racismo reverso não existe, pois o racismo é uma manifestação de
poder que tem origem histórica na colonização, subordinação, escravização de pessoas indígenas e negras.
No Brasil, a pessoa branca não é impedida de ingressar em restaurantes e usar determinados elevadores em
razão da cor de sua pele, assim como não é morta pela polícia por ser confundida com um bandido”. Essa
fala está relacionada com um tratamento racista ainda presente na sociedade.
Santos também concorda que “o racismo reverso não existe, pois determinadas raças, como é o caso dos
negros e indígenas, sofreram e continuam sofrendo baixa oportunidade de trabalho, moradia e pouca
melhoria na condição financeira. Além do mais, esses grupos foram submetidos a uma escravidão que durou
muitos anos”.
A discussão em volta desse termo é mais do que inapropriada. Ao invés de racismo reverso, há um racismo
aversivo (conceito criado por Joel Kovel), isto é, pessoas brancas dizem que não são racistas, porém suas
ações mostram outra realidade.
O mito da democracia racial no Brasil
“O mito da democracia racial, embora antigo, foi apresentado formalmente ao Brasil pelo sociólogo Gilberto
Freyre, no livro ‘Casa-Grande e Senzala’. Freyre buscava compreender as características e as ramificações
de povos e culturas que constituíam a nação brasileira. O autor adota uma percepção romantizada e acrítica
da colonização e da escravidão, dois processos históricos violentíssimos que marcam a formação social no
Brasil. Sua obra reforçou o que ficou conhecido como o mito da democracia racial”, explicou a antropóloga.
Hipoteticamente, a democracia racial é um país sem racismo, garantindo a igualdade e a equidade de direitos
para todos, independentemente da cor da pele ou origem étnica. Entretanto, não passa de uma hipótese que
só existe no papel. Pesquisadores apontam que houve foi uma inversão da realidade brasileira sobre suas
relações raciais.
No Brasil, o mito da democracia racial é uma farsa historicamente construída. Desde a abolição da
escravatura, construiu-se uma ideia de país acolhedor que abraça todas as raças, quando, na verdade, o
privilégio branco sempre existiu. Quem habita os grandes centros urbanos e quem é a maior vítima das ações
policiais? Reflita.
Como pessoas não racializadas podem contribuir para a luta antirracista
Citando Ângela Davis: “não basta não ser racista, é preciso ser antirracista”. Essa luta é de todos. Para a
antropóloga, pessoas brancas, utilizando seus lugares de poder e privilégio, precisam adotar o antirracismo
como uma forma de vida. A prática deve ser diária, tanto no local de trabalho, no cotidiano familiar, em uma
roda de amigos quanto em outros lugares.
No livro “Pequeno Manual Antirracista”, a filósofa Djamila Ribeiro também aponta que ser antirracista é a
melhor forma de contribuição. Aliás, esse livro é uma excelente indicação de leitura sobre o tema. Lançado
em 2019, seu conteúdo é didático, urgente, escrito para ser entendido por todos os públicos.
A filósofa também tem estudos sobre o “lugar de fala“, outra prática que você pode adotar. O conceito é
sobre pessoas assumindo a narrativa de suas histórias. Por exemplo, em roda de conversa sobre racismo, uma
pessoa branca domina o discurso enquanto uma pessoa negra escuta. Há um silenciamento nessa prática.
Não é sobre dar espaço e não é sobre deixar o outro falar. É sobre reconhecer que o privilégio tomou espaço
e esse deve ser reocupado por quem realmente viveu, vive e sente na pele o peso do racismo.
Você pode contribuir pesquisando, lendo sobre o assunto e compartilhando informações. Além disso, não
compactue com pessoas racistas, não vote em políticos com discursos discriminatórios, assine petições,
denuncie atos racista, respeite o local de fala, dialogue, pergunte, repense, caminhe ao lado.
O movimento negro no Brasil
A constituição de 1988 foi aprovada no ano em que a abolição formal da escravidão completava 100 anos.
Com esse processo de democratização do país, o movimento negro conseguiu colocar em pauta várias
propostas e reinvindicações. Entretanto, ainda é possível sentir os efeitos negativos de quase 400 anos de
escravidão.
Mundialmente, o Black Lives Matter (traduzindo do inglês ‘Vidas Negras Importam’) é o principal
movimento a favor das vidas negras e contra o racismo. Entretanto, a luta também é histórica. Martin Luther
King Jr, por exemplo, foi um dos maiores ativistas a favor dos direitos civis. No cenário internacional atual,
Angela Davis, John Lewis, Spike Lee, Chimamanda Ngozi Adichie e Lewis Hamilton, piloto de fórmula 1,
são alguns dos ativistas que lutam contra o racismo.
No Brasil, entre os representantes do movimento negro e outros movimentos antirracistas estão Djamila
Ribeiro, Sonia Guajajara, Lélia Gonzales, Conceição Evaristo, Sueli Carneiro, Carla Akotirene, Ailton
Krenak e Silvio de Almeida. Além disso, há muitos coletivos em todos os estados brasileiros. Esses foram
primordiais para a conquista de vários direitos, como a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da
Igualdade Racial, o dia da Consciência Negra, em 2003, a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e
da Lei de Cotas. Embora todos esses alcances tenham sido importantes, em 2016, houve um retrocesso,
quando as ações de promoção de igualdade sofreram drástica redução orçamentária.
Adjú Kariú reforça a importância da resistência no país: “tanto o movimento negro quanto o movimento
indígena têm conquistado direitos muito importantes para a população negra e para os povos indígenas. Suas
pautas e atuações são indispensáveis para que continuemos avançando em outras pautas consideradas
urgentes para os dois grupos sociais”.
Sites Consultados
https://www.dicasdemulher.com.br/racismo/ - Jarli Guajajara Atualizado em 02.09.22
https://www.blend-edu.com/12-termos-para-combater-o-racismo/

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  • 1. 12 termos que você precisa conhecer para ajudar a combater o racismo Admitir que existe racismo no Brasil ainda é um tabu para uma grande parcela da sociedade. As pessoas desconhecem conceitos e não se atentam para o problema, reproduzindo, enquanto instituições ou individualmente, ações discriminatórias. Apesar do desconhecimento, os números não mentem e trazem à tona que precisamos tomar medidas em prol da igualdade racial no Brasil. Segundo o FAQ (Perguntas Frequentes) sobre racismo: 1. a chance de um negro ser analfabeto é 5 vezes maior que a de um branco; 2. 63,7% dos desempregados no Brasil são pretos ou pardos; 3. mais de 50% dos negros não têm acesso à internet; 4. os negros representam 61,6% da população carcerária brasileira; 5. uma em cada quatro pessoas com ensino superior no Brasil é negra; 6. pretos e pardos recebem, em média, R$1531 – quase a metade do rendimento médio dos brancos, que é de R$2757; 7. quase 40% dos negros que vivem em áreas urbanas não possuem esgoto encanado; 8. a cada 23 minutos uma pessoa negra é assassinada no Brasil. Uma das principais ferramentas contra a discriminação racial é a informação. Pessoas não-negras bem informadas podem se tornar grandes aliadas no combate ao racismo. Além disso, empresas mais conscientes melhoram sua tomada de decisão, seja de contratação ou de desenvolvimento de talentos. Pensando nisso, criamos este glossário com alguns dos principais termos para equidade étnico- racial. Confira! Etnia e Raça Os próximos termos serão explicados a partir do artigo “Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia”, do Prof. Dr. Kabengele Munanga (USP): Etnia: “é um conceito sócio-cultural, histórico e psicológico.” Ou seja, um conjunto de pessoas que compartilham do idioma, estão no mesmo espaço geográfico ou possuem a mesma fé ou cultura ou cosmovisão formam etnias. Menos marcada pelas características físicas e mais pelo conjunto de costumes. Raça: já o conceito de raça é morfo-biológico, e ao longo dos séculos formou o conjunto populacional dito raça “branca”, “negra” e “amarela”. Diz respeito ao conjunto de hábitos, crenças e comportamentos compartilhados por meio de pessoas que também possuem características físicas semelhantes, geralmente expressadas pela cor. Discurso de ódio O que é discurso de ódio: costuma ser definido como manifestações que atacam e incitam ódio contra determinados grupos sociais baseadas em raça, etnia, gênero, orientação sexual, religiosa ou origem nacional.
  • 2. Claro que a liberdade de expressão é um direito humano fundamental garantido pela Constituição Brasileira, mas isso não significa que qualquer pessoa possa falar qualquer coisa por aí. A liberdade de expressão termina se ela coloca em risco a liberdade de outra pessoa, e esse é o caso do discurso de ódio. Segundo dados da ONG SaferNet Brasil, dedicada à defesa dos direitos humanos na Internet, o Brasil cultiva o discurso de ódio principalmente nas redes sociais, como Twitter, Facebook e Instagram. Ao analisar os gráficos com as denúncias de discurso de ódio recebidas pela SaferNet, vemos que o racismo corresponde a 28% do volume total e tem crescido bastante nos últimos anos. Desde 2011, as denúncias ligadas à discurso de ódio de cunho racial possuem o segundo maior volume, perdendo somente para a incitação a crimes contra a vida. Disponível em: http://saferlab.org.br/o-que-e-discurso-de-odio/index.html Ao mesmo tempo, um estudo recente realizado pelo pesquisador brasileiro e PHD em Sociologia Luiz Valério Trindade na Universidade de Southampton (Inglaterra) mostra que as mulheres negras são o principal alvo de comentários depreciativos nas redes sociais. Ele analisou mais de 109 páginas de Facebook e 16 mil perfis de usuários. O levantamento também incluiu 224 artigos jornalísticos que abordam dezenas de casos de racismo nas redes sociais brasileiras entre 2012 e 2016. Luiz Valério constatou que 65% dos usuários que disseminam intolerância racial são homens na faixa de 20 e 25 anos. Já 81% das vítimas de discurso depreciativo nas redes sociais são mulheres negras entre 20 e 35 anos. Racismo O que é racismo: está previsto na Lei n. 7.716/1989 e diz respeito à uma conduta discriminatória dirigida a determinado grupo ou coletividade. A lei de racismo enquadra uma série de situações como: recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, impedir o acesso às entradas sociais em edifícios, discriminar nas relações de emprego, entre outros. Conceitualmente, o racismo é mais amplo do que a injúria racial (está prevista no Código Penal e consiste em ofender a honra de alguém valendo-se de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem), pois ele visa atingir uma coletividade indeterminada de indivíduos, discriminando toda a integralidade de uma etnia e uma raça. As pessoas e as instituições no Brasil devem reconhecer a existência do racismo para assim avançarmos enquanto uma nação que desmistifica o mito da democracia racial (a crença de que nós, por sermos um país diverso e miscigenado, não somos um país racista e conseguimos transcender os conflitos raciais). Os EUA e a África do Sul deram importantes passos para isso no passado, ao acabar com a segregação e com o Apartheid, além de criar as ações afirmativas. Mas isso não quer dizer que o racismo acabou, ele apenas deixou de ser explícito e tornou-se implícito. Basta fazer o chamado “teste do pescoço” e olhar ao redor para ver que, apesar de negros constituírem a maioria da população — 54% dos brasileiros se autodeclara preto ou pardo —, sua presença é minoria nos espaços de poder, como universidades, espaços culturais, restaurantes e até mesmo o seu local de trabalho.
  • 3. Racismo Institucional O que é racismo institucional: é basicamente o tratamento diferenciado entre raças no interior de organizações, empresas, grupos, associações e instituições congêneres – segundo este artigo do Geledés. Ivair Augusto Alves dos Santos, no livro Direitos Humanos e as Práticas de Racismo diz: “Há racismo institucional quando um órgão, entidade, organização ou estrutura social cria um fato social hierárquico – estigma visível, espaços sociais reservados –, mas não reconhece as implicações raciais do processo.” Segundo o Instituto Ethos, há três tipos de discriminação racial sofrida pelos negros no mercado de trabalho: 1. Discriminação ocupacional: é o questionamento da capacidade do negro de executar tarefas mais complexas. Mesmo que esteja capacitado como os demais, o negro é vetado ou restringido de tarefas mais complexas. 2. Discriminação salarial: ocorre pela desvalorização do trabalho exercido pelo aspecto étnico-racial, de forma a atribuir, por exemplo, remunerações inferiores a negros. 3. Discriminação pela imagem: é a busca pela criação de um padrão de ideal estético de funcionários e prestadores de serviços. Assim, traços fenotípicos de diferentes etnias e raças são excluídos ou repreendidos em ambientes profissionais. Racismo Estrutural O que é racismo estrutural: o conceito que fala sobre o racismo como se estrutura na sociedade. A nossa estrutura é, essencialmente, racista. Aqui no Brasil, o racismo é a regra e não a exceção. O racismo está presente nas nossas relações políticas, econômicas, jurídicas e até familiares. E, em todas elas, pessoas brancas ocupam um espaço de poder, de tomada de decisão e de superioridade em relação aos negros e indígenas. Na prática, o racismo estrutural significa que o racismo está presente no nosso cotidiano e muitas vezes de maneiras quase imperceptíveis, como, por exemplo:  quando não encontramos pessoas negras em cargos de liderança;  quando vemos que negros (mesmo quando ocupam os mesmos cargos) ganham 30% a menos que os brancos ou;  ao vermos uma mídia quase 100% branca em um país de maioria negra, ou;  no preconceito em relação às religiões de matriz africana, ou;  quando automaticamente um homem negro se torna sinônimo de perigo e acaba sendo vítima de violência, como aconteceu com o George Floyd. Então, podemos entender que o racismo se dá tanto por comportamentos individuais racistas, quanto por processos institucionais (dentro das nossas instituições) que não impedem que ele aconteça, retroalimentando essa nossa estrutura social desigual e discriminatória. No seu livro “Racismo estrutural”, o advogado, filósofo e professor Silvio Almeida argumenta que o conceito de racismo estrutural é mais completo do que o olhar institucional, apesar de muitas pessoas ainda falarem de racismo institucional. O argumento dele parte do pressuposto que que o racismo não é algo essencialmente criado pela instituição, mas é por ela reproduzido. Ou seja, a instituição que não atua ativamente para reduzir a desigualdade racial está naturalizando e reproduzindo as práticas racistas da sociedade.
  • 4. Segundo o “Guia de Orientação das Nações unidas no Brasil para denúncias de discriminação étnico-racial”, os processos de discriminação étnica e racial (ainda sofrida por indígenas e negros no Brasil) são efeitos de uma estrutura social que se fundamenta em uma ideologia racista e sexista. O racismo acaba alimentando essa estrutura de desigualdades, expressando-se no dia a dia das relações interpessoais, dificultando o acesso da população negra e indígena a bens e serviços públicos, mercado de trabalho e ensino superior. Impede, também, que ela goze plenamente de seus direitos civis, sociais e econômicos. O vídeo do Canal Preto (idealizado pelo Ministério Público, Maria Sylvia, presidente do portal Geledés e e Helena Teodoro, voluntária Instituto de Filosofia e Ciência Sociais – IFCs) explica que o racismo estrutural tem origens históricas e sociais. Mesmo após a abolição, um conjunto de medidas tomadas pelo Estado brasileiro acabam por manter a mão de obra negra marginalizada. E, claro, esse conjunto de desigualdades no âmbito político, econômico e cultural se perpetuam até os dias de hoje. Racismo Ambiental O que é racismo ambiental: injustiças sociais e ambientais que atingem grupos étnicos mais vulneráveis e outras comunidades, discriminadas por sua ‘raça’, origem ou cor. “Racismo ambiental” é um termo cunhado em 1981 pelo Dr. Benjamin Franklin Chavis Jr, líder negro pelos direitos civis, a partir de suas investigações e pesquisas entre a relação de resíduos tóxicos e a população negra norte-americana. Nesse artigo da Geledés você pode se aprofundar no assunto. Estamos ouvindo falar bastante de racismo ambiental ultimamente, com a pandemia do coronavírus. O artigo “Racismo Ambiental e os impactos do Coronavírus na população negra” aborda esse tema no contexto atual que estamos vivendo. Ao observarmos os números, vemos que o risco de morte por COVID-19 é 62% maior entre negros no estado de São Paulo. No Espírito Santo, 42,8% de negros contra 19% de brancos. Mas, o que isso quer dizer? Que o vírus é racista? Não, mas esse é um exemplo perfeito de como essa não é uma realidade que diz respeito só à situação socioeconômica das pessoas, mas de um contexto histórico a uma “herança racial”, que limitou os espaços ocupados pelas pessoas negras desde à época da escravidão, reverberando até hoje. Inclusive, especialistas apontam que precariedade do acesso ao saneamento básico, insegurança alimentar e dificuldades de assistência médica aumentam o risco de exposição ao vírus e morte de pessoas negras. Colorismo O que é colorismo: Também conhecido como pigmentocracia, é o termo que foi denominado para a discriminação por tonalidade da pele, ou seja, quanto mais pigmentada a pele da pessoas, maior a exclusão e discriminação. Isso quer dizer que, ainda que uma pessoa seja reconhecida como negra ou afrodescendente, a tonalidade de sua pele será decisiva para o tratamento que a sociedade dará a ela. Um exemplo de colorismo foi abordado na minissérie Self Made, da Netflix, que é uma excelente forma de conscientizar e educar. Ela foi inspirada na vida da Madame CJ Walker, a primeira mulher negra a ficar milionária por conta própria nos EUA.
  • 5. Antes de se tornar dona de uma marca poderosa de beleza — que atravessaria gerações e que tem o seu rosto estampado nos produtos —, ela foi discriminada e desacreditada por não ser reconhecida como bela, por ter a pele pigmentada e a textura crespa do cabelo. Viés inconsciente O que é viés inconsciente: Segundo o professor Antônio Pereira, neurocientista do Rio Grande do Norte integrante do Projeto Implícito — uma organização colaborativa sem fins lucrativos que estuda o tema — vieses inconscientes são mecanismos do cérebro humano explicados pela neurociência como resultantes da formação e organização cerebral, baseadas tanto em nossas experiências e ambientes de vida quanto em uma herança ancestral e primitiva. De acordo com neurocientistas, essa formação é inevitável. Entretanto, ao associar um juízo de valor a esses vieses, muitas vezes são gerados preconceitos e discriminações. E, obviamente, isso traz uma série de consequências para a nossa vida em sociedade, inclusive no ambiente empresarial. Um estudo da Universidade Chicago Booth, para testar os vieses, escreveu em currículos idênticos, nomes que tradicionalmente as pessoas associam às pessoas brancas, de origem europeia (como Brendan, Greg, Emily) e nomes que eram tradicionalmente associados à comunidade afro americana (como Tamika, Aisha, Tyrone). Em seguida, eles perceberam que precisavam cerca de 15 currículos para que os candidatos supostamente negros recebessem uma ligação para agendar entrevista, enquanto os outros candidatos com nomes vistos como europeus só precisavam mandar 10 currículos. Ou seja, foi necessário mandar 50% mais currículos para que esse grupo osse considerado para a posição. Um vídeo sobre esse assunto foi criado há alguns anos atrás, mostrando como nosso viés está diretamente relacionado ao conceito de racismo estrutural e institucional. Ou seja, o viés não acontece apenas em um nível individual (nas pessoas), mas também nas decisões, processos e produtos que elas desenham. Um dos grandes pesquisadores dos vieses racistas no Brasil, principalmente na tecnologia, é o Tarcízio Silva, professor e pesquisador com diversas publicações, incluindo a organização de livros como o “Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: olhares afrodiaspóricos (2018)”. Ele criou uma Linha do Tempo do Racismo Algorítmico, que mostra como as plataformas digitais, mídias sociais, aplicativos e inteligência artificial reproduzem (e intensificam) o racismo e os vieses inconscientes nas sociedades.
  • 6. Representatividade O que é representatividade: Os nossos vieses inconscientes e o próprio racismo estrutural fazem com que tenhamos uma baixa representatividade da população negra nos espaços de poder, de liderança, de comunicação (propaganda, mídia), dentre outros. Com isso torna-se importante falar sobre representatividade, que é, segundo Jordão Farias neste artigo, o “ato de sentir-se representado, por alguém ou movimento mais influente, geralmente nas grandes mídias. Representatividade é, também, a qualidade de nos sentirmos representados por um grupo, indivíduo ou expressão humana, em nossas características, sejam elas físicas, comportamentais ou socioculturais. É por meio desta qualidade que nos sentimos parte de um grupo, pertencentes a ele, compartilhando experiências, impressões, sentimentos e pensamentos com seus membros”. É o que explica o estudo TODXS – Uma análise de representatividade na publicidade brasileira, realizado pela agência publicitária Heads em parceria com a ONU Mulheres, que revela que 65% das mulheres brasileiras não se sentem representados pela publicidade. Os dados revelam como a publicidade brasileira é racista quando perpetua, nos modelos e personagens, um modelo físico e um biotipo ligados quase sempre às características fenotípicas de pessoas brancas: Disponível em: https://pt.slideshare.net/mediaeducation/todxs-uma-anlise-da- representatividade-na-publicidade-brasileira No vídeo “Tour pelo meu rosto”, Gabi Oliveira, do Papo DePretas, mostra como e quando se deu conta de que sua beleza era diferente da mostrada pela mídia. Apropriação cultural O que é apropriação cultural: Além de não estarem devidamente representados, muitas vezes a comunidade negra acaba sendo vítima de um processo de apropriação cultural, que é o ato de se apropriar de elementos de uma outra cultura da qual não pertence, desconsiderando os significados e tradições que o permeiam. Isto pode partir de um indivíduo ou da indústria. É quando uma cultura (ou grupo) dominante utiliza símbolos, artefatos ou defende valores de uma cultura minorizada e usa esses elementos esvaziando de significado. E pior: sem dar o crédito apropriado ou abrir portas para as pessoas dessa cultura. Isso gera um apagamento de quem nunca se viu representado e vê sua cultura ganhando proporções maiores, mas com outro protagonista. Dororidade Se você procurar essa palavra nos dicionários, não irá encontrar. O próprio Google sugere a correção para sororidade e os editores de texto sugerem que existe o erro ortográfico. Os termos possuem correlação mas são bem diferentes. No livro Dororidade, a autora Vilma Piedade aborda um feminismo com sororidade – irmandade entre as mulheres – que entende e acolhe a luta da mulher negra que além de sofrer machismo, também sofre a dor do racismo. O que é dodoridade: enquanto sororidade é a relação de irmandade entre mulheres, dodoridade é a cumplicidade entre mulheres negras, que compartilham dores específicas da experiência vivida e da luta que as une através da cor. O conceito de dororidade é importante porque inclui a perspectiva de classe e interseccionalidade associados ao “ser mulher”. Ou seja, ele mostra que a sororidade também precisa se relacionar
  • 7. com a dor que mulheres trans sentem com a transfobia, que mulheres quilombolas, nordestinas e ribeirinhas sentem com a xenofobia, etc. Essa questão da interseccionalidade e a diferença nas lutas compartilhadas especificamente por mulheres negras se baseia na realidade brasileira, está pautada em dados (apesar de ainda não serem muitas as pesquisas que cruzam diferentes perspectivas, como raça e gênero): De acordo com a pesquisa “Estatísticas de gênero”, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual de mulheres brancas com ensino superior completo é 2,3 vezes maior do que o de mulheres negras. E apenas 10,4% das mulheres negras têm ensino superior completo. De acordo com o “Dossiê Mulheres Negras: retrato das condições de vida das mulheres negras no Brasil”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), elas estão sobrerrepresentadas no trabalho doméstico – são 57,6% dos trabalhadores nesta posição –, têm a menor presença em posições com mais seguridade social, como o emprego com carteira assinada, e são as que mais sofrem durante as crises econômicas. A pesquisa “Mulheres e trabalho: breve análise do período 2005-2015”, feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostrou que, enquanto as negras tiveram salário médio de R$ 1.027,50, os brancos ganharam mensalmente R$ 2.509,70. Outro levantamento, este publicado em 2018 pelo Instituto Locomotiva, aponta que a renda média de mulheres negras com ensino superior é de R$ 2.918, enquanto homens brancos com o mesmo nível de graduação recebem R$ 6.702. Branquitude O que os brancos de um país racista podem fazer pela igualdade além de não serem racistas? O primeiro passo é reconhecer os seus privilégios como pessoa branca. Diferentemente dos negros, que precisam lidar com questões raciais desde pequenos, os brancos não costumam enxergar sua própria raça – ou etnia. A branquitude é naturalizada, percebida como padrão, como algo universal. Para os brancos, quem tem raça são os outros. Mas, afinal, o que é branquitude? O que é branquitude: a UOL fez uma reportagem, “Gente Branca”, que aborda essas questões e explica o termo. O livro “Branquitude: Estudos sobre a Identidade Branca no Brasil” escrito por Tânia M. P. Müller e Lourenço Cardoso explica que “a branquitude significa pertença étnico-racial atribuída ao branco. Podemos entendê-la como o lugar mais elevado da hierarquia racial, um poder de classificar os outros como não brancos, que, dessa forma, significa ser menos do que ele. O ser-branco se expressa na corporeidade, a brancura. E vai além do fenótipo. Ser branco consiste em ser proprietário de privilégios raciais simbólicos e materiais.” Isso quer dizer que, mesmo que a pessoa branca não seja racista, ela acessa as vantagens da branquitude. Mas também que, por não ser uma “escolha” individual, ela pode lutar contra isso. Combater o racismo é um trabalho de todos, todas e todes. Vamos juntos quebrar esse padrão? Comece compartilhando esse texto e educando-se, constantemente.
  • 8. Olhe para dentro: como ser um aliado na luta antirracista Se você é uma pessoa branca ou não-negra, uma das maneiras mais poderosas de colaborar para o fim da injustiça racial e apoiar as pessoas negras, é através da educação de nós mesmos. É olhando para dentro. É preciso trabalhar ativamente para ser um aliado, principalmente nesse momento de pandemia. Racismo e COVID-19 Cartilha Covid-19: Salvar Vidas e Garantir Direitos da População Negra | Elaborada pela Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), com o objetivo de chamar a atenção para quem são os principais afetados no Brasil pelo Coronavírus e suas consequências econômicas. Estudo Mulheres Negras: Saúde Financeira e expectativas diante da Covid-19 | Realizado pelo ID_BR – Instituto Identidades do Brasil, em parceria com Empodera, Empregueafro e Faculdade Zumbi dos Palmares. Mapa Corona nas Periferias | Lançado pelo Instituto Marielle Franco, em parceria com o portal Favela em Pauta. A proposta é dar visibilidade às iniciativas de combate à Covid-19 nas favelas e periferias do Brasil. O impacto do racismo estrutural nas mortes por covid-19 | Reportagem do Nexo Jornal com dados dos EUA e do Brasil que apontam que pessoas negras estão morrendo em proporção maior do que brancos. Você sabe o que é racismo ambiental? | Vídeo elaborado pelo Canal Preto. Racismo Estrutural e Privilégio Sistêmico | Livros e materiais A cor do trabalho | Material elaborado pelo UOL Tab, 2019. A cor púrpura | Livro de Alice Walker, este conto épico abrange 40 anos na vida de Celie, uma mulher afro-americana que mora no Sul e que sobreviveu abuso e intolerância de seu pai. Depois que seu pai a casa com o degradante Sr. Albert Johnson, as coisas vão de mal a pior. Celie procura encontrar companhia em qualquer lugar que pode. Perseverante, ela mantém o sonho de um dia reencontrar sua irmã na África. A liberdade é uma luta constante | Livro de Angela Davis que reúne uma ampla seleção de seus artigos, discursos e entrevistas recentes realizados em diferentes países entre 2013 e 2015, organizados pelo militante dos direitos humanos Frank Barat. Americanah | Livro de Chimamanda Adichie, que parte de uma história de amor para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero. Coleção Retratos do Brasil Negro | Coleção de livros coordenada pela Vera Lúcia Benedito, com o objetivo de abordar a vida e a obra de figuras fundamentais da cultura, da política e da militância negra. Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: Olhares Afrodiaspóricos | Livro de Tarcízio Silva, onde o pesquisador busca combater uma lacuna na academia brasileira: reflexões sobre a relação entre raça, racismo, negritude e branquitude com as tecnologias digitais como algoritmos, mídias sociais e comunidades online. FAQ: Racismo | Material produzido pelo Think Olga, 2016.
  • 9. Memórias da plantação | Livro de Grada Kilomba, uma compilação de episódios cotidianos de racismo, escritos sob a forma de pequenas histórias psicanalíticas. Das políticas de espaço e exclusão às políticas do corpo e do cabelo, passando pelos insultos raciais, Grada Kilomba desmonta, de modo incisivo, a normalidade do racismo, expondo a violência e o trauma de se ser colocada/o como Outra/o. Mulheres, raça e classe | Livro de Angela Davis, que fala sobre a escravidão e de seus efeitos, a forma pela qual a mulher negra foi desumanizada, e a impossibilidade de se pensar um projeto de nação que desconsidere a centralidade da questão racial, já que as sociedades escravocratas foram fundadas no racismo. Na minha Pele | Livro de Lázaro Ramos, onde o ator divide com o leitor suas reflexões sobre temas como ações afirmativas, gênero, família, empoderamento, afetividade e discriminação. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado | Livro de Abdias Nascimento, apresentado no Segundo Festival de Artes e Culturas Negras, em Lagos, na Nigéria, em 1977, demonstrando que a condição dos negros no Brasil não era realmente como aquela nos EUA ou na África, era pior – vítimas que são de um racismo insidioso, de uma política que conduz a um genocídio, para usar o termo do autor, que, ausente das leis e dos discursos políticos, se revela cotidianamente. Olhares negros – raça e representação | Livro de Bell Hooks, uma coletânea de ensaios críticos reunidos onde a autora interroga narrativas e discute a respeito de formas alternativas de observar a negritude, a subjetividade das pessoas negras e a branquitude. O olho mais azul | Livro de Toni Morrison, considerado um dos livros mais impactantes da autora e seu primeiro romance. Conta a história de Pecola Breedlove, uma menina negra que sonha com uma beleza diferente da sua. Poderosa reflexão sobre raça, classe social e gênero, O olho mais azul é um livro atemporal e necessário. Olhos d’água | Livro de Conceição Evaristo, onde a consagrada autora ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. O perigo de uma história única | Livro de Chimamanda Adichie, uma versão da primeira fala feita por Chimamanda no programa TED Talk, em 2009. Dez anos depois, o vídeo é um dos mais acessados da plataforma, com cerca de 18 milhões de visualizações. O sol é para todos | Livro de Harper Lee, sobre racismo e injustiça e um dos maiores clássicos da literatura mundial. Conta a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. Quarto de despejo – diário de uma favelada | Livro de Carolina de Jesus, que foi o diário da catadora de papel da autora Carolina Maria de Jesus e relata o cotidiano triste e cruel da vida na favela. A linguagem simples, mas contundente, comove o leitor pelo realismo e pelo olhar sensível na hora de contar o que viu, viveu e sentiu nos anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com três filhos. Quem tem medo do feminismo negro? | Livro de Djamila Ribeiro, que reúne um longo ensaio autobiográfico inédito e uma seleção de artigos publicados pela autora no blog da revista Carta Capital , entre 2014 e 2017. No texto de abertura, a filósofa e militante recupera memórias de seus anos de infância e adolescência para discutir o que chama de “silenciamento”, processo de apagamento da personalidade por que passou e que é um dos muitos resultados perniciosos da discriminação.
  • 10. Racismo Institucional: uma abordagem conceitual | Material elaborado pela ONU Mulheres e Geledés, 2016. Racismo: Segregação à brasileira | Material elaborado pelo UOL Tab, 2018. Racismo, sexismo e desigualdade racial | Livro de Sueli Carneiro que reúne os melhores textos desse período a ativista e feminista negra Sueli Carneiro produziu entre 2001 e 2010, publicados na imprensa brasileira. Neles, a autora nos convida a refletir criticamente a sociedade brasileira, explicitando de forma contundente como o racismo e o sexismo têm estruturado as relações sociais, políticas e de gênero. Um defeito de cor | Livro de Ana Maria Gonçalves, um clássico de uma fascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Antirracismo e como ser um aliado | Livros e materiais As 5 maiores urgências da população negra e o que você pode fazer diferente em 2020 | Material elaborado pelo Google, 2010. Como ser antirracista | Livro de Ibram X. Kendi, em que ele entrelaça uma estimulante combinação de ética, história, leis e ciência com sua própria história do despertar para o antirracismo. Gente branca: O que os brancos de um país racista podem fazer pela igualdade além de não serem racistas? | Material elaborado pelo UOL Tab, 2018. Lugar de fala | Livro de Djamila Ribeiro, com o objetivo de desmistificar o conceito de lugar de fala, contextualizando o indivíduo tido como universal numa sociedade cis-heteropatriarcal eurocentrada, para que seja possível identificarmos as diversas vivências específicas e, assim, diferenciar os discursos de acordo com a posição social de onde se fala. Manifesto “Seja Antirracista” | Lançado pelo Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), com o objetivo de acelerar a promoção da igualdade racial no Brasil. Pequeno manual antirracista | Livro de Djamila Ribeiro, filósofa e ativista, trata de temas como atualidade do racismo, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos. Em dez capítulos curtos e contundentes, a autora apresenta caminhos de reflexão para aqueles que queiram aprofundar sua percepção sobre discriminações racistas estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação do estado das coisas. Práticas antirracistas que podem ser adotadas pela branquitude | Lista feita pelo Mundo Negro com práticas antirracistas que podem ser adotadas por pessoas brancas. Racismo linguístico: os subterrâneos da linguagem e do racismo| Livro de Gabriel Nascimento, que aborda um tema quase totalmente ausente da linguística brasileira e se posiciona de forma lúcida e engajada nos debates de intelectuais negros, muitas vezes esquecidos, mostrando suas contribuições para uma visão mais inclusiva da linguagem dentro da sociedade brasileira. Tecendo redes antirracistas: Áfricas, Brasis, Portugal | Livro organizado por Anderson Ribeiro Oliva, Marjorie Corrêa Marona e outros, traz uma série de textos que buscam produzir reflexões sobre o racismo experimentado em países de língua portuguesa nos continentes africano, sul-americano e europeu.
  • 11. Vídeos e podcasts Afetos | Podcast criado pelas comunicadoras Gabi Oliveira e Karina Vieira, que fala sobre os principais temas que afetam a população negra. Afropai | Podcast sobre paternidade negra, realizado por Leandro Ferreira. Afropausa | Podcast que tem o objetivo de discutir a representação da raça negra na publicidade, criado por nove profissionais negros da Wunderman Thompson. Angu de Grilo | Podcast apresentado pelas jornalistas Flávia Oliveira e sua filha, Isabela Reis, sobre os mais diversos temas, sempre com recorte racial e dando centralidade aos temas que envolvem a população negra. Black Money Cast | Podcast produzido pelo Movimento Black Money sobre afroempreendedorismo, tecnologia, finanças e real diversidade. Consciência negra (parte 1) | Episódio do podcast Mamilos, elaborado pelo B9. Consciência negra (parte 2) | Episódio do podcast Mamilos, elaborado pelo B9. Depois das 19 | Discute enegrecidamente as notícias do momento. Desigualdade racial no Brasil | Vídeo elaborado pela Revista Superinteressante. Entenda o que é colorismo e como funciona | Série Conversas Gostosinhas. Vídeo elaborado pela Ana Paula Xongani. Entenda o que é racismo estrutural | Vídeo elaborado pelo Canal Preto. Eu não sou racista | Podcast elaborado pelo B9, 2018. Lado Black | Podcast apresentado por Luiza Braga, Rafael Chino, Pedro Macie e John Razen que discute as notícias atuais e política, a partir de uma visão enegrecida. Ninguém nasce racista | Vídeo elaborado pela Globo (Criança Esperança). O que é racismo estrutural? | Vídeo elaborado pelo Quebrando o Tabu. O racismo no Brasil é um problema de todos | Vídeo do Mini Saia (Saia Justa – GNT). Papo preto | Podcast do Alma Preta, com a proposta de abordar temas como autoestima, bem estar e o dia a dia da população negra sempre a partir do diálogo com ao menos um convidado especial. Racismo Institucional | Vídeo elaborado pelo Governo do Paraná. REP – A Dona do Pedaço: Nina Silva conta como fundou o Movimento Black Money | Vídeo elaborado pela Globo. Todo mundo sabe que o racismo existe no Brasil, mas ninguém se acha racista | Entrevista da BBC com Djamila Ribeiro
  • 12. Vídeos PretaLab | Série de vídeos produzida pelo PretaLab, Iniciativa para inspirar meninas e mulheres negras e indígenas no universo das tecnologias e inovação. Você sabe o que é racismo? | Vídeo elaborado pelo Quebrando o Tabu e o GNT. Você sabe o que é racismo estrutural? | Série Conversas Gostosinhas. Vídeo elaborado pela Ana Paula Xongani. Vozes da UNILAB | Série do podcast dedicada a pensar nos impactos da Covid-19 em um horizonte pan- africanista. Filmes e documentários 12 Anos de Escravidão | Filme baseado na autobiografia de Solomon Northup, que conta a trajetória de um negro nascido livre que é levado de Nova York e vendido como escravo. A 13º Emenda | Documentário em que estudiosos, ativistas e políticos analisam a correlação entre a criminalização da população negra dos EUA e o boom do sistema prisional do país. Atlanta | Série em que dois primos, o rapper Paper Boi e seu empresário Earn, tentam alcançar a fama juntos na cena musical de Atlanta, Georgia. A primeira temporada de “Atlanta” ganhou dois Globos de Ouro, dois Emmys, um Peabody e outros inúmeros prêmios. Branco sai, preto fica | Filme, onde, marcados pela violência policial anos atrás, dois moradores de uma comunidade distópica se juntam a um visitante do futuro para tramar a derrubada do sistema. Cara Gente Branca | Série em que alunos negros de uma conceituada universidade norte-americana enfrentam desrespeito e a política evasiva da escola, que está longe de ser “pós-racial”. Filhas do Vento | Filme de redenção entre quatro mulheres negras, que em um dia especial de suas vidas vão desenterrar e revolver suas histórias para restabelecer o amor maternal e fraternal, sem barreiras de raça e credo, existente entre irmãs e filhas de qualquer parte do mundo. Histórias Cruzadas | Filme baseado no best-seller número 1 do New York Times escrito por Kathryn Stockett, uma história inspiradora sobre extraordinárias mulheres muito diferentes da região Sul dos Estados Unidos durante os anos 1960, que formaram uma amizade incomum a partir do projeto secreto de um livro que desafia as regras da sociedade e as coloca em risco. Infiltrado na Klan | Filme de Spike Lee, que conta incrível história real de um herói americano que, decidido a fazer a diferença, monta uma perigosa missão: infiltrar-se na Ku Klux Klan, revelando as ações do grupo. Kbela | Filme da diretora Yasmin Thayná, com olhar sensível sobre a experiência do racismo vivido cotidianamente por mulheres negras. A descoberta de uma força ancestral que emerge de seus cabelos crespos transcendendo o embranquecimento. Um exercício subjetivo de autorepresentação e empoderamento. Menino 23: infâncias perdidas no Brasil | O filme acompanha, a partir da descoberta de tijolos marcados com suásticas nazistas em uma fazenda no interior de São Paulo, a investigação do historiador Sidney Aguilar e a descoberta de um fato assustador: durante os anos 1930, 50 meninos negros e mulatos foram levados de um orfanato no Rio de Janeiro para a fazenda onde os tijolos foram encontrados.
  • 13. O dia de Jerusa | Nesse curta, Jerusa, moradora de um sobrado envelhecido pelo tempo, recebe Silvia, uma pesquisadora de opinião que circula pelo bairro convencendo pessoas à responderem questionários para uma pesquisa de sabão em pó. No momento em que conhece Silvia, Jerusa a proporciona uma tarde inusitada repleta de memórias, convidando-a à compartilhar momentos de felicidade com uma “desconhecida”. Olhos azuis, Jane Elliot | Documentário frio sobre um tema fervente: os workshops sobre racismo desenvolvidos pela norte-americana Jane Elliott. O filme acompanha, especificamente, um desses workshops, realizado em Kansas City com 30 pessoas, entre professores, policiais e assistentes sociais. Durante duas horas e meia esses indivíduos são submetidos a um estranho experimento: os que têm olhos azuis são separados dos restantes e bombardeados por um tratamento discriminatório e ofensivo semelhante ao que os negros e outras etnias oprimidas sofrem cotidianamente nos EUA. Olhos que condenam | Série que conta a história real de cinco adolescentes do Harlem que vivem um pesadelo depois de serem injustamente acusados de um ataque brutal no Central Park. Os Panteras Negras: Vanguarda da Revolução | Documentário sobre o Partido dos Panteras Negras, que traz diversas vozes que viveram essa história: polícia, informantes do FBI, jornalistas, simpatizantes, detratores, os que permaneceram fiéis ao partido e aqueles que o deixaram. Preciosa | Filme que retrata a vida de adolescente negra de 16 anos que sofre uma série de privações durante sua juventude, mas encontra um meio de fugir de sua existência traumática, se refugiando em sua imaginação. Strong Island | Neste documentário indicado ao Oscar sobre o assassinato do irmão do cineasta Yance Ford, as forças do vínculo familiar, do sofrimento e da injustiça racial convergem. Time: The Kalief Browder Story | Esta série documental acompanha o trágico caso de Kalief Browder, um adolescente de Nova York que passou três anos na prisão sem nunca ter sido condenado. Você faz a diferença | Este documentário expõe a discussão sobre racismo e preconceito na sociedade brasileira. Ele apresenta os pontos de vista de alunos e professores, que acreditam na importância de falar abertamente sobre as diferenças. Organizações, coletivos e iniciativas para acompanhar Afrohub | O AfroHub é um programa de aceleração de empreendimentos negros com foco na decodificação dos códigos da internet para o uso das redes sociais de forma estratégica para o crescimento dos seus negócios. É idealizado em parceria com o Afrobusiness e Diáspora.Black, com o apoio do Facebook. AfroPython | Coletivo que tem o objetivo de empoderar pessoas negras dentro da área da tecnologia. Campanha Alvos do Genocídio | da Coalizão Negra por Direitos, que reúne mais de 100 entidades do movimento negro de todo o Brasil na promoção de ações conjuntas de incidência política para o enfrentamento do racismo e do genocídio que recai sobre a população negra. Canal Preto | Canal no Youtube que aborda temáticas de questões raciais e trabalho. CEERT | Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades
  • 14. Computação sem Caô | O Computação sem Caô é um projeto que busca ampliar e democratizar o entendimento da ciência da computação no Brasil. Desabafo Social | Laboratório de tecnologias sociais aplicadas à geração de renda, comunicação e educação. Educafro | A Educafro tem a missão de promover a inclusão da população negra (em especial) e pobre (em geral), nas universidades públicas e particulares com bolsa de estudos, através do serviço de seus voluntários/as nos núcleos de pré-vestibular comunitários e setores da sua Sede Nacional, em forma de mutirão. Feira Preta | A maior feira de empreendedorismo negro da América Latina. IDBR | O Instituto Identidades do Brasil (ID_BR) é uma organização sem fins lucrativos, pioneira no Brasil e 100% comprometida com a aceleração da promoção da igualdade racial. A partir da Campanha Sim à Igualdade Racial desenvolvemos ações em diferentes formatos para conscientizar e engajar organizações e a sociedade. Buscamos reduzir a desigualdade racial no mercado de trabalho, como indica o objeto 10 da agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Indique uma preta | Rede de apoio, empregabilidade e desenvolvimento profissional para mulheres negras. Movimento Black Money | Hub de inovação para inserção e autonomia da comunidade negra na era digital junto a transformação do ecossistema empreendedor negro,com foco em comunicação, educação e geração de negócios pretos. Tendo como diferencial o fomento do letramento identitário e do mindset de inovação ao ecossistema afroempreendedor, estimulamos o espírito inovador de empreendedores e jovens negros para a criação de diferenciais competitivos no mercado. ONG Criola /strong> | Organização da sociedade civil com mais de 25 anos de trajetória na defesa e promoção dos direitos das mulheres negras. Fundada em 1992, a organização atua na construção de uma sociedade onde os valores de justiça, equidade, solidariedade são fundamentais. Durante quase três décadas, a Criola reafirma que a ação transformadora das mulheres negras é essencial para o bem viver de toda a sociedade brasileira. PretaLab | Iniciativa para a democratização das tecnologias, através da inclusão de mulheres negras na área. Desde 2017, a PretaLab criou um levantamento que mostra ser urgente o debate sobre representatividade no universo da inovação. O estudotraz entrevistas, vídeos e dados que apontam que falar de raça e gênero na tecnologia é necessário para a criação de uma sociedade socialmente mais justa. Em 2019, a iniciativa lançou um hub de perfis de mulheres negras e a Quem Coda o Brasil, pesquisa sobre diversidade nas equipes de tecnologia do país. Tecnogueto | Projeto que prepara pessoas para atuação imediata no mercado de trabalho de tecnologia, fornecendo mentoria de carreira, indicação de vagas em empresas e oportunidades de participações em projetos reais. Uneafro | Rede de articulação e formação de jovens e adultos moradores de regiões periféricas do Brasil que se organiza em torno de núcleos: de cursinhos pré-vestibulinhos, pré-vestibulares, pré-concursos, formação para o mercado de trabalho, cursos de formação política, de gênero, antirracista, diversidade sexual, combate às drogas e aperfeiçoamento jurídico. UX pra minas pretas | UX design, empoderamento, compartilhamento e articulação em rede, por e para mulheres negras.
  • 15. Compromissos, redes e movimentos que você (e/ou sua empresa) pode aderir Seja Antirracista Coalizão Empresarial para Equidade Racial e de Gênero Diversidade SA Portais de notícias Agência Mural Alma Preta Canal Preto CUFA Favela em pauta Mídia Ninja Mundo Negro Notícia Preta Portal Geledés Voz das Comunidades Ativistas, intelectuais e influenciadores para seguir nas redes sociais AD Junior Adriana Barbosa Alê Santos Amanda Dias (Preta Grana) Ana Carolina da Hora Ana Paula Xongani Bia Santos Caio César Caio Rodrigues Clariza Rosa Digo Ribeiro Djamila Ribeiro Élida Aquino Família Quilombo Flávia Oliveira Gabi Oliveira Giovana Xavier Isabela Reis Jean Fontes Jurema Werneck Katiúscia Ribeiro Linn da Quebrada Luana Génot Lucas Veiga Luiza Brasil (Mequetrefismos) Mafoane Odara Maitê Lourenço Marco Antonio Fera MC Martina Monique Evelle Morena Mariah
  • 16. Murilo Araújo Nataly Neri Nathália Braga Nina Silva PH Cortês Sil Bahia Silvio Almeida Spartakus Santiago Sueli Carneiro Tainá de Paula Taynara Cabral Winnie Bueno Yuri Marçal *Documento adaptado para o Brasil, baseado no documento: Allyship In Action: How to Support Black Colleagues Right Now, produzido e disponibilizado pela Paradigm. **O lugar de pessoas negras é em todos os lugares. Neste material, selecionamos livros, materiais audiovisuais e nomes de pessoas que dedicam a vida para falar sobre as questões étnicos-raciais em diversas áreas, mas é preciso ter em mente que homens e mulheres negros/as precisam ocupar todos os espaços. É necessário que haja colaboração de todos para que isso aconteça.
  • 17. Racismo: uma estrutura de dominação social que precisa ser desconstruída e superada Não é de hoje que a questão racial vem sendo discutida no Brasil. Entretanto, ela tomou uma nova dimensão na pandemia, onde os entraves da Covid-19 foram acentuados em um determinado grupo, em sua maioria, composto por pobres e negros. A advogada especializada em Direito Civil, Maria Eduarda Santos, e a antropóloga indígena, Lidiane Adjú Kariú, explicam como o racismo se manifesta e como é possível combatê-lo. O que é racismo? Para explicar o racismo, a antropóloga Adjú Kariú costuma “utilizar a conceituação de Silvio Almeida. De acordo com esse autor, ‘o racismo é uma forma sistemática de discriminação, que tem a raça como fundamento, e se manifesta por meio de práticas conscientes ou inconscientes, culminando em desvantagens ou privilégios, a depender do grupo racial’. Isso porque o racismo tem uma dupla ação, ao mesmo tempo em que restringe ou nega direitos para pessoas racializadas, ele concede vantagens às pessoas não racializadas”. Nesse sentido, o racismo é um conjunto de práticas de determinada raça/etnia que, ao estar em uma posição de favorecimento social, acaba deixando outra raça em desfavorecimento. A origem do racismo Segundo Adjú Kariú, “o racismo tem origem na invasão, colonização, bem como na escravização dos povos nativos das Américas e dos povos negros”. Para exemplificar, a antropóloga parafraseia uma ideia muito presente nos estudos coloniais: “o colonizador europeu nominou e significou o ‘outro’ utilizando a categoria de raça. Assim, ele justificou sua superioridade e dominou os povos habitantes desse novo mundo”. Em resumo, o colonizador se elegeu como um ser dotado de humanidade e, ao mesmo tempo, destituiu o ‘outro’ de sua humanidade. Sendo uma construção histórico-social legitimada pelas estruturas de poder, entre elas, governo e religião, e embasada em uma ideia de superioridade. O racismo é impiedoso, violento e se manifesta de diferentes tipos. Entenda a seguir.
  • 18. Tipos de racismo No livro “Racismo Estrutural”, o pesquisador Silvio de Almeida traz três conceituações para os principais tipos de racismo presentes na sociedade:  Racismo Individual: de acordo com a concepção de Almeida, o racismo individualista é “uma espécie de “patologia” ou anormalidade. Ele é praticado por um indivíduo ou um grupo isolado. “Uma ‘irracionalidade’ a ser combatida no campo jurídico por meio da aplicação de sanções civis – indenizações, por exemplo – ou penais”.  Racismo Institucional: “os conflitos raciais também são parte das instituições. Assim, a desigualdade racial é uma característica da sociedade não apenas por causa da ação isolada de grupos ou de indivíduos racistas, mas fundamentalmente porque as instituições são hegemonizadas por determinados grupos raciais que utilizam mecanismos institucionais para impor seus interesses políticos e econômicos”. O conceito ofertado por Almeida dá uma visão ampla sobre como o racismo institucional opera na sociedade.  Racismo Estrutural: “o racismo é uma decorrência da própria estrutura social, ou seja, do mundo ‘normal’ com que se constituem as relações políticas, econômicas, jurídicas e até familiares. Com base na conceituação de Silvio Almeida, é possível perceber que o racismo está presente em diferentes esferas da sociedade. Além disso, ele opera em camadas, algumas mais visíveis e outras invisíveis, porém, todas elas com efeitos devastadores. Racismo é crime: entenda a lei O crime de racismo é a discriminação social contra uma raça, cor, etnia e religião, fundamentada em uma ideia de superioridade. Segunda a advogada, ele é “disciplinado pela Lei n° 7.716/1989, que o define como um crime inafiançável e imprescritível”. Em outras palavras, não há uma data de validade, a denúncia pode ser realizada anos após o ato criminoso e ele deverá ser julgado. “Além disso, a Constituição Federal Brasileira de 1988, no art. 3°, inciso XLI, traz que: ‘constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação’ afirmando a proibição”, informou Maria Eduarda Santos. Para o crime de racismo, há duas penas: reclusão de um a três anos com multa; e reclusão de dois a cinco anos com multa. É importante denunciar, compartilhar a informação e deixar cada vez mais claro que os tempos estão mudando. Não há espaço para o racismo!
  • 19. Existe racismo reverso? O ‘racismo reverso’ é um termo usado para designar supostos casos de preconceito contra brancos. Porém, muitos ativistas e estudiosos do movimento negro apontam que essa é uma forma de deslegitimar ou se apoderar do lugar das vítimas. Além disso, é uma forma de desvirtuar o foco do efetivo enfrentamento as desigualdades sociais presentes no mundo. Como aponta a antropóloga indígena, “o racismo reverso não existe, pois o racismo é uma manifestação de poder que tem origem histórica na colonização, subordinação, escravização de pessoas indígenas e negras. No Brasil, a pessoa branca não é impedida de ingressar em restaurantes e usar determinados elevadores em razão da cor de sua pele, assim como não é morta pela polícia por ser confundida com um bandido”. Essa fala está relacionada com um tratamento racista ainda presente na sociedade. Santos também concorda que “o racismo reverso não existe, pois determinadas raças, como é o caso dos negros e indígenas, sofreram e continuam sofrendo baixa oportunidade de trabalho, moradia e pouca melhoria na condição financeira. Além do mais, esses grupos foram submetidos a uma escravidão que durou muitos anos”. A discussão em volta desse termo é mais do que inapropriada. Ao invés de racismo reverso, há um racismo aversivo (conceito criado por Joel Kovel), isto é, pessoas brancas dizem que não são racistas, porém suas ações mostram outra realidade. O mito da democracia racial no Brasil “O mito da democracia racial, embora antigo, foi apresentado formalmente ao Brasil pelo sociólogo Gilberto Freyre, no livro ‘Casa-Grande e Senzala’. Freyre buscava compreender as características e as ramificações de povos e culturas que constituíam a nação brasileira. O autor adota uma percepção romantizada e acrítica da colonização e da escravidão, dois processos históricos violentíssimos que marcam a formação social no Brasil. Sua obra reforçou o que ficou conhecido como o mito da democracia racial”, explicou a antropóloga. Hipoteticamente, a democracia racial é um país sem racismo, garantindo a igualdade e a equidade de direitos para todos, independentemente da cor da pele ou origem étnica. Entretanto, não passa de uma hipótese que só existe no papel. Pesquisadores apontam que houve foi uma inversão da realidade brasileira sobre suas relações raciais.
  • 20. No Brasil, o mito da democracia racial é uma farsa historicamente construída. Desde a abolição da escravatura, construiu-se uma ideia de país acolhedor que abraça todas as raças, quando, na verdade, o privilégio branco sempre existiu. Quem habita os grandes centros urbanos e quem é a maior vítima das ações policiais? Reflita. Como pessoas não racializadas podem contribuir para a luta antirracista Citando Ângela Davis: “não basta não ser racista, é preciso ser antirracista”. Essa luta é de todos. Para a antropóloga, pessoas brancas, utilizando seus lugares de poder e privilégio, precisam adotar o antirracismo como uma forma de vida. A prática deve ser diária, tanto no local de trabalho, no cotidiano familiar, em uma roda de amigos quanto em outros lugares. No livro “Pequeno Manual Antirracista”, a filósofa Djamila Ribeiro também aponta que ser antirracista é a melhor forma de contribuição. Aliás, esse livro é uma excelente indicação de leitura sobre o tema. Lançado em 2019, seu conteúdo é didático, urgente, escrito para ser entendido por todos os públicos. A filósofa também tem estudos sobre o “lugar de fala“, outra prática que você pode adotar. O conceito é sobre pessoas assumindo a narrativa de suas histórias. Por exemplo, em roda de conversa sobre racismo, uma pessoa branca domina o discurso enquanto uma pessoa negra escuta. Há um silenciamento nessa prática. Não é sobre dar espaço e não é sobre deixar o outro falar. É sobre reconhecer que o privilégio tomou espaço e esse deve ser reocupado por quem realmente viveu, vive e sente na pele o peso do racismo. Você pode contribuir pesquisando, lendo sobre o assunto e compartilhando informações. Além disso, não compactue com pessoas racistas, não vote em políticos com discursos discriminatórios, assine petições, denuncie atos racista, respeite o local de fala, dialogue, pergunte, repense, caminhe ao lado. O movimento negro no Brasil A constituição de 1988 foi aprovada no ano em que a abolição formal da escravidão completava 100 anos. Com esse processo de democratização do país, o movimento negro conseguiu colocar em pauta várias propostas e reinvindicações. Entretanto, ainda é possível sentir os efeitos negativos de quase 400 anos de escravidão.
  • 21. Mundialmente, o Black Lives Matter (traduzindo do inglês ‘Vidas Negras Importam’) é o principal movimento a favor das vidas negras e contra o racismo. Entretanto, a luta também é histórica. Martin Luther King Jr, por exemplo, foi um dos maiores ativistas a favor dos direitos civis. No cenário internacional atual, Angela Davis, John Lewis, Spike Lee, Chimamanda Ngozi Adichie e Lewis Hamilton, piloto de fórmula 1, são alguns dos ativistas que lutam contra o racismo. No Brasil, entre os representantes do movimento negro e outros movimentos antirracistas estão Djamila Ribeiro, Sonia Guajajara, Lélia Gonzales, Conceição Evaristo, Sueli Carneiro, Carla Akotirene, Ailton Krenak e Silvio de Almeida. Além disso, há muitos coletivos em todos os estados brasileiros. Esses foram primordiais para a conquista de vários direitos, como a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, o dia da Consciência Negra, em 2003, a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e da Lei de Cotas. Embora todos esses alcances tenham sido importantes, em 2016, houve um retrocesso, quando as ações de promoção de igualdade sofreram drástica redução orçamentária. Adjú Kariú reforça a importância da resistência no país: “tanto o movimento negro quanto o movimento indígena têm conquistado direitos muito importantes para a população negra e para os povos indígenas. Suas pautas e atuações são indispensáveis para que continuemos avançando em outras pautas consideradas urgentes para os dois grupos sociais”. Sites Consultados https://www.dicasdemulher.com.br/racismo/ - Jarli Guajajara Atualizado em 02.09.22 https://www.blend-edu.com/12-termos-para-combater-o-racismo/