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METAPSICOLOGIA FREUDIANA

Psicanalista Bruno Augusto das Chagas
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• Observando que vários conceitos base da
Teoria Psicanalítica abarca os seguintes
tópicos: ICS, recalcamento, pulsão,
transferência e outros, percebemos que
na leitura do Projeto estes conceitos ali já
se encontram insinuados.
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• Inicio de todas as concepções de Freud
nasceram no Projeto.
• Visão pré-ID, finalizando somente 20anos
depois.
• Antecipação do ego estrutural em o Ego e o ID
(1923)

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• O termo METAPSICOLOGIA, foi empregado
pela primeira vez por Freud em uma carta
enviada a FLIESS “tenho me ocupado
continuamente com a psicologia – na verdade,
com a metapsicologia...”
• A construção da psicanálise avançou por
acréscimos e revisões, a partir de uma
concepção apenas esboçada.
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FREUD jamais construiu um sistema
acabado, perfeitamente coerente, sem
falhas, sem fendas, sem hesitações, sem
a mínima contradição. E se existe essa
lacuna imediatamente cuidamos para
preencher e tamponá-las, para que
recupere sua inteireza.

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A afasia é, num sentido mais lato, um distúrbio da
memória e num sentido estrito, uma perturbação
da linguagem. Existem assim duas manifestações
de afasias a sensorial e a motora; na 1ª a perda
da compreensão da linguagem, embora seja
mantida a capacidade da pessoa de se servir da
linguagem articulada, na segunda, a pessoa perde
a capacidade de pronunciar as palavras, embora
mantenha a compreensão do que as pessoas
dizem.
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Então a partir das concepções propostas
por Wernicke, Lichtheim e Meyert, Freud
faz a distinção rígida e lógica entre o
normal e o patológico dizendo que a
parafasias (Distúrbio de linguagem, que
consiste na troca e na deformação de
palavras.) observamos em algumas
pessoas normais quando efeito de
cansaço ou sob efeito de estados
emocionais intensos.
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Assim encontramos aqui uma antecipação da
teoria sobre o ato falho, o chiste e o lapso
(1901) como exemplos vivos de condensação
e de deslocamento operados pela linguagem.
assim o texto de Freud é um texto
neurológico, mas dá lugar a questões que
ultrapassam em muito as da neurologia da
época, apontando para algo que não é mais
da neurologia, nem da lingüística mas sim da
PSICANÁLISE.
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Assim em suas pesquisas Freud deixa claro que o
aparelho da linguagem (futuro aparelho psíquico)
não está pronto no ato do nascimento do
individuo humano, mas que é algo que se
constrói, “peça por peça” pela aprendizagem.
O surpreendente é que essa construção não se
faz, por sua vez, sem uma relação com um Outro,
não propriamente numa relação com o mundo,
mas numa relação com um outro aparelho de
linguagem, que nos introduz no registro da troca
simbólica.

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No capitulo VI de Afasias, Freud nos mostra é
que a ordem da aprendizagem da linguagem e
a ordem de entrada em cena das partes do
aparelho constituem uma lei de formação do
próprio aparelho.
“Para a psicologia, a palavra é a unidade de
base da função de linguagem, que se
evidencia ser uma representação complexa,
composta de elementos acústicos, visuais e
cinestésicos”
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• Assim são mencionados 4
componentes da representaçãopalavra:
• A imagem acústica.
• A imagem visual da letra.
• A imagem motora da linguagem.
• A imagem motora da escrita.
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• A representação-palavra apresenta-se como um
complexo representativo fechado, ao passo que a
representação-objeto se apresenta como um
complexo aberto. A representação-palavra não
está ligada à representação-objeto por todas as
suas partes constituintes, mas apenas pela
imagem acústica. Entre as varias associações de
objeto, são as visuais que representam o objeto,
da mesma forma que a imagem acústica
representa a palavra. As ligações da imagem
acústica da palavra com as demais associações de
objeto, não são aqui indicadas. Freud.
Afasias,p.127
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Este esquema apresentado por Freud ele o faz
para tentar separar ao máximo o aspecto
psicológico do neurológico, mas não há
esquema psicológico sem o esquema
neurológico.
Ele não esta recusando o neurológico, mas o
anatômico entendido como localizações
elementares.
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Assim Freud postula que as associações de objeto
(que vão formar a representação complexa de
objeto) indica que o que é representado na
representação não é um objeto, mas séries
diferentes de associações.
Pois seg. Freud, cada excitação decorrente das
impressões produzidas pelo mundo exterior deixa
no córtex cerebral um inscrição permanente que
serão armazenadas sem se confundirem umas
com as outras. São estas excitações armazenadas
uma após a outra que ele designa de imagem
mnêmica.

As imagens mnêmicas
(imagem representativa)

• São categorizadas em 4 grupos:
• Imagem acústica: A imagem acústica não é o som material,
puramente físico, mas uma impressão psíquica desse som, a representação
desse som para nossos sentidos.

• Imagem cinestésica: Relativo às sensações do corpo. O termo
cinestésico engloba todos os tipos de sentimento, inclusive os táteis, viscerais
e emocionais.

• Imagem leitura
• Imagem escrita
• Assim o conjunto destas imagens mnêmicas
forma a representação complexa da palavra
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As palavras correspondem a uma
associação de imagens mnêmicas ou
representações, sendo que seu
significado não decorre das
impressões, mas da articulação da
imagem acústica com a
representação-objeto.

• Assim, a cada nova etapa do
desenvolvimento da linguagem,
formam-se novas conexões que
englobam tudo o que já foi alcançado até
então. Resulta que cada etapa consiste
numa reestruturação global do aparelho
de linguagem, assim ocorrem-se
processos associativos que se
acrescentam, reorganizando-se aos
adquiridos anteriormente, isto é, se
"sobre-associam".
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O PROJETO DE 1895
• Este começou a ser rascunhado por
Freud no trem que o levava de Berlim a
Viena a uma visita ao seu amigo Fliess.
Após ter remetido os rascunhos a Fliess e
depois de muita hesitação quanto ao
valor das idéias contidas, Freud decidi-se
por abandonar o que havia sido
elaborado.

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• Durante 42 anos o manuscrito fora ate
mesmo esquecido por Freud, mas foi
reavido por Marie Bonaparte, e durante
todo este período o Projeto permaneceu
fora do alcance de todos com exceção de
Fliess. Quando o PROJETO veio ao
publico já se fazia 10 anos de falecimento
de Freud e toda sua obra já havia sido
publicada.
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Freud tinha a mais profunda
convicção de que a ciência é a
produção suprema do homem e a
única capaz de conduzi-lo ao
conhecimento. Assim, elaborar uma
ciência do psiquismo entendida
como “ciência natural” poderia
significar pura e simplesmente,
elaborar uma ciência.
2. O NEURÔNIO (N) E
A QUANTIDADE (Qη)
Em sua breve introdução, Freud coloca as
duas idéias reitoras do Projeto:
1) “Conceber o que diferencia a atividade
do repouso como uma Q submetida à lei
geral do movimento”;
2) “Supor como partículas materiais os
neurônios”
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• Essa idéia não é totalmente freudiana
pois 4 anos antes, W. Waldeyer já havia
apontado o neurônio como suporte
material e unidade fundamental do
sistema nervoso, e a idéia de uma
energia que circulava pelo SN, a novidade
está em como Freud articula essas duas
idéias no Projeto.

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• O Neurônio é concebido como suporte e o
elemento constituinte do aparato psíquico.
Cada neurônio é uma unidade separada,
sendo que todos os neurônios são iguais,
não havendo diferença de natureza entre
eles. A diferença que Freud vai estabelecer
entre os neurônios φ, Ψ, ω não é uma
diferença de natureza, mas sim uma
diferença estrutural. Não se trata em si de
neurônios mas de SISTEMAS DE NEURÔNIOS.
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• Histologicamente, o neurônio é concebido por
Freud como dotado de um núcleo com uma
via de entrada e duas de saída. Essas
bifurcações se ramificam em novas
bifurcações, constituindo a trama complexa
dos neurônios. Os neurônios são condutores
de energia, sendo que dependendo do
sistema por eles formado, são também
capazes de armazenar energia.

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• Este aparelho neuronal apresentado por
Freud no Projeto deve ser entendido
como um modelo expli-cativo, não tendo
necessariamente uma correspondência
exata com o SN tal como entendido pela
Neurologia, assim é um trabalho teórico
de natureza fundamentalmente
HIPOTÉTICA.
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• Sendo assim, o Projeto não é,
portanto, uma tentativa de
explicação do funcionamento do
aparelho psíquico em bases
anatômicas, mas, ao contrario,
implica uma recusa da anatomia e da
neurologia da época, e a
conseqüente elaboração de uma
“METAPSICOLOGIA”
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• Então (Q) é a quantidade de energia que
circula pelos neurônios, capaz de
deslocamento e descarga. No projeto Freud
fala sem diferenciação sobre (Q) e (Qη), o que
gera alguma confusão, então postularemos
assim:
• (Q) : indicando uma quantidade externa
• (Qη) :como sendo de ordem psíquica, mas
tarde por comentadores é o equivalente a
pulsão.
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3. Quantidade e Intensidade
• Partindo dos casos de histeria e de neurose
obsessiva, Freud levanta a hipótese de uma
proporcionalidade entre a intensidade dos
traumas e a intensidade dos sintomas por eles
produzidos, essa concepção dia Freud “deriva
diretamente de observações patológicas clínicas, em particular aquelas que se referem
a representações hiperintensas, como na
histeria e na neurose obsessiva.

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• Mas de 40 anos depois em
“Análise Terminável e
Interminável” (1937), Freud ainda
aponta o fator quantitativo como
decisivo para a teoria
psicanalítica.
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• Aqui observaremos Freud propor o Principio
da Constância, onde se diz respeito à
regulação da intensidade e não a conservação
da quantidade de excitação. Assim
observamos a hipótese de uma
proporcionalidade entre a intensidade dos
traumas e a intensidade dos sintomas por eles
produzidos. (colocar movimento pulsional?)

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• Todos os dispositivos de natureza
biológica têm limite de eficiência e
falham quando um limite é ultrapassado.
Esta falha se manifesta em fenômenos
quase patológicos – que poderiam ser
descritos como protótipos normais do
patológico.
• ESB. VOL.1 PAG 358.
IMPORTANTE
• O Termo quantidade aplica-se a algo que é
efetivamente medido ou que é mensurável,
embora não seja atualmente expresso por um
numero, opõe-se à qualidade, que se refere aos
aspectos sensíveis da percepção.
• O termo Intensidade, por sua vez, é a propriedade
de algo que esta sujeito a aumento ou diminuição e
que apesar de implicar a quantidade, não é
redutível a ela.
• Em certos casos, a intensidade é considerada como
expressão qualitativa de uma quantidade.
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4. O Principio da
Inércia Neurônica
• Esta é uma formulação especifica do Projeto,
não mais reaparecendo nos textos
metapsicológicos posteriores. Segundo este
principio, “os neurônios tendem a se livrar da
quantidade (Q)”. Essa descarga representa a
função primordial do SN, sendo que ela somase uma com a outra segundo o qual o sistema
neurônico procura não apenas livrar-se de Q,
mas de conservar aquelas vias de escoamento
que o possibilitam manter afastado das fontes
de excitação.
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• Então além da descarga, há
também a fuga do estímulo. O
que Freud chama de função
neurônica primária.

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• No entanto o principio da inércia não atua
isoladamente, ele atua por outro modo, cuja
característica principal é evitar o livre
escoamento de energia. Isto ocorre porque o
SN recebe não apenas estímulos de natureza
exterior, mas também estímulos de ordem
endógena (provenientes do próprio corpo).
• Esses estímulos são os que criam as grandes
necessidades, tais como a fome, a respiração e
a sexualidade e agressividade.
(FREUD VOL. I,PAG 348)
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• Ao contrário dos estímulos externos que
podem ser evitados, os estímulos internos não
oferecem possibilidade de fuga. Eles só
desaparecem ou diminuem sua intensidade
após a realização da ação especifica. E se o Sn
em função do principio da Inércia neurônica,
descarregasse toda a quantidade de energia
de que fosse investido, ele não disporia de
energia de reserva para realizar as exigências
endógenas.

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• Sendo assim ele é obrigado a tolerar um
acumulo de Q para essa finalidade, assim
o sistema neurônico busca manter
constante o fluxo energético.
• Somente em 1920 em “Além do Princípio
do Prazer” que Freud vai enunciar de
forma explicita um Princípio de
Constância
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• No Projeto a quase uma identificação do
Principio de inércia com o Principio do
Prazer: “Como já temos conhecimento de
uma tendência de vida psíquica a evitar o
desprazer, somos tentados a identificá-la
com a tendência primaria à inércia”
• O desprazer é tido como o aumento do
estimulo, enquanto que o prazer resulta
de sua diminuição.
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• O Princípio da Inércia e o Princípio de
Constância estão relacionados a uma
das distinções mais fundamentais
que Freud faz no Projeto: a distinção
entre os Processos Primários e os
Processos Secundários, que veremos
mais a frente.
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5. O Investimento (BESETZUNG)*
(CATEXIA NA ESB)

• A noção de investimento faz sua
aparição nos textos freudianos nos
estudos sobre a histeria, publicado
no mesmo ano que era redigido o
projeto.

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• Freud utiliza o termo para designar uma
representação cujo afeto não foi descarregado.
Um ano antes em “AS NEUROPSICOSES DE
DEFESA”, Freud já havia afirmado que “nas
funções psíquicas cabe distinguir algo (quota de
afeto, soma de excitação) que tem todas as
propriedades de uma quantidade – embora não
tenhamos meio de medi-la - ; algo que é capaz de
aumento, diminuição, deslocamento e descarga,
e que se difunde pelas marcas mnêmicas das
representações como faria uma carga elétrica
pela superfície dos corpos”.
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• Mas foi no projeto que o termo adquiriu
importância de conceito fundamental. Da
combinação da teoria da quantidade (Q)
com o quadro dos neurônios, “obtém-se
a representação de um neurônio (N)
investido [besetzt], que está cheio de
determinada (Qη) e que outras vezes
pode estar vazio”

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• O investimento consiste, portanto, no fato de a
energia psíquica (Qη) estar ligada a um neurônio
ou grupo de neurônios, ou a uma representação
ou grupo de representações.
• Para que um neurônio (ou grupo de neurônios)
possa estar cheio de (Qη), é necessário que algo
oponha resistência à descarga total; e Freud
localiza essa resistência nos contatos entre os
neurônios (sinapses), contatos estes que
funcionariam como barreiras contra a descarga,
permitindo que o neurônio seja ocupado pela
(Qη). Esta é a hipótese das BARREIRAS DE
CONTATO.
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• Um dos efeitos do recalcamento consiste
precisamente numa retirada do
INVESTIMENTO ENERGÉTICO. De fato,
essa concepção nos fornece uma idéia do
investimento como uma carga que se
coloca ou se retira de alguma coisa, no
nosso caso, de uma representação, no
entanto, a Besetzung, tal como descrita
no Projeto, é muito mais sutil do que
pode parecer a uma rápida leitura.
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6. AS BARREIRAS DE CONTATO
• Esta hipótese é fundamental para a explicação
de uma das funções mais importantes do
aparelho neuronal concebido por Freud: a
memória.
• Sem a capacidade de armazenar informações,
o aparelho seria reduzido a um mero
condutor, algo semelhante a um fio que
conduz energia elétrica mas que é incapaz de
armazená-la.
• Sem a memória, o aparelho sequer seria um
“aparelho”, isto é, algo composto de partes
distintas, limites definidos e de um principio
de funcionamento que não fosse o da mera
descarga. No entanto, não devemos confundir
essa “memória neuronal” com a memória tal
como é entendida pela psicologia. Não se
trata da memória consciente, mas da
capacidade do tecido nervoso de ser alterado
de forma permanente, contrariamente a uma
matéria que permitisse a passagem da energia
e retornasse ao seu estado anterior.

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• Trata-se de distinguir entre os (N) permeáveis
(condutores mas não retentores de Qη) e
impermeáveis (retentores de Qη), sendo que
a permeabilidade ou impermeabilidade
decorrem da resistência nas barreiras de
contato.( Vol. 1 pag.352 ESB)
• Se a resistência na barreira de contato for de
magnitude maior do que a magnitude de Qη,
teremos neurônios impermeáveis, retentores
de Qη.
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• Mais ainda, enquanto os neurônios
impermeáveis servem a memória, os
neurônios permeáveis servem a percepção.
• Segundo Freud, os mesmos neurônios não
podem servir à memória e a percepção. Isto
porque para que o processo perceptivo possa
se dar com fluidez que lhe é própria, é
necessário que ele encontre sempre uma
estrutura que permaneça inalterada a cada
nova percepção... Podemos exemplificar...

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• Essa estrutura às lentes de um óculos. Se cada
coisa percebida as lentes do óculos
mantivessem um registro, em pouco tempo
não conseguíramos perceber mais nada; é
necessário pois, que elas se mantenham
permanentemente transparentes. As lentes
dos óculos não podem ter memória.
• De forma análoga, o sistema de neurônios
perceptivos tem que ser diferente dos sistema
dos neurônios portadores de memória.
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• Assim Freud denomina os primeiros
neurônios de φ e os segundos de
neurônios Ψ:
• A distinção fundamental entre os dois
sistemas de neurônios reside em que as
barreiras de contato em φ permanecem
inalteradas após a passagem de Qη,
enquanto que as barreiras de contato em
Ψ são alteradas com a passagem de Qη e
que esta alteração é permanente.
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Freud: ESB vol.1 pag. 352
O argumento é o seguinte:
Esses neurônios ficam permanentemente alterados
pela passagem de uma excitação. Se
introduzirmos a teoria das barreiras de contacto:
as barreiras de contacto deles ficam em estado
permanentemente alterado. E como o
conhecimento psico[lógico] demonstra a
existência de algo assim como um re-aprender
baseado na memória, essa alteração deve
consistir em tornar as barreiras de contacto mais
capazes de condução, menos impermeáveis e
assim, mais semelhantes às do sistema Ф.
Seria uma noção das estruturas egóicas?
7. BAHNUNG
(Facilitação ou Trilhamento)
• Banhung não propriamente no sentido de
uma estrada, de algo preexistente ao nosso
caminhar, mas sim no sentido de uma trilha
que vamos abrindo com o próprio caminhar.
• Se numa floresta abrirmos uma trilha, ela se
torna facilitadora de nosso percurso; e se
percorrermos a floresta em varias direções,
cada trilha aberta se torna uma via
privilegiada nos percursos futuros.
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• Mas se cada trilha é facilitadora de
um percurso, ela o é à condição de
excluir outros percursos. Se na
segunda vez eu tenho a percorrer a
trilha anteriormente aberta, isto
implica uma seleção com relação a
outros percursos novos ou já
existentes.
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• Um Trilhamento é uma trama de caminhos
facilitadores em certas direções e
dificultadores em outras.
• Esse Trilhamento ou essa trama de
facilitações/dificultações é passível de um
reordenamento , pois de tempos em tempos
as marcas mnêmicas sofrem um
reordenamento segundo novos nexos/
experiências.
• Então temos que o sistema Ψ não é apenas a
quantidade (Q), mas a quantidade mais a
Bahnung.

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• O que caracteriza a memória é precisamente o
fato de que a diminuição das resistências
oferecidas por certas barreiras de contato
“facilitam” o percurso em determinadas direções
e não em outras, o que dá lugar à repetição dos
percursos facilitados.
• Freud “Se a facilitação fosse igual em toda as
partes, não se explicaria a predileção por uma
caminho”, ou ainda “a memória está constituída
pelas diferenças dentro da facilitações entre os
neurônios Ψ.”
(ESB. VOL.1 PAG.352).
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• Se por um lado a BAHNUNG constitui a
memória neurônica, por outro, está a
serviço da função primária ( descarga ).
Essa descarga não é total porque o
sistema dos neurônios, premiado pela
necessidade vital, é obrigado a suportar
um acúmulo de Qη para poder executar
uma ação especifica.

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8. O sistema ω e a consciência.
• Até este ponto demonstramos o sistema
φ que tem por características a
permeabilidade, sendo constituído de
neurônios que apenas conduzem a
energia proveniente de fonte exógena, e
sendo regido pelo P. da Inércia
neurônica, tende a se livras de toda Q
circulante.
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• O sistema Ψ tem a capacidade de armazenar
energia, tanto de fonte endógena com as de
fontes recebidas via φ, essa capacidade de
armazenar possibilita a memória, associação,
pensamentos, etc.
• Porém estes processos são ICS, e aqui Freud se
depara com um problema delicado para a
Psicanálise a CS, objeto por excelência da
especulação filosófica de Descartes.

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• Se os sistemas φ e Ψ dão conta da quantidade
e são processos ICS, onde se daria a qualidade
(característica essencial da CS) ?
• A qualidade é outra coisa. Não é redutível à
quantidade e diz respeito aos aspectos
sensíveis da percepção. Uma cor, um som,
uma textura, quente/frio, são qualidades. E
mais as qualidades se apresentam como
séries, como semelhanças e diferenças, com
síntese das impressões elementares.
Mas de onde então surge a
qualidade?
• Existe um terceiro grupo de neurônios[ o
sistema ω ] que é excitado junto com a
percepção. E cujos estados de excitação
produzem as diversas qualidades – ou
seja, são sensações conscientes.
• Em uma carta datada de jan. de 1896
(carta 39) Freud explica a Fliess 3
maneiras de os neurônios afetarem uns
aos outros:
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1 – transferindo quantidade de um para outro
2- transferindo quantidade de um para outro
3 – exercendo um efeito excitante uns sobre os
outros.
OS neurônios Ψ transferem para os neurônios ω
sua qualidade (e não quantidade), enquanto
que os neurônios ω não transferem para os
neurônios Ψ nem qualidade, nem quantidade,
mas apenas excita Ψ, isto é, indica para Ψ as
vias a serem tomadas pela energia livre Ψ.
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• Embora o sistema da consciência seja
concebido por Freud como um sistema a
parte, ele mantém com os outros dois
relações necessárias. Ele é alimentado
por φ e é ele que por sua vez fornece a Ψ
as informações que vão constituir a
prova de realidade para este último.

Os Signos de qualidade
(Qualiätszeichen)
• O que o sistema ω de neurônios fornece ao
sistema Ψ ?
• A resposta de Freud é inequívoca: ω fornece a Ψ
signos de qualidade ou signos de realidade.
• Freud sabia da dificuldade com que a ciência da
época se defrontava com o problema da
qualidade. Para as ciências naturais como para a
psicologia, o mundo externo reduz-se a matéria e
movimento, e ambos são por elas tratados como
quantidades, entanto o que a consciência nos
fornece são qualidades.
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• Uma das funções do ego em Ψ é inibir a descarga
quando da ausência do objeto real. Para isto,
seria necessário que o ego estivesse de posse das
informações sobre o mundo externo
provenientes da percepção. Como o ego e as
percepções pertencem a sistemas diferentes (o
ego ao sistema Ψ e as percepções ao sistema φ),
é necessário estabelecer-se um mecanismo que
articule um ao outro, para que o ego possa
distinguir a representação-percepção da
representação lembrança.

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A noção de Período
• Freud diz que a descarga em ω ao ser captada
por Ψ funciona como um sinal de algo
externo. Neste sentido, a descarga seria um
índice ou sinal de uma realidade externa.
Assim a resposta de ω se faz em função não
de uma certa quantidade ( Q ou Qη), mas de
um período, isto é, da temporalidade, esta
que não é redutível à quantidade.
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Prazer e Desprazer
• Vimos que a consciência é responsável pelas
qualidades sensíveis e que é ela que fornece
ao sistema Ψ os signos de qualidade. Mas
além disso a consciência é também quem
fornece as sensações de prazer e desprazer,
sendo esta distinção uma das mais
fundamentais para a compreensão do
funcionamento do aparato psíquico.

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• Na 1ª tentativa de esclarecer a questão, Freud
afirma que o “desprazer estaria ligado a uma
elevação do nível de Qη ou a um acréscimo
quantitativo de pressão” ou melhor “seria a
sensação ω frente a um acréscimo de Qη em
Ψ”
• Já vimos que com o P. da Inércia Neurônica ou
com o principio da Constância, o aparato
psíquico funciona no sentido de reduzir a zero
a soma de excitação, ou pelo menos mantê-la
no nível mais baixo possível.
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• Entre ω e o mundo exterior há não apenas os
órgãos dos sentidos, mas todo o sistema Ψ
que Freud concebe com um sistema
intermediário, sistema moderador, com a
função de filtragem, de amortecimento. É esse
sistema Ψ que vai tornar possível o equilíbrio
do aparato psiquico. Assim a excitação
decorrente do mundo exterior está em φ e
não em ω. O sistema ω é responsavel pela
percepção, não é a sede das excitações
provenientes do mundo exterior.

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O Funcionamento do Aparato
• O aparato psíquico é constituído pelos
sistemas φ, Ψ e ω é estimulado a partir de
duas fontes:
• 1- Mundo exterior
• 2- O interior do próprio corpo.
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• O Sistema Ψ núcleo mais o sistema φ são
responsáveis pela atividade reflexa; enquanto
que o sistema Ψ pallium mais o sistema ω vão
responder pelos processos psíquicos em geral
(percepção, memória, pensamento,
associação, desejo, prova de realidade, etc.). O
sistema Ψ pallium é a sede dos processos
psíquicos primários, assim como da função
neurônica secundária (ação especifica) que ele
tem em comum com o Ψ núcleo.
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IMPORTANTE
• “Nenhuma descarga pode produzir resultado
aliviante, visto que o estimulo endógeno continua
a ser recebido e se restabelece a tensão em Ѱ.
Nesse caso, o estimulo só é passível de ser
abolido por meio de uma intervenção que
suspenda provisoriamente a descarga de Qη no
interior do corpo; e uma intervenção dessa
ordem requer a alteração no mundo externo
(fornecimento de víveres, aproximação do objeto
sexual), que, como ação especifica, só pode ser
promovida de determinadas maneiras”.
Freud, ESB. Vol. I Pag.370.

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• “O organismo humano é a principio, incapaz
de promover essa ação especifica. Ela se
efetua por ajuda alheia, quando a atenção de
uma pessoa experiente é voltada para um
estado infantil por descarga através da via de
alteração interna. Essa via de descarga
adquire, assim, a importantíssima função
secundaria da comunicação, e o desamparo
inicial dos seres humanos é a fonte primordial
de todos os motivos morais.”
• Freud, ESB. Vol. I Pag.370
Dor e Vivência de Dor
(Schmerzerlebins)

• Como Salienta Derrida, “de certo modo, não
há Trilhamento [Bahnung] sem um começo de
dor.”
• Num organismo vivo, os dispositivos
biológicos tem por função proteger a vida dos
investimentos perigosos, no entanto, a ação
destes mecanismos tem seus limites de
eficácia, alem dos quais eles fracassam e
sobrevêm a dor, no limite, a morte.
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• A dor consiste, portanto, na irrupção
de grandes Q em Ψ. o sistema
nervoso dispõe de dois mecanismos
destinados a neutralizar a recepção
de Qη: descarga e fuga (esta última
no que se refere aos estímulos
externos, já que não há fuga possível
para os estímulos endógenos.
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• No caso da dor, os neurônios Ψ
tornam-se tão permeáveis quanto os
neurônios φ, não sendo as barreiras
de contato suficientemente
resistentes para impedir a passagem
da Qη.
• Em termos do funcionamento do
aparto, a dor produz em Ψ:
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1- um aumento de tensão que é sentido como
desprazer por ω.
2- uma tendência à descarga
3- uma bahnung entre a tendência à descarga e
uma imagem-lembrança do objeto que
provoca a dor.
Portanto além da quantidade, a dor possui
também uma qualidade que é dado pelo
sentimento de desprazer em ω.
Freud, ESB. Vol. I Pag.372
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• Se a imagem do objeto hostil for
reinvestida[catexizada] ( em decorrência
de novas percepções, por exemplo), o
efeito deste investimento não será
novamente dor, mas um afeto
acompanhado de desprazer. O termo
afeto esta sendo empregado aqui para
designar a reprodução de uma vivência
de dor, o que implica desprazer e não
dor.
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• Não há Bahnung sem um começo de dor,
como não há organização psíquica sem um
começo de dor. Mas ao mesmo tempo, a dor é
o que desorganiza o aparelho psíquico,
provocando uma perturbação tal que
suspende, enquanto ela durar, as
diferenciações estabelecidas.
• Vimos que Freud define a dor como a irrupção
de grandes Q em Ψ, e que apesar dos sistema
de neurônios possuírem dispositivos
protetores, essa invasão pode ocorrer devido
à intensidade da Q.
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Afeto e Desejo
• Os desejos e os afetos dão lugar a dois
mecanismos básicos do aparelho
psíquico:
1 – a atração de desejo primária, atração
para o objeto desejado e por sua imagem
mnêmica
2 – defesa primária ou recalque, uma
aversão a manter investida a imagem
mnêmica hostil.
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Processo Primário e Secundário
• Quando se da a experiência de satisfação, três
coisas acontecem no interior do sistema Ψ:
1- é operada uma descarga
2- produz-se investimento de um grupo de
neurônios correspondente à percepção do
objeto que produziu a satisfação
3- chegam ao Ψ pallium informações sobre a
descarga que se segue a ação específica.
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• A partir daí estabelece-se uma facilitação
[bahnung] entre esses investimentos e os
neurônios do Ψ núcleo, a satisfação está,
a partir de então, ligada tanto a imagem
do objeto como a imagem do movimento
de descarga . Quando reaparece o estado
de necessidade, ambas as imagens são
reinvestidas ou reativadas.
• Freud, ESB. Vol. I, pág. 377.

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• Aquilo que essa reativação vai produzir é idêntico
à percepção original do objeto, sua imagem, só
que agora o objeto está ausente.
• O que vai ser produzido, portanto,não é a
percepção do objeto, mas a alucinação do objeto,
seguindo-se a ela a descarga. O resultado
evidente é o desapontamento e o desprazer. Daí
a necessidade de se distinguir entre imagempercepção e imagem-lembrança.
Esta é a função do princípio de realidade.
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• O princípio de prazer não pode atender a essa
exigência, já que regula o equilíbrio interno do
aparelho mas não pode ter uma finalidade
adaptativa, pois não dispõe de um sistema
percepção-consciência, não sendo portanto
capaz de distinguir o objeto real do objeto
alucinado.
• Para tanto, é necessário um princípio de
correção que confira ao aparelho psíquico
uma eficiência mínima, eficiência esta que
será dada pelo princípio da realidade.

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• Assim Freud denomina os processos
psíquicos primários, como o
investimento-desejo que conduz à
alucinação e ao desprazer resultante, e
denomina processos psíquicos
secundários aqueles possibilitados por
um bom investimento do eu e que
inibem os primeiros
• Mas ambos são ICS.
• Freud, ESB. Vol. I, pág. 379.
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• Memória e Juízo
• Pensamento e Realidade ( o objetivo de
todos os processos do pensamento é o
estabelecimento de um estado de
identidade)
• Memórias de Lembrança.

A interpretação dos sonhos

A pessoa fecha os olhos e alucina; torna a abri-los e
pensa com palavras.

Freud, ESB. Vol. I, pag. 391.
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• Durante o sono há uma queda de
carga endógena, que torna supérfula
a função secundaria, no sono então
o individuo se encontra no estado
ideal de inércia, livre de sua reserva
de Qη.

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• Quando Freud em 1891 escreve sobre as
afasias, sua intenção era nos mostrar um
aparelho de linguagem, então ele não
concebe um aparelho em que o individuo já
traga com ele ao nascer, pronto e acabado.
• O aparelho da linguagem (sprachapparat)
forma-se aos poucos, elemento por elemento,
na relação com outro aparelho de linguagem,
e é apenas por referencia a esse outro que ele
funciona.
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• Importante que se entenda esse “outro”
como sendo outro aparelho de
linguagem e não como sendo o mundo.
O mundo não é capaz, por si só, de
produzir um aparelho de linguagem. É
apenas no seio de uma pluralidade de
aparelhos de linguagem que um novo
aparelho poderá surgir.

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• Neste aparelho, as palavras (ou
representações-palavra) adquirem seu
significado pela relação que a imagem
acústica do complexo representaçãopalavra mantém com a imagem visual do
complexo formado pelas associações de
objeto. E, aqui, Freud inova em termos
de teoria da percepção. O que se
contrapõe à palavra não é o objeto.
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• A representação-objeto não esta ali
pronta, à espera da representaçãopalavra para que se produza significado.
A percepção não oferece objetos com os
quais as palavras vão se articular para
obter seu significado. Portanto o que
fornece ao objeto seu significado, q a
fortiori sua unidade, não é a coisa
externa, mas a articulação das
associações de objeto com a palavra.

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• A linguagem não consiste somente em
associações entre elementos mas por
associações entre associações o que
Freud denomina como superassociação
que é uma intricada trama de caminhos
associativos.
• E são esses caminhos que iremos
desvendar no interpretar dos sonhos,
segundo o conteúdo manifesto e o
latente.
Conteúdo Manifesto e
Pensamentos Latente
• A tese de Freud é de que o primeiro registro (o
consciente) é um substituto do segundo
registro (o Inconsciente), do qual o sonhador
detém em saber que não lhe é acessível de
forma imediata. Aquilo que o sonhador tem
acesso é ao conteúdo manifesto, isto é o
sonho sonhado e recordado por ele ao
despertar. Este é o substituto distorcido de
algo inteiramente distinto e inconsciente que
são os pensamentos latentes.

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• Os pensamentos latentes são a matéria prima de
que são feitos os sonhos manifestos, mas é
apenas a partir destes últimos que podemos
chegar ao conteúdo latente.
• O processo onde os pensamentos latentes são
transformados em manifestos é denominado por
Freud de TRABALHO DO SONHO (traumarbeit) e
o trabalho oposto em se chegar nos pensamentos
latentes através dos manifesto se chama
TABALHO DE INTERPRETAÇAO ( Deutungsarbeit).
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Os pensamentos latentes
Os pensamentos latentes, dos quais o
conteúdo manifesto é uma expressão
deformada, são pensamentos que em nada
distinguem dos pensamentos que se
processam em nível consciente. Seriam
portanto perfeitamente inteligíveis caso se
tornassem conscientes. Por que então, esse
trabalho de deformação a que são
submetidos?

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• E porque alguns elementos dos sonhos são sem
nenhum sentido aparente e completamente
desconectados dos demais elementos do sonho?
São precisamente essa ausência de sentido e esse
caráter desconexo que se constituem como
índices da distorção a que foram submetidos os
pensamentos latentes, e são estes os elementos
que interessam mais intensamente á tarefa de
interpretação.
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• Quanto mais um elemento do sonho
é desinteressante e quanto mais o
sonhador se recusa a fornecer
associações deste elemento, mais ele
se torna significante para o trabalho
de decifração, posto que são
precisamente eles que poderão
conduzir ao desejo ICS e à solução do
sonho.
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• Freud se refere ao conteúdo manifesto e os
pensamentos latentes como sendo diferentes
modos de expressão, compreendendo signos
e leis de articulação distintas; uma diferença
de linguagens, portanto, e não uma diferença
como a que existe entre 2 línguas, onde há
uma gramática que se mantém constante,
com um código em comum viabilizando a
tradução.
• Ao passo que nos sonhos cada sonhador cria a
sua própria gramática.
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• Posto que o conteúdo onírico pode ter
significados diferentes em diferentes pessoas
ou na mesma pessoa em diferentes
momentos.
• O interessante é que lidamos com dois textos
(não feitos com palavras mas com imagens,
mas que são estruturados como uma
linguagem) diferentes, os manifestos e os
latentes. Outra idéia de Freud é que um seria
o original e o outro sua tradução.

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Censura e Resistência
• A verdade do desejo ICS não se oferece
docilmente ao interprete, e isto é devido
a resistência que o eu sonhador oferece a
pura e simples expressão do material ICS.
Quanto maior a resistência, maior o
indício da proximidade entre o substituto
manifesto e o desejo ICS.
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• A censura ( Zensur )é concebida por Freud
como uma função que se exerce na fronteira
em sistemas (ICS e PCS), opera na passagem
de um sistema para outro mais elevado.
• Citar Lacan “a censura é a lei como
incompreendida”
• E a resistência (Widerstand ) designa tudo
aquilo que no trabalho analítico se opõe a
interpretação, ou seg. Freud “tudo aquilo que
perturba a continuação do trabalho analítico é
uma resistência”

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• Se os pensamentos latentes
(inconscientes) fossem inteligíveis
para a consciência, não haveria
problema quanto a virem à luz na
sua forma original. É para não
serem identificados que eles são
deformados.
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O TRABALHO DO
SONHO

Condensação ( Verdichtung)
e Deslocamento ( Verschiebung).
• A condensação designa o mecanismo
pelo qual o conteúdo manifesto do
sonho aparece como uma versão
abreviada dos pensamentos latentes.
Sendo o conteúdo manifesto sempre
menor que o latente.
• A condensação opera de três maneiras:
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Condensação

1. Omitindo determinados elementos dos
pensamentos latentes.
2. Permitindo que apenas um fragmento
do conteúdo latente apareça no sonho
manifesto;
3. Combinando vários elementos do
conteúdo latente que possuem algo em
comum num único elemento do
conteúdo manifesto.
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• O mecanismo de condensação esta
presente também nos chistes, nos lapsos,
nos esquecimentos das palavras, etc.
• O segundo mecanismo do trabalho do
sonho é o deslocamento, que também é
efeito da censura onírica, e opera
basicamente de 2 maneiras:
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Deslocamento

1. Pela substituição de um elemento latente por
outro mais remoto que funcione em relação
ao primeiro como simples alusão.
2. Mudando o acento de um elemento
importante para outros sem importância.
Assim aquilo que é essencial nos
pensamentos latentes não desempenha
nenhum papel importante ou mesmo sequer
aparece no conteúdo manifesto

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A FIGURAÇÃO
• O sonho é um escrita, uma escrita
psíquica que não é feita de palavras mas
de imagens, o que implica a possibilidade
dos pensamentos latentes serem
expressos sob forma de uma encenação.
• O eu portanto percebe imagens, e
somente imagens que ele reconhece.
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• “Imaginemos, por exemplo, que alguém
nos pede para substituir as frases de um
editorial político ou de uma defesa
perante um tribunal por uma série de
desenhos; com isso compreendemos
facilmente as modificações que o
trabalho do sonho precisa fazer para
captar a representabilidade do conteúdo
do sonho” (p.92)

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• É importante lembrarmos a afirmação de
Freud segundo o qual o trabalho do
sonho não pensa, não é uma atividade
criadora, mas apenas transformadora do
conteúdo latente que são os
pensamentos do sonho.
• E para Freud o sonho que traz juízos e
argumentações lógicas são apenas a
repetição de um modelo procedente dos
pensamentos oníricos latentes.
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• O que está em jogo na consideração à
figurabilidade é a seleção de
pensamentos capazes de serem
expressos em imagens, o que tem como
conseqüência um sacrifício das relações
lógicas que são pura e simplesmente
eliminadas ou que são substituídas por
relações entre imagens que procuram
traduzir, à sua maneira, essas reações
lógicas.

Elaboração Secundária
(SEKUNDARE BEARBEITUNG)

• Consiste na modificação imposta ao sonho de
uma história coerente e compreensível. A
finalidade da elaboração secundaria é fazer com
que o sonho perca sua aparência de absurdidade,
aproximando-o do pensamento diurno (realizado
pelo CS).
• Em 1923, em um artigo intitulado “Psicanálise”,
Freud afirma que a elaboração secundaria não faz
parte do trabalho do sonho, posto que ela toma
como matéria-prima não os pensamentos
latentes, mas o material já elaborado pelos
mecanismos do trabalho do sonho.
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• Como resultado dessa operação de ligação, o
sonho perdeu seu aspecto absurdo e
incoerente assemelhando-se ao pensamento
da vigília. O sentido que o sonho adquire por
efeito dessa elaboração secundária é, no
entanto, enganoso; na verdade, está bastante
afastado do verdadeiro significado do sonho.
Mas muitas vezes ela se faz de forma parcial e
outras vezes fracassa, continuando o
conteúdo onírico um aglomerado de imagens
sem sentido aparente.

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Da imagem à palavra
• A proposta freudiana, com a interpretação dos
sonhos é de operar a passagem do relato
fornecido, pelo sonhador, das imagens do seu
sonho ao texto a ser interpretado. Não é o
relato como um todo, que é submetido à
interpretação, mas o texto desse relato.
• E a interpretação constituirá em desmanchar
o tecido do texto para chegar ao enunciado do
desejo.
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• A imagem para Freud, mais do que
desveladora, é encobridora da verdade do
desejo. E ela constitui como ponto de partida
empírico da psicanálise ( a importância
visual do histérico).
• As imagens do sonho, não tem o valor de
imagens, isto é, não se propõem como
imagens das coisas, pois as imagens formam
as associações de objeto que vão constituir a
representação- objeto.

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• É a partir desse modo de conceber as
imagens que podemos dizer que a
máxima lacaniana “ o ICS é
estruturado como uma linguagem”,
pode ser aplicada a Freud desde seus
textos iniciais.
Sobredeterminação
(Überdeterminierung)
• Designa o fato de uma formação do ICS, seja
um sonho, um sintoma ou um ato falho, ter
uma multiplicidade de fatores determinantes.
• A Sobredeterminação atinge tanto o sonho
como um todo, como seus elementos
isoladamente. Num único sonho reúnem-se
várias realizações de desejo, sendo que um
sentido encobre outros numa série que a
rigor, não tem primeiro termo.

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• Essa questão nos remete a
superinterpretação, diz respeito a uma
segunda interpretação que se sobrepõe à
primeira, e que tem como resultado um
outro significado do sonho (ou sintoma),
distinto daquele que foi obtido com a
interpretação anterior.
• Por isso um sonho nunca é analisado em
sua totalidade.
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• Como decorrência, a própria noção
de superinterpretação se amplia,
passando a abarcar tanto a
sobreposição das significações
quanto o aumento do material
resultante de novas associações, o
que faz com que o trabalho de
interpretação se estenda para além
dos limites inicialmente supostos.

SOBRE O
SIMBOLISMO
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• Ao descrever agem, a função da
linguagem, Émile Benveniste, dizia que
ela reproduz a realidade, sendo o termo
“reproduz” conotado como: produzir
novamente. Pela linguagem, a realidade
é produzida novamente, a cada fala as
coisas e acontecimentos são recriados,
pois não há pensamento sem linguagem.

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• É graças a linguagem que o homem
consegue simbolizar, entendo este como
a capacidade que ele possui de
estabelecer uma relação entre o real e o
signo( não representa a totalidade do
objeto,mas seus aspectos), este último
entendido como um representante do
real, relação esta que será de
significação.
Em relação ao seu objeto, o signo
pode ser:
1. Índice ou sinal: é um signo que possui uma
conexão física (um efeito) com o objeto que
indica (a fumaça como índice de fogo, o dedo
apontando para um objeto)
2. Ícone: é um signo que remete para o seu
objeto em virtude da semelhança
(a fotografia e o fotografado)
3. Símbolo: é um signo arbitrário (que pertence
ao universo de sentido) cuja ligação com o
objeto é estabelecida por uma lei.
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• A primeira menção de símbolo de Freud
foi em 1894 em “as neuropsicoses de
defesa”.
• E Freud distingue duas formas de
interpretar o símbolo:
• Uma que faz o uso das associações
fornecidas pelo paciente e outra que se
exerce diretamente aos símbolos.
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• Na décima das “Conferências de
Introdução a Psicanálise. Freud enumera
alguns símbolos dentre os quais os mais
usados com relação a este campo: a
CASA como símbolo da pessoa humana,
os irmãos simbolizados por animais
pequenos, a água como símbolo do
nascimento, a morte por viagens e
partidas...etc...

Para o órgão sexual masculino
Freud aponta os seguintes símbolos:
• Bengala, guarda-chuva, poste, arvore, faca,
punhal, rifle, revolver, torneira, chafariz,
caneta, balão, avião, repteis e peixes, alem de
chapéus, sobretudo e capas....
• Do órgão sexual feminino: buracos, armários,
fogão, cofres, bolsas, barcos, igrejas, porta e
portões, madeira, caramujos, conchas, frutas
em geral, jóias , tesouro e outras....
O surgimento do
aparelho Psíquico
• Em uma carta redigida a Fliess de 9 de
fevereiro de 1898, Freud declara que a
única idéia sensata que encontrou foi de
Gustav Fechner que diz “o cenário dos
sonhos é outro que o da vida de
representações da vigília”
• E Freud comenta “ O que nos é
apresentado nessas palavras é a idéia de
lugar psíquico”
O DESEJO FORMADOR
DO SONHO
• Dos lugares psíquicos estipulados por Freud
veremos a origem dos desejos que se realizam
no sonho:
1. O desejo pode ter sido despertado durante o
dia e por motivos puramente exteriores não
ter sido satisfeito; esse desejo admitido mas
não satisfeito tem sua tramitação adiada para
a noite. Trata-se, neste caso, de um desejo
proveniente do PCS.
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2 – ele pode ter sido despertado durante o dia
mas em razão de um repúdio ter sido
reprimido. O mecanismo presente neste caso
não se confunde com o do recalcamento.
Neste último a instância recalcadora quanto o
recalcado pertencem ao ICS. Enquanto a
supressão é um mecanismo do PCS/CS que
consiste em excluir da consciência atual um
determinado conteúdo.
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3 – pode ser um desejo que não possua
nenhuma relação com a vida diurna atual
e que se torna ativo apenas durante o
sono. Neste caso, sua providência é o
ICS, mais específico o ICS recalcado.
A estas 3 fontes Freud ainda acrescenta
uma quarta, que são moções de desejo
que surgem durante a noite, estimulados
por exemplo, pela sede ou pelas
necessidades sexuais.
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• Não é qualquer desejo, porém, que tem o
poder de produzir um sonho numa pessoa
adulta. Um desejo diurno que permaneceu
insatisfeito pode, quando muito, contribuir
para o induzimento de um sonho, mas será
incapaz por si só de produzir um sonho.
• O desejo é indestrutível porque jamais poderá
ser plenamente satisfeito, e jamais poderá ser
plenamente satisfeito porque não há um
objeto específico que o satisfaça, sua
satisfação será sempre parcial, o que implica o
seu infindável retorno.
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• Se os desejos produtores dos sonhos são, em
ultima análise, desejos ICS (pertencentes ao
sistema ICS), isto não quer dizer que os
desejos do PCS/CS não participem da
formação dos sonhos. Seu papel é secundário,
mas nem por isso sem importância. Os
desejos PCS/CS não apenas funcionam como
incitadores do sonho, como possibilitam ainda
aos desejos ICS uma solução de compromisso,
tal como acontece com as demais formações
do ICS.

OS RESTOS DIURNOS
• Os restos diurnos PCS penetram no
sonho com extraordinária freqüência,
aproveitando-se do seu conteúdo para
conseguir acesso a consciência durante a
noite. São eles que, conseguindo
dominar o conteúdo do sonho, forçamno a dar prosseguimento ao trabalho
diurno.
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OS SONHOS PENOSOS
• Se em última instância o
sonho é a realização de
um desejo, como explicar
a existência de sonhos
desagradáveis, sonhos
que provocam angústia e
que podem levar ao
despertar por serem
intoleráveis para o
sonhador ?

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• No caso dos sonhos o caráter
desagradável recai sobre o conteúdo
manifesto.
• Temos que considerar que o trabalho do
sonho nem sempre obtém sucesso, e
pode ocorrer que parte do afeto ligado
aos pensamentos oníricos latentes fique
excedente no sonho manifesto,
provocando o sentimento de desagrado.
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• Diferentemente dos pensamentos oníricos
aflitivos, que são facilmente transformáveis
pela elaboração onírica, os afetos são
altamente resistentes a qualquer
transformação, podendo permanecer
inalterados no sonho manifesto.
• Quando afirmamos que o sonho é a realização
de desejos e que a realização de um desejo
deve provocar prazer, não fica esclarecido o
seguinte:

A quem o sonho
deve proporcionar
prazer???
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• Ao sonhador é a resposta mais comum, porém
é o mesmo sonhador que deseja, repudia e
censura seus desejos. A qual o sujeito o sonho
deve agradar???
• Ao que deseja ou ao que censura ???
• Todo sonho tem sua produção iniciada na
primeira instância(ICS) e a segunda (PCS-CS)
funciona de um modo apenas defensivo, não
criativo.

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• Outro tipo de sonho desprazeroso são os
sonhos de punição. Apesar de desagradáveis,
correspondem também a realização de
desejos: o desejo do sonhador de se punir por
ter um desejo proibido (ICS).
• “ o mecanismo da formação do sonho tornase em geral mais transparente se a oposição
entre consciente e inconsciente é substituída
pela oposição entre o eu e recalcado”
somente 25 anos depois que Freud surge com
a terminologia supereu.
Narcisismo

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A referência ao mito de Narciso, que
evoca amor dirigido a própria imagem,
poderia levar a crer que o tal amor seria
inteiramente independente das pulsões
sexuais tal como Freud as evidenciou.
pois bem, no campo da psicanálise, o
conceito de narcisismo representa, ao
contrário, um modo particular de
relação com a sexualidade.
O conceito de narcisismo em Freud
Foi em 1899, que Paul Nacke introduziu pela
primeira vez o termo "narcisismo " no campo
da psiquiatria e, designou com esse termo um
estado de amor por si mesmo que constituía
uma nova categoria de perversão. Nessa época
Freud estava formulando a questão sobre “a
escolha da neurose”, mas foi preciso esperar
até 1910 para que Freud em relação aos
desvios de alguns de seus discípulos, fosse
levado a precisar sua posição a respeito do
narcisismo.

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Narcisismo
• O narcisismo seria também um
complemento libidinal do egoísmo
do instinto de autopreservação, que,
em certa medida, pode
justificavelmente ser atribuído a toda
criatura viva.
• Freud, ESB, Vol.XIV, pag. 81.
• O foi em 1911 em seu estudo sobre a psicose
de presidente Scheber, postulou pela
primeira vez o narcisismo como um estágio
normal da evolução da libido "libido como
energia sexual que parte do corpo e investe
os objetos ".
• “A libido afastada do mundo externo é
dirigida para o ego e assim dá margem a uma
atitude que pode ser denominada de
narcisismo.” Freud, ESB, Vol.XIV, pag. 82.

O narcisismo primário e narcisismo
secundários
O primeiro modo de satisfação da libido seria
o auto-erotismo, isto é, o prazer que o órgão
retira de si mesmo, as pulsões parciais
procuram, cada qual por si mantém, sua
satisfação no próprio curso. Esse é o tipo de
satisfação que, para Freud, caracteriza com o
narcisismo primário, enquanto um EU como
tal ainda não se constituiu. Os objetos entanto
investidos pelas pulsões são as próprias partes
do corpo.
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• “As primeiras satisfações sexuais auto-eróticas
são experimentadas em relação com funções
vitais que servem á finalidade de
autopreservação. Os instintos sexuais estão, de
inicio, ligados à satisfação dos instintos do ego;
somente depois é que eles se tornam
independentes destes, e mesmo então
encontramos indicação dessa vinculação original
no fato de que os primeiros objetos sexuais de
uma criança são as pessoas que se preocupam
com sua alimentação, cuidados e proteção: isto é,
no primeiro caso, sua mãe ou quem quer que a
substitua.” Freud, ESB, Vol.XIV, pag. 94.
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Em 1914, Freud colocou em relevo a posição
dos pais na constituição do narcisismo
primário: " a pressão dos pais pelo filho
equivale a seu narcisismo recém-nascido “,
cria-se uma “revivência”ou “reprodução” do
narcisismo dos pais, que atribuem ao filho
todas as perfeições e projetam nele todos os
sonhos a que eles tiveram que renunciar,
garantindo a imortalidade de seu Eu. O
narcisismo primário representa, de certa
forma, uma espécie de onipotência que se
cria no encontro entre o narcisismo nascente
do bebê no narcisismo remanescente dos
pais.

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“ Descobrimos, de modo especialmente claro,

em pessoas cujo desenvolvimento libidinal
sofreu alguma perturbação, tais como
pervertidos e homossexuais, que em sua
escolha ulterior dos objetos amorosos eles
adotaram como modelo não sua mãe mas
seus próprios eus. Procuram inequivocamente
a si mesmas como objeto amoroso, e exibem
um tipo de escolha objetal que deve ser
chamado de narcisista.”
Freud, ESB, Vol.XIV, pag. 94.
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•
•
•
•

Em para “Introduzir o Narcisismo” Freud
distingue dois tipos de escolha de objeto:
O tipo narcisista (narzissmustypus), onde ela
toma por si mesmo como objeto de amor.
Ama-se:
O que ela própria é (isto é, a si mesmo)
O que ela própria foi
O que ela própria gostaria de ser,
Alguém que foi parte dela mesma.

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E o tipo analítico (Anlehnungstypus),
onde a criança escolhe como objeto
sexual as pessoas encarregada de sua
alimentação, cuidados e proteção, em
geral mãe ou substitutos.
Segundo o tipo analítico:
• A mulher que alimenta.
• O homem que protege.
•

Freud, ESB, Vol.XIV, pag. 97
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Situemos agora o narcisismo secundário,
que corresponde ao narcisismo do Eu, é
necessário que se produza um retorno
dos investimentos dos objetos
transformando em investimento do eu,
para que isso constitua o narcisismo
secundário. A passagem para o
narcisismo secundário pressupõe,
portanto, dois movimentos, que
podemos acompanhar no esquema .
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• A. Segundo Freud pelo o sujeito encontra num
objeto suas pulsões sexuais parciais " que até
esse momento, funcionavam segundo a
modalidade auto-erótica ", a libido investe o
objeto, já que a primazia das zonas genitais
ainda não foi instaurada.
• B. Posteriormente, esses investimentos
retornam para o eu. A libido toma então o eu
como objeto amado.

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Porque a criança sai do narcisismo
primário ? A criança sai dele quando seu
eu se vê confrontado com ideal com o
qual tem de se comparar, ideal este que
se formou fora dela e que lhe é imposto
de fora.
através das exigências que se traduzem
simbolicamente através da linguagem. A
mãe fala com ela, mas também se dirige
a outras pessoas
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• . A assim a criança percebe que ela também
deseja fora dele e que ele não é tudo para ela:
essa é a ferida infligia ao narcisismo primário
da criança. A partir daí o objeto consistirá em
fazer-se amar pelo outro, em agradá-lo para
reconquistar seu amor, mas isso só pode ser
feito através da satisfação de certas
exigências, as do ideal do eu, conceito que
designa, em Freud, as representações
culturais e sociais, os imperativos éticos tal
como são transmitidos pelos pais.

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Para Freud, o desenvolvimento do Eu consiste em
distanciar -se do narcisismo primário. Na
realidade, o eu " aspira intensamente " a
reencontrá-lo, e para isso para recuperar o amor
e a perfeição narcísica, passa pela mediação do
ideal do eu. O que fica permitido é o imediatismo
do amor. Mas o elemento mais importante que
vêm perturbar o narcisismo primário não é outra
coisa senão o " complexo de castração ". É
através dele que se opera o reconhecimento de
uma incompletude que desperta o desejo de
recuperar a perfeição narcísica.
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• O desenvolvimento do ego consiste num
afastamento do narcisismo primário e dá
margem a uma vigorosa tentativa de
recuperação desse estado. Esse
afastamento é ocasionado pelo
deslocamento da libido em direção a um
ideal do ego imposto de fora, sendo a
satisfação provocada pela realização
desse ideal.
• Freud, ESB, Vol.XIV, pag. 106.

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• Como tudo que ocorre no âmbito da libido, aqui
também o homem mostrou-se incapaz de
renunciar a satisfação de que gozou uma vez. Não
quer privar-se da perfeição narcisista de sua
infância, e que quando ao crescer não pode
mantê-la por sentir-se perturbado pelas
admoestações de terceiros e pelo despertar-se de
seu próprio juízo, procura recuperá-la na forma
do ideal do eu. O que projeta diante de si como
seu ideal é o substituto do narcisismo perdido da
infância, na qual ele foi seu próprio ideal.
• Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 100,101.
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Imagem do eu e objeto sexual
Voltemos as colocações de Freud sobre a escolha de
objeto de amor entre os homossexuais: ele se tornam
seu próprio objeto sexual, ou seja partindo do
narcisismo procuram adolescentes que se pareçam
com eles e a quem querem amar como sua mãe os
amou. Amar a si mesmo através de um semelhante é
aquilo que Freud chama " escolha objetal narcísica ".no
homossexualismo a imagem representa o que a mãe
deseja, ao amar essa imagem, ele toma a si como
objeto sexual. O narcisismo é então entendido como
um investimento na própria imagem de si sobre a
forma de um falo, no tocante a essa relação da imagem
do eu com a imagem do objeto as proposições para
freudiana se esclarecem graças a teoria da
identificação
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Narcisismo e Identificação
Freud concebeu a identificação narcísica em
1917, a partir do estudo do luto e da
melancolia: o eu se identifica com a imagem
de um objeto desejado e perdido. A
identificação do eu com a imagem total do
objeto representa uma regressão há um modo
arcaico de identificação, no qual o eu se
encontram numa relação de incorporação
com o objeto.
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Em 1920 Freud esclareceu sobretudo que " o
narcisismo do ego é o narcisismo secundário,
retirado dos objetos ", e afirmou que " a libido
que aflui para o ego pelas identificações constitui
seu narcisismo secundário ". O eu resulta, pois,
da " sedimentação dos investimentos de objeto
os abandonados ", contém, de certa maneira, a
“história de suas escolhas objetais”. Nessa
medida, podemos considerar que o eu resulta de
uma série de traços do objeto que se inscrevem
inconscientemente: o EU assume os traços do
objeto.
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Podemos assim fazer uma representação
do eu como uma cebola formada por
diferentes camadas de identificação com
um outro. No final das contas o narcisismo
secundário se define como um
investimento libidinal (sexual) da imagem
do eu, sendo essa imagem construída pelas
identificações do eu com as imagens dos
objetos.

Neuroses narcísicas e
estases da libido
Como destaca-se daí que o neurótico mantém
uma relação erótica com os objetos por
intermédio das fantasias, ao passo que, nos casos
de demência precoce e esquizofrenia (afecções
que os de Freud denomina de neurose
narcísicas), os sujeitos realmente retiraram sua
libido das pessoas e do mundo exterior. Essas
duas enfermidades narcísicas. Produz-se uma
retirada da libido com a qual o objeto estava
investido. Por isso o EU acumula toda a libido,
que ali se estagna, e objeto se separa dele. o
corte do objeto é o relatado a uma suspensão da
circulação da libido.
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O neurótico abandona igualmente sua
relação com a realidade, mais sua libido
permanece ligada, na fantasia, a certas partes
do objeto: " ele substituiu os objetos reais
para objetos imaginários de sua lembrança, ou
então misturar uns com os outros. “Nesse
mesmo artigo de 1914, Freud descreve outras
formas de estases da libido, que representam
outras vias que permitem abordar a questão
do narcisismo: trata-se da doença orgânica e
da hipocondria.
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• Da doença orgânica, o doente retira
rigorosamente todo seu interesse libidinal do
mundo externo e de objetos de amor,
enquanto há uma reversão da libido para o
seu eu, a libido não circula mas quando tal
superinvestimento narcísico é exercido no
“representante psíquico do local doloroso do
corpo”. E Freud mostra que a libido e o
interesse do eu são aqui impossíveis de
diferenciar.

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A modificação da libido revela-se totalmente
semelhante no caso da hipocondria, hoje, com
efeito, não é determinante que a doença seja
real ou imaginária. Hipocondríaco investe
uma zona de seu corpo, que assume o valor
de órgão sexual em estado de excitação;
sendo a erogeniedade na propriedade geral
de todos os órgãos, qualquer parte do corpo
pode ser investidas como um órgão genital
dolorosamente sensível.
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• E, também neste caso, a libido para
de circular. Assim Freud descreve
duas configurações em que o
narcisismo é como que fixado, sem
que o corte com o objeto seja total,
elas produzem um " redobramento
narcísico" que susta o movimento no
desejo.

Narcisismo e Transferência
Freud designava o “redobramento narcísico”
como um impasse, e, a propósito do amor
transferencial, observou que a fixação
amorosa do paciente na pessoa do analista
tornava o trabalho analítico muito difícil. Com
efeito, a libido encaixa-se então numa
formação em que o objeto é tratado como o
eu.
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• No entanto, o impulso da libido para o analista
representa um movimento essencial para a
transferência; é preciso que subsistam no
paciente as “forças motoras que favorecem o
trabalho e a mudança”. Dito de outra maneira, o
amor, que comporta sempre uma parcela de
narcisismo, constitui um movimento necessário à
instauração da transferência, sob a condição de
não cristalizar uma relação de “multidão de dois”.
As imagens narcisicamente investidas não devem
deter o movimento da libido, mas apenas
canalizá-lo.

Pulsão
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PULSÃO
Em As Pulsões e suas vicissitudes (1915),
Freud formula sobre a passagem do
psíquico para o somático. Ele define a pulsão
como um conceito “situado na fronteira
entre o mental e o somático” ou ainda, como
“o representante psíquico dos estímulos
que se originam dentro do organismo e
alcançam a mente”.
Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 118.

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Freud nos diz que a pulsão é composta por seus
representantes: afeto e idéia. No seu artigo O
inconsciente, o autor nos revela que “uma
pulsão nunca pode tornar-se objeto da
consciência – só a idéia [Vorstellung] que a
representa”. Ele chega a dizer que mesmo no
inconsciente a pulsão só pode ser representada
por uma idéia. Freud utilizava a palavra pulsão na
acepção de uma espécie de organizador
biológico, em torno do qual os estímulos
endógenos circulam.
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Estes estímulos, ao chegarem à psique, se
transformam em imagens-representações
carregadas de afeto, as quais são os
representantes pulsionais, e que se fixarão na
memória. Junto a estímulos exógenos
formarão os complexos de idéias que
compõem o psiquismo. Podemos dizer que a
natureza da pulsão é tanto psíquica, pois só
podemos conhecê-la através de seus
representantes, quanto física, já que sua fonte
é o corpo.

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• Em 1905 na elaboração da teoria pulsional, Freud
descreve a estreita relação existente entre a
pulsão sexual e certas funções corporais.
Introduzindo um termo fundamental para a
compreensão do conceito de pulsão, o termo que
aqui nos referimos é o ‘apóio’. Quando nos fala
da noção de apóio, Freud é muito direto. Ele está
se referindo ao apóio da pulsão sobre o instinto.
As pulsões sexuais, que só secundariamente se
tornam independentes, apóiam-se nas funções
vitais que lhes fornecem uma fonte orgânica, uma
direção e um objeto.
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“O que caracteriza a noção de apoio é o
fato das pulsões sexuais estarem ligadas,
em sua origem, às pulsões de autoconservação” . Por exemplo, ao mamar o
bebê tem a satisfação de ingerir o
alimento, porém a excitação dos lábios e
da língua provoca um outro tipo de
satisfação. Essa segunda satisfação é de
natureza sexual.

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• A função corporal fornece a sua fonte ou
zona erógena; indica-lhe imediatamente um
objeto, que é o seio, causando um prazer
que não é redutível à pura e simples
satisfação da fome. Desta forma, a
necessidade de satisfação sexual irá se
separar da necessidade de nutrir-se. Esta
noção de apóio nos leva a pensar a fonte da
pulsão como um fator biológico. A pulsão é
um desvio do instinto, um desvio de uma
função biológica do organismo.
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Ao montar o conceito de
pulsão, Freud utiliza quatro
termos: alvo, objeto,pressão e
fonte.

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PRESSÃO (DRANG)
“Por pressão (Drang) entende-se seu fator motor,
a soma de força ou medida de trabalho que ela
representa”Pag. 127, então esta pressão pode ser
entendida como uma quantidade de descarga
que tende à excitação. Este é um termo universal,
porém,sozinho não define a pulsão. O próprio
Freud faz distinção entre as excitações internas, a
primeira seria a pressão de necessidade, como
fome e sede, por exemplo, já a segunda seria a
pressão da pulsão. Enquanto a primeira possuía
uma força momentânea, a segunda é constante.
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• Uma pulsão, por outro lado,
jamais atua como uma força que
imprime um impacto
momentâneo, mas sempre como
um impacto constante.
• Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 124.

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• Este fator nos revela um aspecto muito
importante da pressão. Não se trata
apenas de um fator motor (no sentido de
provocar movimento), mas sim de um
processo de transformação complexo.
Sua função é de transformar a energia
acumulada, transformação esta que
implica uma codificação, ou seja, a uma
exigência feita ao aparato anímico.
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Existe um fator motor, pois o objetivo da
descarga é o alívio da tensão e esta tende
a caminhos motores. Mas, o que esta
sendo levado em conta não é o
organismo e sua finalidade adaptativa, e
sim o aparelho psíquico, cuja regulação
ocorre através do princípio do prazer e
pelo princípio da realidade, através de
representação. Assim, pressão pulsional
será definida no âmbito do aparato
psíquico.
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ALVO ou FINALIDADE (ZIEL)
“A finalidade da pulsão é sempre
satisfação, que só pode ser alcançada
eliminando-se o estado de estimulação
da fonte da pulsão” Pag.128. Este alvo é
invariável. Apenas o que pode mudar é o
percurso até ele. Neste ponto, surge uma
pergunta: se a força é constante, como
cancelar a estimulação? Quando a
satisfação é alcançada?
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• Então, o alvo da pulsão nunca é
alcançado pela própria natureza da
pulsão, e a satisfação passa a ser sempre
parcial. Visto isso, o recalque, a
sublimação, o sintoma, o sonho e outros
destinos da pulsão provocam também
satisfação. Frente a esta impossibilidade
da pulsão, estamos sempre procurando
um objeto que possa satisfazer a pulsão.

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OBJETO ( OBJEKT)
“O objeto de um instinto é a coisa em relação
à qual ou através da qual o instinto pode
atingir sua finalidade.”;Pag.128. A pulsão
necessita de um objeto para que possa obter
satisfação, mesmo que parcial. Este objeto
não é específico e nem qualquer um, mas sim
um objeto que possui a capacidade de
satisfazer a pulsão. Esta aptidão está ligada à
história do sujeito, às suas fantasias e seus
desejos.
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• O conceito de objeto, elaborado por
Freud, não se trata de algo do mundo
que nos é oferecido à percepção, mas
sim representações-objeto que são
formadas a partir da associação entre
imagens sensoriais e palavras. Assim
pode-se dizer que o objeto, concebido
por Freud, é o efeito da incidência da
palavra sobre as sensações provenientes
dos estímulos externos.
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FONTE (QUELLE)
A fonte da pulsão é corporal e não psíquica.
Então, podemos dizer que a pulsão tem sua
origem no corpo. “É um processo somático que
ocorre num órgão ou parte do corpo e cuja
excitação é representada na vida mental pela
pulsão”Pag. 128. Neste mesmo artigo, Freud nos
diz que devemos considerar a pulsão como um
estímulo para o psíquico. Este ponto nos remete
à discussão feita acerca da diferença entre a
pulsão e o representante ideativo, por meio do
qual tomamos conhecimento da pulsão.
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Pulsão e suas Vicissitudes:
• Uma pulsão pode passar pelas seguintes
vicissitudes:
• REVERSÃO AO SEU OPOSTO:
• Encontram-se exemplos do primeiro processo
nos dois pares de opostos: sadismomasoquismo e escopofilia-exibicionismo. A
reversão afeta apenas as finalidades dos
instintos. A finalidade ativa(torturar, olhar), é
substituída pela finalidade passiva (ser
torturado, ser olhado)
• Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 132.
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RETORNO EM DIREÇÃO AO PRÓPRIO
EU DO INDIVÍDUO
• Se torna plausível pela reflexão de que o
masoquismo é, na realidade, o sadismo
que retorna em direção ao próprio ego
do individuo, e de que o exibicionismo
abrange o olhar para o seu próprio
corpo. A essência do processo é, assim, a
mudança do objeto, ao passo que a
finalidade permanece inalterada.
• Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 132.
Recalque

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• "Verdrängung" é um dos conceitos de maior
importância quando nos referimos à
metapsicologia freudiana. Podemos encontrar
em seu trabalho sobre "A História do
Movimento Psicanalítico", a afirmação onde o
próprio Freud declara que "O Recalcamento é
o pilar fundamental sobre o qual descansa o
edifício da psicanálise".
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• O termo em alemão não se encontra livre de
problemas terminológicos no que se refere à
sua tradução. Por exemplo, em francês, o
termo utilizado é "refoulement"; em inglês:
"repression"; em espanhol: "represión" e, em
português, encontramos três referências à
tradução do termo, a saber: "repressão",
"recalque" e "recalcamento".

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• “...Para a pulsão, a fuga não tem
qualquer valia, pois o ego não pode
escapar de si próprio. ... O Recalque é
uma etapa preliminar da condenação,
algo entre a fuga e a condenação; tratase de um conceito que não poderia ter
sido formulado antes da época dos
estudos psicanalíticos.”
• Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 132
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A "Verdrängung" está presente desde os
primeiros escritos de Freud, mas quando se
defronta com o fenômeno clínico da resistência é
que realmente o conceito de recalcamento
começa efetivamente a se delinear. A resistência
foi interpretada por Freud como sendo um sinal
externo de uma defesa (Abwer), com o intuito de
que se mantivesse fora da consciência a idéia
ameaçadora. Note-se que a defesa é exercida
pelo Eu sobre uma ou um conjunto de
representações que despertariam sentimentos de
vergonha e dor. É sabido que o termo defesa foi
empregado mais no sentido de designar uma
proteção contra uma excitação proveniente de
uma fonte interna (pulsões).

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Freud, em seu artigo de 1915 se pergunta:
"Por que uma moção pulsional, deveria ser
vítima de semelhante destino
(recalcamento)?" Entendemos que a resposta
cabível é: Porque o caminho em direção à
satisfação pode acabar produzindo mais
desprazer do que propriamente prazer. No
que tange à satisfação da pulsão, sempre
temos que levar em conta a "economia"
presente no processo.
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• Além disso, a dor é imperativa; as
únicas coisas diante das quais ela
pode ceder são a eliminação por
algum agente tóxico ou a
influencia da distração mental.
•

Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 151.

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• Assim, se levar em conta a presença das
instâncias psíquicas, poderemos notar que
aquilo que dá prazer em algum lugar, pode vir
a ser extremamente desprazeroso em outro,
sendo que desta forma, fica estabelecida a
"condição para o recalque": é preciso que a
potência do desprazer seja maior do que o
prazer da satisfação. "Devemos compreender
que o recalque está a serviço da satisfação
pulsional e não contra ela“.
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• Assim o recalque é ao mesmo tempo um
mecanismo do sistema pré-conscienteconsciente, contra os efeitos do inconsciente,
bem como o mecanismo responsável pela
divisão do aparato psíquico em inconsciente e
pré-consciente-consciente. Mas, estamos aqui
diante de um possível paradoxo: ou bem ele
funda a divisão entre os dois sistemas, ou bem
ele opera a partir da divisão já constituída.

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• Freud resolve esse paradoxo, fazendo a
distinção entre o "recalque originário, ou
primário", e o "recalque secundário", ou
"recalque propriamente dito". Mais tarde
estaremos diante também daquilo que
Freud tanto insistiu em sua teorização:
"O retorno do recalcado". Sabemos que,
em psicanálise, essa tríade constitui
aquilo que foi denominado "Os Três
Tempos do Recalque".
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Citaremos o famoso "Caso Schreber", onde
cinco anos antes da publicação do artigo
metapsicológico sobre o recalque, Freud já
havia admitido a decomposição do processo
de recalcamento em fases distintas. Trata-se
da mesma distinção que vai ser feita em 1915,
a qual discrimina três fases:
1-) O recalque originário
2-) Fixação
3-) Inscrição ou retorno no recalcado

RECALQUE PRIMEVA
OU ORIGINÁRIO
• Consiste em negar entrada no CS ao
representante psíquico da pulsão.

FIXAÇÃO
• A partir de então, o representante psíquico
em questão continua inalterado, e a pulsão
permanece inalterada, e pulsão permanece
ligada a ela.
• Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 153
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• “Nesse sentido, podemos compreender a razão
por que os objetos mais preferidos pelos homens,
isto é, seus ideais, procedem das mesmas
percepções e experiências que os objetos mais
abominados por eles, e porque, originalmente,
eles só se distinguem um dos outros através de
ligeiras modificações. Realmente, tal como
verificamos ao remontarmos à origem do fetiche,
o representante pulsional original pode ser
dividido em duas partes: uma que sofre recalque,
ao passo que a restante, precisamente por causa
dessa ligação intima, passa pela idealização.”
• Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 155.

O RETORNO DO RECALCADO

CENSURA

ICS

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RECALCAMENTO

CS

SUBSTITUDOS POR
DESLOCAMENTO
DO SINTOMA

RETORNO DO RECALCADO

DESEJO RECALCADO
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• O que acontece nesse primeiro
momento é a demarcação de um
espaço até então indiferenciado,
uma inscrição acompanhada de uma
fixação da pulsão numa
representação ou conjunto de
representações. Essa inscrição não se
dá num ICS recalcado, posto que ele
ainda não existe.

Fim...
Bibliografia:
• Dicionário de Psicanálise – Elisabeth Roudinesco
e Michel Plon
• Vocabulário Contemporâneo de Psicanálise –
David E. Zimerman
• Lições sobre os 7 conceitos crucias da Psicanálise
– J.-D. Nasio
• O Olhar em Psicanálise - – J.-D. Nasio
• O Silencio em Psicanálise - J.-D. Nasio
• Obras Completas de Freud – Ed. Standart
Brasileira Vols. I,IV, V, XIV, Editora Imago.
• Introdução a Metapsicologia freudiana 1, 2 e 3,
Luiz Alfredo Garcia-Roza

BRUNO AUGUSTO DAS CHAGAS –
PSICANALISTA
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BRUNO@INSTITUTOARIOS.COM
37 3212- 7107
Rua Ceará 310, centro – Divinópolis - MG

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METAPSICOLOGIA FREUDIANA

  • 1. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM METAPSICOLOGIA FREUDIANA Psicanalista Bruno Augusto das Chagas BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Observando que vários conceitos base da Teoria Psicanalítica abarca os seguintes tópicos: ICS, recalcamento, pulsão, transferência e outros, percebemos que na leitura do Projeto estes conceitos ali já se encontram insinuados.
  • 2. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Inicio de todas as concepções de Freud nasceram no Projeto. • Visão pré-ID, finalizando somente 20anos depois. • Antecipação do ego estrutural em o Ego e o ID (1923) BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • O termo METAPSICOLOGIA, foi empregado pela primeira vez por Freud em uma carta enviada a FLIESS “tenho me ocupado continuamente com a psicologia – na verdade, com a metapsicologia...” • A construção da psicanálise avançou por acréscimos e revisões, a partir de uma concepção apenas esboçada.
  • 3. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM FREUD jamais construiu um sistema acabado, perfeitamente coerente, sem falhas, sem fendas, sem hesitações, sem a mínima contradição. E se existe essa lacuna imediatamente cuidamos para preencher e tamponá-las, para que recupere sua inteireza. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM A afasia é, num sentido mais lato, um distúrbio da memória e num sentido estrito, uma perturbação da linguagem. Existem assim duas manifestações de afasias a sensorial e a motora; na 1ª a perda da compreensão da linguagem, embora seja mantida a capacidade da pessoa de se servir da linguagem articulada, na segunda, a pessoa perde a capacidade de pronunciar as palavras, embora mantenha a compreensão do que as pessoas dizem.
  • 4. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Então a partir das concepções propostas por Wernicke, Lichtheim e Meyert, Freud faz a distinção rígida e lógica entre o normal e o patológico dizendo que a parafasias (Distúrbio de linguagem, que consiste na troca e na deformação de palavras.) observamos em algumas pessoas normais quando efeito de cansaço ou sob efeito de estados emocionais intensos. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Assim encontramos aqui uma antecipação da teoria sobre o ato falho, o chiste e o lapso (1901) como exemplos vivos de condensação e de deslocamento operados pela linguagem. assim o texto de Freud é um texto neurológico, mas dá lugar a questões que ultrapassam em muito as da neurologia da época, apontando para algo que não é mais da neurologia, nem da lingüística mas sim da PSICANÁLISE.
  • 5. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Assim em suas pesquisas Freud deixa claro que o aparelho da linguagem (futuro aparelho psíquico) não está pronto no ato do nascimento do individuo humano, mas que é algo que se constrói, “peça por peça” pela aprendizagem. O surpreendente é que essa construção não se faz, por sua vez, sem uma relação com um Outro, não propriamente numa relação com o mundo, mas numa relação com um outro aparelho de linguagem, que nos introduz no registro da troca simbólica. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM No capitulo VI de Afasias, Freud nos mostra é que a ordem da aprendizagem da linguagem e a ordem de entrada em cena das partes do aparelho constituem uma lei de formação do próprio aparelho. “Para a psicologia, a palavra é a unidade de base da função de linguagem, que se evidencia ser uma representação complexa, composta de elementos acústicos, visuais e cinestésicos”
  • 6. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Assim são mencionados 4 componentes da representaçãopalavra: • A imagem acústica. • A imagem visual da letra. • A imagem motora da linguagem. • A imagem motora da escrita.
  • 7. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • A representação-palavra apresenta-se como um complexo representativo fechado, ao passo que a representação-objeto se apresenta como um complexo aberto. A representação-palavra não está ligada à representação-objeto por todas as suas partes constituintes, mas apenas pela imagem acústica. Entre as varias associações de objeto, são as visuais que representam o objeto, da mesma forma que a imagem acústica representa a palavra. As ligações da imagem acústica da palavra com as demais associações de objeto, não são aqui indicadas. Freud. Afasias,p.127 BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Este esquema apresentado por Freud ele o faz para tentar separar ao máximo o aspecto psicológico do neurológico, mas não há esquema psicológico sem o esquema neurológico. Ele não esta recusando o neurológico, mas o anatômico entendido como localizações elementares.
  • 8. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Assim Freud postula que as associações de objeto (que vão formar a representação complexa de objeto) indica que o que é representado na representação não é um objeto, mas séries diferentes de associações. Pois seg. Freud, cada excitação decorrente das impressões produzidas pelo mundo exterior deixa no córtex cerebral um inscrição permanente que serão armazenadas sem se confundirem umas com as outras. São estas excitações armazenadas uma após a outra que ele designa de imagem mnêmica. As imagens mnêmicas (imagem representativa) • São categorizadas em 4 grupos: • Imagem acústica: A imagem acústica não é o som material, puramente físico, mas uma impressão psíquica desse som, a representação desse som para nossos sentidos. • Imagem cinestésica: Relativo às sensações do corpo. O termo cinestésico engloba todos os tipos de sentimento, inclusive os táteis, viscerais e emocionais. • Imagem leitura • Imagem escrita • Assim o conjunto destas imagens mnêmicas forma a representação complexa da palavra BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM
  • 9. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM As palavras correspondem a uma associação de imagens mnêmicas ou representações, sendo que seu significado não decorre das impressões, mas da articulação da imagem acústica com a representação-objeto. • Assim, a cada nova etapa do desenvolvimento da linguagem, formam-se novas conexões que englobam tudo o que já foi alcançado até então. Resulta que cada etapa consiste numa reestruturação global do aparelho de linguagem, assim ocorrem-se processos associativos que se acrescentam, reorganizando-se aos adquiridos anteriormente, isto é, se "sobre-associam".
  • 10. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM O PROJETO DE 1895 • Este começou a ser rascunhado por Freud no trem que o levava de Berlim a Viena a uma visita ao seu amigo Fliess. Após ter remetido os rascunhos a Fliess e depois de muita hesitação quanto ao valor das idéias contidas, Freud decidi-se por abandonar o que havia sido elaborado. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Durante 42 anos o manuscrito fora ate mesmo esquecido por Freud, mas foi reavido por Marie Bonaparte, e durante todo este período o Projeto permaneceu fora do alcance de todos com exceção de Fliess. Quando o PROJETO veio ao publico já se fazia 10 anos de falecimento de Freud e toda sua obra já havia sido publicada.
  • 11. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Freud tinha a mais profunda convicção de que a ciência é a produção suprema do homem e a única capaz de conduzi-lo ao conhecimento. Assim, elaborar uma ciência do psiquismo entendida como “ciência natural” poderia significar pura e simplesmente, elaborar uma ciência. 2. O NEURÔNIO (N) E A QUANTIDADE (Qη) Em sua breve introdução, Freud coloca as duas idéias reitoras do Projeto: 1) “Conceber o que diferencia a atividade do repouso como uma Q submetida à lei geral do movimento”; 2) “Supor como partículas materiais os neurônios”
  • 12. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Essa idéia não é totalmente freudiana pois 4 anos antes, W. Waldeyer já havia apontado o neurônio como suporte material e unidade fundamental do sistema nervoso, e a idéia de uma energia que circulava pelo SN, a novidade está em como Freud articula essas duas idéias no Projeto. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • O Neurônio é concebido como suporte e o elemento constituinte do aparato psíquico. Cada neurônio é uma unidade separada, sendo que todos os neurônios são iguais, não havendo diferença de natureza entre eles. A diferença que Freud vai estabelecer entre os neurônios φ, Ψ, ω não é uma diferença de natureza, mas sim uma diferença estrutural. Não se trata em si de neurônios mas de SISTEMAS DE NEURÔNIOS.
  • 13. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Histologicamente, o neurônio é concebido por Freud como dotado de um núcleo com uma via de entrada e duas de saída. Essas bifurcações se ramificam em novas bifurcações, constituindo a trama complexa dos neurônios. Os neurônios são condutores de energia, sendo que dependendo do sistema por eles formado, são também capazes de armazenar energia. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Este aparelho neuronal apresentado por Freud no Projeto deve ser entendido como um modelo expli-cativo, não tendo necessariamente uma correspondência exata com o SN tal como entendido pela Neurologia, assim é um trabalho teórico de natureza fundamentalmente HIPOTÉTICA.
  • 14. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Sendo assim, o Projeto não é, portanto, uma tentativa de explicação do funcionamento do aparelho psíquico em bases anatômicas, mas, ao contrario, implica uma recusa da anatomia e da neurologia da época, e a conseqüente elaboração de uma “METAPSICOLOGIA” BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Então (Q) é a quantidade de energia que circula pelos neurônios, capaz de deslocamento e descarga. No projeto Freud fala sem diferenciação sobre (Q) e (Qη), o que gera alguma confusão, então postularemos assim: • (Q) : indicando uma quantidade externa • (Qη) :como sendo de ordem psíquica, mas tarde por comentadores é o equivalente a pulsão.
  • 15. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM 3. Quantidade e Intensidade • Partindo dos casos de histeria e de neurose obsessiva, Freud levanta a hipótese de uma proporcionalidade entre a intensidade dos traumas e a intensidade dos sintomas por eles produzidos, essa concepção dia Freud “deriva diretamente de observações patológicas clínicas, em particular aquelas que se referem a representações hiperintensas, como na histeria e na neurose obsessiva. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Mas de 40 anos depois em “Análise Terminável e Interminável” (1937), Freud ainda aponta o fator quantitativo como decisivo para a teoria psicanalítica.
  • 16. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Aqui observaremos Freud propor o Principio da Constância, onde se diz respeito à regulação da intensidade e não a conservação da quantidade de excitação. Assim observamos a hipótese de uma proporcionalidade entre a intensidade dos traumas e a intensidade dos sintomas por eles produzidos. (colocar movimento pulsional?) BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Todos os dispositivos de natureza biológica têm limite de eficiência e falham quando um limite é ultrapassado. Esta falha se manifesta em fenômenos quase patológicos – que poderiam ser descritos como protótipos normais do patológico. • ESB. VOL.1 PAG 358.
  • 17. IMPORTANTE • O Termo quantidade aplica-se a algo que é efetivamente medido ou que é mensurável, embora não seja atualmente expresso por um numero, opõe-se à qualidade, que se refere aos aspectos sensíveis da percepção. • O termo Intensidade, por sua vez, é a propriedade de algo que esta sujeito a aumento ou diminuição e que apesar de implicar a quantidade, não é redutível a ela. • Em certos casos, a intensidade é considerada como expressão qualitativa de uma quantidade. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM 4. O Principio da Inércia Neurônica • Esta é uma formulação especifica do Projeto, não mais reaparecendo nos textos metapsicológicos posteriores. Segundo este principio, “os neurônios tendem a se livrar da quantidade (Q)”. Essa descarga representa a função primordial do SN, sendo que ela somase uma com a outra segundo o qual o sistema neurônico procura não apenas livrar-se de Q, mas de conservar aquelas vias de escoamento que o possibilitam manter afastado das fontes de excitação.
  • 18. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Então além da descarga, há também a fuga do estímulo. O que Freud chama de função neurônica primária. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • No entanto o principio da inércia não atua isoladamente, ele atua por outro modo, cuja característica principal é evitar o livre escoamento de energia. Isto ocorre porque o SN recebe não apenas estímulos de natureza exterior, mas também estímulos de ordem endógena (provenientes do próprio corpo). • Esses estímulos são os que criam as grandes necessidades, tais como a fome, a respiração e a sexualidade e agressividade. (FREUD VOL. I,PAG 348)
  • 19. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Ao contrário dos estímulos externos que podem ser evitados, os estímulos internos não oferecem possibilidade de fuga. Eles só desaparecem ou diminuem sua intensidade após a realização da ação especifica. E se o Sn em função do principio da Inércia neurônica, descarregasse toda a quantidade de energia de que fosse investido, ele não disporia de energia de reserva para realizar as exigências endógenas. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Sendo assim ele é obrigado a tolerar um acumulo de Q para essa finalidade, assim o sistema neurônico busca manter constante o fluxo energético. • Somente em 1920 em “Além do Princípio do Prazer” que Freud vai enunciar de forma explicita um Princípio de Constância
  • 20. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • No Projeto a quase uma identificação do Principio de inércia com o Principio do Prazer: “Como já temos conhecimento de uma tendência de vida psíquica a evitar o desprazer, somos tentados a identificá-la com a tendência primaria à inércia” • O desprazer é tido como o aumento do estimulo, enquanto que o prazer resulta de sua diminuição. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • O Princípio da Inércia e o Princípio de Constância estão relacionados a uma das distinções mais fundamentais que Freud faz no Projeto: a distinção entre os Processos Primários e os Processos Secundários, que veremos mais a frente.
  • 21. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM 5. O Investimento (BESETZUNG)* (CATEXIA NA ESB) • A noção de investimento faz sua aparição nos textos freudianos nos estudos sobre a histeria, publicado no mesmo ano que era redigido o projeto. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Freud utiliza o termo para designar uma representação cujo afeto não foi descarregado. Um ano antes em “AS NEUROPSICOSES DE DEFESA”, Freud já havia afirmado que “nas funções psíquicas cabe distinguir algo (quota de afeto, soma de excitação) que tem todas as propriedades de uma quantidade – embora não tenhamos meio de medi-la - ; algo que é capaz de aumento, diminuição, deslocamento e descarga, e que se difunde pelas marcas mnêmicas das representações como faria uma carga elétrica pela superfície dos corpos”.
  • 22. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Mas foi no projeto que o termo adquiriu importância de conceito fundamental. Da combinação da teoria da quantidade (Q) com o quadro dos neurônios, “obtém-se a representação de um neurônio (N) investido [besetzt], que está cheio de determinada (Qη) e que outras vezes pode estar vazio” BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • O investimento consiste, portanto, no fato de a energia psíquica (Qη) estar ligada a um neurônio ou grupo de neurônios, ou a uma representação ou grupo de representações. • Para que um neurônio (ou grupo de neurônios) possa estar cheio de (Qη), é necessário que algo oponha resistência à descarga total; e Freud localiza essa resistência nos contatos entre os neurônios (sinapses), contatos estes que funcionariam como barreiras contra a descarga, permitindo que o neurônio seja ocupado pela (Qη). Esta é a hipótese das BARREIRAS DE CONTATO.
  • 23. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Um dos efeitos do recalcamento consiste precisamente numa retirada do INVESTIMENTO ENERGÉTICO. De fato, essa concepção nos fornece uma idéia do investimento como uma carga que se coloca ou se retira de alguma coisa, no nosso caso, de uma representação, no entanto, a Besetzung, tal como descrita no Projeto, é muito mais sutil do que pode parecer a uma rápida leitura. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM 6. AS BARREIRAS DE CONTATO • Esta hipótese é fundamental para a explicação de uma das funções mais importantes do aparelho neuronal concebido por Freud: a memória. • Sem a capacidade de armazenar informações, o aparelho seria reduzido a um mero condutor, algo semelhante a um fio que conduz energia elétrica mas que é incapaz de armazená-la.
  • 24. • Sem a memória, o aparelho sequer seria um “aparelho”, isto é, algo composto de partes distintas, limites definidos e de um principio de funcionamento que não fosse o da mera descarga. No entanto, não devemos confundir essa “memória neuronal” com a memória tal como é entendida pela psicologia. Não se trata da memória consciente, mas da capacidade do tecido nervoso de ser alterado de forma permanente, contrariamente a uma matéria que permitisse a passagem da energia e retornasse ao seu estado anterior. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Trata-se de distinguir entre os (N) permeáveis (condutores mas não retentores de Qη) e impermeáveis (retentores de Qη), sendo que a permeabilidade ou impermeabilidade decorrem da resistência nas barreiras de contato.( Vol. 1 pag.352 ESB) • Se a resistência na barreira de contato for de magnitude maior do que a magnitude de Qη, teremos neurônios impermeáveis, retentores de Qη.
  • 25. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Mais ainda, enquanto os neurônios impermeáveis servem a memória, os neurônios permeáveis servem a percepção. • Segundo Freud, os mesmos neurônios não podem servir à memória e a percepção. Isto porque para que o processo perceptivo possa se dar com fluidez que lhe é própria, é necessário que ele encontre sempre uma estrutura que permaneça inalterada a cada nova percepção... Podemos exemplificar... BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Essa estrutura às lentes de um óculos. Se cada coisa percebida as lentes do óculos mantivessem um registro, em pouco tempo não conseguíramos perceber mais nada; é necessário pois, que elas se mantenham permanentemente transparentes. As lentes dos óculos não podem ter memória. • De forma análoga, o sistema de neurônios perceptivos tem que ser diferente dos sistema dos neurônios portadores de memória.
  • 26. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Assim Freud denomina os primeiros neurônios de φ e os segundos de neurônios Ψ: • A distinção fundamental entre os dois sistemas de neurônios reside em que as barreiras de contato em φ permanecem inalteradas após a passagem de Qη, enquanto que as barreiras de contato em Ψ são alteradas com a passagem de Qη e que esta alteração é permanente. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Freud: ESB vol.1 pag. 352 O argumento é o seguinte: Esses neurônios ficam permanentemente alterados pela passagem de uma excitação. Se introduzirmos a teoria das barreiras de contacto: as barreiras de contacto deles ficam em estado permanentemente alterado. E como o conhecimento psico[lógico] demonstra a existência de algo assim como um re-aprender baseado na memória, essa alteração deve consistir em tornar as barreiras de contacto mais capazes de condução, menos impermeáveis e assim, mais semelhantes às do sistema Ф. Seria uma noção das estruturas egóicas?
  • 27. 7. BAHNUNG (Facilitação ou Trilhamento) • Banhung não propriamente no sentido de uma estrada, de algo preexistente ao nosso caminhar, mas sim no sentido de uma trilha que vamos abrindo com o próprio caminhar. • Se numa floresta abrirmos uma trilha, ela se torna facilitadora de nosso percurso; e se percorrermos a floresta em varias direções, cada trilha aberta se torna uma via privilegiada nos percursos futuros. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Mas se cada trilha é facilitadora de um percurso, ela o é à condição de excluir outros percursos. Se na segunda vez eu tenho a percorrer a trilha anteriormente aberta, isto implica uma seleção com relação a outros percursos novos ou já existentes.
  • 28. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Um Trilhamento é uma trama de caminhos facilitadores em certas direções e dificultadores em outras. • Esse Trilhamento ou essa trama de facilitações/dificultações é passível de um reordenamento , pois de tempos em tempos as marcas mnêmicas sofrem um reordenamento segundo novos nexos/ experiências. • Então temos que o sistema Ψ não é apenas a quantidade (Q), mas a quantidade mais a Bahnung. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • O que caracteriza a memória é precisamente o fato de que a diminuição das resistências oferecidas por certas barreiras de contato “facilitam” o percurso em determinadas direções e não em outras, o que dá lugar à repetição dos percursos facilitados. • Freud “Se a facilitação fosse igual em toda as partes, não se explicaria a predileção por uma caminho”, ou ainda “a memória está constituída pelas diferenças dentro da facilitações entre os neurônios Ψ.” (ESB. VOL.1 PAG.352).
  • 29. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Se por um lado a BAHNUNG constitui a memória neurônica, por outro, está a serviço da função primária ( descarga ). Essa descarga não é total porque o sistema dos neurônios, premiado pela necessidade vital, é obrigado a suportar um acúmulo de Qη para poder executar uma ação especifica. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM 8. O sistema ω e a consciência. • Até este ponto demonstramos o sistema φ que tem por características a permeabilidade, sendo constituído de neurônios que apenas conduzem a energia proveniente de fonte exógena, e sendo regido pelo P. da Inércia neurônica, tende a se livras de toda Q circulante.
  • 30. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • O sistema Ψ tem a capacidade de armazenar energia, tanto de fonte endógena com as de fontes recebidas via φ, essa capacidade de armazenar possibilita a memória, associação, pensamentos, etc. • Porém estes processos são ICS, e aqui Freud se depara com um problema delicado para a Psicanálise a CS, objeto por excelência da especulação filosófica de Descartes. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Se os sistemas φ e Ψ dão conta da quantidade e são processos ICS, onde se daria a qualidade (característica essencial da CS) ? • A qualidade é outra coisa. Não é redutível à quantidade e diz respeito aos aspectos sensíveis da percepção. Uma cor, um som, uma textura, quente/frio, são qualidades. E mais as qualidades se apresentam como séries, como semelhanças e diferenças, com síntese das impressões elementares.
  • 31. Mas de onde então surge a qualidade? • Existe um terceiro grupo de neurônios[ o sistema ω ] que é excitado junto com a percepção. E cujos estados de excitação produzem as diversas qualidades – ou seja, são sensações conscientes. • Em uma carta datada de jan. de 1896 (carta 39) Freud explica a Fliess 3 maneiras de os neurônios afetarem uns aos outros: BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM 1 – transferindo quantidade de um para outro 2- transferindo quantidade de um para outro 3 – exercendo um efeito excitante uns sobre os outros. OS neurônios Ψ transferem para os neurônios ω sua qualidade (e não quantidade), enquanto que os neurônios ω não transferem para os neurônios Ψ nem qualidade, nem quantidade, mas apenas excita Ψ, isto é, indica para Ψ as vias a serem tomadas pela energia livre Ψ.
  • 32. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Embora o sistema da consciência seja concebido por Freud como um sistema a parte, ele mantém com os outros dois relações necessárias. Ele é alimentado por φ e é ele que por sua vez fornece a Ψ as informações que vão constituir a prova de realidade para este último. Os Signos de qualidade (Qualiätszeichen) • O que o sistema ω de neurônios fornece ao sistema Ψ ? • A resposta de Freud é inequívoca: ω fornece a Ψ signos de qualidade ou signos de realidade. • Freud sabia da dificuldade com que a ciência da época se defrontava com o problema da qualidade. Para as ciências naturais como para a psicologia, o mundo externo reduz-se a matéria e movimento, e ambos são por elas tratados como quantidades, entanto o que a consciência nos fornece são qualidades.
  • 33. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Uma das funções do ego em Ψ é inibir a descarga quando da ausência do objeto real. Para isto, seria necessário que o ego estivesse de posse das informações sobre o mundo externo provenientes da percepção. Como o ego e as percepções pertencem a sistemas diferentes (o ego ao sistema Ψ e as percepções ao sistema φ), é necessário estabelecer-se um mecanismo que articule um ao outro, para que o ego possa distinguir a representação-percepção da representação lembrança. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM A noção de Período • Freud diz que a descarga em ω ao ser captada por Ψ funciona como um sinal de algo externo. Neste sentido, a descarga seria um índice ou sinal de uma realidade externa. Assim a resposta de ω se faz em função não de uma certa quantidade ( Q ou Qη), mas de um período, isto é, da temporalidade, esta que não é redutível à quantidade.
  • 34. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Prazer e Desprazer • Vimos que a consciência é responsável pelas qualidades sensíveis e que é ela que fornece ao sistema Ψ os signos de qualidade. Mas além disso a consciência é também quem fornece as sensações de prazer e desprazer, sendo esta distinção uma das mais fundamentais para a compreensão do funcionamento do aparato psíquico. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Na 1ª tentativa de esclarecer a questão, Freud afirma que o “desprazer estaria ligado a uma elevação do nível de Qη ou a um acréscimo quantitativo de pressão” ou melhor “seria a sensação ω frente a um acréscimo de Qη em Ψ” • Já vimos que com o P. da Inércia Neurônica ou com o principio da Constância, o aparato psíquico funciona no sentido de reduzir a zero a soma de excitação, ou pelo menos mantê-la no nível mais baixo possível.
  • 35. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Entre ω e o mundo exterior há não apenas os órgãos dos sentidos, mas todo o sistema Ψ que Freud concebe com um sistema intermediário, sistema moderador, com a função de filtragem, de amortecimento. É esse sistema Ψ que vai tornar possível o equilíbrio do aparato psiquico. Assim a excitação decorrente do mundo exterior está em φ e não em ω. O sistema ω é responsavel pela percepção, não é a sede das excitações provenientes do mundo exterior. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM O Funcionamento do Aparato • O aparato psíquico é constituído pelos sistemas φ, Ψ e ω é estimulado a partir de duas fontes: • 1- Mundo exterior • 2- O interior do próprio corpo.
  • 36. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • O Sistema Ψ núcleo mais o sistema φ são responsáveis pela atividade reflexa; enquanto que o sistema Ψ pallium mais o sistema ω vão responder pelos processos psíquicos em geral (percepção, memória, pensamento, associação, desejo, prova de realidade, etc.). O sistema Ψ pallium é a sede dos processos psíquicos primários, assim como da função neurônica secundária (ação especifica) que ele tem em comum com o Ψ núcleo.
  • 37. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM IMPORTANTE • “Nenhuma descarga pode produzir resultado aliviante, visto que o estimulo endógeno continua a ser recebido e se restabelece a tensão em Ѱ. Nesse caso, o estimulo só é passível de ser abolido por meio de uma intervenção que suspenda provisoriamente a descarga de Qη no interior do corpo; e uma intervenção dessa ordem requer a alteração no mundo externo (fornecimento de víveres, aproximação do objeto sexual), que, como ação especifica, só pode ser promovida de determinadas maneiras”. Freud, ESB. Vol. I Pag.370. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • “O organismo humano é a principio, incapaz de promover essa ação especifica. Ela se efetua por ajuda alheia, quando a atenção de uma pessoa experiente é voltada para um estado infantil por descarga através da via de alteração interna. Essa via de descarga adquire, assim, a importantíssima função secundaria da comunicação, e o desamparo inicial dos seres humanos é a fonte primordial de todos os motivos morais.” • Freud, ESB. Vol. I Pag.370
  • 38. Dor e Vivência de Dor (Schmerzerlebins) • Como Salienta Derrida, “de certo modo, não há Trilhamento [Bahnung] sem um começo de dor.” • Num organismo vivo, os dispositivos biológicos tem por função proteger a vida dos investimentos perigosos, no entanto, a ação destes mecanismos tem seus limites de eficácia, alem dos quais eles fracassam e sobrevêm a dor, no limite, a morte. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • A dor consiste, portanto, na irrupção de grandes Q em Ψ. o sistema nervoso dispõe de dois mecanismos destinados a neutralizar a recepção de Qη: descarga e fuga (esta última no que se refere aos estímulos externos, já que não há fuga possível para os estímulos endógenos.
  • 39. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • No caso da dor, os neurônios Ψ tornam-se tão permeáveis quanto os neurônios φ, não sendo as barreiras de contato suficientemente resistentes para impedir a passagem da Qη. • Em termos do funcionamento do aparto, a dor produz em Ψ: BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM 1- um aumento de tensão que é sentido como desprazer por ω. 2- uma tendência à descarga 3- uma bahnung entre a tendência à descarga e uma imagem-lembrança do objeto que provoca a dor. Portanto além da quantidade, a dor possui também uma qualidade que é dado pelo sentimento de desprazer em ω. Freud, ESB. Vol. I Pag.372
  • 40. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Se a imagem do objeto hostil for reinvestida[catexizada] ( em decorrência de novas percepções, por exemplo), o efeito deste investimento não será novamente dor, mas um afeto acompanhado de desprazer. O termo afeto esta sendo empregado aqui para designar a reprodução de uma vivência de dor, o que implica desprazer e não dor. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Não há Bahnung sem um começo de dor, como não há organização psíquica sem um começo de dor. Mas ao mesmo tempo, a dor é o que desorganiza o aparelho psíquico, provocando uma perturbação tal que suspende, enquanto ela durar, as diferenciações estabelecidas. • Vimos que Freud define a dor como a irrupção de grandes Q em Ψ, e que apesar dos sistema de neurônios possuírem dispositivos protetores, essa invasão pode ocorrer devido à intensidade da Q.
  • 41. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Afeto e Desejo • Os desejos e os afetos dão lugar a dois mecanismos básicos do aparelho psíquico: 1 – a atração de desejo primária, atração para o objeto desejado e por sua imagem mnêmica 2 – defesa primária ou recalque, uma aversão a manter investida a imagem mnêmica hostil. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Processo Primário e Secundário • Quando se da a experiência de satisfação, três coisas acontecem no interior do sistema Ψ: 1- é operada uma descarga 2- produz-se investimento de um grupo de neurônios correspondente à percepção do objeto que produziu a satisfação 3- chegam ao Ψ pallium informações sobre a descarga que se segue a ação específica.
  • 42. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • A partir daí estabelece-se uma facilitação [bahnung] entre esses investimentos e os neurônios do Ψ núcleo, a satisfação está, a partir de então, ligada tanto a imagem do objeto como a imagem do movimento de descarga . Quando reaparece o estado de necessidade, ambas as imagens são reinvestidas ou reativadas. • Freud, ESB. Vol. I, pág. 377. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Aquilo que essa reativação vai produzir é idêntico à percepção original do objeto, sua imagem, só que agora o objeto está ausente. • O que vai ser produzido, portanto,não é a percepção do objeto, mas a alucinação do objeto, seguindo-se a ela a descarga. O resultado evidente é o desapontamento e o desprazer. Daí a necessidade de se distinguir entre imagempercepção e imagem-lembrança. Esta é a função do princípio de realidade.
  • 43. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • O princípio de prazer não pode atender a essa exigência, já que regula o equilíbrio interno do aparelho mas não pode ter uma finalidade adaptativa, pois não dispõe de um sistema percepção-consciência, não sendo portanto capaz de distinguir o objeto real do objeto alucinado. • Para tanto, é necessário um princípio de correção que confira ao aparelho psíquico uma eficiência mínima, eficiência esta que será dada pelo princípio da realidade. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Assim Freud denomina os processos psíquicos primários, como o investimento-desejo que conduz à alucinação e ao desprazer resultante, e denomina processos psíquicos secundários aqueles possibilitados por um bom investimento do eu e que inibem os primeiros • Mas ambos são ICS. • Freud, ESB. Vol. I, pág. 379.
  • 44. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Memória e Juízo • Pensamento e Realidade ( o objetivo de todos os processos do pensamento é o estabelecimento de um estado de identidade) • Memórias de Lembrança. A interpretação dos sonhos A pessoa fecha os olhos e alucina; torna a abri-los e pensa com palavras. Freud, ESB. Vol. I, pag. 391.
  • 45. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Durante o sono há uma queda de carga endógena, que torna supérfula a função secundaria, no sono então o individuo se encontra no estado ideal de inércia, livre de sua reserva de Qη. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Quando Freud em 1891 escreve sobre as afasias, sua intenção era nos mostrar um aparelho de linguagem, então ele não concebe um aparelho em que o individuo já traga com ele ao nascer, pronto e acabado. • O aparelho da linguagem (sprachapparat) forma-se aos poucos, elemento por elemento, na relação com outro aparelho de linguagem, e é apenas por referencia a esse outro que ele funciona.
  • 46. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Importante que se entenda esse “outro” como sendo outro aparelho de linguagem e não como sendo o mundo. O mundo não é capaz, por si só, de produzir um aparelho de linguagem. É apenas no seio de uma pluralidade de aparelhos de linguagem que um novo aparelho poderá surgir. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Neste aparelho, as palavras (ou representações-palavra) adquirem seu significado pela relação que a imagem acústica do complexo representaçãopalavra mantém com a imagem visual do complexo formado pelas associações de objeto. E, aqui, Freud inova em termos de teoria da percepção. O que se contrapõe à palavra não é o objeto.
  • 47. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • A representação-objeto não esta ali pronta, à espera da representaçãopalavra para que se produza significado. A percepção não oferece objetos com os quais as palavras vão se articular para obter seu significado. Portanto o que fornece ao objeto seu significado, q a fortiori sua unidade, não é a coisa externa, mas a articulação das associações de objeto com a palavra. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • A linguagem não consiste somente em associações entre elementos mas por associações entre associações o que Freud denomina como superassociação que é uma intricada trama de caminhos associativos. • E são esses caminhos que iremos desvendar no interpretar dos sonhos, segundo o conteúdo manifesto e o latente.
  • 48. Conteúdo Manifesto e Pensamentos Latente • A tese de Freud é de que o primeiro registro (o consciente) é um substituto do segundo registro (o Inconsciente), do qual o sonhador detém em saber que não lhe é acessível de forma imediata. Aquilo que o sonhador tem acesso é ao conteúdo manifesto, isto é o sonho sonhado e recordado por ele ao despertar. Este é o substituto distorcido de algo inteiramente distinto e inconsciente que são os pensamentos latentes. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Os pensamentos latentes são a matéria prima de que são feitos os sonhos manifestos, mas é apenas a partir destes últimos que podemos chegar ao conteúdo latente. • O processo onde os pensamentos latentes são transformados em manifestos é denominado por Freud de TRABALHO DO SONHO (traumarbeit) e o trabalho oposto em se chegar nos pensamentos latentes através dos manifesto se chama TABALHO DE INTERPRETAÇAO ( Deutungsarbeit).
  • 49. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Os pensamentos latentes Os pensamentos latentes, dos quais o conteúdo manifesto é uma expressão deformada, são pensamentos que em nada distinguem dos pensamentos que se processam em nível consciente. Seriam portanto perfeitamente inteligíveis caso se tornassem conscientes. Por que então, esse trabalho de deformação a que são submetidos? BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • E porque alguns elementos dos sonhos são sem nenhum sentido aparente e completamente desconectados dos demais elementos do sonho? São precisamente essa ausência de sentido e esse caráter desconexo que se constituem como índices da distorção a que foram submetidos os pensamentos latentes, e são estes os elementos que interessam mais intensamente á tarefa de interpretação.
  • 50. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Quanto mais um elemento do sonho é desinteressante e quanto mais o sonhador se recusa a fornecer associações deste elemento, mais ele se torna significante para o trabalho de decifração, posto que são precisamente eles que poderão conduzir ao desejo ICS e à solução do sonho. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Freud se refere ao conteúdo manifesto e os pensamentos latentes como sendo diferentes modos de expressão, compreendendo signos e leis de articulação distintas; uma diferença de linguagens, portanto, e não uma diferença como a que existe entre 2 línguas, onde há uma gramática que se mantém constante, com um código em comum viabilizando a tradução. • Ao passo que nos sonhos cada sonhador cria a sua própria gramática.
  • 51. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Posto que o conteúdo onírico pode ter significados diferentes em diferentes pessoas ou na mesma pessoa em diferentes momentos. • O interessante é que lidamos com dois textos (não feitos com palavras mas com imagens, mas que são estruturados como uma linguagem) diferentes, os manifestos e os latentes. Outra idéia de Freud é que um seria o original e o outro sua tradução. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Censura e Resistência • A verdade do desejo ICS não se oferece docilmente ao interprete, e isto é devido a resistência que o eu sonhador oferece a pura e simples expressão do material ICS. Quanto maior a resistência, maior o indício da proximidade entre o substituto manifesto e o desejo ICS.
  • 52. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • A censura ( Zensur )é concebida por Freud como uma função que se exerce na fronteira em sistemas (ICS e PCS), opera na passagem de um sistema para outro mais elevado. • Citar Lacan “a censura é a lei como incompreendida” • E a resistência (Widerstand ) designa tudo aquilo que no trabalho analítico se opõe a interpretação, ou seg. Freud “tudo aquilo que perturba a continuação do trabalho analítico é uma resistência” BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Se os pensamentos latentes (inconscientes) fossem inteligíveis para a consciência, não haveria problema quanto a virem à luz na sua forma original. É para não serem identificados que eles são deformados.
  • 53. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM O TRABALHO DO SONHO Condensação ( Verdichtung) e Deslocamento ( Verschiebung). • A condensação designa o mecanismo pelo qual o conteúdo manifesto do sonho aparece como uma versão abreviada dos pensamentos latentes. Sendo o conteúdo manifesto sempre menor que o latente. • A condensação opera de três maneiras:
  • 54. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Condensação 1. Omitindo determinados elementos dos pensamentos latentes. 2. Permitindo que apenas um fragmento do conteúdo latente apareça no sonho manifesto; 3. Combinando vários elementos do conteúdo latente que possuem algo em comum num único elemento do conteúdo manifesto. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • O mecanismo de condensação esta presente também nos chistes, nos lapsos, nos esquecimentos das palavras, etc. • O segundo mecanismo do trabalho do sonho é o deslocamento, que também é efeito da censura onírica, e opera basicamente de 2 maneiras:
  • 55. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Deslocamento 1. Pela substituição de um elemento latente por outro mais remoto que funcione em relação ao primeiro como simples alusão. 2. Mudando o acento de um elemento importante para outros sem importância. Assim aquilo que é essencial nos pensamentos latentes não desempenha nenhum papel importante ou mesmo sequer aparece no conteúdo manifesto BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM A FIGURAÇÃO • O sonho é um escrita, uma escrita psíquica que não é feita de palavras mas de imagens, o que implica a possibilidade dos pensamentos latentes serem expressos sob forma de uma encenação. • O eu portanto percebe imagens, e somente imagens que ele reconhece.
  • 56. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • “Imaginemos, por exemplo, que alguém nos pede para substituir as frases de um editorial político ou de uma defesa perante um tribunal por uma série de desenhos; com isso compreendemos facilmente as modificações que o trabalho do sonho precisa fazer para captar a representabilidade do conteúdo do sonho” (p.92) BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • É importante lembrarmos a afirmação de Freud segundo o qual o trabalho do sonho não pensa, não é uma atividade criadora, mas apenas transformadora do conteúdo latente que são os pensamentos do sonho. • E para Freud o sonho que traz juízos e argumentações lógicas são apenas a repetição de um modelo procedente dos pensamentos oníricos latentes.
  • 57. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • O que está em jogo na consideração à figurabilidade é a seleção de pensamentos capazes de serem expressos em imagens, o que tem como conseqüência um sacrifício das relações lógicas que são pura e simplesmente eliminadas ou que são substituídas por relações entre imagens que procuram traduzir, à sua maneira, essas reações lógicas. Elaboração Secundária (SEKUNDARE BEARBEITUNG) • Consiste na modificação imposta ao sonho de uma história coerente e compreensível. A finalidade da elaboração secundaria é fazer com que o sonho perca sua aparência de absurdidade, aproximando-o do pensamento diurno (realizado pelo CS). • Em 1923, em um artigo intitulado “Psicanálise”, Freud afirma que a elaboração secundaria não faz parte do trabalho do sonho, posto que ela toma como matéria-prima não os pensamentos latentes, mas o material já elaborado pelos mecanismos do trabalho do sonho.
  • 58. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Como resultado dessa operação de ligação, o sonho perdeu seu aspecto absurdo e incoerente assemelhando-se ao pensamento da vigília. O sentido que o sonho adquire por efeito dessa elaboração secundária é, no entanto, enganoso; na verdade, está bastante afastado do verdadeiro significado do sonho. Mas muitas vezes ela se faz de forma parcial e outras vezes fracassa, continuando o conteúdo onírico um aglomerado de imagens sem sentido aparente. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Da imagem à palavra • A proposta freudiana, com a interpretação dos sonhos é de operar a passagem do relato fornecido, pelo sonhador, das imagens do seu sonho ao texto a ser interpretado. Não é o relato como um todo, que é submetido à interpretação, mas o texto desse relato. • E a interpretação constituirá em desmanchar o tecido do texto para chegar ao enunciado do desejo.
  • 59. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • A imagem para Freud, mais do que desveladora, é encobridora da verdade do desejo. E ela constitui como ponto de partida empírico da psicanálise ( a importância visual do histérico). • As imagens do sonho, não tem o valor de imagens, isto é, não se propõem como imagens das coisas, pois as imagens formam as associações de objeto que vão constituir a representação- objeto. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • É a partir desse modo de conceber as imagens que podemos dizer que a máxima lacaniana “ o ICS é estruturado como uma linguagem”, pode ser aplicada a Freud desde seus textos iniciais.
  • 60. Sobredeterminação (Überdeterminierung) • Designa o fato de uma formação do ICS, seja um sonho, um sintoma ou um ato falho, ter uma multiplicidade de fatores determinantes. • A Sobredeterminação atinge tanto o sonho como um todo, como seus elementos isoladamente. Num único sonho reúnem-se várias realizações de desejo, sendo que um sentido encobre outros numa série que a rigor, não tem primeiro termo. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Essa questão nos remete a superinterpretação, diz respeito a uma segunda interpretação que se sobrepõe à primeira, e que tem como resultado um outro significado do sonho (ou sintoma), distinto daquele que foi obtido com a interpretação anterior. • Por isso um sonho nunca é analisado em sua totalidade.
  • 61. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Como decorrência, a própria noção de superinterpretação se amplia, passando a abarcar tanto a sobreposição das significações quanto o aumento do material resultante de novas associações, o que faz com que o trabalho de interpretação se estenda para além dos limites inicialmente supostos. SOBRE O SIMBOLISMO
  • 62. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Ao descrever agem, a função da linguagem, Émile Benveniste, dizia que ela reproduz a realidade, sendo o termo “reproduz” conotado como: produzir novamente. Pela linguagem, a realidade é produzida novamente, a cada fala as coisas e acontecimentos são recriados, pois não há pensamento sem linguagem. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • É graças a linguagem que o homem consegue simbolizar, entendo este como a capacidade que ele possui de estabelecer uma relação entre o real e o signo( não representa a totalidade do objeto,mas seus aspectos), este último entendido como um representante do real, relação esta que será de significação.
  • 63. Em relação ao seu objeto, o signo pode ser: 1. Índice ou sinal: é um signo que possui uma conexão física (um efeito) com o objeto que indica (a fumaça como índice de fogo, o dedo apontando para um objeto) 2. Ícone: é um signo que remete para o seu objeto em virtude da semelhança (a fotografia e o fotografado) 3. Símbolo: é um signo arbitrário (que pertence ao universo de sentido) cuja ligação com o objeto é estabelecida por uma lei. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • A primeira menção de símbolo de Freud foi em 1894 em “as neuropsicoses de defesa”. • E Freud distingue duas formas de interpretar o símbolo: • Uma que faz o uso das associações fornecidas pelo paciente e outra que se exerce diretamente aos símbolos.
  • 64. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Na décima das “Conferências de Introdução a Psicanálise. Freud enumera alguns símbolos dentre os quais os mais usados com relação a este campo: a CASA como símbolo da pessoa humana, os irmãos simbolizados por animais pequenos, a água como símbolo do nascimento, a morte por viagens e partidas...etc... Para o órgão sexual masculino Freud aponta os seguintes símbolos: • Bengala, guarda-chuva, poste, arvore, faca, punhal, rifle, revolver, torneira, chafariz, caneta, balão, avião, repteis e peixes, alem de chapéus, sobretudo e capas.... • Do órgão sexual feminino: buracos, armários, fogão, cofres, bolsas, barcos, igrejas, porta e portões, madeira, caramujos, conchas, frutas em geral, jóias , tesouro e outras....
  • 65. O surgimento do aparelho Psíquico • Em uma carta redigida a Fliess de 9 de fevereiro de 1898, Freud declara que a única idéia sensata que encontrou foi de Gustav Fechner que diz “o cenário dos sonhos é outro que o da vida de representações da vigília” • E Freud comenta “ O que nos é apresentado nessas palavras é a idéia de lugar psíquico”
  • 66. O DESEJO FORMADOR DO SONHO • Dos lugares psíquicos estipulados por Freud veremos a origem dos desejos que se realizam no sonho: 1. O desejo pode ter sido despertado durante o dia e por motivos puramente exteriores não ter sido satisfeito; esse desejo admitido mas não satisfeito tem sua tramitação adiada para a noite. Trata-se, neste caso, de um desejo proveniente do PCS. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM 2 – ele pode ter sido despertado durante o dia mas em razão de um repúdio ter sido reprimido. O mecanismo presente neste caso não se confunde com o do recalcamento. Neste último a instância recalcadora quanto o recalcado pertencem ao ICS. Enquanto a supressão é um mecanismo do PCS/CS que consiste em excluir da consciência atual um determinado conteúdo.
  • 67. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM 3 – pode ser um desejo que não possua nenhuma relação com a vida diurna atual e que se torna ativo apenas durante o sono. Neste caso, sua providência é o ICS, mais específico o ICS recalcado. A estas 3 fontes Freud ainda acrescenta uma quarta, que são moções de desejo que surgem durante a noite, estimulados por exemplo, pela sede ou pelas necessidades sexuais. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Não é qualquer desejo, porém, que tem o poder de produzir um sonho numa pessoa adulta. Um desejo diurno que permaneceu insatisfeito pode, quando muito, contribuir para o induzimento de um sonho, mas será incapaz por si só de produzir um sonho. • O desejo é indestrutível porque jamais poderá ser plenamente satisfeito, e jamais poderá ser plenamente satisfeito porque não há um objeto específico que o satisfaça, sua satisfação será sempre parcial, o que implica o seu infindável retorno.
  • 68. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Se os desejos produtores dos sonhos são, em ultima análise, desejos ICS (pertencentes ao sistema ICS), isto não quer dizer que os desejos do PCS/CS não participem da formação dos sonhos. Seu papel é secundário, mas nem por isso sem importância. Os desejos PCS/CS não apenas funcionam como incitadores do sonho, como possibilitam ainda aos desejos ICS uma solução de compromisso, tal como acontece com as demais formações do ICS. OS RESTOS DIURNOS • Os restos diurnos PCS penetram no sonho com extraordinária freqüência, aproveitando-se do seu conteúdo para conseguir acesso a consciência durante a noite. São eles que, conseguindo dominar o conteúdo do sonho, forçamno a dar prosseguimento ao trabalho diurno.
  • 69. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM OS SONHOS PENOSOS • Se em última instância o sonho é a realização de um desejo, como explicar a existência de sonhos desagradáveis, sonhos que provocam angústia e que podem levar ao despertar por serem intoleráveis para o sonhador ? BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • No caso dos sonhos o caráter desagradável recai sobre o conteúdo manifesto. • Temos que considerar que o trabalho do sonho nem sempre obtém sucesso, e pode ocorrer que parte do afeto ligado aos pensamentos oníricos latentes fique excedente no sonho manifesto, provocando o sentimento de desagrado.
  • 70. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Diferentemente dos pensamentos oníricos aflitivos, que são facilmente transformáveis pela elaboração onírica, os afetos são altamente resistentes a qualquer transformação, podendo permanecer inalterados no sonho manifesto. • Quando afirmamos que o sonho é a realização de desejos e que a realização de um desejo deve provocar prazer, não fica esclarecido o seguinte: A quem o sonho deve proporcionar prazer???
  • 71. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Ao sonhador é a resposta mais comum, porém é o mesmo sonhador que deseja, repudia e censura seus desejos. A qual o sujeito o sonho deve agradar??? • Ao que deseja ou ao que censura ??? • Todo sonho tem sua produção iniciada na primeira instância(ICS) e a segunda (PCS-CS) funciona de um modo apenas defensivo, não criativo. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Outro tipo de sonho desprazeroso são os sonhos de punição. Apesar de desagradáveis, correspondem também a realização de desejos: o desejo do sonhador de se punir por ter um desejo proibido (ICS). • “ o mecanismo da formação do sonho tornase em geral mais transparente se a oposição entre consciente e inconsciente é substituída pela oposição entre o eu e recalcado” somente 25 anos depois que Freud surge com a terminologia supereu.
  • 72. Narcisismo BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM A referência ao mito de Narciso, que evoca amor dirigido a própria imagem, poderia levar a crer que o tal amor seria inteiramente independente das pulsões sexuais tal como Freud as evidenciou. pois bem, no campo da psicanálise, o conceito de narcisismo representa, ao contrário, um modo particular de relação com a sexualidade.
  • 73. O conceito de narcisismo em Freud Foi em 1899, que Paul Nacke introduziu pela primeira vez o termo "narcisismo " no campo da psiquiatria e, designou com esse termo um estado de amor por si mesmo que constituía uma nova categoria de perversão. Nessa época Freud estava formulando a questão sobre “a escolha da neurose”, mas foi preciso esperar até 1910 para que Freud em relação aos desvios de alguns de seus discípulos, fosse levado a precisar sua posição a respeito do narcisismo. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Narcisismo • O narcisismo seria também um complemento libidinal do egoísmo do instinto de autopreservação, que, em certa medida, pode justificavelmente ser atribuído a toda criatura viva. • Freud, ESB, Vol.XIV, pag. 81.
  • 74. • O foi em 1911 em seu estudo sobre a psicose de presidente Scheber, postulou pela primeira vez o narcisismo como um estágio normal da evolução da libido "libido como energia sexual que parte do corpo e investe os objetos ". • “A libido afastada do mundo externo é dirigida para o ego e assim dá margem a uma atitude que pode ser denominada de narcisismo.” Freud, ESB, Vol.XIV, pag. 82. O narcisismo primário e narcisismo secundários O primeiro modo de satisfação da libido seria o auto-erotismo, isto é, o prazer que o órgão retira de si mesmo, as pulsões parciais procuram, cada qual por si mantém, sua satisfação no próprio curso. Esse é o tipo de satisfação que, para Freud, caracteriza com o narcisismo primário, enquanto um EU como tal ainda não se constituiu. Os objetos entanto investidos pelas pulsões são as próprias partes do corpo.
  • 75. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • “As primeiras satisfações sexuais auto-eróticas são experimentadas em relação com funções vitais que servem á finalidade de autopreservação. Os instintos sexuais estão, de inicio, ligados à satisfação dos instintos do ego; somente depois é que eles se tornam independentes destes, e mesmo então encontramos indicação dessa vinculação original no fato de que os primeiros objetos sexuais de uma criança são as pessoas que se preocupam com sua alimentação, cuidados e proteção: isto é, no primeiro caso, sua mãe ou quem quer que a substitua.” Freud, ESB, Vol.XIV, pag. 94.
  • 76. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Em 1914, Freud colocou em relevo a posição dos pais na constituição do narcisismo primário: " a pressão dos pais pelo filho equivale a seu narcisismo recém-nascido “, cria-se uma “revivência”ou “reprodução” do narcisismo dos pais, que atribuem ao filho todas as perfeições e projetam nele todos os sonhos a que eles tiveram que renunciar, garantindo a imortalidade de seu Eu. O narcisismo primário representa, de certa forma, uma espécie de onipotência que se cria no encontro entre o narcisismo nascente do bebê no narcisismo remanescente dos pais. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM “ Descobrimos, de modo especialmente claro, em pessoas cujo desenvolvimento libidinal sofreu alguma perturbação, tais como pervertidos e homossexuais, que em sua escolha ulterior dos objetos amorosos eles adotaram como modelo não sua mãe mas seus próprios eus. Procuram inequivocamente a si mesmas como objeto amoroso, e exibem um tipo de escolha objetal que deve ser chamado de narcisista.” Freud, ESB, Vol.XIV, pag. 94.
  • 77. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • • • • Em para “Introduzir o Narcisismo” Freud distingue dois tipos de escolha de objeto: O tipo narcisista (narzissmustypus), onde ela toma por si mesmo como objeto de amor. Ama-se: O que ela própria é (isto é, a si mesmo) O que ela própria foi O que ela própria gostaria de ser, Alguém que foi parte dela mesma. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM E o tipo analítico (Anlehnungstypus), onde a criança escolhe como objeto sexual as pessoas encarregada de sua alimentação, cuidados e proteção, em geral mãe ou substitutos. Segundo o tipo analítico: • A mulher que alimenta. • O homem que protege. • Freud, ESB, Vol.XIV, pag. 97
  • 78. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Situemos agora o narcisismo secundário, que corresponde ao narcisismo do Eu, é necessário que se produza um retorno dos investimentos dos objetos transformando em investimento do eu, para que isso constitua o narcisismo secundário. A passagem para o narcisismo secundário pressupõe, portanto, dois movimentos, que podemos acompanhar no esquema .
  • 79. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • A. Segundo Freud pelo o sujeito encontra num objeto suas pulsões sexuais parciais " que até esse momento, funcionavam segundo a modalidade auto-erótica ", a libido investe o objeto, já que a primazia das zonas genitais ainda não foi instaurada. • B. Posteriormente, esses investimentos retornam para o eu. A libido toma então o eu como objeto amado. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Porque a criança sai do narcisismo primário ? A criança sai dele quando seu eu se vê confrontado com ideal com o qual tem de se comparar, ideal este que se formou fora dela e que lhe é imposto de fora. através das exigências que se traduzem simbolicamente através da linguagem. A mãe fala com ela, mas também se dirige a outras pessoas
  • 80. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • . A assim a criança percebe que ela também deseja fora dele e que ele não é tudo para ela: essa é a ferida infligia ao narcisismo primário da criança. A partir daí o objeto consistirá em fazer-se amar pelo outro, em agradá-lo para reconquistar seu amor, mas isso só pode ser feito através da satisfação de certas exigências, as do ideal do eu, conceito que designa, em Freud, as representações culturais e sociais, os imperativos éticos tal como são transmitidos pelos pais. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Para Freud, o desenvolvimento do Eu consiste em distanciar -se do narcisismo primário. Na realidade, o eu " aspira intensamente " a reencontrá-lo, e para isso para recuperar o amor e a perfeição narcísica, passa pela mediação do ideal do eu. O que fica permitido é o imediatismo do amor. Mas o elemento mais importante que vêm perturbar o narcisismo primário não é outra coisa senão o " complexo de castração ". É através dele que se opera o reconhecimento de uma incompletude que desperta o desejo de recuperar a perfeição narcísica.
  • 81. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • O desenvolvimento do ego consiste num afastamento do narcisismo primário e dá margem a uma vigorosa tentativa de recuperação desse estado. Esse afastamento é ocasionado pelo deslocamento da libido em direção a um ideal do ego imposto de fora, sendo a satisfação provocada pela realização desse ideal. • Freud, ESB, Vol.XIV, pag. 106. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Como tudo que ocorre no âmbito da libido, aqui também o homem mostrou-se incapaz de renunciar a satisfação de que gozou uma vez. Não quer privar-se da perfeição narcisista de sua infância, e que quando ao crescer não pode mantê-la por sentir-se perturbado pelas admoestações de terceiros e pelo despertar-se de seu próprio juízo, procura recuperá-la na forma do ideal do eu. O que projeta diante de si como seu ideal é o substituto do narcisismo perdido da infância, na qual ele foi seu próprio ideal. • Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 100,101.
  • 82. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Imagem do eu e objeto sexual Voltemos as colocações de Freud sobre a escolha de objeto de amor entre os homossexuais: ele se tornam seu próprio objeto sexual, ou seja partindo do narcisismo procuram adolescentes que se pareçam com eles e a quem querem amar como sua mãe os amou. Amar a si mesmo através de um semelhante é aquilo que Freud chama " escolha objetal narcísica ".no homossexualismo a imagem representa o que a mãe deseja, ao amar essa imagem, ele toma a si como objeto sexual. O narcisismo é então entendido como um investimento na própria imagem de si sobre a forma de um falo, no tocante a essa relação da imagem do eu com a imagem do objeto as proposições para freudiana se esclarecem graças a teoria da identificação BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Narcisismo e Identificação Freud concebeu a identificação narcísica em 1917, a partir do estudo do luto e da melancolia: o eu se identifica com a imagem de um objeto desejado e perdido. A identificação do eu com a imagem total do objeto representa uma regressão há um modo arcaico de identificação, no qual o eu se encontram numa relação de incorporação com o objeto.
  • 83. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Em 1920 Freud esclareceu sobretudo que " o narcisismo do ego é o narcisismo secundário, retirado dos objetos ", e afirmou que " a libido que aflui para o ego pelas identificações constitui seu narcisismo secundário ". O eu resulta, pois, da " sedimentação dos investimentos de objeto os abandonados ", contém, de certa maneira, a “história de suas escolhas objetais”. Nessa medida, podemos considerar que o eu resulta de uma série de traços do objeto que se inscrevem inconscientemente: o EU assume os traços do objeto.
  • 84. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Podemos assim fazer uma representação do eu como uma cebola formada por diferentes camadas de identificação com um outro. No final das contas o narcisismo secundário se define como um investimento libidinal (sexual) da imagem do eu, sendo essa imagem construída pelas identificações do eu com as imagens dos objetos. Neuroses narcísicas e estases da libido Como destaca-se daí que o neurótico mantém uma relação erótica com os objetos por intermédio das fantasias, ao passo que, nos casos de demência precoce e esquizofrenia (afecções que os de Freud denomina de neurose narcísicas), os sujeitos realmente retiraram sua libido das pessoas e do mundo exterior. Essas duas enfermidades narcísicas. Produz-se uma retirada da libido com a qual o objeto estava investido. Por isso o EU acumula toda a libido, que ali se estagna, e objeto se separa dele. o corte do objeto é o relatado a uma suspensão da circulação da libido.
  • 85. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM O neurótico abandona igualmente sua relação com a realidade, mais sua libido permanece ligada, na fantasia, a certas partes do objeto: " ele substituiu os objetos reais para objetos imaginários de sua lembrança, ou então misturar uns com os outros. “Nesse mesmo artigo de 1914, Freud descreve outras formas de estases da libido, que representam outras vias que permitem abordar a questão do narcisismo: trata-se da doença orgânica e da hipocondria.
  • 86. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Da doença orgânica, o doente retira rigorosamente todo seu interesse libidinal do mundo externo e de objetos de amor, enquanto há uma reversão da libido para o seu eu, a libido não circula mas quando tal superinvestimento narcísico é exercido no “representante psíquico do local doloroso do corpo”. E Freud mostra que a libido e o interesse do eu são aqui impossíveis de diferenciar. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM A modificação da libido revela-se totalmente semelhante no caso da hipocondria, hoje, com efeito, não é determinante que a doença seja real ou imaginária. Hipocondríaco investe uma zona de seu corpo, que assume o valor de órgão sexual em estado de excitação; sendo a erogeniedade na propriedade geral de todos os órgãos, qualquer parte do corpo pode ser investidas como um órgão genital dolorosamente sensível.
  • 87. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • E, também neste caso, a libido para de circular. Assim Freud descreve duas configurações em que o narcisismo é como que fixado, sem que o corte com o objeto seja total, elas produzem um " redobramento narcísico" que susta o movimento no desejo. Narcisismo e Transferência Freud designava o “redobramento narcísico” como um impasse, e, a propósito do amor transferencial, observou que a fixação amorosa do paciente na pessoa do analista tornava o trabalho analítico muito difícil. Com efeito, a libido encaixa-se então numa formação em que o objeto é tratado como o eu. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM
  • 88. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • No entanto, o impulso da libido para o analista representa um movimento essencial para a transferência; é preciso que subsistam no paciente as “forças motoras que favorecem o trabalho e a mudança”. Dito de outra maneira, o amor, que comporta sempre uma parcela de narcisismo, constitui um movimento necessário à instauração da transferência, sob a condição de não cristalizar uma relação de “multidão de dois”. As imagens narcisicamente investidas não devem deter o movimento da libido, mas apenas canalizá-lo. Pulsão
  • 89. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM PULSÃO Em As Pulsões e suas vicissitudes (1915), Freud formula sobre a passagem do psíquico para o somático. Ele define a pulsão como um conceito “situado na fronteira entre o mental e o somático” ou ainda, como “o representante psíquico dos estímulos que se originam dentro do organismo e alcançam a mente”. Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 118. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Freud nos diz que a pulsão é composta por seus representantes: afeto e idéia. No seu artigo O inconsciente, o autor nos revela que “uma pulsão nunca pode tornar-se objeto da consciência – só a idéia [Vorstellung] que a representa”. Ele chega a dizer que mesmo no inconsciente a pulsão só pode ser representada por uma idéia. Freud utilizava a palavra pulsão na acepção de uma espécie de organizador biológico, em torno do qual os estímulos endógenos circulam.
  • 90. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Estes estímulos, ao chegarem à psique, se transformam em imagens-representações carregadas de afeto, as quais são os representantes pulsionais, e que se fixarão na memória. Junto a estímulos exógenos formarão os complexos de idéias que compõem o psiquismo. Podemos dizer que a natureza da pulsão é tanto psíquica, pois só podemos conhecê-la através de seus representantes, quanto física, já que sua fonte é o corpo. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Em 1905 na elaboração da teoria pulsional, Freud descreve a estreita relação existente entre a pulsão sexual e certas funções corporais. Introduzindo um termo fundamental para a compreensão do conceito de pulsão, o termo que aqui nos referimos é o ‘apóio’. Quando nos fala da noção de apóio, Freud é muito direto. Ele está se referindo ao apóio da pulsão sobre o instinto. As pulsões sexuais, que só secundariamente se tornam independentes, apóiam-se nas funções vitais que lhes fornecem uma fonte orgânica, uma direção e um objeto.
  • 91. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM “O que caracteriza a noção de apoio é o fato das pulsões sexuais estarem ligadas, em sua origem, às pulsões de autoconservação” . Por exemplo, ao mamar o bebê tem a satisfação de ingerir o alimento, porém a excitação dos lábios e da língua provoca um outro tipo de satisfação. Essa segunda satisfação é de natureza sexual. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • A função corporal fornece a sua fonte ou zona erógena; indica-lhe imediatamente um objeto, que é o seio, causando um prazer que não é redutível à pura e simples satisfação da fome. Desta forma, a necessidade de satisfação sexual irá se separar da necessidade de nutrir-se. Esta noção de apóio nos leva a pensar a fonte da pulsão como um fator biológico. A pulsão é um desvio do instinto, um desvio de uma função biológica do organismo.
  • 92. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Ao montar o conceito de pulsão, Freud utiliza quatro termos: alvo, objeto,pressão e fonte. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM PRESSÃO (DRANG) “Por pressão (Drang) entende-se seu fator motor, a soma de força ou medida de trabalho que ela representa”Pag. 127, então esta pressão pode ser entendida como uma quantidade de descarga que tende à excitação. Este é um termo universal, porém,sozinho não define a pulsão. O próprio Freud faz distinção entre as excitações internas, a primeira seria a pressão de necessidade, como fome e sede, por exemplo, já a segunda seria a pressão da pulsão. Enquanto a primeira possuía uma força momentânea, a segunda é constante.
  • 93. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Uma pulsão, por outro lado, jamais atua como uma força que imprime um impacto momentâneo, mas sempre como um impacto constante. • Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 124. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Este fator nos revela um aspecto muito importante da pressão. Não se trata apenas de um fator motor (no sentido de provocar movimento), mas sim de um processo de transformação complexo. Sua função é de transformar a energia acumulada, transformação esta que implica uma codificação, ou seja, a uma exigência feita ao aparato anímico.
  • 94. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Existe um fator motor, pois o objetivo da descarga é o alívio da tensão e esta tende a caminhos motores. Mas, o que esta sendo levado em conta não é o organismo e sua finalidade adaptativa, e sim o aparelho psíquico, cuja regulação ocorre através do princípio do prazer e pelo princípio da realidade, através de representação. Assim, pressão pulsional será definida no âmbito do aparato psíquico. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM ALVO ou FINALIDADE (ZIEL) “A finalidade da pulsão é sempre satisfação, que só pode ser alcançada eliminando-se o estado de estimulação da fonte da pulsão” Pag.128. Este alvo é invariável. Apenas o que pode mudar é o percurso até ele. Neste ponto, surge uma pergunta: se a força é constante, como cancelar a estimulação? Quando a satisfação é alcançada?
  • 95. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Então, o alvo da pulsão nunca é alcançado pela própria natureza da pulsão, e a satisfação passa a ser sempre parcial. Visto isso, o recalque, a sublimação, o sintoma, o sonho e outros destinos da pulsão provocam também satisfação. Frente a esta impossibilidade da pulsão, estamos sempre procurando um objeto que possa satisfazer a pulsão. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM OBJETO ( OBJEKT) “O objeto de um instinto é a coisa em relação à qual ou através da qual o instinto pode atingir sua finalidade.”;Pag.128. A pulsão necessita de um objeto para que possa obter satisfação, mesmo que parcial. Este objeto não é específico e nem qualquer um, mas sim um objeto que possui a capacidade de satisfazer a pulsão. Esta aptidão está ligada à história do sujeito, às suas fantasias e seus desejos.
  • 96. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • O conceito de objeto, elaborado por Freud, não se trata de algo do mundo que nos é oferecido à percepção, mas sim representações-objeto que são formadas a partir da associação entre imagens sensoriais e palavras. Assim pode-se dizer que o objeto, concebido por Freud, é o efeito da incidência da palavra sobre as sensações provenientes dos estímulos externos. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM FONTE (QUELLE) A fonte da pulsão é corporal e não psíquica. Então, podemos dizer que a pulsão tem sua origem no corpo. “É um processo somático que ocorre num órgão ou parte do corpo e cuja excitação é representada na vida mental pela pulsão”Pag. 128. Neste mesmo artigo, Freud nos diz que devemos considerar a pulsão como um estímulo para o psíquico. Este ponto nos remete à discussão feita acerca da diferença entre a pulsão e o representante ideativo, por meio do qual tomamos conhecimento da pulsão.
  • 97. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Pulsão e suas Vicissitudes: • Uma pulsão pode passar pelas seguintes vicissitudes: • REVERSÃO AO SEU OPOSTO: • Encontram-se exemplos do primeiro processo nos dois pares de opostos: sadismomasoquismo e escopofilia-exibicionismo. A reversão afeta apenas as finalidades dos instintos. A finalidade ativa(torturar, olhar), é substituída pela finalidade passiva (ser torturado, ser olhado) • Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 132. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM RETORNO EM DIREÇÃO AO PRÓPRIO EU DO INDIVÍDUO • Se torna plausível pela reflexão de que o masoquismo é, na realidade, o sadismo que retorna em direção ao próprio ego do individuo, e de que o exibicionismo abrange o olhar para o seu próprio corpo. A essência do processo é, assim, a mudança do objeto, ao passo que a finalidade permanece inalterada. • Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 132.
  • 98. Recalque BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • "Verdrängung" é um dos conceitos de maior importância quando nos referimos à metapsicologia freudiana. Podemos encontrar em seu trabalho sobre "A História do Movimento Psicanalítico", a afirmação onde o próprio Freud declara que "O Recalcamento é o pilar fundamental sobre o qual descansa o edifício da psicanálise".
  • 99. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • O termo em alemão não se encontra livre de problemas terminológicos no que se refere à sua tradução. Por exemplo, em francês, o termo utilizado é "refoulement"; em inglês: "repression"; em espanhol: "represión" e, em português, encontramos três referências à tradução do termo, a saber: "repressão", "recalque" e "recalcamento". BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • “...Para a pulsão, a fuga não tem qualquer valia, pois o ego não pode escapar de si próprio. ... O Recalque é uma etapa preliminar da condenação, algo entre a fuga e a condenação; tratase de um conceito que não poderia ter sido formulado antes da época dos estudos psicanalíticos.” • Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 132
  • 100. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM A "Verdrängung" está presente desde os primeiros escritos de Freud, mas quando se defronta com o fenômeno clínico da resistência é que realmente o conceito de recalcamento começa efetivamente a se delinear. A resistência foi interpretada por Freud como sendo um sinal externo de uma defesa (Abwer), com o intuito de que se mantivesse fora da consciência a idéia ameaçadora. Note-se que a defesa é exercida pelo Eu sobre uma ou um conjunto de representações que despertariam sentimentos de vergonha e dor. É sabido que o termo defesa foi empregado mais no sentido de designar uma proteção contra uma excitação proveniente de uma fonte interna (pulsões). BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Freud, em seu artigo de 1915 se pergunta: "Por que uma moção pulsional, deveria ser vítima de semelhante destino (recalcamento)?" Entendemos que a resposta cabível é: Porque o caminho em direção à satisfação pode acabar produzindo mais desprazer do que propriamente prazer. No que tange à satisfação da pulsão, sempre temos que levar em conta a "economia" presente no processo.
  • 101. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Além disso, a dor é imperativa; as únicas coisas diante das quais ela pode ceder são a eliminação por algum agente tóxico ou a influencia da distração mental. • Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 151. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Assim, se levar em conta a presença das instâncias psíquicas, poderemos notar que aquilo que dá prazer em algum lugar, pode vir a ser extremamente desprazeroso em outro, sendo que desta forma, fica estabelecida a "condição para o recalque": é preciso que a potência do desprazer seja maior do que o prazer da satisfação. "Devemos compreender que o recalque está a serviço da satisfação pulsional e não contra ela“.
  • 102. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Assim o recalque é ao mesmo tempo um mecanismo do sistema pré-conscienteconsciente, contra os efeitos do inconsciente, bem como o mecanismo responsável pela divisão do aparato psíquico em inconsciente e pré-consciente-consciente. Mas, estamos aqui diante de um possível paradoxo: ou bem ele funda a divisão entre os dois sistemas, ou bem ele opera a partir da divisão já constituída. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • Freud resolve esse paradoxo, fazendo a distinção entre o "recalque originário, ou primário", e o "recalque secundário", ou "recalque propriamente dito". Mais tarde estaremos diante também daquilo que Freud tanto insistiu em sua teorização: "O retorno do recalcado". Sabemos que, em psicanálise, essa tríade constitui aquilo que foi denominado "Os Três Tempos do Recalque".
  • 103. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM Citaremos o famoso "Caso Schreber", onde cinco anos antes da publicação do artigo metapsicológico sobre o recalque, Freud já havia admitido a decomposição do processo de recalcamento em fases distintas. Trata-se da mesma distinção que vai ser feita em 1915, a qual discrimina três fases: 1-) O recalque originário 2-) Fixação 3-) Inscrição ou retorno no recalcado RECALQUE PRIMEVA OU ORIGINÁRIO • Consiste em negar entrada no CS ao representante psíquico da pulsão. FIXAÇÃO • A partir de então, o representante psíquico em questão continua inalterado, e a pulsão permanece inalterada, e pulsão permanece ligada a ela. • Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 153 BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM
  • 104. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • “Nesse sentido, podemos compreender a razão por que os objetos mais preferidos pelos homens, isto é, seus ideais, procedem das mesmas percepções e experiências que os objetos mais abominados por eles, e porque, originalmente, eles só se distinguem um dos outros através de ligeiras modificações. Realmente, tal como verificamos ao remontarmos à origem do fetiche, o representante pulsional original pode ser dividido em duas partes: uma que sofre recalque, ao passo que a restante, precisamente por causa dessa ligação intima, passa pela idealização.” • Freud,ESB, Vol.XIV, pag. 155. O RETORNO DO RECALCADO CENSURA ICS BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM RECALCAMENTO CS SUBSTITUDOS POR DESLOCAMENTO DO SINTOMA RETORNO DO RECALCADO DESEJO RECALCADO
  • 105. BRUNO CHAGAS – WWW.INSTITUTOARIOS.COM • O que acontece nesse primeiro momento é a demarcação de um espaço até então indiferenciado, uma inscrição acompanhada de uma fixação da pulsão numa representação ou conjunto de representações. Essa inscrição não se dá num ICS recalcado, posto que ele ainda não existe. Fim...
  • 106. Bibliografia: • Dicionário de Psicanálise – Elisabeth Roudinesco e Michel Plon • Vocabulário Contemporâneo de Psicanálise – David E. Zimerman • Lições sobre os 7 conceitos crucias da Psicanálise – J.-D. Nasio • O Olhar em Psicanálise - – J.-D. Nasio • O Silencio em Psicanálise - J.-D. Nasio • Obras Completas de Freud – Ed. Standart Brasileira Vols. I,IV, V, XIV, Editora Imago. • Introdução a Metapsicologia freudiana 1, 2 e 3, Luiz Alfredo Garcia-Roza BRUNO AUGUSTO DAS CHAGAS – PSICANALISTA WWW.INSTITUTOARIOS.COM BRUNO@INSTITUTOARIOS.COM 37 3212- 7107 Rua Ceará 310, centro – Divinópolis - MG