Ver o Mundo Com Outros Olhos Museus e Cultura Visual Maria de Lourdes Riobom
 
“ O  imperativo futuro é inventar novos modos de educação e trabalho que permitam aos indivíduos encontrar uma identidade e satisfações que não sejam as dos paraísos passageiros do consumo”.  (Lipovetsky, G., La Felicidad Paradójica. Ensayo sobre la Sociedad de Hyperconsumo, trad. espanhola, 2007)
A educação configura a identidade de uma sociedade. O que significa educar na era da  globalização?
No mundo de hoje, em que somos bombardeados com imagens, parece dever fazer parte da educação, se a queremos esclarecida e formadora de cidadãos críticos, activos e conscientes do mundo que os rodeia, ensinar a leitura de imagens, de modo a não nos deixarmos facilmente manipular por elas .
Una responsabilidad esencial de la educación en el futuro será enseñar a los alumnos acerca del poder de las imágenes, y las libertades y responsabilidades que vienen con este poder. Kerry Freedman  (Barcelona, 2006)
Embora, nos nossos dias, a grande maioria dos museus, disponham de departamentos educativos cujo objectivo é servir os diferentes públicos, e como tal, obviamente os públicos escolares, parece-me que, continua, a não haver ainda uma plena consciência da importância que pode e deve ter o museu para uma formação plena do indivíduo.
Como  e para quê analisar uma imagem?  Como descodificar a mensagem que transmite ou pretende transmitir? Que papel desempenha essa leitura na construção de um conhecimento actualizado e verdadeiramente interdisciplinar?
A arte é uma forma de comunicação e através dela podemos aceder à compreensão de formas de viver e de sentir às quais dificilmente teríamos acesso de outro modo.
Aprender a ver e ter prazer em ver “peças” expostas num museu estimula a sensibilidade e o pensamento, obriga a estabelecer ligações entre aspectos diversos de diferentes realidades humanas e como tal gera conhecimento e pensamento crítico.
Aprender a ver pode contribuir para a construção de uma outra forma de cidadania e até para a construção de verdadeiras sociedades democráticas, como podem os museus de arte, preparar professores para ensinar a ver?
É fundamental criar bases para a compreensão das imagens que nos rodeiam assim como descodificar as intenções que lhes estão subjacentes, de forma a não sermos meros consumidores passivos das mesmas, podendo  passar a ver o mundo com outros olhos, ser menos dependentes de um consumismo exacerbado, em suma, mais conscientes, menos manipuláveis e como tal, mais felizes.
Sta Ana ensinando a ler a Nª Srª Destorrents, Catalunha, séc. XIV, MNAA
 
Esta é a primeira fase deste processo de observação, ou seja, fizemos uma observação a nível literal que tem a ver com o significante, ou seja, o aspecto material do signo, o seu aspecto físico que remete para o objectivo e consciente.
O segundo nível de leitura da imagem permite-nos ir mais além, chegar ao conceito ou ao significado cultural que é dado ao signo através de convenções socialmente estabelecidas. Remete para o subjectivo e para o inconsciente, permitindo assim ao observador passar de um discurso denotativo para um discurso conotativo.
Ao nível do discurso conotativo, o  espectador faz uma interpretação livre da imagem, interpretação esta que varia consoante a experiência do observador, o contexto em que o faz, sendo que esta leitura será diferente para cada observador; estamos agora perante uma leitura subjectiva da imagem, e será certamente tão diversificada como o número de pessoas que a lêem.
Professor de   História Professor de Filosofia Professor de Educação Visual
 
 
As imagens não são inocentes, se as ensinarmos a  ver,  estamos a contribuir para formar gerações mais conscientes e, talvez por isso, mais felizes porque menos manipuláveis.

2011 mnaa professores

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    Ver o MundoCom Outros Olhos Museus e Cultura Visual Maria de Lourdes Riobom
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    “ O imperativo futuro é inventar novos modos de educação e trabalho que permitam aos indivíduos encontrar uma identidade e satisfações que não sejam as dos paraísos passageiros do consumo”. (Lipovetsky, G., La Felicidad Paradójica. Ensayo sobre la Sociedad de Hyperconsumo, trad. espanhola, 2007)
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    A educação configuraa identidade de uma sociedade. O que significa educar na era da globalização?
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    No mundo dehoje, em que somos bombardeados com imagens, parece dever fazer parte da educação, se a queremos esclarecida e formadora de cidadãos críticos, activos e conscientes do mundo que os rodeia, ensinar a leitura de imagens, de modo a não nos deixarmos facilmente manipular por elas .
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    Una responsabilidad esencialde la educación en el futuro será enseñar a los alumnos acerca del poder de las imágenes, y las libertades y responsabilidades que vienen con este poder. Kerry Freedman (Barcelona, 2006)
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    Embora, nos nossosdias, a grande maioria dos museus, disponham de departamentos educativos cujo objectivo é servir os diferentes públicos, e como tal, obviamente os públicos escolares, parece-me que, continua, a não haver ainda uma plena consciência da importância que pode e deve ter o museu para uma formação plena do indivíduo.
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    Como epara quê analisar uma imagem? Como descodificar a mensagem que transmite ou pretende transmitir? Que papel desempenha essa leitura na construção de um conhecimento actualizado e verdadeiramente interdisciplinar?
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    A arte éuma forma de comunicação e através dela podemos aceder à compreensão de formas de viver e de sentir às quais dificilmente teríamos acesso de outro modo.
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    Aprender a vere ter prazer em ver “peças” expostas num museu estimula a sensibilidade e o pensamento, obriga a estabelecer ligações entre aspectos diversos de diferentes realidades humanas e como tal gera conhecimento e pensamento crítico.
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    Aprender a verpode contribuir para a construção de uma outra forma de cidadania e até para a construção de verdadeiras sociedades democráticas, como podem os museus de arte, preparar professores para ensinar a ver?
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    É fundamental criarbases para a compreensão das imagens que nos rodeiam assim como descodificar as intenções que lhes estão subjacentes, de forma a não sermos meros consumidores passivos das mesmas, podendo passar a ver o mundo com outros olhos, ser menos dependentes de um consumismo exacerbado, em suma, mais conscientes, menos manipuláveis e como tal, mais felizes.
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    Sta Ana ensinandoa ler a Nª Srª Destorrents, Catalunha, séc. XIV, MNAA
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    Esta é aprimeira fase deste processo de observação, ou seja, fizemos uma observação a nível literal que tem a ver com o significante, ou seja, o aspecto material do signo, o seu aspecto físico que remete para o objectivo e consciente.
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    O segundo nívelde leitura da imagem permite-nos ir mais além, chegar ao conceito ou ao significado cultural que é dado ao signo através de convenções socialmente estabelecidas. Remete para o subjectivo e para o inconsciente, permitindo assim ao observador passar de um discurso denotativo para um discurso conotativo.
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    Ao nível dodiscurso conotativo, o espectador faz uma interpretação livre da imagem, interpretação esta que varia consoante a experiência do observador, o contexto em que o faz, sendo que esta leitura será diferente para cada observador; estamos agora perante uma leitura subjectiva da imagem, e será certamente tão diversificada como o número de pessoas que a lêem.
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    Professor de História Professor de Filosofia Professor de Educação Visual
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    As imagens nãosão inocentes, se as ensinarmos a ver, estamos a contribuir para formar gerações mais conscientes e, talvez por isso, mais felizes porque menos manipuláveis.