“RETEXTUALIZAÇÃO DA FALA PARA A
ESCRITA”
Marcuschi (2003)
Texto falado e escrito
 as semelhanças são maiores que as diferenças
tanto no aspecto linguistico quanto no aspecto
sociocomunicativo;
 As relações podem ser mais bem compreendidas
dos genêros textuais (tabela de Marcuschi);
 As duas modalidades são normatizadas;
 São multissistemicas (gestualidade,mimica, prosodia
– fala; cor, tamanho, simbolos – escrita);
 Não tem relação dicotomica.
O que é RETEXTUALIZAÇÃO?
RETEXTUALIZAÇÃO
 Passagem do texto falado para o texto escrito.
 Não é um processo mecânico. Ela é
automatizada;
 A passagem do texto oral para o escrito recebe
interferências mais ou menos acentuadas a
depender do que se tem em vista;
 Não é a passagem do caos para a ordem: é a
passagem de uma ordem para outra ordem;
Eventos linguísticos de
retextualização no cotidiano
 A secretária que anota informações orais do
chefe e com elas redige um documento;
 A ata de reunião;
 Uma pessoa contando a uma outra o que
acabou de ler no jornal/revista;
 Aluno que faz anotações da aula do
professor;
 Uma revista que edita uma entrevista;
Operações de
produção do texto
escrito a partir do
texto falado
O modelo de operações de
retextualizaçao
 Não pode ser tomado como formula / mágica;
 Regras de regularização e idealização –
estratégias de eliminação e inserção (1-4);
 Transformação - substituição , seleção e
acréscimo, reordenação e condesação (5-9);
 O indivíduo pode concluir sua atividade em
qualquer ponto;
 A depender do gênero textual, propósito,
condições de produção, haveria uma
perspectiva diversa na retextualizacao
Entrevista com o traficante “XAXIM”
Líder do Morro do Dendê – RJ.
“Não... a parada é que a gente já começou a fazer essa campanha aí desde
que começaram a falar na história de... vou ser bem sincero com a senhora...
quando começaram a falar esse negócio aí de... de reverendo... eu já não me
interessei muito, que eu não sou chegado a negócio de de religião... tal... aí
bateram pra mim que não era bem assim, que era referendo, que era outra
parada, que pô e... e ... que pam... e aí... aí ia discutir sobre o desarmamento,
certo? ... Aí, po! Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns cara que ia vota pro
não... Aí falamo assim... porra... começamo a conversar com os camarada
aqui da área mermo... falamo, aí, po, o bagulho é a gente votar o SIM, cara; e
aí resolvemo faze a campanha, que a senhora sabe que...po, aqui o.. a
comunidade é muito unida, certo? ... E... assim... desde que eu to... que eu
assumi aqui o bagulho aqui, desde que eu assumi ... eu to... eu vou mandando
mermo. Então, a gente damo ... já demo cesta básica aí pras pessoas, já demo
..., já demo aí... silicone pras menina que qué coloca... que qué coloca peito...
é, a gente ajuda, certo? Aí demo dente aí pro povo que... aí... precisa, que não
tem dentadura; e.. e... mas em troca disso as pessoa tem que aderir à nossa
campanha, certo? ... Aí pedi aqui... pedi não, né... que aqui a gente baixou a
ordi e o morro todo aqui, o Dendê inteiro tá votando SIM”.
• Hesitações: ah..., eh, ...e..., o.., dos..., etc.
• Marcadores conversacionais lexicalizados: né, sabe, bom,
bem, assim, tipo assim, certo, viu, entendeu, que acha, hã,
hum, etc.
• Truncamentos de palavras: Sabe a Camilla el/ ela viu o
Pedro, daí ela fal/ falo assim.
• Sobreposições de vozes, que caracterizam dois falantes
falando ao mesmo tempo.
• Observações metalingüísticas sobre a situacionalidade ou
sobre o fluxo da fala: ((risos)), ((ruídos)), ((tosse)), ((vozes
externas)), etc.
OPERAÇÃO 1: Eliminação das marcas
interacionais, hesitações e partes de palavras.
RETEXTUALIZAÇÃO
“Não... a parada é que a gente já começou a fazer essa campanha aí
desde que começaram a falar na história de... vou ser bem sincero
com a senhora... quando começaram a falar esse negócio aí de... de
reverendo... eu já não me interessei muito, que eu não sou chegado a
negócio de de religião... tal... aí bateram pra mim que não era bem
assim, que era referendo, que era outra parada, que pô e... e ... que
pam... e aí... aí ia discutir sobre o desarmamento, certo? ... Aí, po!
Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns cara que ia vota pro não... Aí
falamo assim... porra... começamo a conversar com os camarada
aqui da área mermo... falamo, aí, po, o bagulho é a gente votar o SIM,
cara; e aí resolvemo faze a campanha, que a senhora sabe que...po,
aqui o.. a comunidade é muito unida, certo? ... E... assim... desde que
eu to... que eu assumi aqui o bagulho aqui, desde que eu assumi ... eu
to... eu vou mandando mermo.
OPERAÇÃO 1: Eliminação das marcas interacionais, hesitações e
partes de palavras.
“Não... a parada é que a gente já começou a fazer essa campanha aí
desde que começaram a falar na história de... vou ser bem sincero
com a senhora... quando começaram a falar esse negócio aí de... de
reverendo... eu já não me interessei muito, que eu não sou chegado a
negócio de de religião... tal... aí bateram pra mim que não era bem
assim, que era referendo, que era outra parada, que pô e... e ... que
pam... e aí... aí ia discutir sobre o desarmamento, certo? ... Aí, po!
Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns cara que ia vota pro não... Aí
falamo assim... porra... começamo a conversar com os camarada
aqui da área mermo... falamo, aí, po, o bagulho é a gente votar o SIM,
cara; e aí resolvemo faze a campanha, que a senhora sabe que...po,
aqui o.. a comunidade é muito unida, certo? ... E... assim... desde que
eu to... que eu assumi aqui o bagulho aqui, desde que eu assumi ... eu
to... eu vou mandando mermo.
OPERAÇÃO 1: Eliminação das marcas
interacionais, hesitações e partes de palavras.
RETEXTUALIZAÇÃO
“A parada é que a gente já começou a fazer essa campanha desde que
começaram a falar nessa história de, vou ser bem sincero com a
senhora, quando começaram a falar sobre esse negócio de reverendo
eu já não me interessei muito, que eu não sou chegado a negócio de
religião. Bateram pra mim que não era bem assim, que era referendo,
que era outra parada, que ia discutir sobre o desarmamento. Tinha
uns cara que ia votá o SIM e uns cara que ia vota pro NÃO. Falamo
assim, começamo a conversar com os camarada aqui da área mermo.
Falamo, o bagulho é a gente votar o SIM, e resolvemo faze a
campanha.
- um primeiro mecanismo de inserção da representação
sonora que é marcada na escrita pela pontuação.
Na escrita, as unidades devem ser visivelmente marcadas
por pontos, vírgulas, dois pontos e etc, numa dependência
intuitiva da prosódia da fala, pois auxilia na construção e
interpretação do texto escrito a depender das intenções do
indivíduo que o re-textualiza.
Nessa operação poderá ou não aparecer a necessidade do
parágrafo, isso irá depender das necessidades e intuições do
retextualizador.
OPERAÇÃO 2: Introdução da pontuação com base na
intuição fornecida pela prosódia e entoação na fala.
RETEXTUALIZAÇÃO
OPERAÇÃO 2: Introdução da pontuação com base na
intuição fornecida pela prosódia e entoação na fala.
RETEXTUALIZAÇÃO
“A parada é que a gente já começou a fazer essa campanha
desde que começaram a falar nessa história de, vou ser bem
sincero com a senhora, quando começaram a falar sobre esse
negócio de reverendo, eu já não me interessei muito, que eu não
sou chegado a negócio de religião. Bateram pra mim que não
era bem assim, que era referendo, que era outra parada, que ia
discutir sobre o desarmamento. Tinha uns cara que ia votá o
SIM e uns cara que ia vota pro NÃO. Falamo assim, começamo a
conversar com os camarada aqui da área mermo. Falamo: o
bagulho é a gente votar o SIM. E resolvemo faze a campanha.
OPERAÇÃO 3: Eliminação de repetições, reduplicações,
redundâncias, paráfrases e pronomes egóticos.
RETEXTUALIZAÇÃO
• Retirada de certos itens lexicais, sintagmas, orações ou
estruturas que estão a mais no texto, elementos sentidos
como desnecessariamente reduplicados.
• A retirada desses aspectos/elementos em conjunto, gera a
necessidade de reformulações parafrásicas. O texto
certamente sofre alterações na estrutura sintática. Os
pronomes egóticos (eu, nós) em função de sujeito são
eliminados, pois o morfema verbal marca a pessoa do verbo,
e eles se tornam redundantes.
•Quanto aos pronomes objetos (falei com ela, ele, você)
podem ainda permanecer, isso dependerá da maturidade
lingüística do aluno que o retextualiza.
OPERAÇÃO 3: Eliminação de repetições, reduplicações,
redundâncias, paráfrases e pronomes egóticos.
RETEXTUALIZAÇÃO
“A parada é que nós já começou a fazer essa campanha desde que
começaram a falar nessa história de, vou ser bem sincero com a
senhora, [quando começaram a falar sobre esse] negócio de
reverendo. Não me interessei muito, que não sou chegado a
religião. Bateram pra mim que não era bem assim, que era
referendo, que era outra parada, que ia discutir sobre o
desarmamento. Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns que ia
vota pro não. Começamo a conversar com os camarada da área.
Falamo: o bagulho é a gente votar o SIM. E resolvemo faze a
campanha
OPERAÇÃO 4: Introdução da paragrafação e pontuação
detalhada sem modificar a ordem dos tópicos.
RETEXTUALIZAÇÃO
• A questão do parágrafo não se acha necessariamente ligado à
pontuação, pois diz respeito a uma decisão de agrupamento do
conteúdo por critérios.
• Geralmente, a paragrafação surge da necessidade de se agrupar
um novo conjunto temático.
•É uma necessidade de "disciplinar" o texto, dando-lhe a aparência
mínima da escrita que tem normas mais específicas, constitui uma
espécie de depuração textual.
OPERAÇÃO 4: Introdução da paragrafação e pontuação
detalhada sem modificar a ordem dos tópicos.
RETEXTUALIZAÇÃO
“A parada é que nós já começou a fazer essa campanha desde que
começaram a falar nessa história de, vou ser bem sincero com a senhora,
negócio de reverendo, não me interessei muito, que não sou chegado a
religião. Bateram pra mim que não era bem assim, que era referendo, que
era outra parada que ia discutir sobre o desarmamento.
Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns que ia vota pro não. Começamo a
conversar com os camarada da área. Falamo: o bagulho é a gente votar o
SIM. E resolvemo faze a campanha.
OPERAÇÃO 5: Introdução de marcas metalinguísticas para a
Referenciação de ações e verbalização de contextos expressos por
dêitico.
RETEXTUALIZAÇÃO
• Essa operação geralmente é processada junto com a operação
seguinte. Aqui já se iniciam os processos de transformação
propriamente.
• Aplicam-se as atividades de substituição e reorganização de
natureza pragmática e morfossintática.
• Um dêitico como (esse, esta, aqui, lá, etc) devem estar ligados a
um referente no texto. Seu referente deve ser reconhecido no texto
OPERAÇÃO 5: Introdução de marcas metalingüísticas para a
referenciação de ações e verbalização de contextos expressos por
dêitico.
RETEXTUALIZAÇÃO
“A questão é que nós já começou a fazer a campanha desde que ouvimos
falar sobre a história de, vou ser bem sincero com a senhora, reverendo,
não me interessei muito, porque não gosto de religião. Disseram-me que
não era reverendo, mas sim referendo, ou seja, tratava-se de um assunto
que ia discutir sobre o desarmamento.
Havia algumas pessoas que iam votar o SIM e outras que iam votar pelo
NÃO. Conversamos com a comunidade e dissemos que era para todos
votarem pelo SIM. Então, resolvemos aderir à campanha.
OPERAÇÃO 6: Reconstrução de estruturas truncadas,
concordâncias, reordenação sintática, encadeamentos de orações.
RETEXTUALIZAÇÃO
• Essa operação complementa a anterior.
• As noções de completude, regência e concordância devem-se
voltar para as regras da escrita.
• Deve-se estar atento para a concordância entre sujeito e verbo,
substituição de sujeitos como "a gente vamos", por equivalentes.
• Preenchimentos de frases inacabadas, típicas da fala.
• Eliminação de pronomes sujeitos repetidos e uso da anáfora
pronominal sempre com antecedente explícito.
OPERAÇÃO 6: Reconstrução de estruturas truncadas,
concordâncias, reordenação sintática, encadeamentos de orações.
RETEXTUALIZAÇÃO
“A questão é que nós já começamos a fazer a campanha desde que
ouvimos falar sobre a história de reverendo, mas não me interessei
muito, porque não gosto de religião. Disseram-me que não era
reverendo, mas sim referendo, ou seja, tratava-se de um assunto que
ia discutir sobre o desarmamento.
Havia algumas pessoas que iam votar o SIM e outras que iam votar
pelo NÃO. Conversamos com a comunidade e dissemos que era para
todos votarem pelo SIM. Então, resolvemos aderir à campanha.
REFERÊNCIAS
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para a escrita: atividades
de retextualização. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2001.

Retextualização aula

  • 1.
    “RETEXTUALIZAÇÃO DA FALAPARA A ESCRITA” Marcuschi (2003)
  • 2.
    Texto falado eescrito  as semelhanças são maiores que as diferenças tanto no aspecto linguistico quanto no aspecto sociocomunicativo;  As relações podem ser mais bem compreendidas dos genêros textuais (tabela de Marcuschi);  As duas modalidades são normatizadas;  São multissistemicas (gestualidade,mimica, prosodia – fala; cor, tamanho, simbolos – escrita);  Não tem relação dicotomica.
  • 3.
    O que éRETEXTUALIZAÇÃO?
  • 4.
    RETEXTUALIZAÇÃO  Passagem dotexto falado para o texto escrito.  Não é um processo mecânico. Ela é automatizada;  A passagem do texto oral para o escrito recebe interferências mais ou menos acentuadas a depender do que se tem em vista;  Não é a passagem do caos para a ordem: é a passagem de uma ordem para outra ordem;
  • 5.
    Eventos linguísticos de retextualizaçãono cotidiano  A secretária que anota informações orais do chefe e com elas redige um documento;  A ata de reunião;  Uma pessoa contando a uma outra o que acabou de ler no jornal/revista;  Aluno que faz anotações da aula do professor;  Uma revista que edita uma entrevista;
  • 6.
    Operações de produção dotexto escrito a partir do texto falado
  • 7.
    O modelo deoperações de retextualizaçao  Não pode ser tomado como formula / mágica;  Regras de regularização e idealização – estratégias de eliminação e inserção (1-4);  Transformação - substituição , seleção e acréscimo, reordenação e condesação (5-9);  O indivíduo pode concluir sua atividade em qualquer ponto;  A depender do gênero textual, propósito, condições de produção, haveria uma perspectiva diversa na retextualizacao
  • 8.
    Entrevista com otraficante “XAXIM” Líder do Morro do Dendê – RJ. “Não... a parada é que a gente já começou a fazer essa campanha aí desde que começaram a falar na história de... vou ser bem sincero com a senhora... quando começaram a falar esse negócio aí de... de reverendo... eu já não me interessei muito, que eu não sou chegado a negócio de de religião... tal... aí bateram pra mim que não era bem assim, que era referendo, que era outra parada, que pô e... e ... que pam... e aí... aí ia discutir sobre o desarmamento, certo? ... Aí, po! Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns cara que ia vota pro não... Aí falamo assim... porra... começamo a conversar com os camarada aqui da área mermo... falamo, aí, po, o bagulho é a gente votar o SIM, cara; e aí resolvemo faze a campanha, que a senhora sabe que...po, aqui o.. a comunidade é muito unida, certo? ... E... assim... desde que eu to... que eu assumi aqui o bagulho aqui, desde que eu assumi ... eu to... eu vou mandando mermo. Então, a gente damo ... já demo cesta básica aí pras pessoas, já demo ..., já demo aí... silicone pras menina que qué coloca... que qué coloca peito... é, a gente ajuda, certo? Aí demo dente aí pro povo que... aí... precisa, que não tem dentadura; e.. e... mas em troca disso as pessoa tem que aderir à nossa campanha, certo? ... Aí pedi aqui... pedi não, né... que aqui a gente baixou a ordi e o morro todo aqui, o Dendê inteiro tá votando SIM”.
  • 9.
    • Hesitações: ah...,eh, ...e..., o.., dos..., etc. • Marcadores conversacionais lexicalizados: né, sabe, bom, bem, assim, tipo assim, certo, viu, entendeu, que acha, hã, hum, etc. • Truncamentos de palavras: Sabe a Camilla el/ ela viu o Pedro, daí ela fal/ falo assim. • Sobreposições de vozes, que caracterizam dois falantes falando ao mesmo tempo. • Observações metalingüísticas sobre a situacionalidade ou sobre o fluxo da fala: ((risos)), ((ruídos)), ((tosse)), ((vozes externas)), etc. OPERAÇÃO 1: Eliminação das marcas interacionais, hesitações e partes de palavras. RETEXTUALIZAÇÃO
  • 10.
    “Não... a paradaé que a gente já começou a fazer essa campanha aí desde que começaram a falar na história de... vou ser bem sincero com a senhora... quando começaram a falar esse negócio aí de... de reverendo... eu já não me interessei muito, que eu não sou chegado a negócio de de religião... tal... aí bateram pra mim que não era bem assim, que era referendo, que era outra parada, que pô e... e ... que pam... e aí... aí ia discutir sobre o desarmamento, certo? ... Aí, po! Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns cara que ia vota pro não... Aí falamo assim... porra... começamo a conversar com os camarada aqui da área mermo... falamo, aí, po, o bagulho é a gente votar o SIM, cara; e aí resolvemo faze a campanha, que a senhora sabe que...po, aqui o.. a comunidade é muito unida, certo? ... E... assim... desde que eu to... que eu assumi aqui o bagulho aqui, desde que eu assumi ... eu to... eu vou mandando mermo. OPERAÇÃO 1: Eliminação das marcas interacionais, hesitações e partes de palavras. “Não... a parada é que a gente já começou a fazer essa campanha aí desde que começaram a falar na história de... vou ser bem sincero com a senhora... quando começaram a falar esse negócio aí de... de reverendo... eu já não me interessei muito, que eu não sou chegado a negócio de de religião... tal... aí bateram pra mim que não era bem assim, que era referendo, que era outra parada, que pô e... e ... que pam... e aí... aí ia discutir sobre o desarmamento, certo? ... Aí, po! Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns cara que ia vota pro não... Aí falamo assim... porra... começamo a conversar com os camarada aqui da área mermo... falamo, aí, po, o bagulho é a gente votar o SIM, cara; e aí resolvemo faze a campanha, que a senhora sabe que...po, aqui o.. a comunidade é muito unida, certo? ... E... assim... desde que eu to... que eu assumi aqui o bagulho aqui, desde que eu assumi ... eu to... eu vou mandando mermo.
  • 11.
    OPERAÇÃO 1: Eliminaçãodas marcas interacionais, hesitações e partes de palavras. RETEXTUALIZAÇÃO “A parada é que a gente já começou a fazer essa campanha desde que começaram a falar nessa história de, vou ser bem sincero com a senhora, quando começaram a falar sobre esse negócio de reverendo eu já não me interessei muito, que eu não sou chegado a negócio de religião. Bateram pra mim que não era bem assim, que era referendo, que era outra parada, que ia discutir sobre o desarmamento. Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns cara que ia vota pro NÃO. Falamo assim, começamo a conversar com os camarada aqui da área mermo. Falamo, o bagulho é a gente votar o SIM, e resolvemo faze a campanha.
  • 12.
    - um primeiromecanismo de inserção da representação sonora que é marcada na escrita pela pontuação. Na escrita, as unidades devem ser visivelmente marcadas por pontos, vírgulas, dois pontos e etc, numa dependência intuitiva da prosódia da fala, pois auxilia na construção e interpretação do texto escrito a depender das intenções do indivíduo que o re-textualiza. Nessa operação poderá ou não aparecer a necessidade do parágrafo, isso irá depender das necessidades e intuições do retextualizador. OPERAÇÃO 2: Introdução da pontuação com base na intuição fornecida pela prosódia e entoação na fala. RETEXTUALIZAÇÃO
  • 13.
    OPERAÇÃO 2: Introduçãoda pontuação com base na intuição fornecida pela prosódia e entoação na fala. RETEXTUALIZAÇÃO “A parada é que a gente já começou a fazer essa campanha desde que começaram a falar nessa história de, vou ser bem sincero com a senhora, quando começaram a falar sobre esse negócio de reverendo, eu já não me interessei muito, que eu não sou chegado a negócio de religião. Bateram pra mim que não era bem assim, que era referendo, que era outra parada, que ia discutir sobre o desarmamento. Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns cara que ia vota pro NÃO. Falamo assim, começamo a conversar com os camarada aqui da área mermo. Falamo: o bagulho é a gente votar o SIM. E resolvemo faze a campanha.
  • 14.
    OPERAÇÃO 3: Eliminaçãode repetições, reduplicações, redundâncias, paráfrases e pronomes egóticos. RETEXTUALIZAÇÃO • Retirada de certos itens lexicais, sintagmas, orações ou estruturas que estão a mais no texto, elementos sentidos como desnecessariamente reduplicados. • A retirada desses aspectos/elementos em conjunto, gera a necessidade de reformulações parafrásicas. O texto certamente sofre alterações na estrutura sintática. Os pronomes egóticos (eu, nós) em função de sujeito são eliminados, pois o morfema verbal marca a pessoa do verbo, e eles se tornam redundantes. •Quanto aos pronomes objetos (falei com ela, ele, você) podem ainda permanecer, isso dependerá da maturidade lingüística do aluno que o retextualiza.
  • 15.
    OPERAÇÃO 3: Eliminaçãode repetições, reduplicações, redundâncias, paráfrases e pronomes egóticos. RETEXTUALIZAÇÃO “A parada é que nós já começou a fazer essa campanha desde que começaram a falar nessa história de, vou ser bem sincero com a senhora, [quando começaram a falar sobre esse] negócio de reverendo. Não me interessei muito, que não sou chegado a religião. Bateram pra mim que não era bem assim, que era referendo, que era outra parada, que ia discutir sobre o desarmamento. Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns que ia vota pro não. Começamo a conversar com os camarada da área. Falamo: o bagulho é a gente votar o SIM. E resolvemo faze a campanha
  • 16.
    OPERAÇÃO 4: Introduçãoda paragrafação e pontuação detalhada sem modificar a ordem dos tópicos. RETEXTUALIZAÇÃO • A questão do parágrafo não se acha necessariamente ligado à pontuação, pois diz respeito a uma decisão de agrupamento do conteúdo por critérios. • Geralmente, a paragrafação surge da necessidade de se agrupar um novo conjunto temático. •É uma necessidade de "disciplinar" o texto, dando-lhe a aparência mínima da escrita que tem normas mais específicas, constitui uma espécie de depuração textual.
  • 17.
    OPERAÇÃO 4: Introduçãoda paragrafação e pontuação detalhada sem modificar a ordem dos tópicos. RETEXTUALIZAÇÃO “A parada é que nós já começou a fazer essa campanha desde que começaram a falar nessa história de, vou ser bem sincero com a senhora, negócio de reverendo, não me interessei muito, que não sou chegado a religião. Bateram pra mim que não era bem assim, que era referendo, que era outra parada que ia discutir sobre o desarmamento. Tinha uns cara que ia votá o SIM e uns que ia vota pro não. Começamo a conversar com os camarada da área. Falamo: o bagulho é a gente votar o SIM. E resolvemo faze a campanha.
  • 18.
    OPERAÇÃO 5: Introduçãode marcas metalinguísticas para a Referenciação de ações e verbalização de contextos expressos por dêitico. RETEXTUALIZAÇÃO • Essa operação geralmente é processada junto com a operação seguinte. Aqui já se iniciam os processos de transformação propriamente. • Aplicam-se as atividades de substituição e reorganização de natureza pragmática e morfossintática. • Um dêitico como (esse, esta, aqui, lá, etc) devem estar ligados a um referente no texto. Seu referente deve ser reconhecido no texto
  • 19.
    OPERAÇÃO 5: Introduçãode marcas metalingüísticas para a referenciação de ações e verbalização de contextos expressos por dêitico. RETEXTUALIZAÇÃO “A questão é que nós já começou a fazer a campanha desde que ouvimos falar sobre a história de, vou ser bem sincero com a senhora, reverendo, não me interessei muito, porque não gosto de religião. Disseram-me que não era reverendo, mas sim referendo, ou seja, tratava-se de um assunto que ia discutir sobre o desarmamento. Havia algumas pessoas que iam votar o SIM e outras que iam votar pelo NÃO. Conversamos com a comunidade e dissemos que era para todos votarem pelo SIM. Então, resolvemos aderir à campanha.
  • 20.
    OPERAÇÃO 6: Reconstruçãode estruturas truncadas, concordâncias, reordenação sintática, encadeamentos de orações. RETEXTUALIZAÇÃO • Essa operação complementa a anterior. • As noções de completude, regência e concordância devem-se voltar para as regras da escrita. • Deve-se estar atento para a concordância entre sujeito e verbo, substituição de sujeitos como "a gente vamos", por equivalentes. • Preenchimentos de frases inacabadas, típicas da fala. • Eliminação de pronomes sujeitos repetidos e uso da anáfora pronominal sempre com antecedente explícito.
  • 21.
    OPERAÇÃO 6: Reconstruçãode estruturas truncadas, concordâncias, reordenação sintática, encadeamentos de orações. RETEXTUALIZAÇÃO “A questão é que nós já começamos a fazer a campanha desde que ouvimos falar sobre a história de reverendo, mas não me interessei muito, porque não gosto de religião. Disseram-me que não era reverendo, mas sim referendo, ou seja, tratava-se de um assunto que ia discutir sobre o desarmamento. Havia algumas pessoas que iam votar o SIM e outras que iam votar pelo NÃO. Conversamos com a comunidade e dissemos que era para todos votarem pelo SIM. Então, resolvemos aderir à campanha.
  • 22.
    REFERÊNCIAS MARCUSCHI, Luiz Antônio.Da fala para a escrita: atividades de retextualização. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2001.