33 significado da nova jerusalém. apoc. 21,22

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33 significado da nova jerusalém. apoc. 21,22

  1. 1. O SIGNIFICADO DA NOVA JERUSALÉM Apocalipse 21 e 22 "Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terrapassaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a novaJerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noivaadornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono,dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará comeles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhesenxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haveráluto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aqueleque está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. Eacrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu,a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. O vencedorherdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho. Quanto,porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aosimpuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte quelhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segundamorte" (Apoc. 21:1-8). Esta visão de João continua a série de visões ("Vi") que começaramcom a do segundo advento em Apocalipse 19:11. Alguns inclusiveconsideram Apocalipse 21:1-8 como "a parte mais importante de seulivro".1 Apocalipse 20 e 21 estão unidos por muitos elos. Ambos falamde "céu e terra" (20:11; 21:1), do "mar" (20:13; 21:1), do "livro da vida"(20:12; 21:17), do "trono" de Deus (20:11; 21:3), da "segunda morte"(20:14; 21:8) e do "lago de fogo" (20:15; 21:8). Estas conexõesconfirmam que a visão da Nova Jerusalém é a culminação da longacadeia de visões que aparecem em Apocalipse 19:11 a 21:8. Em outraspalavras, a visão de "um novo céu e uma terra nova" (21:1) segue àsegunda vinda de Cristo (19:11-16) e ao milênio. A descida da presença constante de Deus sobre a terra renovada é opropósito do plano de Deus e de seus juízos sobre a humanidadepecadora. Por conseguinte, a visão de Deus morando com os homens em
  2. 2. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 2Apocalipse 21:1-8 forma o ponto culminante de todas as visõesanteriores de João, e a consumação da esperança dos mártires. RoyNaden diz bem. "Sob a inspiração do Espírito Santo, os dois últimoscapítulos de seu livro [o de João] formam o cântico mais sublime".2 Agora João recebe visões repetidas da Nova Jerusalém (Apoc.21:1-8, 10-27; 22:1-6), que revelam progressivamente o esplendor dacidade de Deus. O fato de que João volta a ouvir a voz de Deus desdeseu trono ordenando que escrevesse palavras que são "fiéis everdadeiras" (21:5) é significativo. Desta maneira Deus autentica averacidade do que João viu. As palavras de Deus estão formuladas naspromessas do Antigo Testamento que eram familiares ao povo de Israel.João usa estas alusões para enfatizar a continuidade do pacto de Deus.Destaca seu cumprimento repetindo sete vezes que Deus e o Cordeiroestão unidos inseparavelmente com a Nova Jerusalém (21:9, 14, 22, 23,27; 22:1, 3). Dessa maneira João informa à igreja que suas visões daNova Jerusalém são em essência diferentes das esperanças nacionaisjudaicas de seu tempo. Sua esperança futura se centraliza em CristoJesus e em seu povo universal. Ao adotar a linguagem gráfica de Isaías e Ezequiel, João descreve"a realidade indescritível do céu... o quadro mais detalhado que algumavez se deu na Escritura da realidade incomparável que Deus preparoupara seus filhos".3 O Significado Religioso de Jerusalém no Antigo Testamento Os nomes de Jerusalém e o monte Sião são usados em formasinônima no Antigo Testamento (ver Miq. 3:12; 4:8; Isa. 10:12).Jerusalém devia sua santidade ao traslado que fez Davi da arca de Jeová,o símbolo do trono de Deus ao monte Sião (2 Sam. 6; Sal. 132:13-16).Sião funcionou como o centro da inspiração, salvação e adoração divinas(vejam-se os salmos 46, 48, 76). O Salmo 46 não glorifica a Jerusalémem si, exceto como o lugar onde Deus mora:
  3. 3. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 3 "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nastribulações... Há um rio, cujas correntes alegram a cidade de Deus, osantuário das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; jamais seráabalada; Deus a ajudará desde antemanhã" (Sal. 46:1, 4, 5). O Salmo 46 termina com uma perspectiva escatológica damajestade de Deus: "Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações,sou exaltado na terra" (Sal. 46:10). Espraiando-se sobre esta esperança paradisíaca, o salmista descrevea Jerusalém em termos ideais: "Há um rio, cujas correntes alegram acidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo" (Sal. 46:4).Como pôde o salmista dizer que Jerusalém tinha um "rio" quando nãopossui nenhum arroio, exceto um pequeno manancial perto de Giom?(ver 1 Reis 1:33, 38). Sua visão percebeu o tempo de salvaçãomessiânico. Vários profetas também descreveram a Jerusalém escatológicacomo possuindo uma correnteza no marco do paraíso restaurado (ver Isa.33:21; 35:6, 7; Joel 3:18; Ezeq. 47:1-12; Zac. 14:8). Dessa maneira, acidade histórica de Davi chegou a ser na "teologia de Sião" de Jerusalémum símbolo da esperança escatológica, um tipo profético do reinomessiânico. Dois profetas fizeram de Jerusalém a parte central de seupanorama futuro e portanto merecem nossa atenção. Ezequiel mostrou que Deus não estava atado incondicionalmente aJerusalém, mas sim a julgaria por sua apostasia religiosa, moral e social(Ezeq. 8-11). Deus abandonaria o templo e voltaria só para um Israelrenovado moralmente (36:24-28; 37:26, 27), promessa que se amplia nadescrição do novo templo em Ezequiel 40 a 48. Esse templo da visão deEzequiel é de origem divina. É "uma realidade celestial criada pelopróprio Jeová e transplantada para permanecer na terra".4 Virá à terra sóquando o Israel de Deus seja purificado e quando o Messias tenha vindoa Israel (37:24, 25). A característica do novo templo será um rio doadorde vida fluindo debaixo do templo (47:1-12). Este característico formaum elo com o jardim do Éden (ver Gên. 2:8-14).
  4. 4. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 4 Isaías viu, em sua perspectiva profética, como os gentios irão àNova Jerusalém com a confissão religiosa: "Só contigo está Deus, e nãohá outro que seja Deus" (Isa. 45:14; cf. 1 Cor. 14:25). Tudo estará unidopor sua fé messiânica antes que por laços étnicos ou políticos. Isaíasemprega os símbolos das pedras preciosas e jóias resplandecentes paradescrever a beleza de seus muros e portas (Isa. 54:12), desenho queevoca a volta da opulência paradisíaca (ver Ezeq. 28:11-15; Isa. 51:3).Embora isto assinala a uma qualidade transcendente da Nova Jerusalém,não há indicação em Isaías de que esta cidade tem uma origemextraterrestre. Sua glória sobrenatural emana da presença de Deus. Aessência de seu atrativo único não é tanto sua beleza externa como apromessa de que Jeová voltará e de novo estará unido com seu povo (Isa.60:1, 2, 19; 62:11 ). Portanto, a cidade recebe um nome novo (Isa. 62:2). Já nãonecessitará mais a luz do sol ou a da lua, porque "o Senhor será a tua luzperpétua, e o teu Deus, a tua glória" (60:19; cf. Apoc. 21:23; 22:5). Isaíasmescla seu conceito da Sião do tempo do fim com seu motivo de umanova criação usando as cores realistas de um paraíso terrestre (Isa.65:17-25). Embora tenha anunciado mais explicitamente que nenhumoutro profeta a criação de "novos céus e terra nova" (v. 17), estadescrição poética da Jerusalém renovada permanece em continuidadecom o contexto histórico (v. 20). Permanece como uma realidadeterrestre embora transformada. Sua bênção mais rica não será alongevidade ou a prosperidade, a não ser a presença de Jeová pararesponder suas orações (v. 24). Mas também estará presente o Messias,porque terá chegado o jubileu messiânico (61:1-3, 10; cf. Luc. 4:17-21). Por esta análise breve do panorama profético de Jerusalém quetemos nos salmos, no Isaías e no Ezequiel, sabemos que a cidade deJerusalém desempenha o papel de tipo de uma Jerusalém futura e maisgloriosa. No Apocalipse de João vemos como se cumprirá esta promessa,muito além das expectativas dos profetas hebreus, na Nova Jerusalém deApocalipse 21 e 22. Roberto Badenas o resumiu bem nestas palavras:
  5. 5. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 5 "Como uma recapitulação mestra da história humana e da história dasalvação, a Nova Jerusalém chega a ser a realização da teocracia ideal deDeus, o símbolo perfeito da reunião do povo de Deus, o lugar dacomunicação perfeita entre o Criador/Redentor e suas criaturas redimidas. ANova Jerusalém será para os novos céus e nova terra o que a antigaJerusalém nunca conseguiu ser para o Israel e o mundo".5 Depois de tudo, a Nova Jerusalém desce de cima, como uma criaçãonova de Deus, e por conseguinte será completamente diferente da velhaJerusalém. Esperanças Judaicas Durante o Período Intertestamentário Muito pouco tempo depois da revolta macabéia (168-164 a.C.), os"sonhos-visão" do Apocalipse Etiópico de Enoc, escrito por volta dosanos 165-161 a.C., predisseram que com a aparição do Messias e aressurreição dos justos mortos se construiria uma Nova Jerusalém, "umacasa nova, maior e mais alta que a primeira, e a pôs no lugar da que tinhasido recolhida" (1 Enoc 90:29).6 Alguns escritos apocalípticos judeusdepois de 70 d.C. expressaram a esperança de uma Nova Jerusalém"preparada antes", quando Deus decidiu criar o paraíso (2 Baruc 4:3).7"Aparecerá a esposa como uma cidade e se verá a terra que estáatualmente oculta... Com efeito, se manifestará meu Filho o Messias comos que estão com ele, e encherá de gozo os (justos) que sobrevivamdurante quatrocentos anos" (4 Esdras 7:26-28).8 Aparentemente, alguns conciliábulos de judeus piedosos contavamcom que Deus havia "preparado e edificado" (4 Esdras 13:36) uma Siãoou Nova Jerusalém no céu que desceria à terra com o amanhecer do novomundo. O autor do livro Apocalipse Eslavônico de Enoc (2 Enoc 55:2),também afirmou que a Nova Jerusalém estava situada no céu. A literatura rabínica não continuou com estas expectativas judaicas,exceto na época posterior dos Midrash.9 Os rabinos em generalacreditavam que imediatamente depois do juízo dos ímpios, Deus ou o
  6. 6. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 6Messias edificariam uma Nova Jerusalém sobre a terra. 10 Eduard Lohsedeclara que "nenhum rabino diz que a Jerusalém celestial descerá àterra".11 As portas e as muralhas da Nova Jerusalém seriam construídas comsafiras e com pedras preciosas e suas ruas com puro mármore branco(Tobias 13:16, 17). A cidade seria tão grande, que sua grande muralha seestenderia tão longe como Jope ou Damasco para albergar a "a raçacelestial dos judeus bem-aventurados" no futuro (Oráculos sibilinos5:250-252).12 Deus viveria na cidade que levaria o nome de Deus.13 Acaracterística central desta Jerusalém reconstruída seria o novo templo.14Comentam Strack-Billerbeck: "Para o pensamento judeu, eracompletamente patente que a Nova Jerusalém não careceria de templo. Adeclaração do vidente cristão, e não vi nela templo (Apoc. 21:22) teriasido inconcebível na velha sinagoga".15 Esta recapitulação das diversas esperanças no judaísmo tardioindica que a esperança apocalíptica de João em uma Nova Jerusalém semum templo é uma esperança distintivamente cristã, que se centraliza napresença de Cristo. A Teologia de Paulo de uma Jerusalém Celestial Paulo continuou o ensino de Cristo, de que Jerusalém e seu templojá não eram o lugar onde Deus habitava (ver Mat. 23:38; Gál. 4:25;também Heb. 12:22). Paulo escreveu que a igreja apostólica tinhachegado a ser o templo terrestre onde Deus estava presente: "Porque nóssomos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei eandarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo" (2 Cor.6:16; cf. Lev. 26:12; Jer. 32:38; Ezeq. 37:27; também Ef. 2:19-21). Esta verdade do evangelho não compete com a eficácia do templodo novo pacto no céu, onde Cristo ministra como nosso Sumo Sacerdotee intercessor e de onde envia seu Espírito vivificante (Heb. 7:25; 8:1, 2;
  7. 7. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 710:19; Rom. 8:34; 1 João 2:1). Paulo cria que a Jerusalém "de cima" é a"mãe" de todos os crentes cristãos, porque todos são renascidos por seuEspírito (Gál. 4:26, 29). Enquanto que no judaísmo rabínico a idéia de uma Jerusalémcelestial se concebia em termos de um equivalente da Jerusalém terrestreem topografia e mobiliário, Paulo contempla a Jerusalém celestial comoisenta de todas as noções geográficas, étnicas e nacionais. A Jerusalémcelestial é a pátria dos cristãos, onde Cristo está e em que todos oscristãos têm sua cidadania (políteuma) registrada no livro da vida doCordeiro (Filip. 3:20; 4:3; também Heb. 12:22, 23; Apoc. 21:27). PorApocalipse 21:27 chega a ser evidente que o livro da vida do Cordeiro éa lista dos que estão inscritos como cidadãos da Jerusalém celestial. A cidade celestial não é uma estrutura vazia; é a comunidadeadoradora da igreja na terra com os anjos e os redimidos no céu (Heb.12:22). Alguns identificaram a Nova Jerusalém com a igreja. Entretanto,deve conservar-se a distinção entre a cidade celestial e a igreja na terra,da mesma maneira que Hebreus 12 declara que a igreja se aproximouhoje a Cristo e à Jerusalém celestial (vs. 22-24). Como Cristo está aomesmo tempo no céu e (por meio de seu Espírito) na terra, assimtambém existe uma relação espiritual íntima entre a Jerusalém celestial ea igreja sobre a terra. Assim como Cristo, que descerá fisicamente do céuà terra (Filip. 3:20), assim também a Jerusalém celestial descerá do céu àterra (Apoc. 21:2)! O objeto da esperança cristã não é meramente o "céu"e sim a cidade celestial: a Nova Jerusalém. Nossa cidadania atual nestasanta cidade representa mais que a segurança da salvação presente.Também nos dá a certeza de nossa entrada na cidade de descanso e gozoeternos (ver Heb. 4:9; 11:13-16). Assim como Abraão, os cristãos têmconfiança absoluta procurando a "cidade... por vir" (Heb. 13:14). Virádepois do juízo final. É chamativo que a esperança de uma Jerusalém celestial se descrevano contexto de uma polêmica antijudaica, não só no Gálatas 4:26 e 27 eem Hebreus 12:18-24, mas também em Apocalipse 3:9 e 12. João
  8. 8. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 8destaca a verdade evangélica de que só o Cristo ressuscitado "tem achave de Davi, que abre e ninguém fecha, e fecha e ninguém abre"(Apoc. 3:7). À luz de seu significado original em Isaías 22:22, estadeclaração ensina "que a Cristo pertence toda a autoridade com respeitoà admissão ou exclusão da cidade de Davi, a Nova Jerusalém". 17 Cristo éa fonte de segurança para os crentes fiéis de que herdarão a cidadecelestial. Diz Jesus: "Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamaissairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidadedo meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meuDeus, e o meu novo nome" (Apoc. 3:12). A Nova Jerusalém em Contraste com Babilônia A Nova Jerusalém de Apocalipse 21 e 22 se descreve com a mesmaimagem simbólica de uma "mulher" ou "esposa" como se tem descrito aigreja no Novo Testamento (ver 2 Cor. 11:2; Ef. 5:25-27). A visão queteve João da Jerusalém celestial como a "a noiva, a esposa do Cordeiro"(Apoc. 21:9), conecta a Jerusalém vindoura com a formosa "mulher" queaparece em Apocalipse 12:1 e 2. Na Nova Jerusalém a igreja já nãosofrerá por causa da perseguição ou da adoração apóstata. Por issoApocalipse 12 e 21 representam duas eras consecutivas: a era atual daigreja e a era por vir. A Nova Jerusalém está colocada em contraste com Babilônia, acidade prostituta. A prostituta tem gravado sobre sua fronte as palavras"mistério: Babilônia, a grande" (Apoc. 17:5), e está representada emApocalipse 18 como a cidade condenada. "A mulher que viste é a grandecidade que domina sobre os reis da terra" (v. 18). Este simbolismo duplode Babilônia (Apoc. 17, 18) contrapõe-se com o da Nova Jerusalém emApocalipse 21 e 22 por meio de uma antítese perfeita.
  9. 9. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 9 Todos os habitantes da terra que não procurem refúgio no monteSião (Apoc. 14:1), pertencem a Babilônia; seus nomes não estão escritosno livro da vida do Cordeiro (13:8). Estão obrigados a beber não só docálice do vinho de Babilônia mas também do cálice do vinho da ira deDeus sem mescla de misericórdia (14:10). Esta ira divina a descrevesimbolicamente com a imagem da condenação de Sodoma e Gomorra("com fogo e enxofre") (14:1; cf. Gên. 19:24), e a de Edom ("a fumaçade sua tortura sobe pelos séculos dos séculos", Apoc. 14:11; cf. Isa. 34:9,10). Esta linguagem figurada expressa a finalidade do juízo de Deus. Osimpenitentes nunca entrarão no descanso de Deus (Apoc. 14:11 ; cf. Sal.95:11 ). O Apocalipse de João põe em contraste a Jerusalém como a cidadedo Cordeiro (Apoc. 21:2, 9) com Babilônia como a cidade da besta(caps. 17 e 18). É significativa a forma idêntica como as introduz o anjodo juízo: APOCALIPSE 17:1 APOCALIPSE 21:9"Veio um dos sete anjos que têm as "Então, veio um dos sete anjos quesete taças e falou comigo, dizendo: têm as sete taças cheias dos últimosVem, mostrar-te-ei o julgamento da sete flagelos e falou comigo, dizendo:grande meretriz que se acha sentada Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposasobre muitas águas". do Cordeiro". Este arranjo literário ensina que a Nova Jerusalém é a únicaalternativa para Babilônia. Ambas as visões desenvolvem maiscorrespondências opostas (ver Apoc. 17:3-5 e 21:10-14). Ambas asseções literárias sobre Babilônia (17:1-19:10) e a Nova Jerusalém(21:9-22:6) concluem com a mesma segurança de que estas revelaçõesdescansam não meramente sobre a autoridade de um anjo e sim sobreDeus mesmo e, portanto, são "fiéis e verdadeiras":
  10. 10. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 10 APOCALIPSE 19:9 APOCALIPSE 22:6"Então, me falou o anjo: Escreve: "Disse-me [o anjo] ainda: Estas...São estas as verdadeiras palavras de palavras são fiéis e verdadeiras".Deus". A reação de João de adorar ao anjo depois de cada visão recebe amesma exortação: "Adora a Deus!" (Apoc. 19:10; 22:8, 9). Enquanto quetanto as seções sobre Babilônia e sobre Jerusalém começam e terminamda mesma forma, seus contextos ampliam os contrastes entre a cidadeprostituta e a cidade santa. A Segurança e Consolo Final do Apocalipse Em Apocalipse 21 e 22 João revela "o último das últimas coisas", oponto culminante de todas suas visões e de toda a Bíblia. A revelaçãoprincipal é a aparição de uma nova criação e o descida da NovaJerusalém (21:1, 2), que será a consumação do propósito eterno de Deuspara o planeta terra. Deus garante de uma maneira explícita aconfiabilidade de suas promessas (v. 5). Uma voz que sai do trono deDeus explica seu significado para a humanidade: "Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo deDeus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, eDeus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e amorte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque asprimeiras coisas passaram" (vs. 3, 4). Estas palavras resumem a essência da esperança de todos osprofetas e santos. Disse um comentador a respeito desta passagem: "Na verdade, é gozo inefável, porque aqui se descreve o propósito finalda igreja sofredora e a única recompensa que desejam realmente osmártires de Cristo, quer dizer, o próprio Deus na companhia de todos os queo amam".18 As palavras de João, "Vi novo céu e nova terra; porque o primeirocéu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe" (Apoc. 21:1),
  11. 11. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 11apontam ao novo ato criador de Deus que está confirmado por suadeclaração: "Eis que faço novas [kainá] todas as coisas!" (v. 5). O termogrego kainós ("novo"), que se emprega 4 vezes nos versículos 1-5,significa algo fundamentalmente novo, e enfatiza com mais vigor que otermo néos o caráter de cumprimento escatológico. Em sua visão anterior do grande trono branco, João declarou: "Vium grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presençafugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles" (Apoc. 20:11).João já declara que a velha terra e seus céus atmosféricos serãosubstituídos por uma nova criação. A nova característica dominante seráa cidade santa, a Nova Jerusalém. Sua perspectiva está afiançada sobreeste centro de existência para os redimidos. Vê a cidade Nova Jerusalém"que descia do céu, da parte de Deus" (21:2). Portanto, não é uma velhaJerusalém reconstruída na Palestina, e sim uma nova criação. Cumprirá aesperança de Abraão, "que esperava a cidade que tem fundamentos, cujoarquiteto e construtor é Deus" (Heb. 11:10). Pedro acrescenta aesperança de uma sociedade transformada: "Atendo-nos a sua promessa,aguardamos um céu novo e uma terra nova nos que habite a justiça" (2Ped. 3:13, NBE). Tanto Pedro como João fundamentam suas expectativas naspredições de Isaías (ver Isa. 65:17-19; 66:22, 23). A promessa do pactode Deus será levada a cabo na Nova Jerusalém sobre a terra feita nova: "Eis o tabernáculo [skené] de Deus com os homens [anthrópon]. Deushabitará [literalmente, tabernaculará] com eles. Eles serão povos de Deus[literalmente povos], e Deus mesmo estará com eles" (Apoc. 21:3). A expressão que diz que Deus "habitará" com os "homens" éprofunda, porque recorda a presença redentora de Deus no antigotabernáculo [skené] de Israel: "E me farão um santuário, e habitarei nomeio deles" (Êxo. 25:8). Em segundo lugar, o verbo "habitar, fazermorada" recorda João 1:14, onde se expressa a encarnação do Verbo deDeus com as palavras: "Habitou [literalmente, acampou, pôs seutabernáculo] entre nós".
  12. 12. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 12 Dessa maneira a promessa da Nova Jerusalém conecta a glória deDeus com a glória de Cristo e assegura à igreja que Deus deverá habitarentre os "homens" em cumprimento de sua promessa do pacto, o quesignifica que o primeiro advento de Cristo é a garantia da futura vinda deDeus com os seres humanos. As expressões "homens" e "seus povos"(em plural no texto original) indicam a inclusão de todos os crentes emCristo na sociedade do futuro. Inclusive serão abolidos os limites daigreja e de todas as denominações religiosas. A raça humana sobre aterra nova será o povo de Deus porque todos são "seus povos" (Apoc.21:3). E ele estará "com eles" sempre como o "Deus-com-eles" (v. 3,BJ). O resultado desta comunhão com Deus é: "E lhes enxugará dosolhos toda lágrima" (Apoc. 21:4). Aqui se repetem as promessas divinasde Isaías 25:8, 35:10 e 65:19 para indicar seu cumprimento dramático naNova Jerusalém. Então se cumprirá a esperança mais elevada de todos ossantos: "Verão seu rosto..." (Apoc. 22:4). Este ver a Deus dos sereshumanos foi a esperança dos crentes hebreus: "Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; eu me satisfarei datua semelhança quando acordar" (Sal. 17:15). "Depois que me arranquem a pele, já sem carne, verei deus; eu mesmoo verei, e não outro, meus próprios olhos o verão. O coração me desfaz nopeito!" (Jó. 19:26, 27, NBE). Esta foi a promessa explícita de Cristo: "Bem-aventurados oslimpos de coração, porque eles verão a Deus" (Mat. 5:8). Esta foi asegurança do Paulo: "Então veremos face a face" (1 Cor. 13:12). E a deJoão: "Haveremos de vê-lo como ele é" (1 João 3:2). A confiabilidadedesta promessa está recalcada por Deus: "Tudo está feito. Eu sou o Alfae o Ômega, o Princípio e o Fim... " (Apoc. 21:6). Só o Criador pode pronunciar palavras que criarão uma realidadenova (ver Gên. 1). Disse Cristo na cruz: "Está consumado!" (João19:30), e sua missão de oferecer sua vida em expiação pela raça humanaficou consumada. No fim das 7 últimas pragas a voz de Deus voltará adizer: "Feito está!" (Apoc. 16:17), e então se consumará o juízo de
  13. 13. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 13Babilônia. Quando a Nova Jerusalém descenda sobre a terra e Deusmorre com os redimidos, voltará a dizer: "Feito está!" (21:6). Então se cumprirá a oração do Pai nosso: "Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu" (Mat. 6:10). Como "o Alfae o Ômega", Deus é o iniciador e aperfeiçoador da criação. Apenas Eledá à história humana seu começo e seu objetivo. O objetivo se realizarátão certamente como seu começo. Outras duas promessas de Deustambém nos afetam hoje em dia: "Ao que tiver sede, eu lhe darei gratuitamente [doreán] da fonte daágua da vida. Quem vencer herdará todas as coisas, e eu serei seu Deus, eele será meu filho" (Apoc. 21:6, 7). A linguagem figurada de "estar sedento" era familiar para os santoshebreus (ver Isa. 55:1). Para eles significava gozar de comunhão comDeus. Colocaram um valor mais elevado neste companheirismo comDeus que no da própria vida física. Davi descarregou seu coração nestecântico poético: "Ó Deus, tu és meu Deus, eu te procuro. Minha alma tem sede de ti,minha carne te deseja com ardor, como terra seca, esgotada, sem água...Valendo teu amor mais que a vida, meus lábios te glorificarão" (Sal. 63:1, 3,BJ). "Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, óDeus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo;quando irei e me verei perante a face de Deus?" (Sal. 42:1, 2). Esta experiência da alma foi realizada só de maneira intermitente eparcial. Pela fé em Cristo está à nossa disposição uma nova comunhãocom Deus para todos os que a busquem: "Se alguém tem sede, venha amim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interiorfluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito quehaviam de receber os que nele cressem" (João 7:37-39). Quando Deus promete no Apocalipse de João que nos dará"gratuitamente da fonte da água" (Apoc. 21:6), oferece-nos o Espírito deCristo, quem pagou o preço definitivo por nós. Esta comunhão também
  14. 14. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 14oferece aos vencedores "gratuitamente" [doreán: "livremente" ], umtermo muito importante em Paulo (ver Rom. 3:24). O paraíso, como a presença de Deus, é oferecido a todos osvencedores pela graça de Deus. Este caráter-de-graça volta-se a recalcarna segurança de que o vencedor "herdará todas as coisas" (Apoc. 21:7).Uma herança nunca se pode ganhar, só pode receber-se pela vontade dotestador. Paulo explicou esta condição de herdeiro ao conectar a herançafutura de uma forma indissolúvel com Cristo como o dom maior deDeus. "Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deuse co-herdeiros com Cristo... Aquele que não poupou o seu próprio Filho,antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamentecom ele todas as coisas?" (Rom. 8:17, 32). A. Pohl observou o seguinte:"O Apocalipse não é menos cristocêntrico que Paulo".19 Isto é evidentepelas sete vezes que o Cordeiro é mencionado em Apocalipse 21 e 22. Aentrada na Nova Jerusalém é dada só a "os que estão inscritos no livro davida do Cordeiro" (21:27). Este é o propósito pastoral que João também indicou em seucontraste entre as duas mulheres simbólicas: a meretriz (Apoc.17:1-19:5) e a esposa de Cristo (19:6-10; 21:1-22:17). O interessepastoral de João para a era atual é alertar a cada crente a permanecer fielno Senhor. Elmer M. Rusten o explica assim: . "A razão pela qual dedica tanta ênfase à meretriz e à noiva é que nassete cartas escritas às sete igrejas (Apoc. 1:4, 11) a alternativa básica a quetinham que fazer frente [os membros] era se iriam formar parte da verdadeiraigreja, a noiva, ou da falsa igreja, a meretriz ".20 É nosso privilégio escutar o testemunho final de Cristo às igrejas: "Eis que venho sem demora. Bem-aventurado aquele que guarda aspalavras da profecia deste livro" (Apoc. 22:7). "Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue doCordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidadepelas portas" (Apoc. 22:14).
  15. 15. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 15 O Interesse Pastoral de João para com a Igreja da Atualidade João usa um estilo interessante para descrever a novidade da erafutura. Define a nova criação em termos negativos. Badenas nota-o como7 vezes: (1) não haverá mais mar (21:1); (2) não haverá mais morte,lágrimas, pranto, clamor ou dor (v. 4); (3) não haverá mais templo (v.22); (4) não haverá mais necessidade do Sol ou da Lua (21:23; 22:5); (5)não haverá noite, nem as portas nunca serão fechadas (21:25; 22:5); (6)não haverá mais pecado (21:27); e (7) não haverá mais maldição(22:3).21 Este estribilho de coisas que na última visão de João "não serãomais", indica quanto relaciona suas visões às necessidades presentes deseus membros de igreja. Escreve com um profundo interesse pastoralpara seus leitores que estavam sofrendo perseguição e estavamameaçados pelos poderes anticristãos do mar, João não escreve simplesmente para nos informar a respeito dosacontecimento futuros ou para satisfazer nossa curiosidade a respeito derealidades futuras. Seu propósito prático é respirar os crentes que deviampassar por provas a perseverar na Palavra de Deus e no testemunho deJesus apesar da cruel oposição. Insiste com cada crente para que faça suadecisão final entre a fidelidade ou a deslealdade a Cristo Jesus. Esterequerimento se apresentou primeiro nas sete cartas de Cristo às igrejas(Apoc. 2, 3). A promessa da recompensa descreveu-a na visão dos selos(6:9-11; 7) e na das trombetas (cap. 11). João assume constantementeque a causa de Cristo triunfará porque o Cordeiro de Deus é "o Rei dosreis e Senhor dos senhores" (17:14; 19:16). A hora da restauração doreino de Deus virá no próprio tempo de Deus durante a última trombeta: "E o sétimo anjo tocou a trombeta, e houve grandes vozes no céu, quediziam: Os reino do mundo veio a ser de nosso Senhor e de seu Cristo; e elereinará pelos séculos dos séculos" (Apoc. 11:15). O propósito de João é animar a cada cristão a fazer umcompromisso total com Cristo. João trata de obter este objetivocolocando em contraste o Cordeiro e a besta, a esposa e a prostituta, e a
  16. 16. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 16Nova Jerusalém e Babilônia. Este dilema de pertencer a umacomunidade ou à outra, insiste conosco a fazer agora uma eleiçãoexistencial porque nela estão envoltos destinos eternos. Badenas fez umalista dos surpreendentes contrastes entre Babilônia e a Nova Jerusalémno marco das visões onde aparecem, sua descrição e seu destino.22Conclui dizendo: "Estes paralelos mostram que a relação humana para com Deus e oCordeiro pode ser só de fidelidade (a noiva) ou de infidelidade (a meretriz).Como Deus é ao mesmo tempo justo e misericordioso, a salvação ou acondenação são os dois resultados possíveis da decisão humana, ou acidade celestial ou a cidade terrestre, a Nova Jerusalém ou Babilônia".23 João não proporciona informação abstrata para as prediçõesespeculativas. Apresenta claramente sua preocupação pastoral quandodestaca que há só duas classes de pessoas: os salvos ou os perdidos, osvencedores e os perdedores (ver Apoc. 21:7, 8; 22:11, 14, 15), os que"têm sede" da água de vida e os que não a têm (21:6; 22:17). Esta últimadistinção aponta à necessidade espiritual das pessoas antes que à suaconduta moral. Os que procuram a Deus em primeiro lugar parasatisfazer sua sede espiritual comparam-se com os vencedores: "Ao que tiver sede, eu lhe darei gratuitamente da fonte da água da vida.Quem vencer herdará todas as coisas, e eu serei seu Deus, e ele será meufilho" (Apoc. 21:6, 7). É iluminador descobrir que as características dos que são excluídosda Nova Jerusalém são as mesmas com as que se define a Babilônia e aseus habitantes: imundos (Apoc. 21:27; 18:2); abomináveis, que fazabominação, abominações (21:8, 27; 17:4, 5); homicidas (17:6; 18:24;21:8); fornicários (17:1, 2, 5, 15, 16; 18:3, 9; 21:8); feiticeiros, feitiçarias(18:23; 21:8); idólatras (19:20; 21:8); e mentirosos (19:20; 21:8). Badenas vê estas listas de vícios (Apoc. 21:8 e 22:15) como umaadmoestação pastoral "contra os que preferem outras relações à relaçãocom Deus. Isto é o que os exclui da santa cidade (cf. 21:27)".24 Emoutras palavras, João não se está referindo a feitos isolados de pecado anão ser à atitude de maldade e idolatria que separa o pecador de Deus.
  17. 17. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 17 Não deveria escapar à nossa atenção o fato de que João começa alista com "os covardes" (Apoc. 21:8). Os "covardes" são os que fogemde confessar a Cristo na hora de prova e por isso falham em perseverarna fé (ver Heb. 10:36-39). Quando Paulo se referiu à ameaça de"covardia" [deilías], admoestou imediatamente a Timóteo dizendo: "Nãote envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor..." (2 Tim. 1:7,8), e lhe assinalou o dom do "espírito... de poder". Em Apocalipse 21:8, João menciona pelo menos sete classes depessoas que serão excluídas da santa cidade. Como uma oitava classemenciona a "todos os mentirosos", Pohl considera que se refere a umarecapitulação das sete anteriores. A lista dos perdedores que Joãomenciona, cumpre a função da contraparte dramática das sete classes devencedores mencionados nas cartas às igrejas nos capítulos 2 e 3. Adesignação dos "mentirosos" é significativa, porque assinala a mentirareligiosa que perverte a verdade a respeito de Deus e do Cordeiro. Giblindenomina a esta mentira "a mentira definitiva", porque "a mentira é anegação da verdade, preeminentemente como a falsificação de Deus e doque deve a ele".25 Os mentirosos estão em notório contraste com os144.000 israelitas que seguem ao Cordeiro, de tal maneira que "em suasbocas não foi achada mentira" (Apoc. 14:5). Desde a primeira característica (a covardia) até a última (a mentira),o interesse de João aponta à elevada vocação do crente de atestar deCristo, de seguir ao Cordeiro e de confessar seu senhorio. A lista maispequena dos vícios em Apocalipse 22 conclui outra vez com "todoaquele que ama e pratica a mentira" (v. 15), o que indica que tais pessoasvivem a "mentira" como uma filosofia de vida, de caráter e de adoração.A mentira como a contraparte da verdade foi também a recapitulação quefaz Paulo da apostasia final em 2 Tessalonicenses 2:9-12.
  18. 18. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 18 O Significado do Esplendor da Nova Jerusalém Apocalipse 21:9 a 22:5 contêm uma descrição da Jerusalémcelestial. O anjo a compara com sua interpretação da condenação deBabilônia em Apocalipse 17:1 a 19:10. Reconhece-se que as duas seçõessão contrapartes intencionais. Felizmente, a visão que João teve da NovaJerusalém é a mais longa e elaborada do Apocalipse. Amplia as profeciasgráficas de uma Nova Jerusalém que apresenta Isaías 54 a 60 e Ezequiel40 a 48. Assim como Ezequiel, João vê sua visão em "um monte muito alto"(Ezeq. 40:2; Apoc. 21:10). A glória de Deus na Nova Jerusalém (Apoc.21:11) corresponde à glória do Jeová que vem do oriente no novo temploda visão do Ezequiel (Ezeq. 43:1, 2). A diferença é que agora Deusmesmo é a glória constante da santa cidade (Apoc. 21:11). Ezequiel seconcentra sobre o novo templo, mas João descreve uma cidadeimensamente maior sem um templo particular (Apoc. 21:22). João dedica uma atenção especial a suas amplas muralhas e a suasdoze portas. Usa o número "doze" doze vezes em Apocalipse 21, cifraque está carregada de significado. O anjo tem uma vara de medir, deouro, "para medir a cidade, suas portas e seu muro" (Apoc. 21:15). Acidade é descrita como um cubo perfeito medindo cada lado doze milestádios, que literalmente seriam 2.400 quilômetros em cada direção, atépara cima, muito além da estratosfera! Não é maravilha que osintérpretes responsáveis tenham advertido contra um dogmáticoliteralismo com respeito às visões de Apocalipse 21 e Ezequiel 40 a 48. Nestas profecias tão gráficas, "o grau de identificação segue sendoum problema que deverá ainda ser interpretado".26 Giblin declara queJoão "tenta evocar a imagem de um gigantesco lugar muito santo queera um cubo perfeito, recoberto de ouro (1 Reis 6:20)".27 As dimensõesde cubo da cidade sugerem claramente que toda a "santa cidade" é olugar santíssimo sobre a terra, o trono de Deus. Isto transcende anecessidade de ter qualquer templo local. O apóstolo o explica assim:
  19. 19. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 19 "E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor, Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro... "E tinha a glória de Deus. A sua luz era semelhante a uma pedrapreciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente" (Apoc.21:22, 11). Não pode haver dúvida de que o propósito de João em Apocalipse17 e 18 é colocar esta cidade de Jerusalém em contraste direto com acidade de Babilônia. A beleza sobressalente da Nova Jerusalém consistena presença de Deus e a dos redimidos. As incríveis dimensões dos dozemil estádios têm um claro significado simbólico: a cidade contém oIsrael de Deus de toda a história da salvação. Badenas o explica assim:"Eclipsando Babilônia e Roma, a Nova Jerusalém é a cidade verdadeira,e a única cidade universal".28 Os muros da cidade têm uma altura de 144 côvados (Apoc. 21:17),literalmente 66 metros, destacando outra vez o número 12 (12 x 12 =144). Por definição, uma muralha não só significa segurança, mastambém separação do "exterior" (Apoc. 22:15), o que se referebasicamente ao lugar do "lago de fogo" (21:8). Este símbolo podeentender-se melhor como uma referência ao juízo pós-milenial deApocalipse 20:7-15. A muralha é feita de jaspe cristalino (21:18) e brilhacomo um diamante. Está assentada sobre doze fundamentos de pedraspreciosas, cada uma das quais é uma gema enorme (vs. 19, 20), cadauma com um nome escrito com um nome de "os doze apóstolos doCordeiro" (v. 14). Entretanto, sobre as doze portas estão os nomes das"doze tribos dos filhos do Israel" (v. 12). Tudo em seu conjunto significaque o Israel profético de Deus inclui a todos os seguidores do Cristo, oque constitui a mensagem fundamental da visão de João a respeito davida na Nova Jerusalém. As características das doze pedras preciosas e das doze portas depérola complementam a mensagem básica de que Deus unirá a todos osseus filhos em um rebanho enquanto reconhece que tambémpermanecem diversificados em seus caracteres individuais. Cada tipo de
  20. 20. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 20caráter refletirá a natureza divina, assim como cada pedra preciosarefletirá a glória de Deus em sua própria forma. Entretanto, ainvestigação mostra que "as pedras do Apocalipse não podemcorrelacionar-se com tribos específicas, apóstolos, signos do zodíaco oudireções geográficas".29 As doze pedras preciosas da Nova Jerusalém simbolizambasicamente "a presença de Deus, a origem divina da cidade, e o novopovo de Deus".30 As doze pedras preciosas também cumprem a funçãode ser contrapartes das pedras preciosas que adornam a Babilônia aprostituta (Apoc. 17:4; 18:12, 16). Desde esta perspectiva, as pedraspreciosas da santa cidade são "um emblema para sustentar a fé na vitóriafinal de Deus".31 O esplendor da Nova Jerusalém, com o trono de Deus e a árvore davida, transmite esta mensagem: O paraíso será restaurado com umaglória maior que a do jardim do Éden porque o Criador estabelecerá suapresença e seu trono ali para sempre. Cada crente pode cobrar ânimo esaber que as promessas do pacto que Deus fez com o Israel se cumprirãoem uma manifestação gloriosa inimaginável no futuro. A profecia categórica que diz que "as nações caminharão à sua luz,e até ela os reis da terra levarão seu esplendor... E levarão até ela oesplendor e a honra das nações" (Apoc. 21:24, 26, CI), é provocadora, jáque esta predição usa a descrição de Isaías 60 mas a adapta ao estadoeterno. Agora os reis da terra já não desfilarão como conquistadores (Isa.60:10, 11) ou como trazendo tributo (vs. 5-7). Virão antes como gentiosredimidos para contribuir com sua glória em sua adoração a Deus e aoCordeiro durante o festival de louvor e ação de graças na NovaJerusalém. Ellul explica que "tudo o que foi a obra cultural, científica,técnica, estética e intelectual; toda a música e a escultura; toda a poesia ea matemática; toda a filosofia e o conhecimento em todos as ordens,todos entrarão nesta Jerusalém, e serão empregados por Deus paraestabelecer esta obra perfeita final".32
  21. 21. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 21 Que conceito emocionante! Quem não desejará ser parte destaeducação superior na vida futura do povo de Deus? Cristo e a NovaJerusalém convidam a cada pessoa que procura Deus a formar parte doestado eterno onde reinará a felicidade: "E o Espírito e a esposa dizem: Vem! E quem ouve diga: Vem! E quemtem sede venha; e quem quiser tome de graça da água da vida" (Apoc.22:17). Para uma exposição de passagens problemáticas como Apocalipse21:1 ("...e o mar já não existia mais" ), Apocalipse 21:9 ("...a desposada,a noiva do Cordeiro") e Apocalipse 22:2 ("...e as folhas da árvore erampara a sanidade das nações" ), ver o APÊNDICE B. Referências Para a Bibliografia, ver na página 603-605. 1 Caird, The Revelation of St. John the Divine, p. 261. 2 Naden, The Lamb Among the Beasts. Finding Jesus in the Book of Revelation, p. 289. 3 Badenas, "New Jerusalem - The Holy City", Simpósio sobre o Apocalipse, t. 2, p. 244. 4 Eichrodt, Ezekiel, p. 542. 5 Badenas, Ibid., t. 2, p. 252. 6 Aranda Pérez-García Martínez-Pérez Fernández, Literatura judía intertestamentaria, p. 288. 7 Ibid., p. 319. 8 Ibid., p. 330. 9 Toda esta documentação está no Strack-Billerbeck, Comentario del Nuevo Testamento con el Talmud y la Midrás, t. 3, p. 796. 10 Ibid., v. 3, p. 573. 11 Lohse, "Sión - Jerusalem" [Sião - Jerusalém], Dicionário teológico do Novo Testamento, t. 7, p. 326, nota 204.
  22. 22. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 22 12 Ver Ibid. 13 Strack-Billerbeck, Comentario del Nuevo Testamento con el Talmud y la Midrás, t. 4, pp. 922, 923. 14 Ibid., v. 4, pp. 932, 933. 15 Ibid., v. 4, p. 884. 16 Ibid., v. 3, p. 573. 17 Charles, The Revelation of St. John, t. 1, p. 86. 18 Beasley-Murray, Revelation, p. 305. 19 Pohl, Die Offenbarung des Johannes [O Apocalipse de João], p. 275. 20 Rusten, A Critical Evaluation of Dispensational Interpretations of the Book of Revelation, t. 2, pp. 620, 621. 21 Badenas, "New Jerusalem - The Holy City", Simpósio sobre o Apocalipse, t. 2, p. 249. 22 Ibid., v. 2, p. 256. 23 Ibid., v. 2, pp. 255, 257. 24 Ibid., v. 2, p. 263. 25 Giblin, The Book of Revelation. The Open Book of Prophecy, p. 196. 26 4 CBA 744. Ver também 7 CBA 904, 905. 27 Giblin, The Book of Revelation. The Open Book of Prophecy, p. 205. 28 Badenas, "New Jerusalem - The Holy City", Simpósio sobre o Apocalipse, t. 2, p. 259. 29 Reader, "The Twelve Jewels of Revelation 21:19, 20: Tradition History and Modern Interpretation", JBL 100 (1981), p. 455. 30 Ibid., p. 456. 31 Ibid., p. 457. 32 Ellul, . Apocalypse, The Book of Revelation, p. 225.
  23. 23. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 23 FONTES BIBLIOGRÁFICAS PARA APOCALIPSE 21 E 22 Livros Beasley-Murray, George R. Revelation [O Apocalipse]. New Century Bible Commentary [Comentário da Bíblia do Novo Século]. Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans, 1983. Beckwith, Isbon T. The Apocalypse of John [O Apocalipse de João]. Grand Rapids, MI: Baker, 1979 (reimpressão de 1919). Böcher, O. Die Johannes-Apokalypse [O Apocalipse de João]. Erträge der Forschung, Bd. 41. Darmstag: Wisschenschaftl. Buchges., 1988. Bratcher, R. G. A Translators Guide to the Revelation of John [Guia do Tradutor para o Apocalipse de João]. Nova York: United Bible Societies, 1944. Caird, George B. The Revelation of St. John the Divine [O Apocalipse de São João o Teólogo]. Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans, 1977. Charles, R. H. The Revelation of St. John [O Apocalipse de São João], 2 ts. ICC. Edimburgo: T & T Clark. Eichrodt, W. Ezekiel [Ezequiel]. The O.T. Library. Filadélfia: The Westminster Press, ET, 1970. Ellul, Jacques. Apocalypse, The Book of Revelation [Apocalipse, o Livro da Revelação]. Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans, 1986. Giblin, Charles H. The Book of Revelation. The Open Book of Prophecy [O Livro do Apocalipse. O Livro Aberto da Profecia]. Good News Studies 34. Collegeville, MN: The Liturgical Press, 1991. Kraft, Heinrich. Die Offenbarung des Johannes [O Apocalipse de João]. Handbuch z. NT 16a. Tübingen: J. C. B. Mohr, 1974.
  24. 24. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 24 Lohse, Eduard. "Sión - Jerusalem" [Sião - Jerusalém], Dicionário teológico do Novo Testamento. Ed. por G. Kittel. T. 7, pp. 319-338. Naden, R. C. The Lamb Among the Beasts. Finding Jesus in the Book of Revelation [O Cordeiro Entre as Bestas. Encontrando a Jesus no Livro do Apocalipse] (Hagerstown, Maryland: Review and Herald, 1996). Nichol, Francis D., ed. Comentario bíblico adventista. vs. 4 a 7. Pohl, A. Die Offenbarung des Johannes [O Apocalipse de João]. 2 Teil. Wuppertaler Studienbibel von F. Rienecker y W. de Boor. Berlin: Evang. Haupt-Bibelgesellschaft, 1974. Rusten, Elmer M. A Critical Evaluation of Dispensational Interpretations of the Book of Revelation [Uma Avaliação Crítica das Interpretações Dispensacionalistas do Livro do Apocalipse]. Tese doutoral, Universidade de Nova York, 1977. Ann Arbor: University Microfilms International 1980. 2 ts. Strack, H. L. y Billerbeck, P., eds. Comentario del Nuevo Testamento con el Talmud y la Midrás. Swete, Henry B. Commentary on Revelation [Comentário sobre o Apocalipse]. Grand Rapids, MI: Kregel Publications, 1980 (reimpressão de 1977). Artigos Badenas, Roberto. "New Jerusalem - The Holy City", Simpósio sobre o Apocalipse. v. 2, cap. 8. Gundry, R. H. "The New Jerusalem: People as Place, not Place for People" ["A Nova Jerusalém: Pessoas como Lugar, não Lugar para Pessoas"], Novum Testamentum 29 (1987), pp. 254-264. Jeremias, Joachim. "Nunfe" [Noiva], Diccionario teológico del Nuevo Testamento. Ed. por G. Kittel. v. 4, pp. 1092-1099. LaRondelle, Hans K. "Die Theologische Bedeutung von Jerusalem und Babylon" [O Significado Teológico de Jerusalém e Babilônia],
  25. 25. O Significado da Nova Jerusalém. Apoc. 21, 22 25 Studien Zur Offenbarung [Estudos sobre o Apocalipse]. Ed. J. Mager. Berna: Euro-Africa Division, Band 2, pp. 119-168. Lohse, Eduard. "Sión - Jerusalem" [Sión - Jerusalén], Diccionario teológico del Nuevo Testamento. Ed. por G. Kittel. T. 7, pp. 319-338. Reader, W. W. "The Twelve Jewels of Revelation 21:19, 20: Tradition History and Modern Interpretation" [As Doze Pedras Preciosas de Apocalipse 21:19 e 20: História da Tradição e Interpretação Modernas], JBL 100 (1981), pp. 433-457.

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