SlideShare uma empresa Scribd logo

Manual de oftalmologia veterinária

Morgana De Castro Pedrosa
Morgana De Castro Pedrosa
Morgana De Castro PedrosaCiência Consultoria e Eventos Agropecuários

Manual de oftalmologia veterinária

Manual de oftalmologia veterinária

1 de 88
Baixar para ler offline
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
CAMPUS PALOTINA
CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA
OFTALMOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA
MANUAL DE OFTALMOLOGIA VETERINÁRIA
Olicies da Cunha
Palotina
2008
_____________________________________________________________________________________
Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc.
UFPR – Campus Palotina
II
COLABORADORES
ANA CAROLINA CARRARO
Médica Veterinária
ANDERSON L. CARVALHO
Médico Veterinário
GILSON FENTZLAFF
Médico Veterinário
ANTÔNIO HENRIQUE CEREDA
Acadêmico
TIAGO MACHADO DOS SANTOS
Acadêmico
RAFAEL STEFFENS
Acadêmico
_____________________________________________________________________________________
Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc.
UFPR – Campus Palotina
III
SUMÁRIO
LISTA DE ABREVIATURAS .............................................................................IV
MÓDULO I - Princípios ..................................................................................- 1 -
Capítulo 1 - Estruturas anatômicas e implicações clínico-cirúrgicas .............- 1 -
Capítulo 2 - Exame clínico oftalmológico.....................................................- 13 -
MÓDULO II - Cílios, pálpebras, aparelho lacrimal e conjuntivas .................- 26 -
Capítulo 3 - Doenças clínicas e cirúrgicas dos cílios...................................- 26 -
Capítulo 4 - Doenças congênitas, estruturais e inflamatórias das pálpebras- 29 -
Capítulo 5 - Doenças traumáticas e neoplasias das pálpebras ...................- 39 -
Capítulo 6 - Terceira pálpebra e ducto nasolacrimal ...................................- 42 -
Capítulo 7 - Conjuntiva ................................................................................- 47 -
MÓDULO III - Afecções da córnea ..............................................................- 51 -
Capítulo 8 - Ceratites ulcerativas.................................................................- 51 -
Capítulo 9 - Outras ceratopatias..................................................................- 61 -
MÓDULO IV - Generalidades ......................................................................- 65 -
Capítulo 10 - Uveíte.....................................................................................- 65 -
Capítulo 11 - Glaucoma...............................................................................- 68 -
Capítulo 12 - Afecções da lente...................................................................- 71 -
Capítulo 12 - Técnicas diversas...................................................................- 78 -
_____________________________________________________________________________________
Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc.
UFPR – Campus Palotina
IV
LISTA DE ABREVIATURAS
BID a cada 12 horas (Bis in die)
FH farmacopéia humana
FV farmacopéia veterinária
kg Quilograma
mL Mililitro
mg Miligrama
PIO Pressão intra-ocular
QID a cada 6 horas (Quarter in die)
SID a cada 24 horas (Semel in die)
SRD Sem Raça Definida
TID a cada 8 horas (Ter in die)
_____________________________________________________________________________________
Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc.
UFPR – Campus Palotina
- 1 -
MÓDULO I- Princípios
Capítulo 1 - Estruturas anatômicas e implicações clínico-cirúrgicas
As afecções que envolvem o bulbo do olho e seus anexos são várias e distintas. É
nítida a necessidade do estudante de Medicina Veterinária, sobretudo os que se dedicam
à clínica e cirurgia, um conhecimento amplo da anatomia e fisiologia ocular para
desempenhar com segurança e efetividade a oftalmologia.
Os olhos são órgãos sensitivos complexos que evoluíram de primitivas áreas
sensíveis à luz, na superfície dos invertebrados. Protegidos por uma estrutura óssea,
muscular e cutânea, os olhos possuem uma camada de receptores, um sistema de lente
para focalização da luz e um sistema de nervos para condução dos impulsos dos
receptores para o cérebro.
Órbita
Os crânios das diferentes raças de cães podem ser divididos de acordo com o seu
formato em: dolicocéfalo (alongado), mesaticéfalo (comprimento e altura médios) e
braquicéfalo (focinho curto). Esta variação tem algum efeito na formação da órbita e
podem ser fatores predisponentes para certas afecções como a proptose do bulbo do olho
em cães braquicefálicos, como os Pequineses. A órbita é o arcabouço ósseo que circunda
o olho, e é formada pelos ossos: frontal, lacrimal, esfenóide, zigomático, palatino e maxilar
(Figura 1). A parede dorsolateral da órbita não se compõe de osso, mas é formada pelo
colagenoso ligamento orbitário entre o processo zigomático do osso frontal e processo
frontal do osso zigomático. Vasos sangüíneos e nervos que servem as estruturas
orbitárias transitam através de numerosos forames nas paredes orbitárias ósseas. Os
tecidos moles contidos na órbita estão envoltos pela periórbita, formada por tecido
conjuntivo e situada junto às paredes ósseas.
_____________________________________________________________________________________
Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc.
UFPR – Campus Palotina
- 2 -
FIGURA 1 Representação esquemática dos ossos que formam a órbita.
Muitos distúrbios orbitários são tratados cirurgicamente, e procedimentos
manipulativos são freqüentemente utilizados no diagnóstico das afecções orbitárias. A
orbitotomia é a exposição cirúrgica da órbita, que pode ser procedida por várias técnicas,
sendo a completa, com ressecção do arco zigomático e dissecação do ligamento orbitário
a que prove exposição orbitária mais ampla. Nestes procedimentos deve se evitar
cuidadosamente a artéria maxilar, se ocorrer secção acidental, esta deverá ser ligada e
em casos que a ligadura esteja impossibilitada, a oclusão temporária da artéria carótida
ipsilateral deverá ser procedida.
Órgãos oculares acessórios
Pálpebras e conjuntivas
As pálpebras, superior e inferior, são projeções móveis e delgadas de pele que
normalmente cobrem os olhos. Elas convergem e se unem, formando assim, os ângulos
(medial e lateral). O espaço entre as pálpebras é chamado de rima palpebral. Em corte
sagital, as pálpebras são compostas de superfície epidérmica externa, músculo orbicular
do olho, placa tarsiana, glândulas tarsais e conjuntiva palpebral, que reveste a pálpebra
interiormente (Figura 2).

Recomendados

Tecnica cirúrgica veterinária- esofagotomia,traqueostomia e traqueorrafia
Tecnica cirúrgica veterinária- esofagotomia,traqueostomia e traqueorrafiaTecnica cirúrgica veterinária- esofagotomia,traqueostomia e traqueorrafia
Tecnica cirúrgica veterinária- esofagotomia,traqueostomia e traqueorrafiaJacqueline Gomes
 
Métodos de estudo em histologia
Métodos de estudo em histologiaMétodos de estudo em histologia
Métodos de estudo em histologiaCaio Maximino
 
Bloqueios regionais e anestesia local para odontologia veterinária
Bloqueios regionais e anestesia local para odontologia veterináriaBloqueios regionais e anestesia local para odontologia veterinária
Bloqueios regionais e anestesia local para odontologia veterináriaDaniel Ferro
 
Anatomia e fisiologia do sistema digestório
Anatomia e fisiologia do sistema digestórioAnatomia e fisiologia do sistema digestório
Anatomia e fisiologia do sistema digestórioCaio Maximino
 
Sistema digestório Cães
Sistema digestório CãesSistema digestório Cães
Sistema digestório CãesHelena Amaral
 

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Ordem Siphonaptera
Ordem SiphonapteraOrdem Siphonaptera
Ordem SiphonapteraMarina Sousa
 
Miologia - anatomia veterinária I
Miologia - anatomia veterinária IMiologia - anatomia veterinária I
Miologia - anatomia veterinária IMarília Gomes
 
histologia placenta
histologia placentahistologia placenta
histologia placentaAnna de Melo
 
tipo de Hernias
tipo de Hernias tipo de Hernias
tipo de Hernias Caike Pinho
 
Topografia veterinária - cabeça
Topografia veterinária - cabeçaTopografia veterinária - cabeça
Topografia veterinária - cabeçaMarília Gomes
 
Sistema respiratório veterinária
Sistema respiratório veterináriaSistema respiratório veterinária
Sistema respiratório veterináriaMarília Gomes
 
Anatomia e Fisiologia Ocular - Iris e Pupila
Anatomia e Fisiologia Ocular - Iris e PupilaAnatomia e Fisiologia Ocular - Iris e Pupila
Anatomia e Fisiologia Ocular - Iris e Pupilacarla v leite
 
Introdução a patologia veterinária
Introdução a patologia veterináriaIntrodução a patologia veterinária
Introdução a patologia veterináriaMarília Gomes
 
Ectima contagioso
Ectima contagioso Ectima contagioso
Ectima contagioso gecoufba
 
Sindesmologia veterinária - anatomia animal I
Sindesmologia veterinária - anatomia animal I Sindesmologia veterinária - anatomia animal I
Sindesmologia veterinária - anatomia animal I Marília Gomes
 
Semiologia 08 oftalmologia - anatomia do olho e exame físico pdf
Semiologia 08   oftalmologia - anatomia do olho e exame físico pdfSemiologia 08   oftalmologia - anatomia do olho e exame físico pdf
Semiologia 08 oftalmologia - anatomia do olho e exame físico pdfJucie Vasconcelos
 
Proteínas na alimentação animal
 Proteínas na alimentação animal Proteínas na alimentação animal
Proteínas na alimentação animalwellison nascimento
 
Exercícios de terminologia cirúrgica
Exercícios de terminologia cirúrgicaExercícios de terminologia cirúrgica
Exercícios de terminologia cirúrgicajoselene beatriz
 
Aula 1 Anatomia - Osteologia veterinária
Aula 1 Anatomia - Osteologia veterináriaAula 1 Anatomia - Osteologia veterinária
Aula 1 Anatomia - Osteologia veterináriaJulia Berardo
 
Topografia animal - órgãos do sentido
Topografia animal - órgãos do sentidoTopografia animal - órgãos do sentido
Topografia animal - órgãos do sentidoMarília Gomes
 
Aula lesões elementares e_tumores_cutâneos_-
Aula lesões elementares e_tumores_cutâneos_-Aula lesões elementares e_tumores_cutâneos_-
Aula lesões elementares e_tumores_cutâneos_-Jauru Freitas
 
Introdução a Equinocultura
Introdução a EquinoculturaIntrodução a Equinocultura
Introdução a EquinoculturaKiller Max
 
Radiologia medicina veterinária
Radiologia medicina veterináriaRadiologia medicina veterinária
Radiologia medicina veterináriaPriscila Silva
 

Mais procurados (20)

Ordem Siphonaptera
Ordem SiphonapteraOrdem Siphonaptera
Ordem Siphonaptera
 
Miologia - anatomia veterinária I
Miologia - anatomia veterinária IMiologia - anatomia veterinária I
Miologia - anatomia veterinária I
 
histologia placenta
histologia placentahistologia placenta
histologia placenta
 
tipo de Hernias
tipo de Hernias tipo de Hernias
tipo de Hernias
 
Topografia veterinária - cabeça
Topografia veterinária - cabeçaTopografia veterinária - cabeça
Topografia veterinária - cabeça
 
Sistema respiratório veterinária
Sistema respiratório veterináriaSistema respiratório veterinária
Sistema respiratório veterinária
 
Anatomia e Fisiologia Ocular - Iris e Pupila
Anatomia e Fisiologia Ocular - Iris e PupilaAnatomia e Fisiologia Ocular - Iris e Pupila
Anatomia e Fisiologia Ocular - Iris e Pupila
 
Introdução a patologia veterinária
Introdução a patologia veterináriaIntrodução a patologia veterinária
Introdução a patologia veterinária
 
Ectima contagioso
Ectima contagioso Ectima contagioso
Ectima contagioso
 
Sindesmologia veterinária - anatomia animal I
Sindesmologia veterinária - anatomia animal I Sindesmologia veterinária - anatomia animal I
Sindesmologia veterinária - anatomia animal I
 
Semiologia 08 oftalmologia - anatomia do olho e exame físico pdf
Semiologia 08   oftalmologia - anatomia do olho e exame físico pdfSemiologia 08   oftalmologia - anatomia do olho e exame físico pdf
Semiologia 08 oftalmologia - anatomia do olho e exame físico pdf
 
Fisiologia da reprodução - fêmeas
Fisiologia da reprodução - fêmeasFisiologia da reprodução - fêmeas
Fisiologia da reprodução - fêmeas
 
Proteínas na alimentação animal
 Proteínas na alimentação animal Proteínas na alimentação animal
Proteínas na alimentação animal
 
Exercícios de terminologia cirúrgica
Exercícios de terminologia cirúrgicaExercícios de terminologia cirúrgica
Exercícios de terminologia cirúrgica
 
10 sistema nervoso.
10 sistema nervoso.10 sistema nervoso.
10 sistema nervoso.
 
Aula 1 Anatomia - Osteologia veterinária
Aula 1 Anatomia - Osteologia veterináriaAula 1 Anatomia - Osteologia veterinária
Aula 1 Anatomia - Osteologia veterinária
 
Topografia animal - órgãos do sentido
Topografia animal - órgãos do sentidoTopografia animal - órgãos do sentido
Topografia animal - órgãos do sentido
 
Aula lesões elementares e_tumores_cutâneos_-
Aula lesões elementares e_tumores_cutâneos_-Aula lesões elementares e_tumores_cutâneos_-
Aula lesões elementares e_tumores_cutâneos_-
 
Introdução a Equinocultura
Introdução a EquinoculturaIntrodução a Equinocultura
Introdução a Equinocultura
 
Radiologia medicina veterinária
Radiologia medicina veterináriaRadiologia medicina veterinária
Radiologia medicina veterinária
 

Destaque

CIM Formación: Cursos Salud y Bienestar 2013-14 - Barcelona y Girona
CIM Formación: Cursos Salud y Bienestar 2013-14 - Barcelona y GironaCIM Formación: Cursos Salud y Bienestar 2013-14 - Barcelona y Girona
CIM Formación: Cursos Salud y Bienestar 2013-14 - Barcelona y GironaCIM Grupo de Formación
 
Proptose ocular
Proptose ocularProptose ocular
Proptose ocularpapawo
 
Cirurgia de Catarata em uma Tigresa de Bengala de 2,5 anos
Cirurgia de Catarata em uma Tigresa de Bengala de 2,5 anosCirurgia de Catarata em uma Tigresa de Bengala de 2,5 anos
Cirurgia de Catarata em uma Tigresa de Bengala de 2,5 anosJoão A. Kleiner VETWEB
 
Parpado y patologias
Parpado y patologiasParpado y patologias
Parpado y patologiaseguer5
 
Anomalías de la situación y relación de los parpados
Anomalías de la situación y relación de los parpadosAnomalías de la situación y relación de los parpados
Anomalías de la situación y relación de los parpadosKathiuska Cornejo
 
Ejercicios preventivos. DATOS.
Ejercicios preventivos. DATOS.Ejercicios preventivos. DATOS.
Ejercicios preventivos. DATOS.MarinoSolares
 
Anestesia Oftalmica Bloqueos OftalmoanestesiaUIS
Anestesia Oftalmica Bloqueos OftalmoanestesiaUISAnestesia Oftalmica Bloqueos OftalmoanestesiaUIS
Anestesia Oftalmica Bloqueos OftalmoanestesiaUISRaul Fernando Vasquez
 
Córnea anatomofisiologia
Córnea   anatomofisiologiaCórnea   anatomofisiologia
Córnea anatomofisiologiaFilipe Mira
 
90720743 carpeta-habla-uv
90720743 carpeta-habla-uv90720743 carpeta-habla-uv
90720743 carpeta-habla-uvPatricia Estay
 
Oftalmololgía en neonatos
Oftalmololgía en neonatosOftalmololgía en neonatos
Oftalmololgía en neonatosJavier Lopez
 

Destaque (20)

Ceratite pigmentosa em Cães - Qualittas
Ceratite pigmentosa em Cães - QualittasCeratite pigmentosa em Cães - Qualittas
Ceratite pigmentosa em Cães - Qualittas
 
O exame oftalmológico completo
O exame oftalmológico completoO exame oftalmológico completo
O exame oftalmológico completo
 
Anamnesis formato
Anamnesis formatoAnamnesis formato
Anamnesis formato
 
CIM Formación: Cursos Salud y Bienestar 2013-14 - Barcelona y Girona
CIM Formación: Cursos Salud y Bienestar 2013-14 - Barcelona y GironaCIM Formación: Cursos Salud y Bienestar 2013-14 - Barcelona y Girona
CIM Formación: Cursos Salud y Bienestar 2013-14 - Barcelona y Girona
 
Proptose ocular
Proptose ocularProptose ocular
Proptose ocular
 
Cirurgia de Catarata em uma Tigresa de Bengala de 2,5 anos
Cirurgia de Catarata em uma Tigresa de Bengala de 2,5 anosCirurgia de Catarata em uma Tigresa de Bengala de 2,5 anos
Cirurgia de Catarata em uma Tigresa de Bengala de 2,5 anos
 
Parpado y patologias
Parpado y patologiasParpado y patologias
Parpado y patologias
 
Anomalías de la situación y relación de los parpados
Anomalías de la situación y relación de los parpadosAnomalías de la situación y relación de los parpados
Anomalías de la situación y relación de los parpados
 
Ejercicios preventivos. DATOS.
Ejercicios preventivos. DATOS.Ejercicios preventivos. DATOS.
Ejercicios preventivos. DATOS.
 
Anestesia Oftalmica Bloqueos OftalmoanestesiaUIS
Anestesia Oftalmica Bloqueos OftalmoanestesiaUISAnestesia Oftalmica Bloqueos OftalmoanestesiaUIS
Anestesia Oftalmica Bloqueos OftalmoanestesiaUIS
 
Revisão OFTALMO
Revisão OFTALMORevisão OFTALMO
Revisão OFTALMO
 
Fundoscopia para iniciantes
Fundoscopia para iniciantesFundoscopia para iniciantes
Fundoscopia para iniciantes
 
Córnea anatomofisiologia
Córnea   anatomofisiologiaCórnea   anatomofisiologia
Córnea anatomofisiologia
 
90720743 carpeta-habla-uv
90720743 carpeta-habla-uv90720743 carpeta-habla-uv
90720743 carpeta-habla-uv
 
Oftalmololgía en neonatos
Oftalmololgía en neonatosOftalmololgía en neonatos
Oftalmololgía en neonatos
 
Exame neurológico
Exame neurológicoExame neurológico
Exame neurológico
 
Leucocoria
LeucocoriaLeucocoria
Leucocoria
 
Globo ocular
Globo ocularGlobo ocular
Globo ocular
 
Anamnesis alimentaria
Anamnesis alimentariaAnamnesis alimentaria
Anamnesis alimentaria
 
Aula anestesia local
Aula   anestesia localAula   anestesia local
Aula anestesia local
 

Semelhante a Manual de oftalmologia veterinária

Caderno de Enfermagem em Ortopedia 2009
Caderno de Enfermagem em Ortopedia 2009Caderno de Enfermagem em Ortopedia 2009
Caderno de Enfermagem em Ortopedia 2009Letícia Spina Tapia
 
Relatório Histologia
Relatório HistologiaRelatório Histologia
Relatório HistologiaIlana Moura
 
Atlas Podológico.pdf
Atlas Podológico.pdfAtlas Podológico.pdf
Atlas Podológico.pdfCiroPinto3
 
Atlas podolgico 121028202824-phpapp01
Atlas podolgico 121028202824-phpapp01Atlas podolgico 121028202824-phpapp01
Atlas podolgico 121028202824-phpapp01Liliana Sotil Aurelio
 
Atlaspodolgico 121028202824-phpapp01
Atlaspodolgico 121028202824-phpapp01Atlaspodolgico 121028202824-phpapp01
Atlaspodolgico 121028202824-phpapp01Edison Augusto
 
Cirurgia de cabeça e pescoço completa
Cirurgia de cabeça e pescoço   completaCirurgia de cabeça e pescoço   completa
Cirurgia de cabeça e pescoço completaJucie Vasconcelos
 
Ponto de vista cirurgião dentista e a quiropraxia
Ponto de vista   cirurgião dentista e a quiropraxiaPonto de vista   cirurgião dentista e a quiropraxia
Ponto de vista cirurgião dentista e a quiropraxiaFabio Motta
 
Aula de histologia tecido epitelial [modo de compatibilidad]
Aula de histologia   tecido epitelial [modo de compatibilidad]Aula de histologia   tecido epitelial [modo de compatibilidad]
Aula de histologia tecido epitelial [modo de compatibilidad]Carla Nascimento
 
Aula de histologia tecido epitelial [modo de compatibilidad]
Aula de histologia   tecido epitelial [modo de compatibilidad]Aula de histologia   tecido epitelial [modo de compatibilidad]
Aula de histologia tecido epitelial [modo de compatibilidad]Carla Nascimento
 
Reconstução palpebral com legendas
 Reconstução palpebral com legendas Reconstução palpebral com legendas
Reconstução palpebral com legendasEduardo Soares
 
Anatomia do periodonto
Anatomia do periodontoAnatomia do periodonto
Anatomia do periodontoandressaElopes
 
aula-5-terminologia-especifica-em-situacao-ciurgica.pdf
aula-5-terminologia-especifica-em-situacao-ciurgica.pdfaula-5-terminologia-especifica-em-situacao-ciurgica.pdf
aula-5-terminologia-especifica-em-situacao-ciurgica.pdfAlanSantos22653
 
ANIMAL FUNDAMENTOS 2.ppt
ANIMAL FUNDAMENTOS 2.pptANIMAL FUNDAMENTOS 2.ppt
ANIMAL FUNDAMENTOS 2.pptMarcioFlix1
 
Reabilitação, Cirurgia e Endodontia.
Reabilitação, Cirurgia e Endodontia.Reabilitação, Cirurgia e Endodontia.
Reabilitação, Cirurgia e Endodontia.Muniza Alfredo
 
Anatomia Cirúrgica da Face
Anatomia Cirúrgica da FaceAnatomia Cirúrgica da Face
Anatomia Cirúrgica da FaceBrunno Rosique
 

Semelhante a Manual de oftalmologia veterinária (20)

Caderno de Enfermagem em Ortopedia 2009
Caderno de Enfermagem em Ortopedia 2009Caderno de Enfermagem em Ortopedia 2009
Caderno de Enfermagem em Ortopedia 2009
 
Relatório Histologia
Relatório HistologiaRelatório Histologia
Relatório Histologia
 
Atlas Podológico.pdf
Atlas Podológico.pdfAtlas Podológico.pdf
Atlas Podológico.pdf
 
Atlas podolgico 121028202824-phpapp01
Atlas podolgico 121028202824-phpapp01Atlas podolgico 121028202824-phpapp01
Atlas podolgico 121028202824-phpapp01
 
Atlaspodolgico 121028202824-phpapp01
Atlaspodolgico 121028202824-phpapp01Atlaspodolgico 121028202824-phpapp01
Atlaspodolgico 121028202824-phpapp01
 
R0379 1
R0379 1R0379 1
R0379 1
 
Cirurgia de cabeça e pescoço completa
Cirurgia de cabeça e pescoço   completaCirurgia de cabeça e pescoço   completa
Cirurgia de cabeça e pescoço completa
 
ORTOPEDIA.pptx
ORTOPEDIA.pptxORTOPEDIA.pptx
ORTOPEDIA.pptx
 
Ponto de vista cirurgião dentista e a quiropraxia
Ponto de vista   cirurgião dentista e a quiropraxiaPonto de vista   cirurgião dentista e a quiropraxia
Ponto de vista cirurgião dentista e a quiropraxia
 
Aula de histologia tecido epitelial [modo de compatibilidad]
Aula de histologia   tecido epitelial [modo de compatibilidad]Aula de histologia   tecido epitelial [modo de compatibilidad]
Aula de histologia tecido epitelial [modo de compatibilidad]
 
Aula de histologia tecido epitelial [modo de compatibilidad]
Aula de histologia   tecido epitelial [modo de compatibilidad]Aula de histologia   tecido epitelial [modo de compatibilidad]
Aula de histologia tecido epitelial [modo de compatibilidad]
 
Reconstução palpebral com legendas
 Reconstução palpebral com legendas Reconstução palpebral com legendas
Reconstução palpebral com legendas
 
Anatomia do periodonto
Anatomia do periodontoAnatomia do periodonto
Anatomia do periodonto
 
aula-5-terminologia-especifica-em-situacao-ciurgica.pdf
aula-5-terminologia-especifica-em-situacao-ciurgica.pdfaula-5-terminologia-especifica-em-situacao-ciurgica.pdf
aula-5-terminologia-especifica-em-situacao-ciurgica.pdf
 
ANIMAL FUNDAMENTOS 2.ppt
ANIMAL FUNDAMENTOS 2.pptANIMAL FUNDAMENTOS 2.ppt
ANIMAL FUNDAMENTOS 2.ppt
 
Dissecação peixe
Dissecação peixeDissecação peixe
Dissecação peixe
 
Enxerto de Cartilagem
Enxerto de CartilagemEnxerto de Cartilagem
Enxerto de Cartilagem
 
Tendinite do Manguito Rotador
Tendinite do Manguito Rotador Tendinite do Manguito Rotador
Tendinite do Manguito Rotador
 
Reabilitação, Cirurgia e Endodontia.
Reabilitação, Cirurgia e Endodontia.Reabilitação, Cirurgia e Endodontia.
Reabilitação, Cirurgia e Endodontia.
 
Anatomia Cirúrgica da Face
Anatomia Cirúrgica da FaceAnatomia Cirúrgica da Face
Anatomia Cirúrgica da Face
 

Último

COSMOLOGIA DA ENERGIA ESTRELAS - VOLUME 6. EDIÇÃO 2^^.pdf
COSMOLOGIA DA ENERGIA ESTRELAS - VOLUME 6. EDIÇÃO 2^^.pdfCOSMOLOGIA DA ENERGIA ESTRELAS - VOLUME 6. EDIÇÃO 2^^.pdf
COSMOLOGIA DA ENERGIA ESTRELAS - VOLUME 6. EDIÇÃO 2^^.pdfalexandrerodriguespk
 
Q20 - Reações fotoquímicas.pdf
Q20 - Reações fotoquímicas.pdfQ20 - Reações fotoquímicas.pdf
Q20 - Reações fotoquímicas.pdfPedroGual4
 
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 7º ANO.pdf
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 7º ANO.pdfPLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 7º ANO.pdf
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 7º ANO.pdfkeiciany
 
CURRICULO ed integral.pdf
CURRICULO ed integral.pdfCURRICULO ed integral.pdf
CURRICULO ed integral.pdfdaniele690933
 
Apresentacao_Geral_Plataformas_200604.pdf
Apresentacao_Geral_Plataformas_200604.pdfApresentacao_Geral_Plataformas_200604.pdf
Apresentacao_Geral_Plataformas_200604.pdfAndreiaSilva852193
 
Livro de Português- Santillana.pdf
Livro de Português- Santillana.pdfLivro de Português- Santillana.pdf
Livro de Português- Santillana.pdfDinisOliveira30
 
PROJETO INTERDISCIPLINAR 6º AO 9º ANOS - 2.docx
PROJETO INTERDISCIPLINAR 6º AO 9º ANOS - 2.docxPROJETO INTERDISCIPLINAR 6º AO 9º ANOS - 2.docx
PROJETO INTERDISCIPLINAR 6º AO 9º ANOS - 2.docxssuser86fd77
 
LDB atualizada 2024 - o que mais cai em concursos da educação
LDB atualizada 2024 - o que mais cai em concursos da educaçãoLDB atualizada 2024 - o que mais cai em concursos da educação
LDB atualizada 2024 - o que mais cai em concursos da educaçãoLucineideDosSantos2
 
LITERATURA, 3.º EM, apostila 1, frentes 2 e 3, módulo 3.ppsx
LITERATURA, 3.º EM, apostila 1, frentes 2 e 3, módulo 3.ppsxLITERATURA, 3.º EM, apostila 1, frentes 2 e 3, módulo 3.ppsx
LITERATURA, 3.º EM, apostila 1, frentes 2 e 3, módulo 3.ppsxrafabebum
 
Transforme seu Corpo em Casa_ Dicas e Estratégias de Rotinas de Exercícios Si...
Transforme seu Corpo em Casa_ Dicas e Estratégias de Rotinas de Exercícios Si...Transforme seu Corpo em Casa_ Dicas e Estratégias de Rotinas de Exercícios Si...
Transforme seu Corpo em Casa_ Dicas e Estratégias de Rotinas de Exercícios Si...manoelaarmani
 
2° ENSINO MÉDIO PLANO ANUAL ARTES 2024.pdf
2° ENSINO MÉDIO PLANO ANUAL ARTES 2024.pdf2° ENSINO MÉDIO PLANO ANUAL ARTES 2024.pdf
2° ENSINO MÉDIO PLANO ANUAL ARTES 2024.pdfkelvindasilvadiasw
 
CIÊNCIAS CONTÁBEIS - BACHARELADO/PROJETO DE EXTENSÃO I - CIÊNCIAS CONTÁBEIS
CIÊNCIAS CONTÁBEIS - BACHARELADO/PROJETO DE EXTENSÃO I - CIÊNCIAS CONTÁBEISCIÊNCIAS CONTÁBEIS - BACHARELADO/PROJETO DE EXTENSÃO I - CIÊNCIAS CONTÁBEIS
CIÊNCIAS CONTÁBEIS - BACHARELADO/PROJETO DE EXTENSÃO I - CIÊNCIAS CONTÁBEISColaborar Educacional
 
Desafie-se Como Estabelecer Metas de Fitness Realistas e Alcançáveis em Casa ...
Desafie-se Como Estabelecer Metas de Fitness Realistas e Alcançáveis em Casa ...Desafie-se Como Estabelecer Metas de Fitness Realistas e Alcançáveis em Casa ...
Desafie-se Como Estabelecer Metas de Fitness Realistas e Alcançáveis em Casa ...manoelaarmani
 
Ficha de trabalho | EURO - 25 anos do lançamento da moeda única
Ficha de trabalho | EURO - 25 anos do lançamento da moeda únicaFicha de trabalho | EURO - 25 anos do lançamento da moeda única
Ficha de trabalho | EURO - 25 anos do lançamento da moeda únicaCentro Jacques Delors
 
2024 Tec Subsequente em Adm Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnolog...
2024 Tec Subsequente em Adm Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnolog...2024 Tec Subsequente em Adm Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnolog...
2024 Tec Subsequente em Adm Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnolog...pj989014
 
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 9º ANO.pdf
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 9º ANO.pdfPLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 9º ANO.pdf
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 9º ANO.pdfkeiciany
 
SLIDES Lição 6, Recabitas, Exemplo de Obediência, 1Tr24, Pr Henrique, EBD NA ...
SLIDES Lição 6, Recabitas, Exemplo de Obediência, 1Tr24, Pr Henrique, EBD NA ...SLIDES Lição 6, Recabitas, Exemplo de Obediência, 1Tr24, Pr Henrique, EBD NA ...
SLIDES Lição 6, Recabitas, Exemplo de Obediência, 1Tr24, Pr Henrique, EBD NA ...LuizHenriquedeAlmeid6
 
A extensão universitária do curso de Ciências Contábeis, por meio do Programa...
A extensão universitária do curso de Ciências Contábeis, por meio do Programa...A extensão universitária do curso de Ciências Contábeis, por meio do Programa...
A extensão universitária do curso de Ciências Contábeis, por meio do Programa...Colaborar Educacional
 
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 8º ANO.pdf
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 8º ANO.pdfPLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 8º ANO.pdf
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 8º ANO.pdfkeiciany
 

Último (20)

COSMOLOGIA DA ENERGIA ESTRELAS - VOLUME 6. EDIÇÃO 2^^.pdf
COSMOLOGIA DA ENERGIA ESTRELAS - VOLUME 6. EDIÇÃO 2^^.pdfCOSMOLOGIA DA ENERGIA ESTRELAS - VOLUME 6. EDIÇÃO 2^^.pdf
COSMOLOGIA DA ENERGIA ESTRELAS - VOLUME 6. EDIÇÃO 2^^.pdf
 
Q20 - Reações fotoquímicas.pdf
Q20 - Reações fotoquímicas.pdfQ20 - Reações fotoquímicas.pdf
Q20 - Reações fotoquímicas.pdf
 
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 7º ANO.pdf
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 7º ANO.pdfPLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 7º ANO.pdf
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 7º ANO.pdf
 
CURRICULO ed integral.pdf
CURRICULO ed integral.pdfCURRICULO ed integral.pdf
CURRICULO ed integral.pdf
 
Apresentacao_Geral_Plataformas_200604.pdf
Apresentacao_Geral_Plataformas_200604.pdfApresentacao_Geral_Plataformas_200604.pdf
Apresentacao_Geral_Plataformas_200604.pdf
 
Livro de Português- Santillana.pdf
Livro de Português- Santillana.pdfLivro de Português- Santillana.pdf
Livro de Português- Santillana.pdf
 
PROJETO INTERDISCIPLINAR 6º AO 9º ANOS - 2.docx
PROJETO INTERDISCIPLINAR 6º AO 9º ANOS - 2.docxPROJETO INTERDISCIPLINAR 6º AO 9º ANOS - 2.docx
PROJETO INTERDISCIPLINAR 6º AO 9º ANOS - 2.docx
 
LDB atualizada 2024 - o que mais cai em concursos da educação
LDB atualizada 2024 - o que mais cai em concursos da educaçãoLDB atualizada 2024 - o que mais cai em concursos da educação
LDB atualizada 2024 - o que mais cai em concursos da educação
 
Slides Lição 8, Betel, Família, uma Obra em permanente construção, 1Tr24.pptx
Slides Lição 8, Betel, Família, uma Obra em permanente construção, 1Tr24.pptxSlides Lição 8, Betel, Família, uma Obra em permanente construção, 1Tr24.pptx
Slides Lição 8, Betel, Família, uma Obra em permanente construção, 1Tr24.pptx
 
LITERATURA, 3.º EM, apostila 1, frentes 2 e 3, módulo 3.ppsx
LITERATURA, 3.º EM, apostila 1, frentes 2 e 3, módulo 3.ppsxLITERATURA, 3.º EM, apostila 1, frentes 2 e 3, módulo 3.ppsx
LITERATURA, 3.º EM, apostila 1, frentes 2 e 3, módulo 3.ppsx
 
Transforme seu Corpo em Casa_ Dicas e Estratégias de Rotinas de Exercícios Si...
Transforme seu Corpo em Casa_ Dicas e Estratégias de Rotinas de Exercícios Si...Transforme seu Corpo em Casa_ Dicas e Estratégias de Rotinas de Exercícios Si...
Transforme seu Corpo em Casa_ Dicas e Estratégias de Rotinas de Exercícios Si...
 
2° ENSINO MÉDIO PLANO ANUAL ARTES 2024.pdf
2° ENSINO MÉDIO PLANO ANUAL ARTES 2024.pdf2° ENSINO MÉDIO PLANO ANUAL ARTES 2024.pdf
2° ENSINO MÉDIO PLANO ANUAL ARTES 2024.pdf
 
CIÊNCIAS CONTÁBEIS - BACHARELADO/PROJETO DE EXTENSÃO I - CIÊNCIAS CONTÁBEIS
CIÊNCIAS CONTÁBEIS - BACHARELADO/PROJETO DE EXTENSÃO I - CIÊNCIAS CONTÁBEISCIÊNCIAS CONTÁBEIS - BACHARELADO/PROJETO DE EXTENSÃO I - CIÊNCIAS CONTÁBEIS
CIÊNCIAS CONTÁBEIS - BACHARELADO/PROJETO DE EXTENSÃO I - CIÊNCIAS CONTÁBEIS
 
Desafie-se Como Estabelecer Metas de Fitness Realistas e Alcançáveis em Casa ...
Desafie-se Como Estabelecer Metas de Fitness Realistas e Alcançáveis em Casa ...Desafie-se Como Estabelecer Metas de Fitness Realistas e Alcançáveis em Casa ...
Desafie-se Como Estabelecer Metas de Fitness Realistas e Alcançáveis em Casa ...
 
Ficha de trabalho | EURO - 25 anos do lançamento da moeda única
Ficha de trabalho | EURO - 25 anos do lançamento da moeda únicaFicha de trabalho | EURO - 25 anos do lançamento da moeda única
Ficha de trabalho | EURO - 25 anos do lançamento da moeda única
 
2024 Tec Subsequente em Adm Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnolog...
2024 Tec Subsequente em Adm Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnolog...2024 Tec Subsequente em Adm Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnolog...
2024 Tec Subsequente em Adm Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnolog...
 
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 9º ANO.pdf
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 9º ANO.pdfPLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 9º ANO.pdf
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 9º ANO.pdf
 
SLIDES Lição 6, Recabitas, Exemplo de Obediência, 1Tr24, Pr Henrique, EBD NA ...
SLIDES Lição 6, Recabitas, Exemplo de Obediência, 1Tr24, Pr Henrique, EBD NA ...SLIDES Lição 6, Recabitas, Exemplo de Obediência, 1Tr24, Pr Henrique, EBD NA ...
SLIDES Lição 6, Recabitas, Exemplo de Obediência, 1Tr24, Pr Henrique, EBD NA ...
 
A extensão universitária do curso de Ciências Contábeis, por meio do Programa...
A extensão universitária do curso de Ciências Contábeis, por meio do Programa...A extensão universitária do curso de Ciências Contábeis, por meio do Programa...
A extensão universitária do curso de Ciências Contábeis, por meio do Programa...
 
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 8º ANO.pdf
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 8º ANO.pdfPLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 8º ANO.pdf
PLANO DE CURSO 2O24- ENSINO RELIGIOSO 8º ANO.pdf
 

Manual de oftalmologia veterinária

  • 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ CAMPUS PALOTINA CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA OFTALMOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA MANUAL DE OFTALMOLOGIA VETERINÁRIA Olicies da Cunha Palotina 2008
  • 2. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina II COLABORADORES ANA CAROLINA CARRARO Médica Veterinária ANDERSON L. CARVALHO Médico Veterinário GILSON FENTZLAFF Médico Veterinário ANTÔNIO HENRIQUE CEREDA Acadêmico TIAGO MACHADO DOS SANTOS Acadêmico RAFAEL STEFFENS Acadêmico
  • 3. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina III SUMÁRIO LISTA DE ABREVIATURAS .............................................................................IV MÓDULO I - Princípios ..................................................................................- 1 - Capítulo 1 - Estruturas anatômicas e implicações clínico-cirúrgicas .............- 1 - Capítulo 2 - Exame clínico oftalmológico.....................................................- 13 - MÓDULO II - Cílios, pálpebras, aparelho lacrimal e conjuntivas .................- 26 - Capítulo 3 - Doenças clínicas e cirúrgicas dos cílios...................................- 26 - Capítulo 4 - Doenças congênitas, estruturais e inflamatórias das pálpebras- 29 - Capítulo 5 - Doenças traumáticas e neoplasias das pálpebras ...................- 39 - Capítulo 6 - Terceira pálpebra e ducto nasolacrimal ...................................- 42 - Capítulo 7 - Conjuntiva ................................................................................- 47 - MÓDULO III - Afecções da córnea ..............................................................- 51 - Capítulo 8 - Ceratites ulcerativas.................................................................- 51 - Capítulo 9 - Outras ceratopatias..................................................................- 61 - MÓDULO IV - Generalidades ......................................................................- 65 - Capítulo 10 - Uveíte.....................................................................................- 65 - Capítulo 11 - Glaucoma...............................................................................- 68 - Capítulo 12 - Afecções da lente...................................................................- 71 - Capítulo 12 - Técnicas diversas...................................................................- 78 -
  • 4. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina IV LISTA DE ABREVIATURAS BID a cada 12 horas (Bis in die) FH farmacopéia humana FV farmacopéia veterinária kg Quilograma mL Mililitro mg Miligrama PIO Pressão intra-ocular QID a cada 6 horas (Quarter in die) SID a cada 24 horas (Semel in die) SRD Sem Raça Definida TID a cada 8 horas (Ter in die)
  • 5. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 1 - MÓDULO I- Princípios Capítulo 1 - Estruturas anatômicas e implicações clínico-cirúrgicas As afecções que envolvem o bulbo do olho e seus anexos são várias e distintas. É nítida a necessidade do estudante de Medicina Veterinária, sobretudo os que se dedicam à clínica e cirurgia, um conhecimento amplo da anatomia e fisiologia ocular para desempenhar com segurança e efetividade a oftalmologia. Os olhos são órgãos sensitivos complexos que evoluíram de primitivas áreas sensíveis à luz, na superfície dos invertebrados. Protegidos por uma estrutura óssea, muscular e cutânea, os olhos possuem uma camada de receptores, um sistema de lente para focalização da luz e um sistema de nervos para condução dos impulsos dos receptores para o cérebro. Órbita Os crânios das diferentes raças de cães podem ser divididos de acordo com o seu formato em: dolicocéfalo (alongado), mesaticéfalo (comprimento e altura médios) e braquicéfalo (focinho curto). Esta variação tem algum efeito na formação da órbita e podem ser fatores predisponentes para certas afecções como a proptose do bulbo do olho em cães braquicefálicos, como os Pequineses. A órbita é o arcabouço ósseo que circunda o olho, e é formada pelos ossos: frontal, lacrimal, esfenóide, zigomático, palatino e maxilar (Figura 1). A parede dorsolateral da órbita não se compõe de osso, mas é formada pelo colagenoso ligamento orbitário entre o processo zigomático do osso frontal e processo frontal do osso zigomático. Vasos sangüíneos e nervos que servem as estruturas orbitárias transitam através de numerosos forames nas paredes orbitárias ósseas. Os tecidos moles contidos na órbita estão envoltos pela periórbita, formada por tecido conjuntivo e situada junto às paredes ósseas.
  • 6. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 2 - FIGURA 1 Representação esquemática dos ossos que formam a órbita. Muitos distúrbios orbitários são tratados cirurgicamente, e procedimentos manipulativos são freqüentemente utilizados no diagnóstico das afecções orbitárias. A orbitotomia é a exposição cirúrgica da órbita, que pode ser procedida por várias técnicas, sendo a completa, com ressecção do arco zigomático e dissecação do ligamento orbitário a que prove exposição orbitária mais ampla. Nestes procedimentos deve se evitar cuidadosamente a artéria maxilar, se ocorrer secção acidental, esta deverá ser ligada e em casos que a ligadura esteja impossibilitada, a oclusão temporária da artéria carótida ipsilateral deverá ser procedida. Órgãos oculares acessórios Pálpebras e conjuntivas As pálpebras, superior e inferior, são projeções móveis e delgadas de pele que normalmente cobrem os olhos. Elas convergem e se unem, formando assim, os ângulos (medial e lateral). O espaço entre as pálpebras é chamado de rima palpebral. Em corte sagital, as pálpebras são compostas de superfície epidérmica externa, músculo orbicular do olho, placa tarsiana, glândulas tarsais e conjuntiva palpebral, que reveste a pálpebra interiormente (Figura 2).
  • 7. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 3 - a) superfície epidérmica b) m. orbicular do olhor c) glândula tarsal d) conjuntiva palpebral FIGURA 2 Secção sagital da pálpebra canina em desenho esquemático. Observe as estruturas identificadas. As margens palpebrais são demarcadas a partir da pele por uma borda mucocutânea. As glândulas tarsais produzem a camada lipídica da película lacrimal. A placa tarsiana é um folheto fibroso pouco definido que dá sustentação às pálpebras. Os caninos possuem cílios apenas na pálpebra superior, enquanto os felinos, não os possuem. O músculo orbicular do bulbo encontra-se oralmente à placa tarsiana, circunda a fissura palpebral e está fixado medialmente à órbita pela fáscia e lateralmente pelo músculo afastador do ângulo. O músculo elevador da pálpebra superior é inervado pelo oculomotor (nervo craniano III), junto a este, existe um delgado músculo (m. de Müller) que mantém a pálpebra superior elevada sem esforço algum (Figura 3).
  • 8. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 4 - a) contrai a fissura palpebral b) afasta o ângulo lateral c) deprime a pálpebra inferior d) eleva a pálpebra superior FIGURA 3 Secção frontal da pálpebra evidenciando a musculatura regional. A conjuntiva é a membrana mucosa ocular que reveste as porções mais internas das pálpebras superior e inferior, ambos os lados da terceira pálpebra, e a parte anterior do bulbo, excetuando a córnea. É dividida nas partes bulbar, do fórnix, palpebral ou tarsiana e da terceira pálpebra (Figura 4). A mucosa conjuntival, abundantemente vascularizada, permite movimentos suaves, isentos de fricção, entre o bulbo do olho, a terceira pálpebra e as pálpebras, constituindo uma barreira física e imunológica protetora. Principalmente nos fórnices conjuntivais localizam-se grande quantidade de células caliciformes, responsáveis pela produção da fase mucosa do filme lacrimal.
  • 9. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 5 - a) Conjuntiva palpebral; b) Conjuntiva do fórnix dorsal e fórnix ventral anterior; c) Conjuntiva bulbar; d) Conjuntiva anterior e posterior da terceira pálpebra; e) Conjuntiva do fórnix ventral posterior FIGURA 4 Representação esquemática da conjuntiva e suas partes. A inversão da borda da pálpebra (entrópio) pode ocorrer em certos cães, onde os pêlos da face externa da pálpebra poderão irritar a conjuntiva ou córnea. Cães da raça Shar Pei podem apresentar entrópio com menos de três semanas de idade e freqüentemente necessitam de intervenção cirúrgica para evitar afecção corneal grave. A eversão das pálpebras também poderá ocorrer, resultando em exposição da conjuntiva. A ressecção de tumores palpebrais pode provocar grandes defeitos e exigem procedimentos corretivos. Reveste-se de importância, a preservação da musculatura palpebral, não comprometendo assim sua dinâmica. Terceira pálpebra A terceira pálpebra é uma estrutura triangular com origem na porção ventromedial oral da órbita. Uma cartilagem em forma de “T” dá sustentação ao conjunto e um retináculo fixa esta estrutura à parte ventromedial da órbita (Figura 5). O músculo orbitário (m. liso) é o responsável pela movimentação desta estrutura. A terceira pálpebra protege o globo, secreta e distribui a lágrima. Na base da terceira pálpebra localiza-se a glândula
  • 10. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 6 - da terceira pálpebra, que será abordada a seguir. Devido à contribuição da terceira pálpebra para produção e distribuição do filme lacrimal, devemos envidar todos os esforços possíveis para que sua integridade seja preservada. A margem afilada e rígida da terceira pálpebra resulta em mecanismo efetivo na remoção de restos teciduais e corpos estranhos presentes entre a córnea e a conjuntiva palpebral. A remoção desta estrutura cria espaço entre a pálpebra e o bulbo que pode abrigar restos teciduais, microrganismos e corpos estranhos, que danificam a integridade corneal. Portanto, é importante o cuidadoso reparo e preservação da terceira pálpebra. FIGURA 5 Representação esquemática da terceira pálpebra. A. Secção sagital. B. Secção frontal. Aparelho lacrimal O aparelho lacrimal tem como função produzir e remover as lágrimas. As glândulas lacrimais, responsáveis pela produção da maior parte da lágrima, estão localizadas na região da órbita entre o globo nasalmente e o ligamento orbital e o processo zigomático do osso frontal temporalmente (Figura 6). Os ductos destas glândulas são em número de 20 a 30, invisíveis a olho desarmado e se abrem através da conjuntiva no fórnix temporal. A glândula da terceira pálpebra é glândula lacrimal acessória e circunda a haste da
  • 11. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 7 - cartilagem da terceira pálpebra, e contribui com uma parte importante do filme lacrimal. Cada pálpebra, superior e inferior, têm pequena abertura, o ponto lacrimal, que é o início do sistema de drenagem lacrimal e que situam-se entre 2 e 5 mm do canto nasal. Os pontos têm continuidade com os canais lacrimais que possuem um comprimento de 4 a 7 mm e convergem para o saco lacrimal, que é a terminação caudal do ducto nasolacrimal. O ducto nasolacrimal tem início no saco lacrimal, continua rostralmente e se abre no assoalho da cavidade nasal, aproximadamente 1 cm da abertura das narinas externas (Figura 7). Abordagens cirúrgicas oculares que atuam agressivamente na glândula lacrimal, ou a extirpação da glândula da terceira pálpebra podem levar a afecções por diminuição da produção lacrimal como a ceratoconjuntivite seca. A pressão de seleção imposta pelo homem aos animais alterou muito o perfil frontonasal, com isso, o ducto nasolacrimal sofreu alterações importantes, sobretudo as tortuosidades que podem levar a obstrução. Freqüentemente, o oftalmologista se depara com obstruções do ducto nasolacrimal e precisa lançar mão de procedimentos desobstrutivos ou criação de novo canal de eliminação, o que torna imprescindível o conhecimento anátomo-cirúrgico. FIGURA 6 Representação esquemática das glândulas lacrimais. A. Glândulas lacrimais principais. B. Canto medial. C. Canto lateral
  • 12. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 8 - FIGURA 7 Ducto nasolacrimal e a representação de seu trajeto. Músculos do bulbo A musculatura extra-ocular é composta por quatro músculos retos (medial, lateral, dorsal e ventral), que se inserem na esclera posteriormente ao limbo, dois oblíquos (dorsal e ventral) e os retratores do bulbo. Afecções como proptose do bulbo do olho podem causar rupturas musculares e conseqüentemente estrabismo. Bulbo do olho O bulbo do olho é formado por três camadas ou túnicas. A mais externa é a fibrosa, e compreende a córnea e a esclera. A média é a túnica vascular e a mais interna é a túnica nervosa. Túnica fibrosa Córnea e esclera A córnea é a janela transparente no revestimento fibroso do olho, a esclera é a parte posterior opaca e o limbo é a zona de transição entre estas duas estruturas. A córnea, em cães, tem aproximadamente 0,61 ± 0,01 mm de espessura central e 0,67 ± 0,01 mm de espessura periférica. A esclerótica tem cerca de 1 mm na região ciliar, 0,3 mm na região equatorial e 0,55 nas proximidades do disco óptico. A córnea possui 5 camadas; a película lacrimal pré-corneal, o epitélio anterior e sua membrana basal, o estroma (substância própria), a membrana de Descemet (lâmina limitante posterior) e o
  • 13. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 9 - endotélio (epitélio posterior) (Figura 8). As principais características da córnea que garantem refração e transparência são: ausência de vasos sangüíneos, ausência de pigmentos, superfície óptica lisa, proporcionada pela película lacrimal pré-corneal, e disposição extremamente arranjada das fibrilas de colágeno. Os vasos ciliares anteriores passam através da esclera, posteriormente ao limbo, e as veias do vórtice, em número de quatro, passam através da esclera em um ponto posterior ao equador do bulbo. a) filme lacrimal b) epitélio c) estroma d) Descemet e) endotélio FIGURA 8 Representação esquemática das camadas da córnea incluindo o filme lacrimal. A córnea possui características peculiares com importância cirúrgica prática. A manipulação de suas camadas exige o conhecimento das características. A preensão da córnea depende do uso de pinças dentadas que fixam com firmeza as bordas da córnea e em hipótese alguma pode tocar o endotélio. As dissecções superficiais da córnea exigem tensão tecidual difusa e baixa pressão intra-ocular. A sutura da córnea necessita aplicação e direcionamento precisos da agulha. As suturas são aplicadas profundamente, mas não totalmente através do estroma. Túnica vascular Íris, corpo ciliar e coróide A íris é formada por uma delicada rede de vasos sangüíneos, tecido conjuntivo, fibras musculares e nervos. Por estar em contato direto com a lente, tem a mesma curvatura que sua superfície anterior. Seu epitélio é intensamente pigmentado com melanina. A parte basilar da camada anterior está constituída por musculatura lisa, que
  • 14. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 10 - forma o músculo dilatador da íris. Este mecanismo, juntamente com as pálpebras, controla a passagem da luz através da pupila. O corpo ciliar é estrutura caudal a íris, de constituição semelhante. Apresenta fibras musculares indistintas no cão, que possuem pouca capacidade de acomodação. Possui como função acomodação da lente e constitui-se no local de maior produção do humor aquoso. Uma excisão cirúrgica acima de 25% do corpo ciliar pode prejudicar a dinâmica do humor aquoso. A porção anterior do corpo ciliar é a parte pregueada (pars plicata), e consiste dos músculos ciliares e processos ciliares; a porção posterior é a parte plana (pars plana), que se estende posteriormente até a coróide. As fibras zonulares (Figura 9), que sustentam a lente, originam na parte plana. A coróide é a parte da camada vascular compreendida entre o corpo ciliar e a retina. a) íris b) corpos ciliares c) coróide FIGURA 9 Representação da túnica vascular e lente sustentada pelas fibras zonulares. Túnica nervosa Retina A retina, camada mais interna do bulbo do olho, é formada por células nervosas distribuídas em 10 camadas. A papila óptica é formada pela confluência das fibras nervosas da retina. Localiza-se na extremidade posterior do olho e mede aproximadamente 1 mm de diâmetro. Seu formato varia de oval, triangular, redonda a quadrangular, nas diferentes espécies domésticas.
  • 15. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 11 - Câmaras do olho Clinicamente o bulbo do olho pode ser dividido em dois segmentos. O anterior, cranial a lente e o posterior, caudal a lente. Anteriormente a lente, o olho é dividido em duas câmaras (anterior e posterior). A câmara anterior do bulbo está circundada anteriormente pela córnea e posteriormente pela íris. Ela se comunica com a câmara posterior através da pupila. A câmara posterior é um pequeno espaço limitado anteriormente pela íris e posteriormente pela lente e seus ligamentos. As câmaras são preenchidas pelo humor aquoso. A câmara vítrea do bulbo está situada entre a lente e a retina e contém o corpo vítreo. Quando a drenagem do humor aquoso está dificultada e a produção continua, ocorre uma situação chamada clinicamente de glaucoma (Figura 10). FIGURA 10 Ilustração representativa das câmaras do bulbo. Meios de refração Lente A lente é uma estrutura biconvexa composta de células e seus processos, formada por lâminas celulares concêntricas. O diâmetro da lente do cão é de aproximadamente 10 mm e a espessura ântero-posterior é de aproximadamente 7 mm. A cápsula da lente é muito mais espessa na superfície anterior, de 30 a 45 µm, do que na superfície posterior, onde é de aproximadamente 5 µm. As proteínas da lente são seqüestradas e
  • 16. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 12 - potencialmente antigênicas, devido às seguintes razões: a cápsula da lente forma-se antes do sistema imune, a lente é avascular e a cápsula é impermeável a células e grandes moléculas. A condição clínica onde há opacidade lenticular é chamada de catarata e sua remoção cirúrgica exige conhecimento anatômico e fisiológico para não provocar alterações irreversíveis. A cápsula posterior da lente é extremamente delgada e sua ruptura pode levar ao deslocamento do vítreo. O extravasamento de proteínas lenticulares provoca uveíte faco induzida e esta condição deve ser evitada nas cirurgias de catarata ou luxação de lente. Vasos e nervos O principal suprimento sangüíneo para o bulbo do olho origina-se da artéria maxilar, que apresenta um ramo importante, a artéria oftálmica externa, que passa sobre a face dorsal do nervo óptico e anastomosa-se com a artéria oftálmica interna. A anastomose produz as artérias ciliares posteriores. O sangue é drenado através das veias oftálmicas dorsal e ventral. O nervo óptico, que passa através do canal óptico, circundado pelo músculo retratator do bulbo, é o nervo sensorial da retina. O outro nervo sensorial para a retina é o trigêmio. O principal nervo sensorial para o olho é o oftálmico, menor divisão do trigêmio. O nervo maxilar é parte do nervo trigêmio, e seus ramos participam da inervação das pálpebras. O nervo oculomotor supre o maior número de músculos extra-oculares. O nervo troclear inerva apenas o músculo oblíquo dorsal. O nervo abducente supre o músculo reto lateral e retrator do bulbo. O nervo facial fornece apenas uma quantidade limitada da inervação do olho, importante para mímica facial incluindo movimento das pálpebras. O controle da glândula lacrimal também é da responsabilidade deste nervo. Em situações cirúrgicas como enucleação, o reconhecimento e a preservação da musculatura extra-ocular são importantes para o preenchimento orbital por ocasião da sutura. Importância fundamental deve ser dada ao reconhecimento das estruturas anatômicas, tanto para preservação quanto para se evitar lesões acidentais em segmentos importantes.
  • 17. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 13 - Capítulo 2 - Exame clínico oftalmológico O objetivo deste tema é descrever o exame clínico dos olhos, órbita e anexos oculares. A Figura 11 representa o modelo de ficha usado no Hospital Veterinário – Campus Palotina. FIGURA 11 Modelo de ficha usada no Hospital Veterinário – Campus Palotina.
  • 18. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 14 - Instalação e equipamentos para o diagnóstico É fundamental que a sala para se realizar o exame oftálmico seja calma e com luminosidade controlada com a possibilidade de fornecer escuridão completa. A iluminação controlada permite avaliar a simetria pupilar e fazer testes como o do labirinto em ambiente iluminado (condições fotópicas) e de pouca luminosiodade (condições escotópica). Os instrumentos necessários para se fazer um exame oftálmico são: - lanterna; - oftalmoscópico; - tonômetro; - testes lacrimais de Schirmer; - corante de fluoresceína; - anestesia ocular tópica; - sedativos; - midriáticos tópicos. Os instrumentos requerem prática e paciência para serem manipulados corretamente, mas facilitam o veterinário no sentido de completar o exame ocular. Swabs estéreis para cultura e lâmina de microscopia são necessários para obter amostras para cultura e citologia. Formulários ajudam a fazer um exame oftálmico completo sem correr o risco de pular etapas, didaticamente dividiremos o exame em três partes (resenha, anamnese e exame oftalmológico). 1. Resenha A raça, idade e sexo trazem informações importantes para o diagnóstico e o prognóstico. Raça - muitas raças têm predisposição para doenças oculares como, por exemplo, o entrópio em cães Shar-Pei e luxação primária da lente em cães Terriers. Idade - a idade é fator predisponente para certas doenças oculares como a nictalopatia e comprometimento visual em filhotes de cães e gatos com displasia dos fotorreceptores. A esclerose nuclear da lente ocorre com mais freqüências em cães com mais de seis a oito anos de idade. Filhotes de cães e gatos têm as pálpebras fundidas (anciloblefaro) nos primeiros sete a 14 dias de vida o que impede o exame ocular. A visão é limitada no neonato, pois o desenvolvimento das vias visuais e do olho prossegue
  • 19. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 15 - durante os primeiros meses de vida, a retina e a coróide nos cães e gatos se completa aos três meses de idade. O reflexo de ameaça é aprendido e em geral não está presente até o animal completar três meses. Sexo - a atrofia progressiva da retina, ligada ao cromossomo X, no Husky Siberiano macho, é uma doença ocular relacionado ao sexo. 2. Anamnese É um dos passos mais importante para chegar ao diagnóstico. Corrimento ocular, olho congestionado, dor no olho, alteração da cor, tamanho ou forma do globo ocular ou das pupilas e cegueira são as queixas mais comuns. Com estas informações o clínico chega a uma lista de problemas provisórios e obtém uma anamnese ocular abrangente e específica. É importante determinar: - duração dos sinais clínicos e velocidade da evolução; - comprometimento uni ou bilateral; - corrimento ou alteração de cor com o tempo; - doença sistêmica associada e medicamentos que já foram ou estão sendo usados; - antecedentes familiares de doenças oculares. 3. Exame oftalmológico O exame oftálmico segue uma ordem cronológica. O exame dos componentes é feito sistematicamente na seqüência dos tecidos oculares superficiais para os profundos, de forma ordenada e minuciosa. Alguns procedimentos (testes) interferem no resultado de outros, portanto deve-se seguir a cronologia dos gestos diagnósticos. Teste lacrimal de Schirmer. Obtenção de amostras para citologia e cultura. Exame dos reflexos. Anestesia tópica e tonometria. Instilação de midriáticos e oftalmoscopia. Corantes (fluoresceína e rosa bengala). A descrição detalhada dos testes diagnósticos será abordada após a seqüência do exame dos componentes oftálmicos.
  • 20. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 16 - 3.1. Exame dos componentes oftálmicos Neste tópico discute-se a realização do exame oftálmico (principalmente os componentes oftálmicos) em sua seqüência lógica, como segue: 1. Deambulação; 2. Inspeção da simetria; 3. Órbita, músculos extra-oculares, pálpebras e cílios; 4. Drenagem e terceira pálpebra; 5. Conjuntivas; 6. Córnea; 7. Câmara anterior, humor aquoso e íris; 8. Lente; 9. Retina. 1 - Deambulação Procura-se observar a reação do paciente perante o ambiente. Para avaliação do comprometimento visual, indica-se o teste do labirinto onde objetos são distribuídos no ambulatório e o animal transita entre eles em condições fotópicas e escotópicas. O fato de o animal esbarrar nos objetos em um ambiente novo é indicativo de comprometimento da visão. Forma de andar, movimentação da cabeça, possíveis alterações no posicionamento da cabeça e alterações na configuração física podem ser detectados. 2 - Inspeção da simetria Observe atentamente a simetria da face. Inspecione a simetria dos músculos da mastigação, atentando à movimentação da mandíbula. Observe também se há presença de pêlos faciais irritando a córnea, isso pode causar dois problemas graves, lesão de córnea por atrito e ceratoconjuntivite seca por atuarem como sifões removendo lágrima do olho. 3 - Órbita, músculos extra-oculares, pálpebras e cílios Inicia-se com a observação da simetria bilateral. A seguir palpa-se a borda óssea e procede-se retropulsão do globo ocular para avaliação de aumento de volume, dor ou resistência, que podem indicar presença de massas retrobulbares. Podem ser
  • 21. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 17 - necessários procedimentos adicionais como radiografias (contrastadas ou não) e ultra- sonografias. Os músculos extra-oculares são avaliados pela posição ocular. Doenças palpebrais como introversão ou eversão do tarso palpebral e posicionamento ciliar devem ser observados. 4 -Sistema de drenagem e terceira pálpebra O sistema de drenagem é avaliado principalmente pelo teste lacrimal de Shirmer. Epífora refere-se ao transbordamento de lágrima pela face, enquanto a diminuição pode levar ao “olho-seco”. A obstrução dos ductos nasolacrimais pode ser avaliada mediante o teste de Robert Jones (que será descrito a seguir). Devemos nos atentar ainda às secreções e protusão da glândula da terceira pálpebra. A terceira pálpebra pode ser avaliada mediante pressão no canto dorso-medial, por sobre a pálpebra. Deve ser inspecionada em ambas as superfícies palpebral e bulbar e respectivos fórnices. Recomenda-se avaliar quanto a presença de inflamação, secreção, folículos e corpos estranhos. A membrana nictitante pode ser retraída com uma pinça após anestesia tópica. 5 - Conjuntiva A conjuntiva deve ser avaliada quanto à congestão capilar, quemose, trauma e/ou hemorragias, presença de corpos estranhos, secreções e alteração folicular. Em casos de secreção ou massas, pode-se solicitar exames complementares como cultura e antibiograma, citologia e/ou biópsia conjuntival. 6 - Córnea Esta estrutura deve ser inspecionada quanto à perda de transparência, neoformações, falhas na integridade corneal (úlceras) e corpos estranhos. A fluoresceína é um teste diagnóstico de rotina e coloração com corante rosa bengala é particularmete útil em diagnóstico de úlceras dendríticas causada por herpesvírus felino em gatos.
  • 22. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 18 - 7 - Câmara anterior, humor aquoso e íris A câmara anterior é avaliada quanto à profundidade, qualidade do humor aquoso (límpido e claro), inflamação intra-ocular e perfurações oculares. Este exame inclui a avaliação da íris, que deve ser observada quanto ao diâmetro, simetria, coloração, hemorragia e presença de vasos visíveis. 8 - Lente A alteração mais comum em lente é a catarata. Esta estrutura intra-ocular deve ser observada quanto à perda da transparência, presença de sinéquias (anteriores ou posteriores) e mudanças posicionais (luxação anterior ou posterior). 9 - Retina Finalmente, a retina, deve ser analisada mediante oftalmoscopia (direta ou indireta) quanto a presença de atrofias, transudato ou exsudato, edema, colobomas, hemorragias e descolamentos. 3.2. Seqüência dos testes e procedimentos diagnósticos A seguir, descreve-se sucintamente a formas mais apropriadas e a seqüência de realização das manobras e testes. 1 - Teste lacrimal de Schirmer Avalia a produção lacrimal em milímetros de umidade (fase aquosa do filme lacrimal). O teste pode ser comprado no comércio (fitas de Schirmer). A tira é colocada no fórnix conjuntival ventral deixando-a durante um minuto e, posteriormente, observa-se o quanto a fita umedeceu (Figura 12). Durante o exame a cabeça do paciente é contida, mas não deve-se manipular o olho. Bovinos, ovinos, caprinos e eqüinos em geral produzem quantidades abundantes de lágrima ultrapassando 20 a 30mm de umidade em 60 segundos. Valores baixos são indicativos de déficit na produção lacrimal. Valores de referência: entre 15 e 25 mm/min (cães) e 10 a 20 mm/min (gatos).
  • 23. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 19 - FIGURA 12 Desenho representativo da forma correta de utilizar as fitas de Schirmer. 2 - Obtenção de amostras para citologia e cultura A obtenção de amostras da córnea e da conjuntiva para citologia ou cultura deve ser realizada antes da instilação de colírios e corantes, pois podem alterar o resultado do exame. A citologia é indicada em presença de nódulos ou massas, e pode ser feita mediante raspado, após anestesia tópica, com espátula de aço inoxidável (Kimura) ou aspiração com agulha fina. Recomenda-se a cultura em infecções severas, crônicas ou não responsivas ao tratamento. Para tanto utiliza-se swabs umedecidos em solução salina 0,9%. 3 - Exame dos reflexos Este exame tem como objetivo avaliar os reflexos que seguem: - ameaça e o teste da “bolinha de algodão” - luminoso pupilar fotomotor direto e consensual; - palpebral; Completa-se o exame antes de se administrar sedativos ou tranqüilizantes, anestésicos tópicos, midriáticos e bloqueios nervosos regionais, pois eles impedem ou interferem na interpretação dos reflexos. Reflexo de ameaça e o teste da “bolinha de algodão”. O reflexo de ameaça avalia a acuidade visual (nervo óptico e córtex cerebral). Faz se um movimento direto e súbito com a mão no campo visual do olho ipsilateral enquanto
  • 24. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 20 - olho contralateral está coberto. A resposta esperada é o piscar do olho, deve-se tomar cuidado para não deslocar corrente de ar que ativará o reflexo corneano. O nervo óptico é a via aferente e o nervo facial é a via eferente desse reflexo, ou seja, estamos testando o nervo óptico e o nervo facial. Também é necessário que o músculo orbicular do olho esteja funcional. Um animal cego irá piscar com o contato da mão nos pêlos faciais. Pode ocorrer reflexo de ameaça falso negativo em um animal dócil com a visão normal. Esses animais devem ser avaliados deixando cair uma bola de algodão de cima do olho ipsilateral enquanto o contralateral estiver coberto. O olho com visão normal irá acompanhar o trajeto da bolinha de algodão. Quando se suspeita de cegueira unilateral é necessário repetir o exame do labirinto com um olho coberto com uma venda temporária. Todos os procedimentos citados proporcionam uma avaliação grosseira da visão. A eletrorretinografia é um exame funcional sofisticado. Reflexo pupilar fotomotor direto e consensual. O reflexo pupilar fotomotor direto (RPFMd) é obtido incidindo-se uma luz brilhante através da pupila observando-se uma imediata miose daquele olho. Este processo requer: - ativação dos fotorreceptores; - nervo óptico ipsilateral como uma via aferente; - via parassimpática no nervo oculomotor ipsilateral como uma via eferente e o músculo constritor da íris funcional. O reflexo pupilar fotomotor consensual (RPFMc) é provocado observando-se a pupila contralateral enquanto se dirige um foco luminoso brilhante através da pupila ipsolateral. Este exame requer: - ativação de fotorreceptores; - nervo óptico ipsolateral como uma via aferente; - via parassimpática contralateral no nervo oculomotor ipsolateral como uma via eferente; - músculo constritor da íris contralateral funcional. O RPFMc ocorre devido a decussação de algumas fibras do nervo óptico no quiasma óptico e na região pré-tectal. Pode ocorrer em animais cegos que apresentam lesão central, também ocorre quando a doença é retiniana ou do nervo óptico em que permanecem poucos fotorreceptores e axônios do nervo óptico funcionais. Tanto o
  • 25. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 21 - consensual como o direto necessitam poucos fotorreceptores funcionais enquanto a visão necessita de um grande número de fotorreceptores funcionais. Reflexo palpebral Este reflexo é desencadeado quando ocorre um toque no canto temporal e nasal do olho. A resposta normal é uma piscadela, e a falha em piscar indica uma lesão na via nervosa ou no músculo encarregado desse reflexo. Os ramos aferentes para esse reflexo incluem o ramo oftálmico do nervo trigêmeo, a partir do canto nasal, e o ramo maxilar do nervo trigêmeo no canto temporal. O nervo eferente é o ramo auriculopalpebral do nervo facial, também é necessário que o músculo orbicular do olho esteja funcional. 4 - Tonometria. A tonometria é o exame para mensuração da pressão intra-ocular (PIO), que pode estar alterada em algumas doenças oculares. Para isto, anestesia-se a córnea com uma a duas gotas de anestésico tópico e posiciona-se o tonômetro na região central da córnea, enquanto contem-se as pálpebras. Para uma boa mensuração é necessário: - boa contenção da cabeça do animal tomando o cuidado para não fazer pressão sobre as jugulares; - posicionamento cuidadoso do tonômetro e do animal (posicionamento vertical ou horizontal da cabeça); - anestesia da córnea e integridade da córnea. O tonômetro de edentação (Shiötz) é indicado para a mensuração da pressão intra- ocular em pequenos animais, pois estes permitem o posicionamento vertical da cabeça. Para uma estimativa acurada das pressões intra-ocular calcula-se a média de três leituras em cada olho. A média destas leituras é convertida em milímetros de mercúrio (mmHg) em uma tabela que foi elaborada para cães e gatos e que normalmente vem anexada ao tonômetro (Figura 13). A tonometria de aplanação (Tonopem® ), estima a pressão pelo achatamento da córnea. A força desse achatamento é automaticamente convertida em mmHg. O tonômetro é posicionado perpendicularmente à superfície encurvada da córnea onde ocorre uma leve pressão. Faz-se esse movimento durante três vezes e o próprio tonômetro lhe dá a média da pressão com um erro de apenas 5%. O aparelho é caro (Figura 14).
  • 26. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 22 - FIGURA 13 Tonômetro de Shiötz e forma de utilização. FIGURA 14 Tonômetro de Tonopen e forma de utilização.
  • 27. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 23 - 5 - Midriáticos (oftalmoscopia) A midríase é obtida com a administração tópica de um midriático na córnea. A tropicamida 5% é o midriático mais indicado por ter início rápido, curta duração e ausência da cicloplegia (paresia do músculo ciliar). Instila-se uma gota na córnea e repete-se após 10 minutos. Em 20 minutos as pupilas estarão dilatadas e ficam assim por cerca de 4 horas. A dilatação permite o exame das estruturas mais profundas do globo. A sala para esse exame deve ser completamente escura. Um foco luminoso é direcionado para a córnea para avaliar a transparência e a curvatura. A câmara anterior e a íris são examinadas da mesma forma, porém o ângulo do feixe de luz é agudo e obtuso com olho. Para a avaliação da lente e da câmara posterior é necessário um oftalmoscópio direto, transiluminador ou oftalmoscópio indireto e lentes convergentes com dilatação pupilar (midríase). Quando é incidido um feixe de luz em direção ao olho midriático, em um ambiente escuro é possível observar três reflexões: (córnea, cápsula anterior da lente e cápsula posterior da lente). Essas três reflexões permitem ao examinador localizar a posição aproximada da lesão. Por exemplo, uma lesão na cápsula anterior da lente pode alterar a terceira imagem, já uma lesão na córnea altera a visão das duas estruturas subseqüentes (cápsula anterior e posterior da lente). Exame das estruturas do olho com oftalmoscópio direto. Ao iniciar o exame de fundo de olho com o oftalmoscópio direto, a primeira estrutura a ser observada é a retina em dioptria zero. De início o disco óptico deve ser localizado. Observa-se seu contorno, bem como os vasos retinianos à medida que cruzam o disco. Para examinar o fundo de olho, devemos dividi-lo em quadrantes. Em espécies cuja retina é holangiótica (completamente vascularizada), como bovinos, ovinos, caprinos, suínos, cães e gatos os vasos dividem o fundo de olho em quadrantes. A retina dos eqüinos é paurangiótica, o que significa que os vasos estão limitados a periferia do disco óptico, nessa espécie os quadrantes são estabelecidos de forma arbitrária. Examina-se cada quadrante, começando no disco óptico e prosseguindo para fora dos orifícios ciliares da retina. As estruturas a serem examinadas são: retina (normalmente translúcida); vasos sanguíneos retinianos; região tapetal e extra tapetal.
  • 28. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 24 - Quando o fundo de olho for albino é possível observar os vasos da coróide e partes da esclerótica. Após completar o exame fúndico é necessário alterar a dioptria tornando-a mais positiva, tomando o cuidado de manter a mesma distância entre o oftalmoscópio e o animal, possibilitando a visualização das estruturas anteriores (corpo vítreo e lente), onde qualquer alteração observada deve ser anotada em um prontuário. 6 – Corantes Coloração com fluoresceína. Faz se a aplicação da fluoresceína através de um tira de papel ou colírio de fluoresceína. O colírio, após aberto, é meio de cultura para bactérias produtoras de colagenase. Este teste tem como objetivo: - detectar úlceras; - avaliar a integridade da córnea; - determinar a qualidade da película lacrimal; - avaliar a patência do ducto nasolacrimal. A fluoresceína cora primeiramente a película lacrimal, estroma (quando houver lesão) e a conjuntiva bulbar. Quando o epitélio estiver lesado (úlcera de córnea) a fluoresceína irá se ligar ao estroma (segunda camada da córnea), confirmando assim a presença de ceratite e tendo a possibilidade de avaliar a profundidade da lesão (o estroma é hidrofílico e tem afinidade pelo corante de fluoresceína). A fluoresceína é utilizada da seguinte forma: 1 - instile uma gota do corante ou coloque a tira de papel na córnea do olho a ser testado; 2 - aguarde quinze segundos; 3 - remova o excesso do corante com solução fisiológica; 4 - observa-se em sala com pouca luminosidade (escotópica) com a luz azul cobalto ou ultravioleta (lâmpada de Wood). Onde o corante estiver presente é o local da lesão. Com o mesmo corante procede-se o teste de Robert Jones. Instila-se o colírio na córnea e, se o ducto estiver patente, observa-se o corante na narina ipsilateral ou na língua dentro de três a cinco minutos.
  • 29. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 25 - Coloração com rosa bengala. O corante de rosa bengala, que é vendido em colírio ou tiras, é um corante supravital utilizado para corar tecidos necróticos ou células epiteliais em degeneração. O colírio é aplicado sobre a córnea e logo em seguida o olho é lavado exaustivamente. Quando o corante impregna na córnea é porque existe lesão. Ele é mais sensível que o teste de fluoresceína, pois cora células epiteliais desvitalizadas. O corante causa grande desconforto ocular. 3.3. Procedimentos específicos Dentre eles podemos citar a gonioscopia (para avaliação direta e indireta do ângulo iridocorneal); biomicroscopia com lâmpada de fenda (permite um exame abrangente do segmento anterior, obtendo-se uma imagem aumentada da córnea, íris, câmara anterior e posterior da lente e do vítreo anterior); paracentese da câmara anterior (obtenção de humor aquoso para exames, principalmente a citologia); eletrorretinografia (para avaliar a função da retina) e ultra-sonografia (útil no diagnóstico de neoplasias, hemorragias, luxações de lentes, descolamento de retina, entre outros). Sondagem do ducto nasolacrimal. O sistema de drenagem da lágrima do olho é composto por dois pontos (inferior e superior) localizados no canto medial de cada olho, e na seqüência o ducto propriamente dito. A gravidade e uma certa pressão negativa exercida pelo músculo orbicular do olho faz com que a lágrima flua do saco lacrimal até o ponto nasal. Quando o animal apresenta epífora crônica é necessário a canulação e irrigação deste ducto. Faz-se necessário anestesiar as conjuntivas, os canalículos e o ducto nasolacrimal com solução tópica anestésica. A irrigação pode ser normógrada (pequenos animais) ou retrógrada (grandes animais). Em pequenos animais pode se utilizar uma cânula lacrimal curva ou um cateter intravenoso de calibre 20 a 24 sem o mandril. Após a adaptação da sonda, deve-se injetar, com auxílio de uma seringa, solução fisiológica ou colírio até que o líquido saia na narina.
  • 30. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 26 - MÓDULO II - Cílios, pálpebras, aparelho lacrimal e conjuntivas Capítulo 3 - Doenças clínicas e cirúrgicas dos cílios Os cílios são estruturas que promovem a defesa ocular, e que estão diretamente associados na promoção da integridade visual. As alterações que envolvem os cílios causam desconforto ocular, uma vez que atritam diretamente com a córnea. As três principais afecções observadas nos cílios são anormalidades congênitas. Cílio ectópico: cílio adicional emergindo através da conjuntiva a partir das glândulas de meibômio (Figura 15). FIGURA 15 Representação esquemática de cílio ectópico. Distiquíase: cílios adicionais emergindo das aberturas das glândulas de meibômio (Figura 16). FIGURA 16 Representação esquemática de distiquíase.
  • 31. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 27 - Triquíase: cílios e/ou pêlos faciais (localização normal) direcionados à córnea e conjuntiva (Figura 17). FIGURA 17 Representação esquemática de triquíase. Na anamnese é importante estar atento ao que se relata como desconforto visual, vermelhidão e prurido. Para identificar essas afecções ciliares é recomendado um criterioso exame oftálmico. Doenças perioculares, posição, movimentos e conformação ocular devem ser avaliados. Os cílios são melhores observados com uso de magnificação, como a lupa de pala. Através do exame oftálmico detalhado é possível encontrar sinais clínicos como epífora e blefarospasmo, secreção, edema, vascularização, pigmentação e úlcera córnea. O diagnóstico é clínico e baseia-se nos achados na anamnese e exame físico. O tratamento está intimamente ligado ao grau de dano nas estruturas oculares, e a correção pode ser feita através de procedimentos clínicos e/ou cirúrgicos. Os cílios ectópicos deverão ser removidos cirurgicamente. Obrigatoriamente o folículo piloso também deverá estar incluso nesta ressecção. Para distiquíase, que pode causar danos irreversíveis às estruturas oculares, recomenda-se realizar procedimentos como epilação mecânica, microcrioepilação ou ressecção parcial da placa tarsal, o procedimento escolhido dependerá da severidade do caso (Figura 18). A microcrioterapia é feita com equipamento específico.
  • 32. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 28 - FIGURA 18 Microcrioepilação para triquíase e distiquíase em desenho esquemático. Para a correção da triquíase indica-se, além da microcrioepilação, a técnica de Stades, que consiste em remover um segmento de pele envolvendo os pêlos faciais que tocam a córnea. A incisão é suturada parcialmente (Figura 19). FIGURA 19 Técnica de Stades em desenho esquemático. Ressecção cutânea sutura.
  • 33. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 29 - Capítulo 4 - Doenças congênitas, estruturais e inflamatórias das pálpebras As pálpebras e seus anexos realizam várias funções, dentre elas a defesa contra agentes externos e o espalhamento do filme lacrimal, evitando assim o ressecamento da córnea. Devido a essas propriedades funcionais das pálpebras e anexos (cílios), é importante estar atento as afecções existentes, visto que anormalidades nessas estruturas podem determinar a ocorrência de doenças na superfície ocular. As afecções palpebrais serão abordadas em dois capítulos. Neste primeiro trataremos das desordens que se referem a alterações congênitas, estruturais e inflamatórias como: coloboma, anquiloblefaro, entrópio, ectrópio e blefarites. Coloboma palpebral É o desenvolvimento incompleto da margem palpebral. Esta afecção é de origem hereditária. A partir da anamnese e do exame físico é possível encontrar os seguintes sinais clínicos: dor, conjuntivite, ceratite e outras afecções congênitas. No tratamento do coloboma é indicada a utilização da técnica da Robert e Bistner (pedículo de pele, músculo orbicular e placa tarsal), que consiste basicamente em desenvolver um pedículo de pele e transferi-lo para região que não foi formada completamente. Anquilobléfaro (oftalmia neonatal) Refere-se à união entre as margens palpebrais superior e inferior. Considera-se de 10 a 14 dias o tempo normal de abertura das pálpebras em cães e gatos. Portanto, são anquilobléfaros fisiológicos até esta idade. Algumas vezes, desenvolvem-se infecções no saco conjuntival antes das pálpebras abrirem (oftalmia neonatal). Normalmente esta afecção é decorrente de infecções intra-uterinas. As pálpebras assumem aspecto edemaciado e pode haver pequena quantidade de material purulento saindo pelo canto nasal. Esta condição deve ser tratada através de abertura das pálpebras ao longo da linha de fusão utilizando pressão digital ou uma tesoura oftálmica. É recomendado colírio ou pomada de antibióticos como a gentamicina ou tobramicina, BID ou QID, durante sete
  • 34. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 30 - dias, e limpeza com cloreto de sódio 0,9% várias vezes ao dia. Em uveítes associadas recomenda-se atropina colírio BID por três dias e antiinflamatório sistêmico por 10 dias. Entrópio Esta afecção ocorre quando as pálpebras, superior ou inferior, apresentam introversão (viradas para dentro), como mostra a Figura 20. É comum em cães e provavelmente hereditária em algumas raças. FIGURA 20 Entrópio em desenho esquemático. Observe a introversão da pálpebra inferior. O início do aparecimento difere entre as raças. Os Shar Peis podem desenvolver entrópio logo após a abertura das pálpebras e esta condição pode ser revertida com eversão temporária “suturas de alinhavamento”. Algumas raças como Retrievers, desenvolvem entrópio em idade posterior. A afecção pode ser estudada em categorias, isso ocorre devido o entrópio possuir diferentes origens. Podem ser dividido nas seguintes classes, de acordo com a origem: - Congênito (primário ou anatômico): quando a origem é hereditária. Sabe-se que existem raças mais predispostas a entropia congênita, comum em gatos Persas e cães das raças Shar Pei, Chow-chow, Labrador, São Bernardo, e Dobermann; - Espástico: relacionados a processos dolorosos (úlceras de córnea). O excesso de movimento palpebral (blefarospasmo) causa espasmo do músculo orbicular. Este tipo de entrópio pode ser diagnosticado com reversão, através do uso de colírio anestésico;
  • 35. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 31 - - Adquirido (cicatricial): seqüela de enoftalmo, cicatrizes de conjuntiva ou pálpebras. Os sinais clínicos aparecem em decorrência do contato dos pêlos palpebrais e cílios com a córnea, causando dor, desconforto, lacrimejamento, blefarospasmo e até ceratite. No exame físico são encontrados sinais clínicos que sugerem a doença, como epífora, blefarospasmo, fotofobia, secreção e alterações corneais. O diagnóstico é clínico e baseia-se nos achados da anamnese e exame oftálmico. É importante avaliar o olho sem e com anestesia tópica. Muitas vezes o entrópio espástico pode ser um componente parcial da inversão palpebral, nas situações onde o entrópio congênito ou adquirido cause dor. Após a administração do anestésico, restará apenas o componente anatômico (primário). Para entrópio espástico, basta tratar a causa. Para o congênito e adquirido, o mais indicado é a ressecção músculo cutânea (Hotz-Celsus), não esquecendo alguns passos importantes que devem ser seguidos, como: incisão inicial a 3 mm do tarso palpebral, promover leve hipocorreção (durante a cicatrização ocorre contração da pálpebra), secção da pele e músculo orbicular do olho e para finalizar a sutura deve ser iniciada no centro da ferida. A técnica consiste na retirada de pele em meia-lua abaixo ou acima do entrópio. A sutura inicia-se no centro da incisão para melhor acabamento. Recomenda-se fio seda ou monáilon 4-0. O proprietário deve ser conscientizado em relação a recidivas. No pós- operatório tratam-se distúrbios relacionados, e, caso não existam, pomada antibiótica TID durante sete dias (Epitezan® ou Regenon® ), e uso de colar protetor (Figura 21). FIGURA 21 Representação esquemática da ressecção músculo cutânea (Hotz-Celsus). Em cães jovens, sobretudo os Shar Peis, deve-se evitar a ressecção cutânea inicialmente. Recomendam-se “suturas de alinhavamento”, que, em algumas vezes podem solucionar o problema (Figura 22).
  • 36. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 32 - FIGURA 22 Representação esquemática da técnica do pregueamento cutâneo para filhotes. Esta técnica é indicada quando os cães ainda não atingiram a maturidade facial. Empregam-se suturas de Wolff ou interrompida simples com ou sem captons e fios de mononáilon, iniciando a cerca de 3 mm da margem palpebral. A sutura deverá ser refeita aproximadamente a cada 30 ou 45 dias até se decidir pelo procedimento definitivo ou até mesmo avaliar como não necessário a técnica de Hotz-Celsus. Pode ocorrer em determinadas raças o entrópio da prega nasal, sendo mais comum o aparecimento da afecção em Pequinês, Pug, Bulldog e demais braquicefálicas. Os sinais clínicos são idênticos aos cães acometidos com entrópio palpebral. O tratamento recomendado é a remoção parcial ou total da prega (Figura 23) nasal, a técnica varia de acordo com a severidade do entrópio. FIGURA 23 Correção do entrópio da prega nasal. Ressecção das dobras nasais e sutura
  • 37. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 33 - Ectrópio Ectrópio refere-se à eversão das margens palpebrais e acontece principalmente na pálpebra inferior (Figura 24). É comum nas raças São Bernardo, Cocker, Buldogue, Basset Hound, entre outras. Em geral é congênito, mas pode ocorrer em resposta a formação de tecido cicatricial. Na maioria dos casos não necessita de tratamento cirúrgico, exceto naqueles pacientes que apresentam ceratite e/ou conjuntivite crônica que não respondem a tratamento médico. FIGURA 24 Ectrópio em representação esquemática. Note a eversão da pálpebra inferior. Os sinais clínicos encontrados no exame oftálmico são epífora, conjuntivite, secreção e alterações corneais. Pelo fato da afecção apresentar sinais clínicos muito parecidos com outras doenças palpebrais o diagnóstico torna-se clínico, baseado na anamnese e exame físico. A técnica de Kuhnt-Hembolt (V-plastia) é simples e opção eficiente para tratamento de ectrópio. Consiste em remoção de um triângulo de pele lateral ou medial a área afetada em espessura total. A base do triangulo ficará voltada para o tarso palpebral. Sutura-se a conjuntiva com poligalactina 910 5-0 e para pele recomenda-se fio seda ou monáilon 4-0 (Figura 25).
  • 38. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 34 - FIGURA 25 Procedimento de Kuhnt-Hembolt modificado ou V-plastia para ectrópio. Diamond eye A expressão “Olhos de Diamante” ou em inglês Diamond eye refere-se a duas afecções associadas, entrópio combinado com ectrópio. As causas podem ser variadas, porém as causas mais comuns são: tamanho reduzido do bulbo do olho, enoftalmia, fraqueza do músculo retrator lateral, pregas faciais e pavilhão auricular pendular. A cantoplastia lateral de Wyman é técnica indicada para o tratamento do Diamond eye (Figura 26). Consiste na ressecção de um fragmento de pele do canto nasal incluindo parte da pálpebra. Após a ressecção da pele, as pálpebras são unidas com um ponto de sutura, o tecido subcutâneo é suturado com fio Cat gut 2.0, por último, completa-se a dermorrafia com fio mononáilon 3.0
  • 39. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 35 - FIGURA 26 Representação esquemática da técnica de correção o Diamond eye. A - Incisão e remoção da pele. B – Sutura. Blefarites Blefarites referem-se às várias condições inflamatórias das pálpebras. As causas variam de acordo com o agente patogênico, estando geralmente relacionados a doenças infecciosas, parasitárias, seborreicas, alérgicas e imunomediadas. Estas afecções são clinicamente caracterizadas por prurido, secreção ocular, desconforto, hiperemia e muitas vezes com aparecimento de edema. O diagnóstico consiste na identificação do fator gênico que está promovendo o aparecimento da afecção O tratamento varia de acordo o agente causador, basicamente as blefarites são tratadas com o uso de pomadas oftálmicas (neomicina, bacitracina e polimixina B, cloranfenicol), xampus neutros infantis diluídos (5 a 10 vezes em NaCl 0,9%), antibióticos e antiinflamatórios sistêmicos e caso necessário antiinflamatório tópico. Devido a essas variações as blefarites podem ser classificadas em classes de acordo com o agente. - Blefarite alérgica: normalmente esta condição é uma manifestação clínica de atopia. Observa-se edema palpebral pruriginoso e raramente doloroso. O tratamento recomendado baseia-se no uso de compressas frias, anti- histamínicos como a difenidramina (Benadril® - FH), 2 a 4 mg/kg, VO, BID a QID), e glicocorticóides sistêmicos como prednisona, 0,5 a 1,0 mg/Kg, VO, SID a BID) e tópicos como prednisona (Pred fort® - FH), 1 gota/TID. A terapia deve ser descontinuada
  • 40. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 36 - gradativamente, pesquisando a menor dose efetiva para manutenção. Tratar a causa primária é fundamental, para tanto, o tratamento da atopia é fundamental. - Blefarite bacteriana: esta condição é causada pela infestação de bactérias patológicas, que podem diferir entre os animais jovens e adultos. Em filhotes, blefarite purulenta ocorre como parte da piodermite juvenil. Há dor considerável e secreção purulenta. Staphylococcus e Streptococcus sp. são os mais envolvidos nas blefarites bacterianas entre os adultos. Nos casos agudos pode se observar hiperemia, crostas e secreção, já nos crônicos, é comum fibrose, alopecia e ulceração. Para o tratamento, são recomendados antibióticos sistêmicos com base em cultura e antibiograma. Pode-se iniciar o tratamento com cefalexina por no mínimo 21 dias. Orienta-se fazer uma limpeza cuidadosa das margens palpebral e remoção de exsudatos purulentos. Casos agudos podem ser tratados com antibióticos tópicos (ciprofloxacina ou tobramicina colírio), e os crônicos, além da tópica, recomenda-se terapia sistêmica. Preconiza-se ainda o uso de colar protetor devido à afecção ser altamente pruriginosa, podendo ocorrer automutilação. - Blefarite micótica: é a infecção palpebral por Microsporum e Tricophyton sp. ocorre como parte de problema dermatológico. A alopecia em expansão, descamação e hiperemia são os aspectos clínicos, e o diagnóstico é baseado em fluorescência por lâmpada de Wood e / ou cultura. O tratamento é feito com pomadas de miconazol ou clotrimazol, evitando o contato com a córnea. Infecções persistentes e/ou profundas podem ser tratadas com griseofulvina ou cetoconazol sistêmicos em doses convencionais. - Blefarite parasitária: tanto a demodiciose quanto a escabiose, causadas respectivamente por Demodex canis e Sarcoptes scabiei, podem afetar as pálpebras. As lesões caracterizam-se por hiperemia e prurido (escabiose), complicadas por infecções bacterianas e autotraumatismo. A demodiciose localizada tende a ser restrita a face, com envolvimento palpebral, e é mais comum em cães jovens. A regressão espontânea pode ocorrer, mas retenona tópica e ungüento oftálmico de isoflurofato podem ser usados. O peróxido de benzoíla em gel (Benzac ® - FH) pode ser friccionado nas pálpebras a cada 12h evitando o contato com a córnea. Em casos generalizados pode-se associar banhos de amitraz a cada três
  • 41. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 37 - dias ou moxidectin (Cydectin 1%) na dose de 0,5mg/Kg/VO a cada 72h até a obtenção de dois raspados cutâneos negativos. A escabiose causa prurido intenso, com várias partes do corpo envolvidas além das pálpebras. O tratamento é feito juntamente com a terapia cutânea, sendo os banhos com amitraz e moxidectina bastante eficientes. Calázio Esta afecção é resultado da inflamação das glândulas tarsais. Acontece principalmente em animais jovens. A infecção é contida profundamente na placa tarsal, e o aumento de volume é visto distendendo à conjuntiva palpebral. O termo calázio denota a formação granulomatosa como resultado de secreções tarsais retidas nas glândulas. Para o diagnóstico observa-se durante a inspeção uma massa amarelo-acizentada, firme e não dolorosa à palpação. Diferencia do hordéolo pela consistência e ausência de sensibilidade dolorosa. O tratamento é cirúrgico (Figura 27). Pratica-se imobilização da área com pinça de Calázio, incisa-se com bisturi, e procede-se curetagem do tecido com material apropriado (cureta). Recomendam-se antibióticos e antiinflamatórios tópicos como gentamicina e dexametasona por um período de 7 a 10 dias. FIGURA 27 Representação da remoção do calázio. Após a incisão, o tecido é removido com cureta
  • 42. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 38 - Hordéolo Refere-se à inflamação, infecção e abscesso das glândulas de Zeis ou de Moll (hordéolo interno) ou das glândulas tarsais (hordéolo externo). Existe sensibilidade dolorosa à palpação, e não forma uma massa tão evidente como aquela formada no calázio. É possível observar conjuntiva hiperêmica e discreto aumento de volume palpebral. O tratamento envolve o uso de compressas quentes, drenagem do abscesso e possível pressão manual das lesões sob anestesia tópica e antibióticos tópicos.
  • 43. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 39 - Capítulo 5 – Doenças traumáticas e neoplasias das pálpebras As condições traumáticas e neoplásicas exigem porcedimentos reconstrutivos. O conhecimento da anatomia e fisiologia palpebral é fundamental para preservar a funcionalidade destes anexos. Laceração palpebral As afecções traumáticas são relativamente comuns, principalmente em cães. Ocorrem por diferentes causas, freqüentemente é devido a brigas, mordidas, arranhões ou em acidentes automobilísticos. É importante nesses casos avaliar as extensões das lacerações, determinar o grau de infecção e se possível determinar o tempo ocorrido do acidente. No tratamento é recomendada a limpeza abundante com solução de cloreto de sódio 0,9%, depilação da área afetada deixando no mínimo uma margem de três centímetros. Em alguns casos a correção é clínica, mas geralmente a correção torna-se cirúrgica devido a uma grande perda de tecido local, principalmente em brigas. Caso seja necessária a reconstrução cirúrgica, esta deve ser realizada o mais rapidamente possível, estando atento entre a relação da margem palpebral e superfície ocular quando realizar a sutura para evitar a ocorrência de ectrópio ou entrópio cicatricial. Fio de poliglactina 910 diâmetro 4.0 a 6.0 são os mais recomendados para suturar a conjuntiva. Para pele o mononáilon 4.0 é apropriado. O primeiro ponto de sutura proximal ao tarso e deve ser executado de forma que as pontas do fio não atritem a córnea conforme a Figura 28. É indicado o uso de antibioticoterapia tópica e sistêmica associado a analgésicos. FIGURA 28 Representação da disposição da sutura em lacerações palpebrais (sutura em “8”).
  • 44. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 40 - Neoplasias palpebrais A pálpebra é local comum de formação neoplásica em cães idosos não havendo uma típica predisposição racial. A maioria das neoplasias palpebrais na espécie canina é benigna, sendo o adenoma sebáceo, a neoplasia mais comum. Já na espécie felina as neoplasias em geral costumam ser malignas. As neoplasias mais comuns na espécie canina são: adenoma sebáceo, adenocarcinoma sebáceo, melanoma, histiocitoma e papiloma. Em felinos, a neoplasia palpebral mais freqüente é o carcinoma de células escamosas, carcinoma de células basais e também podem ocorrer fibrossarcoma e mastocitoma. As causas são desconhecidas. Os sinais oftálmicos podem ser variáveis. A identificação pode ser feita através da visibilização, devido o surgimento de massas nas pálpebras, o que irá depender muito do tamanho do tumor. O diagnóstico é baseado na localização e aparência da massa e a confirmação é feita mediante citopatologia. O material pode ser colhido através de aspiração com agulha fina ou encaminhamento de toda a massa após excisão completa. Para o tratamento de tumores é indicado à ressecção cirúrgica associada quimioterapia em alguns tipos de neoplasias como mastocitomas. A técnica usada é a blefaroplastia, que consiste na remoção da massa e reconstrução da pálpebra. Contudo, os tumores palpebrais devem ser removidos antes de alcançarem tamanhos consideráveis, o que exigiria uma remoção radical, necessitando procedimentos de blefaropoiese. Tumores que envolvam mais que um terço da extensão palpebral necessita procedimentos de reconstrução palpebral (Figura 29), já os menores, podem ser excisados e suturados por primeira intenção (Figura 30).
  • 45. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 41 - FIGURA 29 Retalho de avanço/adiantamento para lesões de espessura facial. FIGURA 30 Desenho esquemático ilustrando ressecção palpebral. A técnica é indicada em pequenos tumores palpebrais como demonstra a figura. A Quadro 01 fornece a classificação histogênica das principais neoplasias oculares que acometem cães e gatos (BEDFORD, 2000). QUADRO 01: Classificação histogênica das neoplasias. CLASSIFICAÇÃO HISTOGÊNIA Adenoma 29 – 60% Melanoma benigno 13 – 18% Papiloma escamoso 11 – 17% Adenocarcinoma 2 – 15% Melanoma maligno 2,8 – 8% Histiocitoma 1,6 – 3,5% Mastocitoma 1 – 2,5% Carcinoma basocelular 1 – 2,5% Carcinoma epidermóide 1 – 2% Outros 1 – 5%
  • 46. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 42 - Capítulo 6 – Terceira pálpebra e ducto nasolacrimal Terceira pálpebra A terceira pálpebra é uma estrutura de proteção móvel, localizada entre a córnea e a pálpebra inferior, na porção nasal do saco conjuntival inferior. Além de proteção, a glândula localizada na sua base produz lágrima e ainda participa da atividade imunológica do olho. As duas afecções mais comuns da terceira pálpebra e sua glândula são a eversão da cartilagem e a hiperplasia/hipertrofia da glândula da terceira pálpebra. Eversão da cartilagem A eversão da terceira pálpebra, refere-se ao enrolamento da margem da membrana em decorrência da curvatura anormal da porção vertical de “T” cartilaginoso é um distúrbio congênito que ocorre devido a uma má formação da cartilagem da terceira pálpebra. O Pointer é uma raça predisposta, mas pode ocorrer em qualquer raça. A principal complicação clínica é a conjuntivite crônica com secreção ocular devido à exposição da mucosa conjuntival. Pode ocorrer ceratite e ulceração corneal. O tratamento é feito mediante a remoção de um fragmento do braço vertical do “T” cartilaginoso (Figura 31), isso permite a terceira pálpebra se acomodar em sua posição anatômica. Nesta técnica, a conjuntiva é aberta com pequena incisão e um fragmento de 2mm do braço vertical T é removido. Não é necessário suturar a conjuntiva. FIGURA 31 Cirurgia para eversão da cartilagem mostrada em desenho esquemático.
  • 47. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 43 - Protrusão da glândula da terceira pálpebra (Cherry eye) A protrusão ocorre geralmente por hiperplasia/hipertrofia da glândula, apresenta uma aparência não atrativa e pode causar irritações e inflamações oculares (Figura 32). A deficiência do tecido conectivo na periórbita pode levar a exposição da glândula lacrimal, inflamação, hiperplasia e hipertrofia. Esta afecção pode ser unilateral ou bilateral e ocorre com maior freqüência em cães com até dois anos 2 anos de idade (entre três e seis meses é mais comum). O Cocker Spaniel, Bulldog Inglês, Shar Pei e Mastiff são raças predispostas. Em gatos a doença é rara. Os sinais mais observados são massa avermelhada no canto medial, hipertrofia glandular, prejuízo à produção lacrimal, conjuntivite crônica e secreção ocular. A remoção da glândula, procedimento muitas vezes executado, pode causar a ceratoconjuntivite seca (CCS) em indivíduos predispostos. Como esta glândula contribui com cerca de 30 a 40% do filme lacrimal, contra-indica-se sua remoção. O tratamento pode ser médico ou cirúrgico. O tratamento médico é feito à base de antibiótico e antiinflamatório, onde normalmente a glândula reduz bastante, mas dificilmente fica imperceptível. O tratamento cirúrgico consiste na reposição da glândula através de várias técnicas. As Figuras 33 e 34 demonstram o procedimento. A sutura é empregada com fio poligalactina 910 em padrão contínuo simples. As principais envolvem o sepultamento da glândula, através de suturas, e ancoragem da glândula no periósteo da órbita. A técnica usada rotineiramente no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná – Campus Palotina é o reposicionamento da glândula em um “bolso” criado pela conjuntiva da 3ª pálpebra descrita por MORGAN (1993). Quando não há úlcera de córnea, recomenda-se corticoterapia com prednisona colírio (uma gota a cada 8h) cinco dias antes do procedimento cirúrgico, continuando por sete dias no pós-operatório. A corticoterapia prévia reduz a inflamação e facilita o procedimento, preconiza-se colar elisabetano e antiinflamatório não esteroidal sistêmico por cinco dias. Antibioticoterapia tópica fica na dependência do desenvolvimento de infecções.
  • 48. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 44 - FIGURA 32 Paciente felino apresentando protrusão da glândula da terceira pálpebra. FIGURA 33 Técnica da bolsa de fumo de Moore para protusão da glândula da terceira pálpebra em corte sagital. FIGURA 34 Técnica da bolsa de fumo de Moore para protusão da glândula da terceira pálpebra em vista frontal
  • 49. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 45 - Ducto nasolacrimal As alterações do ducto nasolacrimal produzem freqüentemente epífora (fluxo exagerado de lágrima) por deficiência de drenagem. Isso pode ser decorrente de dacriocistite, tortuosidades ou não-perfuração do ponto lacrimal. Dacriocistite É a inflamação e obstrução do ducto nasolacrimal. Pode ocorrer devido obstrução por corpos estranhos principalmente em ductos tortuosos em pacientes braquicefálicos. O diagnóstico é feito mediante observação dos sinais clínicos (secreção e pêlos faciais manchados, acúmulo de material purulento no canto medial e dor), e através do teste de Schirmer (aumentado) e teste de Robert Jones com fluoresceína (o corante não sai pela narina num período de 3 a 5 minutos). Nestes casos, indica-se a desobstrução do ducto nasolacrimal. A desobstrução deve ser procedida com fio de náilon ou sondas apropriadas para lavagem do ducto. O procedimento é feito sob anestesia tópica ou geral. Pode-se adaptar um cateter número 20 ou 24 que deve ser inserido em um dos pontos lacrimais. Enquanto injeta-se NaCl 0,9% com uma seringa de 5 a 10 mL, faz pressão simultânea no ponto lacrimal não canulado, forçando a saída da solução pela narina (Figura 35). Prossegue-se com associação de corticóide e antibiótico em forma de colírio por sete a dez dias. Recomenda-se a administração de antibiótico pela via sistêmica como espiramicina e metronidazol por 7 a 10 dias ou tilosina na dose de 15 mg/Kg a cada 15 dias (quatro doses). FIGURA 35 Desobstrução do ducto em desenho esquemático.
  • 50. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 46 - Epífora (dacriocistocromorréia) É uma afecção comum principalmente em cães braquicefálicos (Poodle, Shih Tzu, Lhasa Apso entre outros). Ocorre por deficiência na drenagem do filme lacrimal e extravazamento de lágrima pelo canto nasal. Clinicamente observa-se secreção lacrimal e coloração marrom dos pêlos na região. Dentre as causas mais comuns, relacionam–se o lago lacrimal raso, entrópio inferior de canto medial e triquíase. A obstrução do ducto, comentada anteriormente, agenesia de puncta e estenose de pontos lacrimais também podem estar relacionados à epífora. Nestes casos, o teste de Jones tem valor excludente. O tratamento está relacionado à correção da causa. Como as causas são variadas, dificilmente obtem-se cura completa. Pode-se, alternativamente, manter pêlos curtos e fazer limpeza freqüente. Para agenesia de ducto, pode-se proceder a técnicas de neoductos. As várias técnicas descritas consistem basicamente na criação de um trajeto óculo-nasal usando uma sonda para leito de cicatrização. Esta sonda pode ser adaptada com uma sonda tipo Tom cat para gatos e uretral número 6 para cães. Em ambas as situações deverão ser usados colírios de antibióticos e antiinflamatórios no pós-operatório. O uso de ácido acetilsalisílico (10 a 20 mg/Kg a cada 8h para cães e 10 mg/Kg a cada 48 horas para gatos) por um período de até 21 dias, reduz a estenose cicatricial e mantém a patência do neoducto.
  • 51. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 47 - Capítulo 7 – Conjuntiva A conjuntiva é a membrana mucosa móvel que recobre as superfícies internas das pálpebras, superfícies interna e externa da terceira pálpebra e a porção anterior do globo ocular, adjacente ao limbo. A principal afecção da conjuntiva é a conjuntivite. Conjuntivite em cães O termo conjuntivite descreve a inflamação inespecífica da conjuntiva bulbar e ou palpebral e pode ser desencadeada por vários agentes. Em cães, as conjuntivites são normalmente secundárias. Geralmente não há uma doença primária de conjuntiva que determine o processo. Os principais sinais observados em conjuntivites agudas são hiperemia conjuntival, quemose, lacrimejamento e presença de exsudato. Presença de Folículos linfóides hiperplásicos e espessamento de conjuntiva são sinais mais comuns nas conjuntivites crônicas. A seguir, listam-se algumas situações que podem desenvolver conjuntivite secundária: Substâncias químicas irritantes Neste grupo é comum o contato com produtos de limpezas e conservantes de alguns colírios. Torna-se imprescindível a avaliação da córnea em busca de lesões. O diagnóstico é firmado pelo histórico e sinais clínicos, e o tratamento, é baseado em limpeza exaustiva do olho com NaCl 0,9%, colírios de antiinflamatórios esteroidais por 7 a 10 dias e antibiótico (colírio ou pomada) em casos de infecção bacteriana secundária. Reações de hipersensibilidade do tipo I, II, III e IV Em razão da posição exposta do saco conjuntival e conteúdo do tecido linfóide, a conjuntivite alérgica freqüentemente ocorre após a entrada de antígenos para o interior do saco conjuntival. A resposta é desencadeada por vários tipos de antígenos como pólen, poeira, picadas por insetos, toxinas bacterianas, e pode ocorrer em todas as espécies. Os sinais clínicos são: hiperemia, quemose, prurido, crostas e folículos conjuntivais. O diagnóstico pode ser formulado com o histórico do animal, exame físico, testes intradémicos, citologia e biópsia. O tratamento consiste na administração de corticosteróides tópicos e sistêmicos, anti-histamínicos tópicos, antibióticos para infecção
  • 52. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 48 - bacteriana secundária, tratamento dos sinais clínicos e evitar um novo contato com os alérgenos. São frequentemente associados a atopia, pênfigo foliáceo ou eritematoso e outras dermatopatias alérgicas. Em longo prazo pode-se utilizar colírio de ciclosporina de 0,2 a 1%. Irritação mecânica Anormalidades palpebrais, déficit lacrimal, estado imune, fatores irritantes e dermatopatias. O diagnóstico é baseado pelo exame ocular, avaliação das pálpebras, do sistema nasolacrimal, realização do teste de Schirmer e teste de Robert Jones. O tratamento baseia-se na correção da causa determinante e administração de colírio de glicocorticóide. Dentre as conjuntivites de causas primárias as bacterianas (Staphylococcus sp. e Streptococcus sp.) e viral, causada pelo vírus da cinomose, são as mais comuns. Para o tratamento das conjuntivites bacterianas recomenda-se antibióticos de amplo espectro, bacitracina, neomicina e polimixina B (para as bactérias Gram-positivas), e cloranfenicol, gentamicina e tobramicina (para as bactérias Gram-negativas), deve-se também remover as crostas e exsudatos com algodão úmido embebido em solução salina ou com materiais comerciais para a limpeza do olho, extravasar as glândulas tarsais em casos crônicos, antibioticoterapia sistêmica em casos graves ou crônicos ou se a conjuntivite for secundária a piodermite ou seborréia. Recomenda-se colar elisabetano para prevenção da automutilação. Na cinomose, a conjuntivite está quase sempre presente nos estágios iniciais. Causa eritema grave, secreção serosa combinada com tonsilite, faringite, pirexia, anorexia e linfopenia, principalmente em filhotes, o antígeno viral pode ser detectado por métodos imunológicos ou reação em cadeia da polimerase (PCR). O tratamento é embasado na administração de antibióticos tópicos e sistêmicos, soluções repositórias de lágrima, remoção das crostas e terapia para doenças sistêmicas. Conjuntivite em gatos Diferente do que ocorre em cães a conjuntivite em gatos geralmente é desencadeada por causas primárias (vírus ou bactérias), sendo assim, o uso de glicocorticóides geralmente é contra indicado. Os agentes causadores do complexo
  • 53. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 49 - respiratório superior felino (herpes vírus, clamídia e micoplasma) são frequentemente associados à conjuntivite felina. Chlamydia psittaci A Chlamydia psittaci (bactéria) causa conjuntivite significativa em gatos, e há um potencial zoonótico. Esta doença inicialmente unilateral pode atingir o olho contra lateral em até sete dias, a quemose é marcante e pode estar associada a rinite. Os principais sinais oculares dessa doença são conjuntiva rosa-acinzentada, epífora purulenta, hiperplasia conjuntival e formação dos folículos linfóides. O diagnóstico é formulado pelos sinais clínicos, histórico do animal, cultura e teste de PCR, raspado de células epiteliais e a demonstração de corpos elementares intracitoplasmáticos. A doença responde bem ao tratamento com cloranfenicol ou tetraciclina (colírio ou pomada a cada 8h por 21 a 30 dias) e em casos severos ou para eliminar o estado de portador, deve-se associar a doxiciclina na dose de 5 mg/Kg a cada 12 h por 30 dias. Herpes vírus felino 1 (HVF-1) É a causa mais comum de conjuntivite em gatos. O dano ao tecido ocorre devido à lise celular quando o vírus deixa a célula. A manifestação clínica depende da idade do animal e de sua competência imunológica, sendo mais grave em filhotes que sofrem uma infecção primária. Em filhotes a replicação viral é intensa e pode determinar o desenvolvimento da oftalmia neonatal (a Clamídia também pode estar presente). Nos gatos jovens a infecção manifesta-se geralmente de forma bilateral, sendo comum a infecção concomitante do trato respiratório superior, com sinais de espirros e secreção serosa nasal. Também é possível o desenvolvimento de úlceras dendríticas, que são observadas com colírio de rosa bengala. Nos casos mais crônicos, a conjuntivite pode desenvolver simbléfaro. Em animais adultos ocorre mais comumente a manifestação unilateral da doença não sendo obrigatória a presença concomitante de sinais de replicação viral no trato respiratório superior. O diagnóstico dessa doença se dá pelo isolamento do antígeno viral, pela fluorescência indireta e pelo teste de PCR. O tratamento consiste na administração de pomadas de antivirais como idoxuridina, trifluridina ou aciclovir (a cada 12h por 21 dias) e tratamento convencional para úlcera de córnea (de preferência para antibióticos a base de cloranfenicol ou tetraciclina). Estudos demonstram bons resultados com interferon alfa
  • 54. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 50 - 10.000 UI/mL, a cada 8h tópico e L-lisina, 230 a 500 mg, por via oral, a cada 12h por 30 dias. Mycoplasma felis É uma bactéria da microbiota conjuntival dos gatos e pode ocorrer de forma oportunista ou secundária a outras conjuntivites como as anteriormente citadas. A cronicidade resulta em espessamento da conjuntiva e formação de pseudomembrana. O diagnóstico definitivo necessita de cultura. O Tratamento pode ser feito com pomadas ou colírios de tetraciclina, cloranfenicol ou gentamicina a cada 6h por 21 a 30 dias. Conjuntivites secundária em gatos estão mais associadas a alterações palbebrais ou deficiências do filme lacrimal.
  • 55. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 51 - MÓDULO III - Afecções da córnea Capítulo 8 – Ceratites ulcerativas A córnea possui características peculiares com importância cirúrgica prática, o que inclui ser transparente, brilhante, lisa e avascular. A ceratite ulcerativa é uma das mais comuns e que será estudada nesse capitulo. Úlceras em geral A ulceração corneal consiste na perda de uma ou mais camadas da córnea. É uma das doenças oculares mais comuns no cão. Úlceras superficiais não complicadas cicatrizam rapidamente, e com mínima formação de cicatriz, ao passo que, úlceras profundas complicadas podem prejudicar a visão devido à cicatrização corneal. A ceratite ulcerativa grave pode levar a perda do olho devido à endoftalmite, glaucoma, perfuração e Phthisis bulbi secundários. A úlcera de córnea pode ser classificada de acordo com vários quesitos, conforme a Tabela 01. TABELA 01. Classificação das ceratites conforme o agente, profundidade, grau de infecção e causa. Agente Profundidade Grau de infecção Causa Bacteriana Fúngica Viral Superficial Profunda ou estromal Descemetocele Perfuração Simples Complicada Traumática Química Indolente As úlceras corneais superficiais não complicadas geralmente ocorrem secundárias a um trauma menor, autotraumatismo, xampus, irritação mecânica, anormalidades nos cílios, na estrutura e função palpebral e ceratoconjuntivite seca. Já as complicadas cicatrizam lentamente, e são chamadas também de persistentes ou indolentes, tendendo a recidivar. São reconhecidas pelas suas características, como borda elevada circundando o epitélio, que não está aderido ao estroma corneal. As estromais profundas podem ser divididas em progressivas e não progressivas, sendo que as não progressivas são manejadas medicamentosamente. Intervenção cirúrgica é indicada nas progressivas e descemetoceles, que são causadas geralmente por traumas, infecções, ceratoconjuntivite seca e processos degenerativos
  • 56. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 52 - A córnea normal é avascular. A penetração de neovasos e de imunoglobulinas na córnea é impedida pelo compacto tecido estromal. Estes aspectos tornam as reações patológicas corneais lentas, crônicas e de difícil tratamento. Alterações que seriam brandas em outros tecidos são significativas na córnea. A regeneração do epitélio ocorre por reepitelização, envolvendo mecanismos de migração, diferenciação celular e mitose. O estroma cicatriza mais lentamente por estar em um estado relativo de inatividade metabólica. Nas injúrias complicadas ou com grande perda de tecido estromal, ocorre cicatrização vascularizada, a inflamação celular é mais extensa e há invasão da área por vasos sanguíneos originados pelo plexo límbico. Durante a cicatrização corneal normal, proteases e colagenases são produzidas, auxiliando na remoção das células desvitalizadas e detritos da córnea. Células epiteliais corneais, fibroblastos, leucócitos polimorfonucleares e algumas bactérias produzem colagenases e proteases. A produção exacerbada pela combinação da produção endógena e de bactérias pode levar a progressão da úlcera, tornando-a refratária, até exposição da membrana da Descemet, conseqüente perfuração corneal e perda da função visual. Raças braquicefálicas são mais pré-dispostas a ulcerações corneais pela maior exposição ocular, pela presença de pregas cutâneas nasais, e pela lagoftalmia. Estas características tornam os olhos mais expostos a traumas acidentais. A primeira manifestação clínica do animal é dor e fotofobia, seguidas por blefarospasmo, lacrimejamento (exceto na ceratoconjuntivite seca), opacidades branco- azuladas (edema), secreção mucosa a mucopurulenta, hiperemia conjuntival, uveíte reflexa, miose e por fim neovascularização corneal. A neovascularização denota uma ulceração complicada. A dor é mais acentuada nas úlceras superficiais, pois nesta parte da córnea as terminações nociceptivas são mais numerosas. Durante a reepitelização pode ocorrer deposição de pigmentos de melanina em resposta não específica da córnea a uma reação inflamatória, causando perda parcial da transparência. O exame oftálmico de rotina é suficiente para estabelecer o diagnóstico e severidade da lesão. Um exame complementar como a biomicroscopia com lâmpada de fenda é apropriado para avaliação precisa da profundidade da lesão e condição da córnea respectivamente. Na realização do teste de fluoresceína, o corante, com propriedade hidrofílica, não adere ao epitélio que é lipofílico. Desta forma, qualquer solução de
  • 57. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 53 - descontinuidade do epitélio que exponha o estroma naturalmente hidrofílico, vai promover a fixação do corante nesta camada (Figura 36). FIGURA 36 Representação esquemática do corante de fluoresceína em úlceras de córnea superficial e estromal. A - corte frontal. B – corte sagital. Se a úlcera ultrapassar os limites do estroma e atingir as camadas mais profundas como a membrana de Descemet ou o endotélio, a lesão aparecerá como um halo, contornando todo o diâmetro da lesão, pois as camadas inferiores ao estroma também são lipofílicas, não fixando o corante a exemplo do epitélio (Figura 37). FIGURA 37 Representação esquemática do corante de fluoresceína em úlceras que ultrapassaram os limites do estroma e atingiram a membrana de Descemet. A - corte frontal. B – corte sagital. Observe que o fundo da úlcera não retém o corante. A lesão profunda, observada após o teste de fluoresceína apresenta-se corada em tom verde e as bordas edemaciadas. A córnea, em geral, pode apresentar-se com uma névoa azulada dificultando a visualização da câmara anterior devido ao edema.
  • 58. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 54 - Se a lesão não corar o centro, uma descemetocele se estabeleceu. O estroma foi totalmente danificado e a lesão apresenta a membrana de Descemet ao centro. Observa- se então uma área edematosa na córnea com centro claro. Se a membrana se tornar afilada ou aumentar a pressão intra-ocular pode formar uma “hérnia”, condição denominada descemetocele (Figura 38). FIGURA 38 Esquema representativo da descemetocele. A - corte frontal. B – corte sagital. Distrofia corneal, “Flórida spots”, e perfuração corneal são comumente diagnosticadas erroneamente como ceratite ulcerativa ou descemetocele. A distrofia corneal é causada por distúrbios metabólicos, onde precipitados de cálcio, lipídeos e colesterol se depositam na córnea. Esta patogênese não cora com fluoresceína e não é tratável. A “Flórida spots” apresenta-se como pequenos pontos circulares de opacidades estromal, a causa é desconhecida e a lesão é negativa para fluoresceína. A perfuração corneal geralmente é diagnosticada erroneamente como descemetocele, pois o humor aquoso tende a coagular e tamponar a perfuração, gerando uma aparência esbranquiçada e abaulada característica da membrana de Descemet. Em injúrias maiores a íris prolapsa em direção ao local da perfuração. Após o diagnóstico, o tratamento pode ser dividido em três etapas conforme a necessidade e evolução. A primeira etapa consiste na determinação da etiologia e conseqüente correção ou eliminação, inclusive de infecção bacteriana. A segunda etapa consiste na prevenção de sua progressão, através de inibidores de proteases, e a terceira consiste em promover condições ótimas para a sua cicatrização, seja através de medicamentos ou procedimentos cirúrgicos como a realização de flaps de terceira pálpebra, conjuntivais, transposição córneo-escleral, aplicação de membranas biológicas
  • 59. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 55 - ou de adesivos cirúrgicos e suturas. É necessário também promover analgesia corneal, pois a superfície desta estrutura é rica em terminações nociceptivas. Atropina tópica a cada 08 ou 12 horas é indicada, pois espasmos na musculatura ciliar seguido de miose potencializam o reflexo de dor. A atropina relaxa a musculatura, promovendo alívio da dor, além de prevenir a formação de sinéquias anteriores devido à uveíte secundária ou reflexa. Seu uso é recomendado por um período de cinco dias. Inibidores de proteases e colagenases (enzimas que destroem colágeno) são bons coadjuvantes no tratamento, pois eliminam as enzimas que podem retardar o processo cicatricial, sendo os mais utilizados a acetilcisteína tópica, EDTA, soro e heparina, a cada 6-8 horas, ou 1-2 horas em úlceras progressivas. Recomenda-se a preparação de solução a 5% de acetilcisteína, para isso, pode-se usar substitutos da lágrima (Lacrima® ) e aceticilsteína (Fluimucil® - 10 ou 20 % - solução para inalação) até atingir a concentração apropriada. O soro sanguíneo tem promovido bons resultados, é indicado a cada seis horas e a solução estéril precisa ser mantida em geladeira, sendo substituída a cada quatro dias. Na rotina do Hospital Veterinário – UFPR – Campus Palotina, tem-se usado o soro sanguíneo com bons resultados. A antibioticoterapia deve ser realizada com antibióticos de largo espectro como tobramicina ou ciprofloxacina, 3-4 vezes ao dia, porém quando a úlcera for progressiva, a terapia deve ser agressiva, com aplicações a cada 1-2 horas. Estudos recentes demonstraram que o Triticum vulgare (Bandvet® - FV), a cada 12 horas produz excelentes resultados. A regeneração da córnea somente continua otimizada se a alimentação com nutrientes completos for providenciada. Entre outros fatores, as vitaminas A e C têm papéis importantes no crescimento de ceratócitos, auxiliando no processo de cicatrização e remodelação da ferida, e podem ser usados em casos mais graves. O sulfato de condroitina (Dunason colírio® - FH) a cada 8 horas fornece substrato para regeneração corneal e é medicamento apropriado para úlceras mais graves. Alguns fatores podem retardar a cicatrização como, irritantes mecânicos (pêlos e exsudatos), microrganismos, enzimas líticas, materiais com pH não fisiológico, tensão osmótica, algumas medicações como corticóides e anestésicos tópicos. Os corticóides potencializam em até 14 vezes a colagenase, e diminuem o mecanismo de resistência contra infecções, porém, diminuem a vascularização e, portanto, o transporte de células inflamatórias e a atividade fibroblástica, inibindo a formação de cicatrizes hipertrofiadas,
  • 60. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 56 - quelóide e edema. Rigorosos critérios devem ser adotados para o início da terapia com corticóides, sendo o principal, a total cicatrização da córnea. Medicamentos antiinflamatórios não esteróides, quando administrado topicamente, inibem a regeneração do estroma corneal, similarmente ao esteroidal tópico. A Tabela 2 apresenta abordagens terapêuticas para os diferentes estágios de desenvolvimento das úlceras corneais. TABELA 2 – Resumo das abordagens terapêuticas nos diversos tipos de úlceras. Úlcera Antibiótico Midriático Anticolagenolíticos Debridamento Recobrimento Superficial + + + + - Bordas desprendidas + + + +++ +/- Em evolução ++ ++ +++ -- +++ Descemetocele +++ ++ +++ -- +++ A terapia cirúrgica consiste basicamente em recobrir a úlcera, fornecendo boa proteção mecânica, subsídios tróficos e elementos de defesa para a córnea injuriada. Inúmeras são as técnicas utilizadas, entre elas os flaps conjuntivais, os flaps de terceira pálpebra, transposições córneo-esclerais, aplicação de membranas biológicas, suturas e aplicação de adesivos cirúrgicos. As suturas podem deformar a córnea por repuxá-la, mesmo em pequenas amplitudes. A aplicação de membranas biológicas como cápsula renal e membranas amnióticas conferem apenas proteção mecânica à úlcera. Já os adesivos cirúrgicos, se forem de origem biológica, como as colas de fibrina que possuem afinidade pelo colágeno, estimulam a migração de fibroblastos para o local da ferida. Os adesivos sintéticos como o cianoacrilato, possuem ação bactericida, porém são irritantes aos tecidos. O recobrimento com a membrana nictitante exige suturas ancoradas na pálpebra superior ou na conjuntiva bulbar dorsolateral. A sutura na membrana nictitante deve passar abaixo da cartilagem, porém não deve perfurar a conjuntiva para não expor o fio de sutura à córnea. Os fios são passados na pálbebra superior e protegidos com cáptons para não lesar a pele (Figura 39). Outra técnica consiste em ancorar a sutura na conjuntiva, fixando a membrana nictitante na conjuntiva bulbar dorsolateral, utilizando-se dois ou três pontos sob padrão Wolff.
  • 61. _____________________________________________________________________________________ Prof. Olicies da Cunha, MV, MSc. UFPR – Campus Palotina - 57 - FIGURA 39 Representação esquemática da técnica do flap de terceira pálpebra. Nas duas técnicas o fio de sutura utilizado é o náilon 4-0 ou 5-0. As suturas são removidas 10-14 dias após. Enxertos conjuntivais proporcionam maior vantagem diante do recobrimento com membrana nictitante, já que pela conjuntiva, um grande número de vasos sanguíneos atinge a córnea, carreando nutrientes, células de defesa e imunoglobulinas. Existem várias técnicas de recobrimento, uma delas consiste em um flap pedicular (Figura 40). FIGURA 40 Representação esquemática da técnica de flap de conjuntiva. A – preparo. B – sutura. O pedículo é preparado a partir da conjuntiva bulbar dorsolateral ou dorsomedial. A dissecção tem início com pequena incisão conjuntival perpendicular ao limbo. A conjuntiva