Imprensa e padrões de padronização

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Imprensa e padrões de padronização

  1. 1. UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO Faculdade de Humanidades e Direito Licenciatura em Ciências Sociais Campus – EAD – Pólo Campinas Módulo: Globalização, Democracia e Produções Simbólicas Tema: Mídia, Ideologia e Poder II Profª: Luci Praun Atividade para: 31/03/10 Alcione Fátima da Silva Jurigan Pólo Campinas – 5º período ATIVIDADE SOLICITADA: 3.2 Trabalho – Imprensa e padrões de manipulação. Na semana anterior da temática Mídia, Ideologia e Poder você entrou em contato com três perspectivas teóricas que discutem a mídia e a cultura na sociedade contemporânea. Nesta semana o debate foi aprofundado inclusive com a apresentação, na teleaula, das elaborações propostas por Perseu Abramo. Pede-se, portanto, neste momento que você desenvolva um trabalho no qual conste: O trabalho poderá ser realizado individualmente ou em grupo de até 3 (três) integrantes. 1
  2. 2. Sabendo que a comunicação é um fenômeno social, uma vez que, envolve mais de uma pessoa, juntamente com essa comunicação existe um elemento importante e distinto na sociedade que está ligado a indústria cultural ou meios de comunicação de massa, que se utilizam de meios técnicos específicos e multiplicadores para disseminar uma informação que ficará alimentada no consciente de cada indivíduo a fim de que essa idéia seja “comprada” e aumente as necessidades de consumo, mesmo que esse consumo seja supérfluo às necessidades essenciais do ser humano, realimentando dessa forma o capitalismo socioeconômico. Essa forma de governo sempre teve como base a idéia de que todos são livres para fazer o que quiserem e, por conseguinte, passam a idéia de que todos possam fazer parte do universo de desejos e fantasias vendidos e manipulados pelos meios técnicos e multiplicadores dessa informação a vários segmentos da população, com apelos televisivos, jornalísticos, rádios, outdoors, e agora também com meios alternativos de informação como a internet, sites de compras, faixas ou logotipos de empresas que ficam piscando para os internautas no caso, chamando sua atenção para esse ou aquele produto. A indústria cultural dessa forma reforça a subjetividade de cada indivíduo que no seu cotidiano cumpre o apelo estabelecido ou não dependendo da sua realização pessoal, da sua aceitação na sociedade, esse indivíduo irá querer fazer parte desses apelos, pois isso o leva a se inserir e sentir-se aceito em uma sociedade manipuladora que somente para poder transferir anseios escondidos no seu subconsciente e que vão dessa forma disseminando a sociedade esses mesmos anseios e fantasias para que o indivíduo se sinta parte dessa sociedade. Essas semelhanças culturais no subconsciente das pessoas foi um dos elementos que contribuíram para a homogeneização cultural e, por conseguinte, serviu de base para todo processo de globalização. Existem três correntes teóricas articuladas por intelectuais do século XX que são utilizadas como explicações para esse fenômeno social que é a sociedade massificada. A primeira teoria é a dos funcionalistas que vai nos dizer do ponto de vista dessa teoria que tem uma relação muito forte com o positivismo de Durkheim. A visão dos funcionalistas sobre os meios de comunicação de massa tem a ver com o papel que esses meios desempenham na vida social de cada indivíduo advindo dessa linha de pensamento, até que ponto os meios de comunicação de massa tem influência nas vidas das pessoas, determinando comportamentos ou não na sociedade. Esse pensamento é o dos funcionalistas que acreditam que esses meios de comunicação de massa não têm influência na vida social dos indivíduos e sim o que está ocorrendo é a intensa mudança no final do século XIX e início do século XX com a industrialização redobrada e novas tecnologias inseridas nas indústrias a fim de aumentar o capital produtivo e econômico. Já a 2ª corrente teórica abordada sobre esse tema, é aquela a qual os intelectuais da Escola de Frankfurt defendem do ponto de vista das teorias políticas e da indústria cultural e por fim a 3ª corrente é abordada pelos pensadores que estão agrupados dentro de uma determinada corrente denominada Estudos Culturais. Dessa forma, essas correntes teóricas irão ver o processo comunicativo e que peso eles vão atribuir ou não aos meios de comunicação de massa nessas relações no interior da nossa sociedade. Ao escolher a reportagem de capa de Veja: Fé Cega e Mortal sobre os fundamentalistas, para abordagem como exemplo dos elementos de manipulação da informação propostos por Perseu Abramo em seu livro: Padrões de Manipulação na Grande Imprensa; deparamos-nos com as seguintes análises: 2
  3. 3. A grande mídia, ou seja, aquela que detém maior poder de manipulação por ser maior e mais poderosa economicamente é aquela que vai divulgar as notícias segundo os interesses que apóiam o Estado e a legitimidade deste, uma vez que, contando com o apoio do governo, essa grande mídia, torna-se como se fosse um porta-voz da nação e por isso mesmo, manipula as informações de acordo com o que devemos encarar como fatos jornalísticos ou não. Na reportagem de Veja, revista de grande circulação no Brasil e sabidamente detentora de informações que tanto podem manipular como podem esclarecer ou informar o indivíduo, que desavisado, ou desatento dos acontecimentos reais, facilmente receberá essa informação como algo positivo e verdadeiro dado a credibilidade que essa grande mídia impressa representa na sociedade brasileira. Pode-se perceber essa manipulação de idéias a partir de informações que serão divulgadas não a partir de um ponto de vista que compreende um fato jornalístico, onde o objeto desse fato não é o próprio fato e sim a forma como esse fato será repassado a sociedade diante da visão de mundo do jornalista, dos conceitos do jornal, e daquilo que se quer passar, divulgar a sociedade seja como algo positivo ou negativo. Pode-se notar também na reportagem em questão, essa manipulação de fatos, onde como Perseu Abramo definiu, existe um padrão de ocultação deliberado sobre a verdade dos fatos, nota-se no próprio título da reportagem: ”O Cerco aos homens das cavernas...”, já sugestionando o leitor a respeito dos fundamentalistas como homens das cavernas remetem-nos a ideia de trogloditas, pré-históricos e logicamente não estão em conformidade com o mundo atual e desenvolvido em que vivemos. Dessa forma, a partir do momento que o jornalista procura abordar um fato como não-jornalístico, toda sua matéria ou reportagem a ser exposta e delineada será com base numa irrealidade de fatos que, por conseguinte a própria imprensa passa a acreditar como fatos reais, algo que é artificial, ficcional. No segundo parágrafo da reportagem pode-se notar o Padrão de Inversão dos fatos sob a relevância de outros aspectos do que os que verdadeiramente importam. Utiliza-se de um parágrafo inteiro para se discorrer sobre “O uso militar de cavernas por guerrilheiros...”. Já na inversão da opinião pela informação, a utilização sistemática e abusiva de todos esses padrões de manipulação leva quase inevitavelmente a outro padrão: o de substituir, inteira ou parcialmente, a informação pela opinião. É o caso de uso de frasismos dentro de padrão de manipulação, onde aproveita-se do uso de frases como na reportagem de Veja no 4º parágrafo o jornalista utiliza-se de muitos detalhes, descontextualizados, fragmentados, da notícia principal, como por exemplo nessa frase : “Ao exibir as provas contra o terrorista saudita, Blair afirmou que o Talibã e Osama bin Laden são "dois lados da mesma moeda”, Osama não poderia existir no Afeganistão sem o Talibã e o Talibã não poderia existir sem Osama". A utilização dessas frases demonstra o poder real que a mídia pode implicar com o uso das palavras. Por outro lado, a reportagem sobre o fundamentalismo islâmico, somente nos últimos parágrafos é que o autor da reportagem está escrevendo mesmo sobre os fatos jornalísticos, no caso, aquele que interessa a sociedade saber , ou seja, que por causa da fé irracional e do poder que essa fé exerce na militância dos exércitos fundamentalistas, é que os Estados Unidos em negociação com outros países no caso a Inglaterra, estão até traçando planos após a derrubada dessa militância terrorista. 3
  4. 4. Concluindo, a análise da reportagem e da abordagem geral sobre o tema: Imprensa e Padrões de Manipulação, pode-se depreender que a mídia poderosamente pode manipular a opinião de uma grande maioria da população na sociedade, desvirtuando o seu papel que é o de informar um fato puramente jornalístico e real, porém o que se vê são verdadeiros circos engendrados para atrair o aumento da audiência e para que a grande mídia possa ter destaque, diante desse ou daquele jornal. Dessa forma, a sociedade que não procurar ter uma informação mais aprofundada sobre determinados assuntos, buscando outras fontes de pesquisa que procuram informar realmente e não desinformar, é arrebatada pelas notícias e sem discernimento algum as dissemina umas as outras criando uma desinformação geral que ao invés de contribuir para o crescimento dessa sociedade enquanto nação democrática , ilusoriamente acredita que sabe desse ou daquele assunto, porém , ao analisarmos todas as nuances e meandros de uma pauta jornalística , sabe-se que somente aquilo que importa saber a uma parcela distinta da sociedade é o que será divulgado e digerido por essa mesma sociedade. Referências Bibliográficas: ABRAMO, Perseu. Padrões de Manipulação da Grande Imprensa. São Paulo: Fundação Perseu Abramos, 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2004000100010 acessado em 25/03/2010. 4

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