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Projeto de Série

  1. 1. Argumento Inicial<br />Por conveniência é necessário um breve comentário sobre um conceito que estará presente durante toda a dissertação: O medo. Segundo o dicionário Aurélio medo é: ”Sentimento de viva inquietação ante a noção de perigo real ou imaginário, de ameaça, pavor, temor”. Destrinchando tal definição teríamos um sentimento causado por alguma percepção do mundo, seja ela auditiva ou visual. Nota-se também que na definição aparece o termo “imaginário”. Tal aspecto será também de relevante interesse.<br />O homem é ser dotado de razão, capaz de controlar parte de seus instintos e emoções. É de praxe dos seres humanos o contato com fenômenos que lhes causem medo. Assim o homem sempre busca um meio racional de explicar os fenômenos para que estes não lhes causem inquietações. O trabalho aqui exposto apresenta relações de medo do homem entre o homem, ou seja, uma tentativa do próprio ser humano explicar-se racionalmente.<br />Introdução<br />Desde os primórdios da vida humana na Terra, os homens vêm buscando meios de se comunicar com outros de sua espécie sejam eles posturais, visuais, gestuais, sonoros ou por meio de códigos escritos. Tais meios são as formas encontradas pelos seres humanos de contar às experiências que viveram, a outros de seu mesmo grupo. Logo, se temos um fato vivido por dois humanos, ambos terão experiências distintas, portanto informaram essa história de maneiras diferentes. Ambas são verdadeiras e pessoais.<br />Tal divergência é sempre ocorrente de pontos de vista sobre um mesmo fato e se estende por toda a história humana, não sendo diferente nos dias modernos. Porém é claro, que durante os séculos obtivemos um avanço nos chamados meios de comunicação; televisão, jornais, rádio, internet, entre outros. São esses os meios de comunicação de massas, passaram uma mesma experiência onde o relato será compartilhado por muitas pessoas. Logo tais meios têm uma gama extensa de influência no meio social por serem as fontes de informação existentes. É notado nos últimos tempos que tais meios de comunicação têm mostrado histórias onde o realce é a violência em algum ponto social.Tal violência por sua vez mantém a população em uma esfera de tensão e medo diante dos fatos relatados.Tal esfera de tensão é desenvolvida por uma série de por menores alvo principal deste trabalho.Sendo assim quais seriam as causas, os meios, e os efeitos desse medo que os meios de comunicação provocam no meio social? Neste trabalho serão analisados exemplos históricos que confirmem nossas hipóteses. É importante ressaltar que esta dissertação baseia-se na premissa do medo causado pelos meios de comunicação. Tal premissa por sua vez baseia-se nas inúmeras ocorrências de tensão, não só atuais, mas também em tempos históricos passados, como aqui será citado.<br />Teoria da comunicação<br />Antes, porém de apresentar as respostas, contemplaremos a teoria que sustentará o nosso trabalho, a teoria da comunicação de Jakobson. Tal teoria prevê que em qualquer tipo de comunicação entre seres humanos existirão alguns fatores que devem ser analisados. Tais fatores são o emissor, o receptor, o assunto, o texto, o canal e o código utilizado. Quando todos esses fatores existem, é estabelecida a comunicação. Quando, por exemplo, um leitor consulta um jornal temos como emissor o autor do texto, que trabalha no jornal; o receptor o leitor; o assunto o tema lido; o texto como o autor dissertou sobre o assunto; o canal o próprio jornal (o meio de comunicação) e o código a linguagem de símbolos escritos utilizado. O foco principal do trabalho é analisar os canais que são os diversos meios de comunicação e entender como o emissor se dirige ao receptor e como o receptor reage às informações.<br />Causas<br />É importante definir o que se tornou o canal de comunicação, principalmente, após a invenção da prensa de Gutenberg em 1450. Após tal invenção, a comunicação se tornou mais maciça, atingindo outras camadas sociais. Vale lembrar que conhecimento e os textos escritos anteriormente, na Europa Ocidental, estavam nas mãos do clero católico, cabendo a população somente acesso através da comunicação oral. O contato com textos escritos criou o acesso à informação e expandiu-se cada vez mais no meio social, até o ponto em que, às portas da Revolução Industrial a comunicação escrita entra também no sistema capitalista que ali se iniciava.<br />O canal escrito tornou-se então mercadoria, pois adquire valor de uso na medida em que a sociedade se tornava dependente de informação, como por exemplo, a necessidade de se informar das mudanças no mercado financeiro capitalista ali instituído. Adquire também valor de troca, pois o receptor pagava de alguma forma a instituição emissora pela informação. <br />A transformação dos meios de comunicação em mercadoria, explica boa parte das causas que aqui mostraremos. Por praticar a venda, a instituição emissora inserida em um sistema capitalista, sistema que preza o lucro individual, o direito a propriedade privada e também a livre competição entre as empresas. As empresas de comunicação garantem isso a si. O sistema capitalista não é estagnado e evolui na medida em que novas tecnologias e métodos de produção são introduzidos. Ao longo do tempo o mercado de comunicação se expandiu tanto em número de receptores quanto à velocidade do canal. Isso possibilitou a instalação de novas empresas no mercado que gerou competição. Essa competição é a principal causa dos efeitos de medo que a mídia causa na sociedade. A competição faz com que as empresas façam de tudo para que seu produto chegue às mãos dos receptores, podendo até omitir ou distorcer os fatos, fatos estes que analisaremos nos meios. Como diria Luiz Gonzaga Billuzo, “dada a peculiaridade da mercadoria colocada a venda, o objetivo natural e legítimo de ganhar dinheiro formou uma unidade inseparável e ameaçadora com o desejo de ampliar a influência e o poder sobre a sociedade e sobre a política” (Revista Carta Capital, 06⁄06⁄2007). Com a finalidade de vender, as empresas midiáticas usam de diversos meios para serem contemplados.<br />Meios<br />Tal item de nosso trabalho constituirá na analise histórica de como determinadas instituições que promoveram o medo através da comunicação. Analisaremos primeiro um exemplo histórico de uma sociedade não-democrática como, por exemplo, a ditadura militar instaurada no Brasil em 1964. Neste caso, os meios de comunicação eram censurados pelo governo vigente, ou seja, informações eram omitidas e distorcidas caso ameaçassem a segurança do governo. Tal omissão e distorção são freqüentes em governos ditatoriais. No caso da Alemanha hitlerista da década de 40, neste caso as informações eram controladas, dessa vez, através do Partido Nacional Socialista Alemão, que devido a sua retórica forte e a crise econômica instaurada, conseguiu levantar a população Alemã através do medo as outras nações e “raças”. Através desses preconceitos as outras “raças” a Alemanha iniciou uma sangrenta guerra com varias outras nações do mundo causando muitas mortes, um exemplo do medo gerando violência. <br />O grande problema dos meios é que a omissão de informações também ocorre em sociedades democráticas, onde supostamente as pessoas teriam direto à livre informação, como diz o 19˚ Artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos. “Toda pessoa tem direito à (...) ter opiniões e de procurar receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios (...)”. Obviamente que a manipulação de informações ocorrida em um meio regido por uma constituição dita democrática, ocorre de maneira mais sutil, é menos perceptível, pois a veiculação se dá através de empresas, e não através do Estado. Por existir competição, quem for mais eficaz em apresentar o fato de maneira que a população seja atraída e compelida a ele terá maior lucro, e maior influência. A empresa detém sua ideologia e a partir desta trabalhará o fato ocorrido da maneira que melhor lhe convir.<br />A influência dos meio midiáticos é sutil, mas tão eficaz que no início da década de 1850 o jornal inglês The Times, inserido em uma sociedade regida por um parlamento, portanto, democrática, afirmou que a imprensa formava o “quarto poder”, fazendo alusão aos três poderes que regem a democracia (Executivo, Legislativo e Judiciário).<br />Consequências<br />A esfera de tensão criada no meio social é uma das formas pelo qual a indústria midiática consegue manter uma influência sobre a sociedade. Essa influência se dá através de uma relação de dependência entre o consumidor e o meio de comunicação. A população necessita de informações sobre mundo e as fontes destas, desde a revolução industrial, vêm sendo as empresas midiáticas. Portanto a população fomenta o lucro de tais empresas, que por sua vez, vendem mais “medo”, mantendo assim, o lucro e a esfera de tensão social. Como consequência, a população interpreta um mundo que foi criado distorcido, não representando, muitas vezes, sua verdade empírica.<br />Cabe aqui um exemplo das conseqüências dessa tensão midiática no meio social. No ano de 2006, a cidade de São Paulo foi acometida de uma onda de violência causada por organizações criminosas. Na ocasião, os meios de comunicação divulgaram maciçamente as manifestações de violência. Devido ao sensacionalismo e a repetição contínua das imagens de violência, foi gerado um medo na população que chegou a tal ponto que as pessoas evitavam sair de suas casas para suas atividades rotineiras. Houve sim violência, mas não do jeito que era apresentada (uma guerra civil). Essa tensão e esse medo criado, ou seja, fictícios, podem ser uma forma de controle social, pois nesta realidade criada, as pessoas se sentiriam mais compelidas a aceitar agir da forma como lhes é ordenado em nome de uma suposta segurança. <br />Mesmo estando dentro de um meio social regido por uma constituição democrática, a população está sujeita a distorção de informações e se mantêm sujeita a venda e a compra de informações de algum modo distorcidas. <br />Conclusão<br />Depois de analisar todos esses meios de comunicação, e as causas e consequências do medo causado pela mídia podemos chegar a algumas conclusões. Como visto na maioria das sociedades atuais, os meios de comunicação são regulados por empresas e os receptores são, na verdade, consumidores que compram da mercadoria. Portanto a obtenção de informação não é regulada por nenhum tipo de instituição constitucional. Por fim, a compra do canal de informação é totalmente opcional, ou seja, as indústrias que promovem o medo só existem porque nós as financíamos. Aqui a relação emissor-receptor se torna tênue. Cabe ao emissor transmitir apenas fatos empíricos, arriscando assim a produção de sua empresa? Ou é papel do consumidor determinar aquilo que quer ser informado? Obviamente que a relações estabelecidas é da informação em função do leitor. Como já apresentado o produto é vendido ao perfil de consumidor. É atribuída então a sociedade consumidora a fonte causadora do próprio medo.<br />Cabe aqui um questionamento final: de que se isto é uma atitude racional. Ora o homem tenta afastar ou controlar seus próprios medos, mas acaba por fomentá-los através do incentivo a algumas instituições dos meios de comunicação.<br />A questão aqui se reflete em um âmbito muito maior do que o ser humano fomentar instituições que lhe faltem com a verdade empírica, acabando por se refletir em uma atitude que o próprio homem causa medo a si mesmo, contrariando sua própria capacidade de pensar.<br />É, portanto que se dá a necessidade de interpretar textos a nossa volta, identificando emissores e a forma como os canais chegam a nós, assim selecionando informações que nos sejam úteis e excluindo aquelas que nos tiram da razão.<br />

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