ApresentaçãO Para DéCimo Segundo Ano, Aula 46

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ApresentaçãO Para DéCimo Segundo Ano, Aula 46

  1. 2. <ul><li>«Não sei ser triste a valer» (p. 160) </li></ul><ul><li>Na primeira quintilha, o poeta declara a sua incapacidade para ser, verdadeiramente, triste ou alegre. Esta incapacidade deve relacionar-se com o facto de pensar (incompatível, portanto, com «ser», com sentir ). </li></ul>
  2. 3. <ul><li> Tal como as flores florescem sem querer, também o poeta pensa, tem consciência . Morrerá como as plantas («Quando o Fado a[s] faz passar, surgem as patas dos deuses / E a ambos nos vêm calcar»). Até lá, resta às plantas florir e ao poeta pensar . </li></ul>
  3. 4. <ul><li>«Cansa sentir quando se pensa» (160) </li></ul><ul><li>Pensar traz cansaço ao sentir. Reporta-se o poema, portanto, à dor de pensar, provocada pela intelectualização do sentir . </li></ul>
  4. 5. <ul><li>A incapacidade de viver a vida («não poder viver assim»), o enigma do ser («não sei quem hei-de ser »), a ilusão do real («Pesa-me o informe real») são outros motivos pessoanos. O verso final é um paradoxo , tão ao gosto de Pessoa, que renega o que se disse atrás e é quase contrário do primeiro verso da terceira quadra : «Tudo isto me parece tudo». </li></ul>
  5. 6. <ul><li>«Sonho. Não sei quem sou neste momento» (160) </li></ul><ul><li>Todo o poema parece ser a expressão do desconhecimento do eu («Não sei quem sou neste momento»). Esse desconhecimento conjuga-se com a desistência, a anulação completa: o verso «Nada quero nem tenho nem recordo» nega qualquer futuro, presente ou passado . </li></ul>
  6. 7. <ul><li>«Bóiam leves, desatentos» (p. 162) </li></ul><ul><li>O sujeito poético observa-se a si mesmo. Observa os seus pensamentos — que considera irrelevantes («coisas vestindo nadas»; «pós»; «leve mágoa», «breve tédio») — como se estes tivessem existência autónoma. </li></ul>
  7. 8. <ul><li>«Tudo que faço ou medito» (162) </li></ul><ul><li>Ao confrontar o que deseja fazer com o que consegue realizar, o sujeito poético nota a total falta de coincidência : «Querendo, quero o infinito. / Fazendo, nada é verdade.». Isso provoca-lhe repugnância : «Que nojo de mim me fica!». Vê-se como um mar de sargaço, fragmentado. Enfim, o poema é um exercício de auto-análise, em que o próprio conhecimento de si parece revelar a impossibilidade do conhecimento: «Não o sei e sei-o bem». </li></ul>

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