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  1. 1. A Sociologia da Educação de Pierre Bourdieu: limites e contribuições. CLÁUDIO MARQUES MARTINS NOGUEIRA MARIA ALICE NOGUEIRA Slides: Leonardo Ampessan
  2. 2. A Escola conservadora  Sistema Escolar como fator de mobilidade social: temos a ilusão de que o sistema escolar promove a possibilidade de ascensão social, mas para o autor a escola na verdade reforça a inércia social;  Conservação social: o sistema escolar da forma que é estruturado nada faz além de contribuir para a conservação dos moldes sociais externos a escola;  Na medida em que cada aluno vem de uma realidade socioeconômica diferente, ao atribuir direitos e deveres iguais aos alunos, a escola nada mais perpetua a mesma desigualdade que estes mesmo alunos sofriam fora da escola;
  3. 3. Herança e dom social disfarçados de dom natural  Aprendizagens que são feitas durante o curso da vida social de alunos com famílias pertencentes a elites ou classes sociais mais altas não são apontadas como aprendizagens determinadas pelo meio social em que estão inseridos, mas tratadas como habilidades/dons naturais  Desta forma, criam-se pré noções de que os alunos de famílias de melhor vida socioeconômica possuem maior aptidão para os estudos do que as de famílias pobres;
  4. 4. Capital Cultural  Constitui-se de: herança familiar, conjunto de valores implícitos profundamente interiorizados, revelados nas posturas e atitudes e composta pelas características da linguagem e facilidades linguísticas, práticas culturais (acesso a teatros, museus, cinemas etc);  Sendo essa bagagem, segundo o autor, muito importante para o êxito escolar;
  5. 5. A transmissão do Capital Cultural  Constatação da relação entre o nível cultural global da família e o êxito escolar da criança, estendendo-se até o nível universitário;  Bourdieu afirma que as chances objetivas de um jovem de uma família com maior poder aquisitivo é 40 vezes maior que a de um jovem filho de operários;
  6. 6. A escolha do destino  Ao reforçar a ideia de atitude culta, que diz respeito as possibilidades culturais dos meios familiares mais favorecidos, a escola sanciona as desigualdades sociais que só a escola poderia reproduzir;  Superseleção das crianças das classes populares, que apesar de todas as dificuldades apontadas, para chegar ao ensino secundário precisam ter um desempenho excepcional;  Segundo Bourdieu essa é uma contradição cruel e excludente;
  7. 7. O funcionamento da escola e sua função de conservação social  A escola funciona como:  Ferramenta de perpetuar as desigualdades sociais;  Ideologia da função Libertadora;  Ilusão em função de equidade – Romper com as desigualdades partindo da sanção diante da cultura;  O discurso: Igualdade Formal (não efetiva), mascara as práticas pedagógicas;  Ensino como ferramenta de despertador de “dons”;  Conservação do discurso, questionando as ideias que nem sempre precisam de mudança;
  8. 8. Cultura e comportamento  Comportamentos que serão expressos na escola, advindos propriamente de alunos de classe social menos favorecida;  Valores e culturas construídas a partir de seu comportamento, que se choca com as culturas, comportamentos, propagados como corretos na escola;
  9. 9. A Escola e o(a) professor(a)  Os professores e a relação dentro da escola, privilégio cultural;  Avaliação do professor segue como parâmetro do processo educativo da elite;  As linguagens expressas nos ambientes escolares são perceptíveis referências por uma busca incessante dos códigos de conduta;  Esforço forçado para ingresso em uma cultura que não facilita para o desenvolvimento de suas expectativas;  As classes cultas legitimam o saber erudito e a escola é encarregada de perpetuar e transmitir esses valores;  Culturas e comportamentos incorporados pela classe dominante e valorizadas na instituição escolar;
  10. 10. A Escola e o(a) professor(a)  Recrutamento e entrada na escola: alunos que ingressam são necessários adquirir aptidões socialmente exigidas tradicionalmente dentro da escola burguesa;  Exigências mais eficazes e mais implícitas: a escola atribui aos indivíduos esperança de vida e de mudanças na escala social – Ideologia dos dons;  Alguns de classes mais desfavorecidas que obtém o sucesso legitimam o processo completo, dando crédito ao mito da escola libertadora junto àqueles próprios indivíduos que ela eliminou;
  11. 11. A escola e a prática cultural  Participação da classe menos favorecida a culturas produzidas pela elite;  O domínio das culturas pela elite, propiciadas pelo meio familiar, é determinante para o sucesso escolar;  A participação e frequência em instituições são reflexos desse sistema que propicia a classe de quem a produz;  O poder da influência da escola nas práticas culturais, os estímulos são mais uma vez motivados pela Ideologia dos dons;
  12. 12. Capital Social  A noção de Capital Social está ligada ao dinheiro;  O Capital Social está associado ao poder (eu posso);  Neste sentido, temos a concentração do Capital Social em grupos seletos, que são raros e prestigiosos;  Cada membro encontra-se assim instituído como guardiões dos limites do grupo;  Os espaços geográficos físicos são separados pelo econômico e social, que supõem o reconhecimento dessa proximidades;  Bourdieu faz o seguinte questionamento: O que seria do rico se não tivesse o pobre?
  13. 13. Capital Econômico, Cultural ou Simbólico  A rede de ligações é o produto de estratégias de investimento social;  Grupos necessários e eletivos, que implicam obrigações duráveis, a fim de garantir direitos, produção de conhecimentos e reconhecimentos mútuos;  Simbologia de um nome importante (sobrenome), nome da família ou da linhagem;  O novo rico não possui capital simbólico, somente econômico e possivelmente o cultural;  A reprodução do capital social é tributária, produzindo: Ocasiões (cruzeiros, caçadas, recepções etc), lugares (bairros chiques, escolas seletas, clubes, etc), práticas (esportes chiques, cerimônias culturais etc);
  14. 14. Conclusão  Os estabelecimentos escolares têm uma lógica de conservação da educação prioritária;  Hierarquia da estrutura do ensino: simples ou claramente identificada;  Identificar aqueles que não são para escola e aqueles que se dão bem no processo escolar;  Evidencia as diferentes discrepâncias na escola, apontando que essas se dão também pela entrada das categorias sociais no processo de escolarização;  Discurso dominante manifestado em todas as etapas do processo de escolarização;  O dom ou o gosto tendem a substituir fatores sociais mal definidos;  Mudança da estrutura, sem alteração do valor econômico e simbólico dos diplomas;
  15. 15. Conclusão  A estrutura escolar cria uma noção falsa de “chances”, promovendo um fator depreciativo coletivo aos grupos de classes menos favorecidas que não têm sucesso no meio escolar;  Objetivo da instituição escolar é somente dar acesso;  Escola produz um número cada vez maior de indivíduos atingidos por essa espécie de mal estar crônico instituído pela experiência;  Capital cultural divergente do da elite é reduzido no processo de aproximação da instituição escolar;  O processo de ensino é aberto a todos, contudo, estritamente reduzido à sua permanência, tendo aparência democrática para legitimação social;
  16. 16. Conclusão  Violências invisíveis são sinais que apontam contradições da instituição escolar;  Escola esconde a diversidade das coisas;  Reagrupa os mais desprovidos e os exclui;  Diploma perde o valor social que antes tinha entre as classes desprovidas;  Investimento de uma escolarização passa a ser visto como gastos que não rendem frutos suficientes;  Relações entre professores e as dinâmicas escolares dos alunos cada vez mais distantes;  Bourdieu aponta que um dos fatores sobre a resignação do processo de escolarização é manifestado pela cultura externa dos alunos e que são também expressas no ambiente escolar.

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