Comentário Bíblico Adventista

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Comentário Bíblico Adventista

  1. 1. Cap. 11. Revelação. Gr. apokálupsis, "descoberta" (ver p. 733). "A revelação de Jesucristo" pode considerar-secomo o título que Juan lhe deu a este livro. Este título nega categoricamente o conceito de queo Apocalipsis é um livro selado e portanto não pode ser entendido. Contém uma mensagemque Deus se propôs que suas "servos" na terra deveriam ouvir e guardar (vers. 3), e nãopoderiam fazê-lo a não ser que primeiro o entendessem. De Jesucristo. Tanto em grego como em espanhol estas palavras podem significar que o Apocalipsis é umarevelação que se origina em Jesús ou que o revela a ele. O contexto parece implicar que aprimeira interpretação 746 é neste caso a principal, porque é a revelação "que Deus lhe deu,para manifestar a seus servos". Ao mesmo tempo deve recordar-se a verdade do segundosignificado, porque este livro revela a Jesús em sua obra celestial depois de sua ascensão. Neste sentido o Apocalipsis em realidade complementa aos Evangelhos. Estes registram oministério de Jesús na terra; o Apocalipsis revela sua obra no plano da redenção a partir dessetempo. Cf. cap. 19: 10. Quanto aos nomes de Jesús e Cristo, ver com. Mat. l: l. Deu-lhe. Desde a entrada do pecado toda comunicação entre o céu e a terra foi por meio de Cristo(PP 382). Servos. Gr. dóulos, "escravo" (ver com. Rom. l: l). Os primeiros cristãos com freqüência sedesignavam a si mesmos como "escravos". Que devem suceder cedo. O pensamento de que os diversos acontecimentos preditos no livro do Apocalipsis deviamsuceder num futuro próximo se declara especificamente sete vezes: "As coisas que devemsuceder cedo" (cap. l: l; 22:6), "o tempo está perto" (cap. 1:3) e "Tenho aqui [ou "certamente"]eu venho cedo" (cap. 3:11; 22:7, 12, 20). Também há referências indirectas à mesma idéia(cap. 6: 11; 12:12; 17: 10). A resposta pessoal de Juan a estas declarações do cedocumprimento do propósito divino foi: "Amém; si, vêem, Senhor Jesús" (cap. 22:20). Portanto, oconceito da inminencia do regresso de Jesús se acha explícito e implícito através de todo olivro. A segunda vinda de Cristo é o grande acontecimento culminante do antiqüíssimo conflitoentre o bem e o mau que começou quando Lucifer pôs em tela de juízo o caráter e o governode Deus. As declarações no Apocalipsis e em outras passagens bíblicas com respeito àinminencia da volta de Cristo, devem entender-se dentro dos limites deste grande conflito.
  2. 2. Deus poderia ter aniquilado com toda justiça a Lucifer quando com obstinada impenitenciapersistiu em sua rebelião; mas a sabedoria divina diferiu a exterminación do mau até que anatureza e os resultados do pecado se fizessem plenamente visíveis para os habitantes douniverso (PP 21-23). Em qualquer dos diversos momentos cruciais da história deste mundo, ajustiça divina poderia ter pregado " ¡Fato está!", e Cristo poderia ter vindo para inaugurar seureino de justiça. Faz muito tempo que poderia ter culminado seus planos para a redençãodeste mundo. Bem como se ofereceu a Israel a oportunidade de preparar o caminho para oreino eterno de Deus na terra quando esse povo se estabeleceu na terra prometida, enovamente quando voltou de seu desterro em Babilonia, assim também lhe deu à igreja dostempos apostólicos o privilégio de completar a comissão evangélica. Outra oportunidade semelhante chegou com o grande acordar da segunda chegada noséculo XIX. Mas em todos esses casos, o povo escolhido de Deus não soube aproveitar aoportunidade que lhe foi oferecida com tanta bondade. O movimento adventista, animado pelo conselho inspirado, esperava que Cristo viessemuito cedo depois de 1844. Quando Jesús ainda não tinha aparecido a fins do século,recordou-se repetidas vezes aos crentes adventistas que o Senhor poderia ter vindo antesdesse tempo (3JT 73; 8T 115-116; 3JT 297; DTG 587-588; CS 511). Quando se lhe pediu a ElenaG. de White que explicasse por que o tempo tinha continuado mais do do que seus primeirosdepoimentos pareciam indicar, respondeu: "Como é o caso do depoimento de Cristo e de seusdiscípulos? Estavam enganados?... Os anjos de Deus em suas mensagens para os homensrepresentam o tempo como muito curto... Mas falhou a Palavra de Deus? ¡Nunca! Deverecordar-se que as promessas e as ameaças são igualmente condicionais" (1MS 76-77). Portanto, é claro que ainda que a segunda vinda de Cristo não depende de nenhumacondição, as repetidas declarações das Escrituras de que sua vinda era iminente estavamcondicionadas pela resposta da igreja à exhortación de que terminasse a obra de pregar oEvangelho em sua geração. Não falhou a Palavra de Deus que declarou faz séculos que no dia de Cristo "se acerca"(Rom. 13:12). Jesús tivesse vindo muito cedo se a igreja tivesse feito a obra que se lheencomendou. A igreja não tinha direito a esperar a seu Senhor porque não tinha cumpridocom as condições. Ver Ev 503-505. De modo que as declarações do anjo do Apocalipsis a Juan com respeito à inminencia doregresso de Cristo para pôr fim ao reinado do pecado, devem ser entendidas como umaexpressão da vontade de Deus e de seu propósito. Deus nunca pensou em demorar a consumação do plano de salvação; sempre expressou suavontade de 747 que o regresso de nosso Senhor não se retarde muito. Estas declarações não devem entender-se em termos da presciência de Deus de que teriauma demora tal, nem também não à luz da perspectiva histórica do que em realidade sucedeuna história do mundo desde esse tempo. É verdade que Deus sabia de antemão que a vinda de Cristo seria demorada uns dois milanos; mas quando enviou suas mensagens à igreja por intermédio dos apóstolos, expressou
  3. 3. essas mensagens em termos de sua vontade e propósito com respeito a dito acontecimentopara que seu povo estivesse informado de que, na providência divina, não tinha necessidadede uma demora. Portanto, as sete declarações do Apocalipsis com respeito à proximidade davinda de Cristo devem entender-se como uma expressão da vontade e o propósito de Deus,como promessas expressadas condicionalmente, e não como declarações baseadas noconhecimento prévio de Deus. Neste fato deve achar-se sem dúvida a harmonia entre aspassagens que exortam a estar preparados para a pronta vinda de Cristo e aqueles períodosproféticos que revelam cuán distante se acha em realidade no dia de nosso Senhor Jesucristo. DECLAROU-A. Gr. semáinÇ, "assinalar", "indicar", "dar sinal"; "declarou", "explicou". Ángel. Gr. ággelos, "mensageiro". Os anjos freqüentemente cumprem a função de ser portadoresde revelações divinas (cf. Dão. 8:16; 9.21; Luc. 1: 19, 26, etc.). Este anjo foi identificado comoGabriel (ver com. Luc. l: 19). Juan. Isto é, Juan o apóstolo (ver pp. 733-738; cf. com. Mar. 3:17). O Apocalipsis é o único livro deJuan no que este se identifica por nome (ver t. V, p. 869; cf. 2 Juan l; 3 Juan l). 2. Deu depoimento. Melhor "deu depoimento". Gr. marturéÇ, "dar depoimento", "testemunhar". O pretérito(emartúr"sen) mostra que o autor se refere ao que está por escrever desde o ponto de vista deseus leitores, para quem a ação já seria algo passado quando recebessem a mensagem. Asepístolas de Pablo (ver com. Gál. 6:11; Fil. 2:25) apresentam numerosos exemplos deste uso dopretérito; o mesmo se vê em escritos de autores gregos e romanos antigos. Este costume se considerava como um ato de cortesia para o leitor. Juan declara que étestemunha, que dá depoimento de tudo o que Deus te tinha revelado. Palavra. Gr. lógos, "palavra", "declaração", "mensagem", "oráculo" (ver com. Juan 1: 1). De Deus. Isto é, que se origina em Deus, ou é falada por Deus. Juan se refere a "a revelação deJesucristo, que Deus lhe deu" (vers. l). "A palavra de Deus", "o depoimento de Jesús", e "todasas coisas que viu", referem-se ao mesmo: a "a revelação" do vers. 1. O depoimento de Jesucristo.
  4. 4. Pode referir-se a que o livro do Apocalipsis é uma mensagem proveniente de Jesús ou arespeito de Jesús (ver com. vers. l). O contexto favorece a primeira interpretação; mas, porsuposto, é ambas coisas. Os vers. 1 e 2 qualificam um típico paralelismo investido, no qual as linhas primeira e quartasão paralelas, e a segunda é paralela à terça: "A revelação de Jesucristo, que Deus lhe deu... A palavra de Deus.... do depoimento de Jesucristo". Viu. Melhor "viu". Vocábulos que significam comunicação e percepção visual, aparecem 73 vezesno Apocalipsis; e palavras que denotam comunicação e percepção auditiva, 38 vezes. OApocalipsis é um relatório real do que Juan viu e ouviu enquanto estava em visão. 3. Bienaventurado. Gr. makários, "feliz" (ver com. Mat. 5:3). Alguns sugerem que aqui pode ter uma alusão aLuc. 11: 28. O que lê. Sem dúvida é uma referência em primeiro lugar à pessoa que se escolhia na igreja antigapara ler em público os escritos sagrados. Juan antecipa a leitura pública do livro que agoradirige a "as sete igrejas que estão em Ásia" (vers. 4), na presença dos membros reunidos decada congregação (cf. Couve. 4:16; 1 Tes. 5:27). Esta prática cristã reflete o costume judeu deler "a lei e os profetas" na sinagoga em cada sábado (Hech. 13:15, 27; 15:21; etc.; ver t. V, pp.59-60). A ordem implícita de que se lesse o Apocalipsis nas igrejas de Ásia sugere que suasmensagens eram aplicáveis à igreja nos dias de Juan (ver com. Apoc. 1:11). Os que ouvem. Ou seja os membros de igreja. Note-se que há só um leitor em cada igreja, mas há muitosque "ouvem" o que se lê. A bênção que acompanhava a leitura do Apocalipsis nas "seteigrejas" de 748 a província romana de Ásia, pertence a todos os cristãos que lêem este livrocom o desejo de compreender mais perfeitamente as verdades que ali se registram. Esta profecia. A evidência textual estabelece (cf. p. 10) o texto "a profecia". Alguns sugerem que Juan pedeaqui especificamente que se lhe dê igual oportunidade à leitura do Apocalipsis como aos livrosproféticos do AT, os quais se liam na sinagoga em cada sábado. Ainda que a palavra "profecia",como se usa na Bíblia, refere-se a uma mensagem específica de Deus, seja qual for sua
  5. 5. natureza (ver com. Rom. 12:6), o livro de Apocalipsis pode ser chamado acertadamente umaprofecia no sentido mais estrito porque é uma predição de acontecimentos futuros. Guardam. A flexão do verbo em grego implica a observância habitual das admoições deste livro comouma norma de vida. Ver com. Mat. 7:21-24. Escritas. Melhor "foram escritas", com o sentido de que "permanecem escritas". Tempo. Gr. kairós, "tempo", com o significado de um momento particular, uma ocasião propícia, umtempo estabelecido de antemão para um acontecimento particular (ver com. Mar. l: 15). Este"tempo" que "está perto" é o tempo para o cumprimento de "as coisas nela escritas", "ascoisas que devem suceder cedo" de Apoc. 1: 1 (ver este com.). A inminencia dessesacontecimentos é o motivo para observar atenciosamente "as palavras desta profecia".Portanto, o Apocalipsis é de importância muito especial para os que crêem que "o tempo" davinda de Cristo "está perto". Compare-se com a Nota Adicional de Romanos 13. Está perto. Como vivemos nos últimos momentos do "tempo", as profecias do Apocalipsis têm umaimportância capital para nós. "Especialmente Daniel e Apocalipsis devem receber atendimentocomo nunca antes na história de nossa obra" (TM 112). "As solenes mensagens que noApocalipsis se deram em sua ordem, devem ocupar o primeiro lugar no pensamento dos filhosde Deus" (3JT 279). "Ao livro de Daniel se lhe tira o selo na revelação que se lhe faz a Juan" (TM 115). Enquantoo livro de Daniel apresenta a grandes rasgos os acontecimentos dos últimos dias, o livro deApocalipsis dá vívidos detalhes a respeito de ditos acontecimentos, dos quais agora se declaraque estão "perto". 4. Juan. Ver com. vers. l. O fato de que o escritor não senta a necessidade de uma maioridentificação, demonstra que era bem conhecido nas igrejas "em Ásia". É também umdepoimento da autenticidade do livro porque é de esperar que outro escritor que não foraJuan, a quem os crentes "em Ásia" conheciam por este nome, pretendesse ter autoridade epoder. A singeleza com que o escritor se refere a si mesmo coincide com a humilde atitude doescritor do Evangelho de Juan (ver t. V, p. 869). ÀS sete igrejas. Desde aqui até o fim do cap. 3, o Apocalipsis se parece por sua forma a uma carta antiga, oumais bem a uma série de cartas. Esta seção epistolar é uma introdução ao resto do livro, que
  6. 6. se caracteriza por uma sucessão de visões dramáticas. Para um comentário sobre o uso donúmero "sete" no Apocalipsis e a respeito das sete igrejas, ver com. cap. 1:11. Ásia. Isto é, a província romana de Ásia, território de uns 500 km deste a oeste e 420 km de nortea sul, na parte ocidental de Ásia Menor, na atual república de Turquia (ver t. VI, mapa frente ap. 33). Nos tempos helenísticos essa região se transformou no importante reino de Pérgamo,destacado centro da cultura helenística. Quanto às circunstâncias em que Pérgamo seconverteu na província romana de Ásia, ver t. V, p. 37. Ásia seguiu sendo um centroimportante da cultura greco-romana nos tempos do NT. Pablo passou muitos meses ali (Hech.I8: 19-21; 19: 1, 10), e o sucesso de seus labores nessa região é evidente porque três de suasepístolas foram dirigidas aos cristãos que viviam nesse território (Efesios, Colosenses,Filemón). Sua primeira Epístola a Timoteo, que estava então a cargo da igreja de Efeso e talvezdas igrejas de toda a província, é uma prova de que ali tinha uma comunidade cristã bemestabelecida. Pablo era o apóstolo dos gentis, e é provável que os membros destas igrejas daprovíncia romana de Ásia fossem em sua maioria gentis. Depois de que a congregação cristã de Jerusalém foi espalhada pouco antes de 70 d.C.,parece que Ásia aumentou em importância como centro do cristianismo. Sem dúvida se deveuà presença e direção do apóstolo Juan quem, segundo a tradição, residia em Efeso e viajavapela região circundante, "aqui para nomear bispos, ali para pôr 749 em ordem igrejas inteiras,e lá para ordenar aos que eram indicados pelo Espírito" (Clemente de Alexandria, Quem é orico que se salvará? xlii). Esta declaração parece refletir uma relação íntima entre o apóstolo eas igrejas de Ásia. Gracia e paz. Ver com. Rom. 1:7; 2 Cor. 1:2. Sugeriu-se que esta saudação derivou de uma combinação dasaudação comum grego jáirein, "saúde" (como em Sant. l: l), e a saudação hebréia shalom, emseu equivalente grego eir"em", "paz".Jáirein provavelmente tem relação com járis, "graça", otermo mais religioso que se usa aqui. "Gracia" e "paz" aparecem comummente nas saudaçõesdas antigas epístolas cristãs, e juntas sem dúvida constituem uma forma característica desaudação da igreja apostólica (Rom. 1:7; 1 Cor. 1:3; 2 Com 1:2; Gál. 1:3; Éfe. 1:2; Fil. l: 2; Couve.1: 2; 1 Tes. l: l; 2 Tes. l: 2; 1 Tim. 1:2; 2 Tim. 1:2; Tito 1:4; File. 3; 1 Ped. 1:2; 2 Ped. 1:2; 2 Juan3). Do que é. Gr. ho Çn, "o que é", expressão sem dúvida tomada de Exo. 3:14 segundo a LXX, onde se usapara traduzir o nome divino EU SOU. Esta expressão implica, como em hebreu, existência deDeus sem limite algum de tempo. O texto grego apresenta um erro gramatical, pois àpreposição apó, "de parte de", "do", deve seguir o caso genitivo e não o nominal, que se usaaqui. No entanto, isto não demonstra que Juan ignorava a gramática; sua negativa de declinarem grego a palavra que representa ao Ser divino quiçá foi uma maneira subtil de destacar aabsoluta imutabilidade de Deus. Pelo contexto dos vers. 4 e 5 é claro que a frase em questãose refere ao Pai.
  7. 7. Que era. Deus existiu desde toda a eternidade (Sal. 90:2). Que tem de vir. Ou "o que vem". A tríade "que é", "que era" e "que tem de vir" indica que a terceira frase éum substituto futuro do verbo, que equivale a dizer "que será". Sugeriu-se que também serefere à segunda vinda de Cristo. Esta interpretação, verbalmente possível, não concorda com o contexto, o qual mostra queeste não era o pensamento do autor. A referência ao Pai expõe sua eternidade e declara que o mesmo Ser que agoracontinuamente existe, sempre existiu e sempre existirá. A existência pessoal de Deustranscende ao tempo, mas uma eternidade infinita só pode ser expressada em palavrashumanas por meio de termos limitados e temporários como os que aqui emprega Juan. Sete espíritos. Quanto ao significado do número "sete" no Apocalipsis, ver com. vers. 1 l. Estes seteespíritos também se descrevem como sete lustres de fogo (cap. 4:5) e como os sete olhos doCordeiro (cap. 5:6). A relação dos "sete espíritos" com o Pai e com Cristo, como que tambémfossem a fonte da graça e paz do cristão, implica que representam ao Espírito Santo. O nome de "sete" talvez é uma expressão simbólica de sua perfeição, e também podeimplicar a variedade de dons por meio dos quais faz nos seres humanos (1 Cor. 12:4-11; cf.Apoc. 3: 1). Adiante de seu trono. Isto é, adiante do trono "do que é, e que era e que tem de vir". Esta posição talvez signifiquedisposição para um serviço imediato. Ver com. cap. 4:2-5. 5. Jesucristo. Ver com. vers. 1. Os outros membros da Deidade já foram mencionados no vers. 4. Testemunha fiel. No texto grego este título está em aposición com "Jesucristo", que aparece no caso genitivo-ablativo. Normalmente estas palavras deveriam estar no mesmo caso; no entanto ficam, comoo título divino para o Pai (ver com. vers. 4), aqui em caso nominal, sem mudança nenhum.Alguns sugerem que Juan implica assim a divindade de Cristo e sua igualdade com o Pai (verNota Adicional de Juan 1). Cristo é o "testemunha fiel" porque é o representante perfeito docaráter, a mente e a vontade de Deus adiante da humanidade (ver com. Juan 1: 1, 14). Sua vidasem pecado na terra e sua morte como sacrifício testemunham da santidade do Pai e de seuamor (Juan 14:10; ver com. cap. 3:16).
  8. 8. Primogênito. Gr. prÇtótokos, "primogênito" (ver com. Mat. 1:25; Rom. 8:29; cf. com. Juan 1: 14). Jesúsnão foi cronologicamente o primeiro que ressuscitou de entre os mortos, mas podeconsiderar-se como o primeiro no sentido de que todos os que ressuscitaram antes e depoisdele, foram liberados das ataduras da morte só em virtude do triunfo de Cristo sobre osepulcro. Seu poder para pôr sua vida e para voltá-la a tomar (Juan 10: 18) coloca-o numaposição superior a todos os outros homens que tenham saído alguma vez da tumba, e ocaracteriza 750 como a origem de toda vida (Rom. 14:9; 1 Cor. 15:12-23; ver com. Juan 1: 4, 7-9). Este título, como o que segue, reflete o pensamento de Sal. 89:27. Soberano. Ou "dirigente". Este mundo pertence legitimamente a Cristo. Cristo triunfou sobre o pecadoe recobrou a herdai que perdeu Adão, e é o governante legítimo da humanidade (Couve. 2:15;cf. Couve. 1:20; Apoc. 11: 15). No dia final todos os seres humanos o reconhecerão como tal(Apoc. 5:13). Mas já seja que se o reconheça ou não, Cristo tomou o domínio dos assuntosterrenais para o cumprimento de seu propósito eterno (ver com. Dão. 4:17). O plano da redenção, que se converteu numa verdade histórica mediante sua vida, morte eressurreição, foi avançando passo depois de passo para o grande dia do triunfo definitivo. VerApoc. 19:15-16. Que nos amou. A evidência textual estabelece (cf. p. 10) o texto "que nos ama" (BJ, BA, BC). O amor de Deus, revelado em Jesucristo, é agora um fato histórico; mas ele "nos ama" agoratanto como quando entregou a dádiva suprema de seu Filho. Lavou. A evidência textual favorece a variante "soltou"; "libertou" (BA). Esta diferença sem dúvidasurgiu pela similitude entre as palavras gregas lóuÇ, "lavar", e lúÇ, "soltar". Ser "soltado" dospecados é ser libertado do castigo e do poder do pecado (ver com. Juan 3:16; Rom. 6:16-18,21-22). Com seu sangue. Ou "por seu sangue", isto é pela morte de Cristo na cruz. Foi um sacrifício vigário (ver com.Isa. 53:4-6; cf. DTG 16). 6. Reyes e sacerdotes. A evidência textual estabelece (cf. p. 10) o texto "um reino, sacerdotes" (BC), quiçá umaalusão a Exo. 19:6 (cf. Apoc. 5: 10). Cristo constituiu a sua igreja num "reino" e a seus membrosindividuais em sacerdotes. Ser membro do reino é ser "sacerdote". Compare-se com o "realsacerdocio" de 1 Ped. 2: 9. Os que aceitaram a salvação em Cristo, constituem um reino cujo
  9. 9. rei é Cristo. É uma referência ao reino da graça divina nos corações dos seres humanos (vercom. Mat. 4:17). Um sacerdote pode ser considerado como um que apresenta oferendas aDeus (cf. Heb. 5: l; 8:3), e neste sentido todo cristão tem o privilégio de apresentar "sacrifíciosespirituais" -oração, intercessão, ação de graças, glória- a Deus (1 Ped. 2:5, 9). Como cadacristão é um sacerdote, pode acercar-se a Deus pessoalmente, sem a mediação de outro serhumano, e também acercar-se -interceder- por outros. Cristo é nosso mediador (1 Tim. 2:5),nosso grande "sumo sacerdote", e por meio dele temos o privilégio de chegar-nos"confiadamente ao trono da graça, para atingir misericórdia e achar graça para o oportunosocorro" (Heb. 4:15-16). A ele seja glória. Literalmente "a ele a glória" (BJ, BC, NC), isto é, a Cristo (vers. 5). O artigo definido queacompanha ao substantivo sugere uma glória específica, quiçá a glória total. Para umcomentário sobre dóxa, a palavra que se traduz "glória", ver com. Rom. 3:23. Império. O atribuir-lhe "império" a Cristo é reconhecê-lo como o governante legítimo do universo.Depois da ressurreição recebeu "toda potestade... no céu e na terra" (ver com. Mat. 28:18).Cristo merece o louvor sempre contínuo da humanidade como agradecimento por seu triunfosobre o pecado e a morte (Couve. 2:15). Satanás tinha posto em tela de juízo o direito deCristo à "glória" e ao "império", mas estes pertencem legitimamente a Cristo. Com estadoxología ou atribuição de louvor, termina Juan a saudação em sua carta (Apoc. 1:4-6). Pelos séculos dos séculos. Gr. eis tóus aiÇnás tÇn aiÇnÇn, "para os séculos dos séculos" e portanto, "para sempre".Quanto à palavra aiÇn, ver com. Mat. 13:39. Juan não percebe limite algum de tempo aodireito de Cristo à "glória e império". Amém. Ver com. Mat. 5:18. 7. Tenho aqui que vem. Depois de terminar a saudação no vers. 6, Juan anuncia o tema do Apocalipsis: a segundavinda de Cristo. Esta é a meta para a qual se move todo o demais. É significativo que Juan useo tempo presente, "que vem", com o qual destaca a certeza do acontecimento, quiçá tambémseu inminencia (ver com. vers. 1). Com as nuvens. Ver com. Hech. 1:9-11. Traspassaram.
  10. 10. Gr. ekkentéÇ. Esta palavra a usa Juan em seu Evangelho (cap. 19:37) quando citação a Zac.12:10. Os tradutores da LXX sem dúvida se equivocaram ao ler em Zac. 12:10 a palavra hebréiadaqaru, "traspassaram", como raqadu, "dançaram em triunfo", e assim a traduziram ao grego.O Evangelho de Juan é o único em onde se registra que o custado de Jesús foi ferido por umlanzazo (Juan 19:31-37). Este ponto de similitude entre 751os dois livros é uma evidênciaindirecta de que o Apocalipsis foi escrito pela mesma mão que redigiu o quarto Evangelho.Ainda que Juan sem dúvida escreve em grego, não tem em conta a LXX em ambos casos, e dáuma tradução correta do hebreu. A afirmação de Apoc. 1:7 claramente implica que osresponsáveis da morte de Cristo serão levantados de entre os mortos para presenciar suavinda em glória (ver com. Dão. 12:2). Durante seu ajuizamento Jesús advertiu aos dirigentesjudeus quanto a este temível acontecimento (Mat. 26:64). Lamentação. Literalmente "se cortarão", referência ao costume antigo de cortar ou ferir o corpo comosinal de tristeza. Em sentido figurado, como aqui, descreve a dor mais bem do que a ação físicade ferir-se o corpo. Reflete o arrependimento que se apoderará dos impíos (ver com. Jer.8:20). 8. Eu sou. Gr. egÇ eimí (ver com. Juan 6:20). O Alfa e a Omega. A primeira letra e a última do alfabeto grego; é como se disséssemos: "desde a A até o Z". Afrase indica integridade, plenitude, e tem o mesmo significado que "o princípio e o fim, oprimeiro e o último" (cap. 22:13). Neste caso o que fala é "o Senhor, o que é e que era e que tem de vir", identificado comoDeus o Pai (ver com. cap 1:4); no entanto, nos vers. 11-18 a expressão "o Alfa e a Omega" seidentifica claramente com Cristo, quem também declara que é "o primeiro e o último". No cap.22:13 a frase "o Alfa e a Omega" se refere a Cristo, o que é evidente pelo vers. 16. O Pai e oFilho compartilham estes atributos eternos (ver Nota Adicional de Juan 1). Princípio e fim. A evidência textual favorece (cf. p. 10) a omissão destas palavras aqui e no vers. 11, mas suainclusão no cap. 22:13 está estabelecida. O Senhor. A evidência textual estabelece (cf. p. 10) o texto "Senhor Deus" (BJ, BA, BC, NC). Que é. Ver com. vers. 4.
  11. 11. Todo-poderoso. Gr. pantokrátÇr, "omnipotente". O título se repete com freqüência no Apocalipsis (cap. 4:8;11: 17; 15:3; 16:7, 14; 19:6, 15; 21:22). Em Ouse. 12:5 (LXX) usa-se pantokrátÇr para traduzir apalavra hebréia tseba"oth, "exércitos", comummente usada com Yahweh como um apelativode Deus (ver t. 1, p. 182). Este título recalca a omnipotencia de Deus. Cf. 1 Sam. 1: 11; Isa. 1:9;Jer. 2:19; Amós 9:5. 9. Eu Juan. Ver pp. 733-738. Copartícipe vosso na tribulación. Sem dúvida Juan não era o único que sofria perseguição nesse tempo. O reino. Isto é, o reino da graça divina (ver com. Mat. 4:17). "É necessário que através de muitastribulaciones entremos no reino de Deus" (Hech. 14: 22). Paciência. A raiz do vocábulo quer dizer "permanecer embaixo". "Paciência" indica aqui "tolerância","perseverança", o exercício do domínio próprio para poder suportar uma situação difícil,quando com só negar a fé se poderia evitar a pressão da perseguição. Os cristãos têm emCristo força suficiente para "agüentar" "em Jesús". Ver com. Rom. 2:7; Apoc. 14:12. De Jesucristo. A evidência textual favorece (cf. p. 10) o texto "em Jesús" (BJ, BA, BC, NC). A paciência é uma relação vital com ele. Estava. Melhor "vim estar", o que implica que Patmos não era o lugar de residência permanente deJuan, senão que as circunstâncias o tinham levado até ali. Patmos. Islita do mar Egeo, a uns 80 km ao sudoeste de Efeso. Mede uns 15 km de norte a sul, e uns10 km deste a oeste em sua parte mais larga. Patmos é rochosa e árida; sua costa, sumamenteirregular, forma muitas ensenadas. Plinio escreveu no ano 77 d. C., que a ilha se usava comouma colônia penal (História natural iv. 12. 23). Isto explica a declaração de Juan de que era"copartícipe... na tribulación". O apóstolo estava em Patmos como preso dos romanos (ver pp.86-90).
  12. 12. Victorino de Petavio (m. c. 303 d. C.) declarou uns dois séculos mais tarde a respeito doApocalipsis: "Quando Juan disse estas coisas estava na ilha de Patmos, condenado a trabalharnas minas [em latim metallum] pelo césar Domiciano" (Comentário sobre Apocalipsis, com.cap. 10: 11). A palavra latina metallum pode referir-se tanto a uma canteira como a uma mina,mas como Patmos tem canteiras e não há vestígios de que tivesse tido minas, é provável quequis dizer o primeiro. A declaração de Plinio de que Patmos era uma colônia penal, é a de umcontemporâneo de Juan bem informado, enquanto a de Victorino, ainda que provável, deveclassificar-se como uma tradição. Por causa da palavra. O texto grego não 752 apóia a opinião de que esta frase significa que Juan estava em Patmoscom o fim de receber e registrar as visões que ali lhe seriam dadas (ver com. vers. 2). As frases"palavra de Deus" e "depoimento de [com respeito a] Jesucristo" se referem a seu depoimentoinspirado a favor do Evangelho durante mais de meio século. Este tinha sido o único propósitoque motivava a vida de Juan. Durante os amargos dias de perseguição em tempo deDomiciano, seu destemido depoimento foi a causa de que o desterrassem a Patmos (ver pp.738-739). 10. No Espírito. Literalmente "em espírito", que pode significar "em estado de êxtase". Juan se abstraiu dascoisas terrenais; só estava consciente das impressões que lhe chegavam do Espírito Santo. Apercepção natural dos sentidos foi substituída completamente por uma percepção espiritual. Dia do Senhor. Gr. Kuriak" h"méra. Fizeram-se várias tentativas para explicar esta frase, que só aparece aquinas Escrituras. Alguns intérpretes a fazem equivaler com "no dia de Jehová", dos profetas doAT (Joel 2: 11, 31; Sof. 1: 14; Mal. 4: 5; cf. Hech. 2: 20). Pode conceder-se que estas palavraspoderiam ter tal interpretação se se tomam isoladamente. Os que assim as explicam,destacam que o Apocalipsis centra o atendimento no grande dia final do Senhor e nosacontecimentos que conduzem a ele (ver com. Apoc. 1: 1). Estar "no Espírito no dia do Senhor"quiçá pudesse entender-se como que significa ser arrebatado em visão através do tempo parapresenciar acontecimentos relacionados com o dia do Senhor. No entanto, há razões para recusar esta interpretação. Em primeiro lugar, quando a frase"dia do Senhor" claramente designa o grande dia de Deus, o texto grego sempre diz h"mératou kuríou ou h"méra kúriou (1 Cor. 5: 5; 2 Cor. 1: 14; 1 Tes. 5: 2; 2 Ped. 3: 10). Em segundolugar, o contexto (Apoc. 1: 9-10) sugere que o "dia do Senhor" se refere ao tempo quando Juancontemplou a visão e não ao tema da visão. De modo que Juan dá sua localização: "a ilhachamada Patmos" (vers. 9); a razão pela qual está ali: "por causa das palavras de Deus" (vers.9), e seu estado durante a visão: "no Espírito". Todas estas frases têm que ver com ascircunstâncias nas quais lhe foi dada a visão, e é lógico concluir que a quarta também coincideao dar o tempo específico da revelação. A maioria dos expositores apóiam esta conclusão.
  13. 13. Ainda que a expressão kuriak" heméra é única na Escritura, tem uma longa história no gregopostbíblico. Como forma abreviada, kuriak" é um termo comum nos escritos dos pais da igrejapara designar ao primeiro dia da semana, e no grego moderno kuriaké é o nome do domingo.Seu equivalente latino dominica dies designa o mesmo dia, e passou a vários idiomasmodernos como domingo, e em francês como dimanche. Por isso muitos eruditos sustentamque kuriak" h"méra nesta passagem também se refere ao domingo, e que Juan não só recebeusua visão neste dia, senão que também o reconheceu como "no dia do Senhor" quiçá porquenesse dia Cristo ressuscitou dos mortos. Há razões negativas e positivas para recusar esta interpretação. Em primeiro lugar está oreconhecido princípio do método histórico; isto é, que uma alusão deve ser interpretadasomente por meio de evidências anteriores a ela ou contemporâneas com ela, e não por dadoshistóricos de um período posterior. Este princípio tem muita importância no problema dosignificado da expressão "dia do Senhor" tal como aparece nesta passagem. Ainda que este termo é frequente nos pais da igreja para indicar no domingo, a primeiraevidência decisiva de tal uso não aparece senão até fins do século II no livro apócrifoEvangelho segundo Pedro (9, 12), onde no dia da ressurreição de Cristo se denomina "dia doSenhor". Como este documento foi escrito pelo menos três quartos de século depois de queJuan escreveu o Apocalipsis, não pode apresentar-se como uma prova de que a frase "dia doSenhor" no tempo de Juan se referia ao domingo. Poderiam citar-se numerosos exemplos paramostrar a rapidez com que as palavras podem mudar de significado. Portanto, o significado de"dia do Senhor" se determina melhor neste caso recorrendo às Escrituras antes do que àliteratura posterior. Quanto ao aspecto positivo desta questão, está o fato de que ainda que a Escritura emnenhuma parte indica que no domingo tem alguma relação religiosa com o Senhor, repetidasvezes reconhece que o sétimo dia, no sábado, é o dia especial do Senhor. Se nos diz que Deusabençoou e santificó o sétimo dia (Gén. 2: 3); constituiu-o como recordativo de sua obra decriação (Exo. 20: 11); chamou-o especificamente "em meu dia santo" (Isa. 58: 13); e Jesús seproclamou como "Senhor ainda 753 do dia de repouso [sábado]" (Mar. 2: 28), no sentido deque como Senhor dos homens era também Senhor do que foi feito para o homem: no sábado.De maneira que quando se interpreta a frase "dia do Senhor" de acordo com provas anteriorese contemporâneas do tempo de Juan, conclui-se que há só num dia ao qual pode referir-se, eesse é no sábado, o sétimo dia. Ver 2JT 411; HAp 464. As descobertas arqueológicas projetaram mais luz sobre a expressão kuriak" h"méra.Papiros e inscrições do período imperial da história romana, achados em Egito e Ásia Menor,empregam a palavra kuriakós (o masculino de kuriak") para referir-se à tesouraria e o serviçoimperial. Isto é compreensível, pois o imperador romano com freqüência era chamado em grego okúrios, "senhor", e portanto sua tesouraria e serviço eram a "tesouraria do senhor" e "oserviço do senhor". Portanto kuriakós era uma palavra familiar no idioma oficial romano paraas coisas relacionadas com o imperador. Uma dessas inscrições procede de uma época tãoantiga como o é no ano 68 d. C. De maneira que é claro que este uso de kuriakós era correnteno tempo de Juan (ver Adolf Deissmann, Light From the Ancient East, pp. 357-361).
  14. 14. Nesta mesma inscrição aparece uma referência a um dia ao que se lhe deu o nome daimperatriz Julia, ou Livia como é melhor conhecida. Em outras inscrições de Egito e de Ásia Menor aparece com freqüência o termo sebast", oequivalente grego de Augustus, como nome de um dia. Sem dúvida estas são referências a diasespeciais em honra do imperador (ver Deissmann, loc. cit.). Alguns sugeriram que a expressãokuriak" h"méra, como a usa Juan, também se refere a um dia imperial; mas isto pareceduvidoso por duas razões. Primeiro: ainda que tinha dias imperiais e o termo kuriakós se usavapara outras coisas relativas ao imperador, ainda não se encontrou nenhum caso em quekuriak" se tivesse aplicado a um dia imperial. Isto, por suposto, não é uma prova final, porqueé um argumento baseado no silêncio. Mas o segundo argumento que pode esgrimir-se contra a identificação de kuriak" h"méra deJuan com um dia imperial, parece ser concludente: sabe-se que tanto os judeus do século I (verJosefo, Guerra vii. 101), como os cristãos, pelo menos no século II (ver Martírio de Policarpo 8),negaram-se a chamar ao César kúrios, "senhor". Portanto, chega a ser extremamente difícilpensar que Juan se tivesse referido a um dia imperial como o "dia do Senhor", especialmenteem sem tempo quando ele e seus irmãos cristãos eram terrivelmente perseguidos por negar-se a adorar ao imperador (ver pp. 738-740). E tem mais provável do que Juan escolhesse aexpressão kuriak" h"méra para referir-se ao sábado, como um meio subtil de proclamar o fatode que bem como o imperador tinha dias especiais dedicados em sua honra, assim também oSenhor de Juan, por amor de quem agora sofria, também tinha seu dia especial. Para umestudo da origem da observância do dia domingo e da designação do domingo como "dia doSenhor", ver com. Dão. 7: 25 e HAp 464-465. Alguns estudiosos sugeriram que kuriak" h"méra deve entender-se como "domingo depáscoa". Esta frase se usou posteriormente para designar à festa anual que recordava aressurreição de Jesús. No entanto, esta explicação não necessariamente se aplica ao século I.Portanto, não serve para aclarar esta passagem. Como de trombeta. A comparação com uma trombeta indica a intensidade da voz. 11. Eu sou o Alfa. Ver com. vers. 8. De acordo aos vers. 17 e 18 é claro que estes títulos se aplicam neste casoespecificamente a Cristo; no entanto, a evidência textual estabelece (cf. p. 10) a omissão daspalavras "Eu sou o Alfa e a Omega, o primeiro e o último". Estão omitidas na BJ, BA, BC e NC. Nos vers. 4-10 Juan dirige às sete igrejas sua própria declaração introdutória dascircunstâncias nas quais lhe foi dado o Apocalipsis. Começando com o vers. 11 apresenta a autorização que recebeu diretamente de Cristo paraescrever o Apocalipsis. É apropriado que assim o fizesse, porque esta é "a revelação deJesucristo" (vers. 1). A revelação começa com o vers. 11.
  15. 15. Um livro. Gr. biblíon, "livro", geralmente e folhas de papiro, o tipo de livro mais comum nos dias deJuan. Ver t. V, p. 114. O que vês. A comunicação visual e a percepção predominam no Apocalipsis (ver com. vers. 2). Juan viuvisões, cenas panorâmicas simbólicas, as que descreve tão plena e exatamente como épossível fazê-lo 754 dentro dos limites que impõe a linguagem humana. Muitos dessessímbolos superam às palavras e as experiências humanas. Ao apóstolo as vezes lhe faltampalavras para descrever apropriadamente o que vê, como por exemplo quando contempla otrono de Deus (cap. 4: 3, 6). No entanto, através do Apocalipsis a grandeza da forma em queDeus dirige o universo, a intensidade do grande conflito entre Cristo e Satanás e a glória dotriunfo final, descrevem-se mais vívida e magnificamente do que em outras partes dasEscrituras. As sete igrejas. O ordem em que se enumeram as igrejas aqui e nos cap. 2 e 3, representa o ordemgeográfico em que viajava um mensageiro que levava uma carta desde Patmos a essas setecidades da província de Ásia. Há mais informação a respeito da geografia das sete igrejas naspp. 91- 106 e no t. VI, mapa frente a p. 33. Pode-se saber mais a respeito de cada uma destasigrejas nas mensagens particulares dirigidos a elas nos cap. 2 e 3. As sete igrejas são a primeira de uma série de "sietes" que se acham no Apocalipsis: seteespíritos (vers. 4), sete candeleros (vers. 12), sete estrelas (vers. 16), sete lustres de fogo (cap.4: 5), um livro com sete selos (cap. 5: 1), os sete cornos e sete olhos do Cordeiro (cap. 5: 6),sete anjos com sete trombetas (cap. 8: 2), sete trovões (cap. 10: 4), um dragão com setecabeças e sete coroas (cap. 12: 3), uma besta com sete cabeças (cap. 13: l), sete anjos que têmas sete copas que contêm as sete últimas pragas (cap. 15: 1, 7) e a besta com sete cabeças,que se diz que também são sete morros e sete reis (cap. 17: 3, 9-10). Este uso repetido donúmero sete com tantos símbolos diferentes, significa que essa cifra também deve entender-se em sentido simbólico. Através de toda a Escritura o número sete, quando se usasimbolicamente, pelo geral representa plenitude, perfeição. Portanto, quando se aplica às sete igrejas é de esperar-se que tenha um propósito definido.Tinha mais de sete igrejas na província de Ásia, pois duas igrejas dessa região -a de Colosas e ade Hierápolis- também se mencionam no NT (Couve. 1: 2; 4: 13). Portanto, é razoável deduzirque o Senhor escolheu às sete igrejas que aqui se nomeiam porque eram e seriam típicas dacondição de toda a igreja nos tempos apostólicos e também através de toda a era cristã (ver p.742; cf. HAp 466-467). As mensagens às sete igrejas eram aplicáveis a condições específicas da igreja nos dias deJuan. Se não tivesse sido assim, estas mensagens tivessem desconcertado e desanimado aoscristãos das igrejas de Ásia quando os lessem (ver com. Apoc. 1: 3). Juan tivesse resultado serentão um falso profeta se as mensagens que dirigia a suas igrejas não tivessem revelado averdadeira condição dessas congregações e não tivessem sido adequados para suas
  16. 16. necessidades espirituais. Estas mensagens foram enviados numa época em que os cristãos deÁsia estavam sofrendo uma grande tribulación (ver pp. 738-740), e seu firme reproche,alentador consolo e gloriosas promessas, devem ter tido o propósito de responder a essasnecessidades (ver HAp 462-470). Se as igrejas cristãs de Ásia aceitavam e prestavamatendimento a estas mensagens, estariam preparadas espiritualmente para compreender odrama do grande conflito descrito no resto do Apocalipsis, e para manter uma esperança firmeno triunfo final de Cristo e de sua igreja. Ainda que as diversas mensagens às sete igrejas tiveram que se ter aplicado em primeirolugar às igrejas de Ásia dos dias de Juan, também se aplicariam à história futura da igreja (verp. 742). Um estudo da história revela que estas mensagens certamente são aplicáveis de umamaneira especial a sete períodos ou épocas que abarcam a história da igreja até o fim dotempo. Como já o fizemos notar, o número sete implica plenitude, e por essa razão também parecerazoável entender que estas mensagens em certa medida descrevem a toda a igreja emqualquer momento de sua história, pois sem dúvida cada congregação através da históriacristã poderia achar que se descreviam suas características e necessidades num ou mais destasmensagens. Portanto, pode dizer-se que têm tríplice aplicação: universal, local (nos dias deJuan) e histórica (ou em períodos sucessivos). Um escritor cristão de arredor do ano 200 d. C.afirmou: "Juan escreve às sete igrejas, e no entanto, fala a todas" (Texto latino em S. P.Tregelles, edit., Cânon Muriatorianus, p. 19). Por exemplo, a mensagem à igreja de Laodicea éparticularmente apropriado para a igreja de hoje, no entanto, as mensagens às outras igrejastambém contêm palavras de admoição 755 com as quais ela pode beneficiar-se (ver 2JT 125,187, 210, 255; 8T 98-99). 12. Ver a voz. Isto é, ver quem lhe falava. Candeleros. Gr. lujnía, "portalámparas". A vela, tal como se conhece hoje, geralmente não se usava nostempos antigos. Os lustres costumavam ter forma de uma xícara pouco profunda na qual sepunha azeite e se inseria uma mecha. Portanto, os "candeleros" que viu Juan sem dúvida eramportalámparas nos quais se colocavam os lustres. No vers. 20 se declara que estes candeleros representam às sete igrejas, e portanto a toda aigreja (ver com. vers. 11). O fato de que sejam de ouro parece indicar cuán preciosa é a igreja àvista de Deus. Juan vê a Cristo que caminha no meio deles (vers. 13-18), o que indica sua presençacontínua no meio da igreja (ver Mat. 28: 20; cf. Couve. 1: 18). Esta referência a sete candeleros de ouro recorda ao candelero de sete braços do lugarsanto do santuário terrenal (Exo. 25: 31-37). No entanto, é óbvio que são diferentes, porque
  17. 17. Juan viu a Cristo que andava entre eles (Apoc. 1: 13; 2: 1). Diz-se especificamente que estes"sete candeleros" representam a igrejas na terra, e portanto não devem ser consideradoscomo o equivalente celestial do candelero de sete braços do antigo santuário terrenal. 13. Filho do Homem. Gr. huiós anthropou. O texto grego não tem o artigo definido. É uma tradução exata dokebar "enash arameo (ver com. Dão. 7:13), e parece ter aqui o mesmo significado. O que secomenta de kebar "enash se pode, portanto, aplicar a huiós anthrÇpou, pois sabemos porApoc. 1: 11, 18 que Aquele a quem se faz referência, como em Dão. 7: 13, é a Cristo. O título "oFilho do Homem", com o artigo definido, usa-se mais de 80 vezes para referir-se a Cristo noNT, enquanto a expressão "Filho do Homem", sem o artigo definido, usa-se para ele no NT emgrego só em outros dois casos: em Apoc. 14: 14, que é uma clara alusão a Dão. 7: 13, e emJuan 5: 27, onde se recalca a humanidade de Jesús. Se se aplica o mesmo princípio como no caso de kebar "enash (ver com. Dão. 7: 13),chegamos à conclusão de que Juan está contemplando aqui a Cristo em visão pela primeiravez. Quem é este ser glorioso? Não tem a forma de um anjo nem de outro ser celestial, senãode um homem. Sua forma é humana apesar de seu deslumbrante brilho. Ainda que Juan escreveu o Apocalipsis em grego, sua maneira de expressar-se comfreqüência é a de sua arameo materno (o idioma que falavam os judeus de Palestina emtempos do NT). Isto pode ver-se em suas expressões idiomáticas, e é possível que huiósanthrópou "filho de homem", seja uma destas. Se é assim, "filho de homem" significariasimplesmente "ser humano", "homem" (ver com. Dão. 7: 13). Os "filhos da ressurreição" (Luc. 20: 36) são simplesmente pessoas ressuscitadas, e "filhos doreino" (Mat. 8: 12) são, da mesma maneira, pessoas aptas para o reino. Assim também "os queestão de casamentos" (Mar. 2: 19) são os convidados aos casamentos; os "filhos deste século"(Luc. 16: 8) são os que vivem para este mundo; os "filhos de ira" (Éfe. 2: 3) são os que se arcamo castigo por causa de suas más obras, e os "filhos de Belial" (1 Rei. 21: 10, RVA, margem) sãopessoas malvadas, desprezíveis. Quando o Cristo glorificado se manifestou a Juan comesplendor celestial, ainda se lhe apresentou com a semelhança de um ser humano. Ainda queCristo é eternamente preexistente em sua condição de segunda pessoa da Deidade e sempre oserá, tomou sobre si a humanidade para toda a eternidade futura (ver t. V, pp. 894-896). ¡Queconsolo é saber que nosso Senhor, que ascendeu e foi glorificado, é ainda nosso irmão nahumanidade e, no entanto, também é Deus! Para um melhor entendimento desta passagem,ver Problems in Bible Translation, pp. 241-243. Até os pés. Um vestido longo é símbolo de dignidade. 14. Brancos como branca lã.
  18. 18. Juan trata em vão de achar palavras para descrever exatamente o que contempla em visão.A brancura do cabelo daquele que aparece em visão lhe recorda a primeira vista a brancura dalã; mas não bem o escreveu quando pensa em algo ainda mais branco: a neve, e a adicionapara conseguir uma descrição mais perfeita. A sua mente quiçá também foi a descrição deDão. 7: 9. Chama de fogo. Ou uma "chama ardente", o que faz ressaltar o brilho de seu rosto e aintensidade de sua mirada. 15. Bronze brunido. Gr. jalkolíbanon, uma substância de identificação incerta. Quiçá um metal parecido ao ouro,lustroso e radiante.756. Refulgente. Ou "como acendido ou acrisolado em forno". Os pés se pareciam ao bronze que foisubmetido a um calor intenso. Muitas águas. Nos dias de Juan o estrondo do oceano e o estrépito do trovão eram os sons mais fortes eintensos que conhecia o homem. Sua profundidade e majestade ainda não foramsobrepujados como símbolos da voz do Criador. 16. Sua destra. A mão de Deus representa aqui seu poder para sustentar. Sete estrelas. Símbolo que representa aos "anjos" ou mensageiros enviados às sete igrejas (ver com. vers.20). Saía. A flexão do verbo em grego implica uma ação contínua. O poder de Cristo fazconstantemente. Espada aguda de dois fios. Gr. romfáia dístomos, literalmente "espada de duas bocas". A romfáia era uma espadagrande e pesada de dois fios. É a palavra que usa a LXX para descrever a espada que Deuscolocou na entrada do Edén (ver com. Gén. 3: 24) e a espada de Goliat (1 Sam. 17: 51). A frase "espada de duas bocas" é sem dúvida um semitismo ainda que aparece em grego jáno século V a. C. nas peças teatrais de Eurípides; no entanto, encontra-se muito antes no AT,
  19. 19. onde a frase equivalente em hebreu é pi jéreb, "boca de espada" (Gén. 34: 26; 2 Sam. 15-14).Quando o autor de juízes conta a história de Aod, diz literalmente: "e Aod se fez para si umaespada, e para ela duas bocas" (Juec. 3: 16). E em Prov. 5: 4 também se fala de uma jerebpioth, "uma espada de bocas", traduzida como "espada de dois fios". Esta interessante figurade dicção pode derivar-se ou do pensamento de que a espada de um homem devora -o fio ésua boca- a seus inimigos (ver 2 Sam. 11: 25; Isa. 1: 20; Jer. 2: 30), ou pela forma de certasespadas antigas cujos cabos pareciam a cabeça de um animal, de cuja boca saía a folha doarma. Juan repete o símbolo nos cap. 2: 12, 16; 19: 15, 21. O significado é que como sai da boca deCristo, é um instrumento de castigo divino. Neste versículo parece melhor entendê-lo com omesmo sentido: como símbolo da autoridade de Cristo para julgar, e, especialmente, de seupoder para executar o castigo. "Uma espada aguda de dois fios" implica cuán penetrantes sãosuas decisões e a eficácia de seus castigos. Como o sol. O sol é a luz mais brilhante que conhece normalmente o homem. 17. Como morto. O primeiro efeito sobre os que recebiam uma visão de um ser divino revestido com toda aglória do céu era privados de sua força física (Eze. 1: 28; 3: 23; Dão. 8: 17; 10: 7-10; Hech. 9: 4;cf. Isa. 1: 5). Compare-se com o caso de Daniel (ver com. cap. 10: 7-10). "pessoa que recebiaessa honra ficava completamente anonadada pelo sentimento de sua própria debilidade eindignidad. Um estudo do estado físico do profeta em visão, fá-lo E D. Nichol em sua obra Ellen G. Whiteand her Critics, pp. 51-61. Outros exemplos da reação emotiva de Juan ante o que viu em visãoaparecem em Apoc. 5: 4; 17: 6. Juan caiu duas vezes em adoração aos pés de um anjo (cap. 19:10; 22: 8). Não temas. Depois de que um profeta perdia sua força natural, era fortalecido sobrenaturalmente, pelogeral mediante o toque de uma mão (Eze. 2: 1-2; 3: 24; Dão. 8: 18; 10: 8-12, 19; cf. Isa. 6: 6- 7).Com freqüência um visitante celestial pronunciava a ordem: "Não temas", para acalmar ostemores que espontaneamente surgiam do coração humano frente a um ser tal (Juec. 6: 22-23; 13: 20-22; Mat. 28: 5; Luc. 1: 13, 30; 2: 10). O primeiro e o último. Ver com. vers. 8. Esta expressão é sem dúvida uma citação de Isa. 44: 6; é uma traduçãodireta do texto hebreu e não uma citação da LXX, como no vers. 8. 18. O que vivo.
  20. 20. Gr. ho zÇn "o Vivente", indubitavelmente o termo comum do AT "O jai, "Deus vivente" (Jos.3: 10; etc.). A flexão do verbo implica uma vida contínua, permanente. Esta declaração tem umsignificado especial porque Cristo tinha estado morto. "Em Cristo há vida original, que nãoprove nem deriva de outra" (DTG 489; ver 729). "Nele estava a vida, e a vida era a luz doshomens" (ver com. Juan 1: 4). Estive morto. Literalmente "cheguei a estar morto", uma referência à crucifixión. Uma clara indicação deque Aquele que apareceu a Juan em visão era Cristo. Vivo. Gr. zón eimí, "vivendo estou", isto é, tenho vida contínua, vida que não termina, vidaautoexistente (ver t. V, pp. 894-896; ver com. Juan 5: 26). Apesar da morte que Cristo sofreupela raça humana, segue sendo "o que vive" porque é Deus. "A divindade de Cristo é a garantiaque o crente tem da vida eterna" (DTG 489). Ver com. Apoc. 1: 5. Eimí, "Eu sou", implicaexistência 757 contínua e contrasta notavelmente com egenóm"n, "estive", "cheguei a estar"morto. Pelos séculos dos séculos. Ver com. vers. 6. Amém. A evidência textual estabelece (cf. p.10) a omissão desta palavra. Chaves. As chaves são um símbolo de poder, autoridade. Cf. com. Mat. 16: 19; Luc. 11: 52. Hades. Gr. Hád"s, "a morada dos mortos", "o sepulcro" (ver com. Mat. 11: 23). A ressurreição de Cristo é a garantia de que os justos se levantarão "na ressurreição no diapostrero" (Juan 11: 24) para vida eterna (ver com. Juan 11: 25; Apoc. 1: 5). 19. Escreve. Repete-se a ordem do vers. 11. Viste. O que viu em visão até esse momento (vers. 10-18). As que são.
  21. 21. Alguns sustentam que esta frase descreve a situação histórica desse momento,particularmente no que se referia à igreja. Crêem que em contraste com "as coisas que viste" -a visão de Cristo (vers. 10-18)-, "as que são, e as que têm de ser depois destas" se referem aosverdadeiros acontecimentos históricos apresentados simbolicamente. Outros sustentam que "as coisas que viste, e as que são, e as que têm de ser depois destas",simplesmente se referem às coisas que Juan já tinha visto em visão, o que estava vendo e oque veria no futuro (cf. vers. 11). 20. Mistério. Gr. must"rion, "secreto", mistério"; deriva de uma palavra que descreve ao que foi iniciadonuma religião (ver com. Rom. 11: 25). A palavra "mistério", como a usavam originalmente oscristãos, não significava algo que não podia ser entendido, como se entende hoje, senão algoque só podiam entendê-lo os iniciados, isto é os que tinham o direito de saber. Por isso Cristolhes disse a seus discípulos que lhes era "dado saber os mistérios do reino dos céus", mas nãoàs multidões (ver com. Mat. 13: 11). Pablo fala da ressurreição como de um "mistério" (1 Cor.15: 51), e com freqüência também se refere na mesma forma ao plano de salvação mesmo(ver com. Rom. 16: 25-26). Os antecedentes judeus desta expressão aparecem numa passagem do Manual de disciplinados esenios de Qumrán (ver t. V, p. 92-93), onde diz ao falar da salvação: "A luz de meucoração penetra no mistério que tem de ser" (1QS xi. 3; em Milhar Burrows, The Dead SejaScrols, p. 387). A palavra "mistério" aparece repetidas vezes no documento citado. Estaexpressão também era comum nas religiões pagãs baseadas em mistérios. "Mistério" se aplica aqui às sete "estrelas", símbolo que até este momento não se explicou;mas agora este símbolo se denomina "mistério" porque a interpretação está a ponto de serdada a conhecem Portanto, no livro do Apocalipsis um "mistério" é um símbolo oculto queestá por ser explicado aos que estão dispostos a "guardar" (ver com. vers. 3) as coisasreveladas neste livro (cf. cap. 17: 7, 9), ou a um a quem Deus decide dá-las a conhecem Ossímbolos do Apocalipsis também são chamados "sinais" (ver com. cap. 12: 1 e 15: 1). Sete estrelas. Ver com. vers. 11, 16. Este versículo é uma ponte que une os vers. 12-19 com as mensagensdos cap. 2 e 3. Explica os símbolos dos vers. 12 e 16 e prepara o caminho para as mensagens àsdiferentes igrejas. Ángeles. Gr. ággelos, "mensageiro", já seja celestial ou humano. Aggelos se aplica a seres humanosem Mat. 11: 10; Mar. 1: 2; Luc. 7: 24, 27; 9: 52; cf. 2 Cor 12: 7. Sugeriu-se que os "anjos" dassete igrejas são seus respectivos anciões ou supervisores do tempo de Juan, e que o Senhorlhes dirige as mensagens para que os transmitam a suas respectivas congregações. Noentanto, com a possível exceção dos "anjos" das sete igrejas, a palavra ággelos não se refere a
  22. 22. seres humanos nos 75 casos em que Juan a usa no Apocalipsis os "anjos" com os dirigentes dasigrejas (cf. OE 1314- HAp 468). Sete candeleros. ver com. vers. 12. Sete igrejas. Ver com. vers. 4, 11. COMENTÁRIOS DE ELENA G. DE WHITE 1 CS 389; CW 175; DTG 73; Ed 185; HAp 466; 6T 128758. 1-3 3JT 278; 7T 158. 3 CS 389; CW 175; DTG 201; Ed 186; Ev 146-147; HAp 466; 3JT 11; PR 402; PVGM 103; 5T 15;6T 128; TM 113, 116. 5 3J 32; OE 535; PVGM 126. 5-6 CS 468, 704. 6 CMC 135; 2JT 179. 7 CS 346, 683, 695; DTG 77 l; PE 53, 178, 292; 8T 116; TM 232. 9 CS 15, 84; ECFP 64, 93; FÉ 109, 423; HAp 456, 460, 469; OE 18; PP 122; 7T 288; 3TS 376. 9-10 MM 37; 6T 128. 10 ECFP 96. 10-13 HAp 464. 11 HAp 467. 13 2JT 351; 3JT 263; MC 326. 13-15 CS 682. 14 NB 73. 14-15 PE 16, 286. 14-17 HAp 465. 14-18 ECFP 101. 15 NB 73; PE 15, 34. 16 OE 13; (mais sob cap. 2: 1)
  23. 23. 17 CS 524; ECFP 103; 2JT 168. 17-18 CM 18; Ed 79; TM 95. 18 DTG 286, 447, 489, 623; 3JT 111; PR 180; 2T 271. 18-20 HAp 467.Cap. 2 1. Ángel. Ver com. cap. 1: 20. Efeso. Alguns definem o nome Efeso com o significado de "desejável". Efeso era nos dias de Juan acidade principal da província de Ásia, e mais tarde foi seu capital (ver p. 93; mapa p. 640; com.cap. 1: 4; 2: 12). Estava situada no extremo ocidental de uma grande carreteira queatravessava o Ásia Menor desde Síria; isto e sua localização como um porto marítimoimportante sobre o mar Egeo, faziam dela um shopping importante. Parece que o cristianismofoi pregado ali pela primeira vez por Pablo ao redor do ano 52 d. C., quando se deteve por umcurto tempo nessa cidade de caminho a Jerusalém e Antioquía em sua segunda viagemmissionário. Seus amigos Aquila e Priscila se radicaram ali nessa ocasião e, junto com um judeualexandrino chamado Apolos -cujo conceito do cristianismo parece ter sido formado antes dePentecostés- fomentaram a obra de evangelização até o regresso de Pablo, quiçá um ou doisanos mais tarde (Hech. 18: 19 a 19: 7). Esta vez o apóstolo permaneceu em Efeso uns três anos(ver t. VI, p. 31), mais do que em qualquer outro lugar em seus outros viagens missionárias.Isto parece indicar que sua obra ali foi muito frutífera. Lucas, seu biógrafo, declara que "todos os que habitavam em Ásia, judeus e gregos, ouvirama palavra do Senhor Jesús" (Hech. 19: 10). Portanto, é provável que durante este tempo foramestabelecidas pelo menos algumas das outras igrejas de Ásia (ver Couve. 4: 13, 15-16). Depoisde seu primeiro encarceramento em Roma, Pablo parece ter visitado novamente a Efeso, quiçáao redor do ano 64 d. C., e deixou como encarregado a Timoteo (1 Tim. 1: 3). Não se conhece com exatidão nada mais da história da igreja de Efeso, até que seu nomeaparece provavelmente uns trinta anos mais tarde no Apocalipsis; no entanto, a tradiçãoindica que Juan, o discípulo amado de Jesús, chegou a ser o dirigente desta igreja, quiçá depoisda dissolução da sede cristã de Jerusalém, ao redor do 68 d. C., durante a guerra judeu-romana. Portanto, quando se escreveu o Apocalipsis Efeso deve ter sido um dos centrosprincipais do cristianismo. Era, pois, muito adequado que a primeira mensagem de Cristo pormeio de Juan tivesse sido dirigido a esta igreja. Sua posição central em relação com o mundocristão geral, faz mais compreensível o fato de do que sua condição espiritual pudesse muito
  24. 24. bem ser característica de toda a igreja durante o período apostólico 760 período da históriacristã que se estende aproximadamente até fins do século I (c. 31-100 d. C.; ver Nota Adicionalao final do capítulo). Este período bem pode chamar-se o da pureza apostólica, atributosumamente desejável à vista de Deus. Tem. Gr. kratéÇ, "sustentar firmemente" uma expressão mais vigorosa que a que se usa em cap.1: 16. Sete estrelas. Ver com. cap. 1: 16, 20. Os dirigentes da igreja devem estar de maneira especial sob aproteção e direção de Cristo. Na tarefa que se lhes atribuiu são sempre sustentados pelo podere a graça de Deus. Deve notar-se que a maneira característica como Cristo se apresenta a cadauma das sete igrejas, prove da visão mais ampla do que Juan contemplou no cap. 1: 11-18. Apre. Uma descrição mais completa da relação de Cristo com sua igreja que a que se dá no cap. 1:13, onde Juan simplesmente diz que Cristo está "no meio dos sete candeleros". As igrejas dotempo apostólico desfrutaram do cuidado, o atendimento e o ministério de Cristo, e esta foitambém a privilegiada situação da igreja cristã em conjunto através dos períodos sucessivos desua história. Assim se cumpre a promessa que o Senhor fez a seus discípulos de estar com eles"todos os dias, até o fim do mundo" (Mat. 28: 20). Candeleros. Ver com. cap. 1: 12. 2. Eu conheço. A cada uma das sete igrejas Cristo declara: "Eu conheço tuas obras". Sua advertência é adaquele que conhece a fundo os problemas de cada igreja, e que pelo mesmo é capaz deindicar uma solução apropriada e eficaz. Teus. Possessivo que corresponde à segunda pessoa do singular, porque Cristo se dirige ao "anjo"(vers. 1) que representa a cada membro individualmente ou à igreja como uma só unidade.Cristo trata com os seres humanos tanto em sua condição de grupos -como uma igreja- comotambém numa relação pessoal direta com ele. Obras. Gr. érgon, "fato", "ação", "atividade", mais particularmente obras que demonstrem carátermoral. A vida e conduta da igreja são conhecidas totalmente por Jesucristo. Trabalho.
  25. 25. Gr. kópos, a fadiga ou cansaço que resulta de um intenso esforço. Cristo afirma terconhecimento das obras realçadas pela igreja. Também reconhece a fadiga que causaram e apaciência que foi necessária. Paciência. Gr. hupomon" , "perseverança", "paciência", "resistência". Ver cap. 1: 9,com. "paciência". Não podes suportar. Agora, como em tempos passados, a igreja se sente muito com freqüência inclinada a"suportar" ou tolerar em seu seio ensinos e práticas más supostamente em nome da paz.Possivelmente seja mais cômodo para os ministros de Cristo permanecer calados quanto aospecados favoritos de suas congregações do que tomar uma posição firme a favor da verdade(cf. Isa. 30: 10; 2 Tim. 4: 3). A igreja de Efeso devia ser alabada por fazer uma clara distinção entre a verdade e o erro -jáfora em doutrina ou em prática- e por definir-se com firmeza contra o erro. Os maus. Isto é, os falsos apóstolos que se considerarão um pouco mais adiante com maior detalhe.Os crasos erros doutrinais se refletem tarde ou temporão em má conduta. O que uma pessoafaz é o inevitável resultado do que pensa e crê (ver Prov. 4: 23; Mat. 12: 34; 1 Juan 3: 3). Provado. Gr. peirázÇ, "provar", "pôr a prova". A igreja de Efeso tinha pesquisado diligentemente aspretensões e ensinos desses falsos apóstolos. Ignacio, que escreveu a princípios do século II, fala da diligência dos cristãos efesios aorecusar as herejías (AOS efesios ix 1). Juan preveniu aos crentes numa de suas epístolas quanto à vinda do "anticristo", e lhesaconselhou que provassem "os espíritos se são de Deus" (1 Juan 4: 1-3). Tinha-se cumprido aadvertência dada por Pablo aos dirigentes de Efeso muitos anos antes, de que no meio delesentrariam os "lobos rapaces" que "falariam coisas perversas" (Hech. 20: 29-30). Tinhaaconselhado aos tesalonicenses: "examinai-o todo; retende o bom" (1 Tes. 5:2 l). Pedro tinhaescrito detalhadamente com respeito aos "falsos profetas" e "f"alsos mestres" (2 Ped. 2). Cf. 1Tim. 1: 20; 2 Tim. 4: 14-18. Ainda que ao princípio talvez não era fácil reconhecer os errossubtis de seus ensinos, os maestros podiam ser reconhecidos "por seus frutos" (Mat. 7: 15-20). O mesmo sucede hoje, porque o verdadeiro "fruto do Espírito" (Gál. 5: 22-23) não cresce nasvidas dos que ensinam e praticam o erro. Ao cristão sincero, sensível às 761 coisas espirituais,se lhe promete que se assim o deseja poderá discernir o espírito e os celulares não cristãosque impulsionam a todo maestro do erro (ver com. 1 Juan 4: 1; Apoc. 3: 18). Apóstolos.
  26. 26. Entre as herejías mais sérias que ameaçaram à igreja a fins do século I, estavam o docetismoe uma forma antiga do gnosticismo. Estas e outras herejías que açoitaram à igreja dos diasapostólicos, tratam-se no t. V, pp. 890-891 e t. VI, pp. 53-60. Uma antiga tradição indica emforma mais específica do que um gnóstico chamado Cerinto visitou a Efeso e lhe crioudificuldades a Juan e a sua congregação (ver Ireneo, Contra herejías iii. 3. 4). O que sucedeuem Efeso durante este período, em relação com as lutas com os falsos profetas, parece teracontecido na igreja geral. 3. Sofreste. A igreja dos efesios se tinha negado a "suportar aos maus" (ver com. vers. 2), e sofreupacientemente a inevitável aflição causada pelos falsos mestres e a perseguição que padeceu amãos de judeus e gentis fanáticos. Paciência. Ver com. vers. 2. Trabalhaste. A evidência textual estabelece (cf. p. 10) a omissão destas palavras. O texto estabelecido dovers. 3 diz: "E tens paciência e sofreste por meu nome e não desfaleceste". Por amor de meu nome. Ver com. Hech. 3:16. Os seguidores de Cristo eram conhecidos pelo nome dele: eramchamados cristãos. Sua fidelidade a este nome, sua lealdade àquele a quem reconheciamcomo a seu Senhor, foi o que os submeteu à perseguição das autoridades romanas (ver p.738), e os induziu a sofrer a mãos dos que estavam empenhados em destruir sua fé. Desmaiado. Gr. kopiáÇ, "cansar-se", "fatigar-se". Compare-se com o uso de kopiáÇ em Isa. 40: 31 (LXX);Juan 4: 6. 4. Teu primeiro amor. Este "amor" provavelmente incluía um amor de todo coração a Deus e à verdade, e amormútuo fraternal para seus semelhantes em geral (ver com. Mat. 5: 43-44; 22: 34-40). Ascontrovérsias doutrinais suscitadas pelos falsos profetas quiçá tinham dado lugar a um espíritode divisão. Ademais, apesar dos diligentes esforços de muitos para conter a maré de falsosensinos, uma quantidade de pessoas que permaneceram nas igrejas sem dúvida estavamafetadas em maior ou menor grau por elas. A atividade do Espírito Santo como mensageiro daverdade (Juan 16: 13), com a tarefa de converter os princípios da verdade em força viva paraconseguir a transformação do caráter (ver Juan 16: 8-1 l; Gál. 5: 22-23; Éfe. 4: 30, etc.), foiestorvada na medida que o erro achou cabida na igreja. Ademais, à medida que morriam os
  27. 27. que se tinham relacionado pessoalmente com Jesús e seu depoimento deixava de ouvir-se, eao começar a apagar-se a visão da inminencia do regresso de Cristo (ver com. Apoc. 1: 1),øchama-a da fé e a consagração ardia cada vez mais debilmente. Para um comentário sobreoutros aspectos do abandono desta primeira pureza de fé e prática, ver t. IV, pp. 861-862. 5. Tirarei teu candelero. Ver com. cap.1: 12. A igreja perderia sua posição como legítima representante de Cristo. Aigreja tinha "caído", mas a misericórdia divina lhe deu uma oportunidade de arrependimento(cf. 2 Ped. 3: 9). Se não te tivesses arrependido. No Prólogo de sua Epístola aos Efesios, Ignacio nos informa que a igreja prestouatendimento ao convite que lhe dizia "recorda", "arrepende-te", e "faz as primeiras obras" (vertambém Ignacio, AOS efesios i. 1; xi. 2). 6. Nicolaítas. Uma das seitas heréticas que atormentou às igrejas de Efeso e Pérgamo (vers. 15) e talvez aoutras. Ireneo identifica aos nicolaítas como uma seita gnóstica: "Juan o discípulo do Senhor,prega esta fé [a deidade de Cristo], e mediante a proclamação do Evangelho tenta tirar aqueleerro que tinha sido disseminado entre os homens por Cerinto, e muito tempo antes peloschamados nicolaítas, que são um ramo daquela falsamente chamada "ciência", a fim de poderconfundí-los e persuadí-los de que só há um Deus que fez todas as coisas por sua Palavra"(Contra herejías iii. 11.1). Há também evidência histórica de que mais ou menos num séculodepois teve uma seita gnóstica telefonema dos nicolaítas. Alguns pais da igreja que nosinformam com respeito a esta seita (Ireneo, Contra herejías i. 26, 3; Hipólito, Refutação detodas as herejías vii. 24), identificam a seu fundador com Nicolás de Antioquía, um dos setediáconos (Hech. 6: 5). Não sabemos se esta tradição relativa a Nicolás o diácono é correta, masa seita pode ser a mesma mencionada por Juan. Os seguidores desta seita parecem terensinado, pelo menos no século II, que as obras 762 da carne não afetam a pureza do alma, eportanto não têm que ver com a salvação. 7. O que tem ouvido. Isto é, preste atendimento aos conselhos que se deram (ver com. cap.1: 3; cf. com. Isa. 6: 9-10; Mat. 11: 15). Esta mesma declaração acompanha a promessa para cada uma das seteigrejas. Ouça.
  28. 28. O verbo grego usado aqui significa ouvir com entendimento (cf. com. Hech. 9: 4). O ouvir aPalavra de Deus não tem sentido se a vida não é modelada a semelhança do que se ouviu (vercom. Mat. 19: 21-27). As igrejas. A promessa dirigida particularmente à igreja de Efeso é, num sentido especial, para todas"as igrejas" dos tempos apostólicos representadas por esta igreja; mas ainda que eraparticularmente apropriada para ela, aplica-se também aos crentes de todas as idades (vercom. cap. 1: 11). Vencer. A flexão do verbo em grego implica que a pessoa "continua vencendo". A vitória é um temaque se repete no Apocalipsis. As promessas do Apocalipsis foram especialmente preciosas paraos perseguidos filhos de Deus de todos os séculos. No entanto o contexto (vers. 2-6) sugereque esta vitória é num sentido especial o triunfo sobre os falsos apóstolos e mestres quetinham estado tentando aos crentes a comer da árvore do conhecimento humano. ¡Cuánapropriado é que a recompensa pela vitória seja o acesso à árvore da vida! Árvore da vida. Ver com. Gén. 2: 9; Apoc. 22: 2. Em meio. Como no jardim do Edén (Gén. 2: 9). A localização destaca a importância da árvore no planode Deus para um mundo perfeito. Paraíso. Ver com. Luc. 23: 43. O horto do Edén era o "paraíso" na terra. Quando o Edén seja restituído a este mundo (ver PP 46-47; CS 704, 706), a terra chegaránovamente a ser um "paraíso". Quanto à aplicação da mensagem à igreja de Efeso em determinado período na história, verNota Adicional ao final deste capítulo; e quanto à aplicação da mensagem à igreja literal, vercom. Apoc. 1: 11. 8. Ángel. Ver com. cap. 1: 20. Esmirna. Durante muito tempo se creu que este nome derivava de múron, o nome de uma borrachaaromática que se extraía da árvore arábigo Balsamodendron myrrha.
  29. 29. Esta borracha se usava para embalsamar aos mortos, como medicina era um ungüento oubálsamo, e também se queimava como incenso. Ver com. Mat. 2: 11. Os eruditos se inclinamagora a opinar que este nome deriva de Samorna, uma deusa de Anatolia que era adorada emEsmirna (ver p. 98). A respeito da antiga cidade de Esmirna, ver p. 96; mapa p. 640. Não háregisto de quando nem durante o ministério de quem se estabeleceu a igreja de Esmirna. Estaigreja não é mencionada em nenhum outro lugar das Escrituras. O período histórico correspondente à igreja de Esmirna pode considerar-se que começa afins do século I (c. 100 d. C.) e continua aproximadamente até o ano 313 d. C., quando oimperador Constantino favoreceu a causa da igreja (ver Nota Adicional ao final do capítulo;com. vers. 10); mas alguns sugerem no ano 323 d. C., a data da suposta conversão desteimperador ao cristianismo. Deve notar-se que as profecias dos cap. 2 e 3 não são, em sentidoestrito, profecias que indiquem tempo exato; as datas se sugerem singelamente para facilitar acorrelação aproximada da profecia com a história. O primeiro e o postrero. Ver com. cap. 1: 8, 17. Esteve morto. Ver com. cap. 1: 18; 2: 1. Para uma igreja que enfrentava a perseguição e a morte por sua fé,a ênfase sobre a vida em Cristo cobrava um significado especial. 9. Teus. Ver com. vers. 2. Obras. A evidência textual estabelece (cf. p. 10) a omissão desta palavra. Ver com. vers. 2. Tribulación. Ou "aflição", "dificuldade". Perseguições intermitentes lançadas por diferentes imperadoresromanos, caracterizaram a situação da igreja durante este período. No tempo dos imperadoresTrajano (98-117), Adriano (1 17-138) e Marco Aurelio (161-180), a perseguição foi esporádica elocal. A primeira perseguição geral e sistemática contra os cristãos foi obra de Decio (249-251)e Valeriano (253-259). A opressão política chegou a sua manifestação mais sangrenta com oimperador Diocleciano (284-305) e seus sucessores imediatos (305-313). O períodorepresentado pela igreja de Esmirna bem pode chamar-se historicamente o tempo dosmártires. Nos séculos que decorreram desde então 763 foram perfumados (ver com. vers. 8)com o amor e a consagração dos milhares de anônimos que neste período foram fiéis "até amorte". Pobreza.
  30. 30. Gr. ptÇ jéia, "pobreza extrema" (cf. Mar. 12: 42). A igreja de Esmirna sem dúvida não era tãogrande nem tão próspera como a congregação vizinha de Efeso. Os cristãos de Efeso tinham deixado "seu primeiro amor ", no entanto não se lhe faz estatensão aos de Esmirna. Em mudança Cristo lhes recorda que são espiritualmente "rios" (vercom. Sant. 2: 5). Blasfemia. Gr. blasfemía, "maledicencia", "difamação", já seja a respeito de Deus ou do homem. Nestecontexto poderia ser preferível tradução "calúnia". Judeus. Provavelmente "judeus" em sentido figurado e não literal (os cristãos agora são um símbolode Israel: Rom. 2: 28-29; 9: 6-7; Gál. 3: 28-29; 1 Ped. 2: 9). O termo, tal como se usa aqui, sem dúvida se refere aos pretendiam servir a Deus, mas emverdade serviam a Satanás. A figura tem uma base histórica. O livro dos Fatos revela que muitas das dificuldades daigreja primitiva surgiram de calúnias e acusações lançadas pelos deus contra os cristãos (Hech.13: 45; 4: 2, 19; 17: 5, 13; 18: 5-6, 12; 21: 27). Essa situação evidentemente existia em Esmirna.Diz-se que no século II os judeus causaram martírio de Policarpo, bispo de Esmirna. duranteesse tempo Tertuliano fala das sinagogas como "fontes de perseguição" (Scorpiace 10). Não o são. Eram hipócritas. Sinagoga de Satanás. Compare-se com o vergonhoso qualificativo "geração de víboras" (Mat. 3: 7). A sinagoga, como centro de vida comunal judia (ver t. V, pp. 57-59), sem dúvida o lugar ondese tramaram muitas intrigas contra os cristãos. O nome e Satanás significa "acusador" ou"adversa" (ver com. Zac. 3: 1; Apoc. 12: 10). Estes centros judeus chegaram a ser, literalmente, "sinagogas do acusador". 10. Não temas nada. Ver com. Sant. 1: 2; cf. Juan 16: 33. Vais padecer. Ou "estás por padecer". A igreja de Esmirna tinha sido indubitavelmente importante alvodas calúnias dos judeus, mas os membros não tinham sentido ainda toda a violência daperseguição. No entanto, esses cristãos sem dúvida conheciam a perseguição que já tinha
  31. 31. açoitado outros lugares e tiveram que ter pensado em que lhes sobreviriam dificuldadesfuturas. Isso está implícito na forma do verbo "temer": indica que já estavam temerosos. Cristo os consuela com a segurança de que apesar das sombrias perspectivas de perseguiçãonão tinham por que ter temor. Ver Mat. 5: 10-12. Provados. Ou "submetidos a prova". Satanás os submeteria a perseguição para obrigá-los a renunciar asua fé. Deus permitiria a perseguição como um meio de fortalecer e provar a sinceridade desua fé. Ainda que Satanás ruja contra a igreja, a mão de Deus cumpre seu propósito. Ver Sant.1: 2; Apoc. 2: 9. O imperador Trajano (98-117 d. C.) decretou a primeira política oficial romana contra ocristianismo. Na famosa carta 97, dirigida a Plinio o jovem, seu governador em Bitinia e Pontoem Ásia Menor, Trajano traçou um procedimento para tratar aos cristãos, que eram nessetempo uma sociedade religiosa ilegal. Ordenou que os servidores públicos romanos nãotinham de procurar aos cristãos, mas que se os que eram trazidos ante eles por outros delitosresultavam ser cristãos, deviam ser executados a não ser que renegassem de sua fé. Esteedital, ainda que esteve longe de ser posto em vigor uniformemente, permaneceu como lei atéque Constantino promulgou seu edital de tolerância em 313 d. C. Os cristãos estiveram pois constantemente sujeitos durante dois séculos à possibilidade deser subitamente prendidos e executados por causa de sua fé. Seu bem-estar dependia emgrande parte do favor de seus vizinhos pagões e judeus, quem podiam deixá-los em paz ouacusá-los ante as autoridades. Isto poderia denominar-se perseguição permitida. O imperadornão tomava a iniciativa de perseguir aos cristãos, mas permitia que seus representantes e asautoridades locais tomassem ditas medidas contra os cristãos se o criam conveniente. Estapolítica deixava aos cristãos a graça dos diversos servidores públicos locais sob os quais viviam.Os cristãos foram atacados especialmente em tempos de fomes, terremotos, tormentas eoutras catástrofes, pois seus vizinhos pagões criam que tinham atraído a ira divina sobretudo opaís porque se negavam a adorar a seus deuses. No entanto, as vezes o governo romano levou a cabo perseguições agressivas contra a 764igreja (ver com. vers. 9). Os romanos observadores viam que o cristianismo crescia sem cessarem extensão e em influência por todo o império, e que era fundamentalmente incompatívelcom o modo de vida romano. Deram-se conta de que com o tempo destruiria o modo de vida romano. Portanto, osimperadores mais capazes foram os que com freqüência perseguiram à igreja, enquanto osque descuidavam suas responsabilidades geralmente estiveram dispostos a não lhes molestar. A primeira perseguição geral e sistemática contra a igreja foi empreendida pelo imperadorDecio, cujo edital imperial do ano 250 tinha o propósito de suprimir totalmente o cristianismomediante torturas, morte e confiscação de propriedades. A ocasião deste decreto foi acelebração dos mil anos da fundação de Roma que se tinham cumprido uns três anos antes,época em que se viu mais claramente a decadência do império em comparação com as glóriasdo passado. O cristianismo chegou a ser a vítima ou bode expiatório, e se decidiu raer a igreja
  32. 32. provavelmente para salvar o império. Esta política decaiu com a morte de Decio no ano 251 d.C., mas resurgiu com Valeriano pouco tempo depois. Com a morte deste decaiu novamente, enão foi até o reinado de Diocleciano quando a igreja se viu frente a outra crise maior (ver ocomentário imediato seguinte). Dez dias. Esta expressão foi interpretada de duas maneiras. Aplicando o princípio de dia por ano paracomputar os lapsos proféticos (ver com. Dão. 7: 25), como um período de dez anos literais, oqual se aplicou ao período da implacável perseguição imperial de 303-313 d. C. Diocleciano eseu cogobernante e sucessor, Galerio, dirigiram nessa década a mais encarnizada campanhade aniquilamento do que o cristianismo jamais sofresse a mãos da Roma pagã. Criam, como seus predecessores Decio e Valeriano, que o cristianismo tinha crescido tantoem Poder e popularidade dentro do império, que a não ser que fosse rapidamenteexterminado, deixaria de existir o modo tradicional de vida romano e o império sedesintegraria. Por isso iniciaram uma política destinada a exterminar à igreja. O primeirodecreto de Diocleciano contra os cristãos foi promulgado no ano 303; este proibia a prática docristianismo em todo o império. A perseguição começou dentro do exército e se estendeu por todo o império. As autoridades romanas concentraram sua crueldade nos clérigos cristãos, pois criam que sese destruía aos pastores, a grey seria dispersada. Os horrores desta perseguição são descritosvívidamente pelo historiador eclesiástico Teodoreto (História eclesiástica i. 6), quem descrevea reunião dos bispos da igreja no Concílio de Nicea em vários anos depois do fim daperseguição (325 d. C.). Alguns assistiram sem olhos, outros sem braços porque lhes tinhamsido arrancados, outros com o corpo terrivelmente mutilado em diferentes formas. Porsuposto, muitos não sobreviveram a este sombrio tempo de aflição. No ano 313, uns dez anosdepois do começo destas perseguições, Constantino promulgou um decreto que concedia aoscristãos plena liberdade para praticar sua religião. Mas outros pensam que não é do todo seguro que os "dez dias" representem um tempoprofético, e o explicam assim: "o que vai padecer", "o diabo", "o cárcere" e "a morte" semdúvida são literais, portanto, é natural esperar que os "dez dias" também fossem literais.Neste caso o número "dez" poderia considerar-se como um número global, como sucedemuito com freqüência nas Escrituras (Ecl. 7: 19; Isa. 5: 10; Dão. 1: 20; Amós 6: 9; Hag. 2: 16;Zac. 8: 23; Mat. 25: 1, 28; Luc. 15: 8; etc.; cf. Mishnah Aboth 5. 1-9). "Dez dias" representariam,como número redondo, um breve período de perseguição como a que sem dúvida sofreu aigreja de Esmirna nos tempos apostólicos. Estaria completamente de acordo com sólidosprincípios de interpretação profético (ver com. Deut. 18: 15) que os "dez dias" tivessem umainterpretação literal com respeito à situação histórica imediata de Esmirna e uma aplicaçãofigurada ao período representado por esta igreja (ver com. Apoc. 1: ; 2: 1, 8 -e p. 742; NotaAdicional ao final do capítulo). Sê fiel.
  33. 33. A flexão do verbo se traduz melhor "continua sendo fiel". Esmirna demonstrou que era umaigreja fiel. Até a morte. Ou "inclusive na morte". Coroa. Gr. stéfanos, "diadema" ou "guirnalda de vitória", não uma diadema de autoridade. Esta palavra descrevia as guirnaldas que se davam aos vencedores dos jogos gregos. É umsímbolo da recompensa que se dará ao vencedor na luta com Satanás. 765. Da vida. A frase "coroa da vida" provavelmente se traduziria melhor com o sentido "a coroa que évida". Esta coroa é a evidência da vitória sobre o diabo e a "tribulación" que ele causou. Cf. 2Tim. 4: 8. 11. O que tem ouvido. Ver com. vers. 7. O que vencer. Ver com. vers. 7. Quiçá deva destacar-se que se vence apesar da "tribulación" já mencionada(vers. 10). Segunda morte. Em contraste com a primeira morte, que transitoriamente põe fim à vida agora, mas da qualterá uma ressurreição tanto de "justos como... injustos" (Hech. 24: 15). A segunda morte seráa extinção final do pecado e os pecadores, e dela não terá ressurreição (ver com. Apoc. 20: 14;cf. cap. 21: 8). 12. Ángel. Ver com. cap. 1: 20. Pérgamo. Esta cidade foi a capital da província romana de Ásia durante dois séculos, depois de queAtalo III, seu último rei, legou-a junto com o reino de Pérgamo a Roma no ano 133 a. C. (verpp. 99- 100). A cidade de Pérgamo tinha sido desde princípios do século III a. C. um dos centrosprincipais da vida cultural e intelectual do mundo helenístico. Ainda que no tempo de Juan,Efeso começava a superá-la como cidade principal de Ásia, Pérgamo continuou retendo em
  34. 34. boa medida sua importância anterior. As duas cidades tinham competido muito tempo poresta honra. Há mais informação quanto à antiga cidade de Pérgamo no p. 98; ver mapa p. 640. O significado do nome Pérgamo é incerto, mas parece provir de "cidadela" ou "acrópolis". Oestado característico da igreja durante o período de Pérgamo foi de ensalzamiento. Depois deser considerada como uma seita proscrita e perseguida, surgiu à popularidade e ao poder (vercom. vers. 13). Espada aguda de dois fios. Esta descrição, como as que introduzem as mensagens para as igrejas de Efeso e Esmirna,prove da que se dá do Cristo glorificado no cap 1: 16 (ver o comentário respectivo e com. cap.2: 1). 13. Tuas obras. A evidência textual estabelece a omissão das palavras "tuas obras". Cf. com. vers. 2. O trono de Satanás. Pérgamo se distinguiu no ano 29 a. C. por ser a sede do primeiro culto rendido em vida a umimperador. Edificou-se um templo e foi dedicado à adoração conjunta da deusa Roma(personificación do espírito do império) e ao imperador Augusto. Nos dias em que Juanescreveu estas palavras os cristãos sofriam intensas perseguições por negar-se a adorar aoimperador Domiciano (81-96 d. C.), quem insistia em ser adorado como "senhor e deus". Pérgamo era também a capital religiosa de Ásia Menor, o centro das religiões de mistério, etinha muitos templos pagões. Sua designação como o lugar "onde está o trono de Satanás"resultava pois muito apropriada (ver p. 100). O período da história da igreja correspondente a Pérgamo pode considerar-se que começaao redor do tempo em que o imperador Constatino favoreceu a causa da igreja, no ano 313 d.C. ou no de sua aparente conversão em 323, e termina em 538 (ver Nota Adicional ao finaldeste capítulo). Durante este período foi quando o papado consolidou sua posição comocabeça religiosa e política da Europa ocidental (ver Nota Adicional de Dão. 7) e Satanásestabeleceu seu "trono" dentro da igreja cristã. O papado era e é uma combinação mestra depaganismo com cristianismo. Este período bem pode chamar-se a era da popularidade. Nome. Ver com. vers. 3. Minha fé. Isto é, fé em mim. Compare-se com os casos dos heróis da fé cujos nomes estão registradosem Heb. 11. Antipas.
  35. 35. Um nome grego familiar, composto das palavras: anti, "em lugar de", e pas, forma abreviadade patér, "pai" (cf. com. Luc. 3: 1; 24: 18; ver Josefo, Antigüidades xiv. 1. 3). Este nome refletiaa esperança de um pai de que o filho assim chamado finalmente o substituiria no mundo. Alguns comentários sustentam que um cristão chamado Antipas tinha sido martirizado porsua fé pouco antes em Pérgamo, quiçá por negar-se a adorar ao imperador. Se assim sucedeu,o caso e exemplo desse fiel mártir podem considerar-se como típicos dos incontáveis milharesque sofreram por sua fé em séculos posteriores. Ainda que é possível que o nome tenha umaaplicação figurada ao período da história eclesiástica correspondente com Pérgamo, aInspiração não proporciona nenhuma clave evidente quanto a esta aplicação. Testemunha. Gr. mártus, "testemunha". Um "mártir" é aquele cuja morte testemunha de sua fé. 766. 14. Ti. A respeito da ênfase do singular, ver com. vers. 2. Balaam. Ver Núm. 22-24. A analogia com Balaam sugere que em Pérgamo tinha pessoas cujopropósito era dividir e arruinar à igreja fomentando práticas que eram proibidas para oscristãos (ver o comentário sobre "coisas santificadas"; cf. com. Hech. 15:29). Balaam fomentouseus interesses pessoais, não os do povo de Deus. Tropeço. Gr. skándalon, o dispositivo que faz saltar uma armadilha; portanto, "pôr tropeço" adiantede uma pessoa é fazê-la cair. Ver com. Mat. 5:29. Coisas sacrificadas. O comer estas coisas e a fornicação foram práticas proibidas expressamente pelo concílio deJerusalém (ver coro. Hech. 15:29; Rom. 14: 1; 1 Cor. 8: 1). Balaam influiu em Israel para quefornicasse "com as filhas de Moab", sacrificasse aos deuses moabitas e comesse, quiçá, dacarne sacrificada a esses deuses (Núm. 25:1-2; 31:16). Estes dois pecados conduziram a uma mistura de paganismo com a verdadeira religião. Estadescrição, aplicada à história cristã, corresponde com a situação da igreja no período queseguiu à legalização do cristianismo feita por Constantino em 313 e sua conversão nominal dezanos mais tarde. Este imperador praticou a política de combinar o paganismo e o cristianismoem todo o possível, numa tentativa deliberada por unir os diversos elementos do império parafortalecê-lo. A posição favorável, e ainda dominante, que se lhe outorgou à igreja a fez cairvítima das tentações que sempre acompanham à prosperidade e a popularidade. Nos dias deConstantino e seus sucessores quase todos continuaram sua política favorável à igreja, a qualrapidamente chegou a ser uma instituição político-eclesiástica e perdeu grande parte de suaanterior espiritualidade.
  36. 36. 15. Nicolaítas. Ver com. vers. 6. 16. Arrepende-te. Esta penetrante advertência reflete o grave perigo espiritual em que estava a igreja dePérgamo. A espada de minha boca. Ver com. cap. l: 16; cf. cap. 2:12. A espada simboliza o castigo que resultaria se não searrependia. 17. Tem ouvido. Ver com. vers. 7. Ao que vencer. Ver com. vers. 7. Maná escondido. Ver Exo. 16:14-36. Alguns crêem que esta alusão pode ser ao maná que Aarón colocou numavasilha e guardou no arca (Exo. 16:33; Heb. 9:4). Um antigo ensino judia declara que quandovinga o Mesías, "o tesouro do maná descerá novamente do alto, e comerão dele naquelesanos" (2 Baruc 29: 8). Segundo o que diz o apóstolo em Juan 6:31-34, aqui ,"maná" pareceriasimbolizar a vida espiritual em Cristo agora e a vida eterna no além (ver com. Juan 6:32-33). Piedrecita branca. Sugeriram-se vários costumes antigos como base para esta alusão ao obséquio de umapedra branca, mas nenhuma delas é completamente satisfatória. Uma dos costumes antigoscomuns era que os membros de um júri usavam uma pedra branca e outra negra para absolverou para condenar. Tudo o que pode dizer-se com razoável certeza é que Juan sem dúvida se refere a algumacerimônia que implicava o conferir um presente ou render uma honra especial. Nome novo. Na Bíblia o nome de uma pessoa com freqüência representa seu caráter, e um nome novoindicá-la um novo caráter. O nome novo não segue o modelo do antigo, senão que o substitui,é diferente. Se lhe promete ao cristão um "nome novo", isto é, um caráter novo e diferente,modelado segundo o de Deus (cf. Isa. 62:2; 65: 15; Apoc. 3:12).
  37. 37. Nenhum conhece. O renascimento espiritual e a transformação do caráter só podem ser entendidos pelapessoa que os experimentou. Todo esforço por explicar dita experiência a alguém que nãorenasceu, nunca pode apresentar um quadro verdadeiro ou completo dela (cf. Juan 3:5-8). 18. Ángel. Ver com. cap. 1:20. Tiatira. A origem e significado deste nome são incertos. Alguns sugeriram que Tiatira significa "docesabor de trabalho", talvez tendo em conta as "obras" da igreja expostas no vers. 19. Ainda quemenos notável do que as outras seis cidades mencionadas, no entanto a antiga Tiatira sedistinguia pelo número e a variedade das artes e os ofícios que ali floresciam. Entre eles evidentemente se destacava o tingido de telas (cf. Hech. 16:14). Os cristãos de Tiatira sem dúvida se ocupavam principalmente nos ofícios de sua cidade. Hámais informações a respeito da antiga cidade de Tiatira no p. 101; ver mapa p. 640. A mensagem a Tiatira, aplicado à história 767 cristã, corresponde particularmente com oque experimentou a igreja durante a escura Idade Média (ver Nota Adicional ao final destecapítulo). Essa idade escura resultou ser um tempo de máxima dificuldade para os queverdadeiramente amavam e serviam a Deus, e o período da história da igreja que correspondea Tiatira bem pode chamar-se a idade da adversidade. Devido à perseguição, øchama-a daverdade vacilou e quase se apagou. Algumas tendências que começaram em períodos anteriores chegaram a predominardurante essa idade escura. Como as Escrituras não estavam ao alcance de todos os cristãos,em seu lugar se engrandeceu a tradição. Chegou-se a considerar as obras como um meio paraatingir a salvação. Um falso sacerdocio humano escureceu o verdadeiro sacerdocio divino deJesucristo. Ver Nota Adicional de Dão. 7. A Reforma consistiu essencialmente numreavivamiento e uma restauração das grandes verdades do Evangelho. A Reforma proclamavaque os homens só se salvam pela fé em Cristo, que sua única norma de fé e prática é aEscritura, e que toda pessoa pode apresentar-se por si mesma adiante do grande SumoSacerdote, Jesucristo, sem um intercesor humano. Filho de Deus. Ver com. Luc. 1:35; Juan 1: 14. Este título, como os que introduzem as mensagens às outrasigrejas, deriva da descrição do Cristo glorificado de Apoc. 1: 13 (ver coro. cap. 2: 1). Aqui se usao artigo definido para identificar especificamente ao Autor da mensagem com a segundapessoa da Deidade (cf. com. cap. 1: 13). Olhos... pés.
  38. 38. Ver com. cap. l: 14-15. 19. Quanto à força que tem o singular, ver com. vers. 2. Obras. Ver com. vers. 2. Amor. Gr. agápe, "amor" (ver com. Mat. 5: 43-44). A evidência textual estabelece (cf. p. 10) aseqüência: "amor, e fé, e serviço, e tua paciência". É uma enumeração das "obras" da igreja deTiatíra, entre as quais o amor e a fé são a base interna da manifestação externa de serviço epaciência. Fé. Gr. pístis (ver com. Rom. 3:3). Serviço. Gr. diakonía, "serviço" ou "ministério" (ver com. Rom. 12:7), Paciência. Gr hupomoné (ver com. cap. 1:9). Postreras. A mensagem para Tiatira é o único dos sete que reconhece que teve um melhoramento.Apesar das dificuldades em Tiatira, essa igreja cresceu espiritualmente. Estabeleça-se umcontraste com o caso oposto de Efeso (vers. 4-5) 20. Umas poucas coisas. Ainda que alguns MSS dizem "tenho muito contra ti" e outros dizem "tenho pouco contra ti",a evidência textual estabelece (cf. p. 10) o texto "tenho contra ti que toleras" (cf. vers. 4). Toleras. Gr. afi"meu, "permitir", "deixar operar". A igreja estava mal não só porque muitosabertamente apostataban, senão também porque não se fazia um esforço diligente parareprimir o avanço do mau. Jezabel. Ver em 1 Rei 16:31; 18:13; 19:1-2; 21:5-16, 23-25; 2 Rei 9:30-37 o relato a respeito daconduta de Jezabel. Parece que bem como Jezabel fomentou o culto a Baal em Israel (1 Rei

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