A NOÇÃO DE SEQUÊNCIA TEXTUAL NA ANÁLISE PRAGMÁTICO-TEXTUAL DE JEAN-MICHEL ADAMCláudia ElianeElisângela SilvaEvaneuda AraújoLyzanne MacêdoMaura ReginaSandra SilvaESPECIALIZAÇÃO EM LINGUÍSTICAINSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO PIAUÍ – IFPISETEMBRO/2011
INTRODUÇÃO Apresenta a noção de sequência textual conforme delineada por Jean-Michel Adam em sua obra.
 A exposição estará centrada nos textos do final dos anos 1980 e início dos anos de 1990.
Adam aproxima os quadros teóricos da linguística textual e da análise do discurso francesa, apontando o texto como um objeto circundado e determinado pelo discurso. Partindo da enunciação ou das práticas discursivas (onde localiza o gênero, o discurso e o interdiscurso).   Cont... Delimita o campo da linguística textual como o responsável pelo estudo do modo como os mecanismos de textualização se constituem e se caracterizam.
 A sequência textual, um desses mecanismos, é vista como um conjunto de proposições psicológicas que se estabilizaram como recurso composicional dos vários gêneros.
 Bonini pretende, além de discorrer sobre a proposta teórica de Adam, tratar a sequência como uma noção pertinente ao debate nas diversas perspectivas do estudo dos gêneros (textuais, discursivos, de linguagem).Cont... Distribui os conteúdos em cinco seções:- No primeiro momento faz um breve apanhado das influências teóricas no trabalho de Adam;-Na segunda seção, procura delinear o quadro teórico proposto pelo autor, apresentando seu conceito de sequência;- Na terceira seção, apresenta os cinco tipos de sequências textuais que ele concebeu;-Na quarta, procura, em uma análise de dois exemplares do gênero crítica cinematográfica, aplicar o conceito de sequência;- Na última seção, tendo em vista o panorama teórico em relação ao tema, faz alguns apontamentos sobre a noção de sequência.
BASES TEÓRICAS DA NOÇÃO DE SEQUÊNCIA TEXTUAL NO TRABALHO DE ADAM Jean-Michel Adam procurou construir uma reflexão teórica que agrupasse as orientações formais e enunciativas a respeito do texto.Sua carreira de pesquisador foi marcada pelas questões de estudo e ensino da narrativa literária, motivo pelo qual ele recorreu ao quadro teórico da análise estrutural da narrativa (especialmente aos formalistas russos e aos autores do contexto francês como Algirdas Julien Greimas, Roland Barthes e Gérard Genette). Adam também sofreu influências dos trabalhos sobre gramática narrativa (principalmente pela perspectiva aberta por Teun A. Van Dijk) e dos trabalhos de análise do discurso francesa (inicialmente, os de Michel Pêcheux e, posteriormente, os de Dominique Maingueneau).
Cont...  Um de seus trabalhos iniciais mais conhecidos é Le récit (Adam, 1984), em que, sob a influência da análise do discurso francesa, propõe uma reorientação, em termos enunciativos, para o entendimento da narrativa. Nesse livro, já é possível visualizar as bases de seu conceito de sequência textual e de sua teoria do texto. A noção de sequência começa a ser definida em vários artigos publicados no decorrer da década de 1980(Adam, 1987), sendo aprofundada em seus três trabalhos mais importantes (Adam, 1990, 1992 e 1999). O livro de 1992 é dedicado inteiramente a esse tema e a noção de sequência se erige a partir de seis conceitos-chave, sendo eles: os conceitos de gênero e de enunciado de Bakhtin (1929, 1953), o de protótipo (Rosch, 1978), os de base e tipo de texto (Werlich, 1976) e o de superestrutura (Van Dijk, 1978).Cont... Bakhtin (1953) concebe os gêneros como “tipos       relativamente estáveis de enunciados”, entendendo por enunciado “ uma unidade real, estritamente delimitada pela alternância dos sujeitos falantes, e que termina por uma transferência da palavra ao outro [...]”.
 Bakhtin propõe ainda duas categorias de gêneros:- Os primários (tipos simples de enunciados);- Os secundários (tipos complexos que incorporam os primeiros).
Cont... Adam (1992) se vale da ideia de estabilidade de Bakhtin, propondo que os gêneros primários sejam vistos como tipos nucleares, menos heterogêneos, e como responsáveis pela estruturação dos gêneros secundários. Os gêneros primários são concebidos, então, como sequências textuais, ou seja, como componentes textuais (compostos por proposições relativamente estáveis e maleáveis), que atravessam os gêneros secundários.Cont... A estabilidade das sequências é pensada mediante raciocínio prototípico (Rosch, 1978, Kleiber, 1990).
 O protótipo, segundo Rosch, é o objeto mais típico da categoria; é aquele que reúne o maior número de pistas de validade para ser membro dela.
 Para Adam, os gêneros e seus exemplares são dispostos em categorias pelos traços que compartilham com as sequências (os protótipos).
 As sequências, por sua vez, são pensadas a partir dos conceitos de base e tipo de texto e de superestrutura textual.Cont... Werlich propôs o conceito de base de texto como uma forma de entender a competência textual do falante. Postulando também que existe cinco tipos de texto: a descrição, a narração, a exposição, a argumentação e a instrução. Sendo que, o conhecimento relativo aos tipos encerra também um modo de produção textual, uma vez que a base temática do texto corresponde a uma unidade temático-formal, a partir da qual o texto tem início e se expande na direção de um dos cinco tipos.Cont... Assim como Werlich, Adam assume que os tipos compõem um conjunto de recursos cognitivos responsáveis, em parte, pela produção do texto, mas não leva em consideração a explicação de Werlich sobre a referência contextual de base e sobre os processos cognitivos implicados na formação desses tipos, pois Adam entende que os componentes textuais existem em função/decorrência das práticas sociais da linguagem.Cont... Adam aceita ainda o princípio de que a sentença já traz marcas dos tipos de texto, embora vá postular que essas marcas se subordinam ao tipo que será produzido.Assim como os tipos servem caracteristicamente a vários gêneros textuais também as sentenças servem aos vários tipos.
Cont... Adam prefere distinguir a base do texto de um conhecimento sobre o texto. A descrição desse conhecimento tem inspiração no conceito superestrutura de Van Dijk (1973, 1978), bem como no modelo de processamento do texto de Kintsch e Van Dijk(1978), com recorrência ao conceito de proposição psicológica utilizado nesses trabalhos e desenvolvido por Kintsch (1974).Cont... A superestrutura é pensada, por Van Dijk (1978), como um esquema cognitivo composto por categorias vazias que, ao ser preenchidas, são responsáveis pela realização das partes características do texto. Kintsch e Van Dijk (1978) afirmam que a superestrutura intervém globalmente nos processamentos de compreensão e produção textual, pois organiza as proposições que vão sendo percebidas no texto, durante a leitura/escuta, ou linearizadas textualmente, durante a escritura/fala.Cont... A princípio Adam aceita a afirmação de Van Dijk de que a superestrutura seja um esquema textual superposto às estruturas gramaticais, mas, a partir de seu trabalho de 1992, deixa de usar o termo, pois ele vê nas sequências um tipo diferente de conhecimento daquele dos gêneros e, portanto, uma certa impropriedade do termo superestrutura. Em segundo lugar, o termo promove uma confusão entre plano de texto e esquema cognitivo de texto. Sendo assim, Adam propõe seu trabalho como uma “passagem de uma teoria das superestruturas para uma hipótese sobre a estrutura sequencial dos textos e sobre os protótipos dos esquemas sequenciais de base [...]” (1992).A estrutura composicional do texto resulta de dois processos composicionais:               A planificação e a estruturação É instaurada a partir		 Instaurada a partir     do gênero			                    da proposiçãoEntendido como um 	para combinar sequências plano de texto fixo           e obter um   plano de texto                                                  ocasional
Configuração pragmática	                                Alvo ilocucional (coerência)Submódulos	      Localização enunciativa		                          Coesão semântica(mundos)
Sucessão de proposição                                 Conectividade – coesão Submódulo                                        Sequencialidade – sequências                                                                    textuais
TIPOS DE SEQUÊNCIA TEXTUALA diferença fundamental da sequência em relação ao gênero, é sua menor variabilidade.
Os gêneros :
Marcam situações sociais específicas;
 São  essencialmente heterogêneos; 
As sequências são:
Componentes que atravessam todos os gêneros;
Relativamente estáveis, facilmente delimitáveis em  um pequeno conjunto de tipos (tipologia)SEQUÊNCIA NARRATIVA                       Segundo Adam, (1992), para identificar a sequência narrativa parte-se de seis características próprias :
1. A sucessão de eventos – a narrativa consiste na delimitação de um evento inserido em uma cadeia de eventos alinhados em ordem temporal.
2. A unidade temática – a ação narrada necessita ter um caráter de unidade, deve privilegiar um sujeito agente ou seja o personagem principal.
3. Os predicados transformados – o desenrolar de um fato implica a transformação das características do personagem, ou seja, será mau no início e se tornará bom no final etc.SEQUÊNCIA NARRATIVA4. O processo – a narrativa deve ter início, meio e  um fim.  A estruturação básica da sequência narrativa parte da ideia de processo. Para que haja o fato é necessário que ocorra uma transformação.
5. A intriga – a narrativa traz um conjunto de causas, de modo a dar sustentação aos fatos narrados. A intriga pode levar o narrador a alterar a ordem processual natural dos fatos, fazendo com que a narrativa por exemplo, comece pelo meio.
6. A moral – muitas narrativas trazem uma reflexão sobre o fato narrado, que pode encerrar a verdadeira razão de se contar aquela história. Não é uma parte essencial à sequência narrativa, de modo que pode vir implícita.SEQUÊNCIA NARRATIVACom base em todos esses elementos e inspirado principalmente em Labov & Waletzky (1967), o esquema prototípico da sequência narrativa é descrito como contendo cinco macroproposições que perfazem a situação inicial, a complicação, as (re)ações, a situação final e a moral.  
SEQUÊNCIA ARGUMENTATIVAArgumentar é a construção por um falante de um discurso que visa modificar a visão de outro sobre determinado objeto, alterando, assim, o seu discurso.
Conforme Ducrot  (1987, 1988), é construído com base em um já- dito, em um dizer temporariamente anterior (e conhecido pelo interlocutor)que na sua forma mais característica, aparece implícito.SEQUÊNCIA ARGUMENTATIVAConsiste na contraposição de enunciados, tendo sua sustentação em operadores argumentativos. Estes operadores são palavras que tem a função de opor um enunciado que está sendo proferido a um já dito denominado topos. O operador argumentativo mais característico é a conjunção mas.
Adam apresenta, como  um exemplo característico de enunciado argumentativo, a frase :
SEQUÊNCIA DESCRITIVAA sequência descritiva  é:A menos autônoma dentre todas, e dificilmente predominará em um texto;
Sua ocorrência mais característica é como parte da sequência narrativa;
Não apresenta uma ordem muito fixa;SEQUÊNCIA DESCRITIVAAdam, aponta três partes para a descrição:Uma ancoragem;
Uma dispersão de propriedades;
Uma reformulação.Na descrição, após se estabelecer o tema –título, haverá  uma especificação dele, por meio da aspectualização e/ou do estabelecimento de relação.
SEQUÊNCIA DESCRITIVA A aspectualização  caracteriza o objeto em seu aspecto físico e divide-se em dois subprocessos: O relato de propriedades do objeto ( qualidades)
E relato de partes de partes doobjeto (sinédoque)Cada uma das partes relatadas pode ser, por sua vez, especificada, reaplicando-se ciclicamente os mesmos processos (tematização).
SEQUÊNCIA DESCRITIVAO estabelecimento de relação, consiste em usar as características de uma parte relatada para compor outra, e subdivide-se em dois subprocessos:
A situação do objeto ( seja no espaço ou no tempo );
Assimilação de características;
A assimilação pode ocorrer via comparação ou via metáfora.SEQUÊNCIA  EXPLICATIVAEssa tipologia textual não tem a finalidade impressiva nem a força dinâmica próprias do texto argumentativo. A sua apresentação aparenta-se mais ao desenvolvimento descritivo, onde se expõem, definem, enumeram e explicam fatos e elementos de informação, fazendo com que seu interlocutor/leitor adquira um conhecimento que até então não tinha.
SEQUÊNCIA  EXPLICATIVAConstitui-se de três fases:  levantar um questionamento (problema);
 responder o questionamento (explicação/resposta);
 sumarizar a resposta, avaliando o problema (conclusão-avaliação).Exemplo de sequência explicativa Introduzido por uma sequência descritiva:Bem no alto da cadeia dos Pireneus, na base do monte Vignemale, se encontra o lago de Gaube. Neste lugar, usar um automóvel está fora de questão, pois só se chega lá por uma trilha estreita.		No entanto, na beira do lago, há um pequeno albergue: o de Madame Seyrès. E, neste albergue, há uma máquina de lavar roupa Radiosa.  
A sequência explicativa tem início com a pergunta:	Por que uma Radiosa?  Partes da explicação: a esquematização inicial;Ouça o que diz Madame Seyrès:	“Mesmo aqui é preciso uma máquina de lavar roupa. Para nossa roupa branca, claro. Além disso, mesmo isolado como se está, em um albergue, sempre há muitos guardanapos e toalhas para lavar”.
O problema:“Só é preciso uma máquina que não enguice.A explicação:Por que é muito difícil, para os técnicos, subir até aqui”.
Conclusão-avaliação:“Então, é preciso de algo forte. Nós sempretivemos uma Radiosa. E nunca tivemosaborrecimentos com ela.”Para a Radiosa, não só as máquinas de lavar roupa que não dão problemas: as lavadoras delouça, os fogões, as geladeiras e os freezerstambém são fabricados para durar como a máquinado lago de Gaube. Radiosa: Os eletrodomésticossem problemas. (Adam,1992, p.137)
Gêneros em que predomina a sequência explicativa:
Sequência dialogalPossui como característica fundamental, o fato de ser  formada por mais de um interlocutor, podendo estes interlocutores ser personagens, quando a sequência está inserida em um gênero de ficção.
Esquema dialogal abertura da interação {corpo da interação}{fechamento da interação}A abertura, em geral, é marcada por atos desaudação ou de apresentação; o fechamento,por atos de despedida ou agradecimento. Éno corpo da interação que se discorre sobreum assunto mais ou menos acolhido pelosinterlocutores.
Segundo Adam, há dois tipos de sequências:fáticas – são ritualísticas e têm a função de abrir e fechar a interação. (Adam, 1992, p 156)	Ex:	A1 - Bom dia!B1 - Bom dia!	[...]Ax - Até logo.Bx - Até logo.
Segundo Adam, há dois tipos de sequências:transacionais – são as que compõem o corpo da interação onde está realmente a razão do ato comunicativo.	Ex:	A1 - Desculpe. Você tem horas?B1 - Claro. São 6 horas.A2 - Obrigado.
EMPREGANDO A NOÇÃO DE SEQUÊNCIA NA ANÁLISE DE EXEMPLARES DO GÊNERO “CRÍTICA DE CINEMA”Adam (1992): Sequências             considerar o                                         gênero(1999): considera o intertexto (condições de produção) e o processo de esquematizaçãoCONT...
ANÁLISE DA CRÍTICA DE CINEMABonini leva em consideração:
As sequências;
Os processos de planificação e esquematização;
Comparação com a resenha acadêmica de livros (gênero mais próximo);RESENHA ACADÊMICAMotta-Roth (2002) - gênero composto pelos seguintes movimentos:CRÍTICA DE CINEMADescrição de Beacco & Darot (apud Machado, 1996);
Caracteriza-se por três operações que determinam sua estruturação:
Descrever;
Apreciar;
Interpretar.CRÍTICA DE CINEMAMachado (1996)- Concebe dois gêneros com esta configuração:
Resumos;
Resenhas críticas de cinema

Sequencia textual

  • 1.
    A NOÇÃO DESEQUÊNCIA TEXTUAL NA ANÁLISE PRAGMÁTICO-TEXTUAL DE JEAN-MICHEL ADAMCláudia ElianeElisângela SilvaEvaneuda AraújoLyzanne MacêdoMaura ReginaSandra SilvaESPECIALIZAÇÃO EM LINGUÍSTICAINSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO PIAUÍ – IFPISETEMBRO/2011
  • 2.
    INTRODUÇÃO Apresenta anoção de sequência textual conforme delineada por Jean-Michel Adam em sua obra.
  • 3.
    A exposiçãoestará centrada nos textos do final dos anos 1980 e início dos anos de 1990.
  • 4.
    Adam aproxima osquadros teóricos da linguística textual e da análise do discurso francesa, apontando o texto como um objeto circundado e determinado pelo discurso. Partindo da enunciação ou das práticas discursivas (onde localiza o gênero, o discurso e o interdiscurso). Cont... Delimita o campo da linguística textual como o responsável pelo estudo do modo como os mecanismos de textualização se constituem e se caracterizam.
  • 5.
    A sequênciatextual, um desses mecanismos, é vista como um conjunto de proposições psicológicas que se estabilizaram como recurso composicional dos vários gêneros.
  • 6.
    Bonini pretende,além de discorrer sobre a proposta teórica de Adam, tratar a sequência como uma noção pertinente ao debate nas diversas perspectivas do estudo dos gêneros (textuais, discursivos, de linguagem).Cont... Distribui os conteúdos em cinco seções:- No primeiro momento faz um breve apanhado das influências teóricas no trabalho de Adam;-Na segunda seção, procura delinear o quadro teórico proposto pelo autor, apresentando seu conceito de sequência;- Na terceira seção, apresenta os cinco tipos de sequências textuais que ele concebeu;-Na quarta, procura, em uma análise de dois exemplares do gênero crítica cinematográfica, aplicar o conceito de sequência;- Na última seção, tendo em vista o panorama teórico em relação ao tema, faz alguns apontamentos sobre a noção de sequência.
  • 7.
    BASES TEÓRICAS DANOÇÃO DE SEQUÊNCIA TEXTUAL NO TRABALHO DE ADAM Jean-Michel Adam procurou construir uma reflexão teórica que agrupasse as orientações formais e enunciativas a respeito do texto.Sua carreira de pesquisador foi marcada pelas questões de estudo e ensino da narrativa literária, motivo pelo qual ele recorreu ao quadro teórico da análise estrutural da narrativa (especialmente aos formalistas russos e aos autores do contexto francês como Algirdas Julien Greimas, Roland Barthes e Gérard Genette). Adam também sofreu influências dos trabalhos sobre gramática narrativa (principalmente pela perspectiva aberta por Teun A. Van Dijk) e dos trabalhos de análise do discurso francesa (inicialmente, os de Michel Pêcheux e, posteriormente, os de Dominique Maingueneau).
  • 8.
    Cont... Umde seus trabalhos iniciais mais conhecidos é Le récit (Adam, 1984), em que, sob a influência da análise do discurso francesa, propõe uma reorientação, em termos enunciativos, para o entendimento da narrativa. Nesse livro, já é possível visualizar as bases de seu conceito de sequência textual e de sua teoria do texto. A noção de sequência começa a ser definida em vários artigos publicados no decorrer da década de 1980(Adam, 1987), sendo aprofundada em seus três trabalhos mais importantes (Adam, 1990, 1992 e 1999). O livro de 1992 é dedicado inteiramente a esse tema e a noção de sequência se erige a partir de seis conceitos-chave, sendo eles: os conceitos de gênero e de enunciado de Bakhtin (1929, 1953), o de protótipo (Rosch, 1978), os de base e tipo de texto (Werlich, 1976) e o de superestrutura (Van Dijk, 1978).Cont... Bakhtin (1953) concebe os gêneros como “tipos relativamente estáveis de enunciados”, entendendo por enunciado “ uma unidade real, estritamente delimitada pela alternância dos sujeitos falantes, e que termina por uma transferência da palavra ao outro [...]”.
  • 9.
    Bakhtin propõeainda duas categorias de gêneros:- Os primários (tipos simples de enunciados);- Os secundários (tipos complexos que incorporam os primeiros).
  • 10.
    Cont... Adam (1992)se vale da ideia de estabilidade de Bakhtin, propondo que os gêneros primários sejam vistos como tipos nucleares, menos heterogêneos, e como responsáveis pela estruturação dos gêneros secundários. Os gêneros primários são concebidos, então, como sequências textuais, ou seja, como componentes textuais (compostos por proposições relativamente estáveis e maleáveis), que atravessam os gêneros secundários.Cont... A estabilidade das sequências é pensada mediante raciocínio prototípico (Rosch, 1978, Kleiber, 1990).
  • 11.
    O protótipo,segundo Rosch, é o objeto mais típico da categoria; é aquele que reúne o maior número de pistas de validade para ser membro dela.
  • 12.
    Para Adam,os gêneros e seus exemplares são dispostos em categorias pelos traços que compartilham com as sequências (os protótipos).
  • 13.
    As sequências,por sua vez, são pensadas a partir dos conceitos de base e tipo de texto e de superestrutura textual.Cont... Werlich propôs o conceito de base de texto como uma forma de entender a competência textual do falante. Postulando também que existe cinco tipos de texto: a descrição, a narração, a exposição, a argumentação e a instrução. Sendo que, o conhecimento relativo aos tipos encerra também um modo de produção textual, uma vez que a base temática do texto corresponde a uma unidade temático-formal, a partir da qual o texto tem início e se expande na direção de um dos cinco tipos.Cont... Assim como Werlich, Adam assume que os tipos compõem um conjunto de recursos cognitivos responsáveis, em parte, pela produção do texto, mas não leva em consideração a explicação de Werlich sobre a referência contextual de base e sobre os processos cognitivos implicados na formação desses tipos, pois Adam entende que os componentes textuais existem em função/decorrência das práticas sociais da linguagem.Cont... Adam aceita ainda o princípio de que a sentença já traz marcas dos tipos de texto, embora vá postular que essas marcas se subordinam ao tipo que será produzido.Assim como os tipos servem caracteristicamente a vários gêneros textuais também as sentenças servem aos vários tipos.
  • 14.
    Cont... Adam preferedistinguir a base do texto de um conhecimento sobre o texto. A descrição desse conhecimento tem inspiração no conceito superestrutura de Van Dijk (1973, 1978), bem como no modelo de processamento do texto de Kintsch e Van Dijk(1978), com recorrência ao conceito de proposição psicológica utilizado nesses trabalhos e desenvolvido por Kintsch (1974).Cont... A superestrutura é pensada, por Van Dijk (1978), como um esquema cognitivo composto por categorias vazias que, ao ser preenchidas, são responsáveis pela realização das partes características do texto. Kintsch e Van Dijk (1978) afirmam que a superestrutura intervém globalmente nos processamentos de compreensão e produção textual, pois organiza as proposições que vão sendo percebidas no texto, durante a leitura/escuta, ou linearizadas textualmente, durante a escritura/fala.Cont... A princípio Adam aceita a afirmação de Van Dijk de que a superestrutura seja um esquema textual superposto às estruturas gramaticais, mas, a partir de seu trabalho de 1992, deixa de usar o termo, pois ele vê nas sequências um tipo diferente de conhecimento daquele dos gêneros e, portanto, uma certa impropriedade do termo superestrutura. Em segundo lugar, o termo promove uma confusão entre plano de texto e esquema cognitivo de texto. Sendo assim, Adam propõe seu trabalho como uma “passagem de uma teoria das superestruturas para uma hipótese sobre a estrutura sequencial dos textos e sobre os protótipos dos esquemas sequenciais de base [...]” (1992).A estrutura composicional do texto resulta de dois processos composicionais: A planificação e a estruturação É instaurada a partir Instaurada a partir do gênero da proposiçãoEntendido como um para combinar sequências plano de texto fixo e obter um plano de texto ocasional
  • 15.
    Configuração pragmática Alvo ilocucional (coerência)Submódulos Localização enunciativa Coesão semântica(mundos)
  • 16.
    Sucessão de proposição Conectividade – coesão Submódulo Sequencialidade – sequências textuais
  • 17.
    TIPOS DE SEQUÊNCIATEXTUALA diferença fundamental da sequência em relação ao gênero, é sua menor variabilidade.
  • 18.
  • 19.
  • 20.
    São  essencialmenteheterogêneos; 
  • 21.
  • 22.
    Componentes que atravessamtodos os gêneros;
  • 23.
    Relativamente estáveis, facilmentedelimitáveis em um pequeno conjunto de tipos (tipologia)SEQUÊNCIA NARRATIVA                       Segundo Adam, (1992), para identificar a sequência narrativa parte-se de seis características próprias :
  • 24.
    1. A sucessãode eventos – a narrativa consiste na delimitação de um evento inserido em uma cadeia de eventos alinhados em ordem temporal.
  • 25.
    2. A unidadetemática – a ação narrada necessita ter um caráter de unidade, deve privilegiar um sujeito agente ou seja o personagem principal.
  • 26.
    3. Os predicadostransformados – o desenrolar de um fato implica a transformação das características do personagem, ou seja, será mau no início e se tornará bom no final etc.SEQUÊNCIA NARRATIVA4. O processo – a narrativa deve ter início, meio e  um fim.  A estruturação básica da sequência narrativa parte da ideia de processo. Para que haja o fato é necessário que ocorra uma transformação.
  • 27.
    5. A intriga– a narrativa traz um conjunto de causas, de modo a dar sustentação aos fatos narrados. A intriga pode levar o narrador a alterar a ordem processual natural dos fatos, fazendo com que a narrativa por exemplo, comece pelo meio.
  • 28.
    6. A moral– muitas narrativas trazem uma reflexão sobre o fato narrado, que pode encerrar a verdadeira razão de se contar aquela história. Não é uma parte essencial à sequência narrativa, de modo que pode vir implícita.SEQUÊNCIA NARRATIVACom base em todos esses elementos e inspirado principalmente em Labov & Waletzky (1967), o esquema prototípico da sequência narrativa é descrito como contendo cinco macroproposições que perfazem a situação inicial, a complicação, as (re)ações, a situação final e a moral.  
  • 30.
    SEQUÊNCIA ARGUMENTATIVAArgumentar éa construção por um falante de um discurso que visa modificar a visão de outro sobre determinado objeto, alterando, assim, o seu discurso.
  • 31.
    Conforme Ducrot  (1987,1988), é construído com base em um já- dito, em um dizer temporariamente anterior (e conhecido pelo interlocutor)que na sua forma mais característica, aparece implícito.SEQUÊNCIA ARGUMENTATIVAConsiste na contraposição de enunciados, tendo sua sustentação em operadores argumentativos. Estes operadores são palavras que tem a função de opor um enunciado que está sendo proferido a um já dito denominado topos. O operador argumentativo mais característico é a conjunção mas.
  • 32.
    Adam apresenta, como um exemplo característico de enunciado argumentativo, a frase :
  • 33.
    SEQUÊNCIA DESCRITIVAA sequênciadescritiva  é:A menos autônoma dentre todas, e dificilmente predominará em um texto;
  • 34.
    Sua ocorrência maiscaracterística é como parte da sequência narrativa;
  • 35.
    Não apresenta umaordem muito fixa;SEQUÊNCIA DESCRITIVAAdam, aponta três partes para a descrição:Uma ancoragem;
  • 36.
    Uma dispersão depropriedades;
  • 37.
    Uma reformulação.Na descrição,após se estabelecer o tema –título, haverá  uma especificação dele, por meio da aspectualização e/ou do estabelecimento de relação.
  • 38.
    SEQUÊNCIA DESCRITIVA A aspectualização caracteriza o objeto em seu aspecto físico e divide-se em dois subprocessos: O relato de propriedades do objeto ( qualidades)
  • 39.
    E relato departes de partes doobjeto (sinédoque)Cada uma das partes relatadas pode ser, por sua vez, especificada, reaplicando-se ciclicamente os mesmos processos (tematização).
  • 40.
    SEQUÊNCIA DESCRITIVAO estabelecimentode relação, consiste em usar as características de uma parte relatada para compor outra, e subdivide-se em dois subprocessos:
  • 41.
    A situação doobjeto ( seja no espaço ou no tempo );
  • 42.
  • 43.
    A assimilação podeocorrer via comparação ou via metáfora.SEQUÊNCIA EXPLICATIVAEssa tipologia textual não tem a finalidade impressiva nem a força dinâmica próprias do texto argumentativo. A sua apresentação aparenta-se mais ao desenvolvimento descritivo, onde se expõem, definem, enumeram e explicam fatos e elementos de informação, fazendo com que seu interlocutor/leitor adquira um conhecimento que até então não tinha.
  • 44.
    SEQUÊNCIA EXPLICATIVAConstitui-sede três fases: levantar um questionamento (problema);
  • 45.
    responder oquestionamento (explicação/resposta);
  • 46.
    sumarizar aresposta, avaliando o problema (conclusão-avaliação).Exemplo de sequência explicativa Introduzido por uma sequência descritiva:Bem no alto da cadeia dos Pireneus, na base do monte Vignemale, se encontra o lago de Gaube. Neste lugar, usar um automóvel está fora de questão, pois só se chega lá por uma trilha estreita. No entanto, na beira do lago, há um pequeno albergue: o de Madame Seyrès. E, neste albergue, há uma máquina de lavar roupa Radiosa.  
  • 47.
    A sequência explicativatem início com a pergunta: Por que uma Radiosa? Partes da explicação: a esquematização inicial;Ouça o que diz Madame Seyrès: “Mesmo aqui é preciso uma máquina de lavar roupa. Para nossa roupa branca, claro. Além disso, mesmo isolado como se está, em um albergue, sempre há muitos guardanapos e toalhas para lavar”.
  • 48.
    O problema:“Só épreciso uma máquina que não enguice.A explicação:Por que é muito difícil, para os técnicos, subir até aqui”.
  • 49.
    Conclusão-avaliação:“Então, é precisode algo forte. Nós sempretivemos uma Radiosa. E nunca tivemosaborrecimentos com ela.”Para a Radiosa, não só as máquinas de lavar roupa que não dão problemas: as lavadoras delouça, os fogões, as geladeiras e os freezerstambém são fabricados para durar como a máquinado lago de Gaube. Radiosa: Os eletrodomésticossem problemas. (Adam,1992, p.137)
  • 50.
    Gêneros em quepredomina a sequência explicativa:
  • 51.
    Sequência dialogalPossui comocaracterística fundamental, o fato de ser formada por mais de um interlocutor, podendo estes interlocutores ser personagens, quando a sequência está inserida em um gênero de ficção.
  • 52.
    Esquema dialogal aberturada interação {corpo da interação}{fechamento da interação}A abertura, em geral, é marcada por atos desaudação ou de apresentação; o fechamento,por atos de despedida ou agradecimento. Éno corpo da interação que se discorre sobreum assunto mais ou menos acolhido pelosinterlocutores.
  • 53.
    Segundo Adam, hádois tipos de sequências:fáticas – são ritualísticas e têm a função de abrir e fechar a interação. (Adam, 1992, p 156) Ex: A1 - Bom dia!B1 - Bom dia! [...]Ax - Até logo.Bx - Até logo.
  • 54.
    Segundo Adam, hádois tipos de sequências:transacionais – são as que compõem o corpo da interação onde está realmente a razão do ato comunicativo. Ex: A1 - Desculpe. Você tem horas?B1 - Claro. São 6 horas.A2 - Obrigado.
  • 55.
    EMPREGANDO A NOÇÃODE SEQUÊNCIA NA ANÁLISE DE EXEMPLARES DO GÊNERO “CRÍTICA DE CINEMA”Adam (1992): Sequências considerar o gênero(1999): considera o intertexto (condições de produção) e o processo de esquematizaçãoCONT...
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    ANÁLISE DA CRÍTICADE CINEMABonini leva em consideração:
  • 57.
  • 58.
    Os processos deplanificação e esquematização;
  • 59.
    Comparação com aresenha acadêmica de livros (gênero mais próximo);RESENHA ACADÊMICAMotta-Roth (2002) - gênero composto pelos seguintes movimentos:CRÍTICA DE CINEMADescrição de Beacco & Darot (apud Machado, 1996);
  • 60.
    Caracteriza-se por trêsoperações que determinam sua estruturação:
  • 61.
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  • 63.
    Interpretar.CRÍTICA DE CINEMAMachado(1996)- Concebe dois gêneros com esta configuração:
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