Indústria de sorvete

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Plano de Negócios

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Indústria de sorvete

  1. 1. UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul DACEC – Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação. Curso de Administração PLANO DE NEGÓCIOS PARA A INSTALAÇÃO DE UMA INDÚSTRIA DE SORVETES NA CIDADE DE PORTO LUCENA Relatório de Trabalho de Conclusão de Curso GIOVANI MORARI Orientador (a): Prof.ª Cleide Marisa Rigon Santa Rosa, novembro de 2013.
  2. 2. “Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes.” Paulo Freire
  3. 3. AGRADECIMENTOS Como forma de retribuir o reconhecimento e a confiança depositada em mim, gostaria de agradecer a todos aqueles que de alguma forma, foram importantes e ajudaram-me nesta caminhada. Primeiramente a Deus Pai, com sua divina contribuição e ensinamentos me fortalecendo na fé, dando-me coragem para superar os obstáculos e retirar todas as pedras que interrompiam meu desenvolvimento pessoal. Dando-me também saúde para prosseguir minha caminhada. Agradeço ao meu pai José Sabino Morari, a minha mãe Jurema Morari e a minha noiva Ketlin Cristiane Henz, por me darem incentivo, aconselhamentos e apoio para seguir em frente, sempre acreditando no meu potencial e depositando sua confiança em mim. E que acima de tudo ensinaram-me a cultivar a dignidade e o respeito para com o próximo. Por me apoiarem nos momentos difíceis e sendo compreensíveis todas as vezes que as atividades acadêmicas me desvinculavam a dar atenção a eles. Sou grato por todos aqueles educadores, que mostraram para mim o quanto o conhecimento contribui para o desenvolvimento pessoal e profissional de uma pessoa. Agradecendo assim a professora Cleide Marisa Rigon por dedicar seu profissionalismo para o meu desenvolvimento acadêmico, empenhando seu tempo para orientar-me nas atividades curriculares e execução deste estudo. Agradeço também a todo o corpo docente do curso de administração da Unijui e a todos os demais professores que contribuíram para meu desenvolvimento acadêmico.
  4. 4. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Lista de Figuras Figura 1: Gráficos com as características dos entrevistados. ...................................47 Figura 2: Logomarca institucional da empresa..........................................................54 Figura 3: Slogan da empresa ....................................................................................55 Figura 4: Imagem de satélite da localização do empreendimento. ...........................57 Figura 5: Organograma organizacional.....................................................................59 Figura 6: Fluxograma do processo produtivo da empresa. .......................................63 Lista de Quadros Quadro 1: Grau de importância atribuida pelos consumidores em relação ao consumo de sorvete ..................................................................................................49 Quadro 2: Oportunidades e ameaças da empresa....................................................51 Quadro 3: Pontos fortes e pontos fracos da empresa...............................................52 Quadro 4: Mercado concorrente................................................................................53 Quadro 5: Fornecedores de equipamentos e matéria prima .....................................53 Quadro 6: Projeção dos custos com mão de obra e encargos..................................60 Quadro 7: Lista de equipamentos e utensílios ..........................................................61 Quadro 8: Conhecimentos técnicos para a produção de sorvetes e picolés.............62 Quadro 9: Investimentos pré operacionais................................................................64 Quadro 10: Investimentos fixos.................................................................................64 Quadro 11: Resumo do investimento inicial..............................................................65 Quadro 12: Projeção de vendas................................................................................66 Quadro 13: Projeção de receitas...............................................................................66 Quadro 14: Matéria prima necessária para a produção ............................................67 Quadro 15: Projeção dos custos das embalagens....................................................68
  5. 5. 5 Quadro 16: Custos anuais de produção....................................................................68 Quadro 17: Custos fixos de produção.......................................................................69 Quadro 18: Demonstrativo de resultado do exercício ...............................................70 Quadro 19: Alíquota de impostos incidentes sobre o faturamento............................71 Quadro 20: Projeção do fluxo de caixa .....................................................................72 Quadro 21: Playback simples....................................................................................72 Quadro 22: Payback descontado ..............................................................................73 Quadro 23: Rentabilidade do negócio.......................................................................75 Quadro 24: Lucratividade do negócio........................................................................75 Quadro 25: Ponto de equilíbrio..................................................................................76
  6. 6. SUMÁRIO INTRODUÇÃO ..........................................................................................................13 1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO...................................................................15 1.1 Apresentação do Tema....................................................................................15 1.2 Questão de Estudo ..........................................................................................17 1.3 Objetivos ..........................................................................................................18 1.3.1 Objetivo geral.............................................................................................18 1.3.2 Objetivos Específicos.................................................................................18 1.4 Justificativa ......................................................................................................18 2 REFERENCIAL TEÓRICO....................................................................................20 2.1 Empreendedorismo..........................................................................................20 2.2 Plano de Negócios..........................................................................................22 2.2.1 Viabilidade do negócio...............................................................................22 2.2.1.1 Produto................................................................................................23 2.2.1.2 Aspectos mercadológicos....................................................................23 2.2.1.3 Tamanho .............................................................................................26 2.2.1.4 Localização..........................................................................................27 2.2.1.5 Tecnologia e processo.........................................................................28 2.2.1.6 Organização e gerenciamento.............................................................28 2.2.1.7 Investimentos e financiamentos ..........................................................29 2.2.2 Aceitabilidade do negócio..........................................................................31 2.2.2.1 Payback...............................................................................................31 2.2.2.2 Taxa interna de retorno (TIR) e taxa mínima de atratividade (TMA) ...31 2.2.2.3 Valor presente líquido (VPL)................................................................32 2.2.2.4 Rentabilidade e lucratividade...............................................................33
  7. 7. 7 2.2.2.5 Ponto de equilíbrio...............................................................................33 2.2.2.6 Análise da sensibilidade ......................................................................34 2.2.3 Vulnerabilidade do negócio........................................................................35 3 METODOLOGIA....................................................................................................37 3.1 Classificação da Pesquisa ...............................................................................37 3.2 Sujeitos da Pesquisa e Universo Amostral ......................................................39 3.3 Coleta de Dados ..............................................................................................39 3.4 Análise e Interpretação dos Dados ..................................................................40 4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS ..........................................43 4.1 Caracterização do Setor ..................................................................................43 4.2 Definição do Negócio.......................................................................................44 4.3 Aspectos Mercadológicos ................................................................................46 4.4 Tamanho e Localização...................................................................................55 4.5 Organização e Gerenciamento ........................................................................57 4.6 Tecnologia e Processos...................................................................................60 4.7 Investimentos...................................................................................................63 4.8 Plano Financeiro ..............................................................................................65 4.8.1 Projeção de receitas ..................................................................................65 4.8.2 Custo de matérias primas ..........................................................................67 4.8.3 Custos fixos ...............................................................................................69 4.8.4 Demonstrativo de Resultado do Exercício .................................................70 4.8.5 Projeção do fluxo de caixa.........................................................................71 4.9 Aceitabilidade do negócio ................................................................................71 4.9.1 Payback.....................................................................................................71 4.9.2 Taxa interna de retorno (TIR) e taxa mínima de atratividade (TMA)..........73 4.9.3 Valor presente líquido (VPL)......................................................................74 4.9.4 Rentabilidade e lucratividade.....................................................................75
  8. 8. 8 4.9.5 Ponto de equilíbrio.....................................................................................75 4.10 Vulnerabilidade do Negócio ...........................................................................76 CONCLUSÃO............................................................................................................78 BIBLIOGRAFIA .........................................................................................................80 APÊNDICES .............................................................................................................84 ANEXOS ...................................................................................................................92
  9. 9. RESUMO EXPANDIDO Resumo Diante do desejo em gerir o próprio negócio, em muitos casos o planejamento acaba sendo deixado de lado, fazendo com que a falta de controle prejudique o bom funcionamento provocando problemas e ocasionando o fechamento prematuro das empresas. É neste sentido que o estudo procura “analisar a viabilidade econômica financeira para a instalação de uma indústria de sorvete no município de Porto Lucena”. Para atingir ao objetivo proposto se desenvolveu uma pesquisa quanti- qualitativa, sendo esta exploratória, descritiva, bibliográfica, documental, estudo de caso e pesquisa de campo. Como sujeitos da pesquisa, se destacam os potenciais clientes e empreendedores que trabalham no ramo de sorveteria. A coleta dos dados se deu a partir de entrevistas e aplicação de questionários. Após coletadas, as informações foram tabuladas e analisadas para se chegar ao resultado final. A partir das informações obtidas, com o detalhamento dos indicadores dos quais a empresa terá influencia durante o processo de suas atividades, por meio da pesquisa de mercado e das projeções financeiros, considerando o retorno do investimento, constatou-se a viabilidade do negócio. Palavras-chave: Gestão de negócios. Viabilidade. Aceitabilidade. Vulnerabilidade. Introdução O processo empreendedor tem ganhado espaço com o crescente surgimento de novos empreendimentos, de modo que um número cada vez maior de indivíduos busca através da prática, demonstrar suas habilidades para gerir seu próprio negócio. Dolabela (2008, p. 29) ressalta que para um empreendedor estar preparado, “não basta que exista a motivação para empreender. É necessário que o empreendedor conheça formas de análise de negócio, do mercado e de si mesmo para prosseguir o sucesso com passos firmes e saber colocar a sorte a seu favor”. Para atender aos objetivos propostos, busca-se a resposta para a seguinte questão a ser estudado: “É viável a implantação de uma indústria de sorvetes na cidade de Porto Lucena?”. Sendo que o objetivo a contemplar a questão do estudo é “analisar a viabilidade econômica financeira para a instalação de uma indústria de sorvetes no município de Porto Lucena”. Justifica-se que com a iniciativa e o surgimento da ideia de abrir o próprio empreendimento, remete o autor da pesquisa a oportunidade de envolver a teoria e a prática, aplicando seus conhecimentos acadêmicos. Assim como também a abertura de mercado, faz com que a instalação do empreendimento seja atrativa. Metodologia Em relação à abordagem a pesquisa pode ser classificada como quanti- qualitativa. Ela se identifica como exploratória, pois “têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em vista, a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores” (GIL 1999, p. 43). Ainda quanto aos seus objetivos, ela também é descritiva, pois
  10. 10. 10 segundo Gil (1999, p. 44) seu objetivo primordial é a “descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis”. E quanto aos procedimentos técnicos, a pesquisa se classifica como bibliográfica, documental, estudo de caso e pesquisa de campo. Os dados bibliográficos foram obtidos por meio do levantamento de informações em livros, revistas, jornais, teses e dissertações e demais publicações que abordam sobre o tema. A pesquisa documental foi realizada através do levantamento de dados com base em materiais com conteúdos referentes ao tema e por meio de informações fornecidas por empresário do ramo. A pesquisa de campo foi feita através de duas fontes de levantamento de dados, as quais são: entrevista e questionário. As entrevistas foram dirigidas a comerciantes que produzem e revendem, assim como também a cotação de preços com fornecedores de equipamentos e matéria prima, com os quais foram feitos contatos via e-mail. Já o questionário (APÊNDICE B), foi aplicado a 100 (cem) potenciais consumidores, para levantar informações referentes à preferência do consumidor em relação ao produto. Segundo Oliveira (1997), após a manipulação e obtenção dos resultados, se dá o processo de análise e interpretação dos mesmos, de modo que estas sejam o núcleo central da pesquisa. Na fase quantitativa, os dados coletados foram tabulados e analisados, por meio da utilização de ferramentas como os programas Office Excel 2007 e calculadora HP12C. Após tabulados os dados forma convertidos em gráficos, chegando aos percentuais em relação às características e opções apresentadas pelos entrevistados, também se utilizou média de percentual em relação à importância considerada pela amostra em relação às variáveis apresentadas. Como forma de tratar os dados de caráter qualitativo, utilizou-se como meio de interpretação destes, a análise de conteúdo. Resultados Segundo dados da ABIS (2012), entre os anos de 2003 e 2011 o mercado de sorvete cresceu mais de 70%. De acordo a Associação Gaúcha das Indústrias de Sorvete – AGAGEL (2013), o segmento de sorvetes está em forte expansão, em especial as indústrias de pequeno e médio porte que buscam destaque no mercado. Quanto à preferência do consumidor, a grande maioria dos entrevistados, com 75% das respostas, afirma consumir o produto sempre que der vontade. Com relação ao estabelecimento no qual os indivíduos costumam adquirir o produto, os bares, lancherias e restaurantes são os pontos de vendas mais procurados, obtendo um percentual de 58% dos respondentes. Em relação ao tipo de embalagem mais consumida, verifica-se que a grande maioria com 50% dos entrevistados prefere que o sorvete seja servido no tradicional cascão (biscoito comestível). Considerando as varáveis apresentadas na questão 6 (seis) do questionário (APÊNDICE B), todas obtiveram um grau de importancia superior a 63%, ficando, portanto, estas entre importante e muito importande. Dos quais merecem destaque o fator higiene com 95,6%, a conservação do produto que obteve um índice de 93%, a qualidade do produto com o grau de importância de 91,2%, a qualidade do atendimento prestado ao cliente com 85,6% e o sabor do produto ofertado que obteve 85,4% de importância. Em relação ao custo de mão de obra, estimou-se uma folha de pagamento com valor mensal de R$ 2.956,51, chegando a R$ 35.478,10 anual.
  11. 11. 11 Diante do investimento a serem realizado, verificou-se um valor total de R$ 157.712,79, o qual deverá ser desembolsado para que se possam iniciar as atividades do empreendimento. A partir do volume de vendas projetado para o primeiro ano, pode-se identificar uma receita mensal de 25.450,00, totalizando assim um faturamento anual equivalente a R$ 305.400,00. Com as devidas proporções e os respectivos valores obtidos a partir dos preços de comercialização dos ingredientes, projetou-se o custo da matéria prima, ficando este no valor de R$ 71.584,68 para o período. A projeção mostra também que a empresa terá que pagar um valor total de R$ 138.798,10 em relação aos custos operacionais fixos. A partir do fluxo de caixa projetado, os saldos obtidos mostram que diante dos indicadores de retorno o negócio é rentável, apresentando uma TIR com percentual de retorno equivalente a 38,41% e um valor presente líquido (VPL) de R$ 74.291,38, demonstrando que o empreendimento é viável. Conclusão Por meio da elaboração do plano financeiro foi possível desenvolver projeções através do levantamento dos custos envolvidos em comparação as receitas obtidas para se chegar ao cálculo dos indicadores de retorno, os quais demonstraram resultados favoráveis que permitem constatar que mesmo sendo necessário um investimento consideravelmente elevado, este terá retorno desejável, viabilizando, portanto a iniciativa de abertura do negócio. Com relação à vulnerabilidade do empreendimento, destaca-se que as exigências sanitárias e suas normas procuram regulamentar as indústrias de alimentos, proporcionando a partir de inspeções periódica o desenvolvimento de um produto de melhor qualidade. Outro fator adverso é a sazonalidade que interfere negativamente no negócio, provocando a limitação das vendas, onde durante os meses de maio a agosto acarretando a redução no índice de comercialização do produto, o qual tende a ser compensado durante os meses de setembro a abril, período este que em virtude do calor, aumenta a procura por sorvete. Bibliografia ABIS. Mercado de sorvete cresce 70% no Brasil. Disponível em: <http://www.opovo.com.br/app/economia/2012/06/20/noticiaseconomia,2862610/mer cado-de-sorvete-cresce-70-no-brasil.shtml>. Acesso em: 05/03/2013. AGAGEL. Notícias do setor. Disponível em: <http://www.agagel.com.br/site/categoria/noticias-do-setor/>. Acesso em 06/03/2013. DOLABELA, Fernando. Oficina do empreendedor. Rio de Janeiro: Sextante, 2008. GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. – 5. ed. – São Paulo: Atlas, 1999. OLIVEIRA, Silvio Luiz de, 1943. Tratado de metodologia científica: projetos de pesquisas, TGI TCC, monografias, dissertações e teses. – São Paulo: Pioneira, 1997.
  12. 12. ÍNDICE DE APÊNDICES E ANEXOS APÊNDICES Apêndice A:...............................................................................................................85 Apêndice B:...............................................................................................................87 Apêndice C:...............................................................................................................89 ANEXOS Anexo A:....................................................................................................................93
  13. 13. INTRODUÇÃO O processo empreendedor tem ganhado espaço com o crescente surgimento de novos empreendimentos, de modo que um número cada vez maior de indivíduos busca através da prática, demonstrar suas habilidades para gerir seu próprio negócio. Considerando que nem sempre os objetivos pretendidos com a criação de uma empresa são alcançados, se pode justificar por que muitos empreendimentos se mantêm no mercado por um período muito curto de tempo, sendo obrigados a encerrarem as atividades por não possuírem uma gestão qualificada. É sob este enfoque que se busca a constatação de uma série de fatores que tendem a influenciar o empreendimento. Sendo que para isso se teve a iniciativa de desenvolver uma pesquisa de mercado por meio de um plano de negócios, justamente como forma de identificar problemas que poderão influenciar no processo de desenvolvimento do novo negócio. Mesmo que o sorvete seja um alimento consumido com maior frequência no verão, ficando, portanto sua comercialização comprometida devido à sazonalidade durante o período de inverno percebe-se que o consumo deste tipo de alimento está tendo crescentes índices de comercialização de ano para ano. Contanto, é possível identificar na produção de sorvetes, uma oportunidade de mercado, gerando interesse em investir no setor. Assim, este documento trata do trabalho de relatório de conclusão de curso da UNIJUÍ, que foi elaborado no decorrer do segundo semestre de 2013. O qual tem por objetivo desenvolver uma pesquisa para identificar a viabilidade de implantação de uma indústria de sorvetes. Objetivando proporcionar maior clareza quanto à questão em estudo, realizou-se um estudo exploratório descritivo de caráter quantiqualitativo. Para a coleta de dados utilizaram-se bibliografias, documentos referente ao assunto, questionários, entrevistas e ferramentais que auxiliaram no processo de análise dos dados obtidos.
  14. 14. 14 Além disto, visando atingir aos objetivos propostos, o presente estudo está estruturado em quatro tópicos. O primeiro capítulo aborda a contextualização do estudo que apresenta e delimita o tema, os objetivos (geral e específicos) e a justificativa. O segundo capítulo trata do levantamento bibliográfico em relação ao empreendedorismo, plano de negócios e suas interfaces de como identificar a viabilidade, a aceitabilidade e a vulnerabilidade do empreendimento. O terceiro capítulo do estudo traz a metodologia que foi utilizada para a realização da pesquisa, ou seja, sua classificação, os sujeitos e universo amostral, a coleta, a análise e interpretação dos dados. O quarto capítulo descreve detalhadamente o estudo de viabilidade econômica – financeira demonstrando a composição do investimento a ser realizado, os indicadores de retorno e o risco que se prevê da implementação do projeto. Por fim, apresentam-se a conclusão, bibliografia, anexos e apêndices que dão suporte ao estudo.
  15. 15. 1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO Para que se tenha um bom planejamento no processo de criação de uma empresa, é fundamental analisar alguns aspectos importantes que garantam o seu sucesso. Para isto, busca-se por meio de um relatório de pesquisa identificar os fatores que norteiam o processo de empreender. Desta forma o capítulo aborda a apresentação do tema, a questão de estudo, os objetivos e a justificativa. 1.1 Apresentação do Tema O processo de empreender tem ganhando destaque no mundo dos negócios, que com crescente expansão aumentou o número de novos empreendimentos. Pois de acordo com Hisrich e Peter (2004, p. 30), “o empreendedorismo e as verdadeiras decisões de empreender resultaram em vários milhões de novas empresas iniciadas em todo o mundo”. Segundo informações do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT (2012), até o primeiro semestre de 2012 foram criados um milhão de novos negócios no Brasil. Neste quadro de expansivo desenvolvimento, o estado do Rio Grande do Sul se apresenta na 4ª colocação com 63.512 novas empresas, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo que lidera o ranking com 275.719 novos empreendimentos, em relação aos primeiros seis meses de 2012. De acordo com o IBPT (2012), ao comparar os primeiros semestres dos anos de 2010 a 2012, foi observado o aumento de 43,05% no desenvolvimento de novos negócios, revelando um interesse cada vez maior de se abrir novas empresas no país. O momento atual pode ser chamado de a era do empreendedorismo, pois são os empreendedores que estão eliminando barreiras comerciais e culturais, encurtando distancias, globalizando e renovando os conceitos econômicos, criando novas relações de trabalho e novos empregos, quebrando paradigmas e gerando riqueza a sociedade (DORNELAS, 2001, p. 21). A criação de novos empreendimentos tem desenvolvido um clima de competitividade, onde ter certeza do que está sendo feito é fundamental para
  16. 16. 16 garantir o sucesso, ou ao menos a permanecia das empresas no mercado. A globalização e as influências tecnológicas estimulam o desenvolvimento e aperfeiçoamento de novos produtos, pois consequentemente a exigência apresentada pelo mercado consumidor é aspecto fundamental que garante a rentabilidade das organizações. O cliente sente o quanto é importante para a sobrevivência das empresas e com isso exige cada vez mais. Inserir-se em um mercado onde a competitividade é consequência da sobrevivência das empresas exige cautela e conhecimento. Como afirma Dolabela (2008, p. 29) para que um empreendedor esteja preparado, “não basta que exista a motivação para empreender. É necessário que o empreendedor conheça formas de análise de negócio, do mercado e de si mesmo para prosseguir o sucesso com passos firmes e saber colocar a sorte a seu favor”. Dolabela (2008) argumenta ainda que o “conhecimento científico e tecnológico”, atualmente são fatores indispensáveis, porém pouco aplicados, onde se pensa que basta apenas ter boas ideias com um diferencial inovador para garantir o sucesso. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2012), de cada cem empresas que são abertas no Brasil, quarenta e oito acabam encerrando suas atividades em três anos. De modo que de 464.700 empresas criadas em 2007, 76,1% delas continuaram suas atividades em 2008, 61,3% sobreviveram até 2009 e somente 51,8% ainda continuaram no mercado em 2010. Estes dados mostram que quase a metade acabou fechando as portas. Para o instituto, dentre os principais fatores que influenciam no processo de extinção dos negócios, estão à falta de planejamento e a má gestão com o descontrole para gerir as empresas. Considerando que a falta de informação e preparo, conjugam a carência de um planejamento para a abertura de novas empresas. Para que se possa ter maior clareza do que será feito, é necessário estudar todos os aspectos que envolvem o negócio. Para Dornelas (2001, p. 91), “empreendedores precisam saber planejar suas ações e delinear as estratégias da empresa a ser criada ou em crescimento”.
  17. 17. 17 De acordo com o Sebrae (2013), algumas habilidades e conhecimentos são exigidos no momento de abrir e gerir um novo empreendimento, compondo a necessidade de entendimento do mercado, do público alvo e um bom planejamento do negócio. Pois para que se possa ter uma boa gestão é necessária à execução de uma boa estratégia de marketing, apresentando um controle detalhado do fluxo de caixa, tendo consequentemente uma boa criatividade e potencial inovador. Visando a neutralização de possíveis incertezas, o ideal é promover a elaboração de um plano de negócios, o que evidentemente possibilitará a realização de um planejamento detalhado do empreendimento. Por isto, um plano de negócios permite “identificar e restringir seus erros no papel, mediante simulações, em vez de cometê-los no mercado” (Sebrae, 2013). Plano de negócios é um documento usado para descrever um empreendimento e o modelo de negócios que sustenta a empresa. Sua elaboração envolve um processo de aprendizagem e autoconhecimento, e, ainda, permite ao empreendedor situar-se no seu ambiente de negócios (DORNELAS, 2001, p. 96). De acordo com Dornelas (2001) plano de negócios é, portanto, um detalhamento das etapas que devem ser seguidas para a implementação de um negócio, descrevendo os objetivos e os passos a serem dados para que estes sejam alcançados, no intuito de diminuir os riscos e as incertezas. Permitindo desta forma, fazer uma previsão, ou seja, tolerando a possibilidade de execução de erros no papel, como forma de prevenção para que estes não venham a ocorrer na prática. O plano de negócios também tem a função de dar as respostas daquilo que realmente o cliente quer, demonstrando se o produto a ser oferecido é o que realmente ele busca. 1.2 Questão de Estudo O processo de identificar uma oportunidade para que se possa abrir um novo negócio, é importante para que haja o aproveitamento de mercado de determinado setor. Porém é algo que não revela as possibilidades de sucesso, riscos e incertezas. Necessitando assim de uma análise mais crítica que possa responder a questão de estudo a ser solucionada.
  18. 18. 18 Para atender aos objetivos propostos, busca-se a resposta para a seguinte questão a ser estudado: “É viável a implantação de uma indústria de sorvetes na cidade de Porto Lucena?”. 1.3Objetivos 1.3.1 Objetivo geral Analisar a viabilidade econômica financeira para a instalação de uma indústria de sorvete no município de Porto Lucena. 1.3.2 Objetivos Específicos  Analisar a viabilidade do negócio para identificar o valor do investimento por meio de uma pesquisa de mercado;  Identificar a aceitabilidade do negócio para avaliar o retorno do investimento;  Analisar a vulnerabilidade do negócio buscando identificar os riscos aos quais o projeto estará sujeito. 1.4 Justificativa A crescente expansão do setor revela a oportunidade para investir no mercado, pois de acordo a ABIS (2013), dados estatísticos mostram que nos últimos dez anos o consumo de sorvete aumentou significativamente no Brasil, passando de 685 milhões de litros em 2003 para 1.209 milhões em 2012, representando uma elevação de 76,49% no consumo do produto. Por não ter sido desenvolvido nenhum estudo em nossa região referente ao tema a ser abordado, justifica o interesse quanto à realização da pesquisa.
  19. 19. 19 Outro fator a ser observado é a iniciativa e o surgimento da ideia em abrir um empreendimento buscando aplicar à teoria a prática diante dos conhecimentos acadêmicos obtidos no decorrer do curso de administração da UNIJUÍ, onde o acadêmico autor da pesquisa pretende por meio da mesma avaliar a viabilidade para a implantação de uma indústria de sorvetes. Pois com a abertura de mercado, diante da oportunidade surgida, antes de por em prática o referido negócio, pretende-se a realização de uma pesquisa de mercado, por meio do desenvolvimento de um plano de negócios. Considerando que o município onde se pretende instalar a indústria não possui nenhum negócio que trabalhe neste ramo, com a produção de sorvetes, torna oportuna a iniciativa para a instalação da mesma. Outro fator é a falta de opção que obriga os distribuidores de sorvete do município como bares, restaurantes e supermercados, terem que buscar e comercializar o produto de empresas de outros municípios. Contanto a abertura do negócio é viável no sentido de atender a demanda do município em relação ao produto, suprindo a necessidade do comércio distribuidor, assim como também da comunidade em geral. Com poucas oportunidades de emprego no município, a implantação de uma indústria, mesmo sendo de pequeno porte, influenciará na oferta de emprego, por meio da necessidade de mão de obra para suprir o quadro funcional exigido pelo novo empreendimento. Contribuir para o aquecimento da economia do município fortalecendo a geração de renda é outro aspecto que justifica a implantação do negócio. A possibilidade de concretizar o sonho do acadêmico autor da pesquisa em ter seu próprio empreendimento, por meio da oportunidade de atingir suas metas e alcançar seus objetivos através do desenvolvimento profissional é também um aspecto que motiva o desenvolvimento deste estudo.
  20. 20. 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Empreendedorismo Dornelas (2001) aborda que a iniciativa em empreender esta ligada a necessidades impostas pelo desenvolvimento tecnológico ocorrido e suas consequências atribuídas ao mercado. Gerando uma competitividade econômica que desafia cada vez mais os empreendedores no processo inovador, forçando a criação de estilos diferenciados. Na visão de Dornelas (2001), um empreendedor pode ser reconhecido pela sua potencialidade em identificar novas oportunidades, aproveitando-as como forma de rentabilidade. Para Dornelas (2001, p.38), como forma de definição de empreendedor devem ser observados os seguintes aspectos: 1. Iniciativa para criar um novo negócio e paixão pelo que faz. 2. Utiliza os recursos disponíveis de forma criativa transformando o ambiente social e econômico onde vive. 3. Aceita assumir os riscos e a possibilidade de fracassar. Dornelas (2001) afirma também que o processo empreendedor está ligado a todo tipo de esforço que tem por objetivo a criação de uma nova empresa. Atribuindo a isto a capacidade de inovação, vinculada ao esforço e a dedicação que levam a empresa a prosperar, por meio das iniciativas e decisões tomadas sem que haja o medo de errar, não se deixando abater diante das falhas ocorridas. Já na visão de Dolabela (2008), o empreendedorismo é resultado da auto realização das pessoas em administrar seu próprio negócio. Algo que faz com que as pessoas ao exercerem a atividade empreendedora sentem prazer em trabalhar, atribuindo um sentido de realização quando na execução das atividades empresariais. “O crescimento econômico sustentável é consequência do grau de empreendedorismo de uma comunidade” (DOLABELA 2008, p. 24).
  21. 21. 21 De acordo com Dolabela (2008), para que possam ser aproveitadas as condições ambientais favoráveis é preciso pessoas com capacidade que promovam o desenvolvimento. Pois o empreendedor é responsável pela criação e desenvolvimento de novas ideias, estimulando a inovação tecnológica e o crescimento econômico. Segundo Dolabela (2008), não basta que o empreendedor esteja motivado, é necessário também que o mesmo tenha conhecimento, como forma de análise do negócio, do seu mercado de atuação e, além disso, de si próprio. Só assim este conseguirá alcançar seus objetivos e se desenvolver com sucesso. Para Hisrich e Peters (2004), o empreendedorismo é o processo de criar algo novo, o qual envolve tempo, dedicação e esforço, assumindo os riscos dos quais está vulnerável, para que possa através da superação destes, ser recompensado por meio da satisfação e sua independência econômica e pessoal. Considerando a importância do empreendedorismo para o desenvolvimento econômico, conforme Hisrich e Peters (2004), além de um aumento de produção e renda per capita estão vinculadas também a iniciativa em constituir novas mudanças em relação à estrutura do negócio e da sociedade. Sendo assim tal mudança poderá estimular o desenvolvimento e o aumento da produção, significando maior fonte de renda e consequentemente refletindo no aumento da riqueza dividida entre os participantes envolvidos no processo. O processo de iniciar um novo empreendimento está incorporado ao processo de empreender, que envolve mais do que a simples resolução de um problema em uma posição administrativa típica. Um empreendedor deve encontrar avaliar e desenvolver uma oportunidade superando as forças que resistem à criação de algo novo (HISRICH e PETERS 2004, p.53). “O empreendedor é nossa personalidade criativa, sempre lidando melhor com o desconhecido, estimulando o futuro, criando as probabilidades dentre as possibilidades, transformando o caos em harmonia” (GERBER 2004, p. 16). Segundo Gerber (2004), o empreendedor é capaz de transformar situações triviais em oportunidades. O empreendedor pode ser considerado um visionário, um sonhador, alguém com energia para promover mudanças, que gosta de estar livre para construir algo novo, ou seja, é um inovador, um estrategista, que procura métodos e alternativas para descobrir ou entrar em novos mercados.
  22. 22. 22 2.2 Plano de Negócios Dornelas (2001) considera um plano de negócios como a “parte fundamental do processo empreendedor”. De acordo com Dornelas (2001), o plano de negócios funciona como uma forma eficaz, dando suporte e contribuindo positivamente para o gerenciamento das empresas. Enfatiza também a necessidade de transmitir as informações absorvidas para o ambiente interno da organização, com intuito no desenvolvimento e aplicação de melhorias. Considerando, portanto, uma ferramenta importante que deve ser utilizada no processo de gestão das organizações. “Um bom plano de negócios deve mostrar claramente a competência da equipe, o potencial do mercado-alvo e uma ideia realmente inovadora; culminando em um negócio economicamente viável, com projeções financeiras realistas” (DORNELAS, 2001, p. 118). Buarque (1991) trata o plano de negócios como projeto de viabilidade de negócios, considerando que a realização do mesmo desde a ideia inicial até seu funcionamento, é um processo continuo com varias fazes combinando o estudo de uma série de fatores “técnico, econômico e financeiro”. 2.2.1 Viabilidade do negócio Segundo Woiler e Mathias (1996), como forma de verificação da viabilidade e constatação dos investimentos necessários para o desenvolvimento de um negócio é necessária à coleta e análise de um conjunto de informações, os quais irão compor um projeto, sendo que esta estrutura servirá como uma ferramenta para avaliar a alternativa de investimento proposta. Portanto este tópico destina-se a abordagem das diversas etapas que constituem um plano de viabilidade econômica financeira.
  23. 23. 23 2.2.1.1 Produto Segundo Kotler (1998), o fator responsável por promover a satisfação das pessoas são os produtos. Ou seja, produto é tudo aquilo que possa ser oferecido ao mercado como uma forma de suprir e satisfazer a necessidade ou desejos dos clientes. Neste sentido Kotler (1998) coloca que os produtos podem ser classificados como bens e serviços, sendo estes tanto físicos, quanto intangíveis, que de alguma forma geram benefícios ao indivíduo que lhes possui. Slack et.al. (2008), destaca que os produtos por serem projetados para satisfazer as necessidades do mercado, precisam estar em conformidade com os padrões estipulados, atendendo assim as expectativas do mercado, considerando elementos como qualidade, confiabilidade, rapidez na produção, flexibilidade e custos. A identificação do produto, do ponto de vista do mercado (diferentemente da caracterização do ponto de vista físico realizado pela engenharia) deve definir claramente o produto quanto a: a) Sua utilização. b) Seus substitutos e complementos. c) Sua vida útil (BUARQUE 1991, p. 43). Segundo Maximiano (1997), produtos podem ser tanto os “artefatos”, quanto os “serviços” que uma organização pode oferecer, os quais têm uma “razão de ser ou propósito”. Kotler (1998) atribui conceito de produto a preferência que os consumidores dão em relação ao preço mais baixo e a melhor qualidade oferecida pelo produto, de modo que levam as organizações a buscar eficiência no processo produtivo e o desenvolvimento de produtos cada vez melhores. 2.2.1.2 Aspectos mercadológicos O mercado pode ser definido a partir de uma análise feita com o objetivo de criar um novo negócio ou melhorar o já existente, diante do surgimento de uma oportunidade de investimento (WOILER e MATHIAS, 1996).
  24. 24. 24 “Um mercado consiste de todos os consumidores potenciais que compartilham de uma necessidade ou desejo específico, dispostos e habilitados para fazer uma troca que satisfaça essa necessidade ou desejo” (KOTLER 1998, p.31). Para Kotler (1998) nenhuma empresa consegue ser eficiente o bastante para operar em todos os mercados, de modo a satisfazer as necessidades impostas pelos mesmos, não conseguindo, portando, desenvolver um trabalho bom em um mercado muito amplo. Sendo que para isso é preciso definir de maneira cuidadosa o seu mercado de atuação. Buarque (1991) mostra que o estudo de mercado serve de base para avaliação e constatação da viabilidade do negócio, ou seja, se há realmente interesse pelo mercado em determinado produto ou não. Neste contexto é necessário o levantamento de informações em relação aos consumidores, concorrentes e fornecedores. O mercado consumidor é sem dúvida o responsável pelo desenvolvimento e criação de novos produtos, no que diz respeito às necessidades impostas pelo consumidor, ou seja, é com foco nas exigências dos mesmos que as empresas trabalham para desenvolver novos bens e serviços. De acordo com Maximiano (1997) o mercado consumidor é quem define as expectativas, sendo que a organização precisa trabalhar para esclarecê-las, desenvolvendo métodos que atendam as mesmas, possibilitando assim suprir as necessidades e desejos do consumidor, definido pelo autor como o “usuário final”. Segundo Kotler (1998), reconhecer as necessidades do consumidor não é “tarefa fácil”, pois nem mesmo os consumidores podem estar cientes daquilo que desejam, necessitando assim que estas necessidades sejam interpretadas. Buarque (1991) considera o levantamento de informações em relação aos consumidores e sua população o “elemento – chave” na realização de um estudo de mercado. De acordo com Kotler (1998) para que as empresas sejam bem sucedidas, superando os desafios impostos pelo mercado atual, precisam deter seu foco no
  25. 25. 25 cliente, dando ênfase não somente na criação de novos produtos, mas também na criação de novos clientes. Segundo a abordagem de Kotler (1998), para que uma empresa seja bem sucedida e consiga manter-se a frente das demais, precisa trabalhar para atenda os desejos e as expectativas dos clientes, se destacando dos seus concorrentes de maneira diferenciada. Kotler (1998) descreve que ao identificar um concorrente, além de observar as empresas que competem produzindo e comercializando o mesmo produto, é preciso fazer a análise das empresas que satisfazem as mesmas necessidades do consumidor. Os concorrentes mais diretos de uma empresa são aqueles que perseguem os mesmos mercados-alvo e adotam estratégias semelhantes. Grupo estratégico é o conjunto de empresas que segue a mesma estratégia em determinado mercado-alvo. Qualquer empresa precisa identificar o grupo estratégico em que está concorrendo (KOTLER 1998, p. 212). Para Kotler (1998) a empresa precisa conhecer de forma aprofundada, obtendo informações detalhadas de todos os passos que são dados pelo concorrente, monitorando-o continuamente para não ser surpreendida. Kotler (1998) diz ainda que a realização de pesquisas de mercado ajuda a identificar as forças e fraquezas dos concorrentes, contribuindo para o desenvolvimento de novas estratégias de ataque ao mercado de atuação. De acordo com Kotler (1998), os fornecedores são importantes em relação à distribuição de suprimentos necessários para manter a produtividade da empresa de maneira controlada. É com base nos fornecedores e no custo da matéria prima que a empresa calcula o preço de venda. Também são responsáveis pelos índices de venta e de satisfação ao cliente, ou seja, atraso ou ineficiência no fornecimento de insumos comprometem a produtividade e a expectativa do cliente em relação ao produto. Segundo Chiavenato (1991), as compras envolvem todo um processo de localização de fornecedores e fontes de suprimento, aquisição de materiais, assim como também acompanhamento e recebimento do material dentro das especificações solicitadas.
  26. 26. 26 Para Chiavenato (1991, p.106), “a pesquisa de fornecedores consiste em investigar e estudar os possíveis fornecedores dos materiais requisitados”. Este entendimento se baliza no fornecedor como “a empresa que produz as matérias primas e insumos necessários e que se dispõe a vendê-los”. A gestão da cadeia de suprimentos é a gestão da interconexão das empresas que se relacionam por meio de ligações à montante e à jusante entre os diferentes processos, que produzem valor na forma de produtos e serviços para o consumidor final (SLACK et. al. 2002, p. 415). Na visão de Slack et al. (2002) levando em conta a necessidade de suprimento da empresa, o processo de compra considera a aquisição de “materiais e serviços” através de acordos estabelecidos com os fornecedores. Slack et al. (2002) aborda também que os gestores responsáveis pelo processo de compra devem levar em conta além da necessidade dos processos impostos pela empresa, à capacidade do fornecedor em atender o volume de materiais demandado pela mesma. 2.2.1.3 Tamanho Ao abordar o tamanho da empresa a ser desenvolvida, é importante considerar seu tamanho para identificar potencial instalado para atender o mercado consumidor. O tamanho de um empreendimento visa a dimensionar qual a capacidade de produção que a empresa deve ter para ser economicamente viável e atender ao mercado. O tamanho vincula-se especialmente com a potencialidade de mercado (atual e futuro) e com a capacidade da infraestrutura (recursos materiais, equipamentos, matéria-prima, recursos tecnológicos, recursos humanos) (KUHN e DAMA, 2009 p. 57). Buarque (1991, p.45) menciona que “se o objetivo do mercado é a determinação da procura insatisfeita numa certa região (quase sempre todo o país), é fundamental conhecer a capacidade de produção, para saber então se se justifica uma nova unidade de produção”. Buarque (1991) ao abordar sobre o tamanho da organização considera o custo unitário mínimo de produção com base nos princípios de economia de escala. Demonstrando assim que o tamanho da fábrica está diretamente ligada ao potencial de absorção do mercado. Ou seja, no caso de aumento na procura o custo unitário
  27. 27. 27 deve ser mínimo atendendo a procura atual e conseguindo adequar-se de forma a atender a procura futura. 2.2.1.4 Localização A localização da organização considera os diversos aspectos que são responsáveis por garantir bons resultados em relação aos processos organizacionais, levando em cota o ambiente no qual a mesma está inserida. A localização ótima do empreendimento é aquela que, logisticamente atende os seguintes aspectos: minimização dos custos; adaptação a variações (flexibilização) na escala de produção; proximidade e facilidade de acessos a matérias- primas e insumos; facilite o acesso ao mercado consumidor; atenda requisitos de incentivos; e que contemple aspectos relativos ao meio ambiente (KUHN e DAMA, 2009 p. 58). Buarque (1991) destaca que a localização da organização exerce influencia sobre o processo produtivo, quanto à entrada de insumos e saída do produto final, considerando a acessibilidade a unidade produtiva, o que pode resultar no aumento ou na diminuição dos custos de produção e distribuição. O estudo do projeto deve definir claramente qual será a melhor localização possível para a unidade de produção. Evidentemente a melhor localização será a que permitir aumentar a produção e ao mesmo tempo reduzir os custos necessários a essa produção, elevando assim ao máximo os benefícios líquidos do projeto (BUARQUE 1991, p. 72). “O estudo da macrolocalização consiste em definir a região ou cidade onde se deverá situar a unidade de produção, para reduzir ao mínimo os custos totais de transporte” (BUARQUE 1991, p. 74). Segundo Buarque (1991) dentre as possíveis disponibilidades de localização, é preciso analisar os pontos geográficos que possibilitam o mínimo de custos em relação à logística, para se definir o melhor local para a instalação da empresa. De acordo com Buarque (1991) a microlocalização é a localização do lugar específico em que será instalada a empresa, ou seja, é, portanto a instalação definitiva do negócio considerando o processo de engenharia, como edificação, área do prédio requerida, instalações, layout, dentre outras informações.
  28. 28. 28 2.2.1.5 Tecnologia e processo Segundo Buarque (1991), na escolha de uma tecnologia, devem-se levar em consideração todas as tecnologias disponíveis, assimilando algumas e dentre estas fazer um comparativo analisando-as em seus diferentes aspectos, para que assim se consiga definir a tecnologia adequada que possa oferecer o máximo de rendimento. Para Slack et al. (2002) todo tipo de operação desenvolvido nas organizações envolve algum tipo de tecnologia, seja ela simples ou complexa, de modo que o objetivo da empresa é tirar algum proveito da mesma. “As tecnologias de processos são as máquinas, equipamentos e dispositivos que ajudam a produção a transformar materiais, informações e consumidores de forma a agregar valor e atingir os objetivos estratégicos da produção” (SLACK et. al. 2002, p. 241). Na visão de Slack et al. (2002), o processo funciona como um arranjo, ou seja, define um relacionamento entre todas as atividades componentes até chegar ao produto final. “O processo inerente ao projeto do produto ou serviço é o mecanismo pelo qual torna-se possível que esse produto ou serviço desempenhe sua função e realize o conceito original” (SLACK et al. 2002, p. 142). 2.2.1.6 Organização e gerenciamento Stoner e Freeman (1985) abordam que todas as organizações necessitam de seus líderes ou administradores que as orientam ao alcance dos seus objetivos. Ou seja, no exercício de seus papéis são estes personagens fundamentais por ajudar a organização e seus membros no alcance das metas estipuladas. De acordo com Stoner e Freeman (1985), para que uma organização obtenha resultados positivos e sucesso, é necessário dispor de administradores competentes
  29. 29. 29 e que estejam aptos a desempenhar suas funções com “eficiência”, fazendo as coisas certas e, “eficácia”, que está na capacidade em fazer certo as coisas. O fato de que uma determinada tarefa só terá seu desenvolvimento de forma satisfatória, onde o individuo poderá executá-la com mais conforto, justifica a ideia de Stoner e Freeman (1985) de que as organizações precisam da divisão do trabalho por meio de uma descrição de cargos e funções, construindo assim um ambiente organizacional mais produtivo. Segundo Stoner e Freeman (1985), para que uma organização esteja bem estruturada, ela precisa que suas atividades sejam “divididas, organizadas e coordenadas”, compondo assim uma estrutura organizacional. Stoner e Freeman (1985) comentam que para o entendimento das estruturas organizacionais devido à complexidade da maioria, são desenvolvidos organogramas. Estes tem a função de demonstrar formalmente a divisão das tarefas dentro das organizações. Assim como também evidenciar possíveis divergências na estrutura organizacional, como defeitos organizacionais, duplicação de esforços ou conflitos potenciais. 2.2.1.7 Investimentos e financiamentos Considerando os aspectos financeiros e a necessidade de captação de recursos para investir na empresa, de acordo com Gitman (2001), além do capital próprio a empresa necessita também do capital de terceiros, para o qual o mesmo atribui os empréstimos a longo prazo contraídos pela empresa. O estudo dos “investimentos” do empreendimento tem por objetivo estimar o total de recursos de capital necessário para o estabelecimento do negócio. Se estivermos falando de negócio novo, falamos em investimentos iniciais, ou seja, aqueles requeridos e realizados no momento zero, ou, ainda, no inicio do plano. Esta estimativa servirá de base e referencia para a avaliação econômica do empreendimento e para delinear a busca de alternativas para o seu financiamento (KUHN e DAMA, 2009 p. 64). Conforme Gitman (2001) a demonstração de resultado tem por função fornecer um resumo dos resultados obtidos pela empresa em um determinado período. Segundo o autor as demonstrações podem ser realizadas com base no período de um ano, considerando uma data específica, no caso 31 de dezembro em
  30. 30. 30 relação ao calendário, ou de acordo com o ciclo financeiro, que leva em conta o ano fiscal de 12 meses. Pode também ser realizada a demonstração mensal ou trimestral, as quais são comumente utilizadas respectivamente pela “alta administração” e “pelas sociedades anônimas de capital aberto”. Leone (2000) considera a demonstração de resultado como uma das principais demonstrações contábeis. Que tem por objetivo estimar as operações realizadas pela empresa em um determinado período. De modo que considerando “o principio da competência, evidenciará a formação dos vários níveis de resultados”, fazendo assim um comparativo das receitas em relação aos custos e despesas do período. De acordo com Gitman (2001, p. 105) “a demonstração do fluxo de caixa fornece um resumo dos fluxos de caixa durante um determinado peírodo, geralmente, o ano recém-encerrado”. Portanto por meio desta demonstração é possível analisar aspectos como “fluxo de caixa operacional, de investimentos e financiamentos” realizados pela empresa. Dolabela (1999) considera o fluxo de caixa como uma ferramenta adequada que possibilita a realização de um bom controle financeiro da empresa a curto prazo, oportunizando um acompanhamento de toda movimentação de caixa em relação as suas entradas e saídas de recursos. Gitman (2001) aborda três diferentes formas de aquisição de capital externo para as organizações que necessitam de recursos para investimento. Uma seria por meio das “instituições financeiras”, outra através dos “mercados financeiros” e também por meio da “colocação privada”. Na percepção de Gitman (2001) as instituições financeiras são responsáveis pela captação da poupança de indivíduos, empresas ou governo, usando-a para conceder empréstimos e financiamentos. Quanto aos mercados financeiros, estes trabalham de modo que tanto fornecedores e tomadores de recursos tem conhecimento da transação realizada, os quais podem fazer negócios diretamente entre si.
  31. 31. 31 2.2.2 Aceitabilidade do negócio De acordo com Slack et al. (2002), a aceitabilidade avalia os retornos estimados que serão obtidos com a implantação do projeto. 2.2.2.1 Payback Conforme Dolabela (1999) o payback é um indicador que serve de base para calcular quanto tempo à empresa levará para ter o retorno do investimento inicial realizado. Ou seja, demonstra qual será o tempo de recuperação do dinheiro aplicado pelo empreendedor em seu novo negócio. O amplo uso do período de paypack, particularmente nas empresas pequenas, deve-se a sua facilidade de cálculo e ao apelo intuitivo. Por ser visto como uma medida de risco, muitas empresas usam o período de payback como critério de decisão ou como complemento para técnicas de decisão sofisticada (DOLABELA 1999, p. 240). Segundo Gitman (2001) o payback é calculado a partir dos fluxos de entrada de caixa, possibilitando assim analisar em quanto tempo os investimentos inicialmente propostos irão retornar para a empresa. Ou seja, fornece o calculo do período de tempo que a empresa terá para obter retorno do capital investido. 2.2.2.2 Taxa interna de retorno (TIR) e taxa mínima de atratividade (TMA) Dolabela (1999) considera a taxa interna de retorno uma das técnicas mais utilizadas como forma de avaliação das alternativas de investimento. A TIR “iguala o valor presente líquido ao investimento inicial referente a um projeto”. Ou seja, esta é a taxa utilizada para calcular o valor presente líquido (abordado no item 2.2.2.3), proporcionando a este um valor exatamente igual a aquele investido inicialmente pelo empresário. “O critério de decisão da TIR é o seguinte: se a TIR for maior que a taxa de retorno desejada pelo empreendedor, aceita-se o projeto; se for menor, rejeita-se o projeto” (DOLABELA 1999, p. 242).
  32. 32. 32 Fórmula utilizada no calculo da TIR: Assim como Dolabela (1999), Gitman (2001), também afirma que a TIR é a taxa mais usada, além de considera-la a “técnica de orçamento de capital” mais sofisticada. Porém é mais difícil em relação à VPL, em termos de calculo. Para o autor a TIR demonstra o valor atual das entradas de caixa em relação ao investimento inicial do projeto. Buarque (1991) considera a TIR como uma totalidade do projeto, de modo que quanto maior for à mesma, maior também serão as vantagens apresentadas pelo projeto. Diz ainda que a TIR é usada para fazer um comparativo entre projetos. Sendo assim, segundo o autor para que um projeto seja viável, ele precisa ter uma taxa sempre superior ao “custo de oportunidade do capital”. A taxa mínima de atratividade (TMA) está relacionada ao mínimo de retorno que um indivíduo ou empresa se dispõe a obter em relação a um investimento realizado pelo mesmo, ou também o máximo que um tomador de capital se dispõe a pagar quando este faz um financiamento (FERREIRA, 2010). 2.2.2.3 Valor presente líquido (VPL) Conforme Gitman (2001) o valor presente líquido (VPL) pode ser definido como mais uma “técnica de orçamento de capital sofisticada”. Sendo que seu calculo compreende a subtração dos investimentos realizados inicialmente em um projeto em relação ao valor atual dos fluxos de entradas de caixa, descontando-se a taxa equivalente ao custo de capital da empresa. Gitman (2001) comenta ainda que, se a VPL for maior que zero consequentemente a empresa terá um resultado superior ao seu capital investido. Possibilitando assim obter maior rentabilidade com o aumento do valor de mercado da empresa.
  33. 33. 33 Para se calcular o VPL, usa-se a fórmula: 2.2.2.4 Rentabilidade e lucratividade De acordo com Montenegro (2009), a análise da lucratividade do negócio se faz por meio de uma avaliação que considera o ganho obtido pela empresa em relação ao seu lucro líquido obtido no período e sua receita total. Quanto à rentabilidade obtida pelo negócio, se considera o lucro líquido obtido pela empresa e o seu investimento realizado. Ou seja, esta é uma variável cujo objetivo é demonstrar qual será o tempo que o capital investido levará para retornar a empresa (MONTENEGRO, 2009). 2.2.2.5 Ponto de equilíbrio Segundo Gitman (2001) o ponto de equilíbrio é o método utilizado pelas empresas para encontrar a otimização no nível de vendas, que possibilita cobrir os custos operacionais. Ou seja, destina-se a determinar o nível de vendas que a empresa precisa obter para que seus custos operacionais sejam compensados, assim como também possibilita efetuar a avaliação do lucro obido em relação ao nível de vendas que a empresa atingiu.
  34. 34. 34 De acordo com Gitman (2001) o ponto de equilíbrio operacional é o ponto onde a somo de todos os custos envolvidos no processo de produção se igualam a receita obtida com a venda dos produtos. Na visão de Dolabela (1999) o ponto de equilíbrio, é o ponto onde a empresa consegue atingir um lucro operacional igual à zero, ou seja, a mesma deve faturar o equivalente aos seus custos. Sendo que, com um resultado superior ao ponto de equilíbrio a mesma obterá lucro e, se este resultado for inferior resultará em prejuízo. O ponto de equilíbrio pode ser calculado por meio da seguinte fórmula: 2.2.2.6 Análise da sensibilidade Buarque (1991) aborda que a sensibilidade é de grande importância, principalmente para aqueles projetos cuja taxa de retorno não é tão expressiva, tendo a função de informar aos responsáveis pelo projeto, como está o comportamento da rentabilidade. De modo que tendo conhecimento quanto à sensibilidade em relação às variáveis principais, é possível dimensionar qual é o risco que os investidores estão correndo. Para Gitman (2001) ao analisar a sensibilidade de um negócio, faz-se uma verificação do comportamento do retorno, onde são usados um número de possíveis valores de uma determinada variável, com o objetivo de avaliar qual é o impacto da mesma sobre o resultado que a empresa está obtendo. Ao se utilizar desde método é possível verificar o que esta ocasionando a variação dos resultados em relação às alterações em uma variável específica.
  35. 35. 35 2.2.3 Vulnerabilidade do negócio Slack et al (2002) descreve que a vulnerabilidade do negócio está ligada aos riscos que o empreendimento sofre em relação ao seu ambiente de atuação. “Hoje em dia, o ambiente externo passa por mudanças continuas e rápidas, com efeitos de longo alcance sobre as organizações e suas estratégias administrativas” (STONNER e FREEMAN 1985, p. 46). Para Stoner e Freeman (1985) o ambiente externo é formado por todos aqueles elementos dos quais as organizações necessitam para suas operações. Ou seja, o fato das organizações não serem autossuficientes as obriga manter uma relação de troca de recursos com o ambiente externo, tornando-se assim dependente do mesmo. Segundo Stoner e Freeman (1985), dentre os elementos que causam influencia e afetam as atividades das organizações estão os grupos ou indivíduos do ambiente externo e os grupos e indivíduos do ambiente interno. Para Stoner e Freeman (1985) os grupos de indivíduos influenciadores externos a organização são compostos pelos consumidores, fornecedores, governo, grupos de interesses especiais, mídia, sindicato de trabalhadores, instituições financeiras e competidores. Quanto aos fornecedores cabe a estes a importância pelo suprimento de insumos para as empresas, além de garantir a entrega, determinando a qualidade e o preço final dos produtos. A dependência das organizações em relação aos fornecedores está justamente na necessidade em garantir a matéria prima necessária para a produção. O governo é responsável por intervir através de suas políticas de regulamentação, afetando as organizações por meio das “[...] iniciativas legislativas, ações judiciais e regulamentação executiva” (STONER e FREMAN, 1985, p. 49). Segundo Stoner e Freeman (1985) outros elementos que exigem atenção e cuidados a serem tomados pela organização, são os grupos de interesses especiais, como é o caso dos grupos de “defesa do consumidor” e os “ambientalistas”. Os quais poderão gerar forte influencia em relação ao mercado consumidor, fazendo
  36. 36. 36 como que a organização perca seu potencial de vendas se a mesma apresentar algum ponto negativo em relação à causa defendida por estes grupos. Stoner e Freeman (1985) enfatizam também as instituições financeiras, que suprem a necessidade de capital das organizações por meio de empréstimos e financiamentos. E da mesma forma os competidores, que são os responsáveis pela disputa de mercado, onde as empresas buscam novos clientes procurando aumentar a fatia de mercado ou até mesmo explorando novos mercados. Considerando a abordagem de Stoner e Freeman (1985), apresentam-se também os elementos internos que exercem influencia sobre o negócio. Dos quais se destacam os empregados, que são responsáveis por fornecer a mão de obra necessária para garantir a execução dos processos na organização, mas que de acordo com Stoner e Freeman (1985), tem se demonstrado menos capacitados diante das exigências impostas pelas empresas. E também os acionistas, os quais estão deixando de ser apenas investidores, mas passando a exercer influencia sobre as empresas através do direito de voto, buscando soluções para as questões controvertidas. Portanto, com base na abordagem de Stoner e Freeman (1985), conclui-se que são as variáveis econômicas, políticas, tecnológicas e sociais que exercem influencia sobre as organizações, exigindo que as mesmas mantenham um constante processo de adaptação, conseguindo neutralizar os riscos para se manter em um mercado tão competitivo.
  37. 37. 3 METODOLOGIA Nesta seção são definidas algumas dimensões que levaram a um adequado método de planejamento e desenvolvimento da pesquisa. Ou seja, o tópico descreve qual é a classificação da pesquisa, os sujeitos da pesquisa e universo amostral, como foram coletados, analisados e interpretados os dados. 3.1 Classificação da Pesquisa Conforme Gil (1999, p. 42), a pesquisa tem um caráter pragmático, é um “processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos”. Em relação à abordagem a mesma pode ser classificada como pesquisa quanti-qualitativa. Para Oliveira (1997) a pesquisa quantitativa tem a finalidade de “quantificar opiniões, dados, nas formas de coleta de informações, assim como também o emprego de recursos e desvio padrão, até as de uso mais complexo, como coeficiente de correlação, análise de regressão etc., normalmente utilizados em defesas de teses”. Roesch (1999, p. 154) considera que a “pesquisa qualitativa e seus métodos de coleta e análise de dados são apropriados para uma faze exploratória da pesquisa”. Para Malhotra (2001, p. 155) “a pesquisa qualitativa proporciona melhor visão e compreensão do contexto do problema”. A pesquisa se identifica como exploratória, pois “têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em vista, a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores” (GIL 1999, p. 43). Ainda quanto aos seus objetivos, ela também é descritiva, pois segundo Gil (1999, p. 44) seu objetivo primordial é a “descrição das características de
  38. 38. 38 determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis”. Quanto aos procedimentos técnicos, a pesquisa se classifica como bibliográfica, documental, estudo de caso, pesquisa de campo e pesquisa de mercado. De acordo com Gil (1999) a pesquisa bibliográfica se baseia em documentos já elaborados, como livros e artigos científicos. Para o autor a pesquisa bibliográfica permite levantar uma quantidade maior de dados referentes ao problema de pesquisa, além de facilitar a localização de dados que estão dispersos no espaço. Para Mattar (1996), os levantamentos documentais podem ser realizados a partir de documentos que a própria empresa mantém em seus arquivos. Considera também que estas informações têm custos consideravelmente baixos, tendo grande importância, pois além de servirem para a pesquisa em pauta, poderão ser úteis a pesquisas futuras. O levantamento documental também pode ser efetuado fora da empresa, a partir da análise de documentos de arquivos públicos. “O estudo de caso é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira a permitir seu conhecimento amplo e detalhado, tarefa praticamente impossível mediante os outros tipos de delineamentos considerados” (GIL 1999, p. 72). A pesquisa de campo, conforme Marconi e Lakatos (2003) tem o objetivo de obter informações e conhecimentos em relação a um problema, para o qual se quer obter a resposta, levantar hipóteses ou ainda estabelecer relações entre os fenômenos a serem descobertos. De acordo com o SEBRAE “a pesquisa de mercado é uma ferramenta importante para que você obtenha informações valiosas sobre o mercado que atua ou pretende atuar”.
  39. 39. 39 3.2 Sujeitos da Pesquisa e Universo Amostral Os sujeitos da pesquisa e universo amostral foram definidos com base em dois focos: visitas in loco e entrevistas com empresários da área; e aplicação de questionários a potenciais consumidores. Quanto às visitas técnicas in loco e entrevistas, estas foram feitas com profissionais da área, os quais trabalham no ramo de sorveteria, em especial, os empresários cujos estabelecimentos comerciais são pontos de venda do produto, dentre os quais se destacam sorveterias, supermercados e lancherias, sendo que estes estão localizadas no município de Porto Lucena e Porto Xavier - RS. Considerando estes aspectos, também foram sujeitos da pesquisa os fornecedores de equipamentos e matéria prima para a produção de sorvetes. Os consumidores de sorvete, os quais podem ser considerados potenciais clientes destacam-se também como sujeitos da pesquisa, pois os mesmos foram selecionados através de amostragem por conveniência para compor o grupo de entrevistados que participaram da pesquisa. Ou seja, considerando que Porto Lucena tem uma população de 5.413 habitantes, destes foram selecionados 100 indivíduos que contribuíram para o levantamento dos dados. 3.3 Coleta de Dados Para identificar a viabilidade do empreendimento foi realizada a pesquisa bibliográfica, a análise documental, entrevistas (APENDICE A) com empresários do setor por meio de visitas aos mesmos e a estabelecimentos que comercializam o produto e aplicação de questionários a potenciais consumidores (APENDICE B). Os dados bibliográficos foram obtidos por meio do levantamento de informações em livros, revistas, jornais, teses e dissertações e demais publicações que abordam sobre o tema. A pesquisa documental foi realizada por meio do levantamento de dados com base em materiais com conteúdos que abordam informações de caráter comparativo e demográfico em relação ao assunto pesquisado. Além disto, utilizaram-se
  40. 40. 40 informações fornecidas pelo empresário proprietário da Gelati Sorvetes, localizada na cidade de Porto Xavier, ao qual foi feita uma visita técnica para melhor entender o processo de fabricação do sorvete. A mesma ocorreu no dia 15 de setembro, onde o mesmo recebeu o acadêmico em sua fábrica, mostrando-lhe toda a estrutura, instalações equipamentos e ferramentais utilizados no processo de produção, além de contribuir com informações a respeito do processo de venda e de como funciona o mercado de sorvetes diante da sua perspectiva como empreendedor do ramo. A pesquisa de campo foi feita através de duas fontes de levantamento de dados, as quais são: entrevista e questionário. Desta forma, por meio de agendamento marcado para os dias 14 e 21 de setembro de 2013, foram realizadas entrevistas com roteiro (APENDICE A) semi estruturado a comerciantes que produzem e revendem o produto no município de Porto Lucena e Porto Xavier, assim como também a cotação de preços com fornecedores de equipamentos e matéria prima, com os quais foram feitos contatos via e-mail solicitando orçamentos. O questionário (APENDICE B) foi aplicado a 100 (cem) potenciais consumidores, esse procedimento ocorreu entre os dias 1º (primeiro) e 5 (cinco) de setembro, sendo que o tema aborda questões referentes à preferência do consumidor em relação ao produto. O questionário elaborado pelo pesquisador também apresentou questões que seguiram o modelo de Likert, ou seja, com opções de resposta de 1 a 5, indo de um estremo a outro, sendo 1 (sem importância) e 5 (muito importante), assim como também questões de múltipla escolha. Quanto à amostra populacional para o levantamento de opiniões, a pesquisa se utilizou da amostragem por conveniência, considerando que o grupo amostral escolhido para participar da coleta de informações foi composto por indivíduos residentes no município de Porto Lucena, no qual se pretende instalar a indústria. 3.4 Análise e Interpretação dos Dados Nesta etapa se explica como foram tratados os dados coletados, justificando por que tal tratamento é adequado aos interesses do estudo.
  41. 41. 41 Segundo Oliveira (1997), após a manipulação e obtenção dos resultados, se dá o processo de análise e interpretação dos mesmos, de modo que estas sejam o núcleo central da pesquisa. “A análise tem como objetivo organizar e sumariar os dados de forma tal que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto para investigação. Já interpretação tem como objetivo a procura do sentido mais amplo das respostas, o que é feito mediante sua ligação a outros conhecimentos anteriormente obtidos” (GIL 1999, p. 168). De acordo com Roesch (1999, p. 149), “na pesquisa de caráter quantitativo, normalmente os dados coletados são submetidos à análise estatística, com a ajuda de computadores”, ou também são codificados manual, caso os dados forem em pequenos números. Desta forma na fase quantitativa, os dados coletados foram tabulados e analisados, por meio da utilização de ferramentas como os programas Office Excel 2007 e calculadora HP12C. Considerando que para a análise dos dados obtidos a partir dos questionários de múltipla escolha, foi utilizada a tabulação em planilhas do programa Excel (APÊNDICE C), possibilitando maior facilidade e agilidade no processo, assim como também maior precisão no que diz respeito à comparação dos percentuais obtidos, possibilitando analisar os dados estatisticamente. Após tabulados os dados forma convertidos em gráficos, chegando aos percentuais em relação às características e opções apresentadas pelos entrevistados, também se utilizou média de percentual em relação à importância considerada pela amostra em relação às variáveis apresentadas. Quanto aos cálculos necessários para fazer o levantamento contábil do empreendimento, além de planilhas do Excel onde foram desenvolvidas as demonstrações contábeis, também se utilizou como ferramenta de cálculo dos indicadores financeiros a calculadora HP12C. Segundo Gil (1999, p. 173) “a análise estatística pode ser feita manualmente, com o auxilio de calculadoras ou computadores eletrônicos”. Com base nas considerações de Roesch (1999, p. 168), “na pesquisa de caráter qualitativo, o pesquisador ao encerrar sua coleta de dados, se depara com
  42. 42. 42 uma quantidade imensa de notas de pesquisa ou de depoimentos, que se materializam na forma de textos, os quais terão de organizar para depois interpretar”. Sendo assim, como forma de tratar os dados da pesquisa, utilizou-se como meio de interpretação destes, a análise de conteúdo. Pois por meio desta técnica foi possível analisar e interpretar os dados que obtidos por meio das entrevistas, que foram realizadas aos empresários da área, as quais constaram de perguntas verbais, seguidas de anotações e observações das respostas obtidas.
  43. 43. 4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS 4.1 Caracterização do Setor O sorvete é um produto saboreado no mundo todo, sendo que este tipo de sobremesa teria se originado na China há aproximadamente três mil anos atrás, onde os orientais preparavam uma pasta de leite de arroz com o gelo provindo da neve. Afirma-se também que o imperador romano Nero, mandava seus escravos buscarem neve nas montanhas para preparar um gelado de mel, polpa de frutas e sucos. A história diz ainda que no século 14 Marco Polo teria trazido do oriente uma nova receita para o preparo do sorvete a base de água, assim como algumas receitas feitas atualmente. Catarina de Médicis ao se casar com o Frances Duque de Orleans introduziu na culinária francesa o sorvete. Desta mesma forma, a neta de Catarina de Médicis, ao se casar com Carlos I da Inglaterra, introduzindo o sorvete entre os ingleses. De modo que posteriormente os colonizadores britânicos levaram a receita para os Estados Unidos (RAMOS, 2007). Na história do sorvete, os americanos ganham destaque, de forma empreendedora, foram os primeiros a apostarem na produção de sorvete em grande escala, quando um leiteiro inglês, Jacob Fussel teve a iniciativa e abriu em Baltimore a primeira fábrica de sorvete (BRANDÃO, 2013). No Brasil, em 1834 na cidade do Rio de Janeiro, dois comerciantes compraram cerca de 200 toneladas de gelo, trazidas pelos americanos com um navio, de modo que passaram a produzir e vender sorvetes de frutas. Com o problema da conservação do sorvete, por não existir equipamentos adequados para armazenamento do produto, as sorveterias comunicavam a venda ao consumidor, para que o sorvete fosse consumido rapidamente (RAMOS, 2007). A distribuição em grande escala, só ocorreu no país em 1941, com a fundação da U.S. Harkson do Brasil, na cidade do rio de janeiro. Onde o primeiro
  44. 44. 44 lançamento, possuindo o selo Kibon, foi o Eski-bom. A partir de então a população brasileira começou a introduzir ao seu paladar esta guloseima gelada, que atualmente vem se destacando a níveis crescentes, conforme revelam dados recentes, que mostram que o Brasil consome cerca de 200 mil toneladas de sorvete por ano (RAMOS, 2007). Como uma forma de incentivar o consumo de sorvete durante todo o ano a Associação Brasileira das Indústrias de Sorvete – ABIS desde 2003 instituiu o dia 23 de setembro como o “Dia Nacional do Sorvete”. Segundo dados da ABIS (2012), entre os anos de 2003 e 2011 o mercado de sorvete cresceu mais de 70%. Ocorrendo neste período um aumento no consumo per capita de 3,82 litros por ano para 6,07 litros. Informações revelam que no último ano a Itália, maior fornecedora de equipamentos e ingredientes para a produção de sorvetes teve um volume de vendas de 3,5 milhões de euros, mostrando que o mundo todo tem investido no produto, sendo que a média anual de consumo dos italianos é de 8 litros por pessoa. Em 2010 foi previsto um aumento de 6% no mercado de sorvetes para o ano de 2012. Isto revela que se deixou de ter a ideologia de que o sorvete é apenas uma guloseima, passando a ser considerado como um alimento. Outro aspecto a ser superado é a sazonalidade, por meio do desenvolvimento de forma que aperfeiçoem a produção e estimulem o consumo do produto também no período de inverno. De acordo com informações da Associação Gaúcha das Indústrias de Gelados Comestíveis – AGAGEL (2013), o segmento de sorvetes está em forte expansão, em especial as indústrias de pequeno e médio porte que buscam destaque no mercado. 4.2 Definição do Negócio O negócio trata da análise da viabilidade econômica financeira para a instalação de uma indústria de sorvete no município de Porto Lucena. Nesta etapa estão definidos os diferenciais estratégicos pretendidos com o negócio: missão, visão, princípios e objetivos da empresa, seu mercado de atuação,
  45. 45. 45 considerando clientes, nível de renda, potencial de compras, tamanho do mercado, as estratégias a serem aplicadas, crescimento e instabilidade do mercado de atuação, oportunidades e ameaças da empresa e, seus pontos fortes e fracos. Faz- se também a descrição dos concorrentes e possíveis fornecedores, como se dará a divulgação da organização através de propagandas e promoções, descrevendo o tamanho, a localização, a organização e gerenciamento da empresa e quais serão as tecnologias e processos utilizados pela mesma. Para que haja um alinhamento nas atividades de uma empresa, e necessário que esta tenha bem definido sua missão, demonstrando claramente a sua razão de existir. Desta forma, para contemplar o motivo pelo qual a Sorveteria do Porto desenvolverá suas atividades, define-se a seguinte missão: “Oferecer um alimento de qualidade para refrescar o paladar do consumidor”. Em um primeiro momento, a empresa será criada para atender a demanda local de sorvetes, comercializando o produto a comunidade do município de Porto Lucena e arredores, com posterior objetivo de aumentar a produção passando a fornecer o produto para comercialização ao varejo, ou seja, a supermercados, restaurantes e lancherias. Sendo assim, para que a Sorveteria do Porto possa alcançar os objetivos desejados, formulou-se a seguinte visão para a empresa: “Ser referência pela qualidade na produção de sorvetes na região noroeste até 2018”. Considerando que determinados fatores passam a receber maior atenção e ganhar significativa importância, exercendo influência na identidade da empresa e consequentemente gerando retornos positivos aos colaboradores, clientes e fornecedores se caso levados em consideração. Desta forma se postos em prática os valores e princípios poderão influenciar positivamente no desempenho, contribuindo para o desenvolvimento do empreendimento. O empreendimento pretende seguir alguns princípios para que haja um enquadramento em relação ao seu objetivo, criando um ambiente ético tanto interno, quanto externo a organização: - Qualidade do produto; - Excelência no atendimento;
  46. 46. 46 - Comprometimento com o cliente; - Transparência; - Higiene; - Respeito ao meio ambiente. A Sorveteria do Porto tem como principal objetivo, “ser lembrada como uma empresa que produz e comercializa sorvetes, valorizando a saúde alimentar do cliente com a oferta de um produto com padrões de qualidade”. Por ser considerado um alimento, o sorvete é consumido pelos mais diversos públicos, que vai desde as crianças até os idosos, ou seja, não há uma faixa etária específica entre os consumidores do produto. 4.3 Aspectos Mercadológicos O mercado consumidor será composto em um primeiro momento por indivíduos que compõe a comunidade local, sendo estes habitantes do municipio de Porto Lucena e cidades vizinhas, além de visitantes que frequentam a cidade aos finais de semana, feriados ou durante a temporada de férias, os quais buscam momentos de lazer, descontração e suprir suas necessidades alimentares em bares, restaurantes, lancherias e sorveterias. Desta forma para obter um número aproximado de potenciais consumidores, buscou-se extrair alguns dados estatístico. Neste caso a densidade demográfica da região na qual a empresa estará localizada, envolvendo, portanto, o número de habitantes dos municípios de Porto Xavier, São Paulo das Missões, Porto Vera Cruz e Porto Lucena. Diante do levantamento realizado a partir de fontes da Fundação de Economia e Estatística (FEEDADOS, 2011), na soma da população dos quatro municípios, têm-se uma densidade demográfica equivalente a 24.063 habitantes, sendo estes considerados os potenciais clientes da Sorveteria do Porto. A fim de aprofundar e melhor entender a expectativa do cliente em relação aos produtos que irão ser ofertados, buscou-se estruturar um questionário
  47. 47. 47 (APÊNDICE B), o qual foi aplicado a 100 (cem), potenciais clientes, os quais se disponibilizaram a fornecer informações em relação à preferência no consumo de sorvete. Para o melhor aproveitamento destas informações, os dados passaram por um processo de tabulação (APÊNDICE C), e posteriormente interpretação, a fim de identificar as necessidades dos futuros clientes. Figura 1: Gráficos com as características dos entrevistados Fonte: Elaborado pelo acadêmico Para detalhar os resultados obtidos mediante a aplicação dos questionários aos potenciais clientes, os dados após terem sidos tabulados, foram convertidos em
  48. 48. 48 gráficos, permitindo melhor compreensão analítica destas informações. Na figura 1 estão representadas as questões dirigidas ao mercado consumidor de acordo com a estrutura do questionário (APÊNDICE B). A partir da análise das representações gráficas, é possível relatar que em relação à faixa etária a maioria dos entrevistados possui entre 15 e 17 anos, ou seja, de um total de 100 entrevistados, 18 possuem 15 anos, 45 tem 16 anos e 24 destes estão com 17 anos. A aplicação do questionário a este público se justifica pelo fato de que são indivíduos desta faixa etária que costumam consumir o sorvete com mais frequência. Quanto ao gênero dos entrevistados, pode-se dizer que de um total de 100, 52% dos entrevistados são do sexo feminino e 48% do sexo masculino. A grande maioria dos entrevistados, com 75% das respostas, afirma consumir o produto sempre que der vontade, já 11% dizem que consomem sorvete raramente, igualando-se a este percentual também aqueles indivíduos que afirmam apreciar o produto apenas nos finais de semana. Com relação ao estabelecimento no qual os indivíduos costumam adquirir o produto, os bares, lancherias e restaurantes são os pontos de vendas mais procurados, obtendo um percentual de 58% dos respondentes, seguidos pelas sorveterias com 16% das opiniões e os supermercados com 14% dos consumidores. Isto revela que mesmo sendo um estabelecimento diretamente ligado à produção e comercialização de sorvetes, as sorveterias não é o tipo de estabelecimento preferido pelos consumidores, o que pode ser justificado pelo fato de que o município e cidades visinhas possuem poucas sorveterias, tendo, portanto, um contingente maior de bares, lancherias e restaurantes onde o produto também é comercializado. Com a intenção de identificar a preferência do público alvo em relação ao tipo de embalagem mais consumida, verifica-se que a grande maioria com 50% dos entrevistados prefere que o sorvete seja servido no tradicional cascão (biscoito comestível), 17% se demonstraram ser indiferentes por consumirem o produto de ambos os tipos de embalagens disponíveis no mercado, 15% preferem o produto servido em copo descartável, 13% optam por potes de 1 (um) litro e apenas 5% gostam mais do produto servido na casquinha (biscoito comestível).
  49. 49. 49 O quadro 1 apresenta a análise em relação aos percentuais de importância identificados a partir da opinião dos consumidores de sorvete que participaram da pesquisa. Quadro 1: Grau de importância atribuida pelos consumidores em relação ao consumo de sorvete Fonte: Elaborado pelo acadêmico Diante das opções elencadas na questão 6 (seis) do questionário (APÊNDICE B), foi estruturado o quadro 1, considerando, portanto, o grau de importância quanto aos respectivos itens. Tendo como base uma importância máximo igual a 100%, considerando as varáveis apresentadas, todas obtiveram um grau de importância superior a 63%, ficando, portanto, estas entre importante e muito importande. Dos quais merecem destaque o fator higiene com 95,6%, a conservação do produto que obteve um índice de 93%, a qualidade do produto com o grau de importância de 91,2%, a qualidade do atendimento prestado ao cliente com 85,6% e o sabor do produto ofertado que obteve 85,4% de importância. Diante dos percentuais é possível observar o quanto o cliente está atento ao que está consumindo, procurando por um produto de boa procedencia e qualidade, que lhe garanta a segurança alimentar. Quanto ao potencial de compra do consumidor, percebe-se que o sorvete poderá ser consumido pelos indivíduos de qualquer classe social, pois por se tratar de um alimento de baixo valor aquisitivo, não dependendo, portanto, do
  50. 50. 50 direcionamento do produto a um determinado público alvo em especifico, de modo que este esteja acessível a qualquer nível de renda. Para fins de levantamento, buscou-se a constatação da renda média mensal dos futuros clientes da Sorveteria do Porto, para isso foi considerado, portanto, uma renda média de R$ 678,00, o que equivale a um salário mínimo. O nível de consumo dependerá em especial da quantidade do produto a ser adquirido pelo cliente, o que neste caso varia de um indivíduo para outro. A sazonalidade é outro fator consequente que irá interferir no potencial de compra das pessoas, ou seja, por ser um alimento a base de gelo, proporcionando uma sensação refrescante ao ser consumido, tendo assim seu potencial de comercialização prejudicada na nossa região durante o período de inverno em função da queda nas temperaturas, sendo que com um clima mais frio, a demanda pelo produto é quase totalmente interrompida durante este período do ano, que geralmente vai dos meses de maio a agosto. Deste modo, nos demais meses do ano tendem a proporcionar um alto índice de vendas, em especial de novembro a março, pois durante este período costuma ocorrer um aumento na temperatura, de modo que este fator climático contribui para aumentar a demanda de sorvete, e consequentemente estimular o consumo do produto. Outro fator determinante que deve ser levado em conta em relação ao potencial de compra dos consumidores é a renda, como já mencionado, por ser um produto com baixo custo de aquisição, mesmo parecendo ser uma variável que exercerá pouca ação em relação ao consumo do produto, poderá influenciar no aumento ou diminuição da demanda, provocando oscilações nas vendas ou até mesmo sendo um fator chave para que ocorra uma elevação da fatia de mercado em função do aumento do poder de compra dos consumidores. Por ser uma entrante no mercado a Sorveteria do Porto em um primeiro momento pretende ocupar uma pequena fatia de mercado, atendendo inicialmente apenas a comunidade local do município de Porto Lucena e arredores, disputando mercado com concorrentes como outras sorveterias, bares, lancherias e supermercados que comercializam o produto.
  51. 51. 51 Pretende-se a partir da aplicação das estratégias anteriormente elencadas, desenvolver a credibilidade e ser reconhecida pelo cliente através da oferta de um bom produto, de modo que se houver o aumento da demanda pelos produtos da empresa, seja possível expandir o mercado para outras cidades, com vista na possibilidade de distribuição do produto ao varejo. Considerando o que foi obtido a partir das informações levantadas com relação ao potencial de crescimento de mercado relatado pelas empresas entrevistadas que atuam direta e indiretamente no ramo, a Sorveteria do Porto tem como pretensão ampliar seu percentual de mercado a um nível de 3% ao ano. Manter-se instável em um mercado onde há um alto número de concorrentes diretos e indiretos não é tarefa fácil, para isso a Sorveteria do Porto pretende dedicar esforços fundamentalmente na qualidade do produto, para que este se torne sinônimo da satisfação do cliente, ou seja, oferecer ao consumidor um produto criteriosamente elaborado, com a utilização de matéria prima de qualidade e confiável, seguindo rigorosamente normas de produção e boas práticas de fabricação, pois garantindo a segurança alimentar de quem irá consumir o produto final, é sem dúvida peça fundamental para que a empresa se mantenha no mercado fortalecida para competir com as demais concorrentes. De acordo com os dados pesquisados podem ser listadas algumas oportunidades e ameaças (quadro 2), as quais poderão ser estudas para que se possa desenvolver um plano de ação para absorver bons resultados diante das oportunidades. Já com relação às ameaças, pretende-se por meio do desenvolvimento de estratégias corretivas aplicarem soluções para neutralizá-las. Quadro 2: Oportunidades e ameaças da empresa Fonte: Elaborado pelo acadêmico Conforme o quadro 3 podem ser descritos alguns pontos fortes, que podem gerar benefícios e resultados positivos a organização, assim como também alguns
  52. 52. 52 pontos fracos, os quais deixam a estrutura da empresa com algumas deficiências, prejudicando os resultados da mesma. Quadro 3: Pontos fortes e pontos fracos da empresa Fonte: Elaborado pelo acadêmico Sendo assim a empresa já tem definido algumas estratégias que pretende aplicar para absorver o percentual desejado de mercado, usando-as como diferencial para superar os competidores. Deste modo, definem-se as seguintes estratégias: - Oferecer um produto de qualidade ao cliente; - Seguir normas de produção, garantindo a segurança alimentar do cliente; - Privilegiar o cliente através do bom atendimento; - Trabalhar o marketing para divulgar a empresa e o produto ao consumidor; - Garantir a acessibilidade do produto ao cliente. - Reduzir custos de produção, adquirindo matéria prima direto de fábrica. No quadro 4, apresentam-se os principais concorrentes, os quais foram investigados com o objetivo de levantar informações que servirão de base para o desenvolvimento de um planejamento estratégico pela Sorveteria do Porto.
  53. 53. 53 Quadro 4: Mercado concorrente Fonte: Elaborado pelo acadêmico Foi feito um levantamento de informações com o objetivo de pesquisar preços, quanto aos equipamentos e matéria prima que serão utilizados pela empresa, para que possa ser feita uma análise dentre os possíveis fornecedores, visando identificar qualidade, preço acessível, comprometimento dentre outros fatores que virão a contribuir no processo de negociação garantindo credibilidade entre a Sorveteria do Porto e seus fornecedores. Dentre alguns possíveis fornecedores dos quais foram feitos contatos para obtenção de valores orçamentários estão elencadas no quadro 5. Quadro 5: Fornecedores de equipamentos e matéria prima Fonte: Elaborado pelo acadêmico Observa-se que dos possíveis fornecedores apresentados (quadro 5), apenas duas empresas retornaram com informações a respeito dos valores orçamentários, sendo que foram considerados apenas os valores orçados pela Finamac, já que a
  54. 54. 54 Tecno Express trabalha somente com a linha soft (sorvete expresso), não se enquadrando com o tipo de produção desejada pela Sorveteria do Porto. Por se tratar de uma nova empresa é necessário que ela seja reconhecida local e regionalmente, para isso se pretende divulgá-la utilizando os veículos de mídia mais próximos, neste caso, as rádios locais, Rádio Muriá e Rádio Navegantes, e no jornal A Gazeta do Povo que circula na região, assim como também de forma online, por meio de um site criado para a empresa e através de redes sociais (facebook, twitter). Com o objetivo de promover a empresa, possibilitando maior aproximação e conhecimento por parte do cliente, se tem como ideia inicial a realização de um evento inaugural onde será servido um Buffet a base de sorvete, com os mais variados sabores que a empresa irá produzir. Incluindo como parte integrante da promoção uma espécie de sorteio de vale-sorvetes entre os clientes participantes, de forma que esta iniciativa venha a instigar os mesmos a conhecer melhor os produtos que serão ofertados pela empresa. Figura 2: Logomarca institucional da empresa Fonte: Elaborado pelo acadêmico Como meio de divulgação da marca, para que esta transmita o sentido de existência, construindo algum significado na mente do cliente, de modo que o
  55. 55. 55 mesmo possa lembrar-se do produto a partir da imagem da marca, foi criada uma logomarca institucional para empresa, como apresenta a figura 2. No intuito de agregar valor e conhecimento aos produtos, foi desenvolvido o slogan da marca (figura 3) a ser utilizada pela Sorveteria do Porto diferenciando seus produtos das demais marcas, estando esta definida como “Sorvetes do Porto”, trazendo consigo a missão pela qual a empresa pretende atuar em seu segmento de mercado. Figura 3: Slogan da empresa Fonte: Elaborado pelo acadêmico 4.4 Tamanho e Localização Como uma empresa de pequeno porte a Sorveteria do Porto pretende iniciar suas atividades com atuação local, adequando uma infraestrutura que possa suportar a fatia de mercado pretendido, por meio do investimento em equipamentos para a área de produção, estruturação do espaço físico do prédio, e quadro funcional adequado para suportar o volume de produção demandado.
  56. 56. 56 A empresa disponibilizará inicialmente de um prédio de alvenaria com área construída de 36.35 m² conforme certidão de existência (ANEXO A), sendo que este passará por processo de adequação para a instalação do empreendimento, com alterações em sua estrutura física seguindo as normas sanitárias necessárias para a instalação da indústria. Levando em conta estes fatores, o prédio passará por obras para alteração de seu ambiente interno adequando-o ao layout necessário para instalação e melhor distribuição dos equipamentos no espaço físico, sendo que as paredes serão todas revestidas com cerâmica na cor branca atendendo as exigências sanitárias. Serão também realizadas alterações nas instalações elétricas para que a distribuição de energia esteja com intensidade e pontos de distribuição de acordo com as especificações e localização dos equipamentos, assim como também as instalações hidráulicas, para que a canalização de água e esgoto sigam os padrões exigidos pelos órgãos sanitários. Pretende-se também ampliar o prédio, construindo uma área coberta para abrigar os clientes, onde sob a mesma ficarão dispostas algumas mesas com cadeiras, disponibilizando assim de um espaço onde os clientes possam se sentir acomodados. Identifica-se que o prédio apesar de não estar localizado próximo ao centro da cidade, é de fácil acesso e possui um considerável fluxo de pessoas, desta forma cabe salientar que mesmo não tendo uma localização privilegiada a empresa aposta no local por este possuir características de um ambiente familiar, o qual com algumas melhorias em seu espaço físico possibilitarão ao cliente, conforto e tranquilidade. Pretende-se realizar algumas alterações na fachada do imóvel, proporcionando um embelezamento e consequentemente melhorando a visibilidade do prédio, causando assim uma melhor impressão, além de divulgar o negócio por meio da padronização de uma logo marca que ficará estampada na fachada da sorveteria. Desta forma, a figura 4 ilustra a localização geográfica da Sorveteria do Porto. Cabe salientar que mesmo tendo a possibilidade de alugar um espaço comercial para a instalação do empreendimento, este teria um custo consideravelmente

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