Gêneros
Discursivos, For
mas de
Textualização e
Tipologia
Textual:
distinções

Adail Sobral
(PPGL – UCPEL)
Tipologia Textual: Descrição
A   descrição é um tipo de texto que
  procura retratar, através de palavras, as
  características de uma pessoa, de um
  objeto, de um animal, de uma paisagem
  ou de uma situação qualquer.
 Um bom texto descritivo é aquele que
  permite que o ser descrito seja
  identificado pelo que ele tem de
  particular, de característico em relação
  aos outros seres da mesma espécie.
Tipologia Textual: Descrição
   “O grande homem da fé cristã
   Considerado símbolo de fé, amor e perseverança, Jesus
    Cristo pode ser tomado como um dos maiores
    revolucionários que o mundo já conheceu. Ele provou a
    uma sociedade hipócrita e primitiva que um homem não
    se faz de seus matérias, mas do seu valor moral.
   Em sua tênue expressão facial, Jesus sempre tinha um
    belo sorrido resplandecente. Seu carisma e simplicidade
    atraíram para si diversos seguidores, bem como inimigos.
    Ele propôs uma nova filosofia de vida, baseada no amor
    ao próximo, o que contrastou com as leis do povo
    judeu, as quais se baseavam no ódio aos inimigos. [...]”
   Fonte: http://www.algosobre.com.br/redacao/
Tipologia Textual: Narração
 Situa   seres e objetos no tempo. Divide-se
 em:
-     Introdução:     Apresenta       as
 personagens, localizando-as no tempo e
 no                               espaço.
 - Desenvolvimento: Através das ações
 das personagens, constrói-se a trama e o
 suspense que culmina no clímax.
 - Conclusão: Existem várias maneiras de
 se concluir uma narração. Esclarecer a
 trama é apenas uma delas.
Tipologia Textual: Narração
   “O dia que virou um dia
   Os primeiros raios de sol, brandos como um leve
    toque, anunciam um novo dia de uma preguiçosa segunda-
    feira. Maria acorda, ingere algum pão e café, despede-se
    da família e se põe a caminhar em direção ao ponto de
    ônibus. Não tão longe dela, José executa as mesmas
    ações, porém, não se sabe se desperdiçou os mesmos
    momentos de adeus.
   Maria    cumpre     mais   uma    jornada    de   trabalho
    e, cansada, roga a volta a casa. Entra então, em um
    lotação, cujos passageiros a rotina a fez conhecer.
    José, bandido inveterado, passa o mesmo dia a
    caminhar, tramar e agir. Todavia, finda-se a data para ele
    também e, não estando satisfeito com as finanças
    adquiridas, envolve-se em dantescos pensamentos. [...]”
   Fonte: http://www.algosobre.com.br/redacao/
Tipologia Textual: Dissertação
   Dissertar é refletir, debater, discutir, questionar
    a      respeito       de     um     determinado
    tema, expressando o ponto de vista de quem
    escreve em           relação    a   esse     tema.
    Dissertar, assim, é emitir opiniões de maneira
    convincente, ou seja, de maneira que elas
    sejam compreendidas e aceitas pelo leitor; e
    isso só acontece quando tais opiniões estão
    bem
    fundamentadas, comprovadas, explicadas, e
    xemplificadas.
Tipos Textuais: Dissertação
   “Páscoa é a festa espiritual da libertação, simbolizada por
    objetos incorporados em nossas vidas como o ovo de
    páscoa, que está ligado a um ritual egípcio e, por
    conveniências comerciais, ganhou seu lugar nas
    festividades do Domingo de Páscoa assim como outra
    tradições que surgiram do anseio popular (a malhação do
    Judas em Sábado de Aleluia).
   Mas a verdadeira Páscoa está narrada em Exodus e depois
    a Nova Páscoa está descrita no Evangelho de Jesus Cristo
    como a vitória do Filho do Homem. A primeira Páscoa da
    História foi celebrada pelos hebreus no século 13 a.C. para
    que todos lembrassem que Moisés, com a ajuda do
    Senhor, salvou o seu povo das mãos do Faraó. Assim, o
    cordeiro foi o sinal de aliança e o anjo podia saber quem
    estava com Javé ou Jeová. [...]
   Fonte:
    http://www.mundovestibular.com.br/articles/1266/1/EXEMP
    LOS-DE-REDACAO/Paacutegina1.html
   As “esferas de atividade” são entendidas no círculo
    de Bakhtin como “regiões” de recorte sócio-histórico-
    ideológico do mundo, lugar de relações especificas
    entre sujeitos, e não só em termos de linguagem. São
    dotadas de maior ou menor grau de estabilização a
    depender de seu grau de formalização, ou
    institucionalização, no âmbito da sociedade e da
    história, de acordo com as conjunturas específicas.
    Assim, “esfera” deve ser entendida como a versão
    bakhtiniana marxista de “instituição”, ou seja, de
    modalidade          relativamente       estável    de
    relacionamento        cristalizado  entre    os  seres
    humanos, por definição de cunho social e histórico.
    Logo, o conceito de instituição tem raízes marxistas e
    abarca desde a intimidade familiar até o aparato
    institucional do Estado, passando por circunstâncias
    como as que tornam possíveis comentários casuais
    que desconhecidos fazem um para o outro na rua
    sobre diversos assuntos cotidianos.
 Nesses termos, tudo é social: a relação entre
 duas pessoas traz à cena a soma total das
 relações sociais dessas pessoas, envolvendo
 no mínimo um espectro que vai da família
 ao Estado. A sociedade não existe
 independentemente das relações entre os
 sujeitos que dela fazem parte, seja qual for o
 ambiente e o grau específico de
 “formalização” desse ambiente: somos
 povoados pelo outro, dado que o sujeito é
 dividido interior e exteriormente. Logo, os
 sujeitos são constituídos pela sociedade e
 são seus constituintes, nela deixando sua
 “assinatura” existencial e as de suas relações
 com      essa    mesma       sociedade     (cf.
 CLOT, 2004).
   “Texto” designa, grosso modo, a materialidade dos
    discursos/gêneros, o que envolve o escrito, o
    falado, o pictórico, as mídias eletrônicas etc. O
    texto assim entendido em termos materiais é meu
    objeto,    mas     não     o   texto   como     mera
    “textualidade”, isto é, fora de uma discursividade e
    de uma genericidade. “Textualidade” (ou
    “textualização”) designa os aspectos linguístico-
    textuais estritos dos textos, envolvendo recursos de
    coesão e coerência, sintáticos etc., entendidos
    como componentes da superfície aparente do
    discurso. Compõem-no elementos que, quanto à
    sua forma, podem estar presentes em diferentes
    discursos e gêneros sem alterar as características
    essenciais destes
   Para explicar essa questão, recorro a um exemplo:
    a presença de uma forma textual historicamente
    típica de um dado gênero, a coluna social (tipos
    de enunciado como “x recebe y em sua nova
    house...”) no gênero coluna editorial assinada não
    altera    o   caráter   deste    último    em  sua
    produção, circulação e recepção; a introdução
    desse elemento “externo” muda a forma de
    composição, o tema e o estilo da forma discursiva
    editorial, mas não sua forma arquitetônica nem
    seus “compromissos” enunciativos de gênero – um
    pronunciamento opinativo explícito assinado por
    um editorialista – e uso “explicito” porque a
    “reportagem” mais “objetiva” ou mesmo a
    montagem da “capa” do jornal é, por sua própria
    constituição, uma opinião (cf. BRAIT, 2005c)!
   Por outro lado, a coluna social também não se
    altera quanto ao gênero ao ser introduzida no
    editorial, mas sua textualização, ao mudar de
    gênero, perde os vínculos com o gênero em que se
    cristalizou   e     passa    a     produzir     novos
    sentidos, estranhos ao desse gênero, o que
    desvincula o texto do gênero. Chamo ainda a
    atenção para um aspecto curioso: o impacto que
    a introdução num editorial de formas textuais
    comuns na coluna social é bem menor, dada a
    natureza das relações enunciativas de um
    editorial, do que a introdução na coluna social de
    formas textuais típicas de um editorial – o que muito
    diz dos recortes do mundo que essas formas
    genéricas estabelecem, e num mesmo veículo.
   Uma        forma     arquitetônica    pode      realizar-se
    composicionalmente de mais de uma maneira, e com
    distintas textualizações, sem por isso ver-se alterada
    enquanto tal (cf. SOBRAL, 2005b), claro que não,
    tipicamente, ao mesmo tempo. Por essa razão, uma dada
    forma textual cristalizada não constitui uma camisa-de-
    força que define um dado gênero de uma vez por todas.
    Do mesmo modo, não nego a existência de cristalizações
    textuais típicas de certos gêneros, com maior ou menor
    grau de “institucionalização” que vão, por exemplo, do
    formulário de Imposto de Renda aos blogues
    (originalmente diários digitais públicos surgidos da
    moderna “ânsia” de autoexpressão pública da intimidade,
    incluindo opiniões pessoais dos autores sobre os mais
    diversos assuntos). Contudo, assim como o formulário pode
    ser alterado e “flexibilizado”, uma forma específica de
    blogue pode fixar-se no âmbito de sua esfera e passar a
    ser considerada o blogue – até mudar. Do mesmo modo,
    o blogue pode ir se diversificando a ponto de se ter de
    falar de “blogue pessoal”, “blogue acadêmico” etc.
 “Intergenericidade” designa o caráter
 constitutivo dos gêneros em circulação
 com respeito a gêneros elaborados/em
 elaboração, envolvendo igualmente as
 próprias relações temporais e espaciais
 entre culturas e Zeitgeisten, ou seja, as
 maneiras pelas quais os gêneros se
 interconstituem na sociedade e na
 história por meio das discursividades e
 das textualidades.
   “Tipo de texto” designar o que a meu ver são as
    formas “primárias” dos textos: descritivo, narrativo,
    dissertativo e instativo (manuais, instruções, normas
    etc.). Naturalmente, sendo essas formas entendidas
    como “primárias”, não afirmo que existam textos
    estritamente de um ou de outro desses tipos, exceto
    na     forma     de      “dominantes”:     no    texto
    dominantemente descritivo, destaca-se a descrição;
    no texto dominantemente narrativo, a narração; no
    texto dominantemente dissertativo, a dissertação; no
    texto dominantemente instativo, a injunção, na
    forma de instruções, sequências de operações etc.
   Os textos concretos em geral apresentam diferentes
    combinações de tipos de texto, havendo um
    gradiente de combinações que permite marcar os
    textos, a rigor, como mais descritivos, mais dissertativos
    etc. Essa minha observação parte da consideração de
    diversas tipologias, de textos, de gêneros, de discursos
    etc., tendo por objetivo destacar que diferencio os
    “tipos” de texto dos “gêneros”, assim como diferencio
    os “tipos” de discurso dos “tipos” de texto. Há “tipos”
    de texto que comparecem com mais frequência a
    discursivizações dadas, mas não há aí uma correlação
    necessária, mas cristalizações de uso cuja fons et origo
    podem ser reveladas por uma análise histórica
    fundamentada.
 Com  base nessas considerações, proponho uma
 análise genérico-discursiva “pura”, ou seja, uma
 análise que não se concentra nas especificidades
 da textualização (se bem que as leve
 necessariamente em conta, dado que todo
 discurso/gênero se manifesta em textos) mas na
 discursivização, entendendo-a no âmbito de uma
 generificação, planos mais amplos do que a
 textualização     e    que,   como      pretendo
 demonstrar, são a instância que confere sentido a
 esta última.
   Nenhum desses elementos constitui isoladamente
    o enunciado, e é sua unidade, isto é, sua
    integração, que constitui os gêneros. Além disso, a
    composição e o estilo do enunciado dependem
    da expressividade, ou caráter valorativo do
    enunciado, ou seja, a relação valorativa falante-
    objeto-ouvinte determina a escolha de todos os
    recursos linguísticos. Assim, a depender de sua
    intenção comunicativa, o autor recorre a uma
    enumeração de itens, usa um exemplo
    específico, remete a fatos especiais etc. e o faz à
    sua     própria     maneira:    se    lermos     10
    editoriais, veremos que há neles muito de
    parecido e muito de diferente, embora todos
    sejam editoriais.
O que é um texto?
   O texto pode ser abordado de 4 pontos de vista
    complementares, ainda que várias sejam as propostas que
    ficam a meio caminho entre esses níveis, que não apenas
    teóricos, mas da ordem do próprio objeto “texto”:

   (1) sua materialidade de sequência organizada de sinais
    convencionais;
   (2) seu estatuto de espaço de articulação de elementos
    estritamente linguísticos (que vão até o nível da frase e da
    junção de frases);
   (3) sua natureza de unidade estruturada de segmentos
    linguístico-semióticos ligados à produção de um sentido
    que vai além da estruturação sintática das frases, sentido
    vinculado com os mecanismos de textura: a coesão, a
    coerência etc.;
   (4) seu estatuto de unidade potencial de sentido
    produzida - a partir das restrições do uso de sinais, da
    combinação de elementos linguísticos e dos
    mecanismos de criação de textura etc. - por sujeitos
    concretos, objetivados, isto é, transformados em
    sujeitos de discurso, numa dada situação histórico-
    social que sempre vai além da interação
    imediata, visto que aí se faz presente a soma total
    das relações e vivências sociais dos
    envolvidos, incluindo sua consciência individual (que
    também é histórico-social, mas não menos
    individual), relações entre grupos, classes, culturas e
    mesmo épocas, o que envolve as várias mediações
    institucionais, informais, ou do cotidiano, e do âmbito
    formal, estatal e de outros tipos
   Da perspectiva de uma translinguística, todos
    os elementos considerados pelas outras três
    são considerados pertinentes e relevantes.
    Não obstante, essa perspectiva mostra que
    faltam a todos esses modos de ver a
    textualidade, o texto, dois elementos cruciais
    para o entendimento do processo de
    produção textual de sentido: em primeiro
    lugar, a situação de produção do texto, da
    textualidade, da superfície textual, no âmbito
    do enunciado, do discurso, e, em
    segundo, como consequência lógica, os
    interlocutores aí envolvidos em termos de
    suas     interrelações   sócio-historicamente
    possíveis.
   Assim, o texto é um objeto material que, ao ser
    tomado como o texto produzido por um
    sujeito, é incorporado a um discurso, algo
    proferido por alguém num dado contexto, um
    processo cujas “marcas” estão no próprio texto!
    Logo, os sujeitos e os contextos não estão
    submetidos ao texto, não se podendo tomar o
    texto como unidade autárquica transferível
    integralmente. O texto traz assim potenciais de
    sentidos; é uma materialidade em que são
    criados sentidos a partir da produção do
    discurso, que transforma frases em enunciados. O
    texto em si, tal como a frase, não pertence a
    ninguém; o enunciado e o discurso, ao
    contrário, vêm de alguém, dirigem-se a
    alguém, são “endereçados”, trazem em si um
    tom avaliativo e remetem a uma compreensão
    responsiva ativa.
O que é discurso?
   Discurso é uma unidade de produção de
    sentido que é parte das práticas simbólicas
    de     sujeitos    concretos     e    articulada
    dialogicamente às suas condições de
    produção,        bem       como        vinculada
    constitutivamente com outros discursos.
    Mobilizando as formas da língua e as formas
    típicas de enunciados em suas condições
    sociais e históricas de produção, o discurso
    constitui seus sujeitos e inscreve em sua
    superfície     sua   própria     existência    e
    legitimidade social e histórica.
O que é gênero?
   Gênero: formas ou tipos relativamente
    estáveis de enunciados/discursos que têm
    uma lógica própria, de caráter concreto, e
    recorrem a certos tipos estáveis de
    textualização (tipos de frases e de
    organizações        frasais       mobilizadas
    costumeiramente     pelos     enunciados    e
    discursos de certos gêneros), mas não
    necessariamente a textualizações estáveis
    (frases e organizações frasais que sempre se
    repitam), pois são tipos ou formas de
    enunciados.
Ainda o gênero
 Ou     seja, gêneros são formas de
 interlocução vinculadas a esferas de
 atividade,         onde     ocorre       a
 produção, circulação e recepção de
 discursos, definindo-se através da forma
 de composição, do tema e do
 estilo,     mobilizados   pelo     projeto
 enunciativo, estando este vinculado com
 uma dada arquitetônica.
 Chamo   sentido ao que é resposta a uma
 pergunta. O que não responde a
 nenhuma pergunta carece de sentido.
 [...] O sentido sempre responde a uma
 pergunta. O que não responde a nada
 parece-nos insensato, separa-se do
 diálogo.
Essa consideração [do destinatário] irá determinar
também a escolha do gênero do enunciado e a escolha
dos procedimentos composicionais e, por último, dos
meios linguísticos, isto é, o estilo do enunciado.
(Bakhtin 1953/2003, p. 302)
Portanto, o direcionamento, o endereçamento do
enunciado é sua peculiaridade constitutiva, sem a qual
não há nem pode haver enunciado [grifei]. As várias
formas típicas de tal direcionamento e as diferentes
concepções típicas de destinatários são peculiaridades
constitutivas e determinantes dos vários gêneros do
discurso. (...) A escolha de todos os recursos
linguísticos é feita pelo falante sob maior ou menor
influência do destinatário e da sua resposta antecipada
[grifei]. (Bakhtin 1953/2003, p. 305-306)
 Logo, os tipos de textos descrevem dominantes
 textuais; formas de textualização descrevem
 formas        habitualmente,      mas       não
 obrigatoriamente, empregadas em gêneros do
 discurso; e gêneros do discurso são formas
 relativamente      estáveis   de   interlocução
 vinculadas a esferas de atividade, onde ocorre
 a produção, circulação e recepção de
 discursos, definindo-se através da forma de
 composição, do tema e do estilo, mobilizados
 pelo projeto enunciativo de um dado locutor,
 estando este vinculado com uma dada
 arquitetônica.
   De modo geral, numa análise, fazem-se
    “perguntas” aos exemplares de gênero. Essas
    perguntas abordam (1) as condições em que
    os gêneros são produzidos e recebidos e nas
    quais circulam e quem os produz para quem; e
    (2) as características textuais e composicionais
    desses exemplares. Em outras palavras, cabe
    cobrir os aspectos textuais mais restritos e os
    aspectos enunciativos mais amplos, porque um
    gênero é composto por um texto inserido de
    uma dada maneira num contexto. Não se
    deve propriamente procurar isolar tema, estilo
    e forma de composição, mas ver o texto a
    partir dessas categorias. E as perguntas devem
    ser adequadas ao nível dos alunos com os
    quais se trabalha usando os gêneros.

Gêneros discursivos, formas de textualização e tipologia

  • 1.
    Gêneros Discursivos, For mas de Textualizaçãoe Tipologia Textual: distinções Adail Sobral (PPGL – UCPEL)
  • 5.
    Tipologia Textual: Descrição A descrição é um tipo de texto que procura retratar, através de palavras, as características de uma pessoa, de um objeto, de um animal, de uma paisagem ou de uma situação qualquer.  Um bom texto descritivo é aquele que permite que o ser descrito seja identificado pelo que ele tem de particular, de característico em relação aos outros seres da mesma espécie.
  • 6.
    Tipologia Textual: Descrição  “O grande homem da fé cristã  Considerado símbolo de fé, amor e perseverança, Jesus Cristo pode ser tomado como um dos maiores revolucionários que o mundo já conheceu. Ele provou a uma sociedade hipócrita e primitiva que um homem não se faz de seus matérias, mas do seu valor moral.  Em sua tênue expressão facial, Jesus sempre tinha um belo sorrido resplandecente. Seu carisma e simplicidade atraíram para si diversos seguidores, bem como inimigos. Ele propôs uma nova filosofia de vida, baseada no amor ao próximo, o que contrastou com as leis do povo judeu, as quais se baseavam no ódio aos inimigos. [...]”  Fonte: http://www.algosobre.com.br/redacao/
  • 7.
    Tipologia Textual: Narração Situa seres e objetos no tempo. Divide-se em: - Introdução: Apresenta as personagens, localizando-as no tempo e no espaço. - Desenvolvimento: Através das ações das personagens, constrói-se a trama e o suspense que culmina no clímax. - Conclusão: Existem várias maneiras de se concluir uma narração. Esclarecer a trama é apenas uma delas.
  • 8.
    Tipologia Textual: Narração  “O dia que virou um dia  Os primeiros raios de sol, brandos como um leve toque, anunciam um novo dia de uma preguiçosa segunda- feira. Maria acorda, ingere algum pão e café, despede-se da família e se põe a caminhar em direção ao ponto de ônibus. Não tão longe dela, José executa as mesmas ações, porém, não se sabe se desperdiçou os mesmos momentos de adeus.  Maria cumpre mais uma jornada de trabalho e, cansada, roga a volta a casa. Entra então, em um lotação, cujos passageiros a rotina a fez conhecer. José, bandido inveterado, passa o mesmo dia a caminhar, tramar e agir. Todavia, finda-se a data para ele também e, não estando satisfeito com as finanças adquiridas, envolve-se em dantescos pensamentos. [...]”  Fonte: http://www.algosobre.com.br/redacao/
  • 9.
    Tipologia Textual: Dissertação  Dissertar é refletir, debater, discutir, questionar a respeito de um determinado tema, expressando o ponto de vista de quem escreve em relação a esse tema. Dissertar, assim, é emitir opiniões de maneira convincente, ou seja, de maneira que elas sejam compreendidas e aceitas pelo leitor; e isso só acontece quando tais opiniões estão bem fundamentadas, comprovadas, explicadas, e xemplificadas.
  • 10.
    Tipos Textuais: Dissertação  “Páscoa é a festa espiritual da libertação, simbolizada por objetos incorporados em nossas vidas como o ovo de páscoa, que está ligado a um ritual egípcio e, por conveniências comerciais, ganhou seu lugar nas festividades do Domingo de Páscoa assim como outra tradições que surgiram do anseio popular (a malhação do Judas em Sábado de Aleluia).  Mas a verdadeira Páscoa está narrada em Exodus e depois a Nova Páscoa está descrita no Evangelho de Jesus Cristo como a vitória do Filho do Homem. A primeira Páscoa da História foi celebrada pelos hebreus no século 13 a.C. para que todos lembrassem que Moisés, com a ajuda do Senhor, salvou o seu povo das mãos do Faraó. Assim, o cordeiro foi o sinal de aliança e o anjo podia saber quem estava com Javé ou Jeová. [...]  Fonte: http://www.mundovestibular.com.br/articles/1266/1/EXEMP LOS-DE-REDACAO/Paacutegina1.html
  • 11.
    As “esferas de atividade” são entendidas no círculo de Bakhtin como “regiões” de recorte sócio-histórico- ideológico do mundo, lugar de relações especificas entre sujeitos, e não só em termos de linguagem. São dotadas de maior ou menor grau de estabilização a depender de seu grau de formalização, ou institucionalização, no âmbito da sociedade e da história, de acordo com as conjunturas específicas. Assim, “esfera” deve ser entendida como a versão bakhtiniana marxista de “instituição”, ou seja, de modalidade relativamente estável de relacionamento cristalizado entre os seres humanos, por definição de cunho social e histórico. Logo, o conceito de instituição tem raízes marxistas e abarca desde a intimidade familiar até o aparato institucional do Estado, passando por circunstâncias como as que tornam possíveis comentários casuais que desconhecidos fazem um para o outro na rua sobre diversos assuntos cotidianos.
  • 12.
     Nesses termos,tudo é social: a relação entre duas pessoas traz à cena a soma total das relações sociais dessas pessoas, envolvendo no mínimo um espectro que vai da família ao Estado. A sociedade não existe independentemente das relações entre os sujeitos que dela fazem parte, seja qual for o ambiente e o grau específico de “formalização” desse ambiente: somos povoados pelo outro, dado que o sujeito é dividido interior e exteriormente. Logo, os sujeitos são constituídos pela sociedade e são seus constituintes, nela deixando sua “assinatura” existencial e as de suas relações com essa mesma sociedade (cf. CLOT, 2004).
  • 13.
    “Texto” designa, grosso modo, a materialidade dos discursos/gêneros, o que envolve o escrito, o falado, o pictórico, as mídias eletrônicas etc. O texto assim entendido em termos materiais é meu objeto, mas não o texto como mera “textualidade”, isto é, fora de uma discursividade e de uma genericidade. “Textualidade” (ou “textualização”) designa os aspectos linguístico- textuais estritos dos textos, envolvendo recursos de coesão e coerência, sintáticos etc., entendidos como componentes da superfície aparente do discurso. Compõem-no elementos que, quanto à sua forma, podem estar presentes em diferentes discursos e gêneros sem alterar as características essenciais destes
  • 14.
    Para explicar essa questão, recorro a um exemplo: a presença de uma forma textual historicamente típica de um dado gênero, a coluna social (tipos de enunciado como “x recebe y em sua nova house...”) no gênero coluna editorial assinada não altera o caráter deste último em sua produção, circulação e recepção; a introdução desse elemento “externo” muda a forma de composição, o tema e o estilo da forma discursiva editorial, mas não sua forma arquitetônica nem seus “compromissos” enunciativos de gênero – um pronunciamento opinativo explícito assinado por um editorialista – e uso “explicito” porque a “reportagem” mais “objetiva” ou mesmo a montagem da “capa” do jornal é, por sua própria constituição, uma opinião (cf. BRAIT, 2005c)!
  • 15.
    Por outro lado, a coluna social também não se altera quanto ao gênero ao ser introduzida no editorial, mas sua textualização, ao mudar de gênero, perde os vínculos com o gênero em que se cristalizou e passa a produzir novos sentidos, estranhos ao desse gênero, o que desvincula o texto do gênero. Chamo ainda a atenção para um aspecto curioso: o impacto que a introdução num editorial de formas textuais comuns na coluna social é bem menor, dada a natureza das relações enunciativas de um editorial, do que a introdução na coluna social de formas textuais típicas de um editorial – o que muito diz dos recortes do mundo que essas formas genéricas estabelecem, e num mesmo veículo.
  • 16.
    Uma forma arquitetônica pode realizar-se composicionalmente de mais de uma maneira, e com distintas textualizações, sem por isso ver-se alterada enquanto tal (cf. SOBRAL, 2005b), claro que não, tipicamente, ao mesmo tempo. Por essa razão, uma dada forma textual cristalizada não constitui uma camisa-de- força que define um dado gênero de uma vez por todas. Do mesmo modo, não nego a existência de cristalizações textuais típicas de certos gêneros, com maior ou menor grau de “institucionalização” que vão, por exemplo, do formulário de Imposto de Renda aos blogues (originalmente diários digitais públicos surgidos da moderna “ânsia” de autoexpressão pública da intimidade, incluindo opiniões pessoais dos autores sobre os mais diversos assuntos). Contudo, assim como o formulário pode ser alterado e “flexibilizado”, uma forma específica de blogue pode fixar-se no âmbito de sua esfera e passar a ser considerada o blogue – até mudar. Do mesmo modo, o blogue pode ir se diversificando a ponto de se ter de falar de “blogue pessoal”, “blogue acadêmico” etc.
  • 17.
     “Intergenericidade” designao caráter constitutivo dos gêneros em circulação com respeito a gêneros elaborados/em elaboração, envolvendo igualmente as próprias relações temporais e espaciais entre culturas e Zeitgeisten, ou seja, as maneiras pelas quais os gêneros se interconstituem na sociedade e na história por meio das discursividades e das textualidades.
  • 18.
    “Tipo de texto” designar o que a meu ver são as formas “primárias” dos textos: descritivo, narrativo, dissertativo e instativo (manuais, instruções, normas etc.). Naturalmente, sendo essas formas entendidas como “primárias”, não afirmo que existam textos estritamente de um ou de outro desses tipos, exceto na forma de “dominantes”: no texto dominantemente descritivo, destaca-se a descrição; no texto dominantemente narrativo, a narração; no texto dominantemente dissertativo, a dissertação; no texto dominantemente instativo, a injunção, na forma de instruções, sequências de operações etc.
  • 19.
    Os textos concretos em geral apresentam diferentes combinações de tipos de texto, havendo um gradiente de combinações que permite marcar os textos, a rigor, como mais descritivos, mais dissertativos etc. Essa minha observação parte da consideração de diversas tipologias, de textos, de gêneros, de discursos etc., tendo por objetivo destacar que diferencio os “tipos” de texto dos “gêneros”, assim como diferencio os “tipos” de discurso dos “tipos” de texto. Há “tipos” de texto que comparecem com mais frequência a discursivizações dadas, mas não há aí uma correlação necessária, mas cristalizações de uso cuja fons et origo podem ser reveladas por uma análise histórica fundamentada.
  • 20.
     Com base nessas considerações, proponho uma análise genérico-discursiva “pura”, ou seja, uma análise que não se concentra nas especificidades da textualização (se bem que as leve necessariamente em conta, dado que todo discurso/gênero se manifesta em textos) mas na discursivização, entendendo-a no âmbito de uma generificação, planos mais amplos do que a textualização e que, como pretendo demonstrar, são a instância que confere sentido a esta última.
  • 21.
    Nenhum desses elementos constitui isoladamente o enunciado, e é sua unidade, isto é, sua integração, que constitui os gêneros. Além disso, a composição e o estilo do enunciado dependem da expressividade, ou caráter valorativo do enunciado, ou seja, a relação valorativa falante- objeto-ouvinte determina a escolha de todos os recursos linguísticos. Assim, a depender de sua intenção comunicativa, o autor recorre a uma enumeração de itens, usa um exemplo específico, remete a fatos especiais etc. e o faz à sua própria maneira: se lermos 10 editoriais, veremos que há neles muito de parecido e muito de diferente, embora todos sejam editoriais.
  • 22.
    O que éum texto?  O texto pode ser abordado de 4 pontos de vista complementares, ainda que várias sejam as propostas que ficam a meio caminho entre esses níveis, que não apenas teóricos, mas da ordem do próprio objeto “texto”:   (1) sua materialidade de sequência organizada de sinais convencionais;  (2) seu estatuto de espaço de articulação de elementos estritamente linguísticos (que vão até o nível da frase e da junção de frases);  (3) sua natureza de unidade estruturada de segmentos linguístico-semióticos ligados à produção de um sentido que vai além da estruturação sintática das frases, sentido vinculado com os mecanismos de textura: a coesão, a coerência etc.;
  • 23.
    (4) seu estatuto de unidade potencial de sentido produzida - a partir das restrições do uso de sinais, da combinação de elementos linguísticos e dos mecanismos de criação de textura etc. - por sujeitos concretos, objetivados, isto é, transformados em sujeitos de discurso, numa dada situação histórico- social que sempre vai além da interação imediata, visto que aí se faz presente a soma total das relações e vivências sociais dos envolvidos, incluindo sua consciência individual (que também é histórico-social, mas não menos individual), relações entre grupos, classes, culturas e mesmo épocas, o que envolve as várias mediações institucionais, informais, ou do cotidiano, e do âmbito formal, estatal e de outros tipos
  • 24.
    Da perspectiva de uma translinguística, todos os elementos considerados pelas outras três são considerados pertinentes e relevantes. Não obstante, essa perspectiva mostra que faltam a todos esses modos de ver a textualidade, o texto, dois elementos cruciais para o entendimento do processo de produção textual de sentido: em primeiro lugar, a situação de produção do texto, da textualidade, da superfície textual, no âmbito do enunciado, do discurso, e, em segundo, como consequência lógica, os interlocutores aí envolvidos em termos de suas interrelações sócio-historicamente possíveis.
  • 25.
    Assim, o texto é um objeto material que, ao ser tomado como o texto produzido por um sujeito, é incorporado a um discurso, algo proferido por alguém num dado contexto, um processo cujas “marcas” estão no próprio texto! Logo, os sujeitos e os contextos não estão submetidos ao texto, não se podendo tomar o texto como unidade autárquica transferível integralmente. O texto traz assim potenciais de sentidos; é uma materialidade em que são criados sentidos a partir da produção do discurso, que transforma frases em enunciados. O texto em si, tal como a frase, não pertence a ninguém; o enunciado e o discurso, ao contrário, vêm de alguém, dirigem-se a alguém, são “endereçados”, trazem em si um tom avaliativo e remetem a uma compreensão responsiva ativa.
  • 26.
    O que édiscurso?  Discurso é uma unidade de produção de sentido que é parte das práticas simbólicas de sujeitos concretos e articulada dialogicamente às suas condições de produção, bem como vinculada constitutivamente com outros discursos. Mobilizando as formas da língua e as formas típicas de enunciados em suas condições sociais e históricas de produção, o discurso constitui seus sujeitos e inscreve em sua superfície sua própria existência e legitimidade social e histórica.
  • 27.
    O que égênero?  Gênero: formas ou tipos relativamente estáveis de enunciados/discursos que têm uma lógica própria, de caráter concreto, e recorrem a certos tipos estáveis de textualização (tipos de frases e de organizações frasais mobilizadas costumeiramente pelos enunciados e discursos de certos gêneros), mas não necessariamente a textualizações estáveis (frases e organizações frasais que sempre se repitam), pois são tipos ou formas de enunciados.
  • 28.
    Ainda o gênero Ou seja, gêneros são formas de interlocução vinculadas a esferas de atividade, onde ocorre a produção, circulação e recepção de discursos, definindo-se através da forma de composição, do tema e do estilo, mobilizados pelo projeto enunciativo, estando este vinculado com uma dada arquitetônica.
  • 29.
     Chamo sentido ao que é resposta a uma pergunta. O que não responde a nenhuma pergunta carece de sentido. [...] O sentido sempre responde a uma pergunta. O que não responde a nada parece-nos insensato, separa-se do diálogo.
  • 30.
    Essa consideração [dodestinatário] irá determinar também a escolha do gênero do enunciado e a escolha dos procedimentos composicionais e, por último, dos meios linguísticos, isto é, o estilo do enunciado. (Bakhtin 1953/2003, p. 302) Portanto, o direcionamento, o endereçamento do enunciado é sua peculiaridade constitutiva, sem a qual não há nem pode haver enunciado [grifei]. As várias formas típicas de tal direcionamento e as diferentes concepções típicas de destinatários são peculiaridades constitutivas e determinantes dos vários gêneros do discurso. (...) A escolha de todos os recursos linguísticos é feita pelo falante sob maior ou menor influência do destinatário e da sua resposta antecipada [grifei]. (Bakhtin 1953/2003, p. 305-306)
  • 31.
     Logo, ostipos de textos descrevem dominantes textuais; formas de textualização descrevem formas habitualmente, mas não obrigatoriamente, empregadas em gêneros do discurso; e gêneros do discurso são formas relativamente estáveis de interlocução vinculadas a esferas de atividade, onde ocorre a produção, circulação e recepção de discursos, definindo-se através da forma de composição, do tema e do estilo, mobilizados pelo projeto enunciativo de um dado locutor, estando este vinculado com uma dada arquitetônica.
  • 32.
    De modo geral, numa análise, fazem-se “perguntas” aos exemplares de gênero. Essas perguntas abordam (1) as condições em que os gêneros são produzidos e recebidos e nas quais circulam e quem os produz para quem; e (2) as características textuais e composicionais desses exemplares. Em outras palavras, cabe cobrir os aspectos textuais mais restritos e os aspectos enunciativos mais amplos, porque um gênero é composto por um texto inserido de uma dada maneira num contexto. Não se deve propriamente procurar isolar tema, estilo e forma de composição, mas ver o texto a partir dessas categorias. E as perguntas devem ser adequadas ao nível dos alunos com os quais se trabalha usando os gêneros.