UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS
CURSO DE LETRAS
HABILITAÇÃO EM LÍNGUA E LITERATURA PORTUGUESA
A REPRESENTAÇÃO DA EDUCAÇ...
O PORQUÊ DE SE ESTUDAR AS CHARGES
O humor utilizado através das charges se constitui em uma
ótima forma de um interlocutor...
O presente artigo tem como objetivo analisar os estereótipos e as
identidades presentes nas charges virtuais (CV). Para ta...
AS REDES SOCIAIS
A liberdade de acesso possibilitado pela internet como um “espaço
público” e os mecanismos tecnológicos q...
CHARGE VIRTUAL
O suporte virtual concede à charge um caráter de imaterialidade, tendo em
vista que ao legitimar sua existê...
ESTEREÓTIPOS
Durante muito tempo, na tentativa de uma definição ao termo
estereótipo, várias noções foram atribuídas. Aind...
CHARGISTA MAURÍCIO RICARDO
Maurício Ricardo fundou o site www.charges.com.br no ano de 2000, que
iniciou por diversão, qua...
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É claro que ele têm uma língua, também falam português brasileiro, só que falam variedades
linguísticas estigmatizadas, qu...
CONCLUSÃO
Durante este trabalho, as charges serviram de instrumento de análise sobre
as construções de identidades e ester...
Foi possível verificar, após a análise dos discursos que circulam sobre
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• REFERÊNCIAS
• BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico. 51. ed. São Paulo: Loyola,
1999.
• CIRNE, Moacir. A explosão criat...
• MUSSALIM, F; BENTES, A. (Orgs.). Introdução à linguística: domínios e
fronteiras. Vol. 2. São Paulo: Cortez, 2001.
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A REPRESENTAÇÃO DA EDUCAÇÃO NAS CHARGES VIRTUAIS DE MAURÍCIO RICARDO

  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS CURSO DE LETRAS HABILITAÇÃO EM LÍNGUA E LITERATURA PORTUGUESA A REPRESENTAÇÃO DA EDUCAÇÃO NAS CHARGES VIRTUAIS DE MAURÍCIO RICARDO GISELE PACHECO VIEIRA DE SOUZA LORENA MARIA NOBRE TOMÁS (ORIENTADORA) MANAUS 2012
  2. 2. O PORQUÊ DE SE ESTUDAR AS CHARGES O humor utilizado através das charges se constitui em uma ótima forma de um interlocutor expor à sociedade o que realmente pensa, sem nenhum pudor, pois dificilmente haverá qualquer punição diante do conteúdo apresentado. O humor utiliza-se do efeito da “graça” para esconder conceituações ideológicas que muitas vezes não são entendidas inicialmente pelos que recebem o discurso. As piadas fornecem simultaneamente um dos melhores retratos dos valores e problemas de uma sociedade, por um lado, é uma coleção de fatos dados impressionantes para quem quer saber o que é e como funciona uma língua, por outro que quiser descobrir os problemas com os quais uma sociedade se debate, uma coleção de piadas fornecerá excelente pista: sexualidade, etnia/raça, tabus sociais e outras diferenças, instituições (igreja, escola, casamento, política), morte, tudo isso está sempre presente nas piadas que circulam anonimamente e que são ouvidas e contadas por todo mundo em todo mundo. (POSSENTI, 2001, p. 72).
  3. 3. O presente artigo tem como objetivo analisar os estereótipos e as identidades presentes nas charges virtuais (CV). Para tanto foram analisadas charges que circulam no site www.charges.com.br, do chargista Maurício Ricardo, que abordam o tema educação. Utilizando o aporte teórico da Análise do discurso de linha francesa. Optamos pela AD, cujo objetivo é analisar os discursos que circulam sobre a educação brasileira em charges virtuais, compreender qual o efeito de sentido produzido pelos discursos, não considerando a linguagem como transparente. Utilizamos também os argumentos de autoria de Sírio Possenti (2001, 2009, 2010), que além de ser um analista do discurso filiado à linha desta pesquisa.
  4. 4. AS REDES SOCIAIS A liberdade de acesso possibilitado pela internet como um “espaço público” e os mecanismos tecnológicos que estão à disposição do usuário para se deslocar pela rede, são articulados pelos chamados hiperlinks ou, simplesmente, links. São os recursos da internet que permitem que o usuário da rede se remeta a outro ambiente com apenas um clique. O crescimento da necessidade de interação humana na rede que propiciou o surgimento de ambientes específicos para essa finalidade, as redes sociais. Segundo Dimantas apud Silva e Asevêdo (2010) na internet, as pessoas têm a possibilidade de interagir com as comunidades e, assim, protagonizar sua própria existência, buscando e construindo nas comunidades informacionais os interesses comuns.
  5. 5. CHARGE VIRTUAL O suporte virtual concede à charge um caráter de imaterialidade, tendo em vista que ao legitimar sua existência no ambiente midiático, configura-se como uma produção que se presentifica por meio de instrumentos tecnológicos, sendo que por si só não se materializa e permanece em um suporte flutuante: a rede. A charge virtual, por utilizar um número maior de quadros sequenciados, permite, na maioria dos casos, a consonância entre as linguagens verbal e não verbal. O suporte virtual amplificou o potencial multissemiótico a partir da introdução de elementos como o som e a imagem animada. As charges, que antes apresentavam uma linguagem visual, verbal, passam a assumir uma linguagem verbo-visual, sonora.
  6. 6. ESTEREÓTIPOS Durante muito tempo, na tentativa de uma definição ao termo estereótipo, várias noções foram atribuídas. Ainda no plano histórico, a palavra estereótipo está relacionada a um aparelho tipográfico, que produzia uma mesma impressão milhares de vezes. Fica claro que o conceito de estereótipo está relacionado à forma como a sociedade, de uma maneira geral, concebe, compartilha e julga determinados grupos sociais. Vale ressaltar que se tratando do humor, sempre a imagem de quem se fala será negativa na maioria das representações. Essa negatividade é que causará o riso, porque ao expor um grupo a uma situação incômoda, o olhar do outro será de ridicularizar quem está passando por uma situação vexatória.
  7. 7. CHARGISTA MAURÍCIO RICARDO Maurício Ricardo fundou o site www.charges.com.br no ano de 2000, que iniciou por diversão, quando o site começou a dar lucro, deixou seu emprego no jornal. Hoje, além de desenhar em uma prancheta digital e animar, ele dubla e toca a música de fundo das charges apresentadas no site. Atualmente ele também faz charges para a rede globo para programas como Big Brother Brasil e o Mais Você e ainda toca na banda “Os Seminovos”. ANÁLISE DA CHARGE Analisaremos as charges que abordam tema educação, lembrando que a partir deste gênero textual é possível expor o que se pensa, não havendo normalmente, qualquer forma de punição para as ideias mencionadas, o humor oferece livre arbítrio para a sociedade dizer sem medo o que realmente pensa a respeito do outro.
  8. 8. A primeira charge a ser analisada é: Dois dos 74% de brasileiros sem alfabetização plena cantam: “Eu quero tchu, eu quero tcha” da dupla João Lucas e Marcelo. O autor faz uso de algumas características para retratar a “educação brasileira”. O enunciado “Nem português sei falar” deixa claro a visão do enunciador sobre o conceito de língua. Língua Portugusa é para ele igual a “Norma Padrão”. Segundo Bagno, há o preconceito linguístico, numa série de afirmações que já fazem parte da imagem (negativa) que os brasileiros tem de si mesmo e da língua falada por aqui.
  9. 9. É claro que ele têm uma língua, também falam português brasileiro, só que falam variedades linguísticas estigmatizadas, que não são reconhecidas como válidas, que são desprestigiadas, ridicularizadas, alvo de chacota e de escárnio por parte dos falantes urbanos mais letrados, por isso podemos chamá-los de sem – língua. (BAGNO, 1999, p. 30). Sendo assim , o que a charge acima expõe não passa de uma questão política, posto que o povo semianalfabeto é de fácil manipulação para que os políticos mantenham-se no poder. Universitário Canta - Tempo Perdido (Anexo 2) Sonhos Frustrados (Anexo 3) Aproveitando o Momento (Anexo 4) Professor da rede pública canta: “Ouro de Tolo” (Raul Seixas) (Anexo 5)
  10. 10. CONCLUSÃO Durante este trabalho, as charges serviram de instrumento de análise sobre as construções de identidades e estereótipos que representam a educação nos textos humorísticos, presentes nas charges virtuais. Também destacamos o comportamento dos grupos sociais quando se referem ao outro. No intuito de autoafimar sua imagem, observamos que, por meio do humor, é mais fácil depreciar um grupo social e assim inferiorizá-lo. O que torna engraçado um texto, uma piada, é a situação inusitada que alguém é exposto. No que se refere à educação, foi possível verificar que este olhar estereótipado sobre a educação provém de características que vão além do humor. As CVs não servem apenas para o divertimento, ela evidencia um olhar de uma comunidade que muitas vezes desconhece as peculiaridades linguísticas e culturais de outros povos. Este desconhecimento acaba causando um preconceito que discrimina um grupo social e o reduz a povos considerados inferiores. A linguagem do outro sempre vai gerar um estranhamento e como forma de defesa, tudo o que se considera diferente é visto como inferior. No humor, podemos utilizar a língua do outro como forma de buscar graça daquilo que foge à normalidade.
  11. 11. Foi possível verificar, após a análise dos discursos que circulam sobre a educação brasileira, nas cinco CV, a presença do preconceito a respeito das variedades linguísticas e as caracterizações identitárias de um povo considerado inferior, que já faz parte da imagem negativa que o povo brasileiro tem de si mesmo e da sua língua, que podem ser explicadas pelas diferenças de status socioeconômico que são grandes diferenças e que gera um verdadeiro abismo linguístico entre os falantes da variedades estigmatizadas do português brasileiro.
  12. 12. • REFERÊNCIAS • BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico. 51. ed. São Paulo: Loyola, 1999. • CIRNE, Moacir. A explosão criativa dos quadrinhos. 2 ed. rev. Petrópolis: Vozes, 1971. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/46225234/3/Capitulo-III>. Acesso em: 30 mai. 2012. • CIRNE, Moacy. Literatura em quadrinhos no Brasil: acervo da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002. • • EISNER, Will. Narrativas gráficas: princípios e práticas da lenda dos quadrinhos. Tradução Leandro Luigi. São Paulo: Devir, 2008. • • MENDONÇA, Márcia R. S. et al. Gêneros textuais e ensino. In: Um gênero quadro a quadro: a história em quadrinhos. 5. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007. p. 194 - 206. •
  13. 13. • MUSSALIM, F; BENTES, A. (Orgs.). Introdução à linguística: domínios e fronteiras. Vol. 2. São Paulo: Cortez, 2001. • • ORLANDI, Eni P. Análise do discurso: princípios e procedimentos. 7. ed. Campinas: Fontes, 2007. • • POSSENTI, Sírio. Ensaio: O humor e a língua. Revista Ciência Hoje. Campinas, v. 30, n 176, p. 72-74, Out 2001. • • POSSENTI, Sírio. Malcomportadas línguas. São Paulo: Parábola, 2009. • • POSSENTI, Sírio. Humor, língua e discurso. São Paulo: Contexto, 2010. • SOUZA, Helga V. A. A charge virtual e a construção de identidades. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2008. • SILVA, Marcelo Rodrigo; ASEVÊDO, Flávio Aurélio Tenório de. Charges virtuais e redes sociais na internet: acesso e mobilidade. In: SIMPÓSIO HIPERTEXTO E TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO DA UFPe, 3, 2010, Recife. Redes sociais e aprendizagem: Anais eletrônicos. Recife: UFPe, 2010. Disponível em: <http://www.ufpe.br/nehte/simposio/anais/simposio2010.html

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