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Segundo operador:aquilo que pode se manifestar como uma privação de gozo         apresenta-se como um gozo na privação.
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Prosseguiremos nos próximos encontros com os temas: 02/04: Histeria e psicose: as fronteiras da dissociação      16/04: Hi...
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  • Desde pequena ouvia falar de histeria de forma pejorativa; agora compreendendo melhor as teorias de Freud, consigo associá-la não só ao TOC, mas também ao narcisismo. O que voês acham?
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CURSO CLÍNICA PSICANALÍTICA 2012 - Aula 2 - Histeria e TOC: possíveis confluências

  1. 1. Clínica Psicanalítica: manejo e subjetivações na contemporaneidade Tema: Histeria e TOC: possíveis confluênciasALEXANDRE SIMÕES Coordenação Alexandre Simões ® Todos os direitos de autor reservados.
  2. 2. Em nosso encontro anterior, nos concentramos em um tema que nos aproximou das considerações sobre a histeria na atualidade: A histeria na atualidade: novas trajetórias nos labirintos da falta?
  3. 3. Partimos de algumas balizas conceituais para, na sequência, examinar um fragmento clínico. Dentre as balizas indicadas, retorno especialmente a duas:
  4. 4. Primeiro operador clínico: A histeria, sendo um modo do sujeito serremetido à sua própria divisão, comporta uma forma específica de gozo
  5. 5. Segundo operador:aquilo que pode se manifestar como uma privação de gozo apresenta-se como um gozo na privação.
  6. 6. Um discurso distintoinstaura uma clínica igualmente distinta.
  7. 7. Fragmento Clínico: Há aproximadamente quatro anos, uma jovem que se encontrava na transição da adolescência para os primeiros anos da idade adulta, me procurou motivadapor duas situações distintas e com um grande incômodo. Inicialmente, havia a perda abrupta da mãe. Ainda não tinha completado um ano que a mãe - com quem apaciente vivia - sofreu um AVC de grandes proporções e faleceu.
  8. 8. Para a jovem paciente, esta perda ainda não era muitobem compreendida e restava-lhe, na proximidade destemomento traumático, se reconhecer como uma pessoa sem sorte, distinta de todas as outras jovens de seu círculo de relações. A paciente afirmava que não conhecia ninguém, na pequena cidade onde morava, que tivesse passado por semelhante acontecimento.
  9. 9. A perda da mãe e a certeza de que uma tragédia muito singular havia se abatido sobre a sua vida faziam ecoar outras perdas jáocorridas, especialmente a incapacidade de seu pai ser, aos seus olhos, um pai.
  10. 10. Anos antes, o pai e a mãe da paciente viviam juntos, embora muito mal. Formavam uma família com três filhos, sendo apaciente a filha caçula. As crises de ciúme do pai, associadas ao seu alcoolismo, tornavam a relação familiar difícil econstantemente tensa, chegando a ocorrer algumas agressões físicas do pai em relação à mãe. A paciente era muito nova nesta época, mas esta era a imagem que, posteriormente, lhe foi possível capturar de seu pai: um pai decaído.
  11. 11. Este pai, sem uma ocupação muito específica, ridicularizado e criticado pela família da mãe (composta por irmãos e irmãsmuito unidos, com um grande grau de influência recíproca entresuas vidas), separou-se de sua mãe. Foi a partir daí que cada umde seus dois irmãos acabou sendo criado mais de perto por uma das tias. A família, assim, se “tentacularizou”, ainda que todos continuassem morando muito próximos uns dos outros. A jovem foi a única que permaneceu morando junto de sua mãe. A partir do falecimento desta, a paciente, então, se lamentava:“perdi minha mãe, nunca tive uma família, nunca tive um pai. Todas as outras pessoas tem; eu sou a única que não...”
  12. 12. Esta fala da paciente, tão repleta de um traço narcísico – na medida em que indica a sua captura por uma imagem que mesmo sendo negativizada é idealizada – e alienante, nos conduz a perceber a presença da divisão do sujeito: “a alienação reside na divisão do sujeito” (Lacan, Escritos, p. 855)
  13. 13. A segunda situação de grande incômodo que também participou da chegada da paciente à análise foi, após a morte da mãe, o surgimento de uma dupla sintomatologia:a) a paciente percebia, no que se refere ao seu humor esua própria relação com a vida, um grande contrasteentre o antes e o após a perda da mãe: anteriormente, ajovem era uma líder na sua escola, uma pessoa cheia deiniciativa, participante de todas as ações, alguém que sedestacava entre as amigas.Agora, um retraimento havia se abatido sobre apaciente e ela já não mais era tão segura desi, mas, bem ao contrário, portava um questionamentosobre seu próprio valor, suas capacidades e habilidades.Uma espécie de perda de brilho, ao ver da paciente, seabateu sobre ela própria.
  14. 14. Esta sintomatologia, na qual nóspodemos reconhecer claramente a incidência de uma Inibição sobre a Freud vai nos propor que a inibição é uma paciente, era problemática narcísica e, bastante discreta. A enquanto tal, funciona outra como uma defesa para o sintomatologia, que paciente, comportando virá a seguir, é que uma cota de desconhecimento. será bem mais exuberante. Porém, Ou seja, com a parece-me que esta manutenção da inibição o marca da inibição paciente não vem a saber não deve ser sobre sua própria divisão. desprovida de seu valor.
  15. 15. b) gradativamente, um amplo quadro de sintomas, condutas, rituais e repetições foi se instalando - identificados pela paciente e por suas tias como um TOC prêt-à-porter: transtorno obsessivo-compulsivo. Esta sintomatologia era bastante severa quanto àquilo que exigia da paciente: sua energia, tempo e paciência iam se definhando diante dos rituais para se vestir, se levantar da cama ao acordar, tomar banho, arrumar seu quarto, sair de casa, escrever alguma coisa no caderno, se preparar para dormir, etc. Ao lado desta sintomatologia que atingia afazeres e ações haviatambém uma sintomatologia invasiva e com traços repetitivos que se referia aos pensamentos. A paciente era instigada a pensar certos conteúdos e a elaborar alguns planos mentais.
  16. 16. Estes dois aspectos (a inibição e a aparição do que a paciente nomeava como TOC) causavam grande mal-estar e traziam o enigma: “por que isto tudo acontece comigo?”
  17. 17. De minha parte, considerei importante realizar na condução clínica do caso uma minuciosa trajetória pelos labirintos desta sintomatologia. A paciente falava de seus sintomas como se fossem edemas; ela estava plena deles, a ponto de estourar. Busquei, portanto, uma espécie de esvaziamento dos mesmos. Nesta trilha, a paciente me narrava (sem nenhuma linearidade) as manifestações dos sintomas, seus detalhes, incidências, momentos de agravamento e de abrandamento. Ela insistentemente associava-os à morte da mãe, ainda que não conseguisse compreender muito bem o nexo que aí podia se estabelecer.
  18. 18. A paciente dizia que seu maior sonho era se ver livre de seus sintomas, ainda que elaacreditasse que isto tudo nunca fosse passar. Em meio à estratégia de exaustão (falar e redizer osintoma), surgia um misto de lembrança e imagem de si que a paciente assim descreveu:“sou uma criança que está em um lugar muito escuro e me encontro agachada, com medo de me levantar.”
  19. 19. A paciente, desde a morte da mãe, foi também morar com uma tia, tal como seus irmãos haviam feito bem anteriormente na ocasião da separação entre seus pais. Ela ainda tem contato com o pai que, segundo ela, faz ocontrário de um pai: lhe procura para lhe pedir alguns trocados para beber. Motivo este de grande irritação para a paciente.
  20. 20. Como sinalizamos mais atrás:Na histeria, aquilo que pode se manifestar como uma privação de gozo apresenta-se como um gozo na privação.E não é incomum que na histeria este lugar (lugar do gozo e do gozo na privação) esteja mediatizado pela relação com uma outra Mulher.
  21. 21. Por isso, em termos de condução clínica devemos nos valer de forma instrutiva daquilo que Freud não fez - como ele muito bem sinalizou no pós- escrito ao caso Dora. Freud começou pela indagação acerca do objeto e, assim, deixou de considerar a duplicidade subjetiva aí implicada.Devemos sempre criar condições, na análise deum histérico, para a indagação crucial: antes de perguntar o que ele deseja, cabe perguntar: “quem deseja ?”
  22. 22. Prosseguiremos nos próximos encontros com os temas: 02/04: Histeria e psicose: as fronteiras da dissociação 16/04: Histeria e atuação: corpo e gozo Até lá! Acesso a este conteúdo: www.alexandresimoes.com.br ALEXANDRE SIMÕES ® Todos os direitos de autor reservados.

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