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  1. 1. Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www.foxitsoftware.com For evaluation only. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA COMUNICAÇÃO1. CONCEITOSO QUE É A EXPRESSÃO?A expressão é a manifestação do pensamento ou das ideias. Como falantes da língua portuguesa,nós exprimimo-nos em português.O QUE É A COMUNICAÇÃO?A comunicação é um daqueles fenómenos mais fáceis de reconhecer do que definir. Ocorre comimensa frequência, nas mais diversas situações e assume diferentes formas: pelo olhar, através degestos, de símbolos, mas sobretudo a través da palavra, no nosso dia a dia.Inúmeros livros foram escritos com o objectivo de definir e explicar a comunicação. No entanto, épossível delinearmos, em poucas palavras, o conceito de comunicação, se nos concentrarmos nassuas características essenciais Processo dinâmico e interactivo Engloba, pelo menos, duas partes Objectivo de transmitir informaçãoEntão, podemos afirmar que a comunicação é um processo dinâmico porque evolui. A seguir épossível constatar que esse processo é eminentemente interactivo, pois tem de existir neste processopelo menos duas partes, que interajam uma com a outra. Finalmente, é perfeitamente legítimo dizerque o objectivo dessa interacção é a transmissão de informação. Não importa o conteúdo ou aessência da informação, o facto de ser longa ou breve, objectiva ou subjectiva, elementar ouelaborada.Então, tendo em conta essas quatro características, podemos partir para a nossa própria definição decomunicação:ANO LECTIVO 2009 / 2010 2
  2. 2. Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www.foxitsoftware.com For evaluation only. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO2. CARACTERÍSTICAS DA COMUNICAÇÃO HUMANApcom as pessoas. E há até teorias, ainda não de todo comprovadas, que defendem que os vegetaistambém possuem a capacidade de comunicar.Há, no entanto, uma profunda diferença entre a comunicação dos seres humanos e a dos animais.Há cerca de 100 anos, o sábio austríaco Van Frish descobriu que uma abelha quando detecta umafonte qualquer de açúcar, executa um rufar de asas específico, através do qual sinaliza às suascompanheiras a existência de alimento. Após século decorrido, os estudiosos da vida das abelhasobservam o mesmo fenómeno, executado da mesma forma. Se considerarmos que, em regra, osinsectos não são animais de ciclo de vida muito longo, quantas e quantas gerações de abelhas terãovivido desde que as observações de Van Frish foram realizadas? E, no entanto, o agitar de asas éexactamente o mesmo.Paralelamente, ao longo destes mesmos 100 anos, a comunicação humana passou por enormesalterações. Mudou, ampliou-se, cresceu em conteúdo e enriqueceu na formaÈ exactamente nestas alterações que reside a colossal diferença entre a comunicação humana e aanimal. Os animais transmitem informações e processam-nas, tal como o Homem, mas só ele temcapacidade para armazenar as informações, enriquecê-las e transmiti-las novamente, jácompletamente enriquecidas.Assim, podemos afirmar que só o ser humano: Transmite Processa Armazena Enriquece Reproduz a informação já enriquecida3. CONCEITO DE CULTURAA transmissão e o enriquecimento da informação ocorrem entre as pessoas de forma ininterrupta.Estamos permanentemente a receber informação, a ampliá-la e a retransmiti-la. A esse ciclogiratório denominamos de Cultura.Frequentemente utilizamos o vocábulo no seu sentido mais limitado, quando nos referimos aopatrimónio artístico e científico acumulado pelo género humano. Mas a cultura é muito mais: todosos hábitos, usos e costumes, formas de estar no mundo e de sentir e interpretar a realidadecircundante constituem a cultura de uma colectividade. Actualmente, a revolução tecnológica pelaqual o mundo tem passado, com enormíssimas consequências no plano da comunicação, tende aANO LECTIVO 2009 / 2010 3
  3. 3. Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www.foxitsoftware.com For evaluation only. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃOatenuar a diferença entre as culturas. Mas as diferenças ainda existem e certamente é utópico suporque, num futuro próximo, a humanidade venha a possuir uma e uma só cultura. E ainda bem queassim é: diferentes formas de pensar e de estar contribuem para o enriquecimento do patrimóniocomum da humanidade. Favorecem o ciclo de captação, de ampliação e retransmissão dainformação que antes referimos.Dissemos que esse ciclo é ininterrupto e é esse motor contínuo que mantém a cultura viva. Quandopára de rodar o ciclo de transmissão enriquecimento transmissão da informação, a cultura ficaestagnada e morre. E não é por outra causa que civilizações passadas (babilónios, egípcios, aztecase tantas mais) produziram culturas notáveis que, no entanto, por condicionantes diversas, deixaramum dia de evoluir, foram assimiladas por outras culturas que mantêm vivo o seu dinamismo ousimplesmenteSe quiséssemos representar plasticamente esse processo de transmissão enriquecimentotransmissão da informação, poderíamos utilizar a figura de uma roda sempre a girar. Porém, seriamais exacto servirmo-nos do exemplo do punhado de neve que se desprende do cimo da montanha eque rola sem parar em direcção ao fundo do vale. Sempre a rolar e sempre a crescer de tamanho,transformando-se numa grande bola de neve, que pode assumir proporções enormes. A questão da globalização cultural extensão planetária dos meiosde comunicação social de massa, os mass media, com a correspondente transformação de tudo eminformação imediata e universalmente disponívelO termo indú los pensadores da Escola de Frankfurt, Adorno eHorkheimer, para designar a indústria mediática que estes autores entendiam como sendo aindústria de produção simbólica de cariz capitalista. De acordo com estes teóricos os produtosculturais contribuem para criar, reproduzir e manter não apenas uma ideologia dominante numasociedade mas também a própria estrutura dessa sociedade. Esta recria-se e reproduz-seconstantemente de acordo com a base ideológica dominante, em parte devido à força dos produtosculturais, que pela sua produção em massa se tornariam estandardizados e homogéneos (37). Paraeste autor, globalização cultural produz uniformidade, mas também diversidade. Esta última apenasserá prejudicada se, quando o alargamento da área de oferta de um determinado bem implica odesaparecimento de um outro bem ponto convém frisar que mesmo numasociedade aparentemente homogénea e muito linear se assistem, com frequência,a emergências singulares. No caso das indústrias culturais isso também é verdade. No universo mais-do-mesmo com que habitualmente somos brindados também aparecem pequenas pérolas.ANO LECTIVO 2009 / 2010 4
  4. 4. Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www.foxitsoftware.com For evaluation only. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃOSó para dar um exemplo, o cinema de massas hollywoodesco e uniforme é frequentemente espicaçadopelo cinema independente, de baixo custo e que aposta na diversidade. Esta situação foi melhorada eexpandida a outros sectores com as potencialidades das novas tecnologias, em especial o multimédia, largo território de exploração cultural e comercial mudou bastante as condições de entrada e sucesso no sector empresarial da culturaBoaventura Sousa Santos recorda o especial relevo que assumiu o conceito de globalização culturalnos anos 80 lembrando os valores, os artefactos culturais e os universos simbólicos que seglobalizam são ocidentais , a propósito de autores como Ritzer que preferem falar deocidentalização ou americanização. Em todo este processo intervêm quer factores económicos e demercado, quer políticos. Para além de outros factores como os MCS, direito, educação ou entidadespoliciais, Sousa Santos lembra que os Estados-nação não estão isentos de responsabilidade em todo têm sido os arautos da diversidade cultural, da autenticidade dacultura nacional a homogeneização e a uniformidade, esmagandoa rica variedade de culturas locais existentes no território nacional(2001:54).4. OS SIGNOSA comunicação é estabelecida por signos. Um signo é algo que representa uma realidade, algo quecontém uma informação. Algo que estabelece a relação lógica entre o significante (aquilo quevemos, que captamos, como um conjunto de sons, imagens ou os próprios grafemas da escrita) e osignificado (a ideia, o conceito mental ou a interpretação que fazemos do que captamos ou vemos). No signo linguístico apresentado vamos distinguir: Significante: conjunto de sons percebido pelo ouvido que se materializa graficamente na palavra ROSAS. Significado: conceito ou interpretação mental que temos do que é uma rosa.Alguns signos são, por assim dizer naturais. Nós homens apenas aprendemos a estabelecer a relaçãológica. Assim, por exemplo, quando avistamos uma nuvem de fumo concluímos a existência defogo. Atribuímos ao fumo o carácter de signo do fogo. O mesmo acontece quando vemos alguémbocejar e concluímos que a pessoa tem sono: o bocejo é o significante, cujo significado é o sono.Mas para além dos signos naturais, há inúmeros que foram concebidos integralmente pelo serhumano. Estes têm as características de serem arbitrários e convencionais. Nenhuma relaçãoobrigatória se estabelece entre ele e a realidade; cada língua recorre a um conjunto de sonsdiferentes (palavras diferentes) para referir um mesmo objecto. Por exemplo: os franceses dizemANO LECTIVO 2009 / 2010 5
  5. 5. Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www.foxitsoftware.com For evaluation only. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃOconvencionado.Arbre, tree e árvore têm o mesmo significado, mas diferem obviamente no significante.Tomemos como outro exemplo um semáforo de trânsito, onde cada uma das luzes é signo de umarealidade: obrigação de parar, possibilidade de seguir e necessidade de ter atenção. Numa partida defutebol, verificamos que há toda uma série de signos que são usados: os uniformes que sinalizamequipas diferentes, os cartões de que o árbitro se serve e os silvos que emite com o apito assumemsignificados específicos convencionados pelo próprio Homem.5. A PALAVRADe todos os signos de que nos servimos para comunicar, o mais importante é a palavra porque: É o que apresenta, em geral, maior exactidão de significado; É o que se presta a quase todas as situações de comunicação e, por conseguinte, É o de utilização mais frequenteMesmo que não tenhamos consciência disso, estamos permanentemente a utilizar as palavras. Comoconsequência, quanto melhor utilizarmos as palavras, melhor e mais exacta será a nossacomunicação; quanto mais eficiente for a nossa expressão verbal, mais eficaz será a nossacomunicação.O uso da palavra está sujeito a determinadas regras. E o conjunto dessas regras denominamos porlinguagem.Existem diferentes registos de linguagem. Na verdade, há a linguagem gestual, a da expressãofacial, a da música e inúmeras outras.Convém então destacar dois grandes tipos de linguagem Verbal Não verbal LINGUAGEM VERBAL: as dificuldades de comunicação ocorrem quando as palavras têm graus distintos de abstração e variedade de sentido. O significado das palavras não está nelas mesmas, mas nas pessoas (no repertório de cada um e que lhe permite decifrar e interpretar as palavras); LINGUAGEM NÃO - VERBAL: as pessoas não se comunicam apenas por palavras. Os movimentos faciais e corporais, os gestos, os olhares, a entoação são também importantes: são os elementos não verbais da comunicação.ANO LECTIVO 2009 / 2010 6
  6. 6. Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www.foxitsoftware.com For evaluation only. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃOOs significados de determinados gestos e comportamentos variam muito de uma cultura para outra ede época para época.A comunicação verbal é plenamente voluntária; o comportamento não-verbal pode ser uma reacçãoinvoluntária ou um acto comunicativo propositado.Alguns psicólogos afirmam que os sinais não-verbais têm as funções específicas de regular eencadear as interacções sociais e de expressar emoções e atitudes interpessoais.a) Expressão facial: não é fácil avaliar as emoções de alguém apenas a partir da sua expressãofisionómica. Por vezes os rostos transmitem espontaneamente os sentimentos, mas muitas pessoastentam inibir a expressão emocional.b) Movimento dos olhos: desempenha um papel muito importante na comunicação. Um olhar fixopode ser entendido como prova de interesse, mas noutro contexto pode significar ameaça,provocação.Desviar os olhos quando o emissor fala é uma atitude que tanto pode transmitir a ideia de submissãocomo a de desinteresse.c) Movimentos da cabeça: tendem a reforçar e sincronizar a emissão de mensagens.d) Postura e movimentos do corpo: os movimentos corporais podem fornecer pistas mais seguras doque a expressão facial para se detectar determinados estados emocionais. Por ex.: inferioreshierárquicos adoptam posturas atenciosas e mais rígidas do que os seus superiores, que tendem amostrar-se descontraídos.e) Comportamentos não-verbais da voz: a entoação (qualidade, velocidade e ritmo da voz) revela-seimportante no processo de comunicação. Uma voz calma geralmente transmite mensagens maisclaras do que uma voz agitada.f) A aparência: a aparência de uma pessoa reflecte normalmente o tipo de imagem que ela gostariade passar. Através do vestuário, penteado, maquilhagem, apetrechos pessoais, postura, gestos, modode falar, etc., as pessoas criam uma projecção de como são e de como gostariam de ser tratadas. Asrelações interpessoais serão menos tensas se a pessoa fornecer aos outros a sua projecção particulare se os outros respeitarem essa projecção.Conclusão: na interacção pessoal, tanto os elementos verbais como os não-verbais sãoimportantes para que o processo de comunicação seja eficiente.ANO LECTIVO 2009 / 2010 7
  7. 7. Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www.foxitsoftware.com For evaluation only. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃOMas a que mais directamente nos interessa é a linguagem verbal. Estudada de forma consistente porL. Wittgenstein, que entretanto se baseou em estudos anteriores, e depois desenvolvida por váriosoutros teóricos da matéria, a linguagem é: Um conjunto de signos Cuja utilização é subordinada a determinadas regras impostas por cada língua, Cuja finalidade é dar suporte à comunicação PalavrasPoucas pessoas têm verdadeira consciência da importância da palavra. Quando afirmo isso, nãoestou me referindo apenas à sua importância como meio de comunicação ou na sua dimensãopergunta: O que quer? O que pode esta língua? As línguas querem ser objeto de comunicação,condição fundamental para que as sociedades existam e a cultura possa ser transmitida de uma paraoutra geração. Mas, a segunda questão proposta de forma inteligente pelo compositor pode e deveproduzir uma ampla discussão. O que pode uma língua? Pode se transformar em arte e, nessadimensão, trazer o sentimento, a reflexão sobre as questões existenciais mais profundas, a crítica darealidade, a denúncia da injustiça e a busca da compreensão da vida, do mundo, do outro. Parecemuito, mas, há um detalhe significativo que é preciso atentar: A língua é formada de palavras epalavra é energia que pode se materializar. As pessoas de uma maneira geral, não têm cuidado comesse detalhe, tão significativo. O que pensamos e o que falamos termina, dependendo da impressãoque essas palavras provoquem no nosso psiquismo, se materializando no nosso dia a dia. Portanto,muitas vezes somos vítimas de nós mesmos, quando inadvertidamente, expressamos algodesagradável ou negativo em relação a nós ou aos outros. Se observarmos e examinarmos nossaprópria vida, veremos que muitas coisas que nos aconteceram ou que acontecem são manifestaçõesou materializações de nossas palavras. Por isso é fundamental ter mais cuidado e, principalmenteutilizar a palavra para produzir bem estar. Esclarecer Por Luciana GouvêaANO LECTIVO 2009 / 2010 8
  8. 8. Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www.foxitsoftware.com For evaluation only. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO5.1 A SINTAXE E A SEMÂNTICANa linguagem verbal, as regras a que nos referimos são de duas naturezas: regras de sintaxe ede semântica.Quando desejamos aprender uma língua, necessitamos antes de mais de um dicionário, pois este dá-nos o significado das palavras; permite que interpretemos correctamente os signos. No dicionárioencontramos o conteúdo semântico da língua, na medida em que a semântica estuda osignificado das palavras e das frases.Porém, ainda que nos fosse possível conhecer todas as palavras contidas no dicionário, ainda assimnão estaríamos aptos a dominar a língua. Isto porque nos faltaria conhecer a forma adequada dearticular os diferentes signos, de forma a dar um conteúdo lógico ao que dizemos ou escrevemos. Ouso da Língua não se faz através de palavras soltas. Temos a necessidade de organizá-las em frases.Neste plano precisamos de recorrer a uma gramática. É com a gramática que aprendemos comoconcatenar correcta e adequadamente as palavras. É a gramática que nos ensina a sintaxe dalíngua, pois é a ciência que estuda as relações e funções das palavras nas frases.Em conclusão, podemos afirmar que quanto maior for o domínio que tenhamos quer da semântica,quer da sintaxe da língua, mais adequadamente poderemos comunicar-nos através dessa língua.6. MODELOS DE COMUNICAÇÃODiversos foram os autores que se preocuparam em explicar como é que ocorre o fenómeno dacomunicação humana. A essas explicações chamamos modelos, pois são representaçõesesquematizadas do processo de comunicação.Desses modelos, os mais conhecidos foram os desenvolvidos por Schramm e por Lasswell.Segundo Schramm, o acto comunicacional tem início num Emissor, alguém que define não só oque vai comunicar como também o Código ( ou seja a linguagem) que vai utilizar, razão pela qual échamado de Codificador. A essência da comunicação, isto é, aquilo que é informado, denomina-sede Mensagem. O envia a mensagem codificada através de um via, também da sua escolha (quepoderá ser, por exemplo, a via oral ou a via escrita, ou outra). Essa via é o Canal, através do qual amensagem é recebida pelo destinatário o Receptor a quem compete descodificá-la. Por isto, oreceptor é conhecido também por Descodificador.Este modelo de Schramm, assim definido, confere ao emissor todo o protagonismo, todo o trabalhoactivo do processo de comunicação.Os seus seguidores, contudo, cedo se aperceberam de que não era exactamente assim, pois tambémo receptor realiza um papel importante nesse processo. Como vimos, a comunicação éeminentemente interactiva e, portanto, só se completa quando, depois de receber a mensagem, oReceptor reage, escolhendo também um código e um canal, através dos quais enviará ao Emissororiginal a sua Retroacção ou Resposta.Mas, na verdade, não é só através da resposta que se evidencia a importância do Receptor. Ela já sefaz sentir antes mesmo da mensagem ser enviada, pois quer o código, quer o canal são escolhidospelo Emissor tendo em conta quem é o Receptor. Por exemplo: um Emissor nunca escolherá comocódigo a língua japonesa se o Receptor não conhecer esse idioma, nem elegerá como canal a viaoral se o Receptor é totalmente surdo.ANO LECTIVO 2009 / 2010 9
  9. 9. Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www.foxitsoftware.com For evaluation only. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃONo modelo de Schramm devemos ainda ressaltar um elemento importante: o Ruído. Quer isto dizer,a possibilidade poderem ocorrer ruídos (interferências que distorcem o sentido e,consequentemente, a compreensão da comunicação) quer aquando do envio da mensagem, querdurante a resposta.Uma das fontes mais frequentes de ruído é a má utilização da linguagem, que pode fazer com que amensagem captado pelo Receptor não seja aquela que efectivamente o Emissor desejava enviar.Portanto o perfeito domínio da linguagem é que nos dá o conforto de vermos substancialmentereduzido o risco de uma interpretação incorrecta das mensagens que emitimos.O modelo de Lasswell é uma decorrência, ou antes, uma simplificação do elaborado porScrhamm. Focaliza exactamente os mesmos aspectos, mas, ao invés de recorrer a terminologiaespecífica e a uma estrutura esquemática, expressa-se apenas através de cinco perguntas simples: Quem? Diz o quê? Por que via? A quem? Com que efeito? A essas cinco perguntas correspondem como resposta os cinco termos básicos do modelo deSchramm: Emissor, Mensagem, Canal, Receptor e Retroacção. (Textos elaborados com base em apontamentos do Prof. João Pinto e Castro) PASSOS PARA UMA COMUNICAÇÃO EFICAZ Escolher adequadamente o código e o canal tendo em conta o receptor; A mensagem deve ser pensada e organizada seguindo os critérios de clareza, correcção e harmonia; Considerar os aspectos que dizem respeito ao contexto, isto significa que devemos atender aos aspectos situacionais, culturais, sociais, psicológicos, etc.; Não esquecer que comunicamos não apenas através de palavras (palavras em si e tom de vo Só avaliamos plenamente a eficácia da nossa comunicação ao recebermos o feedback / resposta do receptor, só assim saberemos se a nossa mensagem foi bem compreendida.ANO LECTIVO 2009 / 2010 10
  10. 10. Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www.foxitsoftware.com For evaluation only. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIALMeios de comunicação são instrumentos ou formas utilizados para a realização do processocomunicacional.Quando referidos à comunicação de massas, podem ser considerados como sinónimo de media.(ou interpessoais)Exemplos: Sonoros: telefone, rádio; Escritos: jornais, revistas; Audiovisuais: televisão, cinema; Multimédia: diversos meios simultaneamente (como escrita e audiovisual). transmissão de cultura?Todo. Ou pelo menos algum. Falar de Meios de Comunicação Social (MCS) enquanto elementosde regulação cultural é abarcar num só desígnio uma série de dimensões tão díspares quantosemelhantes da sociedade. É pelos MCS que se sabe o que se passa no mundo, que se conhecem evisualizam outras culturas, que se sabe o que existe, o que se publica ou que se faz. É tambématravés dos MCS que fruímos cultura, ou pelo menos alguma, independentemente da sua qualidade.Na realidade, cultura e comunicação são dois termos que se interpenetram desde o surgimento dosprimeiros meios de comunicação social. Apesar da existência de outros agentes mediadores etransmissores de cultura, como a Educação ou a Família, é inegável o poder que os media exercemsobre um número elevado de indivíduos. Para Breton, os media passaram a ser o único lugar ondeestão as informações que hão-de permitir descodificar os diferentes universos em que evoluímos(1994:123), transferindo para os MCS o poder de orientação dos indivíduos na sociedade. Tal como a comunicação não é um produto, mas um processo de troca simbólicageneralizada, processo de que se alimenta a sociabilidade, que gera os laçossociais que estabelecemos com os outrosANO LECTIVO 2009 / 2010 11
  11. 11. Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www.foxitsoftware.com For evaluation only. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO mediatizada por símbolos concebidos, elaborados elegados por gerações sucessivas belecem e estreitam os laçossociais. Ainda mais quando promovidas pelos meios de comunicação que, pela sua rapidez e para o alargamento da nossa experiência do mundo muito para além doespaço delimitado pelas fronteiras territoriais que nos rodeiam não acarreta necessariamente umadesterritorialização generalizada, não faz com que toda a humanidade passe a ter as mesmasrepresentações da realidade e a fazer parte deuma mesma área cultural clara alusão e rejeição de que todos os indivíduossejam atingidos ou venham a reagir do mesmo modo aos conteúdos emanados dos MCS. a noção de meios de comunicação de massa faz referência a um sistematecnológico, não a uma forma de cultura, a cultura de massa (2002: 441), distinguindo claramenteque MCS se referem aos meios tecnológicos e que os conteúdos editados ou emitidos por essesmeios é que podem ser enquadrados numa cultura a maior parte dosnossos estímulos simbólicos vem dos meios de comunicação (2002:442). Para Castells, aexistência de mensagens fora dos media limita-se às redes interpessoais e, no caso do efeitotelevisivo ão representa apenas dinheiro ou poder. É aceitar ser misturado num texto multi-semântico, cuja sintaxe é extremamente imprecisa. Assim, informação, entretenimento, educação epropaganda, (442-443).Para Edgar Morin a cultura de massa é produzida de acordo com as normas massivas de fabricaçãoindustrial, difundida por técnicas de difusão maciça e que se dirigem a uma massa social alargada.Do mesmo modo Umberto Eco defende que:sentido imaginado pelos críticos apocalípticos das comunicaçõesANO LECTIVO 2009 / 2010 12
  12. 12. Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www.foxitsoftware.com For evaluation only. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO EXPRESSÃO VERBAL ORAL E ESCRITA A mensagem pode ser processada por via oral e/ou escrita implicando diferenças notórias. A mensagem oral processa-se na conversação, exigindo a presença de, pelo menos, duas pessoasque alternam sucessivamente os papéis de emissor e de receptor, que se encontram no mesmoreferente situacional, bastando um gesto para clarificar elementos relativos a esse referente. Amensagem escrita (texto escrito), exige a descrição do referente situacional, ou seja, do ambiente. Observemos no quadro que se segue as principais diferenças. LINGUAGEM ORAL LINGUAGEM ESCRITA Além do emissor, exige a presença activa O recetor encontra-se geralmente ausente. do receptor. A emissão e a receção sucedem-se, Entre a emissão e a receção da mensagem mudando sucessivamente de sentido. interpõem-se um espaço mais ou menos longo. A mensagem é facilitada pela presença A ausência dos referentes situacionais dos referentes situacionais. obriga a que se apresentem por descrição. Os referentes situacionais são revelados Os referentes situacionais são apresentados por gestos e pelas entoações mais ou pela descrição do ambiente. menos intensas. A descrição está quase ausente. A descrição é frequente. Uso frequente de pausas e entoação. Uso dos sinais de pontuação. Texto menos extenso com frases Texto mais extenso com frases maioritariamente coordenadas. maioritariamente subordinadas. Uso de frases curtas, repetições, Uso de frases mais longas com construção solecismos, anacolutos e frases frásica mais elaborada e vocabulário mais incompletas. rico evitando as repetições desnecessárias. NOTA: Considerando a relação língua falada e língua escrita, chegamos à conclusão que um falante de cultura rudimentar terá um discurso oral e um discurso escrito muito semelhante; mas se se tratar de um falante culto, haverá uma grande diferença entre o seu discurso oral e o seu discurso escrito.ANO LECTIVO 2009 / 2010 13

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