Aula3 Pesquisa Norte Americana Teoria Hipodermica

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Aula3 Pesquisa Norte Americana Teoria Hipodermica

  1. 1. Teoria da Comunicação I A Pesquisa Norte-Americana – Teoria Hipodérmica Aula 3 Valéria Machado
  2. 2. <ul><li>Várias linhas de pesquisa: </li></ul><ul><ul><li>Escola de Chicago </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Início do séc. XX </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Enfoque microssociológico de processos comunicativos </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Cidade como local privilegiado de observação </li></ul></ul></ul><ul><ul><li>Charles Peirce – Semiótica </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Início do séc. XX </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Processos de formação de significados a partir de uma perspectiva pragmática </li></ul></ul></ul>
  3. 3. <ul><ul><li>Blumer (Escola de Chicago) ‏ </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Interacionismo simbólico </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Anos 30 </li></ul></ul></ul><ul><ul><li>Escola de Palo Alto </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Comunicação como processo social permanente, que deve ser estudado a partir de um modelo circular. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Anos 40. </li></ul></ul></ul><ul><li>Até a década de 60, essas teorias eram “marginais”, uma vez que dos anos 20 aos 60 os estudos norte-americanos foram marcados pela hegemonia da Mass Communication Research. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>Mas todas essa linhas têm três características comuns que permitem que sejam agrupadas: </li></ul><ul><ul><li>Orientação empírica dos estudos, com enfoques que privilegiam a dimensão quantitativa. </li></ul></ul><ul><ul><li>Orientação pragmática, mais política que científica. </li></ul></ul>
  5. 5. <ul><ul><li>As pesquisas em comunicação desta tradição de estudos têm origem em demandas instrumentais do Estado, das Forças Armadas ou dos grandes monopólios da área de comunicação de massa e têm por objetivo compreender como funcionam os processos comunicativos com o objetivo de otimizar seus resultados. </li></ul></ul><ul><ul><li>Objeto de estudo: estudos voltados para a comunicação mediática. </li></ul></ul>
  6. 6. Mass Communication Research <ul><li>A obra de Lasswell, Propaganda Techniques in the World War , publicada em 1927, costuma ser identificada como marco inicial do Mass Communication Research . </li></ul><ul><li>Esta linha divide-se em três grandes vertentes de pesquisa: </li></ul>
  7. 7. <ul><ul><li>Efeitos da Comunicação </li></ul></ul><ul><ul><li>Corrente funcionalista </li></ul></ul><ul><ul><li>Teoria Matemática da Comunicação ou Teoria da Informação </li></ul></ul>
  8. 8. Efeitos da comunicação <ul><li>Este modelo teve um evolução teórica desordenada e mesmo caótica, não acompanhou o modelo ordeiro e preciso de uma ciência em desenvolvimento, onde investigadores subsequentes sistematicamente testam as deixas dos que os precedem. </li></ul>
  9. 9. A Massa <ul><li>Os indivíduos são compreendidos como átomos isolados , que, no entanto, fazem parte de um corpo maior, a massa , criada pelos meios de comunicação. Isso tornaria impossível a emergência de respostas individuais ou discordantes do estímulo . </li></ul>
  10. 10. <ul><li>Diferente da abordagem funcionalista, aqui a preocupação é com o indivíduo. </li></ul><ul><li>Estudos sobre audiências, efeitos de campanhas políticas e propaganda. </li></ul><ul><li>Meios de comunicação possuem um poder incontestável/absoluto. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>Solidariedade comunitária (organicamente prestada) X solidariedade de conveniência (mecanicamente oferecida). </li></ul><ul><li>Mudança induzida pelos processos de industrialização e urbanização. </li></ul><ul><li>“cidades grandes” – mass society – anulavam diferenças individuais </li></ul>
  12. 12. <ul><li>Mídia como único meio apto a comunicar algo a essa “massa” </li></ul><ul><li>Uma massa “indefesa” diante da influência da mídia </li></ul><ul><li>receptor passivo </li></ul>
  13. 13. Mas o que é essa “sociedade de massa”? <ul><li>Sociedade de massa é um “termo guarda-chuva”. Vejamos: </li></ul><ul><ul><li>Para o pensamento político oitocentista, a sociedade de massa é conseqüência de industrialização progressiva, da revolução dos transportes e do comércio. </li></ul></ul><ul><ul><li>Estes processos causam a perda de exclusividade por parte das elites que se vêem exposta às massas . </li></ul></ul>
  14. 14. <ul><ul><li>Enfraquecimento dos laços tradicionais (de família, comunidade, associaçõe de ofícios, religião etc.) contribui para afrouxar o tecido conectivo da sociedade e para preparar condições que conduzem ao isolamento e à alienação das massas. </li></ul></ul><ul><ul><li>Uma corrente diversa aborda a “qualidade” do homem-massa resultante da desintegração da elite. </li></ul></ul><ul><ul><li>Ortega y Gasset (1930) descrevem o homem-massa como a antítese da figura do humanista culto. </li></ul></ul>
  15. 15. <ul><ul><li>A massa é a jurisdição dos incompetentes. </li></ul></ul><ul><ul><li>Nesta perspectiva, a massa “é tudo o que não se avalia a si próprio – nem no bem nem no mal – mediante razões especiais, mas que se sente 'como toda gente' e, todavia, não se aflige por isso, antes se sente à vontade ao reconhecer-se idêntico aos outros” (Ortega y Gasset, 1930 apud Wolf, 2006, p. 24). </li></ul></ul>
  16. 16. <ul><ul><li>Uma terceira linha de análise diz respeito à dinâmica que se instaura entre o indivíduo e a massa e o nível de homogeneidade em redor do qual se congrega a própria massa. </li></ul></ul><ul><ul><li>Simmel (apud Wolf, 2006) afirma que “a massa é uma formação nova que não se baseia na personalidade dos seus membros, mas apenas naquelas partes que põem um membro em comum com os outros [...]”. </li></ul></ul>
  17. 17. <ul><ul><li>As ações da massa apontam diretamente para o objetivo e procuram atingi-lo pelo caminho mais curto, o que faz com que exista sempre uma única idéia dominante, a mais simples possível. </li></ul></ul><ul><li>Em resumo, a sociedade de massa pode ser interpretada quer como: 1) a dissolução da elite e das formas sociais comunitárias; 2) o início de uma ordem social mais participada e partilhada; ou 3) como uma estrutura social gerada pela evolução da sociedade capitalista. </li></ul>
  18. 18. <ul><li>Em comum em todas as abordagens está a visão de que “ a massa é constituída por um conjunto homogêneo de indivíduos que, enquanto seus membros, são essencialmente iguais, indiferenciáveis, mesmo que provenham de ambientes diferentes, heterogêneos, e de todos os grupos sociais ”. </li></ul>
  19. 19. <ul><li>Além disso, a massa é composta por pessoas que não se conhecem, que estão separadas umas das outras no espaço e que têm pouca ou nenhuma possibilidade de exercer uma ação ou influência recíproca. </li></ul><ul><li>O isolamento do indivíduo na massa anônima é o pré-requisito da primeira teoria do mass media (a teoria hipodérmica). </li></ul>
  20. 20. <ul><li>E esse isolamento não é somente físico e espacial. </li></ul><ul><li>Como aponta Blumer, os indivíduos – na medida em que são componentes da massa – estão expostos a mensagens, conteúdos e acontecimentos que vão para além da sua experiência, que se referem a universos com um significado e um valor que não coincidem necessariamente com as regras do grupo de que o indivíduo faz parte. </li></ul>
  21. 21. <ul><li>Efeito da bala mágica – a mídia atingia a todos de forma direta, uniforme e indiscriminadamente. </li></ul><ul><li>Modelo da agulha hipodérmica – mídia como seringa injetando informações, inoculando idéias. </li></ul>
  22. 22. <ul><li>Influência da psicologia behaviorista – Pavlov e Watson </li></ul><ul><ul><li>“Automatismos comportamentais” </li></ul></ul><ul><li>O esquema E – R (Estímulo – Resposta) é essencial para a Teoria Hipodérmica, que põe em vantagem a fonte emissora . </li></ul><ul><li>Assim, os meios de comunicação de Massa (MCM) enviariam estímulos que seriam imediatamente respondidos pelos receptores. </li></ul>
  23. 23. <ul><li>Ao enviar um estímulo – uma propaganda, por exemplo – os MCM teriam como resposta o comportamento desejado pelos emissores, desde que o estímulo fosse aplicado de maneira correta . </li></ul>
  24. 24. <ul><li>Em resumo: “Cada indivíduo é um átomo isolado que reage isoladamente às ordens e às sugestões dos meios de comunicação de massa” (Wright Mills, 1963). </li></ul><ul><li>É importante lembrar que esta teoria veio no período das guerras mundiais e dos regimes totalitaristas, onde os estudos estavam intimamente ligados a motivações de ordem política. </li></ul><ul><li>Esse modelo é caracterizado por 2 elementos: </li></ul><ul><ul><li>A novidade do próprio fenômeno das comunicações de massa. </li></ul></ul><ul><ul><li>A ligação desse fenômeno às trágicas experiências totalitárias daquele período histórico. </li></ul></ul>
  25. 25. <ul><li>Como exemplos, temos: </li></ul><ul><ul><li>A transmissão radiofônica do romance A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, levada a efeito por Orson Welles. </li></ul></ul><ul><ul><li>A transmissão foi realizada no dia 30 de outubro de 1938. Para dar maior realismo à narrativa, Welles transformou a história em um noticiário jornalístico. </li></ul></ul><ul><ul><li>O resultado foi um pânico generalizado, pois muitos ouvintes ignoraram o aviso, feito antes do início do programa, de que se tratava de uma ficção. Diversos americanos saíram armados de suas casas, prontos a dar combate aos marcianos. </li></ul></ul>
  26. 26. <ul><li>Como resultado, Welles se tornou uma celebridade e a imagem de que os MCM tinham poder irrestrito sobre as pessoas se generalizou. </li></ul><ul><li>Outro exemplo importante foi a utilização dos MCM, em especial o rádio e o cinema, feita pelos nazistas com o objetivo de controlar a massa. </li></ul>
  27. 27. Parada para sua participação... <ul><li>Cada um de vocês vai ler os textos: </li></ul><ul><ul><li>Cinema e Nazismo: apontamentos sobre uma parceria nefasta (partes 2 e 3). </li></ul></ul><ul><ul><li>Propaganda na Guerra: A manipulação das opiniões na II Guerra Mundial. </li></ul></ul><ul><li>Ver o trecho do filme “O triunfo da vontade”. </li></ul><ul><li>Participar do wiki criado na EaD. </li></ul>
  28. 28. Referências <ul><li>HOHLFELDT, Antonio. MARTINO, Luiz C. FRANÇA, Vera Veiga. (Orgs.) Teorias da Comunicação. Rio de Janeiro: Vozes, 2001. </li></ul><ul><li>POLISTCHUK, Ilana; TRINTA, Aluizio Ramos. Teorias da comunicação: o pensamento e a prática da Comunicação Social. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. </li></ul><ul><li>WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. Portugal: Editorial Presença, 2006. </li></ul>

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