A interpretação dos sonhos

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Psicanálise

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A interpretação dos sonhos

  1. 1. CURSO DE PSICANÁLISE POLO - RIO DAS OSTRAS RJ ALUNO: Claudio Duarte Sá
  2. 2. -SOBRE A OBRA- Este livro foi publicado em quatro de novembro de 1899 e por uma decisão do editor foi a data de impressão de 1900 e não teve uma boa repercussão, sendo sua vendagem bastante reduzida. “A obra de Freud provoca uma ruptura absolutamente radical na maneira de abordar o homem em 25 séculos de pensamento. Todas as filosofias, toda a psicologia incipiente, toda a ciência até Freud se preocupava com o homem em seu aspecto consciente. Segundo o próprio Freud, o conceito de inconsciente e a formulação de que o homem não é senhor em sua própria morada tem importância equivalente às rupturas causadas pela passagem do teocentrismo para o heliocentrismo e pela comprovação da ascendência animal do humano.”
  3. 3. O livro vendeu 228 exemplares nos primeiros dois anos após sua publicação, e a tiragem de 600 exemplares demorou oito anos para ser esgotada. Não houve comentários em boletins científicos a seu respeito e as poucas menções ao trabalho raramente eram elogiosas. Somente dez anos depois, com o reconhecimento da importância de Freud e o fim do ostracismo a que foi entregue pela comunidade médica é que a obra passou à categoria de trabalho sério. A interpretação dos sonhos traça o limite entre os artigos pré- psicanalíticos de Sigmund Freud e o início da PSICANÁLISE. Uma obra inaugural. Obra atual por sua obrigatoriedade na formação de todos os psicanalistas. Nela encontramos a tese do COMPLEXO DE ÉDIPO e Freud formula a divisão da mente entre o CONSCIENTE e o INCONSCIENTE.
  4. 4. “A psicanálise hoje: A transmissão da psicanálise foi garantida, a partir da década de 50, por Jacques Lacan. Em sua leitura desta obra de Freud propõe que o que é formulado é um inconsciente estruturado como uma linguagem. A condensação e o deslocamento podem ser entendidos como a metáfora e a metonímia e a estrutura associativa das ideias como a cadeia de significantes, que só podem existir entre dois outros, em associação. Partindo da clínica das psicoses (Freud partiu da neurose) Lacan amplia o campo psicanalítico e encontra a precisão necessária ao ensino e à transmissão da psicanálise.”*
  5. 5. “A INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS É A VIA RÉGIA QUE CONDUZ AO CONHECIMENTO DO INCONSCIENTE DA VIDA PSÍQUICA." S. FREUD. O sonho é uma atividade psíquica diferente do estado de vigília, e tem suas próprias leis. O que levou Freud a descobrir o objetivo dos sonhos foi a associação livre. A interpretação depende das associações livres colocadas pelo analisando, em conformidade com o conteúdo relatado por este do seu sonho. O sonho é uma produção própria de quem sonha e que não provem de uma fonte estranha a ele, imposta de fora.
  6. 6. O sonho se divide em dois tipos de conteúdos, sendo: CONTEÚDO MANIFESTO: é a forma como o sonho é relatado, com o sentido geralmente obscuro. CONTEÚDO LATENTE: este conteúdo só é decifrado após as associações livres do paciente. O sonho é a realização dissimulada de um desejo inconsciente reprimido, recalcado. A realização deste desejo não aparece no relato do sonho, e cabe ao trabalho de análise efetuar o esclarecimento do verdadeiro sentido do sonho. O sonho utiliza cinco mecanismos principais para atingir seus objetivos, que são descarregar a tensão causada por desejos e outras necessidades do trabalho psíquico, onde estes são enviados para o inconsciente pela censura do superego, o recalque.
  7. 7. -TRABALHO DO SONHO- 1º. CONDENSAÇÃO: É um dos mecanismos fundamentais do trabalho do sonho, igualmente na formação de sintomas, de lapsos ou de chistes. Ela constrói caminhos outros para um mesmo pensamento, pensamentos intermediários muito alienados. Esta condensação é capaz de transformar um grupo de pessoas em um só representante, como exemplo podemos expor que para representar uma família de várias personagens a condensação substitui todos por somente um elemento. 2º. DESLOCAMENTO: O trabalho do sonho substitui os pensamentos significativos do sonho por pensamentos e imagens acessórios. Fazendo assim que o conteúdo latente fica dissimulado à realização do desejo.
  8. 8. A condensação e o deslocamento interligam-se para o mesmo objetivo que é camuflar o desejo recalcado no conteúdo manifesto, para desta forma não torna-lo consciente. Deixando desta forma o trabalho dos sonhos descarregar as forças psíquicas aliviando as tensões no inconsciente.
  9. 9. 3º. O PROCESSO DE REPRESENTAÇÃO: É a forma, onde o trabalho do sonho transforma os pensamentos em imagens visuais representativas. Um exemplo são os desenhos primitivos encontrados nas paredes de pedra nas cavernas, onde imagens representativas formam pensamentos e ou demonstrações das atividades ou desejo, como caçadas e saudações à deuses.
  10. 10. 5º DRAMATIZAÇÃO: A dramatização é a forma, em que o trabalho do sonho realiza o desejo com cenas, imagens de objetos e personagens são criadas para acabar com a censura as representações sexuais da psique do indivíduo. 4º. A ELABORAÇÃO SECUNDÁRIA: No estado de vigília o paciente procura transformar o conteúdo manifesto, com um significado racional. Fazendo desta forma que o conteúdo latente fique cada vez mais reprimido, escondido. Com a associação livre este conteúdo vai ganhando forma e desta forma o inconsciente expõe a forma, sendo transformado o conteúdo latente em consciente.
  11. 11. -O PAPEL DOS SIMBOLOS NOS SONHOS- O trabalho dos sonhos desempenha o papel de transformar o que foi censurado e recalcado, como os desejos sexuais na criação de símbolos e ou imagens, que permitem ao sonhador contornar a censura usando sua inteligibilidade.
  12. 12. - Existem símbolos universais, culturais e individuais, sendo todos estes necessários para a interpretação do sonho. Somando o conteúdo das associações livres interpretadas pelo paciente ao psicanalista. Sendo assim de grande importância a forma de como o sonhador relata o seu sonho.
  13. 13. -OS SONHOS E AS NEUROSES- O sonho pode ser entendido como a expressão de uma série de desejos, que encontram nele (sonho) a única via para consciência. É por isso também que o sonho será entendido por Freud como a via régia para o inconsciente, uma vez que é sua manifestação mais direta.
  14. 14. O sintoma neurótico é também uma manifestação de um desejo. A diferença é que o sintoma encontra a solução para que o desejo se apresente na consciência, sendo que este desejo se apresenta com distorções para ser aceito pelo consciente. Também através do método da associação livre estes sintomas vão se adequando de forma melhor ao consciente até chegar como uma opção desvelada ao paciente.
  15. 15. -O FUNCIONAMENTO DO SONHO- É nos capítulos 6 e 7 do livro, que Freud desenvolve o mecanismo de trabalho dos sonhos e o funcionamento do aparato mental. Apresenta o mecanismo de deslocamento na possibilidade que as ideias têm, no inconsciente, de 'emprestar' seu valor para outras ideias, de modo que fatos ou imagens aparentemente sem importância podem ter sido amenizados, com o que burlam a censura, compondo o material do sonho. De forma inversa fatos que aparecem no sonho como extremamente nítidos ou valorizados usualmente ganharam seu relevo por uma associação a outra ideia, esta sim,
  16. 16. Vale dizer ainda que a distorção a que o material do sonho foi submetida nunca é casual ou caótica, e é por provar isto que o trabalho de Freud adquiriu seu valor. Uma ideia (um desejo, uma intenção ou mesmo uma percepção) está permanentemente relacionada a outras. A natureza desta relação é muito abrangente, podendo ser determinada pela proximidade espacial ou temporal em que ocorreu, pela similaridade, pela homofonia, enfim, por toda uma gama de possibilidades.
  17. 17. O que importa é que a ideia 'principal', uma vez que tenha sido censurada, não poderá ser reconhecida no consciente, mas as ideias com as quais se associa, uma vez que esta associação não seja óbvia, podem ser utilizadas para representá-la (deslocamento). Então, lembrando que no inconsciente as ideias buscam sua expressão, ou nos termos de Freud: os desejos buscam sua realização, o trabalho do sonho é a maneneira pela qual um desejo pode se reaealizar por seus substitutos.
  18. 18. O passo seguinte é o que permite a intervenção clínica da psicanálise.O passo seguinte é o que permite a intervenção clínica da psicanálise. Os sintomas, Freud demonstra, são também realizações de desejo. AOs sintomas, Freud demonstra, são também realizações de desejo. A diferença em relação aos sonhos é que nos sintomas um compromissodiferença em relação aos sonhos é que nos sintomas um compromisso se estabelece entre o desejo e a censura, fazendo com que nem ose estabelece entre o desejo e a censura, fazendo com que nem o desejo se realize por completo nem a censura seja totalmente eficaz.desejo se realize por completo nem a censura seja totalmente eficaz. Desta forma um desejo mais 'amenizado' é realizado.Desta forma um desejo mais 'amenizado' é realizado.
  19. 19. Uma consequência direta desta explicação do sintoma é muita incômoda para todos nós. Se nossos desejos devem levar em consideração a realidade para que possamos aceitá-los, como saber se o que reconhecemos como nossos desejos não são amenizações de nossos 'verdadeiros' desejos, estes inconscientes? Em outras palavras, uma vez que vivemos em sociedade, tendo que considerar suas regras, somos todos neuróticos.
  20. 20. BIBLIOGRAFIA: Freud, Sigmund; A Interpretação dos Sonhos - Volumes: IV e V - Imago Editora. Augusto Cesar Freire psicanalista associado ao Tempo Freudiano Associação Psicanalítica e doutorando em Teoria Psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. http://www.comciencia.br Rosimeri Bruno Lopes, Psicanalista: Os Sonhos na Concepção de Freud https://psicologado.com/abordagens/psicanalise/os-sonhos-na-con Resumo Esquemático da Interpretação dos Sonhos.

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