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Português – 12º ano 
Linhas de leitura do poema “Ela canta, pobre ceifeira” de Fernando Pessoa 
A organização do poema é ao gosto popular, aparentando simplicidade, em quadras, de versos octossilábicos isométricos, 
com rima cruzada (a b a b), ritmo e musicalidade adequados a cada instante do poema, construções lapidares e muito 
depuradas pela racionalidade, trocadilhos engenhosos e profundamente significativos. 
Parte I - (1ª, 2ª e 3ª estrofes) 
Tom discursivo, com elementos do espaço exterior (o instantâneo vislumbrado e ouvido), entremeados por manifestações da 
subjetividade do poeta. Predominam o presente do indicativo, as frases do tipo declarativo, o tom objetivo (embora ele seja 
aparente já que os adjetivos e o discurso modalizante concorrem para o contradizer). 
– Equaciona-se a relação entre o pensamento e a felicidade: a tese proposta é a de que a felicidade existe na ordem inversa 
do pensamento e da consciência, visível no confronto entre a pessoa de uma ceifeira e ele próprio: não se refere a ela com 
qualquer pormenor que a individualize ou pessoalize. A ceifeira é apenas uma ceifeira, como qualquer ceifeira – daí ser Ela… 
ceifeira (v. 1). 
– É o facto de ceifar e de ter voz que o faz interessar-se por ela. É a base objetiva do texto, assente no mundo real. Um 
instantâneo constituído por: 
• uma cei fei ra (vv. 1, 3) – “El a … ce i fe i ra … ce i fa …”; 
• num dia luminoso (v. 6) – “No ar l impo como um l umi a r”; 
• a canta r (vv. 1, 3, 8, 11) – “El a ca nta… ca nta…” (presente do indicativo), … “a ca ntar” (infinitivo), “E canta…” (presente do 
indicativo), “ca nta , ca nta …” (imperati vo); 
• enquanto trabalha (vv. 3, 10) – “e ce i fa ”, “o campo e a l i da ”. 
– Dessa base objetiva, o poeta parte para todo um conjunto de reflexões profundas, intimistas, que revela nos restantes 
versos. Tal facto vai conferir ao poema o tom vincadamente lírico e reflexivo que ele possui, já que o instantâneo de que o 
poeta parte não é mais do que um pretexto para a manifestação da sua mundividência interior. É pois a subjetividade do 
poeta que compõe a subjetividade da ceifeira. 
– A ceifeira real funciona como motivação para que o poeta fabrique uma outra ceifeira. Afinal, trata-se de uma aplicação 
de quanto o poeta havia querido dizer em “O poeta é um fingidor”. E assim, de uma ceifeira anónima que canta enquanto 
trabalha (ceifa), num dia luminoso, o poeta produz uma pobre ceifeira (v. 1 – repare-se na adjetivação expressiva: coitada, 
infeliz…) que talvez se julgue feliz (notar a expressividade do gerúndio julgando-se, logo a abrir o verso, e o discurso modalizante 
evidenciado pelo talvez, dado que o poeta apenas supõe, não possui certezas), cuja voz é “cheia / De alegre e anónima viuvez” 
(vv. 3-4), e “Ondula como um canto de ave” (havendo “curvas no enredo suave /Do som que ela tem a cantar” (vv. 5, 7-8).
– O canto, que à partida deveria significar claramente alegria, felicidade, bem-estar, mostra na ceifeira apenas 
superficialidade, irreflexão. Ela insinua-se como uma pessoa feliz, mas o poeta (que trabalha com um padrão diferente 
de felicidade) garante que não o é. Di-la pobre (v. 1), “Julgando- se feliz, talvez” (v. 2). 
– A ceifeira não é feliz já que a sua voz se encontra cheia de dor, de amargura disfarçada (vv. 3-4). Repare-se, nestes últimos 
versos, na expressividade da metáfora (como de viúva) e do paradoxo (alegre… viuvez). O nome abstrato viuvez, já de si de 
sentido denso, é ainda qualificado de alegre e anónima, e liga-se à 3.ª quadra para exprimir luto profundo mascarado de 
felicidade (anónima – sem nome, indefinível, inqualificável). 
Retrato da ceifeira – EXTERNO - aparência de serenidade (sons, musicalidade, ritmo, aliterações, comparações, um verbo expressivo 
“ondula”). 
Retrato interiorizado – INTERNO – o sentido que o poeta atribui à voz da ceifeira a positividade (alegria) e a negatividade “tem curvas”. 
Devido ao real “há o campo e a lida” a ceifeira cantaria sem razão, por não ser feliz, e sem ter consciência disso. 
A terceira estrofe prepara já o leitor para a 2ª parte. 
Parte II - (4ª, 5ª e 6ª estrofe) 
Predominam as frases do tipo exclamativo e imperativo, com apóstrofes dispostas em anáfora (Ah… Ah… Ó… Ó… Ó…), o ritmo 
nervoso e rápido, descontrolado, as frases curtas (algumas reduzidas ao mínimo, pelo recurso à elipse), as exclamativas 
retóricas, as construções paralelas e as repetições (canta, canta… – v. 13). 
– O poeta confessa em si a submissão do sentimento à razão (como explicou em “Autopsicografia”), ao mesmo tempo que a 
mágoa de pensar (“O que em mim sente ‘stá pensando” – v. 14). Só que, se ela é feliz porque inconsciente, ele é infeliz porque 
consciente (pensa). Daí ele desejar que ela derrame (verbo expressivo) dentro dele a sua voz (incerta, ondeando – vv. 15-16, 
que se ligam aos vv. 3-5) tal como é. É que a voz da ceifeira aparenta felicidade, embora não seja verdadeira felicidade, 
mas o pareça só. 
– O poeta deseja poder transformar-se nela (“poder ser tu, sendo eu!” – v. 17: a procura desesperada da felicidade, do paraíso 
perdido da inocência, da simplicidade, da alegria), mas sem deixar de ser ele mesmo – ter a inconsciência que a caracteriza, 
embora mantendo a sua própria consciência. Ser inconsciente, mas sem deixar de ser consciente, é impossível. O poeta deseja 
ser feliz, só que felicidade não se coaduna com reflexão, pensamento, consciência, racionalidade. 
– Essa impossibilidade é geradora de uma boa parte da angústia que lhe oprime a alma, e que as apóstrofes que se seguem 
procuram exprimir (vv. 19-20): “Ó céu! / Ó campo! Ó canção!”. Elas constituem- se mais que tudo em grito, em ânsia de 
libertação, em paroxismo (notar as frases curtas, o ritmo quebrado, a emotividade). O céu, o campo, a canção serão os três 
elementos que envolvem o instantâneo que serve de motivo ao poeta (uma ceifeira num dia luminoso a cantar enquanto 
trabalha). 
– Por mais que a consciência (o conhecimento, o pensamento, a ciência – que geram responsabilidades) o faça infeliz, o poeta 
mostra-se empenhado nela e mantém o empenhamento em a procurar – mau grado a brevidade da vida: “A ciência / Pesa tanto 
e a vida é tão breve!” (vv. 20-21). Mesmo assim, ele gostaria de se libertar (tal como acima, v. 15, mais que o sentido 
imperativo, a gradação entrai, tornai, passai é constituída por optativos). É uma insistência mais, por parte do poeta, na 
inconsciência, se ela fosse possível. Só que o tom em que ele o manifesta (notar os vv. 22-23, ligados pelo transporte, em que 
até a sintaxe o exprime) é angustiado e desiludido; é o tom de alguém que já se convenceu dessa impossibilidade. 
– O poeta desejaria que o céu, o campo, a canção lhe invadissem a alma, a transformassem em sombra (na sua sombra 
leve) – em sombra, porque assim não ocuparia espaço, sendo a sombra apenas resultado de um jogo de luz – e o levassem 
consigo, concluindo viagem (passai), acabando-lhe com o sofrimento. E a última quadra do texto é assim a manifestação do 
desejo (paradoxal em si mesmo, já que o poeta quer e não quer) do poeta face à dor de pensar que o atormenta. 
– A ceifeira é símbolo da inconsciência e da felicidade (da felicidade porque da inconsciência), enquanto o poeta submete 
o sentimento à razão, e por isso vive angustiado. É consciente, e por isso infeliz. Como anseia pela felicidade, desejaria ser 
inconsciente como a ceifeira, transformar- se nela, ser levado pela ambiência que a rodeia: o céu, o campo, a canção. 
SILVA, Lino Moreira da, 1989. Do Texto à Leitura (Metodologia da Abordagem Textual) Com a Aplicação à Obra de Fernando Pessoa. Porto: Porto Editora 
Publicado em http://port12ano.blogspot.com e adaptado

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  • 1. Português – 12º ano Linhas de leitura do poema “Ela canta, pobre ceifeira” de Fernando Pessoa A organização do poema é ao gosto popular, aparentando simplicidade, em quadras, de versos octossilábicos isométricos, com rima cruzada (a b a b), ritmo e musicalidade adequados a cada instante do poema, construções lapidares e muito depuradas pela racionalidade, trocadilhos engenhosos e profundamente significativos. Parte I - (1ª, 2ª e 3ª estrofes) Tom discursivo, com elementos do espaço exterior (o instantâneo vislumbrado e ouvido), entremeados por manifestações da subjetividade do poeta. Predominam o presente do indicativo, as frases do tipo declarativo, o tom objetivo (embora ele seja aparente já que os adjetivos e o discurso modalizante concorrem para o contradizer). – Equaciona-se a relação entre o pensamento e a felicidade: a tese proposta é a de que a felicidade existe na ordem inversa do pensamento e da consciência, visível no confronto entre a pessoa de uma ceifeira e ele próprio: não se refere a ela com qualquer pormenor que a individualize ou pessoalize. A ceifeira é apenas uma ceifeira, como qualquer ceifeira – daí ser Ela… ceifeira (v. 1). – É o facto de ceifar e de ter voz que o faz interessar-se por ela. É a base objetiva do texto, assente no mundo real. Um instantâneo constituído por: • uma cei fei ra (vv. 1, 3) – “El a … ce i fe i ra … ce i fa …”; • num dia luminoso (v. 6) – “No ar l impo como um l umi a r”; • a canta r (vv. 1, 3, 8, 11) – “El a ca nta… ca nta…” (presente do indicativo), … “a ca ntar” (infinitivo), “E canta…” (presente do indicativo), “ca nta , ca nta …” (imperati vo); • enquanto trabalha (vv. 3, 10) – “e ce i fa ”, “o campo e a l i da ”. – Dessa base objetiva, o poeta parte para todo um conjunto de reflexões profundas, intimistas, que revela nos restantes versos. Tal facto vai conferir ao poema o tom vincadamente lírico e reflexivo que ele possui, já que o instantâneo de que o poeta parte não é mais do que um pretexto para a manifestação da sua mundividência interior. É pois a subjetividade do poeta que compõe a subjetividade da ceifeira. – A ceifeira real funciona como motivação para que o poeta fabrique uma outra ceifeira. Afinal, trata-se de uma aplicação de quanto o poeta havia querido dizer em “O poeta é um fingidor”. E assim, de uma ceifeira anónima que canta enquanto trabalha (ceifa), num dia luminoso, o poeta produz uma pobre ceifeira (v. 1 – repare-se na adjetivação expressiva: coitada, infeliz…) que talvez se julgue feliz (notar a expressividade do gerúndio julgando-se, logo a abrir o verso, e o discurso modalizante evidenciado pelo talvez, dado que o poeta apenas supõe, não possui certezas), cuja voz é “cheia / De alegre e anónima viuvez” (vv. 3-4), e “Ondula como um canto de ave” (havendo “curvas no enredo suave /Do som que ela tem a cantar” (vv. 5, 7-8).
  • 2. – O canto, que à partida deveria significar claramente alegria, felicidade, bem-estar, mostra na ceifeira apenas superficialidade, irreflexão. Ela insinua-se como uma pessoa feliz, mas o poeta (que trabalha com um padrão diferente de felicidade) garante que não o é. Di-la pobre (v. 1), “Julgando- se feliz, talvez” (v. 2). – A ceifeira não é feliz já que a sua voz se encontra cheia de dor, de amargura disfarçada (vv. 3-4). Repare-se, nestes últimos versos, na expressividade da metáfora (como de viúva) e do paradoxo (alegre… viuvez). O nome abstrato viuvez, já de si de sentido denso, é ainda qualificado de alegre e anónima, e liga-se à 3.ª quadra para exprimir luto profundo mascarado de felicidade (anónima – sem nome, indefinível, inqualificável). Retrato da ceifeira – EXTERNO - aparência de serenidade (sons, musicalidade, ritmo, aliterações, comparações, um verbo expressivo “ondula”). Retrato interiorizado – INTERNO – o sentido que o poeta atribui à voz da ceifeira a positividade (alegria) e a negatividade “tem curvas”. Devido ao real “há o campo e a lida” a ceifeira cantaria sem razão, por não ser feliz, e sem ter consciência disso. A terceira estrofe prepara já o leitor para a 2ª parte. Parte II - (4ª, 5ª e 6ª estrofe) Predominam as frases do tipo exclamativo e imperativo, com apóstrofes dispostas em anáfora (Ah… Ah… Ó… Ó… Ó…), o ritmo nervoso e rápido, descontrolado, as frases curtas (algumas reduzidas ao mínimo, pelo recurso à elipse), as exclamativas retóricas, as construções paralelas e as repetições (canta, canta… – v. 13). – O poeta confessa em si a submissão do sentimento à razão (como explicou em “Autopsicografia”), ao mesmo tempo que a mágoa de pensar (“O que em mim sente ‘stá pensando” – v. 14). Só que, se ela é feliz porque inconsciente, ele é infeliz porque consciente (pensa). Daí ele desejar que ela derrame (verbo expressivo) dentro dele a sua voz (incerta, ondeando – vv. 15-16, que se ligam aos vv. 3-5) tal como é. É que a voz da ceifeira aparenta felicidade, embora não seja verdadeira felicidade, mas o pareça só. – O poeta deseja poder transformar-se nela (“poder ser tu, sendo eu!” – v. 17: a procura desesperada da felicidade, do paraíso perdido da inocência, da simplicidade, da alegria), mas sem deixar de ser ele mesmo – ter a inconsciência que a caracteriza, embora mantendo a sua própria consciência. Ser inconsciente, mas sem deixar de ser consciente, é impossível. O poeta deseja ser feliz, só que felicidade não se coaduna com reflexão, pensamento, consciência, racionalidade. – Essa impossibilidade é geradora de uma boa parte da angústia que lhe oprime a alma, e que as apóstrofes que se seguem procuram exprimir (vv. 19-20): “Ó céu! / Ó campo! Ó canção!”. Elas constituem- se mais que tudo em grito, em ânsia de libertação, em paroxismo (notar as frases curtas, o ritmo quebrado, a emotividade). O céu, o campo, a canção serão os três elementos que envolvem o instantâneo que serve de motivo ao poeta (uma ceifeira num dia luminoso a cantar enquanto trabalha). – Por mais que a consciência (o conhecimento, o pensamento, a ciência – que geram responsabilidades) o faça infeliz, o poeta mostra-se empenhado nela e mantém o empenhamento em a procurar – mau grado a brevidade da vida: “A ciência / Pesa tanto e a vida é tão breve!” (vv. 20-21). Mesmo assim, ele gostaria de se libertar (tal como acima, v. 15, mais que o sentido imperativo, a gradação entrai, tornai, passai é constituída por optativos). É uma insistência mais, por parte do poeta, na inconsciência, se ela fosse possível. Só que o tom em que ele o manifesta (notar os vv. 22-23, ligados pelo transporte, em que até a sintaxe o exprime) é angustiado e desiludido; é o tom de alguém que já se convenceu dessa impossibilidade. – O poeta desejaria que o céu, o campo, a canção lhe invadissem a alma, a transformassem em sombra (na sua sombra leve) – em sombra, porque assim não ocuparia espaço, sendo a sombra apenas resultado de um jogo de luz – e o levassem consigo, concluindo viagem (passai), acabando-lhe com o sofrimento. E a última quadra do texto é assim a manifestação do desejo (paradoxal em si mesmo, já que o poeta quer e não quer) do poeta face à dor de pensar que o atormenta. – A ceifeira é símbolo da inconsciência e da felicidade (da felicidade porque da inconsciência), enquanto o poeta submete o sentimento à razão, e por isso vive angustiado. É consciente, e por isso infeliz. Como anseia pela felicidade, desejaria ser inconsciente como a ceifeira, transformar- se nela, ser levado pela ambiência que a rodeia: o céu, o campo, a canção. SILVA, Lino Moreira da, 1989. Do Texto à Leitura (Metodologia da Abordagem Textual) Com a Aplicação à Obra de Fernando Pessoa. Porto: Porto Editora Publicado em http://port12ano.blogspot.com e adaptado