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21 a mensagem do tempo do fim na história. apoc. 12-14

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  1. 1. A MENSAGEM DO TEMPO DO FIM NA PERSPECTIVA HISTÓRICA Apocalipse 12-14 Há gozo no descobrimento do desenho estrutural do Apocalipse deJoão. Este desenho oculto não pode discernir-se através do enfoque usualque disseca virtualmente o livro e o divide em partes separadas oucapítulos. O Apocalipse é uma unidade orgânica e indivisível e umaengenhosa e equilibrada composição. A beleza de suas partes econtrapartes chega a ser visível só à luz de sua estrutura total. As primeiras seções do Apocalipse, em geral, desenvolvem-se maiscompletamente nas últimas. Um exemplo básico disto é a sétimatrombeta de Apocalipse 11, que se reconhece amplamente como umaantecipação ou sinopse de subseqüentes visões dos capítulos 12 a 20.Não se pode entender a profecia da sétima trombeta (11:15-19)adequadamente, exceto à luz das visões mais abarcantes que seguem(caps. 12-20). Portanto, nenhum capítulo do Apocalipse deve isolar-se deseu contexto como se fora uma revelação independente. Análise Literária A unidade central de Apocalipse 12 a 14 deve compreender-se à luzdos capítulos seguintes que esclarecem as descrições simbólicasanteriores. Por exemplo, o termo "Babilônia" ocorre pela primeira vezem Apocalipse 14:8 [na "mensagem do segundo anjo"), sem nenhumaexplicação ou referência explicativa. Entretanto, os capítulos queseguem, do 16 ao 19, elaboram um pouco mais o significado de"Babilônia". Outros exemplos são as visões do dragão vermelho com 7 cabeças e10 chifres em Apocalipse 12 e o da besta que sobe do mar com 7 cabeçase 10 chifres em Apocalipse 13. Uma interpretação bem fundada destes
  2. 2. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 2símbolos requer o concurso da visão da besta escarlate com 7 cabeças e10 chifres do capítulo 17. Em síntese, o enfoque adequado para compreender Apocalipse 12 a14 exige uma interpretação contextual. Para captar seu significado senecessita o contexto maior no qual se descrevem os mesmos símbolos.Este panorama mais amplo nos leva à conclusão que Apocalipse 12 a 20constitui uma unidade estrutural que se caracteriza por uma revelaçãoprogressiva do próprio conflito entre o bem e o mal. De uma maneira similar, o juízo de Deus sobre os perseguidores deseu povo se desenvolve gradualmente nas descrições da ira de Deus emApocalipse 14-19. Enquanto que a mensagem do terceiro anjo nosadverte contra o derramamento vindouro da ira de Deus "sem mistura"(Apoc. 14:10, ákraton: "sem mistura, sem diluir", CI), os capítulosseguintes revelam que este derramamento final da ira de Deus consistiránas 7 últimas pragas, "porque nelas é consumada a ira de Deus" (Apoc.15:1; ver também 16:1-21). Este enfoque contextual e estrutural de Apocalipse 12 a 14 é crucialpara o descobrimento do significado bíblico do conceito "Armagedom"como a culminação das últimas pragas. Este método se constitui nocorretor das interpretações populares, mas errôneas. A Perspectiva Teológica Além desta análise literária, uma compreensão da mensagem deApocalipse 12 a 14 requer também uma perspectiva teológica. Estainvestigação indaga para encontrar a conexão de cada termo e nomeapocalíptico com o Antigo Testamento e com suas promessas emaldições incluídas no pacto. Mais que qualquer outro escritor do NovoTestamento, João adota palavras e conceitos hebraicos para descrever osignificado teológico da igreja de Cristo. Hoje se reconheceuniversalmente o estilo hebraico do Apocalipse de João. R. H. Charlesdemonstrou que João não usou a versão grega do Antigo Testamento (a
  3. 3. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 3Septuaginta ou LXX), mas sim usou o texto hebraico do AntigoTestamento para centenas de alusões que faz a Moisés e os profetas.1 O fato de que João use também passagens do Antigo Testamentoem Apocalipse 12 aos 14 é essencial para a interpretação adequada destaseção chave. A frase apocalíptica: "Caiu, caiu a grande Babilônia"(Apoc. 14:8), está tirada de duas passagens proféticas fundidas quepredisseram a queda do Império Neobabilônico (Isa. 21 e Jer. 51). Tal correspondência literária demonstra que é um indicador de umaconexão tipológica entre a história de Israel e a história da igreja. Comfreqüência se passam por alto as conseqüências da tipologia bíblica, e noentanto são de uma importância decisiva. Tal relação teológica prediznão só o elevado chamado mas também o fracasso da igreja cristã. Osprincípios que devem guiar o intérprete cristão estão determinados peloevangelho de Cristo.2 Uma característica teológica adicional do Apocalipse é seufenômeno repetido dos contrastes. João esclarece características daverdade ao contrastá-las com a falsidade. Situa o remanescente fiel dopovo de Deus acima e contra seus opositores babilônicos. Babilôniaaparece em completo contraste com a Nova Jerusalém, o Cordeiro estáem oposição à besta, e a mulher gloriosa que aparece no céu (Apoc. 12)é contrastada com a meretriz que se senta sobre muitas águas (Apoc. 17).Nesta linguagem figurada de contraste muitos discerniram uma paródiairônica ou imitação burlesca da obra de Cristo. Este estilo serve aopropósito de criar uma antítese teológica, um método útil para definir averdade e o engano. Revelação Progressiva em Apocalipse 12-14 Apocalipse 12 a 14 é considerado com razão por muitos como apedra angular ou a visão fundamental do Apocalipse. Leão Morrispercebe "sete sinais significativos" em Apocalipse 12 a 14 que denomina
  4. 4. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 4"outra série de visões" no Apocalipse. 3 Outros encontraram diferentessubdivisões ou cenas, enquanto sustentam a unidade destes capítulos, e aidéia de uma unidade fundamental nestes capítulos se fortalece se seconsidera nesta narração a infra-estrutura e a progressão gradual doApocalipse para o tempo do fim. Apocalipse 12 abrange a história total do pacto da igreja cristã. Opropósito de Apocalipse 12 vai advertir os crentes cristãos contra aperseguição, encorajando-os a perseverar até o fim. Este capítuloapresenta como sua visão primitiva a aclamação celestial de vitória sobreSatanás, combinada com a celebração da tomada de posse de Cristocomo o rei legítimo do céu e da terra (vs. 7-12). Só à luz da mortevitoriosa de Cristo na cruz declaram os céus que a guerra foi ganha e queo acusador do povo de Cristo "foi expulso" (v. 10). A este respeito,Naden enfatiza corretamente o seguinte: "Os versículos 10 e 11... constituem as palavras fundamentais doApocalipse. No quiasmo que João apresenta, tudo o que precede vai seampliando para esta certeza primordial, e tudo o que segue enfatiza suaveracidade e detalha como terminarão as últimas cenas do drama. Foiganha a guerra!"4 A digressão de Apocalipse 12:7-12 contempla além da históriaterrestre: à origem de todo o ódio e crueldade contra a mulher querepresenta o povo de Deus. Revela a dimensão profunda de todas asperseguições contra os filhos de Deus, assinalando ao inimigo verdadeiroda igreja e de Cristo. Na narração vemos como uma guerra que começou no céu instigaas guerras na terra contra o povo de Deus (Apoc. 12:7-9). Satanás iniciouuma guerra em termos judiciais no tribunal celestial contra Deus e contraseu arcanjo Miguel, o anjo guardião de Israel (Dan. 10:13, 21; 12:1; Zac.3:1; Jud. 9). A guerra no céu contra Miguel era um tema familiar nosescritos apocalípticos judeus do tempo de João.5 Esperava-se que Miguelvenceria o Belial no futuro, na batalha final pelo mundo (assim aparecena Regra de Guerra [QM 17] de Qumran).
  5. 5. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 5 Deste ponto de vista chega a ser muito significativo que João vê avitória de Miguel no céu já no tempo presente, de maneira que Satanás"foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos" (Apoc. 12:9). Avitória de Miguel é celebrada e atribuída agora a Cristo no hino celestialde louvor e júbilo (vs. 10-12), o que dá por sentado a identidade deCristo e Miguel.6 Desta maneira, Apocalipse 12 prepara o cenário para oresto do livro, que em forma progressiva amplia o conflito entre Satanáse os seguidores de Cristo sobre a terra (Apoc, 13-19) até que se restaurea paz eterna do paraíso (Apoc. 20-22). Apocalipse 13 descreve em forma gráfica os triunfos temporáriosdo antigo dragão por meio das atividades de seus dois aliados ou agentesterrestres: a besta que sobe do mar com 10 chifres e a besta que sobe daterra, com dois chifres, o que suscita a urgente pergunta: Como serelaciona Apocalipse 13 com Apocalipse 12? A resposta é de crucialimportância para entender os acontecimentos finais no livro doApocalipse. Um autor recente sustenta que "os eventos no capítulo 13seguem aos do capítulo 12 em ordem cronológica".7 Por conseguinte,projeta as visões de Apocalipse 13 ao futuro, conceito inovador querequer um preciso e cuidadoso exame. A afirmação de que Apocalipse 13 segue cronologicamente depoisde Apocalipse 12 se apóia sobre a hipótese de que "a história quecomeçou no capítulo 12 continua sem interrupção no capítulo 13".8 Masesta hipótese não está justificada. Tanto em Daniel como no Apocalipse,a seqüência das visões não tenta apresentar uma ordem cronológica. Aestrutura literária de ambos os livros apocalípticos revela uma pautapersistente de panoramas paralelos na história do povo do pacto. Asvisões de Daniel 2, 7, 8 e 11 devem entender-se como visões paralelas eprogressivas, o que se confirma ao comparar as explicações de cadavisão que dá o anjo interpretador. O estilo paralelo das visões de Daniel é igualmente aparente noApocalipse de João. A série dos selos (Apoc. 6) termina com o juízofinal de Deus. A seguinte série de trombetas (Apoc. 8, 9, 11 ) abrange a
  6. 6. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 6era da igreja com uma ênfase progressiva sobre o tempo do fim (ver ocap. IX desta obra). A visão de Apocalipse 12, onde Cristo recebe toda aautoridade em virtude de seu sacrifício abnegado (vs. 10, 11) não podeseguir cronologicamente depois da visão da sétima trombeta emApocalipse 11:15-18, onde se afirma que Cristo já começou a reinar. Oque faz Apocalipse 12 é apresentar uma sinopse de toda a era da igreja,começando com o primeiro advento de Cristo. As três visões dentro de Apocalipse 14 não ensinam, ao que parece,uma ordem cronológica de cumprimento. É evidente que a tríplicemensagem de Apocalipse 14:6-12 deve proclamar-se com antecedência àvisão do Cordeiro com seus 144.000 seguidores vitoriosos (Apoc.14:1-5). Por conseguinte, a visão dos 144.000 vencedores foi chamadaum interlúdio, uma "cena de obrigações e certezas do tempo do fim".9 Asvisões de castigo em Apocalipse 15 e 16 só ampliam a visão da ceifa domundo em Apocalipse 14:14-20, onde os justos são redimidos e osímpios destruídos. Do mesmo modo, Apocalipse 17, que explica commais detalhe o castigo de Babilônia (ver o v. 1), não seguecronologicamente depois de Apocalipse 16, onde Babilônia já foidestruída. Estes exemplos devem nos alertar contra a hipótese de queApocalipse 13 segue a Apocalipse 12 "sem interrupção". Acima de tudo,há dois indicadores de uma interrupção entre estes dois capítulos.Apocalipse 12 conclui com a declaração de João: "E se pôs em pé sobrea areia do mar" (RA; BLH: "E o dragão ficou de pé na praia" [12:18]). ANBE traduz: "E o dragão se deteve sobre a areia do mar" (12:18). Adeclaração de João a respeito desta nova colocação sobre a borda do mar(cf. Apoc. 12:4) explica por que o dragão podia jogar de sua boca "águacomo um rio" para arrastar a mulher (12:15). A visão seguinte (Apoc. 13:1-10) revela os meios dramáticos pelosquais o dragão perseguirá os santos e blasfemará o nome de Deus. Adeclaração final de Apocalipse 12 também olha ao futuro a Apocalipse13, capítulo que começa com uma nova visão: "E vi", o que revela
  7. 7. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 7algumas conexões importantes com a vista panorâmica que apresentaApocalipse 12. O primeiro elo é a frase de tempo para o período deperseguição: quarenta e dois meses (Apoc. 13:5; cf. 12:6, 14). O mesmosímbolo de tempo que já se usou em Apocalipse 11 para referir-se aosperíodos predeterminados de "pisar a cidade santa" (Apoc. 11:2; cf. o v.3). Não existe nenhuma razão legítima para assumir que os símbolos detempo equivalentes são diferentes períodos de tempo. Uma nova visãonão sugere em forma automática uma seqüência cronológica com a visãoprévia. O contexto imediato indica se uma nova visão amplia a anteriorou continua a narração histórica. Portanto, devemos rechaçar a hipótesede que a visão de Apocalipse 13 continua a narrativa do capítulo 12 "seminterrupção". A Guerra Contra os Santos Um segundo indicador de que Apocalipse 12 se amplia em formaadicional em Apocalipse 13 é a correspondente guerra contra os santosque aparece em ambos os capítulos. Apocalipse 12 prediz duas guerrasconsecutivas contra o povo de Deus: a primeira nos versículos 6 e 14-16,e a segunda no versículo 17. A primeira guerra se caracteriza peloperíodo simbólico de 1.260 dias e 3 ½ tempos (vs. 6, 14), o qualestabelece uma conexão definida com Daniel 7:25. Esta conexãodaniélica requer a tela de fundo da visão de longo alcance de Daniel 7.Revela que os 3 ½ tempos ou 1.260 dias de Apocalipse 12 devemreconhecer-se como um período de supremacia do chifre pequeno deDaniel 7 e não da Roma pagã. Portanto, esses 1.260 dias se referem aosséculos de escuridão da Idade Média, quando muitos milhares de pessoasforam perseguidas e martirizados pelo suposto crime de "heresia". Apocalipse 13 começa com a visão da besta que sobe do mar, com10 chifres, que conecta esta visão sem lugar a dúvidas com a descriçãode Daniel 7. A besta do mar incorpora as 4 bestas de Daniel (Apoc. 13:1,2), indicando com isso o progresso do tempo até as visões de João. A
  8. 8. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 8besta do mar exerce sua autoridade contra os santos durante "42 meses"(vs. 5-7). Estes dois característicos distintivos (a guerra contra os santose o período de tempo) correspondem exatamente com os que aparecemem Daniel 7 e em Apocalipse 12. Portanto, devem identificar-semutuamente. Em Apocalipse 12, a guerra final contra os santos é denominada aguerra do dragão contra "os restantes da sua descendência, os queguardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus" (Apoc.12:17). O significado desta breve declaração de guerra se ampliaadicionalmente na última visão de Apocalipse 13, visão que mostracomo uma besta de dois chifres subiu da terra como o segundo aliado dodragão. Esta besta terrestre exercerá sua autoridade para impor pela forçaa adoração da besta rediviva em todo o mundo (13:12-14). Esta visãoamplia assim a guerra final contra o fiel povo remanescente de Deus(12:17). Prediz a imposição universal de uma marca especial, que é "onome da besta ou o número de seu nome" (13:17). A guerra final contra a igreja remanescente que apresentaApocalipse 13:11-17 não é outra coisa senão a amplificação deApocalipse 12:17. Esta perseguição dos seguidores de Cristo é, nomomento, uma profecia não cumprida, mas sua extensão universal e seulugar culminante na história humana coloca esta guerra religiosa como ocentro da mensagem de Deus para os últimos dias tal como se acha emApocalipse 14. O Último Convite de Deus A tríplice mensagem de Apocalipse 14:6-12 representa o chamadofinal de Deus a um mundo que se rebelou contra seu Criador, mensagemque constitui a carga central de todo o livro do Apocalipse e transmiteum sinal de alerta à geração que vive no tempo do fim. Ao mesmotempo, Apocalipse 14 contém a maldição mais espantosa que jamais sepronunciou contra os seres mortais: a ira de Deus sem mistura alguma de
  9. 9. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 9misericórdia (14:9-11), e a tranqüilizadora segurança da presença deCristo para os vencedores (vs. 1-5). É importante notar que a mensagemde Apocalipse 14:9-12 corresponde precisamente com a perseguição quelevará a cabo a besta do mar em Apocalipse 13:15-17. Uma comparaçãode ambas as passagens mostra o paralelismo histórico: APOCALIPSE 13:15-17 APOCALIPSE 14:9-11"E lhe foi dado comunicar fôlego à "Seguiu-se a estes outro anjo, oimagem da besta, para que não só terceiro, dizendo, em grande voz: Sea imagem falasse, como ainda alguém adora a besta e a sua imagemfizesse morrer quantos não e recebe a sua marca na fronte ouadorassem a imagem da besta. sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado,16 A todos, os pequenos e os sem mistura, do cálice da sua ira, egrandes, os ricos e os pobres, os será atormentado com fogo e enxofre,livres e os escravos, faz que lhes diante dos santos anjos e na presençaseja dada certa marca sobre a mão do Cordeiro. A fumaça do seudireita ou sobre a fronte, para que tormento sobe pelos séculos dosninguém possa comprar ou vender, séculos, e não têm descanso algum,senão aquele que tem a marca, o nem de dia nem de noite, osnome da besta ou o número do seu adoradores da besta e da sua imagemnome". e quem quer que receba a marca do seu nome". Estas passagens paralelas demonstram que a tríplice mensagem deApocalipse 14:6-12 não segue cronologicamente depois de Apocalipse13, mas sim se refere ao mesmo período. Deus responde imediatamentepara fazer frente ao desafio final de Satanás. De fato, adverte a igreja daprova final de sua fé. A visão da colheita e a colheita de uvas da terra emApocalipse 14:14-20 segue em ordem cronológica depois do tempo datríplice mensagem de Apocalipse 14:6-12. A visão dos 144.000 santos vitoriosos que estão de pé com oCordeiro sobre o monte Sião encaixa na conclusão do conflito final. A
  10. 10. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 10composição literária dos capítulos 12 a 14 mostra duas estruturasparalelas, como pode ver-se no diagrama seguinte: O PARALELISMO PROGRESSIVO DE APOCALIPSE 12-14 APOCALIPSE 12O DRAGÃO faz guerracontra a mulher (vs. 1-5)A mulher foge ao APOCALIPSE 13deserto por 1.260 dias O dragão usa a BESTA DO MAR coroada com 10(V. 6). chifres para fazer guerra contra os santos durante 42 meses (vs. 1-10).No céu:Louvor pela entronizaçãode Cristo (vs. 7-12).A mulher está no APOCALIPSE 14deserto por 3 ½ VISÃO PRÉVIA dos santos vitoriosos sobre otempos (vs. 13-16). monte Sião (vs. 1-5).O dragão faz guerra Finalmente, uma BESTA A ADVERTÊNCIA DO TEMPOcontra o REMANESCENTE DA TERRA com dois DO FIM dá como resultadoda descendência da chifres semelhantes aos de que haja vencedores sobremulher, os que "guardam um cordeiro impõe a a MARCA DA BESTA. Sãoos mandamentos de MARCA DA BESTA em os que "guardam osDeus e têm o testemunho uma escala global (vs. mandamentos de Deus ede Jesus" (V. 17) 13-18) têm a fé de Jesus" (vs. 6-12). A dupla colheita do mundo por ocasião da segunda vinda (vs. 14-20)
  11. 11. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 11 Olhando retrospectivamente as sete visões de Apocalipse 12 a 14,concluímos que estes três capítulos estão inextricavelmente unidos emostram uma ênfase progressiva sobre os acontecimentos do tempo dofim. As correspondências temáticas que há nestes três capítulos mostramconexões intencionais que repetem e ampliam as visões prévias. Apocalipse 13 não inclui o panorama total do capítulo 12, mascomeça e amplia a seção da perseguição religiosa dos 1.260 dias deApocalipse 12:6 e 14, e depois avança até o conflito final do versículo17, ampliando-o com a marca da besta (Apoc. 13:13-18). Apocalipse 14 apresenta a resposta codificada de Deus ao conflitodo tempo do fim de Apocalipse 12 e 13, insistindo com os santos a servencedores sobre a besta e sobre sua imagem (cf. Apoc. 13:15-17 e14:9-11). O resumo de Apocalipse 14:12 mostra uma correspondênciasurpreendente com Apocalipse 12:17. Ambas as passagens que seenfocam no tempo do fim, identificam os santos que são fiéis a Deuscomo os que guardam os mandamentos de Deus e perseveram na fé deJesus (Apoc. 12:17; 14:12). Estas conexões indicam que o propósito doscapítulos 12 a 14 não é apresentá-los como seqüências ininterruptas, massim como composições paralelas cada uma das quais se concentra maisde perto sobre os acontecimentos finais da era da igreja. Só quando se afirma a infra-estrutura de Apocalipse 12 a 14,podemos proceder com confiança em relacionar estas descriçõesapocalípticas com o contexto mais amplo do Apocalipse (especialmentecom Apoc. 15-19) e com o contexto maior do Antigo Testamento e doNovo Testamento, metodologia que pode nos proteger contra algumasdas tergiversações que tanto abundam hoje. Estamos de acordo com aconclusão do William G. Johnsson: "A interpretação de Apocalipse 12 a14 estará determinada em grande medida pelas decisões que tenhamosalcançado a respeito da natureza e a estrutura do livro, antes de examinarestes capítulos".10
  12. 12. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 12 Visão Divina da Era da Igreja: Apocalipse 12 As descrições simbólicas de Apocalipse 12 apresentam uma sinopseou sumário de todo o curso da igreja de Cristo até o próprio fim. Osconceitos criadores das visões de João devem compreender-se sobre opano de fundo da história do pacto do Israel. A igreja de Cristo é umnovo Israel, o povo messiânico de Deus, por isso o conflito entre o Israele seus inimigos se aplica agora ao povo do Messias. A visão central em Apocalipse 12:7-12 transcende incluso a esferapolítica e as hostilidades. Explica as perseguições dos governos políticoscontra os cristãos como instigadas pelo ódio que Satanás tem contraCristo e Deus, sendo assim o reflexo terrestre de um conflito celestial.Desta maneira, a opressão do povo messiânico se coloca dentro docontexto de uma guerra cósmica entre o céu e a terra. Como símbolo do mal, identifica-se imediatamente ao grandedragão vermelho como a "antiga serpente, chamada o diabo e Satanás,que engana todo o mundo [que extravia a terra inteira, NBE]" (Apoc.12:9). A referência à "antiga serpente" alude diretamente ao relato deGênesis 3, onde Eva foi enganada pela serpente no paraíso. Porconseguinte, a inimizade feroz do dragão-serpente contra a mulher e suadescendência em Apocalipse 12 deve entender-se como a aplicaçãoavançada de Gênese 3:15, que se refere à hostilidade sobrenatural contrao Messias e o Israel messiânico. Além disso, João combina Moisés e os profetas em seu simbolismocriador. Progride desde a única mulher, Eva, até uma mulher quesimboliza Israel como o povo do pacto de Deus, em harmonia com atradição profética. Isaías descreveu em forma consistente a Israel "comoa mulher grávida próxima a dar a luz" (Isa. 26:17, CI; ver também 54:1,6, 13). Por conseguinte, João não se concentra sobre Maria, a mãe deJesus, e sim sobre o povo do pacto de Deus. Em particular, João sealonga sobre o Messias de Israel e sobre o povo do novo pacto doMessias: a igreja de Cristo. É essencial a verdade de Jesus de Nazaré
  13. 13. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 13como o Messias de Israel enviado por Deus, já que se ele for o Messiasda profecia, então a igreja de Cristo é o verdadeiro Israel de Deus,verdade que é o ponto essencial de todo este capítulo e a premissa sobrea qual está apoiada o livro do Apocalipse (ver Apoc. 1:1, 2, 9; 5:5, 6, 9,10). João também considera o inimigo sobrenatural de Cristo e de suaigreja à luz da tradição profética. Estava bem relacionado com esta visãoapocalíptica de Isaías: "Naquele dia, o Senhor castigará com a sua dura espada, grande eforte, o leviatã, a serpente veloz, e o leviatã, a serpente tortuosa, e matará odragão que está no mar" (Isa. 27:1). As visões do Apocalipse projetam esta tradição profética de Israel àfé cristã e a aplicam ao fim da era cristã. O fim de Satanás virá só no fimdo milênio que está predito em Apocalipse 20 (v. 10). Embora Satanáspode infligir muito mal ao mundo e em particular à igreja de Cristo, asegurança de sua derrota definitiva e a de seus aliados sempre animouaos cristãos perseguidos. Cristo prometeu que "as portas do Hades [inferno] não prevalecerãocontra ela [sua igreja]" (Mat. 16:18). Portanto a igreja deve contemplarsua própria história à luz da história de Israel, já que a igreja representa oremanescente fiel de Israel. Seu Messias ressuscitado voltará para matarao dragão-serpente. Entretanto, Apocalipse 12 nos dá a grande surpresade que a vitória de Cristo sobre o dragão já foi obtida! Como? Por suavida vitoriosa, sua morte expiatória, sua ressurreição e sua ascensão aotrono que está nos céus. Este evento de Cristo constitui a razão para aexpulsão de Satanás da presença de Deus e o motivo do canto de vitóriano céu (Apoc. 12:7-12). William G. Johnsson chama o interlúdio deApocalipse 12:7-12, "a contraparte celestial da vitória de Cristo na cruz...Desempenha a função de explicar a natureza do conflito entre o dragão ea mulher descrito [em Apoc. 12]".11 Precisamos conectar as duaspassagens seguintes:
  14. 14. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 14 JOÃO: "Agora veio a salvação, o poder, e o reino de nosso Deus, ea autoridade de seu Cristo; porque foi arrojado fora [ebléthe: foiexpulso] o acusador de nossos irmãos, que os acusava diante de nossoDeus dia e noite" (Apoc. 12:10). JESUS "Agora é juízo deste mundo; agora, será expulso[exblethésetai: expulso fora] o príncipe deste mundo" (João 12:31). À luz da explicação que Jesus dá de sua morte, podemos entenderque Apocalipse 12:7-12 anuncia a derrota irrevogável de Satanás pormeio da vitória de Cristo na cruz. Diante de Deus, no sentido legal,Satanás já foi "esmagado". Por isso Apocalipse 12 se centra na morte, naressurreição e na entronização de Cristo. Deste ponto de vista é comoJoão situa a batalha cósmica pela soberania do mundo entre Deus eSatanás, um conflito que começou no jardim do Éden (Apoc. 12:7) econtinua até a segunda vinda (14:14-20). O papel que desempenha aigreja se vê fundamentalmente como uma luta espiritual contra asderrotadas forças do mal. Sua aparente derrota pelo martírio é à vista deDeus a verdadeira participação na vitória de Cristo na cruz do Calvário:"Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa dapalavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, nãoamaram a própria vida" (Apoc. 12:11). Inclusive se apresenta à igreja dotempo do fim como o exército do Cordeiro, o conquistador messiânicodo mal (14:1-5). A igreja triunfa sobre a besta por meio do martírio e dotestemunho fiel. A Contínua História da Salvação em Apocalipse 12 Embora possamos subdividir Apocalipse 12 em formas diferentes,no contínuo-histórico do capítulo discernimos três seções distintas: (1)vs. 1-5; (2) vs. 6 e 13-16; (3) v. 17. O tema comum destas três seções é aguerra do dragão contra a mulher que permanece fiel a Deus: "Viu-se grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida do sol com alua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça, que, achando-
  15. 15. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 15se grávida, grita com as dores de parto, sofrendo tormentos para dar à luz...Nasceu-lhe, pois, um filho varão, que há de reger todas as nações com cetrode ferro. E o seu filho foi arrebatado para Deus até ao seu trono" (Apoc.12:1, 2, 5). O dinamismo propulsor de Apocalipse 12 é a progressão contínuo-histórica das três seções. Primeiro aparece a descrição dramática doantigo povo do pacto de Deus, Israel, sob o clássico símbolo hebraico deuma mulher que dá à luz muitos filhos e eventualmente dá à luz oMessias (ver Isa. 54; 66:7-11 ). A mulher simbólica de Isaías está vestidacom a luz da glória de Jeová (Isa. 60:1, 2, 19, 20; ver Sal. 104:2).Apocalipse 12 continua e desenvolve este símbolo do pacto com ossinais cósmicos do Sol, a Lua e as doze estrelas, de maneira que amulher radiante de Apocalipse 12 "parece ser o complemento terrestredo anjo de Apocalipse 10".12 Embora a tradição da igreja católica romana vê a mulher deApocalipse 12 como um símbolo de Maria, a mãe de Jesus, influenteseruditos católicos do Novo Testamento admitem já que a mulher deApocalipse 12 é "acima de tudo uma personificação do povo de Deus".13Também Josefina Massyngberde Ford reconhece: "Embora a mulherpode ser uma pessoa, um estudo do antecedente do Antigo Testamentosugere que é um personagem coletivo, semelhante às duas testemunhas.No Antigo Testamento a imagem de uma mulher é um símbolo clássicopara Sião, Jerusalém, e para Israel, quer dizer, Sião cujo marido é Jeová(Isa. 54:1, 5, 6; Jer. 3:20; Ezeq. 16:8-14; Ouse. 2:19, 20)".14 Assim chega a ser patente que as imagens simbólicas de João nãodevem entender-se como tiradas da mitologia pagã mas sim do AntigoTestamento. Nesta adoção das imagens hebraicas, Deus transformoucriativamente o marco do antigo pacto em um marco do novo pacto noqual todos os participantes do pacto e seus inimigos estão condicionadosreligiosamente por Jesus e o Messias. Esta progressão da salvaçãohistórica de Israel para a igreja de Cristo procede do próprio Deus dopacto (ver Heb. 1:1, 2; Apoc. 1:1). A unidade essencial do Israel de Deus
  16. 16. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 16e da igreja de Cristo é a hipótese fundamental para a interpretação cristãdo livro do Apocalipse. Jesus previu só "um rebanho" pelo qual ele,como seu pastor, poria sua vida (João 10:14-16), e só um banquete final(Mat. 8:11). Paulo previu só uma oliveira cultivada, na que todos osisraelitas espirituais e os cristãos estão unidos (Rom. 11:17-24).Descreveu a igreja como uma "virgem pura" que quer apresentar a seu"marido, Cristo" (2 Cor. 11:2). A visão de Apocalipse 12 alerta à igreja sobre o fato de que é emtodo momento o objeto da fúria de Satanás, o qual é aqui descrito comoum dragão vermelho, com "sete cabeças e dez chifres, e em suas cabeçassete diademas" (v. 3). Esta imagem monstruosa, que aparece em Apocalipse 12 e que serepete nos capítulos 13 e 17, é um desenvolvimento da quarta besta deDaniel 7, o que implica que Daniel 7 é uma das raízes principais deApocalipse 12, 13 e 17. Daniel 7 é gradualmente desdobrado e ampliadoem Apocalipse 12, 13 e 17 para a era da igreja. Sobre a base de Apocalipse 17:9 e 10, chega a ser claro que as setecabeças do dragão "representam reinos por meio dos quais Satanás agiuatravés dos séculos para oprimir o povo de Deus".15 Daí o dualismoradical que se desenvolve no Apocalipse de João, entre a adoraçãoverdadeira e a falsa por um lado, e a ênfase sobre o duplo sinal do povofiel de Deus que se apega à palavra de Deus e o testemunho do JesusCristo por outro (1:2, 9; 6:9; 12:17; 14:12; 20:4). Portanto, João coloca amulher fiel de Apocalipse 12 em notório contraste com a mulher caída esedenta de sangue de Apocalipse 17. O significado completo tanto deApocalipse 12 como 17 chega a ser claro só se, por meio de um estudometiculoso, comparam-se estas visões de contraste, I. O Messias prometido chegou a Israel A primeira seção de Apocalipse 12 leva a história de Israel até oprimeiro advento do Messias-Rei (v. 5). O ponto central mudaimediatamente de seu nascimento à sua entronização como rei no céu.
  17. 17. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 17João alude em forma específica à promessa messiânica do Salmo 2,declarando: "Nasceu-lhe, pois, um filho varão, que há de reger todas asnações com cetro de ferro" (Apoc. 12:5; cf. Sal. 2:9). Neste momento,João aponta para adiante, à consumação final desta promessa messiânicano segundo advento de Cristo que de novo volta a descrever emApocalipse 19:15. Antes o apóstolo Paulo tinha explicado que a ascensãode Jesus ao trono de Deus foi de posse de seu reino espiritual comoMessias. Assim o proclamou aos judeus no Antioquia do Pisídia: "Que a promessa que Deus fez a nossos pais cumpriu-a a nós,ressuscitando a Jesus. Assim estava escrito no salmo segundo: Tu és meufilho, eu hoje te gerei" (At. 13:33, NBE; cita Sal. 2:7). Esta verdade fundamental da fé apostólica a respeito da soberaniasuprema de Cristo está exposta novamente em Apocalipse 12:5 comogarantia do vindouro cumprimento do tempo do fim do Salmo 2 emApocalipse 19. A narração de Apocalipse 12 continua descrevendo, emtermos simbólicos, o tempo que a igreja deve estar no deserto. II. A perseguição da igreja de Cristo "A mulher, porém, fugiu para o deserto, onde lhe havia Deus preparadolugar para que nele a sustentem durante mil duzentos e sessenta dias"(Apoc. 12:6). Enquanto que Apocalipse 12 tem em vista toda a extensão doperíodo entre os dois adventos, os "1.260 dias" proféticos ou "3 ½tempos" (Apoc. 12:6, 14) concentram-se especificamente sobre ostempos de perseguição. São tempos quando a igreja fiel tem que fugir davista do público ao "deserto" ou às regiões despovoadas do mundo.Embora alguns têm proposto que os 1.260 dias representam toda a eracristã entre os dois adventos de Cristo, outros assinalaram queApocalipse 13 usa o símbolo de tempo equivalente de "42 meses" comoos tempos da ira do anticristo (Apoc. 13:5). Por conseguinte, G. R.Beasley-Murray conclui dizendo: "Isto não caracteriza o período daigreja entre a ascensão e a parousia de Cristo".16
  18. 18. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 18 Esta conclusão fica confirmada quando damos uma olhada maisprecisa ao lugar onde aparece a mesma frase em Daniel 7. O "chifrepequeno" que perseguiria os santos por "3 ½ tempos" surgiria só depoisda desintegração do Império Romano, e depois que se estabelecessem os"10 chifres" (ver Dan. 7:8, 24, 25). A divisão do Império Romano nãoocorreu até 476 d.C. Por conseguinte, o tempo do anticristo começoudepois de 476 e seus 3 ½ tempos ou 1.260 dias não se estendem sobretoda a era cristã. O período dos 3½ tempos não começa nos dias da igrejaapostólica nem sequer durante a época do Império Romano. Começadepois que Roma papal sucedeu Roma imperial e seu regime totalitáriocomeçou a dominar as nações. A igreja verdadeira em Apocalipse 12 se caracteriza não porcatedrais esplêndidas com obras de arte primorosas ou por uma sucessãocontínua de bispos ordenados. A verdadeira sucessão apostólica sedistingue pela fidelidade à fé, quer dizer, aos ensinos de Cristo e de seusapóstolos (Apoc. 12:17; 14:12). Ellen White explicou este conceito comuma profunda simplicidade: "Assim a sucessão apostólica não se baseia na transmissão deautoridade eclesiástica, mas nas relações espirituais. Uma vida influenciadapelo espírito dos apóstolos, a crença e ensino da verdade por eles ensinada,eis a verdadeira prova da sucessão apostólica".17 A adoração aceitável a Deus pode encontrar-se na casa de adoraçãomais singela. Deus olhe primordialmente o coração do homem. Procuraos que o adoram no Espírito Santo e na verdade de sua palavra (ver João4:23). Apocalipse 12 nos diz que o que mais importa é seguir a palavra deDeus e saborear o companheirismo santificador e salvífico de Cristo diaapós dia, algo que se experimenta quando dois ou três estão reunidos nonome de Cristo e se submetem a sua obediência (Mat. 18:20; 28:18-20).Paulo assegura que "o Senhor conhece os que lhe pertencem" (2 Tim.2:19).
  19. 19. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 19 A essência dos 1.260 dias simbólicos é evidente além de qualquerdúvida: perdeu-se de vista o evangelho de Cristo devido às demandaspolíticas e religiosas do papado. Assim foi descrita a escuridão cada vezmaior que houve na Europa: "De Cristo, o verdadeiro fundamento, transferiu-se a fé para o papa deRoma. Em vez de confiar no Filho de Deus para o perdão dos pecados epara a salvação eterna, o povo olhava para o papa e para os sacerdotes eprelados a quem delegava autoridade. Ensinava-se-lhe ser o papa seumediador terrestre, e que ninguém poderia aproximar-se de Deus senão porseu intermédio; e mais ainda, que ele ficava para eles em lugar de Deus edeveria, portanto, ser implicitamente obedecido. Esquivar-se de suasdisposições era motivo suficiente para se infligir a mais severa punição aocorpo e alma dos delinqüentes".18 Notavelmente, a ênfase profética de Apocalipse 12 não está naperseguição da mulher e sua descendência mas sim em sua lealdadepermanente e sua fé constante em Deus. O Pastor celestial nunca estarásem seu rebanho; o Rei nunca estará sem seus servos leais. Em cadacrise, Cristo proporcionará um remanescente fiel de seu povo do pacto,assim como os 12 apóstolos foram o núcleo do verdadeiro remanescentede Israel (ver Rom. 11:5). Deus proveu uma ajuda especial quando o dragão serpente arrojou"água como um rio, a fim de fazer com que ela [a mulher] fossearrebatada pelo rio" (Apoc. 12:15). A ameaça das forças hostis e mortaissob a imagem de correntes de água, ou de um rio transbordado ou umainundação, foi uma parte essencial do simbolismo profético de Israel (verIsa. 8:5-8; Dan. 11:40; Naum. 1:8; Jer. 47:1, 2). Entretanto, deu-se apromessa: "A terra, porém, socorreu a mulher; e a terra abriu a boca eengoliu o rio que o dragão tinha arrojado de sua boca" (Apoc. 12:16). Não é possível recuperar o quadro completo dos crentes em Cristo eem seu evangelho que sobreviveram durante a Idade Média devido àdestruição premeditada dos registros por parte dos poderes inimigos deplantão. Publicou-se um esboço histórico valioso das seitas populares edos movimentos dissidentes na Europa Ocidental entre os séculos XI e
  20. 20. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 20XIII.19 Também os livros sobre a Inquisição publicados pelo quáqueroHenry Charles Lea são uma fonte confiável de informação a respeito dahistória da intolerância e perseguição da igreja católica romana.20 Devido à sua emancipação da dominação da igreja, a sociedademoderna pôs um fim à perseguição e execução de pessoas por causa desua fé ou religião pessoal. As leis seculares de vários países "engoliram"de maneira geral a intolerância religiosa e as excomunhões da sociedademedieval. Na verdade, a "terra" veio em resgate dos crentes que seguiama Cristo. A profecia começou a cumprir-se pelo tempo depois da épocade escuridão da Idade Média. Mas Apocalipse 12 prediz mais quetolerância. Uma perseguição renovada e feroz da igreja de Cristo dotempo do fim é o tema com o que conclui Apocalipse 12. III. Visão prévia da igreja do tempo do fim "E o dragão irou-se contra a mulher e foi fazer guerra ao resto da suasemente, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho deJesus Cristo" (Apoc. 12:17). Esta passagem final da perspectiva geral da história da igreja emApocalipse 12 é de importância decisiva para o povo de Deus do tempodo fim. Informa-lhes que Satanás os escolheu como alvo de seu objetoespecial de ódio e lhes recorda as verdades básicas que são a pedra detoque de sua fé, às que devem apegar-se e salvaguardar. Qual é então ainterpretação responsável pela frase "o resto [tom loipón] da suasemente?" A maioria dos exegetas concluem que "o resto" define a todosos crentes em Cristo. Esta opinião indica que em Apocalipse 12:17 nãose apresenta um enfoque sobre o povo remanescente final na era cristã. Otermo "resto" [loipós] é usado no Apocalipse verdadeiramente no sentidomais amplo dos "outros" ou os "que ficam" (8:13; 9:20; 11:13), mastambém no sentido eloqüente de um fiel remanescente que suporta aprova do céu (2:24, 25; também cf. 3:4, 5). Não pode haver dúvida deque a frase "o resto da sua semente" em Apocalipse 12:17 encaixaprecisamente na categoria de um fiel remanescente de Deus, porque
  21. 21. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 21estão definidos pela prova padrão dos que são fiéis no Apocalipse: "Osque guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de JesusCristo" (Apoc. 12:17; cf. 1:2, 9). Além disso, a guerra final de Satanás contra estes fiéis se amplia emApocalipse 13 e 14. O desenvolvimento de Apocalipse 12 nos capítulos13 e 14 revela que os cristãos do tempo de fim terão que enfrentar aprova final do anticristo (Apoc. 13:15-17) e que um remanescentemundial permanecerá firme, os que de novo são caracterizados como osque "guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus" (14:12). O"resto" da descendência da mulher em Apocalipse 12:17 está emcorrespondência com o povo remanescente de Deus no fim dos temposque se descreve em Apocalipse 14:12. Este paralelo de Apocalipse 12:17 e 14:12 situa Apocalipse 12:17dentro do contexto imediato do marco do tempo do fim descrito noscapítulos 12 a 14. Proporciona o argumento decisivo para a interpretaçãode Apocalipse 12 com um enfoque no último remanescente dos fiéis deDeus nesta idade, precisamente antes que Cristo retorne em glória (em14:14-20). Uma questão importante é saber se o último remanescente do povode Deus será um povo remanescente institucionalizado ou simplesmenteum grupo invisível, esparso ao longo das igrejas cristãs nominais. Ou éuma combinação de ambos? A chamada celestial a Babilônia emApocalipse 18, "sai dela, povo meu..." (v. 4), sugere que os filhos deDeus estão esparramados em todas partes da Babilônia mundial (vs. 1-4). Entretanto, esta chamada indica ao mesmo tempo a uma voz distintae comissionada pelo céu que reúne no monte Sião, o símbolo tradicionalda comunidade da fé, o povo de Deus que está esparso em Babilônia(Apoc. 14:1-5). Esta comunidade do tempo do fim está representadaespecificamente pelos três anjos de Apocalipse 14:6-12. O alcancemundial desta voz de reavivamento e reforma requer um corpo decrentes unidos que iniciem e sustentem uma missão universal sobre abase de uma plataforma comum de crenças fundamentais, tal como se
  22. 22. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 22resumem em Apocalipse 12:17 e 14:12. Por conseguinte, o povoremanescente de Deus é ao mesmo tempo um povo espiritual e umacomunidade de igreja organizada. Entretanto, o aspecto institucional nunca foi garantia para que aigreja seja espiritual, como pode ver-se nas cartas de Cristo às seteigrejas de Apocalipse 2 e 3. As atitudes não espirituais das igrejas emTiatira e Laodicéia em particular, dão sobradas razões como para nãoconfiar em ser paroquiano de qualquer igreja só por sê-lo. Em últimaanálise, o povo remanescente de Deus se caracteriza por sua uniãoespiritual com o Cordeiro de Deus (Apoc. 14:1-4). Tal espiritualidadecentrada em Cristo não exclui mas sim inclui a formação de umacomunidade do pacto entre todas as nações. Cristo incluso orou para que todos os que acreditassem nele fossemum e procurassem a unidade perfeita entre eles (João 17:20-23). Cristoreúne a todos seus seguidores na comunidade da fé, em "um rebanho"baixo "um pastor" (10:16). Cristo sancionou a natureza institucional desua igreja desde o começo, outorgando-lhe uma missão comunal edando-lhe autoridade para que exerça certa disciplina entre seusmembros (ver Mat. 18:15-20; 28:18-20). Mas o interesse final de Cristoé que cada membro individual da igreja reflita sua semelhança (Apoc.3:14-22). Uma igreja assim pode ser conhecida, não por suas afirmaçõesvangloriosas de santidade ou autoridade, mas sim por dois sinaisapostólicos da verdadeira adoração: por sua obediência aosmandamentos de Deus e por apegar-se ao testemunho do Jesus (Apoc.12:17; 14:12). O povo que adora a Deus com estas duas característicasestá em uma plataforma comum e adora em harmonia básica com aigreja dos apóstolos. A igreja remanescente está segura de parecer-secom a igreja apostólica em suas crenças fundamentais e em sua adoraçãoespiritual de Deus.
  23. 23. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 23 As Duas Características Permanentes da Igreja Verdadeira O Apocalipse de João menciona repetidamente que a igrejaverdadeira de Cristo persevera em duas doutrinas básicas de fé emoralidade, que estão descritas seis vezes, com ligeiras variações, emApocalipse 1:2, 9; 6:9; 12:17; 14:12 e 20:4. Esta dupla descrição daadoração verdadeira desempenha-se como a norma divina para definir adiferença entre a adoração verdadeira e a apóstata. A esfera de açãohistórica destes textos compreende toda a era cristã, não um segmentoexclusivo de tempo. Um paralelo surpreendente desta dupla característica distintiva daigreja pode ver-se na prova de Isaías para detectar a verdade e o engano:"À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verãoa alva" (Isa. 8:20). Esta dupla frase indica que a autoridade final dentrodo Israel era a união de Moisés e os profetas (ver 2 Reis 17:13). Em Mateus 5:17, Jesus se referiu a esta dupla autoridade em Israel,("Não pensem que vim para anular a lei ou os profetas"), e outra vez emsua parábola do homem rico e Lázaro: "Respondeu Abraão: Eles têmMoisés e os Profetas; ouçam-nos" (Luc. 16:29; ver também 24:27).Cristo anunciou que o cânon de autoridade de Israel chegava até JoãoBatista (Luc. 16:16). Filipe e Paulo igualmente resumiram o AntigoTestamento como "a lei e os profetas" (João 1:45; Rom. 3:21). Estas duas partes constitutivas da Bíblia Hebraica formavam anorma canônica para distinguir entre a verdade e o engano no antigoIsrael. A unidade das Escrituras hebraicas até pode resumir-se em umtermo: a Lei, como pode ver-se na declaração do Jesus: "Não está escritona vossa lei: Eu disse: sois deuses?" (João 10:34, que cita Sal. 82:6).Entretanto, o testemunho pessoal de Jesus a Israel ampliou o antigocânon de autoridade divina: "Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras,aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem
  24. 24. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 24constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo"(Heb. 11:1, 2). Como o Filho de Deus é imensamente maior que qualquer profeta,assim o testemunho de Cristo se desempenha como a autoridade finalpara interpretar a lei e os profetas do Israel. Jesus declarou de si mesmo:"Quem vem das alturas certamente está acima de todos... e testifica o quetem visto e ouvido; contudo, ninguém aceita o seu testemunho" (João3:31, 32). O testemunho do Jesus é a palavra de Deus, porque Deus deu aCristo o Espírito "sem medida" (v. 34, CI; BJ; ver Isa. 42:1). Jesus possuiu o Espírito de profecia na plenitude divina. Portanto, otestemunho de Jesus colocou a Israel ante a prova final da fé narevelação progressiva da Palavra de Deus, testemunho que foi codificadonos quatro Evangelhos do Novo Testamento. Também as cartasapostólicas contêm a interpretação normativa do evangelho, porque estãocentradas em Cristo e cheias do Espírito. Paulo foi o apóstolo que deu a esta frase, "o testemunho [tomartúrion] de Cristo", seu conteúdo e significado definitivamenteevangélico. Escreveu à igreja de Corinto que em vós "confirmou-se otestemunho de Cristo" devido a seus muitos dons do Espírito (1 Cor. 1:6,CI). Paulo emprega aqui a frase "no sentido de evangelho, deproclamação da mensagem de salvação de Cristo".21 Paulo identificou o"testemunho de Cristo" completamente com "o testemunho de Deus"(2:1). Foi o testemunho apostólico que tinha que acreditar-se diante deDeus (2 Tes. 1:10). Paulo não se envergonhava de morrer pelo"testemunho de nosso Senhor" (2 Tim. 1:8). João escreveu que estava na ilha chamada Patmos "por causa dapalavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo" (Apoc. 1:9). Oseruditos em exegese tais como I. T. Beckwith, H. B. Swete, L. A. Vos,R. H. Mounce, G. B. Caird, A. A. Trites e G. R. Beasley-Murrayentenderam as expressões genitivas "de Deus" e "de Jesus" em
  25. 25. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 25Apocalipse 1:2 e 9 como genitivos subjetivos, quer dizer, como auto-revelações de Deus e de Jesus à igreja. O testemunho ampliado de Deus coloca a igreja ante a autoridadedo Filho de Deus (Heb. 1:1, 2; 2:1-4; 10:26-31; 12:22-29). O livro doApocalipse confronta a igreja com a perspectiva de severas perseguições(ver Apoc. 11). Um grande número de crentes foram levados diante dostribunais dos homens e foram condenados, alguns inclusive condenadosà morte. Por esta razão, Paulo e Cristo os animam a manter firme o"testemunho de Jesus", assim como Cristo deu testemunho da boaprofissão diante de Pôncio Pilatos (1 Tim. 6:12-14; Apoc. 1:5, 9; 2:25;3:11; 5:9; 12:11, 17). Toda a "revelação de Jesus Cristo" (Apoc. 1:1) é em si mesmo umaparte constitutiva do testemunho de Cristo às igrejas; em particular, é seu"testemunho para as igrejas" (Apoc. 22:16; 1:2). É obvio que aquiestamos tratando com os testemunhos canônicos do Espírito dentro dasEscrituras do Novo Testamento e seu evangelho de Jesus Cristo. Joãosofreu em Patmos por este testemunho de Jesus (Apoc. 1:9), einumeráveis mártires sacrificaram suas vidas por este testemunho nocurso da história (Apoc. 6:9). É "este" testemunho de Jesus o que a igreja remanescentesustentará ou manterá com fidelidade durante a luta final contra oanticristo (Apoc. 12:17) mesmo que sejam ameaçados com o decreto demorte (Apoc. 13:15-17). Tal é a seriedade da prova final de verdade de"o testemunho do Jesus" para a igreja universal. O Apocalipse mostraque "ter" o testemunho do Jesus não se restringe à igreja do tempo dofim, mas sim é a característica essencial dos fiéis seguidores de Cristodurante toda a era cristã. Uma comparação das passagens pertinentesdemonstra este ponto essencial:
  26. 26. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 26 APOCALIPSE 1:9 APOCALIPSE 6:9 APOCALIPSE 12:7"Eu, João, … achei-me "Quando ele abriu o "Irou-se o dragão contra ana ilha chamada quinto selo, vi, debaixo mulher e foi pelejar comPatmos, por causa da do altar, as almas os restantes da suapalavra de Deus e do daqueles que tinham descendência, os quetestemunho de Jesus". sido mortos por causa guardam os mandamentos de Deus e da palavra de Deus e têm [ejónton: têm, por causa do teste- mantêm, , preservam] o munho que susten- testemunho de Jesus". tavam [éijon: tinham, mantinham, preservavam]. As descrições que o Apocalipse faz do povo de Deus do começo atéo fim da era da igreja indicam que cada vez se menciona a mesma normaautorizada da fé cristã. As passagens surpreendentemente paralelas do"testemunho de Jesus", testemunho que preservaram os apóstolos emártires como encontramos em Apocalipse 1 e 6, funcionam como apauta adequada para a exegese de Apocalipse 12:17. O testemunho de Deus e Jesus, confiado à igreja de Cristo, foipervertido pelo anticristo e substituído por sua própria norma deadoração e moralidade. Na luta final dos séculos, a igreja de Deus échamada a permanecer firme sobre o evangelho eterno e a lei de Deus,em continuidade com a igreja dos apóstolos e os mártires. A igreja dotempo do fim de novo será conhecida por sua fidelidade aosmandamentos de Deus e ao canônico testemunho de Jesus (Apoc. 12:17).Só dessa maneira o povo de Deus do tempo do fim permanecerá na linhada verdadeira sucessão apostólica. O Apocalipse faz insistência noexemplo de Cristo como "a testemunha fiel" (1:5), "a testemunha fiel everdadeira" (3:14) que, ao que parece, serve como o arquétipo para seusseguidores fiéis. Devem manter o mesmo testemunho de Jesus, até aopreço do sacrifício de suas vidas.
  27. 27. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 27 O "testemunho" que os mártires tinham ou mantinham emApocalipse 6:9 se iguala com "o testemunho de Jesus" que tem o povoremanescente de Deus em Apocalipse 12:17. O verbo "ter" [éjo] emApocalipse 6:9 e 12:17 inclui o significado de "guardar, preservar".22Beckwith, Swete, Caird e Mounce, todos demonstram em formapersuasiva que o testemunho que tinham os mártires (em Apoc. 6:9) éidêntico a "o testemunho de Jesus" que aparece em Apocalipse 1:9,12:17 e 20:4. Gerhard Pfandl explica Apocalipse 6:9 da mesma maneira: "Estamos de acordo com Mounce que diz que o testemunho dosmártires não foi fundamentalmente seu testemunho a respeito de Jesus, esim o testemunho que tinham recebido dele (cf. Apoc. 12:17; 20:4). Tinham-no aceito, recusaram abandoná-lo, e por conseguinte foram executados. Otestemunho não menos que a palavra foi uma posse objetiva dosmártires".23 A pergunta é: Por que tipo de "testemunho" objetivo de Jesusestiveram dispostos a entregar suas vidas os fiéis na história da vida daigreja? Louis A. Vos descreve-o como "o depósito de doutrinas doSenhor, mandamentos e ensinos que têm uma forma e conteúdoespecíficos de maneira que podem ser guardados e mantidos!"24 Porisso, os mártires em Apocalipse 6:9 e 20:4 morreram acima de tudo porcausa do próprio testemunho de Cristo, e em um sentido subordinado,por atestar do testemunho de Jesus. Em Apocalipse 12:17 se preanunciaa mesma perseverança no testemunho de Jesus para a geração final dopovo de Deus. Beatrice S. Neall confirma esta exegese: " A palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo devem entender-se como o evangelho da morte e ressurreição de Jesus (Apoc. 1:18), seupoder para salvar do pecado (1:5; 12:10, 11) e homens transformados à suasemelhança (14:1) mediante o sangue do Cordeiro (7:14; 12:11)".25 Inclusive Apocalipse 20:4 menciona "o testemunho do Jesus" comoa característica fundamental de fidelidade: "Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus[literalmente: por causa do testemunho de Jesus], bem como por causa da
  28. 28. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 28palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco asua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão". A igreja remanescente é fiel ao "Cordeiro" em sua luta heróicacontra a "besta". Esta situação de crise não é essencialmente diferentedas crises anteriores mencionadas em Apocalipse 6 e 12. O ponto emquestão é esclarecido por Kenneth A. Strand, quando diz: "No livro do Apocalipse a fidelidade à palavra de Deus e aotestemunho de Jesus Cristo separa o fiel do infiel, e conduz à perseguiçãoque inclui o próprio desterro de João e o martírio de outros crentes (ver denovo 1:9; 6:9; 12:7; 20:4; etc.)".26 Também ele explica em outro lugar: "As testemunhas do Antigo Testamento e o testemunho apostólico...tinham uma mensagem que proporcionou consolo e esperança abundantesaos cristãos do primeiro século, e também o seguiram proporcionando paratodos os seguidores de Cristo desde então".27 Podemos esperar que a apresentação antecipada do povoremanescente e sua lealdade a Deus e a Cristo em Apocalipse 12:17 sedesenvolverá mais plenamente, o que ocorre em Apocalipse 14, onde seapresenta um quadro mais completo da igreja remanescente e dotestemunho de Jesus. A declaração concisa de Apocalipse 14:12funciona como um paralelo perfeito à declaração de Apocalipse 12:17,como pode ver-se no quadro seguinte: APOCALIPSE 12:17 APOCALIPSE 14:12"Irou-se o dragão contra a mulher e "Aqui está a perseverança dosfoi pelejar com os restantes da sua santos, os que guardam osdescendência, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé emmandamentos de Deus e têm o Jesus".testemunho de Jesus". O povo remanescente de Deus não só guarda os mandamentos deDeus mas também guarda a "fé de Jesus" (Apoc. 14:12). A "fé de Jesus"que "guardam" seus seguidores não é simplesmente sua fé subjetiva em
  29. 29. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 29Jesus, e sim a fé objetiva ou os ensinos de Jesus que formaram a mesmasubstância da "doutrina dos apóstolos" (At. 2:42). Judas, o irmão deTiago, insistiu à igreja a disputar "ardentemente pela fé que foi dada umavez aos santos" (Jud. 3; também o v. 20). É útil o comentário do WilliamG. Johnsson a respeito de Apocalipse 14:12: " Guardam a fé de Jesus. Esta expressão não significa que o povo deDeus não tem fé em Jesus (embora é obvio a têm), porque a fé de Jesus éalgo que guardam. A fé refere-se provavelmente à tradição cristã, ao corpode doutrinas que se centralizam em Jesus. Judas 3 pode nos proporcionarum paralelo: A fé que foi dada uma vez aos santos. Quando os seguidoresleais de Deus guardam a fé de Jesus, permanecem fiéis ao cristianismobásico: Guardam a fé ".28 A expressão "a fé de Jesus" em Apocalipse 14:12 serve como umequivalente esclarecedor ao "testemunho de Jesus" em Apocalipse 12:17,e não necessariamente como uma terceira característica da igrejaremanescente. Guardar a fé de Jesus envolve dar testemunho aotestemunho do Jesus. Merece mencionar-se que um pequeno grupo deantigos mileritas em Battle Creek, Michigan, resolveram em 1861associar-se entre eles em uma nova denominação eclesiástica, "tomandoo nome de adventistas do sétimo dia, e comprometendo-se a guardar osmandamentos de Deus e a fé de Jesus Cristo".29 A Elucidação do Anjo Quanto ao "Testemunho de Jesus" em Apocalipse 19:10 "E eu lancei-me a seus pés para o adorar, mas ele disse-me: Olha, nãofaças tal; sou teu conservo e de teus irmãos que têm o testemunho deJesus; adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia"(Apoc, 19:10). . Cada texto deve ser interpretado por seu contexto. O enfoquecontextual serve como uma proteção contra a manipulação nãointencional de um texto ou uma frase. Como a expressão "o testemunhode Jesus" ocorre duas vezes em Apocalipse 19:10, este texto recebeu um
  30. 30. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 30exame rigoroso e uma exegese minuciosa por Louis Vos, David Hill eRichard Bauckham. Surge um problema quando a última frase de Apocalipse 19:10 édissecada ou separada de seu contexto e lhe é dado um significado quesubstitui o testemunho de Jesus, como se registra no Novo Testamento,pelo permanente dom de profecia. Uma interpretação assim fará com queo testemunho de Jesus em Apocalipse 12:17 seja exclusivamente umdom de visões dadas a alguns crentes seletos no tempo do fim. Esteconceito é uma restrição perigosa do significado do testemunho de Jesusno livro do Apocalipse. O anjo não tem o propósito de substituir otestemunho histórico de Jesus pelo Espírito de profecia. Sua últimadeclaração em Apocalipse 19:10 "não é tanto uma definição, como umaexplicação. Explica como o anjo, João e seus irmãos (os profetas) podemestar no mesmo nível, como conservos. Isto é possível em tanto quetodos compartilham o testemunho de Jesus que inclusive possuem osprofetas, porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia".30Bauckham o explica desta maneira: "O Espírito divino que dá a João a experiência visionária em quepode receber a revelação, não comunica a doutrina de um anjo mas sim otestemunho que tem Jesus... O equivalente da referência o testemunhode Jesus em 19:10 se encontra agora nas palavras do epílogo, nas que oanjo desaparece da vista e Jesus atesta diretamente: Eu Jesus enviei meuanjo para dar testemunho destas coisas nas igrejas [22:16]".31 Cristo explicou que o Espírito de verdade "não falará por simesmo... Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lohá de anunciar" (João 16:13, 14; ver também 14:26). Isto foi realizadopelo Espírito de profecia nas Escrituras do Novo Testamento,especialmente no Apocalipse, que por conseguinte transmite à igreja otestemunho de Jesus com autoridade divina. O que o Espírito diz, é o queCristo diz. Isto ocorre sete vezes nas cartas de Cristo que cada vezconcluem com estas palavras: "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espíritodiz às igrejas" (Apoc. 2:7, 11, etc.).
  31. 31. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 31 O anjo explica a João que quando o Espírito inspira a profecia, seuconteúdo e autoridade vêm do próprio Jesus (Apoc. 19:10). Dessamaneira o Espírito de profecia revela o testemunho de Jesus. Todos osprofetas verdadeiros são os "que têm o testemunho de Jesus" (Apoc.19:10; cf. 22:9). O anjo instrui a João para que não adore a nenhum anjo,e, se formos ao caso, tampouco a nenhum conservo de Deus, porque sãomeramente os instrumentos de Deus e de Cristo. O livro do Apocalipse éum livro orientado para a adoração. O grande propósito "adorem aDeus!" é o tema central de todo o Apocalipse. Especialmente, suasprofecias do tempo do fim exigem a distinção entre a verdadeiraadoração e a idolatria (Apoc. 14:6-12). O anjo faz duas súplicas a Joãopara que adore a Deus (Apoc. 19:10 e 22:9), uma à conclusão da visão arespeito da meretriz: Babilônia (Apoc. 17:1-19:10), e a outra à conclusãoda visão a respeito da noiva: Jerusalém (Apoc. 21:9-22:9 ). Cada vez oanjo reforça o ponto: Não adorem à besta, nem sequer aos servos deDeus, os anjos; adorem a Deus! O versículo paralelo de Apocalipse 22:9 amplia o grupo dos quetêm o testemunho de Jesus, até incluir a todos os membros de igreja: "Eusou conservo teu, de seus irmãos os profetas, e dos que guardam aspalavras deste livro". Este círculo aumentado de todos os cristãos fiéisque "têm" o testemunho de Jesus também é visível em Apocalipse 6:9 e12:17. Bauckham tira esta conclusão prática: "Isto [Apoc. 19:10 e 22:9] é um reconhecimento de que o papel ao qualo Apocalipse chama a todos os cristãos é em essência o mesmo que o dosprofetas: dar testemunho de Jesus, permanecendo fiéis em palavra e obraao único Deus verdadeiro e à sua justiça".32 Esta responsabilidade compartilhada da igreja não nega a liberdadedo Espírito de conceder a indivíduos escolhidos o dom espiritual daprofecia (ver 1 Cor. 12:7-11) para a edificação da igreja (1 Cor. 14:1, 4).Entretanto, o anjo ensina que o "testemunho de Jesus" que já se deu, é aprova da verdade para João, para seus conservos os profetas, para aigreja e para os anjos de Deus (ver também Apoc. 22:9). David Hill
  32. 32. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 32esclarece que o "testemunho de Jesus" consiste nas expressões de Jesusnas visões do Apocalipse assim como "no testemunho de sua vida emorte". "Os que mais tarde são descritos como tendo o marturía Iesú[testemunho de Jesus] (6:9; 12:17; 19:10) são os que, assim como João,defendem e preservam o testemunho de Jesus que foi lhes confiado e oanunciam: e o que anunciam (e sofrem por declará-lo) não é outra coisasenão o que Jesus revela a seus servos e se confirma (22:16, 20) nestelivro, ou seja, os juízos e a autoridade soberana do único, o Deus eterno queé o soberano de todos e o autor da salvação, cujo propósito triunfaráfinalmente sobre todas as forças opositoras".33 O testemunho de Jesus no Apocalipse é a norma final para toda aadoração cristã e para as manifestações do dom de profecia.34 Sustentare manter fielmente este "testemunho de Jesus" que é canônico é o deversagrado dos profetas e dos anjos; é o ensino do anjo interpretador emApocalipse 19:10. Num tempo quando João estava lutando contra uma onda crescentede profecia falsa nas igrejas da Ásia (Apoc. 2:20; 1 João 4:1), alguns dosquais estavam enganando aos crentes em Tiatira com "profundosmistérios" (Apoc. 2:24, CI), recorda a João que o Espírito de profeciatransmite "o testemunho de Jesus Cristo". "Portanto, a carga da profeciaé o testemunho que levou Jesus".35 Todas as mensagens inspiradas dosprofetas pós-apostólicos devem ser provados pelo testemunho canônicode Jesus (ver Apoc. 22:18, 19; 1 Tes. 5:19-21; 2 Pedro 3:2, 15, 16; Mat.24:24). O cânon do Novo Testamento com sua autoridade apostólica nuncadeve ser escurecido pelo permanente dom de profecia na igreja pós-apostólica. O ponto em questão do anjo em Apocalipse 19:10 é singelo eclaro: O testemunho de Jesus é e permanece sendo a mensagem doEspírito de Deus e a prova do dom de profecia (ver também no Apoc.22:16). O testemunho de Jesus recebeu sua coroação no mesmo livro doApocalipse:
  33. 33. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 33 "Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas.Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã" (Apoc.22:16). O testemunho de Jesus será o instrumento para desmascarar asafirmações enganosas "do falso profeta" do tempo do fim (ver Apoc.16:13, 19:20 e 20:10). Vista sob esta luz, a igreja remanescente emApocalipse 12:17 e 14:12 se caracteriza pela restauração dosmandamentos históricos de Jesus e pelo testemunho histórico de Jesus,quer dizer, o evangelho eterno. Estas duas características foram asmarcas que identificaram a igreja apostólica (Apoc. 1:9) e as marcas dossantos pós-apostólicos (Apoc. 6:9). Constituem as marcas distintivaspermanentes da igreja verdadeira de todas as épocas. No livro doApocalipse, estas características traçam uma linha entre o fiel e o infiel. Em vista do fato reconhecido de que o Apocalipse está unido porsua estrutura distintiva de uma teologia de duas testemunhas, afirmamoscom Kenneth A. Strand que "a palavra de Deus" e "o testemunho doJesus" são o Antigo Testamento e o Novo Testamento.36 Para uma consideração da manifestação no tempo do fim doEspírito de profecia nos escritos da Sra. E. G. White e sua relação com aBíblia, ver o APÊNDICE A. As páginas 331-341 deste capítulo se publicaram primeiro narevista Ministry [O Ministério] de dezembro de 1996, páginas 10-13, e seusam aqui com permissão do editor. Referências A Bibliografia para Apocalipse 12-14 (caps. XXI-XXVIII deste livro) encontrará-a nas páginas 458-466. 1 Charles, Studies in the Apocalypse, p. 88. 2 Ver de LaRondelle, The Israel of God in Prophecy. Principles of Prophetic Interpretation e Chariots of Salvation.
  34. 34. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 34 3 Morris, The Revelation of St. John, p. 155. 4 Naden, The Lamb Among the Beasts. Finding Jesus in the Book of Revelation, p. 187. 5 Ver Charlesworth, The Old Testament Pseudepigrapha, t. 2, pp. 977, 978, também 7 CBA 824. 6 Assim também diz Satake, em seu artigo sobre Apocalipse 12: "Sieg Christi–Heil der Christen. Eiene Betrachtungs von Apocalypse XII" [A Vitória de Cristo – A Vitória dos Cristãos. Uma Consideração de Apocalipse 12]. 7 Wilson, The Revelation of Jesus, p. 230. 8 Ibid. 9 Maxwell, Apocalipsis: sus revelaciones, pp. 189, 349. 10 Johnsson, "The Saints End-Time Victory Over the Forces of Evil", Simpósio sobre o Apocalipse, t. 2, p. 7. 11 Johnsson, Ibid., t. 2, p. 19. 12 J. M. Ford., Revelation, p. 195. 13 Feuillet, Johannine Studies, p. 276. 14 J. M. Ford, Revelation, p. 195. 15 Johnsson, "The Saints End-Time Victory Over the Forces of Evil", Simpósio sobre o Apocalipse, t. 2, p. 17. 16 Beasley-Murray, Highlights of the Book of Revelation, p. 201. 17 Ellen White, DTN 467. 18 Ellen White, GC 55. 19 Ver Walter L. Wakefield e Austin P. Evans, Heresies of the High Middle Ages [Heresias da Alta Idade Média] (Nova York: Columbia University Press, 1991). 20 Henry Charles Lea, Die Inquisition [A Inquisição]. 21 L. Coenen, "Testimonio", Diccionario teológico del Nuevo Testamento (Salamanca: Sígueme, 1990; 4 ts.), t. 4, p. 257. 22 Ver Arndt e Gingrich, A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature [Um Léxico Grego-Inglês do Novo Testamento e de Outra Literatura Cristã
  35. 35. A Mensagem do Tempo do Fim na História. Apoc. 12-14 35 Primitiva] (Chicago: The University of Chicago Press, 1952, 4ª ed. revisão e aumentada), p. 332. 23 Pfandl, "The Remnant Church and the Spirit of Prophecy", Simpósio sobre o Apocalipse, t. 2, p. 313. 24 Vos, The Synoptic Traditions in the Apocalypse, p. 203. 25 Neall, The Concept of Character in the Apocalypse with Implications for Character Education, p. 158. 26 Strand, "The Two Witnesses of Rev. 11:3-12", AUSS 19:2 (1981), pp. 127-135. 27 Strand, "The Seven Heads: Dou They Represent Roman Emperors?", Simpósio sobre o Apocalipse, t. 2, p. 206. 28 Johnsson, "The Saints End-Time Victory Over the Forces of Evil", Simpósio sobre o Apocalipse, t. 2, pp. 38, 39. 29 J. White, ed., The Review and Herald [A Revista e Arauto], 8 de outubro de 1861. 30 Vos, The Synoptic Traditions in the Apocalypse, p. 204. 31 Bauckham, The Climax of Prophecy. Studies on the Book of Revelation, p. 134. 32 Bauckham, The Theology of the Book of Revelation, p. 121. 33 Hill, New Testament Prophecy, p. 80. 34 Ver J. D. G. Dunn, "Spirit" [Espírito], New International Dictionary of New Testament Theology [Novo dicionário internacional de teologia do Novo Testamento] (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1979; 3 ts.), T. 3, p. 706. 35 Beasley-Murray, Highlights of the Book of Revelation, p. 182. 36 Strand, "The Two Witnesses of Rev. 11:3-12", AUSS 19:2 (1981), pp. 127-135.

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